QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO O INVESTIMENTO DE UMA ORGANIZAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA NOS DIAS ATUAIS Trabalho acadêmico apresentado ao Curso de Administração da Faculdade Novos Horizontes como requisito parcial para a aprovação nas disciplinas do 1º período. Orientadora: Patrícia Tanuri Jairo Damasceno Juliana Aparecida dos Santos Juliano Alaor dos Santos Luciana Beatriz Monção Nizia Luciana Macedo de Camargos Miranda Belo Horizonte – MG Abril de 2008 1 Dedicamos este trabalho aos nossos familiares pela compreensão e apoio ao longo deste projeto. 2 AGRADECIMENTOS Agradecemos a todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para a conclusão deste projeto. 3 “Sem trabalho, toda vida apodrece, mas, sob um trabalho sem alma, a vida sufoca e morre”. (Albert Camus) 4 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.............................................................................................. 7 2 DESENVOLVIMENTO.................................................................................. 8 2.1 REFERENCIAL TEÓRICO..................................................................... 8 2.1.1 Conceito de Trabalho........................................................................ 8 2.1.2 Conceito de Qualidade de Vida......................................................... 9 2.1.3 Origem e evolução da QVT............................................................... 11 2.1.4 Conceitos de Qualidade de Vida no trabalho (QVT)......................... 12 2.2 Metodologia........................................................................................... 15 2.2.1 Caracterização da organização em estudo....................................... 16 2.3 Análise e interpretação de dados........................................................... 17 2.3.1 Análise de dados da pesquisa com os funcionários........................ 17 2.3.2 Análise de dados da pesquisa com a assistente social da organização....................................................................................... 22 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................... 25 REFERÊNCIAS............................................................................................ 27 APÊNDICE A................................................................................................. 28 APÊNDICE B................................................................................................. 29 5 RESUMO Este trabalho apresenta um estudo sobre Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) em uma organização do setor automobilístico situada em Betim, no intuito de avaliar não só se existem investimentos na área da QVT, mas também quais são os projetos aplicados, os resultados obtidos e o nível de satisfação dos funcionários. Para isso, foi realizada uma pesquisa sobre os conceitos relacionados à QVT, seguida por uma entrevista com a assistente social e um questionário com funcionários para a comparação dos investimentos quanto a sua satisfação. Obteve-se, assim, uma visão dos dois pólos para a conclusão deste projeto, permitindo a constatação de que existem investimentos para a melhoria da Qualidade de Vida no Trabalho e que seus resultados são satisfatórios, tanto para a organização quanto para os funcionários. 6 1 INTRODUÇÃO As organizações, atualmente, vêm sofrendo influências das mais variadas ordens, aguçadas pela lógica do sistema capitalista que requer a instantaneidade, a velocidade e a urgência na prática cotidiana do trabalhador. Observa-se que o profissional, nos últimos anos, vem mantendo sua vida em um ritmo acelerado, trabalhando aos sábados, domingos e feriados, acumulando cansaço físico e mental, tornando-se, assim, mais suscetível às doenças profissionais. Assim, tendo em vista as elevadas taxas de absenteísmo, vê-se a necessidade de as organizações investirem na qualidade de vida de seus funcionários, dentro do ambiente de trabalho, para se manterem bem sucedidas no mercado. Dessa maneira, o objetivo deste trabalho consiste em evidenciar o que se tem feito nas organizações em relação à Qualidade de Vida no Trabalho (Q.V.T.), os resultados obtidos e se são satisfatórios, tendo como campo de estudo uma organização multinacional do setor automotivo, localizada na região de Betim, M.G. Os instrumentos utilizados para a coleta de dados neste trabalho serão questionários, entrevistas e pesquisas para obter respostas para as seguintes questões: Quais os investimentos da organização no bem-estar de seus funcionários? Quais os benefícios para a organização ao proporcionar um ambiente de trabalho com melhor qualidade de vida? Como os profissionais vêem esta atitude? Ressalta-se, portanto, que esta pesquisa almeja mostrar a importância da qualidade de vida no trabalho tanto para a organização, como para os profissionais. 