A GESTÃO DO PLANEJAMENTO PEDAGÓGICO EM CONTEXTO DE
EDUCAÇÃO INFANTIL 1
HOLZSCHUH, Aline Simone2; CANCIAN, Viviane Ache3
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Trabalho de Pesquisa _UFSM
Curso de Especialização em Gestão Educacional (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil
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Professora do Departamento de Metodologia do Ensino do Centro de Educação (UFSM), Santa
Maria, RS, Brasil
E-mail: [email protected]; [email protected]
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RESUMO
Esta pesquisa corresponde a um trabalho de monografia, e tem como objetivo compreender
como acontece a gestão do planejamento pedagógico no Núcleo de Educação Infantil Ipê
Amarelo e quais as relações entre professoras, bolsistas, equipe gestora e crianças. Esta
pesquisa possui uma abordagem qualitativa, e os procedimentos utilizados são observações
das reuniões gerais e de planejamento, entrevistas semi-estruturadas com professoras,
bolsistas e equipe gestora e a análise de documentos, como projetos político-pedagógicos e
modelos de planejamento de anos anteriores e atuais. Constatou-se que nos encontros
observados aconteceu um compartilhamento de experiências e intencionalidades, o que
enriqueceu as discussões e propiciou que os sujeitos envolvidos tivessem um crescimento
no sentido de aprenderem com o coletivo. Concluiu-se até o momento que as reuniões
gerais e de planejamento são momentos de formação para todos os sujeitos participantes,
pois ao manifestarem suas opiniões e conhecimento, contribuem para o aprendizado e
crescimento do outro.
Palavras-chave: Gestão; Planejamento pedagógico; Educação infantil.
1. INTRODUÇÃO
Este trabalho traz algumas reflexões sobre a gestão do planejamento
pedagógico em contexto de educação infantil. Enfatizou-se que todos os sujeitos que atuam
na escola de educação infantil participam de alguma maneira no desenvolvimento e
aprendizagens das crianças, o que requer envolvimento e comprometimento de todos com o
trabalho pedagógico que é realizado com as mesmas. Sendo assim, é importante que o
trabalho pedagógico seja planejado, intencional, explicitado e claro para todos os segmentos
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da escola; para o coletivo dos professores, bolsistas e equipe gestora da instituição de
educação infantil.
Traz-se também alguns apontamentos sobre as trocas e compartilhamento de
experiências e intencionalidades que acontem nas reuniões gerais e de planejamento
ocorridas no Núcleo de Educação Infantil Ipê Amarelo.
2. A GESTÃO DO PLANEJAMENTO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL
De acordo com Peripolli et. al. (2009), a equipe gestora da escola tem, dentre
outras responsabilidades, a de buscar a efetiva participação nas questões educacionais.
Acredita-se que uma destas questões seja o planejamento pedagógico, o qual é realizado
pelo professor, mas que precisa de apoio da equipe gestora para que seja efetivado na
prática.
Sendo o planejamento, conforme Fusari (1998), a tarefa cotidiana de preparar as
aulas, compreende-se que por meio deste o professor pensa e articula o que pretende
realizar na prática. Sob este aspecto, Libâneo nos permite compreender que “O processo e
o exercício de planejar referem-se a uma antecipação da prática, de modo a prever e
programar as ações e os resultados desejados, constituindo-se numa atividade necessária à
tomada de decisões” (LIBÂNEO, 2004, p.149). Dessa forma, compreende-se o
planejamento não só como a forma de pensar sobre o que será feito e o modo como será
realizado, mas também do que se deseja alcançar com determinadas atividades, sendo
então, um passo importante para que possa ser possível decidir o que será feito na prática.
Além disso, ao se planejar, também é fundamental que o professor conheça e
respeite a realidade na qual seus alunos estão inseridos, pois de nada adianta fazer
planejamentos que não contemplem o contexto no qual os educandos vivem. Como escreve
Libâneo (2004):
O planejamento é um processo contínuo de conhecimento e análise da
realidade escolar em suas condições concretas, de busca de alternativas
para a solução de problemas e de tomada de decisões, possibilitando a
revisão dos planos e projetos, a correção no rumo das ações (LIBÂNEO,
2004, p.150).
