SOCIEDADE BRASILEIRA DE MATEMÁTICA
FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA
MESTRADO PROFISSIONAL EM MATEMÁTICA EM REDE NACIONAL
SÉZANI MORAIS GONÇALVES DE CARVALHO
MATRIZES, DETERMINANTES E POLINÔMIOS: Aplicações em códigos corretores
de erros, como estratégia motivacional para o ensino de matemática.
PORTO VELHO
2014
SÉZANI MORAIS GONÇALVES DE CARVALHO
MATRIZES, DETERMINANTES E POLINÔMIOS: Aplicações em códigos corretores
de erros, como estratégia motivacional para o ensino de matemática.
Trabalho de conclusão apresentado ao Mestrado
Profissional em Matemática em Rede Nacional โ
PROFMAT no polo da Universidade Federal de
Rondônia โ UNIR, como requisito parcial para a
obtenção do título de Mestre em Matemática
Profissional.
Orientador: Prof. Dr.
Rodriguez.
Porto Velho
2014
Tomás
Daniel
Menéndez
Aos meus pais Dorival e Terezinha.
À minha amada filha Aízis.
Ao saudoso Professor Domingos dos Reis.
Ao grande amigo e professor Marinaldo.
AGRADECIMENTOS
Com muita sinceridade e bastante carinho, externo meus agradecimentos:
A Deus pela oportunidade de vitória a mim concedida, pois nos momentos mais difíceis dessa
caminhada encontrei nele o conforto e a força necessária para prosseguir.
Ao meu orientador Prof. Dr. Tomás Daniel Menéndez Rodriguez por acreditar em mim desde
o saudoso período da graduação.
Aos meus pais Dorival Gonçalves de Carvalho e Terezinha Morais de Carvalho por me
incentivarem sempre nos estudos, além de me apoiarem.
À minha filha Aízis Morais de Carvalho por ser a razão pela qual sempre insisto em alcançar
maiores conquistas.
Ao grande professor e estimado amigo Dr. Marinaldo Felipe por contribuir comigo e demais
alunos com seu extraordinário conhecimento de matemática e com sua peculiaridade em ser
sempre entusiasta.
À Querida professora e amiga Maria das Graças por ser uma fonte inspiradora em como
ensinar e amar a matemática.
Aos professores e amigos Adeilton Costa, Flávio Batista Simão e Ronaldo Chaves pelas
contribuições em minha formação além da boa amizade.
Aos meus grandes amigos e companheiros de academia que ao meu lado batalharam durante
esses anos e foram incorporados à minha vida: Adalberto Carlos, Alisson, Francenildo,
Francisco Sales, Gilson Caliani, Jean, José Inildo, Kleber Sales, Luci, Marizete Nink, Magno
Martins, Vicente e, em especial ao jovem Guilherme, com quem aprendi muito, me diverti
muito e construí uma sólida e eterna amizade.
A todos os que contribuíram com minha formação, aos quais mencionei acima, e aos
colaboradores que por ventura deixei de mencionar, externo minha eterna gratidão.
RESUMO
Este trabalho consiste em um material de apoio aos professores de matemática atuantes nas
séries finais do ensino médio, bem como para os alunos concluintes desse ciclo da educação
básica, que desejem aprofundar seus conhecimentos.
Inicialmente, abordamos neste texto os fatores motivadores para a construção deste material
de apoio. Em seguida apresentamos os conteúdos de matrizes, determinantes e polinômios,
que estão presentes no currículo da disciplina de matemática no ensino médio. São
apresentadas também as estruturas algébricas elementares que, embora não façam parte dos
currículos de matemática na educação básica, aparecem parcialmente desde o ensino
fundamental mesmo que de forma implícita nessa disciplina. Por fim, apresentamos as
aplicações desses conteúdos matemáticos na teoria dos códigos corretores de erros, que é foco
deste trabalho, além de um rol de atividades propostas sobre os conteúdos abordados.
Palavras Chave: Matrizes. Determinantes. Polinômios. Estruturas Algébricas. Códigos
Corretores de Erros.
ABSTRACT
This work consists of a support material for teachers of mathematics acting in high school
finals series, as well as for students graduating from this cycle of basic education, who aim to
deepen their knowledge on the subject.
Initially, we discussed in this text the motivating factors for the construction of this support
material. Then we present the contents of matrix, determinants and polynomials, which are
present in the high school mathematics discipline curriculum. Also the elementary algebraic
structures are presented which, although not part of the curriculum of mathematics in basic
education, appear partially since elementary school, even if implicitly in this discipline.
Finally, applications of these mathematic contents are presented in the theory of errors
correcting codes, main focus of this work, besides a roster of proposed activities about the
addressed contents.
Key words: Matrix, Determinants, Polynomials, Algebraic structures, Errors correcting codes.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Telefone celular ..................................................................................................................... 27
Figura 2: Braço mecânico ................................................................................................................... 100
Figura 3: Esquema de uma permutação cíclica ................................................................................... 137
LISTA DE GRÁFICOS
GRÁFICO 1: Desempenho dos alunos em operações com matrizes...................................... 19
GRÁFICO 2: Conhecimento e aplicação das propriedades operacionais das matrizes.......... 19
GRÁFICO 3: Desempenho dos alunos em operações com polinômios.................................. 20
GRÁFICO 4: Conhecimento o utilização das propriedades operacionais dos polinômios..... 20
GRÁFICO 5: Domínio de técnicas na resolução de determinantes de matrizes..................... 21
GRÁFICO 6: Conhecimento e utilização das propriedades dos determinantes...................... 21
GRÁFICO 7: Habilidades na identificação da invertibilidade de uma matriz........................ 22
GRÁFICO 8: Conhecimento dos alunos sobre a aplicabilidade dos conteúdos de matrizes
e determinantes........................................................................................................................ 22
GRÁFICO 9: Conhecimento dos alunos sobre a aplicabilidade dos conteúdos de
polinômios............................................................................................................................... 23
GRÁFICO 10: Áreas de aplicação dos conteúdos de matrizes e determinantes, segundo os
alunos....................................................................................................................................... 23
GRÁFICO 11: Grau de importância sobre conhecer as aplicações dos conteúdos estudados
em matemática, segundo os alunos......................................................................................... 24
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO........................................................................................................................13
1
MOTIVAÇÃO E ABORDAGEM DO TRABALHO ....................................................... 16
1.1
POR QUE ESTUDAR MATRIZES, DETERMINANTES E POLINÔMIOS? ........ 16
1.2
A MOTIVAÇÃO PARA A REALIZAÇÃO DO TRABALHO ............................... 18
1.3 ABORDAGEM DOS CONTEÚDOS DE MATRIZES, DETERMINANTES E
POLINÔMIOS NO LIVRO DIDÁTICO. ............................................................................ 24
1.4 A ESCOLHA DA APLICAÇÃO DAS MATRIZES, DETERMINANTES E
POLINÔMIOS NOS CÓDIGOS CORRETORES DE ERROS ........................................... 26
2
MATRIZES ....................................................................................................................... 29
2.1
DEFINIÇÃO DE MATRIZES REAIS โ ALGUNS CONCEITOS .......................... 29
2.1.1
2.2
3
OPERAÇÕES COM MATRIZES ............................................................................. 31
2.2.1
Adição de matrizes ............................................................................................. 31
2.2.2
Multiplicação de um escalar real por uma matriz............................................... 32
2.2.3
Multiplicação de matrizes................................................................................... 33
2.2.4
Potenciação de matrizes...................................................................................... 35
2.3
Transposta de uma matriz .......................................................................................... 35
2.4
Inversa de uma matriz ................................................................................................ 37
2.5
Transformações elementares de matrizes .................................................................. 38
2.5.1
Matriz elementar ................................................................................................. 39
2.5.2
Matriz escalonada ............................................................................................... 41
DETERMINANTES ......................................................................................................... 45
3.1
PROPRIEADES DOS DETERMINANTES ............................................................. 47
3.1.1
3.2
Alguns comentários ............................................................................................ 55
MÉTODOS PARA O CÁLCULO DE DETERMINANTES .................................... 55
3.2.1
Regra de Sarrus para o cálculo do determinante de uma matriz de ordem 3 ..... 55
3.2.2
Regra de Laplace para o cálculo do determinante .............................................. 56
3.2.3
O método da eliminação de Gauss ..................................................................... 57
3.3
4
Igualdade de matrizes ......................................................................................... 30
Determinantes e matriz inversa .................................................................................. 59
ALGUMAS NOÇÕES SOBRE POLINÔMIOS............................................................... 62
4.1
IGUALDADE DE POLINÔMIOS ............................................................................ 63
4.2
ADIÇÃO DE POLINÔMIOS .................................................................................... 63
5
4.3
MULTIPLICAÇÃO DE POLINÔMIOS ................................................................... 65
4.4
DIVISÃO EUCLIDIANA DE POLINÔMIOS ......................................................... 68
4.5
INTERPOLAÇÃO ..................................................................................................... 72
ESTRUTURAS ALGÉBRICAS ELEMENTARES ......................................................... 74
5.1
LEI DE COMPOSIÇÃO INTERNA ......................................................................... 74
5.2
GRUPOS .................................................................................................................... 74
5.2.1
5.3
ANÉIS ........................................................................................................................ 77
5.3.1
6
Subgrupos ........................................................................................................... 76
Subanéis .............................................................................................................. 80
5.4
IDEAIS ...................................................................................................................... 81
5.5
CORPOS .................................................................................................................... 83
5.6
ESPAÇOS VETORIAIS ............................................................................................ 86
5.6.1
Algumas propriedades de um espaço vetorial .................................................... 88
5.6.2
Subespaços vetoriais ........................................................................................... 89
5.6.3
Base e Dimensão ................................................................................................ 91
5.6.4
Noções sobre transformação linear..................................................................... 95
5.6.5
Noções sobre produto interno ............................................................................. 98
CÓDIGOS CORRETORES DE ERROS .......................................................................... 99
6.1
O QUE É UM CÓDIGO? .......................................................................................... 99
6.2
MÉTRICA DE HAMMING .................................................................................... 103
6.2.1
Disco e esfera de centro c raio r ....................................................................... 104
6.2.2
Distância mínima de um código ....................................................................... 105
6.2.3
Número de detecções e número de correções de erros ..................................... 106
6.2.4
Códigos perfeitos .............................................................................................. 106
6.2.5
Equivalência de códigos ................................................................................... 107
6.3
CÓDIGOS LINEARES ........................................................................................... 108
6.3.1
Peso de um código ............................................................................................ 109
6.3.2
Matriz geradora de um código .......................................................................... 110
6.3.3
Códigos duais ................................................................................................... 114
6.3.4
Decodificação ................................................................................................... 119
6.3.5
Alguns exemplos de códigos lineares ............................................................... 128
6.4
ALGUMAS NOÇÕES SOBRE CÓDIGOS CÍCLICOS ......................................... 136
6.4.1
Codificação em código cíclico ......................................................................... 139
7
6.4.2
Código dual de um código cíclico .................................................................... 143
6.4.3
Decodificação em código cíclico ...................................................................... 146
ATIVIDADES POPOSTAS............................................................................................ 152
7.1
MATRIZES REAIS ................................................................................................. 152
7.2
DETERMINANTES DE MATRIZES REAIS ........................................................ 154
7.3
POLINÔMIOS EM โ[๐] ........................................................................................ 157
7.4
CÓDIGOS CORRETORES DE ERROS ................................................................ 159
CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................................163
REFERÊNCIAS......................................................................................................................165
13
INTRODUÇÃO
Na atualidade, vários esforços têm sido realizados com o objetivo de proporcionar
melhorias no ensino e aprendizagem de matemática, dentre eles podemos citar o programa
Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, do Governo Federal ou ainda programas
das Secretarias Estaduais e Municipais de Educação de diversos Estados e Municípios
brasileiros.
Embora existam medidas de diversas partes para proporcionar essa melhoria, temos
visto ao longo dos anos que se trata de um processo demorado e complexo atingir esse
objetivo, uma vez que pesquisas específicas realizadas nas várias etapas da educação básica,
como exemplos a Provinha Brasil e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), tem
mostrado.
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) mostra um avanço sutil no
desenvolvimento da educação básica. Os dois últimos resultados do IDEB, a saber, dos anos
de 2011 e 2013, apontam um discreto progresso, pois, do 1º ao 5º ano do ensino fundamental
o índice aumentou de 5,0 para 5,2, enquanto que do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, o
índice aumentou de 4,1 para 4,2 e, no ensino médio o índice se manteve em 3,7.
Com base nos resultados apresentados acima, percebemos que à medida que
avançamos para as séries finais da educação básica, dois fenômenos são observados:
1º - Os índices são menores;
2º - O progresso em cada etapa avaliada diminui à medida que avançamos aos anos finais,
pois de 2011 para 2013, houve aumento de 0,2 pontos no índice do 1º ao 5º ano do ensino
fundamental, 0,1 ponto do 6º ao 9º do ensino fundamental e não houve aumento no índice
referente ao ensino médio.
Como componente presente nos currículos da educação básica, a matemática está
inserida nesse contexto e seu ensino/aprendizagem tem participação no fracasso ou sucesso
dos estudantes nessas etapas da educação.
É sabido que no desenvolvimento humano o sujeito, inicialmente adquire suas
experiências a partir do concreto e em uma etapa posterior, decorrente das experiências
adquiridas, atinge o estágio de abstração. Segundo Piaget, โApós os 11 ou 12 anos, o
pensamento formal torna-se possível, isto é, as operações lógicas começam a ser transpostas
do plano da manipulação para as ideiasโ (PIAGET, 1995, p 59). Com a matemática não é
diferente: as experiências iniciais são adquiridas a partir do concreto e, em uma etapa
posterior, à medida que vai avançando, a matemática vai se distanciando do concreto e sendo
14
imersa em um contexto abstrato e cada vez mais abstrato. Porém, cabe ressaltar que embora
adquira status avançado de abstração, não deixa de ter aplicabilidade no mundo concreto,
mesmo porque, grande parte dos avanços matemáticos existentes surgiu da necessidade de
atender a alguma demanda do mundo concreto. Meyer et al evidencia que โos gregos
desenvolveram o cálculo de área por que tinham de fazer as medições das terras do Nilo; os
fenícios desenvolveram conceitos aritméticos de contabilidade porque eram comerciantesโ
(MEYER et al, 2011, p 25).
Nesse contexto, podemos ver nos Parâmetros Curriculares Nacionais o seguinte texto:
A Matemática, por sua universalidade de quantificação e expressão, como
linguagem portanto, ocupa uma posição singular. No Ensino Médio, quando nas
ciências torna-se essencial uma construção abstrata mais elaborada, os instrumentos
matemáticos são especialmente importantes. Mas não é só nesse sentido que a
Matemática é fundamental. Possivelmente, não existe nenhuma atividade da vida
contemporânea, da música à informática, do comércio à meteorologia, das
engenharias às comunicações, em que a Matemática não compareça de maneira
insubstituível para codificar, ordenar, quantificar e interpretar compassos, taxas,
dosagens, coordenadas, tensões, frequências e quantas outras variáveis houver
(PNC/Ensino Médio, p 9).
Sendo assim, a abstração é essencial para โo aprenderโ matemática, é impensável uma
matemática que se alimente puramente do concreto, porém, mesmo que de maneira implícita,
a matemática está presente nas atividades cotidianas, o que leva-nos a pensar em estratégias
de ensino que apresentem as aplicabilidades da matemática no dia a dia. O ato de conhecer
não deve estar puramente ligado ao โsaber para que serveโ, mas quando apresentamos
utilidades àquilo que ensinamos e pontes de ligação entre o abstrato e o concreto, ensinamos
uma Matemática possivelmente mais capaz de despertar interesse aos estudantes, revelar
identidades e afinidades e por consequência, construir um conhecimento mais sólido.
A proposta deste trabalho é a apresentação de alguns conteúdos do currículo escolar de
matemática do ensino médio, dando atenção especial às demonstrações das propriedades e dos
teoremas pertinentes, para em seguida, apresentar uma aplicação desses conteúdos em um
contexto โextramatemáticoโ ou โextraescolarโ. A escolha da aplicação na teoria dos códigos
corretores de erros deu-se em virtude de este ser um assunto pouco conhecido ou discutido
entre os jovens, porém, muito presente em recursos tecnológicos utilizados pelos mesmos,
uma vez que as telecomunicações e os dispositivos de armazenamento presentes no nosso dia
a dia, muito mais entre os jovens, não seriam confiáveis nem eficientes sem a utilização dessa
teoria. Sendo assim, procuramos neste trabalho, apresentar os conceitos básicos dessa teoria,
15
com uma preocupação maior em atrair a atenção dos estudantes à disciplina de matemática, a
partir do pressuposto do conhecimento de uma das suas vastas aplicações.
Cabe salientar que o material apresentado neste trabalho é primeiramente direcionado
aos professores ou pessoas que tenham um conhecimento prévio de matemática além das
operações fundamentais. Não é necessário que os alunos do ensino médio saibam demonstrar
os teoremas apresentados no capítulo referente à teoria dos códigos corretores de erros, sendo
mais interessante, a partir dos conceitos apresentados pelos professores sobre essa teoria,
saberem operar com matrizes, determinantes, polinômios e, conhecendo suas propriedades,
desenvolverem com mais habilidades os cálculos e argumentações relacionadas com esses
assuntos.
16
1
1.1
MOTIVAÇÃO E ABORDAGEM DO TRABALHO
POR QUE ESTUDAR MATRIZES, DETERMINANTES E POLINÔMIOS?
O questionamento acima fez parte da minha vida em pelo menos duas ocasiões
diferentes: a primeira enquanto eu ainda era aluno do ensino médio e presenciava meu
professor destrinchar matrizes enormes de ordem 5 ou 6, determinando cada um dos seus
elementos através de uma sentença que aparecia em função dos โisโ e dos โjotasโ. Por vezes,
recebia listas de exercícios nas quais volta e meia aparecia para ser calculado um
determinante de uma matriz quadrada de ordem 5 através da regra de Laplace, ou ainda
polinômios de graus elevados, dos quais tinha que determinar o quociente e o resto ou ainda
encontrar as raízes reais. Na condição de aluno, resolvia essas atividades, mas não sabia para
o que serviam. Por vezes imaginava que eram caprichos matemáticos que serviam
simplesmente para treinar habilidades em multiplicar ou dividir números reais. Saí do ensino
médio sem saber para o que serviam as matrizes, os determinantes e os polinômios. Por vezes
encontrava alguma aplicação, porém, sempre dentro da própria matemática. Na segunda
situação na qual deparei-me com o questionamento acima, anos já tinham passado e eu
encontrava-me na posição de professor e ouvia dos meus alunos as mesmas indagações que
no meu tempo de ensino médio, fazia a mim mesmo ou a amigos ou ainda ao próprio
professor: para que servem as matrizes, determinantes e os polinômios? Quando eu terminar o
ensino médio, aonde irei usar isso? Onde aplicarei esses conhecimentos no meu trabalho? A
primeira pergunta seguramente sou capaz de responder, pois o objetivo deste trabalho, por si
só traz a resposta. A segunda pergunta, se interpretada com um olhar matemático, também
pode ser respondida: toda vez que um computador for utilizado, um telefone celular ou
qualquer canal de comunicação, implicitamente estarão sendo usadas as matrizes, os
polinômios e tantos outros conhecimentos matemáticos. Já a terceira pergunta não possui uma
resposta formal, pois tal resposta está condicionada à atividade profissional que o estudante
irá executar no futuro.
Certamente essas dúvidas não estão presentes somente nos conteúdos de matrizes,
determinantes e polinômios, porém, tendo em vista a grande quantidade de cálculos que
17
geralmente são utilizados na resolução de problemas referentes a esses conteúdos, embora
elementares, é plausível que com maior frequência ouçamos essas indagações ao ensiná-los.
Criar pontes de acesso entre os conteúdos matemáticos e as aplicações práticas
certamente constitui uma estratégia para o ensino desta disciplina. O ato de โsaber para que
serveโ pode ser motivador ao aluno e, caso alguém sonhe em ser engenheiro ou trabalhar com
informática ou áreas afins, certamente terá subsídios para o seu direcionamento. Uma
matemática que seja trabalhada de modo a associar os conteúdos estudados às aplicações nos
fenômenos vivenciados pelos alunos é uma matemática contextualizada. A contextualização
segundo Fogaça โé o ato de vincular o conhecimento à sua origem e à sua aplicaçãoโ
(FOGAÇA, 2012). As ações pedagógicas no ensino da matemática devem apresentar
preocupações com a contextualização. Reconhecemos que quanto mais abstrato for o conceito
matemático a ser estudado, mais dificultosa será sua contextualização, porém, a abstração
excessiva inerente a alguns conteúdos da matemática não constitui entrave algum em ações
para que outros conteúdos, menos abstratos, sejam facilmente contextualizados e, por
conseguinte tornem-se mais atrativos e mais facilmente compreendidos. Parece-nos que a
teoria e a prática caminham em vias divergentes nas quais, à medida que progredimos nos
conteúdos matemáticos presentes nos currículos escolares, mais distantes ficam a teoria e a
prática. DโAmbrósio diz: โDo ponto de vista de motivação contextualizada, a matemática que
se ensina hoje nas escolas é morta. Poderia ser tratada como fato históricoโ (Dโ AMBROSIO,
2012, p 29). É perceptível esse distanciamento quando observamos os livros didáticos
adotados pelas escolas de nível médio, nos quais são frequentes as listas de exercícios no fim
de cada capítulo, nas quais aparecem: โcalculeโ, โdetermineโ, โencontreโ etc., sem nenhum
elo entre os exercícios e as aplicações. Acerca da contextualização, Meyer et al dizem:
A maioria das pessoas não consegue relacionar a Matemática nem com as outras
ciências e muito menos com situações de seus cotidianos, porque foi criado um
universo à parte, ou seja, para elas, a Matemática não está presente em outros
contextos (MEYER et al, 2011, p 24).
Ou ainda, segundo Meyer et al, na educação básica, a matemática โchega para os
alunos neutra e descontextualizada, com pouca ou nenhuma relação com a realidade de quem
está na sala de aula: professores e alunosโ (MEYER et al, 2011, p. 53).
Particularmente, reconhecemos a necessidade da resolução de exercícios do tipo
โcalculeโ, โdetermineโ etc., porém, para um aprendizado consolidado de matemática, há
necessidade de problemas que estimulem o pensar, que sirvam de ponte entre teoria e prática,
18
que suscitem o aluno à busca por respostas tendo como referência os fenômenos da vida
extraescolar.
A solução de problemas baseia-se na apresentação de situações abertas e sugestivas
que exijam dos alunos uma atitude ativa ou um esforço para buscar suas próprias
respostas, seu próprio conhecimento. O ensino baseado na solução de problemas
pressupõe promover nos alunos o domínio de procedimentos, assim como a
utilização dos conhecimentos disponíveis, para dar resposta a situações variáveis e
diferentes (POZO; ECHEVERRÍA, 1988, p 9).
Trazer a realidade cotidiana para o interior de uma sala de aula pode representar um
avanço pedagógico na educação matemática, pois, à medida que o aluno percebe a
necessidade de aprender matemática para lidar com os fenômenos da vida real, por mais
abstratos que sejam esses conteúdos, provavelmente melhor será o aprendizado. O interior de
uma sala de aula de matemática deve conter as realidades vividas pelo aluno quando estão
fora da escola, assim como no exterior da sala de aula o aluno deve vivenciar os
conhecimentos matemáticos adquiridos. Para DโAmbrosio:
Particularmente em matemática, parece que há uma fixação na ideia de haver
necessidade de um conhecimento hierarquizado, em que cada degrau é galgado
numa certa fase da vida, com atenção exclusiva durante horas de aula, como um
canal de televisão que se sintoniza para as disciplinas e se desliga acabada a aula.
Como se fossem duas realidades disjuntas, a da aula e a de fora da aula
(DโAMBROSIO, 2012, p. 76).
A citação acima evidencia a disparidade existente entre o mundo dentro e o mundo
fora da sala de aula. Um dos desafios da educação, em especial a matemática, é justamente
colocar a seu favor a prática matemática vivenciada de forma explícita ou implícita pelos
alunos em seu cotidiano.
1.2
A MOTIVAÇÃO PARA A REALIZAÇÃO DO TRABALHO
Em relação ao exposto no tópico anterior, fomos movidos a estabelecer um canal de
diálogo com os alunos de três turmas do 3º ano do ensino médio de uma escola pública de
tempo integral no Município de Porto Velho-RO, para obter deles informações acerca do
aprendizado dos conteúdos de matrizes, determinantes e polinômios. Os resultados obtidos
são apresentados a seguir:
Questionados sobre terem estudado os conteúdos de matrizes, determinantes e
polinômios, tivemos unanimidade em respostas afirmativas.
19
O Gráfico 1 apresenta os resultados obtido sobre o desempenho dos mesmos na
resolução de atividades que envolvam as operações com matrizes:
Gráfico 1: Desempenho dos alunos em operações com matrizes
27%
Bom desempenho
Pouco Desempenho
73%
O Gráfico 2 apresenta os resultados obtidos acerca do conhecimento das propriedades
operacionais das matrizes:
Gráfico 2: Conhecimento e aplicação das propriedades operacionais
das matrizes
3%
26%
Sabe utilizar as
propriedades
Sabe algumas propriedades
71%
desconhece as
propriedades operacionais
O Gráfico 3 apresenta os resultados obtido sobre o desempenho dos mesmos na
resolução de atividades que envolvam as operações com polinômios:
20
Gráfico 3: Desempenho dos alunos em operações com polinômios
16%
14%
Bom desempenho
Pouco desempenho
Nenhum desempenho
70%
O Gráfico 4 apresenta os resultados obtidos acerca do conhecimento das propriedades
operacionais dos polinômios:
Gráfico 4: Conhecimento e utilização das propriedades operacionais
dos polinômios
9%
26%
Conhece e sabe utilizar
Conhece pouco e utiliza
algumas
Não conhece
65%
Em relação ao cálculo de determinantes de matrizes, questionados sobre as habilidades
na resolução, as respostas obtidas são apresentadas no Gráfico 5:
21
Gráfico 5: Domínio de técnicas na resolução de determinantes de
matrizes
6%
Domínio de técnicas para
resolução de determinantes
de matrizes de ordem 1 ou 2
14%
30%
50%
Domínio de técnicas para
resolução de determinantes
de matrizes de ordem 1, 2 ou
3
Domínio de técnicas para
resolução de determinantes
de matrizes de qualquer
ordem
Não sabe calcular
determinantes de matrizes
Em relação ao conhecer e saber utilizar as propriedades dos determinantes, obtivemos
os resultados apresentados no Gráfico 6:
Gráfico 6: Conhecimento e utilização das propriedades dos
determinantes
11%
19%
Conhece e utiliza
perfeitamente
Conhece pouco e utiliza
pouco
Desconhece
70%
Perguntamos ainda aos alunos se os mesmos sabiam como identificar quando uma
matriz é invertível. As respostas obtidas são apresentadas no Gráfico 7:
22
Gráfico 7: Habilidades na identificação da invertibilidade de uma
matriz
21%
Sim, sei identificar
Não, não sei identificar
79%
Perguntamos aos alunos se os mesmos conheciam alguma aplicação ou utilidade para
as matrizes e os determinantes. Os resultados obtidos são apresentados no Gráfico 8:
Gráfico 8: Conhecimento dos alunos sobre a aplicabilidade dos
conteúdos de matrizes e determinantes
43%
Sim, conheço aplicações
57%
Não conheço aplicações
Perguntamos aos alunos se os mesmos conheciam alguma aplicação ou utilidade para
o estudo dos polinômios. Os resultados obtidos são apresentados no Gráfico 9:
23
Gráfico 9: Conhecimento dos alunos sobre a aplicabilidade dos
conteúdos de polinômios
12%
Sim, conheço aplicações
Não conheço aplicações
88%
Em virtude de 57% dos alunos terem respondido afirmativamente que conhecem
aplicações para as matrizes e determinantes, solicitamos que fossem informadas as aplicações
que os mesmo conhecem acerca desses conteúdos. Os resultados obtidos são apresentados no
Gráfico 10:
Gráfico 10: Áreas de aplicação dos conteúdos de matrizes e
determinantes, segundo os alunos
12%
Geometria analítica
17%
Informática: computação
gráfica e criptografia
71%
outros
É interessante observar que grande maioria dos alunos, mais precisamente 71% deles
conhecem aplicações das matrizes e determinantes em geometria analítica, ou seja, conhecem
uma aplicação da matemática dentro da própria matemática. Menos de 30% dos alunos já
ouviram falar de alguma aplicação desses conteúdos em outra área do conhecimento ou em
algum fenômeno.
24
Em um último questionamento, solicitamos aos alunos que opinassem a respeito da
importância de conhecer a aplicabilidade dos conteúdos estudados em matemática, nas outras
áreas de conhecimento bem como em situações do cotidiano. Os resultados obtidos são
apresentados no Gráfico 11:
Gráfico 11: Grau de importância sobre conhecer a aplicabilidade dos
conteúdos estudados em matemática, segundo os alunos
4%
9%
Muito importante
Pouco importante
Não opinaram
87%
Os resultados obtidos através do diálogo com os alunos constituíram um fator
motivador para a realização deste trabalho, uma vez que a proposta do mesmo é justamente
atender parte da necessidade dos estudantes em conhecer as aplicações para os conteúdos
estudados na disciplina de matemática no ensino médio.
1.3
ABORDAGEM DOS CONTEÚDOS DE MATRIZES, DETERMINANTES E
POLINÔMIOS NO LIVRO DIDÁTICO.
Além de conter aplicações para os conteúdos de matrizes, determinantes e polinômios,
o presente trabalho procura apresentar a demonstração da validade de cada uma das
propriedades apresentadas e dos teoremas enunciados. Reconhecemos que a complexidade de
alguma dessas demonstrações foge ao nível de conhecimento matemático praticado hoje em
dia, em especial no ensino público, porém, mesmo assim julgamos necessário que essas
demonstrações se fizessem presentes.
Verificamos que nos livros didáticos atualmente adotados nas escolas públicas, as
demonstrações estão deixando de figurar, apenas as propriedades operacionais das matrizes,
determinantes e dos polinômios são apresentadas. É sugerido ao aluno que verifique a
25
validade dessas propriedades através da análise de casos particulares. As análises matemáticas
obtidas através de casos particulares são extremamente importantes, pois a partir dessas
análises é possível que os alunos obtenham inferências e, por conseguinte, a capacidade de
generalização, porém, o fato de uma propriedade ser verificada em casos particulares, pode
não garantir a sua validade para uma infinidade de casos. Um exemplo bem simples disso
consiste em um aluno que desconheça as propriedades operacionais das matrizes e deseje
verificar se a multiplicação de matrizes goza da propriedade comutativa. Para tanto, escolhe
ao acaso duas matrizes quadradas de ordem 2: ๐ด =
1 โ1
3 2
e ๐ต=
0 2
0 1
e efetua as
operações ๐ด โ ๐ต e ๐ต โ ๐ด e obtém os seguintes resultados:
3+0 2โ1
1 โ1 3 2
3 1
โ
=
=
0+0 0+2
0 2
0 1
0 2
3 + 0 โ3 + 4
3 2 1 โ1
3 1
๐ตโ๐ด =
โ
=
=
0+0 0+2
0 1 0 2
0 2
๐ดโ๐ต =
O aluno observa que ๐ด โ ๐ต = ๐ต โ ๐ด. É levantada a suspeita de que a multiplicação de
matrizes é comutativa.
Em uma nova tentativa, o aluno escolhe ao acaso duas outras matrizes, com finalidade
de validar sua suspeita: ๐ถ =
2
5 2
e๐ท=
0
0 โ3
1
e efetua as operações ๐ถ โ ๐ท e ๐ท โ ๐ถ e
โ2
obtém os seguintes resultados:
5
0
2
๐ทโ๐ถ =
0
๐ถโ๐ท =
2 1
10 + 0
2
โ
=
0+0
โ3 0 โ2
10 + 0
1
5 2
โ
=
0+0
โ2 0 โ3
5โ4
10
=
0
0+6
4โ3
10
=
0+6
0
1
6
1
6
Novamente os resultados obtidos são iguais, o que leva o aluno, tendo como base os
casos particulares que analisou, a inferir que a multiplicação de matrizes goza da propriedade
comutativa, generalizando esse resultado equivocadamente como veremos em 2.2.3. Portanto,
embora a análise de casos particulares seja uma ferramenta útil na matemática para que os
alunos busquem por padrões e façam conjecturas, essa ferramenta não pode ser utilizada
como verdade absoluta. Em consequência disso, justifica-se a necessidade da presença das
demonstrações das propriedades e teoremas pertinentes a cada assunto matemático abordado
nos livros didáticos, bem como a prática dessa ação em sala de aula.
Outro ponto que observamos em alguns livros didáticos adotados pelas escolas é a
abordagem dos determinantes como uma mera operação matemática a ser realizada com os
elementos de uma matriz. Assim, os alunos desconhecem, por exemplo, que o determinante
de uma matriz real é uma função com domínio no conjunto das matrizes reais quadradas e
contradomínio no conjunto dos números reais, com isso, perdem a oportunidade de
26
associarem esse conteúdo, com outros conteúdos vistos anteriormente, como a caracterização
de uma função como injetiva, sobrejetiva, bijetiva, existência da inversa ou composição de
funções.
Cabe salientar ainda que a determinação da matriz inversa de uma matriz ๐ด quadrada
de ordem ๐, seja por operações elementares sobre as linhas de uma matriz ๐ด ๐ผ๐ ou ainda
através do produto da matriz adjunta de ๐ด pelo inverso multiplicativo do determinante da
matriz ๐ด, vem perdendo espaço nos livros didáticos, tirando com isso, a oportunidade dos
alunos aprenderem sobre esses conceitos que são fundamentais no estudo das matrizes.
Com relação aos conteúdos sobre polinômios, não foi encontrado texto algum adotado
no ensino médio que trate sobre a interpolação de Lagrange.
1.4
A ESCOLHA DA APLICAÇÃO DAS MATRIZES, DETERMINANTES E
POLINÔMIOS NOS CÓDIGOS CORRETORES DE ERROS
Diante dos resultados obtidos nos diálogos com os alunos das turmas de 3º ano do
ensino médio, além das observações comentadas anteriormente acerca dos livros didáticos
adotados pelas escolas, fomos motivados a elaborar um material que buscasse suprir as faltas
de demonstrações da validade das propriedades enunciadas nesses livros, bem como a
ausência dos principais teoremas de cada um desses conteúdos abordados, além da
apresentação de alguma aplicação desses conteúdos em alguma área do conhecimento ou
algum fenômeno do cotidiano dos alunos. Esse fato levou-nos aos códigos corretores de erros,
uma vez que essa teoria é vastamente utilizada em meios de comunicação e equipamentos de
armazenamento de informações que, frequentemente, são utilizados no nosso cotidiano, em
especial por grande parte dos jovens que nos dias atuais fazem uso constante de recursos
tecnológicos de comunicação e armazenamento tais como telefones celulares, tablets,
computadores, entre outros.
É perceptível nos dias atuais, que a sociedade, numa velocidade muito rápida, tem sido
imersa em uma realidade digital. A tecnologia desenvolvida pelas engenharias tem avançado a
passos rápidos e esses fatores suscitam às novas ações educacionais, capazes de aproveitar as
novas tecnologias a favor de um ensino/aprendizagem com melhor qualidade e capaz de
preparar o aluno para ser atuante no meio social. Para Henriques (2010):
As mudanças sociais e o rápido desenvolvimento tecnológico que se têm verificado
na sociedade conduzem a uma alteração nas suas necessidades e, consequentemente,
nas competências que é preciso desenvolver nos alunos em áreas fundamentais
27
como a da Matemática. Existe actualmente a convicção de que os alunos precisarão
de um conjunto muito vasto de competências matemáticas para desempenhar, com
eficiência, funções na sociedade actual. De acordo com diversos documentos de
referência na área da educação matemática, ao nível do ensino básico e secundário
[...], os alunos devem ser capazes de: (i) desenvolver uma profunda compreensão
dos conceitos e princípios matemáticos; (ii) raciocinar com rigor e comunicar com
clareza; (iii) reconhecer as aplicações matemáticas no mundo que os rodeia e
enfrentar os problemas matemáticos com confiança; (iv) aprender a investigar, por si
próprios, as ideias matemáticas; e (v) usar experiências e observações para formular
conjecturas. (p 4)
Em virtude da teoria dos códigos corretores de erros estar inserida em grande parte dos
recursos tecnológicos utilizados pelos alunos, optamos por trabalhar esse tema. Muitos de nós
utilizamos recursos tecnológicos disponíveis na atualidade, sem darmos conta da matemática
que existe por trás do bom funcionamento de cada um deles. Ao enviarmos uma mensagem
no celular ou através de e-mail, por exemplo, o que nos dá garantia que o destinatário irá
receber a mensagem tal qual a enviamos? O que garante a fidelidade entre a mensagem
enviada e a recebida? Quem de nós ao digitar uma palavra errada em uma mensagem de
celular não percebeu que o próprio equipamento sugere uma correção prévia, conforme a
figura 1?
Figura 1: Telefone celular
Fonte: Foto retirada pelo autor
Encontrando nesses recursos tecnológicos utilizados pela sociedade atual a matemática
necessária das matrizes, determinantes e polinômios aplicada nos códigos corretores de erros,
vimos uma oportunidade útil de socializar esses conhecimentos e propiciar aos alunos uma
forma diferenciada na abordagem dos assuntos estudados por eles.
Entre os conteúdos de matrizes, determinantes e polinômio, pertinentes ao currículo do
ensino médio, e a teoria dos códigos corretores de erros, existe um elo que consiste no
conhecimento das estruturas algébricas elementares. As estruturas algébricas elementares não
pertencem ao rol de conteúdos presentes nos currículos de matemática da educação básica.
28
Nos livros didáticos do ensino fundamental, os conjuntos numéricos não são apresentados não
como estruturas algébricas elementares, mas as suas propriedades, em geral, definem essas
estruturas. Por exemplo, os livros do 7º ano do ensino fundamental apresentam o conjunto โค
dos números inteiros, como sendo um conjunto no qual a adição está definida e goza das
seguintes propriedades: comutatividade, associatividade, elemento neutro aditivo, elemento
simétrico. A apresentação dessas propriedades no livro didático caracteriza o conjunto โค
como sendo um grupo aditivo, ademais, por ser apresentada a propriedade comutativa, então,
temos โค como um grupo abeliano. Ao introduzir a multiplicação no conjunto โค dos números
inteiros, os livros didáticos apresentam as propriedades comutativa, associativa, elemento
neutro multiplicativo e a distributividade em relação à adição, o que caracteriza โค como um
anel ou, mais ainda, um anel comutativo com unidade. Posteriormente, mais precisamente
quando se estudam equações em โค, é apresentado aos alunos sentenças do tipo 3๐ฅ = 0 โ
๐ฅ = 0 , que, em outras palavras, significa que no conjunto โค não existem divisores próprios
de zero, logo, โค é um domínio de integridade.
Quando o conjunto โ dos números racionais e โ dos números reais são apresentados,
além de serem mencionadas para โ e โ todas as propriedades anteriormente enumeradas no
conjunto โค, é enunciado ainda que todo elemento não nulo desses conjuntos possui um
inverso multiplicativo, o que define โ e โ como corpos. Sendo assim, os conceitos de grupo,
anéis, domínios de integridade e corpos, que constituem parte das estruturas algébricas
elementares, vão sendo construídos implicitamente no aprendizado dos alunos. Portanto, não
encaramos o โeloโ das estruturas algébricas elementares como sendo um obstáculo para o
acesso à teoria dos códigos corretores de erros e, em consequência disso, apresentamos esses
conceitos neste trabalho.
29
2
2.1
MATRIZES
DEFINIÇÃO DE MATRIZES REAIS โ ALGUNS CONCEITOS
Sendo ๐, ๐ โ โ, definimos uma matriz real de ordem ๐ por ๐ como uma tabela
formada por ๐ โ ๐ elementos do conjunto โ agrupados em ๐ linhas e ๐ colunas.
Ao elemento que ocupa a ๐ โ é๐ ๐๐๐ linha e ๐ โ é๐ ๐๐๐ coluna de uma matriz ๐ด,
representamos por ๐๐๐ , com 1 โค ๐ โค ๐ e 1 โค ๐ โค ๐.
Cada elemento ๐๐๐ da matriz ๐ด é denominado entrada da matriz.
Exemplo:
๐ด=
2 โ1 0
1
2 2 โ3 é a representação de uma matriz de ordem 2 × 3. Observemos,
por exemplo, que o elemento โ3 ocupa a posição que corresponde à interseção da segunda
linha com a terceira coluna, portanto โ3 = ๐23 .
Uma matriz ๐ด de ordem ๐ por ๐ é genericamente representada por
๐11 ๐12 ๐13 โฆ ๐1๐
๐21 ๐22 ๐23 โฆ ๐2๐
๐ด = ๐31 ๐32 ๐33 โฆ ๐3๐ ou ainda ๐ด = ๐๐๐ ๐ ×๐ ou, quando a ordem da matriz for
โฎ
โฎ
โฎ
โฑ
โฎ
๐๐1 ๐๐2 ๐๐3 โฆ ๐๐๐
conhecida, podemos representar apenas por ๐ด = ๐๐๐ .
À matriz cuja ordem seja 1 × ๐ denominamos matriz linha e à matriz cuja ordem seja
๐ × 1 denominamos matriz coluna.
Exemplos:
3
๐ด = โ4
3
2
1
9
โ4
e ๐ต = 0 são, respectivamente, matriz linha e matriz coluna.
๐
À matriz ๐ด = ๐๐๐ de ordem ๐ por ๐, que possui ๐๐๐ = 0 para todo ๐ โ 1, 2, โฆ , ๐ e
todo ๐ โ 1, 2, โฆ , ๐ , denominamos ๐๐๐ก๐๐๐ง ๐๐ข๐๐.
Dada uma matriz ๐ด = ๐๐๐ de ordem ๐ por ๐, definimos a matriz oposta de ๐ด como
sendo a matriz โ๐ด = โ๐๐๐ , de mesma ordem de ๐ด.
30
Se em uma matriz ๐ด = ๐๐๐ de ordem ๐ × ๐ tivermos ๐ = ๐, então dizemos que ๐ด é
uma matriz quadrada de ordem ๐.
Exemplo:
0
โ5 ๐
5
1
๐ด= โ
3
๐
2
โ2
0 é quadrada de ordem 3.
1
Em uma matriz quadrada ๐ด = ๐๐๐ , de ordem ๐, os elementos ๐๐๐ , com ๐ = ๐ formam
a diagonal principal.
À matriz ๐ด = ๐๐๐ , quadrada, de ordem ๐, onde ๐๐๐ = 0 quando ๐ โ ๐, denominamos
matriz diagonal.
Exemplo:
โ5
๐ด=
0
0
0
2
โ
3
0
0
0
7
Uma matriz diagonal de ordem ๐, cujos elementos da diagonal principal forem todos
iguais a 1 é denominada matriz identidade de ordem ๐ e é representada por ๐ผ๐ .
Exemplo:
1
๐ผ3 = 0
0
0 0
1 0
0 1
À matriz ๐ด = ๐๐๐ , quadrada de ordem ๐, que possui os elementos ๐๐๐ = 0 quando
๐ < ๐ (ou ๐ > ๐) denominamos matriz triangular inferior (ou matriz triangular superior).
Exemplos:
2
๐ด= 1
3
0
โ5
1
2
0
0
โ3
e ๐ต=
โ7 6 2
0 2 โ1
0 0 4
๐ด e ๐ต são, respectivamente, matriz
triangular inferior e matriz triangular superior, ambas de ordem 3.
O símbolo โณ(๐, ๐) representará o conjunto de todas as matrizes de ordem ๐ por ๐.
2.1.1 Igualdade de matrizes
Dadas duas matrizes ๐ด = ๐๐๐
e ๐ต = ๐๐๐ , pertencentes a โณ(๐, ๐), ou seja, de
mesma ordem, dizemos que ๐ด e ๐ต são iguais, ou ainda ๐ด = ๐ต, quando ๐๐๐ = ๐๐๐ para todo
๐ โ 1, 2, โฆ , ๐ e todo ๐ โ 1, 2, โฆ , ๐ .
31
2.2
OPERAÇÕES COM MATRIZES
2.2.1 Adição de matrizes
Definimos a operação de adição em โณ(๐, ๐) como sendo uma função de โณ(๐, ๐) ×
โณ(๐, ๐) em โณ ๐, ๐ , que a cada par ๐ด, ๐ต โ โณ(๐, ๐) × โณ(๐, ๐) faz corresponder a
matriz ๐ด + ๐ต = ๐ถ โ โณ(๐, ๐), de maneira que ๐๐๐ + ๐๐๐ = ๐๐๐ para todo ๐ โ 1, 2, โฆ , ๐ e
todo ๐ โ 1, 2, โฆ , ๐ .
Exemplo:
Sejam as matrizes ๐ด =
โ1 0
0 2
5
0 4 โ3
e๐ต=
pertencentes a โณ(2,3),
2 โ1 4
โ3
temos:
๐ด+๐ต =
=
โ1 0 5
0
+
2
0 2 โ3
โ1 + 0
0+4
4 โ3
=
0 + 2 2 + โ1
โ1 4
5 + โ3
โ3 + 4
=
โ1 4 2
= ๐ถ โ โณ 2,3
2 1 1
Propriedades da adição de matrizes
Sejam ๐ด, ๐ต e ๐ถ matrizes pertencentes a โณ(๐, ๐), temos:
I) Propriedade associativa da adição: ๐ด + ๐ต + ๐ถ = ๐ด + ๐ต + ๐ถ
II) Propriedade comutativa da adição: ๐ด + ๐ต = ๐ต + ๐ด
III) Elemento Neutro da adição: ๐ด + 0 = 0 + ๐ด = ๐ด, onde 0 significa a matriz nula
IV) ๐ด + โ๐ด = โ๐ด + ๐ด = 0, onde โ ๐ด representa a matriz oposta de ๐ด.
Demonstrações:
I) Dadas ๐ด = [๐๐๐ ], ๐ต = [๐๐๐ ] e ๐ถ = [๐๐๐ ] matrizes pertencentes a โณ(๐, ๐), temos:
๐ด + ๐ต + ๐ถ = ๐๐๐ + ๐๐๐ + ๐๐๐ = [๐๐๐ + (๐๐๐ + ๐๐๐ )] = [(๐๐๐ + ๐๐๐ ) + ๐๐๐ ] =
= [๐๐๐ + ๐๐๐ ] + ๐๐๐ = ๐ด + ๐ต + ๐ถ
(utilizamos a associatividade da adição de números
reais)
II) Dadas ๐ด e ๐ต matrizes pertencentes a โณ(๐, ๐), temos:
๐ด + ๐ต = ๐๐๐ + ๐๐๐ = ๐๐๐ + ๐๐๐ = ๐๐๐ + ๐๐๐ = ๐๐๐ + ๐๐๐ = ๐ต + ๐ด
(Utilizamos
comutatividade da adição de números reais)
III) Seja ๐ด uma matriz pertencente a โณ(๐, ๐) e 0 a matriz nula de โณ ๐, ๐ , temos:
๐ด + 0 = ๐๐๐ + 0 = ๐๐๐ + 0 = ๐๐๐ = ๐ด = 0 + ๐๐๐ = 0 + ๐๐๐ = 0 + ๐ด
a
32
IV) Seja ๐ด uma matriz pertencente a โณ(๐, ๐) e โ ๐ด a sua matriz oposta. Temos:
๐ด + โ๐ด = ๐๐๐ + โ๐๐๐ = ๐๐๐ + โ๐๐๐
= ๐๐๐ โ ๐๐๐ = 0 = โ๐๐๐ + ๐๐๐ =
= [โ๐๐๐ ] + ๐๐๐ = โ๐ด + ๐ด
2.2.2 Multiplicação de um escalar real por uma matriz
Dada uma matriz ๐ด = ๐๐๐ pertencente a โณ(๐, ๐), definimos o produto da matriz ๐ด
por um escalar ๐ โ โ, como a matriz ๐๐ด = ๐๐๐๐ .
Exemplo:
Seja ๐ด =
โ1 0
0 2
โ5๐ด = โ5.
โ1
0
5
e ๐ = โ5, temos:
โ3
โ5. (โ1) โ5.0
โ5.5
0 5
5
0
=
=
โ5.0
โ5.2 โ5(โ3)
2 โ3
0 โ10
โ25
15
Propriedades da multiplicação de uma matriz por um escalar real
Sejam ๐ด e ๐ต matrizes pertencentes a โณ(๐, ๐) e ๐1 e ๐2 escalares reais, temos:
I) ๐1 . ๐ด + ๐ต = ๐1 . ๐ด + ๐1 . ๐ต
II) (๐1 + ๐2 ). ๐ด = ๐1 . ๐ด + ๐2 . ๐ด
III) ๐1 . ๐2 . ๐ด = ๐1 . ๐2 . ๐ด
IV) 1๐ด = ๐ด
Demonstrações:
Sejam ๐ด e ๐ต matrizes pertencentes a โณ(๐, ๐) e ๐1 , ๐2 โ โ, temos:
I) ๐1 โ ๐ด + ๐ต = ๐1 โ ๐๐๐ + ๐๐๐ = ๐1 โ ๐๐๐ + ๐๐๐
= ๐1 โ ๐๐๐ + ๐1 โ ๐๐๐ =
= [๐1 โ ๐๐๐ ] + ๐1 โ ๐๐๐ = ๐1 โ ๐๐๐ + ๐1 โ ๐๐๐ = ๐1 โ ๐ด + ๐1 โ ๐ต
(utilizamos a distributividade da multiplicação em relação à adição de números reais)
II) (๐1 + ๐2 ). ๐ด = ๐1 + ๐2 . ๐๐๐ =
๐1 + ๐2 . ๐๐๐ = ๐1 . ๐๐๐ + ๐2 . ๐๐๐ =
= [๐1 . ๐๐๐ ] + ๐2 . ๐๐๐ = ๐1 โ ๐๐๐ + ๐2 โ ๐๐๐ = ๐1 โ ๐ด + ๐2 โ ๐ต
(utilizamos a distributividade do produto em relação à adição de números reais)
III) ๐1 . ๐2 . ๐ด = ๐1 โ ๐2 . ๐๐๐
= ๐1 โ ๐2 โ ๐๐๐ = ๐1 โ ๐2 โ ๐๐๐
=
๐1 โ ๐2 . ๐๐๐ =
= ๐1 โ ๐2 โ ๐๐๐ = ๐1 โ ๐2 โ ๐ด (utilizamos a associatividade da multiplicação de números
reais)
33
IV) Sendo ๐ด uma matriz pertencente a โณ(๐, ๐), como 1 é um escalar real, então o produto
1๐ด está bem definido e 1๐ด = 1 โ ๐๐๐ = 1 โ ๐๐๐ = ๐๐๐ = ๐ด
2.2.3 Multiplicação de matrizes
A multiplicação de matrizes acontece mediante a seguinte condição: para que exista a
multiplicação entre duas matrizes ๐ด e ๐ต, é necessário que o número de colunas de ๐ด seja igual
ao número de linhas de ๐ต, ou seja, ๐ด = ๐๐๐
๐ ×๐
e ๐ต = ๐๐๐
๐×๐
. Sendo ๐ถ o produto ๐ด โ ๐ต,
então a matriz ๐ถ é de ordem ๐ por ๐.
De acordo com a condição acima, temos que a multiplicação de matrizes quadradas de
mesma ordem é sempre possível.
Passemos a definição formal da multiplicação de matrizes:
Sejam ๐ด = ๐๐๐
๐ ×๐
sendo a matriz ๐ถ = ๐๐๐
๐ ×๐
e ๐ต = ๐๐๐
duas matrizes, definimos o produto ๐ด โ ๐ต como
๐×๐
tal que ๐๐๐ =
๐
๐=1(๐๐๐ . ๐๐๐ )
ou seja,
๐๐๐ = ๐๐1 . ๐1๐ +๐๐2 . ๐2๐ + โฏ + ๐๐๐ . ๐๐๐
Exemplo:
Sejam as matrizes ๐ด =
โ1
2
5
1
3
0 โ1
โ2 โ4 e ๐ต = โ2 2 . Vemos que ๐ด é de ordem
0
0
1
3
3 × 3 e ๐ต de ordem 3 × 2, ou seja, o número de colunas da matriz ๐ด é igual ao número de
linhas da matriz ๐ต, logo é possível o produto ๐ด. ๐ต
Seja ๐ถ = ๐ด. ๐ต, temos:
๐ถ=
โ1 1
3
0 โ1
2 โ2 โ4 . โ2 2 =
5
0
0
1
3
โ1.0 + 1. โ2 + 3.1
= 2.0 + โ2 . โ2 + โ4 . 1
5.0 + 0. โ2 + 0.1
0โ2+3
= 0+4โ4
0+0+0
โ1. โ1 + 1.2 + 3.3
2. โ1 + โ2 . 2 + โ4 . 3 =
5. โ1 + 0.2 + 0.3
1+2+9
1
โ2 โ 4 โ 12 = 0
โ5 + 0 + 0
0
12
โ18
โ5
Propriedades da multiplicação de matrizes
Desde que as operações sejam possíveis, a multiplicação de matrizes goza das
seguintes propriedades:
34
I) Distributividade à esquerda da multiplicação em relação à adição:
๐ด. ๐ต + ๐ถ = ๐ด. ๐ต + ๐ด. ๐ถ
II) Distributividade à direita da multiplicação em relação à adição:
๐ด + ๐ต . ๐ถ = ๐ด. ๐ถ + ๐ต. ๐ถ
III) Associatividade:
๐ด. ๐ต . ๐ถ = ๐ด. (๐ต. ๐ถ)
IV) Considerando ๐ด uma matriz quadrada, temos ๐ด. ๐ผ = ๐ผ. ๐ด = ๐ด, onde ๐ผ é o elemento neutro
da multiplicação (matriz identidade).
Demonstrações:
I) Sejam ๐ด = ๐๐๐
๐ ×๐
, ๐ต = ๐๐๐
๐×๐
e ๐ถ = ๐๐๐
๐
matrizes quaisquer, temos:
๐
๐ด. ๐ต + ๐ถ =
๐๐๐ โ ๐๐๐ + ๐๐๐ =
๐=1
๐๐๐ โ ๐๐๐ + ๐๐๐ โ ๐๐๐ =
๐=1
๐
๐
=
๐๐๐ โ ๐๐๐
+
๐๐๐ โ ๐๐๐
๐=1
=๐ดโ๐ต+๐ดโ๐ถ
๐=1
II) Sejam ๐ด = ๐๐๐
๐ ×๐
, ๐ต = ๐๐๐
๐ ×๐
๐
e ๐ถ = ๐๐๐
๐×๐
matrizes quaisquer, temos:
๐
(๐ด + ๐ต) โ ๐ถ =
๐๐๐ + ๐๐๐ โ ๐๐๐ =
๐=1
๐๐๐ โ ๐๐๐ + ๐๐๐ โ ๐๐๐ =
๐=1
๐
๐
=
๐๐๐ โ ๐๐๐
+
๐๐๐ โ ๐๐๐
๐=1
=๐ดโ๐ถ+๐ตโ๐ถ
๐=1
III) Sejam ๐ด = ๐๐๐
๐ ×๐
, ๐ต = ๐๐๐
๐×๐
e ๐ถ = ๐๐๐
๐
๐ด. ๐ต . ๐ถ =
๐ด. ๐ต . ๐ถ
๐๐
=
๐๐๐ โ
๐=1
๐11
๐ด. ๐ผ = โฎ
๐๐1
๐
๐๐๐ โ ๐๐๐ โ ๐๐๐ =
๐=1
๐=1
๐
๐๐๐ โ ๐๐๐
๐=1
IV) Seja ๐ด = ๐๐๐
matrizes quaisquer, temos:
(๐ด โ ๐ต)๐๐ โ ๐๐๐ =
๐
๐
๐×๐
๐
๐=1
=
๐×๐
=
๐๐๐ โ ๐ต โ ๐ถ
๐๐
= ๐ดโ ๐ตโ๐ถ
๐๐
๐=1
๐
e ๐ผ๐ (๐๐๐๐๐๐ ๐๐๐ก๐๐๐๐๐๐ ๐๐๐๐๐๐ ๐๐๐ ๐ผ), temos:
โฏ ๐1๐ 1 โฏ
โฑ
โฎ . โฎ โฑ
โฏ ๐๐๐ 0 โฏ
0
โฎ =
1
= ๐ด โ (๐ต โ ๐ถ)
35
๐11
๐11 . 1 + ๐12 . 0 + โฏ + ๐1๐ . 0 โฏ ๐11 . 0 + ๐12 . 0 + โฏ + ๐1๐ . 1
โฎ
โฑ
โฎ
=
= โฎ
๐๐1
๐๐1 . 1 + ๐๐2 . 0 + โฏ + ๐๐๐ . 0 โฏ ๐๐1 . 0 + ๐๐2 . 0 + โฏ + ๐๐๐ . 1
โฏ ๐1๐
โฑ
โฎ =๐ด
โฏ ๐๐๐
De maneira análoga:
1 โฏ 0 ๐11 โฏ ๐1๐
โฑ
โฎ =
๐ผ. ๐ด = โฎ โฑ โฎ . โฎ
0 โฏ 1 ๐๐1 โฏ ๐๐๐
๐11
1. ๐11 + 0. ๐21 + โฏ + ๐๐1 . 0 โฏ 1. ๐1๐ + 0. ๐2๐ + โฏ + 0. ๐๐๐
โฎ
โฑ
โฎ
=
= โฎ
๐๐1
0. ๐11 + 0. ๐21 + โฏ + 1. ๐๐1 . โฏ 0. ๐1๐ + 0. ๐2๐ + โฏ + 1. ๐๐๐
โฏ ๐1๐
โฑ
โฎ =๐ด
โฏ ๐๐๐
Portanto, ๐ด. ๐ผ = ๐ผ. ๐ด = ๐ด.
A multiplicação de matrizes, em geral não goza da propriedade comutativa. Ilustramos
essa afirmação com um contra exemplo.
Sejam ๐ด = ๐๐๐
2
e ๐ต = ๐๐๐
0 1
2 1
e๐ต=
, temos:
2 3
1 5
1
0.2 + 1.1 0.1 + 1.5
1 5
=
=
5
2.2 + 3.1 2.1 + 3.5
7 17
2
tais que ๐ด =
๐ด. ๐ต =
0 1 2
.
2 3 1
๐ต. ๐ด =
2.0 + 1.2 2.1 + 1.3
2 1 0 1
2
.
=
=
1.0 + 5.2 1.1 + 5.3
1 5 2 3
10
e
5
16
Portanto, temos ๐ด. ๐ต โ ๐ต. ๐ด
2.2.4 Potenciação de matrizes
Definimos a potenciação de matrizes da seguinte forma:
Dada uma matriz ๐ด = ๐๐๐
2.3
๐
, definimos, ๐ด0 = ๐ผ๐ , ๐ด1 = ๐ด e ๐ด๐ = ๐ด. ๐ด. ๐ด. โฏ . ๐ด
๐ ๐๐๐ก๐๐๐๐
Transposta de uma matriz
Dada uma matriz ๐ด = ๐๐๐
sendo a matriz ๐ด๐ก = ๐๐๐โฒ
๐×๐
๐ ×๐
, definimos a matriz transposta de ๐ด como
onde ๐๐๐โฒ = ๐๐๐ para todo
๐ โ 1, 2, โฆ , ๐
e
todo
๐ โ 1, 2, โฆ , ๐ .
Exemplo:
0 โ1
0 โ2 1
Seja ๐ด = โ2 2 , por definição, a matriz transposta de ๐ด é ๐ด๐ก =
.
โ1 2 3
1
3
36
Quando ๐ด = ๐ด๐ก , dizemos que ๐ด é uma matriz simétrica e quando ๐ด = โ๐ด๐ก , dizemos
que ๐ด é uma matriz antissimétrica.
Propriedades da transposição de matrizes
I)
๐ด๐ก
๐ก
II)
๐ด+๐ต
=๐ด
III) ๐ โ ๐ด
๐ก
IV) ๐ด. ๐ต
๐ก
๐ก
= ๐ด๐ก + ๐ต ๐ก
= ๐ โ ๐ด๐ก , โ๐ โ โ
= ๐ต ๐ก . ๐ด๐ก
Demonstrações:
I)
๐11
Seja ๐ด = โฎ
๐๐ 1
๐11
= โฎ
๐๐ 1
II) Sejam
๐11
โฎ
๐๐1
โฏ ๐1๐
โฑ
โฎ , temos ๐ด๐ก
โฏ ๐๐๐
=
โฏ ๐1๐
โฑ
โฎ
โฏ ๐๐๐
๐ก
๐ก
๐11
= โฎ
๐1๐
โฏ
โฑ
โฏ
๐ก
๐๐ 1
โฎ
๐๐๐
=
โฏ ๐1๐
โฑ
โฎ =๐ด
โฏ ๐๐๐
๐11
๐ด= โฎ
๐๐1
โฏ
โฑ
โฏ
โฏ
โฑ
โฏ
โฏ ๐1๐
โฑ
โฎ
โฏ ๐๐๐
๐1๐
๐11
โฎ + โฎ
๐๐๐
๐๐1
๐11 + ๐11
โฎ
=
๐1๐ + ๐11
a11
= โฎ
am1
๐ก
๐11
โฎ
๐๐ 1
๐11
III) Sejam ๐ด = โฎ
๐๐1
t
b11
+ โฎ
bm1
๐1๐
โฎ
๐๐๐
๐ก
โฏ
โฑ
โฏ
b1n
โฎ
bmn
๐11
โฎ
๐๐1
โฏ ๐1๐
โฑ
โฎ ,
โฏ ๐๐๐
๐11 + ๐11
โฎ
=
๐๐1 + ๐๐1
โฏ
โฑ
โฏ
๐ โ ๐1๐
โฎ
๐ โ ๐๐๐
๐11
=๐โ โฎ
๐๐1
โฏ
โฑ
โฏ
๐1๐
โฎ
๐๐๐
๐ก
๐ โ ๐11
โฎ
=
๐ โ ๐1๐
temos
๐ด+๐ต
โฏ ๐1๐ + ๐11
โฑ
โฎ
โฏ ๐๐๐ + ๐๐๐
โฏ ๐๐1
๐11
โฑ
โฎ + โฎ
โฏ ๐๐๐
๐11
โฏ
โฑ
โฏ
๐ก
=
๐ก
=
๐๐1
โฎ =
๐๐๐
t
= At + Bt
โฏ ๐1๐
โฑ
โฎ e ๐ โ โ, temos ๐ โ ๐ด
โฏ ๐๐๐
๐ โ ๐11
โฎ
=
๐ โ ๐๐1
๐11
IV) Sejam ๐ด = โฎ
๐๐1
โฏ
โฑ
โฏ
๐ต=
๐11
๐๐1 + ๐๐1
โฎ
= โฎ
๐1๐
๐๐๐ + ๐๐๐
โฏ
โฑ
โฏ
a1n
โฎ
amn
e
๐ก
๐11
= ๐โ โฎ
๐๐1
๐11
โฏ ๐ โ ๐๐1
โฑ
โฎ
=๐โ โฎ
๐1๐
โฏ ๐ โ ๐๐๐
๐ก
โฏ ๐1๐
โฑ
โฎ
โฏ ๐๐๐
โฏ
โฑ
โฏ
=
๐๐1
โฎ =
๐๐๐
๐ก
= ๐ โ ๐ด๐ก
๐11
โฏ ๐1๐
โฑ
โฎ e๐ต= โฎ
โฏ ๐๐๐
๐๐1
โฏ
โฑ
โฏ
๐1๐
โฎ , como o número de colunas de
๐๐๐
๐ด é igual ao número de linhas de ๐ต, então existe o produto ๐ด โ ๐ต. Assim, ๐ด โ ๐ต
๐ก
=
37
๐11
โฎ
๐๐1
=
๐11
โฏ ๐1๐
โฑ
โฎ . โฎ
โฏ ๐๐๐
๐๐1
๐11 โ ๐11 + โฏ + ๐1๐ โ ๐๐1
โฎ
=
๐๐1 โ ๐11 + โฏ + ๐๐๐ โ ๐๐1
๐1๐
โฎ
๐๐๐
โฏ
โฑ
โฏ
๐
=
๐ก
๐11 โ ๐1๐ + โฏ + ๐1๐ โ ๐๐๐
โฎ
๐๐1 โ ๐1๐ + โฏ + ๐๐๐ โ ๐๐๐
=
๐11 โ ๐11 + โฏ + ๐1๐ โ ๐๐1
โฎ
=
๐11 โ ๐1๐ + โฏ + ๐1๐ โ ๐๐๐
โฏ
โฑ
โฏ
๐๐1 โ ๐11 + โฏ + ๐๐๐ โ ๐๐1
โฎ
=
๐๐1 โ ๐1๐ + โฏ + ๐๐๐ โ ๐๐๐
๐11 โ ๐11 + โฏ + ๐๐1 โ ๐1๐
โฎ
=
๐1๐ โ ๐11 + โฏ + ๐๐๐ . ๐1๐
โฏ
โฑ
โฏ
๐11 โ ๐๐1 + โฏ + ๐๐1 . ๐๐๐
โฎ
=
๐1๐ โ ๐๐1 + โฏ + ๐๐๐ . ๐๐๐
๐11
= โฎ
๐1๐
2.4
โฏ
โฑ
โฏ
โฏ
โฑ
โฏ
๐๐1 ๐11
โฎ . โฎ
๐๐๐ ๐1๐
๐11
โฏ ๐๐1
โฑ
โฎ = โฎ
โฏ ๐๐๐
๐๐1
โฏ ๐1๐
โฑ
โฎ
โฏ ๐๐๐
๐ก
๐11
. โฎ
๐๐1
โฏ
โฑ
โฏ
๐1๐
โฎ
๐๐๐
๐ก
= ๐ต ๐ก . ๐ด๐ก
Inversa de uma matriz
Seja ๐ด uma matriz quadrada de ordem ๐. Uma matriz ๐ต de ordem ๐ é denominada a
inversa da matriz ๐ด se ๐ด. ๐ต = ๐ต. ๐ด = ๐ผ๐ .
