0 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ IZABEL CRISTINA MARTENDAL LUCIANA ROSA DA SILVA OS ESTRESSORES DE ADOLESCENTES COM CÂNCER NOS BASTIDORES DE UMA UNIDADE DE INTERNAÇÃO HOSPITALAR Biguaçu 2006 1 IZABEL CRISTINA MARTENDAL LUCIANA ROSA DA SILVA OS ESTRESSORES DE ADOLESCENTES COM CÂNCER NOS BASTIDORES DE UMA UNIDADE DE INTERNAÇÃO HOSPITALAR Monografia apresentada como requisito parcial para a obtenção de título de Enfermeiro, na Universidade do Vale de Itajaí, Centro de Educação Biguaçu. Orientadora Profª Msc. Nen Nalú Alves das Mercês. Biguaçu 2006 2 IZABEL CRISTINA MARTENDAL LUCIANA ROSA DA SILVA OS ESTRESSORES DE ADOLESCENTES COM CÂNCER NOS BASTIDORES DE UMA UNIDADE DE INTERNAÇÃO HOSPITALAR Esta Monografia foi julgada adequada para obtenção do título de Bacharel em Enfermagem e aprovada pelo Curso de Enfermagem da Universidade do Vale de Itajaí, Centro de Educação Biguaçu. Área de Concentração: Enfermagem Biguaçu, 8 de Dezembro de 2006. Profª Msc. Nen Nalú Alves das Mercês UNIVALI – CE Biguaçu Orientadora Profª Msc. Adriana Dutra Tholl UNIVALI – CE Biguaçu Membro Profª Msc. Ivana Fossari UNIVALI – CE Biguaçu Membro 3 AGRADECIMENTOS A Deus, por ser a luz em nossa caminhada, nos dando força, coragem e determinação, nos guiando sempre pelos caminhos seguros e iluminando nossa vida e nossas decisões. À Orientadora Nen Nalú, pela paciência, dedicação, incentivo, ensinamentos e amizade. Você soube nos orientar com tranqüilidade e sabedoria, apontando os caminhos a serem trilhados. Às professoras Adriana e Ivana, por terem aceitado com carinho o convite para fazer parte da banca examinadora, pelas valiosas sugestões e contribuições na construção deste trabalho. Obrigada. Aos nossos amigos Antônia, Kátia, Mário e Vanessa, por compartilharem conosco momentos importantes de nossa vida acadêmica e pessoal, pelos muitos momentos de descontração, risadas, pela companhia nos finais de semana em que nos encontrávamos para longas horas de estudo, pela troca experiências. Obrigada amigos. Aos adolescentes e seus familiares, especialmente aqueles que já partiram, por depositarem em nós sua confiança, contribuindo para a realização deste trabalho. Muito obrigada. À Instituição de Saúde, pela receptividade, por acreditarem em nosso projeto, contribuindo para a realização deste trabalho. 4 AGRADECIMENTOS DE IZABEL Um agradecimento especial aos meus pais, João Carlos e Maria Gorete, por todos os ensinamentos e pela oportunidade de chegar até aqui. Obrigada pelo incentivo, todo amor, carinho e por compartilharem comigo este momento tão especial em minha vida. Aos meus irmãos, Jean e Leandro, à tia Nila, e a todos os meus familiares que acompanharam de perto esta caminhada. Ao meu namorado Nino, que sempre esteve do meu lado, compartilhando comigo minhas alegrias, tristezas, angústias, sempre paciente e com palavras de entusiasmo nos momentos difíceis. Obrigada pelo seu amor, carinho, compreensão, conforto e por tudo o que você representa em minha vida. Te amo. À Luciana, pelo convívio durante esta caminhada e pela colaboração na construção deste trabalho. Aos meus amigos do anatômico, pela feliz convivência, pelos momentos de descontração, pelos ensinamentos e pelas lembranças que ficarão guardados para sempre com muito carinho. A todas as pessoas que me ajudaram, mesmo que indiretamente, para que este objetivo fosse alcançado. 5 AGRADECIMENTOS DE LUCIANA Aos meus pais, Luis e Elisabete, pelo amor, carinho e ensinamentos que me dedicaram. Agradeço a ajuda e o apoio nos meus projetos de vida, e principalmente as renúncias que realizaram para poder me dar a oportunidade de hoje estar realizando meu sonho. Muito Obrigada! Aos meus irmãos, Marcelo, Ricardo, Anderson e Thiago, por estarem comigo nesta etapa especial de minha vida. À Izabel, pela paciência, perseverança, por não me deixar esmorecer, e principalmente pela sua amizade. Foi um grande prazer trilhar este caminho com você. Aos meus amigos Maria Antônia, Moisés e Celso, pela paciência, compreensão, incentivo e principalmente pela amizade. Aos meus colegas de trabalho da Clínica Cirúrgica Masculina, do Hospital Florianópolis, pelo incentivo e pelas trocas de plantão. Aos amigos Manoel e Carminda, pelo apoio, para que eu pudesse concluir meus estudos. A todas as pessoas que mesmo de forma indireta, compartilharam esta trajetória comigo. 6 "As grandes coisas são feitas por pessoas que têm grandes idéias e saem pelo mundo para fazer com que seus sonhos se tornem realidades." Ernest Holmes 7 RESUMO MARTENDAL, I. C.; SILVA, L. R. Os estressores de adolescentes com câncer nos bastidores de uma unidade de internação hospitalar. 89 p. Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Enfermagem – Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI. Biguaçu, 2006. O câncer é uma doença crônico-degenerativa considerada um problema de saúde pública mundial, acometendo todas as faixas etárias. Quando o adolescente tem a doença e necessita de internação hospitalar para diagnóstico, estadiamento, tratamento cirúrgico, quimioterápico e/ou radioterápico, isso é motivo de grande apreensão e sofrimento, pois exige um afastamento de tudo aquilo que lhe é familiar e conhecido, causando-lhe momentos de estresse. Estresse é definido como uma reação do organismo, com componentes físicos e ou psicológicos causados pelas reações psico-fisiológicas que ocorrem quando a pessoa se confronta com uma situação que, de um modo ou de outro, a irrite, amedronte, excite ou confunda, ou mesmo que a faça intensamente feliz. Assim, o objetivo deste estudo foi conhecer o significado do estresse para o adolescente portador de câncer internado em uma unidade hospitalar. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, convergente assistencial. Para a coleta de dados, utilizou-se uma entrevista, realizada individualmente com doze adolescentes portadores de câncer, na faixa etária de 15 a 18 anos, internados em uma Instituição de Saúde Pública, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, especializada na área de Oncologia, no período de março a setembro de 2006. As entrevistas foram gravadas, com autorização prévia dos adolescentes e dos responsáveis legais. Como referencial teórico utilizamos Betty Neuman, pois os dois principais componentes do seu sistema são o estresse e a reação ao estresse. Os resultados demonstram que, em geral, os principais estressores dos adolescentes portadores de câncer internados são o afastamento do convívio social, da família, das atividades que estavam acostumados a realizar no seu dia-a-dia antes da internação, o afastamento do colégio e dos amigos e a imposição das regras da rotina hospitalar. Neste contexto, acreditamos que estudar e conhecer o significado do estresse para o adolescente portador de câncer é importante, pois, através dos relatos e análise dos dados coletados, pudemos conhecer os fatores que causam estresse ao adolescente e desta forma fornecer subsídios, contribuindo para o re-pensar da assistência do adolescente com câncer, possibilitando assim, a diminuição dos fatores desencadeantes do estresse. Palavras-chave: Adolescente. Câncer. Estresse. 8 ABSTRACT MARTENDAL, I. C.; SILVA, L. R. The factors of stress in adolescents with cancer in the embroidery frames of an unit of hospital internment. 89 p. Final essay of the Graduation Course in Nursing – Universidade do Vale do Itajaí- UNIVALI. Biguaçu, 2006. Cancer is a chronic-degenerative illness considered as a world-wide public health problem for people of all ages. When the adolescent gets the illness and needs hospital admission for diagnosis, staying in, surgery, chemitherapy and/or radiotherapy, this is cause of a lot of apprehension and suffering, therefore it demands a removal of everything what is familiar and known for him or her, causing stress moments. Stress is defined as a reaction of the body carrying out physical and/or psychological components caused by psychophysiological reactions that happen when one faces situations of annoyance, fright, excitement and confusion or even of happiness. Thus, the objective of this study is to know the meaning of stress for the adolescent with cancer admitted in a hospital unit. It is about a qualitative research, convergent attendant. Twelve adolescents between fifteen and eighteen years old admitted in a Santa Catarina public hospital were interviewed for the data collection, from March till Septemper of 2006. The interviews had been recorded with previous authorization of the adolescents and their legal responsibles. Betty Neuman was taken as a Theory reference because of the two main components of her system are stress and the reaction to it. The results demonstrated that, in general, the main causes of stress in adolescents with cancer admited in a hospital are their removal of the social and family conviviality, and of the activities they were accustomed to carry through day-by-day before the internment, the removal of college and friends and the imposition of rules of the hospital routine. In this context, we believe that to study and to know the meaning of the stress in adolescents with cancer is important, car through the stories and analysis of the collected data, we could know the factors which cause stress in adolescents and, in such way, to supplying subsidies, contributing to rethink the assistance of the adolescent with cancer, turning out possible a reduction of the causes of stress. Key-words: Adolescent. Cancer. Stress. 9 SUMÁRIO 1 INTRODUZINDO A TEMÁTICA............................................................................. 13 1.1 Objetivos..................................................................................................................... 14 1.1.1 Objetivo geral........................................................................................................... 14 1.1.2 Objetivos específicos............................................................................................... 15 2 REVISANDO A LITERATURA................................................................................ 17 2.1 Contextualizando o câncer.......................................................................................... 17 2.1.1 Fisiopatologia do câncer.......................................................................................... 19 2.2 Contextualizando a adolescência................................................................................ 20 2.3 O câncer na adolescência............................................................................................ 23 2.4 O estresse e o câncer................................................................................................... 30 2.5 O estresse no adolescente com câncer........................................................................ 32 3 CONSTRUINDO UM MARCO REFERENCIAL A PARTIR DA TEORIA DE BETTY NEUMAN.......................................................................................................... 34 3.1 Pressupostos filosóficos de Neuman........................................................................... 34 3.2 Definindo os conceitos segundo Neuman................................................................... 36 3.3 Definindo outros conceitos......................................................................................... 37 4 O CAMINHO METODOLÓGICO............................................................................ 40 4.1 Característica geral do estudo..................................................................................... 40 4.2 Caracterização do campo de desenvolvimento do estudo........................................... 41 4.3 Caracterização dos adolescentes do estudo................................................................. 41 4.4 O caminho percorrido................................................................................................. 43 4.5 Evidenciando os aspectos éticos................................................................................. 47 5 APRESENTAÇAO E ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS.............................. 50 5.1 O cotidiano do adolescente com câncer hospitalizado................................................ 51 5.2 Desvelando o significado do estresse para o adolescente com câncer hospitalizado: agentes internos e externos............................................................................................... 53 5.3 O respiradouro do adolescente com câncer hospitalizado.......................................... 60 5.4 A imagem corporal e a sexualidade X isolamento social do adolescente com câncer hospitalizado.......................................................................................................... 63 10 6 APROXIMANDO O MODELO DE SISTEMAS DE BETTY NEUMAN E OS ESTRESSORES DO ADOLESCENTE COM CÂNCER........................................... 68 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................... 73 REFERÊNCIAS........................................................................................................... 75 APÊNDICE A - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.............................. 82 APÊNDICE B – Ficha de Identificação..................................................................... 83 APÊNDICE C – Entrevista Semi-estruturada.......................................................... 84 ANEXO I – Termo de Aceite de Orientação............................................................ 85 11 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Modelo de Sistemas de Betty Neuman......................................................... 34 Figura 2 – Denominação dos Adolescentes do Estudo.................................................. 44 Figura 3 – Aproximação do estudo com o Modelo de Sistemas de Betty Neuman....... 68 12 "As grandes idéias de sucesso foram criadas por pessoas que reconheceram um problema e o transformaram em uma oportunidade." Joseph Sugarman 13 1 INTRODUZINDO A TEMÁTICA O processo de saúde-doença vivenciado pelo Ser Humano no decorrer da história, mostra que há uma contradição em nossa realidade social, principalmente no Brasil, ou seja, de um lado continua o aumento de doenças próprias da pobreza, encontradas em países do terceiro mundo ou em desenvolvimento, como a desnutrição, verminose, desidratação, fome, afecções do período peri-natal e tantas outras, que podem ser abordadas efetivamente com medidas político-econômicas, desde saneamento básico até os programas de prevenção a doenças e proteção à saúde em todos os níveis. Em contrapartida, de outro lado, há as doenças crônico-degenerativas características dos países mais desenvolvidos, dentre elas, as afecções cardíacas, como a hipertensão arterial sistêmica, as endócrinas, como o diabetes, as demenciais, como o Alzheimer e, em especial o câncer, que vem aumentando sua incidência e mortalidade em decorrência de vários fatores, desde as mudanças no estilo de vida, o aumento da expectativa de vida, a industrialização, e tantos outros que contribuem para o surgimento de agravos crônicos transmissíveis. (BRASIL, 2006a). O câncer é uma doença antiga que acomete todas as faixas etárias, trazendo consigo a idéia de dor, sofrimento, angústia, morte, causando modificações na vida do indivíduo. Receber o diagnóstico de câncer, principalmente na adolescência, que é uma fase na qual ocorrem grandes transformações na vida do indivíduo, seja ela no aspecto físico, emocional, sexual e afetivo, exige que o mesmo adquira novas estratégias para o enfrentamento deste processo. Muitas vezes, a internação é necessária, gerando mudanças bruscas e dolorosas, causando reações de estresse, por ser algo novo e que requer um aumento das exigências físicas e psicológicas. Quando nos propusemos a trabalhar com a temática do câncer, surgiu o desejo de escolhermos os adolescentes como centro de estudo e esta vontade tornou-se ainda mais concreta, quando ao realizarmos uma breve revisão de literatura, constatamos que são poucas as pesquisas direcionadas a este grupo etário, principalmente na área de enfermagem oncológica. Há uma ênfase em pesquisas na Oncologia voltadas para a infância e predominantemente nos adultos, configurando uma lacuna na área da adolescência. 