SOCIEDADE BRASILEIRA DE MATEMÁTICA
FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA
MESTRADO PROFISSIONAL EM MATEMÁTICA EM REDE NACIONAL
SÉZANI MORAIS GONÇALVES DE CARVALHO
MATRIZES, DETERMINANTES E POLINÔMIOS: Aplicações em códigos corretores
de erros, como estratégia motivacional para o ensino de matemática.
PORTO VELHO
2014
SÉZANI MORAIS GONÇALVES DE CARVALHO
MATRIZES, DETERMINANTES E POLINÔMIOS: Aplicações em códigos corretores
de erros, como estratégia motivacional para o ensino de matemática.
Trabalho de conclusão apresentado ao Mestrado
Profissional em Matemática em Rede Nacional โ€“
PROFMAT no polo da Universidade Federal de
Rondônia โ€“ UNIR, como requisito parcial para a
obtenção do título de Mestre em Matemática
Profissional.
Orientador: Prof. Dr.
Rodriguez.
Porto Velho
2014
Tomás
Daniel
Menéndez
Aos meus pais Dorival e Terezinha.
À minha amada filha Aízis.
Ao saudoso Professor Domingos dos Reis.
Ao grande amigo e professor Marinaldo.
AGRADECIMENTOS
Com muita sinceridade e bastante carinho, externo meus agradecimentos:
A Deus pela oportunidade de vitória a mim concedida, pois nos momentos mais difíceis dessa
caminhada encontrei nele o conforto e a força necessária para prosseguir.
Ao meu orientador Prof. Dr. Tomás Daniel Menéndez Rodriguez por acreditar em mim desde
o saudoso período da graduação.
Aos meus pais Dorival Gonçalves de Carvalho e Terezinha Morais de Carvalho por me
incentivarem sempre nos estudos, além de me apoiarem.
À minha filha Aízis Morais de Carvalho por ser a razão pela qual sempre insisto em alcançar
maiores conquistas.
Ao grande professor e estimado amigo Dr. Marinaldo Felipe por contribuir comigo e demais
alunos com seu extraordinário conhecimento de matemática e com sua peculiaridade em ser
sempre entusiasta.
À Querida professora e amiga Maria das Graças por ser uma fonte inspiradora em como
ensinar e amar a matemática.
Aos professores e amigos Adeilton Costa, Flávio Batista Simão e Ronaldo Chaves pelas
contribuições em minha formação além da boa amizade.
Aos meus grandes amigos e companheiros de academia que ao meu lado batalharam durante
esses anos e foram incorporados à minha vida: Adalberto Carlos, Alisson, Francenildo,
Francisco Sales, Gilson Caliani, Jean, José Inildo, Kleber Sales, Luci, Marizete Nink, Magno
Martins, Vicente e, em especial ao jovem Guilherme, com quem aprendi muito, me diverti
muito e construí uma sólida e eterna amizade.
A todos os que contribuíram com minha formação, aos quais mencionei acima, e aos
colaboradores que por ventura deixei de mencionar, externo minha eterna gratidão.
RESUMO
Este trabalho consiste em um material de apoio aos professores de matemática atuantes nas
séries finais do ensino médio, bem como para os alunos concluintes desse ciclo da educação
básica, que desejem aprofundar seus conhecimentos.
Inicialmente, abordamos neste texto os fatores motivadores para a construção deste material
de apoio. Em seguida apresentamos os conteúdos de matrizes, determinantes e polinômios,
que estão presentes no currículo da disciplina de matemática no ensino médio. São
apresentadas também as estruturas algébricas elementares que, embora não façam parte dos
currículos de matemática na educação básica, aparecem parcialmente desde o ensino
fundamental mesmo que de forma implícita nessa disciplina. Por fim, apresentamos as
aplicações desses conteúdos matemáticos na teoria dos códigos corretores de erros, que é foco
deste trabalho, além de um rol de atividades propostas sobre os conteúdos abordados.
Palavras Chave: Matrizes. Determinantes. Polinômios. Estruturas Algébricas. Códigos
Corretores de Erros.
ABSTRACT
This work consists of a support material for teachers of mathematics acting in high school
finals series, as well as for students graduating from this cycle of basic education, who aim to
deepen their knowledge on the subject.
Initially, we discussed in this text the motivating factors for the construction of this support
material. Then we present the contents of matrix, determinants and polynomials, which are
present in the high school mathematics discipline curriculum. Also the elementary algebraic
structures are presented which, although not part of the curriculum of mathematics in basic
education, appear partially since elementary school, even if implicitly in this discipline.
Finally, applications of these mathematic contents are presented in the theory of errors
correcting codes, main focus of this work, besides a roster of proposed activities about the
addressed contents.
Key words: Matrix, Determinants, Polynomials, Algebraic structures, Errors correcting codes.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Telefone celular ..................................................................................................................... 27
Figura 2: Braço mecânico ................................................................................................................... 100
Figura 3: Esquema de uma permutação cíclica ................................................................................... 137
LISTA DE GRÁFICOS
GRÁFICO 1: Desempenho dos alunos em operações com matrizes...................................... 19
GRÁFICO 2: Conhecimento e aplicação das propriedades operacionais das matrizes.......... 19
GRÁFICO 3: Desempenho dos alunos em operações com polinômios.................................. 20
GRÁFICO 4: Conhecimento o utilização das propriedades operacionais dos polinômios..... 20
GRÁFICO 5: Domínio de técnicas na resolução de determinantes de matrizes..................... 21
GRÁFICO 6: Conhecimento e utilização das propriedades dos determinantes...................... 21
GRÁFICO 7: Habilidades na identificação da invertibilidade de uma matriz........................ 22
GRÁFICO 8: Conhecimento dos alunos sobre a aplicabilidade dos conteúdos de matrizes
e determinantes........................................................................................................................ 22
GRÁFICO 9: Conhecimento dos alunos sobre a aplicabilidade dos conteúdos de
polinômios............................................................................................................................... 23
GRÁFICO 10: Áreas de aplicação dos conteúdos de matrizes e determinantes, segundo os
alunos....................................................................................................................................... 23
GRÁFICO 11: Grau de importância sobre conhecer as aplicações dos conteúdos estudados
em matemática, segundo os alunos......................................................................................... 24
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO........................................................................................................................13
1
MOTIVAÇÃO E ABORDAGEM DO TRABALHO ....................................................... 16
1.1
POR QUE ESTUDAR MATRIZES, DETERMINANTES E POLINÔMIOS? ........ 16
1.2
A MOTIVAÇÃO PARA A REALIZAÇÃO DO TRABALHO ............................... 18
1.3 ABORDAGEM DOS CONTEÚDOS DE MATRIZES, DETERMINANTES E
POLINÔMIOS NO LIVRO DIDÁTICO. ............................................................................ 24
1.4 A ESCOLHA DA APLICAÇÃO DAS MATRIZES, DETERMINANTES E
POLINÔMIOS NOS CÓDIGOS CORRETORES DE ERROS ........................................... 26
2
MATRIZES ....................................................................................................................... 29
2.1
DEFINIÇÃO DE MATRIZES REAIS โ€“ ALGUNS CONCEITOS .......................... 29
2.1.1
2.2
3
OPERAÇÕES COM MATRIZES ............................................................................. 31
2.2.1
Adição de matrizes ............................................................................................. 31
2.2.2
Multiplicação de um escalar real por uma matriz............................................... 32
2.2.3
Multiplicação de matrizes................................................................................... 33
2.2.4
Potenciação de matrizes...................................................................................... 35
2.3
Transposta de uma matriz .......................................................................................... 35
2.4
Inversa de uma matriz ................................................................................................ 37
2.5
Transformações elementares de matrizes .................................................................. 38
2.5.1
Matriz elementar ................................................................................................. 39
2.5.2
Matriz escalonada ............................................................................................... 41
DETERMINANTES ......................................................................................................... 45
3.1
PROPRIEADES DOS DETERMINANTES ............................................................. 47
3.1.1
3.2
Alguns comentários ............................................................................................ 55
MÉTODOS PARA O CÁLCULO DE DETERMINANTES .................................... 55
3.2.1
Regra de Sarrus para o cálculo do determinante de uma matriz de ordem 3 ..... 55
3.2.2
Regra de Laplace para o cálculo do determinante .............................................. 56
3.2.3
O método da eliminação de Gauss ..................................................................... 57
3.3
4
Igualdade de matrizes ......................................................................................... 30
Determinantes e matriz inversa .................................................................................. 59
ALGUMAS NOÇÕES SOBRE POLINÔMIOS............................................................... 62
4.1
IGUALDADE DE POLINÔMIOS ............................................................................ 63
4.2
ADIÇÃO DE POLINÔMIOS .................................................................................... 63
5
4.3
MULTIPLICAÇÃO DE POLINÔMIOS ................................................................... 65
4.4
DIVISÃO EUCLIDIANA DE POLINÔMIOS ......................................................... 68
4.5
INTERPOLAÇÃO ..................................................................................................... 72
ESTRUTURAS ALGÉBRICAS ELEMENTARES ......................................................... 74
5.1
LEI DE COMPOSIÇÃO INTERNA ......................................................................... 74
5.2
GRUPOS .................................................................................................................... 74
5.2.1
5.3
ANÉIS ........................................................................................................................ 77
5.3.1
6
Subgrupos ........................................................................................................... 76
Subanéis .............................................................................................................. 80
5.4
IDEAIS ...................................................................................................................... 81
5.5
CORPOS .................................................................................................................... 83
5.6
ESPAÇOS VETORIAIS ............................................................................................ 86
5.6.1
Algumas propriedades de um espaço vetorial .................................................... 88
5.6.2
Subespaços vetoriais ........................................................................................... 89
5.6.3
Base e Dimensão ................................................................................................ 91
5.6.4
Noções sobre transformação linear..................................................................... 95
5.6.5
Noções sobre produto interno ............................................................................. 98
CÓDIGOS CORRETORES DE ERROS .......................................................................... 99
6.1
O QUE É UM CÓDIGO? .......................................................................................... 99
6.2
MÉTRICA DE HAMMING .................................................................................... 103
6.2.1
Disco e esfera de centro c raio r ....................................................................... 104
6.2.2
Distância mínima de um código ....................................................................... 105
6.2.3
Número de detecções e número de correções de erros ..................................... 106
6.2.4
Códigos perfeitos .............................................................................................. 106
6.2.5
Equivalência de códigos ................................................................................... 107
6.3
CÓDIGOS LINEARES ........................................................................................... 108
6.3.1
Peso de um código ............................................................................................ 109
6.3.2
Matriz geradora de um código .......................................................................... 110
6.3.3
Códigos duais ................................................................................................... 114
6.3.4
Decodificação ................................................................................................... 119
6.3.5
Alguns exemplos de códigos lineares ............................................................... 128
6.4
ALGUMAS NOÇÕES SOBRE CÓDIGOS CÍCLICOS ......................................... 136
6.4.1
Codificação em código cíclico ......................................................................... 139
7
6.4.2
Código dual de um código cíclico .................................................................... 143
6.4.3
Decodificação em código cíclico ...................................................................... 146
ATIVIDADES POPOSTAS............................................................................................ 152
7.1
MATRIZES REAIS ................................................................................................. 152
7.2
DETERMINANTES DE MATRIZES REAIS ........................................................ 154
7.3
POLINÔMIOS EM โ„[๐‘‹] ........................................................................................ 157
7.4
CÓDIGOS CORRETORES DE ERROS ................................................................ 159
CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................................163
REFERÊNCIAS......................................................................................................................165
13
INTRODUÇÃO
Na atualidade, vários esforços têm sido realizados com o objetivo de proporcionar
melhorias no ensino e aprendizagem de matemática, dentre eles podemos citar o programa
Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, do Governo Federal ou ainda programas
das Secretarias Estaduais e Municipais de Educação de diversos Estados e Municípios
brasileiros.
Embora existam medidas de diversas partes para proporcionar essa melhoria, temos
visto ao longo dos anos que se trata de um processo demorado e complexo atingir esse
objetivo, uma vez que pesquisas específicas realizadas nas várias etapas da educação básica,
como exemplos a Provinha Brasil e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), tem
mostrado.
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) mostra um avanço sutil no
desenvolvimento da educação básica. Os dois últimos resultados do IDEB, a saber, dos anos
de 2011 e 2013, apontam um discreto progresso, pois, do 1º ao 5º ano do ensino fundamental
o índice aumentou de 5,0 para 5,2, enquanto que do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, o
índice aumentou de 4,1 para 4,2 e, no ensino médio o índice se manteve em 3,7.
Com base nos resultados apresentados acima, percebemos que à medida que
avançamos para as séries finais da educação básica, dois fenômenos são observados:
1º - Os índices são menores;
2º - O progresso em cada etapa avaliada diminui à medida que avançamos aos anos finais,
pois de 2011 para 2013, houve aumento de 0,2 pontos no índice do 1º ao 5º ano do ensino
fundamental, 0,1 ponto do 6º ao 9º do ensino fundamental e não houve aumento no índice
referente ao ensino médio.
Como componente presente nos currículos da educação básica, a matemática está
inserida nesse contexto e seu ensino/aprendizagem tem participação no fracasso ou sucesso
dos estudantes nessas etapas da educação.
É sabido que no desenvolvimento humano o sujeito, inicialmente adquire suas
experiências a partir do concreto e em uma etapa posterior, decorrente das experiências
adquiridas, atinge o estágio de abstração. Segundo Piaget, โ€œApós os 11 ou 12 anos, o
pensamento formal torna-se possível, isto é, as operações lógicas começam a ser transpostas
do plano da manipulação para as ideiasโ€ (PIAGET, 1995, p 59). Com a matemática não é
diferente: as experiências iniciais são adquiridas a partir do concreto e, em uma etapa
posterior, à medida que vai avançando, a matemática vai se distanciando do concreto e sendo
14
imersa em um contexto abstrato e cada vez mais abstrato. Porém, cabe ressaltar que embora
adquira status avançado de abstração, não deixa de ter aplicabilidade no mundo concreto,
mesmo porque, grande parte dos avanços matemáticos existentes surgiu da necessidade de
atender a alguma demanda do mundo concreto. Meyer et al evidencia que โ€œos gregos
desenvolveram o cálculo de área por que tinham de fazer as medições das terras do Nilo; os
fenícios desenvolveram conceitos aritméticos de contabilidade porque eram comerciantesโ€
(MEYER et al, 2011, p 25).
Nesse contexto, podemos ver nos Parâmetros Curriculares Nacionais o seguinte texto:
A Matemática, por sua universalidade de quantificação e expressão, como
linguagem portanto, ocupa uma posição singular. No Ensino Médio, quando nas
ciências torna-se essencial uma construção abstrata mais elaborada, os instrumentos
matemáticos são especialmente importantes. Mas não é só nesse sentido que a
Matemática é fundamental. Possivelmente, não existe nenhuma atividade da vida
contemporânea, da música à informática, do comércio à meteorologia, das
engenharias às comunicações, em que a Matemática não compareça de maneira
insubstituível para codificar, ordenar, quantificar e interpretar compassos, taxas,
dosagens, coordenadas, tensões, frequências e quantas outras variáveis houver
(PNC/Ensino Médio, p 9).
Sendo assim, a abstração é essencial para โ€œo aprenderโ€ matemática, é impensável uma
matemática que se alimente puramente do concreto, porém, mesmo que de maneira implícita,
a matemática está presente nas atividades cotidianas, o que leva-nos a pensar em estratégias
de ensino que apresentem as aplicabilidades da matemática no dia a dia. O ato de conhecer
não deve estar puramente ligado ao โ€œsaber para que serveโ€, mas quando apresentamos
utilidades àquilo que ensinamos e pontes de ligação entre o abstrato e o concreto, ensinamos
uma Matemática possivelmente mais capaz de despertar interesse aos estudantes, revelar
identidades e afinidades e por consequência, construir um conhecimento mais sólido.
A proposta deste trabalho é a apresentação de alguns conteúdos do currículo escolar de
matemática do ensino médio, dando atenção especial às demonstrações das propriedades e dos
teoremas pertinentes, para em seguida, apresentar uma aplicação desses conteúdos em um
contexto โ€œextramatemáticoโ€ ou โ€œextraescolarโ€. A escolha da aplicação na teoria dos códigos
corretores de erros deu-se em virtude de este ser um assunto pouco conhecido ou discutido
entre os jovens, porém, muito presente em recursos tecnológicos utilizados pelos mesmos,
uma vez que as telecomunicações e os dispositivos de armazenamento presentes no nosso dia
a dia, muito mais entre os jovens, não seriam confiáveis nem eficientes sem a utilização dessa
teoria. Sendo assim, procuramos neste trabalho, apresentar os conceitos básicos dessa teoria,
15
com uma preocupação maior em atrair a atenção dos estudantes à disciplina de matemática, a
partir do pressuposto do conhecimento de uma das suas vastas aplicações.
Cabe salientar que o material apresentado neste trabalho é primeiramente direcionado
aos professores ou pessoas que tenham um conhecimento prévio de matemática além das
operações fundamentais. Não é necessário que os alunos do ensino médio saibam demonstrar
os teoremas apresentados no capítulo referente à teoria dos códigos corretores de erros, sendo
mais interessante, a partir dos conceitos apresentados pelos professores sobre essa teoria,
saberem operar com matrizes, determinantes, polinômios e, conhecendo suas propriedades,
desenvolverem com mais habilidades os cálculos e argumentações relacionadas com esses
assuntos.
16
1
1.1
MOTIVAÇÃO E ABORDAGEM DO TRABALHO
POR QUE ESTUDAR MATRIZES, DETERMINANTES E POLINÔMIOS?
O questionamento acima fez parte da minha vida em pelo menos duas ocasiões
diferentes: a primeira enquanto eu ainda era aluno do ensino médio e presenciava meu
professor destrinchar matrizes enormes de ordem 5 ou 6, determinando cada um dos seus
elementos através de uma sentença que aparecia em função dos โ€œisโ€ e dos โ€œjotasโ€. Por vezes,
recebia listas de exercícios nas quais volta e meia aparecia para ser calculado um
determinante de uma matriz quadrada de ordem 5 através da regra de Laplace, ou ainda
polinômios de graus elevados, dos quais tinha que determinar o quociente e o resto ou ainda
encontrar as raízes reais. Na condição de aluno, resolvia essas atividades, mas não sabia para
o que serviam. Por vezes imaginava que eram caprichos matemáticos que serviam
simplesmente para treinar habilidades em multiplicar ou dividir números reais. Saí do ensino
médio sem saber para o que serviam as matrizes, os determinantes e os polinômios. Por vezes
encontrava alguma aplicação, porém, sempre dentro da própria matemática. Na segunda
situação na qual deparei-me com o questionamento acima, anos já tinham passado e eu
encontrava-me na posição de professor e ouvia dos meus alunos as mesmas indagações que
no meu tempo de ensino médio, fazia a mim mesmo ou a amigos ou ainda ao próprio
professor: para que servem as matrizes, determinantes e os polinômios? Quando eu terminar o
ensino médio, aonde irei usar isso? Onde aplicarei esses conhecimentos no meu trabalho? A
primeira pergunta seguramente sou capaz de responder, pois o objetivo deste trabalho, por si
só traz a resposta. A segunda pergunta, se interpretada com um olhar matemático, também
pode ser respondida: toda vez que um computador for utilizado, um telefone celular ou
qualquer canal de comunicação, implicitamente estarão sendo usadas as matrizes, os
polinômios e tantos outros conhecimentos matemáticos. Já a terceira pergunta não possui uma
resposta formal, pois tal resposta está condicionada à atividade profissional que o estudante
irá executar no futuro.
Certamente essas dúvidas não estão presentes somente nos conteúdos de matrizes,
determinantes e polinômios, porém, tendo em vista a grande quantidade de cálculos que
17
geralmente são utilizados na resolução de problemas referentes a esses conteúdos, embora
elementares, é plausível que com maior frequência ouçamos essas indagações ao ensiná-los.
Criar pontes de acesso entre os conteúdos matemáticos e as aplicações práticas
certamente constitui uma estratégia para o ensino desta disciplina. O ato de โ€œsaber para que
serveโ€ pode ser motivador ao aluno e, caso alguém sonhe em ser engenheiro ou trabalhar com
informática ou áreas afins, certamente terá subsídios para o seu direcionamento. Uma
matemática que seja trabalhada de modo a associar os conteúdos estudados às aplicações nos
fenômenos vivenciados pelos alunos é uma matemática contextualizada. A contextualização
segundo Fogaça โ€œé o ato de vincular o conhecimento à sua origem e à sua aplicaçãoโ€
(FOGAÇA, 2012). As ações pedagógicas no ensino da matemática devem apresentar
preocupações com a contextualização. Reconhecemos que quanto mais abstrato for o conceito
matemático a ser estudado, mais dificultosa será sua contextualização, porém, a abstração
excessiva inerente a alguns conteúdos da matemática não constitui entrave algum em ações
para que outros conteúdos, menos abstratos, sejam facilmente contextualizados e, por
conseguinte tornem-se mais atrativos e mais facilmente compreendidos. Parece-nos que a
teoria e a prática caminham em vias divergentes nas quais, à medida que progredimos nos
conteúdos matemáticos presentes nos currículos escolares, mais distantes ficam a teoria e a
prática. Dโ€™Ambrósio diz: โ€œDo ponto de vista de motivação contextualizada, a matemática que
se ensina hoje nas escolas é morta. Poderia ser tratada como fato históricoโ€ (Dโ€™ AMBROSIO,
2012, p 29). É perceptível esse distanciamento quando observamos os livros didáticos
adotados pelas escolas de nível médio, nos quais são frequentes as listas de exercícios no fim
de cada capítulo, nas quais aparecem: โ€œcalculeโ€, โ€œdetermineโ€, โ€œencontreโ€ etc., sem nenhum
elo entre os exercícios e as aplicações. Acerca da contextualização, Meyer et al dizem:
A maioria das pessoas não consegue relacionar a Matemática nem com as outras
ciências e muito menos com situações de seus cotidianos, porque foi criado um
universo à parte, ou seja, para elas, a Matemática não está presente em outros
contextos (MEYER et al, 2011, p 24).
Ou ainda, segundo Meyer et al, na educação básica, a matemática โ€œchega para os
alunos neutra e descontextualizada, com pouca ou nenhuma relação com a realidade de quem
está na sala de aula: professores e alunosโ€ (MEYER et al, 2011, p. 53).
Particularmente, reconhecemos a necessidade da resolução de exercícios do tipo
โ€œcalculeโ€, โ€œdetermineโ€ etc., porém, para um aprendizado consolidado de matemática, há
necessidade de problemas que estimulem o pensar, que sirvam de ponte entre teoria e prática,
18
que suscitem o aluno à busca por respostas tendo como referência os fenômenos da vida
extraescolar.
A solução de problemas baseia-se na apresentação de situações abertas e sugestivas
que exijam dos alunos uma atitude ativa ou um esforço para buscar suas próprias
respostas, seu próprio conhecimento. O ensino baseado na solução de problemas
pressupõe promover nos alunos o domínio de procedimentos, assim como a
utilização dos conhecimentos disponíveis, para dar resposta a situações variáveis e
diferentes (POZO; ECHEVERRÍA, 1988, p 9).
Trazer a realidade cotidiana para o interior de uma sala de aula pode representar um
avanço pedagógico na educação matemática, pois, à medida que o aluno percebe a
necessidade de aprender matemática para lidar com os fenômenos da vida real, por mais
abstratos que sejam esses conteúdos, provavelmente melhor será o aprendizado. O interior de
uma sala de aula de matemática deve conter as realidades vividas pelo aluno quando estão
fora da escola, assim como no exterior da sala de aula o aluno deve vivenciar os
conhecimentos matemáticos adquiridos. Para Dโ€™Ambrosio:
Particularmente em matemática, parece que há uma fixação na ideia de haver
necessidade de um conhecimento hierarquizado, em que cada degrau é galgado
numa certa fase da vida, com atenção exclusiva durante horas de aula, como um
canal de televisão que se sintoniza para as disciplinas e se desliga acabada a aula.
Como se fossem duas realidades disjuntas, a da aula e a de fora da aula
(Dโ€™AMBROSIO, 2012, p. 76).
A citação acima evidencia a disparidade existente entre o mundo dentro e o mundo
fora da sala de aula. Um dos desafios da educação, em especial a matemática, é justamente
colocar a seu favor a prática matemática vivenciada de forma explícita ou implícita pelos
alunos em seu cotidiano.
1.2
A MOTIVAÇÃO PARA A REALIZAÇÃO DO TRABALHO
Em relação ao exposto no tópico anterior, fomos movidos a estabelecer um canal de
diálogo com os alunos de três turmas do 3º ano do ensino médio de uma escola pública de
tempo integral no Município de Porto Velho-RO, para obter deles informações acerca do
aprendizado dos conteúdos de matrizes, determinantes e polinômios. Os resultados obtidos
são apresentados a seguir:
Questionados sobre terem estudado os conteúdos de matrizes, determinantes e
polinômios, tivemos unanimidade em respostas afirmativas.
19
O Gráfico 1 apresenta os resultados obtido sobre o desempenho dos mesmos na
resolução de atividades que envolvam as operações com matrizes:
Gráfico 1: Desempenho dos alunos em operações com matrizes
27%
Bom desempenho
Pouco Desempenho
73%
O Gráfico 2 apresenta os resultados obtidos acerca do conhecimento das propriedades
operacionais das matrizes:
Gráfico 2: Conhecimento e aplicação das propriedades operacionais
das matrizes
3%
26%
Sabe utilizar as
propriedades
Sabe algumas propriedades
71%
desconhece as
propriedades operacionais
O Gráfico 3 apresenta os resultados obtido sobre o desempenho dos mesmos na
resolução de atividades que envolvam as operações com polinômios:
20
Gráfico 3: Desempenho dos alunos em operações com polinômios
16%
14%
Bom desempenho
Pouco desempenho
Nenhum desempenho
70%
O Gráfico 4 apresenta os resultados obtidos acerca do conhecimento das propriedades
operacionais dos polinômios:
Gráfico 4: Conhecimento e utilização das propriedades operacionais
dos polinômios
9%
26%
Conhece e sabe utilizar
Conhece pouco e utiliza
algumas
Não conhece
65%
Em relação ao cálculo de determinantes de matrizes, questionados sobre as habilidades
na resolução, as respostas obtidas são apresentadas no Gráfico 5:
21
Gráfico 5: Domínio de técnicas na resolução de determinantes de
matrizes
6%
Domínio de técnicas para
resolução de determinantes
de matrizes de ordem 1 ou 2
14%
30%
50%
Domínio de técnicas para
resolução de determinantes
de matrizes de ordem 1, 2 ou
3
Domínio de técnicas para
resolução de determinantes
de matrizes de qualquer
ordem
Não sabe calcular
determinantes de matrizes
Em relação ao conhecer e saber utilizar as propriedades dos determinantes, obtivemos
os resultados apresentados no Gráfico 6:
Gráfico 6: Conhecimento e utilização das propriedades dos
determinantes
11%
19%
Conhece e utiliza
perfeitamente
Conhece pouco e utiliza
pouco
Desconhece
70%
Perguntamos ainda aos alunos se os mesmos sabiam como identificar quando uma
matriz é invertível. As respostas obtidas são apresentadas no Gráfico 7:
22
Gráfico 7: Habilidades na identificação da invertibilidade de uma
matriz
21%
Sim, sei identificar
Não, não sei identificar
79%
Perguntamos aos alunos se os mesmos conheciam alguma aplicação ou utilidade para
as matrizes e os determinantes. Os resultados obtidos são apresentados no Gráfico 8:
Gráfico 8: Conhecimento dos alunos sobre a aplicabilidade dos
conteúdos de matrizes e determinantes
43%
Sim, conheço aplicações
57%
Não conheço aplicações
Perguntamos aos alunos se os mesmos conheciam alguma aplicação ou utilidade para
o estudo dos polinômios. Os resultados obtidos são apresentados no Gráfico 9:
23
Gráfico 9: Conhecimento dos alunos sobre a aplicabilidade dos
conteúdos de polinômios
12%
Sim, conheço aplicações
Não conheço aplicações
88%
Em virtude de 57% dos alunos terem respondido afirmativamente que conhecem
aplicações para as matrizes e determinantes, solicitamos que fossem informadas as aplicações
que os mesmo conhecem acerca desses conteúdos. Os resultados obtidos são apresentados no
Gráfico 10:
Gráfico 10: Áreas de aplicação dos conteúdos de matrizes e
determinantes, segundo os alunos
12%
Geometria analítica
17%
Informática: computação
gráfica e criptografia
71%
outros
É interessante observar que grande maioria dos alunos, mais precisamente 71% deles
conhecem aplicações das matrizes e determinantes em geometria analítica, ou seja, conhecem
uma aplicação da matemática dentro da própria matemática. Menos de 30% dos alunos já
ouviram falar de alguma aplicação desses conteúdos em outra área do conhecimento ou em
algum fenômeno.
24
Em um último questionamento, solicitamos aos alunos que opinassem a respeito da
importância de conhecer a aplicabilidade dos conteúdos estudados em matemática, nas outras
áreas de conhecimento bem como em situações do cotidiano. Os resultados obtidos são
apresentados no Gráfico 11:
Gráfico 11: Grau de importância sobre conhecer a aplicabilidade dos
conteúdos estudados em matemática, segundo os alunos
4%
9%
Muito importante
Pouco importante
Não opinaram
87%
Os resultados obtidos através do diálogo com os alunos constituíram um fator
motivador para a realização deste trabalho, uma vez que a proposta do mesmo é justamente
atender parte da necessidade dos estudantes em conhecer as aplicações para os conteúdos
estudados na disciplina de matemática no ensino médio.
1.3
ABORDAGEM DOS CONTEÚDOS DE MATRIZES, DETERMINANTES E
POLINÔMIOS NO LIVRO DIDÁTICO.
Além de conter aplicações para os conteúdos de matrizes, determinantes e polinômios,
o presente trabalho procura apresentar a demonstração da validade de cada uma das
propriedades apresentadas e dos teoremas enunciados. Reconhecemos que a complexidade de
alguma dessas demonstrações foge ao nível de conhecimento matemático praticado hoje em
dia, em especial no ensino público, porém, mesmo assim julgamos necessário que essas
demonstrações se fizessem presentes.
Verificamos que nos livros didáticos atualmente adotados nas escolas públicas, as
demonstrações estão deixando de figurar, apenas as propriedades operacionais das matrizes,
determinantes e dos polinômios são apresentadas. É sugerido ao aluno que verifique a
25
validade dessas propriedades através da análise de casos particulares. As análises matemáticas
obtidas através de casos particulares são extremamente importantes, pois a partir dessas
análises é possível que os alunos obtenham inferências e, por conseguinte, a capacidade de
generalização, porém, o fato de uma propriedade ser verificada em casos particulares, pode
não garantir a sua validade para uma infinidade de casos. Um exemplo bem simples disso
consiste em um aluno que desconheça as propriedades operacionais das matrizes e deseje
verificar se a multiplicação de matrizes goza da propriedade comutativa. Para tanto, escolhe
ao acaso duas matrizes quadradas de ordem 2: ๐ด =
1 โˆ’1
3 2
e ๐ต=
0 2
0 1
e efetua as
operações ๐ด โˆ™ ๐ต e ๐ต โˆ™ ๐ด e obtém os seguintes resultados:
3+0 2โˆ’1
1 โˆ’1 3 2
3 1
โˆ™
=
=
0+0 0+2
0 2
0 1
0 2
3 + 0 โˆ’3 + 4
3 2 1 โˆ’1
3 1
๐ตโˆ™๐ด =
โˆ™
=
=
0+0 0+2
0 1 0 2
0 2
๐ดโˆ™๐ต =
O aluno observa que ๐ด โˆ™ ๐ต = ๐ต โˆ™ ๐ด. É levantada a suspeita de que a multiplicação de
matrizes é comutativa.
Em uma nova tentativa, o aluno escolhe ao acaso duas outras matrizes, com finalidade
de validar sua suspeita: ๐ถ =
2
5 2
e๐ท=
0
0 โˆ’3
1
e efetua as operações ๐ถ โˆ™ ๐ท e ๐ท โˆ™ ๐ถ e
โˆ’2
obtém os seguintes resultados:
5
0
2
๐ทโˆ™๐ถ =
0
๐ถโˆ™๐ท =
2 1
10 + 0
2
โˆ™
=
0+0
โˆ’3 0 โˆ’2
10 + 0
1
5 2
โˆ™
=
0+0
โˆ’2 0 โˆ’3
5โˆ’4
10
=
0
0+6
4โˆ’3
10
=
0+6
0
1
6
1
6
Novamente os resultados obtidos são iguais, o que leva o aluno, tendo como base os
casos particulares que analisou, a inferir que a multiplicação de matrizes goza da propriedade
comutativa, generalizando esse resultado equivocadamente como veremos em 2.2.3. Portanto,
embora a análise de casos particulares seja uma ferramenta útil na matemática para que os
alunos busquem por padrões e façam conjecturas, essa ferramenta não pode ser utilizada
como verdade absoluta. Em consequência disso, justifica-se a necessidade da presença das
demonstrações das propriedades e teoremas pertinentes a cada assunto matemático abordado
nos livros didáticos, bem como a prática dessa ação em sala de aula.
Outro ponto que observamos em alguns livros didáticos adotados pelas escolas é a
abordagem dos determinantes como uma mera operação matemática a ser realizada com os
elementos de uma matriz. Assim, os alunos desconhecem, por exemplo, que o determinante
de uma matriz real é uma função com domínio no conjunto das matrizes reais quadradas e
contradomínio no conjunto dos números reais, com isso, perdem a oportunidade de
26
associarem esse conteúdo, com outros conteúdos vistos anteriormente, como a caracterização
de uma função como injetiva, sobrejetiva, bijetiva, existência da inversa ou composição de
funções.
Cabe salientar ainda que a determinação da matriz inversa de uma matriz ๐ด quadrada
de ordem ๐‘›, seja por operações elementares sobre as linhas de uma matriz ๐ด ๐ผ๐‘› ou ainda
através do produto da matriz adjunta de ๐ด pelo inverso multiplicativo do determinante da
matriz ๐ด, vem perdendo espaço nos livros didáticos, tirando com isso, a oportunidade dos
alunos aprenderem sobre esses conceitos que são fundamentais no estudo das matrizes.
Com relação aos conteúdos sobre polinômios, não foi encontrado texto algum adotado
no ensino médio que trate sobre a interpolação de Lagrange.
1.4
A ESCOLHA DA APLICAÇÃO DAS MATRIZES, DETERMINANTES E
POLINÔMIOS NOS CÓDIGOS CORRETORES DE ERROS
Diante dos resultados obtidos nos diálogos com os alunos das turmas de 3º ano do
ensino médio, além das observações comentadas anteriormente acerca dos livros didáticos
adotados pelas escolas, fomos motivados a elaborar um material que buscasse suprir as faltas
de demonstrações da validade das propriedades enunciadas nesses livros, bem como a
ausência dos principais teoremas de cada um desses conteúdos abordados, além da
apresentação de alguma aplicação desses conteúdos em alguma área do conhecimento ou
algum fenômeno do cotidiano dos alunos. Esse fato levou-nos aos códigos corretores de erros,
uma vez que essa teoria é vastamente utilizada em meios de comunicação e equipamentos de
armazenamento de informações que, frequentemente, são utilizados no nosso cotidiano, em
especial por grande parte dos jovens que nos dias atuais fazem uso constante de recursos
tecnológicos de comunicação e armazenamento tais como telefones celulares, tablets,
computadores, entre outros.
É perceptível nos dias atuais, que a sociedade, numa velocidade muito rápida, tem sido
imersa em uma realidade digital. A tecnologia desenvolvida pelas engenharias tem avançado a
passos rápidos e esses fatores suscitam às novas ações educacionais, capazes de aproveitar as
novas tecnologias a favor de um ensino/aprendizagem com melhor qualidade e capaz de
preparar o aluno para ser atuante no meio social. Para Henriques (2010):
As mudanças sociais e o rápido desenvolvimento tecnológico que se têm verificado
na sociedade conduzem a uma alteração nas suas necessidades e, consequentemente,
nas competências que é preciso desenvolver nos alunos em áreas fundamentais
27
como a da Matemática. Existe actualmente a convicção de que os alunos precisarão
de um conjunto muito vasto de competências matemáticas para desempenhar, com
eficiência, funções na sociedade actual. De acordo com diversos documentos de
referência na área da educação matemática, ao nível do ensino básico e secundário
[...], os alunos devem ser capazes de: (i) desenvolver uma profunda compreensão
dos conceitos e princípios matemáticos; (ii) raciocinar com rigor e comunicar com
clareza; (iii) reconhecer as aplicações matemáticas no mundo que os rodeia e
enfrentar os problemas matemáticos com confiança; (iv) aprender a investigar, por si
próprios, as ideias matemáticas; e (v) usar experiências e observações para formular
conjecturas. (p 4)
Em virtude da teoria dos códigos corretores de erros estar inserida em grande parte dos
recursos tecnológicos utilizados pelos alunos, optamos por trabalhar esse tema. Muitos de nós
utilizamos recursos tecnológicos disponíveis na atualidade, sem darmos conta da matemática
que existe por trás do bom funcionamento de cada um deles. Ao enviarmos uma mensagem
no celular ou através de e-mail, por exemplo, o que nos dá garantia que o destinatário irá
receber a mensagem tal qual a enviamos? O que garante a fidelidade entre a mensagem
enviada e a recebida? Quem de nós ao digitar uma palavra errada em uma mensagem de
celular não percebeu que o próprio equipamento sugere uma correção prévia, conforme a
figura 1?
Figura 1: Telefone celular
Fonte: Foto retirada pelo autor
Encontrando nesses recursos tecnológicos utilizados pela sociedade atual a matemática
necessária das matrizes, determinantes e polinômios aplicada nos códigos corretores de erros,
vimos uma oportunidade útil de socializar esses conhecimentos e propiciar aos alunos uma
forma diferenciada na abordagem dos assuntos estudados por eles.
Entre os conteúdos de matrizes, determinantes e polinômio, pertinentes ao currículo do
ensino médio, e a teoria dos códigos corretores de erros, existe um elo que consiste no
conhecimento das estruturas algébricas elementares. As estruturas algébricas elementares não
pertencem ao rol de conteúdos presentes nos currículos de matemática da educação básica.
28
Nos livros didáticos do ensino fundamental, os conjuntos numéricos não são apresentados não
como estruturas algébricas elementares, mas as suas propriedades, em geral, definem essas
estruturas. Por exemplo, os livros do 7º ano do ensino fundamental apresentam o conjunto โ„ค
dos números inteiros, como sendo um conjunto no qual a adição está definida e goza das
seguintes propriedades: comutatividade, associatividade, elemento neutro aditivo, elemento
simétrico. A apresentação dessas propriedades no livro didático caracteriza o conjunto โ„ค
como sendo um grupo aditivo, ademais, por ser apresentada a propriedade comutativa, então,
temos โ„ค como um grupo abeliano. Ao introduzir a multiplicação no conjunto โ„ค dos números
inteiros, os livros didáticos apresentam as propriedades comutativa, associativa, elemento
neutro multiplicativo e a distributividade em relação à adição, o que caracteriza โ„ค como um
anel ou, mais ainda, um anel comutativo com unidade. Posteriormente, mais precisamente
quando se estudam equações em โ„ค, é apresentado aos alunos sentenças do tipo 3๐‘ฅ = 0 โ‡’
๐‘ฅ = 0 , que, em outras palavras, significa que no conjunto โ„ค não existem divisores próprios
de zero, logo, โ„ค é um domínio de integridade.
Quando o conjunto โ„š dos números racionais e โ„ dos números reais são apresentados,
além de serem mencionadas para โ„š e โ„ todas as propriedades anteriormente enumeradas no
conjunto โ„ค, é enunciado ainda que todo elemento não nulo desses conjuntos possui um
inverso multiplicativo, o que define โ„š e โ„ como corpos. Sendo assim, os conceitos de grupo,
anéis, domínios de integridade e corpos, que constituem parte das estruturas algébricas
elementares, vão sendo construídos implicitamente no aprendizado dos alunos. Portanto, não
encaramos o โ€œeloโ€ das estruturas algébricas elementares como sendo um obstáculo para o
acesso à teoria dos códigos corretores de erros e, em consequência disso, apresentamos esses
conceitos neste trabalho.
29
2
2.1
MATRIZES
DEFINIÇÃO DE MATRIZES REAIS โ€“ ALGUNS CONCEITOS
Sendo ๐‘š, ๐‘› โˆˆ โ„•, definimos uma matriz real de ordem ๐‘š por ๐‘› como uma tabela
formada por ๐‘š โˆ™ ๐‘› elementos do conjunto โ„ agrupados em ๐‘š linhas e ๐‘› colunas.
Ao elemento que ocupa a ๐‘– โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘Ž linha e ๐‘— โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘Ž coluna de uma matriz ๐ด,
representamos por ๐‘Ž๐‘–๐‘— , com 1 โ‰ค ๐‘– โ‰ค ๐‘š e 1 โ‰ค ๐‘— โ‰ค ๐‘›.
Cada elemento ๐‘Ž๐‘–๐‘— da matriz ๐ด é denominado entrada da matriz.
Exemplo:
๐ด=
2 โˆ’1 0
1
2 2 โˆ’3 é a representação de uma matriz de ordem 2 × 3. Observemos,
por exemplo, que o elemento โˆ’3 ocupa a posição que corresponde à interseção da segunda
linha com a terceira coluna, portanto โˆ’3 = ๐‘Ž23 .
Uma matriz ๐ด de ordem ๐‘š por ๐‘› é genericamente representada por
๐‘Ž11 ๐‘Ž12 ๐‘Ž13 โ€ฆ ๐‘Ž1๐‘›
๐‘Ž21 ๐‘Ž22 ๐‘Ž23 โ€ฆ ๐‘Ž2๐‘›
๐ด = ๐‘Ž31 ๐‘Ž32 ๐‘Ž33 โ€ฆ ๐‘Ž3๐‘› ou ainda ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘— ๐‘š ×๐‘› ou, quando a ordem da matriz for
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฑ
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘š1 ๐‘Ž๐‘š2 ๐‘Ž๐‘š3 โ€ฆ ๐‘Ž๐‘š๐‘›
conhecida, podemos representar apenas por ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘— .
À matriz cuja ordem seja 1 × ๐‘› denominamos matriz linha e à matriz cuja ordem seja
๐‘š × 1 denominamos matriz coluna.
Exemplos:
3
๐ด = โˆ’4
3
2
1
9
โˆ’4
e ๐ต = 0 são, respectivamente, matriz linha e matriz coluna.
๐œ‹
À matriz ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘— de ordem ๐‘š por ๐‘›, que possui ๐‘Ž๐‘–๐‘— = 0 para todo ๐‘– โˆˆ 1, 2, โ€ฆ , ๐‘š e
todo ๐‘— โˆˆ 1, 2, โ€ฆ , ๐‘› , denominamos ๐‘š๐‘Ž๐‘ก๐‘Ÿ๐‘–๐‘ง ๐‘›๐‘ข๐‘™๐‘Ž.
Dada uma matriz ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘— de ordem ๐‘š por ๐‘›, definimos a matriz oposta de ๐ด como
sendo a matriz โˆ’๐ด = โˆ’๐‘Ž๐‘–๐‘— , de mesma ordem de ๐ด.
30
Se em uma matriz ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘— de ordem ๐‘š × ๐‘› tivermos ๐‘š = ๐‘›, então dizemos que ๐ด é
uma matriz quadrada de ordem ๐‘›.
Exemplo:
0
โˆ’5 ๐œ‹
5
1
๐ด= โˆ’
3
๐‘’
2
โˆ’2
0 é quadrada de ordem 3.
1
Em uma matriz quadrada ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘— , de ordem ๐‘›, os elementos ๐‘Ž๐‘–๐‘— , com ๐‘– = ๐‘— formam
a diagonal principal.
À matriz ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘— , quadrada, de ordem ๐‘›, onde ๐‘Ž๐‘–๐‘— = 0 quando ๐‘– โ‰  ๐‘—, denominamos
matriz diagonal.
Exemplo:
โˆ’5
๐ด=
0
0
0
2
โˆ’
3
0
0
0
7
Uma matriz diagonal de ordem ๐‘›, cujos elementos da diagonal principal forem todos
iguais a 1 é denominada matriz identidade de ordem ๐‘› e é representada por ๐ผ๐‘› .
Exemplo:
1
๐ผ3 = 0
0
0 0
1 0
0 1
À matriz ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘— , quadrada de ordem ๐‘›, que possui os elementos ๐‘Ž๐‘–๐‘— = 0 quando
๐‘– < ๐‘— (ou ๐‘– > ๐‘—) denominamos matriz triangular inferior (ou matriz triangular superior).
Exemplos:
2
๐ด= 1
3
0
โˆ’5
1
2
0
0
โˆ’3
e ๐ต=
โˆ’7 6 2
0 2 โˆ’1
0 0 4
๐ด e ๐ต são, respectivamente, matriz
triangular inferior e matriz triangular superior, ambas de ordem 3.
O símbolo โ„ณ(๐‘š, ๐‘›) representará o conjunto de todas as matrizes de ordem ๐‘š por ๐‘›.
2.1.1 Igualdade de matrizes
Dadas duas matrizes ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
e ๐ต = ๐‘๐‘–๐‘— , pertencentes a โ„ณ(๐‘š, ๐‘›), ou seja, de
mesma ordem, dizemos que ๐ด e ๐ต são iguais, ou ainda ๐ด = ๐ต, quando ๐‘Ž๐‘–๐‘— = ๐‘๐‘–๐‘— para todo
๐‘– โˆˆ 1, 2, โ€ฆ , ๐‘š e todo ๐‘— โˆˆ 1, 2, โ€ฆ , ๐‘› .
31
2.2
OPERAÇÕES COM MATRIZES
2.2.1 Adição de matrizes
Definimos a operação de adição em โ„ณ(๐‘š, ๐‘›) como sendo uma função de โ„ณ(๐‘š, ๐‘›) ×
โ„ณ(๐‘š, ๐‘›) em โ„ณ ๐‘š, ๐‘› , que a cada par ๐ด, ๐ต โˆˆ โ„ณ(๐‘š, ๐‘›) × โ„ณ(๐‘š, ๐‘›) faz corresponder a
matriz ๐ด + ๐ต = ๐ถ โˆˆ โ„ณ(๐‘š, ๐‘›), de maneira que ๐‘Ž๐‘–๐‘— + ๐‘๐‘–๐‘— = ๐‘๐‘–๐‘— para todo ๐‘– โˆˆ 1, 2, โ€ฆ , ๐‘š e
todo ๐‘— โˆˆ 1, 2, โ€ฆ , ๐‘› .
Exemplo:
Sejam as matrizes ๐ด =
โˆ’1 0
0 2
5
0 4 โˆ’3
e๐ต=
pertencentes a โ„ณ(2,3),
2 โˆ’1 4
โˆ’3
temos:
๐ด+๐ต =
=
โˆ’1 0 5
0
+
2
0 2 โˆ’3
โˆ’1 + 0
0+4
4 โˆ’3
=
0 + 2 2 + โˆ’1
โˆ’1 4
5 + โˆ’3
โˆ’3 + 4
=
โˆ’1 4 2
= ๐ถ โˆˆ โ„ณ 2,3
2 1 1
Propriedades da adição de matrizes
Sejam ๐ด, ๐ต e ๐ถ matrizes pertencentes a โ„ณ(๐‘š, ๐‘›), temos:
I) Propriedade associativa da adição: ๐ด + ๐ต + ๐ถ = ๐ด + ๐ต + ๐ถ
II) Propriedade comutativa da adição: ๐ด + ๐ต = ๐ต + ๐ด
III) Elemento Neutro da adição: ๐ด + 0 = 0 + ๐ด = ๐ด, onde 0 significa a matriz nula
IV) ๐ด + โˆ’๐ด = โˆ’๐ด + ๐ด = 0, onde โ€“ ๐ด representa a matriz oposta de ๐ด.
Demonstrações:
I) Dadas ๐ด = [๐‘Ž๐‘–๐‘— ], ๐ต = [๐‘๐‘–๐‘— ] e ๐ถ = [๐‘๐‘–๐‘— ] matrizes pertencentes a โ„ณ(๐‘š, ๐‘›), temos:
๐ด + ๐ต + ๐ถ = ๐‘Ž๐‘–๐‘— + ๐‘๐‘–๐‘— + ๐‘๐‘–๐‘— = [๐‘Ž๐‘–๐‘— + (๐‘๐‘–๐‘— + ๐‘๐‘–๐‘— )] = [(๐‘Ž๐‘–๐‘— + ๐‘๐‘–๐‘— ) + ๐‘๐‘–๐‘— ] =
= [๐‘Ž๐‘–๐‘— + ๐‘๐‘–๐‘— ] + ๐‘๐‘–๐‘— = ๐ด + ๐ต + ๐ถ
(utilizamos a associatividade da adição de números
reais)
II) Dadas ๐ด e ๐ต matrizes pertencentes a โ„ณ(๐‘š, ๐‘›), temos:
๐ด + ๐ต = ๐‘Ž๐‘–๐‘— + ๐‘๐‘–๐‘— = ๐‘Ž๐‘–๐‘— + ๐‘๐‘–๐‘— = ๐‘๐‘–๐‘— + ๐‘Ž๐‘–๐‘— = ๐‘๐‘–๐‘— + ๐‘Ž๐‘–๐‘— = ๐ต + ๐ด
(Utilizamos
comutatividade da adição de números reais)
III) Seja ๐ด uma matriz pertencente a โ„ณ(๐‘š, ๐‘›) e 0 a matriz nula de โ„ณ ๐‘š, ๐‘› , temos:
๐ด + 0 = ๐‘Ž๐‘–๐‘— + 0 = ๐‘Ž๐‘–๐‘— + 0 = ๐‘Ž๐‘–๐‘— = ๐ด = 0 + ๐‘Ž๐‘–๐‘— = 0 + ๐‘Ž๐‘–๐‘— = 0 + ๐ด
a
32
IV) Seja ๐ด uma matriz pertencente a โ„ณ(๐‘š, ๐‘›) e โ€“ ๐ด a sua matriz oposta. Temos:
๐ด + โˆ’๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘— + โˆ’๐‘Ž๐‘–๐‘— = ๐‘Ž๐‘–๐‘— + โˆ’๐‘Ž๐‘–๐‘—
= ๐‘Ž๐‘–๐‘— โˆ’ ๐‘Ž๐‘–๐‘— = 0 = โˆ’๐‘Ž๐‘–๐‘— + ๐‘Ž๐‘–๐‘— =
= [โˆ’๐‘Ž๐‘–๐‘— ] + ๐‘Ž๐‘–๐‘— = โˆ’๐ด + ๐ด
2.2.2 Multiplicação de um escalar real por uma matriz
Dada uma matriz ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘— pertencente a โ„ณ(๐‘š, ๐‘›), definimos o produto da matriz ๐ด
por um escalar ๐‘˜ โˆˆ โ„, como a matriz ๐‘˜๐ด = ๐‘˜๐‘Ž๐‘–๐‘— .
Exemplo:
Seja ๐ด =
โˆ’1 0
0 2
โˆ’5๐ด = โˆ’5.
โˆ’1
0
5
e ๐‘˜ = โˆ’5, temos:
โˆ’3
โˆ’5. (โˆ’1) โˆ’5.0
โˆ’5.5
0 5
5
0
=
=
โˆ’5.0
โˆ’5.2 โˆ’5(โˆ’3)
2 โˆ’3
0 โˆ’10
โˆ’25
15
Propriedades da multiplicação de uma matriz por um escalar real
Sejam ๐ด e ๐ต matrizes pertencentes a โ„ณ(๐‘š, ๐‘›) e ๐‘˜1 e ๐‘˜2 escalares reais, temos:
I) ๐‘˜1 . ๐ด + ๐ต = ๐‘˜1 . ๐ด + ๐‘˜1 . ๐ต
II) (๐‘˜1 + ๐‘˜2 ). ๐ด = ๐‘˜1 . ๐ด + ๐‘˜2 . ๐ด
III) ๐‘˜1 . ๐‘˜2 . ๐ด = ๐‘˜1 . ๐‘˜2 . ๐ด
IV) 1๐ด = ๐ด
Demonstrações:
Sejam ๐ด e ๐ต matrizes pertencentes a โ„ณ(๐‘š, ๐‘›) e ๐‘˜1 , ๐‘˜2 โˆˆ โ„, temos:
I) ๐‘˜1 โˆ™ ๐ด + ๐ต = ๐‘˜1 โˆ™ ๐‘Ž๐‘–๐‘— + ๐‘๐‘–๐‘— = ๐‘˜1 โˆ™ ๐‘Ž๐‘–๐‘— + ๐‘๐‘–๐‘—
= ๐‘˜1 โˆ™ ๐‘Ž๐‘–๐‘— + ๐‘˜1 โˆ™ ๐‘๐‘–๐‘— =
= [๐‘˜1 โˆ™ ๐‘Ž๐‘–๐‘— ] + ๐‘˜1 โˆ™ ๐‘๐‘–๐‘— = ๐‘˜1 โˆ™ ๐‘Ž๐‘–๐‘— + ๐‘˜1 โˆ™ ๐‘๐‘–๐‘— = ๐‘˜1 โˆ™ ๐ด + ๐‘˜1 โˆ™ ๐ต
(utilizamos a distributividade da multiplicação em relação à adição de números reais)
II) (๐‘˜1 + ๐‘˜2 ). ๐ด = ๐‘˜1 + ๐‘˜2 . ๐‘Ž๐‘–๐‘— =
๐‘˜1 + ๐‘˜2 . ๐‘Ž๐‘–๐‘— = ๐‘˜1 . ๐‘Ž๐‘–๐‘— + ๐‘˜2 . ๐‘Ž๐‘–๐‘— =
= [๐‘˜1 . ๐‘Ž๐‘–๐‘— ] + ๐‘˜2 . ๐‘Ž๐‘–๐‘— = ๐‘˜1 โˆ™ ๐‘Ž๐‘–๐‘— + ๐‘˜2 โˆ™ ๐‘Ž๐‘–๐‘— = ๐‘˜1 โˆ™ ๐ด + ๐‘˜2 โˆ™ ๐ต
(utilizamos a distributividade do produto em relação à adição de números reais)
III) ๐‘˜1 . ๐‘˜2 . ๐ด = ๐‘˜1 โˆ™ ๐‘˜2 . ๐‘Ž๐‘–๐‘—
= ๐‘˜1 โˆ™ ๐‘˜2 โˆ™ ๐‘Ž๐‘–๐‘— = ๐‘˜1 โˆ™ ๐‘˜2 โˆ™ ๐‘Ž๐‘–๐‘—
=
๐‘˜1 โˆ™ ๐‘˜2 . ๐‘Ž๐‘–๐‘— =
= ๐‘˜1 โˆ™ ๐‘˜2 โˆ™ ๐‘Ž๐‘–๐‘— = ๐‘˜1 โˆ™ ๐‘˜2 โˆ™ ๐ด (utilizamos a associatividade da multiplicação de números
reais)
33
IV) Sendo ๐ด uma matriz pertencente a โ„ณ(๐‘š, ๐‘›), como 1 é um escalar real, então o produto
1๐ด está bem definido e 1๐ด = 1 โˆ™ ๐‘Ž๐‘–๐‘— = 1 โˆ™ ๐‘Ž๐‘–๐‘— = ๐‘Ž๐‘–๐‘— = ๐ด
2.2.3 Multiplicação de matrizes
A multiplicação de matrizes acontece mediante a seguinte condição: para que exista a
multiplicação entre duas matrizes ๐ด e ๐ต, é necessário que o número de colunas de ๐ด seja igual
ao número de linhas de ๐ต, ou seja, ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
๐‘š ×๐‘›
e ๐ต = ๐‘๐‘–๐‘—
๐‘›×๐‘
. Sendo ๐ถ o produto ๐ด โˆ™ ๐ต,
então a matriz ๐ถ é de ordem ๐‘š por ๐‘.
De acordo com a condição acima, temos que a multiplicação de matrizes quadradas de
mesma ordem é sempre possível.
Passemos a definição formal da multiplicação de matrizes:
Sejam ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
๐‘š ×๐‘›
sendo a matriz ๐ถ = ๐‘๐‘–๐‘—
๐‘š ×๐‘
e ๐ต = ๐‘๐‘–๐‘—
duas matrizes, definimos o produto ๐ด โˆ™ ๐ต como
๐‘›×๐‘
tal que ๐‘๐‘–๐‘— =
๐‘›
๐‘˜=1(๐‘Ž๐‘–๐‘˜ . ๐‘๐‘˜๐‘— )
ou seja,
๐‘๐‘–๐‘— = ๐‘Ž๐‘–1 . ๐‘1๐‘— +๐‘Ž๐‘–2 . ๐‘2๐‘— + โ‹ฏ + ๐‘Ž๐‘–๐‘› . ๐‘๐‘›๐‘—
Exemplo:
Sejam as matrizes ๐ด =
โˆ’1
2
5
1
3
0 โˆ’1
โˆ’2 โˆ’4 e ๐ต = โˆ’2 2 . Vemos que ๐ด é de ordem
0
0
1
3
3 × 3 e ๐ต de ordem 3 × 2, ou seja, o número de colunas da matriz ๐ด é igual ao número de
linhas da matriz ๐ต, logo é possível o produto ๐ด. ๐ต
Seja ๐ถ = ๐ด. ๐ต, temos:
๐ถ=
โˆ’1 1
3
0 โˆ’1
2 โˆ’2 โˆ’4 . โˆ’2 2 =
5
0
0
1
3
โˆ’1.0 + 1. โˆ’2 + 3.1
= 2.0 + โˆ’2 . โˆ’2 + โˆ’4 . 1
5.0 + 0. โˆ’2 + 0.1
0โˆ’2+3
= 0+4โˆ’4
0+0+0
โˆ’1. โˆ’1 + 1.2 + 3.3
2. โˆ’1 + โˆ’2 . 2 + โˆ’4 . 3 =
5. โˆ’1 + 0.2 + 0.3
1+2+9
1
โˆ’2 โˆ’ 4 โˆ’ 12 = 0
โˆ’5 + 0 + 0
0
12
โˆ’18
โˆ’5
Propriedades da multiplicação de matrizes
Desde que as operações sejam possíveis, a multiplicação de matrizes goza das
seguintes propriedades:
34
I) Distributividade à esquerda da multiplicação em relação à adição:
๐ด. ๐ต + ๐ถ = ๐ด. ๐ต + ๐ด. ๐ถ
II) Distributividade à direita da multiplicação em relação à adição:
๐ด + ๐ต . ๐ถ = ๐ด. ๐ถ + ๐ต. ๐ถ
III) Associatividade:
๐ด. ๐ต . ๐ถ = ๐ด. (๐ต. ๐ถ)
IV) Considerando ๐ด uma matriz quadrada, temos ๐ด. ๐ผ = ๐ผ. ๐ด = ๐ด, onde ๐ผ é o elemento neutro
da multiplicação (matriz identidade).
Demonstrações:
I) Sejam ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
๐‘š ×๐‘›
, ๐ต = ๐‘๐‘–๐‘—
๐‘›×๐‘
e ๐ถ = ๐‘๐‘–๐‘—
๐‘›
matrizes quaisquer, temos:
๐‘›
๐ด. ๐ต + ๐ถ =
๐‘Ž๐‘–๐‘˜ โˆ™ ๐‘๐‘˜๐‘— + ๐‘๐‘˜๐‘— =
๐‘˜=1
๐‘Ž๐‘–๐‘˜ โˆ™ ๐‘๐‘˜๐‘— + ๐‘Ž๐‘–๐‘˜ โˆ™ ๐‘๐‘˜๐‘— =
๐‘˜=1
๐‘›
๐‘›
=
๐‘Ž๐‘–๐‘˜ โˆ™ ๐‘๐‘˜๐‘—
+
๐‘Ž๐‘–๐‘˜ โˆ™ ๐‘๐‘˜๐‘—
๐‘˜=1
=๐ดโˆ™๐ต+๐ดโˆ™๐ถ
๐‘˜=1
II) Sejam ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
๐‘š ×๐‘›
, ๐ต = ๐‘๐‘–๐‘—
๐‘š ×๐‘›
๐‘›
e ๐ถ = ๐‘๐‘–๐‘—
๐‘›×๐‘
matrizes quaisquer, temos:
๐‘›
(๐ด + ๐ต) โˆ™ ๐ถ =
๐‘Ž๐‘˜๐‘— + ๐‘๐‘˜๐‘— โˆ™ ๐‘๐‘–๐‘˜ =
๐‘˜=1
๐‘Ž๐‘–๐‘˜ โˆ™ ๐‘๐‘˜๐‘— + ๐‘๐‘–๐‘˜ โˆ™ ๐‘๐‘˜๐‘— =
๐‘˜=1
๐‘›
๐‘›
=
๐‘Ž๐‘–๐‘˜ โˆ™ ๐‘๐‘˜๐‘—
+
๐‘๐‘–๐‘˜ โˆ™ ๐‘๐‘˜๐‘—
๐‘˜=1
=๐ดโˆ™๐ถ+๐ตโˆ™๐ถ
๐‘˜=1
III) Sejam ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
๐‘š ×๐‘›
, ๐ต = ๐‘๐‘–๐‘—
๐‘›×๐‘
e ๐ถ = ๐‘๐‘–๐‘—
๐‘
๐ด. ๐ต . ๐ถ =
๐ด. ๐ต . ๐ถ
๐‘–๐‘—
=
๐‘Ž๐‘–๐‘™ โˆ™
๐‘™=1
๐‘Ž11
๐ด. ๐ผ = โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›1
๐‘›
๐‘Ž๐‘–๐‘™ โˆ™ ๐‘๐‘™๐‘˜ โˆ™ ๐‘๐‘˜๐‘— =
๐‘˜=1
๐‘™=1
๐‘›
๐‘๐‘™๐‘˜ โˆ™ ๐‘๐‘˜๐‘—
๐‘˜=1
IV) Seja ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
matrizes quaisquer, temos:
(๐ด โˆ™ ๐ต)๐‘–๐‘˜ โˆ™ ๐‘๐‘˜๐‘— =
๐‘
๐‘›
๐‘×๐‘ž
๐‘
๐‘˜=1
=
๐‘›×๐‘
=
๐‘Ž๐‘–๐‘™ โˆ™ ๐ต โˆ™ ๐ถ
๐‘™๐‘—
= ๐ดโˆ™ ๐ตโˆ™๐ถ
๐‘–๐‘—
๐‘™=1
๐‘›
e ๐ผ๐‘› (๐‘Ÿ๐‘’๐‘๐‘Ÿ๐‘’๐‘ ๐‘’๐‘›๐‘ก๐‘Ž๐‘Ÿ๐‘’๐‘š๐‘œ๐‘  ๐‘Ž๐‘๐‘’๐‘›๐‘Ž๐‘  ๐‘๐‘œ๐‘Ÿ ๐ผ), temos:
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘› 1 โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฎ . โ‹ฎ โ‹ฑ
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘› 0 โ‹ฏ
0
โ‹ฎ =
1
= ๐ด โˆ™ (๐ต โˆ™ ๐ถ)
35
๐‘Ž11
๐‘Ž11 . 1 + ๐‘Ž12 . 0 + โ‹ฏ + ๐‘Ž1๐‘› . 0 โ‹ฏ ๐‘Ž11 . 0 + ๐‘Ž12 . 0 + โ‹ฏ + ๐‘Ž1๐‘› . 1
โ‹ฎ
โ‹ฑ
โ‹ฎ
=
= โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›1
๐‘Ž๐‘›1 . 1 + ๐‘Ž๐‘›2 . 0 + โ‹ฏ + ๐‘Ž๐‘›๐‘› . 0 โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›1 . 0 + ๐‘Ž๐‘›2 . 0 + โ‹ฏ + ๐‘Ž๐‘›๐‘› . 1
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ =๐ด
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘›
De maneira análoga:
1 โ‹ฏ 0 ๐‘Ž11 โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ =
๐ผ. ๐ด = โ‹ฎ โ‹ฑ โ‹ฎ . โ‹ฎ
0 โ‹ฏ 1 ๐‘Ž๐‘›1 โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘›
๐‘Ž11
1. ๐‘Ž11 + 0. ๐‘Ž21 + โ‹ฏ + ๐‘Ž๐‘›1 . 0 โ‹ฏ 1. ๐‘Ž1๐‘› + 0. ๐‘Ž2๐‘› + โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘›๐‘›
โ‹ฎ
โ‹ฑ
โ‹ฎ
=
= โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›1
0. ๐‘Ž11 + 0. ๐‘Ž21 + โ‹ฏ + 1. ๐‘Ž๐‘›1 . โ‹ฏ 0. ๐‘Ž1๐‘› + 0. ๐‘Ž2๐‘› + โ‹ฏ + 1. ๐‘Ž๐‘›๐‘›
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ =๐ด
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘›
Portanto, ๐ด. ๐ผ = ๐ผ. ๐ด = ๐ด.
A multiplicação de matrizes, em geral não goza da propriedade comutativa. Ilustramos
essa afirmação com um contra exemplo.
Sejam ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
2
e ๐ต = ๐‘๐‘–๐‘—
0 1
2 1
e๐ต=
, temos:
2 3
1 5
1
0.2 + 1.1 0.1 + 1.5
1 5
=
=
5
2.2 + 3.1 2.1 + 3.5
7 17
2
tais que ๐ด =
๐ด. ๐ต =
0 1 2
.
2 3 1
๐ต. ๐ด =
2.0 + 1.2 2.1 + 1.3
2 1 0 1
2
.
=
=
1.0 + 5.2 1.1 + 5.3
1 5 2 3
10
e
5
16
Portanto, temos ๐ด. ๐ต โ‰  ๐ต. ๐ด
2.2.4 Potenciação de matrizes
Definimos a potenciação de matrizes da seguinte forma:
Dada uma matriz ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
2.3
๐‘›
, definimos, ๐ด0 = ๐ผ๐‘› , ๐ด1 = ๐ด e ๐ด๐‘š = ๐ด. ๐ด. ๐ด. โ‹ฏ . ๐ด
๐‘š ๐‘“๐‘Ž๐‘ก๐‘œ๐‘Ÿ๐‘’๐‘ 
Transposta de uma matriz
Dada uma matriz ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
sendo a matriz ๐ด๐‘ก = ๐‘Ž๐‘–๐‘—โ€ฒ
๐‘›×๐‘š
๐‘š ×๐‘›
, definimos a matriz transposta de ๐ด como
onde ๐‘Ž๐‘–๐‘—โ€ฒ = ๐‘Ž๐‘—๐‘– para todo
๐‘– โˆˆ 1, 2, โ€ฆ , ๐‘›
e
todo
๐‘— โˆˆ 1, 2, โ€ฆ , ๐‘š .
Exemplo:
0 โˆ’1
0 โˆ’2 1
Seja ๐ด = โˆ’2 2 , por definição, a matriz transposta de ๐ด é ๐ด๐‘ก =
.
โˆ’1 2 3
1
3
36
Quando ๐ด = ๐ด๐‘ก , dizemos que ๐ด é uma matriz simétrica e quando ๐ด = โˆ’๐ด๐‘ก , dizemos
que ๐ด é uma matriz antissimétrica.
Propriedades da transposição de matrizes
I)
๐ด๐‘ก
๐‘ก
II)
๐ด+๐ต
=๐ด
III) ๐‘˜ โˆ™ ๐ด
๐‘ก
IV) ๐ด. ๐ต
๐‘ก
๐‘ก
= ๐ด๐‘ก + ๐ต ๐‘ก
= ๐‘˜ โˆ™ ๐ด๐‘ก , โˆ€๐‘˜ โˆˆ โ„
= ๐ต ๐‘ก . ๐ด๐‘ก
Demonstrações:
I)
๐‘Ž11
Seja ๐ด = โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘š 1
๐‘Ž11
= โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘š 1
II) Sejam
๐‘Ž11
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘š1
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ , temos ๐ด๐‘ก
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘š๐‘›
=
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘š๐‘›
๐‘ก
๐‘ก
๐‘Ž11
= โ‹ฎ
๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
๐‘ก
๐‘Ž๐‘š 1
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘š๐‘›
=
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ =๐ด
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘š๐‘›
๐‘Ž11
๐ด= โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘š1
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘š๐‘›
๐‘Ž1๐‘›
๐‘11
โ‹ฎ + โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘š๐‘›
๐‘๐‘š1
๐‘Ž11 + ๐‘11
โ‹ฎ
=
๐‘Ž1๐‘› + ๐‘11
a11
= โ‹ฎ
am1
๐‘ก
๐‘Ž11
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘š 1
๐‘Ž11
III) Sejam ๐ด = โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘š1
t
b11
+ โ‹ฎ
bm1
๐‘1๐‘›
โ‹ฎ
๐‘๐‘š๐‘›
๐‘ก
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
b1n
โ‹ฎ
bmn
๐‘11
โ‹ฎ
๐‘๐‘š1
โ‹ฏ ๐‘1๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ ,
โ‹ฏ ๐‘๐‘š๐‘›
๐‘Ž11 + ๐‘11
โ‹ฎ
=
๐‘Ž๐‘š1 + ๐‘๐‘š1
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
๐‘˜ โˆ™ ๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฎ
๐‘˜ โˆ™ ๐‘Ž๐‘š๐‘›
๐‘Ž11
=๐‘˜โˆ™ โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘š1
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘š๐‘›
๐‘ก
๐‘˜ โˆ™ ๐‘Ž11
โ‹ฎ
=
๐‘˜ โˆ™ ๐‘Ž1๐‘›
temos
๐ด+๐ต
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘› + ๐‘11
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘š๐‘› + ๐‘๐‘š๐‘›
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘š1
๐‘11
โ‹ฑ
โ‹ฎ + โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘š๐‘›
๐‘11
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
๐‘ก
=
๐‘ก
=
๐‘๐‘š1
โ‹ฎ =
๐‘๐‘š๐‘›
t
= At + Bt
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ e ๐‘˜ โˆˆ โ„, temos ๐‘˜ โˆ™ ๐ด
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘š๐‘›
๐‘˜ โˆ™ ๐‘Ž11
โ‹ฎ
=
๐‘˜ โˆ™ ๐‘Ž๐‘š1
๐‘Ž11
IV) Sejam ๐ด = โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘š1
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
๐ต=
๐‘Ž11
๐‘Ž๐‘š1 + ๐‘๐‘š1
โ‹ฎ
= โ‹ฎ
๐‘Ž1๐‘›
๐‘Ž๐‘š๐‘› + ๐‘๐‘š๐‘›
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
a1n
โ‹ฎ
amn
e
๐‘ก
๐‘Ž11
= ๐‘˜โˆ™ โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘š1
๐‘Ž11
โ‹ฏ ๐‘˜ โˆ™ ๐‘Ž๐‘š1
โ‹ฑ
โ‹ฎ
=๐‘˜โˆ™ โ‹ฎ
๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฏ ๐‘˜ โˆ™ ๐‘Ž๐‘š๐‘›
๐‘ก
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘š๐‘›
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
=
๐‘Ž๐‘š1
โ‹ฎ =
๐‘Ž๐‘š๐‘›
๐‘ก
= ๐‘˜ โˆ™ ๐ด๐‘ก
๐‘11
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ e๐ต= โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘š๐‘›
๐‘๐‘›1
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
๐‘1๐‘
โ‹ฎ , como o número de colunas de
๐‘๐‘›๐‘
๐ด é igual ao número de linhas de ๐ต, então existe o produto ๐ด โˆ™ ๐ต. Assim, ๐ด โˆ™ ๐ต
๐‘ก
=
37
๐‘Ž11
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘š1
=
๐‘11
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ . โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘š๐‘›
๐‘๐‘›1
๐‘Ž11 โˆ™ ๐‘11 + โ‹ฏ + ๐‘Ž1๐‘› โˆ™ ๐‘๐‘›1
โ‹ฎ
=
๐‘Ž๐‘š1 โˆ™ ๐‘11 + โ‹ฏ + ๐‘Ž๐‘š๐‘› โˆ™ ๐‘๐‘›1
๐‘1๐‘
โ‹ฎ
๐‘๐‘›๐‘
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
๐’•
=
๐‘ก
๐‘Ž11 โˆ™ ๐‘1๐‘ + โ‹ฏ + ๐‘Ž1๐‘› โˆ™ ๐‘๐‘›๐‘
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘š1 โˆ™ ๐‘1๐‘ + โ‹ฏ + ๐‘Ž๐‘š๐‘› โˆ™ ๐‘๐‘›๐‘
=
๐‘Ž11 โˆ™ ๐‘11 + โ‹ฏ + ๐‘Ž1๐‘› โˆ™ ๐‘๐‘›1
โ‹ฎ
=
๐‘Ž11 โˆ™ ๐‘1๐‘ + โ‹ฏ + ๐‘Ž1๐‘› โˆ™ ๐‘๐‘›๐‘
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
๐‘Ž๐‘š1 โˆ™ ๐‘11 + โ‹ฏ + ๐‘Ž๐‘š๐‘› โˆ™ ๐‘๐‘›1
โ‹ฎ
=
๐‘Ž๐‘š1 โˆ™ ๐‘1๐‘ + โ‹ฏ + ๐‘Ž๐‘š๐‘› โˆ™ ๐‘๐‘›๐‘
๐‘11 โˆ™ ๐‘Ž11 + โ‹ฏ + ๐‘๐‘›1 โˆ™ ๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฎ
=
๐‘1๐‘ โˆ™ ๐‘Ž11 + โ‹ฏ + ๐‘๐‘›๐‘ . ๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
๐‘11 โˆ™ ๐‘Ž๐‘š1 + โ‹ฏ + ๐‘๐‘›1 . ๐‘Ž๐‘š๐‘›
โ‹ฎ
=
๐‘1๐‘ โˆ™ ๐‘Ž๐‘š1 + โ‹ฏ + ๐‘๐‘›๐‘ . ๐‘Ž๐‘š๐‘›
๐‘11
= โ‹ฎ
๐‘1๐‘
2.4
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
๐‘๐‘›1 ๐‘Ž11
โ‹ฎ . โ‹ฎ
๐‘๐‘›๐‘ ๐‘Ž1๐‘›
๐‘11
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘š1
โ‹ฑ
โ‹ฎ = โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘š๐‘›
๐‘๐‘›1
โ‹ฏ ๐‘1๐‘
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘๐‘›๐‘
๐‘ก
๐‘Ž11
. โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘š1
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘š๐‘›
๐‘ก
= ๐ต ๐‘ก . ๐ด๐‘ก
Inversa de uma matriz
Seja ๐ด uma matriz quadrada de ordem ๐‘›. Uma matriz ๐ต de ordem ๐‘› é denominada a
inversa da matriz ๐ด se ๐ด. ๐ต = ๐ต. ๐ด = ๐ผ๐‘› .
Exemplo:
Sejam as matrizes ๐ด =
๐ด. ๐ต =
1
2
1 2
โˆ’3 2
e๐ต=
, temos:
2 3
2 โˆ’1
1. โˆ’3 + 2.2 1.2 + 2. (โˆ’1)
โˆ’3 + 4 2 โˆ’ 2
2 โˆ’3 2
1
.
=
=
=
2. โˆ’3 + 3.2 2.2 + 3. (โˆ’1)
โˆ’6 + 6 4 โˆ’ 3
3
2 โˆ’1
0
0
= ๐ผ2
1
e
๐ต. ๐ด =
โˆ’3 2
1
.
2 โˆ’1 2
โˆ’3 . 1 + 2.2
โˆ’3.2 + 2.3
2
โˆ’3 + 4
=
=
2.1 + โˆ’1 . 2 2.2 + โˆ’1 . 3)
3
2โˆ’2
โˆ’6 + 6
1
=
4โˆ’3
0
0
= ๐ผ2
1
Portanto ๐ด. ๐ต = ๐ต. ๐ด = ๐ผ2 , o que implica que a matriz ๐ต é a inversa da matriz ๐ด.
Teorema 2.1: Se ๐ด é uma matriz invertível, então a sua inversa é única.
Demonstração: Seja ๐ด uma matriz quadrada de ordem ๐‘›. Suponhamos que as matrizes ๐ต e
๐ต โ€ฒ , ambas de ordem ๐‘›, sejam matrizes inversas da matriz ๐ด.
Utilizando o produto pela matriz identidade, a definição de matriz inversa e a propriedade
associativa da multiplicação de matrizes, temos:
๐ตโ€ฒ = ๐ตโ€ฒ . ๐ผ๐‘› = ๐ตโ€ฒ . ๐ด. ๐ต = ๐ตโ€ฒ . ๐ด . ๐ต = ๐ผ๐‘› . ๐ต = ๐ต
Devido à unicidade da inversa de uma matriz ๐ด, representaremo-na por ๐ดโˆ’1 .
38
Teorema 2.2: Se ๐ด é uma matriz invertível, então a sua inversa ๐ดโˆ’1 também é invertível e
๐ดโˆ’1
โˆ’1
= ๐ด.
Demonstração: Seja ๐ด uma matriz quadrada de ordem ๐‘›, invertível, então existe uma matriz
quadrada ๐ดโˆ’1 de ordem ๐‘› tal que ๐ด. ๐ดโˆ’1 = ๐ผ๐‘› .
Utilizando o produto pela matriz identidade, a definição de matriz inversa e a propriedade
associativa da multiplicação de matrizes, temos:
๐ดโˆ’1
โˆ’1
= ๐ดโˆ’1
โˆ’1
. ๐ผ๐‘› = ๐ดโˆ’1
โˆ’1
. ๐ดโˆ’1 . ๐ด =
๐ดโˆ’1
โˆ’1
. ๐ดโˆ’1 . ๐ด = ๐ผ๐‘› . ๐ด = ๐ด
Portanto ๐ดโˆ’1 é invertível e sua inversa é ๐ด.
Teorema 2.3: Sejam ๐ด e ๐ต matrizes quadradas de ordem ๐‘› e invertíveis, então ๐ด. ๐ต também é
invertível e (๐ด. ๐ต)โˆ’1 = ๐ต โˆ’1 . ๐ดโˆ’1 .
Demonstração: Se ๐ด e ๐ต são matrizes quadradas de ordem ๐‘› e invertíveis então existem ๐ดโˆ’1
e ๐ต โˆ’1 quadradas de ordem ๐‘›, tais que ๐ด. ๐ดโˆ’1 = ๐ผ๐‘› e ๐ต. ๐ต โˆ’1 = ๐ผ๐‘›
Assim, temos:
๐ด. ๐ต . ๐ต โˆ’1 . ๐ดโˆ’1 = ๐ด. ๐ต. ๐ต โˆ’1 . ๐ดโˆ’1 = ๐ด. ๐ผ๐‘› . ๐ดโˆ’1 = ๐ด. ๐ดโˆ’1 = ๐ผ๐‘›
e
๐ต โˆ’1 . ๐ดโˆ’1 . ๐ด. ๐ต = ๐ต โˆ’1 . ๐ดโˆ’1 . ๐ด . ๐ต = ๐ต โˆ’1 . ๐ผ๐‘› . ๐ต = ๐ต โˆ’1 . ๐ต = ๐ผ๐‘›
Portanto, ๐ด. ๐ต . ๐ต โˆ’1 . ๐ดโˆ’1 = ๐ต โˆ’1 . ๐ดโˆ’1 . ๐ด. ๐ต = ๐ผ๐‘› , o que implica que ๐ด. ๐ต é invertível e
sua inversa é ๐ต โˆ’1 . ๐ดโˆ’1 .
