UNISALESIANO Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium Curso de Ciências Contábeis Francyelli Parini Larissa Isabella Cracco Marianna Yumi Belmiro Kamiyama Thiago Henrique da Silva A INFLUÊNCIA DA INCIDÊNCIA DO ICMS NAS VENDAS A PRAZO NO FLUXO DE CAIXA DA EMPRESA Newdrop Química Ltda. Lins – SP LINS – SP 2013 FRANCYELLI PARINI LARISSA ISABELLA CRACCO MARIANNA YUMI BELMIRO KAMIYAMA THIAGO HENRIQUE DA SILVA A INFLUÊNCIA DA INCIDÊNCIA DO ICMS NAS VENDAS A PRAZO NO FLUXO DE CAIXA DA EMPRESA Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, curso de Ciências Contábeis, sob a orientação do Professor Me. Ricardo Yoshio Horita e orientação técnica da Profª Ma. Heloisa Helena Rovery da Silva LINS – SP 2013 Parini, Francyelli; Cracco, Larissa Isabella; Kamiyama, Marianna Yumi Belmiro; Silva, Thiago Henrique da. A influência da incidência do ICMS nas vendas a prazo no fluxo P258i de caixa da empresa: Newdrop Química LTDA / Francyelli Parini; Larissa Isabella Cracco; Marianna Yumi Belmiro Kamiyama; Thiago Henrique da Silva. – – Lins, 2013. 84p. il. 31cm. Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium – UNISALESIANO, Lins-SP, para graduação em Ciências Contábeis, 2013. Orientadores: Ricardo Yoshio Horita; Heloisa Helena Rovery da Silva 1.ICMS. 2. Substituição tributária. 3. IVA/MVA. 4. Fluxo de caixa. 5. Valor presente. I Título. CDU 657 FRANCYELLI PARINI LARISSA ISABELLA CRACCO MARIANNA YUMI BELMIRO KAMIYAMA THIAGO HENRIQUE DA SILVA A INFLUÊNCIA DA INCIDÊNCIA DO ICMS NAS VENDAS A PRAZO NO FLUXO DE CAIXA DA EMPRESA Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, para obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis. Aprovado em: ____/____/____ Banca Examinadora: Prof. Orientador: Ricardo Yoshio Horita Titulação: Mestre em Ciência da Computação pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCAR Assinatura: ____________________________________ 1º Prof(a):_______________________________________________________ Titulação:_______________________________________________________ _______________________________________________________________ Assinatura: ____________________________________ 2º Prof(a):_______________________________________________________ Titulação:_______________________________________________________ _______________________________________________________________ Assinatura: ____________________________________ Primeiramente dedico este trabalho ao meu Senhor Salvador Jesus Cristo, por ser responsável pela minha vida e por todos os acontecimentos que nela ocorre, pois sei que toda sabedoria, todo entendimento, todo conhecimento e tudo o que conquistei foi Ele quem me proporcionou. O Senhor é tudo para mim, é dono de tudo que há em mim, minha vida esta toda entregue em suas mãos, é minha força, minha confiança, toda Honra e Glória concedidas a Ti meu Senhor. “Teu, Senhor, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, Senhor, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos.” 1 Crônicas 29:11. Aos meus Pais, por tudo que me proporcionaram na vida, mostrando os valores importantes fazendo com que eu sempre lutasse para realizar os meus sonhos, estando constantemente ao meu lado. Agradeço a Deus por ter vocês em minha vida. A minha irmã minha ajudadora, companheira, amiga, tudo para mim, sem ela nada teria sentido. Obrigada Jesus por esta vida, e por ter me dado a melhor irmã que alguém poderia ter. Ao meu grupo de TCC, pelo companheirismo, união e dedicação na realização e concretização dessa importante etapa de nossas vidas, que não seria possível sem a participação de cada um de vocês. Francyelli Parini Dedico primeiramente a Deus, por tudo que proporciona em minha vida, pelo qual foi o principal responsável pela concretização deste trabalho, dandome saúde, perseverança e ânimo, fatores sem os quais não seria possível a realização do mesmo. Em especial a minha mãe Fatima, pela dedicação, exemplo, conselhos e apoio. Obrigada por nunca medir esforços em me ajudar, obrigada, pois mesmo em momentos difíceis, você encontra forças para me animar e fortalecer. Mãe você é meu exemplo de superação e coragem, é meu exemplo de vida. Meu amor por você é enorme. A meu pai, que também amo muito, pois sempre me ensinou a “correr” atrás dos meus sonhos, desde que sejam conforme a vontade de Deus. Agradeço pela educação dada, por todos os ensinamentos e pelo apoio de sempre. Muitíssimo obrigada! E ao meu grupo de TCC (Fran, Mari e Thiago), onde além de juntos crescermos profissionalmente, formou-se um forte laço de amizade. Dedico este trabalho a vocês, mais do que merecidamente, pois este só foi possível graças ao empenho de cada um. Muito obrigada pelo companheirismo e saibam que cada um de vocês tem um lugarzinho no meu coração para sempre! Larissa Isabella Cracco Dedico este trabalho primeiramente a Deus, por sempre iluminar meu caminho, a quem devo minha existência, adoração e gratidão, pois sem ele eu nada seria, por ter me guiado para que chegasse até aqui, e por todas as graças recebidas que me levaram a conclusão deste tão esperado momento. Aos meus pais e meu irmão, que sempre acreditaram em mim, que são minha base e inspiração para tudo, me ajudaram, me deram muito apoio e incentivo nos momentos mais difíceis, pois sem eles nada teria sentido e nada seria possível. Ao meu namorado por sempre estar ao meu lado, me incentivando, apoiando e nunca medindo esforços para me ajudar. Aos meus familiares que sempre contribuíram, me apoiaram e ajudaram direta ou indiretamente. Aos meus colegas de sala em especial: Fran, Larissa e Thiago, por me ajudarem e apoiarem, sem eles a conclusão deste jamais seria possível, nunca me esquecerei de vocês. Dedico a todos vocês que participaram desta minha etapa, que contribuíram e me fizeram crescer pessoalmente e profissionalmente, sem vocês não chegaria até aqui. Muito obrigada é pouco, mas é um obrigada de coração e emoção! Marianna Yumi Belmiro Kamiyama A minha mãe, que sempre esteve ao meu lado em todos os desafios e obstáculos superados. As minhas companheiras do TCC (Larissa, Fran e Japonesa), que se tornaram muito mais que amigas e me aguentaram durante todo esse tempo, mostrando um verdadeiro sentimento de trabalho em equipe, amizade e superação de desafios. A Aparecida de Fátima, que considero minha segunda mãe e por tantas ocasiões me ajudou com palavras de carinho e afeto além de sempre ter colaborado com o grupo cedendo seu lar com uma grande boa vontade e carinho. Thiago Henrique da Silva AGRADECIMENTOS A DEUS: Agradecemos primeiramente a Deus, pois pela vontade Dele, conseguimos concluir esta fase em nossas vidas. Durante os momentos de dúvidas e desafios, nosso Senhor nos deu paz e perseverança para prosseguir, muitas bênçãos foram colocadas em nosso caminho pelo Pai Celestial. Que também nos mostrou que confiando Nele, somos capazes de superar qualquer desafio diante de nossos olhos. Que possamos usar este sentimento, para cumprir o propósito de Deus em nossas vidas. “Deus é a minha fortaleza e a minha força e ele perfeitamente desembaraça o meu caminho”. 2 Samuel 22:33. AO PROFESSOR RICARDO YOSHIO HORITA: Agradecemos ao nosso orientador Ricardo Horita, pela dedicação nesta linda vocação de ensinar, através do senhor, aprendemos a valorizar o conhecimento e compreender na prática o que são dedicação e esmero nas coisas que fazemos. Sempre esteve pronto para nos atender e colaborar com a construção do nosso conhecimento. Agradecemos por ter nos orientado para que chegássemos à conclusão do nosso trabalho. Oramos para que o senhor tenha sempre muita saúde e felicidade. “Se deres um peixe a um homem faminto, vais alimentá-lo por um dia. Se o ensinares a pescar, vais alimentá-lo toda a vida.” Lao-Tsé. À PROFESSORA HELOISA HELENA ROVERY DA SILVA: Agradecemos a Heloisa, pela paciência que teve conosco durante todo este percurso de desenvolvimento do trabalho, pela total prontidão em ajudar e transmitir todo o conhecimento e a especial atenção que tem com todos os alunos. Agradecemos por ter nos orientado na conclusão deste trabalho. AOS PROFESSORES ANDRÉ RICARDO PONCE DOS SANTOS E RICARDO GONÇALVES DOS SANTOS: Agradecemos pela colaboração no desenvolvimento de nosso trabalho, por ter nos concedidos seus conhecimentos, proporcionando e transmitindo soluções no decorrer desta complexa etapa. À EMPRESA NEWDROP QUÍMICA LTDA: Agradecemos pela atenção e oportunidade que nos foi concedida, fatores estes, que foram preponderantes para o desenvolvimento deste trabalho. Francyelli, Larissa, Marianna e Thiago RESUMO Ao ter em vista a complexidade do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação, foi desenvolvida uma análise comparativa do mesmo em relação à Substituição Tributária (ST) e o índice do valor agregado (IVA/MVA), que interferirá no fluxo de caixa da empresa. O referido imposto pode ser com ou sem ST, a Substituição Tributária, que é o regime no qual a responsabilidade pelo pagamento do ICMS, em relação as operações ou prestações de serviços, é conferida a outro contribuinte. Uma das particularidades deste imposto é o fato de cada estado possuir regulamento próprio. Desta forma, as alíquotas variam de acordo com as operações intra ou interestaduais e conforme os protocolos e convênios. A pesquisa realizada demonstra a importância de ter uma projeção bem estruturada, com o estudo de preços de vendas à vista e a prazo (ao se levar em conta o valor presente), e seu impacto no fluxo de caixa, para se ter maior clareza da real situação empresarial, tomada de decisões mais conscientes e diminuição de possíveis prejuízos. Portanto, para se atingir o objetivo deste trabalho foi realizada uma pesquisa de campo, apresentados gráficos explicativos, tabelas de análises de vendas e fluxo de caixa, cálculos de valor presente, impostos, receitas operacionais e demais operações necessárias para simulações de vendas e, assim, buscou-se explicitar o fato de que as mudanças no fluxo de caixa, mesmo que não alterem diretamente o resultado empresarial, interferem diretamente na saúde da empresa. Palavras-chave: ICMS. Substituição tributária. IVA/MVA. Fluxo de caixa. Valor Presente. ABSTRACT When considering the complexity of the Tax on Circulation of Goods and Services on interstate and intercity transportation and communication, a comparative analysis was developed with this tax in relation to the Replacement Tax (RT) and the value added tax (VAT), which interferes in the cash flow of the company. The referred tax can be with or without the RT - Replacement Tax which is the regime where the liability to pay of tax, in relation to transactions or services, is given to another taxpayer. One of the particularities of this tax is that each state has its own regulations. So, the rates vary according to the intra or interstate and protocols and agreements. The research demonstrates the importance of having a well-structured projection, with the study of prices of cash and forward sales (as the present value is taken into account), and its impact on cash flow, to clarify the real business situation, more conscious decision-taking and decrease possible losses . Therefore, to achieve the objective of this work, a field research was conducted, presenting also explanatory graphs, tables, analysis of sales and cash flow, present value calculations, taxes, operating income and other necessary operations to sales simulations and, thus, explain the fact that changes in cash flow, even not directly changing the business result, they directly affect the health of the company. Keywords: Tax. Replacement Tax. VAT. Cash flow. Present value. LISTA DE FIGURAS Figura 1: Foto da indústria Newdrop Química Ltda...................................... 20 Figura 2: Planta da indústria Newdrop Química Ltda.................................. 21 Figura 3: Fotos dos setores da indústria.................................................... 21 Figura 4: Logotipo da indústria Newdrop Química Ltda............................... 22 Figura 5: Linhas de produtos da indústria Newdrop Química Ltda............ 24 Figura 6: Fluxograma do programa pós-consumo........................................ 27 Figura 7: Fotos do tratamento de água......................................................... 28 Figura 8: Organograma funcional da empresa.............................................. 29 Figura 9: Certificado de filiação com a Abralimp........................................... 30 Figura 10: Certificado ISO 9001.................................................................... 31 Figura 11: Certificado de destaque ambiental............................................... 31 Figura 12: Hierarquia das Normas................................................................. 33 Figura 13: Gráfico do fluxo de caixa e valor presente................................... 62 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Exemplo de diferencial de alíquotas............................................. 