14 Acreditamos que, estudar e investigar sobre a temática do adolescente com câncer seja importante, pois quando ele vivencia o adoecimento pelo câncer, as transformações (fisiológicas, psicológicas e sociais), que ocorrem no período da adolescência são alteradas. O impacto frente ao diagnóstico traz ao adolescente, dúvidas, conflitos, angústias e medos causados pela incerteza do tratamento e do prognóstico. O cotidiano dos adolescentes com câncer no hospital é marcado por vários eventos, que são significativos para ele e sua família, dentre eles: o período longo de tratamento, as internações freqüentes, a separação da família, a perda das atividades educacionais e recreacionais, o medo do futuro e do que ele possa trazer. Isto se confirma na fala de Guzman e Cano (2000, p.4) quando descrevem que “os adolescentes estão vivenciando sentimentos e atitudes próprias dessa fase da vida em uma realidade com normas, rotinas e horários pré-estabelecidos, levando-os a vários questionamentos e insatisfações”. Esta situação problema motiva a busca de resposta para a seguinte questão: Quais os principais estressores do adolescente com câncer no cenário hospitalar? Conhecer os estressores do adolescente com câncer hospitalizado será trilhar um caminho novo - a trajetória do processo de adoecer e dos estressores envolvidos nesta caminhada e, acreditamos que, ao desvelar a realidade destes estressores, o estudo realizado poderá fornecer subsídios contribuindo para a enfermagem, principalmente para a enfermagem oncológica no repensar a assistência do adolescente com câncer. 1.1 Objetivos 1.1.1 Objetivo geral hospitalar. Conhecer os estressores do adolescente com câncer internado em uma unidade 15 1.1.2 Objetivos específicos Identificar quais os estressores enfrentados pelo adolescente com câncer durante a internação hospitalar; Caracterizar e analisar o cotidiano do adolescente com câncer hospitalizado; Caracterizar e analisar o significado do estresse para o adolescente com câncer hospitalizado; Identificar as atividades que o adolescente com câncer hospitalizado gostaria de realizar. 16 "A literatura deve ser realmente o lugar onde podem surgir novas idéias que repensem o mundo." Salman Rushdie 17 2 REVISANDO A LITERATURA 2.1 Contextualizando o câncer Os relatos de casos de câncer datam desde a antiguidade, trazendo consigo a idéia de sofrimento e morte. Segundo Ferrão (2006), os primeiros conceitos sobre o câncer são descritos na Grécia, no século V, antes de Cristo. A autora cita que, é na escola de Hipócrates, onde aparece a palavra karcinos, que quer dizer "caranguejo". A relação entre a palavra câncer e o animal - caranguejo, tem dois significados, um que se relaciona às dores que causa a picada do animal e o outro está relacionado ao desenho dos vasos sanguíneos dilatados devido ao tumor, lembrando as patas de um caranguejo. O câncer é uma doença crônico-degenerativa considerada um problema de saúde pública mundial. Segundo Carvalho (1994, p.21), [...] a oncologia é a ciência que estuda o câncer e como ele se forma, instala-se e progride, bem como as modalidades possíveis de tratamento. É uma doença que se origina nos genes de uma única célula, tornando-se capaz de se proliferar até o ponto de formar uma massa tumoral no local e à distância. De acordo com Beyers e Dudas (1989 apud Cardozo, 1997, p.15), “nos papiros egípcios já havia registros a respeito do câncer, sendo então, esta uma doença bem antiga. E desde a Antigüidade ele carrega o fardo histórico de séculos de mitos, fantasias e temores”. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Brasil as estimativas para o ano de 2006 apontam que ocorrerão 472.050 casos novos de câncer. Os tipos mais incidentes, à exceção de pele não melanoma, serão os de próstata e pulmão no sexo masculino e mama e colo de útero para o sexo feminino, acompanhando a mesma incidência observada no mundo. Serão esperados 234.570 casos novos para o sexo masculino e 237.480 para o sexo feminino. Estima-se que o câncer de pele não melanoma (116.640 mil casos novos) será o mais incidente na população brasileira, seguido dos tumores de mama feminina (48.930 mil), 18 próstata (47.280 mil), traquéia, brônquio e pulmão (27.170 mil), cólon e reto (25.360 mil), estômago (23.200 mil) e colo do útero (19.260 mil). (BRASIL, 2006b). As estimativas para o ano 2006, no Estado de Santa Catarina, de casos novos por câncer, em homens, segundo localização primária, totalizarão em 10.250, e em Florianópolis 630 casos. Para o sexo feminino, o total de casos novos será 8.520 no Estado, e em Florianópolis serão 630 casos. (BRASIL, 2006b). Observa-se que, as estimativas, tanto para o sexo masculino, quanto para o sexo feminino, o câncer de pele não melanoma apresenta maior incidência, tanto em Santa Catarina, como em Florianópolis, seguidos pelo câncer de mama (1.610 mil), próstata (1.540 mil), traquéia, brônquio e pulmão (1.270 mil), estômago (960), cólon e reto (940), colo do útero (670) e esôfago (520). (BRASIL, 2006b). De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), ao citar o estudo “Informe Mundial sobre o Câncer”, constatou que a incidência do câncer poderá aumentar em 50% até o ano 2020, a projeção será de 16 milhões de novos casos. Ressalta ainda que, essa incidência deve-se ao aumento da expectativa de vida, conseqüentemente o envelhecimento da população mundial, os efeitos do tabagismo e das mudanças no estilo e hábitos de vida. (BRASIL, 2005a). Urióstegui, Keever, Gutiérrez (2003), ao realizar um estudo, com o objetivo de revisar os artigos publicados sobre a epidemiologia de câncer em adolescentes em âmbito mundial, constataram que, pouco se conhece sobre a estatística de câncer nos adolescentes, devido à dificuldade dos registros de casos que ocorrem na faixa etária de 12 a 18 anos, pois a maioria dos registros é realizada na faixa etária de 5 a 14 anos ou entre 15 a 24 anos, tornando-se assim, difícil a estimativa de câncer entre os adolescentes. Os autores supracitados trazem ainda que, as principais neoplasias que acometem o grupo entre 15 a 19 anos de idade são tumores de sistema nervoso central, as leucemias, os linfomas, os tumores ósseos, os de células germinativas e os carcinomas. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, no ano de 2005 ocorreram em Santa Catarina, 21 óbitos na faixa etária de 15 a 19 anos por neoplasia, sendo que 10 foram no sexo masculino e 11 no sexo feminino. Neste ano, até o momento, ocorreram 8 óbitos na mesma faixa etária, sendo 4 do sexo masculino e 4 do sexo feminino. (SANTA CATARINA, 2006). Segundo Folha Online (2004), as pesquisas realizadas pela Agência Internacional na área do câncer mostraram dados de 19 países, descobrindo que houve um aumento de cerca de 19 1% ao ano no número de casos infantis e de 1,5% anual entre os adolescentes, entre os anos 1970 e 1990. 2.1.1 Fisiopatologia do câncer O câncer é uma patologia na qual ocorre mutação genética do DNA celular, formando uma célula anormal que passa a proliferar-se de maneira desordenada, ignorando as sinalizações de regulação do crescimento no ambiente circunvizinho à célula. (SMELTZER; BARE, 2002). De acordo com os mesmos autores, o câncer consiste em um grupo de doenças que apresentam diferentes causas, manifestações, tratamento e prognóstico. Segundo Bevilacqua et al (1998) o primeiro evento do processo cancerígeno seria a desestruturação do DNA celular. A partir deste evento, as células com seu genoma neoplásico multiplicam-se e agregam-se, formando o cone tumoral primitivo. Os autores destacam algumas características das células malignas, apontando a: - multiplicação descontrolada e independente, fugindo dos mecanismos de controle das células normais; - apresentação de alterações morfológicas variáveis, sendo assim, quanto maior a diferenciação do tumor menor o número de mitose e vice-versa; - as células cancerígenas são perenes, isto é, podem ser cultivadas, por tempo indefinido, o que não ocorre em células normais; - destacam-se com facilidade das outras células, pois não têm capacidade de adesão, facilitando assim, a nidação para os tecidos circunvizinhos; - proliferação desordenada, devido à perda da capacidade de responder à inibição por contato; - adquirem funções bioquímicas independentes e diferentes das células que compõe o tecido original, tendo desta forma a capacidade de produzir proteínas que só são sintetizadas na vida fetal, bem como produzir e secretar substâncias biologicamente ativas peculiares a outras populações celulares. Os autores citam ainda que “o ciclo das metástases inicia-se com o desgarramento de células neoplásicas do tumor primitivo, penetração nos vasos sanguíneos e linfáticos (veias e 20 capilares especialmente), adesão ao endotélio e trombose com conseqüente necrose tecidual”. (BEVILACQUA et al, 1998, p.162). E, descrevem a evolução dos tumores com as seguintes repercussões: - manifestações locais determinadas pelo crescimento do tumor, que leva a compressão, deslocamento e distorção de órgãos; - distúrbios locais e/ou sistêmicos decorrentes dos implantes metastáticos à distância; - produção de substâncias biologicamente ativas pelas células neoplásicas, levando às síndromes paraneoplásicas, como por exemplo, a dermatosite, miastenia, osteoartropia hipertrófica, trombose venosa, etc. 2.2 Contextualizando a adolescência A adolescência é o período em que o indivíduo vivencia uma nova percepção do seu próprio ser. Isto se confirma no conceito do Serviço de Assistência ao Adolescente – SASAD, em que “a adolescência inaugura uma nova visão de si e do mundo em busca de definições de caráter social, sexual, ideológico e vocacional”. (GUZMAN; CANO, 2000, p.2). Os primeiros trabalhos envolvendo a questão da adolescência foram feitos por G. Stanley Hall, um psicólogo americano que considerou a adolescência como uma etapa do ciclo vital, descrevendo os fenômenos que constituem essa fase, causando grande impacto na compreensão do adolescente do seu tempo. Publicou em 1904 uma obra de dois volumes intitulada Adolescência, que ficou como modelo para qualquer trabalho sobre este tema durante um quarto de século. Para Audiface (1991 apud Armond, 2003, p.10), afirma que “embora a adolescência tenha sido durante muito tempo terra de ninguém, hoje ela é considerada a mais nova fronteira da Pediatria”. Para o autor, a adolescência só começou a ser considerada como um ciclo do desenvolvimento humano a partir de meados do século XIX, entretanto, encontram-se na literatura referências da adolescência desde a Antigüidade. Àries (1981) descreve que na Idade Média, a infância e a adolescência não eram vistas como ciclos separados do desenvolvimento humano, existindo uma ambigüidade entre eles, 21 tendo que se moldar ao mundo dos adultos, afirmando que os adolescentes começaram a ser percebidos e valorizados pela sociedade, com o surgimento da burguesia. No entanto, Armond (2003, p.11) descreve que “os primeiros serviços organizados para atendimento de saúde dos adolescentes surgiram em 1884, na Grã-Bretanha, com a fundação da Associação dos Médicos Escolares”. Todas essas transformações que ocorreram com os adolescentes, ao longo da história fizeram com que surgisse a necessidade de estudos científicos sobre a adolescência. A palavra adolescência origina-se do verbo latino “adolescer” que significa a idade que cresce. Assim, pelos critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), “a adolescência está compreendida entre 10 e 19 anos.” (ARMOND, 2003, p.12). As mudanças ocorridas neste período fazem com que os adolescentes procurem a sua própria identidade, deixando de lado a auto-imagem infantil, e se projetando na imagem de adulto. (ARMOND, 2003). Para Erikson (1987), o conceito de adolescência só pode ser compreendido dentro do contexto de sua “teoria orgânica”, onde o processo de formação da identidade é algo que [...] está sempre mudando e se desenvolvendo: na melhor das hipóteses, é um processo de diferenciação crescente que se torna ainda mais abrangente, à medida que o indivíduo vai se tornando cada vez mais consciente de um círculo crescentemente mais amplo de outras pessoas que são significativas para ele, desde a pessoa materna até a “humanidade”. O processo “inicia-se” em algum momento durante o primeiro encontro verdadeiro da mãe e bebê, enquanto duas pessoas que podem tocar-se e reconhecer-se mutuamente, e só “termina” quando se dissipa o poder da afirmação mútua do homem. (ERIKSON, 1987, p.23). Neste sentido, Erikson (1987) considera a adolescência a “5ª idade do homem”, identificado como “identidade X confusão de papéis”. E, será na resolução deste conflito que o indivíduo determinará sua identidade. Erikson (1987, p.22-23), afirma que [...] a formação da identidade requer um processo de reflexão e observação simultâneas, um processo que ocorre em todos os níveis de funcionamento mental e pelo qual o indivíduo se julga à luz daquilo que percebe ser a forma como os outros o julgam, em comparação com eles próprios e com uma tipologia que é significativa para eles. Ao mesmo tempo, ele julga a maneira como os outros o julgam, de acordo com o modo como ele se vê, em comparação com os demais e com os tipos que se tornam importantes para ele. 22 Assim, é importante lembramos que, para os adolescentes, os grupos têm grande significado, pois são através das gírias, vestuários, comportamentos, que os mesmos adquirem sua própria identidade. Armond (2003, p.13), afirma que “é nesse momento da existência que a pessoa inicia a percepção de seu ser, de seu espaço e do mundo ao seu redor”. A partir desta afirmação, e sendo a adolescência uma fase, na qual ocorrem várias transformações (físicas, psicológicas, sociais, dentre outras), acreditamos que os serviços de saúde e os profissionais deveriam estar preparados para receber estes adolescentes e assim, assisti-los de acordo com as suas reais necessidades. Saito (2001 apud Armond, 2003, p.13), descreve que “as primeiras propostas de atendimento à saúde do adolescente no Brasil surgiram em São Paulo e no Rio de Janeiro, no início da década de 70”. Esta proposta ocorreu paralelamente em São Paulo e no Rio de Janeiro, sendo que em São Paulo, em 1974, o projeto constituía-se basicamente no atendimento ambulatorial, com foco principal de promover e prevenir os agravos. Já no Rio de Janeiro, a proposta tornou-se concreta a partir de adolescentes internados e teve como foco principal à abordagem curativa e a reabilitação. Aconteceram vários marcos no Brasil, que levaram a concretização do compromisso ao atendimento à saúde do adolescente. Dentre eles, a aprovação em 1989 do Programa Saúde do Adolescente – PROSAD. Também no mesmo ano, a fundação da Associação Brasileira de Adolescência – ASBRA. E, em 1990, quando passou a vigorar o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. (ARMOND, 2003). Segundo Armond (2003, p.14) o ECA “representa hoje, um importante documento na assistência à criança e ao adolescente, de acordo com as diretrizes internacionais de direitos humanos”. Neste contexto, achamos interessante fazer algumas considerações sobre o ECA, tais como: o direito a permanência em tempo integral dos pais ou responsável em casos de internações; direito à educação visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, atendimento integral à saúde garantindo o acesso universal e igualitário às ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde. (BRASIL, 2005b). 