Nem todas as matrizes possuem inversa. As condições para que uma matriz seja
invertível serão abordados mais a frente.
2.5
Transformações elementares de matrizes
Seja ๐ด
uma matriz pertencente a
โ„ณ(๐‘š, ๐‘›).
Para cada ๐‘– โˆˆ 1, 2, โ€ฆ , ๐‘š ,
representaremos por ๐ฟ๐‘– a ๐‘– โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘Ž linha da matriz ๐ด.
Definimos as transformações elementares nas linhas da matriz ๐ด, da seguinte forma:
I)
Permutação entre as linhas ๐ฟ๐‘– e ๐ฟ๐‘— e representamos por ๐ฟ๐‘– โ†” ๐ฟ๐‘—
II)
Multiplicação de uma linha ๐ฟ๐‘– por um escalar real ๐‘˜ โ‰  0 e representamos por
๐ฟ๐‘– โ†’ ๐‘˜. ๐ฟ๐‘–
III)
Substituição de uma linha, digamos ๐ฟ๐‘– , pela adição da linha ๐ฟ๐‘– com o produto
๐‘˜. ๐ฟ๐‘— de um escalar ๐‘˜, não nulo, pelos elementos da linha ๐ฟ๐‘— , com ๐‘– โ‰  ๐‘— e
representamos por ๐ฟ๐‘– โ†’ ๐ฟ๐‘– + ๐‘˜. ๐ฟ๐‘—
39
Vejamos um exemplo da aplicação de algumas transformações elementares nas linhas
โˆ’1
de uma matriz ๐ด = 3
0
โˆ’1 2
3 โˆ’2 ๐ฟ1 โ†” ๐ฟ3
0
4
2
โˆ’2 :
4
0
4
0
3 โˆ’2 ๐ฟ3 โ†’ โˆ’2. ๐ฟ3 3
โˆ’1 2
2
โˆ’1 2
0
4
Dizemos que as matrizes 3 โˆ’2 , 3 โˆ’2
0
4
โˆ’1 2
4
0 4
1
โˆ’2 ๐ฟ2 โ†’ ๐ฟ2 + . ๐ฟ1 3 0
2
โˆ’4
2 โˆ’4
0 4
0 4
, 3 โˆ’2 e 3 0 são matrizes
2 โˆ’4
2 โˆ’4
equivalentes por linhas.
Definição: Duas matrizes ๐ด e ๐ต são equivalentes por linhas se ๐ต puder ser obtida da
matriz ๐ด através de um número finito de transformações elementares sobre as linhas de ๐ด ou
se ๐ด puder ser obtida de ๐ต através de um número finito de transformações elementares sobre
as linhas de ๐ต.
2.5.1 Matriz elementar
Denominamos matriz elementar a toda matriz de ordem ๐‘› obtida através da aplicação
de uma transformação elementar sobre a matriz ๐ผ๐‘› .
Exemplo:
1
A matriz ๐ธ = 0
0
0 0
0 1
1 0
é uma matriz elementar, pois é obtida através da
transformação elementar ๐‘’ correspondente a permuta ๐ฟ2 โ†” ๐ฟ3 em ๐ผ3 portanto, ๐‘’ ๐ผ3 = ๐ธ.
Teorema 2.4: Seja ๐‘’ uma transformação elementar e ๐ธ uma matriz elementar quadrada de
ordem ๐‘› tal que ๐‘’ ๐ผ๐‘› = ๐ธ. Se ๐ด é uma matriz quadrada de ordem ๐‘›, então ๐‘’ ๐ด = ๐ธ. ๐ด
Demonstração: Utilizaremos na demonstração apenas a transformação elementar permutação
entre as linhas ๐ฟ๐‘– e ๐ฟ๐‘— , sendo que para as outras transformações as demonstrações são de
maneira análoga.
1
โ‹ฎ
0
Seja ๐ผ๐‘› =
0
โ‹ฎ
0
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
0
โ‹ฎ
1
0
โ‹ฎ
0
0
โ‹ฎ
0
1
โ‹ฎ
0
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
0
โ‹ฎ
0
0
โ‹ฎ
1
โ†’ ๐ฟ๐‘–
โ†’ ๐ฟ๐‘—
Seja ๐‘’ a transformação elementar que permuta as linhas ๐ฟ๐‘– e ๐ฟ๐‘— . Assim,
40
1 โ‹ฏ 0
โ‹ฎ โ‹ฏ โ‹ฎ
0
โ‹ฏ 0
๐‘’ ๐ผ๐‘› =
0 โ‹ฏ 1
โ‹ฎ โ‹ฏ โ‹ฎ
0 โ‹ฏ 0
๐‘Ž11 โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘–
โ‹ฎ
โ‹ฏ โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘–1 โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘–๐‘–
๐ด= ๐‘Ž
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘—๐‘–
๐‘—1
โ‹ฎ
โ‹ฏ
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›1 โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘–
0
โ‹ฎ
1
0
โ‹ฎ
0
๐‘Ž1๐‘—
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘–๐‘—
๐‘Ž๐‘—๐‘—
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›๐‘—
โ‹ฏ 0
โ‹ฏ โ‹ฎ
โ‹ฏ 0 = ๐ธ. Seja ๐ด a matriz de ordem ๐‘› a seguir:
โ‹ฏ 0
โ‹ฏ โ‹ฎ
โ‹ฏ 1
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฏ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘–๐‘› โ†’ ๐ฟ
๐‘–
Fazendo ๐‘’ ๐ด , temos:
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘—๐‘› โ†’ ๐ฟ๐‘—
โ‹ฏ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘›
๐‘Ž11 โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘– ๐‘Ž1๐‘—
โ‹ฎ
โ‹ฏ โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘— 1 โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘—๐‘– ๐‘Ž๐‘—๐‘—
๐‘’ ๐ด = ๐‘Ž
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘–๐‘– ๐‘Ž๐‘–๐‘—
๐‘–1
โ‹ฎ
โ‹ฏ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›1 โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘– ๐‘Ž๐‘›๐‘—
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฏ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘—๐‘›
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘–๐‘› =
โ‹ฏ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘›
1. ๐‘Ž11 + โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘— 1 + 0. ๐‘Ž๐‘–1 + โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘›1
โ‹ฎ
0. ๐‘Ž11 + โ‹ฏ + 1. ๐‘Ž๐‘— 1 + 0. ๐‘Ž๐‘–1 + โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘›1
=
0. ๐‘Ž11 + โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘— 1 + 1. ๐‘Ž๐‘–1 + โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘›1
โ‹ฎ
0. ๐‘Ž11 + โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘— 1 + 0. ๐‘Ž๐‘–1 + โ‹ฏ + 1. ๐‘Ž๐‘›1
1. ๐‘Ž1๐‘— + โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘—๐‘— + 0. ๐‘Ž๐‘–๐‘—
โ‹ฎ
0. ๐‘Ž1๐‘— + โ‹ฏ + 1. ๐‘Ž๐‘—๐‘— + 0. ๐‘Ž๐‘–๐‘—
โ€ฆ
0. ๐‘Ž1๐‘— + โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘—๐‘— + 1. ๐‘Ž๐‘–๐‘—
โ‹ฎ
0. ๐‘Ž1๐‘— + โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘—๐‘— + 0. ๐‘Ž๐‘–๐‘—
1
โ‹ฎ
0
=
0
โ‹ฎ
0
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
0
โ‹ฎ
0
1
โ‹ฎ
0
0
โ‹ฎ
1
0
โ‹ฎ
0
+ โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘›๐‘—
+ โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘›๐‘—
+ โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘›๐‘—
+ โ‹ฏ + 1. ๐‘Ž๐‘›๐‘—
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
1. ๐‘Ž1๐‘– + โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘—๐‘– +
โ‹ฎ
0. ๐‘Ž1๐‘– + โ‹ฏ + 1. ๐‘Ž๐‘—๐‘– +
0. ๐‘Ž1๐‘– + โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘—๐‘– +
โ‹ฎ
0. ๐‘Ž1๐‘– + โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘—๐‘– +
0. ๐‘Ž๐‘–๐‘– + โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘›๐‘–
0. ๐‘Ž๐‘–๐‘– + โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘›๐‘–
โ€ฆ
1. ๐‘Ž๐‘–๐‘– + โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘›๐‘–
0. ๐‘Ž๐‘–๐‘– + โ‹ฏ + 1. ๐‘Ž๐‘›๐‘–
1. ๐‘Ž1๐‘› + โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘—๐‘› + 0. ๐‘Ž๐‘–๐‘›
โ‹ฎ
0. ๐‘Ž1๐‘› + โ‹ฏ + 1. ๐‘Ž๐‘—๐‘› + 0. ๐‘Ž๐‘–๐‘›
0. ๐‘Ž1๐‘› + โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘—๐‘› + 1. ๐‘Ž๐‘–๐‘›
โ‹ฎ
0. ๐‘Ž1๐‘› + โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘—๐‘› + 0. ๐‘Ž๐‘–๐‘›
0 ๐‘Ž11 โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘– ๐‘Ž1๐‘—
โ‹ฎ
โ‹ฏ โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐‘Ž
๐‘Ž
โ‹ฏ
๐‘Ž
๐‘–๐‘—
๐‘–๐‘–
0 . ๐‘–1
0 ๐‘Ž๐‘— 1 โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘—๐‘– ๐‘Ž๐‘—๐‘—
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฏ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
1 ๐‘Ž๐‘›1 โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘– ๐‘Ž๐‘›๐‘—
+ โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘›๐‘›
+ โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘›๐‘›
=
+ โ‹ฏ + 0. ๐‘Ž๐‘›๐‘›
+ โ‹ฏ + 1. ๐‘Ž๐‘›๐‘›
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฏ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘–๐‘›
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘—๐‘› = ๐ธ. ๐ด
โ‹ฏ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘›
Teorema 2.5: Se ๐ด e ๐ต são matrizes quadradas de ordem ๐‘›, então a matriz ๐ด é equivalente
por linhas à matriz ๐ต se, e somente se, existem matrizes elementares ๐ธ1 , ๐ธ2 , ๐ธ3 , โ€ฆ , ๐ธ๐‘˜
quadradas de ordem ๐‘› tais que ๐ธ๐‘˜ . ๐ธ๐‘˜โˆ’1 . โ‹ฏ . ๐ธ2 . ๐ธ1 . ๐ด = ๐ต .
Demonstração: Por definição, para que uma matriz ๐ด de ordem ๐‘› seja equivalente por linhas
a uma matriz ๐ต de mesma ordem, devem existir transformações elementares ๐‘’1 , ๐‘’2 , ๐‘’3 , โ€ฆ , ๐‘’๐‘˜
tal que ๐‘’๐‘˜ โ€ฆ ๐‘’2 ๐‘’1 ๐ด
= ๐ต. Pelo teorema 2.4, ๐‘’๐‘˜ โ€ฆ ๐‘’2 ๐‘’1 ๐ด
= ๐‘’๐‘˜ โ€ฆ ๐‘’2 ๐ธ1 . ๐ด
=
41
= ๐‘’๐‘˜ โ€ฆ ๐ธ2 . ๐ธ1 . ๐ด
= ๐ธ๐‘˜ . โ‹ฏ . ๐ธ2 . ๐ธ1 . ๐ด = ๐ต com cada ๐ธ๐‘– = ๐‘’๐‘– ๐ผ๐‘› , para todo ๐‘– โˆˆ 1, 2, โ€ฆ , ๐‘˜ .
Teorema 2.6: Toda matriz elementar é invertível e sua inversa também é uma matriz
elementar.
Demonstração: Consideremos a transformação elementar ๐‘’ que transforma ๐ผ๐‘› na matriz
elementar ๐ธ, ou seja, ๐‘’ ๐ผ๐‘› = ๐ธ. Consideremos ๐‘’ โˆ’1 a transformação elementar inversa de ๐‘’,
ou seja, se ๐‘’ for a permutação das linhas ๐ฟ๐‘– e ๐ฟ๐‘— da matriz ๐ผ๐‘› , então ๐‘’ โˆ’1 será a transformação
permutação das linhas ๐ฟ๐‘– e ๐ฟ๐‘— da matriz ๐ธ; se ๐‘’ for a multiplicação de uma linha ๐ฟ๐‘– da matriz
1
๐ผ๐‘› por um escalar ๐‘˜ โ‰  0, então ๐‘’ โˆ’1 será a multiplicação da linha ๐ฟ๐‘– da matriz ๐ธ pelo escalar ๐‘˜
e se ๐‘’ for a substituição de uma linha ๐ฟ๐‘– da matriz ๐ผ๐‘› pela adição da linha ๐ฟ๐‘– com o produto de
um escalar ๐‘˜ โ‰  0 por uma linha ๐ฟ๐‘— , então ๐‘’ โˆ’1 será a substituição da linha ๐ฟ๐‘– da matriz ๐ธ pela
adição da linha ๐ฟ๐‘– da matriz ๐ธ com o produto do escalar โ€“ ๐‘˜ pela linha ๐ฟ๐‘— da matriz ๐ธ.
Assim, fica evidente que ๐‘’ โˆ’1 ๐ธ = ๐ผ๐‘› . Se aplicarmos a transformação ๐‘’ โˆ’1 em ๐ผ๐‘› ,
temos uma matriz elementar ๐น, ou seja, ๐‘’ โˆ’1 ๐ผ๐‘› = ๐น e, pelo teorema 2.4, teremos ๐น. ๐ธ = ๐ผ๐‘› ,
ou seja, ๐น é a matriz inversa da matriz ๐ธ, portanto ๐น = ๐ธ โˆ’1 , concluindo então que se ๐ธ é uma
matriz elementar, então é invertível. Como ๐น = ๐ธ โˆ’1 é obtida através de transformações
elementares na matriz ๐ผ๐‘› , então ๐น = ๐ธ โˆ’1 é também uma matriz elementar.
2.5.2 Matriz escalonada
Definição: Uma matriz ๐ด de ordem ๐‘š × ๐‘› é apresentada na forma escalonada se:
I) O primeiro elemento não nulo em cada linha da matriz ๐ด é igual a 1;
II) Cada coluna da matriz ๐ด que contém o primeiro elemento não nulo de alguma
linha, possui todos os outros elementos iguais a zero;
III) Todas as linhas nulas se encontram abaixo de todas as linhas não nulas;
IV) Se as linhas não nulas da matriz ๐ด forem ๐ฟ1 , ๐ฟ2 , ๐ฟ3 , โ€ฆ , ๐ฟ๐‘˜ , sendo ๐‘Ž1๐‘— o primeiro
elemento não nulo da linha ๐ฟ1 , então os elementos não nulos das linhas ๐ฟ2 , ๐ฟ3 , โ€ฆ , ๐ฟ๐‘˜
ocuparão, respectivamente, as posições ๐‘Ž2๐‘— โ€ฒ , ๐‘Ž3๐‘— โ€ฒโ€ฒ , โ€ฆ , ๐‘Ž๐‘˜๐‘— โ€ฒ โ€ฆ.โ€ฒ com ๐‘— < ๐‘— โ€ฒ < ๐‘— โ€ฒโ€ฒ < โ‹ฏ < ๐‘— โ€ฒโ€ฆโ€ฒ .
Exemplo: Seja ๐ด a matriz de ordem 3 × 4 a seguir:
1
๐ด= 0
0
0 0 2
1 0 1 . A matriz apresentada se encontra na forma escalonada, pois
0 1 โˆ’3
satisfaz as condições I, II, III e IV da definição acima.
42
Teorema 2.7: Toda matriz é equivalente a uma matriz na forma escalonada.
Demonstração: Seja ๐ด uma matriz quadrada de ordem ๐‘š × ๐‘›, se a primeira linha for nula
então a condição (I) é satisfeita nessa linha. Se por acaso a primeira linha possuir algum
elemento diferente de zero, por exemplo ๐‘Ž1๐‘— , então através da transformação elementar de
multiplicar por escalar, multiplicamos a primeira linha por
1
๐‘Ž 1๐‘—
, satisfazendo com isso a
condição (I). Para cada linha a partir da segunda, somemos โˆ’๐‘Ž๐‘–๐‘— , ๐‘– โ‰  1 vezes a primeira linha
com a i-ésima linha, assim, obtemos uma matriz cujo primeiro elemento não nulo da primeira
linha é 1 e ocorre na j-ésima coluna, ademais, todos os outros elementos da j-ésima coluna são
iguais a zero. Considerando a segunda linha da matriz ๐ด, se a mesma for nula, não há nada o
que fazer, caso exista algum elemento diferente de zero, procedemos de forma similar ao
realizado na primeira linha. Como o número de linhas da matriz é limitado, no caso ๐‘š,
repetindo o processo acima descrito, ao chegarmos à m-ésima linha, teremos satisfeito as
condições (I) e (II). As condições (III) e (IV) poderão ser satisfeitas de maneira bastante
simples através de permutações entre as linhas da matriz. Desse modo, obtemos uma matriz ๐ต
na forma escalonada, equivalente por linhas à matriz ๐ด.
Teorema 2.8: Uma matriz ๐ด, quadrada de ordem ๐‘› que possui uma linha nula não é
invertível.
Demonstração:
๐‘Ž11
๐‘Ž21
โ‹ฎ
Suponha ๐ด = 0
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›1
๐‘Ž12
๐‘Ž22
โ‹ฎ
0
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›2
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘—
โ‹ฏ ๐‘Ž2๐‘—
โ‹ฑ
โ‹ฎ
0
โ‹ฏ
โ‹ฎ
โ‹ฑ
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘—
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฏ ๐‘Ž2๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฏ 0 โ†’ ๐ฟ๐‘–
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘›
Se ๐ด for invertível, então deve existir uma matriz ๐ต, quadrada de ordem ๐‘› tal que ๐ด. ๐ต = ๐ผ๐‘› .
๐‘11
๐‘21
โ‹ฎ
Suponhamos ๐ต =
๐‘๐‘–1
โ‹ฎ
๐‘๐‘›1
๐‘12
๐‘22
โ‹ฎ
๐‘๐‘–2
โ‹ฎ
๐‘๐‘›2
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
๐‘1๐‘—
๐‘2๐‘—
โ‹ฎ
๐‘๐‘–๐‘—
โ‹ฎ
๐‘๐‘›๐‘—
โ‹ฏ ๐‘1๐‘›
โ‹ฏ ๐‘2๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘๐‘–๐‘› notemos que o produto ๐ด. ๐ต terá a í-ésima
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘๐‘›๐‘›
linha nula, pois a i-ésima linha será determinada por:
๐ฟ๐‘– = 0. ๐‘11 + โ‹ฏ + 0. ๐‘๐‘›1
E, portanto, ๐ฟ๐‘– = 0 0
0. ๐‘12 + โ‹ฏ + 0. ๐‘๐‘›2
โ‹ฏ 0 โ‹ฏ
โ‹ฏ 0. ๐‘1๐‘— + โ‹ฏ + 0. ๐‘๐‘›๐‘—
โ‹ฏ 0. ๐‘1๐‘› + โ‹ฏ + 0. ๐‘๐‘›๐‘› .
0 , fazendo com que ๐ด. ๐ต โ‰  ๐ผ๐‘› , para todo ๐ต.
43
Logo, ๐ด não é invertível se possuir uma linha nula.
Os teoremas vistos até agora nos dão embasamento para obter dois resultados muito
importantes acerca de matrizes:
Teorema 2.9: Uma matriz ๐ด de ordem ๐‘› é invertível se, e somente se for equivalente por
linhas à matriz identidade.
Demonstração:
๏ƒž
Suponhamos que ๐ด é uma matriz invertível de ordem ๐‘›. Pelo teorema 2.8, ๐ด não
possui linhas nulas, além disso, pelo teorema 2.7, ๐ด é equivalente por linhas a uma matriz na
forma escalonada. Portanto ๐ด é equivalente por linhas a ๐ผ๐‘› .
๏ƒœ
Seja ๐ด uma matriz quadrada de ordem ๐‘›, equivalente por linhas a matriz ๐ผ๐‘› . Pelo
teorema 2.5, existem ๐ธ1 , ๐ธ2 , ๐ธ3 , โ€ฆ , ๐ธ๐‘˜ de modo que ๐ธ๐‘˜ . ๐ธ๐‘˜โˆ’1 . โ‹ฏ . ๐ธ2 . ๐ธ1 . ๐ด = ๐ผ๐‘› . Pelo teorema
2.6, temos que ๐ธ1 , ๐ธ2 , ๐ธ3 , โ€ฆ , ๐ธ๐‘˜ são todas invertíveis, por serem matrizes elementares, então
existem ๐ธ1โˆ’1 , ๐ธ2โˆ’1 , ๐ธ3โˆ’1 , โ€ฆ , ๐ธ๐‘˜โˆ’1 , de modo que ๐ธ๐‘–โˆ’1 . ๐ธ๐‘– = ๐ผ๐‘› para todo ๐‘– โˆˆ 1, 2, 3, โ€ฆ , ๐‘˜ . Assim,
multiplicando à esquerda ambos os membros da igualdade ๐ธ1 , ๐ธ2 , ๐ธ3 , โ€ฆ , ๐ธ๐‘˜ . ๐ด = ๐ผ๐‘›
por
๐ธ๐‘˜โˆ’1 . โ€ฆ . ๐ธ3โˆ’1 . ๐ธ2โˆ’1 . ๐ธ1โˆ’1 , temos: ๐ธ๐‘˜โˆ’1 . โ€ฆ . ๐ธ3โˆ’1 . ๐ธ2โˆ’1 . ๐ธ1โˆ’1 . ๐ธ1 , ๐ธ2 , ๐ธ3 , โ€ฆ , ๐ธ๐‘˜ . ๐ด = ๐ธ๐‘˜โˆ’1 . โ€ฆ . ๐ธ3โˆ’1 . ๐ธ2โˆ’1 . ๐ธ1โˆ’1 . ๐ผ๐‘›
E,
utilizando
a
propriedade
associativa
do
produto
de
matrizes,
temos:
๐ด = ๐ธ๐‘˜โˆ’1 . โ€ฆ . ๐ธ3โˆ’1 . ๐ธ2โˆ’1 . ๐ธ1โˆ’1 e, pelo teorema 2.3, o produto de matrizes invertíveis é invertível,
portanto ๐ด é uma matriz invertível.
Teorema 2.10: Se ๐ด é uma matriz invertível de ordem ๐‘› e uma sequência de transformações
elementares sobre as linhas de ๐ด reduz ๐ด à matriz ๐ผ๐‘› , então esta mesma sequência de
transformações elementares aplicadas às linhas de ๐ผ๐‘› produzirá a matriz ๐ดโˆ’1 .
Demonstração: Se ๐ด é invertível, então pelo teorema 2.9, ๐ด é equivalente por linhas a matriz
๐ผ๐‘› e, pelo teorema 2.5, existem ๐ธ1 , ๐ธ2 , ๐ธ3 , โ€ฆ , ๐ธ๐‘˜ de modo que ๐ธ๐‘˜ . ๐ธ๐‘˜โˆ’1 . โ‹ฏ . ๐ธ2 . ๐ธ1 . ๐ด = ๐ผ๐‘› .
Como por hipótese ๐ด é invertível, então existe a matriz ๐ดโˆ’1 . Multiplicando à direita a
igualdade ๐ธ๐‘˜ . ๐ธ๐‘˜โˆ’1 . โ‹ฏ . ๐ธ2 . ๐ธ1 . ๐ด = ๐ผ๐‘› por ๐ดโˆ’1 , temos ๐ธ๐‘˜ . ๐ธ๐‘˜โˆ’1 . โ‹ฏ . ๐ธ2 . ๐ธ1 . ๐ด. ๐ดโˆ’1 = ๐ผ๐‘› . ๐ดโˆ’1 , de
onde obtemos ๐ธ๐‘˜ . ๐ธ๐‘˜โˆ’1 . โ‹ฏ . ๐ธ2 . ๐ธ1 . ๐ผ๐‘› = ๐ดโˆ’1 .
Os teoremas 2.9 e 2.10 constituem um instrumento muito importante e eficiente na
determinação da invertibilidade de uma matriz e o cálculo da matriz inversa, popularmente
conhecido como método de Gauss-Jordan.
44
Vejamos um exemplo:
2 1 0
Seja ๐ด = 0 โˆ’3 2 . Apliquemos simultaneamente as transformações elementares
1 1 0
nas linhas da matriz ๐ด e da matriz ๐ผ3 de modo a reduzir a matriz ๐ด à matriz ๐ผ3 :
2 1 0
๐ด ๐ผ3 = 0 โˆ’3 2
1 1 0
0 1 0 โˆ’1
โ†’ 0 โˆ’3 2 0
1 0 0 1
0
โ†’ 0
1
1
โ†’ 0
0
1 0 โˆ’1
3
0 1 โˆ’2
0 0 1
0 0 1
1 0 โˆ’13
0 1 โˆ’2
0
1
2
0
0
0
1
2
โˆ’1
Portanto ๐ด
1
0
0
0
1
0
0
1
0
2
0
โˆ’1
0
2 1
0 ๐ฟ3 โ†’ ๐ฟ1 โˆ’ ๐ฟ3 0 โˆ’3
1
1 0
0 1 0
๐ฟ2 โ†’ ๐ฟ2 + 3๐ฟ1 0 0 2
1 0 0
2
0 1 0 โˆ’1 0
3 ๐ฟ2 โ†” ๐ฟ3 1 0 0 13 01
0 0 1 โˆ’2 2
โˆ’1
โˆ’1
2 = ๐ผ3 ๐ดโˆ’1
3
1
= โˆ’13
โˆ’2
0
0
1
2
3
1
2.1 + 1. โˆ’1 + 0. โˆ’ 2
2.0 + 1.0 + 0. 2
3
1
3
1.2 + 0.0 + โˆ’1 . 1
= โˆ’1.2 + 0.0 + 2.1
3
1
โˆ’ 2 . 2 + 2 . 0 + 3.1
=
๐ฟ1 โ†” ๐ฟ2
1
1.0 + 1.0 + 0. 2
โˆ’2 + 2 + 0
1
0โˆ’6+6 = 0
โˆ’1 + 2 + 0
0
2
= 0
1
1
1 0
โˆ’3 2 . โˆ’13
1 0 โˆ’2
0. โˆ’1 + โˆ’3 . 2 + 2.3 =
1. โˆ’1 + 1.2 + 0.3
0 0
1 0 = ๐ผ3 . De maneira análoga, temos
0 1
2 1 0
0 โˆ’3 2 =
1 1 0
1.1 + 0. โˆ’3 + โˆ’1 . 1
โˆ’1.1 + 0. โˆ’3 + 2.1
3
1
โˆ’ 2 . 1 + 2 . โˆ’3 + 3.1
2+0โˆ’1
โˆ’2 + 0 + 2
โˆ’3 + 0 + 3
0 โˆ’1
0 2 =
1
3
2
2. โˆ’1 + 1.2 + 0.3
0.0 + โˆ’3 . 0 + 2. 2
1.1 + 1. โˆ’1 + 0. โˆ’ 2
2โˆ’1+0 0+0+0
= 0+3โˆ’3 0+0+1
1โˆ’1+0 0+0+0
1 0 โˆ’1
โˆ’1
๐ด . ๐ด = โˆ’13 01 2 .
โˆ’2 2 3
0 0
1 0 ๐ฟ1 โ†’ ๐ฟ1 โˆ’ 2๐ฟ3
0 โˆ’1
0 2
1
1 6 ๐ฟ2 โ†’ 2 ๐ฟ1
0 โˆ’1
โˆ’1
2 .
3
Isto pode ser facilmente verificado fazendo ๐ด. ๐ดโˆ’1
= 0.1 + โˆ’3 . โˆ’1 + 2. โˆ’ 2
0 1
2 0
0 1
โˆ’1
โˆ’3
1
2
โˆ’1
3
1.0 + 0.2 + โˆ’1 . 0
โˆ’1.0 + 0.2 + 2.0 =
3
1
โˆ’ 2 . 0 + 2 . 2 + 3.0
1+0โˆ’1 0+0+0
1
โˆ’1 + 0 + 2 0 + 0 + 0
=
0
3 3
โˆ’ โˆ’ +3 0+1+0
0
2 2
0 0
1 0 = ๐ผ3
0 1
45
3
DETERMINANTES
Consideremos ๐‘› โ‰ฅ 1 pertencente ao conjunto dos números naturais. Seja ๐‘‹๐‘› =
1, 2, 3, โ€ฆ , ๐‘› . Enunciamos que toda função bijetiva ๐‘“: ๐‘‹๐‘› โ†’ ๐‘‹๐‘› é uma permutação do
conjunto ๐‘‹๐‘› .
Vamos representar uma permutação ๐‘“ de ๐‘‹๐‘› em ๐‘‹๐‘› por
๐‘“=
1
๐‘“ 1
2
๐‘“ 2
3
๐‘“ 3
โ‹ฏ
โ‹ฏ
๐‘–
โ‹ฏ
๐‘“(๐‘–) โ‹ฏ
๐‘—
๐‘“(๐‘—)
โ‹ฏ
โ‹ฏ
๐‘›
๐‘“ ๐‘›
Exemplos:
a) Quando ๐‘› = 1, temos ๐‘‹1 = 1 e temos uma possível bijeção de ๐‘‹1 โ†’ ๐‘‹1 , a saber,
๐‘“๐‘–๐‘‘๐‘’๐‘›๐‘ก๐‘–๐‘‘๐‘Ž๐‘‘๐‘’ =
1
1
b) Quando ๐‘› = 2, temos ๐‘‹2 = 1, 2 e temos duas possíveis bijeções de ๐‘‹2 โ†’ ๐‘‹2 , a
saber, ๐‘“๐‘–๐‘‘๐‘’๐‘›๐‘ก๐‘–๐‘‘๐‘Ž๐‘‘๐‘’ =
1
1
2
1 2
e๐‘“=
2
2 1
c) Quando ๐‘› = 3, temos ๐‘‹3 = 1, 2, 3 e temos 3! = 6 possíveis bijeções de ๐‘‹3 โ†’ ๐‘‹3 , a
saber,
1 2 3 1 2 3 1 2
,
,
1 2 3 2 1 3 2 3
3 1 2
,
1 1 3
3 1
,
2 3
2 3
1 2 3
e
1 2
3 2 1
Denominaremos ๐พ ao conjunto formado pelos pares ordenados ๐‘–, ๐‘— , com 1 โ‰ค ๐‘– โ‰ค ๐‘— โ‰ค
๐‘›, nos quais ๐‘“ ๐‘– > ๐‘“(๐‘—) e ๐‘›(๐พ) ao número de elementos de ๐พ. Denominaremos ainda por
๐‘ ๐‘›๐‘”(๐‘“) ao sinal da permutação, da seguinte maneira:
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ = 1, ๐‘ ๐‘’ ๐‘›(๐พ) é ๐‘๐‘Ž๐‘Ÿ
๐‘ ๐‘›๐‘”(๐‘“) = โˆ’1, ๐‘ ๐‘’ ๐‘›(๐พ) é ๐‘–๐‘š๐‘๐‘Ž๐‘Ÿ .
Exemplos:
a) Consideremos ๐‘“ =
1 2
1 3
3
, os pares ๐‘–, ๐‘— , com 1 โ‰ค ๐‘– โ‰ค ๐‘— โ‰ค ๐‘› são 1,2 , (1,3) e
2
(2,3), notemos que ๐‘“ 1 = 1 < ๐‘“ 2 = 3; ๐‘“ 1 = 1 < ๐‘“ 3 = 2 e ๐‘“ 2 = 3 >
๐‘“ 3 = 2, portanto ๐พ = { 2,3 }, o que implica que ๐‘› ๐พ = 1, que é impar, portanto
๐‘ ๐‘›๐‘”(๐‘“) = โˆ’1.
b) Consideremos ๐‘“ =
1 2
3 1
3
, os pares ๐‘–, ๐‘— , com 1 โ‰ค ๐‘– โ‰ค ๐‘— โ‰ค ๐‘› são 1,2 , (1,3) e
2
(2,3), notemos que ๐‘“ 1 = 3 > ๐‘“ 2 = 1; ๐‘“ 1 = 3 > ๐‘“ 3 = 2 e ๐‘“ 2 = 1 <
46
๐‘“ 3 = 2, portanto ๐พ = { 1,2 , (1,3)}, o que implica que ๐‘› ๐พ = 2, que é par,
portanto ๐‘ ๐‘›๐‘”(๐‘“) = 1.
De acordo com o sinal, classificaremos uma permutação como par, se ๐‘ ๐‘›๐‘”(๐‘“) = 1, ou
ímpar, se ๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ = โˆ’1.
Consideremos ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
๐‘›
uma matriz real. Consideremos também o produto
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘Ž1๐‘“(1) . ๐‘Ž2๐‘“(2) . ๐‘Ž3๐‘“(3) . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘“ (๐‘›) , com ๐‘“ sendo uma permutação do conjunto ๐‘‹๐‘› .
Notemos que nesse produto aparecem, como fatores, somente um elemento de cada linha da
matriz ๐ด, pois os índices correspondentes às linhas variam de 1 até ๐‘›, sem repetição; e
aparece também, somente um elemento de cada coluna da matriz ๐ด, uma vez que os índices
correspondentes às colunas não se repetem pois ๐‘“ é bijetiva. Notemos ainda que temos ๐‘›!
possíveis permutações em ๐‘‹๐‘› , portanto ๐‘›! produtos ๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘Ž1๐‘“(1) . ๐‘Ž2๐‘“(2) . ๐‘Ž3๐‘“(3) . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘“ (๐‘›) .
Definiremos o determinante da matriz ๐ด, como sendo a soma das ๐‘›! parcelas
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘Ž1๐‘“(1) . ๐‘Ž2๐‘“(2) . ๐‘Ž3๐‘“(3) . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘“ (๐‘›) , ou ainda:
det( A) ๏€ฝ ๏ƒฅ sng ( f ). a1 f (1) . a2 f ( 2) . a3 f (3) .๏Œ.. anf ( n )
f
Notemos que, considerando โ„ณ๐‘› como sendo o conjunto de todas as matrizes reais
quadradas de ordem ๐‘›, temos que det(A) โกé uma função de โ„ณ๐‘› em โ„, que a cada matriz
๐ด โˆˆ โ„ณ๐‘› , faz corresponder um escalar real ๐‘˜ tal que det ๐ด = ๐‘˜. Tal função não é bijetiva,
pois embora seja sobrejetiva não é injetiva.
Se ๐ด = ๐‘Ž11 , temos det ๐ด = ๐‘Ž11 .
๐‘Ž11 ๐‘Ž12
Se ๐ด = ๐‘Ž
๐‘Ž22 , temos as seguintes permutações:
21
๐‘“1 =
1 2
, o que implica que ๐พ1 = โˆ…, ou seja, ๐‘›(๐พ1 ) = 0, que é par, portanto
1 2
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“1 = 1.
๐‘“2 =
1
2
2
, o que implica que ๐พ2 = { 1,2 }, ou seja, ๐‘› ๐พ2 = 1, que é ímpar,
1
portanto ๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“2 = โˆ’1.
Logo, det ๐ด
๐‘Ž11
๐‘Ž
Se ๐ด = 21
๐‘Ž31
๐‘“1 =
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“1 = 1.
1 2
1 2
= ๐‘Ž11 . ๐‘Ž22 โˆ’ ๐‘Ž12 . ๐‘Ž21
๐‘Ž12 ๐‘Ž13
๐‘Ž22 ๐‘Ž23 , temos as seguintes permutações:
๐‘Ž32 ๐‘Ž33
3
, o que implica que ๐พ1 = โˆ…, ou seja, ๐‘› ๐พ1 = 0, que é par, portanto
3
47
๐‘“2 =
1
2
2 3
, o que implica que ๐พ2 = { 1,3 , 2,3 }, ou seja, ๐‘› ๐พ2 = 2, que é par,
3 1
portanto ๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“2 = 1.
๐‘“3 =
1
3
2 3
, o que implica que ๐พ3 = { 1,2 , 1,3 }, ou seja, ๐‘› ๐พ3 = 2, que é par,
1 2
portanto ๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“3 = 1.
๐‘“4 =
1
1
2 3
, o que implica que ๐พ4 = { 2,3 }, ou seja, ๐‘› ๐พ4 = 1, que é ímpar,
3 2
portanto ๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“4 = โˆ’1.
๐‘“5 =
1
3
2 3
, o que implica que ๐พ5 = { 1,2 , 1,3 , (2,3)}, ou seja, ๐‘› ๐พ5 = 3, que
2 1
é ímpar, portanto ๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“5 = โˆ’1.
๐‘“6 =
1
2
2 3
, o que implica que ๐พ6 = { 1,2 }, ou seja, ๐‘› ๐พ6 = 1, que é ímpar,
1 3
portanto ๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“4 = โˆ’1.
Logo:
det ๐ด = ๐‘Ž11 . ๐‘Ž22 . ๐‘Ž33 + ๐‘Ž12 . ๐‘Ž23 . ๐‘Ž31 + ๐‘Ž13 . ๐‘Ž21 . ๐‘Ž32 โˆ’ ๐‘Ž11 . ๐‘Ž23 . ๐‘Ž32 โˆ’ ๐‘Ž13 . ๐‘Ž22 . ๐‘Ž31 โˆ’ ๐‘Ž12 . ๐‘Ž21 . ๐‘Ž33
Vejamos alguns exemplos:
a) Seja ๐ด =
2
5
, uma matriz de ordem 2.
โˆ’3 โˆ’4
Por definição, det ๐ด = 2. โˆ’4 โˆ’ 5. (โˆ’3), portanto, det ๐ด = 7
โˆ’2 1 0
b) Seja ๐ต = โˆ’1 2 3 , uma matriz de ordem 3.
0 โˆ’2 5
Por definição,
det ๐ด = โˆ’2.2.5 + 1.3.0 + 0. โˆ’1 . โˆ’2 โˆ’ (โˆ’2).3. โˆ’2 โˆ’ 0.2.0 โˆ’ 1. โˆ’1 . 5
det ๐ด = โˆ’20 + 0 + 0 โˆ’ 12 โˆ’ 0 + 5
det ๐ด = โˆ’27
3.1
PROPRIEADES DOS DETERMINANTES
Representando cada linha de uma matriz real ๐ด, quadrada de ordem ๐‘›, por
๐ด1, ๐ด2 , ๐ด3 , โ€ฆ , ๐ด๐‘› , em que ๐ด๐‘– = (๐‘Ž๐‘–1 , ๐‘Ž๐‘–2 , ๐‘Ž13 , โ€ฆ , ๐‘Ž๐‘–๐‘› ), para todo ๐‘– โˆˆ 1, 2, 3, โ€ฆ , ๐‘› , podemos,
com finalidade de facilitar a notação, representar a matriz ๐ด na seguinte configuração:
48
๐ด1
๐ด1
๐ด2
๐ด2
๐ด3
๐ด3
๐ด = โ‹ฎ , cujo determinante representaremos por ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = โ‹ฎ
๐ด๐‘–
๐ด๐‘–
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
๐ด๐‘›
A função determinante goza das seguintes propriedades:
I)
๐ด1
๐ด1
๐ด1
๐ด1
๐ด2
๐ด2
๐ด2
๐ด2
๐ด3
๐ด3
๐ด3
๐ด3
โ‹ฎ
โ‹ฎ
Dada a matriz ๐ด = โ‹ฎ =
, então
= โ‹ฎ + ๐‘˜.
๐ด๐‘–
๐ดโ€ฒ๐‘– + ๐‘˜. ๐ดโ€ฒโ€ฒ๐‘–
๐ดโ€ฒ๐‘– + ๐‘˜. ๐ดโ€ฒโ€ฒ๐‘–
๐ดโ€ฒ๐‘–
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
๐ด๐‘›
๐ด๐‘›
๐ด๐‘›
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โ‹ฎ , ou
๐ดโ€ฒโ€ฒ๐‘–
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
seja, a função ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด é linear em cada uma das linhas separadamente da matriz ๐ด.
II)
Dada matriz real ๐ด quadrada de ordem ๐‘›, e um escalar real ๐‘˜, temos ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐‘˜. ๐ด =
๐‘˜ ๐‘› . ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด .
III)
Considerando ๐ผ๐‘› com sendo a matriz identidade de ordem ๐‘›, temos ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ผ๐‘› = 1.
IV)
Se de uma matriz ๐ด quadrada de ordem ๐‘› for obtida uma matriz ๐ต através de uma
transformação elementar do tipo ๐ฟ๐‘– โ†” ๐ฟ๐‘— , com ๐‘– โ‰  ๐‘— (permutação entra duas
linhas), então ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ต = โˆ’๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด .
V)
๐ด1
๐ด2
โ‹ฎ
๐ด๐‘–
Se ๐ด = โ‹ฎ e ๐ด๐‘– = ๐ด๐‘— , com ๐‘– โ‰  ๐‘—, então ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = 0.
๐ด๐‘—
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
VI)
๐ด1
๐ด2
โ‹ฎ
๐ด๐‘–
Se ๐ด = โ‹ฎ e ๐ด๐‘– = ๐‘˜. ๐ด๐‘— , com ๐‘– โ‰  ๐‘— e ๐‘˜ โ‰  0, então ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = 0.
๐ด๐‘—
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
VII)
Dada uma matriz real ๐ด, quadrada de ordem ๐‘›, temos ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด๐‘ก .
VIII) Dadas duas matrizes reais ๐ด e ๐ต, quadradas de ordem ๐‘›, temos ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด. ๐ต =
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด . ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ต .
IX)
Uma matriz ๐ด é invertível se, e somente se, ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด โ‰  0.
49
X)
Dada uma matriz real ๐ด, quadrada de ordem ๐‘›, cuja uma linha, digamos ๐ฟ๐‘– é a
combinação linear de duas outras linhas, então ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = 0.
XI)
Se uma matriz ๐ต, quadrada de ordem ๐‘› é obtida a partir de uma matriz ๐ด, também
quadrada de ordem ๐‘›, na qual somamos uma linha, com um múltiplo de outra,
deixando as demais linhas inalteradas, então ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ต = ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด .
As propriedades dos determinantes são de fundamental importância para obtenção de
resultados mais rápidos.
Demonstrações:
I)
Como vimos, por definição a função determinante de uma matriz real ๐ด, quadrada
de ordem ๐‘› é ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด =
๐‘“
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘Ž1๐‘“(1) . ๐‘Ž2๐‘“(2) . ๐‘Ž3๐‘“(3) . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘“ (๐‘›) , com ๐‘›!
parcelas e que em cada parcela aparece somente um elemento de cada linha da
matriz ๐ด. Sendo assim, se os elementos de uma das linhas da matriz, digamos a iโ€ฒ
โ€ฒโ€ฒ
โ€ฒ
โ€ฒโ€ฒ
โ€ฒ
โ€ฒโ€ฒ
โ€ฒ
โ€ฒโ€ฒ
ésima linha, forem ๐ด๐‘– = ๐‘Ž๐‘–1
+ ๐‘˜. ๐‘Ž๐‘–1
, ๐‘Ž๐‘–2
+ ๐‘˜. ๐‘Ž๐‘–2
, ๐‘Ž๐‘–3
+ ๐‘˜. ๐‘Ž๐‘–3
, โ€ฆ , ๐‘Ž๐‘–๐‘›
+ ๐‘˜. ๐‘Ž๐‘–๐‘›
,
ao calcularmos o determinante da matriz ๐ด, em cada uma das ๐‘›! parcelas do
โ€ฒ
โ€ฒโ€ฒ
somatório, aparecerá um fator do tipo (๐‘Ž๐‘–๐‘“(๐‘–)
+ ๐‘˜. ๐‘Ž๐‘–๐‘“
(๐‘–) ), o que fará com que
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด =
๐‘“
โ€ฒ
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘Ž1๐‘“(1) . ๐‘Ž2๐‘“(2) . ๐‘Ž3๐‘“(3) . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘–๐‘“
๐‘–
โ€ฒโ€ฒ
+ ๐‘˜. ๐‘Ž๐‘–๐‘“
๐‘–
. โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘“ (๐‘›)
e,
pelas propriedades operacionais dos somatórios, temos:
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด =
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘Ž1๐‘“
1
. ๐‘Ž2๐‘“
2
. ๐‘Ž3๐‘“
3
โ€ฒ
. โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘–๐‘“
โ€ฒโ€ฒ
+ ๐‘˜. ๐‘Ž๐‘–๐‘“
๐‘–
๐‘–
. โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘“
๐‘›
=
๐‘“
=
๐‘“
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘Ž1๐‘“
1
. ๐‘Ž2๐‘“
2
+๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘Ž1๐‘“
=
๐‘“ ๐‘ ๐‘›๐‘”
๐‘“ . ๐‘Ž1๐‘“
1
๐‘˜.
. ๐‘Ž2๐‘“
2
. ๐‘Ž3๐‘“
1
. ๐‘Ž2๐‘“
. ๐‘Ž3๐‘“
3
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘Ž1๐‘“
โ€ฒ
. โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘–๐‘“
๐‘– . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘“
3
2
. ๐‘Ž3๐‘“
3
. ๐‘Ž2๐‘“
2
+
โ€ฒโ€ฒ
. โ‹ฏ . ๐‘˜. ๐‘Ž๐‘–๐‘“
๐‘– . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘“
โ€ฒ
. โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘–๐‘“
๐‘– . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘“
1
๐‘›
. ๐‘Ž3๐‘“
3
๐‘›
๐‘›
=
+
โ€ฒโ€ฒ
. โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘–๐‘“
๐‘– . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘“
๐‘›
๐‘“
๐ด1
๐ด1
๐ด2
๐ด2
๐ด3
๐ด3
โ‹ฎ
Portanto,
= โ‹ฎ + ๐‘˜.
๐ดโ€ฒ๐‘– + ๐‘˜. ๐ดโ€ฒโ€ฒ๐‘–
๐ดโ€ฒ๐‘–
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
๐ด๐‘›
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โ‹ฎ
๐ดโ€ฒโ€ฒ๐‘–
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
Mostrando com isso que a função determinante é linear em cada uma das linhas de
uma matriz ๐ด, separadamente.
50
II)
É uma consequência da propriedade I, pois sendo uma matriz real ๐ด de ordem ๐‘› e
๐‘˜. ๐ด1
๐‘˜. ๐ด2
๐‘˜. ๐ด3
um escalar real ๐‘˜, temos ๐‘˜. ๐ด =
e o determinante de ๐ด, por definição será
โ‹ฎ
๐‘˜. ๐ด๐‘–
โ‹ฎ
๐‘˜. ๐ด๐‘›
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐‘˜. ๐ด =
=
๐‘“
๐‘“
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘˜. ๐‘Ž1๐‘“(1) . ๐‘˜. ๐‘Ž2๐‘“(2) . ๐‘˜. ๐‘Ž3๐‘“(3) . โ‹ฏ . ๐‘˜. ๐‘Ž๐‘›๐‘“ (๐‘› ) =
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘˜. ๐‘˜. ๐‘˜. โ‹ฏ . ๐‘˜ . ๐‘Ž1๐‘“(1) . ๐‘Ž2๐‘“(2) . ๐‘Ž3๐‘“(3) . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘“ (๐‘›) =
๐‘› ๐‘“๐‘Ž๐‘ก๐‘œ๐‘Ÿ๐‘’๐‘ 
= ๐‘˜๐‘› .
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘Ž1๐‘“(1) . ๐‘Ž2๐‘“(2) . ๐‘Ž3๐‘“(3) . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘“ (๐‘›) = ๐‘˜ ๐‘› . ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด
๐‘“
III)
Como sabemos, dada uma matriz quadrada de ordem ๐‘›, temos ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด =
๐‘“
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘Ž1๐‘“(1) . ๐‘Ž2๐‘“(2) . ๐‘Ž3๐‘“(3) . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘“ (๐‘›) , com ๐‘›! parcelas e que em cada parcela
aparece somente um elemento de cada linha da matriz ๐ด. Portanto, no cálculo do
determinante da matriz identidade de ordem ๐‘›, somente uma das parcelas do
somatório , a saber, ๐‘Ž11 . ๐‘Ž22 . ๐‘Ž22 . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘› é não nula e, por tratar-se do produto dos
elementos da diagonal principal, que são todos iguais a 1, além de essa parcela ser
obtida através da permutação ๐‘“๐‘–๐‘‘๐‘’๐‘›๐‘ก๐‘–๐‘‘๐‘Ž๐‘‘๐‘’
e ๐‘ ๐‘›๐‘”(๐‘“๐‘–๐‘‘๐‘’๐‘›๐‘ก๐‘–๐‘‘๐‘Ž๐‘‘๐‘’ )=1, temos ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ผ๐‘› =
1.
IV)
Ao permutarmos duas linhas de uma matriz ๐ด, obtendo com isso uma matriz ๐ต,
cada uma das parcelas do somatório da função determinante, ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ต , terá ainda os
mesmos elementos das parcelas da função ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด , porém com ordens de índices
diferentes, o que acarretará a mudança de ๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ em cada uma das parcelas,
implicando com isso que ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ต = โˆ’๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด .
V)
Imaginemos uma matriz quadrada
๐ด, de ordem ๐‘›, com duas linhas iguais,
digamos ๐ฟ๐‘– e ๐ฟ๐‘— . Se obtivermos através de uma operação elementar do tipo ๐ฟ๐‘– โ†”
๐ฟ๐‘— , com ๐‘– โ‰  ๐‘—, uma matriz ๐ต a partir da matriz ๐ด, então ๐ด = ๐ต, pois permutamos
duas linhas iguais. Isso acarreta que ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ต = ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด , mas, pela propriedade IV,
vimos que ao permutarmos duas linhas de uma matriz ๐ด, obtemos uma matriz ๐ต tal
que ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ต = โˆ’๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด . Das duas igualdades, obtermos que ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = 0.
51
VI)
๐ด1
๐ด2
๐ด3
Pela propriedade I, temos que ๐ด = โ‹ฎ , com ๐‘˜ um escalar real, então ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด =
๐‘˜. ๐ด๐‘–
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โ‹ฎ = ๐‘˜.
๐‘˜. ๐ด๐‘–
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โ‹ฎ . Suponhamos que na matriz ๐ด, exista uma linha, por exemplo a
๐ด๐‘–
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
๐ด1
๐ด1
๐ด2
๐ด2
๐ด3
๐ด3
โ‹ฎ
โ‹ฎ
j-ésima, tal que ๐ฟ๐‘— = ๐‘˜. ๐ฟ๐‘– . Teremos então, ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = ๐ด๐‘– = ๐ด๐‘– = ๐‘˜.
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐ด๐‘—
๐‘˜. ๐ด๐‘–
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
๐ด๐‘›
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โ‹ฎ
๐ด๐‘– e,
โ‹ฎ
๐ด๐‘–
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โ‹ฎ
pela propriedade V, temos ๐ด๐‘– = 0, portanto, ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = ๐‘˜. 0 = 0.
โ‹ฎ
๐ด๐‘–
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
VII)
Seja ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
๐‘›
uma matriz real e ๐ด๐‘ก a sua transposta. Se ๐‘“ é uma permutação de
๐‘› elementos, então, ๐‘Ž๐‘ก ๐‘–๐‘“
definição que ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด๐‘ก =
๐‘–
= ๐‘Ž๐‘“
๐‘“
๐‘– ๐‘–
para todo ๐‘–, ๐‘— โˆˆ 1,2, โ€ฆ , ๐‘› . Sabemos, por
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘Ž๐‘“(1)1 . ๐‘Ž๐‘“(2)2 . ๐‘Ž๐‘“(3)3 . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘“(๐‘›)๐‘› e, como ๐‘“ é
bijetiva, existe ๐‘“ โˆ’1 de modo que quando ๐‘– = ๐‘“ โˆ’1 ๐‘— , temos
๐‘Ž๐‘“(๐‘–)๐‘– = ๐‘Ž๐‘— ๐‘“ โˆ’1
๐‘—
.
Portanto, temos ๐‘Ž๐‘“(1)1 . ๐‘Ž๐‘“(2)2 . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘“(๐‘›)๐‘› = ๐‘Ž1๐‘“ โˆ’1 (1) . ๐‘Ž2๐‘“ โˆ’1 (2) . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘“ โˆ’1 (๐‘›) e, como
๐‘“๐œŠ๐‘“ โˆ’1 = ๐‘“๐‘–๐‘‘๐‘’๐‘›๐‘ก๐‘–๐‘‘๐‘Ž๐‘‘๐‘’ e ๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“๐‘–๐‘‘๐‘’๐‘›๐‘ก๐‘–๐‘‘๐‘Ž๐‘‘๐‘’ =+1, então ๐‘“ e ๐‘“ โˆ’1 possuem o mesmo sinal, ou seja,
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ = ๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“โˆ’1 . Notemos ainda que ๐‘“ percorre todas as permutações de grau ๐‘› e
๐‘“ โˆ’1
também
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด๐‘ก =
๐‘“ ๐‘ ๐‘›๐‘”
๐‘“
percorre,
pois
é
a
inversa
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘Ž๐‘“(1)1 . ๐‘Ž๐‘“(2)2 . ๐‘Ž๐‘“(3)3 . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘“(๐‘›)๐‘› =
๐‘“โˆ’1 . ๐‘Ž
1๐‘“โˆ’1 (1)
. ๐‘Ž2๐‘“โˆ’1 (2) . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘“โˆ’1 (๐‘›) = ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด .
de
๐‘“.
Sendo
assim,
52
VIII) Sejam ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
๐‘›
, ๐ต = ๐‘๐‘–๐‘—
e ๐ถ = ๐‘๐‘–๐‘—
๐‘›
๐‘›
, tal que ๐ถ = ๐ด. ๐ต, temos por definição
๐‘›
do produto de matrizes que ๐‘๐‘–๐‘— =
๐‘˜=1
๐‘Ž๐‘–๐‘˜ . ๐‘๐‘˜๐‘— , para todo ๐‘–, ๐‘— โˆˆ 1, 2, 3, โ€ฆ , ๐‘› .
Então,
det ๐ถ =
๐‘11
โ‹ฎ
๐‘๐‘›1
๐‘12
โ‹ฎ
๐‘๐‘›2
โ‹ฏ ๐‘1๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ =
โ‹ฏ ๐‘๐‘›๐‘›
๐‘Ž1๐‘˜ 1 . ๐‘๐‘˜ 1 1
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›๐‘˜ 1 . ๐‘๐‘˜ 1 1
๐‘Ž1๐‘˜ 2 . ๐‘๐‘˜ 2 2
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›๐‘˜ 2 . ๐‘๐‘˜ 2 2
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
๐‘Ž1๐‘˜ ๐‘› . ๐‘๐‘˜ ๐‘› ๐‘›
โ‹ฎ
=
๐‘Ž๐‘›๐‘˜ ๐‘› . ๐‘๐‘˜ ๐‘› ๐‘›
Utilizando a propriedade I, que trata da linearidade da função determinante em
cada uma das linhas de uma matriz, a propriedade VII, que garante a linearidade
também nas colunas e, por sabermos que ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด๐‘ก , temos
det ๐ถ =
.
๐‘˜1
. โ‹ฏ.
๐‘˜2
๐‘˜๐‘›
๐‘Ž1๐‘˜ 1 . ๐‘๐‘˜ 1 1
โ‹ฎ
.
๐‘Ž1๐‘˜ ๐‘› . ๐‘๐‘˜ ๐‘› ๐‘›
๐‘Ž1๐‘˜ 2 . ๐‘๐‘˜ 2 2
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›๐‘˜ 2 . ๐‘๐‘˜ 2 2
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘˜ ๐‘› . ๐‘๐‘˜ ๐‘› ๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘˜ ๐‘› . ๐‘๐‘˜ ๐‘› ๐‘›
Utilizando novamente a linearidade nas ๐‘› colunas (Propriedade I e Propriedade VII),
temos:
det ๐ถ =
๐‘˜ 1 ,๐‘˜ 2 ,โ‹ฏ,๐‘˜ ๐‘›
๐‘Ž1๐‘˜ 1
๐‘๐‘˜ 1 1 . ๐‘๐‘˜ 2 2 . โ‹ฏ . ๐‘๐‘˜ ๐‘› ๐‘› . โ‹ฎ
๐‘Ž1๐‘˜ ๐‘›
๐‘Ž1๐‘˜ 2
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›๐‘˜ 2
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘˜ ๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘˜ ๐‘›
Eliminemos as parcelas em que ๐‘˜๐‘– = ๐‘˜๐‘— quando ๐‘– โ‰  ๐‘—, pois, caso contrário, teremos
๐‘Ž1๐‘˜ 1
โ‹ฎ
๐‘Ž1๐‘˜ ๐‘›
๐‘Ž1๐‘˜ 2
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›๐‘˜ 2
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘˜ ๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ = 0.
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘˜ ๐‘›
det ๐ถ =
๐‘˜ 1 ,๐‘˜ 2 ,โ‹ฏ,๐‘˜ ๐‘›
๐‘˜ ๐‘– โ‰ ๐‘˜ ๐‘—
๐‘Ž1๐‘˜ 1
๐‘๐‘˜ 1 1 . ๐‘๐‘˜ 2 2 . โ‹ฏ . ๐‘๐‘˜ ๐‘› ๐‘› . โ‹ฎ
๐‘Ž1๐‘˜ ๐‘›
๐‘Ž1๐‘˜ 1
โ‹ฎ
Com a eliminação das colunas iguais, a matriz
๐‘Ž1๐‘˜ ๐‘›
๐‘Ž1๐‘˜ 2
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›๐‘˜ 2
๐‘Ž1๐‘˜ 2
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›๐‘˜ 2
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘˜ ๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘˜ ๐‘›
โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘˜ ๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ
tem as mesmas
โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘˜ ๐‘›
colunas da matriz ๐ด, porém permutadas através de um determinado ๐‘“. Assim, a matriz
๐‘Ž1๐‘˜ 1 ๐‘Ž1๐‘˜ 2 โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘˜ ๐‘›
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฑ
โ‹ฎ
tem determinante igual ao produto de ๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ por ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด , o
๐‘Ž1๐‘˜ ๐‘› ๐‘Ž๐‘›๐‘˜ 2 โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘˜ ๐‘›
que implica que
det ๐ถ =
๐‘“
๐‘๐‘˜ 1 1 . ๐‘๐‘˜ 2 2 . โ‹ฏ . ๐‘๐‘˜ ๐‘› ๐‘› . ๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ถ = ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด .
๐‘“
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘๐‘˜ 1 1 . ๐‘๐‘˜ 2 2 . โ‹ฏ . ๐‘๐‘˜ ๐‘› ๐‘›
Como uma permutação e sua inversa tem mesmo sinal, então
๐‘“
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘๐‘˜ 1 1 . ๐‘๐‘˜ 2 2 . โ‹ฏ . ๐‘๐‘˜ ๐‘› ๐‘› =
que ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ถ = ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด .
๐‘“
๐‘“
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘1๐‘˜ 1 . ๐‘2๐‘˜ 2 . โ‹ฏ . ๐‘๐‘›๐‘˜ ๐‘› , o que implica
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘1๐‘˜ 1 . ๐‘2๐‘˜ 2 . โ‹ฏ . ๐‘๐‘›๐‘˜ ๐‘› = ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด . ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ต .
53
IX)
โŸน Se ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
๐‘›
é uma matriz real invertível, então existe ๐ดโˆ’1 real tal que
๐ดโˆ’1 . ๐ด = ๐ด. ๐ดโˆ’1 = ๐ผ๐‘› .
Fazendo
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ดโˆ’1 . ๐ด = ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด. ๐ดโˆ’1 = ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ผ๐‘› ,
pela
propriedade VIII, temos ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด. ๐ดโˆ’1 = ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด . ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ดโˆ’1 = ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ดโˆ’1 . ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด =
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด. ๐ดโˆ’1 . Por essas duas igualdades, temos que ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด . ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ดโˆ’1 =
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ดโˆ’1 . ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ผ๐‘› mas, pela propriedade III, temos que ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ผ๐‘› = 1.
Portanto, ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด . ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ดโˆ’1 = ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ดโˆ’1 . ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = 1 o que nos mostra que
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด โ‰  0.
โŸธ Se ๐ด é uma matriz quadrada de ordem ๐‘› tal que ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด โ‰  0, então todas as
linhas de ๐ด são não nulas. Pelo teorema 2.7, toda matriz é equivalente a uma
matriz na forma escalonada, portanto, existe uma matriz ๐ต equivalente por linhas a
matriz ๐ด com todas as linhas não nulas. Logo, ๐ต = ๐ผ๐‘› e, pelo teorema 2.9 temos
que ๐ด é invertível.
X)
๐ด1
๐ด2
โ‹ฎ
๐ด๐‘–
โ‹ฎ
Suponhamos que ๐ด = ๐ด
๐‘—
โ‹ฎ
๐ด๐‘˜
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
e que ๐ด๐‘– = ๐›ผ. ๐ด๐‘— + ๐›ฝ. ๐ด๐‘˜ , com ๐›ผ, ๐›ฝ โˆˆ โ„. Então,
๐ด1
๐ด1
๐ด2
๐ด2
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐›ผ. ๐ด๐‘— + ๐›ฝ. ๐ด๐‘˜
๐›ผ. ๐ด๐‘— + ๐›ฝ. ๐ด๐‘˜
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐ด=
e
๐‘‘๐‘’๐‘ก
๐ด
=
, mas pela propriedade I, temos
๐ด๐‘—
๐ด๐‘—
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐ด๐‘˜
๐ด๐‘˜
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
๐ด๐‘›
54
๐ด1
๐ด2
โ‹ฎ
๐›ผ. ๐ด๐‘— + ๐›ฝ. ๐ด๐‘˜
โ‹ฎ
que ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด =
= ๐›ผ.
๐ด๐‘—
โ‹ฎ
๐ด๐‘˜
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
๐ด1
๐ด2
โ‹ฎ
๐ด๐‘—
โ‹ฎ
๐ด๐‘— + ๐›ฝ.
โ‹ฎ
๐ด๐‘˜
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
๐ด1
๐ด2
โ‹ฎ
๐ด๐‘˜
โ‹ฎ
๐ด๐‘— e, pela propriedade V, temos que
โ‹ฎ
๐ด๐‘˜
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = 0.
XI)
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โ‹ฎ
Seja ๐ด = ๐ด๐‘– . Suponhamos que uma matriz ๐ต é obtida através da soma da
โ‹ฎ
๐ด๐‘—
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
๐‘– โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘Ž linha da matriz ๐ด com um múltiplo da ๐‘— โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘Ž linha da matriz ๐ด,
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โ‹ฎ
๐ด
+
permanecendo as demais linhas inalteradas. Então, ๐ต = ๐‘– ๐‘˜. ๐ด๐‘— . Assim, temos
โ‹ฎ
๐ด๐‘—
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
๐ด1
๐ด1
๐ด2
๐ด2
๐ด3
๐ด3
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐ด
+
๐‘˜.
๐ด
๐ด
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ต = ๐‘–
๐‘— e, pela propriedade I, ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ต =
๐‘– + ๐‘˜.
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐ด๐‘—
๐ด๐‘—
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
๐ด๐‘›
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โ‹ฎ
pela propriedade V, ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ต = ๐ด๐‘– + ๐‘˜. 0 =
โ‹ฎ
๐ด๐‘—
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โ‹ฎ
๐ด๐‘– = ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด .
โ‹ฎ
๐ด๐‘—
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โ‹ฎ
๐ด๐‘— . Temos ainda,
โ‹ฎ
๐ด๐‘—
โ‹ฎ
๐ด๐‘›
55
3.1.1 Alguns comentários
A propriedade VII é de extrema importância aos determinantes, pois ela permite-nos
assumir todas as outras propriedades vistas até o momento com linhas de matrizes para as
colunas das matrizes.
A Propriedade IX tem fundamental importância no estudo dos determinantes. Ela
estabelece um critério de invertibilidade de uma matriz, ou seja, para sabermos se uma matriz
é invertível, basta verificarmos se o seu determinante é diferente de zero. Além disso, essa
propriedade permite-nos, juntamente com outros conceitos, determinar a inversa de uma
matriz, caso ela exista, como veremos mais adiante.
Em
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด =
geral,
๐‘“
o
cálculo
de
determinantes
através
da
função
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘Ž1๐‘“(1) . ๐‘Ž2๐‘“(2) . ๐‘Ž3๐‘“(3) . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘“ (๐‘›) é um tanto quanto trabalhoso, uma vez
que para ๐‘› โ‰ฅ 4, o cálculo do determinante por essa maneira torna-se inviável, pois um
conjunto com 4 elementos, já possui 4! = 24 possíveis bijeções e portanto uma soma com 24
parcelas no determinante. Com 5 elementos, já seriam possíveis 5! = 120 bijeções e portanto
uma soma com 120 parcelas no determinante. Para isso existem outras técnicas para o cálculo
dos determinantes, que abordaremos a seguir:
3.2
MÉTODOS PARA O CÁLCULO DE DETERMINANTES
3.2.1 Regra de Sarrus para o cálculo do determinante de uma matriz de ordem 3
Exemplo:
โˆ’1 2 4
Seja ๐ด = โˆ’2 3 1 uma matriz de ordem 3.
3 โˆ’2 5
A regra de Sarrus consiste em acrescentar, geralmente à direita do determinante, as duas
primeiras colunas da matriz, obtendo a seguinte configuração:
โˆ’1 2 4 โˆ’1 2
โˆ’2 3 1 โˆ’2 3
3 โˆ’2 5 3 โˆ’2
Às diagonais traçadas em vermelho denominaremos diagonais principais e as
diagonais traçadas em verde são as diagonais secundárias.
56
O determinante da matriz é a soma dos produtos dos elementos das diagonais
principais com os simétricos dos produtos dos elementos das diagonais secundárias:
det ๐ด = โˆ’1.3.5 + 2.1.3 + 4. โˆ’2 . โˆ’2 โˆ’ 4.3.3 โˆ’ โˆ’1 . 1. โˆ’2 โˆ’ 2. โˆ’2 . 5
det ๐ด = โˆ’15 + 6 + 16 โˆ’ 36 โˆ’ 2 + 20
det ๐ด = โˆ’11
Notemos que a regra de Sarrus nada mais é do que a aplicação implícita da função
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด =
๐‘“
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘Ž1๐‘“(1) . ๐‘Ž2๐‘“(2) . ๐‘Ž3๐‘“(3) . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘“ (๐‘›) .
3.2.2 Regra de Laplace para o cálculo do determinante
A regra de Laplace é amplamente utilizada para o cálculo de determinantes de
matrizes de ordem ๐‘›, com ๐‘› โ‰ฅ 4, pois através dessa regra, de forma recorrente, diminuímos a
ordem dos determinantes a serem calculados a cada interação.
3.2.2.1 Menor complementar
Seja ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
๐‘›
uma matriz. Considerando um elemento ๐‘Ž๐‘–๐‘— da matriz ๐ด,
denominamos o menor complementar do elemento ๐‘Ž๐‘–๐‘— e representamos por ๐ท๐‘–๐‘— , como sendo o
determinante que obtemos ao suprimir na matriz ๐ด a ๐‘– โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘Ž linha e a ๐‘— โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘Ž coluna.
Exemplo:
๐‘Ž11
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘•1
๐ด = ๐‘Ž๐‘–1
๐‘Ž๐‘— 1
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›1
๐‘Ž11
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘•1
๐ท๐‘–๐‘— = ๐‘Ž
๐‘—1
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›1
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
๐‘Ž1๐‘– ๐‘Ž1๐‘—
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘•๐‘– ๐‘Ž๐‘•๐‘—
๐‘Ž๐‘–๐‘– ๐‘Ž๐‘–๐‘—
๐‘Ž๐‘—๐‘– ๐‘Ž๐‘—๐‘—
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›๐‘– ๐‘Ž๐‘›๐‘—
๐‘Ž1๐‘– ๐‘Ž1๐‘˜
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘•๐‘– ๐‘Ž๐‘•๐‘˜
๐‘Ž๐‘—๐‘– ๐‘Ž๐‘—๐‘˜
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›๐‘– ๐‘Ž๐‘›๐‘˜
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
๐‘Ž1๐‘˜
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘•๐‘˜
๐‘Ž๐‘–๐‘˜
๐‘Ž๐‘—๐‘˜
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›๐‘˜
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘•๐‘›
๐‘Ž๐‘–๐‘› . Considerando o elemento ๐‘Ž๐‘–๐‘— , temos que
๐‘Ž๐‘—๐‘›
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›๐‘›
๐‘Ž1๐‘›
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘•๐‘›
๐‘Ž๐‘—๐‘› é o seu menor complementar.
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›๐‘›
57
3.2.2.2 Complementar algébrico do elemento ๐‘Ž๐‘–๐‘— ou cofator de ๐‘Ž๐‘–๐‘—
O complementar algébrico ou cofator do elemento ๐‘Ž๐‘–๐‘— será representado por ๐ด๐‘–๐‘— e, por
definição, ๐ด๐‘–๐‘— = โˆ’1
๐‘–+๐‘—
. ๐ท๐‘–๐‘— .
O determinante de uma matriz ๐ด, pela regra de Laplace é - considerando uma linha
qualquer (ou coluna), por exemplo a ๐‘– โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘Ž - a soma do produto de cada elemento da
linha (ou coluna) pelo seu respectivo cofator, ou seja:
๐‘›
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = ๐‘Ž๐‘–1 . ๐ด๐‘–1 + ๐‘Ž๐‘–2 . ๐ด๐‘–2 + โ‹ฏ + ๐‘Ž๐‘–๐‘› . ๐ด๐‘–๐‘› =
๐‘Ž๐‘–๐‘˜ . ๐ด๐‘–๐‘˜
๐‘˜=1
โˆ’1
Exemplo: Seja ๐ด = โˆ’2
3
2 4
3 1 uma matriz de ordem 3. O determinante de ๐ด,
โˆ’2 5
segundo a regra de Laplace é dado por:
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = โˆ’1. โˆ’1
1+1
.
3 1
+ 2. โˆ’1
โˆ’2 5
1+2
.
โˆ’2 1
+ 4. โˆ’1
3 5
1+3
.
โˆ’2 3
3 โˆ’2
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = โˆ’1. โˆ’1 2 . 15 + 2 + 2. โˆ’1 3 . โˆ’10 โˆ’ 3 + 4. โˆ’1 4 . (4 โˆ’ 9)
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = โˆ’1.1.17 + 2. (โˆ’1). โˆ’13 + 4.1. (โˆ’5)
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = โˆ’17 + 26 โˆ’ 20
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = โˆ’11
Notemos que, para a realização do cálculo, foi escolhida a 1ª linha da matriz ๐ด, porém,
poderíamos ter escolhido qualquer uma das outras linhas para o calculo do determinante e, de
acordo com a propriedade VII, poderíamos também ter utilizado qualquer uma das colunas
em vez das linhas.
A regra de Laplace também é uma aplicação implícita da função ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด =
๐‘“
๐‘ ๐‘›๐‘” ๐‘“ . ๐‘Ž1๐‘“(1) . ๐‘Ž2๐‘“(2) . ๐‘Ž3๐‘“(3) . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘“ (๐‘›) .
3.2.3 O método da eliminação de Gauss
O método da eliminação de Gauss fundamenta-se no teorema a seguir:
Teorema 3.1: Se ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
๐‘›
uma matriz triangular inferior (respectivamente superior), então
temos ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = ๐‘Ž11 . ๐‘Ž22 . ๐‘Ž33 . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘› , ou seja, o determinante de uma matriz triangular é o
produto dos elementos da sua diagonal principal.
58
Demonstração: Demonstraremos esse fato utilizando indução sobre ๐‘› em uma matriz
triangular inferior, lembrando que para as matrizes triangulares superiores a demonstração é
análoga.
Verifiquemos para ๐‘› = 2:
Seja ๐ด =
๐‘Ž11
๐‘Ž21
0
. Por definição, ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = ๐‘Ž11 . ๐‘Ž22 โˆ’ ๐‘Ž12 . ๐‘Ž21 , porém, em uma
๐‘Ž22
matriz triangular inferior, temos ๐‘Ž๐‘–๐‘— = 0, sempre que ๐‘– < ๐‘—, assim, temos ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด =
๐‘Ž11 . ๐‘Ž22 โˆ’ 0. ๐‘Ž21 , o que implica que ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = ๐‘Ž11 . ๐‘Ž22 que é o produto dos elementos da
diagonal principal. Portanto, para ๐‘› = 2 a afirmação é verdadeira.
Por hipótese de indução, seja ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
(๐‘›โˆ’1)
uma matriz triangular inferior tal que
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = 0.
Calculemos o determinante de uma matriz ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
๐‘›
, triangular inferior:
Utilizando a regra de Laplace aplicada à 1ª linha da matriz ๐ด, temos:
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด =
๐‘›
๐‘˜=1 ๐‘Ž1๐‘˜ . ๐ด1๐‘˜
= ๐‘Ž11 . ๐ด11 + ๐‘Ž12 . ๐ด12 + โ‹ฏ + ๐‘Ž1๐‘› . ๐ด1๐‘› , mas como ๐‘Ž๐‘–๐‘— = 0,
sempre que ๐‘– < ๐‘—, então ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = ๐‘Ž11 . ๐ด11 + 0. ๐ด12 + 0. ๐ด13 + โ‹ฏ + 0. ๐ด1๐‘› = ๐‘Ž11 . ๐ด11 temos
ainda que ๐ด11 = โˆ’1
1+1
. ๐ท11 = โˆ’1 2 . ๐ท11 = ๐ท11 , o que faz com que ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = ๐‘Ž11 . ๐ท11 .
Mas ๐ท11 é o determinante da matriz obtida ao suprimirmos a 1ª linha e a 1ª coluna da matriz
๐ด, portanto uma matriz quadrada de ordem ๐‘› โˆ’ 1, cuja diagonal principal são os elementos
๐‘Ž22 , ๐‘Ž33 , ๐‘Ž44 , โ‹ฏ , ๐‘Ž๐‘›๐‘› e, por hipótese de indução, ๐ท11 = ๐‘Ž22 . ๐‘Ž33 . ๐‘Ž44 . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘› . Assim,
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = ๐‘Ž11 . ๐ท11 = ๐‘Ž11 . ๐‘Ž22 . ๐‘Ž33 . ๐‘Ž44 . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘› = ๐‘Ž11 . ๐‘Ž22 . ๐‘Ž33 . ๐‘Ž44 . โ‹ฏ . ๐‘Ž๐‘›๐‘› que é o produto
dos elementos da diagonal principal da matriz ๐ด, como queríamos demonstrar.
Dada uma matriz ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
๐‘›
, o método da eliminação de Gauss consiste em aplicar as
propriedades dos determinantes com a finalidade de se obter uma matriz ๐ต = ๐‘๐‘–๐‘—
๐‘›
que seja
triangular, pois como vimos, calcular o determinante de uma matriz triangular é tarefa
bastante simples.
Vejamos um exemplo da aplicação do método da eliminação de Gauss no cálculo do
โˆ’1 2 4
determinante da matriz ๐ด = โˆ’2 3 1 :
3 โˆ’2 5
โˆ’1 2 4
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = โˆ’2 3 1
3 โˆ’2 5
โˆ’1 2
3
= โˆ’ 2. 1 โˆ’ 2
(๐‘ƒ๐‘Ÿ๐‘œ๐‘ . ๐ผ)
3 โˆ’2
Façamos ๐ฟ2 โ†’ ๐ฟ1 + ๐ฟ2 e ๐ฟ3 โ†’ ๐ฟ1 + ๐ฟ3 .
โˆ’1 2
3
= โˆ’ 2.3. 1 โˆ’ 2
2
1 โˆ’3
5 (๐‘ƒ๐‘Ÿ๐‘œ๐‘ . ๐ผ)
4
1
โˆ’2
4
1
โˆ’2
=
5
(๐‘ƒ๐‘Ÿ๐‘œ๐‘ . ๐‘‹๐ผ)
3
59
โˆ’1 2
1
0
=
โˆ’ 6.
2
4
(๐‘ƒ๐‘Ÿ๐‘œ๐‘ . ๐‘‹๐ผ)
1 3
4
7
=
2
17 (๐‘ƒ๐‘Ÿ๐‘œ๐‘ . ๐ผ)
3
1
4
โˆ’ 6. 2 . โˆ’ 3
โˆ’1 2
4
1
7
. 0
17
0 โˆ’1 โˆ’ 4
=
(๐‘ƒ๐‘Ÿ๐‘œ๐‘ . ๐‘‹๐ผ)
Façamos ๐ฟ3 โ†’ ๐ฟ2 + ๐ฟ3 .
โˆ’1 2
=
4. 0 1
0 0
(๐‘ƒ๐‘Ÿ๐‘œ๐‘ . ๐‘‹๐ผ)
3.3
4
7 = 4. โˆ’1 . 1. 11 = โˆ’11
11
4
4
Determinantes e matriz inversa
Uma das notáveis aplicações para os determinantes é a determinação da inversa de
uma matriz.
Vimos anteriormente que uma condição necessária e suficiente para que uma matriz
๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
๐‘›
possua inversa é o fato de ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด โ‰  0. Veremos agora como determinar a inversa
de uma matriz a partir do seu determinante.
Dada uma matriz ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
๐‘›
, representaremos por ๐ดโ€ฒ a matriz dos cofatores de ๐ด.
๐‘Ž11 ๐‘Ž12 โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘›
๐ด11 ๐ด12 โ‹ฏ ๐ด1๐‘›
๐‘Ž21 ๐‘Ž22 โ‹ฏ ๐‘Ž2๐‘›
๐ด21 ๐ด22 โ‹ฏ ๐ด2๐‘›
Assim, se ๐ด = โ‹ฎ
.
โ‹ฎ
โ‹ฎ , então ๐ดโ€ฒ = โ‹ฎ
โ‹ฑ
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›1 ๐‘Ž๐‘›2 โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘›
๐ด๐‘›1 ๐ด๐‘›2 โ‹ฏ ๐ด๐‘›๐‘›
À
matriz
๐ด = ๐ดโ€ฒ
๐‘ก
๐ต11 ๐ต12 โ‹ฏ ๐ต1๐‘›
๐ต21 ๐ต22 โ‹ฏ ๐ต2๐‘›
=
,
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐ต๐‘›1 ๐ต๐‘›2 โ‹ฏ ๐ต๐‘›๐‘›
com
๐ต๐‘–๐‘— = ๐ด๐‘—๐‘– , ๐‘–, ๐‘— โˆˆ 1, 2, โ€ฆ , ๐‘› ,
denominamos matriz adjunta de ๐ด.
