0 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ Érico da Silva Costa O Balanced Scorecard como Modelo de Gestão Estratégica para uma Organização do Terceiro Setor Taubaté – SP 2006 1 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ Érico da Silva Costa O Balanced Scorecard como Modelo de Gestão Estratégica para uma Organização do Terceiro Setor 2 3 4 5 6 Taubaté – SP 2006 7 Ficha catalográfica elaborada pelo SIBi – Sistema Integrado de Bibliotecas / UNITAU C837b Costa, Érico da Silva O Balanced Scorecard como modelo de gestão estratégica para uma organização do Terceiro Setor / Érico da Silva Costa. - 2006. 97f. : il. Monografia (especialização) - Universidade de Taubaté, Departamento de Economia, Contabilidade e Administração, 2006. Orientação: Prof. Ms. Marco Aurélio Vallim Reis da Silva, Departamento de Economia, Contabilidade e Administração. 1. Balanced Scorecard. 2. Gestão estratégica. 3. Terceiro Setor. I. Título. 8 ÉRICO DA SILVA COSTA O BALANCED SCORECARD COMO MODELO DE GESTÃO ESTRATÉGICA PARA UMA ORGANIZAÇÃO DO TERCEIRO SETOR 9 10 11 12 Data:_______/________/__________ Resultado:______________________ BANCA EXAMINADORA Prof. MSc. Marco Aurélio Vallim Reis da Silva Universidade de Taubaté Assinatura_________________________________ Prof. MSc. Vilma da Silva Santos Universidade de Taubaté Assinatura__________________________________ Prof. MSc. Rose Lima de Morais Campos Universidade de Taubaté Assinatura__________________________________ Prof. Assinatura__________________________________ Universidade de Taubaté 13 Dedicatória Ao meu pai José Benedito Fernandes (in memorian). Ao exemplo de dedicação, perseverança, fé e amor – minha mãe (Dna. Rosa). 14 Agradecimentos Agradeço... À Deus e a Nossa Senhora Aparecida pelo auxílio na conquista de mais uma etapa – pequeno passo de uma grande jornada de valorosas conquistas. Ao Reitor do Centro Universitário Módulo – Prof. MSc. Alexandre Gonçalves Nogueira pelo incentivo, contribuição ao meu desenvolvimento e especialmente por tornar tal auto-realização possível. Ao amigo e professor MSc. Marco Aurélio Vallim da Silva Santos por ter aceitado orientar-me na realização desta intensa jornada de estudos e principalmente pela presteza com que atendeu a todas às necessidades de pesquisa. A querida professora MSc. Vilma da Silva Santos pelas especiais contribuições à consolidação deste estudo, atenção e disposição em auxiliar-me em um momento tão difícil. A querida Regina de Castro Pompeu pelas especiais contribuições e lapidação deste trabalho. Aos demais professores do curso que transformaram a sala de aula em um ambiente agradável ao aprendizado e pelo inestimável compartilhamento de suas experiências que sem dúvida alguma serão imprescindíveis ao nosso sucesso. Aos colegas de classe que se tornaram especiais amigos e que fizeram da sala de aula um encontro descontraído ao aprendizado. 15 RESUMO O crescimento das organizações privadas sem fins lucrativos, conceituadas como pertencentes ao terceiro setor tem alterado profundamente as relações existentes entre a iniciativa privada e o poder público, uma vez que nos últimos anos estas organizações aumentaram significativamente sua participação na sociedade contemporânea e na economia global. Inspiradas pela lógica assistencialista e da filantropia, estas organizações têm atuado em várias esferas e aberto um canal de diálogo na sociedade sem precedentes proporcionando inúmeros benefícios a coletividade. Contudo, este crescimento tem impelido novos desafios a estas organizações obrigando-as a repensar a forma de gestão de seus recursos humanos, físicos e financeiros, seu posicionamento estratégico e principalmente a avaliação do resultado de suas ações e projetos sociais desenvolvidos, uma vez que o próprio contexto ambiental em que estão inseridas tem sofrido mutações significativas nas últimas décadas. Para tanto, desenvolveu-se uma proposta de gestão para a Zambô do Movimento Negro de Caraguatatuba, utilizando o Balanced Scorecard como ferramenta de gestão estratégica e avaliação de desempenho. E, por meio de uma pesquisa bibliográfica exploratória com estudo de caso qualitativo, desenvolveu-se um modelo de gerenciamento estratégico baseado na metodologia do Balanced Scorecard. Destarte, a escolha da metodologia do Balanced Scorecard para a proposição do modelo foi realizada por permitir a integração da missão e visão organizacional e conseqüente tradução em objetivos e medidas que permitem a avaliação de desempenho sob a ótica de quatro perspectivas: a financeira, a dos clientes, a dos processos internos e de aprendizado e crescimento. Concluindo que, o Balanced Scorecard é um sistema de gestão que possibilita o cumprimento fundamental de um dos principais princípios da Controladoria o “accountability”. Palavras-Chave: Terceiro setor, Gestão Estratégica, Balanced Scorecard. 16 ABSTRACT The growth of the unprofitable private organizations, which belong to the third sector, has deeply altered the existing relations between the private enterprise and the government, once in the latest years these organizations have clearly increased their participation in the contemporary society and in the global economy. Inspired by a supportive logic and by the philanthropy, these organizations have operated in a large number of fields and have opened a space for dialogue with the society as never before, providing innumerable benefits to the collectivity. However, this growth has blocked these organizations from new challenges, forcing them to rethink the way their human, physical and financial resources are managed, their strategical position, and also, their actions and social projects, since the environment in which they are inserted has been through meaningful changes in the last decades. So that, it was developed a management proposal for the Zambô do Movimento Negro de Caraguatatuba, using the “Balanced Scoreboard” as an instrument of strategical management and performance valuation. By means of an explanatory bibliographic research, with qualitative case study, a model of strategical management was developed based on the “Balanced Scoreboard” methodology. Therefore, the choice of the “Balanced Scorecard” methodology was made for the proposition of the model because it permits the integration of the mission and the view of the organization. And, as a result of this, there are objectives that enable a performance valuation through four perspectives: of the finance, of the clients, of the internal processes, and of learning and progress. Finally, the “Balanced Scoreboard” is a management system that allows the accomplishment of one of the main principles of the controller’s activity, the “accountability”. Key-Words: Third sector, Strategical Management, Balanced Scorecard. 17 Lista de Figuras Figura 1 - Estratégias deliberadas e emergentes......................................................27 Figura 2 – A Evolução do Conceito do Balanced Scorecard .....................................35 Figura 3 – Balanced Scorecard: um processo contínuo............................................36 Figura 4 – Componentes e terminologias do Balanced Scorecard............................40 Figura 5 – Gestão Estratégica – Quatro Processos ..................................................41 Figura 6 - As perspectivas de valor do Balanced Scorecard .....................................43 Figura 7 - Relações de causa e efeito das perspectivas do Balanced Scorecard .....45 Figura 8 – Modelo genérico da proposta de valor .....................................................48 Figura 9 – Perspectiva do Cliente .............................................................................50 Figura 10 – Modelo da cadeia de valor para os processos internos .........................51 Figura 11 – Logotipo da Zambô. ...............................................................................66 Figura 12 – Mapa Estratégico da Zambô ..................................................................88 Figura 13 – Tema estratégico e relação de causa e efeito........................................89 Figura 14 – Perspectiva de aprendizado e crescimento............................................90 Figura 15 – Perspectiva de processos internos.........................................................91 Figura 16 – Perspectiva de captação e otimização de recursos ...............................92 Figura 17 – Perspectiva de clientes ..........................................................................93 18 Lista de Quadros Quadro 1 – Setores da Sociedade ............................................................................18 Quadro 2 - Medição dos temas financeiros estratégicos...........................................46 Quadro 3 – Medidas essenciais da perspectiva do cliente........................................49 Quadro 4 – Missão e Visão da Zambô ......................................................................70 Quadro 5 – Descrição dos clientes secundários da Zambô ......................................72 Quadro 6 – Arquitetura do Balanced Scorecard da Zambô.......................................77 Quadro 7 – Códigos das perspectivas ......................................................................77 Quadro 8 – Indicadores associados aos objetivos da Zambô ...................................86 19 Lista de Siglas ABONG Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais BSC Balanced Scorecard GIFE Grupo de Institutos, Fundações e Empresas IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IPEA Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ONG Organização não-governamental 20 SUMÁRIO RESUMO..................................................................................................................... 6 ABSTRACT ................................................................................................................. 7 Lista de Figuras........................................................................................................... 8 Lista de Quadros ......................................................................................................... 9 Lista de Siglas ........................................................................................................... 10 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................12 1.1 Objetivo Geral ...............................................................................................13 1.1.1 Objetivos Específicos ..............................................................................13 1.2 Delimitação do Estudo...................................................................................14 1.3 Relevância do Estudo....................................................................................14 1.4 Organização do Trabalho ..............................................................................15 2 REVISÃO DA LITERATURA ...............................................................................17 2.1 O Terceiro Setor ............................................................................................17 2.1.1 Histórico do Terceiro Setor no Brasil .......................................................18 2.1.2 Características da Gestão das Organizações do Terceiro Setor.............21 2.2 O Ambiente Atual da Contabilidade ..............................................................23 2.3 Conceitos de Gestão e de Estratégia ............................................................25 2.3.1 Gestão Estratégica e Planejamento Estratégico .....................................27 2.4 Avaliação de Desempenho de Organizações................................................29 2.5 Conceituação do Balanced Scorecard ..........................................................32 2.5.1 Surgimento e Evolução do Conceito .......................................................32 2.5.2 A Missão e Visão na Estrutura do Balanced Scorecard ..........................35 2.5.3 Definições e Objetivos do Balanced Scorecard.......................................38 2.5.4 Perspectivas do Balanced Scorecard......................................................42 2.5.4.1 Perspectiva Financeira ......................................................................44 2.5.4.2 Perspectiva de Clientes .....................................................................47 2.5.4.3 Perspectiva de Processos Internos ...................................................50 2.5.4.4 Perspectiva do Aprendizado e Crescimento......................................52 2.5.5 Integração do Balanced Scorecard entre as Quatro Perspectivas ..........54 21 2.5.6 O Processo de Construção do Balanced Scorecard segundo a visão de Kaplan e Norton ...............................................................................................56 3 METODOLOGIA..................................................................................................63 4 ESTUDO DE CASO NA ZAMBÔ DO MOVIMENTO NEGRO DE CARAGUATATUBA ...............................................................................................65 4.1 A Organização Zambô do Movimento Negro ................................................65 4.2 Análise da Gestão da Organização ...............................................................67 4.3 O Processo de Construção do Balanced Scorecard na Zambô ....................69 4.3.1 Constituição da Visão e Missão...............................................................69 4.3.2 Identificação da Estratégia e Objetivos da Organização .........................70 4.3.3 Definição das Perspectivas .....................................................................73 4.3.3.1 Perspectiva de Clientes .....................................................................74 4.3.3.2 Perspectiva de Captação e Otimização de Recursos........................74 4.3.3.3 Perspectiva de Processos Internos ...................................................75 4.3.3.4 Perspectiva de Aprendizado e Crescimento......................................76 4.4.4 Definição da Arquitetura do BSC da Zambô............................................76 4.4.5 Descrição dos Objetivos Estratégicos .....................................................77 4.4.6 Definição dos Indicadores de Desempenho ............................................80 4.4.6.1 Indicadores da Perspectiva de Clientes (Primários e Secundários) ..80 4.4.6.2 Indicadores da Perspectiva de Captação e Otimização de Recursos82 4.4.6.3 Indicadores da Perspectiva de Processos Internos...........................83 4.4.6.4 Indicadores da Perspectiva de Aprendizado e Crescimento .............84 4.4.7 Construção do Mapa Estratégico ............................................................86 4.4.7.1 Interpretação do Mapa Estratégico....................................................89 5 CONCLUSÃO......................................................................................................94 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA............................................................................... 96 12 1 INTRODUÇÃO Nas últimas décadas o Brasil tem sido palco de inúmeras mudanças na área econômica, política e principalmente social. Dentre as principais mudanças, destacam-se cada vez mais a conscientização da sociedade, que tem atribuído maior importância às questões referentes à cidadania, educação, segurança, meio ambiente e bem estar social. Neste contexto, as organizações do Terceiro Setor assumiram um papel importante na sociedade à medida que se constituíram como sendo parte da solução para os problemas sociais gerados pela política de desenvolvimento neoliberal. Estas organizações têm atuado com propriedade em várias frentes e muitas vezes substituem a atuação do Estado que não consegue garantir a uma grande parte da sociedade brasileira o atendimento básico de suas necessidades. A exemplo, pode-se citar a contribuição da Pastoral da Criança que mobiliza milhares de voluntários pelo Brasil e conseguiu reduzir em 50% a mortalidade infantil no País, não sendo uma organização privada e nem muito menos uma estatal. (DOWBOR, 2000, p. 8) Percebe-se com isso, que as organizações do Terceiro Setor são responsáveis por inúmeros avanços e por uma complexa e considerável movimentação de recursos em suas ações em benefício da coletividade. Diferentemente das empresas do setor privado, estas organizações deparamse constantemente com a escassez de recursos na sua gestão, pois possuem grande parte de suas atividades dependentes de doações, voluntariado e parcerias para atender a uma demanda muitas vezes superior à capacidade de sua estrutura. Tal situação expõe e compromete em muito a sua gestão e, principalmente, a eficácia do resultado das ações sociais que desenvolvem. Atrelada a este fato, a 13 gestão das organizações do Terceiro Setor carece de profissionalização, de novos instrumentos e metodologias que permitam uma melhor gerência das atividades desenvolvidas. Em razão disto, o presente estudo, objetiva à elaboração de um modelo de gestão estratégica para uma organização do Terceiro Setor, baseado na metodologia denominada Balanced Scorecard, desenvolvida pelos pesquisadores e consultores Robert S. Kaplan e David P. Norton. O Balanced Scorecard, ou simplesmente BSC é uma metodologia voltada para gestão estratégica das organizações, que a partir de uma visão integrada e balanceada da estratégia empresarial ou social, busca traduzi-la de forma clara em objetivos estratégicos específicos, distribuídos em quatro perspectivas básicas (financeira, de cliente, de processos, e de aprendizado e crescimento) relacionadas entre si por meio de uma relação de causa e efeito. 