AJES - INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA
ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA CLINICA E EDUCACIONAL
8.5
A IMPORTÂNCIA DA AFETIVIDADE NO PROCESSO DE ENSINOAPRENDIZAGEM
Cleide Caravaja Martins
[email protected]
Orientador: Prof. Ilso Fernandes do Carmo.
COLÍDER/2013
AJES - INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DO VALE DO JURUENA
ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA CLINICA E EDUCACIONAL
A IMPORTÂNCIA DA AFETIVIDADE NO PROCESSO DE ENSINOAPRENDIZAGEM
Cleide Caravaja Martins
Orientador: Prof. Ilso Fernandes do Carmo.
“Trabalho apresentado como exigência
parcial para a obtenção do título de
Especialização
em
Psicopedagogia
Clínica e Educacional.”
COLÍDER/2013
AGRADECIMENTOS
A Deus, pelo dom da vida e força que representa em minha vida estando
presente durante os desafios da caminhada.
Ao meu marido e filhos o meu eterno agradecimento por entenderem tantas
renúncias em família, para focalizar a busca pela formação acadêmica.
Aos
meus
professores
que
dividiram
seus
conhecimentos
com
responsabilidade e com sua competência transformaram estes momentos em
grandiosos saberes.
DEDICATÓRIA
A Deus, obrigada porque sei que sempre estás
presente em minha vida. Agradeço-te por ter me
dado a vida e por guiar os meus passos, tanto nos
momentos mais difíceis, como nas alegrias e
conquistas.
Aos meus pais Atilio e Tereza, dedico esse trabalho
a vocês, por serem as pessoas importantes para
mim e os que me ensinaram os valores da vida, da
honestidade, humildade e do amor. Obrigada por
serem exemplo de perfeição e dedicação a nossa
família.
Aos meu esposo e filhos, amo vocês.
Deus envia as crianças não apenas para manter a
raça, mas para expandir nossos corações e nos
tornar
generosos,
amáveis
e
afetuosos.
Mary Howitt
RESUMO
Por muitos anos o conhecimento foi tido como algo separado da emoção. A
divergência entre “razão” e “emoção” perdurou por longas eras e foi muito defendida
por filósofos renomados. Essa divergência influenciou fortemente toda a nossa
maneira de organização social e inclusive nossa forma de refletir e pensar sobre os
mais diferentes aspectos da convivência humana, inclusive a educação. E
objetivando enaltecer a interligação entre a aprendizagem e a afetividade na
formação da autoestima é que este tema foi escolhido; analisar que ações
pedagógicas favorecem a afetividade no trabalho do professor e identificar as
dificuldades na relação professor e aluno, que envolvem a questão da afetividade
com a aprendizagem além de discutir a postura do professor diante das dificuldades
no relacionamento com alunos. Este trabalho foi desenvolvido com um enfoque
qualitativo e de cunho bibliográfico e por meio desta metodologia, compreendi os
acontecimentos históricos educacionais e as relações sociais que indicaram a
trajetória da relação professor e aluno, tendo como ponto fundamental a questão
afetiva na formação do aluno e sua vinculação com o processo educacional. Através
da pesquisa, observei que a afetividade e a educação é um desafio para a
aprendizagem significativa e consiste num processo de educação para a vida, numa
parceria entre professor, aluno, família e comunidade, grupos sociais tão
importantes no sucesso da aprendizagem do aluno. Confirmando desta forma, que o
funcionamento psíquico humano não é composto somente da dimensão cognitiva,
mas, também, pela dimensão fundamental de sua existência que é a afetiva. Nesta
perspectiva verifiquei que afetividade, moral e educação estão intrinsecamente
ligadas na aprendizagem. A afetividade influencia de maneira significativa à forma
pela qual os seres humanos resolvem os conflitos de natureza moral. A organização
do pensamento influencia o sentimento, e o sentir também configura a forma de
pensar. Neste sentido, a afetividade perpassa o funcionamento psíquico, assumindo
papel organizativo nas ações e reações.
PALAVRAS-CHAVE: Afetividade, autoestima, aprendizagem, professor-aluno
SUMÁRIO
Introdução .............................................................................................................. 07
1.0-
A influência social no desenvolvimento inicial do autoconceito................... 09
1.1- A função da escola na concepção do autoconceito.............................. 12
2.0- Reflexões sobre afetividade e inteligência...................................................... 15
3.0- Educação, Afetividade e Aprendizagem......................................................... 17
4.0- A relação afetivo professor/ aluno no processo ensino aprendizagem........... 22
5.0- Autoestima e a aprendizagem......................................................................... 26
Conclusão............................................................................................................... 32
Referências bibliográficas...................................................................................... 36
INTRODUÇÃO
A sociedade contemporânea apresenta uma grande divergência quanto à
conceituação dos fenômenos afetivos, na qual as preocupações educacionais têm
sofrido algumas modificações ao longo dos anos, fatores que influenciam a
aprendizagem.
A afetividade é utilizada com uma definição mais ampla, referindo-se as
vivências dos indivíduos e as formas de expressão mais complexa e essencialmente
humanas. Pois vivemos em uma época em que o tempo é escasso, em que os pais
necessitam trabalhar o dia inteiro para o sustento da família. Logo, esta ausência
provoca um distanciamento entre pais e filhos, o que acaba acarretando problemas
afetivos nas crianças e no processo de ensino- aprendizagem onde a criança não
tem motivação em apreender.
O professor tem que estar preparado para trabalhar a afetividade do aluno
paralelamente ao trabalho feito com o cognitivo da criança. Caso contrário, poderá
encontrar muitos problemas em relação á disciplina e, consequentemente,
aprendizagem.
VYGOTSKY (1996), configura uma visão essencialmente social para o
processo de aprendizagem. É através da interação com outros que a criança
incorpora os instrumentos culturais. O autor destaca a importância das interações
sociais, que traz a ideia da mediação e da internalização como aspectos
fundamentais para a aprendizagem, defendendo que a construção do conhecimento
ocorre a partir de um intenso processo de interação entre as pessoas.
Sendo assim, é a partir de sua inserção na cultura que a criança, através da
interação social com as pessoas que a rodeiam se desenvolve, como acontece nas
relações humanas, onde os estímulos cognitivos e afetivos são extremamente
importantes na construção do sujeito. Todo trabalho desenvolvido pelo professor na
escola depende de envolvimento afetivo, esta relação afetiva contribuirá para o
desenvolvimento educacional.
O aprender se torna mais interessante quando o aluno se sente competente
o bastante para participar de maneira ativa nas aulas. O gosto pelo aprender não é
uma atividade que surge espontaneamente nos alunos, pois o conceito de aprender
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geralmente não é entendido como uma satisfação, sendo em algumas vezes
entendido por obrigação. A criança precisa sentir-se segura, acolhida e protegida por
todos que fazem parte do meio em que está inserida, família, escola, sociedade.
Partindo desta perspectiva, verificamos a real necessidade da participação
de que todos estejam comprometidos, e com o mesmo objetivo, demonstrando
afetividade para que a criança possa ter condições de desenvolver plenamente seu
cognitivo no processo ensino aprendizagem.
No primeiro capitulo será possível verificar a importância que se deve dar ao
desenvolvimento do autoconceito (positivo) já na infância. No item seguinte (1.1), é
explicitado o que se espera da escola na formação do autoconceito, cabendo a ela
propor aos alunos mais que uma aula, práticas afetivas que deixem claro para o
aluno seu verdadeiro papel na sociedade. No capitulo dois a afetividade é colocada
como prática essencial para a construção do saber. No capítulo três, é mostrada a
relação intrínseca entre educação/afetividade/aprendizagem na visão psicanalítica.