23 É importante citar também, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), na Resolução nº 41 de 17 de Outubro de 1995, a qual descreve alguns direitos das crianças e adolescentes hospitalizados, dentre eles: Direito à proteção, a vida e a saúde com absoluta prioridade e sem qualquer forma de discriminação; Direito de ser hospitalizado quando for necessário ao seu tratamento, sem distinção de classe social, condição econômica, raça ou crença religiosa; Direito de não ser ou permanecer hospitalizado desnecessariamente por qualquer razão alheia ao melhor tratamento de sua enfermidade; Direito a ser acompanhado por sua mãe, pai ou responsável, durante todo o período de sua hospitalização, bem como receber visitas; Direito de não sentir dor, quando existam meios para evitá-la; Direito de ter conhecimento adequado de sua enfermidade, dos cuidados terapêuticos e diagnósticos, respeitando sua fase cognitiva, além de receber amparo psicológico quando se fizer necessário; Direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação para a saúde, acompanhamento do curriculum escolar durante sua permanência hospitalar. (BRASIL, 2005c). Para que estes direitos sejam cumpridos, é necessário que existam serviços que prestem uma assistência voltada para este grupo etário. 2.3 O câncer na adolescência De acordo com o INCA, nos Estados Unidos da América (EUA), o câncer constitui a segunda causa de mortalidade entre crianças e adolescentes abaixo de 15 anos. A incidência 24 anual estimada de câncer infantil é de 124 casos a cada 1 milhão de habitantes brancos, e de 98 casos por milhão de habitantes negros, sendo que são estimados 7 mil casos novos por ano. (BRASIL, 2005d). Conforme o INCA, as causas que levam ao aparecimento do câncer nos jovens estão muito mais ligadas a fatores genéticos do que, propriamente à exposição ambiental e aos agentes carcinogênicos. (BRASIL, 2005d). Os tipos de câncer mais comuns na adolescência são: Leucemia linfoblástica aguda; Leucemia mielocística aguda; Tumores cerebrais: gliomas, astrocitomas cerebelar e cerebral, meduloblastoma; Sarcoma de Ewing; Tumor de células germinativas; Linfoma de Hodgkin; Linfoma de Não-Hodgkin; Neuroblastoma; Osteossarcoma; Rabdomiossarcoma; Tumor de Wilms e Sarcoma de tecidos moles. O tratamento do câncer no jovem tem uma perspectiva diferente em relação ao adulto. A cura total da doença é sempre o objetivo final do tratamento. Isto se deve ao fato de que o jovem tem que viver toda uma vida; crescer, trabalhar, construir uma família, enquanto nos adultos, nem sempre a cura é possível e o objetivo do tratamento transfere-se para proporcionar uma melhor qualidade de vida. (BRASIL, 2005d). Os estudos na área de Oncologia tendem a preocupar-se mais com câncer na população de adultos e de crianças, ficando um espaço vago na literatura no que diz respeito à abordagem ao adolescente portador de câncer. Descreveremos a seguir, os tumores encontrados nos adolescentes do estudo: 25 Linfomas Não Hodking (LNH) O linfoma não-Hodking é um grupo heterogêneo de doenças linfoproliferativas, com características clínicas e biológicas semelhantes. Apesar de sua etiologia ainda ser desconhecida, o linfoma parece ter relação com alguns aspectos como: a imunodeficiência do organismo, aos agentes infecciosos e a exposição ambiental e ocupacional. (FEHER; SALVAJOLI; VALADARES, 2002). Este tipo de linfoma pode ocorrer em qualquer parte do corpo, tais como: baço, linfonodos e tonsilas, pois o tecido linfóide apresenta grande extensão. (PEREIRA; PASQUINI, 1991). O linfoma não-Hodking é um grupo complexo de quase 40 formas distintas desta doença e são agrupados de acordo com o tipo de célula linfóide, se linfócitos B ou T. (FEHER; SALVAJOLI; VALADARES, 2002). Dependendo da região acometida, o quadro clínico apresenta algumas características, dentre elas: adenopatias periféricas indolores e de consistência geralmente elástica; tosse, dispnéia e dor torácica, podem ser conseqüentes à compressão de vias respiratórias ou por invasão do parênquima pulmonar; diarréia, constipação, mudança de hábito intestinal e hemorragia relacionada com o comprometimento intestinal; ascite, como sendo uma manifestação tardia, devido ao comprometimento peritoneal; alterações neurológicas tardias relacionadas à topografia da lesão; invasão do encéfalo por metástases. O tratamento indicado é o uso de quimioterapia, sendo que a radioterapia é realizada somente nos casos emergenciais, quando a doença está muito avançada. (SASSE, 2006a). Doença de Hodking A doença de Hodking é uma neoplasia maligna do tecido linfóide e de etiologia desconhecida. Acredita-se que, as crianças com menor exposição a doenças infecciosas, os indivíduos que trabalham com madeira, a amigdalectomia e a apendicectomia prévias, a presença de alguns antígenos do sistema HLA (Antígeno Leucocitário Humano) e a história de infecção prévia pelo vírus Epstein-Barr favorece o aparecimento desta patologia. (PASQUINI; MEDEIROS, 1991). 26 O Linfoma de Hodking pode ser subclassificado de acordo com suas características histopatológicas em: Predominância Linfocitária forma nodular, Linfoma de Hodking clássico (Esclerose nodular, Celularidade mista, Depleção Linfocitária e Linfoma de Hodking clássico rico em linfócitos). (FEHER; SALVAJOLI; LIMA, 2002). O quadro clínico apresenta-se por linfadenomegalia, principalmente na região cervical e supraclavicular ou mais raro nas regiões inguinais e axilares. Os linfonodos hipertrofiados são indolores e de consistência firme. Podem acometer em menor freqüência os linfonodos do mediastino, especialmente mulheres jovens, levando ao aparecimento de tosse e dispnéia. (PASQUINI; MEDEIROS, 1991). Outros sintomas como febre, sudorese noturna, perda de peso, prurido indicam que a doença encontra-se mais avançada. De acordo com a localização, volume e efeitos compressivos da hipertrofia dos linfonodos, esses podem determinar manifestações clínicas variadas. (PASQUINI; MEDEIROS, 1991). O tratamento é realizado com quimioterapia e radioterapia, sendo que, a escolha depende do estadiamento inicial da doença. A combinação dos dois tratamentos produz efeitos significativos na cura da doença. (SASSE, 2006b). Leucemia Mielóide Aguda (LMA) A LMA é uma doença na qual ocorre um bloqueio no processo de diferenciação celular, resultando assim, no acúmulo de células (blastos) na medula óssea ou outros órgãos, acometendo as células da linhagem mielóide (células vermelhas, células brancas e plaquetas), necessitando de tratamento imediato devido à rápida evolução da doença. (FEHER; PEREIRA, 2002). A etiologia da LMA está relacionada com radiação ionizante, agentes químicos, desordens genéticas, desordens adquiridas e tabagismo. (FEHER; PEREIRA, 2002). A classificação da LMA é realizada através do tipo de célula neoplásica predominante. A French-American-British (FAB) é a classificação mais utilizada: leucemia mieloblástica aguda, mínima diferenciação; leucemia mieloblástica aguda, sem maturação; leucemia mieloblástica aguda, com maturação; leucemia promielocítica aguda; leucemia promielocítica aguda, variante microgranular; leucemia mielomonocítica aguda; leucemia mielomonocítica 27 aguda com eosinofilia; leucemia monocítica aguda; eritroleucemia aguda; leucemia megacarioblástica aguda. (FEHER; PEREIRA, 2002). O quadro clínico caracteriza-se por alguns sintomas como: sangramentos, pela plaquetopenia; febre, pelas infecções secundárias a neutropenia; fraqueza, cansaço e anorexia relacionados à anemia; infiltração de outros órgãos e outras estruturas (hipertrofia gengival, hepatoesplenomegalia, tumorações em partes moles), coagulação intravascular disseminada. (ONSTEN; JOB, 1991). O tratamento é realizado por quimioterapia, através de duas fases, a indução e a consolidação. (FEHER, PEREIRA, 2002). Os pacientes que não respondem à fase de indução, realizarão o transplante de medula óssea (TMO) se, tiverem um doador compatível. (SASSE, 2006c). Leucemia Linfocítica Aguda (LLA) A LLA é uma doença caracterizada pela proliferação de células progenitoras imaturas da linhagem hematopoiética. (FEHER; NICOLAU, 2002). Sua etiologia é desconhecida, mas alguns fatores estão relacionados ao seu desenvolvimento como: alterações genéticas (Síndrome de Down, Klinefelter e anemia de Fanconi), exposição à radiação ionizante, agentes químicos. Existe uma evidência indireta com o vírus Epstein-Barr, linfoma de Burkitt e a associação ao HTLV-1. (FEHER; NICOLAU, 2002). Os sinais e sintomas da LLA são infiltrações de medula óssea e hematopoiese ineficaz (palidez cutânea, taquicardia, fadiga, relacionado com anemia; petéquias e quadros hemorrágicos, relacionados com a trombocitopenia; leucopenia levando a quadros infecciosos), infiltração de órgãos e outras estruturas como esplenomegalia e linfadenomegalia; infiltração do sistema nervoso central (cefaléia, rigidez de nuca e déficits de pares cranianos) e síndrome da lise tumoral (ácido úrico elevado, hiperfosfatemia, hipercalemia, hipocalcemia, acidose metabólica e insuficiência renal aguda). (FEHER; NICOLAU, 2002). A LLA é classificada de acordo com a Franco-Américo-Britânico (FAB) da seguinte forma: células pequenas, com relação núcleo/citoplasma elevada, ausência de grânulos, tdt +; células de maior dimensão, nucléolo proeminente, maior volume citoplasmático. Tdt +; 28 grandes células arredondadas, citoplasma fortemente basofílico, intensa vacuolização. (FEHER; NICOLAU, 2002). O tratamento é realizado através de duas fases de indução, onde são administrados agentes quimioterápicos até que a medula óssea não apresente mais células cancerosas; a profilaxia do sistema nervoso central; a reindução; a consolidação e a manutenção. (FEHER; NICOLAU, 2002). Linfoepitelioma O linfoepitelioma é um tipo de neoplasia maligna da nasofaringe, que apresenta uma grande quantidade de tecido linfóide. (IKEDA; PELLIZON, 2002). A etiologia está relacionada ao vírus Epstein-Barr, determinantes genéticos, exposição ao formaldeído, dieta rica em nitrosaminas (peixe salgado), contato contínuo com hidrocarbonetos policíclicos (fumaça de madeira queimada), sinusite crônica e higiene precária. (IKEDA; PELLIZON, 2002). As neoplasias malignas da nasofaringe são classificadas, de acordo com a OMS, em: tipo 1 (carcinoma espinocelular queratinizado); tipo 2 (carcinoma espinocelular não queratinizado) e tipo 3 (carcinoma indiferenciado, linfoepitelioma). (IKEDA; PELLIZON, 2002). Os sintomas estão relacionados com a localização e a extensão da lesão, dentre os quais: diminuição da acuidade auditiva, obstrução e ou sangramento nasal, comprometimento de nervos cranianos, cefaléia, otalgia e queda do estado geral. Muitas vezes o diagnóstico se dá através do surgimento de metástases cervicais por apresentar uma sintomatologia pobre. (IKEDA; PELLIZON, 2002). O tratamento principal do carcinoma de nasofaringe é a radioterapia. A quimioterapia antineoplásica é utilizada como coadjuvante. (IKEDA; PELLIZON, 2002). Rabdomiossarcoma Rabdomiossarcoma é uma classificação dos sarcomas de partes moles (SPM). Os tecidos de partes moles são de origem mesenquimal extraósseo e extravisceral, que 29 correspondem às estruturas musculares, tendões, tecido fibroso, gordura, sinóvia, bainha de nervos, entre outros. (CUNHA; THEREZA; MARTINHO, 1991). O rabdomiossarcoma é um sarcoma de diferenciação para músculo estriado e, devido à baixa incidência, são poucos os estudos realizados, e assim, muitas vezes, o diagnóstico é dado tardiamente, o que pode levar a condutas inapropriadas e complicações, como piora na qualidade de vida, devido à perda do membro. (LOPES et al, 2002). A etiologia ainda não é conhecida, mas existem alguns fatores de risco como: linfedema crônico, irradiação prévia, neurofibromatose e Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA). (LOPES et al, 2002). Nos sarcomas de partes moles, geralmente não ocorrem sintomas característicos. Apresentam-se como massas de tecidos, que à medida que vão crescendo, podem comprimir estruturas nervosas causando dor e estruturas vasculares causando linfedema. (CUNHA; THEREZA; MARTINHO, 1991). O tratamento dos SPM é realizado através da combinação de cirurgia, radioterapia e quimioterapia na tentativa de controlar localmente o tumor e evitar o desenvolvimento de metástases. As amputações são realizadas somente quando os tumores não respondem ao tratamento. (CUNHA; THEREZA; MARTINHO, 1991). Tumor de Ewing O Sarcoma de Ewing é também chamado de endotelioma difuso do osso, sendo a segunda neoplasia óssea mais comum na infância e adolescência. (PETRILLI; EPELMAN, 1991). O sintoma mais comum é a dor persistente e o aumento das partes moles com alteração da função. Também pode apresentar febre e queda do estado geral. (PETRILLI; EPELMAN, 1991). Os locais mais acometidos são os ossos pélvicos, e entre os ossos da extremidade estão o fêmur, tíbia, fíbula e úmero. A parede torácica, a escápula e as vértebras também podem ser acometidas. (COSTA et al, 2002). O tratamento é realizado através de quimioterapia, radioterapia e cirurgia. Esta interação vem melhorando significativamente a qualidade de vida e a sobrevida destes pacientes. (COSTA et al, 2002). 30 Osteossarcoma É um tumor ósseo maligno caracterizado por células malignas do estroma, que apresentam a formação de osteóide. (PETRILLI; EPELMAN, 1991). Na adolescência este tumor aparece em áreas de crescimento rápido do osso, ou seja, ao redor das epífises dos ossos longos. (MENDES; PENNA; LOPES, 2002). Podemos considerar três fatores como causa do osteossarcoma: papel do crescimento, na qual se acredita que as células em proliferação rápida seriam particularmente suscetíveis a agentes oncogênicos, erros mitóticos ou outros acontecimentos que levariam a transformação neoplásica; fatores genéticos, como casos múltiplos em uma mesma família, retinoblastoma bilateral (hereditário autossômico dominante), osteogênese imperfeita, exostoses hereditárias múltiplas e doença de Paget; e, fatores ambientais, aonde o único fator definido é a irradiação ionizante. Apesar de muitas pessoas associarem o trauma ao aparecimento do tumor ósseo, não existem evidências literárias que comprovem esta associação. Na verdade o que acontece é que, o trauma faz com que o paciente procure assistência médica, devido à dor. (PETRILLI; EPELMAN, 1991). O sintoma mais comum é a dor local seguida de edema, calor local, e limitação na movimentação da articulação comprometida. O tratamento é realizado através da quimioterapia e cirurgia, sendo que, a radioterapia é utilizada somente em casos paliativos. (SASSE, 2006d). 2.4 O estresse e o câncer No transcorrer do processo de doença por câncer, o estresse pode estar presente em várias etapas da doença. Conforme Lipp (1996, p.20) [...] o stress é definido como uma reação do organismo, com componentes físicos e ou psicológicos causados pelas reações psicofisiológicas que ocorrem quando a pessoa se confronta com uma situação que, de um modo ou de outro, a irrite, amedronte, excite ou confunda, ou mesmo que a faça intensamente feliz. 31 Observa-se que, vários fatores podem ser os desencadeadores do estresse. Segundo Carvalho (1998, p.159) [...] o câncer é uma doença ainda comumente associada à dor, sofrimento, degradação. Receber um diagnóstico de câncer equivale muitas vezes, a uma sentença de morte. O dano psicológico do câncer é grande, pacientes se vêem diante da morte próxima com sintomas aversivos, perda das habilidades funcionais, vocacionais, frustração e incerteza quanto ao futuro. Holmes e Rahe (1967 apud Lipp, 1996, p.20), afirmam que “tudo o que cause uma quebra na homeostase interna, que exija alguma adaptação pode ser chamado de estressor”. Segundo os autores, qualquer fato que exige a adaptação a mudanças, constitui-se em estressores importantes, porque a pessoa necessitará despender energia adaptativa para poder lidar com este evento. O processo de “stress” desencadeia-se em três fases: Fase de alerta: é a primeira fase do processo e inicia-se quando a pessoa se confronta inicialmente com um estressor; Fase de resistência: ocorre quando o estressor é de longa duração. A energia adaptativa de reserva é utilizada na tentativa de re-equilíbrio. Se o estressor exige uma adaptação maior do que o possível para o indivíduo, o organismo enfraquece e tornase vulnerável a doenças; Fase de exaustão: ocorre quando a resistência da pessoa não é suficiente para lidar com a fonte de stress. É nesta fase que ocorrerá a exaustão psicológica, física e as manifestações das doenças. (LIPP, 1996). A intensidade do nível de estresse pode ser variável e ocorrer em qualquer estágio da doença. 