BREVE ANÁLISE DA EVOLUÇÃO DA RESISTÊNCIA/RESILIÊNCIA DA
CIDADE DO RIO DE JANEIRO EM RELAÇÃO A EVENTOS
PLUVIOMÉTRICOS INTENSOS NO PERÍODO 1966-2013
1
2
Ricardo Neiva d’Orsi ; Marcelo Aldaher Magalhães ; Rodrigo da Silva Coelho³; Luciano Reis da
Silva Junior4; Thalles Stelling Carneiro5; Nelson Martins Paes6
Resumo: Este artigo apresenta os resultados de estudos efetuados pela Fundação GEO-RIO que
tiveram como objetivo realizar uma breve análise do processo evolutivo dos aspectos de Resistência
e de Resiliência da Cidade do Rio de Janeiro em relação aos Eventos Pluviométricos (E.P.) mais
intensos ocorridos durante o período de 1966-2013. Para tanto, foi elaborada uma metodologia
específica, considerada pioneira para este tipo de análise. Os registros pluviométricos foram obtidos
mediante consultas ao banco de dados do Sistema Alerta Rio e através de matérias veiculadas nos
diferentes meios de comunicação à época dos fortes eventos chuvosos. As informações referentes
aos danos e/ou transtornos provocados pelas chuvas à Cidade foram extraídas do acervo técnico
GEO-RIO, que reúne palestras, relatórios internos, etc., e das matérias de jornais e revistas
disponibilizadas na internet e no acervo da Biblioteca Nacional no centro do Rio. Os resultados
mostraram que houve um aumento tanto da Resistência como da Resiliência da Cidade em relação
a Eventos Pluviométricos intensos de uma mesma Magnitude. Ainda neste contexto, o trabalho
discute as intervenções (obras de estabilização de encostas) realizadas pela Fundação GEO-RIO
para a mitigação do risco geológico-geotécnico na Cidade, com impacto direto no aumento da
resistência e da resiliência das áreas montanhosas da Cidade, em especial no período 2009 a 2013.
Ao final, o trabalho também inclui temas de discussão relativos ao aprimoramento da metodologia
ora apresentada.
Palavras-Chave – Chuvas Intensas; Resistência/Resiliência; Rio de Janeiro
Abstract: This article presents the results of studies conducted by GEO-RIO Foundation on the
resistance and resilience aspects of Rio de Janeiro, related to heavy rain events occurred during
1966 and 2013. For this purpose, a specific methodology had to be developed considering the
rainfall intensities and its consequences for each event. The landslides triggered by the intense
rain received a special attention. Preliminary analysis showed that the City's resistance and
resilience increased, particularly between 2009 to 2013. Proposals to improve the methodology
are presented at the end of the article.
Keywords: Heavy Rains; Resistance/Resilience; Rio de Janeiro
1
²
3
4
5
6
Geól., DSc , Fundação Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro, (21) 3878-1849, [email protected]
Eng°., MSc, Fundação Instituto de Geotécnica do M unicípio do Rio de Janeiro , (21) 3878-2224, [email protected]
Geóg.º., Fundação Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro, (21) 3878-2224, [email protected]
A.T.E., Fundação Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro, (21) 3878-2224, [email protected]
Estag°, Fundação Instituto de Geotécnica do Municíp io do Rio de Janeiro, (21) 3878-2224, [email protected]
Geól., Fundação Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro, (21) 3878-2224, [email protected]
15º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental
1
1. INTRODUÇÃO
A necessidade de se elaborar competentes sistemas de Gestão e Gerenciamento de uma
Cidade para a mitigação de Desastres Naturais assume grande destaque no contexto
internacional, uma vez que estudos recentemente elaborados (ROLNIK, 2009), sobretudo pela
Organização das Nações Unidas, enunciam de forma contundente uma confluência perversa
entre uma maior frequência dos extremos climáticos e a taxa de crescimento exponencial do
montante populacional residindo em áreas urbanas. Este fato, quando correlacionado com o
incremento da pobreza nas Cidades, tende a aumentar - em níveis preocupantes - a quantidade
de setores (e, consequentemente, o número de pessoas) expostos a desastres ambientais, tais
como escorregamentos e inundações, principalmente nas regiões tropicais da África, América do
Sul e Ásia. (UNRIC, 2015).
