UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO Dissertação de Mestrado em Psicologia Clínica Perceção do suporte familiar e desempenho escolar: Estudo comparativo entre adolescentes institucionalizados e adolescentes que vivem com as suas famílias. SILVANA VIEIRA TEIXEIRA ORIENTADOR: PROF. DOUTOR J. C. GOMES DA COSTA COORIENTADORA: PROF. DOUTORA CRISTINA ANTUNES VILA REAL, 2015 2 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO ESCOLA DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO E PSICOLOGIA Perceção do suporte familiar e desempenho escolar: Estudo comparativo entre adolescentes institucionalizados e adolescentes que vivem com as suas famílias. SILVANA VIEIRA TEIXEIRA Dissertação apresentada à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro para efeitos de obtenção do Grau de Mestre em Psicologia Clínica sob a orientação do Professor Doutor José Carlos Gomes da Costa e a coorientação da Professora Doutora Maria Cristina Quintas Antunes. Constituição do Júri: Professora Doutora Ana Paula Vale Professor Doutor Ricardo Barroso Professora Doutora Cristina Antunes Vila Real, 2015 3 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Índice Introdução……………………………………………………………………………………...5 1. Estudo I: Adaptação do Inventário de Perceção de Suporte Familiar (IPSF) numa amostra de adolescentes portugueses: Estudo da validade fatorial e consistência interna……….…….7 1.1. Resumo……………………………………………………………………………8 1.2. Abstract……………………………………………………………………….…...9 1.3. Introdução…...………………………………………………………………….. 10 1.4. Método…………………………………………………………………………...15 1.4.1. Participantes……………………………………………………………15 1.4.2. Instrumento………………………………………………………….....16 1.4.3. Procedimentos………………………………………………………….18 1.4.4. Análise Estatística……………………………………………………...19 1.5. Resultados………………………………………………………………………..20 1.6. Discussão………………………………………………………………………...22 1.7. Referências………………………………………………………………………28 2. Estudo II: Perceção do suporte familiar e desempenho escolar: Estudo comparativo entre adolescentes institucionalizados e adolescentes que vivem com as suas famílias.……..........34 2.1. Resumo…………………………………………………………………………..35 2.2. Abstract…………………………………………………………………………..36 2.3. Introdução………………………………………………………………………..37 2.4. Método…………………………………………………………………….……..43 2.4.1. Participantes……………………………………………………………43 2.4.2. Instrumentos………………………….……………………………......43 2.4.3. Procedimentos………………………………………………………….44 2.4.4. Análise Estatística………………………………………………….......45 4 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES 2.5. Resultados……………………………………………………………………….46 2.6. Discussão………………………………………………………………………...51 2.7. Referências………………………………………………………………………57 Considerações Finais…………………………………………………………………………66 Anexos 5 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Introdução O suporte social apresenta significativas repercussões ao nível do processo desenvolvimental de todos os seres humanos no decurso de todo o seu ciclo vital. Segundo Cobb (1976, citado por Cobb & Jones, 1984) a perceção de suporte social consiste na crença que o sujeito possui de que é amado, estimado e aceite pelos que o rodeiam. Esta perceção construída potencializa sentimentos de afeição, valorização, reconhecimento, compreensão, cuidado e proteção (Campos, 2004) pelo que opera como um amortecedor face aos eventos stressores que permeiam o contexto vivencial do sujeito (Baptista, 2005; Folger & Wright, 2013; Gage, 2013), permitindo desta forma a manutenção do seu ajustamento emocional e comportamental (Baptista, 2007). O suporte social pode ser outorgado por todos os elementos que interagem com o sujeito nomeadamente familiares, amigos, vizinhos, colegas e professores (Antunes & Fontaine, 2005; Haber, 2010). Estudos na área têm demonstrado que o suporte familiar é o tipo de suporte social mais estável, sendo também o que fomenta maiores benefícios para o salutar desenvolvimento dos sujeitos (Antunes & Fontaine, 2000, 2005; Gülaçti, 2010). Tendo em conta que a adolescência é uma fase desenvolvimental que se carateriza por um período de vulnerabilidade a nível psicossocial motivado pelas constantes transformações físicas e cognitivas que ocorrem no sujeito (Eccles, 1999; Shaffer & Kip, 2010, 2014), o suporte familiar pode apresentar maior relevância nesta fase. Assim, quando o adolescente se sente amado, estimado e reconhecido no seio familiar revela maiores índices de ajustamento psicossocial (Antunes, 2006; Antunes & Fontaine, 2005) o que facilita a sua socialização e edificação da identidade (Antunes, 2006). Do mesmo modo o suporte social, particularmente o familiar, tem sido comummente associado com o percurso escolar dos jovens, com especial enfoque para o seu desempenho escolar (Carrilho, 2012; Gordon & Cui, 2012; Hopson & Lee, 2011; Oliveira 2010; Witkow & Fuligni, 2011). 6 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Estudos recentes também têm evidenciado a influência do contexto de desenvolvimento na perceção do suporte familiar e no desempenho escolar dos estudantes. Face ao exposto, a presente investigação baseia-se na Teoria Ecológica do Desenvolvimento Humano de Bronfenbrenner (1977) pretendendo um conhecimento mais aprofundado dos principiais microssistemas dos adolescentes — a família, ou na sua ausência a instituição de acolhimento, e a escola — uma vez que estes contribuem em larga escala para o desenvolvimento psicológico, comportamental e académico, bem como para a formação da identidade do sujeito, influenciando não apenas o seu percurso vivencial presente mas também futuro. Assim e tendo em conta as evidências empíricas apontadas pela principal literatura sobre o assunto, o objetivo central da presente investigação é analisar se a perceção do suporte familiar e o desempenho escolar dos adolescentes se encontram relacionados. Para dar resposta a este objetivo inicialmente apresenta-se um estudo de adaptação do Inventário de Perceção de Suporte Familiar de Baptista (2009), a adolescentes portugueses do 6º ao 12º ano de escolaridade, através da análise das suas propriedades psicométricas como sendo a consistência interna e a estrutura fatorial (estudo I). De seguida procede-se à análise da relação entre a perceção do suporte familiar e o desempenho escolar dos adolescentes, controlando a variável institucionalização, e realiza-se posteriormente a comparação destas duas variáveis em função do contexto de desenvolvimento do adolescente — família ou instituição (estudo II). Importa destacar a existência de uma base de dados comum para os dois estudos pelo que quando necessário procede-se à seleção dos casos e dados a analisar. 7 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES ESTUDO I ADAPTAÇÃO DO INVENTÁRIO DE PERCEÇÃO DE SUPORTE FAMILIAR (IPSF) NUMA AMOSTRA DE ADOLESCENTES PORTUGUESES: ESTUDO DA VALIDADE FATORIAL E CONSISTÊNCIA INTERNA. ADAPTATION OF THE FAMILY SUPPORT PERCEPTION INVENTORY IN SAMPLE OF PORTUGUESE ADOLESCENTS: STUDY OF VALIDITY FACTOR AND INTERNAL CONSISTENCY. Silvana Vieira Teixeira José Carlos Gomes da Costa Maria Cristina Quintas Antunes Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro 8 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Resumo O suporte familiar tem sido usualmente apontado pela literatura da área como um importante elemento que contribui para o desenvolvimento humano na medida em que condiciona diversas áreas do funcionamento físico e mental dos indivíduos. Este constructo pode ser ainda mais significativo na adolescência devido à grande vulnerabilidade que acomete esta fase desenvolvimental, facilitando o saudável ajustamento biopsicossocial dos jovens. Desta forma, o presente artigo teve como objetivo determinar algumas propriedades psicométricas de um instrumento desenvolvido por Baptista (2009) para avaliar a perceção do suporte familiar, o Inventário de Perceção de Suporte Familiar (IPSF). Para o efeito, procedeu-se ao estudo da sua consistência interna e estrutura fatorial através da análise em componentes principais numa amostra populacional de 350 adolescentes portugueses do 6º ao 12º ano de escolaridade, de ambos os géneros. Os resultados apontam para uma consistência interna bastante satisfatória (α total=.91) do IPSF e, após se ter pedido a extração das três dimensões, a estrutura fatorial revelou-se muito semelhante à original. Conclui-se que esta versão do IPSF parece apresentar qualidades psicométricas satisfatórias quando utilizada em amostras semelhantes à do presente estudo. Palavras-chave: perceção de suporte familiar, adolescência, consistência interna, análise fatorial. 9 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Abstract Family support has usually been pointed out by the referred literature as an important process that contributes to human development affecting several areas of individuals’ physical and mental functioning. Family social support can be even more significant in adolescence due to the high vulnerability of this developmental phase, facilitating healthy psychosocial adjustment of youngsters. Thus, this study aimed to determine the psychometric properties of an instrument developed by Baptista (2009) to assess the perception of family support, which is the Family Support Perception Inventory (IPSF). To this aim, we proceeded to study its internal consistency and factorial structure throughout principal component analysis in a sample of 350 Portuguese adolescents attending 6th to 12th grade, of both genders. The results indicated that the IPSF had quite satisfactory internal consistency (α = .91) and its factor structure in three dimensions proved to be very similar to the original. It is concluded that this version of IPSF appears to have satisfactory psychometric properties when used on samples similar to the one used in the present study. Keywords: perception of family support, adolescence, reliability, factor analysis. 10 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES O constructo suporte social tem sido amplamente estudado ao longo dos últimos anos pela importância que acarreta no desenvolvimento físico e mental de todos os sujeitos. Um dos pioneiros no estudo deste conceito foi Cobb (1976, citado por Cobb & Jones, 1984) que definiu a perceção de suporte social como sendo a convicção, por parte do sujeito, de que é amado, estimado e pertencente a redes sociais. Desde então, muitos outros autores se têm debruçado sobre o estudo desta temática e várias aceções tem surgido referentes ao termo suporte social. Para Antunes e Fontaine (2005), o suporte social refere-se ao conjunto de funções que a rede de relações sociais do sujeito executa no sentido de o coadjuvar perante determinados eventos do seu quotidiano e segundo Campos (2004) este resulta da presença de relacionamentos e interações sociais capazes de fomentar no sujeito um sentimento de bem-estar psicológico. Assim, o suporte social pode ser caracterizado como a existência de contactos constantes, próximos e compensadores (Kerr, Preuss, & King, 2006) entre o sujeito e os elementos sociais circundantes, que fortalecem a dinâmica psicológica e contribuem para o desenvolvimento afetivo, físico e cognitivo do sujeito (Gülaçti, 2010). Por sua vez, Matsuda, Tsuda, Kim, e Deng (2014) defendem que este conceito diz respeito aos recursos materiais e psicológicos de natureza social que dotam o sujeito de estratégias de coping. Existem três tipos fundamentais de suporte social: o suporte emocional que proporciona aos sujeitos sentimentos de amor, segurança, pertença, compreensão e valorização, fomentando a sua autoestima; o suporte informacional, que se baseia no aconselhamento, atribuição de feedback e sugestões com vista à resolução dos problemas que o sujeito possui; e finalmente o suporte instrumental, que se configura pelo fornecimento de auxílio e serviços no âmbito das necessidades do sujeito, promovendo assim um decréscimo da sua ansiedade emocional e psicossomática (Haber, 2010). Segundo Oliveira, Mendonça, Coimbra, e Fontaine (2014) é neste último que é incluída a assistência material e financeira. 