1.1 Objetivo Geral O presente estudo tem por objetivo desenvolver uma proposta de gestão para a Zambô do Movimento Negro de Caraguatatuba, utilizando o Balanced Scorecard como ferramenta de gestão estratégica e avaliação de desempenho. 1.1.1 Objetivos Específicos Obter conhecimento sobre o terceiro setor e suas potencialidades; Desenvolver uma proposta de indicadores de resultado em consonância com as perspectivas do Balanced Scorecard; 14 Elaborar um modelo de gestão estratégica integrada para a organização estudada; e Elaborar mapa estratégico em conformidade com a metodologia do Balanced Scorecard. 1.2 Delimitação do Estudo O estudo se ocupou em elaborar uma proposta de gestão estratégica e avaliação de desempenho baseada na metodologia Balanced Scorecard como ferramenta de gestão para gerar resultados sociais e financeiros à Zambô do Movimento Negro de Caraguatatuba, entidade sem fins lucrativos, localizada no Litoral Norte Paulista do Estado de São Paulo, município de Caraguatatuba. 1.3 Relevância do Estudo Diferentemente do ambiente das empresas privadas, a gestão das organizações do terceiro setor exige em sua administração uma habilidade muito particular, pois sua especificidade de gestão requer instrumentos, habilidades e formas diferentes de tratamento de seus recursos humanos, materiais e financeiros. Uma das principais diferenças recai sobre a inconstância existente no fornecimento destes recursos o que prejudica e, muitas vezes, ameaça a continuidade dos trabalhos que estas organizações se propõem a realizar. Não obstante a sua especificidade de gestão, os gestores destas organizações necessitam gerar resultados sociais e financeiros para: Promover o desenvolvimento e continuidade da organização; 15 Comunicar os resultados e realizações de suas ações à sociedade; e Prestar contas aos patrocinadores, doadores e ao público em geral. Além de avaliar a adequada utilização dos recursos empregados, o que não é possível por meio da Contabilidade “tradicional”, que não avalia e não apresenta de forma adequada os ativos intangíveis envolvidos no processo de transformação social e cultural que estas organizações realizam. Os motivos que levaram a este estudo foi a experiência vivenciada na organização durante a realização de alguns projetos e a convicção de que a gestão e avaliação do desempenho de empreendimentos sociais, especialmente, em organizações do terceiro setor, apoiada unicamente em indicadores contábeis e financeiros apurados de forma “tradicional”, não são suficientes para avaliar as capacidades destas organizações em criarem valor econômico para o futuro. Assim, verificando as opções existentes, identificou-se o Balanced Scorecard, como parte de um sistema de informação para a gestão estratégica, como uma resposta adequada para o problema de avaliação do desempenho e contribuição social que estas organizações realizam. 1.4 Organização do Trabalho O presente trabalho está organizado em cinco capítulos, que assim seguem: No primeiro capítulo, é realizada a introdução ao tema, bem como a apresentação dos objetivos, da delimitação, da relevância do trabalho e de sua organização. No segundo capítulo é realizada a revisão bibliográfica e apresentação dos aspectos históricos sobre o Terceiro Setor, sua evolução e conformação no Brasil, a 16 apresentação das características da gestão das organizações pertencentes ao mesmo; Além de um levantamento bibliográfico sobre o ambiente atual da contabilidade, a gestão estratégica, o planejamento estratégico, a avaliação de desempenho e o Balanced Scorecard. No terceiro capítulo encontra-se a metodologia utilizada para a realização da pesquisa. No quarto capítulo é apresentado o estudo de caso, relatando o desenvolvimento do modelo de gestão proposto em conformidade com o Balanced Scorecard. No quinto capítulo é realizada a conclusão do trabalho. 17 2 REVISÃO DA LITERATURA 2.1 O Terceiro Setor Salamon (1998, p. 76) denominou como Revolução Associativa o fenômeno que tem sido presenciado em todo o mundo, pessoas estão se organizando e criando associações, fundações e outros tipos de instituições com características semelhantes a fim de desenvolver trabalhos sociais, impedir o mau uso do meioambiente, defender direitos civis e realizar outras tarefas que ajudam a sociedade a cobrir aqueles seus objetivos ainda não atendidos pelo Poder Público. Tais mudanças trouxeram a notável emergência de um novo ator social: o denominado Terceiro Setor que se diferencia dos demais: Primeiro Setor (que utiliza recursos públicos para fins públicos) e o Segundo Setor (a iniciativa privada – que utiliza recursos privados para fins privados). Mas, apesar da existência de várias discussões conceituais sobre a definição do Terceiro Setor, deve-se atribuir certa cautela ao empregar esta terminologia para não ser confundida com o setor terciário da economia, que engloba tudo o que está fora da indústria e agricultura: serviço, transporte e comunicação. E, como forma de evidenciar esta diferenciação, apesar da intensa interação entre eles, o Quadro 1 apresenta um esquema sobre os setores da sociedade, resultante da conjugação entre o público e o privado: 18 AGENTE FINS SETOR Privados para Privados = Mercado Públicos para Públicos = Estado Privados para Públicos = Terceiro Setor Quadro 1 – Setores da Sociedade Fonte: Fernandes (1994, p. 12) Para Fischer (2002, p. 45), Terceiro Setor é: “a denominação adotada para o espaço composto por organizações privadas, sem fins lucrativos cuja atuação é dirigida a finalidades coletivas ou públicas. Sua presença no cenário brasileiro é ampla e diversificada, constituída por organizações não-governamentais, fundações de direito privado, entidades de assistência social e de benemerência, entidades religiosas, associações culturais, educacionais, as quais desempenham papéis que não diferem significativamente do padrão conhecido de atuação de organizações análogas em países desenvolvidos” (FISCHER, 2002, p. 45). Assim, pode-se identificar o Terceiro Setor como aquele composto pelo conjunto de iniciativas particulares, que, baseadas em valores de solidariedade, atuam em diversos segmentos sociais e nas áreas como educação, saúde, cultura, defesa de direitos, meio ambiente, esporte e lazer (MATSUDA, 2002, p. 19). 2.1.1 Histórico do Terceiro Setor no Brasil No Brasil, o termo Terceiro Setor passou a ser utilizado no início dos anos 90 para designar as organizações da sociedade civil, sem fins lucrativos com ênfase na participação voluntária e foco na solução de problemas sociais. Teve sua origem nas ações de filantropia iniciadas no Brasil no século XVI, por ocasião do surgimento das Santas Casas de Misericórdia que institucionalizaram o atendimento às pessoas carentes, prática utilizada até os dias atuais. Nos três séculos seguintes a filantropia no país desenvolveu-se sob a lógica da prática assistencialista com predominância da caridade cristã. Somente no final 19 do século XIX que as instituições de assistência e amparo à população carente sofreram alterações na sua forma organizacional de gestão e administração, deixando de ser fundamentalmente orientadas por princípios da caridade cristã e filantropia (ASHOKA; MICKINSEY e COMPANY, 2001, p. 13). Nesse período a atuação do Estado na área social intensificou-se nas questões de saúde, higiene, educação e principalmente na gestão administrativa e de financiamento das organizações assistenciais e de filantropia. Em meados de 1910, o Estado passa a exigir destas instituições assistenciais a prestação de contas, submetendo-as a um controle sobre a administração e suas ações prático-normativas (ASHOKA; MICKINSEY e COMPANY, 2001, p. 14). Durante as décadas de 20 e 30, o Brasil experimenta o início da fase de industrialização e suas conseqüências: crescente urbanização, aumento da massa de operários, problemas sociais, pobreza e exclusão social. À época aumenta também o número de organizações sem fins lucrativos que, atreladas ao Estado, buscavam soluções para os crescentes problemas sociais que afligiam os imigrantes operários (ASHOKA; MICKINSEY e COMPANY, 2001, p. 14). Na década de 70, durante o longo período de ditadura militar no país, foram fundadas inúmeras organizações para defender direitos políticos, civis e humanos ameaçados pela "política" vigente. Tais organizações autodenominadas "nãogovernamentais" tinham uma postura de resistência política distinta ao governo, surgindo a partir daí o termo ONG (Organização não-governamental) utilizado para referir-se a todo o tipo de organização sem fins lucrativos (ASHOKA; MICKINSEY e COMPANY, 2001, p. 14). Tais organizações tiveram um papel fundamental nos rumos da sociedade brasileira e na conformação do terceiro setor. Foram responsáveis pela 20 disseminação da noção de cidadania e pela pressão de seu amplo desenvolvimento como também fator chave para a entrada de recursos internacionais no país, tais como os promovidos pela “Ford Foundation, Rockfeller, MacArthur” além das agências de fomento e cooperação internacional, alterando profundamente o vínculo de dependência administrativa e econômica que estas organizações possuíam com o Estado até então (ASHOKA; MICKINSEY e COMPANY, 2001, p. 14). Na década de 80, com o redirecionamento dos recursos financeiros para os países do leste europeu e continente africano em razão das crises sociais, política e econômicas que estes enfrentavam, as organizações latino-americanas encontraram-se na condição de buscar alternativas para sua auto-sustentabilidade, além de enfrentarem a escassez dos recursos governamentais. A partir da década de 90, há uma expansão devido ao engajamento do setor privado nas questões sociais e a busca destas organizações pela sua sustentabilidade, que se refere a uma organização capaz ou não de manter suas operações sem depender totalmente da doação de recursos por parte de pessoas físicas ou jurídicas (ASHOKA; MICKINSEY e COMPANY, 2001, p. 15). Ashoka; Mckinsey e Company (2001, p. 15) retratam bem a inserção do setor privado na época: "Dezenas de fundações vinculadas a empresas foram criadas naquela década, como a Fundação Odebrecht, Fundação Educar, Fundação O Boticário, Fundação Acesita, entre muitas outras. Embora caracterizadas como organizações vinculadas às empresas, tais fundações somaram-se a todas as outras categorias de organizações sem fins lucrativos que compõem o terceiro setor” (ASHOKA; MCKINSEY e COMPANY, 2001, p. 15). Embora esta inserção tenha trazido inúmeros benefícios, estabeleceu também uma significativa alteração à estrutura organizacional existente, pois se em um primeiro momento as organizações do terceiro setor organizaram-se para atender à lógica do setor público e, posteriormente, das fundações internacionais, 21 nos últimos anos foi necessária uma reestruturação organizacional para acompanhar de forma eficiente as parcerias entre as organizações da sociedade civil e o setor privado (ASHOKA; MCKINSEY e COMPANY, 2001, p. 16). Na atualidade, a representatividade do Terceiro Setor tem crescido consideravelmente, existem no país aproximadamente 276 mil organizações, conforme recente levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em parceria com o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE) e a Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (ABONG) em 2002, além do investimento realizado pelas empresas privadas que aplicaram no ano de 2000 cerca de R$ 4,7 bilhões em projetos sociais, conforme dados estatísticos disponibilizados pelo GIFE. 2.1.2 Características da Gestão das Organizações do Terceiro Setor Embora as características alusivas às organizações do terceiro setor sejam muito singulares e o tipo de gestão adotado tenha um papel significativo em sua postura como empreendimento social, além da complexidade ambiental advir de inúmeros aspectos, pode-se inferir um panorama que retrata as características do processo de gestão destas organizações, conforme constatação por meio dos estudos realizados pelos autores Carvalho no ano de 2004 e de Tenório em 2000: A motivação para o trabalho não é associada a metas de eficácia ou eficiência, mas aos ideais compartilhados pelos seus membros; Inexiste planejamento estratégico; quando existe, fica condicionado à pauta das fontes de financiamento; 22 Em geral, a missão, definição de objetivos, metas e delimitação das ações e, principalmente, a avaliação dos resultados não são entendidas pelos membros da organização; A inexistência de planejamento estratégico e o desejo de atender às carências da comunidade em que está inserida tende a gerar inúmeros projetos, ocasionando perda de foco, problemas de gerenciamento de tempo e de pessoal e principalmente dificuldade para avaliar os resultados; Em decorrência da “informalidade” característica dessas organizações, há dificuldades para avaliar o resultado das atividades desenvolvidas em seu caráter mais qualitativo; e O processo de gestão organizacional é fortemente prejudicado em razão da complexidade gerada pela informalidade (ausência de normas, procedimentos, políticas, entre outros) e indefinição de responsabilidades. Costa (2003, p. 26) sintetiza bem este cenário ao mencionar a mudança de postura destas organizações ao buscarem soluções para sua gestão: “Trata-se de uma característica muito acentuada da sociedade civil contemporânea a organização em busca de soluções, fora da lógica do Estado e do Mercado, para a questão social cada vez mais aguçada pela política econômica atrelada aos interesses do capital internacional. Na verdade, estão em curso transformações estruturais, em nível mundial, que têm determinado a necessidade de ajustes das entidades sociais de caráter privado que, historicamente, sempre agiram na perspectiva da filantropia ou da hegemonia religiosa, sob a tutela estatal, a uma nova conjuntura econômica, social e política. Nesse novo contexto, a tendência é o delineamento de organizações autônomas, profissionalizadas e nãogovernamentais, onde o caráter técnico do trabalho e os princípios de administração e gerenciamento ganham relevância” (COSTA, 2003, p. 26). Todos estes fatores retratam bem este panorama que tem impelido inúmeras organizações a buscarem novos instrumentos de gestão oferecidos pela Administração e áreas afins, com o objetivo de se tornarem sustentáveis e aptas a 23 continuarem suas ações de transformação social em benefício de um bem maior – a Sociedade. 2.2 O Ambiente Atual da Contabilidade A última década do século passado caracterizou-se pela transformação da arena competitiva das organizações, na Era Industrial, que perdurou de 1850 a 1975. O sucesso das organizações era determinado pela incorporação de novas tecnologias aos ativos físicos e tangíveis, permitindo uma produção em massa com eficiência e produtos padronizados. O sucesso, nesta fase, podia ser determinado pela maneira como as organizações se aproveitavam dos benefícios da economia de escala e de escopo (TEIXEIRA, 2003, p. 1). Entretanto, na Era da Informação e do Conhecimento as premissas do período industrial, tornaram-se obsoletas, pois somente a alocação de recursos sobre os ativos físicos e tangíveis, além da excelência da gestão dos ativos e passivos financeiros não correspondiam mais às demandas competitivas do ambiente, sendo necessária para o sucesso empresarial a mobilização e exploração dos ativos intangíveis (TEIXEIRA, 2003, p. 1). Neste contexto, a avaliação dos ativos e capacidades intangíveis dentro do modelo de mensuração contábil proporcionaria esta capacidade, por meio da comunicação das variações dos ativos e capacidades aos stackeholders1 internos e externos. Desta forma, se por algum motivo houvesse variações positivas ou negativas isto se refletiria imediatamente nas demonstrações contábeis da organização, haja 1 Indivíduo ou grupo que é afetado pelas operações de uma organização ou pode influenciá-las. 24 vista que, na era da informação e do conhecimento, os ativos intangíveis assumiram uma relevância significativa no ambiente empresarial como vetores de desenvolvimento. Kaplan e Norton (2004, p. 4), descrevem que: “há décadas a tendências de substituição gradual da economia movida a produtos e baseada em ativos tangíveis pela economia movida a conhecimento e serviços, baseada em ativos intangíveis. Os ativos intangíveis, os que não são mesurados pelo sistema financeiro da empresa respondem por mais de 75% do valor da empresa. Em média, os ativos tangíveis das empresas – o valor contábil líquido do ativo menos o passivo, representam menos de 25% do valor de mercado” (KAPLAN e NORTON, 2004, p. 4). Não obstante a isto, a contabilidade “tradicional” não contempla a avaliação dos ativos intangíveis. Johnson e Kaplan (1993, p. 1) afirmam que os sistemas tradicionais de contabilidade são inapropriados às exigências da realidade empresarial atual. Eles afirmam que: “atualmente, as informações de contabilidade gerencial, condicionadas pelos ciclos do sistema de informes financeiros da organização, são atrasadas demais, agregadas demais e distorcidas demais para que sejam relevantes para as decisões de planejamento e controle dos gerentes” (JOHNSON e KAPLAN, 1993, p. 1). Assim, faz-se necessária a utilização de alguma ferramenta que complete a lacuna existente nos informes contábeis e que possibilitem apresentar, quantificar e qualificar os ativos intangíveis envolvidos no processo de transformação realizado pelas organizações, além de permitir aos seus dirigentes realizarem todos os processos de planejamento, execução e controle, contemplando uma análise holística da organização de forma a propiciar uma melhor eficácia organizacional. Destarte, um modelo de gestão estratégica integrada que pode ser utilizado pela Controladoria para a gestão de empreendimentos sociais contemplando a avaliação de ativos tangíveis e intangíveis, além de complementar as informações fornecidas pela Contabilidade, podendo servir perfeitamente como instrumento de 25 apoio ao processo de avaliação de desempenho é o Balanced Scorecard, objeto central deste estudo. 