45 Quadro 2: Simulação de venda com substituição tributária........................... 56 Quadro 3: Cálculo ICMS – próprio................................................................. 57 Quadro 4: Cálculo ICMS – ST....................................................................... 57 Quadro 5: Cálculo do valor final de venda..................................................... 58 Quadro 6: Valor da nota da venda com ST................................................... 58 Quadro 7: DRE da venda com ST................................................................. 58 Quadro 8: Simulação de venda sem substituição tributária........................... 59 Quadro 9: Cálculo ICMS – próprio................................................................. 59 Quadro 10: Cálculo IPI................................................................................... 59 Quadro 11: Cálculo do valor final de venda................................................... 60 Quadro 12: Valor da nota da venda sem ST................................................. 60 Quadro 13: DRE da venda sem ST............................................................... 60 Quadro 14: Informações de venda................................................................ 61 Quadro 15: Fluxo de caixa e valor presente.................................................. 62 Quadro 16: Valor presente............................................................................. 63 Quadro 17: Informações de venda................................................................ 65 Quadro 18: Fluxo de caixa e valor presente.................................................. 65 Quadro 19: VPL em função da taxa de juros mensais.................................. 66 Quadro 20: Cálculo do valor da parcela........................................................ 66 Quadro 21: Cálculo do valor da parcela........................................................ 67 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABRALIMP - Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional ALQ – Alíquota ART – Artigo BC – Base de Cálculo CAT – Contencioso AdministrativoTributário CF – Constituição Federal CFOP – Código Fiscal de Operações e Prestações CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas COFINS – Contribuição para Financiamento da Seguridade Social CONFAZ – Conselho Nacional de Política Fazendária CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira CPP – Código de Processo Penal CSLL – Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CTN – Código Tributário Nacional DOU – Diário Oficial da União EPP – Empresa de Pequeno Porte IA – Imposto Antecipado IC – Imposto cobrado na operação anterior ICM – Imposto sobre Circulação de Mercadoria ICMS – Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS-ST – Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação com Substituição Tributária INSS - Contribuição para a Seguridade Social IPI – Imposto Sobre Produtos Industrializados IR – Imposto de Renda IRPF – Imposto de Renda Pessoa Física IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRRF – Imposto de Renda Retido na Fonte ISS – Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza i – Taxa ISO – Organização Internacional de Normalização IVA – Índice do valor agregado ME – Microempresa MVA – Margem do valor agregado n – Período de Tempo ou Número de Parcelas Iguais NCM – Nomenclatura Comum do Mercosul P – Valor Presente PIS – Programa de Integração Social RICMS/SP – Regulamento do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação do Estado de São Paulo RIR – Regulamento do Imposto de Renda ROB – Resultado Operacional Bruto S – Valor Futuro SH – Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias ST – Substituição Tributária UF – Unidade de Federação VA – Valor Acrescido VP – Valor Presente VPL – Valor Presente Líquido SUMÁRIO INTRODUÇÃO..................................................................................................... 17 CAPÍTULO I – NEWDROP QUÍMICA LTDA....................................................... 19 1 DESCRIÇÃO DA EMPRESA................................................................. 19 1.1 História da empresa............................................................................... 19 1.2 Estrutura................................................................................................. 20 1.3 Logotipo.................................................................................................. 22 1.4 Área de atuação..................................................................................... 22 1.5 Linhas de produtos................................................................................. 23 1.6 Política.................................................................................................... 24 1.7 Missão.................................................................................................... 25 1.8 Visão....................................................................................................... 25 1.9 Principais fornecedores.......................................................................... 25 1.10 Principais clientes................................................................................... 25 1.11 Concorrentes.......................................................................................... 25 1.12 Distribuidores.......................................................................................... 26 1.13 Sustentabilidade..................................................................................... 26 1.14 Organograma......................................................................................... 28 1.15 Regime tributário.................................................................................... 29 1.16 Associação e certificados....................................................................... 30 CAPÍTULO II – OPERAÇÕES RELATIVAS AO ICMS E SUAS APLICAÇÕES..................................................................................................... 32 2 ANÁLISE DO ICMS, SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA, IVA/MVA E O FLUXO DE CAIXA.................................................................................. 32 2.1 Direito tributário...................................................................................... 32 2.1.1 Hierarquia das normas........................................................................... 32 2.1.2 Princípios constitucionais tributários..................................................... 33 2.1.2.1 Princípio da legalidade........................................................................... 33 2.1.2.2 Princípio da anterioridade da lei ou anualidade..................................... 34 2.1.2.3 Princípio da igualdade ou isonomia........................................................ 34 2.1.2.4 Princípio da irretroatividade da lei.......................................................... 34 2.1.2.5 Princípio da capacidade contributiva...................................................... 34 2.2 Regimes tributários federais.................................................................. 34 2.2.1 Simples Nacional.................................................................................... 35 2.2.2 Lucro Presumido.................................................................................... 36 2.2.3 Lucro Real.............................................................................................. 36 2.2.4 Lucro Arbitrado....................................................................................... 37 2.3 Tributos................................................................................................... 38 2.3.1 Planejamento tributário........................................................................... 39 2.3.2 Classificação.......................................................................................... 40 2.3.3 Obrigação tributária................................................................................ 40 2.4 Impostos................................................................................................. 41 2.4.1 Cumulatividade e não cumulatividade.................................................... 41 2.5 ICMS – Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação.......................................................................................... 42 2.5.1 Base de cálculo...................................................................................... 43 2.5.2 Alíquota.................................................................................................. 44 2.5.2.1 Diferencial de alíquotas.......................................................................... 44 2.5.3 Protocolos ........................................................................................... 45 2.5.4 Convênios............................................................................................... 46 2.6 Substituição tributária............................................................................. 47 2.6.1 Espécie de substituição.......................................................................... 48 2.6.2 Sujeitos da obrigação tributária.............................................................. 48 2.6.2.1 Sujeito ativo da obrigação tributária...................................................... 48 2.6.2.2 Sujeito passivo da obrigação tributária.................................................. 49 2.6.2.2.1 Contribuinte......................................................................................... 49 2.6.2.2.2 Responsável....................................................................................... 50 2.7 IVA/MVA – Índice/Margem do valor agregado....................................... 51 2.8 Fluxo de caixa........................................................................................553 2.9 IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados........................................ 53 2.10 Valor presente........................................................................................ 53 2.11 NCM - Nomenclatura Comum do Mercosul............................................ 54 2.12 CFOP - Código Fiscal de Operações e Prestações............................... 54 CAPÍTULO III – O EFEITO DO ICMS NAS VENDAS DE MERCADORIAS CONSIDERANDO A INFLUÊNCIA DA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA NO FLUXO DE CAIXA DA EMPRESA..................................................................... 55 3 INTRODUÇÃO....................................................................................... 55 3.1 Simulação de vendas com substituição tributária.................................. 56 3.2 Simulação de vendas sem substituição tributária.................................. 58 3.3 Análises comparativas das simulações de vendas................................ 60 3.4 Simulação de fluxo de caixa e valor presente........................................ 61 3.4.1 Venda dentro do Estado de São Paulo com substituição tributária....... 61 3.4.2 Venda para uma empresa localizada no Estado do Ceará, sem substituição tributária.............................................................................. 64 3.5 Determinação do valor de venda a prazo............................................... 66 3.5.1 Venda dentro do Estado de São Paulo, com ST.................................... 66 3.5.2 Venda fora do Estado de São Paulo, sem ST........................................ 67 3.6 Parecer Final.......................................................................................... 68 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO....................................................................... 70 CONCLUSÃO..................................................................................................... 71 REFERÊNCIAS................................................................................................... 73 APÊNDICES....................................................................................................... 77 ANEXOS............................................................................................................ 