Teorema 3.2: Se ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
๐‘›
é uma matriz e ๐ผ๐‘› a matriz identidade de ordem ๐‘›, então
๐ด. ๐ด = ๐ด. ๐ด = ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด . ๐ผ๐‘›
Demonstração:
seja
๐‘Ž11 ๐‘Ž12 โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘›
๐‘Ž21 ๐‘Ž22 โ‹ฏ ๐‘Ž2๐‘›
๐ด= โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฎ ,
โ‹ฑ
๐‘Ž๐‘›1 ๐‘Ž๐‘›2 โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘›
๐ต11 ๐ต12 โ‹ฏ ๐ต1๐‘›
๐ต
๐ต22 โ‹ฏ ๐ต2๐‘›
๐ด = 21
. Fazendo o produto ๐ด. ๐ด, temos:
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐ต๐‘›1 ๐ต๐‘›2 โ‹ฏ ๐ต๐‘›๐‘›
cuja
matriz
adjunta
é
60
๐‘Ž11 ๐‘Ž12 โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘›
๐‘11 ๐‘12 โ‹ฏ ๐‘1๐‘›
๐ต11 ๐ต12 โ‹ฏ ๐ต1๐‘›
๐‘Ž21 ๐‘Ž22 โ‹ฏ ๐‘Ž2๐‘›
๐‘
๐ต21 ๐ต22 โ‹ฏ ๐ต2๐‘›
21 ๐‘22 โ‹ฏ ๐‘2๐‘›
๐ด. ๐ด = โ‹ฎ
.
=
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฎ ,
โ‹ฑ
โ‹ฑ
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›1 ๐‘Ž๐‘›2 โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘›
๐‘๐‘›1 ๐‘๐‘›2 โ‹ฏ ๐‘๐‘›๐‘›
๐ต๐‘›1 ๐ต๐‘›2 โ‹ฏ ๐ต๐‘›๐‘›
onde,
๐‘›
pela definição do produto de matrizes, ๐‘๐‘–๐‘— =
๐‘˜=1
๐‘Ž๐‘–๐‘˜ . ๐ต๐‘˜๐‘— , mas como vimos, ๐ต๐‘–๐‘— = ๐ด๐‘—๐‘– ,
๐‘›
então, ๐‘๐‘–๐‘— =
๐‘˜=1
๐‘Ž๐‘–๐‘˜ . ๐ด๐‘—๐‘˜ . Consideremos os dois casos a seguir:
1º) ๐‘– = ๐‘— implica que ๐‘๐‘–๐‘– =
๐‘›
๐‘˜=1 ๐‘Ž๐‘–๐‘˜ . ๐ด๐‘–๐‘˜
= ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด
๐‘›
2º) ๐‘– โ‰  ๐‘— implica que ๐‘๐‘–๐‘— =
๐‘˜=1
๐‘Ž๐‘–๐‘˜ . ๐ด๐‘—๐‘˜ . Analisemos essa situação.
๐‘Ž11 ๐‘Ž12 โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘›
๐‘Ž21 ๐‘Ž22 โ‹ฏ ๐‘Ž2๐‘›
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฑ
๐‘Ž
๐‘Ž
๐‘Ž
๐‘–2 โ‹ฏ
๐‘–๐‘›
Considerando ๐ด = ๐‘–1
, da qual obtemos uma matriz
๐‘Ž๐‘— 1 ๐‘Ž๐‘— 2 โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘—๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐‘Ž๐‘›1 ๐‘Ž๐‘›2 โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘›
๐‘Ž11 ๐‘Ž12 โ‹ฏ ๐‘Ž1๐‘›
๐‘Ž21 ๐‘Ž22 โ‹ฏ ๐‘Ž2๐‘›
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฑ
โ€ฒ
๐‘Ž
๐‘Ž
๐‘Ž
โ‹ฏ
๐ด = ๐‘–1
pela substituição da ๐‘— โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘Ž pela ๐‘– โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘Ž linha.
๐‘–2
๐‘–๐‘›
๐‘Ž๐‘–1 ๐‘Ž๐‘–2 โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘–๐‘› โ†’ j-ésima linha
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฑ
๐‘Ž๐‘›1 ๐‘Ž๐‘›2 โ‹ฏ ๐‘Ž๐‘›๐‘›
Pela propriedade V, temos que ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ดโ€ฒ = 0, pois ๐ดโ€ฒ possui duas linhas iguais. E, pela
definição de determinante, aplicada à ๐‘— โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘Ž linha, temos ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ดโ€ฒ = ๐‘Ž๐‘–1 . ๐ด๐‘— 1 + ๐‘Ž๐‘–2 . ๐ด๐‘— 2 +
๐‘›
โ‹ฏ + ๐‘Ž๐‘–๐‘› . ๐ด๐‘—๐‘› =
๐‘˜=1
๐‘›
๐‘Ž๐‘–๐‘˜ . ๐ด๐‘—๐‘˜ , o que implica que ๐‘๐‘–๐‘— =
๐‘˜=1
๐‘Ž๐‘–๐‘˜ . ๐ด๐‘—๐‘˜ = 0, quando ๐‘– โ‰  ๐‘—.
Assim,
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด
0
๐ด. ๐ด =
โ‹ฎ
0
0
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด
โ‹ฎ
0
โ‹ฏ
0
โ‹ฏ
0
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด
1 0 โ‹ฏ 0
0 1 โ‹ฏ 0
= ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด .
= ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด . ๐ผ๐‘›
โ‹ฎ โ‹ฎ โ‹ฑ โ‹ฎ
0 0 โ‹ฏ 1
De maneira análoga se demonstra que ๐ด. ๐ด = ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด . ๐ผ๐‘› .
1
Teorema 3.3: Se ๐ด é uma matriz invertível, então ๐ดโˆ’1 = ๐‘‘๐‘’๐‘ก
๐ด
. ๐ด.
Demonstração: Se ๐ด é uma matriz invertível, então ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด โ‰  0. Do teorema 3.2, temos que
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด . ๐ผ๐‘› = ๐ด. ๐ด, multiplicando à direita ambos os membros da igualdade por ๐ดโˆ’1 , temos:
๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด . ๐ผ๐‘› . ๐ดโˆ’1 = ๐ด. ๐ด . ๐ดโˆ’1 . Aplicando a propriedade associativa do produto de matrizes,
61
temos ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด . ๐ผ๐‘› . ๐ดโˆ’1 = ๐ด. ๐ด. ๐ดโˆ’1
o que implica que ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด . ๐ดโˆ’1 = ๐ด. ๐ผ๐‘› . Dividindo
1
ambos os membros da igualdade por ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด , temos ๐ดโˆ’1 = ๐‘‘๐‘’๐‘ก
๐ด
. ๐ด.
โˆ’1 2 4
Exemplo: Sendo ๐ด = โˆ’2 3 1 , determinemos a inversa ๐ดโˆ’1 da matriz ๐ด:
3 โˆ’2 5
Temos que ๐‘‘๐‘’๐‘ก ๐ด = โˆ’11, o que, pela propriedade IX garante sua invertibilidade.
Determinemos a matriz dos cofatores de ๐ด:
๐ด11
๐ดโ€ฒ = ๐ด21
๐ด31
๐ด12
๐ด22
๐ด32
3 1
= โˆ’1 2 . 3.5 โˆ’ 1. โˆ’2 = 1. 15 + 2 = 17
โˆ’2 5
โˆ’2 1
โˆ’1 1+2 .
= โˆ’1 3 . โˆ’2.5 โˆ’ 1.3 = โˆ’1. โˆ’10 โˆ’ 3 = 13
3 5
โˆ’2 3
โˆ’1 1+3 .
= โˆ’1 4 . โˆ’2. (โˆ’2) โˆ’ 3.3 = 1. 4 โˆ’ 9 = โˆ’5
3 โˆ’2
2 4
โˆ’1 2+1 .
= โˆ’1 3 . 2.5 โˆ’ 4. โˆ’2 = โˆ’1. 10 + 8 = โˆ’18
โˆ’2 5
โˆ’1 4
โˆ’1 2+2 .
= โˆ’1 4 . โˆ’1.5 โˆ’ 4.3 = 1. โˆ’5 โˆ’ 12 = โˆ’17
3 5
โˆ’1 2
โˆ’1 2+3 .
= โˆ’1 5 . โˆ’1. (โˆ’2) โˆ’ 2.3 = โˆ’1. 2 โˆ’ 6 = 4
3 โˆ’2
2 4
โˆ’1 3+1 .
= โˆ’1 4 . 2.1 โˆ’ 4.3 = 1. 2 โˆ’ 12 = โˆ’10
3 1
โˆ’1 4
โˆ’1 3+2 .
= โˆ’1 5 . โˆ’1.1 โˆ’ 4. โˆ’2 = โˆ’1. โˆ’1 + 8 = โˆ’7
โˆ’2 1
โˆ’1 2
โˆ’1 3+3 .
= โˆ’1 6 . โˆ’1.3 โˆ’ 2. โˆ’2 = 1. โˆ’3 + 4 = 1
โˆ’2 3
17 โˆ’18 โˆ’10
17
13 โˆ’5
๐ดโ€ฒ = โˆ’18 โˆ’17 4 , e a matriz adjunta de ๐ด é ๐ด = 13 โˆ’17 โˆ’7 .
โˆ’5
4
1
โˆ’10 โˆ’7
1
๐ด11 = โˆ’1
๐ด12 =
๐ด13 =
๐ด21 =
๐ด22 =
๐ด23 =
๐ด31 =
๐ด32 =
๐ด33 =
Assim,
๐ด13
๐ด23 , onde:
๐ด33
1+1
.
1
Pelo teorema 3.3, ๐ดโˆ’1 = ๐‘‘๐‘’๐‘ก
๐ด
. ๐ด, portanto,
17
11
โˆ’10
13
โˆ’7 = โˆ’
11
1
5
11
โˆ’
๐ดโˆ’1 =
17 โˆ’18
1
. 13 โˆ’17
โˆ’11
โˆ’5
4
18
11
17
11
4
โˆ’
11
10
11
7
11
1
โˆ’
11
62
4
ALGUMAS NOÇÕES SOBRE POLINÔMIOS
Consideremos um conjunto1 ๐ด, não vazio, com as operações de adição e multiplicação
tais que para todo ๐‘Ž, ๐‘, ๐‘ โˆˆ ๐ด, temos ๐‘Ž + ๐‘ โˆˆ ๐ด e ๐‘Ž. ๐‘ โˆˆ ๐ด .
Consideremos que em relação à adição no conjunto ๐ด, temos as seguintes propriedades:
I)
๐‘Ž + ๐‘ + ๐‘ = ๐‘Ž + ๐‘ + ๐‘;
II)
๐‘Ž + ๐‘ = ๐‘ + ๐‘Ž;
III)
โˆƒ๐‘œ โˆˆ ๐ด; ๐‘Ž + ๐‘œ = ๐‘œ + ๐‘Ž = ๐‘Ž, onde ๐‘œ representa o elemento neutro aditivo;
IV)
โˆƒ๐‘Žโ€ฒ โˆˆ ๐ด; ๐‘Ž + ๐‘Žโ€ฒ = ๐‘Žโ€ฒ + ๐‘Ž = ๐‘œ, no caso, representamos ๐‘Žโ€ฒ por โˆ’๐‘Ž
Com relação à multiplicação no conjunto ๐ด, temos as seguintes propriedades:
I)
๐‘Ž. ๐‘. ๐‘ = ๐‘Ž. ๐‘ . ๐‘
II)
๐‘Ž. ๐‘ = ๐‘. ๐‘Ž
III)
โˆƒ1 โˆˆ ๐ด; ๐‘Ž. 1 = 1. ๐‘Ž = ๐‘Ž
IV)
โˆ€๐‘Ž, ๐‘ โˆˆ ๐ด, ๐‘Ž. ๐‘ = ๐‘œ โŸน ๐‘Ž = ๐‘œ ๐‘œ๐‘ข ๐‘ = ๐‘œ
Temos ainda no conjunto ๐ด a distributividade da multiplicação em relação à adição, ou seja,
๐‘Ž. ๐‘ + ๐‘ = ๐‘Ž. ๐‘ + ๐‘Ž. ๐‘.
Consideremos um símbolo ๐‘ฅ โˆ‰ ๐ด ao qual denominaremos de indeterminada sobre ๐ด
considerando ๐‘ฅ 0 = 1 e ๐‘ฅ1 = ๐‘ฅ.
Para todo ๐‘› โˆˆ โ„• โˆช 0 , definimos um polinômio ๐‘(๐‘ฅ) com coeficientes no conjunto ๐ด
como sendo a expressão formal ๐‘ ๐‘ฅ =
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ
= ๐‘Ž0 + ๐‘Ž1 ๐‘ฅ + ๐‘Ž2 ๐‘ฅ 2 + ๐‘Ž3 ๐‘ฅ 3 + โ‹ฏ + ๐‘Ž๐‘› ๐‘ฅ ๐‘› ,
em que para 0 โ‰ค ๐‘˜ โ‰ค ๐‘› os elementos ๐‘Ž๐‘˜ โˆˆ ๐ด são denominados os coeficientes do polinômio
๐‘ ๐‘ฅ .
Denominaremos monômios de grau ๐‘˜ do polinômio ๐‘ ๐‘ฅ às parcelas ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ ๐‘˜ , com
๐‘˜ โ‰  0 e ao coeficiente ๐‘Ž0 de ๐‘ ๐‘ฅ , denominaremos termo constante. Se ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘Ž0 , dizemos
que ๐‘ ๐‘ฅ é um polinômio constante. Se ๐‘ ๐‘ฅ = 0, então ๐‘ ๐‘ฅ é o polinômio nulo.
Em um polinômio ๐‘ ๐‘ฅ , não nulo, existem ๐‘›, ๐‘– โˆˆ โ„• โˆช {0} tal que ๐‘Ž๐‘› โ‰  0
e
๐‘Ž๐‘– = 0 โˆ€๐‘– > ๐‘›. Neste caso, dizemos que ๐‘› é o grau do polinômio ๐‘ ๐‘ฅ e representamos esse
fato por ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘(๐‘ฅ) = ๐‘›. Ao coeficiente ๐‘Ž๐‘› , do termo de maior grau, denominamos coeficiente
líder de ๐‘ ๐‘ฅ . Caso o coeficiente líder de um polinômio ๐‘ ๐‘ฅ seja igual a 1 então dizemos que
1
Conjuntos com as operações de adição e multiplicação que gozam das propriedades do conjunto ๐ด são
classificados como domínios de integridade como veremos mais a frente.
63
๐‘ ๐‘ฅ é um polinômio mônico. Não definimos grau para o polinômio nulo ๐‘œ ๐‘ฅ = 0 + 0๐‘ฅ +
โ‹ฏ + 0๐‘ฅ ๐‘› โˆ’1 + 0๐‘ฅ ๐‘› .
Representaremos por ๐ด ๐‘ฅ o conjunto de todos os polinômios com os coeficientes no
conjunto ๐ด. Assim, โ„ค ๐‘ฅ é o conjunto de todos os polinômios com coeficientes inteiros, assim
como โ„š ๐‘ฅ , โ„ ๐‘ฅ e โ„‚ ๐‘ฅ são, respectivamente, os conjuntos de todos os polinômios com
coeficientes racionais, reais e complexos. Notemos que os conjuntos โ„ค, โ„š, โ„ e โ„‚ gozam das
mesmas propriedades do conjunto ๐ด.
4.1
IGUALDADE DE POLINÔMIOS
Dados dois polinômios ๐‘ ๐‘ฅ =
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ
e๐‘ž ๐‘ฅ =
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ
com coeficientes em
๐ด, dizemos que ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘ž ๐‘ฅ se ๐‘Ž๐‘˜ = ๐‘๐‘˜ , para todo ๐‘˜ โˆˆ 0, 1, 2, โ€ฆ , ๐‘› .
4.2
ADIÇÃO DE POLINÔMIOS
Dados dois polinômios ๐‘ ๐‘ฅ =
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ
e๐‘ž ๐‘ฅ =
๐‘š
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ
com coeficientes em
๐ด, definimos a soma de ๐‘ ๐‘ฅ com ๐‘ž ๐‘ฅ , considerando ๐‘š = ๐‘› ao reescrever ๐‘ ๐‘ฅ e ๐‘ž ๐‘ฅ com
as mesmas potências de ๐‘ฅ, como ๐‘ ๐‘ฅ + ๐‘ž ๐‘ฅ =
๐‘›
๐‘˜=0(๐‘Ž๐‘˜
+ ๐‘๐‘˜ )๐‘ฅ ๐‘˜ = (๐‘Ž0 + ๐‘0 ) + (๐‘Ž1 +
๐‘1 )๐‘ฅ + (๐‘Ž2 + ๐‘2 )๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + (๐‘Ž๐‘› + ๐‘๐‘› )๐‘ฅ ๐‘› .
Exemplo: Dados os polinômios ๐‘ ๐‘ฅ = โˆ’2 + 6๐‘ฅ โˆ’ 5๐‘ฅ 2 + 2๐‘ฅ 4 e ๐‘ž ๐‘ฅ = 8 + 6๐‘ฅ 2 +
5๐‘ฅ 3 โˆ’ 7๐‘ฅ 4 + 3๐‘ฅ 5 em โ„ค ๐‘ฅ , temos:
๐‘ ๐‘ฅ + ๐‘ž ๐‘ฅ = โˆ’2 + 8 + 6 + 0 ๐‘ฅ + โˆ’5 + 6 ๐‘ฅ 2 0 + 5 ๐‘ฅ 3 + 2 โˆ’ 7 ๐‘ฅ 4 + (0 + 3)๐‘ฅ 5
๐‘ ๐‘ฅ + ๐‘ž ๐‘ฅ = 6 + 6๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 + 5๐‘ฅ 3 โˆ’ 5๐‘ฅ 4 + 3๐‘ฅ 5
Uma forma prática para resolver a adição de ๐‘ ๐‘ฅ com ๐‘ž ๐‘ฅ é:
โˆ’2 +6๐‘ฅ โˆ’5๐‘ฅ 2 +0๐‘ฅ 3 +2๐‘ฅ 4 +0๐‘ฅ 5
(+)
+8 +0๐‘ฅ +6๐‘ฅ 2 +5๐‘ฅ 3 โˆ’7๐‘ฅ 4 +3๐‘ฅ 5
+6 +6๐‘ฅ +๐‘ฅ 2
+5๐‘ฅ 3 โˆ’5๐‘ฅ 4 +3๐‘ฅ 5
Portanto, ๐‘ ๐‘ฅ + ๐‘ž ๐‘ฅ = 6 + 6๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 + 5๐‘ฅ 3 โˆ’ 5๐‘ฅ 4 + 3๐‘ฅ 5 .
Propriedades da adição de polinômios
Para quaisquer ๐‘ ๐‘ฅ , ๐‘ž ๐‘ฅ e ๐‘• ๐‘ฅ , pertencentes a ๐ด ๐‘ฅ a adição de polinômios goza
das seguintes propriedades:
64
I) ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ + ๐‘ž ๐‘ฅ
II) ๐‘ ๐‘ฅ + ๐‘ž ๐‘ฅ
โ‰ค ๐‘š๐‘Ž๐‘ฅ ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ , ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ž ๐‘ฅ
+๐‘• ๐‘ฅ =๐‘ ๐‘ฅ + ๐‘ž ๐‘ฅ +๐‘• ๐‘ฅ
(associatividade)
III) ๐‘ ๐‘ฅ + ๐‘ž ๐‘ฅ = ๐‘ž ๐‘ฅ + ๐‘ ๐‘ฅ (comutatividade)
IV) ๐‘ ๐‘ฅ + ๐‘œ(๐‘ฅ) = ๐‘ ๐‘ฅ , onde ๐‘œ(๐‘ฅ) representa o polinômio nulo. (elemento neutro
aditivo)
V) ๐‘ ๐‘ฅ + โˆ’๐‘ ๐‘ฅ
= 0 (existência do polinômio simétrico ou inverso aditivo)
Demonstrações:
Consideremos os polinômios ๐‘ ๐‘ฅ , ๐‘ž ๐‘ฅ e ๐‘• ๐‘ฅ , não nulos, pertencentes a ๐ด ๐‘ฅ , tais
que ๐‘ ๐‘ฅ =
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ ,
๐‘š
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ
๐‘ž ๐‘ฅ =
๐‘Ÿ
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ .
e ๐‘• ๐‘ฅ =
Para as demonstrações a
partir da propriedade II, consideremos, sem perda de generalidade, que ๐‘› = ๐‘š = ๐‘Ÿ (basta
lembrar que um polinômio de grau ๐‘š < ๐‘› pode ser considerado como um polinômio no qual
os coeficientes a partir do ๐‘š โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘œ, exclusive, são todos iguais a zero):
I) 1º. Consideremos ๐‘› > ๐‘š:
Seja ๐‘๐‘› o coeficiente do ๐‘› โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘œ termo da soma de ๐‘ ๐‘ฅ com ๐‘ž ๐‘ฅ . Como a partir
do ๐‘š โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘œ termo (exclusive) de ๐‘ž ๐‘ฅ os coeficientes são todos nulos, pois
๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ž ๐‘ฅ
= ๐‘š, temos ๐‘๐‘› = ๐‘Ž๐‘› + ๐‘๐‘› = ๐‘Ž๐‘› + 0 = ๐‘Ž๐‘› โ‰  0 e, ๐‘๐‘– = ๐‘Ž๐‘– + ๐‘๐‘– = 0 + 0 = 0
โˆ€๐‘– > ๐‘›, pois ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ
๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ + ๐‘ž ๐‘ฅ
= ๐‘›, portanto:
= ๐‘› = ๐‘š๐‘Ž๐‘ฅ ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ , ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ž ๐‘ฅ
.
2º. Consideremos ๐‘› = ๐‘š:
Temos ๐‘๐‘– = ๐‘Ž๐‘– + ๐‘๐‘– = 0 + 0 = 0 โˆ€๐‘– > ๐‘›, pois ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ
= ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ž ๐‘ฅ
= ๐‘›, mas, caso
๐‘๐‘› = โˆ’๐‘Ž๐‘› , então ๐‘๐‘› = ๐‘Ž๐‘› + ๐‘๐‘› = ๐‘Ž๐‘› โˆ’ ๐‘Ž๐‘› = 0, implicando com isso que ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ +
๐‘ž ๐‘ฅ
โ‰ค ๐‘› = ๐‘š๐‘Ž๐‘ฅ ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ , ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ž ๐‘ฅ
.
Portanto, fica demonstrado que ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ , ๐‘ž ๐‘ฅ
โ‰ค ๐‘š๐‘Ž๐‘ฅ ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ , ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ž ๐‘ฅ
sempre
que ๐‘ ๐‘ฅ e ๐‘ž ๐‘ฅ forem polinômios não nulos.
II) Por definição, ๐‘ ๐‘ฅ + ๐‘ž ๐‘ฅ
=
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0(๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ
=
๐‘›
๐‘˜=0[(๐‘Ž๐‘˜
=
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0[๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ
+ (๐‘๐‘˜ + ๐‘๐‘˜ )๐‘ฅ ๐‘˜ ] =
=
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ
+[
๐‘›
๐‘˜=0(๐‘๐‘˜
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ
+ ๐‘Ž๐‘˜ )๐‘ฅ ๐‘˜ =
+
+
๐‘›
๐‘˜=0(๐‘Ž๐‘˜
=
๐‘›
๐‘˜=0[(๐‘Ž๐‘˜
+ ๐‘๐‘˜ )๐‘ฅ ๐‘˜ + ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ ๐‘˜ ] =
III) ๐‘ ๐‘ฅ + ๐‘ž ๐‘ฅ =
=
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ
+ ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ ๐‘˜ ) +
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ
+๐‘• ๐‘ฅ =
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ ]
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0(๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ
=
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ
+ ๐‘๐‘˜ )๐‘ฅ ๐‘˜ +
+ ๐‘๐‘˜ ) + ๐‘๐‘˜ ]๐‘ฅ ๐‘˜ =
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ
+
+
๐‘›
๐‘˜=0(๐‘๐‘˜
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ
๐‘›
๐‘˜=0[๐‘Ž๐‘˜
+ ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ ๐‘˜ ) =
+ ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ ๐‘˜ ) =
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ
=
=
+ (๐‘๐‘˜ + ๐‘๐‘˜ )]๐‘ฅ ๐‘˜ =
+ ๐‘๐‘˜ )๐‘ฅ ๐‘˜ =
=๐‘ ๐‘ฅ + ๐‘ž ๐‘ฅ +๐‘• ๐‘ฅ
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0(๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ
+
+
.
๐‘›
๐‘˜=0(๐‘Ž๐‘˜
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ
+ ๐‘๐‘˜ )๐‘ฅ ๐‘˜ =
=๐‘ž ๐‘ฅ +๐‘ ๐‘ฅ .
65
IV) Como 0 โˆˆ ๐ด, então o polinômio nulo ๐‘œ(๐‘ฅ) โˆˆ ๐ด ๐‘ฅ e podemos representá-lo por
๐‘œ ๐‘ฅ =
=
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 0๐‘ฅ .
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0(๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ
Sendo assim, ๐‘ ๐‘ฅ + ๐‘œ ๐‘ฅ =
+ 0๐‘ฅ ๐‘˜ ) =
๐‘›
๐‘˜=0(๐‘Ž๐‘˜
+ 0) ๐‘ฅ ๐‘˜ =
๐‘›
๐‘˜=0 ๐‘Ž๐‘˜
+
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 0๐‘ฅ
๐‘ฅ๐‘˜ = ๐‘ ๐‘ฅ
,
=
ou
seja,
o
polinômio nulo é o elemento neutro da adição.
V) ๐‘ ๐‘ฅ + ๐‘ž ๐‘ฅ = ๐‘œ ๐‘ฅ โŸบ
โŸบ
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0(๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 0๐‘ฅ
+ ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ ๐‘˜ ) =
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ
+
โŸบ
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 0๐‘ฅ
=
๐‘›
๐‘˜=0(๐‘Ž๐‘˜
โŸบ
+ ๐‘๐‘˜ )๐‘ฅ ๐‘˜ =
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 0๐‘ฅ
โŸบ
โŸบ ๐‘Ž๐‘˜ + ๐‘๐‘˜ = 0 โŸบ ๐‘๐‘˜ = โˆ’๐‘Ž๐‘˜
Assim, ๐‘ž ๐‘ฅ =
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ
=
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0(โˆ’๐‘Ž๐‘˜ )๐‘ฅ
=โˆ’
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ
= โˆ’๐‘ ๐‘ฅ
é o polinômio
simétrico (ou o inverso aditivo) de ๐‘ ๐‘ฅ .
4.3
MULTIPLICAÇÃO DE POLINÔMIOS
Dados dois polinômios ๐‘ ๐‘ฅ e ๐‘ž ๐‘ฅ , pertencentes a ๐ด ๐‘ฅ , tais que ๐‘ ๐‘ฅ =
e๐‘ž ๐‘ฅ =
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ ,
๐‘• ๐‘ฅ โˆˆ๐ด ๐‘ฅ ;๐‘• ๐‘ฅ =
๐‘š
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ
definimos a multiplicação de ๐‘ ๐‘ฅ por ๐‘ž ๐‘ฅ como sendo o polinômio
๐‘š +๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ ,
onde ๐‘๐‘˜ =
๐‘˜
๐‘–=0 ๐‘Ž๐‘– ๐‘๐‘˜โˆ’๐‘– ,
ou seja, multiplicar ๐‘ ๐‘ฅ por ๐‘ž ๐‘ฅ
consiste em multiplicar cada monômio ๐‘Ž๐‘– ๐‘ฅ ๐‘– de ๐‘ ๐‘ฅ , ๐‘– โˆˆ 0, 1, 2, โ€ฆ , ๐‘š , por cada termo ๐‘๐‘— ๐‘ฅ ๐‘—
de ๐‘ž ๐‘ฅ , ๐‘— โˆˆ 0, 1, 2, โ€ฆ , ๐‘› , obtendo ๐‘Ž๐‘– ๐‘ฅ ๐‘– . ๐‘๐‘— ๐‘ฅ ๐‘— = ๐‘Ž๐‘– ๐‘๐‘— ๐‘ฅ ๐‘–+๐‘— e somando os resultados ao final.
Exemplo: Dados os polinômios ๐‘ ๐‘ฅ = โˆ’2 + 6๐‘ฅ โˆ’ 5๐‘ฅ 2 + 2๐‘ฅ 4 e ๐‘ž ๐‘ฅ = 8 + 6๐‘ฅ 2 +
5๐‘ฅ 3 โˆ’ 7๐‘ฅ 4 + 3๐‘ฅ 5 em โ„ค ๐‘ฅ , obter o produto ๐‘• ๐‘ฅ = ๐‘ ๐‘ฅ . ๐‘ž ๐‘ฅ .
Solução:
๐‘• ๐‘ฅ = โˆ’2 + 6๐‘ฅ โˆ’ 5๐‘ฅ 2 + 2๐‘ฅ 4 . 8 + 6๐‘ฅ 2 + 5๐‘ฅ 3 โˆ’ 7๐‘ฅ 4 + 3๐‘ฅ 5 =
๐‘• ๐‘ฅ = โˆ’2.8 + โˆ’2 . 6๐‘ฅ 2 + โˆ’2 . 5๐‘ฅ 3 + โˆ’2 . โˆ’7๐‘ฅ 4 + โˆ’2 . 3๐‘ฅ 5 + 6๐‘ฅ. 8 + 6๐‘ฅ. 6๐‘ฅ 2 +
+6๐‘ฅ. 5๐‘ฅ 3 + 6๐‘ฅ. โˆ’7๐‘ฅ 4 + 6๐‘ฅ. 3๐‘ฅ 5 + โˆ’5๐‘ฅ 2 . 8 + โˆ’5๐‘ฅ 2 . 6๐‘ฅ 2 + โˆ’5๐‘ฅ 2 . 5๐‘ฅ 3 +
+ โˆ’5๐‘ฅ 2 . โˆ’7๐‘ฅ 4 + โˆ’5๐‘ฅ 2 . 3๐‘ฅ 5 + 2๐‘ฅ 4 . 8 + 2๐‘ฅ 4 . 6๐‘ฅ 2 + 2๐‘ฅ 4 . 5๐‘ฅ 3 + 2๐‘ฅ 4 . โˆ’7๐‘ฅ 4 + 2๐‘ฅ 4 . 3๐‘ฅ 5 =
= โˆ’16 โˆ’ 12๐‘ฅ 2 โˆ’ 10๐‘ฅ 3 + 14๐‘ฅ 4 โˆ’ 6๐‘ฅ 5 + 48๐‘ฅ + 36๐‘ฅ 3 + 30๐‘ฅ 4 โˆ’ 42๐‘ฅ 5 + 18๐‘ฅ 6 โˆ’ 40๐‘ฅ 2 โˆ’
โˆ’30๐‘ฅ 4 โˆ’ 25๐‘ฅ5 + 35๐‘ฅ6 โˆ’ 15๐‘ฅ7 + 16๐‘ฅ 4 + 12๐‘ฅ6 + 10๐‘ฅ7 โˆ’ 14๐‘ฅ8 + 6๐‘ฅ9 =
= โˆ’16 + 48๐‘ฅ + โˆ’12 โˆ’ 40 ๐‘ฅ 2 + โˆ’10 + 36 ๐‘ฅ 3 + 14 + 30 โˆ’ 30 + 16 ๐‘ฅ 4 +
+ โˆ’6 โˆ’ 42 โˆ’ 25 ๐‘ฅ 5 + 18 + 35 + 12 ๐‘ฅ6 + โˆ’15 + 10 ๐‘ฅ7 โˆ’ 14๐‘ฅ8 + 6๐‘ฅ9 =
= โˆ’16 + 48๐‘ฅ โˆ’ 52๐‘ฅ 2 + 26๐‘ฅ 3 + 30๐‘ฅ 4 โˆ’ 73๐‘ฅ 5 + 65๐‘ฅ6 โˆ’ 5๐‘ฅ7 โˆ’ 14๐‘ฅ8 + 6๐‘ฅ9
Uma forma prática para determinar ๐‘• ๐‘ฅ = ๐‘ ๐‘ฅ . ๐‘ž ๐‘ฅ é:
66
8
โˆ™
+6๐‘ฅ 2
+5๐‘ฅ 3
โˆ’7๐‘ฅ 4
+3๐‘ฅ 5
โˆ’2
+6๐‘ฅ
โˆ’5๐‘ฅ 2
2๐‘ฅ 4
โˆ’12๐‘ฅ 2 โˆ’10๐‘ฅ 3 +14๐‘ฅ 4 โˆ’6๐‘ฅ 5
โˆ’16
+36๐‘ฅ 3 +30๐‘ฅ 4 โˆ’42๐‘ฅ 5 +18๐‘ฅ 6
+48๐‘ฅ
โˆ’40๐‘ฅ 2
+
โˆ’30๐‘ฅ 4 โˆ’25๐‘ฅ5 +35๐‘ฅ 6 โˆ’15๐‘ฅ 7
+12๐‘ฅ6 +10๐‘ฅ 7 โˆ’14๐‘ฅ 8 +6๐‘ฅ 9
+16๐‘ฅ4
โˆ’16 +48๐‘ฅ โˆ’52๐‘ฅ2 +26๐‘ฅ 3 +30๐‘ฅ 4 โˆ’73๐‘ฅ 5 +65๐‘ฅ6 โˆ’5๐‘ฅ 7
โˆ’14๐‘ฅ 8 +6๐‘ฅ 9
Propriedades da multiplicação de polinômios
Para quaisquer ๐‘ ๐‘ฅ , ๐‘ž ๐‘ฅ e ๐‘• ๐‘ฅ pertencentes a ๐ด ๐‘ฅ a multiplicação de polinômios
goza das seguintes propriedades:
I)
II)
๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ
๐‘ ๐‘ฅ โˆ™๐‘ž ๐‘ฅ
= ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ
+ ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ž ๐‘ฅ
โˆ™๐‘• ๐‘ฅ =๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ โˆ™๐‘• ๐‘ฅ
(associatividade)
III) ๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ = ๐‘ž ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ ๐‘ฅ (comutatividade)
IV) ๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ 1 = ๐‘ ๐‘ฅ , onde 1 representa o polinômio constante 1. (elemento neutro
multiplicativo)
V) ๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ + ๐‘• ๐‘ฅ
= ๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ + ๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘• ๐‘ฅ (distributividade da multiplicação
em relação à adição)
Demonstrações:
Consideremos os polinômios ๐‘ ๐‘ฅ , ๐‘ž ๐‘ฅ e ๐‘• ๐‘ฅ , não nulos, pertencentes a ๐ด ๐‘ฅ , tais
que ๐‘ ๐‘ฅ =
I)
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ ,
๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ
๐‘ž ๐‘ฅ =
= ๐‘› e ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ž ๐‘ฅ
๐‘š
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ
๐‘˜
๐‘–=0 ๐‘Ž๐‘– ๐‘๐‘˜โˆ’๐‘–
= ๐‘š. Seja ๐‘๐‘˜ =
๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ . Assim, temos ๐‘๐‘š +๐‘› =
portanto, ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ . ๐‘ž ๐‘ฅ
๐‘Ÿ
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ .
e๐‘• ๐‘ฅ =
๐‘š +๐‘›
๐‘–=0
um coeficiente qualquer de
๐‘Ž๐‘– ๐‘๐‘š +๐‘›โˆ’๐‘– โ‰  0 e ๐‘๐‘˜ = 0 โˆ€๐‘˜ > ๐‘š + ๐‘›,
= ๐‘š + ๐‘› = ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ
+ ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ž ๐‘ฅ .
II) Primeiramente, notemos que, decorrente da propriedade I, ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘• ๐‘ฅ
๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ
โˆ™ ๐‘• ๐‘ฅ , pois ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ž ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘• ๐‘ฅ
๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ . ๐‘ž ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘• ๐‘ฅ
๐‘ž ๐‘ฅ
= ๐‘š + ๐‘Ÿ, o que implica que
= ๐‘š + ๐‘› + ๐‘Ÿ = ๐‘ก. Em contra partida, temos ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ โˆ™
= ๐‘š + ๐‘›, o que implica que ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ
โˆ™๐‘• ๐‘ฅ
= ๐‘š + ๐‘› + ๐‘Ÿ = ๐‘ก.
Utilizando a definição de multiplicação de polinômios, façamos ๐‘ ๐‘ฅ =
๐‘ž ๐‘ฅ =
๐‘•(๐‘ฅ) =
๐‘š
๐‘–
๐‘–=0 ๐‘๐‘– ๐‘ฅ ,
๐‘• ๐‘ฅ =
๐‘š +๐‘›+๐‘Ÿ
๐‘’๐‘ก ๐‘ฅ ๐‘ก ,
๐‘ก=0
=
๐‘Ÿ
๐‘—
๐‘— =0 ๐‘๐‘— ๐‘ฅ ,
๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž(๐‘ฅ) =
๐‘š +๐‘Ÿ
๐‘™=0
๐‘ž ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘•(๐‘ฅ) =
๐‘š +๐‘›
๐‘ 
๐‘ =0 ๐‘“๐‘  ๐‘ฅ
e
๐‘‘๐‘™ ๐‘ฅ ๐‘™ ,
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ ,
๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ โˆ™
๐‘ ๐‘ฅ โˆ™๐‘ž ๐‘ฅ
โˆ™ ๐‘•(๐‘ฅ) =
67
๐‘š +๐‘›+๐‘Ÿ
๐‘ก=0
๐‘”๐‘ก ๐‘ฅ ๐‘ก . Notemos ainda que um termo de um produto, por exemplo, ๐‘’๐‘ก , é
๐‘ก
๐‘˜=0 ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘‘๐‘กโˆ’๐‘˜
determinado por ๐‘’๐‘ก =
, mas, fazendo ๐‘™ = ๐‘ก โˆ’ ๐‘˜, o que implica ๐‘˜ + ๐‘™ =
๐‘ก, podemos reescrever esse termo da seguinte forma: ๐‘’๐‘ก =
análoga, escrevemos ๐‘‘๐‘™ =
๐‘–+๐‘— =๐‘™
๐‘š +๐‘›+๐‘Ÿ
๐‘’๐‘ก ๐‘ฅ ๐‘ก ,
๐‘ก=0
temos ๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘•(๐‘ฅ) =
๐‘’๐‘ก =
=
๐‘˜+๐‘™=๐‘ก ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘‘๐‘™
๐‘˜+๐‘–+๐‘— =๐‘ก
=
๐‘˜+๐‘™=๐‘ก
๐‘Ž๐‘˜ ๐‘๐‘– ๐‘๐‘— =
๐‘๐‘– ๐‘๐‘— , ๐‘“๐‘  =
๐‘Ž๐‘˜ โˆ™
Portanto, ๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘•(๐‘ฅ) =
e ๐‘”๐‘ก =
๐‘ +๐‘— =๐‘ก ๐‘“๐‘  ๐‘๐‘— .
Assim,
mas
๐‘–+๐‘— =๐‘™ ๐‘๐‘– ๐‘๐‘—
๐‘˜+๐‘–=๐‘  ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘๐‘–
๐‘ +๐‘— =๐‘ก
๐‘˜+๐‘–=๐‘  ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘๐‘–
๐‘Ž๐‘˜ ๐‘‘๐‘™ . De maneira
๐‘˜+๐‘™=๐‘ก
=
๐‘˜+๐‘–+๐‘— =๐‘ก ๐‘Ž๐‘˜
โˆ™ ๐‘๐‘— =
๐‘š +๐‘›+๐‘Ÿ
๐‘’๐‘ก ๐‘ฅ ๐‘ก
๐‘ก=0
=
๐‘ +๐‘— =๐‘ก ๐‘“๐‘  ๐‘๐‘—
๐‘š +๐‘›+๐‘Ÿ
๐‘ก=0
๐‘๐‘– ๐‘๐‘— =
= ๐‘”๐‘ก
๐‘”๐‘ก ๐‘ฅ ๐‘ก = ๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ
โˆ™ ๐‘•(๐‘ฅ)
Mostrando assim, a associatividade da multiplicação de polinômios.
III) Temos que ๐‘ ๐‘ฅ =
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ
๐‘š +๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ ,
Consideremos ๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ =
๐‘š +๐‘›
๐‘˜=0
๐‘๐‘˜ =
๐‘‘๐‘˜ ๐‘ฅ ๐‘˜ , onde ๐‘‘๐‘˜ =
๐‘˜
๐‘–=0 ๐‘Ž๐‘– ๐‘๐‘˜โˆ’๐‘–
e๐‘ž ๐‘ฅ =
๐‘˜
๐‘–=0 ๐‘๐‘– ๐‘Ž๐‘˜โˆ’๐‘– .
๐‘š
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ .
onde ๐‘๐‘˜ =
๐‘˜
๐‘–=0 ๐‘Ž๐‘– ๐‘๐‘˜โˆ’๐‘–
e ๐‘ž ๐‘ฅ โˆ™๐‘ ๐‘ฅ =
Desenvolvendo ๐‘๐‘˜ temos:
= ๐‘Ž0 ๐‘๐‘˜ + ๐‘Ž1 ๐‘๐‘˜โˆ’1 + ๐‘Ž2 ๐‘๐‘˜โˆ’2 + โ‹ฏ + ๐‘Ž๐‘˜โˆ’2 ๐‘2 + ๐‘Ž๐‘˜โˆ’1 ๐‘1 + ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘0 = 2
๐‘˜
๐‘–=0 ๐‘๐‘– ๐‘Ž๐‘˜โˆ’๐‘–
๐‘0 ๐‘Ž๐‘˜ + ๐‘1 ๐‘Ž๐‘˜โˆ’1 + ๐‘2 ๐‘Ž๐‘˜โˆ’2 + โ‹ฏ + ๐‘๐‘˜โˆ’2 ๐‘Ž2 + ๐‘๐‘˜โˆ’1 ๐‘Ž1 + ๐‘๐‘˜ ๐‘Ž0 =
๐‘š +๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ
que implica que
=
๐‘š +๐‘›
๐‘˜=0
= ๐‘‘๐‘˜ ,
o
๐‘‘๐‘˜ ๐‘ฅ ๐‘˜ , mostrando com isso que ๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ =
๐‘ž ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ ๐‘ฅ . Portanto o produto de polinômios goza da propriedade comutativa.
IV) Consideremos o polinômio constante ๐‘ข ๐‘ฅ = 1. Como 1 โˆˆ ๐ด, então ๐‘ข ๐‘ฅ โˆˆ ๐ด ๐‘‹ .
Temos ๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ข ๐‘ฅ =
๐‘›+0
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ ,
com ๐‘๐‘˜ =
โ‹ฏ + ๐‘Ž๐‘˜โˆ’2 . 0 + ๐‘Ž๐‘˜โˆ’1 . 0 + ๐‘Ž๐‘˜ . 1 = ๐‘Ž๐‘˜ ,
๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘Ž๐‘˜ ๐‘ฅ
๐‘˜
๐‘–=0 ๐‘Ž๐‘– ๐‘๐‘˜โˆ’๐‘–
= ๐‘Ž0 . 0 + ๐‘Ž1 . 0 + ๐‘Ž2 . 0 +
๐‘ ๐‘ฅ โˆ™๐‘ข ๐‘ฅ =
portanto,
๐‘›+0
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘๐‘˜ ๐‘ฅ
=
= ๐‘ ๐‘ฅ . Logo, ๐‘ข ๐‘ฅ = 1 é o elemento neutro multiplicativo em ๐ด ๐‘ฅ .
V) Podemos considerar ๐‘š = ๐‘Ÿ, ao reescrever ๐‘ž ๐‘ฅ e ๐‘• ๐‘ฅ com as mesmas potências de
๐‘ฅ. Pela definição de multiplicação de polinômios, temos ๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ =
com ๐‘’๐‘˜ =
๐‘˜
๐‘–=0 ๐‘Ž๐‘–
โˆ™ ๐‘๐‘˜โˆ’1 e ๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘• ๐‘ฅ =
๐‘›+๐‘š
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘“๐‘˜ ๐‘ฅ ,
com ๐‘“๐‘˜ =
๐‘˜
๐‘–=0 ๐‘Ž๐‘–
Pela definição da adição de polinômios, temos ๐‘ž ๐‘ฅ + ๐‘• ๐‘ฅ =
๐‘›+๐‘š
๐‘˜=0
๐‘’๐‘˜ ๐‘ฅ ๐‘˜ ,
โˆ™ ๐‘๐‘˜โˆ’1 .
๐‘š
๐‘˜=0(๐‘๐‘˜
+ ๐‘๐‘˜ )๐‘ฅ ๐‘˜ .
Utilizando novamente a definição de multiplicação de polinômios, temos:
๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ +๐‘• ๐‘ฅ
=
๐‘š +๐‘›
๐‘˜=0
๐‘‘๐‘˜ ๐‘ฅ ๐‘˜ , onde ๐‘‘๐‘˜ =
๐‘˜
๐‘–=0 ๐‘Ž๐‘–
โˆ™ ๐‘๐‘˜โˆ’1 + ๐‘๐‘˜โˆ’1 . Utilizando a
propriedade distributiva da multiplicação em relação à adição em ๐ด, temos:
๐‘‘๐‘˜ =
๐‘˜
๐‘–=0
๐‘Ž๐‘– โˆ™ ๐‘๐‘˜โˆ’1 + ๐‘Ž๐‘– โˆ™ ๐‘๐‘˜โˆ’1 =
๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ +๐‘• ๐‘ฅ
=
2
๐‘š +๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘’๐‘˜ ๐‘ฅ
+
=
๐‘š +๐‘›
๐‘˜=0
๐‘š +๐‘›
๐‘˜
๐‘˜=0 ๐‘“๐‘˜ ๐‘ฅ
๐‘˜
๐‘–=0 ๐‘Ž๐‘– โˆ™
๐‘’๐‘˜
๐‘‘๐‘˜ ๐‘ฅ ๐‘˜ =
๐‘š +๐‘›
๐‘˜=0
๐‘๐‘˜โˆ’1 +
๐‘˜
๐‘–=0 ๐‘Ž๐‘– โˆ™ ๐‘๐‘˜โˆ’1 ,
๐‘“๐‘˜
๐‘’๐‘˜ + ๐‘“๐‘˜ ๐‘ฅ ๐‘˜ =
=๐‘ ๐‘ฅ โˆ™๐‘ž ๐‘ฅ +๐‘ ๐‘ฅ โˆ™๐‘• ๐‘ฅ .
Utilizando a comutatividade da adição e da multiplicação em ๐ด.
๐‘š +๐‘›
๐‘˜=0
portanto,
๐‘’๐‘˜ ๐‘ฅ ๐‘˜ + ๐‘“๐‘˜ ๐‘ฅ ๐‘˜ =
68
4.4
DIVISÃO EUCLIDIANA DE POLINÔMIOS
Dados ๐‘ ๐‘ฅ e ๐‘” ๐‘ฅ pertencentes a ๐ด ๐‘ฅ , com ๐‘” ๐‘ฅ โ‰  0, se existir um polinômio
๐‘ž ๐‘ฅ โˆˆ ๐ด ๐‘ฅ , tal que ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘” ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ , então, dizemos que ๐‘ ๐‘ฅ é múltiplo de ๐‘” ๐‘ฅ , ou
ainda que ๐‘” ๐‘ฅ divide ๐‘ ๐‘ฅ .
Exemplo:
๐‘” ๐‘ฅ = 5 + 2๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 โˆˆ โ„ค ๐‘ฅ divide o polinômio ๐‘ ๐‘ฅ = 10 โˆ’ 11๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 โˆ’ ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 4 โˆˆ โ„ค ๐‘ฅ ,
pois
existe ๐‘ž ๐‘ฅ = 2 โˆ’ 3๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 โˆˆ โ„ค ๐‘ฅ
tal que
๐‘ ๐‘ฅ = 10 โˆ’ 11๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 โˆ’ ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 4 =
5 + 2๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 โˆ™ 2 โˆ’ 3๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 = ๐‘” ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ .
Qualquer que seja ๐‘ ๐‘ฅ โˆˆ ๐ด ๐‘ฅ , se ๐‘ ๐‘ฅ โ‰  0, então ๐‘ ๐‘ฅ divide 0, onde 0 representa o
polinômio nulo.
Teorema 4.1: Considerando ๐‘ ๐‘ฅ e ๐‘” ๐‘ฅ polinômios não nulos do conjunto ๐ด ๐‘ฅ , se ๐‘” ๐‘ฅ
tem coeficiente líder invertível e divide ๐‘ ๐‘ฅ , então ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ
โ‰ค ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ .
Demonstração: Por hipótese ๐‘” ๐‘ฅ divide ๐‘ ๐‘ฅ e são ambos não nulos. Isto significa que
existe ๐‘ž ๐‘ฅ โˆˆ ๐ด ๐‘ฅ , não nulo, tal que ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘” ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ , mas, pela propriedade I da
multiplicação de polinômios, temos que:
๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ
โ‰ค ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ
+ ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ž ๐‘ฅ
= ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž ๐‘ฅ
= ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ .
Notemos que em โ„ค os únicos elementos invertíveis são o 1 e o โˆ’1 enquanto que em
โ„š, โ„ e โ„‚, todo elemento não nulo é invertível.
Teorema 4.2 (divisão euclidiana): Consideremos o conjunto ๐ด, com suas propriedades e
sejam ๐‘ ๐‘ฅ e ๐‘” ๐‘ฅ polinômios de ๐ด ๐‘ฅ , com ๐‘” ๐‘ฅ não nulo e com coeficiente líder invertível
no conjunto ๐ด. Então, existem ๐‘ž ๐‘ฅ e ๐‘Ÿ ๐‘ฅ , unicamente determinados, pertencentes a ๐ด ๐‘ฅ , tal
que ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘ž ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + ๐‘Ÿ ๐‘ฅ , com ๐‘Ÿ ๐‘ฅ = 0 ou ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
< ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ .
Demonstração: Consideraremos ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘0 + ๐‘1 ๐‘ฅ + ๐‘2 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐‘๐‘š ๐‘ฅ ๐‘š , com ๐‘๐‘š invertível
โˆ’1
โˆ’1
em ๐ด, ou seja, admitindo que existe ๐‘๐‘š
โˆˆ ๐ด, tal que ๐‘ โˆ™ ๐‘๐‘š
= 1. Dividiremos a
demonstração em duas partes, a primeira trata de provar a existência de ๐‘ž ๐‘ฅ e ๐‘Ÿ ๐‘ฅ enquanto
a segunda provará a unicidade de ๐‘ž ๐‘ฅ e ๐‘Ÿ ๐‘ฅ .
1ª parte: Considerando ๐‘ ๐‘ฅ = 0, então ๐‘ž ๐‘ฅ = ๐‘Ÿ ๐‘ฅ = 0 โˆˆ ๐ด ๐‘ฅ e ๐‘ ๐‘ฅ = 0 = 0 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ +
0=
=๐‘ž ๐‘ฅ โˆ™๐‘” ๐‘ฅ +๐‘Ÿ ๐‘ฅ .
69
Considerando ๐‘ ๐‘ฅ โˆˆ ๐ด, com ๐‘ ๐‘ฅ โ‰  0 e ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ
= ๐‘›. Se ๐‘› < ๐‘š, basta tomar ๐‘ž ๐‘ฅ = 0 e
๐‘Ÿ ๐‘ฅ = ๐‘ ๐‘ฅ que teremos ๐‘ ๐‘ฅ = 0 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘ž ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + ๐‘Ÿ ๐‘ฅ .
Considerando ๐‘› โ‰ฅ ๐‘š, escrevendo ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘Ž0 + ๐‘Ž1 ๐‘ฅ + ๐‘Ž2 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐‘Ž๐‘› ๐‘ฅ ๐‘› , com ๐‘Ž๐‘› โ‰  0,
demonstramos por indução sobre ๐‘› = ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ :
Se ๐‘› = 0, temos ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ
portanto, ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ
escrever
= 0. Como ๐‘› โ‰ฅ ๐‘š, então 0 โ‰ฅ ๐‘š, o que implica que ๐‘š = 0 e
= 0. Logo, ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘Ž0 โ‰  0 e ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘0 . Como ๐‘0โˆ’1 โˆˆ ๐ด, podemos
๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘Ž0 = ๐‘Ž0 โˆ™ 1 + 0 = ๐‘Ž0 ๐‘0โˆ’1 ๐‘0 + 0 = ๐‘Ž0 ๐‘0โˆ’1 ๐‘” ๐‘ฅ + 0 = ๐‘ž ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + ๐‘Ÿ ๐‘ฅ ,
com ๐‘ž ๐‘ฅ = ๐‘Ž0 ๐‘0โˆ’1 e ๐‘Ÿ ๐‘ฅ = 0.
Suponhamos que o resultado seja válido para polinômios com grau menor do que ๐‘›.
โˆ’1 ๐‘›โˆ’๐‘š
Consideremos o polinômio ๐‘1 ๐‘ฅ = ๐‘ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘Ž๐‘› ๐‘๐‘š
๐‘ฅ
๐‘” ๐‘ฅ , notemos que ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘1 ๐‘ฅ
๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ
<
e, por hipótese de indução, existem ๐‘ž1 (๐‘ฅ) e ๐‘Ÿ1 (๐‘ฅ) pertencentes a ๐ด ๐‘ฅ , tais que
๐‘1 ๐‘ฅ = ๐‘ž1 ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + ๐‘Ÿ1 (๐‘ฅ) , com ๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ = 0 ou ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ
< ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ . Assim, ๐‘1 ๐‘ฅ =
โˆ’1 ๐‘›โˆ’๐‘š
๐‘ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘Ž๐‘› ๐‘๐‘š
๐‘ฅ
๐‘” ๐‘ฅ , implicando que:
โˆ’1 ๐‘›โˆ’๐‘š
๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘1 ๐‘ฅ + ๐‘Ž๐‘› ๐‘๐‘š
๐‘ฅ
๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ž1 ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + ๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ
โˆ’1 ๐‘› โˆ’๐‘š
+ ๐‘Ž๐‘› ๐‘๐‘š
๐‘ฅ
๐‘” ๐‘ฅ =
โˆ’1 ๐‘›โˆ’๐‘š
= ๐‘ž1 ๐‘ฅ + ๐‘Ž๐‘› ๐‘๐‘š
๐‘ฅ
๐‘” ๐‘ฅ + ๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ = ๐‘ž ๐‘ฅ . ๐‘” ๐‘ฅ + ๐‘Ÿ(๐‘ฅ), considerando ๐‘Ÿ ๐‘ฅ = ๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ
e
โˆ’1 ๐‘›โˆ’๐‘š
๐‘ž ๐‘ฅ = ๐‘ž1 ๐‘ฅ + ๐‘Ž๐‘› ๐‘๐‘š
๐‘ฅ
.
2ª parte: Sejam ๐‘ž1 ๐‘ฅ , ๐‘ž2 ๐‘ฅ , ๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ e ๐‘Ÿ2 ๐‘ฅ , com ๐‘ž1 ๐‘ฅ โ‰  ๐‘ž2 ๐‘ฅ e ๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ โ‰  ๐‘Ÿ2 ๐‘ฅ , tais que
๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘ž1 ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + ๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ e ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘ž2 ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + ๐‘Ÿ2 ๐‘ฅ , com ๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ = 0 ou ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ
๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ
e ๐‘Ÿ2 ๐‘ฅ = 0 ou ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘Ÿ2 ๐‘ฅ
<
< ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ . Temos então,
๐‘ž1 ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + ๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ = ๐‘ž2 ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + ๐‘Ÿ2 ๐‘ฅ , o que implica que ๐‘ž1 ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ž2 ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ =
๐‘Ÿ2 ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ ou ainda ๐‘ž1 ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ž2 ๐‘ฅ
โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘Ÿ2 ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ , ou seja, ๐‘” ๐‘ฅ divide ๐‘Ÿ2 ๐‘ฅ โˆ’
๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ , mas, por hipótese, ๐‘ž1 ๐‘ฅ โ‰  ๐‘ž2 ๐‘ฅ , o que implica que ๐‘ž1 ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ž2 ๐‘ฅ โ‰  0 e ๐‘Ÿ2 ๐‘ฅ โˆ’
๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ โ‰  0 e, pelo teorema 4.1, o fato de ๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ = 0 ou ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ
๐‘”๐‘Ÿ ๐‘Ÿ2 ๐‘ฅ
< ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ , implica que ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ
< ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ
โ‰ค ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘Ÿ2 ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ
e ๐‘Ÿ2 ๐‘ฅ = 0 ou
< ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ , o que é
um absurdo, portanto, a hipótese é falsa o que implica que ๐‘ž1 ๐‘ฅ = ๐‘ž2 ๐‘ฅ e ๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ = ๐‘Ÿ2 ๐‘ฅ .
Sejam ๐‘(๐‘ฅ), ๐‘”(๐‘ฅ), ๐‘ž(๐‘ฅ) e ๐‘Ÿ(๐‘ฅ), polinômios pertencentes a ๐ด ๐‘ฅ , tais que ๐‘ ๐‘ฅ =
๐‘ž ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + ๐‘Ÿ(๐‘ฅ), denominaremos ๐‘(๐‘ฅ) de dividendo, ๐‘”(๐‘ฅ) de divisor, ๐‘ž(๐‘ฅ) de quociente e
๐‘Ÿ(๐‘ฅ) de resto. Uma maneira prática para determinar o quociente e o resto da divisão
euclidiana de um polinômio ๐‘ ๐‘ฅ por um polinômio ๐‘”(๐‘ฅ) com coeficiente líder invertível é a
utilização do algoritmo a seguir:
70
๐‘(๐‘ฅ) ๐‘”(๐‘ฅ)
๐‘ž(๐‘ฅ)
โ‹ฎ
๐‘Ÿ(๐‘ฅ)
Exemplos:
a) Determinar o quociente e o resto da divisão euclidiana do polinômio ๐‘ ๐‘ฅ = 10 โˆ’
11๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 โˆ’ ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 4 pelo polinômio ๐‘” ๐‘ฅ = 5 + 2๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 , ambos pertencentes a โ„ค ๐‘ฅ .
Solução: Observemos que ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ
< ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘(๐‘ฅ) , além do coeficiente líder de ๐‘” ๐‘ฅ
ser invertível em โ„ค.
๐‘ฅ4
โˆ’๐‘ฅ 4
0
โˆ’๐‘ฅ 3
โˆ’2๐‘ฅ 3
โˆ’3๐‘ฅ 3
+3๐‘ฅ 3
0
+๐‘ฅ 2 โˆ’11๐‘ฅ +10 ๐‘ฅ 2 ๐‘ฅ 2 +5
โˆ’5๐‘ฅ 2
๐‘ฅ 3 โˆ’3๐‘ฅ +2
โˆ’4๐‘ฅ 2 โˆ’11๐‘ฅ +10
+6๐‘ฅ 2 +15๐‘ฅ
+2๐‘ฅ 2 +4๐‘ฅ +10
โˆ’2๐‘ฅ 2 โˆ’4๐‘ฅ โˆ’10
0
0
0
Notemos que ๐‘ž ๐‘ฅ = ๐‘ฅ 3 โˆ’ 3๐‘ฅ + 2 e o fato de ๐‘Ÿ ๐‘ฅ = 0 implica que ๐‘”(๐‘ฅ) divide ๐‘(๐‘ฅ).
b) Determinar o quociente e o resto da divisão euclidiana do polinômio ๐‘ ๐‘ฅ = โˆ’1 +
4๐‘ฅ โˆ’ 2๐‘ฅ 2 + 5๐‘ฅ 3 pelo polinômio ๐‘” ๐‘ฅ = โˆ’2 + 3๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 , ambos pertencentes a โ„ค ๐‘ฅ .
Solução: Observemos que ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ
< ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘(๐‘ฅ) , além do coeficiente líder de ๐‘” ๐‘ฅ
ser invertível em โ„ค.
5๐‘ฅ 3
โˆ’5๐‘ฅ 3
0
โˆ’2๐‘ฅ 2
+4๐‘ฅ
โˆ’1
โˆ’15๐‘ฅ 2 +10๐‘ฅ
โˆ’17๐‘ฅ 2 +14๐‘ฅ
๐‘ฅ2
+3๐‘ฅ โˆ’2
5๐‘ฅ โˆ’17
โˆ’1
+17๐‘ฅ 2 +41๐‘ฅ โˆ’34
0
+55๐‘ฅ โˆ’35
Assim, ๐‘ž ๐‘ฅ = โˆ’17 + 5๐‘ฅ e ๐‘Ÿ ๐‘ฅ = โˆ’35 + 55๐‘ฅ.
Suponhamos agora que o conjunto dos coeficientes de um polinômio seja ๐พ, com
todas as propriedades definidas anteriormente para o conjunto ๐ด, e mais a seguinte
propriedade:
71
โˆ€๐‘Ž โˆˆ ๐พ, ๐‘Ž โ‰  0, โˆƒ๐‘ โˆˆ ๐พ; ๐‘Ž โˆ™ ๐‘ = 1. O elemento ๐‘ é denominado inverso multiplicativo
de ๐‘Ž e, por ser único, representamos como ๐‘ = ๐‘Žโˆ’1 . Assim, temos um conjunto em, que todos
os elementos não nulos são invertíveis3.
Representamos por ๐พ[๐‘ฅ] o conjunto de todos os polinômios com coeficientes em ๐พ.
Considerando o conjunto ๐ด, e um polinômio ๐‘(๐‘ฅ) โˆˆ ๐ด[๐‘ฅ], dizemos que ๐›ผ é uma raiz
de ๐‘(๐‘ฅ), se ๐‘ ๐›ผ = 0.
Considerando o conjunto ๐พ e ๐‘(๐‘ฅ) โˆˆ ๐พ[๐‘ฅ], formulamos o seguinte teorema:
Teorema 4.3: Considerando ๐พ o conjunto com as propriedades descritas anteriormente, seja
๐‘ ๐‘ฅ um polinômio pertencente a ๐พ ๐‘ฅ e ๐›ผ โˆˆ ๐พ, dizemos que ๐›ผ é uma raiz de ๐‘ ๐‘ฅ se, e
somente se, ๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ divide ๐‘ ๐‘ฅ .
Demonstração: Pelo algoritmo da divisão em ๐พ[๐‘ฅ] (idêntico a ๐ด[๐‘ฅ]), temos que existem
๐‘ž(๐‘ฅ) e ๐‘Ÿ(๐‘ฅ) pertencentes a ๐พ[๐‘ฅ] tais que ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ . ๐‘ž ๐‘ฅ + ๐‘Ÿ(๐‘ฅ), com ๐‘Ÿ ๐‘ฅ = 0 ou
๐‘”๐‘Ÿ ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
= 0. Assim, ๐‘Ÿ ๐‘ฅ = ๐‘Ÿ โˆˆ ๐พ. Logo, ๐›ผ é raiz de ๐‘(๐‘ฅ) se, e somente se, 0 = ๐‘ ๐›ผ =
๐›ผ โˆ’ ๐›ผ . ๐‘ž ๐‘ฅ + ๐‘Ÿ = ๐‘Ÿ, ou seja, se, e somente se, ๐‘Ÿ = 0, quem em outras palavras significa
dizer que (๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ) divide ๐‘(๐‘ฅ).
O resultado acima se deve ao matemático francês Jean le Rond dโ€™Alembert e, por isso,
é popularmente conhecido como teorema de dโ€™Alembert.
Exemplo: Consideremos o polinômio ๐‘ ๐‘ฅ = 3 โˆ’ 7๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 3 . O valor ๐›ผ = 3 é
uma raiz de ๐‘(๐‘ฅ), pois (๐‘ฅ โˆ’ 3) divide ๐‘(๐‘ฅ):
๐‘ฅ3
โˆ’๐‘ฅ 2 โˆ’7๐‘ฅ +3 ๐‘ฅ โˆ’3
โˆ’๐‘ฅ 3 +3๐‘ฅ 2
๐‘ฅ 2 +2๐‘ฅ โˆ’1
2
0
+2๐‘ฅ โˆ’7๐‘ฅ
โˆ’2๐‘ฅ 2 +6๐‘ฅ
0
โˆ’๐‘ฅ +3
๐‘ฅ
โˆ’3
0
0
Notemos ainda que ๐‘ 3 = 3 โˆ’ 7 โˆ™ 3 โˆ’ 32 + 33 = 3 โˆ’ 21 โˆ’ 9 + 27 = 0.
Teorema 4.4: Um polinômio de grau ๐‘› com coeficientes em um conjunto ๐พ com as
propriedades definidas anteriormente, possui, no máximo, ๐‘› raízes distintas nesse conjunto.
Demonstração: Sejam ๐›ผ1 , ๐›ผ2 , ๐›ผ3 , โ€ฆ , ๐›ผ๐‘š , ๐‘š raízes distintas em ๐พ de um polinômio ๐‘(๐‘ฅ)
de grau ๐‘›. Pelo teorema 4.3, temos que existe um polinômio ๐‘ž1 (๐‘ฅ) โˆˆ ๐พ[๐‘ฅ] tal que ๐‘ ๐‘ฅ =
3
Um conjunto com as propriedades do conjunto ๐พ recebe o nome de corpo, como veremos mais a frente.
72
๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ1 โˆ™ ๐‘ž1 (๐‘ฅ). Como ๐›ผ2 é raiz de ๐‘(๐‘ฅ), então ๐‘ ๐›ผ2 = ๐›ผ2 โˆ’ ๐›ผ1 โˆ™ ๐‘ž1 (๐›ผ2 ). Como ๐›ผ1 โ‰ 
๐›ผ2 , temos que ๐‘ž1 ๐›ผ2 = 0, ou seja, ๐›ผ2 é raiz de ๐‘ž1 (๐‘ฅ), logo, existe ๐‘ž2 (๐‘ฅ) โˆˆ ๐พ[๐‘ฅ] tal que
๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ1 โˆ™ (๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ2 ) โˆ™ ๐‘ž2 (๐‘ฅ). Seguimos esse procedimento até obtermos ๐‘ž๐‘š (๐‘ฅ) โˆˆ
๐พ ๐‘ฅ tal que ๐‘ƒ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ1 โˆ™ ๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ2 โˆ™ ๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ3 โˆ™ โ€ฆ โˆ™ (๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ๐‘š ) โˆ™ ๐‘ž๐‘š (๐‘ฅ).
Do exposto acima, temos que ๐‘› = ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ
4.5
= ๐‘š + ๐‘”๐‘Ÿ(๐‘ž๐‘š ๐‘ฅ ), ou seja, ๐‘š โ‰ค ๐‘›.
INTERPOLAÇÃO
Consideremos ๐พ[๐‘ฅ] o conjunto dos polinômios com coeficientes no conjunto ๐พ com
as propriedades definidas anteriormente. Sejam ๐‘Ž1 , ๐‘Ž2 , ๐‘Ž3 , โ€ฆ , ๐‘Ž๐‘› elementos de ๐พ, distintos
dois a dois. Consideremos ainda ๐‘1 , ๐‘2 , ๐‘3 , โ€ฆ , ๐‘๐‘› elementos quaisquer de ๐พ. Nosso objetivo é
determinar um polinômio ๐‘(๐‘ฅ) โˆˆ ๐พ[๐‘ฅ] de grau menor ou igual a ๐‘› โˆ’ 1, tal que ๐‘ ๐‘Ž๐‘– = ๐‘๐‘– ,
โˆ€๐‘– โˆˆ 1, 2, 3, โ€ฆ , ๐‘› .
Teorema 4.5: Dados os elementos ๐‘Ž1 , ๐‘Ž2 , ๐‘Ž3 , โ€ฆ , ๐‘Ž๐‘› dois a dois distintos e ๐‘1 , ๐‘2 , ๐‘3 , โ€ฆ , ๐‘๐‘›
pertencentes a ๐พ, o Polinômio ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘1 ๐‘1 ๐‘ฅ + ๐‘2 ๐‘2 ๐‘ฅ + ๐‘3 ๐‘3 ๐‘ฅ + โ‹ฏ + ๐‘๐‘› ๐‘๐‘› (๐‘ฅ), onde
๐‘๐‘— ๐‘ฅ =
๐‘ฅโˆ’๐‘Ž 1 โˆ™ ๐‘ฅโˆ’๐‘Ž 2 โˆ™โ€ฆโˆ™ ๐‘ฅโˆ’๐‘Ž ๐‘— โˆ’1 โˆ™ ๐‘ฅโˆ’๐‘Ž ๐‘— +1 โˆ™โ€ฆโˆ™ ๐‘ฅโˆ’๐‘Ž ๐‘› โˆ’1 โˆ™ ๐‘ฅโˆ’๐‘Ž ๐‘›
๐‘Ž ๐‘— โˆ’๐‘Ž 1 โˆ™ ๐‘Ž ๐‘— โˆ’๐‘Ž 2 โˆ™โ€ฆโˆ™ ๐‘Ž ๐‘— โˆ’๐‘Ž ๐‘— โˆ’1 โˆ™ ๐‘Ž ๐‘— โˆ’๐‘Ž ๐‘— +1 โˆ™โ€ฆโˆ™ ๐‘Ž ๐‘— โˆ’๐‘Ž ๐‘› โˆ’1 โˆ™ ๐‘Ž ๐‘— โˆ’๐‘Ž ๐‘›
, é o único polinômio em ๐พ[๐‘ฅ]
tal que ๐‘ ๐‘Ž๐‘– = ๐‘๐‘– , โˆ€๐‘– โˆˆ 1, 2, 3, โ€ฆ , ๐‘› .
Demonstração: Escrevendo o polinômio ๐‘(๐‘ฅ), temos:
๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘๐‘›โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’1 + โ‹ฏ + ๐‘1 ๐‘ฅ + ๐‘0
Tal polinômio pode ser obtido resolvendo o seguinte sistema de equações:
๐‘๐‘›โˆ’1 ๐‘Ž1 ๐‘›โˆ’1 + โ‹ฏ + ๐‘1 ๐‘Ž1 + ๐‘0 = ๐‘1
โ‹ฎ
๐‘›โˆ’1
๐‘๐‘›โˆ’1 ๐‘Ž2
+ โ‹ฏ + ๐‘1 ๐‘Ž2 + ๐‘0 = ๐‘2
๐‘›โˆ’1
๐‘๐‘›โˆ’1 ๐‘Ž๐‘›
+ โ‹ฏ + ๐‘1 ๐‘Ž๐‘› + ๐‘0 = ๐‘๐‘›
Notemos que o sistema acima possui ๐‘› equações e ๐‘› incógnitas ๐‘1 , ๐‘2 , ๐‘3 , โ€ฆ , ๐‘๐‘› e, a medida
que ๐‘› assume valores maiores, maior é a dificuldade em buscar a sua solução. Notemos,
porém, que o fato do sistema possuir ๐‘› equações e ๐‘› incógnitas, implica que ele admite pelo
menos uma solução. Mais ainda, afirmamos que a solução é única, pois se considerarmos
outro polinômio ๐‘ž(๐‘ฅ) โˆˆ ๐พ[๐‘ฅ] tal que ๐‘ž ๐‘Ž๐‘– = ๐‘๐‘– , โˆ€๐‘– โˆˆ 1, 2, 3, โ€ฆ , ๐‘› , então o polinômio
๐‘ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ž(๐‘ฅ), com grau menor ou igual a ๐‘› โˆ’ 1, teria ๐‘Ž1 , ๐‘Ž2 , ๐‘Ž3 , โ€ฆ , ๐‘Ž๐‘› como raízes, o que, em
virtude do teorema 4.4, é possível somente se ๐‘ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ž ๐‘ฅ = 0, o que implica que ๐‘ ๐‘ฅ =
๐‘ž(๐‘ฅ), logo, o polinômio ๐‘(๐‘ฅ) é único.
73
Para ๐‘— โˆˆ 1, 2, 3, โ€ฆ , ๐‘› , definamos os polinômios de grau ๐‘› โˆ’ 1,
๐‘๐‘— ๐‘ฅ =
๐‘ฅ โˆ’ ๐‘Ž1 โˆ™ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘Ž2 โˆ™ โ€ฆ โˆ™ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘Ž๐‘— โˆ’1 โˆ™ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘Ž๐‘— +1 โˆ™ โ€ฆ โˆ™ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘Ž๐‘›โˆ’1 โˆ™ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘Ž๐‘›
๐‘Ž๐‘— โˆ’ ๐‘Ž1 โˆ™ ๐‘Ž๐‘— โˆ’ ๐‘Ž2 โˆ™ โ€ฆ โˆ™ ๐‘Ž๐‘— โˆ’ ๐‘Ž๐‘— โˆ’1 โˆ™ ๐‘Ž๐‘— โˆ’ ๐‘Ž๐‘— +1 โˆ™ โ€ฆ โˆ™ ๐‘Ž๐‘— โˆ’ ๐‘Ž๐‘›โˆ’1 โˆ™ ๐‘Ž๐‘— โˆ’ ๐‘Ž๐‘›
Temos ๐‘๐‘— ๐‘Ž๐‘– =
0, ๐‘ ๐‘’ ๐‘– โ‰  ๐‘—
. Como cada polinômio ๐‘๐‘— (๐‘ฅ) tem grau ๐‘› โˆ’ 1, então a soma
1, ๐‘ ๐‘’ ๐‘– = ๐‘—
๐‘1 ๐‘1 ๐‘ฅ + ๐‘2 ๐‘2 ๐‘ฅ + ๐‘3 ๐‘3 ๐‘ฅ + โ‹ฏ + ๐‘๐‘› ๐‘๐‘› (๐‘ฅ) tem grau menor ou igual a ๐‘› โˆ’ 1, além disso,
satisfaz as condições ๐‘ ๐‘Ž๐‘– = ๐‘๐‘– , โˆ€๐‘– โˆˆ 1, 2, 3, โ€ฆ , ๐‘› , logo, assumimos ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘1 ๐‘1 ๐‘ฅ +
๐‘2 ๐‘2 ๐‘ฅ + ๐‘3 ๐‘3 ๐‘ฅ + โ‹ฏ + ๐‘๐‘› ๐‘๐‘› (๐‘ฅ).
O polinômio acima é chamado de polinômio de interpolação e o processo descrito para obtêlo é denominado interpolação de Lagrange.
Exemplo: Determinemos o polinômio ๐‘(๐‘ฅ) โˆˆ ๐พ[๐‘ฅ] tal que ๐‘ 1 = 3, ๐‘ 3 = 2, ๐‘ 4 = 1 e
๐‘ 6 = 4.
Solução:
Temos: ๐›ผ1 = 1, ๐›ผ2 = 3, ๐›ผ3 = 4 e ๐›ผ4 = 6, assim:
๐‘ฅโˆ’3 โˆ™ ๐‘ฅโˆ’4 โˆ™ ๐‘ฅโˆ’6
โˆ’๐‘ฅ 3 + 13๐‘ฅ 2 โˆ’ 54๐‘ฅ + 72
=
1โˆ’3 โˆ™ 1โˆ’4 โˆ™ 1โˆ’6
30
๐‘1 ๐‘ฅ =
๐‘ฅโˆ’1 โˆ™ ๐‘ฅโˆ’4 โˆ™ ๐‘ฅโˆ’6
๐‘ฅ 3 โˆ’ 11๐‘ฅ 2 + 34๐‘ฅ โˆ’ 24
๐‘2 ๐‘ฅ =
=
3โˆ’1 โˆ™ 3โˆ’4 โˆ™ 3โˆ’6
6
๐‘ฅโˆ’1 โˆ™ ๐‘ฅโˆ’3 โˆ™ ๐‘ฅโˆ’6
โˆ’๐‘ฅ 3 + 10๐‘ฅ 2 โˆ’ 27๐‘ฅ + 18
=
4โˆ’1 โˆ™ 4โˆ’3 โˆ™ 4โˆ’6
8
๐‘3 ๐‘ฅ =
๐‘ฅโˆ’1 โˆ™ ๐‘ฅโˆ’3 โˆ™ ๐‘ฅโˆ’4
๐‘ฅ 3 โˆ’ 8๐‘ฅ 2 + 19๐‘ฅ โˆ’ 12
๐‘4 ๐‘ฅ =
=
6โˆ’1 โˆ™ 6โˆ’3 โˆ™ 6โˆ’4
30
Como ๐‘1 = 3, ๐‘2 = 2, ๐‘3 = 1 e ๐‘4 = 4, então:
๐‘ ๐‘ฅ =3โˆ™
โˆ’๐‘ฅ 3 + 13๐‘ฅ 2 โˆ’ 54๐‘ฅ + 72
๐‘ฅ 3 โˆ’ 11๐‘ฅ 2 + 34๐‘ฅ โˆ’ 24
+2โˆ™
+1
30
6
โˆ™
๐‘ ๐‘ฅ =
โˆ’๐‘ฅ 3 + 10๐‘ฅ 2 โˆ’ 27๐‘ฅ + 18
๐‘ฅ 3 โˆ’ 8๐‘ฅ 2 + 19๐‘ฅ โˆ’ 12
+4โˆ™
8
30
โˆ’12๐‘ฅ 3 + 156๐‘ฅ 2 โˆ’ 648๐‘ฅ + 864 + 40๐‘ฅ 3 โˆ’ 440๐‘ฅ 2 + 1360๐‘ฅ โˆ’ 960 โˆ’ 15๐‘ฅ 3
+
120
+
+150๐‘ฅ 2 405๐‘ฅ + 270 + 16๐‘ฅ 3 โˆ’ 128๐‘ฅ 2 + 304๐‘ฅ โˆ’ 192
120
๐‘ ๐‘ฅ =
29
Portanto, ๐‘ ๐‘ฅ = 120 ๐‘ฅ 3 โˆ’
131
60
29๐‘ฅ 3 โˆ’ 262๐‘ฅ 2 + 611๐‘ฅ โˆ’ 18
120
611
3
๐‘ฅ 2 + 120 ๐‘ฅ โˆ’ 20 .
74
5
ESTRUTURAS ALGÉBRICAS ELEMENTARES
Abordaremos a seguir as principais estruturas algébricas elementares, destacando suas
características e as propriedades que as definem.
5.1
LEI DE COMPOSIÇÃO INTERNA
Consideremos um conjunto não vazio ๐ต. Uma função ๐‘“ de ๐ต × ๐ต em ๐ต, que a cada
par ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐ต × ๐ต faz corresponder o elemento ๐‘ฅ โŠ• ๐‘ฆ โˆˆ ๐ต, é denominada uma lei de
composição interna em ๐ต. Assim, dizemos que ๐ต é um conjunto munido da operação โŠ•.
Exemplo: Consideremos o conjunto โ„• dos números naturais e seja ๐‘“ de โ„• × โ„• em โ„•, a
função que a cada par ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ โ„• × โ„•, faz corresponder ao elemento ๐‘ฅ + ๐‘ฆ que também é um
número natural. Assim, o conjunto โ„• dos números naturais é munido da operação + (adição),
ou ainda a adição é uma lei de composição interna em โ„•.
5.2
GRUPOS
Consideremos um conjunto ๐บ munido da operação โŠ•. Dizemos que ๐บ é um grupo em
relação à lei de composição interna โŠ•, se, para todo ๐‘ฅ, ๐‘ฆ, ๐‘ง โˆˆ ๐บ, em relação a โŠ• são
observadas as seguintes propriedades:
I)
x โŠ• y โŠ• z = (xโจy)โจz (associatividade)
II)
โˆƒ๐‘’ โˆˆ ๐บ tal que ๐‘ฅโจ๐‘’ = ๐‘’โจ๐‘ฅ = ๐‘ฅ (elemento neutro)
III) โˆƒ๐‘ฅโ€ฒ โˆˆ ๐บ tal que ๐‘ฅโจ๐‘ฅ โ€ฒ = ๐‘ฅ โ€ฒ โจ๐‘ฅ = ๐‘’ (todo elemento de G possui simétrico aditivo)
Quando a lei de composição interna em ๐บ for a adição + , dizemos que ๐บ é um grupo
aditivo e quando a lei de composição interna em ๐บ for a multiplicação โˆ™ , dizemos que ๐บ é
um grupo multiplicativo.
