AJES - INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA CLINICA E EDUCACIONAL 8.5 A IMPORTÂNCIA DA AFETIVIDADE NO PROCESSO DE ENSINOAPRENDIZAGEM Cleide Caravaja Martins [email protected] Orientador: Prof. Ilso Fernandes do Carmo. COLÍDER/2013 AJES - INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA CLINICA E EDUCACIONAL A IMPORTÂNCIA DA AFETIVIDADE NO PROCESSO DE ENSINOAPRENDIZAGEM Cleide Caravaja Martins Orientador: Prof. Ilso Fernandes do Carmo. “Trabalho apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Especialização em Psicopedagogia Clínica e Educacional.” COLÍDER/2013 AGRADECIMENTOS A Deus, pelo dom da vida e força que representa em minha vida estando presente durante os desafios da caminhada. Ao meu marido e filhos o meu eterno agradecimento por entenderem tantas renúncias em família, para focalizar a busca pela formação acadêmica. Aos meus professores que dividiram seus conhecimentos com responsabilidade e com sua competência transformaram estes momentos em grandiosos saberes. DEDICATÓRIA A Deus, obrigada porque sei que sempre estás presente em minha vida. Agradeço-te por ter me dado a vida e por guiar os meus passos, tanto nos momentos mais difíceis, como nas alegrias e conquistas. Aos meus pais Atilio e Tereza, dedico esse trabalho a vocês, por serem as pessoas importantes para mim e os que me ensinaram os valores da vida, da honestidade, humildade e do amor. Obrigada por serem exemplo de perfeição e dedicação a nossa família. Aos meu esposo e filhos, amo vocês. Deus envia as crianças não apenas para manter a raça, mas para expandir nossos corações e nos tornar generosos, amáveis e afetuosos. Mary Howitt RESUMO Por muitos anos o conhecimento foi tido como algo separado da emoção. A divergência entre “razão” e “emoção” perdurou por longas eras e foi muito defendida por filósofos renomados. Essa divergência influenciou fortemente toda a nossa maneira de organização social e inclusive nossa forma de refletir e pensar sobre os mais diferentes aspectos da convivência humana, inclusive a educação. E objetivando enaltecer a interligação entre a aprendizagem e a afetividade na formação da autoestima é que este tema foi escolhido; analisar que ações pedagógicas favorecem a afetividade no trabalho do professor e identificar as dificuldades na relação professor e aluno, que envolvem a questão da afetividade com a aprendizagem além de discutir a postura do professor diante das dificuldades no relacionamento com alunos. Este trabalho foi desenvolvido com um enfoque qualitativo e de cunho bibliográfico e por meio desta metodologia, compreendi os acontecimentos históricos educacionais e as relações sociais que indicaram a trajetória da relação professor e aluno, tendo como ponto fundamental a questão afetiva na formação do aluno e sua vinculação com o processo educacional. Através da pesquisa, observei que a afetividade e a educação é um desafio para a aprendizagem significativa e consiste num processo de educação para a vida, numa parceria entre professor, aluno, família e comunidade, grupos sociais tão importantes no sucesso da aprendizagem do aluno. Confirmando desta forma, que o funcionamento psíquico humano não é composto somente da dimensão cognitiva, mas, também, pela dimensão fundamental de sua existência que é a afetiva. Nesta perspectiva verifiquei que afetividade, moral e educação estão intrinsecamente ligadas na aprendizagem. A afetividade influencia de maneira significativa à forma pela qual os seres humanos resolvem os conflitos de natureza moral. A organização do pensamento influencia o sentimento, e o sentir também configura a forma de pensar. Neste sentido, a afetividade perpassa o funcionamento psíquico, assumindo papel organizativo nas ações e reações. PALAVRAS-CHAVE: Afetividade, autoestima, aprendizagem, professor-aluno SUMÁRIO Introdução .............................................................................................................. 07 1.0- A influência social no desenvolvimento inicial do autoconceito................... 09 1.1- A função da escola na concepção do autoconceito.............................. 12 2.0- Reflexões sobre afetividade e inteligência...................................................... 15 3.0- Educação, Afetividade e Aprendizagem......................................................... 17 4.0- A relação afetivo professor/ aluno no processo ensino aprendizagem........... 22 5.0- Autoestima e a aprendizagem......................................................................... 26 Conclusão............................................................................................................... 32 Referências bibliográficas...................................................................................... 36 INTRODUÇÃO A sociedade contemporânea apresenta uma grande divergência quanto à conceituação dos fenômenos afetivos, na qual as preocupações educacionais têm sofrido algumas modificações ao longo dos anos, fatores que influenciam a aprendizagem. A afetividade é utilizada com uma definição mais ampla, referindo-se as vivências dos indivíduos e as formas de expressão mais complexa e essencialmente humanas. Pois vivemos em uma época em que o tempo é escasso, em que os pais necessitam trabalhar o dia inteiro para o sustento da família. Logo, esta ausência provoca um distanciamento entre pais e filhos, o que acaba acarretando problemas afetivos nas crianças e no processo de ensino- aprendizagem onde a criança não tem motivação em apreender. O professor tem que estar preparado para trabalhar a afetividade do aluno paralelamente ao trabalho feito com o cognitivo da criança. Caso contrário, poderá encontrar muitos problemas em relação á disciplina e, consequentemente, aprendizagem. VYGOTSKY (1996), configura uma visão essencialmente social para o processo de aprendizagem. É através da interação com outros que a criança incorpora os instrumentos culturais. O autor destaca a importância das interações sociais, que traz a ideia da mediação e da internalização como aspectos fundamentais para a aprendizagem, defendendo que a construção do conhecimento ocorre a partir de um intenso processo de interação entre as pessoas. Sendo assim, é a partir de sua inserção na cultura que a criança, através da interação social com as pessoas que a rodeiam se desenvolve, como acontece nas relações humanas, onde os estímulos cognitivos e afetivos são extremamente importantes na construção do sujeito. Todo trabalho desenvolvido pelo professor na escola depende de envolvimento afetivo, esta relação afetiva contribuirá para o desenvolvimento educacional. O aprender se torna mais interessante quando o aluno se sente competente o bastante para participar de maneira ativa nas aulas. O gosto pelo aprender não é uma atividade que surge espontaneamente nos alunos, pois o conceito de aprender 08 geralmente não é entendido como uma satisfação, sendo em algumas vezes entendido por obrigação. A criança precisa sentir-se segura, acolhida e protegida por todos que fazem parte do meio em que está inserida, família, escola, sociedade. Partindo desta perspectiva, verificamos a real necessidade da participação de que todos estejam comprometidos, e com o mesmo objetivo, demonstrando afetividade para que a criança possa ter condições de desenvolver plenamente seu cognitivo no processo ensino aprendizagem. No primeiro capitulo será possível verificar a importância que se deve dar ao desenvolvimento do autoconceito (positivo) já na infância. No item seguinte (1.1), é explicitado o que se espera da escola na formação do autoconceito, cabendo a ela propor aos alunos mais que uma aula, práticas afetivas que deixem claro para o aluno seu verdadeiro papel na sociedade. No capitulo dois a afetividade é colocada como prática essencial para a construção do saber. No capítulo três, é mostrada a relação intrínseca entre educação/afetividade/aprendizagem na visão psicanalítica. Já no capitulo quatro discute-se a importância da relação afetiva professor/aluno, sendo uma ferramenta indispensável em aguçar o desejo da criança de conhecer e aprender. No capítulo cinco a autoestima é revelada como facilitadora da aprendizagem. 