1 “Educação corporativa para sustentabilidade”1 Cristiane Bassi Jacob 2 “Nós precisamos ser a mudança que queremos ver no mundo.” Mahatma Gandhi Índice 1. Sumário Executivo……………………………………………………………...... 2. Introdução………………………………………………………………………... 3. Referencial Teórico................................................................................................. 3.1. Da educação corporativa................................................................................... 3.1.1. Da definição de educação corporativa...................................................... 3.1.2. Da finalidade das práticas de educação corporativa................................. 3.1.3. Da implantação de práticas de educação corporativa............................... 3.2. Da sustentabilidade........................................................................................... 3.2.1. Da definição de sustentabilidade............................................................... 3.2.2. Da finalidade de práticas sustentáveis....................................................... 3.2.3. Da implantação de práticas sustentáveis nas empresas............................. 3.3. Da educação corporativa para sustentabilidade das empresas.......................... 3.3.1. Dos desafios e das propostas de práticas de educação corporativa para a sustentabilidade das empresas............................................................................. 4. Considerações Finais.............................................................................................. 5. Referências Bibliográficas...................................................................................... 5.1.Disponíveis em sites......................................................................................... 01 02 04 04 04 05 06 07 07 08 09 10 11 13 14 15 1. Sumário Executivo O presente artigo tem como título “Educação corporativa para a sustentabilidade”, tema de grande relevância no contexto atual, tanto no cenário nacional como no internacional. O conhecimento científico e tecnológico, a difusão da tecnologia da informação e a grande competitividade no mercado, em razão da globalização são alguns fatores que ocasionam mudanças na sociedade, influenciando, sobremaneira, na gestão das empresas. A volatilidade do conhecimento é outro fator limitador que, muitas vezes, faz com que as organizações percam espaço no mercado em razão da premente necessidade de atualização na busca de melhores produtos/serviços competitivos em face de seus concorrentes. Lilian Aligleri; Luiz Antonio Aligleri e Isak Kruglianskas asseveram que as empresas mais competitivas não são as que possuem insumos de baixo custo, mas aquelas que sabem interpretar as tendências contextuais e empregam tecnologia e métodos mais avançados em sua gestão. 3 1 2010. 2 Artigo Científico publicado na Revista de Direito Educacional – Revista dos Tribunais – RT, Advogada; Coordenadora do Núcleo de Estudos da Empresa Familiar – NEEF em Ribeirão Preto; Mestranda em Direito Coletivo e Função do Direito pela UNAERP; Especialista em Direito Empresarial e Processo Civil. 3 ALIGLERI, Lilian; ALIGLERI, Luiz Antonio; KRUGLIANSKAS, Isak. Gestão sócioambiental: responsabilidade e sustentabilidade do negócio. São Paulo: Atlas, 2009, p. 4. 2 A ênfase na educação estratégica busca desenvolver o ser de forma técnica e comportamental, bem como em relação às práticas sociais, solidárias e participativas no âmbito das empresas. O termo educação corporativa encontra-se vinculado a quaisquer ações no sentido de capacitar os stakeholders 4de forma contínua, pode-se dizer que é a evolução das atividades de treinamento e desenvolvimento (T&D). Estamos diante de um instituto que tem grande ligação com a estratégia empresarial, com o aprendizado organizacional, com a gestão do conhecimento e com a retenção dos talentos na instituição. Pode-se afirmar que a educação continuada nas instituições é um instrumento de desenvolvimento de pessoas, líderes e talentos por meio de um sistema educacional alinhado ao planejamento estratégico, visando garantir a sustentabilidade dos negócios. Um dos grandes desafios empresariais de nossos tempos é a dificuldade de comunicação entre as pessoas que compõem as empresas, desta feita, possibilitar o diálogo e a construção do conhecimento organizacional são algumas propostas da educação corporativa, aproveitando o capital intelectual e a diferença de gerações para a consecução de resultados positivos aliada ao aperfeiçoamento do ser humano, que se capacita e se encontra preparado para ser um agente multiplicador de cidadania. A responsabilidade social das empresas se manifesta na consciência do impacto das suas ações na sociedade, assim, práticas sustentáveis devem ser objeto de ensino dentro das organizações, estando atreladas à cultura organizacional, missão, visão e valores da empresa a fim de que seja difundida por toda a cadeia produtiva, garantindo a sustentabilidade negocial. Este trabalho pretende alinhavar teoria à prática de maneira simples, fundamentada nos estudos de profissionais que são referenciais teóricos, buscando demonstrar aos leitores os conceitos pertinentes à temática e, de forma objetiva, quais suas funcionalidades para as organizações, evidenciando passo a passo como implantar a “educação corporativa para a sustentabilidade”. Outro ponto que merece atenção é que este artigo foca no termo educação corporativa ao invés de universidade corporativa; a grande maioria dos autores focam neste conceito que encontra-se vinculado apenas a grandes instituições, que possuem capital alto para este investimento. Em razão do número elevado de pequenas e médias empresas em nosso país e seu forte impacto na economia brasileira, entendemos por bem direcionar nossos estudos em práticas educacionais que pudessem ser estendidas a elas, desta forma, empresas especializadas em educação corporativa5 podem ser contratadas, não dependendo de capital alto para este fim, viabilizando, destarte, a aprendizagem organizacional àquelas empresas que buscam a competitividade no mercado. 2. Introdução Empresas são órgãos criadores e produtores de riquezas em nossa sociedade, tendo como objetivo precípuo operar com lucratividade - sendo esta apenas uma das facetas a qual não pode deixar de ser observada pelos dirigentes. As organizações que oferecem empregos, bens e serviços apenas cumprem com seus objetos sociais empresariais, ocorre que atualmente se espera que as organizações 4 Pode ser entendido como partes interessadas na cadeia negocial (clientes; fornecedores; governos; acionistas; organizações não governamentais; colaboradores; concorrente e meio ambiente). 