2.3 Conceitos de Gestão e de Estratégia Para o correto entendimento da expressão Gestão Estratégica convém analisar isoladamente os termos “gestão” e “estratégia” que a compõem. Ferreira (2001, p. 347) define gestão como: “ato ou efeito de gerir; gerência”. Ao termo, apesar de genérico infere-se a sua aplicação ao ramo empresarial como a qualquer outra atividade. Miranda e Silva (2002, p. 137) abordam o termo com mais especificidade ao afirmarem: “gerenciar uma organização é definir a prioridade com que seus recursos (físicos, financeiros, humanos, tecnológicos, etc.) serão consumidos, visando alcançar os objetivos predeterminados pela organização” (MIRANDA e SILVA, 2002, p. 137). Entretanto, cabe evidenciar que as organizações ao definirem os objetivos a serem atingidos devem medir e avaliar sistematicamente o seu desempenho a luz do correto emprego destes recursos. Um outro aspecto importante, que deve ser levado em consideração é a conceituação do termo “gestão”. Em razão das transformações ocorridas no ambiente empresarial em decorrência do período de transição da Era Industrial para a Era do Conhecimento em que este assumiu um aspecto multidimensional que incorporou aspectos como: desempenho, conhecimento, informação, estratégia, qualidade, recursos humanos e ambiente (JONES e SHARMA, 1999, p. 76). Tal modificação na conceituação do termo “gestão” levou os gestores a enfrentar o desafio de serem capazes de compreender as inúmeras facetas 26 multidimensionais do processo de gestão: a busca contínua pelo relacionamento organizacional com o ambiente externo, a constante criação de valor agregado das operações e objetivos organizacionais. Depreende-se, portanto, que a gestão é a fase de escolha das prioridades com que os recursos organizacionais serão utilizados para cumprir um determinado objetivo final. É um processo multidimensional que abrange: desempenho, informação, conhecimento, estratégia, qualidade e outros fatores inerentes. O termo “estratégia” é definido por Ferreira (2001, p. 297) como a “arte de aplicar os meios disponíveis ou explorar condições favoráveis com vistas a objetivos específicos”. Esta definição, apesar de restrita, apresenta questões como recursos, condições e objetivos organizacionais. Ela é complementada pela afirmação de Porter (1986, p. 22) “a essência da formulação de uma estratégia competitiva é relacionar uma companhia ao seu meio ambiente”. Diferentemente da definição anterior, esta aborda a relevância do ambiente em que a organização está inserida e que permite inferir que ao explorar “condições favoráveis” deve relacionar a organização ao seu meio ambiente. Já Oliveira (2002, p. 196) define estratégia como: “um caminho, ou maneira, ou ação formulada e adequada para alcançar, preferencialmente, de maneira diferenciada os desafios e objetivos estabelecidos, no melhor posicionamento da empresa perante seu ambiente” (OLIVEIRA, 2002, p.196). Mintzberg et al. (2000, p.19) atribui uma tripla dimensão ao abordar a estratégia em seus trabalhos e às caracteriza, como: realizada, pretendida (ou deliberada) e emergente, além disso, as descreve mais como um processo caótico e criativo do que meramente racional (Figura 1). 27 Figura 1 - Estratégias deliberadas e emergentes Fonte: Mintzberg et al. (2000, p. 19). Com isso, infere-se que a estratégia não ocorre de forma sistematizada, pois a multiplicidade das variáveis internas e ambientais da estratégia não permite o desenvolvimento de um processo metódico. Acrescenta-se a esta definição a afirmação de Normann e Ramírez (2005, p. 53) de que “estratégia é a arte de criar valor”. Assim, depreende-se que estratégia é a ação que a organização adotará em decorrência da potencialidades, análise ambiental diferenciais e que esta deficiências, realizará, buscando identificando obter um suas melhor posicionamento para atingir os objetivos organizacionais desenhados e maior valor agregado de suas atividades e/ou operações. 2.3.1 Gestão Estratégica e Planejamento Estratégico 28 Segundo J. David Hunger (2002 apud Herrero, 2005, p. 5) define gestão estratégica como sendo: “conjunto de decisões e ações estratégicas que determinam o desempenho de uma corporação a longo prazo. Esse tipo de gestão inclui análise profunda dos ambientes interno e externo, formulação da estratégia (planejamento estratégico ou de longo prazo), implementação da estratégia, avaliação e controle” (HUNGER apud HERRERO, 2005, p. 5). Herrero (2005, p. 5) esclarece que para a gestão estratégica cumprir seu papel e suportar os desafios expostos pelo contexto organizacional e ambiental deve estar baseado em quatro processos: 1. Análise da dinâmica da sociedade e do ambiente de negócios; 2. Formulação da estratégia; 3. Implementação da estratégia e da avaliação; e 4. Monitoramento dos resultados. Assim, depreende-se, que gestão estratégica é um processo contínuo e adaptativo, por meio do qual a organização busca compatibilizar sua missão, objetivos e metas, selecionando as estratégias e meios mais adequados com o intuito de alcançar vantagem competitiva e valor agregado das ações organizacionais. Sendo que, o planejamento estratégico a ser desenvolvido, e que constitui parte integrante da gestão estratégica da organização, leva em conta o teor da análise ambiental e do diagnóstico inicial efetuado no âmbito da organização sob estudo, para fins de geração do plano estratégico (TACHIZAWA e REZENDE, 2000, p. 205). Já o planejamento estratégico segundo Kotler (1998, p. 134) é: “orientado para o mercado é o processo gerencial de desenvolver e manter um ajuste viável entre os objetivos, experiências e recursos da organização e suas oportunidades de mercados mutantes. O propósito do planejamento estratégico é moldar e remodelar os 29 negócios e produtos da empresa com objetivo de crescimento e lucro” (KOTLER, 1998, p. 134). Deste modo, Kotler (1998, p. 134) ao caracterizar o planejamento estratégico como uma forma de administrar permite-nos inferir, conforme caracterização realizada por Meyer Júnior (1991, p. 139) que o planejamento estratégico: Orienta-se pela interação da organização com o ambiente externo; Adota características de processo dinâmico; Abrange a organização como um todo ou de uma unidade que a compõe examinada globalmente; Conduz a uma postura pró-ativa dos organizadores; Utiliza dados essencialmente qualitativos; Enfatiza a participação dos membros da organização; Enfatiza a mudança na organização; e Busca a tomada de decisões estratégicas de forma a proporcionar clareza e direção à organização. Portanto, depreende-se que a gestão estratégica, ao ser considerada como um processo de gestão que objetiva compatibilizar a empresa com o seu meio ambiente, utiliza-se de atividades bem características de planejamento, execução, controle e avaliação com o intuito de buscar vantagem competitiva (TEIXEIRA, 2003, p. 19). 2.4 Avaliação de Desempenho de Organizações Grande parte das teorias de administração advoga um processo administrativo composto pelas atividades de planejamento, execução, controle e ajustes ou feedback. Nesse contexto, a administração deve estabelecer planos de 30 longo, médio e curto prazo, em que os objetivos e metas devem refletir a visão e as exigências de seus stakeholders (KIMURA et al., 1999, p. X). Cabe evidenciar que, no processo administrativo ou de gestão, a avaliação de desempenho é um requisito básico para a atividade de controle, pois interage com todas as fases do processo de gestão, uma vez que é por meio deste que a organização consegue avaliar se os objetivos e metas definidos foram alcançados por meio das estratégias organizacionais empreendidas. Destarte, para compreensão deste tópico, recorreu-se a Gibson, Ivancevich, Donnelly (1988, p. 84) que afirmam: os processos de planejar, organizar e controlar são a materialização do conceito de desempenho. O planejamento estabelece as expectativas, o organizador implanta essas expectativas e o controlador avalia o desempenho das expectativas estabelecidas e implantadas. Assim, a eficácia pode ser considerada como um julgamento que os administradores fazem ao exercerem a função controle (GIBSON; IVANCEVICH; DONNELLY 1988, p. 84). Portanto, pode-se inferir que a avaliação é a atribuição de um conceito estabelecido a partir de expectativas pré-estabelecidas, sendo que o seu conceito pode assumir outras dimensões além da financeira, dependendo do objeto de análise. Cabe evidenciar que, no processo de gestão, a avaliação de desempenho é um requisito básico para o controle, pois interage com todas as fases do processo de gestão. Pereira (1999, p. 191) elenca os elementos essenciais para caracterização da avaliação de desempenho, no contexto empresarial. São eles: O conceito de desempenho; De expectativas pré-estabelecidas; Da estreita relação com o processo de gestão (planejamento, execução e controle); e O aspecto qualitativo (eficácia) do desempenho. 31 Além disso, Pereira (1999, p. 191) descreve as cinco etapas pelas quais se realiza um processo de avaliação de desempenho. São elas: 1. Determinação dos padrões de desempenho (objetivos metas, orçamentos, custo-padrão); 2. Observação do desempenho realizado (identificação, mensuração e discriminação dos atributos do desempenho); 3. Análise do desempenho, mediante classificação, acumulação, comparação (padrão versus real) e identificação de eventuais desvios e de suas respectivas causas; 4. Interpretação desses desvios e de suas respectivas causas; e 5. Conclusão ou emissão de um parecer, de um julgamento ou de um conceito sobre o desempenho. Assim, infere-se que o processo de avaliação de desempenho ocorre utilizando o sistema de informações e o sistema de gestão da organização, onde as informações são obtidas por meio da comparação entre o desempenho realizado e o esperado, identificando os desvios e as possíveis causas; sendo a interpretação das informações pelos gestores passo que conduz a conclusões, julgamentos, pareceres e a atribuições de conceitos aos desempenhos auferidos, caracterizando assim, a última parte do processo de gestão, o controle. Verifica-se, desta forma, que as organizações necessitam de um modelo de avaliação de desempenho que esteja integrado ao processo de gestão organizacional em suas fases de planejamento, execução e controle. Entretanto, Pereira (1999, p. 207) cita que, para que isso seja possível, o modelo de avaliação de desempenho deve estar estruturado de forma a atender as seguintes premissas: 32 Sistema de informação: garantir informações necessárias e adequadas para avaliação correta do desempenho (planejado e realizado); e Sistema de gestão: possibilitar julgamentos (resultados do processo avaliativo) corretos e válidos para a tomada de decisões, objetivando a eficácia da gestão organizacional. Assim, um modelo que contempla todas as fases do processo de gestão e serve perfeitamente como um instrumento de apoio ao processo de avaliação de desempenho por complementar as informações fornecidas pela Contabilidade é o Balanced Scorecard que será apresentado a seguir como instrumento de gestão estratégica integrada. 2.5 Conceituação do Balanced Scorecard A partir das mudanças ocorridas no macro-contexto mundial, as organizações do Terceiro Setor depararam-se com inúmeras adversidades que criaram estas a necessidade de buscarem novas metodologias para gestão de suas atividades, conforme afirmação realizada por Coutinho (2005, p.1): “O modelo de gestão do setor público e entidades sem fins lucrativos no Brasil tem passado por transformações significativas nos últimos dez anos. A necessidade de reforma administrativa, a busca de resposta à demanda social crescente e o próprio ambiente de desregulamentação tem levado as organizações à modernização e profissionalização de sua gestão” (COUTINHO, 2005, p.1). Nesse ambiente, muitas vezes hostil aos propósitos destas organizações, a informação e o conhecimento são os meios mais eficazes para apoiar o processo de gestão e garantir que os objetivos institucionais sejam realizados, proporcionando por meio do gerenciamento do desempenho o equilíbrio organizacional. 33 O Balanced Scorecard é uma ferramenta de gerenciamento estratégico que vem contribuir com a contabilidade gerencial para que as organizações compreendam de uma forma mais clara sua missão, visão, objetivos e estratégias. 2.5.1 Surgimento e Evolução do Conceito De acordo com Kaplan e Norton (1997) o Balanced Scorecard surgiu após a realização de um estudo com várias empresas, patrocinado pelo “Instituto Nolan Norton”, unidade de pesquisa da KPMG. O estudo intitulado “Measuring Performance in the Organization of the Future”, tinha como finalidade desenvolver um novo modelo de medição de desempenho, tendo em vista que a crença existente era de que os métodos de avaliação do desempenho empresarial vigentes, apoiados, exclusivamente, em indicadores contábeis e financeiros estavam tornando-se obsoletos e prejudicando assim, a capacidade das empresas criarem valor econômico para o futuro. Na época, o grupo de estudos analisou inúmeros casos, dentre os quais o da empresa “Analog Devices” que adotara uma abordagem diferente para mensuração do índice de processo em atividade de melhoria contínua. A “Analog Devices” vinha utilizando um recém-criado scorecard corporativo que continha, além de inúmeras medidas financeiras tradicionais, outras nãofinanceiras alusivas a prazos de entrega ao cliente, qualidade e ciclo de processos de produção e também eficácia no desenvolvimento de novos produtos (KAPLAN e NORTON, 1997, p. VII). Em uma das reuniões que o grupo realizara, houve a participação do então Vice-Presidente de melhoria da qualidade e produtividade da “Analog Devices”, 34 ocasião em que foram apresentadas várias outras medições: valor para o acionista, medidas de produtividade e qualidade e novos planos de compensação (KAPLAN e NORTON, 1997, p. VIII). Com o prosseguimento dos trabalhos, a equipe ampliou o scorecard corporativo, criando um modelo multidimensional denominado Balanced Scorecard distribuído em quatro perspectivas diferentes: Financeira, de Clientes, Interna, e Inovação e Aprendizado que refletiam o equilíbrio entre (KAPLAN e NORTON, 1997, p. VIII): Objetivos de curto e longo prazo; Medidas financeiras e não-financeiras; Indicadores de tendência (leading) e ocorrências (lagging); e Perspectiva interna e externa de desempenho. Em 1990, os estudos realizados foram concluídos, permitindo documentar a viabilidade e os benefícios desse sistema equilibrado de medição estratégica. No ano de 1992, os autores Kaplan e Norton, sintetizam as constatações do grupo de estudos em um artigo denominado “The Balanced Scorecard - Measures That Drive Performance” publicado pela “Harvard Business Review” que obteve uma grande repercussão no meio empresarial, fazendo com que diversos executivos contatassem os autores para obterem informações e esclarecimentos sobre a implantação do Balanced Scorecard em suas organizações (KAPLAN e NORTON, 1997, p. VIII). Em 1993, Norton era um dos principais executivos da “Reinaissance Solutions”, empresa que oferecia consultoria estratégica baseada no Balanced Scorecard como organizacionais. metodologia para traduzir e implementar estratégias 35 Isto possibilitou aos autores realizarem inúmeras experiências com outras empresas, identificando que os executivos mais arrojados utilizavam o Balanced Scorecard não apenas para esclarecer e comunicar a estratégia, mas também para gerenciá-la. Com isso, os autores perceberam que o Balanced Scorecard havia se superado como sistema de medição e se transformado em um sistema gerencial capaz de implementar estratégias organizacionais, usado principalmente para comunicar importantes processos gerenciais, como: estabelecimento de metas individuais e de equipe, remuneração, alocação de recursos, planejamento e orçamentos, feedback e aprendizado estratégico. Inicialmente, Kaplan e Norton (2004a, p. 80) definiram como: “conjunto de indicadores que proporciona aos gerentes uma visão rápida, embora abrangente, de toda a empresa. O balanced scorecard inclui indicadores financeiros, que mostram o resultado das ações do passado, e os complementa com indicadores operacionais, relacionados com a satisfação dos clientes, com os processos internos e com a capacidade da organização de aprender e melhorar – atividades que impulsionam o desempenho financeiro futuro” (KAPLAN e NORTON, 2004a, p. 8). Assim, diante da necessidade vivenciada pelas organizações de possuírem uma ferramenta gerencial capaz de avaliar o desempenho e traduzir a visão e missão institucional para comunicar e alinhar a estratégia da organização, o Balanced Scorecard segundo Kaplan e Norton (1997, p. 25) passou a ser utilizado como um novo sistema de gestão estratégica e, segundo os mesmos autores, assumindo uma nova definição: “O Balanced Scorecard traduz missão e estratégia em objetivos e medidas, organizados segundo quatro perspectivas diferentes: financeira, do cliente, dos processos internos e do aprendizado e crescimento. O scorecard cria uma estrutura, uma linguagem, para comunicar a missão e a estratégia, e utiliza indicadores para informar os funcionários sobre os vetores do sucesso atual e futuro” (KAPLAN e NORTON, 1997, p. 25). 