Já no capitulo quatro discute-se a importância da relação afetiva professor/aluno,
sendo uma ferramenta indispensável em aguçar o desejo da criança de conhecer e
aprender. No capítulo cinco a autoestima é revelada como facilitadora da
aprendizagem.
1.0-A INFLUÊNCIA SOCIAL NO DESENVOLVIMENTO INICIAL DO
AUTOCONCEITO
O desenvolvimento humano não está fundamentado apenas em aspectos
cognitivos, mas também e, principalmente, em aspectos afetivos. Assim, a sala de
aula é um grande laboratório para que se observe e questione os motivos que levam
o convívio escolar do professor e aluno, muitas vezes, a ficar desgastado e sem
estímulo.
Sabe-se que o ser humano tem grande necessidade de ser ouvido, acolhido
e valorizado, contribuindo dessa forma para uma boa imagem de si mesmo. Neste
sentido, segundo SOUZA (2002), a afetividade está intimamente ligada à construção
da autoestima. Sendo assim, sua importância em toda relação é fundamental para
os sujeitos envolvidos. Logo, a relação entre professor e aluno, deve ser mais
próxima possível, pautada em partilha de sentimentos e respeito mútuo das
diferentes ideias.
Vale ressaltar que a tarefa de educar deveria ser para a maioria das famílias
e professores, uma função tão natural quanto respirar ou andar. No entanto, educar
apresenta em suas ações familiares e educacionais, e dentro de teorias
consideradas ideais, uma complexa tarefa a ser desempenhada.
O contato com diferentes grupos sociais possibilita, segundo SOUZA (2002),
a construção do autoconceito da pessoa. A família e outras pessoas que convivem
com a criança, fazem parte do seu primeiro grupo social representando neste
momento, seu contato afetivo, que pode ser positivo ou negativo, influenciando no
futuro desta criança. O autoconceito que essa criança terá de si refletirá em suas
ações e na forma como será tratada ou mesmo percebida pelos outros.
Quando a criança ingressa na escola e tem uma visão negativa de si,
demonstra um comportamento diferente dos demais colegas como, agressividade ou
apatia e, na maioria das vezes é considerado preguiçoso, desatento, irresponsável,
ou seja, “aluno-problema” e, automaticamente, encaminhada pela professora a Sala
de
Orientação
Educacional,
pois
seu
desempenho
escolar
apresenta-se
comprometido. Porém, D’ OLIVIERA (1987), explicita que, a questão está
relacionada a inúmeros fatores, inclusive, no autoconceito que este aluno faz de si,
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quando não acredita no seu potencial de resolver situações desafiadoras e
desanima no primeiro obstáculo que encontra.
Por isso, a escola, enquanto segmento de grupo social que constrói
diferentes relações,
deve propiciar melhores condições
de aprendizagem,
selecionando atividades e posturas necessárias, que promovam o resgate da
autoestima do aluno. Para OLIVEIRA (1998), o aspecto afetivo tem uma profunda
influência sobre o desenvolvimento intelectual. Ele pode acelerar ou diminuir o ritmo
de desenvolvimento, e determinar sobre que conteúdos a atividade intelectual se
concentrará e, na teoria de Piaget, o desenvolvimento intelectual é considerado
como tendo dois componentes: um cognitivo e outro afetivo que, desenvolvem-se
paralelamente. Afeto inclui sentimentos, interesses, desejos, tendências, valores e
emoções em geral.
O afeto apresenta várias dimensões, incluindo os sentimentos subjetivos
(amor, raiva, tristeza, etc) e aspectos expressivos (sorrisos, gritos, lágrimas...). Para
SEBER (1997), dentro da teoria de Piaget, o afeto se desenvolve no mesmo sentido
que a cognição ou inteligência e, é responsável pela ativação intelectual. Com suas
capacidades afetivas e cognitivas expandidas através da contínua construção, as
crianças tornam-se capazes de investir afeto e ter sentimentos validados nelas
mesmo. Neste aspecto, a autoestima mantém uma estreita relação com a motivação
ou interesse da criança para aprender. O afeto é o princípio norteador da
autoestima.
Desenvolvido o vínculo afetivo, a aprendizagem, a motivação e a disciplina
tornam-se conquistas significativas para o autocontrole do aluno e seu bem estar
escolar. Percebe-se uma forte relação entre professor e aluno, influenciando na
formação da autoestima, pois o professor que não tem amor pela profissão, e
apresenta diferentes reações diante de um aluno indiferente ou agressivo, pode
comprometer o desenvolvimento escolar da turma.
Segundo BEAN et al (1995), a autoestima afeta o aprendizado. As pesquisas
sobre a autoimagem e o desempenho escolar mostram a forte relação entre a
autoestima e a capacidade de aprender. A elevada autoestima estimula a
aprendizagem. O aluno que goza de elevada autoestima aprende com mais alegria e
facilidade. Enfrenta as novas tarefas de aprendizagem com confiança e entusiasmo.
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Seu desempenho tende a ser um sucesso, pois a reflexão e o sentimento precedem
a ação, demonstrando firmeza e expectativas positivas, diferente de um que se
sente incompetente, fracassado.
O desempenho bem-sucedido, segundo SOUZA (2002), reforça seus bons
sentimentos. A cada sucesso alcançado, ele se considera mais competente. Sua
capacidade de enfrentar desafios é maior e mais saudável psicologicamente do que
daquele que tem uma visão negativa de si, pois se acha um derrotado e teme
situações que possam expor seus pensamentos e sentimentos.
Teóricos da educação, educadores e autores tratam da afetividade como
fator preponderante para a construção do autoconceito do aluno. Ela vem sendo
abordada com mais intensidade, porque a violência, a agressividade e o desrespeito
vivido hoje pela maioria das pessoas podem ter causas de fundo afetivo, por conta
da falta de valorização da pessoa como ser humano. Desta forma, inevitavelmente,
seu autoconceito é alterado.
OLIVEIRA (1998), aborda as ideias de Vygotsky que sempre se preocupou
com o aprendizado inserido no desenvolvimento sócio-histórico da pessoa como um
processo que apresenta diferentes fases que estão interligadas entre si.
Independentemente da fase que esteja vivendo, o ser humano está convivendo com
grupos diversificados de pessoas que, contribuem a todo o momento com a
construção de sua autoestima.
Na tentativa de mudanças das práticas pedagógicas, algumas escolas
começam a investir na formação do professor, buscando referenciais teóricos que
auxiliem no desempenho do aluno no processo ensino-aprendizagem, tendo como
base a afetividade como resgate da autoestima, procurando assim atenuar as
dificuldades de aprendizagem como de relacionamentos interpessoais encontradas
pelos alunos.
Observa-se que cada vez mais os casos de agressões e desrespeitos
verbais entre alunos e professores vêm aumentando nas escolas e na comunidade
externa, despertando, em alguns educadores e pais, a preocupação em resgatar
nestes alunos e professores uma relação de afetividade considerada fundamental
para que situações como estas sejam superadas.
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Para SISTO (2000), a pesquisa realizada com jovens da cidade de
Campinas foi uma considerável colaboração para os estudos sobre afetividade, pois
teve como objetivo verificar se a autoestima pode ser alterada numa situação de
provação. A pesquisa também observa que, durante todas as fases da vida, desde a
infância, a adolescência e a fase adulta a autoestima passa por mudanças,
ocasionadas pelas situações e pelo próprio contexto social vivido.