Exemplo:
Sejam as matrizes ๐ด =
๐ด. ๐ต =
1
2
1 2
โ3 2
e๐ต=
, temos:
2 3
2 โ1
1. โ3 + 2.2 1.2 + 2. (โ1)
โ3 + 4 2 โ 2
2 โ3 2
1
.
=
=
=
2. โ3 + 3.2 2.2 + 3. (โ1)
โ6 + 6 4 โ 3
3
2 โ1
0
0
= ๐ผ2
1
e
๐ต. ๐ด =
โ3 2
1
.
2 โ1 2
โ3 . 1 + 2.2
โ3.2 + 2.3
2
โ3 + 4
=
=
2.1 + โ1 . 2 2.2 + โ1 . 3)
3
2โ2
โ6 + 6
1
=
4โ3
0
0
= ๐ผ2
1
Portanto ๐ด. ๐ต = ๐ต. ๐ด = ๐ผ2 , o que implica que a matriz ๐ต é a inversa da matriz ๐ด.
Teorema 2.1: Se ๐ด é uma matriz invertível, então a sua inversa é única.
Demonstração: Seja ๐ด uma matriz quadrada de ordem ๐. Suponhamos que as matrizes ๐ต e
๐ต โฒ , ambas de ordem ๐, sejam matrizes inversas da matriz ๐ด.
Utilizando o produto pela matriz identidade, a definição de matriz inversa e a propriedade
associativa da multiplicação de matrizes, temos:
๐ตโฒ = ๐ตโฒ . ๐ผ๐ = ๐ตโฒ . ๐ด. ๐ต = ๐ตโฒ . ๐ด . ๐ต = ๐ผ๐ . ๐ต = ๐ต
Devido à unicidade da inversa de uma matriz ๐ด, representaremo-na por ๐ดโ1 .
38
Teorema 2.2: Se ๐ด é uma matriz invertível, então a sua inversa ๐ดโ1 também é invertível e
๐ดโ1
โ1
= ๐ด.
Demonstração: Seja ๐ด uma matriz quadrada de ordem ๐, invertível, então existe uma matriz
quadrada ๐ดโ1 de ordem ๐ tal que ๐ด. ๐ดโ1 = ๐ผ๐ .
Utilizando o produto pela matriz identidade, a definição de matriz inversa e a propriedade
associativa da multiplicação de matrizes, temos:
๐ดโ1
โ1
= ๐ดโ1
โ1
. ๐ผ๐ = ๐ดโ1
โ1
. ๐ดโ1 . ๐ด =
๐ดโ1
โ1
. ๐ดโ1 . ๐ด = ๐ผ๐ . ๐ด = ๐ด
Portanto ๐ดโ1 é invertível e sua inversa é ๐ด.
Teorema 2.3: Sejam ๐ด e ๐ต matrizes quadradas de ordem ๐ e invertíveis, então ๐ด. ๐ต também é
invertível e (๐ด. ๐ต)โ1 = ๐ต โ1 . ๐ดโ1 .
Demonstração: Se ๐ด e ๐ต são matrizes quadradas de ordem ๐ e invertíveis então existem ๐ดโ1
e ๐ต โ1 quadradas de ordem ๐, tais que ๐ด. ๐ดโ1 = ๐ผ๐ e ๐ต. ๐ต โ1 = ๐ผ๐
Assim, temos:
๐ด. ๐ต . ๐ต โ1 . ๐ดโ1 = ๐ด. ๐ต. ๐ต โ1 . ๐ดโ1 = ๐ด. ๐ผ๐ . ๐ดโ1 = ๐ด. ๐ดโ1 = ๐ผ๐
e
๐ต โ1 . ๐ดโ1 . ๐ด. ๐ต = ๐ต โ1 . ๐ดโ1 . ๐ด . ๐ต = ๐ต โ1 . ๐ผ๐ . ๐ต = ๐ต โ1 . ๐ต = ๐ผ๐
Portanto, ๐ด. ๐ต . ๐ต โ1 . ๐ดโ1 = ๐ต โ1 . ๐ดโ1 . ๐ด. ๐ต = ๐ผ๐ , o que implica que ๐ด. ๐ต é invertível e
sua inversa é ๐ต โ1 . ๐ดโ1 .
Nem todas as matrizes possuem inversa. As condições para que uma matriz seja
invertível serão abordados mais a frente.
2.5
Transformações elementares de matrizes
Seja ๐ด
uma matriz pertencente a
โณ(๐, ๐).
Para cada ๐ โ 1, 2, โฆ , ๐ ,
representaremos por ๐ฟ๐ a ๐ โ é๐ ๐๐๐ linha da matriz ๐ด.
Definimos as transformações elementares nas linhas da matriz ๐ด, da seguinte forma:
I)
Permutação entre as linhas ๐ฟ๐ e ๐ฟ๐ e representamos por ๐ฟ๐ โ ๐ฟ๐
II)
Multiplicação de uma linha ๐ฟ๐ por um escalar real ๐ โ 0 e representamos por
๐ฟ๐ โ ๐. ๐ฟ๐
III)
Substituição de uma linha, digamos ๐ฟ๐ , pela adição da linha ๐ฟ๐ com o produto
๐. ๐ฟ๐ de um escalar ๐, não nulo, pelos elementos da linha ๐ฟ๐ , com ๐ โ ๐ e
representamos por ๐ฟ๐ โ ๐ฟ๐ + ๐. ๐ฟ๐
39
Vejamos um exemplo da aplicação de algumas transformações elementares nas linhas
โ1
de uma matriz ๐ด = 3
0
โ1 2
3 โ2 ๐ฟ1 โ ๐ฟ3
0
4
2
โ2 :
4
0
4
0
3 โ2 ๐ฟ3 โ โ2. ๐ฟ3 3
โ1 2
2
โ1 2
0
4
Dizemos que as matrizes 3 โ2 , 3 โ2
0
4
โ1 2
4
0 4
1
โ2 ๐ฟ2 โ ๐ฟ2 + . ๐ฟ1 3 0
2
โ4
2 โ4
0 4
0 4
, 3 โ2 e 3 0 são matrizes
2 โ4
2 โ4
equivalentes por linhas.
Definição: Duas matrizes ๐ด e ๐ต são equivalentes por linhas se ๐ต puder ser obtida da
matriz ๐ด através de um número finito de transformações elementares sobre as linhas de ๐ด ou
se ๐ด puder ser obtida de ๐ต através de um número finito de transformações elementares sobre
as linhas de ๐ต.
2.5.1 Matriz elementar
Denominamos matriz elementar a toda matriz de ordem ๐ obtida através da aplicação
de uma transformação elementar sobre a matriz ๐ผ๐ .
Exemplo:
1
A matriz ๐ธ = 0
0
0 0
0 1
1 0
é uma matriz elementar, pois é obtida através da
transformação elementar ๐ correspondente a permuta ๐ฟ2 โ ๐ฟ3 em ๐ผ3 portanto, ๐ ๐ผ3 = ๐ธ.
Teorema 2.4: Seja ๐ uma transformação elementar e ๐ธ uma matriz elementar quadrada de
ordem ๐ tal que ๐ ๐ผ๐ = ๐ธ. Se ๐ด é uma matriz quadrada de ordem ๐, então ๐ ๐ด = ๐ธ. ๐ด
Demonstração: Utilizaremos na demonstração apenas a transformação elementar permutação
entre as linhas ๐ฟ๐ e ๐ฟ๐ , sendo que para as outras transformações as demonstrações são de
maneira análoga.
1
โฎ
0
Seja ๐ผ๐ =
0
โฎ
0
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
0
โฎ
1
0
โฎ
0
0
โฎ
0
1
โฎ
0
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
0
โฎ
0
0
โฎ
1
โ ๐ฟ๐
โ ๐ฟ๐
Seja ๐ a transformação elementar que permuta as linhas ๐ฟ๐ e ๐ฟ๐ . Assim,
40
1 โฏ 0
โฎ โฏ โฎ
0
โฏ 0
๐ ๐ผ๐ =
0 โฏ 1
โฎ โฏ โฎ
0 โฏ 0
๐11 โฏ ๐1๐
โฎ
โฏ โฎ
๐๐1 โฏ ๐๐๐
๐ด= ๐
โฏ ๐๐๐
๐1
โฎ
โฏ
โฎ
๐๐1 โฏ ๐๐๐
0
โฎ
1
0
โฎ
0
๐1๐
โฎ
๐๐๐
๐๐๐
โฎ
๐๐๐
โฏ 0
โฏ โฎ
โฏ 0 = ๐ธ. Seja ๐ด a matriz de ordem ๐ a seguir:
โฏ 0
โฏ โฎ
โฏ 1
โฏ ๐1๐
โฏ
โฎ
โฏ ๐๐๐ โ ๐ฟ
๐
Fazendo ๐ ๐ด , temos:
โฏ ๐๐๐ โ ๐ฟ๐
โฏ
โฎ
โฏ ๐๐๐
๐11 โฏ ๐1๐ ๐1๐
โฎ
โฏ โฎ
โฎ
๐๐ 1 โฏ ๐๐๐ ๐๐๐
๐ ๐ด = ๐
โฏ ๐๐๐ ๐๐๐
๐1
โฎ
โฏ
โฎ
โฎ
๐๐1 โฏ ๐๐๐ ๐๐๐
โฏ ๐1๐
โฏ
โฎ
โฏ ๐๐๐
โฏ ๐๐๐ =
โฏ
โฎ
โฏ ๐๐๐
1. ๐11 + โฏ + 0. ๐๐ 1 + 0. ๐๐1 + โฏ + 0. ๐๐1
โฎ
0. ๐11 + โฏ + 1. ๐๐ 1 + 0. ๐๐1 + โฏ + 0. ๐๐1
=
0. ๐11 + โฏ + 0. ๐๐ 1 + 1. ๐๐1 + โฏ + 0. ๐๐1
โฎ
0. ๐11 + โฏ + 0. ๐๐ 1 + 0. ๐๐1 + โฏ + 1. ๐๐1
1. ๐1๐ + โฏ + 0. ๐๐๐ + 0. ๐๐๐
โฎ
0. ๐1๐ + โฏ + 1. ๐๐๐ + 0. ๐๐๐
โฆ
0. ๐1๐ + โฏ + 0. ๐๐๐ + 1. ๐๐๐
โฎ
0. ๐1๐ + โฏ + 0. ๐๐๐ + 0. ๐๐๐
1
โฎ
0
=
0
โฎ
0
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
0
โฎ
0
1
โฎ
0
0
โฎ
1
0
โฎ
0
+ โฏ + 0. ๐๐๐
+ โฏ + 0. ๐๐๐
+ โฏ + 0. ๐๐๐
+ โฏ + 1. ๐๐๐
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
โฏ
1. ๐1๐ + โฏ + 0. ๐๐๐ +
โฎ
0. ๐1๐ + โฏ + 1. ๐๐๐ +
0. ๐1๐ + โฏ + 0. ๐๐๐ +
โฎ
0. ๐1๐ + โฏ + 0. ๐๐๐ +
0. ๐๐๐ + โฏ + 0. ๐๐๐
0. ๐๐๐ + โฏ + 0. ๐๐๐
โฆ
1. ๐๐๐ + โฏ + 0. ๐๐๐
0. ๐๐๐ + โฏ + 1. ๐๐๐
1. ๐1๐ + โฏ + 0. ๐๐๐ + 0. ๐๐๐
โฎ
0. ๐1๐ + โฏ + 1. ๐๐๐ + 0. ๐๐๐
0. ๐1๐ + โฏ + 0. ๐๐๐ + 1. ๐๐๐
โฎ
0. ๐1๐ + โฏ + 0. ๐๐๐ + 0. ๐๐๐
0 ๐11 โฏ ๐1๐ ๐1๐
โฎ
โฏ โฎ
โฎ
โฎ
๐
๐
โฏ
๐
๐๐
๐๐
0 . ๐1
0 ๐๐ 1 โฏ ๐๐๐ ๐๐๐
โฎ
โฎ
โฏ
โฎ
โฎ
1 ๐๐1 โฏ ๐๐๐ ๐๐๐
+ โฏ + 0. ๐๐๐
+ โฏ + 0. ๐๐๐
=
+ โฏ + 0. ๐๐๐
+ โฏ + 1. ๐๐๐
โฏ ๐1๐
โฏ
โฎ
โฏ ๐๐๐
โฏ ๐๐๐ = ๐ธ. ๐ด
โฏ
โฎ
โฏ ๐๐๐
Teorema 2.5: Se ๐ด e ๐ต são matrizes quadradas de ordem ๐, então a matriz ๐ด é equivalente
por linhas à matriz ๐ต se, e somente se, existem matrizes elementares ๐ธ1 , ๐ธ2 , ๐ธ3 , โฆ , ๐ธ๐
quadradas de ordem ๐ tais que ๐ธ๐ . ๐ธ๐โ1 . โฏ . ๐ธ2 . ๐ธ1 . ๐ด = ๐ต .
Demonstração: Por definição, para que uma matriz ๐ด de ordem ๐ seja equivalente por linhas
a uma matriz ๐ต de mesma ordem, devem existir transformações elementares ๐1 , ๐2 , ๐3 , โฆ , ๐๐
tal que ๐๐ โฆ ๐2 ๐1 ๐ด
= ๐ต. Pelo teorema 2.4, ๐๐ โฆ ๐2 ๐1 ๐ด
= ๐๐ โฆ ๐2 ๐ธ1 . ๐ด
=
41
= ๐๐ โฆ ๐ธ2 . ๐ธ1 . ๐ด
= ๐ธ๐ . โฏ . ๐ธ2 . ๐ธ1 . ๐ด = ๐ต com cada ๐ธ๐ = ๐๐ ๐ผ๐ , para todo ๐ โ 1, 2, โฆ , ๐ .
Teorema 2.6: Toda matriz elementar é invertível e sua inversa também é uma matriz
elementar.
Demonstração: Consideremos a transformação elementar ๐ que transforma ๐ผ๐ na matriz
elementar ๐ธ, ou seja, ๐ ๐ผ๐ = ๐ธ. Consideremos ๐ โ1 a transformação elementar inversa de ๐,
ou seja, se ๐ for a permutação das linhas ๐ฟ๐ e ๐ฟ๐ da matriz ๐ผ๐ , então ๐ โ1 será a transformação
permutação das linhas ๐ฟ๐ e ๐ฟ๐ da matriz ๐ธ; se ๐ for a multiplicação de uma linha ๐ฟ๐ da matriz
1
๐ผ๐ por um escalar ๐ โ 0, então ๐ โ1 será a multiplicação da linha ๐ฟ๐ da matriz ๐ธ pelo escalar ๐
e se ๐ for a substituição de uma linha ๐ฟ๐ da matriz ๐ผ๐ pela adição da linha ๐ฟ๐ com o produto de
um escalar ๐ โ 0 por uma linha ๐ฟ๐ , então ๐ โ1 será a substituição da linha ๐ฟ๐ da matriz ๐ธ pela
adição da linha ๐ฟ๐ da matriz ๐ธ com o produto do escalar โ ๐ pela linha ๐ฟ๐ da matriz ๐ธ.
Assim, fica evidente que ๐ โ1 ๐ธ = ๐ผ๐ . Se aplicarmos a transformação ๐ โ1 em ๐ผ๐ ,
temos uma matriz elementar ๐น, ou seja, ๐ โ1 ๐ผ๐ = ๐น e, pelo teorema 2.4, teremos ๐น. ๐ธ = ๐ผ๐ ,
ou seja, ๐น é a matriz inversa da matriz ๐ธ, portanto ๐น = ๐ธ โ1 , concluindo então que se ๐ธ é uma
matriz elementar, então é invertível. Como ๐น = ๐ธ โ1 é obtida através de transformações
elementares na matriz ๐ผ๐ , então ๐น = ๐ธ โ1 é também uma matriz elementar.
2.5.2 Matriz escalonada
Definição: Uma matriz ๐ด de ordem ๐ × ๐ é apresentada na forma escalonada se:
I) O primeiro elemento não nulo em cada linha da matriz ๐ด é igual a 1;
II) Cada coluna da matriz ๐ด que contém o primeiro elemento não nulo de alguma
linha, possui todos os outros elementos iguais a zero;
III) Todas as linhas nulas se encontram abaixo de todas as linhas não nulas;
IV) Se as linhas não nulas da matriz ๐ด forem ๐ฟ1 , ๐ฟ2 , ๐ฟ3 , โฆ , ๐ฟ๐ , sendo ๐1๐ o primeiro
elemento não nulo da linha ๐ฟ1 , então os elementos não nulos das linhas ๐ฟ2 , ๐ฟ3 , โฆ , ๐ฟ๐
ocuparão, respectivamente, as posições ๐2๐ โฒ , ๐3๐ โฒโฒ , โฆ , ๐๐๐ โฒ โฆ.โฒ com ๐ < ๐ โฒ < ๐ โฒโฒ < โฏ < ๐ โฒโฆโฒ .
Exemplo: Seja ๐ด a matriz de ordem 3 × 4 a seguir:
1
๐ด= 0
0
0 0 2
1 0 1 . A matriz apresentada se encontra na forma escalonada, pois
0 1 โ3
satisfaz as condições I, II, III e IV da definição acima.
42
Teorema 2.7: Toda matriz é equivalente a uma matriz na forma escalonada.
Demonstração: Seja ๐ด uma matriz quadrada de ordem ๐ × ๐, se a primeira linha for nula
então a condição (I) é satisfeita nessa linha. Se por acaso a primeira linha possuir algum
elemento diferente de zero, por exemplo ๐1๐ , então através da transformação elementar de
multiplicar por escalar, multiplicamos a primeira linha por
1
๐ 1๐
, satisfazendo com isso a
condição (I). Para cada linha a partir da segunda, somemos โ๐๐๐ , ๐ โ 1 vezes a primeira linha
com a i-ésima linha, assim, obtemos uma matriz cujo primeiro elemento não nulo da primeira
linha é 1 e ocorre na j-ésima coluna, ademais, todos os outros elementos da j-ésima coluna são
iguais a zero. Considerando a segunda linha da matriz ๐ด, se a mesma for nula, não há nada o
que fazer, caso exista algum elemento diferente de zero, procedemos de forma similar ao
realizado na primeira linha. Como o número de linhas da matriz é limitado, no caso ๐,
repetindo o processo acima descrito, ao chegarmos à m-ésima linha, teremos satisfeito as
condições (I) e (II). As condições (III) e (IV) poderão ser satisfeitas de maneira bastante
simples através de permutações entre as linhas da matriz. Desse modo, obtemos uma matriz ๐ต
na forma escalonada, equivalente por linhas à matriz ๐ด.
Teorema 2.8: Uma matriz ๐ด, quadrada de ordem ๐ que possui uma linha nula não é
invertível.
Demonstração:
๐11
๐21
โฎ
Suponha ๐ด = 0
โฎ
๐๐1
๐12
๐22
โฎ
0
โฎ
๐๐2
โฏ ๐1๐
โฏ ๐2๐
โฑ
โฎ
0
โฏ
โฎ
โฑ
โฏ ๐๐๐
โฏ ๐1๐
โฏ ๐2๐
โฑ
โฎ
โฏ 0 โ ๐ฟ๐
โฑ
โฎ
โฏ ๐๐๐
Se ๐ด for invertível, então deve existir uma matriz ๐ต, quadrada de ordem ๐ tal que ๐ด. ๐ต = ๐ผ๐ .
๐11
๐21
โฎ
Suponhamos ๐ต =
๐๐1
โฎ
๐๐1
๐12
๐22
โฎ
๐๐2
โฎ
๐๐2
โฏ
โฏ
โฑ
โฏ
โฑ
โฏ
๐1๐
๐2๐
โฎ
๐๐๐
โฎ
๐๐๐
โฏ ๐1๐
โฏ ๐2๐
โฑ
โฎ
โฏ ๐๐๐ notemos que o produto ๐ด. ๐ต terá a í-ésima
โฑ
โฎ
โฏ ๐๐๐
linha nula, pois a i-ésima linha será determinada por:
๐ฟ๐ = 0. ๐11 + โฏ + 0. ๐๐1
E, portanto, ๐ฟ๐ = 0 0
0. ๐12 + โฏ + 0. ๐๐2
โฏ 0 โฏ
โฏ 0. ๐1๐ + โฏ + 0. ๐๐๐
โฏ 0. ๐1๐ + โฏ + 0. ๐๐๐ .
0 , fazendo com que ๐ด. ๐ต โ ๐ผ๐ , para todo ๐ต.
43
Logo, ๐ด não é invertível se possuir uma linha nula.
Os teoremas vistos até agora nos dão embasamento para obter dois resultados muito
importantes acerca de matrizes:
Teorema 2.9: Uma matriz ๐ด de ordem ๐ é invertível se, e somente se for equivalente por
linhas à matriz identidade.
Demonstração:
๏
Suponhamos que ๐ด é uma matriz invertível de ordem ๐. Pelo teorema 2.8, ๐ด não
possui linhas nulas, além disso, pelo teorema 2.7, ๐ด é equivalente por linhas a uma matriz na
forma escalonada. Portanto ๐ด é equivalente por linhas a ๐ผ๐ .
๏
Seja ๐ด uma matriz quadrada de ordem ๐, equivalente por linhas a matriz ๐ผ๐ . Pelo
teorema 2.5, existem ๐ธ1 , ๐ธ2 , ๐ธ3 , โฆ , ๐ธ๐ de modo que ๐ธ๐ . ๐ธ๐โ1 . โฏ . ๐ธ2 . ๐ธ1 . ๐ด = ๐ผ๐ . Pelo teorema
2.6, temos que ๐ธ1 , ๐ธ2 , ๐ธ3 , โฆ , ๐ธ๐ são todas invertíveis, por serem matrizes elementares, então
existem ๐ธ1โ1 , ๐ธ2โ1 , ๐ธ3โ1 , โฆ , ๐ธ๐โ1 , de modo que ๐ธ๐โ1 . ๐ธ๐ = ๐ผ๐ para todo ๐ โ 1, 2, 3, โฆ , ๐ . Assim,
multiplicando à esquerda ambos os membros da igualdade ๐ธ1 , ๐ธ2 , ๐ธ3 , โฆ , ๐ธ๐ . ๐ด = ๐ผ๐
por
๐ธ๐โ1 . โฆ . ๐ธ3โ1 . ๐ธ2โ1 . ๐ธ1โ1 , temos: ๐ธ๐โ1 . โฆ . ๐ธ3โ1 . ๐ธ2โ1 . ๐ธ1โ1 . ๐ธ1 , ๐ธ2 , ๐ธ3 , โฆ , ๐ธ๐ . ๐ด = ๐ธ๐โ1 . โฆ . ๐ธ3โ1 . ๐ธ2โ1 . ๐ธ1โ1 . ๐ผ๐
E,
utilizando
a
propriedade
associativa
do
produto
de
matrizes,
temos:
๐ด = ๐ธ๐โ1 . โฆ . ๐ธ3โ1 . ๐ธ2โ1 . ๐ธ1โ1 e, pelo teorema 2.3, o produto de matrizes invertíveis é invertível,
portanto ๐ด é uma matriz invertível.
Teorema 2.10: Se ๐ด é uma matriz invertível de ordem ๐ e uma sequência de transformações
elementares sobre as linhas de ๐ด reduz ๐ด à matriz ๐ผ๐ , então esta mesma sequência de
transformações elementares aplicadas às linhas de ๐ผ๐ produzirá a matriz ๐ดโ1 .
Demonstração: Se ๐ด é invertível, então pelo teorema 2.9, ๐ด é equivalente por linhas a matriz
๐ผ๐ e, pelo teorema 2.5, existem ๐ธ1 , ๐ธ2 , ๐ธ3 , โฆ , ๐ธ๐ de modo que ๐ธ๐ . ๐ธ๐โ1 . โฏ . ๐ธ2 . ๐ธ1 . ๐ด = ๐ผ๐ .
Como por hipótese ๐ด é invertível, então existe a matriz ๐ดโ1 . Multiplicando à direita a
igualdade ๐ธ๐ . ๐ธ๐โ1 . โฏ . ๐ธ2 . ๐ธ1 . ๐ด = ๐ผ๐ por ๐ดโ1 , temos ๐ธ๐ . ๐ธ๐โ1 . โฏ . ๐ธ2 . ๐ธ1 . ๐ด. ๐ดโ1 = ๐ผ๐ . ๐ดโ1 , de
onde obtemos ๐ธ๐ . ๐ธ๐โ1 . โฏ . ๐ธ2 . ๐ธ1 . ๐ผ๐ = ๐ดโ1 .
Os teoremas 2.9 e 2.10 constituem um instrumento muito importante e eficiente na
determinação da invertibilidade de uma matriz e o cálculo da matriz inversa, popularmente
conhecido como método de Gauss-Jordan.
44
Vejamos um exemplo:
2 1 0
Seja ๐ด = 0 โ3 2 . Apliquemos simultaneamente as transformações elementares
1 1 0
nas linhas da matriz ๐ด e da matriz ๐ผ3 de modo a reduzir a matriz ๐ด à matriz ๐ผ3 :
2 1 0
๐ด ๐ผ3 = 0 โ3 2
1 1 0
0 1 0 โ1
โ 0 โ3 2 0
1 0 0 1
0
โ 0
1
1
โ 0
0
1 0 โ1
3
0 1 โ2
0 0 1
0 0 1
1 0 โ13
0 1 โ2
0
1
2
0
0
0
1
2
โ1
Portanto ๐ด
1
0
0
0
1
0
0
1
0
2
0
โ1
0
2 1
0 ๐ฟ3 โ ๐ฟ1 โ ๐ฟ3 0 โ3
1
1 0
0 1 0
๐ฟ2 โ ๐ฟ2 + 3๐ฟ1 0 0 2
1 0 0
2
0 1 0 โ1 0
3 ๐ฟ2 โ ๐ฟ3 1 0 0 13 01
0 0 1 โ2 2
โ1
โ1
2 = ๐ผ3 ๐ดโ1
3
1
= โ13
โ2
0
0
1
2
3
1
2.1 + 1. โ1 + 0. โ 2
2.0 + 1.0 + 0. 2
3
1
3
1.2 + 0.0 + โ1 . 1
= โ1.2 + 0.0 + 2.1
3
1
โ 2 . 2 + 2 . 0 + 3.1
=
๐ฟ1 โ ๐ฟ2
1
1.0 + 1.0 + 0. 2
โ2 + 2 + 0
1
0โ6+6 = 0
โ1 + 2 + 0
0
2
= 0
1
1
1 0
โ3 2 . โ13
1 0 โ2
0. โ1 + โ3 . 2 + 2.3 =
1. โ1 + 1.2 + 0.3
0 0
1 0 = ๐ผ3 . De maneira análoga, temos
0 1
2 1 0
0 โ3 2 =
1 1 0
1.1 + 0. โ3 + โ1 . 1
โ1.1 + 0. โ3 + 2.1
3
1
โ 2 . 1 + 2 . โ3 + 3.1
2+0โ1
โ2 + 0 + 2
โ3 + 0 + 3
0 โ1
0 2 =
1
3
2
2. โ1 + 1.2 + 0.3
0.0 + โ3 . 0 + 2. 2
1.1 + 1. โ1 + 0. โ 2
2โ1+0 0+0+0
= 0+3โ3 0+0+1
1โ1+0 0+0+0
1 0 โ1
โ1
๐ด . ๐ด = โ13 01 2 .
โ2 2 3
0 0
1 0 ๐ฟ1 โ ๐ฟ1 โ 2๐ฟ3
0 โ1
0 2
1
1 6 ๐ฟ2 โ 2 ๐ฟ1
0 โ1
โ1
2 .
3
Isto pode ser facilmente verificado fazendo ๐ด. ๐ดโ1
= 0.1 + โ3 . โ1 + 2. โ 2
0 1
2 0
0 1
โ1
โ3
1
2
โ1
3
1.0 + 0.2 + โ1 . 0
โ1.0 + 0.2 + 2.0 =
3
1
โ 2 . 0 + 2 . 2 + 3.0
1+0โ1 0+0+0
1
โ1 + 0 + 2 0 + 0 + 0
=
0
3 3
โ โ +3 0+1+0
0
2 2
0 0
1 0 = ๐ผ3
0 1
45
3
DETERMINANTES
Consideremos ๐ โฅ 1 pertencente ao conjunto dos números naturais. Seja ๐๐ =
1, 2, 3, โฆ , ๐ . Enunciamos que toda função bijetiva ๐: ๐๐ โ ๐๐ é uma permutação do
conjunto ๐๐ .
Vamos representar uma permutação ๐ de ๐๐ em ๐๐ por
๐=
1
๐ 1
2
๐ 2
3
๐ 3
โฏ
โฏ
๐
โฏ
๐(๐) โฏ
๐
๐(๐)
โฏ
โฏ
๐
๐ ๐
Exemplos:
a) Quando ๐ = 1, temos ๐1 = 1 e temos uma possível bijeção de ๐1 โ ๐1 , a saber,
๐๐๐๐๐๐ก๐๐๐๐๐ =
1
1
b) Quando ๐ = 2, temos ๐2 = 1, 2 e temos duas possíveis bijeções de ๐2 โ ๐2 , a
saber, ๐๐๐๐๐๐ก๐๐๐๐๐ =
1
1
2
1 2
e๐=
2
2 1
c) Quando ๐ = 3, temos ๐3 = 1, 2, 3 e temos 3! = 6 possíveis bijeções de ๐3 โ ๐3 , a
saber,
1 2 3 1 2 3 1 2
,
,
1 2 3 2 1 3 2 3
3 1 2
,
1 1 3
3 1
,
2 3
2 3
1 2 3
e
1 2
3 2 1
Denominaremos ๐พ ao conjunto formado pelos pares ordenados ๐, ๐ , com 1 โค ๐ โค ๐ โค
๐, nos quais ๐ ๐ > ๐(๐) e ๐(๐พ) ao número de elementos de ๐พ. Denominaremos ainda por
๐ ๐๐(๐) ao sinal da permutação, da seguinte maneira:
๐ ๐๐ ๐ = 1, ๐ ๐ ๐(๐พ) é ๐๐๐
๐ ๐๐(๐) = โ1, ๐ ๐ ๐(๐พ) é ๐๐๐๐๐ .
Exemplos:
a) Consideremos ๐ =
1 2
1 3
3
, os pares ๐, ๐ , com 1 โค ๐ โค ๐ โค ๐ são 1,2 , (1,3) e
2
(2,3), notemos que ๐ 1 = 1 < ๐ 2 = 3; ๐ 1 = 1 < ๐ 3 = 2 e ๐ 2 = 3 >
๐ 3 = 2, portanto ๐พ = { 2,3 }, o que implica que ๐ ๐พ = 1, que é impar, portanto
๐ ๐๐(๐) = โ1.
b) Consideremos ๐ =
1 2
3 1
3
, os pares ๐, ๐ , com 1 โค ๐ โค ๐ โค ๐ são 1,2 , (1,3) e
2
(2,3), notemos que ๐ 1 = 3 > ๐ 2 = 1; ๐ 1 = 3 > ๐ 3 = 2 e ๐ 2 = 1 <
46
๐ 3 = 2, portanto ๐พ = { 1,2 , (1,3)}, o que implica que ๐ ๐พ = 2, que é par,
portanto ๐ ๐๐(๐) = 1.
De acordo com o sinal, classificaremos uma permutação como par, se ๐ ๐๐(๐) = 1, ou
ímpar, se ๐ ๐๐ ๐ = โ1.
Consideremos ๐ด = ๐๐๐
๐
uma matriz real. Consideremos também o produto
๐ ๐๐ ๐ . ๐1๐(1) . ๐2๐(2) . ๐3๐(3) . โฏ . ๐๐๐ (๐) , com ๐ sendo uma permutação do conjunto ๐๐ .
Notemos que nesse produto aparecem, como fatores, somente um elemento de cada linha da
matriz ๐ด, pois os índices correspondentes às linhas variam de 1 até ๐, sem repetição; e
aparece também, somente um elemento de cada coluna da matriz ๐ด, uma vez que os índices
correspondentes às colunas não se repetem pois ๐ é bijetiva. Notemos ainda que temos ๐!
possíveis permutações em ๐๐ , portanto ๐! produtos ๐ ๐๐ ๐ . ๐1๐(1) . ๐2๐(2) . ๐3๐(3) . โฏ . ๐๐๐ (๐) .
Definiremos o determinante da matriz ๐ด, como sendo a soma das ๐! parcelas
๐ ๐๐ ๐ . ๐1๐(1) . ๐2๐(2) . ๐3๐(3) . โฏ . ๐๐๐ (๐) , ou ainda:
det( A) ๏ฝ ๏ฅ sng ( f ). a1 f (1) . a2 f ( 2) . a3 f (3) .๏.. anf ( n )
f
Notemos que, considerando โณ๐ como sendo o conjunto de todas as matrizes reais
quadradas de ordem ๐, temos que det(A) โกé uma função de โณ๐ em โ, que a cada matriz
๐ด โ โณ๐ , faz corresponder um escalar real ๐ tal que det ๐ด = ๐. Tal função não é bijetiva,
pois embora seja sobrejetiva não é injetiva.
Se ๐ด = ๐11 , temos det ๐ด = ๐11 .
๐11 ๐12
Se ๐ด = ๐
๐22 , temos as seguintes permutações:
21
๐1 =
1 2
, o que implica que ๐พ1 = โ
, ou seja, ๐(๐พ1 ) = 0, que é par, portanto
1 2
๐ ๐๐ ๐1 = 1.
๐2 =
1
2
2
, o que implica que ๐พ2 = { 1,2 }, ou seja, ๐ ๐พ2 = 1, que é ímpar,
1
portanto ๐ ๐๐ ๐2 = โ1.
Logo, det ๐ด
๐11
๐
Se ๐ด = 21
๐31
๐1 =
๐ ๐๐ ๐1 = 1.
1 2
1 2
= ๐11 . ๐22 โ ๐12 . ๐21
๐12 ๐13
๐22 ๐23 , temos as seguintes permutações:
๐32 ๐33
3
, o que implica que ๐พ1 = โ
, ou seja, ๐ ๐พ1 = 0, que é par, portanto
3
47
๐2 =
1
2
2 3
, o que implica que ๐พ2 = { 1,3 , 2,3 }, ou seja, ๐ ๐พ2 = 2, que é par,
3 1
portanto ๐ ๐๐ ๐2 = 1.
๐3 =
1
3
2 3
, o que implica que ๐พ3 = { 1,2 , 1,3 }, ou seja, ๐ ๐พ3 = 2, que é par,
1 2
portanto ๐ ๐๐ ๐3 = 1.
๐4 =
1
1
2 3
, o que implica que ๐พ4 = { 2,3 }, ou seja, ๐ ๐พ4 = 1, que é ímpar,
3 2
portanto ๐ ๐๐ ๐4 = โ1.
๐5 =
1
3
2 3
, o que implica que ๐พ5 = { 1,2 , 1,3 , (2,3)}, ou seja, ๐ ๐พ5 = 3, que
2 1
é ímpar, portanto ๐ ๐๐ ๐5 = โ1.
๐6 =
1
2
2 3
, o que implica que ๐พ6 = { 1,2 }, ou seja, ๐ ๐พ6 = 1, que é ímpar,
1 3
portanto ๐ ๐๐ ๐4 = โ1.
Logo:
det ๐ด = ๐11 . ๐22 . ๐33 + ๐12 . ๐23 . ๐31 + ๐13 . ๐21 . ๐32 โ ๐11 . ๐23 . ๐32 โ ๐13 . ๐22 . ๐31 โ ๐12 . ๐21 . ๐33
Vejamos alguns exemplos:
a) Seja ๐ด =
2
5
, uma matriz de ordem 2.
โ3 โ4
Por definição, det ๐ด = 2. โ4 โ 5. (โ3), portanto, det ๐ด = 7
โ2 1 0
b) Seja ๐ต = โ1 2 3 , uma matriz de ordem 3.
0 โ2 5
Por definição,
det ๐ด = โ2.2.5 + 1.3.0 + 0. โ1 . โ2 โ (โ2).3. โ2 โ 0.2.0 โ 1. โ1 . 5
det ๐ด = โ20 + 0 + 0 โ 12 โ 0 + 5
det ๐ด = โ27
3.1
PROPRIEADES DOS DETERMINANTES
Representando cada linha de uma matriz real ๐ด, quadrada de ordem ๐, por
๐ด1, ๐ด2 , ๐ด3 , โฆ , ๐ด๐ , em que ๐ด๐ = (๐๐1 , ๐๐2 , ๐13 , โฆ , ๐๐๐ ), para todo ๐ โ 1, 2, 3, โฆ , ๐ , podemos,
com finalidade de facilitar a notação, representar a matriz ๐ด na seguinte configuração:
48
๐ด1
๐ด1
๐ด2
๐ด2
๐ด3
๐ด3
๐ด = โฎ , cujo determinante representaremos por ๐๐๐ก ๐ด = โฎ
๐ด๐
๐ด๐
โฎ
โฎ
๐ด๐
๐ด๐
A função determinante goza das seguintes propriedades:
I)
๐ด1
๐ด1
๐ด1
๐ด1
๐ด2
๐ด2
๐ด2
๐ด2
๐ด3
๐ด3
๐ด3
๐ด3
โฎ
โฎ
Dada a matriz ๐ด = โฎ =
, então
= โฎ + ๐.
๐ด๐
๐ดโฒ๐ + ๐. ๐ดโฒโฒ๐
๐ดโฒ๐ + ๐. ๐ดโฒโฒ๐
๐ดโฒ๐
โฎ
โฎ
โฎ
โฎ
๐ด๐
๐ด๐
๐ด๐
๐ด๐
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โฎ , ou
๐ดโฒโฒ๐
โฎ
๐ด๐
seja, a função ๐๐๐ก ๐ด é linear em cada uma das linhas separadamente da matriz ๐ด.
II)
Dada matriz real ๐ด quadrada de ordem ๐, e um escalar real ๐, temos ๐๐๐ก ๐. ๐ด =
๐ ๐ . ๐๐๐ก ๐ด .
III)
Considerando ๐ผ๐ com sendo a matriz identidade de ordem ๐, temos ๐๐๐ก ๐ผ๐ = 1.
IV)
Se de uma matriz ๐ด quadrada de ordem ๐ for obtida uma matriz ๐ต através de uma
transformação elementar do tipo ๐ฟ๐ โ ๐ฟ๐ , com ๐ โ ๐ (permutação entra duas
linhas), então ๐๐๐ก ๐ต = โ๐๐๐ก ๐ด .
V)
๐ด1
๐ด2
โฎ
๐ด๐
Se ๐ด = โฎ e ๐ด๐ = ๐ด๐ , com ๐ โ ๐, então ๐๐๐ก ๐ด = 0.
๐ด๐
โฎ
๐ด๐
VI)
๐ด1
๐ด2
โฎ
๐ด๐
Se ๐ด = โฎ e ๐ด๐ = ๐. ๐ด๐ , com ๐ โ ๐ e ๐ โ 0, então ๐๐๐ก ๐ด = 0.
๐ด๐
โฎ
๐ด๐
VII)
Dada uma matriz real ๐ด, quadrada de ordem ๐, temos ๐๐๐ก ๐ด = ๐๐๐ก ๐ด๐ก .
VIII) Dadas duas matrizes reais ๐ด e ๐ต, quadradas de ordem ๐, temos ๐๐๐ก ๐ด. ๐ต =
๐๐๐ก ๐ด . ๐๐๐ก ๐ต .
IX)
Uma matriz ๐ด é invertível se, e somente se, ๐๐๐ก ๐ด โ 0.
49
X)
Dada uma matriz real ๐ด, quadrada de ordem ๐, cuja uma linha, digamos ๐ฟ๐ é a
combinação linear de duas outras linhas, então ๐๐๐ก ๐ด = 0.
XI)
Se uma matriz ๐ต, quadrada de ordem ๐ é obtida a partir de uma matriz ๐ด, também
quadrada de ordem ๐, na qual somamos uma linha, com um múltiplo de outra,
deixando as demais linhas inalteradas, então ๐๐๐ก ๐ต = ๐๐๐ก ๐ด .
As propriedades dos determinantes são de fundamental importância para obtenção de
resultados mais rápidos.
Demonstrações:
I)
Como vimos, por definição a função determinante de uma matriz real ๐ด, quadrada
de ordem ๐ é ๐๐๐ก ๐ด =
๐
๐ ๐๐ ๐ . ๐1๐(1) . ๐2๐(2) . ๐3๐(3) . โฏ . ๐๐๐ (๐) , com ๐!
parcelas e que em cada parcela aparece somente um elemento de cada linha da
matriz ๐ด. Sendo assim, se os elementos de uma das linhas da matriz, digamos a iโฒ
โฒโฒ
โฒ
โฒโฒ
โฒ
โฒโฒ
โฒ
โฒโฒ
ésima linha, forem ๐ด๐ = ๐๐1
+ ๐. ๐๐1
, ๐๐2
+ ๐. ๐๐2
, ๐๐3
+ ๐. ๐๐3
, โฆ , ๐๐๐
+ ๐. ๐๐๐
,
ao calcularmos o determinante da matriz ๐ด, em cada uma das ๐! parcelas do
โฒ
โฒโฒ
somatório, aparecerá um fator do tipo (๐๐๐(๐)
+ ๐. ๐๐๐
(๐) ), o que fará com que
๐๐๐ก ๐ด =
๐
โฒ
๐ ๐๐ ๐ . ๐1๐(1) . ๐2๐(2) . ๐3๐(3) . โฏ . ๐๐๐
๐
โฒโฒ
+ ๐. ๐๐๐
๐
. โฏ . ๐๐๐ (๐)
e,
pelas propriedades operacionais dos somatórios, temos:
๐๐๐ก ๐ด =
๐ ๐๐ ๐ . ๐1๐
1
. ๐2๐
2
. ๐3๐
3
โฒ
. โฏ . ๐๐๐
โฒโฒ
+ ๐. ๐๐๐
๐
๐
. โฏ . ๐๐๐
๐
=
๐
=
๐
๐ ๐๐ ๐ . ๐1๐
1
. ๐2๐
2
+๐ ๐๐ ๐ . ๐1๐
=
๐ ๐ ๐๐
๐ . ๐1๐
1
๐.
. ๐2๐
2
. ๐3๐
1
. ๐2๐
. ๐3๐
3
๐ ๐๐ ๐ . ๐1๐
โฒ
. โฏ . ๐๐๐
๐ . โฏ . ๐๐๐
3
2
. ๐3๐
3
. ๐2๐
2
+
โฒโฒ
. โฏ . ๐. ๐๐๐
๐ . โฏ . ๐๐๐
โฒ
. โฏ . ๐๐๐
๐ . โฏ . ๐๐๐
1
๐
. ๐3๐
3
๐
๐
=
+
โฒโฒ
. โฏ . ๐๐๐
๐ . โฏ . ๐๐๐
๐
๐
๐ด1
๐ด1
๐ด2
๐ด2
๐ด3
๐ด3
โฎ
Portanto,
= โฎ + ๐.
๐ดโฒ๐ + ๐. ๐ดโฒโฒ๐
๐ดโฒ๐
โฎ
โฎ
๐ด๐
๐ด๐
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โฎ
๐ดโฒโฒ๐
โฎ
๐ด๐
Mostrando com isso que a função determinante é linear em cada uma das linhas de
uma matriz ๐ด, separadamente.
50
II)
É uma consequência da propriedade I, pois sendo uma matriz real ๐ด de ordem ๐ e
๐. ๐ด1
๐. ๐ด2
๐. ๐ด3
um escalar real ๐, temos ๐. ๐ด =
e o determinante de ๐ด, por definição será
โฎ
๐. ๐ด๐
โฎ
๐. ๐ด๐
๐๐๐ก ๐. ๐ด =
=
๐
๐
๐ ๐๐ ๐ . ๐. ๐1๐(1) . ๐. ๐2๐(2) . ๐. ๐3๐(3) . โฏ . ๐. ๐๐๐ (๐ ) =
๐ ๐๐ ๐ . ๐. ๐. ๐. โฏ . ๐ . ๐1๐(1) . ๐2๐(2) . ๐3๐(3) . โฏ . ๐๐๐ (๐) =
๐ ๐๐๐ก๐๐๐๐
= ๐๐ .
๐ ๐๐ ๐ . ๐1๐(1) . ๐2๐(2) . ๐3๐(3) . โฏ . ๐๐๐ (๐) = ๐ ๐ . ๐๐๐ก ๐ด
๐
III)
Como sabemos, dada uma matriz quadrada de ordem ๐, temos ๐๐๐ก ๐ด =
๐
๐ ๐๐ ๐ . ๐1๐(1) . ๐2๐(2) . ๐3๐(3) . โฏ . ๐๐๐ (๐) , com ๐! parcelas e que em cada parcela
aparece somente um elemento de cada linha da matriz ๐ด. Portanto, no cálculo do
determinante da matriz identidade de ordem ๐, somente uma das parcelas do
somatório , a saber, ๐11 . ๐22 . ๐22 . โฏ . ๐๐๐ é não nula e, por tratar-se do produto dos
elementos da diagonal principal, que são todos iguais a 1, além de essa parcela ser
obtida através da permutação ๐๐๐๐๐๐ก๐๐๐๐๐
e ๐ ๐๐(๐๐๐๐๐๐ก๐๐๐๐๐ )=1, temos ๐๐๐ก ๐ผ๐ =
1.
IV)
Ao permutarmos duas linhas de uma matriz ๐ด, obtendo com isso uma matriz ๐ต,
cada uma das parcelas do somatório da função determinante, ๐๐๐ก ๐ต , terá ainda os
mesmos elementos das parcelas da função ๐๐๐ก ๐ด , porém com ordens de índices
diferentes, o que acarretará a mudança de ๐ ๐๐ ๐ em cada uma das parcelas,
implicando com isso que ๐๐๐ก ๐ต = โ๐๐๐ก ๐ด .
V)
Imaginemos uma matriz quadrada
๐ด, de ordem ๐, com duas linhas iguais,
digamos ๐ฟ๐ e ๐ฟ๐ . Se obtivermos através de uma operação elementar do tipo ๐ฟ๐ โ
๐ฟ๐ , com ๐ โ ๐, uma matriz ๐ต a partir da matriz ๐ด, então ๐ด = ๐ต, pois permutamos
duas linhas iguais. Isso acarreta que ๐๐๐ก ๐ต = ๐๐๐ก ๐ด , mas, pela propriedade IV,
vimos que ao permutarmos duas linhas de uma matriz ๐ด, obtemos uma matriz ๐ต tal
que ๐๐๐ก ๐ต = โ๐๐๐ก ๐ด . Das duas igualdades, obtermos que ๐๐๐ก ๐ด = 0.
51
VI)
๐ด1
๐ด2
๐ด3
Pela propriedade I, temos que ๐ด = โฎ , com ๐ um escalar real, então ๐๐๐ก ๐ด =
๐. ๐ด๐
โฎ
๐ด๐
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โฎ = ๐.
๐. ๐ด๐
โฎ
๐ด๐
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โฎ . Suponhamos que na matriz ๐ด, exista uma linha, por exemplo a
๐ด๐
โฎ
๐ด๐
๐ด1
๐ด1
๐ด2
๐ด2
๐ด3
๐ด3
โฎ
โฎ
j-ésima, tal que ๐ฟ๐ = ๐. ๐ฟ๐ . Teremos então, ๐๐๐ก ๐ด = ๐ด๐ = ๐ด๐ = ๐.
โฎ
โฎ
๐ด๐
๐. ๐ด๐
โฎ
โฎ
๐ด๐
๐ด๐
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โฎ
๐ด๐ e,
โฎ
๐ด๐
โฎ
๐ด๐
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โฎ
pela propriedade V, temos ๐ด๐ = 0, portanto, ๐๐๐ก ๐ด = ๐. 0 = 0.
โฎ
๐ด๐
โฎ
๐ด๐
VII)
Seja ๐ด = ๐๐๐
๐
uma matriz real e ๐ด๐ก a sua transposta. Se ๐ é uma permutação de
๐ elementos, então, ๐๐ก ๐๐
definição que ๐๐๐ก ๐ด๐ก =
๐
= ๐๐
๐
๐ ๐
para todo ๐, ๐ โ 1,2, โฆ , ๐ . Sabemos, por
๐ ๐๐ ๐ . ๐๐(1)1 . ๐๐(2)2 . ๐๐(3)3 . โฏ . ๐๐(๐)๐ e, como ๐ é
bijetiva, existe ๐ โ1 de modo que quando ๐ = ๐ โ1 ๐ , temos
๐๐(๐)๐ = ๐๐ ๐ โ1
๐
.
Portanto, temos ๐๐(1)1 . ๐๐(2)2 . โฏ . ๐๐(๐)๐ = ๐1๐ โ1 (1) . ๐2๐ โ1 (2) . โฏ . ๐๐๐ โ1 (๐) e, como
๐๐๐ โ1 = ๐๐๐๐๐๐ก๐๐๐๐๐ e ๐ ๐๐ ๐๐๐๐๐๐ก๐๐๐๐๐ =+1, então ๐ e ๐ โ1 possuem o mesmo sinal, ou seja,
๐ ๐๐ ๐ = ๐ ๐๐ ๐โ1 . Notemos ainda que ๐ percorre todas as permutações de grau ๐ e
๐ โ1
também
๐๐๐ก ๐ด๐ก =
๐ ๐ ๐๐
๐
percorre,
pois
é
a
inversa
๐ ๐๐ ๐ . ๐๐(1)1 . ๐๐(2)2 . ๐๐(3)3 . โฏ . ๐๐(๐)๐ =
๐โ1 . ๐
1๐โ1 (1)
. ๐2๐โ1 (2) . โฏ . ๐๐๐โ1 (๐) = ๐๐๐ก ๐ด .
de
๐.
Sendo
assim,
52
VIII) Sejam ๐ด = ๐๐๐
๐
, ๐ต = ๐๐๐
e ๐ถ = ๐๐๐
๐
๐
, tal que ๐ถ = ๐ด. ๐ต, temos por definição
๐
do produto de matrizes que ๐๐๐ =
๐=1
๐๐๐ . ๐๐๐ , para todo ๐, ๐ โ 1, 2, 3, โฆ , ๐ .
Então,
det ๐ถ =
๐11
โฎ
๐๐1
๐12
โฎ
๐๐2
โฏ ๐1๐
โฑ
โฎ =
โฏ ๐๐๐
๐1๐ 1 . ๐๐ 1 1
โฎ
๐๐๐ 1 . ๐๐ 1 1
๐1๐ 2 . ๐๐ 2 2
โฎ
๐๐๐ 2 . ๐๐ 2 2
โฏ
โฑ
โฏ
๐1๐ ๐ . ๐๐ ๐ ๐
โฎ
=
๐๐๐ ๐ . ๐๐ ๐ ๐
Utilizando a propriedade I, que trata da linearidade da função determinante em
cada uma das linhas de uma matriz, a propriedade VII, que garante a linearidade
também nas colunas e, por sabermos que ๐๐๐ก ๐ด = ๐๐๐ก ๐ด๐ก , temos
det ๐ถ =
.
๐1
. โฏ.
๐2
๐๐
๐1๐ 1 . ๐๐ 1 1
โฎ
.
๐1๐ ๐ . ๐๐ ๐ ๐
๐1๐ 2 . ๐๐ 2 2
โฎ
๐๐๐ 2 . ๐๐ 2 2
โฏ ๐1๐ ๐ . ๐๐ ๐ ๐
โฑ
โฎ
โฏ ๐๐๐ ๐ . ๐๐ ๐ ๐
Utilizando novamente a linearidade nas ๐ colunas (Propriedade I e Propriedade VII),
temos:
det ๐ถ =
๐ 1 ,๐ 2 ,โฏ,๐ ๐
๐1๐ 1
๐๐ 1 1 . ๐๐ 2 2 . โฏ . ๐๐ ๐ ๐ . โฎ
๐1๐ ๐
๐1๐ 2
โฎ
๐๐๐ 2
โฏ ๐1๐ ๐
โฑ
โฎ
โฏ ๐๐๐ ๐
Eliminemos as parcelas em que ๐๐ = ๐๐ quando ๐ โ ๐, pois, caso contrário, teremos
๐1๐ 1
โฎ
๐1๐ ๐
๐1๐ 2
โฎ
๐๐๐ 2
โฏ ๐1๐ ๐
โฑ
โฎ = 0.
โฏ ๐๐๐ ๐
det ๐ถ =
๐ 1 ,๐ 2 ,โฏ,๐ ๐
๐ ๐ โ ๐ ๐
๐1๐ 1
๐๐ 1 1 . ๐๐ 2 2 . โฏ . ๐๐ ๐ ๐ . โฎ
๐1๐ ๐
๐1๐ 1
โฎ
Com a eliminação das colunas iguais, a matriz
๐1๐ ๐
๐1๐ 2
โฎ
๐๐๐ 2
๐1๐ 2
โฎ
๐๐๐ 2
โฏ ๐1๐ ๐
โฑ
โฎ
โฏ ๐๐๐ ๐
โฏ ๐1๐ ๐
โฑ
โฎ
tem as mesmas
โฏ ๐๐๐ ๐
colunas da matriz ๐ด, porém permutadas através de um determinado ๐. Assim, a matriz
๐1๐ 1 ๐1๐ 2 โฏ ๐1๐ ๐
โฎ
โฎ
โฑ
โฎ
tem determinante igual ao produto de ๐ ๐๐ ๐ por ๐๐๐ก ๐ด , o
๐1๐ ๐ ๐๐๐ 2 โฏ ๐๐๐ ๐
que implica que
det ๐ถ =
๐
๐๐ 1 1 . ๐๐ 2 2 . โฏ . ๐๐ ๐ ๐ . ๐ ๐๐ ๐ . ๐๐๐ก ๐ด
๐๐๐ก ๐ถ = ๐๐๐ก ๐ด .
๐
๐ ๐๐ ๐ . ๐๐ 1 1 . ๐๐ 2 2 . โฏ . ๐๐ ๐ ๐
Como uma permutação e sua inversa tem mesmo sinal, então
๐
๐ ๐๐ ๐ . ๐๐ 1 1 . ๐๐ 2 2 . โฏ . ๐๐ ๐ ๐ =
que ๐๐๐ก ๐ถ = ๐๐๐ก ๐ด .
๐
๐
๐ ๐๐ ๐ . ๐1๐ 1 . ๐2๐ 2 . โฏ . ๐๐๐ ๐ , o que implica
๐ ๐๐ ๐ . ๐1๐ 1 . ๐2๐ 2 . โฏ . ๐๐๐ ๐ = ๐๐๐ก ๐ด . ๐๐๐ก ๐ต .
53
IX)
โน Se ๐ด = ๐๐๐
๐
é uma matriz real invertível, então existe ๐ดโ1 real tal que
๐ดโ1 . ๐ด = ๐ด. ๐ดโ1 = ๐ผ๐ .
Fazendo
๐๐๐ก ๐ดโ1 . ๐ด = ๐๐๐ก ๐ด. ๐ดโ1 = ๐๐๐ก ๐ผ๐ ,
pela
propriedade VIII, temos ๐๐๐ก ๐ด. ๐ดโ1 = ๐๐๐ก ๐ด . ๐๐๐ก ๐ดโ1 = ๐๐๐ก ๐ดโ1 . ๐๐๐ก ๐ด =
๐๐๐ก ๐ด. ๐ดโ1 . Por essas duas igualdades, temos que ๐๐๐ก ๐ด . ๐๐๐ก ๐ดโ1 =
๐๐๐ก ๐ดโ1 . ๐๐๐ก ๐ด = ๐๐๐ก ๐ผ๐ mas, pela propriedade III, temos que ๐๐๐ก ๐ผ๐ = 1.
Portanto, ๐๐๐ก ๐ด . ๐๐๐ก ๐ดโ1 = ๐๐๐ก ๐ดโ1 . ๐๐๐ก ๐ด = 1 o que nos mostra que
๐๐๐ก ๐ด โ 0.
โธ Se ๐ด é uma matriz quadrada de ordem ๐ tal que ๐๐๐ก ๐ด โ 0, então todas as
linhas de ๐ด são não nulas. Pelo teorema 2.7, toda matriz é equivalente a uma
matriz na forma escalonada, portanto, existe uma matriz ๐ต equivalente por linhas a
matriz ๐ด com todas as linhas não nulas. Logo, ๐ต = ๐ผ๐ e, pelo teorema 2.9 temos
que ๐ด é invertível.
X)
๐ด1
๐ด2
โฎ
๐ด๐
โฎ
Suponhamos que ๐ด = ๐ด
๐
โฎ
๐ด๐
โฎ
๐ด๐
e que ๐ด๐ = ๐ผ. ๐ด๐ + ๐ฝ. ๐ด๐ , com ๐ผ, ๐ฝ โ โ. Então,
๐ด1
๐ด1
๐ด2
๐ด2
โฎ
โฎ
๐ผ. ๐ด๐ + ๐ฝ. ๐ด๐
๐ผ. ๐ด๐ + ๐ฝ. ๐ด๐
โฎ
โฎ
๐ด=
e
๐๐๐ก
๐ด
=
, mas pela propriedade I, temos
๐ด๐
๐ด๐
โฎ
โฎ
๐ด๐
๐ด๐
โฎ
โฎ
๐ด๐
๐ด๐
54
๐ด1
๐ด2
โฎ
๐ผ. ๐ด๐ + ๐ฝ. ๐ด๐
โฎ
que ๐๐๐ก ๐ด =
= ๐ผ.
๐ด๐
โฎ
๐ด๐
โฎ
๐ด๐
๐ด1
๐ด2
โฎ
๐ด๐
โฎ
๐ด๐ + ๐ฝ.
โฎ
๐ด๐
โฎ
๐ด๐
๐ด1
๐ด2
โฎ
๐ด๐
โฎ
๐ด๐ e, pela propriedade V, temos que
โฎ
๐ด๐
โฎ
๐ด๐
๐๐๐ก ๐ด = 0.
XI)
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โฎ
Seja ๐ด = ๐ด๐ . Suponhamos que uma matriz ๐ต é obtida através da soma da
โฎ
๐ด๐
โฎ
๐ด๐
๐ โ é๐ ๐๐๐ linha da matriz ๐ด com um múltiplo da ๐ โ é๐ ๐๐๐ linha da matriz ๐ด,
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โฎ
๐ด
+
permanecendo as demais linhas inalteradas. Então, ๐ต = ๐ ๐. ๐ด๐ . Assim, temos
โฎ
๐ด๐
โฎ
๐ด๐
๐ด1
๐ด1
๐ด2
๐ด2
๐ด3
๐ด3
โฎ
โฎ
๐ด
+
๐.
๐ด
๐ด
๐๐๐ก ๐ต = ๐
๐ e, pela propriedade I, ๐๐๐ก ๐ต =
๐ + ๐.
โฎ
โฎ
๐ด๐
๐ด๐
โฎ
โฎ
๐ด๐
๐ด๐
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โฎ
pela propriedade V, ๐๐๐ก ๐ต = ๐ด๐ + ๐. 0 =
โฎ
๐ด๐
โฎ
๐ด๐
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โฎ
๐ด๐ = ๐๐๐ก ๐ด .
โฎ
๐ด๐
โฎ
๐ด๐
๐ด1
๐ด2
๐ด3
โฎ
๐ด๐ . Temos ainda,
โฎ
๐ด๐
โฎ
๐ด๐
55
3.1.1 Alguns comentários
A propriedade VII é de extrema importância aos determinantes, pois ela permite-nos
assumir todas as outras propriedades vistas até o momento com linhas de matrizes para as
colunas das matrizes.
A Propriedade IX tem fundamental importância no estudo dos determinantes. Ela
estabelece um critério de invertibilidade de uma matriz, ou seja, para sabermos se uma matriz
é invertível, basta verificarmos se o seu determinante é diferente de zero. Além disso, essa
propriedade permite-nos, juntamente com outros conceitos, determinar a inversa de uma
matriz, caso ela exista, como veremos mais adiante.
Em
๐๐๐ก ๐ด =
geral,
๐
o
cálculo
de
determinantes
através
da
função
๐ ๐๐ ๐ . ๐1๐(1) . ๐2๐(2) . ๐3๐(3) . โฏ . ๐๐๐ (๐) é um tanto quanto trabalhoso, uma vez
que para ๐ โฅ 4, o cálculo do determinante por essa maneira torna-se inviável, pois um
conjunto com 4 elementos, já possui 4! = 24 possíveis bijeções e portanto uma soma com 24
parcelas no determinante. Com 5 elementos, já seriam possíveis 5! = 120 bijeções e portanto
uma soma com 120 parcelas no determinante. Para isso existem outras técnicas para o cálculo
dos determinantes, que abordaremos a seguir:
3.2
MÉTODOS PARA O CÁLCULO DE DETERMINANTES
3.2.1 Regra de Sarrus para o cálculo do determinante de uma matriz de ordem 3
Exemplo:
โ1 2 4
Seja ๐ด = โ2 3 1 uma matriz de ordem 3.
3 โ2 5
A regra de Sarrus consiste em acrescentar, geralmente à direita do determinante, as duas
primeiras colunas da matriz, obtendo a seguinte configuração:
โ1 2 4 โ1 2
โ2 3 1 โ2 3
3 โ2 5 3 โ2
Às diagonais traçadas em vermelho denominaremos diagonais principais e as
diagonais traçadas em verde são as diagonais secundárias.
56
O determinante da matriz é a soma dos produtos dos elementos das diagonais
principais com os simétricos dos produtos dos elementos das diagonais secundárias:
det ๐ด = โ1.3.5 + 2.1.3 + 4. โ2 . โ2 โ 4.3.3 โ โ1 . 1. โ2 โ 2. โ2 . 5
det ๐ด = โ15 + 6 + 16 โ 36 โ 2 + 20
det ๐ด = โ11
Notemos que a regra de Sarrus nada mais é do que a aplicação implícita da função
๐๐๐ก ๐ด =
๐
๐ ๐๐ ๐ . ๐1๐(1) . ๐2๐(2) . ๐3๐(3) . โฏ . ๐๐๐ (๐) .
3.2.2 Regra de Laplace para o cálculo do determinante
A regra de Laplace é amplamente utilizada para o cálculo de determinantes de
matrizes de ordem ๐, com ๐ โฅ 4, pois através dessa regra, de forma recorrente, diminuímos a
ordem dos determinantes a serem calculados a cada interação.
3.2.2.1 Menor complementar
Seja ๐ด = ๐๐๐
๐
uma matriz. Considerando um elemento ๐๐๐ da matriz ๐ด,
denominamos o menor complementar do elemento ๐๐๐ e representamos por ๐ท๐๐ , como sendo o
determinante que obtemos ao suprimir na matriz ๐ด a ๐ โ é๐ ๐๐๐ linha e a ๐ โ é๐ ๐๐๐ coluna.
Exemplo:
๐11
โฎ
๐๐1
๐ด = ๐๐1
๐๐ 1
โฎ
๐๐1
๐11
โฎ
๐๐1
๐ท๐๐ = ๐
๐1
โฎ
๐๐1
โฏ
โฑ
โฏ
โฏ
โฑ
โฏ
โฏ
โฑ
โฏ
โฏ
โฏ
โฑ
โฏ
๐1๐ ๐1๐
โฎ
โฎ
๐๐๐ ๐๐๐
๐๐๐ ๐๐๐
๐๐๐ ๐๐๐
โฎ
โฎ
๐๐๐ ๐๐๐
๐1๐ ๐1๐
โฎ
โฎ
๐๐๐ ๐๐๐
๐๐๐ ๐๐๐
โฎ
โฎ
๐๐๐ ๐๐๐
โฏ
โฑ
โฏ
โฏ
โฑ
โฏ
๐1๐
โฎ
๐๐๐
๐๐๐
๐๐๐
โฎ
๐๐๐
โฏ
โฑ
โฏ
โฏ
โฏ
โฑ
โฏ
๐1๐
โฎ
๐๐๐
๐๐๐ . Considerando o elemento ๐๐๐ , temos que
๐๐๐
โฎ
๐๐๐
๐1๐
โฎ
๐๐๐
๐๐๐ é o seu menor complementar.
โฎ
๐๐๐
57
3.2.2.2 Complementar algébrico do elemento ๐๐๐ ou cofator de ๐๐๐
O complementar algébrico ou cofator do elemento ๐๐๐ será representado por ๐ด๐๐ e, por
definição, ๐ด๐๐ = โ1
๐+๐
. ๐ท๐๐ .
O determinante de uma matriz ๐ด, pela regra de Laplace é - considerando uma linha
qualquer (ou coluna), por exemplo a ๐ โ é๐ ๐๐๐ - a soma do produto de cada elemento da
linha (ou coluna) pelo seu respectivo cofator, ou seja:
๐
๐๐๐ก ๐ด = ๐๐1 . ๐ด๐1 + ๐๐2 . ๐ด๐2 + โฏ + ๐๐๐ . ๐ด๐๐ =
๐๐๐ . ๐ด๐๐
๐=1
โ1
Exemplo: Seja ๐ด = โ2
3
2 4
3 1 uma matriz de ordem 3. O determinante de ๐ด,
โ2 5
segundo a regra de Laplace é dado por:
๐๐๐ก ๐ด = โ1. โ1
1+1
.
3 1
+ 2. โ1
โ2 5
1+2
.
โ2 1
+ 4. โ1
3 5
1+3
.
โ2 3
3 โ2
๐๐๐ก ๐ด = โ1. โ1 2 . 15 + 2 + 2. โ1 3 . โ10 โ 3 + 4. โ1 4 . (4 โ 9)
๐๐๐ก ๐ด = โ1.1.17 + 2. (โ1). โ13 + 4.1. (โ5)
๐๐๐ก ๐ด = โ17 + 26 โ 20
๐๐๐ก ๐ด = โ11
Notemos que, para a realização do cálculo, foi escolhida a 1ª linha da matriz ๐ด, porém,
poderíamos ter escolhido qualquer uma das outras linhas para o calculo do determinante e, de
acordo com a propriedade VII, poderíamos também ter utilizado qualquer uma das colunas
em vez das linhas.