11 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Desta forma, o suporte social representa uma “fonte de assistência emocional, informativa e instrumental” (Gage, 2013, p. 406) que pode advir de familiares, amigos, vizinhos, colegas, professores e outros elementos circundantes do contexto do indivíduo (Antunes & Fontaine, 2005; Haber, 2010). Estas interações sociais refletem reciprocidade e afetividade entre as partes envolvidas (Gottlieb & Bergen, 2010), sendo que a quantidade e os efeitos que o suporte acarreta no sujeito difere do interveniente que o fornece (Wang & Eccles, 2012). Do mesmo modo, o suporte social que é percebido pode divergir do suporte social recebido na medida em que o suporte recebido compreende as ações que os outros executam no sentido de prestar assistência ao sujeito (Barrera, 1986), enquanto o suporte percebido consiste na avaliação cognitiva e subjetiva que este executa com base nos recursos e nas relações que tem disponíveis (Graça, 2008). Embora a principal literatura sobre o assunto evidencie consequências mais significativas referentes ao suporte social percebido em detrimento do suporte social recebido (Goodwin, Costa, & Adonu, 2004), Pierce, Sarason, Sarason, Joseph, e Henderson (1996) argumentam que as duas formas de suporte social se encontram altamente relacionadas uma vez que a perceção construída pelo indivíduo estará sujeita às interações estabelecidas com os outros. O suporte social assume uma ampla importância no desenvolvimento do ser humano ao longo de todo o ciclo vital. Nesta perspetiva, são vários os estudos que evidenciam a relevância deste constructo em várias áreas do funcionamento físico e mental dos indivíduos. No que concerne à saúde física, a literatura existente tem demostrado que a presença de suporte social principalmente proveniente das pessoas significativas para o sujeito é um recurso profícuo que promove o ajustamento perante o diagnóstico de doenças crónicas (Alonso, Muszkat, Yacubian, & Caboclo, 2010; Baker, Owens, Stern, & Willmot, 2009) pois facilita o processo de readaptação face as circunstâncias de vida emergentes (Rigotto, 2006) e 12 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES mitiga os índices de ansiedade a elas associados (Wodka & Barakat, 2007). Simultaneamente o suporte social apresenta inúmeros benefícios na saúde psicológica do sujeito, uma vez que contribui para o incremento de sentimentos positivos sobre si, nomeadamente ao nível do autoconceito e da autoestima (Antunes, 2006; Antunes & Fontaine, 2005; Arslan, 2009; Rueger, Malecki, & Demaray, 2010). De igual modo, o suporte social promove a redução de sintomas depressivos (Rueger et al., 2010) e de stress (Campos, 2004), a satisfação com a vida (Matsuda et al., 2014; Siedlecki, Salthouse, Oishi, & Jeswani, 2013) e o bem-estar subjetivo (Campos, 2004; Siedlecki et al., 2013), o que estimula uma maior significação e valorização perante a vida (Aragão, Vieira, Alves, & Santos, 2009). Neste sentido, o sentimento de proteção e auxílio que advém da experiência subjetiva de suporte social (Campos, 2004) influencia os comportamentos adotados (Aragão et al., 2009) e ameniza o impacto dos eventos stressores (Aragão et al., 2009; Folger & Wright, 2013; Gage, 2013). No período da adolescência, o suporte social apresenta um papel crucial na socialização e edificação da identidade (Antunes, 2006) bem como no processo de ajustamento psicossocial (Antunes, 2006; Antunes & Fontaine, 2005). Estudos nesta área têm ainda encontrado evidências que sustentam que o suporte social está relacionado com a realização escolar. Assim, Rueger et al. (2010) ao analisarem o ajustamento académico dos adolescentes em função dos vários tipos de suporte social perceberam que todas as fontes de suporte (pais, professores, colegas, amigos e escola) se encontram relacionadas com a atitude perante a escola. Ahmed, Minnaert, Werf, e Kuyper (2010) verificaram que a perceção do suporte social acarreta consequências ao nível da realização escolar na disciplina de matemática, ao contribuir para o incremento de crenças motivacionais e das experiências emocionais adaptativas dos alunos. Igualmente, outros estudos têm revelado que o suporte social se encontra correlacionado com a adesão à escola, a participação em atividades extracurriculares, a identificação com a escola, a valorização subjetiva da aprendizagem 13 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES (Wang & Eccles, 2012) e o envolvimento comportamental e emocional no contexto escolar (Estell & Perdue, 2013). Através da análise da literatura atual tem-se verificado que o suporte social da família é o que apresenta benefícios mais acentuados para o salutar desenvolvimento dos sujeitos, apresentando substancialmente maior relevância na fase da adolescência (Antunes & Fontaine, 2005) pela grande vulnerabilidade que esta apresenta, pautada por mudanças biológicas e cognitivas que, inevitavelmente, acarretam impacto a nível psicossocial (Eccles, 1999; Shaffer & Kip, 2010, 2014). Neste estágio desenvolvimental, ocorre uma modificação na importância atribuída aos relacionamentos, nomeadamente no que respeita às fontes de suporte (Hombrados-Mendieta, Gomez-Jacinto, Dominguez-Fuentes, Garcia-Leiva, & Castro-Travé, 2012) e à perceção que se possui do mundo envolvente (Arslan, 2009). Neste sentido Gülaçti (2010) refere que a família é a primeira e principal fonte de interação social, sendo que com o início da adolescência o sujeito começa a desenvolver novas relações e interações com o seu ambiente próximo. Também Antunes (2006) ressalta que este período desenvolvimental é marcado por alterações na forma como o sujeito se relaciona com os outros, uma vez que o adolescente passa a atribuir mais valor ao grupo de pares, estabelecendo assim novas redes de suporte social, processo que se deve sobretudo à necessidade psicológica do adolescente se tornar progressivamente mais autónomo dos seus progenitores (Eccles, 1999; Sapienza & Pedromônico, 2005). Porém, observa-se que o desenvolvimento de novas relações e interações sociais não anula a importância dos pais (Antunes & Fontaine, 2000; Wang & Eccles, 2012) que continuam a ser a mais importante fonte de suporte instrumental ao longo de toda a adolescência (Hombrados-Mendieta et al., 2012; Valle, Bravo, & López, 2010). Gülaçti (2010) corroborou estes resultados ao mostrar com a realização do seu estudo, que apenas a perceção do suporte social da família é preditora de bem-estar subjetivo, visto a 14 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES perceção do suporte social recebido dos amigos ou outras figuras significativas não o ser. Da mesma forma, Rueger et al. (2010) encontraram evidências de que o suporte dos pais é o único capaz de prever médias elevadas nas notas académicas, ilustrando assim a importância do suporte parental no sadio ajustamento dos adolescentes. Neste sentido conclui-se que embora durante a adolescência emerjam novas e importantes redes de suporte social, nomeadamente dos pares, dos professores e dos colegas, o suporte outorgado pela família prevalece como o mais importante e estável tipo de suporte percebido pelos adolescentes (Antunes & Fontaine, 2000). Na esfera familiar, os relacionamentos afetivos particularmente os que oferecem proteção e afeto assumem-se como cruciais (Leandro, 2001). Nesta perspetiva, Olson, Russell, e Sprenkle (2014) descreveram três dimensões essenciais que possibilitam a manutenção de uma saudável dinâmica familiar, sendo elas a coesão familiar, a adaptabilidade e a comunicação. A coesão familiar diz respeito aos vínculos emocionais entre os membros da família; a adaptabilidade consiste na flexibilidade que a família mostra para lidar com situações emergentes e se transformar; e a comunicação abrange os estilos comunicativos que possibilitam a partilha de sentimentos e de necessidades entre os vários membros da família. Leandro (2001) acrescenta que nas relações intrafamiliares ocorre um investimento afetivo que reflete a existência simultânea de intimidade entre os familiares e de autonomia pautada pelo estabelecimento de fronteiras pessoais. Posto isto, o suporte social da família comummente denominado de suporte familiar pode ser entendido como um constructo multidimensional que abarca um conjunto de características psicológicas existentes entre os membros integrantes do seio familiar (Baptista, 2005). Assim, as famílias que fornecem suporte são aquelas em que se verifica expressividade dos sentimentos afetivos, interesse pelo outro, proximidade afetiva, acolhimento, respeito e empatia, diálogo e interações positivas, bem como relações de 15 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES confiança, autonomia e privacidade entre os membros. Estas famílias tendem ainda a exibir consistência e adaptação aos papéis e regras estabelecidas no âmbito familiar, bem como estratégias adaptativas de resolução dos problemas (Baptista, 2007). Baseando-se nestes pressupostos teóricos sobre os critérios que sustentam a dinâmica familiar e tendo em conta a escassez de instrumentos psicométricos apropriados para medir o suporte familiar, Baptista (2005) desenvolveu um instrumento para a avaliação deste constructo no Brasil, a que deu o nome de Inventário de Perceção de Suporte Familiar (IPSF). Conhecendo a pertinência incontestável que a perceção do suporte familiar acarreta para a manutenção do saudável desenvolvimento pessoal dos membros da família e consequente funcionamento familiar, torna-se fundamental a construção, adaptação e validação de instrumentos proficientes na medição específica deste constructo. Desta forma, o presente artigo tem como objetivo geral analisar as propriedades psicométricas do Inventário de Perceção de Suporte Familiar de Baptista (2009), aplicado a estudantes portugueses, perspetivando a sua futura utilização no contexto de atuação do profissional de Psicologia e, particularmente, a sua adaptação a adolescentes portugueses do 6º ao 12º ano de escolaridade. Para dar resposta a este objetivo, torna-se pertinente a formulação de objetivos específicos os quais se referem à análise da fidelidade/consistência interna e à identificação/confirmação da estrutura fatorial do instrumento supracitado através da análise em componentes principais. Método Participantes O estudo das características psicométricas do IPSF foi realizado numa amostra de conveniência constituída por 350 adolescentes, de ambos os géneros, sendo que 57.1% (n=200) da amostra era do género masculino e 42.9% (n=150) do género feminino. Os participantes deste estudo frequentavam o 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico (84%, n= 294) e o 16 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Ensino Secundário (16%, n= 56) de escolas públicas pertencentes à zona norte de Portugal. Os critérios de inclusão previamente definidos fundamentaram-se no facto de os inquiridos e respetivos encarregados de educação anuírem a participação no estudo, os adolescentes residirem com a sua família (nuclear, alargada ou de acolhimento) e possuírem idade igual ou superior a 11 anos, requisito estipulado de acordo com os critérios do Inventário de Perceção de Suporte Familiar. Assim, a amostra foi constituída por estudantes com idades compreendidas entre os 11 e os 20 anos, com uma média de idades de 13.64 anos (e desviopadrão de 1.88 anos), dos quais 92.9% residiam com a sua família nuclear, 6.9% com a família alargada e 0.3% com uma família de acolhimento. Importa salientar que no âmbito da realização da análise fatorial, a literatura define que o tamanho da amostra deve ser estabelecido tendo em conta o número de itens que o instrumento comporta. Assim, as investigações realizadas nesta área reiteram a norma de utilizar como requisito mínimo o número de cinco indivíduos por item sendo que idealmente a proporção deveria ser de dez sujeitos por cada variável do instrumento (Hair, Black, Babin, Anderson, & Tatham, 2006). No presente estudo foi realizada uma tentativa de cumprir o critério de dez sujeitos por item. Porém a não-devolução e invalidação de alguns questionários impossibilitou esse feito. Não obstante, este estudo satisfaz o requisito mínimo de cinco participantes por item (itens do IPSF=41; n=350) perfazendo um número superior a oito sujeitos por cada variável estudada. Instrumento Foi utilizado o Inventário de Perceção de Suporte Familiar desenvolvido por Baptista (2009) para avaliar a perceção de suporte familiar no Brasil, em sujeitos com idades compreendidas entre os 11 e os 60 anos. Para a sua execução, Baptista (2009) baseou-se nos instrumentos internacionais pré-existentes que mediam constructos análogos e procedeu à concretização de um estudo, com uma amostra de 100 alunos universitários da área de 17 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Psicologia, através do qual procurava conceções sobre as características de uma família ideal. Para chegar à versão final do IPSF o autor realizou várias versões, sendo a definitiva constituída por 42 itens ordenados em três dimensões designadas pelo autor por: afetivoconsistente (21 itens), adaptação familiar (13 itens) e autonomia familiar (oito itens). Os itens do instrumento são de resposta tipo Likert em três níveis (“quase nunca ou nunca”, “às vezes”, e “quase sempre ou sempre”), verificando-se que quanto maior o valor do somatório total no instrumento, mais elevada é a perceção do suporte familiar do sujeito. Salienta-se que na dimensão adaptação familiar é necessário proceder à inversão da cotação dos itens. A versão portuguesa do IPSF foi traduzida e aplicada preliminarmente por Baptista, Gonçalves, Carneiro, e Silva (2013). Para o presente artigo, foi utilizada uma versão alternativa facultada por Baptista (anexo A), o autor original do inventário, com base nos estudos que o mesmo estava a realizar em Portugal, tendo o autor eliminado um item da versão original, visto apresentar reduzida carga fatorial e substituído alguns itens por outros com maior adequação ao contexto português. Não obstante a ausência de uma adaptação/ validação desta versão do IPSF para a