PROPOSTA METODOLÓGICA PARA VERIFICAR A INFLUÊNCIA DO CICLISMO NOS ASPECTOS CINEMÁTICOS NA CORRIDA DO TRIATHLON. Carina Helena Wasem Fraga1, Leonardo de Los Santos Bloedow1, Felipe Carpes2, Leonardo Alexandre Peyré Tartaruga1; Marcus Peikriszwili Tartaruga1; Bruno Follmer1, Álvaro Reischak de Oliveira1, Antônio Carlos Stringhini Guimarães1. 1 UFRGS/ESEF/ Laboratório de Pesquisa do Exercício, Porto alegre – RS. 2 UFSM/Laboratório de Biomecânica, Santa Maria – RS. Abstract: Methodological proposal to check the influence of the cycling on triathlon running kinematics aspects. To triathletes, the runnnig has become the essencial segment in terms of the final result. The aim of the present study was to propose a method to assess triathletes running over real competition conditions. Through the experimental test, with one triathlete, it was compared three situations: Triathlon Run, Isolated Run and Prolonged Run. The methodological proposal has supplied satisfactory results, aproximating the tests conditions to competitions situations. Key-words: methodological proposal, run, triathlon, kinematics. Será proposto um modelo metodológico no qual os atletas participarão de uma competição do tipo contrarelógio, que possibilitá a análise da corrida do triathlon, verificando as possíveis alterações biomecânicas em sua performance a partir da realização de exercícios prévios, sejam eles corrida ou ciclismo. Isso possibilitará estabelecer uma comparação entre uma corrida do triathlon (CT), uma corrida prolongada (CP) e uma corrida isolada (CI). Uma vez verificada a existência de alterações biomecânicas entre as corridas analisadas, a comparação entre CT e CP permite verificar se essas modificações devem-se a fadiga proveniente de exercícios prolongados, ou a alterações no tipo de exercício, as quais acarretarão modificações no padrão cinemático de passada. Destaca-se que foi realizado um ensaio experimental no intuito de confirmarmos se a metodologia proposta permite verificar a influência do ciclismo nos aspectos cinemáticos na corrida do triathlon. Dessa forma, o presente estudo tem por objetivo propor um modelo metodológico para avaliação de atletas que esteja o mais próximo possível da realidade de uma competição. Introdução O triathlon é um esporte que se caracteriza por utilizar três modalidades sucessivas (natação-ciclismocorrida). Com isso, emerge a necessidade de que triatletas adquiram elevados níveis de performance nessas diferentes modalidades simultaneamente, devendo adotar, para tanto, modos específicos de treinamento. Alguns autores ressaltam que o triathlon apresenta especificidades que desencadeiam demandas fisiológicas e biomecânicas diferentes dos esportes individuais que o compõem [1]. Com isso, temos que os melhores resultados da competição devam estar relacionados à habilidade de unir adequadamente esses diferentes eventos no triathlon, sendo válido destacar a importância do treinamento visando aperfeiçoar as transições das seqüências natação-ciclismo, ciclismo-corrida. Nesse contexto, destaca-se que a corrida tem se tornado um elemento essencial relacionado aos resultados finais, principalmente nos primeiros minutos de corrida após o ciclismo (transição ciclismo-corrida) – período o qual pode afetar significativamente a eficiência do restante da prova [2, 3]. Ainda é válido destacar que a otimização do ciclismo e da corrida do triathlon representa um importante papel no ganho de performance geral da modalidade, uma vez que o tempo médio gasto nessas duas provas representa 41% e 49% do tempo total de prova, respectivamente, enquanto a natação seria responsável por apenas 10% desse tempo [4]. ISBN # XICBB'2005 Materiais e Métodos Esse estudo propõe uma metodologia diferenciada, na medida em que as avaliações são realizadas dentro de um contexto de competição. Contudo, o ensaio experimental aqui apresentado não envolveu qualquer tipo de competição, visto que o propósito consiste apenas em testar se a metodologia fornece resultados de forma satisfatória. Dessa forma, nesse ensaio experimental, foi avaliado um atleta do sexo masculino, da categoria estadual do Rio Grande do Sul – o qual, posteriormente, fará parte da amostra oficial do estudo que implementará essa metodologia. Os testes foram realizados em três etapas: (1) teste para obtenção