Dessa forma, o planejamento permite ao professor estar sempre percebendo
questões que envolvem seus alunos, no que se refere às suas necessidades, seus
interesses e o melhor ritmo de se trabalhar com os mesmos, de modo que possa fazer
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mudanças em seus planejamentos e ações, buscando sempre melhores formas de
aprendizagem para seus educandos.
Em se tratando de planejamento na educação infantil, é preciso levar em conta a
especificidade do trabalho com crianças pequenas, o qual perpassa o cuidar, pois envolve
também o educar. Isto vai muito além do professor pensar atividades a serem propostas,
pois requer preocupação e muita atenção ao ritmo de desenvolvimento e aprendizagens,
não só do grupo de crianças, mas de cada uma delas em particular, uma vez que cada
criança tem o seu ritmo de desenvolvimento e seu tempo de aprender. Isto precisa ser
respeitado não só pelo professor, mas também por todos os sujeitos que atuam na escola
de educação infantil. Além disso, este respeito ao tempo e à singularidade de cada criança
precisa ser claro para o professor, para que, em seu planejamento pedagógico, possa
propor momentos, situações, vivências nas quais as crianças possam interagir e se
desenvolver cada vez mais.
Acredita-se que todos os sujeitos que atuam na escola de educação infantil,
independente da função que realizam, tem alguma participação no desenvolvimento das
crianças. Pode-se citar como exemplo as pessoas que trabalham na cozinha preparando o
alimento que será servido para as crianças; as pessoas que fazem a limpeza da sala e de
outros espaços da escola, propiciando assim, ambientes limpos para as crianças
freqüentarem; as pessoas que preparam as mamadeiras, enfim, todos tem sua participação
no desenvolvimento das crianças. Do mesmo modo, a equipe gestora da escola também
contribui de alguma forma, ao fazerem a gestão de todo esse processo que envolve a
escola de educação infantil, o que também envolve receber carinhosamente crianças e pais
quando chegam na escola ou quando pedem alguns esclarecimentos, interagir com as
crianças nas salas ou em outros espaços para perceber como estas estão se sentindo em
determinada turma, se estão gostando da escola, enfim, são vários os momentos em que a
equipe gestora participa do desenvolvimento das crianças.
Sendo assim, o planejamento pedagógico, que é o processo que envolve a
intencionalidade do professor com aquele grupo de crianças, e os objetivos que pretende
alcançar ao propor e realizar determinadas atividades ou situações, precisa ser pensado e
realizado em conjunto com todos os sujeitos que atuam na escola de educação infantil, já
que todos se envolvem com o que as crianças vivenciam na escola, participando de alguma
forma no desenvolvimento das mesmas.
Tanto creches quanto pré-escolas, como instituições educativas, têm uma
responsabilidade para com as crianças pequenas, seu desenvolvimento e
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sua aprendizagem, o que reclama um trabalho intencional e de qualidade.
Na intencionalidade do trabalho reside a preocupação com o planejamento
(OSTETTO, 2000, p.175).
Quando
se
escreve
que
a
instituição
de
educação
infantil
possui
responsabilidade pelo desenvolvimento e aprendizagens das crianças, destaca-se que isto
não envolve apenas o comprometimento do professor, mas de todos os sujeitos que atuam
neste local, sendo que cada um faz a sua parte para atender aos interesses e necessidades
das crianças. Este trabalho planejado e realizado no coletivo precisa acontecer diariamente,
de modo a tornar o cotidiano vivenciado pelas crianças na instituição agradável, seguro e
favorecedor de seu desenvolvimento.
Um trabalho coletivo instiga a participação e o comprometimento de todos os
segmentos da escola de educação infantil, de modo que o planejamento não seja pensado e
realizado somente pelo professor da turma, mas que sejam abertas possibilidades para que
todas as pessoas que trabalham na escola possam participar, cada uma de acordo com a
função que desempenha. Deste modo, o professor não pensa o planejamento apenas para
si próprio, para que efetive seu trabalho na escola, mas pensa o planejamento para as
crianças, convidando todos que atuam na escola a também fazerem seu trabalho pensando
nas crianças.