1.0-A INFLUÊNCIA SOCIAL NO DESENVOLVIMENTO INICIAL DO AUTOCONCEITO O desenvolvimento humano não está fundamentado apenas em aspectos cognitivos, mas também e, principalmente, em aspectos afetivos. Assim, a sala de aula é um grande laboratório para que se observe e questione os motivos que levam o convívio escolar do professor e aluno, muitas vezes, a ficar desgastado e sem estímulo. Sabe-se que o ser humano tem grande necessidade de ser ouvido, acolhido e valorizado, contribuindo dessa forma para uma boa imagem de si mesmo. Neste sentido, segundo SOUZA (2002), a afetividade está intimamente ligada à construção da autoestima. Sendo assim, sua importância em toda relação é fundamental para os sujeitos envolvidos. Logo, a relação entre professor e aluno, deve ser mais próxima possível, pautada em partilha de sentimentos e respeito mútuo das diferentes ideias. Vale ressaltar que a tarefa de educar deveria ser para a maioria das famílias e professores, uma função tão natural quanto respirar ou andar. No entanto, educar apresenta em suas ações familiares e educacionais, e dentro de teorias consideradas ideais, uma complexa tarefa a ser desempenhada. O contato com diferentes grupos sociais possibilita, segundo SOUZA (2002), a construção do autoconceito da pessoa. A família e outras pessoas que convivem com a criança, fazem parte do seu primeiro grupo social representando neste momento, seu contato afetivo, que pode ser positivo ou negativo, influenciando no futuro desta criança. O autoconceito que essa criança terá de si refletirá em suas ações e na forma como será tratada ou mesmo percebida pelos outros. Quando a criança ingressa na escola e tem uma visão negativa de si, demonstra um comportamento diferente dos demais colegas como, agressividade ou apatia e, na maioria das vezes é considerado preguiçoso, desatento, irresponsável, ou seja, “aluno-problema” e, automaticamente, encaminhada pela professora a Sala de Orientação Educacional, pois seu desempenho escolar apresenta-se comprometido. Porém, D’ OLIVIERA (1987), explicita que, a questão está relacionada a inúmeros fatores, inclusive, no autoconceito que este aluno faz de si, 10 quando não acredita no seu potencial de resolver situações desafiadoras e desanima no primeiro obstáculo que encontra. Por isso, a escola, enquanto segmento de grupo social que constrói diferentes relações, deve propiciar melhores condições de aprendizagem, selecionando atividades e posturas necessárias, que promovam o resgate da autoestima do aluno. Para OLIVEIRA (1998), o aspecto afetivo tem uma profunda influência sobre o desenvolvimento intelectual. Ele pode acelerar ou diminuir o ritmo de desenvolvimento, e determinar sobre que conteúdos a atividade intelectual se concentrará e, na teoria de Piaget, o desenvolvimento intelectual é considerado como tendo dois componentes: um cognitivo e outro afetivo que, desenvolvem-se paralelamente. Afeto inclui sentimentos, interesses, desejos, tendências, valores e emoções em geral. O afeto apresenta várias dimensões, incluindo os sentimentos subjetivos (amor, raiva, tristeza, etc) e aspectos expressivos (sorrisos, gritos, lágrimas...). Para SEBER (1997), dentro da teoria de Piaget, o afeto se desenvolve no mesmo sentido que a cognição ou inteligência e, é responsável pela ativação intelectual. Com suas capacidades afetivas e cognitivas expandidas através da contínua construção, as crianças tornam-se capazes de investir afeto e ter sentimentos validados nelas mesmo. Neste aspecto, a autoestima mantém uma estreita relação com a motivação ou interesse da criança para aprender. O afeto é o princípio norteador da autoestima. Desenvolvido o vínculo afetivo, a aprendizagem, a motivação e a disciplina tornam-se conquistas significativas para o autocontrole do aluno e seu bem estar escolar. Percebe-se uma forte relação entre professor e aluno, influenciando na formação da autoestima, pois o professor que não tem amor pela profissão, e apresenta diferentes reações diante de um aluno indiferente ou agressivo, pode comprometer o desenvolvimento escolar da turma. Segundo BEAN et al (1995), a autoestima afeta o aprendizado. As pesquisas sobre a autoimagem e o desempenho escolar mostram a forte relação entre a autoestima e a capacidade de aprender. A elevada autoestima estimula a aprendizagem. O aluno que goza de elevada autoestima aprende com mais alegria e facilidade. Enfrenta as novas tarefas de aprendizagem com confiança e entusiasmo. 11 Seu desempenho tende a ser um sucesso, pois a reflexão e o sentimento precedem a ação, demonstrando firmeza e expectativas positivas, diferente de um que se sente incompetente, fracassado. O desempenho bem-sucedido, segundo SOUZA (2002), reforça seus bons sentimentos. A cada sucesso alcançado, ele se considera mais competente. Sua capacidade de enfrentar desafios é maior e mais saudável psicologicamente do que daquele que tem uma visão negativa de si, pois se acha um derrotado e teme situações que possam expor seus pensamentos e sentimentos. Teóricos da educação, educadores e autores tratam da afetividade como fator preponderante para a construção do autoconceito do aluno. Ela vem sendo abordada com mais intensidade, porque a violência, a agressividade e o desrespeito vivido hoje pela maioria das pessoas podem ter causas de fundo afetivo, por conta da falta de valorização da pessoa como ser humano. Desta forma, inevitavelmente, seu autoconceito é alterado. OLIVEIRA (1998), aborda as ideias de Vygotsky que sempre se preocupou com o aprendizado inserido no desenvolvimento sócio-histórico da pessoa como um processo que apresenta diferentes fases que estão interligadas entre si. Independentemente da fase que esteja vivendo, o ser humano está convivendo com grupos diversificados de pessoas que, contribuem a todo o momento com a construção de sua autoestima. Na tentativa de mudanças das práticas pedagógicas, algumas escolas começam a investir na formação do professor, buscando referenciais teóricos que auxiliem no desempenho do aluno no processo ensino-aprendizagem, tendo como base a afetividade como resgate da autoestima, procurando assim atenuar as dificuldades de aprendizagem como de relacionamentos interpessoais encontradas pelos alunos. Observa-se que cada vez mais os casos de agressões e desrespeitos verbais entre alunos e professores vêm aumentando nas escolas e na comunidade externa, despertando, em alguns educadores e pais, a preocupação em resgatar nestes alunos e professores uma relação de afetividade considerada fundamental para que situações como estas sejam superadas. 