83 17 INTRODUÇÃO Através do planejamento tributário, podem-se obter vantagens, que interfiram direta ou indiretamente no resultado da empresa, o que possibilita a melhora no poder de negociação dos gestores nas vendas. O ICMS é um imposto que incide sobre a circulação de mercadorias, serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, em que as alíquotas são estabelecidas de acordo com a legislação de cada estado. Sabe-se da importância que o ICMS tem para as empresas. Entende-se a importância de estudar o efeito da substituição tributária (ST), que ocorre quando a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto é atribuída a terceiro envolvido na operação ou prestação, do fato gerador do tributo. Neste contexto, foi realizado um estudo de caso na empresa Newdrop Química Ltda., com o objetivo inicial de avaliar o efeito do ICMS, ao se levar em conta a ST e o IVA/MVA. Para tanto, foi elaborada uma análise comparativa das vendas de mercadorias efetuadas para clientes de dentro e fora do Estado de São Paulo e seu possível efeito no fluxo de caixa. Foi avaliado também, o valor presente líquido do fluxo de caixa gerado por uma venda e seu impacto ocasionado pelo efeito da substituição tributária e, desta forma, contribuir para melhor gestão das vendas a prazo. Diante da pesquisa exploratória, surgiu a seguinte pergunta problema: O ICMS, ao se levar em conta a substituição tributária e o IVA/MVA, nas operações de venda de mercadorias dentro e fora do Estado de São Paulo, pode influenciar no fluxo de caixa da empresa e em seu resultado? Com o pressuposto de que o ICMS tem muitas particularidades, como o fato de cada estado possuir regulamento próprio, ao considerar a substituição tributária e o IVA/MVA nas vendas de mercadorias, além da variabilidade de alíquotas, estes fatores influenciarão diretamente no fluxo de caixa da empresa e no seu resultado, devido à necessidade de antecipação do pagamento deste tributo decorrente de operações futuras. Os métodos e as técnicas utilizadas no desenvolvimento da pesquisa campo estão descritos no Capítulo III. O presente trabalho encontra-se estruturado em três capítulos: 18 Capítulo I: apresenta a Newdrop Química LTDA, sua composição, sua origem e evolução e sua estrutura organizacional. Capítulo II: expõe os conceitos e definições do ICMS, Substituição Tributária, IVA/MVA e todo embasamento teórico e técnico utilizado no desenvolvimento deste trabalho. Capítulo III: descreve o estudo de caso, realizado na empresa, juntamente com a teoria e prática desenvolvida para se chegar ao resultado. Para finalizar, apresentam-se a proposta de intervenção e a conclusão. 19 CAPÍTULO I NEWDROP QUÍMICA LTDA 1 DESCRIÇÃO DA EMPRESA 1.1 História da empresa Em 02 de fevereiro de 1978, a Bracol Higienização Industrial iniciou o seu processo de industrialização para substituir mercadorias que eram utilizadas na higienização do Grupo Bertin. Nesta época, a empresa possuía um grupo de quatro funcionários e o único equipamento que havia era um reator de 2.000 litros. Até o final de 2001, os produtos já estavam consolidados, testados, aprovados e registrados junto aos órgãos federais, que controlam as linhas para higienização de indústrias e de alimentos. As vendas para terceiros começaram em 2002, com o intuito de testar a aceitação dos produtos e, em 2004, iniciou-se a produção de alguns itens para curtumes. Em 2005, a fábrica de sabão do Grupo Bertin já não tinha mais espaço para sua progressão, quando foi proposto ao conselho de acionistas o desenvolvimento de uma indústria própria, transferindo-se para as disposições da antiga Bracol, a qual iniciou as reformas necessárias para a implantação em 2006, com o término em 1º de maio de 2007 e, finalmente, instalando-se na Rua Bauru, 964, no bairro São Benedito, com equipamentos de última geração e um controle de qualidade rígido dentro das normas internacionais. No ano de 2008, a razão social por motivos estratégicos, foi transformada em Newdrop Química Ltda. Desde então, obteve crescimento constante e hoje fornece produtos para mais de 550 clientes, com um portfólio que chega a 200 produtos registrados ou notificados. Além disso, conta com 95 colaboradores diretos e 400 indiretos e com a certificação da Organização Internacional de Normalização (ISO 9001), em 2013. Desta forma, a Newdrop - sistemas de higienização, há 15 anos atua no mercado nacional com uma abrangente linha de produtos aprovados pelos 20 ministérios da saúde e da agricultura, direcionados para a sanitização e higienização de ambientes. Esses produtos se apresentam como soluções eficazes para a limpeza nos mais diversos segmentos. Figura 1: Foto da indústria Newdrop Química Ltda. Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. 1.2 Estrutura A planta da indústria foi instalada em um terreno com uma área de 19.888,54,00 m², situado na Rua Bauru, 964, bairro São Benedito, em Lins, interior de São Paulo. Esta é dividida em 12 (doze) campos, entre eles, portaria (37,57 m²), administração (200,00 m²), estacionamento (47,36 m²), expedição (1.414,90 m²), departamento químico, onde são realizadas todas as análises dos produtos, com 119,80 m², departamento de embalagens (578,20 m²), refeitório (340,80 m²), indústria, a qual possui uma capacidade de produção de até 100 toneladas de sua linha, com 3.667,60 m², casa de máquinas (29,40 m²), casa de força (36,42 m²), caçamba de lixo (133,38 m²) e guarita (6,35 m²), totalizando em 6.611,78 m². 21 Figura 2: Planta da indústria Newdrop Química Ltda. Fonte: Newdrop Química Ltda., 2008. Para promover produtos inigualáveis no mercado, a Newdrop Química Ltda. possui uma estrutura diferenciada com relação à produção de cada um de seus itens, que consiste em: almoxarifado químico, área de separação e pesagem, dry mix (área para fabricação de produtos em pó), área restrita, plataforma líquidos, envase, armazenagem produtos acabados, laboratório, armazenagem a granel e expedição. Figura 3: Fotos dos setores da indústria. Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. 22 1.3 Logotipo Figura 4: Logotipo da indústria Newdrop Química Ltda. Fonte: Newdrop Química Ltda., 2008. 1.4 Área de atuação A Newdrop apresenta soluções sob medida para as necessidades de seu público alvo, sem causar impacto ambiental, colaborando com a sustentabilidade do planeta, com produtos certificados pelo ministério da saúde e da agricultura e atua nos consecutivos segmentos: a) alimento e bebidas: agronegócios, indústria de bebidas, laticínios, propriedades rurais e extração de leite; b) água: caldeira, torres de resfriamento, sistemas de água gelada e água quente, microbicidas, tratamento reverso (osmose) e limpeza química; c) casa: canil, grelhas, churrasqueira, vidros, limpeza geral, pisos, pedras e pós-obras. d) cozinhas Industriais: refeitórios e cozinhas; e) edifícios e comércios: condomínios, escolas e faculdades; f) hospitais: clínicas e hospitais; g) hotéis: hotéis e pousadas; h) indústria: petroquímica e metal mecânica; i) lavanderias: limpeza líquida ou pó; j) limpeza Automotiva: exterior e interior e; 23 k) varejo: food service, shoppings centers, supermercados e pequenos varejos. 1.5 Linhas de produtos A Newdrop produz especialidades químicas para higiene e limpeza e traz ao mercado brasileiro um pacote de soluções para a higienização diária, divididas nas seguintes linhas: a) linha clean - produtos específicos para higiene e limpeza de cozinhas e manipulação de alimentos; b) linha flash - limpeza rápida e eficaz direto ao ponto para todas as sujidades; c) linha industrial - limpeza total de toda a área industrial na sua totalidade; d) linha hc - linha especifica para necessidades hospitalares; e) linha mega - desinfetantes; f) linha maxi - linha completa de produtos para lavagem mecânica de roupas; g) linha plus - linha de produtos para higiene pessoal do ambiente de trabalho e demais áreas; h) linha veterinária - higiene animal profissional; i) linha wax - linha de removedores, ceras e selantes específicos para tratamento de pisos e superfície; e j) linha kasa limpa- linha de produtos para a limpeza diária da casa e pós-obras. A empresa se preocupa em ter seus produtos sempre atualizados para solucionar as necessidades existentes; concentrados para obter alto rendimento; biodegradáveis para ser ecologicamente corretos; dosados automaticamente para um baixo custo operacional e seguros, em conformidade com a legislação vigente. Devido ao alto nível de tecnologia utilizada no processo de fabricação, seus produtos possuem excelente desempenho, com resultados positivos garantidos. 24 Figura 5: Linhas de produtos da indústria Newdrop Química Ltda. Fonte: Adaptado de Newdrop Química Ltda., 2013. 1.6 Política A Newdrop busca a melhoria contínua de seus processos a fim de: a) garantir o padrão de qualidade de seus produtos e serviços; b) fornecer a seus clientes produtos e sistemas de higienização e manutenção que garantam assepsia e preservação a custos competitivos; c) promover o crescimento profissional de todos os colaboradores da empresa; d) preservar o meio ambiente, promover a integração com as comunidades nas quais atua e; 25 e) propiciar lucratividade justa a seus acionistas. 1.7 Missão Prover sistemas de higienização e manutenção capazes de assegurar aos seus clientes assepsia de equipamentos e ambientes, contribuindo assim para a saúde do ser humano e preservação ambiental. 1.8 Visão Ser a maior e mais rentável empresa de capital brasileiro no segmento de produtos e serviços de higienização e preservação. 1.9 Principais fornecedores a) PlastRc Indústria e Comércio de Embalagens Plásticas Ltda. b) Base Química Produtos Químicos Ltda. c) Tanquímica Indústria e Comércio Ltda. d) Brenntag Química Brasil Ltda. e) MakeniChemicals Comércio e Indústria de Produtos Químicos Ltda. f) Arc Sul Distribuidora de Matérias Primas Ltda. 1.10 Principais clientes a) Big Frango – Ribeirão Preto/ São Paulo b) Frigorifico Frigon – Jaru/ Rondônia c) JBS S/A – São Paulo Capital 1.11 Concorrentes Dentre os concorrentes, os principais são: a) Diversey – São Paulo Capital b) Ecolab – Barueri/ São Paulo c) Nippon Chemical – Indaiatuba/ São Paulo 26 d) Tecpon – Cachoeirinha / Rio Grande do Sul 1.12 Distribuidores Para um fácil acesso às linhas Newdrop, a empresa possui uma fonte de distribuição em cada estado do país, sendo: Acre (interior), Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo (capital e interior), Sergipe e Tocantins. 1.13 Sustentabilidade A Newdrop Química Ltda., por ser uma empresa baseada na responsabilidade sócio - ambiental, possui dois projetos de sustentabilidade eficazes, que colaboram com o meio ambiente. A empresa elaborou o programa pós-consumo, uma maneira de retorno de embalagem, além disto, possui em sua própria área, um sistema de tratamento de água. O projeto pós-consumo tem como premissa a responsabilidade compartilhada, na qual o poder público é incumbido pela coleta seletiva e conscientização dos consumidores, cabe-se à Newdrop a divulgação de tal projeto, bem como a busca de formas de acomodação das embalagens de baixo risco, com a intenção de incentivar o consumidor a separar de maneira correta seus resíduos, para que a coleta seja realizada. O descarte correto de embalagens contribui diretamente para a redução dos lixões e expansão de processos sustentáveis, além de gerar renda para inúmeros trabalhadores que atuam hoje em cooperativas. Considerando todas as etapas da logística reversa de embalagens vazias do mercado institucional, foram desenvolvidas ferramentas capazes de interagir simultaneamente com os distribuidores e clientes, que executam o rastreamento das embalagens e direcionando-as para unidades recicladoras. Este projeto contempla as questões ambientais, de responsabilidade compartilhada e inclusão social, pontos considerados essenciais para as 27 indústrias de produtos de limpeza. Figura 6: Fluxograma do programa pós-consumo. Fonte: Adaptado de Newdrop Química Ltda., 2013. A empresa desenvolve o seu próprio tratamento de água. Desta forma, colabora com o meio ambiente, reduz as despesas, aperfeiçoa o seu resultado final e maximiza sua política ambiental. 28 Figura 7: Fotos do tratamento de água. Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. 1.14 Organograma O organograma é um gráfico que representa a estrutura formal de uma organização. Assim, a Newdrop apresenta um organograma bem delimitado, que demonstra claramente a hierarquia da mesma. Sendo assim, no topo, encontra-se o conselho de acionistas, os quais participam da gestão da sociedade. Logo abaixo, está à diretoria operacional e, em seguida, a gerência dos setores da empresa, com seus respectivos responsáveis, como: a gerência nacional de vendas, gerência de desenvolvimento, gerência de controladoria e a gerência de produção. Cada setor possui sua subdivisão, assim, abaixo da gerência nacional de vendas encontra-se a coordenação de vendas, supervisores de vendas, representantes e vendedores e administrativo de vendas, suporte técnico de produtos e suporte técnico de equipamentos. 29 Já o setor de desenvolvimento divide-se em laboratório e controle de qualidade, enquanto que a controladoria possui como departamentos, a contabilidade e financeiro, faturamento, almoxarifado, controle patrimonial, P.C.P, compras, recursos humanos, informática e logística. Por fim, logo após a gerência de produção está a segurança do trabalho, segurança patrimonial, manutenção, produção de pó e seu envase e rotulagem, produção de líquidos, envase e rotulagem de líquidos, e expedição. Figura 8: Organograma funcional da empresa. Fonte: Newdrop Química Ltda., 2013. 