A regra de Laplace também é uma aplicação implícita da função ๐๐๐ก ๐ด =
๐
๐ ๐๐ ๐ . ๐1๐(1) . ๐2๐(2) . ๐3๐(3) . โฏ . ๐๐๐ (๐) .
3.2.3 O método da eliminação de Gauss
O método da eliminação de Gauss fundamenta-se no teorema a seguir:
Teorema 3.1: Se ๐ด = ๐๐๐
๐
uma matriz triangular inferior (respectivamente superior), então
temos ๐๐๐ก ๐ด = ๐11 . ๐22 . ๐33 . โฏ . ๐๐๐ , ou seja, o determinante de uma matriz triangular é o
produto dos elementos da sua diagonal principal.
58
Demonstração: Demonstraremos esse fato utilizando indução sobre ๐ em uma matriz
triangular inferior, lembrando que para as matrizes triangulares superiores a demonstração é
análoga.
Verifiquemos para ๐ = 2:
Seja ๐ด =
๐11
๐21
0
. Por definição, ๐๐๐ก ๐ด = ๐11 . ๐22 โ ๐12 . ๐21 , porém, em uma
๐22
matriz triangular inferior, temos ๐๐๐ = 0, sempre que ๐ < ๐, assim, temos ๐๐๐ก ๐ด =
๐11 . ๐22 โ 0. ๐21 , o que implica que ๐๐๐ก ๐ด = ๐11 . ๐22 que é o produto dos elementos da
diagonal principal. Portanto, para ๐ = 2 a afirmação é verdadeira.
Por hipótese de indução, seja ๐ด = ๐๐๐
(๐โ1)
uma matriz triangular inferior tal que
๐๐๐ก ๐ด = 0.
Calculemos o determinante de uma matriz ๐ด = ๐๐๐
๐
, triangular inferior:
Utilizando a regra de Laplace aplicada à 1ª linha da matriz ๐ด, temos:
๐๐๐ก ๐ด =
๐
๐=1 ๐1๐ . ๐ด1๐
= ๐11 . ๐ด11 + ๐12 . ๐ด12 + โฏ + ๐1๐ . ๐ด1๐ , mas como ๐๐๐ = 0,
sempre que ๐ < ๐, então ๐๐๐ก ๐ด = ๐11 . ๐ด11 + 0. ๐ด12 + 0. ๐ด13 + โฏ + 0. ๐ด1๐ = ๐11 . ๐ด11 temos
ainda que ๐ด11 = โ1
1+1
. ๐ท11 = โ1 2 . ๐ท11 = ๐ท11 , o que faz com que ๐๐๐ก ๐ด = ๐11 . ๐ท11 .
Mas ๐ท11 é o determinante da matriz obtida ao suprimirmos a 1ª linha e a 1ª coluna da matriz
๐ด, portanto uma matriz quadrada de ordem ๐ โ 1, cuja diagonal principal são os elementos
๐22 , ๐33 , ๐44 , โฏ , ๐๐๐ e, por hipótese de indução, ๐ท11 = ๐22 . ๐33 . ๐44 . โฏ . ๐๐๐ . Assim,
๐๐๐ก ๐ด = ๐11 . ๐ท11 = ๐11 . ๐22 . ๐33 . ๐44 . โฏ . ๐๐๐ = ๐11 . ๐22 . ๐33 . ๐44 . โฏ . ๐๐๐ que é o produto
dos elementos da diagonal principal da matriz ๐ด, como queríamos demonstrar.
Dada uma matriz ๐ด = ๐๐๐
๐
, o método da eliminação de Gauss consiste em aplicar as
propriedades dos determinantes com a finalidade de se obter uma matriz ๐ต = ๐๐๐
๐
que seja
triangular, pois como vimos, calcular o determinante de uma matriz triangular é tarefa
bastante simples.
Vejamos um exemplo da aplicação do método da eliminação de Gauss no cálculo do
โ1 2 4
determinante da matriz ๐ด = โ2 3 1 :
3 โ2 5
โ1 2 4
๐๐๐ก ๐ด = โ2 3 1
3 โ2 5
โ1 2
3
= โ 2. 1 โ 2
(๐๐๐๐ . ๐ผ)
3 โ2
Façamos ๐ฟ2 โ ๐ฟ1 + ๐ฟ2 e ๐ฟ3 โ ๐ฟ1 + ๐ฟ3 .
โ1 2
3
= โ 2.3. 1 โ 2
2
1 โ3
5 (๐๐๐๐ . ๐ผ)
4
1
โ2
4
1
โ2
=
5
(๐๐๐๐ . ๐๐ผ)
3
59
โ1 2
1
0
=
โ 6.
2
4
(๐๐๐๐ . ๐๐ผ)
1 3
4
7
=
2
17 (๐๐๐๐ . ๐ผ)
3
1
4
โ 6. 2 . โ 3
โ1 2
4
1
7
. 0
17
0 โ1 โ 4
=
(๐๐๐๐ . ๐๐ผ)
Façamos ๐ฟ3 โ ๐ฟ2 + ๐ฟ3 .
โ1 2
=
4. 0 1
0 0
(๐๐๐๐ . ๐๐ผ)
3.3
4
7 = 4. โ1 . 1. 11 = โ11
11
4
4
Determinantes e matriz inversa
Uma das notáveis aplicações para os determinantes é a determinação da inversa de
uma matriz.
Vimos anteriormente que uma condição necessária e suficiente para que uma matriz
๐ด = ๐๐๐
๐
possua inversa é o fato de ๐๐๐ก ๐ด โ 0. Veremos agora como determinar a inversa
de uma matriz a partir do seu determinante.
Dada uma matriz ๐ด = ๐๐๐
๐
, representaremos por ๐ดโฒ a matriz dos cofatores de ๐ด.
๐11 ๐12 โฏ ๐1๐
๐ด11 ๐ด12 โฏ ๐ด1๐
๐21 ๐22 โฏ ๐2๐
๐ด21 ๐ด22 โฏ ๐ด2๐
Assim, se ๐ด = โฎ
.
โฎ
โฎ , então ๐ดโฒ = โฎ
โฑ
โฑ
โฎ
โฎ
๐๐1 ๐๐2 โฏ ๐๐๐
๐ด๐1 ๐ด๐2 โฏ ๐ด๐๐
À
matriz
๐ด = ๐ดโฒ
๐ก
๐ต11 ๐ต12 โฏ ๐ต1๐
๐ต21 ๐ต22 โฏ ๐ต2๐
=
,
โฑ
โฎ
โฎ
โฎ
๐ต๐1 ๐ต๐2 โฏ ๐ต๐๐
com
๐ต๐๐ = ๐ด๐๐ , ๐, ๐ โ 1, 2, โฆ , ๐ ,
denominamos matriz adjunta de ๐ด.
Teorema 3.2: Se ๐ด = ๐๐๐
๐
é uma matriz e ๐ผ๐ a matriz identidade de ordem ๐, então
๐ด. ๐ด = ๐ด. ๐ด = ๐๐๐ก ๐ด . ๐ผ๐
Demonstração:
seja
๐11 ๐12 โฏ ๐1๐
๐21 ๐22 โฏ ๐2๐
๐ด= โฎ
โฎ
โฎ ,
โฑ
๐๐1 ๐๐2 โฏ ๐๐๐
๐ต11 ๐ต12 โฏ ๐ต1๐
๐ต
๐ต22 โฏ ๐ต2๐
๐ด = 21
. Fazendo o produto ๐ด. ๐ด, temos:
โฑ
โฎ
โฎ
โฎ
๐ต๐1 ๐ต๐2 โฏ ๐ต๐๐
cuja
matriz
adjunta
é
60
๐11 ๐12 โฏ ๐1๐
๐11 ๐12 โฏ ๐1๐
๐ต11 ๐ต12 โฏ ๐ต1๐
๐21 ๐22 โฏ ๐2๐
๐
๐ต21 ๐ต22 โฏ ๐ต2๐
21 ๐22 โฏ ๐2๐
๐ด. ๐ด = โฎ
.
=
โฎ
โฎ
โฎ
โฎ
โฎ ,
โฑ
โฑ
โฑ
โฎ
โฎ
โฎ
๐๐1 ๐๐2 โฏ ๐๐๐
๐๐1 ๐๐2 โฏ ๐๐๐
๐ต๐1 ๐ต๐2 โฏ ๐ต๐๐
onde,
๐
pela definição do produto de matrizes, ๐๐๐ =
๐=1
๐๐๐ . ๐ต๐๐ , mas como vimos, ๐ต๐๐ = ๐ด๐๐ ,
๐
então, ๐๐๐ =
๐=1
๐๐๐ . ๐ด๐๐ . Consideremos os dois casos a seguir:
1º) ๐ = ๐ implica que ๐๐๐ =
๐
๐=1 ๐๐๐ . ๐ด๐๐
= ๐๐๐ก ๐ด
๐
2º) ๐ โ ๐ implica que ๐๐๐ =
๐=1
๐๐๐ . ๐ด๐๐ . Analisemos essa situação.
๐11 ๐12 โฏ ๐1๐
๐21 ๐22 โฏ ๐2๐
โฎ
โฎ
โฎ
โฑ
๐
๐
๐
๐2 โฏ
๐๐
Considerando ๐ด = ๐1
, da qual obtemos uma matriz
๐๐ 1 ๐๐ 2 โฏ ๐๐๐
โฑ
โฎ
โฎ
โฎ
๐๐1 ๐๐2 โฏ ๐๐๐
๐11 ๐12 โฏ ๐1๐
๐21 ๐22 โฏ ๐2๐
โฎ
โฎ
โฎ
โฑ
โฒ
๐
๐
๐
โฏ
๐ด = ๐1
pela substituição da ๐ โ é๐ ๐๐๐ pela ๐ โ é๐ ๐๐๐ linha.
๐2
๐๐
๐๐1 ๐๐2 โฏ ๐๐๐ โ j-ésima linha
โฎ
โฎ
โฎ
โฑ
๐๐1 ๐๐2 โฏ ๐๐๐
Pela propriedade V, temos que ๐๐๐ก ๐ดโฒ = 0, pois ๐ดโฒ possui duas linhas iguais. E, pela
definição de determinante, aplicada à ๐ โ é๐ ๐๐๐ linha, temos ๐๐๐ก ๐ดโฒ = ๐๐1 . ๐ด๐ 1 + ๐๐2 . ๐ด๐ 2 +
๐
โฏ + ๐๐๐ . ๐ด๐๐ =
๐=1
๐
๐๐๐ . ๐ด๐๐ , o que implica que ๐๐๐ =
๐=1
๐๐๐ . ๐ด๐๐ = 0, quando ๐ โ ๐.
Assim,
๐๐๐ก ๐ด
0
๐ด. ๐ด =
โฎ
0
0
๐๐๐ก ๐ด
โฎ
0
โฏ
0
โฏ
0
โฑ
โฎ
โฏ ๐๐๐ก ๐ด
1 0 โฏ 0
0 1 โฏ 0
= ๐๐๐ก ๐ด .
= ๐๐๐ก ๐ด . ๐ผ๐
โฎ โฎ โฑ โฎ
0 0 โฏ 1
De maneira análoga se demonstra que ๐ด. ๐ด = ๐๐๐ก ๐ด . ๐ผ๐ .
1
Teorema 3.3: Se ๐ด é uma matriz invertível, então ๐ดโ1 = ๐๐๐ก
๐ด
. ๐ด.
Demonstração: Se ๐ด é uma matriz invertível, então ๐๐๐ก ๐ด โ 0. Do teorema 3.2, temos que
๐๐๐ก ๐ด . ๐ผ๐ = ๐ด. ๐ด, multiplicando à direita ambos os membros da igualdade por ๐ดโ1 , temos:
๐๐๐ก ๐ด . ๐ผ๐ . ๐ดโ1 = ๐ด. ๐ด . ๐ดโ1 . Aplicando a propriedade associativa do produto de matrizes,
61
temos ๐๐๐ก ๐ด . ๐ผ๐ . ๐ดโ1 = ๐ด. ๐ด. ๐ดโ1
o que implica que ๐๐๐ก ๐ด . ๐ดโ1 = ๐ด. ๐ผ๐ . Dividindo
1
ambos os membros da igualdade por ๐๐๐ก ๐ด , temos ๐ดโ1 = ๐๐๐ก
๐ด
. ๐ด.
โ1 2 4
Exemplo: Sendo ๐ด = โ2 3 1 , determinemos a inversa ๐ดโ1 da matriz ๐ด:
3 โ2 5
Temos que ๐๐๐ก ๐ด = โ11, o que, pela propriedade IX garante sua invertibilidade.
Determinemos a matriz dos cofatores de ๐ด:
๐ด11
๐ดโฒ = ๐ด21
๐ด31
๐ด12
๐ด22
๐ด32
3 1
= โ1 2 . 3.5 โ 1. โ2 = 1. 15 + 2 = 17
โ2 5
โ2 1
โ1 1+2 .
= โ1 3 . โ2.5 โ 1.3 = โ1. โ10 โ 3 = 13
3 5
โ2 3
โ1 1+3 .
= โ1 4 . โ2. (โ2) โ 3.3 = 1. 4 โ 9 = โ5
3 โ2
2 4
โ1 2+1 .
= โ1 3 . 2.5 โ 4. โ2 = โ1. 10 + 8 = โ18
โ2 5
โ1 4
โ1 2+2 .
= โ1 4 . โ1.5 โ 4.3 = 1. โ5 โ 12 = โ17
3 5
โ1 2
โ1 2+3 .
= โ1 5 . โ1. (โ2) โ 2.3 = โ1. 2 โ 6 = 4
3 โ2
2 4
โ1 3+1 .
= โ1 4 . 2.1 โ 4.3 = 1. 2 โ 12 = โ10
3 1
โ1 4
โ1 3+2 .
= โ1 5 . โ1.1 โ 4. โ2 = โ1. โ1 + 8 = โ7
โ2 1
โ1 2
โ1 3+3 .
= โ1 6 . โ1.3 โ 2. โ2 = 1. โ3 + 4 = 1
โ2 3
17 โ18 โ10
17
13 โ5
๐ดโฒ = โ18 โ17 4 , e a matriz adjunta de ๐ด é ๐ด = 13 โ17 โ7 .
โ5
4
1
โ10 โ7
1
๐ด11 = โ1
๐ด12 =
๐ด13 =
๐ด21 =
๐ด22 =
๐ด23 =
๐ด31 =
๐ด32 =
๐ด33 =
Assim,
๐ด13
๐ด23 , onde:
๐ด33
1+1
.
1
Pelo teorema 3.3, ๐ดโ1 = ๐๐๐ก
๐ด
. ๐ด, portanto,
17
11
โ10
13
โ7 = โ
11
1
5
11
โ
๐ดโ1 =
17 โ18
1
. 13 โ17
โ11
โ5
4
18
11
17
11
4
โ
11
10
11
7
11
1
โ
11
62
4
ALGUMAS NOÇÕES SOBRE POLINÔMIOS
Consideremos um conjunto1 ๐ด, não vazio, com as operações de adição e multiplicação
tais que para todo ๐, ๐, ๐ โ ๐ด, temos ๐ + ๐ โ ๐ด e ๐. ๐ โ ๐ด .
Consideremos que em relação à adição no conjunto ๐ด, temos as seguintes propriedades:
I)
๐ + ๐ + ๐ = ๐ + ๐ + ๐;
II)
๐ + ๐ = ๐ + ๐;
III)
โ๐ โ ๐ด; ๐ + ๐ = ๐ + ๐ = ๐, onde ๐ representa o elemento neutro aditivo;
IV)
โ๐โฒ โ ๐ด; ๐ + ๐โฒ = ๐โฒ + ๐ = ๐, no caso, representamos ๐โฒ por โ๐
Com relação à multiplicação no conjunto ๐ด, temos as seguintes propriedades:
I)
๐. ๐. ๐ = ๐. ๐ . ๐
II)
๐. ๐ = ๐. ๐
III)
โ1 โ ๐ด; ๐. 1 = 1. ๐ = ๐
IV)
โ๐, ๐ โ ๐ด, ๐. ๐ = ๐ โน ๐ = ๐ ๐๐ข ๐ = ๐
Temos ainda no conjunto ๐ด a distributividade da multiplicação em relação à adição, ou seja,
๐. ๐ + ๐ = ๐. ๐ + ๐. ๐.
Consideremos um símbolo ๐ฅ โ ๐ด ao qual denominaremos de indeterminada sobre ๐ด
considerando ๐ฅ 0 = 1 e ๐ฅ1 = ๐ฅ.
Para todo ๐ โ โ โช 0 , definimos um polinômio ๐(๐ฅ) com coeficientes no conjunto ๐ด
como sendo a expressão formal ๐ ๐ฅ =
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
= ๐0 + ๐1 ๐ฅ + ๐2 ๐ฅ 2 + ๐3 ๐ฅ 3 + โฏ + ๐๐ ๐ฅ ๐ ,
em que para 0 โค ๐ โค ๐ os elementos ๐๐ โ ๐ด são denominados os coeficientes do polinômio
๐ ๐ฅ .
Denominaremos monômios de grau ๐ do polinômio ๐ ๐ฅ às parcelas ๐๐ ๐ฅ ๐ , com
๐ โ 0 e ao coeficiente ๐0 de ๐ ๐ฅ , denominaremos termo constante. Se ๐ ๐ฅ = ๐0 , dizemos
que ๐ ๐ฅ é um polinômio constante. Se ๐ ๐ฅ = 0, então ๐ ๐ฅ é o polinômio nulo.
Em um polinômio ๐ ๐ฅ , não nulo, existem ๐, ๐ โ โ โช {0} tal que ๐๐ โ 0
e
๐๐ = 0 โ๐ > ๐. Neste caso, dizemos que ๐ é o grau do polinômio ๐ ๐ฅ e representamos esse
fato por ๐๐ ๐(๐ฅ) = ๐. Ao coeficiente ๐๐ , do termo de maior grau, denominamos coeficiente
líder de ๐ ๐ฅ . Caso o coeficiente líder de um polinômio ๐ ๐ฅ seja igual a 1 então dizemos que
1
Conjuntos com as operações de adição e multiplicação que gozam das propriedades do conjunto ๐ด são
classificados como domínios de integridade como veremos mais a frente.
63
๐ ๐ฅ é um polinômio mônico. Não definimos grau para o polinômio nulo ๐ ๐ฅ = 0 + 0๐ฅ +
โฏ + 0๐ฅ ๐ โ1 + 0๐ฅ ๐ .
Representaremos por ๐ด ๐ฅ o conjunto de todos os polinômios com os coeficientes no
conjunto ๐ด. Assim, โค ๐ฅ é o conjunto de todos os polinômios com coeficientes inteiros, assim
como โ ๐ฅ , โ ๐ฅ e โ ๐ฅ são, respectivamente, os conjuntos de todos os polinômios com
coeficientes racionais, reais e complexos. Notemos que os conjuntos โค, โ, โ e โ gozam das
mesmas propriedades do conjunto ๐ด.
4.1
IGUALDADE DE POLINÔMIOS
Dados dois polinômios ๐ ๐ฅ =
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
e๐ ๐ฅ =
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
com coeficientes em
๐ด, dizemos que ๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ se ๐๐ = ๐๐ , para todo ๐ โ 0, 1, 2, โฆ , ๐ .
4.2
ADIÇÃO DE POLINÔMIOS
Dados dois polinômios ๐ ๐ฅ =
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
e๐ ๐ฅ =
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
com coeficientes em
๐ด, definimos a soma de ๐ ๐ฅ com ๐ ๐ฅ , considerando ๐ = ๐ ao reescrever ๐ ๐ฅ e ๐ ๐ฅ com
as mesmas potências de ๐ฅ, como ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ =
๐
๐=0(๐๐
+ ๐๐ )๐ฅ ๐ = (๐0 + ๐0 ) + (๐1 +
๐1 )๐ฅ + (๐2 + ๐2 )๐ฅ 2 + โฏ + (๐๐ + ๐๐ )๐ฅ ๐ .
Exemplo: Dados os polinômios ๐ ๐ฅ = โ2 + 6๐ฅ โ 5๐ฅ 2 + 2๐ฅ 4 e ๐ ๐ฅ = 8 + 6๐ฅ 2 +
5๐ฅ 3 โ 7๐ฅ 4 + 3๐ฅ 5 em โค ๐ฅ , temos:
๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ = โ2 + 8 + 6 + 0 ๐ฅ + โ5 + 6 ๐ฅ 2 0 + 5 ๐ฅ 3 + 2 โ 7 ๐ฅ 4 + (0 + 3)๐ฅ 5
๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ = 6 + 6๐ฅ + ๐ฅ 2 + 5๐ฅ 3 โ 5๐ฅ 4 + 3๐ฅ 5
Uma forma prática para resolver a adição de ๐ ๐ฅ com ๐ ๐ฅ é:
โ2 +6๐ฅ โ5๐ฅ 2 +0๐ฅ 3 +2๐ฅ 4 +0๐ฅ 5
(+)
+8 +0๐ฅ +6๐ฅ 2 +5๐ฅ 3 โ7๐ฅ 4 +3๐ฅ 5
+6 +6๐ฅ +๐ฅ 2
+5๐ฅ 3 โ5๐ฅ 4 +3๐ฅ 5
Portanto, ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ = 6 + 6๐ฅ + ๐ฅ 2 + 5๐ฅ 3 โ 5๐ฅ 4 + 3๐ฅ 5 .
Propriedades da adição de polinômios
Para quaisquer ๐ ๐ฅ , ๐ ๐ฅ e ๐ ๐ฅ , pertencentes a ๐ด ๐ฅ a adição de polinômios goza
das seguintes propriedades:
64
I) ๐๐ ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ
II) ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ
โค ๐๐๐ฅ ๐๐ ๐ ๐ฅ , ๐๐ ๐ ๐ฅ
+๐ ๐ฅ =๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ +๐ ๐ฅ
(associatividade)
III) ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ (comutatividade)
IV) ๐ ๐ฅ + ๐(๐ฅ) = ๐ ๐ฅ , onde ๐(๐ฅ) representa o polinômio nulo. (elemento neutro
aditivo)
V) ๐ ๐ฅ + โ๐ ๐ฅ
= 0 (existência do polinômio simétrico ou inverso aditivo)
Demonstrações:
Consideremos os polinômios ๐ ๐ฅ , ๐ ๐ฅ e ๐ ๐ฅ , não nulos, pertencentes a ๐ด ๐ฅ , tais
que ๐ ๐ฅ =
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ ,
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
๐ ๐ฅ =
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ .
e ๐ ๐ฅ =
Para as demonstrações a
partir da propriedade II, consideremos, sem perda de generalidade, que ๐ = ๐ = ๐ (basta
lembrar que um polinômio de grau ๐ < ๐ pode ser considerado como um polinômio no qual
os coeficientes a partir do ๐ โ é๐ ๐๐๐, exclusive, são todos iguais a zero):
I) 1º. Consideremos ๐ > ๐:
Seja ๐๐ o coeficiente do ๐ โ é๐ ๐๐๐ termo da soma de ๐ ๐ฅ com ๐ ๐ฅ . Como a partir
do ๐ โ é๐ ๐๐๐ termo (exclusive) de ๐ ๐ฅ os coeficientes são todos nulos, pois
๐๐ ๐ ๐ฅ
= ๐, temos ๐๐ = ๐๐ + ๐๐ = ๐๐ + 0 = ๐๐ โ 0 e, ๐๐ = ๐๐ + ๐๐ = 0 + 0 = 0
โ๐ > ๐, pois ๐๐ ๐ ๐ฅ
๐๐ ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ
= ๐, portanto:
= ๐ = ๐๐๐ฅ ๐๐ ๐ ๐ฅ , ๐๐ ๐ ๐ฅ
.
2º. Consideremos ๐ = ๐:
Temos ๐๐ = ๐๐ + ๐๐ = 0 + 0 = 0 โ๐ > ๐, pois ๐๐ ๐ ๐ฅ
= ๐๐ ๐ ๐ฅ
= ๐, mas, caso
๐๐ = โ๐๐ , então ๐๐ = ๐๐ + ๐๐ = ๐๐ โ ๐๐ = 0, implicando com isso que ๐๐ ๐ ๐ฅ +
๐ ๐ฅ
โค ๐ = ๐๐๐ฅ ๐๐ ๐ ๐ฅ , ๐๐ ๐ ๐ฅ
.
Portanto, fica demonstrado que ๐๐ ๐ ๐ฅ , ๐ ๐ฅ
โค ๐๐๐ฅ ๐๐ ๐ ๐ฅ , ๐๐ ๐ ๐ฅ
sempre
que ๐ ๐ฅ e ๐ ๐ฅ forem polinômios não nulos.
II) Por definição, ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ
=
๐
๐
๐=0(๐๐ ๐ฅ
=
๐
๐=0[(๐๐
=
๐
๐
๐=0[๐๐ ๐ฅ
+ (๐๐ + ๐๐ )๐ฅ ๐ ] =
=
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
+[
๐
๐=0(๐๐
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
+ ๐๐ )๐ฅ ๐ =
+
+
๐
๐=0(๐๐
=
๐
๐=0[(๐๐
+ ๐๐ )๐ฅ ๐ + ๐๐ ๐ฅ ๐ ] =
III) ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ =
=
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
+ ๐๐ ๐ฅ ๐ ) +
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
+๐ ๐ฅ =
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ ]
๐
๐
๐=0(๐๐ ๐ฅ
=
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
+ ๐๐ )๐ฅ ๐ +
+ ๐๐ ) + ๐๐ ]๐ฅ ๐ =
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
+
+
๐
๐=0(๐๐
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
๐
๐=0[๐๐
+ ๐๐ ๐ฅ ๐ ) =
+ ๐๐ ๐ฅ ๐ ) =
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
=
=
+ (๐๐ + ๐๐ )]๐ฅ ๐ =
+ ๐๐ )๐ฅ ๐ =
=๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ +๐ ๐ฅ
๐
๐
๐=0(๐๐ ๐ฅ
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
+
+
.
๐
๐=0(๐๐
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
+ ๐๐ )๐ฅ ๐ =
=๐ ๐ฅ +๐ ๐ฅ .
65
IV) Como 0 โ ๐ด, então o polinômio nulo ๐(๐ฅ) โ ๐ด ๐ฅ e podemos representá-lo por
๐ ๐ฅ =
=
๐
๐
๐=0 0๐ฅ .
๐
๐
๐=0(๐๐ ๐ฅ
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
Sendo assim, ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ =
+ 0๐ฅ ๐ ) =
๐
๐=0(๐๐
+ 0) ๐ฅ ๐ =
๐
๐=0 ๐๐
+
๐
๐
๐=0 0๐ฅ
๐ฅ๐ = ๐ ๐ฅ
,
=
ou
seja,
o
polinômio nulo é o elemento neutro da adição.
V) ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ โบ
โบ
๐
๐
๐=0(๐๐ ๐ฅ
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
๐
๐
๐=0 0๐ฅ
+ ๐๐ ๐ฅ ๐ ) =
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
+
โบ
๐
๐
๐=0 0๐ฅ
=
๐
๐=0(๐๐
โบ
+ ๐๐ )๐ฅ ๐ =
๐
๐
๐=0 0๐ฅ
โบ
โบ ๐๐ + ๐๐ = 0 โบ ๐๐ = โ๐๐
Assim, ๐ ๐ฅ =
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
=
๐
๐
๐=0(โ๐๐ )๐ฅ
=โ
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
= โ๐ ๐ฅ
é o polinômio
simétrico (ou o inverso aditivo) de ๐ ๐ฅ .
4.3
MULTIPLICAÇÃO DE POLINÔMIOS
Dados dois polinômios ๐ ๐ฅ e ๐ ๐ฅ , pertencentes a ๐ด ๐ฅ , tais que ๐ ๐ฅ =
e๐ ๐ฅ =
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ ,
๐ ๐ฅ โ๐ด ๐ฅ ;๐ ๐ฅ =
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
definimos a multiplicação de ๐ ๐ฅ por ๐ ๐ฅ como sendo o polinômio
๐ +๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ ,
onde ๐๐ =
๐
๐=0 ๐๐ ๐๐โ๐ ,
ou seja, multiplicar ๐ ๐ฅ por ๐ ๐ฅ
consiste em multiplicar cada monômio ๐๐ ๐ฅ ๐ de ๐ ๐ฅ , ๐ โ 0, 1, 2, โฆ , ๐ , por cada termo ๐๐ ๐ฅ ๐
de ๐ ๐ฅ , ๐ โ 0, 1, 2, โฆ , ๐ , obtendo ๐๐ ๐ฅ ๐ . ๐๐ ๐ฅ ๐ = ๐๐ ๐๐ ๐ฅ ๐+๐ e somando os resultados ao final.
Exemplo: Dados os polinômios ๐ ๐ฅ = โ2 + 6๐ฅ โ 5๐ฅ 2 + 2๐ฅ 4 e ๐ ๐ฅ = 8 + 6๐ฅ 2 +
5๐ฅ 3 โ 7๐ฅ 4 + 3๐ฅ 5 em โค ๐ฅ , obter o produto ๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ . ๐ ๐ฅ .
Solução:
๐ ๐ฅ = โ2 + 6๐ฅ โ 5๐ฅ 2 + 2๐ฅ 4 . 8 + 6๐ฅ 2 + 5๐ฅ 3 โ 7๐ฅ 4 + 3๐ฅ 5 =
๐ ๐ฅ = โ2.8 + โ2 . 6๐ฅ 2 + โ2 . 5๐ฅ 3 + โ2 . โ7๐ฅ 4 + โ2 . 3๐ฅ 5 + 6๐ฅ. 8 + 6๐ฅ. 6๐ฅ 2 +
+6๐ฅ. 5๐ฅ 3 + 6๐ฅ. โ7๐ฅ 4 + 6๐ฅ. 3๐ฅ 5 + โ5๐ฅ 2 . 8 + โ5๐ฅ 2 . 6๐ฅ 2 + โ5๐ฅ 2 . 5๐ฅ 3 +
+ โ5๐ฅ 2 . โ7๐ฅ 4 + โ5๐ฅ 2 . 3๐ฅ 5 + 2๐ฅ 4 . 8 + 2๐ฅ 4 . 6๐ฅ 2 + 2๐ฅ 4 . 5๐ฅ 3 + 2๐ฅ 4 . โ7๐ฅ 4 + 2๐ฅ 4 . 3๐ฅ 5 =
= โ16 โ 12๐ฅ 2 โ 10๐ฅ 3 + 14๐ฅ 4 โ 6๐ฅ 5 + 48๐ฅ + 36๐ฅ 3 + 30๐ฅ 4 โ 42๐ฅ 5 + 18๐ฅ 6 โ 40๐ฅ 2 โ
โ30๐ฅ 4 โ 25๐ฅ5 + 35๐ฅ6 โ 15๐ฅ7 + 16๐ฅ 4 + 12๐ฅ6 + 10๐ฅ7 โ 14๐ฅ8 + 6๐ฅ9 =
= โ16 + 48๐ฅ + โ12 โ 40 ๐ฅ 2 + โ10 + 36 ๐ฅ 3 + 14 + 30 โ 30 + 16 ๐ฅ 4 +
+ โ6 โ 42 โ 25 ๐ฅ 5 + 18 + 35 + 12 ๐ฅ6 + โ15 + 10 ๐ฅ7 โ 14๐ฅ8 + 6๐ฅ9 =
= โ16 + 48๐ฅ โ 52๐ฅ 2 + 26๐ฅ 3 + 30๐ฅ 4 โ 73๐ฅ 5 + 65๐ฅ6 โ 5๐ฅ7 โ 14๐ฅ8 + 6๐ฅ9
Uma forma prática para determinar ๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ . ๐ ๐ฅ é:
66
8
โ
+6๐ฅ 2
+5๐ฅ 3
โ7๐ฅ 4
+3๐ฅ 5
โ2
+6๐ฅ
โ5๐ฅ 2
2๐ฅ 4
โ12๐ฅ 2 โ10๐ฅ 3 +14๐ฅ 4 โ6๐ฅ 5
โ16
+36๐ฅ 3 +30๐ฅ 4 โ42๐ฅ 5 +18๐ฅ 6
+48๐ฅ
โ40๐ฅ 2
+
โ30๐ฅ 4 โ25๐ฅ5 +35๐ฅ 6 โ15๐ฅ 7
+12๐ฅ6 +10๐ฅ 7 โ14๐ฅ 8 +6๐ฅ 9
+16๐ฅ4
โ16 +48๐ฅ โ52๐ฅ2 +26๐ฅ 3 +30๐ฅ 4 โ73๐ฅ 5 +65๐ฅ6 โ5๐ฅ 7
โ14๐ฅ 8 +6๐ฅ 9
Propriedades da multiplicação de polinômios
Para quaisquer ๐ ๐ฅ , ๐ ๐ฅ e ๐ ๐ฅ pertencentes a ๐ด ๐ฅ a multiplicação de polinômios
goza das seguintes propriedades:
I)
II)
๐๐ ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ
๐ ๐ฅ โ๐ ๐ฅ
= ๐๐ ๐ ๐ฅ
+ ๐๐ ๐ ๐ฅ
โ๐ ๐ฅ =๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ โ๐ ๐ฅ
(associatividade)
III) ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ (comutatividade)
IV) ๐ ๐ฅ โ 1 = ๐ ๐ฅ , onde 1 representa o polinômio constante 1. (elemento neutro
multiplicativo)
V) ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ
= ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ (distributividade da multiplicação
em relação à adição)
Demonstrações:
Consideremos os polinômios ๐ ๐ฅ , ๐ ๐ฅ e ๐ ๐ฅ , não nulos, pertencentes a ๐ด ๐ฅ , tais
que ๐ ๐ฅ =
I)
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ ,
๐๐ ๐ ๐ฅ
๐ ๐ฅ =
= ๐ e ๐๐ ๐ ๐ฅ
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
๐
๐=0 ๐๐ ๐๐โ๐
= ๐. Seja ๐๐ =
๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ . Assim, temos ๐๐ +๐ =
portanto, ๐๐ ๐ ๐ฅ . ๐ ๐ฅ
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ .
e๐ ๐ฅ =
๐ +๐
๐=0
um coeficiente qualquer de
๐๐ ๐๐ +๐โ๐ โ 0 e ๐๐ = 0 โ๐ > ๐ + ๐,
= ๐ + ๐ = ๐๐ ๐ ๐ฅ
+ ๐๐ ๐ ๐ฅ .
II) Primeiramente, notemos que, decorrente da propriedade I, ๐๐ ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ
๐๐ ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ
โ ๐ ๐ฅ , pois ๐๐ ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ
๐๐ ๐ ๐ฅ . ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ
๐ ๐ฅ
= ๐ + ๐, o que implica que
= ๐ + ๐ + ๐ = ๐ก. Em contra partida, temos ๐๐ ๐ ๐ฅ โ
= ๐ + ๐, o que implica que ๐๐ ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ
โ๐ ๐ฅ
= ๐ + ๐ + ๐ = ๐ก.
Utilizando a definição de multiplicação de polinômios, façamos ๐ ๐ฅ =
๐ ๐ฅ =
๐(๐ฅ) =
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ ,
๐ ๐ฅ =
๐ +๐+๐
๐๐ก ๐ฅ ๐ก ,
๐ก=0
=
๐
๐
๐ =0 ๐๐ ๐ฅ ,
๐ ๐ฅ โ ๐(๐ฅ) =
๐ +๐
๐=0
๐ ๐ฅ โ ๐(๐ฅ) =
๐ +๐
๐
๐ =0 ๐๐ ๐ฅ
e
๐๐ ๐ฅ ๐ ,
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ ,
๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ โ
๐ ๐ฅ โ๐ ๐ฅ
โ ๐(๐ฅ) =
67
๐ +๐+๐
๐ก=0
๐๐ก ๐ฅ ๐ก . Notemos ainda que um termo de um produto, por exemplo, ๐๐ก , é
๐ก
๐=0 ๐๐ ๐๐กโ๐
determinado por ๐๐ก =
, mas, fazendo ๐ = ๐ก โ ๐, o que implica ๐ + ๐ =
๐ก, podemos reescrever esse termo da seguinte forma: ๐๐ก =
análoga, escrevemos ๐๐ =
๐+๐ =๐
๐ +๐+๐
๐๐ก ๐ฅ ๐ก ,
๐ก=0
temos ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ โ ๐(๐ฅ) =
๐๐ก =
=
๐+๐=๐ก ๐๐ ๐๐
๐+๐+๐ =๐ก
=
๐+๐=๐ก
๐๐ ๐๐ ๐๐ =
๐๐ ๐๐ , ๐๐ =
๐๐ โ
Portanto, ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ โ ๐(๐ฅ) =
e ๐๐ก =
๐ +๐ =๐ก ๐๐ ๐๐ .
Assim,
mas
๐+๐ =๐ ๐๐ ๐๐
๐+๐=๐ ๐๐ ๐๐
๐ +๐ =๐ก
๐+๐=๐ ๐๐ ๐๐
๐๐ ๐๐ . De maneira
๐+๐=๐ก
=
๐+๐+๐ =๐ก ๐๐
โ ๐๐ =
๐ +๐+๐
๐๐ก ๐ฅ ๐ก
๐ก=0
=
๐ +๐ =๐ก ๐๐ ๐๐
๐ +๐+๐
๐ก=0
๐๐ ๐๐ =
= ๐๐ก
๐๐ก ๐ฅ ๐ก = ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ
โ ๐(๐ฅ)
Mostrando assim, a associatividade da multiplicação de polinômios.
III) Temos que ๐ ๐ฅ =
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
๐ +๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ ,
Consideremos ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ =
๐ +๐
๐=0
๐๐ =
๐๐ ๐ฅ ๐ , onde ๐๐ =
๐
๐=0 ๐๐ ๐๐โ๐
e๐ ๐ฅ =
๐
๐=0 ๐๐ ๐๐โ๐ .
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ .
onde ๐๐ =
๐
๐=0 ๐๐ ๐๐โ๐
e ๐ ๐ฅ โ๐ ๐ฅ =
Desenvolvendo ๐๐ temos:
= ๐0 ๐๐ + ๐1 ๐๐โ1 + ๐2 ๐๐โ2 + โฏ + ๐๐โ2 ๐2 + ๐๐โ1 ๐1 + ๐๐ ๐0 = 2
๐
๐=0 ๐๐ ๐๐โ๐
๐0 ๐๐ + ๐1 ๐๐โ1 + ๐2 ๐๐โ2 + โฏ + ๐๐โ2 ๐2 + ๐๐โ1 ๐1 + ๐๐ ๐0 =
๐ +๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
que implica que
=
๐ +๐
๐=0
= ๐๐ ,
o
๐๐ ๐ฅ ๐ , mostrando com isso que ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ =
๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ . Portanto o produto de polinômios goza da propriedade comutativa.
IV) Consideremos o polinômio constante ๐ข ๐ฅ = 1. Como 1 โ ๐ด, então ๐ข ๐ฅ โ ๐ด ๐ .
Temos ๐ ๐ฅ โ ๐ข ๐ฅ =
๐+0
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ ,
com ๐๐ =
โฏ + ๐๐โ2 . 0 + ๐๐โ1 . 0 + ๐๐ . 1 = ๐๐ ,
๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
๐
๐=0 ๐๐ ๐๐โ๐
= ๐0 . 0 + ๐1 . 0 + ๐2 . 0 +
๐ ๐ฅ โ๐ข ๐ฅ =
portanto,
๐+0
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
=
= ๐ ๐ฅ . Logo, ๐ข ๐ฅ = 1 é o elemento neutro multiplicativo em ๐ด ๐ฅ .
V) Podemos considerar ๐ = ๐, ao reescrever ๐ ๐ฅ e ๐ ๐ฅ com as mesmas potências de
๐ฅ. Pela definição de multiplicação de polinômios, temos ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ =
com ๐๐ =
๐
๐=0 ๐๐
โ ๐๐โ1 e ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ =
๐+๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ ,
com ๐๐ =
๐
๐=0 ๐๐
Pela definição da adição de polinômios, temos ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ =
๐+๐
๐=0
๐๐ ๐ฅ ๐ ,
โ ๐๐โ1 .
๐
๐=0(๐๐
+ ๐๐ )๐ฅ ๐ .
Utilizando novamente a definição de multiplicação de polinômios, temos:
๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ +๐ ๐ฅ
=
๐ +๐
๐=0
๐๐ ๐ฅ ๐ , onde ๐๐ =
๐
๐=0 ๐๐
โ ๐๐โ1 + ๐๐โ1 . Utilizando a
propriedade distributiva da multiplicação em relação à adição em ๐ด, temos:
๐๐ =
๐
๐=0
๐๐ โ ๐๐โ1 + ๐๐ โ ๐๐โ1 =
๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ +๐ ๐ฅ
=
2
๐ +๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
+
=
๐ +๐
๐=0
๐ +๐
๐
๐=0 ๐๐ ๐ฅ
๐
๐=0 ๐๐ โ
๐๐
๐๐ ๐ฅ ๐ =
๐ +๐
๐=0
๐๐โ1 +
๐
๐=0 ๐๐ โ ๐๐โ1 ,
๐๐
๐๐ + ๐๐ ๐ฅ ๐ =
=๐ ๐ฅ โ๐ ๐ฅ +๐ ๐ฅ โ๐ ๐ฅ .
Utilizando a comutatividade da adição e da multiplicação em ๐ด.
๐ +๐
๐=0
portanto,
๐๐ ๐ฅ ๐ + ๐๐ ๐ฅ ๐ =
68
4.4
DIVISÃO EUCLIDIANA DE POLINÔMIOS
Dados ๐ ๐ฅ e ๐ ๐ฅ pertencentes a ๐ด ๐ฅ , com ๐ ๐ฅ โ 0, se existir um polinômio
๐ ๐ฅ โ ๐ด ๐ฅ , tal que ๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ , então, dizemos que ๐ ๐ฅ é múltiplo de ๐ ๐ฅ , ou
ainda que ๐ ๐ฅ divide ๐ ๐ฅ .
Exemplo:
๐ ๐ฅ = 5 + 2๐ฅ + ๐ฅ 2 โ โค ๐ฅ divide o polinômio ๐ ๐ฅ = 10 โ 11๐ฅ + ๐ฅ 2 โ ๐ฅ 3 + ๐ฅ 4 โ โค ๐ฅ ,
pois
existe ๐ ๐ฅ = 2 โ 3๐ฅ + ๐ฅ 2 โ โค ๐ฅ
tal que
๐ ๐ฅ = 10 โ 11๐ฅ + ๐ฅ 2 โ ๐ฅ 3 + ๐ฅ 4 =
5 + 2๐ฅ + ๐ฅ 2 โ 2 โ 3๐ฅ + ๐ฅ 2 = ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ .
Qualquer que seja ๐ ๐ฅ โ ๐ด ๐ฅ , se ๐ ๐ฅ โ 0, então ๐ ๐ฅ divide 0, onde 0 representa o
polinômio nulo.
Teorema 4.1: Considerando ๐ ๐ฅ e ๐ ๐ฅ polinômios não nulos do conjunto ๐ด ๐ฅ , se ๐ ๐ฅ
tem coeficiente líder invertível e divide ๐ ๐ฅ , então ๐๐ ๐ ๐ฅ
โค ๐๐ ๐ ๐ฅ .
Demonstração: Por hipótese ๐ ๐ฅ divide ๐ ๐ฅ e são ambos não nulos. Isto significa que
existe ๐ ๐ฅ โ ๐ด ๐ฅ , não nulo, tal que ๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ , mas, pela propriedade I da
multiplicação de polinômios, temos que:
๐๐ ๐ ๐ฅ
โค ๐๐ ๐ ๐ฅ
+ ๐๐ ๐ ๐ฅ
= ๐๐ ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ
= ๐๐ ๐ ๐ฅ .
Notemos que em โค os únicos elementos invertíveis são o 1 e o โ1 enquanto que em
โ, โ e โ, todo elemento não nulo é invertível.
Teorema 4.2 (divisão euclidiana): Consideremos o conjunto ๐ด, com suas propriedades e
sejam ๐ ๐ฅ e ๐ ๐ฅ polinômios de ๐ด ๐ฅ , com ๐ ๐ฅ não nulo e com coeficiente líder invertível
no conjunto ๐ด. Então, existem ๐ ๐ฅ e ๐ ๐ฅ , unicamente determinados, pertencentes a ๐ด ๐ฅ , tal
que ๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ , com ๐ ๐ฅ = 0 ou ๐๐ ๐ ๐ฅ
< ๐๐ ๐ ๐ฅ .
Demonstração: Consideraremos ๐ ๐ฅ = ๐0 + ๐1 ๐ฅ + ๐2 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐๐ ๐ฅ ๐ , com ๐๐ invertível
โ1
โ1
em ๐ด, ou seja, admitindo que existe ๐๐
โ ๐ด, tal que ๐ โ ๐๐
= 1. Dividiremos a
demonstração em duas partes, a primeira trata de provar a existência de ๐ ๐ฅ e ๐ ๐ฅ enquanto
a segunda provará a unicidade de ๐ ๐ฅ e ๐ ๐ฅ .
1ª parte: Considerando ๐ ๐ฅ = 0, então ๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ = 0 โ ๐ด ๐ฅ e ๐ ๐ฅ = 0 = 0 โ ๐ ๐ฅ +
0=
=๐ ๐ฅ โ๐ ๐ฅ +๐ ๐ฅ .
69
Considerando ๐ ๐ฅ โ ๐ด, com ๐ ๐ฅ โ 0 e ๐๐ ๐ ๐ฅ
= ๐. Se ๐ < ๐, basta tomar ๐ ๐ฅ = 0 e
๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ que teremos ๐ ๐ฅ = 0 โ ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ .
Considerando ๐ โฅ ๐, escrevendo ๐ ๐ฅ = ๐0 + ๐1 ๐ฅ + ๐2 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐๐ ๐ฅ ๐ , com ๐๐ โ 0,
demonstramos por indução sobre ๐ = ๐๐ ๐ ๐ฅ :
Se ๐ = 0, temos ๐๐ ๐ ๐ฅ
portanto, ๐๐ ๐ ๐ฅ
escrever
= 0. Como ๐ โฅ ๐, então 0 โฅ ๐, o que implica que ๐ = 0 e
= 0. Logo, ๐ ๐ฅ = ๐0 โ 0 e ๐ ๐ฅ = ๐0 . Como ๐0โ1 โ ๐ด, podemos
๐ ๐ฅ = ๐0 = ๐0 โ 1 + 0 = ๐0 ๐0โ1 ๐0 + 0 = ๐0 ๐0โ1 ๐ ๐ฅ + 0 = ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ ,
com ๐ ๐ฅ = ๐0 ๐0โ1 e ๐ ๐ฅ = 0.
Suponhamos que o resultado seja válido para polinômios com grau menor do que ๐.
โ1 ๐โ๐
Consideremos o polinômio ๐1 ๐ฅ = ๐ ๐ฅ โ ๐๐ ๐๐
๐ฅ
๐ ๐ฅ , notemos que ๐๐ ๐1 ๐ฅ
๐๐ ๐ ๐ฅ
<
e, por hipótese de indução, existem ๐1 (๐ฅ) e ๐1 (๐ฅ) pertencentes a ๐ด ๐ฅ , tais que
๐1 ๐ฅ = ๐1 ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + ๐1 (๐ฅ) , com ๐1 ๐ฅ = 0 ou ๐๐ ๐1 ๐ฅ
< ๐๐ ๐ ๐ฅ . Assim, ๐1 ๐ฅ =
โ1 ๐โ๐
๐ ๐ฅ โ ๐๐ ๐๐
๐ฅ
๐ ๐ฅ , implicando que:
โ1 ๐โ๐
๐ ๐ฅ = ๐1 ๐ฅ + ๐๐ ๐๐
๐ฅ
๐ ๐ฅ = ๐1 ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + ๐1 ๐ฅ
โ1 ๐ โ๐
+ ๐๐ ๐๐
๐ฅ
๐ ๐ฅ =
โ1 ๐โ๐
= ๐1 ๐ฅ + ๐๐ ๐๐
๐ฅ
๐ ๐ฅ + ๐1 ๐ฅ = ๐ ๐ฅ . ๐ ๐ฅ + ๐(๐ฅ), considerando ๐ ๐ฅ = ๐1 ๐ฅ
e
โ1 ๐โ๐
๐ ๐ฅ = ๐1 ๐ฅ + ๐๐ ๐๐
๐ฅ
.
2ª parte: Sejam ๐1 ๐ฅ , ๐2 ๐ฅ , ๐1 ๐ฅ e ๐2 ๐ฅ , com ๐1 ๐ฅ โ ๐2 ๐ฅ e ๐1 ๐ฅ โ ๐2 ๐ฅ , tais que
๐ ๐ฅ = ๐1 ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + ๐1 ๐ฅ e ๐ ๐ฅ = ๐2 ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + ๐2 ๐ฅ , com ๐1 ๐ฅ = 0 ou ๐๐ ๐1 ๐ฅ
๐๐ ๐ ๐ฅ
e ๐2 ๐ฅ = 0 ou ๐๐ ๐2 ๐ฅ
<
< ๐๐ ๐ ๐ฅ . Temos então,
๐1 ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + ๐1 ๐ฅ = ๐2 ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + ๐2 ๐ฅ , o que implica que ๐1 ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ โ ๐2 ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ =
๐2 ๐ฅ โ ๐1 ๐ฅ ou ainda ๐1 ๐ฅ โ ๐2 ๐ฅ
โ ๐ ๐ฅ = ๐2 ๐ฅ โ ๐1 ๐ฅ , ou seja, ๐ ๐ฅ divide ๐2 ๐ฅ โ
๐1 ๐ฅ , mas, por hipótese, ๐1 ๐ฅ โ ๐2 ๐ฅ , o que implica que ๐1 ๐ฅ โ ๐2 ๐ฅ โ 0 e ๐2 ๐ฅ โ
๐1 ๐ฅ โ 0 e, pelo teorema 4.1, o fato de ๐1 ๐ฅ = 0 ou ๐๐ ๐1 ๐ฅ
๐๐ ๐2 ๐ฅ
< ๐๐ ๐ ๐ฅ , implica que ๐๐ ๐ ๐ฅ
< ๐๐ ๐ ๐ฅ
โค ๐๐ ๐2 ๐ฅ โ ๐1 ๐ฅ
e ๐2 ๐ฅ = 0 ou
< ๐๐ ๐ ๐ฅ , o que é
um absurdo, portanto, a hipótese é falsa o que implica que ๐1 ๐ฅ = ๐2 ๐ฅ e ๐1 ๐ฅ = ๐2 ๐ฅ .
Sejam ๐(๐ฅ), ๐(๐ฅ), ๐(๐ฅ) e ๐(๐ฅ), polinômios pertencentes a ๐ด ๐ฅ , tais que ๐ ๐ฅ =
๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + ๐(๐ฅ), denominaremos ๐(๐ฅ) de dividendo, ๐(๐ฅ) de divisor, ๐(๐ฅ) de quociente e
๐(๐ฅ) de resto. Uma maneira prática para determinar o quociente e o resto da divisão
euclidiana de um polinômio ๐ ๐ฅ por um polinômio ๐(๐ฅ) com coeficiente líder invertível é a
utilização do algoritmo a seguir:
70
๐(๐ฅ) ๐(๐ฅ)
๐(๐ฅ)
โฎ
๐(๐ฅ)
Exemplos:
a) Determinar o quociente e o resto da divisão euclidiana do polinômio ๐ ๐ฅ = 10 โ
11๐ฅ + ๐ฅ 2 โ ๐ฅ 3 + ๐ฅ 4 pelo polinômio ๐ ๐ฅ = 5 + 2๐ฅ + ๐ฅ 2 , ambos pertencentes a โค ๐ฅ .
Solução: Observemos que ๐๐ ๐ ๐ฅ
< ๐๐ ๐(๐ฅ) , além do coeficiente líder de ๐ ๐ฅ
ser invertível em โค.
๐ฅ4
โ๐ฅ 4
0
โ๐ฅ 3
โ2๐ฅ 3
โ3๐ฅ 3
+3๐ฅ 3
0
+๐ฅ 2 โ11๐ฅ +10 ๐ฅ 2 ๐ฅ 2 +5
โ5๐ฅ 2
๐ฅ 3 โ3๐ฅ +2
โ4๐ฅ 2 โ11๐ฅ +10
+6๐ฅ 2 +15๐ฅ
+2๐ฅ 2 +4๐ฅ +10
โ2๐ฅ 2 โ4๐ฅ โ10
0
0
0
Notemos que ๐ ๐ฅ = ๐ฅ 3 โ 3๐ฅ + 2 e o fato de ๐ ๐ฅ = 0 implica que ๐(๐ฅ) divide ๐(๐ฅ).
b) Determinar o quociente e o resto da divisão euclidiana do polinômio ๐ ๐ฅ = โ1 +
4๐ฅ โ 2๐ฅ 2 + 5๐ฅ 3 pelo polinômio ๐ ๐ฅ = โ2 + 3๐ฅ + ๐ฅ 2 , ambos pertencentes a โค ๐ฅ .
Solução: Observemos que ๐๐ ๐ ๐ฅ
< ๐๐ ๐(๐ฅ) , além do coeficiente líder de ๐ ๐ฅ
ser invertível em โค.
5๐ฅ 3
โ5๐ฅ 3
0
โ2๐ฅ 2
+4๐ฅ
โ1
โ15๐ฅ 2 +10๐ฅ
โ17๐ฅ 2 +14๐ฅ
๐ฅ2
+3๐ฅ โ2
5๐ฅ โ17
โ1
+17๐ฅ 2 +41๐ฅ โ34
0
+55๐ฅ โ35
Assim, ๐ ๐ฅ = โ17 + 5๐ฅ e ๐ ๐ฅ = โ35 + 55๐ฅ.
Suponhamos agora que o conjunto dos coeficientes de um polinômio seja ๐พ, com
todas as propriedades definidas anteriormente para o conjunto ๐ด, e mais a seguinte
propriedade:
71
โ๐ โ ๐พ, ๐ โ 0, โ๐ โ ๐พ; ๐ โ ๐ = 1. O elemento ๐ é denominado inverso multiplicativo
de ๐ e, por ser único, representamos como ๐ = ๐โ1 . Assim, temos um conjunto em, que todos
os elementos não nulos são invertíveis3.
Representamos por ๐พ[๐ฅ] o conjunto de todos os polinômios com coeficientes em ๐พ.
Considerando o conjunto ๐ด, e um polinômio ๐(๐ฅ) โ ๐ด[๐ฅ], dizemos que ๐ผ é uma raiz
de ๐(๐ฅ), se ๐ ๐ผ = 0.
Considerando o conjunto ๐พ e ๐(๐ฅ) โ ๐พ[๐ฅ], formulamos o seguinte teorema:
Teorema 4.3: Considerando ๐พ o conjunto com as propriedades descritas anteriormente, seja
๐ ๐ฅ um polinômio pertencente a ๐พ ๐ฅ e ๐ผ โ ๐พ, dizemos que ๐ผ é uma raiz de ๐ ๐ฅ se, e
somente se, ๐ฅ โ ๐ผ divide ๐ ๐ฅ .
Demonstração: Pelo algoritmo da divisão em ๐พ[๐ฅ] (idêntico a ๐ด[๐ฅ]), temos que existem
๐(๐ฅ) e ๐(๐ฅ) pertencentes a ๐พ[๐ฅ] tais que ๐ ๐ฅ = ๐ฅ โ ๐ผ . ๐ ๐ฅ + ๐(๐ฅ), com ๐ ๐ฅ = 0 ou
๐๐ ๐ ๐ฅ
= 0. Assim, ๐ ๐ฅ = ๐ โ ๐พ. Logo, ๐ผ é raiz de ๐(๐ฅ) se, e somente se, 0 = ๐ ๐ผ =
๐ผ โ ๐ผ . ๐ ๐ฅ + ๐ = ๐, ou seja, se, e somente se, ๐ = 0, quem em outras palavras significa
dizer que (๐ฅ โ ๐ผ) divide ๐(๐ฅ).
O resultado acima se deve ao matemático francês Jean le Rond dโAlembert e, por isso,
é popularmente conhecido como teorema de dโAlembert.
Exemplo: Consideremos o polinômio ๐ ๐ฅ = 3 โ 7๐ฅ โ ๐ฅ 2 + ๐ฅ 3 . O valor ๐ผ = 3 é
uma raiz de ๐(๐ฅ), pois (๐ฅ โ 3) divide ๐(๐ฅ):
๐ฅ3
โ๐ฅ 2 โ7๐ฅ +3 ๐ฅ โ3
โ๐ฅ 3 +3๐ฅ 2
๐ฅ 2 +2๐ฅ โ1
2
0
+2๐ฅ โ7๐ฅ
โ2๐ฅ 2 +6๐ฅ
0
โ๐ฅ +3
๐ฅ
โ3
0
0
Notemos ainda que ๐ 3 = 3 โ 7 โ 3 โ 32 + 33 = 3 โ 21 โ 9 + 27 = 0.
Teorema 4.4: Um polinômio de grau ๐ com coeficientes em um conjunto ๐พ com as
propriedades definidas anteriormente, possui, no máximo, ๐ raízes distintas nesse conjunto.
Demonstração: Sejam ๐ผ1 , ๐ผ2 , ๐ผ3 , โฆ , ๐ผ๐ , ๐ raízes distintas em ๐พ de um polinômio ๐(๐ฅ)
de grau ๐. Pelo teorema 4.3, temos que existe um polinômio ๐1 (๐ฅ) โ ๐พ[๐ฅ] tal que ๐ ๐ฅ =
3
Um conjunto com as propriedades do conjunto ๐พ recebe o nome de corpo, como veremos mais a frente.
72
๐ฅ โ ๐ผ1 โ ๐1 (๐ฅ). Como ๐ผ2 é raiz de ๐(๐ฅ), então ๐ ๐ผ2 = ๐ผ2 โ ๐ผ1 โ ๐1 (๐ผ2 ). Como ๐ผ1 โ
๐ผ2 , temos que ๐1 ๐ผ2 = 0, ou seja, ๐ผ2 é raiz de ๐1 (๐ฅ), logo, existe ๐2 (๐ฅ) โ ๐พ[๐ฅ] tal que
๐ ๐ฅ = ๐ฅ โ ๐ผ1 โ (๐ฅ โ ๐ผ2 ) โ ๐2 (๐ฅ). Seguimos esse procedimento até obtermos ๐๐ (๐ฅ) โ
๐พ ๐ฅ tal que ๐ ๐ฅ = ๐ฅ โ ๐ผ1 โ ๐ฅ โ ๐ผ2 โ ๐ฅ โ ๐ผ3 โ โฆ โ (๐ฅ โ ๐ผ๐ ) โ ๐๐ (๐ฅ).
Do exposto acima, temos que ๐ = ๐๐ ๐ ๐ฅ
4.5
= ๐ + ๐๐(๐๐ ๐ฅ ), ou seja, ๐ โค ๐.
INTERPOLAÇÃO
Consideremos ๐พ[๐ฅ] o conjunto dos polinômios com coeficientes no conjunto ๐พ com
as propriedades definidas anteriormente. Sejam ๐1 , ๐2 , ๐3 , โฆ , ๐๐ elementos de ๐พ, distintos
dois a dois. Consideremos ainda ๐1 , ๐2 , ๐3 , โฆ , ๐๐ elementos quaisquer de ๐พ. Nosso objetivo é
determinar um polinômio ๐(๐ฅ) โ ๐พ[๐ฅ] de grau menor ou igual a ๐ โ 1, tal que ๐ ๐๐ = ๐๐ ,
โ๐ โ 1, 2, 3, โฆ , ๐ .
Teorema 4.5: Dados os elementos ๐1 , ๐2 , ๐3 , โฆ , ๐๐ dois a dois distintos e ๐1 , ๐2 , ๐3 , โฆ , ๐๐
pertencentes a ๐พ, o Polinômio ๐ ๐ฅ = ๐1 ๐1 ๐ฅ + ๐2 ๐2 ๐ฅ + ๐3 ๐3 ๐ฅ + โฏ + ๐๐ ๐๐ (๐ฅ), onde
๐๐ ๐ฅ =
๐ฅโ๐ 1 โ ๐ฅโ๐ 2 โโฆโ ๐ฅโ๐ ๐ โ1 โ ๐ฅโ๐ ๐ +1 โโฆโ ๐ฅโ๐ ๐ โ1 โ ๐ฅโ๐ ๐
๐ ๐ โ๐ 1 โ ๐ ๐ โ๐ 2 โโฆโ ๐ ๐ โ๐ ๐ โ1 โ ๐ ๐ โ๐ ๐ +1 โโฆโ ๐ ๐ โ๐ ๐ โ1 โ ๐ ๐ โ๐ ๐
, é o único polinômio em ๐พ[๐ฅ]
tal que ๐ ๐๐ = ๐๐ , โ๐ โ 1, 2, 3, โฆ , ๐ .
Demonstração: Escrevendo o polinômio ๐(๐ฅ), temos:
๐ ๐ฅ = ๐๐โ1 ๐ฅ ๐ โ1 + โฏ + ๐1 ๐ฅ + ๐0
Tal polinômio pode ser obtido resolvendo o seguinte sistema de equações:
๐๐โ1 ๐1 ๐โ1 + โฏ + ๐1 ๐1 + ๐0 = ๐1
โฎ
๐โ1
๐๐โ1 ๐2
+ โฏ + ๐1 ๐2 + ๐0 = ๐2
๐โ1
๐๐โ1 ๐๐
+ โฏ + ๐1 ๐๐ + ๐0 = ๐๐
Notemos que o sistema acima possui ๐ equações e ๐ incógnitas ๐1 , ๐2 , ๐3 , โฆ , ๐๐ e, a medida
que ๐ assume valores maiores, maior é a dificuldade em buscar a sua solução. Notemos,
porém, que o fato do sistema possuir ๐ equações e ๐ incógnitas, implica que ele admite pelo
menos uma solução. Mais ainda, afirmamos que a solução é única, pois se considerarmos
outro polinômio ๐(๐ฅ) โ ๐พ[๐ฅ] tal que ๐ ๐๐ = ๐๐ , โ๐ โ 1, 2, 3, โฆ , ๐ , então o polinômio
๐ ๐ฅ โ ๐(๐ฅ), com grau menor ou igual a ๐ โ 1, teria ๐1 , ๐2 , ๐3 , โฆ , ๐๐ como raízes, o que, em
virtude do teorema 4.4, é possível somente se ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ = 0, o que implica que ๐ ๐ฅ =
๐(๐ฅ), logo, o polinômio ๐(๐ฅ) é único.
73
Para ๐ โ 1, 2, 3, โฆ , ๐ , definamos os polinômios de grau ๐ โ 1,
๐๐ ๐ฅ =
๐ฅ โ ๐1 โ ๐ฅ โ ๐2 โ โฆ โ ๐ฅ โ ๐๐ โ1 โ ๐ฅ โ ๐๐ +1 โ โฆ โ ๐ฅ โ ๐๐โ1 โ ๐ฅ โ ๐๐
๐๐ โ ๐1 โ ๐๐ โ ๐2 โ โฆ โ ๐๐ โ ๐๐ โ1 โ ๐๐ โ ๐๐ +1 โ โฆ โ ๐๐ โ ๐๐โ1 โ ๐๐ โ ๐๐
Temos ๐๐ ๐๐ =
0, ๐ ๐ ๐ โ ๐
. Como cada polinômio ๐๐ (๐ฅ) tem grau ๐ โ 1, então a soma
1, ๐ ๐ ๐ = ๐
๐1 ๐1 ๐ฅ + ๐2 ๐2 ๐ฅ + ๐3 ๐3 ๐ฅ + โฏ + ๐๐ ๐๐ (๐ฅ) tem grau menor ou igual a ๐ โ 1, além disso,
satisfaz as condições ๐ ๐๐ = ๐๐ , โ๐ โ 1, 2, 3, โฆ , ๐ , logo, assumimos ๐ ๐ฅ = ๐1 ๐1 ๐ฅ +
๐2 ๐2 ๐ฅ + ๐3 ๐3 ๐ฅ + โฏ + ๐๐ ๐๐ (๐ฅ).
O polinômio acima é chamado de polinômio de interpolação e o processo descrito para obtêlo é denominado interpolação de Lagrange.
Exemplo: Determinemos o polinômio ๐(๐ฅ) โ ๐พ[๐ฅ] tal que ๐ 1 = 3, ๐ 3 = 2, ๐ 4 = 1 e
๐ 6 = 4.
Solução:
Temos: ๐ผ1 = 1, ๐ผ2 = 3, ๐ผ3 = 4 e ๐ผ4 = 6, assim:
๐ฅโ3 โ ๐ฅโ4 โ ๐ฅโ6
โ๐ฅ 3 + 13๐ฅ 2 โ 54๐ฅ + 72
=
1โ3 โ 1โ4 โ 1โ6
30
๐1 ๐ฅ =
๐ฅโ1 โ ๐ฅโ4 โ ๐ฅโ6
๐ฅ 3 โ 11๐ฅ 2 + 34๐ฅ โ 24
๐2 ๐ฅ =
=
3โ1 โ 3โ4 โ 3โ6
6
๐ฅโ1 โ ๐ฅโ3 โ ๐ฅโ6
โ๐ฅ 3 + 10๐ฅ 2 โ 27๐ฅ + 18
=
4โ1 โ 4โ3 โ 4โ6
8
๐3 ๐ฅ =
๐ฅโ1 โ ๐ฅโ3 โ ๐ฅโ4
๐ฅ 3 โ 8๐ฅ 2 + 19๐ฅ โ 12
๐4 ๐ฅ =
=
6โ1 โ 6โ3 โ 6โ4
30
Como ๐1 = 3, ๐2 = 2, ๐3 = 1 e ๐4 = 4, então:
๐ ๐ฅ =3โ
โ๐ฅ 3 + 13๐ฅ 2 โ 54๐ฅ + 72
๐ฅ 3 โ 11๐ฅ 2 + 34๐ฅ โ 24
+2โ
+1
30
6
โ
๐ ๐ฅ =
โ๐ฅ 3 + 10๐ฅ 2 โ 27๐ฅ + 18
๐ฅ 3 โ 8๐ฅ 2 + 19๐ฅ โ 12
+4โ
8
30
โ12๐ฅ 3 + 156๐ฅ 2 โ 648๐ฅ + 864 + 40๐ฅ 3 โ 440๐ฅ 2 + 1360๐ฅ โ 960 โ 15๐ฅ 3
+
120
+
+150๐ฅ 2 405๐ฅ + 270 + 16๐ฅ 3 โ 128๐ฅ 2 + 304๐ฅ โ 192
120
๐ ๐ฅ =
29
Portanto, ๐ ๐ฅ = 120 ๐ฅ 3 โ
131
60
29๐ฅ 3 โ 262๐ฅ 2 + 611๐ฅ โ 18
120
611
3
๐ฅ 2 + 120 ๐ฅ โ 20 .