32 2.5 O estresse no adolescente com câncer A adolescência é a etapa em que ocorrem as maiores transformações no ser humano durante toda a vida, do nascimento à morte. (GUZMAN e CANO, 2000). De acordo com estudo realizado pelos autores, os adolescentes quando necessitam de internação hospitalar, deparam-se com situações angustiantes. Silveira e Carvalho (2003, p.33) citam em seu estudo que “a internação é um momento crítico na vida do doente e das pessoas próximas a ele em razão da intensa ansiedade, medo e insegurança gerada pelo evento”. Existem poucos estudos dedicados à investigação do estresse no adolescente, sendo que, a probabilidade de desenvolvê-lo é maior nesta fase, do que em qualquer outra faixa etária, pois são eles que constituem a população mais suscetível e influenciável às estimulações externas e psicossociais. (CALAIS; ANDRADE; LIPP, 2003). Durante a internação hospitalar, além de terem que enfrentar o isolamento de tudo o que lhe é familiar, a modificação de sua imagem, o rompimento de laços afetivos, o seguimento de normas e rotinas, os adolescentes ainda enfrentam o despreparo dos profissionais, que tendem a tratá-los ora como adultos, ora como crianças. (GUZMAN e CANO, 2000). Para Bessa (1997 apud Guzman e Cano, 2000), constata que, o isolamento social e o afastamento dos amigos são os primeiros problemas causados pelas normas hospitalares, uma vez que a visita destes só poderá ocorrer nos horários pré-estabelecidos pela Instituição de Saúde. Outros fatores que são citados por Guzman e Cano (2000), como geradores de conflito entre os adolescentes e muitas vezes com a equipe de enfermagem, são a padronização de vestimentas dos pacientes, a questão dos horários impostos pela rotina hospitalar, dentre eles: para alimentação, para dormir, para levantar, entre outros, que diferem muitas vezes dos seus horários antes da internação. A partir destas considerações, acreditamos que este estudo contribuirá para que se conheçam os estressores presentes durante a hospitalização do adolescente com câncer, contribuindo para novas pesquisas direcionadas para a assistência ao adolescente com câncer. 33 “Quem quiser alcançar um objetivo distante tem que dar muitos passos curtos”. Helmut Scmidt 34 3 CONSTRUINDO UM MARCO REFERENCIAL A PARTIR DA TEORIA DE BETTY NEUMAN 3.1 Pressupostos filosóficos de Neuman A teoria de Betty Neuman, ou o modelo de sistemas foi desenvolvido em 1970, na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, para auxiliar estudantes de Graduação em Enfermagem a adquirir uma visão holística dos seres humanos, considerando as variáveis fisiológicas, psicológicas, sócio-culturais, desenvolvimentistas e espirituais funcionando em harmonia com o ambiente. (GEORGE, 2000). Estressor Estressor Estressores Estrutura Básica Intra Extra Fatores Pessoais Graus de Reação Recursos de Energia da Estrutura Básica Reação Intra Extra Fatores Pessoais Reconstituição Reação Estressores Reconstituição Intra Extra Fatores Pessoais Figura 1: Modelo de Sistemas de Betty Neuman 35 Seus dois principais componentes são o estresse e a reação ao estresse. Para Neuman, os estressores são as situações de enfrentamento que provocam automaticamente reações orgânicas com efeitos simultâneos fisiológicos, psicológicos, sócio-culturais e até mesmo ambientais. A reação ao estresse é a capacidade de receber através de seu sistema pessoal, as intervenções de origem extrapessoais e intrapessoais, ajustando o sistema para readquirir estabilidade, ou para levá-lo à doença. (GEORGE, 2000). Deste modo, consideramos que este modelo foi importante para o estudo realizado, pois sustentou a abordagem dos estressores no adolescente com câncer durante a internação hospitalar. Neuman utiliza o termo cliente para designar tanto o indivíduo saudável, bem como o portador de uma doença e o mesmo é considerado um sistema aberto onde existem ciclos repetidos de entrada, de processo, de saída e de retroalimentação, que buscam uma estabilidade. A mesma considera que há fatores que podem desestabilizar este sistema. Os fatores são denominados de estressores, que podem trazer efeitos positivos ou negativos para o indivíduo. Optamos por utilizar o termo adolescente, não o caracterizando exclusivamente como um cliente ou paciente, mas como um jovem num processo transitório de doença por câncer, numa etapa do seu processo de viver. No sistema de Betty Neuman, conforme a Figura 1, o indivíduo é envolto, figuradamente, por círculos concêntricos que ela denomina de linha. A primeira delas é a linha normal de defesa que é considerada como um nível de saúde desenvolvido e adaptado através do tempo e considerado normal para um indivíduo em particular ou um sistema. É usada como a linha basal para a determinação de desvios no sistema do cliente. (GEORGE, 2000). A seguinte, sobre esta, é a linha flexível de defesa, um mecanismo protetor que rodeia e protege a linha normal da entrada de qualquer invasor (estressor), ou seja, serve como um amortecedor, ora se expandindo, ora se afastando da linha normal de defesa. À medida que aumenta a distância entre as linhas flexível e normal de defesa, cresce o grau de proteção disponível para o sistema. (GEORGE, 2000). Uma vez ocorrida à invasão, o adolescente lança mão da linha de resistência, composta por fatores de resistência interna, ativados para proteger e preservar a estrutura básica contra o agente invasor. Esses fatores diminuem a intensidade do grau de reação do invasor. 36 A quantidade de instabilidade do sistema resultado da invasão é chamado de grau de reação. E o retorno e manutenção da estabilidade do sistema após o tratamento da reação ocasionada pelo invasor podem resultar em um nível maior ou menor de bem-estar. 3.2 Definindo os conceitos segundo Neuman Os conceitos adotados foram: Ambiente: Neuman (1995 apud George, 2000), define ambiente como todos os fatores ou influências internas e externas que circundam o cliente ou o seu sistema. Ela inclui o ambiente interno, ambiente externo e o ambiente criado. Este último é desenvolvido pelo adolescente inconscientemente, representando a troca de energia do sistema aberto, tanto com o ambiente interno, quanto o externo. Está relacionado às variáveis psicológicas e sócio-culturais. Sua função é de servir como um enfrentamento protetor. Estressores: Neuman (1995 apud George, 2000, p.229), define estressores como “estímulos que produzem tensões e têm o potencial de causar a instabilidade do sistema”. Neuman classifica os estressores como de natureza: - intrapessoais, quando ocorrem dentro dos limites do sistema; - interpessoais, ocorrem fora dos limites do sistema e estão próximos a ele; e - extrapessoais, também ocorrem fora dos limites do sistema, mas estão mais distantes a ele. Saúde: Neuman (1995 apud George, 2000, p.230), identifica a saúde como “a estabilidade do sistema ou o estado de bem-estar ideal em um determinado momento”. A saúde também é vista como dinâmica, com níveis de mudança ocorrendo no sistema do cliente, devido às mudanças exercidas pelos estressores. 37 A autora cita que, “o sistema do cliente move-se em direção à doença e à morte, quando é necessária mais energia do que a disponível, e em direção ao bem-estar, quando a quantidade de energia que está disponível excede a necessária”. (GEORGE, 2000, p. 230). Enfermagem: Neuman também discute a enfermagem como parte de seu modelo. Afirma que “a principal preocupação da enfermagem é ajudar o sistema do cliente a atingir, manter ou reter a estabilidade do sistema”. (GEORGE, 2000, p.231). 3.3 Definindo outros conceitos Adolescente - adolescentes são indivíduos na faixa etária entre os 10 e 19 anos, e jovens, o grupo compreendido entre 15 e 24 anos. (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2005). Adolescente com câncer - entendemos como o ser humano interagindo com seu processo de doença. Neste processo ele apresenta alterações no seu contexto de vida necessitando de suporte para o enfrentamento da doença em todos os níveis. Hospital - corresponde à parte integrante de uma organização Médica e Social, cuja função básica, consiste em proporcionar à população Assistência Médica Sanitária completa, tanto curativa como preventiva, sob quaisquer regimes de atendimento, inclusive o domiciliar, cujos serviços externos irradiam até o âmbito familiar, constituindo-se também, em centro de educação, capacitação de Recursos Humanos e de Pesquisas em Saúde, bem como de encaminhamento de pacientes, cabendo-lhe supervisionar e orientar os estabelecimentos de saúde a eles vinculados tecnicamente. (BRASIL, 2005d). Hospitalização - entendemos como hospitalização, o período em que o indivíduo permanece internado em uma instituição hospitalar para o diagnóstico, estadiamento, tratamento, reabilitação de um processo de doença. 38 Doença/câncer - segundo Ávila (1997, apud Santos e Silva, 2002, p.66-67) define “doença/câncer em oncologia não representa uma única doença, mas é um processo comum a um grupo de manifestações não saudáveis que diferem em sua etiologia, freqüência e manifestações clínicas que alteram a vida numa proporção multidimensional, de acordo com os critérios pessoais/culturais/situacionais”. 39 “Existiam dois caminhos a serem percorridos. Eu escolhi o caminho menos percorrido e isto fez toda a diferença.” Robert Froy 40 4 O CAMINHO METODOLÓGICO 4.1 Característica geral do estudo Este estudo constituiu-se, de acordo com o objetivo proposto: conhecer os estressores do adolescente com câncer internado em uma unidade hospitalar e, se desenvolveu na área de enfermagem oncológica, tendo como campo uma Instituição de Saúde que assiste a pessoa com câncer nas diversas etapas do processo de doença, desde o diagnóstico até o óbito, na cidade de Florianópolis, em Santa Catarina. Tratou-se de uma pesquisa qualitativa, convergente-assistencial, que “articula a prática profissional com o conhecimento teórico, pois os seus resultados são canalizados progressivamente, durante o processo de pesquisa, para as situações práticas”. (TRENTINI e PAIM, 1999, p.26). Neste modelo teórico observa-se a relação entre a situação atual, com a intencionalidade para buscar medidas resolutivas, gerando mudanças e inovações, que repercutirão na situação social. (TRENTINI E PAIM, 1999). Também concordamos com Marconi e Lakatos (1982, p.32), quando consideram que o estudo, de um modo geral, pode tornar possível a observação da realidade, no qual ele está inserido, ressaltando que [...] toda pesquisa deve basear-se em uma teoria que serve como ponto de partida para uma investigação bem sucedida de um problema. A teoria, sendo instrumento da ciência, é utilizada para conceituar os tipos de dados a serem analisados. Para ser válida, deve apoiar-se em fatos observados e provados, resultantes da pesquisa. A pesquisa dos problemas práticos pode levar à descoberta de princípios básicos e, freqüentemente, fornecer conhecimentos que tem aplicação imediata. Optamos pela Teoria de Enfermagem de Betty Neuman, como referencial teórico, para conhecer os estressores do adolescente com câncer hospitalizado. Esta permitiu a instrumentalização adequada para se construir uma configuração significativa sobre os estressores, a partir das falas de um grupo de adolescentes com câncer. 41 4.2 Caracterização do campo de desenvolvimento do estudo O estudo foi realizado com adolescentes com câncer hospitalizados numa Instituição de Saúde Pública, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, referência estadual na área de oncologia, e na América Latina, em Cuidados Paliativos, pela OMS, que atua nas áreas de prevenção e detecção precoce, tratamento quimioterápico e radioterápico, transplante de medula óssea e câncer avançado. Os adolescentes do estudo se encontravam hospitalizados na Unidade de Oncologia Clínica que possui 26 leitos, divididos em cinco enfermarias e na Unidade de Transplante de Medula Óssea, que tem 11 leitos, divididos em seis quartos. O atendimento é exclusivamente através do Sistema Único de Saúde (SUS) e, possibilita que o adolescente seja acompanhado pelos familiares. Nesta instituição o adolescente permanece junto aos demais pacientes adultos e/ou idosos, pois não existe uma unidade exclusiva para esta faixa etária. 4.3 Caracterização dos adolescentes do estudo A princípio foi estipulada a faixa etária de 13 a 18 anos, mas no período de coleta de dados participaram doze adolescentes de 15 a 18 anos, internados neste período. Fizemos o contato com mais dois adolescentes, porém, quando explicamos que a entrevista seria gravada, os mesmos recusaram a participar da pesquisa. Foram estabelecidos os seguintes critérios para a seleção dos adolescentes: ser portador de câncer; ter conhecimento do diagnóstico; ter idade situada entre os 13 e 18 anos; não ter restrições à comunicação oral; estar sendo assistido na instituição selecionada, nas etapas de estadiamento, tratamento ou paliação; 42 concordar em participar do estudo, com consentimento livre e esclarecido pósinformação assinado (Apêndice A), e, também com a concordância e o consentimento pós-informação assinado, pelo responsável legal. Após aceitarem participar do estudo, preenchíamos a ficha de identificação (Apêndice B), na qual foi possível coletar dados referentes a estado civil, escolaridade, profissão, religião, diagnóstico médico e procedência. A proposta inicial era abordar adolescentes em diferentes fases da doença, sendo divididos da seguinte forma: três adolescentes de primeira internação, recém-admitidos na unidade para estadiamento ou início de tratamento, três adolescentes em fase de tratamento quimioterápico ou quimioterápico/radioterápico e três adolescentes em fase avançada da doença, no período de vigência da pesquisa, que aceitassem participar e que também tivessem a autorização formal do responsável legal. O Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Instituição de Saúde sugeriu o aumento do número de sujeitos, conforme o parecer a seguir: “apesar de ser uma pesquisa de caráter qualitativo, consideramos que um número mais significativo de sujeitos permitirá uma melhor análise dos dados” (SANTA CATARINA, 2005). Portanto, foi acatada a sugestão e ampliado para cinco adolescentes de primeira internação, cinco em fase de tratamento quimioterápico ou quimioterápico/radioterápico e cinco em fase avançada da doença. Esta especificação enriqueceria nossa proposta de estudo, pois além de conhecermos os estressores que acometem os adolescentes, estaríamos conhecendo especificamente os estressores em cada fase da doença. Porém, devido à baixa demanda de adolescentes internados no período de coleta de dados não foi possível alcançarmos o que foi proposto. Realizamos duas entrevistas com adolescentes de primeira internação, recém-admitidos na unidade para estadiamento ou início de tratamento, oito que estavam em fase de tratamento quimioterápico ou quimioterápico/radioterápico e dois que estavam em fase avançada da doença, sendo que, no período de coleta de dados, fomos informadas de que um deles foi há óbito 45 dias após a realização da entrevista e o outro 17 dias após. Apesar de não alcançarmos o número de adolescentes em cada fase da doença, esta alteração não modificou o que havia sido proposto, pois mesmo assim conseguimos identificar os estressores do adolescente com câncer internado em uma unidade hospitalar. 43 4.4 O caminho percorrido 1º momento: após a assinatura do termo de aceite de orientação (Anexo I), a proposta do estudo foi apresentada e aprovada pela Instituição de Saúde, com a assinatura da folha de rosto para pesquisa envolvendo seres humanos e encaminhada à Coordenação do Curso de Graduação em Enfermagem e CEP da UNIVALI. Esta foi aprovada e submetida ao CEP da Instituição de Saúde para apreciação e aprovação. 