UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
Erika Cristiane da Silva
Avaliação da percepção visual de forma e tamanho em voluntários com estresse crônico
Recife
2013
Erika Cristiane da Silva
Avaliação da percepção visual de forma e tamanho em voluntários com estresse crônico
Dissertação apresentada ao curso de Mestrado em
Psicologia, do Programa de Pós-Graduação em
Psicologia, da Universidade Federal de Pernambuco,
como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre
em Psicologia.
Orientadora: Dra. Maria Lúcia de Bustamante Simas
Recife
2013
Catalogação na fonte
Bibliotecária Divonete Tenório Ferraz |Gominho.CRB-4 985
S586a
Silva, Erika Cristiane da.
Avaliação da percepção visual de forma e tamanho em voluntários com
estresse crônico / Erika Cristiane da Silva. – Recife: O autor, 2013.
85 f. il. ; 30 cm.
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Maria Lúcia de Bustamante Simas.
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Pernambuco, CFCH.
Programa de Pós-Graduação em Psicologia, 2013.
Inclui bibliografia, apêndices e anexos.
1.
Psicologia. 2. Percepção da forma. 3. Percepção de tamanho. 4.
Estresse (psicologia). I. Simas, Maria Lúcia de Bustamante. (Orientadora).
II. Titulo.
150 CDD (22.ed.)
UFPE (CFCH2013-66)
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
CURSO DE MESTRADO
Avaliação da percepção visual de forma e tamanho em
voluntários com estresse crônico
Comissão Examinadora:
_________________________________________
Profa. Dra. Maria Lúcia de Bustamante Simas
1º Examinador/Presidente
_________________________________________
Profa. Dra. Melyssa Kellyane Cavalcanti Galdino
2º Examinador
_________________________________________
Profa. Dra. Ana Cristina Taunay Gusmão
Cavalcanti
3º Examinador
Recife, 28 de fevereiro de 2013
À minha Mãe,
exemplo de coragem, determinação e autoestima.
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiro a DEUS. É nele que encontro o maior sentido da vida.
À minha família que sempre se alegra a cada conquista realizada. Minha mãe, pelo exemplo;
minhas duas irmãs, pela amizade, carinho, incentivo; meu irmão, por se alegrar nas minhas
conquistas; meu pai, por se orgulhar de mim.
Ao meu esposo, pelo cuidado, carinho e apoio.
À minha orientadora, pela solicitude em várias ocasiões e pelos ensinamentos.
À Ana Cristina Taunay, pela simpatia de sempre e colaborações logo quando iniciei o
mestrado.
À meiga Aline, pela disponibilidade e por ter partilhado suas experiências acadêmicas que
tanto me ajudaram.
À Vivi, Geórgia e Adriele que me receberam tão bem no LabVis e sempre se dispuseram a
ajudar-me quando precisei.
À Flora que esteve sempre disposta a cooperar.
À Escola Maria da Conceição do Rêgo Barros Lacerda, especialmente às pessoas: Fernando
Santos, Elizete Santos e Ana Cicalese, as quais foram tão hospitaleiras durante a coleta de
dados.
À Romana, pela disponibilidade de partilhar suas experiências de mestre e apoio de amiga.
A tantas pessoas que direta ou indiretamente colaboraram comigo para a concretização desse
sonho.
“Viu Deus que a luz era boa”.
(Genesis 1:4a)
RESUMO
O estresse crônico é um fator de risco para o desenvolvimento de várias desordens somáticas e/ou
psíquicas. O presente estudo buscou investigar se pessoas com estresse crônico apresentam diferenças
na percepção visual de forma e tamanho, fazendo uso de pinturas de Salvador Dali como teste
experimental e de lâminas do teste de Rorschach. Foi comparado o grupo experimental (GE),
composto por professores da rede de ensino público Estadual de Pernambuco, que apresentavam
estresse crônico e o grupo controle (GC), que consistiu de pessoas que não apresentaram estresse. Para
a triagem dos grupos foram usados o Mini Exame do Estado Mental e o Inventário de Sintomas de
Stress para Adultos de Lipp (ISSL). Na etapa de teste foram usadas 10 fotografias de pinturas de
Salvador Dali e também fotografias das 10 pranchas do Rorschach. Os voluntários foram instruídos a
indicar, em cada fotografia, a figura percebida em primeiro lugar. Posteriormente, o diâmetro das
figuras indicadas foi medido em milímetros. Os resultados foram transformados em grau de ângulo
visual para análise estatística. A ANOVA, conforme segue: Dalí [(F9,270) = 0,90620, p < 0,52025] e
Rorschach [(F9,270) = 0,54865, p < 0,83809], mostrou não haver diferenças entre os dois grupos, GE
e GC. Portanto, este estudo não pode afirmar que há uma relação direta entre presença de estresse e
alteração na percepção visual de forma e tamanho.
Palavras-Chave: Percepção de Forma. Percepção de Tamanho. Estresse Crônico. Dali. Rorschach.
ABSTRACT
Chronic stress is a risk factor that may result in somatic and/or psychiatric disorders. The present
study, investigated whether chronically stressed volunteers have the visual perception of form and size
affected. To this end, we used 10 paintings by Salvador Dali and 10 plates of Rorschach's Test.
Performance of chronically stressed teachers from a public school in Pernambuco, Recife, Brazil,
formed the Experimental Group (EG) that was compared to a Control Group (CG) of volunteers free
of chronic stress as assessed through the Mini Exame of Mental State (MMSE) and the
Lipp's Inventory of Symptoms of Stress for Adults (LISS) in both groups. We used 10 paintings of
Salvador Dali and the 10 plates of Rorschach. Volunteers were asked to point and circle the first image
perceived as each figure was shown. The diameters of the pointed pictures were measured in
milimeters and subsequently converted to visual angle. Results showed no differences between the
groups either for Dalí [(F9,270) = 0,90620, p < 0,52025] or Rorschach [(F9,270) = 0,54865, p <
0,83809]. In conclusion, it is not possible to assume that Chronic Stress affects the visual perception of
form and size.
Key words: Perception of Form. Perception of Size. Chronic Stress. Dali. Rorschach.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
FIGURA 1: Os fotorreceptores da retina.............................................................................
20
FIGURA 2: A fóvea.............................................................................................................
21
QUADRO 1: Diferenças funcionais entre os três tipos de células ganglionares.................
22
FIGURA 3: o percurso da informação visual da retina ao córtex visual primário...............
23
FIGURA 4: As camadas do Núcleo Geniculado Lateral (NGL).........................................
24
FIGURA 5: As regiões corticais do processamento visual, realizado pelas vias dorsal e
ventral...................................................................................................................................
26
FIGURA 6: Estimativa do tamanho do grau de ângulo visual em função de 24 estímulos
de Dali..................................................................................................................................
29
FIGURA 7: Estimativa do ângulo visual em função do estímulo......................................
29
FIGURA 8: Eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA)........................................................
37
FIGURA 9: Estágios do estresse..........................................................................................
38
FIGURA 10: Comparação da quantidade da substância cinzenta entre grupo
experimental e controle........................................................................................................
45
FIGURA 11: Média geral dos grupos experimental e controle...........................................
55
FIGURA 12: Médias dos grupos experimental e controle obtidas em cada imagem de
Dali.......................................................................................................................................
55
FIGURA 13: Médias dos grupos experimental e controle obtidas em cada prancha de
Rorschach.............................................................................................................................
56
FIGURA 14: Estimativa do grau de ângulo visual em função do estímulo (Pinturas de
Salvador Dalí) do Grupo Experimental e do Grupo Controle..............................................
57
FIGURA 15: Estimativa do grau de ângulo visual em função do estímulo (Pranchas do
Rorschach) do Grupo Experimental e do Grupo Controle...................................................
57
FIGURA 16: Percentuais dos tipos de estresse do GE........................................................
58
LISTA DE TABELA
TABELA 1: Média e desvio padrão de cada grupo para cada categoria de estímulo...............54
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ACTH Hormônio Adrenocorticotrófico
ANOVA Análise de Variância para Medidas Repetidas
CBA Complexo Basolateral da Amígdala
CID – 10
Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à
Saúde
CPF Córtex Pré-Frontal
CRF Corticotropina
DSM-IV Quarta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais
Dp
Desvio padrão
GC
Grupo Controle
GE Grupo Experimental
HHA Hipotálamo-Hipófise-Adrenal
ISSL
Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp
LABVIS
Laboratório de Percepção Visual
LISS Lipp's Inventory of Symptoms of stress for adults
K Coniocelular
M
Magnocelular
MEEM Mini-Exame do Estado Mental
MMSE Mental State Examination
NGL Núcleo Geniculado Lateral
P
Parvocelular
PET Tomografia por Emissão de Pósitrons
SNA Sistema Nervoso Autônomo
TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
TEPT
Transtorno de Estresse Pós-Traumático
UFPE Universidade Federal de Pernambuco
V1 Área Visual Primária
V2 Área Visual 2
V3 Área Visual 3
V4 Área Visual 4
IVA Subcamada A da área visual 4 do córtex estriado
IVB Subcamada B da área visual 4 do córtex estriado
IVC
Subcamada C da camada IV do córtex estriado
IVCSub-região da subcamada C da área visual 4 do córtex estriado
IVCSub-região  da subcamada C da área visual 4 do córtex estriado
V5 Área Visual 5
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO...............................................................................................................
15
2 A PERCEPÇÃO VISUAL DE OBJETOS...................................................................
18
2.1 Neurofisiologia do processamento visual...................................................................
19
2.1.1 As vias paralelas da retina ao tálamo.........................................................................
22
2.1.2 Processamento cortical, em série ou em paralelo?....................................................
24
2.2As pesquisas com pinturas de Salvador Dali e as Pranchas de Rorschach como
ferramentas de avaliação do processamento visual........................................................
27
3 O ESTRESSE..................................................................................................................
31
3.1 Breve histórico do estresse...........................................................................................
31
3.2 Concepções do estresse................................................................................................
32
3.2.1 A síndrome geral da adaptação..................................................................................
32
3.2.2 O modelo transacional do estresse.............................................................................
34
3.2.3 O modelo quadrifásico do estresse.............................................................................
35
3. 2.4 O estresse como allostasis ou allostatic load............................................................
36
3.3 Resposta aos estressores..............................................................................................
36
3.4 O estresse crônico.........................................................................................................
39
4. O ESTRESSE E A PERCEPÇÃO VISUAL................................................................
42
4.1 O efeito do estresse em algumas áreas do cérebro....................................................
42
4.2 O efeito do estresse no córtex visual...........................................................................
45
5 MÉTODO.........................................................................................................................
48
5.1 Objetivos.......................................................................................................................
48
5.1.1 Objetivo geral..............................................................................................................
48
5.1.2 Objetivos específicos...................................................................................................
48
5.2 Local..............................................................................................................................
48
5.3 Voluntários....................................................................................................................
48
5.3.1 Critérios de inclusão...................................................................................................
48
5.3.2 Critério de exclusão....................................................................................................
49
5.4 Participantes.................................................................................................................
49
5.5 Instrumentos.................................................................................................................
49
5.6 Procedimento de coleta de dados................................................................................
51
5.7 Dificuldades encontradas.............................................................................................
52
6 RESULTADOS................................................................................................................
54
7 DISCUSSÃO....................................................................................................................
59
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS.........................................................................................
62
REFERÊNCIAS.................................................................................................................
63
APÊNDICE A - Termo de consentimento livre e esclarecido............................................
72
APÊNDICE B - Carta de anuência.....................................................................................
75
ANEXO A - Protocolo de entrevista clínica........................................................................
77
ANEXO B - Mine exame do estado mental........................................................................
81
15
1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho é fruto de um estudo exploratório que teve o objetivo de avaliar a
percepção visual de forma e tamanho em voluntários com estresse crônico.
O estresse crônico pode afetar várias áreas de funcionamento biopsíquico
(ANDERSEN et al., 2008; CHOI et al., 2012; GONZÁLEZ; ESCOBAR, 2006; HANSON et
al., 2012; JOËLS; KRUGERS; KARST, 2008; JOËLS; MORALES-MEDINA et al., 2009;
LOVALLO et al., 2010; McEWEN, 2006; TOMODA et al., 2009, 2012; YANG et al., 2008).
Em seres humanos, um dos principais marcadores fisiológicos do estresse é a ativação do eixo
hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA), caracterizado pela liberação da adrenalina, na fase
inicial do estresse, e do glicocorticóide cortisol, o qual tenta promover a resistência do
organismo à ação do(s) estressor(es) (CHROUSOS, 2009; DEDOVIC et al., 2005; KLOET;
JOËLS; HOLSBOER, 2005).
Esses reguladores químicos promovem uma reação de adaptação em busca da
homeostase (SELYE, 1965). Se esta busca persistir por um longo período de tempo, o estresse
passa a ser prejudicial, caracterizando o estresse crônico e podendo comprometer o bom
funcionamento orgânico (CHROUSOS, 2009; McEWEN; ULRICH-LAI; HERMAN, 2009;
WINGFIELD, 2010).
O estresse crônico tem sido relacionado, entre outras coisas, à redução de neurônios no
córtex visual (CHOI et al., 2012; OLIVARES, et al., 2010; TOMODA et al., 2009, 2012).
Tomoda et al. (2009; 2012) propuseram que este efeito, produzido pelos estressores, ocorreu
devido a uma cascata de eventos que incluem a excessiva exposição a hormônios, como o
cortisol.
Se o estresse crônico provoca mudanças morfológicas numa das mais importantes
áreas do processamento visual, tais efeitos também acarretariam disfunções na percepção
visual?
Estudos recentes têm sugerido que as pinturas de Salvador Dali podem ser uma
ferramenta favorável na detecção de alterações na percepção visual de forma e tamanho em
portadores de Esquizofrenia (MENEZES, 2008; NOGUEIRA, 2006; SIMAS et al., 2011).
Considerando que o estresse crônico é um fator de risco que antecede surtos psicóticos
(CORCORAN et al., 2003; CORTEZ; SILVA, 2007; LISTON; McEWEN; CASEY, 2009),
buscou-se investigar, neste trabalho, se as pessoas com estresse crônico submetidas ao mesmo
teste experimental apresentariam respostas semelhantes às encontradas no estudo com
portadores de esquizofrenia.
16
Embora as alterações sensoriais na esquizofrenia estejam sendo amplamente
abordadas e discutidas na literatura ainda são necessários mais estudos que contribuam para a
prevenção de tais surtos (MAJ; SARTORIUS, 2005; LOUSÃ, 2007). Nesta perspectiva, as
pesquisas que investigam os aspectos antecedentes da instalação da psicose, como exemplo, o
estresse crônico, podem trazer colaborações importantes. (CORCORAN et al., 2003;
CORTEZ; SILVA, 2007; LISTON; McEWEN; CASEY, 2009).
