SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL MEC – SETEC INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE MATO GROSSO DEPARTAMENTO DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO SHEILA SIQUEIRA DA SILVA A LEITURA COMO FERRAMENTA PARA O EXERCÍCIO DA CIDADANIA – DA LEITURA PARA AFERIÇÃO ÀS PRÁTICAS EMANCIPATÓRIAS E CRIATIVAS Cuiabá – MT Outubro 2009 INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE MATO GROSSO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO LATU SENSU A DISTÂNCIA: “EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA INCLUSIVA” SHEILA SIQUEIRA DA SILVA A LEITURA COMO FERRAMENTA PARA O EXERCÍCIO DA CIDADANIA – DA LEITURA PARA AFERIÇÃO ÀS PRÁTICAS EMANCIPATÓRIAS E CRIATIVAS Cuiabá – MT Outubro 2009 Ficha Catalográfica Silva, Sheila Siqueira da A Leitura como Ferramenta para o Exercício Da Cidadania – Da Leitura para Aferição às Práticas Emancipatórias e Criativas Cuiabá -MT, 2009 Total de folhas do TCC: 55 Campos, Carlos Roberto Pires Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso Trabalho de Conclusão Curso Pós-Graduação Latu Sensu a distância em Educação Profissional e Tecnológica Inclusiva SHEILA SIQUEIRA DA SILVA A LEITURA COMO FERRAMENTA PARA O EXERCÍCIO DA CIDADANIA – DA LEITURA PARA AFERIÇÃO ÀS PRÁTICAS EMANCIPATÓRIAS E CRIATIVAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Pesquisa e Pós-Graduação do Curso de Especialização em Educação profissional e Tecnológica Inclusiva, do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Mato Grosso, como exigência para a obtenção do título de Especialista. Orientador: Prof. Dr. Carlos Roberto Pires Campos Cuiabá - MT Outubro 2009 SHEILA SIQUEIRA DA SILVA A LEITURA COMO FERRAMENTA PARA O EXERCÍCIO DA CIDADANIA – DA LEITURA PARA AFERIÇÃO ÀS PRÁTICAS EMANCIPATÓRIAS E CRIATIVAS Trabalho de Conclusão de Curso Especialização em Educação Profissional e Tecnológica Inclusiva, submetido à Banca Examinadora composta pelos Professores do Programa de Pós-Graduação Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Especialista. Aprovado em: outubro de 2009 Prof. Dr. Carlos Roberto Pires Campos Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Espírito Santo Orientador Prof. MSc. Mário Jorge de Moura Zuany Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Espírito Santo Membro da Banca Prof. Prof.ª Esp. Maria Aparecida Silva de Souza Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Espírito Santo Membro da Banca Cuiabá - MT Outubro de 2009 DEDICATÓRIA Dedico aos alunos do primeiro módulo do Curso Técnico Subsequente em Mineração, turma 2009/2. AGRADECIMENTOS Ao meu orientador, pela paciência e persistência, em todo o percurso da pesquisa, além das dicas preciosas e as sábias intervenções. Aos gestores e coordenadores da Pós-Graduação, pelo brilhante e inovador trabalho na área de educação inclusiva. E aos colegas de trabalho, pela compreensão e apoio durante o percurso da pesquisa. "Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história.” Bill Gates RESUMO Atualmente a grande maioria das pessoas acredita que a leitura só faz bem. Mas, o brasileiro sabe ler e escrever? O que os déficits educacionais da população representam em termos de exclusão social? A escola está conseguindo cumprir a função de garantir a todos o desenvolvimento de competências básicas necessárias ao exercício da cidadania? A história da educação permite constatar que, em todas as épocas, a escola foi seletiva, um privilégio de poucos. As sociedades sempre excluíram aqueles considerados “inferiores”. Pobres, mulheres, escravos, imigrantes, deficientes e outros tiveram seu acesso negado à educação por serem considerados inaptos ou destinados a comporem, na divisão social do trabalho, a massa encarregada somente da ação, sendo considerados incapazes de refletir. Serve para o desenvolvimento social do indivíduo a prática da leitura, requisito fundamental para o desenvolvimento de habilidades sociais, proporcionando-lhe melhor entendimento de seu meio e de seus pares, na construção de sua identidade e no convívio com o diferente. A pesquisa descritiva investigou os hábitos de leitura e a forma como se processam as atividades de leituras para alunos de um curso técnico na modalidade concomitante de uma escola pública federal do sul do Estado do Espírito Santo. Com este trabalho, pretendemos contribuir para uma reflexão acerca da importância do desenvolvimento das habilidades de leitura, por meio de uma proposta de educação que vise à participação social, com vistas a favorecer aos alunos o exercício de seus direitos, atuando efetivamente da sociedade, melhorando seu nível educativo, fortalecendo seus valores democráticos e tendo respeitada sua diversidade cultural. Palavras-chave: práticas de leitura; letramento múltiplo; cidadania ABSTRACT Nowadays, it is thought by most people that reading is something really favorable. However, the question is: do the Brazilians know how to read and write? Concerning to social exclusion, what do the educational deficits of the population represent? Has the school been achieving its role of assuring everyone the development of basic competences necessary to citizenship? The history of Education allows us to conclude that in all times the school was selective, a privilege for a few ones. Society has always excluded those considered “inferior people”. The poor ones, women, slaves, immigrants, handicapped and others had their excess to education denied by being considered unable or people who did not deserve to become part of society. The reading practice is a fundamental practice for people’s development of social abilities, providing them a better understanding about their environment and about their similar during their identity formation and their living with what is different. The descriptive research has investigated the reading habits and the way reading activities are performed by students of a technical course in the concomitant modality in a federal public school in the State of Espírito Santo. By this work, we intend, through an educational proposal which focuses the social participation, to contribute to a reflection about the importance of the students’ reading and interpretation abilities development in order to favor them concerning their rights exercise. In this way, the students can effectively act in society, improving their educational level, strengthening their democratic values and making them respected in despite of their cultural differences. Key words: reading practices; multiple literacy, citizenship. LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Gênero dos Alunos Pesquisados 36 Gráfico 2 – Faixa Etária dos Alunos Pesquisados 37 Gráfico 3 – Ocupação dos Alunos Pesquisados 37 Gráfico 4 – Finalidade da Leitura para os Alunos Pesquisados 38 Gráfico 5 – Tipo de Material Lido pelos Alunos Pesquisados 39 Gráfico 6 – Frequência de Leitura de Revistas pelos Alunos Pesquisados 40 Gráfico 7 – Tipo de Revistas Lidas pelos Alunos Pesquisados 40 Gráfico 8 – Frequência de Leitura de Jornal pelos Alunos Pesquisados 41 Gráfico 9 – Partes do Jornal Lidos pelos Alunos Pesquisados 41 Gráfico 10 – Frequência de Leitura de Livros pelos Alunos Pesquisados 42 Gráfico 11 – Tipo de Livros Lidos pelos Alunos Pesquisados 42 Gráfico 12 – Tipo de Atividade mais Atrativa para os Alunos Pesquisados 43 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 12 CAPÍTULO I 16 1.1 Fragilidades de leitura e escrita 16 1.2 Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf) 2001 23 CAPÍTULO II – METODOLOGIA 33 CAPÍTULO III – RESULTADOS E DISCUSSÃO 36 CONCLUSÃO 47 REFERÊNCIAS 48 APÊNDICES 50 12 INTRODUÇÃO Nem sempre as práticas de leitura gozaram de significativa relevância, para Zilberman (2001 p.35), por muito tempo, o exercício da leitura foi considerado atividade condenada, “no começo da era moderna, quando a prática da leitura começou a se expandir, foi considerada uma corporificação do demônio. Dom Quixote perdeu o juízo por muito ler livros de cavalaria – e bem antes de Cervantes, com os trágicos gregos, já se falava dos males da leitura”. Hoje, a grande maioria acredita que a leitura só faz bem. Mas, o brasileiro sabe ler e escrever? O que os déficits educacionais da população representam em termos de exclusão social? A escola está conseguindo cumprir a função de garantir a todos o desenvolvimento de competências básicas necessária ao exercício da cidadania? Ao percorrer a história da educação, podemos constatar que, em todas as épocas, a escola foi seletiva, configurando-se como um privilégio de poucos. As sociedades sempre excluíram aqueles considerados “inferiores”. Pobres, mulheres, escravos, imigrantes, deficientes e outros tiveram seu acesso negado à educação por serem considerados inaptos ou não merecedores de fazer parte da sociedade. Foram excluídos, também, aqueles que abandonaram cedo a escola, por apresentarem dificuldades em acompanhar o modelo de escola implantado, por serem indisciplinados ou por necessidade de trabalhar para ajudar no sustento da família. O que se verifica, pois, é a primazia de uma escola antidemocrática e excludente. Só muito recentemente tem havido maior empenho em universalizar a educação, inicialmente pela defesa da integração dos diferentes e, mais recentemente, pela sua inclusão. E favorecer a inclusão não significa simplesmente discutir a igualdade de direitos, mas destacar o respeito à diversidade. Há um grande caminho a ser percorrido e a formação de leitores pode ser uma fonte de inteligência, de criatividade, de poder de intervenção na 13 sociedade, pois “livros comidos com prazer são livros a ser ruminados pelo resto da vida” (RUBEM ALVES, 2006, p.60). Os problemas relacionados à leitura e à escrita se relacionam a outras questões sociais, como a má distribuição de renda, déficits de escolarização, falta de recursos materiais e