Ninguém nasce bom ou mau, porém o autoconceito que cada um tem de si e
a visão que o próprio mundo tem de cada pessoa, faz com que ela acredite nesta
imagem e viva como tal.
Assim, a pessoa marginalizada, discriminada, sente a rejeição em sua vida e
passa a considerar-se inferior aos outros e na maioria das vezes pessimista,
tornando-se muitas vezes agressiva, hostil ou indiferente, apática. Em contrapartida,
a pessoa que é amada e em quem depositamos confiança cresce com uma imagem
positiva e enfrenta os desafios que surgem com mais otimismo e segurança.
Demonstra alegria, determinação e afetividade nos relacionamentos que constrói,
vendo-se em cada ser humano que encontra pela frente.
1.1- A FUNÇÃO DA ESCOLA NA CONCEPÇÃO DO AUTOCONCEITO
A questão da afetividade e autoestima é uma preocupação mundial. Todos
os segmentos da sociedade têm essas abordagens em seus discursos e buscam
práticas que possam condizer com o que acreditam verdadeiramente. A afetividade
no trato com as pessoas é um pressuposto do que autores referem-se como o
resgate a valores humanos esquecidos por nós que estamos envolvidos com a
agitação do dia-a-dia.
Acreditando nisto, ANTUNES (1996), afirma que a relação professor/aluno
deve ser baseada em afetividade e sinceridade, pois se um professor assume aulas
para uma classe e acredita que ela não aprenderá, então está certo e ela terá muitas
dificuldades. Se ao invés disso, ele crê no desenvolvimento da classe, ele alcançará
mudança, porque o cérebro humano é muito sensível a essa expectativa sobre o
desempenho.
13
Como se pode ver a escola, como parte integrante e fundamental em uma
sociedade, não pode ficar alheia a esta busca. Entretanto, apropria-se de
pensamentos de teóricos como Wallon, Piaget e Vygotsky, para basear suas ações
pedagógicas e transformar a relação professor e aluno em um momento mais rico no
processo ensino-aprendizagem.
Tais conhecimentos perdem sua validade quando professores e técnicos
não estão comprometidos com mudanças em suas ideias tradicionais ou posturas,
que trazem ranços de práticas escolares que apenas depositam informações nos
alunos, desconsiderando assim a afetividade no processo ensino-aprendizagem.
Diante disso, GROSSI (1992), apud JESUS (2009), salienta ser preocupante
o número de casos que mostram alunos envolvidos em agressões entre colegas ou
discussões com professores, casos estes, que observados em sua essência,
demonstram carência afetiva, demonstrando que o conceito que o aluno tem de si é
negativo.
Sabe-se, no entanto, que a escola não é a solução para todas as
dificuldades existentes do ser humano, porém, como órgão educacional que tem
como uma de suas funções a formação do cidadão como sujeito construtor do seu
contexto histórico, segundo JESUS (2009), pode e deve contribuir para mudanças
significativas na relação professor e aluno, pois, além da sala de aula que oferece
conteúdos e provas, a afetividade está presente em cada ação e busca seu espaço
no espelho que a turma repassa aos técnicos quando dispõem do diário de notas,
conselho de classes, conselho escolar e tantos outros instrumentos e setores que
retratam esta relação.
Para TIBA (1999), cuidar é mais que um ato, é uma atitude, portanto
abrange mais que um momento de atenção, de zelo e desvelo. Representa uma
atitude de ocupação, preocupação, responsabilização e envolvimento afetivo. Por
isto, é preciso cuidar da terra antes e depois da semente ser lançada, para que a
planta possa crescer, florescer e dar bons frutos.
Por conseguinte, para a construção da autoestima é necessário buscar a
responsabilidade e não a culpa, criar um clima de confiança que faça com que a
pessoa sinta-se genuinamente aceita, compreendida e respeitada, sentimentos que
ajudam a trabalhar núcleos emocionais que bloqueiam condutas inadequadas. Os
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educadores sabem que as crianças aprendem melhor quando estão satisfeitas com
elas mesmas e que bons sentimentos são importantes.
No entanto, alguns professores desconhecem seu papel de “espelho” dentro
de uma sala de aula, esquecendo que seus alunos os admiram e estão preocupados
em ser iguais a eles, acabando por imitá-los em suas atitudes e até pensamentos.
Se os professores percebessem essa imitação sem dúvida, segundo SOUZA (2002),
procurariam policiar suas palavras e posturas. Que maravilhoso seria se professores
e alunos pudessem espelhar-se em fatos e pessoas positivas, que emanassem
confiança, autonomia e sinceridade.
Esperam-se mudanças na educação a partir de conscientização de novas
metodologias que insiram cada vez mais o aluno em uma vida escolar que retrate
sua realidade e que busque a contextualização, porém, olhando-se de outro prisma,
a solução para a educação pode estar no afeto. Afeto este que inclua, que
proporcione crescimento e valorização do ser humano e reconhecimento pessoal
como sujeito ativo na construção da história.
Mais do que aula, muitas vezes o aluno vai para a sala de aula em busca de
respostas que esclareçam o seu verdadeiro papel na sociedade. Considera esta
escola, como grupo social que pode contribuir para sua formação como cidadão e,
na maioria das vezes, o professor não se preocupa com o tipo de aluno que está
convivendo, muito menos, em estabelecer um vínculo afetivo mais forte nesta
relação favorecendo atitudes positivas que favoreçam na formação da autoestima do
aluno.
Neste sentido, JESUS (2009), entende que, a emoção será compreendida
dependendo da ativação ou redução da afetividade, no entanto, o autocontrole não é
uma habilidade que se desenvolve naturalmente dada à maturação temporal da
criança. Todas precisam de uma aprendizagem específica, pois uma relação é algo
que se constrói dia-a-dia, no entendimento de si e do outro.
Por isso, segundo a mesma autora, é preciso que se tenha cuidado com as
palavras escolhidas para a comunicação, levando em consideração o tom de voz
que deve ser firme e não acusador e padrões de linguagem que encorajem a
autoavaliação e o automonitoramento por parte da própria criança, fazendo com que
ela aprenda a amar-se, conhecendo seus limites pedindo ajuda quando necessário.
2.0- REFLEXÕES SOBRE AFETIVIDADE E INTELIGÊNCIA
PIAGET (1998), enfatiza que as composições do conhecimento estão em
constantes modificações, passando por estágios de desequilíbrio, reequilíbrio para
poder internalizar seu conhecimento. Desta forma, a criança carece de vivência
qualitativa que permita essa troca de experiências e informações, conferindo uma
aprendizagem significativa.
Quando a criança vai à escola, ela se apresenta com grandes expectativas
em relação ao ambiente, ao conteúdo e, principalmente, pela figura do professor,
aquele que irá mediar esse processo. Neste novo contexto, a percepção positiva de
si e do outro é essencial para o desenvolvimento de vínculos e parcerias que irão
nortear todo o processo.
Os PCNs defendem que, se as primeiras experiências escolares forem bem
sucedidas, o aluno construirá uma representação positiva de si mesmo como
alguém capaz de aprender. (BRASIL, 1997). E, ao contrário disso, o aluno perderá o
interesse e a motivação para aprender.
Nesta perspectiva, a afetividade é um dos principais fatores que irão guiar a
prática educativa, como também possibilitar experiências enriquecedoras de
aprendizagem. (BRASIL, 1997). O aluno constrói conhecimento a partir de suas
vivências, estabelece relações com o que está sendo oferecido na sala de aula
quando este conteúdo tem significação prática.