Tal como ocorre com as patologias listadas na Classificação Estatística Internacional
de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10) e na quarta edição do Manual
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV), não encontramos o estresse
como doença física ou psíquica. Ele é referido como um dos itens que compõe as prováveis
causas de uma enfermidade (BRADLEY; DINAN, 2010; CORCORAN et al., 2003;
CORTEZ; SILVA, 2007; McEWEN, 2007; LIPP, 2006; LISTON; McEWEN; CASEY,
2009).
Desse modo, é a forma crônica do estresse que pode ser disparadora de inúmeras
doenças geneticamente programadas, como a Esquizofrenia, as quais permaneceriam latentes
na ausência de estressores contínuos; de doenças oportunistas que se aproveitam da queda da
imunidade para instalar-se no organismo; e de doenças cardíacas, gastrointestinais e etc.
(BRADLEY; DINAN, 2010; LIPP, 2006). Além disso, a exposição ao estresse crônico pode
alterar morfologicamente áreas do processamento visual (CHOI et al., 2012; OLIVARES, et
al., 2010; TOMODA et al., 2009, 2012).
Feitas as considerações acima, vale ressaltar que presente dissertação está subdividida
em oito capítulos. O primeiro refere-se à introdução em pauta.
Os capítulos 2, 3 e 4 juntos compõe o marco teórico. Eles tratam, respectivamente, da
percepção visual de objetos, do estresse e da relação entre estresse e percepção visual.
No capítulo dedicado a percepção visual, é descrito o processamento visual desde a
retina até as áreas associativas. No final, é discutido sobre as pesquisas com o uso das
fotografias das pinturas de Salvador Dali como instrumento de avaliação da percepção de
forma e tamanho.
O capítulo reservado ao estresse traz inicialmente um breve histórico do mesmo,
passando pelas suas principais concepções teóricas, a resposta aos estressores e o estresse
crônico.
E o capítulo que relaciona estresse a percepção visual discute algumas pesquisas que
relacionam o estresse crônico a alterações morfofisiológicas em algumas áreas cerebrais,
destacando, no final, as alterações no córtex visual.
17
O quinto capítulo trata do método, explanando os objetivos deste trabalho, bem como
o local da coleta de dados, os critérios de inclusão e exclusão que os voluntários foram
submetidos, os participantes do estudo, os instrumentos e procedimentos utilizados para a
coleta de dados e por fim as dificuldades encontradas durante tal coleta.
O sexto e o sétimo capítulos trazem, respectivamente, os resultados e discussão dos
dados coletados. Na discussão é feita uma reflexão sobre o estresse em professores (sujeitos
da pesquisa). Em seguida é feita uma comparação dos resultados desta pesquisa com
resultados de pesquisas anteriores que utilizaram as fotografias de pinturas de Salvador Dali
como ferramenta de investigação da percepção visual.
Por fim, no oitavo capítulo, a conclusão traz sugestões sobre futuras pesquisas que
possam contribuir para ampliar as reflexões do presente estudo, e quem sabe, responder a
questões suscitadas pelo mesmo.
18
2 A PERCEPÇÃO VISUAL DE OBJETOS
A psicologia, quando emergiu como ciência, apoiou-se no estudo da sensação e
percepção. Nessa época, o médico e fisiologista Wilhelm Wundt (1832-1920) conduziu uma
série de estudos neste campo, fundando a Psicologia Experimental. Continua sendo interesse
da Psicologia Experimental a investigação de algo tão amplo e complexo como a percepção,
notadamente o fascinante campo da percepção visual (SCHIFFMAN, 2005).
Várias abordagens teóricas surgiram ao longo da história para investigar a percepção
visual, dentre elas: o Estruturalismo, a Psicologia da Gestalt, a Abordagem Computacional e a
Psicologia Sensorial. Esta última, devido ao enfoque deste trabalho, receberá mais atenção.
O estruturalismo tem como base o método de estudo das ciências naturais, a qual tinha
como objetivo descobrir a estrutura dos elementos básicos da matéria. Edward Bradford
Titchener (1986-1927), um dos mais influentes alunos de Wundt, influenciado por tal método,
decidiu pesquisar a estrutura da percepção. Sendo assim, ele propôs que a psicologia deveria
se preocupar com os elementos constituintes da percepção, ou seja, com as sensações
elementares (SCHIFFMAN, 2005).
Eram característicos dos estudos de Wundt, tal como era de se esperar de um método
quantitativo das ciências naturais, a construção de hipóteses, a verificação experimental e o
elementarismo1 (ENGELMANN, 2002). No entanto, por mais que esta metodologia e seus
resultados tenham tradição, a mesma não agradou a muitos pesquisadores da psicologia da
época e de épocas posteriores. Tal insatisfação fez com que outras formas de estudar e
compreender a percepção fossem se desenvolvendo e eclodindo, como a abordagem
denominada Gestalt.
A Teoria da Gestalt nasceu por volta de 1910 na Alemanha, partindo da oposição à
visão elementarista do estruturalismo. Esse estudo começou com a investigação da sensação e
percepção do movimento, realizado por Max Wertheimer (1880-1943), em parceria com
Wolfgang Köhler (1887-1967) e Kurt Koffka (1886-1941). Em linhas gerais, a partir dos
experimentos psicofísicos realizados por eles, defenderam a tese de que a gestalt2 é anterior à
existência das partes. Com efeito, a gestalt vai se opor ao status quo da época, ao
estruturalismo (ENGELMANN, 2002; SCHIFFMAN, 2005).
1
Metodologia, utilizada por grande parte de cientistas da época, que estudavam o objeto de interesse partindo
dos seus elementos constituintes (ENGELMANN, 2002)
2
Configurações articuladas, indivisíveis, organizadas (ENGELMANN 2002).
19
Outra forma de explicar a percepção é a abordagem computacional, a qual é baseada
na monografia de David Marr (1945-1980). Ele propôs “que a percepção de características
como as formas requer do observador um modo de resolução de problemas ou de
processamento de informações dos estímulos ambientais” (SCHIFFMAN, 2005, p.6). Esses
estímulos ambientais são quinas, bordas, contornos, movimento e outras descontinuidades.
Esta forma de explicar a percepção é similar ao processamento de informações tal como
ocorre com programas de computadores.
Para uma compreensão acerca da percepção visual é imprescindível uma análise dos
processos neurofisiológicos nela envolvidos (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2008, LENT,
2010).
2.1 Neurofisiologia do processamento visual
O olho humano é um órgão que apresenta uma anatomofisiologia especializada para a
detecção, localização e fototransdução da luz. Descrevendo brevemente o caminho da luz até
a formação da imagem no fundo do olho, pode-se dizer que ela incide na córnea, superfície
vítrea transparente, passando pela pupila, abertura cercada pela íris, atravessando o humor
aquoso, fluido que nutre a córnea. Em seguida os raios luminosos passam pelo cristalino,
estrutura transparente localizada por detrás da íris, pelo humor vítreo, o qual é viscoso e
gelatinoso, até chegar à retina, local que possui fotorreceptores, responsáveis pela
transformação da energia luminosa em sinais neurais (BEAR; CONNORS; PARADISO,
2008; LENT, 2010; SCHIFFMAN, 2005).
Todas as estruturas anatômicas do olho colaboram de alguma forma para que a imagem
de determinado campo visual3 seja formada sobre a retina. Esta é especializada na detecção de
diferenças na intensidade da luz incidente. A retina consegue isso graças a dois tipos celulares
que especialmente a constitui, os fotorreceptores, conhecidos como bastonetes e cones. Eles
estão localizados na última camada da estrutura laminar que perfaz toda a retina (Figura 1)
(BEAR; CONNORS; PARADISO, 2008; LENT, 2010; PURVES et al., 2010; SCHIFFMAN,
2005).
3
Campo visual é o espaço total que pode ser visto pela retina quando o olhar está fixo em um ponto à frente.
(BEAR; CONNORS; PARADISO, 2008).
20
FIGURA 1: Os fotorreceptores da retina
A luz atravessa todas as camadas da retina até atingir os fotorreceptores, os quais são sensíveis à luz.
Em destaque, as células que constituem a retina. Fonte: http://sites.ifi.unicamp.br/lf22/curiosidades2/olho-humano/
Tanto bastonetes como cones apresentam um segmento celular contendo uma pilha de
discos membranosos, local onde é realizada a fototransdução. Morfologicamente, o que os
diferenciam é o fato do seguimento do primeiro ser longo e cilíndrico, com mais discos
membranosos, enquanto o segundo apresenta um seguimento mais curto que gradualmente
diminui de espessura, com menor quantidade de discos membranosos (BEAR; CONNORS;
PARADISO, 2008; LENT, 2010).
Considerando que tais discos apresentam fotopigmentos (sensíveis à luz), acoplados à
sua membrana, os bastonetes são capazes de responder a baixos níveis de estimulação
luminosa, enquanto os cones respondem a níveis mais elevados de iluminação. O que cada
receptor capta é um determinado comprimento de onda. Além de receber a luz, os receptores
tem a tarefa de traduzi-la em alterações do potencial de membrana, para assim o estímulo
luminoso poder ser transformado em sinal neural (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2008;
GAZZANIGA; IVRY; MANGUN, 2006; LENT, 2010; PURVES et al., 2010).
Cones e bastonetes são distribuídos diferentemente na retina. A retina, na sua porção
periférica, é rica em bastonetes, o que faz tal região retiniana ser mais sensível à luz e em
contrapartida com menos poder de resolução visual. No centro da retina, exatamente na fóvea,
uma pequena depressão torna a retina mais delgada. Neste ponto, que é constituída somente
21
por fotorreceptores, há uma grande densidade de cones (Figura 2). Estes, por detectarem luz
de diferentes faixas de comprimentos de onda são especialistas na visão de cores e de alta
resolução (LENT, 2010; PURVES et al., 2010).
FIGURA 2: A fóvea
Na fóvea há um afastamento permanente das células bipolares e ganglionares, permitindo que a luz
incida diretamente nos cones, o que o torna especializado na visão de cores e de alta resolução. Fonte:
http://ocularis.es/blog/?p=16
A resolução da visão é medida em graus de ângulo visual, ou seja, a capacidade do
olho em distinguir a separação angular entre dois pontos no espaço (BEAR; CONNORS;
PARADISO, 2008). É a alta resolução da fóvea que permite a acuidade visual. Esta costuma
ser testada nos consultórios oftalmológicos e em estudos envolvendo a percepção visual4.
Durante percepção de uma cena natural, passamos nossos olhos cerca de três vezes a
cada segundo através de movimentos oculares rápidos (sacadas), de modo que o objeto de
interesse seja centrado na alta resolução fóvea (PAJAK; NUTHMANN, 2013). Essa
exploração do campo visual permite selecionar informações a serem extraídas de uma cena
(SCHIFFMAN, 2005).
O tamanho dos objetos percebidos através do sistema visual é codificado pelo ângulo
visual sobre a retina. Tal abertura depende da distância do objeto. Através de um mecanismo
visual chamado "constância de tamanho”, o sistema visual executa um reescalonamento
automático de abertura visual, conforme a distância do objeto, sem que o objeto percebido
4
Para Bicas (2002), o teste da acuidade visual adequar-se principalmente à medida da capacidade de
discriminação de formas e contrastes. Este autor ressalta que o registro de um valor de acuidade visual depende
dos componentes da percepção e da cognição.
22
pareça se encolher ou se expandir enquanto sua distância muda. (HEINRICH; WIEGREBE,
2013; SCHIFFMAN, 2005).
2.1.1 As vias paralelas da retina ao tálamo
Os fotorreceptores estabelecem conexões com as células bipolares, as quais
estabelecem via direta até as células ganglionares. As células amácrimas e horizontais
influenciam o processamento visual atuando nos fotorreceptores, células bipolares e células
ganglionares (voltar à figura 1) (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2008).
Três tipos morfofuncionais de células ganglionares parecem desempenhar diferentes
papéis no processamento visual: (1) as células do tipo M (magnocelular), aproximadamente
10% das células ganglionares, apresentam soma e dendritos grandes; (2) as células tipo P
(parvocelular), perfazendo cerca de 80%, apresentam soma pequeno, comparado as células
tipo M, porém árvores dendríticas bem ramificadas. E (3) as células tipo K (coniocelular),
menos frequentes, são células menores que as do tipo P (LENT, 2010).
Os axônios das células M, P e K são projetados ao NGL (Núcleo Geniculado Lateral)
de uma forma interessante. Os tipos celulares citados se trifurcam rumo ao tálamo (local onde
se localiza o NGL), constituindo três vias ou canais de processamento de informações visuais:
o canal M, o canal P e o canal K. A tabela a seguir mostra as diferenças entre eles (LENT,
2010; PURVES et al., 2010).
Quadro 1: Diferenças funcionais entre os três tipos de células ganglionares
Magnocelular
Parvocelular
Coniocelular
- Apresentam-se em menor
quantidade.
- Parece está ligado à detecção de
objetos em movimentos.
- Maiores campos receptivos.
- Condução rápida de potenciais de
ação no nervo óptico.
- São mais sensíveis a estímulos com
baixos contrastes.
- Respondem à estimulação dos
centros de seus campos receptivos
com uma série rápida e transitória de
rajadas de potenciais de ação.
- São abundantes em quantidade;
- Apresenta função possivelmente ligada à
detecção e análise fina da forma dos
objetos.
- Detecta e analisa a cor de objetos.
- Menores campos receptivos.
- Respondem à estimulação do centro de
seus campos receptivos com uma descarga
sustentada de potenciais de ação, que
persiste enquanto persistir o estímulo.
- Possui função
relacionada à detecção de
cores.
Fonte: BEAR, M. F.; CONNORS, B. W.; PARADISO, M. A. Neurociências: desvendando o
sistema nervoso. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.
23
As células ganglionares apresentam sensibilidade a contrastes e comprimentos de
ondas de luz. Elas são as únicas na retina a dispararem potencial de ação, sendo também
únicas a projetar axônios da retina para o restante do encéfalo. São estes axônios que
constituem o nervo óptico. Parte das fibras que o constitui dirige-se para o diencéfalo, na
região do tálamo, especificamente para o NGL, o qual recebendo fibras nervosas provenientes
das células ganglionares retinianas, de cada olho, envia radiações ópticas ao córtex visual
primário (Figura 3) (LENT, 2010; PURVES et al., 2010).
FIGURA 3: o percurso da informação visual da retina ao córtex visual primário
A informação visual que vem da retina passa pelo NGL, o qual as envia para o córtex visual primário.
Fonte: adaptado de BEAR, M. F.; CONNORS, B. W.; PARADISO, M. A. Neurociências:
desvendando o sistema nervoso. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.