Segundo UNISDR (2012), atualmente mais da metade (54%) da população mundial vive em
áreas urbanas, havendo a projeção de que este percentual aumente para 66% em 2050,
chegando a 5,3 bilhões de pessoas vivendo em áreas urbanas, o que nos permite concluir que
serão maiores, a cada dia, os desafios em atender às demandas do crescimento populacional
urbano referentes à habitação, transporte, energia, dentre outros, sendo notório o fato de que a
Gestão das Cidades de forma competente, potencializando as dinâmicas urbanas e mitigando os
desastres ambientais, assume posição central nos grandes debates a respeito do futuro das
nações.
Neste contexto, torna-se imperativo que as Cidades conheçam suas intempéries mais
frequentes e os respectivos potenciais destas em provocar transtornos e/ou danos àquelas, de
maneira a tornar as Cidades satisfatoriamente mais Resistentes e, sobretudo, mais Resilientes,
entendendo-se Resistência como a aptidão da Cidade em suportar a ação de eventos adversos
sem sair do seu estado normal de operação e Resiliência como sendo a capacidade e velocidade
da Cidade em retornar à sua normalidade, nas ocasiões em que aquele estado for comprometido.
No caso específico dos impactos negativos das chuvas intensas em relação aos centros
urbanos, as análises têm revelado que, quanto maior a resistência, maior é a resiliência, e vice
versa, pois as ações direcionadas a uma tem influência direta no comportamento da outra.
Assim, a análise da Resistência da Cidade no período 1966-2013 também permitiu avaliar o
quadro evolutivo da sua Resiliência, uma vez que o aumento progressivo da Resistência às
Chuvas Intensas (obtido por meio de ações diretas, tais como as obras de estabilização, de
drenagem e viárias) contribuiu para gerar uma sequência decrescente de transtornos e/ou danos
à Cidade, possibilitando o retorno ao estágio operacional de normalidade em um menor tempo, ou
seja, aumentado diretamente a sua Resiliência.
O presente trabalho objetivou, portanto, verificar se houve variação, e em que proporção, da
Resistência/Resiliência da Cidade do Rio de Janeiro nos 16 (dezesseis) Eventos Pluviométricos
mais intensos verificados no período 1966-2013. Um detalhamento desta análise foi feito
especificamente em relação à deflagração dos escorregamentos (número e pluviometria crítica)
associando-se diretamente sua evolução ao montante de investimentos realizados pela Fundação
GEO-RIO em obras para a contenção de encostas neste mesmo período de 1966-2013.
2. METODOLOGIA
Para a realização deste estudo, a equipe da Gerência de Programas Especiais da Diretoria de
Estudos e Projetos da Fundação GEO-RIO elaborou uma metodologia, segundo a qual foram
selecionados os Eventos Pluviométricos mais intensos que incidiram sobre a Cidade do Rio de
Janeiro no período 1966-2013, em um total de 16 (dezesseis) Eventos, os quais foram analisados
em 3 (três) etapas, sendo elas:
1° ETAPA - Consistiu na definição da Magnitude dos Eventos Pluviométricos, mediante a
correlação entre o tempo de duração e a intensidade pluviométrica dos mesmos. Definiu-se aqui o
conceito de Magnitude como o potencial de um Evento Pluviométrico (E.P.) para provocar
transtornos e/ou danos a uma determinada Cidade.
15º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental
2
Para a classificação dos E.P. quanto à intensidade pluviométrica e o tempo de duração, foram
definidas as faixas de valores para ambos os parâmetros. No caso do parâmetro de intensidade
pluviométrica, foram definidos dois grupos de faixas de valores, sendo um referente à acumulada
máxima em 24h e outro às médias das máximas acumuladas em 1h e 24h (Tabela 1).