1.15 Regime tributário Ao ser elaborado um estudo através do planejamento tributário, a fim de visar a uma adequada opção do regime tributário para a empresa, a Newdrop chegou à conclusão de que a melhor escolha a ser tomada é a do lucro real, para resultados significativos na redução de sua carga tributária. 30 1.16 Associação e certificados Na Newdrop, a preocupação com a qualidade começa com a seleção da matéria-prima e se estende por todo o processo produtivo. Toda a gestão de negócios acompanha o conceito de gerenciamento pela qualidade total, por intermédio de estratégias e diretrizes que são seguidas, a fim de agregar valores à cadeia de produção. Além de investimentos em tecnologia e recursos humanos, a empresa investe também em ações em prol do meio ambiente. São ações que visam à sustentabilidade do planeta, garantindo a renovação ou preservação de recursos naturais. Assim, a empresa coopera na qualidade de vida para as próximas gerações. A Newdrop é associada à Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional (Abralimp), entidade civil, sem fins lucrativos e de âmbito nacional, que integra, capacita, promove e desenvolve toda a cadeia de valor do mercado de limpeza profissional, além de possuir o certificado da Organização Internacional de Normalização (ISO 9001), o qual assegura o sistema de gestão de qualidade e proporciona uma maior credibilidade. A empresa também foi certificada como destaque ambiental, que mostra o comprometimento com a qualidade de vida e com a integridade do meio ambiente. Figura 9: Certificado de filiação com a Abralimp. Fonte: Newdrop Química Ltda., 2006. 31 Figura 10: Certificado ISO 9001. Fonte: Newdrop Química Ltda., 2013. Figura 11: Certificado de destaque ambiental. Fonte: Newdrop Química Ltda., 2010. 32 CAPÍTULO II OPERAÇÕES RELATIVAS AO ICMS E SUAS APLICAÇÕES 2 ANÁLISE DO ICMS, SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA, IVA/MVA E O FLUXO DE CAIXA 2.1 Direito tributário O direito tributário engloba o conjunto de normas jurídicas que controlam a ação estatal de exigir tributos. É importante ao tributarista verificar se o tributo é devido ou não, quando, a quem e como. Desta forma, as relações jurídicas são criadas e disciplinadas entre o Estado, na sua qualidade de fisco dos contribuintes. (ICHIHARA, 2006). O direito tributário pode ser definido como o conjunto de princípios e normas jurídicas que conduz as relações jurídicas entre o Estado e o particular, referentes à instituição e arrecadação dos tributos. (FABRETTI, 2005). Segundo Nogueira (1999), o direito tributário resulta da imposição, arrecadação e fiscalização dos impostos, taxas e contribuições. 2.1.1 Hierarquia das normas O sistema jurídico é composto por um grupo de normas em que as partes se harmonizam com o todo e o todo comas partes, formando um conjunto único e harmônico, que compõem o ordenamento jurídico. Estas normas não possuem entre si uma mesma hierarquia, mas são formadas por degraus hierarquizados. (ICHIHARA, 2006). Para compreender o referido processo, Hans Kelsen idealizou a construção de uma pirâmide jurídica, conforme a figura a seguir, demonstrando que as normas são hierarquizadas e que o fundamento de validade consiste em que a inferior extrai a sua validade na superior. Assim, a regra básica consiste em que toda norma que contrariar ou não se fundamentar em uma norma hierarquicamente superior, a norma inferior é sempre 33 inválida (ICHIHARA, 2006): Figura 12: Hierarquia das Normas. Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. 2.1.2 Princípios constitucionais tributários 2.1.2.1 Princípio da legalidade O princípio da legalidade está bem definido, conforme o art. 5. ll da Constituição Federal, o qual afirma que nenhum contribuinte é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo, sem embasamento em lei. (BRASIL, 1988). 34 2.1.2.2 Princípio da anterioridade da lei ou anualidade O princípio da anterioridade da lei é inerente ao direito tributário. Ele institui a exigência da divulgação da lei antes do início do exercício financeiro, no qual se vai atuar a cobrança do tributo. (MACHADO, 2008). 2.1.2.3 Princípio da igualdade ou isonomia O princípio da isonomia tem o objetivo de dar tratamento uniforme aos contribuintes que se encontram em condições iguais e tratamento diferenciado aos de situação distinta, de acordo com a diferença apresentada. Um exemplo destacado é de que todos devem pagar imposto de renda. Contudo, aqueles que ganham mais, pagam mais. À vista disso, a tabela do IRRF é progressiva. (SANTOS; MEIRELLES, 2013). 2.1.2.4 Princípio da irretroatividade da lei De acordo com o artigo III, “a” da Constituição Federal, o princípio da irretroatividade da lei afirma que é vedada a cobrança de tributos a fatos ocorridos anteriormente à vigência da lei que os houver instituído ou aumentado, ou seja, a lei tributária não retroage, ela é realizada, objetivando o futuro. (BRASIL, 1988). 2.1.2.5 Princípio da capacidade contributiva Conforme o art. 145, § 1°, da Constituição Federal, o princípio da capacidade contributiva dispõe que a lei deverá obter critérios de acordo com a lucratividade de cada contribuinte, ou seja, quanto maior a lucratividade maior o tributo devido. (BRASIL, 1988). 2.2 Regimes tributários federais Optar apropriadamente por um regime de tributação poderá resultar em diversas consequências ao contribuinte, destacando-se a redução da carga 35 tributária durante o ano calendário da opção. Sendo assim, torna-se essencial a análise de todos os aspectos significativos a cada sistema tributário, para que o contribuinte adote a forma de tributação que lhe seja mais favorável, destacando-se os seguintes regimes tributários: simples nacional, lucro presumido, lucro real e lucro arbitrado. (VELANI JUNIOR, 2011). 2.2.1 Simples Nacional O simples nacional foi instituído pela lei complementar n°123, de 14 de dezembro de 2006, com o intuito de estabelecer normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido, destinados às microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP). O seu principal objetivo é unificar a arrecadação dos tributos e contribuições devidos pelas empresas brasileiras, que nele se enquadram a âmbito municipal, estadual e federal. (SEBRAE, 2013a). Conforme a lei complementar n°123/2006, em seu art. 3°, consideram-se microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), desde que: I - no caso da microempresa, aufira, em cada anocalendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); e II - no caso da empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais). (BRASIL, 2006). De acordo com a cartilha do simples nacional (2012), este não é um tributo ou um sistema tributário, mas uma forma de arrecadação unificada dos seguintes tributos e contribuições: Tributos da competência federal: a) imposto sobre a renda da pessoa jurídica – IRPJ. b) imposto sobre produtos industrializados – IPI. c) contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL. d) contribuição para o financiamento da seguridade social – COFINS. e) contribuição para o PIS. 36 f) contribuição para a seguridade social - INSS, a cargo da pessoa jurídica – CPP. Tributo da competência estadual: ICMS. Tributo da competência municipal: ISS. 2.2.2 Lucro Presumido O lucro presumido, de acordo com o Sebrae (2013b), é um regime de tributação simplificado para a determinação do imposto de renda (IR) e da contribuição social sobre o lucro (CSLL), para as empresas que não estiveram obrigadas à apuração do lucro real. De acordo com o Portal Tributário (2013a), a sistemática do lucro presumido é utilizada para presumir o lucro da pessoa jurídica, de acordo com sua receita bruta, sendo um lucro fixado em percentuais padrões, aplicado sobre a receita operacional bruta (ROB). Conforme a lei nº 12.814, de 16 de maio de 2013, em seu art. 13, poderse-á optar por este regime de tributação: Art. 13. A pessoa jurídica, cuja receita bruta total no ano calendário anterior tenha sido igual ou inferior a R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) ou a R$ 6.500.000,00 (seis milhões e quinhentos mil reais) multiplicado pelo número de meses de atividade do anocalendário anterior, quando inferior a 12 (doze) meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido. (BRASIL, 2013). 2.2.3 Lucro Real A tributação do imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), no lucro real, se dá através da apuração contábil dos resultados, com os ajustes determinados pela legislação fiscal. (PORTAL CLASSE CONTÁBIL, 2013). Conforme o artigo 247, do regulamento do imposto de renda de 37 1999 - RIR/99, decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, o lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado por adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação fiscal, portanto sua determinação é através da apuração do lucro líquido de cada período de apuração. (BRASIL, 1999a). A lei nº 12.814 em seu art. 14, inciso I, de 16 de maio de 2013, rege que a pessoa jurídica, cuja receita total no ano-calendário anterior seja superior ao limite de R$ 78.000.000,00 ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 meses, fica obrigada à apuração do lucro real. (BRASIL, 2013). As empresas devem estar atentas às possibilidades que o lucro real permite quanto ao planejamento tributário, já que a legislação não veda a escolha da forma de tributação, em que as principais vantagens, de acordo com o Portal Classe Contábil (2013) são: 1. Tributação teoricamente mais justa, sobre os resultados (e não sobre uma base faturamento, como no lucro presumido); 2. Aproveitamento de créditos do PIS e COFINS (especialmente interessante para empresas que tem menores margens de comercialização); 3. Possibilidades de utilização de dezenas de formas de planejamento tributário. 2.2.4 Lucro Arbitrado O lucro arbitrado é uma forma de apuração da base de cálculo do imposto de renda, utilizada pela autoridade tributária ou pelo contribuinte, quando a pessoa jurídica deixar de cumprir as obrigações acessórias concernentes à determinação do lucro presumido ou real. Conhecida a receita bruta, desde que ocorra qualquer das hipóteses de arbitramento previstas na legislação fiscal, o contribuinte poderá realizar o pagamento do imposto de renda com base nas regras do arbitramento de lucro. (RECEITA FEDERAL, 2013a). De acordo com a Receita Federal (2013a), sendo ocorridas quaisquer 38 das hipóteses previstas na legislação fiscal, que ocasionarem o arbitramento de lucro, poderá: a) ser aplicado pela autoridade fiscal, em qualquer dos casos previstos a legislação do Imposto de Renda; b) ser adotado pelo próprio contribuinte, quando conhecida a sua receita bruta. Conforme o art. 531, do decreto nº 3.000 de 26 de Março de 1999, quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do imposto correspondente com base no lucro arbitrado, levando-se em conta as seguintes regras: I - a apuração com base no lucro arbitrado abrangerá todo o ano-calendário, assegurada, ainda, a tributação com base no lucro real relativa aos trimestres não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangidos por aquela modalidade de tributação; II - o imposto apurado na forma do inciso anterior terá por vencimento o último dia útil do mês subsequente ao do encerramento de cada período de apuração. (BRASIL, 1999b). 2.3 Tributos Segundo o Código Tributário Nacional – CTN, em seu artigo 3°: “Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. (BRASIL, 1966). Fabretti (2005) reforça em sua obra que, quando se estabelece o fato de que a prestação não constitua sanção por ato ilícito, é para descaracterizar o pagamento compulsório como se fosse multa por infração. Conceitua-se obrigação tributária como sendo o vínculo derivado da relação do Estado com o particular. O Estado é o sujeito ativo da obrigação tributária, impõe ao 39 particular, sujeito passivo da obrigação o dever de dar, fazer ou não fazer algo previsto em lei. Conforme o CTN, lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, em seu artigo 5°: “Os tributos são impostos, taxas e contribuição de melhoria”. (BRASIL, 1966). O contribuinte que paga o imposto não recebe nenhuma contraprestação direta pelo Estado arrecadado, sendo esta a sua característica principal. (OLIVEIRA, 2009). Taxas são tributos vinculados, ou seja, o Estado oferece uma contrapartida imediata ao contribuinte em função de sua cobrança. (OLIVEIRA, 2009). A contribuição de melhoria é definida no CTN da seguinte forma: Art. 81- A contribuição de melhoria cobrada pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída para fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária, tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado. (BRASIL, 1966). 2.3.1 Planejamento tributário Segundo Borges (2004), o planejamento tributário é como uma atividade técnica realizada no universo da gestão empresarial da tributação, que visa a projetar as atividades econômicas da empresa, para conhecer as suas válidas e legítimas alternativas estruturais e formais, assim como as suas respectivas obrigações e encargos fiscais, para, mediante meios e instrumentos adequados, avaliá-las com vistas à adoção daquela alternativa que possibilita a anulação, maior redução ou o mais extenso adiamento do ônus tributário pertinente, e por outro lado, que se integra harmonicamente à planificação global dos negócios. 