Vistos em uma secção transversal, macroscopicamente, cada NGL é constituído por
seis camadas. Convencionou-se que elas fossem enumeradas de 1 a 6, sendo que cada qual
recebe aferências de axônios do trato óptico e envia eferências até o córtex visual. Tendo em
vista o grande tamanho de seus neurônios, as camadas 1 e 2 (inferiores ou ventrais) são
denominadas sistema magnocelular, o qual recebe aferências de axônios M. As camadas 3, 4,
5 e 6 (superiores ou dorsais) constituem o sistema parvocelular, já que apresentam neurônios
pequenos e recebem aferências das células P. Nos espaços interlaminares dessas camadas há
neurônios ainda
menores, os coniocelulares, os quais recebem aferênicas de axônios
ganglionares K (Figura 4) (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2008; GAZZANIGA; IVRY;
MANGUN, 2006; LENT, 2010; PURVES et al., 2010).
24
FIGURA 4: As camadas do Núcleo Geniculado Lateral (NGL)
NGL
Parvocelular
NGL
Magnocelular
Fonte: Adaptado de BEAR, M. F.; CONNORS, B. W.; PARADISO, M. A. Neurociências:
desvendando o sistema nervoso. 3ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.
2.1.2 Processamento cortical, em série ou em paralelo?
As vias M e P dispõem-se de forma segregada em todo o sistema retino-geniculoestriado. As mesmas funções, descritas anteriormente (Quadro 1) sobre as células
ganglionares M e P continuam igualmente no NGL e nas suas aferências de axônios até o
córtex estriado5 (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2008).
Esta região cortical é constituída por cerca de seis camadas, conforme a convenção
estabelecida por Brodmann, cada uma referida por um algarismo romano. A camada IV é
atualmente subdividida em três camadas (IVA, IVB e IVC, esta última subdividida em IVC
e IVC) (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2008; KANDEL; SHUARTZ; JESSEL, 2002).
É na camada IVC que terminam a maioria dos axônios oriundos do NGL. Os fluxos da
informação visual, presentes nas camadas magno e parvocelulares do NGL, permanecem
anatomicamente segregados na camada IVC. As camadas II e III recebem eferências de
axônios das camadas coniocelulares do NGL (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2008). É
5
É no lobo occipital do cérebro dos primatas que se localiza o córtex estriado, também conhecido por córtex
visual primário, área 17 de Brodmann e área visual 1 (V1). (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2008).
25
bom lembrar que se deve aos estudos pioneiros, no início da segunda metade do século XX,
realizados por Hubel e Wiesel6, as bases sistemáticas da fisiologia do córtex estriado.
Pesquisas realizadas por eles, estudando o campo receptivo7 de células do córtex
estriado de gato e depois de macaco, evidenciaram que as células da área 17 respondiam
preferencialmente para estímulos que apresentavam uma determinada orientação e
configuração de formas. É com base nesses estudos que se fala no processamento hierárquico
ou serial (HUBEL; WIESEL, 1962, 1968).
Foi proposta a existência de uma hierarquia de áreas, partindo de V1, com
complexidade crescente, visto que os campos receptivos vão se tornando progressivamente
mais complexos, na medida em que vão se direcionando às regiões extra-estriadas do córtex.
Vale considerar que nessas áreas as células respondem seletivamente a formas mais
complexas e movimentos de objetos (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2008).
Diferente do modelo hierárquico, estudos com primatas, que sofreram lesões em áreas
do córtex extra-estriadas, mostraram existir duas vias corticais (vias paralelas) para a
percepção visual. São as vias dorsal e ventral. Essas regiões partem do córtex extra-estriado e
frequentemente recebem aferências da área para a qual se projetam, ocorrendo extensos
padrões de convergências e divergências de vias de processamento visual (GAZZANIGA;
IVRY; MANGUN, 2006; GOODALE; MILNER, 1992; KANDEL; SHUARTZ; JESSEL,
2002).
A via dorsal, que se direciona ao lobo parietal, parece relacionar-se a análise do
movimento visual, bem como para o controle visual da ação. Esta via permite, por exemplo, a
determinação de onde está um objeto (Figura 5) (GAZZANIGA; IVRY; MANGUN, 2006;
GOODALE; MILNER, 1992).
6
As contribuições dadas por eles conferiu-lhes o Prêmio Nobel de medicina e fisiologia, em 1981.
(SCHIFFMAN, 2005)
7
Campo receptivo é região do campo visual ou a região correspondente da retina que, quando adequadamente
estimulada, excita ou inibe o padrão de disparo do potencial de ação de uma célula sensorial. (SCHIFFMAN,
2005).
26
FIGURA 5: As regiões corticais do processamento visual, realizado pelas vias dorsal e ventral.
Fonte: Adaptado de KANDEL, E. R.; SHUARTZ, J. H.; JESSEL, T. M. Princípios da Neurociência.
4 ed. São Paulo: Manoele, 2002.
Por outro lado, a via ventral parte de V1 em direção ao lobo temporal. As propriedades
de seus neurônios parecem está ligadas ao reconhecimento de objetos, envolvendo a
percepção tanto da forma quanto da cor, determinando o quê se está olhando (BEECK et al.,
2008; GOODALE; MILNER, 1992; ). Para Gazzaniga, Ivry e Mangun (2006), a percepção da
forma é o objetivo essencial da visão, visto não existirem registros clínicos de paciente cegos
à forma. Eles argumentam que a percepção da cor serve a forma, já que não podemos falar em
cor, sem antes existir uma forma para mesma.
Estudos com indivíduos que apresentam lesões restritas nas áreas corticais extraestriais
da via ventral indicam que a análise da forma dos objetos é apenas iniciada pelo córtex
estriado, continuando ao longo da via mencionada. O córtex ínfero-temporal parece conter
céulas gnósicas (do grego gnosis, saber), relacionadas à percepção visual da forma, visto que
lesões nesse local fazem indivíduos perderem a capacidade de reconhecer objetos, desenhos e
faces, sem, contudo, perder a percepção espacial (BEECK et al., 2008; LENT, 2010;
PURVES, 2010).
Gazzaniga, Ivry e Mangun (2006) preferem chamar o processamento de duas vias de
processamento convergente (termo cunhado por David Van Essen, Universidade de
Washington), o qual enfatiza a natureza analítica da percepção, com a estratégia de dividir
(divisão de trabalho) para conquistar (ESSEN; GALLANT, 1994). É como se as informações
visuais fossem dividas em subsistemas especializados, os quais, de forma interativa,
trabalham para constituírem a cena visual. Nesse sentido, Bear, Connors e Paradiso, (2008)
assemelham a percepção visual a uma orquestra de áreas visuais.
27
Conforme Lent (2010), pesquisas fundamentadas no modelo hierárquico e no modelo
paralelo continuam coexistindo. Diante do fato das pesquisas sobre percepção visual estarem
ainda na tentativa de elucidar muitos problemas ainda não respondidos, é mais razoável não
escolher um modelo como o único capaz de explicar a neurofisiologia visual.
Alternativa é considerar que o entendimento do processo de reconhecimento dos
objetos pode ter dois modos de processamentos: o bottom-up e o top-down. O primeiro
acredita que as informações sensoriais fornecidas pelos receptores se combinam com
mecanismos involuntários do sistema visual para construir e formar padrões e formas
identificáveis. Já o segundo envolve níveis de análise abstrata, superiores e globais,
relacionados com a experiência, o conhecimento, o significado e as expectativas que o
observador atribui às imagens percebidas (GOLDSTEIN, 2010; SCHIFFMAN, 2005).
Estudos recentes utilizando as pinturas de Salvador Dali como estímulos visuais (SIMAS et
al.,2011), conforme será discutido a seguir, parecem lançar mão desses dois modos de
processamento.
2.2 As pesquisas com pinturas de Salvador Dali e as Pranchas de Rorschach como
ferramentas de avaliação do processamento visual
Como já foi dito anteriormente, o processo de reconhecimento dos objetos do mundo a
nossa volta pode lançar mão de dois mecanismos de processamentos visuais: o bottom-up e o
top-down. Um caso interessante de integração entre esses dois processamentos ocorre na
pareidolia, “a percepção equivocada de algo claro e distinto a partir de um estímulo vago e
obscuro” (MARANHÃO-FILHO; VINCENT, 2009, p.1117). Esse fenômeno está presente
nas síndromes psicóticas (também podendo ser observada, com intencionalidade, por pessoas
saudáveis) e pode ser bem ilustrado nas pinturas de Salvador Dalí (SIMAS et al., 2011).
Simas et al.(2011) vem realizando estudos nesse sentido, utilizando as pinturas de
Dali. Os achados desses estudos revelam que a população estudada, portadores de
Esquizofrenia, escolheram imagens que requerem bordas de vários objetos para formar uma
única figura, o que resulta em proporções muito ampliadas da imagem escolhida.
Simas et al. preferem chamar esse fenômeno de concatenação de formas, para não ser
confundido com a pareidolia, apesar de ambos fenômenos serem semelhantes. Para estes
pesquisadores a concatenação de formas ocorre durante o agravamento dos sintomas positivos
da Esquizofrenia, ou seja, delírios, alucinações e ilusões.
28
Nogueira (2006), pioneira a realizar estudos testando os quadros de Salvador Dali,
revelou na sua pesquisa que as pessoas acometidas pela Esquizofrenia viam tamanhos de
figuras em média três vezes maiores do que as indicadas pelo grupo controle. Para esta
pesquisadora, uma das explicações hipotéticas para a preferência por figuras maiores entre o
grupo experimental seria uma alteração nos canais visuais parvocelular. Déficits no
processamento visual, em portadores de Esquizofrenia já são confirmados por estudos
científicos (KIM et al., 2006; KANTROWITZ et al., 2009; NOGUEIRA, 2010).
O resultado desse estudo motivaram outras pesquisas que replicaram e aprimoraram o
primeiro estudo. Uma dessas pesquisas procurou verificar se os quadros do pintor Salvador
Dali podem ser ferramentas para investigar possíveis alterações na percepção visual,
relacionadas a episódios depressivos, tal como parece ter sido útil no estudo de pessoas com
Esquizofrenia. No entanto, não foi encontrada diferença estatisticamente significante nas
respostas dos sujeitos experimental e controle (LACERDA, 2008).
Outro estudo replicou este estudo pioneiro e encontrou mais uma vez a diferença de
escolhas de tamanhos entre grupo experimental (GE), pessoas com Esquizofrenia, e controle
(GC), pessoas saudáveis. Os resultados indicaram que pessoas com Esquizofrenia escolheram
figuras em média 1,51 (pelo menos uma vez e meia) maiores que as figuras escolhidas pelas
pessoas saudáveis (figura 6) (MENEZES, 2009).
Diante dos resultados dos três estudos citados, Modesto (2012) realizou uma pesquisa,
semelhante as três acima, realizadas por Nogueira (2006), Lacerda (2008) e Menezes (2009).
Ela acrescentou mais dois grupos de estímulos visuais para investigar a percepção visual de
pessoas com Esquizofrenia. Foram eles, as pranchas do Rorschach8 e pinturas de Bev
Doolittle9. Os resultados (figura 7) mostraram que o GE escolheram figuras maiores do que o
GC, nos três grupos de estímulos, reforçando os achados dos estudos de Nogueira (2006) e
Menezes (2009).
8
É um teste projetivo, elaborado por Hermann Rorschach em 1918, composto por 10 lâminas com manchas de
tinta simétricas, o que lhe confere a característica de proporcionar a percepção de figuras ambíguas. (JACÓVILELA et al., 2010). Modesto (2012) utilizou as pranchas de Rorschach da mesma forma como utilizou Dali,
ou seja, ela fez uso dele como ferramenta para a avaliação de possíveis alterações na percepção visual de forma e
tamanho.
9
Nas palavras de Modesto (2012, p.72), ”Uma das características mais marcantes em suas obras é a utilização de
técnicas de camuflagem em que alguns detalhes de sua arte podem ser vistos de maneiras distintas”. Numa
mesma pintura deste artista, cada observador pode observar uma forma, uma figura diferente.
29
FIGURA 6: Estimativa do tamanho do grau de ângulo visual em função de 24 estímulos de Dali.
Situações experimentais e controle (Menezes, 2009).
FIGURA 7: Estimativa do ângulo visual em função do estímulo
(A)
30
(B)
(A) Dalí e (B) Rorschach, mostrando os resultados do Grupo Experimental e do Grupo Controle
(MODESTO, 2012). Tanto os tamanhos escolhidos em Dali, como em Rorschach pelo GC são em
torno de 10 (dez) graus de ângulo visual.
Simas et al. (2011) consideram que as alterações cognitivas na Esquizofrenia são
precedidas por alterações sensoriais. Além disso, argumentam que este efeito de percepção de
forma e tamanho alterados pode servir como marcador no diagnóstico precoce de sintomas
positivos na Esquizofrenia, o que pode conferir a essas pinturas um relevante instrumento de
avaliação, detectando a possibilidade do surto antes do mesmo ocorrer e prevenindo o
agravamento dos sintomas cognitivos.
As alterações sensoriais, típicas nos quadros de Esquizofrenia, já estão bem descritas e
discutidas na literatura. Entretanto, pesquisadores apontam que ainda são necessários estudos
que contribuam para a prevenção de tais surtos (MAJ; SARTORIUS, 2005; LOUSÃ, 2007).
Nessa perspectiva, parece relevante investigar aspectos antecedentes da instalação da
psicose, como exemplo, o estresse crônico (CORCORAN et al., 2003; CORTEZ; SILVA,
2007; LISTON; McEWEN; CASEY, 2009). Uma possibilidade interessante seria utilizar os
mesmos estímulos dos estudos citados acima em pessoas que apresentem estresse e avaliar as
respostas dos sujeitos, comparando com estes estudos anteriores.
31
3 O ESTRESSE
Quando o homem não consegue responder satisfatoriamente às pressões do meio, pode
ocorrer uma ameaça à sua homeostase, tendendo ao desequilíbrio orgânico e/ou psíquico. Não
obstante, o ser humano dispõe de mecanismos biológicos para lidar neuroquimicamente com
as situações adversas (CHROUSOS, 2009; CORTEZ; SILVA, 2007; 2008; ULRICH-LAI;
HERMAN, 2009).
Vale lembrar que os reguladores químicos que ajudam o organismo no enfrentamento
de estressores, se acionados por um longo período, em algum momento reduz sua produção, o
que deixa o organismo mais susceptível às doenças (somáticas e/ou psicológicas) (CORTEZ;
SILVA, 2007; 2008; HERMAN et al., 2012; McEWEN, 2008).
É no contexto acima que o termo estresse costuma ser empregado, ou seja, como
sendo um considerável fator de risco para o desenvolvimento de inúmeras doenças, já que
pode afetar vários órgãos. Essa idéia tem recebido muito destaque, tanto pela mídia popular,
como meios de comunicação científicos (BAUER, 2002; GLEI et al., 2007; LIPP, 2006;
McEWEN, 2005).
De um modo geral, o termo estresse é muitas vezes utilizado como sinônimo de
estressores e adoecimento. Por isso, vale ressaltar que os três estão ligados entre si, porém,
cada qual possui suas próprias características, como está explicado adiante (CORTEZ;
SILVA, 2007).