36 E, como a própria estratégia organizacional é algo dinâmico, o conceito do Balanced Scorecard tem sofrido várias evoluções desde a sua origem em 1992 e como forma de ilustrar este desenvolvimento, a Figura 2 retrata estas alterações: Figura 2 – A Evolução do Conceito do Balanced Scorecard Fonte: Herrero (2005, p. 27) 2.5.2 A Missão e Visão na Estrutura do Balanced Scorecard Para o desenvolvimento do Balanced Scorecard é necessário que a missão e visão da organização estejam consolidadas, uma vez que a metodologia revela uma contínua interação entre estes conceitos, pois toda a estrutura estabelecida estratégia, mapa estratégico, objetivos e indicadores decorrem do formalizado nas declarações de missão e visão da organização (Figura 3): 37 Figura 3 – Balanced Scorecard: um processo contínuo Fonte: Kaplan e Norton (2004) Destarte, como a estratégia não é um processo gerencial isolado; é uma das etapas de um processo contínuo lógico que movimenta toda a organização desde a declaração de missão de alto nível até o trabalho executado pelos empregados da linha de frente e de suporte (KAPLAN e NORTON, 2004, p. 34). Recorre-se à afirmação realizada por Oliveira (2002, p. 76) que define: “a missão é a determinação do motivo central do planejamento estratégico, ou seja, a determinação de onde a empresa quer ir. Corresponde a um horizonte dentro do qual a empresa atua ou poderá atuar. Portanto, a missão representa a razão de ser da empresa” (OLIVEIRA, 2002, p. 76). Drucker (1997, p. 4) complementa ao afirmar que uma declaração de missão deve focalizar aquilo que a instituição tenta realizar, de forma que cada um na organização possa dizer: “Esta é minha contribuição para a meta”. Já Herrero (2005, p. 45) apresenta as características essenciais de uma declaração de missão: Descreve o propósito da organização; 38 Identifica os negócios do qual a organização deve participar no presente e no futuro; Delineia a estratégia que deverá ser seguida para gerar valor para os stakeholders; Define o que significa sucesso para os participantes da organização; e Incorpora os valores compartilhados e os comportamentos que a organização espera de seus colaboradores. No tocante a visão, recorre-se a Oliveira (2002, p. 88) que conceitua a visão como sendo “o que a empresa quer ser”, além disso, esclarece que esta é responsável pelo delineamento do planejamento estratégico a ser desenvolvido e implementado pela organização. Já Kaplan e Norton (2004, p. 37), conceituam visão como: “Declaração concisa que define as metas a médio e a longo prazos da organização. A visão deve representar a percepção externa, ser orientada para o mercado e deve expressar – geralmente em termos motivadores ou “visionários” – como a organização quer ser percebida pelo mundo” (KAPLAN e NORTON, 2004, p. 37). Em síntese, conclui-se que a missão possibilita a organização obter um senso crítico sobre a sua real existência e a visão orienta o rumo a ser seguido pela equipe, fazendo com que todas as ações empreendidas pela organização tenham sentido aos seus participantes. 2.5.3 Definições e Objetivos do Balanced Scorecard 39 A tradução literal do termo Balanced Scorecard significa: “cartão de marcação balanceado”. Tal tradução apresenta aspectos importantes ao entendimento do conceito, sendo: Cartão: por descrever em um único documento a estratégia da organização; Marcação: por exibir os indicadores que nortearam a estratégia da organização, ou seja, a concentração das ações em áreas de foco específicas; e Balanceado: em razão do conceito fundamental do balanced scorecard o equilíbrio entre os indicadores internos (focados nos processos críticos da organização, inovação, aprendizado) e externos (voltados aos clientes e acionistas), além dos indicadores financeiros e não-financeiros. Conforme definições realizadas por Herrero (2005, p. 67) em sua conceituação, o Balanced Scorecard apresenta diferentes componentes importantes em seu encadeamento lógico e necessários para a compreensão da metodologia, são elas; Perspectivas de valor: representam a estrutura por meio da qual o processo de criação de valor para os stakeholders é visualizado. Por meio desse modelo, a estratégia é traduzida em objetivos que permitem a avaliação da performance da organização, tomando-se como referência as quatro perspectivas: financeira, dos clientes, dos processos internos e de aprendizado e crescimento; Medidas: ou indicadores permitem avaliar até que ponto as atividades e ações que deveriam estar sendo desenvolvidas na organização estão progredindo, sendo completadas, ou ainda merecendo o foco e a atenção 40 dos colaboradores da organização. As medidas de desempenho, que levam em consideração o ambiente dos negócios, devem ser derivadas da estratégia de negócios e precisam estar encadeadas, entre si, nas perspectivas de valor; Metas: permitem avaliar ao longo do tempo a evolução da empresa, da unidade de negócios, da área funcional ou do indivíduo em direção aos objetivos estratégicos definidos nas quatro perspectivas de valor. As metas podem ser retratadas por fórmulas (que mostram a relação entre as variáveis) ou apresentadas por meio de textos que retratem análises qualitativas, julgamentos, percepções ou insights dos colaboradores de uma organização; Iniciativas: são ações que uma empresa deve realizar nas quatro dimensões do Balanced Scorecard, para alcançar os objetivos estratégicos. As iniciativas devem ser priorizadas em função de seu impacto de curto, médio e longo prazo na geração de valor e fortalecimento da posição competitiva da empresa; Temas: são blocos de construção da estratégia organizacional, que possibilitam que os objetivos, os indicadores, as metas e as iniciativas sejam integrados entre si, por intermédio das relações de causa e efeito, permitindo que as propostas de valor dirigidas aos clientes promovam o alinhamento de todo o fluxo de valor da empresa; Mapa estratégico: ou mapa da estratégia é uma arquitetura lógica que define uma estratégia descrevendo o processo de transformação de ativos intangíveis em resultados tangíveis para os clientes e, por conseguinte, em resultados financeiros; e 41 Objetivos estratégicos: expressam a tradução da visão de futuro da organização em objetivos sumarizados por meio da relação de causa e efeito, expressos claramente por intermédio do mapa estratégico. Portanto, para visualizar a lógica estabelecida entre os principais conceitos, a Figura 4 expressa alguns dos componentes para entendimento da relação existente: Figura 4 – Componentes e terminologias do Balanced Scorecard Fonte: Symnetics (2003, p. 5) O objetivo primordial do Balanced Scorecard concentra-se no alinhamento e equilíbrio do planejamento estratégico com os quatro processos gerenciais críticos (Figura 5): 42 Figura 5 – Gestão Estratégica – Quatro Processos Fonte: Costa (2001, p. 20) Esclarecer e traduzir a visão e a estratégia: neste processo há o envolvimento intenso da alta administração para construir um consenso em torno da visão da organização e da estratégia necessária para realizá-la. Tal consenso deverá proporcionar um conjunto integrado de objetivos e medidas que exiba a relação de causa e efeito nas diferentes perspectivas do negócio, propiciando à organização a transformação de bens ativos intangíveis em ativos tangíveis; Comunicar e associar objetivos e medidas estratégicas: este processo caracteriza-se pela sinergia capaz de impulsionar o desempenho global da organização, uma vez que há o esclarecimento da conexão entre os objetivos individuais e departamentais. Caracteriza-se, também, por envolver um contingente maior de pessoas, em que as organizações, em geral, utiliza-se de três mecanismos para traduzir a estratégia: a) 43 comunicação e educação; b) estabelecimento de objetivos e; c) atribuição de recompensas às medidas de desempenho; Planejar, estabelecer metas e alinhar iniciativas estratégicas: neste processo, o objetivo principal é o estabelecimento de metas que induzam à mudança organizacional, permitindo a integração dos planos corporativos com os financeiros por meio das perspectivas de valor alinhadas à estratégia da organização; e Melhorar o feedback e o aprendizado estratégico: este processo é incorporado a um contexto de aprendizado estratégico que permite a organização modificar suas estratégias em decorrência das experiências vivenciadas. É também, neste processo, que ocorre o monitoramento dos resultados de curto prazo por meio dos aspectos: financeiros, de clientes, processos internos, recursos humanos e sistema de informação. 2.5.4 Perspectivas do Balanced Scorecard As metas específicas de curto prazo e as medidas de desempenho são divididas em quatro perspectivas que influenciam na estratégia organizacional, possibilitando quando integradas uma análise e visão holística da situação atual, permitindo à organização prospectar um cenário de previsão futura por meio das medidas estabelecidas (vetores e indicadores de resultado). A estrutura básica do Balanced Scorecard, segundo Kaplan e Norton (1997, p. 46) está distribuída na seguinte forma: Perspectiva Financeira; Perspectiva de Clientes; 44 Perspectiva de Processos Internos; e Perspectiva do Aprendizado e Conhecimento. A Figura 6 expressa melhor este raciocínio, exibindo a interdependência entre estas perspectivas. Figura 6 - As perspectivas de valor do Balanced Scorecard Fonte: Herrero (2005, p. 31). Estas perspectivas do Balanced Scorecard possuem em seu centro a missão e a visão organizacional como seu alicerce, criando assim, o equilíbrio interno e externo para a organização, possibilitando-lhe traduzir suas estratégias organizacionais e conseqüente materialização de suas ações institucionais. Kaplan e Norton (1997, p. 35) ressaltam, ainda, que, dependendo das circunstâncias do setor e da estratégia de uma unidade de negócios, é possível que seja preciso agregar uma ou mais perspectivas complementares. 45 2.5.4.1 Perspectiva Financeira No contexto empresarial, as medidas financeiras indicam se as organizações estão obtendo sucesso com as estratégias definidas, implementadas e executadas. Em termos gerais, esse êxito é medido pela sua lucratividade, pelo seu crescimento e pelo incremento do valor para os acionistas. De acordo com Kaplan e Norton (1997, p. 26) o Balanced Scorecard: “conserva a perspectiva financeira, visto que as medidas financeiras são valiosas para sintetizar as conseqüências econômicas imediatas de ações consumadas” (KAPLAN e NORTON, 1997, p. 26). Depreende-se, portanto, que as medidas financeiras são uma forma tradicional para avaliar as ações das organizações. Kaplan e Norton (1997, p. 49) complementam este raciocínio afirmando que: “Os objetivos financeiros servem de foco para os objetivos e medidas das outras perspectivas do scorecard. Qualquer medida selecionada deve fazer parte de uma cadeia de relações de causa e efeito que culminam com a melhoria do desempenho financeiro” (KAPLAN e NORTON, 1997, p. 26). Assim, a estrutura conceitual do Balanced Scorecard permite a organização vincular os objetivos financeiros à estratégia da organização, em que qualquer indicador selecionado deve fazer parte de uma cadeia de causa e efeito que culmine na melhoria de desempenho financeiro (Figura 7). 46 Figura 7 - Relações de causa e efeito das perspectivas do Balanced Scorecard Fonte: Averson (2005, p. 59) Conforme Hernandes et al. (2000, p. 3) na escolha de indicadores financeiros a serem usados no Balanced Scorecard, deve-se ter em mente dois objetivos: 1. Definir o desempenho financeiro esperado da estratégia; e 2. Servir de meta principal para os objetivos e medidas de todas as outras perspectivas do Balanced Scorecard. Kaplan e Norton (1997, p. 53) apontam três estágios no ciclo de vida das organizações, são eles (Quadro 2): 1. Crescimento; 2. Sustentação; e 3. Colheita. 47 TEMAS ESTRATÉGICOS Crescimento Utilização de ativos - Aumento de taxa de vendas por segmento - Percentual de receita gerado por novos produtos, serviços e clientes - Receita/funcionário - Investimento (percentual de vendas) - P&D (percentual de vendas) Satisfação Redução de custos e aumento da produtividade -Fatia de clientes e contas-alvo - Vendas cruzada - Percentual da receita gerado por novas aplicações - Lucratividade por cliente linhas de produtos Custos versus custos concorrentes - Taxa de redução de custos - Despesas indiretas (percentual de vendas) - Índices de capital de giro (ciclo de caixa a caixa) - ROCE por categoria chave de ativo - Taxa de utilização de ativo Colheita ESTRATÉGIA Aumento e mix de receita - Lucratividade por clientes e linhas de produtos - Percentual de clientes não-lucrativos - Custos unitários (por unidade de produção, por transação) - Retorno - Rendimento (throughput) Quadro 2 - Medição dos temas financeiros estratégicos Fonte: Kaplan e Norton (1997, p. 55) No estágio de “crescimento”, as organizações encontram-se na fase inicial de seu desenvolvimento e possuem produtos e serviço com significativo potencial de crescimento. Enfatizarão o crescimento das vendas, os novos mercados e novos consumidores, os novos produtos e novos serviços, os sistemas, a capacitação de funcionários, o estabelecimento de novos canais de marketing de vendas e distribuição. Nesta fase, as organizações podem até operar com fluxo de caixa negativo e baixas taxas de retorno sobre o capital investido. (KAPLAN e NORTON, 1997, p. 50) No estágio de “sustentação”, a maioria das organizações estabelece metas visando a lucratividade, visando ampliar a capacidade em busca da melhoria contínua. Nesta fase, enfatizam as medidas financeiras tradicionais (retorno sobre o capital investido, lucro operacional e margem bruta). 48 Basicamente, os investimentos em projetos, nesta fase, são avaliados por análises padrões, fluxo de caixa descontado, orçamento de capital, valor econômico agregado e incremento de valor para o acionista. O estágio de “colheita” caracteriza-se pela ênfase atribuída ao fluxo de caixa, neste estágio os investimentos não são significativos e objetivam a maximização do retorno sobre o investimento. Os gastos com desenvolvimento e pesquisas são escassos, pois o ciclo de negócio está em sua fase final. De acordo com Kaplan e Norton (1997, p. 53), nos estágios do empreendimento organizacional a estratégia é norteada por três temas financeiros focados pela organização, a saber: crescimento e mix de receita; redução de custos e aumento de produtividade; utilização de ativos e estratégia de investimentos. Tais temas podem ser aplicados em qualquer um dos estágios anteriores. Já as medidas financeiras é que serão diferentes de acordo com o caso e os objetivos financeiros de longo prazo deverão nortear as ações relacionadas aos quatro diferentes processos. 