humanos nas escolas, bibliotecas mal equipadas, dificuldade no acesso à internet, entre outros. Promover o letramento significa associar leitura e escrita a práticas sociais que tenham sentidos para aqueles que as utilizam, desvendando sua diversidade, suas dimensões políticas e implicações ideológicas, além de pressupor níveis de domínio das práticas que exigem essas habilidades. Saber ler e escrever não significa, pois, uma questão de tudo ou nada, mas uma competência que pode ser desenvolvida em diversos níveis. A convivência com a música, a pintura a fotografia, o cinema, com outras formas de utilização do som e com as imagens, assim como a convivência com as linguagens artificiais poderiam nos apontar para uma inserção no universo simbólico que não é a que temos estabelecido na escola. Essas linguagens não são todas alternativas, elas se articulam. E é essa articulação que deveria ser explorada no ensino da leitura, quando temos como objetivo desenvolver a capacidade de compreensão do aluno. A leitura e a escrita devem ser incentivadas em todo o ambiente educacional na busca de uma educação para todos, uma educação preocupada com a formação integral do indivíduo respeitando sua cultura, ensejando o desenvolvimento de letramentos múltiplos, de leituras que possibilitem maior atuação no social. A pesquisa parte do pressuposto de que a prática da leitura é fator fundamental para o desenvolvimento de habilidades sociais do indivíduo, proporcionando-lhe um melhor entendimento de seu meio e de seus pares, na construção de sua identidade e no convívio com o diferente. Assim, o trabalho possui por objetivo geral a intenção de contribuir para uma reflexão acerca da importância do desenvolvimento das habilidades de leitura e interpretação dos alunos por meio de uma proposta de educação que vise à 14 participação social, com vistas a favorecer-lhes o exercício de seus direitos, capacitando-os a participar efetivamente da sociedade, melhorando seu nível educativo, fortalecendo seus valores democráticos e fazendo ter suas diversidade cultural respeitada. Seguidas deste objetivo geral, ações cognitivas foram fixadas, com vistas a permitirem que o objetivo geral fosse alcançado. Assim, especificamente, a pesquisa busca, ainda, demonstrar a relevância das atividades de leitura no espaço escolar, principalmente as que favorecem o desenvolvimento de habilidades sociais. Além desta ação, temos, ainda, como propósito, revelar as práticas de leitura que mais emergem em uma determinada clientela escolar, com vistas a sugerir alternativas possíveis. A pesquisa se justifica porque a leitura e a escrita constituem-se instrumentos indispensáveis na época contemporânea para que o ser humano possa desenvolver suas capacidades, seja no nível individual, seja no âmbito coletivo. Seu incentivo é fator fundamental na formação dos jovens, para o desenvolvimento de sua consciência crítica, para compreensão e intervenção no mundo em que vivem e para aguçar sua curiosidade, criatividade e participação. Uma instituição pública federal do sul do estado do Espírito Santo oferece Cursos Técnicos Pós-Médio e tem recebido alunos que apresentam elevado grau de dificuldade de escrever, de se expressar e de interpretar textos. Nas Reuniões Pedagógicas a principal constatação dos professores é que grande parte dos alunos não têm uma base escolar que lhes permita acompanhar o andamento das disciplinas e, consequentemente, acabam por não adquirirem as competências exigidas para avançarem no curso. O elevado número de reprovações no primeiro módulo do curso de Mineração, eleito para ser analisado nesta pesquisa por seu caráter de inovação, leva muitos alunos à evasão, e os que persistem, ou desistem no próximo módulo ou levam o dobro do tempo mínimo para concluir o curso. A desistência, pelo que foi observado, leva as turmas a se formarem com menos de cinquenta por cento 15 dos ingressantes. São vagas que ficam ociosas ao tempo que poderiam atender à comunidade. Assim, a pesquisa pretende, ainda, investigar nessa população em que sentido um Projeto no âmbito da leitura e cidadania contribuirá para o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita dos alunos, e consequentemente para o desenvolvimento de sua criatividade e criticidade, aumentando-lhes o poder de intervenção na sociedade, tornando-os verdadeiros atores sociais. 16 CAPÍTULO I 1.1 Fragilidades de leitura e escrita É lugar comum a afirmação de que no quadro educacional brasileiro as fragilidades de leitura e escrita ultrapassam os limites do possível. No rol de atores desse problema muitas vezes não estão somente os discentes, vez que entre os educadores, nem sempre, a prática de leitura e escrita é atividade usual. A falta de hábito de leitura não decorre só de uma cultura de tradição oral, nesse intrincado poço escuro jazem outras questões que se pretendem abordar neste estudo. Vários autores focalizam, em suas pesquisas, a situação da leitura e da escrita nas escolas brasileiras, buscando desenhar um painel das diferentes ordens de problemas manifestados nessa área. Um interessante estudo propõe Silva (2007) em que apresenta parte de sua pesquisa defendida como dissertação de mestrado sob o título “A escolarização do leitor: a didática da destruição da leitura”, feita com alunos da 8ª série da rede pública. A autora calcula que se a partir da 2ª série se iniciasse uma prática de leitura bimestral com os alunos, no final da 8ª série, somar-se-ia um mínimo de 24 leituras realizadas. Porém, dos 302 depoimentos tomados para sua pesquisa, menos de 50 % leram mais do que 10 livros, o restante ficou na faixa de 1 a 10 livros. Esses números acusam tanto a inexistência ou a precariedade de livros de leitura na escola quanto o constante adiamento da leitura de livros para as últimas séries do ensino fundamental. A partir de sua pesquisa, a autora constatou, ainda, que a grande maioria das obras lidas foram escritas no final do século XIX e início do XX, leituras que se repetem ano após ano, nas escolas, num período em que houve “uma verdadeira explosão da ficção destinada ao público infanto-juvenil no Brasil’. (p.84) A pesquisa aponta dois motivos para a escolha dos clássicos. O primeiro por serem livros que a maioria dos professores pesquisados já leu, já conhece e, portanto, não significam risco algum para eles, e o segundo por ser o “livro adequado” pois “acreditam poder seriar e graduar os problemas, as realidades, as fantasias e a leitura dos alunos”. (p.86) Conclui a autora que estes motivos são 17 preocupantes, pois além de confirmarem a habitual deficiência nos hábitos de leitura, servem como exemplo de certo autoritarismo e da burocracia que permeiam as relações sócio-educativas. A análise de Silva (2007) também é indicadora de um conformismo didático de estratégias aparentemente bem sucedidas e supostamente criativas. Em outro estudo empreendido, há a defesa de que o ensino de Língua Portuguesa deveria centrar-se em leitura e produção de textos e análise linguística, objetivando tentar ultrapassar a artificialidade quanto ao uso da linguagem e possibilitar o domínio efetivo da língua. Geraldi (2007) destaca a diferença entre saber a língua, que significa dominar as habilidades de uso da língua em situações concretas de interação, e saber analisar uma língua, que significa o domínio de conceitos e meta-linguagens. Para o linguista da UNICAMP, na prática escolar, vigora uma atividade linguística artificial a qual “torna a relação intersubjetiva ineficaz, porque a simula” (p.89), e completa: “na prática escolar, porém, o ‘eu’ é sempre o mesmo; o ‘tu’ é sempre o mesmo. O sujeito se anula em benefício da função que exerce. Quando o tu-aluno produz linguisticamente, tem sua fala tão marcada pelo euprofessor-escola que sua voz não é voz que fala, mas voz que devolve, reproduz a fala do eu-professor-escola”. (GERALDI, 2007 p.89) A aprendizagem de uma língua é dificultada e comprometida por esta artificialidade que, segundo o autor, é comprovada pois “na escola não se escrevem textos, produzem-se redação (...); na escola não se leem textos, fazem-se exercícios de interpretação (...); na escola não se faz análise linguística, aplicam-se dados preexistentes”. (idem, 2007 p.92) Sendo a leitura um processo de interlocução entre leitor / autor mediado pelo texto. Geraldi (2007) aponta quatro possíveis posturas ante o texto: a leitura como busca de informação, em que o principal motivo da leitura é responder às questões formuladas, ou seja, simulação de leitura; a leitura como estudo do texto, que é mais praticada em outras disciplinas do que nas aulas de língua portuguesa, e que deveriam desenvolver as mais variadas formas de interlocução leitor / texto / 18 autor; a leitura como pretexto, segundo o autor, quase ausente nas aulas de língua portuguesa, pretexto para produção de outros textos, para teatros, ilustrações; e leitura como fruição do texto, como prazer, ler por ler sem o compromisso de uma avaliação, de uma ficha de leitura. Em outra pesquisa, também é constatada a precariedade com que os textos são trabalhados em sala de aula. Lajolo (2007) indica que as atividades com textos literários são superficiais e estão mais associadas à prestação de contas, deveres, tarefas e obrigações do que à real concepção de literatura. Segundo a pesquisadora, o professor explora estes textos como se fossem guardiões de algo sagrado, com o dever de incuti-los em seus alunos. Desta forma, os textos literários tornam-se objetos de desinteresse de um público que não pediu para estar ali, o qual, muito menos, consegue entender a necessidade, ou utilidade, de tal atividade, a não ser a de que o tema ali discutido será cobrado avaliativamente. Apesar de bem intencionado, o professor se transforma num “propagandista persuasivo de um produto” (p.14) e a atividade literária, desse ponto de vista, corre