do consumo máximo de oxigênio, realizado em esteira; (2) teste que envolveu a sucessão ciclismo-corrida da prova de triathlon (CT), com 40 Km de ciclismo, seguidos de 10 Km de corrida - distâncias oficiais das provas do Triathlon Olímpico; e, (3) teste de Page# corrida prolongada (CP), em que o atleta correu o tempo correspondente aos 40 Km de ciclismo somado a 10 Km de corrida. Os primeiros 10 Km desse corrida prolongada constitui a corrida isolada (CI) (Figura 1). transição ciclismo-corrida e corrida-corrida foi o menor possível - aproximadamente 1 minuto. Entre o segundo e o terceiro dia de avaliação, houve um intervalo de, no mínimo, 48 horas, com objetivo de evitar que a fadiga pudesse interferir nos resultados obtidos. Aquisição dos dados cinemáticos: Os dados cinemáticos foram coletados a partir de imagens gravadas de 20 segundos de duração, sendo que foi analisado um total de 5 passadas. Foi utilizado um sistema de cinemetria Peak Motus (Peak Performance, Inc., USA), realizando, assim, uma análise bidimensional no plano sagital de movimento (cinemetria 2D). Esse sistema inclui equipamentos como uma câmera, videocassetes, fitas super-VHS e um computador. A câmera foi posicionada sobre um tripé a uma distância de 6 m da esteira, com uma altura de 90 cm, a qual operou com uma freqüência de amostragem de 60 Hz (Figura 2). Corrida do Triathlon 40Km de ciclismo 10 km de corrida CT1 CT2 Tempo de transição = CT3 Intervalo de 1 min. Corrida Prolongada e Corrida Isolada tempo correspondente aos 40Km de ciclismo 10 km de corrida CI1 CI2 Câmera 60 Hz 10 km de corrida CI3 CP1 Tempo de transição = CP2 CP3 Intervalo de 1 min. 6,0 m Figura 1: Ilustração do protocolo de teste. Os intervalos nas corridas de 10 Km correspondem aos períodos de coleta dos dados cinemáticos e fisiológicos, no 1° Km, no 5° Km e no 9° Km. Figura 2: Posicionamento da câmera. Uma régua de calibração de 1 metro de comprimento foi posicionada no início da filmagem, no intuito de definirmos a escala linear a ser utilizada. Foram usados marcadores reflexivos com aproximadamente 2 cm2, localizados, aproximadamente, no centro articular do ombro direito (tubérculo maior do úmero direito), do quadril direito (trocânter maior direito), do joelho direito (epicôndilo lateral do joelho direito), do tornozelo direito (maléolo lateral direito), do calcanhar direito (calcâneo direito) e da ponta do pé (5° metatarso direito). Esses marcadores definiram o modelo espacial adotado, o qual é composto por quatro segmentos: tronco, coxa, perna e pé (Figura 3). No primeiro dia de avaliação, foram adquiridos os valores referentes ao consumo máximo de oxigênio, no intuito de possibilitar posterior comparação com as intensidades obtidas em exercício. A competição ocorreu no segundo dia de avaliação (teste da CT), momento no qual o atleta, mediante uma situação de competição contra-relógio, teve que apresentar desempenho máximo, o que simulou uma situação de prova. Nesse contexto, a velocidade de corrida, bem como a velocidade, a cadência e a carga no ciclismo, foram parâmetros controlados pelo próprio atleta. A velocidade média obtida nessa corrida foi posteriormente utilizada para normalizar a CP e a CI – sendo que essa velocidade foi calculada a partir da média da velocidade registrada em cada um dos 10 Km da CT. No segundo e terceiro dia de avaliação, foi realizada uma análise cinemática - freqüência de passada, amplitude da passada, amplitude de movimento articular da coluna, quadril, joelho e tornozelo, trajetória do quadril (como representativa do centro de massa) - e uma análise do consumo de oxigênio. Os dados foram coletados e analisados a partir de três intervalos: a primeira coleta, realizada no 1° Km; a segunda, no 5° Km; e, a terceira, no 9° Km. Ressalta-se que o tempo de ISBN # XICBB'2005 Esteira Rolante Figura 3: Modelo espacial para determinação dos ângulos articulares. Page# Para a digitalização das imagens, foi utilizado o sistema Peak Motus (Peak Performance, Inc., USA) pertencente ao Laboratório de Biomecânica da UFSM o qual permitiu o cálculo de coordenadas espaciais de cada ponto em relação a um referencial inercial. Aquisição dos dados fisiológicos: No primeiro dia de teste foi coletado o valor referente ao consumo máximo de oxigênio. Esse valor foi utilizado, posteriormente, para