Ciência Animal 24(1): 11-23, 2014
CARACTERIZAÇÃO ESTRUTURAL DO HORMÔNIO FOLÍCULO ESTIMULANTE
E SEU PAPEL NA FISIOLOGIA DE CÉLULAS OVARIANAS
(Structural Characterization of the Follicle Stimulating Hormone and its role in the physiology of
ovarian cells)
Sanely Lourenço da COSTA1*, Eduardo Paulino da COSTA1, Emílio César Martins PEREIRA2,
Vívian Rachel de Araújo MENDES1, Talita Fernandes da SILVA1, Ana Clara Fidélis
RODRIGUES1, Pedro Paulo Teixeiras FREITAS1, Letícia Maria Pereira SANGLARD1
1
2
Laboratório de Maturação de Ovócitos e Fertilização In Vitro, Universidade Federal de Viçosa (UFV);
Departamento de Reprodução Animal e Radiologia Veterinária, Universidade Estadual Paulista Júlio Mesquita
Filho (UNESP)
RESUMO
O hormônio folículo estimulante (FSH) é uma glicoproteína heterodímera sintetizada e secretada na
porção anterior da hipófise (adenohipófise). O FSH desempenha ações relevantes nos estádios mais
avançados do desenvolvimento e maturação folicular. O FSH exerce múltiplas funções como a
ativação de mais de 100 genes que codificam diferentes respostas. A ação do FSH está restrita as
células da granulosa. Esta gonadotrofina atua por meio da ativação da enzima adenilciclase na
membrana plasmática, a qual forma AMPc a partir de ATP. O AMPc promove as mudanças
metabólicas que caracterizam a ação gonadotrópica, normalmente por meio da fosforilação de
proteínas-quinases. Durante o processo fisiológico da ovulação, os estrógenos melhoram o efeito
estimulador do FSH e provocam a liberação de FSH/LH necessária para a ovulação. O próprio
folículo maduro é responsável pela ovulação, pois secreta estradiol, hormônio responsável pelo pico
pré-ovulatório de LH, resultando na ovulação. Diante disso, a adição de FSH aos meios de cultivo
caracteriza ações importantes, como, o desenvolvimento folicular e o processo de ovulação. Desta
forma, o objetivo da revisão foi descrever o papel do FSH e seu mecanismo de ação e receptores no
desenvolvimento folicular ovariano. E bem como, o efeito deste sobre a sobrevivência, a ativação e
o crescimento folicular.
Palavras-Chave: cultivo in vitro, FSH, ovulação, receptores.
ABSTRACT
The follicle stimulating hormone (FSH) is a heterodimeric glycoprotein synthesized and secreted in
the pituitary anterior portion (adenohypophysis). The FSH performs important actions in the later
stages of follicular development and maturation. The FSH exerts multiple functions such as the
activation of more than 100 genes encoding different answers. The action of FSH is restricted to the
granulosa cells. This gonadotropin acts through the activation of the enzyme adenylate cyclase in
the plasma membrane, which forms AMPc from ATP. The AMPc promotes metabolic changes that
characterize the gonadotropic action, usually through the phosphorylation of protein kinases. During
the physiological process of ovulation, estrogens enhance the stimulatory effect of FSH and cause
the release of FSH/LH required for ovulation. The mature follicle itself is responsible for ovulation,
as it secrets estradiol, hormone responsible for the pre-ovulatory peak of LH, resulting in ovulation.
Thus, the addition of FSH to the culture media characterizes important actions, as the follicular
development and the ovulation process. Thus, the revision of the objective was to describe the role
of FSH and its mechanism of action and receptor in ovarian follicular development. And as well as
the effect of this on survival, activation and follicular growth.
Key-words: in vitro culture, FSH, ovulation, receptors.