população portuguesa, publicada no decurso da realização deste estudo, levantou a necessidade de se proceder à adaptação do IPSF utilizando a já referida amostra de adolescentes portugueses do 6º ao 12º ano de escolaridade. Assim, esta versão portuguesa inclui 41 itens que permitem avaliar e compreender a perceção que o sujeito constrói sobre o suporte familiar que lhe é proporcionado. À semelhança do que acontece com o IPSF na versão do Brasil, o inventário encontra-se subdividido em três dimensões. A primeira dimensão, denominada afetivo-consistente, é constituída por 22 itens (3, 5, 6, 8, 10, 14, 17, 18, 19, 20, 21, 23, 24, 25, 26, 27, 31, 35, 36, 38, 40, 41) relacionados com a expressão de afetividade e consistência na família, nomeadamente, interesse, proximidade, comunicação, interações adequadas, respeito e empatia, consistência nas regras, comportamentos e diálogos, bem como a resolução de 18 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES problemas. A segunda dimensão, designada adaptação familiar, comporta 11 itens (12, 13, 15, 16, 22, 29, 32, 33, 34, 37, 39) sobre sentimentos e condutas negativas e desajustadas em relação à família, como sendo sentimentos de raiva, isolamento, exclusão, vergonha, agressividade, conflitos, entre outros, sendo de ressaltar que estes itens irão ser invertidos para se efetuar a pontuação total. Finalmente, a terceira dimensão, nomeada autonomia, abarca oito itens (1, 2, 4, 7, 9, 11, 28, 30) que se prendem com o estabelecimento de relações de confiança, independência e privacidade entre os membros da família. Nesta versão do instrumento construída para Portugal, os itens têm resposta tipo Likert em quatro níveis: “nunca”, “poucas vezes”, “muitas vezes” ou “sempre”, com pontuação de zero a três. Sendo assim, quanto mais elevada for a pontuação do sujeito, mais elevado é o nível de suporte familiar por ele percebido. Paralelamente a este instrumento foi também administrado um questionário sociodemográfico, pretendendo recolher alguns dados de identificação dos sujeitos inquiridos nomeadamente o género, a idade, a escolaridade e com quem residiam (anexo B). Procedimentos Num primeiro momento foi realizada uma pesquisa sobre a variável em estudo (perceção do suporte familiar) e instrumentos existentes para a sua avaliação. Assim, foi solicitada ao autor do Inventário de Perceção de Suporte Familiar a sua autorização para efetuar uma adaptação deste instrumento a uma amostra de adolescentes portugueses do 6º ao 12º ano de escolaridade, unicamente para propósitos de investigação. A escolha por este instrumento deveu-se ao facto de o mesmo ter sido desenvolvido exclusivamente para medir a variável da perceção do suporte familiar e apresentar índices satisfatórios de validade de constructo e confiabilidade (Baptista, 2005). Este instrumento de avaliação apresenta ainda as vantagens de ser de autorrelato, de fácil aplicação e interpretação e parcimonioso visto apenas ser 19 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES necessário o protocolo de resposta, podendo ser aplicado quer individual, quer coletivamente, desde que a dimensão da amostra não seja muito numerosa. Após o autor do instrumento ter autorizado a sua utilização para fins da presente adaptação e ter informado acerca da execução de alguns estudos conduzidos por si, em colaboração com outros investigadores no contexto português, facultou uma versão alternativa do IPSF que foi construída baseada nos resultados obtidos através desses estudos e que englobava a substituição/ reformulação de alguns itens que seriam mais ajustados à conjuntura portuguesa. Foi nesta versão que nos baseamos para a realização do presente estudo. Posto isto, o primeiro passo na recolha dos dados prendeu-se com o estabelecimento de contactos com as instituições envolvidas, neste caso as escolas nas quais se realizou a colheita. Neste sentido, procedeu-se ao agendamento de reuniões com a direção das escolas, nas quais foram entregues os respetivos ofícios (anexo C) e facultadas todas as informações respeitantes ao decorrente estudo. Após ter sido proferido despacho favorável à realização do estudo nas escolas contactadas, foi necessário solicitar a autorização aos respetivos encarregados de educação, pelo que foram entregues aos adolescentes que iriam ser inquiridos, por meio dos diretores de turma, pedidos de autorização por escrito nos quais constavam os objetivos da investigação e a garantia de anonimato, bem como da confidencialidade dos dados (anexo D). Num segundo momento, após a comunicação das autorizações por parte dos encarregados de educação, os dados foram recolhidos através de questionários aplicados coletivamente no contexto sala de aula pelos respetivos diretores de turma, exigência estabelecida pelas escolas. Análise Estatística No seguimento da recolha, procedeu-se à análise e tratamento dos dados, recorrendo-se ao programa informático Statistical Package for the Social Science (SPSS), versão 20.0. 20 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Primeiramente foi necessário recodificar todos os itens da dimensão dois (adaptação familiar), invertendo-os, e de seguida agruparam-se os itens do IPSF de acordo com as dimensões nas quais se encontram. No âmbito dos procedimentos estatísticos, recorremos inicialmente à estatística descritiva, para determinar as frequências, médias e desvios-padrão dos dados sociodemográficos, apresentados na caracterização da amostra. Para dar resposta ao objetivo orientado para a adaptação deste instrumento a uma amostra de adolescentes portugueses do 6º ao 12º ano de escolaridade foram analisadas algumas características do IPSF nomeadamente a fidelidade, com recurso ao método alfa de Cronbach e a validade fatorial através da análise em componentes principais, com rotação varimax atendendo ao facto de se pressupor que os três fatores do IPSF (afetivo-consistente, adaptação familiar e autonomia) não estão correlacionados entre si (Hair et al., 2006; Pestana & Gageiro, 2005). Antes de se concretizarem estas análises foi realizado o teste Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) e o teste de esfericidade de Bartlett, pretendendo averiguar a qualidade das correlações entre as variáveis, o que sustenta o processo de análise fatorial (Pestana & Gageiro, 2005). Resultados Para aferir a validade da matriz dos dados, inicialmente foi realizado o teste KaiserMeyer-Olkin (KMO) e o teste de esfericidade de Bartlett. Assim, estes testes revelaram a presença de correlação entre as variáveis (Teste de Bartlett p≤.001), podendo esta ser considerada muito boa (KMO=.90). Estes resultados indicam que se pode prosseguir com a análise fatorial. Foi executada uma análise fatorial exploratória obtida com recurso ao método de extração das componentes principais, seguida de uma rotação varimax que convergiu em cinco iterações. De acordo com o critério de Kaiser ficam retidos os fatores que apresentam saturação ou valor próprio superior a [1] pelo que no presente estudo ficariam retidos nove fatores que explicavam 57.86% da variância total. No entanto, esta solução é bastante díspar 21 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES da encontrada pelo autor do IPSF (Baptista, 2009) que apontava três dimensões. Desta forma, realizou-se nova análise fatorial especificando a extração de três fatores. Com esta solução fatorial pedida, os três fatores retidos explicam 39.80% da variância total, observando-se que a primeira dimensão explica 25.77%, a segunda dimensão explica 8.31% e a terceira dimensão explica 5.71% da variância. A análise dos resultados mostra que na presente amostra a maioria das comunalidades das variáveis se encontra abaixo do requisito mínimo de .50 com exceção dos itens 1, 2, 21, 29, 33, 34, 37 e 39 (anexo E). Com base nos resultados obtidos pela matriz de componentes rodada (anexo E), a primeira dimensão denominada afetivo-consistente comporta 22 itens do instrumento (3, 6, 8, 9, 10, 14, 17, 18, 10, 20, 21, 23, 24, 25, 26, 27, 31, 35, 36, 38, 40, 41), a segunda dimensão nomeada adaptação familiar agrupa 12 itens (4, 12, 13, 15, 16, 22, 29, 32, 33, 34, 37, 39) e a terceira engloba sete itens relacionados com a autonomia do sujeito no âmbito familiar (1, 2, 5, 7, 11, 28, 30). A fim de avaliar a consistência interna de cada fator do Inventário de Perceção de Suporte Familiar e da escala total na presente amostra, recorreu-se ao coeficiente alfa de Cronbach que permitiu observar valores bastante satisfatórios na maioria das escalas. Os resultados obtidos demonstraram para a dimensão afetivo-consistente α=.91; para a dimensão adaptação familiar α=.87 e na dimensão autonomia α= .62. Relativamente a todos os itens que constituem o instrumento, ou seja ao IPSF total, foi encontrado um α=.91 constatando-se que no geral este instrumento possui boa consistência interna. No que respeita aos valores de alfa de Cronbach encontrados para os dois géneros, tal como é possível observar na tabela 1, a amostra feminina apresenta um α ligeiramente superior nas dimensões afetivo-consistente, autonomia e no IPSF total e a amostra masculina apresenta um alfa de Cronbach um pouco mais elevado no fator da adaptação familiar. 22 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Tabela 1. Comparação do Alfa de Cronbach por Fatores do IPSF e Estratos da Amostra. Alfa de Cronbach (α) Fatores Amostra Total Género Masculino (n=350) (n=200) Género Feminino (n=150) Afetivo.91 .90 .91 Adaptação .87 .88 .85 Autonomia .62 .54 .75 IPSF Total .91 .89 .94 Consistente Discussão Tendo em consideração os objetivos definidos no presente estudo, foram investigadas algumas características psicométricas do Inventário de Perceção de Suporte Familiar desenvolvido por Baptista (2009). Foi empregue neste estudo uma versão alternativa fornecida pelo referido autor, a qual integrava itens próprios para o contexto português. No decurso deste artigo, estudou-se a fidelidade e a validade fatorial desta versão alternativa do IPSF, com recurso a uma amostra de 350 adolescentes que frequentavam a escolaridade compreendida entre o 6º e o 12º ano. No que respeita aos objetivos do estudo, em primeiro lugar foram efetuados testes de validade fatorial para determinar a presença dos fatores teóricos propostos pelo autor da escala e de correlações entre esses fatores. De acordo com Pestana e Gageiro (2005) o modelo fatorial apenas pode ser empregue quando este critério está preenchido pois, caso contrário, existe a possibilidade das variáveis não partilharem dimensões comuns, inviabilizando a utilidade do instrumento na estimação das mesmas. Assim, foram utilizados 23 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES os testes de aderência Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) e Bartlett que verificaram a matriz de correlação entre as variáveis do IPSF e encontraram, para a amostra estudada, um valor de .90 no KMO e p≤.001 no teste de esfericidade de Bartlett. Field (2009) recomenda que o valor obtido através do teste KMO seja superior a .50 e que o valor do teste de esfericidade se apresente como significativo, ou seja p <.05, o que pressupõe a rejeição da hipótese nula de que a matriz de correlações corresponde a uma matriz de identidade. Os resultados obtidos no presente estudo (KMO=.90, p≤.001) sugerem correlações muito boas entre as variáveis estudadas (Pereira, 2006; Pestana & Gageiro, 2005) o que suporta o processo de análise fatorial. Baseando-nos no critério de Kaiser que postula que os fatores retidos são aqueles com valor próprio superior a um (Pestana & Gageiro, 2005), os resultados do presente estudo encontraram uma estrutura fatorial discordante do modelo original visto os 41 itens serem agrupados em nove fatores sugerindo uma superestimação dos fatores. No entanto, tendo em conta que a extensão desta solução não é de todo compatível com a original, exigiu-se uma solução fatorial que convergisse em três fatores como a enunciada por Baptista (2009). Esta solução fatorial parece pouco satisfatória no que respeita às comunalidades uma vez que a maioria dos itens não alcançou valores aceitáveis ou seja superiores a .50 (Hair et al., 2006; Pasquali et al., 2010) excecionando os itens 1, 2, 21, 29, 33, 34, 37 e 39 o que sugere que nestes a solução fatorial obtida representa boa parte da sua variância (Hair et al., 2006; Pestana & Gageiro, 2005). Importa referir que estamos perante uma versão muito exploratória do IPSF sendo de ressalvar os reduzidos valores de comunalidades encontrados nesta amostra. Na presente análise, após se especificar a extração de três componentes, encontrou-se uma estrutura fatorial muito semelhante com a obtida por Baptista (2009). Não obstante, ocorreram algumas variações como sendo nos itens cinco e nove inicialmente pertencentes ao 24 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES fator um e três respetivamente, que foram invertidos. Assim no presente estudo o item cinco satura melhor no último fator e o item nove no primeiro fator. Tendo em conta a significação do item cinco “a minha família sente-se mais próxima entre si do que com pessoas de fora” os resultados podem destacar uma maior autonomia dos elementos para se relacionarem com o contexto extrafamiliar em detrimento de uma maior afetividade e consistência na família. Por sua vez o item nove “a minha família faz-me sentir capaz de cuidar de mim, mesmo quando estou sozinho” pode relacionar-se mais com o contexto de proximidade afetiva e acolhimento na família do que propriamente com a autonomia do sujeito. Verificou-se também que o item quatro “a minha família aceita-me como sou”, inicialmente da terceira dimensão, emergiu na segunda dimensão do IPSF sugerindo que o facto de a família aceitar a maneira de ser dos adolescentes se encontra menos relacionada com a sua autonomia e mais com o esforço realizado pela família para se adaptar ao modo de vida dos seus elementos. Sublinha-se ainda a presença de dois itens da primeira dimensão (três e dez) que saturam em duas dimensões apresentando cargas fatoriais muito semelhantes. Estes dados evidenciam a existência de características comuns que possibilitam que estas variáveis avaliem duas dimensões do IPSF. Relativamente à variância total os três fatores explicam 39.80% do constructo perceção de suporte familiar. Segundo Hair et al. (2006) a variância deve ser igual ou superior a 50%. Assim, podemos afirmar que na presente amostra as dimensões afetivo-consistente, adaptação familiar e autonomia não representam grande parte da variável perceção de suporte familiar, encontrando-se ainda muita coisa por explicar. Convém, contudo, referir que tal como mencionado por O’Grady (1982, citado por Damásio, 2012) os constructos psicológicos são bastante difíceis de serem compreendidos e explanados pelo que a variância explicada nunca será muito elevada. De igual modo, as escalas de Likert incitam a inexatidão da avaliação quando se pretende compreender o comportamento humano. 