7 2 DESENVOLVIMENTO 2.1 Referencial teórico 2.1.1 Conceito de Trabalho O trabalho pode ser definido segundo pontos de vista diferentes e polêmicos. No dicionário Aurélio (2000, p 103), encontra-se a definição de trabalho como: [Dev. de trabalhar.]S.m. 1. Aplicação de forças e faculdades humanas para alcançar um determinado fim. 2. Atividade coordenada, de caráter físico e/ou intelectual, necessária à realização de qualquer tarefa. 3. O exercício dessa atividade como ocupação, ofício, profissão, etc. 4. Trabalho (2) remunerado ou assalariado; serviço. 6. Qualquer obra realizada. 7. Maneira de trabalhar a matéria, com manejo ou a utilização dos instrumentos de trabalho. 8. Esforço incomum; luta, faina, lida, lide. 9. Tarefa para ser cumprida; serviço. 14. Tarefa, obrigação, responsabilidade. 15. Biol. Fenômeno ou conjunto de fenômenos que ocorrem num organismo e de algum modo lhe alteram a natureza ou a forma. Para Chiavenato (2000, p.81), “trabalho é toda atividade humana voltada para a transformação da natureza, no sentido de satisfazer uma necessidade. Trata-se de um dos fatores de produção para os economistas, juntamente com a natureza e o capital”. Albornoz (1994) ressalta que, no dicionário filosófico, pode-se encontrar que o homem trabalha quando põe em atividade suas forças espirituais ou corporais, tendo em mira um fim sério que deve ser realizado ou alcançado. Assim, observa-se quão ampla é a visão de trabalho para os filósofos, porque, segundo esta visão, até o simples ato de pegar um ônibus, com o intuito de ir a um parque, passa a ser considerado trabalho. 8 Conforme nos foi apresentado, são várias as ramificações de definição de trabalho, porém como o alvo desta pesquisa refere-se a um ponto específico, o sentido abordado de trabalho aqui será focado na visão dos filósofos que consideram o trabalho como meios para atingir algo que deve ser realizado. 2.1.2 Conceito de Qualidade de Vida Segundo Moreira e Goursand (2005), a medicina atual trata os problemas de saúde sem levar em consideração o ambiente em que a pessoa vive. É necessário perceber, como afirma Freud (apud Moreira e Goursand 2005, p.15), que o indivíduo está constantemente em conflito entre a satisfação de suas necessidades e as pressões de seu meio social. Portanto, sabe-se que cada indivíduo é um todo, de corpo, mente e espírito, influenciado por vários fatores, cada um deles com um peso sobre a saúde física e mental. Na tentativa desesperada de acrescentar anos a nossa vida, acabamos nos esquecendo de acrescer vida aos nossos anos (MOREIRA, GOURSAND, 2005, P. 15). Na concepção dos autores, ter qualidade de vida significa: 1 Estar equilibrado psíquica e fisicamente; 2 Estar habituado a ter medidas preventivas de saúde psíquica e física; 3 Ter consciência de que é possível alcançar um estado de satisfação, de certa felicidade; 4 Sentir-se com uma vida plena, saudável e prazerosa; 5 Estar em paz consigo mesmo, com outras pessoas e com a natureza; 6 Buscar alguma forma de encontro transcendental ou espiritual. Observa-se, então, que não há um padrão de qualidade de vida que possa ser aplicado a todas as pessoas, pois é inegável a individualidade, assim como a cultura em que cada indivíduo se formou. 9 Portanto, para Moreira e Goursand (2005), é relevante levar em consideração os fatores externos e internos quando se discute a melhoria da qualidade de vida. As situações externas que determinam as condições de vida são mais difíceis de serem mudadas, pois não dependem do próprio indivíduo e sim de ações políticas e sociais. Já as internas dependem da motivação do próprio indivíduo, do seu esforço, da substituição dos hábitos negativos e indesejáveis por outros mais saudáveis e adequados. Os condicionamentos externos determinam as condições de vida. São eles: ambientais (domésticos, profissionais, escolares, residenciais); políticos sociais (sistema de governo, ideologia, justiça, sociedade); culturais (ambiente