Tabela 1. Classes para Tempo de Duração e Intensidade Pluviométrica
Logo, quanto à intensidade pluviométrica, os E.P. foram avaliados de duas formas distintas:
1. Segundo a máxima acumulada em 24h e
2. Segundo as médias das acumuladas máximas em 1h e 24h.
Sendo assim, foram definidas duas maneiras de se obter a Magnitude para cada Evento,
sendo uma referente à máxima acumulada em 24h e a outra às médias das acumuladas máximas
em 1h e 24h, o que ocorreu devido à disponibilidade dos dados pluviométricos referentes aos
E.P.. Para os casos em que foi possível resgatar somente o dado de máxima acumulada em 24h,
calculou-se a Magnitude segundo o primeiro tópico apenas, enquanto que para os E.P. em que foi
possível resgatar os dados de máximas acumuladas em 1h e 24h, foram calculados dois valores
de Magnitude, sendo um quanto à máxima acumulada em 24h e outro quanto ao intercruzamento
das médias das máximas acumuladas em 1h e 24h (Figura 1).
15º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental
3
Figura 1. Matrizes de definição da Magnitude dos Eventos Pluviométricos pela relação Tempo de
Duração x Intensidade Pluviométrica
2° ETAPA – Nesta etapa, os E.P. foram classificados em quatro classes de Consequências
(C1, C2, C3 e C4) referentes aos transtornos e/ou danos provocados à Cidade, sendo 'C4' a
classe de transtornos e/ou danos mais severos e generalizados. A avaliação dos tópicos definidos
para serem analisados nesta etapa foi feita de forma quantitativa, como, por exemplo, o cálculo
da relação de vítimas fatais por 1 (um) milhão de habitantes, assim também como qualitativa,
como no caso da análise dos transtornos e/ou danos provocados às redes de infraestrutura da
Cidade (Figura 2).
15º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental
4
Figura 2. Classes de Consequências referentes aos danos e/ou transtornos provocados pela
ação dos Eventos Pluviométricos sobre a Cidade
Para a definição destas classes, foram considerados os seguintes fatores:
1. Vítimas fatais/1 milhão de habitantes;
2. Número de desabrigados;
3. Número de moradias danificadas e/ou destruídas;
4. Número de Escorregamentos;
5. Proporção de bairros afetados por acidentes geológico-geotécnicos em encostas na
Cidade;
6. “Bolsões” de água e áreas Inundadas;
7. Mobilidade urbana: Engarrafamentos/retenções;
8. Redes de infraestrutura (luz, água, gás e telecomunicações).
Os Eventos Pluviométricos foram avaliados em separado quanto aos tópicos 4 e 5, de
maneira que o resultado desta avaliação foi intercruzado com o resultado da avaliação quanto aos
demais tópicos, sendo, ao final, mediante o intercruzamento das classes resultantes das duas
avaliações mencionadas, definida a classe de Consequências para cada E.P..
As informações referentes aos transtornos e/ou danos associados a cada E.P. foram obtidas,
principalmente, mediante a pesquisa feita no acervo da Fundação GEO-RIO, o qual reúne uma
série de reportagens, palestras e revistas técnicas, além de teses de Mestrado e Doutorado
cedidas pelos autores à Fundação. De igual forma, foram feitas extensas pesquisas no acervo online de vários jornais, tais como O Globo e o Jornal do Brasil, além daquelas feitas no acervo online da Defesa Civil do Município do Rio de Janeiro e o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). Para a obtenção dos dados pluviométricos de todos os E.P. ocorridos a partir
de 1996 (ano de criação do Sistema Alerta Rio), foi utilizado o acervo intranet da Fundação GEORIO, o qual contém todos os dados referentes aos 33 pluviômetros do referido Sistema.
15º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental
5
3° ETAPA – Na terceira e última etapa, os dados referentes à Magnitude e às Consequências
foram intercruzados em um esquema de Matriz. Foram definidos 5 (cinco) valores para “R”,
variando de R0 a R4, tal como pode ser observado na tabela a seguir (Figura 3).
Figura 3. Matriz para a definição da Resistência/Resiliência da Cidade
Cumpridas as 3 (três) etapas de análise dos E.P., foram definidos os valores para a
Resistência/Resiliência da Cidade do Rio de Janeiro para cada ocasião em que os Eventos
analisados neste trabalho incidiram sobre a mesma, resultando em uma série diversificada em
quantidade, qualidade e extensão de transtornos e/ou danos.