Representaremos por ๐บ, โจ um grupo com a lei de composição interna โจ.
Se além das três propriedades mencionadas acima, dados ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐บ, ocorrer que
๐‘ฅโจ๐‘ฆ = ๐‘ฆโจ๐‘ฅ, então dizemos que ๐บ é um grupo comutativo ou grupo abeliano4.
4
Homenagem ao matemático norueguês Niels Henrik Abel (1802-1829).
75
Exemplos:
1) Grupo aditivo das matrizes reais quadradas de ordem ๐‘›, ou seja, โ„ณ๐‘› , + .
Vimos no estudo das matrizes que a adição goza das propriedades associativa,
elemento neutro (matriz nula) e simétrico aditivo (matriz oposta), portanto, o conjunto โ„ณ๐‘›
das matrizes quadradas de ordem ๐‘›, munido da operação usual de adição é um grupo. Além
disso, vimos que além das três propriedades mencionadas acima, a adição de matrizes é
comutativa, portanto, โ„ณ๐‘› , + é um grupo abeliano.
2) O conjunto ๐ด ๐‘ฅ de todos os polinômios com coeficientes em ๐ด (considere ๐ด com
as propriedades descritas no capítulo sobre polinômios), visto anteriormente, é um grupo
aditivo para a operação usual de adição, pois vimos que a adição de polinômios em ๐ด ๐‘ฅ é
associativa, existe elemento neutro (polinômio nulo) e todo polinômio em ๐ด ๐‘ฅ é simetrizável.
Portanto, ๐ด ๐‘ฅ , + é um grupo. Além disso, ๐ด ๐‘ฅ , + é grupo abeliano, pois a adição em
๐ด ๐‘ฅ é comutativa conforme demonstrado anteriormente.
3) O conjunto dos números inteiros para a operação usual de adição é um grupo
abeliano, pois dados ๐‘ฅ, ๐‘ฆ, ๐‘ง โˆˆ โ„ค, temos ๐‘ฅ + ๐‘ฆ + ๐‘ง = ๐‘ฅ + ๐‘ฆ + ๐‘ง, 0 โˆˆ โ„ค e 0 + ๐‘ฅ = ๐‘ฅ + 0 =
๐‘ฅ além de โˆ’๐‘ฅ โˆˆ โ„ค e โ€“ ๐‘ฅ + ๐‘ฅ = ๐‘ฅ + โˆ’๐‘ฅ = 0. Notemos ainda que em โ„ค, ๐‘ฅ + ๐‘ฆ = ๐‘ฆ + ๐‘ฅ,
portanto, โ„ค, + é um grupo abeliano.
4) O conjunto โ„ค3 = 0, 1, 2 , dos restos das divisões euclidianas de um numero inteiro
qualquer por 3 é um grupo abeliano em relação a operação de adição definida por
๐‘ฅ + ๐‘ฆ = ๐‘ฅ + ๐‘ฆ, โˆ€๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ โ„ค3 . Observemos a tábua de operação em โ„ค3 :
+
0
1
2
0
0
1
2
1
1
2
0
2
2
0
1
Notemos que quaisquer que sejam ๐‘ฅ, ๐‘ฆ, ๐‘ง โˆˆ โ„ค3 , temos ๐‘ฅ + ๐‘ฆ + ๐‘ง = (๐‘ฅ + ๐‘ฆ) + ๐‘ง,
๐‘ฅ + ๐‘ฆ = ๐‘ฆ + ๐‘ฅ , 0 é o elemento neutro da adição, pois ๐‘ฅ + 0 = 0 + ๐‘ฅ = ๐‘ฅ além de 1 e 2 serem os
simétricos aditivos, respectivamente, de 2 e 1. Portanto, โ„ค3 , + é um grupo abeliano.
5) O conjunto ๐บ = โˆ’1,1 , munido da lei de composição interna multiplicação usual
é um grupo abeliano, vejamos a tábua da operação:
โˆ™
โˆ’1 1
โˆ’1 1 โˆ’1
1 โˆ’1 1
Notemos que para todo ๐‘ฅ, ๐‘ฆ, ๐‘ง โˆˆ ๐บ, temos ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฆ โˆ™ ๐‘ง = (๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฆ) โˆ™ ๐‘ง,
๐‘ฅ. ๐‘ฆ = ๐‘ฆ. ๐‘ฅ, ๐‘ฅ. 1 = 1. ๐‘ฅ = ๐‘ฅ, além de โˆ’1 e 1 serem os simétricos
multiplicativos (inversos), respectivamente de โˆ’1 e 1.
Portanto, ๐บ,โˆ™ é um grupo abeliano.
76
6) O Conjunto โ„• = 1, 2, 3, โ€ฆ com a operação usual de adição não é um grupo, pois,
embora a adição de números naturais seja associativa, esse conjunto não possui elemento
neutro aditivo e seus elementos não são simetrizáveis na adição.
De maneira análoga, o conjunto โ„• = 1, 2, 3, โ€ฆ com a operação de multiplicação
usual não é um grupo, pois, embora a multiplicação de números naturais seja associativa, e o
número 1 seja o elemento neutro multiplicativo, o único elemento simetrizável (invertível) na
multiplicação é o número 1.
7) O conjunto โ„ค dos números inteiros com a multiplicação usual não é um grupo, pois
embora a multiplicação de números inteiros seja associativa e o número 1 seja o elemento
neutro multiplicativo, somente os elementos 1 e โˆ’1 são invertíveis.
8) O conjunto โ„ณ๐‘› das matrizes quadradas de ordem ๐‘›, com a operação de
multiplicação usual de matrizes não é um grupo, pois embora a multiplicação de matrizes
seja associativa e a matriz ๐ผ๐‘›
(matriz identidade de ordem ๐‘›) seja o elemento neutro
multiplicativo, nem todas as matrizes quadradas de ordem ๐‘› são invertíveis.
9) O conjunto โ„ค4 = 0, 1, 2, 3 , dos restos das divisões euclidianas de um número
inteiro qualquer por 4 não é um grupo em relação à operação usual de multiplicação, pois
embora a multiplicação usual seja associativa em โ„ค4 e o número 1 seja o elemento neutro
multiplicativo, o elemento 2 não é invertível.
5.2.1 Subgrupos
Considerando ๐บ, โจ um grupo e ๐ป um subconjunto não vazio de ๐บ, dizemos que ๐ป é
um subgrupo de ๐บ se dados ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐ป temos ๐‘ฅโจ๐‘ฆ โˆˆ ๐ป e além disso, ๐ป, โจ é também um
grupo.
Exemplo:
Considerando o Grupo aditivo dos números reais โ„, + , temos que โ„ค, + é um
subgrupo de โ„, pois โ„ค โŠ‚ โ„, dados ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ โ„ค temos ๐‘ฅ + ๐‘ฆ โˆˆ โ„ค além de a adição nos inteiros ser
associativa, possuir elemento neutro e, para todo ๐‘ฅ โˆˆ โ„ค, temos โˆ’๐‘ฅ โˆˆ โ„ค tal que โ€“ ๐‘ฅ + ๐‘ฅ = ๐‘ฅ +
โˆ’๐‘ฅ = 0, isto é, todo elemento de โ„ค possui simétrico.
Notemos que se ๐ป, โจ é um subgrupo ๐บ, โจ e, sendo ๐‘’๐‘• e ๐‘’ os elementos neutros de
๐ป e ๐บ, respectivamente, então é fácil verificar que ๐‘’๐‘• = ๐‘’, pois temos que ๐‘’๐‘• โจ๐‘ฅ = ๐‘ฅ = ๐‘’โจ๐‘ฅ
operando a direita da dos membros da igualdade com o elemento ๐‘ฅโ€ฒ que é o simétrico de ๐‘ฅ,
77
temos ๐‘’๐‘• โจ ๐‘ฅโจ๐‘ฅโ€ฒ = ๐‘’โจ ๐‘ฅโจ๐‘ฅโ€ฒ o que implica que ๐‘’๐‘• โจ๐‘’ = ๐‘’โจ๐‘’, concluindo com isso que
๐‘’๐‘• = ๐‘’.
O teorema a seguir constitui uma ferramenta fácil para verificar se um subconjunto
não vazio ๐ป โŠ‚ ๐บ é um subgrupo de ๐บ em relação a uma lei de composição interna โจ de ๐บ:
Teorema 5.1: Seja ๐บ, โจ um grupo. Um conjunto não vazio ๐ป โŠ‚ ๐บ é um subgrupo de ๐บ se,
e somente se, โˆ€๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐ป, temos ๐‘ฅโจ๐‘ฆโ€ฒ โˆˆ ๐ป. Onde ๐‘ฆโ€ฒ representa o simétrico de ๐‘ฆ.
Demonstração:
โŸน Se ๐ป โŠ‚ ๐บ é um subgrupo de ๐บ então, โˆ€๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐ป, vale que ๐‘ฆโ€ฒ โˆˆ ๐ป e, sendo โจ
uma operação definida em ๐ป, então ๐‘ฅโจ๐‘ฆโ€ฒ โˆˆ ๐ป.
โŸธ Suponhamos que โˆ€๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐ป, ๐‘ฅโจ๐‘ฆโ€ฒ โˆˆ ๐ป. Tomando ๐‘ฆ = ๐‘ฅ, temos que ๐‘ฅโจ๐‘ฅ โ€ฒ =
๐‘’ โˆˆ ๐ป. Por hipótese, e pelo fato de ๐‘’ โˆˆ ๐ป, temos que ๐‘’โจ๐‘ฆ โ€ฒ = ๐‘ฆโ€ฒ โˆˆ ๐ป. Com isso garantimos a
existência do elemento neutro da operação โจ em ๐ป, além de mostrar que todos os elementos
de ๐ป são simetrizáveis em relação a essa operação. Dados ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐ป, em virtude do que foi
visto, temos que ๐‘ฅโจ ๐‘ฆ โ€ฒ
โ€ฒ
= ๐‘ฅโจ๐‘ฆ โˆˆ ๐ป, garantindo que ๐ป é fechado para a operação โจ que é
lei de composição interna de ๐บ. Além disso, por herança, a igualdade ๐‘ฅโจ ๐‘ฆโจ๐‘ง = (๐‘ฅโจ๐‘ฆ)โจ๐‘ง
é válida em ๐ป. Portanto, ๐ป é um subgrupo de ๐บ.
5.3
ANÉIS
Consideremos um conjunto ๐ด não vazio munido das leis de composição internas +
(adição) e โ€ข (multiplicação).
Dizemos que ๐ด é um anel se, em relação à adição em ๐ด, for um grupo abeliano, ou
seja, โˆ€๐‘ฅ, ๐‘ฆ, ๐‘ง โˆˆ ๐ด:
I)
x + y + z = x + y + z (associatividade)
II)
โˆƒ๐‘’ โˆˆ ๐บ tal que ๐‘ฅ + ๐‘’ = ๐‘’ + ๐‘ฅ = ๐‘ฅ (elemento neutro)
III) โˆƒ๐‘ฅโ€ฒ โˆˆ ๐บ tal que ๐‘ฅ + ๐‘ฅ โ€ฒ = ๐‘ฅ โ€ฒ + ๐‘ฅ = ๐‘’ (todo elemento de G é simetrizável)
IV) ๐‘ฅ + ๐‘ฆ = ๐‘ฆ + ๐‘ฅ (comutatividade)
e, se em relação a multiplicação, temos ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฆ โˆ™ ๐‘ง = (๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฆ) โˆ™ ๐‘ง (associatividade). Além disso,
a multiplicação é distributiva em relação à adição, ou seja, ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฆ + ๐‘ง = ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฆ + ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ง.
Nas condições expostas acima, dizemos que ๐ด é um anel e representamos isso por
๐ด, +,โˆ™ .
78
Se para todo ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐ด, tivermos ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฆ = ๐‘ฆ โˆ™ ๐‘ฅ, dizemos que ๐ด é um anel comutativo.
Além disso, se existir ๐‘ข โˆˆ ๐ด tal que para todo ๐‘ฅ โˆˆ ๐ด ๐‘ข โˆ™ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ข = ๐‘ฅ, então ๐ด é um anel com
unidade.
Em um anel ๐ด, comutativo com unidade, onde para todo ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐ด, se ๐‘ฅ. ๐‘ฆ = 0 implicar
que ๐‘ฅ = 0 ou ๐‘ฆ = 0, então dizemos que ๐ด é um anel de integridade ou um domínio de
integridade. Decorre dessa observação, uma propriedade dos domínios de integridade, que
conhecemos como lei do anulamento do produto e enunciaremos a seguir:
Sejam ๐‘ฅ, ๐‘ฆ, ๐‘ง โˆˆ ๐ด e ๐ด, +,โˆ™ é um domínio de integridade, se ๐‘ง โ‰  0 e ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ง = ๐‘ฆ โˆ™ ๐‘ง,
então ๐‘ฅ = ๐‘ฆ.
Demonstração:
Se ๐‘ฅ, ๐‘ฆ, ๐‘ง โˆˆ ๐ด e ๐ด, +,โˆ™ é um domínio de integridade, então cada elemento de ๐ด possui
simétrico aditivo, além de a multiplicação ser distributiva em relação à adição e ๐ด não possuir
divisores próprios de zero. Sendo assim, somando โˆ’๐‘ฆ โˆ™ ๐‘ง a ambos os membros da igualdade
๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ง = ๐‘ฆ โˆ™ ๐‘ง, temos ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ง โˆ’ ๐‘ฆ. ๐‘ง = ๐‘ฆ โˆ™ ๐‘ง โˆ’ ๐‘ฆ. ๐‘ง, o que implica que (๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฆ) โˆ™ ๐‘ง = 0. Como ๐‘ง โ‰ 
0, então ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฆ = 0. Somando ๐‘ฆ a ambos os membros da igualdade ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฆ = 0, temos
๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฆ + ๐‘ฆ = 0 + ๐‘ฆ, o que implica que ๐‘ฅ = ๐‘ฆ.
Exemplos:
1) O Conjunto โ„ณ2 das matrizes reais, quadradas de ordem 2, munido das operações
usuais de adição e multiplicação é um anel, pois em relação a adição é um grupo abeliano. Em
relação à multiplicação, temos a propriedade associativa e a multiplicação é distributiva em
relação à adição. Portanto, โ„ณ2 , +,โˆ™ é um anel. Além disso, a matriz identidade ๐ผ2 é o
elemento neutro multiplicativo, portanto, โ„ณ2 , +,โˆ™ é anel com unidade. Notemos, porém, que
โ„ณ2 , +,โˆ™
não é comutativo e apresenta divisores próprios de zero, vejamos:
0 1
โˆ™
0 0
1 0
0 0
1 0 0 1
0 1
=
e
โˆ™
=
. Logo, โ„ณ2 , +,โˆ™ não é domínio de integridade.
0 0
0 0
0 0 0 0
0 0
2) O conjunto โ„ค, +,โˆ™ é um domínio de integridade, pois โ„ค é um grupo abeliano em
relação à adição, como já vimos e, a multiplicação em โ„ค é associativa, é distributiva em
relação à adição, é comutativa e o número 1 é a unidade. Além disso, dados ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ โ„ค, se
๐‘ฅ. ๐‘ฆ = 0, então ๐‘ฅ = 0 ou ๐‘ฆ = 0.
3) O conjunto ๐ด dos coeficientes dos polinômios do conjunto ๐ด ๐‘ฅ , com as
propriedades apresentadas no capítulo 4 é um domínio de integridade.
4) O conjunto โ„ค3 = 0, 1, 2 , dos restos das divisões euclidianas de um numero inteiro
qualquer por 3 é um domínio de integridade, observe as tábuas de operações em โ„ค3 :
79
+
0
1
2
0
0
1
2
1
1
2
0
2
2
0
1
โˆ™
0
1
2
0
0
0
0
1
0
1
2
2
0
2
1
Notemos que em relação à adição โ„ค3 é um grupo abeliano e que a multiplicação é associativa,
comutativa e possui a unidade. Além disso, a multiplicação é distributiva em relação à adição
e โ„ค3 não possui divisores próprios de zero.
5) O conjunto โ„ค4 = 0, 1, 2, 3 , dos restos das divisões euclidianas de um número
inteiro qualquer por 4 é um anel comutativo com unidade, porém não é um domínio de
integridade, pois em โ„ค4 temos 2.2 = 4 = 0, ou seja, โ„ค4 possui divisores próprios de zero.
6) O conjunto ๐ด ๐‘ฅ dos polinômios com coeficientes no domínio de integridade ๐ด, é
também um domínio de integridade. Como vimos em 4.2 e 4.3, em relação à adição, ๐ด ๐‘ฅ
possui as propriedades associativa, comutativa, elemento neutro aditivo (polinômio nulo) e
cada polinômio em ๐ด ๐‘ฅ possui um polinômio simétrico. A multiplicação de polinômio é
associativa, é comutativa, existe o polinômio constante ๐‘ ๐‘ฅ = 1 que é a unidade
multiplicativa e, além disso, se ๐‘ ๐‘ฅ . ๐‘ž ๐‘ฅ = 0 então ๐‘ ๐‘ฅ ou ๐‘ž ๐‘ฅ é o polinômio nulo.
Observemos que o conjunto dos restos das divisões de um inteiro qualquer por ๐‘š, o
conjunto โ„ค๐‘š = {1, 2, 3, โ€ฆ , ๐‘š โˆ’ 1} é um anel comutativo com unidade. A seguir
demonstraremos um importante teorema sobre anéis:
Teorema 5.2: O anel comutativo com unidade โ„ค๐‘š = {1, 2, 3, โ€ฆ , ๐‘š โˆ’ 1} é um domínio de
integridade se, e somente se ๐‘š é primo.
Demonstração:
(โ‡’) Se ๐‘š não for primo, então existem ๐‘ฅ e ๐‘ฆ pertencentes a โ„ค de tal forma que tal que
๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฆ = ๐‘š, com 1 < ๐‘ฅ < ๐‘ฆ < ๐‘š, o que implica que ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ โ„ค๐‘š e ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฆ = ๐‘š = 0, ou seja, โ„ค๐‘š
possui divisores próprios de zero e, portanto, não é um domínio de integridade.
(โ‡) Suponhamos que existam ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ โ„ค๐‘š , de modo que ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฆ = ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฆ = 0, então
๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฆ = ๐‘˜ โˆ™ ๐‘š, ๐‘˜ โˆˆ โ„ค. Decorre desse fato que ๐‘š|๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฆ. Como ๐‘š é um número primo, então
๐‘š|๐‘ฅ ou ๐‘š|๐‘ฆ, o que implica que ๐‘ฅ = ๐‘Ž โˆ™ ๐‘š ou ๐‘ฆ = ๐‘ โˆ™ ๐‘š, ๐‘Ž, ๐‘ โˆˆ โ„ค, portanto ๐‘ฅ = 0 ou ๐‘ฆ = 0,
logo, โ„ค๐‘š é um domínio de integridade.
80
5.3.1 Subanéis
Considerando ๐ด, +,โˆ™ um anel, dizemos que um subconjunto não vazio ๐ต โŠ‚ ๐ด é um
subanel de ๐ด, se ๐ต é fechado para as duas leis de composição interna de ๐ด, ou seja, dados
๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐ต, temos ๐‘ฅ + ๐‘ฆ โˆˆ ๐ต e ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฆ โˆˆ ๐ต e, além disso, ๐ต for um anel em relação às operações +
e โˆ™.
Exemplo:
Considerando o anel (โ„ค, +,โˆ™) dos inteiros, o subconjunto 2โ„ค dos números inteiros
pares é um subanel de โ„ค. Verifiquemos:
Para todo ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ 2โ„ค, temos ๐‘ฅ = 2๐‘Ž e ๐‘ฆ = 2๐‘, ๐‘Ž, ๐‘ โˆˆ โ„ค. Sendo assim, ๐‘ฅ + ๐‘ฆ = 2๐‘Ž + 2๐‘ =
2(๐‘Ž + ๐‘) โˆˆ 2โ„ค e ๐‘ฅ. ๐‘ฆ = 2๐‘Ž. 2๐‘ = 4๐‘Ž๐‘ = 2(2๐‘Ž๐‘) โˆˆ 2โ„ค, portanto, a adição e a multiplicação
de โ„ค são fechadas em 2โ„ค. Além disso, para todo ๐‘ฅ, ๐‘ฆ, ๐‘ง โˆˆ 2โ„ค, temos ๐‘ฅ = 2๐‘Ž, ๐‘ฆ = 2๐‘ e ๐‘ง =
2๐‘,
com
๐‘+๐‘
๐‘Ž, ๐‘, ๐‘ โˆˆ โ„ค,
assim,
๐‘ฅ + ๐‘ฆ + ๐‘ง = 2๐‘Ž + 2๐‘ + 2๐‘ = 2๐‘Ž + 2 ๐‘ + ๐‘ = 2 ๐‘Ž +
= 2 ๐‘Ž + ๐‘ + ๐‘ = 2 ๐‘Ž + ๐‘ + 2๐‘ = 2๐‘Ž + 2๐‘ + 2๐‘ = ๐‘ฅ + ๐‘ฆ + ๐‘ง;
0 = 2.0 โˆˆ
2โ„ค e é o elemento neutro da adição pois ๐‘ฅ + 0 = 2๐‘Ž + 2.0 = 2 ๐‘Ž + 0 = 2๐‘Ž = ๐‘ฅ; para todo
๐‘ฅ โˆˆ 2โ„ค, fazendo ๐‘ฅ + ๐‘ฅ โ€ฒ = 0, temos 2๐‘Ž + ๐‘ฅ โ€ฒ = 0, como 2๐‘Ž โˆˆ โ„ค e โ„ค é uma anel, então โˆ’2๐‘Ž é
o simétrico de 2๐‘Ž em โ„ค. Somando โˆ’2๐‘Ž em ambos os membros da igualdade 2๐‘Ž + ๐‘ฅ โ€ฒ = 0
temos โˆ’2๐‘Ž + 2๐‘Ž + ๐‘ฅ โ€ฒ = โˆ’2๐‘Ž + 0, o que implica que ๐‘ฅ โ€ฒ = โˆ’2๐‘Ž = โˆ’๐‘ฅ โˆˆ 2โ„ค; temos ainda
que ๐‘ฅ + ๐‘ฆ = 2๐‘Ž + 2๐‘ = 2 ๐‘Ž + ๐‘ = 2 ๐‘ + ๐‘Ž = 2๐‘ + 2๐‘Ž = ๐‘ฆ + ๐‘ฅ. Mostrando com isso que
2โ„ค, + é um grupo abeliano.
Com relação à multiplicação, temos ๐‘ฅ. ๐‘ฆ. ๐‘ง = 2๐‘Ž. 2๐‘. 2๐‘ = 2๐‘Ž. 2๐‘ . 2๐‘ = ๐‘ฅ. ๐‘ฆ . ๐‘ง.
Temos
ainda
๐‘ฅ. ๐‘ฆ + ๐‘ง = 2๐‘Ž. 2๐‘ + 2๐‘ = 2๐‘Ž. 2. ๐‘ + 2๐‘Ž. 2๐‘ = ๐‘ฅ. ๐‘ฆ + ๐‘ฅ. ๐‘ง.
Portanto,
2โ„ค, +,โˆ™ é um anel e, portanto, um subanel de โ„ค.
Notemos ainda que para todo ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ โ„ค, temos ๐‘ฅ + ๐‘ฆ = 2๐‘Ž + 2๐‘ = 2 ๐‘Ž + ๐‘ = 2 ๐‘ + ๐‘Ž =
2๐‘ + 2๐‘Ž = ๐‘ฆ + ๐‘ฅ, o que implica que 2โ„ค, +,โˆ™ é um anel comutativo, porém, enquanto โ„ค é um
domínio de integridade, 2โ„ค não o é, pois não é um anel com unidade.
O teorema a seguir constitui uma ferramenta útil e fácil para verificar se um
subconjunto não vazio ๐ต é um subanel de ๐ด:
Teorema 5.3: Seja ๐ด, +,โˆ™ um anel. Um conjunto não vazio ๐ต โŠ‚ ๐ด é um subanel de ๐ด se, e
somente se, โˆ€๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐ต, temos ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฆ โˆˆ ๐ต e ๐‘ฅ. ๐‘ฆ โˆˆ ๐ต.
81
Demonstração:
(โŸน) Consideremos ๐ต um subanel de ๐ด, então, por hipótese, (๐ต, +) é um subgrupo abeliano
de (๐ด, +) e, portanto, para todo ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐ต, temos ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฆ โˆˆ ๐ต. Considerando ainda a hipótese,
temos que ๐‘ฅ. ๐‘ฆ โˆˆ ๐ต, pois em um anel a multiplicação é fechada. Portanto, se ๐ต um subanel de
๐ด e ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐ต, então ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฆ โˆˆ ๐ต e ๐‘ฅ. ๐‘ฆ โˆˆ ๐ต.
(โŸธ) Consideremos, por hipótese, que dados ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐ต, temos ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฆ โˆˆ ๐ต e ๐‘ฅ. ๐‘ฆ โˆˆ ๐ต.
Como ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฆ โˆˆ ๐ต, então (๐ต, +) é um subgrupo de (๐ด, +) e, como (๐ด, +) é abeliano, então
(๐ต, +) também é abeliano. Como ๐ต โŠ‚ ๐ด, então, para todo ๐‘ฅ, ๐‘ฆ, ๐‘ง โˆˆ ๐ต, temos que ๐‘ฅ, ๐‘ฆ, ๐‘ง โˆˆ ๐ด e,
portanto, ๐‘ฅ. ๐‘ฆ. ๐‘ง = ๐‘ฅ. ๐‘ฆ . ๐‘ง โˆˆ ๐ด pois ๐ด é um anel. Mas, por hipótese, a multiplicação de ๐ด é
fechada em ๐ต, portanto, ๐‘ฅ. ๐‘ฆ. ๐‘ง = ๐‘ฅ. ๐‘ฆ . ๐‘ง โˆˆ ๐ต, logo, a multiplicação é associativa em ๐ต.
Além disso, pelo mesmo motivo, temos ๐‘ฅ. ๐‘ฆ + ๐‘ง = ๐‘ฅ. ๐‘ฆ + ๐‘ฅ. ๐‘ง โˆˆ ๐ต, portanto, ๐ต, +,โˆ™ é um
subanel de ๐ด, +,โˆ™ .
5.4
IDEAIS
Seja ๐ด um anel. Um subconjunto não vazio ๐ผ โŠ‚ ๐ด é denominado um ideal à esquerda
de ๐ด se ๐ผ é um subanel de ๐ด e โˆ€๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐ผ e ๐‘Ž โˆˆ ๐ด, temos ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฆ โˆˆ ๐ผ e ๐‘Ž โˆ™ ๐‘ฅ โˆˆ ๐ผ.
De maneira análoga, dizemos que um subconjunto não vazio ๐ผ โŠ‚ ๐ด é um ideal à
direita de ๐ด se ๐ผ é um subanel de ๐ด e โˆ€๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐ผ e ๐‘Ž โˆˆ ๐ด, temos ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฆ โˆˆ ๐ผ e ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘Ž โˆˆ ๐ผ.
Quando ๐ด é um anel comutativo os ideais à esquerda e à direita coincidem e dizemos
então que ๐ผ é um ideal de ๐ด.
Dado um anel ๐ด, os subconjuntos 0 e ๐ด são denominados ideais triviais ou ideais
próprios de ๐ด.
Vejamos:
1) โˆ€๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ 0 temos ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฆ = 0 โˆ’ 0 = 0 โˆˆ 0 , além disso, dados ๐‘Ž โˆˆ ๐ด e ๐‘ฅ โˆˆ {0},
temos que ๐‘Ž โˆ™ ๐‘ฅ = ๐‘Ž โˆ™ 0 = 0 โˆˆ {0} e ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘Ž = ๐‘ฅ โˆ™ 0 = 0 โˆˆ {0} que nos mostra que 0 é ideal à
esquerda e à direita de ๐ด. Portanto, 0 é um ideal de ๐ด.
2) Como ๐ด é um anel e ๐ด โŠ‚ ๐ด, então ๐ด é um subanel de ๐ด. É evidente que dados
๐‘Ž โˆˆ ๐ด e ๐‘ฅ โˆˆ ๐ด, temos que ๐‘Ž โˆ™ ๐‘ฅ โˆˆ ๐ด e ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘Ž โˆˆ ๐ด que nos mostra que ๐ด é ideal à esquerda e à
direita de ๐ด. Portanto, ๐ด é um ideal de ๐ด.
Seja ๐ด um anel comutativo. Sejam ๐‘Ž1 , ๐‘Ž2 , ๐‘Ž3 , โ€ฆ , ๐‘Ž๐‘› โˆˆ ๐ด; ๐‘› โ‰ฅ 1. O conjunto ๐‘Ž1 , ๐‘Ž2 ,
โ€ฆ , ๐‘Ž๐‘› โŠ‚ ๐ด, definido como:
๐‘Ž1 , ๐‘Ž2 , โ€ฆ , ๐‘Ž๐‘› = ๐‘ฅ1 โˆ™ ๐‘Ž1 + ๐‘ฅ2 โˆ™ ๐‘Ž2 + โ‹ฏ + ๐‘ฅ๐‘› โˆ™ ๐‘Ž๐‘› ; ๐‘ฅ๐‘– โˆˆ ๐ด, 1 โ‰ค ๐‘– โ‰ค ๐‘› é um ideal em ๐ด.
82
Vejamos:
0 = 0 โˆ™ ๐‘Ž1 + 0 โˆ™ ๐‘Ž2 +...+0 โˆ™ ๐‘Ž๐‘› , portanto, 0 โˆˆ ๐‘Ž1 , ๐‘Ž2 , โ€ฆ , ๐‘Ž๐‘› .
Dados ๐‘š, ๐‘› โˆˆ ๐‘Ž1 , ๐‘Ž2 , โ€ฆ , ๐‘Ž๐‘› , então existem ๐‘ฅ๐‘– , ๐‘ฆ๐‘– โˆˆ ๐ด, 1 โ‰ค ๐‘– โ‰ค ๐‘›
๐‘ฅ1 โˆ™ ๐‘Ž1 + ๐‘ฅ2 โˆ™ ๐‘Ž2 + โ‹ฏ + ๐‘ฅ๐‘› โˆ™ ๐‘Ž๐‘›
e
๐‘› = ๐‘ฆ1 โˆ™ ๐‘Ž1 + ๐‘ฆ2 โˆ™ ๐‘Ž2 + โ‹ฏ + ๐‘ฆ๐‘› โˆ™ ๐‘Ž๐‘› ,
tais que ๐‘š =
logo,
teremos
๐‘š โˆ’ ๐‘› = (๐‘ฅ1 โˆ’ ๐‘ฆ1 ) โˆ™ ๐‘Ž1 + (๐‘ฅ2 โˆ’ ๐‘ฆ2 ) โˆ™ ๐‘Ž2 + โ‹ฏ + (๐‘ฅ๐‘› โˆ’ ๐‘ฆ๐‘› ) โˆ™ ๐‘Ž๐‘› . Como ๐‘ฅ๐‘– โˆ’ ๐‘ฆ๐‘– โˆˆ ๐ด, então
๐‘š โˆ’ ๐‘› โˆˆ ๐‘Ž1 , ๐‘Ž2 , โ€ฆ , ๐‘Ž๐‘› . Seja ๐›ผ โˆˆ ๐ด e ๐‘š โˆˆ ๐‘Ž1 , ๐‘Ž2 , โ€ฆ , ๐‘Ž๐‘› , então existem ๐‘ฅ๐‘– โˆˆ ๐ด, 1 โ‰ค ๐‘– โ‰ค ๐‘›
tal que ๐‘š = ๐‘ฅ1 โˆ™ ๐‘Ž1 + ๐‘ฅ2 โˆ™ ๐‘Ž2 + โ‹ฏ + ๐‘ฅ๐‘› โˆ™ ๐‘Ž๐‘› . Assim, temos ๐›ผ โˆ™ ๐‘š = ๐›ผ โˆ™ ๐‘ฅ1 โˆ™ ๐‘Ž1 + ๐›ผ โˆ™ ๐‘ฅ2 โˆ™
๐‘Ž2 + โ‹ฏ + ๐›ผ โˆ™ ๐‘ฅ๐‘› โˆ™ ๐‘Ž๐‘› = ๐‘ฅ1 โˆ™ (๐›ผ โˆ™ ๐‘Ž1 ) + ๐‘ฅ2 โˆ™ (๐›ผ โˆ™ ๐‘Ž2 ) + โ‹ฏ + ๐‘ฅ๐‘› โˆ™ (๐›ผ โˆ™ ๐‘Ž๐‘› ) = ๐‘ฅ1 โˆ™ ๐‘1 + ๐‘ฅ2 โˆ™
๐‘2 + โ‹ฏ + ๐‘ฅ๐‘› โˆ™ ๐‘๐‘› .
Como
๐‘๐‘– = ๐›ผ โˆ™ ๐‘Ž๐‘– โˆˆ ๐ด,
então
๐‘ฅ1 โˆ™ ๐‘1 + ๐‘ฅ2 โˆ™ ๐‘2 + โ‹ฏ + ๐‘ฅ๐‘› โˆ™ ๐‘๐‘› โˆˆ
๐‘Ž1 , ๐‘Ž2 , โ€ฆ , ๐‘Ž๐‘› , portanto ๐›ผ โˆ™ ๐‘š โˆˆ ๐‘Ž1 , ๐‘Ž2 , โ€ฆ , ๐‘Ž๐‘› , o que mostra que ๐‘Ž1 , ๐‘Ž2 , โ€ฆ , ๐‘Ž๐‘› é um ideal
em ๐ด.
O ideal ๐‘Ž1 , ๐‘Ž2 , โ€ฆ , ๐‘Ž๐‘› obtido acima é denominado ideal gerado por ๐‘Ž1 , ๐‘Ž2 , โ€ฆ , ๐‘Ž๐‘› . Um
ideal gerado por um só elemento ๐‘Ž do anel ๐ด, representado ๐‘Ž é denominado ideal principal
gerado por ๐‘Ž.
Exemplos:
1) Consideremos o anel das matrizes reais quadradas de ordem 2 com as leis de
composição interna adição e a multiplicação usuais, ou seja, โ„ณ, +, . . Consideremos os
conjuntos ๐ผ โŠ‚ โ„ณ tal que ๐ผ = ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘— 2 ; ๐‘Ž๐‘–๐‘— = 0, ๐‘ ๐‘’ ๐‘— โ‰  1 ๐‘’ ๐‘Ž๐‘–1 โ‰  0 ๐‘๐‘Ž๐‘Ÿ๐‘Ž ๐‘Ž๐‘™๐‘”๐‘ข๐‘š ๐‘–
e
๐ผโ€ฒ โŠ‚ โ„ณ tal que ๐ผโ€ฒ = ๐ต = ๐‘๐‘–๐‘— 2 ; ๐‘๐‘–๐‘— = 0, ๐‘ ๐‘’ ๐‘– โ‰  1 ๐‘’ ๐‘1๐‘— โ‰  0 ๐‘๐‘Ž๐‘Ÿ๐‘Ž ๐‘Ž๐‘™๐‘”๐‘ข๐‘š ๐‘— . Mostraremos
que ๐ผ é um ideal à esquerda de โ„ณ e ๐ผโ€ฒ é um ideal à direita de โ„ณ.
๐‘š11 ๐‘š12
Seja ๐‘€ โˆˆ โ„ณ uma matriz qualquer tal que ๐‘€ = ๐‘š
๐‘š22 . Consideremos ainda as matrizes
21
๐ด=
๐‘Ž11
๐‘Ž21
0
0
e ๐ดโ€ฒ =
โ€ฒ
๐‘Ž11
โ€ฒ
๐‘Ž21
0
0
pertencentes ao conjunto ๐ผ. Fazendo ๐ด โˆ’ ๐ดโ€ฒ, temos
โ€ฒ
โ€ฒ
0
โˆ’๐‘Ž11
0
๐‘Ž11 โˆ’๐‘Ž11
0
๐‘Ž
0
= 11
+
=
โˆˆ๐ผ
โ€ฒ
โ€ฒ
๐‘Ž21 0
0
โˆ’๐‘Ž21 0
๐‘Ž21 โˆ’ ๐‘Ž21 0
๐‘š11 ๐‘š12 ๐‘Ž11 0
๐‘š11 . ๐‘Ž11 + ๐‘š12 . ๐‘Ž21 ๐‘š11 . 0 + ๐‘š12 . 0
Fazendo ๐‘€. ๐ด temos ๐‘š
๐‘š22 . ๐‘Ž21 0 = ๐‘š21 . ๐‘Ž11 + ๐‘š22 . ๐‘Ž21 ๐‘š21 . 0 + ๐‘š22 . 0 =
21
๐‘Ž11
๐‘Ž21
๐‘Žโ€ฒ
0
โˆ’ 11
โ€ฒ
0
๐‘Ž21
=
๐‘š11 . ๐‘Ž11 + ๐‘š12 . ๐‘Ž21
๐‘š21 . ๐‘Ž11 + ๐‘š22 . ๐‘Ž21
=
๐‘Ž11 . ๐‘š11 + 0. ๐‘š21
๐‘Ž21 . ๐‘š11 + 0. ๐‘š21
0
๐‘Ž
0 ๐‘š11 ๐‘š12
โˆˆ ๐ผ. Notemos porém que 11
.
=
๐‘Ž21 0 ๐‘š21 ๐‘š22
0
๐‘Ž11 . ๐‘š11 ๐‘Ž11 . ๐‘š12
๐‘Ž11 . ๐‘š12 + 0. ๐‘š22
= ๐‘Ž .๐‘š
๐‘Ž21 . ๐‘š12 โˆ‰ ๐ผ. Deduzimos com isso
๐‘Ž21 . ๐‘š12 + 0. ๐‘š22
21
11
que ๐ผ é um ideal à esquerda de โ„ณ.
83
๐‘š11
De maneira análoga, considerando ๐‘€ โˆˆ โ„ณ uma matriz qualquer tal que ๐‘€ = ๐‘š
21
โ€ฒ
๐‘12
๐‘โ€ฒ
๐‘12
e ๐ตโ€ฒ = 11
pertencentes ao conjunto
0
0
0
โ€ฒ
โ€ฒ
โ€ฒ
๐‘12
๐‘
๐‘12
๐‘โ€ฒ
๐‘12
โˆ’๐‘11
โˆ’๐‘12
โˆ’ 11
= 11
+
=
0
0
0
0
0
0
0
Considerando ainda as matrizes ๐ต =
๐ผโ€ฒ. Fazendo ๐ต โˆ’ ๐ตโ€ฒ, temos
โ€ฒ
๐‘11 โˆ’๐‘11
0
=
๐‘11
0
๐‘š12
๐‘š22 .
๐‘11
0
โ€ฒ
๐‘12 โˆ’๐‘12
โˆˆ ๐ผโ€ฒ .
0
Fazendo ๐ต. ๐‘€, temos:
๐‘11
0
๐‘12 ๐‘š11
. ๐‘š
21
0
๐‘š12
๐‘11 . ๐‘š11 + ๐‘12 . ๐‘š21
๐‘š22 = 0. ๐‘š11 + 0. ๐‘š21
๐‘11 . ๐‘š12 + ๐‘12 . ๐‘š22
=
0. ๐‘š12 + 0. ๐‘š22
๐‘11 . ๐‘š11 + ๐‘12 . ๐‘š21 ๐‘11 . ๐‘š12 + ๐‘12 . ๐‘š22
โˆˆ ๐ผโ€ฒ. Em contrapartida, fazendo ๐‘€. ๐ต, temos
0
0
๐‘š11 ๐‘š12 ๐‘11 ๐‘12
๐‘š . ๐‘ + ๐‘š12 . 0 ๐‘š11 . ๐‘12 + ๐‘š12 . 0
= 11 11
=
๐‘š21 ๐‘š22 . 0
๐‘š21 . ๐‘11 + ๐‘š22 . 0 ๐‘š21 . ๐‘12 + ๐‘š22 . 0
0
=
=
๐‘š11 . ๐‘11
๐‘š21 . ๐‘11
๐‘š11 . ๐‘12
โˆ‰ ๐ผโ€ฒ. Deduzimos com isso que ๐ผโ€ฒ é um ideal à direita de โ„ณ.
๐‘š21 . ๐‘12
Notemos porém que ๐ผ e ๐ผโ€ฒ não são ideais de โ„ณ.
2) No anel
โ„ค, +,โˆ™
dos inteiros com adição e multiplicação usuais, qualquer
subconjunto ๐‘›โ„ค = ๐‘›. ๐‘ฅ; ๐‘ฅ โˆˆ โ„ค e ๐‘› um inteiro fixo é um ideal de โ„ค, pois dados ๐‘ฆ1 , ๐‘ฆ2 โˆˆ ๐‘›โ„ค,
temos ๐‘ฆ1 = ๐‘›. ๐‘ฅ1 e ๐‘ฆ2 = ๐‘›. ๐‘ฅ2 , com ๐‘ฅ, ๐‘ฅ2 โˆˆ โ„ค. Assim, ๐‘ฆ1 โˆ’ ๐‘ฆ2 = ๐‘›. ๐‘ฅ1 โˆ’ ๐‘›. ๐‘ฅ2 = ๐‘›. (๐‘ฅ1 โˆ’
๐‘ฅ2 ) โˆˆ ๐‘›โ„ค. Além disso, dados ๐‘Ž โˆˆ โ„ค e ๐‘ฆ โˆˆ ๐‘›โ„ค, temos ๐‘ฆ = ๐‘›. ๐‘ฅ, com ๐‘ฅ โˆˆ โ„ค, portanto, ๐‘Ž. ๐‘ฆ =
๐‘Ž. ๐‘›. ๐‘ฅ = ๐‘Ž. ๐‘› . ๐‘ฅ = ๐‘›. ๐‘Ž . ๐‘ฅ = ๐‘›. (๐‘Ž. ๐‘ฅ) โˆˆ ๐‘›โ„ค, o que mostra que ๐‘›โ„ค é um ideal à esquerda
de โ„ค. Não é necessário verificar se ๐‘›โ„ค é um ideal à direita de โ„ค, uma vez que โ„ค é um anel
comutativo. Assim, ๐‘›โ„ค é um ideal de โ„ค para todo ๐‘› โˆˆ โ„ค. Além disso, como o ideal ๐‘›โ„ค é
gerado por ๐‘›, então ๐‘›โ„ค = ๐‘› , ou seja, ๐‘›โ„ค é um ideal principal.
5.5
CORPOS
Consideremos um anel ๐พ, comutativo e com unidade. ๐พ é denominado um corpo, se
para todo ๐‘ฅ โˆˆ ๐พ, ๐‘ฅ โ‰  0, existe ๐‘ฆ โˆˆ ๐พ tal que ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฆ = 1, ou seja, todo elemento não nulo de ๐พ
admite simétrico multiplicativo. Note que utilizamos 0 e 1 como os elementos neutro da
adição e multiplicação respectivamente no corpo ๐พ, não devendo ser confundidos com os
números 0 e 1.
Ao elemento ๐‘ฆ โˆˆ ๐พ tal que ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฆ = 1, que é o simétrico multiplicativo de ๐‘ฅ,
denominaremos inverso de ๐‘ฅ e o representaremos por ๐‘ฅ โˆ’1 .
84
Exemplos:
1) O anel comutativo com unidade dos números reais, ou seja, โ„, +,โˆ™ é um corpo,
1
1
pois para todo ๐‘ฅ โˆˆ โ„, ๐‘ฅ โ‰  0, existe ๐‘ฅ โˆ’1 = ๐‘ฅ โˆˆ โ„ tal que ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฅ โˆ’1 = ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฅ = 1.
2) O anel comutativo com unidade dos números racionais, ou seja, โ„š, +,โˆ™ é um
1
1
corpo, pois para todo ๐‘ฅ โˆˆ โ„š, ๐‘ฅ โ‰  0, existe ๐‘ฅ โˆ’1 = ๐‘ฅ โˆˆ โ„š tal que ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฅ โˆ’1 = ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฅ = 1
3) O anel comutativo com unidade dos números complexos, ou seja, โ„‚, +,โˆ™ é um
๐‘ฅ
๐‘ฆ
corpo, pois para todo ๐‘ง โˆˆ โ„‚, ๐‘ง = ๐‘ฅ + ๐‘ฆ๐‘–, ๐‘ง โ‰  0, existe ๐‘ง โˆ’1 = ๐‘ฅ 2 +๐‘ฆ 2 โˆ’ ๐‘ฅ 2 +๐‘ฆ 2 ๐‘– โˆˆ โ„‚ tal que
๐‘ง โˆ™ ๐‘ง โˆ’1 = ๐‘ฅ + ๐‘ฆ๐‘– .
๐‘ฅ
๐‘ฅ 2 +๐‘ฆ 2
โˆ’
๐‘ฆ
=
๐‘ฅ 2 +๐‘ฆ 2
๐‘ฅ2
๐‘ฅ 2 +๐‘ฆ 2
โˆ’
๐‘ฅ๐‘ฆ๐‘–
๐‘ฅ 2 +๐‘ฆ 2
+
๐‘ฅ๐‘ฆ๐‘–
๐‘ฅ 2 +๐‘ฆ 2
+
๐‘ฆ2
๐‘ฅ 2 +๐‘ฆ 2
=
๐‘ฅ 2 +๐‘ฆ 2
๐‘ฅ 2 +๐‘ฆ 2
= 1.
4) O anel comutativo com unidade dos números inteiros, ou seja, โ„ค, +,โˆ™ não é um
corpo, pois somente os elementos โˆ’1, 1 possuem inversos.
5) O anel comutativo com unidade do conjunto dos restos das divisões de um inteiro
por 3, com as operações de adição e multiplicação usuais, ou seja, โ„ค3 , +,โˆ™ , é um corpo, pois
como vimos anteriormente โ„ค3 é um anel comutativo com unidade e, observando a
tábua da multiplicação em โ„ค3 :
โˆ™
0
1
2
0
0
0
0
1
0
1
2
2
0
2
1
vemos que 1 โˆ™ 1 = 1.1 = 1 e 2 โˆ™ 2 = 2.2 = 4 = 1, ou seja, todo elemento não nulo de โ„ค3
possui inverso.
6) O anel comutativo com unidade do conjunto dos restos das divisões de um inteiro
por 4, com as operações de adição e multiplicação usuais, ou seja, โ„ค4 , +,โˆ™ , não é um corpo.
Vimos anteriormente que โ„ค4 é um anel comutativo com unidade, mas, observando a tábua da
multiplicação em โ„ค4 :
โˆ™
0
1
2
3
0
0
0
0
0
1
0
1
2
3
2
0
2
0
2
3
0
3
2
1
vemos que dos elementos não nulos 1, 2 e 3, que o 1 e o 3 possuem inversos, enquanto que o
2 não possui inverso, logo, โ„ค4 , +,โˆ™ não é um corpo.
85
7) O conjunto ๐น = 0,1 cujas tábuas de operações de adição e multiplicação
apresentamos a seguir, é um corpo5:
+
0
1
0
0
1
1
1
0
โˆ™
0
1
0
0
0
1
0
1
Teorema 5.4: Todo corpo é um domínio de integridade.
Demonstração: Suponhamos que ๐พ, +,โˆ™ seja um corpo. Por simplicidade diremos apenas โ€œo
corpo ๐พโ€, ficando subentendidas suas leis de composição internas. A hipótese nos garante que
๐พ é um anel comutativo com unidade e que todos os elementos não nulos de ๐พ possuem
inversos. Sendo assim, consideremos ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐พ, com, por exemplo, ๐‘ฅ โ‰  0, tal que ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฆ = 0,
então, existe ๐‘ฅ โˆ’1 โˆˆ ๐พ tal que ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฅ โˆ’1 = 1. Multiplicando à esquerda ambos os membros da
igualdade ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฆ = 0 por ๐‘ฅ โˆ’1 , temos ๐‘ฅ โˆ’1 โˆ™ ๐‘ฅ. ๐‘ฆ = ๐‘ฅ โˆ’1 โˆ™ 0 o que implica que ๐‘ฅ โˆ’1 โˆ™ ๐‘ฅ . ๐‘ฆ = 0,
implicando que ๐‘ฆ = 0 e, portanto, ๐พ não possui divisores próprios de zero, ou seja, ๐พ, +,โˆ™ é
um domínio de integridade.
A recíproca do teorema acima é falsa, pois, por exemplo, โ„ค é um domínio de
integridade mas não é um corpo.
Teorema 5.5: Todo domínio de integridade finito é um corpo.
๐ด, +,โˆ™
Demonstração: Consideremos
integridade com
๐‘›
tal que ๐ด = ๐‘ฅ1 , ๐‘ฅ2 , ๐‘ฅ3 , โ‹ฏ , ๐‘ฅ๐‘›
elementos. Seja ๐‘ฅ
é um anel de
um elemento não nulo de ๐ด, assim,
๐‘ฅ๐ด = ๐‘ฅ. ๐‘ฅ1 , ๐‘ฅ. ๐‘ฅ2 , ๐‘ฅ. ๐‘ฅ3 , โ‹ฏ , ๐‘ฅ. ๐‘ฅ๐‘› . Como ๐ด é um anel de integridade, então ๐‘ฅ. ๐‘ฅ๐‘– = ๐‘ฅ. ๐‘ฅ๐‘—
implica que ๐‘ฅ๐‘– = ๐‘ฅ๐‘— , ademais, a multiplicação é fechada em ๐ด, portanto, para cada ๐‘ฅ๐‘˜ โˆˆ ๐ด,
existe
๐‘ฅ. ๐‘ฅ๐‘– โˆˆ ๐‘ฅ๐ด
tal
que
๐‘ฅ๐‘˜ = ๐‘ฅ. ๐‘ฅ๐‘– ,
portanto,
๐‘ฅ๐ด = ๐‘ฅ. ๐‘ฅ1 , ๐‘ฅ. ๐‘ฅ2 , ๐‘ฅ. ๐‘ฅ3 , โ‹ฏ , ๐‘ฅ. ๐‘ฅ๐‘› =
๐‘ฅ1 , ๐‘ฅ2 , ๐‘ฅ3 , โ‹ฏ , ๐‘ฅ๐‘› = ๐ด. Como 1 โˆˆ ๐ด, então para todo ๐‘ฅ โˆˆ ๐ด existe um índice ๐‘– para o qual
temos ๐‘ฅ. ๐‘ฅ๐‘– = 1 mostrando com isso que qualquer elemento de ๐ด possui inverso. Como
conseqüência, ๐ด, +,โˆ™ é um corpo.
Um corpo com quantidade finita de elementos é denominado corpo finito. A exemplo
temos (โ„ค3 , +, โˆ™) com as operações โ€œusuaisโ€ e ๐น = {0,1} com as operações de adição e
multiplicação descritas no exemplo 7.
5
Conhecido como Corpo de Galois, em homenagem ao matemático Évariste Galois, 1811-1832.
86
Decorre dos teoremas 5.2 e 5.5 que o Conjunto โ„ค๐‘š , quando ๐‘š é primo, é um corpo
finito.
5.6
ESPAÇOS VETORIAIS
Dado um corpo ๐พ, um conjunto não vazio ๐‘‰ é denominado um espaço vetorial sobre
๐พ ou um K-espaço vetorial quando:
1º) Dados ๐‘ข, ๐‘ฃ โˆˆ ๐‘‰, ๐‘ข + ๐‘ฃ โˆˆ ๐‘‰, ou seja, existe a adição em ๐‘‰. Considerando ๐‘ข, ๐‘ฃ, ๐‘ค โˆˆ
๐‘‰, na adição verificam-se os seguintes axiomas:
I)
๐‘ข+๐‘ฃ =๐‘ฃ+๐‘ข
II) ๐‘ข + ๐‘ฃ + ๐‘ค = ๐‘ข + ๐‘ฃ + ๐‘ค
III) โˆƒ๐‘œ โˆˆ ๐‘‰ tal que ๐‘œ + ๐‘ข = ๐‘ข + ๐‘œ = ๐‘ข, com ๐‘œ representando o vetor nulo.
IV) โˆ€๐‘ข, โˆƒ(โˆ’๐‘ข) โˆˆ ๐‘‰ tal que โ€“ ๐‘ข + ๐‘ข = ๐‘ข + โˆ’๐‘ข = ๐‘œ
2º) Está definida uma multiplicação por escalares do corpo ๐พ em ๐‘‰, ou seja, dados
๐›ผ โˆˆ ๐พ e ๐‘ข โˆˆ ๐‘‰, temos ๐›ผ. ๐‘ข โˆˆ ๐‘‰. Considerando ๐›ผ, ๐›ฝ โˆˆ ๐พ e ๐‘ข, ๐‘ฃ โˆˆ ๐‘‰, na multiplicação por
escalar verificam-se os seguintes axiomas:
I) ๐›ผ. ๐›ฝ. ๐‘ข = ๐›ผ. ๐›ฝ . ๐‘ข
II) ๐›ผ + ๐›ฝ . ๐‘ข = ๐›ผ. ๐‘ข + ๐›ฝ. ๐‘ข
III) ๐›ผ. ๐‘ข + ๐‘ฃ = ๐›ผ. ๐‘ข + ๐›ผ. ๐‘ฃ
IV) 1. ๐‘ข = ๐‘ข
Exemplos:
1) O conjunto dos números reais โ„ é um espaço vetorial sobre o corpo dos números
racionais โ„š, pois dados ๐‘ฅ, ๐‘ฆ, ๐‘ง โˆˆ โ„ e ๐›ผ, ๐›ฝ โˆˆ โ„š, temos ๐‘ฅ + ๐‘ฆ โˆˆ โ„; ๐‘ฅ + ๐‘ฆ = ๐‘ฆ + ๐‘ฅ; ๐‘ฅ +
๐‘ฆ + ๐‘ง = (๐‘ฅ + ๐‘ฆ) + ๐‘ง; 0 โˆˆ โ„ e é o elemento neutro da adição; โˆƒ(โˆ’๐‘ฅ) โˆˆ โ„ tal que โ€“ ๐‘ฅ + ๐‘ฅ =
0 = ๐‘ฅ + (โˆ’๐‘ฅ); ๐›ผ. ๐‘ฅ โˆˆ โ„; ๐›ผ. ๐›ฝ. ๐‘ฅ = ๐›ผ. ๐›ฝ . ๐‘ฅ; ๐›ผ + ๐›ฝ . ๐‘ฅ = ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ฝ. ๐‘ฅ; ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐‘ฆ = ๐›ผ. ๐‘ฅ +
๐›ผ. ๐‘ฆ e 1. ๐‘ฅ = ๐‘ฅ.
2) O conjunto dos números racionais โ„š não é um espaço vetorial sobre o corpo dos
números reais โ„, pois por exemplo, considerando o escalar ๐›ผ = 2, temos, para ๐‘ฅ โˆˆ โ„š,
๐›ผ. ๐‘ฅ = 2. ๐‘ฅ โˆ‰ โ„š.
3) O conjunto dos pares ordenados de โ„2 sobre o corpo dos números reais โ„, com as
operações de adição e multiplicação por escalar definidas por ๐‘ฅ, ๐‘ฆ , ๐‘ฅ โ€ฒ , ๐‘ฆโ€ฒ โˆˆ โ„2 , ๐›ผ โˆˆ โ„,
87
๐‘ฅ, ๐‘ฆ + ๐‘ฅ โ€ฒ , ๐‘ฆโ€ฒ = ๐‘ฅ + ๐‘ฅ โ€ฒ , ๐‘ฆ + ๐‘ฆโ€ฒ e ๐›ผ. ๐‘ฅ, ๐‘ฆ = ๐›ผ. ๐‘ฅ, ๐›ผ. ๐‘ฆ , constitui um espaço vetorial.
Verifiquemos: Dados ๐‘ฅ, ๐‘ฆ , ๐‘ฅ โ€ฒ , ๐‘ฆ โ€ฒ , (๐‘ฅ โ€ฒโ€ฒ , ๐‘ฆ โ€ฒโ€ฒ ) โˆˆ โ„2 e ๐›ผ, ๐›ฝ โˆˆ โ„, temos:
a) ๐‘ฅ, ๐‘ฆ + ๐‘ฅ โ€ฒ , ๐‘ฆโ€ฒ = ๐‘ฅ + ๐‘ฅ โ€ฒ , ๐‘ฆ + ๐‘ฆ โ€ฒ = ๐‘ฅ โ€ฒ + ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โ€ฒ + ๐‘ฆ = ๐‘ฅ โ€ฒ , ๐‘ฆ โ€ฒ + (๐‘ฅ, ๐‘ฆ)
b) ๐‘ฅ, ๐‘ฆ + ๐‘ฅ โ€ฒ , ๐‘ฆ โ€ฒ + ๐‘ฅ โ€ฒโ€ฒ , ๐‘ฆ โ€ฒโ€ฒ
= ๐‘ฅ, ๐‘ฆ + ๐‘ฅ โ€ฒ + ๐‘ฅ โ€ฒโ€ฒ , ๐‘ฆ โ€ฒ + ๐‘ฆ โ€ฒโ€ฒ =
= ๐‘ฅ + ๐‘ฅ โ€ฒ + ๐‘ฅ โ€ฒโ€ฒ , ๐‘ฆ + ๐‘ฆ โ€ฒ + ๐‘ฆ โ€ฒโ€ฒ
=
๐‘ฅ + ๐‘ฅ โ€ฒ + ๐‘ฅ โ€ฒโ€ฒ , ๐‘ฆ + ๐‘ฆ โ€ฒ + ๐‘ฆ โ€ฒโ€ฒ =
= ๐‘ฅ + ๐‘ฅ โ€ฒ , ๐‘ฆ + ๐‘ฆ โ€ฒ + ๐‘ฅ โ€ฒโ€ฒ , ๐‘ฆ โ€ฒโ€ฒ =
๐‘ฅ, ๐‘ฆ + ๐‘ฅ โ€ฒ , ๐‘ฆ โ€ฒ
+ ๐‘ฅ โ€ฒโ€ฒ , ๐‘ฆ โ€ฒโ€ฒ
c) (0,0) โˆˆ โ„2 e ๐‘ฅ, ๐‘ฆ + 0,0 = ๐‘ฅ + 0, ๐‘ฆ + 0 = ๐‘ฅ, ๐‘ฆ = 0 + ๐‘ฅ, 0 + ๐‘ฆ = 0,0 + (๐‘ฅ, ๐‘ฆ)
d) (โˆ’๐‘ฅ, โˆ’๐‘ฆ) โˆˆ โ„2 e โˆ’๐‘ฅ, โˆ’๐‘ฆ + ๐‘ฅ, ๐‘ฆ = โˆ’๐‘ฅ + ๐‘ฅ, โˆ’๐‘ฆ + ๐‘ฆ = 0,0 = ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆ’ ๐‘ฆ =
= ๐‘ฅ + โˆ’๐‘ฅ , ๐‘ฆ + โˆ’๐‘ฆ
e) ๐›ผ. ๐›ฝ. ๐‘ฅ, ๐‘ฆ
= ๐‘ฅ, ๐‘ฆ + (โˆ’๐‘ฅ, ๐‘ฆ)
= ๐›ผ. ๐›ฝ. ๐‘ฅ, ๐›ฝ. ๐‘ฆ = ๐›ผ. ๐›ฝ. ๐‘ฅ , ๐›ผ. ๐›ฝ. ๐‘ฆ
f) ๐›ผ + ๐›ฝ . ๐‘ฅ, ๐‘ฆ =
=
๐›ผ. ๐›ฝ . ๐‘ฅ, ๐›ผ. ๐›ฝ . ๐‘ฆ = ๐›ผ. ๐›ฝ . (๐‘ฅ, ๐‘ฆ)
๐›ผ + ๐›ฝ . ๐‘ฅ, ๐›ผ + ๐›ฝ . ๐‘ฆ = ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ฝ. ๐‘ฅ, ๐›ผ. ๐‘ฆ + ๐›ฝ. ๐‘ฆ =
= ๐›ผ. ๐‘ฅ, ๐›ผ. ๐‘ฆ + ๐›ฝ. ๐‘ฅ, ๐›ฝ. ๐‘ฆ = ๐›ผ. ๐‘ฅ, ๐‘ฆ + ๐›ฝ. (๐‘ฅ, ๐‘ฆ)
g) ๐›ผ. ๐‘ฅ, ๐‘ฆ + ๐‘ฅ โ€ฒ , ๐‘ฆ โ€ฒ
= ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐‘ฅ โ€ฒ , ๐‘ฆ + ๐‘ฆ โ€ฒ = ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐‘ฅ โ€ฒ , ๐›ผ. ๐‘ฆ + ๐‘ฆ โ€ฒ
=
= ๐›ผ๐‘ฅ + ๐›ผ๐‘ฅ โ€ฒ , ๐›ผ๐‘ฆ + ๐›ผ๐‘ฆ โ€ฒ = ๐›ผ. ๐‘ฅ, ๐›ผ. ๐‘ฆ + ๐›ผ. ๐‘ฅ โ€ฒ , ๐›ผ. ๐‘ฆ โ€ฒ = ๐›ผ. ๐‘ฅ, ๐‘ฆ + ๐›ผ(๐‘ฅ โ€ฒ , ๐‘ฆ โ€ฒ )
h) 1. ๐‘ฅ, ๐‘ฆ = 1. ๐‘ฅ, 1. ๐‘ฆ = (๐‘ฅ, ๐‘ฆ)
4) O conjunto โ„ณ2 das matrizes reais quadradas de ordem 2, com as operações usuais
de adição e multiplicação por escalar, é um espaço vetorial sobre o corpo dos números reais
โ„. Verifiquemos:
No capítulo 2, referente às operações com matrizes, já vimos que na adição de
matrizes verificam-se os quatro primeiros axiomas, portanto, iremos verificar a validade
somente dos axiomas relativos à multiplicação por escalar:
๐‘Ž11
Sejam ๐ด, ๐ต โˆˆ โ„ณ2 , tais que ๐ด = ๐‘Ž
21
๐‘Ž11
a) ๐›ผ. ๐›ฝ. ๐ด = ๐›ผ. ๐›ฝ. ๐‘Ž
21
=
(๐›ผ. ๐›ฝ). ๐‘Ž11
(๐›ผ. ๐›ฝ). ๐‘Ž21
๐‘Ž12
๐‘Ž22
= ๐›ผ.
๐›ฝ. ๐‘Ž11
๐›ฝ. ๐‘Ž21
๐‘Ž11
(๐›ผ. ๐›ฝ). ๐‘Ž12
= ๐›ผ. ๐›ฝ . ๐‘Ž
(๐›ผ. ๐›ฝ). ๐‘Ž22
21
๐‘Ž11
b) ๐›ผ + ๐›ฝ . ๐ด = ๐›ผ + ๐›ฝ . ๐‘Ž
21
๐‘Ž12
๐‘Ž22 =
๐‘Ž12
๐‘11
e
๐ต
=
๐‘Ž22
๐‘21
๐‘12
e ๐›ผ, ๐›ฝ โˆˆ โ„. Temos:
๐‘22
๐›ฝ. ๐‘Ž12
๐›ผ. ๐›ฝ. ๐‘Ž11
=
๐›ฝ. ๐‘Ž22
๐›ผ. ๐›ฝ. ๐‘Ž21
๐‘Ž12
๐‘Ž22 = ๐›ผ. ๐›ฝ . ๐ด
๐›ผ + ๐›ฝ . ๐‘Ž11
๐›ผ + ๐›ฝ . ๐‘Ž21
๐›ผ + ๐›ฝ . ๐‘Ž12
=
๐›ผ + ๐›ฝ . ๐‘Ž22
๐›ผ. ๐‘Ž11 ๐›ผ. ๐‘Ž12
๐›ผ. ๐‘Ž11 + ๐›ฝ. ๐‘Ž11 ๐›ผ. ๐‘Ž12 + ๐›ฝ. ๐‘Ž12
๐›ฝ. ๐‘Ž11
= ๐›ผ. ๐‘Ž
+
๐›ผ. ๐‘Ž22
๐›ผ. ๐‘Ž21 + ๐›ฝ. ๐‘Ž21 ๐›ผ. ๐‘Ž22 + ๐›ฝ. ๐‘Ž22
๐›ฝ. ๐‘Ž21
21
๐‘Ž11 ๐‘Ž12
๐‘Ž11 ๐‘Ž12
= ๐›ผ. ๐‘Ž
+
๐›ฝ.
๐‘Ž22
๐‘Ž21 ๐‘Ž22 = ๐›ผ. ๐ด + ๐›ฝ. ๐ด
21
=
c) ๐›ผ. ๐ด + ๐ต = ๐›ผ.
๐‘Ž11
๐‘Ž21
๐‘Ž12
๐‘11
๐‘Ž22 + ๐‘21
๐‘12
๐‘22
๐›ผ. ๐›ฝ. ๐‘Ž12
๐›ผ. ๐›ฝ. ๐‘Ž22
= ๐›ผ.
๐‘Ž11 + ๐‘11
๐‘Ž21 + ๐‘21
๐›ฝ. ๐‘Ž12
=
๐›ฝ. ๐‘Ž22
๐‘Ž12 + ๐‘12
=
๐‘Ž22 + ๐‘22
=
88
=
๐›ผ. ๐‘Ž11 + ๐‘11
๐›ผ. ๐‘Ž21 + ๐‘21
๐›ผ. ๐‘Ž11
= ๐›ผ. ๐‘Ž
21
๐›ผ. ๐‘Ž12 + ๐‘12
๐›ผ. ๐‘Ž22 + ๐‘22
๐›ผ. ๐‘Ž12
๐›ผ. ๐‘11
๐›ผ. ๐‘Ž22 + ๐›ผ. ๐‘21
๐‘Ž11
d) 1. ๐ด = 1. ๐‘Ž
21
๐‘Ž12
1. ๐‘Ž11
๐‘Ž22 = 1. ๐‘Ž21
=
๐›ผ. ๐‘Ž11 + ๐›ผ. ๐‘11
๐›ผ. ๐‘Ž21 + ๐›ผ. ๐‘21
๐‘Ž11
๐›ผ. ๐‘12
= ๐›ผ. ๐‘Ž
๐›ผ. ๐‘22
21
๐‘Ž11
1. ๐‘Ž12
= ๐‘Ž
1. ๐‘Ž22
21
๐›ผ. ๐‘Ž12 + ๐›ผ. ๐‘12
=
๐›ผ. ๐‘Ž22 + ๐›ผ. ๐‘22
๐‘Ž12
๐‘11
๐›ผ. + ๐›ผ. ๐‘21
๐‘12
= ๐›ผ. ๐ด + ๐›ผ. ๐ต
๐‘22
๐‘Ž12
๐‘Ž22 = ๐ด
5.6.1 Algumas propriedades de um espaço vetorial
Para evitarmos possível confusão em relação às notações, representaremos por 0 o
elemento neutro do corpo ๐พ, enquanto que o vetor nulo de ๐‘‰ representaremos por ๐‘œ.
Sendo ๐‘‰ um espaço vetorial sobre um corpo ๐พ, dados ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐‘‰ e ๐›ผ, ๐›ฝ โˆˆ ๐พ, temos:
I)
๐›ผ. ๐‘œ = ๐‘œ
II) 0. ๐‘ฅ = ๐‘œ
III) ๐›ผ. ๐‘ฅ = ๐‘œ โŸน ๐›ผ = 0 ou ๐‘ฅ = ๐‘œ
IV) โˆ’๐›ผ . ๐‘ฅ = ๐›ผ. โˆ’๐‘ฅ = โˆ’(๐›ผ. ๐‘ฅ)
V)
๐›ผ โˆ’ ๐›ฝ . ๐‘ฅ = ๐›ผ. ๐‘ฅ โˆ’ ๐›ฝ. ๐‘ฅ
VI) ๐›ผ. ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฆ = ๐›ผ. ๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ. ๐‘ฆ
VII) Dados, ๐›ผ, ๐›ฝ1 , ๐›ฝ2 , โ€ฆ , ๐›ฝ๐‘› โˆˆ ๐พ e ๐‘ฅ1 , ๐‘ฅ2 , โ€ฆ , ๐‘ฅ๐‘› โˆˆ ๐‘‰, então ๐›ผ.
๐‘›
๐‘–=1 ๐›ฝ๐‘–
โˆ™ ๐‘ฅ๐‘– =
๐‘›
๐‘–=1
๐›ผ โˆ™ ๐›ฝ๐‘– . ๐‘ฅ๐‘–
Demonstrações:
I)
๐›ผ. ๐‘œ + ๐›ผ. ๐‘œ = ๐›ผ. (๐‘œ + ๐‘œ) = ๐›ผ. ๐‘œ. Somando โˆ’ ๐›ผ. ๐‘œ a ambos os membros da igualdade,
temos: ๐›ผ. ๐‘œ + ๐›ผ. ๐‘œ โˆ’ ๐›ผ. ๐‘œ = ๐›ผ. ๐‘œ โˆ’ ๐›ผ. ๐‘œ , o que implica que ๐›ผ. ๐‘œ = ๐‘œ.
II) 0. ๐‘ฅ + 0. ๐‘ฅ = 0 + 0 . ๐‘ฅ = 0. ๐‘ฅ. Somando โˆ’ 0. ๐‘ฅ a ambos os membros da igualdade,
temos: 0. ๐‘ฅ + 0. ๐‘ฅ โˆ’ 0. ๐‘ฅ = 0. ๐‘ฅ โˆ’ (0. ๐‘ฅ), o que implica que 0. ๐‘ฅ = ๐‘œ.
III) Suponhamos ๐›ผ โ‰  0, então โˆƒ๐›ผ โˆ’1 โˆˆ ๐พ tal que ๐›ผ. ๐›ผ โˆ’1 = 1. Multiplicando a igualdade
๐›ผ. ๐‘ฅ = ๐‘œ por ๐›ผ โˆ’1 , temos ๐›ผ โˆ’1 . (๐›ผ. ๐‘ฅ) = ๐‘œ. Levando em consideração o axioma (I) da
multiplicação por escalar e a propriedade (I), temos ๐›ผ โˆ’1 . ๐›ผ . ๐‘ฅ = ๐‘œ, mas, ๐›ผ โˆ’1 . ๐›ผ = 1,
portanto 1. ๐‘ฅ = ๐‘œ e, pela propriedade (IV) da multiplicação por escalar, temos ๐‘ฅ = ๐‘œ.
Caso consideremos ๐‘ฅ โ‰  ๐‘œ, como ๐›ผ. ๐‘ฅ = ๐‘œ, considerando a propriedade (II), temos
0. ๐‘ฅ = ๐‘œ, por transitividade, temos ๐›ผ. ๐‘ฅ = 0. ๐‘ฅ, o que implica que ๐›ผ = 0.
IV) Utilizando o axioma (II) da multiplicação por escalar e a propriedade (II), temos que
๐›ผ. ๐‘ฅ + โˆ’๐›ผ . ๐‘ฅ = ๐›ผ + โˆ’๐›ผ . ๐‘ฅ = 0. ๐‘ฅ = ๐‘œ. Sabemos também que ๐›ผ. ๐‘ฅ + โˆ’๐›ผ. ๐‘ฅ =
๐‘œ, o que implica que ๐›ผ. ๐‘ฅ + โˆ’๐›ผ . ๐‘ฅ = ๐›ผ. ๐‘ฅ + โˆ’๐›ผ. ๐‘ฅ e, somando โˆ’๐›ผ. ๐‘ฅ a ambos os
membros da igualdade, temos โˆ’๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ผ. ๐‘ฅ + โˆ’๐›ผ . ๐‘ฅ = โˆ’๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ผ. ๐‘ฅ + โˆ’๐›ผ. ๐‘ฅ , o
89
que resulta que โˆ’๐›ผ . ๐‘ฅ = โˆ’๐›ผ. ๐‘ฅ. Por outro lado, a propriedade (I) nos garante que
๐›ผ. ๐‘œ = ๐‘œ, temos também, pelo axioma (IV) da adição, que ๐‘ฅ + โˆ’๐‘ฅ = ๐‘œ, assim,
temos ๐›ผ. (๐‘ฅ + โˆ’๐‘ฅ ) = ๐‘œ e, pelo axioma (III) da multiplicação, ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ผ. โˆ’๐‘ฅ = ๐‘œ.
Somando โˆ’๐›ผ. ๐‘ฅ a essa última igualdade, temos โˆ’๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ผ. โˆ’๐‘ฅ = โˆ’๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐‘œ,
o que implica que ๐›ผ. โˆ’๐‘ฅ = โˆ’๐›ผ. ๐‘ฅ . Logo, โˆ’๐›ผ . ๐‘ฅ = ๐›ผ. โˆ’๐‘ฅ = โˆ’๐›ผ. ๐‘ฅ.
V)
๐›ผ โˆ’ ๐›ฝ . ๐‘ฅ = ๐›ผ + โˆ’๐›ฝ . ๐‘ฅ. Pelo axioma (II) da multiplicação por escalar, temos
๐›ผ + โˆ’๐›ฝ . ๐‘ฅ = ๐›ผ. ๐‘ฅ + โˆ’๐›ฝ . ๐‘ฅ e, pela propriedade (IV), ๐›ผ. ๐‘ฅ + โˆ’๐›ฝ . ๐‘ฅ = ๐›ผ. ๐‘ฅ โˆ’
๐›ฝ. ๐‘ฅ. Portanto, ๐›ผ โˆ’ ๐›ฝ . ๐‘ฅ = ๐›ผ. ๐‘ฅ โˆ’ ๐›ฝ. ๐‘ฅ
VI) ๐›ผ. ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฆ = ๐›ผ. (๐‘ฅ + โˆ’๐‘ฆ ). Pelo axioma (III) da multiplicação por escalar, temos que
๐›ผ. ๐‘ฅ + โˆ’๐‘ฆ
= ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ผ. (โˆ’๐‘ฆ) mas, pela propriedade (IV), ๐›ผ. โˆ’๐‘ฆ = โˆ’๐›ผ. ๐‘ฆ, assim,
๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ผ. โˆ’๐‘ฆ = ๐›ผ. ๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ. ๐‘ฆ. Portanto, ๐›ผ. ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฆ = ๐›ผ. ๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ. ๐‘ฆ.
VII) Utilizando indução sobre ๐‘›, temos, para ๐‘› = 1, ๐›ผ.
1
๐‘–=1 ๐›ฝ๐‘–
โˆ™ ๐‘ฅ๐‘– = ๐›ผ. (๐›ฝ1 โˆ™ ๐‘ฅ1 ).
Utilizando o axioma (II) da multiplicação por escalar, temos ๐›ผ. ๐›ฝ1 โˆ™ ๐‘ฅ1 = ๐›ผ. ๐›ฝ1 . ๐‘ฅ1 =
1
๐‘–=1
๐›ผ. ๐›ฝ๐‘– . ๐‘ฅ๐‘– . Portanto, a igualdade é válida para ๐‘› = 1.
Suponhamos que a igualdade seja válida para ๐‘› = ๐‘˜, ou seja, ๐›ผ.
๐‘˜
๐‘–=1
๐‘˜
๐‘–=1 ๐›ฝ๐‘–
โˆ™ ๐‘ฅ๐‘– =
๐›ผ โˆ™ ๐›ฝ๐‘– . ๐‘ฅ๐‘– e verifiquemos se essa hipótese implica na validez da igualdade para
๐‘› = ๐‘˜ + 1: ๐›ผ.
๐‘˜+1
๐‘–=1 ๐›ฝ๐‘–
โˆ™ ๐‘ฅ๐‘– = ๐›ผ. ๐›ฝ1 โˆ™ ๐‘ฅ1 + ๐›ฝ2 โˆ™ ๐‘ฅ2 + โ‹ฏ + ๐›ฝ๐‘˜ โˆ™ ๐‘ฅ๐‘˜ + ๐›ฝ๐‘˜+1 โˆ™ ๐‘ฅ๐‘˜+1 =
= ๐›ผ. (๐›ฝ1 โˆ™ ๐‘ฅ1 + ๐›ฝ2 โˆ™ ๐‘ฅ2 + โ‹ฏ + ๐›ฝ๐‘˜ โˆ™ ๐‘ฅ๐‘˜ ) + ๐›ฝ๐‘˜+1 โˆ™ ๐‘ฅ๐‘˜+1 . Pelo axioma (III) da multiplicação
por escalar, temos ๐›ผ. (๐›ฝ1 โˆ™ ๐‘ฅ1 + ๐›ฝ2 โˆ™ ๐‘ฅ2 + โ‹ฏ + ๐›ฝ๐‘˜ โˆ™ ๐‘ฅ๐‘˜ ) + ๐›ผ. (๐›ฝ๐‘˜+1 โˆ™ ๐‘ฅ๐‘˜+1 ), mas ๐›ผ. (๐›ฝ1 โˆ™
๐‘ฅ1 + ๐›ฝ2 โˆ™ ๐‘ฅ2 + โ‹ฏ + ๐›ฝ๐‘˜ โˆ™ ๐‘ฅ๐‘˜ ) = ๐›ผ.
๐‘ฅ๐‘˜ ) + ๐›ผ. ๐›ฝ๐‘˜+1 โˆ™ ๐‘ฅ๐‘˜+1 = ๐›ผ.
๐‘˜
๐‘–=1 ๐›ฝ๐‘–
๐‘˜
๐‘–=1 ๐›ฝ๐‘–
โˆ™ ๐‘ฅ๐‘– ,
assim,
๐›ผ. (๐›ฝ1 โˆ™ ๐‘ฅ1 + ๐›ฝ2 โˆ™ ๐‘ฅ2 + โ‹ฏ + ๐›ฝ๐‘˜ โˆ™
โˆ™ ๐‘ฅ๐‘– + ๐›ผ. (๐›ฝ๐‘˜+1 โˆ™ ๐‘ฅ๐‘˜+1 ). Por hipótese de indução e
utilizando o axioma (I) da multiplicação por escalar, temos
๐›ผ.
=
๐‘˜
๐‘–=1 ๐›ฝ๐‘–
๐‘˜+1
๐‘–=1
โˆ™ ๐‘ฅ๐‘– + ๐›ผ. ๐›ฝ๐‘˜+1 โˆ™ ๐‘ฅ๐‘˜+1 =
๐‘˜
๐‘–=1
๐›ผ โˆ™ ๐›ฝ๐‘– . ๐‘ฅ๐‘– + ๐›ผ. ๐›ฝ๐‘˜+1 . ๐‘ฅ๐‘˜+1 =
๐›ผ โˆ™ ๐›ฝ๐‘– . ๐‘ฅ๐‘–
5.6.2 Subespaços vetoriais
Seja ๐‘‰ um espaço vetorial sobre um corpo ๐พ. Dizemos que um conjunto não vazio
๐‘Š โŠ‚ ๐‘‰ é um subespaço vetorial de ๐‘‰ se ๐‘Š é um espaço vetorial em relação à adição e à
multiplicação por escalar em ๐‘‰.
90
Em outras palavras, dizer que ๐‘Š é um subespaço vetorial de ๐‘‰, é afirmar que para as
operações de Adição e de multiplicação por escalar do espaço ๐‘‰, são verificados os 8 axiomas
que definem um espaço vetorial em ๐‘Š.