5 São aquelas contratadas para a implantação de práticas educacionais dentro das instituições, mediante consultoria, amplo diagnóstico e mapeamento das competências críticas, a fim de suprir as lacunas de conhecimento e potencializar o conhecimento já adquirido pelos empregados/colaboradores por meio de treinamento e desenvolvimento pessoal e organizacional. 3 estejam envolvidas com a sociedade de modo a perpetuar seus negócios, respeitando os direitos transindividuais, ou seja, a sociedade espera mais que o mero cumprimento das leis e o dos instrumentos contratados. As corporações que buscam a competitividade devem ajudar a preservar o meio ambiente; prestar seus serviços e vender seus produtos levando em consideração o envolvimento de todos os stakeholders; embasar suas atividades em práticas de boa governança corporativa6 e disponibilizar a educação continuada, contribuindo, desta forma, com a revitalização das pessoas nas empresas. A idéia pura de maximização dos lucros, aos poucos passa a ser superada pela concepção de função social da empresa e sua responsabilidade social, com vistas aos interesses de todos os envolvidos na cadeia negocial, privilegiando práticas educacionais que direcionam as atividades empresariais ao pensamento do coletivo e do social. Segundo Adalberto Simão Filho no âmbito da nova empresarialidade, a concepção de lucratividade na atividade empresarial não deve ser uma conduta finalista/imediata, pois o lucro é um dos objetivos, ponderando-se a finalidade social empresarial. 7 Lilian Aligleri, Luiz Antonio Aligleri e Isak Kruglianskas sustentam que implicações de cunho mais amplo e sistêmico geram consigo uma forte demanda por um “novo contrato social global” opinião reforçada pelos acordos e documentos internacionais firmados nos últimos anos. 8 Nesse sentido, Peter Wright et al comentam que as empresas estão inseridas na sociedade e suas ações têm desdobramentos tanto sociais como econômicos, sendo impossível dissociar as decisões de negócio com suas conseqüências sociais. 9 Marisa Éboli ensina que a educação designa o processo de desenvolvimento e realização do potencial intelectual, físico, espiritual, estético e afetivo existente em cada ser humano, também designa o processo de transmissão da herança cultural às novas gerações. 10 Ainda sobre educação Cleusa Maria Bordini Colucci em tese de mestrado preconiza que a educação é uma prática social que tem como função prioritária a reconstrução e a re-significação do conhecimento e da cultura de um povo e como prática social tem a finalidade de formar o cidadão o inserindo na cultura e no mundo do trabalho. 11 Segundo Eleonora Jorge Ricardo no mundo globalizado a informação se torna estratégica e o conhecimento um bem valioso, em que a informação supera a valorização de bens materiais. 12 Lawrence P. Jacks citado por Malcon S. Knowles et al comenta que a aprendizagem e a vida não são dois departamentos ou operações isolados, são dois nomes para um processo contínuo, examinados por lados opostos. Um tipo de educação baseado nessa visão de continuidade é, obviamente, a necessidade premente de nosso tempo. 13 6 Sistema pelo qual as sociedades são dirigidas envolvendo os relacionamentos entre acionistas/quotistas; conselho de administração; diretoria; auditoria independente e conselho fiscal, tendo por finalidade aumentar o valor da sociedade e contribuir para a sua perenidade. (Perguntas freqüentes. Disponível em:<http://www.ibgc.org.br/PerguntasFrequentes.aspx> Acesso em 05/02/2010). 7 SIMÃO FILHO, Adalberto. A nova empresarialidade. In Revista dos Advogados de São Paulo: Revista dos Tribunais, ano 9, nº 18, dezembro de 2006, p. 40. 8 ALIGLERI, Lilian; ALIGLERI, Luiz Antonio; KRUGLIANSKAS, Isak. Op. Cit. p.7. 9 WRIGHT, Peter; KROLL, Mark J; PARNELL, John. Administração estratégica. tradução Celso A.Rimoli, Lenita R. Esteves. São Paulo: Atlas, 2000, p. 118. 10 EBOLI, Marisa. Educação Corporativa no Brasil: mitos e verdades. São Paulo: Editora Gente, 2004, p. 32. 11 COLUCCI, Cleusa Maria Bordini. Educação continuada: um estudo de caso sobre suas contribuições para a organização e seus colaboradores. Presidente Prudente. Dissertação de Mestrado em Educação. Universidade do Oeste Paulista – UNOESTE, 2006, p. 23. 12 RICARDO, Eleonora Jorge. A educação do trabalhador do conhecimento. In RICARDO, Eleonora Jorge [org]. Gestão da educação corporativa: cases, reflexões e ações em educação a distancia. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007, p. 4. 13 Op. Cit. p. 45. 4 Verifica-se, desta forma, que emerge uma educação como processo que ocorre durante toda a vida, iniciando-se no nascimento e terminando com a morte, sendo este processo relacionado com as experiências da vida, tendo maior significado, pois leva em consideração a realidade do aprendiz e a participação efetiva ao invés da passividade de outrora. Sob essa ótica, as instituições voltadas à administração estratégica que anseiam otimizar processos, o fazem por meio das habilidades profissionais que devem ser aperfeiçoadas em uma plataforma de ensino/aprendizagem no afã de atingir melhor qualidade e produtividade, levando a melhores resultados. Nesta linha de argumentação podemos dizer que a prática de educação corporativa é uma tendência que vem corroborar para que as organizações atuem no mercado com responsabilidade social, formando e preparando cidadãos para a reflexão crítica, bem como para ações sociais transformadoras, especialmente no que tange a sustentabilidade. Malcon S. Knowles et al salientam que os teóricos contemporâneos ligados à andragogia enfatizam a importância de construir um ambiente educativo em todas as instituições para ajudar as pessoas a aprender, baseado na premissa de que uma organização tende a servir como modelo para todos aqueles que ela influencia.14 Tendo em vista que o conhecimento é hoje, o principal fator que agrega valor a uma empresa, justifica-se este estudo em razão da importância de tratarmos da temática a fim de que a sociedade tome conhecimento de que a educação corporativa é um instituto que veio para ficar, não se tratando de modismo ou algo passageiro e que práticas educacionais vinculadas à estratégia empresarial