cultural, valores, mitos, crenças, preconceitos) econômicos e financeiros (dinheiro, bens, dívidas). Os condicionamentos internos determinam o estilo de vida. São especialmente os físicos ou fisiológicos, os psicológicos e os hábitos sociais: doenças, depressão, isolamento, agressividade, excesso de trabalho, estress etc. (MOREIRA, GOURSAND, 2005, p.28). Assim, na opinião dos autores, pode-se dizer que, para se ter uma qualidade de vida, são necessárias mudanças em algumas áreas na vida do indivíduo. Tais áreas são definidas por Moreria e Goursand (2005, p.29), como os sete pilares da qualidade de vida que são: “a alimentação, a atividade física, o sono, o trabalho, a afetividade, a sexualidade e o lazer”. Dessa forma, a visão de Moreria e Goursand (2005) sobre a qualidade de vida pode se resumir no seguinte esquema: QUALIDADE DE VIDA CONDIÇÕES DE VIDA+ ESTILO DE VIDA+SAÚDE Fonte: Moreira e Goursand (2005, p.28) 10 2.1.3 Origem e evolução da Q.V.T. Segundo Rodrigues (1999, apud Vasconcelos, 2001), a qualidade de vida sempre teve a atenção do ser humano, sendo contextualizada de várias formas, e estando sempre voltada a facilitar ou trazer satisfação e bem-estar ao trabalhador na execução de suas tarefas. O autor considera que a Q.V.T. tem sua origem marcada em 300 a.C., pela contribuição de Euclides de Alexandria, para a melhoria do método de trabalho dos agricultores à margem do rio Nilo, e, em 287 a.C., por Arquimedes ao propor a Lei de alavancas, para diminuir o esforço físico dos trabalhadores. Durante os séculos, os sociólogos, filósofos, engenheiros e pesquisadores contribuíram para o estudo sobre a satisfação do indivíduo no trabalho. Entre os pesquisadores, mostrou-se relevante o estudo comportamental do indivíduo, de sua motivação para a obtenção das metas organizacionais e da qualidade de vida do trabalhador. Para Henry Fayol (1990), não chegam a ser irrelevantes coisas como salário, iluminação, calefação e viveres para os funcionários, porém, sem dúvida, tanto a empresa quanto os trabalhadores têm muito a ganhar quanto maior for a instrução, a estabilidade social, afetiva, a saúde e até a moralidade de seus agentes. Como esses são elementos fundamentais para o bom andamento da corporação, Fayol considera como responsabilidade das organizações promover tais projetos, e como não é possível ser feito somente dentro das oficinas, vem ressaltar a importância de um trabalho fora das dependências da corporação. Entretanto um fator importante ressaltado por Fayol, como fator determinante para atingir o objetivo, é que projetos devem ser discretos e prudentes, fazendo com que 11 o próprio trabalhador se interesse por projetos para que seja uma aceitação livre, despindo-se, assim, de uma imposição tirânica e autoritária. A contribuição do patrão para o bem-estar do operário pode ser variada. Na fábrica, ela desenvolve-se sobre questões de higiene e conforto: ar, luz, limpeza, refeitório. Fora da fábrica, aplica-se à moradia, à alimentação, à instrução e à educação (FAYOL, 1990, p.56). Segundo Vasconcelos (2001), é relevante mencionar o trabalho de Frederick Hezberg, cuja Teoria de dois fatores associava a insatisfação do funcionário com o trabalho ao ambiente de trabalho e ao trabalho em si. Os fatores higiênicos para a produção de insatisfação, compreendem: a política e a administração da empresa, as relações interpessoais com os supervisores, supervisão, condições de trabalho, salários, status e segurança no trabalho. Os fatores motivacionais de satisfação abrangem: realização, reconhecimento, o próprio trabalho, responsabilidade e progresso ou desenvolvimento. Ressalta-se, portanto, que os desafios enfrentados por idealizadores continuam, isto é, tornam a QVT uma ferramenta gerencial e não mais um processo passageiro. Nota-se que, nos dias atuais, o indivíduo tem trabalhado cada vez mais, e por conseqüência, tem tido menos tempo para si mesmo (VEIGA 2000). Baseando-se nessa realidade, Handy (1995, p.25), declarou que: “o problema começou quando transformamos o tempo em uma mercadoria, quando compramos o tempo das pessoas em nossas empresas em vez de comprar a produção”. 