Corsino (2009) defende a idéia de planejamento pedagógico na educação infantil
tendo como ponto de partida o trabalho com as crianças, o que implica no professor ter um
olhar atento para as mesmas, e, a partir delas e com elas pensar e planejar suas ações
pedagógicas. Isto incita que o professor faça seu planejamento tendo como foco as
crianças, observando suas necessidades e envolvendo-as no planejamento, por meio de
suas curiosidades e de seus interesses. Deste modo, o planejamento se torna, segundo
Corsino (2009), coletivo e participativo, bem como, descentralizado, pois não é só o
professor que se envolve com o mesmo, mas também as crianças. Isto é muito interessante,
pois
Envolver as crianças no planejamento das atividades do dia a dia e de
projetos que serão desenvolvidos é importante pela possibilidade de as
crianças pensarem juntas, fazerem escolhas, negociarem pontos de vista,
anteverem o que vão fazer. Ao se sentirem protagonistas e autorizadas a
discutir e opinar, tornam-se coautoras do trabalho (CORSINO, 2009, p.
119).
Percebe-se então que será muito significativo para as crianças se o professor
lhes possibilitar que pensem e decidam juntas sobre os assuntos a serem trabalhados na
turma, manifestando suas opiniões e dando sugestões. Acredita-se que esta participação
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das crianças no planejamento auxiliará, até mesmo, no desenvolvimento da fala, na
desinibição e na relação das crianças com o professor e entre elas mesmas, pois, irão
perceber que precisam ouvir e respeitar a opinião do outro, como também, a sua vez de
falar. É claro que o professor precisa trabalhar estas questões com as crianças, mas as
vivências que lhes são possibilitadas pela abertura que lhes é dada para participarem do
planejamento auxiliarão neste processo.
Além disso, acredita-se que as crianças se sentirão protagonistas do que
acontece diariamente na escola, mais especificamente, na sua turma. Isto pode gerar muito
mais interesse das mesmas pelas atividades e situações vivenciadas na escola, de modo
que gostem de vir e estar na mesma, sentindo-se mais felizes.
A criança, ao atuar como sujeito ativo e interagir com o professor e outras
crianças, passa a significar e recriar o mundo ao seu redor (CORSINO, 2009). Desse modo,
a criança pode dar outros significados acerca do que vê e vivencia diariamente, o que,
segundo a autora recém citada, pode favorecer sua aprendizagem, já que esta é a
possibilidade de atribuir sentido às suas experiências. Neste sentido, “Planejar inclui escutar
a criança para poder desenhar uma ação que amplie as suas possibilidades de produzir
significados” (CORSINO, 2009, p. 117). O planejamento, então, requer a realização de
atividades que possibilitem ao máximo as crianças a produzirem significados daquilo que
elas vivenciaram, de modo que, por meio das trocas feitas com as demais crianças e o
professor, possam ir adquirindo saberes. Isto porque,
È na troca dos sentidos construídos e na valorização das diferentes vozes
que circulam nos espaços de interação que a aprendizagem vai
acontecendo. Isso faz da sala de aula um lugar de confronto de diferentes
pontos de vista – das crianças, dos professores, dos livros e de outras
fontes -, portanto, de produção e de apropriação de saberes (CORSINO,
2009, p. 118).
Percebe-se então que as diferentes opiniões que se manifestam na sala e em
outros espaços da instituição de educação infantil proporcionam, cada vez mais
aprendizagens às crianças. Em um espaço educativo, muitas ideias podem se confrontar
seja de adultos ou de crianças, ou ainda, de outras fontes informativas, e isto possibilita às
crianças que produzam e se apropriem de saberes vivenciados no cotidiano escolar.
Corsino (2009) aponta que cabe ao professor, que está no lugar de sujeito mais experiente,
conhecer e acompanhar os processos das crianças, perceber como cada uma delas está
aprendendo e se desenvolvendo, e planejar ações que possam ampliar as experiências
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infantis. Desse modo, por meio do que o professor evidencia no desenvolvimento e
aprendizagem de cada criança, pode incluir em seu planejamento ações pedagógicas nas
quais possa favorecer ainda mais os saberes adquiridos pelas crianças.