25 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES A consistência interna diz respeito à homogeneidade/uniformidade que deve estar patente entre todos os enunciados que formam o instrumento de avaliação, apresentando-se como uma forma de avaliar a sua fidelidade. Assim, embora o instrumento possa estar fragmentado em várias dimensões que pretendem medir diferentes aspetos do mesmo constructo, todas elas se encontram relacionadas entre si, sendo que quanto maior é a correlação entre todos os enunciados do instrumento de medida, maior é a consistência interna do mesmo (Fortin, Côté, & Filion, 2009). Para determinar a consistência interna do IPSF, foi utilizado o coeficiente alfa de Cronbach (α) que revelou que o instrumento possui valores bastante aceitáveis de fidelidade na maioria das escalas (afetivo-consistente α=.91; adaptação familiar α=.87; autonomia α=.62; IPSF total α=.91). Segundo Maroco e Garcia-Marques (2006), o valor do alfa de Cronbach deve variar numa escala de zero a um, sendo que uma maior aproximação com o um reflete índices mais elevados de consistência e fiabilidade do instrumento. Do ponto de vista estatístico, o presente instrumento assinalou consistência interna muito boa (α > .9) no fator afetivo-consistente e na escala total; boa (α= .8-.9) no fator adaptação familiar; e fraca (α=.6-.7) no terceiro fator respeitante à autonomia (Pestana & Gageiro, 2005). Os resultados obtidos neste último fator podem dever-se à heterogeneidade da amostra que apresenta idades muito díspares visto serem compreendidas entre os 11 e os 20 anos e por conseguinte refletirem diferentes estádios desenvolvimentais em que os adolescentes participantes se encontram. Nesta perspetiva, é expectável que os adolescentes com mais idade detenham maior autonomia deferida pela família comparativamente com os adolescentes mais novos, o que explica a reduzida consistência que o instrumento espelha nesta dimensão. Importa ressaltar que foi neste fator que se encontraram diferenças mais acentuadas no que respeita ao alfa de Cronbach nos géneros o que também pode ter contribuído para uma mais baixa fidelidade nesta dimensão do IPSF. Considerando a 26 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES classificação de Pestana e Gageiro (2005) neste fator o instrumento possui, para o género feminino um alfa razoável (α=.75) enquanto para o género masculino apresenta um α de .54 considerado inadmissível. Ainda em relação à consistência interna, verifica-se a existência de um item “problemático” nesta dimensão do IPSF. O item 11 “a minha família concorda com o meu estilo de vida”, englobado neste fator, apresenta um desvio-padrão muito elevado (DP=1.84), baixa correlação com três itens da mesma dimensão (1, 28 e 30) e a sua eliminação aumenta a consistência interna do fator passando de .62 para .71. Tendo em conta os resultados obtidos, esta versão do Inventário de Perceção de Suporte Familiar parece apresentar características psicométricas satisfatórias no que se refere à consistência interna, sendo um instrumento fiável e consistente quando aplicada a amostras similares à utilizada no presente estudo. De igual modo a estrutura fatorial encontrada apresenta-se concordante com a sugerida pelo autor do instrumento pelo que se pode pressupor que esta versão do IPSF apresenta validade fatorial. Observa-se porém a existência de um item problemático (11). Assim, este item para além de diminuir a consistência interna do instrumento também apresenta pouca validade fatorial dado apresentar um limitado valor nas comunalidades (.088) e de carga fatorial (.238) sendo, de todos os itens, o que apresenta os valores mais reduzidos. Alguns autores defendem que as cargas fatoriais devem ser superiores a .30 para serem consideradas como proeminentes (Brown, 2006; Worthington & Whittaker, 2006) pelo que o item 11 seria um item a eventualmente retirar ou a reformular numa versão definitiva deste instrumento caso se verifique a obtenção de resultados análogos em estudos de análise fatorial confirmatória. Com a concretização deste estudo, espera-se contribuir para melhorar a qualidade de um instrumento que pode servir como um recurso de avaliação psicológica complementar, particularmente para os psicólogos que operam no contexto das famílias, possibilitando uma 27 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES mais abrangente compreensão das realidades familiares e dos padrões de funcionamento das famílias. A avaliação da perceção do suporte familiar poderá permitir o desenvolvimento de intervenções mais focalizadas e eficazes para trabalhar com todas as formas de família e especialmente com as famílias disfuncionais, conhecendo assim as suas particularidades e as suas vicissitudes através da perceção que as crianças e adolescentes têm do suporte que lhes é proporcionado. Este questionário apresenta vantagens pois é um instrumento acessível, parcimonioso e o formato de autorrelato permite uma maior proximidade com as realidades vivenciadas pelos sujeitos. Importa ressaltar algumas limitações da presente investigação como sendo a utilização de uma versão alternativa e não-publicada do IPSF e de uma amostra de conveniência específica (idades entre 11 e 20 anos), inviabilizando os dados de serem generalizados. Assim, embora a estrutura fatorial deste instrumento tenha identificado boas propriedades psicométricas e revelado índices aceitáveis de fidelidade e validade fatorial, novas investigações devem ser levadas a cabo para clarificar estes resultados, nomeadamente por meio de análises fatoriais confirmatórias e recorrendo a amostras probabilísticas estratificadas aleatórias, bem como a diversos contextos/populações, como sendo amostras clínicas. 28 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Referências Ahmed, W., Minnaert, A., Werf, G., & Kuyper, H. (2010). Perceived social support and early adolescents’ achievement: The mediational roles of motivational beliefs and emotions. 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Silvana Vieira Teixeira José Carlos Gomes da Costa Maria Cristina Quintas Antunes Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro 35 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Resumo A perceção de suporte familiar parece estar relacionada com o desempenho escolar dos estudantes na adolescência. Neste sentido, o presente artigo teve como objetivo analisar a relação entre estes dois constructos, procedendo também à comparação da perceção de suporte familiar e do desempenho escolar em função de dois contextos desenvolvimentais dos adolescentes, ou seja, a família ou instituição de acolhimento. A amostra foi constituída por 402 estudantes de ambos os géneros que frequentavam a escolaridade compreendida entre o 6º e o 12º ano, residindo em contexto familiar ou institucional. Para a recolha dos dados foi utilizado um questionário com questões sociodemográficas, questões relacionadas com o contexto escolar, nomeadamente o desempenho escolar dos alunos nas disciplinas de português e matemática, e o Inventário de Perceção de Suporte Familiar (IPSF). Os resultados apuraram que os adolescentes não-institucionalizados apresentam maior adaptação familiar (p≤.001) e melhor desempenho escolar nas disciplinas de português (p≤.01) e matemática (p≤.05) quer se encontrem a frequentar o ensino básico ou secundário, o que permite concluir que o contexto familiar pode influenciar o desenvolvimento escolar na adolescência. Palavras-chave: perceção de suporte familiar, desempenho escolar, adolescência, institucionalização. 36 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Abstract The family support perception seems to be related to the academic performance of students during adolescence. In this sense, this article aims to analyze the relationship between these two variables and comparing its relation between adolescents living in two different familial contexts: family or institution. The sample consisted of 402 students of both gender who attended 6th to 12th grades, living in family or institutional context. For data collection it was used a questionnaire with sociodemographic questions, questions related to the school context including the academic performance on Portuguese and mathematics, and the Family Support Perception Inventory (IPSF). The results evidenced that non-institutionalized adolescents have higher perceptions of family adaptation (p≤.001) and better school performance in Portuguese (p≤.01) and mathematics (p≤.05) whether they are attending elementary or secondary education. Results are discussed on the importance of familial environment for the development of adolescents’, particularly in school context. Keywords: family support perception, academic achievement, adolescence, institutionalization. 37 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Na adolescência ocorre um processo desenvolvimental que, segundo a Teoria Ecológica do Desenvolvimento Humano de Bronfenbrenner (1977) resulta da interação constante entre o sujeito e o seu meio ambiente. Nesta fase, a família e a escola configuram os ambientes mais imediatos, ou microssistemas, dos jovens, pelo que ocupam um papel central na sua formação (Bronfenbrenner, 1994/2002). No decorrer deste período, a escola representa o contexto vivencial onde os adolescentes despendem mais quantidade de tempo, sendo por isso o meio privilegiado para que desenvolvam a sua identidade e projetem o seu futuro (Eccles & Roeser, 2011). De acordo com Serbin, Stack, e Kingdon (2013), o sucesso escolar durante a adolescência é crucial para o desenvolvimento dos sujeitos uma vez que precede a existência de trajetórias profissionais e sociais de êxito no decorrer da vida futura, conjeturando resultados de saúde mental mais benéficos, nomeadamente ao nível da redução dos sintomas depressivos e de uma melhoria na satisfação com a vida (Liem, Lustig, & Dillon, 2009; Maurizi, Grogan-Kaylor, Granillo, & Delva, 2013). Perante estes dados, constata-se a necessidade de promover o desenvolvimento de competências nos mais diversos contextos académicos (Denissen, Zarrett, & Eccles, 2007). Ao longo das últimas décadas, vários estudos têm tentado compreender e explicar os determinantes associados ao desempenho escolar e ao consequente sucesso ou insucesso escolar dos alunos. Segundo Diniz, Piccolo, Couto, Salles, e Koller (2013) o desempenho escolar assenta em três competências básicas como sendo a leitura, a escrita e a aritmética. Há evidências de que o rendimento académico dos adolescentes pode ser influenciado por fatores pessoais do sujeito, bem como por fatores contextuais dos quais se destacam os familiares (Li, Lerner, & Lerner, 2010; Miranda, Almeida, Boruchovitch, Almeida, & Abreu, 2012). Os principais fatores pessoais que se encontram associados ao rendimento académico prendem-se sobretudo com a capacidade cognitiva (Karbach, Gottschling, Spengler, 38 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Hegewald, & Spinath, 2013; Machado, 2011a; Miranda et al., 2012) e com a autoeficácia do sujeito (Alivernini & Lucidi, 2011). No que respeita aos fatores familiares, vários estudos têm associado o funcionamento e ajustamento escolar com inúmeras variáveis do contexto familiar, nomeadamente o nível educativo dos pais (Gordon & Cui, 2012; Machado, 2011a; Miranda et al., 2012; Potter & Roksa, 2013), as expetativas dos pais referentes à escola (Bowen, Hopson, Rose, & Glennie, 2012; Eccles, 2005; Gordon & Cui, 2012) e o envolvimento parental nas vivências quotidianas, particularmente as escolares, dos seus filhos (Chase, Hilliard, Geldhof, Warren, & Lerner, 2014; Cia, Pamplin, & Williams, 2008; Gordon & Cui, 2012; Li et al., 2010), constatando-se que este último se encontra positivamente relacionado com o rendimento académico dos adolescentes (Wang & Eccles, 2011). Segundo Cheng, Ickes, e Verhofstadt (2012), também o suporte familiar se afigura como uma componente crucial para o desempenho académico pois facilita o ajustamento positivo do adolescente ao meio escolar, operando como um preditor das notas académicas dos sujeitos (Rueger, Malecki, & Demaray, 2010). Entende-se por suporte familiar o conjunto de características psicológicas existentes entre os elementos do seio familiar (Baptista, 2005) que se manifesta pela expressividade dos sentimentos afetivos, interesse pelo outro, proximidade afetiva, acolhimento, respeito e empatia, diálogo e interações positivas, bem como relações de confiança, autonomia e privacidade entre os membros e que compreende a adaptação aos papéis e regras estabelecidas no âmbito familiar, bem como estratégias adaptativas de resolução dos problemas (Baptista, 2007). Importa destacar que a perceção que o sujeito constrói do suporte que recebe por parte da sua família pode, por vezes, ser distinta do suporte familiar que efetivamente lhe é oferecido, uma vez que o sujeito concretiza uma avaliação subjetiva que pode ser enviesada por erros de interpretação (Baptista, 2009). 