podem e devem ser desenvolvidas por pequenas e médias empresas que intencionam o desenvolvimento do seu pessoal e da sua organização. Questiona-se, portanto, como uma arquitetura de aprendizado colaborativo pode propiciar resultados positivos para as organizações? Com efeito, pergunta-se, ainda, como implantar práticas de educação corporativa para a sustentabilidade? E, por fim, quais os principais desafios a serem enfrentados na implementação de práticas de educação continuada para a sustentabilidade? Este trabalho objetiva demonstrar a importância da educação corporativa nas instituições como mecanismo de fomento a práticas sustentáveis. De forma secundária propiciar que os leitores possam, mesmo que indiretamente, trabalhar como multiplicadores da concepção de educação corporativa e desenvolvimento de pessoas em contraposição a antiga idéia de centros de T&D que desenvolvem ações pontuais sem qualquer comprometimento com a continuidade educacional e mudança de comportamento, especialmente no que tange ao desenvolvimento sustentável. 3. Referencial Teórico 3.1. Da educação corporativa 3.1.1. Do conceito de educação corporativa Ao analisarmos o contexto histórico podemos perceber a evolução do tratamento dado ao treinamento e desenvolvimento das pessoas nas instituições, que antes era tido como custo, sendo que atualmente é encarado como investimento. As organizações atuais possuem características muito diferentes das que conhecemos antes da globalização. Na conjuntura atual, nota-se que desde a hierarquia corporativa à obsolescência do conhecimento, tudo se alterou. Percebe-se que quanto maior a competitividade no seguimento, mais as organizações buscam implementar o conhecimento de seus agentes a fim de que tenham proatividade. 14 Op. Cit. p. 114-115. 5 Bem se sabe que a educação corporativa teve início no Brasil na década de 90, no cenário da globalização, em uma época em que as organizações perceberam a relevância do investimento em qualificação profissional, com vistas à competitividade como diferencial no mercado de atuação. Este tema vem sendo desenvolvido ao longo dos anos e se sustenta com a criação das universidades corporativas 15 instituídas por grandes empresas com o objetivo de desenvolver internamente as competências indispensáveis para a competitividade. A idéia de educação corporativa trabalha com a premissa de que as empresas não devem esperar que as escolas tornem os currículos dos alunos relevantes para a realidade empresarial, mas o inverso, que as organizações possam desenvolver a educação continuada dentro de suas estruturas focada no mercado. 16 No que se refere à definição de educação corporativa pode-se dizer que é uma prática coordenada de gestão de pessoas e de conhecimento, tendo como orientação a estratégia de longo prazo de uma organização. Entende-se que a educação corporativa é mais do que treinamento empresarial ou qualificação de mão-de-obra, pois articula coerentemente as competências individuais e organizacionais no contexto mais amplo da empresa. Com isso, as práticas de educação corporativa estão relacionadas ao processo de inovação nas empresas e ao aumento da competitividade de seus produtos (bens ou serviços). 17 Marisa Éboli define educação corporativa como o conjunto de ações integradas que possibilitam o desenvolvimento de pessoas com foco nas competências empresariais e humanas que são estratégicas para o sucesso do negócio. 18 Entende-se a educação corporativa como uma ferramenta que propicia a melhoria contínua dos processos internos da instituição de forma que possa alcançar seus princípios organizacionais de forma coerente e consistente. É ela que efetivamente provoca a evolução da instituição em todos os seus aspectos, pois contempla as características de cada um, observa os talentos, as necessidades de formação e a adequação das atividades. 19 Segundo Jeanne Meister a educação não mais termina com a formação escolar tradicional, uma vez que nossas vidas não se dividem em dois períodos: aquele que estamos estudando e o posterior à formatura, hoje temos que nos preparar para o mercado que nos exige formação ativa e contínua. 20 Marisa Eboli traça sete princípios de sucesso relativos à educação corporativa que merecem ser apontados, a saber: a) competitividade; b) perpetuidade; c) conectividade; d) disponibilidade; e) cidadania; f) parceria e g) sustentabilidade. 21 15 A primeira experiência de implantação registrada no Brasil foi a Academia Accor em 1992, na seqüencia a Universidade Martins do Varejo (1994); a Universiddade Brahma (1995); a Universidade do Hambúrguer do McDonald's (1997); a Visa Training (1997); Universidade Algar (1998), entre outras. 16 SOUZA, Cesar. Apresentação da edição brasileira da obra Educação Corporativa: a gestão do capital intelectual através das universidades corporativas de Jeanne C. Meister. São Paulo, 1999, xiv. 17 Educação Corporativa. Disponível em: <http://www.educor.desenvolvimento.gov.br/educacao> Acesso em 02/03/2009. 18 Apud. COSTA FILHO, Ismar Ferreira da. Conceito de educação corporativa no âmbito dos Fóruns de Competitividade. In Coletânea de artigos. Série Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior – 13. Brasília. Disponível em: <http://www.educor.desenvolvimento.gov.br/public/arquivo/arq1228762334.pdf>. Acesso em: 12/03/2010. 19 NAVES, Cláudia Motta da Rocha Naves. In A transformação pela educação corporativa provocando transformações internas, intensas e sistêmicas. Coletânea de artigos. Série Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior – 13. Brasília. Disponível em: <http://www.educor.desenvolvimento.gov.br/public/arquivo/arq1228762334.pdf>. Acesso em: 12/03/2010. 20 MEISTER, Jeanne C. Educação Corporativa: a gestão do capital intelectual através das universidades corporativas. Tradução Maria Cláudia Santos Ribeiro Ratto. São Paulo: Pearson Makron Books, 1999, p. 11. 21 Op. Cit. p. 58. 6 No cenário traçado, a educação continuada é uma necessidade das empresas, tendo em vista o grande avanço tecnológico e a busca premente pelo conhecimento, uma vez que o volume de informação é uma constante crescente em todos os seguimentos, cabendo às organizações desenvolver práticas de gestão do conhecimento e educação corporativa para se manterem pró-ativas e competitivas. 