74
5
ESTRUTURAS ALGÉBRICAS ELEMENTARES
Abordaremos a seguir as principais estruturas algébricas elementares, destacando suas
características e as propriedades que as definem.
5.1
LEI DE COMPOSIÇÃO INTERNA
Consideremos um conjunto não vazio ๐ต. Uma função ๐ de ๐ต × ๐ต em ๐ต, que a cada
par ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ต × ๐ต faz corresponder o elemento ๐ฅ โ ๐ฆ โ ๐ต, é denominada uma lei de
composição interna em ๐ต. Assim, dizemos que ๐ต é um conjunto munido da operação โ.
Exemplo: Consideremos o conjunto โ dos números naturais e seja ๐ de โ × โ em โ, a
função que a cada par ๐ฅ, ๐ฆ โ โ × โ, faz corresponder ao elemento ๐ฅ + ๐ฆ que também é um
número natural. Assim, o conjunto โ dos números naturais é munido da operação + (adição),
ou ainda a adição é uma lei de composição interna em โ.
5.2
GRUPOS
Consideremos um conjunto ๐บ munido da operação โ. Dizemos que ๐บ é um grupo em
relação à lei de composição interna โ, se, para todo ๐ฅ, ๐ฆ, ๐ง โ ๐บ, em relação a โ são
observadas as seguintes propriedades:
I)
x โ y โ z = (xโจy)โจz (associatividade)
II)
โ๐ โ ๐บ tal que ๐ฅโจ๐ = ๐โจ๐ฅ = ๐ฅ (elemento neutro)
III) โ๐ฅโฒ โ ๐บ tal que ๐ฅโจ๐ฅ โฒ = ๐ฅ โฒ โจ๐ฅ = ๐ (todo elemento de G possui simétrico aditivo)
Quando a lei de composição interna em ๐บ for a adição + , dizemos que ๐บ é um grupo
aditivo e quando a lei de composição interna em ๐บ for a multiplicação โ , dizemos que ๐บ é
um grupo multiplicativo.
Representaremos por ๐บ, โจ um grupo com a lei de composição interna โจ.
Se além das três propriedades mencionadas acima, dados ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐บ, ocorrer que
๐ฅโจ๐ฆ = ๐ฆโจ๐ฅ, então dizemos que ๐บ é um grupo comutativo ou grupo abeliano4.
4
Homenagem ao matemático norueguês Niels Henrik Abel (1802-1829).
75
Exemplos:
1) Grupo aditivo das matrizes reais quadradas de ordem ๐, ou seja, โณ๐ , + .
Vimos no estudo das matrizes que a adição goza das propriedades associativa,
elemento neutro (matriz nula) e simétrico aditivo (matriz oposta), portanto, o conjunto โณ๐
das matrizes quadradas de ordem ๐, munido da operação usual de adição é um grupo. Além
disso, vimos que além das três propriedades mencionadas acima, a adição de matrizes é
comutativa, portanto, โณ๐ , + é um grupo abeliano.
2) O conjunto ๐ด ๐ฅ de todos os polinômios com coeficientes em ๐ด (considere ๐ด com
as propriedades descritas no capítulo sobre polinômios), visto anteriormente, é um grupo
aditivo para a operação usual de adição, pois vimos que a adição de polinômios em ๐ด ๐ฅ é
associativa, existe elemento neutro (polinômio nulo) e todo polinômio em ๐ด ๐ฅ é simetrizável.
Portanto, ๐ด ๐ฅ , + é um grupo. Além disso, ๐ด ๐ฅ , + é grupo abeliano, pois a adição em
๐ด ๐ฅ é comutativa conforme demonstrado anteriormente.
3) O conjunto dos números inteiros para a operação usual de adição é um grupo
abeliano, pois dados ๐ฅ, ๐ฆ, ๐ง โ โค, temos ๐ฅ + ๐ฆ + ๐ง = ๐ฅ + ๐ฆ + ๐ง, 0 โ โค e 0 + ๐ฅ = ๐ฅ + 0 =
๐ฅ além de โ๐ฅ โ โค e โ ๐ฅ + ๐ฅ = ๐ฅ + โ๐ฅ = 0. Notemos ainda que em โค, ๐ฅ + ๐ฆ = ๐ฆ + ๐ฅ,
portanto, โค, + é um grupo abeliano.
4) O conjunto โค3 = 0, 1, 2 , dos restos das divisões euclidianas de um numero inteiro
qualquer por 3 é um grupo abeliano em relação a operação de adição definida por
๐ฅ + ๐ฆ = ๐ฅ + ๐ฆ, โ๐ฅ, ๐ฆ โ โค3 . Observemos a tábua de operação em โค3 :
+
0
1
2
0
0
1
2
1
1
2
0
2
2
0
1
Notemos que quaisquer que sejam ๐ฅ, ๐ฆ, ๐ง โ โค3 , temos ๐ฅ + ๐ฆ + ๐ง = (๐ฅ + ๐ฆ) + ๐ง,
๐ฅ + ๐ฆ = ๐ฆ + ๐ฅ , 0 é o elemento neutro da adição, pois ๐ฅ + 0 = 0 + ๐ฅ = ๐ฅ além de 1 e 2 serem os
simétricos aditivos, respectivamente, de 2 e 1. Portanto, โค3 , + é um grupo abeliano.
5) O conjunto ๐บ = โ1,1 , munido da lei de composição interna multiplicação usual
é um grupo abeliano, vejamos a tábua da operação:
โ
โ1 1
โ1 1 โ1
1 โ1 1
Notemos que para todo ๐ฅ, ๐ฆ, ๐ง โ ๐บ, temos ๐ฅ โ ๐ฆ โ ๐ง = (๐ฅ โ ๐ฆ) โ ๐ง,
๐ฅ. ๐ฆ = ๐ฆ. ๐ฅ, ๐ฅ. 1 = 1. ๐ฅ = ๐ฅ, além de โ1 e 1 serem os simétricos
multiplicativos (inversos), respectivamente de โ1 e 1.
Portanto, ๐บ,โ é um grupo abeliano.
76
6) O Conjunto โ = 1, 2, 3, โฆ com a operação usual de adição não é um grupo, pois,
embora a adição de números naturais seja associativa, esse conjunto não possui elemento
neutro aditivo e seus elementos não são simetrizáveis na adição.
De maneira análoga, o conjunto โ = 1, 2, 3, โฆ com a operação de multiplicação
usual não é um grupo, pois, embora a multiplicação de números naturais seja associativa, e o
número 1 seja o elemento neutro multiplicativo, o único elemento simetrizável (invertível) na
multiplicação é o número 1.
7) O conjunto โค dos números inteiros com a multiplicação usual não é um grupo, pois
embora a multiplicação de números inteiros seja associativa e o número 1 seja o elemento
neutro multiplicativo, somente os elementos 1 e โ1 são invertíveis.
8) O conjunto โณ๐ das matrizes quadradas de ordem ๐, com a operação de
multiplicação usual de matrizes não é um grupo, pois embora a multiplicação de matrizes
seja associativa e a matriz ๐ผ๐
(matriz identidade de ordem ๐) seja o elemento neutro
multiplicativo, nem todas as matrizes quadradas de ordem ๐ são invertíveis.
9) O conjunto โค4 = 0, 1, 2, 3 , dos restos das divisões euclidianas de um número
inteiro qualquer por 4 não é um grupo em relação à operação usual de multiplicação, pois
embora a multiplicação usual seja associativa em โค4 e o número 1 seja o elemento neutro
multiplicativo, o elemento 2 não é invertível.
5.2.1 Subgrupos
Considerando ๐บ, โจ um grupo e ๐ป um subconjunto não vazio de ๐บ, dizemos que ๐ป é
um subgrupo de ๐บ se dados ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ป temos ๐ฅโจ๐ฆ โ ๐ป e além disso, ๐ป, โจ é também um
grupo.
Exemplo:
Considerando o Grupo aditivo dos números reais โ, + , temos que โค, + é um
subgrupo de โ, pois โค โ โ, dados ๐ฅ, ๐ฆ โ โค temos ๐ฅ + ๐ฆ โ โค além de a adição nos inteiros ser
associativa, possuir elemento neutro e, para todo ๐ฅ โ โค, temos โ๐ฅ โ โค tal que โ ๐ฅ + ๐ฅ = ๐ฅ +
โ๐ฅ = 0, isto é, todo elemento de โค possui simétrico.
Notemos que se ๐ป, โจ é um subgrupo ๐บ, โจ e, sendo ๐๐ e ๐ os elementos neutros de
๐ป e ๐บ, respectivamente, então é fácil verificar que ๐๐ = ๐, pois temos que ๐๐ โจ๐ฅ = ๐ฅ = ๐โจ๐ฅ
operando a direita da dos membros da igualdade com o elemento ๐ฅโฒ que é o simétrico de ๐ฅ,
77
temos ๐๐ โจ ๐ฅโจ๐ฅโฒ = ๐โจ ๐ฅโจ๐ฅโฒ o que implica que ๐๐ โจ๐ = ๐โจ๐, concluindo com isso que
๐๐ = ๐.
O teorema a seguir constitui uma ferramenta fácil para verificar se um subconjunto
não vazio ๐ป โ ๐บ é um subgrupo de ๐บ em relação a uma lei de composição interna โจ de ๐บ:
Teorema 5.1: Seja ๐บ, โจ um grupo. Um conjunto não vazio ๐ป โ ๐บ é um subgrupo de ๐บ se,
e somente se, โ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ป, temos ๐ฅโจ๐ฆโฒ โ ๐ป. Onde ๐ฆโฒ representa o simétrico de ๐ฆ.
Demonstração:
โน Se ๐ป โ ๐บ é um subgrupo de ๐บ então, โ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ป, vale que ๐ฆโฒ โ ๐ป e, sendo โจ
uma operação definida em ๐ป, então ๐ฅโจ๐ฆโฒ โ ๐ป.
โธ Suponhamos que โ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ป, ๐ฅโจ๐ฆโฒ โ ๐ป. Tomando ๐ฆ = ๐ฅ, temos que ๐ฅโจ๐ฅ โฒ =
๐ โ ๐ป. Por hipótese, e pelo fato de ๐ โ ๐ป, temos que ๐โจ๐ฆ โฒ = ๐ฆโฒ โ ๐ป. Com isso garantimos a
existência do elemento neutro da operação โจ em ๐ป, além de mostrar que todos os elementos
de ๐ป são simetrizáveis em relação a essa operação. Dados ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ป, em virtude do que foi
visto, temos que ๐ฅโจ ๐ฆ โฒ
โฒ
= ๐ฅโจ๐ฆ โ ๐ป, garantindo que ๐ป é fechado para a operação โจ que é
lei de composição interna de ๐บ. Além disso, por herança, a igualdade ๐ฅโจ ๐ฆโจ๐ง = (๐ฅโจ๐ฆ)โจ๐ง
é válida em ๐ป. Portanto, ๐ป é um subgrupo de ๐บ.
5.3
ANÉIS
Consideremos um conjunto ๐ด não vazio munido das leis de composição internas +
(adição) e โข (multiplicação).
Dizemos que ๐ด é um anel se, em relação à adição em ๐ด, for um grupo abeliano, ou
seja, โ๐ฅ, ๐ฆ, ๐ง โ ๐ด:
I)
x + y + z = x + y + z (associatividade)
II)
โ๐ โ ๐บ tal que ๐ฅ + ๐ = ๐ + ๐ฅ = ๐ฅ (elemento neutro)
III) โ๐ฅโฒ โ ๐บ tal que ๐ฅ + ๐ฅ โฒ = ๐ฅ โฒ + ๐ฅ = ๐ (todo elemento de G é simetrizável)
IV) ๐ฅ + ๐ฆ = ๐ฆ + ๐ฅ (comutatividade)
e, se em relação a multiplicação, temos ๐ฅ โ ๐ฆ โ ๐ง = (๐ฅ โ ๐ฆ) โ ๐ง (associatividade). Além disso,
a multiplicação é distributiva em relação à adição, ou seja, ๐ฅ โ ๐ฆ + ๐ง = ๐ฅ โ ๐ฆ + ๐ฅ โ ๐ง.
Nas condições expostas acima, dizemos que ๐ด é um anel e representamos isso por
๐ด, +,โ .
78
Se para todo ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ด, tivermos ๐ฅ โ ๐ฆ = ๐ฆ โ ๐ฅ, dizemos que ๐ด é um anel comutativo.
Além disso, se existir ๐ข โ ๐ด tal que para todo ๐ฅ โ ๐ด ๐ข โ ๐ฅ = ๐ฅ โ ๐ข = ๐ฅ, então ๐ด é um anel com
unidade.
Em um anel ๐ด, comutativo com unidade, onde para todo ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ด, se ๐ฅ. ๐ฆ = 0 implicar
que ๐ฅ = 0 ou ๐ฆ = 0, então dizemos que ๐ด é um anel de integridade ou um domínio de
integridade. Decorre dessa observação, uma propriedade dos domínios de integridade, que
conhecemos como lei do anulamento do produto e enunciaremos a seguir:
Sejam ๐ฅ, ๐ฆ, ๐ง โ ๐ด e ๐ด, +,โ é um domínio de integridade, se ๐ง โ 0 e ๐ฅ โ ๐ง = ๐ฆ โ ๐ง,
então ๐ฅ = ๐ฆ.
Demonstração:
Se ๐ฅ, ๐ฆ, ๐ง โ ๐ด e ๐ด, +,โ é um domínio de integridade, então cada elemento de ๐ด possui
simétrico aditivo, além de a multiplicação ser distributiva em relação à adição e ๐ด não possuir
divisores próprios de zero. Sendo assim, somando โ๐ฆ โ ๐ง a ambos os membros da igualdade
๐ฅ โ ๐ง = ๐ฆ โ ๐ง, temos ๐ฅ โ ๐ง โ ๐ฆ. ๐ง = ๐ฆ โ ๐ง โ ๐ฆ. ๐ง, o que implica que (๐ฅ โ ๐ฆ) โ ๐ง = 0. Como ๐ง โ
0, então ๐ฅ โ ๐ฆ = 0. Somando ๐ฆ a ambos os membros da igualdade ๐ฅ โ ๐ฆ = 0, temos
๐ฅ โ ๐ฆ + ๐ฆ = 0 + ๐ฆ, o que implica que ๐ฅ = ๐ฆ.
Exemplos:
1) O Conjunto โณ2 das matrizes reais, quadradas de ordem 2, munido das operações
usuais de adição e multiplicação é um anel, pois em relação a adição é um grupo abeliano. Em
relação à multiplicação, temos a propriedade associativa e a multiplicação é distributiva em
relação à adição. Portanto, โณ2 , +,โ é um anel. Além disso, a matriz identidade ๐ผ2 é o
elemento neutro multiplicativo, portanto, โณ2 , +,โ é anel com unidade. Notemos, porém, que
โณ2 , +,โ
não é comutativo e apresenta divisores próprios de zero, vejamos:
0 1
โ
0 0
1 0
0 0
1 0 0 1
0 1
=
e
โ
=
. Logo, โณ2 , +,โ não é domínio de integridade.
0 0
0 0
0 0 0 0
0 0
2) O conjunto โค, +,โ é um domínio de integridade, pois โค é um grupo abeliano em
relação à adição, como já vimos e, a multiplicação em โค é associativa, é distributiva em
relação à adição, é comutativa e o número 1 é a unidade. Além disso, dados ๐ฅ, ๐ฆ โ โค, se
๐ฅ. ๐ฆ = 0, então ๐ฅ = 0 ou ๐ฆ = 0.
3) O conjunto ๐ด dos coeficientes dos polinômios do conjunto ๐ด ๐ฅ , com as
propriedades apresentadas no capítulo 4 é um domínio de integridade.
4) O conjunto โค3 = 0, 1, 2 , dos restos das divisões euclidianas de um numero inteiro
qualquer por 3 é um domínio de integridade, observe as tábuas de operações em โค3 :
79
+
0
1
2
0
0
1
2
1
1
2
0
2
2
0
1
โ
0
1
2
0
0
0
0
1
0
1
2
2
0
2
1
Notemos que em relação à adição โค3 é um grupo abeliano e que a multiplicação é associativa,
comutativa e possui a unidade. Além disso, a multiplicação é distributiva em relação à adição
e โค3 não possui divisores próprios de zero.
5) O conjunto โค4 = 0, 1, 2, 3 , dos restos das divisões euclidianas de um número
inteiro qualquer por 4 é um anel comutativo com unidade, porém não é um domínio de
integridade, pois em โค4 temos 2.2 = 4 = 0, ou seja, โค4 possui divisores próprios de zero.
6) O conjunto ๐ด ๐ฅ dos polinômios com coeficientes no domínio de integridade ๐ด, é
também um domínio de integridade. Como vimos em 4.2 e 4.3, em relação à adição, ๐ด ๐ฅ
possui as propriedades associativa, comutativa, elemento neutro aditivo (polinômio nulo) e
cada polinômio em ๐ด ๐ฅ possui um polinômio simétrico. A multiplicação de polinômio é
associativa, é comutativa, existe o polinômio constante ๐ ๐ฅ = 1 que é a unidade
multiplicativa e, além disso, se ๐ ๐ฅ . ๐ ๐ฅ = 0 então ๐ ๐ฅ ou ๐ ๐ฅ é o polinômio nulo.
Observemos que o conjunto dos restos das divisões de um inteiro qualquer por ๐, o
conjunto โค๐ = {1, 2, 3, โฆ , ๐ โ 1} é um anel comutativo com unidade. A seguir
demonstraremos um importante teorema sobre anéis:
Teorema 5.2: O anel comutativo com unidade โค๐ = {1, 2, 3, โฆ , ๐ โ 1} é um domínio de
integridade se, e somente se ๐ é primo.
Demonstração:
(โ) Se ๐ não for primo, então existem ๐ฅ e ๐ฆ pertencentes a โค de tal forma que tal que
๐ฅ โ ๐ฆ = ๐, com 1 < ๐ฅ < ๐ฆ < ๐, o que implica que ๐ฅ, ๐ฆ โ โค๐ e ๐ฅ โ ๐ฆ = ๐ = 0, ou seja, โค๐
possui divisores próprios de zero e, portanto, não é um domínio de integridade.
(โ) Suponhamos que existam ๐ฅ, ๐ฆ โ โค๐ , de modo que ๐ฅ โ ๐ฆ = ๐ฅ โ ๐ฆ = 0, então
๐ฅ โ ๐ฆ = ๐ โ ๐, ๐ โ โค. Decorre desse fato que ๐|๐ฅ โ ๐ฆ. Como ๐ é um número primo, então
๐|๐ฅ ou ๐|๐ฆ, o que implica que ๐ฅ = ๐ โ ๐ ou ๐ฆ = ๐ โ ๐, ๐, ๐ โ โค, portanto ๐ฅ = 0 ou ๐ฆ = 0,
logo, โค๐ é um domínio de integridade.
80
5.3.1 Subanéis
Considerando ๐ด, +,โ um anel, dizemos que um subconjunto não vazio ๐ต โ ๐ด é um
subanel de ๐ด, se ๐ต é fechado para as duas leis de composição interna de ๐ด, ou seja, dados
๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ต, temos ๐ฅ + ๐ฆ โ ๐ต e ๐ฅ โ ๐ฆ โ ๐ต e, além disso, ๐ต for um anel em relação às operações +
e โ.
Exemplo:
Considerando o anel (โค, +,โ) dos inteiros, o subconjunto 2โค dos números inteiros
pares é um subanel de โค. Verifiquemos:
Para todo ๐ฅ, ๐ฆ โ 2โค, temos ๐ฅ = 2๐ e ๐ฆ = 2๐, ๐, ๐ โ โค. Sendo assim, ๐ฅ + ๐ฆ = 2๐ + 2๐ =
2(๐ + ๐) โ 2โค e ๐ฅ. ๐ฆ = 2๐. 2๐ = 4๐๐ = 2(2๐๐) โ 2โค, portanto, a adição e a multiplicação
de โค são fechadas em 2โค. Além disso, para todo ๐ฅ, ๐ฆ, ๐ง โ 2โค, temos ๐ฅ = 2๐, ๐ฆ = 2๐ e ๐ง =
2๐,
com
๐+๐
๐, ๐, ๐ โ โค,
assim,
๐ฅ + ๐ฆ + ๐ง = 2๐ + 2๐ + 2๐ = 2๐ + 2 ๐ + ๐ = 2 ๐ +
= 2 ๐ + ๐ + ๐ = 2 ๐ + ๐ + 2๐ = 2๐ + 2๐ + 2๐ = ๐ฅ + ๐ฆ + ๐ง;
0 = 2.0 โ
2โค e é o elemento neutro da adição pois ๐ฅ + 0 = 2๐ + 2.0 = 2 ๐ + 0 = 2๐ = ๐ฅ; para todo
๐ฅ โ 2โค, fazendo ๐ฅ + ๐ฅ โฒ = 0, temos 2๐ + ๐ฅ โฒ = 0, como 2๐ โ โค e โค é uma anel, então โ2๐ é
o simétrico de 2๐ em โค. Somando โ2๐ em ambos os membros da igualdade 2๐ + ๐ฅ โฒ = 0
temos โ2๐ + 2๐ + ๐ฅ โฒ = โ2๐ + 0, o que implica que ๐ฅ โฒ = โ2๐ = โ๐ฅ โ 2โค; temos ainda
que ๐ฅ + ๐ฆ = 2๐ + 2๐ = 2 ๐ + ๐ = 2 ๐ + ๐ = 2๐ + 2๐ = ๐ฆ + ๐ฅ. Mostrando com isso que
2โค, + é um grupo abeliano.
Com relação à multiplicação, temos ๐ฅ. ๐ฆ. ๐ง = 2๐. 2๐. 2๐ = 2๐. 2๐ . 2๐ = ๐ฅ. ๐ฆ . ๐ง.
Temos
ainda
๐ฅ. ๐ฆ + ๐ง = 2๐. 2๐ + 2๐ = 2๐. 2. ๐ + 2๐. 2๐ = ๐ฅ. ๐ฆ + ๐ฅ. ๐ง.
Portanto,
2โค, +,โ é um anel e, portanto, um subanel de โค.
Notemos ainda que para todo ๐ฅ, ๐ฆ โ โค, temos ๐ฅ + ๐ฆ = 2๐ + 2๐ = 2 ๐ + ๐ = 2 ๐ + ๐ =
2๐ + 2๐ = ๐ฆ + ๐ฅ, o que implica que 2โค, +,โ é um anel comutativo, porém, enquanto โค é um
domínio de integridade, 2โค não o é, pois não é um anel com unidade.
O teorema a seguir constitui uma ferramenta útil e fácil para verificar se um
subconjunto não vazio ๐ต é um subanel de ๐ด:
Teorema 5.3: Seja ๐ด, +,โ um anel. Um conjunto não vazio ๐ต โ ๐ด é um subanel de ๐ด se, e
somente se, โ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ต, temos ๐ฅ โ ๐ฆ โ ๐ต e ๐ฅ. ๐ฆ โ ๐ต.
81
Demonstração:
(โน) Consideremos ๐ต um subanel de ๐ด, então, por hipótese, (๐ต, +) é um subgrupo abeliano
de (๐ด, +) e, portanto, para todo ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ต, temos ๐ฅ โ ๐ฆ โ ๐ต. Considerando ainda a hipótese,
temos que ๐ฅ. ๐ฆ โ ๐ต, pois em um anel a multiplicação é fechada. Portanto, se ๐ต um subanel de
๐ด e ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ต, então ๐ฅ โ ๐ฆ โ ๐ต e ๐ฅ. ๐ฆ โ ๐ต.
(โธ) Consideremos, por hipótese, que dados ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ต, temos ๐ฅ โ ๐ฆ โ ๐ต e ๐ฅ. ๐ฆ โ ๐ต.
Como ๐ฅ โ ๐ฆ โ ๐ต, então (๐ต, +) é um subgrupo de (๐ด, +) e, como (๐ด, +) é abeliano, então
(๐ต, +) também é abeliano. Como ๐ต โ ๐ด, então, para todo ๐ฅ, ๐ฆ, ๐ง โ ๐ต, temos que ๐ฅ, ๐ฆ, ๐ง โ ๐ด e,
portanto, ๐ฅ. ๐ฆ. ๐ง = ๐ฅ. ๐ฆ . ๐ง โ ๐ด pois ๐ด é um anel. Mas, por hipótese, a multiplicação de ๐ด é
fechada em ๐ต, portanto, ๐ฅ. ๐ฆ. ๐ง = ๐ฅ. ๐ฆ . ๐ง โ ๐ต, logo, a multiplicação é associativa em ๐ต.
Além disso, pelo mesmo motivo, temos ๐ฅ. ๐ฆ + ๐ง = ๐ฅ. ๐ฆ + ๐ฅ. ๐ง โ ๐ต, portanto, ๐ต, +,โ é um
subanel de ๐ด, +,โ .
5.4
IDEAIS
Seja ๐ด um anel. Um subconjunto não vazio ๐ผ โ ๐ด é denominado um ideal à esquerda
de ๐ด se ๐ผ é um subanel de ๐ด e โ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ผ e ๐ โ ๐ด, temos ๐ฅ โ ๐ฆ โ ๐ผ e ๐ โ ๐ฅ โ ๐ผ.
De maneira análoga, dizemos que um subconjunto não vazio ๐ผ โ ๐ด é um ideal à
direita de ๐ด se ๐ผ é um subanel de ๐ด e โ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ผ e ๐ โ ๐ด, temos ๐ฅ โ ๐ฆ โ ๐ผ e ๐ฅ โ ๐ โ ๐ผ.
Quando ๐ด é um anel comutativo os ideais à esquerda e à direita coincidem e dizemos
então que ๐ผ é um ideal de ๐ด.
Dado um anel ๐ด, os subconjuntos 0 e ๐ด são denominados ideais triviais ou ideais
próprios de ๐ด.
Vejamos:
1) โ๐ฅ, ๐ฆ โ 0 temos ๐ฅ โ ๐ฆ = 0 โ 0 = 0 โ 0 , além disso, dados ๐ โ ๐ด e ๐ฅ โ {0},
temos que ๐ โ ๐ฅ = ๐ โ 0 = 0 โ {0} e ๐ฅ โ ๐ = ๐ฅ โ 0 = 0 โ {0} que nos mostra que 0 é ideal à
esquerda e à direita de ๐ด. Portanto, 0 é um ideal de ๐ด.
2) Como ๐ด é um anel e ๐ด โ ๐ด, então ๐ด é um subanel de ๐ด. É evidente que dados
๐ โ ๐ด e ๐ฅ โ ๐ด, temos que ๐ โ ๐ฅ โ ๐ด e ๐ฅ โ ๐ โ ๐ด que nos mostra que ๐ด é ideal à esquerda e à
direita de ๐ด. Portanto, ๐ด é um ideal de ๐ด.
Seja ๐ด um anel comutativo. Sejam ๐1 , ๐2 , ๐3 , โฆ , ๐๐ โ ๐ด; ๐ โฅ 1. O conjunto ๐1 , ๐2 ,
โฆ , ๐๐ โ ๐ด, definido como:
๐1 , ๐2 , โฆ , ๐๐ = ๐ฅ1 โ ๐1 + ๐ฅ2 โ ๐2 + โฏ + ๐ฅ๐ โ ๐๐ ; ๐ฅ๐ โ ๐ด, 1 โค ๐ โค ๐ é um ideal em ๐ด.
82
Vejamos:
0 = 0 โ ๐1 + 0 โ ๐2 +...+0 โ ๐๐ , portanto, 0 โ ๐1 , ๐2 , โฆ , ๐๐ .
Dados ๐, ๐ โ ๐1 , ๐2 , โฆ , ๐๐ , então existem ๐ฅ๐ , ๐ฆ๐ โ ๐ด, 1 โค ๐ โค ๐
๐ฅ1 โ ๐1 + ๐ฅ2 โ ๐2 + โฏ + ๐ฅ๐ โ ๐๐
e
๐ = ๐ฆ1 โ ๐1 + ๐ฆ2 โ ๐2 + โฏ + ๐ฆ๐ โ ๐๐ ,
tais que ๐ =
logo,
teremos
๐ โ ๐ = (๐ฅ1 โ ๐ฆ1 ) โ ๐1 + (๐ฅ2 โ ๐ฆ2 ) โ ๐2 + โฏ + (๐ฅ๐ โ ๐ฆ๐ ) โ ๐๐ . Como ๐ฅ๐ โ ๐ฆ๐ โ ๐ด, então
๐ โ ๐ โ ๐1 , ๐2 , โฆ , ๐๐ . Seja ๐ผ โ ๐ด e ๐ โ ๐1 , ๐2 , โฆ , ๐๐ , então existem ๐ฅ๐ โ ๐ด, 1 โค ๐ โค ๐
tal que ๐ = ๐ฅ1 โ ๐1 + ๐ฅ2 โ ๐2 + โฏ + ๐ฅ๐ โ ๐๐ . Assim, temos ๐ผ โ ๐ = ๐ผ โ ๐ฅ1 โ ๐1 + ๐ผ โ ๐ฅ2 โ
๐2 + โฏ + ๐ผ โ ๐ฅ๐ โ ๐๐ = ๐ฅ1 โ (๐ผ โ ๐1 ) + ๐ฅ2 โ (๐ผ โ ๐2 ) + โฏ + ๐ฅ๐ โ (๐ผ โ ๐๐ ) = ๐ฅ1 โ ๐1 + ๐ฅ2 โ
๐2 + โฏ + ๐ฅ๐ โ ๐๐ .
Como
๐๐ = ๐ผ โ ๐๐ โ ๐ด,
então
๐ฅ1 โ ๐1 + ๐ฅ2 โ ๐2 + โฏ + ๐ฅ๐ โ ๐๐ โ
๐1 , ๐2 , โฆ , ๐๐ , portanto ๐ผ โ ๐ โ ๐1 , ๐2 , โฆ , ๐๐ , o que mostra que ๐1 , ๐2 , โฆ , ๐๐ é um ideal
em ๐ด.
O ideal ๐1 , ๐2 , โฆ , ๐๐ obtido acima é denominado ideal gerado por ๐1 , ๐2 , โฆ , ๐๐ . Um
ideal gerado por um só elemento ๐ do anel ๐ด, representado ๐ é denominado ideal principal
gerado por ๐.
Exemplos:
1) Consideremos o anel das matrizes reais quadradas de ordem 2 com as leis de
composição interna adição e a multiplicação usuais, ou seja, โณ, +, . . Consideremos os
conjuntos ๐ผ โ โณ tal que ๐ผ = ๐ด = ๐๐๐ 2 ; ๐๐๐ = 0, ๐ ๐ ๐ โ 1 ๐ ๐๐1 โ 0 ๐๐๐๐ ๐๐๐๐ข๐ ๐
e
๐ผโฒ โ โณ tal que ๐ผโฒ = ๐ต = ๐๐๐ 2 ; ๐๐๐ = 0, ๐ ๐ ๐ โ 1 ๐ ๐1๐ โ 0 ๐๐๐๐ ๐๐๐๐ข๐ ๐ . Mostraremos
que ๐ผ é um ideal à esquerda de โณ e ๐ผโฒ é um ideal à direita de โณ.
๐11 ๐12
Seja ๐ โ โณ uma matriz qualquer tal que ๐ = ๐
๐22 . Consideremos ainda as matrizes
21
๐ด=
๐11
๐21
0
0
e ๐ดโฒ =
โฒ
๐11
โฒ
๐21
0
0
pertencentes ao conjunto ๐ผ. Fazendo ๐ด โ ๐ดโฒ, temos
โฒ
โฒ
0
โ๐11
0
๐11 โ๐11
0
๐
0
= 11
+
=
โ๐ผ
โฒ
โฒ
๐21 0
0
โ๐21 0
๐21 โ ๐21 0
๐11 ๐12 ๐11 0
๐11 . ๐11 + ๐12 . ๐21 ๐11 . 0 + ๐12 . 0
Fazendo ๐. ๐ด temos ๐
๐22 . ๐21 0 = ๐21 . ๐11 + ๐22 . ๐21 ๐21 . 0 + ๐22 . 0 =
21
๐11
๐21
๐โฒ
0
โ 11
โฒ
0
๐21
=
๐11 . ๐11 + ๐12 . ๐21
๐21 . ๐11 + ๐22 . ๐21
=
๐11 . ๐11 + 0. ๐21
๐21 . ๐11 + 0. ๐21
0
๐
0 ๐11 ๐12
โ ๐ผ. Notemos porém que 11
.
=
๐21 0 ๐21 ๐22
0
๐11 . ๐11 ๐11 . ๐12
๐11 . ๐12 + 0. ๐22
= ๐ .๐
๐21 . ๐12 โ ๐ผ. Deduzimos com isso
๐21 . ๐12 + 0. ๐22
21
11
que ๐ผ é um ideal à esquerda de โณ.
83
๐11
De maneira análoga, considerando ๐ โ โณ uma matriz qualquer tal que ๐ = ๐
21
โฒ
๐12
๐โฒ
๐12
e ๐ตโฒ = 11
pertencentes ao conjunto
0
0
0
โฒ
โฒ
โฒ
๐12
๐
๐12
๐โฒ
๐12
โ๐11
โ๐12
โ 11
= 11
+
=
0
0
0
0
0
0
0
Considerando ainda as matrizes ๐ต =
๐ผโฒ. Fazendo ๐ต โ ๐ตโฒ, temos
โฒ
๐11 โ๐11
0
=
๐11
0
๐12
๐22 .
๐11
0
โฒ
๐12 โ๐12
โ ๐ผโฒ .
0
Fazendo ๐ต. ๐, temos:
๐11
0
๐12 ๐11
. ๐
21
0
๐12
๐11 . ๐11 + ๐12 . ๐21
๐22 = 0. ๐11 + 0. ๐21
๐11 . ๐12 + ๐12 . ๐22
=
0. ๐12 + 0. ๐22
๐11 . ๐11 + ๐12 . ๐21 ๐11 . ๐12 + ๐12 . ๐22
โ ๐ผโฒ. Em contrapartida, fazendo ๐. ๐ต, temos
0
0
๐11 ๐12 ๐11 ๐12
๐ . ๐ + ๐12 . 0 ๐11 . ๐12 + ๐12 . 0
= 11 11
=
๐21 ๐22 . 0
๐21 . ๐11 + ๐22 . 0 ๐21 . ๐12 + ๐22 . 0
0
=
=
๐11 . ๐11
๐21 . ๐11
๐11 . ๐12
โ ๐ผโฒ. Deduzimos com isso que ๐ผโฒ é um ideal à direita de โณ.
๐21 . ๐12
Notemos porém que ๐ผ e ๐ผโฒ não são ideais de โณ.
2) No anel
โค, +,โ
dos inteiros com adição e multiplicação usuais, qualquer
subconjunto ๐โค = ๐. ๐ฅ; ๐ฅ โ โค e ๐ um inteiro fixo é um ideal de โค, pois dados ๐ฆ1 , ๐ฆ2 โ ๐โค,
temos ๐ฆ1 = ๐. ๐ฅ1 e ๐ฆ2 = ๐. ๐ฅ2 , com ๐ฅ, ๐ฅ2 โ โค. Assim, ๐ฆ1 โ ๐ฆ2 = ๐. ๐ฅ1 โ ๐. ๐ฅ2 = ๐. (๐ฅ1 โ
๐ฅ2 ) โ ๐โค. Além disso, dados ๐ โ โค e ๐ฆ โ ๐โค, temos ๐ฆ = ๐. ๐ฅ, com ๐ฅ โ โค, portanto, ๐. ๐ฆ =
๐. ๐. ๐ฅ = ๐. ๐ . ๐ฅ = ๐. ๐ . ๐ฅ = ๐. (๐. ๐ฅ) โ ๐โค, o que mostra que ๐โค é um ideal à esquerda
de โค. Não é necessário verificar se ๐โค é um ideal à direita de โค, uma vez que โค é um anel
comutativo. Assim, ๐โค é um ideal de โค para todo ๐ โ โค. Além disso, como o ideal ๐โค é
gerado por ๐, então ๐โค = ๐ , ou seja, ๐โค é um ideal principal.
5.5
CORPOS
Consideremos um anel ๐พ, comutativo e com unidade. ๐พ é denominado um corpo, se
para todo ๐ฅ โ ๐พ, ๐ฅ โ 0, existe ๐ฆ โ ๐พ tal que ๐ฅ โ ๐ฆ = 1, ou seja, todo elemento não nulo de ๐พ
admite simétrico multiplicativo. Note que utilizamos 0 e 1 como os elementos neutro da
adição e multiplicação respectivamente no corpo ๐พ, não devendo ser confundidos com os
números 0 e 1.
Ao elemento ๐ฆ โ ๐พ tal que ๐ฅ โ ๐ฆ = 1, que é o simétrico multiplicativo de ๐ฅ,
denominaremos inverso de ๐ฅ e o representaremos por ๐ฅ โ1 .
84
Exemplos:
1) O anel comutativo com unidade dos números reais, ou seja, โ, +,โ é um corpo,
1
1
pois para todo ๐ฅ โ โ, ๐ฅ โ 0, existe ๐ฅ โ1 = ๐ฅ โ โ tal que ๐ฅ โ ๐ฅ โ1 = ๐ฅ โ ๐ฅ = 1.
2) O anel comutativo com unidade dos números racionais, ou seja, โ, +,โ é um
1
1
corpo, pois para todo ๐ฅ โ โ, ๐ฅ โ 0, existe ๐ฅ โ1 = ๐ฅ โ โ tal que ๐ฅ โ ๐ฅ โ1 = ๐ฅ โ ๐ฅ = 1
3) O anel comutativo com unidade dos números complexos, ou seja, โ, +,โ é um
๐ฅ
๐ฆ
corpo, pois para todo ๐ง โ โ, ๐ง = ๐ฅ + ๐ฆ๐, ๐ง โ 0, existe ๐ง โ1 = ๐ฅ 2 +๐ฆ 2 โ ๐ฅ 2 +๐ฆ 2 ๐ โ โ tal que
๐ง โ ๐ง โ1 = ๐ฅ + ๐ฆ๐ .
๐ฅ
๐ฅ 2 +๐ฆ 2
โ
๐ฆ
=
๐ฅ 2 +๐ฆ 2
๐ฅ2
๐ฅ 2 +๐ฆ 2
โ
๐ฅ๐ฆ๐
๐ฅ 2 +๐ฆ 2
+
๐ฅ๐ฆ๐
๐ฅ 2 +๐ฆ 2
+
๐ฆ2
๐ฅ 2 +๐ฆ 2
=
๐ฅ 2 +๐ฆ 2
๐ฅ 2 +๐ฆ 2
= 1.
4) O anel comutativo com unidade dos números inteiros, ou seja, โค, +,โ não é um
corpo, pois somente os elementos โ1, 1 possuem inversos.
5) O anel comutativo com unidade do conjunto dos restos das divisões de um inteiro
por 3, com as operações de adição e multiplicação usuais, ou seja, โค3 , +,โ , é um corpo, pois
como vimos anteriormente โค3 é um anel comutativo com unidade e, observando a
tábua da multiplicação em โค3 :
โ
0
1
2
0
0
0
0
1
0
1
2
2
0
2
1
vemos que 1 โ 1 = 1.1 = 1 e 2 โ 2 = 2.2 = 4 = 1, ou seja, todo elemento não nulo de โค3
possui inverso.
6) O anel comutativo com unidade do conjunto dos restos das divisões de um inteiro
por 4, com as operações de adição e multiplicação usuais, ou seja, โค4 , +,โ , não é um corpo.
Vimos anteriormente que โค4 é um anel comutativo com unidade, mas, observando a tábua da
multiplicação em โค4 :
โ
0
1
2
3
0
0
0
0
0
1
0
1
2
3
2
0
2
0
2
3
0
3
2
1
vemos que dos elementos não nulos 1, 2 e 3, que o 1 e o 3 possuem inversos, enquanto que o
2 não possui inverso, logo, โค4 , +,โ não é um corpo.
85
7) O conjunto ๐น = 0,1 cujas tábuas de operações de adição e multiplicação
apresentamos a seguir, é um corpo5:
+
0
1
0
0
1
1
1
0
โ
0
1
0
0
0
1
0
1
Teorema 5.4: Todo corpo é um domínio de integridade.
Demonstração: Suponhamos que ๐พ, +,โ seja um corpo. Por simplicidade diremos apenas โo
corpo ๐พโ, ficando subentendidas suas leis de composição internas. A hipótese nos garante que
๐พ é um anel comutativo com unidade e que todos os elementos não nulos de ๐พ possuem
inversos. Sendo assim, consideremos ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐พ, com, por exemplo, ๐ฅ โ 0, tal que ๐ฅ โ ๐ฆ = 0,
então, existe ๐ฅ โ1 โ ๐พ tal que ๐ฅ โ ๐ฅ โ1 = 1. Multiplicando à esquerda ambos os membros da
igualdade ๐ฅ โ ๐ฆ = 0 por ๐ฅ โ1 , temos ๐ฅ โ1 โ ๐ฅ. ๐ฆ = ๐ฅ โ1 โ 0 o que implica que ๐ฅ โ1 โ ๐ฅ . ๐ฆ = 0,
implicando que ๐ฆ = 0 e, portanto, ๐พ não possui divisores próprios de zero, ou seja, ๐พ, +,โ é
um domínio de integridade.
A recíproca do teorema acima é falsa, pois, por exemplo, โค é um domínio de
integridade mas não é um corpo.
Teorema 5.5: Todo domínio de integridade finito é um corpo.
๐ด, +,โ
Demonstração: Consideremos
integridade com
๐
tal que ๐ด = ๐ฅ1 , ๐ฅ2 , ๐ฅ3 , โฏ , ๐ฅ๐
elementos. Seja ๐ฅ
é um anel de
um elemento não nulo de ๐ด, assim,
๐ฅ๐ด = ๐ฅ. ๐ฅ1 , ๐ฅ. ๐ฅ2 , ๐ฅ. ๐ฅ3 , โฏ , ๐ฅ. ๐ฅ๐ . Como ๐ด é um anel de integridade, então ๐ฅ. ๐ฅ๐ = ๐ฅ. ๐ฅ๐
implica que ๐ฅ๐ = ๐ฅ๐ , ademais, a multiplicação é fechada em ๐ด, portanto, para cada ๐ฅ๐ โ ๐ด,
existe
๐ฅ. ๐ฅ๐ โ ๐ฅ๐ด
tal
que
๐ฅ๐ = ๐ฅ. ๐ฅ๐ ,
portanto,
๐ฅ๐ด = ๐ฅ. ๐ฅ1 , ๐ฅ. ๐ฅ2 , ๐ฅ. ๐ฅ3 , โฏ , ๐ฅ. ๐ฅ๐ =
๐ฅ1 , ๐ฅ2 , ๐ฅ3 , โฏ , ๐ฅ๐ = ๐ด. Como 1 โ ๐ด, então para todo ๐ฅ โ ๐ด existe um índice ๐ para o qual
temos ๐ฅ. ๐ฅ๐ = 1 mostrando com isso que qualquer elemento de ๐ด possui inverso. Como
conseqüência, ๐ด, +,โ é um corpo.
Um corpo com quantidade finita de elementos é denominado corpo finito. A exemplo
temos (โค3 , +, โ) com as operações โusuaisโ e ๐น = {0,1} com as operações de adição e
multiplicação descritas no exemplo 7.
5
Conhecido como Corpo de Galois, em homenagem ao matemático Évariste Galois, 1811-1832.
86
Decorre dos teoremas 5.2 e 5.5 que o Conjunto โค๐ , quando ๐ é primo, é um corpo
finito.
5.6
ESPAÇOS VETORIAIS
Dado um corpo ๐พ, um conjunto não vazio ๐ é denominado um espaço vetorial sobre
๐พ ou um K-espaço vetorial quando:
1º) Dados ๐ข, ๐ฃ โ ๐, ๐ข + ๐ฃ โ ๐, ou seja, existe a adição em ๐. Considerando ๐ข, ๐ฃ, ๐ค โ
๐, na adição verificam-se os seguintes axiomas:
I)
๐ข+๐ฃ =๐ฃ+๐ข
II) ๐ข + ๐ฃ + ๐ค = ๐ข + ๐ฃ + ๐ค
III) โ๐ โ ๐ tal que ๐ + ๐ข = ๐ข + ๐ = ๐ข, com ๐ representando o vetor nulo.
IV) โ๐ข, โ(โ๐ข) โ ๐ tal que โ ๐ข + ๐ข = ๐ข + โ๐ข = ๐
2º) Está definida uma multiplicação por escalares do corpo ๐พ em ๐, ou seja, dados
๐ผ โ ๐พ e ๐ข โ ๐, temos ๐ผ. ๐ข โ ๐. Considerando ๐ผ, ๐ฝ โ ๐พ e ๐ข, ๐ฃ โ ๐, na multiplicação por
escalar verificam-se os seguintes axiomas:
I) ๐ผ. ๐ฝ. ๐ข = ๐ผ. ๐ฝ . ๐ข
II) ๐ผ + ๐ฝ . ๐ข = ๐ผ. ๐ข + ๐ฝ. ๐ข
III) ๐ผ. ๐ข + ๐ฃ = ๐ผ. ๐ข + ๐ผ. ๐ฃ
IV) 1. ๐ข = ๐ข
Exemplos:
1) O conjunto dos números reais โ é um espaço vetorial sobre o corpo dos números
racionais โ, pois dados ๐ฅ, ๐ฆ, ๐ง โ โ e ๐ผ, ๐ฝ โ โ, temos ๐ฅ + ๐ฆ โ โ; ๐ฅ + ๐ฆ = ๐ฆ + ๐ฅ; ๐ฅ +
๐ฆ + ๐ง = (๐ฅ + ๐ฆ) + ๐ง; 0 โ โ e é o elemento neutro da adição; โ(โ๐ฅ) โ โ tal que โ ๐ฅ + ๐ฅ =
0 = ๐ฅ + (โ๐ฅ); ๐ผ. ๐ฅ โ โ; ๐ผ. ๐ฝ. ๐ฅ = ๐ผ. ๐ฝ . ๐ฅ; ๐ผ + ๐ฝ . ๐ฅ = ๐ผ. ๐ฅ + ๐ฝ. ๐ฅ; ๐ผ. ๐ฅ + ๐ฆ = ๐ผ. ๐ฅ +
๐ผ. ๐ฆ e 1. ๐ฅ = ๐ฅ.
2) O conjunto dos números racionais โ não é um espaço vetorial sobre o corpo dos
números reais โ, pois por exemplo, considerando o escalar ๐ผ = 2, temos, para ๐ฅ โ โ,
๐ผ. ๐ฅ = 2. ๐ฅ โ โ.
3) O conjunto dos pares ordenados de โ2 sobre o corpo dos números reais โ, com as
operações de adição e multiplicação por escalar definidas por ๐ฅ, ๐ฆ , ๐ฅ โฒ , ๐ฆโฒ โ โ2 , ๐ผ โ โ,
87
๐ฅ, ๐ฆ + ๐ฅ โฒ , ๐ฆโฒ = ๐ฅ + ๐ฅ โฒ , ๐ฆ + ๐ฆโฒ e ๐ผ. ๐ฅ, ๐ฆ = ๐ผ. ๐ฅ, ๐ผ. ๐ฆ , constitui um espaço vetorial.
Verifiquemos: Dados ๐ฅ, ๐ฆ , ๐ฅ โฒ , ๐ฆ โฒ , (๐ฅ โฒโฒ , ๐ฆ โฒโฒ ) โ โ2 e ๐ผ, ๐ฝ โ โ, temos:
a) ๐ฅ, ๐ฆ + ๐ฅ โฒ , ๐ฆโฒ = ๐ฅ + ๐ฅ โฒ , ๐ฆ + ๐ฆ โฒ = ๐ฅ โฒ + ๐ฅ, ๐ฆ โฒ + ๐ฆ = ๐ฅ โฒ , ๐ฆ โฒ + (๐ฅ, ๐ฆ)
b) ๐ฅ, ๐ฆ + ๐ฅ โฒ , ๐ฆ โฒ + ๐ฅ โฒโฒ , ๐ฆ โฒโฒ
= ๐ฅ, ๐ฆ + ๐ฅ โฒ + ๐ฅ โฒโฒ , ๐ฆ โฒ + ๐ฆ โฒโฒ =
= ๐ฅ + ๐ฅ โฒ + ๐ฅ โฒโฒ , ๐ฆ + ๐ฆ โฒ + ๐ฆ โฒโฒ
=
๐ฅ + ๐ฅ โฒ + ๐ฅ โฒโฒ , ๐ฆ + ๐ฆ โฒ + ๐ฆ โฒโฒ =
= ๐ฅ + ๐ฅ โฒ , ๐ฆ + ๐ฆ โฒ + ๐ฅ โฒโฒ , ๐ฆ โฒโฒ =
๐ฅ, ๐ฆ + ๐ฅ โฒ , ๐ฆ โฒ
+ ๐ฅ โฒโฒ , ๐ฆ โฒโฒ
c) (0,0) โ โ2 e ๐ฅ, ๐ฆ + 0,0 = ๐ฅ + 0, ๐ฆ + 0 = ๐ฅ, ๐ฆ = 0 + ๐ฅ, 0 + ๐ฆ = 0,0 + (๐ฅ, ๐ฆ)
d) (โ๐ฅ, โ๐ฆ) โ โ2 e โ๐ฅ, โ๐ฆ + ๐ฅ, ๐ฆ = โ๐ฅ + ๐ฅ, โ๐ฆ + ๐ฆ = 0,0 = ๐ฅ โ ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ฆ =
= ๐ฅ + โ๐ฅ , ๐ฆ + โ๐ฆ
e) ๐ผ. ๐ฝ. ๐ฅ, ๐ฆ
= ๐ฅ, ๐ฆ + (โ๐ฅ, ๐ฆ)
= ๐ผ. ๐ฝ. ๐ฅ, ๐ฝ. ๐ฆ = ๐ผ. ๐ฝ. ๐ฅ , ๐ผ. ๐ฝ. ๐ฆ
f) ๐ผ + ๐ฝ . ๐ฅ, ๐ฆ =
=
๐ผ. ๐ฝ . ๐ฅ, ๐ผ. ๐ฝ . ๐ฆ = ๐ผ. ๐ฝ . (๐ฅ, ๐ฆ)
๐ผ + ๐ฝ . ๐ฅ, ๐ผ + ๐ฝ . ๐ฆ = ๐ผ. ๐ฅ + ๐ฝ. ๐ฅ, ๐ผ. ๐ฆ + ๐ฝ. ๐ฆ =
= ๐ผ. ๐ฅ, ๐ผ. ๐ฆ + ๐ฝ. ๐ฅ, ๐ฝ. ๐ฆ = ๐ผ. ๐ฅ, ๐ฆ + ๐ฝ. (๐ฅ, ๐ฆ)
g) ๐ผ. ๐ฅ, ๐ฆ + ๐ฅ โฒ , ๐ฆ โฒ
= ๐ผ. ๐ฅ + ๐ฅ โฒ , ๐ฆ + ๐ฆ โฒ = ๐ผ. ๐ฅ + ๐ฅ โฒ , ๐ผ. ๐ฆ + ๐ฆ โฒ
=
= ๐ผ๐ฅ + ๐ผ๐ฅ โฒ , ๐ผ๐ฆ + ๐ผ๐ฆ โฒ = ๐ผ. ๐ฅ, ๐ผ. ๐ฆ + ๐ผ. ๐ฅ โฒ , ๐ผ. ๐ฆ โฒ = ๐ผ. ๐ฅ, ๐ฆ + ๐ผ(๐ฅ โฒ , ๐ฆ โฒ )
h) 1. ๐ฅ, ๐ฆ = 1. ๐ฅ, 1. ๐ฆ = (๐ฅ, ๐ฆ)
4) O conjunto โณ2 das matrizes reais quadradas de ordem 2, com as operações usuais
de adição e multiplicação por escalar, é um espaço vetorial sobre o corpo dos números reais
โ. Verifiquemos:
No capítulo 2, referente às operações com matrizes, já vimos que na adição de
matrizes verificam-se os quatro primeiros axiomas, portanto, iremos verificar a validade
somente dos axiomas relativos à multiplicação por escalar:
๐11
Sejam ๐ด, ๐ต โ โณ2 , tais que ๐ด = ๐
21
๐11
a) ๐ผ. ๐ฝ. ๐ด = ๐ผ. ๐ฝ. ๐
21
=
(๐ผ. ๐ฝ). ๐11
(๐ผ. ๐ฝ). ๐21
๐12
๐22
= ๐ผ.
๐ฝ. ๐11
๐ฝ. ๐21
๐11
(๐ผ. ๐ฝ). ๐12
= ๐ผ. ๐ฝ . ๐
(๐ผ. ๐ฝ). ๐22
21
๐11
b) ๐ผ + ๐ฝ . ๐ด = ๐ผ + ๐ฝ . ๐
21
๐12
๐22 =
๐12
๐11
e
๐ต
=
๐22
๐21
๐12
e ๐ผ, ๐ฝ โ โ. Temos:
๐22
๐ฝ. ๐12
๐ผ. ๐ฝ. ๐11
=
๐ฝ. ๐22
๐ผ. ๐ฝ. ๐21
๐12
๐22 = ๐ผ. ๐ฝ . ๐ด
๐ผ + ๐ฝ . ๐11
๐ผ + ๐ฝ . ๐21
๐ผ + ๐ฝ . ๐12
=
๐ผ + ๐ฝ . ๐22
๐ผ. ๐11 ๐ผ. ๐12
๐ผ. ๐11 + ๐ฝ. ๐11 ๐ผ. ๐12 + ๐ฝ. ๐12
๐ฝ. ๐11
= ๐ผ. ๐
+
๐ผ. ๐22
๐ผ. ๐21 + ๐ฝ. ๐21 ๐ผ. ๐22 + ๐ฝ. ๐22
๐ฝ. ๐21
21
๐11 ๐12
๐11 ๐12
= ๐ผ. ๐
+
๐ฝ.
๐22
๐21 ๐22 = ๐ผ. ๐ด + ๐ฝ. ๐ด
21
=
c) ๐ผ. ๐ด + ๐ต = ๐ผ.
๐11
๐21
๐12
๐11
๐22 + ๐21
๐12
๐22
๐ผ. ๐ฝ. ๐12
๐ผ. ๐ฝ. ๐22
= ๐ผ.
๐11 + ๐11
๐21 + ๐21
๐ฝ. ๐12
=
๐ฝ. ๐22
๐12 + ๐12
=
๐22 + ๐22
=
88
=
๐ผ. ๐11 + ๐11
๐ผ. ๐21 + ๐21
๐ผ. ๐11
= ๐ผ. ๐
21
๐ผ. ๐12 + ๐12
๐ผ. ๐22 + ๐22
๐ผ. ๐12
๐ผ. ๐11
๐ผ. ๐22 + ๐ผ. ๐21
๐11
d) 1. ๐ด = 1. ๐
21
๐12
1. ๐11
๐22 = 1. ๐21
=
๐ผ. ๐11 + ๐ผ. ๐11
๐ผ. ๐21 + ๐ผ. ๐21
๐11
๐ผ. ๐12
= ๐ผ. ๐
๐ผ. ๐22
21
๐11
1. ๐12
= ๐
1. ๐22
21
๐ผ. ๐12 + ๐ผ. ๐12
=
๐ผ. ๐22 + ๐ผ. ๐22
๐12
๐11
๐ผ. + ๐ผ. ๐21
๐12
= ๐ผ. ๐ด + ๐ผ. ๐ต
๐22
๐12
๐22 = ๐ด
5.6.1 Algumas propriedades de um espaço vetorial
Para evitarmos possível confusão em relação às notações, representaremos por 0 o
elemento neutro do corpo ๐พ, enquanto que o vetor nulo de ๐ representaremos por ๐.
Sendo ๐ um espaço vetorial sobre um corpo ๐พ, dados ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ e ๐ผ, ๐ฝ โ ๐พ, temos:
I)
๐ผ. ๐ = ๐
II) 0. ๐ฅ = ๐
III) ๐ผ. ๐ฅ = ๐ โน ๐ผ = 0 ou ๐ฅ = ๐
IV) โ๐ผ . ๐ฅ = ๐ผ. โ๐ฅ = โ(๐ผ. ๐ฅ)
V)
๐ผ โ ๐ฝ . ๐ฅ = ๐ผ. ๐ฅ โ ๐ฝ. ๐ฅ
VI) ๐ผ. ๐ฅ โ ๐ฆ = ๐ผ. ๐ฅ โ ๐ผ. ๐ฆ
VII) Dados, ๐ผ, ๐ฝ1 , ๐ฝ2 , โฆ , ๐ฝ๐ โ ๐พ e ๐ฅ1 , ๐ฅ2 , โฆ , ๐ฅ๐ โ ๐, então ๐ผ.
๐
๐=1 ๐ฝ๐
โ ๐ฅ๐ =
๐
๐=1
๐ผ โ ๐ฝ๐ . ๐ฅ๐
Demonstrações:
I)
๐ผ. ๐ + ๐ผ. ๐ = ๐ผ. (๐ + ๐) = ๐ผ. ๐. Somando โ ๐ผ. ๐ a ambos os membros da igualdade,
temos: ๐ผ. ๐ + ๐ผ. ๐ โ ๐ผ. ๐ = ๐ผ. ๐ โ ๐ผ. ๐ , o que implica que ๐ผ. ๐ = ๐.
II) 0. ๐ฅ + 0. ๐ฅ = 0 + 0 . ๐ฅ = 0. ๐ฅ. Somando โ 0. ๐ฅ a ambos os membros da igualdade,
temos: 0. ๐ฅ + 0. ๐ฅ โ 0. ๐ฅ = 0. ๐ฅ โ (0. ๐ฅ), o que implica que 0. ๐ฅ = ๐.
III) Suponhamos ๐ผ โ 0, então โ๐ผ โ1 โ ๐พ tal que ๐ผ. ๐ผ โ1 = 1. Multiplicando a igualdade
๐ผ. ๐ฅ = ๐ por ๐ผ โ1 , temos ๐ผ โ1 . (๐ผ. ๐ฅ) = ๐. Levando em consideração o axioma (I) da
multiplicação por escalar e a propriedade (I), temos ๐ผ โ1 . ๐ผ . ๐ฅ = ๐, mas, ๐ผ โ1 . ๐ผ = 1,
portanto 1. ๐ฅ = ๐ e, pela propriedade (IV) da multiplicação por escalar, temos ๐ฅ = ๐.
Caso consideremos ๐ฅ โ ๐, como ๐ผ. ๐ฅ = ๐, considerando a propriedade (II), temos
0. ๐ฅ = ๐, por transitividade, temos ๐ผ. ๐ฅ = 0. ๐ฅ, o que implica que ๐ผ = 0.
IV) Utilizando o axioma (II) da multiplicação por escalar e a propriedade (II), temos que
๐ผ. ๐ฅ + โ๐ผ . ๐ฅ = ๐ผ + โ๐ผ . ๐ฅ = 0. ๐ฅ = ๐. Sabemos também que ๐ผ. ๐ฅ + โ๐ผ. ๐ฅ =
๐, o que implica que ๐ผ. ๐ฅ + โ๐ผ . ๐ฅ = ๐ผ. ๐ฅ + โ๐ผ. ๐ฅ e, somando โ๐ผ. ๐ฅ a ambos os
membros da igualdade, temos โ๐ผ. ๐ฅ + ๐ผ. ๐ฅ + โ๐ผ . ๐ฅ = โ๐ผ. ๐ฅ + ๐ผ. ๐ฅ + โ๐ผ. ๐ฅ , o
89
que resulta que โ๐ผ . ๐ฅ = โ๐ผ. ๐ฅ. Por outro lado, a propriedade (I) nos garante que
๐ผ. ๐ = ๐, temos também, pelo axioma (IV) da adição, que ๐ฅ + โ๐ฅ = ๐, assim,
temos ๐ผ. (๐ฅ + โ๐ฅ ) = ๐ e, pelo axioma (III) da multiplicação, ๐ผ. ๐ฅ + ๐ผ. โ๐ฅ = ๐.
Somando โ๐ผ. ๐ฅ a essa última igualdade, temos โ๐ผ. ๐ฅ + ๐ผ. ๐ฅ + ๐ผ. โ๐ฅ = โ๐ผ. ๐ฅ + ๐,
o que implica que ๐ผ. โ๐ฅ = โ๐ผ. ๐ฅ . Logo, โ๐ผ . ๐ฅ = ๐ผ. โ๐ฅ = โ๐ผ. ๐ฅ.
V)
๐ผ โ ๐ฝ . ๐ฅ = ๐ผ + โ๐ฝ . ๐ฅ. Pelo axioma (II) da multiplicação por escalar, temos
๐ผ + โ๐ฝ . ๐ฅ = ๐ผ. ๐ฅ + โ๐ฝ . ๐ฅ e, pela propriedade (IV), ๐ผ. ๐ฅ + โ๐ฝ . ๐ฅ = ๐ผ. ๐ฅ โ
๐ฝ. ๐ฅ. Portanto, ๐ผ โ ๐ฝ . ๐ฅ = ๐ผ. ๐ฅ โ ๐ฝ. ๐ฅ
VI) ๐ผ. ๐ฅ โ ๐ฆ = ๐ผ. (๐ฅ + โ๐ฆ ). Pelo axioma (III) da multiplicação por escalar, temos que
๐ผ. ๐ฅ + โ๐ฆ
= ๐ผ. ๐ฅ + ๐ผ. (โ๐ฆ) mas, pela propriedade (IV), ๐ผ. โ๐ฆ = โ๐ผ. ๐ฆ, assim,
๐ผ. ๐ฅ + ๐ผ. โ๐ฆ = ๐ผ. ๐ฅ โ ๐ผ. ๐ฆ. Portanto, ๐ผ. ๐ฅ โ ๐ฆ = ๐ผ. ๐ฅ โ ๐ผ. ๐ฆ.
VII) Utilizando indução sobre ๐, temos, para ๐ = 1, ๐ผ.
1
๐=1 ๐ฝ๐
โ ๐ฅ๐ = ๐ผ. (๐ฝ1 โ ๐ฅ1 ).
Utilizando o axioma (II) da multiplicação por escalar, temos ๐ผ. ๐ฝ1 โ ๐ฅ1 = ๐ผ. ๐ฝ1 . ๐ฅ1 =
1
๐=1
๐ผ. ๐ฝ๐ . ๐ฅ๐ . Portanto, a igualdade é válida para ๐ = 1.
Suponhamos que a igualdade seja válida para ๐ = ๐, ou seja, ๐ผ.
๐
๐=1
๐
๐=1 ๐ฝ๐
โ ๐ฅ๐ =
๐ผ โ ๐ฝ๐ . ๐ฅ๐ e verifiquemos se essa hipótese implica na validez da igualdade para
๐ = ๐ + 1: ๐ผ.
๐+1
๐=1 ๐ฝ๐
โ ๐ฅ๐ = ๐ผ. ๐ฝ1 โ ๐ฅ1 + ๐ฝ2 โ ๐ฅ2 + โฏ + ๐ฝ๐ โ ๐ฅ๐ + ๐ฝ๐+1 โ ๐ฅ๐+1 =
= ๐ผ. (๐ฝ1 โ ๐ฅ1 + ๐ฝ2 โ ๐ฅ2 + โฏ + ๐ฝ๐ โ ๐ฅ๐ ) + ๐ฝ๐+1 โ ๐ฅ๐+1 . Pelo axioma (III) da multiplicação
por escalar, temos ๐ผ. (๐ฝ1 โ ๐ฅ1 + ๐ฝ2 โ ๐ฅ2 + โฏ + ๐ฝ๐ โ ๐ฅ๐ ) + ๐ผ. (๐ฝ๐+1 โ ๐ฅ๐+1 ), mas ๐ผ. (๐ฝ1 โ
๐ฅ1 + ๐ฝ2 โ ๐ฅ2 + โฏ + ๐ฝ๐ โ ๐ฅ๐ ) = ๐ผ.
๐ฅ๐ ) + ๐ผ. ๐ฝ๐+1 โ ๐ฅ๐+1 = ๐ผ.
๐
๐=1 ๐ฝ๐
๐
๐=1 ๐ฝ๐
โ ๐ฅ๐ ,
assim,
๐ผ. (๐ฝ1 โ ๐ฅ1 + ๐ฝ2 โ ๐ฅ2 + โฏ + ๐ฝ๐ โ
โ ๐ฅ๐ + ๐ผ. (๐ฝ๐+1 โ ๐ฅ๐+1 ). Por hipótese de indução e
utilizando o axioma (I) da multiplicação por escalar, temos
๐ผ.
=
๐
๐=1 ๐ฝ๐
๐+1
๐=1
โ ๐ฅ๐ + ๐ผ. ๐ฝ๐+1 โ ๐ฅ๐+1 =
๐
๐=1
๐ผ โ ๐ฝ๐ . ๐ฅ๐ + ๐ผ. ๐ฝ๐+1 . ๐ฅ๐+1 =
๐ผ โ ๐ฝ๐ . ๐ฅ๐
5.6.2 Subespaços vetoriais
Seja ๐ um espaço vetorial sobre um corpo ๐พ. Dizemos que um conjunto não vazio
๐ โ ๐ é um subespaço vetorial de ๐ se ๐ é um espaço vetorial em relação à adição e à
multiplicação por escalar em ๐.
90
Em outras palavras, dizer que ๐ é um subespaço vetorial de ๐, é afirmar que para as
operações de Adição e de multiplicação por escalar do espaço ๐, são verificados os 8 axiomas
que definem um espaço vetorial em ๐.