40 De acordo com Borges (2004), existem três tipos de planejamento tributário: a) que objetiva a anulação do ônus fiscal: o empreendimento ou a atividade econômico mercantil, que mediante o emprego da estrutura e forma jurídica sejam capazes de impedir a concretização das hipóteses legais de incidências tributárias; b) que objetiva a redução do ônus fiscal: deve organizar o empreendimento ou atividade econômico-mercantil, mediante a utilização de estrutura e forma jurídica, que venham a possibilitar a concretização de hipóteses legais de incidências tributárias, cujas consequências resultem em ônus fiscal menor; c) que objetiva o adiamento do ônus fiscal: o planejamento tributário deve arquitetar o empreendimento ou atividade econômico-mercantil, que mediante a adoção de estrutura e forma jurídica, venham a possibilitar a ocorrência do fato gerador e da procrastinação do lançamento ou pagamento do imposto. Segundo Oliveira (2009), o planejamento tributário consiste em um conjunto de medidas contínuas que visam à economia de tributos, de forma legal, levando-se em conta as possíveis mudanças rápidas e eficazes, na hipótese do fisco alterar as regras fiscais. 2.3.2 Classificação Podem-se classificar os tributos em diretos e indiretos. Tributos indiretos são aqueles que, a cada etapa econômica, são repassados para o preço do produto/mercadoria/serviço. Essa técnica tem o nome de repercussão, que significa transferir o ônus tributário para o consumidor, incluindo-o no preço da venda ou do serviço. E tributos diretos são os que recaem sobre o contribuinte que está diretamente ligado ao fato gerador, assim a mesma pessoa é o contribuinte de fato e de direito. (FABRETTI, 2005). 2.3.3 Obrigação tributária O artigo 113 da CTN classifica obrigação tributária como: 41 Art. 113 – A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° - A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente.§ 2° - A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objetivo as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3° - A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (BRASIL, 1966). 2.4 Impostos Um imposto é definido como materialidade do fato gerador, sendo esta uma descrição hipotética do fato ou do conjunto de fatos na lei que, ao ocorrer, gera a obrigação de pagar determinados tributos, por exemplo, alguém realizar operações relativas à circulação de mercadorias e serviços, o qual acaba por se tornar um fato gerador ICMS. A materialidade do fato gerador de um imposto independe de qualquer atividade estatal. (ICHIHARA, 2006). Segundo Fabretti (2005), o imposto é aquele que, uma vez estabelecido por lei, é devido, independentemente de qualquer operação estatal em referência ao contribuinte. Assim, não está vinculado a nenhuma prestação específica do Estado ao sujeito passivo. O imposto é um tributo não vinculado, ou seja, sua incidência consiste num fato gerador qualquer, que não se funde numa atuação estatal, conforme o Artigo 16, do Código Tributário Nacional – CTN, “Imposto é um tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte”. (BRASIL, 1966). 2.4.1 Cumulatividade e não cumulatividade Segundo Machado (2008), cumulativo é o imposto que incide em cada etapa de circulação, em que se acumula sempre, sem a consideração do 42 número maior ou menor do processo produtivo. Na cumulatividade, o tributo da etapa posterior não pode ser compensado do montante pago na etapa anterior, tendo como exemplos a COFINS, PIS e CPMF. (MEDEIROS NETO, 2001). De acordo com Machado (2008), entende-se por não cumulativo o imposto que incide em todas as operações, em que cada uma delas é deduzida do valor devido do imposto, o valor que incidiu nas operações anteriores, tendo-se como exemplo ICMS e IPI. O procedimento da não cumulatividade se dá através do débito x crédito, abatendo-se do valor total devido pelo contribuinte, o valor já pago por ele nas etapas anteriores, em suas compras de bens ou serviços, em que já foram tributados. (ZANLUCA, 2013). 2.5 ICMS – Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação Por previsão constitucional, o ICMS - Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação, é um imposto não cumulativo, ou seja, o imposto devido em cada operação será descontado do valor pago anteriormente. (FABRETTI, 2005). É dada ao Estado e ao Distrito Federal a competência para regulamentar o ICMS, segundo a atual Constituição Federal, ao analisar as normas gerais previstas pela lei complementar n° 87/96, lei Kandir e pelos convênios instituídos entre os Estados. Desta forma, cada Estado possui sua própria regulamentação em relação ao ICMS. (OLIVEIRA, 2009). Os contribuintes desse imposto, segundo a legislação em vigor, são considerados quaisquer pessoas físicas ou jurídicas, que executem, com habitualidade ou em volume, que representem um intuito comercial, operações de circulação de mercadoria ou prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que se iniciem no exterior. (OLIVEIRA, 2009). Conforme a lei complementar n° 87, de 13 de setembro de 1996, lei 43 Kandir, é também contribuinte a pessoa física ou jurídica que, mesmo sem habitualidade ou intuito comercial: I – importe mercadorias ou bens do exterior, qualquer que seja a sua finalidade; II - seja destinatária de serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior; III – adquira em licitação mercadorias ou bens apreendidos ou abandonados; IV – adquira lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização. (BRASIL, 1996). O ICMS é um imposto calculado por dentro, agrega a sua própria base de cálculo, ou seja, no preço de compra ou de venda do bem ou do serviço, já está embutido o valor do ICMS destacado. Conforme o art. 155, § 2°, inciso III, da Constituição Federal, o imposto ICMS além da não-cumulatividade, poderá ser seletivo em relação à essencialidade das mercadorias e serviços, ou seja, quanto mais essencial for o produto, menor será a incidência do imposto sobre ele e vice – versa. (OLIVEIRA, 2009). 2.5.1 Base de cálculo A base de cálculo (BC), conforme a constituição federal deve ser definida em lei complementar, estando sua alteração sujeita aos princípios constitucionais da legalidade, da anterioridade e da irretroatividade. Segundo Mariano, Werneck e Bezerra (2012), a base de cálculo é a medida legal de grandeza do fato gerador. Em outras palavras, é a grandeza sobre a qual se aplica um percentual, que resultará na obrigação, determinando assim a base de cálculo. O artigo 2º do Decreto-lei nº 406, de 31 de dezembro de 1968, determina que a base de cálculo do imposto é o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria. (BRASIL, 1968). A base de cálculo no ICMS, geralmente, é o valor da venda da 44 mercadoria ou do preço do serviço, utiliza-se assim, o “imposto calculado por dentro”, que é quando o imposto já está incluído no preço final da mercadoria. Já na base de cálculo ST, ou seja, com substituição tributária, do ICMS é utilizado o “imposto calculado por fora”, em que o valor do imposto é acrescentado ao preço final da mercadoria, no qual irá constar o valor do preço de venda a consumidor, acrescido de todos os impostos e despesas debitadas ao estabelecimento destinatário. (MARIANO; WERNECK; BEZERRA, 2012). 2.5.2 Alíquota A alíquota é definida em lei e quando aplicada sobre a base de cálculo, encontra-se o montante do tributo a ser pago. As alíquotas podem ser fixas, aquelas determinadas em lei por um valor fixo, em moeda ou unidades de moeda fiscal, podem ser também proporcionais, em que a lei estabelece um percentual que, aplicado sobre a base de cálculo, define o valor do montante do tributo devido e, por fim, as específicas, que determinam um valor em moeda nacional sobre uma unidade de medida como metros, quilos, litros ou toneladas. (FABRETTI, 2005). No caso de operações sujeitas à substituição tributária, quando a circulação de mercadoria ocorrer dentro dos limites territoriais dos estados ou Distrito Federal, aplica-se a alíquota interna, se saírem da jurisdição estadual é aplicada a alíquota interestadual. (MARIANO; WERNECK; BEZERRA, 2012). Em algumas operações correspondentes, nas saídas de mercadoria, não ocorre a circulação até o consumidor final. Entretanto cobra-se o tributo antecipadamente e aplica-se a alíquota interna. A título de substituição tributária, segundo o parágrafo 5°, do artigo 8°, da lei complementar n° 87/1996, deduz-se o montante cobrado na própria operação. (MARIANO; WERNECK; BEZERRA, 2012). 2.5.2.1 Diferencial de alíquotas Segundo o Portal Tributário (2013b) todos os contribuintes do ICMS são obrigados a recolher o ICMS relativo à diferença existente entre a alíquota 45 interna, praticada no estado destinatário, e a alíquota interestadual nas seguintes operações e prestações: a) entrada de mercadorias de outra unidade da federação, destinadas para uso e consumo; b) entrada de mercadorias de outra unidade da federação, destinadas para o ativo imobilizado; c) entrada, de prestações de serviço de transporte interestadual, cuja prestação tenha iniciado em outra unidade da federação referente à aquisição de materiais para uso e consumo; d) entrada, de prestações de serviço de transporte interestadual referente à aquisição de materiais para o ativo imobilizado. Apenas existirá diferencial de alíquota a ser recolhido, caso o porcentual da alíquota interna seja superior ao da alíquota interestadual e a base de cálculo do diferencial de alíquota, o valor da operação que decorrer a entrada da mercadoria ou da prestação de serviço. De acordo com Zanluca (2013), pode-se citar o exemplo a seguir: Quadro 1: Exemplo de diferencial de alíquotas. Fonte: Adaptado de Zanluca, 2013. 2.5.3 Protocolos 46 Segundo Mariano, Werneck e Bezerra (2012), o principal objetivo dos protocolos é estabelecer procedimentos comuns entre os estados que visam a: a) implementar políticas fiscais definidas em convênio; b) estabelecer permuta de informação e fiscalização conjunta; c) fixar ou estabelecer critérios para fixação de pautas fiscais (média de preços praticados no mercado). Sendo assim, os protocolos não podem estabelecer normas relativas ao aumento, diminuição, instituição ou revogação de benefícios fiscais. Desta forma, estes representantes assinam os atos que deliberam sobre a concessão de benefícios, incentivos fiscais e regimes de tributação que terão aplicação no âmbito interno de cada ente federativo e também entre os estados. (MARIANO; WERNECK; BEZZERA, 2012). 2.5.4 Convênios O convênio é um acordo entre estados membros da federação, e seu nascimento ocorre nas reuniões periódicas dos membros do Confaz. (MARIANO; WERNECK; BEZZERA, 2012). A regulamentação do regime interestadual através de convênios verificase no artigo 150, § 6°, associado com o artigo 155, § 2°, XII, letra “g”, da Constituição Federal e com o artigo 1°, da lei Complementar n° 24, de 7 de janeiro de 1975, que dispõem que os benefícios fiscais do ICMS apenas poderão ser concedidos e revogados por meio de convênios celebrados e confirmados pelos estados e Distrito Federal. A lei complementar n° 24/1975, contudo, determinou também que fosse efetuado o regimento das reuniões de representantes das Unidades da Federação (UF), conforme aprovação por aquele modelo de acordo, o que originou no Convênio ICM n° 8/1975, que organizou o regimento do conselho de política fazendária (Confaz). (MARIANO; WERNECK; BEZZERA, 2012). Nos termos do artigo 100, inciso IV, do Código Tributário Nacional – CTN, são normas complementares das leis, tratados e convenções internacionais e decretos, os convênios que, entre si, celebram a união, os estados, o distrito federal e os municípios. A celebração de um convênio entre os estados, cuja elaboração tem por 47 finalidade a concessão de incentivos fiscais, tem previsão no texto constitucional e na lei complementar, compondo-se, por força dessas referidas disposições legais, como ferramenta obrigatória para efeito de aprovação dos benefícios e favores fiscais disponibilizados pelos estados. (FABRETTI, 2005). Para que os convênios sejam aceitos, deverão ser cumpridas algumas formalidades (MARIANO; WERNECK; BEZZERA, 2012): a) os textos dos convênios celebrados, contados da data da reunião dos representantes das unidades da Federação, têm o prazo de dez dias para serem publicados no Diário Oficial da União; b) após a data da publicação no Diário Oficial da União, os Estados e o Distrito Federal têm o prazo de quinze dias para publicarem decretos, ratificando ou não os convênios firmados. Caso não haja manifestação de algum Estado dentro deste prazo, esta será tida como ratificação tácita; c) o Confaz, após a publicação no DOU do texto celebrado e da ratificação estadual, terá o prazo de até vinte cinco dias para dar publicidade ao ato do Presidente da Comissão Técnica Permanente do ICMS (Cotepe/ICMS), declarando a ratificação nacional ou a rejeição. Após a confirmação nacional, os convênios sempre entram em vigor no período de trinta dias, caso não tenham data estabelecida para começar a vigorar. Uma vez ratificados, tornam-se obrigatórios para todas as Unidades da Federação convocadas para a reunião. (MARIANO; WERNECK; BEZZERA, 2012). 