2º momento: após aprovação, foi agendada uma reunião com a Gerente de Enfermagem para apresentação do projeto de pesquisa e, posteriormente apresentado para as equipes de enfermagem das Unidades de Oncologia Clínica e Transplante de Medula Óssea. 3º momento: a seleção dos adolescentes atendeu aos critérios estabelecidos. Para a busca dos sujeitos do estudo, mantínhamos contato telefônico com as Unidades semanalmente. Quando havia adolescente internado, realizávamos uma visita à Unidade e entrávamos em contato com o jovem expondo a proposta e os objetivos do estudo. Caso o adolescente e o responsável legal aceitassem participar, explicávamos o projeto e o termo de consentimento livre e esclarecido deixando claro que poderiam desistir em qualquer etapa do estudo. Após o esclarecimento, o adolescente e o responsável legal assinavam o termo. 4º momento: para a coleta de dados, optou-se pela técnica de entrevista semiestruturada (Apêndice C), com a utilização de um gravador. Foi realizado um teste piloto de validação com dois adolescentes, para verificar a viabilidade da aplicação do instrumento da pesquisa e treinamento das acadêmicas de enfermagem. Foi utilizado também, um diário de campo para registros de nossas observações, dos comentários que ouvimos da equipe das unidades e dos adolescentes e seus familiares, como também as impressões, o sentir, que tivemos durante a coleta de dados. A coleta de dados, após a aprovação do CEP, estava prevista para ocorrer no período de março a julho de 2006, na Unidade de Internação. Porém, devido à baixa demanda de adolescentes internados, prorrogamos este período até o dia 01 de setembro de 2006, com o objetivo de aumentar o número de sujeitos. As entrevistas ocorreram numa situação 44 assistencial, pois os adolescentes estavam sendo assistidos nas unidades, na qual se escolheu o momento oportuno para o procedimento, principalmente com agendamento prévio. Para assegurar o anonimato e o sigilo dos adolescentes foi adotada uma escala de convenção. Para tanto, levando em consideração que a adolescência é uma fase na qual se busca a própria identidade, acreditamos que seria interessante deixarmos que os mesmos escolhessem a sua denominação, conforme o quadro abaixo: Beatriz – 18 anos Geovani – 18 anos Samuel – 18 anos Inter – 15 anos Juninho – 17 anos Mestre – 17 anos Juliano – 17 anos Dinho – 16 anos Fonte: www.grupo-esteco.com Pedro – 16 anos João – 17 anos Fernando – 16 anos Maisa – 16 anos Figura 2. Denominação dos Adolescentes do Estudo Identificação dos adolescentes A identificação foi realizada, através dos codinomes escolhidos pelos próprios adolescentes. Além disso, através da fala de cada adolescente, procuramos identificá-los com uma imagem representando uma atividade que gostariam de estar realizando fora do hospital. Juninho – Adolescente de 17 anos “...Andar de skate...” Entrevista realizada no dia 13 de março de 2006. Diagnóstico de Rabdomiossarcoma em maio de 2005. No dia da entrevista já tinha realizado 8 internações anteriores. Estava há 26 dias internado no dia da entrevista. Realizou Quimioterapia (QT). Foi à óbito em 30/03/2006. 45 Beatriz – Adolescente de 18 anos Entrevista realizada no dia 20 de março de 2006. Diagnóstico de Osteossarcoma de joelho direito em fevereiro de 2006. No dia da entrevista já havia realizado uma internação. Estava há 6 dias internada no dia da entrevista. Realizou QT. “...Cuida da minha filha,... brincar com ela...” Geovani – Adolescente de 18 anos “Sai, vê os amigos, passear.” Entrevista realizada no dia 20 de março de 2006. Diagnóstico de Sarcoma de Ewing em dezembro de 2004. No dia da entrevista já tinha realizado 2 internações. Estava há 7 dias internado no dia da entrevista. Realizou QT. Pedro – Adolescente de 16 anos Entrevista realizada no dia 06 de maio de 2006. Diagnóstico de Osteossarcoma de fêmur direito em março de 2006. No dia da entrevista já tinha realizado 4 internações. Estava há 2 dias internado no dia da entrevista. Realizou QT. “Fica computador.” Fonte:no www.esec-s-antonio.rcts.pt/.../computador .jpg João – Adolescente de17 anos Entrevista realizada no dia 25 de maio de 2006. Diagnóstico de Linfoepitelioma em abril de 2005. No dia da entrevista já tinha realizado 4 internações. Estava há 1 dia internado no dia da entrevista. Realizou QT. Foi há óbito em 17/07/2006. “Saí, dá umas volta.” Samuel – Adolescente de 18 anos “...Eu gostaria de tirar a carteira de motorista...” Entrevista realizada no dia 03 de julho de 2006. Diagnóstico de Leucemia Linfócita Aguda em maio de 2005. No dia da entrevista já tinha realizado 6 internações. Estava há 1 dia internado no dia da entrevista. Realizou QT. 46 Fernando – Adolescente de 16 anos Entrevista realizada no dia 03 de julho de 2006. Diagnóstico de Leucemia Mielóide Aguda em julho de 2005. No dia da entrevista já tinha realizado 4 internações. Estava há 20 dias internado no dia da entrevista. Realizou QT. “Jogar bola.” Juliano – Adolescente de 17 anos “Andava de bicicreta...” Entrevista realizada no dia 17 de julho de 2006. Diagnóstico de Leucemia Linfócita Aguda em fevereiro de 2005. No dia da entrevista já tinha realizado 6 internações. Estava há 4 dias internado no dia da entrevista. Realizou QT. Maisa – Adolescente de 16 anos Entrevista realizada no dia 27 de julho de 2006. Diagnóstico de Osteossarcoma coxa direita em março de 2006. No dia da entrevista já tinha realizado 2 internações. Estava há 1 dia internada no dia da entrevista. Não havia realizado QT. “...eu quero fazê faculdade...” Mestre – Adolescente de 17 anos Entrevista realizada no dia 01 de setembro de 2006. Diagnóstico de Linfoma Hodking em novembro de 2005. Esteve internado em outra instituição para realização de QT. “...Saí com os amigos, tá fazendo festa...” Inter – Adolescente de 15 anos “...jogo vídeo game...” Entrevista realizada no dia 01 de setembro de 2006. Diagnóstico de Leucemia Mielóide Aguda em janeiro de 2006. No dia da entrevista já tinha realizado 1 internação. Estava há 9 dias internado no dia da entrevista. Realizou QT. 47 Dinho – Adolescente de 16 anos Entrevista realizada no dia 01 de setembro de 2006. Diagnóstico de Leucemia Mielóide Aguda em agosto de 2006. 1ª internação. Estava há 10 dias internado no dia da entrevista. Realizou QT. “Namorar um pouco também.” 5º momento: análise e interpretação dos dados coletados. Iniciamos com a transcrição das entrevistas e, após a leitura, a discriminação do material para a análise. Os dados coletados foram codificados, classificados, categorizados e interpretados, de acordo com o proposto por Neuman. Transcrevemos as observações do diário de campo que julgamos pertinentes. 6º momento: confecção do relatório do projeto - monografia/Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) – e submissão à banca avaliadora e a comunidade acadêmica da Universidade do Vale de Itajaí (UNIVALI). 7º momento: apresentação da monografia/TCC na Instituição de Saúde. 4.5 Evidenciando os aspectos éticos Este estudo envolveu seres humanos e seguiu alguns aspectos éticos que são fundamentais. Os aspectos éticos que se apresentaram no decorrer do estudo foram: o direito do adolescente ao acesso à informação; à vontade do adolescente como norma; o respeito à autonomia do adolescente; o respeito com a privacidade do adolescente. Foram respeitados todos os princípios éticos determinados na Resolução 196/96, do Conselho Nacional de Pesquisa em Seres Humanos. (BRASIL, 2005f). 48 O adolescente participou após a informação e discussão da proposta de estudo com ele e o responsável legal. O termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi redigido na 3ª pessoa incluso o responsável legal no tratamento de Sr. (a) e o adolescente, com a designação de o(a) filho (a). A assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido foi realizada pelo adolescente e pelo responsável legal. A utilização de denominações (apelidos) foi nomeada pelos próprios adolescentes, como formas de garantir o anonimato da identidade e as informações são confidenciais. Foi garantida a desistência no estudo a qualquer momento, inclusive sem nenhum motivo, bastando para isso informar, de maneira que achasse mais conveniente, a desistência. As divulgações dos resultados no meio acadêmico e científico até o momento foram e continuarão sendo anônimas e em conjunto com as respostas do grupo de adolescentes, que participaram do estudo. E, puderam solicitar informações durante todas as fases do estudo, bem como poderão solicitá-las após a sua publicação. Foram respeitados também, alguns aspectos éticos que estão descritos no Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (COREN, 2003, p.66-67): Art. 35: Solicitar consentimento do cliente ou de seu representante legal, de preferência por escrito, para realizar ou participar da pesquisa ou atividade de ensino em enfermagem, mediante apresentação da informação completa dos objetivos, riscos e sua liberdade de participar ou declinar de sua participação no momento que desejar; Art. 36: Interromper a pesquisa na presença de qualquer perigo à vida e à integridade da pessoa humana; Art. 37: ser honesto no relatório dos resultados da pesquisa. 49 “O que encontramos depende principalmente do que estamos procurando” John Lubbock 50 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS O estudo foi realizado com 12 adolescentes com câncer que no momento encontravam-se hospitalizados. Na ficha de identificação observamos que, de acordo com o estado civil, todos os adolescentes do estudo eram solteiros, sendo que uma das adolescentes, de dezoito anos tinha uma filha de dois anos. No que se referem à escolaridade e à profissão, dois dos adolescentes apresentavam o 1º Grau Incompleto, ambos afastados da escola; um com o 1º Grau Completo que também, trabalhava (auxiliar de serviços gerais), mas estava afastado; seis tinham o 2º Grau Incompleto, sendo que cinco deles estavam afastados e apenas um continuava freqüentando a escola, um deles trabalhava, mas estava afastado da atividade profissional (auxiliar de estamparia); dois com o 2° Grau Completo, sendo que um trabalhava (caixa de supermercado) e um com 3º Grau Incompleto, cursando matemática. Em relação à religião, houve predominância da católica, sendo que somente um adolescente pertencia à religião evangélica. Todos os adolescentes entrevistados tinham diagnóstico de câncer: um com Linfoma Não-Hodking, um com Linfoma Hodking, três com Osteossarcoma, dois com Leucemia Linfócita Aguda, dois com Leucemia Mielóide Aguda, um com Linfoepitelioma, um com Rabdomiossarcoma e um com Sarcoma de Ewing. Os adolescentes são procedentes de diversos municípios de Santa Catarina. De acordo com as microrregiões do Estado, cinco são da microrregião de Florianópolis, um da microrregião de Criciúma, um da microrregião de Joaçaba, dois da microrregião de Xanxerê, um da microrregião de Blumenau, um da microrregião de São Miguel do Oeste e um da microrregião de Campos de Lages. Para a coleta de dados, utilizamos a técnica de entrevista com um roteiro de questões focando o estresse, o cotidiano do adolescente durante a internação hospitalar, e os eventos estressores durante a hospitalização. A partir dos dados coletados levantamos as categorias que serão descritas a seguir: 51 5.1 O cotidiano do adolescente com câncer hospitalizado Durante a hospitalização, as atividades realizadas no cotidiano do adolescente são limitadas, tanto pelo espaço físico do ambiente, assim como pelas suas condições físicas e psicológicas, levando-o a sofrer com as inúmeras mudanças de suas relações e de seu cotidiano. Segundo Pimentel (2005), o cotidiano é a sucessão das atividades realizadas pelo homem em seu dia-a-dia, aonde se insere o tempo, espaço e sujeitos envolvidos nessa dinâmica. Assim, realizamos a seguinte pergunta para os adolescentes: “Como é o seu dia-a-dia durante a internação hospitalar?” Destacamos a televisão e o vídeo-game, sendo os recursos visuais e as atividades decorrentes deles mais citadas pelos adolescentes, como demonstram as falas a seguir: “Ah, eu fico o dia inteiro deitado, vendo televisão, jogando vídeo game que eu trusse,[...]” (Juninho) “[...] assisto TV.” (Pedro) “Fico deitado e quando tem televisão fico vendo televisão[...]” (João) “Assisti televisão [...]” (Fernando) “[...] assisto TV.” (Maisa) “[...] jogo vídeo game [...]” (Inter) “[...] eu jogo vídeo game [...]” (Dinho) “[...] a noite sempre assisto a novela [...]” (Mestre) De acordo com Rizzini et al (2005), ao citar um estudo que teve como objetivo pesquisar a interação entre jovens e adolescentes com as novas mídias nos seus espaços de convivência e relacionamentos, como a família, escola e os grupos de amigos, realizado no 52 Rio de Janeiro, no ano de 2001 e 2002, envolvendo 949 jovens, com idades entre 11 e 17 anos, de cinco escolas do município, revela que, a televisão é o equipamento de comunicação mais difundido, sendo citado por 97% dos adolescentes que participaram do estudo. Em segundo lugar, o equipamento que está presente nos lares de 72% dos adolescentes que participaram do estudo, foi o vídeo game, sendo que os meninos são os principais usuários. Isto se confirma também em nosso estudo, pois os adolescentes que citaram jogar vídeo game são todos do sexo masculino. Outras atividades realizadas pelos adolescentes hospitalizados foram: ler revistas, escutar música, dormir, como descrevem as falas a seguir: “[...] leio revista, escuto música [...]” (Pedro) “Eu procuro ler algum livro, escutar música e procuro preencher todo o meu tempo dormindo, porque quanto mais eu durmo, mais rápido o tempo passa.” (Samuel) “[...] dormi, [...], escutar música, só.” (Fernando) “[...] escuto música no radinho [...]” (Dinho) As atividades dos adolescentes são bastante restritas no hospital, como podemos ver, através dos resultados encontrados. O adolescente gosta de liberdade, espaço, pessoas da mesma idade para que possa realizar as suas atividades, e isto não acontece durante a internação hospitalar, pois esta instituição de saúde não é referência para o atendimento ao adolescente. Feriotti (2003 apud Pimentel, 2005) descreve a terapia ocupacional como um meio de aproximar o cotidiano do paciente durante a internação, através de atividades que utilizam a criatividade para superar os limites enfrentados durante a hospitalização. Assim, podemos observar a importância de um serviço de saúde especializado, onde o adolescente possa dispor de atividades que fazem parte de seu mundo, mesmo que adaptadas ao cotidiano hospitalar. 53 5.2 Desvelando o significado do estresse para o adolescente com câncer hospitalizado: agentes internos e externos O estresse atualmente, vem sendo alvo de diversos estudos nas diversas faixas etárias, pois com o passar dos anos, a incidência vem aumentando significativamente. Acreditamos que um dos fatores para esta ocorrência, deve-se à mudança no estilo, repercutindo na qualidade de vida, principalmente do jovem. Segundo Houaiss e Franco (2001 apud Margis et al, 2003, p.65) [...] o termo estresse denota o estado gerado pela percepção de estímulos que provocam excitação emocional e, ao perturbarem a homeostasia disparam um processo de adaptação caracterizado, entre outras alterações, pelo aumento de secreção de adrenalina produzindo manifestações sistêmicas com distúrbios fisiológicos e psicológicos. Para conhecermos o significado do estresse para o adolescente internado em uma unidade hospitalar, utilizamos a seguinte pergunta: “Qual o significado do estresse para você?”