Neste planejamento, é importante o professor propor situações nas quais
aconteçam confrontos de idéias e opiniões entre sujeitos, pois “É no confronto com o outro –
adultos e crianças – que o planejamento pode ir completando-se e ganhando novos
contornos” (CORSINO, 2009, p. 118). Percebendo o que as crianças pensam sobre
determinado assunto, por exemplo, o professor pode reorganizar seu planejamento, de
modo a atender as expectativas e interesses das crianças sobre o que será trabalhado na
turma.
Corsino (2009) ainda nos permite compreender o planejamento como o lugar de
reflexão do professor, que, com base nas suas observações e registros, prevê ações,
encaminhamentos e sequência de atividades, bem como, organiza o tempo e o espaço,
seleciona e disponibiliza materiais para as crianças. O planejamento, dessa forma, se
estrutura conforme o que o professor observa, registra e reflete sobre, sendo que a definição
de atividades, locais e recursos a serem utilizados para a realização das mesmas podem
modificar por conta do que o professor percebe ao observar atentamente o seu grupo de
crianças.
Fusari (s./d. apud OSTETTO, 2000, p. 177) nos permite compreender que
O planejamento educativo deve ser assumido no cotidiano como um
processo de reflexão, pois, mais do que ser um papel preenchido, é atitude
e envolve todas as ações e situações do educador no cotidiano do seu
trabalho pedagógico.
Destaca-se então a importância do professor planejar todos os momentos que as
crianças vivenciam na escola, o que se refere também aos momentos de higienização,
alimentação, enfim, tudo faz parte do trabalho com crianças, por isso requer do professor
um planejamento intencional.
Além disso, também é interessante o professor ter, com as crianças, uma
relação de compartilhamento de ideias e sugestões, de modo a propiciar-lhes participação
no planejamento e partilhar com as mesmas o que será possível realizar. Contudo, precisa
ter clareza que pode acontecer algo imprevisível. “Nessa tensão entre o previsível e o
imprevisível cabe ao professor ficar atento às negociações, ao que precisa ser retomado, às
necessidades do grupo e de cada criança individualmente” (CORSINO, 2009, p. 119). Dessa
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forma, é preciso ter diariamente um olhar atento aos comportamentos e acontecimentos que
envolvem o grupo de crianças, como também, cada criança em sua singularidade e
particularidades. “Como um processo reflexivo, no processo de elaboração do planejamento
o educador vai aprendendo e exercitando sua capacidade de perceber as necessidades do
grupo de crianças, localizando manifestações de problemas e indo em busca das causas”
(OSTETTO, 2000, p. 178). Por meio do planejamento, o professor tem a possibilidade de
observar, registra e refletir sobre as melhores formas de trabalhar com o seu grupo de
crianças, dentro da realidade em que estas se encontram, e atendendo às expectativas das
mesmas.
É importante também ouvir as crianças, para verificar se estas estão gostando
das atividades propostas e/ou dos assuntos trabalhados em sala, pois de repente, estas
podem não estar tão envolvidas ou interessadas no que está sendo proposto e realizado na
prática. Quando isto acontece, o professor precisa ter humildade e reconhecer que seu
planejamento não está exatamente de acordo com o interesse das crianças, de modo a
repensá-lo e reorganizá-lo, pensando em novas possibilidades, novas estratégias de ação a
serem propostas ao grupo de crianças. Neste sentido, destaca-se que
Escutar é obviamente algo que vai mais além da possibilidade auditiva de
cada um. Escutar, no sentido aqui discutido, significa a disponibilidade
permanente por parte do sujeito que escuta para a abertura à fala do outro,
ao gesto do outro, às diferenças do outro (FREIRE, 1996, p. 119).
Percebe-se então o quanto é importante o educador ouvir seus educandos,
atender seus interesses, pois desta forma ele pode rever, redirecionar, seguir outros
caminhos em seu trabalho pedagógico.