o risco de perder sua especificidade. Esta situação revela alguns pontos do contexto escolar brasileiro, onde se buscam respostas imediatas para problemas concretos, que reduzem “o atrito e aumentam a digestibilidade da aula; mas lidam superficialmente com a questão, resolvendo o problema pelo seu contorno” (LAJOLO, 2007 p.14). O fato é que na escola de hoje, se considerado o contexto sócio-político do mercado editorial para produção de livros e manuais didáticos, talvez, o professor seja peça secundária. Assim, o que fazer com o texto literário já que, há alguns anos, deixou de ser de sua competência e passou a ser de editoras que, com seus livros didáticos e paradidáticos, tomaram para si a tarefa de preparar aulas. E num sentido distorcido da palavra motivação, a obra literária pode ser completamente desfigurada na prática escola. Para isso, recorremos às palavra da própria pesquisadora da linguagem: 19 “Propor palavras cruzadas, sugerir identificação com uma ou outra personagem, dramatizar textos e similares atividades que manuais escolares propõem, é periférico ao ato de leitura, ao contato solidário e profundo que o texto literário pede”. (p.15) Para Marisa Lajolo (2007), alguns encaminhamentos tradicionais no ensino de literatura não devem ser desconsiderados, como: a inscrição do texto na época de sua produção; a inscrição, no texto, do conjunto dos principais juízos críticos que sobre ele se acumulam; a inscrição do e no texto, no e do cotidiano do aluno. O fato é que o desencontro percebido nos dias atuais entre literatura e jovens é mero sintoma de um desencontro maior: entre professores e literatura. Isso, porque não leem e escrevem mal, e isso deve ser superado pois somente superando tais problemas é que na aulas de português poderemos abrir espaço para formas de liberdade e de subversão as quais, em certas condições, instauram-se “pelo e no texto literário”. (p. 16). Lajolo (2007) propõe uma reflexão sobre o papel da leitura numa sociedade democrática. A modernização crescente do modo de produção do livro possibilitou uma massificação da leitura, deixando de ser uma atividade individual e reflexiva e tornando-se, hoje, em consumo rápido do texto. É a transformação do livro em produto de consumo, que envelhece depressa, que gera constantemente a necessidade de novos textos, e consequentemente de lucro. Hoje, os profissionais da leitura (professores, bibliotecários e animadores culturais) devem tomar consciência de seu papel para que mudanças qualitativas possam ocorrer nos projetos e práticas de leitura. A estes cabe muito mais do que a intermediação e o patrocínio do consumo de textos impressos. Apesar de a literatura ser uma modalidade privilegiada de leitura, ela não é única,. Outras modalidades de leitura desfrutam de maior trânsito social, além de serem responsáveis pelo grau de cidadania de que desfruta o cidadão. Numa sociedade em que a divisão de renda é tão desigual, também é desigual a distribuição de bens culturais, sendo que a participação nestes últimos é mediada pela leitura, que não está ao alcance de todos. 20 Lajolo (2007) constata que ler é essencial, e não só para aqueles que pretendem participar de uma produção cultural mais sofisticada, pois a própria sociedade do consumo utiliza a linguagem escrita para muitos de seus apelos. Ler jornal, procurar emprego, assinar contratos de trabalho e outra infinidade de atividades sociais do dia-a-dia requerem habilidades de leitura que precisam ser considerados num projeto de educação democrática. E afirma também ser fundamental a leitura de textos literários, pois “É à literatura, como linguagem e como instituição, que se confiam os diferentes imaginários, as diferentes sensibilidades, valores e comportamentos através dos quais uma sociedade expressa e discute, simbolicamente, seus impasses, seus desejos, suas utopias. Por isso a literatura é importante no currículo escolar: o cidadão, para exercer plenamente sua cidadania, precisa apossar-se da linguagem literária, alfabetizar-se nela, tornar-se usuário competente, mesmo que nunca vá escrever um livro: mas porque precisa ler muitos livros”. (p. 106) Os significados das leituras que o sujeito vai acumulando ao longo da vida o tornam capaz de interpretar suas nova leituras, aceitando-as ou recusando-as, por meio de seu diálogo com o texto. Mas alerta marisa Lajolo (2007) que, principalmente sobre os textos literários, pesam a autoridade das inúmeras outras leituras de que o texto foi objeto ao longo da história, cabendo ao professor de leitura e literatura o equilíbrio entre a interpretação livre e a interpretação sancionada pela comunidade intelectual. Para a formação de leitores, cumpre a nós, primeiro, extirpar a representação social de que o brasileiro, e o jovem, não gostam de ler e segundo que os profissionais diretamente ligados à iniciação na leitura sejam bons leitores (perfil não muito comum entre os professores de hoje). A formação de um leitor exige familiaridade com grande número de textos e precisa ocorrer num espaço de maior liberdade possível. Isso significa uma mudança radical nos rumos que norteiam as políticas de leitura atualmente em prática. Sobre a importância das atividades de leitura e escrita nas aulas de história Seffner (2004) lembra que, para alguns, a história só começa após a invenção da escrita e da leitura, o que leva a divisão entre história e pré-história. Antes da 21 invenção da escrita, o saber estava armazenado na mente dos indivíduos vivos, e após a morte destes, o conhecimento se perdia, na maioria dos casos. Surgindo a escrita, o saber passou a ser guardado em textos cujo intérprete teria o domínio do conhecimento. A reflexão traduz o desejo do autor e, por que não, nosso, qual seja, “formar um aluno capaz de realizar uma leitura histórica densa do mundo, percebendo a realidade social como construção histórica da humanidade, obra na qual todos têm participação, de forma consciente ou não” (p. 109), configurando-se o domínio do código escrito como apenas o início da jornada. É necessário integrar esta habilidade à maneira de o aluno ser e estar no mundo. A atualidade é marcada, principalmente entre os jovens, pela leitura fragmentada, descontinuada. Na maioria dos casos, eles leem para trabalhar, para informar-se e encontram dificuldades na leitura contínua, intensa, na leitura de um livro do início ao fim. Seffner (2004) alerta que a leitura da história deve partir da análise de pressupostos dos quais parte o autor e todo texto é revelador de uma determinada leitura do mundo. A partir desse ponto deve o texto ser posto em discussão. A pesquisa chama a atenção, ainda, para a importância de se discutir com os alunos o papel da capacidade leitora na formação da autonomia e na construção da cidadania. Isto significa dizer que o aluno, ao empreender sua leitura do mundo, deve ter consciência do que está fazendo e das consequências de tal ato. Para o autor, “ler é compreender o mundo, e escrever é buscar intervir na sua modificação” (p. 115) e deve-se propor atividades para que cada aluno desenvolva sua própria capacidade argumentativa num ambiente de troca de vivências e opiniões. É preciso propiciar a tomada de uma postura frente ao texto, a formação de opiniões fundamentadas deixando de lado a obrigatoriedade de decorar ou de ver o texto como uma verdade absoluta. Devemos formar alunoscidadãos capazes de elaborarem “seu projeto de vida, posicionando-se frente às questões polêmicas da vida social, construindo alternativas políticas viáveis e manifestando com clareza a argumentação coerente de suas opiniões” (p.116). 22 Compreendendo a leitura desse ponto de vista, vamos autenticar a reflexão de que o sentido de um determinado texto não está nele próprio, mas vai se construindo, na medida em que, com ele, o aluno-leitor interage. Nesse sentido, se a aquisição da linguagem e o desenvolvimento de habilidades de leituras significam também o desenvolvimento do homem como sujeito social que tornará a língua ferramenta dócil para seu uso e da qual ele será sujeito, tanto de sua linguagem quanto de seu texto, apontamos riscos sérios na maneira como o ensino pode estar se comportando, qual seja, a partir de mecanismos sociais suspeitos de perverterem a construção do próprio sujeito. Devemos conceber que a linguagem não existe só para veicular informações, ela existe para demonstrar o lugar que o falante ocupa no social e qual o papel ele ocupa em relação à própria linguagem. Como ponto fundamental deste aporte teórico, elaborado de modo a fornecer subsídios para a discussão dos resultados colhidos na pesquisa de campo, cabe a questão: o que a escola tem feito para proporcionar práticas de letramentos múltiplos, de modo a tornar o aluno sujeito de seu texto, cidadão de suas situações de comunicação? Esta inquietação comandará nossa pesquisa e orientará nossas abordagens. 