Exemplo:
O conjunto ๐ โ โ2 tal que ๐ =
๐ฅ, ๐ฆ โ โ2 ; ๐ฅ = ๐ฆ é um subespaço vetorial de โ2 ,
pois, dados ๐ฅ, ๐ฅ , ๐ฆ, ๐ฆ , ๐ง, ๐ง โ ๐ e ๐ผ, ๐ฝ โ โ, temos:
๐ฅ, ๐ฅ + ๐ฆ, ๐ฆ = (๐ฅ + ๐ฆ, ๐ฅ + ๐ฆ) โ ๐ e ๐ผ. ๐ฅ, ๐ฅ = ๐ผ. ๐ฅ, ๐ผ. ๐ฅ โ ๐. Além disso, temos:
I)
๐ฅ, ๐ฅ + ๐ฆ, ๐ฆ = ๐ฅ + ๐ฆ, ๐ฅ + ๐ฆ = ๐ฆ + ๐ฅ, ๐ฆ + ๐ฅ = ๐ฆ, ๐ฆ + ๐ฅ, ๐ฅ
II)
๐ฅ, ๐ฅ + ๐ฆ, ๐ฆ + ๐ง, ๐ง
= ๐ฅ, ๐ฅ + ๐ฆ + ๐ง, ๐ฆ + ๐ง = ๐ฅ + ๐ฆ + ๐ง , ๐ฅ + (๐ฆ + ๐ง) =
๐ฅ + ๐ฆ + ๐ง, ๐ฅ + ๐ฆ + ๐ง = ๐ฅ + ๐ฆ, ๐ฅ + ๐ฆ + ๐ง, ๐ง =
III)
๐ฅ, ๐ฅ + ๐ฆ, ๐ฆ + (๐ง, ๐ง)
0,0 โ ๐, pois 0 = 0 e ๐ฅ, ๐ฅ + 0,0 = ๐ฅ + 0, ๐ฅ + 0 = ๐ฅ, ๐ฅ e 0,0 + ๐ฅ, ๐ฅ =
0 + ๐ฅ, 0 + ๐ฅ = ๐ฅ, ๐ฅ
IV) (โ๐ฅ, โ๐ฅ) โ ๐, pois โ ๐ฅ = โ๐ฅ e ๐ฅ, ๐ฅ + โ๐ฅ, โ๐ฅ = ๐ฅ + โ๐ฅ , ๐ฅ + โ๐ฅ
= (0,0)
e โ๐ฅ, โ๐ฅ + ๐ฅ, ๐ฅ = โ๐ฅ + ๐ฅ, โ๐ฅ + ๐ฅ = (0,0)
V)
๐ผ. ๐ฝ. ๐ฅ, ๐ฅ
= ๐ผ. ๐ฝ. ๐ฅ, ๐ฝ. ๐ฅ = ๐ผ. ๐ฝ. ๐ฅ , ๐ผ. ๐ฝ. ๐ฅ
=
๐ผ. ๐ฝ . ๐ฅ, ๐ผ. ๐ฝ . ๐ฅ =
๐ผ. ๐ฝ . (๐ฅ, ๐ฅ)
VI)
๐ผ + ๐ฝ . ๐ฅ, ๐ฅ =
๐ผ + ๐ฝ . ๐ฅ, ๐ผ + ๐ฝ . ๐ฅ = ๐ผ. ๐ฅ + ๐ฝ. ๐ฅ, ๐ผ. ๐ฅ + ๐ฝ. ๐ฅ =
๐ผ. ๐ฅ, ๐ผ. ๐ฅ + ๐ฝ. ๐ฅ, ๐ฝ. ๐ฅ = ๐ผ. ๐ฅ, ๐ฅ + ๐ฝ. (๐ฅ, ๐ฅ)
VII) ๐ผ. ๐ฅ, ๐ฅ + ๐ฆ, ๐ฆ
= ๐ผ. ๐ฅ + ๐ฆ, ๐ฅ + ๐ฆ = ๐ผ. ๐ฅ + ๐ฆ , ๐ผ. ๐ฅ + ๐ฆ
= ๐ผ. ๐ฅ +
๐ผ. ๐ฆ, ๐ผ. ๐ฅ + ๐ผ. ๐ฆ = ๐ผ. ๐ฅ, ๐ผ. ๐ฅ + ๐ผ. ๐ฆ, ๐ผ. ๐ฆ = ๐ผ. ๐ฅ, ๐ฅ + ๐ผ. (๐ฆ, ๐ฆ)
VIII) 1. ๐ฅ, ๐ฅ = 1. ๐ฅ, 1. ๐ฅ = (๐ฅ, ๐ฅ)
Portanto, ๐ =
๐ฅ, ๐ฆ โ โ2 ; ๐ฅ = ๐ฆ é subespaço vetorial de โ2 .
Teorema 5.6: Seja ๐ um espaço vetorial sobre um corpo ๐พ. Um subconjunto não vazio
๐ โ ๐ é um subespaço vetorial de ๐ se, e somente se, dados ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ e ๐ผ, ๐ฝ โ ๐พ, temos
๐ผ. ๐ฅ + ๐ฝ. ๐ฆ โ ๐.
Demonstração:
โน Seja ๐ โ ๐ um subespaço vetorial de ๐. Por definição de subespaço, dados ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ e
๐ผ, ๐ฝ โ ๐พ, temos ๐ผ. ๐ฅ โ ๐ e ๐ฝ. ๐ฆ โ ๐. Como a soma de vetores é fechada em ๐, então
๐ผ. ๐ฅ + ๐ฝ. ๐ฆ โ ๐.
โธ Consideremos ๐ โ ๐, ๐ โ โ
tal que para todo ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ e ๐ผ, ๐ฝ โ ๐พ, temos ๐ผ. ๐ฅ +
๐ฝ. ๐ฆ โ ๐. Para ๐ผ = ๐ฝ = 1 temos ๐ผ. ๐ฅ + ๐ฝ. ๐ฆ = 1. ๐ฅ + 1. ๐ฆ = ๐ฅ + ๐ฆ โ ๐ e para ๐ฝ = 0, temos
91
๐ผ. ๐ฅ + ๐ฝ. ๐ฆ = ๐ผ. ๐ฅ + 0. ๐ฆ = ๐ผ. ๐ฅ โ ๐, ou seja, as operações de adição e multiplicação por
escalar em ๐ são fechadas em ๐. Como para todo ๐ฅ, ๐ฆ, ๐ง โ ๐, temos que ๐ฅ + ๐ฆ = ๐ฆ + ๐ฅ e
๐ฅ + ๐ฆ + ๐ง = ๐ฅ + ๐ฆ + ๐ง e como ๐ é fechado para a operação de adição de ๐, então, se
๐ฅ, ๐ฆ, ๐ง โ ๐, as igualdades ๐ฅ + ๐ฆ = ๐ฆ + ๐ฅ e ๐ฅ + ๐ฆ + ๐ง = ๐ฅ + ๐ฆ + ๐ง são válidas em W,
garantindo com isso a comutatividade e a associatividade da adição em ๐. Como a
multiplicação por escalar é fechada em ๐, ou seja, โ๐ผ โ ๐พ e ๐ฅ โ ๐, temos ๐ผ. ๐ฅ โ ๐, então,
tomando ๐ผ = 1, temos ๐ผ. ๐ฅ = 1. ๐ฅ = ๐ฅ โ ๐ e, tomando ๐ผ = โ1, temos ๐ผ. ๐ฅ = โ1. ๐ฅ = โ๐ฅ โ
๐. Como por hipótese ๐ผ. ๐ฅ + ๐ฝ. ๐ฆ โ ๐ para todo ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ e ๐ผ, ๐ฝ โ ๐พ, tomando ๐ฝ = โ๐ผ e
๐ฆ = ๐ฅ, temos ๐ผ. ๐ฅ + ๐ฝ. ๐ฆ = ๐ผ. ๐ฅ + โ๐ผ . ๐ฅ = ๐ผ. ๐ฅ โ ๐ผ. ๐ฅ = ๐ โ ๐. Como para todo ๐ผ, ๐ฝ โ ๐พ
e ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ temos ๐ผ. ๐ฝ. ๐ฅ = ๐ผ. ๐ฝ . ๐ฅ, ๐ผ + ๐ฝ . ๐ฅ = ๐ผ. ๐ฅ + ๐ฝ. ๐ฅ e ๐ผ. ๐ฅ + ๐ฆ = ๐ผ. ๐ฅ + ๐ผ. ๐ฆ e,
como a multiplicação por escalar é fechada em ๐, então essas igualdades são válidas em ๐,
mostrando com isso que ๐ é um espaço vetorial. Por hipótese, temos ๐ โ ๐, o que nos
mostra que ๐ é um subespaço vetorial de ๐, completando a demonstração.
Retomando o exemplo anterior, consideremos o conjunto ๐ โ โ2 tal que ๐ =
๐ฅ, ๐ฆ โ โ2 ; ๐ฅ = ๐ฆ , para mostrar que ๐ é um subespaço vetorial de โ2 , de acordo com o
teorema
5.6,
basta
mostrar
que
dados
๐ฅ, ๐ฅ , (๐ฆ, ๐ฆ) โ ๐ e ๐ผ, ๐ฝ โ ๐พ, temos
๐ผ. ๐ฅ, ๐ฅ + ๐ฝ. (๐ฆ, ๐ฆ) โ ๐, o que é fácil de comprovar:
๐ผ. ๐ฅ, ๐ฅ + ๐ฝ. ๐ฆ, ๐ฆ = ๐ผ. ๐ฅ, ๐ผ. ๐ฅ + ๐ฝ. ๐ฆ, ๐ฝ. ๐ฆ = (๐ผ. ๐ฅ + ๐ฝ. ๐ฆ, ๐ผ. ๐ฅ + ๐ฝ. ๐ฆ) โ ๐ por terem
coordenadas iguais. Portanto, ๐ =
๐ฅ, ๐ฆ โ โ2 ; ๐ฅ = ๐ฆ é um subespaço vetorial de โ2 .
5.6.3 Base e Dimensão
5.6.3.1 Independência Linear
Considerando ๐ um espaço vetorial sobre um corpo ๐พ. Dizemos que um conjunto
๐ผ โ ๐, ๐ผ = ๐ฅ1 , ๐ฅ2 , ๐ฅ3 , โฆ , ๐ฅ๐
é linearmente independente, quando para todo ๐ผ โ ๐พ, a
igualdade ๐ผ1 โ ๐ฅ1 + ๐ผ2 โ ๐ฅ2 + ๐ผ3 โ ๐ฅ3 + โฏ + ๐ผ๐ โ ๐ฅ๐ = ๐ for verdadeira somente se ๐ผ1 = ๐ผ2 =
๐ผ3 = โฏ = ๐ผ๐ = 0. Caso exista algum ๐ โ 1, 2, 3, โฆ , ๐ , para o qual se tenha ๐ผ๐ โ 0, então
dizemos que ๐ผ é linearmente dependente. A uma igualdade do tipo ๐ผ1 โ ๐ฅ1 + ๐ผ2 โ ๐ฅ2 + ๐ผ3 โ
๐ฅ3 + โฏ + ๐ผ๐ โ ๐ฅ๐ = ๐ฅ denominamos combinação linear.
92
5.6.3.2 Conjunto de geradores
Trataremos nesse tópico somente de espaços vetoriais finitamente gerados.
Dados um espaço vetorial ๐ sobre um corpo ๐พ, dizemos que um conjunto finito
๐บ โ ๐, ๐บ = ๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , โฆ , ๐ข๐
é um gerador do espaço vetorial ๐, se para todo ๐ฅ โ ๐,
existirem ๐ผ1 , ๐ผ2 , ๐ผ3 , โฆ , ๐ผ๐ โ ๐พ
tal que,
๐ฅ = ๐ผ1 โ ๐ข1 + ๐ผ2 โ ๐ข2 + ๐ผ3 โ ๐ข3 + โฏ + ๐ผ๐ โ ๐ข๐ .
Assim, dizemos que ๐ é gerado por ๐บ ou que ๐บ gera ๐ ou ainda que ๐ = [๐บ].
5.6.3.3 Base e dimensão de um espaço vetorial
Seja ๐ต โ ๐ um conjunto finito, onde ๐ é um espaço vetorial sobre um corpo ๐พ. Se
๐ต = ๐ e ๐ต é um conjunto de vetores linearmente independentes, então, dizemos que ๐ต é
uma base do espaço vetorial ๐.
Exemplo:
Vimos anteriormente que o conjunto dos pares ordenados de coordenadas reais โ2 é
um espaço vetorial sobre o corpo โ para as operações convencionais de soma e multiplicação
por escalar. Consideremos o conjunto ๐ต =
1,0 , 0,1
contido em โ2 . Observemos que
qualquer que seja o vetor ๐ฃ = ๐ฅ, ๐ฆ โ โ2 , vale que ๐ฃ = ๐ฅ, ๐ฆ = ๐ฅ, 0 + 0, ๐ฆ = ๐ฅ โ
1,0 + ๐ฆ โ 0,1 ,
que ๐ต = โ2 . Além disso, para ๐ผ, ๐ฝ โ โ, temos
assim, vemos
๐ผ โ 1,0 + ๐ฝ โ 0,1 = 0,0 โ ๐ผ, 0 + 0, ๐ฝ = 0,0 โ ๐ผ, ๐ฝ = 0,0 โ ๐ผ = 0 e ๐ฝ = 0, o
que acarreta que ๐ต é linearmente independente e portanto é uma base de โ2 .
Teorema 5.7: Seja ๐ um espaço vetorial sobre um corpo ๐พ. Se ๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , โฆ , ๐ข๐ são vetores
de ๐ e ๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , โฆ , ๐ข๐ = ๐, então existe ๐ต โ ๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , โฆ , ๐ข๐
tal que ๐ต é uma base de
๐.
Se ๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , โฆ , ๐ข๐
Demonstração:
๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , โฆ , ๐ข๐
são
linearmente
independentes,
então
๐ต=
é uma base de ๐ e não há nada o que demonstrar. Caso ๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , โฆ , ๐ข๐
sejam vetores linearmente dependentes, então, na combinação linear ๐ผ1 โ ๐ข1 + ๐ผ2 โ ๐ข2 + ๐ผ3 โ
๐ข3 + โฏ + ๐ผ๐ โ ๐ข๐ = ๐, ๐ผ๐ โ ๐พ, 1 โค ๐ โค ๐ existe pelo menos um coeficiente não nulo.
Suponhamos, sem perda de generalidade, que ๐ผ1 โ 0, então โdividimosโ a equação ๐ผ1 โ
๐ผ
๐ข1 = โ ๐ผ 2 โ ๐ข2 +
๐ข1 + ๐ผ2 โ ๐ข2 + ๐ผ3 โ ๐ข3 + โฏ + ๐ผ๐ โ ๐ข๐ = ๐ por ๐ผ1 , obtendo
๐ผ
๐ผ
๐ผ
โ ๐ผ 3 โ ๐ข3 + โ ๐ผ 4 โ ๐ข4 + โฏ + โ ๐ผ๐ โ ๐ข๐ , fazendo ๐ฝ๐ = โ
1
1
1
1
๐ผ ๐ +1
๐ผ1
, 1 โค ๐ โค ๐ โ 1, temos
93
๐ข1 = ๐ฝ1 โ ๐ข2 + ๐ฝ2 โ ๐ข3 + ๐ฝ3 โ ๐ข4 + โฏ + ๐ฝ๐โ1 โ ๐ข๐ , ou seja, ๐ข1 é combinação linear dos ๐ โ 1
vetores ๐ข2 , ๐ข3 , ๐ข4 , โฆ , ๐ข๐ , ou seja, ๐ข2 , ๐ข3 , ๐ข4 , โฆ , ๐ข๐ ainda geram ๐. Caso ๐ข2 , ๐ข3 , ๐ข4 , โฆ , ๐ข๐
forem linearmente independentes, então temos ๐ต = ๐ข2 , ๐ข3 , ๐ข4 , โฆ , ๐ข๐ uma base de ๐. Caso
๐ข2 , ๐ข3 , ๐ข4 , โฆ , ๐ข๐ forem linearmente dependentes, repetimos o processo anterior e encontramos
um vetor dentre os vetores ๐ข2 , ๐ข3 , ๐ข4 , โฆ , ๐ข๐ que é escrito como combinação linear dos outros
๐ โ 2 vetores e, portanto, os ๐ โ 2 vetores ainda geram ๐. Após uma quantidade finita de
repetições do processo descrito anteriormente teremos, dentre os ๐ข๐ โฒ๐ , um conjunto com
vetores linearmente independentes, constituindo assim, uma base ๐ต do espaço ๐.
Teorema 5.8: Seja ๐ uma espaço vetorial sobre um corpo ๐พ. Se ๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , โฆ , ๐ข๐ são vetores
de ๐ e ๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , โฆ , ๐ข๐ = ๐, então qualquer conjunto com mais de ๐ vetores é linearmente
dependente, ou seja, qualquer conjunto linearmente independente de vetores de ๐ tem no
máximo ๐ vetores.
Demonstração: Como ๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , โฆ , ๐ข๐ = ๐, pelo teorema 5.7, podemos extrair uma base
dentre os vetores ๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , โฆ , ๐ข๐ . Suponhamos que os vetores ๐ฅ1 , ๐ฅ2 , ๐ฅ3 , โฆ , ๐ฅ๐ก , com ๐ก โค ๐
formam essa base. Consideremos agora os vetores ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ de ๐, com ๐ > ๐.
Existem então escalares ๐ผ๐๐ โ ๐พ, com 1 โค ๐ โค ๐ e 1 โค ๐ โค ๐ tais que:
๐ฃ1 = ๐ผ11 โ ๐ฅ1 + ๐ผ12 โ ๐ฅ2 + โฏ ๐ผ1๐ก โ ๐ฅ๐ก
(I)
๐ฃ2 = ๐ผ21 โ ๐ฅ1 + ๐ผ22 โ ๐ฅ2 + โฏ ๐ผ2๐ก โ ๐ฅ๐ก
โฎ
โฎ
๐ฃ๐ = ๐ผ๐1 โ ๐ฅ1 + ๐ผ๐2 โ ๐ฅ2 + โฏ ๐ผ๐๐ก โ ๐ฅ๐ก
Consideremos agora uma combinação linear nula dos vetores ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ :
(II)
๐ฝ1 โ ๐ฃ1 + ๐ฝ2 โ ๐ฃ2 + โฏ + ๐ฝ๐ โ ๐ฃ๐ = ๐
Substituindo (I) em (II), temos:
๐ฝ1 โ ๐ผ11 โ ๐ฅ1 + ๐ผ12 โ ๐ฅ2 + โฏ ๐ผ1๐ก โ ๐ฅ๐ก + ๐ฝ2 โ ๐ผ21 โ ๐ฅ1 + ๐ผ22 โ ๐ฅ2 + โฏ ๐ผ2๐ก โ ๐ฅ๐ก + โฏ
โฆ + ๐ฝ๐ โ ๐ผ๐1 โ ๐ฅ1 + ๐ผ๐2 โ ๐ฅ2 + โฏ ๐ผ๐๐ก โ ๐ฅ๐ก = ๐
Reagrupando temos:
๐ผ11 โ ๐ฝ1 + ๐ผ21 โ ๐ฝ2 + โฏ + ๐ผ๐1 โ ๐ฝ๐ . ๐ฅ1 + ๐ผ12 โ ๐ฝ1 + ๐ผ22 โ ๐ฝ2 + โฏ + ๐ผ๐2 โ ๐ฝ๐ . ๐ฅ2 + โฏ
โฆ + ๐ผ1๐ก โ ๐ฝ1 + ๐ผ2๐ก โ ๐ฝ2 + โฏ + ๐ผ๐๐ก โ ๐ฝ๐ . ๐ฅ๐ก = ๐, mas, por hipótese, ๐ฅ1 , ๐ฅ2 , ๐ฅ3 , โฆ , ๐ฅ๐ก é uma
base e portanto, são vetores linearmente independentes, o que implica que temos:
๐ผ11 โ ๐ฝ1 + ๐ผ21 โ ๐ฝ2 + โฏ + ๐ผ๐1 โ ๐ฝ๐ = 0
๐ผ12 โ ๐ฝ1 + ๐ผ22 โ ๐ฝ2 + โฏ + ๐ผ๐2 โ ๐ฝ๐ = 0
โฎ
๐ผ1๐ก โ ๐ฝ1 + ๐ผ2๐ก โ ๐ฝ2 + โฏ + ๐ผ๐๐ก โ ๐ฝ๐ = 0
94
Que é um sistema linear homogêneo com ๐ก equações e ๐ incógnitas ๐ฝ1 , ๐ฝ2 , โฆ , ๐ฝ๐ . Como
๐ก โค ๐ < ๐, então esse sistema admite uma solução não trivial, ou seja, existe algum ๐ฝ๐ โ 0,
com 1 < ๐ < ๐, acarretando com isso que os vetores ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ são linearmente
independentes.
Teorema 5.9: Se ๐ um K-espaço vetorial finitamente gerado, então duas bases quaisquer de
๐ tem o mesmo número de vetores.
Demonstração: Sejam ๐ต1 = ๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , โฆ , ๐ข๐ e ๐ต2 = ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐
duas bases do
espaço vetorial ๐. Então, por definição, ๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , โฆ , ๐ข๐ são linearmente independentes e
geram ๐ e ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ são linearmente independentes e geram ๐. Como ๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , โฆ , ๐ข๐
geram ๐ e ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ são linearmente independentes, então, pelo teorema 5.8, temos
๐ โค ๐. Em contrapartida, como ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ geram ๐ e ๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , โฆ , ๐ข๐ são linearmente
independentes, então, pelo teorema 5.8, temos ๐ โค ๐. Essas duas desigualdades são possíveis
somente se ๐ = ๐ e, portanto, ๐ต1 e ๐ต2 possuem o mesmo número de vetores.
O teorema 5.9 permite-nos apresentar a seguinte definição:
Seja ๐ um espaço vetorial finitamente gerado, denominamos dimensão de ๐ e
representamos por dim ๐ o número de elementos de qualquer uma de suas bases. Neste caso,
dizemos que ๐ é um espaço de dimensão finita.
Exemplo: Vimos anteriormente que ๐ต =
1,0 , 0,1
é uma base de โ2 . Pelo
teorema 5.9, qualquer outra base de โ2 possuirá também dois vetores, o que, de acordo com o
que acabamos de definir, faz com que dim โ2 = 2.
O K-espaço vetorial ๐ธ = ๐ (contendo apenas o vetor nulo) tem dimensão zero, ou
seja, dim ๐ธ = 0, pois para todo ๐ผ โ ๐พ tem-se ๐ผ โ ๐ = ๐, o que implica que ๐ธ = โ
.
Teorema 5.10: Sendo ๐ um K-espaço vetorial de dimensão finita, qualquer conjunto de
vetores linearmente independentes de ๐ pode ser completado de modo a se obter uma base de
๐.
Demonstração: Consideremos dim ๐ = ๐ e sejam ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ก pertencentes a ๐ e
linearmente independentes. Pelo teorema 5.8, temos ๐ก โค ๐. Se ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ก = ๐, então
๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ก formam uma base e não a nada o que demonstrar. Caso ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ก โ
๐, então existe ๐ฃ๐ก+1 โ ๐ tal que ๐ฃ๐ก+1 โ ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ก , o que implica que ๐ฃ๐ก+1 não é
escrito como combinação linear dos vetores ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ก , logo ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ก , ๐ฃ๐ก+1 são
linearmente independentes e caso ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ก , ๐ฃ๐ก+1 = ๐, então ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ก , ๐ฃ๐ก+1
95
formam uma base de ๐, caso contrário, repetimos o processo por no máximo ๐ โ ๐ก vezes e
obtemos assim uma base para ๐.
5.6.4 Noções sobre transformação linear
Sejam ๐ e ๐ dois K-espaços vetoriais. Uma função ๐: ๐ โ ๐ é denominada uma
transformação linear de ๐ em ๐ quando para todo ๐ฃ1 , ๐ฃ2 โ ๐ e ๐ผ โ ๐พ, temos ๐ ๐ฃ1 + ๐ฃ2 =
๐ ๐ฃ1 + ๐(๐ฃ2 ) e ๐ ๐ผ. ๐ฃ1 = ๐ผ. ๐(๐ฃ1 ).
Exemplo:
Consideremos a função ๐: โ3 โ โ2 , definida por ๐ ๐ฅ, ๐ฆ, ๐ง = (3๐ฅ, 2๐ฅ โ ๐ฆ + 5๐ง).
Notemos que dados dois vetores ๐ฃ1 = (๐ฅ1 , ๐ฆ1 , ๐ง1 ) e ๐ฃ2 = (๐ฅ2 , ๐ฆ2 , ๐ง2 ) e ๐ผ โ โ, temos:
๐ ๐ฃ1 + ๐ฃ2 = ๐ ๐ฅ1 , ๐ฆ1 , ๐ง1 + ๐ฅ2 , ๐ฆ2 , ๐ง2
= ๐ ๐ฅ1 + ๐ฅ2 , ๐ฆ1 + ๐ฆ2 , ๐ง1 + ๐ง2 =
= 3 โ ๐ฅ1 + ๐ฅ2 , 2 โ ๐ฅ1 + ๐ฅ2 โ ๐ฆ1 + ๐ฆ2 + 5 โ ๐ง1 + ๐ง2
=
= 3 โ ๐ฅ1 + 3 โ ๐ฅ2 , 2 โ ๐ฅ1 + 2 โ ๐ฅ2 โ ๐ฆ1 โ ๐ฆ2 + 5 โ ๐ง1 + 5. ๐ง2 =
= ((3 โ ๐ฅ1 ) + (3 โ ๐ฅ2 ), (2 โ ๐ฅ1 โ ๐ฆ1 + 5 โ ๐ง1 ) + (2 โ ๐ฅ2 โ ๐ฆ2 + 5. ๐ง2 )) =
= 3 โ ๐ฅ1 , 2 โ ๐ฅ1 โ ๐ฆ1 + 5 โ ๐ง1 + 3 โ ๐ฅ2 , 2 โ ๐ฅ2 โ ๐ฆ2 + 5. ๐ง2 =
= ๐(๐ฅ1 , ๐ฆ1 , ๐ง1 ) + ๐ ๐ฅ2 , ๐ฆ2 , ๐ง2 = ๐(๐ฃ1 ) + ๐(๐ฃ2 )
E ๐ ๐ผ. ๐ฃ1 = ๐ ๐ผ. ๐ฅ1 , ๐ฆ1 , ๐ง1
= ๐ ๐ผ. ๐ฅ1 , ๐ผ. ๐ฆ1 , ๐ผ. ๐ง1 =
= 3๐ผ. ๐ฅ1 , 2๐ผ. ๐ฅ1 โ ๐ผ. ๐ฆ1 + 5 ๐ผ. ๐ง1 = ๐ผ. (3๐ฅ1 ), ๐ผ. (2๐ฅ1 โ ๐ฆ1 + 5๐ง1 ) =
= ๐ผ. 3๐ฅ1 , 2๐ฅ1 โ ๐ฆ1 + 5๐ง1 = ๐ผ. ๐ ๐ฅ1 , ๐ฆ1 , ๐ง1 = ๐ผ. ๐(๐ฃ1 )
Portanto, ๐ é uma transformação linear de โ3 em โ2 .
5.6.4.1 Núcleo e Imagem de uma Transformação Linear
Sejam ๐ e ๐ dois K-espaços vetoriais e ๐: ๐ โ ๐ uma transformação linear de ๐ em
๐. Denominamos núcleo da transformação linear ๐ e representamos por ๐พ๐๐ (๐) ao
seguinte subconjunto de ๐:
๐พ๐๐ ๐ = ๐ฃ โ ๐; ๐ ๐ฃ = 0
Exemplo: Considerando a transformação linear ๐: โ3 โ โ2 , definida por ๐ ๐ฅ, ๐ฆ, ๐ง =
(3๐ฅ, 2๐ฅ โ ๐ฆ + 5๐ง), para todo ๐ฅ, ๐ฆ, ๐ง โ ๐พ๐๐(๐), temos ๐ ๐ฅ, ๐ฆ, ๐ง = (0,0), o que implica que
3๐ฅ, 2๐ฅ โ ๐ฆ + 5๐ง = (0,0), ou seja, ๐ฅ = 0 e ๐ฆ = 5๐ง, portanto, ๐พ๐๐ ๐ =
0, 5๐ง, ๐ง ; ๐ง โ โ .
96
Teorema 5.11: Sejam ๐ e ๐ dois K-espaços vetoriais e ๐: ๐ โ ๐ uma transformação linear,
então ๐พ๐๐ (๐) é um subespaço vetorial de ๐.
Demonstração: Dados ๐ฃ1 , ๐ฃ2 โ ๐พ๐๐ (๐), por definição de núcleo, temos que ๐ ๐ฃ1 = 0 e
๐ ๐ฃ2 = 0. Sejam ๐ผ, ๐ฝ โ ๐พ, para que ๐พ๐๐ (๐) seja um subespaço vetorial de ๐ devemos
mostrar que ๐ผ๐ฃ1 + ๐ฝ๐ฃ2 โ ๐พ๐๐ (๐), ou seja, devemos ter ๐ ๐ผ๐ฃ1 + ๐ฝ๐ฃ2 = 0, o que é fácil de
comprovar, pois, como ๐ é linear, temos ๐ ๐ผ๐ฃ1 + ๐ฝ๐ฃ2 = ๐ ๐ผ๐ฃ1 + ๐ ๐ฝ๐ฃ2 = ๐ผ๐ ๐ฃ1 +
๐ฝ๐ ๐ฃ2 = ๐ผ. 0 + ๐ฝ. 0 = 0 = 0 = 0. Logo, ๐พ๐๐ (๐) é um subespaço vetorial de ๐.
Teorema 5.12: Sejam ๐ e ๐ dois K-espaços vetoriais e ๐: ๐ โ ๐ uma transformação linear,
então ๐ é injetiva se, e somente se, ๐พ๐๐ ๐ = 0 .
Demonstração:
(โน) Suponhamos que ๐ seja injetiva e seja ๐ฃ โ ๐พ๐๐ (๐), então temos ๐ ๐ฃ = 0. Mas, no
teorema 5.11 vimos que ๐พ๐๐ (๐) é um subespaço vetorial de ๐, então 0 โ ๐พ๐๐(๐), o que
implica que ๐ 0 = 0 e, portanto, ๐ ๐ฃ = ๐(0), mas, por hipótese ๐ é injetiva, o que acarreta
que ๐ฃ = 0 e, portanto, ๐พ๐๐ ๐ = 0 .
(โ) Suponhamos ๐ฃ1 , ๐ฃ2 โ ๐ e ๐พ๐๐ ๐ = 0 . Se ๐ ๐ฃ1 = ๐(๐ฃ2 ) então, subtraindo ๐(๐ฃ2 ) de
ambos os membros da igualdade, temos ๐ ๐ฃ1 โ ๐(๐ฃ2 ) = 0 e, como ๐ é linear, ๐(๐ฃ1 โ ๐ฃ2 ) =
0, ou seja, ๐ฃ1 โ ๐ฃ2 โ ๐พ๐๐ (๐), ou seja, ๐ฃ1 โ ๐ฃ2 = 0, o que implica que ๐ฃ1 = ๐ฃ2 ou seja, ๐ é
injetiva.
Dados ๐ e ๐ dois K-espaços vetoriais e ๐: ๐ โ ๐ uma transformação linear de ๐ em
๐. Denominamos imagem da transformação T e representamos por ๐ผ๐(๐) ao conjunto:
๐ผ๐ ๐ = ๐ ๐ฃ ; ๐ฃ โ ๐
A imagem de uma transformação linear ๐: ๐ โ ๐ é um subespaço vetorial de ๐, pois
dados ๐ค1 , ๐ค2 โ ๐ผ๐(๐) e ๐ผ, ๐ฝ โ ๐พ, existem ๐ฃ1 , ๐ฃ2 โ ๐ tais que ๐ค1 = ๐(๐ฃ1 ) e ๐ค2 = ๐(๐ฃ2 ),
assim:
๐ผ โ ๐ค1 + ๐ฝ โ ๐ค2 = ๐ผ โ ๐ ๐ฃ1 + ๐ฝ โ ๐ ๐ฃ2 = ๐ ๐ผ โ ๐ฃ1 + ๐ ๐ฝ โ ๐ฃ2 = ๐(๐ผ โ ๐ฃ1 + ๐ฝ โ ๐ฃ2 ) โ ๐ผ๐(๐)
Se ๐ผ๐ ๐ = ๐, então ๐ é sobrejetiva.
Teorema 5.13: Sejam ๐ e ๐ dois K-espaços vetoriais de dimensão finita e ๐: ๐ โ ๐ uma
transformação linear, então, dim ๐ = dim ๐พ๐๐(๐) + dim ๐ผ๐(๐).
Demonstração: Seja ๐ต1 = ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ก uma base de ๐พ๐๐(๐). De acordo com o teorema
5.10, essa base pode ser completada de modo a se obter uma base
๐ต2 =
97
๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ก , ๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , โฆ , ๐ข๐
๐ ๐ข1 , ๐ ๐ข2 , ๐ ๐ข3 , โฆ , ๐ ๐ข๐
do espaço vetorial ๐. Devemos demonstrar então que
é uma base de ๐ผ๐(๐):
Qualquer que seja ๐ค โ ๐ผ๐(๐), existe ๐ฃ โ ๐ tal que ๐ ๐ฃ = ๐ค. Como ๐ฃ โ ๐, então ๐ผ๐ , ๐ฝ๐ โ ๐พ,
1 โค ๐ โค ๐ก e 1 โค ๐ โค ๐ tal que ๐ฃ = ๐ผ1 โ ๐ฃ1 + ๐ผ2 โ ๐ฃ2 + โฏ + ๐ผ๐ก โ ๐ฃ๐ก + ๐ฝ1 โ ๐ข1 + ๐ฝ2 โ ๐ข2 + โฏ +
๐ฝ๐ โ ๐ข๐ , mas, ๐ค = ๐(๐ฃ), então, ๐ค = ๐(๐ผ1 โ ๐ฃ1 + ๐ผ2 โ ๐ฃ2 + โฏ + ๐ผ๐ก โ ๐ฃ๐ก + ๐ฝ1 โ ๐ข1 + ๐ฝ2 โ ๐ข2 +
โฏ + ๐ฝ๐ โ ๐ข๐ )
๐ค = ๐ผ1 ๐(๐ฃ1 ) + ๐ผ2 ๐(๐ฃ2 ) + โฏ + ๐ผ๐ก ๐(๐ฃ๐ก ) + ๐ฝ1 ๐(๐ข1 ) + ๐ฝ2 ๐(๐ข2 ) + โฏ +
e,
๐ฝ๐ ๐(๐ข๐ ). Como ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ก pertencem a ๐พ๐๐(๐), então ๐(๐ฃ1 ) = ๐ ๐ฃ2 = ๐ ๐ฃ3 =
โฏ = ๐ ๐ฃ๐ก = 0,
logo
๐ค = ๐ฝ1 ๐(๐ข1 ) + ๐ฝ2 ๐(๐ข2 ) + โฏ + ๐ฝ๐ ๐(๐ข๐ ),
ou
๐ ๐ข1 ,
seja
๐ ๐ข2 , ๐ ๐ข3 , โฆ , ๐(๐ข๐ ) = ๐ผ๐(๐). Por outro lado, considerando a combinação linear
๐ฝ1 ๐ ๐ข1 + ๐ฝ2 ๐ ๐ข2 + ๐ฝ3 ๐ ๐ข3 + โฏ + ๐ฝ๐ ๐ ๐ข๐ = 0 como ๐ é uma transformação linear,
então temos ๐(๐ฝ1 โ ๐ข1 + ๐ฝ2 โ ๐ข2 + ๐ฝ3 โ ๐ข3 + โฏ + ๐ฝ๐ โ ๐ข๐ ) = 0, o que implica que ๐ฝ1 โ ๐ข1 +
๐ฝ2 โ ๐ข2 + ๐ฝ3 โ ๐ข3 + โฏ + ๐ฝ๐ โ ๐ข๐ โ ๐พ๐๐(๐) e, portanto, pode ser escrito como combinação
linear dos vetores da ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ก que constituem uma base de ๐พ๐๐(๐), ou seja, existem
escalares ๐พ1 , ๐พ2 , ๐พ3 , โฆ , ๐พ๐ก
tais que ๐ฝ1 โ ๐ข1 + ๐ฝ2 โ ๐ข2 + ๐ฝ3 โ ๐ข3 + โฏ + ๐ฝ๐ โ ๐ข๐ = ๐พ1 . ๐ฃ1 +
๐พ2 . ๐ฃ2 + ๐พ3 . ๐ฃ3 + โฏ + ๐พ๐ก . ๐ฃ๐ก , ou seja, ๐ฝ1 โ ๐ข1 + ๐ฝ2 โ ๐ข2 + ๐ฝ3 โ ๐ข3 + โฏ + ๐ฝ๐ โ ๐ข๐ โ ๐พ1 . ๐ฃ1 โ
๐พ2 . ๐ฃ2 โ ๐พ3 . ๐ฃ3 โ โฏ โ ๐พ๐ก . ๐ฃ๐ก = 0, porém ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ก , ๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , โฆ , ๐ข๐ é uma base de ๐,
logo ๐ฝ1 = ๐ฝ2 = ๐ฝ3 = โฏ = ๐ฝ๐ = ๐พ1 = ๐พ2 = ๐พ3 = โฏ ๐พ๐ก = 0. Como ๐ฝ1 = ๐ฝ2 = ๐ฝ3 = โฏ =
๐ฝ๐ = 0, então ๐ ๐ข1 , ๐ ๐ข2 , ๐ ๐ข3 , โฆ , ๐(๐ข๐ ) são linearmente independentes, e portanto
formam uma base para ๐ผ๐(๐). Como uma base de ๐ tem ๐ก + ๐ elementos e, portanto
dim ๐ = ๐ก + ๐, sendo dim ๐พ๐๐ ๐ = ๐ก, acabamos de verificar que dim ๐ผ๐ ๐ = ๐. Logo,
dim ๐ = dim ๐พ๐๐ ๐ + dim ๐ผ๐(๐).
Teorema 5.14: Sejam ๐ e ๐ dois K-espaços vetoriais de dimensão finita e ๐: ๐ โ ๐ uma
transformação linear injetiva. Se dim ๐ = dim ๐ então ๐ transforma uma base qualquer de ๐
em uma base de ๐.
Demonstração: Consideremos que dim ๐ = dim ๐ = ๐ e ๐ต = ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ seja uma
das
bases
de
๐.
Mostraremos
que
o
conjunto
๐โ๐
tal
que
๐ = ๐(๐ฃ1 ), ๐(๐ฃ2 ), ๐(๐ฃ3 ), โฆ , ๐(๐ฃ๐ ) é linearmente independente e tem uma quantidade ๐ de
vetores, e, portanto, é uma das bases de ๐: Como ๐ é injetiva, então ๐(๐ฃ1 ) โ ๐(๐ฃ2 ) โ
๐(๐ฃ3 ) โ โฏ โ ๐(๐ฃ๐ ), ou seja, ๐ possui exatamente ๐ vetores. Sejam ๐ผ1 , ๐ผ2 , ๐ผ3 , โฆ , ๐ผ๐
escalares do corpo ๐พ, tais que ๐ผ1 โ ๐(๐ฃ1 ) + ๐ผ2 โ ๐(๐ฃ2 ) + ๐ผ3 โ ๐ ๐ฃ3 + โฏ + ๐ผ๐ โ ๐(๐ฃ๐ ) = 0,
como ๐ é linear, então ๐ ๐ผ1 โ ๐ฃ1 + ๐ผ2 โ ๐ฃ2 + ๐ผ3 โ ๐ฃ3 + โฏ + ๐ผ๐ โ ๐ฃ๐ = 0, o que implica que
๐ผ1 โ ๐ฃ1 + ๐ผ2 โ ๐ฃ2 + ๐ผ3 โ ๐ฃ3 + โฏ + ๐ผ๐ โ ๐ฃ๐ = 0,
mas
๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐
são
linearmente
98
independentes,
portanto,
๐ผ1 = ๐ผ2 = ๐ผ3 = โฏ = ๐ผ๐ = 0,
o
que
implica
que
๐ = ๐(๐ฃ1 ), ๐(๐ฃ2 ), ๐(๐ฃ3 ), โฆ , ๐(๐ฃ๐ ) é um conjunto de ๐ vetores linearmente independentes, e
portanto, uma base de ๐.
5.6.5 Noções sobre produto interno
Definição: Considerando ๐ um espaço vetorial finitamente gerado sobre um corpo ๐พ,
denominamos produto interno sobre ๐ à função que transforma cada par de vetores ๐ข, ๐ฃ โ
๐ × ๐ em um escalar ๐ โ ๐พ, o qual representaremos por
๐ข, ๐ฃ , com as seguintes
propriedades:
โ๐ข, ๐ฃ, ๐ค โ ๐ e ๐ผ โ ๐พ, temos:
I)
๐ข + ๐ฃ, ๐ค = ๐ข, ๐ค + ๐ฃ, ๐ค
II) ๐ผ โ ๐ข, ๐ฃ = ๐ผ. ๐ข, ๐ฃ
III) ๐ข, ๐ฃ = ๐ฃ, ๐ข
IV) ๐ข, ๐ข > 0๐ , para todo ๐ข โ 0๐ฃ , onde 0๐ representa o elemento neutro da adição no
corpo ๐พ e 0๐ฃ representa o vetor nulo no espaço ๐.
Exemplo: Consideremos o espaço vetorial โ3 sobre o corpo โ. Dados ๐ข, ๐ฃ, ๐ค โ โ3 , e
๐ผ โ โ, a operação
๐ข, ๐ฃ =
๐ฅ1 , ๐ฆ1 , ๐ง1 โ ๐ฅ2 , ๐ฆ2 , ๐ง2
= ๐ฅ1 โ ๐ฅ2 + ๐ฆ1 โ ๐ฆ2 + ๐ง1 โ ๐ง2 é um
produto interno sobre ๐. Verifiquemos:
I)
๐ข + ๐ฃ, ๐ค =
=
๐ฅ1 , ๐ฆ1 , ๐ง1 + ๐ฅ2 , ๐ฆ2 , ๐ง2 , ๐ฅ3 , ๐ฆ3 , ๐ง3
๐ฅ1 + ๐ฅ2 , ๐ฆ1 + ๐ฆ2 , ๐ง1 + ๐ง2 , ๐ฅ3 , ๐ฆ3 , ๐ง3
=
=
= ๐ฅ1 + ๐ฅ2 . ๐ฅ3 + ๐ฆ1 + ๐ฆ2 โ ๐ฆ3 + ๐ง1 + ๐ง2 โ ๐ง3 =
= ๐ฅ1 โ ๐ฅ3 + ๐ฅ2 โ ๐ฅ3 + ๐ฆ1 โ ๐ฆ3 + ๐ฆ2 โ ๐ฆ3 + ๐ง1 โ ๐ง3 + ๐ง2 โ ๐ง3 =
= ๐ฅ1 โ ๐ฅ3 + ๐ฆ1 โ ๐ฆ3 + ๐ง1 โ ๐ง3 + ๐ฅ2 โ ๐ฅ3 + ๐ฆ2 โ ๐ฆ3 + ๐ง2 โ ๐ง3 =
=
๐ฅ1 , ๐ฆ1 , ๐ง1 , ๐ฅ3 , ๐ฆ3 , ๐ง3
+
๐ฅ2 , ๐ฆ2 , ๐ง2 , ๐ฅ3 , ๐ฆ3 , ๐ง3
II) ๐ผ โ ๐ข, ๐ฃ = ๐ผ โ ๐ฅ1 , ๐ฆ1 , ๐ง1 , ๐ฅ2 , ๐ฆ2 , ๐ง2
=
= ๐ข, ๐ค + ๐ฃ, ๐ค
๐ผ โ ๐ฅ1 , ๐ผ โ ๐ฆ1 , ๐ผ โ ๐ง1 , ๐ฅ2 , ๐ฆ2 , ๐ง2
=
= ๐ผ โ ๐ฅ1 โ ๐ฅ2 + ๐ผ โ ๐ฆ1 โ ๐ฆ2 + ๐ผ โ ๐ง1 โ ๐ง2 =
= ๐ผ โ ๐ฅ1 โ ๐ฅ2 + ๐ผ โ ๐ฆ1 โ ๐ฆ2 + ๐ผ โ ๐ง1 โ ๐ง2 = ๐ผ โ ๐ฅ1 โ ๐ฅ2 + ๐ฆ1 โ ๐ฆ2 + ๐ง1 โ ๐ง2 =
=๐ผโ
๐ฅ1 , ๐ฆ1 , ๐ง1 , ๐ฅ2 , ๐ฆ2 , ๐ง2
III) ๐ข, ๐ฃ =
= ๐ผ โ ๐ข, ๐ฃ
๐ฅ1 , ๐ฆ1 , ๐ง1 , ๐ฅ2 , ๐ฆ2 , ๐ง2
= ๐ฅ2 โ ๐ฅ1 + ๐ฆ2 โ ๐ฆ1 + ๐ง2 โ ๐ง1 =
= ๐ฅ1 โ ๐ฅ2 + ๐ฆ1 โ ๐ฆ2 + ๐ง1 โ ๐ง2 =
๐ฅ2 , ๐ฆ2 , ๐ง2 , ๐ฅ1 , ๐ฆ1 , ๐ง1
= ๐ฃ, ๐ข
IV) Se ๐ข โ 0,0,0 , então, temos ๐ฅ1 โ 0 ou ๐ฆ1 โ 0 ou ๐ง1 โ 0, assim, temos ๐ข, ๐ข =
๐ฅ1 , ๐ฆ1 , ๐ง1 , ๐ฅ1 , ๐ฆ1 , ๐ง1
= ๐ฅ1 โ ๐ฅ1 + ๐ฆ1 โ ๐ฆ1 + ๐ง1 โ ๐ง1 = ๐ฅ12 + ๐ฆ12 + ๐ง12 > 0.
99
6
CÓDIGOS CORRETORES DE ERROS
O avanço rápido da tecnologia está presente no nosso cotidiano. Dispomos hoje de
grande facilidade em armazenar dados ou nos comunicar de maneira prática e rápida
utilizando aparelhos eletrônicos como celulares, tablets, microcomputadores, além dos meios
de comunicação convencionais tais como televisão, rádio etc., que geram ao mesmo tempo
eficiência, conforto e lazer para nós usuários. No entanto passam despercebidos à maioria dos
usuários todo um contexto matemático utilizado e necessário para o funcionamento desses
aparelhos. Embora não utilizemos matemática de maneira direta ao, por exemplo, enviarmos
uma mensagem via celular, de maneira indireta isso só é possível por meio da utilização
indireta da matemática.
Um aspecto importante no envio ou armazenamento de informações consiste na
incerteza em saber se a informação por nós enviada através de um dispositivo eletrônico de
comunicação será recebida tal qual enviamos ou se um dado hoje armazenado será acessado
amanhã com o mesmo grau de fidedignidade. Informações enviadas ou armazenadas serão
passíveis de erros? Caso haja um erro na transmissão de uma informação ou no
armazenamento da mesma, serão possíveis as detecções e correções? Pensando nessas
questões, abordaremos a seguir a teoria dos Códigos Corretores de Erros.
A teoria dos códigos foi criada pelo matemático americano Claude Elwood Shannon,
no laboratório Bell, e foi apresentada de um trabalho publicado no ano de 1948. Nas décadas
de 50 e 60 vários matemáticos que se interessaram pelo assunto, contribuíram de forma
considerável com o desenvolvimento dessa teoria. A partir da década de 70, profissionais
engenheiros passaram a ter interesse pela teoria em virtude das pesquisas espaciais,
telecomunicações e o uso difundido de computadores. Nos dias atuais, qualquer aparelho que
seja utilizado para a transmissão ou armazenamento de dados, faz uso dessa teoria, portanto, a
teoria dos códigos está a cada dia mais presente em nossas vidas.
6.1
O QUE É UM CÓDIGO?
Podemos citar como exemplo de um código o idioma que usamos. Consideremos um
alfabeto
formado
por
38
caracteres,
sendo
37
deles
os
caracteres
a
seguir:
100
๐, ๐, ๐, ๐, ๐, ๐, ๐, ๐, ๐, ๐, ๐, ๐, ๐, ๐, ๐, ๐, ๐, ๐, ๐ , ๐ก, ๐ข, ๐ฃ, ๐ค, ๐ฅ, ๐ฆ, ๐ง, á, à, â, ã, é, ê, í, ó, ô, õ, ú
e mais
um caractere correspondendo ao espaço entre palavras. Denominaremos esse alfabeto de ๐.
Consideremos
que
a
maior
palavra
desse
alfabeto
seja
โpneumoultramicroscopicossilicovulcanoconióticoโ6. Percebe-se que ๐ possui 38 elementos
(caracteres) e sua maior palavra possui 46 caracteres. Podemos fazer com que cada palavra de
๐ possua exatamente o mesmo número de caracteres da sua maior palavra, ou seja, por meio
do acréscimo de espaços no fim de cada palavra de ๐, fazemos com que todas elas possuam
exatamente 46 caracteres. Definimos assim um código como sendo um conjunto ๐ถ โ ๐46 de
todas as palavras existentes no nosso idioma. Notemos, porém que o código ๐ถ não é eficiente
para detectar e corrigir erros, por exemplo, se transmitíssemos a palavra โtelefoneโ e
ocorresse um erro na transmissão, de modo que a palavra recebida fosse โbelefoneโ, o código
๐ถ detectaria que houve um erro, pois belefone não pertence ao conjunto ๐ถ. Uma vez detectado
o erro, seria fácil corrigi-lo, pois a palavra pertencente a ๐ถ que mais se aproxima de belefone é
telefone. Sendo assim, saberíamos que a palavra transmitida, na realidade havia sido telefone.
Em contrapartida, se a palavra transmitida fosse โbolaโ e por ventura ocorresse um erro na
transmissão, de modo que a palavra recebida fosse โwolaโ, o erro seria detectado, pois wola
não é uma palavra pertencente a ๐ถ, porém, a correção seria impossível, uma vez que em ๐ถ
existem várias palavras que igualmente se aproximam de wola, por exemplo bola, cola, mola,
sola e gola. Em uma terceira hipótese, se a palavra transmitida fosse โcanecaโ e ocorresse um
erro na transmissão, de modo que a palavra recebida fosse โcanelaโ, o código ๐ถ nem
detectaria o erro, pois a palavra canela também pertence a ๐ถ.
Para exemplificar os princípios da teoria dos códigos, analisemos o seguinte caso:
Suponhamos que o braço mecânico de base fixa da figura 2, através de comandos
digitais, possibilite quatro movimentos básicos: para cima, para baixo, para a direita e para
a esquerda:
Figura 2: Braço mecânico
Fonte: <http://thing-better.blogspot.com.br/2013/04/o-que-e-robotica_6379.html>
6
Doença pulmonar causada pela inalação de cinzas de origem vulcânica.
101
Aos comandos acima denominaremos โfonteโ.
Os circuitos digitais (ou circuitos lógicos) baseiam seu funcionamento na lógica
binária, ou seja, cada informação deve ser expressa utilizando-se de dois dígitos, a saber, 0 e
1. Como temos dois dígitos disponíveis para expressar os comandos e dispomos de quatro
comandos básicos para o braço mecânico, considerando o conjunto ๐น = 0,1 , podemos
codificar os quatro comandos como elementos de ๐น 2 = ๐น × ๐น =
0,0 , 0,1 , 1,0 , 1,1 }.
Por simplicidade de notação, consideraremos cada par ๐, ๐ โ ๐น 2 simplesmente como ๐๐ e a
cada um dos quatro comandos 00, 01, 10 e 11 denominaremos โcódigo da fonteโ. Por
exemplo:
Fonte
Código da fonte
Para a esquerda:
00
Para a direita:
01
Para cima:
10
Para baixo:
11
Imaginemos agora que os comandos (mensagens) sejam transmitidos ao braço
mecânico via sinais de rádio frequência, através de um controle remoto por exemplo.
Suponhamos que seja dado ao braço mecânico o comando โpara a esquerdaโ, o que será
convertido para o código de fonte 00 e enviado ao braço mecânico, indicando para que ele se
mova para a esquerda. Suponhamos ainda que a transmissão do sinal, por alguma
interferência externa, sofra um erro e chegue até o braço mecânico como 10, o que acarreta
que o braço em vez de mover-se para a esquerda, fosse movido para cima. Observemos que o
circuito digital do braço mecânico seria incapaz de detectar o erro, pois 10 é um comando
existente em seu banco de dados.
Diante de uma situação como a descrita acima, o que fazemos é inserir redundâncias,
através do acréscimo de dígitos nos códigos da fonte, de modo que se possa detectar e corrigir
possíveis erros de transmissão, dando origem a um novo código ao qual denominamos de
โcódigo de canalโ:
Fonte
Código da fonte
Código de canal
Para a esquerda:
00
00000
Para a direita:
01
01011
Para cima:
10
10110
Para baixo:
11
11101
102
Nesta nova codificação, as duas primeiras posições representam o código da fonte
enquanto as três últimas posições são as redundâncias inseridas.
Façamos a seguir uma nova análise:
Suponhamos que seja dado ao braço mecânico o comando โpara a direitaโ, o que será
convertido para o código da fonte 01 e em seguida acrescido de redundâncias será convertido
para o código de canal 01011 e enviado ao braço mecânico, indicando para que ele se mova
para a direita. Suponhamos ainda que a transmissão do sinal, por alguma interferência
externa, sofra um erro e chegue até o braço mecânico como 01010. Notemos que esse
comando não existe em banco de dados e isso acarretaria a identificação de um erro pelo
circuito digital do braço mecânico. Consultando seu banco de dados, o comando que mais se
aproxima de 01010 é 01011 e, portanto, o circuito digital faria a correção, interpretando o
comando recebido como 01011 e movendo o braço mecânico para a direita.
Vejamos em diagrama de blocos a seguir, todas as etapas desde o comando dado até a
chegada da mensagem transmitida:
Fonte
โถ
Codificador
da fonte
โถ
Codificador
de canal
โ
Canal
โ
Decodificador
de canal
โถ
Decodificador
da fonte
โถ
Usuário
O estudo da teoria dos códigos apresentado nesse trabalho, objetivará a transformação
de códigos da fonte em códigos de canal, as detecções e correções de possíveis erros
ocorridos durante o processo de transmissão e a decodificação de códigos de canal em
códigos da fonte. Consideraremos nesse estudo apenas canais simétricos, canais estes que
possuem as seguintes características:
- Todos os caracteres transmitidos tem a mesma probabilidade (ínfima) de serem recebidos
errados;
- Se um caractere é recebido errado, a probabilidade de ele ser qualquer um dos outros
caracteres disponíveis é a mesma.
103
6.2
MÉTRICA DE HAMMING
Primeiramente entendamos o que é uma métrica.
Uma métrica é uma generalização do conceito geométrico de distância. Dizemos que,
dado um conjunto ๐, uma métrica em ๐ é uma função ๐: ๐ × ๐ โ โ que a cada ๐ฅ, ๐ฆ โ
๐ × ๐ faz corresponder o elemento ๐ ๐ฅ, ๐ฆ โ โ, denominado a distância de ๐ฅ a ๐ฆ, tal que
para todo ๐ฅ, ๐ฆ, ๐ง โ ๐, temos:
๏ท
๐ ๐ฅ, ๐ฆ โฅ 0, valendo a igualdade quando ๐ฅ = ๐ฆ
๏ท
๐ ๐ฅ, ๐ฆ = ๐(๐ฆ, ๐ฅ) (simetria)
๏ท
๐ ๐ฅ, ๐ง โค ๐ ๐ฅ, ๐ฆ + ๐(๐ฆ, ๐ง) (desigualdade triangular)
Dado um conjunto ๐ด, finito, ao qual denominaremos de alfabeto. Representaremos o
número de elementos de ๐ด por ๐ด = ๐. Definimos um código corretor de erros como sendo
um subconjunto próprio qualquer de ๐ด๐ , com ๐ โ โ. Dados ๐ข, ๐ฃ โ ๐ด๐ , denominamos de
โdistância de Hammingโ ao valor ๐ ๐ข, ๐ฃ = ๐, ๐ข๐ โ ๐ฃ๐ , 1 โค ๐ โค ๐
.
Vejamos um exemplo:
Sendo ๐ด = 0,1 , para ๐ = 4, temos ๐ด4 = 16 e 0000, 0001, 1010,1011, 1111 โ
๐ด4 . Assim:
๐ 1010,1011 = 1
๐ 0001,1011 = 2
๐ 0001,1111 = 3
๐ 0000, 1111 = 4
Consideremos, de maneira geral, os elementos ๐ข, ๐ฃ, ๐ค โ ๐ด๐ , tais que ๐ข =
๐ข1 ๐ข2 ๐ข3 โฆ ๐ข๐ , ๐ฃ = ๐ฃ1 ๐ฃ2 ๐ฃ3 โฆ ๐ฃ๐ e ๐ค = ๐ค1 ๐ค2 ๐ค3 โฆ ๐ค๐ . Como ๐ข๐ , ๐ฃ๐ โ 0,1 para todo ๐ โ
1, 2, โฆ , ๐ , se tivermos ๐ข๐ = ๐ฃ๐ , então ๐ ๐ข, ๐ฃ = 0, caso existam ๐ índices ๐ para os quais
๐ข๐ โ ๐ฃ๐ então, por definição, ๐ ๐ข, ๐ฃ = ๐ > 0, logo, deduzimos que ๐ ๐ข, ๐ฃ โฅ 0. Por outro
lado, se tivermos ๐ข๐ = ๐ฃ๐ para todo ๐ โ 1, 2, โฆ , ๐ , então ๐ข = ๐ฃ, o que implica que ๐ ๐ข, ๐ฃ =
0 e ๐ ๐ฃ, ๐ข = 0, acarretando que ๐ ๐ข, ๐ฃ = ๐ ๐ฃ, ๐ข . Caso existam ๐ índices ๐ para os quais
๐ข๐ โ ๐ฃ๐ então, por definição, ๐ ๐ข, ๐ฃ = ๐ e ๐ ๐ฃ, ๐ข = ๐, implicando que ๐ ๐ข, ๐ฃ = ๐ ๐ฃ, ๐ข .
Para cada índice ๐, a contribuição para a distância ๐(๐ข, ๐ฃ), das ๐ โ é๐ ๐๐๐๐
coordenadas de ๐ข e ๐ฃ é igual a 0 ou 1, respectivamente se ๐ข๐ = ๐ฃ๐ ou ๐ข๐ โ ๐ฃ๐ . De maneira
análoga a contribuição para a distância ๐(๐ฃ, ๐ค), das ๐ โ é๐ ๐๐๐๐ coordenadas de ๐ฃ e ๐ค é
igual a 0 ou 1, respectivamente se ๐ฃ๐ = ๐ค๐ ou ๐ฃ๐ โ ๐ค๐ e a contribuição para a distância
๐(๐ข, ๐ค), das ๐ โ é๐ ๐๐๐๐ coordenadas de ๐ข e ๐ค é igual a 0 ou 1, respectivamente se ๐ข๐ = ๐ค๐
104
ou ๐ข๐ โ ๐ค๐ . Considerando que a contribuição para a distância ๐(๐ข, ๐ค), das ๐ โ é๐ ๐๐๐๐
coordenadas de ๐ข e ๐ค seja 0, ou seja, ๐ข๐ = ๐ค๐ , então temos ๐ ๐ข, ๐ค โค ๐ ๐ข, ๐ฃ + ๐(๐ฃ, ๐ค),
pois a contribuição das ๐ โ é๐ ๐๐๐๐ coordenadas de ๐ข๐ e ๐ฃ๐ e ๐ฃ๐ e ๐ค๐ em ๐ ๐ข, ๐ฃ + ๐(๐ฃ, ๐ค) é
igual a 0, 1 ou 2. Caso consideremos ๐ข๐ โ ๐ค๐ , então não se tem ๐ข๐ = ๐ฃ๐ e ๐ฃ๐ = ๐ค๐ , pois seria
contrário a hipótese, assim, temos que a contribuição das ๐ โ é๐ ๐๐๐๐ coordenadas de ๐ข๐ e ๐ฃ๐
e ๐ฃ๐ e ๐ค๐ em ๐ ๐ข, ๐ฃ + ๐(๐ฃ, ๐ค) é maior ou igual a 1, que, por hipótese, é a contribuição das
๐ โ é๐ ๐๐๐๐ coordenadas de ๐ข๐ e ๐ค๐ em ๐ ๐ข, ๐ค . Portanto, temos sempre ๐ ๐ข, ๐ค โค ๐ ๐ข, ๐ฃ +
๐(๐ฃ, ๐ค).
Concluímos com isso que a distância de Hamming entre os elementos de ๐ด๐ cumpre
as três condições necessárias para classificá-la como uma métrica, portanto, a partir desse
momento a denominaremos de métrica de Hamming.
6.2.1 Disco e esfera de centro c e raio r
Consideremos um elemento ๐ โ ๐ด๐ e ๐ โ โ, tal que ๐ โฅ 0.
Dizemos que um disco de centro ๐ e raio ๐ é um conjunto ๐ท ๐, ๐ = ๐ข โ
๐ด๐ ; ๐(๐ข, ๐) โค ๐ . De maneira análoga, definimos uma esfera de centro ๐ e raio ๐ como um
conjunto ๐ ๐, ๐ = ๐ข โ ๐ด๐ ; ๐ ๐ข, ๐ = ๐ .
Discos e esferas são conjuntos finitos como veremos a seguir:
Sendo ๐ด = ๐ o número de elementos do alfabeto ๐ด e ๐ข โ ๐ด uma palavra desse
alfabeto, em cada coordenada de ๐ข temos ๐ โ 1 elementos de ๐ด๐ distintos, que podem variar
nas ๐ coordenadas de ๐ข, obtendo com isso ๐ โ 1 ๐ . Como ๐ข tem tamanho ๐ e as ๐ entradas
๐
distintas podem percorrer qualquer coordenada de ๐ข, temos então a combinação
. Se
๐
๐ ๐, ๐ representa o número de elementos da esfera ๐ de centro ๐ e raio ๐, então ๐ ๐, ๐ =
๐
. ๐ โ 1 ๐ , o que nos mostra que ๐ ๐, ๐ possui um número finito de elementos. Notemos
๐
ainda que ๐ ๐, ๐ โฉ ๐ ๐, ๐ = โ
quando ๐ โ ๐ e que
๐
๐=0 ๐
๐, ๐ = ๐ท ๐, ๐ , portanto, o número
de elementos do conjunto ๐ท ๐, ๐ , representado por ๐ท ๐, ๐ , também é finito, pois
๐
๐ท ๐, ๐ = ๐๐=0 ๐(๐, ๐) = ๐๐=0 ๐(๐, ๐) = ๐๐=0
. ๐ โ 1 ๐.
๐
Vejamos um exemplo:
Consideremos o alfabeto ๐ด = 0,1 , portanto
๐ด = ๐ = 2. Para ๐ = 3, temos
๐ด3 = 000, 001, 010, 011, 100, 101, 110, 111 . Consideremos ๐ = 010 โ ๐ด3 e ๐ = 2. Temos
105
então
o
conjunto
๐ ๐, ๐ = ๐ 010, 2 = 001, 100,111
000, 001, 010, 011, 100,110, 111 . Notemos que ๐ 010, 2
que ๐ท 010, 2
=
3
๐=0
๐ท ๐, ๐ = ๐ท 010, 2 =
e
=
3
. (2 โ 1)2 = 3.1 = 3 e
2
3
3
3
3
. (2 โ 1)๐ =
. 10 +
. 11 +
. 12 = 1 + 3 + 3 = 7 .
๐
0
1
2
6.2.2 Distância mínima de um código
Dado um código ๐ถ, definimos sua distância mínima como sendo um número ๐, tal que
๐ = ๐๐๐ ๐ ๐ข, ๐ฃ ; ๐ข, ๐ฃ โ ๐ถ ๐ ๐ข โ ๐ฃ .
No exemplo do braço mecânico, tínhamos o alfabeto ๐น = 0,1 , do qual obtivemos o
código de fonte ๐น 2 = 00, 01, 10, 11 e, através do acréscimo de redundâncias, obtivemos o
código ๐ถ โ ๐น 5 tal que ๐ถ = ๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , ๐ข4 = 00000, 01011, 10110, 11101 . Notemos que
๐ ๐ข1 , ๐ข2 = 3, ๐ ๐ข1 , ๐ข3 = 3, ๐ ๐ข1 , ๐ข4 = 4, ๐ ๐ข2 , ๐ข3 = 4, ๐ ๐ข2 , ๐ข4 = 3 e ๐ ๐ข3 , ๐ข4 = 3,
portanto, ๐ = ๐๐๐ ๐ ๐ข, ๐ฃ ; ๐ข, ๐ฃ โ ๐ถ ๐ ๐ข โ ๐ฃ = ๐๐๐ 3, 4 = 3.
Percebe-se que para determinarmos ๐ no exemplo dado, foram necessários os cálculos
de seis distâncias e que à medida que ๐ถ possua um número maior de palavras, mais cálculos
de distâncias serão necessários para a determinação de ๐. De maneira geral, para o cálculo de
๐ são necessários os cálculos de
๐ถ
2
do conjunto ๐ถ. Porém, o cálculo de
distâncias, onde ๐ถ representa o número de elementos
๐ถ
2
demanda um custo computacional exagerado, o que
inviabiliza esse método e, para tanto, veremos mais adiante outras maneiras para se encontrar
๐ com um esforço computacional minimizado.
Considerando ๐ถ um código de distância mínima ๐, definimos ๐
=
representa a parte inteira do número real
๐โ1
2
๐โ1
2
, onde
๐โ1
2
.
Teorema 6.1: Considerando ๐ถ um código de distância mínima ๐. Se ๐,๐โฒ โ ๐ถ e ๐ โ ๐โฒ, então
๐ท ๐, ๐
โ๐ท ๐ โฒ , ๐
= โ
.