2.6 Substituição tributária Conceituada como sendo o regime pelo qual a responsabilidade pelo ICMS devido em relação às operações ou prestações de serviços, é atribuída a outro contribuinte, em que o ICMS-ST é de obrigação tributária, aquele que deu causa ao fato, e não aquele que praticou o fato gerador, sendo assim imputado a terceiro. (MARIANO; WERNECK; BEZERRA, 2012). A responsabilidade do imposto a ser atribuída, se dá em operações ou prestações antecedentes, concomitantes ou subsequentes ao valor da 48 diferença entre alíquotas internas e interestaduais de bens e serviços a consumidor final em outro estado, sendo ele, contribuinte do imposto. A adoção por este regime em operações interestaduais dependerá de acordos entre os estados interessados. (ZANLUCA, 2013). Segundo o art. 150, § 7º da CF/88, a lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurado à imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (BRASIL, 1988). 2.6.1 Espécie de substituição A substituição tributária subdivide-se em três espécies: substituição tributária para trás ou regressiva, substituição tributária em operações concomitantes e substituição tributária para frente ou progressiva. Na substituição tributária regressiva, o legislador atribui a um determinado contribuinte a responsabilidade pelo pagamento do ICMS em relação às operações anteriores. Em operações concomitantes, é atribuída a responsabilidade pelo pagamento ao imposto a outro contribuinte, e não àquele que realiza a operação, concomitante à ocorrência do fato gerador. Ao tratar-se de substituição tributária progressiva, a responsabilidade pelo pagamento do tributo recai sobre terceiro, que paga o tributo antecipadamente, considerando a provável ocorrência do fato gerador futuro. (MARIANO; WERNECK; BEZERRA, 2012). 2.6.2 Sujeitos da obrigação tributária 2.6.2.1 Sujeito ativo da obrigação tributária O sujeito ativo da obrigação tributária se depara sendo um ativo obrigacional, tendo o direito de exigir o cumprimento da obrigação, conforme apontado no Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 119: “Sujeito ativo da obrigação é a pessoa jurídica de direito público, titular da competência para exigir o seu cumprimento”. (BRASIL, 1966). 49 Sua determinação ocorre através da identificação da pessoa que possui a competência para instituir o tributo ou capacidade tributária, para ser credor da obrigação tributária, ou seja, sujeito ativo é o titular do polo credor, contrapondo-se ao sujeito passivo no polo devedor. (MARIANO; WERNECK; BEZZERA, 2012). 2.6.2.2 Sujeito passivo da obrigação tributária O sujeito passivo está contido no polo devedor da obrigação tributária, sendo a pessoa que detém o dever de prestar ao sujeito ativo o objeto da obrigação. Também sua responsabilidade compete em cumprir a obrigação tributária. Desta forma, se a obrigação for principal, o sujeito passivo é aquele a quem se destina pagar o montante do crédito tributário, caso a obrigação for acessória, caberá a este a realização dos deveres acessórios (MARIANO; WERNECK; BEZZERA, 2012). O CTN, em seu artigo 121, expressa o que é sujeito passivo da obrigação tributária principal: Artigo 121. Sujeito da obrigação principal é a pessoa obrigada pecuniária. ao pagamento Parágrafo do único. tributo O ou sujeito penalidade passivo da obrigação principal diz-se: I – contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II – responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (BRASIL, 1966). Contudo o sujeito passivo da obrigação principal está sempre associado com o fato gerador desta obrigação. Quando esta associação for de forma pessoal e direta, entende-se o contribuinte como o sujeito passivo, se tal associação for de forma não pessoal e direta, o sujeito passivo subentende-se como responsável. (MARIANO; WERNECK; BEZZERA, 2012). 2.6.2.2.1 Contribuinte 50 Contribuinte, de acordo com Zanluca (2013), é qualquer pessoa física ou jurídica que, com frequência, realiza algo a intuito comercial, como operações de circulação de mercadorias ou prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, mesmo que no exterior. Existem dois tipos de contribuintes, sendo estes o substituto e o substituído. (MARIANO; WERNECK; BEZZERA, 2012). a) Contribuinte substituto O contribuinte substituto, segundo os autores Mariano, Werneck e Bezzera (2012), é aquele a quem a legislação confere a responsabilidade pelo pagamento dos impostos, impostos ocorrentes em operações ou prestações antecedentes, concomitantes ou subsequentes. É responsável também pelo valor que decorreu da diferença entre as alíquotas internas e interestaduais ao consumidor final. Portanto o contribuinte substituto supre a obrigatoriedade dos demais contribuintes, com relação ao recolhimento dos impostos, provenientes das saídas das mercadorias, por meio de retenção e recolhimento dos impostos antecipadamente. Por esta razão, aquele que aufere a mercadoria com o imposto retido é denominado substituído. (BARRETO; ALMEIDA, 2006). b) Contribuinte substituído O contribuinte substituído está relacionado diretamente com o fato gerador, mas a legislação o libera da responsabilidade do recolhimento do imposto, porque esta é conferida a outra pessoa, ou seja, o imposto que seria devido proveniente das operações ou prestações de serviços é pago anteriormente pelo contribuinte substituto. Compete ressaltar que, quando o contribuinte substituído realizar operações interestaduais com o contribuinte de outro estado, passará à condição de substituto, pois caberá a ele a responsabilidade pelo recolhimento do imposto em favor do Estado endereçado. (MARIANO; WERNECK; BEZZERA, 2012). 2.6.2.2.2 Responsável 51 O sujeito passivo, no caso do responsável, ocorre por meio de uma relação de vinculação com o fato gerador. O responsável tributário não está diretamente ligado ao surgimento da obrigação, entretanto a lei o responsabilizou para satisfazer o credito tributário. (MARIANO; WERNECK; BEZZERA, 2012). Conforme o artigo 128 do CTN, o responsável tributário deve ser um terceiro ligado indiretamente ao fato gerador: Artigo 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (BRASIL, 1966). Considera-se responsável o indivíduo que a lei escolher para responder com a obrigação tributária no lugar de outrem, ou seja, do contribuinte de fato. Ele não arca com o ônus tributário, atua como uma espécie de agente arrecadador do fisco e como seu depositário. Se não ocorrerem tais fatos, o mesmo poderá ser declarado depositário infiel, sujeito à pena de prisão, conforme rege alei n° 8866, de 11 de abril de 1994. (FABRETTI, 2005). Para uma maior identificação, a sujeição passiva por responsabilidade se divide em duas modalidades: transferência e substituição. (MARIANO; WERNECK; BEZZERA, 2012). A obrigação de um devedor, na transferência, seja ele contribuinte ou responsável, é transferida para outra pessoa, em razão de algum acontecimento. (MARIANO; WERNECK; BEZZERA, 2012). Na substituição, a lei determinará com antecipação que o ônus do pagamento do tributo seja concedido a outrem, uma terceira pessoa, no lugar do individuo que, naturalmente, seria definível como contribuinte. A obrigação tributária já surge com seu polo passivo preenchido por um substituto legal tributário. (MARIANO; WERNECK; BEZZERA, 2012). 2.7 IVA/MVA – Índice/Margem do valor agregado 52 Segundo Galhardo (2013), a margem de valor agregado será determinada com base em preços usualmente praticados no mercado. Estes preços praticados pelo mercado são obtidos por levantamento, ainda que por amostragem, ou através de informações e outros elementos fornecidos por entidades representativas dos setores, adotando-se a média ponderada dos preços coletados. A mercadoria submetida ao regime de substituição tributária em operação interestadual terá a margem de valor agregado estabelecida em convênio ou protocolo. Caso a entrada da mercadoria seja proveniente de outra unidade da federação, cuja base de cálculo da substituição tributária seja determinada por índice de valor adicionado setorial, aplica-se a seguinte fórmula: IA = VA x(1+IVA-ST) x ALQ- IC Observando que: IA: Imposto a ser recolhido por antecipação. VA: Valor constante no documento fiscal relativa à entrada, acrescido dos valores correspondentes a frete, carreto, seguro, impostos e outros encargos suportados pelo contribuinte. IVA-ST: Índice de valor adicionado. ALQ: Alíquota interna aplicável. IC: Imposto cobrado na operação anterior. O IVA-ST ajustado ocorre no caso de aquisição interestadual de produtos, cuja alíquota interna seja superior a 12 %. O valor do imposto a pagar, antecipadamente, por substituição tributária será obtido mediante a utilização do IVA-ST ajustado, conforme determinam as portarias CAT que disciplinam a formação da base de cálculo do imposto, utilizando a fórmula a seguir: IVA-Ajustado = [(1+IVA-ST Original) x (1-ALQ inter)/(1-ALQ intra) - 1]. Observa-se que: IVA-ST Original: É o IVA-ST aplicável na operação interna, cujos percentuais estão indicados em portaria CAT. ALQ Inter: É a alíquota interestadual aplicada pelo remetente na operação interestadual. ALQ intra: É a alíquota interna do produto. 53 2.8 Fluxo de caixa O fluxo de caixa funciona como uma agenda sofisticada, onde se registram os recebimentos esperados e pagamentos programados, num certo período. É uma planilha pelo qual se planeja e administra os numerários da empresa, ou seja, as entradas e as saídas de dinheiro do caixa da empresa. (TÓFOLI, 2012). Conforme Zdanowicz (2004), o fluxo de caixa permite, por um determinado período, que o administrador planeje, organize, ordene, dirija e controle os recursos financeiros da sua empresa. É considerado uma das ferramentas mais importantes para quem deseja planejar as necessidades e propostas a partir da situação econômica e financeira da empresa. De acordo com Tófoli (2012), devem-se elaborar dois fluxos de caixa por período: o fluxo de caixa planejado e o fluxo de caixa real. O fluxo de caixa planejado trata de antever, planejar os fluxos de dinheiro num período futuro e o fluxo de caixa real registra os acontecimentos efetivos de movimentação de numerários da empresa. 2.9 IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) encontra-se regulamentado pelo Decreto 7.212, de 15 de junho de 2010 e, de acordo com o artigo 2º, incide sobre produtos industrializados, sendo eles nacionais e estrangeiros. (BRASIL, 2010). De acordo com a Receita Federal (2013b), o fato gerador do IPI ocorre através de duas principais hipóteses: o desembaraço aduaneiro de produtos de procedência estrangeira, na importação e a saída de produto de estabelecimento industrial ou equiparado à industrial, na operação interna. 2.10 Valor presente De acordo com o Comitê de Pronunciamentos Contábeis - CPC (2013), Valor Presente (VP) é a estimativa do valor corrente de um fluxo de caixa futuro no curso normal das operações da entidade. 54 Cada vez mais, as entidades estão prolongando seus prazos de pagamento e, com isso, ao ajuste a valor presente tem o objetivo de trazer para o valor atual os direitos e as obrigações da empresa, que serão exigidos ou realizados em uma data futura. Sendo assim, para determinar o valor presente de um fluxo de caixa, é necessário realizar uma avaliação dos fatores relevantes que influenciarem, como prazo de recebimento ou pagamento e taxa de juros ou desconto aplicáveis. (LUNELLI, 2013). 2.11 NCM - Nomenclatura Comum do Mercosul A Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), conforme a Receita Federal (2013c), é o que classifica as mercadorias comercializadas internacionalmente pelo Brasil desde 1996, utilizada também por estes países: Argentina, Paraguai e Uruguai. Os códigos de classificação do NCM são compostos por oito dígitos, classificados com base no Sistema Harmonizado. O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) é um método utilizado a âmbito internacional para classificar mercadorias, regrado por uma estrutura de código e suas descrições. (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, 2013) O NCM deve ser utilizado de forma correta na classificação dos produtos adquiridos, para evitar as penalidades das autoridades aduaneiras. A correta utilização gera vantagens. Uma delas é a redução da carga tributária do Imposto de Importação. (RECEITA FEDERAL, 2013c). 