3.1 Breve histórico do estresse
A palavra estresse é a versão em português do vocábulo inglês stress. Esse termo foi
inicialmente utilizado na Física e significa literalmente tensão. Nesta ciência, tensão é
conceituada como o grau de deformidade sofrido por um material quando submetido a um
esforço ou pressão (HALLIDAY; RESNICK;WALKER, 2001).
Sem encontrar uma palavra que melhor caracterizasse o resultado de seus
experimentos, o endocrinologista Hans Selye fez uso do termo stress para falar da soma de
todas as reações sistêmicas não específicas que surgiram nos animais estudados (ratos), após
uma longa e continuada exposição a diversos estressores. Reações não específicas, porque
elas eram independentes do estímulo estressor utilizado (frio, exercícios físicos intensos e
etc).
32
É provável que Selye não imaginasse que sua descoberta iria se popularizar tanto. A
partir dele surgiram outros estudos utilizando o termo estresse como vocábulo científico.
Alguns estudos continuaram a falar de estresse privilegiando a sua base original, a fisiologia,
o que promoveu avanços nos conhecimentos sobre a regulação endócrina promovida a partir
de estímulos estressores (ANTUNES-RODRIGUES, et al., 2005; CHARMANDARI;
TSIGOS; CHROUSOS, 2005; McEWEN, 2008).
Outros, a exemplo Lazarus e Folkman (1984), propuseram uma vertente cognitiva de
conceber o estresse. Estes foram além, propondo uma ferramenta que investiga o modo como
o indivíduo enfrenta os estressores. Ainda surgiram pesquisadores, a exemplo Marilda Lipp
(2005), no Brasil, que criaram instrumentos de detecção do estresse, bem como estratégias
cognitivas de preveni-lo e enfrentá-lo.
Somado a popularização do termo estresse (McEWEN, 2000), críticas surgiram em
torno do emprego do mesmo na ciência (CASTIEL, 2005; FIGUEIRAS; HIPPERT, 1999;
WITTER, 2003). Figueiras e Hippert (1999) salientam que não se tem muita clareza do que é
estresse, já que existem muitas definições para o mesmo termo. Vários autores (FIGUEIRAS;
HIPPERT, 1999; McEWEN, 2005; WITTER, 2003) chamam a atenção para o fato de se
tomar os agentes estressores como sinônimo de estresse, é o que torna o termo um tanto
ambíguo. McEwen (2005) também lembra que é comum o termo estresse ser utilizado para
referir tanto ao estresse bom (eutresse) como ao estresse mau (distresse). E ainda, Cortez e
Silva (2007) argumentam que a ansiedade costuma ser confundida com estresse, embora,
lembram estes, que ela esteja presente num quadro de estresse.
Tentando evitar a desconfiança acerca da cientificidade da palavra estresse, McEwen
(2000) optou por adotar dois novos termos que pudessem separar o estresse adaptativo
(allostasis), que é positivo, da sobrecarga de estresse (allostact load), que gera adoecimento e
até morte. Ele criou sua própria saída para firmar o fenômeno do estresse como algo que
pudesse ser mencionado sem ambiguidades.
3.2 Concepções de estresse
É relevante diferenciar estressor de estresse, já que por vezes, este último é referido
como sendo um estímulo, ou uma resposta desenvolvida pelo estímulo (CORTEZ; SILVA,
2007; FIGUEIRAS; HIPPERT, 1999; MARGIS, 2003). Estressor, fisiologicamente
empregado, é qualquer estímulo ou evento capaz de provocar estresse (HOUAISS, VILLAR;
FRANCO, 2001). Estressores (ver figura 8) podem promover uma reação biológica que tem
33
por finalidade adaptar o organismo aos mesmos, ou às mudanças ocasionadas por eles
(McEWEN, 2008).
No presente estudo, utilizou-se a definição de estresse apontada por Marilda Lipp
(2005):
Stress é uma reação do organismo com componentes psicológicos, físicos,
mentais e hormonais que ocorre quando surge a necessidade de uma
adaptação grande a um evento ou situação de importância. Este evento pode
ter um sentido negativo ou positivo.
Essa reação não é algo instantâneo que logo acaba; diferente disso, é um processo que
aciona um conjunto de respostas orgânicas e/ou comportamentais, mediadas pela ativação do
eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA). Com a persistência dos estressores, ocorre um
aumento da produção de glicocorticóides (GC), como o cortisol, que permite que o organismo
responda ao estressor (CORTEZ; SILVA, 2007).
O uso do termo estresse é normalmente empregado de modo unívoco, sem informar
em qual concepção o mesmo se apóia. Neste capítulo serão abordadas quatro concepções de
estresse. A primeira é ancorada na fisiologia; a segunda, na cognição, a terceira, em ambas e a
quarta é uma concepção recente do estresse. Esta última busca diferenciar com muita clareza
o estresse adaptativo do estresse que leva ao adoecimento.
3.2.1 A síndrome geral da adaptação
O endocrinologista Hans Selye (1907-1982) foi o primeiro a estudar cientificamente o
estresse. Como já foi brevemente citado, ele realizou experimentos com ratos na Universidade
McGill, no Canadá, buscando investigar as respostas fisiológicas dos mesmos quando
expostos a diversos tipos de estressores, tais comos: frio, lesão cirúrgica, choque medular
espinhal, excesso de exercício muscular, ou intoxicações com doses subletais de drogas
diversas (adrenalina, morfina, etc). Os resultados da sua pesquisa mostraram
respostas fisiológicas foram
que tais
independentes da natureza do agente nocivo ou o tipo
farmacológico de droga empregada (SELYE, 1936).
A partir desse estudo, Selye (1936) lança o seguinte conceito de estresse: à soma de
todas as reações sistêmicas não específicas que surgem em respostas a uma longa e
continuada exposição ao estressor. Selye entendeu que essa resposta parecia representar um
esforço generalizado do organismo para se adaptar às novas condições. Por isso, chamou o
fenômeno observado de Síndrome Geral de Adaptação (SGA).
34
Ele dividiu a SGA em três estágios: alarme, no qual há uma excitação do sistema
nervoso autônomo e liberação de catecolaminas (adrenalina, por exemplo) pela adrenal;
resistência, o qual depende ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA), quando o
organismo tenta adaptar-se ao estressor, com a liberação do hormônio cortisol; e exaustão,
caracterizado pela baixa imunidade, levando o indivíduo ao adoecimento ou até a morte
(CORTEZ; SILVA, 2007; LIPP, 2005; SARDÁ, et al., 2004).
O próprio Selye, como o nome dado ao fenômeno sugere, já reconheceu que a SGA
leva a adaptação. Entretanto, como o indivíduo não pode suportar um longo período exposto
ao estressor sem apresentar sequelas, ocorre a exaustão, fase negativa do estresse.
Considerando que o estresse pode levar a adaptação ou causar doenças, Selye (1975)
faz uma difenciação do estresse positivo, chamado por ele de eutresse, e estresse negativo, por
ele denominado, distresse. O primeiro é um nível de estresse saudável para o indivíduo, ou
seja, refere-se ao estresse adaptativo, o qual leva naturalmente a homeostase. Já o segundo
indica a situação em que a exigência do ambiente é maior do que os meios para enfrentá-la, o
que resulta num esgotamento do indivíduo.
3.2.2 O modelo transacional do estresse
Lazarus e Folkman (1984) se utilizam de uma perspectiva cognitiva para conceber o
estresse. Consideraram-no como uma transação entre o indivíduo e o ambiente. Para eles, o
estresse é resultado da associação entre fatores relacionados a pessoa e os que se relacionam a
situação.
Fatores como personalidade, autoestima, avaliação cognitiva, estilo individual de
enfrentamento, intensidade e duração dos estressores , entre outros, irão interferir no modo
como cada pessoa vivenciará a ação dos estressores. Se um evento precipitante (interno ou
externo) é avaliado cognitivamente pelo indivíduo como algo que excede os seus recursos, o
estresse pode ocorrer como consequência.
Por exemplo, pessoas com auto-estima elevada tendem a perceber o estresse como um
desafio e não como uma ameça. Já pessoas mais ansiosas tendem a identificar mais estresse
nas situações (McEWEN, 2006). Lazarus e Folkman (1984) consideram que a avaliação
cognitiva sobre os estressores vai determinar a ocorrência ou não de estresse. Para eles,
fatores internos também podem agir como estressores.
Nesse processo o indivíduo realiza uma avaliação primária e uma secundária. A
primeira refere-se ao jugamento que o indivíduo faz da situação. Já a segunda consite numa
35
análise das capacidades, meios e estratégias de que o indivíduo dispõe e se utlilizará para lidar
com ela. Lazarus (1993) chamou de coping as estratégias que são utilizadas pelo indivíduo
para o enfrentamento de estressores, a fim de preservar a sua integridade psicológica.
3.2.3 O modelo quadrifásico do estresse
Conforme Lipp (2001), toda mudança que exija adaptação por parte do organismo
causa certo nível de estresse. Para ela, estresse é uma reação do organismo, com componentes
físicos e/ou psicológicos que ocorre quando a pessoa se confronta com uma situação
desencadeadora de irritação, amedrontamento, excitação ou confusão, ou mesmo uma imensa
felicidade (LIPP, 2003).
Lipp (2005) propôs o modelo quadrifásico do estresse, acrescentando mais uma fase às
decritas por Selye, a fase de quase-exaustão. É nesta fase que o processo de adoecimento se
inicia, atingindo os órgãos que possuem uma maior vulnerabilidade genética ou adquirida.
Esta nova fase do estresse, proposta por Lipp fica entre a fase da resistência e a fase da
exaustão.
Lipp (2006) considera o alarme como uma fase saudável, positiva do estresse, ou seja,
eutressse. Nessa fase o ser humano sente-se cheio de energia devido a produção de adrenalina.
Opostamente, pode ocorrer o estresse negativo ou distresse, que acontece quando a resistência
aos estressores chega ao seu limite máximo. É após esse momento que o indivíduo fica mais
susceptível a enfermidades, ou seja, chega à fase de exaustão.
Em cada fase do modelo quadrifáfico do estresse se pode encontrar sintomas físicos e
sintomas psicológicos. O estresse físico ocorre quando os estressores atingem diretamente o
organismo, por exemplo, aumento da sudorese, nó no estômago, tensão muscular, taquicardia,
hipertensão, aperto da mandíbula e ranger de dentes, mãos e pés frios e náuseas. O estresse
psicológico ocorre quando acontecimentos afetam o indivíduo psíquica ou emocionalmente,
como por exemplo, ansiedade, angústia, insônia, dúvidas quanto a si próprio, preocupação
excessiva, inabilidade de concentrar-se em outros assuntos que não o relacionado ao estressor,
dificuldades de relaxar, tédio, ira e hipersensibilidade emotiva (LIPP, 2005).
Lipp (2001) classifica o conjunto de fatores contribuintes para o estresse psicológico
ou emocional em internos ou externos, conforme a sua natureza. Como exemplos do primeiro,
ela cita: pensamentos estressógenos, crenças irracionais, vulnerabilidades psicológicas e
vulnerabilidade genética. O segundo são eventos externos, como a competição excessiva no
mundo do trabalho, a pressa, a pressão diária que as pessoas sofrem e se impõem e etc.
36
Para mensurar o estresse, Lipp, juntamente com Guevara (1994), elaborou, no Brasil,
o Inventário de Sintomas de Stress (ISS). Quase uma década depois, ela validou o Inventário
de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL), o qual difere do ISS, já que este divide o
processo de estresse em três fases, enquanto aquele divide em quatro, incluindo a fase da
quase exaustão (LIPP, 2005).
3.2.4 O estresse como allostasis ou allostatic load
Como já brevemente mencionado, McEwen (2000, 2005, 2006) considera que estresse
é uma palavra ambígua. Para evitar tal ambiguidade, ele adotou o uso de dois termos para
falar de estresse: allostasis e allostatic load.
Allostasis é um termo introduzido por Sterling e Eyer (1988) e significa literalmente
"alcance da estabilidade através da mudança.” Refere-se aos processos adaptativos que
mantem a homeostase através da produção de mediadores, tais como cortisol, adrenalina e
outros mensageiros químicos. Esses mediadores da resposta ao estresse promovem a
adaptação no processo de estresse agudo. Em contrapartida, se a busca pela homeostase
persistir por um longo período de tempo, pode ocorrer uma sobrecarga alostásica.
O termo allostatic load foi introduzido por McEwen e sua equipe de pesquisas. Eles
criaram esse termo para referir-se a forma crônica da allostasis, uma sobrecarga alostásica,
caracterizada pelo desgaste no corpo e no cérebro produzido por uma resposta fisiológica a
fim de manter o equilíbrio biológico (McEWEN, 2008; McEWEN; WINGFIELD, 2010).
Nesse caso, o estresse passa a ser negativo, prejudicando o bom funcionamento orgânico,
como por exemplo, diminuindo significativamente as funções sensoriais e perceptivas
(SARDÁ JÚNIOR; LEGAL; JABLONSKI JÚNIOR, 2004).
Lipp (2005) parece concordar primeiro com Selye (1975), quando ela também
emprega a designação de estresse positivo e negativo, cunhada por ele, e com McEwen, já
que, ainda que ele não adote tais termos, a noção de positivo na sua fase inicial, portanto
adaptativo, remete a allostasis e a noção de negativo (estresse prejudicial se persistir por um
tempo maior do que a capacidade de enfrentamento do organismo) remete a allostatc load.
3.3 Resposta aos estressores
A resposta fisiológica aos estressores é mediada pelo sistema nervoso autônomo
(SNA) e pela ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA), bem como a consequênte
37
produção de glicocorticóides e catecolaminas (figura 8) (CORTEZ; SILVA, 2007; 2008;
CHROUSOS, 2009; KLOET; JOËLS; HOLSBOER, 2005; McEWEN, 2008; TSIGOS;
CHROUSOS, 2002).
FIGURA 8 – Eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA).
PRODUÇÃO DE
CATECOLAMINAS
PRODUÇÃO DE
GLICOCORTICÓIDES
Fonte: Adaptado de Guizzo (2011).
O cérebro é um alvo do estresse, já que sofre mudanças químicas e estruturais em
resposta a estressores agudos e crônicos. O hipotálamo, região do encéfalo que desempenha
um importante papel na integração entre os sistemas nervoso, endócrino e imunológico,
controla a liberação do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) pela hipófise através do fator
liberador de corticotropina (CRF) (CORTEZ; SILVA, 2007; 2008; HERMAN et al., 2012).