Exemplo:
O conjunto ๐‘Š โŠ‚ โ„2 tal que ๐‘Š =
๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ โ„2 ; ๐‘ฅ = ๐‘ฆ é um subespaço vetorial de โ„2 ,
pois, dados ๐‘ฅ, ๐‘ฅ , ๐‘ฆ, ๐‘ฆ , ๐‘ง, ๐‘ง โˆˆ ๐‘Š e ๐›ผ, ๐›ฝ โˆˆ โ„, temos:
๐‘ฅ, ๐‘ฅ + ๐‘ฆ, ๐‘ฆ = (๐‘ฅ + ๐‘ฆ, ๐‘ฅ + ๐‘ฆ) โˆˆ ๐‘Š e ๐›ผ. ๐‘ฅ, ๐‘ฅ = ๐›ผ. ๐‘ฅ, ๐›ผ. ๐‘ฅ โˆˆ ๐‘Š. Além disso, temos:
I)
๐‘ฅ, ๐‘ฅ + ๐‘ฆ, ๐‘ฆ = ๐‘ฅ + ๐‘ฆ, ๐‘ฅ + ๐‘ฆ = ๐‘ฆ + ๐‘ฅ, ๐‘ฆ + ๐‘ฅ = ๐‘ฆ, ๐‘ฆ + ๐‘ฅ, ๐‘ฅ
II)
๐‘ฅ, ๐‘ฅ + ๐‘ฆ, ๐‘ฆ + ๐‘ง, ๐‘ง
= ๐‘ฅ, ๐‘ฅ + ๐‘ฆ + ๐‘ง, ๐‘ฆ + ๐‘ง = ๐‘ฅ + ๐‘ฆ + ๐‘ง , ๐‘ฅ + (๐‘ฆ + ๐‘ง) =
๐‘ฅ + ๐‘ฆ + ๐‘ง, ๐‘ฅ + ๐‘ฆ + ๐‘ง = ๐‘ฅ + ๐‘ฆ, ๐‘ฅ + ๐‘ฆ + ๐‘ง, ๐‘ง =
III)
๐‘ฅ, ๐‘ฅ + ๐‘ฆ, ๐‘ฆ + (๐‘ง, ๐‘ง)
0,0 โˆˆ ๐‘Š, pois 0 = 0 e ๐‘ฅ, ๐‘ฅ + 0,0 = ๐‘ฅ + 0, ๐‘ฅ + 0 = ๐‘ฅ, ๐‘ฅ e 0,0 + ๐‘ฅ, ๐‘ฅ =
0 + ๐‘ฅ, 0 + ๐‘ฅ = ๐‘ฅ, ๐‘ฅ
IV) (โˆ’๐‘ฅ, โˆ’๐‘ฅ) โˆˆ ๐‘Š, pois โ€“ ๐‘ฅ = โˆ’๐‘ฅ e ๐‘ฅ, ๐‘ฅ + โˆ’๐‘ฅ, โˆ’๐‘ฅ = ๐‘ฅ + โˆ’๐‘ฅ , ๐‘ฅ + โˆ’๐‘ฅ
= (0,0)
e โˆ’๐‘ฅ, โˆ’๐‘ฅ + ๐‘ฅ, ๐‘ฅ = โˆ’๐‘ฅ + ๐‘ฅ, โˆ’๐‘ฅ + ๐‘ฅ = (0,0)
V)
๐›ผ. ๐›ฝ. ๐‘ฅ, ๐‘ฅ
= ๐›ผ. ๐›ฝ. ๐‘ฅ, ๐›ฝ. ๐‘ฅ = ๐›ผ. ๐›ฝ. ๐‘ฅ , ๐›ผ. ๐›ฝ. ๐‘ฅ
=
๐›ผ. ๐›ฝ . ๐‘ฅ, ๐›ผ. ๐›ฝ . ๐‘ฅ =
๐›ผ. ๐›ฝ . (๐‘ฅ, ๐‘ฅ)
VI)
๐›ผ + ๐›ฝ . ๐‘ฅ, ๐‘ฅ =
๐›ผ + ๐›ฝ . ๐‘ฅ, ๐›ผ + ๐›ฝ . ๐‘ฅ = ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ฝ. ๐‘ฅ, ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ฝ. ๐‘ฅ =
๐›ผ. ๐‘ฅ, ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ฝ. ๐‘ฅ, ๐›ฝ. ๐‘ฅ = ๐›ผ. ๐‘ฅ, ๐‘ฅ + ๐›ฝ. (๐‘ฅ, ๐‘ฅ)
VII) ๐›ผ. ๐‘ฅ, ๐‘ฅ + ๐‘ฆ, ๐‘ฆ
= ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐‘ฆ, ๐‘ฅ + ๐‘ฆ = ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐‘ฆ , ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐‘ฆ
= ๐›ผ. ๐‘ฅ +
๐›ผ. ๐‘ฆ, ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ผ. ๐‘ฆ = ๐›ผ. ๐‘ฅ, ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ผ. ๐‘ฆ, ๐›ผ. ๐‘ฆ = ๐›ผ. ๐‘ฅ, ๐‘ฅ + ๐›ผ. (๐‘ฆ, ๐‘ฆ)
VIII) 1. ๐‘ฅ, ๐‘ฅ = 1. ๐‘ฅ, 1. ๐‘ฅ = (๐‘ฅ, ๐‘ฅ)
Portanto, ๐‘Š =
๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ โ„2 ; ๐‘ฅ = ๐‘ฆ é subespaço vetorial de โ„2 .
Teorema 5.6: Seja ๐‘‰ um espaço vetorial sobre um corpo ๐พ. Um subconjunto não vazio
๐‘Š โŠ‚ ๐‘‰ é um subespaço vetorial de ๐‘‰ se, e somente se, dados ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐‘Š e ๐›ผ, ๐›ฝ โˆˆ ๐พ, temos
๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ฝ. ๐‘ฆ โˆˆ ๐‘Š.
Demonstração:
โŸน Seja ๐‘Š โŠ‚ ๐‘‰ um subespaço vetorial de ๐‘‰. Por definição de subespaço, dados ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐‘Š e
๐›ผ, ๐›ฝ โˆˆ ๐พ, temos ๐›ผ. ๐‘ฅ โˆˆ ๐‘Š e ๐›ฝ. ๐‘ฆ โˆˆ ๐‘Š. Como a soma de vetores é fechada em ๐‘Š, então
๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ฝ. ๐‘ฆ โˆˆ ๐‘Š.
โŸธ Consideremos ๐‘Š โŠ‚ ๐‘‰, ๐‘Š โ‰  โˆ… tal que para todo ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐‘Š e ๐›ผ, ๐›ฝ โˆˆ ๐พ, temos ๐›ผ. ๐‘ฅ +
๐›ฝ. ๐‘ฆ โˆˆ ๐‘Š. Para ๐›ผ = ๐›ฝ = 1 temos ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ฝ. ๐‘ฆ = 1. ๐‘ฅ + 1. ๐‘ฆ = ๐‘ฅ + ๐‘ฆ โˆˆ ๐‘Š e para ๐›ฝ = 0, temos
91
๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ฝ. ๐‘ฆ = ๐›ผ. ๐‘ฅ + 0. ๐‘ฆ = ๐›ผ. ๐‘ฅ โˆˆ ๐‘Š, ou seja, as operações de adição e multiplicação por
escalar em ๐‘‰ são fechadas em ๐‘Š. Como para todo ๐‘ฅ, ๐‘ฆ, ๐‘ง โˆˆ ๐‘‰, temos que ๐‘ฅ + ๐‘ฆ = ๐‘ฆ + ๐‘ฅ e
๐‘ฅ + ๐‘ฆ + ๐‘ง = ๐‘ฅ + ๐‘ฆ + ๐‘ง e como ๐‘Š é fechado para a operação de adição de ๐‘‰, então, se
๐‘ฅ, ๐‘ฆ, ๐‘ง โˆˆ ๐‘Š, as igualdades ๐‘ฅ + ๐‘ฆ = ๐‘ฆ + ๐‘ฅ e ๐‘ฅ + ๐‘ฆ + ๐‘ง = ๐‘ฅ + ๐‘ฆ + ๐‘ง são válidas em W,
garantindo com isso a comutatividade e a associatividade da adição em ๐‘Š. Como a
multiplicação por escalar é fechada em ๐‘Š, ou seja, โˆ€๐›ผ โˆˆ ๐พ e ๐‘ฅ โˆˆ ๐‘Š, temos ๐›ผ. ๐‘ฅ โˆˆ ๐‘Š, então,
tomando ๐›ผ = 1, temos ๐›ผ. ๐‘ฅ = 1. ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆˆ ๐‘Š e, tomando ๐›ผ = โˆ’1, temos ๐›ผ. ๐‘ฅ = โˆ’1. ๐‘ฅ = โˆ’๐‘ฅ โˆˆ
๐‘Š. Como por hipótese ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ฝ. ๐‘ฆ โˆˆ ๐‘Š para todo ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐‘‰ e ๐›ผ, ๐›ฝ โˆˆ ๐พ, tomando ๐›ฝ = โˆ’๐›ผ e
๐‘ฆ = ๐‘ฅ, temos ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ฝ. ๐‘ฆ = ๐›ผ. ๐‘ฅ + โˆ’๐›ผ . ๐‘ฅ = ๐›ผ. ๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ. ๐‘ฅ = ๐‘œ โˆˆ ๐‘Š. Como para todo ๐›ผ, ๐›ฝ โˆˆ ๐พ
e ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐‘‰ temos ๐›ผ. ๐›ฝ. ๐‘ฅ = ๐›ผ. ๐›ฝ . ๐‘ฅ, ๐›ผ + ๐›ฝ . ๐‘ฅ = ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ฝ. ๐‘ฅ e ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐‘ฆ = ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ผ. ๐‘ฆ e,
como a multiplicação por escalar é fechada em ๐‘Š, então essas igualdades são válidas em ๐‘Š,
mostrando com isso que ๐‘Š é um espaço vetorial. Por hipótese, temos ๐‘Š โŠ‚ ๐‘‰, o que nos
mostra que ๐‘Š é um subespaço vetorial de ๐‘‰, completando a demonstração.
Retomando o exemplo anterior, consideremos o conjunto ๐‘Š โŠ‚ โ„2 tal que ๐‘Š =
๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ โ„2 ; ๐‘ฅ = ๐‘ฆ , para mostrar que ๐‘Š é um subespaço vetorial de โ„2 , de acordo com o
teorema
5.6,
basta
mostrar
que
dados
๐‘ฅ, ๐‘ฅ , (๐‘ฆ, ๐‘ฆ) โˆˆ ๐‘Š e ๐›ผ, ๐›ฝ โˆˆ ๐พ, temos
๐›ผ. ๐‘ฅ, ๐‘ฅ + ๐›ฝ. (๐‘ฆ, ๐‘ฆ) โˆˆ ๐‘Š, o que é fácil de comprovar:
๐›ผ. ๐‘ฅ, ๐‘ฅ + ๐›ฝ. ๐‘ฆ, ๐‘ฆ = ๐›ผ. ๐‘ฅ, ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ฝ. ๐‘ฆ, ๐›ฝ. ๐‘ฆ = (๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ฝ. ๐‘ฆ, ๐›ผ. ๐‘ฅ + ๐›ฝ. ๐‘ฆ) โˆˆ ๐‘Š por terem
coordenadas iguais. Portanto, ๐‘Š =
๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ โ„2 ; ๐‘ฅ = ๐‘ฆ é um subespaço vetorial de โ„2 .
5.6.3 Base e Dimensão
5.6.3.1 Independência Linear
Considerando ๐‘‰ um espaço vetorial sobre um corpo ๐พ. Dizemos que um conjunto
๐ผ โŠ‚ ๐‘‰, ๐ผ = ๐‘ฅ1 , ๐‘ฅ2 , ๐‘ฅ3 , โ€ฆ , ๐‘ฅ๐‘›
é linearmente independente, quando para todo ๐›ผ โˆˆ ๐พ, a
igualdade ๐›ผ1 โˆ™ ๐‘ฅ1 + ๐›ผ2 โˆ™ ๐‘ฅ2 + ๐›ผ3 โˆ™ ๐‘ฅ3 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘› โˆ™ ๐‘ฅ๐‘› = ๐‘œ for verdadeira somente se ๐›ผ1 = ๐›ผ2 =
๐›ผ3 = โ‹ฏ = ๐›ผ๐‘› = 0. Caso exista algum ๐‘– โˆˆ 1, 2, 3, โ€ฆ , ๐‘› , para o qual se tenha ๐›ผ๐‘– โ‰  0, então
dizemos que ๐ผ é linearmente dependente. A uma igualdade do tipo ๐›ผ1 โˆ™ ๐‘ฅ1 + ๐›ผ2 โˆ™ ๐‘ฅ2 + ๐›ผ3 โˆ™
๐‘ฅ3 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘› โˆ™ ๐‘ฅ๐‘› = ๐‘ฅ denominamos combinação linear.
92
5.6.3.2 Conjunto de geradores
Trataremos nesse tópico somente de espaços vetoriais finitamente gerados.
Dados um espaço vetorial ๐‘‰ sobre um corpo ๐พ, dizemos que um conjunto finito
๐บ โŠ‚ ๐‘‰, ๐บ = ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘›
é um gerador do espaço vetorial ๐‘‰, se para todo ๐‘ฅ โˆˆ ๐‘‰,
existirem ๐›ผ1 , ๐›ผ2 , ๐›ผ3 , โ€ฆ , ๐›ผ๐‘› โˆˆ ๐พ
tal que,
๐‘ฅ = ๐›ผ1 โˆ™ ๐‘ข1 + ๐›ผ2 โˆ™ ๐‘ข2 + ๐›ผ3 โˆ™ ๐‘ข3 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘› โˆ™ ๐‘ข๐‘› .
Assim, dizemos que ๐‘‰ é gerado por ๐บ ou que ๐บ gera ๐‘‰ ou ainda que ๐‘‰ = [๐บ].
5.6.3.3 Base e dimensão de um espaço vetorial
Seja ๐ต โŠ‚ ๐‘‰ um conjunto finito, onde ๐‘‰ é um espaço vetorial sobre um corpo ๐พ. Se
๐ต = ๐‘‰ e ๐ต é um conjunto de vetores linearmente independentes, então, dizemos que ๐ต é
uma base do espaço vetorial ๐‘‰.
Exemplo:
Vimos anteriormente que o conjunto dos pares ordenados de coordenadas reais โ„2 é
um espaço vetorial sobre o corpo โ„ para as operações convencionais de soma e multiplicação
por escalar. Consideremos o conjunto ๐ต =
1,0 , 0,1
contido em โ„2 . Observemos que
qualquer que seja o vetor ๐‘ฃ = ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ โ„2 , vale que ๐‘ฃ = ๐‘ฅ, ๐‘ฆ = ๐‘ฅ, 0 + 0, ๐‘ฆ = ๐‘ฅ โˆ™
1,0 + ๐‘ฆ โˆ™ 0,1 ,
que ๐ต = โ„2 . Além disso, para ๐›ผ, ๐›ฝ โˆˆ โ„, temos
assim, vemos
๐›ผ โˆ™ 1,0 + ๐›ฝ โˆ™ 0,1 = 0,0 โ‡” ๐›ผ, 0 + 0, ๐›ฝ = 0,0 โ‡” ๐›ผ, ๐›ฝ = 0,0 โ‡” ๐›ผ = 0 e ๐›ฝ = 0, o
que acarreta que ๐ต é linearmente independente e portanto é uma base de โ„2 .
Teorema 5.7: Seja ๐‘‰ um espaço vetorial sobre um corpo ๐พ. Se ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘› são vetores
de ๐‘‰ e ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘› = ๐‘‰, então existe ๐ต โŠ‚ ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘›
tal que ๐ต é uma base de
๐‘‰.
Se ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘›
Demonstração:
๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘›
são
linearmente
independentes,
então
๐ต=
é uma base de ๐‘‰ e não há nada o que demonstrar. Caso ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘›
sejam vetores linearmente dependentes, então, na combinação linear ๐›ผ1 โˆ™ ๐‘ข1 + ๐›ผ2 โˆ™ ๐‘ข2 + ๐›ผ3 โˆ™
๐‘ข3 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘› โˆ™ ๐‘ข๐‘› = ๐‘œ, ๐›ผ๐‘– โˆˆ ๐พ, 1 โ‰ค ๐‘– โ‰ค ๐‘› existe pelo menos um coeficiente não nulo.
Suponhamos, sem perda de generalidade, que ๐›ผ1 โ‰  0, então โ€œdividimosโ€ a equação ๐›ผ1 โˆ™
๐›ผ
๐‘ข1 = โˆ’ ๐›ผ 2 โˆ™ ๐‘ข2 +
๐‘ข1 + ๐›ผ2 โˆ™ ๐‘ข2 + ๐›ผ3 โˆ™ ๐‘ข3 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘› โˆ™ ๐‘ข๐‘› = ๐‘œ por ๐›ผ1 , obtendo
๐›ผ
๐›ผ
๐›ผ
โˆ’ ๐›ผ 3 โˆ™ ๐‘ข3 + โˆ’ ๐›ผ 4 โˆ™ ๐‘ข4 + โ‹ฏ + โˆ’ ๐›ผ๐‘› โˆ™ ๐‘ข๐‘› , fazendo ๐›ฝ๐‘— = โˆ’
1
1
1
1
๐›ผ ๐‘— +1
๐›ผ1
, 1 โ‰ค ๐‘— โ‰ค ๐‘› โˆ’ 1, temos
93
๐‘ข1 = ๐›ฝ1 โˆ™ ๐‘ข2 + ๐›ฝ2 โˆ™ ๐‘ข3 + ๐›ฝ3 โˆ™ ๐‘ข4 + โ‹ฏ + ๐›ฝ๐‘›โˆ’1 โˆ™ ๐‘ข๐‘› , ou seja, ๐‘ข1 é combinação linear dos ๐‘› โˆ’ 1
vetores ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , ๐‘ข4 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘› , ou seja, ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , ๐‘ข4 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘› ainda geram ๐‘‰. Caso ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , ๐‘ข4 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘›
forem linearmente independentes, então temos ๐ต = ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , ๐‘ข4 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘› uma base de ๐‘‰. Caso
๐‘ข2 , ๐‘ข3 , ๐‘ข4 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘› forem linearmente dependentes, repetimos o processo anterior e encontramos
um vetor dentre os vetores ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , ๐‘ข4 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘› que é escrito como combinação linear dos outros
๐‘› โˆ’ 2 vetores e, portanto, os ๐‘› โˆ’ 2 vetores ainda geram ๐‘‰. Após uma quantidade finita de
repetições do processo descrito anteriormente teremos, dentre os ๐‘ข๐‘– โ€ฒ๐‘ , um conjunto com
vetores linearmente independentes, constituindo assim, uma base ๐ต do espaço ๐‘‰.
Teorema 5.8: Seja ๐‘‰ uma espaço vetorial sobre um corpo ๐พ. Se ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘› são vetores
de ๐‘‰ e ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘› = ๐‘‰, então qualquer conjunto com mais de ๐‘› vetores é linearmente
dependente, ou seja, qualquer conjunto linearmente independente de vetores de ๐‘‰ tem no
máximo ๐‘› vetores.
Demonstração: Como ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘› = ๐‘‰, pelo teorema 5.7, podemos extrair uma base
dentre os vetores ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘› . Suponhamos que os vetores ๐‘ฅ1 , ๐‘ฅ2 , ๐‘ฅ3 , โ€ฆ , ๐‘ฅ๐‘ก , com ๐‘ก โ‰ค ๐‘›
formam essa base. Consideremos agora os vetores ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘š de ๐‘‰, com ๐‘š > ๐‘›.
Existem então escalares ๐›ผ๐‘–๐‘— โˆˆ ๐พ, com 1 โ‰ค ๐‘– โ‰ค ๐‘š e 1 โ‰ค ๐‘— โ‰ค ๐‘› tais que:
๐‘ฃ1 = ๐›ผ11 โˆ™ ๐‘ฅ1 + ๐›ผ12 โˆ™ ๐‘ฅ2 + โ‹ฏ ๐›ผ1๐‘ก โˆ™ ๐‘ฅ๐‘ก
(I)
๐‘ฃ2 = ๐›ผ21 โˆ™ ๐‘ฅ1 + ๐›ผ22 โˆ™ ๐‘ฅ2 + โ‹ฏ ๐›ผ2๐‘ก โˆ™ ๐‘ฅ๐‘ก
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐‘ฃ๐‘š = ๐›ผ๐‘š1 โˆ™ ๐‘ฅ1 + ๐›ผ๐‘š2 โˆ™ ๐‘ฅ2 + โ‹ฏ ๐›ผ๐‘š๐‘ก โˆ™ ๐‘ฅ๐‘ก
Consideremos agora uma combinação linear nula dos vetores ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘š :
(II)
๐›ฝ1 โˆ™ ๐‘ฃ1 + ๐›ฝ2 โˆ™ ๐‘ฃ2 + โ‹ฏ + ๐›ฝ๐‘š โˆ™ ๐‘ฃ๐‘š = ๐‘œ
Substituindo (I) em (II), temos:
๐›ฝ1 โˆ™ ๐›ผ11 โˆ™ ๐‘ฅ1 + ๐›ผ12 โˆ™ ๐‘ฅ2 + โ‹ฏ ๐›ผ1๐‘ก โˆ™ ๐‘ฅ๐‘ก + ๐›ฝ2 โˆ™ ๐›ผ21 โˆ™ ๐‘ฅ1 + ๐›ผ22 โˆ™ ๐‘ฅ2 + โ‹ฏ ๐›ผ2๐‘ก โˆ™ ๐‘ฅ๐‘ก + โ‹ฏ
โ€ฆ + ๐›ฝ๐‘š โˆ™ ๐›ผ๐‘š1 โˆ™ ๐‘ฅ1 + ๐›ผ๐‘š2 โˆ™ ๐‘ฅ2 + โ‹ฏ ๐›ผ๐‘š๐‘ก โˆ™ ๐‘ฅ๐‘ก = ๐‘œ
Reagrupando temos:
๐›ผ11 โˆ™ ๐›ฝ1 + ๐›ผ21 โˆ™ ๐›ฝ2 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘š1 โˆ™ ๐›ฝ๐‘š . ๐‘ฅ1 + ๐›ผ12 โˆ™ ๐›ฝ1 + ๐›ผ22 โˆ™ ๐›ฝ2 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘š2 โˆ™ ๐›ฝ๐‘š . ๐‘ฅ2 + โ‹ฏ
โ€ฆ + ๐›ผ1๐‘ก โˆ™ ๐›ฝ1 + ๐›ผ2๐‘ก โˆ™ ๐›ฝ2 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘š๐‘ก โˆ™ ๐›ฝ๐‘š . ๐‘ฅ๐‘ก = ๐‘œ, mas, por hipótese, ๐‘ฅ1 , ๐‘ฅ2 , ๐‘ฅ3 , โ€ฆ , ๐‘ฅ๐‘ก é uma
base e portanto, são vetores linearmente independentes, o que implica que temos:
๐›ผ11 โˆ™ ๐›ฝ1 + ๐›ผ21 โˆ™ ๐›ฝ2 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘š1 โˆ™ ๐›ฝ๐‘š = 0
๐›ผ12 โˆ™ ๐›ฝ1 + ๐›ผ22 โˆ™ ๐›ฝ2 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘š2 โˆ™ ๐›ฝ๐‘š = 0
โ‹ฎ
๐›ผ1๐‘ก โˆ™ ๐›ฝ1 + ๐›ผ2๐‘ก โˆ™ ๐›ฝ2 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘š๐‘ก โˆ™ ๐›ฝ๐‘š = 0
94
Que é um sistema linear homogêneo com ๐‘ก equações e ๐‘š incógnitas ๐›ฝ1 , ๐›ฝ2 , โ€ฆ , ๐›ฝ๐‘š . Como
๐‘ก โ‰ค ๐‘› < ๐‘š, então esse sistema admite uma solução não trivial, ou seja, existe algum ๐›ฝ๐‘– โ‰  0,
com 1 < ๐‘– < ๐‘š, acarretando com isso que os vetores ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘š são linearmente
independentes.
Teorema 5.9: Se ๐‘‰ um K-espaço vetorial finitamente gerado, então duas bases quaisquer de
๐‘‰ tem o mesmo número de vetores.
Demonstração: Sejam ๐ต1 = ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘› e ๐ต2 = ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘š
duas bases do
espaço vetorial ๐‘‰. Então, por definição, ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘› são linearmente independentes e
geram ๐‘‰ e ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘š são linearmente independentes e geram ๐‘‰. Como ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘›
geram ๐‘‰ e ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘š são linearmente independentes, então, pelo teorema 5.8, temos
๐‘š โ‰ค ๐‘›. Em contrapartida, como ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘š geram ๐‘‰ e ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘› são linearmente
independentes, então, pelo teorema 5.8, temos ๐‘› โ‰ค ๐‘š. Essas duas desigualdades são possíveis
somente se ๐‘š = ๐‘› e, portanto, ๐ต1 e ๐ต2 possuem o mesmo número de vetores.
O teorema 5.9 permite-nos apresentar a seguinte definição:
Seja ๐‘‰ um espaço vetorial finitamente gerado, denominamos dimensão de ๐‘‰ e
representamos por dim ๐‘‰ o número de elementos de qualquer uma de suas bases. Neste caso,
dizemos que ๐‘‰ é um espaço de dimensão finita.
Exemplo: Vimos anteriormente que ๐ต =
1,0 , 0,1
é uma base de โ„2 . Pelo
teorema 5.9, qualquer outra base de โ„2 possuirá também dois vetores, o que, de acordo com o
que acabamos de definir, faz com que dim โ„2 = 2.
O K-espaço vetorial ๐ธ = ๐‘œ (contendo apenas o vetor nulo) tem dimensão zero, ou
seja, dim ๐ธ = 0, pois para todo ๐›ผ โˆˆ ๐พ tem-se ๐›ผ โˆ™ ๐‘œ = ๐‘œ, o que implica que ๐ธ = โˆ… .
Teorema 5.10: Sendo ๐‘‰ um K-espaço vetorial de dimensão finita, qualquer conjunto de
vetores linearmente independentes de ๐‘‰ pode ser completado de modo a se obter uma base de
๐‘‰.
Demonstração: Consideremos dim ๐‘‰ = ๐‘› e sejam ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘ก pertencentes a ๐‘‰ e
linearmente independentes. Pelo teorema 5.8, temos ๐‘ก โ‰ค ๐‘›. Se ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘ก = ๐‘‰, então
๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘ก formam uma base e não a nada o que demonstrar. Caso ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘ก โ‰ 
๐‘‰, então existe ๐‘ฃ๐‘ก+1 โˆˆ ๐‘‰ tal que ๐‘ฃ๐‘ก+1 โˆ‰ ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘ก , o que implica que ๐‘ฃ๐‘ก+1 não é
escrito como combinação linear dos vetores ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘ก , logo ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘ก , ๐‘ฃ๐‘ก+1 são
linearmente independentes e caso ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘ก , ๐‘ฃ๐‘ก+1 = ๐‘‰, então ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘ก , ๐‘ฃ๐‘ก+1
95
formam uma base de ๐‘‰, caso contrário, repetimos o processo por no máximo ๐‘› โˆ’ ๐‘ก vezes e
obtemos assim uma base para ๐‘‰.
5.6.4 Noções sobre transformação linear
Sejam ๐‘‰ e ๐‘Š dois K-espaços vetoriais. Uma função ๐‘‡: ๐‘‰ โ†’ ๐‘Š é denominada uma
transformação linear de ๐‘‰ em ๐‘Š quando para todo ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 โˆˆ ๐‘‰ e ๐›ผ โˆˆ ๐พ, temos ๐‘‡ ๐‘ฃ1 + ๐‘ฃ2 =
๐‘‡ ๐‘ฃ1 + ๐‘‡(๐‘ฃ2 ) e ๐‘‡ ๐›ผ. ๐‘ฃ1 = ๐›ผ. ๐‘‡(๐‘ฃ1 ).
Exemplo:
Consideremos a função ๐‘‡: โ„3 โ†’ โ„2 , definida por ๐‘‡ ๐‘ฅ, ๐‘ฆ, ๐‘ง = (3๐‘ฅ, 2๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฆ + 5๐‘ง).
Notemos que dados dois vetores ๐‘ฃ1 = (๐‘ฅ1 , ๐‘ฆ1 , ๐‘ง1 ) e ๐‘ฃ2 = (๐‘ฅ2 , ๐‘ฆ2 , ๐‘ง2 ) e ๐›ผ โˆˆ โ„, temos:
๐‘‡ ๐‘ฃ1 + ๐‘ฃ2 = ๐‘‡ ๐‘ฅ1 , ๐‘ฆ1 , ๐‘ง1 + ๐‘ฅ2 , ๐‘ฆ2 , ๐‘ง2
= ๐‘‡ ๐‘ฅ1 + ๐‘ฅ2 , ๐‘ฆ1 + ๐‘ฆ2 , ๐‘ง1 + ๐‘ง2 =
= 3 โˆ™ ๐‘ฅ1 + ๐‘ฅ2 , 2 โˆ™ ๐‘ฅ1 + ๐‘ฅ2 โˆ’ ๐‘ฆ1 + ๐‘ฆ2 + 5 โˆ™ ๐‘ง1 + ๐‘ง2
=
= 3 โˆ™ ๐‘ฅ1 + 3 โˆ™ ๐‘ฅ2 , 2 โˆ™ ๐‘ฅ1 + 2 โˆ™ ๐‘ฅ2 โˆ’ ๐‘ฆ1 โˆ’ ๐‘ฆ2 + 5 โˆ™ ๐‘ง1 + 5. ๐‘ง2 =
= ((3 โˆ™ ๐‘ฅ1 ) + (3 โˆ™ ๐‘ฅ2 ), (2 โˆ™ ๐‘ฅ1 โˆ’ ๐‘ฆ1 + 5 โˆ™ ๐‘ง1 ) + (2 โˆ™ ๐‘ฅ2 โˆ’ ๐‘ฆ2 + 5. ๐‘ง2 )) =
= 3 โˆ™ ๐‘ฅ1 , 2 โˆ™ ๐‘ฅ1 โˆ’ ๐‘ฆ1 + 5 โˆ™ ๐‘ง1 + 3 โˆ™ ๐‘ฅ2 , 2 โˆ™ ๐‘ฅ2 โˆ’ ๐‘ฆ2 + 5. ๐‘ง2 =
= ๐‘‡(๐‘ฅ1 , ๐‘ฆ1 , ๐‘ง1 ) + ๐‘‡ ๐‘ฅ2 , ๐‘ฆ2 , ๐‘ง2 = ๐‘‡(๐‘ฃ1 ) + ๐‘‡(๐‘ฃ2 )
E ๐‘‡ ๐›ผ. ๐‘ฃ1 = ๐‘‡ ๐›ผ. ๐‘ฅ1 , ๐‘ฆ1 , ๐‘ง1
= ๐‘‡ ๐›ผ. ๐‘ฅ1 , ๐›ผ. ๐‘ฆ1 , ๐›ผ. ๐‘ง1 =
= 3๐›ผ. ๐‘ฅ1 , 2๐›ผ. ๐‘ฅ1 โˆ’ ๐›ผ. ๐‘ฆ1 + 5 ๐›ผ. ๐‘ง1 = ๐›ผ. (3๐‘ฅ1 ), ๐›ผ. (2๐‘ฅ1 โˆ’ ๐‘ฆ1 + 5๐‘ง1 ) =
= ๐›ผ. 3๐‘ฅ1 , 2๐‘ฅ1 โˆ’ ๐‘ฆ1 + 5๐‘ง1 = ๐›ผ. ๐‘‡ ๐‘ฅ1 , ๐‘ฆ1 , ๐‘ง1 = ๐›ผ. ๐‘‡(๐‘ฃ1 )
Portanto, ๐‘‡ é uma transformação linear de โ„3 em โ„2 .
5.6.4.1 Núcleo e Imagem de uma Transformação Linear
Sejam ๐‘‰ e ๐‘Š dois K-espaços vetoriais e ๐‘‡: ๐‘‰ โ†’ ๐‘Š uma transformação linear de ๐‘‰ em
๐‘Š. Denominamos núcleo da transformação linear ๐‘‡ e representamos por ๐พ๐‘’๐‘Ÿ (๐‘‡) ao
seguinte subconjunto de ๐‘‰:
๐พ๐‘’๐‘Ÿ ๐‘‡ = ๐‘ฃ โˆˆ ๐‘‰; ๐‘‡ ๐‘ฃ = 0
Exemplo: Considerando a transformação linear ๐‘‡: โ„3 โ†’ โ„2 , definida por ๐‘‡ ๐‘ฅ, ๐‘ฆ, ๐‘ง =
(3๐‘ฅ, 2๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฆ + 5๐‘ง), para todo ๐‘ฅ, ๐‘ฆ, ๐‘ง โˆˆ ๐พ๐‘’๐‘Ÿ(๐‘‡), temos ๐‘‡ ๐‘ฅ, ๐‘ฆ, ๐‘ง = (0,0), o que implica que
3๐‘ฅ, 2๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฆ + 5๐‘ง = (0,0), ou seja, ๐‘ฅ = 0 e ๐‘ฆ = 5๐‘ง, portanto, ๐พ๐‘’๐‘Ÿ ๐‘‡ =
0, 5๐‘ง, ๐‘ง ; ๐‘ง โˆˆ โ„ .
96
Teorema 5.11: Sejam ๐‘‰ e ๐‘Š dois K-espaços vetoriais e ๐‘‡: ๐‘‰ โ†’ ๐‘Š uma transformação linear,
então ๐พ๐‘’๐‘Ÿ (๐‘‡) é um subespaço vetorial de ๐‘‰.
Demonstração: Dados ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 โˆˆ ๐พ๐‘’๐‘Ÿ (๐‘‡), por definição de núcleo, temos que ๐‘‡ ๐‘ฃ1 = 0 e
๐‘‡ ๐‘ฃ2 = 0. Sejam ๐›ผ, ๐›ฝ โˆˆ ๐พ, para que ๐พ๐‘’๐‘Ÿ (๐‘‡) seja um subespaço vetorial de ๐‘‰ devemos
mostrar que ๐›ผ๐‘ฃ1 + ๐›ฝ๐‘ฃ2 โˆˆ ๐พ๐‘’๐‘Ÿ (๐‘‡), ou seja, devemos ter ๐‘‡ ๐›ผ๐‘ฃ1 + ๐›ฝ๐‘ฃ2 = 0, o que é fácil de
comprovar, pois, como ๐‘‡ é linear, temos ๐‘‡ ๐›ผ๐‘ฃ1 + ๐›ฝ๐‘ฃ2 = ๐‘‡ ๐›ผ๐‘ฃ1 + ๐‘‡ ๐›ฝ๐‘ฃ2 = ๐›ผ๐‘‡ ๐‘ฃ1 +
๐›ฝ๐‘‡ ๐‘ฃ2 = ๐›ผ. 0 + ๐›ฝ. 0 = 0 = 0 = 0. Logo, ๐พ๐‘’๐‘Ÿ (๐‘‡) é um subespaço vetorial de ๐‘‰.
Teorema 5.12: Sejam ๐‘‰ e ๐‘Š dois K-espaços vetoriais e ๐‘‡: ๐‘‰ โ†’ ๐‘Š uma transformação linear,
então ๐‘‡ é injetiva se, e somente se, ๐พ๐‘’๐‘Ÿ ๐‘‡ = 0 .
Demonstração:
(โŸน) Suponhamos que ๐‘‡ seja injetiva e seja ๐‘ฃ โˆˆ ๐พ๐‘’๐‘Ÿ (๐‘‡), então temos ๐‘‡ ๐‘ฃ = 0. Mas, no
teorema 5.11 vimos que ๐พ๐‘’๐‘Ÿ (๐‘‡) é um subespaço vetorial de ๐‘‰, então 0 โˆˆ ๐พ๐‘’๐‘Ÿ(๐‘‡), o que
implica que ๐‘‡ 0 = 0 e, portanto, ๐‘‡ ๐‘ฃ = ๐‘‡(0), mas, por hipótese ๐‘‡ é injetiva, o que acarreta
que ๐‘ฃ = 0 e, portanto, ๐พ๐‘’๐‘Ÿ ๐‘‡ = 0 .
(โ‡) Suponhamos ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 โˆˆ ๐‘‰ e ๐พ๐‘’๐‘Ÿ ๐‘‡ = 0 . Se ๐‘‡ ๐‘ฃ1 = ๐‘‡(๐‘ฃ2 ) então, subtraindo ๐‘‡(๐‘ฃ2 ) de
ambos os membros da igualdade, temos ๐‘‡ ๐‘ฃ1 โˆ’ ๐‘‡(๐‘ฃ2 ) = 0 e, como ๐‘‡ é linear, ๐‘‡(๐‘ฃ1 โˆ’ ๐‘ฃ2 ) =
0, ou seja, ๐‘ฃ1 โˆ’ ๐‘ฃ2 โˆˆ ๐พ๐‘’๐‘Ÿ (๐‘‡), ou seja, ๐‘ฃ1 โˆ’ ๐‘ฃ2 = 0, o que implica que ๐‘ฃ1 = ๐‘ฃ2 ou seja, ๐‘‡ é
injetiva.
Dados ๐‘‰ e ๐‘Š dois K-espaços vetoriais e ๐‘‡: ๐‘‰ โ†’ ๐‘Š uma transformação linear de ๐‘‰ em
๐‘Š. Denominamos imagem da transformação T e representamos por ๐ผ๐‘š(๐‘‡) ao conjunto:
๐ผ๐‘š ๐‘‡ = ๐‘‡ ๐‘ฃ ; ๐‘ฃ โˆˆ ๐‘‰
A imagem de uma transformação linear ๐‘‡: ๐‘‰ โ†’ ๐‘Š é um subespaço vetorial de ๐‘Š, pois
dados ๐‘ค1 , ๐‘ค2 โˆˆ ๐ผ๐‘š(๐‘‡) e ๐›ผ, ๐›ฝ โˆˆ ๐พ, existem ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 โˆˆ ๐‘‰ tais que ๐‘ค1 = ๐‘‡(๐‘ฃ1 ) e ๐‘ค2 = ๐‘‡(๐‘ฃ2 ),
assim:
๐›ผ โˆ™ ๐‘ค1 + ๐›ฝ โˆ™ ๐‘ค2 = ๐›ผ โˆ™ ๐‘‡ ๐‘ฃ1 + ๐›ฝ โˆ™ ๐‘‡ ๐‘ฃ2 = ๐‘‡ ๐›ผ โˆ™ ๐‘ฃ1 + ๐‘‡ ๐›ฝ โˆ™ ๐‘ฃ2 = ๐‘‡(๐›ผ โˆ™ ๐‘ฃ1 + ๐›ฝ โˆ™ ๐‘ฃ2 ) โˆˆ ๐ผ๐‘š(๐‘‡)
Se ๐ผ๐‘š ๐‘‡ = ๐‘Š, então ๐‘‡ é sobrejetiva.
Teorema 5.13: Sejam ๐‘‰ e ๐‘Š dois K-espaços vetoriais de dimensão finita e ๐‘‡: ๐‘‰ โ†’ ๐‘Š uma
transformação linear, então, dim ๐‘‰ = dim ๐พ๐‘’๐‘Ÿ(๐‘‡) + dim ๐ผ๐‘š(๐‘‡).
Demonstração: Seja ๐ต1 = ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘ก uma base de ๐พ๐‘’๐‘Ÿ(๐‘‡). De acordo com o teorema
5.10, essa base pode ser completada de modo a se obter uma base
๐ต2 =
97
๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘ก , ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘š
๐‘‡ ๐‘ข1 , ๐‘‡ ๐‘ข2 , ๐‘‡ ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘‡ ๐‘ข๐‘š
do espaço vetorial ๐‘‰. Devemos demonstrar então que
é uma base de ๐ผ๐‘š(๐‘‡):
Qualquer que seja ๐‘ค โˆˆ ๐ผ๐‘š(๐‘‡), existe ๐‘ฃ โˆˆ ๐‘‰ tal que ๐‘‡ ๐‘ฃ = ๐‘ค. Como ๐‘ฃ โˆˆ ๐‘‰, então ๐›ผ๐‘– , ๐›ฝ๐‘— โˆˆ ๐พ,
1 โ‰ค ๐‘– โ‰ค ๐‘ก e 1 โ‰ค ๐‘— โ‰ค ๐‘š tal que ๐‘ฃ = ๐›ผ1 โˆ™ ๐‘ฃ1 + ๐›ผ2 โˆ™ ๐‘ฃ2 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘ก โˆ™ ๐‘ฃ๐‘ก + ๐›ฝ1 โˆ™ ๐‘ข1 + ๐›ฝ2 โˆ™ ๐‘ข2 + โ‹ฏ +
๐›ฝ๐‘š โˆ™ ๐‘ข๐‘š , mas, ๐‘ค = ๐‘‡(๐‘ฃ), então, ๐‘ค = ๐‘‡(๐›ผ1 โˆ™ ๐‘ฃ1 + ๐›ผ2 โˆ™ ๐‘ฃ2 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘ก โˆ™ ๐‘ฃ๐‘ก + ๐›ฝ1 โˆ™ ๐‘ข1 + ๐›ฝ2 โˆ™ ๐‘ข2 +
โ‹ฏ + ๐›ฝ๐‘š โˆ™ ๐‘ข๐‘š )
๐‘ค = ๐›ผ1 ๐‘‡(๐‘ฃ1 ) + ๐›ผ2 ๐‘‡(๐‘ฃ2 ) + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘ก ๐‘‡(๐‘ฃ๐‘ก ) + ๐›ฝ1 ๐‘‡(๐‘ข1 ) + ๐›ฝ2 ๐‘‡(๐‘ข2 ) + โ‹ฏ +
e,
๐›ฝ๐‘š ๐‘‡(๐‘ข๐‘š ). Como ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘ก pertencem a ๐พ๐‘’๐‘Ÿ(๐‘‡), então ๐‘‡(๐‘ฃ1 ) = ๐‘‡ ๐‘ฃ2 = ๐‘‡ ๐‘ฃ3 =
โ‹ฏ = ๐‘‡ ๐‘ฃ๐‘ก = 0,
logo
๐‘ค = ๐›ฝ1 ๐‘‡(๐‘ข1 ) + ๐›ฝ2 ๐‘‡(๐‘ข2 ) + โ‹ฏ + ๐›ฝ๐‘š ๐‘‡(๐‘ข๐‘š ),
ou
๐‘‡ ๐‘ข1 ,
seja
๐‘‡ ๐‘ข2 , ๐‘‡ ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘‡(๐‘ข๐‘š ) = ๐ผ๐‘š(๐‘‡). Por outro lado, considerando a combinação linear
๐›ฝ1 ๐‘‡ ๐‘ข1 + ๐›ฝ2 ๐‘‡ ๐‘ข2 + ๐›ฝ3 ๐‘‡ ๐‘ข3 + โ‹ฏ + ๐›ฝ๐‘š ๐‘‡ ๐‘ข๐‘š = 0 como ๐‘‡ é uma transformação linear,
então temos ๐‘‡(๐›ฝ1 โˆ™ ๐‘ข1 + ๐›ฝ2 โˆ™ ๐‘ข2 + ๐›ฝ3 โˆ™ ๐‘ข3 + โ‹ฏ + ๐›ฝ๐‘š โˆ™ ๐‘ข๐‘š ) = 0, o que implica que ๐›ฝ1 โˆ™ ๐‘ข1 +
๐›ฝ2 โˆ™ ๐‘ข2 + ๐›ฝ3 โˆ™ ๐‘ข3 + โ‹ฏ + ๐›ฝ๐‘š โˆ™ ๐‘ข๐‘š โˆˆ ๐พ๐‘’๐‘Ÿ(๐‘‡) e, portanto, pode ser escrito como combinação
linear dos vetores da ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘ก que constituem uma base de ๐พ๐‘’๐‘Ÿ(๐‘‡), ou seja, existem
escalares ๐›พ1 , ๐›พ2 , ๐›พ3 , โ€ฆ , ๐›พ๐‘ก
tais que ๐›ฝ1 โˆ™ ๐‘ข1 + ๐›ฝ2 โˆ™ ๐‘ข2 + ๐›ฝ3 โˆ™ ๐‘ข3 + โ‹ฏ + ๐›ฝ๐‘š โˆ™ ๐‘ข๐‘š = ๐›พ1 . ๐‘ฃ1 +
๐›พ2 . ๐‘ฃ2 + ๐›พ3 . ๐‘ฃ3 + โ‹ฏ + ๐›พ๐‘ก . ๐‘ฃ๐‘ก , ou seja, ๐›ฝ1 โˆ™ ๐‘ข1 + ๐›ฝ2 โˆ™ ๐‘ข2 + ๐›ฝ3 โˆ™ ๐‘ข3 + โ‹ฏ + ๐›ฝ๐‘š โˆ™ ๐‘ข๐‘š โˆ’ ๐›พ1 . ๐‘ฃ1 โˆ’
๐›พ2 . ๐‘ฃ2 โˆ’ ๐›พ3 . ๐‘ฃ3 โˆ’ โ‹ฏ โˆ’ ๐›พ๐‘ก . ๐‘ฃ๐‘ก = 0, porém ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘ก , ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘š é uma base de ๐‘‰,
logo ๐›ฝ1 = ๐›ฝ2 = ๐›ฝ3 = โ‹ฏ = ๐›ฝ๐‘š = ๐›พ1 = ๐›พ2 = ๐›พ3 = โ‹ฏ ๐›พ๐‘ก = 0. Como ๐›ฝ1 = ๐›ฝ2 = ๐›ฝ3 = โ‹ฏ =
๐›ฝ๐‘š = 0, então ๐‘‡ ๐‘ข1 , ๐‘‡ ๐‘ข2 , ๐‘‡ ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘‡(๐‘ข๐‘š ) são linearmente independentes, e portanto
formam uma base para ๐ผ๐‘š(๐‘‡). Como uma base de ๐‘‰ tem ๐‘ก + ๐‘š elementos e, portanto
dim ๐‘‰ = ๐‘ก + ๐‘š, sendo dim ๐พ๐‘’๐‘Ÿ ๐‘‡ = ๐‘ก, acabamos de verificar que dim ๐ผ๐‘š ๐‘‡ = ๐‘š. Logo,
dim ๐‘‰ = dim ๐พ๐‘’๐‘Ÿ ๐‘‡ + dim ๐ผ๐‘š(๐‘‡).
Teorema 5.14: Sejam ๐‘‰ e ๐‘Š dois K-espaços vetoriais de dimensão finita e ๐‘‡: ๐‘‰ โ†’ ๐‘Š uma
transformação linear injetiva. Se dim ๐‘‰ = dim ๐‘Š então ๐‘‡ transforma uma base qualquer de ๐‘‰
em uma base de ๐‘Š.
Demonstração: Consideremos que dim ๐‘‰ = dim ๐‘Š = ๐‘› e ๐ต = ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘› seja uma
das
bases
de
๐‘‰.
Mostraremos
que
o
conjunto
๐‘†โŠ‚๐‘Š
tal
que
๐‘† = ๐‘‡(๐‘ฃ1 ), ๐‘‡(๐‘ฃ2 ), ๐‘‡(๐‘ฃ3 ), โ€ฆ , ๐‘‡(๐‘ฃ๐‘› ) é linearmente independente e tem uma quantidade ๐‘› de
vetores, e, portanto, é uma das bases de ๐‘Š: Como ๐‘‡ é injetiva, então ๐‘‡(๐‘ฃ1 ) โ‰  ๐‘‡(๐‘ฃ2 ) โ‰ 
๐‘‡(๐‘ฃ3 ) โ‰  โ‹ฏ โ‰  ๐‘‡(๐‘ฃ๐‘› ), ou seja, ๐‘† possui exatamente ๐‘› vetores. Sejam ๐›ผ1 , ๐›ผ2 , ๐›ผ3 , โ€ฆ , ๐›ผ๐‘›
escalares do corpo ๐พ, tais que ๐›ผ1 โˆ™ ๐‘‡(๐‘ฃ1 ) + ๐›ผ2 โˆ™ ๐‘‡(๐‘ฃ2 ) + ๐›ผ3 โˆ™ ๐‘‡ ๐‘ฃ3 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘› โˆ™ ๐‘‡(๐‘ฃ๐‘› ) = 0,
como ๐‘‡ é linear, então ๐‘‡ ๐›ผ1 โˆ™ ๐‘ฃ1 + ๐›ผ2 โˆ™ ๐‘ฃ2 + ๐›ผ3 โˆ™ ๐‘ฃ3 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘› โˆ™ ๐‘ฃ๐‘› = 0, o que implica que
๐›ผ1 โˆ™ ๐‘ฃ1 + ๐›ผ2 โˆ™ ๐‘ฃ2 + ๐›ผ3 โˆ™ ๐‘ฃ3 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘› โˆ™ ๐‘ฃ๐‘› = 0,
mas
๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘›
são
linearmente
98
independentes,
portanto,
๐›ผ1 = ๐›ผ2 = ๐›ผ3 = โ‹ฏ = ๐›ผ๐‘› = 0,
o
que
implica
que
๐‘† = ๐‘‡(๐‘ฃ1 ), ๐‘‡(๐‘ฃ2 ), ๐‘‡(๐‘ฃ3 ), โ€ฆ , ๐‘‡(๐‘ฃ๐‘› ) é um conjunto de ๐‘› vetores linearmente independentes, e
portanto, uma base de ๐‘Š.
5.6.5 Noções sobre produto interno
Definição: Considerando ๐‘‰ um espaço vetorial finitamente gerado sobre um corpo ๐พ,
denominamos produto interno sobre ๐‘‰ à função que transforma cada par de vetores ๐‘ข, ๐‘ฃ โˆˆ
๐‘‰ × ๐‘‰ em um escalar ๐‘Ž โˆˆ ๐พ, o qual representaremos por
๐‘ข, ๐‘ฃ , com as seguintes
propriedades:
โˆ€๐‘ข, ๐‘ฃ, ๐‘ค โˆˆ ๐‘‰ e ๐›ผ โˆˆ ๐พ, temos:
I)
๐‘ข + ๐‘ฃ, ๐‘ค = ๐‘ข, ๐‘ค + ๐‘ฃ, ๐‘ค
II) ๐›ผ โˆ™ ๐‘ข, ๐‘ฃ = ๐›ผ. ๐‘ข, ๐‘ฃ
III) ๐‘ข, ๐‘ฃ = ๐‘ฃ, ๐‘ข
IV) ๐‘ข, ๐‘ข > 0๐‘˜ , para todo ๐‘ข โ‰  0๐‘ฃ , onde 0๐‘˜ representa o elemento neutro da adição no
corpo ๐พ e 0๐‘ฃ representa o vetor nulo no espaço ๐‘‰.
Exemplo: Consideremos o espaço vetorial โ„3 sobre o corpo โ„. Dados ๐‘ข, ๐‘ฃ, ๐‘ค โˆˆ โ„3 , e
๐›ผ โˆˆ โ„, a operação
๐‘ข, ๐‘ฃ =
๐‘ฅ1 , ๐‘ฆ1 , ๐‘ง1 โˆ™ ๐‘ฅ2 , ๐‘ฆ2 , ๐‘ง2
= ๐‘ฅ1 โˆ™ ๐‘ฅ2 + ๐‘ฆ1 โˆ™ ๐‘ฆ2 + ๐‘ง1 โˆ™ ๐‘ง2 é um
produto interno sobre ๐‘‰. Verifiquemos:
I)
๐‘ข + ๐‘ฃ, ๐‘ค =
=
๐‘ฅ1 , ๐‘ฆ1 , ๐‘ง1 + ๐‘ฅ2 , ๐‘ฆ2 , ๐‘ง2 , ๐‘ฅ3 , ๐‘ฆ3 , ๐‘ง3
๐‘ฅ1 + ๐‘ฅ2 , ๐‘ฆ1 + ๐‘ฆ2 , ๐‘ง1 + ๐‘ง2 , ๐‘ฅ3 , ๐‘ฆ3 , ๐‘ง3
=
=
= ๐‘ฅ1 + ๐‘ฅ2 . ๐‘ฅ3 + ๐‘ฆ1 + ๐‘ฆ2 โˆ™ ๐‘ฆ3 + ๐‘ง1 + ๐‘ง2 โˆ™ ๐‘ง3 =
= ๐‘ฅ1 โˆ™ ๐‘ฅ3 + ๐‘ฅ2 โˆ™ ๐‘ฅ3 + ๐‘ฆ1 โˆ™ ๐‘ฆ3 + ๐‘ฆ2 โˆ™ ๐‘ฆ3 + ๐‘ง1 โˆ™ ๐‘ง3 + ๐‘ง2 โˆ™ ๐‘ง3 =
= ๐‘ฅ1 โˆ™ ๐‘ฅ3 + ๐‘ฆ1 โˆ™ ๐‘ฆ3 + ๐‘ง1 โˆ™ ๐‘ง3 + ๐‘ฅ2 โˆ™ ๐‘ฅ3 + ๐‘ฆ2 โˆ™ ๐‘ฆ3 + ๐‘ง2 โˆ™ ๐‘ง3 =
=
๐‘ฅ1 , ๐‘ฆ1 , ๐‘ง1 , ๐‘ฅ3 , ๐‘ฆ3 , ๐‘ง3
+
๐‘ฅ2 , ๐‘ฆ2 , ๐‘ง2 , ๐‘ฅ3 , ๐‘ฆ3 , ๐‘ง3
II) ๐›ผ โˆ™ ๐‘ข, ๐‘ฃ = ๐›ผ โˆ™ ๐‘ฅ1 , ๐‘ฆ1 , ๐‘ง1 , ๐‘ฅ2 , ๐‘ฆ2 , ๐‘ง2
=
= ๐‘ข, ๐‘ค + ๐‘ฃ, ๐‘ค
๐›ผ โˆ™ ๐‘ฅ1 , ๐›ผ โˆ™ ๐‘ฆ1 , ๐›ผ โˆ™ ๐‘ง1 , ๐‘ฅ2 , ๐‘ฆ2 , ๐‘ง2
=
= ๐›ผ โˆ™ ๐‘ฅ1 โˆ™ ๐‘ฅ2 + ๐›ผ โˆ™ ๐‘ฆ1 โˆ™ ๐‘ฆ2 + ๐›ผ โˆ™ ๐‘ง1 โˆ™ ๐‘ง2 =
= ๐›ผ โˆ™ ๐‘ฅ1 โˆ™ ๐‘ฅ2 + ๐›ผ โˆ™ ๐‘ฆ1 โˆ™ ๐‘ฆ2 + ๐›ผ โˆ™ ๐‘ง1 โˆ™ ๐‘ง2 = ๐›ผ โˆ™ ๐‘ฅ1 โˆ™ ๐‘ฅ2 + ๐‘ฆ1 โˆ™ ๐‘ฆ2 + ๐‘ง1 โˆ™ ๐‘ง2 =
=๐›ผโˆ™
๐‘ฅ1 , ๐‘ฆ1 , ๐‘ง1 , ๐‘ฅ2 , ๐‘ฆ2 , ๐‘ง2
III) ๐‘ข, ๐‘ฃ =
= ๐›ผ โˆ™ ๐‘ข, ๐‘ฃ
๐‘ฅ1 , ๐‘ฆ1 , ๐‘ง1 , ๐‘ฅ2 , ๐‘ฆ2 , ๐‘ง2
= ๐‘ฅ2 โˆ™ ๐‘ฅ1 + ๐‘ฆ2 โˆ™ ๐‘ฆ1 + ๐‘ง2 โˆ™ ๐‘ง1 =
= ๐‘ฅ1 โˆ™ ๐‘ฅ2 + ๐‘ฆ1 โˆ™ ๐‘ฆ2 + ๐‘ง1 โˆ™ ๐‘ง2 =
๐‘ฅ2 , ๐‘ฆ2 , ๐‘ง2 , ๐‘ฅ1 , ๐‘ฆ1 , ๐‘ง1
= ๐‘ฃ, ๐‘ข
IV) Se ๐‘ข โ‰  0,0,0 , então, temos ๐‘ฅ1 โ‰  0 ou ๐‘ฆ1 โ‰  0 ou ๐‘ง1 โ‰  0, assim, temos ๐‘ข, ๐‘ข =
๐‘ฅ1 , ๐‘ฆ1 , ๐‘ง1 , ๐‘ฅ1 , ๐‘ฆ1 , ๐‘ง1
= ๐‘ฅ1 โˆ™ ๐‘ฅ1 + ๐‘ฆ1 โˆ™ ๐‘ฆ1 + ๐‘ง1 โˆ™ ๐‘ง1 = ๐‘ฅ12 + ๐‘ฆ12 + ๐‘ง12 > 0.
99
6
CÓDIGOS CORRETORES DE ERROS
O avanço rápido da tecnologia está presente no nosso cotidiano. Dispomos hoje de
grande facilidade em armazenar dados ou nos comunicar de maneira prática e rápida
utilizando aparelhos eletrônicos como celulares, tablets, microcomputadores, além dos meios
de comunicação convencionais tais como televisão, rádio etc., que geram ao mesmo tempo
eficiência, conforto e lazer para nós usuários. No entanto passam despercebidos à maioria dos
usuários todo um contexto matemático utilizado e necessário para o funcionamento desses
aparelhos. Embora não utilizemos matemática de maneira direta ao, por exemplo, enviarmos
uma mensagem via celular, de maneira indireta isso só é possível por meio da utilização
indireta da matemática.
Um aspecto importante no envio ou armazenamento de informações consiste na
incerteza em saber se a informação por nós enviada através de um dispositivo eletrônico de
comunicação será recebida tal qual enviamos ou se um dado hoje armazenado será acessado
amanhã com o mesmo grau de fidedignidade. Informações enviadas ou armazenadas serão
passíveis de erros? Caso haja um erro na transmissão de uma informação ou no
armazenamento da mesma, serão possíveis as detecções e correções? Pensando nessas
questões, abordaremos a seguir a teoria dos Códigos Corretores de Erros.
A teoria dos códigos foi criada pelo matemático americano Claude Elwood Shannon,
no laboratório Bell, e foi apresentada de um trabalho publicado no ano de 1948. Nas décadas
de 50 e 60 vários matemáticos que se interessaram pelo assunto, contribuíram de forma
considerável com o desenvolvimento dessa teoria. A partir da década de 70, profissionais
engenheiros passaram a ter interesse pela teoria em virtude das pesquisas espaciais,
telecomunicações e o uso difundido de computadores. Nos dias atuais, qualquer aparelho que
seja utilizado para a transmissão ou armazenamento de dados, faz uso dessa teoria, portanto, a
teoria dos códigos está a cada dia mais presente em nossas vidas.
6.1
O QUE É UM CÓDIGO?
Podemos citar como exemplo de um código o idioma que usamos. Consideremos um
alfabeto
formado
por
38
caracteres,
sendo
37
deles
os
caracteres
a
seguir:
100
๐‘Ž, ๐‘, ๐‘, ๐‘‘, ๐‘’, ๐‘“, ๐‘”, ๐‘•, ๐‘–, ๐‘—, ๐‘˜, ๐‘™, ๐‘š, ๐‘›, ๐‘œ, ๐‘, ๐‘ž, ๐‘Ÿ, ๐‘ , ๐‘ก, ๐‘ข, ๐‘ฃ, ๐‘ค, ๐‘ฅ, ๐‘ฆ, ๐‘ง, á, à, â, ã, é, ê, í, ó, ô, õ, ú
e mais
um caractere correspondendo ao espaço entre palavras. Denominaremos esse alfabeto de ๐‘ƒ.
Consideremos
que
a
maior
palavra
desse
alfabeto
seja
โ€œpneumoultramicroscopicossilicovulcanoconióticoโ€6. Percebe-se que ๐‘ƒ possui 38 elementos
(caracteres) e sua maior palavra possui 46 caracteres. Podemos fazer com que cada palavra de
๐‘ƒ possua exatamente o mesmo número de caracteres da sua maior palavra, ou seja, por meio
do acréscimo de espaços no fim de cada palavra de ๐‘ƒ, fazemos com que todas elas possuam
exatamente 46 caracteres. Definimos assim um código como sendo um conjunto ๐ถ โŠ‚ ๐‘ƒ46 de
todas as palavras existentes no nosso idioma. Notemos, porém que o código ๐ถ não é eficiente
para detectar e corrigir erros, por exemplo, se transmitíssemos a palavra โ€œtelefoneโ€ e
ocorresse um erro na transmissão, de modo que a palavra recebida fosse โ€œbelefoneโ€, o código
๐ถ detectaria que houve um erro, pois belefone não pertence ao conjunto ๐ถ. Uma vez detectado
o erro, seria fácil corrigi-lo, pois a palavra pertencente a ๐ถ que mais se aproxima de belefone é
telefone. Sendo assim, saberíamos que a palavra transmitida, na realidade havia sido telefone.
Em contrapartida, se a palavra transmitida fosse โ€œbolaโ€ e por ventura ocorresse um erro na
transmissão, de modo que a palavra recebida fosse โ€œwolaโ€, o erro seria detectado, pois wola
não é uma palavra pertencente a ๐ถ, porém, a correção seria impossível, uma vez que em ๐ถ
existem várias palavras que igualmente se aproximam de wola, por exemplo bola, cola, mola,
sola e gola. Em uma terceira hipótese, se a palavra transmitida fosse โ€œcanecaโ€ e ocorresse um
erro na transmissão, de modo que a palavra recebida fosse โ€œcanelaโ€, o código ๐ถ nem
detectaria o erro, pois a palavra canela também pertence a ๐ถ.
Para exemplificar os princípios da teoria dos códigos, analisemos o seguinte caso:
Suponhamos que o braço mecânico de base fixa da figura 2, através de comandos
digitais, possibilite quatro movimentos básicos: para cima, para baixo, para a direita e para
a esquerda:
Figura 2: Braço mecânico
Fonte: <http://thing-better.blogspot.com.br/2013/04/o-que-e-robotica_6379.html>
6
Doença pulmonar causada pela inalação de cinzas de origem vulcânica.
101
Aos comandos acima denominaremos โ€œfonteโ€.
Os circuitos digitais (ou circuitos lógicos) baseiam seu funcionamento na lógica
binária, ou seja, cada informação deve ser expressa utilizando-se de dois dígitos, a saber, 0 e
1. Como temos dois dígitos disponíveis para expressar os comandos e dispomos de quatro
comandos básicos para o braço mecânico, considerando o conjunto ๐น = 0,1 , podemos
codificar os quatro comandos como elementos de ๐น 2 = ๐น × ๐น =
0,0 , 0,1 , 1,0 , 1,1 }.
Por simplicidade de notação, consideraremos cada par ๐‘Ž, ๐‘ โˆˆ ๐น 2 simplesmente como ๐‘Ž๐‘ e a
cada um dos quatro comandos 00, 01, 10 e 11 denominaremos โ€œcódigo da fonteโ€. Por
exemplo:
Fonte
Código da fonte
Para a esquerda:
00
Para a direita:
01
Para cima:
10
Para baixo:
11
Imaginemos agora que os comandos (mensagens) sejam transmitidos ao braço
mecânico via sinais de rádio frequência, através de um controle remoto por exemplo.
Suponhamos que seja dado ao braço mecânico o comando โ€œpara a esquerdaโ€, o que será
convertido para o código de fonte 00 e enviado ao braço mecânico, indicando para que ele se
mova para a esquerda. Suponhamos ainda que a transmissão do sinal, por alguma
interferência externa, sofra um erro e chegue até o braço mecânico como 10, o que acarreta
que o braço em vez de mover-se para a esquerda, fosse movido para cima. Observemos que o
circuito digital do braço mecânico seria incapaz de detectar o erro, pois 10 é um comando
existente em seu banco de dados.
Diante de uma situação como a descrita acima, o que fazemos é inserir redundâncias,
através do acréscimo de dígitos nos códigos da fonte, de modo que se possa detectar e corrigir
possíveis erros de transmissão, dando origem a um novo código ao qual denominamos de
โ€œcódigo de canalโ€:
Fonte
Código da fonte
Código de canal
Para a esquerda:
00
00000
Para a direita:
01
01011
Para cima:
10
10110
Para baixo:
11
11101
102
Nesta nova codificação, as duas primeiras posições representam o código da fonte
enquanto as três últimas posições são as redundâncias inseridas.
Façamos a seguir uma nova análise:
Suponhamos que seja dado ao braço mecânico o comando โ€œpara a direitaโ€, o que será
convertido para o código da fonte 01 e em seguida acrescido de redundâncias será convertido
para o código de canal 01011 e enviado ao braço mecânico, indicando para que ele se mova
para a direita. Suponhamos ainda que a transmissão do sinal, por alguma interferência
externa, sofra um erro e chegue até o braço mecânico como 01010. Notemos que esse
comando não existe em banco de dados e isso acarretaria a identificação de um erro pelo
circuito digital do braço mecânico. Consultando seu banco de dados, o comando que mais se
aproxima de 01010 é 01011 e, portanto, o circuito digital faria a correção, interpretando o
comando recebido como 01011 e movendo o braço mecânico para a direita.
Vejamos em diagrama de blocos a seguir, todas as etapas desde o comando dado até a
chegada da mensagem transmitida:
Fonte
โŸถ
Codificador
da fonte
โŸถ
Codificador
de canal
โ†“
Canal
โ†“
Decodificador
de canal
โŸถ
Decodificador
da fonte
โŸถ
Usuário
O estudo da teoria dos códigos apresentado nesse trabalho, objetivará a transformação
de códigos da fonte em códigos de canal, as detecções e correções de possíveis erros
ocorridos durante o processo de transmissão e a decodificação de códigos de canal em
códigos da fonte. Consideraremos nesse estudo apenas canais simétricos, canais estes que
possuem as seguintes características:
- Todos os caracteres transmitidos tem a mesma probabilidade (ínfima) de serem recebidos
errados;
- Se um caractere é recebido errado, a probabilidade de ele ser qualquer um dos outros
caracteres disponíveis é a mesma.
103
6.2
MÉTRICA DE HAMMING
Primeiramente entendamos o que é uma métrica.
Uma métrica é uma generalização do conceito geométrico de distância. Dizemos que,
dado um conjunto ๐‘‡, uma métrica em ๐‘‡ é uma função ๐‘‘: ๐‘‡ × ๐‘‡ โ†’ โ„ que a cada ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ
๐‘‡ × ๐‘‡ faz corresponder o elemento ๐‘‘ ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ โ„, denominado a distância de ๐‘ฅ a ๐‘ฆ, tal que
para todo ๐‘ฅ, ๐‘ฆ, ๐‘ง โˆˆ ๐‘‡, temos:
๏‚ท
๐‘‘ ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โ‰ฅ 0, valendo a igualdade quando ๐‘ฅ = ๐‘ฆ
๏‚ท
๐‘‘ ๐‘ฅ, ๐‘ฆ = ๐‘‘(๐‘ฆ, ๐‘ฅ) (simetria)
๏‚ท
๐‘‘ ๐‘ฅ, ๐‘ง โ‰ค ๐‘‘ ๐‘ฅ, ๐‘ฆ + ๐‘‘(๐‘ฆ, ๐‘ง) (desigualdade triangular)
Dado um conjunto ๐ด, finito, ao qual denominaremos de alfabeto. Representaremos o
número de elementos de ๐ด por ๐ด = ๐‘ž. Definimos um código corretor de erros como sendo
um subconjunto próprio qualquer de ๐ด๐‘› , com ๐‘› โˆˆ โ„•. Dados ๐‘ข, ๐‘ฃ โˆˆ ๐ด๐‘› , denominamos de
โ€œdistância de Hammingโ€ ao valor ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ฃ = ๐‘–, ๐‘ข๐‘– โ‰  ๐‘ฃ๐‘– , 1 โ‰ค ๐‘– โ‰ค ๐‘›
.
Vejamos um exemplo:
Sendo ๐ด = 0,1 , para ๐‘› = 4, temos ๐ด4 = 16 e 0000, 0001, 1010,1011, 1111 โŠ‚
๐ด4 . Assim:
๐‘‘ 1010,1011 = 1
๐‘‘ 0001,1011 = 2
๐‘‘ 0001,1111 = 3
๐‘‘ 0000, 1111 = 4
Consideremos, de maneira geral, os elementos ๐‘ข, ๐‘ฃ, ๐‘ค โˆˆ ๐ด๐‘› , tais que ๐‘ข =
๐‘ข1 ๐‘ข2 ๐‘ข3 โ€ฆ ๐‘ข๐‘› , ๐‘ฃ = ๐‘ฃ1 ๐‘ฃ2 ๐‘ฃ3 โ€ฆ ๐‘ฃ๐‘› e ๐‘ค = ๐‘ค1 ๐‘ค2 ๐‘ค3 โ€ฆ ๐‘ค๐‘› . Como ๐‘ข๐‘– , ๐‘ฃ๐‘– โˆˆ 0,1 para todo ๐‘– โˆˆ
1, 2, โ€ฆ , ๐‘› , se tivermos ๐‘ข๐‘– = ๐‘ฃ๐‘– , então ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ฃ = 0, caso existam ๐‘˜ índices ๐‘– para os quais
๐‘ข๐‘– โ‰  ๐‘ฃ๐‘– então, por definição, ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ฃ = ๐‘˜ > 0, logo, deduzimos que ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ฃ โ‰ฅ 0. Por outro
lado, se tivermos ๐‘ข๐‘– = ๐‘ฃ๐‘– para todo ๐‘– โˆˆ 1, 2, โ€ฆ , ๐‘› , então ๐‘ข = ๐‘ฃ, o que implica que ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ฃ =
0 e ๐‘‘ ๐‘ฃ, ๐‘ข = 0, acarretando que ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ฃ = ๐‘‘ ๐‘ฃ, ๐‘ข . Caso existam ๐‘˜ índices ๐‘– para os quais
๐‘ข๐‘– โ‰  ๐‘ฃ๐‘– então, por definição, ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ฃ = ๐‘˜ e ๐‘‘ ๐‘ฃ, ๐‘ข = ๐‘˜, implicando que ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ฃ = ๐‘‘ ๐‘ฃ, ๐‘ข .
Para cada índice ๐‘–, a contribuição para a distância ๐‘‘(๐‘ข, ๐‘ฃ), das ๐‘– โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘Ž๐‘ 
coordenadas de ๐‘ข e ๐‘ฃ é igual a 0 ou 1, respectivamente se ๐‘ข๐‘– = ๐‘ฃ๐‘– ou ๐‘ข๐‘– โ‰  ๐‘ฃ๐‘– . De maneira
análoga a contribuição para a distância ๐‘‘(๐‘ฃ, ๐‘ค), das ๐‘– โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘Ž๐‘  coordenadas de ๐‘ฃ e ๐‘ค é
igual a 0 ou 1, respectivamente se ๐‘ฃ๐‘– = ๐‘ค๐‘– ou ๐‘ฃ๐‘– โ‰  ๐‘ค๐‘– e a contribuição para a distância
๐‘‘(๐‘ข, ๐‘ค), das ๐‘– โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘Ž๐‘  coordenadas de ๐‘ข e ๐‘ค é igual a 0 ou 1, respectivamente se ๐‘ข๐‘– = ๐‘ค๐‘–
104
ou ๐‘ข๐‘– โ‰  ๐‘ค๐‘– . Considerando que a contribuição para a distância ๐‘‘(๐‘ข, ๐‘ค), das ๐‘– โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘Ž๐‘ 
coordenadas de ๐‘ข e ๐‘ค seja 0, ou seja, ๐‘ข๐‘– = ๐‘ค๐‘– , então temos ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ค โ‰ค ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ฃ + ๐‘‘(๐‘ฃ, ๐‘ค),
pois a contribuição das ๐‘– โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘Ž๐‘  coordenadas de ๐‘ข๐‘– e ๐‘ฃ๐‘– e ๐‘ฃ๐‘– e ๐‘ค๐‘– em ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ฃ + ๐‘‘(๐‘ฃ, ๐‘ค) é
igual a 0, 1 ou 2. Caso consideremos ๐‘ข๐‘– โ‰  ๐‘ค๐‘– , então não se tem ๐‘ข๐‘– = ๐‘ฃ๐‘– e ๐‘ฃ๐‘– = ๐‘ค๐‘– , pois seria
contrário a hipótese, assim, temos que a contribuição das ๐‘– โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘Ž๐‘  coordenadas de ๐‘ข๐‘– e ๐‘ฃ๐‘–
e ๐‘ฃ๐‘– e ๐‘ค๐‘– em ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ฃ + ๐‘‘(๐‘ฃ, ๐‘ค) é maior ou igual a 1, que, por hipótese, é a contribuição das
๐‘– โˆ’ é๐‘ ๐‘–๐‘š๐‘Ž๐‘  coordenadas de ๐‘ข๐‘– e ๐‘ค๐‘– em ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ค . Portanto, temos sempre ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ค โ‰ค ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ฃ +
๐‘‘(๐‘ฃ, ๐‘ค).
Concluímos com isso que a distância de Hamming entre os elementos de ๐ด๐‘› cumpre
as três condições necessárias para classificá-la como uma métrica, portanto, a partir desse
momento a denominaremos de métrica de Hamming.
6.2.1 Disco e esfera de centro c e raio r
Consideremos um elemento ๐‘ โˆˆ ๐ด๐‘› e ๐‘Ÿ โˆˆ โ„, tal que ๐‘Ÿ โ‰ฅ 0.
Dizemos que um disco de centro ๐‘ e raio ๐‘Ÿ é um conjunto ๐ท ๐‘, ๐‘Ÿ = ๐‘ข โˆˆ
๐ด๐‘› ; ๐‘‘(๐‘ข, ๐‘) โ‰ค ๐‘Ÿ . De maneira análoga, definimos uma esfera de centro ๐‘ e raio ๐‘Ÿ como um
conjunto ๐‘† ๐‘, ๐‘Ÿ = ๐‘ข โˆˆ ๐ด๐‘› ; ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ = ๐‘Ÿ .
Discos e esferas são conjuntos finitos como veremos a seguir:
Sendo ๐ด = ๐‘ž o número de elementos do alfabeto ๐ด e ๐‘ข โˆˆ ๐ด uma palavra desse
alfabeto, em cada coordenada de ๐‘ข temos ๐‘ž โˆ’ 1 elementos de ๐ด๐‘› distintos, que podem variar
nas ๐‘– coordenadas de ๐‘ข, obtendo com isso ๐‘ž โˆ’ 1 ๐‘– . Como ๐‘ข tem tamanho ๐‘› e as ๐‘– entradas
๐‘›
distintas podem percorrer qualquer coordenada de ๐‘ข, temos então a combinação
. Se
๐‘–
๐‘† ๐‘, ๐‘– representa o número de elementos da esfera ๐‘† de centro ๐‘ e raio ๐‘–, então ๐‘† ๐‘, ๐‘– =
๐‘›
. ๐‘ž โˆ’ 1 ๐‘– , o que nos mostra que ๐‘† ๐‘, ๐‘– possui um número finito de elementos. Notemos
๐‘–
ainda que ๐‘† ๐‘, ๐‘– โˆฉ ๐‘† ๐‘, ๐‘— = โˆ… quando ๐‘– โ‰  ๐‘— e que
๐‘Ÿ
๐‘–=0 ๐‘†
๐‘, ๐‘– = ๐ท ๐‘, ๐‘Ÿ , portanto, o número
de elementos do conjunto ๐ท ๐‘, ๐‘Ÿ , representado por ๐ท ๐‘, ๐‘Ÿ , também é finito, pois
๐‘›
๐ท ๐‘, ๐‘Ÿ = ๐‘Ÿ๐‘–=0 ๐‘†(๐‘, ๐‘–) = ๐‘Ÿ๐‘–=0 ๐‘†(๐‘, ๐‘–) = ๐‘Ÿ๐‘–=0
. ๐‘ž โˆ’ 1 ๐‘–.
๐‘–
Vejamos um exemplo:
Consideremos o alfabeto ๐ด = 0,1 , portanto
๐ด = ๐‘ž = 2. Para ๐‘› = 3, temos
๐ด3 = 000, 001, 010, 011, 100, 101, 110, 111 . Consideremos ๐‘ = 010 โˆˆ ๐ด3 e ๐‘Ÿ = 2. Temos
105
então
o
conjunto
๐‘† ๐‘, ๐‘Ÿ = ๐‘† 010, 2 = 001, 100,111
000, 001, 010, 011, 100,110, 111 . Notemos que ๐‘† 010, 2
que ๐ท 010, 2
=
3
๐‘–=0
๐ท ๐‘, ๐‘Ÿ = ๐ท 010, 2 =
e
=
3
. (2 โˆ’ 1)2 = 3.1 = 3 e
2
3
3
3
3
. (2 โˆ’ 1)๐‘– =
. 10 +
. 11 +
. 12 = 1 + 3 + 3 = 7 .
๐‘–
0
1
2
6.2.2 Distância mínima de um código
Dado um código ๐ถ, definimos sua distância mínima como sendo um número ๐‘‘, tal que
๐‘‘ = ๐‘š๐‘–๐‘› ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ฃ ; ๐‘ข, ๐‘ฃ โˆˆ ๐ถ ๐‘’ ๐‘ข โ‰  ๐‘ฃ .
No exemplo do braço mecânico, tínhamos o alfabeto ๐น = 0,1 , do qual obtivemos o
código de fonte ๐น 2 = 00, 01, 10, 11 e, através do acréscimo de redundâncias, obtivemos o
código ๐ถ โŠ‚ ๐น 5 tal que ๐ถ = ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , ๐‘ข4 = 00000, 01011, 10110, 11101 . Notemos que
๐‘‘ ๐‘ข1 , ๐‘ข2 = 3, ๐‘‘ ๐‘ข1 , ๐‘ข3 = 3, ๐‘‘ ๐‘ข1 , ๐‘ข4 = 4, ๐‘‘ ๐‘ข2 , ๐‘ข3 = 4, ๐‘‘ ๐‘ข2 , ๐‘ข4 = 3 e ๐‘‘ ๐‘ข3 , ๐‘ข4 = 3,
portanto, ๐‘‘ = ๐‘š๐‘–๐‘› ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ฃ ; ๐‘ข, ๐‘ฃ โˆˆ ๐ถ ๐‘’ ๐‘ข โ‰  ๐‘ฃ = ๐‘š๐‘–๐‘› 3, 4 = 3.
Percebe-se que para determinarmos ๐‘‘ no exemplo dado, foram necessários os cálculos
de seis distâncias e que à medida que ๐ถ possua um número maior de palavras, mais cálculos
de distâncias serão necessários para a determinação de ๐‘‘. De maneira geral, para o cálculo de
๐‘‘ são necessários os cálculos de
๐ถ
2
do conjunto ๐ถ. Porém, o cálculo de
distâncias, onde ๐ถ representa o número de elementos
๐ถ
2
demanda um custo computacional exagerado, o que
inviabiliza esse método e, para tanto, veremos mais adiante outras maneiras para se encontrar
๐‘‘ com um esforço computacional minimizado.