12 Para SISTO (2000), a pesquisa realizada com jovens da cidade de Campinas foi uma considerável colaboração para os estudos sobre afetividade, pois teve como objetivo verificar se a autoestima pode ser alterada numa situação de provação. A pesquisa também observa que, durante todas as fases da vida, desde a infância, a adolescência e a fase adulta a autoestima passa por mudanças, ocasionadas pelas situações e pelo próprio contexto social vivido. Ninguém nasce bom ou mau, porém o autoconceito que cada um tem de si e a visão que o próprio mundo tem de cada pessoa, faz com que ela acredite nesta imagem e viva como tal. Assim, a pessoa marginalizada, discriminada, sente a rejeição em sua vida e passa a considerar-se inferior aos outros e na maioria das vezes pessimista, tornando-se muitas vezes agressiva, hostil ou indiferente, apática. Em contrapartida, a pessoa que é amada e em quem depositamos confiança cresce com uma imagem positiva e enfrenta os desafios que surgem com mais otimismo e segurança. Demonstra alegria, determinação e afetividade nos relacionamentos que constrói, vendo-se em cada ser humano que encontra pela frente. 1.1- A FUNÇÃO DA ESCOLA NA CONCEPÇÃO DO AUTOCONCEITO A questão da afetividade e autoestima é uma preocupação mundial. Todos os segmentos da sociedade têm essas abordagens em seus discursos e buscam práticas que possam condizer com o que acreditam verdadeiramente. A afetividade no trato com as pessoas é um pressuposto do que autores referem-se como o resgate a valores humanos esquecidos por nós que estamos envolvidos com a agitação do dia-a-dia. Acreditando nisto, ANTUNES (1996), afirma que a relação professor/aluno deve ser baseada em afetividade e sinceridade, pois se um professor assume aulas para uma classe e acredita que ela não aprenderá, então está certo e ela terá muitas dificuldades. Se ao invés disso, ele crê no desenvolvimento da classe, ele alcançará mudança, porque o cérebro humano é muito sensível a essa expectativa sobre o desempenho. 13 Como se pode ver a escola, como parte integrante e fundamental em uma sociedade, não pode ficar alheia a esta busca. Entretanto, apropria-se de pensamentos de teóricos como Wallon, Piaget e Vygotsky, para basear suas ações pedagógicas e transformar a relação professor e aluno em um momento mais rico no processo ensino-aprendizagem. Tais conhecimentos perdem sua validade quando professores e técnicos não estão comprometidos com mudanças em suas ideias tradicionais ou posturas, que trazem ranços de práticas escolares que apenas depositam informações nos alunos, desconsiderando assim a afetividade no processo ensino-aprendizagem. Diante disso, GROSSI (1992), apud JESUS (2009), salienta ser preocupante o número de casos que mostram alunos envolvidos em agressões entre colegas ou discussões com professores, casos estes, que observados em sua essência, demonstram carência afetiva, demonstrando que o conceito que o aluno tem de si é negativo. Sabe-se, no entanto, que a escola não é a solução para todas as dificuldades existentes do ser humano, porém, como órgão educacional que tem como uma de suas funções a formação do cidadão como sujeito construtor do seu contexto histórico, segundo JESUS (2009), pode e deve contribuir para mudanças significativas na relação professor e aluno, pois, além da sala de aula que oferece conteúdos e provas, a afetividade está presente em cada ação e busca seu espaço no espelho que a turma repassa aos técnicos quando dispõem do diário de notas, conselho de classes, conselho escolar e tantos outros instrumentos e setores que retratam esta relação. Para TIBA (1999), cuidar é mais que um ato, é uma atitude, portanto abrange mais que um momento de atenção, de zelo e desvelo. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, responsabilização e envolvimento afetivo. Por isto, é preciso cuidar da terra antes e depois da semente ser lançada, para que a planta possa crescer, florescer e dar bons frutos. Por conseguinte, para a construção da autoestima é necessário buscar a responsabilidade e não a culpa, criar um clima de confiança que faça com que a pessoa sinta-se genuinamente aceita, compreendida e respeitada, sentimentos que ajudam a trabalhar núcleos emocionais que bloqueiam condutas inadequadas. Os 14 educadores sabem que as crianças aprendem melhor quando estão satisfeitas com elas mesmas e que bons sentimentos são importantes. No entanto, alguns professores desconhecem seu papel de “espelho” dentro de uma sala de aula, esquecendo que seus alunos os admiram e estão preocupados em ser iguais a eles, acabando por imitá-los em suas atitudes e até pensamentos. Se os professores percebessem essa imitação sem dúvida, segundo SOUZA (2002), procurariam policiar suas palavras e posturas. Que maravilhoso seria se professores e alunos pudessem espelhar-se em fatos e pessoas positivas, que emanassem confiança, autonomia e sinceridade. Esperam-se mudanças na educação a partir de conscientização de novas metodologias que insiram cada vez mais o aluno em uma vida escolar que retrate sua realidade e que busque a contextualização, porém, olhando-se de outro prisma, a solução para a educação pode estar no afeto. Afeto este que inclua, que proporcione crescimento e valorização do ser humano e reconhecimento pessoal como sujeito ativo na construção da história. Mais do que aula, muitas vezes o aluno vai para a sala de aula em busca de respostas que esclareçam o seu verdadeiro papel na sociedade. Considera esta escola, como grupo social que pode contribuir para sua formação como cidadão e, na maioria das vezes, o professor não se preocupa com o tipo de aluno que está convivendo, muito menos, em estabelecer um vínculo afetivo mais forte nesta relação favorecendo atitudes positivas que favoreçam na formação da autoestima do aluno. Neste sentido, JESUS (2009), entende que, a emoção será compreendida dependendo da ativação ou redução da afetividade, no entanto, o autocontrole não é uma habilidade que se desenvolve naturalmente dada à maturação temporal da criança. Todas precisam de uma aprendizagem específica, pois uma relação é algo que se constrói dia-a-dia, no entendimento de si e do outro. Por isso, segundo a mesma autora, é preciso que se tenha cuidado com as palavras escolhidas para a comunicação, levando em consideração o tom de voz que deve ser firme e não acusador e padrões de linguagem que encorajem a autoavaliação e o automonitoramento por parte da própria criança, fazendo com que ela aprenda a amar-se, conhecendo seus limites pedindo ajuda quando necessário. 2.0- REFLEXÕES SOBRE AFETIVIDADE E INTELIGÊNCIA PIAGET (1998), enfatiza que as composições do conhecimento estão em constantes modificações, passando por estágios de desequilíbrio, reequilíbrio para poder internalizar seu conhecimento. Desta forma, a criança carece de vivência qualitativa que permita essa troca de experiências e informações, conferindo uma aprendizagem significativa. Quando a criança vai à escola, ela se apresenta com grandes expectativas em relação ao ambiente, ao conteúdo e, principalmente, pela figura do professor, aquele que irá mediar esse processo. Neste novo contexto, a percepção positiva de si e do outro é essencial para o desenvolvimento de vínculos e parcerias que irão nortear todo o processo. Os PCNs defendem que, se as primeiras experiências escolares forem bem sucedidas, o aluno construirá uma representação positiva de si mesmo como alguém capaz de aprender. (BRASIL, 1997). E, ao contrário disso, o aluno perderá o interesse e a motivação para aprender. Nesta perspectiva, a afetividade é um dos principais fatores que irão guiar a prática educativa, como também possibilitar experiências enriquecedoras de aprendizagem. (BRASIL, 1997). O aluno constrói conhecimento a partir de suas vivências, estabelece relações com o que está sendo oferecido na sala de aula quando este conteúdo tem significação prática. MORENO (1999), explicita a falta de educação afetiva na escola ou em casa, e o desconhecimento das formas de interpretação e de respostas adequadas perante as atitudes, condutas e manifestação emotivas das demais pessoas deixarão os alunos à mercê das mazelas sociais (a falta de referencial, o vício, a marginalidade, a ociosidade entre outros fatores que corrompem a juventude). Diante disso, podemos pensar numa escola que forme cidadão capaz de agir e transformar a realidade, no ser humano consciente de sua capacidade, como ressalta SALTINI (2002), da sua consciência, da sua capacidade de transformação, que o ser humano possa encontrar satisfação nas relações estabelecidas com o outro em função da comunicação do seu desejo. 