A presença do ACTH na corrente sanguínea atua no córtex da glândula adrenal,
localizada acima do rim. Esta atuação consiste na liberação de glicocorticóides, que em
humanos é 95% de cortisol. Este, por sua vez, entre várias ações no organismo, atua no
metabolismo dos carboidratos, disponibilizando grande quantidade de glicose (50 %, ou mais,
acima do normal) no plasma sanguíneo, sendo um hormônio muito relevante durante o jejum
prolongado; reduz as proteínas celulares, o que pode deixar os músculos mais fracos; mobiliza
ácidos graxos (lipídios) para o plasma, aumentando a sua concentração sanguínea; atua no
combate a inflamações e reações alérgicas; e reduz a produção de anticorpos, impactando
38
diretamente a imunidade (GONZÁLEZ; ESCOBAR, 2006; GUYTON; HALL, 2006;
McEWEN, 2008; TSIGOS; CHROUSOS, 2002).
A estimulação provocada por estressores tanto físicos, como mentais, atua no eixo
HHA, fazendo com que a secreção de cortisol se eleve 20 vezes do seu nível basal. O ritmo
circadiano do cortisol, em condições normais, apresenta taxas altas no início da manhã e vai
diminuindo a noite, mais expressivamente horas depois do adormecer (CHROUSOS, 2009;
GUYTON; HALL, 2006; HERMAN et al., 2012; TSIGOS; CHROUSOS, 2002).
É relevante esclarecer que o estresse não é uma doença. A função do estresse consiste
em promover a resistência do organismo aos estressores. Entretanto, o excesso do estágio de
resistência diminui a resposta imunológica, o que torna o indivíduo vulnerável a várias
doenças (figura 9) (GONZÁLEZ; ESCOBAR, 2006).
FIGURA 9: Estágios do estresse
Destaque para o estado de estresse no estágio de resistência. Fonte: produzido especificamente
para este trabalho.
Evidências crescentes demonstram que o estresse crônico pode contribuir para doenças
somáticas, como: autoimune, gastrointestinal, cardiovascular e etc., as quais têm sido
exaustivamente exploradas (ver revisão de PURDY, 2013).
Stojanovich (2010), num estudo de revisão, destacou que o estresse psicológico tem
sido sugerido como fator precedente da doença autoimune, uma vez que numerosas estudos
em animais e humanos demonstraram o efeito de estresse sobre a função imunológica. Além
disso, o estresse crônico pode intensificar a inflamação e aumentar o risco de
39
desenvolvimento de infecções e outras doenças inflamatórias (SHOENFELD, 2008;
TSATSOULIS, 2006).
Há muitas evidências experimentais e clínicas, de acordo com Taché et al., (2001), de
que o estresse influencia a motilidade gastrointestinal. Um exemplo consistente de alterações
motoras gastrintestinais induzidas por vários fatores de estresse agudo é o de retardar o
esvaziamento gástrico. Além disso, a presença elevada de cortisol na corrente sanguínea,
devido à ativação do eixo HHA, parece está ligada ao aumento da gordura abdominal
(DAUBENMIER et al., 2011; LEVY et al., 2006).
Ainda, conforme revisão realizada por Houpe (2013), o estresse psicossocial é um
importante fator de risco e prognóstico para doenças cardiovasculares. Känel (2012) classifica
os fatores de riscos da doença cardiovascular em três domínios, os quais podem ganhar o
status de estressores psicossociais se a pessoa percebe uma quantidade de ameaça e desafio
que ele ou ela avalia sobrecarregar os recursos de enfrentamento: (1) o ambiente social, (2) os
traços de personalidade e (3) afetos negativo. O primeiro engloba fatores como baixo nível
sócio-econômico, experiências adversas na infância, estresse familiar e no trabalho e baixo
apoio social. O segundo está ligado à personalidade tipo D (ver DENOLLET; SCHIFFER;
SPEK, 2010) e o último refere-se à depressão, ansiedade, desespero e perdas.
Loures et al. (2002) chamou a atenção de que “o estresse mental pode agir como
causador de doenças cardiovasculares de forma crônica e aguda” (p. 529). Outros
pesquisadores como: Nóbrega, Castro e Souza (2007), Fonseca et al. (2009), entre outros
estudos, tem mostrado que o estresse mental crônico é um importante fator na gênese da
hipertensão arterial.
Não é foco do presente trabalho aprofundar sobre as doenças causadas e/ou
influenciadas pelo estresse. Por isso, as considerações feitas acima são utilizadas para uma
visão geral e convidativa para interessados aprofundarem, valendo-se das revisões acima, as
quais abordam tanto a forma aguda como crônica do estresse.
3.4 O estresse crônico
O cérebro é um alvo do estresse, já que sofre mudanças químicas e estruturais em
resposta a estressores agudos e crônicos (McEWEN, 2008). O estresse agudo cessa logo após
o afastamento do agente estressor. Já o estresse crônico “refere-se a um estado de tensão
prolongado que pode levar ao desenvolvimento de várias doenças e prejuízos para a qualidade
de vida do ser humano” (LIPP, 2006, p. 83).
40
O estresse crônico pode ser o disparador de inúmeras doenças geneticamente
programadas, as quais permaneceriam latentes na ausência do estresse, e de doenças
oportunistas que se aproveitam da queda da imunidade para instalar-se no organismo. Essas
doenças podem ser tanto físicas como psicológicas (BRADLEY; DINAN, 2010; LIPP, 2006).
A exposição ao estresse pode precipitar ou agravar muitas doenças mentais, como o
Transtorno Depressivo Maior, o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)
e a
Esquizofrenia (BRADLEY; DINAN, 2010; CORCORAN et al., 2003; CORTEZ; SILVA,
2007; McEWEN, 2007; LISTON; McEWEN; CASEY, 2009). Por exemplo, uma extensa
revisão da literatura, realizada por Bradley e Dinan (2010), relaciona estresse crônico e a
Esquizofrenia.
Eles citam que pessoas com Esquizofrenia experienciam períodos de elevadas
secreções de cortisol. Isso regularmente acontece no primeiro episódio da doença, sendo
verificado também em alguns pacientes crônicos com mais estabilidade clínica. O uso de
medicação e o tipo de sintoma podem interferir no nível de cortisol do paciente.
Conforme Lipp (2006, p. 83), “o ser humano, cronicamente estressado, apresenta
cansaço mental, dificuldade de concentração, perda de memória imediata, apatia e indiferença
emocional”, o que compromete as relações do sujeito com o mundo.
Três fatores podem contribuir para o estresse crônico evoluir para estágios prejudiciais
como quase-exaustão e exaustão, quais sejam: (1) permanência de um estressor na história de
vida de uma pessoa, (2) acúmulo de estressores e (3) estresse recorrente.
Um exemplo de categoria profissional que é acometida por estresse crônico são os
professores. Diversos estudos apontam que professores sofrem de estresse crônico. Entretanto,
os estressores parecem atingir diferentemente homens e mulheres, visto que mulheres,
conforme resultados de pesquisas, apresentam maior número de sintomas de estresse
(CALAIS; ANDRADE; LIPP, 2003; GOULART JÚNIOR ; LIPP, 2008; MARTINS, 2007).
Para exemplificar, conforme pesquisa realizada na Alemanha, o estresse crônico e a exaustão
estão associados com maior carga alostática nos professores do sexo feminino, tendo em vista
que a profissão docente pode gerar um potencial elevado de estresse (BELLINGRATH;
WEIGT; KUDIELKA, 2009).
Estudos realizados no Brasil também confirmam a prevalência de estresse em
professoras, com percentuais que passam dos 50% de cada amostra investigada. Pesquisas
utilizando o Inventário de Sintomas de Stress para adultos de Lipp (ISSL), demonstram que
41
há predominância de sintomas psicólogicos e de stress na fase da resistência
(ALBUQUERQUE et al., 2010; GOULART JÚNIOR ; LIPP, 2008; MARTINS, 2007).
A fase de resistência, de acordo com Lipp, é caracterizada pela persistência dos
estressores (SADIR; BIGNOTTO; LIPP, 2010). Conforme Goulart Júnior e Lipp (2008, p.
848):
A fase de resistência ocorre quando, sendo o estressor de longa duração ou
de grande intensidade, o organismo tenta restabelecer o equilíbrio interno de
um modo reparador. O organismo se utiliza das reservas de energia
adaptativa, na tentativa de se reequilibrar. Se a reserva de energia adaptativa
for suficiente, a pessoa se recupera e sai do processo de estresse. Se, por
outro lado, o estressor exige mais esforço de adaptação do que é possível
para aquele indivíduo, então o organismo se enfraquece e torna-se vulnerável
a doenças.
É possível verificar muita semelhança no que se chama fase de resistência e estresse
crônico. De acordo com Lipp (2006, p. 83), o estresse crônico, como já colocado, é um
“estado de tensão prolongado que pode levar ao desenvolvimento de várias doenças”.
Comparando e relacionando os conceitos de fase de resistência e estresse crônico, infere-se
que a fase de resistência pode servir como parâmetro para identificar o estresse crônico num
indivíduo. Por isso, no presente estudo, os indivíduos identificados na fase de resistência
serão considerados sujeitos em condição de estresse crônico.
42
4 O ESTRESSE E A PERCEPÇÃO VISUAL
Um grande número de achados científicos tem mostrado que a exposição prolongada a
estressores provoca mudanças químicas e estruturais em várias regiões cerebrais. Estudos em
humanos e de modelo animal têm demonstrado essas alterações em áreas como: o hipocampo
(ADMON et al., 2009; ANDERSEN et al., 2008; RADLEY, 2005; GRASSI-OLIVEIRA;
ASHY; MILNITSKY, 2008), a amígdala (ANDERSEN et al., 2008; MORALES-MEDINA et
al., 2009), o núcleo acumbens (MORALES-MEDINA et al., 2009), o córtex pré-frontal (CPF)
(ANDERSEN et al., 2008; ARNSTEN, 2009) e o córtex visual (CHOI et al., 2012; HANSON
et al., 2012; OLIVARES, et al., 2010; TOMODA et al., 2009, 2012).
4.1 O efeito do estresse em algumas áreas do cérebro
Conforme revisões realizadas, as perdas celulares ocasionadas pelo estresse atua
principalmente no sistema límbico, provocando a retração de processos dendríticos, a inibição
da neurogênese, e até mesmo a morte de neurônios, como por exemplo, diminuição do
volume do hipocampo (ADMON et al., 2009; RADLEY, 2005; GRASSI-OLIVEIRA;
ASHY; MILNITSKY, 2008; MORRISON, 2005; SAPOLSKY; UNO; REBERT; FINCH,
1990; SAPOLSKY, 2003; ULRICH-LAI; HERMAN, 2009).
Considerando que os glicocorticóides ligam-se aos receptores em diversas áreas do
cérebro, como por exemplo, o hipocampo e a amígdala (PEAVY et al., 2009), um estudo com
ressonância magnética funcional (fMRI), para investigar a evolução temporal e o locus de
efeitos da hidrocortisona (cortisol) sobre estruturas cerebrais, em humanos adultos em
repouso, observou no grupo da hidrocortisona reduzida atividade no hipocampo e amígdala
em relação ao grupo controle (uso de placebo) (LOVALLO et al., 2010).
Esses resultados funcionais encontram correspondência anatômica com outros achados
anteriores, como são colocados a seguir. Mulheres que sofrearam abuso sexual na infância e
adolescência apresentaram diminuição do volume do hipocampo e amigdala, da substância
cinzenta do córtex pré-frontal e do corpo caloso (também uso de ressonância magnética)
(ANDERSEN et al., 2008).
O uso de corticosteroide, conforme um estudo de modelo animal, provocou
remodelação dendrítica na amígdala basolateral, no hipocampo e no núcleo accumbens
(MORALES-MEDINA et al., 2009). Em outro estudo animal, ratos foram selecionados
conforme a diferença entre o volume do complexo basolateral da amígdala (CBA). O grupo
43
que apresentava CBA pequeno mostrou significativamente maiores respostas de liberação
corticosterona ao estresse do que o grupo que apresentava CBA maiores. Nesse caso, a maior
liberação de glicocorticóides parece está associado com o volume de CBA pequena (YANG et
al., 2008). Revisões realizadas por Arnsten (2009); Lupien et al.(2009) e Grassi-Oliveira,
Ashy e Milnitsky (2008) trazem mais resultados de estudos que corroboram esses achados.
Como sugere os resultados da pesquisa de Andersen et al.(2008), o CPF também é um
alvo da ação dos hormônios glicocorticóides. Uma revisão sobre a ação do estresse no CPF
em roedores, realizada por Holmes e Wellman (2009) destaca que neurônios piramidais, em
várias regiões do córtex pré-frontal, sofrem considerável remodelação com a exposição a
estressores, mesmo os de natureza breve ou ostensivamente leve. Para estes pesquisadores,
essas alterações estruturais provavelmente resultam em importantes alterações funcionais, ou
seja, comprometimentos nas funções executivas, como a memória de trabalho, que são
processadas no CPF.
Para Arnsten (2009), o PFC, além de ser a região do cérebro mais evoluída, pelo fato
de ser o âmbito de nossas mais altas habilidades cognitivas, é também a região do cérebro que
é mais sensível a efeitos prejudiciais da exposição ao estresse. O PFC regula nossos
pensamentos, ações e emoções através de extensas conexões com outras regiões do cérebro.
Nesse sentido, Peavy et al.(2009) fizeram um estudo longitudinal para investigar se a
exposição prolongada a eventos estressantes e cortisol poderia provocar alterações na
cognição (tanto global, como na memória) em idosos (idades 65-97), divididos em dois
grupos, (1) normais e (2) com comprometimento cognitivo leve. Este estudo concluiu que o
estresse crônico afeta o funcionamento cognitivo de modo diferente nos grupos investigados.
O cortisol relacionou-se a efeitos neurotóxicos a longo prazo no primeiro grupo, enquanto
que no segundo ao aumento da função cognitiva.
Diferentemente, uma pesquisa examinou os efeitos da supressão de glicocorticóides
endógenos por adenectomia da adrenal na memória de trabalho de ratos, e explorou no córtex
pré-frontal a atividade dopaminérgica envolvida na memória. A adenectomia prejudicou a
memória de trabalho, diminuindo a dopamina liberada e aumentado os receptores D1 no
córtex pré-frontal (MIZOGUCHI et al., 2004). Estudos já evidenciam que a dopamina atua
para o bom funcionamento da memória de trabalho (BROZOSKI et al., 1979; BUBSER;
SCHMIDT, 1990; LANGE et al., 1992; SIMON et al., 1980).
Nesse sentido, um estudo bem recente com adolescentes (uso de ressonância
magnética) procurou avaliar se o estresse crônico afeta morfologicamente o córtex pré-frontal,
local responsável pela memória de trabalho. Além de uma diminuição do volume das
44
substâncias brancas e cinzentas, especificamente entre o cingulado anterior e os pólos frontais
do córtex pré-frontal, outras regiões do cérebro apresentaram comportamento semelhantes,
como por exemplo o lobo occipital direito (HANSON et al., 2012). Relacionando os achados
de Mizoguchi et al.(2004) com este não há dúvidas do papel dos glicocorticóides na função
cerebral em pauta, assim como parece que é o excesso desse hormônio que causa os prejuízos
mencionados.