Considerando ๐ถ um código de distância mínima ๐‘‘, definimos ๐œ… =
representa a parte inteira do número real
๐‘‘โˆ’1
2
๐‘‘โˆ’1
2
, onde
๐‘‘โˆ’1
2
.
Teorema 6.1: Considerando ๐ถ um código de distância mínima ๐‘‘. Se ๐‘,๐‘โ€ฒ โˆˆ ๐ถ e ๐‘ โ‰  ๐‘โ€ฒ, então
๐ท ๐‘, ๐œ… โ‹‚๐ท ๐‘ โ€ฒ , ๐œ… = โˆ….
Demonstração:
Suponhamos
que
๐ท ๐‘, ๐œ… โ‹‚๐ท ๐‘ โ€ฒ , ๐œ… โ‰  โˆ…,
ou
seja,
existe
๐‘ข โˆˆ ๐ท ๐‘, ๐œ… โ‹‚๐ท ๐‘ โ€ฒ , ๐œ… , então temos que ๐‘‘(๐‘ข, ๐‘) โ‰ค ๐œ… e ๐‘‘(๐‘ข, ๐‘โ€ฒ) โ‰ค ๐œ…, mas pela métrica de
Hamming, temos ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ = ๐‘‘(๐‘, ๐‘ข) e ๐‘‘ ๐‘, ๐‘ โ€ฒ โ‰ค ๐‘‘ ๐‘, ๐‘ข + ๐‘‘(๐‘ข, ๐‘ โ€ฒ ), o que implica que
๐‘‘ ๐‘, ๐‘ โ€ฒ โ‰ค ๐œ… + ๐œ… = 2๐œ… โ‰ค ๐‘‘ โˆ’ 1, o que contradiz a hipótese, pois ๐‘‘ é a distância mínima, ou
seja, ๐‘‘ ๐‘, ๐‘ โ€ฒ โ‰ฅ ๐‘‘. Portanto se ๐‘,๐‘โ€ฒ โˆˆ ๐ถ e ๐‘ โ‰  ๐‘โ€ฒ, então ๐ท ๐‘, ๐œ… โ‹‚๐ท ๐‘ โ€ฒ , ๐œ… = โˆ….
106
6.2.3 Número de detecções e número de correções de erros
A distância mínima ๐‘‘ de um código ๐ถ tem grande relevância nos processos de
detecção e correção de erros.
Teorema 6.2: Considere um código ๐ถ com distância mínima ๐‘‘. ๐ถ pode detectar até ๐‘‘ โˆ’ 1
erros.
Demonstração: Sendo ๐‘‘ a distância mínima de um código ๐ถ, sabemos que dada uma palavra
๐‘ โˆˆ ๐ถ, qualquer outra palavra ๐‘โ€ฒ do código ๐ถ está a uma distância no mínimo igual a ๐‘‘ da
palavra ๐‘. Isso significa que podemos introduzir em uma palavra qualquer de ๐ถ até ๐‘‘ โˆ’ 1
erros sem encontrar outra palavra de ๐ถ, tornando possível a detecção do erro.
Teorema 6.3: Consideremos um código ๐ถ com distância mínima ๐‘‘. O código ๐ถ pode corrigir
até ๐œ… =
๐‘‘โˆ’1
2
erros.
Demonstração: Suponhamos que uma palavra ๐‘ โˆˆ ๐ถ sofra ๐‘ก erros, com ๐‘ก โ‰ค ๐œ…, ao ser
transmitida, de modo que ๐‘Ÿ seja a palavra recebida. Temos então ๐‘‘ ๐‘Ÿ, ๐‘ = ๐‘ก โ‰ค ๐œ… e, pelo
teorema 6.1, a distância de ๐‘Ÿ a qualquer outra palavra de ๐ถ é maior do que ๐œ…, assim, a palavra
๐‘ é univocamente determinada a partir da palavra ๐‘Ÿ.
Exemplo:
Considerando o código ๐ถ dos comandos do braço mecânico, como vimos que ๐‘‘ = 3,
então ๐‘‘ โˆ’ 1 = 3 โˆ’ 1 = 2 e ๐œ… =
๐‘‘โˆ’1
2
=
3โˆ’1
2
= 1, portanto, no código ๐ถ é possível detectar
até 2 erros e corrigir 1 erro.
6.2.4 Códigos perfeitos
Um código ๐ถ โŠ‚ ๐ด๐‘› , com distância mínima ๐‘‘ e ๐œ… =
perfeito se
๐‘โˆˆ๐ถ ๐ท
๐‘‘โˆ’1
2
é denominado código
๐‘, ๐‘˜ = ๐ด๐‘› .
Observemos que o código ๐ถ do braço mecânico não é perfeito, pois ๐ถ โŠ‚ ๐น 5 , ๐ถ =
๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , ๐‘ข4 = 00000, 01011, 10110, 11101
e ๐œ… = 1, mas considerando a palavra
๐‘ = 11010 โˆˆ ๐น 5 , vemos que ๐‘‘ ๐‘ข1 , ๐‘ = ๐‘‘ ๐‘ข4 , ๐‘ = 3 e ๐‘‘ ๐‘ข2 , ๐‘ = ๐‘‘ ๐‘ข3 , ๐‘ = 2. Como
107
๐‘˜ = 1, significa que ๐‘ โˆ‰ ๐ท(๐‘ข1 , 1) โˆช ๐ท(๐‘ข2 , 1) โˆช ๐ท(๐‘ข3 , 1) โˆช ๐ท(๐‘ข4 , 1), o que implica que
๐‘ข ๐‘– โˆˆ๐ถ ๐ท
๐‘ข๐‘– , 1 โ‰  ๐น ๐‘› , ou seja, ๐ถ โŠ‚ ๐น 5 não é código perfeito.
6.2.5 Equivalência de códigos
Primeiramente falemos sobre isometrias.
Dados dois espaços métricos (conjuntos munidos de uma métrica) ๐‘‹ e ๐‘Œ e dados dois
elementos ๐‘ฅ1 , ๐‘ฅ2 โˆˆ ๐‘‹, de modo que a distância entre ๐‘ฅ1 e ๐‘ฅ2 no espaço ๐‘‹ seja ๐‘‘๐‘‹ ๐‘ฅ1 , ๐‘ฅ2 .
Uma função ๐‘“: ๐‘‹ โ†’ ๐‘Œ que a cada ๐‘ฅ โˆˆ ๐‘‹ faça corresponder a ๐‘“(๐‘ฅ) โˆˆ ๐‘Œ é denominada uma
isometria se em relação a distância no espaço métrico ๐‘Œ, for válida a igualdade
๐‘‘๐‘Œ ๐‘“ ๐‘ฅ1 , ๐‘“ ๐‘ฅ2
= ๐‘‘๐‘‹ ๐‘ฅ1 , ๐‘ฅ2 para todo ๐‘ฅ1 , ๐‘ฅ2 โˆˆ ๐‘‹, ou seja, ๐‘“ é uma transformação que
preserva a distância.
Considerando um conjunto ๐ด, ao qual denominamos alfabeto e um número natural ๐‘›,
o conjunto ๐ด๐‘› de todas as palavras de tamanho ๐‘› é um espaço métrico, pois nele temos
definida a métrica de Hamming. Sendo assim, uma função ๐‘“: ๐ด๐‘› โ†’ ๐ด๐‘› é uma isometria de ๐ด๐‘›
se preservar distâncias de Hamming, ou seja, ๐‘‘ ๐‘“ ๐‘ฅ , ๐‘“ ๐‘ฆ
= ๐‘‘(๐‘ฅ, ๐‘ฆ) para todo ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐ด๐‘› .
Considerando isometrias para a métrica de Hamming:
Teorema 6.4: Se ๐‘“: ๐ด๐‘› โ†’ ๐ด๐‘› é uma isometria, então ๐‘“ é uma bijeção.
Demonstração: Consideremos ๐‘“: ๐ด๐‘› โ†’ ๐ด๐‘› uma isometria. Suponhamos que dados ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐ด๐‘› ,
tenhamos ๐‘“ ๐‘ฅ = ๐‘“(๐‘ฆ), o que implica que ๐‘‘ ๐‘“ ๐‘ฅ , ๐‘“ ๐‘ฆ
é uma isometria, então ๐‘‘ ๐‘ฅ, ๐‘ฆ = ๐‘‘ ๐‘“ ๐‘ฅ , ๐‘“ ๐‘ฆ
= 0. Mas, por hipótese, ๐‘“: ๐ด๐‘› โ†’ ๐ด๐‘›
o que implica que ๐‘‘ ๐‘ฅ, ๐‘ฆ = 0 e, portanto,
๐‘ฅ = ๐‘ฆ, mostrando que ๐‘“ é injetiva. Como ๐ด๐‘› é um conjunto finito e toda bijeção de um
conjunto finito nele próprio é uma sobrejeção, temos com isso que ๐‘“ é sobrejetiva e portanto
bijetiva.
Teorema 6.5: A função identidade ๐ผ๐ด๐‘› : ๐ด๐‘› โ†’ ๐ด๐‘› é uma isometria.
Demonstração: Temos que para todo ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐ด๐‘› , ๐ผ๐ด๐‘› ๐‘ฅ = ๐‘ฅ e ๐ผ๐ด๐‘› ๐‘ฆ = ๐‘ฆ, o que implica
๐‘‘ ๐ผ๐ด๐‘› ๐‘ฅ , ๐ผ๐ด๐‘› ๐‘ฆ
= ๐‘‘(๐‘ฅ, ๐‘ฆ), mostrando que ๐ผ๐ด๐‘› é uma isometria.
Teorema 6.6: Se ๐‘“ é uma isometria de ๐ด๐‘› , então ๐‘“ โˆ’1 também o é.
108
Demonstração: Se ๐‘“ é uma isometria, então pelo teorema 6.4, ๐‘“ é bijetiva, o que garante a
existência de ๐‘“ โˆ’1 . Como por hipótese ๐‘“ é uma isometria, então ๐‘‘ ๐‘“ โˆ’1 ๐‘ฅ , ๐‘“ โˆ’1 ๐‘ฆ
๐‘‘ ๐‘“ ๐‘“ โˆ’1 ๐‘ฅ , ๐‘“ ๐‘“ โˆ’1 ๐‘ฆ
=
= ๐‘‘(๐‘ฅ, ๐‘ฆ), mostrando com isso, que ๐‘“ โˆ’1 é uma isometria.
Teorema 6.7: Se ๐‘“1 e ๐‘“2 são isometrias de ๐ด๐‘› , então ๐‘“1 โˆ˜ ๐‘“2 é uma isometria de ๐ด๐‘› .
Demonstração: Se ๐‘“1 e ๐‘“2 são isometrias de ๐ด๐‘› , então ๐‘‘ ๐‘“1 ๐‘“2 ๐‘ฅ , ๐‘“1 ๐‘“2 ๐‘ฆ
๐‘‘ ๐‘“2 ๐‘ฅ , ๐‘“2 ๐‘ฆ
=
= ๐‘‘(๐‘ฅ, ๐‘ฆ), mostrando com isso que ๐‘“1 โˆ˜ ๐‘“2 é uma isometria de ๐ด๐‘› .
Dados dois códigos ๐ถ1 e ๐ถ2 contidos em ๐ด๐‘› , dizemos que ๐ถ1 e ๐ถ2 são códigos
equivalentes quando existe uma isometria ๐‘“ de ๐ด๐‘› tal que ๐‘“ ๐ถ1 = ๐ถ2 .
Os parâmetros fundamentais de um código ๐ถ โŠ‚ ๐ด๐‘› são o seu comprimento ๐‘›, o seu
número de elementos ๐ถ = ๐‘€ e a sua distância mínima ๐‘‘. Representamos os parâmetros de
um código ๐ถ โŠ‚ ๐ด๐‘› pela terna ๐‘›, ๐‘€, ๐‘‘ .
Teorema 6.8: Dois códigos equivalentes ๐ถ1 e ๐ถ2 de ๐ด๐‘› possuem os mesmos parâmetros.
Demonstração: Suponhamos que os parâmetros do código ๐ถ1 são ๐‘›, ๐‘€, ๐‘‘ . Como ๐ถ2 é
código de ๐ด๐‘› , então todas as suas palavras tem comprimento ๐‘›. Como ๐ถ1 e ๐ถ2 são
equivalentes, então existe uma isometria ๐‘“ de ๐ด๐‘› tal que ๐‘“ ๐ถ1 = ๐ถ2 e, pelo teorema 6.4 ๐‘“ é
bijetiva, logo ๐ถ2 = ๐ถ1 = ๐‘€. Por fim, sejam ๐‘ฅ, ๐‘ฆ โˆˆ ๐ถ1 tais que ๐‘‘ ๐‘ฅ, ๐‘ฆ = ๐‘‘, temos então,
๐‘‘ ๐‘ฅ, ๐‘ฆ = ๐‘‘ ๐‘“ ๐‘ฅ , ๐‘“ ๐‘ฆ
= ๐‘‘, mostrando que a mínima distância em ๐ถ2 também é ๐‘‘. Assim,
os parâmetros do código ๐ถ2 são ๐‘›, ๐‘€, ๐‘‘ .
6.3
CÓDIGOS LINEARES
Consideremos um corpo finito ๐พ com um número ๐‘ž de elementos, ao qual
denominaremos alfabeto.
Seja ๐‘› โˆˆ โ„•, temos que ๐พ ๐‘› é um ๐‘˜-espaço vetorial de dimensão ๐‘›.
Um código ๐ถ โŠ‚ ๐พ ๐‘› é classificado como um código linear quando ๐ถ for um subespaço
vetorial de ๐พ ๐‘› .
O exemplo do braço mecânico utilizado anteriormente é um código linear, pois o
conjunto ๐ถ = 00000, 01011, 10110, 11101 , contido em ๐น 5 é um subespaço vetorial de ๐น 5 ,
verifiquemos:
109
O corpo de escalares ๐น = 0,1 contém dois elementos e, qualquer que seja o vetor
๐‘ข โˆˆ ๐ถ, temos 0. ๐‘ข = 00000 e 1. ๐‘ข = ๐‘ข. Notemos também que 00000 + 01011 = 01011,
00000 + 10110 = 10110, 00000 + 11101 = 11101, 01011 + 10110 = 11101, 01011 +
11101 = 10110 e 10110 + 11101 = 01011. Desse modo, para todo ๐›ผ, ๐›ฝ โˆˆ ๐น e ๐‘ข, ๐‘ฃ โˆˆ ๐ถ,
temos ๐›ผ๐‘ข + ๐›ฝ๐‘ฃ โˆˆ ๐ถ, mostrando com isso que ๐ถ é subespaço vetorial de ๐น 5 .
Como um código linear é um subespaço de um K-espaço vetorial de dimensão finita,
então todo código linear é, também, um K-espaço vetorial de dimensão finita. Sendo ๐‘˜ o
número de elementos de uma das bases de ๐ถ (dimensão de ๐ถ) e, sendo ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘˜ uma
dessas bases , então qualquer que seja ๐‘ข โˆˆ ๐ถ, ๐‘ข se escreve de maneira única como
๐‘ข = ๐›ผ1 โˆ™ ๐‘ข1 + ๐›ผ2 โˆ™ ๐‘ข2 + ๐›ผ3 โˆ™ ๐‘ข3 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘˜ โˆ™ ๐‘ข๐‘˜ , โˆ€๐›ผ๐‘– โˆˆ ๐พ e, portanto, o número de elementos
do código ๐ถ é ๐‘€ = ๐ถ = ๐‘ž ๐‘˜ ou seja, dim ๐ถ = ๐‘˜ = log ๐‘ž ๐‘ž ๐‘˜ = log ๐‘ž ๐‘€.
No exemplo do braço mecânico, temos ๐ถ = 00000, 01011, 10110, 11101
e
๐น = 0,1 , o que implica que ๐‘€ = 4 e ๐‘ž = 2, portanto dim ๐ถ = log 2 4 = 2, ou seja, qualquer
base de ๐ถ possui dois vetores.
6.3.1 Peso de um código
Considerando ๐‘‘ a métrica de Hamming, dado um vetor ๐‘ข do K-espaço vetorial ๐พ ๐‘› ,
definimos o peso de ๐‘ข como sendo o número inteiro ๐œ” ๐‘ข = ๐‘‘(๐‘ข, 0) e, o peso de um código
๐ถ é definido como sendo a distância de Hamming mínima não nula dos vetores de ๐ถ ao vetor
nulo. Em outras palavras:
๐œ” ๐ถ = ๐‘š๐‘–๐‘› ๐œ” ๐‘ข ; ๐‘ข โˆˆ ๐ถ\ 0 .
Teorema 6.9: Considerando um código linear ๐ถ โŠ‚ ๐พ ๐‘› , com distância mínima ๐‘‘, temos
โˆ€๐‘ข, ๐‘ฃ โˆˆ ๐พ ๐‘› , ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ฃ = ๐œ”(๐‘ข โˆ’ ๐‘ฃ) e ๐‘‘ = ๐œ”(๐ถ).
Demonstração: Dados ๐‘ข, ๐‘ฃ โˆˆ ๐พ ๐‘› , pela definição de distância, temos ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ฃ = ๐‘‘ ๐‘ข โˆ’
๐‘ฃ, 0 = ๐œ”(๐‘ข โˆ’ ๐‘ฃ) e, se ๐‘ข, ๐‘ฃ โˆˆ ๐ถ e ๐‘ข โ‰  ๐‘ฃ, e a distância mínima do código ๐ถ é ๐‘‘ = ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ฃ ,
então existe ๐‘ค โˆˆ ๐ถ\ 0 tal que ๐‘ค = ๐‘ข โˆ’ ๐‘ฃ e ๐‘‘ = ๐‘‘ ๐‘ข, ๐‘ฃ = ๐œ” ๐‘ข โˆ’ ๐‘ฃ = ๐œ” ๐‘ค = ๐œ”(๐ถ).
110
6.3.2 Matriz geradora de um código
Consideramos um corpo finito ๐พ com ๐‘ž elementos e um código linear ๐ถ โŠ‚ ๐พ ๐‘› . À
terna ๐‘›, ๐‘˜, ๐‘‘ denominamos parâmetros do código linear ๐ถ. O parâmetro ๐‘› representa o
número de coordenadas de cada vetor (palavra) do código ๐ถ; o parâmetro ๐‘˜ representa a
dimensão do Código (espaço vetorial) ๐ถ sobre o corpo ๐พ e o parâmetro ๐‘‘ representa a
distância mínima do código ๐ถ, que é igual ao peso ๐œ”(๐ถ) do código ๐ถ.
Consideremos ๐ต = ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , ๐‘ข3 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘˜
๐‘ข๐‘– = (๐‘ฃ๐‘–1 , ๐‘ฃ๐‘–2 , ๐‘ฃ๐‘–3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘–๐‘› ),
๐‘ฃ11
๐‘ฃ21
๐บ= โ‹ฎ
๐‘ฃ๐‘˜1
com
uma base ordenada de ๐ถ, onde cada vetor
๐‘ข1
๐‘ข2
1 โ‰ค ๐‘– โ‰ค ๐‘˜ e uma matriz ๐บ = โ‹ฎ , ou seja,
๐‘ข๐‘˜
๐‘ฃ12 โ‹ฏ ๐‘ฃ1๐‘›
๐‘ฃ22 โ‹ฏ ๐‘ฃ2๐‘›
โ‹ฎ
โ‹ฑ
โ‹ฎ . A matriz ๐บ é denominada matriz geradora de ๐ถ associada à
๐‘ฃ๐‘˜2 โ‹ฏ ๐‘ฃ๐‘˜๐‘›
base ๐ต e não é a única matriz geradora de ๐ถ, pois, para cada base diferente de ๐ถ , obtemos
uma geradora diferente. Notemos que uma matriz geradora de um código ๐ถ pode ser obtida de
outra matriz geradora através de transformações elementares sobre matrizes, vistas em 2.5.
Consideremos agora uma transformação linear ๐‘‡: ๐พ ๐‘˜ โ†’ ๐พ ๐‘› de modo que dado ๐‘ฅ โˆˆ
๐พ ๐‘˜ , tenhamos ๐‘‡ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆ™ ๐บ. Como ๐‘ฅ โˆˆ ๐พ ๐‘˜ , então possui ๐‘˜ coordenadas ๐‘ฅ1 , ๐‘ฅ2 , ๐‘ฅ3 , โ€ฆ , ๐‘ฅ๐‘˜ e,
portanto, ๐‘‡ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ1 โˆ™ ๐‘ฃ1 + ๐‘ฅ2 โˆ™ ๐‘ฃ2 + ๐‘ฅ3 โˆ™ ๐‘ฃ3 + โ‹ฏ + ๐‘ฅ๐‘˜ โˆ™ ๐‘ฃ๐‘˜ , o que implica que ๐‘‡(๐พ ๐‘˜ ) = ๐ถ,
assim, temos ๐พ ๐‘˜ o código da fonte, ๐ถ é o código de canal e ๐‘‡ é a codificação, que leva o
código da fonte ao código de canal.
Para obter uma matriz geradora de um código de dimensão ๐‘˜, contido em um espaço
๐พ ๐‘› , basta tomar uma matriz com ๐‘˜ linhas linearmente independentes e ๐‘› colunas. Por
1 0 0 1 0
exemplo, considerando o corpo galoisiano ๐น = 0,1 e uma matriz ๐บ = 1 1 0 0 1 .
0 1 1 1 0
Consideremos as palavras do código da fonte como sendo vetores de ๐น 3 . Uma palavra ๐‘ฅ do
código da fonte é codificada em código de canal através da transformação ๐‘‡: ๐น 3 โ†’ ๐น 5 , tal que
๐‘‡ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆ™ ๐บ. Suponhamos ๐‘ฅ = 110, assim, temos:
๐‘‡ 110 = 1 1
1
0. 1
0
0 0 1 0
1 0 0 1 =
1 1 1 0
= 1.1 + 1.1 + 0.0 1.0 + 1.1 + 0.1 1.0 + 1.0 + 0.1 1.1 + 1.0 + 0.1 1.0 + 1.1 + 0.0 =
111
= 0 1 0 1 1 , portanto, a palavra 110 do código da fonte é codificada como 01011 no
código do canal.
Notemos nesse exemplo que ๐‘ž = 2, pois adotamos o corpo finito (galoisiano) ๐น =
0,1 e k = dim ๐ถ = 3, logo, o número de elementos de ๐ถ é ๐‘€ = 23 = 8. O código ๐ถ é,
portanto, o seguinte conjunto:
๐ถ = 00000, 10101, 11010, 11111, 01111, 01010, 00101, 10000 , que facilmente pode ser
verificado que foi obtido através dos vetores 10010, 11001 e 01110, que constituem uma base
de ๐ถ.
Caso deseje-se decodificar as palavras do código de canal ๐ถ de modo a obter as
palavras do código de fonte, basta tomar os vetores ๐‘ฅ = ๐‘ฅ1 ๐‘ฅ2 ๐‘ฅ3 de ๐น 3 e resolver a equação
๐‘ฅ. ๐บ = ๐‘ฆ, onde ๐‘ฆ = ๐‘ฆ1 ๐‘ฆ2 ๐‘ฆ3 ๐‘ฆ4 ๐‘ฆ5 é uma palavra do código de canal ๐ถ. Porém, esse
procedimento consiste em resolver a equação matricial:
1 0
๐‘ฅ3 โˆ™ 1 1
0 1
๐‘ฅ1 + ๐‘ฅ2 = ๐‘ฆ1
๐‘ฅ2 + ๐‘ฅ3 = ๐‘ฆ2
๐‘ฅ3 = ๐‘ฆ3 que, em
๐‘ฅ1 + ๐‘ฅ3 = ๐‘ฆ4
๐‘ฅ2 = ๐‘ฆ5
๐‘ฅ1
๐‘ฅ2
0 1
0 0
1 1
0
1 = ๐‘ฆ1
0
๐‘ฆ2
๐‘ฆ3 ๐‘ฆ4
๐‘ฆ5 ,
que
gera
o
sistema
geral exige um alto custo computacional e, portanto, é inviável. Mas
efetuando as operações elementares (vistas em 2.5) sobre as linhas da matriz ๐บ, obtemos uma
matriz ๐บโ€ฒ com a seguinte forma:
1 0
1 1
0 1
0 1 0
1
0 0 1 ๐ฟ2 โ†’ ๐ฟ1 + ๐ฟ2 0
1 1 0
0
0 0 1
1 0 1
1 1 1
0
1
1 ๐ฟ3 โ†’ ๐ฟ2 + ๐ฟ3 0
0
0
0 0 1 0
1 0 1 1 = ๐บโ€ฒ.
0 1 0 1
A matriz ๐บโ€ฒ é equivalente por linhas à matriz ๐บ e, portanto, suas linhas são linearmente
independentes e em consequência disso formam outra base de ๐ถ. Assim, podemos obter as
palavras do código de fonte resolvendo a equação matricial ๐‘ฅ. ๐บ โ€ฒ = ๐‘ฆ, que equivale a
๐‘ฅ1
๐‘ฅ2
๐‘ฅ1
๐‘ฅ2
1 0 0 1 0
๐‘ฅ3 โˆ™ 0 1 0 1 1 = ๐‘ฆ1
0 0 1 0 1
๐‘ฅ3 ๐‘ฅ1 + ๐‘ฅ2 ๐‘ฅ2 + ๐‘ฅ3 = ๐‘ฆ1
๐‘ฆ2
๐‘ฆ3 ๐‘ฆ4
๐‘ฆ5 ,
๐‘ฆ2
๐‘ฆ3 ๐‘ฆ4
๐‘ฆ5 , ou seja as palavras do código
ou
ainda
a
da fonte são obtidas considerando as três primeiras coordenadas das palavras do código de
canal. Assim, as palavras do código de fonte são 000, 101, 110, 111, 011, 010, 001, 100 .
Dizemos que uma matriz geradora de um código ๐ถ se encontra na forma padrão, se for
apresentada na forma ๐ผ๐‘˜ ๐ด , com ๐ผ๐‘˜ sendo a matriz identidade de ordem ๐‘˜ e ๐ด uma matriz
cuja ordem é ๐‘˜ × (๐‘› โˆ’ ๐‘˜). No exemplo anterior a matriz ๐บ não estava na forma padrão,
112
porém ao serem efetuadas operações elementares sobre as linhas de ๐บ, foi obtida uma matriz
๐บโ€ฒ, equivalente por linhas à matriz ๐บ e apresentada na forma padrão.
Outra maneira de se obter uma matriz ๐บโ€ฒ na forma padrão, equivalente a matriz ๐บ, é
resolver o produto ๐‘€ โˆ’1 โˆ™ ๐บ, onde ๐‘€ é a matriz quadrada de ordem ๐‘˜ obtida pelo bloco das ๐‘˜
1
primeiras colunas da matriz ๐บ. Pelo teorema 3.3 do capítulo 3, temos que ๐‘€โˆ’1 = det (M)โกโˆ™ ๐‘€,
1
quando det ๐‘€ โ‰  0. No exemplo anterior, ๐‘€ = 1
0
Calculemos a seguir a matriz dos cofatores de ๐‘€:
๐‘€11 ๐‘€12
โ€ฒ
๐‘€ = ๐‘€21 ๐‘€22
๐‘€31 ๐‘€32
0 0
1 0 e pelo teorema 3.1, det ๐‘€ = 1.
1 1
๐‘€13
๐‘€23
๐‘€33
1 0
0
=1โˆ™1=1
๐‘€12 = โˆ’1 1+2 โˆ™
= โˆ’1 โˆ™ 1 = โˆ’1 = 1
0 1
1
1
0 0
=1โˆ™1=1
๐‘€21 = โˆ’1 2+1 โˆ™
= โˆ’1 โˆ™ 0 = 0
1
1 1
1 0
0
= 1 โˆ™ 1 = โˆ’1 = 1
๐‘€23 = โˆ’1 2+3 โˆ™
= โˆ’1 โˆ™ 1 = โˆ’1 = 1
0 1
1
0
1 0
= 1โˆ™0= 0
๐‘€32 = โˆ’1 3+2 โˆ™
= โˆ’1 โˆ™ 0 = 0
0
1 0
0
= 1โˆ™1= 1
1
1
1 0 0
1 . Como ๐‘€ = ๐‘€โ€ฒ ๐‘ก , temos ๐‘€ = 1 1 0 . Assim, temos:
1
1 1 1
1 0 0
1 0 0
1
1
๐‘€โˆ’1 = det (M) โˆ™ ๐‘€ = 1 โˆ™ 1 1 0 = 1 1 0 .
1 1 1
1 1 1
1 0 0 1 0 0 1 0
1 0 0 1 0
โ€ฒ
โˆ’1
โ€ฒ
Como ๐บ = ๐‘€ โˆ™ ๐บ, então ๐บ = 1 1 0 โˆ™ 1 1 0 0 1 = 0 1 0 1 1
1 1 1 0 1 1 1 0
0 0 1 0 1
1 0 0 1 0
1 0
Notemos que ๐บ โ€ฒ = 0 1 0 1 1 = ๐ผ3 ๐ด , com ๐ด = 1 1 . Cabe salientar que
0 0 1 0 1
0 1
1
1
1
๐‘€13 = โˆ’1 1+3 โˆ™
0
1
2+2
๐‘€22 = โˆ’1
โˆ™
0
0
3+1
๐‘€31 = โˆ’1
โˆ™
1
1
3+3
๐‘€33 = โˆ’1
โˆ™
1
1 1
Logo, ๐‘€โ€ฒ = 0 1
0 0
๐‘€11 = โˆ’1
1+1
โˆ™
nem sempre é possível obter uma matriz ๐บ na forma padrão, de um código ๐ถ, apenas
realizando operações elementares sobre linhas. Veja o exemplo:
0
Consideremos um código ๐ถ โŠ‚ ๐น cuja matriz geradora é ๐บ = 0
0
5
1 0 1
0 1 0
0 0 0
0
0 . É fácil
1
verificar que nenhuma operação elementar sobre as linhas de ๐บ fará com que a matriz se
apresente na forma padrão, uma vez que todos os elementos da primeira coluna de ๐บ são
nulos. Porém, aplicando as operações de permutação entre duas colunas da matriz ๐บ e
multiplicação de uma coluna de ๐บ por um escalar não nulo, podemos obter uma matriz ๐บโ€ฒ,
113
geradora na forma padrão, de um código ๐ถโ€ฒ โŠ‚ ๐น 5 que é equivalente ao código ๐ถ. Por
exemplo:
0
๐บ= 0
0
1 0
0 1
0 0
1
0
0
0
0
1
0
1
0
1
0
0
1 0
1 0
0 0 ๐‘1 โ†’ ๐‘2 0 0
0 1
0 0
0
0 = ๐บโ€ฒ .
0
0 1
1 0
0 0
0
1 0
0 ๐‘2 โ†’ ๐‘3 0 1
1
0 0
0 1 0
0 0 0 ๐‘3 โ†’ ๐‘5
0 0 1
Teorema 6.10: Sendo ๐ถ um código, existe um código ๐ถโ€ฒ, equivalente a ๐ถ, cuja matriz
geradora se apresenta na forma padrão.
๐‘ฅ11
๐‘ฅ21
Demonstração: Seja ๐ถ um código cuja matriz geradora é ๐บ = โ‹ฎ
๐‘ฅ๐‘˜1
๐‘ฅ12 โ€ฆ ๐‘ฅ1๐‘›
๐‘ฅ22 โ€ฆ ๐‘ฅ2๐‘›
โ‹ฎ โ‹ฑ
โ‹ฎ .
๐‘ฅ๐‘˜2 โ€ฆ ๐‘ฅ๐‘˜๐‘›
Utilizando as operações elementares sobre as linhas de um matriz (vistas no capítulo 2) e
operações sobre as colunas de ๐บ, temos:
Como as linhas de ๐บ constituem uma base de ๐ถ, então são linearmente independentes
e, portanto nenhuma linha é nula. Consideremos, sem perda de generalidade, que ๐‘ฅ11 โ‰  0.
โˆ’1
Como ๐‘ฅ11 é elemento de um corpo, então possui um inverso multiplicativo ๐‘ฅ11
tal que
โˆ’1
๐‘ฅ11 โˆ™ ๐‘ฅ11
1
๐‘ฅ
โˆ’1
= 1. Multiplicando a primeira linha de ๐บ por ๐‘ฅ11
, obtermos: 21
โ‹ฎ
๐‘ฅ๐‘˜1
๐‘ฆ12 โ€ฆ ๐‘ฆ1๐‘›
๐‘ฅ22 โ€ฆ ๐‘ฅ2๐‘›
.
โ‹ฎ โ‹ฑ
โ‹ฎ
๐‘ฅ๐‘˜2 โ€ฆ ๐‘ฅ๐‘˜๐‘›
Substituindo cada linha dessa matriz, a partir da segunda, pela soma da respectiva linha com a
primeira multiplicada por โˆ’๐‘ฅ21 , ..., โˆ’๐‘ฅ๐‘˜1 , respectivamente, temos a seguinte matriz:
1 ๐‘ฆ12
0 ๐‘ฆ22
โ‹ฎ
โ‹ฎ
0 ๐‘ฆ๐‘˜2
โ€ฆ ๐‘ฆ1๐‘›
โ€ฆ ๐‘ฆ2๐‘›
. A segunda linha dessa matriz possui algum elemento não nulo e, por
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ€ฆ ๐‘ฆ๐‘˜๐‘›
meio de uma permutação entre colunas, é possível fazer com que esse elemento não nulo
ocupe a posição segunda linha e segunda coluna. Multiplicando a segunda linha pelo inverso
desse elemento não nulo e somando cada uma das linhas restantes, pela segunda
1 0 โ€ฆ
0 1 โ€ฆ
multiplicada respectivamente por โˆ’๐‘ฆ12 , โˆ’๐‘ฆ13 , ..., โˆ’๐‘ฆ๐‘˜2 , temos a matriz
โ‹ฎ โ‹ฎ โ‹ฑ
0 0 โ€ฆ
linha
๐‘ง1๐‘›
๐‘ง2๐‘›
โ‹ฎ .
๐‘ง๐‘˜๐‘›
Repetindo o processo descrito acima, uma quantidade de até ๐‘˜ vezes, obtemos uma matriz
๐บ โ€ฒ = ๐ผ๐‘˜ ๐ด , na forma padrão.
114
Uma matriz geradora que não se apresenta na forma padrão, gera palavras código não
sistemáticas, ou seja, palavras código nas quais os dígitos das palavras do código da fonte
estão misturados com os dígitos da redundância acrescentada. Enquanto que uma matriz
geradora que se apresente na forma padrão, gera palavras do código sistemáticas, nas quais os
๐‘˜ primeiros dígitos correspondem aos dígitos do código da fonte, enquanto que os ๐‘› โˆ’ ๐‘˜
últimos dígitos correspondem aos dígitos da redundância acrescida.
6.3.3 Códigos duais
Considerando ๐ถ um código linear contido em um espaço vetorial ๐พ ๐‘› definimos o
complemento ortogonal de ๐ถ como sendo o conjunto ๐ถ โŠฅ = ๐‘ฃ โˆˆ ๐พ ๐‘› ; ๐‘ข, ๐‘ฃ = 0, โˆ€๐‘ข โˆˆ ๐ถ .
Se temos um código linear ๐ถ โŠ‚ ๐พ ๐‘› , então ๐ถ โŠฅ é um subespaço vetorial de ๐พ ๐‘› , pois
dados ๐‘ข, ๐‘ฃ โˆˆ ๐ถ โŠฅ , ๐›ผ, ๐›ฝ โˆˆ ๐พ e ๐‘ค โˆˆ ๐ถ, temos ๐›ผ โˆ™ ๐‘ข + ๐›ฝ โˆ™ ๐‘ฃ, ๐‘ค = ๐›ผ โˆ™ ๐‘ข, ๐‘ค + ๐›ฝ โˆ™ ๐‘ฃ, ๐‘ค = 0.
Além disso, se ๐บ é matriz geradora do código ๐ถ e ๐‘ค โˆˆ ๐ถ โŠฅ , então ๐บ โˆ™ ๐‘ค ๐‘ก = 0, o que é
facilmente verificável, uma vez que cada linha ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘˜ de ๐บ é um vetor de uma das
bases de ๐ถ e, portanto,
๐‘ฃ1 , ๐‘ค ๐‘ก = ๐‘ฃ2 , ๐‘ค ๐‘ก = ๐‘ฃ3 , ๐‘ค ๐‘ก = โ‹ฏ = ๐‘ฃ๐‘˜ , ๐‘ค ๐‘ก = 0. Como foi
mostrado, ๐ถ โŠฅ é um subespaço vetorial de ๐พ ๐‘› , portanto, por definição, ๐ถ โŠฅ é também um
código linear.
Definição: Um subespaço vetorial ๐ถ โŠฅ โŠ‚ ๐พ ๐‘› que é um complemento ortogonal do
código ๐ถ e é também um código linear, é denominado código dual de ๐ถ.
Teorema 6.11: Considerando ๐ถ um código linear contido em ๐พ ๐‘› , com dimensão ๐‘˜, cuja
matriz geradora na forma padrão é ๐บ = ๐ผ๐‘˜ ๐ด , temos dim ๐ถ โŠฅ = ๐‘› โˆ’ ๐‘˜.
Demonstração: Vimos anteriormente que ๐‘ค = ๐‘ค1 , ๐‘ค2 , ๐‘ค3 , โ€ฆ , ๐‘ค๐‘›
pertence a ๐ถ โŠฅ , quando
๐บ โˆ™ ๐‘ค ๐‘ก = 0. Como ๐บ = ๐ผ๐‘˜ ๐ด se apresenta na forma padrão, então, temos:
๐‘ค1
1 0 โ‹ฏ 0 ๐‘” ๐‘˜+1 1 ๐‘” ๐‘˜+2 1 โ‹ฏ ๐‘”๐‘›1
0
๐‘”
๐‘”
๐‘”
โ‹ฏ
โ‹ฏ
๐‘ค
๐‘˜+1
2
๐‘˜+2
2
0
0
๐‘›2
1
2
0
๐บ โˆ™ ๐‘ค๐‘ก =
โ‡”
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฎ โˆ™ โ‹ฎ = โ‹ฎ
โ‹ฑ
โ‹ฎ โ‹ฎ โ‹ฑ โ‹ฎ
๐‘ค๐‘›
0 0 โ‹ฏ 1 ๐‘” ๐‘˜+1 ๐‘˜ ๐‘” ๐‘˜+2 ๐‘˜ โ‹ฏ ๐‘”๐‘›๐‘˜
0
๐‘ค1 + ๐‘” ๐‘˜+1 1 โˆ™ ๐‘ค๐‘˜+1 + โ‹ฏ + ๐‘”๐‘›1 โˆ™ ๐‘ค๐‘›
0
๐‘ค2 + ๐‘” ๐‘˜+1 2 โˆ™ ๐‘ค๐‘˜+1 + โ‹ฏ + ๐‘”๐‘›2 โˆ™ ๐‘ค๐‘›
0
โ‡”
=
โ‡”
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐‘ค๐‘˜ + ๐‘” ๐‘˜+1 ๐‘˜ โˆ™ ๐‘ค๐‘˜+1 + โ‹ฏ + ๐‘”๐‘›๐‘˜ โˆ™ ๐‘ค๐‘›
0
115
โ‡”
โ‡”
โ‡”
๐‘” ๐‘˜+1 1 โˆ™ ๐‘ค๐‘˜+1 + โ‹ฏ + ๐‘”๐‘›1 โˆ™ ๐‘ค๐‘›
๐‘ค1
0
๐‘” ๐‘˜+1 2 โˆ™ ๐‘ค๐‘˜+1 + โ‹ฏ + ๐‘”๐‘›2 โˆ™ ๐‘ค๐‘›
๐‘ค2
0
=
โ‡”
โ‹ฎ +
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐‘ค๐‘˜
๐‘” ๐‘˜+1 ๐‘˜ โˆ™ ๐‘ค๐‘˜+1 + โ‹ฏ + ๐‘”๐‘›๐‘˜ โˆ™ ๐‘ค๐‘›
0
โˆ’๐‘” ๐‘˜+1 1 โˆ™ ๐‘ค๐‘˜+1 โˆ’ โ‹ฏ โˆ’ ๐‘”๐‘›1 โˆ™ ๐‘ค๐‘›
๐‘ค1
โˆ’๐‘” ๐‘˜+1 2 โˆ™ ๐‘ค๐‘˜+1 โˆ’ โ‹ฏ โˆ’ ๐‘”๐‘›2 โˆ™ ๐‘ค๐‘›
๐‘ค2
=
โ‡”
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐‘ค๐‘˜
โˆ’๐‘” ๐‘˜+1 ๐‘˜ โˆ™ ๐‘ค๐‘˜+1 โˆ’ โ‹ฏ โˆ’ ๐‘”๐‘›๐‘˜ โˆ™ ๐‘ค๐‘›
๐‘” ๐‘˜+1 1 ๐‘” ๐‘˜+2 1 โ‹ฏ ๐‘”๐‘›1
๐‘ค1
๐‘ค๐‘˜+1
๐‘” ๐‘˜+1 2 ๐‘” ๐‘˜+2 2 โ‹ฏ ๐‘”๐‘›2
๐‘ค2
๐‘ค๐‘˜+2
=
โˆ’
โˆ™
.
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฑ
๐‘ค๐‘˜
๐‘” ๐‘˜+1 ๐‘˜ ๐‘” ๐‘˜+2 ๐‘˜ โ‹ฏ ๐‘”๐‘›๐‘˜
๐‘ค๐‘›
Os ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ elementos ๐‘ค๐‘˜+1 , ๐‘ค๐‘˜+2 , โ€ฆ , ๐‘ค๐‘› podem ser escolhidos de forma aleatória. Logo, temos
que dim ๐ถ โŠฅ = ๐‘› โˆ’ ๐‘˜.
Teorema 6.12: Considerando ๐ถ um código linear contido em ๐พ ๐‘› , com dimensão ๐‘˜, cuja
matriz geradora na forma padrão é ๐บ = ๐ผ๐‘˜ ๐ด , temos ๐ป = โˆ’๐ด๐‘ก ๐ผ๐‘›โˆ’๐‘˜ é uma matriz geradora
de ๐ถ โŠฅ .
Demonstração: Considerando ๐‘– โˆˆ 1, 2, โ€ฆ , ๐‘˜ , temos que cada coordenada ๐‘ค๐‘– de um vetor
๐‘ค โˆˆ ๐ถ โŠฅ é escrita como ๐‘ค๐‘– = โˆ’๐‘” ๐‘˜+1 ๐‘– โˆ™ ๐‘ค๐‘˜+1 โˆ’ ๐‘” ๐‘˜+2 ๐‘– โˆ™ ๐‘ค๐‘˜+2 โˆ’ โ‹ฏ โˆ’ ๐‘”๐‘›๐‘– โˆ™ ๐‘ค๐‘› , o que implica
que
๐‘ค = (โˆ’๐‘” ๐‘˜+1 1 โˆ™ ๐‘ค๐‘˜+1 โˆ’ ๐‘” ๐‘˜+2 1 โˆ™ ๐‘ค๐‘˜+2 โˆ’ โ‹ฏ โˆ’ ๐‘”๐‘›1 โˆ™ ๐‘ค๐‘› , โˆ’๐‘” ๐‘˜+1 2 โˆ™ ๐‘ค๐‘˜+1 โˆ’ ๐‘” ๐‘˜+2 2 โˆ™
๐‘ค๐‘˜+2 โˆ’ โ‹ฏ โˆ’ ๐‘”๐‘›2 โˆ™ ๐‘ค๐‘› , โ€ฆ , โˆ’๐‘” ๐‘˜+1
๐‘˜
โˆ™ ๐‘ค๐‘˜+1 โˆ’ ๐‘” ๐‘˜+2
๐‘˜
โˆ™ ๐‘ค๐‘˜+2 โˆ’ โ‹ฏ โˆ’ ๐‘”๐‘›๐‘˜ โˆ™
๐‘ค๐‘› , ๐‘ค๐‘˜+1 , ๐‘ค๐‘˜+2 , โ€ฆ , ๐‘ค๐‘› ), o que implica que
โˆ’๐‘” ๐‘˜+1 1 , โˆ’๐‘” ๐‘˜+1 2 , โ€ฆ , โˆ’๐‘” ๐‘˜+1 ๐‘˜ , 1, 0, โ€ฆ ,0 , โˆ’๐‘” ๐‘˜+2 1 , โˆ’๐‘” ๐‘˜+2 2 , โ€ฆ , โˆ’๐‘” ๐‘˜+2 ๐‘˜ , 0, 1, โ€ฆ ,0 , โ€ฆ
โ€ฆ , โˆ’๐‘” ๐‘˜+1 3 , โˆ’๐‘” ๐‘˜+1 3 , โ€ฆ , โˆ’๐‘” ๐‘˜+1 3 , 0, 0,1, โ€ฆ ,0 , โˆ’๐‘”๐‘›1 , โˆ’๐‘”๐‘›2 , โ€ฆ , โˆ’๐‘”๐‘›๐‘˜ , 0,0,0, โ€ฆ ,1
โˆ’๐‘” ๐‘˜+1
โˆ’๐‘” ๐‘˜+2
é uma base de ๐ถ โŠฅ , portanto ๐ป =
โ‹ฎ
โˆ’๐‘”๐‘›1
1
1
โˆ’๐‘” ๐‘˜+1
โˆ’๐‘” ๐‘˜+2
โ‹ฎ
โˆ’๐‘”๐‘›2
2
2
โ‹ฏ โˆ’๐‘” ๐‘˜+1
โ‹ฏ โˆ’๐‘” ๐‘˜+2
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฏ
โˆ’๐‘”๐‘›๐‘˜
๐‘˜
๐‘˜
1 0 โ‹ฏ 0
0 1 โ‹ฏ 0
é uma
โ‹ฎ โ‹ฎ โ‹ฑ โ‹ฎ
0 0 โ‹ฏ 1
matriz geradora de ๐ถ โŠฅ na forma ๐ป = โˆ’๐ด๐‘ก ๐ผ๐‘›โˆ’๐‘˜ .
Teorema 6.13: Considerando ๐ถ um código linear de dimensão ๐‘˜, contido em ๐พ ๐‘› , cuja matriz
geradora seja ๐บ. Uma matriz ๐ป de ordem ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ × ๐‘›, com elementos pertencentes a ๐พ, cujas
linhas sejam linearmente independentes é geradora do código ๐ถ โŠฅ se, e somente se, ๐บ โˆ™ ๐ป ๐‘ก = 0.
Demonstração: Como as linhas de ๐ป são linearmente independentes, então formam uma base
de um subespaço vetorial de ๐พ ๐‘› , cuja dimensão é ๐‘› โˆ’ ๐‘˜, mas dim ๐ถ โŠฅ = ๐‘› โˆ’ ๐‘˜. O produto
116
๐บ โˆ™ ๐ป ๐‘ก consiste no produto interno de dos vetores linhas de ๐บ pelos vetores colunas de ๐ป ๐‘ก ,
mas os vetores colunas de ๐ป ๐‘ก são os vetores linhas de ๐ป e, caso se tenha ๐บ โˆ™ ๐ป ๐‘ก = 0, então os
vetores linhas de ๐บ e os vetores linhas de ๐ป são, entre si, ortogonais, logo, todos os vetores do
subespaço gerado por ๐ป estão em ๐ถ โŠฅ e, portanto, ๐ป é matriz geradora de ๐ถ โŠฅ .
Teorema 6.14: Seja ๐ถ um código linear contido em um espaço ๐พ ๐‘› , temos ๐ถ โŠฅ
โŠฅ
= ๐ถ.
Demonstração: Consideremos as matrizes ๐บ e ๐ป geradoras dos códigos ๐ถ e ๐ถ โŠฅ ,
respectivamente. Pelo teorema 6.13, ๐บ โˆ™ ๐ป ๐‘ก = 0. Mas se ๐บ โˆ™ ๐ป ๐‘ก = 0, então ๐บ โˆ™ ๐ป ๐‘ก
pela propriedade IV, apresentada em 2.3, temos que
propriedade I em 2.3, temos ๐ป ๐‘ก
geradora de ๐ถ โŠฅ
โŠฅ
๐‘ก
๐บ โˆ™ ๐ป๐‘ก
๐‘ก
= ๐ป๐‘ก
๐‘ก
๐‘ก
= 0 e,
โˆ™ ๐บ ๐‘ก = 0 e pela
= ๐ป. Assim, ๐ป โˆ™ ๐บ ๐‘ก = 0, o que implica que ๐บ é matriz
, mas por hipótese, ๐บ é matriz geradora de ๐ถ, portanto, ๐ถ โŠฅ
โŠฅ
= ๐ถ.
Teorema 6.15: Considerando ๐ถ um código linear e ๐ป a matriz geradora do código ๐ถ โŠฅ , um
vetor ๐‘ฃ pertence ao código ๐ถ se, e somente se, ๐ป โˆ™ ๐‘ฃ ๐‘ก = 0.
Demonstração: Pelo teorema 13, temos que ๐ถ โŠฅ
๐‘ฃ โˆˆ ๐ถโŠฅ
โŠฅ
โŠฅ
= ๐ถ, portanto, ๐‘ฃ โˆˆ ๐ถ se, e somente se,
. Vimos anteriormente que o produto de uma matriz geradora de um código pela
matriz transposta cuja coluna é vetor pertencente ao complemento ortogonal desse código é
igual ao vetor nulo, sendo assim, ๐‘ฃ โˆˆ ๐ถ โŠฅ
โŠฅ
se, e somente se, ๐ป โˆ™ ๐‘ฃ ๐‘ก = 0.
O teorema 6.15 constitui uma ferramenta eficiente pra determinar se um dado vetor
๐‘ฃ โˆˆ ๐พ ๐‘› pertence a um dado código linear ๐ถ โŠ‚ ๐พ ๐‘› , bastando para isso, verificar se ๐ป โˆ™ ๐‘ฃ ๐‘ก = 0.
À matriz ๐ป, geradora de ๐ถ โŠฅ , denominamos matriz teste de paridade do código ๐ถ e ao
vetor ๐ป โˆ™ ๐‘ฃ ๐‘ก , com ๐‘ฃ โˆˆ ๐พ ๐‘› , denominamos síndrome do vetor ๐‘ฃ.
Exemplo:
Considere ๐ถ โŠ‚ ๐น 6 um código linear sobre ๐น = 0,1 , cuja matriz geradora é ๐บ =
1 0
1 1
0 1
1 0 1
0 0 0
0 1 1
1
1 . Dados dois vetores ๐‘ข, ๐‘ฃ โˆˆ ๐น 6 , tal que ๐‘ข = 111101
0
e ๐‘ฃ=
010101 , desejamos verificar se ๐‘ข e ๐‘ฃ são vetores de ๐ถ.
Observemos que a matriz ๐บ não se apresenta na forma padrão, porém, por meio de
operações elementares sobre as linhas de ๐บ é possível obter uma matriz ๐บโ€ฒ que se apresente na
forma padrão:
117
1
1
0
0
1
0
0 1 0 1 1
1 0 0 0 1 ๐ฟ2 โ†’ ๐ฟ2 + ๐ฟ3
1 0 1 1 0
0 1 1 0 0
1 0
0 0 1 1 1 ๐ฟ1 โ†” ๐ฟ2 0 0
1 0 1 1 0
0 1
1 0 0 1 1 1
โ€ฒ
Assim, ๐บ = 0 1 0 1 1 0 é
0 0 1 1 0 0
1
1
0
0
1
0
0
0
1
1
1
1
1
0
0
1
0
1
0
1
1
1
0
0
1
1
1
1
1 ๐ฟ1 โ†’
0
1
๐ฟ1 โ†” ๐ฟ2 0
0
๐ฟ1 + ๐ฟ2
0 0 1 1 1
1 0 1 1 0 = ๐บโ€ฒ .
0 1 1 0 0
uma matriz geradora do código ๐ถ, que se apresenta na
1 1 1
forma padrão. Notemos que ๐บ โ€ฒ = ๐ผ3 ๐ด , o que implica que ๐ด = 1 1 0 e โˆ’๐ด๐‘ก =
1 0 0
1 1 1
1 1 0 . Pelo teorema 6.12, a matriz teste de paridade ๐ป, do código ๐ถ é ๐ป = โˆ’๐ด๐‘ก ๐ผ3 ,
0 0 1
1 1 1 1 0 0
portanto, ๐ป = 1 1 0 0 1 0 .
1 0 0 0 0 1
1
1
1+1+1+1+0+0
1 1 1 1 0 0
0
1
๐‘ก
A síndrome de ๐‘ข é ๐ป โˆ™ ๐‘ข = 1 1 0 0 1 0 โˆ™
= 1+1+0+0+0+0 = 0 ,0
1
1+0+0+0+0+1
1 0 0 0 0 1
0
0
1
que implica que ๐‘ข โˆˆ ๐ถ.
1 1
A síndrome de ๐‘ฃ é ๐ป โˆ™ ๐‘ฃ ๐‘ก = 1 1
1 0
1 1
0 0
0 0
0
1
0+1+0+1+0+0
0 0
0
= 0+1+0+0+0+0 = 1 , o
1 0 โˆ™ 0
1
0+0+0+0+0+1
0 1
1
0
1
que implica que ๐‘ฃ โˆ‰ ๐ถ.
Teorema 6.16: Consideremos ๐ป uma matriz teste de paridade de um código linear ๐ถ sobre
um corpo ๐พ. Então o peso ๐œ”(๐ถ) do código ๐ถ é maior ou igual ๐‘ se, e somente se, quaisquer
๐‘ โˆ’ 1 colunas da matriz ๐ป são linearmente independentes. Valendo a igualdade se, e somente
se, quaisquer ๐‘ โˆ’ 1 colunas de ๐ป forem linearmente independentes e existirem ๐‘ colunas de
๐ป linearmente dependentes.
Demonstração: Dividiremos a demonstração em duas partes, sendo que a segunda será
encarregada de demonstrar a igualdade:
1ª parte: โ‡ Suponhamos que cada (๐‘ โˆ’ 1)-uplas de colunas da matriz ๐ป sejam
linearmente independentes e que ๐œ” ๐‘ฃ โ‰ค ๐‘ โˆ’ 1. Seja ๐‘ฃ = ๐‘ฃ1 ๐‘ฃ2 โ€ฆ ๐‘ฃ๐‘› uma palavra não nula de
118
๐ถ. Sabemos que ๐ป. ๐‘ฃ ๐‘ก = 0, o que implica que ๐ป. ๐‘ฃ ๐‘ก =
๐‘•11
๐‘•21
โ‹ฎ
๐‘• ๐‘›โˆ’๐‘˜
๐‘ฃ1
0
๐‘ฃ2
0
โ‹ฎ = โ‹ฎ , o que gera o sistema
๐‘ฃ๐‘›
0
๐‘• ๐‘›โˆ’๐‘˜
๐‘•12
๐‘•22
โ‹ฎ
1
๐‘• ๐‘›โˆ’๐‘˜
2
๐‘•1๐‘›
โ‹ฏ
โ‹ฏ
๐‘•2๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘• ๐‘›โˆ’๐‘˜
โˆ™
๐‘›
๐‘•11 โˆ™ ๐‘ฃ1 + ๐‘•12 โˆ™ ๐‘ฃ2 + โ‹ฏ + ๐‘•1๐‘› โˆ™ ๐‘ฃ๐‘› = 0
๐‘•21 โˆ™ ๐‘ฃ1 + ๐‘•22 โˆ™ ๐‘ฃ2 + โ‹ฏ + ๐‘•2๐‘› โˆ™ ๐‘ฃ๐‘› = 0
.
โ‹ฎ
1 โˆ™ ๐‘ฃ1 + ๐‘• ๐‘› โˆ’๐‘˜ 2 โˆ™ ๐‘ฃ2 + โ‹ฏ + ๐‘• ๐‘› โˆ’๐‘˜ 1๐‘› โˆ™ ๐‘ฃ๐‘› = 0
Somando as equações, e reagrupando, temos:
(๐‘•11 + ๐‘•21 + โ‹ฏ + ๐‘• ๐‘› โˆ’๐‘˜ 1 ) โˆ™ ๐‘ฃ1 + โ‹ฏ + (๐‘•1๐‘› + ๐‘•2๐‘› + โ‹ฏ + ๐‘• ๐‘› โˆ’๐‘˜ ๐‘› ) โˆ™ ๐‘ฃ๐‘› = 0.
Como
๐œ” ๐‘ฃ
representa o número de coordenadas não nulas de ๐‘ฃ, teríamos então uma combinação linear
nula com no máximo ๐‘ โˆ’ 1 colunas da matriz ๐ป, contradizendo a hipótese inicial de que
๐œ” ๐‘ฃ โ‰ค ๐‘ โˆ’ 1. Assim, ๐œ” ๐‘ฃ > ๐‘ โˆ’ 1, o que implica que ๐œ” ๐‘ฃ โ‰ฅ ๐‘ e, portanto, ๐œ” ๐ถ โ‰ฅ ๐‘.
โ‡’ Em contrapartida, se considerarmos ๐œ” ๐ถ โ‰ฅ ๐‘ e suponhamos que existam ๐‘ โˆ’ 1 colunas
linearmente dependentes na matriz ๐ป, então existem, por exemplo, ๐‘ฃ1 ๐‘ฃ2 โ€ฆ ๐‘ฃ๐‘โˆ’1 โˆˆ ๐พ, nem
todos nulos, tal que (๐‘•11 + ๐‘•21 + โ‹ฏ + ๐‘• ๐‘› โˆ’๐‘˜ 1 ) โˆ™ ๐‘ฃ1 + (๐‘•12 + ๐‘•22 + โ‹ฏ + ๐‘• ๐‘› โˆ’๐‘˜ 2 ) โˆ™ ๐‘ฃ2 + โ‹ฏ
โ€ฆ + (๐‘•1(๐‘โˆ’1) + ๐‘•2(๐‘โˆ’1) + โ‹ฏ + ๐‘• ๐‘›โˆ’๐‘˜
(๐‘โˆ’1) )
โˆ™ ๐‘ฃ๐‘โˆ’1 = 0,
o
que
implica
que
๐‘ฃ = ๐‘ฃ1 ๐‘ฃ2 โ€ฆ 0 โ€ฆ 0 โ€ฆ ๐‘ฃ๐‘โˆ’1 โ€ฆ 0 pertence ao código ๐ถ, implicando com isso, que ๐œ” ๐‘ฃ โ‰ค ๐‘ โˆ’
1 < ๐‘, e, portanto, ๐œ” ๐ถ < ๐‘, contradizendo a hipótese. Logo, ๐ป possui ๐‘ โˆ’ 1 colunas
linearmente independentes.
2ª parte: Para demonstrar a igualdade, suponhamos ๐œ” ๐ถ = ๐‘, temos que todo conjunto de
๐‘ โˆ’ 1 colunas de ๐ป é linearmente independente. Se existissem ๐‘ colunas linearmente
independentes em ๐ป, então, pelo que foi visto anteriormente, teríamos ๐œ” ๐ถ โ‰ฅ ๐‘ + 1, logo,
em ๐ป existem ๐‘ colunas linearmente dependentes. Por outro lado, se na matriz ๐ป existem
๐‘ โˆ’ 1 colunas linearmente independentes e ๐‘ colunas linearmente dependentes então temos
๐œ” ๐ถ โ‰ฅ ๐‘, Mas se ๐œ” ๐ถ > ๐‘, por exemplo ๐œ” ๐ถ โ‰ฅ ๐‘ + 1, pelo visto anteriormente, teríamos
em ๐ป que todo conjunto com ๐‘ colunas seria linearmente independente, contradizendo a
hipótese, logo ๐œ” ๐ถ = ๐‘.
Teorema 6.17: Os parâmetros ๐‘›, ๐‘‘, ๐‘˜ de um código linear ๐ถ satisfazem a desigualdade
๐‘‘ โ‰ค ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ + 1.
Demonstração: Seja ๐ถ um código linear sobre um corpo ๐พ, tal que ๐ถ โŠ‚ ๐‘˜ ๐‘˜ . Uma matriz teste
de paridade ๐ป do código linear ๐ถ tem ordem (๐‘› โˆ’ ๐‘˜) × ๐‘› ou seja, possui ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ linhas
linearmente independentes, o que implica que ๐ป tem colunas em ๐พ ๐‘›โˆ’๐‘˜ . Pelo teorema 6.16,
quaisquer ๐‘‘ โˆ’ 1 colunas de ๐ป são linearmente independentes e como ๐พ ๐‘›โˆ’๐‘˜ possui no máximo
119
๐‘› โˆ’ ๐‘˜ vetores linearmente independentes, então ๐‘‘ โˆ’ 1 โ‰ค ๐‘› โˆ’ ๐‘˜, o que implica que ๐‘‘ โ‰ค ๐‘› โˆ’
๐‘˜ + 1.
À desigualdade acima denominamos cota de Singleton.
Um código ๐ถ no qual valha a igualdade ๐‘‘ = ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ + 1 é denominado de MDS, que
representa as iniciais das palavras Maximum Distance Separable.
6.3.4 Decodificação
O processo de decodificação consiste em ao ser recebida uma palavra através do canal
de comunicação, o decodificador de canal se incumbe da detecção e correção da palavra
recebida se, por acaso, por alguma interferência, tenha sofrido algum erro, para depois enviála ao decodificador de fonte e por fim chegar ao usuário. Para que o processo de
decodificação seja eficiente, deve possuir um custo computacional baixo tornando viável sua
utilização.
A seguir apresentaremos o processo de decodificação.
Consideremos o vetor ๐‘ como sendo uma palavra transmitida e o vetor ๐‘Ÿ a palavra
recebida com erro. Definimos o vetor erro ๐‘’ como a diferença entre a palavra recebida e a
palavra transmitida:
๐‘’ =๐‘Ÿโˆ’๐‘
Quando ๐‘’ = 0 significa que a palavra recebida é igual a palavra transmitida e, neste caso, não
houve erro na transmissão. Caso ๐‘’ โ‰  0, entendemos que houve erro na transmissão. Notemos,
ainda, que o peso do vetor ๐‘’ define o número de erros ocorridos na transmissão, ou seja,
๐œ” ๐‘’ = ๐‘ implica em ๐‘ erros na palavra recebida.
Vejamos um exemplo:
Suponha que de um código ๐ถ sobre o corpo galoisiano ๐น= 0,1 , seja transmitida uma a
palavra 0101100 e por alguma interferência no canal de transmissão, a palavra recebida
seja (1001010). Temos então, ๐‘ = 0101100 e ๐‘Ÿ = 1001010, logo, ๐‘’ = 1001010 โˆ’
0101100, ou seja, ๐‘’ = 1100110. Como ๐œ” ๐‘’ = ๐œ” 1100110 = 4, vemos que ocorreram 4
erros na transmissão.
Considerando ๐ป a matriz teste de paridade de um código ๐ถ, considerando ๐‘ um vetor
(palavra) de ๐ถ, sabemos que a síndrome de ๐‘ é nula, ou seja, ๐ป โˆ™ ๐‘ ๐‘ก = 0. Portanto, a síndrome
do vetor erro ๐‘’ é dada por:
๐ป โˆ™ ๐‘’๐‘ก = ๐ป โˆ™ ๐‘Ÿ โˆ’ ๐‘
๐‘ก
= ๐ป. ๐‘Ÿ ๐‘ก โˆ’ ๐‘ ๐‘ก = ๐ป โˆ™ ๐‘Ÿ ๐‘ก โˆ’ ๐ป โˆ™ ๐‘ ๐‘ก = ๐ป โˆ™ ๐‘Ÿ ๐‘ก โˆ’ 0 = ๐ป โˆ™ ๐‘Ÿ ๐‘ก
120
Portanto, a síndrome do erro é igual a síndrome da palavra recebida. De uma outra forma,
considerando ๐‘’ = ๐›ผ1 , ๐›ผ2 , โ€ฆ , ๐›ผ๐‘› , temos:
๐ป โˆ™ ๐‘Ÿ ๐‘ก = ๐ป. ๐‘’ ๐‘ก =
๐‘•11
๐‘•21
โ‹ฎ
๐‘• ๐‘› โˆ’๐‘˜
=
๐‘• ๐‘›โˆ’๐‘˜
= ๐›ผ1 โˆ™
๐‘•12
๐‘•22
โ‹ฎ
๐‘• ๐‘›โˆ’๐‘˜
1
2
๐‘•1๐‘›
โ‹ฏ
โ‹ฏ
๐‘•2๐‘›
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘• ๐‘› โˆ’๐‘˜
๐‘›
๐›ผ1
๐›ผ2
โˆ™ โ‹ฎ =
๐›ผ๐‘›
๐‘•11 โˆ™ ๐›ผ1 + ๐‘•12 โˆ™ ๐›ผ2 + โ‹ฏ + ๐‘•1๐‘› โˆ™ ๐›ผ๐‘›
๐‘•21 โˆ™ ๐›ผ1 + ๐‘•22 โˆ™ ๐›ผ2 + โ‹ฏ + ๐‘•2๐‘› โˆ™ ๐›ผ๐‘›
=
โ‹ฎ
1 โˆ™ ๐›ผ1 + ๐‘• ๐‘› โˆ’๐‘˜ 2 โˆ™ ๐›ผ2 + โ‹ฏ + ๐‘• ๐‘›โˆ’๐‘˜ 1๐‘› โˆ™ ๐›ผ๐‘›
๐‘•11
๐‘•21
โ‹ฎ
๐‘• ๐‘›โˆ’๐‘˜
+ ๐›ผ2 โˆ™
1
๐‘•12
๐‘•22
โ‹ฎ
๐‘• ๐‘› โˆ’๐‘˜
= ๐›ผ1 โˆ™ ๐‘•1 + ๐›ผ2 โˆ™ ๐‘•2 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘› โˆ™ ๐‘•๐‘› =
+ โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘› โˆ™
๐‘• ๐‘›โˆ’๐‘˜
2
๐‘›
๐‘–=1 ๐›ผ๐‘–
๐‘•1๐‘›
๐‘•2๐‘›
โ‹ฎ
=
1๐‘›
โˆ™ ๐‘•๐‘– , onde ๐‘•๐‘– representa a ๐‘– โˆ’ésima coluna da
matriz ๐ป.
Teorema 6.18: Considerando ๐ถ um código linear contido em ๐พ ๐‘› , capaz de corrigir até ๐œ…
erros. Se uma palavra recebida ๐‘Ÿ pertence ao espaço ๐พ ๐‘› e a palavra transmitida ๐‘ pertence ao
código ๐ถ são tais que ๐‘‘(๐‘, ๐‘Ÿ) โ‰ค ๐œ…, então existe um único vetor ๐‘’ tal que ๐œ”(๐‘’) โ‰ค ๐œ…, cuja
síndrome é igual a síndrome de ๐‘Ÿ, ou seja, ๐ป โˆ™ ๐‘’ ๐‘ก = ๐ป โˆ™ ๐‘Ÿ ๐‘ก , tal que ๐‘ = ๐‘Ÿ โˆ’ ๐‘’.
Demonstração: Para provar a existência, vejamos que pelo enunciado do teorema, temos
๐‘‘(๐‘, ๐‘Ÿ) โ‰ค ๐œ… e, por tratar-se de uma métrica, sabemos que ๐‘‘ ๐‘, ๐‘Ÿ = ๐‘‘(๐‘Ÿ, ๐‘) e pelo teorema 6.9,
๐‘‘ ๐‘Ÿ, ๐‘ = ๐‘‘ ๐‘Ÿ โˆ’ ๐‘ = ๐œ”(๐‘Ÿ โˆ’ ๐‘), logo, ๐œ”(๐‘Ÿ โˆ’ ๐‘) โ‰ค ๐œ… implica que ๐œ”(๐‘’) โ‰ค ๐œ…, mostrando a
existência de ๐‘’.
Para provar a unicidade, suponhamos ๐ป seja a matriz teste de paridade de um código ๐ถ
em ๐พ ๐‘› e que existam ๐‘’ = ๐›ผ1 , ๐›ผ2 , โ€ฆ , ๐›ผ๐‘› e ๐‘’ โ€ฒ = ๐›ฝ1 , ๐›ฝ2 , โ€ฆ , ๐›ฝ๐‘› tais que ๐œ”(๐‘’) โ‰ค ๐œ…, ๐œ”(๐‘’โ€ฒ) โ‰ค
๐œ… e ๐ป โˆ™ ๐‘’ ๐‘ก = ๐ป โˆ™ ๐‘’โ€ฒ๐‘ก = ๐ป โˆ™ ๐‘Ÿ, com ๐‘Ÿ sendo uma palavra recebida. Temos então:
๐ป โˆ™ ๐‘’ ๐‘ก = ๐ป โˆ™ ๐‘’โ€ฒ๐‘ก โ‡’ ๐›ผ1 โˆ™ ๐‘•1 + ๐›ผ2 โˆ™ ๐‘•2 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘› โˆ™ ๐‘•๐‘› = ๐›ฝ1 โˆ™ ๐‘•1 + ๐›ฝ2 โˆ™ ๐‘•2 + โ‹ฏ + ๐›ฝ๐‘› โˆ™ ๐‘•๐‘› , onde
๐‘•๐‘– representa a ๐‘– โˆ’ésima coluna de ๐ป. Daí, temos:
๐›ผ1 โˆ’ ๐›ฝ1 โˆ™ ๐‘•1 + ๐›ผ2 โˆ’ ๐›ฝ2 โˆ™ ๐‘•2 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘› โˆ’ ๐›ฝ๐‘› โˆ™ ๐‘•๐‘› = 0 e, pelo teorema 6.16, quaisquer
๐‘‘ โˆ’ 1 colunas de ๐ป são linearmente independentes, portanto, temos ๐›ผ๐‘– = ๐›ฝ๐‘– โˆ€๐‘–, logo, ๐‘’ = ๐‘’โ€ฒ.
Para a determinação do vetor ๐‘’, quando ๐œ”(๐‘’) โ‰ค 1, ou seja, quando ocorreu no
máximo um erro entre a palavra transmitida ๐‘ e a palavra recebida ๐‘Ÿ, considerando um código
๐ถ com ๐‘‘ โ‰ฅ 3, temos:
121
I) Se ๐ป. ๐‘’ ๐‘ก = 0, então ๐œ” ๐‘’ = 0, o que implica que ๐‘Ÿ โˆˆ ๐ถ e não ocorreu erro, portanto,
tomamos ๐‘ = ๐‘Ÿ.
II) Se ๐ป. ๐‘’ ๐‘ก โ‰  0, então ๐œ” ๐‘’ = 1 e temos um coordenada não nula no vetor ๐‘’, por
exemplo a ๐‘– โˆ’ésima, ou seja, ๐‘’ = 0, 0, โ€ฆ , ๐›ผ๐‘– , โ€ฆ , 0 . Como ๐ป โˆ™ ๐‘’ ๐‘ก = ๐ป โˆ™ ๐‘Ÿ ๐‘ก =
๐‘›
๐‘–=1 ๐›ผ๐‘–
โˆ™ ๐‘•๐‘– e, no caso, ๐‘’ possui coordenadas nulas, com exceção da ๐‘– โˆ’ésima, então
๐ป โˆ™ ๐‘’ ๐‘ก = ๐ป โˆ™ ๐‘Ÿ ๐‘ก = ๐›ผ๐‘– โˆ™ ๐‘•๐‘– , onde ๐‘•๐‘– é a ๐‘– โˆ’ésima coluna da matriz ๐ป.
Exemplo:
Suponhamos o código do braço mecânico visto anteriormente e que uma palavra
recebida pelo circuito do braço seja ๐‘Ÿ = 10101 .
O código ๐ถ do braço mecânico está contido em ๐น 5 e o código de canal está contido em
๐น 2 , então, tomando quaisquer dois vetores linearmente independentes de ๐ถ, por exemplo
10110 e 01011 , constituímos uma base de ๐ถ e por conseqüência uma matriz geradora do
código ๐ถ:
1 0 1 1 0
. Note que ๐บ apresenta-se na forma padrão, ou seja, ๐บ = ๐ผ2 ๐ด ,
0 1 0 1 1
1 0 1 0 0
1 1 0
com ๐ด =
. Como devemos ter ๐ป = โˆ’๐ด๐‘ก ๐ผ3 , então ๐ป = 1 1 0 1 0 é a
0 1 1
0 1 0 0 1
๐บ=
matriz teste de paridade do código ๐ถ.
Calculando a síndrome de ๐‘Ÿ, temos:
1
1+0+1+0+0
1 0 1 0 0 0
0
๐‘ก
๐ป โˆ™ ๐‘Ÿ = 1 1 0 1 0 โˆ™ 1 = 1 + 0 + 0 + 0 + 0 = 1 . Vemos que ๐ป โˆ™ ๐‘Ÿ ๐‘ก = 1 โˆ™ ๐‘•2 .
0+0+0+0+1
0 1 0 0 1 0
1
1
Como ๐ป โˆ™ ๐‘’ ๐‘ก = ๐ป โˆ™ ๐‘Ÿ ๐‘ก , então ๐ป โˆ™ ๐‘’ ๐‘ก = 1 โˆ™ ๐‘•2 , o que implica que ๐‘’ = 01000
e, por
consequência, ๐‘ = ๐‘Ÿ โˆ’ ๐‘’ = 10101 โˆ’ 01000 = 11101 .
6.3.4.1 Classe lateral
Consideremos um código corretor de erros ๐ถ contido em ๐พ ๐‘› , com matriz teste de
paridade ๐ป, com distância mínima ๐‘‘ e capacidade de correção ๐œ… =
๐‘‘โˆ’1
๐ป โˆ™ ๐‘’ ๐‘ก = ๐ป โˆ™ ๐‘Ÿ ๐‘ก e se ๐œ” ๐‘’ โ‰ค ๐œ…, então ๐‘’ é univocamente determinado por ๐‘Ÿ.
2
. Como vimos,
122
Considerando um vetor ๐‘ฃ do espaço ๐พ ๐‘› , definimos o conjunto ๐‘ฃ + ๐ถ, denominado
classe lateral de ๐‘ฃ segundo ๐ถ, da seguinte forma:
๐‘ฃ + ๐ถ = ๐‘ฃ + ๐‘, ๐‘ โˆˆ ๐ถ
Teorema 6.19: Dados dois vetores ๐‘ข, ๐‘ฃ โˆˆ ๐พ ๐‘› , ๐ป โˆ™ ๐‘ข๐‘ก = ๐ป โˆ™ ๐‘ฃ ๐‘ก se, e somente se, ๐‘ข โˆˆ ๐‘ฃ + ๐ถ.
Demonstração: ๐ป โˆ™ ๐‘ข๐‘ก = ๐ป โˆ™ ๐‘ฃ ๐‘ก โ‡” ๐ป โˆ™ ๐‘ข๐‘ก โˆ’ ๐ป โˆ™ ๐‘ฃ ๐‘ก = 0 โŸบ ๐ป โˆ™ ๐‘ข๐‘ก โˆ’ ๐‘ฃ ๐‘ก = 0 โ‡”
โŸบ๐ปโˆ™ ๐‘ขโˆ’๐‘ฃ
๐‘ก
= 0 โŸบ ๐‘ข โˆ’ ๐‘ฃ โˆˆ ๐ถ โŸบ ๐‘ข โˆˆ ๐‘ฃ + ๐ถ.
O conjunto ๐‘ฃ + ๐ถ goza das seguintes propriedades:
I) ๐‘ฃ + ๐ถ = ๐‘ฃ โ€ฒ + ๐‘ โŸบ ๐‘ฃ โˆ’ ๐‘ฃโ€ฒ โˆˆ ๐ถ
II) ๐‘ฃ + ๐ถ โˆฉ ๐‘ฃ โ€ฒ + ๐ถ โ‰  โˆ… โŸน ๐‘ฃ + ๐ถ = ๐‘ฃ โ€ฒ + ๐‘
III)
๐‘ฃโˆˆ๐พ ๐‘›
๐‘ฃ + ๐ถ = ๐พ๐‘›
IV) (๐‘ฃ + ๐ถ) = ๐ถ = ๐‘ž ๐‘˜
V) ๐‘ฃ + ๐ถ = ๐ถ โ‡” ๐‘ฃ โˆˆ ๐ถ
Demonstrações:
I)
โ‡’ Se ๐‘ฃ + ๐ถ = ๐‘ฃ โ€ฒ + ๐ถ, então existem ๐‘1 , ๐‘2 โˆˆ ๐ถ tais que ๐‘ฃ + ๐‘1 = ๐‘ฃ โ€ฒ + ๐‘2 , o que
implica que ๐‘ฃ โˆ’ ๐‘ฃ โ€ฒ = ๐‘2 โˆ’ ๐‘1 , mas ๐ถ é um subespaço vetorial de ๐พ ๐‘› , portanto,
๐‘2 โˆ’ ๐‘1 โˆˆ ๐ถ, o que implica que ๐‘ฃ โˆ’ ๐‘ฃ โ€ฒ โˆˆ ๐ถ.
โ‡
Suponhamos que ๐‘ฃ โˆ’ ๐‘ฃ โ€ฒ โˆˆ ๐ถ, isso implica que ๐‘1 , ๐‘2 โˆˆ ๐ถ tais que ๐‘1 +
๐‘ฃ โˆ’ ๐‘ฃ โ€ฒ = ๐‘2 , ou seja, ๐‘ฃ + ๐‘1 = ๐‘ฃ โ€ฒ + ๐‘2 . Notemos que ๐‘ฃ + ๐‘1 โˆˆ ๐‘ฃ + ๐ถ e ๐‘ฃ โ€ฒ + ๐‘2 โˆˆ
๐‘ฃ โ€ฒ + ๐ถ, portanto, ๐‘ฃ + ๐ถ = ๐‘ฃ โ€ฒ + ๐ถ.
II) Se
๐‘ฃ + ๐ถ โˆฉ ๐‘ฃ โ€ฒ + ๐ถ , então existe ๐‘ข โˆˆ ๐‘ฃ + ๐ถ โˆฉ ๐‘ฃ โ€ฒ + ๐ถ , o que implica que
๐‘ข โˆˆ ๐‘ฃ + ๐ถ e ๐‘ข โˆˆ ๐‘ฃโ€ฒ + ๐ถ . Então, existem ๐‘1 , ๐‘2 โˆˆ ๐ถ tais que ๐‘ข = ๐‘ฃ + ๐‘1 e ๐‘ข = ๐‘ฃโ€ฒ +
๐‘2 e por conseqüência ๐‘ฃ + ๐‘1 = ๐‘ฃโ€ฒ + ๐‘2 . Da igualdade anterior temos ๐‘ฃ โˆ’ ๐‘ฃ โ€ฒ = ๐‘2 โˆ’
๐‘1 . Como ๐‘2 โˆ’ ๐‘1 โˆˆ ๐ถ, então ๐‘ฃ โˆ’ ๐‘ฃ โ€ฒ โˆˆ ๐ถ e, pela propriedade I, temos que ๐‘ฃ + ๐ถ =
๐‘ฃ โ€ฒ + ๐‘.
III) ๐พ ๐‘› é um espaço vetorial sobre o corpo ๐พ, logo, 0 โˆˆ ๐พ ๐‘› . Como ๐ถ é um subespaço
vetorial de ๐พ ๐‘› , então 0 โˆˆ ๐ถ. Para todo ๐‘ฃ โˆˆ ๐พ ๐‘› , ๐‘ฃ pode ser escrito como ๐‘ฃ + 0, o que
implica que ๐‘ฃ pertence a uma classe lateral ๐‘ฃ + ๐ถ, portanto, temos
๐‘ฃโˆˆ๐พ ๐‘›
๐‘ฃ+๐ถ =
๐พ๐‘› .