2.5.4.2 Perspectiva de Clientes Para Campos (1998, p. 42) a satisfação e retenção do cliente e o foco no mercado são as forças que impulsionam as organizações que desejam sobreviver e progredir. Assim, por intermédio desta afirmação, pode-se inferir a relevância da perspectiva de clientes para a consolidação das estratégias organizacionais. A perspectiva de clientes permite às organizações alinharem suas medidas essenciais de resultado relacionadas aos clientes (satisfação, fidelidade, retenção, captação e lucratividade) com os segmentos específicos de clientes e mercados que 49 desejam atender; através da identificação clara e avaliação das propostas de valor dirigida a esses segmentos. (KAPLAN e NORTON, 1997, p. 67) Kaplan e Norton (1997, p. 68) acrescentam que a perspectiva dos clientes scorecard traduz a missão e estratégia da empresa em objetivos específicos para segmentos focalizados de clientes e mercados que pode ser comunicada a toda a organização. Nesta perspectiva, a organização desenvolve a capacidade de identificar os atributos de “valor” percebido pelos clientes, por intermédio do conhecimento que ela desenvolverá por meio da coleta, análise, tratamento e uso das informações sobre seus clientes alvo. Depreende-se, portanto, que nesta perspectiva a organização desenvolve a capacidade de reconhecer as necessidades e aspirações e desejos de seus clientes alvo no tocante aos produtos e serviços ofertados, permitindo que este conhecimento seja compartilhado com toda a organização. Olve; Roy; Wetter (2001, p. 66) acreditam que a perspectiva de clientes é: “o coração do scorecard. Se a companhia falhar na entrega dos produtos e serviços certos, satisfazendo as necessidades de custos do cliente com eficiência, tanto no curto como no longo prazo, não haverá geração de renda e o negócio vai definhar e morrer” (OLVE; ROY; WETTER, 2001, p. 66). Embora as propostas de valor variem de acordo com a especificidade de mercado e atividade, Kaplan e Norton (1997, p. 77-80) identificaram a existência de um conjunto comum de atributos divididos em três categorias, conforme Figura 8. Figura 8 – Modelo genérico da proposta de valor Fonte: Kaplan e Norton (1997, p. 79) 50 Atributos dos produtos e serviços: englobam a funcionalidade do produto - serviço, preço e qualidade; Imagem e reputação: reflete os fatores intangíveis que atraem um cliente para a empresa. Por meio da publicidade e qualidade dos produtos e serviços oferecidos, algumas empresas conseguem a fidelidade dos clientes; e Relacionamento com clientes: compreende a entrega do produto ou serviço ao cliente, inclusive a dimensão do tempo de resposta e entrega e o conforto do cliente na relação de compra. No tocante ao grupo de medidas essenciais de resultados estas derivam das propostas de valor e são comuns a todos os tipos de empresa, conforme Quadro 3: OBJETIVOS DESCRIÇÃO Participação no mercado Reflete a proporção de negócios num determinado mercado (em termos de clientes, valores gastos ou volume unitário vendido). Captação de clientes Mede, em termos absolutos e relativos, a intensidade com que uma unidade de negócios atrai ou conquista novos clientes de negócios. Retenção de clientes Controla, em termos absolutos e relativos com que uma unidade de negócios retém ou mantém relacionamentos contínuos com seus clientes. Satisfação dos clientes Mede o nível de satisfação dos clientes de acordo com critérios específicos de desempenho dentro da proposta de valor. Lucratividade dos clientes Mede o lucro líquido por segmentos, depois de deduzidas as despesas específicas necessárias para sustentar estes clientes. Quadro 3 – Medidas essenciais da perspectiva do cliente Fonte: Kaplan e Norton (1997, p. 72) A Figura 9 apresenta uma ilustração para demonstrar a estreita relação entre as medidas essenciais da perspectiva do cliente. 51 Figura 9 – Perspectiva do Cliente Fonte: Kaplan e Norton (1997, p. 72) Em síntese, a identificação correta dos objetivos da perspectiva do cliente e atributos da proposta de valor direciona a escolha dos objetivos da dimensão de processos internos (KALLÁS, 2005, p. 13-14). 2.5.4.3 Perspectiva de Processos Internos O foco desta perspectiva relaciona-se com o que a organização deve realizar internamente para satisfazer às expectativas de seus clientes e dos demais interessados. Em síntese, é basicamente uma análise dos processos internos na organização, através da identificação dos recursos e das capacidades necessárias para elevar o nível interno de qualidade (KALLÁS, 2003, p. 43-44). Nesta perspectiva, o questionamento que orienta toda a cadeia de valor de relacionamento com as demais perspectivas da estrutura do Balanced Scorecard, incluindo os seus respectivos indicadores e medidas, é: “Para satisfazer nossos 52 clientes e nossos acionistas em que processos de negócio devemos exceder em excelência?” Assim, decorre deste questionamento uma auto-análise que proporciona à organização identificar os processos internos críticos nos quais deverá ser excelente, e por intermédio da afirmação de Kaplan e Norton (1997, p. 97), serve para a perspectiva dos processos internos da empresa, os executivos identificam os processos mais críticos para a realização dos objetivos dos clientes e acionistas. Como cada organização utiliza-se de um conjunto específico de processo com o intuito de agregar valor aos produtos e serviços oferecidos ao cliente e, assim, produzir os resultados financeiros almejados; o Balanced Scorecard apresenta uma cadeia de valor genérica que permite às organizações adaptarem-se e constituir perspectivas de processo interno diferente do modelo apresentado na metodologia. Tais processos possibilitam à organização oferecer propostas de valor capazes de atrair e reter clientes nos segmentos selecionados, bem como satisfazer as expectativas dos demais interessados. No modelo estabelecido pelos autores figuram três processos principais (Figura 10): Figura 10 – Modelo da cadeia de valor para os processos internos Fonte: Kaplan e Norton (1997, p. 102) 1. Inovação (criação de produtos e serviços): a organização deve pesquisar a necessidade real e futura dos clientes-alvo e em seguida 53 desenvolver os produtos e serviços que deverão satisfazer às necessidades mapeadas; 2. Operações (produção e comercialização): que inclui a produção, devese preocupar em disponibilizar os produtos e serviços desenvolvidos durante o processo de inovação. Ressaltam-se, neste processo medidas operacionais genéricas, como: custo, qualidade e tempo de resposta. Este processo foca a eficiência, a regularidade e a pontualidade da entrega dos produtos, pois inicia-se com o recebimento do pedido de um cliente e termina com a entrega do produto ou serviço; e 3. Serviços de pós-venda (suporte ao consumidor após a venda): nesta etapa estão incluídas a garantia e os reparos, a correção de defeitos, a devolução e o processamento dos pagamentos e possui considerável influência sobre a imagem e reputação da organização na cadeia de valor do cliente. Assim, por intermédio do desenho da cadeia de valor, é possível a identificação dos processos críticos, permitindo a seleção dos indicadores de desempenho que melhor meçam estes processos internos, baseados em custos, qualidade e tempo. 2.5.4.4 Perspectiva do Aprendizado e Crescimento A quarta perspectiva identifica a infra-estrutura (pessoas, sistemas e processos organizacionais) que a organização deve construir para gerar crescimento e melhoria no longo prazo, uma vez que seria muito difícil atingir as metas de longo 54 prazo para clientes e processos internos utilizando as tecnologias e as capacidades atuais ou ultrapassadas. (FRANCISCHINI e SOUZA, 2002, p. 30) Nesta perspectiva desenvolvem-se os objetivos e medidas para orientar o aprendizado e o crescimento organizacional. Estes objetivos oferecem a infraestrutura que possibilita a consecução dos objetivos das perspectivas anteriores (financeira, de clientes e de processos internos), sendo estes vetores de resultado, traduzindo-se, em investimentos na capacitação dos colaboradores, em sistemas e processos organizacionais. (KAPLAN e NORTON, 1997, p. 131) Uma organização sem a dimensão do fator humano bem-sucedido fará com que as demais atividades de criação de valor não dêem certo, independentemente do nível de sofisticação tecnológica. (EDVINSSON E MALONE, 1998, p. 61). As medidas baseadas nos funcionários incluem medidas genéricas: satisfação dos funcionários, retenção, treinamento e habilidades e direcionadores específicos dessas medidas, como: índices detalhados de habilidades específicas requeridas pelo novo ambiente competitivo. Nesta perspectiva, o questionamento a ser realizado é: “para alcançarmos a visão de futuro, como sustentaremos a habilidade de mudar e melhorar?” Entretanto, os autores Kaplan e Norton (1997, p. 149-150) ressaltam que: “muitas empresas já possuem excelentes pontos de partida no tocante a medidas específicas para os seus objetivos financeiros, dos clientes, de inovação e de processos operacionais. Mas no que se refere a indicadores específicos relativos à habilidade dos funcionários, disponibilidade de informações estratégicas e alinhamento organizacional, as empresas praticamente ignoram a medição dos resultados ou dos vetores dessas capacidades. Essa lacuna é frustrante, já que uma das metas mais importantes para a adoção do Balanced Scorecard como ferramenta de gestão e controle é promover o crescimento das capacidades individuais e organizacionais” (KAPLAN e NORTON, 1997, p. 149-150). 55 2.5.5 Integração do Perspectivas Balanced Scorecard entre as Quatro O Balanced Scorecard deve expressar fielmente a estratégia global da organização de modo que a sua estrutura expresse claramente as relações (hipóteses) entre os objetivos (medidas) nas diversas perspectivas, proporcionando o gerenciamento e validação de seus indicadores. Destarte, a integração entre as perspectivas é estabelecida entre três princípios básicos que são vitais à realização da estratégia organizacional e conseqüente desenvolvimento de um Balanced Scorecard adequado, são eles (COSTA, 2001, p. 39): Relações de causa e efeito: o relacionamento de causa e efeito deve permear todas as perspectivas do Balanced Scorecard de modo a explicitar a história da estratégia. Suponha-se, por exemplo, que o Scorecard financeiro escolhido seja o valor econômico adicionado e que o seu vetor de desempenho tenha sido manter ou aumentar as vendas a consumidores existentes. Assim, a lealdade do consumidor deve compor o scorecard na perspectiva do cliente como vetor do valor econômico adicionado. E que a organização fará para conseguir a lealdade dos consumidores? Uma análise das preferências do consumidor poderá revelar que o tempo de entrega é um fator muito importante. Espera-se então que, com um menor tempo de entrega aumentará a lealdade dos consumidores, melhorando o desempenho financeiro. Com essa relação, o tempo de entrega também é incorporado ao scorecard na perspectiva do cliente, e o processo se completaria junto às outras perspectivas de clientes e aprendizado e 56 crescimento por meio de questionamentos que a organização realizaria para atingir excelência no tempo de entrega. Vetores de desempenho: um bom Balanced Scorecard deve expressar uma combinação adequada de resultados (indicadores de ocorrências) e impulsionadores de desempenho (indicadores de tendência) ajustados à estratégia da unidade de negócios. Assim, as medidas de resultado e os vetores de desempenho devem expressar a maneira como os resultados serão alcançados, bem como oferecer uma clara indicação de como está o andamento da estratégia. Tais medidas ou indicadores de ocorrências medem os resultados essenciais (lucratividade, participação de mercado, satisfação dos clientes, relevância e contribuição social de seus projetos, no caso de instituições sem fins lucrativos). Já os vetores de desempenho, representados por indicadores de ocorrências, expressam como um determinado resultado estabelecido poderá ser atingido e, na maioria das vezes, são específicos para determinada unidade de negócios por expressarem a singularidade de sua estratégia (lucratividade, opção por segmento de mercado, processos internos específicos e os objetivos de aprendizado e crescimento que oferecerão proposta de valor a segmentos específicos de clientes e mercados). Em síntese, a estratégia traçada deve representar a adequada combinação de resultados (indicadores de fatos) e vetores de desempenho (indicadores de tendências). Relação com fatores financeiros: as relações causais de todas as medidas incorporadas ao scorecard devem estar vinculadas a objetivos financeiros. Entretanto, no caso específico de organizações do terceiro setor, sem fins 57 lucrativos, estes objetivos apesar de importantes não devem sobrepor-se aos objetivos sociais almejados pela organização. No entanto, é aconselhável objetivar o equilíbrio como forma de propiciar a continuidade de suas ações, pois muitas vezes os seus resultados sociais dependem do orçamento e são observados em função da satisfação dos clientes. Assim sendo, o Balanced Scorecard deve ser mais que uma combinação de medidas financeiras e não-financeiras agrupadas em quatro perspectivas. Deve expressar a narrativa da estratégia da organização, por meio da integração das medidas de resultados com os vetores de desempenho por meio de várias relações de causa e efeito. Em que as medidas de resultados (indicadores de ocorrência) indicam os objetivos maiores da estratégia e se as iniciativas de curto prazo geraram os resultados desejáveis. E as medidas dos vetores de desempenho (indicadores de tendência) indicam a toda a organização para o que deve ser feito hoje a fim de criar valor no futuro (KAPLAN e NORTON, 1997, p. 173). 2.5.6 O Processo de Construção do Balanced Scorecard segundo a visão de Kaplan e Norton Kaplan e Norton (1997), ao descreverem a metodologia de aplicação do Balanced Scorecard, apresentaram um plano sistemático de construção, distribuído em quatro fases subdivididas em algumas tarefas especificas: Definição da arquitetura de indicadores; Consenso em função dos objetivos estratégicos; Escolha e elaboração dos indicadores; e Elaboração do Plano de Implementação. 58 Entretanto, os autores evidenciam que cada organização apresenta características próprias e em decorrência disto o plano de construção do Balanced Scorecard não deve desconsiderar estas especificidades (KAPLAN e NORTON, 1997, p. 314). Na fase de definição da arquitetura de indicadores os autores subdividem na em duas tarefas distintas que consistem em: Tarefa 1 - Selecionar a unidade organizacional adequada: consiste em selecionar uma unidade estratégica de negócio que desenvolva atividades completas de uma cadeia de valor: inovação, operações, marketing, vendas e serviços; e Tarefa 2 - Identificar as relações entre a unidade de negócios e a corporação: objetiva dotar o responsável pelo projeto de conhecimento sobre o relacionamento da unidade com outras áreas da organização, além de sua estrutura divisional e corporativa de forma a subsidiá-lo nas análises que este realizará. Nesta etapa o arquiteto realizará entrevistas com os principais executivos da organização de maneira a obter informações sobre: - os objetivos financeiros da unidade (crescimento, lucratividade, fluxo de caixa); - os principais temas corporativos (meio ambiente, segurança, recursos humanos, relações com a sociedade, qualidade, competitividade de preços entre outros); e - relações com outras áreas (competências essenciais, clientes comuns, relacionamento com fornecedores e clientes internos). 59 No tocante, ao consenso em função dos objetivos estratégicos, surgem novas tarefas seqüenciais a serem desenvolvidas, são elas: Tarefa 3 – Realizar a primeira série de entrevistas: para as entrevistas é preparado um material básico sobre o Balanced Scorecard com documentos internos da organização sobre a visão, a missão e a estratégia organizacional que serão distribuídos a cada executivo participante do projeto. Tais informações disponibilizadas são complementadas com informações específicas sobre o setor e o ambiente em que a organização está inserida (dimensão de mercado, concorrência, preferência de clientes, inovações tecnológicas). Depois que os executivos analisarem o material, o responsável pelo projeto inicia a primeira série de entrevistas que consiste em: - Comunicar o conceito do Balanced Scorecard; - Responder as indagações sobre o conceito; - Obter informações sobre a estratégia da organização e saber como isso se traduz em objetivos e medidas para o scorecard; - Induzir a organização à reflexão sobre a estratégia; - Reconhecer os potenciais conflitos internos entre os participantes da organização; e - Conhecer as principais preocupações dos executivos da organização. Tarefa 4 – Sessão de síntese: após a etapa anterior, ocorre a sessão de síntese que consiste na reunião dos membros da equipe de projeto para discussão dos resultados das rodadas de entrevistas, impressões, percepções e preparação de relação preliminar de objetivos e medidas classificados nas quatro perspectivas que servirão de base para a 60 primeira reunião com a alta administração (Kaplan e Norton, 1997, p. 317). Tarefa 5 – Workshop Executivo: Primeira Etapa: em geral é realizada uma reunião com a alta administração para iniciação de um processo de consenso em relação ao scorecard. Kaplan e Norton (1997, p. 318) descrevem que: “durante o workshop, o arquiteto facilita um debate de grupo sobre as declarações de missão e estratégia, até que seja alcançado um consenso. O grupo passa então a responder à pergunta: Se eu for bem sucedido na minha visão e estratégia, de que maneira o meu desempenho será diferente para os acionistas, para os clientes, para os processos internos da empresa e para minha capacidade de crescer e melhorar? Cada perspectiva é abordada de forma seqüencial” (KAPLAN e NORTON, 1997, p. 318). Também nesta etapa, o responsável pelo projeto exibe os objetivos propostos, suas classificações e as citações obtidas nas entrevistas (KAPLAN e NORTON, 1997, p. 318). Desta forma, os participantes deliberam sobre as questões intrínsecas aos objetivos e medidas identificados. Após este debate a equipe executiva deve ser dividida em subgrupos que ficarão responsáveis por uma perspectiva específica e terão a tarefa de aprofundar as análises e obter um consenso. Ao final do workshop a equipe executiva deverá ter identificado um grupo de três a quatro objetivos estratégicos para cada perspectiva e apresentado relatório com uma descrição detalhada de cada objetivo identificado bem como uma lista de indicadores potenciais para cada objetivo (KAPLAN e NORTON, 1997, p. 319). Realizada a reunião, o arquiteto deverá preparar e distribuir um documento sintetizando as conclusões em relação ao realizado. Na etapa de escolha e elaboração dos indicadores, as tarefas desenvolvidas também seqüenciais, são: 61 Tarefa 6 – Reuniões dos Subgrupos: neste momento o responsável pelo projeto realizará várias reuniões com os subgrupos do projeto em que estes terão quatro objetivos principais, conforme afirmam os autores Kaplan e Norton (1997, p. 319): 1. Refinar a descrição dos objetivos estratégicos, de acordo com as intenções expressas no primeiro workshop executivo. 