23 1.2 - Indicador nacional de alfabetismo funcional (Inaf) 2001 O INAF é uma iniciativa do Instituto Paulo Montenegro que objetiva oferecer à sociedade brasileira um conjunto de informações sobre habilidades e práticas relacionadas à leitura , escrita e matemática da população, de modo a fomentar o debate público e subsidiar a formulação de políticas de educação e cultura. As coletas de dados são anuais junto a duas mil pessoas com idade entre quinze e sessenta e quatro anos, residentes em zonas rurais e urbanas em todas as regiões do país. Em 2001, foi realizado o primeiro levantamento de dados do INAF, que abordou habilidades e práticas de leitura e escrita, e em 2002 focalizou as habilidades matemáticas. Assim, a pesquisa continua sendo realizada anualmente alternando entre os dois focos citados com a perspectiva de, a longo prazo, construir um indicador que possibilite a compreensão sobre o analfabetismo e possibilite o monitoramento de sua evolução ou redução. Em análise aos resultados do INAF 2001, vários autores propuseram reflexões acerca do tema letramento por meio de artigos que contribuem para um melhor entendimento das relações da população brasileira com as práticas de leitura e escrita. Alguns destes estudos serão abordados neste trabalho, afim de subsidiar a criação de uma programa de incentivo e disseminação da leitura que contribua para o desenvolvimento do cidadão como ator social. Serra (2004 p. 66) propõe uma análise aos resultados do INAF 2001 a partir da seguinte constatação: “não podemos mais permitir que a alfabetização de qualquer brasileiro esteja separada das condições necessárias para sua manutenção: a garantia de acesso aos materiais escritos, por meio de bibliotecas preparadas para exercer a função social de alimentar leitores e escritores da língua que expressa sua história, sua memória, sua cultura.” Isso, porque as políticas públicas não contêm, em sua concepção, justificativas e diretrizes claras para a maioria da população, e apesar de teoricamente representarem o resultado de muitas participações, na prática, expressam as ideias dos grupos que detêm a hegemonia política e econômica. E 24 completa afirmando que a não-participação de grande parte da população deve-se principalmente às dificuldades de leitura. A autora alerta para o papel da televisão e do rádio no processo de conscientização da sociedade brasileira sobre a realidade em que vive, que, para muitos, segundo revelam os dados do INAF 2001, é o único acesso a informações sobre política a que têm acesso. É notório que a programação da televisão aberta é praticamente incapaz de contribuir para a formação de uma sociedade letrada. Cabe aqui a denúncia, falta um projeto que cuide da qualidade do que a televisão oferece aos telespectadores, o que revela um desprezo quanto à melhoria do nível educacional e cultural da população. Partindo dos baixos índices de alfabetismo demonstrados pelo INAF 2001, Serra (2004) empreende uma análise histórica sobre as políticas de leitura no Brasil e constata que a preocupação em aumentar estes índices é recente, e uma importante conquista para nosso país. Durante muito tempo a prática da leitura e da escrita não tinham sentido para a maioria, a não ser para as atividades cotidianas. Nos anos 1950, com o processo de industrialização, a educação escolar passou a ser vista como uma possibilidade de ascensão social, pois as atividades da indústria exigiam noções de cálculo e escrita e, com isso, as escolas públicas começaram a receber um número maior de alunos das classes sociais menos favorecidas. E, finalmente, nos anos 1980, a educação, tornando-se um direito de todos, passa a receber cobranças nacionais e internacionais no sentido de tornar a escola acessível à toda população. Porém, apesar de um grande avanço quantitativo nos números de matrículas e de construção de prédios escolares, a parte qualitativa não acompanhou, e ainda hoje vemos a escola ensinar teorias prontas sem considerar a realidade do aluno, contando, ainda, com práticas pouco pedagógicas, incapazes de aguçar o intelecto e a curiosidade do aluno. São vários os aspectos externos e internos em relação ao aluno, à escola, à família e à comunidade que contribuem para uma educação de qualidade, e denuncia a falta de um entorno cultural e de qualidade na educação oferecida à maioria, onde as expressões artísticas têm um peso inferior que o conhecimento 25 científico. As políticas educacionais, até então, configuram-se como compensatórias e de efeitos imediatos, revelando soluções apenas no campo da técnica, sem articular a educação à cultura. E completa, “desperdiçaram-se anos preciosos, nos quais poderiam ter sido formados além de alunos leitores, frequentadores de bibliotecas conscientes da necessidade de reivindicá-las para poderem continuar exercendo o direito de ler quando terminam o período escolar” (p.77-78) Para a autora em discussão, é espantosa a constatação de que o Plano Nacional de Educação – PNE – apenas contemplou a obrigatoriedade de bibliotecas a partir do 3º grau. O fato é que negar às escolas brasileiras o direito à biblioteca é negar o direito ao caminho que leva ao conhecimento. Além disso, a formação de professores não inclui a biblioteca e a formação de leitores como prioridade, desconsiderando a biblioteca como parte integrante da ideia de educar. Essas situações podem explicar a ideia geral de que a biblioteca, como espaço institucional e de uso coletivo de livros e, consequentemente, um direito à leitura, não está presente no imaginário da sociedade brasileira. “E isso deve ser apresentado e aprendido na escola, desde cedo, com professores leitores e conscientes da importância social da leitura, da escrita, do estudo e, principalmente, da função da biblioteca como instituição cultural que garanta a educação permanente dos cidadãos”. (p.79) A pesquisa aponta, como fator positivo, o fato de que, nas últimas três décadas, o senso comum sobre a função da educação vem sendo enriquecido e ampliado, se tornando consenso de que ler e escrever vai muito além do reconhecer letras e números. Porém, para que mudanças culturais profundas e significativas aconteçam é necessário retirar o rótulo de supérflua e desnecessária que paira sobre o acesso à cultura letrada. A presença de livros no entorno cultural é determinante para a manutenção da prática da leitura e escrita. A autora conclui que, mesmo com limitações econômicas e de escolaridade, para a população desfavorecida socialmente, o valor da leitura desponta como algo importante no processo de emancipação e de favorecimento à atuação cidadã, na sociedade brasileira, e que, 26 “para alcançar a justiça social, todos devem desfrutar das mesmas condições, não só materiais como também imateriais, como é o caso da leitura, para desenvolver capacidades intelectuais e afetivas que possibilitem uma vida digna e feliz. A leitura e a escrita se apresentam, no mundo de hoje, como absolutamente imprescindíveis para alcançar tal objetivo. Não só para melhorar a própria vida, mas para que cada cidadão, com domínios sobre o texto escrito, possa contribuir para a melhoria da sociedade. Poder expressar e saber desenvolver ideias com clareza são instrumentos básicos para melhorar o mundo à nossa volta”. (p.84) Questionamentos que têm ganhado destaque nas atuais discussões sobre educação e participação social foram levantados por Britto (2004) em sua análise aos resultados do INAF 2001: “de que maneira e com que intensidade as pessoas dos diferentes segmentos sociais, em função das habilidades de leitura e escrita que desenvolvem no processo de escolarização e em outras áreas sociais, participam da e usufruem a produção material e cultural da sociedade em que vivem? (...) Como essa participação se manifesta nas oportunidades objetivas de emprego e de renda? Como se processam e se transmitem os valores e condições de mundo, de vida e de sociedade?” (p.47) Na concepção do autor, tais perguntas deixam claro que o capitalismo vigente, por meio de uma lógica neoliberal, implica a adoção de processos educativos desigualmente distribuídos, atuando, ainda, na reprodução desta desigualdade. O autor recorda que, até início dos anos 1990, admitia-se que o hábito da leitura seria condição fundamental para o exercício da cidadania. É fato que se o sujeito é um leitor ativo, este será um ator social mais participativo, tudo isso com atenção especial à literatura, com a ideia de que ler é bom, não importando o que se lê. A necessidade de leitura está contaminada por outros discursos e valores, como os da pós-modernidade que dá destaque às individualidades, e a prática da leitura assume importante papel numa sociedade competitiva, onde aquele que lê leva vantagem. Com efeito, o discurso de promoção da leitura está justificado no reconhecimento de que o brasileiro não gosta ou não possui o hábito de ler para interagir. Séculos de dominação colonial, tempo em que as atividades literárias ou eram proibidas pela coroa ou tinham sua liberdade de expressão tolhida pela hipocrisia da Inquisição, produziram essa lastimável herança. Hoje, porém, é 27 consenso entre os que atuam na área que o problema está mais relacionado às dificuldades de acesso aos livros do que à falta de interesse e ainda assim “continua predominando nos debates e nas ações de promoção da leitura uma concepção mitificadora e salvacionista, bem como uma indistinção dos processos e dos objetivos envolvidos nas formas de ser e viver na sociedade de cultura escrita” (p. 49). Apesar de tal realidade, para Britto (2004), as pesquisas dos últimos quarenta anos esclarecem que a posse e o uso da escrita estão intimamente associados a formas próprias de organização, e completa, pertencer à sociedade da cultura escrita significa mais que deter os domínios individuais do código escrito, pois “na medida em que se utilizam instrumentos e aparatos técnicos que constituem o espaço urbano, em que organiza seu tempo e seu deslocamento em função da organização produtiva e jurídica, ela necessariamente está submetida à ordem da cultura escrita” (p.50). Afirma o autor que o conhecimento é um produto social e muitas situações em que se utiliza a escrita se realizam com base nas relações sociais, independentemente das competências singulares. Analisando os resultados da pesquisa do INAF 2001, o autor confirma que existe uma estreita correlação entre letramento e condição social, pois são os segmentos sociais com maior poder aquisitivo os que demonstram mais formas de usar a escrita e os produtos característicos de uma sociedade de cultura escrita. Mas ressalta que, apesar disto, em todas as classes sociais, há um significativo reconhecimento do valor da leitura. Britto (2004) observa, também, que os resultados reforçam a afirmação de que o letramento é fundamental para a empregabilidade, pois influi no tipo de ocupação