IV) Sabemos que ๐ถ = ๐‘ž ๐‘˜ = ๐‘€, ou seja, ๐ถ = ๐‘1 , ๐‘2 , ๐‘3 , โ€ฆ , ๐‘๐‘€ . Seja ๐‘ฃ um vetor do
conjunto ๐‘ฃ + ๐ถ. Por definição, ๐‘ฃ + ๐ถ = ๐‘ฃ + ๐‘, ๐‘ โˆˆ ๐ถ , assim, ๐‘ฃ + ๐ถ = ๐‘ฃ +
123
๐‘1 , ๐‘ฃ + ๐‘2 , ๐‘ฃ + ๐‘3 , โ€ฆ , ๐‘ฃ + ๐‘๐‘€ , ou seja, ๐‘ฃ + ๐ถ = ๐‘โ€ฒ1 , ๐‘โ€ฒ2 , ๐‘โ€ฒ3 , โ€ฆ , ๐‘โ€ฒ๐‘€ , ou seja, ๐‘ฃ +
๐ถ = ๐‘€ = ๐‘ž๐‘˜ = ๐ถ .
V) Notemos que ๐ถ = ๐‘1 , ๐‘2 , ๐‘3 , โ€ฆ , ๐‘๐‘š = 0 + ๐‘1 , 0 + ๐‘2 , 0 + ๐‘3 , โ€ฆ , 0 + ๐‘๐‘š = 0 + ๐ถ.
Se ๐‘ฃ + ๐ถ = ๐ถ, então ๐‘ฃ + ๐ถ = 0 + ๐ถ e pela propriedade I, temos que ๐‘ฃ + ๐ถ = 0 +
๐ถ โ‡” ๐‘ฃ โˆ’ 0 โˆˆ ๐ถ โ‡” ๐‘ฃ โˆˆ ๐ถ.
Pela propriedade II, temos que classes laterais diferentes segundo C são disjuntas.
Sabemos que ๐พ = ๐‘ž, o que implica que ๐พ ๐‘› = ๐‘ž ๐‘› . Pela propriedade III,
๐พ ๐‘› , o que implica que
๐‘ฃโˆˆ๐พ ๐‘›
๐‘ฃ+๐ถ
๐‘ฃโˆˆ๐พ ๐‘›
๐‘ฃ+๐ถ =
= ๐พ ๐‘› = ๐‘ž ๐‘› e pela propriedade IV, temos que
(๐‘ฃ + ๐ถ) = ๐ถ = ๐‘ž ๐‘˜ . Assim, o número de classes laterais segundo ๐ถ é dado por
๐‘ฃโˆˆ๐พ ๐‘›
๐‘ฃ+๐ถ
(๐‘ฃ+๐ถ)
๐‘ž๐‘›
= ๐‘ž ๐‘˜ = ๐‘ž ๐‘›โˆ’๐‘˜ .
Exemplo:
Considerando o código linear ๐ถ utilizado no exemplo do braço mecânico, vimos que a
matriz
geradora
de
๐ถ
é
๐บ=
1 0 1 1 0
,
0 1 0 1 1
o
que
implica
que
๐ถ = 00000, 10110, 01011, 11101 . Dados ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 โˆˆ ๐น 5 , tais que ๐‘ฃ1 = 00000 ,
๐‘ฃ2 = 01000 e ๐‘ฃ3 = 01110 .As classes laterais de ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , ๐‘ฃ3 segundo ๐ถ são:
00000 + ๐ถ = 00000, 10110, 01011, 11101
01000 + ๐ถ = 01000, 11110, 00011, 10101
01110 + ๐ถ = 01110, 11000, 00101, 10011
O teorema 6.19 garante uma correspondência biunívoca entre classes laterais e
síndromes, de modo que todos os vetores de uma classe lateral possuam síndromes iguais e
vetores de classes laterais diferentes possuem síndromes diferentes.
Seja ๐‘ฅ um vetor pertencente a uma classe lateral de ๐‘ฃ segundo ๐ถ. Se ๐œ” ๐‘ฅ =
๐‘š๐‘–๐‘› ๐œ” ๐‘ฃ๐‘– ; ๐‘ฃ๐‘– โˆˆ ๐‘ฃ + ๐ถ , então dizemos que ๐‘ฅ é o líder de ๐‘ฃ + ๐ถ.
No exemplo anterior, temos que 00000 é o líder de 00000 + ๐ถ, 01000 é o líder de
01000 + ๐ถ e 11000 e 00101 são os líderes de 01110 + ๐ถ. Notemos que o líder de uma
classe não necessariamente é único.
Teorema 6.20: Considerando ๐ถ โŠ‚ ๐พ ๐‘› um código com distância mínima ๐‘‘. Se ๐‘ฃ โˆˆ ๐พ ๐‘› é um
vetor tal que ๐œ” ๐‘ฃ โ‰ค
๐‘‘โˆ’1
2
= ๐œ…, então ๐‘ฃ é o único elemento líder em sua classe lateral.
124
Demonstração: Sejam ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 โˆˆ ๐พ ๐‘› tais que ๐œ” ๐‘ฃ1 โ‰ค
então ๐œ” ๐‘ฃ1 โˆ’ ๐‘ฃ2 โ‰ค ๐œ” ๐‘ฃ1 + ๐œ” ๐‘ฃ2 โ‰ค
๐‘‘โˆ’1
2
+
๐‘‘โˆ’1
2
๐‘‘โˆ’1
2
e ๐œ” ๐‘ฃ2 โ‰ค
๐‘‘โˆ’1
2
. Se ๐‘ฃ1 โˆ’ ๐‘ฃ2 โˆˆ ๐ถ,
โ‰ค ๐‘‘ โˆ’ 1, portanto, ๐‘ฃ1 โˆ’ ๐‘ฃ2 = 0, o que
implica que ๐‘ฃ1 = ๐‘ฃ2 .
O teorema 6.19 constitui uma ferramenta importante para a determinação dos líderes
de classes de peso menor ou igual a
quais se tenha ๐œ” ๐‘ฃ๐‘– โ‰ค
๐‘‘โˆ’1
2
๐‘‘โˆ’1
2
. Para isso, basta tomar os vetores ๐‘ฃ๐‘– โˆˆ ๐พ ๐‘› , para os
. Cada um dos ๐‘ฃ๐‘– é líder de uma e somente uma classe.
Exemplo:
Vimos que a matriz teste de paridade do código ๐ถ โŠ‚ ๐น 5 , do braço mecânico é
1 0 1 0 0
๐ป = 1 1 0 1 0 . Sabemos que nesse código, a distância mínima ๐‘‘ = 3, pois vemos
0 1 0 0 1
facilmente que quaisquer duas colunas de ๐ป são linearmente independentes enquanto que três
colunas de ๐ป são linearmente dependentes (teorema 6.16), o que implica que ๐œ… =
3โˆ’1
2
๐‘‘โˆ’1
2
=
= 1, ou seja, ๐ถ tem capacidade de correção de 1 erro. Os vetores ๐‘ฃ๐‘– โˆˆ ๐น 5 tais que
๐œ” ๐‘ฃ๐‘– โ‰ค 1 são 00000, 00001, 00010, 00100, 01000, 10000. Os líderes ๐‘ฃ๐‘– e suas respectivas
síndromes ๐ป โˆ™ ๐‘ฃ๐‘–๐‘ก são apresentados na tabela a seguir:
Líder Síndrome
00000
000
00001
001
00010
010
00100
100
01000
011
10000
110
Suponhamos que duas palavras (comandos) ๐‘1 e ๐‘2 sejam transmitidas ao braço
mecânico e, devido a algum ruído, as palavras (comandos) recebidas sejam ๐‘Ÿ1 = 11110 e
1
1+0+1+0+0
1 0 1 0 0 1
0
๐‘ก
๐‘Ÿ2 = 11010 . Temos que ๐ป โˆ™ ๐‘Ÿ1 = 1 1 0 1 0 โˆ™ 1 = 1 + 1 + 0 + 1 + 0 = 1 =
0+1+0+0+0
0 1 0 0 1 1
1
0
0 1
1 ๐‘ก , comparando com a tabela, temos ๐‘’ = 01000 . Como ๐‘ = ๐‘Ÿ โˆ’ ๐‘’, temos
๐‘1 = 11110 โˆ’ 01000 = 10110 . O comando transmitido foi para cima. Por outro lado,
125
1
1+0+0+0+0
1 0 1 0 0 1
1
๐ป โˆ™ ๐‘Ÿ2๐‘ก = 1 1 0 1 0 โˆ™ 0 = 1 + 1 + 0 + 1 + 0 = 1 = 1 1 1 ๐‘ก . Vemos que a
0+1+0+0+0
0 1 0 0 1 1
1
0
síndrome 111 não é encontrada na tabela, portanto em ๐‘Ÿ2 ocorreu mais de um erro e o
código ๐ถ não é capaz de corrigir.
Outro exemplo:
Suponha que desejemos transmitir a mensagem PROFMAT BRASIL através de um
código linear sobre o corpo galoisiano ๐น = 0,1 .
Abaixo mostraremos uma lista de procedimentos necessários até a obtenção do código
de canal necessário à transmissão da mensagem:
1) Fonte: (espaço), A, B, C, D, E, F, G, H, I, J, L, M, N, O, P, Q, R, S, T, U, V, X e Z,
com 24 caracteres.
2) Código da fonte: notemos que o código da fonte deve possuir no mínimo 24 palavras
código, portanto, adotaremos ๐‘˜ = 5, o que implica que o código de fonte está contido
em ๐น 5 . Utilizemos as seguintes informações:
๐‘’๐‘ ๐‘๐‘Žç๐‘œ = 00000
๐ด = 10000
๐ต = 01000
๐ถ = 00100
๐ท = 00010
๐ธ = 00001
๐น = 11000
๐บ = 10100
๐ป = 10010
๐ผ = 10001
๐ฝ = 01100
๐ฟ = 01010
๐‘€ = 01001
๐‘ = 00110
๐‘‚ = 00101
๐‘ƒ = 00011
๐‘„ = 11100
๐‘… = 10110
๐‘† = 10101
๐‘‡ = 11010
๐‘ˆ = 11001
๐‘‰ = 01110
๐‘‹ = 00111
๐‘ = 11110
Observemos que ao transmitir a fonte ๐‘ƒ, utilizando o código de fonte 00011, se
ocorrer um erro, por exemplo, na quinta coordenada, o código recebido será 00010,
que equivale a fonte ๐ท e por consequência o erro não seria detectado.
3) Código de canal: por meio do acréscimo de redundâncias, o código de fonte é
convertido em código de canal. Suponhamos que o código de canal tenha
comprimento ๐‘› = 9. Temos então que o código ๐ถ é um subespaço vetorial do espaço
๐น 9 . Ou seja, ๐ถ é obtido através de uma transformação linear ๐‘‡: ๐น 5 โ†’ ๐น 9 e, pelo que foi
visto, dim ๐ถ = ๐‘˜ = 5. Tomemos quaisquer cinco vetores linearmente independentes
de ๐น 9 para obtermos uma base de ๐ถ e, consequentemente, uma matriz ๐บ geradora do
código ๐ถ:
126
110010000 , 100100010 , 001001001 , 000010110 , 000101010
é uma
base de ๐ถ, pois os cinco vetores desse conjunto são linearmente independentes, logo,
1
1
๐บ= 0
0
0
1
0
0
0
0
0
0
1
0
0
0
1
0
0
1
1
0
0
1
0
0
0
1
0
1
0
0
0
1
0
0
1
0
1
1
0
0
1
0
0
é uma matriz geradora do código ๐ถ. Por
praticidade, determinaremos ๐บ โ€ฒ = ๐ผ5 ๐ด
equivalente por linhas à matriz ๐บ,
apresentada na forma padrão:
1
1
0
0
0
0
1
0
0
0
1
0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
0
1
0
0
0
0
1
0
0
0
1
0
0
1
0
0
0
0
1
1
0
0
1
0
0
0
0
1
0
0
0
1
0
1
1
1
1
0
1
0
0
0
1
0
0
1
0
1
1
1
0
0
1
0
0
1
0 ๐ฟ โ†’ ๐ฟ +๐ฟ 1
1
1
4
1
0
๐ฟ
โ†’
๐ฟ
+
๐ฟ
2
2
5
0
0
0
0
1
1 0
0 0 ๐ฟ โŸท ๐ฟ 0
2
0 1 1
0
๐ฟ
โ†”
๐ฟ
4
5
1 0
0
0
1 0
1
0
0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
1
0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
0
1
0
0
0
1
0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
1
0
1
1
0
1
1
1
1
1
0
1
0
0
1
0
0
1
0
0
1
1
0
0
1
1
0
1
0
1
1
0
0
1 ๐ฟ1 โ†’ ๐ฟ1 + ๐ฟ2
0
0
0
0
Assim
1 = ๐บโ€ฒ.
0
0
temos:
Fonte
espaço
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
M
N
O
P
Q
R
S
T
U
V
X
Z
Código da fonte
00000
10000
01000
00100
00010
00001
11000
10100
10010
10001
01100
01010
01001
00110
00101
00011
11100
10110
10101
11010
11001
01110
00111
11110
(Código daFonte).G
00000.G
10000.G
01000.G
00100.G
00010.G
00001.G
11000.G
10100.G
10010.G
10001.G
01100.G
01010.G
01001.G
00110.G
00101.G
00011.G
11100.G
10110.G
10101.G
11010.G
11001.G
01110.G
00111.G
11110.G
Código do canal
000000000
100001000
010001110
001001001
000010110
000101010
110000110
101000001
100100010
100011110
011000111
010100100
010011000
010100100
001011111
000111100
111001111
101101011
101010111
110101100
110010000
011101101
001110101
111100101
127
Portanto, as palavras do código a serem transmitidas, na ordem em que aparecem, são:
000111100 101101011 001011111 110000110 010011000 100001000 110101100
000000000 010001110 101101011 100001000 101010111 100011110 010100100
Suponhamos que ao utilizar o código acima, a seguinte mensagem seja recebida:
010011000 000101010 101010110 110101100 101101111 100001000 000010110
101011111 000000010 000111100 101101011 001011110 110000110 100011110
101010101 101010111 100011110 101011111 010100100 100001000 010100110
a qual desejamos decodificar. Suponhamos ainda que no máximo um erro tenha sido
introduzido em cada palavra transmitida.
1
0
โ€ฒ
Da matriz geradora ๐บ = 0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
1
0
1
1
1
1
0
0
0
0
0
1
0
1
0
0
1
0
1
0
1
1
0
0
1
0
0
do código linear ๐ถ,
apresentada na forma padrão, obtemos uma matriz teste de paridade ๐ป = โˆ’๐ด๐‘ก ๐ผ๐‘›โˆ’๐‘˜ . Como
๐‘› = 9 e ๐‘˜ = 5, então ๐ป = โˆ’๐ด๐‘ก ๐ผ4 . Notemos que ๐ด =
1
0
0
0
1
1
1
0
1
0
0
1
1
0
1
0
0
1 1
1
0 1
, o que implica que ๐ป =
1
0 1
0
0 0
1
0
0
1
1
0
1
0
0
1
1
0
1
0
0
0
1
1
1
1
0
0
1
0
0
0
1
0
0
1
0
0
1
0
0
1
0
1
1
0
0
0
1
0
0
1 , então, โˆ’๐ด๐‘ก =
0
0
.
Vemos que quaisquer duas colunas de ๐ป são linearmente independentes enquanto que
três colunas de ๐ป são linearmente dependentes. Pelo teorema 6.16 temos que ๐œ” ๐ถ = 3, o que
implica que ๐œ… =
๐‘‘โˆ’1
2
=
3โˆ’1
2
= 1, ou seja, ๐ถ tem capacidade de detecção de 2 erros e
correção de 1 erro.
Os vetores ๐‘ฃ๐‘– โˆˆ ๐น 9 , para os quais se tenha ๐œ” ๐‘ฃ๐‘– โ‰ค 1, classificados como líderes de
classe são: 000000000, 00000001, 000000010, 000000100, 000001000, 000010000,
00010000, 001000000, 010000000 e 100000000. Resolvendo os produtos ๐ป โˆ™ ๐‘ฃ๐‘–๐‘ก ,
determinamos as síndromes dos líderes de classe, conforme a seguinte tabela:
Líder
000000000
000000001
000000010
000000100
000001000
Síndrome
0000
0001
0010
0100
1000
128
000010000
000100000
001000000
010000000
100000000
0110
1010
1001
1110
1000
Das vinte e uma palavras recebidas ๐‘Ÿ๐‘– , calcularemos suas respectivas síndromes ๐ป โˆ™ ๐‘Ÿ๐‘–๐‘ก
e os erros ๐‘’๐‘– , comparando com a tabela anterior e determinando as palavras transmitidas ๐‘๐‘– ,
identificando suas respectivas fontes. O procedimento descrito acima é apresentado na tabela
a seguir:
Palavra
recebida ๐’“๐’Š
010011000
000101010
101010110
110101100
101101111
100001000
000010110
101011111
000000010
000111100
101101011
001011110
110000110
100011110
101010101
101010111
100011110
101011111
010100100
100001000
010100110
Síndrome
๐‘ฏ โˆ™ ๐’“๐’•๐’Š
0000
0000
0001
0000
0100
0000
0000
1000
0010
0000
0000
0001
0000
0000
0010
0000
0000
1000
0000
0000
0010
Erro ๐’†๐’Š
(líder)
000000000
000000000
000000001
000000000
000000100
000000000
000000000
100000000
000000010
000000000
000000000
000000001
000000000
000000000
000000010
000000000
000000000
100000000
000000000
000000000
000000010
Observação
Não houve erro
Não houve erro
Houve um erro
Não houve erro
Houve um erro
Não houve erro
Não houve erro
Houve um erro
Houve um erro
Não houve erro
Não houve erro
Houve um erro
Não houve erro
Não houve erro
Houve um erro
Não houve erro
Não houve erro
Houve um erro
Não houve erro
Não houve erro
Houve um erro
Palavra transmitida
๐’„๐’Š = ๐’“๐’Š โˆ’ ๐’†๐’Š
010011000
000101010
101010111
110101100
101101011
100001000
000010110
001011111
000000000
000111100
101101011
001011111
110000110
100011110
101010111
101010111
100011110
001011111
010100100
100001000
010100100
Fonte
M
E
S
T
R
A
D
O
espaço
P
R
O
F
I
S
S
I
O
N
A
L
Portanto, a mensagem transmitida foi MESTRADO PROFISSIONAL.
6.3.5 Alguns exemplos de códigos lineares
6.3.5.1 Código de repetição
As características fundamentais de um código ๐‘…(๐‘›) โŠ‚ ๐น ๐‘› de repetição sobre o corpo
galoisiano ๐น = 0,1 são sua dimensão ๐‘˜ = 1, o número de palavras do código é ๐‘€ = 2๐‘˜ =
21 = 2 e sua distância mínima ๐‘‘ = ๐‘›.
129
O código de repetição descrito acima detecta até ๐‘› โˆ’ 1 erros e sua capacidade de
correção é ๐œ… =
corrige até
๐‘›โˆ’1
2
๐‘›โˆ’1
2
erros, o que leva-nos a deduzir que se ๐‘› for ímpar, então o código ๐‘… ๐‘›
erros enquanto que se ๐‘› for par, então o código ๐‘…(๐‘›) corrige até
๐‘›โˆ’2
2
erros.
O processo de decodificação consiste na contagem do número de โ€œzerosโ€ e do número
de โ€œunsโ€ na palavra recebida, sendo que se houver um número maior de โ€œunsโ€, ou seja, esse
número estiver entre
๐‘›+1
2
e ๐‘›, para ๐‘› ímpar ou estiver entre
๐‘›+2
2
e ๐‘› para ๐‘› par, então a palavra
é corrigida para (111 โ€ฆ 1), caso contrário, a palavra é corrigida para (000 โ€ฆ 0).
๐‘› ๐‘‘í๐‘”๐‘–๐‘ก ๐‘œ๐‘ 
๐‘› ๐‘‘í๐‘”๐‘–๐‘ก๐‘œ๐‘ 
Exemplo:
Um circuito digital comandado por controle remoto entra em funcionamento quando o
comando acionado é โ€œonโ€, e deixa de funcionar quando o comando acionado é โ€œoffโ€.
Temos então a fonte como sendo os comandos โ€œonโ€ e โ€œoffโ€ e podemos codificar esses
comandos de modo a se obter o código de fonte 1 e 0 respectivamente.
Já vimos anteriormente que a transmissão direta do código de fonte não é viável pois
caso ocorra um erro não é possível sua detecção e sua correção. Em virtude disso, utilizemos,
por exemplo, o código de repetição 6 representado por ๐‘…(6), temos então:
Fonte
Off
On
Código de fonte
0
1
Código de canal
000000
111111
Ao ser transmitido o comando โ€œonโ€, suponhamos que a transmissão sofra um erro e a palavra
código de ๐น 6 recebida seja 101101. O decodificador de fonte detectará o erro, pois 101101
não pertence a ๐‘…(6). Como o ๐‘› = 6 é par e o número de dígitos 1 está entre
๐‘›+2
2
=
6+2
2
=4e
๐‘› = 6, então a palavra código 101101 é corrigida para 111111.
Notemos porém que um código de repetição não é viável, seja pela demora na
transmissão de palavras código com grande número de dígitos (bits), ou ainda pela
ineficiência na correção, pois no exemplo acima, se a palavra recebida fosse 101100, seria
impossível ao decodificador de canal decidir se a palavra correta transmitida era 000000 ou
111111.
130
6.3.5.2 Código de um dígito de paridade (Código de peso par)
Em alguns casos é mais interessante detectar a ocorrência de um erro do que corrigi-lo
propriamente, pois podemos ter um custo elevado na construção de redundâncias que sejam
capazes de corrigir esses erros, sendo mais viável a retransmissão da informação do que a
correção do erro detectado.
Uma forma de detectar um erro, com um baixo custo computacional, é o acréscimo de
um único dígito (bit) no código da fonte, obtendo assim, um código de canal com
comprimento maior que o código da fonte, por um dígito.
O dígito acrescido ao código de fonte, de modo a se obter o código de canal é
denominado dígito de verificação de paridade e é univocamente determinado em cada palavra
do código da fonte, com finalidade de obter um número par de dígitos โ€œunsโ€, de modo que se
houver um (único) erro de transmissão, o mesmo seja detectado, mas não corrigido.
Em um código ๐ถ โŠ‚ ๐พ ๐‘› de um dígito de paridade com dimensão ๐‘˜, temos ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ = 1.
Como o dígito de paridade é acrescido para que seja obtido um número par de โ€œunsโ€, então a
quantidade mínina de โ€œunsโ€ em um vetor não nulo de ๐ถ é igual a 2, o que implica que a
distância mínima desse código (ou o seu peso) é ๐‘‘ = 2. Essa observação permite-nos verificar
que a capacidade de detecção do código ๐ถ é ๐‘‘ โˆ’ 1 = 2 โˆ’ 1 = 1 erro e sua capacidade de
correção é ๐œ… =
๐‘‘โˆ’1
2
=
2โˆ’1
2
= 0, ou seja, ๐ถ não é capaz de corrigir erros como mencionado
anteriormente.
Exemplo:
Voltemos ao braço mecânico apresentado anteriormente, do qual temos a seguinte
tabela:
Fonte
Código da fonte
Para a esquerda:
00
Para a direita:
01
Para cima:
10
Para baixo:
11
131
Diferente do que foi feito anteriormente, acrescentaremos como redundância apenas
um dígito, de modo que a quantidade de โ€œunsโ€ seja par, obtendo com isso o código de canal
apresentado a seguir:
Fonte
Código da fonte
Código de canal
Para a esquerda:
00
000
Para a direita:
01
011
Para cima:
10
101
Para baixo:
11
110
É evidente que se um comando fosse dado ao braço mecânico, por exemplo โ€œpara
baixoโ€, cujo código de fonte e de canal são respectivamente 11 e 110 e ocorresse um erro, de
modo que o decodificador de canal recebesse a palavra 100, um erro seria imediatamente
detectado, pois 100 possui uma quantidade ímpar de โ€œunsโ€, porém, a correção seria
impossível uma vez que qualquer um dos três dígitos de100 poderia estar errado, acarretando
três possibilidades para a palavra transmitida: 000, 101 e 110.
6.3.5.3 Código de Hamming
Um código ๐ถ sobre o corpo galoisiano ๐น, cuja matriz teste de paridade é ๐ป๐‘š , de ordem
๐‘š × ๐‘›, com colunas em ๐น ๐‘š \ 0 , em qualquer ordem, é denominado código de Hamming.
Como a matriz ๐ป๐‘š possui colunas em ๐น ๐‘š \ 0 , então, o seu número de colunas é dado
por 2๐‘š โˆ’ 1, o que implica que cada palavra de ๐ถ tem comprimento ๐‘› = 2๐‘š โˆ’ 1. A dimensão
do código ๐ถ é dada por ๐‘˜ = ๐‘› โˆ’ ๐‘š, ou seja, ๐‘˜ = (2๐‘š โˆ’ 1) โˆ’ ๐‘š, o que implica que ๐‘˜ = 2๐‘š โˆ’
๐‘š โˆ’ 1. A distância mínima (ou o peso) em um código de Hamming é ๐œ” ๐ถ = 3 (teorema
6.16).
As
1
1
๐ป4 =
1
1
matrizes
1
1
1
0
0
1
1
1
1
1
0
1
1
0
1
1
1
1
0
0
0
1
1
0
0
0
1
1
1
0
1
0
1
0
0
1
0
1
0
1
1 1 1 0 1 0 0
๐ป3 = 1 1 0 1 0 1 0
e
1 0 1 1 0 0 1
1 0 0 0
0 1 0 0
são matrizes teste de paridade dos
0 0 1 0
0 0 0 1
códigos de Hamming correspondentes a ๐‘š = 3 e ๐‘š = 4 respectivamente.
132
Teorema 6.21: Todo código de Hamming é perfeito.
Demonstração: Por definição, um código é perfeito se
๐‘โˆˆ๐ถ ๐ท
๐‘, ๐‘˜ = ๐น ๐‘› . Consideremos o
código ๐ถ โŠ‚ ๐น ๐‘› como sendo um código de Hamming, então ๐ถ possui distância mínima ๐‘‘ = 3,
o que implica que ๐œ… =
๐‘‘โˆ’1
=
2
3โˆ’1
2
= 1. Seja ๐‘ um vetor de ๐น ๐‘› . Sabemos que o número de
๐‘Ÿ
๐‘–=0
๐‘›
โˆ™ ๐‘ž โˆ’ 1 ๐‘– , portanto,
๐‘–
= 1 โˆ™ 1 + ๐‘› โˆ™ 1 = 1 + ๐‘›.
Assim,
discos de centro ๐‘ e raio ๐‘Ÿ em ๐น ๐‘› é dado por ๐ท ๐‘, ๐‘Ÿ
๐ท ๐‘, 1
๐‘›
โˆ™ 2โˆ’1
0
=
๐‘โˆˆ๐ถ ๐ท
0
+
๐‘›
โˆ™ 2โˆ’1
1
1
=
= 1 + ๐‘› โˆ™ 2๐‘˜ = 1 + 2๐‘š โˆ’ 1 โˆ™ 2๐‘› โˆ’๐‘š = 2๐‘› , ou seja,
๐‘, 1
๐‘โˆˆ๐ถ ๐ท
๐‘, 1
= ๐น๐‘› .
Portanto, ๐ถ é um código perfeito.
Teorema 6.22: Um código de Hamming é MDS se, e somente se, ๐‘š = 2.
Demonstração:
โ‡’ Se um código de Hamming é MDS, então ๐‘‘ = ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ + 1, mas em todo código de
Hamming, ๐‘‘ = 3, o que implica que ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ + 1 = 3, portanto, temos:
2๐‘š โˆ’ 1 โˆ’ 2๐‘š โˆ’ ๐‘š โˆ’ 1 + 1 = 3, o que implica que ๐‘š = 2.
โ‡
Em um código de Hamming de ordem ๐‘š = 2, temos ๐‘› = 22 โˆ’ 1 = 3 e ๐‘˜ = 22 โˆ’ 2 โˆ’
1 = 1. Como em um código de Hamming temos sempre ๐‘‘ = 3, então ๐‘‘ = 3 โˆ’ 1 + 1 = ๐‘› โˆ’
๐‘˜ + 1, portanto para ๐‘š = 2 um código de Hamming é MDS.
6.3.5.4 Código de Reed-Solomon
Consideremos um corpo finito ๐พ e um espaço vetorial ๐พ ๐‘‹
๐‘˜โˆ’1
de todos os
polinômios ๐‘ ๐‘ฅ em ๐พ ๐‘‹ cujo grau seja menor ou igual a ๐‘˜ โˆ’ 1, juntamente com o
polinômio
nulo.
Uma
base
para
o
espaço
๐ต = 1, ๐‘‹, ๐‘‹ 2 , ๐‘‹ 3 , โ€ฆ , ๐‘‹ ๐‘˜โˆ’1 . Portanto, dim ๐พ ๐‘‹
๐‘˜โˆ’1
vetorial
๐พ๐‘‹
๐‘˜โˆ’1
é
o
conjunto
= ๐‘˜.
Consideremos ๐‘› โˆˆ โ„• e ๐›ผ๐‘– โˆˆ ๐พ, com ๐‘– โˆˆ 1, 2, โ€ฆ , ๐‘› , tal que ๐›ผ๐‘– โ‰  ๐›ผ๐‘— sempre que ๐‘– โ‰  ๐‘—.
Uma função ๐‘‡: ๐พ ๐‘‹
๐‘˜โˆ’1
โ†’ ๐พ ๐‘› , ๐‘˜ < ๐‘›, que a cada elemento ๐‘ ๐‘ฅ โˆˆ ๐พ ๐‘‹
๐‘› โˆ’upla ๐‘ ๐›ผ1 , ๐‘ ๐›ผ2 , ๐‘ ๐›ผ3 , โ€ฆ , ๐‘ ๐›ผ๐‘›
๐‘‡ ๐›ฝโˆ™๐‘ ๐‘ฅ
๐‘˜โˆ’1
= ๐‘ ๐›ผ1 + ๐‘ž ๐›ผ1 , ๐‘ ๐›ผ2 + ๐‘ž ๐›ผ2 , โ€ฆ , ๐‘ ๐›ผ๐‘› + ๐‘ž ๐›ผ๐‘›
= ๐‘ ๐›ผ1 , ๐‘ ๐›ผ2 , โ€ฆ , ๐‘ ๐›ผ๐‘› + ๐‘ž ๐›ผ๐‘›
associa a
โˆˆ ๐พ๐‘› .
๐‘‡ é uma transformação linear, pois dados ๐‘ ๐‘ฅ , ๐‘ž(๐‘ฅ) โˆˆ ๐พ ๐‘‹
๐‘‡ ๐‘ ๐‘ฅ +๐‘ž ๐‘ฅ
๐‘˜โˆ’1
+ ๐‘ž ๐›ผ1 , ๐‘ž ๐›ผ2 , โ€ฆ , ๐‘ž ๐›ผ๐‘›
= ๐›ฝ โˆ™ ๐‘ ๐›ผ1 , ๐›ฝ โˆ™ ๐‘ ๐›ผ2 , โ€ฆ , ๐›ฝ โˆ™ ๐‘ ๐›ผ๐‘›
e ๐›ฝ โˆˆ ๐พ, temos:
=
=๐‘‡ ๐‘ ๐‘ฅ
+ ๐‘‡(๐‘ž ๐‘ฅ )
= ๐›ฝ โˆ™ ๐‘ ๐›ผ1 , ๐‘ ๐›ผ2 , ๐‘ ๐›ผ3 , โ€ฆ , ๐‘ ๐›ผ๐‘›
e
=
133
=๐›ฝโˆ™๐‘‡ ๐‘ ๐‘ฅ .
Além disso, ๐‘‡ é uma transformação linear injetiva, pois ๐‘‡(๐‘ ๐‘ฅ ) = 0 implica que
๐‘ ๐›ผ1 , ๐‘ ๐›ผ2 , ๐‘ ๐›ผ3 , โ€ฆ , ๐‘ ๐›ผ๐‘›
= 0, 0, 0, โ€ฆ , 0 , ou seja, ๐‘ ๐›ผ1 = ๐‘ ๐›ผ2 = ๐‘ ๐›ผ3 = โ€ฆ =
๐‘ ๐›ผ๐‘› = 0, pois um polinômio de grau ๐‘˜ โˆ’ 1 não pode possuir ๐‘› raízes distintas. Assim,
temos ๐พ๐‘’๐‘Ÿ ๐‘‡ = ๐‘ ๐‘ฅ โˆˆ ๐พ ๐‘‹
๐‘˜โˆ’1 ; ๐‘
๐›ผ1 = ๐‘ ๐›ผ2 = โ€ฆ = ๐‘ ๐›ผ๐‘› = 0 , o que implica que
๐พ๐‘’๐‘Ÿ ๐‘‡ = {๐‘œ}, logo, ๐‘‡ é injetiva.
Pelo Teorema 5.13, temos que dim ๐พ ๐‘‹
๐‘˜โˆ’1
= dim ker(T) โก+ dim ๐ผ๐‘š(๐‘‡). Como
๐พ๐‘’๐‘Ÿ ๐‘‡ = {๐‘œ}, então dim ker(T) = 0, o que implica que dim ๐ผ๐‘š(๐‘‡) = dim ๐พ ๐‘‹
๐‘˜โˆ’1
= ๐‘˜,
ou seja, ๐ผ๐‘š(๐‘‡) é um subespaço vetorial de ๐พ ๐‘› , com dimensão ๐‘˜. Podemos adotar ๐พ ๐‘‹
๐‘˜โˆ’1
com sendo o código de fonte, ๐ผ๐‘š ๐‘‡ = ๐ถ como sendo o código de canal (um código linear) e
a transformação ๐‘‡ como sendo a codificação.
Ao código descrito acima denominamos código de Reed- Solomon, com comprimento
๐‘› e dimensão ๐‘˜, definido por ๐›ผ1 , ๐›ผ2 , ๐›ผ3 , โ€ฆ , ๐›ผ๐‘› .
Notemos
que
dado
๐‘ โˆˆ ๐ถ,
tal
๐‘ โ‰  0,
que
๐‘ = ๐‘ ๐›ผ1 , ๐‘ ๐›ผ2 , ๐‘ ๐›ผ3 , โ€ฆ , ๐‘ ๐›ผ๐‘› .
então
โˆƒ๐‘(๐‘ฅ) โˆˆ ๐พ ๐‘‹
๐‘˜โˆ’1
tal
Por definição de peso de um código,
que ๐œ” ๐‘ = ๐‘– โˆˆ 1, 2, 3, โ€ฆ , ๐‘› ; ๐‘ ๐›ผ๐‘– โ‰  0 .
Como
๐‘ possui
que
temos
๐‘› coordenadas, então
๐‘– โˆˆ 1, 2, 3, โ€ฆ , ๐‘› ; ๐‘ ๐›ผ๐‘– โ‰  0 = ๐‘› โˆ’ ๐‘– โˆˆ 1, 2, 3, โ€ฆ , ๐‘› ; ๐‘ ๐›ผ๐‘– = 0 โ‰ฅ ๐‘› โˆ’ ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ ๐‘ฅ .
Portanto, ๐œ” ๐‘ โ‰ฅ ๐‘› โˆ’ (๐‘˜ โˆ’ 1), o que implica que ๐œ” ๐‘ โ‰ฅ ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ + 1, portanto, ๐‘‘ โ‰ฅ ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ +
1. Pelo teorema 6.17 vimos que parâmetros ๐‘›, ๐‘‘, ๐‘˜ de um código linear ๐ถ satisfazem a
desigualdade ๐‘‘ โ‰ค ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ + 1. Das duas desigualdades acima temos ๐‘‘ = ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ + 1.
Como ๐ต = 1, ๐‘‹, ๐‘‹ 2 , ๐‘‹ 3 , โ€ฆ , ๐‘‹ ๐‘˜โˆ’1
é uma base de ๐พ ๐‘‹
๐‘˜โˆ’1 ,
temos que ๐ตโ€ฒ =
๐‘‡(1), ๐‘‡(๐‘‹), ๐‘‡(๐‘‹ 2 ), ๐‘‡(๐‘‹ 3 ), โ€ฆ , ๐‘‡(๐‘‹ ๐‘˜โˆ’1 ) é uma base de ๐ถ, logo uma matriz geradora do
código ๐ถ pode ser representada por:
๐‘‡(1)
1
1
๐›ผ1
๐›ผ2
๐‘‡ ๐‘‹
๐บ = ๐‘‡(๐‘‹ 2 ) = ๐›ผ12
๐›ผ22
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐‘˜โˆ’1
๐‘˜โˆ’1
๐‘˜โˆ’1
๐›ผ2
๐‘‡(๐‘‹ ) ๐›ผ1
1
โ‹ฏ
โ‹ฏ ๐›ผ๐‘›
โ‹ฏ ๐›ผ๐‘›2 .
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐›ผ๐‘›๐‘˜โˆ’1
Exemplo: Consideremos um corpo finito ๐พ = โ„ค7 , ๐‘˜ = 3, ๐‘› = 5 e ๐›ผ1 = 1, ๐›ผ2 = 2,
๐›ผ3 = 3,
๐›ผ4 = 4
e
๐›ผ5 = 5.
Pela
definição
de
matriz
geradora,
temos
que
134
1
1
๐›ผ1
๐›ผ2
2
๐บ = ๐›ผ1
๐›ผ22
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐‘˜โˆ’1
๐‘˜โˆ’1
๐›ผ1
๐›ผ2
1
โ‹ฏ
โ‹ฏ ๐›ผ๐‘›
1 1 1 1 1
1 1 1 1 1
โ‹ฏ ๐›ผ๐‘›2 = 1 2 3 4 5 = 1 2 3 4 5 é uma matriz
โ‹ฑ
โ‹ฎ
12 22 32 42 52
1 4 2 2 4
โ‹ฏ ๐›ผ๐‘›๐‘˜โˆ’1
geradora do código de Reed-Solomon de comprimento 5, dimensão 3 e definida pelos
elementos 1, 2, 3, 4, 5 do corpo โ„ค7 , com distância mínima ๐‘‘ = ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ + 1 = 5 โˆ’ 3 + 1 = 3
Para determinar uma matriz ๐บ โ€ฒ = ๐ผ๐‘˜ ๐ด , na forma padrão, equivalente à matriz ๐บ,
observemos que, através do polinômio de Lagrange, visto em 4.5, podemos obter os
polinômios ๐‘1 ๐‘ฅ , ๐‘2 ๐‘ฅ , ๐‘3 (๐‘ฅ) โˆˆ ๐พ ๐‘‹
๐‘˜โˆ’1 ,
tais que ๐‘1 ๐›ผ1 = ๐‘2 ๐›ผ2 = ๐‘3 ๐›ผ3 = 1 e
๐‘1 ๐›ผ2 = ๐‘1 ๐›ผ3 = ๐‘2 ๐›ผ1 = ๐‘2 ๐›ผ3 = ๐‘3 ๐›ผ1 = ๐‘3 ๐›ผ2 = 0, da seguinte forma:
๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ2 โˆ™ ๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ3
๐‘ฅโˆ’2 โˆ™ ๐‘ฅโˆ’3
๐‘ฅ 2 โˆ’ 5๐‘ฅ + 6
๐‘1 ๐‘ฅ =
=
=
= 4๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ + 3
๐›ผ1 โˆ’ ๐›ผ2 โˆ™ ๐›ผ1 โˆ’ ๐›ผ3
1โˆ’2 โˆ™ 1โˆ’3
2
๐‘2 ๐‘ฅ =
๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ1 โˆ™ ๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ3
๐‘ฅโˆ’1 โˆ™ ๐‘ฅโˆ’3
๐‘ฅ 2 โˆ’ 4๐‘ฅ + 3
=
=
= 6๐‘ฅ 2 + 4๐‘ฅ + 4
๐›ผ2 โˆ’ ๐›ผ1 โˆ™ ๐›ผ2 โˆ’ ๐›ผ3
2โˆ’1 โˆ™ 2โˆ’3
โˆ’1
๐‘3 ๐‘ฅ =
๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ1 โˆ™ ๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ2
๐‘ฅโˆ’1 โˆ™ ๐‘ฅโˆ’2
๐‘ฅ 2 โˆ’ 3๐‘ฅ + 2
=
=
= 4๐‘ฅ 2 + 2๐‘ฅ + 1
๐›ผ3 โˆ’ ๐›ผ1 โˆ™ ๐›ผ3 โˆ’ ๐›ผ2
3โˆ’1 โˆ™ 3โˆ’2
2
Notemos que ๐‘1 ๐‘ฅ , ๐‘2 ๐‘ฅ
e ๐‘3 (๐‘ฅ) são linearmente independentes, pois dados
๐›ฝ1 , ๐›ฝ2 , ๐›ฝ3 โˆˆ ๐พ, ๐›ฝ1 โˆ™ ๐‘1 ๐‘ฅ + ๐›ฝ2 โˆ™ ๐‘2 ๐‘ฅ + ๐›ฝ3 โˆ™ ๐‘3 ๐‘ฅ = 0 implica que ๐›ฝ1 โˆ™ 4๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ + 3 +
๐›ฝ2 โˆ™ 6๐‘ฅ 2 + 4๐‘ฅ + 4 + ๐›ฝ3 โˆ™ 4๐‘ฅ 2 + 2๐‘ฅ + 1 = 0, o que equivale a ter o sistema de equações
4๐›ฝ1 + 6๐›ฝ2 + 4๐›ฝ3 = 0
lineares ๐›ฝ1 +4๐›ฝ2 + 2๐›ฝ3 = 0 , que implica que ๐›ฝ1 = ๐›ฝ2 = ๐›ฝ3 = 0. Assim, ๐‘1 ๐‘ฅ , ๐‘2 ๐‘ฅ e
3๐›ฝ1 + 4๐›ฝ2 +๐›ฝ3 = 0
๐‘3 (๐‘ฅ) formam uma base para ๐พ ๐‘‹
๐‘˜โˆ’1
e, como ๐‘‡ é injetiva, então ๐‘‡ ๐‘1 ๐‘ฅ , ๐‘‡ ๐‘2 ๐‘ฅ
e
๐‘‡ ๐‘3 (๐‘ฅ) formam uma base do código de Reed-Solomon de comprimento 5, dimensão 3 e
definida pelos elementos 1, 2, 3, 4, 5 do corpo โ„ค7 , com distância mínima ๐‘‘ = ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ + 1 =
5 โˆ’ 3 + 1 = 3.
Logo,
๐‘‡ ๐‘1
๐บ = ๐‘‡ ๐‘2
๐‘‡ ๐‘3
โ€ฒ
๐‘1 ๐›ผ1
= ๐‘2 ๐›ผ1
๐‘3 ๐›ผ1
๐‘1 ๐›ผ2
๐‘2 ๐›ผ2
๐‘3 ๐›ผ2
๐‘1 ๐›ผ3
๐‘2 ๐›ผ3
๐‘3 ๐›ผ3
1 0 0 1 3
portanto, ๐บ โ€ฒ = 0 1 0 4 6 é a matriz geradora na forma padrão.
0 0 1 3 6
๐‘1 ๐›ผ4
๐‘2 ๐›ผ4
๐‘3 ๐›ผ4
๐‘1 ๐›ผ5
๐‘2 ๐›ผ5 ,
๐‘3 ๐›ผ5
135
6.3.5.5 O código do Mariner 9 (Código de Reed-Muller de 1ª ordem)
A Mariner 9 foi uma sonda espacial lançada ao espaço em 30 de maio de 1971, com
objetivo de explorar o planeta Marte. Durante seu período de atividade, a sonda Mariner 9
enviou à terra mais de 7.000 fotos desse planeta.
O código utilizado para a detecção e correção de erros dos dados enviados pela sonda
Mariner 9 à terra, pertence a uma família de códigos ๐‘…(1, ๐‘š) sobre ๐น = 0,1 , denominados
Códigos de Reed-Muller de Primeira Ordem.
A matriz ๐บ geradora desse código é obtida através da matriz teste de paridade de um
código de Hamming de dimensão ๐‘š โˆ’ ๐‘›, ou seja, a matriz ๐ป๐‘š .
A matriz ๐บ possui ordem (๐‘š + 1) × 2๐‘š e, para construí-la, consideremos a matriz
๐‘•11 ๐‘•12
๐‘•
๐‘•22
๐ป๐‘š = 21
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐‘•๐‘š1 ๐‘•๐‘š2
โ€ฆ ๐‘•1 2๐‘š โˆ’1
โ€ฆ ๐‘•2 2๐‘š โˆ’1
. A matriz ๐บ possui a primeira linha com todos os elementos
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ€ฆ ๐‘•๐‘š 2๐‘š โˆ’1
iguais a 1 e a coluna de ordem 2๐‘š (última coluna) possui todos os elementos nulos, com
๐‘”2 2๐‘š โˆ’1
๐‘”21
๐‘”22
โ€ฆ
๐‘”3 2๐‘š โˆ’1
๐‘”31
๐‘”32
โ€ฆ
exceção do primeiro. O bloco
é igual a matriz ๐ป๐‘š , ou
โ‹ฎ
โ‹ฎ
โ‹ฑ
โ‹ฎ
๐‘”(๐‘š +1)1 ๐‘”(๐‘š +1)2 โ€ฆ ๐‘”(๐‘š +1) 2๐‘š โˆ’1
seja, ๐บ =
1
๐‘”21
๐‘”31
โ‹ฎ
1
๐‘”22
๐‘”32
โ‹ฎ
๐‘”(๐‘š +1)1 ๐‘”(๐‘š +1)2
1
โ‹ฏ
๐‘”
โ‹ฏ
2 2๐‘š โˆ’1
๐‘”3 2๐‘š โˆ’1
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฏ ๐‘”(๐‘š +1) 2๐‘š โˆ’1
1
1
๐‘•11
0
0 = ๐‘•21
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐‘•๐‘š1
0
1
๐‘•12
๐‘•22
โ‹ฎ
๐‘•๐‘š2
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฑ
โ‹ฏ
1
๐‘•1
๐‘•2
2๐‘š โˆ’1
2๐‘š โˆ’1
โ‹ฎ
๐‘•๐‘š
2๐‘š โˆ’1
1
0
0
โ‹ฎ
0
Notemos que a primeira linha de ๐บ é linearmente independente das demais, basta
observar a última coluna dessa matriz. Temos também que todas as outras linhas de ๐บ, a partir
da segunda, também são linearmente independentes, pois o bloco ๐ป๐‘š garante esse fato. Sendo
assim, a dimensão do código ๐‘…(1, ๐‘š) é ๐‘š + 1. O comprimento do código ๐‘…(1, ๐‘š) é
evidentemente 2๐‘š , pois ๐บ possui 2๐‘š colunas. Determinemos agora a distância mínima do
código ๐‘…(1, ๐‘š).
Primeiramente, observemos que uma matriz cujas colunas sejam cada um dos
2๐‘š vetores de ๐น ๐‘š possui linhas com 2๐‘š โˆ’1 elementos iguais a 1 e 2๐‘š โˆ’1 elementos iguais a 0.
Como as colunas de uma matriz ๐ป๐‘š de um código de Hamming são todos os vetores de
๐น ๐‘š \ 0 , então cada linha de ๐ป๐‘š possui 2๐‘š โˆ’1 elementos iguais a 1 e 2๐‘š โˆ’1 โˆ’ 1 dígitos iguais
a 0. Na matriz ๐บ geradora do código ๐‘…(1, ๐‘š), excetuando-se a primeira linha, todas as demais
136
são formadas por linhas da matriz ๐ป๐‘š , acrescidas do dígito zero. Sendo assim, qualquer linha
da matriz ๐บ, com exceção da primeira, tem a metade dos elementos iguais a 1 e a outra
metade igual a zero, ou seja, cada vetor formado pela combinação linear dessas linhas possui
2๐‘š โˆ’1 dígitos iguais a 1 e 2๐‘š โˆ’1 dígitos iguais a zero, acarretando que o peso de cada um
desses vetores é igual a 2๐‘š โˆ’1 . Resta-nos avaliar as combinações lineares com o vetor primeira
linha da matriz ๐บ, que possui peso 2๐‘š , pois possui suas 2๐‘š coordenadas iguais a 1. Notemos
que qualquer que seja ๐‘ฃ โˆˆ ๐‘…(1, ๐‘š), 2๐‘š โˆ’1 coordenadas de ๐‘ฃ são iguais a 1. Consideremos um
vetor ๐‘ข = ๐‘ฃ + (111 โ€ฆ 11), o que implica que a soma das 2๐‘š โˆ’1 coordenadas do vetor ๐‘ฃ com o
2๐‘› ๐‘‘í๐‘”๐‘–๐‘ก๐‘œ๐‘ 
vetor (111 โ€ฆ 11) resultará em zero, fazendo com que ๐‘ข possua 2๐‘š โˆ’1 dígitos iguais a zero.
2๐‘› ๐‘‘í๐‘”๐‘–๐‘ก๐‘œ๐‘ 
De maneira análoga, somando as 2๐‘š โˆ’1 coordenadas iguais a zero do vetor ๐‘ฃ, com as 2๐‘š โˆ’1
coordenadas do vetor (111 โ€ฆ 11), obtermos 2๐‘š โˆ’1 coordenadas iguais a 1, fazendo com que ๐‘ข
2๐‘› ๐‘‘í๐‘”๐‘–๐‘ก๐‘œ๐‘ 
possua 2๐‘š โˆ’1 coordenadas iguais a 1.
Portanto, temos que no código ๐‘…(1, ๐‘š), a distância mínima é ๐‘‘ = 2๐‘š โˆ’1 .
Diante do exposto, os parâmetros ๐‘›, ๐‘˜, ๐‘‘ do código ๐‘…(1, ๐‘š) são 2๐‘š , ๐‘š + 1, 2๐‘š โˆ’1 .
A capacidade de detecção e de correção de erros num código ๐‘… 1, ๐‘š
respectivamente, ๐‘‘ โˆ’ 1 = 2๐‘š โˆ’1 โˆ’ 1 e ๐œ… =
๐‘‘โˆ’1
2
=
2๐‘š โˆ’1 โˆ’1
2
são,
.
O código de detecção e correção de erros, utilizado nas transmissões da sonda espacial
Mariner 9, corresponde a ๐‘…(1,5). Seus parâmetros ๐‘›, ๐‘˜, ๐‘‘ são 25 , 5 + 1, 25โˆ’1 = 32,6,16
e sua capacidade de detecção e correção de erros são, respectivamente, ๐‘‘ โˆ’ 1 = 25โˆ’1 โˆ’ 1 =
15 e ๐œ… =
6.4
2๐‘š โˆ’1 โˆ’1
2
=
25โˆ’1 โˆ’1
2
= 7.
ALGUMAS NOÇÕES SOBRE CÓDIGOS CÍCLICOS
Consideremos ๐พ um corpo finito e um espaço vetorial ๐พ ๐‘› no qual um vetor ๐‘ฃ possua
coordenadas ๐‘ฃ0 , ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘› โˆ’1 .
Dizemos que um código ๐ถ contido no espaço vetorial ๐พ ๐‘› é um código cíclico quando
๐ถ é linear e โˆ€๐‘ฃ โˆˆ ๐ถ, ๐‘ฃ = ๐‘ฃ0 , ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘›โˆ’1 , o vetor ๐‘ฃ โ€ฒ = (๐‘ฃ๐‘›โˆ’1 , ๐‘ฃ0 , ๐‘ฃ1 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘› โˆ’2 ) também
pertence a ๐ถ.
137
Em outras palavras, ๐ถ é um código cíclico quando existe uma transformação
permutação cíclica ๐‘‡: ๐ถ โ†’ ๐ถ que a cada vetor ๐‘ฃ = ๐‘ฃ0 , ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘› โˆ’1
associa o vetor
๐‘‡ ๐‘ฃ = ๐‘ฃ๐‘›โˆ’1 , ๐‘ฃ0 , ๐‘ฃ1 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘›โˆ’2 , conforme a figura a seguir:
Figura 3: Esquema de uma permutação cíclica
Notemos que de acordo com exposto, temos ๐‘‡(๐ถ) โŠ‚ ๐ถ e que ๐‘› transformações
aplicadas a um vetor ๐‘ฃ retorna ao vetor ๐‘ฃ.
๐‘‡
é
uma
transformação
linear,
pois
dados
๐›ผโˆˆ๐พ
๐‘ข, ๐‘ฃ โˆˆ ๐ถ,
com
๐‘ข = ๐‘ข0 , ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘›โˆ’1 e ๐‘ฃ = ๐‘ฃ0 , ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘›โˆ’1 , temos:
๐‘‡ ๐‘ข + ๐‘ฃ = ๐‘‡ ๐‘ข0 , ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘›โˆ’1 + ๐‘ฃ0 , ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘› โˆ’1
=
= ๐‘‡ ๐‘ข0 + ๐‘ฃ0 , ๐‘ข1 + ๐‘ฃ1 , ๐‘ข2 + ๐‘ฃ2 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘›โˆ’1 + ๐‘ฃ๐‘› โˆ’1 =
= ๐‘ข๐‘›โˆ’1 + ๐‘ฃ๐‘›โˆ’1 , ๐‘ข0 + ๐‘ฃ0 , ๐‘ข1 + ๐‘ฃ1 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘›โˆ’2 + ๐‘ฃ๐‘› โˆ’2 =
= ๐‘ข๐‘›โˆ’1 , ๐‘ข0 , ๐‘ข1 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘› โˆ’2 + ๐‘ฃ๐‘›โˆ’1 , ๐‘ฃ0 , ๐‘ฃ1 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘› โˆ’2 =
= ๐‘‡ ๐‘ข0 , ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘› โˆ’1 + ๐‘‡ ๐‘ฃ0 , ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘› โˆ’1 = ๐‘‡ ๐‘ข + ๐‘‡(๐‘ฃ) e
๐‘‡ ๐›ผ โˆ™ ๐‘ข = ๐‘‡ ๐›ผ โˆ™ ๐‘ข0 , ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘› โˆ’1
= ๐‘‡ ๐›ผ โˆ™ ๐‘ข0 , ๐›ผ โˆ™ ๐‘ข1 , ๐›ผ โˆ™ ๐‘ข2 , โ€ฆ , ๐›ผ โˆ™ ๐‘ข๐‘›โˆ’1 =
= ๐›ผ โˆ™ ๐‘ข๐‘›โˆ’1 , ๐›ผ โˆ™ ๐‘ข0 , ๐›ผ โˆ™ ๐‘ข1 , โ€ฆ , ๐›ผ โˆ™ ๐‘ข๐‘›โˆ’2 = ๐›ผ โˆ™ ๐‘ข๐‘›โˆ’1 , ๐‘ข0 , ๐‘ข1 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘›โˆ’2 =
= ๐›ผ โˆ™ ๐‘‡ ๐‘ข0 , ๐‘ข1 , ๐‘ข2 , โ€ฆ , ๐‘ข๐‘› โˆ’1 = ๐›ผ โˆ™ ๐‘‡(๐‘ข).
Ao vetor
๐‘ฃ๐‘›โˆ’1 , ๐‘ฃ0 , ๐‘ฃ1 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘› โˆ’2
denominamos desvio cíclico de ๐‘ฃ โˆˆ ๐ถ
e
representamos por ๐‘‡ ๐‘ฃ .
๐‘‡ ๐‘ฃ
é uma transformação que leva o vetor ๐‘ฃ โˆˆ ๐ถ ao eu desvio cíclico
๐‘ฃ๐‘›โˆ’1 , ๐‘ฃ0 , ๐‘ฃ1 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘› โˆ’2 . Notemos que ๐‘‡ é uma permutação cíclica, portanto, ๐‘‡ é bijetiva, logo,
existe ๐‘‡ โˆ’1 tal que ๐‘ข โˆˆ ๐ถ tal que ๐‘‡ โˆ’1 (๐‘ข) โˆˆ ๐ถ.
Exemplos:
a) O código ๐ถ1 = 000, 110, 101, 011 contido em ๐น 3 é cíclico, pois:
๐‘‡ 000 = 000 โˆˆ ๐ถ1
๐‘‡ 110 = 011 โˆˆ ๐ถ1
138
๐‘‡ 101 = 110 โˆˆ ๐ถ1
๐‘‡ 011 = 101 โˆˆ ๐ถ1
b) O código ๐ถ2 = 00000, 10110, 01011, 11101
contido em ๐น 5 , apresentado
anteriormente no exemplo do braço mecânico, não é cíclico, pois:
๐‘‡ 00000 = 00000 โˆˆ ๐ถ2
๐‘‡ 10110 = 01011 โˆˆ ๐ถ2
๐‘‡ 01011 = 10101 โˆ‰ ๐ถ2
๐‘‡ 11101 = 11110 โˆ‰ ๐ถ2 .
Consideremos um corpo ๐พ ๐‘› e o anel ๐‘…๐‘› = ๐พ ๐‘ฅ / ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1 quociente de ๐พ ๐‘ฅ pelo
ideal gerado por ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1. Temos que ๐‘…๐‘› = ๐‘ฃ0 + ๐‘ฃ1 ๐‘ฅ + ๐‘ฃ2 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐‘ฃ๐‘› โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’1 ; ๐‘ฃ๐‘– โˆˆ ๐พ .
Notemos que existe uma correspondência biunívoca entre os vetores de ๐พ ๐‘› e os elementos de
๐‘…๐‘› , que são polinômios (restos de divisão por ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1):
๐‘ฃ = ๐‘ฃ0 , ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘› โˆ’1 โ†” ๐‘ฃ ๐‘ฅ = ๐‘ฃ0 + ๐‘ฃ1 ๐‘ฅ + ๐‘ฃ2 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐‘ฃ๐‘› โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘›โˆ’1 .
Como ๐พ ๐‘› é um espaço vetorial, então ๐‘…๐‘› tem natureza de espaço vetorial.
Notemos que se ๐‘ฃ โ€ฒ = ๐‘ฃ๐‘›โˆ’1 , ๐‘ฃ0 , ๐‘ฃ1 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘› โˆ’2
vetor ๐‘ฃ,
então
๐‘ฅ๐‘ฃ(๐‘ฅ)
deixa
resto
๐‘ฃ โ€ฒ (๐‘ฅ)
é uma permutação cíclica do
quando
dividido
por ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1,
pois
๐‘ฅ๐‘ฃ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฃ0 + ๐‘ฃ1 ๐‘ฅ + ๐‘ฃ2 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐‘ฃ๐‘› โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘›โˆ’1 = ๐‘ฃ0 ๐‘ฅ + ๐‘ฃ1 ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฃ2 ๐‘ฅ 3 + โ‹ฏ + ๐‘ฃ๐‘›โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘›
e
๐‘ฃ๐‘› โˆ’1 โˆ™ ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1 + ๐‘ฃ๐‘›โˆ’1 + ๐‘ฃ0 ๐‘ฅ + ๐‘ฃ1 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐‘ฃ๐‘›โˆ’2 ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’1 = ๐‘ฃ0 ๐‘ฅ + ๐‘ฃ1 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐‘ฃ๐‘›โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘› , ou
seja, ๐‘ฅ๐‘ฃ ๐‘ฅ = ๐‘ฃ๐‘›โˆ’1 โˆ™ ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1 + ๐‘ฃ โ€ฒ ๐‘ฅ . Assim, qualquer código cíclico ๐ถ contido em ๐‘…๐‘› pode
ser definido como um subespaço de ๐‘…๐‘› tal que, se ๐‘ฃ(๐‘ฅ) โˆˆ ๐ถ, então ๐‘ฅ๐‘ฃ(๐‘ฅ) โˆˆ ๐ถ.
Do exposto acima decorre que, se o código cíclico ๐ถ está contido em ๐‘…๐‘› e ๐‘ฃ(๐‘ฅ) โˆˆ ๐ถ,
então ๐‘ฅ๐‘ฃ(๐‘ฅ) โˆˆ ๐ถ, ๐‘ฅ 2 ๐‘ฃ ๐‘ฅ โˆˆ ๐ถ, ๐‘ฅ 3 ๐‘ฃ(๐‘ฅ) โˆˆ ๐ถ, etc. Observemos ainda que multiplicar por ๐‘ฅ
significa realizar um deslocamento cíclico de uma posição e multiplicar por ๐‘ฅ ๐‘– significa
realizar ๐‘– deslocamentos cíclicos.
Teorema 6.23: Um código linear ๐ถ โŠ‚ ๐‘…๐‘› é um código cíclico se, e somente se, ๐ถ é um ideal
de ๐‘…๐‘› .
Demonstração:
โ‡’ Consideremos quem ๐ถ é um código linear cíclico. Sejam ๐‘ข ๐‘ฅ = (๐‘ข0 + ๐‘ข1 ๐‘ฅ + ๐‘ข2 ๐‘ฅ 2 +
โ‹ฏ + ๐‘ข๐‘› โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘›โˆ’1 ) โˆˆ ๐‘…๐‘› e ๐‘ฃ ๐‘ฅ = (๐‘ฃ0 + ๐‘ฃ1 ๐‘ฅ + ๐‘ฃ2 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐‘ฃ๐‘›โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’1 ) โˆˆ ๐ถ. Vejamos que
๐‘ข ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฃ ๐‘ฅ = ๐‘ข0 โˆ™ ๐‘ฃ ๐‘ฅ + ๐‘ข1 ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฃ ๐‘ฅ + ๐‘ข2 ๐‘ฅ 2 โˆ™ ๐‘ฃ ๐‘ฅ + โ‹ฏ + ๐‘ข๐‘› โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’1 โˆ™ ๐‘ฃ ๐‘ฅ . Como ๐ถ
é
cíclico, então, ๐‘ฅ ๐‘– โˆ™ ๐‘ฃ ๐‘ฅ โˆˆ ๐ถ, além disso, ๐ถ é linear, o que implica que a multiplicação de um
139
vetor ๐‘ฃ ๐‘ฅ โˆˆ ๐ถ por um escalar ๐‘ข๐‘– โˆˆ ๐พ e a soma de vetores em ๐ถ resultam em vetores de ๐ถ,
logo ๐‘ข ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฃ ๐‘ฅ โˆˆ ๐ถ, o que mostra que ๐ถ é um ideal de ๐‘…๐‘› .
โ‡ Se ๐ถ é um ideal de ๐‘…๐‘› , então, dado ๐‘ฅ โˆˆ ๐‘…๐‘› e ๐‘ฃ(๐‘ฅ) โˆˆ ๐ถ, então ๐‘ฅ๐‘ฃ(๐‘ฅ) โˆˆ ๐ถ. Mas, como
vimos anteriormente, ๐‘ฅ๐‘ฃ(๐‘ฅ) representa um deslocamento cíclico de uma posição, logo, ๐ถ é
cíclico.
๐‘…๐‘› é um anel de ideais principais, pois ๐‘…๐‘› recebe essa propriedade de ๐พ ๐‘ฅ e, como
vimos em 5.4, todos os ideais de ๐พ ๐‘ฅ são principais.
Qualquer que seja o ideal ๐ผ de ๐พ ๐‘ฅ , tal que ๐ผ โЇ ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1 , então ๐ผ é gerado por
polinômios mônicos que dividem ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1, ou seja, ๐ผ = ๐‘”(๐‘ฅ) tal que ๐‘” ๐‘ฅ |๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1. Desta
forma, um código cíclico ๐ถ é um ideal gerado por ๐‘” ๐‘ฅ :
๐ถ = ๐‘”(๐‘ฅ) ; ๐‘” ๐‘ฅ |๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1, daí, dizemos que ๐‘” ๐‘ฅ é um polinômio gerador de ๐ถ.
Como o comprimento de cada palavra código da fonte é ๐‘˜ e o comprimento de cada
palavra do código de canal é ๐‘›, então, temos ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ
= ๐‘› โˆ’ ๐‘˜.
6.4.1 Codificação em código cíclico
6.4.1.1 Codificação polinomial
Voltemos ao exemplo do braço mecânico, porém, nesse momento, desejamos obter um
código ๐ถ cíclico sobre o corpo galoisiano ๐น = 0,1 . Vimos que o código de fonte necessário
para a codificação dos quatro comandos é o conjunto ๐น 2 = 00, 01, 10, 11 , cujos elementos
representaremos por ๐‘š0 = 0,0 , ๐‘š1 = 0,1 , ๐‘š2 = 1,0 e ๐‘š3 = 1,1 . A representação
dos códigos do canal na forma polinomial é ๐‘š0 (๐‘ฅ) = 0, ๐‘š1 (๐‘ฅ) = 1, ๐‘š2 (๐‘ฅ) = ๐‘ฅ e ๐‘š3 ๐‘ฅ =
1 + ๐‘ฅ. Vamos obter um código ๐ถ cíclico de comprimento ๐‘› = 6 e dimensão ๐‘˜ = 2. Um
polinômio ๐‘”(๐‘ฅ) gerador do código ๐ถ é tal que ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ
= 6 โˆ’ 2 = 4 e ๐‘” ๐‘ฅ |๐‘ฅ 6 โˆ’ 1.
Decompondo ๐‘ฅ 6 โˆ’ 1, encontramos os polinômios fatores ๐‘ฅ โˆ’ 1 , ๐‘ฅ + 1 e ๐‘ฅ 4 + ๐‘ฅ 2 + 1 ,
ou seja, ๐‘ฅ 6 โˆ’ 1 = ๐‘ฅ โˆ’ 1 โˆ™ ๐‘ฅ + 1 โˆ™ ๐‘ฅ 4 + ๐‘ฅ 2 + 1 . Como ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ
= 4, então o polinômio
gerador de ๐ถ é ๐‘” ๐‘ฅ = 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 . Seja ๐‘๐‘– (๐‘ฅ) โˆˆ ๐ถ uma palavra do código, na forma
polinomial não sistemática, assim, ๐‘๐‘– ๐‘ฅ = ๐‘š๐‘– (๐‘ฅ) โˆ™ ๐‘”(๐‘ฅ), portanto, temos:
๐‘0 ๐‘ฅ = ๐‘š0 ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ = 0 โˆ™ 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 = 0
๐‘1 ๐‘ฅ = ๐‘š1 ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ = 1 โˆ™ 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 = 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4
๐‘2 ๐‘ฅ = ๐‘š2 ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆ™ 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 = ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 5
140
๐‘3 ๐‘ฅ = ๐‘š3 ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ = 1 + ๐‘ฅ โˆ™ 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 = 1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 4 + ๐‘ฅ 5 ,
assim, temos ๐ถ = 000000, 101010, 010101, 111111 .
Se quisermos determinar as palavras de um código cíclico ๐ถ, na forma sistemática, ou
seja, onde os ๐‘˜ últimos dígitos correspondem aos dígitos da palavra do código de fonte e os
๐‘› โˆ’ ๐‘˜ primeiros dígitos representam a redundância acrescida, então, procedemos da seguinte
forma:
Dada uma palavra ๐‘š do código da fonte, à qual desejamos acrescentar redundâncias e
obter uma palavra ๐‘ do código de canal, escrevemos ๐‘š na forma polinomial ๐‘š ๐‘ฅ = ๐‘š0 +
๐‘š1 ๐‘ฅ + ๐‘š2 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐‘š๐‘˜โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘˜โˆ’1 e multiplicamos por ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’๐‘˜ , obtendo um polinômio ๐‘ ๐‘ฅ =
๐‘š(๐‘ฅ) โ‹… ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’๐‘˜ de grau ๐‘› โˆ’ 1. Em seguida, dividimos o polinômio ๐‘ ๐‘ฅ pelo polinômio ๐‘”(๐‘ฅ)
gerador do código do código cíclico, obtendo um polinômio resto ๐œŒ(๐‘ฅ), ou seja, ๐‘š ๐‘ฅ โ‹…
๐‘(๐‘ฅ) = ๐‘ž ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + ๐œŒ(๐‘ฅ). Note que ๐‘ž ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ ๐‘ฅ โˆ’ ๐œŒ(๐‘ฅ), ou seja, ๐‘ ๐‘ฅ โˆ’ ๐œŒ ๐‘ฅ =
๐‘(๐‘ฅ) โˆˆ ๐ถ. Logo, determinamos a palavra código do canal, na forma polinomial, fazendo
๐‘ ๐‘ฅ = โˆ’๐œŒ ๐‘ฅ + ๐‘š(๐‘ฅ) โ‹… ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’๐‘˜ . A palavra ๐‘ do código cíclico é obtida dos coeficientes do
polinômio ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘0 + ๐‘1 ๐‘ฅ + ๐‘2 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐‘๐‘›โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’1 .
Observemos que, se o código ๐ถ é sobre um corpo ๐พ = ๐น = 0,1 , temos โˆ’๐œŒ ๐‘ฅ =
๐œŒ(๐‘ฅ), o que implica que ๐‘ ๐‘ฅ = โˆ’๐œŒ ๐‘ฅ + ๐‘š ๐‘ฅ โ‹… ๐‘ฅ ๐‘›โˆ’๐‘˜ = ๐œŒ ๐‘ฅ + ๐‘š(๐‘ฅ) โ‹… ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’๐‘˜ .
Exemplo:
Vimos acima que um código cíclico ๐ถ de comprimento ๐‘› = 6, para os comandos do
braço mecânico, possui dimensão ๐‘˜ = 2 e é gerado pelo polinômio ๐‘” ๐‘ฅ = 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 .
Apresentaremos na tabela a seguir as etapas da codificação polinomial:
๐’Ž
00
01
10
11
๐’Ž(๐’™)
0
๐‘ฅ
1
1+๐‘ฅ
๐’™๐’โˆ’๐’Œ โˆ™ ๐’Ž(๐’™)
0
๐‘ฅ5
๐‘ฅ4
4
๐‘ฅ + ๐‘ฅ5
๐†(๐’™)
0
๐‘ฅ + ๐‘ฅ3
1 + ๐‘ฅ2
1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ2 + ๐‘ฅ3
๐’„(๐’™)
0
๐‘ฅ + ๐‘ฅ3 + ๐‘ฅ5
1 + ๐‘ฅ2 + ๐‘ฅ4
1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ2 + ๐‘ฅ3 + ๐‘ฅ4 + ๐‘ฅ5
c
000000
010101
101010
111111
6.4.1.2 Codificação matricial
Teorema 6.24: Seja ๐ถ um código cíclico gerado por um polinômio ๐‘” ๐‘ฅ tal que ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ
๐‘› โˆ’ ๐‘˜ então os polinômios código ๐‘” ๐‘ฅ , ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ , ๐‘ฅ 2 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ , โ€ฆ , ๐‘ฅ ๐‘˜โˆ’1 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ
base para ๐ถ.
=
formam uma
141
Demonstração: Para demonstrar esse fato, devemos provar que os polinômios ๐‘” ๐‘ฅ , ๐‘ฅ โˆ™
๐‘” ๐‘ฅ , ๐‘ฅ 2 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ , โ€ฆ , ๐‘ฅ ๐‘˜โˆ’1 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ são linearmente independentes e que geram o Código ๐ถ (que
é um espaço vetorial sobre ๐พ).
Dados ๐›ผ0 , ๐›ผ1 , โ€ฆ , ๐›ผ๐‘˜โˆ’1 pertencentes a ๐พ tais que, se ๐›ผ0 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + ๐›ผ1 โˆ™ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + โ‹ฏ +
+๐›ผ๐‘˜โˆ’1 โˆ™ ๐‘ฅ ๐‘˜โˆ’1 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ = 0, então, temos
(๐›ผ0 + ๐›ผ1 ๐‘ฅ + ๐›ผ2 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘˜โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘˜โˆ’1 ) โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ = 0
๐‘”๐‘Ÿ (๐›ผ0 + ๐›ผ1 ๐‘ฅ + ๐›ผ2 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘˜โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘˜โˆ’1 โ‰ค ๐‘˜ โˆ’ 1
como
๐‘”๐‘Ÿ (๐›ผ0 + ๐›ผ1 ๐‘ฅ + ๐›ผ2 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘˜โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘˜โˆ’1 ) โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ
e
๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ
= ๐‘› โˆ’ ๐‘˜,
โ‰ค ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ + ๐‘˜ โˆ’ 1 = ๐‘› โˆ’ 1 < ๐‘›,
então
o
que
implica que ๐›ผ0 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + ๐›ผ1 โˆ™ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + ๐›ผ2 โˆ™ ๐‘ฅ 2 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + โ‹ฏ + ๐›ผ๐‘˜โˆ’1 โˆ™ ๐‘ฅ ๐‘˜โˆ’1 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ = 0 só se
verifica
๐›ผ0 = ๐›ผ1 = ๐›ผ2 = โ‹ฏ , = ๐›ผ๐‘˜โˆ’1 = 0,
quando
portanto
๐‘” ๐‘ฅ , ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ , ๐‘ฅ 2 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ , โ€ฆ , ๐‘ฅ ๐‘˜โˆ’1 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ são polinômios linearmente independentes. Além
disso, pelo teorema 6.17, temos que โˆ€๐‘ฃ(๐‘ฅ) โˆˆ ๐ถ, temos que ๐‘ฃ ๐‘ฅ = ๐‘ข ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ , onde
๐‘ข ๐‘ฅ โˆˆ ๐‘…๐‘› , ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ข ๐‘ฅ
โ‰ค ๐‘˜ โˆ’ 1 e ๐‘” ๐‘ฅ é o gerador de ๐ถ. Assim:
๐‘ฃ ๐‘ฅ = ๐‘ข ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ข0 + ๐‘ข1 ๐‘ฅ + ๐‘ข2 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐‘ข๐‘˜โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘˜โˆ’1 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ =
= ๐‘ข0 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + ๐‘ข1 ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + ๐‘ข2 ๐‘ฅ 2 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + โ‹ฏ + ๐‘ข๐‘˜โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘˜โˆ’1 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ =
= ๐‘ข0 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ
+ ๐‘ข1 โˆ™ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ
+ ๐‘ข2 โˆ™ ๐‘ฅ 2 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ
+ โ‹ฏ + ๐‘ข๐‘˜โˆ’1 โˆ™ ๐‘ฅ ๐‘˜โˆ’1 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ ,
ou
seja,
qualquer que seja ๐‘ฃ(๐‘ฅ) โˆˆ ๐ถ, temos que ๐‘ฃ(๐‘ฅ) é escrito como combinação linear de ๐‘” ๐‘ฅ , ๐‘ฅ โˆ™
๐‘” ๐‘ฅ , ๐‘ฅ 2 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ , โ€ฆ , ๐‘ฅ ๐‘˜โˆ’1 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ . Portanto, ๐‘” ๐‘ฅ , ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ , ๐‘ฅ 2 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ , โ€ฆ , ๐‘ฅ ๐‘˜โˆ’1 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ
é uma
base de ๐ถ.
O teorema 6.24 é de extrema importância para a representação matricial de um código
cíclico, pois, se um código ๐ถ tem comprimento ๐‘›, dimensão ๐‘˜, é gerado pelo polinômio ๐‘”(๐‘ฅ),
com ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ
= ๐‘› โˆ’ ๐‘˜, então, como ๐‘” ๐‘ฅ , ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ , ๐‘ฅ 2 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ , โ€ฆ , ๐‘ฅ ๐‘˜โˆ’1 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ é uma base de
๐ถ, a matriz ๐บ de ordem ๐‘˜ × ๐‘›, geradora desse código é representada como:
๐‘” ๐‘ฅ
๐‘”0
๐‘ฅ๐‘”(๐‘ฅ)
0
2
๐บ = ๐‘ฅ ๐‘”(๐‘ฅ) = 0
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐‘˜โˆ’1
0
๐‘ฅ ๐‘”(๐‘ฅ)
๐‘”1
๐‘”0
0
โ‹ฎ
0
๐‘”2
๐‘”1
๐‘”0
โ‹ฎ
0
โ‹ฏ
โ‹ฏ ๐‘”๐‘›โˆ’๐‘˜
0
0
โ‹ฏ ๐‘”๐‘›โˆ’๐‘˜โˆ’1 ๐‘”๐‘›โˆ’๐‘˜
๐‘”
โ‹ฏ ๐‘”๐‘›โˆ’๐‘˜โˆ’2 ๐‘”๐‘›โˆ’๐‘˜โˆ’1 ๐‘›โˆ’๐‘˜
โ‹ฎ
โ‹ฑ
โ‹ฎ
โ‹ฎ
๐‘”
0
0
๐‘”0
1
0
0
โ‹ฏ 0
0 โ‹ฏ ,
โ‹ฎ
โ‹ฑ
โ‹ฏ ๐‘”๐‘›โˆ’๐‘˜
onde
๐‘”๐‘–
são
coeficientes do polinômio gerador.
Exemplo:
Seja ๐ถ um código cíclico de comprimento ๐‘› = 7 e dimensão ๐‘˜ = 4, sobre
o corpo galoisiano ๐น = 0,1 . Um polinômio ๐‘”(๐‘ฅ), gerador de ๐ถ
possui grau
๐‘”๐‘Ÿ(๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ = 7 โˆ’ 4 = 3 e divide o polinômio ๐‘ฅ 7 โˆ’ 1. Decompondo ๐‘ฅ 7 โˆ’ 1,
142
encontramos os fatores ๐‘ฅ โˆ’ 1 , ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 2 + 1 e ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ + 1 , ou seja, ๐‘ฅ 7 โˆ’ 1 = ๐‘ฅ โˆ’ 1 โˆ™
1 + ๐‘ฅ2 + ๐‘ฅ3 โˆ™ 1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ3 .
๐‘ฅ โˆ’ 1 โˆ™ 1 + ๐‘ฅ2 + ๐‘ฅ3 โˆ™
Isso pode ser facilmente verificado efetuando o produto
1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 3 = โˆ’1 + ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 โˆ™ 1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 3 = โˆ’1 โˆ’ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 โˆ’ ๐‘ฅ 2 โˆ’
๐‘ฅ 3 โˆ’ ๐‘ฅ 5 + ๐‘ฅ 4 + ๐‘ฅ 5 + ๐‘ฅ 7 = โˆ’1 โˆ’ 2๐‘ฅ 3 + 2๐‘ฅ 4 + ๐‘ฅ 7 ,
não
devemos
esquecer
que
os
coeficientes desses polinômios são elementos de ๐น = 0,1 , portanto, a aritmética
utilizada deve ser compatível com esse corpo, assim,
โˆ’1 โˆ’ 2๐‘ฅ 3 + 2๐‘ฅ 4 + ๐‘ฅ 7 =
โˆ’1 โˆ’ 0๐‘ฅ 3 + 0๐‘ฅ 4 + ๐‘ฅ 7 = ๐‘ฅ 7 โˆ’ 1 . Dessa decomposição, vemos que existem dois
polinômios de grau 3 que dividem ๐‘ฅ 7 โˆ’ 1, a saber 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 3 e 1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 3 , sendo que
qualquer um desses polinômios é um gerador do código ๐ถ.