16 PIAGET (1998), afirma que o principal objetivo da educação é criar homens capazes de inventar coisas novas e não criar meros repetidores de modelos pré estabelecidos. A meta deveria ser formar homens criativos, inventivos e descobridores; pessoas capazes de criticar, deduzir, analisar, refletir, pessoas livres e autônomas. 3.0- EDUCAÇÃO, AFETIVIDADE E APRENDIZAGEM FREUD (1992), ressalta que, o ser humano nasce com seu eu (sujeito psíquico) pronto, mas irá constituí-lo a partir de si e de suas relações sociais. Os avanços da psicanálise promovem o debate sobre a significação do mundo inconsciente e sua importância como suporte da inteligência não só operatória, mas principalmente figurativa e simbólica. (SALTINI, 2002). Daí a importância da contribuição dos atores sociais na formação desse processo. Partindo do entendimento de que o sujeito só se desenvolve como sujeito a partir das relações sociais (professor/aluno, pai/filho entre outros sujeitos sociais) e, portanto, da qualidade dessas relações, MORETTINI (2008), salienta: ”a escola deverá encarregar-se da promoção do desenvolvimento do conhecimento e das relações sociais”. PIAGET (1998), em seus estudos pondera o quanto o aspecto afetivo é importante em uma escola. Por exemplo, como acontece a identificação entre um aluno e seu professor. Dos estudos da psicanálise começam a emergir novas conexões entre o somático e o simbólico. Isto é, as manifestações e contribuições do corpo via símbolos. Piaget (1998) ressalta a unidade entre afetividade em nossas ações cotidianas. O ato de Inteligência pressupõe, pois, uma regulação energética interna (interesse, esforço, facilidade). (PIAGET, 1977). Sendo assim, o conhecimento torna-se parte da pessoa quando se encontra inserido no contexto vital, pois a vida se explica somente através de si mesma e busca explicação para si mesma. (SALTINI, 2002). CLAPARÈDE (1954), citado por SALTINI (2003), fala que, para falarmos de inteligência e afetividade precisamos nos referir também, e sempre, a emoção, as ligações e inter-relações afetivas. Seria impossível entender o desenvolvimento da inteligência sem um desenvolvimento integrado por aquilo que nos desperta o interesse e prazer em realizar. 18 De acordo com o divulgado, a proposta escolar deveria contemplar o ensino como algo instigante relacionado com a vida do educando e o que se deseja ensinar. Paulo Freire (1996), diz ser necessária a reflexão sobre o homem e uma análise profunda do meio concreto, deste homem concreto a quem desejamos educar, ou melhor, a quem desejamos ajudar a educar-se. Professores não educam, ajudam as pessoas a se educarem e, ao ajudar, educam-se também. Assim como não existe educador e educando, pois ambos estão na mesma tarefa. Segundo a REVISTA Educação para o futuro (2001), na psicanálise, a razão e emoção devem ser consideradas no contexto escolar, pois contribuem para a solução de problemas na educação e na formação do professor. Nesta perspectiva, significa que o professor deve contemplar o aluno inserido num contexto social e plural diante das diversas expressões de sentimentos e emoções. GOLEMAN (1995), enfatiza a necessidade de se trabalhar a inteligência emocional do aluno para que este saiba gerir suas emoções e situações de conflito e, na resolução de problemas, saiba se relacionar com seus pares e encontre situações criativas na resolução de problema. Na escola, a criança precisa do amor e do reconhecimento do professor (substituto simbólico dos pais), precisa encontrar nele o prazer de aprender. (KUPFER,1989). Esta relação professor-aluno, o desejo de ensinar e o modo como o professor reconhece e aceita a criança como ser único e singular serão importantes nesse processo. Já aquela criança que encontra um professor preconceituoso em relação a ela, que a desvaloriza, que não reconhece suas qualidades e que não investe nela, estará contribuindo para que esta criança perca o prazer de pensar e o desejo de aprender. Assim como o professor não investe nela, ela não investe nos estudos e, futuramente, poderá investir em outras atividades que não são socialmente aceitas. O professor deve utilizar a pedagogia afetiva não só para estimular a relação afetiva, mas também a questão cognitiva, social do aluno, como salienta CURY (2008): 19 (...) a afetividade deve estar presente na práxis do educador(...), o educador apesar de suas dificuldades, são insubstituíveis, porque a gentileza, a solidariedade, a tolerância, a inclusão, o sentimento altruísta, enfim, todas as áreas da sensibilidade, não podem ser ensinado por máquinas, e sim por seres humanos. (p.48). O referido autor mostra-nos, a importância da atuação do professor como um profissional, que independente de suas limitações ,se faz necessário, com sua presença pode transformar de forma marcante, agindo na vida de seus alunos como exemplo, através de sua conduta, de seu falar e andar. Na mesma linha de pensamento FREIRE (1996) ressalta: O bom professor é o que consegue, enquanto fala, trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. Sua aula é assim um desafio e não uma cantiga de ninar. Seus alunos cansam, não dormem. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento, surpreendem suas pausas, suas dúvidas, suas incertezas”. (p. 96), Na instituição escolar, segundo o mesmo autor o professor é fonte privilegiada ao proporcionar satisfação ou sofrimento ao aluno, mas o aluno também pode ser fonte de satisfação ou sofrimento ao professor, no tocante à realização e no desempenho de suas atividades. Nesse processo, ao ser reconhecido ou não pelos alunos, sua satisfação está nas respostas que os alunos dão às tarefas realizadas. Desta forma, haverá uma reciprocidade nas relações estabelecidas entre professo/aluno. SOUZA (2002), explicita que a escola hoje, mais do que em qualquer outro tempo, é um espaço onde se constroem relações humanas. Por tanto, é de fundamental importância trabalhar não só conteúdos, mas também as relações afetivas. A interação entre ambos é ainda importante para a adaptação do aluno ao processo escolar. O bom relacionamento do professor com o aluno se desenvolve na busca pelo desejo que o indivíduo tem de conhecer a si próprio, de encontrar uma definição para sua vida. Segundo a mesma autora a escola é a mola propulsora do desenvolvimento intelectual. Querer saber, ter desejo de aprender, são condições primeiras para que a criança possa de fato adquirir conhecimentos. Portanto fica evidente a importância que tem para nós, educadores, o conhecimento da afetividade, quer seja através das emoções, da força motora das ações ou do desejo e da transferência, para o melhor desenvolvimento da aprendizagem do aluno e, consequentemente, para uma melhor relação entre este e o professor. 