3. RESULTADOS
Os resultados deste trabalho são apresentados a seguir e estão reunidos em forma de
gráficos e tabelas para fins de viabilizar a análise dos mesmos ao longo do período destacado.
Seguem os resultados, em forma de tabelas e gráficos, para o cálculo dos valores de
Magnitude, classificação dos E.P. de acordo com as suas Consequências para a Cidade e a
definição da Resistência/Resiliência para cada caso (Tabela 2; Figuras 4 e 5).
15º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental
6
Tabela 2. Valores de Magnitude, Consequências e Resistência/Resiliência para todos os Eventos
Pluviométricos vistos neste estudo
Figura 4. Variação da Resistência/Resiliência da Cidade do Rio de Janeiro para Eventos
Pluviométricos Intensos ao longo do período 1966-2013 segundo a máxima acumulada em 24h
15º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental
7
Figura 5. Variação da Resistência/Resiliência da Cidade do Rio de Janeiro para Eventos
Pluviométricos Intensos ao longo do período 1966-2013 segundo a média das máximas
acumuladas em 1h e em 24h
Observados os resultados, apresenta-se uma síntese do processo evolutivo da
Resistência/Resiliência da Cidade do Rio de Janeiro aos E.P. destacados neste estudo como os
pluviometricamente mais intensos no período 1966-2013 (Figura 6).
Figura 6. Quadro resumo para breve análise da variação da Resistência/Resiliência
da Cidade do Rio de Janeiro para E.P. de mesma Magnitude
A partir da análise dos resultados é possível observar que, tanto nos valores encontrados para
as acumuladas máximas dos E.P. em 24h, quanto naqueles relativos às médias das máximas
acumuladas em mm/1h e mm/24h, houve um aprimoramento da Resistência/Resiliência da
Cidade do Rio de Janeiro para Eventos pluviometricamente intensos ao longo do período 19662013.
Julga-se importante uma observação a respeito da diminuição da Resistência/Resiliência da
Cidade para E.P. de Magnitude 4 nos dados resultantes do estudo feito com as médias das
máximas em 1h e 24h. Tal como pode ser observado no quadro resumo apresentado acima,
15º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental
8
quando definida a Magnitude do E.P. de 10/12/13 segundo a máxima acumulada em 24h, obtevese um M5, diferentemente de quando o E.P. foi avaliado quanto às médias das máximas em 1h e
24h, sendo este um M4 neste caso. Ao considerarmos a média das máximas, isto implicou que
todos os valores de máximas acumuladas fossem integrados ao cálculo e não somente o mais
elevado, o que resultou em um valor mais ameno de Magnitude para este Evento. Então, sabendo
que o E.P. foi classificado como um C2 para os danos e/ou transtornos, ao definirmos o valor da
Resistência/Resiliência mediante a matriz criada para tal, obtivemos um R3, não obstante este
mesmo Evento ter apresentado um valor de R4 quando avaliado segundo a máxima em 24h.
Face ao exposto, vale ressaltar que mesmo esta diminuição sendo analisada somente no
quadro resumo do estudo para as médias das acumuladas para os E.P. de Magnitude 4, não
traduz, de fato, uma piora na Resistência/Resiliência da Cidade, pois, não obstante, a
Resistência/Resiliência manteve-se em R3, ou seja, manteve-se em níveis altos para E.P.
intensos.
3.1 SOBRE AS CONTRIBUIÇÕES DA FUNDAÇÃO GEO-RIO AO INCREMENTO DA
RESISTÊNCIA/RESILIÊNCIA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO
A Fundação Instituto de Geotécnica do Município do Rio de Janeiro (GEO-RIO) é o órgão da
Secretaria Municipal de Obras responsável por planejar e executar os serviços técnicos
necessários à mitigação do Risco geológico-geotécnico no Município, sobretudo no que tange à
contenção das encostas. No exercício de suas competências, esta Fundação tem realizado
vultosos investimentos em obras de contenção, assim como vêm fomentando seus agentes
internos a desenvolverem estudos que possibilitem a criação e o fortalecimento de estruturas e
sistemas eficientes na mitigação do Risco.