________________________________
*Endereço para correspondência:
[email protected]
INTRODUÇÃO
O FSH é uma glicoproteína
heterodímera sintetizada e secretada pelas
células gonadotróficas, presentes na porção
anterior da hipófise (Saraiva et al., 2010). A
hipófise é dividida em três regiões distintas
denominadas lobos anterior (adeno-hipófise),
posterior (neuro-hipófise) e intermédio. Cada
substância produzida por uma dessas três
regiões atua sobre tipos celulares específicos,
denominadas células-alvo. As células-alvo de
um determinado hormônio possuem na sua
membrana
ou
citoplasma
proteínas
denominadas
receptores
(Greco
&
Stabenfeldt, 2004).
Os receptores de FSH já foram
expressos durante estudos moleculares,
comprovando que a interação do FSH com
seu receptor desencadeiam várias reações
intracelulares importantes para proliferação
celular e síntese de esteroides (HunzickerDunn & Maizels, 2006). Os estrógenos
produzidos nestes animais também melhoram
o efeito estimulador do FSH e provocam a
liberação de FSH/LH necessária para a
ovulação (Driancourt et al., 1993).
Tem-se conhecimento de que os
ovários das diferentes espécies de mamíferos
contêm milhares de ovócitos imaturos
inclusos em folículos pré-antrais (FOPA),
sendo esses folículos, portanto, uma fonte
potencial de gametas fertilizáveis. Com isso,
é de grande interesse assegurar o crescimento
in vitro e permitir a aquisição da competência
dos ovócitos provenientes destes folículos
(Mclaughlin et al., 2010).
No entanto, o desenvolvimento de um
sistema de cultivo eficiente é um ponto
crucial para a ativação, ou seja, a transição
dos folículos primordiais para intermediários,
primários e secundários, permitindo, assim, o
desenvolvimento de um grande número de
FOPA. (Figueiredo et al., 2008).
Várias pesquisas com cultivo in vitro
de FOPA revelaram importantes fatores de
crescimento e hormônios envolvidos no
desenvolvimento folicular (Picton et al.,
2008). Dentre as substâncias que participam
da foliculogênese inicial, merece destaque o
FSH. Alguns estudos in vitro demonstraram
que a adição de FSH no meio de cultivo
promoveu a inibição de apoptose e a
formação de antro em grandes folículos
secundários isolados de diferentes espécies
(humana: Wright et al., 1999; ovina: Cecconi
et al., 1999; bovina: Gutierrez et al., 2000;
suína: Mao et al., 2002).
Neste contexto, a presente revisão de
literatura destacará os aspectos relacionados à
expressão de FSH e seus receptores no
ovário, as vias de sinalização celular do FSH
e o efeito deste sobre a sobrevivência, a
ativação e o crescimento folicular.
HORMÔNIO
ESTIMULANTE (FSH)
FOLÍCULO
Existem diversas substâncias, dentre
hormônios e fatores de crescimento, que estão
envolvidas na foliculogênese. Dentre estes,
destaca-se a atuação dos hormônios
hipofisários, como Hormônio Folículo
Estimulante (FSH), Hormônio Luteinizante
(LH), Hormônio do Crescimento (GH) e
Tireotropina (TSH), que desempenham
efeitos diretos ou indiretos na manutenção da
viabilidade e estímulo ao crescimento e à
maturação folicular (Matos et al., 2007;
Saraiva et al., 2008).
O FSH é uma glicoproteína
heterodímera sintetizada e secretada pelas
células gonadotróficas (Fig.1) presentes na
porção anterior da hipófise (adenohipófise).
Este hormônio, bem como as outras
gonadotrofinas, parece apresentar maior
relevância nos estádios mais avançados do
desenvolvimento folicular (Saraiva et al.,
12
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2010). Esta gonadotrofina é indispensável
para o desenvolvimento e maturação das
gônadas na puberdade e produção de gametas
durante a fase fértil da vida, além de ser
implicada na manifestação do estro e na
ovulação (Minj et al., 2008).
O ciclo estral é regulado por
mecanismos endócrinos e neuroendócrinos,
principalmente
pelos
hormônios
hipotalâmicos, as gonadotrofinas e os
esteróides
secretados
pelos
ovários.