correlacionar as intensidades dos testes realizados com o consumo máximo. Durante cada corrida de 10 Km realizada (CP, CT e CI), foram coletados os valores referentes ao consumo de oxigênio (VO2) em cada um dos três intervalos já mencionados - logo após a coleta dos dados cinemáticos. Esses dados possibilitaram determinar as diferentes intensidades de exercício para cada uma das situações, para cada atleta. Também foi possível correlacionar os dados cinemáticos com os dados fisiológicos, uma vez que esses são coletados quase que simultaneamente. Destaca-se que, para avaliação do atleta, sugere-se que seja utilizado um ciclo simulador do tipo CS1000, marca Cateye. Entretanto, devido à indisponibilidade desse equipamento no momento desse ensaio, foi utilizada uma bicicleta ergométrica, da marca Ergo Fit. Para os teste de corrida, foi utilizada uma esteira da marca Imbramed. É válido ainda mencionar que, não foi aplicada uma análise estatística para os valores obtidos nesse ensaio experimental, tendo em vista que esse não constituia o objetivo do presente estudo. passadas/min FREQÜÊNCIA DE PASSADA Velocidade (Km/h) distância (metros) 1,1 CT CI 1 CP 0,95 0,9 2 3 intervalos de coleta Figura 6: Gráfico da amplitude de passada média para cada uma das corridas analisadas. A seguir é apresentada a tabela referente aos valores de deslocamento do ponto localizado no quadril (trocânter maior), representativo do deslocamento do centro de massa. Tabela 1: Deslocamento do centro de massa. Corridas CT1 CT2 CT3 CI1 CI2 CI3 CP1 CP2 CP3 X (em m) 0,07 0,09 0,07 0,09 0,09 0,09 0,09 0,09 0,09 Y (em m) 0,13 0,13 0,13 0,13 0,13 0,13 0,13 0,13 0,13 Foi verificado que os valores mostraram-se constantes, independente da corrida ou do intervalo analisado. Será apresentada, a seguir, a amplitude de movimento articular (tabelas 2, 3, e 4) em cada intervalo analisado, para cada corrida, obtida a partir do cálculo dos ângulos articulares. 9 10 Intervalo de cada Km Figura 4: Gráfico da velocidade média em cada quilômetro, para cada uma das corridas analisadas. ISBN # XICBB'2005 3 1,05 1 CI e CP 6 7 8 2 AMPLITUDE DE PASSADA CT 4 5 CP 79 Figura 5: Gráfico da freqüência de passada média para cada uma das corridas analisadas. VELOCIDADE DE TESTE 2 3 CI intervalos de coleta Serão apresentados aqui os resultados obtidos no ensaio experimental, que visam validar a metodologia proposta. Dados Cinemáticos A seguir, são apresentados os resultados da velocidade (figura 4), da freqüência de passada (figura 5) e da amplitude de passada (figura 6) para cada corrida analisada. 1 CT 81 1 Resultados 14 13,5 13 12,5 12 11,5 83 Page# Tabela 2: Amplitude de movimento articular (em graus), para cada curva média e intervalo da CT. Articulação CT 1 CT 2 CT 3 Coluna 16,53 18,93 18,57 Quadril 43,41 46,85 49,63 Joelho 93,82 96,59 89,71 Tornozelo 64,38 65,39 66,94 Discussão Tabela 3: Amplitude de movimento articular (em graus), para cada curva média e intervalo da CI. Articulação CI 1 CI 2 CI 3 Coluna 20,9 20,8 21,89 Quadril 51,44 46,71 50,01 Joelho 96,78 92,53 96,89 Tornozelo 69,08 63,80 67,24 Tabela 4: Amplitude de movimento articular (em graus), para cada curva média e intervalo da CP. Articulação CP 1 CP 2 CP 3 Coluna 21,73 21,47 21,93 Quadril 49,26 60,59 43,56 Joelho 99,32 106,0 93,2 Tornozelo 63,84 78,89 66,64 Dados Fisiológicos Os dados fisiológicos que foram coletados são apresentados na tabela 5. Tabela 5: Consumo máximo de oxigênio (VO2máx/kg) e consumo de oxigênio em cada uma das corridas analisadas, para cada intervalo (VO2/kg médio). VO2máx/kg VO2 médio na CT1 VO2 médio na CT2 VO2 médio na CT3 VO2 médio na CI1 VO2 médio na CI2 VO2 médio na CI3 VO2 médio na CP1 VO2 médio na CP2 VO2 médio na CP3 ISBN # XICBB'2005 54,4 43,41 46,68 48,09 45,33 44,50 44,91 44,45 45,18 46,67 Percentual do VO2máx/kg 80% 86% 88% 83% 82% 83% 82% 83% 86% Page# A partir dos resultados obtidos foi possível verificar que a metodologia proposta é aplicável, oferecendo resultados que podem ser comparados a resultados apresentados pela literatura, os quais, por sua vez, não foram obtidos dentro de um contexto de competição [2, 5, 6]. Alguns autores sugerem que a freqüência de passada – mais do que a amplitude de passada – representa um fator crítico que determina o esforço muscular durante cada ciclo de passada [7]. Todavia, vale