3.1.1
Investimentos em Obras de Contenção
Ao longo do período de 1988-2013, a Fundação GEO-RIO direcionou investimentos na ordem
de aproximadamente US$ 750.000.000,00 para os serviços de planejamento e execução de obras
de contenção em encostas da Cidade do Rio de Janeiro, conforme pode ser visto no gráfico a
seguir (Figura 7).
Figura 7. Investimentos realizados pela Fundação GEO-RIO em obras de contenção no
período 1988-2013
15º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental
9
3.1.2
Resistência / Resiliência relativa a Escorregamentos
Estudos recentemente concluídos pela Gerência de Programas Especiais da Fundação GEORIO resultaram na elaboração de um Relatório interno que integra o Programa Chuva Crítica Rio
(D’ORSI et al, 2015), que englobou todos os 1.001 escorregamentos (lato sensu) associados a
Eventos Pluviométricos Significativos que incidiram sobre a Cidade do Rio de Janeiro ao longo do
período 2010-2013. A conclusão daqueles estudos indicou uma real possibilidade de se elevar o
limiar pluviométrico crítico em 1h para o acionamento do Sistema de Alarme Sonoro da Prefeitura
da Cidade do Rio de Janeiro. O estudo mostra que, a partir de 55mm/1h, há uma probabilidade
maior ou igual a 75% de ocorrerem escorregamentos. Atualmente, o limiar pluviométrico crítico
para a tomada de decisão quanto ao acionamento do Sistema de Alarme Sonoro tem por base a
acumulada de 40mm em 1h. A partir deste valor, o protocolo de acionamento das sirenes (GEORIO, 2013) deixa aquela decisão a cargo das Coordenadorias da Defesa Civil (municipal) e do
Centro de Operações (COR).
Cabe ressaltar que os resultados obtidos no PCCR estão em concordância com MARTINS
(2014), que investigou a variação da pluviometria crítica (deflagradora de escorregamentos)
comparando Eventos Pluviométricos dos períodos 1998-2002 e 2010-2012. Aquele autor,
mediante a classificação dos Eventos, segundo o número de escorregamentos, em “Não eventos”
(sem registro de escorregamentos), “Fracos” (1 a 25 escorregamentos), “Moderados” (25 a 125
escorregamentos), “Fortes” (125 a 250 escorregamentos) e “Catastróficos” (>250
escorregamentos) e a divisão do Município do Rio de Janeiro em 11 sub-regiões pluviométricas,
observou uma melhora nos limiares pluviométricos críticos para “Não eventos” na maioria das
sub-regiões analisadas, atentando para o grande volume de investimentos em obras de
contenção e para as ações para redução de áreas favelizadas, com destaque para a Sub-região
Sul do Município. O autor ainda conclui que os limiares pluviométricos críticos superiores para os
Eventos “Moderados”, definidos mediante desvio padrão, corroboram com os limiares utilizados
pela Fundação GEO-RIO, em conjunto com a Subsecretaria de Defesa Civil do Município do Rio
de Janeiro, para o acionamento do Sistema de Alarme Sonoro, de forma que, segundo ele, tais
limiares para acionamento correspondem à eminência dos Eventos “Fortes” identificados em seu
estudo.
4. CONCLUSÕES
No que concerne ao funcionamento de uma Cidade, quando avaliados seus índices de
Resistência e de Resiliência, estes, por estarem intimamente associados, em geral, variam de
forma conjunta, de maneira que o aprimoramento de um implica no aprimoramento do outro,
sendo o contrário também verdadeiro.
A metodologia criada para este trabalho, embora seja simples, é pioneira neste campo
adaptando-se à maioria das grandes Cidades, já que os informes de mídia (jornais, revistas,
periódicos, entre outros), amplamente utilizados como fontes de pesquisa neste trabalho, estão
presentes em todos os grandes centros. Com a evolução tecnológica e a organização das
administrações urbanas, estas informações tendem a ficar ainda mais precisas e mais facilmente
disponíveis para consulta, o que, por conseguinte, amplia e diversifica em quantidade e qualidade
as fontes para pesquisa. Desta forma, a metodologia apresentada neste trabalho pode e faz-se
imprescindível que seja aperfeiçoada e ampliada, de forma que seja possível uma profunda
análise de toda a estrutura de Resiliência de uma Cidade.