Do mesmo modo, Ostetto (2000) enfatiza a necessidade do educador olhar as
diferentes crianças que têm em sua sala, e ouvir suas perguntas: no choro, no balbucio, no
gesto, na palavra, na ação. “A escuta é disponibilidade ao outro e a tudo que ele tem a dizer.
E mais: a escuta torna-se hoje o verbo mais importante para pensar e direcionar a prática
educativa” (OSTETTO, 2000, p. 194). Acredita-se que, sem ouvir o que o grupo de crianças
tem a dizer, o professor poderá planejar e agir tendo em vista os seus interesses de adulto,
e não irá atender aos reais interesses das crianças.
Corsino (2009) define também o planejamento como uma forma de organizar o
tempo didático, e aponta que
Pode-se lidar com as rotinas escolares preenchendo o tempo como se cada
espaço ou área do conhecimento fossem isolados entre si, seguindo um
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modelo fragmentado, ou pode-se também pensar o tempo e as propostas
num duplo movimento em que se entrecruzam: o processo de interação
horizontal, que abarca a interdisciplinaridade ou a articulação entre as
áreas, e o processo de interação vertical, que encadeia e aprofunda
processos, ampliando a possibilidade de apropriação de conhecimentos e
conceitos (CORSINO, 2009, p. 119-120).
Percebe-se então a importância do professor planejar o tempo articulando as
áreas do conhecimento, pois todas estas são importantes na educação infantil, e ampliar o
quanto for possível a possibilidade das crianças se apropriarem de conhecimentos e
conceitos. Neste sentido, é importante observar que “O que dá sentido ao cotidiano das
crianças é justamente a possibilidade de estabelecerem relações, de participarem de
processos que se inter-relacionam, em que uma atividade se desdobra em outra de forma
integrada” (CORSINO, 2009, p. 120). Sendo assim, compreende-se que será muito mais
significativo para as crianças se estas puderem participar de atividades que sejam
relacionadas umas às outras, pois atribuirão muito mais sentido às mesmas ao perceberem
que se ligam entre si.
Além disso, o planejamento na educação infantil requer que o professor
possibilite às crianças vivências que lhes proporcionem novas sensações e cada vez mais
conhecimento, uma vez que “Planejar na educação infantil é planejar um contexto educativo,
envolvendo atividades e situações significativas, que favoreçam a exploração, a descoberta
e a apropriação de conhecimento sobre o mundo físico e social” (OSTETTO, 2000, p. 193).
Segundo a autora, o planejamento prevê situações significativas que proporcionam às
crianças experiências com o mundo físico e social, em torno das quais interagem não só
entre si e com os adultos, mas também com o mundo.
Percebe-se então que o planejamento envolve que o professor proporcione
momentos e situações de descobertas, interações e de apropriação de novos
conhecimentos sobre o mundo. Diante disso, atribui-se importância à realização do
planejamento na educação infantil, uma vez que este proporciona ao professor a percepção
e a organização de atividades e momentos nos quais são incluídos tantos fatores
importantes para o aprendizado e o desenvolvimento afetivo, cognitivo e social das crianças.
3. METODOLOGIA
O
delineamento metodológico adotado iniciou-se com
o levantamento
bibliográfico que incluiu textos e produções de autores que abordam a temática desta
pesquisa, e seguiu com a pesquisa de campo, sendo que no momento estão sendo
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realizadas observações das reuniões gerais e dos momentos de planejamento ocorridos no
NEIIA. Também será feita uma análise de documentos, como o projeto político-pedagógico
e planejamentos de anos anteriores e atuais, de modo a evidenciar como foi sendo
pensando o planejamento pedagógico ao longo dos anos e como acontece atualmente.
Por fim, serão realizadas entrevistas semi-estruturadas com duas professoras,
duas bolsistas e três sujeitos da equipe gestora, sendo prosseguidas da análise dos dados
obtidos.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Nas observações realizadas, percebeu-se que nos momentos de planejamento
foram realizadas discussões sobre a especificidade do trabalho na educação infantil, o que
envolve as necessidades, as curiosidades e interesses das crianças, aspectos esses que
estavam sendo considerados na formulação do projeto a ser desenvolvido em cada turma.