Dependendo das concentrações na corrente
circulatória, os hormônios esteróides podem
exercer uma retroalimentação. O aumento na
concentração de estrógenos circulantes tem
efeito de retroalimentação positiva sobre o
hipotálamo, induzindo uma onda repentina de
liberação de GnRH, acompanhada pela onda
pré-ovulatória de LH e FSH secretados pela
hipófise (Fig.1). As ondas pré-ovulatórias de
LH e FSH duram de 6 a 12 horas e são
responsáveis pela ovulação (Hafez, 1995).
(Fonte: Confeccionado pela autora)
Figura 1 - Estrutura esquemática da síntese e
secreção de FSH
MECANISMO DE AÇÃO DO FSH NA
FOLICULOGÊNESE
A foliculogênese compreende todas as
fases do desenvolvimento folicular, desde sua
formação, ativação e crescimento até a
completa maturação, sendo controlada por
fatores endócrinos, parácrinos (Fig. 2) e
autócrinos (Magalhães et al., 2009). Ainda
não estão bem elucidados os mecanismos
pelos quais ocorre a regulação da fase inicial
da foliculogênese, mas já é conhecido que o
FSH atua sobre a ativação folicular
(Betteridge et al., 1989).
Após sofrerem a ativação, que
compreende a transição do estágio de
primordiais para primários, estes folículos
entram em um curso pré-programado de
desenvolvimento e maturação ou então
sofrem o processo de atresia (Fair, 2003). O
FSH também parece atuar neste momento,
pois o mesmo promove a proliferação das
células da granulosa, a formação do antro e a
inibição da atresia folicular (Magalhães et al.,
2009).
O FSH atua por meio da sua ligação a
receptores específicos nas células alvo da
superfície celular (Minj et al., 2008). No
entanto, o mecanismo de ação e de sua
transdução de sinal em células germinativas
do ovário ainda não está totalmente elucidado
(Liu et al., 2010). Tem sido considerado que
esta transdução é mediada, principalmente,
pela via Adenosina 3',5'-monofosfato Cíclico
(cAMP) dependente da Proteína Quinase A
(PKA) (Yu et al., 2003). Trata-se de uma
reação de primeira camada, em que o FSH
controla a proliferação e diferenciação celular
e a apoptose (Liu et al., 2010).
Nesta via, após a ligação do hormônio
a um receptor específico, é desencadeada a
ativação de uma enzima intracelular
(adenilciclase). Esta enzima converte parte da
Adenosina Trifosfato (ATP) intracelular em
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AMP-cíclico. Este, por sua vez, ativa a
proteína Quinase dependente de cAMP, que
fosforila uma série de outras proteínas,
promovendo sua ativação ou inibição. Assim,
o AMP-cíclico, direta ou indiretamente,
executa uma série de alterações fisiológicas
na célula, como ativação de enzimas,
alterações da permeabilidade da membrana
celular, ativação de síntese protéica e
aumento de secreções (Silva et al., 2009).
(Fonte: Confeccionado pela autora)
Figura 2 - Representação esquemática dos fatores autócrinos, parácrinos e endócrinos.
O sinal é transmitido por meio de
vários mecanismos intracelulares, como a
ativação de cAMP/Proteína Quinase A (PKA)
e da Proteína Quinase Ativada por Mitógeno
(MAPK). O Fator de Transcrição CREB é um
dos seus substratos, o qual é responsável pela
regulação da expressão de alguns genes
relacionados à proliferação e esteroidogênese
de células da granulosa (Hunzicker-Dunn &
Maizels, 2006).
É possível que o CREB atue como um
mediador do efeito do FSH na proliferação
das células da granulosa. Neste caso, o FSH
primeiramente estimula a produção de cAMP
e/ou MAPK, que são ativadores de CREB
(Das et al., 1996). Este, por sua vez, pode
ativar a proliferação de diferentes peptídeos,
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como ciclina D2 e ciclina B1, resultando na
proliferação celular (Lauková & Sirotkin,
2007).