Demonstração:
Suponhamos
que
๐ท ๐, ๐
โ๐ท ๐ โฒ , ๐
โ โ
,
ou
seja,
existe
๐ข โ ๐ท ๐, ๐
โ๐ท ๐ โฒ , ๐
, então temos que ๐(๐ข, ๐) โค ๐
e ๐(๐ข, ๐โฒ) โค ๐
, mas pela métrica de
Hamming, temos ๐ ๐ข, ๐ = ๐(๐, ๐ข) e ๐ ๐, ๐ โฒ โค ๐ ๐, ๐ข + ๐(๐ข, ๐ โฒ ), o que implica que
๐ ๐, ๐ โฒ โค ๐
+ ๐
= 2๐
โค ๐ โ 1, o que contradiz a hipótese, pois ๐ é a distância mínima, ou
seja, ๐ ๐, ๐ โฒ โฅ ๐. Portanto se ๐,๐โฒ โ ๐ถ e ๐ โ ๐โฒ, então ๐ท ๐, ๐
โ๐ท ๐ โฒ , ๐
= โ
.
106
6.2.3 Número de detecções e número de correções de erros
A distância mínima ๐ de um código ๐ถ tem grande relevância nos processos de
detecção e correção de erros.
Teorema 6.2: Considere um código ๐ถ com distância mínima ๐. ๐ถ pode detectar até ๐ โ 1
erros.
Demonstração: Sendo ๐ a distância mínima de um código ๐ถ, sabemos que dada uma palavra
๐ โ ๐ถ, qualquer outra palavra ๐โฒ do código ๐ถ está a uma distância no mínimo igual a ๐ da
palavra ๐. Isso significa que podemos introduzir em uma palavra qualquer de ๐ถ até ๐ โ 1
erros sem encontrar outra palavra de ๐ถ, tornando possível a detecção do erro.
Teorema 6.3: Consideremos um código ๐ถ com distância mínima ๐. O código ๐ถ pode corrigir
até ๐
=
๐โ1
2
erros.
Demonstração: Suponhamos que uma palavra ๐ โ ๐ถ sofra ๐ก erros, com ๐ก โค ๐
, ao ser
transmitida, de modo que ๐ seja a palavra recebida. Temos então ๐ ๐, ๐ = ๐ก โค ๐
e, pelo
teorema 6.1, a distância de ๐ a qualquer outra palavra de ๐ถ é maior do que ๐
, assim, a palavra
๐ é univocamente determinada a partir da palavra ๐.
Exemplo:
Considerando o código ๐ถ dos comandos do braço mecânico, como vimos que ๐ = 3,
então ๐ โ 1 = 3 โ 1 = 2 e ๐
=
๐โ1
2
=
3โ1
2
= 1, portanto, no código ๐ถ é possível detectar
até 2 erros e corrigir 1 erro.
6.2.4 Códigos perfeitos
Um código ๐ถ โ ๐ด๐ , com distância mínima ๐ e ๐
=
perfeito se
๐โ๐ถ ๐ท
๐โ1
2
é denominado código
๐, ๐ = ๐ด๐ .
Observemos que o código ๐ถ do braço mecânico não é perfeito, pois ๐ถ โ ๐น 5 , ๐ถ =
๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , ๐ข4 = 00000, 01011, 10110, 11101
e ๐
= 1, mas considerando a palavra
๐ = 11010 โ ๐น 5 , vemos que ๐ ๐ข1 , ๐ = ๐ ๐ข4 , ๐ = 3 e ๐ ๐ข2 , ๐ = ๐ ๐ข3 , ๐ = 2. Como
107
๐ = 1, significa que ๐ โ ๐ท(๐ข1 , 1) โช ๐ท(๐ข2 , 1) โช ๐ท(๐ข3 , 1) โช ๐ท(๐ข4 , 1), o que implica que
๐ข ๐ โ๐ถ ๐ท
๐ข๐ , 1 โ ๐น ๐ , ou seja, ๐ถ โ ๐น 5 não é código perfeito.
6.2.5 Equivalência de códigos
Primeiramente falemos sobre isometrias.
Dados dois espaços métricos (conjuntos munidos de uma métrica) ๐ e ๐ e dados dois
elementos ๐ฅ1 , ๐ฅ2 โ ๐, de modo que a distância entre ๐ฅ1 e ๐ฅ2 no espaço ๐ seja ๐๐ ๐ฅ1 , ๐ฅ2 .
Uma função ๐: ๐ โ ๐ que a cada ๐ฅ โ ๐ faça corresponder a ๐(๐ฅ) โ ๐ é denominada uma
isometria se em relação a distância no espaço métrico ๐, for válida a igualdade
๐๐ ๐ ๐ฅ1 , ๐ ๐ฅ2
= ๐๐ ๐ฅ1 , ๐ฅ2 para todo ๐ฅ1 , ๐ฅ2 โ ๐, ou seja, ๐ é uma transformação que
preserva a distância.
Considerando um conjunto ๐ด, ao qual denominamos alfabeto e um número natural ๐,
o conjunto ๐ด๐ de todas as palavras de tamanho ๐ é um espaço métrico, pois nele temos
definida a métrica de Hamming. Sendo assim, uma função ๐: ๐ด๐ โ ๐ด๐ é uma isometria de ๐ด๐
se preservar distâncias de Hamming, ou seja, ๐ ๐ ๐ฅ , ๐ ๐ฆ
= ๐(๐ฅ, ๐ฆ) para todo ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ด๐ .
Considerando isometrias para a métrica de Hamming:
Teorema 6.4: Se ๐: ๐ด๐ โ ๐ด๐ é uma isometria, então ๐ é uma bijeção.
Demonstração: Consideremos ๐: ๐ด๐ โ ๐ด๐ uma isometria. Suponhamos que dados ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ด๐ ,
tenhamos ๐ ๐ฅ = ๐(๐ฆ), o que implica que ๐ ๐ ๐ฅ , ๐ ๐ฆ
é uma isometria, então ๐ ๐ฅ, ๐ฆ = ๐ ๐ ๐ฅ , ๐ ๐ฆ
= 0. Mas, por hipótese, ๐: ๐ด๐ โ ๐ด๐
o que implica que ๐ ๐ฅ, ๐ฆ = 0 e, portanto,
๐ฅ = ๐ฆ, mostrando que ๐ é injetiva. Como ๐ด๐ é um conjunto finito e toda bijeção de um
conjunto finito nele próprio é uma sobrejeção, temos com isso que ๐ é sobrejetiva e portanto
bijetiva.
Teorema 6.5: A função identidade ๐ผ๐ด๐ : ๐ด๐ โ ๐ด๐ é uma isometria.
Demonstração: Temos que para todo ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ด๐ , ๐ผ๐ด๐ ๐ฅ = ๐ฅ e ๐ผ๐ด๐ ๐ฆ = ๐ฆ, o que implica
๐ ๐ผ๐ด๐ ๐ฅ , ๐ผ๐ด๐ ๐ฆ
= ๐(๐ฅ, ๐ฆ), mostrando que ๐ผ๐ด๐ é uma isometria.
Teorema 6.6: Se ๐ é uma isometria de ๐ด๐ , então ๐ โ1 também o é.
108
Demonstração: Se ๐ é uma isometria, então pelo teorema 6.4, ๐ é bijetiva, o que garante a
existência de ๐ โ1 . Como por hipótese ๐ é uma isometria, então ๐ ๐ โ1 ๐ฅ , ๐ โ1 ๐ฆ
๐ ๐ ๐ โ1 ๐ฅ , ๐ ๐ โ1 ๐ฆ
=
= ๐(๐ฅ, ๐ฆ), mostrando com isso, que ๐ โ1 é uma isometria.
Teorema 6.7: Se ๐1 e ๐2 são isometrias de ๐ด๐ , então ๐1 โ ๐2 é uma isometria de ๐ด๐ .
Demonstração: Se ๐1 e ๐2 são isometrias de ๐ด๐ , então ๐ ๐1 ๐2 ๐ฅ , ๐1 ๐2 ๐ฆ
๐ ๐2 ๐ฅ , ๐2 ๐ฆ
=
= ๐(๐ฅ, ๐ฆ), mostrando com isso que ๐1 โ ๐2 é uma isometria de ๐ด๐ .
Dados dois códigos ๐ถ1 e ๐ถ2 contidos em ๐ด๐ , dizemos que ๐ถ1 e ๐ถ2 são códigos
equivalentes quando existe uma isometria ๐ de ๐ด๐ tal que ๐ ๐ถ1 = ๐ถ2 .
Os parâmetros fundamentais de um código ๐ถ โ ๐ด๐ são o seu comprimento ๐, o seu
número de elementos ๐ถ = ๐ e a sua distância mínima ๐. Representamos os parâmetros de
um código ๐ถ โ ๐ด๐ pela terna ๐, ๐, ๐ .
Teorema 6.8: Dois códigos equivalentes ๐ถ1 e ๐ถ2 de ๐ด๐ possuem os mesmos parâmetros.
Demonstração: Suponhamos que os parâmetros do código ๐ถ1 são ๐, ๐, ๐ . Como ๐ถ2 é
código de ๐ด๐ , então todas as suas palavras tem comprimento ๐. Como ๐ถ1 e ๐ถ2 são
equivalentes, então existe uma isometria ๐ de ๐ด๐ tal que ๐ ๐ถ1 = ๐ถ2 e, pelo teorema 6.4 ๐ é
bijetiva, logo ๐ถ2 = ๐ถ1 = ๐. Por fim, sejam ๐ฅ, ๐ฆ โ ๐ถ1 tais que ๐ ๐ฅ, ๐ฆ = ๐, temos então,
๐ ๐ฅ, ๐ฆ = ๐ ๐ ๐ฅ , ๐ ๐ฆ
= ๐, mostrando que a mínima distância em ๐ถ2 também é ๐. Assim,
os parâmetros do código ๐ถ2 são ๐, ๐, ๐ .
6.3
CÓDIGOS LINEARES
Consideremos um corpo finito ๐พ com um número ๐ de elementos, ao qual
denominaremos alfabeto.
Seja ๐ โ โ, temos que ๐พ ๐ é um ๐-espaço vetorial de dimensão ๐.
Um código ๐ถ โ ๐พ ๐ é classificado como um código linear quando ๐ถ for um subespaço
vetorial de ๐พ ๐ .
O exemplo do braço mecânico utilizado anteriormente é um código linear, pois o
conjunto ๐ถ = 00000, 01011, 10110, 11101 , contido em ๐น 5 é um subespaço vetorial de ๐น 5 ,
verifiquemos:
109
O corpo de escalares ๐น = 0,1 contém dois elementos e, qualquer que seja o vetor
๐ข โ ๐ถ, temos 0. ๐ข = 00000 e 1. ๐ข = ๐ข. Notemos também que 00000 + 01011 = 01011,
00000 + 10110 = 10110, 00000 + 11101 = 11101, 01011 + 10110 = 11101, 01011 +
11101 = 10110 e 10110 + 11101 = 01011. Desse modo, para todo ๐ผ, ๐ฝ โ ๐น e ๐ข, ๐ฃ โ ๐ถ,
temos ๐ผ๐ข + ๐ฝ๐ฃ โ ๐ถ, mostrando com isso que ๐ถ é subespaço vetorial de ๐น 5 .
Como um código linear é um subespaço de um K-espaço vetorial de dimensão finita,
então todo código linear é, também, um K-espaço vetorial de dimensão finita. Sendo ๐ o
número de elementos de uma das bases de ๐ถ (dimensão de ๐ถ) e, sendo ๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , โฆ , ๐ข๐ uma
dessas bases , então qualquer que seja ๐ข โ ๐ถ, ๐ข se escreve de maneira única como
๐ข = ๐ผ1 โ ๐ข1 + ๐ผ2 โ ๐ข2 + ๐ผ3 โ ๐ข3 + โฏ + ๐ผ๐ โ ๐ข๐ , โ๐ผ๐ โ ๐พ e, portanto, o número de elementos
do código ๐ถ é ๐ = ๐ถ = ๐ ๐ ou seja, dim ๐ถ = ๐ = log ๐ ๐ ๐ = log ๐ ๐.
No exemplo do braço mecânico, temos ๐ถ = 00000, 01011, 10110, 11101
e
๐น = 0,1 , o que implica que ๐ = 4 e ๐ = 2, portanto dim ๐ถ = log 2 4 = 2, ou seja, qualquer
base de ๐ถ possui dois vetores.
6.3.1 Peso de um código
Considerando ๐ a métrica de Hamming, dado um vetor ๐ข do K-espaço vetorial ๐พ ๐ ,
definimos o peso de ๐ข como sendo o número inteiro ๐ ๐ข = ๐(๐ข, 0) e, o peso de um código
๐ถ é definido como sendo a distância de Hamming mínima não nula dos vetores de ๐ถ ao vetor
nulo. Em outras palavras:
๐ ๐ถ = ๐๐๐ ๐ ๐ข ; ๐ข โ ๐ถ\ 0 .
Teorema 6.9: Considerando um código linear ๐ถ โ ๐พ ๐ , com distância mínima ๐, temos
โ๐ข, ๐ฃ โ ๐พ ๐ , ๐ ๐ข, ๐ฃ = ๐(๐ข โ ๐ฃ) e ๐ = ๐(๐ถ).
Demonstração: Dados ๐ข, ๐ฃ โ ๐พ ๐ , pela definição de distância, temos ๐ ๐ข, ๐ฃ = ๐ ๐ข โ
๐ฃ, 0 = ๐(๐ข โ ๐ฃ) e, se ๐ข, ๐ฃ โ ๐ถ e ๐ข โ ๐ฃ, e a distância mínima do código ๐ถ é ๐ = ๐ ๐ข, ๐ฃ ,
então existe ๐ค โ ๐ถ\ 0 tal que ๐ค = ๐ข โ ๐ฃ e ๐ = ๐ ๐ข, ๐ฃ = ๐ ๐ข โ ๐ฃ = ๐ ๐ค = ๐(๐ถ).
110
6.3.2 Matriz geradora de um código
Consideramos um corpo finito ๐พ com ๐ elementos e um código linear ๐ถ โ ๐พ ๐ . À
terna ๐, ๐, ๐ denominamos parâmetros do código linear ๐ถ. O parâmetro ๐ representa o
número de coordenadas de cada vetor (palavra) do código ๐ถ; o parâmetro ๐ representa a
dimensão do Código (espaço vetorial) ๐ถ sobre o corpo ๐พ e o parâmetro ๐ representa a
distância mínima do código ๐ถ, que é igual ao peso ๐(๐ถ) do código ๐ถ.
Consideremos ๐ต = ๐ข1 , ๐ข2 , ๐ข3 , โฆ , ๐ข๐
๐ข๐ = (๐ฃ๐1 , ๐ฃ๐2 , ๐ฃ๐3 , โฆ , ๐ฃ๐๐ ),
๐ฃ11
๐ฃ21
๐บ= โฎ
๐ฃ๐1
com
uma base ordenada de ๐ถ, onde cada vetor
๐ข1
๐ข2
1 โค ๐ โค ๐ e uma matriz ๐บ = โฎ , ou seja,
๐ข๐
๐ฃ12 โฏ ๐ฃ1๐
๐ฃ22 โฏ ๐ฃ2๐
โฎ
โฑ
โฎ . A matriz ๐บ é denominada matriz geradora de ๐ถ associada à
๐ฃ๐2 โฏ ๐ฃ๐๐
base ๐ต e não é a única matriz geradora de ๐ถ, pois, para cada base diferente de ๐ถ , obtemos
uma geradora diferente. Notemos que uma matriz geradora de um código ๐ถ pode ser obtida de
outra matriz geradora através de transformações elementares sobre matrizes, vistas em 2.5.
Consideremos agora uma transformação linear ๐: ๐พ ๐ โ ๐พ ๐ de modo que dado ๐ฅ โ
๐พ ๐ , tenhamos ๐ ๐ฅ = ๐ฅ โ ๐บ. Como ๐ฅ โ ๐พ ๐ , então possui ๐ coordenadas ๐ฅ1 , ๐ฅ2 , ๐ฅ3 , โฆ , ๐ฅ๐ e,
portanto, ๐ ๐ฅ = ๐ฅ1 โ ๐ฃ1 + ๐ฅ2 โ ๐ฃ2 + ๐ฅ3 โ ๐ฃ3 + โฏ + ๐ฅ๐ โ ๐ฃ๐ , o que implica que ๐(๐พ ๐ ) = ๐ถ,
assim, temos ๐พ ๐ o código da fonte, ๐ถ é o código de canal e ๐ é a codificação, que leva o
código da fonte ao código de canal.
Para obter uma matriz geradora de um código de dimensão ๐, contido em um espaço
๐พ ๐ , basta tomar uma matriz com ๐ linhas linearmente independentes e ๐ colunas. Por
1 0 0 1 0
exemplo, considerando o corpo galoisiano ๐น = 0,1 e uma matriz ๐บ = 1 1 0 0 1 .
0 1 1 1 0
Consideremos as palavras do código da fonte como sendo vetores de ๐น 3 . Uma palavra ๐ฅ do
código da fonte é codificada em código de canal através da transformação ๐: ๐น 3 โ ๐น 5 , tal que
๐ ๐ฅ = ๐ฅ โ ๐บ. Suponhamos ๐ฅ = 110, assim, temos:
๐ 110 = 1 1
1
0. 1
0
0 0 1 0
1 0 0 1 =
1 1 1 0
= 1.1 + 1.1 + 0.0 1.0 + 1.1 + 0.1 1.0 + 1.0 + 0.1 1.1 + 1.0 + 0.1 1.0 + 1.1 + 0.0 =
111
= 0 1 0 1 1 , portanto, a palavra 110 do código da fonte é codificada como 01011 no
código do canal.
Notemos nesse exemplo que ๐ = 2, pois adotamos o corpo finito (galoisiano) ๐น =
0,1 e k = dim ๐ถ = 3, logo, o número de elementos de ๐ถ é ๐ = 23 = 8. O código ๐ถ é,
portanto, o seguinte conjunto:
๐ถ = 00000, 10101, 11010, 11111, 01111, 01010, 00101, 10000 , que facilmente pode ser
verificado que foi obtido através dos vetores 10010, 11001 e 01110, que constituem uma base
de ๐ถ.
Caso deseje-se decodificar as palavras do código de canal ๐ถ de modo a obter as
palavras do código de fonte, basta tomar os vetores ๐ฅ = ๐ฅ1 ๐ฅ2 ๐ฅ3 de ๐น 3 e resolver a equação
๐ฅ. ๐บ = ๐ฆ, onde ๐ฆ = ๐ฆ1 ๐ฆ2 ๐ฆ3 ๐ฆ4 ๐ฆ5 é uma palavra do código de canal ๐ถ. Porém, esse
procedimento consiste em resolver a equação matricial:
1 0
๐ฅ3 โ 1 1
0 1
๐ฅ1 + ๐ฅ2 = ๐ฆ1
๐ฅ2 + ๐ฅ3 = ๐ฆ2
๐ฅ3 = ๐ฆ3 que, em
๐ฅ1 + ๐ฅ3 = ๐ฆ4
๐ฅ2 = ๐ฆ5
๐ฅ1
๐ฅ2
0 1
0 0
1 1
0
1 = ๐ฆ1
0
๐ฆ2
๐ฆ3 ๐ฆ4
๐ฆ5 ,
que
gera
o
sistema
geral exige um alto custo computacional e, portanto, é inviável. Mas
efetuando as operações elementares (vistas em 2.5) sobre as linhas da matriz ๐บ, obtemos uma
matriz ๐บโฒ com a seguinte forma:
1 0
1 1
0 1
0 1 0
1
0 0 1 ๐ฟ2 โ ๐ฟ1 + ๐ฟ2 0
1 1 0
0
0 0 1
1 0 1
1 1 1
0
1
1 ๐ฟ3 โ ๐ฟ2 + ๐ฟ3 0
0
0
0 0 1 0
1 0 1 1 = ๐บโฒ.
0 1 0 1
A matriz ๐บโฒ é equivalente por linhas à matriz ๐บ e, portanto, suas linhas são linearmente
independentes e em consequência disso formam outra base de ๐ถ. Assim, podemos obter as
palavras do código de fonte resolvendo a equação matricial ๐ฅ. ๐บ โฒ = ๐ฆ, que equivale a
๐ฅ1
๐ฅ2
๐ฅ1
๐ฅ2
1 0 0 1 0
๐ฅ3 โ 0 1 0 1 1 = ๐ฆ1
0 0 1 0 1
๐ฅ3 ๐ฅ1 + ๐ฅ2 ๐ฅ2 + ๐ฅ3 = ๐ฆ1
๐ฆ2
๐ฆ3 ๐ฆ4
๐ฆ5 ,
๐ฆ2
๐ฆ3 ๐ฆ4
๐ฆ5 , ou seja as palavras do código
ou
ainda
a
da fonte são obtidas considerando as três primeiras coordenadas das palavras do código de
canal. Assim, as palavras do código de fonte são 000, 101, 110, 111, 011, 010, 001, 100 .
Dizemos que uma matriz geradora de um código ๐ถ se encontra na forma padrão, se for
apresentada na forma ๐ผ๐ ๐ด , com ๐ผ๐ sendo a matriz identidade de ordem ๐ e ๐ด uma matriz
cuja ordem é ๐ × (๐ โ ๐). No exemplo anterior a matriz ๐บ não estava na forma padrão,
112
porém ao serem efetuadas operações elementares sobre as linhas de ๐บ, foi obtida uma matriz
๐บโฒ, equivalente por linhas à matriz ๐บ e apresentada na forma padrão.
Outra maneira de se obter uma matriz ๐บโฒ na forma padrão, equivalente a matriz ๐บ, é
resolver o produto ๐ โ1 โ ๐บ, onde ๐ é a matriz quadrada de ordem ๐ obtida pelo bloco das ๐
1
primeiras colunas da matriz ๐บ. Pelo teorema 3.3 do capítulo 3, temos que ๐โ1 = det (M)โกโ ๐,
1
quando det ๐ โ 0. No exemplo anterior, ๐ = 1
0
Calculemos a seguir a matriz dos cofatores de ๐:
๐11 ๐12
โฒ
๐ = ๐21 ๐22
๐31 ๐32
0 0
1 0 e pelo teorema 3.1, det ๐ = 1.
1 1
๐13
๐23
๐33
1 0
0
=1โ1=1
๐12 = โ1 1+2 โ
= โ1 โ 1 = โ1 = 1
0 1
1
1
0 0
=1โ1=1
๐21 = โ1 2+1 โ
= โ1 โ 0 = 0
1
1 1
1 0
0
= 1 โ 1 = โ1 = 1
๐23 = โ1 2+3 โ
= โ1 โ 1 = โ1 = 1
0 1
1
0
1 0
= 1โ0= 0
๐32 = โ1 3+2 โ
= โ1 โ 0 = 0
0
1 0
0
= 1โ1= 1
1
1
1 0 0
1 . Como ๐ = ๐โฒ ๐ก , temos ๐ = 1 1 0 . Assim, temos:
1
1 1 1
1 0 0
1 0 0
1
1
๐โ1 = det (M) โ ๐ = 1 โ 1 1 0 = 1 1 0 .
1 1 1
1 1 1
1 0 0 1 0 0 1 0
1 0 0 1 0
โฒ
โ1
โฒ
Como ๐บ = ๐ โ ๐บ, então ๐บ = 1 1 0 โ 1 1 0 0 1 = 0 1 0 1 1
1 1 1 0 1 1 1 0
0 0 1 0 1
1 0 0 1 0
1 0
Notemos que ๐บ โฒ = 0 1 0 1 1 = ๐ผ3 ๐ด , com ๐ด = 1 1 . Cabe salientar que
0 0 1 0 1
0 1
1
1
1
๐13 = โ1 1+3 โ
0
1
2+2
๐22 = โ1
โ
0
0
3+1
๐31 = โ1
โ
1
1
3+3
๐33 = โ1
โ
1
1 1
Logo, ๐โฒ = 0 1
0 0
๐11 = โ1
1+1
โ
nem sempre é possível obter uma matriz ๐บ na forma padrão, de um código ๐ถ, apenas
realizando operações elementares sobre linhas. Veja o exemplo:
0
Consideremos um código ๐ถ โ ๐น cuja matriz geradora é ๐บ = 0
0
5
1 0 1
0 1 0
0 0 0
0
0 . É fácil
1
verificar que nenhuma operação elementar sobre as linhas de ๐บ fará com que a matriz se
apresente na forma padrão, uma vez que todos os elementos da primeira coluna de ๐บ são
nulos. Porém, aplicando as operações de permutação entre duas colunas da matriz ๐บ e
multiplicação de uma coluna de ๐บ por um escalar não nulo, podemos obter uma matriz ๐บโฒ,
113
geradora na forma padrão, de um código ๐ถโฒ โ ๐น 5 que é equivalente ao código ๐ถ. Por
exemplo:
0
๐บ= 0
0
1 0
0 1
0 0
1
0
0
0
0
1
0
1
0
1
0
0
1 0
1 0
0 0 ๐1 โ ๐2 0 0
0 1
0 0
0
0 = ๐บโฒ .
0
0 1
1 0
0 0
0
1 0
0 ๐2 โ ๐3 0 1
1
0 0
0 1 0
0 0 0 ๐3 โ ๐5
0 0 1
Teorema 6.10: Sendo ๐ถ um código, existe um código ๐ถโฒ, equivalente a ๐ถ, cuja matriz
geradora se apresenta na forma padrão.
๐ฅ11
๐ฅ21
Demonstração: Seja ๐ถ um código cuja matriz geradora é ๐บ = โฎ
๐ฅ๐1
๐ฅ12 โฆ ๐ฅ1๐
๐ฅ22 โฆ ๐ฅ2๐
โฎ โฑ
โฎ .
๐ฅ๐2 โฆ ๐ฅ๐๐
Utilizando as operações elementares sobre as linhas de um matriz (vistas no capítulo 2) e
operações sobre as colunas de ๐บ, temos:
Como as linhas de ๐บ constituem uma base de ๐ถ, então são linearmente independentes
e, portanto nenhuma linha é nula. Consideremos, sem perda de generalidade, que ๐ฅ11 โ 0.
โ1
Como ๐ฅ11 é elemento de um corpo, então possui um inverso multiplicativo ๐ฅ11
tal que
โ1
๐ฅ11 โ ๐ฅ11
1
๐ฅ
โ1
= 1. Multiplicando a primeira linha de ๐บ por ๐ฅ11
, obtermos: 21
โฎ
๐ฅ๐1
๐ฆ12 โฆ ๐ฆ1๐
๐ฅ22 โฆ ๐ฅ2๐
.
โฎ โฑ
โฎ
๐ฅ๐2 โฆ ๐ฅ๐๐
Substituindo cada linha dessa matriz, a partir da segunda, pela soma da respectiva linha com a
primeira multiplicada por โ๐ฅ21 , ..., โ๐ฅ๐1 , respectivamente, temos a seguinte matriz:
1 ๐ฆ12
0 ๐ฆ22
โฎ
โฎ
0 ๐ฆ๐2
โฆ ๐ฆ1๐
โฆ ๐ฆ2๐
. A segunda linha dessa matriz possui algum elemento não nulo e, por
โฑ
โฎ
โฆ ๐ฆ๐๐
meio de uma permutação entre colunas, é possível fazer com que esse elemento não nulo
ocupe a posição segunda linha e segunda coluna. Multiplicando a segunda linha pelo inverso
desse elemento não nulo e somando cada uma das linhas restantes, pela segunda
1 0 โฆ
0 1 โฆ
multiplicada respectivamente por โ๐ฆ12 , โ๐ฆ13 , ..., โ๐ฆ๐2 , temos a matriz
โฎ โฎ โฑ
0 0 โฆ
linha
๐ง1๐
๐ง2๐
โฎ .
๐ง๐๐
Repetindo o processo descrito acima, uma quantidade de até ๐ vezes, obtemos uma matriz
๐บ โฒ = ๐ผ๐ ๐ด , na forma padrão.
114
Uma matriz geradora que não se apresenta na forma padrão, gera palavras código não
sistemáticas, ou seja, palavras código nas quais os dígitos das palavras do código da fonte
estão misturados com os dígitos da redundância acrescentada. Enquanto que uma matriz
geradora que se apresente na forma padrão, gera palavras do código sistemáticas, nas quais os
๐ primeiros dígitos correspondem aos dígitos do código da fonte, enquanto que os ๐ โ ๐
últimos dígitos correspondem aos dígitos da redundância acrescida.
6.3.3 Códigos duais
Considerando ๐ถ um código linear contido em um espaço vetorial ๐พ ๐ definimos o
complemento ortogonal de ๐ถ como sendo o conjunto ๐ถ โฅ = ๐ฃ โ ๐พ ๐ ; ๐ข, ๐ฃ = 0, โ๐ข โ ๐ถ .
Se temos um código linear ๐ถ โ ๐พ ๐ , então ๐ถ โฅ é um subespaço vetorial de ๐พ ๐ , pois
dados ๐ข, ๐ฃ โ ๐ถ โฅ , ๐ผ, ๐ฝ โ ๐พ e ๐ค โ ๐ถ, temos ๐ผ โ ๐ข + ๐ฝ โ ๐ฃ, ๐ค = ๐ผ โ ๐ข, ๐ค + ๐ฝ โ ๐ฃ, ๐ค = 0.
Além disso, se ๐บ é matriz geradora do código ๐ถ e ๐ค โ ๐ถ โฅ , então ๐บ โ ๐ค ๐ก = 0, o que é
facilmente verificável, uma vez que cada linha ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 , โฆ , ๐ฃ๐ de ๐บ é um vetor de uma das
bases de ๐ถ e, portanto,
๐ฃ1 , ๐ค ๐ก = ๐ฃ2 , ๐ค ๐ก = ๐ฃ3 , ๐ค ๐ก = โฏ = ๐ฃ๐ , ๐ค ๐ก = 0. Como foi
mostrado, ๐ถ โฅ é um subespaço vetorial de ๐พ ๐ , portanto, por definição, ๐ถ โฅ é também um
código linear.
Definição: Um subespaço vetorial ๐ถ โฅ โ ๐พ ๐ que é um complemento ortogonal do
código ๐ถ e é também um código linear, é denominado código dual de ๐ถ.
Teorema 6.11: Considerando ๐ถ um código linear contido em ๐พ ๐ , com dimensão ๐, cuja
matriz geradora na forma padrão é ๐บ = ๐ผ๐ ๐ด , temos dim ๐ถ โฅ = ๐ โ ๐.
Demonstração: Vimos anteriormente que ๐ค = ๐ค1 , ๐ค2 , ๐ค3 , โฆ , ๐ค๐
pertence a ๐ถ โฅ , quando
๐บ โ ๐ค ๐ก = 0. Como ๐บ = ๐ผ๐ ๐ด se apresenta na forma padrão, então, temos:
๐ค1
1 0 โฏ 0 ๐ ๐+1 1 ๐ ๐+2 1 โฏ ๐๐1
0
๐
๐
๐
โฏ
โฏ
๐ค
๐+1
2
๐+2
2
0
0
๐2
1
2
0
๐บ โ ๐ค๐ก =
โ
โฎ
โฎ
โฎ โ โฎ = โฎ
โฑ
โฎ โฎ โฑ โฎ
๐ค๐
0 0 โฏ 1 ๐ ๐+1 ๐ ๐ ๐+2 ๐ โฏ ๐๐๐
0
๐ค1 + ๐ ๐+1 1 โ ๐ค๐+1 + โฏ + ๐๐1 โ ๐ค๐
0
๐ค2 + ๐ ๐+1 2 โ ๐ค๐+1 + โฏ + ๐๐2 โ ๐ค๐
0
โ
=
โ
โฎ
โฎ
๐ค๐ + ๐ ๐+1 ๐ โ ๐ค๐+1 + โฏ + ๐๐๐ โ ๐ค๐
0
115
โ
โ
โ
๐ ๐+1 1 โ ๐ค๐+1 + โฏ + ๐๐1 โ ๐ค๐
๐ค1
0
๐ ๐+1 2 โ ๐ค๐+1 + โฏ + ๐๐2 โ ๐ค๐
๐ค2
0
=
โ
โฎ +
โฎ
โฎ
๐ค๐
๐ ๐+1 ๐ โ ๐ค๐+1 + โฏ + ๐๐๐ โ ๐ค๐
0
โ๐ ๐+1 1 โ ๐ค๐+1 โ โฏ โ ๐๐1 โ ๐ค๐
๐ค1
โ๐ ๐+1 2 โ ๐ค๐+1 โ โฏ โ ๐๐2 โ ๐ค๐
๐ค2
=
โ
โฎ
โฎ
๐ค๐
โ๐ ๐+1 ๐ โ ๐ค๐+1 โ โฏ โ ๐๐๐ โ ๐ค๐
๐ ๐+1 1 ๐ ๐+2 1 โฏ ๐๐1
๐ค1
๐ค๐+1
๐ ๐+1 2 ๐ ๐+2 2 โฏ ๐๐2
๐ค2
๐ค๐+2
=
โ
โ
.
โฎ
โฎ
โฎ
โฎ
โฎ
โฑ
๐ค๐
๐ ๐+1 ๐ ๐ ๐+2 ๐ โฏ ๐๐๐
๐ค๐
Os ๐ โ ๐ elementos ๐ค๐+1 , ๐ค๐+2 , โฆ , ๐ค๐ podem ser escolhidos de forma aleatória. Logo, temos
que dim ๐ถ โฅ = ๐ โ ๐.
Teorema 6.12: Considerando ๐ถ um código linear contido em ๐พ ๐ , com dimensão ๐, cuja
matriz geradora na forma padrão é ๐บ = ๐ผ๐ ๐ด , temos ๐ป = โ๐ด๐ก ๐ผ๐โ๐ é uma matriz geradora
de ๐ถ โฅ .
Demonstração: Considerando ๐ โ 1, 2, โฆ , ๐ , temos que cada coordenada ๐ค๐ de um vetor
๐ค โ ๐ถ โฅ é escrita como ๐ค๐ = โ๐ ๐+1 ๐ โ ๐ค๐+1 โ ๐ ๐+2 ๐ โ ๐ค๐+2 โ โฏ โ ๐๐๐ โ ๐ค๐ , o que implica
que
๐ค = (โ๐ ๐+1 1 โ ๐ค๐+1 โ ๐ ๐+2 1 โ ๐ค๐+2 โ โฏ โ ๐๐1 โ ๐ค๐ , โ๐ ๐+1 2 โ ๐ค๐+1 โ ๐ ๐+2 2 โ
๐ค๐+2 โ โฏ โ ๐๐2 โ ๐ค๐ , โฆ , โ๐ ๐+1
๐
โ ๐ค๐+1 โ ๐ ๐+2
๐
โ ๐ค๐+2 โ โฏ โ ๐๐๐ โ
๐ค๐ , ๐ค๐+1 , ๐ค๐+2 , โฆ , ๐ค๐ ), o que implica que
โ๐ ๐+1 1 , โ๐ ๐+1 2 , โฆ , โ๐ ๐+1 ๐ , 1, 0, โฆ ,0 , โ๐ ๐+2 1 , โ๐ ๐+2 2 , โฆ , โ๐ ๐+2 ๐ , 0, 1, โฆ ,0 , โฆ
โฆ , โ๐ ๐+1 3 , โ๐ ๐+1 3 , โฆ , โ๐ ๐+1 3 , 0, 0,1, โฆ ,0 , โ๐๐1 , โ๐๐2 , โฆ , โ๐๐๐ , 0,0,0, โฆ ,1
โ๐ ๐+1
โ๐ ๐+2
é uma base de ๐ถ โฅ , portanto ๐ป =
โฎ
โ๐๐1
1
1
โ๐ ๐+1
โ๐ ๐+2
โฎ
โ๐๐2
2
2
โฏ โ๐ ๐+1
โฏ โ๐ ๐+2
โฑ
โฎ
โฏ
โ๐๐๐
๐
๐
1 0 โฏ 0
0 1 โฏ 0
é uma
โฎ โฎ โฑ โฎ
0 0 โฏ 1
matriz geradora de ๐ถ โฅ na forma ๐ป = โ๐ด๐ก ๐ผ๐โ๐ .
Teorema 6.13: Considerando ๐ถ um código linear de dimensão ๐, contido em ๐พ ๐ , cuja matriz
geradora seja ๐บ. Uma matriz ๐ป de ordem ๐ โ ๐ × ๐, com elementos pertencentes a ๐พ, cujas
linhas sejam linearmente independentes é geradora do código ๐ถ โฅ se, e somente se, ๐บ โ ๐ป ๐ก = 0.
Demonstração: Como as linhas de ๐ป são linearmente independentes, então formam uma base
de um subespaço vetorial de ๐พ ๐ , cuja dimensão é ๐ โ ๐, mas dim ๐ถ โฅ = ๐ โ ๐. O produto
116
๐บ โ ๐ป ๐ก consiste no produto interno de dos vetores linhas de ๐บ pelos vetores colunas de ๐ป ๐ก ,
mas os vetores colunas de ๐ป ๐ก são os vetores linhas de ๐ป e, caso se tenha ๐บ โ ๐ป ๐ก = 0, então os
vetores linhas de ๐บ e os vetores linhas de ๐ป são, entre si, ortogonais, logo, todos os vetores do
subespaço gerado por ๐ป estão em ๐ถ โฅ e, portanto, ๐ป é matriz geradora de ๐ถ โฅ .
Teorema 6.14: Seja ๐ถ um código linear contido em um espaço ๐พ ๐ , temos ๐ถ โฅ
โฅ
= ๐ถ.
Demonstração: Consideremos as matrizes ๐บ e ๐ป geradoras dos códigos ๐ถ e ๐ถ โฅ ,
respectivamente. Pelo teorema 6.13, ๐บ โ ๐ป ๐ก = 0. Mas se ๐บ โ ๐ป ๐ก = 0, então ๐บ โ ๐ป ๐ก
pela propriedade IV, apresentada em 2.3, temos que
propriedade I em 2.3, temos ๐ป ๐ก
geradora de ๐ถ โฅ
โฅ
๐ก
๐บ โ ๐ป๐ก
๐ก
= ๐ป๐ก
๐ก
๐ก
= 0 e,
โ ๐บ ๐ก = 0 e pela
= ๐ป. Assim, ๐ป โ ๐บ ๐ก = 0, o que implica que ๐บ é matriz
, mas por hipótese, ๐บ é matriz geradora de ๐ถ, portanto, ๐ถ โฅ
โฅ
= ๐ถ.
Teorema 6.15: Considerando ๐ถ um código linear e ๐ป a matriz geradora do código ๐ถ โฅ , um
vetor ๐ฃ pertence ao código ๐ถ se, e somente se, ๐ป โ ๐ฃ ๐ก = 0.
Demonstração: Pelo teorema 13, temos que ๐ถ โฅ
๐ฃ โ ๐ถโฅ
โฅ
โฅ
= ๐ถ, portanto, ๐ฃ โ ๐ถ se, e somente se,
. Vimos anteriormente que o produto de uma matriz geradora de um código pela
matriz transposta cuja coluna é vetor pertencente ao complemento ortogonal desse código é
igual ao vetor nulo, sendo assim, ๐ฃ โ ๐ถ โฅ
โฅ
se, e somente se, ๐ป โ ๐ฃ ๐ก = 0.
O teorema 6.15 constitui uma ferramenta eficiente pra determinar se um dado vetor
๐ฃ โ ๐พ ๐ pertence a um dado código linear ๐ถ โ ๐พ ๐ , bastando para isso, verificar se ๐ป โ ๐ฃ ๐ก = 0.
À matriz ๐ป, geradora de ๐ถ โฅ , denominamos matriz teste de paridade do código ๐ถ e ao
vetor ๐ป โ ๐ฃ ๐ก , com ๐ฃ โ ๐พ ๐ , denominamos síndrome do vetor ๐ฃ.
Exemplo:
Considere ๐ถ โ ๐น 6 um código linear sobre ๐น = 0,1 , cuja matriz geradora é ๐บ =
1 0
1 1
0 1
1 0 1
0 0 0
0 1 1
1
1 . Dados dois vetores ๐ข, ๐ฃ โ ๐น 6 , tal que ๐ข = 111101
0
e ๐ฃ=
010101 , desejamos verificar se ๐ข e ๐ฃ são vetores de ๐ถ.
Observemos que a matriz ๐บ não se apresenta na forma padrão, porém, por meio de
operações elementares sobre as linhas de ๐บ é possível obter uma matriz ๐บโฒ que se apresente na
forma padrão:
117
1
1
0
0
1
0
0 1 0 1 1
1 0 0 0 1 ๐ฟ2 โ ๐ฟ2 + ๐ฟ3
1 0 1 1 0
0 1 1 0 0
1 0
0 0 1 1 1 ๐ฟ1 โ ๐ฟ2 0 0
1 0 1 1 0
0 1
1 0 0 1 1 1
โฒ
Assim, ๐บ = 0 1 0 1 1 0 é
0 0 1 1 0 0
1
1
0
0
1
0
0
0
1
1
1
1
1
0
0
1
0
1
0
1
1
1
0
0
1
1
1
1
1 ๐ฟ1 โ
0
1
๐ฟ1 โ ๐ฟ2 0
0
๐ฟ1 + ๐ฟ2
0 0 1 1 1
1 0 1 1 0 = ๐บโฒ .
0 1 1 0 0
uma matriz geradora do código ๐ถ, que se apresenta na
1 1 1
forma padrão. Notemos que ๐บ โฒ = ๐ผ3 ๐ด , o que implica que ๐ด = 1 1 0 e โ๐ด๐ก =
1 0 0
1 1 1
1 1 0 . Pelo teorema 6.12, a matriz teste de paridade ๐ป, do código ๐ถ é ๐ป = โ๐ด๐ก ๐ผ3 ,
0 0 1
1 1 1 1 0 0
portanto, ๐ป = 1 1 0 0 1 0 .
1 0 0 0 0 1
1
1
1+1+1+1+0+0
1 1 1 1 0 0
0
1
๐ก
A síndrome de ๐ข é ๐ป โ ๐ข = 1 1 0 0 1 0 โ
= 1+1+0+0+0+0 = 0 ,0
1
1+0+0+0+0+1
1 0 0 0 0 1
0
0
1
que implica que ๐ข โ ๐ถ.
1 1
A síndrome de ๐ฃ é ๐ป โ ๐ฃ ๐ก = 1 1
1 0
1 1
0 0
0 0
0
1
0+1+0+1+0+0
0 0
0
= 0+1+0+0+0+0 = 1 , o
1 0 โ 0
1
0+0+0+0+0+1
0 1
1
0
1
que implica que ๐ฃ โ ๐ถ.
Teorema 6.16: Consideremos ๐ป uma matriz teste de paridade de um código linear ๐ถ sobre
um corpo ๐พ. Então o peso ๐(๐ถ) do código ๐ถ é maior ou igual ๐ se, e somente se, quaisquer
๐ โ 1 colunas da matriz ๐ป são linearmente independentes. Valendo a igualdade se, e somente
se, quaisquer ๐ โ 1 colunas de ๐ป forem linearmente independentes e existirem ๐ colunas de
๐ป linearmente dependentes.
Demonstração: Dividiremos a demonstração em duas partes, sendo que a segunda será
encarregada de demonstrar a igualdade:
1ª parte: โ Suponhamos que cada (๐ โ 1)-uplas de colunas da matriz ๐ป sejam
linearmente independentes e que ๐ ๐ฃ โค ๐ โ 1. Seja ๐ฃ = ๐ฃ1 ๐ฃ2 โฆ ๐ฃ๐ uma palavra não nula de
118
๐ถ. Sabemos que ๐ป. ๐ฃ ๐ก = 0, o que implica que ๐ป. ๐ฃ ๐ก =
๐11
๐21
โฎ
๐ ๐โ๐
๐ฃ1
0
๐ฃ2
0
โฎ = โฎ , o que gera o sistema
๐ฃ๐
0
๐ ๐โ๐
๐12
๐22
โฎ
1
๐ ๐โ๐
2
๐1๐
โฏ
โฏ
๐2๐
โฑ
โฎ
โฏ ๐ ๐โ๐
โ
๐
๐11 โ ๐ฃ1 + ๐12 โ ๐ฃ2 + โฏ + ๐1๐ โ ๐ฃ๐ = 0
๐21 โ ๐ฃ1 + ๐22 โ ๐ฃ2 + โฏ + ๐2๐ โ ๐ฃ๐ = 0
.
โฎ
1 โ ๐ฃ1 + ๐ ๐ โ๐ 2 โ ๐ฃ2 + โฏ + ๐ ๐ โ๐ 1๐ โ ๐ฃ๐ = 0
Somando as equações, e reagrupando, temos:
(๐11 + ๐21 + โฏ + ๐ ๐ โ๐ 1 ) โ ๐ฃ1 + โฏ + (๐1๐ + ๐2๐ + โฏ + ๐ ๐ โ๐ ๐ ) โ ๐ฃ๐ = 0.
Como
๐ ๐ฃ
representa o número de coordenadas não nulas de ๐ฃ, teríamos então uma combinação linear
nula com no máximo ๐ โ 1 colunas da matriz ๐ป, contradizendo a hipótese inicial de que
๐ ๐ฃ โค ๐ โ 1. Assim, ๐ ๐ฃ > ๐ โ 1, o que implica que ๐ ๐ฃ โฅ ๐ e, portanto, ๐ ๐ถ โฅ ๐.
โ Em contrapartida, se considerarmos ๐ ๐ถ โฅ ๐ e suponhamos que existam ๐ โ 1 colunas
linearmente dependentes na matriz ๐ป, então existem, por exemplo, ๐ฃ1 ๐ฃ2 โฆ ๐ฃ๐โ1 โ ๐พ, nem
todos nulos, tal que (๐11 + ๐21 + โฏ + ๐ ๐ โ๐ 1 ) โ ๐ฃ1 + (๐12 + ๐22 + โฏ + ๐ ๐ โ๐ 2 ) โ ๐ฃ2 + โฏ
โฆ + (๐1(๐โ1) + ๐2(๐โ1) + โฏ + ๐ ๐โ๐
(๐โ1) )
โ ๐ฃ๐โ1 = 0,
o
que
implica
que
๐ฃ = ๐ฃ1 ๐ฃ2 โฆ 0 โฆ 0 โฆ ๐ฃ๐โ1 โฆ 0 pertence ao código ๐ถ, implicando com isso, que ๐ ๐ฃ โค ๐ โ
1 < ๐, e, portanto, ๐ ๐ถ < ๐, contradizendo a hipótese. Logo, ๐ป possui ๐ โ 1 colunas
linearmente independentes.
2ª parte: Para demonstrar a igualdade, suponhamos ๐ ๐ถ = ๐, temos que todo conjunto de
๐ โ 1 colunas de ๐ป é linearmente independente. Se existissem ๐ colunas linearmente
independentes em ๐ป, então, pelo que foi visto anteriormente, teríamos ๐ ๐ถ โฅ ๐ + 1, logo,
em ๐ป existem ๐ colunas linearmente dependentes. Por outro lado, se na matriz ๐ป existem
๐ โ 1 colunas linearmente independentes e ๐ colunas linearmente dependentes então temos
๐ ๐ถ โฅ ๐, Mas se ๐ ๐ถ > ๐, por exemplo ๐ ๐ถ โฅ ๐ + 1, pelo visto anteriormente, teríamos
em ๐ป que todo conjunto com ๐ colunas seria linearmente independente, contradizendo a
hipótese, logo ๐ ๐ถ = ๐.
Teorema 6.17: Os parâmetros ๐, ๐, ๐ de um código linear ๐ถ satisfazem a desigualdade
๐ โค ๐ โ ๐ + 1.
Demonstração: Seja ๐ถ um código linear sobre um corpo ๐พ, tal que ๐ถ โ ๐ ๐ . Uma matriz teste
de paridade ๐ป do código linear ๐ถ tem ordem (๐ โ ๐) × ๐ ou seja, possui ๐ โ ๐ linhas
linearmente independentes, o que implica que ๐ป tem colunas em ๐พ ๐โ๐ . Pelo teorema 6.16,
quaisquer ๐ โ 1 colunas de ๐ป são linearmente independentes e como ๐พ ๐โ๐ possui no máximo
119
๐ โ ๐ vetores linearmente independentes, então ๐ โ 1 โค ๐ โ ๐, o que implica que ๐ โค ๐ โ
๐ + 1.
À desigualdade acima denominamos cota de Singleton.
Um código ๐ถ no qual valha a igualdade ๐ = ๐ โ ๐ + 1 é denominado de MDS, que
representa as iniciais das palavras Maximum Distance Separable.
6.3.4 Decodificação
O processo de decodificação consiste em ao ser recebida uma palavra através do canal
de comunicação, o decodificador de canal se incumbe da detecção e correção da palavra
recebida se, por acaso, por alguma interferência, tenha sofrido algum erro, para depois enviála ao decodificador de fonte e por fim chegar ao usuário. Para que o processo de
decodificação seja eficiente, deve possuir um custo computacional baixo tornando viável sua
utilização.
A seguir apresentaremos o processo de decodificação.
Consideremos o vetor ๐ como sendo uma palavra transmitida e o vetor ๐ a palavra
recebida com erro. Definimos o vetor erro ๐ como a diferença entre a palavra recebida e a
palavra transmitida:
๐ =๐โ๐
Quando ๐ = 0 significa que a palavra recebida é igual a palavra transmitida e, neste caso, não
houve erro na transmissão. Caso ๐ โ 0, entendemos que houve erro na transmissão. Notemos,
ainda, que o peso do vetor ๐ define o número de erros ocorridos na transmissão, ou seja,
๐ ๐ = ๐ implica em ๐ erros na palavra recebida.
Vejamos um exemplo:
Suponha que de um código ๐ถ sobre o corpo galoisiano ๐น= 0,1 , seja transmitida uma a
palavra 0101100 e por alguma interferência no canal de transmissão, a palavra recebida
seja (1001010). Temos então, ๐ = 0101100 e ๐ = 1001010, logo, ๐ = 1001010 โ
0101100, ou seja, ๐ = 1100110. Como ๐ ๐ = ๐ 1100110 = 4, vemos que ocorreram 4
erros na transmissão.
Considerando ๐ป a matriz teste de paridade de um código ๐ถ, considerando ๐ um vetor
(palavra) de ๐ถ, sabemos que a síndrome de ๐ é nula, ou seja, ๐ป โ ๐ ๐ก = 0. Portanto, a síndrome
do vetor erro ๐ é dada por:
๐ป โ ๐๐ก = ๐ป โ ๐ โ ๐
๐ก
= ๐ป. ๐ ๐ก โ ๐ ๐ก = ๐ป โ ๐ ๐ก โ ๐ป โ ๐ ๐ก = ๐ป โ ๐ ๐ก โ 0 = ๐ป โ ๐ ๐ก
120
Portanto, a síndrome do erro é igual a síndrome da palavra recebida. De uma outra forma,
considerando ๐ = ๐ผ1 , ๐ผ2 , โฆ , ๐ผ๐ , temos:
๐ป โ ๐ ๐ก = ๐ป. ๐ ๐ก =
๐11
๐21
โฎ
๐ ๐ โ๐
=
๐ ๐โ๐
= ๐ผ1 โ
๐12
๐22
โฎ
๐ ๐โ๐
1
2
๐1๐
โฏ
โฏ
๐2๐
โฑ
โฎ
โฏ ๐ ๐ โ๐
๐
๐ผ1
๐ผ2
โ โฎ =
๐ผ๐
๐11 โ ๐ผ1 + ๐12 โ ๐ผ2 + โฏ + ๐1๐ โ ๐ผ๐
๐21 โ ๐ผ1 + ๐22 โ ๐ผ2 + โฏ + ๐2๐ โ ๐ผ๐
=
โฎ
1 โ ๐ผ1 + ๐ ๐ โ๐ 2 โ ๐ผ2 + โฏ + ๐ ๐โ๐ 1๐ โ ๐ผ๐
๐11
๐21
โฎ
๐ ๐โ๐
+ ๐ผ2 โ
1
๐12
๐22
โฎ
๐ ๐ โ๐
= ๐ผ1 โ ๐1 + ๐ผ2 โ ๐2 + โฏ + ๐ผ๐ โ ๐๐ =
+ โฏ + ๐ผ๐ โ
๐ ๐โ๐
2
๐
๐=1 ๐ผ๐
๐1๐
๐2๐
โฎ
=
1๐
โ ๐๐ , onde ๐๐ representa a ๐ โésima coluna da
matriz ๐ป.
Teorema 6.18: Considerando ๐ถ um código linear contido em ๐พ ๐ , capaz de corrigir até ๐
erros. Se uma palavra recebida ๐ pertence ao espaço ๐พ ๐ e a palavra transmitida ๐ pertence ao
código ๐ถ são tais que ๐(๐, ๐) โค ๐
, então existe um único vetor ๐ tal que ๐(๐) โค ๐
, cuja
síndrome é igual a síndrome de ๐, ou seja, ๐ป โ ๐ ๐ก = ๐ป โ ๐ ๐ก , tal que ๐ = ๐ โ ๐.
Demonstração: Para provar a existência, vejamos que pelo enunciado do teorema, temos
๐(๐, ๐) โค ๐
e, por tratar-se de uma métrica, sabemos que ๐ ๐, ๐ = ๐(๐, ๐) e pelo teorema 6.9,
๐ ๐, ๐ = ๐ ๐ โ ๐ = ๐(๐ โ ๐), logo, ๐(๐ โ ๐) โค ๐
implica que ๐(๐) โค ๐
, mostrando a
existência de ๐.
Para provar a unicidade, suponhamos ๐ป seja a matriz teste de paridade de um código ๐ถ
em ๐พ ๐ e que existam ๐ = ๐ผ1 , ๐ผ2 , โฆ , ๐ผ๐ e ๐ โฒ = ๐ฝ1 , ๐ฝ2 , โฆ , ๐ฝ๐ tais que ๐(๐) โค ๐
, ๐(๐โฒ) โค
๐
e ๐ป โ ๐ ๐ก = ๐ป โ ๐โฒ๐ก = ๐ป โ ๐, com ๐ sendo uma palavra recebida. Temos então:
๐ป โ ๐ ๐ก = ๐ป โ ๐โฒ๐ก โ ๐ผ1 โ ๐1 + ๐ผ2 โ ๐2 + โฏ + ๐ผ๐ โ ๐๐ = ๐ฝ1 โ ๐1 + ๐ฝ2 โ ๐2 + โฏ + ๐ฝ๐ โ ๐๐ , onde
๐๐ representa a ๐ โésima coluna de ๐ป. Daí, temos:
๐ผ1 โ ๐ฝ1 โ ๐1 + ๐ผ2 โ ๐ฝ2 โ ๐2 + โฏ + ๐ผ๐ โ ๐ฝ๐ โ ๐๐ = 0 e, pelo teorema 6.16, quaisquer
๐ โ 1 colunas de ๐ป são linearmente independentes, portanto, temos ๐ผ๐ = ๐ฝ๐ โ๐, logo, ๐ = ๐โฒ.
Para a determinação do vetor ๐, quando ๐(๐) โค 1, ou seja, quando ocorreu no
máximo um erro entre a palavra transmitida ๐ e a palavra recebida ๐, considerando um código
๐ถ com ๐ โฅ 3, temos:
121
I) Se ๐ป. ๐ ๐ก = 0, então ๐ ๐ = 0, o que implica que ๐ โ ๐ถ e não ocorreu erro, portanto,
tomamos ๐ = ๐.
II) Se ๐ป. ๐ ๐ก โ 0, então ๐ ๐ = 1 e temos um coordenada não nula no vetor ๐, por
exemplo a ๐ โésima, ou seja, ๐ = 0, 0, โฆ , ๐ผ๐ , โฆ , 0 . Como ๐ป โ ๐ ๐ก = ๐ป โ ๐ ๐ก =
๐
๐=1 ๐ผ๐
โ ๐๐ e, no caso, ๐ possui coordenadas nulas, com exceção da ๐ โésima, então
๐ป โ ๐ ๐ก = ๐ป โ ๐ ๐ก = ๐ผ๐ โ ๐๐ , onde ๐๐ é a ๐ โésima coluna da matriz ๐ป.
Exemplo:
Suponhamos o código do braço mecânico visto anteriormente e que uma palavra
recebida pelo circuito do braço seja ๐ = 10101 .
O código ๐ถ do braço mecânico está contido em ๐น 5 e o código de canal está contido em
๐น 2 , então, tomando quaisquer dois vetores linearmente independentes de ๐ถ, por exemplo
10110 e 01011 , constituímos uma base de ๐ถ e por conseqüência uma matriz geradora do
código ๐ถ:
1 0 1 1 0
. Note que ๐บ apresenta-se na forma padrão, ou seja, ๐บ = ๐ผ2 ๐ด ,
0 1 0 1 1
1 0 1 0 0
1 1 0
com ๐ด =
. Como devemos ter ๐ป = โ๐ด๐ก ๐ผ3 , então ๐ป = 1 1 0 1 0 é a
0 1 1
0 1 0 0 1
๐บ=
matriz teste de paridade do código ๐ถ.
Calculando a síndrome de ๐, temos:
1
1+0+1+0+0
1 0 1 0 0 0
0
๐ก
๐ป โ ๐ = 1 1 0 1 0 โ 1 = 1 + 0 + 0 + 0 + 0 = 1 . Vemos que ๐ป โ ๐ ๐ก = 1 โ ๐2 .
0+0+0+0+1
0 1 0 0 1 0
1
1
Como ๐ป โ ๐ ๐ก = ๐ป โ ๐ ๐ก , então ๐ป โ ๐ ๐ก = 1 โ ๐2 , o que implica que ๐ = 01000
e, por
consequência, ๐ = ๐ โ ๐ = 10101 โ 01000 = 11101 .
6.3.4.1 Classe lateral
Consideremos um código corretor de erros ๐ถ contido em ๐พ ๐ , com matriz teste de
paridade ๐ป, com distância mínima ๐ e capacidade de correção ๐
=
๐โ1
๐ป โ ๐ ๐ก = ๐ป โ ๐ ๐ก e se ๐ ๐ โค ๐
, então ๐ é univocamente determinado por ๐.
2
. Como vimos,
122
Considerando um vetor ๐ฃ do espaço ๐พ ๐ , definimos o conjunto ๐ฃ + ๐ถ, denominado
classe lateral de ๐ฃ segundo ๐ถ, da seguinte forma:
๐ฃ + ๐ถ = ๐ฃ + ๐, ๐ โ ๐ถ
Teorema 6.19: Dados dois vetores ๐ข, ๐ฃ โ ๐พ ๐ , ๐ป โ ๐ข๐ก = ๐ป โ ๐ฃ ๐ก se, e somente se, ๐ข โ ๐ฃ + ๐ถ.
Demonstração: ๐ป โ ๐ข๐ก = ๐ป โ ๐ฃ ๐ก โ ๐ป โ ๐ข๐ก โ ๐ป โ ๐ฃ ๐ก = 0 โบ ๐ป โ ๐ข๐ก โ ๐ฃ ๐ก = 0 โ
โบ๐ปโ ๐ขโ๐ฃ
๐ก
= 0 โบ ๐ข โ ๐ฃ โ ๐ถ โบ ๐ข โ ๐ฃ + ๐ถ.
O conjunto ๐ฃ + ๐ถ goza das seguintes propriedades:
I) ๐ฃ + ๐ถ = ๐ฃ โฒ + ๐ โบ ๐ฃ โ ๐ฃโฒ โ ๐ถ
II) ๐ฃ + ๐ถ โฉ ๐ฃ โฒ + ๐ถ โ โ
โน ๐ฃ + ๐ถ = ๐ฃ โฒ + ๐
III)
๐ฃโ๐พ ๐
๐ฃ + ๐ถ = ๐พ๐
IV) (๐ฃ + ๐ถ) = ๐ถ = ๐ ๐
V) ๐ฃ + ๐ถ = ๐ถ โ ๐ฃ โ ๐ถ
Demonstrações:
I)
โ Se ๐ฃ + ๐ถ = ๐ฃ โฒ + ๐ถ, então existem ๐1 , ๐2 โ ๐ถ tais que ๐ฃ + ๐1 = ๐ฃ โฒ + ๐2 , o que
implica que ๐ฃ โ ๐ฃ โฒ = ๐2 โ ๐1 , mas ๐ถ é um subespaço vetorial de ๐พ ๐ , portanto,
๐2 โ ๐1 โ ๐ถ, o que implica que ๐ฃ โ ๐ฃ โฒ โ ๐ถ.
โ
Suponhamos que ๐ฃ โ ๐ฃ โฒ โ ๐ถ, isso implica que ๐1 , ๐2 โ ๐ถ tais que ๐1 +
๐ฃ โ ๐ฃ โฒ = ๐2 , ou seja, ๐ฃ + ๐1 = ๐ฃ โฒ + ๐2 . Notemos que ๐ฃ + ๐1 โ ๐ฃ + ๐ถ e ๐ฃ โฒ + ๐2 โ
๐ฃ โฒ + ๐ถ, portanto, ๐ฃ + ๐ถ = ๐ฃ โฒ + ๐ถ.
II) Se
๐ฃ + ๐ถ โฉ ๐ฃ โฒ + ๐ถ , então existe ๐ข โ ๐ฃ + ๐ถ โฉ ๐ฃ โฒ + ๐ถ , o que implica que
๐ข โ ๐ฃ + ๐ถ e ๐ข โ ๐ฃโฒ + ๐ถ . Então, existem ๐1 , ๐2 โ ๐ถ tais que ๐ข = ๐ฃ + ๐1 e ๐ข = ๐ฃโฒ +
๐2 e por conseqüência ๐ฃ + ๐1 = ๐ฃโฒ + ๐2 . Da igualdade anterior temos ๐ฃ โ ๐ฃ โฒ = ๐2 โ
๐1 . Como ๐2 โ ๐1 โ ๐ถ, então ๐ฃ โ ๐ฃ โฒ โ ๐ถ e, pela propriedade I, temos que ๐ฃ + ๐ถ =
๐ฃ โฒ + ๐.
III) ๐พ ๐ é um espaço vetorial sobre o corpo ๐พ, logo, 0 โ ๐พ ๐ . Como ๐ถ é um subespaço
vetorial de ๐พ ๐ , então 0 โ ๐ถ. Para todo ๐ฃ โ ๐พ ๐ , ๐ฃ pode ser escrito como ๐ฃ + 0, o que
implica que ๐ฃ pertence a uma classe lateral ๐ฃ + ๐ถ, portanto, temos
๐ฃโ๐พ ๐
๐ฃ+๐ถ =
๐พ๐ .
IV) Sabemos que ๐ถ = ๐ ๐ = ๐, ou seja, ๐ถ = ๐1 , ๐2 , ๐3 , โฆ , ๐๐ . Seja ๐ฃ um vetor do
conjunto ๐ฃ + ๐ถ. Por definição, ๐ฃ + ๐ถ = ๐ฃ + ๐, ๐ โ ๐ถ , assim, ๐ฃ + ๐ถ = ๐ฃ +
123
๐1 , ๐ฃ + ๐2 , ๐ฃ + ๐3 , โฆ , ๐ฃ + ๐๐ , ou seja, ๐ฃ + ๐ถ = ๐โฒ1 , ๐โฒ2 , ๐โฒ3 , โฆ , ๐โฒ๐ , ou seja, ๐ฃ +
๐ถ = ๐ = ๐๐ = ๐ถ .
V) Notemos que ๐ถ = ๐1 , ๐2 , ๐3 , โฆ , ๐๐ = 0 + ๐1 , 0 + ๐2 , 0 + ๐3 , โฆ , 0 + ๐๐ = 0 + ๐ถ.
Se ๐ฃ + ๐ถ = ๐ถ, então ๐ฃ + ๐ถ = 0 + ๐ถ e pela propriedade I, temos que ๐ฃ + ๐ถ = 0 +
๐ถ โ ๐ฃ โ 0 โ ๐ถ โ ๐ฃ โ ๐ถ.
Pela propriedade II, temos que classes laterais diferentes segundo C são disjuntas.
Sabemos que ๐พ = ๐, o que implica que ๐พ ๐ = ๐ ๐ . Pela propriedade III,
๐พ ๐ , o que implica que
๐ฃโ๐พ ๐
๐ฃ+๐ถ
๐ฃโ๐พ ๐
๐ฃ+๐ถ =
= ๐พ ๐ = ๐ ๐ e pela propriedade IV, temos que
(๐ฃ + ๐ถ) = ๐ถ = ๐ ๐ . Assim, o número de classes laterais segundo ๐ถ é dado por
๐ฃโ๐พ ๐
๐ฃ+๐ถ
(๐ฃ+๐ถ)
๐๐
= ๐ ๐ = ๐ ๐โ๐ .
Exemplo:
Considerando o código linear ๐ถ utilizado no exemplo do braço mecânico, vimos que a
matriz
geradora
de
๐ถ
é
๐บ=
1 0 1 1 0
,
0 1 0 1 1
o
que
implica
que
๐ถ = 00000, 10110, 01011, 11101 . Dados ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 โ ๐น 5 , tais que ๐ฃ1 = 00000 ,
๐ฃ2 = 01000 e ๐ฃ3 = 01110 .As classes laterais de ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , ๐ฃ3 segundo ๐ถ são:
00000 + ๐ถ = 00000, 10110, 01011, 11101
01000 + ๐ถ = 01000, 11110, 00011, 10101
01110 + ๐ถ = 01110, 11000, 00101, 10011
O teorema 6.19 garante uma correspondência biunívoca entre classes laterais e
síndromes, de modo que todos os vetores de uma classe lateral possuam síndromes iguais e
vetores de classes laterais diferentes possuem síndromes diferentes.
Seja ๐ฅ um vetor pertencente a uma classe lateral de ๐ฃ segundo ๐ถ. Se ๐ ๐ฅ =
๐๐๐ ๐ ๐ฃ๐ ; ๐ฃ๐ โ ๐ฃ + ๐ถ , então dizemos que ๐ฅ é o líder de ๐ฃ + ๐ถ.
No exemplo anterior, temos que 00000 é o líder de 00000 + ๐ถ, 01000 é o líder de
01000 + ๐ถ e 11000 e 00101 são os líderes de 01110 + ๐ถ. Notemos que o líder de uma
classe não necessariamente é único.