MORENO (1999), explicita a falta de educação afetiva na escola ou em
casa, e o desconhecimento das formas de interpretação e de respostas adequadas
perante as atitudes, condutas e manifestação emotivas das demais pessoas
deixarão os alunos à mercê das mazelas sociais (a falta de referencial, o vício, a
marginalidade, a ociosidade entre outros fatores que corrompem a juventude).
Diante disso, podemos pensar numa escola que forme cidadão capaz de
agir e transformar a realidade, no ser humano consciente de sua capacidade, como
ressalta SALTINI (2002), da sua consciência, da sua capacidade de transformação,
que o ser humano possa encontrar satisfação nas relações estabelecidas com o
outro em função da comunicação do seu desejo.
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PIAGET (1998), afirma que o principal objetivo da educação é criar homens
capazes de inventar coisas novas e não criar meros repetidores de modelos pré
estabelecidos. A meta deveria ser formar homens criativos, inventivos e
descobridores; pessoas capazes de criticar, deduzir, analisar, refletir, pessoas livres
e autônomas.
3.0- EDUCAÇÃO, AFETIVIDADE E APRENDIZAGEM
FREUD (1992), ressalta que, o ser humano nasce com seu eu (sujeito
psíquico) pronto, mas irá constituí-lo a partir de si e de suas relações sociais.
Os avanços da psicanálise promovem o debate sobre a significação do
mundo inconsciente e sua importância como suporte da inteligência não só
operatória, mas principalmente figurativa e simbólica. (SALTINI, 2002). Daí a
importância da contribuição dos atores sociais na formação desse processo.
Partindo do entendimento de que o sujeito só se desenvolve como sujeito a
partir das relações sociais (professor/aluno, pai/filho entre outros sujeitos sociais) e,
portanto, da qualidade dessas relações, MORETTINI (2008), salienta: ”a escola
deverá encarregar-se da promoção do desenvolvimento do conhecimento e das
relações sociais”.
PIAGET (1998), em seus estudos pondera o quanto o aspecto afetivo é
importante em uma escola. Por exemplo, como acontece a identificação entre um
aluno e seu professor.
Dos estudos da psicanálise começam a emergir novas conexões entre o
somático e o simbólico. Isto é, as manifestações e contribuições do corpo via
símbolos. Piaget (1998) ressalta a unidade entre afetividade em nossas ações
cotidianas. O ato de Inteligência pressupõe, pois, uma regulação energética interna
(interesse, esforço, facilidade). (PIAGET, 1977). Sendo assim, o conhecimento
torna-se parte da pessoa quando se encontra inserido no contexto vital, pois a vida
se explica somente através de si mesma e busca explicação para si mesma.
(SALTINI, 2002).
CLAPARÈDE (1954), citado por SALTINI (2003), fala que, para falarmos de
inteligência e afetividade precisamos nos referir também, e sempre, a emoção, as
ligações e inter-relações afetivas. Seria impossível entender o desenvolvimento da
inteligência sem um desenvolvimento integrado por aquilo que nos desperta o
interesse e prazer em realizar.
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De acordo com o divulgado, a proposta escolar deveria contemplar o ensino
como algo instigante relacionado com a vida do educando e o que se deseja
ensinar.
Paulo Freire (1996), diz ser necessária a reflexão sobre o homem e uma
análise profunda do meio concreto, deste homem concreto a quem desejamos
educar, ou melhor, a quem desejamos ajudar a educar-se. Professores não educam,
ajudam as pessoas a se educarem e, ao ajudar, educam-se também. Assim como
não existe educador e educando, pois ambos estão na mesma tarefa.
Segundo a REVISTA Educação para o futuro (2001), na psicanálise, a razão
e emoção devem ser consideradas no contexto escolar, pois contribuem para a
solução de problemas na educação e na formação do professor. Nesta perspectiva,
significa que o professor deve contemplar o aluno inserido num contexto social e
plural diante das diversas expressões de sentimentos e emoções.
GOLEMAN (1995), enfatiza a necessidade de se trabalhar a inteligência
emocional do aluno para que este saiba gerir suas emoções e situações de conflito
e, na resolução de problemas, saiba se relacionar com seus pares e encontre
situações criativas na resolução de problema.
Na escola, a criança precisa do amor e do reconhecimento do professor
(substituto simbólico dos pais), precisa encontrar nele o prazer de aprender.
(KUPFER,1989).
Esta relação professor-aluno, o desejo de ensinar e o modo como o
professor reconhece e aceita a criança como ser único e singular serão importantes
nesse processo. Já aquela criança que encontra um professor preconceituoso em
relação a ela, que a desvaloriza, que não reconhece suas qualidades e que não
investe nela, estará contribuindo para que esta criança perca o prazer de pensar e o
desejo de aprender. Assim como o professor não investe nela, ela não investe nos
estudos e, futuramente, poderá investir em outras atividades que não são
socialmente aceitas.
O professor deve utilizar a pedagogia afetiva não só para estimular a relação
afetiva, mas também a questão cognitiva, social do aluno, como salienta CURY
(2008):
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(...) a afetividade deve estar presente na práxis do educador(...), o educador
apesar de suas dificuldades, são insubstituíveis, porque a gentileza, a
solidariedade, a tolerância, a inclusão, o sentimento altruísta, enfim, todas
as áreas da sensibilidade, não podem ser ensinado por máquinas, e sim por
seres humanos. (p.48).
O referido autor mostra-nos, a importância da atuação do professor como
um profissional, que independente de suas limitações ,se faz necessário, com sua
presença pode transformar de forma marcante, agindo na vida de seus alunos como
exemplo, através de sua conduta, de seu falar e andar.
Na mesma linha de pensamento FREIRE (1996) ressalta:
O bom professor é o que consegue, enquanto fala, trazer o aluno até a
intimidade do movimento do seu pensamento. Sua aula é assim um desafio
e não uma cantiga de ninar. Seus alunos cansam, não dormem. Cansam
porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento, surpreendem
suas pausas, suas dúvidas, suas incertezas”. (p. 96),
Na instituição escolar, segundo o mesmo autor o professor é fonte
privilegiada ao proporcionar satisfação ou sofrimento ao aluno, mas o aluno também
pode ser fonte de satisfação ou sofrimento ao professor, no tocante à realização e
no desempenho de suas atividades. Nesse processo, ao ser reconhecido ou não
pelos alunos, sua satisfação está nas respostas que os alunos dão às tarefas
realizadas. Desta forma, haverá uma reciprocidade nas relações estabelecidas entre
professo/aluno.
SOUZA (2002), explicita que a escola hoje, mais do que em qualquer outro
tempo, é um espaço onde se constroem relações humanas. Por tanto, é de
fundamental importância trabalhar não só conteúdos, mas também as relações
afetivas. A interação entre ambos é ainda importante para a adaptação do aluno ao
processo escolar. O bom relacionamento do professor com o aluno se desenvolve
na busca pelo desejo que o indivíduo tem de conhecer a si próprio, de encontrar
uma definição para sua vida.
Segundo a mesma autora a escola é a mola propulsora do desenvolvimento
intelectual. Querer saber, ter desejo de aprender, são condições primeiras para que
a criança possa de fato adquirir conhecimentos. Portanto fica evidente a importância
que tem para nós, educadores, o conhecimento da afetividade, quer seja através
das emoções, da força motora das ações ou do desejo e da transferência, para o
melhor desenvolvimento da aprendizagem do aluno e, consequentemente, para uma
melhor relação entre este e o professor.