Um polinômio gerador de um código cíclico ๐ถ é da forma ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘”0 + ๐‘”1 ๐‘ฅ + ๐‘”2 ๐‘ฅ 2 +
โ‹ฏ + ๐‘”๐‘˜โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’๐‘˜ . Como o comprimento do código ๐ถ acima é ๐‘› = 7 e sua dimensão é ๐‘˜ = 4,
então polinômio gerador de ๐ถ é da forma ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘”0 + ๐‘”1 ๐‘ฅ + ๐‘”2 ๐‘ฅ 2 + ๐‘”3 ๐‘ฅ 3 . Comparando
com um dos polinômios geradores acima, por exemplo, o polinômio 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 3 , temos:
๐‘”0 + ๐‘”1 ๐‘ฅ + ๐‘”2 ๐‘ฅ 2 + ๐‘”3 ๐‘ฅ 3 = 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 3 = 1 + 0๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 3 , o que implica que
๐‘”0 = 1, ๐‘”1 = 0, ๐‘”2 = 1 e ๐‘”3 = 1. Assim, uma matriz ๐บ de ordem ๐‘˜ × ๐‘›, geradora do código
๐ถ é:
1
0
๐บ=
0
0
0
1
0
0
1
0
1
0
1
1
0
1
0
1
1
0
0
0
1
1
0
0
0
1
Note que a matriz ๐บ não se apresenta na forma padrão, portanto, gera palavras código
na forma não sistemática, mas, por meio de transformações elementares sobre as linhas de ๐บ,
podemos determinar uma matriz ๐บ โ€ฒ = ๐‘… ๐ผ๐‘˜ equivalente a ๐บ e apresentada na forma padrão.
A partir de ๐บโ€ฒ geramos palavras código na forma sistemática.
Voltando ao exemplo anterior, do código cíclico ๐ถ referente aos comandos do braço
mecânico, um polinômio gerador de um código cíclico ๐ถ é da forma ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘”0 + ๐‘”1 ๐‘ฅ +
๐‘”2 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐‘”๐‘˜โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘›โˆ’๐‘˜ . Como o comprimento do código ๐ถ acima é ๐‘› = 6 e sua dimensão é
๐‘˜ = 2, então polinômio gerador de ๐ถ é da forma ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘”0 + ๐‘”1 ๐‘ฅ + ๐‘”2 ๐‘ฅ 2 + ๐‘”3 ๐‘ฅ 3 + ๐‘”4 ๐‘ฅ 4 .
Comparando com o polinômio gerador ๐‘” ๐‘ฅ = 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 , temos:
๐‘”0 + ๐‘”1 ๐‘ฅ + ๐‘”2 ๐‘ฅ 2 + ๐‘”3 ๐‘ฅ 3 + ๐‘”4 ๐‘ฅ 4 = 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 = 1 + 0๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 + 0๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 4 , o que
implica que ๐‘”0 = 1, ๐‘”1 = 0, ๐‘”2 = 1, ๐‘”3 = 0 e ๐‘”4 = 1. Assim, uma matriz ๐บ de ordem
๐‘˜ × ๐‘› = 2 × 6, geradora do código ๐ถ é:
143
1 0 1 0 1 0
0 1 0 1 0 1
๐บ=
Note que a matriz ๐บ já se encontra na forma padrão ๐บ = ๐‘… ๐ผ2 .
Para obter os elementos (palavras) do código ๐ถ é suficiente realizar o produto dos
vetores do código de canal pela matriz ๐บ:
1
0
1
0 1 โˆ™
0
1
1 0 โˆ™
0
1
1 1 โˆ™
0
0
1
0
1
0
1
0
1
0 0 โˆ™
1
0
1
0
1
0
1
0
0
1
0
1
0
1
0
1
1
0
1
0
1
0
1
0
0
1
0
1
0
1
0
1
= 0
0
0
0
0
0
= 0
1
0
1
0
1
= 1
0
1
0
1
0
= 1
1
1
1
1
1
Observe que as palavras código foram obtidas na forma sistemática em virtude de ๐บ
ser apresentada na forma padrão.
6.4.2 Código dual de um código cíclico
Teorema 6.25: Da do um código cíclico ๐ถ โŠ‚ ๐พ ๐‘› , um código ๐ถ โŠฅ dual do código ๐ถ, é também
um código cíclico.
Demonstração: Se ๐ถ é um código cíclico, então, por definição, ๐ถ é linear. Como o código
dual de um código linear é também um código linear, então o código dual ๐ถ โŠฅ é um código
linear. Verifiquemos então que ๐ถ โŠฅ é cíclico. Para todo ๐‘ โˆˆ ๐ถ, temos que ๐‘‡ โˆ’1 (๐‘) โˆˆ ๐ถ, dado
๐‘ฃ โˆˆ ๐ถ โŠฅ , temos que ๐‘ฃ โˆ™ ๐‘‡ โˆ’1 ๐‘ = 0, mas ๐‘ฃ โˆ™ ๐‘‡ โˆ’1 ๐‘ =
๐‘› โˆ’1
๐‘–=0 ๐‘ฃ๐‘–
โˆ™ ๐‘๐‘–+1 = ๐‘‡(๐‘ฃ) โˆ™ ๐‘ , portanto, o
fato de ๐‘ฃ โˆˆ ๐ถ โŠฅ , implica que ๐‘‡(๐‘ฃ) โˆˆ ๐ถ โŠฅ , portanto, ๐ถ โŠฅ é um código cíclico.
Se ๐ถ é um código cíclico de comprimento ๐‘›, com polinômio gerador ๐‘”(๐‘ฅ), cujo grau é
๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ
= ๐‘› โˆ’ ๐‘˜, então existe ๐‘•(๐‘ฅ) โˆˆ ๐พ[๐‘ฅ] tal que ๐‘• ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1. Ao polinômio
๐‘•(๐‘ฅ) denominamos polinômio de paridade do código ๐ถ. Como ๐‘”(๐‘ฅ) e ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1 são polinômios
mônicos, então ๐‘•(๐‘ฅ) é também um polinômio Mônico. Notemos ainda que se ๐‘• ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ =
๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1, então temos ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘• ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ
๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1 , ou seja, ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘• ๐‘ฅ
= ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1 e, portanto, ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘• ๐‘ฅ
+ ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ = ๐‘›, o que implica que ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘• ๐‘ฅ
+ ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘” ๐‘ฅ
=
= ๐‘˜.
Em geral, o polinômio ๐‘•(๐‘ฅ) de paridade de um código ๐ถ não é o gerador do código
dual ๐ถ โŠฅ .
144
Teorema 6.26: ๐‘(๐‘ฅ) โˆˆ ๐ถ se, e somente se, ๐‘(๐‘ฅ) โˆ™ ๐‘•(๐‘ฅ) deixa resto zero quando dividido por
๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1.
Demonstração: Dizer que ๐‘(๐‘ฅ) โˆ™ ๐‘•(๐‘ฅ) deixa resto zero quando dividido por ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1 equivale
a dizer que existe ๐‘ง(๐‘ฅ) โˆˆ ๐พ[๐‘ฅ] tal que ๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘• ๐‘ฅ = ๐‘ง(๐‘ฅ) โˆ™ ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1 , o que equivale a
๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘ง(๐‘ฅ) โˆ™ ๐‘”(๐‘ฅ) ou ainda que ๐‘ ๐‘ฅ โˆˆ ๐‘”(๐‘ฅ) = ๐ถ.
Teorema 6.27: Seja ๐ถ um código cíclico de comprimento ๐‘› e dimensão ๐‘˜, cujo polinômio de
paridade é ๐‘• ๐‘ฅ = ๐‘•0 + ๐‘•1 ๐‘ฅ + ๐‘•2 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐‘•๐‘˜ ๐‘ฅ ๐‘˜ , então a matriz ๐ป(๐‘›โˆ’๐‘˜)×๐‘› , definida por
๐‘•๐‘˜ ๐‘•๐‘˜โˆ’1 โ‹ฏ
0 ๐‘•๐‘˜ ๐‘•๐‘˜โˆ’1
โ‹ฑ
๐ป= โ‹ฑ
โ‹ฑ
0
0 โ‹ฏ
โ‹ฏ
0 โ‹ฏ
โ‹ฏ
๐‘•0 0
0
โ‹ฏ ๐‘•0
โ‹ฑ
โ‹ฑ
โ‹ฑ
๐‘•
๐‘•๐‘˜ ๐‘˜โˆ’1 โ‹ฏ
0 ๐‘•๐‘˜ ๐‘•๐‘˜โˆ’1
โ‹ฏ
โ‹ฏ
โ‹ฑ
๐‘•0
โ‹ฏ
0
0
โ‹ฑ é a matriz teste de paridade para o
0
๐‘•0
código ๐ถ.
Demonstração: ๐‘•๐‘˜ = 1, pois ๐‘•(๐‘ฅ) é um polinômio mônico e as linhas de ๐ป são linearmente
independentes. Dado ๐‘ โˆˆ ๐ถ tal que ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘0 + ๐‘1 ๐‘ฅ + ๐‘2 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐‘๐‘›โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’1 , pelo teorema
6.26 ๐‘(๐‘ฅ) โˆˆ ๐ถ se, e somente se, ๐‘(๐‘ฅ) โˆ™ ๐‘•(๐‘ฅ) deixa resto zero quando dividido por ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1,
assim, desenvolvendo ๐‘(๐‘ฅ) โˆ™ ๐‘•(๐‘ฅ), temos:
๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘• ๐‘ฅ = ๐‘0 ๐‘•0 + ๐‘0 ๐‘•1 + ๐‘1 ๐‘•0 + โ‹ฏ +
๐‘๐‘– ๐‘•๐‘—
๐‘ฅ๐‘˜ + โ‹ฏ +
๐‘–+๐‘— =๐‘˜
+ โ‹ฏ+
๐‘๐‘– ๐‘•๐‘—
๐‘๐‘– ๐‘•๐‘—
๐‘ฅ ๐‘› โˆ’1
๐‘–+๐‘— =๐‘›โˆ’1
๐‘ฅ ๐‘› + โ‹ฏ + ๐‘๐‘›โˆ’1 ๐‘•๐‘˜ ๐‘ฅ ๐‘› +๐‘˜โˆ’1
๐‘–+๐‘— =๐‘›
O desenvolvimento acima deixa resto zero quando dividido por ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1, portanto, os
termos de graus ๐‘› até ๐‘› + ๐‘˜ โˆ’ 1 transformam-se em termos de grau 0 a ๐‘˜ โˆ’ 1,
respectivamente, portanto, os termos de graus ๐‘˜ a ๐‘› โˆ’ 1 deixam resto zero quando divididos
por ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1. Assim, ๐‘(๐‘ฅ) โˆˆ ๐ถ se, e somente se, é solução do seguinte sistema de equações:
๐‘0 ๐‘•๐‘˜ + ๐‘1 ๐‘•๐‘˜โˆ’1 + โ‹ฏ + ๐‘๐‘˜ ๐‘•0 = 0
๐‘1 ๐‘•๐‘˜ + โ‹ฏ + ๐‘๐‘˜ ๐‘•1 +๐‘๐‘˜+1 ๐‘•0 = 0
โ‹ฎ
๐‘๐‘›โˆ’๐‘˜โˆ’1 ๐‘•๐‘˜ + โ‹ฏ +๐‘๐‘›โˆ’1 ๐‘•0 = 0
Representando o sistema acima em notação matricial, temos ๐ป โˆ™ ๐‘ ๐‘ก , o que implica que
๐ป é a matriz teste de paridade do código ๐ถ.
145
Teorema 6.28: Seja ๐ถ um código cíclico de comprimento ๐‘› e dimensão ๐‘˜, cujo
polinômio de paridade é ๐‘• ๐‘ฅ = ๐‘•0 + ๐‘•1 ๐‘ฅ + ๐‘•2 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐‘•๐‘˜ ๐‘ฅ ๐‘˜ , então o polinômio ๐‘•โˆ— ๐‘ฅ =
๐‘ฅ ๐‘˜ ๐‘•(๐‘ก โˆ’1 ) โˆˆ ๐พ[๐‘ฅ] é um gerador do código dual ๐ถ โŠฅ . (O polinômio ๐‘•โˆ— (๐‘ฅ) é denominado
polinômio recíproco de ๐‘•(๐‘ฅ))
Demonstração: Temos ๐‘•๐‘˜ = 1 pois ๐‘• é um polinômio Mônico, portanto, resta-nos provar
que
๐‘•โˆ— ๐‘ฅ |๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1.
Como
๐‘• ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1,
๐‘• ๐‘ฅ โˆ’1 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ โˆ’1 = ๐‘ฅ โˆ’๐‘› โˆ’ 1.
então,
Multiplicando a igualdade por โˆ’๐‘ฅ ๐‘› , temos โˆ’๐‘ฅ ๐‘› โˆ™ ๐‘• ๐‘ฅ โˆ’1 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ โˆ’1 = โˆ’๐‘ฅ ๐‘› โˆ™ ๐‘ฅ โˆ’๐‘› โˆ’ 1 , que
equivale a ๐‘ฅ ๐‘˜ โˆ™ ๐‘• ๐‘ฅ โˆ’1 โˆ™ โˆ’๐‘ฅ ๐‘›โˆ’๐‘˜ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ โˆ’1
= ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1, ou seja, ๐‘•โˆ— ๐‘ฅ โˆ™ โˆ’๐‘ฅ ๐‘›โˆ’๐‘˜ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ โˆ’1
=
๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1. Logo, ๐‘•โˆ— ๐‘ฅ divide ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’ 1 e, portanto, é um polinômio gerador do código dual ๐ถ โŠฅ do
código ๐ถ.
Exemplo: Considerando código ๐ถ de comprimento 7 e dimensão 4 sobre ๐น{0, 1},
visto anteriormente, cujo polinômio gerador é ๐‘” ๐‘ฅ = 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 . Da igualdade ๐‘• ๐‘ฅ โˆ™
๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ฅ 7 โˆ’ 1, temos:
๐‘ฅ7
โˆ’1
๐‘ฅ3
7
4
6
โˆ’๐‘ฅ โˆ’๐‘ฅ โˆ’๐‘ฅ
๐‘ฅ4
โˆ’๐‘ฅ 6 โˆ’๐‘ฅ 4 โˆ’1
๐‘ฅ 6 +๐‘ฅ 5 +๐‘ฅ 3
+๐‘ฅ 5 โˆ’๐‘ฅ 4 +๐‘ฅ 3
โˆ’๐‘ฅ 5 โˆ’๐‘ฅ 4 โˆ’๐‘ฅ 2
+๐‘ฅ 3
โˆ’๐‘ฅ 3
0
+๐‘ฅ 2 +1
โˆ’๐‘ฅ 3 +๐‘ฅ 2 +1
โˆ’1
โˆ’๐‘ฅ 2
โˆ’๐‘ฅ 2
0
โˆ’1
โˆ’1
0
Note que estamos operando em ๐น = {0,1}, portando, ๐‘ฅ 4 โˆ’ ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 2 + 1 = ๐‘ฅ 4 + ๐‘ฅ 3 +
๐‘ฅ 2 + 1. Assim, temos ๐‘• ๐‘ฅ = 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 4 como polinômio de paridade de ๐ถ. Isso
implica que a matriz teste de paridade para ๐ถ é:
1 1 1 0 1 0 0
๐ป= 0 1 1 1 0 1 0
0 0 1 1 1 0 1
Como ๐‘• ๐‘ฅ = 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 4 = 1 โˆ™ ๐‘ฅ 0 + 0 โˆ™ ๐‘ฅ + 1 โˆ™ ๐‘ฅ 2 + 1 โˆ™ ๐‘ฅ 3 + 1 โˆ™ ๐‘ฅ 4 , então o
polinômio recíproco de ๐‘•(๐‘ฅ) é:
๐‘•โˆ— ๐‘ฅ = 1 โˆ™ ๐‘ฅ 0
โˆ’1
+ 0 โˆ™ ๐‘ฅ1
โˆ’1
+ 1 โˆ™ ๐‘ฅ2
โˆ’1
+ 1. ๐‘ฅ 3
โˆ’1
+ 1 โˆ™ ๐‘ฅ4
โˆ’1
๐‘•โˆ— ๐‘ฅ = 1 โˆ™ ๐‘ฅ 4 + 0 โˆ™ ๐‘ฅ 3 + 1 โˆ™ ๐‘ฅ 2 + 1. ๐‘ฅ1 + 1 โˆ™ ๐‘ฅ 0
๐‘•โˆ— ๐‘ฅ = 1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4
Portanto, ๐‘•โˆ— ๐‘ฅ = 1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 é o polinômio gerador do código dual ๐ถ โŠฅ de ๐ถ.
146
6.4.3 Decodificação em código cíclico
Seja ๐ถ um código cíclico, ๐‘ โŠ‚ ๐ถ a mensagem enviada e ๐‘Ÿ a mensagem recebida. Na
forma polinomial, temos ๐‘(๐‘ฅ) e ๐‘Ÿ(๐‘ฅ).
Notemos inicialmente que se ๐บ é uma matriz geradora do código ๐ถ, então, por meio de
transformações elementares sobre as linhas de ๐บ obtemos uma matriz ๐บโ€ฒ na forma padrão, ou
seja, ๐บ โ€ฒ = ๐‘… ๐ผ๐‘˜ , da qual se obtém uma matriz teste de paridade ๐ป = ๐ผ๐‘›โˆ’๐‘˜ โˆ’ ๐‘… ๐‘‡ .
Representemos por โ€“ ๐œŒ๐‘– (๐‘ฅ) o polinômio correspondente à ๐‘– โˆ’ésima linha da matriz ๐‘…. Assim,
a ๐‘– โˆ’ésima linha da matriz ๐บโ€ฒ é representada pelo polinômio โˆ’๐œŒ๐‘– ๐‘ฅ + ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’๐‘˜+๐‘– , com
๐‘”๐‘Ÿ โˆ’๐œŒ๐‘– ๐‘ฅ
โ‰ค ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ โˆ’ 1, pois a matriz ๐‘… possui ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ colunas.
Sabemos que cada linha da matriz ๐บโ€ฒ é uma palavra do código cíclico ๐ถ. Como ๐ถ é
gerado por ๐‘”(๐‘ฅ), então, cada linha de ๐บโ€ฒ é um múltiplo de ๐‘”(๐‘ฅ), ou seja, existe ๐‘ž๐‘– (๐‘ฅ), tal que
โˆ’๐œŒ๐‘– ๐‘ฅ + ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’๐‘˜+๐‘– = ๐‘ž๐‘– (๐‘ฅ) โˆ™ ๐‘”(๐‘ฅ) ou ainda que ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’๐‘˜+๐‘– = ๐‘ž๐‘– ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + ๐œŒ๐‘– ๐‘ฅ ,
โˆ€๐‘– โˆˆ
1, 2, โ€ฆ , ๐‘˜ โˆ’ 1 , ou seja, ๐œŒ๐‘– ๐‘ฅ é o resto da divisão de ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’๐‘˜+๐‘– por ๐‘”(๐‘ฅ).
Como um código cíclico é linear, então, podemos utilizar a decodificação por
síndrome para códigos lineares, ou seja, se ๐‘Ÿ(๐‘ฅ) โŠ‚ ๐พ ๐‘› , é uma palavra recebida, onde ๐พ é um
corpo finito, então devemos determinar uma síndrome ๐‘ (๐‘Ÿ).
Teorema 6.29: A síndrome ๐‘ (๐‘Ÿ ๐‘ฅ ) de uma palavra ๐‘Ÿ recebida é o resto da divisão de ๐‘Ÿ(๐‘ฅ)
pelo polinômio gerador ๐‘”(๐‘ฅ) do código ๐ถ.
Demonstração: Considerando que ๐ถ é um código linear com matriz geradora na forma
padrão ๐บ โ€ฒ = ๐‘… ๐ผ๐‘˜ , então existe uma matriz teste de paridade de ๐ถ na forma padrão,
representada por ๐ป = ๐ผ๐‘›โˆ’๐‘˜ โˆ’ ๐‘… ๐‘‡ . Notemos que as colunas de โˆ’๐‘… ๐‘‡ são os vetores
representados
por
๐œŒ0 ๐‘ฅ , ๐œŒ1 ๐‘ฅ , โ€ฆ , ๐œŒ๐‘˜โˆ’1 (๐‘ฅ).
Como
๐‘Ÿ = (๐‘Ÿ0 , ๐‘Ÿ1 , โ€ฆ , ๐‘Ÿ๐‘›โˆ’1 ),
então
a
representação polinomial de ๐‘Ÿ é ๐‘Ÿ ๐‘ฅ = ๐‘Ÿ0 + ๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ + ๐‘Ÿ2 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐‘Ÿ๐‘›โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’1 . Por definição, a
síndrome de ๐‘Ÿ é ๐‘ (๐‘Ÿ) = ๐ป โˆ™ ๐‘Ÿ ๐‘ก e, em representação polinomial, utilizando a matriz ๐ป =
๐ผ๐‘›โˆ’๐‘˜ โˆ’ ๐‘… ๐‘‡ , temos:
๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
= ๐‘Ÿ0 + ๐‘Ÿ1 ๐‘ฅ + ๐‘Ÿ2 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐‘Ÿ๐‘›โˆ’๐‘˜โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘›โˆ’๐‘˜โˆ’1 + ๐‘Ÿ๐‘›โˆ’๐‘˜ ๐œŒ0 ๐‘ฅ + ๐‘Ÿ๐‘›โˆ’๐‘˜+1 ๐œŒ1 ๐‘ฅ + โ‹ฏ + ๐‘Ÿ๐‘›โˆ’1 ๐œŒ๐‘˜โˆ’1 (๐‘ฅ)
๐‘˜โˆ’1
๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
๐‘Ÿ๐‘›โˆ’๐‘˜+๐‘– (๐œŒ๐‘– ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฅ ๐‘›โˆ’๐‘˜+๐‘–
=๐‘Ÿ ๐‘ฅ โˆ’
๐‘–=0
๐‘˜โˆ’1
๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
=๐‘Ÿ ๐‘ฅ โˆ’
๐‘˜โˆ’1
๐‘Ÿ๐‘›โˆ’๐‘˜+๐‘– ๐‘ž๐‘– ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘”(๐‘ฅ) = ๐‘Ÿ ๐‘ฅ โˆ’
๐‘–=0
๐‘Ÿ๐‘›โˆ’๐‘˜+๐‘– ๐‘ž๐‘– ๐‘ฅ
๐‘–=0
โˆ™๐‘” ๐‘ฅ
147
Sendo ๐‘„ ๐‘ฅ =
๐‘˜โˆ’1
๐‘–=0 ๐‘Ÿ๐‘›โˆ’๐‘˜+๐‘– ๐‘ž๐‘–
๐‘ฅ , temos ๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
= ๐‘Ÿ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘„(๐‘ฅ) โˆ™ ๐‘”(๐‘ฅ), ou seja,
๐‘Ÿ ๐‘ฅ = ๐‘„ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + ๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ , o que implica que a síndrome ๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
é o resto da divisão do
polinômio ๐‘Ÿ ๐‘ฅ pelo polinômio gerador ๐‘”(๐‘ฅ).
Temos ainda que caso haja erros na transmissão de uma palavra código ๐‘ de modo que
a palavra recebida seja ๐‘Ÿ, então o vetor erro ๐‘’ é tal que ๐‘Ÿ = ๐‘ + ๐‘’ e ๐‘  ๐‘’ = ๐‘ (๐‘Ÿ). Caso ๐‘ (๐‘Ÿ)
seja o vetor nulo, então ๐‘ (๐‘’) é o vetor nulo e não ๐‘Ÿ = ๐‘.
O peso de um elemento ๐‘ฃ(๐‘ฅ) โˆˆ ๐‘…๐‘› , com ๐‘ฃ ๐‘ฅ = ๐‘ฃ0 + ๐‘ฃ1 ๐‘ฅ + โ‹ฏ + ๐‘ฃ๐‘›โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’1 , é
definido como sendo ๐œ” ๐‘ฃ ๐‘ฅ
= ๐œ” ๐‘ฃ = ๐œ” ๐‘ฃ0 , ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘›โˆ’1 . Pelo teorema 6.29, se um
código linear possui distância mínima ๐‘‘, e, se ๐‘ (๐‘Ÿ ๐‘ฅ ) é tal que ๐œ” ๐‘  ๐‘Ÿ(๐‘ฅ)
โ‰ค
๐‘‘โˆ’1
2
= ๐œ…,
então ๐‘ (๐‘Ÿ(๐‘ฅ)) é um líder da classe ๐‘  ๐‘Ÿ(๐‘ฅ) + ๐ถ, logo, decodificamos ๐‘Ÿ ๐‘ฅ , obtendo
๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘Ÿ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ (๐‘Ÿ(๐‘ฅ)), onde ๐‘ (๐‘Ÿ ๐‘ฅ ) é o resto da divisão de ๐‘Ÿ(๐‘ฅ) pelo polinômio gerador
๐‘”(๐‘ฅ).
Exemplos:
1) Considerando o código cíclico ๐ถ do braço mecânico. O polinômio gerador de ๐ถ é
๐‘” ๐‘ฅ = 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 e ๐œ… = 1. Seja ๐‘ = 111111 a palavra transmitida, que na forma
polinomial é ๐‘ ๐‘ฅ = 1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 4 + ๐‘ฅ 5 . Suponhamos que a palavra recebida tenha
sido ๐‘Ÿ = 110111, cuja representação polinomial é ๐‘Ÿ ๐‘ฅ = 1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 4 + ๐‘ฅ 5 .
๐‘Ÿ(๐‘ฅ)
Resolvendo o quociente ๐‘”(๐‘ฅ), temos:
๐‘ฅ 5 +๐‘ฅ 4 +๐‘ฅ 3 +๐‘ฅ +1 ๐‘ฅ 4 +๐‘ฅ 2 +1
๐‘ฅ+1
โˆ’๐‘ฅ 5
โˆ’๐‘ฅ 3 โˆ’๐‘ฅ
4
+๐‘ฅ
+1
โˆ’๐‘ฅ 4 โˆ’๐‘ฅ 2
โˆ’1
2
โˆ’๐‘ฅ
Veja que ๐‘Ÿ ๐‘ฅ = โˆ’๐‘ฅ 2 + (๐‘ฅ + 1) โˆ™ (1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 ), portanto, a síndrome da palavra recebida é
๐‘  ๐‘Ÿ(๐‘ฅ) = โˆ’๐‘ฅ 2 .
Como ๐œ” ๐‘  ๐‘Ÿ(๐‘ฅ)
= 1,
então
๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘Ÿ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ (๐‘Ÿ(๐‘ฅ)) equivale a
๐‘ ๐‘ฅ = 1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 4 + ๐‘ฅ 5 โˆ’ โˆ’๐‘ฅ 2 = 1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 4 + ๐‘ฅ 5 , o que implica que a
palavra transmitida foi ๐‘ = 111111.
148
2) Suponhamos agora que a palavra transmitida seja ๐‘ = 010101, cuja forma
polinomial equivalente é ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 5 e que a palavra recebida seja ๐‘Ÿ = 010111 cuja
representação polinomial é ๐‘Ÿ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 4 + ๐‘ฅ 5 .
๐‘Ÿ(๐‘ฅ)
Resolvendo o quociente ๐‘”(๐‘ฅ), temos:
๐‘ฅ 5 +๐‘ฅ 4 +๐‘ฅ 3
โˆ’๐‘ฅ 5
โˆ’๐‘ฅ 3
4
+๐‘ฅ
โˆ’๐‘ฅ 4 โˆ’๐‘ฅ 2
โˆ’๐‘ฅ 2
+๐‘ฅ ๐‘ฅ 4 +๐‘ฅ 2 +1
โˆ’๐‘ฅ
๐‘ฅ+1
โˆ’1
โˆ’1
Veja que ๐‘Ÿ ๐‘ฅ = (1 + ๐‘ฅ 2 ) + (๐‘ฅ + 1) โˆ™ (1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 ), portanto, a síndrome da palavra
recebida é ๐‘  ๐‘Ÿ(๐‘ฅ) = 1 + ๐‘ฅ 2 , como ๐œ” ๐‘  ๐‘Ÿ(๐‘ฅ)
= 2 > 1 = ๐œ…, então não podemos ainda
decodificar ๐‘Ÿ ๐‘ฅ utilizando ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘Ÿ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ (๐‘Ÿ(๐‘ฅ)). Porém, os polinômios ๐‘Ÿ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 3 +
๐‘ฅ 4 + ๐‘ฅ 5 e ๐‘Ÿโ€ฒ(๐‘ฅ) = ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 4 + ๐‘ฅ 5 + ๐‘ฅ 7 deixam mesmo resto quando divididos por ๐‘ฅ 6 โˆ’ 1,
assim, façamos o quociente
๐‘Ÿโ€ฒ(๐‘ฅ)
๐‘”(๐‘ฅ)
:
๐‘ฅ 7 +๐‘ฅ 5 +๐‘ฅ 4 +๐‘ฅ 3 ๐‘ฅ 4 +๐‘ฅ 2 +1
โˆ’๐‘ฅ 7 โˆ’๐‘ฅ 5
โˆ’๐‘ฅ 3
๐‘ฅ3
+๐‘ฅ 4
Note que ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ฅ 4 = ๐‘”๐‘Ÿ(๐‘” ๐‘ฅ ), o que implica que ๐‘ฅ 4 não é o resto da divisão de ๐‘Ÿ(๐‘ฅ)
por ๐‘”(๐‘ฅ), porém, ๐œ”(๐‘ฅ 4 ) = 1 = ๐œ…, logo, ๐‘ฅ 4 é líder da classe ๐‘Ÿ ๐‘ฅ + ๐ถ, portanto,
๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘Ÿ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฅ 4 , que equivale a ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 4 + ๐‘ฅ 5 โˆ’ ๐‘ฅ 4 = ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 5 , ou seja, a
palavra transmitida foi ๐‘ = 010101
Vimos que obter o líder de classe não acontece de forma direta com a aplicação do
sintoma se esse tiver peso maior que ๐œ…. Notemos, porém, que um desvio cíclico ๐‘ฅ ๐‘– ๐‘Ÿ(๐‘ฅ) โˆˆ ๐‘…๐‘›
carrega a mesma informação que ๐‘…๐‘› , portanto, se decodificarmos ๐‘ฅ ๐‘– ๐‘Ÿ(๐‘ฅ) para algum ๐‘–, como
consequência, decodificaremos ๐‘Ÿ(๐‘ฅ).
Teorema 6.30: Seja ๐‘Ÿ ๐‘ฅ โˆˆ ๐‘…๐‘› . A síndrome de um desvio cíclico ๐‘ฅ๐‘Ÿ ๐‘ฅ de ๐‘Ÿ ๐‘ฅ é ๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
๐‘ฅ๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ .
=
โˆ’ ๐‘ ๐‘›โˆ’๐‘˜โˆ’1 ๐‘” ๐‘ฅ , onde ๐‘ ๐‘›โˆ’๐‘˜โˆ’1 é o coeficiente do termo de grau ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ โˆ’ 1 de
149
Demonstração: Considerando ๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
๐‘” ๐‘ฅ + ๐‘ (๐‘Ÿ ๐‘ฅ ), com grau de ๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
como a síndrome de ๐‘Ÿ(๐‘ฅ), temos que ๐‘Ÿ ๐‘ฅ = ๐‘ž ๐‘ฅ โˆ™
โ‰ค ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ โˆ’ 1, para algum ๐‘ž(๐‘ฅ). Escrevendo ๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
๐‘ ๐‘›โˆ’๐‘˜โˆ’1 ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’๐‘˜โˆ’1 + ๐‘  โ€ฒ (๐‘ฅ) e ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’๐‘˜ + ๐‘”(๐‘ฅ), onde ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘  ๐‘ฅ
< ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ โˆ’ 1 e ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘”โ€ฒ ๐‘ฅ
=
<
๐‘› โˆ’ ๐‘˜, temos:
๐‘ฅ๐‘Ÿ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ๐‘ž ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + ๐‘ฅ๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
Mas ๐‘ฅ๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
= ๐‘ฅ ๐‘ž ๐‘ฅ + ๐‘ ๐‘›โˆ’๐‘˜โˆ’1 โˆ™ ๐‘” ๐‘ฅ + (๐‘ฅ๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
โˆ’ ๐‘ ๐‘›โˆ’๐‘˜โˆ’1 = ๐‘ฅ๐‘  โ€ฒ ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
โˆ’ ๐‘ ๐‘›โˆ’๐‘˜โˆ’1 ๐‘” ๐‘ฅ ).
โˆ’ ๐‘ ๐‘›โˆ’๐‘˜โˆ’1 ๐‘”โ€ฒ (๐‘ฅ) tem grau menor que ๐‘› โˆ’ ๐‘˜, logo, pelo
teorema 6.29, temos que ๐‘ (๐‘ฅ๐‘Ÿ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
โˆ’ ๐‘ ๐‘›โˆ’๐‘˜โˆ’1 ๐‘”(๐‘ฅ).
Com base do descrito acima, levando em consideração o exemplo anterior (2), onde
๐‘Ÿ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 4 + ๐‘ฅ 5 , ๐‘” ๐‘ฅ = 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 e ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ โˆ’ 1 = 6 โˆ’ 4 โˆ’ 1 = 3, vimos que a
síndrome de ๐‘Ÿ(๐‘ฅ) é ๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
๐‘ 1 ๐‘ฅ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
๐‘ 2 ๐‘ฅ 2 ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
= ๐‘ฅ๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
= 1 + ๐‘ฅ 2 , portanto, as demais síndromes são:
โˆ’ ๐‘ 3 ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆ™ 1 + ๐‘ฅ 2 โˆ’ 0 โˆ™ 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 = ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 3
= ๐‘ฅ๐‘ 1 ๐‘ฅ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
โˆ’ ๐‘ 3 ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 3 โˆ’ 1 โˆ™ 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 =
= ๐‘ฅ2 + ๐‘ฅ4 โˆ’ 1 โˆ’ ๐‘ฅ2 โˆ’ ๐‘ฅ4 = 1
๐‘ 3 ๐‘ฅ 3 ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
= ๐‘ฅ๐‘ 2 ๐‘ฅ 2 ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
โˆ’ ๐‘ 3 ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆ™ 1 โˆ’ 0 โˆ™ 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 = ๐‘ฅ
๐‘ 4 ๐‘ฅ 4 ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
= ๐‘ฅ๐‘ 3 ๐‘ฅ 3 ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
โˆ’ ๐‘ 3 ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฅ โˆ’ 0 โˆ™ 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 = ๐‘ฅ 2
๐‘ 5 ๐‘ฅ 5 ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
= ๐‘ฅ๐‘ 4 ๐‘ฅ 4 ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
โˆ’ ๐‘ 3 ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฅ 2 โˆ’ 0 โˆ™ 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 4 = ๐‘ฅ 3 .
Dizemos que um vetor ๐‘ฃ = ๐‘ฃ0 , ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘› โˆ’1 de ๐‘˜ ๐‘› contém uma sequência cíclica
de ๐‘˜ zeros se existe ๐‘— tal que ๐‘ฃ๐‘— = ๐‘ฃ๐‘— +1 = ๐‘ฃ๐‘— +2 = โ‹ฏ = ๐‘ฃ๐‘— +๐‘˜โˆ’1 = 0.
Exemplo: O vetor ๐‘ฃ1 = (1, 0, 0, 0, 1, 0, 1) โˆˆ ๐น 7 possui uma sequência cíclica de 3 zeros. O
vetor ๐‘ฃ2 = (0, 0, 1, 1, 0, 1, 0, 0, 0, 0, 0) โˆˆ ๐น11 possui uma sequência cíclica de sete zeros pois
basta realizar um deslocamento cíclico de cinco unidades para a direita que obtemos o vetor
๐‘‡ ๐‘ฃ2 = (0, 0, 0, 0, 0, 0, 0, 1, 1, 0, 1). Se ๐‘ฃ = ๐‘ฃ0 , ๐‘ฃ1 , ๐‘ฃ2 , โ€ฆ , ๐‘ฃ๐‘› โˆ’1
contém uma sequência
cíclica de ๐‘˜ zeros, então existe ๐‘– โˆˆ 0, 1, 2, โ€ฆ , ๐‘› โˆ’ 1 tal que ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ฅ ๐‘– ๐‘ฃ ๐‘ฅ
โ‰ค ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ โˆ’ 1, para
isso, basta permutar ciclicamente as coordenadas de ๐‘ฃ de modo que os ๐‘˜ zeros ocupem as ๐‘˜
últimas coordenadas de ๐‘ฃ, que obtemos um vetor com no máximo as ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ โˆ’ 1 primeiras
coordenadas não nulas, que corresponde a um polinômio de grau no máximo ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ โˆ’ 1.
Teorema 6.31: Se um vetor erro ๐‘’ โˆˆ ๐‘˜ ๐‘› , cujo peso é ๐œ” ๐‘’ โ‰ค
uma sequência cíclica de ๐‘˜ zeros, então ๐œ” ๐‘  ๐‘ฅ ๐‘– ๐‘’ ๐‘ฅ
๐‘– โˆˆ 0, 1, 2, โ€ฆ , ๐‘› โˆ’ 1 .
โ‰ค
๐‘‘โˆ’1
2
๐‘‘โˆ’1
2
= ๐œ… e possui
= ๐œ…, para algum
150
Demonstração: Pelo visto anteriormente, se ๐‘’ possui uma sequência cíclica de ๐‘˜ zeros, então
existe ๐‘– โˆˆ 0, 1, 2, โ€ฆ , ๐‘› โˆ’ 1 tal que ๐‘”๐‘Ÿ ๐‘ฅ ๐‘– ๐‘’ ๐‘ฅ
โ‰ค ๐‘› โˆ’ ๐‘˜ โˆ’ 1. Pelo teorema 6.30 temos que
๐‘  ๐‘ฅ ๐‘– ๐‘’(๐‘ฅ) = ๐‘ฅ ๐‘– ๐‘ (๐‘’ ๐‘ฅ ). Como as permutações entre as coordenadas de um vetor não alteram
seu peso, então temos que se ๐œ” ๐‘’ โ‰ค
๐‘‘โˆ’1
2
= ๐œ… então ๐œ” ๐‘  ๐‘ฅ ๐‘– ๐‘’ ๐‘ฅ
โ‰ค
๐‘‘โˆ’1
2
= ๐œ….
Com base no exposto, uma sequência para decodificação consiste em determinar os
sintomas de um vetor ๐‘Ÿ(๐‘ฅ) recebido e, se ๐œ”(๐‘ ๐‘– ๐‘Ÿ ๐‘ฅ ) โ‰ค ๐œ… para algum ๐‘– โˆˆ {0, 1, 2, โ€ฆ , ๐‘› โˆ’ 1},
então assumimos que ๐‘’ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’1 ๐‘ ๐‘– ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
é o vetor erro e decodificamos ๐‘Ÿ(๐‘ฅ) como
๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘Ÿ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’1 ๐‘ ๐‘– ๐‘Ÿ ๐‘ฅ . Caso contrário, o erro não é corrigível.
Para concluir, apresentamos um último exemplo referente à decodificação em códigos
cíclicos:
Consideremos um código cíclico ๐ถ contido em ๐น 7 , onde ๐น = {0,1} é um corpo
galoisiano, tal que dim ๐ถ = 4 e um polinômio gerador de ๐ถ é ๐‘” ๐‘ฅ = 1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 3 . A distância
mínima desse código é ๐‘‘ = 3, o que implica que ele tem capacidade de detecção de ๐‘‘ โˆ’ 1 =
3 = 1 = 2 erros e capacidade de correção ๐œ… =
๐‘‘โˆ’1
2
=
3โˆ’1
2
= 1 erro. Como ๐œ… = 1, então os
líderes de classe são os vetores com peso ๐œ” โ‰ค 1.
Consideremos que a palavra recebida seja ๐‘Ÿ = 1000100 cuja representação polinomial é
๐‘Ÿ(๐‘ฅ)
๐‘Ÿ ๐‘ฅ = 1 + ๐‘ฅ 4 . Resolvendo o quociente ๐‘”(๐‘ฅ), temos:
๐‘ฅ4
+1
๐‘ฅ 3 +๐‘ฅ +1
โˆ’๐‘ฅ 4 โˆ’๐‘ฅ 2 โˆ’๐‘ฅ
๐‘ฅ
โˆ’๐‘ฅ 2 โˆ’๐‘ฅ +1
O resto da divisão de ๐‘Ÿ(๐‘ฅ) por ๐‘”(๐‘ฅ) é โˆ’๐‘ฅ 2 โˆ’ ๐‘ฅ + 1 = ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ + 1.
Assim, ๐‘ฅ 4 + 1 = ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ + 1 + (1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 ), o que implica que ๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
Mas ๐œ”(๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
= 1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ2 .
= 3 > 1 = ๐œ…, sendo assim, não podemos ainda decodificar ๐‘Ÿ ๐‘ฅ utilizando
๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘Ÿ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ (๐‘Ÿ(๐‘ฅ)), portanto, determinaremos as síndromes de todos os desvios cíclicos
de ๐‘Ÿ(๐‘ฅ):
๐‘ 1 ๐‘ฅ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
๐‘ 2 ๐‘ฅ 2 ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
= ๐‘ฅ๐‘  ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
โˆ’ ๐‘ 2 ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆ™ 1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 โˆ’ 1 โˆ™ 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 3 = ๐‘ฅ 2 โˆ’ 1 = 1 + ๐‘ฅ 2
= ๐‘ฅ๐‘ 1 ๐‘ฅ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
โˆ’ ๐‘ 2 ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆ™ 1 + ๐‘ฅ 2 โˆ’ 1 โˆ™ 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 3 =
= ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 3 โˆ’ 1 โˆ’ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฅ 3 = โˆ’1 = 1
๐‘ 3 ๐‘ฅ 3 ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
= ๐‘ฅ๐‘ 2 ๐‘ฅ 2 ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
โˆ’ ๐‘ 2 ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆ™ 1 โˆ’ 0 โˆ™ 1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 3 = ๐‘ฅ
151
๐‘ 4 ๐‘ฅ 4 ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
= ๐‘ฅ๐‘ 3 ๐‘ฅ 3 ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
โˆ’ ๐‘ 2 ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฅ โˆ’ 0 โˆ™ 1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 3 = ๐‘ฅ 2
๐‘ 5 ๐‘ฅ 5 ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
= ๐‘ฅ๐‘ 4 ๐‘ฅ 4 ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
โˆ’ ๐‘ 2 ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ฅ 2 โˆ’ 1 โˆ™ 1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 3 = ๐‘ฅ 3 โˆ’ 1 โˆ’ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฅ 3 =
= โˆ’1 โˆ’ ๐‘ฅ = 1 + ๐‘ฅ
๐‘ 6 ๐‘ฅ 5 ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
= ๐‘ฅ๐‘ 5 ๐‘ฅ 5 ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
Qualquer um dos ๐‘ ๐‘– ๐‘ฅ ๐‘– ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
โˆ’ ๐‘ 2 ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆ™ 1 + ๐‘ฅ โˆ’ 0 โˆ™ 1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 3 = ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 .
tal que ๐œ” ๐‘ ๐‘– ๐‘ฅ ๐‘– ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
= 1 é um líder da classe, portanto,
qualquer um deles pode ser utilizado no processo de decodificação. Utilizemos, por exemplo,
๐‘ 2 ๐‘ฅ 2 ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
๐‘ฅ 7โˆ’2 ๐‘ 2 ๐‘Ÿ ๐‘ฅ
= 1: pelo que foi visto anteriormente, ๐‘’ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ ๐‘› โˆ’1 ๐‘ ๐‘– ๐‘Ÿ ๐‘ฅ , logo, ๐‘’ ๐‘ฅ =
= ๐‘ฅ 5 โˆ™ 1 = ๐‘ฅ 5 , assim, a decodificação correta de ๐‘Ÿ(๐‘ฅ) é ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘Ÿ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ฅ 5 =
1 + ๐‘ฅ 4 โˆ’๐‘ฅ 5 = 1 + ๐‘ฅ 4 + ๐‘ฅ 5 . A palavra transmitida é ๐‘ = 100011.
152
7
ATIVIDADES POPOSTAS
Este capítulo tem como objetivo apresentar uma coletânea de atividades propostas
sobre os conteúdos apresentados neste trabalho, cujo objetivo principal é a aplicação das
propriedades estudas e, por conseguinte, a familiarização dos estudantes aos conceitos aqui
apresentados.
A rotina de atividades propostas segue a seguinte ordem:
1º - Atividades sobre matrizes, operações e propriedades;
2º - Atividades sobre determinantes e suas propriedades;
3º - Atividades sobre polinômios, operações e propriedades;
4º - Atividades sobre códigos corretores de erros, aplicação de matrizes, determinantes
e polinômios.
7.1
MATRIZES REAIS
1) Indique explicitamente os elementos da matriz ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
2) Construa a matriz ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
4×4
tal que ๐‘Ž๐‘–๐‘— =
3×4
tal que ๐‘Ž๐‘–๐‘— = ๐‘– 2 โˆ’ 3๐‘–๐‘— + ๐‘— 2 .
1, ๐‘ ๐‘’ ๐‘– = ๐‘—
. O que se pode dizer a respeito
0, ๐‘ ๐‘’ ๐‘– โ‰  ๐‘—
dessa matriz?
3) Construa a matriz ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
5×5
tal que ๐‘Ž๐‘–๐‘— =
๐‘– 2 + 2๐‘—, ๐‘ ๐‘’ ๐‘– โ‰ค ๐‘—
. O que se pode dizer a
0, ๐‘ ๐‘’ ๐‘– > ๐‘—
respeito dessa matriz?
4) Dadas as matrizes ๐ด =
5๐‘Ž
6
๐‘Ž+4
6๐‘
4๐‘
e๐ต=
, quais são os valores de ๐‘Ž e ๐‘ para
6
๐‘+3
3
que se tenha ๐ด = ๐ต?
2 โˆ’3 4
0
1
1
5) Dadas as matrizes ๐ด = โˆ’1 โˆ’6 0 , ๐ต = โˆ’2 5
1
3
5 2
3 โˆ’3 โˆ’1
determine a matriz ๐‘‹ tal que ๐ด2 + ๐‘‹ = 3 โˆ™ ๐ต โˆ’ ๐ถ ๐‘ก .
3 1
e ๐ถ = โˆ’3 2
2 0
โˆ’5
4 ,
2
153
6) Obtenha todas as matrizes ๐‘€ que comutam com ๐ด =
โˆ’1
โˆ’2
2
.
3
7) Determine todas as matrizes ๐ด quadradas de ordem 2 tais que ๐ด2 =
8) Dadas as matrizes ๐ด = ๐‘Ž๐‘–๐‘—
e ๐ถ = ๐‘๐‘–๐‘—
3×4
3×4
tal que ๐‘Ž๐‘–๐‘— = ๐‘– 3 โˆ’ 4๐‘—, ๐ต = ๐‘๐‘–๐‘—
0 0
.
0 0
3×4
tal que ๐‘๐‘–๐‘— = 8๐‘– โˆ’ ๐‘— 2
tal que ๐‘๐‘–๐‘— = ๐‘– 2 โˆ’ ๐‘— 2 , determine:
a) ๐ด + ๐ต
b) ๐ด โˆ’ ๐ต
c) โ€“ ๐ด + (โˆ’๐ต)
d) ๐ต + ๐ด
h) 3๐ด โˆ’ 5๐ถ
i) ๐ต โˆ™ ๐ถ ๐‘ก ๐‘ก
j) ๐ต ๐‘ก โˆ™ ๐ถ
l) ๐ด โˆ™ ๐ต ๐‘ก
p) ๐ด + ๐ถ ๐‘ก
q) ๐ด๐‘ก + ๐ถ ๐‘ก
r) ๐ด + ๐ต + ๐ถ
s) ๐ผ3 โˆ™ (๐ด + ๐ต)
e) ๐ด + ๐ถ
m) ๐ด โˆ™ ๐ต ๐‘ก โˆ™ ๐ถ
t) โˆ’6๐ด๐‘ก + 4๐ต ๐‘ก โˆ’ 2 ๐ถ ๐‘ก
f) ๐ด + ๐ต + ๐ถ
n) ๐ด โˆ™ ๐ต ๐‘ก โˆ™ ๐ถ
u) 5 ๐ด โˆ™ ๐ต ๐‘ก โˆ™ ๐ถ + 3 ๐ด โˆ™ ๐ถ ๐‘ก โˆ™ ๐ต
g) ๐ด + ๐ต + ๐ถ
o) โˆ’ ๐ถ ๐‘ก
v) ๐ด โˆ™ ๐ด๐‘ก
๐‘ก
๐‘ก
1
3
2
2
9) Considerando as matrizes ๐ด, ๐ต e ๐ถ do exercício anterior, é possível obter ๐ด โˆ™ ๐ต, ๐ด โˆ™ ๐ถ e ๐ต โˆ™
๐ถ? Justifique sua resposta.
10) Se ๐‘€ e ๐‘ são matrizes quadradas de ordem 2 que comutam com a matriz
0 1
,
โˆ’1 0
mostre que ๐‘€ โˆ™ ๐‘ = ๐‘ โˆ™ ๐‘€.
11) Determine os valores desconhecidos nas sentenças abaixo:
7
5
=
3๐‘ฅ โˆ’ 2๐‘ฆ
3๐‘ค โˆ’ 4๐‘ง
๐‘ฅ
0
2
5
3
b) โˆ’1 3
0 โˆ™ ๐‘ฆ = 1
๐‘ง
9
4 โˆ’2 โˆ’1
a)
2๐‘ฅ + ๐‘ฆ
โˆ’7
๐‘ค+๐‘ง
4
12) Considere uma matriz ๐‘€ de ordem ๐‘› que não é equivalente por linhas à matriz identidade
๐ผ๐‘› . A matriz ๐‘€ é invertível? Justifique sua resposta.
13) Seja ๐‘ uma matriz invertível, cuja a inversa é ๐‘ โˆ’1 . A matriz ๐‘ โˆ’1 é invertível? Caso seja,
qual é a sua inversa? Caso não seja, justifique.
14) Sendo ๐ด e uma matriz quadrada de ordem ๐‘› tal que ๐ต e ๐ถ são suas matrizes inversas.
Qual é a relação que existe entre ๐ต e ๐ถ? ๐ต e ๐ถ são matrizes quadradas? Qual a ordem de ๐ต?
154
1
2
15) Escreva a matriz ๐‘€ =
3
4
2
1
0
3
1 1
4 3
na forma escalonada.
0 2
2 โˆ’5
1 0 2
16) Dada a matriz ๐ด = โˆ’3 4 1 , efetue operações elementares sobre suas linhas e
2 1 โˆ’1
verifique se ๐ด é invertível. Caso seja, explicite sua inversa.
17) Para as matrizes ๐ด, ๐ต e ๐ถ, abaixo, utilizando operações elementares sobre as linhas,
determine suas inversas:
2 โˆ’3
โˆ’4 1
1 โˆ’1
b) ๐ต = 2 โˆ’3
โˆ’2 1
2 1 0
1 0 2
c) ๐ถ =
3 2 0
0 3 1
a) ๐ด =
0
1
โˆ’3
3
3
1
2
18) Resolva as seguintes equações matriciais:
3 โˆ’1
6
โˆ™๐‘‹ =
โˆ’2 5
โˆ’4
โˆ’1 1
b) ๐‘‹ โˆ™
= โˆ’3 2
1 1
2
0 โˆ’1
โˆ’1 2
c) โˆ’1 3
1 โˆ™ ๐‘‹ = 0 โˆ’3
3 โˆ’2 1
2
1
a)
19) É possível obter ๐‘ฅ e ๐‘ฆ de modo que a matriz
2 3
seja ortogonal?
๐‘ฅ ๐‘ฆ
20) Dada uma matriz ๐ด invertível, podemos afirmar que ๐ด๐‘ก é invertível? Justifique.
7.2
DETERMINANTES DE MATRIZES REAIS
21) Calcule o determinante de cada uma das matrizes a seguir e identifique se as mesmas são
invertíveis ou não:
155
a)
0 2
โˆ’3 1
1
c)
b)
3
2
d)
4
โˆ’5
3
โˆ’ 2
โˆ’4
3
4 8
1 2
3
โˆ’4
1 โˆ’4
3 8
2
22) Aplicando a regra de Sarrus, calcular o determinante de cada uma das seguintes matrizes:
1
โˆ’1 0
3
a) 4 โˆ’2 โˆ’5
0
3 โˆ’1
c)
b)
โˆ’1
5
โˆ’3
1
โˆ’2 โˆ’ 3
๐‘Ž
2 โˆ’1 0
1
3
3 โˆ’5
2
1
4
2
d) โˆ’ 7
6
๐‘Ž
1
6
1
2
0
4
โˆ’2
โˆ’๐‘
โˆ’1
5
โˆ’2
1
3
23) Aplique a triangulação de Gauss e calcule os seguintes determinantes:
โˆ’1 2 1
a) 2
1 3
1 โˆ’2 3
3
2
0 โˆ’1
1
2 โˆ’2 1 โˆ’1 0
c) โˆ’1 1
0
4 โˆ’3
2 โˆ’4 1 โˆ’1 4
0
0 โˆ’4 3
3
โˆ’2 1
1 โˆ’1
1 โˆ’3 2
1
b)
โˆ’1 โˆ’2 1
3
0
2 โˆ’2 1
1
๐‘ฅ โˆ’2 2
24) Determine ๐‘ฅ para o qual se tenha 2๐‘ฅ โˆ’3 2 โ‰  0.
1
โˆ’1 5 ๐‘ฅ
25) Determine a matriz dos cofatores de cada uma das matrizes abaixo:
โˆ’3
a) โˆ’ 1
2
2
2
3
โˆ’1
b)
2
3
4
2
5
โˆ’3
โˆ’1
โˆ’3
1
26) Calcule os determinantes abaixo utilizando a regra de Laplace:
โˆ’2 3 0 1
2 โˆ’1 3 โˆ’4
a)
3
1 0 1
0 โˆ’5 2 โˆ’3
โˆ’9
0
b)
โˆ’3
1
3 0 โˆ’1
5 0
0
2 1
1
3 โˆ’4 1
156
โˆ’1 ๐‘Ž
27) Mostre que para todo ๐‘Ž, ๐‘, ๐‘ โˆˆ โ„, sempre temos 5 ๐‘
โˆ’3 ๐‘
1
2
28) Prove que ๐‘ฅ
๐‘ฅ3
1
๐‘ฆ2
๐‘ฆ3
๐‘ฆ๐‘ง
1
2
๐‘ง = ๐‘ฅ
๐‘ฅ2
๐‘ง3
๐‘ฅ๐‘ง
๐‘ฆ
๐‘ฆ2
3
โˆ’15 = 0.
9
๐‘ฅ๐‘ฆ
๐‘ง .
๐‘ฅ2
29) Quais as condições necessárias e suficientes para que um determinante seja nulo?
30)
Aplicando
as
propriedades
dos
determinantes,
mostre
que
cos(2๐‘ฅ) โก ๐‘๐‘œ๐‘  2 (๐‘ฅ) ๐‘ ๐‘’๐‘›2 (๐‘ฅ)
cos(2๐‘ฆ) ๐‘๐‘œ๐‘  2 (๐‘ฆ) ๐‘ ๐‘’๐‘›2 (๐‘ฆ) = 0
cos(2๐‘ง) ๐‘๐‘œ๐‘  2 (๐‘ง) ๐‘ ๐‘’๐‘›2 (๐‘ง)
1 5
31) Prove que o determinante 1 2
1 8
4
6 é múltiplo de 7, sem desenvolvê-lo.
2
โˆ’2 4 1 2
1 โˆ’2 2 โˆ’1
32) Por qual motivo se tem
= 0?
3 โˆ’1 1 7
โˆ’1 3 0 3
33) Se o determinante de uma matriz ๐ด é igual a zero, a matriz ๐ด é invertível? Justifique.
โˆ’3 1 โˆ’1
34) Dada a matriz ๐ด = 2
๐‘Ž
๐‘Ž , para quais valores de ๐‘Ž não existe ๐ดโˆ’1 ?
5 โˆ’3 ๐‘Ž
3
3
1
2 โˆ’3 3
35) Dada a matriz ๐ด = โˆ’3 โˆ’2 1 e ๐ต = 0 โˆ’2 3 , qual a relação entre det(๐ด) e
2
0 โˆ’5
โˆ’5 1 1
det(๐ต)? Justifique.
36) Determine a adjunta das seguintes matrizes:
5
a) ๐ด = 4
3
โˆ’2 โˆ’3
โˆ’1 2
1
0
0
7
1
3
b) ๐ต = 4 โˆ’4 0
2
โˆ’1 2
5
1
โˆ’7
c) ๐ถ = 13
1
13
6 7
โˆ’8 2
โˆ’5 3
157
37) Utilizando determinantes, calcule a matriz inversa das seguintes matrizes:
2
3 โˆ’1
a) ๐ด =
2 5
b) ๐ต =
1
โˆ’3
5
3
2
โˆ’7
7
0
2 3
c) ๐ถ = โˆ’3 5 2
4 โˆ’2 1
d) ๐ท =
โˆ’6 3 1
2 5 โˆ’1
4 0 0
38) Sabendo que a matriz inversa de uma matriz ๐ด é
โˆ’1
๐ด
=
1
3
3
2
7
โˆ’2
3
5
โˆ’4
โˆ’1
3
2
e que
3
5
5
det ๐ด = โˆ’ 7, determine a matriz dos cofatores da matriz ๐ด.
39) Dadas duas matrizes ๐ด e ๐ต, quadradas de ordem ๐‘› e invertíveis, mostre que:
a) det(๐ด๐‘ก โˆ™ ๐ต ๐‘ก ) = det(๐ด) โˆ™ det(๐ต)
1
b) det ๐ด๐‘ก โˆ™ ๐ต โˆ’1 = det (๐ดโˆ’1 )โˆ™det (๐ต ๐‘ก )
40) Seja โ„ณ๐‘› o conjunto de todas as matrizes quadradas de ordem ๐‘›, definimos o determinante
como uma função de โ„ณ๐‘› em โ„, que a cada matriz ๐‘€ โˆˆ โ„ณ๐‘› faz corresponder o número real
detโก
(๐‘€). Mostre que a função determinante não é bijetiva.
7.3
POLINÔMIOS EM โ„[๐‘‹]
1
5
3
41) Justifique por qual motivo a expressão ๐‘ ๐‘ฅ = 3๐‘ฅ 2 โˆ’ 2๐‘ฅ + 3 โˆ’ ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 2 não é um
polinômio em โ„[๐‘ฅ].
42) Determine a condição necessária e suficiente para que a expressão
๐‘Ž 0 +๐‘Ž 1 ๐‘ฅ+๐‘Ž 2 ๐‘ฅ 2 +๐‘Ž 3 ๐‘ฅ 3
๐‘0 +๐‘1 ๐‘ฅ+๐‘2 ๐‘ฅ 2 +๐‘3 ๐‘ฅ 3
seja
independente de ๐‘ฅ.
43) Determinar os valores reais de ๐‘Ž, ๐‘ e ๐‘, de modo que se tenha o polinômio
๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘Ž2 โˆ’ 4 ๐‘ฅ 3 + 3๐‘ 2 โˆ’ 5๐‘Ž ๐‘ฅ 2 โˆ’ ๐‘Ž + ๐‘ + ๐‘ ๐‘ฅ + (๐‘Ž๐‘ โˆ’ ๐‘) igual ao polinômio nulo.
158
44) Dados os polinômios ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘Ž + 3 ๐‘ฅ 4 โˆ’ 2๐‘Ž + ๐‘ ๐‘ฅ 2 + (3๐‘Ž โˆ’ ๐‘ + ๐‘) e ๐‘ž ๐‘ฅ =
4๐‘Ž โˆ’ 2 ๐‘ฅ 2 + 3 โˆ’ 5๐‘ ๐‘ฅ 2 + (๐‘ โˆ’ 4๐‘). Determine os valores de ๐‘Ž, ๐‘ e ๐‘ para que se tenha
๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘ž(๐‘ฅ).
45) Dados os polinômios ๐‘ ๐‘ฅ = 2๐‘ฅ 2 + 5๐‘ฅ โˆ’ 3, ๐‘ž ๐‘ฅ = 3๐‘ฅ 3 โˆ’ 4๐‘ฅ 2 + 5๐‘ฅ โˆ’ 1 e ๐‘” ๐‘ฅ =
โˆ’6๐‘ฅ 3 + 7๐‘ฅ โˆ’ 2, calcular:
a) ๐‘ ๐‘ฅ + ๐‘ž(๐‘ฅ)
b) ๐‘ ๐‘ฅ + ๐‘”(๐‘ฅ)
c) ๐‘ž ๐‘ฅ + ๐‘”(๐‘ฅ)
d) ๐‘ ๐‘ฅ + ๐‘ž ๐‘ฅ + ๐‘”(๐‘ฅ)
46) Dados os polinômios ๐‘ ๐‘ฅ = 7๐‘ฅ 4 โˆ’ 5๐‘ฅ 3 โˆ’ ๐‘ฅ, ๐‘ž ๐‘ฅ = โˆ’3๐‘ฅ 3 + 5๐‘ฅ 2 โˆ’ 12๐‘ฅ + 8 e ๐‘” ๐‘ฅ =
3๐‘ฅ 4 + ๐‘ฅ 3 โˆ’ 9๐‘ฅ 2 + 3๐‘ฅ โˆ’ 4, determine:
a) ๐‘ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ž(๐‘ฅ)
47)
Dados
b) ๐‘ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘” ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ž(๐‘ฅ)
os
c) ๐‘ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ž ๐‘ฅ + ๐‘”(๐‘ฅ)
๐‘ ๐‘ฅ = โˆ’๐‘ฅ 2 + 3๐‘ฅ โˆ’ 4,
polinômios
d) ๐‘” ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘ž ๐‘ฅ + ๐‘(๐‘ฅ)
๐‘ž ๐‘ฅ = 4๐‘ฅ 3 โˆ’ 2๐‘ฅ + 1
e
๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ฅ 3 โˆ’ 3๐‘ฅ 2 + 2๐‘ฅ โˆ’ 4, determine:
a) ๐‘(๐‘ฅ) โˆ™ ๐‘ž(๐‘ฅ)
48)
b) ๐‘(๐‘ฅ) โˆ™ ๐‘”(๐‘ฅ)
Dados
os
polinômios
c) ๐‘(๐‘ฅ) โˆ™ ๐‘ž(๐‘ฅ) โˆ™ ๐‘”(๐‘ฅ)
d) ๐‘ ๐‘ฅ
2
2
โˆ’ ๐‘” ๐‘ฅ
๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ 4 โˆ’ 4๐‘ฅ 2 โˆ’ 3๐‘ฅ + 1, ๐‘ž ๐‘ฅ = ๐‘ฅ 3 โˆ’ 3๐‘ฅ 2 + 2 e
๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ฅ 2 โˆ’ 5๐‘ฅ + 1, determine os polinômios quociente e resto das seguintes divisões
euclidianas:
a) ๐‘ ๐‘ฅ : ๐‘ž(๐‘ฅ)
b) ๐‘ ๐‘ฅ : ๐‘”(๐‘ฅ)
c) ๐‘ž ๐‘ฅ : ๐‘”(๐‘ฅ)
d) ๐‘ž ๐‘ฅ
2
: ๐‘”(๐‘ฅ)
e) ๐‘ ๐‘ฅ
2
: ๐‘” ๐‘ฅ
3
49) Se ๐‘(๐‘ฅ) e ๐‘ž ๐‘ฅ são dois polinômios não nulos de grau respectivamente ๐‘š e ๐‘›, qual o grau
de ๐‘ ๐‘ฅ + ๐‘ž ๐‘ฅ ? E de ๐‘ ๐‘ฅ โˆ™ ๐‘ž(๐‘ฅ)?
50) Considerando os polinômios ๐‘(๐‘ฅ) e ๐‘ž(๐‘ฅ) do exercício anterior, se ๐‘š > ๐‘›, qual o grau do
quociente
๐‘(๐‘ฅ)
๐‘ž(๐‘ฅ)
? Qual o grau máximo do polinômio ๐‘Ÿ(๐‘ฅ) que é o resto dessa divisão?
51) Dividindo
um
polinômio
๐‘ ๐‘ฅ por ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ฅ 2 + 5๐‘ฅ โˆ’ 3, obtemos o quociente
๐‘ž ๐‘ฅ = ๐‘ฅ 3 + 4๐‘ฅ 2 โˆ’ 3 e o resto ๐‘Ÿ ๐‘ฅ = 3๐‘ฅ + 4. Determine o polinômio ๐‘(๐‘ฅ).
52) Determinar os números reais ๐‘Ž e ๐‘ de modo que o polinômio ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ 6 โˆ’ 4 seja divisível
por ๐‘ฅ 2 + ๐‘Ž๐‘ฅ + ๐‘.
159
53) Mostrar que se ๐‘(๐‘ฅ) e ๐‘”(๐‘ฅ) são polinômios divisíveis pelo polinômio ๐‘ž(๐‘ฅ), então o resto
da divisão de ๐‘(๐‘ฅ) por ๐‘”(๐‘ฅ) também é divisível por ๐‘ž(๐‘ฅ).
54) Dados ๐‘(๐‘ฅ), ๐‘”(๐‘ฅ) e ๐‘ž(๐‘ฅ) polinômios de โ„[๐‘ฅ] tais que ๐‘ž ๐‘ฅ |๐‘(๐‘ฅ) e ๐‘ž ๐‘ฅ |๐‘”(๐‘ฅ), prove que
๐‘ž ๐‘ฅ |[๐‘ ๐‘ฅ + ๐‘” ๐‘ฅ ], ๐‘ž ๐‘ฅ |๐‘(๐‘ฅ) โˆ™ ๐‘”(๐‘ฅ) e ๐‘ž ๐‘ฅ |[๐‘ ๐‘ฅ โˆ’ ๐‘” ๐‘ฅ ].
55) Verificar se o polinômio ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ 4 + 5๐‘ฅ 3 โˆ’ 4๐‘ฅ 2 + 3๐‘ฅ + 11 é divisível por ๐‘ฅ โˆ’ 2 e por
๐‘ฅ + 1. Justifique.
56) Determinar o quociente e o resto da divisão de ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘ฅ ๐‘š โˆ’ ๐›ผ ๐‘š por ๐‘” ๐‘ฅ = ๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ.
57) Consideremos o polinômio de coeficientes reais ๐‘ ๐‘ฅ = ๐‘Ž0 + ๐‘Ž1 ๐‘ฅ + ๐‘Ž2 ๐‘ฅ 2 + โ‹ฏ + ๐‘Ž30 ๐‘ฅ 30 .
Se ๐‘Ž0 = ๐‘Ž1 = ๐‘Ž2 = โ‹ฏ = ๐‘Ž30 , mostre que ๐‘(๐‘ฅ) é divisível por ๐‘ฅ โˆ’ 1. Generalize.
58) Mostre que se ๐‘(๐‘ฅ) é divisível por ๐‘ฅ โˆ’ ๐›ผ, então ๐‘ ๐›ผ = 0.
59) Seja ๐‘(๐‘ฅ) โˆˆ โ„[๐‘ฅ] um polinômio tal que ๐‘ 2 = 1, ๐‘ 1 = 2 e ๐‘ 3 = โˆ’1. Utilizando a
interpolação de Lagrange, determine ๐‘(๐‘ฅ).
60) Encontre o polinômio ๐‘(๐‘ฅ), de coeficientes reais, que atende as seguintes condições:
๐‘ ๐‘Ž = ๐‘, ๐‘ ๐‘ = ๐‘, ๐‘ ๐‘ = ๐‘‘ e ๐‘ ๐‘‘ = ๐‘Ž.
7.4
CÓDIGOS CORRETORES DE ERROS
61) Considere um código ๐ถ linear de comprimento ๐‘› = 4 sobre o corpo galoisiano ๐น{0,1},
obtido da seguinte maneira: para cada ๐‘ฅ1 ๐‘ฅ2 โˆˆ ๐น 2 , obtemos o elemento ๐‘ฅ2 ๐‘ฅ1 ๐‘ฅ2 ๐‘ฅ1 โˆˆ ๐น 4 .
Determinar a distância mínima de ๐ถ e a capacidade de correção desse código.
62) Mostre que a distância de Hamming cumpre as condições necessárias para caracterizá-la
como uma métrica.
63) Mostre que os códigos ๐ถ = 00000, 00100, 01010 e ๐ถ โ€ฒ = 00000, 10000, 10101
contidos em ๐น 5 possuem os mesmos parâmetros porém, não são equivalentes.
160
64) Imagine que um braço mecânico que possua os movimentos: โ€œpara cimaโ€, โ€œpara baixoโ€,
โ€œpara a esquerdaโ€ e โ€œpara a direitaโ€. Além disso, o mesmo possua uma base móvel que se
desloca horizontalmente locomovendo o braço, com comandos: โ€œpara o norteโ€, โ€œpara o sulโ€,
โ€œpara o lesteโ€ e โ€œpara o oesteโ€.
Construa um código de fonte sobre ๐น = 0,1 e um código de canal ๐ถ para esses comandos.
๐ถ é um código perfeito? Justifique.
65) Obtenha uma matriz geradora para o código ๐ถ do problema anterior.
66)
Dado
1
1
๐บ=
1
0
1
0
0
1
um
1
0
0
0
0
1
0
1
código
0
1
0
0
0
0
1
1
๐ถ
definido
sobre
๐น = {0,1},
com
matriz
geradora
0
0
, obtenha uma matriz geradora para ๐ถ que se apresente na forma
1
0
padrão ๐บ โ€ฒ = ๐ผ4 ๐ด , onde ๐ด é uma matriz de ordem ๐‘˜ × (๐‘› โˆ’ ๐‘˜). Mostre ainda que existe um
código ๐ถโ€ฒ equivalente ao código ๐ถ, tal que sua matriz geradora na forma padrão seja ๐บ โ€ฒโ€ฒ =
๐ต ๐ผ4 , onde ๐ต é uma matriz de ordem ๐‘˜ × (๐‘› โˆ’ ๐‘˜).
67) Obtenha a matriz teste de paridade ๐ป do código ๐ถ do exercício 64, apresentando-a na
forma padrão.
1 0 1 0 0
68) Seja ๐ถ um código sobre ๐น = {0,1}, cuja matriz geradora seja ๐บ = 0 0 1 1 1 .
0 1 0 1 0
a) Determine o comprimento, a dimensão e o número de elementos do código ๐ถ;
b) Encontre uma matriz teste de paridade do código ๐ถ e determine a sua distância mínima.
1 1 0 0 1
69) Seja ๐ถ um código sobre ๐น = {0,1}, com matriz teste de paridade ๐ป = 0 1 1 1 0 .
1 1 1 0 0
a) Obtenha a matriz teste de paridade ๐ปโ€ฒ na forma padrão.
b) ๐ถ é um código perfeito? Justifique.
c) Determine todas as palavras do código ๐ถ.
d) Determine os líderes de classes e as síndromes.
e) Decodifique as mensagens: ๐‘ฃ1 = 10101, ๐‘ฃ2 = 11111 e ๐‘ฃ3 = 10111.
161
70) Considere ๐ถ um código linear sobre ๐น = {0,1} tal que sua matriz geradora seja ๐บ =
0
0
1
0
0
1
0
0
0
0
0
0
0
1
0
0
1
0
0
0
0
0
0
0
1
0
0
1
0
1
1
0
1
1
0
1
1
1
0
0
1
1
0
0
1
0
1
0.
1
1
a) Determine a dimensão, o comprimento e o número de elementos de ๐ถ.
b) Construa uma matriz teste de paridade ๐ป do código ๐ถ e determine o peso de ๐ถ.
c) Dada a tabela de informações:
๐‘’๐‘ ๐‘๐‘Žç๐‘œ = 00000
๐ด = 10000
๐ต = 01000
๐ถ = 00100
๐ท = 00010
๐ธ = 00001
๐น = 11000
๐บ = 10100
๐ป = 10010
๐ผ = 10001
๐ฝ = 01100
๐ฟ = 01010
๐‘€ = 01001
๐‘ = 00110
๐‘‚ = 00101
๐‘ƒ = 00011
๐‘„ = 11100
๐‘… = 10110
๐‘† = 10101
๐‘‡ = 11010
๐‘ˆ = 11001
๐‘‰ = 01110
๐‘‹ = 00111
๐‘ = 11110
Utilizando as informações acima, codifique as mensagens:
๐‘š1 : RUMO AO SUCESSO
๐‘š2 : MUNDO DE PAZ
71) Calcule uma tabela de líderes e síndromes referentes ao código ๐ถ do problema anterior.
72) Supondo que no máximo ocorreu um erro por palavra, levando em consideração o código
๐ถ do exercício 70, decodifique a mensagem:
1001010011
0010000000
1010111010
0100110011
1100100101
1011010011
0111000001
1001010010
0010110011
1010111010
73) Determine o polinômio ๐‘”(๐‘ฅ) gerador de um código cíclico ๐ถ sobre ๐น = {0,1}, cujo
comprimento seja ๐‘› = 9 e a dimensão ๐‘˜ = 5. A partir de ๐‘”(๐‘ฅ) determine uma matriz ๐บ
geradora do código ๐ถ.
74) Determine o polinômio de paridade ๐‘•(๐‘ฅ) do código ๐ถ do problema anterior. A partir de
๐‘•(๐‘ฅ), determine uma matriz verificação de paridade do código ๐ถ.
75) Determine o polinômio recíproco ๐‘•โˆ— (๐‘ฅ) de ๐‘•(๐‘ฅ) do problema 74. Determine uma matriz
geradora do código dual ๐ถ โŠฅ de ๐ถ. Multiplique essa matriz pela matriz ๐บ geradora do código
๐ถ. O que acontece? Explique.
162
76) Construa dez palavras na forma sistemática e na forma não sistemática de um código
cíclico ๐ถ sobre ๐น = {0,1}, cujo polinômio gerador é ๐‘” ๐‘ฅ = 1 + ๐‘ฅ 2 + ๐‘ฅ 3 .
77) Considere o código cíclico ๐ถ sobre ๐น = {0,1}, de comprimento ๐‘› = 15 e dimensão
๐‘˜ = 11, cujo polinômio gerador é ๐‘” ๐‘ฅ = 1 + ๐‘ฅ + ๐‘ฅ 4 .
a) Determine a matriz ๐บ geradora de ๐ถ.
b) Determine o polinômio de paridade do ๐ถ.
c) Determine a matriz teste de paridade ๐ป do código ๐ถ.
d) Determine o polinômio gerador do código dual de ๐ถ.
e) Coloque as matrizes ๐บ e ๐ป na forma padrão.
78) Supondo que ๐‘š = 10110110010 é uma palavra do código de fonte, escreva essa palavra
na forma polinomial. Utilize o código ๐ถ do exercício anterior para obter um código de canal
para ๐‘š. Suponha que ๐‘ โˆˆ ๐ถ é uma palavra, cuja forma polinomial é ๐‘(๐‘ฅ), tenha sido enviada
e, por algum motivo a palavra recebida tenha sido ๐‘Ÿ ๐‘ฅ = 1 + ๐‘ฅ 3 + ๐‘ฅ 4 + ๐‘ฅ 9 + ๐‘ฅ10 + ๐‘ฅ12 .
Sabendo que ocorreu um único erro nessa transmissão, determine as síndromes de ๐‘Ÿ(๐‘ฅ) e de
todos os seus desvios cíclicos e decodifique ๐‘Ÿ(๐‘ฅ), corrigindo o erro e determinando ๐‘(๐‘ฅ).
79) Forme grupos com seus alunos. Ofereça mensagens curtas, de no máximo três palavras da
língua portuguesa. Proponha a cada grupo que crie códigos lineares de comprimentos e
dimensões diferentes e codifique cada um dos caracteres das mensagens propostas. Compare
os resultados. Teste a capacidade de detecção e correção de cada código e eleja o mais
eficiente. Dê bastante ênfase a cada uma das operações e propriedades matriciais utilizadas.
80) Forme grupos com seus alunos. Ofereça mensagens curtas, de no máximo três palavras da
língua portuguesa. Proponha a cada grupo que crie códigos cíclicos de comprimentos e
dimensões diferentes e codifique cada um dos caracteres das mensagens propostas dando
preferência para a forma polinomial de codificação. Compare os resultados. Teste a
capacidade de detecção e correção de cada código e eleja o mais eficiente. Dê bastante ênfase
a cada uma das operações e propriedades polinomiais utilizadas.
81) Forme grupos com seus alunos. Ofereça mensagens a serem decodificadas, que
contenham erros, solicite que façam as correções e decodifiquem as mensagens.
163
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O ensino/aprendizagem de matemática no Brasil, ao longo dos últimos anos, tem
passado por várias transformações na busca pelo oferecimento de uma educação com melhor
qualidade aos estudantes do ensino básico.
Índices como o IDEB mostram um discreto progresso na educação, porém, a passos
lentos.
Temos observado que o distanciamento entre matemática praticada nas escolas e as
experiências vivenciadas pelos alunos em ambiente extraescolar pode contribuir de forma
negativa para o alcance dos objetivos da educação. A contextualização da matemática consiste
em uma proposta pedagógica que busca estreitar essa lacuna, apresentando uma matemática
não mais vista como uma mera disciplina escolar, mas como uma necessidade humana de
interpretar o mundo, adaptar-se e interagir com ele.
Nas relações sociais, a matemática também se faz presente e, portanto, o domínio dos
seus conceitos e da sua linguagem é de fundamental importância nessas relações. O sujeito
Cidadão participa do meio social ao qual está inserido e para tanto, deve ter o conhecimento
matemático necessário para sua atuação.
O material apresentado nesse trabalho não tem como objetivo formar especialistas em
teoria dos códigos corretores de erros e sim usar essa teoria como um fator motivacional ao
aluno que, ao conhecê-la, poderá perceber o quão útil é a matemática. É de extrema
importância que ao ser utilizada a teoria dos códigos corretores de erros como uma estratégia
para o ensino de matrizes, determinantes e polinômios, seja dada a devida atenção a cada uma
das propriedades e operações utilizadas, pois, nessa teoria, frequentemente é trabalhado
conceitos como matriz inversa, matriz identidade, transposição de matrizes, operações
elementares sobre linhas, determinantes, produto de matrizes, operações e propriedades dos
polinômios, interpolação de Lagrange, enfim, uma vastidão de operações e propriedades, que
quando bem evidenciadas durante o processo de aplicação na teoria dos códigos, poderá
construir um aprendizado consolidado desses conceitos.
Achamos importante ainda mencionar que o uso da teoria dos códigos corretores de
erros, por si só, não consolidará a aprendizagem dos conceitos utilizados se for apresentada
aos alunos meramente como mais um conteúdo a ser estudado. É importante ao profissional
docente que, ao apresentar essa teoria aos seus alunos, utilize estratégias com ênfase na
prática, sejam oficinas, dinâmicas ou qualquer recurso em que os alunos tenham a
oportunidade de manipular esses conceitos na codificação e decodificação de mensagens, de
164
modo que a sua participação, não apenas como expectador, seja de fundamental importância
no decorrer desse processo.
Por fim, além esse trabalho apropriar-se da teoria dos códigos corretores de erros, na
tentativa de contextualizar a matemática ensinada nas séries finais do ensino médio, tem
também como proposta, fomentar a discussão sobre teoria e prática, abstrato e concreto,
escolar e extraescolar, com intuito de incentivar o gosto pela matemática com toda sua
abstração e rigor.
165
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Sรฉzani Morais G. Carvalho