Da análise dos resultados obtidos, mediante a comparação entre Eventos Pluviométricos mais
Intensos de mesma Magnitude, pôde-se concluir que houve um aprimoramento da
Resistência/Resiliência da Cidade do Rio de Janeiro ao longo do período de 1966-2013 e que há
uma tendência, fundamentada em progressivos investimentos realizados pela Fundação GEORIO em obras de contenção e em estudos, de que haja um contínuo aperfeiçoamento dos
sistemas de Resistência e Resiliência da Cidade em relação aos movimentos de massa
deflagrados por precipitação pluviométrica intensa.
15º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental
10
5. DISCUSSÃO
Uma vez que o conceito de Resiliência está diretamente associado ao parâmetro tempo e que
sua análise demanda a utilização de um indicador que considere a questão, o tempo de
exposição de um assunto na mídia (número de dias em que o assunto foi objeto de artigos em
veículos midiáticos) parece ser adequado para a análise preliminar da Resiliência da Cidade
quanto ao período em que uma dada Cidade leva para retornar ao seu estágio de normalidade,
após Eventos Pluviométricos intensos. Entretanto, parâmetros mais sofisticados de análise
preliminar poderão vir a ser utilizados.
No caso da Cidade do Rio de Janeiro, que dispõe, desde 2010, de um Centro de Operações
(COR) que funciona em regime 24h x 7d, o indicador poderia ser obtido a partir do monitoramento
e análise dos 3 (três) estágios operacionais (Normalidade, Atenção e Crise) definidos pelo COR.
Assim, por exemplo, o Rio de Janeiro se tornará tão mais Resiliente quanto mais rapidamente
ocorrerem os retornos dos estágios de Crise para os estágios de Normalidade.
REFERÊNCIAS
D’ORSI R. N.; MAGALHÂES M. A.; COELHO R. S.; JUNIOR L. R. S.; CARNEIRO T. S.; PAES N.
M. Estudos de Correlação entre Chuvas e Escorregamentos no Município do Rio de Janeiro:
Definição dos Campos de Probabilidade de Ocorrência de Escorregamentos por Sub-regiões da
Cidade. Período de Análise: 2010-2013. Rio de Janeiro. Fundação GEO-RIO, 2015.
FUNDAÇÃO GEO-RIO. Protocolo de Acionamento e de Cancelamento do Sistema de Alarme
Sonoro nas Comunidades com Setores de Alto Risco de Escorregamentos nas Encostas
deflagrados por Chuvas Intensas. Rio de Janeiro, 2013.
MARTINS T. F. Pluviometria Crítica de Escorregamentos na Cidade do Rio de Janeiro:
Comparação entre Regiões e Períodos. Rio de Janeiro, 2014. 160 p. Tese (Mestrado em Ciências
em Engenharia Civil) – UFRJ/COPPE.
ROLNIK R. Statement by Ms. Raquel Rolnik, Special Rapporteur on adequate housing as a
component of the right to an adequate standard of living, and on the right to non-discrimination in
this context, at the Human Rights Council Panel on Human Rights and Climate Change 15 June
2009.
Disponível
em:
<
https://raquelrolnik.files.wordpress.com/2009/06/statement_climatechange.pdf>.
Acesso
em
09/03/2015.
UNRIC (2015). Relatório da ONU mostra população mundial cada vez mais urbanizada, mais da
metade vive em zonas urbanizadas ao que se podem juntar 2,5 mil milhões em 2050. Disponível
em: http://www.unric.org/pt/actualidade/31537-relatorio-da-onu-mostra-populacao-mundial-cadavez-mais-urbanizada-mais-de-metade-vive-em-zonas-urbanizadas-ao-que-se-podem-juntar-25mil-milhoes-em-2050. Acesso em 09/03/2015.
UNISDR (2012). Como Construir Cidades Mais Resilientes - Um Guia para Gestores Públicos
Locais. Tradução de: How to Make Cities More Resilient - A Handbook for Mayors and Local
Government Leaders. Genebra, Suíça: Escritório das Nações Unidas para Redução de Riscos de
Desastres.
15º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental
11
Download

Abrir - 15º CBGE