2.12 CFOP - Código Fiscal de Operações e Prestações O código fiscal de operações e prestações, representado pela sigla CFOP, é um código numérico que reconhece a natureza de circulação da mercadoria ou prestação de serviço de transportes, das entradas e saídas de mercadorias, intermunicipal e interestadual. O CFOP deve, obrigatoriamente, ser apontado em todos os documentos fiscais da empresa, nas entradas e saídas de mercadorias e bens e da aquisição de serviços. É através dele que é definido se a operação fiscal terá ou não que recolher certos impostos. (SIGNIFICADOS, 2013). 55 CAPÍTULO III O EFEITO DO ICMS NAS VENDAS DE MERCADORIAS CONSIDERANDO A INFLUÊNCIA DA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIANO FLUXO DE CAIXA DA EMPRESA 3 INTRODUÇÃO Durante o período de março a novembro de 2013, foram observados na empresa Newdrop Química Ltda, as operações de vendas intra e interestaduais, com o objetivo de avaliar o efeito do ICMS, ao se levar em conta a ST e o IVA/MVA, na venda de mercadorias e seu possível efeito no fluxo de caixa, além do valor presente nas vendas a prazo. Analisou-se, também, as respectivas variações referentes às alíquotas específicas, descritas nos regulamentos internos de cada estado e nos protocolos e convênios vigentes. As técnicas utilizadas foram: o roteiro de estudo de caso (Apêndice A); o roteiro de observação sistemática (Apêndice B); o roteiro do Histórico das vendas inter e intraestaduais referentes ao ICMS com ou sem ST e o IVA/MVA (Apêndice C); o roteiro de entrevista para o contador da Newdrop (Apêndice D); e o roteiro de entrevista para a gerente tributária (Apêndice E). Diante do exposto, foram abordadas as operações dentro do Estado de São Paulo (SP) e entre São Paulo (SP) e a empresa localizada no Estado do Ceará (CE), com a finalidade de analisar e comparar diferentes situações em operações com e sem substituição tributária. Observou-se a existência do protocolo ICMS 18, de 14 de março de 2008, prorrogado pelo despacho 273/12 entre SP e CE, que entrará em vigor em 2014, além do RICMS-SP e da portaria CAT nº 174, de 04/09/2009, que altera a portaria CAT nº 172/09, de 31/08/09, que estabelece a base de cálculo na saída de produtos de limpeza, a que se refere o artigo 313-L, do regulamento do ICMS. No período de estudo, foi constatado que a empresa desembolsa uma elevada quantia de impostos decorrentes de vendas a prazo, cujo recolhimento das obrigações tributárias se faz antes do recebimento de seus clientes. 56 Portanto houve a necessidade de elaborar tabelas comparativas que abordam o fluxo de caixa e o valor presente líquido, com o objetivo de apurar os efeitos decorrentes da antecipação do pagamento das obrigações tributárias do ICMS, geradas pela substituição tributária, além de auxiliar na tomada de decisão referente aos preços das mercadorias com vendas à vista e a prazo. 3.1 Simulação de vendas com substituição tributária Foi realizada uma simulação para definir o valor esperado da receita operacional líquida, representada pelos preços dos produtos e o impacto dos tributos na venda, conforme o quadro 2. Considerou-se uma alíquota interna de 18% para o ICMS, uma alíquota de IPI de 5% e o preço de venda do produto, sem os impostos, de R$ 82,00. Foi considerado um MVA para o produto analisado de 17,96%. Quadro 2: Simulação de venda com substituição tributária. PRODUTOS FRETE ICMS - próprio 18% IPI 5% R$ 18,00 SUB TOTAL TOTAL MVA 17,96% BASE DE CÁLCULO PARA O ICMS-ST ICMS TOTAL ICMS proprio ICMS ST 18% VALOR FINAL DE VENDA AO CONSUMIDOR R$ 82,00 R$ R$ R$ R$ 18,00 100,00 5,00 105,00 R$ 18,86 R$ 123,86 R$ R$ R$ 22,29 18,00 4,29 R$ 109,29 Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. Para calcular o ICMS-próprio, é preciso identificar a alíquota do estado onde ocorre à operação. Neste estudo, foi verificada a alíquota prevista no 57 inciso I, do artigo 52 do RICMS/SP, que é 18%. No exemplo exposto no quadro 2, considerando-se o valor do produto sem os impostos igual a R$ 82,00, a base do ICMS foi obtido de acordo com o quadro a seguir: Quadro 3: Cálculo ICMS – próprio. Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. Por se tratar de um produto industrializado, é obrigatório o recolhimento do IPI que, no exemplo proposto, foi utilizada uma alíquota de 5% incidente sobre o valor do produto acrescido do ICMS, ou seja, 5% de R$ 100,00. Sobre o valor do produto acrescido do ICMS próprio e IPI, que totaliza R$ 105,00, foi calculado o valor de venda no final da cadeia, multiplicando-se pelo IVA considerado para o produto. Neste caso, 17,96%, de acordo com a portaria CAT 174 de 04/09/2009: R$ 105,00 X 17,96%= R$18,86. Com isto, pode-se determinar a base de cálculo do ICMS-ST como segue o quadro abaixo: Quadro 4: Cálculo ICMS – ST. Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. Desta forma, calcula-se o valor da venda da indústria para a próxima empresa da cadeia produtiva, demonstrado pelo quadro abaixo: 58 Quadro 5: Cálculo do valor final de venda. Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. Diante dos dados expostos anteriormente, resumem-se as informações nos quadros abaixo: Quadro 6: Valor da nota da venda com ST. VR DA NOTA VR. PRODUTO ICMS proprio ICMS ST IPI FRETE R$ R$ R$ R$ 18,00 4,29 5,00 - R$ R$ 109,29 82,00 R$ 27,29 R$ -R$ -R$ -R$ R$ R$ 109,29 18,00 4,29 5,00 82,00 Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. Quadro 7: DRE da venda com ST. RECEITA OPERACIONAL BRUTA ICMS proprio ICMS ST IPI FRETE RECEITA LIQUIDA Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. 3.2 Simulação de vendas sem substituição tributária A seguinte projeção trata-se de uma venda para uma empresa localizada no Estado do Ceará. Neste caso, não será considerado operação com substituição tributária, pois, embora o Estado do Ceará possua o protocolo ICMS n°18, de 14 de março de 2008, com o Estado de São Paulo, o despacho nº 273/12 prorrogou o início de vigência para o ano de 2014. A alíquota interestadual do ICMS de São Paulo para o Estado do Ceará é de 7%, de acordo com o inciso II, do artigo 52 do RICMS/SP. 59 O quadro a seguir resume a operação: Quadro 8: Simulação de venda sem substituição tributária. PRODUTOS FRETE ICMS - próprio 7% IPI 5% R$ 6,17 SUB TOTAL TOTAL VR. FINAL VENDA AO CONSUMIDOR R$ 82,00 R$ R$ R$ R$ 6,17 88,17 4,41 92,58 R$ 92,58 Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. Desta forma, foi obtida a base de cálculo do ICMS, a partir da mesma receita operacional líquida do exemplo anterior, ou seja, R$ 82,00. Quadro 9: Cálculo ICMS – próprio. Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. Por versar de um produto industrializado, é obrigatório o recolhimento do IPI que, no exemplo, é represento por uma alíquota de 5%: Quadro 10: Cálculo IPI. Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. 60 Assim, calcula-se o valor da venda da indústria para a próxima empresa da cadeia produtiva, como demonstra o quadro a seguir: Quadro 11: Cálculo do valor final de venda. Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. Neste caso, não há incidência do IVA/MVA, por se tratar de uma operação sem substituição tributária. Diante dos dados expostos anteriormente, resumem-se as informações nos quadros abaixo. Quadro 12: Valor da nota da venda sem ST. VR DA NOTA VR. PRODUTO ICMS proprio IPI FRETE R$ R$ R$ 6,17 4,41 - R$ R$ 92,58 82,00 R$ 10,58 Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. Quadro 13: DRE da venda sem ST. RECEITA OPERACIONAL BRUTA ICMS proprio IPI FRETE RECEITA LIQUIDA R$ -R$ -R$ R$ R$ 92,58 6,17 4,41 82,00 Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. 3.3 Análises comparativas das simulações de vendas Nos quadros exemplificados, verificou-se que, nas operações com e sem substituição tributária, utilizou-se a mesma receita operacional líquida, 61 o que não interfere no resultado final da empresa. Porém, de acordo com as análises das notas fiscais e o período de observação na empresa, entende-se que a substituição tributária pode influenciar no seu fluxo de caixa, se a venda for a prazo, pois, neste caso, o recolhimento do ICMS sujeito à substituição deve ser recolhido antecipadamente em relação às operações subsequentes, conforme o enquadramento do código de classificação nacional de atividades econômicas (CNAE) que, neste caso, é o n° 20622 (ANEXO A), sendo que seu recolhimento deve ser realizado até o 3º dia útil do mês subsequente ao da ocorrência do fato gerador, como rege o inciso I, do artigo 2º, e inciso I, do artigo 3º, do anexo IV do RICMS/SP. 3.4 Simulação de fluxo de caixa e valor presente Ao realizar uma suposição de venda de mercadoria, em cinco parcelas, e com a utilização das informações citadas nas tabelas acima, das mercadorias vendidas com substituição tributária, pode-se demonstrar o quadro no subitem abaixo. 3.4.1 Venda dentro do Estado de São Paulo com substituição tributária Quadro 14: Informações de venda. Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. Diante do quadro acima, é possível apresentar o fluxo de caixa e valor presente líquido do recebimento da venda, com uma taxa de juros mensal de 4% ao mês. Esta taxa de juros representaria o custo financeiro do capital de giro da empresa. 62 Quadro 15: Fluxo de caixa e valor presente. FLUXO DE CAIXA 0 1 2 3 4 5 TMA VPL -R$ R$ R$ R$ R$ R$ VALOR 27,29 21,86 21,86 21,86 21,86 21,86 4% R$ 70,02 Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. O fluxo de caixa e o valor presente também são capazes de ser representados pelo gráfico a seguir: Figura 13: Gráfico do fluxo de caixa e valor presente. Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. 63 Nos referidos exemplos, desconta-se o valor de R$ 27,29, referente aos impostos indiretos, IPI e ICMS, supondo que o mesmo foi pago antes do início das parcelas, por ser uma obrigação tributária devido ao fisco. Posteriormente, desenvolve-se o cálculo do valor presente líquido, que é a soma dos valores descontados das entradas, menos os valores descontados das saídas de caixa, sendo ordenado pela seguinte forma: Quadro 16: Valor presente. (continua) P0 = - R$ 27,29 P1= S P1 = (1 + i)n P2= S (1 + i) P3= P2 = (1 + i) 21,86 P2 = R$ 20,21 2 (1 + 0,04) P3 = n P1 = R$ 21,02 (1 + 0,04)1 n S 21,86 21,86 P3 = R$ 19,43 3 (1 + 0,04) 64 (conclusão) P4= S P1 = (1 + i)n P5= S 21,86 P4 = R$ 18,68 (1 + 0,04)4 P1 = (1 + i)n 21,86 P5 = R$ 17,97 (1 + 0,04)5 VPL =- 27,29 + 21,02 + 20,21 + 19,43 + 18,68 + 17,97 = R$ 70,02 Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. Com o desenvolvimento do cálculo, descobre-se um valor presente de R$ 70,02, a uma taxa de 4% ao mês, decorrente do parcelamento em cinco prestações mensais iguais. Quando comparado o valor presente com o valor da projeção da receita operacional líquida de R$ 82,00, verifica-se que a empresa sofrerá uma perda de 14,6% do valor esperado, pois seu valor presente irá ser representado por R$ 70,02. Vale ressaltar que esta perda não se refere unicamente ao efeito do pagamento antecipado do ICMS-ST e sim, ao ICMS da operação própria, ao recolhimento do IPI e ao parcelamento da venda como um todo; mas deve-se frisar que a antecipação do recolhimento do imposto influencia o resultado final da operação. 3.4.2 Venda para uma empresa localizada no Estado do Ceará, sem substituição tributária 65 Quadro 17: Informações de venda. Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. Diante do quadro acima, apresenta-se o fluxo de caixa e o valor presente líquido do recebimento da venda, com uma taxa de juros mensal de 4% ao mês. Quadro 18: Fluxo de caixa e valor presente. Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. Comparado o valor presente líquido com o valor da projeção da receita líquida de R$ 82,00, verifica-se que a empresa sofrerá uma perda de 12,4% do valor esperado, pois seu valor presente será representado por R$ 71,87. Neste caso, a perda é menor, pois não há o recolhimento antecipado do ICMS-ST. A seguir, é apresentado um quadro comparativo em função da taxa de juros. 66 Quadro 19: VPL em função da taxa de juros mensais. VPL Taxa de juros Venda dentro do Estado de São Paulo com ST Venda para Estado do Ceará sem ST 1% R$ 78,80 R$ 79,31 2% R$ 75,74 R$ 76,71 3% R$ 72,81 R$ 74,24 4% R$ 70,02 R$ 71,87 5% R$ 67,34 R$ 69,60 6% R$ 64,78 R$ 67,43 7% R$ 62,33 R$ 65,36 8% R$ 59,98 R$ 63,36 9% R$ 57,73 R$ 61,46 10% R$ 55,57 R$ 59,62 Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. 3.5 Determinação do valor de venda a prazo Diante do exposto, ocorre à necessidade de descobrir qual deverá ser o valor mensal de uma venda a prazo, para obter o valor presente líquido igual ao valor da receita operacional líquida projetada de R$ 82,00. Neste caso, acrescentam-se os tributos indiretos, ICMS e IPI, para o cálculo das parcelas. 3.5.1 Venda dentro do Estado de São Paulo, com ST Quadro 20: Cálculo do valor da parcela. (continua) R$ 82,00 + R$ 27,29 = R$ 109,29 67 (conclusão) (1 + i)n- 1 109,29 = Valor parcela x i . (1 + i)n Sendo: no exemplo: i = Taxa de juros i = 4% am n = n° parcelas iguais n = 5 parcelas (1 + 0,04)5- 1 109,29 = Valor da parcela x Valor parcela = R$ 24,55 0,04 . (1 + 0,04)5 ou seja: 5 parcelas de R$ 24,55 Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. 