20 É importante salientar que afetividade não é apenas demonstração de afeto, carinho. Fazem-se necessários compromisso e ética profissional, além dessa reciprocidade, que haja uma prática pedagógica pautada no respeito, na autoridade humana, e no estabelecimento de limites, de modo que o professor contribua com o desenvolvimento e fortalecimento do “eu” do educando, para que ele desenvolva auto-estima, confiança, respeito em si e no outro (VIOLANTE, 1995). Enfim, a criança só pode desenvolver o seu eu, só investirá no desejo de aprender, se o adulto (pais e professores) investir no seu potencial e reconhecer seu valor, sendo assim, ela se fortalecerá. A psicanálise, LA TAILLE (1992), afirma, estuda a constituição do sujeito, do inconsciente e, se as funções cognitivas crescem, evolui, o sujeito se constitui. Na abordagem psicanalítica, segundo o mesmo autor, o aprender envolve a relação professor-aluno, pois aprender é aprender com alguém. De posse dessa premissa, o professor passa a ter uma forte influência sobre o aluno, pois ele, agora, é a referência do conhecimento. FREUD (1992), afirma que o que falta para as pedagogias modernas é a consideração em assuntos como: frustração, agressividade, conflito. A relação do professor com seu aluno depende fundamentalmente de sua maturidade afetiva na qual saberá promover vínculos respeitando a individualidade e as necessidades de cada aluno. “Todas as amizades e vinculações amorosas seguintes são relacionadas sobre a base primitiva tenha deixado.” (p. 193). Segundo VIOLANTE (1995), muito da dificuldade de aprender deve-se à falta de investimento do eu na sua própria atividade do pensar. Isto porque a atividade de pensar da criança pode não ter sido reconhecida, ou ninguém ter investido nela. Piaget, in: KUPFER (1989), conclui enfatizando a necessidade de se romper a tradicional dicotomia existente entre afetividade e inteligência, mostrando o quanto é problemático do ponto de vista teórico, dizer que a afetividade é orientada e causada pela inteligência ou, o contrário, presumir que a inteligência dirige a afetividade. Isto significaria não compreender que toda a conduta é una e, portanto, pressupõe inteligência e afetividade em constante interação e interdependência, 21 transformando-se e desenvolvendo-se durante a organização progressiva das condutas. Assim como Piaget, Wallon mostra-nos em seus escritos, compartilhar da ideia de que emoção e razão estão, intrinsecamente, conectadas. (ARANTES, 2000). 4.0- A RELAÇÃO AFETIVO PROFESSOR/ ALUNO NO PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM Todos sabemos que o ser humano vive de emoções, sendo elas positivas ou negativas. Através delas podemos crescer, refletir, enfim viver. Sendo assim, as relações entre professor e alunos são de extrema importância, onde laços afetivos devem ser criados a partir do começo do ano para que o desenvolvimento do aluno ocorra com mais tranquilidade. Para VYGOTSKY (1996), um dos seus pressupostos básicos é a idéia de que o ser humano constitui-se com o outro social. Para muitos educadores, o desenvolvimento intelectual, a aprendizagem é ainda o aspecto mais importante na escola. Assim, a união desses dois aspectos faria do educando um ser completo, onde se trabalharia o intelecto junto com o emocional. Para VYGOTSKY (1996): São precisamente as reações emocionais que devem constituir a base do processo educativo. Antes de comunicar esse ou aquele sentido, o mestre deve suscitar a respectiva emoção do aluno e preocupar-se com que essa emoção esteja ligada ao novo conhecimento. [...] os gregos diziam que a filosofia nasce da surpresa. Em termos psicológicos isso é verdadeiro se aplicado a qualquer conhecimento no sentido de que todo conhecimento deve ser antecedido de uma sensação de sede. O momento da emoção e do interesse deve necessariamente servir de ponto de partida a qualquer trabalho educativo.( p.145). As teorias da afetividade e do desenvolvimento humano que foram surgindo tem nos mostrado o quanto essas especificidades intervêm na individualidade humana e, portanto, não podemos estabelecer leis psicológicas gerais que devem ser aplicadas igualmente a todos os seres humanos. São muitos os esforços praticados atualmente para adaptar o ensino às características individuais de cada aluno e, neste texto, foram consideradas a individualidade desde o nascimento, as relações afetivas e educativas a que foram submetidos, a dimensão social e tecnológica e as relações sociais que estabelecem com os demais. A relação que os pais estabelecem com seus filhos é de extrema importância na construção da autoestima. A criança com autoestima global baixa ou negativa, segundo ARANTES (2000), terá maior dificuldade em estabelecer relações com seus pares. Pais que supervalorizam as dificuldades apresentadas por seus 23 filhos ou as minimizam impossibilitam-lhes avaliar as situações vividas de forma realista ou a aprender a lidar com suas próprias frustrações. Estas crianças poderão sempre esperar pelos pais para que estes possam resolver seus próprios conflitos e com isto, desenvolver uma ideia de incapacidade. Uma criança que é constantemente criticada por seus pais pode perder a confiança em seus impulsos e em seu critério, bem como, caso esta não seja criticada nem disciplinada carecerá de controle, pois poderá ter esta atitude como descaso ou falta de amor, para com ela. De acordo com ROSSINI (2001), o aspecto afetivo tem uma profunda influência sobre o desenvolvimento intelectual, pois pode acelerar ou diminuir o ritmo de desenvolvimento. O aspecto afetivo pode determinar sobre que conteúdos e atividade intelectual se concentrarão. Na teoria de PIAGET (1974), o desenvolvimento intelectual é considerado como tendo dois componentes: um cognitivo e outro afetivo. Paralelo ao desenvolvimento cognitivo está o desenvolvimento afetivo. Afeto inclui sentimentos, interesses, desejos, tendências, valores e emoções em geral, na qual PIAGET (1974), aponta que há aspecto do afeto que se desenvolve. Segundo SCOZ (1994), uma das primeiras tarefas do educando é o resgate da autoestima do educando, pois ninguém consegue aprender se não conseguir investir na própria aprendizagem se não tiver o desejo de aprender e acreditar nas suas possibilidades. Então cabe ao professor, oferecer aos seus alunos oportunidades de acertos, experiências positivas que conduzam ao desejo de continuar aprendendo pra continuar acertando. O aluno não recebe o fracasso escolar como um desafio a ser superado, afinal, isso é maturidade que a criança não possui. Será necessário que o professor presenteie seu aluno com um recurso valioso: o elogio, que é altamente reforçador do sucesso. O domínio do campo afetivo, expressa CHALITTA (1998), vai desde a parte física de reconhecimento de sensações e percepções até a percepção subjetiva de vivências, sejam estas conscientes ou inconscientes. 