. Obtivemos, através do questionamento realizado com os adolescentes, que o significado do estresse se apresenta sobre dois aspectos, os agentes internos e os agentes externos. No que diz respeito aos agentes internos, a palavra estresse representa, para os adolescentes do estudo, desmotivação, fadiga, insatisfação e alterações emocionais como nervosismo, ansiedade, angústia, tédio e preocupação. Quanto aos agentes externos, o estresse está relacionado com a imobilidade, hospitalização, distanciamento dos seus grupos, ociosidade, submissão a rotinas hospitalares e ao tratamento, atendimento da equipe de enfermagem, falta de atividades recreativas, bem como algo que não dá certo. Houaiss, Villar e Franco (2001, p.1264) definem o termo estressor como um “evento ou estímulo que provoca ou conduz ao estresse”. Portanto, podemos afirmar que, os eventos ou estímulos que conduzem ao estresse no adolescente portador de câncer internado em uma unidade hospitalar estão extremamente relacionados com a situação vivenciada por eles, e isto pode ser confirmado através das seguintes falas: 54 “Ah, estresse eu acho que é uma angústia de ficar trancado aqui sem pode fazer certas coisas [...]” (Dinho) “Ah, estresse é fica parado aqui sem fazer nada [...]” (Juninho) “Fica internada aqui, é muito, é triste fica internada [...]” (Beatriz) Outro aspecto importante refere-se ao significado do estresse estar relacionado às alterações emocionais, como demonstra a fala: “Nervosismo, ansiedade, angústia, assim, fazê algo que não gosta ou mesmo por demorar.” (Pedro) Muitas vezes, o fato de estar hospitalizado, submetendo-se a procedimentos terapêuticos, tendo que dividir o seu espaço com pessoas diferentes, acaba provocando diversas alterações no estado emocional do adolescente. Mass e Zagonel (2006) relatam também em seu estudo, o impacto da hospitalização sobre o adolescente, trazendo sentimentos como, insegurança, isolamento, e conseqüentemente, uma modificação na sua rotina diária. Para Maldonado e Canela (2003 apud Mass e Zagonel, 2006) apesar da hospitalização representar para o adolescente perdas e instabilidades, resultando em impacto emocional profundo, este evento pode representar também, o alcance da maturidade, obtido através da adaptação da situação vivenciada durante a hospitalização. O estresse do adolescente com câncer transita entre os significados sociais já internalizados, bem como os novos significados que a vivência e a permanência no ambiente hospitalar proporcionam. Durante a hospitalização, os adolescentes necessitam adaptar-se a certas rotinas que lhe são impostas, como por exemplo, o horário da alimentação, das medicações, das visitas. As atividades ocupacionais também se tornam um problema porque o jovem não pode assistir televisão até tarde, jogar videogame e nem ouvir música muito alta. Isto porque, durante a hospitalização tem que dividir o mesmo espaço, com outros pacientes, muitas vezes mais velhos, tirando-lhe a sua privacidade. Neste contexto, ao perguntarmos aos adolescentes se sentiam estressados durante a internação hospitalar, três disseram que sim, três às vezes e seis relataram que não se sentem 55 estressados. Dentre aqueles que afirmaram sentir-se estressados, a ociosidade, a longa permanência no leito, a falta ou às vezes a inexistência de atividades recreacionais, o fato de sentir-se trancado no hospital e ter que respeitar as rotinas hospitalares, tornam-se fatores estressantes. Assim, identificamos as seguintes falas: “Porque eu não faço nada né, aí o cara fica aqui deitado o dia inteiro, só vendo televisão, estressa mesmo.” (Juninho) “[...] quando a televisão não tá ou não funciona, daí fica o dia todo sem fazê nada, isto também é muito estressante.” (Samuel) “Muito trancada, não pode sai e nada. Aí a gente quer sair, ouvi música, mas não pode, assistir TV mais alto até mais tarde também não pode, daí a gente se sente [...]” (Maisa) Armond (2003) no estudo intitulado “Convivendo com a hospitalização do filho adolescente”, relata que, o impacto da hospitalização atinge não só o jovem, mas também seus pais. Refere que, o mundo do hospital é um desafio para ambos, sendo que, para os adolescentes é muito difícil a hospitalização, pois se vêem privados do seu mundo anterior, ao qual estavam acostumados. Aqueles que relataram sentir-se às vezes estressados citaram que: a ociosidade, a hospitalização e o afastamento do convívio social, são os fatores que os levam a sentir-se estressados. As seguintes falas demonstram esta constatação: “Pouco, porque não pode sair, não pode ver os amigos.” (Geovani) “Tem vezes que sim, tem que fica muito tempo parado.” (Pedro) “Às vezes, porque de vez em quando tem. Eu posso jogar vídeo game que isso anima a gente, jogar baralho, fazer certas coisas assim que não deixa a gente tão estressado.” (Dinho) Por outro lado, há os adolescentes que não se sentem estressados, pois dizem gostar do atendimento da equipe e sentem-se bem na unidade: “Aqui eles atendem bem as pessoas, eles atendem bem e é bom ficar aqui.” (Beatriz) 56 Segundo Vieira e Lima (2002), o hospital tem dois significados para o adolescente, um que traz sofrimento e o outro, que traz a cura, aonde serão realizados todos os procedimentos necessários, buscando não só salvar a sua vida, mas também trazendo a sua saúde de volta. Assim, acreditamos que, o fato do adolescente gostar de ficar internado esteja relacionado à segurança, ao acolhimento que recebem durante a internação hospitalar. Sentem-se amparados, seguros, pois no hospital sabem que serão bem cuidados, receberão a medicação no horário certo, sempre terá alguém por perto, e o mais importante no momento, é cuidar de sua saúde. Muitos jovens são procedentes de Municípios do interior de Santa Catarina, e muitas vezes os serviços de saúde não prestam uma assistência adequada e direcionada para ele. Portanto, este é mais um fator que leva o adolescente a gostar de ficar internado na instituição de saúde onde a pesquisa foi realizada. Acrescentamos que, apesar da metade dos jovens relatarem que não se sentem estressados durante a internação hospitalar, percebemos que, ao serem questionados sobre as situações que os estressam no hospital, apenas um deles não relatou nenhuma situação, os outros cinco referiram algum incômodo. Segundo Pimentel (2005), durante a internação hospitalar, o indivíduo vivencia diversas sensações, dentre elas, o sofrimento, a solidão, a dependência de outras pessoas, o medo, as incapacidades, e várias outras situações. Ao perguntarmos para os adolescentes quais eram as situações de estresse durante a internação hospitalar, percebemos que os incômodos referem-se às rotinas hospitalares, aos procedimentos realizados, ao confinamento e a falta de atividades recreativas: “[...] tem que fica deitado o dia inteiro, por causa do repouso [...] não pode comer fruta, quando a dieta, assim, tem que ser como eles querem.” (Juninho) “[...] só fica trancado aqui dentro, coisa que não é acostumado a fazer.” (Geovani) “Hora da quimioterapia, tê que fica bastante tempo parado, dá uma angústia [...]” (Pedro) “O que mais me estressa é agulha. Porque todo o meu tratamento é a base de agulha [...]” (Samuel) 57 “[...] Andar com o soro né, porque o soro a gente tem que andar direto, daí incomoda um pouco.” (Dinho) A hospitalização e a submissão aos procedimentos invasivos, como por exemplo, o implante de cateteres, o tratamento quimioterápico, dentre outros se tornam fatores de estresse para o adolescente. Isto porque, segundo Paterson e Zderad (1979 apud Oliveira, Costa e Nóbrega, 2006), quando o cliente encontra-se em uma instituição de saúde, percebe-se como um ser estranho, onde tudo é novo. Afasta-se do convívio familiar, e passa a conviver rodeado por equipamentos comuns do ambiente hospitalar, como por exemplo, equipamentos, máquinas, instrumentos, dentre outros. Em meio há tantas modificações, o adolescente pode sentir diversos sentimentos, como medo, insegurança, tristeza, podendo levar ao estresse. Outro aspecto que também é fator de estresse, para os adolescentes internados é o atendimento da equipe de enfermagem. Como demonstram as falas a seguir: “[...] aqueles enfermeiros meio doidos né, que sai bagunçando, balançando, dando lambada, derrubando as coisa. Daí fico com medo, será que ele vai derrubar meu soro?” (Samuel) “Quando um amigo meu, por exemplo, chama algum enfermeiro que demora a vir.” (Juliano) “[...] quando as enfermeiras abrem a porta muito rápido de noite, assim, daí eu me acordo [...] é difícil pegar no sono.” (Inter) Consideramos importante citar Mass e Zagonel (2006), quando descrevem que a integralidade da assistência ao adolescente hospitalizado, envolve a compreensão da tríade: adolescer, adoecer e hospitalizar-se. Assim, acreditamos que o cuidar é a essência da enfermagem, e para que esse cuidado torne-se integral, a equipe de enfermagem além do conhecimento técnico-científico, deverá ter a sensibilidade de ver o adolescente em todas as suas dimensões, para poder criar um vínculo de confiança entre eles e assim, poder ser a promotora da adaptação do adolescente na unidade hospitalar, com isso, amenizando as situações de estresse. Outras situações rotineiras, durante a internação hospitalar que, podem ser provocadoras de estresse, observamos que estas situações estão relacionadas com a perda transitória da auto-determinação do adolescente. Os adolescentes se sentem impotentes e 58 dependentes do outro. A falta ou diminuição de sua auto-determinação, os leva a insegurança e também a falta de autonomia. Estão à mercê da técnica, dos profissionais, da terapêutica, que tiram o poder de se auto-determinar. A diminuição da privacidade, o sentir-se invadido tanto fisicamente, quanto psicologicamente, leva ao estresse e a sentir-se envergonhado, pela dependência e exposição. Como podemos observar nas seguintes falas: “[...] ficar ali parado, tendo que fica toda a atenção em cima de ti, de certa forma tu depende dos outros, tu não podes agir por conta própria, qualquer coisa que precisa tem que chamar o enfermeiro, isto te deixa assim com sentimento de impossibilidade.” (Samuel) “[...] um pouco as enfermeiras que chegam demais aqui...dá uma vergonha, assim coisa ruim não é acostumada, fica toda hora chegando um estranho.” (Maisa) Através destas falas, nos referimos à Mandú e Paiva (2005), quando descrevem que na relação entre o adolescente e o profissional da saúde, deve haver uma troca, respeitando o modo de ser do adolescente. Esta troca deve ser realizada através do diálogo, no qual o profissional de saúde deve saber ouvir e estar sempre disposto às expressões do adolescente. Os profissionais devem respeitar o espaço, a privacidade do adolescente, e através do diálogo envolver o mesmo, sempre que possível, na tomada de decisões no que diz respeito ao seu tratamento, minimizando desta forma, os sentimentos de impossibilidade, dependência, os quais trazem tanto incômodo para o adolescente. Ainda são situações de estresse para o adolescente: o confinamento, espaço restrito no quarto, tratamento, permanência no leito, rotinas da unidade e isolamento “Fica deitado, tomando os remédios [...]” (Juninho) “Cê te que fica tomando soro, fechado aqui dentro sem poder sair.” (Geovani) “[..] hora da quimioterapia [...]” (Pedro) O adolescente está sempre em busca da liberdade, para poder fazer o que quiser. Neste sentido, observamos que, ao encontrar-se hospitalizado, vê sua liberdade limitada, pois não pode andar por onde quer, pois muitas vezes necessita ficar deitado em um leito hospitalar para realizar tratamento, e estes acontecimentos causam muito incômodo para o adolescente, 59 que vê tudo isso como se fosse um confinamento, afastando-lhes de tudo e todos, e com isso dificultando a sua adaptação às rotinas hospitalares. Na adolescência as interações sociais ampliam-se, e os adolescentes começam a participar de diferentes grupos sociais, dentre os quais: na escola, na igreja, grupos de esporte, de passeios, dentre outros. Assim, com a hospitalização o adolescente se afasta de seus grupos, e através de sua fala percebemos que isto lhe causa certo incômodo: “Falta de espaço...falta assim de pessoal que só pode vim no horário de visita [...] quando vem.” (João) “Só o isolamento, longe de tudo, de todos [...]” (Maisa) Mass e Zagonel (2006, p.39), também discutem estes incômodos, e trazem que “para o adolescente, a hospitalização provoca mudanças radicais em todos os aspectos de sua vida. O ambiente hospitalar habitualmente pautado numa configuração institucional com regras enraizadas e indiscutíveis leva o adolescente a um cenário geralmente distante de sua realidade”. No estudo realizado pelas mesmas autoras, a ausência de espaço físico próprio para esta faixa etária, a padronização de roupas (pijamas), a falta de privacidade e de atividades, foram alguns fatores citados pelos adolescentes como desencadeadores de desconforto. Acrescentam ainda que, o desconhecimento das peculiaridades da adolescência, faz com que este seja mais um fator de incômodo para os adolescentes. Assim, todos estes acontecimentos são fatores desencadeantes do estresse, que segundo Margis et al (2003), a resposta do organismo ao estresse, é o resultado da diferença do meio externo e interno e a percepção do indivíduo quanto a sua capacidade de resposta. De acordo com os autores, acreditamos que, o surgimento da doença, as hospitalizações freqüentes e todas as modificações decorrentes deste processo podem levar a este desequilíbrio entre o meio interno e o externo, levando a instabilidade biopsicosocial. Dentre todas estas alterações e sendo a adolescência, uma fase onde o indivíduo busca a sua própria identidade, é também uma etapa que são influenciados facilmente. O adolescente busca desenvolver sua auto-determinação para ser autônomo e consequentemente livre. 60 5.3 O respiradouro do adolescente com câncer hospitalizado Durante o período de hospitalização, o adolescente vivencia momentos de angústia, ansiedade, e um dos motivos que leva a estas alterações psicológicas são as modificações que ocorrem devido à internação, como por exemplo, a falta de atividades recreacionais, educacionais e ocupacionais, de convívio social e familiar, observado nas seguintes falas: “Sair, vê os amigos, passear.” (Geovani) “Sai, dá umas volta.” (João) “Sair com os amigos, tá fazendo festa [...]” (Mestre) “Jogar bola [...] ir nos rio. Brinca com os amigos.” (Fernando) “[...] sai de noite com o namorado, dançar [...]” (Maisa) “[...] tá se relacionado com outras pessoas [...] conversando, fazendo novas amizades [...] arranjar uma namorada.” (Samuel) A interrupção dos estudos, o distanciamento dos amigos, o afastamento de casa, a forte ligação com a dor e sofrimento, o administrar o tratamento, o conviver com as condutas invasivas, o lidar com a mudança no ritmo e estilo de vida, o abandono de projetos configuram a transição de saúde-doença. (MASS; ZAGONEL, 2006). Mass e Zagonel (2006, p.79) também discutem estas modificações que ocorrem no período da hospitalização, e descrevem que, “a alteração do desempenho social é percebida e referida pelo adolescente como significativa, pois planos se rompem, principalmente aqueles ligados às atividades escolares, esportivas e de lazer, aspectos importantes de socialização nessa fase”. Para os adolescentes o importante é viver bem o presente, mas para que isso se torne possível é necessário que participem de grupos com suas mesmas características, para compartilharem suas angústias, medos, desejos, através disso buscando sua identidade. (MACHADO; MEIRA; MADEIRA, 2003). 