2.1.4 Conceitos de Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) Para Walton (1973, Dutra, 2008), a Q.V.T. estimula a motivação, a satisfação, a auto-estima e a produtividade do trabalhador, abordando as condições físicas, jornadas de trabalho, crescimento profissional e relevância social no trabalho estabelecendo valores humanos no ambiente organizacional. Segundo o autor, uma 12 organização deve agregar oito critérios básicos à administração de recursos humanos: 1- Promover condições de saúde e segurança ao trabalhador; 2- Perceber as oportunidades imediatas para a utilização e desenvolvimento da capacidade humana; 3- Proporcionar oportunidades de crescimento profissional e estabilidade do trabalhador; 4- Estabelecer a integração social por meio da organização do trabalho; 5-Compreender a relevância social do trabalho na vida do trabalhador; 6- “Efetuar o planejamento das responsabilidades e divulgar informações sobre o trabalho (DUTRA, 2008, p.23)”; 7- Destacar a variedade de habilidades requeridas para a execução da tarefa 8- Dar autonomia ao trabalhador, para o cumprimento da tarefa. Segundo Sant' Anna e Moraes (1998), o assunto Q.V.T. não apareceu de repente, surgiu na antiga civilização, quando os homens já tinham a consciência de que era preciso desenvolver novas técnicas e ferramentas para tornar o trabalho menos desgastante e mais compensatório, possibilitando, assim, um maior desempenho, satisfação e produtividade no trabalho. Porém, foi com "A Revolução Industrial e a sistematização dos métodos de produção no século XVIII e XIX que as condições de trabalho e sua influência sobre a produtividade e a moral dos trabalhadores passaram a ser estudadas de forma científica.” (SANT’ANNA e MORAES 1998, p 4). Para Paiva (1999), Qualidade de Vida no Trabalho está relacionada à satisfação nas tarefas e à saúde mental, o que confirma o pensamento no dicionário enciclopédico de administração (2003, p.1126,1127). "O termo refere-se às relações das pessoas ao trabalho e está ligado à satisfação no emprego, saúde mental e segurança (...) as inovações em qualidade de vida no trabalho também podem melhorar o bem-estar e 13 satisfação dos funcionários, oferecendo um melhor ambiente e funções mais recompensadoras." Entende-se que, na atualidade, há uma grande preocupação dos administradores com investimentos cada vez mais amplos em relação ao bem-estar dos profissionais, como ressalta Limongi-França (2004, p.24), “cuidados médicos estabelecidos pela legislação de saúde, até mesmo atividades voluntárias dos empregados e empregadores nas áreas de lazer, motivação, entre inúmeras outras...". Não se pode negar que a remuneração também é fator decisório no desempenho e motivação dos trabalhadores. Smith (1776, apud Sant’ anna e Moraes, 1998), em "A riqueza das nações", menciona sobre o assunto: "Assim como a remuneração generosa do trabalho estimula a propagação da espécie (humana), da mesma forma aumenta laboriosidade. Os salários representam o estímulo da operosidade, a qual, como qualquer outra qualidade humana, melhora em proporção ao estímulo que recebe (...) portanto, onde os salários são mais altos, sempre veremos os empregados trabalhando mais ativamente, com maior rapidez do que onde são baixos(...) (SMITH,1983). Percebe-se que, com esse duplo investimento, os funcionários se sentem satisfeitos com a situação, em troca, produzem em maior escala, qualidade e menos tempo do que se estivessem trabalhando sem motivação. Para Fernandes (1988, apud Dutra, 2008), QVT é uma estratégia gerencial visando à integração do ser humano à organização, para elevar o máximo possível o bemestar do trabalhador com a organização e seu trabalho, pela satisfação de suas necessidades de crescimento pessoal e profissional e, ao mesmo tempo, diminuir seu esforço e aumentar seu desempenho. Os conceitos mais utilizados para pesquisar a Q.V.T. dentro das organizações é o modelo de Walton (1973), dividido em oito categorias, como demonstra o quadro a seguir: 14 Conceitos para Qualidade de Vida no Trabalho (Walton,1973) Critérios 1- Compensação justa e adequada Indicadores Salário (Remuneração) 2- Condições de trabalho Jornada de trabalho Ambiente físico seguro e saudável 3- Uso e desenvolvimento de Salubridade Autonomia capacidades Estima Capacitação múltipla 4- Oportunidade de crescimento Informações sobre o trabalho Carreira profissional e segurança Desenvolvimento pessoal 5- Integração social na organização Estabilidade no emprego Ausência de preconceitos Habilidade social 6- Cidadania Valores comunitários Direitos garantidos (Constitucionalismo) Privacidade 7- Trabalho e espaço total de vida Imparcialidade Liberdade de expressão (Equilíbrio trabalho e vida) Vida pessoal preservada 8- Relevância social do trabalho Horários previsíveis Imagem da organização Responsabilidade social da organização (Fonte: FRANÇA, 1996 apud JULIÃO 2001, p.18) 2.2 Metodologia Com o intuito de obter respostas aos objetivos principais deste trabalho, a pesquisa foi efetuada em três etapas: 15 1ª – Pesquisa teórica, consultas em: livros, páginas de internet e teses de mestrado sobre o tema tratado , para tornar possível a análise dos dados, com base em teorias de vários autores. 