Durante a foliculogênese, os eventos
referentes à multiplicação e diferenciação
celular são dependentes de energia. Em
condições in vitro, a glicólise é a principal
fonte de energia disponibilizada para os
folículos pré-antrais de camundongas (Boland
et al., 1994). O lactato é um produto
originado da glicólise, sendo produzido in
vitro pelos FOPA de camundongas. Esta
substância aumenta de forma significativa, na
medida em que os folículos se desenvolvem
para o estádio antral. Tendo em vista que o
FSH estimula a produção de lactato, este
hormônio participa da metabolização da
glicose, regulando desta forma o metabolismo
energético dos FOPA (Boland et al., 1994).
EXPRESSÃO DE RECEPTORES PARA
FSH
Para a mediação da interação do FSH
e dos fatores de crescimento com o ovário e
suas estruturas, se faz necessário um conjunto
de receptores. Estes são de extrema
importância, pois na sua ausência a interação
hormônio-ovário não ocorre (Méduri, et al.,
2002). A interação do FSH com seu receptor
desencadeiam várias reações intracelulares
que inclui a ativação de mais de 100 genes
que
codificam
diferentes
respostas
(Hunzicker-Dunn & Maizels, 2006), tais
como a estimulação da proliferação celular, a
síntese de esteróides e a expressão de
receptores para o Fator de Crescimento
Epidermal (EGF), o IGF-I e o LH (Van Den
Hurk & Zhao, 2005). Este último estimula a
expressão do gene que leva a codificação do
receptor do FSH in vitro (Minegishi et al,
2000).
Os receptores de FSH (rFSH)
pertencem a superfamília dos receptores que
atuam pela proteína G. Esta desempenha um
papel fundamental na tradução dos sinais, se
ligando aos diversos receptores na superfície
da membrana (Spiegel et al., 1996). A
proteína G é heterodímera, sendo formada por
subunidades (α, β e γ), composta por três
domínios:
um
extracelular,
um
transmembrana (composto por sete hélices
hidrofóbicas) e outro intramembranário.
A família dos receptores que atuam
por meio da proteína G possui um N-terminal
extracelular e um C-terminal intracelular
(Johnson & Dhanasedaran, 1989). Com a
ativação do domínio extracelular, pela ligação
do hormônio gonadotrófico, ocorrerá à
ativação da proteína G pelo domínio
intracelular, levando assim a uma cascata de
eventos, os quais, ao final, determinarão os
efeitos específicos do FSH (Simoni et al.,
1997).
A expressão do rFSH em CGs de
folículos pré-antrais já foi detectada por meio
de estudos a nível molecular (Tisdall et al.,
1995; Zheng et al., 1996) em ovócitos de
suínos e de humanos (Méduri et al., 2002).
Nas células da granulosa de bovinos, os rFSH
já foram detectados em folículos primários,
secundários e antrais e em ovócitos de
folículos primordiais de animais de
laboratório (Roy, 1993).
No intuito de determinar o estádio do
folículo no primeiro momento em que ocorre
a expressão do gene que codifica o rFSH,
Oktay et al. (1997) verificaram que o início
da expressão do gene para este receptor
ocorre em folículos com até duas camadas de
células da granulosa. Os rFSH são funcionais
em ovários de ratas recém-nascidas com
idade de quatro a cinco dias (Sokka &
Huhtaniemi, 1990) e a sua transcrição atinge
o ápice após 10 dias de nascimento em
camundongas (O’Shaughnessy et al., 1997).
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INFLUÊNCIA DO FSH NA OVULAÇÃO
O hormônio gonadotrófico FSH é
crucial para a manutenção da função
ovariana. (Martins et al., 2008). A fase
folicular é definida como aquele período
desde a regressão do corpo lúteo (CL) até a
ovulação. O comportamento e a receptividade
sexual das fêmeas durante o estro ocorrem
pela produção de estradiol. Os estrógenos
produzidos nestes animais também melhoram
o efeito estimulador do FSH e provocam a
liberação de FSH/LH necessária para a
ovulação (Driancourt et al., 1993).