61 Para Mass e Zagonel (2006) além dos amigos, que representam importância significativa na vida do adolescente, surgem também às relações amorosas, que quando presentes trazem outro sentido de perda na ocorrência da doença e hospitalização. Como podemos observar nas falas acima, o lúdico, o relacionamento inter-pessoal e especificamente o amoroso ficaram evidenciados, como sendo o querer, a busca, a normalidade para esses jovens. As atividades do cotidiano pertinentes à faixa etária, o lugar comum para o adolescente e o início das relações amorosas. Outro aspecto também referido por alguns adolescentes como sendo uma atividade que gostariam de estar realizando fora do hospital, foi o trabalho, demonstrado nas falas a seguir: “[...] trabalhar [...]” (Juninho) “Em casa, ajudando pai no mercado [...]” (Dinho) “[...] tá voltando a minha vida normal, né, [...] ta trabalhando [...]” (Samuel) De acordo com Fischer et al (2003), o trabalho para os adolescentes tem um significado mais profundo, ligado intimamente com a maturidade e a emancipação econômica. Um outro motivo citado pelos autores que leva os adolescentes ao trabalho é a situação socioeconômica em que se encontra a família. Para os autores, o trabalho precoce pode promover efeitos negativos tanto no desenvolvimento físico, quanto educacional, impedindo o jovem de dedicar-se a atividades extracurriculares, como atividades lúdicas e sociais próprias da sua idade, sendo responsável muitas vezes, pelo atraso escolar. Segundo Villela e Doreto (2006), ao citar um estudo realizado pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão/Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em 2005, descrevem que [...] aproximadamente três quartos dos jovens de renda mais baixa ingressam no mercado de trabalho antes dos 15 anos, com média salarial inferior à do conjunto dos trabalhadores. Entre as camadas mais pobres, 23% dos jovens conseguem trabalhar e estudar, mas 17,1% não trabalham nem estudam. Entre as meninas o percentual de não trabalho e não estudo chega a 26%. 62 O trabalho precoce na adolescência pode levar ao abandono, dificuldade do acompanhamento escolar, trazendo sérias repercussões no desenvolvimento deste adolescente, visto que tem grande importância na vida do adolescente, pois através dela o jovem adquire novos saberes, mantêm diariamente contato com novas pessoas, e assim, vai conquistando sua própria identidade. Segundo Feizi (2004), a escola exerce vários efeitos sobre o aluno, além de transmitir um conteúdo pedagógico. É um espaço aonde o aluno adquire uma grande experiência de socialização e de convívio com as diferenças, convivendo com outros adultos além de seus pais, identificando assim, outros modelos de referência, tanto no sentido positivo quanto no negativo. A partir da fala de alguns adolescentes, vemos a importância da educação na vida dos mesmos: “[...] eu quero faze faculdade, daí queria faze um cursinho [...]” (Maisa) “[...] ir pro colégio [...]” (Juninho) “Ir pra escola também, porque eu gosto né?” (Dinho) “Eu gostaria de [...] ta estudando [...] lê eu leio livro de história e tudo, mas não é a mesma coisa de ta lá estudando [...]” (Samuel) Portanto, apesar do trabalho ser atualmente um dos fatores que leva o adolescente muitas vezes a abandonar a escola, no nosso estudo isto não se confirma. Ao serem questionados sobre o motivo pelo qual, não freqüentam mais a escola, a grande maioria relatou que é devido às várias internações muitas vezes prolongadas, fazendo assim com que, se afastem dos estudos. Esta situação revela-se também em um estudo com crianças e adolescentes com doença crônica: convivendo com mudanças, realizado por Vieira e Lima (2002). As autoras quando descrevem a alteração da rotina hospitalar citam que, quando a criança e o adolescente se ausentam frequentemente da escola, isto lhes causa desmotivação, levando à dificuldade entre ele, os professores e demais estudantes, dificultando assim, seu ajustamento escolar. Lembramos que, como foram citados anteriormente, os adolescentes têm o direito de acompanhamento do curriculum escolar durante sua permanência no hospital. 63 Temos conhecimento de que, em alguns hospitais, existe este tipo de trabalho para crianças, possibilitando que os mesmos, durante o período que se encontram internados, freqüentem a escola dentro do próprio hospital. No entanto, esta não é uma realidade que ocorre na Instituição de Saúde aonde o estudo foi realizado. Acreditamos que, isto se deve ao fato de que, a grande maioria dos adolescentes, são procedentes de Municípios do interior de Santa Catarina, e também, porque a Instituição não está preparada para fornecer este tipo de programa, visto que, não é uma Instituição voltada para a assistência ao adolescente. A assistência é realizada em decorrência da demanda derivada de outra Instituição de Saúde especializada no atendimento a criança e ao adolescente, que possui um Serviço de Oncologia em nível ambulatorial e de internação, mas que não supre as necessidades da demanda existente. Portanto, é imprescindível, que se oportunize a continuidade dos estudos, das aulas, podendo utilizar método de ensino a distância, com um professor para orientar e esclarecer dúvidas na unidade de Internação para os adolescentes, e para isso, é necessário à definição de competências entre os Serviços, a sensibilização e a conscientização de todos os profissionais, dos diversos segmentos da estrutura hospitalar, da Secretaria de Saúde e da Secretaria de Educação, para a sua viabilização. 5.4 A imagem corporal e a sexualidade X isolamento social do adolescente com câncer hospitalizado O tratamento quimioterápico, radioterápico e cirúrgico, leva a alteração transitória ou permanente, provocada pelas toxicidades, complicações ou mesmo seqüelas e mutilações no caso de cirurgias não conservadoras, utilizadas, por exemplo, na ressecção de tumores ósseos, em que a amputação é freqüente. A preocupação com a imagem corporal faz com o adolescente hospitalizado exclua-se do convívio social por não estarem dentro dos padrões exigidos pela sociedade. Segundo Mataruna (2004, p. 1), “a imagem corporal é a figuração do próprio corpo formada e estruturada na mente do mesmo indivíduo, ou seja, a maneira pela qual o corpo se apresenta para si próprio”. 64 Para Cano et al (1999), o adolescente enfrenta grandes dificuldades devido às diversas modificações que ocorrem no seu corpo, sendo freqüentes os sentimentos de estranheza do seu próprio eu. Vieira e Lima (2002) se referem à preocupação que o adolescente tem com o seu corpo. Os autores trazem que, a representação do corpo perfeito, tem grande valor em nossa sociedade. Quem tem o corpo em perfeito funcionamento, é considerado saudável. Assim, podemos perceber como o padrão estabelecido pela sociedade influencia o comportamento das pessoas, que se sentem incomodadas, levando-as muitas vezes ao isolamento social. Os adolescentes com câncer passam a ser alvo de discriminação e comparação, visto que, sua aparência física muitas vezes está modificada, e, portanto, não se encontram dentro do padrão de beleza estabelecido pela sociedade. Muitos adolescentes quando submetidos ao tratamento quimioterápico, sofrem com a alopecia. Porém, no nosso estudo, dentre os doze adolescentes entrevistados, esta situação não foi citada em nenhum momento, sendo que dentre os doze, dez apresentavam alopecia. Talvez esta questão não tenha aparecido pelo fato de que, a maioria dos entrevistados era do sexo masculino, e somente duas adolescentes do sexo feminino e, ambas não apresentavam alopecia, uma por não ter iniciado o tratamento quimioterápico e, a outra devido ao protocolo de quimioterapia, menos agressivo. Trazemos esta colocação, pois acreditamos que, para uma jovem, talvez a perda dos cabelos fosse um evento mais significativo do que para os adolescentes do sexo masculino, devido à própria vaidade feminina. Podemos perceber a importância do cuidado ao corpo na fala adolescente a seguir: “Muita comida eu acho, daí a gente engorda muito [...]” (Maisa) A sociedade atual reforça a imagem ideal do corpo, a mídia exerce grande influência sobre os adolescentes, e estes refletem aquilo que é transmitido através dos meios de comunicação - o culto do corpo. A jovem acima, demonstra a sua preocupação com o suporte nutricional recebido. Não quer engordar. Isso nos parece, a princípio estranho, pois com o início do tratamento haverá o emagrecimento, mas para jovem, que está na fase de estadiamento, sem saber que a própria doença e o tratamento levarão ao emagrecimento, a 65 ingesta de alimentos mais calóricos levam ao temor do aumento de peso e consequentemente torna-se um fator de estresse. Parece-nos que este grupo no momento da coleta de dados, não apresentava tantos conflitos com a imagem corporal, talvez por ser um grupo predominantemente de rapazes, talvez por não querer expressar de forma mais clara os enfrentamentos com a auto-imagem. Também, há o fato de estarem hospitalizados, em contato com outros pacientes com alterações corporais semelhantes as suas e, talvez por este motivo não se sentissem fisicamente diferentes, então os conflitos naquele momento não eram evidenciados. Além da imagem corporal, a sexualidade também é um evento marcante na vida do adolescente. De acordo com Cano et al (1999), é na adolescência que as relações afetivas modificam-se, com a evolução das características sexuais secundárias. Assim, ocorre uma modificação dos sentimentos, e a relação afetiva mais importante deixa de ser a família. Atualmente vivemos em um mundo, onde os adolescentes participam das decisões que dizem ao seu respeito e muitas vezes influenciam os próprios pais em relação a estas decisões. Antigamente, o namoro restringia-se aos olhares e o toque nas mãos, mas atualmente, são comuns, o início precoce da atividade sexual e em conseqüência o risco da gravidez na adolescência. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO (2004, apud Villela e Doreto, 2006), apontam que 32,8% dos jovens brasileiros, na faixa etária de 12 e 17 anos, já tem uma vida sexual ativa, sendo que destes, 61% são do sexo masculino e 39% são do sexo feminino. A gravidez precoce, segundo Ballone (2003) é um dos eventos mais preocupantes relacionadas à sexualidade da adolescência, trazendo sérias conseqüências para a vida dos adolescentes envolvidos, de seus filhos que nascerão e de suas famílias. Em nosso estudo entrevistamos uma adolescente de 18 anos, mãe de uma menina de 2 anos. Percebemos através de sua fala, que o distanciamento do convívio familiar e de suas atividades como mãe, lhe causava grande tristeza, sendo um fator de estresse. Não queremos aprofundar a discussão dos motivos que levaram a uma gravidez precoce, mas sim, como um fator de estresse para uma adolescente com câncer, cheia de incertezas sobre o seu amanhã e o futuro de sua filha. Segundo Osório (1992), é na adolescência que se iniciam as primeiras experiências sexuais. Para o autor a sexualidade não significa apenas a transformação fisiológica que acontece em nosso organismo, mas também todas as transformações psico-sociais existentes. 66 Os adolescentes estudados demonstravam o interesse por ter uma namorada e, que a hospitalização e a doença dificultavam o relacionamento com o sexo oposto, “[...] sai de noite com o namorado, dançar [...]” (Maisa) “[...] arranjar uma namorada.” (Samuel) A sexualidade apresentou-se no grupo de adolescentes, como algo adiado, para após o tratamento. Parece-nos que no momento atual, suas energias se concentram na busca da cura, na realização do tratamento, e mesmo sendo um fator gerador de estresse em âmbito hospitalar pelo afastamento de seus afetos, ou mesmo da possibilidade de sair, passear e paquerar, suas atenções estão concentradas na luta pela vida. 67 "A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que sejam criadores, inventores, descobridores”. Jean Piaget 68 6 APROXIMANDO O MODELO DE SISTEMAS DE BETTY NEUMAN E OS ESTRESSORES DO ADOLESCENTE COM CÂNCER Neste momento para melhor compreensão deste estudo e, tendo o Modelo de Sistemas de Neuman, elaboramos um esquema para o adolescente com câncer internado em uma unidade hospitalar. Variáveis Sócio-culturais Pouca ou ausência de atividades recreacionais/lazer/terapia ocupacional afastamento do convívio social e familiar afastamento dos hábitos de lazer, afastamento das atividades do lar, afastamento da escola, restrição a freqüentar ambientes, afastamento das atividades ocupacionais/laborais. Variáveis Fisiológicas ESTRESSORES Fadiga, imobilidade, restrição da dieta, reações ao tratamento. Variáveis Psicológicas Desmotivação, nervosismo, ansiedade, angústia, tédio, preocupação, insatisfação, impotência, dependência, falta de autonomia, medo de algo que não dá certo, apreensão com a qualidade no atendimento da equipe de saúde, falta de privacidade, imagem corporal prejudicada. Variáveis Desenvolvimentistas Impossibilidade e/ou adiamento da habilitação para a carteira de motorista, adiamento da escolha profissional e inserção no mercado de trabalho, relacionamento afetivo-amoroso. ADOLESCENTE Recursos utilizados para minimizar os estressores Dormir além do necessário, jogar vídeo game, assistir TV, escutar música, ler livros e revistas. REAÇÃO AO ESTRESSE Figura 3. Aproximação do estudo com o Modelo de Sistemas de Betty Neuman 69 Ressaltando que para Neuman, os estressores são as diversas situações de enfrentamento, e que no nosso estudo são aquelas que provocam automaticamente reações orgânicas com efeitos simultâneos, tanto em nível fisiológico, psicológicos, sócio-culturais e até mesmo ambientais. A reação do jovem aos estressores demonstra a sua competência ou capacidade de receber através de seu sistema pessoal, as intervenções de origem extrapessoais e intrapessoais, ajustando o sistema para readquirir estabilidade, ou quando o enfrentamento não é positivo no agravamento de suas condições físicas, psíquicas, ou mesmo da piora de seu quadro geral. De acordo com o modelo de sistemas de Betty Neuman, o indivíduo apresenta uma estrutura básica e recursos de energia. No estudo realizado esta estrutura é representada pelos adolescentes, que se encontram suscetíveis aos diversos fatores que podem desequilibrar este sistema. No entanto, estes fatores são designados por Neuman como estressores, que podem invadir as linhas de defesa do sistema. Dentre os estressores referidos pelos adolescentes do estudo, podemos afirmar que os mesmos se apresentam de acordo com as variáveis do adolescente. No que se referem à variável fisiológica, os estressores relatados foram a fadiga, resultado muitas vezes dos protocolos quimioterápicos, e até mesmo relacionado à imobilidade prolongada no leito. Isto porque, muitas vezes o adolescente não pode deambular, devido ao tipo de tumor, como por exemplo, osteossarcoma de fêmur, como demonstra a fala: “É ruim, porque tenho que fica o dia todo deitada, não posso anda.” (Beatriz) Outro aspecto seria relacionado ao tratamento, pois muitas vezes o adolescente está “preso” a uma bomba de infusão, dificultando a sua mobilidade, levando-o a permanecer um longo período no leito. A restrição da dieta também é citada como um estressor, principalmente em pacientes portadores de câncer hematológico, submetidos ao tratamento quimioterápico, que apresentam o sistema imunológico debilitado, e assim, algumas restrições na dieta são necessárias, como por exemplo, os alimentos crus: “[...] quando não pode comer fruta, quando a dieta, assim, tem que ser como eles querem.” (Juninho) 70 Na variável sócio-cultural podemos citar como estressores, a ausência ou pouca atividade recreacional/lazer/terapia ocupacional na instituição, causando grande apreensão no adolescente, pois precisa adaptar-se a esta nova situação. O afastamento do convívio social, familiar, dos hábitos de lazer, das atividades do lar, também são estressores que invadem o sistema do adolescente. O afastamento do colégio, a restrição para freqüentar certos ambientes, como por exemplo, sair à noite com o namorado, fazer festa, são algumas impossibilidades enfrentadas pelo adolescente durante a internação. O afastamento das atividades ocupacionais e laborais também são citadas por eles, isto porque, é próprio dessa faixa etária o início das primeiras experiências no trabalho, caracterizando o início da independência do adolescente. Assim, com todas estas impossibilidades, restrições, afastamentos, surgem os estressores referentes à variável psicológica. Dentre eles temos a desmotivação, muitas vezes causada pelas incertezas quanto ao diagnóstico e tratamento. As alterações emocionais, como o nervosismo, ansiedade, angústia, tédio, preocupação, insatisfação, também decorrentes do desconhecimento de certos procedimentos, tempo que permanecerão hospitalizados, prognóstico, causando-lhes grandes expectativas. A impotência, sentimento de dependência, falta de autonomia e privacidade são alguns aspectos citados, pois o adolescente hospitalizado, passa a ser tratado ou como criança ou como adulto, visto que ainda há uma grande dificuldade por parte dos profissionais referente à abordagem ao paciente adolescente. Nas variáveis desenvolvimentistas, os estressores referem-se à impossibilidade ou adiamento de atividades próprias de sua faixa etária, como por exemplo, a habilitação da carteira de motorista, o adiamento da escolha profissional, pois muitos adolescentes quando necessitam de internações freqüentes, acabam afastando-se do colégio ou não conseguem acompanhar o currículo escolar. No que se referem as variáveis espirituais, os adolescentes não citaram nenhum estressor. Diante disso, após o sistema dos adolescentes – estrutura básica - serem invadidos por estes estressores, os mesmos terão uma reação, sendo que esta poderá ser positiva, onde o adolescente busca meios com o objetivo de minimizar os estressores, que desestabilizam o seu sistema, ou então, não conseguem arranjar meios para enfrentar estes estressores, e o sistema entra em desequilíbrio. 