2ª – Aplicação do Questionário: contendo 18 perguntas a 20 (vinte) colaboradores o sexo masculino. 3ª – Entrevista com a assistente social da organização sobre a Implantação de projetos de Qualidade de Vida no Trabalho dentro e fora da organização. 2.2.1 Caracterização da organização em estudo O marco inicial desta organização foi a assinatura do acordo de comunhão de interesses entre a organização italiana e o governo de Minas Gerais em 1973, conforme figura 01 abaixo, com o presidente da organização Giovanni Agnelli e o governador de Minas Gerais, Rondon Pacheco, no Palácio da Liberdade. Figura 01 – Assinatura do acordo de interesses. FONTE: Edição Comemorativa 30 anos da organização Após três anos de construção, com três mil homens trabalhando dia e noite, foi em nove de julho de 1976 que ocorreu a inauguração da organização com a presença 16 do Presidente da República Ernesto Geisel e o presidente da organização Adolfo Neves, conforme figura 02. Figura 02 – Inauguração da organização. FONTE: Edição Comemorativa 30 anos da organização Hoje, passados trinta e um anos, tem grande participação não só no mercado, mas também no meio social, cultural, além de ser referencial tecnológico no País, e de estar no primeiro lugar em vendas há sete anos consecutivos. 2.3 Análise e Interpretação dos dados 2.3.1 Análise dos dados da pesquisa com os funcionários Participou desta pesquisa uma amostra de 20 funcionários, do sexo masculino e em diferentes turnos de trabalho dentro da organização. Gráfico 1: Idade. 10% 15% Até 25 anos De 25 a 40 anos Acim a de 40 anos 75% Fonte: pesquisa de campo 17 Analisando o gráfico 1, observa-se que o maior número de colaboradores tem entre 25 a 40 anos de idade. Gráfico 2: Tempo de empresa. 10% 25% Até 5 anos De 5 a 15 anos Acim a de 15 anos 65% Fonte: pesquisa de campo Conforme o gráfico 2, 29% dos colaboradores têm menos de cinco anos, 61% têm entre 5 e 15 anos e apenas 10% tem mais de 15 anos na organização. Percebe-se que não há rotatividade entre os colaboradores, pois a maioria tem entre 5 e 15 anos de empresa. Gráfico 3: Difusão dos projetos de QVT na organização. 35% 0% 25% Nenhum projeto De 01 a 10 projetos De 10 a 25 projetos Acim a de 25 projetos Fonte: pesquisa de campo 40% De acordo com o gráfico 3, 25% dos colaboradores têm conhecimento de até cinco projetos, 40% têm conhecimento de 10 a 25 projetos, e apenas 35% conhecem mais de 25 projetos. Verifica-se que, embora o maior número de colaboradores tenha conhecimento de muitos projetos, a difusão não é tão eficiente, pois são mais de 50 projetos aplicados. 18 Gráfico 4: Satisfação quanto aos projetos de QVT aplicados. 40% 0% M uito s atis fe ito Satisfe ito tanto faz Insatis feito M uito ins atisfe ito 60% Fonte: pesquisa de campo Em relação à satisfação quanto aos projetos de QVT aplicados, 40% dos colaboradores encontram-se muito satisfeitos, e 60% estão satisfeitos. Entende-se que os projetos têm atingido o alvo que é a satisfação dos colaboradores. Gráfico 5: Satisfação quanto à remuneração aplicada. De acordo com o gráfico 5, 38% dos colaboradores estão muito satisfeitos, 57% 0% 5% 0% 38% M uito satisfeito Satisfeito tanto faz Insatisfeito M uito insatisfeito 57% Fonte: pesquisa de campo estão satisfeitos e apenas 5% estão insatisfeitos. Demonstrou-se que a maioria concorda com a remuneração aplicada. 19 Gráfico 6: Condições de trabalho na organização. 0% 3% 0% 40% M uito s atis fe ito Satis fe ito tanto faz Ins atis fe ito M uito ins atis fe ito 57% Fonte: pesquisa de campo No que se refere às condições de trabalho, 40% dos colaboradores estão muito satisfeitos, 57% estão satisfeitos e 3% estão insatisfeitos. Logo a maioria dos colaboradores encontram-se satisfeitos com as condições de trabalho. Quanto à oportunidade de planejamento de carreira, 100% dos colaboradores estão muito satisfeitos com as condições de crescimento oferecidas pela organização. Gráfico 7: Integração social promovida pela organização. 