2. Para cada objetivo, identificar o indicador ou indicadores que melhor captam e comunicam a intenção do objetivo. 3. Para cada indicador proposto, identificar as fontes das informações necessárias e as ações que podem ser necessárias para tornar essas informações acessíveis. 4. Para cada perspectiva, identificar as relações críticas entre os indicadores dessa perspectiva, bem como entre ela e as outras perspectivas do scorecard. Tentar identificar de que maneira cada medida influencia a outra (KAPLAN e NORTON, 1997, p. 319). Também nesta fase o responsável pelo projeto deverá expor o seu conhecimento sobre a estrutura do Balanced Scorecard nas quatro perspectivas, suas relações entre os indicadores e a conseqüente relação de causa e efeito que deve nortear todo o encadeamento lógico da metodologia de forma a expressar claramente a estratégia organizacional pretendida. Ao término desta fase, os subgrupos deverão ter chegado a um consenso sobre o resultado final que consiste em: - Apresentar lista de objetivos para a perspectiva, acompanhada de descrição detalhada de cada objetivo; - Descrição dos indicadores para cada objetivo identificado; -Apresentar ilustração de como cada indicador poderá ser quantificado e apresentado; e - Apresentar visualização gráfica que expresse o inter-relacionamento dos indicadores dentro de cada perspectiva e nas quatro perspectivas. Tarefa 7 – Workshop Executivo e a Segunda etapa: após a tarefa anterior, um segundo workshop deverá ser realizado envolvendo a equipe de alta 62 administração e um contingente maior de gerentes e subordinados de nível médio para discussão da visão, da estratégia e dos objetivos e indicadores consolidados ao final dos trabalhos dos subgrupos. Nesta fase, os resultados finais devem ser apresentados pelos executivos dos subgrupos como forma de desenvolver um senso de propriedade da equipe e assim buscar o comprometimento máximo da organização. Na fase de elaboração do plano de implementação as tarefas finais ao processo de construção do Balanced Scorecard são: Tarefa 8 – Desenvolver o Plano de Implementação: nesta etapa deverá ser constituída uma nova equipe composta pelos executivos líderes de cada subgrupo que formalizará as metas de superação e desenvolverá o plano de implementação para toda a organização, vinculando as métricas de desempenho esperado em um processo top-down2 de forma a ligar as decisões de executivas de alto escalão aos níveis operacionais. Tarefa 9 – Workshop Executivo e a Terceira Etapa: sendo esta a penúltima etapa do processo de desenvolvimento do Balanced Scorecard é a realização de um terceiro workshop que deverá chegar a uma decisão final sobre a visão, aos objetivos e aos indicadores desenvolvidos ao longo das duas primeiras reuniões realizadas. Neste workshop executivo os objetivos são: - Identificar os programas de ações iniciais para alcance das metas estabelecidas; - Alinhar as várias iniciativas de mudança da unidade aos objetivos, indicadores e metas do scorecard; 2 De cima para baixo. 63 - Obter consenso sobre a forma como deverá ser implementado o Balanced Scorecard objetivando comunicar e integrar o scorecard à organização e sua filosofia gerencial; e - Desenvolver um sistema de informações que subsidie o scorecard. Tarefa 10 – Finalizar o Plano de Implementação: nesta última fase para criar valor, o Balanced Scorecard deve ser integrado ao sistema gerencial da organização. Assim, recomendam que os executivos desenvolvam plano de implementação progressivo e realizem os ajustes necessários nos sistemas de informações gerenciais durante o processo de implantação. 64 3 METODOLOGIA Para a consecução dos objetivos do estudo, foi adotada uma abordagem metodológica empírico-analítica, por meio da condução de um estudo de caso em uma organização do terceiro setor, sediada no município de Caraguatatuba – Litoral Norte do Estado de São Paulo, contemplando uma pesquisa descritiva, que objetiva compreender a gestão da organização analisada e a confrontação dos dados obtidos com as teorias e postulados acadêmicos. Segundo Goldenberg (1997, p. 33), o estudo de caso: “Vem de uma tradição da pesquisa médica e psicológica, na qual se refere a uma análise detalhada de um caso individual que explica a dinâmica e patologia de uma doença. Adaptado da tradição médica, o Estudo de Caso tornou-se uma das principais modalidades de pesquisa qualitativa em ciências sociais” (GOLDENBERG, 1997, p. 33). Como se sabe, a técnica de pesquisa qualitativa denominada Estudo de Caso não é orientada por um esquema rígido de etapas e ações. Todavia, conforme lembram Martins e Lintz (1999, p. 12), podem se estabelecidas duas fases para sua consecução não mutuamente exclusivas: exploratória, delimitação do estudo e análise sistemática e redação do relatório. 1. Fase Exploratória: foi orientada por levantamento inicial que possibilitasse compreender a gestão da organização em estudo, tendo em vista os objetivos preliminares colimados; e 2. Análise dos documentos e de dados internos da organização: para conhecer sua estrutura, cultura organizacional e contextualização dos processos e atividades e para desenvolvimento da estrutura de elementos fundamentais dos objetivos e medidas dentro de cada uma das quatro 65 perspectivas do Balanced Scorecard: financeira, do cliente, dos processos internos e do aprendizado e crescimento. A estratégia de obtenção de informações e dados não assumiu contornos muito rigorosos, por não poder, como característica do Estudo de Caso, extrapolar resultados de variáveis, mas apreender, compreender e interpretar o fenômeno com a finalidade de inferência sobre o modelo teórico encontrado. 66 4 ESTUDO DE CASO NA ZAMBÔ DO MOVIMENTO NEGRO DE CARAGUATATUBA 4.1 A Organização Zambô do Movimento Negro A história de constituição da Zambô do Movimento Negro de Caraguatatuba iniciou em 1990, quando um pequeno grupo de cidadãos negros e simpatizantes da cultura negra, começaram a se reunir com o objetivo de constituir uma representação da comunidade negra do município de Caraguatatuba com o intuito de defender seus interesses, bem como realizar ações que melhorassem as condições de vida que estes foram condicionados desde os primórdios da colonização do Brasil. Sempre atuante dentro da comunidade, vem desde esse período passando por um processo de estruturação, transformação e aperfeiçoamento, tendo sido regulamentada em 2001. Em 2002 o grupo fundador aprovou, em assembléia geral, o nome Zambô, que significa em língua africana “filhos de negros e índios”, sendo na mesma data aprovado o estatuto interno da entidade. E também, realizado concurso para escolha de logotipo que representasse a organização, sendo selecionado entre vários trabalhos a imagem de um indivíduo de braços estendidos ao alto em menção à liberdade do indivíduo afro-descendente castigado durante séculos pela escravidão. As cores (verde, amarelo, vermelho e azul) presentes no logotipo fazem alusão à bandeira da África em respeito à memória e preservação das tradições e cultura herdado de seus antepassados (Figura 11). 67 Figura 11 – Logotipo da Zambô. Desde então, tem iniciado um processo de reestruturação e reformulação de sua postura social, bem como realizado inúmeras ações com o objetivo de reforçar sua atuação no município. No ano de 2003 realizou diversas atividades culturais que divulgou a Cultura Negra no Litoral Norte e Vale do Paraíba. Mais tarde, instalou-se em uma nova sede, mais ampla, que possibilitou à Zambô o desenvolvimento mais adequado de suas atividades administrativas e sócio-culturais. Por meio de inúmeras parcerias com órgãos públicos municipais e estaduais, além de instituições privadas, a Zambô tem ampliado a sua área de atuação, buscando desenvolver programas de atendimento a adolescentes em situação de risco e famílias carentes no município por meio do desenvolvimento de oficinas culturais, dança, geração de renda, atividades esportivas, lazer e outros projetos voltados a promoção e difusão das Ações Afirmativas3. 3 Ações afirmativas – são medidas especiais e temporárias, tomadas pelo Estado e/ou pela iniciativa privada, espontânea ou compulsoriamente, com o objetivo de eliminar desigualdades historicamente acumuladas, garantindo a igualdade de oportunidade e tratamento, bem como compensar perdas provocadas pela discriminação e marginalização, por motivos raciais, étnicos, religiosos, de gênero e outros. 68 4.2 Análise da Gestão da Organização A fase inicial do trabalho caracterizou-se pela análise da gestão da Zambô por meio do acompanhamento de parte da rotina da organização, bem como pela leitura, exame e síntese dos documentos institucionais em que foi possível realizar diagnósticos sobre quais pontos deveriam ser abordados no estudo para concepção e desenvolvimento do modelo de gestão estratégico-organizacional, tendo por referência a metodologia do Balanced Scorecard, além de possibilitar ao autor obter uma visão mais abrangente da organização. A Zambô do Movimento Negro de Caraguatatuba possui uma estrutura simplificada com poucos membros, responsáveis pelo desenvolvimento de várias atividades caracterizando certa sobrecarga em alguns integrantes da estrutura diretiva. Como não é diferente de outras organizações do terceiro setor, a Zambô vivencia em sua gestão a inconstância de recursos físicos e financeiros, o que ameaça em muito suas ações, muitas vezes inviabilizando, de fato, a realização de atividades importantes. Não obstante a isto, existe também uma fragilidade estratégica da Zambô em relação ao seu posicionamento como “organização” defensora dos direitos e interesses civis da comunidade afro-descendente, além da delicada abordagem pública das questões étnicas em decorrência de todos os “tabus” existentes na sociedade atual. Ainda no tocante à fragilidade estratégica, verificou-se que a tradução da palavra Zambô (filhos de negros e índios) divulgado ao público externo, apresenta uma interpretação dúbia quando confrontada com as práticas institucionais, pois em 69 nenhum documento institucional são apresentados projetos, ações e/ou atividades junto às comunidades indígenas da região o que caracteriza uma dissonância preocupante quanto à comunicação institucional externa. Em razão destes fatos, considerou-se que para a implantação do instrumento, seria necessário que a Zambô tivesse estabelecido de forma clara sua missão, visão e objetivos estratégicos. Por meio do exame de seu Estatuto e demais documentos institucionais, identificou-se que a Zambô não possuía missão e visão claramente definidas e objetivos estratégicos delineados, o que foi comprovado por intermédio de uma avaliação interna realizada em um recente trabalho desenvolvido pela organização em que o autor foi participante a convite da diretoria. Outro fato identificado foi que na Zambô não existia nenhum mecanismo que possibilitasse a avaliação de desempenho de suas ações e projetos, por intermédio de indicadores que mensurassem quantitativa e qualitativamente o resultado alcançado de modo a permitir a correção de eventuais desvios e principalmente a identificação das possíveis falhas. Assim, quando comparado ao modelo proposto por Kaplan e Norton e todo o arcabouço teórico sobre metodologia de aplicação do Balanced Scorecard, pode se concluir que: A gestão da organização estava desprovida de qualquer mecanismo que possibilitasse a avaliação e medição de seus resultados; A inexistência de missão e visão gerava uma dissonância entre os objetivos compartilhados entre os seus próprios membros; As ausências de indicadores internos e externos comprometem seu posicionamento regional como entidade defensora de direitos civis; 70 Não há indicadores para a avaliação do atendimento das necessidades dos clientes beneficiados e atendidos pelos projetos e ações desenvolvidos; Inexistem indicadores que permitam o acompanhamento econômicofinanceiro alusivo à sustentabilidade da organização no tocante a seu próprio equilíbrio financeiro, captação de recursos e desenvolvimento de projetos; Carência de indicadores para mensurar a imagem institucional da organização como entidade de defesa de direitos civis. 4.3 O Processo de Construção do Balanced Scorecard na Zambô Nesta sessão serão descritas as etapas de desenvolvimento do Balanced Scorecard (BSC) da Zambô em consonância com a metodologia apresentada. Entretanto, é oportuno ressaltar que o presente trabalho, por tratar-se de um modelo de gerenciamento estratégico a ser proposto, teve algumas de suas fases suprimidas em decorrência das características da organização objeto de estudo e, principalmente, pela participação do corpo diretivo. 4.3.1 Constituição da Visão e Missão Em decorrência do resultado da análise da gestão da organização e para que o desenvolvimento do modelo de gestão fosse possível, foi necessário apurar a missão, visão e os objetivos estratégicos da Zambô em atenção ao primeiro prérequisito do BSC, isto é, a missão e a visão devem estar bem definidos, conforme citação de Kaplan e Norton. 71 Assim, foram realizadas várias reuniões com o corpo diretivo para desenvolver a missão e visão (Quadro 4). Visão “Extinguir toda e qualquer forma de discriminação racial” Missão “A Zambô tem como Missão difundir as Ações Afirmativas, promovendo a integração racial através de ações sociais que visem: a educação; a cultura; a assistência social e o desenvolvimento técnico e profissional da comunidade afrodescendente e indígena”. Quadro 4 – Missão e Visão da Zambô Estabelecidas à missão e visão a próxima etapa realizada foi decompor a estratégia da organização em objetivos estratégicos e, por conseguinte estabelecer indicadores que representassem exatamente a proposta levada pela Zambô à comunidade afro-descendente e indígena. 4.3.2 Identificação da Estratégia e Objetivos da Organização Para a realização desta etapa do trabalho, objetivou-se constituir um modelo de gestão baseado na metodologia proposta por Kaplan e Norton com base nas informações obtidas sobre o terceiro setor e experiência acumulada durante todo o período de contato com a organização objeto do presente estudo. Entretanto, nesta etapa foi suprimido todo o processo de seminários com a equipe de trabalho na busca dos indicadores de resultado sem, contudo, desprezar as informações anteriormente mencionadas. Assim, para o desenvolvimento das estratégias, dos objetivos e indicadores considerou-se todo o arcabouço teórico sobre o terceiro setor e algumas experiências de aplicação da metodologia em organizações similares. 