Existem receptores nas células da teca
interna e da granulosa que controlam a ação
das gonadotrofinas. A ação do FSH está
restrita as células da granulosa. As
gonadotrofinas (FSH e LH) atuam através da
ativação da enzima adenilciclase na
membrana plasmática, a qual forma AMPc a
partir de ATP. O AMPc promove as
mudanças metabólicas que caracterizam a
ação gonadotrópica, normalmente por meio
da fosforilação de proteínas-quinases. O FSH
estimula o complexo aromatase para produzir
estradiol a partir de andrógenos. Entretanto,
as células da granulosa possuem baixa
quantidade de andrógenos, tendo em vista a
baixa concentração das enzimas que
sintetizam estes hormônios (17 hidroxilases e
C17,20 liases). Assim, os andrógenos devem
ser fornecidos pelas células da teca interna,
proveniente da estimulação pelo LH
(Driancourt et al., 1993).
Muitos fatores são produzidos por
influência das gonadotrofinas (Thomas et al.,
2005), sendo que a passagem destes ocorre
por meio da comunicação bidirecional entre o
ovócito e as células da granulosa. Esta
comunicação ocorre durante todo o processo
de desenvolvimento folicular por meio das
junções gap (intercomunicantes; Buccione et
al., 1990). Estas permitem a transferência de
aproximadamente 85% dos metabólitos para
o ovócito (Buccione et al., 1990), bem como
modulam a ação transcricional (De La Fuente
& Eppig, 2001) e induzem modificações de
diversas proteínas no ovócito.
Alguns estudos têm introduzido um
novo conceito de que os sistemas de
comunicação entre ovócitos e células
foliculares somáticas são cruciais não apenas
para o crescimento e a maturação dos
ovócitos, mas também para a própria mitose e
a diferenciação das células foliculares
circundantes (Matzuk et al., 2002). Neste
conceito, os ovócitos produzem fatores de
crescimento, mais notavelmente a BMP-15, o
KL e o GDF-9, que podem agir nas células da
granulosa para regular a atividade do FSH e
controlar a proliferação destas células
(Otsuka et al., 2005).
O crescimento do folículo até o
estádio antral independe das gonadotrofinas.
Entretanto, o folículo cresce e se desenvolve
sobre a influência de LH e FSH. O FSH é o
principal responsável pela formação do antro,
estimulando a mitose das células da granulosa
e a secreção do fluido folicular. O FSH
também aumenta a sensibilidade das células
da granulosa para o LH, mediante a
estimulação da síntese de receptores para LH,
o que prepara a luteinização das células da
granulosa em resposta a onda pré-ovulatória
de LH.
Um aumento nas concentrações
plasmáticas de FSH estimula o recrutamento
folicular e a emergência da onda folicular.
Desse grupo de folículos, um é selecionado e
adquire capacidade ovulatória, enquanto os
folículos subordinados entram em atresia. O
folículo selecionado é conhecido como
folículo dominante e desempenha um papel
ativo na supressão do crescimento dos
subordinados pela secreção de estradiol e
inibina através de retroalimentação negativa
sobre a hipófise (Fortune et al., 1994). A
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secreção de estradiol pelo folículo dominante
provoca o pico pré-ovulatório de LH,
resultando na ovulação e no desenvolvimento
do CL (Ginther et al., 1996).
IMPORTÂNCIA DO FSH DURANTE O
CULTIVO IN VITRO
O desenvolvimento de meios de
cultivos que permitam a manutenção da
viabilidade ovocitária é fundamental, tanto
para a produção de ovócitos aptos à
fecundação in vitro, tanto para a compreensão
da foliculogênese, mas também para a
preservação das células germinativas das
fêmeas. Diante do exposto, muitas pesquisas
têm sido realizadas no intuito de desenvolver
sistemas de cultivos que possibilitem o
desenvolvimento e a sobrevivência de FOPA
(Mao et al., 2002). Neste contexto, algumas
gonadotrofinas e fatores de crescimento têm
um papel importante na regulação da função
ovariana e vêm sendo pesquisados como
componentes para este meio de cultivo
folicular.