Sendo assim, notou-se que esses momentos ocasionaram o compartilhamento de
experiências e intencionalidades, o que enriqueceu as discussões e propiciou que os
sujeitos envolvidos tivessem um crescimento no sentido de aprenderem com o coletivo.
Foi bastante enfatizado nas reuniões gerais e nos momentos de planejamento
que os projetos a serem desenvolvidos nas turmas precisam partir do interesse das
crianças, levando em consideração os conhecimentos prévios que estas possuem e os
questionamentos que fazem sobre os assuntos pelos quais tem curiosidade. Sendo assim, o
planejamento pedagógico no NEIIA tem como principal atenção a aprendizagem das
crianças, que fica mais significativa para as mesmas quando se dá por meio da descoberta.
Cabe então ao professor verificar as curiosidades das crianças sobre o assunto e ir trazendo
o que for do interesse das mesmas, partindo de seu conhecimento enquanto educador, o
qual pode ser complementado com pesquisas.
Porém, o professor não pode trazer as informações prontas para as crianças,
pois precisa instigá-las a descobrirem, e posteriormente, anotar as hipóteses que estas
conseguem fazer sobre as questões que lhes são feitas, de modo a conduzir seu
planejamento e trabalho pedagógico com base nisso. Foi destacado em uma reunião geral
que as crianças não aprendem todas ao mesmo tempo e nem da mesma maneira. Diante
disso, foi discutida a estruturação do planejamento pedagógico, sendo destacado que em
uma única atividade durante a tarde, por exemplo, não é possível o professor dar conta de
tudo isso. Neste sentido, é preciso organizar os tempos e espaços, e planejar
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intencionalmente atividades durante todo o período que as crianças vivenciam na escola de
educação infantil. O detalhamento de todos os momentos pedagógicos propostos às
crianças precisam constar claramente no planejamento. Também compete ao professor ter
um olhar atento a cada criança em especial e também ao grupo, buscando evidenciar
mudanças nas atitudes, no comportamento, no modo como se relacionam, pensando nas
causas e planejando o trabalho pedagógico de maneira a intervir/auxiliar as crianças nessas
questões.
5. CONCLUSÃO
Até o presente momento, foi possível concluir que as reuniões gerais e de
planejamento ocorridos no Núcleo de Educação Infantil Ipê Amarelo são momentos de
formação para todos os sujeitos participantes, pois cada um destes possui sua trajetória
profissional na educação infantil, e, ao manifestar suas opiniões e conhecimento, contribuem
para o aprendizado e crescimento do outro. Até mesmo os sujeitos da equipe gestora
aprendem com os professores e bolsistas a atuarem na gestão do planejamento pedagógico
em contexto de educação infantil. O planejamento e trabalho pedagógico na educação
infantil requer o envolvimento e comprometimento de todos os sujeitos que atuam na
instituição de educação infantil, uma vez que todos contribuem, de alguma forma, no
desenvolvimento e aprendizagens das crianças.
REFERÊNCIAS
CORSINO, Patrícia. Educação Infantil: cotidiano e políticas. Organizado por Patrícia
Corsino. Campinas, SP: Autores associados, 2009.
FUSARI, José Cerchi. O planejamento do trabalho pedagógico: algumas indagações e
tentativas de respostas. In: Série Idéias, n.8. São Paulo/ BRA: FDE, 1998.
LIBÂNEO. José Carlos. Organização e Gestão da Escola: teoria e prática. 5.ed. Revista e
ampliada. Goiânea: Editora Alternativa, 2004.
OSTETTO, Luciana Esmeralda. Planejamento na Educação Infantil: mais que atividade, a
criança em foco.In: __________(Org.), Encontros e Encantamentos na educação infantil.
Campinas, SP: Papirus, 2000.
PERIPOLLI, Arlei. et. al. Equipe Gestora: (re) significações possíveis no contexto escolar. In:
REGAE Revista de Gestão e Avaliação Educacional, Universidade Federal de Santa Maria,
Curso de Especialização em Gestão Educacional. Vol. 1, n.2, Santa Maria, 2009.
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