do indivíduo. Alerta, todavia, que isto não quer dizer que a oportunidade profissional decorre diretamente do letramento, pois as habilidades de leitura e escrita são, antes, resultado de uma situação social. Ainda em análise aos resultados do INAF 2001, o autor atesta que há uma complexidade de padrões culturais que se definem não por competências individuais, mas por pertencimento a determinado grupo social, que determinam o nível de acesso aos recursos. Isso reforça sua posição inicial de que 28 “há formas coletivas de uso da escrita que não pertencem em avaliações de competências individuais; e a de que no alfabetismo, principalmente quando se consideram habilidades individuais, é em grande parte produto da condição social” (p.60). A análise do autor leva à conclusão de que, na atualidade, existem duas tendências, que estão em constante conflito, sobre como se compreende o letramento: a tendência tecnicista e a tendência política. A primeira classifica as pessoas em função do quanto sabem ou usam a escrita, ela nega qualquer associação entre conhecimento e política e foca o problema apenas nos aspectos metodológicos. A segunda parte da ideia de que todo conhecimento humano é político e que as formas de saber e fazer são condicionadas pelas condições materiais e sociais em que se realizam, e implicam reconhecer que o letramento é desigual, não resolvendo o problema das diferenças sociais, mas sim legitimando esta condição. Também a partir da análise dos resultados do Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (INAF) de 2001, Soares (2004) propõe levantar algumas hipóteses sobre as ainda pouco investigadas relações entre letramento e escolarização. A pedagoga mineira afirma que muitas literaturas já abordaram, e bem caracterizam as relações entre alfabetização e escolarização, consideradas naturais e inquestionáveis, porém o mesmo não acontece com as relações entre letramento e escolarização, ainda pouco estudadas, e talvez por ser um vocábulo de sentido, ainda pouco claro e preciso. Assim, para melhor entendimento de sua análise, propõe a seguinte distinção, considerando que apesar de distintos são interdependentes e mesmo indissociáveis: “Embora correndo o risco de uma excessiva simplificação, pode-se dizer que a inserção no mundo da escrita se dá por meio da aquisição de uma tecnologia – a isso se chama alfabetização, e por meio do desenvolvimento de competências (habilidades, conhecimentos, atitudes) de uso efetivo dessa tecnologia em práticas sociais que envolvem a língua escrita – a isso se chama letramento”. (p.90) 29 Sobre a escolarização, Soares (2004) considera dois sentidos para o termo: referindo-se sobre as relações entre níveis de aprendizado escolar e níveis de letramento, e também às relações entre práticas sociais e práticas escolares de leitura e escrita. Como já foi dito, as relações entre alfabetização e letramento são naturais, e tão fortes que a alfabetização escolar, apenas uma das possíveis modalidades de alfabetização, é considerada padrão para todas as demais modalidades. Não tão óbvias são as relações entre letramento e escolarização, é que a concepção, seja no senso comum ou mesmo na própria escola, parece ser a de que “a aquisição da tecnologia da escrita decorreria, naturalmente , seu uso efetivo e eficiente em práticas sociais de leitura e de escrita, isto é: o letramento seria uma consequência natural da alfabetização. Tanto assim é que dificuldade de uso corrente da língua escrita – problemas de letramento – são frequentemente atribuídas a deficiências do processo de alfabetização”. (p.94) Talvez o caráter natural e óbvio da vinculação entre alfabetização e escolarização deva-se aos resultados visíveis alcançados com a aquisição da tecnologia da escrita, é claro o momento em que o analfabeto se torna alfabetizado. O mesmo não acontece com o desenvolvimento de habilidades de uso da leitura e da escrita, pois o processo de letramento jamais chega a um produto final, é permanentemente um processo, não sendo possível determinar em que momento o iletrado se torna letrado. As relações entre letramento e escolarização se ocultam sob considerável imprecisão e complexidade, e um critério que busca aproximar-se mais de medidas de letramento é o estabelecimento de uma equivalência entre nível de escolarização e capacidade de fazer uso da leitura e da escrita, considerando que a conclusão do primeiro segmento do Ensino Fundamental corresponderia um nível satisfatório. Uma segunda alternativa seria o trajeto inverso partir de níveis de habilidades de letramento identificados por meio de uma verificação direta e relacionar estes níveis com graus de instrução que a eles correspondem. Esta segunda opção pode ser traçada com os dados do INAF – 2001, a partir dos quais Soares (2004) constata que, embora os dados permitam concluir 30 que a escolarização cumpre fundamental papel na promoção de habilidades ligadas ao letramento, indicam, também, que, em um número não desprezível de casos, é negada a relação entre escolarização e tais habilidades. Em sua pesquisa, foram identificados indivíduos com alto grau de instrução, mas com mau resultado num teste de avaliação de habilidades de leitura e escrita, o que poderia explicar um possível distanciamento entre letramento escolar e o letramento social. Entre as duas alternativas de aferição do grau de letramento, Soares (2004 p.100) aponta a segunda como mais adequada, porque “foge ao pressuposto bastante discutível de que natureza e qualidade da escolarização promovem realmente as necessárias e pertinentes habilidades e práticas de leitura e de escrita, na sequencia apropriada ao longo dos ciclos e séries de instrução, e de forma uniforme entre as muitas escolas, de modo a poder-se inferir que o mesmo nível de letramento seja alcançados nos mesmos pontos do processo de escolarização em todas as escolas”. A abordagem, também, chama a atenção em sua análise para as diferenças entre letramento escolar e letramento social: no primeiro, que acontece na escola, as práticas de letramento são planejadas e quase sempre conduzidas à avaliação; na segunda, que acontece no cotidiano, as práticas são naturais e respondem a necessidades ou interesses pessoais, ocorrendo de forma espontânea. Magda Soares diz que a escola cria práticas de letramento que tentam reproduzir eventos sociais reais, mas que são sempre artificiais, e didaticamente padronizados. Concluindo a discussão, a pesquisadora mineira retoma a questão inicial de que as relações entre letramento e escolarização são ainda imprecisas e obscuras, as quais conduzem a um paradoxo que deve ser mais profundamente estudado: qual seja, o de que há de um lado, diferenças significativas entre o letramento escolar e o letramento social; e de outro lado, existe uma correlação positiva entre grau de instrução e níveis de letramento, ou com suas palavras, “consideradas as diferenças entre os eventos e práticas escolares de letramento e os eventos e práticas sociais de letramento, não se poderia esperar que o desenvolvimento de habilidades, conhecimentos e atitudes de leitura e escrita no e pelo processo de escolarização habilitasse os indivíduos à participação efetiva e competente nos eventos e práticas 31 sociais de letramento; no entanto, os dados mostram que, de maneira significativa, embora não absoluta, quanto mais longo o processo de escolarização, quanto mais os indivíduos participam de eventos e práticas escolares de letramento, mais bem-sucedidos são nos eventos e práticas sociais que envolvem a leitura e a escrita”. (p. 111) Sobre as relações entre homens e mulheres e as práticas de letramento, Moura e Carvalho (2004), a partir dos dados coletados pelo INAF 2001, apresentam suas indagações. Revelaram que, apesar da situação de subordinação que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho, e na sociedade em geral, estas foram crescentemente incorporadas ao sistema educacional brasileiro, nos últimos quarenta anos. Ao final, indagam-se sobre o porquê de os homens virem se saindo pior no processo de escolarização e ainda se mostrando piores leitores nos contextos contemporâneos. Para análise dos dados, as autoras consideraram os seguintes grupos: mulheres que trabalham fora, donas de casa e homens que trabalham fora, cabendo uma crítica das autoras à pesquisa (INAF 2001) que não contemplou em seu questionário “os donos de casa”, o que leva a uma interpretação de que as atividades do lar são exclusivas do público feminino. De nosso ponto de vista, a exclusão da amostra deste segmento da sociedade revela uma atitude preconceituosa com relação às atividades do lar exercidas pelo público masculino. Foi possível às autoras verificarem que existem muitas semelhanças entre as práticas de letramento de homens e mulheres. No que se refere ao mundo do trabalho, as diferenças estão nos tipos de atividades realizadas por eles de modo individual. Enquanto os homens estão distribuídos entre os diversos setores (prestação de serviços, agricultura, indústria, construção, comércio), as mulheres estão mais concentradas na prestação de serviços e atividades sociais. Comparando-se as mulheres que trabalham fora às donas de casa, as autoras perceberam que as mulheres que trabalham fora apresentam melhores desempenhos que as donas de casa e fazem usos mais frequentes e variados de leitura e escrita, além de mostrarem maiores níveis de alfabetismo e escolaridade. Quanto à ajuda prestada às crianças nos trabalhos escolares, perceberam 32 que é uma tarefa preferencialmente feminina, e mais, as mulheres que trabalham fora apresentaram índices ligeiramente superiores às donas de casa neste quesito, o que significa dizer que trabalhar fora não significa necessariamente indisponibilidade para as tarefas domésticas. Quanto à prática de leitura como distração, a pesquisa mostrou que esta é mais realizada pelas mulheres, e que, quanto maior a escolaridade, maior o número tanto de mulheres quanto de homens que realizam este tipo de leitura. Outra constatação foi a de que uma das leituras preferidas é o jornal, o que indica que a inserção no mercado de trabalho favorece este hábito, por ser material frequente nestes ambientes. As autoras afirmaram, a partir da análise aos dados do INAF 2001, que existe uma correlação entre práticas de leitura e gênero, sendo que as mulheres se destacam pelas mais altas frequências de realização das práticas de leitura e escrita. E concluem que os melhores resultados das mulheres estão relacionados a seus maiores índices de escolaridade e também à relação mais positiva e mais frequente que estabelecem com as práticas de leitura e escrita. 