24 Embora tudo isso esteja na dependência de fatores como temperamento, humor e traços de personalidade que configuram cada um de nós, a verdade é que a afetividade, segundo CHALITTA (1998), penetra em todos os aspectos da vida psíquica, influência e é influenciada por todos os demais processos psíquicos, como motivação, memória, percepção, inteligência, pensamento, linguagem e vontade. O estudo das emoções acompanha a evolução da ciência e observa-se o interesse em compreender o ser humano em suas reações mais íntimas e em suas atuações no meio em que vive. Atualmente, entre os autores que mais se destacam nesse campo, pode-se referir GARDNER (1995), que propôs a teoria das inteligências múltiplas, e GOLEMAN (1995), que revolucionou o conceito de inteligência e emoções, com a obra intitulada “Inteligência Emocional”. Podemos dizer que o campo de estudos referentes à inteligência, é dominado por duas teorias: a da inteligência emocional e a das inteligências múltiplas. Essas teorias, na realidade, não se contrapõem, mas se complementam. WALLON (1975), afirma que: As emoções são a exteriorizações da afetividade (...) É nelas que se assentam os exercícios gregários, que são uma forma primitiva de comunhão e de comunidade. As relações que elas tornam possíveis afinam os seus meios de expressão, e fazem deles instrumentos de sociabilidade cada vez mais especializados. (p.143). Na teoria de WALLON (1975), a dimensão afetiva ocupa lugar central, tanto no ponto de vista da construção da pessoa, quanto ao conhecimento. A emoção é vista como um instrumento de sobrevivência, típico da espécie humana; se não fosse pela capacidade de mobilizar poderosamente o ambiente no sentido do atendimento de suas necessidades, o bebê humano pereceria. O autor apresenta muitos subsídios à reflexão pedagógica, não somente por estudar o desenvolvimento da pessoa completa numa perspectiva dialética, mas, também por tratar das emoções, formações da personalidade, pensamento entre outros. Além de sua teoria psicogenética, que traz inúmeras implicações educacionais, WALLON (1975), desenvolveu ideias acerca da educação onde enfoca que nas interações ocorrem crises e conflitos; é importante conhecer os motivos destas manifestações para controlá-las e defendê-las. Para o autor: 25 Somos pessoas completas, com afeto, cognição e movimento. Relacionamo-nos com um aluno que também é uma pessoa completa, integral, com afeto, cognição e movimento. Somos componentes privilegiados do meio de nosso aluno, onde o desenvolvimento não é linear e contínuo, e sim o desenvolvimento é dialético. (1975, p. 147). WALLON (1975), afirma que: a emoção é a exteriorização da afetividade: é um fato fisiológico nos seus componentes hormonais e motores e, ao mesmo tempo, um comportamento social na sua função de adaptação do ser humano ao seu meio. A emoção, antes da linguagem, é o meio utilizado pelo recém-nascido para estabelecer uma relação com o mundo externo. “a razão é o destino final do homem”. SALTINI (2003), explicita que a inter-relação do professor com o grupo de alunos e com cada um individualmente, se dá a todo momento, seja na sala ou no pátio, e é em função dessa proximidade afetiva que se dá a interação com os objetos e a construção de um conhecimento altamente envolvente. Essa interrelação é o fio que conduz, o suporte afetivo do conhecimento. Para o referido autor, a relação exercida entre professor/aluno possibilita grande aquisição de conhecimento, cada momento que é compartilhado pelos mesmos enriquece o aprendizado. CUNHA (2008), também afirma que: A sala de aula ao revestir-se de sua humanidade, com laços de compreensão e entendimento, com atividades dinâmicas e desejantes, com participação ativa do aluno e nutrida por seu interesse, poderá tornar o aprendizado surpreendente. (p.85). Esta pedagogia afetiva, é esta linha que deveríamos seguir em sala de aula, demonstrando afeto, sensibilidade, respeito, responsabilidade, dedicação, empatia e principalmente compromisso com o que se faz. Com isso podemos verificar a boa aceitação dos alunos em desejar absorver o que está sendo transmitido por parte do professor, esta confiança quando adquirida, se torna mutua. 5.0-A AUTOESTIMA E A APRENDIZAGEM Aprender o valor do autocontrole na infância, segundo SOUZA (2002), não significa apenas ser passivo, pelo contrário, significa ter capacidade de discriminar os contextos apropriados para falar, brincar, rir... É preciso aproveitar o melhor das possibilidades da infância nas diferentes situações, de forma a beneficiar-se com o que tais situações podem proporcionar ao seu desenvolvimento. Crianças não aprendem sozinhas, precisam de apoio para aprenderem a manter seu comportamento direcionado a uma meta, com aprendizagem consistente de valores que as guiem. Segundo BRIGGS (2000), a autoestima das crianças não é formada unicamente em uma fase, mas eternamente construída e sujeita a mudanças, por isso a base familiar e escolar desta criança deve ser segura e confiante para que possa superar as dificuldades da vida com mais facilidade. A escola está, a todo o momento, buscando mudanças para que possa melhorar a qualidade do ensino e, o professor em sua formação continuada tem contato com novas metodologias que sugerem o respeito pela produção do aluno, valorizando o que consegue fazer e incentivando o que pode vir a fazer. Necessariamente o professor, segundo OLIVEIRA (1998), deve rever as práticas pedagógicas que apenas preocupam-se com o conteúdo a ser trabalhado, avaliando somente o lado cognitivo, e com isso, desprezando o que o aluno tem a oferecer ou precisa receber, que é a afetividade nesta relação, favorecendo assim, um melhor desempenho. No entanto, alguns professores temem esta mudança na postura por considerar liberalismo sem repressão, despertando no aluno a rebeldia, agressividade por não apresentar referencial de limites, porém, o que se pretende não é tirar a autoridade pedagógica do professor, mas sim, o autoritarismo que faz da relação escolar, um momento de dor, medo e lembranças tristes. Neste momento, observa-se que todos nós lembramos de alguns professores que marcaram nossa vida, uns de maneira alegre e amorosa, outros de forma dolorosa, por ter nos feito passar por situações vexatórias ou humilhantes diante da turma, fazendo com que a figura do mesmo se tornasse monstruosa. 27 É obvio que a afetividade tem grande influência em nossa vida, pois quem gosta de ser maltratado por outra pessoa em uma loja, no cinema? E de ser chamada atenção de maneira grossa na frente de outras pessoas? Ninguém nasceu para sofrer ou fazer outro sofrer. Desta forma, o aluno também tem o direito de receber tratamento que o respeite enquanto cidadão e que trate o outro da forma como vem recebendo atenção. Vale ressaltar que, todas as relações iniciam a partir do momento que as limitações de um são respeitadas, o que favorece o reconhecimento das limitações do outro. A afetividade nas relações, segundo SOUZA (2002), deve ser recíproca e permeada em valores verdadeiramente humanos. Ensinar e aprender é o estabelecimento de uma relação de causa e efeito, é produto da troca das informações e das experiências pessoais entre aprendiz e mestre. Nessa troca, segundo OLIVEIRA (1998), ninguém sai ileso e os resultados serão marcantes e especiais, na medida em que marcantes e especiais forem o empenho, a responsabilidade e as influências mútuas de quem ensina aprendendo e de quem aprende se educando. Neste relacionamento educador- educando o vínculo afetivo será um grande facilitador no processo de ensino aprendizagem, pois, pela criação de um forte vínculo afetivo, a criança não se sentirá sozinha, facilitando, assim, seu aprendizado. Certamente o clima criado será de prazer, acolhimento, alegria, companheirismo, ou seja, prazerosamente o conteúdo será apresentado, as dificuldades serão percebidas e acolhidas como parte do processo, auxiliando-a, desta forma, na superação das dificuldades. A criança interage livremente com aquilo que descobre à sua volta, sem a influência de ideias preconcebidas. Manipula, experimenta e explora. A criança, cuja curiosidade é aceita como válida, recebe a luz verde para aprender. Infelizmente, algumas crianças aprendem muito cedo a não aprender. Como isto acontece? É comum a criança utilizar determinado brinquedo ou produtos de outra forma, pois a curiosidade faz com que esta manipulação seja guiada pela imaginação; porém, por uma questão de segurança, TIBA (1999), as investigações devem ser, em certos casos, limitadas, mas as frequências excessivas destas 28 limitações