3.5.2 Venda fora do Estado de São Paulo, sem ST Quadro 21: Cálculo do valor da parcela. (continua) R$ 82,00 + R$ 10,58 = R$ 92,58 68 (conclusão) (1 + i)n- 1 92,58 = Valor parcela x i . (1 + i)n Sendo: no exemplo: i = Taxa de juros i = 4% am n = n° parcelas iguais n = 5 parcelas 92,58 = Valor parcela x Valor parcela = R$ 20,79 (1 + 0,04)5- 1 0,04 . (1 + 0,04)5 ou seja: 5 parcelas de R$ 20,79 Fonte: Elaborado pelos autores, 2013. 3.6 Parecer Final Através deste estudo, podem-se constatar as vendas de mercadoria realizadas pela Newdrop e as variações do ICMS de acordo com as legislações em vigor. No exemplo proposto, as vendas que ocorrem para o próprio Estado de São Paulo, são realizadas com substituição tributária. As vendas para fora do Estado de São Paulo, especificamente para o Estado do Ceará, atualmente não tem substituição tributária, pois, embora haja um protocolo, ainda não está vigente. As análises elaboradas evidenciaram que, independente de a empresa 69 realizar uma venda com ou sem substituição tributária, caso se considere o mesmo valor da receita operacional líquida para a formação do preço de venda, o resultado esperado, será o mesmo. A realização de uma venda a prazo com substituição tributária, porém, afetará no fluxo de caixa da empresa. Com o desembolso antecipado, realizado com as obrigações tributárias decorrentes da ST, emprega-se o dinheiro do caixa antes mesmo de recebê-lo, considerando-se que as vendas são parceladas. Sendo assim, é muito importante que a empresa possua um controle específico do fluxo de caixa, para conhecer os valores das vendas a prazo, necessários na obtenção de um valor presente alinhado com a receita operacional líquida desejada. 70 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO A elevada disparidade da carga tributária brasileira denota a necessidade do conhecimento das diversas legislações. O estudo realizado buscou destacar a extensa e complicada legislação do ICMS, relacionado com as variações do fluxo de caixa. As projeções realizadas, com base nas informações da empresa estudada, proporcionou o convencimento de que é necessário conhecer, nas vendas a prazo, o valor presente líquido, pois, diante disso, possibilita-se uma projeção de valores adequados para vendas condizentes com a receita operacional líquida desejada. Desta forma, foram montadas tabelas no Excel, que demonstram o fluxo de caixa e os respectivos cálculos do valor presente para a comparação com a receita operacional líquida desejada. Assim, realizou-se também um cálculo que possibilita a verificação em uma venda a prazo dos valores necessários nas parcelas, para atingir o valor presente condizente com a receita desejada. Portanto é interessante que a empresa utilize ferramentas, como: tabelas de análises de vendas e fluxo de caixa, cálculos de valor presente e impostos, receitas operacionais e demais operações necessárias para simulações de vendas. Foi constatado, também, que todo o 3º dia útil do mês subsequente, a empresa desembolsa um alto valor para pagar obrigações referentes ao ICMS. Assim, observou-se que a Newdrop, nas vendas a prazo, retira um valor de seu caixa antes do recebimento das vendas efetivadas. Diante do exposto, propõe-se: a) que, nas vendas a prazo, a empresa emita um boleto cobrando, à vista, os impostos indiretos: ICMS e IPI ou, pelo menos, o valor do ICMS-ST, para não desembolsar um valor antes do recebimento e, assim, não correr o risco de diminuir as disponibilidades financeiras no caixa; b) caso adote por parcelamento total, acrescentar o custo financeiro deste parcelamento, conforme estudo proposto; c) avaliar as vendas para o Estado do Ceará, considerando a vigência do protocolo com aquele estado a partir de 2014. 71 CONCLUSÃO O trabalho desenvolvido buscou apresentar os impactos das operações envolvendo o ICMS em situação, com e sem substituição tributária, principalmente os efeitos decorrentes que as vendas a prazo podem desencadear no fluxo de caixa. A análise do objetivo inicial de avaliar o efeito do ICMS, ao levar em conta a ST e o IVA/MVA, na venda de mercadorias e seu possível efeito no fluxo de caixa, além do valor presente nas vendas a prazo, desencadeou uma pesquisa in loco na empresa, pois surgiu a necessidade de conhecer com maior profundidade, como ocorriam as operações supracitadas. O apoio da equipe fiscal da empresa estudada proporcionou um acesso adequado para avaliar as questões que envolvem o tema proposto. Foi realizada, também, uma extensa pesquisa bibliográfica com o objetivo de subsidiar o conhecimento do grupo, para compreender com mais clareza as operações da vasta legislação do ICMS. Ao longo do trabalho, foi observado como as legislações do tema estudado são extensas e diferentes nos diversos estados, o que leva a pensar os efeitos qualitativos de uma possível unificação tributária nesta área, para diminuir disparidades entre as diversas legislações estaduais do país. Resultados significantes foram encontrados no desenvolvimento do trabalho. Veja-se: constatou-se que a empresa estudada, onde a mesma paga antecipadamente o ICMS, devido à sua obrigatoriedade e prazos estipulados em legislação, antes mesmo do recebimento pelas vendas, quando se trata de operações a prazo. Houve também um grande destaque para a necessidade de a empresa conhecer ferramentas adequadas para subsidiar o entendimento de parâmetros de análise do fluxo de caixa, como, por exemplo, o valor presente líquido. Este fato pode proporcionar ao empresário uma maior capacidade de negociação com os clientes, além de ferramentas para calcular o valor de venda a prazo, sem comprometer a receita líquida desejada nas vendas. Para estudos futuros, poderiam ser aprofundadas análises com vendas para outros estados, que envolvam a substituição tributária e seus reflexos no 72 fluxo de caixa da empresa, além dos impactos em relação à taxa de desconto utilizada. 73 REFERÊNCIAS BARRETO, N. L. C; ALMEIDA, R. J. Manual prático da substituição Tributária. São Paulo: Cenofisco, 2006. BORGES, H. B. Planejamento Tributário: IPI, ICMS, ISS e IR. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2004. BRASIL. Código Tributário Nacional. Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5172.htm> Acesso em: 16 de março de 2013. ______. Decreto Lei nº 406, de 31 de dezembro de 1968. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del0406.htm> Acesso em: 25 de fevereiro de 2013. ______. Lei Complementar nº 24, de 7 de janeiro de 1975. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp24.htm> Acesso em: 17 de março de 2013. ______. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm> Acesso em: 17 de março de 2013. ______. Lei nº 8.866, de 11 de abril de 1994. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8866.htm> Acesso em: 25 de março de 2013. ______. Lei Complementar n° 87, de 13 de setembro de 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/Icp87.htm> Acesso em: 21 de fevereiro de 2013. ______. Regulamento do Imposto de Renda de 1999a. Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. Receita Federal. Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/rir/L2Parte1.htm> Acesso em: 19 de abril de 2013. ______. Decreto nº 3.000, de 26 de Março de 1999b. Artigo 531. Disponível em:<http://www.jusbrasil.com.br/busca?q=Art.+531+Regulamento+do+Imposto +de+Renda+de+1999+-+Decreto+3000%2F99> Acesso em: 14 de abril de 2013. ______. Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/LCP/Lcp123.htm> Acesso em: 28 de março de 2013. 74 ______. Decreto 7.212, de 15 de junho de 2010. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/decreto/d7212.htm> Acesso em: 10 de junho de 2013. ______. Lei nº 12.814, de 16 de maio de 2013. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12814.htm> Acesso em: 28 de março de 2013. CARTILHA DO SIMPLES NACIONAL. O que muda a partir de 2012. SEFAZ. Distrito Federal, 2012. Disponível em: <http://www.fazenda.df.gov.br/arquivos/pdf/pmf_alteracoes_2012.pdf> Acesso em: 03 de abril de 2013. COMITÊ DEPRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS – CPC. Pronunciamento Técnico CPC 12: Ajuste a Valor Presente. Disponível em: <http://www.cpc.org.br/pdf/CPC_12.pdf> Acesso em: 20 de junho de 2013. FABRETTI, L. C. Contabilidade Tributária. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2005. GALHARDO, A. Esclarecimentos gerais sobre o regime de Substituição Tributária do ICMS. Portal Tributário. Disponível em: <http://www.portaltributario.com.br/noticias/substituicao_tributaria.htm> Acesso em: 15 de maio de 2013. ICHIHARA, Y. 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São Paulo: Saraiva, 2009. 75 PORTAL CLASSE CONTÁBIL. Lucro Real: vantagens e desvantagens. Disponível em: <http://www.classecontabil.com.br/noticias/ver/18351> Acesso em: 03 de abril de 2013. PORTAL TRIBUTÁRIO. O que é Lucro Presumido? Brasília. Disponível em: <http://www.portaltributario.com.br/artigos/oquee_lucropresumido.htm> Acesso em: 30 de março de 2013a. PORTAL TRIBUTÁRIO. Diferencial de alíquota de ICMS. Brasília. Disponível em: <http://www.portaltributario.com.br/artigos/diferencialaliquotasicms.htm> Acesso em: 19 de abril de 2013b. RECEITA FEDERAL. Capítulo XIV - Lucro Arbitrado 2013. Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj2013/Capitulo_XIV_L ucroArbitrado_2013.pdf> Acesso em: 10 de junho de 2013a. RECEITA FEDERAL. Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/ipi/conceito.htm> Acesso em: 15 de junho de 2013b. RECEITA FEDERAL. 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Santa Catarina, 2011. Disponível em: <http://egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/anexos/21316-21317-1-PB.pdf> Acesso em: 11 de junho de 2013. 76 ZANLUCA, J. C. ICMS Teoria e Prática. Portal Tributário e Maph, 2013. ZDANOWICZ, J. E. Fluxo de caixa: uma decisão de planejamento e controle financeiro. 10. ed. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 2004. 77 APÊNDICES 78 APÊNDICE A – Roteiro de Estudo de Caso 1 INTRODUÇÃO Este estudo de caso tem como objetivo apresentar comparações de situações em que ocorra a incidência do ICMS em relação à substituição tributária, em vendas dentro ou fora do estado, e a ocorrência do IVA nas operações, para desta forma contribuir na melhor gestão das vendas a prazo. Contudo, serão descritos os métodos e técnicas utilizados na coleta de dados. 1.1 Roteiro do trabalho realizado referente ao assunto estudado a) Relacionar o Código Tributário Nacional, a Lei Complementar 87/96 (Lei Kandir), Lei 394-B/84 (IVA), Lei 6374/89 (ICMS-SP) e o decreto 45490/200 (RICMS), na administração da empresa. b) Análises comparativas da aplicação do ICMS na empresa. c) Depoimentos do contador e da gerente tributária para verificação do estudo de caso. 1.2 Discussão Será feito um paralelo entre a teoria estudada e a realidade da empresa Newdrop. 1.3 Parecer final referente ao assunto abordado, manutenção ou modificação no proceder da empresa. sugestões sobre 79 APÊNDICE B – Roteiro de Observação Sistemática I IDENTIFICAÇÃO Empresa: Localização: Atividade Econômica: II ASPECTOS A SEREM OBSERVADOS 1 Composição da Empresa 2 Estrutura Organizacional 3 Planejamento Tributário 4 Existência de produtos com ou sem Substituição Tributária 5 Análise do IVA/MVA 6 Observação do fluxo de caixa no pagamento dos tributos 7 Avaliação do valor presente das vendas a prazo 80 APÊNDICE C - Roteiro do Histórico das vendas inter e intraestaduais referentes ao ICMS com ou sem substituição tributária e o IVA/MVA I IDENTIFICAÇÃO Empresa: Localização: Atividade Econômica: II ASPECTOS A SEREM OBSERVADOS 1 Histórico da empresa 2 Relatório das vendas inter e intraestaduais 3 Ocorrência do ICMS com ou sem substituição tributária 4 Incidência do IVA/MVA em operações com Substituição Tributária 81 APÊNDICE D – Roteiro de entrevista para o contador I IDENTIFICAÇÃO Cargo: Profissão: Escolaridade: Experiências profissionais: Outras experiências: Residência/local: (cidade) II PERGUNTAS ESPECÍFICAS 1 Qual é a vantagem de se adotar o regime de Substituição Tributária? 2 Qual é a importância dos protocolos e convênios pra o equilíbrio das tributações entre os estados? 3 Como um bom planejamento tributário pode resultar em benefícios para a Newdrop? 82 APÊNDICE E – Roteiro de entrevista para a gerente tributária I IDENTIFICAÇÃO Cargo: Profissão: Escolaridade: Experiências profissionais: Outras experiências: Residência/local: (cidade) II PERGUNTAS ESPECÍFICAS 1 Quais são as alíquotas do ICMS correspondentes nas operações interestaduais destinadas a contribuintes do ICMS mais frequentes na empresa? 2 Em que momento o ICMS ocorrido da substituição tributária pode gerar crédito fiscal? 3 Quais são os produtos que sofrem ST, incidência de IVA e quais são as aquisições realizadas dentro e fora do estado na empresa Newdrop? 4 A substituição tributária é benéfica para os contribuintes? 5 Qual é a importância do planejamento tributário em uma empresa? 83 ANEXOS 84 ANEXO A – Comprovante de inscrição e situação cadastral