3.1.2. Da finalidade das práticas de educação corporativa Diferentemente dos centros de treinamento e desenvolvimento (T&D) que atuam pontualmente em razão de algum fato específico, a educação corporativa propicia, de forma sistemática, uma constante atualização dos envolvidos, implementando a idéia de educação continuada e não algo estanque e momentâneo. Marisa Eboli aponta que o motivo maior de se implantar um sistema de educação corporativa é elevar o patamar da competitividade empresarial, por meio do desenvolvimento, da instalação e da consolidação das competências críticas empresariais e humanas e que sua missão é formar e desenvolver os talentos humanos na gestão dos negócios, promovendo a geração, assimilação, difusão e aplicação do conhecimento organizacional, através de um processo de aprendizagem ativa e ininterrupta, gerando resultados positivos. 22 Algumas empresas desenvolvem práticas de educação corporativa voltada à capacitação a fim de elevar a escolaridade dos seus empregados, envolvendo questões, muitas vezes de cidadania, por permitir desde a alfabetização à pós-graduação. Desta forma, os empregados com baixo nível de escolaridade têm a oportunidade de desenvolver suas potencialidades, assim como os estrategistas da organização têm na educação continuada um canal de atualização e aprofundamento de suas competências. Um dos objetivos da educação corporativa é formar profissionais com o perfil de competências focado no negócio que o viabiliza, a fim de permitir que a aprendizagem organizacional funcione como alavanca para o diferencial competitivo. Pode-se dizer que a educação corporativa é um veículo de consolidação, de fortalecimento e de disseminação da cultura empresarial 23 que pode ser voltada para a aprendizagem e para o autodesenvolvimento contínuos. 24 Busca-se com tal mecanismo que os educandos possam ter uma maior amplitude de suas atividades, considerando o sistema e que possam ter condições de identificar as experiências malogradas e corrigi-las ou sugerir novas possibilidades, como também identificar as boas experiências, aperfeiçoando-as. Klater Bez Fontana e Maria Alice Passos Mendes asseveram: “A conjuntura atual que caracteriza os novos processos de trabalho busca a superação da eficiência individual para promover a eficiência coletiva. Nesse sentido, a educação continuada apresenta-se como resposta estratégica ao desenvolvimento de competências profissionais na organização.” 25 Práticas de educação corporativa valorizam o capital humano da instituição, motivando comportamentos que agregam valor à empresa; encorajam os envolvidos a serem agentes ativos de mudança, em lugar de receptores passivos de instruções. Os educandos são partícipes atuantes que ao desenvolverem uma nova postura oferecem à empresa a possibilidade de incrementar a competitividade organizacional. Sob tal aspecto, a educação 22 ÉBOLI, Marisa. Educação corporativa e gestão do conhecimento como vantagem competitiva. 6º Congresso FEBRABAN de Recursos Humanos. São Paulo, 17 e 18 de Outubro de 2003. 23 Refere-se aos valores e padrões de crenças e comportamentos que são aceitos e praticados pelos membros de uma determinada organização. (PRINGLE, C. D. et al. Apud. WRIGHT, Peter; KROLL, Mark J; PARNELL, John. Op. Cit. p. 323). 24 EBOLI, Marisa. Op. Cit. p. 117. 25 FONTANA, Klalter Bez; MENDES, Maria Alice Passo. A mobilidade do conhecimento. In Revista T&D: Educação Corporativa.edição 155, ano 16, 2008, p. 36. 7 corporativa deve servir de conduíte para auxiliar as empresas a atingirem seus objetivos empresariais, alavancando e otimizando resultados. 3.1.3. Da implantação de práticas de educação corporativa Para a execução de um sistema de educação corporativa inicialmente deve haver um grande envolvimento pessoal dos dirigentes das organizações, disseminando uma nova mentalidade corporativa com vistas à gestão do conhecimento. A escolha da empresa que fará o projeto educacional é de suma relevância para o sucesso do empreendimento, devendo disponibilizar profissionais altamente capacitados e que estejam imbuídos da concepção de educação continuada e que tenham condições de propagar a idéia de aprendizado institucional. Outro ponto que merece destaque diz respeito ao posicionamento dos executivos no sentido de abandonarem o dogma da maximização dos lucros por si só, uma vez que esta concepção é de curto prazo em contraposição à educação corporativa que é de médio e longo prazo. Significa dizer que a cultura organizacional da empresa tem que estar alinhada à estratégia no sentido de permitir a implantação de práticas de educação corporativa. No início se faz imperioso demonstrar a todos os envolvidos no processo de educação corporativa que a aprendizagem ativa e contínua alinhada com a missão, visão e valores da empresa será um dos instrumentos a propiciar maiores resultados empresariais. Observando-se os ensinamentos de Marisa Eboli de que as organizações precisam consolidar e disseminar seus valores e princípios básicos de forma consistente, para que eles sejam incorporados pelas pessoas, tornando-se norteadores de seu comportamento e permitindo o direcionamento entre objetivos e valores individuais e organizacionais, construindo-se assim a identidade cultural. 26 Ressalva-se que o portifólio educacional da empresa que trabalha com andragogia pode contemplar o atendimento do público interno, bem como o público externo. A primeira etapa do processo de elaboração de um sistema de educação corporativa se verifica com o diagnóstico amplo da instituição a fim de delimitar os GAPs (lacunas de conhecimento), bem como as potencialidades do negócio. A segunda etapa se dá com o mapeamento das competências críticas (empresariais; organizacionais e humanas); discutindo-se as estratégias empresariais, requerendo, para tanto, o envolvimento da alta administração para implantar-se um modelo de gestão por competências. E, por fim, após a realização do mapeamento de competências críticas, que refletem conhecimentos, habilidades e atitudes relevantes que impactam nos resultados da empresa, tem-se a terceira etapa do processo de implantação da educação corporativa que se dá com a estruturação dos cursos, treinamentos e desenvolvimento das pessoas e equipes. A concepção de programas educacionais alinhados à estratégia do negócio estimula a gestão do conhecimento que deve funcionar como veículo de disseminação da cultura empresarial, podendo ser implementado gradualmente de conformidade com o budget 27 da empresa. O projeto de educação corporativa deve contemplar a identificação; a formação e a mobilização das competências críticas, visando agregar valor ao negócio, aumentando, conseqüentemente, a competitividade. 