39 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Segundo Campos (2004), quando o sujeito possui uma perceção satisfatória do suporte que lhe é fornecido, evidencia maiores sentimentos de afeição, valorização, reconhecimento, compreensão, cuidado e proteção por parte dos que o rodeiam, integrando informações e recursos partilhados que lhe permitem lidar de forma mais adaptativa com o contexto circundante. Este tipo de suporte é o mais significativo para o desenvolvimento do ser humano, visto apresentar um efeito moderador perante os acontecimentos stressores que podem surgir no quotidiano dos sujeitos (Baptista, 2005; Mombelli, Costa, Marcon, & Moura, 2011), permitindo a manutenção do seu ajustamento emocional e comportamental (Baptista, 2007). Destarte, uma quantidade significativa de investigações internacionais têm pesquisado o efeito que o suporte outorgado pelos membros da família suscita no aproveitamento escolar dos estudantes. O suporte familiar percebido pelo sujeito constitui-se como um preditor positivo do desempenho académico uma vez que perceções mais elevadas do suporte social familiar têm sido correlacionadas positivamente com pontuações mais elevadas nas notas médias dos estudantes (Cheng et al., 2012; Dumont et al., 2012; Gordon & Cui, 2012; Hopson & Lee, 2011; Serbin et al., 2013; Witkow & Fuligni, 2011). Outros estudos têm encontrado efeitos indiretos do suporte familiar no rendimento escolar, mediados pelos processos envolvidos na aprendizagem. Neste sentido, Román, Cuestas, e Fenollar (2008) verificaram que o suporte familiar influencia as abordagens da aprendizagem, incrementando o processamento profundo, o esforço e a autoestima dos estudantes. Também Alivernini e Lucidi (2011) constataram que a perceção do suporte orientado para a autonomia por parte do contexto circundante favorece no indivíduo o aumento da competência percebida e da autoeficácia académica que se correlacionam de forma positiva com o rendimento escolar dos adolescentes. 40 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Em Portugal, a literatura existente também tem evidenciado associações positivas entre as variáveis familiares nomeadamente a interação e o suporte familiar com o desempenho académico (Carrilho, 2012; Oliveira, 2010) verificando-se que, quando os adolescentes possuem uma rede de suporte familiar de qualidade, demonstram níveis superiores de competência académica (Oliveira, 2010). Contrariamente, quando as relações familiares dos jovens são pautadas por dificuldades de relacionamento com os pais, observa-se a existência de problemas de comportamento, bem como baixo rendimento académico (Feitosa, Matos, Del Prette, & Del Prette, 2005). Estes resultados destacam a importância que a família e em especial os progenitores acarretam para a vida dos adolescentes ao promover o saudável desenvolvimento e ajustamento psicossocial, a longo prazo, dos estudantes (Demaray, Malecki, Davidson, Hodgson, & Rebus, 2005). No entanto, alguns estudos têm encontrado evidências contraditórias que não corroboram a existência de associações entre o suporte social familiar e o desempenho académico. Murray (2009) verificou que a influência dos relacionamentos de suporte com os progenitores se assemelha à influência que as outras relações estabelecidas exercem sobre a competência escolar percebida pelos alunos. Também Hogan et al. (2010) e Bowen et al. (2012) constataram com os seus estudos que o suporte social da família não se revelou um preditor significativo do rendimento académico dos estudantes. Sabendo que a família pode influenciar o percurso escolar dos adolescentes e as suas perceções e expetativas relativas ao contexto escolar (Costa, 2013) pode-se postular que diferentes contextos desenvolvimentais culminam em diferentes resultados académicos obtidos. Neste sentido, Salvador (2007) concluiu através do seu estudo que os jovens pertencentes a contextos familiares saudáveis revelam um desempenho académico significativamente superior em comparação com os adolescentes expostos a meios familiares 41 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES de risco. Segundo Delgado (2006), quando as vivências familiares são permeadas por risco ocorre um comprometimento no desenvolvimento físico, afetivo e psíquico que afeta na íntegra o bem-estar dos adolescentes. Perante consideráveis graus de risco, verifica-se a intervenção de redes formais que segundo o decreto-lei nº 147/99 de 1 de Setembro (Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo) pretendem minimizar as situações de risco em que as crianças e jovens se encontram (Diário da República, 1999), culminando na sua retirada do ambiente natural e na colocação ao abrigo de medidas de promoção e proteção, como sendo o acolhimento institucional (Guibord, Bell, Romano, & Rouillard, 2011). Assim, a institucionalização é uma resposta social que visa acolher crianças e jovens que se encontram inseridos em contextos de vida desfavoráveis ou situações de risco resultantes da incapacidade que os progenitores revelam para exercer as suas responsabilidades parentais (Segurança Social, 2014). Estas crianças e jovens são desprovidos de condições familiares estáveis, capazes de garantir o seu saudável desenvolvimento biopsicossocial, sendo por isso afastadas do seu seio familiar e integradas em instituições (Segurança Social, 2014) que passam a ser o seu microssistema mais próximo (Bronfenbrenner, 1994/2002). Tendo em conta que as crianças e jovens inseridas neste contexto revelam contactos mais esporádicos ou até mesmo inexistentes com o núcleo familiar (Mota & Matos, 2010), as perceções de suporte social familiar tendem a ser menores (Arteaga & Valle, 2003; Brandão, 2011). Os estudos sobre o desempenho escolar elaborados neste contexto denotam que os adolescentes institucionalizados, em comparação com os adolescentes nãoinstitucionalizados, apresentam maiores índices de retenção escolar (Diniz et al., 2013; Ferreira, 2013; Machado, 2011b) e classificações mais baixas, refletindo assim piores desempenhos escolares (Dell’Aglio & Hutz, 2004; Machado, 2011b), nomeadamente nas disciplinas de Português e Matemática (Ferreira, 2013). Sublinha-se que estas diferenças 42 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES apenas têm sido significativas para os adolescentes institucionalizados que frequentam o 2º e o 3º Ciclo do Ensino Básico, tendendo a esbater-se com o início do Ensino Secundário (Dell’Aglio & Hutz, 2004; Machado, 2011b). Todos estes dados expostos sugerem que a literatura existente nem sempre é consensual no que respeita à existência de relações entre o suporte familiar e o rendimento ou desempenho escolar dos adolescentes. Assim, tendo em conta que a família, ou na sua ausência a instituição, a par da escola, se constituem como os principais meios responsáveis pelo desenvolvimento que ocorre na adolescência (Benetti, Grisard, & Figueiredo, 2014; Dessen & Polonia, 2007; Ferreira & Barrera, 2010) é importante investigar e promover os vínculos existentes entre estes contextos, para que a família do adolescente possa ser incluída na formação escolar, operando como um recurso facilitador do processo de aprendizagem e consequentemente do seu sucesso escolar. Tratando-se o suporte familiar de uma componente imprescindível que afeta todo o processo desenvolvimental dos sujeitos, uma vez que facilita o ajustamento psicológico e escolar dos adolescentes, a presente investigação pretende apresentar evidências atualizadas que tragam contribuições para a área da Psicologia, particularmente para os profissionais que operam no contexto familiar. Com base nas evidências empíricas apontadas pela literatura, o presente estudo centra-se na seguinte questão de investigação “Será que existe uma relação entre a perceção de suporte familiar e o desempenho escolar dos adolescentes e será essa relação diferente em função da institucionalização/ não-institucionalização dos adolescentes?”. Consequentemente, os objetivos específicos consistem em analisar a existência de relação entre a perceção do suporte familiar e o desempenho escolar dos adolescentes que frequentam o ensino básico e o ensino secundário, comparando os resultados escolares nas disciplinas de português e matemática e a perceção de suporte familiar em função do contexto desenvolvimental (família ou instituição) dos adolescentes. 43 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Método Tratando-se de uma investigação quantitativa e tendo em conta os objetivos definidos, o presente estudo possui um carácter correlacional e comparativo. A variável independente estudada foi o contexto desenvolvimental (família ou instituição) dos adolescentes. Por sua vez, as variáveis dependentes foram o desempenho escolar dos jovens, avaliado por meio das classificações a português e matemática, e a perceção de suporte familiar. Participantes Para este estudo recorreu-se a uma amostra de conveniência recrutada em escolas e instituições de acolhimento localizadas na zona interior norte de Portugal. Esta amostra integra 402 adolescentes, de ambos os géneros (59.2% rapazes e 40.8% raparigas) com idades compreendidas entre os 11 e os 21 anos de idade, cuja média de idades corresponde a 13.88 anos (e o desvio-padrão a 2.04 anos). No que concerne à escolaridade, 83.1% (n=334) dos participantes frequentavam o Ensino Básico e 16.9% (n=68) o Ensino Secundário de escolas públicas situadas na mesma área regional. No momento da recolha dos dados 350 (87.1%) adolescentes residiam em contexto familiar e 52 (12.9%) encontravam-se institucionalizados. Os critérios de inclusão prendem-se com a aceitação dos adolescentes para participarem na investigação e possuírem idade igual ou superior a 11 anos tendo em conta os requisitos do Inventário de Perceção de Suporte Familiar. Foi também critério de inclusão os responsáveis legais dos adolescentes terem autorizado a participação dos respetivos educandos neste estudo. Foram excluídos do estudo os participantes cuja presença de incapacidade física ou mental dificultasse ou comprometesse o preenchimento dos questionários. Instrumento No sentido de recolher os dados foi administrado um questionário que engloba três grupos (anexo B). No primeiro constam questões sociodemográficas como o género, a idade, 44 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES a escolaridade dos adolescentes, com quem estes residem, o número de irmãos que possuem e a profissão de ambos os progenitores. O grupo dois é referente ao percurso escolar do adolescente e questiona sobre o seu aproveitamento/retenção no ano de escolaridade anterior, a sua perceção das notas que usualmente obtém e as notas obtidas nas disciplinas de português e matemática no período anterior mais próximo. As notas auto relatadas pelos adolescentes operam neste estudo como o principal parâmetro do desempenho académico uma vez que a literatura evidencia que as classificações escolares são um bom indicador do desempenho escolar dos alunos (Geiser & Santelices, 2007). A escolha das disciplinas de português e matemática resulta do facto de estas serem as disciplinas mais nucleares e, tal como referenciado por Diniz et al. (2013), é sob a leitura, a escrita e a aritmética que o todo o desempenho escolar se sustenta. Por último, o terceiro grupo do questionário de