Para inferir disfunções da percepção visual tendo em vista a memória visual, em
pacientes com Esquizofrenia, uma recente pesquisa utilizou o CANTAB tests10 como
instrumento de avaliação neuropsicológica e revelou que pacientes com tal psicose
apresentaram um déficit de aprendizagem mais acentuada corresponde à via visual
magnocelular (M), ou seja, relacionado ao processamento de objetos grandes. (KÉRI et al.,
2012).
Baseando-se em estudos que revelaram hipoativação no córtex occipital de pessoas
com TEPT, mas não com outras desordens de ansiedade (ETKIN; WAGER, 2007), uma
pesquisa recente avaliou a memória, atenção, habilidades visuo-espaciais, linguagem e
processamento de informação visual básicas em pacientes com Esquizofrenia com ou sem
TEPT. Este estudo fez uso da bateria repetível para a avaliação do estado neuropsicológico
(RBANS) e tarefas de sensibilidade ao contraste visual (HALÁSZ et al., 2013), os quais
revelaram que o TEPT pode estar associado com piores funções neuropsicológicas, enquanto
isso não afeta o processamento básico da informação visual.
O Transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) também está associado a uma
diminuição do volume do hipocampo. Conforme revisões realizadas, muitas formas de
psicopatologia, incluindo transtornos de humor, Esquizofrenia, transtornos de ansiedade e
dependência, são frequentemente associadas com história de trauma e stress e também são
caracterizadas por prejuízos nas funções executivas (ANDREESCU, 2008; HAINS;
ARNSTEN, 2008; HERMAN et al., 2012; JURUENA; CLEARE; PARIANTE, 2004;
HOLMES; WELLMAN, 2009; PERES; NASELLO, 2005).
Lupien et al.(2009) numa vasta revisão sobre os efeitos do estresse do pré-natal a
velhice, a partir de pesquisas tanto em modelos animais como em humanos, encontrou que a
exposição crônica aos glicorticóides têm um impacto em estruturas do cérebro envolvidas na
cognição e na saúde mental. O alvo da ação dos hormônios do estresse dependerá dos
diferentes períodos da vida de uma pessoa (pré-natal, infância, adolescência, fase adulta,
10
Para mais informações sobre este teste, acessar: http://www.cantab.com/cantab-test.asp?id=1
45
velhice), com maior impacto sobre as estruturas que estão em desenvolvimento no momento
da exposição stress.
4.2 O efeito do estresse no córtex visual
Como foi colocado no capítulo I, o córtex visual primário é uma área importante no
processamento de informações visuais. E parece não ser imune a ação dos efeitos de
estressores (BREMNER et al., 2004; DEDOVIC et al., 2005; OLIVARES, et al., 2010;
TOMODA et al., 2009, 2012).
Evidências de neuroimagens, utilizando ressonância magnética, demonstraram que
jovens (18-22 anos) universitários, saudáveis, sem uso de medicações, que foram submetidos
a graves estressores na infância (abuso sexual), apresentaram uma redução da substância
cinzenta no córtex visual primário e no córtex visual associativo. Quanto maior o período de
tempo exposto ao agente estressor, maior foi verificado a perda da substância cinzenta com a
maioria das diferenças proeminentes aparecendo no giro lingual direito e giro fusiforme
esquerdo (figura 10) (TOMODA et al., 2009).
FIGURA 10: Comparação da quantidade da substância cinzenta entre grupo experimental e
controle.
Fonte: Tomoda et al. (2009).
Semelhantemente, Hanson et al. (2012) também encontraram diminuição do volume
das substâncias brancas e cinzentas no lobo occipital direito (uso de ressonância magnética
/adolescentes como amostra).
46
Recentemente, outro achado muito próximo a estes citados, uma análise Morfométrica
Baseada em Voxel (uso de ressonância magnética) identificou uma associação significativa
entre a exposição a violência doméstica e a redução do volume da substância cinzenta no giro
lingual direito do córtex visual (TOMODA et al., 2012). Este giro lingual direito desempenha
um papel crítico no reconhecimento de aspectos globais de uma imagem (FINK et al., 1996).
A redução do volume da substância cinzenta no córtex occipital também foi encontrado por
Fennema-Notestine et al.(2002), associada com uma história anterior de abuso infantil.
Parece que a exposição à violência doméstica age como um estressor traumático para
alterar o desenvolvimento do córtex visual. Como se pode observar num estudo de tomografia
por emissão de pósitrons (PET), mulheres com história de abuso sexual na infância
relacionada ao TEPT, tiveram uma ativação diminuída de certas áreas visuais de associação
(BREMNER et al., 2004). Corroborando com este achado, provas meta-analítica revelaram
hipoativação no córtex occipital de pessoas com TEPT, mas não com outras desordens de
ansiedade (ETKIN; WAGER, 2007)
Outro estudo, que procurou investigar os efeitos do estresse crônico no córtex visual
primário de ratos machos, demonstrou a partir de imagens microscópicas da região
dorsomedial da área 17, que os ratos submetidos a estresse crônico apresentou uma menor
densidade neuronal se comparado ao grupo controle, o qual não foi submetido ao estressor.
Os autores desse estudo acreditam que essa alteração morfológica pode ter um impacto sobre
o processamento visual (OLIVARES, et al., 2010).
Tomoda et al.(2009), considerando seu estudo em particular, propuseram que os
efeitos produzidos pelos estressores se deu devido a uma cascata de eventos que incluem a
excessiva exposição a hormônios como o cortisol. Fazendo uma revisão da literatura
(ANDERSEN et al., 2008; BRADLEY; DINAN, 2010; CHOI et al., 2012; HANSON et al.,
2012; JOËLS; KRUGERS; KARST, 2008; JOËLS; McEWEN, 2008; MORALES-MEDINA
et al., 2009; KRUGERS; KARST, 2008; LOVALLO et al., 2010; OLIVARES, et al., 2010;
PEAVY et al., 2009; TOMODA et al., 2009, 2012; YANG et al., 2008) do tema em pauta,
encontra-se que a contínua produção de cortisol, característica da fase resistência do estresse,
está associada a mudanças morfológicas e funcionais em vários tecidos do corpo humano.
Parece, com isso, que a proposição de Tomoda et al. tem fundamento, ainda que necessite de
mais pesquisas para ser confirmada.
Esses estudos revelam evidências anatômicas do efeito nocivo do estresse crônico na
morfologia do córtex visual. Sabe-se que a estrutura morfológica de uma molécula, uma
célula, um órgão, até um sistema, está intrínseco a sua função (BEAR; CONNORS;
47
PARADISO, 2008). Diante disso, é provável, como os próprios autores desse estudo também
indagaram, que a redução da substância cinzenta da área 17, bem como a consequente
diminuição dos corpos celulares que são típicos nessa região, pode acarretar em prejuízos na
fisiologia esperada dessa área cortical.
48
5 MÉTODO
5.1 Objetivos
5.1.1 Geral
Avaliar a percepção visual em indivíduos acometidos por estresse crônico,
comparando o tamanho das formas percebidas em primeiro lugar nos quadros de Salvador
Dali e nas pranchas de Rorschach.
5.1.2 Específicos
• Relacionar o tamanho das figuras percebidas com o resultado do Inventário de
Sintomas de Stress para adultos de Lipp (ISSL).
• Investigar diferenças nos padrões de respostas aos estímulos, comparando os grupos
experimental e controle.
5.2 Local
O local escolhido para a realização do estudo foi a Escola Maria da Conceição do
Rêgo Barros Lacerda. É uma escola estadual, situada na região metropolitana do Recife, que,
no período da coleta de dados, contava com 70 professores.
5.3 Voluntários
5.3.1 Critério de inclusão
Foram incluídos no grupo experimental (GE) 14 professores, sendo 03 do sexo
masculino e 11 do sexo feminino, com faixa etária variando de 19 a 38 anos, escolaridade
mínima de ensino médio. Foram incluídos os voluntários, avaliados por meio do Inventário de
Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL) que se apresentaram na fase de resistência, o
que caracteriza o estresse crônico, conforme já foi explicado no capítulo II.
Foram incluídos no grupo controle (GC) 16 voluntários, sendo 09 participantes do
sexo masculino e 07 do sexo feminino, com faixa etária de 18 a 40 anos. Puderam participar
49
funcionários da escola que não são professores e outros voluntários que atenderam aos
seguintes critérios: faixa etária entre 18 a 40 anos e escolaridade maior ou igual ao ensino
médio, não apresentar estresse crônico, não fazer uso de medicações psicotrópicas e/ou
substâncias tóxicas.
5.3.2 Critério de exclusão
Foram excluídos do grupo experimental (GE) professores com idade fora da faixa
etária de 18 a 40 anos, escolaridade inferior ao ensino médio e/ou com histórico de doença
psiquiátrica diagnosticada, histórico de doença oftalmológica não corrigida, doença cerebral
orgânica, estado de intoxicação, dependência, abstinência de álcool ou outras drogas e os que
apresentaram estresse positivo ou estresse na fase de exaustão11. Identificou-se a fase do
estresse como uso do ISSL.
Foram excluídas do grupo controle (GC) pessoas com histórico de doença psiquiátrica
diagnosticada e/ou histórico de doença oftalmológica não corrigida, doença cerebral orgânica,
estado de intoxicação, dependência, abstinência de álcool ou outras drogas.
5.4 Participantes
Fizeram parte da amostra 30 voluntários selecionados na etapa de triagem, sendo 14
que apresentaram estresse crônico (GE) e 16 que não apresentaram o mesmo (GC), conforme
o ISSL.
5.5 Instrumentos
A) Entrevista clínica (ANEXO 1)
Entrevista semi-estruturada que serviu de base para subsidiar os critérios de inclusão e
exclusão da pesquisa.
B) Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) (ANEXO 2)
O Mini-Exame do Estado Mental é um dos testes de rastreio cognitivo mais utilizado
em todo o mundo (LOURENÇO; VERAS, 2006). Ele contém 11 questões que avaliam, de
forma breve, funções cognitivas específicas (orientação no tempo e espaço, linguagem,
11
Nesta fase, o indivíduo já entrou em adoecimento (psíquico, somático ou ambos).
50
memória e capacidade construtiva visual). O escore total vai de 0 a 30 pontos. A adaptação e
validação da versão brasileira foi primeiro realizada por BERTOLUCCI et al. (1994).
C) Tabela de Snellen
É utilizada para avaliar a acuidade visual. É muito comum a acuidade visual ser
testada nos consultórios oftalmológicos e estudos envolvendo a percepção visual. Para Bicas
(2002), o teste da acuidade visual adéqua-se principalmente à medida da capacidade de
discriminação de formas e contrastes.
D) Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp - ISSL
O ISSL foi validado em 1994 por Lipp e Guevara e tem sido utilizado em dezenas de
pesquisas na área de estresse (LIPP, 2005). Esse instrumento visa identificar de modo
objetivo se há a presença de estresse, o tipo de sintoma presente (somático ou psicológico) e a
fase em que se encontra (alerta, resistência, quase-exaustão e exaustão). O ISSL é subdividido
em três quadros: (1) Quadro 1, o qual apresenta uma lista de 15 sintomas da fase de alerta,
vivenciados nas últimas 24 horas; (2) Quadro 2, uma lista de 15 sintomas da fase de
resistência, vivenciados na última semana e (3) Quadro 3, uma lista de 23 sintomas da fase de
quase-exaustão e exaustão, vivenciados no último mês. Em cada quadro é avaliado
separadamente os sintomas físicos e psicológicos. Este inventário leva cerca de dez minutos
para a sua aplicação.
E) Pinturas de Salvador Dalí
Dez fotos coloridas de quadros do pintor Salvador Dali, nas dimensões de 10 x 15 cm,
especificamente aqueles que apresentam diversidade e disparidade de tamanhos nas figuras
neles representadas. Dentre as obras escolhidas que compuseram esta pesquisa estão: “A
metamorfose de Narciso”, “Cabeça ao estilo de Rafael” e “Crânio atmosférico”.
Dentre as vinte e quatro fotos de quadros de Salvador Dali, a presente pesquisa
selecionou os dez que, conforme resultados das pesquisas anteriores (NOGUEIRA, 2006;
LACERDA, 2008; MENEZES, 2009; MODESTO, 2012), apresentaram maior diferença
entre os grupos controle e experimental. Tal procedimento colaborou para reduzir o tempo da
coleta de dados, já que nas pesquisas anteriores eram apresentados os vinte e quatro estímulos
mencionados.
F) Teste de Rorschach
O Teste de Rorschach, elaborado por Hermann Rorschach (1921), consiste em 10
lâminas com borrões de tinta (fotografadas e impressas em tamanho 10 x 15 cm) que
obedecem a características específicas quanto à proporção, angularidade, luminosidade,
equilíbrio espacial, cores e pregnância formal. Estas características facilitam a rápida
51
associação, intencional ou involuntária, com imagens mentais que, por sua vez, fazem parte
de um complexo de representações que envolvem ideias ou afetos, mobilizando a memória de
trabalho.
Tradicionalmente, este teste é feito individualmente, uma lâmina de cada vez, sendo
solicitado ao examinando que diga com o que acredita serem parecidos os borrões de tinta.
Esse teste pode ser aplicado em pessoas de qualquer faixa etária e qualquer nível sócioeconômico-cultural (desde que tenha condições de se expressar verbalmente e que tenha
acuidade visual normal). As associações estimuladas pelos borrões impressos nas pranchas
colocam à prova as funções psíquicas de percepção, atenção, julgamento crítico,
simbolização, linguagem, emocionais e motores-conativos.
As respostas ao Rorschach, portanto, revelam o status da representação da realidade
em cada indivíduo, trazendo dados a respeito do desenvolvimento psíquico, das funções e
sistemas cerebrais, dos recursos intelectuais envolvidos na construção das diferentes imagens,
das articulações intrapsíquicas e da natureza das relações interpessoais. Como o Teste de
Rorschach avalia primordialmente a dinâmica de personalidade, não foi feito, neste estudo,
uso deste instrumento de modo pleno. A sua utilização restringiu-se, apenas, a avaliação do
tamanho da primeira forma percebida, já que este instrumento apresenta uma diversidade de
possibilidades de formas.
5.6 Procedimentos da coleta de dados
A pesquisa só teve início após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da
Universidade Federal de Pernambuco – UFPE.
Após a leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (duas vias por
voluntário) e o aceite em participar da pesquisa, os participantes responderam, nesta ordem,
aos seguintes instrumentos, fazendo alusão à ordem apresentada na secção instrumentos
acima: A, B e C (triagem para participar do estudo); D (triagem para separar os grupos
experimental e controle), E e F (instrumentos que avaliaram o processamento visual). Todos
esses procedimentos foram realizados numa sala reservada e duraram em média 40 minutos.