mencionar que a maioria dos estudos tem confirmado o fato de que a velocidade empregada na corrida é dependente, em maior escala, da amplitude da passada, do que da freqüência da passada [8,9,10]. A análise da amplitude de passada e da freqüência de passada permitiu verificar a ocorrência de um aumento mais pronunciado dessas variáveis em CT, o qual deve estar relacionado com o aumento da velocidade empregada neste teste. Isso ocorre visto que a velocidade de corrida de um atleta depende da combinação desses dois fatores: comprimento da passada e freqüência da passada [7, 11]. Foram encontradas pequenas diferenças no deslocamento do centro de massa – representado, aqui, pelo ponto articular do quadril. Na projeção horizontal essas diferenças não foram superiores a 2 cm e na projeção vertical não foram encontradas quaisquer diferenças. Destaca-se que resultados semelhantes já foram descritos na literatura, sendo que esses são avaliados de forma positiva, na medida em que um excessivo deslocamento do centro de gravidade constitui uma técnica ineficiente - muita energia acaba sendo utilizada para a projeção vertical do corpo [8]. É válido destacar que na corrida o movimento dos segmentos pode ser considerado como uma ação harmônica para alcançar uma locomoção que tenha translação do centro de massa com menor gasto de energia possível [7]. Quanto aos aspectos fisiológicos, pôde-se observar que na corrida do triathlon (CT) houve um aumento do consumo, possivelmente relacionado com um aumento da velocidade de teste (Figura 4), e com um processo de fadiga ocasionado pelos 40 Km de ciclismo prévios. Assim, temos que o aumento da velocidade de corrida ocorre sistematicamente com o aumento das demandas aeróbicas [7]. Como já mencionado na literatura, o aumento do custo de oxigênio na corrida do triathlon, quando comparada à corrida isolada pode ser relacionado a fatores fisiológicos e/ou biomecânicos [2]. Essa afirmação justifica a aplicação da metodologia aqui proposta, pois possibilita verificar se esses resultados são coerentes com aqueles encontrados em situações que envolvam condições reais de competição. É na tentativa de elucidar essa questão que tal proposta metodológica torna-se pertinente. Conclusão Research Quarterly for Exercise and Sport. 52(2): 160-166, 1981. A partir do ensaio experimental realizado, foi possível verificar que a metodologia fornece resultados de forma satisfatória, sendo que será possível aproximar o contexto de uma avaliação da realidade de uma competição. Destaca-se que essa metodologia será posteriormente implementada com um número maior de atletas, dentro de um contexto real de competição, tendo premiação previamente estipulada. [9] BUS, S A. “Ground reaction forces and kinematics in distance running in older-aged men”, Med. Sci. Sports Exerc., 35(7): 1167-1175, 2003. [10]MARINO GW, GOEGAN J. “Work-energy analysis of triathletes running under bike/run and run only conditions”, in HAMILL, J; DERRICK, TR & ELLIOT, EH. (Eds.) Biomechanics in Sport XI. Amherst: Proceeding of the xith Symposium of the International Society of Biomechanics in Sport, pp. 86-89, 1993. Agradecimentos: ao Laboratório de Pesquisa do Exercício (LAPEX-UFRGS), ao Laboratório de Biomecânica da UFSM e ao CNPq. [11]HAY, JG. Biomecânica das técnicas desportivas. Ed. Interamericana, 2ed, Rio de Janeiro, 1981. Referências e-mail dos autores: [1] BENTLEY DJ, MILLET GP, VLECK VE, MCNAUGHTON LR. “Specific Aspects of Contemporary Triathlon”, Sports Medicine. 32(7): 115, 2002. [email protected] [2] HUE O, LE GALLAIS D, CHOLLET D, BOUSSANA A, PRÉFAUT C. “The influence of prior cycling on biomechanical and cardiorespiratory response profiles during running in triathletes”, European Journal Applied Physiology. Vol. 77: 98-105, 1998. [3] ROWLANDS DS, DOMNEY B. “Physiology of Triathlon”, in: Exercise and Sport Science, Philadelphi, pp. 919-939, 2000. [4] DENGEL DR, FLYNN MG, COSTILL DL, KIRWAN JP. “Determinants of Success During Triathlon Competition”, Research Quarterly for Exercise and Sport. 60(3): 234-238, 1989. [5] HAUSSWIRTH C, BIGARD AX, BERTHELOT M, THOMAIDIS C, GUEZENNEC CY. “Variability in energy cost of running at the end of a triathlon and a marathon”, Journal Sports Medicine. 17: 572-579, 1996. 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