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É importante salientar que afetividade não é apenas demonstração de afeto,
carinho. Fazem-se necessários compromisso e ética profissional, além dessa
reciprocidade, que haja uma prática pedagógica pautada no respeito, na autoridade
humana, e no estabelecimento de limites, de modo que o professor contribua com o
desenvolvimento e fortalecimento do “eu” do educando, para que ele desenvolva
auto-estima, confiança, respeito em si e no outro (VIOLANTE, 1995). Enfim, a
criança só pode desenvolver o seu eu, só investirá no desejo de aprender, se o
adulto (pais e professores) investir no seu potencial e reconhecer seu valor, sendo
assim, ela se fortalecerá.
A psicanálise, LA TAILLE (1992), afirma, estuda a constituição do sujeito, do
inconsciente e, se as funções cognitivas crescem, evolui, o sujeito se constitui.
Na abordagem psicanalítica, segundo o mesmo autor, o aprender envolve a
relação professor-aluno, pois aprender é aprender com alguém. De posse dessa
premissa, o professor passa a ter uma forte influência sobre o aluno, pois ele, agora,
é a referência do conhecimento.
FREUD (1992), afirma que o que falta para as pedagogias modernas é a
consideração em assuntos como: frustração, agressividade, conflito. A relação do
professor com seu aluno depende fundamentalmente de sua maturidade afetiva na
qual saberá promover vínculos respeitando a individualidade e as necessidades de
cada aluno. “Todas as amizades e vinculações amorosas seguintes são
relacionadas sobre a base primitiva tenha deixado.” (p. 193).
Segundo VIOLANTE (1995), muito da dificuldade de aprender deve-se à
falta de investimento do eu na sua própria atividade do pensar. Isto porque a
atividade de pensar da criança pode não ter sido reconhecida, ou ninguém ter
investido nela.
Piaget, in: KUPFER (1989), conclui enfatizando a necessidade de se romper
a tradicional dicotomia existente entre afetividade e inteligência, mostrando o quanto
é problemático do ponto de vista teórico, dizer que a afetividade é orientada e
causada pela inteligência ou, o contrário, presumir que a inteligência dirige a
afetividade. Isto significaria não compreender que toda a conduta é una e, portanto,
pressupõe inteligência e afetividade em constante interação e interdependência,
21
transformando-se e desenvolvendo-se durante a organização progressiva das
condutas.
Assim como Piaget, Wallon mostra-nos em seus escritos, compartilhar da
ideia de que emoção e razão estão, intrinsecamente, conectadas. (ARANTES,
2000).
4.0- A RELAÇÃO AFETIVO PROFESSOR/ ALUNO NO PROCESSO ENSINO
APRENDIZAGEM
Todos sabemos que o ser humano vive de emoções, sendo elas positivas ou
negativas. Através delas podemos crescer, refletir, enfim viver. Sendo assim, as
relações entre professor e alunos são de extrema importância, onde laços afetivos
devem ser criados a partir do começo do ano para que o desenvolvimento do aluno
ocorra com mais tranquilidade.
Para VYGOTSKY (1996), um dos seus pressupostos básicos é a idéia de
que o ser humano constitui-se com o outro social. Para muitos educadores, o
desenvolvimento intelectual, a aprendizagem é ainda o aspecto mais importante na
escola. Assim, a união desses dois aspectos faria do educando um ser completo,
onde se trabalharia o intelecto junto com o emocional. Para VYGOTSKY (1996):
São precisamente as reações emocionais que devem constituir a base do
processo educativo. Antes de comunicar esse ou aquele sentido, o mestre
deve suscitar a respectiva emoção do aluno e preocupar-se com que essa
emoção esteja ligada ao novo conhecimento. [...] os gregos diziam que a
filosofia nasce da surpresa. Em termos psicológicos isso é verdadeiro se
aplicado a qualquer conhecimento no sentido de que todo conhecimento
deve ser antecedido de uma sensação de sede. O momento da emoção e
do interesse deve necessariamente servir de ponto de partida a qualquer
trabalho educativo.( p.145).
As teorias da afetividade e do desenvolvimento humano que foram surgindo
tem nos mostrado o quanto essas especificidades intervêm na individualidade
humana e, portanto, não podemos estabelecer leis psicológicas gerais que devem
ser aplicadas igualmente a todos os seres humanos.
São muitos os esforços praticados atualmente para adaptar o ensino às
características individuais de cada aluno e, neste texto, foram consideradas a
individualidade desde o nascimento, as relações afetivas e educativas a que foram
submetidos, a dimensão social e tecnológica e as relações sociais que estabelecem
com os demais.
A relação que os pais estabelecem com seus filhos é de extrema
importância na construção da autoestima. A criança com autoestima global baixa ou
negativa, segundo ARANTES (2000), terá maior dificuldade em estabelecer relações
com seus pares. Pais que supervalorizam as dificuldades apresentadas por seus
23
filhos ou as minimizam impossibilitam-lhes avaliar as situações vividas de forma
realista ou a aprender a lidar com suas próprias frustrações.
Estas crianças poderão sempre esperar pelos pais para que estes possam
resolver seus próprios conflitos e com isto, desenvolver uma ideia de incapacidade.
Uma criança que é constantemente criticada por seus pais pode perder a
confiança em seus impulsos e em seu critério, bem como, caso esta não seja
criticada nem disciplinada carecerá de controle, pois poderá ter esta atitude como
descaso ou falta de amor, para com ela.
De acordo com ROSSINI (2001), o aspecto afetivo tem uma profunda
influência sobre o desenvolvimento intelectual, pois pode acelerar ou diminuir o ritmo
de desenvolvimento. O aspecto afetivo pode determinar sobre que conteúdos e
atividade
intelectual
se
concentrarão.
Na
teoria
de
PIAGET
(1974),
o
desenvolvimento intelectual é considerado como tendo dois componentes: um
cognitivo
e
outro
afetivo.
Paralelo
ao
desenvolvimento
cognitivo
está
o
desenvolvimento afetivo. Afeto inclui sentimentos, interesses, desejos, tendências,
valores e emoções em geral, na qual PIAGET (1974), aponta que há aspecto do
afeto que se desenvolve.
Segundo SCOZ (1994), uma das primeiras tarefas do educando é o resgate
da autoestima do educando, pois ninguém consegue aprender se não conseguir
investir na própria aprendizagem se não tiver o desejo de aprender e acreditar nas
suas possibilidades. Então cabe ao professor, oferecer aos seus alunos
oportunidades de acertos, experiências positivas que conduzam ao desejo de
continuar aprendendo pra continuar acertando.
O aluno não recebe o fracasso escolar como um desafio a ser superado,
afinal, isso é maturidade que a criança não possui. Será necessário que o professor
presenteie seu aluno com um recurso valioso: o elogio, que é altamente reforçador
do sucesso.
O domínio do campo afetivo, expressa CHALITTA (1998), vai desde a parte
física de reconhecimento de sensações e percepções até a percepção subjetiva de
vivências, sejam estas conscientes ou inconscientes.
24
Embora tudo isso esteja na dependência de fatores como temperamento,
humor e traços de personalidade que configuram cada um de nós, a verdade é que
a afetividade, segundo CHALITTA (1998), penetra em todos os aspectos da vida
psíquica, influência e é influenciada por todos os demais processos psíquicos, como
motivação, memória, percepção, inteligência, pensamento, linguagem e vontade.
O estudo das emoções acompanha a evolução da ciência e observa-se o
interesse em compreender o ser humano em suas reações mais íntimas e em suas
atuações no meio em que vive.
Atualmente, entre os autores que mais se destacam nesse campo, pode-se
referir GARDNER (1995), que propôs a teoria das inteligências múltiplas, e
GOLEMAN (1995), que revolucionou o conceito de inteligência e emoções, com a
obra intitulada “Inteligência Emocional”.