Teorema 6.20: Considerando ๐ถ โ ๐พ ๐ um código com distância mínima ๐. Se ๐ฃ โ ๐พ ๐ é um
vetor tal que ๐ ๐ฃ โค
๐โ1
2
= ๐
, então ๐ฃ é o único elemento líder em sua classe lateral.
124
Demonstração: Sejam ๐ฃ1 , ๐ฃ2 โ ๐พ ๐ tais que ๐ ๐ฃ1 โค
então ๐ ๐ฃ1 โ ๐ฃ2 โค ๐ ๐ฃ1 + ๐ ๐ฃ2 โค
๐โ1
2
+
๐โ1
2
๐โ1
2
e ๐ ๐ฃ2 โค
๐โ1
2
. Se ๐ฃ1 โ ๐ฃ2 โ ๐ถ,
โค ๐ โ 1, portanto, ๐ฃ1 โ ๐ฃ2 = 0, o que
implica que ๐ฃ1 = ๐ฃ2 .
O teorema 6.19 constitui uma ferramenta importante para a determinação dos líderes
de classes de peso menor ou igual a
quais se tenha ๐ ๐ฃ๐ โค
๐โ1
2
๐โ1
2
. Para isso, basta tomar os vetores ๐ฃ๐ โ ๐พ ๐ , para os
. Cada um dos ๐ฃ๐ é líder de uma e somente uma classe.
Exemplo:
Vimos que a matriz teste de paridade do código ๐ถ โ ๐น 5 , do braço mecânico é
1 0 1 0 0
๐ป = 1 1 0 1 0 . Sabemos que nesse código, a distância mínima ๐ = 3, pois vemos
0 1 0 0 1
facilmente que quaisquer duas colunas de ๐ป são linearmente independentes enquanto que três
colunas de ๐ป são linearmente dependentes (teorema 6.16), o que implica que ๐
=
3โ1
2
๐โ1
2
=
= 1, ou seja, ๐ถ tem capacidade de correção de 1 erro. Os vetores ๐ฃ๐ โ ๐น 5 tais que
๐ ๐ฃ๐ โค 1 são 00000, 00001, 00010, 00100, 01000, 10000. Os líderes ๐ฃ๐ e suas respectivas
síndromes ๐ป โ ๐ฃ๐๐ก são apresentados na tabela a seguir:
Líder Síndrome
00000
000
00001
001
00010
010
00100
100
01000
011
10000
110
Suponhamos que duas palavras (comandos) ๐1 e ๐2 sejam transmitidas ao braço
mecânico e, devido a algum ruído, as palavras (comandos) recebidas sejam ๐1 = 11110 e
1
1+0+1+0+0
1 0 1 0 0 1
0
๐ก
๐2 = 11010 . Temos que ๐ป โ ๐1 = 1 1 0 1 0 โ 1 = 1 + 1 + 0 + 1 + 0 = 1 =
0+1+0+0+0
0 1 0 0 1 1
1
0
0 1
1 ๐ก , comparando com a tabela, temos ๐ = 01000 . Como ๐ = ๐ โ ๐, temos
๐1 = 11110 โ 01000 = 10110 . O comando transmitido foi para cima. Por outro lado,
125
1
1+0+0+0+0
1 0 1 0 0 1
1
๐ป โ ๐2๐ก = 1 1 0 1 0 โ 0 = 1 + 1 + 0 + 1 + 0 = 1 = 1 1 1 ๐ก . Vemos que a
0+1+0+0+0
0 1 0 0 1 1
1
0
síndrome 111 não é encontrada na tabela, portanto em ๐2 ocorreu mais de um erro e o
código ๐ถ não é capaz de corrigir.
Outro exemplo:
Suponha que desejemos transmitir a mensagem PROFMAT BRASIL através de um
código linear sobre o corpo galoisiano ๐น = 0,1 .
Abaixo mostraremos uma lista de procedimentos necessários até a obtenção do código
de canal necessário à transmissão da mensagem:
1) Fonte: (espaço), A, B, C, D, E, F, G, H, I, J, L, M, N, O, P, Q, R, S, T, U, V, X e Z,
com 24 caracteres.
2) Código da fonte: notemos que o código da fonte deve possuir no mínimo 24 palavras
código, portanto, adotaremos ๐ = 5, o que implica que o código de fonte está contido
em ๐น 5 . Utilizemos as seguintes informações:
๐๐ ๐๐ç๐ = 00000
๐ด = 10000
๐ต = 01000
๐ถ = 00100
๐ท = 00010
๐ธ = 00001
๐น = 11000
๐บ = 10100
๐ป = 10010
๐ผ = 10001
๐ฝ = 01100
๐ฟ = 01010
๐ = 01001
๐ = 00110
๐ = 00101
๐ = 00011
๐ = 11100
๐
= 10110
๐ = 10101
๐ = 11010
๐ = 11001
๐ = 01110
๐ = 00111
๐ = 11110
Observemos que ao transmitir a fonte ๐, utilizando o código de fonte 00011, se
ocorrer um erro, por exemplo, na quinta coordenada, o código recebido será 00010,
que equivale a fonte ๐ท e por consequência o erro não seria detectado.
3) Código de canal: por meio do acréscimo de redundâncias, o código de fonte é
convertido em código de canal. Suponhamos que o código de canal tenha
comprimento ๐ = 9. Temos então que o código ๐ถ é um subespaço vetorial do espaço
๐น 9 . Ou seja, ๐ถ é obtido através de uma transformação linear ๐: ๐น 5 โ ๐น 9 e, pelo que foi
visto, dim ๐ถ = ๐ = 5. Tomemos quaisquer cinco vetores linearmente independentes
de ๐น 9 para obtermos uma base de ๐ถ e, consequentemente, uma matriz ๐บ geradora do
código ๐ถ:
126
110010000 , 100100010 , 001001001 , 000010110 , 000101010
é uma
base de ๐ถ, pois os cinco vetores desse conjunto são linearmente independentes, logo,
1
1
๐บ= 0
0
0
1
0
0
0
0
0
0
1
0
0
0
1
0
0
1
1
0
0
1
0
0
0
1
0
1
0
0
0
1
0
0
1
0
1
1
0
0
1
0
0
é uma matriz geradora do código ๐ถ. Por
praticidade, determinaremos ๐บ โฒ = ๐ผ5 ๐ด
equivalente por linhas à matriz ๐บ,
apresentada na forma padrão:
1
1
0
0
0
0
1
0
0
0
1
0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
0
1
0
0
0
0
1
0
0
0
1
0
0
1
0
0
0
0
1
1
0
0
1
0
0
0
0
1
0
0
0
1
0
1
1
1
1
0
1
0
0
0
1
0
0
1
0
1
1
1
0
0
1
0
0
1
0 ๐ฟ โ ๐ฟ +๐ฟ 1
1
1
4
1
0
๐ฟ
โ
๐ฟ
+
๐ฟ
2
2
5
0
0
0
0
1
1 0
0 0 ๐ฟ โท ๐ฟ 0
2
0 1 1
0
๐ฟ
โ
๐ฟ
4
5
1 0
0
0
1 0
1
0
0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
1
0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
0
1
0
0
0
1
0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
1
0
1
1
0
1
1
1
1
1
0
1
0
0
1
0
0
1
0
0
1
1
0
0
1
1
0
1
0
1
1
0
0
1 ๐ฟ1 โ ๐ฟ1 + ๐ฟ2
0
0
0
0
Assim
1 = ๐บโฒ.
0
0
temos:
Fonte
espaço
A
B
C
D
E
F
G
H
I
J
L
M
N
O
P
Q
R
S
T
U
V
X
Z
Código da fonte
00000
10000
01000
00100
00010
00001
11000
10100
10010
10001
01100
01010
01001
00110
00101
00011
11100
10110
10101
11010
11001
01110
00111
11110
(Código daFonte).G
00000.G
10000.G
01000.G
00100.G
00010.G
00001.G
11000.G
10100.G
10010.G
10001.G
01100.G
01010.G
01001.G
00110.G
00101.G
00011.G
11100.G
10110.G
10101.G
11010.G
11001.G
01110.G
00111.G
11110.G
Código do canal
000000000
100001000
010001110
001001001
000010110
000101010
110000110
101000001
100100010
100011110
011000111
010100100
010011000
010100100
001011111
000111100
111001111
101101011
101010111
110101100
110010000
011101101
001110101
111100101
127
Portanto, as palavras do código a serem transmitidas, na ordem em que aparecem, são:
000111100 101101011 001011111 110000110 010011000 100001000 110101100
000000000 010001110 101101011 100001000 101010111 100011110 010100100
Suponhamos que ao utilizar o código acima, a seguinte mensagem seja recebida:
010011000 000101010 101010110 110101100 101101111 100001000 000010110
101011111 000000010 000111100 101101011 001011110 110000110 100011110
101010101 101010111 100011110 101011111 010100100 100001000 010100110
a qual desejamos decodificar. Suponhamos ainda que no máximo um erro tenha sido
introduzido em cada palavra transmitida.
1
0
โฒ
Da matriz geradora ๐บ = 0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
1
0
0
0
0
0
1
0
1
1
1
1
0
0
0
0
0
1
0
1
0
0
1
0
1
0
1
1
0
0
1
0
0
do código linear ๐ถ,
apresentada na forma padrão, obtemos uma matriz teste de paridade ๐ป = โ๐ด๐ก ๐ผ๐โ๐ . Como
๐ = 9 e ๐ = 5, então ๐ป = โ๐ด๐ก ๐ผ4 . Notemos que ๐ด =
1
0
0
0
1
1
1
0
1
0
0
1
1
0
1
0
0
1 1
1
0 1
, o que implica que ๐ป =
1
0 1
0
0 0
1
0
0
1
1
0
1
0
0
1
1
0
1
0
0
0
1
1
1
1
0
0
1
0
0
0
1
0
0
1
0
0
1
0
0
1
0
1
1
0
0
0
1
0
0
1 , então, โ๐ด๐ก =
0
0
.
Vemos que quaisquer duas colunas de ๐ป são linearmente independentes enquanto que
três colunas de ๐ป são linearmente dependentes. Pelo teorema 6.16 temos que ๐ ๐ถ = 3, o que
implica que ๐
=
๐โ1
2
=
3โ1
2
= 1, ou seja, ๐ถ tem capacidade de detecção de 2 erros e
correção de 1 erro.
Os vetores ๐ฃ๐ โ ๐น 9 , para os quais se tenha ๐ ๐ฃ๐ โค 1, classificados como líderes de
classe são: 000000000, 00000001, 000000010, 000000100, 000001000, 000010000,
00010000, 001000000, 010000000 e 100000000. Resolvendo os produtos ๐ป โ ๐ฃ๐๐ก ,
determinamos as síndromes dos líderes de classe, conforme a seguinte tabela:
Líder
000000000
000000001
000000010
000000100
000001000
Síndrome
0000
0001
0010
0100
1000
128
000010000
000100000
001000000
010000000
100000000
0110
1010
1001
1110
1000
Das vinte e uma palavras recebidas ๐๐ , calcularemos suas respectivas síndromes ๐ป โ ๐๐๐ก
e os erros ๐๐ , comparando com a tabela anterior e determinando as palavras transmitidas ๐๐ ,
identificando suas respectivas fontes. O procedimento descrito acima é apresentado na tabela
a seguir:
Palavra
recebida ๐๐
010011000
000101010
101010110
110101100
101101111
100001000
000010110
101011111
000000010
000111100
101101011
001011110
110000110
100011110
101010101
101010111
100011110
101011111
010100100
100001000
010100110
Síndrome
๐ฏ โ ๐๐๐
0000
0000
0001
0000
0100
0000
0000
1000
0010
0000
0000
0001
0000
0000
0010
0000
0000
1000
0000
0000
0010
Erro ๐๐
(líder)
000000000
000000000
000000001
000000000
000000100
000000000
000000000
100000000
000000010
000000000
000000000
000000001
000000000
000000000
000000010
000000000
000000000
100000000
000000000
000000000
000000010
Observação
Não houve erro
Não houve erro
Houve um erro
Não houve erro
Houve um erro
Não houve erro
Não houve erro
Houve um erro
Houve um erro
Não houve erro
Não houve erro
Houve um erro
Não houve erro
Não houve erro
Houve um erro
Não houve erro
Não houve erro
Houve um erro
Não houve erro
Não houve erro
Houve um erro
Palavra transmitida
๐๐ = ๐๐ โ ๐๐
010011000
000101010
101010111
110101100
101101011
100001000
000010110
001011111
000000000
000111100
101101011
001011111
110000110
100011110
101010111
101010111
100011110
001011111
010100100
100001000
010100100
Fonte
M
E
S
T
R
A
D
O
espaço
P
R
O
F
I
S
S
I
O
N
A
L
Portanto, a mensagem transmitida foi MESTRADO PROFISSIONAL.
6.3.5 Alguns exemplos de códigos lineares
6.3.5.1 Código de repetição
As características fundamentais de um código ๐
(๐) โ ๐น ๐ de repetição sobre o corpo
galoisiano ๐น = 0,1 são sua dimensão ๐ = 1, o número de palavras do código é ๐ = 2๐ =
21 = 2 e sua distância mínima ๐ = ๐.
129
O código de repetição descrito acima detecta até ๐ โ 1 erros e sua capacidade de
correção é ๐
=
corrige até
๐โ1
2
๐โ1
2
erros, o que leva-nos a deduzir que se ๐ for ímpar, então o código ๐
๐
erros enquanto que se ๐ for par, então o código ๐
(๐) corrige até
๐โ2
2
erros.
O processo de decodificação consiste na contagem do número de โzerosโ e do número
de โunsโ na palavra recebida, sendo que se houver um número maior de โunsโ, ou seja, esse
número estiver entre
๐+1
2
e ๐, para ๐ ímpar ou estiver entre
๐+2
2
e ๐ para ๐ par, então a palavra
é corrigida para (111 โฆ 1), caso contrário, a palavra é corrigida para (000 โฆ 0).
๐ ๐í๐๐๐ก ๐๐
๐ ๐í๐๐๐ก๐๐
Exemplo:
Um circuito digital comandado por controle remoto entra em funcionamento quando o
comando acionado é โonโ, e deixa de funcionar quando o comando acionado é โoffโ.
Temos então a fonte como sendo os comandos โonโ e โoffโ e podemos codificar esses
comandos de modo a se obter o código de fonte 1 e 0 respectivamente.
Já vimos anteriormente que a transmissão direta do código de fonte não é viável pois
caso ocorra um erro não é possível sua detecção e sua correção. Em virtude disso, utilizemos,
por exemplo, o código de repetição 6 representado por ๐
(6), temos então:
Fonte
Off
On
Código de fonte
0
1
Código de canal
000000
111111
Ao ser transmitido o comando โonโ, suponhamos que a transmissão sofra um erro e a palavra
código de ๐น 6 recebida seja 101101. O decodificador de fonte detectará o erro, pois 101101
não pertence a ๐
(6). Como o ๐ = 6 é par e o número de dígitos 1 está entre
๐+2
2
=
6+2
2
=4e
๐ = 6, então a palavra código 101101 é corrigida para 111111.
Notemos porém que um código de repetição não é viável, seja pela demora na
transmissão de palavras código com grande número de dígitos (bits), ou ainda pela
ineficiência na correção, pois no exemplo acima, se a palavra recebida fosse 101100, seria
impossível ao decodificador de canal decidir se a palavra correta transmitida era 000000 ou
111111.
130
6.3.5.2 Código de um dígito de paridade (Código de peso par)
Em alguns casos é mais interessante detectar a ocorrência de um erro do que corrigi-lo
propriamente, pois podemos ter um custo elevado na construção de redundâncias que sejam
capazes de corrigir esses erros, sendo mais viável a retransmissão da informação do que a
correção do erro detectado.
Uma forma de detectar um erro, com um baixo custo computacional, é o acréscimo de
um único dígito (bit) no código da fonte, obtendo assim, um código de canal com
comprimento maior que o código da fonte, por um dígito.
O dígito acrescido ao código de fonte, de modo a se obter o código de canal é
denominado dígito de verificação de paridade e é univocamente determinado em cada palavra
do código da fonte, com finalidade de obter um número par de dígitos โunsโ, de modo que se
houver um (único) erro de transmissão, o mesmo seja detectado, mas não corrigido.
Em um código ๐ถ โ ๐พ ๐ de um dígito de paridade com dimensão ๐, temos ๐ โ ๐ = 1.
Como o dígito de paridade é acrescido para que seja obtido um número par de โunsโ, então a
quantidade mínina de โunsโ em um vetor não nulo de ๐ถ é igual a 2, o que implica que a
distância mínima desse código (ou o seu peso) é ๐ = 2. Essa observação permite-nos verificar
que a capacidade de detecção do código ๐ถ é ๐ โ 1 = 2 โ 1 = 1 erro e sua capacidade de
correção é ๐
=
๐โ1
2
=
2โ1
2
= 0, ou seja, ๐ถ não é capaz de corrigir erros como mencionado
anteriormente.
Exemplo:
Voltemos ao braço mecânico apresentado anteriormente, do qual temos a seguinte
tabela:
Fonte
Código da fonte
Para a esquerda:
00
Para a direita:
01
Para cima:
10
Para baixo:
11
131
Diferente do que foi feito anteriormente, acrescentaremos como redundância apenas
um dígito, de modo que a quantidade de โunsโ seja par, obtendo com isso o código de canal
apresentado a seguir:
Fonte
Código da fonte
Código de canal
Para a esquerda:
00
000
Para a direita:
01
011
Para cima:
10
101
Para baixo:
11
110
É evidente que se um comando fosse dado ao braço mecânico, por exemplo โpara
baixoโ, cujo código de fonte e de canal são respectivamente 11 e 110 e ocorresse um erro, de
modo que o decodificador de canal recebesse a palavra 100, um erro seria imediatamente
detectado, pois 100 possui uma quantidade ímpar de โunsโ, porém, a correção seria
impossível uma vez que qualquer um dos três dígitos de100 poderia estar errado, acarretando
três possibilidades para a palavra transmitida: 000, 101 e 110.
6.3.5.3 Código de Hamming
Um código ๐ถ sobre o corpo galoisiano ๐น, cuja matriz teste de paridade é ๐ป๐ , de ordem
๐ × ๐, com colunas em ๐น ๐ \ 0 , em qualquer ordem, é denominado código de Hamming.
Como a matriz ๐ป๐ possui colunas em ๐น ๐ \ 0 , então, o seu número de colunas é dado
por 2๐ โ 1, o que implica que cada palavra de ๐ถ tem comprimento ๐ = 2๐ โ 1. A dimensão
do código ๐ถ é dada por ๐ = ๐ โ ๐, ou seja, ๐ = (2๐ โ 1) โ ๐, o que implica que ๐ = 2๐ โ
๐ โ 1. A distância mínima (ou o peso) em um código de Hamming é ๐ ๐ถ = 3 (teorema
6.16).
As
1
1
๐ป4 =
1
1
matrizes
1
1
1
0
0
1
1
1
1
1
0
1
1
0
1
1
1
1
0
0
0
1
1
0
0
0
1
1
1
0
1
0
1
0
0
1
0
1
0
1
1 1 1 0 1 0 0
๐ป3 = 1 1 0 1 0 1 0
e
1 0 1 1 0 0 1
1 0 0 0
0 1 0 0
são matrizes teste de paridade dos
0 0 1 0
0 0 0 1
códigos de Hamming correspondentes a ๐ = 3 e ๐ = 4 respectivamente.
132
Teorema 6.21: Todo código de Hamming é perfeito.
Demonstração: Por definição, um código é perfeito se
๐โ๐ถ ๐ท
๐, ๐ = ๐น ๐ . Consideremos o
código ๐ถ โ ๐น ๐ como sendo um código de Hamming, então ๐ถ possui distância mínima ๐ = 3,
o que implica que ๐
=
๐โ1
=
2
3โ1
2
= 1. Seja ๐ um vetor de ๐น ๐ . Sabemos que o número de
๐
๐=0
๐
โ ๐ โ 1 ๐ , portanto,
๐
= 1 โ 1 + ๐ โ 1 = 1 + ๐.
Assim,
discos de centro ๐ e raio ๐ em ๐น ๐ é dado por ๐ท ๐, ๐
๐ท ๐, 1
๐
โ 2โ1
0
=
๐โ๐ถ ๐ท
0
+
๐
โ 2โ1
1
1
=
= 1 + ๐ โ 2๐ = 1 + 2๐ โ 1 โ 2๐ โ๐ = 2๐ , ou seja,
๐, 1
๐โ๐ถ ๐ท
๐, 1
= ๐น๐ .
Portanto, ๐ถ é um código perfeito.
Teorema 6.22: Um código de Hamming é MDS se, e somente se, ๐ = 2.
Demonstração:
โ Se um código de Hamming é MDS, então ๐ = ๐ โ ๐ + 1, mas em todo código de
Hamming, ๐ = 3, o que implica que ๐ โ ๐ + 1 = 3, portanto, temos:
2๐ โ 1 โ 2๐ โ ๐ โ 1 + 1 = 3, o que implica que ๐ = 2.
โ
Em um código de Hamming de ordem ๐ = 2, temos ๐ = 22 โ 1 = 3 e ๐ = 22 โ 2 โ
1 = 1. Como em um código de Hamming temos sempre ๐ = 3, então ๐ = 3 โ 1 + 1 = ๐ โ
๐ + 1, portanto para ๐ = 2 um código de Hamming é MDS.
6.3.5.4 Código de Reed-Solomon
Consideremos um corpo finito ๐พ e um espaço vetorial ๐พ ๐
๐โ1
de todos os
polinômios ๐ ๐ฅ em ๐พ ๐ cujo grau seja menor ou igual a ๐ โ 1, juntamente com o
polinômio
nulo.
Uma
base
para
o
espaço
๐ต = 1, ๐, ๐ 2 , ๐ 3 , โฆ , ๐ ๐โ1 . Portanto, dim ๐พ ๐
๐โ1
vetorial
๐พ๐
๐โ1
é
o
conjunto
= ๐.
Consideremos ๐ โ โ e ๐ผ๐ โ ๐พ, com ๐ โ 1, 2, โฆ , ๐ , tal que ๐ผ๐ โ ๐ผ๐ sempre que ๐ โ ๐.
Uma função ๐: ๐พ ๐
๐โ1
โ ๐พ ๐ , ๐ < ๐, que a cada elemento ๐ ๐ฅ โ ๐พ ๐
๐ โupla ๐ ๐ผ1 , ๐ ๐ผ2 , ๐ ๐ผ3 , โฆ , ๐ ๐ผ๐
๐ ๐ฝโ๐ ๐ฅ
๐โ1
= ๐ ๐ผ1 + ๐ ๐ผ1 , ๐ ๐ผ2 + ๐ ๐ผ2 , โฆ , ๐ ๐ผ๐ + ๐ ๐ผ๐
= ๐ ๐ผ1 , ๐ ๐ผ2 , โฆ , ๐ ๐ผ๐ + ๐ ๐ผ๐
associa a
โ ๐พ๐ .
๐ é uma transformação linear, pois dados ๐ ๐ฅ , ๐(๐ฅ) โ ๐พ ๐
๐ ๐ ๐ฅ +๐ ๐ฅ
๐โ1
+ ๐ ๐ผ1 , ๐ ๐ผ2 , โฆ , ๐ ๐ผ๐
= ๐ฝ โ ๐ ๐ผ1 , ๐ฝ โ ๐ ๐ผ2 , โฆ , ๐ฝ โ ๐ ๐ผ๐
e ๐ฝ โ ๐พ, temos:
=
=๐ ๐ ๐ฅ
+ ๐(๐ ๐ฅ )
= ๐ฝ โ ๐ ๐ผ1 , ๐ ๐ผ2 , ๐ ๐ผ3 , โฆ , ๐ ๐ผ๐
e
=
133
=๐ฝโ๐ ๐ ๐ฅ .
Além disso, ๐ é uma transformação linear injetiva, pois ๐(๐ ๐ฅ ) = 0 implica que
๐ ๐ผ1 , ๐ ๐ผ2 , ๐ ๐ผ3 , โฆ , ๐ ๐ผ๐
= 0, 0, 0, โฆ , 0 , ou seja, ๐ ๐ผ1 = ๐ ๐ผ2 = ๐ ๐ผ3 = โฆ =
๐ ๐ผ๐ = 0, pois um polinômio de grau ๐ โ 1 não pode possuir ๐ raízes distintas. Assim,
temos ๐พ๐๐ ๐ = ๐ ๐ฅ โ ๐พ ๐
๐โ1 ; ๐
๐ผ1 = ๐ ๐ผ2 = โฆ = ๐ ๐ผ๐ = 0 , o que implica que
๐พ๐๐ ๐ = {๐}, logo, ๐ é injetiva.
Pelo Teorema 5.13, temos que dim ๐พ ๐
๐โ1
= dim ker(T) โก+ dim ๐ผ๐(๐). Como
๐พ๐๐ ๐ = {๐}, então dim ker(T) = 0, o que implica que dim ๐ผ๐(๐) = dim ๐พ ๐
๐โ1
= ๐,
ou seja, ๐ผ๐(๐) é um subespaço vetorial de ๐พ ๐ , com dimensão ๐. Podemos adotar ๐พ ๐
๐โ1
com sendo o código de fonte, ๐ผ๐ ๐ = ๐ถ como sendo o código de canal (um código linear) e
a transformação ๐ como sendo a codificação.
Ao código descrito acima denominamos código de Reed- Solomon, com comprimento
๐ e dimensão ๐, definido por ๐ผ1 , ๐ผ2 , ๐ผ3 , โฆ , ๐ผ๐ .
Notemos
que
dado
๐ โ ๐ถ,
tal
๐ โ 0,
que
๐ = ๐ ๐ผ1 , ๐ ๐ผ2 , ๐ ๐ผ3 , โฆ , ๐ ๐ผ๐ .
então
โ๐(๐ฅ) โ ๐พ ๐
๐โ1
tal
Por definição de peso de um código,
que ๐ ๐ = ๐ โ 1, 2, 3, โฆ , ๐ ; ๐ ๐ผ๐ โ 0 .
Como
๐ possui
que
temos
๐ coordenadas, então
๐ โ 1, 2, 3, โฆ , ๐ ; ๐ ๐ผ๐ โ 0 = ๐ โ ๐ โ 1, 2, 3, โฆ , ๐ ; ๐ ๐ผ๐ = 0 โฅ ๐ โ ๐๐ ๐ ๐ฅ .
Portanto, ๐ ๐ โฅ ๐ โ (๐ โ 1), o que implica que ๐ ๐ โฅ ๐ โ ๐ + 1, portanto, ๐ โฅ ๐ โ ๐ +
1. Pelo teorema 6.17 vimos que parâmetros ๐, ๐, ๐ de um código linear ๐ถ satisfazem a
desigualdade ๐ โค ๐ โ ๐ + 1. Das duas desigualdades acima temos ๐ = ๐ โ ๐ + 1.
Como ๐ต = 1, ๐, ๐ 2 , ๐ 3 , โฆ , ๐ ๐โ1
é uma base de ๐พ ๐
๐โ1 ,
temos que ๐ตโฒ =
๐(1), ๐(๐), ๐(๐ 2 ), ๐(๐ 3 ), โฆ , ๐(๐ ๐โ1 ) é uma base de ๐ถ, logo uma matriz geradora do
código ๐ถ pode ser representada por:
๐(1)
1
1
๐ผ1
๐ผ2
๐ ๐
๐บ = ๐(๐ 2 ) = ๐ผ12
๐ผ22
โฎ
โฎ
โฎ
๐โ1
๐โ1
๐โ1
๐ผ2
๐(๐ ) ๐ผ1
1
โฏ
โฏ ๐ผ๐
โฏ ๐ผ๐2 .
โฑ
โฎ
โฏ ๐ผ๐๐โ1
Exemplo: Consideremos um corpo finito ๐พ = โค7 , ๐ = 3, ๐ = 5 e ๐ผ1 = 1, ๐ผ2 = 2,
๐ผ3 = 3,
๐ผ4 = 4
e
๐ผ5 = 5.
Pela
definição
de
matriz
geradora,
temos
que
134
1
1
๐ผ1
๐ผ2
2
๐บ = ๐ผ1
๐ผ22
โฎ
โฎ
๐โ1
๐โ1
๐ผ1
๐ผ2
1
โฏ
โฏ ๐ผ๐
1 1 1 1 1
1 1 1 1 1
โฏ ๐ผ๐2 = 1 2 3 4 5 = 1 2 3 4 5 é uma matriz
โฑ
โฎ
12 22 32 42 52
1 4 2 2 4
โฏ ๐ผ๐๐โ1
geradora do código de Reed-Solomon de comprimento 5, dimensão 3 e definida pelos
elementos 1, 2, 3, 4, 5 do corpo โค7 , com distância mínima ๐ = ๐ โ ๐ + 1 = 5 โ 3 + 1 = 3
Para determinar uma matriz ๐บ โฒ = ๐ผ๐ ๐ด , na forma padrão, equivalente à matriz ๐บ,
observemos que, através do polinômio de Lagrange, visto em 4.5, podemos obter os
polinômios ๐1 ๐ฅ , ๐2 ๐ฅ , ๐3 (๐ฅ) โ ๐พ ๐
๐โ1 ,
tais que ๐1 ๐ผ1 = ๐2 ๐ผ2 = ๐3 ๐ผ3 = 1 e
๐1 ๐ผ2 = ๐1 ๐ผ3 = ๐2 ๐ผ1 = ๐2 ๐ผ3 = ๐3 ๐ผ1 = ๐3 ๐ผ2 = 0, da seguinte forma:
๐ฅ โ ๐ผ2 โ ๐ฅ โ ๐ผ3
๐ฅโ2 โ ๐ฅโ3
๐ฅ 2 โ 5๐ฅ + 6
๐1 ๐ฅ =
=
=
= 4๐ฅ 2 + ๐ฅ + 3
๐ผ1 โ ๐ผ2 โ ๐ผ1 โ ๐ผ3
1โ2 โ 1โ3
2
๐2 ๐ฅ =
๐ฅ โ ๐ผ1 โ ๐ฅ โ ๐ผ3
๐ฅโ1 โ ๐ฅโ3
๐ฅ 2 โ 4๐ฅ + 3
=
=
= 6๐ฅ 2 + 4๐ฅ + 4
๐ผ2 โ ๐ผ1 โ ๐ผ2 โ ๐ผ3
2โ1 โ 2โ3
โ1
๐3 ๐ฅ =
๐ฅ โ ๐ผ1 โ ๐ฅ โ ๐ผ2
๐ฅโ1 โ ๐ฅโ2
๐ฅ 2 โ 3๐ฅ + 2
=
=
= 4๐ฅ 2 + 2๐ฅ + 1
๐ผ3 โ ๐ผ1 โ ๐ผ3 โ ๐ผ2
3โ1 โ 3โ2
2
Notemos que ๐1 ๐ฅ , ๐2 ๐ฅ
e ๐3 (๐ฅ) são linearmente independentes, pois dados
๐ฝ1 , ๐ฝ2 , ๐ฝ3 โ ๐พ, ๐ฝ1 โ ๐1 ๐ฅ + ๐ฝ2 โ ๐2 ๐ฅ + ๐ฝ3 โ ๐3 ๐ฅ = 0 implica que ๐ฝ1 โ 4๐ฅ 2 + ๐ฅ + 3 +
๐ฝ2 โ 6๐ฅ 2 + 4๐ฅ + 4 + ๐ฝ3 โ 4๐ฅ 2 + 2๐ฅ + 1 = 0, o que equivale a ter o sistema de equações
4๐ฝ1 + 6๐ฝ2 + 4๐ฝ3 = 0
lineares ๐ฝ1 +4๐ฝ2 + 2๐ฝ3 = 0 , que implica que ๐ฝ1 = ๐ฝ2 = ๐ฝ3 = 0. Assim, ๐1 ๐ฅ , ๐2 ๐ฅ e
3๐ฝ1 + 4๐ฝ2 +๐ฝ3 = 0
๐3 (๐ฅ) formam uma base para ๐พ ๐
๐โ1
e, como ๐ é injetiva, então ๐ ๐1 ๐ฅ , ๐ ๐2 ๐ฅ
e
๐ ๐3 (๐ฅ) formam uma base do código de Reed-Solomon de comprimento 5, dimensão 3 e
definida pelos elementos 1, 2, 3, 4, 5 do corpo โค7 , com distância mínima ๐ = ๐ โ ๐ + 1 =
5 โ 3 + 1 = 3.
Logo,
๐ ๐1
๐บ = ๐ ๐2
๐ ๐3
โฒ
๐1 ๐ผ1
= ๐2 ๐ผ1
๐3 ๐ผ1
๐1 ๐ผ2
๐2 ๐ผ2
๐3 ๐ผ2
๐1 ๐ผ3
๐2 ๐ผ3
๐3 ๐ผ3
1 0 0 1 3
portanto, ๐บ โฒ = 0 1 0 4 6 é a matriz geradora na forma padrão.
0 0 1 3 6
๐1 ๐ผ4
๐2 ๐ผ4
๐3 ๐ผ4
๐1 ๐ผ5
๐2 ๐ผ5 ,
๐3 ๐ผ5
135
6.3.5.5 O código do Mariner 9 (Código de Reed-Muller de 1ª ordem)
A Mariner 9 foi uma sonda espacial lançada ao espaço em 30 de maio de 1971, com
objetivo de explorar o planeta Marte. Durante seu período de atividade, a sonda Mariner 9
enviou à terra mais de 7.000 fotos desse planeta.
O código utilizado para a detecção e correção de erros dos dados enviados pela sonda
Mariner 9 à terra, pertence a uma família de códigos ๐
(1, ๐) sobre ๐น = 0,1 , denominados
Códigos de Reed-Muller de Primeira Ordem.
A matriz ๐บ geradora desse código é obtida através da matriz teste de paridade de um
código de Hamming de dimensão ๐ โ ๐, ou seja, a matriz ๐ป๐ .
A matriz ๐บ possui ordem (๐ + 1) × 2๐ e, para construí-la, consideremos a matriz
๐11 ๐12
๐
๐22
๐ป๐ = 21
โฎ
โฎ
๐๐1 ๐๐2
โฆ ๐1 2๐ โ1
โฆ ๐2 2๐ โ1
. A matriz ๐บ possui a primeira linha com todos os elementos
โฑ
โฎ
โฆ ๐๐ 2๐ โ1
iguais a 1 e a coluna de ordem 2๐ (última coluna) possui todos os elementos nulos, com
๐2 2๐ โ1
๐21
๐22
โฆ
๐3 2๐ โ1
๐31
๐32
โฆ
exceção do primeiro. O bloco
é igual a matriz ๐ป๐ , ou
โฎ
โฎ
โฑ
โฎ
๐(๐ +1)1 ๐(๐ +1)2 โฆ ๐(๐ +1) 2๐ โ1
seja, ๐บ =
1
๐21
๐31
โฎ
1
๐22
๐32
โฎ
๐(๐ +1)1 ๐(๐ +1)2
1
โฏ
๐
โฏ
2 2๐ โ1
๐3 2๐ โ1
โฏ
โฑ
โฎ
โฏ ๐(๐ +1) 2๐ โ1
1
1
๐11
0
0 = ๐21
โฎ
โฎ
๐๐1
0
1
๐12
๐22
โฎ
๐๐2
โฏ
โฏ
โฏ
โฑ
โฏ
1
๐1
๐2
2๐ โ1
2๐ โ1
โฎ
๐๐
2๐ โ1
1
0
0
โฎ
0
Notemos que a primeira linha de ๐บ é linearmente independente das demais, basta
observar a última coluna dessa matriz. Temos também que todas as outras linhas de ๐บ, a partir
da segunda, também são linearmente independentes, pois o bloco ๐ป๐ garante esse fato. Sendo
assim, a dimensão do código ๐
(1, ๐) é ๐ + 1. O comprimento do código ๐
(1, ๐) é
evidentemente 2๐ , pois ๐บ possui 2๐ colunas. Determinemos agora a distância mínima do
código ๐
(1, ๐).
Primeiramente, observemos que uma matriz cujas colunas sejam cada um dos
2๐ vetores de ๐น ๐ possui linhas com 2๐ โ1 elementos iguais a 1 e 2๐ โ1 elementos iguais a 0.
Como as colunas de uma matriz ๐ป๐ de um código de Hamming são todos os vetores de
๐น ๐ \ 0 , então cada linha de ๐ป๐ possui 2๐ โ1 elementos iguais a 1 e 2๐ โ1 โ 1 dígitos iguais
a 0. Na matriz ๐บ geradora do código ๐
(1, ๐), excetuando-se a primeira linha, todas as demais
136
são formadas por linhas da matriz ๐ป๐ , acrescidas do dígito zero. Sendo assim, qualquer linha
da matriz ๐บ, com exceção da primeira, tem a metade dos elementos iguais a 1 e a outra
metade igual a zero, ou seja, cada vetor formado pela combinação linear dessas linhas possui
2๐ โ1 dígitos iguais a 1 e 2๐ โ1 dígitos iguais a zero, acarretando que o peso de cada um
desses vetores é igual a 2๐ โ1 . Resta-nos avaliar as combinações lineares com o vetor primeira
linha da matriz ๐บ, que possui peso 2๐ , pois possui suas 2๐ coordenadas iguais a 1. Notemos
que qualquer que seja ๐ฃ โ ๐
(1, ๐), 2๐ โ1 coordenadas de ๐ฃ são iguais a 1. Consideremos um
vetor ๐ข = ๐ฃ + (111 โฆ 11), o que implica que a soma das 2๐ โ1 coordenadas do vetor ๐ฃ com o
2๐ ๐í๐๐๐ก๐๐
vetor (111 โฆ 11) resultará em zero, fazendo com que ๐ข possua 2๐ โ1 dígitos iguais a zero.
2๐ ๐í๐๐๐ก๐๐
De maneira análoga, somando as 2๐ โ1 coordenadas iguais a zero do vetor ๐ฃ, com as 2๐ โ1
coordenadas do vetor (111 โฆ 11), obtermos 2๐ โ1 coordenadas iguais a 1, fazendo com que ๐ข
2๐ ๐í๐๐๐ก๐๐
possua 2๐ โ1 coordenadas iguais a 1.
Portanto, temos que no código ๐
(1, ๐), a distância mínima é ๐ = 2๐ โ1 .
Diante do exposto, os parâmetros ๐, ๐, ๐ do código ๐
(1, ๐) são 2๐ , ๐ + 1, 2๐ โ1 .
A capacidade de detecção e de correção de erros num código ๐
1, ๐
respectivamente, ๐ โ 1 = 2๐ โ1 โ 1 e ๐
=
๐โ1
2
=
2๐ โ1 โ1
2
são,
.
O código de detecção e correção de erros, utilizado nas transmissões da sonda espacial
Mariner 9, corresponde a ๐
(1,5). Seus parâmetros ๐, ๐, ๐ são 25 , 5 + 1, 25โ1 = 32,6,16
e sua capacidade de detecção e correção de erros são, respectivamente, ๐ โ 1 = 25โ1 โ 1 =
15 e ๐
=
6.4
2๐ โ1 โ1
2
=
25โ1 โ1
2
= 7.
ALGUMAS NOÇÕES SOBRE CÓDIGOS CÍCLICOS
Consideremos ๐พ um corpo finito e um espaço vetorial ๐พ ๐ no qual um vetor ๐ฃ possua
coordenadas ๐ฃ0 , ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , โฆ , ๐ฃ๐ โ1 .
Dizemos que um código ๐ถ contido no espaço vetorial ๐พ ๐ é um código cíclico quando
๐ถ é linear e โ๐ฃ โ ๐ถ, ๐ฃ = ๐ฃ0 , ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , โฆ , ๐ฃ๐โ1 , o vetor ๐ฃ โฒ = (๐ฃ๐โ1 , ๐ฃ0 , ๐ฃ1 , โฆ , ๐ฃ๐ โ2 ) também
pertence a ๐ถ.
137
Em outras palavras, ๐ถ é um código cíclico quando existe uma transformação
permutação cíclica ๐: ๐ถ โ ๐ถ que a cada vetor ๐ฃ = ๐ฃ0 , ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , โฆ , ๐ฃ๐ โ1
associa o vetor
๐ ๐ฃ = ๐ฃ๐โ1 , ๐ฃ0 , ๐ฃ1 , โฆ , ๐ฃ๐โ2 , conforme a figura a seguir:
Figura 3: Esquema de uma permutação cíclica
Notemos que de acordo com exposto, temos ๐(๐ถ) โ ๐ถ e que ๐ transformações
aplicadas a um vetor ๐ฃ retorna ao vetor ๐ฃ.
๐
é
uma
transformação
linear,
pois
dados
๐ผโ๐พ
๐ข, ๐ฃ โ ๐ถ,
com
๐ข = ๐ข0 , ๐ข1 , ๐ข2 , โฆ , ๐ข๐โ1 e ๐ฃ = ๐ฃ0 , ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , โฆ , ๐ฃ๐โ1 , temos:
๐ ๐ข + ๐ฃ = ๐ ๐ข0 , ๐ข1 , ๐ข2 , โฆ , ๐ข๐โ1 + ๐ฃ0 , ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , โฆ , ๐ฃ๐ โ1
=
= ๐ ๐ข0 + ๐ฃ0 , ๐ข1 + ๐ฃ1 , ๐ข2 + ๐ฃ2 , โฆ , ๐ข๐โ1 + ๐ฃ๐ โ1 =
= ๐ข๐โ1 + ๐ฃ๐โ1 , ๐ข0 + ๐ฃ0 , ๐ข1 + ๐ฃ1 , โฆ , ๐ข๐โ2 + ๐ฃ๐ โ2 =
= ๐ข๐โ1 , ๐ข0 , ๐ข1 , โฆ , ๐ข๐ โ2 + ๐ฃ๐โ1 , ๐ฃ0 , ๐ฃ1 , โฆ , ๐ฃ๐ โ2 =
= ๐ ๐ข0 , ๐ข1 , ๐ข2 , โฆ , ๐ข๐ โ1 + ๐ ๐ฃ0 , ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , โฆ , ๐ฃ๐ โ1 = ๐ ๐ข + ๐(๐ฃ) e
๐ ๐ผ โ ๐ข = ๐ ๐ผ โ ๐ข0 , ๐ข1 , ๐ข2 , โฆ , ๐ข๐ โ1
= ๐ ๐ผ โ ๐ข0 , ๐ผ โ ๐ข1 , ๐ผ โ ๐ข2 , โฆ , ๐ผ โ ๐ข๐โ1 =
= ๐ผ โ ๐ข๐โ1 , ๐ผ โ ๐ข0 , ๐ผ โ ๐ข1 , โฆ , ๐ผ โ ๐ข๐โ2 = ๐ผ โ ๐ข๐โ1 , ๐ข0 , ๐ข1 , โฆ , ๐ข๐โ2 =
= ๐ผ โ ๐ ๐ข0 , ๐ข1 , ๐ข2 , โฆ , ๐ข๐ โ1 = ๐ผ โ ๐(๐ข).
Ao vetor
๐ฃ๐โ1 , ๐ฃ0 , ๐ฃ1 , โฆ , ๐ฃ๐ โ2
denominamos desvio cíclico de ๐ฃ โ ๐ถ
e
representamos por ๐ ๐ฃ .
๐ ๐ฃ
é uma transformação que leva o vetor ๐ฃ โ ๐ถ ao eu desvio cíclico
๐ฃ๐โ1 , ๐ฃ0 , ๐ฃ1 , โฆ , ๐ฃ๐ โ2 . Notemos que ๐ é uma permutação cíclica, portanto, ๐ é bijetiva, logo,
existe ๐ โ1 tal que ๐ข โ ๐ถ tal que ๐ โ1 (๐ข) โ ๐ถ.
Exemplos:
a) O código ๐ถ1 = 000, 110, 101, 011 contido em ๐น 3 é cíclico, pois:
๐ 000 = 000 โ ๐ถ1
๐ 110 = 011 โ ๐ถ1
138
๐ 101 = 110 โ ๐ถ1
๐ 011 = 101 โ ๐ถ1
b) O código ๐ถ2 = 00000, 10110, 01011, 11101
contido em ๐น 5 , apresentado
anteriormente no exemplo do braço mecânico, não é cíclico, pois:
๐ 00000 = 00000 โ ๐ถ2
๐ 10110 = 01011 โ ๐ถ2
๐ 01011 = 10101 โ ๐ถ2
๐ 11101 = 11110 โ ๐ถ2 .
Consideremos um corpo ๐พ ๐ e o anel ๐
๐ = ๐พ ๐ฅ / ๐ฅ ๐ โ 1 quociente de ๐พ ๐ฅ pelo
ideal gerado por ๐ฅ ๐ โ 1. Temos que ๐
๐ = ๐ฃ0 + ๐ฃ1 ๐ฅ + ๐ฃ2 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐ฃ๐ โ1 ๐ฅ ๐ โ1 ; ๐ฃ๐ โ ๐พ .
Notemos que existe uma correspondência biunívoca entre os vetores de ๐พ ๐ e os elementos de
๐
๐ , que são polinômios (restos de divisão por ๐ฅ ๐ โ 1):
๐ฃ = ๐ฃ0 , ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , โฆ , ๐ฃ๐ โ1 โ ๐ฃ ๐ฅ = ๐ฃ0 + ๐ฃ1 ๐ฅ + ๐ฃ2 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐ฃ๐ โ1 ๐ฅ ๐โ1 .
Como ๐พ ๐ é um espaço vetorial, então ๐
๐ tem natureza de espaço vetorial.
Notemos que se ๐ฃ โฒ = ๐ฃ๐โ1 , ๐ฃ0 , ๐ฃ1 , โฆ , ๐ฃ๐ โ2
vetor ๐ฃ,
então
๐ฅ๐ฃ(๐ฅ)
deixa
resto
๐ฃ โฒ (๐ฅ)
é uma permutação cíclica do
quando
dividido
por ๐ฅ ๐ โ 1,
pois
๐ฅ๐ฃ ๐ฅ = ๐ฅ โ ๐ฃ0 + ๐ฃ1 ๐ฅ + ๐ฃ2 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐ฃ๐ โ1 ๐ฅ ๐โ1 = ๐ฃ0 ๐ฅ + ๐ฃ1 ๐ฅ 2 + ๐ฃ2 ๐ฅ 3 + โฏ + ๐ฃ๐โ1 ๐ฅ ๐
e
๐ฃ๐ โ1 โ ๐ฅ ๐ โ 1 + ๐ฃ๐โ1 + ๐ฃ0 ๐ฅ + ๐ฃ1 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐ฃ๐โ2 ๐ฅ ๐ โ1 = ๐ฃ0 ๐ฅ + ๐ฃ1 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐ฃ๐โ1 ๐ฅ ๐ , ou
seja, ๐ฅ๐ฃ ๐ฅ = ๐ฃ๐โ1 โ ๐ฅ ๐ โ 1 + ๐ฃ โฒ ๐ฅ . Assim, qualquer código cíclico ๐ถ contido em ๐
๐ pode
ser definido como um subespaço de ๐
๐ tal que, se ๐ฃ(๐ฅ) โ ๐ถ, então ๐ฅ๐ฃ(๐ฅ) โ ๐ถ.
Do exposto acima decorre que, se o código cíclico ๐ถ está contido em ๐
๐ e ๐ฃ(๐ฅ) โ ๐ถ,
então ๐ฅ๐ฃ(๐ฅ) โ ๐ถ, ๐ฅ 2 ๐ฃ ๐ฅ โ ๐ถ, ๐ฅ 3 ๐ฃ(๐ฅ) โ ๐ถ, etc. Observemos ainda que multiplicar por ๐ฅ
significa realizar um deslocamento cíclico de uma posição e multiplicar por ๐ฅ ๐ significa
realizar ๐ deslocamentos cíclicos.
Teorema 6.23: Um código linear ๐ถ โ ๐
๐ é um código cíclico se, e somente se, ๐ถ é um ideal
de ๐
๐ .
Demonstração:
โ Consideremos quem ๐ถ é um código linear cíclico. Sejam ๐ข ๐ฅ = (๐ข0 + ๐ข1 ๐ฅ + ๐ข2 ๐ฅ 2 +
โฏ + ๐ข๐ โ1 ๐ฅ ๐โ1 ) โ ๐
๐ e ๐ฃ ๐ฅ = (๐ฃ0 + ๐ฃ1 ๐ฅ + ๐ฃ2 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐ฃ๐โ1 ๐ฅ ๐ โ1 ) โ ๐ถ. Vejamos que
๐ข ๐ฅ โ ๐ฃ ๐ฅ = ๐ข0 โ ๐ฃ ๐ฅ + ๐ข1 ๐ฅ โ ๐ฃ ๐ฅ + ๐ข2 ๐ฅ 2 โ ๐ฃ ๐ฅ + โฏ + ๐ข๐ โ1 ๐ฅ ๐ โ1 โ ๐ฃ ๐ฅ . Como ๐ถ
é
cíclico, então, ๐ฅ ๐ โ ๐ฃ ๐ฅ โ ๐ถ, além disso, ๐ถ é linear, o que implica que a multiplicação de um
139
vetor ๐ฃ ๐ฅ โ ๐ถ por um escalar ๐ข๐ โ ๐พ e a soma de vetores em ๐ถ resultam em vetores de ๐ถ,
logo ๐ข ๐ฅ โ ๐ฃ ๐ฅ โ ๐ถ, o que mostra que ๐ถ é um ideal de ๐
๐ .
โ Se ๐ถ é um ideal de ๐
๐ , então, dado ๐ฅ โ ๐
๐ e ๐ฃ(๐ฅ) โ ๐ถ, então ๐ฅ๐ฃ(๐ฅ) โ ๐ถ. Mas, como
vimos anteriormente, ๐ฅ๐ฃ(๐ฅ) representa um deslocamento cíclico de uma posição, logo, ๐ถ é
cíclico.
๐
๐ é um anel de ideais principais, pois ๐
๐ recebe essa propriedade de ๐พ ๐ฅ e, como
vimos em 5.4, todos os ideais de ๐พ ๐ฅ são principais.
Qualquer que seja o ideal ๐ผ de ๐พ ๐ฅ , tal que ๐ผ โ ๐ฅ ๐ โ 1 , então ๐ผ é gerado por
polinômios mônicos que dividem ๐ฅ ๐ โ 1, ou seja, ๐ผ = ๐(๐ฅ) tal que ๐ ๐ฅ |๐ฅ ๐ โ 1. Desta
forma, um código cíclico ๐ถ é um ideal gerado por ๐ ๐ฅ :
๐ถ = ๐(๐ฅ) ; ๐ ๐ฅ |๐ฅ ๐ โ 1, daí, dizemos que ๐ ๐ฅ é um polinômio gerador de ๐ถ.
Como o comprimento de cada palavra código da fonte é ๐ e o comprimento de cada
palavra do código de canal é ๐, então, temos ๐๐ ๐ ๐ฅ
= ๐ โ ๐.
6.4.1 Codificação em código cíclico
6.4.1.1 Codificação polinomial
Voltemos ao exemplo do braço mecânico, porém, nesse momento, desejamos obter um
código ๐ถ cíclico sobre o corpo galoisiano ๐น = 0,1 . Vimos que o código de fonte necessário
para a codificação dos quatro comandos é o conjunto ๐น 2 = 00, 01, 10, 11 , cujos elementos
representaremos por ๐0 = 0,0 , ๐1 = 0,1 , ๐2 = 1,0 e ๐3 = 1,1 . A representação
dos códigos do canal na forma polinomial é ๐0 (๐ฅ) = 0, ๐1 (๐ฅ) = 1, ๐2 (๐ฅ) = ๐ฅ e ๐3 ๐ฅ =
1 + ๐ฅ. Vamos obter um código ๐ถ cíclico de comprimento ๐ = 6 e dimensão ๐ = 2. Um
polinômio ๐(๐ฅ) gerador do código ๐ถ é tal que ๐๐ ๐ ๐ฅ
= 6 โ 2 = 4 e ๐ ๐ฅ |๐ฅ 6 โ 1.
Decompondo ๐ฅ 6 โ 1, encontramos os polinômios fatores ๐ฅ โ 1 , ๐ฅ + 1 e ๐ฅ 4 + ๐ฅ 2 + 1 ,
ou seja, ๐ฅ 6 โ 1 = ๐ฅ โ 1 โ ๐ฅ + 1 โ ๐ฅ 4 + ๐ฅ 2 + 1 . Como ๐๐ ๐ ๐ฅ
= 4, então o polinômio
gerador de ๐ถ é ๐ ๐ฅ = 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 . Seja ๐๐ (๐ฅ) โ ๐ถ uma palavra do código, na forma
polinomial não sistemática, assim, ๐๐ ๐ฅ = ๐๐ (๐ฅ) โ ๐(๐ฅ), portanto, temos:
๐0 ๐ฅ = ๐0 ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ = 0 โ 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 = 0
๐1 ๐ฅ = ๐1 ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ = 1 โ 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 = 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4
๐2 ๐ฅ = ๐2 ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ = ๐ฅ โ 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 = ๐ฅ + ๐ฅ 3 + ๐ฅ 5
140
๐3 ๐ฅ = ๐3 ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ = 1 + ๐ฅ โ 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 = 1 + ๐ฅ + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 3 + ๐ฅ 4 + ๐ฅ 5 ,
assim, temos ๐ถ = 000000, 101010, 010101, 111111 .
Se quisermos determinar as palavras de um código cíclico ๐ถ, na forma sistemática, ou
seja, onde os ๐ últimos dígitos correspondem aos dígitos da palavra do código de fonte e os
๐ โ ๐ primeiros dígitos representam a redundância acrescida, então, procedemos da seguinte
forma:
Dada uma palavra ๐ do código da fonte, à qual desejamos acrescentar redundâncias e
obter uma palavra ๐ do código de canal, escrevemos ๐ na forma polinomial ๐ ๐ฅ = ๐0 +
๐1 ๐ฅ + ๐2 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐๐โ1 ๐ฅ ๐โ1 e multiplicamos por ๐ฅ ๐ โ๐ , obtendo um polinômio ๐ ๐ฅ =
๐(๐ฅ) โ
๐ฅ ๐ โ๐ de grau ๐ โ 1. Em seguida, dividimos o polinômio ๐ ๐ฅ pelo polinômio ๐(๐ฅ)
gerador do código do código cíclico, obtendo um polinômio resto ๐(๐ฅ), ou seja, ๐ ๐ฅ โ
๐(๐ฅ) = ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + ๐(๐ฅ). Note que ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ โ ๐(๐ฅ), ou seja, ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ =
๐(๐ฅ) โ ๐ถ. Logo, determinamos a palavra código do canal, na forma polinomial, fazendo
๐ ๐ฅ = โ๐ ๐ฅ + ๐(๐ฅ) โ
๐ฅ ๐ โ๐ . A palavra ๐ do código cíclico é obtida dos coeficientes do
polinômio ๐ ๐ฅ = ๐0 + ๐1 ๐ฅ + ๐2 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐๐โ1 ๐ฅ ๐ โ1 .
Observemos que, se o código ๐ถ é sobre um corpo ๐พ = ๐น = 0,1 , temos โ๐ ๐ฅ =
๐(๐ฅ), o que implica que ๐ ๐ฅ = โ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ โ
๐ฅ ๐โ๐ = ๐ ๐ฅ + ๐(๐ฅ) โ
๐ฅ ๐ โ๐ .
Exemplo:
Vimos acima que um código cíclico ๐ถ de comprimento ๐ = 6, para os comandos do
braço mecânico, possui dimensão ๐ = 2 e é gerado pelo polinômio ๐ ๐ฅ = 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 .
Apresentaremos na tabela a seguir as etapas da codificação polinomial:
๐
00
01
10
11
๐(๐)
0
๐ฅ
1
1+๐ฅ
๐๐โ๐ โ ๐(๐)
0
๐ฅ5
๐ฅ4
4
๐ฅ + ๐ฅ5
๐(๐)
0
๐ฅ + ๐ฅ3
1 + ๐ฅ2
1 + ๐ฅ + ๐ฅ2 + ๐ฅ3
๐(๐)
0
๐ฅ + ๐ฅ3 + ๐ฅ5
1 + ๐ฅ2 + ๐ฅ4
1 + ๐ฅ + ๐ฅ2 + ๐ฅ3 + ๐ฅ4 + ๐ฅ5
c
000000
010101
101010
111111
6.4.1.2 Codificação matricial
Teorema 6.24: Seja ๐ถ um código cíclico gerado por um polinômio ๐ ๐ฅ tal que ๐๐ ๐ ๐ฅ
๐ โ ๐ então os polinômios código ๐ ๐ฅ , ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ , ๐ฅ 2 โ ๐ ๐ฅ , โฆ , ๐ฅ ๐โ1 โ ๐ ๐ฅ
base para ๐ถ.
=
formam uma
141
Demonstração: Para demonstrar esse fato, devemos provar que os polinômios ๐ ๐ฅ , ๐ฅ โ
๐ ๐ฅ , ๐ฅ 2 โ ๐ ๐ฅ , โฆ , ๐ฅ ๐โ1 โ ๐ ๐ฅ são linearmente independentes e que geram o Código ๐ถ (que
é um espaço vetorial sobre ๐พ).
Dados ๐ผ0 , ๐ผ1 , โฆ , ๐ผ๐โ1 pertencentes a ๐พ tais que, se ๐ผ0 โ ๐ ๐ฅ + ๐ผ1 โ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + โฏ +
+๐ผ๐โ1 โ ๐ฅ ๐โ1 โ ๐ ๐ฅ = 0, então, temos
(๐ผ0 + ๐ผ1 ๐ฅ + ๐ผ2 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐ผ๐โ1 ๐ฅ ๐โ1 ) โ ๐ ๐ฅ = 0
๐๐ (๐ผ0 + ๐ผ1 ๐ฅ + ๐ผ2 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐ผ๐โ1 ๐ฅ ๐โ1 โค ๐ โ 1
como
๐๐ (๐ผ0 + ๐ผ1 ๐ฅ + ๐ผ2 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐ผ๐โ1 ๐ฅ ๐โ1 ) โ ๐ ๐ฅ
e
๐๐ ๐ ๐ฅ
= ๐ โ ๐,
โค ๐ โ ๐ + ๐ โ 1 = ๐ โ 1 < ๐,
então
o
que
implica que ๐ผ0 โ ๐ ๐ฅ + ๐ผ1 โ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + ๐ผ2 โ ๐ฅ 2 โ ๐ ๐ฅ + โฏ + ๐ผ๐โ1 โ ๐ฅ ๐โ1 โ ๐ ๐ฅ = 0 só se
verifica
๐ผ0 = ๐ผ1 = ๐ผ2 = โฏ , = ๐ผ๐โ1 = 0,
quando
portanto
๐ ๐ฅ , ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ , ๐ฅ 2 โ ๐ ๐ฅ , โฆ , ๐ฅ ๐โ1 โ ๐ ๐ฅ são polinômios linearmente independentes. Além
disso, pelo teorema 6.17, temos que โ๐ฃ(๐ฅ) โ ๐ถ, temos que ๐ฃ ๐ฅ = ๐ข ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ , onde
๐ข ๐ฅ โ ๐
๐ , ๐๐ ๐ข ๐ฅ
โค ๐ โ 1 e ๐ ๐ฅ é o gerador de ๐ถ. Assim:
๐ฃ ๐ฅ = ๐ข ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ = ๐ข0 + ๐ข1 ๐ฅ + ๐ข2 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐ข๐โ1 ๐ฅ ๐โ1 โ ๐ ๐ฅ =
= ๐ข0 โ ๐ ๐ฅ + ๐ข1 ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + ๐ข2 ๐ฅ 2 โ ๐ ๐ฅ + โฏ + ๐ข๐โ1 ๐ฅ ๐โ1 โ ๐ ๐ฅ =
= ๐ข0 โ ๐ ๐ฅ
+ ๐ข1 โ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ
+ ๐ข2 โ ๐ฅ 2 โ ๐ ๐ฅ
+ โฏ + ๐ข๐โ1 โ ๐ฅ ๐โ1 โ ๐ ๐ฅ ,
ou
seja,
qualquer que seja ๐ฃ(๐ฅ) โ ๐ถ, temos que ๐ฃ(๐ฅ) é escrito como combinação linear de ๐ ๐ฅ , ๐ฅ โ
๐ ๐ฅ , ๐ฅ 2 โ ๐ ๐ฅ , โฆ , ๐ฅ ๐โ1 โ ๐ ๐ฅ . Portanto, ๐ ๐ฅ , ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ , ๐ฅ 2 โ ๐ ๐ฅ , โฆ , ๐ฅ ๐โ1 โ ๐ ๐ฅ
é uma
base de ๐ถ.
O teorema 6.24 é de extrema importância para a representação matricial de um código
cíclico, pois, se um código ๐ถ tem comprimento ๐, dimensão ๐, é gerado pelo polinômio ๐(๐ฅ),
com ๐๐ ๐ ๐ฅ
= ๐ โ ๐, então, como ๐ ๐ฅ , ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ , ๐ฅ 2 โ ๐ ๐ฅ , โฆ , ๐ฅ ๐โ1 โ ๐ ๐ฅ é uma base de
๐ถ, a matriz ๐บ de ordem ๐ × ๐, geradora desse código é representada como:
๐ ๐ฅ
๐0
๐ฅ๐(๐ฅ)
0
2
๐บ = ๐ฅ ๐(๐ฅ) = 0
โฎ
โฎ
๐โ1
0
๐ฅ ๐(๐ฅ)
๐1
๐0
0
โฎ
0
๐2
๐1
๐0
โฎ
0
โฏ
โฏ ๐๐โ๐
0
0
โฏ ๐๐โ๐โ1 ๐๐โ๐
๐
โฏ ๐๐โ๐โ2 ๐๐โ๐โ1 ๐โ๐
โฎ
โฑ
โฎ
โฎ
๐
0
0
๐0
1
0
0
โฏ 0
0 โฏ ,
โฎ
โฑ
โฏ ๐๐โ๐
onde
๐๐
são
coeficientes do polinômio gerador.
Exemplo:
Seja ๐ถ um código cíclico de comprimento ๐ = 7 e dimensão ๐ = 4, sobre
o corpo galoisiano ๐น = 0,1 . Um polinômio ๐(๐ฅ), gerador de ๐ถ
possui grau
๐๐(๐ ๐ฅ = ๐ โ ๐ = 7 โ 4 = 3 e divide o polinômio ๐ฅ 7 โ 1. Decompondo ๐ฅ 7 โ 1,
142
encontramos os fatores ๐ฅ โ 1 , ๐ฅ 3 + ๐ฅ 2 + 1 e ๐ฅ 3 + ๐ฅ + 1 , ou seja, ๐ฅ 7 โ 1 = ๐ฅ โ 1 โ
1 + ๐ฅ2 + ๐ฅ3 โ 1 + ๐ฅ + ๐ฅ3 .
๐ฅ โ 1 โ 1 + ๐ฅ2 + ๐ฅ3 โ
Isso pode ser facilmente verificado efetuando o produto
1 + ๐ฅ + ๐ฅ 3 = โ1 + ๐ฅ โ ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 โ 1 + ๐ฅ + ๐ฅ 3 = โ1 โ ๐ฅ โ ๐ฅ 3 + ๐ฅ + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 โ ๐ฅ 2 โ
๐ฅ 3 โ ๐ฅ 5 + ๐ฅ 4 + ๐ฅ 5 + ๐ฅ 7 = โ1 โ 2๐ฅ 3 + 2๐ฅ 4 + ๐ฅ 7 ,
não
devemos
esquecer
que
os
coeficientes desses polinômios são elementos de ๐น = 0,1 , portanto, a aritmética
utilizada deve ser compatível com esse corpo, assim,
โ1 โ 2๐ฅ 3 + 2๐ฅ 4 + ๐ฅ 7 =
โ1 โ 0๐ฅ 3 + 0๐ฅ 4 + ๐ฅ 7 = ๐ฅ 7 โ 1 . Dessa decomposição, vemos que existem dois
polinômios de grau 3 que dividem ๐ฅ 7 โ 1, a saber 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 3 e 1 + ๐ฅ + ๐ฅ 3 , sendo que
qualquer um desses polinômios é um gerador do código ๐ถ.
Um polinômio gerador de um código cíclico ๐ถ é da forma ๐ ๐ฅ = ๐0 + ๐1 ๐ฅ + ๐2 ๐ฅ 2 +
โฏ + ๐๐โ1 ๐ฅ ๐ โ๐ . Como o comprimento do código ๐ถ acima é ๐ = 7 e sua dimensão é ๐ = 4,
então polinômio gerador de ๐ถ é da forma ๐ ๐ฅ = ๐0 + ๐1 ๐ฅ + ๐2 ๐ฅ 2 + ๐3 ๐ฅ 3 . Comparando
com um dos polinômios geradores acima, por exemplo, o polinômio 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 3 , temos:
๐0 + ๐1 ๐ฅ + ๐2 ๐ฅ 2 + ๐3 ๐ฅ 3 = 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 3 = 1 + 0๐ฅ + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 3 , o que implica que
๐0 = 1, ๐1 = 0, ๐2 = 1 e ๐3 = 1. Assim, uma matriz ๐บ de ordem ๐ × ๐, geradora do código
๐ถ é:
1
0
๐บ=
0
0
0
1
0
0
1
0
1
0
1
1
0
1
0
1
1
0
0
0
1
1
0
0
0
1
Note que a matriz ๐บ não se apresenta na forma padrão, portanto, gera palavras código
na forma não sistemática, mas, por meio de transformações elementares sobre as linhas de ๐บ,
podemos determinar uma matriz ๐บ โฒ = ๐
๐ผ๐ equivalente a ๐บ e apresentada na forma padrão.
A partir de ๐บโฒ geramos palavras código na forma sistemática.
Voltando ao exemplo anterior, do código cíclico ๐ถ referente aos comandos do braço
mecânico, um polinômio gerador de um código cíclico ๐ถ é da forma ๐ ๐ฅ = ๐0 + ๐1 ๐ฅ +
๐2 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐๐โ1 ๐ฅ ๐โ๐ . Como o comprimento do código ๐ถ acima é ๐ = 6 e sua dimensão é
๐ = 2, então polinômio gerador de ๐ถ é da forma ๐ ๐ฅ = ๐0 + ๐1 ๐ฅ + ๐2 ๐ฅ 2 + ๐3 ๐ฅ 3 + ๐4 ๐ฅ 4 .