28 Os programas educacionais podem ser ministrados de forma presencial ou on line, fazendo com que os educandos possam ajustar o aprendizado à sua realidade. 3.2. Da sustentabilidade 26 Op. Cit. p. 43. Orçamento. 28 EBOLI, Marisa. Op. Cit. p. 91. 27 8 3.2.1. Da definição de sustentabilidade A sustentabilidade está intimamente relacionada ao crescimento econômico e ao desenvolvimento social constante, bem como à escassez dos recursos naturais, com isso, o conceito de sustentabilidade recomenda uma nova maneira de pensar e agir em razão do futuro do homem no planeta. As organizações passam a ter mais e maiores responsabilidades com esse novo arquétipo de civilização fundamentado na reorganização dos processos de produção e na reestruturação das primazias de consumo social, com vistas a pensar e estruturar a vida na sua integralidade e continuidade. A isso podemos denominar sustentabilidade que por meio de posturas éticas entre os stakeholders abrangem os produtos e seus ciclos de vida; a promoção da melhora da qualidade de vida da comunidade; a excelência ambiental e o desenvolvimento econômico da região. A definição de sustentabilidade empresarial se encerra na idéia de desenvolvimento econômico desenhado com base na utilização ou re-utilização de recursos naturais e sociais de forma a não exauri-lo ou degradá-los. Portanto, a sustentabilidade é o emprego pelas empresas do conceito de desenvolvimento sustentável aplicado à prática, assim, nada mais é do que uma nova postura de agir e se posicionar considerando-se as pessoas, a lucratividade e a continuidade do planeta. As organizações que congregam tais princípios atuam sob a perspectiva da longevidade. Pode-se dizer que a sustentabilidade envolve a gestão de pessoas; a forma de tratar os empregados/colaboradores; o impacto sobre o meio ambiente e sobre a comunidade local e por fim, as relações com clientes e fornecedores. 29 Afere-se que a sustentabilidade é um centro gerador de resultados para as empresas, uma vez que agrega valor ao negócio. O termo sustentabilidade ambiental é ligado ao desenvolvimento sustentável, envolvendo a utilização racional dos recursos naturais, em longo prazo. A utilização sustentável dos recursos naturais é aquela em que estes são utilizados abaixo da sua capacidade natural de reposição, e os não renováveis de forma econômica e eficiente, majorando sua vida útil. No que tange ao consumo de energia, a sustentabilidade aconselha a substituição de combustíveis fósseis e energia nuclear por fontes renováveis, como a energia solar, a eólica, das marés, da biomassa, entre outras. A sustentabilidade ambiental é, assim, caracterizada pela manutenção da capacidade do ambiente de prover os serviços ambientais e os recursos necessários ao desenvolvimento das sociedades humanas de forma constante. 30 O termo sustentabilidade social trabalha a noção de melhoria do bem estar social, encarado numa perspectiva de longo prazo. Em termos sociais, sustentabilidade significa distribuição de renda mais equânime, aumento da participação dos diferentes segmentos da sociedade na tomada de decisões, igualdade entre sexos, grupos étnicos, sociais e religiosos, universalização do saneamento básico e do acesso à informação e aos serviços de saúde e educação, entre outros. A sustentabilidade social está associada tanto ao bem estar material da população quanto a sua participação nas decisões coletivas. 31 Pode-se afirmar que o desenvolvimento sustentável representa a única saída para harmonizar a produção de riqueza e o bem estar social sem que seja comprometida a sobrevivência do homem e do planeta. 3.2.2. Da finalidade de práticas sustentáveis O profissional socialmente responsável é aquele que volta suas atenções às 29 Sustentabilidade de a a z. Disponível <http://mercadoetico.terra.com.br/sustentabilidade-de-a-a-z/?letra=S>. Acesso em 02/05/2010. 30 Idem, ibidem. 31 Idem, ibidem. em: 9 questões relacionadas aos princípios e aos valores sociais e éticos que envolvem os problemas sociais da nossa época. Desta feita, práticas sustentáveis são viáveis para que conservemos o planeta de forma integral, agindo, assim, com visão sistêmica e não local, mudando o paradigma. Carlos Julio Jara assinala para uma outra possibilidade que faz emergir do desenvolvimento sustentável, qual seja, a promoção da competitividade econômica socialmente inclusiva, que permite aos homens avançar para modos de vida menos destrutivos e que considerem mais a qualidade de vida. 32 O mesmo autor continua: “Precisamos desenvolver um novo conjunto de significados, um novo senso de valores, capaz de redefinir nossas prioridades, na direção de um futuro justo, equitativo, solidário e ambientalmente sustentável.” 33 Lilian Aligleri, Luiz Antonio Aligleri e Isak Kruglianskas acreditam que não adianta as empresas desenvolverem projetos sociais para a comunidade se poluem mananciais, submetem empregados a situações inseguras de trabalho, despejam resíduos industriais em áreas impróprias, mantém contrato com fornecedores que utilizam mão de obra infantil, não pagam os impostos e taxas devidos, se envolvem em cartéis ou pagam salários ínfimos aos seus colaboradores. 34 Os mesmos autores citando Porter e Kramer comentam que abordagens dominantes de responsabilidade social são fragmentadas e desvinculadas do negócio da empresa e que não basta fazer o bem, é preciso fazê-lo de forma eficaz. 35 3.2.3. Da implantação de práticas sustentáveis nas empresas Dentro das organizações temos a figura dos jovens que representam o futuro do país, e frente a essa realidade é importante sua formação integral centrada em um novo paradigma sustentável; não sendo menos importante a reeducação dos mais velhos, em razão de funcionarem como exemplo no seio familiar, social e empresarial. A educação ambiental se traduz na simples idéia de reciclagem, reutilização e redução. Nesse aspecto, buscar informar; trabalhar com cases ilustrativos com o intuito de provocar reflexões; demonstrar a importância do engajamento de todos para “fazer acontecer” as ações sustentáveis na empresa, que serão definidas por decisões de dirigentes conscientes. Para que os mecanismos sustentáveis sejam implementados, executados e que tenham uma continuidade na corporação faz-se imperioso a elaboração e divulgação de um código de conduta empresarial que disponha de orientações acerca do comportamento no diaa-dia da empresa, sobretudo, no que se refere à utilização dos recursos disponíveis e ao relacionamento interno e externo com todas as partes envolvidas; este documento deve conter as diretrizes de conduta nos negócios da empresa. 