33 CAPÍTULO II 2.1- Metodologia A pesquisa desenvolveu uma abordagem preocupada com o entendimento da maneira pela qual o indivíduo interpreta o mundo em que ele se encontra. Sua categoria é descritiva, pois além de colher dados por meio de questionários, buscará “identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos” (MOREIRA & CALEFFE, 2006, P.39). Quanto à finalidade, trata-se de uma pesquisa aplicada, pois pretendeu conhecer o problema da baixa capacidade de leitura dos alunos de uma escola pública federal do sul do estado do Espírito Santo, portanto, a pesquisa terá características de pesquisa quali-quantitativa. O projeto foi divulgado para toda a comunidade escolar e apresentado aos alunos do curso de MIneração, os quais se constituíram na amostra da pesquisa. Após a apresentação, foi distribuído questionário para que os presentes a ele respondessem, a fim de se construir a concepção que alunos têm a respeito do potencial da leitura, qual sua relação com a leitura e a escrita, como julgam que o desenvolvimento da leitura e escrita pode contribuir para o crescimento pessoal e profissional do indivíduo. Após análise dos dados, foi sugerida a ação a ser implementada com vistas à intervenção. Trata-se de uma pesquisa com inclinação dialética, na medida em que buscou conhecer a realidade, para transformá-la, considerando que toda pesquisa em educação antes se interessa mais pelo processo que pelas causas. Assim, a pesquisa buscou conhecer para transformar, empreendendo dialeticamente um posicionamento da pesquisadora O estudo foi realizado, conforme já ficou dito, em uma escola pública federal, cujas atividades escolares iniciaram-se no dia 1º de agosto de 2005 e tem-se firmado como instituição de importância fundamental para o sul do Espírito Santo, recebendo alunos de vários municípios e contribuindo para o desenvolvimento regional. Atualmente, esta escola oferece os Cursos Técnicos 34 em Eletromecânica (integrado e subsequente), Informática (integrado e subsequente) e Mineração (subsequente). No segundo semestre de 2009, iniciaram as atividades letivas do Curso de Graduação em Engenharia de Minas e o Curso de Licenciatura em Informática, este último na modalidade de Educação a Distância. Em 2010 iniciará a primeira turma do curso Licenciatura em Matemática, com processo seletivo já em andamento. Entre as diversas parcerias da escola federal, destaca-se a realizada com o Governo do Estado do Espírito Santo, por meio da Secretaria de Estado de Educação (Sedu) e com o Sindicato das Indústrias de Rochas Ornamentais, Cal e Calcário do Estado do Espírito Santo (Sindirochas), celebrada por intermédio de um Protocolo de Intenções objetivando a integração institucional e a cooperação técnica entre os envolvidos. Nesta parceria, a escola em estudo direcionou o processo seletivo do segundo semestre do ano de 2009 para alunos da rede pública estadual, regularmente matriculados no terceiro ano do ensino médio em escolas localizadas num raio de 15 km do Campus. Apenas estes alunos concorreram às vagas do Curso Técnico em Mineração no turno vespertino, por meio de processo seletivo específico. Ao governo do estado, coube o pagamento de bolsa de estudos no valor R$ 150,00 (cento e cinquenta reais) mensais durante os dois anos de curso e a SEDU, ofertar aulas preparatórias para os alunos das escolas citadas. Ao Sindirochas coube a responsabilidade de disponibilização de material escolar e de segurança para os alunos. Nesta turma, fruto da parceria interinstitucional, foi aplicado o questionário com 12 perguntas fechadas e 3 abertas para levantamento de dados que serão abordados no próximo capítulo. A amostra foi selecionada por conveniência, considerando-se que contamos atualmente com 32 alunos cursando o técnico concomitante, houvemos por bem selecionar 23, buscando subsídios que nos permitissem proceder a constatações mais seguras com relação aos dados. Os participantes da pesquisa sabiam do seu objetivo e tiveram consciência que poderiam abandoná-la a qualquer tempo. Antes 35 da aplicação do questionário, a pesquisadora procurou interagir com os alunos de várias maneiras de modo a quebrar os protocolos. Bastante tempo depois é o questionário foi aplicado, em condições de confortabilidade para os alunos. Assim, a pesquisa procurou desenvolver uma abordagem preocupada com o entendimento da maneira pela qual o indivíduo se relaciona com a leitura e como interpreta esta relação. A abordagem ocorreu numa linha interdisciplinar em que o referencial teórico apresentado foi utilizado na leitura dos dados, como sistemas que interagem dialeticamente com o contexto ao qual se referem. 36 CAPÍTULO III 3.1 Resultados e Discussão Diante das proposições da pesquisa, passemos à abordagem dos dados obtidos e dos princípios teóricos e metodológicos orientadores do estudo. Esclarecemos que a investigação proposta nessa discussão não tem como finalidade a generalização dos hábitos de leitura da comunidade estudada, mas de apresentar a necessidade de rever as formas como a leitura é trabalhada nas salas de aula, pois na maioria das vezes não contribuem para a formação de leitores criativos. E se acreditamos na dimensão social e transformadora da leitura, como ferramenta de inclusão social e de desenvolvimento cultural, devemos buscar alternativas para o resgate do prazer na leitura. Os dados da pesquisa foram compilados em forma de gráficos para melhor compreensão dos dados. Os dados, conforme já ficou dito, foram obtidos por meio de questionário aplicado aos alunos do primeiro módulo vespertino do Curso Técnico Subsequente em Mineração. O GRÁF. 1, dos participantes por gênero, demonstra que de um universo de 23 alunos, 17% são do gênero masculino e 83% do feminino. A superioridade feminina evidenciada confirma a crescente incorporação das mulheres no sistema educacional brasileiro já citado no referencial teórico dessa pesquisa, ao referenciarmos Moura e Carvalho (2004). GRÁFICO 1 – Gênero dos Alunos Pesquisados Fonte: Dados Fornecidos no Questionário 17% Masculino Feminino 83% 37 O GRÁF. 2, referente à faixa etária dos alunos, apresenta que todos os pesquisados são jovens, sendo que apenas 4% tem mais de vinte anos. Quanto à ocupação, o GRÁF. 3 indica que a grande maioria não trabalha (82%). Isso é explicado porque todos os alunos respondentes ao questionário estão em fase de conclusão do ensino médio regular, cursando o curso técnico em regime de concomitância. Assim, estudam em um turno (matutino ou noturno) o terceiro ano do ensino médio e no turno vespertino cursam o primeiro módulo do curso técnico, lembrando que também recebem uma bolsa que complementam as despesas para que possam se dedicar mais ao curso. 4% 22% 16/17 anos 18/19 anos Acima de 19 anos 74% GRÁFICO 2: Faixa Etária dos Alunos Pesquisados Fonte: Dados Fornecidos no Questionário 9% 9% Sim Não Às vezes 82% GRÁFICO 3: Ocupação do Alunos Pesquisados Fonte: Dados Fornecidos no Questionário 38 A finalidade com que os respondentes costumam ler é apresentada no GRÁF. 4. Destacamos que apenas 31% utilizam a leitura para se distrair, o que demonstra que, muitas vezes, a leitura está mais ligada à obrigação do que ao simples prazer da leitura como propõe GERALDI (2007). Também neste gráfico, percebemos um interesse de quase metade dos respondentes em utilizar a leitura para se informar, porém não foi discutido que tipo de informação. O que é, a princípio, confortante é o fato que nenhum deles declarou não ter o hábito de ler, porém ressaltamos que todos estão estudando, o que naturalmente, e mesmo que por obrigação, exige o hábito da leitura. 0% 23% 31% Para se distrair Para de inf ormar Para estudar para a prova Não lê 46% GRÁFICO 4: Finalidade da Leitura para os Alunos Pesquisados Fonte: Dados Fornecidos no Questionário Sobre o tipo de material que costumam ler, apresentado no GRÁF. 5, a opção que mais teve respostas foram as revistas (42%). Talvez por ser um material mais atraente, de fácil manuseio e por não exigir uma leitura contínua, pois, concordando com Seffner (2004), a juventude atual tem dificuldade na leitura intensa, leem para trabalhar ou estudar, de maneira fragmentada e descontinuada. 39 23% 42% Revista Jornal Livro Bíblia ou livros sagrados 23% 12% GRÁFICO 5: Tipo de Material Lido pelos Alunos Pesquisados Fonte: Dados Fornecidos no Questionário Dos que costumam ler revistas, conforme o GRÁF. 6, 53% declararam ler pelo menos uma vez por semana, o que é um número expressivo, considerandose que esta é a periodicidade da maioria deste tipo de material. Referente ao tipo de revista que lêem, ilustrado no GRÁF. 7, 85% declararam ler revista de informação semanal e apenas 5% declararam ler revistas especializadas. Cumprenos ressaltar que a biblioteca do Campus conta com assinatura de diversas revistas especializadas no ramo da mineração, área estudada pelos alunos, todavia, pelo resultado da pesquisa, elas não despertam o interesse dos alunos, sendo as revistas de informação semanal, que também têm várias publicações disponíveis na biblioteca do Campus, as que despertam mais interesse dos respondentes. 