Comparando com o polinômio gerador ๐ ๐ฅ = 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 , temos:
๐0 + ๐1 ๐ฅ + ๐2 ๐ฅ 2 + ๐3 ๐ฅ 3 + ๐4 ๐ฅ 4 = 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 = 1 + 0๐ฅ + ๐ฅ 2 + 0๐ฅ 3 + ๐ฅ 4 , o que
implica que ๐0 = 1, ๐1 = 0, ๐2 = 1, ๐3 = 0 e ๐4 = 1. Assim, uma matriz ๐บ de ordem
๐ × ๐ = 2 × 6, geradora do código ๐ถ é:
143
1 0 1 0 1 0
0 1 0 1 0 1
๐บ=
Note que a matriz ๐บ já se encontra na forma padrão ๐บ = ๐
๐ผ2 .
Para obter os elementos (palavras) do código ๐ถ é suficiente realizar o produto dos
vetores do código de canal pela matriz ๐บ:
1
0
1
0 1 โ
0
1
1 0 โ
0
1
1 1 โ
0
0
1
0
1
0
1
0
1
0 0 โ
1
0
1
0
1
0
1
0
0
1
0
1
0
1
0
1
1
0
1
0
1
0
1
0
0
1
0
1
0
1
0
1
= 0
0
0
0
0
0
= 0
1
0
1
0
1
= 1
0
1
0
1
0
= 1
1
1
1
1
1
Observe que as palavras código foram obtidas na forma sistemática em virtude de ๐บ
ser apresentada na forma padrão.
6.4.2 Código dual de um código cíclico
Teorema 6.25: Da do um código cíclico ๐ถ โ ๐พ ๐ , um código ๐ถ โฅ dual do código ๐ถ, é também
um código cíclico.
Demonstração: Se ๐ถ é um código cíclico, então, por definição, ๐ถ é linear. Como o código
dual de um código linear é também um código linear, então o código dual ๐ถ โฅ é um código
linear. Verifiquemos então que ๐ถ โฅ é cíclico. Para todo ๐ โ ๐ถ, temos que ๐ โ1 (๐) โ ๐ถ, dado
๐ฃ โ ๐ถ โฅ , temos que ๐ฃ โ ๐ โ1 ๐ = 0, mas ๐ฃ โ ๐ โ1 ๐ =
๐ โ1
๐=0 ๐ฃ๐
โ ๐๐+1 = ๐(๐ฃ) โ ๐ , portanto, o
fato de ๐ฃ โ ๐ถ โฅ , implica que ๐(๐ฃ) โ ๐ถ โฅ , portanto, ๐ถ โฅ é um código cíclico.
Se ๐ถ é um código cíclico de comprimento ๐, com polinômio gerador ๐(๐ฅ), cujo grau é
๐๐ ๐ ๐ฅ
= ๐ โ ๐, então existe ๐(๐ฅ) โ ๐พ[๐ฅ] tal que ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ = ๐ฅ ๐ โ 1. Ao polinômio
๐(๐ฅ) denominamos polinômio de paridade do código ๐ถ. Como ๐(๐ฅ) e ๐ฅ ๐ โ 1 são polinômios
mônicos, então ๐(๐ฅ) é também um polinômio Mônico. Notemos ainda que se ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ =
๐ฅ ๐ โ 1, então temos ๐๐ ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ
๐๐ ๐ฅ ๐ โ 1 , ou seja, ๐๐ ๐ ๐ฅ
= ๐๐ ๐ฅ ๐ โ 1 e, portanto, ๐๐ ๐ ๐ฅ
+ ๐ โ ๐ = ๐, o que implica que ๐๐ ๐ ๐ฅ
+ ๐๐ ๐ ๐ฅ
=
= ๐.
Em geral, o polinômio ๐(๐ฅ) de paridade de um código ๐ถ não é o gerador do código
dual ๐ถ โฅ .
144
Teorema 6.26: ๐(๐ฅ) โ ๐ถ se, e somente se, ๐(๐ฅ) โ ๐(๐ฅ) deixa resto zero quando dividido por
๐ฅ ๐ โ 1.
Demonstração: Dizer que ๐(๐ฅ) โ ๐(๐ฅ) deixa resto zero quando dividido por ๐ฅ ๐ โ 1 equivale
a dizer que existe ๐ง(๐ฅ) โ ๐พ[๐ฅ] tal que ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ = ๐ง(๐ฅ) โ ๐ฅ ๐ โ 1 , o que equivale a
๐ ๐ฅ = ๐ง(๐ฅ) โ ๐(๐ฅ) ou ainda que ๐ ๐ฅ โ ๐(๐ฅ) = ๐ถ.
Teorema 6.27: Seja ๐ถ um código cíclico de comprimento ๐ e dimensão ๐, cujo polinômio de
paridade é ๐ ๐ฅ = ๐0 + ๐1 ๐ฅ + ๐2 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐๐ ๐ฅ ๐ , então a matriz ๐ป(๐โ๐)×๐ , definida por
๐๐ ๐๐โ1 โฏ
0 ๐๐ ๐๐โ1
โฑ
๐ป= โฑ
โฑ
0
0 โฏ
โฏ
0 โฏ
โฏ
๐0 0
0
โฏ ๐0
โฑ
โฑ
โฑ
๐
๐๐ ๐โ1 โฏ
0 ๐๐ ๐๐โ1
โฏ
โฏ
โฑ
๐0
โฏ
0
0
โฑ é a matriz teste de paridade para o
0
๐0
código ๐ถ.
Demonstração: ๐๐ = 1, pois ๐(๐ฅ) é um polinômio mônico e as linhas de ๐ป são linearmente
independentes. Dado ๐ โ ๐ถ tal que ๐ ๐ฅ = ๐0 + ๐1 ๐ฅ + ๐2 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐๐โ1 ๐ฅ ๐ โ1 , pelo teorema
6.26 ๐(๐ฅ) โ ๐ถ se, e somente se, ๐(๐ฅ) โ ๐(๐ฅ) deixa resto zero quando dividido por ๐ฅ ๐ โ 1,
assim, desenvolvendo ๐(๐ฅ) โ ๐(๐ฅ), temos:
๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ = ๐0 ๐0 + ๐0 ๐1 + ๐1 ๐0 + โฏ +
๐๐ ๐๐
๐ฅ๐ + โฏ +
๐+๐ =๐
+ โฏ+
๐๐ ๐๐
๐๐ ๐๐
๐ฅ ๐ โ1
๐+๐ =๐โ1
๐ฅ ๐ + โฏ + ๐๐โ1 ๐๐ ๐ฅ ๐ +๐โ1
๐+๐ =๐
O desenvolvimento acima deixa resto zero quando dividido por ๐ฅ ๐ โ 1, portanto, os
termos de graus ๐ até ๐ + ๐ โ 1 transformam-se em termos de grau 0 a ๐ โ 1,
respectivamente, portanto, os termos de graus ๐ a ๐ โ 1 deixam resto zero quando divididos
por ๐ฅ ๐ โ 1. Assim, ๐(๐ฅ) โ ๐ถ se, e somente se, é solução do seguinte sistema de equações:
๐0 ๐๐ + ๐1 ๐๐โ1 + โฏ + ๐๐ ๐0 = 0
๐1 ๐๐ + โฏ + ๐๐ ๐1 +๐๐+1 ๐0 = 0
โฎ
๐๐โ๐โ1 ๐๐ + โฏ +๐๐โ1 ๐0 = 0
Representando o sistema acima em notação matricial, temos ๐ป โ ๐ ๐ก , o que implica que
๐ป é a matriz teste de paridade do código ๐ถ.
145
Teorema 6.28: Seja ๐ถ um código cíclico de comprimento ๐ e dimensão ๐, cujo
polinômio de paridade é ๐ ๐ฅ = ๐0 + ๐1 ๐ฅ + ๐2 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐๐ ๐ฅ ๐ , então o polinômio ๐โ ๐ฅ =
๐ฅ ๐ ๐(๐ก โ1 ) โ ๐พ[๐ฅ] é um gerador do código dual ๐ถ โฅ . (O polinômio ๐โ (๐ฅ) é denominado
polinômio recíproco de ๐(๐ฅ))
Demonstração: Temos ๐๐ = 1 pois ๐ é um polinômio Mônico, portanto, resta-nos provar
que
๐โ ๐ฅ |๐ฅ ๐ โ 1.
Como
๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ = ๐ฅ ๐ โ 1,
๐ ๐ฅ โ1 โ ๐ ๐ฅ โ1 = ๐ฅ โ๐ โ 1.
então,
Multiplicando a igualdade por โ๐ฅ ๐ , temos โ๐ฅ ๐ โ ๐ ๐ฅ โ1 โ ๐ ๐ฅ โ1 = โ๐ฅ ๐ โ ๐ฅ โ๐ โ 1 , que
equivale a ๐ฅ ๐ โ ๐ ๐ฅ โ1 โ โ๐ฅ ๐โ๐ โ ๐ ๐ฅ โ1
= ๐ฅ ๐ โ 1, ou seja, ๐โ ๐ฅ โ โ๐ฅ ๐โ๐ โ ๐ ๐ฅ โ1
=
๐ฅ ๐ โ 1. Logo, ๐โ ๐ฅ divide ๐ฅ ๐ โ 1 e, portanto, é um polinômio gerador do código dual ๐ถ โฅ do
código ๐ถ.
Exemplo: Considerando código ๐ถ de comprimento 7 e dimensão 4 sobre ๐น{0, 1},
visto anteriormente, cujo polinômio gerador é ๐ ๐ฅ = 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 . Da igualdade ๐ ๐ฅ โ
๐ ๐ฅ = ๐ฅ 7 โ 1, temos:
๐ฅ7
โ1
๐ฅ3
7
4
6
โ๐ฅ โ๐ฅ โ๐ฅ
๐ฅ4
โ๐ฅ 6 โ๐ฅ 4 โ1
๐ฅ 6 +๐ฅ 5 +๐ฅ 3
+๐ฅ 5 โ๐ฅ 4 +๐ฅ 3
โ๐ฅ 5 โ๐ฅ 4 โ๐ฅ 2
+๐ฅ 3
โ๐ฅ 3
0
+๐ฅ 2 +1
โ๐ฅ 3 +๐ฅ 2 +1
โ1
โ๐ฅ 2
โ๐ฅ 2
0
โ1
โ1
0
Note que estamos operando em ๐น = {0,1}, portando, ๐ฅ 4 โ ๐ฅ 3 + ๐ฅ 2 + 1 = ๐ฅ 4 + ๐ฅ 3 +
๐ฅ 2 + 1. Assim, temos ๐ ๐ฅ = 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 3 + ๐ฅ 4 como polinômio de paridade de ๐ถ. Isso
implica que a matriz teste de paridade para ๐ถ é:
1 1 1 0 1 0 0
๐ป= 0 1 1 1 0 1 0
0 0 1 1 1 0 1
Como ๐ ๐ฅ = 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 3 + ๐ฅ 4 = 1 โ ๐ฅ 0 + 0 โ ๐ฅ + 1 โ ๐ฅ 2 + 1 โ ๐ฅ 3 + 1 โ ๐ฅ 4 , então o
polinômio recíproco de ๐(๐ฅ) é:
๐โ ๐ฅ = 1 โ ๐ฅ 0
โ1
+ 0 โ ๐ฅ1
โ1
+ 1 โ ๐ฅ2
โ1
+ 1. ๐ฅ 3
โ1
+ 1 โ ๐ฅ4
โ1
๐โ ๐ฅ = 1 โ ๐ฅ 4 + 0 โ ๐ฅ 3 + 1 โ ๐ฅ 2 + 1. ๐ฅ1 + 1 โ ๐ฅ 0
๐โ ๐ฅ = 1 + ๐ฅ + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4
Portanto, ๐โ ๐ฅ = 1 + ๐ฅ + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 é o polinômio gerador do código dual ๐ถ โฅ de ๐ถ.
146
6.4.3 Decodificação em código cíclico
Seja ๐ถ um código cíclico, ๐ โ ๐ถ a mensagem enviada e ๐ a mensagem recebida. Na
forma polinomial, temos ๐(๐ฅ) e ๐(๐ฅ).
Notemos inicialmente que se ๐บ é uma matriz geradora do código ๐ถ, então, por meio de
transformações elementares sobre as linhas de ๐บ obtemos uma matriz ๐บโฒ na forma padrão, ou
seja, ๐บ โฒ = ๐
๐ผ๐ , da qual se obtém uma matriz teste de paridade ๐ป = ๐ผ๐โ๐ โ ๐
๐ .
Representemos por โ ๐๐ (๐ฅ) o polinômio correspondente à ๐ โésima linha da matriz ๐
. Assim,
a ๐ โésima linha da matriz ๐บโฒ é representada pelo polinômio โ๐๐ ๐ฅ + ๐ฅ ๐ โ๐+๐ , com
๐๐ โ๐๐ ๐ฅ
โค ๐ โ ๐ โ 1, pois a matriz ๐
possui ๐ โ ๐ colunas.
Sabemos que cada linha da matriz ๐บโฒ é uma palavra do código cíclico ๐ถ. Como ๐ถ é
gerado por ๐(๐ฅ), então, cada linha de ๐บโฒ é um múltiplo de ๐(๐ฅ), ou seja, existe ๐๐ (๐ฅ), tal que
โ๐๐ ๐ฅ + ๐ฅ ๐ โ๐+๐ = ๐๐ (๐ฅ) โ ๐(๐ฅ) ou ainda que ๐ฅ ๐ โ๐+๐ = ๐๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + ๐๐ ๐ฅ ,
โ๐ โ
1, 2, โฆ , ๐ โ 1 , ou seja, ๐๐ ๐ฅ é o resto da divisão de ๐ฅ ๐ โ๐+๐ por ๐(๐ฅ).
Como um código cíclico é linear, então, podemos utilizar a decodificação por
síndrome para códigos lineares, ou seja, se ๐(๐ฅ) โ ๐พ ๐ , é uma palavra recebida, onde ๐พ é um
corpo finito, então devemos determinar uma síndrome ๐ (๐).
Teorema 6.29: A síndrome ๐ (๐ ๐ฅ ) de uma palavra ๐ recebida é o resto da divisão de ๐(๐ฅ)
pelo polinômio gerador ๐(๐ฅ) do código ๐ถ.
Demonstração: Considerando que ๐ถ é um código linear com matriz geradora na forma
padrão ๐บ โฒ = ๐
๐ผ๐ , então existe uma matriz teste de paridade de ๐ถ na forma padrão,
representada por ๐ป = ๐ผ๐โ๐ โ ๐
๐ . Notemos que as colunas de โ๐
๐ são os vetores
representados
por
๐0 ๐ฅ , ๐1 ๐ฅ , โฆ , ๐๐โ1 (๐ฅ).
Como
๐ = (๐0 , ๐1 , โฆ , ๐๐โ1 ),
então
a
representação polinomial de ๐ é ๐ ๐ฅ = ๐0 + ๐1 ๐ฅ + ๐2 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐๐โ1 ๐ฅ ๐ โ1 . Por definição, a
síndrome de ๐ é ๐ (๐) = ๐ป โ ๐ ๐ก e, em representação polinomial, utilizando a matriz ๐ป =
๐ผ๐โ๐ โ ๐
๐ , temos:
๐ ๐ ๐ฅ
= ๐0 + ๐1 ๐ฅ + ๐2 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐๐โ๐โ1 ๐ฅ ๐โ๐โ1 + ๐๐โ๐ ๐0 ๐ฅ + ๐๐โ๐+1 ๐1 ๐ฅ + โฏ + ๐๐โ1 ๐๐โ1 (๐ฅ)
๐โ1
๐ ๐ ๐ฅ
๐๐โ๐+๐ (๐๐ ๐ฅ โ ๐ฅ ๐โ๐+๐
=๐ ๐ฅ โ
๐=0
๐โ1
๐ ๐ ๐ฅ
=๐ ๐ฅ โ
๐โ1
๐๐โ๐+๐ ๐๐ ๐ฅ โ ๐(๐ฅ) = ๐ ๐ฅ โ
๐=0
๐๐โ๐+๐ ๐๐ ๐ฅ
๐=0
โ๐ ๐ฅ
147
Sendo ๐ ๐ฅ =
๐โ1
๐=0 ๐๐โ๐+๐ ๐๐
๐ฅ , temos ๐ ๐ ๐ฅ
= ๐ ๐ฅ โ ๐(๐ฅ) โ ๐(๐ฅ), ou seja,
๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ ๐ฅ , o que implica que a síndrome ๐ ๐ ๐ฅ
é o resto da divisão do
polinômio ๐ ๐ฅ pelo polinômio gerador ๐(๐ฅ).
Temos ainda que caso haja erros na transmissão de uma palavra código ๐ de modo que
a palavra recebida seja ๐, então o vetor erro ๐ é tal que ๐ = ๐ + ๐ e ๐ ๐ = ๐ (๐). Caso ๐ (๐)
seja o vetor nulo, então ๐ (๐) é o vetor nulo e não ๐ = ๐.
O peso de um elemento ๐ฃ(๐ฅ) โ ๐
๐ , com ๐ฃ ๐ฅ = ๐ฃ0 + ๐ฃ1 ๐ฅ + โฏ + ๐ฃ๐โ1 ๐ฅ ๐ โ1 , é
definido como sendo ๐ ๐ฃ ๐ฅ
= ๐ ๐ฃ = ๐ ๐ฃ0 , ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , โฆ , ๐ฃ๐โ1 . Pelo teorema 6.29, se um
código linear possui distância mínima ๐, e, se ๐ (๐ ๐ฅ ) é tal que ๐ ๐ ๐(๐ฅ)
โค
๐โ1
2
= ๐
,
então ๐ (๐(๐ฅ)) é um líder da classe ๐ ๐(๐ฅ) + ๐ถ, logo, decodificamos ๐ ๐ฅ , obtendo
๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ โ ๐ (๐(๐ฅ)), onde ๐ (๐ ๐ฅ ) é o resto da divisão de ๐(๐ฅ) pelo polinômio gerador
๐(๐ฅ).
Exemplos:
1) Considerando o código cíclico ๐ถ do braço mecânico. O polinômio gerador de ๐ถ é
๐ ๐ฅ = 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 e ๐
= 1. Seja ๐ = 111111 a palavra transmitida, que na forma
polinomial é ๐ ๐ฅ = 1 + ๐ฅ + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 3 + ๐ฅ 4 + ๐ฅ 5 . Suponhamos que a palavra recebida tenha
sido ๐ = 110111, cuja representação polinomial é ๐ ๐ฅ = 1 + ๐ฅ + ๐ฅ 3 + ๐ฅ 4 + ๐ฅ 5 .
๐(๐ฅ)
Resolvendo o quociente ๐(๐ฅ), temos:
๐ฅ 5 +๐ฅ 4 +๐ฅ 3 +๐ฅ +1 ๐ฅ 4 +๐ฅ 2 +1
๐ฅ+1
โ๐ฅ 5
โ๐ฅ 3 โ๐ฅ
4
+๐ฅ
+1
โ๐ฅ 4 โ๐ฅ 2
โ1
2
โ๐ฅ
Veja que ๐ ๐ฅ = โ๐ฅ 2 + (๐ฅ + 1) โ (1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 ), portanto, a síndrome da palavra recebida é
๐ ๐(๐ฅ) = โ๐ฅ 2 .
Como ๐ ๐ ๐(๐ฅ)
= 1,
então
๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ โ ๐ (๐(๐ฅ)) equivale a
๐ ๐ฅ = 1 + ๐ฅ + ๐ฅ 3 + ๐ฅ 4 + ๐ฅ 5 โ โ๐ฅ 2 = 1 + ๐ฅ + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 3 + ๐ฅ 4 + ๐ฅ 5 , o que implica que a
palavra transmitida foi ๐ = 111111.
148
2) Suponhamos agora que a palavra transmitida seja ๐ = 010101, cuja forma
polinomial equivalente é ๐ ๐ฅ = ๐ฅ + ๐ฅ 3 + ๐ฅ 5 e que a palavra recebida seja ๐ = 010111 cuja
representação polinomial é ๐ ๐ฅ = ๐ฅ + ๐ฅ 3 + ๐ฅ 4 + ๐ฅ 5 .
๐(๐ฅ)
Resolvendo o quociente ๐(๐ฅ), temos:
๐ฅ 5 +๐ฅ 4 +๐ฅ 3
โ๐ฅ 5
โ๐ฅ 3
4
+๐ฅ
โ๐ฅ 4 โ๐ฅ 2
โ๐ฅ 2
+๐ฅ ๐ฅ 4 +๐ฅ 2 +1
โ๐ฅ
๐ฅ+1
โ1
โ1
Veja que ๐ ๐ฅ = (1 + ๐ฅ 2 ) + (๐ฅ + 1) โ (1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 ), portanto, a síndrome da palavra
recebida é ๐ ๐(๐ฅ) = 1 + ๐ฅ 2 , como ๐ ๐ ๐(๐ฅ)
= 2 > 1 = ๐
, então não podemos ainda
decodificar ๐ ๐ฅ utilizando ๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ โ ๐ (๐(๐ฅ)). Porém, os polinômios ๐ ๐ฅ = ๐ฅ + ๐ฅ 3 +
๐ฅ 4 + ๐ฅ 5 e ๐โฒ(๐ฅ) = ๐ฅ 3 + ๐ฅ 4 + ๐ฅ 5 + ๐ฅ 7 deixam mesmo resto quando divididos por ๐ฅ 6 โ 1,
assim, façamos o quociente
๐โฒ(๐ฅ)
๐(๐ฅ)
:
๐ฅ 7 +๐ฅ 5 +๐ฅ 4 +๐ฅ 3 ๐ฅ 4 +๐ฅ 2 +1
โ๐ฅ 7 โ๐ฅ 5
โ๐ฅ 3
๐ฅ3
+๐ฅ 4
Note que ๐๐ ๐ฅ 4 = ๐๐(๐ ๐ฅ ), o que implica que ๐ฅ 4 não é o resto da divisão de ๐(๐ฅ)
por ๐(๐ฅ), porém, ๐(๐ฅ 4 ) = 1 = ๐
, logo, ๐ฅ 4 é líder da classe ๐ ๐ฅ + ๐ถ, portanto,
๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ โ ๐ฅ 4 , que equivale a ๐ ๐ฅ = ๐ฅ + ๐ฅ 3 + ๐ฅ 4 + ๐ฅ 5 โ ๐ฅ 4 = ๐ฅ + ๐ฅ 3 + ๐ฅ 5 , ou seja, a
palavra transmitida foi ๐ = 010101
Vimos que obter o líder de classe não acontece de forma direta com a aplicação do
sintoma se esse tiver peso maior que ๐
. Notemos, porém, que um desvio cíclico ๐ฅ ๐ ๐(๐ฅ) โ ๐
๐
carrega a mesma informação que ๐
๐ , portanto, se decodificarmos ๐ฅ ๐ ๐(๐ฅ) para algum ๐, como
consequência, decodificaremos ๐(๐ฅ).
Teorema 6.30: Seja ๐ ๐ฅ โ ๐
๐ . A síndrome de um desvio cíclico ๐ฅ๐ ๐ฅ de ๐ ๐ฅ é ๐ ๐ ๐ฅ
๐ฅ๐ ๐ ๐ฅ
๐ ๐ ๐ฅ .
=
โ ๐ ๐โ๐โ1 ๐ ๐ฅ , onde ๐ ๐โ๐โ1 é o coeficiente do termo de grau ๐ โ ๐ โ 1 de
149
Demonstração: Considerando ๐ ๐ ๐ฅ
๐ ๐ฅ + ๐ (๐ ๐ฅ ), com grau de ๐ ๐ ๐ฅ
como a síndrome de ๐(๐ฅ), temos que ๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ โ
โค ๐ โ ๐ โ 1, para algum ๐(๐ฅ). Escrevendo ๐ ๐ ๐ฅ
๐ ๐โ๐โ1 ๐ฅ ๐ โ๐โ1 + ๐ โฒ (๐ฅ) e ๐ ๐ฅ = ๐ฅ ๐ โ๐ + ๐(๐ฅ), onde ๐๐ ๐ ๐ฅ
< ๐ โ ๐ โ 1 e ๐๐ ๐โฒ ๐ฅ
=
<
๐ โ ๐, temos:
๐ฅ๐ ๐ฅ = ๐ฅ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + ๐ฅ๐ ๐ ๐ฅ
Mas ๐ฅ๐ ๐ ๐ฅ
= ๐ฅ ๐ ๐ฅ + ๐ ๐โ๐โ1 โ ๐ ๐ฅ + (๐ฅ๐ ๐ ๐ฅ
โ ๐ ๐โ๐โ1 = ๐ฅ๐ โฒ ๐ ๐ฅ
โ ๐ ๐โ๐โ1 ๐ ๐ฅ ).
โ ๐ ๐โ๐โ1 ๐โฒ (๐ฅ) tem grau menor que ๐ โ ๐, logo, pelo
teorema 6.29, temos que ๐ (๐ฅ๐ ๐ฅ = ๐ฅ๐ ๐ ๐ฅ
โ ๐ ๐โ๐โ1 ๐(๐ฅ).
Com base do descrito acima, levando em consideração o exemplo anterior (2), onde
๐ ๐ฅ = ๐ฅ + ๐ฅ 3 + ๐ฅ 4 + ๐ฅ 5 , ๐ ๐ฅ = 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 e ๐ โ ๐ โ 1 = 6 โ 4 โ 1 = 3, vimos que a
síndrome de ๐(๐ฅ) é ๐ ๐ ๐ฅ
๐ 1 ๐ฅ๐ ๐ฅ
๐ 2 ๐ฅ 2 ๐ ๐ฅ
= ๐ฅ๐ ๐ ๐ฅ
= 1 + ๐ฅ 2 , portanto, as demais síndromes são:
โ ๐ 3 ๐ ๐ฅ = ๐ฅ โ 1 + ๐ฅ 2 โ 0 โ 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 = ๐ฅ + ๐ฅ 3
= ๐ฅ๐ 1 ๐ฅ๐ ๐ฅ
โ ๐ 3 ๐ ๐ฅ = ๐ฅ โ ๐ฅ + ๐ฅ 3 โ 1 โ 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 =
= ๐ฅ2 + ๐ฅ4 โ 1 โ ๐ฅ2 โ ๐ฅ4 = 1
๐ 3 ๐ฅ 3 ๐ ๐ฅ
= ๐ฅ๐ 2 ๐ฅ 2 ๐ ๐ฅ
โ ๐ 3 ๐ ๐ฅ = ๐ฅ โ 1 โ 0 โ 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 = ๐ฅ
๐ 4 ๐ฅ 4 ๐ ๐ฅ
= ๐ฅ๐ 3 ๐ฅ 3 ๐ ๐ฅ
โ ๐ 3 ๐ ๐ฅ = ๐ฅ โ ๐ฅ โ 0 โ 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 = ๐ฅ 2
๐ 5 ๐ฅ 5 ๐ ๐ฅ
= ๐ฅ๐ 4 ๐ฅ 4 ๐ ๐ฅ
โ ๐ 3 ๐ ๐ฅ = ๐ฅ โ ๐ฅ 2 โ 0 โ 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 4 = ๐ฅ 3 .
Dizemos que um vetor ๐ฃ = ๐ฃ0 , ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , โฆ , ๐ฃ๐ โ1 de ๐ ๐ contém uma sequência cíclica
de ๐ zeros se existe ๐ tal que ๐ฃ๐ = ๐ฃ๐ +1 = ๐ฃ๐ +2 = โฏ = ๐ฃ๐ +๐โ1 = 0.
Exemplo: O vetor ๐ฃ1 = (1, 0, 0, 0, 1, 0, 1) โ ๐น 7 possui uma sequência cíclica de 3 zeros. O
vetor ๐ฃ2 = (0, 0, 1, 1, 0, 1, 0, 0, 0, 0, 0) โ ๐น11 possui uma sequência cíclica de sete zeros pois
basta realizar um deslocamento cíclico de cinco unidades para a direita que obtemos o vetor
๐ ๐ฃ2 = (0, 0, 0, 0, 0, 0, 0, 1, 1, 0, 1). Se ๐ฃ = ๐ฃ0 , ๐ฃ1 , ๐ฃ2 , โฆ , ๐ฃ๐ โ1
contém uma sequência
cíclica de ๐ zeros, então existe ๐ โ 0, 1, 2, โฆ , ๐ โ 1 tal que ๐๐ ๐ฅ ๐ ๐ฃ ๐ฅ
โค ๐ โ ๐ โ 1, para
isso, basta permutar ciclicamente as coordenadas de ๐ฃ de modo que os ๐ zeros ocupem as ๐
últimas coordenadas de ๐ฃ, que obtemos um vetor com no máximo as ๐ โ ๐ โ 1 primeiras
coordenadas não nulas, que corresponde a um polinômio de grau no máximo ๐ โ ๐ โ 1.
Teorema 6.31: Se um vetor erro ๐ โ ๐ ๐ , cujo peso é ๐ ๐ โค
uma sequência cíclica de ๐ zeros, então ๐ ๐ ๐ฅ ๐ ๐ ๐ฅ
๐ โ 0, 1, 2, โฆ , ๐ โ 1 .
โค
๐โ1
2
๐โ1
2
= ๐
e possui
= ๐
, para algum
150
Demonstração: Pelo visto anteriormente, se ๐ possui uma sequência cíclica de ๐ zeros, então
existe ๐ โ 0, 1, 2, โฆ , ๐ โ 1 tal que ๐๐ ๐ฅ ๐ ๐ ๐ฅ
โค ๐ โ ๐ โ 1. Pelo teorema 6.30 temos que
๐ ๐ฅ ๐ ๐(๐ฅ) = ๐ฅ ๐ ๐ (๐ ๐ฅ ). Como as permutações entre as coordenadas de um vetor não alteram
seu peso, então temos que se ๐ ๐ โค
๐โ1
2
= ๐
então ๐ ๐ ๐ฅ ๐ ๐ ๐ฅ
โค
๐โ1
2
= ๐
.
Com base no exposto, uma sequência para decodificação consiste em determinar os
sintomas de um vetor ๐(๐ฅ) recebido e, se ๐(๐ ๐ ๐ ๐ฅ ) โค ๐
para algum ๐ โ {0, 1, 2, โฆ , ๐ โ 1},
então assumimos que ๐ ๐ฅ = ๐ฅ ๐ โ1 ๐ ๐ ๐ ๐ฅ
é o vetor erro e decodificamos ๐(๐ฅ) como
๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ โ ๐ฅ ๐ โ1 ๐ ๐ ๐ ๐ฅ . Caso contrário, o erro não é corrigível.
Para concluir, apresentamos um último exemplo referente à decodificação em códigos
cíclicos:
Consideremos um código cíclico ๐ถ contido em ๐น 7 , onde ๐น = {0,1} é um corpo
galoisiano, tal que dim ๐ถ = 4 e um polinômio gerador de ๐ถ é ๐ ๐ฅ = 1 + ๐ฅ + ๐ฅ 3 . A distância
mínima desse código é ๐ = 3, o que implica que ele tem capacidade de detecção de ๐ โ 1 =
3 = 1 = 2 erros e capacidade de correção ๐
=
๐โ1
2
=
3โ1
2
= 1 erro. Como ๐
= 1, então os
líderes de classe são os vetores com peso ๐ โค 1.
Consideremos que a palavra recebida seja ๐ = 1000100 cuja representação polinomial é
๐(๐ฅ)
๐ ๐ฅ = 1 + ๐ฅ 4 . Resolvendo o quociente ๐(๐ฅ), temos:
๐ฅ4
+1
๐ฅ 3 +๐ฅ +1
โ๐ฅ 4 โ๐ฅ 2 โ๐ฅ
๐ฅ
โ๐ฅ 2 โ๐ฅ +1
O resto da divisão de ๐(๐ฅ) por ๐(๐ฅ) é โ๐ฅ 2 โ ๐ฅ + 1 = ๐ฅ 2 + ๐ฅ + 1.
Assim, ๐ฅ 4 + 1 = ๐ฅ โ ๐ฅ 3 + ๐ฅ + 1 + (1 + ๐ฅ + ๐ฅ 2 ), o que implica que ๐ ๐ ๐ฅ
Mas ๐(๐ ๐ ๐ฅ
= 1 + ๐ฅ + ๐ฅ2 .
= 3 > 1 = ๐
, sendo assim, não podemos ainda decodificar ๐ ๐ฅ utilizando
๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ โ ๐ (๐(๐ฅ)), portanto, determinaremos as síndromes de todos os desvios cíclicos
de ๐(๐ฅ):
๐ 1 ๐ฅ๐ ๐ฅ
๐ 2 ๐ฅ 2 ๐ ๐ฅ
= ๐ฅ๐ ๐ ๐ฅ
โ ๐ 2 ๐ ๐ฅ = ๐ฅ โ 1 + ๐ฅ + ๐ฅ 2 โ 1 โ 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 3 = ๐ฅ 2 โ 1 = 1 + ๐ฅ 2
= ๐ฅ๐ 1 ๐ฅ๐ ๐ฅ
โ ๐ 2 ๐ ๐ฅ = ๐ฅ โ 1 + ๐ฅ 2 โ 1 โ 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 3 =
= ๐ฅ 2 + ๐ฅ 3 โ 1 โ ๐ฅ โ ๐ฅ 3 = โ1 = 1
๐ 3 ๐ฅ 3 ๐ ๐ฅ
= ๐ฅ๐ 2 ๐ฅ 2 ๐ ๐ฅ
โ ๐ 2 ๐ ๐ฅ = ๐ฅ โ 1 โ 0 โ 1 + ๐ฅ + ๐ฅ 3 = ๐ฅ
151
๐ 4 ๐ฅ 4 ๐ ๐ฅ
= ๐ฅ๐ 3 ๐ฅ 3 ๐ ๐ฅ
โ ๐ 2 ๐ ๐ฅ = ๐ฅ โ ๐ฅ โ 0 โ 1 + ๐ฅ + ๐ฅ 3 = ๐ฅ 2
๐ 5 ๐ฅ 5 ๐ ๐ฅ
= ๐ฅ๐ 4 ๐ฅ 4 ๐ ๐ฅ
โ ๐ 2 ๐ ๐ฅ = ๐ฅ โ ๐ฅ 2 โ 1 โ 1 + ๐ฅ + ๐ฅ 3 = ๐ฅ 3 โ 1 โ ๐ฅ โ ๐ฅ 3 =
= โ1 โ ๐ฅ = 1 + ๐ฅ
๐ 6 ๐ฅ 5 ๐ ๐ฅ
= ๐ฅ๐ 5 ๐ฅ 5 ๐ ๐ฅ
Qualquer um dos ๐ ๐ ๐ฅ ๐ ๐ ๐ฅ
โ ๐ 2 ๐ ๐ฅ = ๐ฅ โ 1 + ๐ฅ โ 0 โ 1 + ๐ฅ + ๐ฅ 3 = ๐ฅ + ๐ฅ 2 .
tal que ๐ ๐ ๐ ๐ฅ ๐ ๐ ๐ฅ
= 1 é um líder da classe, portanto,
qualquer um deles pode ser utilizado no processo de decodificação. Utilizemos, por exemplo,
๐ 2 ๐ฅ 2 ๐ ๐ฅ
๐ฅ 7โ2 ๐ 2 ๐ ๐ฅ
= 1: pelo que foi visto anteriormente, ๐ ๐ฅ = ๐ฅ ๐ โ1 ๐ ๐ ๐ ๐ฅ , logo, ๐ ๐ฅ =
= ๐ฅ 5 โ 1 = ๐ฅ 5 , assim, a decodificação correta de ๐(๐ฅ) é ๐ ๐ฅ = ๐ ๐ฅ โ ๐ฅ 5 =
1 + ๐ฅ 4 โ๐ฅ 5 = 1 + ๐ฅ 4 + ๐ฅ 5 . A palavra transmitida é ๐ = 100011.
152
7
ATIVIDADES POPOSTAS
Este capítulo tem como objetivo apresentar uma coletânea de atividades propostas
sobre os conteúdos apresentados neste trabalho, cujo objetivo principal é a aplicação das
propriedades estudas e, por conseguinte, a familiarização dos estudantes aos conceitos aqui
apresentados.
A rotina de atividades propostas segue a seguinte ordem:
1º - Atividades sobre matrizes, operações e propriedades;
2º - Atividades sobre determinantes e suas propriedades;
3º - Atividades sobre polinômios, operações e propriedades;
4º - Atividades sobre códigos corretores de erros, aplicação de matrizes, determinantes
e polinômios.
7.1
MATRIZES REAIS
1) Indique explicitamente os elementos da matriz ๐ด = ๐๐๐
2) Construa a matriz ๐ด = ๐๐๐
4×4
tal que ๐๐๐ =
3×4
tal que ๐๐๐ = ๐ 2 โ 3๐๐ + ๐ 2 .
1, ๐ ๐ ๐ = ๐
. O que se pode dizer a respeito
0, ๐ ๐ ๐ โ ๐
dessa matriz?
3) Construa a matriz ๐ด = ๐๐๐
5×5
tal que ๐๐๐ =
๐ 2 + 2๐, ๐ ๐ ๐ โค ๐
. O que se pode dizer a
0, ๐ ๐ ๐ > ๐
respeito dessa matriz?
4) Dadas as matrizes ๐ด =
5๐
6
๐+4
6๐
4๐
e๐ต=
, quais são os valores de ๐ e ๐ para
6
๐+3
3
que se tenha ๐ด = ๐ต?
2 โ3 4
0
1
1
5) Dadas as matrizes ๐ด = โ1 โ6 0 , ๐ต = โ2 5
1
3
5 2
3 โ3 โ1
determine a matriz ๐ tal que ๐ด2 + ๐ = 3 โ ๐ต โ ๐ถ ๐ก .
3 1
e ๐ถ = โ3 2
2 0
โ5
4 ,
2
153
6) Obtenha todas as matrizes ๐ que comutam com ๐ด =
โ1
โ2
2
.
3
7) Determine todas as matrizes ๐ด quadradas de ordem 2 tais que ๐ด2 =
8) Dadas as matrizes ๐ด = ๐๐๐
e ๐ถ = ๐๐๐
3×4
3×4
tal que ๐๐๐ = ๐ 3 โ 4๐, ๐ต = ๐๐๐
0 0
.
0 0
3×4
tal que ๐๐๐ = 8๐ โ ๐ 2
tal que ๐๐๐ = ๐ 2 โ ๐ 2 , determine:
a) ๐ด + ๐ต
b) ๐ด โ ๐ต
c) โ ๐ด + (โ๐ต)
d) ๐ต + ๐ด
h) 3๐ด โ 5๐ถ
i) ๐ต โ ๐ถ ๐ก ๐ก
j) ๐ต ๐ก โ ๐ถ
l) ๐ด โ ๐ต ๐ก
p) ๐ด + ๐ถ ๐ก
q) ๐ด๐ก + ๐ถ ๐ก
r) ๐ด + ๐ต + ๐ถ
s) ๐ผ3 โ (๐ด + ๐ต)
e) ๐ด + ๐ถ
m) ๐ด โ ๐ต ๐ก โ ๐ถ
t) โ6๐ด๐ก + 4๐ต ๐ก โ 2 ๐ถ ๐ก
f) ๐ด + ๐ต + ๐ถ
n) ๐ด โ ๐ต ๐ก โ ๐ถ
u) 5 ๐ด โ ๐ต ๐ก โ ๐ถ + 3 ๐ด โ ๐ถ ๐ก โ ๐ต
g) ๐ด + ๐ต + ๐ถ
o) โ ๐ถ ๐ก
v) ๐ด โ ๐ด๐ก
๐ก
๐ก
1
3
2
2
9) Considerando as matrizes ๐ด, ๐ต e ๐ถ do exercício anterior, é possível obter ๐ด โ ๐ต, ๐ด โ ๐ถ e ๐ต โ
๐ถ? Justifique sua resposta.
10) Se ๐ e ๐ são matrizes quadradas de ordem 2 que comutam com a matriz
0 1
,
โ1 0
mostre que ๐ โ ๐ = ๐ โ ๐.
11) Determine os valores desconhecidos nas sentenças abaixo:
7
5
=
3๐ฅ โ 2๐ฆ
3๐ค โ 4๐ง
๐ฅ
0
2
5
3
b) โ1 3
0 โ ๐ฆ = 1
๐ง
9
4 โ2 โ1
a)
2๐ฅ + ๐ฆ
โ7
๐ค+๐ง
4
12) Considere uma matriz ๐ de ordem ๐ que não é equivalente por linhas à matriz identidade
๐ผ๐ . A matriz ๐ é invertível? Justifique sua resposta.
13) Seja ๐ uma matriz invertível, cuja a inversa é ๐ โ1 . A matriz ๐ โ1 é invertível? Caso seja,
qual é a sua inversa? Caso não seja, justifique.
14) Sendo ๐ด e uma matriz quadrada de ordem ๐ tal que ๐ต e ๐ถ são suas matrizes inversas.
Qual é a relação que existe entre ๐ต e ๐ถ? ๐ต e ๐ถ são matrizes quadradas? Qual a ordem de ๐ต?
154
1
2
15) Escreva a matriz ๐ =
3
4
2
1
0
3
1 1
4 3
na forma escalonada.
0 2
2 โ5
1 0 2
16) Dada a matriz ๐ด = โ3 4 1 , efetue operações elementares sobre suas linhas e
2 1 โ1
verifique se ๐ด é invertível. Caso seja, explicite sua inversa.
17) Para as matrizes ๐ด, ๐ต e ๐ถ, abaixo, utilizando operações elementares sobre as linhas,
determine suas inversas:
2 โ3
โ4 1
1 โ1
b) ๐ต = 2 โ3
โ2 1
2 1 0
1 0 2
c) ๐ถ =
3 2 0
0 3 1
a) ๐ด =
0
1
โ3
3
3
1
2
18) Resolva as seguintes equações matriciais:
3 โ1
6
โ๐ =
โ2 5
โ4
โ1 1
b) ๐ โ
= โ3 2
1 1
2
0 โ1
โ1 2
c) โ1 3
1 โ ๐ = 0 โ3
3 โ2 1
2
1
a)
19) É possível obter ๐ฅ e ๐ฆ de modo que a matriz
2 3
seja ortogonal?
๐ฅ ๐ฆ
20) Dada uma matriz ๐ด invertível, podemos afirmar que ๐ด๐ก é invertível? Justifique.
7.2
DETERMINANTES DE MATRIZES REAIS
21) Calcule o determinante de cada uma das matrizes a seguir e identifique se as mesmas são
invertíveis ou não:
155
a)
0 2
โ3 1
1
c)
b)
3
2
d)
4
โ5
3
โ 2
โ4
3
4 8
1 2
3
โ4
1 โ4
3 8
2
22) Aplicando a regra de Sarrus, calcular o determinante de cada uma das seguintes matrizes:
1
โ1 0
3
a) 4 โ2 โ5
0
3 โ1
c)
b)
โ1
5
โ3
1
โ2 โ 3
๐
2 โ1 0
1
3
3 โ5
2
1
4
2
d) โ 7
6
๐
1
6
1
2
0
4
โ2
โ๐
โ1
5
โ2
1
3
23) Aplique a triangulação de Gauss e calcule os seguintes determinantes:
โ1 2 1
a) 2
1 3
1 โ2 3
3
2
0 โ1
1
2 โ2 1 โ1 0
c) โ1 1
0
4 โ3
2 โ4 1 โ1 4
0
0 โ4 3
3
โ2 1
1 โ1
1 โ3 2
1
b)
โ1 โ2 1
3
0
2 โ2 1
1
๐ฅ โ2 2
24) Determine ๐ฅ para o qual se tenha 2๐ฅ โ3 2 โ 0.
1
โ1 5 ๐ฅ
25) Determine a matriz dos cofatores de cada uma das matrizes abaixo:
โ3
a) โ 1
2
2
2
3
โ1
b)
2
3
4
2
5
โ3
โ1
โ3
1
26) Calcule os determinantes abaixo utilizando a regra de Laplace:
โ2 3 0 1
2 โ1 3 โ4
a)
3
1 0 1
0 โ5 2 โ3
โ9
0
b)
โ3
1
3 0 โ1
5 0
0
2 1
1
3 โ4 1
156
โ1 ๐
27) Mostre que para todo ๐, ๐, ๐ โ โ, sempre temos 5 ๐
โ3 ๐
1
2
28) Prove que ๐ฅ
๐ฅ3
1
๐ฆ2
๐ฆ3
๐ฆ๐ง
1
2
๐ง = ๐ฅ
๐ฅ2
๐ง3
๐ฅ๐ง
๐ฆ
๐ฆ2
3
โ15 = 0.
9
๐ฅ๐ฆ
๐ง .
๐ฅ2
29) Quais as condições necessárias e suficientes para que um determinante seja nulo?
30)
Aplicando
as
propriedades
dos
determinantes,
mostre
que
cos(2๐ฅ) โก ๐๐๐ 2 (๐ฅ) ๐ ๐๐2 (๐ฅ)
cos(2๐ฆ) ๐๐๐ 2 (๐ฆ) ๐ ๐๐2 (๐ฆ) = 0
cos(2๐ง) ๐๐๐ 2 (๐ง) ๐ ๐๐2 (๐ง)
1 5
31) Prove que o determinante 1 2
1 8
4
6 é múltiplo de 7, sem desenvolvê-lo.
2
โ2 4 1 2
1 โ2 2 โ1
32) Por qual motivo se tem
= 0?
3 โ1 1 7
โ1 3 0 3
33) Se o determinante de uma matriz ๐ด é igual a zero, a matriz ๐ด é invertível? Justifique.
โ3 1 โ1
34) Dada a matriz ๐ด = 2
๐
๐ , para quais valores de ๐ não existe ๐ดโ1 ?
5 โ3 ๐
3
3
1
2 โ3 3
35) Dada a matriz ๐ด = โ3 โ2 1 e ๐ต = 0 โ2 3 , qual a relação entre det(๐ด) e
2
0 โ5
โ5 1 1
det(๐ต)? Justifique.
36) Determine a adjunta das seguintes matrizes:
5
a) ๐ด = 4
3
โ2 โ3
โ1 2
1
0
0
7
1
3
b) ๐ต = 4 โ4 0
2
โ1 2
5
1
โ7
c) ๐ถ = 13
1
13
6 7
โ8 2
โ5 3
157
37) Utilizando determinantes, calcule a matriz inversa das seguintes matrizes:
2
3 โ1
a) ๐ด =
2 5
b) ๐ต =
1
โ3
5
3
2
โ7
7
0
2 3
c) ๐ถ = โ3 5 2
4 โ2 1
d) ๐ท =
โ6 3 1
2 5 โ1
4 0 0
38) Sabendo que a matriz inversa de uma matriz ๐ด é
โ1
๐ด
=
1
3
3
2
7
โ2
3
5
โ4
โ1
3
2
e que
3
5
5
det ๐ด = โ 7, determine a matriz dos cofatores da matriz ๐ด.
39) Dadas duas matrizes ๐ด e ๐ต, quadradas de ordem ๐ e invertíveis, mostre que:
a) det(๐ด๐ก โ ๐ต ๐ก ) = det(๐ด) โ det(๐ต)
1
b) det ๐ด๐ก โ ๐ต โ1 = det (๐ดโ1 )โdet (๐ต ๐ก )
40) Seja โณ๐ o conjunto de todas as matrizes quadradas de ordem ๐, definimos o determinante
como uma função de โณ๐ em โ, que a cada matriz ๐ โ โณ๐ faz corresponder o número real
detโก
(๐). Mostre que a função determinante não é bijetiva.
7.3
POLINÔMIOS EM โ[๐]
1
5
3
41) Justifique por qual motivo a expressão ๐ ๐ฅ = 3๐ฅ 2 โ 2๐ฅ + 3 โ ๐ฅ + ๐ฅ 2 não é um
polinômio em โ[๐ฅ].
42) Determine a condição necessária e suficiente para que a expressão
๐ 0 +๐ 1 ๐ฅ+๐ 2 ๐ฅ 2 +๐ 3 ๐ฅ 3
๐0 +๐1 ๐ฅ+๐2 ๐ฅ 2 +๐3 ๐ฅ 3
seja
independente de ๐ฅ.
43) Determinar os valores reais de ๐, ๐ e ๐, de modo que se tenha o polinômio
๐ ๐ฅ = ๐2 โ 4 ๐ฅ 3 + 3๐ 2 โ 5๐ ๐ฅ 2 โ ๐ + ๐ + ๐ ๐ฅ + (๐๐ โ ๐) igual ao polinômio nulo.
158
44) Dados os polinômios ๐ ๐ฅ = ๐ + 3 ๐ฅ 4 โ 2๐ + ๐ ๐ฅ 2 + (3๐ โ ๐ + ๐) e ๐ ๐ฅ =
4๐ โ 2 ๐ฅ 2 + 3 โ 5๐ ๐ฅ 2 + (๐ โ 4๐). Determine os valores de ๐, ๐ e ๐ para que se tenha
๐ ๐ฅ = ๐(๐ฅ).
45) Dados os polinômios ๐ ๐ฅ = 2๐ฅ 2 + 5๐ฅ โ 3, ๐ ๐ฅ = 3๐ฅ 3 โ 4๐ฅ 2 + 5๐ฅ โ 1 e ๐ ๐ฅ =
โ6๐ฅ 3 + 7๐ฅ โ 2, calcular:
a) ๐ ๐ฅ + ๐(๐ฅ)
b) ๐ ๐ฅ + ๐(๐ฅ)
c) ๐ ๐ฅ + ๐(๐ฅ)
d) ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ + ๐(๐ฅ)
46) Dados os polinômios ๐ ๐ฅ = 7๐ฅ 4 โ 5๐ฅ 3 โ ๐ฅ, ๐ ๐ฅ = โ3๐ฅ 3 + 5๐ฅ 2 โ 12๐ฅ + 8 e ๐ ๐ฅ =
3๐ฅ 4 + ๐ฅ 3 โ 9๐ฅ 2 + 3๐ฅ โ 4, determine:
a) ๐ ๐ฅ โ ๐(๐ฅ)
47)
Dados
b) ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ โ ๐(๐ฅ)
os
c) ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + ๐(๐ฅ)
๐ ๐ฅ = โ๐ฅ 2 + 3๐ฅ โ 4,
polinômios
d) ๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ + ๐(๐ฅ)
๐ ๐ฅ = 4๐ฅ 3 โ 2๐ฅ + 1
e
๐ ๐ฅ = ๐ฅ 3 โ 3๐ฅ 2 + 2๐ฅ โ 4, determine:
a) ๐(๐ฅ) โ ๐(๐ฅ)
48)
b) ๐(๐ฅ) โ ๐(๐ฅ)
Dados
os
polinômios
c) ๐(๐ฅ) โ ๐(๐ฅ) โ ๐(๐ฅ)
d) ๐ ๐ฅ
2
2
โ ๐ ๐ฅ
๐ ๐ฅ = ๐ฅ 4 โ 4๐ฅ 2 โ 3๐ฅ + 1, ๐ ๐ฅ = ๐ฅ 3 โ 3๐ฅ 2 + 2 e
๐ ๐ฅ = ๐ฅ 2 โ 5๐ฅ + 1, determine os polinômios quociente e resto das seguintes divisões
euclidianas:
a) ๐ ๐ฅ : ๐(๐ฅ)
b) ๐ ๐ฅ : ๐(๐ฅ)
c) ๐ ๐ฅ : ๐(๐ฅ)
d) ๐ ๐ฅ
2
: ๐(๐ฅ)
e) ๐ ๐ฅ
2
: ๐ ๐ฅ
3
49) Se ๐(๐ฅ) e ๐ ๐ฅ são dois polinômios não nulos de grau respectivamente ๐ e ๐, qual o grau
de ๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ ? E de ๐ ๐ฅ โ ๐(๐ฅ)?
50) Considerando os polinômios ๐(๐ฅ) e ๐(๐ฅ) do exercício anterior, se ๐ > ๐, qual o grau do
quociente
๐(๐ฅ)
๐(๐ฅ)
? Qual o grau máximo do polinômio ๐(๐ฅ) que é o resto dessa divisão?
51) Dividindo
um
polinômio
๐ ๐ฅ por ๐ ๐ฅ = ๐ฅ 2 + 5๐ฅ โ 3, obtemos o quociente
๐ ๐ฅ = ๐ฅ 3 + 4๐ฅ 2 โ 3 e o resto ๐ ๐ฅ = 3๐ฅ + 4. Determine o polinômio ๐(๐ฅ).
52) Determinar os números reais ๐ e ๐ de modo que o polinômio ๐ ๐ฅ = ๐ฅ 6 โ 4 seja divisível
por ๐ฅ 2 + ๐๐ฅ + ๐.
159
53) Mostrar que se ๐(๐ฅ) e ๐(๐ฅ) são polinômios divisíveis pelo polinômio ๐(๐ฅ), então o resto
da divisão de ๐(๐ฅ) por ๐(๐ฅ) também é divisível por ๐(๐ฅ).
54) Dados ๐(๐ฅ), ๐(๐ฅ) e ๐(๐ฅ) polinômios de โ[๐ฅ] tais que ๐ ๐ฅ |๐(๐ฅ) e ๐ ๐ฅ |๐(๐ฅ), prove que
๐ ๐ฅ |[๐ ๐ฅ + ๐ ๐ฅ ], ๐ ๐ฅ |๐(๐ฅ) โ ๐(๐ฅ) e ๐ ๐ฅ |[๐ ๐ฅ โ ๐ ๐ฅ ].
55) Verificar se o polinômio ๐ ๐ฅ = ๐ฅ 4 + 5๐ฅ 3 โ 4๐ฅ 2 + 3๐ฅ + 11 é divisível por ๐ฅ โ 2 e por
๐ฅ + 1. Justifique.
56) Determinar o quociente e o resto da divisão de ๐ ๐ฅ = ๐ฅ ๐ โ ๐ผ ๐ por ๐ ๐ฅ = ๐ฅ โ ๐ผ.
57) Consideremos o polinômio de coeficientes reais ๐ ๐ฅ = ๐0 + ๐1 ๐ฅ + ๐2 ๐ฅ 2 + โฏ + ๐30 ๐ฅ 30 .
Se ๐0 = ๐1 = ๐2 = โฏ = ๐30 , mostre que ๐(๐ฅ) é divisível por ๐ฅ โ 1. Generalize.
58) Mostre que se ๐(๐ฅ) é divisível por ๐ฅ โ ๐ผ, então ๐ ๐ผ = 0.
59) Seja ๐(๐ฅ) โ โ[๐ฅ] um polinômio tal que ๐ 2 = 1, ๐ 1 = 2 e ๐ 3 = โ1. Utilizando a
interpolação de Lagrange, determine ๐(๐ฅ).
60) Encontre o polinômio ๐(๐ฅ), de coeficientes reais, que atende as seguintes condições:
๐ ๐ = ๐, ๐ ๐ = ๐, ๐ ๐ = ๐ e ๐ ๐ = ๐.
7.4
CÓDIGOS CORRETORES DE ERROS
61) Considere um código ๐ถ linear de comprimento ๐ = 4 sobre o corpo galoisiano ๐น{0,1},
obtido da seguinte maneira: para cada ๐ฅ1 ๐ฅ2 โ ๐น 2 , obtemos o elemento ๐ฅ2 ๐ฅ1 ๐ฅ2 ๐ฅ1 โ ๐น 4 .
Determinar a distância mínima de ๐ถ e a capacidade de correção desse código.
62) Mostre que a distância de Hamming cumpre as condições necessárias para caracterizá-la
como uma métrica.
63) Mostre que os códigos ๐ถ = 00000, 00100, 01010 e ๐ถ โฒ = 00000, 10000, 10101
contidos em ๐น 5 possuem os mesmos parâmetros porém, não são equivalentes.
160
64) Imagine que um braço mecânico que possua os movimentos: โpara cimaโ, โpara baixoโ,
โpara a esquerdaโ e โpara a direitaโ. Além disso, o mesmo possua uma base móvel que se
desloca horizontalmente locomovendo o braço, com comandos: โpara o norteโ, โpara o sulโ,
โpara o lesteโ e โpara o oesteโ.
Construa um código de fonte sobre ๐น = 0,1 e um código de canal ๐ถ para esses comandos.
๐ถ é um código perfeito? Justifique.
65) Obtenha uma matriz geradora para o código ๐ถ do problema anterior.
66)
Dado
1
1
๐บ=
1
0
1
0
0
1
um
1
0
0
0
0
1
0
1
código
0
1
0
0
0
0
1
1
๐ถ
definido
sobre
๐น = {0,1},
com
matriz
geradora
0
0
, obtenha uma matriz geradora para ๐ถ que se apresente na forma
1
0
padrão ๐บ โฒ = ๐ผ4 ๐ด , onde ๐ด é uma matriz de ordem ๐ × (๐ โ ๐). Mostre ainda que existe um
código ๐ถโฒ equivalente ao código ๐ถ, tal que sua matriz geradora na forma padrão seja ๐บ โฒโฒ =
๐ต ๐ผ4 , onde ๐ต é uma matriz de ordem ๐ × (๐ โ ๐).
67) Obtenha a matriz teste de paridade ๐ป do código ๐ถ do exercício 64, apresentando-a na
forma padrão.
1 0 1 0 0
68) Seja ๐ถ um código sobre ๐น = {0,1}, cuja matriz geradora seja ๐บ = 0 0 1 1 1 .
0 1 0 1 0
a) Determine o comprimento, a dimensão e o número de elementos do código ๐ถ;
b) Encontre uma matriz teste de paridade do código ๐ถ e determine a sua distância mínima.
1 1 0 0 1
69) Seja ๐ถ um código sobre ๐น = {0,1}, com matriz teste de paridade ๐ป = 0 1 1 1 0 .
1 1 1 0 0
a) Obtenha a matriz teste de paridade ๐ปโฒ na forma padrão.
b) ๐ถ é um código perfeito? Justifique.
c) Determine todas as palavras do código ๐ถ.
d) Determine os líderes de classes e as síndromes.
e) Decodifique as mensagens: ๐ฃ1 = 10101, ๐ฃ2 = 11111 e ๐ฃ3 = 10111.
161
70) Considere ๐ถ um código linear sobre ๐น = {0,1} tal que sua matriz geradora seja ๐บ =
0
0
1
0
0
1
0
0
0
0
0
0
0
1
0
0
1
0
0
0
0
0
0
0
1
0
0
1
0
1
1
0
1
1
0
1
1
1
0
0
1
1
0
0
1
0
1
0.
1
1
a) Determine a dimensão, o comprimento e o número de elementos de ๐ถ.
b) Construa uma matriz teste de paridade ๐ป do código ๐ถ e determine o peso de ๐ถ.
c) Dada a tabela de informações:
๐๐ ๐๐ç๐ = 00000
๐ด = 10000
๐ต = 01000
๐ถ = 00100
๐ท = 00010
๐ธ = 00001
๐น = 11000
๐บ = 10100
๐ป = 10010
๐ผ = 10001
๐ฝ = 01100
๐ฟ = 01010
๐ = 01001
๐ = 00110
๐ = 00101
๐ = 00011
๐ = 11100
๐
= 10110
๐ = 10101
๐ = 11010
๐ = 11001
๐ = 01110
๐ = 00111
๐ = 11110
Utilizando as informações acima, codifique as mensagens:
๐1 : RUMO AO SUCESSO
๐2 : MUNDO DE PAZ
71) Calcule uma tabela de líderes e síndromes referentes ao código ๐ถ do problema anterior.
72) Supondo que no máximo ocorreu um erro por palavra, levando em consideração o código
๐ถ do exercício 70, decodifique a mensagem:
1001010011
0010000000
1010111010
0100110011
1100100101
1011010011
0111000001
1001010010
0010110011
1010111010
73) Determine o polinômio ๐(๐ฅ) gerador de um código cíclico ๐ถ sobre ๐น = {0,1}, cujo
comprimento seja ๐ = 9 e a dimensão ๐ = 5. A partir de ๐(๐ฅ) determine uma matriz ๐บ
geradora do código ๐ถ.
74) Determine o polinômio de paridade ๐(๐ฅ) do código ๐ถ do problema anterior. A partir de
๐(๐ฅ), determine uma matriz verificação de paridade do código ๐ถ.
75) Determine o polinômio recíproco ๐โ (๐ฅ) de ๐(๐ฅ) do problema 74. Determine uma matriz
geradora do código dual ๐ถ โฅ de ๐ถ. Multiplique essa matriz pela matriz ๐บ geradora do código
๐ถ. O que acontece? Explique.
162
76) Construa dez palavras na forma sistemática e na forma não sistemática de um código
cíclico ๐ถ sobre ๐น = {0,1}, cujo polinômio gerador é ๐ ๐ฅ = 1 + ๐ฅ 2 + ๐ฅ 3 .
77) Considere o código cíclico ๐ถ sobre ๐น = {0,1}, de comprimento ๐ = 15 e dimensão
๐ = 11, cujo polinômio gerador é ๐ ๐ฅ = 1 + ๐ฅ + ๐ฅ 4 .
a) Determine a matriz ๐บ geradora de ๐ถ.
b) Determine o polinômio de paridade do ๐ถ.
c) Determine a matriz teste de paridade ๐ป do código ๐ถ.
d) Determine o polinômio gerador do código dual de ๐ถ.
e) Coloque as matrizes ๐บ e ๐ป na forma padrão.
78) Supondo que ๐ = 10110110010 é uma palavra do código de fonte, escreva essa palavra
na forma polinomial. Utilize o código ๐ถ do exercício anterior para obter um código de canal
para ๐. Suponha que ๐ โ ๐ถ é uma palavra, cuja forma polinomial é ๐(๐ฅ), tenha sido enviada
e, por algum motivo a palavra recebida tenha sido ๐ ๐ฅ = 1 + ๐ฅ 3 + ๐ฅ 4 + ๐ฅ 9 + ๐ฅ10 + ๐ฅ12 .
Sabendo que ocorreu um único erro nessa transmissão, determine as síndromes de ๐(๐ฅ) e de
todos os seus desvios cíclicos e decodifique ๐(๐ฅ), corrigindo o erro e determinando ๐(๐ฅ).
79) Forme grupos com seus alunos. Ofereça mensagens curtas, de no máximo três palavras da
língua portuguesa. Proponha a cada grupo que crie códigos lineares de comprimentos e
dimensões diferentes e codifique cada um dos caracteres das mensagens propostas. Compare
os resultados. Teste a capacidade de detecção e correção de cada código e eleja o mais
eficiente. Dê bastante ênfase a cada uma das operações e propriedades matriciais utilizadas.
80) Forme grupos com seus alunos. Ofereça mensagens curtas, de no máximo três palavras da
língua portuguesa. Proponha a cada grupo que crie códigos cíclicos de comprimentos e
dimensões diferentes e codifique cada um dos caracteres das mensagens propostas dando
preferência para a forma polinomial de codificação. Compare os resultados. Teste a
capacidade de detecção e correção de cada código e eleja o mais eficiente. Dê bastante ênfase
a cada uma das operações e propriedades polinomiais utilizadas.
81) Forme grupos com seus alunos. Ofereça mensagens a serem decodificadas, que
contenham erros, solicite que façam as correções e decodifiquem as mensagens.
163
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O ensino/aprendizagem de matemática no Brasil, ao longo dos últimos anos, tem
passado por várias transformações na busca pelo oferecimento de uma educação com melhor
qualidade aos estudantes do ensino básico.
Índices como o IDEB mostram um discreto progresso na educação, porém, a passos
lentos.
Temos observado que o distanciamento entre matemática praticada nas escolas e as
experiências vivenciadas pelos alunos em ambiente extraescolar pode contribuir de forma
negativa para o alcance dos objetivos da educação. A contextualização da matemática consiste
em uma proposta pedagógica que busca estreitar essa lacuna, apresentando uma matemática
não mais vista como uma mera disciplina escolar, mas como uma necessidade humana de
interpretar o mundo, adaptar-se e interagir com ele.
Nas relações sociais, a matemática também se faz presente e, portanto, o domínio dos
seus conceitos e da sua linguagem é de fundamental importância nessas relações. O sujeito
Cidadão participa do meio social ao qual está inserido e para tanto, deve ter o conhecimento
matemático necessário para sua atuação.
O material apresentado nesse trabalho não tem como objetivo formar especialistas em
teoria dos códigos corretores de erros e sim usar essa teoria como um fator motivacional ao
aluno que, ao conhecê-la, poderá perceber o quão útil é a matemática. É de extrema
importância que ao ser utilizada a teoria dos códigos corretores de erros como uma estratégia
para o ensino de matrizes, determinantes e polinômios, seja dada a devida atenção a cada uma
das propriedades e operações utilizadas, pois, nessa teoria, frequentemente é trabalhado
conceitos como matriz inversa, matriz identidade, transposição de matrizes, operações
elementares sobre linhas, determinantes, produto de matrizes, operações e propriedades dos
polinômios, interpolação de Lagrange, enfim, uma vastidão de operações e propriedades, que
quando bem evidenciadas durante o processo de aplicação na teoria dos códigos, poderá
construir um aprendizado consolidado desses conceitos.
Achamos importante ainda mencionar que o uso da teoria dos códigos corretores de
erros, por si só, não consolidará a aprendizagem dos conceitos utilizados se for apresentada
aos alunos meramente como mais um conteúdo a ser estudado. É importante ao profissional
docente que, ao apresentar essa teoria aos seus alunos, utilize estratégias com ênfase na
prática, sejam oficinas, dinâmicas ou qualquer recurso em que os alunos tenham a
oportunidade de manipular esses conceitos na codificação e decodificação de mensagens, de
164
modo que a sua participação, não apenas como expectador, seja de fundamental importância
no decorrer desse processo.
Por fim, além esse trabalho apropriar-se da teoria dos códigos corretores de erros, na
tentativa de contextualizar a matemática ensinada nas séries finais do ensino médio, tem
também como proposta, fomentar a discussão sobre teoria e prática, abstrato e concreto,
escolar e extraescolar, com intuito de incentivar o gosto pela matemática com toda sua
abstração e rigor.
165
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