36 Práticas de governança corporativa que traduzem princípios de transparência devem ser igualmente dispostas no código de conduta empresarial, assim, para as empresas que ainda não são adeptas de tal instituto, disposto no instrumento deve ser disseminado em toda a organização para que incorpore na cultura empresarial. Ao passo que as empresas que já aderiram práticas de boa governança corporativa devem reafirmar o compromisso, prestando contas aos stakeholders, por meio de publicação de relatório anual de responsabilidade socioambiental ou site institucional. A implantação de programas que prevêem ações direcionadas à qualidade de vida dos empregados/colaboradores e programas que estimulam o plantio de árvores encontra-se 32 JARA, Carlos Julio. A sustentabilidade do desenvolvimento local: desafios de um processo em construção. Brasília: IICA, 1998, p. 56. 33 Idem ibidem, p. 13. 34 ALIGLERI, Lilian; ALIGLERI, Luiz Antonio; KRUGLIANSKAS, Isak. Op. Cit., p. 12. 35 Idem ibidem, p. 12 36 As ações educativas deverão ser descritas neste instrumento a fim de consolidar tal prática e incorporar na cultura empresarial. 10 entre as práticas sustentáveis. Com o objetivo de implantar práticas sustentáveis na empresa, buscar identificar, em conjunto com empregados, fornecedores, clientes, representantes do governo e ONGs quais as questões de sustentabilidade de maior relevância para que sejam inseridas na estratégia empresarial. Diretrizes importantes para estimular um trabalho diferenciado nas organizações e atingir um excelente desempenho com metas de longo prazo podem ser definidas para instigar a organização a pensar de uma maneira diferenciada como melhorar o desempenho e ser sustentável. Como exemplos o respeito e a proteção aos empregados/colaboradores; a assistência à comunidade local; o respeito à diversidade; a industrialização de produtos e processos seguros e sustentáveis; o fornecimento de serviços éticos; o diálogo com as partes interessadas; criação de valores de longo prazo; a transparência; a responsabilidade; a ecoeficiência e a já mencionada governança corporativa. Cabe a empresa buscar parcerias com vistas a implementar programas sustentáveis específicos relacionados à sua área de negócios junto a empresas, associações ou institutos, como o Instituto Ethos. 37 A busca pelas certificações dos produtos/serviços, como ferramenta de gestão de negócios, denota a preocupação da empresa em padronizar e implantar um sistema de qualidade relacionado à sustentabilidade do negócio. Muitas são as possibilidades inerentes a programas de sustentabilidade como instrumento de consolidação das ações de investimento social, inseridos em uma política socialmente responsável, sendo este trabalho apenas mais um canal para despertar consciências e priorizar a educação em todos os níveis, na construção de uma sociedade mais justa, equilibrada e perene. 3.3. Da educação corporativa para sustentabilidade das empresas A educação corporativa para sustentabilidade encontra-se relacionada ao conteúdo da Carta da Terra em seu artigo 14 que prevê: “Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável. a) Prover a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável. b) Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade. c) Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no aumento da conscientização sobre os desafios ecológicos e sociais. d) Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma condição de vida sustentável. A primeira consideração que se faz é que as organizações que trabalham com educação corporativa para a sustentabilidade envolvem-se estrategicamente com a responsabilidade sócio-ambiental e os stakeholders são impactados, de forma direta ou indireta, trabalhando a credibilidade e imagem institucional daquela. Em seguida demonstrar que após a Lei que dispõe de Política Nacional e Meio Ambiente, a educação ambiental foi considerada um dos seus alicerces, cabendo a todos os níveis de ensino propagá-la, inclusive a comunidade que deverá estar preparada para a participação ativa na defesa do meio ambiente e para isso é importante ter conhecimento acerca da destinação dos dejetos (sólidos, líquidos e gasosos), seja do processo industrial, dos hábitos de consumo popular, bem como acerca de práticas sustentáveis para que possa, até mesmo, cobrar das empresas um novo posicionamento na figura de consumidor consciente. Maria Cecília Focesi Pelicioni e Arlindo Philippi Jr ensinam: “A educação ambiental vai formar e preparar cidadãos para a reflexão crítica e para uma ação social 37 O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social é uma organização sem fins lucrativos, caracterizada como OSCIP (organização da sociedade civil de interesse público). Sua missão é mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade justa e sustentável. 11 corretiva ou transformadora do sistema, de forma a tornar viável o desenvolvimento dos seres humanos.” 38 Aponta Jeanne Meister: “(...) se todos os membros vitais da cadeia tiverem conhecimento da visão, dos valores, missão e metas de qualidade da empresa, assim como de cada competência que sustenta sua vantagem competitiva, a empresa estará mais bem preparada para atingir seus objetivos empresariais.” 39 Com isso destaca-se a importância da empresa divulgar sua visão, missão e valores a todos os envolvidos, para que tenham conhecimento da postura empresarial a ser seguida, podendo a educação corporativa funcionar como veículo disseminador. As empresas que atuam proativamente no desenvolvimento de sistemas educacionais criam força de trabalho pautada na economia do conhecimento, assumindo um papel educador. Nesse sentido, a educação continuada busca alinhar as competências dos empregados/colaboradores às reais necessidades da empresa. Sob essa perspectiva os dirigentes das instituições focam na minimização das lacunas de competências, orientando os profissionais a eliminar as discrepâncias entre o que são capazes de fazer (competências atuais) e o que a organização espera que eles façam (competências necessárias). 