71 No estudo realizado os adolescentes citaram alguns meios utilizados por eles, como forma de enfrentarem esta situação: “Internado eu procuro sempre facilitar o máximo pra mim não me incomodar e pra não me deixa levar pelas coisas piores [...]” (Mestre) “[...] procuro preencher todo o meu tempo dormindo, porque quanto mais eu durmo, mais rápido o tempo passa.” (Samuel) A partir do momento em que o adolescente consegue achar meios para enfrentar os problemas, o sistema está reconstituindo-se, e assim, haverá possibilidades para retornar ao equilíbrio. É importante lembrar que, à medida que o adolescente vivencia situações, a linha normal de defesa vai ficando cada vez mais fortalecida, pois é através das experiências vividas, que o adolescente poderá utilizar através de suas características pessoais, meios necessários para que estes estressores não invadam o seu sistema. Como por exemplo, para um adolescente, a primeira internação hospitalar poderá significar momentos de angústia, tristeza, ou então, o adolescente poderá vivenciar de outra maneira, pois ainda não enfrentou esta situação. Portanto, as reações dependerão dos acontecimentos anteriores, e assim cada adolescente reage de uma maneira. Portanto, forma-se um círculo vicioso, pois se o adolescente não está bem psicologicamente, conseqüentemente a variável fisiológica também estará comprometida, logo, um adolescente com um estado fisiológico comprometido, como por exemplo, a fadiga, decorrente do tratamento quimioterápico, levará ao comprometimento da variável desenvolvimentista, pois o adolescente terá dificuldades para desempenhar suas atividades recreacionais, ocupacionais. Neste contexto, cabe a Enfermagem, a partir do modelo de Neuman, auxiliar o adolescente a manter a estabilidade do sistema. Para isso, é fundamental que os profissionais da saúde mantenham-se atualizados, objetivando o desenvolvimento de habilidades técnicocientíficas no que se refere ao cuidado ao adolescente. A Enfermagem deve auxiliar, ensinar, ouvir, compreender a adolescência como uma fase própria da vida, facilitando a comunicação interpessoal e ajudando assim, a tornar as linhas de defesa do sistema do adolescente fortes, evitando com que os estressores invadam o seu sistema e causem o desequilíbrio. 72 “Quando acreditamos em nós mesmos, nada consegue nos deter, e é isto que devemos fazer todos os instantes de nossas vidas; acreditar que estamos fazendo o melhor que podemos fazer, com afinco, com determinação e com amor.” (J. Della Monica) 73 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao darmos conclusão a este estudo, e ao analisarmos toda a trajetória percorrida para a concretização do mesmo, acreditamos que muito se tem a fazer no que diz respeito à assistência ao adolescente inserido em uma instituição de saúde. Quando este adolescente é também um portador de câncer, a atenção deve ser redobrada, pois além deste jovem estar passando pelas principais transformações de sua vida, em todos os aspectos, sejam eles fisiológicos, psicológicos ou sociais, defronta-se com esta patologia, exigindo do adolescente a adaptação a este processo de saúde-doença. Acrescentamos assim, a grande importância da equipe de enfermagem estar preparada para ajudar este adolescente a enfrentar este processo de saúde-doença, ao mesmo tempo compreendendo os anseios, as críticas, os sentimentos próprios desta faixa etária. Percebemos durante a realização do estudo, a dificuldade de interagir com o adolescente, pois ao realizarmos as perguntas os mesmos respondiam frases curtas e objetivas, e assim, para conseguirmos fazer com que expressassem seus sentimentos, foi necessário o estímulo constante ao diálogo. No entanto, acreditamos que o instrumento utilizado para a aplicação deste estudo merece destaque, pois foi através da entrevista, com um roteiro de perguntas semiestruturadas e na interação com os adolescentes, que conseguimos captar verdadeiramente, o que tínhamos proposto: conhecer os estressores do adolescente com câncer internado em uma unidade hospitalar. Conseguimos alcançar o objetivo proposto. Destacamos também, a importância de utilizarmos a teoria de Betty Neuman como referencial para realização da análise dos dados coletados, visto a estreita relação que a mesma apresenta com o estudo proposto. Apesar de enfrentarmos algumas dificuldades na trajetória do estudo, como por exemplo, a baixa demanda de adolescentes internados no período da coleta de dados, acreditamos que o número de adolescentes não influenciou na análise dos dados, pois uma pesquisa de caráter qualitativo, não importa a quantidade de sujeitos envolvidos, e sim os dados em si e a profundidade com que os dados coletados são analisados. Os resultados demonstraram que, a grande maioria dos adolescentes não soube definir corretamente a palavra estresse, sendo que relacionavam a palavra com os seus sentimentos, 74 com aquilo que estavam sentindo no momento. Alguns relataram que não se sentem estressados durante a internação hospitalar, porém, quando questionados, em relação aos incômodos, apenas um dos adolescentes referiu que não sente nenhum incômodo durante a internação hospitalar. Neste contexto, podemos afirmar que, em geral, os principais estressores dos adolescentes portadores de câncer internados, em uma unidade hospitalar são o afastamento do convívio social, da família, das atividades que estavam acostumados a realizar no seu diaa-dia antes da internação, o afastamento do colégio e dos amigos e a imposição das regras da rotina hospitalar. Portanto, acreditamos que este estudo contribuiu significativamente para conhecermos a vivência deste grupo de adolescentes durante a internação hospitalar. No entanto, acrescentamos que os serviços de saúde e os profissionais precisam trilhar muitos caminhos para alcançar este objetivo. Para finalizarmos o estudo, destacamos neste momento, alguns aspectos que, em nossa concepção, merecem ser pensados e re-pensados, como por exemplo, unidades específicas, destinadas para o acompanhamento de adolescentes que necessitam de internação hospitalar, garantindo uma assistência voltada para esta faixa etária; a inserção de um programa que garanta a continuidade das atividades escolares durante as internações hospitalares, assim como está instituído no ECA; a inserção de atividades recreativas, terapias ocupacionais, com o objetivo de minimizar o impacto gerado no adolescente quando este necessita de internação hospitalar, enfim, estes são alguns problemas que trazemos com destaque para refletirmos sobre a importância de transformações, com o objetivo principal, assistir o adolescente portador de câncer, de forma integral em todo o seu processo de saúde-doença. Porém, salientamos que, é através de estudos como este que será possível conhecer as melhores opções para seguir esta trajetória de transformações. 75 REFERÊNCIAS ÀRIES, P. História social da criança e da família. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981. Tradução de Dora Flaksman. ARMOND, L. C. Convivendo com a hospitalização do filho adolescente. 2003. 195 f. Tese (Doutorado em Enfermagem) – Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003. BALLONE, G.J. Gravidez na adolescência. 2003. Disponível em: < sites.uol.com.br > Acesso em: 22 out. 2006. BEVILACQUA, F.; et al. Fisiopatologia clínica. 5. ed. São Paulo: Atheneu, 1998. BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer. O câncer no Brasil. Disponível em: < www.inca.gov.br >. Acesso em: 16 set. 2006a. ______. Ministério da Saúde. Instituto Nacional do Câncer. Incidência de câncer no Brasil: Estimativa 2006. Disponível em: < www.inca.gov.br >. Acesso em: 16 set. 2006b. ______. 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Disponível em: < www.scielo.br > Acesso em: 25 out. 2006. 82 APÊNDICE A Termo de Consentimento Livre e Esclarecido 83 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Nome do Adolescente: ________________________________________________________ Idade: ___________ Sexo: ________________ Naturalidade: _______________________ Nome do responsável legal: Sr (a) ________________________________________ ___________________________________________________________________________ Profissão__________________________Identidade: _______________________________ Endereço: AV/R: ___________________________________________________ nº: ______ Apto:_________Bairro: ______________________Cidade: _____________ Estado: _______ O(a) senhor(a) foi informado detalhadamente sobre a pesquisa intitulada: Os Estressores do Adolescente Portador de Câncer Internado em uma Unidade Hospitalar. O(a) senhor(a) foi plenamente esclarecido de que seu filho(a) será submetido a uma pesquisa com o objetivo de conhecer os estressores do adolescente com câncer durante a internação hospitalar. O(a) senhor(a) foi informado de como se desenvolverá a pesquisa, sendo que seu filho(a) será entrevistado(a) em local adequado, no Centro de Pesquisas Oncológicas – CEPON (Unidade de Transplante de Medula Óssea ou Unidade Hospitalar). Serão realizadas 6 perguntas relativas ao cotidiano - dia-a-dia - do seu filho(a) na Unidade Hospitalar, as respostas serão gravadas, com gravador mini cassete. A sua identificação será através do código de identificação, que será escolhido pelo próprio adolescente, gênero (masculino / feminino) e idade em anos. Concordando em participar o(a) seu filho(a) se encontrará no Centro de Pesquisas Oncológicas – CEPON (Unidade Hospitalar ou Unidade de Transplante de Medula Óssea), com uma das acadêmicas de enfermagem: Izabel Cristina Martendal ou Luciana Rosa da Silva, em data e horário pré-estabelecido com o(a) senhor(a) e seu filho(a). O(a) senhor(a) poderá permanecer junto ao seu filho(a) durante a entrevista, caso seja do seu interesse ou do interesse do seu filho(a). A entrevista ocorrerá em torno de até 50 minutos. O(a) senhor(a) também foi informado que seu filho(a) participará da pesquisa, através das respostas as perguntas que lhe serão realizadas, e que poderá responder as perguntas se desejar e terá liberdade para questionar as acadêmicas Izabel Cristina e Luciana. O(a) senhor(a) foi informado que se manterá o anonimato, quanto a identidade e as informações obtidas de seu filho(a) serão confidenciais. 84 Pelo fato desta pesquisa ter única e exclusivamente interesse científico, a mesma foi aceita espontaneamente pelo(a) senhor(a) e pelo seu filho(a), que no entanto, poderão desistir a qualquer momento da mesma, inclusive sem nenhum motivo, bastando para isso informar, de maneira que achar mais conveniente, a sua desistência. Por ser voluntária e sem interesse financeiro o(a) senhor (a) e seu filho(a) não terão direito a nenhuma remuneração. A participação na pesquisa não incorrerá em riscos e prejuízos de qualquer natureza. Os dados referentes ao seu filho(a) serão sigilosos e privados, e a divulgação dos resultados visará apenas mostrar os possíveis benefícios obtidos pela pesquisa em questão. A divulgação das informações no meio científico serão anônimas e em conjunto com as respostas do grupo de adolescentes que participarão da pesquisa, sendo que o(a) senhor(a) poderá solicitar informações durante todas as fases desta pesquisa, inclusive após a publicação da mesma. Serão respeitados todos os princípios éticos determinados na Resolução 196/96, do Conselho Nacional de Pesquisa em Seres Humanos. Biguaçu, de de 2006. _________________________________________________________ Assinatura do Entrevistado (Adolescente) _________________________________________________________ Assinatura do responsável legal ___________________________________________________________ Assinatura do entrevistador (Acadêmico de Enfermagem) 85 APÊNDICE B Ficha de Identificação 86 FICHA DE IDENTIFICAÇÃO Código de Identificação Nome: ____________________________________________________________ Data de nascimento: _______________ Escolaridade: _____________________ Naturalidade: _____________________ Procedência: _____________________ Profissão: ________________________ Afastado: Sim ( ) Não ( ) Estado Civil: ______________________ Religião: ________________________ Filiação: __________________________________________________________ __________________________________________________________ Endereço: _________________________________________________________ Telefone: ______________________________ FICHA DE IDENTIFICAÇÃO Código de Identificação Nome: ____________________________________________________________ Data de nascimento: _______________ Escolaridade: _____________________ Naturalidade: _____________________ Procedência: _____________________ Profissão: ________________________ Afastado: Sim ( ) Não ( ) Estado Civil: ______________________ Religião: ________________________ Filiação: __________________________________________________________ __________________________________________________________ Endereço: _________________________________________________________ Telefone: ______________________________ 87 APÊNDICE C Entrevista Semi-estruturada 88 ENTREVISTA Auto-denominação do Adolescente: ______________________________________________ Data: ______/ _______/ ________. 1) O que significa estresse para você? 2) Você se sente estressado durante a internação hospitalar? Sim/Não. Comente. 3) Como é o seu dia-a-dia (a sua vida) durante a internação hospitalar? 4) Quais as situações que te estressam durante a internação hospitalar? Fale sobre elas. 5) O que você gostaria de fazer, mas que não pode por estar internado nesta unidade hospitalar? 6) Há alguma coisa que te incomoda durante a internação hospitalar? Sim/Não. No caso de sim: Quais os incômodos e por que te incomodam? 89 ANEXO I Termo de Aceite de Orientação 90 TERMO DE ACEITE DE ORIENTAÇÃO EU, Nen Nalu Alves das Mercês, orientadora do Projeto de Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade do Vale do Itajaí – Centro de Educação – Campus Biguaçu, concordo orientar a monografia de conclusão de curso das acadêmicas Izabel Cristina Martendal e Luciana Rosa da Silva no decorrer do desenvolvimento da pesquisa intitulada: Os Estressores de Adolescentes com Câncer nos Bastidores de uma Unidade de Internação Hospitalar, conforme projeto ora submetido à aprovação. A orientadora está ciente das Normas para Elaboração do trabalho monográfico de Conclusão do Curso de Graduação em Enfermagem. Biguaçu, 24 de novembro de 2005. _____________________________________________ Nen Nalu Alves das Mercês Professora Orientadora __________________________ ____________________________ Izabel Cristina Martendal Luciana Rosa da Silva Acadêmica de Enfermagem Acadêmica de Enfermagem