são desnecessárias. Suas necessidades de descobrir não encontram apoio e a curiosidade é eliminada para evitar a desaprovação. Logo, a indagação e a experimentação do desconhecido formam a base do progresso em todos os campos. Se essas qualidades, que existem em todas as crianças forem eliminadas, elas sentir-se-ão diminuídas por desejar saber e serem broqueadas. As crianças não só precisam de uma atmosfera que estimule a curiosidade e a exploração, como também precisam de amplos contatos com uma grande variedade de experiências. Para BRIGGS (2000: p,26), “toda criança precisa do máximo de experiência direta possível. Só dessa maneira ela pode chegar a conhecer o seu ambiente pessoal.” As escolas oferecem, evidentemente, grande ênfase à palavra falada e a escrita, uma prática utilizada no lar, que desenvolve uma habilidade muito valorizada na escola, a linguagem escrita. No entanto, podemos estimular a criança a falar através dos exemplos familiares respeitando as suas ideias e sentimentos. A comunicação realmente aberta só floresce num clima de segurança. Saber ouvir alguém, pensar a respeito do que foi dito por essa pessoa, é, segundo SOUZA (2002), uma forma de valorizar aquilo que ela falou, é a melhor maneira de iniciar um relacionamento, pois, todas as pessoas têm necessidade de ser ouvidas. Assim, quando se age desta maneira, caminha-se na direção de um diálogo franco, aberto, tendo oportunidade de descobrir o que a outra pessoa realmente quer. A maior dificuldade encontrada em sala de aula, ainda afirma o mesmo autor, está relacionada à necessidade que os alunos têm de serem ouvidos, respeitados em suas ideias e como sujeitos construtores da história cultural. Logo, apresentam comportamentos diferenciados para serem notados e assim, conseguirem a atenção do outro, geralmente, do professor. Uma prática que está se tornando comum em algumas escolas é de encaminhar a criança que apresenta este comportamento a Sala de Orientação Educacional. O orientador ao ouvir essa criança sabe que seu retorno à sala será com outra postura, haja vista que conseguiu ser ouvido e trocou ideias com o outro, atitude esta que o faz sentir respeitado. 29 Sabe-se que não se pode atribuir a todo tipo de inadequação em sala de aula do aluno um problema de autoestima, porém, em sua grande maioria, BARRIOS (2002) afirma, é a razão das dificuldades nos relacionamentos. Por isso, a necessidade de valorização pessoal de cada um contribui para um bom desempenho do aluno quer na vida escolar como pessoal. Vale ressaltar que sempre que a criança apresenta alguma dificuldade em aprender é importante descobrir a causa. A criança, cujas necessidades emocionais não são satisfeitas, tem menos probabilidade de conseguir êxito na escola. O homem com fome, não tem motivação para aprender. Ele tem primeiro, que matar sua fome para depois se concentrar no estudo. A criança que está convencida de ser um fracasso tem pouca motivação para tentar. E a criança com um acúmulo de repressão, não tem muita energia para enfrentar os desafios da escola, porém, os desafios tornam-se interessantes quando se pode enfrentá-los e a autoconfiança é o primeiro segredo do sucesso. BRIGGS (2000, p.169), afirma em suas observações e análises que, a causa mais comum do bloqueio ao aprendizado, particularmente em crianças de famílias da classe média, vem da pressão indevida que sofrem para atingir certas metas que estão além de sua capacidade. Todavia o excesso de ambição é recebido pela criança como falta de aceitação. Expectativas muito altas significam decepções grandes. E as decepções prejudicam a autoestima. Elas acabam com a energia e a criança passa a ter menos interesse e curiosidade. Outro obstáculo ao crescimento intelectual, diz TIBA (1999), é uma disciplina tolerante, protetora ou rígida demais. Os pais dominadores aumentam a hostilidade, a dependência e a inadequação, sentimentos que bloqueiam o funcionamento intelectual. Pais excessivamente protetores, ou pais que se recusam a estabelecer limitações fazem com que as crianças se sintam incapazes e não amadas. Essas atitudes são negativas para a autoestima, que por sua vez afeta a motivação de aprender. A disciplina democrática desenvolve o crescimento intelectual, estimulando a participação, o raciocínio, o pensamento criativo e a responsabilidade. A divisão do poder no estabelecimento de regras tem um papel importante no estímulo à competência mental. O estudo de GOLEMAN abordado por BRIGGS (2000), mostra 30 que o maior fator para motivar a criança a aprender é a imagem que tem de si, é o sentimento de que “Eu tenho um certo controle do meu destino”. É perceptível que as crianças que apresentam facilidade em aprender, tem sua autoconfiança intensificada a medida que essa facilidade aumenta com o tempo. Elas tem confiança, a certeza de serem amadas, ficam à vontade com os outros, pensam de maneira mais original. Em suma, apresentam as características de uma elevada autoestima. Entretanto, as crianças que são dependentes, menos seguras de ser amadas, menos capazes de participar de projetos próprios, e que precisam de muita atenção, apresentam dificuldades de aprender. Estudos, segundo BRIGGS (2000), apresentam que uma autoestima elevada afeta acentuadamente o modo pelo qual a criança utiliza as habilidades de que dispõe. É certo que outro obstáculo ao aprendizado surge quando as linhas de comunicação estão obstruídas, ou fechadas. As crianças que se saem bem em suas atividades escolares, vêm, em geral, de famílias onde há muita comunicação. Quando pais e filhos interessam-se carinhosamente pelas atividades mútuas e, quando os filhos se sentem seguros em partilhar suas ideias e seus sentimentos, SOUZA (2002), afirma o crescimento cognitivo e emocional é estimulado. Ao examinar os obstáculos do aprendizado não se pode desconhecer a importância das boas escolas, dos professores influentes e dos currículos flexíveis, ligados aos interesses das crianças. As crianças autoconfiantes e motivadas, segundo MENESES (2000), podem perder o estímulo de aprender quando se veem em salas de aula muito cheias, com professores incompetentes que usam metodologias ultrapassadas. Além disso, quando as crianças têm uma participação ativa nas atividades escolares que estão de acordo com seus interesses, elas reagem de maneira muito diferente do que quando são tratadas como simples recipientes vazios, onde se despeja o conhecimento velho dos manuais. BRIGGS (2000, p.57), define a importância da afetividade na vida de uma criança como: “Auxiliar as crianças a desenvolver sua autoestima é a chave de uma aprendizagem bem sucedida.” 