O FSH é uma gonadotrofina
fundamental no cultivo in vitro (Kobayashi et
al., 2009), uma vez que a sua ausência pode
comprometer a difusão de vários fatores
químicos e físicos essenciais através da
membrana basal. Estudos revelam que
sistemas de cultivo sem a presença do FSH
resultaram na extrusão do ovócito (Cortvrindt
et al., 1997), causado por uma deficiência ou
redução do número de junções comunicantes
(Hsueh et al, 1994).
Informações geradas por meio de
estudos com ratos revelaram que a ausência
de FSH no meio de cultivo resultou na morte
das células foliculares e comprometimento da
vitalidade das células da granulosa. Por outro
lado, a adição de FSH ao meio de cultivo de
FOPA promoveu o crescimento, a
sobrevivência e a formação do antro
(Cortvrindt et al., 1997). Também em
humanos, o FSH promove a formação de
antro e a produção de estrógeno no cultivo in
vitro (Abir et al., 1997). Estes dados reforçam
o papel vital deste hormônio na manutenção
do crescimento saudável do folículo e do
ovócito (Mao et al., 2002).
Alguns estudos experimentais revelam
que o cultivo in vitro de FOPA isolados
utilizando FSH estimula a proliferação de
células da granulosa e a formação do antro
(Andrade et al., 2005) e na presença de 10%
de soro fetal bovino, teve um importante
papel no crescimento de FOPA de caprinos e
ovinos, após 18 dias de cultivo (Rodrigues et
al., 2010). Além disso, Saraiva et al. (2011)
demonstraram
que
a
utilização
de
concentrações crescentes de FSH (100 ng/mL
até o dia 6, 500 ng/mL até o dia 12 e 1000
ng/mL até o dia 18 de cultivo) melhorou o
desenvolvimento in vitro de FOPA caprinos
Mao et al. (2002) relataram maior
crescimento e proporção de folículos com
antro (83,3%) em folículos cultivados na
presença de FSH, quando comparados aos
cultivados na ausência do hormônio. Estudos
recentes demonstraram que a adição de FSH
ao meio de cultivo in vitro tem a capacidade
de estimular a expressão de RNAm para
recepetores de IGF-I em FOPA caprinos
(Magalhães-Padilha et al., 2012).
Durante a foliculogênese, poucos
FOPA entram em atresia. Porém, ao
atingirem a fase antral, a maioria deles sofre
este processo. Alguns estudos sugeriram que
a apoptose (morte celular programada) é um
mecanismo subjacente da atresia folicular,
sendo o FSH apontado como regulador deste
processo. A apoptose pode ser induzida por
alguns fatores oxidantes, sendo que a adição
ao meio de cultivo de FSH e de fatores
antioxidantes, como ácido ascórbico, inibem
esta resposta (Tilly & Tilly, 1995, Rossetto et
al., 2009).
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Foi relatado que o uso de FSH
associado ao EGF estimula o crescimento dos
FOPA em caprinos, tendo em vista que
promove o crescimento do ovócito (Silva et
al., 2004). A adição de EGF e FSH durante o
cultivo in vitro de FOPA reduz a
porcentagem de células foliculares atrésicas e
aumenta a taxa de proliferação das células da
granulosa (Saha et al., 2000). Em bovinos, o
rápido crescimento de FOPA para a fase
antral ocorre durante um longo período de
cultivo de até 28 dias (Gutierrez et al., 2000),
com a adição de FSH e EGF.
O estrógeno atua como um regulador
positivo na ação do FSH durante a
diferenciação das células da granulosa.
Estudos em seres humanos e ratos
demonstraram que as interações funcionais
entre a ação estrogênica e o FSH são
necessárias para o estabelecimento de
folículos dominantes no ovário. No entanto,
os mecanismos celulares e moleculares deste
sinergismo permanecem desconhecidos.