colheita de dados integra o Inventário de Perceção de Suporte Familiar de Baptista (2009) desenvolvido para medir a perceção de suporte familiar em sujeitos com idades compreendidas entre os 11 e os 60 anos. Foi utilizada uma versão alternativa deste instrumento, facultada pelo autor original da escala e que foi adaptada para a amostra no primeiro estudo integrado na presente dissertação. O IPSF é composto por 41 itens agrupados em três dimensões: afetivoconsistente (22 itens), adaptação familiar (11 itens) e autonomia familiar (oito itens), sendo respondido através de uma escala de Likert de quatro categorias onde zero corresponde a “nunca”, um a “poucas vezes”, dois a “muitas vezes” e três a “sempre”. Tendo em conta esta cotação, a interpretação consiste em quanto mais elevada for a pontuação obtida pelo sujeito, maiores serão os níveis de suporte familiar por ele percebidos. Procedimentos Tendo em conta que o presente estudo é de corte transversal, os dados foram recolhidos num só momento. Antes de se proceder à aplicação dos questionários foi necessário contactar as escolas e as instituições de acolhimento no sentido de solicitar as devidas autorizações para 45 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES a recolha de dados nas referidas instalações (anexo C e F) e de facultar todas as informações pertinentes sobre a investigação, nomeadamente a garantia de anonimato. Na amostra escolar foi ainda necessário solicitar as autorizações dos encarregados de educação dos alunos sendo os diretores de turma os responsáveis por entregar os pedidos de autorização nos quais constavam os objetivos da investigação (anexo D). Na amostra de adolescentes institucionalizados este passo foi dispensado uma vez que a instituição de acolhimento opera como representante legal destes adolescentes. Na amostra escolar, após a devolução dos pedidos de autorização assinados, os diretores de turma aplicaram os questionários de forma coletiva em contexto de sala de aula, sendo este requisito definido por parte das direções das escolas. Após as instituições de acolhimento autorizarem a concretização da investigação nas suas instalações procedeu-se ao agendamento de datas para efetuar a recolha de dados, com o objetivo de não desestabilizar o normal funcionamento das suas rotinas. Nos dias marcados, realizou-se uma breve apresentação da investigadora e da investigação e procedeu-se à colheita dos dados por meio de aplicação coletiva dos questionários nas salas de estudo das instituições. O preenchimento dos questionários durou aproximadamente 15-20 minutos. Análise Estatística Para realizar a análise e tratamento dos dados, recorreu-se ao programa informático Statistical Package for the Social Science (SPSS), versão 20.0. Em primeiro lugar inverteram-se os itens da dimensão adaptação familiar e de seguida agruparam-se todos os itens do IPSF segundo as dimensões nas quais se encontram. Realizou-se a estatística descritiva, para determinar as frequências, médias e desvios-padrão das variáveis independentes, apresentadas na caracterização da amostra (anexo G). Em seguida, com o objetivo de analisar a fidelidade dos instrumentos utilizados, calculou-se a consistência interna com recurso ao alfa de Cronbach (anexo H). No âmbito da análise do pressuposto de 46 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES normalidade da distribuição dos dados foram calculados os valores de assimetria (skewness) e achatamento (kurtosis) das variáveis dependentes em estudo (anexo I). Uma vez que se verificou que os dados não seguem uma distribuição normal optou-se pela utilização de testes não paramétricos, visto estes serem mais confiáveis quando não estão satisfeitas as condições de normalidade (Dancey & Reidy, 2006). Assim, para verificar a relação entre a perceção de suporte familiar e o desempenho académico dos adolescentes foram realizadas correlações parciais e correlações bivariadas de Spearman (ρ). No sentido de comparar as notas escolares e a perceção do suporte familiar dos adolescentes em função do contexto desenvolvimental (família ou instituição), foi utilizado o teste U de Mann-Whitney para comparação de médias em amostras independentes. Resultados Inicialmente procedeu-se à análise da consistência interna dos instrumentos utilizados para avaliar a perceção do suporte familiar e o desempenho escolar dos adolescentes (anexo H). Recorreu-se para isso ao alfa de Cronbach, através do qual se constataram valores bastante elevados de fidelidade visto na subamostra de adolescentes não-institucionalizados (n=350) o α do IPSF total ser de .91 e na amostra de adolescentes institucionalizados (n=52) ser de .95. Relativamente ao desempenho escolar, encontrou-se um α=. 80 na amostra do ensino básico (n=334) e um α=.93 na amostra do ensino secundário (n=68). Para analisar a distribuição dos dados foram calculados os valores de assimetria (skewness) e achatamento (kurtosis) que indicaram que os dados não satisfazem o pressuposto da normalidade (anexo I) pelo que foram utilizados testes não paramétricos. Os resultados descritivos das variáveis dependentes revelam que no geral os adolescentes apresentam uma média elevada de perceção de suporte familiar (M=90.37; DP=17.14) e as médias das notas escolares nas disciplinas de português e matemática são bastante semelhantes quer no ensino básico, quer no ensino secundário (anexo I). Atendendo ao facto 47 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES de as notas no ensino básico (1-5) e no ensino secundário (1-20) não possuírem a mesma métrica, a relação entre a perceção de suporte familiar e os resultados escolares destas duas subamostras foi analisada separadamente, sendo que a apresentação dos resultados irá seguir esse formato. Importa contudo referir que a subamostra de adolescentes do ensino secundário é muito limitada (português n=68; matemática n=66), principalmente no que se refere aos adolescentes institucionalizados (português n=12; matemática n=10), pelo que os resultados obtidos serão sempre analisados de forma cautelosa. Para responder ao objetivo central da investigação foram realizadas correlações parciais entre a perceção do suporte familiar e as notas obtidas nas disciplinas de português e matemática, controlando a variável institucionalização/não-institucionalização. Assim, para a amostra de adolescentes do ensino básico, controlando esta variável, tal como é possível verificar através da tabela 1, o desempenho académico nas disciplinas de português e matemática não se encontra significativamente correlacionado com nenhuma dimensão da perceção de suporte familiar. Tabela 1. Correlações parciais entre as dimensões do IPSF e as classificações obtidas nas disciplinas de Português e Matemática no Ensino Básico. Classificação Português Classificação Matemática r p r p Afetivo-consistente .087 .115 .026 .634 Adaptação Familiar .049 .368 .063 .254 Autonomia .100 .070 .036 .513 IPSF Total .096 .080 .047 .397 48 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Por sua vez, observamos que no ensino secundário (tabela 2), controlando o facto de os adolescentes se encontrarem ou não institucionalizados, o desempenho académico obtido em português se encontra correlacionado positiva e significativamente com a dimensão adaptação familiar (r=.582; p≤.001) e com o IPSF total (r=.318; p≤.010). Também as notas escolares na disciplina de matemática se encontram significativamente correlacionadas com a adaptação familiar (r=.540; p≤.001). Tabela 2. Correlações parciais entre as dimensões do IPSF e as classificações obtidas nas disciplinas de Português e Matemática no Ensino Secundário. Classificação Português Classificação Matemática r p r p Afetivo-consistente .094 .455 .012 .925 Adaptação Familiar .582 .000 .540 .000 Autonomia .184 .143 .144 .254 IPSF Total .318 .010 .242 .053 Para averiguar a influência que a variável institucionalização acarreta na relação entre a perceção de suporte familiar e o desempenho escolar no ensino secundário, recorreu-se ao coeficiente de correlação de Spearman (ρ). Assim, verifica-se, na amostra nãoinstitucionalizada a existência de correlações positivas e muito significativas entre a adaptação familiar e as classificações de português (ρ =.509; p≤ .001) e matemática (ρ =.474; p≤ .001), apontando que quanto mais adaptados familiarmente os adolescentes se sentem, melhores as notas a português e matemática por eles obtidas. As notas escolares de português encontram-se ainda significativamente correlacionadas com o IPSF total (ρ =.298; p≤ .05). Relativamente à subamostra de adolescentes institucionalizados do ensino secundário, os 49 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES resultados mostraram uma correlação positiva e significativa entre a autonomia e a classificação de português (ρ =.594; p≤ .05). Neste sentido, quanto mais autónomos os adolescentes institucionalizados se sentem em relação à família, melhor é o seu aproveitamento escolar nesta disciplina (ver tabelas J1 e J2 do anexo J). Para responder ao objetivo específico que se prende com a comparação das notas escolares entre os adolescentes não-institucionalizados e institucionalizados foi utilizado o teste U de Mann-Whitney. Tal como se pode observar na tabela 3, para os adolescentes do ensino básico, existem diferenças estatisticamente significativas entre as notas obtidas a português (U (294,40) =3815.500, Z=-3.943, p≤.001) e matemática (U (294,40) =4683.000, Z=2.184, p≤.05) em função do contexto de desenvolvimento, favorecendo os adolescentes que residem em contexto familiar, visto apresentarem melhor desempenho escolar em português (M=174.52) e em matemática (M=171.57). Tabela 3. Análise comparativa das classificações de português e matemática no Ensino Básico em função do contexto desenvolvimental. Contexto Desenvolvimental Família Instituição U N Média N Média 294 174.52 40 115.89 294 171.57 40 137.58 Z p 3815.500 -3.943 .000 4683.000 -2.184 .029 Classificação a Português Classificação a Matemática Num procedimento idêntico ao anterior verificamos, tal como se pode constatar na tabela 4, que também no ensino secundário existem diferenças estatisticamente significativas entre 50 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES as classificações alcançadas a português (U (56,12) =174.500, Z=-2.612, p≤.01) e matemática (U (56,10) =161.500, Z=-2.129, p≤.05) em função do contexto de desenvolvimento. Assim, os adolescentes que vivem com as suas famílias apresentam resultados escolares significativamente superiores nas disciplinas de português (M=37.38) e matemática (M=35.62), comparativamente com os adolescentes institucionalizados. Tabela 4. Análise comparativa das classificações de português e matemática no Ensino Secundário em função do contexto desenvolvimental. Contexto Desenvolvimental Família Instituição U N Média N Média 56 37.38 12 21.04 56 35.62 10 21.65 Z p 174.500 -2.612 .009 161.500 -2.129 .033 Classificação a Português Classificação a Matemática O teste U de Mann-Whitney, para comparar a perceção de suporte familiar em função do contexto desenvolvimental, tal como exposto na tabela 5, permitiu observar diferenças estatisticamente significativas na dimensão adaptação familiar (U (350,52) =5741.500, Z= 4.309, p≤.001) na qual os adolescentes que vivem em família apresentam uma média superior (M=211.10). 