31 Logo, as intenções dos professores terão maiores possibilidades de se concretizarem se as convivências com os alunos lhes proporcionarem satisfação por serem quem são. Não se pode desconhecer, ou ignorar, a característica mais importante da criança – seu grau de autorrespeito. Paulo Freire (1996), explicita que não há educação sem amor, sem o mesmo a profissão de docentes será apenas um ganha pão, sabemos das dificuldades enfrentadas e como a convivência escolar é complicada, mas o que seria da prática pedagógica se não houvesse amor pelo que se faz, é imprescindível a existência da afetividade na relação professor aluno para que efetivamente haja aprendizagem satisfatória. Por definição o professor é o elemento chave no bom sucesso de uma escola, nas relações humanas dentro dela, no rendimento escolar, no aproveitamento dos alunos. O educador, segundo SISTO (2000), deve ser cidadão consciente, possuindo uma visão crítica de mundo (ou de si), para poder propor situações de aprendizagem para a vida, com base em princípios e valores (éticos morais e religiosos). Educador mal preparado não terá êxito no seu trabalho escolar: Segundo BEAN et. al (1995), a autoestima afeta o aprendizado, neste contexto teórico da educação tratam como fator preponderante a construção de autoconhecimento do aluno e a afetividade como base na construção de laços fortes de confiança entre ambas as partes, ou seja, entre aluno/ professor. CONCLUSÃO Pensar na construção de uma sociedade escolar mais justa e solidária é refletir sobre os valores e afetos que fazem a diferença humana nas relações escolares no dia-a-dia. Através deste estudo foi possível confirmar as expectativas sobre a educação que MENEZES (2000, p.13) acredita como, “a boa educação é aquela que promove gostosamente a diferença humana, preparando para a vida.” Nesta perspectiva verifiquei que afetividade, moral e educação estão intrinsecamente ligadas à aprendizagem. A afetividade influencia de maneira significativa a forma pela qual os seres humanos resolvem os conflitos de natureza moral. A organização do pensamento leva em conta o sentimento, e o sentir também configura a forma de pensar. Nesse sentido, a afetividade perpassa o funcionamento psíquico, assumindo papel organizativo nas ações e reações. Família e escola devem trabalhar juntas para ajudar a criança a desenvolver todas as partes de si mesma, de modo a ser livre para aprender e criar. Só o respeito à sua total originalidade permite à criança o desenvolvimento da própria capacidade individual. A criança precoce ou não, aproveitará o apoio e a conversa franca sobre o seu crescimento. As crianças que se desenvolvem mais devagar irão se beneficiar muito com o desenvolvimento de habilidades específicas. A competência compensa o “fracasso” de um corpo franzino, ou de crescimento lento. Apesar da consciência e das habilidades, a criança poderá se lamentar sobre seu desenvolvimento se esse estiver visivelmente em desacordo com o de seus companheiros. Logo, a apreciação da natureza humana é fundamental para a autoestima na vida de toda criança. Vale ressaltar que, os seres humanos adaptamse e ajustam-se até mesmo aos ambientes psicológicos mais desfavoráveis, portanto, a tendência para um desenvolvimento sadio floresce até mesmo nas pessoas que tiveram poucos estímulos psicológicos e que já estão em idade avançada. Algumas escolas adotam ainda práticas que valorizam o crescimento cognitivo dos alunos desconsiderando o emocional, por isso as crianças terão mais 33 probabilidade de efetuar o que prometem se participarem de um clima que lhes permitam crescer no momento adequado, à sua própria maneira. As crianças precisam de compreensão afetiva quando atravessar o difícil caminho da dependência para a independência. Se forem dados os elementos básicos necessários, elas só terão como alternativa gostar de si próprias. Vale ressaltar que a criança saudável é verdadeira consigo mesma, o que lhe assegura a integridade pessoal. Ela faz o que pode com o que tem e isso lhe dá uma paz interior. Há um ditado popular que diz: “Eu não posso estar bem com alguém se não estou bem comigo mesma”. O que a criança sente em relação a si mesma afeta seu modo de viver. Uma autoestima elevada baseia-se na convicção que a criança tem que ser amada e valorizada, precisando saber que é importante justamente porque existe. Ao sentir-se competente para lidar consigo mesma e com o ambiente que a cerca, a criança percebe que tem algo para oferecer aos outros, por isso a autoestima elevada não é pretensão: é a tranquila aceitação da criança em ser quem é. É fundamental que os professores saibam que toda a criança tem o potencial de gostar de si mesma, e que aprende a ver a si mesma tal qual as pessoas importantes que a cercam a veem, pois, ela constrói sua autoimagem a partir das palavras, da linguagem corporal, das atitudes e dos julgamentos dos outros. A promoção da afetividade é um terreno em que se torna difícil propor sugestões já que as necessidades das crianças são diferentes. Assim, por exemplo, o que é útil para uma criança impulsiva pode não ser para uma inibida, daí a necessidade do uso de recursos e metodologias variadas pelo professor. Neste sentido, a escola deve ser um ambiente aberto ao debate da cidadania, da liberdade, da responsabilidade, da justiça social, do respeito. Uma organização que aprende e que seja capaz de ensinar. O aluno deve apresentar um comportamento ativo e livre no processo de aprendizagem, dando-lhe uma sensação de autodireção e decisão. 34 As escolas devem também se preocupar com a formação deste professor que hoje tem um perfil de mediador, de orientador no processo ensinoaprendizagem, buscando ou formando profissionais que incluam em sua visão educacional a dimensão emocional como fundamental para o bom desempenho do aluno. É importante ressaltar que o funcionamento psíquico humano não é composto somente pelos aspectos cognitivos, mas que os sentimentos e emoções também configuram o pensamento. Quanto mais humanos formos maior será a nossa capacidade de amar, mais divinos nos tornaremos. A mente humana é o depósito de todas as experiências, de todos os condicionamentos que são delineados perante as exigências impostas. Faz parte da natureza errar: o grande desafio é saber aceitar as limitações e amar outros seres tão imperfeitos quanto nós. Em um mundo cada vez mais conturbado, que exige uma formação maior dos profissionais da educação responsáveis pela educação moral e afetiva do ser humano, conseguir manter princípios coerentes, na forma de pensar sobre os desafios para a aprendizagem significativa, pode ser uma arma poderosa na mão de educadores conscientes de seu papel na sociedade. Ter como características pessoais a manutenção de estados emocionais positivos, alegres, satisfeitos e felizes podem trazer consequências benéficas para a educação e para os alunos de maneira específica. Por outro lado, pessoas infelizes, tristes, tendem a demonstrar maior instabilidade em sua forma de resolver conflitos de natureza moral. Em suma, hoje pensamos que educar significa também preocupar-se com a construção e organização da dimensão afetiva das pessoas, afinal a escola, para cumprir seu papel, deve ser um lugar de vida e, sobretudo, de sucesso e realização pessoal para alunos e professores. A experiência entre professor e aluno promove o ser, reduz a angústia, facilita os acertos da vida, conduzindo-os a vencer desafios da afetividade e educação na conquista da aprendizagem significativa. Diante disso, observa-se que as crianças que vivem com expectativas realistas, encontros autênticos, cooperação nas tarefas da individualidade, aceitação 35 compreensiva de todos os sentimentos, mesmo quando se limitam os atos e, disciplina democrática se sentirá amada. Com esta sólida base interior, o potencial se expandirá, as crianças serão motivadas, criativas e terão um objetivo na vida. Elas se relacionarão bem com os outros, terão paz interior, resistência às tensões, e maior oportunidade de realizar seus desejos. E é pela forma de relacionar-se com o outro que imaginamos como as pessoas são e sua influência dos relacionamentos infantis e juvenis na vida adulta. Para BRIGGS (2000, p.27) “A chave da paz interior e da vida feliz é a autoestima elevada, pois é ela que está por trás de todo relacionamento bemsucedido com os outros.” REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, A. R. S. A emoção na sala de aula. Campinas: Papirus, 1999. ALMEIDA, A. R. S. A emoção na sala de aula. 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