40 Para se ter uma noção de como a educação corporativa pode ser estendida a pequenos e médios empresários, cita-se o exemplo de uma construtora e incorporadora que possui seu pessoal operacional como pedreiros, serventes, encanadores, eletricistas, pintores dentre outros que, muitas vezes, são analfabetos ou semi-analfabetos. Pode ser contratado por empresa especializada em educação corporativa um programa de erradicação do analfabetismo, sendo percebidos os impactos desde a redução de insumos a modo de operar com vistas à sustentabilidade, pois o empregado terá condições de se preparar para entender as diretrizes do engenheiro civil e do administrador das obras, bem como a importância de medidas de segurança no trabalho por estarem capacitados para a execução das tarefas. Uma prática tão simples que revoluciona a vida dos envolvidos, que passam a se sentir valorizados e motivados a conhecer outros horizontes que até então eram desconhecidos. Outro exemplo que pode ser mencionado diz respeito à educação formal e treinamento de empregados para o trabalho com máquinas e produtos químicos; sem sombra de dúvida o retorno será em produtividade, redução de acidentes no trabalho e conseqüentemente minimização das ações trabalhistas. Importante enfatizar que não se trata de ministrar treinamento e integração dos empregados uma única vez, a educação deve ser uma constante para que possam se desenvolver e fazer com que a empresa cresça igualmente, sob pena de estarmos diante do antigo T&D, que age pontualmente, sem levar em consideração o sistema. Programas de educação em saúde; preservação ambiental; orientação para o combate ao desperdício de energia elétrica; o acesso à energia e seu uso eficiente, o desenvolvimento local; a gestão e o desenvolvimento de pessoas; as estratégias das relações de trabalho e a biodiversidade são temas que podem ser trabalhados nos sistemas de educação corporativa, dentre outros relacionados a diversas áreas do conhecimento. Nesse contexto mostra-se determinante a formação de profissionais capacitados a perceberem a atividade empresarial como interdependente de outros recursos pessoais, naturais e sociais e que as instituições são redes inseridas em uma rede infinitamente maior que é o planeta terra, que merece ser resguardado sob pena de perecer. 38 PELICIONI, Maria Cecília Focesi; PHILLIPI JR, Arlindo. Bases políticas, conceituais e ideológicas da educação ambiental. In Educação Ambiental e Sustentabilidade. São Paulo: Manole, 2005, p. 3. 3939 MEISTER, Jeanne. Op. Cit, p. 43. 40 CARBONE, Pedro Paulo; BRANDÃO, Hugo Pena; LEITE, João Batista D.; VILHENA, Rosa. Gestão por competências e gestão do conhecimento. Rio de Janeiro: FGV, 2005. 12 3.3.1. Dos desafios e das propostas de práticas de educação corporativa para a sustentabilidade Os desafios atuais pertinentes à educação corporativa para a sustentabilidade diz respeito à falta de conhecimento e desmotivação quanto a novas possibilidades. Outro desafio que se impõe à sociedade é a quebra do paradigma de que somente as grandes empresas podem instalar práticas educacionais para seus colaboradores, posto que a experiência tem demonstrado que as pequenas e médias empresas ao contratarem empresas especializadas no seguimento de educação corporativa também podem obter ótimos resultados. O desafio para as empresas realmente competitivas não é mais simplesmente produzir bens e serviços, mas desenvolver atividades que gerem soluções integradas não só para clientes e consumidores, mas para toda a cadeia de agregação de valor. 41 Algumas dificuldades podem ser elencadas como a falta de visão estratégica; resistência de pensar no desenvolvimento de pessoas de longo prazo e com caráter estratégico, além de traços culturais desfavoráveis ao aprendizado contínuo e à gestão do conhecimento. Muitas empresas desconhecem os resultados e os impactos de suas ações no meio natural e social, com isso, esforços devem ser empreendidos no sentido de fazer conhecer e cumprir a legislação vigente e, voluntariamente, ir além das obrigações sociais no que tange ao bem-estar da coletividade. Existem dirigentes que acreditam que não cabe às organizações resolverem certos problemas sociais, assim, negam práticas, impactos e efeitos dos negócios, bem como sua responsabilidade. No entanto, tal postura identifica um posicionamento defensivo, tendo em vista que se excluem do contexto social, entendendo que são um organismo à parte do sistema e que não necessitam se engajar. 42 Há empresas que adotam a postura de que farão apenas e tão somente o que a lei e os contratos a vincularem, nesse sentido, buscam executar práticas a fim de cumprir com seu objeto social, evitando, destarte, risco de litígio e prejuízos financeiros. Com isso, não se excluem do sistema, no entanto, buscam somente respeitar a legalidade. Identificam-se as organizações que adotam nova postura, focada no estratégico e reforçam as competências críticas dos envolvidos no processo negocial, garantindo a vantagem competitiva; tais empresas atrelam o negócio às pessoas, agregando valor ao capital intelectual. Outras empresas, que por filosofia, acreditam que precisam de práticas sustentáveis, promovendo o engajamento do maior número de pessoas, com vistas à responsabilidade social. Esta visão de negócios avigora as competências, avaliza a vantagem competitiva e incentiva a ação coletiva de se inserir no sistema, causando impacto social positivo, além de valorizar a imagem institucional. Tendo em vista que a cultura organizacional reflete o passado da instituição, seus valores e padrões de crenças, bem como a influência do seu fundador, para que haja qualquer implementação no que tange a práticas sustentáveis por meio da educação, mister se faz que haja mudança na cultura da empresa a fim de viabilizá-la. A ausência de conhecimento e transparência aliados a ambientes complexos, muitas vezes, propiciam a estagnação de pessoas e organizações, assim, para solucionar esta barreira indica-se a educação e o inter-relacionamento de pessoas e empresas, posto que o desenvolvimento sustentável não se conquista de forma isolada, faz-se necessária a participação e a interatividade dos envolvidos. As práticas de sustentabilidade devem ser 41 42 Op. Cit. p. 15. EBOLI, Marisa. Op. Cit. p. 125. ZADEK, S. A. APUD. ALIGLERI, Lilian; ALIGLERI, Luiz Antonio; KRUGLIANSKAS, Isak. 13 associadas ao dia-a-dia das organizações, demonstradas pelos produtos e na atitude das pessoas. Privilegiar a governança corporativa, fortalecer a visão, missão