Podemos dizer que o campo de estudos referentes à inteligência, é
dominado por duas teorias: a da inteligência emocional e a das inteligências
múltiplas. Essas teorias, na realidade, não se contrapõem, mas se complementam.
WALLON (1975), afirma que:
As emoções são a exteriorizações da afetividade (...) É nelas que se
assentam os exercícios gregários, que são uma forma primitiva de
comunhão e de comunidade. As relações que elas tornam possíveis afinam
os seus meios de expressão, e fazem deles instrumentos de sociabilidade
cada vez mais especializados. (p.143).
Na teoria de WALLON (1975), a dimensão afetiva ocupa lugar central, tanto
no ponto de vista da construção da pessoa, quanto ao conhecimento. A emoção é
vista como um instrumento de sobrevivência, típico da espécie humana; se não
fosse pela capacidade de mobilizar poderosamente o ambiente no sentido do
atendimento de suas necessidades, o bebê humano pereceria. O autor apresenta
muitos
subsídios
à
reflexão
pedagógica,
não
somente
por
estudar
o
desenvolvimento da pessoa completa numa perspectiva dialética, mas, também por
tratar das emoções, formações da personalidade, pensamento entre outros.
Além de sua teoria psicogenética, que traz inúmeras implicações
educacionais, WALLON (1975), desenvolveu ideias acerca da educação onde
enfoca que nas interações ocorrem crises e conflitos; é importante conhecer os
motivos destas manifestações para controlá-las e defendê-las. Para o autor:
25
Somos pessoas completas, com afeto, cognição e movimento.
Relacionamo-nos com um aluno que também é uma pessoa completa,
integral, com afeto, cognição e movimento. Somos componentes
privilegiados do meio de nosso aluno, onde o desenvolvimento não é linear
e contínuo, e sim o desenvolvimento é dialético.
(1975, p. 147).
WALLON (1975), afirma que: a emoção é a exteriorização da afetividade: é
um fato fisiológico nos seus componentes hormonais e motores e, ao mesmo tempo,
um comportamento social na sua função de adaptação do ser humano ao seu meio.
A emoção, antes da linguagem, é o meio utilizado pelo recém-nascido para
estabelecer uma relação com o mundo externo. “a razão é o destino final do
homem”.
SALTINI (2003), explicita que a inter-relação do professor com o grupo de
alunos e com cada um individualmente, se dá a todo momento, seja na sala ou no
pátio, e é em função dessa proximidade afetiva que se dá a interação com os
objetos e a construção de um conhecimento altamente envolvente. Essa interrelação é o fio que conduz, o suporte afetivo do conhecimento.
Para o referido autor, a relação exercida entre professor/aluno possibilita
grande aquisição de conhecimento, cada momento que é compartilhado pelos
mesmos enriquece o aprendizado. CUNHA (2008), também afirma que:
A sala de aula ao revestir-se de sua humanidade, com laços de
compreensão e entendimento, com atividades dinâmicas e desejantes, com
participação ativa do aluno e nutrida por seu interesse, poderá tornar o
aprendizado surpreendente. (p.85).
Esta pedagogia afetiva, é esta linha que deveríamos seguir em sala de aula,
demonstrando afeto, sensibilidade, respeito, responsabilidade, dedicação, empatia e
principalmente compromisso com o que se faz. Com isso podemos verificar a boa
aceitação dos alunos em desejar absorver o que está sendo transmitido por parte do
professor, esta confiança quando adquirida, se torna mutua.
5.0-A AUTOESTIMA E A APRENDIZAGEM
Aprender o valor do autocontrole na infância, segundo SOUZA (2002), não
significa apenas ser passivo, pelo contrário, significa ter capacidade de discriminar
os contextos apropriados para falar, brincar, rir... É preciso aproveitar o melhor das
possibilidades da infância nas diferentes situações, de forma a beneficiar-se com o
que tais situações podem proporcionar ao seu desenvolvimento.
Crianças não aprendem sozinhas, precisam de apoio para aprenderem a
manter seu comportamento direcionado a uma meta, com aprendizagem consistente
de valores que as guiem.
Segundo BRIGGS (2000), a autoestima das crianças não é formada
unicamente em uma fase, mas eternamente construída e sujeita a mudanças, por
isso a base familiar e escolar desta criança deve ser segura e confiante para que
possa superar as dificuldades da vida com mais facilidade.
A escola está, a todo o momento, buscando mudanças para que possa
melhorar a qualidade do ensino e, o professor em sua formação continuada tem
contato com novas metodologias que sugerem o respeito pela produção do aluno,
valorizando o que consegue fazer e incentivando o que pode vir a fazer.
Necessariamente o professor, segundo OLIVEIRA (1998), deve rever as
práticas pedagógicas que apenas preocupam-se com o conteúdo a ser trabalhado,
avaliando somente o lado cognitivo, e com isso, desprezando o que o aluno tem a
oferecer ou precisa receber, que é a afetividade nesta relação, favorecendo assim,
um melhor desempenho.
No entanto, alguns professores temem esta mudança na postura por
considerar
liberalismo
sem
repressão,
despertando
no
aluno
a
rebeldia,
agressividade por não apresentar referencial de limites, porém, o que se pretende
não é tirar a autoridade pedagógica do professor, mas sim, o autoritarismo que faz
da relação escolar, um momento de dor, medo e lembranças tristes.
Neste momento, observa-se que todos nós lembramos de alguns
professores que marcaram nossa vida, uns de maneira alegre e amorosa, outros de
forma dolorosa, por ter nos feito passar por situações vexatórias ou humilhantes
diante da turma, fazendo com que a figura do mesmo se tornasse monstruosa.
27
É obvio que a afetividade tem grande influência em nossa vida, pois quem
gosta de ser maltratado por outra pessoa em uma loja, no cinema? E de ser
chamada atenção de maneira grossa na frente de outras pessoas? Ninguém nasceu
para sofrer ou fazer outro sofrer. Desta forma, o aluno também tem o direito de
receber tratamento que o respeite enquanto cidadão e que trate o outro da forma
como vem recebendo atenção.
Vale ressaltar que, todas as relações iniciam a partir do momento que as
limitações de um são respeitadas, o que favorece o reconhecimento das limitações
do outro. A afetividade nas relações, segundo SOUZA (2002), deve ser recíproca e
permeada em valores verdadeiramente humanos.
Ensinar e aprender é o estabelecimento de uma relação de causa e efeito, é
produto da troca das informações e das experiências pessoais entre aprendiz e
mestre. Nessa troca, segundo OLIVEIRA (1998), ninguém sai ileso e os resultados
serão marcantes e especiais, na medida em que marcantes e especiais forem o
empenho, a responsabilidade e as influências mútuas de quem ensina aprendendo e
de quem aprende se educando.
Neste relacionamento educador- educando o vínculo afetivo será um grande
facilitador no processo de ensino aprendizagem, pois, pela criação de um forte
vínculo afetivo, a criança não se sentirá sozinha, facilitando, assim, seu aprendizado.
Certamente o clima criado será de prazer, acolhimento, alegria, companheirismo, ou
seja, prazerosamente o conteúdo será apresentado, as dificuldades serão
percebidas e acolhidas como parte do processo, auxiliando-a, desta forma, na
superação das dificuldades.
A criança interage livremente com aquilo que descobre à sua volta, sem a
influência de ideias preconcebidas. Manipula, experimenta e explora. A criança, cuja
curiosidade é aceita como válida, recebe a luz verde para aprender.