30% 0% M uito satisfe ito Satisfeito tanto faz Ins atisfe ito 70% M uito insatis fe ito Fonte: pesquisa de campo De acordo com o gráfico 7, 70% dos colaboradores estão muito satisfeitos e 30% estão satisfeitos. O que comprova o êxito dos projetos de integração social promovidos pela organização. 20 Gráfico 8: Satisfação quanto aos direitos na instituição. 0% 13% 30% 0% M uito bom Bom tanto faz Ruin M uito ruin 57% Fonte: pesquisa de campo Em relação aos direitos na instituição, 30% dos colaboradores estão muito satisfeitos, 57% estão satisfeitos, e 13% estão insatisfeitos. Os colaboradores, em sua maioria, encontram-se satisfeitos em relação aos direitos dentro da instituição. Gráfico 9: Equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. 0% 0% 45% M uito s atis feito Satis feito Tanto faz Ins atis feito M uito ins atis feito 55% 0% Fonte: pesquisa de campo Quanto ao equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, apenas 40% dos colaboradores estão satisfeitos e 55% estão insatisfeitos. Assim, a maioria dos colaboradores encontram-se insatisfeitos, devido à grande quantidade de horas trabalhadas, influenciando no lazer e no convívio com a família. 21 Gráfico 10: Importância do trabalho. 0% 50% M uito tatisfeito Satisfeito tanto faz Insatisfeito 50% M uito insatisfeito Analisando o gráfico 10, 50% dos colaboradores estão muito satisfeitos e 50% estão satisfeitos. Verifica-se que todos os colaboradores encontram-se muito satisfeitos ou satisfeitos em estar contribuindo para a sociedade com o que fazem. 2.3.2 Análise de dados da pesquisa com a assistente social da organização Quando questionada a respeito dos projetos aplicados na organização para benefício da QVT, a entrevistada ressaltou a existência de mais de 50 projetos. Segundo ela: Na verdade temos mais de cinqüenta e sete aplicados e vários outros em estudo, sem falar que outras áreas como, segurança do trabalho e o grupo tecnológico também se preocupam com esta parte de QVT. Com relação aos mais importantes, a assistente social enfatizou que: Cada um tem a sua importância, por esse motivo, fica difícil enumerar os mais importantes, mas todos são relevantes. Posso enumerar os mais usados: Convênio médico, Planejamento familiar, Nutrição e saúde, Vida nova, Prosa, Dentário fora da empresa, Portas abertas, Copa Máster de futsal, Colônia de férias, Copa Fiat de futebol de campo, Clube da criança, Festa primeiro de maio, Festa junina, Festa de natal, Festa dia das crianças, Cine clube, Estação do amor, Baile de debutantes, Clube da música, Maratona cultural... 22 No que se refere à importância desses investimentos para a organização e seus funcionários, a respondente reafirmou o compromisso da empresa com a vida dos empregados, conforme o depoimento abaixo. A principal importância é que não existe isso de a empresa é uma coisa e vida particular é outra, a interação das duas constitui o habitat dos colaboradores se sua vida não está legal lá fora, com certeza, não irá bem aqui dentro. Não existe a expressão “Quando entro pra trabalhar meus problemas ficam de fora”. Quando questionada a respeito dos eventos dentro da organização, a entrevistada ressaltou que da mesma forma são muitos, mas os mais usados são: Campeonato de truco e dama, pratas de casa, teatros, nas saídas dos restaurantes com apresentações culturais de vários estados e países como comidas típicas no restaurante, música ao vivo, regionais e dançarinos caracterizados na saída, o ônibus, só para se ter uma idéia são mais de : trezentas e quarenta linhas de ônibus, atendimento a dezessete cidades, com trezentos e sessenta e cinco bairros contemplados, aproximadamente vinte e sete mil viagens por mês, os ônibus percorrem mensalmente seiscentos e cinqüenta e cinco mil quilômetros, o suficiente para dar dezesseis voltas ao redor da terra. Com relação aos resultados obtidos pela organização como retorno de tais investimentos, a entrevistada enfatizou: A dedicação total do empregado, ele passa a não ver mais a empresa como lugar que ele troca seu suor por um salário, mas uma extensão do seu lar, seu porto seguro. Ele passa a ter um padrão de vida muito acima de seu salário. Exemplo: os palestrantes que são convidados pela empresa cobram caríssimo para atender um público reduzido como os que são montados pela empresa. A entrevistada citou também alguns exemplos