72 Enfim, identificou-se que os principais desafios da Zambô no cumprimento de sua proposta, seriam: Consolidar-se como entidade de defesa dos direitos civis dos afrodescendentes e indígenas do Litoral Norte; Captar recursos e desenvolver novas formas de atrair voluntários, parceiros e doadores para os projetos e ações empreendidas; e Fazer com que os projetos e ações empreendidas promovam o real desenvolvimento da comunidade afro-descendente e indígena no sentido mais amplo da palavra. Estes desafios são a síntese dos vários existentes para cada perspectiva do modelo proposto a organização. Assim, buscou-se contemplar no presente trabalho os vários interesses atendidos pela Zambô e conseqüentemente traduzí-los na estratégia delineada. Primeiramente, identificou-se que o público a ser atendido pela Zambô, caracteriza-se em diferentes interessados e assim subdividiu-se em clientes primários e secundários. Os clientes primários são representados pela comunidade carente de afrodescendentes e índios que vivem em situação de risco, a exemplo dos quilombolas e tribos indígenas existentes na região. Para este público, a Zambô tem o objetivo de prestar atendimento comunitário e assistencial, bem como realizar projetos que visem qualificá-los, resgatar sua cultura e assim sua auto-estima; além de realizar ações que objetivem a difusão e promoção das Ações Afirmativas. Quanto aos clientes secundários, a Zambô tem como objetivo concretizar ações e os projetos idealizados, bem como cumprir os acordos estabelecidos. No 73 quadro 5, estão representados os diferentes clientes e os compromissos a serem atendidos, conforme definição estatutária da própria Zambô: COMPROMISSO DA ZAMBÔ TIPO DESCRIÇÃO Fundadores (..) são aqueles que participaram da ata de constituição legal da instituição até a data de aprovação e registro do estatuto. Efetivo Pessoa Física, sócio-contribuinte, que tenha participado das atividades da Zambô, por prazo não inferior a quatro anos consecutivos, sem faltas ou sanções administrativas. idem Patrocinador Pessoa Jurídica que patrocine as atividades da Zambô, de forma constante ou periódica. Transformar suas propostas contidas no plano gerencial e estratégico em projetos concretos e realizados, justificando a aplicação dos recursos angariados. Contribuinte (...) aquele que adere à associação e se compromete a pagar a anuidade espontaneamente não cabendo-lhe a responsabilidade de cargos eletivos e de voto em assembléia. idem Voluntário (...) pessoa que integre o serviço voluntário da Zambô, no desenvolvimento de suas atividades, estando isento do pagamento da anuidade. Realizar as ações propostas, bem como tornar a Zambô em um ambiente acolhedor, motivador e que o ato de realizar seja uma atividade prazerosa e benéfica à sociedade. Benemérito Pessoa física que tenha prestado serviços relevantes a Zambô, quer seja por atividades de voluntariado, quer por doação e contribuição, estando isento de pagamento de anuidade. idem Garantir sua perpetuidade como organização de defesa dos interesses dos afrodescendentes, realizando sua missão e concretizando sua visão. Quadro 5 – Descrição dos clientes secundários da Zambô Fonte: Estatuto Social (2003). Portanto, para a Zambô atender aos vários interessados e atingir um público cada vez maior, esta deve fortalecer sua imagem e melhorar comunicação com o público alvo. Para isto, deverá realizar ações específicas de relacionamento interinstitucional, estreitar suas relações com as mídias existentes a fim de desenvolver um canal permanente de comunicação com o seu público alvo, bem como toda a região, comunicando a sua proposta e realizando ações de fortalecimento de sua imagem. 74 No tocante ao desenvolvimento de suas atividades, a Zambô não possui recursos próprios suficientes para atender a toda demanda existente, dependendo exclusivamente de doações, o que a torna muito suscetível a problemas financeiros. Sendo assim, a Zambô necessita captar recursos através de parcerias com empresas, fundações nacionais e internacionais e ampliar sua base de doações, melhorando assim, a sua condição financeira. Para isto, a Zambô necessitará realizar ações de divulgação de suas atividades por meio de palestras, desenvolvimento de projetos subsidiados, arrecadações e venda das peças artesanais produzidas por seus colaboradores. Contudo, para a Zambô atingir todos os objetivos acima propostos, deverá criar um ambiente interno propício para a geração destes resultados, uma vez que todas as ações planejadas dependerão da equipe que realizará estes trabalhos. Para isto, será necessário manter a equipe motivada, capacitada e principalmente comprometida com a Zambô, bem como focadas em resultados sociais qualitativos. 4.3.3 Definição das Perspectivas O modelo conceitual proposto por Kaplan e Norton apresenta algumas diferenciações em relação ao tipo de organização objeto deste estudo, pois o padrão inicialmente proposto pelos autores é voltado inteiramente para organizações privadas com fins lucrativos. Assim, ao aplicá-lo em organizações do terceiro setor sem fins lucrativos, como é o caso da Zambô, foi necessário realizar algumas adequações para atender às especificidades da organização, uma vez que esta tem como objetivo final atender comunidades carentes afro-descendentes e indígenas. 75 Nesta situação algumas perspectivas sofreram alterações em sua estrutura de valor, bem como a terminologia aplicada difere do modelo tradicionalmente apresentado pela metodologia. 4.3.3.1 Perspectiva de Clientes Em razão da relevância que os clientes exercem sobre o foco de atuação da organização estudada, esta foi elevada ao topo da relação de causa e efeito do mapa estratégico, conforme Kaplan e Norton (2000, p. 147) descrevem: “(...) as organizações podem inserir a perspectiva do doador e a perspectiva do beneficiário no alto de seus balanced scorecards. Elas desenvolvem objetivos tanto para doadores como para os beneficiários e então identificam os processos internos que fornecerão as almejadas proposições de valor para ambos os grupos de clientes” (KAPLAN e NORTON, 2000, p. 147). Houve também a inclusão de tipos diferentes de clientes, por entender que: os fundadores, contribuintes, voluntários, beneméritos, efetivos e patrocinadores e a comunidade (afro-descendentes e indígenas) são os beneficiários finais dos serviços e resultados da organização. Assim, por meio do questionamento: “Para realizar a missão e visão como devemos cuidar de nossos clientes?” Possibilita à Zambô enxergar de forma abrangente todas as ações que necessitam concretizar para atender as expectativas e necessidades de seus clientes. 4.3.3.2 Perspectiva de Captação e Otimização de Recursos Esta perspectiva é semelhante à Financeira proposta por Kaplan e Norton, porém difere desta última por características peculiares da organização. 76 A Zambô, como mencionada anteriormente não objetiva lucro e por isso seu posicionamento no mapa estratégico foi deslocado ao segundo nível. Entretanto, em razão dos estudos realizados junto a Zambô, percebeu-se que esta necessita estabelecer sua sustentabilidade, uma vez que os recursos são escassos e há uma dependência considerável de doações, o que prejudica e ameaça gravemente seus projetos e ações sociais. Pretende-se, nesta perspectiva, dar o suporte necessário ao alcance dos resultados almejados na perspectiva de clientes. Por intermédio do questionamento: “Para ser bem-sucedido como se deve captar e otimizar nossos recursos físicos e financeiros?” A organização identifica facilmente as ações de maior relevância para a consolidação dos resultados almejados na perspectiva anterior, a saber: obtenção de recursos necessários para viabilizar a execução e manutenção dos projetos e ações desenvolvidas, além da otimização dos resultados alcançados. 4.3.3.3 Perspectiva de Processos Internos A presente perspectiva manteve-se original ao modelo desenvolvido por Kaplan e Norton, uma vez que para a Zambô atingir os resultados almejados nas perspectivas anteriores, necessita desenvolver internamente inúmeros processos que darão sustentação à cadeia de valor estabelecida entre as perspectivas anteriores. Assim, o questionamento, norteador, que orientará a organização em sua auto-análise que possibilitará identificar os processos críticos e oferecer propostas de valor capazes de inspirar doadores e atender à comunidade carente é: “Para 77 satisfazer os clientes e doadores em que processos da atividade deve-se ser excelente?” 4.3.3.4 Perspectiva de Aprendizado e Crescimento Localizada na base do mapa estratégico, esta perspectiva pretende dar sustentação a toda as outras, buscando equilibrar e desenvolver as capacidades e habilidades necessárias para a organização concretizar as estratégias e objetivos delineados. Nesta perspectiva, estão conjugados os vetores de resultados que permitiram o gerenciamento eficaz dos processos internos; a captação e otimização dos recursos necessários à realização das propostas de valor estabelecidas; a concretização destas propostas em ações/projetos aos clientes identificados na perspectiva referente. Por intermédio do questionamento: “Para concretizar a visão e missão como a Zambô deve aprender e melhorar?” 4.4.4 Definição da Arquitetura do BSC da Zambô Após a definição das perspectivas, o próximo passo foi estruturar a arquitetura do Balanced Scorecard da Zambô, conforme o Quadro 6: PERSPECTIVA Clientes: Primários: Comunidade afro-descendente e indígena Secundários: Fundadores, Contribuintes, Voluntários, Beneméritos, Efetivos e Patrocinadores Capitação e Otimização de Recursos Processos Internos Aprendizado e Crescimento FOCO Comunidades locais. Projetos. Fortalecimento da imagem e comunicação. Captação de recursos externos. Otimização dos recursos. Sustentabilidade. Eficiência e eficácia organizacional. Relacionamentos. Inovação. Clima Organizacional. 78 Competências e habilidades. Empreendedorismo Social. Quadro 6 – Arquitetura do Balanced Scorecard da Zambô 4.4.5 Descrição dos Objetivos Estratégicos Nesse contexto, serão descritos os objetivos estratégicos específicos de cada perspectiva da Zambô, identificados no Quadro 7: PERSPECTIVA CÓDIGO Clientes C Captação e Otimização de Recursos F Processos Internos P Aprendizado e Crescimento AC Quadro 7 – Códigos das perspectivas C1 – Atendimento comunitário: representa o propósito principal da Zambô em atender às populações afro-descendente e indígena da região. Está subdividida em três processos: Proporcionar a qualificação técnica e profissional da comunidade afrodescendente e indígena, propiciando a sua integração social e econômica; Fazer valer os interesses e direitos civis destes por meio do encaminhamento aos órgãos públicos quando em situações que os ameacem; e Acompanhar famílias em situação de risco, buscando identificar as causas e viabilizar recursos para reverter o quadro. C2 – Beneficiários/assistidos pelos projetos: representa a efetividade das ações e projetos realizados pela Zambô, traduz-se pelas vidas transformadas. 79 C3 – Imagem e reputação: representa os esforços realizados pela Zambô em melhorar, pretendendo figurar como entidade representativa das questões étnicas e raciais da região. Caracterizam-se pelo número de artigos, reportagens, documentários e homenagens recebidas pela Zambô, expressando assim, o reconhecimento social de sua atuação e, conseqüentemente, fortalecendo sua imagem e reputação. C3 – Melhorar a comunicação com clientes: caracteriza a intenção da Zambô em posicionar-se melhor em seu meio de atuação social – é representado pelo quantitativo de informes e relatórios de atividades enviados aos seus clientes (público alvo). F1 – Melhorar a sustentabilidade: representa todo o esforço empreendido pela Zambô em tornar-se auto-sustentável com a realização de projetos em parceria com outras organizações (públicas ou privadas), buscando captação de novos recursos, aumento e diversificação da base de receitas. F2 – Otimizar recursos: expressa as ações desenvolvidas pela Zambô que objetivem racionar o uso dos recursos alocados nos projetos, buscando obter uma melhora quantitativa e qualitativa do resultado final das atividades empreendidas. F3 – Captação de recursos: objetiva empreender na organização uma postura de captação contínua de recursos físicos e financeiros com a finalidade de propiciar uma estrutura adequada para o desenvolvimento das atividades sociais de assistência e amparo. F4 – Aumentar e diversificar a base de arrecadação: objetiva o aumento e diversificação da base de recursos financeiros da Zambô. P1 – Benchmarking: expressa o número de idéias aproveitadas em relação a estudos decorrentes de análises e acompanhamentos de outras organizações. 80 Pretende estabelecer na Zambô uma cultura de adoção das melhores práticas do setor, adequando, quando necessário, à realidade e necessidades locais. P2 – Inovação de serviços: representa a busca pela inovação de seus processos, buscando na inovação uma forma de melhor atender o usuário final. P3 – Elaborar projetos e buscar parceiros financiadores: caracteriza o desenvolvimento e apresentação de projetos a possíveis parceiros, objetivando a concretização de parcerias e fornecimento de subsídios para viabilização de novos projetos. P4 – Mobilizar ações de arrecadação de recursos: visa o desenvolvimento de uma postura pró-ativa em criar oportunidades para divulgar a organização e angariar recursos por meio de eventos com o propósito também de fortalecer a imagem e reputação da Zambô. P5 – Criar identidade forte: visa desenvolver ações de fortalecimento da identidade da Zambô com a elaboração de notícias e release para a imprensa e envio de relatórios para parceiros como forma de comunicar a destinação dos recursos angariados. AC1 – Cultura orientada para resultados sociais: pró-atividade organizacional em não aceitar/desenvolver projetos que não resultem em resultados sociais positivos quantitativa e qualitativamente. AC2 – Empreendedorismo social: objetiva o desenvolvimento contínuo de ações que incutam uma postura empreendedora na equipe da Zambô, fazendo com que estes percebam a organização como um ambiente livre para empreender e desenvolver projetos de seus próprios membros. Este indicador é expresso pelo número de projetos desenvolvidos por iniciativa dos membros internos da Zambô. 81 AC3 – Capacitações: traduzem o empenho da Zambô em desenvolver sua equipe interna com treinamentos e capacitações que busquem o desenvolvimento pessoal e profissional de sua equipe, bem como incentivar e fomentar uma postura de auto-aprendizado. AC4 – Clima organizacional: representa os esforços da Zambô em proporcionar a busca pela satisfação e bem estar de sua equipe, por meio de ações que objetivam proporcionar e avaliar a motivação e o clima organizacional interno. É expresso pelo resultado das pesquisas internas de satisfação. AC5 – Informação ambiental e setorial: basicamente, representa a busca da Zambô em manter-se informada sobre as atividades no terceiro setor: Expressa a postura de obtenção de informações sobre o que vem ocorrendo em seu ambiente de atuação, permitindo à Zambô antecipar-se às oportunidades e ameaças. Na página XX (Quadro 8) serão apresentados sinteticamente os objetivos estratégicos e seus respectivos indicadores de desempenho. 4.4.6 Definição dos Indicadores de Desempenho 4.4.6.1 Indicadores da Perspectiva de Clientes (Primários e Secundários) Famílias atendidas: expressam o quantitativo de famílias atendidas pelos programas de atendimento comunitário; 82 Pessoas encaminhadas a outros órgãos: número de indivíduos encaminhados a outros órgãos (delegacias, promotorias, OAB). Expressam os casos de pessoas que foram alvo de alguma violação de seus direitos civis (discriminação racial, agressões); Pessoas/famílias assistidas: representam o quantitativo de pessoas beneficiadas pelos projetos assistenciais; Número de alunos atendidos: representa o quantitativo de alunos inscritos nos projetos de capacitação técnica ou artística desenvolvidos pela Zambô; Certificados emitidos: representam o resultado quantitativo dos programas de qualificação técnica desenvolvidos pela Zambô. Expressam que os alunos receberam os conteúdos mínimos necessários; Artigos publicados citando a Zambô: expressa a representatividade da organização nos meios de comunicação, por meio da publicação de notícias, matérias jornalísticas e outras formas de divulgação institucional; Homenagens e prêmios recebidos: representam a expressividade e reconhecimento da Zambô pela comunidade, instituições e órgãos públicos; Informativos enviados: medem o grau de efetividade da Zambô em ações de fortalecimento de seu relacionamento com os principais clientes da organização – representam a postura da organização em participar sua comunidade das atividades e ações desenvolvidas, bem como exibir a forma de aplicação de suas doações; e Palestras realizadas: expressam o quantitativo de palestras realizadas aos clientes primários atendidos pela Zambô. Tais atividades buscam 83 levar a estas comunidades informações e orientações sobre assuntos relevantes e de interesse destes grupos, além de objetivarem estreitar o relacionamento existente e assim melhorar a comunicação. 4.4.6.2 Indicadores da Perspectiva de Captação e Otimização de Recursos Porcentagem de arrecadação, doações e receitas: mede a porcentagem auferida em arrecadações de recursos e receitas obtidas em comparação a sua participação no montante final arrecadado; Despesa mensal/Pessoas assistidas: indicador que objetiva representar o quanto está sendo gasto com as pessoas assistidas pela organização. O foco principal é estabelecer uma relação eqüitativa dos investimentos realizados versus despesa total; Projetos realizados / Projetos subsidiados: indicador que representa o quantitativo de projetos que possuem subsídios até o término dos trabalhos; Incentivar ações de geração de renda: indicador que expressa as ações da Zambô em desenvolver grupos de geração de renda, promovendo a integração social e profissional de artesãos locais; e Selo Zambô: selo identificador dos produtos produzidos pelos grupos de geração de renda fomentados pela Zambô. A intenção é divulgar e difundir os trabalhos destes grupos além de facilitar o escoamento da produção artesanal. Uma pequena porcentagem do faturamento é retida para ser reinvestida novamente no projeto. 