40 17% Pelo menos uma vez por semana Eventualmente 53% Não costuma ler revistas 30% GRÁFICO 6: Frequência de Leitura de Revistas pelos Alunos Pesquisados Fonte: Dados Fornecidos no Questionário 5% 10% 0% 0% Inf ormação semanal Fofocas / novelas / quadrinhos / gibis Especializadas Religião Femininas ou masculinas 85% GRÀFICO 7: Tipo de Revistas Lidas pelos Alunos Pesquisados Fonte: Dados Fornecidos no Questionário Dos que costumam ler jornais, conforme apresentado no GRÁF. 8, apenas 5% declararam ler todos os dias e 32% leem uma ou mais vezes por semana. Quarenta por cento dos que responderam ao questionário disseram ler apenas eventualmente. É significativo informar que há um material disponível para os alunos na biblioteca do Campus, todavia, poucos dele fazem uso. Sobre as partes do jornal que costumam ler, especificados no GRÁF. 9, destacamos o noticiário local com 43%, revelando um interesse pelos acontecimentos da comunidade na qual estão inseridos. 41 5% 23% Todos os dias 32% Algumas ou uma vez por semana Eventualmente Não costuma ler jornal 40% GRÁFICO 8: Frequência de Leitura de Jornal pelos Alunos Pesquisados Fonte: Dados Fornecidos no Questionário 6% Noticiário local 0% Esportes 28% 43% Noticiário policial Entretenimento Política, economia e negócios 17% 6% Noticiário internacional GRÁFICO 9: Partes do Jornal Lidos pelos Alunos Pesquisados Fonte: Dados do questionário O GRÁF. 10 apresenta a periodicidade de leitura de livros. Destes, 26% (vinte e seis por cento) disseram ler um livro por mês e outros 26% um livro a cada três meses, número representativo para a prática da leitura de livros. E outros 26% declaram não ler livros. Sobre o tipo de livro que leem, conforme o GRÁF. 11, destacamos a leitura de livros de romance, aventura, policial, ficção ou poesia com 52% de respondentes, em segundo lugar a Bíblia ou livros sagrados com 35%. Com baixo percentual de leitura encontram-se os livros didáticos ou técnicos (9%), 42 o que preocupa pois, como já revelado anteriormente, estes alunos estão em fase de conclusão do ensino médio e iniciando um curso técnico em área de bastante inserção no mercado sul capixaba.. 26% 26% 1 ou mais por mês 1 a cada três meses 1 a cada seis meses 1 por ano Não costuma ler livros 13% 9% 26% GRÁFICO 10: Frequência de Leitura de Livros pelos Alunos Pesquisados Fonte: Dados Fornecidos no Questionário 9% 0% 4% Bíblia / livros sagrados 35% Romance / aventura / policial / ficção / poesia Livros didáticos / técnicos Biograf ias / relatos históricos 52% auto-ajuda/ orientação pessoal GRÁFICO 11: Tipo de Livros Lidos pelos Alunos Pesquisados Fonte: Dados Fornecidos no Questionário Preocupante é a porcentagem dos alunos que preferem assistir televisão a leitura. Oitenta e sete por cento, 87%, declararam preferir a programação televisiva. Concordamos com Serra (2004), quando diz que a programação da televisão aberta pouco pode contribuir para a formação de uma sociedade letrada, 43 pois é nítido que aquela posiciona-se em favor da sociedade do consumo, não se preocupando com a formação do cidadão, mas sim com venda de seus produtos. 13% Ler Assistir tv 87% GRÁFICO 12: Tipo de Atividade mais Atrativa para os Alunos Pesquisados Fonte: Dados Fornecidos no Questionário Quando solicitados a expressarem em poucas palavras o porquê de preferirem ler ao invés de assistir televisão, os 13% treze por cento (GRÁFICO 12) dos alunos que preferirem esta modalidade responderam que julgam ser a leitura indispensável e com mais qualidade do que a programação televisiva, além de ser mais produtiva para a vida profissional. Sabemos que a capacidade leitora é fundamental para a área profissional, pois interfere no tipo de ocupação dos sujeitos (BRITTO, 2004). Entre os 87% , oitenta e sete por cento, (GRÁFICO 12) que preferem assistir à televisão, os argumentos são de que esta prática é mais fácil, mais divertida e mais interessante. Disseram, ainda, que, por meio da televisão podem ver diversas informações ao mesmo tempo, de todo o mundo, sem precisar imaginar. Percebemos nestas respostas uma predileção pelo imediatismo, pelo produto pronto, o que não é exclusivo dos alunos, Lajolo (2007) já denunciou que nossas escolas buscam respostas imediatas para problemas concretos, revelando uma superficialidade com que a leitura é tratada nas salas de aula. 44 Vemos a televisão aberta como uma grande rival à proposta de tornar nossos alunos leitores cativos. O que preocupa é que não existe um projeto que fiscalize a qualidade do que este segmento oferece às comunidades. As atrações são de qualidade duvidosa, que incutem nos telespectadores opiniões prontas, tirando-lhes a tarefa de pensar, apresentando-lhes um mundo que não confere com sua realidade. Serra (2004) denuncia este desprezo da televisão aberta com relação à melhoria do nível educacional e cultural da população. Perguntamos aos entrevistados que explicassem o que entendem por leitura. Todos os respondentes disseram ser a leitura uma coisa positiva mesmo que 87% (oitenta e sete por cento) tenham respondido que preferem a programação televisiva (GRÁFICO 12). Isso revela que embora não sejam leitores cativos, os alunos reconhecem o valor da leitura. Definiram leitura como conhecimento, informação, cultura e entretenimento, e sabemos que a leitura pode ser tudo isso e mais, ela é importante no processo de emancipação e favorece a atuação cidadã (SERRA, 2004). A leitura também foi definida como o entendimento de um código, mas sabemos que para o processo de letramento é necessário além do domínio da língua também dominar as habilidades de uso da língua em situações concretas de interação (GERALDI, 2007). Assim, a decodificação é o primeiro ato no processo de leitura, no processo de interação com o texto. Quando questionados ser possível a interação com o mundo sem leitura, todos responderam que não. As explicações para a negativa vão desde a necessidade da leitura para atividades do dia-a-dia às suas contribuições para a formação integral do ser humano. Lajolo (2007) constatou que um projeto de educação democrática deve abranger as habilidades de leitura necessárias para atividades corriqueiras, como procurar um emprego, assinar um contrato e outra infinidade de situações em que o cidadão utilizará da leitura para interagir com o mundo. Isso revela que ler não é atividade exclusiva daqueles que querem participar de uma produção cultural mais sofisticada, todos precisam se aventurar no mundo do letramento para a conquista de uma sociedade mais igualitária. 45 Como pensa Serra (2004), é necessário que a leitura deixe de ser considerada supérflua, como atividade secundária, desnecessária aos menos letrados para que mudanças sociais realmente aconteçam. Neste momento, atrevemos a listar algumas recomendações que podem ser aplicadas nas escolas brasileiras de todos os níveis de ensino para que a formação de leitores cativos seja ampliada e leitura cumpra seu papel na formação do cidadão, proporcionando-lhes a inclusão numa sociedade marcada pela desigualdade na distribuição de bens, não apenas materiais como também culturais. Como condição inicial para a formação de leitores é necessário que os profissionais da leitura (professores, bibliotecários, animadores culturais) sejam bons leitores, pois não é possível despertar o interesse em terceiros se não somos capazes de nos aventurar no mundo da leitura. Outra condição essencial é a de desmitificarmos a representação social de que o brasileiro, e o jovem, não sabem ou não gostam de ler (LAJOLO, 2007) ou não veem valor na leitura. Devemos considerar que, muitas vezes, não lhes foi proporcionada uma apresentação adequada ou até mesmo uma inserção mais apropriada ao universo da leitura. Outra situação equivocada referente à formação de leitores, é de que esta responsabilidade é exclusiva dos professores de língua portuguesa. O certo é que toda a escola pode contribuir para que os alunos se envolvam com o texto; livrar as atividades com o texto do autoritarismo e da burocracia que permeiam as relações sócio-educativas (SILVA, 2007)ajuda bastante, pois aquilo só contribui para tornar o texto objeto de desinteresse. Apresentar aos alunos variados tipos de textos e num espaço de maior liberdade possível (LAJOLO, 2007), para que ele possa identificar suas preferências, configura-se como estratégia bastante eficaz, conforme pesquisado na literatura de apoio. Outra sugestão é propor atividades que procurem desenvolver nos alunos sua própria capacidade argumentativa num ambiente de troca de vivências e opiniões (SEFFNER, 2004), para que o aluno tome uma postura diante do texto aguçando seu intelecto e curiosidade. Mais ousada é a proposta que aponta para a promoção de ações de incentivo à leitura 46 como rodas de leitura, saraus e exposições capazes de auxiliar o leitor a descobrir a funcionalidade da leitura em sua vida, e que aconteçam em todos os espaços da escola e em outros espaços não se limitando à sala de aula como único lugar possível para a prática do letramento. Por último, a inclusão da biblioteca (as da própria escola, as públicas e as de outras instituições) como parte integrante das aulas, promovendo visitas às suas dependências e apresentando seu acervo, isso nas aulas de todas as disciplinas, favoreceria a quebra das barreiras e a aproximação da clientela escolar daquele espaço guardião do saber. É necessário ainda perceber que o processo de letramento jamais chega a um produto final, ele é permanentemente um processo (SOARES, 2004), como a própria educação. Toda educação é práxis. Assim, todos temos sempre um pouco mais a aprender, inclusive nós educadores. 