51 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Tabela 5. Análise comparativa da perceção do suporte familiar por contexto de desenvolvimento. Contexto Desenvolvimental Família Instituição U Z p 8973.000 -.163 .871 136.91 5741.500 -4.309 .000 52 197.17 8875.000 -.289 .773 52 177.50 7852.000 -1.597 .110 N Média N Média 350 201.86 52 199.06 350 211.10 52 Autonomia 350 202.14 IPSF total 350 205.07 AfetivoConsistente Adaptação Familiar Discussão O presente estudo baseou-se no pressuposto teórico de que a perceção de suporte familiar e o desempenho académico dos adolescentes se encontram associados e que essa associação diverge em função do contexto de educação familiar dos adolescentes, ou seja, em função da institucionalização ou da convivência familiar. Neste sentido, recorreu-se a uma amostra de 402 estudantes, dos quais 52 se encontravam institucionalizados, pretendendo averiguar-se se o contexto desenvolvimental condiciona a perceção de suporte familiar e o desempenho escolar dos adolescentes. Os resultados encontrados demonstram que, controlando a variável institucionalização, apenas no ensino secundário a perceção de suporte familiar se encontra significativamente relacionada com o desempenho escolar nas disciplinas de português e matemática. A ausência de correlação entre as variáveis no ensino básico pode dever-se ao facto de os adolescentes apresentarem relações mais próximas com os seus professores uma vez que estes se encontram mais disponíveis (Santos, 2012) pelo que uma eventual ausência de suporte familiar percecionada nesta fase da adolescência pode ser colmatada pelo suporte 52 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES social dos professores na realização das tarefas escolares, sustentando assim o envolvimento escolar e naturalmente os resultados académicos (Oliveira, 2010). Ao longo da adolescência e à medida que a idade dos jovens aumenta vai ocorrendo um processo de desinvestimento para com a escola e por conseguinte o desempenho escolar tende a deteriorar-se (Cheung, Lwin, & Jenkins, 2012; Gordon & Cui, 2012; Santos, 2012). Quando os adolescentes se aproximam do ensino secundário, perante exigências acrescidas e menor recetividade dos professores, o suporte familiar parece afetar mais significativamente o percurso escolar, sendo compreensível que uma maior perceção de suporte determine o envolvimento e o sucesso escolar conseguido (Oliveira, 2010). Relativamente às diferenças encontradas em função do contexto desenvolvimental a que os jovens do ensino secundário pertencem, os resultados mostram que os adolescentes nãoinstitucionalizados mais adaptados familiarmente obtém melhor rendimento escolar nas duas disciplinas analisadas neste estudo. Do mesmo modo, adolescentes que percecionam as suas famílias como mais apoiantes revelam resultados significativamente superiores a português. No geral estes resultados vão ao encontro da literatura analisada através da qual se constatou que uma maior perceção de suporte familiar se relacionada positivamente com o desempenho escolar obtido (Cheng et al., 2012; Dumont et al., 2012; Gordon & Cui, 2012; Hopson & Lee, 2011; Serbin et al., 2013; Witkow & Fuligni, 2011). Por seu turno, na subamostra de adolescentes institucionalizados do ensino secundário está patente um afastamento físico e psicológico do cerne familiar decorrente da separação forçada a que foram submetidos e consequente rutura afetiva. Fica inerente uma maior perceção de autonomia familiar que se reflete no contexto escolar destes jovens validando os resultados obtidos no presente estudo, de que quanto mais autónomos os adolescentes institucionalizados se percecionam, melhor é o seu aproveitamento escolar na disciplina de português. Estes resultados comprovam a perspetiva de Alivernini e Lucidi (2011) que 53 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES defendem que quando os estudantes consideram receber suporte para a autonomia do seu meio envolvente revelam índices superiores de competência percebida e de autoeficácia académica, correlacionando-se de forma positiva com o rendimento escolar dos adolescentes. No presente estudo, o aproveitamento escolar a português parece relaciona-se melhor com a perceção de suporte familiar em detrimento do desempenho académico de matemática. Este fenómeno pode justificar-se por a matemática ser uma disciplina mais objetiva que envolve processos cognitivos complexos como o pensamento analítico e analógico (Oliveira, Boruchovitch, & Santos, 2008). No que concerne ao desempenho escolar, os adolescentes do ensino básico que residem com as suas famílias patenteiam resultados escolares significativamente superiores nas disciplinas de português e matemática, em comparação com os adolescentes em acolhimento institucional, o que vai ao encontro da literatura estudada (Dell’Aglio & Hutz, 2004; Diniz et al., 2013; Ferreira, 2013; Machado, 2011b). Contrariando os dados encontrados por Dell’Aglio e Hutz (2004) e Machado (2011b) estas diferenças significativas foram observadas também na amostra do ensino secundário. A institucionalização, enquanto um processo de retirada do adolescente do seu ambiente familiar traduz a existência de contextos de risco nomeadamente situações de abandono, negligência, violência ou abuso físico, psíquico ou sexual (Diário da Republica, 1999), capazes de comprometer o desenvolvimento biopsicossocial dos jovens (Segurança Social, 2014). Estas circunstâncias familiares conflituosas que motivaram a retirada de casa e a integração na instituição acarretam instabilidade emocional para os jovens (Delgado, 2006) o que pode contribuir para um desinvestimento escolar e por conseguinte um declínio no desempenho académico. Tendo em conta a totalidade da amostra, podemos afirmar que no geral esta evidencia boa perceção de suporte familiar (M=90.37; DP=17.14) o que vai ao encontro dos resultados encontrados por Baptista, Gonçalves, Carneiro, e Silva (2013) através de um estudo que 54 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES incluiu uma amostra de jovens portugueses. Não obstante e tal como esperado, os resultados revelam que os adolescentes institucionalizados apresentam médias inferiores em todas as dimensões do constructo perceção de suporte familiar comparativamente com os jovens nãoinstitucionalizados corroborando os achados de Brandão (2011) e demonstrando que os adolescentes institucionalizados percecionam menos apoio por parte das suas famílias de origem (Arteaga & Valle, 2003). De facto, o suporte social deriva da existência de contactos constantes, próximos e compensadores entre os sujeitos (Kerr, Preuss, & King, 2006) e no caso dos adolescentes institucionalizados a ocorrência de contactos intrafamiliares nem sempre subsiste, sendo que mesmo quando estes acontecem nem sempre são permanentes e satisfatórios (Mota & Matos, 2010). Destarte, a ocorrência de ligações débeis e desinvestidas com a família potencializa a quebra do vínculo familiar e um progressivo distanciamento físico e emocional da família (Wathier-Abaid, Dell’Aglio, & Koller, 2010) o que faz com que estes adolescentes se sintam menos apoiados pelas mesmas. No entanto, o presente estudo apenas encontrou diferenças estatisticamente significativas na componente adaptação familiar que integra itens invertidos tais como “sinto-me como um estranho na minha família” e “a minha família irrita-me”. Neste sentido, os adolescentes institucionalizados parecem fazer uso de mecanismos resilientes que lhes permitem atenuar os comprometimentos familiares a nível afetivo-consistente e desenvolver a sua autonomia. Uma possibilidade é a de que estes adolescentes usufruem na instituição de acolhimento de ligações afetivas positivas e estáveis com outras figuras significativas (Mota & Matos, 2008; Poletto & Koller, 2008) apaziguando a carência de afetividade, proximidade e consistência que percecionam das suas famílias. No entanto, as vivências passadas marcadas por eventos adversos e experiências traumáticas impossibilitam a adaptação familiar nestes jovens que tendem a demonstrar mais conflitos e sentimentos negativos e desadaptativos para com as suas famílias. 55 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Considerando os resultados do presente estudo, conclui-se que a perceção de suporte familiar parece contribuir mais significativamente para o desempenho académico dos adolescentes que frequentam o ensino secundário. Do mesmo modo, verificou-se que o contexto desenvolvimental dos adolescentes parece influenciar a sua atitude face à escola visto os adolescentes institucionalizados revelarem pior desempenho escolar nas disciplinas de português e matemática, refletindo maiores dificuldades escolares e um maior comprometimento académico. Sublinha-se que, tal como referido por Feitosa et al. (2005), relacionamentos familiares conflituosos contribuem para um baixo rendimento académico. Constatou-se ainda que os adolescentes institucionalizados percecionam as suas famílias como menos afetivas e consistentes, revelam-se menos adaptados ao seu contexto familiar e possuem relações familiares de confiança, autonomia e privacidade mais desajustadas. Estes resultados têm implicações na prática clínica dos psicólogos que trabalham com os adolescentes institucionalizados e as suas famílias. É necessário que se tenha em consideração que a institucionalização pode ser vivida de forma problemática, com repercussões no rendimento escolar dos adolescentes. Por outro lado, as dificuldades sentidas no seio familiar destes adolescentes que foram retirados às suas famílias também podem ter sido a causa do mais baixo rendimento escolar observado neste estudo. Deste modo, o acompanhamento psicológico dos adolescentes pertencentes a famílias problemáticas e dos adolescentes institucionalizados deve incluir, necessariamente, o trabalho sobre as dificuldades sentidas pelos adolescentes na escola. Destaca-se a existência de algumas limitações no presente estudo como sendo a reduzida dimensão da amostra do ensino secundário e de adolescentes institucionalizados. Deste modo, os resultados foram analisados e comparados tendo em conta dimensões das subamostras bastante díspares, pelo que as conclusões são apenas exploratórias e devem ser interpretadas com cuidado. Regista-se ainda a impossibilidade de controlarmos variáveis que 56 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES poderiam interferir nas relações estudadas, tais como o nível cognitivo dos sujeitos, a motivação académica e o tempo que estes dedicam ao estudo. Recomenda-se desta forma, a realização de novas investigações com amostras mais numerosas e preferencialmente tendo controlo sobre outras variáveis que podem influenciar a relação entre a perceção de suporte familiar e o rendimento escolar, como sendo o nível cognitivo dos sujeitos, a sua autoeficácia e ainda, o tipo de suporte familiar que é percecionado, uma vez que é possível que um suporte mais instrumental por parte dos pais/familiares, como por exemplo estudar com os filhos e acompanhar os seus progressos na escola, poderá estar mais relacionado com o desempenho escolar do que o suporte que foi avaliado com o IPSF. 57 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES Referências Alivernini, F., & Lucidi, F. (2011). 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Posto isto, os resultados devem ser interpretados com cautela e futuras aplicações devem ser realizadas para clarificar os resultados obtidos. Importa salvaguardar que a adaptação de um instrumento psicométrico é um processo complexo que compreende várias fases tais como a realização da análise fatorial confirmatória. No entanto, as limitações temporais impostas tornam inexequível a conclusão de todo o processo no decorrer do tempo de mestrado, bem como a utilização de amostras amplas que não sejam de conveniência. No âmbito do segundo artigo os resultados permitem inferir que a perceção de suporte familiar e o desempenho escolar se encontram associados sobretudo no ensino secundário. Nesta subamostra, o desempenho escolar de português e matemática parece estar fortemente relacionado com a adaptação familiar, o que significa que quanto mais adaptados no cerne familiar os adolescentes se encontram, maior é o seu aproveitamento escolar. Este estudo permitiu ainda apurar que os adolescentes que residem em contexto institucional revelam significativamente menor adaptação familiar estando mais suscetíveis à obtenção de piores resultados escolares e consequente insucesso escolar. Salienta-se que o facto de não controlarmos outras variáveis no estudo pode comprometer os resultados pois não está claro 67 PERCEÇÃO DO SUPORTE FAMILIAR EM ADOLESCENTES se estes são fruto do contexto desenvolvimental ou das razões que motivaram a retirada do adolescente do seu contexto natural. Podemos contudo postular que a combinação dos dois fatores pode afetar de forma acentuada o desenvolvimento cognitivo destes adolescentes influenciando o seu desempenho escolar. ANEXOS Anexo A Autorização para utilização do IPSF. Anexo B Questionário Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Este questionário serve unicamente para a recolha de dados no âmbito de um estudo de investigação que tem como objetivo conhecer as relações familiares e o aproveitamento escolar das crianças e jovens portugueses. A tua colaboração é muito importante e todos os dados recolhidos neste questionário são confidenciais e anónimos, pelo que deves responder de forma atenta e sincera a todas as questões colocadas. Não existem respostas corretas ou erradas pois todas as respostas estão certas desde que correspondam à tua realidade. Segue-se um conjunto de questões às quais deves responder, assinalando com um “X” a opção que melhor descreve a tua situação. NÃO ESCREVAS O TEU NOME em lado algum deste documento. Grupo I Género: Masculino □ Feminino □ Idade: ______ anos Ano de Escolaridade: ____________ 1)- Neste momento, com quem vives? Família Nuclear (pais) Família Alargada (avós, tios, padrinhos) Família de Acolhimento Instituição Outro (especifica, por favor)______________________________ 2)- Quantos irmãos tens? Nenhum 1 2 3 4 Mais de 4 Por favor, passa para a página seguinte 3)- Qual a profissão dos teus pais? (especifica, por favor) Pai _______________________________________________________________________________________________________ Mãe _______________________________________________________________________________________________________ Grupo II 4)- No passado ano letivo (2013-2014) transitaste para o ano de escolaridade seguinte? Sim Não 5)- Consideras que és um aluno: Mau Razoável Bom 6)- Como costumam ser as tuas notas? Más Razoáveis Boas 7)-Refere, por favor, que nota tiveste no 3º período do ano letivo anterior a: Português _________ Matemática _________ Por favor, passa para a