em que a organização colaborou com o funcionário fora dos padrões normais do campo rotineiro de trabalho, como se pode observar pelos depoimentos abaixo: “Certo dia um líder da produção me comunicou que, em sua área, um colaborador estava em uma situação difícil, e após uma breve entrevista, ele me disse que seu filho teria um tumor no cérebro e só sobreviveria por mais 23 três meses, sua esposa não sabia andar no centro da cidade, seu dinheiro já havia acabado, os medicamentos eram caríssimos e o médico lhe disse para levar o filho para casa, pois nada mais poderia ser feito, porém ele teria que levá-lo todos os dias ao hospital. Bem, o filho realmente morreu, mas a empresa disponibilizou uma ambulância que levava e trazia a criança e a mãe todos os dias e quanto ao remédio o desconto que é de 50%, passou para 100%, ou seja, de graça”. “A mãe de um funcionário faleceu e o mesmo não tinha recursos para arcar com as despesas funerárias, após o contato, a empresa arcou com as despesas e foi descontada de seu contracheque uma quantia que não comprometeu seu sustento básico”. “Outro dia, um condutor de processo me ligou dizendo que seu colaborador havia se envolvido em um acidente de trânsito após sair da fábrica, porém fora do trajeto de sua casa, no mesmo instante, liguei para ver como ele estava, se precisava de reboque ou auxílio médico”. 24 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Apesar de este estudo não abranger a totalidade de campos relacionados à Qualidade de Vida no Trabalho, como ergonomia e saúde, o campo de pesquisa foi focado em um ponto específico, a assistência social prestada aos empregados da organização automobilística. Tendo sido o objetivo desta pesquisa investigar os investimentos em Qualidade de Vida no Trabalho que a organização oferece, os benefícios para a empresa e a satisfação de seus funcionários, constatou-se que embora não exista o projeto de QVT propriamente dito, percebeu-se que existem projetos orientados para um melhor padrão de vida do colaborador. Foi evidenciado também que a organização compreendeu que funcionários descontentes são sinônimos de baixa produtividade, alta rotatividade e elevado número de afastamentos. Com o intuito de amenizar, suplantar e até extinguir esse desafio, notou-se que a organização se vê na obrigação de criar meios para a melhoria da produtividade, sendo que estes vão além da remuneração, ultrapassando os limites dos portões da fábrica. E da vida pessoal do próprio trabalhador, atingindo, assim, seu habitat como um todo. Conclui-se que a organização proporciona aos seus colaboradores inúmeros projetos para o seu bem-estar, tendo assim, a sua total dedicação, reduzindo o absenteísmo e aumentando a produtividade. Foi ressaltado que os projetos aplicados têm sido eficientes, o que é de fácil comprovação, pois a pesquisa demonstrou a satisfação dos colaboradores. Este estudo evidenciou, portanto, a importância dos investimentos na implantação de projetos de Qualidade de Vida no Trabalho. Afinal, com a evolução das tecnologias, das cobranças e uma busca contínua de superação, entende-se que é 25 de suma importância que estudos futuros sobre QVT caminhem na mesma proporção, visando a acompanhar e amenizar os efeitos causados por mudanças velozes no ambiente de trabalho. 26 REFERÊNCIAS ALBORNOZ, Suzana. O que é trabalho. 6. ed. reimpr. São Paulo: Brasiliense, 2004. 103p.:il. FAYOL, Henri. Administração industrial e geral: previsão, organização, comando, coordenação e controle. 10. ed. São Paulo: Atlas, 1994.138p. COOPER, CARLY; ARGYRIS, Chris (orgs). Dicionário enciclopédico de administração. São Paulo: Atlas, 2003. 1456p. LIMONGI-FRANÇA, Ana Cristina. Qualidade de vida no trabalho-QVT: conceitos e práticas nas empresas da sociedade pós-industrial. São Paulo: Atlas, 2004. 217p. SANT'ANNA, Anderson de Souza; MORAES, Lúcio Flávio Renault de. O movimento de qualidade de vida no trabalho; um estudo de suas origens, evolução, principais abordagens e avanços no Brasil. Belo Horizonte; CEPEAD_UFMG, 1998. 29p FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio XXI: o dicionário da língua portuguesa. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2128p. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. 6.ed. rev. e atual. Rio de Janeiro: campus, 2000. 700p. MOREIRA, Ramon Luiz Dias; ARAÚJO, Marcos Goursand. Os sete pilares da qualidade de vida. Belo Horizonte: Letras e Letras, 200. 