47 CONCLUSÃO Não é de hoje que ouvimos falar que o caminho para uma sociedade ideal é a educação, e também não é de hoje que vemos a educação ficando em segundo plano. Muitas são as carências das escolas brasileiras, e para que possamos provocar uma revolução qualitativa neste quadro faz-se necessário a tomada de postura de toda a sociedade. O educador tem o poder da revolução em suas mãos. O educador que ama a arte de educar, que se compromete com o social, que ensina, mas que também aprende, que insere em suas aulas, seja do que for, conceitos como solidariedade, autonomia, diversidade, esperança, liberdade e outros, esse professor pode, sim, “mudar o mundo”. A função da escola vai muito além de simples transmissora de conhecimento. Cabe a ela favorecer as condições para o letramento múltiplo, direcionando seus esforços para o desenvolvimento nos alunos da consciência de que ler é um direito, um prazer e uma forma de alcançar o conhecimento respeitando sua vivência, suas predileções e seu tempo. Desenvolver a competência comunicativa do aluno por meio da leitura é o grande desafio da atualidade. A leitura pode ser uma experiência que nos impede de continuarmos os mesmos depois de ter passado por ela. Esta nos constrói e reconstrói nos possibilitando agir no mundo e nos trazendo reflexos imediatos na assimilação do conhecimento e na maneira como recebemos as informações do mundo. Assim, ações que promovam a formação de leitores criativos são essenciais para a construção de uma sociedade mais justa, e estas devem acontecer em todas as instâncias, seja na sala de aula ou a nível de governo federal. 48 REFERÊNCIAS BRITTO, Luiz P. L. Sociedade de cultura escrita, alfabetismo e participação. In: RIBEIRO, Vera Masagão (Org.). Letramento no Brasil. São Paulo: Global, 2004. P. 47-63 CARVALHO, Marília e MOURA, Mayra. Homens, mulheres e letramento: algumas questões. In: RIBEIRO, Vera Masagão (Org.). Letramento no Brasil. São Paulo: Global, 2004. P. 177-192 GERALDI, João Wanderley. Prática da Leitura na Sala. In: GERALDI, João Wanderley (Org.). O Texto Na Sala de Aula. 4. Ed. São Paulo: Ática, 2007. P. 8899 GNERRE, Maurizio. Linguagem, escrita e poder. 3. ed. Rio de Janeiro: Martins Fontes, 1991 p. 5 – 33 LAJOLO, Marisa. A leitura literária na escola. In: RIBEIRO, LAJOLO, Marisa. Do Mundo da Leitura para a Leitura do Mundo. 6. Ed. São Paulo: Ática, 2007. P. 11-16 LAJOLO, Marisa. Tecendo a leitura. In: RIBEIRO, LAJOLO, Marisa. Do Mundo da Leitura para a Leitura do Mundo. 6. Ed. São Paulo: Ática, 2007. P. 104-109 MOREIRA, Herivelton, CALEFFE, Luiz Gonzaga. Metodologia da Pesquisa para o Professor Pesquisador. Rio de Janeiro: DP & A, 2006. p. 21-93. RUBEM ALVES, Carlos Brandão. Entre a Ciência e a Sapiência: O dilema da educação. 15. ed. São Paulo: Loyola, 2006. 148 p. SEFFNER, Fernando. Leitura e Escrita na História. In: NEVES, Iara C. B. et al (Org.). Ler e Escrever: compromisso de todas as áreas. 6 ed. Porto Alegre: UFRGS, 2004. P. 107-120 SERRA, Elisabeth D’Angelo. Políticas de promoção da leitura. In: RIBEIRO, Vera Masagão (Org.). Letramento no Brasil. São Paulo: Global, 2004. P. 65-85 SILVA, Lilian Lopes Martin da. “Às vezes ela mandava ler dois ou três livros por ano”. In: GERALDI, João Wanderley (Org.). O Texto Na Sala de Aula. 4. Ed. São Paulo: Ática, 2007. P. 82-87 SOARES, Magda. Letramento e escolarização. In: RIBEIRO, Vera Masagão (Org.). Letramento no Brasil. São Paulo: Global, 2004. P. 89-113 49 ZILBERMAN, Regina. Fim do Livro, Fim dos Leitores? São Paulo: Senac, 2001. 131 p. 50 APÊNDICES Apêndice 01 Carta de Apresentação Cachoeiro de Itapemirim - ES, 20 de outubro de 2009 Sr Diretor, apresento-lhe a pesquisadora Sheila Siqueira da Silva, aluna do curso de Pós-Graduação Latu Sensu em Educação Profissional e Tecnológica Inclusiva e solicito-lhe permissão para executar pesquisa qualitativa em seu estabelecimento, tendo em vista que tornará o trabalho científico, na medida em que busca conhecer determinado segmento da realidade e mediante justificativa como se segue: Título provisório do trabalho: Leitura e Cidadania: “Uma Proposta de Educação, Comunicação E Participação” Justificativa: Atualmente a grande maioria das pessoas acreditam que a leitura só faz bem. Mas, o brasileiro sabe ler e escrever? O que os déficits educacionais da população representam em termos de exclusão social? A escola está conseguindo cumprir a função de garantir a todos o desenvolvimento de Competências básicas necessária ao exercício da cidadania? Ao percorrer a história da educação, podemos constatar que, em todas as épocas, a escola foi seletiva, um privilégio de poucos. As sociedades sempre excluíram aqueles considerados “inferiores”. Pobres, mulheres, escravos, imigrantes, deficientes e outros tiveram seu acesso negado à educação por serem considerados inaptos ou não merecedores de fazer parte da sociedade. A prática da leitura é fator fundamental para o desenvolvimento de habilidades sociais do individuo, proporcionando-lhe um melhor entendimento de seu meio e de seus pares, na construção de sua identidade e no convívio com o diferente. Com este trabalho pretende-se contribuir para uma reflexão acerca da importância do desenvolvimento das habilidades de leitura e interpretação dos alunos por meio de uma proposta de educação que vise à participação social, com vistas a favorecer aos alunos o exercício de seus direitos, participando efetivamente da sociedade, melhorando seu nível educativo, fortalecendo seus valores democráticos e respeitando à diversidade. Procedimentos: Entrevistas individuais em função da disponibilidade do participante. Riscos e desconfortos: Não há riscos ou desconfortos gerados pela participação nesta pesquisa. Sigilo: Fica garantida toda a confidencialidade, a privacidade e o sigilo das informações individuais obtidas. Os resultados deste estudo poderão ser 51 publicados em artigos ou livros científicos ou apresentados em congressos profissionais, mas a informações pessoais que possam identificar o indivíduo não serão apresentadas ou reveladas. A participação na pesquisa é livre o o participante pode recusar ou retirar-se da pesquisa a qualquer momento. Todavia sua participação contribuirá efetivamente para o sucesso da pesquisa e para o melhor conhecimento acerca da realidade pesquisada. Sua participação também contribuirá para o progresso da ciência da educação. Fica também garantido o direito de o participante retirar seu consentimento em qualquer fase da pesquisa. Sua participação é voluntária, em caso de dúvidas, o participante poderá dirigir-se ao pesquisador ou ao seu orientador ou a um Comitê de Ética em Pesquisa. Prof. Dr. Carlos Roberto Pires Campos (Orientador) Prof.ª. Sheila Siqueira da Silva 52 Apêndice 02 Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Pelo presente instrumento que atende às exigências legais, o/a Sr. (a)___________________________________________________________ portador da Cédula de Identidade ________________________________, após leitura minuciosa da CARTA DE INFORMAÇÃO, devidamente explicada pelo profissional em seus mínimos detalhes, declara-se cientes dos procedimentos da pesquisa, não restando quaisquer dúvidas a respeito do lido e explicado, firma seu CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO concordando em participar do estudo proposto, Fica claro que o participante pode a qualquer momento retirar seu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO ciente de que todas as informações prestadas tornar-se-ão confidenciais e guardadas por força de sigilo profissional. E, por estarem de acordo, assinam o presente termo. _________________________________ Cuiabá/MT, 20 de outubro de 2009 Pesquisadora: Sheila Siqueira da Silva Identidade: 1534937 / ES Nasc: 19/02/1978 Contatos: (28) 3526-9042 e (28) 9253-5190 – [email protected] Instituição: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso 53 Apêndice 03 Formulário de Entrevista com o Aluno INSTITUTO FEDERAL MATO GROSSO Pós-Graduação Latu Sensu em Educação Profissional e Tecnológica Inclusiva Cuiabá (MT), outubro de 2009. 1. Gênero: ( ) masculino ( ) feminino 2. Idade: ________ 3. Trabalha: ( ) sim ( ) não ( ) às vezes 4. Para que finalidade costuma ler mais: ( ) para se distrair ( ) para se informar ( ) para estudar para prova ( ) não leio 5. Tipo de material que mais costuma ler: ( ) revista ( ) jornal ( ) livro ( ) Bíblia ou livros sagrados 6. Frequência com que costuma ler revistas: ( ) pelo menos uma vez por semana ( ) eventualmente ( ) não costuma ler revistas 54 7. Se costuma ler revistas, qual (is) tipo (s): ( ) informação semanal (veja, época, isto é etc) ( ) fofocas / novelas / quadrinhos / gibis (caras, contigo, amiga etc.) ( ) especializadas (saúde, informática, música, esportes etc.) ( ) religião ( ) femininas ou masculinas (Cláudia, nova, marie claire, Playboy, sexy, vip etc.) 8. Frequência com que lê jornal: ( ) todos os dias ( ) algumas ou uma vez por semana ( ) eventualmente / de vez em quando ( )não costuma ler jornal 9. Se costuma ler jornal, qual (is) parte (s) costuma ler: ( ) noticiário local ( ) esportes ( ) noticiário policial ( ) entretenimento ( ) política, economia e negócios ( ) noticiário internacional 10. Média de livros que costuma ler ( ) 1 ou mais por mês ( ) 1 a cada três meses ( ) 1 a cada seis meses ( ) 1 por ano ( ) não costuma ler livros 55 11. Se costuma ler livros, qual (is) tipo (s): ( ) Bíblia, livros sagrados ou religiosos ( ) romance, aventura, policial, ficção, poesia ( ) livros didáticos e técnicos ( ) biografias, relatos históricos ( ) auto-ajuda, orientação pessoal 12. Como prefere utilizar seu tempo livre? ( ) lendo ( ) assistindo tv Por quê? __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 13. O que você entende por leitura? __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ 14. Na sua opinião, é possível interagir com o mundo sem leitura? Explique: __________________________________________________________________ __________________________________________________________________ __________________________________________________________________