página seguinte Grupo III 8)- Por favor, responde pensando na tua família de origem (pais, irmãos, avós). Coloca um “X” na opção que melhor se aplica à tua situação. Sempre Muitas Poucas vezes vezes Nunca A minha família deixa-me decidir o que quero. Na minha família é permitido que eu faça o que gosto. A minha família partilha os seus sentimentos. Na minha família tenho privacidade. A minha família é respeitada por aqueles que a conhecem. A minha família faz-me sentir melhor quando estou aborrecido. A minha família concorda com o meu estilo de vida. Os elementos da minha família só pensam em si próprios. A minha família proporciona-me conforto emocional. Há ódio na minha família. Na minha família culpa-se alguém quando as coisas não correm bem. Na minha família conversamos sobre planos familiares. Na minha família diz-se o que se sente uns pelos outros. A minha família segue as regras por si estabelecidas. Na minha família pode-se falar uns com os outros sobre a tristeza que se sente. A minha família aceita-me como sou. A minha família sente-se mais próxima entre si do que com pessoas de fora. A minha família faz-me sentir capaz de cuidar de mim, mesmo quando estou sozinho. Acredito que a minha família tem mais problemas emocionais do que as outras famílias. Na resolução de problemas temos em conta a opinião de toda a família. A minha família tenta pensar sobre diferentes maneiras de resolver os problemas. Na minha família expressamos interesse uns pelos outros. Eu e a minha família conversamos sobre coisas de interesse para todos. Na minha família só se mostra interesse uns pelos outros quando se pode ter vantagens. Sempre Muitas Poucas vezes vezes Nunca Na minha família as pessoas tocam-se e abraçam-se. Há regras para diversas situações na minha família. Na minha família as tarefas são distribuídas adequadamente. A minha família deixa-me sair tanto quanto quero. Sinto raiva da minha família. A minha família deixa-me ser como quero. Parece haver uma série de atritos na minha família. Sinto-me excluído da minha família. Sinto vergonha da minha família. A minha família elogia-me. A minha família expressa claramente pensamentos e emoções entre si. Sinto-me como um estranho na minha família. A minha família irrita-me. As pessoas da minha família gostam de passar o tempo juntas. A minha família sabe o que fazer quando há uma emergência. Cada um na minha família tem deveres e responsabilidades específicas. A minha família sabe quando alguma coisa má me aconteceu, mesmo que eu não diga. O teu questionário acaba aqui. Muito obrigada pela tua participação! Anexo C Pedido de Autorização para as Escolas Exmo. Senhor Diretor da Escola Nome da Escola __________________________________________ Venho por este meio, solicitar a sua autorização para desenvolver uma investigação com a participação dos alunos da escola que superiormente dirige, informando que este estudo consiste na administração de um questionário a alunos de várias turmas e tem por objetivo avaliar a perceção do suporte familiar e o desempenho escolar dos adolescentes pertencentes à escola em questão. Esta investigação insere-se no âmbito da elaboração de uma dissertação para a obtenção do grau de mestre em Psicologia Clínica pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, tendo como orientador o Prof. Doutor Gomes da Costa. Mais se informa que a investigação será desenvolvida seguindo rigorosamente as normas éticas que regulam a investigação científica, pelo que a participação será voluntária e a informação recolhida confidencial, garantido o total sigilo da identificação dos participantes, sendo os dados utilizados apenas para propósitos académicos. Para mais informações ou no caso de surgirem dúvidas pode-me contactar através do telemóvel 9xxxxxxxx. Desde já agradeço toda a disponibilidade e colaboração possível. Com os melhores cumprimentos, ___________________________ ___________________________ (A mestranda) (O orientador) ______________________________________ (Assinatura do Diretor da Escola) Anexo D Pedido de Autorização para os Encarregados de Educação Pedido de Autorização Ex. mo (a) Senhor(a) Encarregado(a) de Educação: Venho por este meio, solicitar a sua autorização para que o seu educando participe numa investigação que visa avaliar a perceção do suporte familiar e o desempenho escolar de adolescentes portugueses, desenvolvida no âmbito da elaboração de uma dissertação para a obtenção do grau de mestre em Psicologia Clínica pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, tendo como orientador o Prof. Doutor Gomes da Costa. Mais se informa que a investigação será desenvolvida na escola, seguindo rigorosamente as normas éticas que regulam a investigação científica, pelo que a participação será voluntária e a informação recolhida confidencial, garantido o total sigilo da identificação dos participantes, sendo os dados utilizados apenas para propósitos académicos. Desde já agradeço toda a disponibilidade e colaboração possível. Com os melhores cumprimentos, ___________________________ ___________________________ (A mestranda) (O orientador) ______________________________________ (Assinatura do Encarregado de Educação) Anexo E Tabela da Análise Fatorial Matriz de componentes rodada e comunalidades (h2). Tabela E1. Análise Fatorial- matriz de componentes rodada e comunalidades. Fatores 1) Afetivo- 2) 3) h2 Consistente Adaptação Autonomia 1. A minha família deixa-me decidir o que quero. .720 .526 2. Na minha família é permitido que eu faça o que gosto. .738 .547 3. Na minha família pode-se falar uns com os outros sobre a .404 .382 .450 tristeza que se sente. 4. A minha família aceita-me como sou. 5. A minha família sente-se mais próxima entre si do que com .419 .422 .341 .176 pessoas de fora. 6. A minha família partilha os seus sentimentos. 7. Na minha família tenho privacidade. 8. A minha família é respeitada por aqueles que a conhecem. 9. A minha família faz-me sentir capaz de cuidar de mim, mesmo .364 .554 .438 .247 .314 .185 .356 .246 quando estou sozinho. 10. A minha família faz-me sentir melhor quando estou aborrecido. .474 .423 11. A minha família concorda com o meu estilo de vida. .454 .238 .088 12. Acredito que a minha família tem mais problemas emocionais .442 .196 .667 .499 do que as outras famílias. 13. Os elementos da minha família só pensam em si próprios. 14. A minha família proporciona-me conforto emocional. .350 .456 15. Há ódio na minha família. .654 .463 .605 .403 16. Na minha família culpa-se alguém quando as coisas não correm bem. 17. Na minha família conversamos sobre planos familiares. .597 .373 .650 .477 18. Na resolução de problemas temos em conta a opinião de toda a família. 19. A minha família tenta pensar sobre diferentes maneiras de .651 .459 .585 .422 .656 .537 resolver os problemas. 20. Na minha família expressamos interesse uns pelos outros. 21. Eu e a minha família conversamos sobre coisas de interesse para todos. 22. Na minha família só se mostra interesse uns pelos outros .240 .484 quando se pode ter vantagens. 23. Na minha família diz-se o que se sente uns pelos outros. .646 .469 24. A minha família segue as regras por si estabelecidas. .553 .309 25. Na minha família as pessoas tocam-se e abraçam-se. .596 .435 26. Há regras para diversas situações na minha família. .515 .271 27. Na minha família as tarefas são distribuídas adequadamente. .554 .313 28. A minha família deixa-me sair tanto quanto quero. .686 29. Sinto raiva da minha família. .521 .685 30. A minha família deixa-me ser como quero. .496 .674 .489 31. Cada um na minha família tem deveres e responsabilidades .326 .554 específicas. 32. Parece haver uma série de atritos na minha família. .622 .389 33. Sinto-me excluído da minha família. .685 .510 34. Sinto vergonha da minha família. .728 .544 35. A minha família elogia-me. .567 .424 .660 .457 36. A minha família expressa claramente pensamentos e emoções entre si. 37. Sinto-me como um estranho na minha família. .748 .591 38. A minha família sabe quando alguma coisa má me aconteceu, .286 .501 mesmo que eu não diga. 39. A minha família irrita-me. .737 .610 40. As pessoas da minha família gostam de passar o tempo juntas. .614 .486 41. A minha família sabe o que fazer quando há uma emergência. .485 .337 Anexo F Pedido de Autorização para as Instituições Exmo. Senhor Provedor da Santa Casa da Misericórdia de de CIDADE __________________________________________ Pedido de Autorização Eu, Silvana Vieira Teixeira, aluna do 2º ciclo de estudos em Psicologia Clínica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), venho por este meio solicitar a sua autorização para recolher dados na instituição supracitada, dados esses que serão destinados, exclusivamente, a uma investigação conducente à dissertação prevista no Plano de Estudos do referido curso. Esta investigação tem como principal objetivo analisar e correlacionar o aproveitamento escolar com o suporte familiar percecionado pelos adolescentes, procedendose à comparação de uma amostra escolar com uma amostra de jovens, dos 11 aos 21 anos, em regime de institucionalização. Mais se informa que a investigação será desenvolvida seguindo rigorosamente as normas éticas que regulam a investigação científica, pelo que a informação recolhida será confidencial, garantindo o total sigilo da identificação dos participantes. Para mais informações ou no caso de surgirem dúvidas pode-me contactar através do telemóvel 9xxxxxxxx ou do e-mail [email protected]. Desde já agradeço toda a disponibilidade e colaboração possível. Anexo G Tabela da Caracterização da Amostra- Variáveis Independentes Tabela G1. Caracterização da amostra. N= (402) N % Masculino 238 59.2 Feminino 164 40.8 11 48 11.9 12 64 15.9 13 78 19.4 14 79 19.7 15 44 10.9 16 47 11.7 17 21 5.2 18 11 2.7 19 6 1.5 20 3 0.7 21 1 0.2 Género Idade (M=13.88; DP=2.04) Escolaridade Ensino Básico 334 83.1 68 16.9 Família Nuclear 325 80.8 Família Alargada 24 6 Família de Acolhimento 1 0.2 Instituição de Acolhimento 52 12.9 Família 350 87.1 Instituição de Acolhimento 52 12.9 Sim 52 12.9 Não 350 87.1 0 63 15.7 1 212 52.7 2 66 16.4 3 27 6.7 4 13 3.2 21 5.2 Ensino Secundário Contexto Vivencial Contexto Desenvolvimental Institucionalização Número de Irmãos (M=1.45; DP=1.23) Mais de 4 Profissão do Progenitor Sector Primário 67 16.7 Sector Secundário 83 20.6 Sector Terciário 173 43 Reformado 7 1.7 Desempregado 16 4 Doméstico 1 0.2 Emigrante 7 1.7 48 11.9 Não respondeu Profissão da Progenitora Sector Primário 32 8 Sector Secundário 7 1.7 222 55.2 Reformada 3 0.7 Desempregada 31 7.7 Doméstica 85 21.1 Estudante 2 0.5 Não respondeu 20 5 Sim 47 11.7 Não 355 88.3 Sector Terciário Retenção Escolar no Ano Anterior Autoperceção do tipo de aluno Mau 19 4.7 Razoável 252 62.7 Bom 131 32.6 Más 32 8 Razoáveis 254 63.2 Boas 116 28.9 Autoperceção das notas Anexo H Tabelas da Consistência Interna Tabela H1. Consistência interna de todas as dimensões do IPSF tendo em conta a amostra total, a amostra não-institucionalizada e a amostra institucionalizada. Alfa de Cronbach (α) Fatores Amostra Total Não-Institucionalizados Institucionalizados (n=402) (n=350) (n=52) Afetivo.92 .91 .94 Adaptação .87 .87 .85 Autonomia .63 .62 .72 IPSF Total .92 .91 .95 Consistente Tabela H2. Consistência interna do desempenho escolar (classificação de português e matemática) tendo em conta a amostra total, a amostra do ensino básico e a amostra do ensino secundário. Alfa de Cronbach (α) Variável Amostra Total Ensino Básico Ensino Secundário (n=402) (n=334) (n=68) Desempenho .99 Escolar .80 .93 Anexo I Tabela da Distribuição Normal- Variáveis Dependentes Tabela I1. Amplitude, média, desvio-padrão e valores de assimetria (skewness) e achatamento (kurtosis) das variáveis dependentes. Variáveis Amplitude IPSF Total 0-123 Afetivo-Consistente Média DP Skewness Kurtosis 90.37 17.14 -.931 1.008 0-66 47.80 10.90 -.589 .372 Adaptação Familiar 0-33 26.10 6.06 -1.415 1.830 Autonomia 0-24 16.47 4.02 .431 8.317 1-5 3.20 0.80 .363 -.044 1-5 3.11 1.02 .432 -.796 1-20 13.07 3.31 -.128 -.890 1-20 13.58 3.80 .054 -1.187 Notas Português (Ensino Básico) Notas Matemática (Ensino Básico) Notas Português (Enino Secundário) Notas Matemática (Ensino Secundário) Anexo J Tabelas das correlações entre as dimensões do IPSF e o desempenho escolar no Ensino Secundário: amostra não-institucionalizada e institucionalizada. Tabela J1. Correlações entre as dimensões do IPSF e as classificações obtidas nas disciplinas de Português e Matemática na amostra não-institucionalizada do Ensino Secundário. Classificação Português Classificação Matemática ρ p ρ p Afetivo-consistente .059 .665 -.047 .728 Adaptação Familiar .509 .000 .474 .000 Autonomia .125 .357 .062 .651 IPSF Total .298 .026 .215 .112 Tabela J2. Correlações entre as dimensões do IPSF e as classificações obtidas nas disciplinas de Português e Matemática na amostra institucionalizada do Ensino Secundário. Classificação Português Classificação Matemática ρ p ρ p Afetivo-consistente .293 .355 .247 .491 Adaptação Familiar .418 .176 .446 .196 Autonomia .594 .042 .444 .199 IPSF Total .468 .125 .389 .266