Infelizmente, algumas crianças aprendem muito cedo a não aprender. Como
isto acontece? É comum a criança utilizar determinado brinquedo ou produtos de
outra forma, pois a curiosidade faz com que esta manipulação seja guiada pela
imaginação; porém, por uma questão de segurança, TIBA (1999), as investigações
devem ser, em certos casos, limitadas, mas as frequências excessivas destas
28
limitações são desnecessárias. Suas necessidades de descobrir não encontram
apoio e a curiosidade é eliminada para evitar a desaprovação.
Logo, a indagação e a experimentação do desconhecido formam a base do
progresso em todos os campos. Se essas qualidades, que existem em todas as
crianças forem eliminadas, elas sentir-se-ão diminuídas por desejar saber e serem
broqueadas.
As crianças não só precisam de uma atmosfera que estimule a curiosidade e
a exploração, como também precisam de amplos contatos com uma grande
variedade de experiências. Para BRIGGS (2000: p,26), “toda criança precisa do
máximo de experiência direta possível. Só dessa maneira ela pode chegar a
conhecer o seu ambiente pessoal.”
As escolas oferecem, evidentemente, grande ênfase à palavra falada e a
escrita, uma prática utilizada no lar, que desenvolve uma habilidade muito valorizada
na escola, a linguagem escrita. No entanto, podemos estimular a criança a falar
através dos exemplos familiares respeitando as suas ideias e sentimentos. A
comunicação realmente aberta só floresce num clima de segurança.
Saber ouvir alguém, pensar a respeito do que foi dito por essa pessoa, é,
segundo SOUZA (2002), uma forma de valorizar aquilo que ela falou, é a melhor
maneira de iniciar um relacionamento, pois, todas as pessoas têm necessidade de
ser ouvidas. Assim, quando se age desta maneira, caminha-se na direção de um
diálogo franco, aberto, tendo oportunidade de descobrir o que a outra pessoa
realmente quer.
A maior dificuldade encontrada em sala de aula, ainda afirma o mesmo
autor, está relacionada à necessidade que os alunos têm de serem ouvidos,
respeitados em suas ideias e como sujeitos construtores da história cultural. Logo,
apresentam
comportamentos
diferenciados
para
serem
notados
e
assim,
conseguirem a atenção do outro, geralmente, do professor.
Uma prática que está se tornando comum em algumas escolas é de
encaminhar a criança que apresenta este comportamento a Sala de Orientação
Educacional. O orientador ao ouvir essa criança sabe que seu retorno à sala será
com outra postura, haja vista que conseguiu ser ouvido e trocou ideias com o outro,
atitude esta que o faz sentir respeitado.
29
Sabe-se que não se pode atribuir a todo tipo de inadequação em sala de
aula do aluno um problema de autoestima, porém, em sua grande maioria,
BARRIOS (2002) afirma, é a razão das dificuldades nos relacionamentos. Por isso, a
necessidade de valorização pessoal de cada um contribui para um bom
desempenho do aluno quer na vida escolar como pessoal.
Vale ressaltar que sempre que a criança apresenta alguma dificuldade em
aprender é importante descobrir a causa. A criança, cujas necessidades emocionais
não são satisfeitas, tem menos probabilidade de conseguir êxito na escola. O
homem com fome, não tem motivação para aprender. Ele tem primeiro, que matar
sua fome para depois se concentrar no estudo. A criança que está convencida de
ser um fracasso tem pouca motivação para tentar. E a criança com um acúmulo de
repressão, não tem muita energia para enfrentar os desafios da escola, porém, os
desafios tornam-se interessantes quando se pode enfrentá-los e a autoconfiança é o
primeiro segredo do sucesso.
BRIGGS (2000, p.169), afirma em suas observações e análises que,
a causa mais comum do bloqueio ao aprendizado, particularmente em
crianças de famílias da classe média, vem da pressão indevida que sofrem
para atingir certas metas que estão além de sua capacidade.
Todavia o excesso de ambição é recebido pela criança como falta de
aceitação. Expectativas muito altas significam decepções grandes. E as decepções
prejudicam a autoestima. Elas acabam com a energia e a criança passa a ter menos
interesse e curiosidade.
Outro obstáculo ao crescimento intelectual, diz TIBA (1999), é uma disciplina
tolerante, protetora ou rígida demais. Os pais dominadores aumentam a hostilidade,
a dependência e a inadequação, sentimentos que bloqueiam o funcionamento
intelectual. Pais excessivamente protetores, ou pais que se recusam a estabelecer
limitações fazem com que as crianças se sintam incapazes e não amadas. Essas
atitudes são negativas para a autoestima, que por sua vez afeta a motivação de
aprender.
A disciplina democrática desenvolve o crescimento intelectual, estimulando a
participação, o raciocínio, o pensamento criativo e a responsabilidade. A divisão do
poder no estabelecimento de regras tem um papel importante no estímulo à
competência mental. O estudo de GOLEMAN abordado por BRIGGS (2000), mostra
30
que o maior fator para motivar a criança a aprender é a imagem que tem de si, é o
sentimento de que “Eu tenho um certo controle do meu destino”.
É perceptível que as crianças que apresentam facilidade em aprender, tem
sua autoconfiança intensificada a medida que essa facilidade aumenta com o tempo.
Elas tem confiança, a certeza de serem amadas, ficam à vontade com os outros,
pensam de maneira mais original. Em suma, apresentam as características de uma
elevada autoestima. Entretanto, as crianças que são dependentes, menos seguras
de ser amadas, menos capazes de participar de projetos próprios, e que precisam
de muita atenção, apresentam dificuldades de aprender.
Estudos, segundo BRIGGS (2000), apresentam que uma autoestima
elevada afeta acentuadamente o modo pelo qual a criança utiliza as habilidades de
que dispõe. É certo que outro obstáculo ao aprendizado surge quando as linhas de
comunicação estão obstruídas, ou fechadas.
As crianças que se saem bem em suas atividades escolares, vêm, em geral,
de famílias onde há muita comunicação. Quando pais e filhos interessam-se
carinhosamente pelas atividades mútuas e, quando os filhos se sentem seguros em
partilhar suas ideias e seus sentimentos, SOUZA (2002), afirma o crescimento
cognitivo e emocional é estimulado.
Ao examinar os obstáculos do aprendizado não se pode desconhecer a
importância das boas escolas, dos professores influentes e dos currículos flexíveis,
ligados aos interesses das crianças. As crianças autoconfiantes e motivadas,
segundo MENESES (2000), podem perder o estímulo de aprender quando se veem
em salas de aula muito cheias, com professores incompetentes que usam
metodologias ultrapassadas.
Além disso, quando as crianças têm uma participação ativa nas atividades
escolares que estão de acordo com seus interesses, elas reagem de maneira muito
diferente do que quando são tratadas como simples recipientes vazios, onde se
despeja o conhecimento velho dos manuais.
BRIGGS (2000, p.57), define a importância da afetividade na vida de uma
criança como: “Auxiliar as crianças a desenvolver sua autoestima é a chave de uma
aprendizagem bem sucedida.”
31
Logo, as intenções dos professores terão maiores possibilidades de se
concretizarem se as convivências com os alunos lhes proporcionarem satisfação por
serem quem são. Não se pode desconhecer, ou ignorar, a característica mais
importante da criança – seu grau de autorrespeito.
Paulo Freire (1996), explicita que não há educação sem amor, sem o mesmo
a profissão de docentes será apenas um ganha pão, sabemos das dificuldades
enfrentadas e como a convivência escolar é complicada, mas o que seria da prática
pedagógica se não houvesse amor pelo que se faz, é imprescindível a existência da
afetividade na relação professor aluno para que efetivamente haja aprendizagem
satisfatória.