Pesquisas demonstraram que a comunicação
entre os ovócitos e as células foliculares
somáticas é essencial, não só para o
crescimento e a maturação do ovócito, mas
também para a mitose e diferenciação de
células foliculares somáticas adjacentes
(Otsuka et al. 2005).
Já foi comprovado que o FSH regula a
expressão de vários fatores de crescimento,
como o GDF-9 e a BMP-15, os quais são
produzidos pelo ovócito e têm um papel
importante na ativação e no posterior
crescimento folicular (Otsuka et al. 2005).
Pesquisas anteriores mostraram que o GDF-9
produzido pelo ovócito atua na regulação do
crescimento dos FOPA in vitro (Orisaka et
al., 2006). Durante o período pré-ovulatório,
o FSH estimula as células da granulosa e do
cumulus a sintetizar ácido hialurônico,
resultando em efeitos dissociativos (Eppig,
1979). Talvez o FSH em excesso possa
provocar uma diminuição prematura das
junções comunicantes entre as células do
cumulus e o ovócito, o que impediria a
transferência de nutrientes das células da
granulosa ao ovócito, resultando na morte do
mesmo (Andrade et al., 2005).
Driancourt et al. (1995) pesquisaram o
papel das gonadotrofinas na regulação da
foliculogênese na espécie suína utilizando a
técnica de hipofisectomia ou o tratamento
com antagonista de GnRH, o qual bloqueia a
secreção de LH pulsátil, sem contudo
interferir na secreção do FSH. Estes autores
demonstraram que o crescimento de folículos
de 0,19 a 1,1 mm é independente de
gonadotrofinas, enquanto que o crescimento
de 1,1 a 2 mm é dependente de FSH e os
maiores que 2 mm dependente de LH.
Do ponto de vista bioquímico, como
os folículos desenvolvem de duas a três
camadas de células da granulosa e a teca
interna e externa começam a se diferenciar,
receptores de FSH manifestam-se nas células
da granulosa de FOPA em suínos (Yuan et
al., 1996) e os folículos se tornam
dependentes de gonadotrofinas. Segundo Mao
et al. (2002), os FOPA poderiam responder a
quantidades crescentes de FSH, o que implica
que o cultivo destes fornece uma abordagem
consistente para o estudo da regulação
folicular precoce pelo FSH.
Sabe-se que o FSH aumenta o
crescimento folicular pré-antral in vitro
(Orisaka et al., 2006). Embora ele sozinho
seja capaz de estimular o crescimento
folicular pré-antral, um aumento adicional e
significativo no crescimento dos folículos
ocorre quando os mesmos são cultivados
juntamente com T3 (Kobayashi et al., 2009).
Em um de seus trabalhos, Kobayashi et al.
(2009) demonstraram pela primeira vez que o
T3, embora ineficaz sozinho, promove
sinergismo com FSH em FOPA de ratos
durante o desenvolvimento in vitro.
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Pelo exposto anteriormente, a
presença de FSH é fundamental para o
crescimento de FOPA na espécie humana
(Hsueh et al., 1994) e no rato (Nayudu &
Osborn, 1992) por meio de diversos
mecanismos de ação. Outro fator importante a
ser considerado é a utilização de uma
concentração adequada do hormônio para que
este desenvolvimento ocorra (Mao et al.,
2002).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O desenvolvimento de um sistema de
cultivo in vitro que permita a ativação e o
desenvolvimento de um grande numero de
FOPA é de grande interesse, por permitir a
elucidação de mecanismos envolvidos na
foliculogênese e possibilitar a conservação de
material genético de fêmeas com interesse
econômico.
Assim, o FSH tem sido apontado
como um hormônio fundamental no meio de
cultivo, por apresentar atividades como a
regulação da expressão de diversos fatores de
crescimento que, por sua vez, participam da
ativação e do crescimento folicular. Todos
estes eventos são imprescindíveis para a
obtenção de ovócitos competentes durante o
cultivo in vitro. Além disso, este hormônio
promove a proliferação das células da
granulosa, a formação do antro e a inibição da
atresia folicular.
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