84 4.4.6.3 Indicadores da Perspectiva de Processos Internos Número de projetos externos acompanhados: indica o número de projetos externos acompanhados, objetivando a adoção das melhores práticas no setor; Lançamento de novos serviços: indicador que representa as inovações realizadas pela Zambô; Parceiros com projetos em negociação: indicador que expressa o número de projetos que estão em negociação ou em estudo. O foco é estabelecer a busca constante por possíveis parceiros potenciais para a realização de projetos viáveis; Número de eventos realizados: indicador que expressa o quantitativo de ações realizadas para divulgação da Zambô com o intuito de comunicar a sociedade sua proposta, bem como visa atrair novos parceiros e novas formas de captação de recursos externos; Notícias publicáveis divulgadas: expressa o número de informes redigidos pela Zambô e publicados pelos meios de comunicação com o intuito de fortalecer a imagem e divulgar os trabalhos realizados; e Clientes que receberam relatório de atividades: indicador que expressa o feedback de todas as atividades realizadas pela Zambô, como forma de comunicar à sociedade e seus principais clientes as ações desenvolvidas, bem como representa uma forma de prestação de contas aos seus principais parceiros. 85 4.4.6.4 Indicadores da Perspectiva de Aprendizado e Crescimento Projetos propostos / projetos implantados: indicador que expressa a efetividade dos projetos idealizados pela Zambô, pois quanto mais próximo do índice 1,00 mais sucesso a organização obteve; Resultados da avaliação qualitativa dos projetos: indicador que expressa em termos qualitativos a efetividade da Zambô na execução dos projetos e ações empreendidas. Consiste no envio de formulário com perguntas fechadas e abertas aos principais parceiros envolvidos na realização de determinado empreendimento em que estes farão a avaliação da Zambô em todos os estágios de realização de um determinado projeto; Projetos desenvolvidos por iniciativa de colaboradores: número de projetos propostos e desenvolvidos por colaboradores da Zambô. Este indicador objetiva medir o comportamento de intra-empreendedor dos colaboradores da organização; Número de capacitações realizadas: indicador quantitativo do número de capacitações externas e internas realizadas pela equipe Zambô; Pesquisa de satisfação interna: expressa os resultados da pesquisa realizada internamente com o intuito de avaliar a motivação e satisfação da equipe; e Número de organizações acompanhadas/analisadas: primeiramente, deve-se selecionar algumas organizações do terceiro setor as quais devem ser acompanhadas, como, por exemplo: Pastoral da Criança, Parceiros Voluntários. Após, as mesmas devem ser divididas entre os 86 membros da Zambô e cada um ficará responsável por acompanhar algumas destas organizações. Visa reforçar a necessidade de se manter informado quanto às ações destas organizações. PERSPECTIVA CLIENTES OBJETIVOS Atendimento Comunitário Beneficiários/Assistidos (Projetos) Imagem e Reputação Melhorar comunicação com clientes CAPTAÇÃO E OTIMIZAÇÃO DE RECURSOS Melhorar sustentabilidade Otimizar recursos INDICADORES a) Famílias atendidas. b) Pessoas encaminhadas a outros órgãos. c) Pessoas/famílias assistidas. d) Nº de alunos atendidos. e) Certificados emitidos. f) Artigos publicados citando a Zambô g) Homenagens e Prêmios recebidos h) Informativos enviados. i) Palestras realizadas. a) % de arrecadação, doações e receitas b) Despesa mensal / pessoas assistidas 87 Captação de recursos Aumentar e diversificar a base de arrecadação PROCESSOS INTERNOS Benchmarking Inovação de serviços Elaborar projetos e buscar parceiros financiadores Mobilizar ações de arrecadação de recursos Criar identidade forte APRENDIZADO E CRESCIMENTO Cultura orientada para resultados sociais Empreendedorismo Social Capacitações Clima Organizacional Informação ambiental e setorial c) Projetos realizados / Projetos subsidiados. d) Incentivar ações de geração de renda. e) Selo Zambô. a) Nº de projetos externos acompanhados b) Lançamento de novos serviços c) Parceiros com projetos em negociação d) Nº de eventos realizados e) Notícias publicáveis divulgadas f) Clientes que receberam relatório de atividades a) Projetos propostos / projetos implantados b) Resultados da avaliação qualitativa dos projetos c) Projetos desenvolvidos por iniciativa de colaboradores d) Nº de capacitações realizadas (interna e externa) e) Pesquisa de satisfação interna f) Nº de organizações acompanhadas/analisadas Quadro 8 – Indicadores associados aos objetivos da Zambô 4.4.7 Construção do Mapa Estratégico Kaplan (2004, p. 13) descreve o mapa estratégico como: “uma arquitetura lógica que define uma estratégia especificando o relacionamento entre acionistas, clientes, processos de negócio e capacidades” (KAPLAN, 2004, p. 13). Destarte, a introdução realizada por Kaplan orienta este tópico a descrição do mapa estratégico da Zambô, que tem como objetivo expressar a estratégia da organização em um conjunto de hipóteses por meio de relações de causa e efeito, de forma a explicitar como a estratégia deverá ser executada, permitindo em último o gerenciamento e validação dos resultados. 88 Resumidamente, a Zambô tem como missão “difundir as Ações Afirmativas, promovendo a integração racial por meio de ações sociais nas áreas da educação; da cultura; de assistência social e de desenvolvimento técnico e profissional da comunidade afro-descendente e indígena”. Todavia, para a concretização disto, a Zambô deverá realizar atendimento às comunidades e desenvolver projetos assistenciais e de qualificação profissional específicos às necessidades destes grupos. Assim sendo, deverá fortalecer sua imagem e melhorar a comunicação com o seu público alvo, bem como desenvolver ações que busquem a captação e otimização de recursos de modo a viabilizar sua sustentabilidade e autonomia organizacional. Entretanto, para atingir estes resultados a Zambô deverá inovar e desenvolver processos internos eficientes e eficazes de modo a garantir a continuidade de suas ações. E por último, como suporte a estas relações, a Zambô deverá promover comportamento empreendedor da equipe através de ações de informação, capacitação e motivação de modo a desenvolver uma cultura orientada para resultados sociais. A figura 12 ilustra a reprodução gráfica que expressa a arquitetura lógica da estratégia da Zambô do Movimento Negro de Caraguatatuba, especificando todo o relacionamento existente entre os seus objetivos e indicadores estratégicos: Figura 12 – Mapa Estratégico da Zambô 90 4.4.7.1 Interpretação do Mapa Estratégico Para a correta interpretação do mapa estratégico da Zambô faz-se necessária a análise do layout gráfico apresentado anteriormente. Obedecendo ao encadeamento lógico estabelecido em razão da estratégia delineada, o referido mapa estratégico está distribuído em três grandes blocos, ou, temas estratégicos, a saber: Operacional, Atendimento e Comunicação. Ambos, distribuídos entre as quatro perspectivas que compõem o Balanced Scorecard da organização – Clientes; Capitação e Otimização de Recursos; Processos Internos; e Aprendizado e Crescimento. Destarte aos temas estratégicos, estes expressam a estratégia da Zambô e concentram os objetivos e indicadores vitais ao sucesso da organização que estão inter-relacionados por intermédio de relações de causa e efeito que permeiam todas as quatro perspectivas (Figura 13). Figura 13 – Tema estratégico e relação de causa e efeito 91 Deste modo, a configuração do mapa estratégico apresentado na Figura 13 busca tornar a estratégia organizacional legível a todos os interessados nas atividades desenvolvidas pela Zambô, de forma a comunicar claramente os objetivos e propostas de valor dirigido aos clientes primários e secundários atendidos. Desta forma, a leitura do mapa estratégico é realizada de baixo para cima, ou seja, inicia-se a partir da perspectiva de aprendizado e crescimento (Figura 14) que está vinculada à gestão dos recursos humanos e learning organization4 sendo a base de sustentação para as demais perspectivas do Balanced Scorecard da Zambô. Nesta perspectiva, o questionamento orientador é – “Para concretizarmos nossa visão e missão como a Zambô deve aprender e melhorar?” Aprendizado e Crescimento Capacitações Informação Ambiental e Setorial Nº de capacitações (interna & externa) Nº de organizações acompanhadas/analisadas Cultura orientada para resultados sociais Comportamento Empreendedor Projetos propostos por colaboradores Projetos propostos / Projetos implantados Resultados da avaliação (qualitativa). Clima Organizacional Pesquisa ref. satisfação interna Para concretizarmos nossa visão e missão como a Zambô deve apreender e melhorar ? Figura 14 – Perspectiva de aprendizado e crescimento Já na perspectiva dos processos internos identificada no mapa pelas células na cor amarela o foco concentra-se nos processos considerados vitais à consolidação da estratégia delineada na missão e visão de futuro da organização. Sendo que a referida perspectiva concentra um conjunto de cinco objetivos estratégicos que congregam seis indicadores de desempenho que orientarão a organização no desenvolvimento das atividades consideradas críticas ao atendimento das necessidades e expectativa de seus clientes e demais interessados. 4 Aprendizado organizacional. 92 Nesta perspectiva o questionamento realizado – “Para satisfazer nossos clientes e doadores em que processos de nossa atividade devemos ser excelentes?”, tem como objetivo conduzir a organização a uma auto-análise de seus próprios processos de forma a levá-la ao reconhecimento e identificação dos recursos e das capacidades necessárias que elevarão o nível interno de eficiência e eficácia organizacional (Figura 15). Processos Internos Inovação de serviços Benchmarking Lançamento de novos serviços Nº de projetos externos acompanhados Elaborar projetos e buscar parceiros financiadores Parceiros com projetos em negociação Mobilizar ações de arrecadação de recursos Nº de eventos realizados Criar identidade forte Notícias publicáveis divulgadas. Clientes que receberam relatório de atividades Para satisfazer nossos clientes e doadores, em que processos de nossa atividade devemos ser excelentes? Figura 15 – Perspectiva de processos internos Sobre a perspectiva de capitação e otimização de recursos o foco é a sustentabilidade financeira que congrega quatro objetivos estratégicos e cinco indicadores de desempenho que foram considerados críticos na situação atual da organização. Nesta perspectiva, os objetivos estratégicos estão vinculados por meio da relação de causa e efeito a outras perspectivas do Balanced Scorecard, pois foram considerados imprescindíveis à realização de outros objetivos constantes nas demais perspectivas (Figura 16). 93 Capitação e Otimização de Recursos Otimizar recursos Despesa Mensal / Pessoas assistidas Captação de recursos Melhorar sustentabilidade % de arrecadação, doações e receitas Projetos realizados / projetos subsidiados Aumentar e diversificar base de contribuição Incentivar ações de geração de renda. Selo Zambô Para sermos bem-sucedidos como devemos captar e otimizar nossos recursos físicos e financeiros ? Figura 16 – Perspectiva de captação e otimização de recursos Sobre a perspectiva de Clientes, a Zambô possui um grupo muito heterogêneo, pois além de atender ao público afro-descendente e indígena, a organização necessita também relacionar-se e atender aos interesses dos fundadores, contribuintes, voluntários, beneméritos que, apesar de serem distintos entre si, são pessoas que depositam confiança e acreditam no propósito da organização. Deste modo, estes não podem ser esquecidos no relacionamento que a Zambô necessita desenvolver, pois devem ser comunicados e informados sobre a atuação da organização e a destinação e aplicação dos recursos angariados. Assim, a referida perspectiva apresenta quatro objetivos estratégicos e nove indicadores de desempenho que norteiam a proposta de valor dirigida pela Zambô a este público (Figura 17). No caso, seria por intermédio do questionamento “Para realizarmos nossa missão e visão como devemos cuidar de nossos clientes?” 94 MAPA ESTRATÉGICO - ZAMBÔ (INDICADORES ) Missão Visão “A Zambô tem como Missão difundir as ações afirmativas, promovendo a integração racial através de ações sociais que visem: a educação; a cultura; a assistência social e o desenvolvimento técnico e profissional da comunidade afro-descendente e indígena.” “Extinguir toda e qualquer forma de discriminação racial ” OPERACIONAL Clientes: Comunidade, Fundadores, Contribuintes, Voluntários, Beneméritos, Efetivos e Patrocinadores COMUNICAÇÃO COMUNICAÇÃO ATENDIMENTO Beneficiários/Assistidos (Projetos) Pessoas/famílias assistidas Nº de alunos atendidos. Certificados emitidos. Atendimento Comunitário Melhorar comunicação com clientes Famílias atendidas. Pessoas encaminhadas a outros órgãos. Imagem e Reputação Informes enviados Palestras realizadas Artigos publicados citando a Zambô Homenagens e prêmios recebidos Figura 17 – Perspectiva de clientes Para exemplificar a lógica estabelecida no mapa estratégico da Zambô, verifica-se como exemplo o objetivo benchmarking localizado na perspectiva de processos internos que está ligado a outros objetivos estratégicos, a saber: inovação de serviços localizada também na mesma perspectiva e beneficiários/assistidos (projetos) que está localizada na perspectiva de clientes. Destarte, a interpretação realizada por meio da leitura do mapa estratégico é: a perspectiva de aprendizado e crescimento é a base para a realização das demais perspectivas constantes no mapa, identifica-se alguns objetivos que são vetores à realização de outros objetivos, neste caso, o objetivo informação ambiental e setorial e cultura orientada para resultados sociais. E, a partir destes objetivos, a Zambô desenvolverá condições para realizar benchmarking das melhores práticas no setor e, conseqüentemente, inovar em serviços adquirindo mais eficiência e eficácia nos processos internos resultando em uma otimização dos recursos angariados que possibilita a organização atender maior número de beneficiários/assistidos pelos projetos desenvolvidos. 95 5 CONCLUSÃO A análise da evolução e conformação das organizações do setor social no Brasil evidenciou a relevância do potencial deste e as tendências que indicam um crescimento ainda maior do que o verificado até a atualidade, uma vez que estas organizações têm se mostrado um importante interlocutor entre a iniciativa privada e o poder público. No entanto, o momento atual exige reflexões consistentes sobre a prática vivenciada e as tendências apontadas pelos estudos e pesquisas em termos de gestão destas organizações. Destarte, a profissionalização e adoção de métodos de gestão até então discutidos muito timidamente, tornaram-se imprescindíveis, uma vez que a informalidade e particularidades existentes a estas organizações tornaram-se um grave entrave à continuidade dos benefícios gerados à sociedade. Para tanto, objetivou-se desenvolver uma proposta de gestão para a Zambô do Movimento Negro de Caraguatatuba, utilizando o Balanced Scorecard como ferramenta de gestão estratégica e avaliação de desempenho. No tocante aos objetivos específicos, o desenvolvimento da metodologia e constituição do modelo de gerenciamento estratégico atende ao escopo definido na propositura do trabalho, uma vez que a consolidação do modelo corresponde amplamente às expectativas estabelecidas. Sendo assim, e, atendendo aos propósitos definidos no trabalho, foi possível verificar a aplicabilidade do Balanced Scorecard em organizações do Terceiro Setor e assim concluir que este, pode perfeitamente ser utilizado como instrumento de 96 gestão estratégica na área social, pois por meio da metodologia do Balanced Scorecard foi possível integrar a missão e visão organizacional e traduzi-la em objetivos e medidas que permitem a avaliação de desempenho sob a ótica de quatro perspectivas: financeira, clientes, processos internos e aprendizado e crescimento. Concluindo, portanto, o Balanced Scorecard é um sistema de gestão que possibilita o cumprimento fundamental de um dos princípios da Controladoria o accountability que expressa a transparência e responsabilidade da organização em prestar contas aos seus diferentes públicos como forma de reportar os resultados atingidos e destinações dos recursos obtidos. 97 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ASHOKA H.; MCKINSEY e COMPANY, Inc. 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