A triagem para participar do estudo utilizou-se de três instrumentos, os quais se
proporcionaram a avaliar se os voluntários atendiam aos critérios de inclusão/ exclusão do
presente estudo. O primeiro instrumento utilizado foi uma entrevista clínica, semiestruturada;
o segundo foi um teste de rastreio cognitivo, o qual serviu para avaliar se os voluntários
estavam cognitivamente em condições de participar desta pesquisa. E o terceiro instrumento
52
foi um teste de acuidade visual, a partir do qual foi avaliado se o voluntário com visão normal
ou corrigida estava apto a ser participante da pesquisa.
A triagem para separar o grupo experimental (GE) do grupo controle (GC) foi feita
após a coleta de dados, conforme o resultado do Inventário de Sintomas de Stress para
Adultos de Lipp (ISSL). Participantes que apresentaram estresse na fase de resistência
compuseram o GE, já que a fase da resistência caracteriza o estresse crônico, conforme já foi
visto no capítulo II. E os participantes que não apresentaram estresse, conforme o ISSL, foram
considerados como GC.
Para a avaliação do GE e do GC, foram feitas a apresentação de dez fotografias das
pinturas de Salvador Dali e dez fotografias das pranchas do Rorschach, com dimensões
10X15. Tais fotografias foram apresentadas em slides, numa tela de notebook (15’), encima
de um birô, e estando a uma distância de 30 cm do olho do observador, num ângulo de 90º.
Antes de começar a apresentação das figuras, foi dada a seguinte instrução: “Você vai ver dez
fotografias de quadros de um pintor e dez manchas de tintas e depois de olhar cada uma, você
deverá contornar com o dedo sobre a tela, a primeira figura que você viu”. Os procedimentos
envolveram a apresentação de cada série de quadros, de forma sucessiva, sem limite de tempo
para observação/resposta.
Após o participante contornar a primeira figura que viu, o pesquisador marcava com
uma linha reta (ferramenta da própria Microsoft Office Excel 2007) toda a figura, partindo de
um extremo que privilegiasse o maior perímetro da figura ao chegar ao outro extremo. Esse
procedimento foi realizado em todas as figuras apresentadas.
5.7 Dificuldades encontradas
Inicialmente estimou-se que se iria encontrar o número de 40 sujeitos para participar
deste estudo, já que o local escolhido para a realização do mesmo contava com um grande
número de professores (70). Entretanto nem todos os sujeitos se adequaram ao critério idade
máxima para participar do estudo (até 40 anos), o que dificultou encontrar o número de
sujeitos planejado.
Além disso, nem todos os professores convidados para participar deste estudo tiveram
agenda disponível, já que a coleta de dados tinha a duração de 40 minutos. E alguns que se
disponibilizaram a participar, foram excluídos por questões próprias do critério de exclusão,
como: não apresentar acuidade visual normal ou corrigida; tomar remédio controlado, não
apresentar a fase resistência do estresse e etc.
53
Desse modo a presente pesquisa tem uma amostra de 30 sujeitos (14 experimentais e
16 controles). Para equiparar esses números, a fim de realizar a análise estatística, utilizou-se
a média do grau de ângulo visual do GE, de modo que esta média representou cada um dos
dois sujeitos que igualaria GE (14+2=16) com GC (16).
54
6 RESULTADOS
A amostra desta pesquisa apresentou as seguintes características gerais. A média de
idade do GE foi de 28 anos (Dp= 7,5). Considerando que o GE foi composto por pessoas que
apresentaram estresse, conforme o ISSL, a maioria dos seus participantes foi do sexo
feminino, correspondendo a 79% do total. Em relação ao GC, a média de idade foi de 27 anos
(Dp= 7,4). O GC foi composto de pessoas que não apresentaram estresse, conforme o ISSL e
os seus participantes tiveram uma distribuição quase equitativa do sexo masculino e feminino,
os quais corresponderam, respectivamente, a 56% e 44%.
Posterior à coleta de dados, as marcações dos voluntários12 foram medidas em
milímetros para cada quadro apresentado. As medidas de cada figura foram transformadas em
grau de ângulo visual numa planilha eletrônica do Microsoft Office Excel 2007 (Windows
XP), utilizando a fórmula matemática a seguir: Tang a = Tamanho da figura (mm) / Distância
do observador (30 cm). Nessa planilha foram calculadas as médias e o desvio padrão dos
ângulos visuais de cada categoria de estímulo, tanto do Grupo Experimental (GE) quanto do
Grupo Controle (GC) (Tabela 1).
Estímulos
Grupos
GE
GC
Média Desvio Padrão Média Desvio Padrão
SALVADOR DALI 9,95
5,91
9,96
3,05
RORSCHACH
4,37
9,02
2,91
9,01
TABELA 1: Média e desvio padrão de cada grupo para cada categoria de estímulo
Comparando as médias do grau de ângulo visual entre GE e GC, observadas na tabela
1, percebe-se quase nenhuma diferença entre os grupos. Essa semelhança das médias de
ambos os grupos ocorreu tanto nas respostas aos estímulos de Salvador Dali, como nos
estímulos de Rorschach. O gráfico (Figura 11) a seguir ilustra esses resultados:
12
Todos apresentaram acuidade visual, normal ou corrigida, medida pela Tabela de Snellen.
55
FIGURA 11: Média geral dos grupos experimental e controle.
De acordo com a figura 11, a média geral do grau do ângulo visual dos GE e GC, para
os dois tipos de estímulos, é entre 9 e 10 graus de ângulo visual.
Observando-se as médias de cada estímulo de Dali e Rorschach, conforme as figuras
12 e 13, respectivamente, notam-se um intervalo de tamanhos escolhidos entre 6 e 14 graus de
ângulo visual.
FIGURA 12: Médias dos grupos experimental e controle obtidas em cada imagem de Dali.
56
FIGURA 13: Médias dos grupos experimental e controle obtidas em cada prancha de Rorschach
Após passar no teste de normalidade, foi feita a análise estatística a partir da análise de
variância para medidas repetidas (ANOVA). Foram utilizadas as médias do grau de ângulo
visual de cada sujeito para cada estímulo apresentado.
Conforme a análise estatística, não foi encontrada diferenças, ao comparar o GE ao
GC, para os dois tipos de estímulos. Os resultados foram: Dalí [(F9,270) = 0,90620, p <
0,52025] e Rorschach [(F9,270) = 0,54865, p < 0,83809], como
respectivamente, nas Figuras 14 e 15.
pode-se observar,
57
FIGURA 14: Estimativa do grau de ângulo visual em função do estímulo (Pinturas de Dalí) do Grupo
Experimental e do Grupo Controle
QUADRO*GRUPO; LS Means
Current ef f ect: F(9, 270)=,90620, p=,52025
Ef f ectiv e hy pothesis decomposition
Vertical bars denote 0,95 conf idence interv als
TAMANHO (ÂNGULO VISUAL)
30
25
20
15
10
5
0
Dalí 1
Dalí 3
Dalí 2
Dalí 5
Dalí 4
Dalí 7
Dalí 6
Dalí 9
Dalí 8
Dalí 10
QUADRO
GRUPO
Controle
GRUPO
Experimental
FIGURA 15: Estimativa do grau de ângulo visual em função do estímulo (Pranchas do
Rorschach) do Grupo Experimental e do Grupo Controle
QUADRO*GRUPO; LS Means
Current effect: F(9, 270)=,54865, p=,83809
Effective hypothesis decomposition
Vertical bars denote 0,95 confidence intervals
25
20
15
10
QUADRO
Rorschach 10
Rorschach 9
Rorschach 8
Rorschach 7
Rorschach 6
Rorschach 5
Rorschach 4
Rorschach 3
Rorschach 2
5
Rorschach 1
TAMANHO (ÂNGULO VISUAL)
30
GRUPO
Controle
GRUPO
Experimental
58
Quanto aos resultados do ISSL, não foi pretensão deste trabalho expor e analisar dados
referentes ao mesmo. O uso deste instrumento restringiu-se a separar GE de GC, como já foi
colocado anteriormente no item método. Sendo assim, após a correção do caderno de
aplicação do ISSL, todos os participantes que apresentaram a fase de resistência compuseram
o GE e todos os que não apresentaram estresse compuseram o GC. Não foram encontrados
sujeitos na fase de alerta, os quais também poderiam compor o GC, nem sujeitos na fase de
quase-exaustão e exaustão. Para colaborar na caracterização da amostra, abaixo (figura 15) é
apresentado o percentual dos sintomas físicos (29%) e psicológicos (71%) do GE, conforme o
ISSL.
FIGURA 16: Percentuais dos tipos de estresse do GE.
Os sintomas físicos que mais ocorreram no GE foram: problemas com a memória
(71%13); sensação de desgaste físico constante (64%); cansaço constante (57%); mal-estar
generalizado sem causa específica (29%); mudança de apetite (29%) e aparecimento de
problemas dermatológicos (21%). Os psicológicos foram: pensar constantemente em um só
assunto (71%); sensibilidade emotiva excessiva (50%); dúvida quanto a si próprio (43%) e
irritabilidade excessiva (29%).
Quanto ao resultado do teste de rastreio cognitivo utilizado, o Mini Exame do Estado
Mental (MEEM), tanto GE como GC apresentaram integridade cognitiva, apresentando
pontuação acima do ponto de corte (24 pontos) estabelecidos para rastrear demência
(BERTOLUCCI et al.,1994).
13
Os percentuais entre parênteses deste parágrafo referem-se à quantidade de participantes do GE que
apresentaram os sintomas físicos e psicológicos.
59
7 DISCUSSÃO
Este estudo investigou a possibilidade de voluntários com estresse crônico perceber
tamanhos maiores de estímulos visuais, quando comparados ao grupo controle. Indivíduos
com estresse crônico aqui são pessoas que apresentam estresse na fase da resistência,
conforme o ISSL (LIPP, 2005).
A amostra do presente estudo foi composta basicamente por adultos jovens (média de 28 anos
de idade). A triagem que separou as pessoas que apresentavam estresse (GE) de pessoas sem
sintomas de estresse (GC), por meio do ISSL, forneceram algumas informações relevantes
sobre o GE, composto por professores de uma escola estadual metropolitana. A maioria dos
seus participantes foi do gênero feminino, correspondendo a 79% do total, enquanto que o GC
apresentou 44% de mulheres. Os sintomas predominantes do GE foram do tipo psicológico
(71%, comparado aos sintomas físicos).
Esses dados, que dizem respeito à caracterização da amostra, serviram para endossar
pesquisas anteriores que relacionam o estresse à profissão docente e ao gênero feminino.
Sendo assim, tendo em vista que tal profissão pode gerar um potencial elevado de estresse, as
mulheres parecem apresentar uma maior vulnerabilidade ao mesmo, com predomínio de
sintomas psicológicos, apoiando, assim, estudos anteriores (GOULART JÚNIOR ; LIPP,
2008; MARTINS, 2007).
Para corroborar a relação estresse-professor-gênero feminino, vale citar uma pesquisa
realizada na Alemanha, a qual encontrou mais professores do gênero feminino acometidas por
estresse crônico do que do gênero oposto. (BELLINGRATH; WEIGT; KUDIELKA, 2009).
Estudos realizados no Brasil também confirmam a prevalência de estresse em professoras,
com percentuais que passam dos 50% de cada amostra investigada. Pesquisas utilizando o
ISSL, demonstram que há predominância de sintomas psicólogicos e de estresse na fase
resistência (ALBUQUERQUE et al., 2010; GOULART JÚNIOR ; LIPP, 2008; MARTINS,
2007).
Os resultados do ISSL do presente estudo apontou na mesma direção. Até mesmo os
sintomas que mais apareceram no presente estudo, como problemas com a memória, cansaço
constante, sensação de desgaste físico constante, pensar constantemente em um só assunto e
sensibilidade emotiva excessiva, também correspodem aos resultados de pesquisas de Goulart
Júnior e Lipp (2008) e Martins (2007).
Isso pode ter relação com o modo de vida da sociedade moderna, a qual, entre outras
coisas, é marcada pela dupla jornada de trabalho das mulheres (CALAIS; ANDRADE; LIPP,
60
2003), as quais acabam sendo expostas a um maior número de estressores (McEWEN, 2008).
Tal condição pode gerar o que McEwen (2008) chama de allostatic load, ou seja, desgaste do
corpo e cérebro, produzido por uma resposta fisiológica a fim de manter o equilíbrio
biológico. Essa resposta apresenta as características da fase de resistência (LIPP, 2006).
De acordo com Goulart Júnior e Lipp (2008, p. 848), na presença de um estressor de
longa duração ou de grande intensidade, “o organismo tenta restabelecer o equilíbrio interno
de um modo reparador” (fase de resistência). Por outro lado, “se o estressor exige mais
esforço de adaptação do que é possível para aquele indivíduo, então o organismo se
enfraquece e torna-se vulnerável a doenças”.
Para Lipp (2006, p. 83), o estresse crônico é um “estado de tensão prolongado que
pode levar ao desenvolvimento de várias doenças”. Comparando e relacionando os conceitos
de fase de resistência e estresse crônico, infere-se que a fase de resistência pode servir de
parâmetro para identificar o estresse crônico num indivíduo. Por isso, no presente estudo, os
indivíduos identificados na fase de resistência foram considerados sujeitos em condição de
estresse crônico.
Tendo em vista a caracterização da amostra e as delimitações conceituais acima, o
presente estudo foi formulado com base em duas considerações. A primeira parte de estudos
que mostram o estresse crônico como possível disparador de mudanças anatômicas na
morfologia do córtex visual primário e no córtex visual associativo (BREMNER et al., 2004;
FENNEMA-NOTESTINE et al., 2002; HANSON et al.; OLIVARES, et al., 2010; TOMODA
et al., 2009, 2012). Sabe-se que a estrutura morfológica de uma molécula, uma célula, um
órgão, até um sistema, está intrínseca a sua função (BEAR; CONNORS; PARADISO, 2008).
Sendo assim, se supôs que por o estresse crônico afetar áreas do processamento visual, ele
poderia afetar o próprio processamento visual (TOMODA et al., 2009, 2012).
A segunda considera que sendo o estresse um dos itens que faz parte da etiologia de
uma psicose (CORCORAN et al., 2003; CORTEZ; SILVA, 2007; LISTON; McEWEN;
CASEY, 2009) e que o mesmo afeta áreas de processamento visual (BREMNER et al., 2004;
FENNEMA-NOTESTINE et al., 2002; HANSON et al.; OLIVARES, et al., 2010; TOMODA
et al., 2009, 2012), estudá-lo poderia colaborar com os estudos que tem encontrado déficits no
processamento visual de pacientes com Esquizofrenia (KIM et al., 2006; KANTROWITZ et
al., 2009; NOGUEIRA, 2010; SIMAS et al., 2011).
Resultados de pesquisas de Simas et al.(2011) mostraram que as pinturas de Salvador
Dali podem ser uma ferramenta favorável na detecção de alterações na percepção visual de
forma e tamanho em pacientes com Esquizofrenia. Diante disso, o presente estudo utilizou-se
61
da mesma ferramenta dos estudos de Simas et al., a fim de avaliar a percepção visual de
indivíduos acometidos por estresse crônico, comparando GE e GC. Adicionalmente, assim
como na pesquisa de Modesto (2012), também foram usados aqui os estímulos de Rorschach.