184.: il. PAIVA, Kely César Martins de. Qualidade de vida no trabalho e stress de profissionais docentes: uma comparação entre o público e o privado. Belo Horizonte: UFMG/FACE, 199.185p. VASCONCELOS, Anselmo Ferreira. Qualidade de Vida no Trabalho: Origem, Evolução e Perspectivas. Caderno de Pesquisas em Administração. São Paulo: 2001, Janeiro/Março, p.23-35. JULIAO, Patrícia. Qualidade de Vida no Trabalho:Avaliação em Empresa do setor automobilístico a partir do clima organizacional e do sistema baseado na especificação técnica ISO/TS 16.949.São Paulo/2001: Universidade de São Paulo, (Trabalho de conclusão de curso de graduação). DUTRA, Roseli de Fátima. Qualidade de vida no Trabalho: O caso de uma cooperativa médica de um hospital universitário mineiro. Belo Horizonte/2008: Faculdade Novos Horizontes, (Dissertação de mestrado). 27 APÊNDICE A ENTREVISTA REALIZADA COM A ASSISTENTE SOCIAL 1- Quais os projetos aplicados na organização para benefício da Q.V.T . 2- Existem alguns que sejam mais importantes? Quais? 3- Qual a importância destes investimentos para a organização e seus funcionários? 4- Eu observei que você falou de vários eventos lá fora, mas e dentro da organização, existe algum incentivo? Quais? 5- Quais os resultados obtidos pela organização como retorno de tais investimentos? 6- Você poderia citar alguns exemplos em que a organização colaborou com o funcionário fora dos padrões normais do campo de ação rotineiro de trabalho (uma assistência)? 28 APÊNDICE B Questionário – Qualidade de vida no trabalho: 1- Qual a sua idade? ( ) até 25 anos ( ) 25 a 40 anos ( ) acima de 40 anos 2- Há quanto tempo você trabalha nesta organização? ( ) até 5 anos ( ) 5 a 15 anos ( ) mais de 15 anos 3- Você sabe quantos projetos de qualidade de vida são oferecidos pela organização em que trabalha? ( ) 01 a 10 ( ) 10 a 25 projetos ( ) acima de 25 projetos projetos 4- Você está satisfeito com os projetos de qualidade de vida realizados no seu trabalho? ( ) ( ) Satisfeito ( ) Tanto faz ( ) Insatisfeito ( ) Muito Muito insatisfeito satisfeit o 5- Qual o respeito que a sociedade atribui à organização para a qual trabalha? ( ) Muito bom ( ) Bom ( ) Regular ( ) Tanto faz 6- Com relação ao tempo que resta depois do trabalho para se dedicar ao lazer, você está? ( ) ( ) Satisfeito ( ) Tanto faz ( ) Insatisfeito ( ) Muito Muito insatisfeito satisfeit o 7- Qual o respeito que a organização demonstra ao direito de inclusão da pessoa com deficiência? ( ) Muito bom ( ) Bom ( ) Regular ( ) Tanto faz 8- A organização demonstra interesse em implantar as sugestões que você faz? ( ) Sim ( ) Não ( ) As vezes 9- Como é o relacionamento entre você e seus colegas de trabalho? ( ) Muito bom ( ) Bom ( ) Regular ( ) Tanto faz 10- Sobre o apoio que recebe de seus superiores no desenvolvimento do seu trabalho, como definiria? ( ) Muito bom ( ) Bom ( ) Regular ( ) Tanto faz 11- Com relação aos benefícios (plano de saúde, seguro, etc.), que você tem direito, você está? ( ) ( ) Satisfeito ( ) Tanto faz ( ) Insatisfeito ( ) Muito Muito insatisfeito satisfeit o 12- Quanto às oportunidades, para desenvolver novas habilidades (cursos, planejamentos de carreira)? ( ) Já ( ) Não existiram ( ) Existem ( ) Existem e são boas ( ) Existem e são 29 existira m ruins 13- Quanto à sensação de se sentir útil para a sociedade ao realizar suas tarefas, você se sente? ( ) ( ) Satisfeito ( ) Tanto faz ( ) Insatisfeito ( ) Muito Muito insatisfeito satisfeit o 14- Com os recursos que a organização lhe oferece para desempenhar suas tarefas, você se sente? ( ) ( ) Satisfeito ( ) Tanto faz ( ) Insatisfeito ( ) Muito Muito insatisfeito satisfeit o 15- Com a segurança pessoal ao realizar seu trabalho, você está? ( ) ( ) Satisfeito ( ) Tanto faz ( ) Insatisfeito Muito insatisfeito satisfeit o ( ) Muito 16- Com o seu ambiente de trabalho, as condições físicas (iluminação, ventilação, ruído, etc.), você está? ( ) Muito bom ( ) Bom ( ) Regular ( ) Tanto faz 17- Quanto às informações sobre segurança e saúde que você recebe, você está? ( )Muito ( ) Satisfeito ( ) Tanto faz ( ) Insatisfeito ( ) Muito satisfeit insatisfeito o 18- Quando você compara o seu salário com o trabalho que você executa, você está? ( ) ( ) Satisfeito ( ) Tanto faz ( ) Insatisfeito ( ) Muito Muito insatisfeito satisfeit o Os projetos de qualidade de vida aplicados na sua organização lhe incentivam a se dedicar mais ao grupo? Por quê? 30