e valores são algumas propostas rumo a práticas sustentáveis. Formar e atualizar continuamente um empregado/colaborador é tarefa audaz e onerosa, no entanto, mesmo frente às dificuldades e restrições que são de muitas ordens para se conceber e implantar sistemas de educação permanente nas empresas deve-se buscar equacionar tais celeumas, levando-se em conta as experiências bem-sucedidas de projetos de educação corporativa para sustentabilidade em nosso país. 43 Procurar desenvolver e divulgar os programas ativos e contínuos de aperfeiçoamento ético de relações com as pessoas e entidades públicas ou privadas envolvidas em suas ações é outra prática sugerida como proposta de práticas sustentáveis. As pequenas e médias empresas podem ser os grandes protagonistas desse novo caminho. Observa-se que práticas de educação corporativa para a sustentabilidade têm se revelado crescente no Brasil, fundamentada em uma nova visão despontada de desenvolvimento sustentável. 4. Considerações Finais O presente artigo fundamentado no princípio da integridade ecológica da Carta da Terra visa demonstrar à comunidade acadêmica, social e empresarial a relevância da educação corporativa para a sustentabilidade permeada pela responsabilidade social das empresas e o comprometimento das pessoas em práticas sustentáveis em longo prazo. Além da busca por melhores resultados, a educação continuada para a sustentabilidade tem o papel de gerar mudanças na cultura organizacional com vistas à conscientização da importância do tema para o desenvolvimento econômico e social do país. Logo, o conhecimento constitui diferencial para a obtenção de vantagem competitiva, assumindo o capital humano grande relevância para as instituições. Resta evidente, que o comprometimento das empresas com a educação e desenvolvimento das pessoas é uma necessidade imperativa, especialmente no tocante ao desenvolvimento sustentável. A arquitetura de aprendizado colaborativo pode propiciar saldo positivo para as organizações quando permite que práticas de educação motivem resultados relativos à qualidade, à produtividade e à redução de perdas nas corporações, estes intimamente ligados à atuação comprometida das pessoas envolvidas, que desenvolvem uma visão sistêmica dos processos, beneficiando, assim, toda a cadeia produtiva, possibilitando uma imagem institucional positiva frente aos stakeholders. A implantação de práticas de educação corporativa para a sustentabilidade tem início com a mudança de cultura organizacional, atrelado à elaboração de um código de conduta empresarial que priorize a educação para a formação de um novo paradigma com premissas sustentáveis, possibilitando uma cultura de aprendizagem organizacional para o desenvolvimento sustentável. Dentre os principais desafios a serem enfrentados na implentação de práticas de educação continuada para a sustentabilidade tem-se a deficiência de informação quanto a questões relacionadas à educação corporativa e também sobre o desenvolvimento sustentável. Outro ponto é o receio do custo elevado de tais práticas, assim, as pequenas e médias empresas, muitas vezes, deixam de buscar conhecê-las por conceber que apenas as grandes instituições possam desenvolvê-las, sendo um equívoco tal assertiva. 43 Citam-se as experiências do SENAC/SP; Universidade SECOVI - Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo e USEn Universidade SEBRAE de Negócio. 14 As empresas devem privilegiar a governança corporativa, fortalecer a visão, missão e valores rumo a práticas sustentáveis; formando e atualizando continuamente seus empregados/colaboradores, erradicando as dificuldades/ restrições que se impõem. Como proposta sinaliza-se que as organizações procurarem desenvolver e divulgar os programas de educação continuada, firmando parcerias com entidades públicas ou privadas envolvidas com a temática sustentabilidade e que utilizem o diagnóstico realizado na empresa quando da primeira fase da implantação de práticas de educação corporativa para a contratação de profissionais com as competências críticas necessárias ao bom desenvolvimento e continuidade das ações educacionais implantadas na organização, a fim de que sejam perenes e não se percam com o tempo e a mudança de pessoal. Tendo em vista que a sustentabilidade é algo que se planeja e desenvolve em longo prazo, o empresariado deve investir no esclarecimento por meio da educação corporativa promovendo o desenvolvimento sustentável com vistas a conciliar as necessidades pessoais, econômicas, sociais e ambientais, sem que o futuro do planeta seja afetado. Desse modo, a instituição que almeja sua continuidade com atividades sustentáveis necessita complementar o conhecimento adquirido pelos empregados/colaboradores nos sistemas tradicionais de educação, fazendo com que cada envolvido tenha consciência de seu papel na empresa e na sociedade, se transformando em agentes de mudança nos domínios econômico, social, cultural e político. A educação corporativa, portanto, auxilia as empresas a desenvolver processos de aprendizagem continuada, que permitam o envolvimento de toda a cadeia produtiva com o destino da organização e compromisso com as estratégias de negócio, estabelecendo quais as competências técnicas e comportamentais a permear o desenvolvimento do ambiente interno da organização, promovendo a ética do cuidar como novo paradigma em relação ao futuro do país. A promoção de programas de educação e participação visando qualificar, valorizar e divulgar suas ações educativas contribuem na formulação de prioridades empresariais, sendo que desta forma buscam a construção de um novo contexto de articulações de esforços e de formação de parcerias em favor do desenvolvimento econômico e social do Brasil. 5. Referências Bibliográficas ALIGLERI, Lilian; ALIGLERI, Luiz Antonio; KRUGLIANSKAS, Isak. Gestão sócioambiental: responsabilidade e sustentabilidade do negócio. São Paulo: Atlas, 2009. CARBONE, Pedro Paulo; BRANDÃO, Hugo Pena; LEITE, João Batista D.; VILHENA, Rosa. Gestão por competências e gestão do conhecimento. Rio de Janeiro: FGV, 2005. COLUCCI, Cleusa Maria Bordini. Educação continuada: um estudo de caso sobre suas contribuições para a organização e seus colaboradores. Presidente Prudente. Dissertação de Mestrado em Educação. Universidade do Oeste Paulista – UNOESTE, 2006. EBOLI, Marisa. Educação Corporativa no Brasil: mitos e verdades. 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