Por definição o professor é o elemento chave no bom sucesso de uma
escola,
nas
relações
humanas
dentro
dela,
no
rendimento
escolar,
no
aproveitamento dos alunos. O educador, segundo SISTO (2000), deve ser cidadão
consciente, possuindo uma visão crítica de mundo (ou de si), para poder propor
situações de aprendizagem para a vida, com base em princípios e valores (éticos
morais e religiosos).
Educador mal preparado não terá êxito no seu trabalho escolar: Segundo
BEAN et. al (1995), a autoestima afeta o aprendizado, neste contexto teórico da
educação tratam como fator preponderante a construção de autoconhecimento do
aluno e a afetividade como base na construção de laços fortes de confiança entre
ambas as partes, ou seja, entre aluno/ professor.
CONCLUSÃO
Pensar na construção de uma sociedade escolar mais justa e solidária é
refletir sobre os valores e afetos que fazem a diferença humana nas relações
escolares no dia-a-dia. Através deste estudo foi possível confirmar as expectativas
sobre a educação que MENEZES (2000, p.13) acredita como, “a boa educação é
aquela que promove gostosamente a diferença humana, preparando para a vida.”
Nesta perspectiva verifiquei que afetividade, moral e educação estão
intrinsecamente ligadas à aprendizagem. A afetividade influencia de maneira
significativa a forma pela qual os seres humanos resolvem os conflitos de natureza
moral. A organização do pensamento leva em conta o sentimento, e o sentir também
configura a forma de pensar. Nesse sentido, a afetividade perpassa o funcionamento
psíquico, assumindo papel organizativo nas ações e reações.
Família e escola devem trabalhar juntas para ajudar a criança a desenvolver
todas as partes de si mesma, de modo a ser livre para aprender e criar. Só o
respeito à sua total originalidade permite à criança o desenvolvimento da própria
capacidade individual.
A criança precoce ou não, aproveitará o apoio e a conversa franca sobre o
seu crescimento. As crianças que se desenvolvem mais devagar irão se beneficiar
muito com o desenvolvimento de habilidades específicas. A competência compensa
o “fracasso” de um corpo franzino, ou de crescimento lento.
Apesar da consciência e das habilidades, a criança poderá se lamentar
sobre seu desenvolvimento se esse estiver visivelmente em desacordo com o de
seus companheiros. Logo, a apreciação da natureza humana é fundamental para a
autoestima na vida de toda criança. Vale ressaltar que, os seres humanos adaptamse e ajustam-se até mesmo aos ambientes psicológicos mais desfavoráveis,
portanto, a tendência para um desenvolvimento sadio floresce até mesmo nas
pessoas que tiveram poucos estímulos psicológicos e que já estão em idade
avançada.
Algumas escolas adotam ainda práticas que valorizam o crescimento
cognitivo dos alunos desconsiderando o emocional, por isso as crianças terão mais
33
probabilidade de efetuar o que prometem se participarem de um clima que lhes
permitam crescer no momento adequado, à sua própria maneira.
As crianças precisam de compreensão afetiva quando atravessar o difícil
caminho da dependência para a independência. Se forem dados os elementos
básicos necessários, elas só terão como alternativa gostar de si próprias.
Vale ressaltar que a criança saudável é verdadeira consigo mesma, o que
lhe assegura a integridade pessoal. Ela faz o que pode com o que tem e isso lhe dá
uma paz interior. Há um ditado popular que diz: “Eu não posso estar bem com
alguém se não estou bem comigo mesma”.
O que a criança sente em relação a si mesma afeta seu modo de viver. Uma
autoestima elevada baseia-se na convicção que a criança tem que ser amada e
valorizada, precisando saber que é importante justamente porque existe.
Ao sentir-se competente para lidar consigo mesma e com o ambiente que a
cerca, a criança percebe que tem algo para oferecer aos outros, por isso a
autoestima elevada não é pretensão: é a tranquila aceitação da criança em ser
quem é.
É fundamental que os professores saibam que toda a criança tem o
potencial de gostar de si mesma, e que aprende a ver a si mesma tal qual as
pessoas importantes que a cercam a veem, pois, ela constrói sua autoimagem a
partir das palavras, da linguagem corporal, das atitudes e dos julgamentos dos
outros.
A promoção da afetividade é um terreno em que se torna difícil propor
sugestões já que as necessidades das crianças são diferentes. Assim, por exemplo,
o que é útil para uma criança impulsiva pode não ser para uma inibida, daí a
necessidade do uso de recursos e metodologias variadas pelo professor.
Neste sentido, a escola deve ser um ambiente aberto ao debate da
cidadania, da liberdade, da responsabilidade, da justiça social, do respeito. Uma
organização que aprende e que seja capaz de ensinar. O aluno deve apresentar um
comportamento ativo e livre no processo de aprendizagem, dando-lhe uma
sensação de autodireção e decisão.
34
As escolas devem também se preocupar com a formação deste professor
que hoje tem um perfil de mediador, de orientador no processo ensinoaprendizagem, buscando ou formando profissionais que incluam em sua visão
educacional a dimensão emocional como fundamental para o bom desempenho do
aluno.
É importante ressaltar que o funcionamento psíquico humano não é
composto somente pelos aspectos cognitivos, mas que os sentimentos e emoções
também configuram o pensamento. Quanto mais humanos formos maior será a
nossa capacidade de amar, mais divinos nos tornaremos.
A mente humana é o depósito de todas as experiências, de todos os
condicionamentos que são delineados perante as exigências impostas. Faz parte da
natureza errar: o grande desafio é saber aceitar as limitações e amar outros seres
tão imperfeitos quanto nós.
Em um mundo cada vez mais conturbado, que exige uma formação maior
dos profissionais da educação responsáveis pela educação moral e afetiva do ser
humano, conseguir manter princípios coerentes, na forma de pensar sobre os
desafios para a aprendizagem significativa, pode ser uma arma poderosa na mão de
educadores conscientes de seu papel na sociedade.
Ter como características pessoais a manutenção de estados emocionais
positivos, alegres, satisfeitos e felizes podem trazer consequências benéficas para a
educação e para os alunos de maneira específica. Por outro lado, pessoas infelizes,
tristes, tendem a demonstrar maior instabilidade em sua forma de resolver conflitos
de natureza moral.
Em suma, hoje pensamos que educar significa também preocupar-se com a
construção e organização da dimensão afetiva das pessoas, afinal a escola, para
cumprir seu papel, deve ser um lugar de vida e, sobretudo, de sucesso e realização
pessoal para alunos e professores. A experiência entre professor e aluno promove o
ser, reduz a angústia, facilita os acertos da vida, conduzindo-os a vencer desafios da
afetividade e educação na conquista da aprendizagem significativa.
Diante disso, observa-se que as crianças que vivem com expectativas
realistas, encontros autênticos, cooperação nas tarefas da individualidade, aceitação
35
compreensiva de todos os sentimentos, mesmo quando se limitam os atos e,
disciplina democrática se sentirá amada.
Com esta sólida base interior, o potencial se expandirá, as crianças serão
motivadas, criativas e terão um objetivo na vida. Elas se relacionarão bem com os
outros, terão paz interior, resistência às tensões, e maior oportunidade de realizar
seus desejos. E é pela forma de relacionar-se com o outro que imaginamos como as
pessoas são e sua influência dos relacionamentos infantis e juvenis na vida adulta.
Para BRIGGS (2000, p.27) “A chave da paz interior e da vida feliz é a
autoestima elevada, pois é ela que está por trás de todo relacionamento bemsucedido com os outros.”
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