Estes foram usados por apresentarem diversas possibilidades de formas nas suas
características manchas de tintas.
Enquanto que nos estudos anteriores, realizados por Nogueira (2006), Menezes
(2009) e Modesto (2012), com pessoas acometidas por Esquizofrenia, a maioria das respostas
aos estímulos de Dali e Rorschach14 correspondem ao intervalo médio de tamanho de 15-20 e
até mais de 20 graus de ângulo visual, os resultados da presente pesquisa mostraram que
pessoas com estresse crônico apresentam uma média de tamanho de figuras de até 10 graus de
ângulo visual. Esses resultados assemelham-se aos resultados do GC dos estudos anteriores.
Dessa forma, o grupo experimental e o grupo controle do presente trabalho tiveram
resultados semelhantes aos dos grupos controles dos trabalhos de Nogueira (2006), Menezes
(2009), Modesto (2012) e Lacerda (2008).
Além disso, de acordo com a análise estatística do presente estudo, não houve
diferença significativa entre grupos. Ao comparar as respostas dos estímulos de Dali e
Rorschach, nas condições experimentais e controle, a partir da análise estatística que usou
ANOVA, percebe-se um comportamento muito semelhante entre os grupos, o que indica que
os voluntários da presente pesquisa não diferem quanto às respostas dadas aos estímulos.
Parece tratar-se de um mesmo grupo, como se pode perceber nas figuras 14 e 15.
Assim sendo, percebe-se que os sujeitos desta pesquisa tiveram respostas tão idênticas
aos estímulos apresentados, que não foi possível relacionar a presença do estresse ou a
ausência do mesmo a alterações visuais. Ademais, as respostas dos sujeitos, como colocado
acima, foram identicas aos voluntários saudáveis para transtornos mentais (GC) de estudos
anteriores (NOGUEIRA, 2006; MENEZES, 2009; MODESTO, 2012). Não se sabe se o nível
de estresse dos sujeitos do grupo experimental contribuiu para tal resultado.
Já que o tamanho das figuras escolhidas pelos participantes não diferenciou entre o
GC e GE, este estudo não pode afirmar que há uma relação direta entre presença de estresse e
alteração na percepção visual de tamanho, o que, por enquanto, não confirmou a hipótese do
presente trabalho.
14
Somente usado no estudo de Modesto (2012)
62
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante dos resultados desta pesquisa e considerando que os estímulos visuais
utilizados, até então, só detectam alteração na percepção visual de indivíduos com
Esquizofrenia (SIMAS et al., 2011), recomenda-se novas pesquisas testando sujeitos com
níveis mais elevados de estresse (quase-exaustão e exaustão).
Além disso, sugerem-se amostras que tenham sido submetidas a estresse intenso,
como pessoas com carga horária de trabalho caracterizada por muito desgaste físico e/ou
emocional, por exemplo, médicos, enfermeiros plantonistas, controladores de voo, e etc.
Vítimas de violência durante a infância e/ou diagnosticadas com TEPT poderia ser
outra possibilidade de amostra. Essa recomendação toma como referência as pesquisas que
encontraram alterações no córtex visual de vítimas de abuso sexual e pessoas que foram
expostas à violência doméstica na infância (BREMNER et al., 2004, TOMODA, 2009, 2012).
Espera-se assim buscar evidências de que o estresse promove prejuízos na percepção visual.
63
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72
APÊNDICE A – TERMO DE CONCENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
73
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Convido o (a) Sr.(a) para participar, como voluntário (a), da pesquisa “Avaliação da
percepção visual de forma e tamanho em voluntários com estresse crônico”.
Após ser esclarecido (a) sobre as informações a seguir, no caso de aceitar fazer parte do
estudo, assine ao final deste documento, que está em duas vias. Uma delas é sua e a outra é do
pesquisador responsável. Em caso de recusa você não será penalizado (a) de forma alguma.
Em caso de dúvida você pode procurar o Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres
Humanos da UFPE no endereço: Avenida da Engenharia s/n – 1º Andar, Sala 4 - Cidade
Universitária, Recife-PE, CEP: 50740-600, Tel.: 2126.8588 – e-mail: [email protected].
INFORMAÇÕES SOBRE A PESQUISA:
Título do Projeto:
“Avaliação da percepção visual de forma e tamanho em voluntários com estresse crônico”.
Pesquisador Responsável:
Erika Cristiane da Silva. Endereço para correspondência: LabVis-UFPE, Departamento de
Psicologia, CFCH, 9º andar, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, Cep: 50670-901.
E-mail: [email protected]. Telefone: (81) XXXX-XXXX
Objetivos: avaliar a percepção visual de formas e tamanhos em pessoas em condições de
estresse crônico.
Duração do Estudo: Os experimentos serão conduzidos no decorrer de três meses. Cada
estudo individual dura cerca de 40 minutos.
Descrição do Estudo: “Comparação do tamanho de imagens percebidas em primeiro lugar
em 24 pinturas de Dali, nas 10 pranchas do Rorschach, apresentados a adultos em condições
de estresse crônico e a adultos saudáveis”.
Testaremos a hipótese de que quanto maior a o tamanho da primeira figura percebida,
maior o nível estresse. Avaliaremos o desempenho de voluntários acometidos por estresse
crônico e voluntários sem apresentar tal condição, fazendo uso de 10 pinturas de Dali, do teste
de Rorschach e de duas escalas de avaliação psicológica: Mini Exame do Estado Mental
(MEEM) e o Inventário de Sintomas de Stress para adultos de Lipp (ISSL).
Procedimentos: O participante será instruído a indicar a primeira figura que lhe chamou a
atenção primeiramente, em cada quadro. A instrução será padronizada: “Você vai ver
fotografias de quadros de um pintor e depois de olhar cada uma, você deverá indicar a
primeira figura, que mais lhe chamou atenção”. Neste procedimento, o participante indicará a
primeira figura que percebeu contornando a mesma sobre a tela de um ipod.
Riscos e Desconforto: Estudos desta natureza trazem baixo risco para os voluntários. O único
desconforto possível seria decorrente de cansaço/fadiga resultante de esforço mental ou de
exposição à luminosidade da tela do computador, no qual serão visualizadas as imagens. Em
relação ao uso do Teste de Rorschach, ainda que o mesmo, originalmente, avalie a dinâmica
da personalidade, não se fará tal uso nesta pesquisa. Pretende-se, apenas, medir, em
centímetros, o tamanho da primeira forma percebida, tal qual se procederá com as pinturas de
Salvador Dali, não envolvendo riscos para o voluntário.
Benefícios: Os benefícios diretos ao participante dessa pesquisa são dois: (1) orientação ao
voluntário que procure um oftalmologista (a critério do participante), uma vez detectado
algum prejuízo visual e (2) devolução do resultado da escala quantitativa de estresse,
74
imediatamente após o término da participação voluntária do sujeito, orientando o mesmo,
quando da provável necessidade, a buscar ajuda de um psicólogo. Além disso, a contribuição
da pesquisa consistirá na produção de conhecimentos sobre a relação entre alterações na
percepção visual e o estresse crônico. Espera-se também que este estudo subsidie a elaboração
de um instrumento de avaliação (pinturas de Salvador Dali) que poderá ser utilizado no
diagnóstico precoce da Esquizofrenia.
Confidencialidade: A identificação dos voluntários é confidencial. Os dados da pesquisa
serão armazenados, sob responsabilidade do pesquisador responsável no laboratório de
Percepção Visual- LabVis, 9ª andar, Departamento de Psicologia, CFCH-UFPE, por um
período mínimo de cinco anos. Os resultados poderão ser publicados, porém, a identidade do
voluntário será preservada.
Ressarcimento e de Indenização: Não são previstos recursos para indenizações ou
pagamento pela participação do voluntário.
Participação Voluntária: A participação de todos os sujeitos será de acordo com as suas
disponibilidades e voluntariedade e somente depois de ler, entender e assinar este Termo de
Consentimento. Todos os resultados da pesquisa serão repassados posteriormente aos
participantes, caso manifestem interesse.
Garantias: Os voluntários terão liberdade para retirar o consentimento sem qualquer tipo de
penalização e/ou prejuízo.
CONSENTIMENTO DA PARTICIPAÇÃO DA PESSOA COMO SUJEITO
Eu,_____________________________________, RG/ CPF/____________________/
________________________, abaixo assinado, concordo em participar do estudo: “Avaliação
de alterações na percepção visual de forma e tamanho em condição de estresse crônico”,
como sujeito. Fui devidamente informado(a) e esclarecido(a) pela pesquisadora Erika
Cristiane da Silva sobre a pesquisa, os procedimentos nela envolvidos, assim como os
possíveis riscos e benefícios decorrentes de minha participação. Foi-me garantido que
posso retirar meu consentimento a qualquer momento, sem que isto leve a qualquer
penalidade.
Local e data ______________________________
___________________________________________ ______________________
Nome do voluntário
Assinatura do voluntário
Declaro que fiz os devidos esclarecimentos sobre esta pesquisa.
__________________________________________ ___________________________
Nome do Pesquisador
Assinatura do Pesquisador
Presenciamos a solicitação de consentimento, esclarecimentos sobre a pesquisa e aceite do
sujeito em participar (02 testemunhas não ligadas à equipe de pesquisadores):
____________________________________________ ______________________
Nome
Assinatura
____________________________________________ ______________________
Nome
Assinatura
75
APÊNDICE B – CARTA DE ANUÊNCIA
76
77
ANEXO A – PROTOCOLO DE ENTREVISTA CLÍNICA
78
PROTOCOLO DE ENTREVISTA CLÍNICA
Data: ____ / ___ / ____
I.
Hora:______________
Identificação
Nome:
___________________________________________________________________________
Data de Nascimento: ____ / ____ / _____ Idade:_____________ Sexo: F ( ) M ( )
Nacionalidade: Brasileiro ( ) Outro ( )
Natural de (Cidade, Estado) : __________________________________________________
Estado civil:_______________________
Quantos:_______________________
Filhos: Sim (
)
Não (
)
Endereço:_____________________________Complemento:__________________________
Bairro:
______________________
___________________________
Cidade:
___________________
CEP:
Telefones: Residência ( )_________Celular ( ) ___________ Outro ( )________________
Escolaridade:_________________________________________________________________
Formação:___________________________________________________________________
Profissão:_________________________________________Nível de ensino 15: Fundamental (
) Médio(
) Carga horária semanal:________________Tempo de exercício
profissional:_____________________________
Profissões
anteriores:__________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
II.
Antecedentes Patológicos Pessoais:
1.
Diabetes ( ) Há quanto tempo?_______________________ Controlado (Sim) (Não)
2.
Hipertensão arterial ( ) Há quanto tempo?______________ Controlado (Sim) (Não)
3.
AVC (
) Área
tempo?__________________
15
Somente para professores
afetada
____________________________
Há
quanto
79
Apresentou
seqüelas?___________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
4.
Infarto ( ) / Angina ( )
5.
Epilepsia ( ) Tipo____________
Tratamento ___________________________________________
6.
Meningite ( )
_____________________________________________________________________
7.
TCE ( ) Teve perda de consciência? (Sim) (Não)
Quantas vezes?
___________________________________________________________________________
Apresentou seqüelas?_________________________________________________________
8.
Transtorno psiquiátrico ( )_______________________________________________
___________________________________________________________________________
Tempo:_____________________________________________________________________
Tratamento
___________________________________________________________________________
9.
Faz ou fez uso de substâncias tóxicas?
•
Álcool ( ) Freqüência:____________________
Por quanto tempo?_________________________
•
Tabaco ( ) Freqüência:____________________
Por quanto tempo?_________________________
•
Outras drogas ( )
Tipo____________________________________________________________
Freqüência:______________________________
Por quanto tempo?____________________________
10.
Distúrbio Visual: _______________________________________________________
11.
Distúrbio Auditivo: ______________________________________________________
80
12.
Medicações:
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
III.
Antecedentes Patológicos Familiares:
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
IV.
Queixas Principais:
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
81
ANEXO B - MINI EXAME DO ESTADO MENTAL
82
MEEM- Mini Exame do Estado Mental
Questões/ Pontos
1. Orientação temporal - pergunte ao indivíduo: (ponto para cada resposta correta) ( 5 ) ( )
Que dia é hoje?
Em que mês estamos?
Em que ano estamos?
Em que dia da semana estamos?
Qual a hora aproximada? (considere a variação de mais ou menos uma hora)?
2. Orientação espacial - pergunte ao indivíduo: (ponto para cada resposta correta) ( 5 ) ( )
Em que local nós estamos? (consultório, dormitório, sala . apontando para o chão)
Que local é este aqui? (apontando ao redor num sentido mais amplo: hospital, casa de repouso, própria
casa).
Em que bairro nós estamos ou qual o nome de uma rua próxima.
Em que cidade nós estamos?
Em que Estado nós estamos?
3. Nomeie três objetos (carro, vaso, tijolo) levando 1 segundo para cada. Depois, peça ao paciente que os
repita para você. Repita as respostas até o indivíduo aprender as 3 palavras (5 tentativas).
(3) ( )
OBS_________________________________________________________________________________
4. 7s seriados: Subtraia 7 de 100. Subtraia 7 desse número, etc ( 5 ) ( )
Interrompa após 5 respostas ( 5 )
(100-7, 93-7, 86-7, 79-7, 72-7,65)
Alternativa: Soletre "MUNDO" de trás para frente.
5. Peça ao paciente que nomeie os 3 objetos aprendidos.
(3) ( )
6. Mostre uma caneta e um relógio. Peça ao paciente que os nomeie conforme você os mostra.
(2) ( )
7. Peça ao paciente que repita "nem aqui, nem ali, nem lá" ( 1 )
( )
8. Peça ao paciente que obedeça sua instrução: "Pegue o papel com sua mão direita. Dobre-o ao meio com
as duas mãos. Coloque o papel no chão" ( 3 )
( )
9. Peça ao paciente para ler e obedecer o seguinte: "Feche os olhos" ( 1 )
( )
83
10. Frase: Peça ao indivíduo para escrever uma frase. Se não compreender o significado, ajude com: alguma
frase que tenha começo, meio e fim; alguma coisa que aconteceu hoje; alguma coisa que queira dizer. Para a
correção não são considerados erros gramaticais ou ortográficos ( 1 ) ( )
11. Peça ao paciente que copie o seguinte desenho mostre o modelo e peça para fazer o melhor possível.
Considere apenas se houver 2 pentágonos interseccionados (10 ângulos) formando uma figura de quatro
lados ou com dois ângulos ( 1 )
( )
84
MEEM- comando verbal (folha de aplicação)
FECHE OS OLHOS
Resposta_____________________________________________________________
85
MEEM- cópia do desenho (folha de aplicação)
Download

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