Aula 3 – Políticas Públicas, Índices, Técnicas e Instrumentos de Gestão do DS Ao final dessa aula, o aluno deverá ser capaz de: • Identificar os conceitos a Políticas Públicas. • Compreender a legislação brasileira referente ao meio ambiente. • Descobrir a os diferentes índices que podem ser utilizados para medir a capacidade das empresas e organizações em gerir seus negócios. • Demonstra o uso os rótulos verdes e da conscientização da empresa com a utilização de novas técnicas de gerenciamento ambiental. Apresentação da Aula A apresentação dos conceitos de Políticas Públicas e Políticas Públicas voltadas ao Meio Ambiente. Procuraremos demonstrar como chegamos na legislação ambiental atual no Brasil. Descobriremos junto quais os índices que podem ser utilizados por organismos públicos e privados como o IDH, Índice de Felicidade e o Balanced Scorecard. A utilização de selos verdes e a apresentação de técnicas de gerenciamento ambiental que podem ser utilizados por organizações como estratégias de negócio. Aula 3 – Políticas Públicas, Índices, Técnicas e Instrumentos de Gestão do DS Conceitos de Políticas Públicas Nas ultimas três décadas o debate sobre a responsabilidade do desenvolvimento e o uso do meio ambiente, a forma de gerir de forma preventiva a utilização deste ambiente, a necessidade de implantação de políticas ambientais tem intensificado, segundo BARBIERI (2007) e SACHS (1976) após a Conferência de Estocolmo de 1972 os governos se viram obrigados por pressão popular a criarem uma série de políticas públicas voltadas ao meio ambiente, objetivando conciliar os anseios de desenvolvimento de curto prazo com a proteção ao meio ambiente no longo prato. As políticas públicas são o resultado de ações de poder, dentro do conceito de democracia, podemos de uma forma simplista definir que Política Pública é aquilo que o governo dentro do prazo de validade do seu mandato político decide ou não fazer, pode ser planos e programas de ação governamental que objetivam elucidar determinado problema existente, nos quais algumas diretrizes e metas são buscadas ao longo de um período. Cabe ao governo atendendo ao cumprimento dos direitos fundamentais do cidadão que estão dispostos na Constituição determinar ações que deverão se elaboradas para a realização desta ou daquela política. Enfim as políticas públicas compreendem todas as propostas que um governo por força de lei planeja executar durante a correspondência de seu mandato como é o caso de políticas publicas relacionadas com o meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável. O grande problema esta em definir o que é público, pois afinal o que é comum, relativo ao coletivo é uma das grandes discussões do pensamento político. Políticas públicas estão relacionadas com as ações realizadas com fins públicos compreendendo o acesso a toda a população, alteando a participação dos stakeholders no debate e formulação destas políticas, sendo que a intervenção governamental para regular o setor privado no desenvolvimento sustentável sendo necessário e imprescindível. Políticas Públicas Ambientais Barbieri (2007) define políticas públicas ambiental como o ¨conjunto de objetivos, diretrizes e instrumentos de ação que o poder público dispõe para produzir efeitos desejáveis sobre o meio ambiente.¨ Tem-se de tomar cuidado entre o que são políticas públicas e decisões políticas, o primeiro item refere-se a políticas que são formuladas depois de muito debate visando minimizar uma situação existente de problema ambiental, o segundo item refere-se a ações realizadas todos os dias e em grande número pelos administradores públicos, atendendo as solicitações das circunstâncias. Os instrumentos de políticas públicas podem ser explícitos ou implícitos Barbieri segundo (2007) nos sendo explica que ¨os primeiros são criados para alcançar efeitos ambientais benéficos específicos, enquanto os segundos alcançam tais efeitos pela via indireta, pois não foram criados par isto¨. Considerando as grandes dificuldades existentes entre conciliar os interesses públicos e privados relacionados e inúmeros tópicos e principalmente ao ambiental onde qualquer ação humana afeta o meio ambiente, obrigando aos governos a estabelecerem toda uma série de instrumentos explícitos de políticas públicas ambientais conhecidos como instrumentos de comando e controle. Barbiere (2007) nos apresenta um quadro de Instrumento de políticas publicas ambiental. Gênero Espécies Comando e • Padrão de Emissão Controle • Padrão de Qualidade • Padrão de Desempenho • Padrões Tecnológicos • Proibições e restrições sobre produção, comercialização e uso de produtos e processos Econômico • Licenciamento ambiental • Zoneamento ambiental • Estudo prévio de Impacto Ambiental • Tributação sobre poluição • Tributação sobre uso de recursos naturais • Incentivos fiscais para reduzir emissões e conservar recursos • Remuneração pela conservação de serviços ambientais • Financiamentos em condições especiais • Criação e sustentação de mercados de produtos ambientalmente saudáveis • Permissões negociáveis • Sistemas de depósito-retorno • Poder de compra do Estado Outros • Apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico • Educação ambiental • Unidades de conservação • Informações ao público Fonte do Quadro: Instrumento de Políticas Pública Ambiental; Classificação e Exemplos, Barbieri, 2007 Podemos descrever de uma melhor forma os itens informados com uma breve descrição da forma de atuação das políticas públicas ambientais. Item Descrição Padrão de Emissão Relacionam-se a quantidade de poluentes emitidos pela produção de determinado produtos ou oferecimento de determinado serviço. Padrão de Qualidade Relacionam-se as características indivíduais e quantidades emitidas de fontes poluidoras Padrão de Desempenho Existem substâncias econômicas, porém que são mais mais poluidoras, necessitando substituição. Padrões Tecnológicos Por determinação legal existem indicações a serem seguidas na forma de utilizações de determinados equipamentos, instalações, etc. Proibições e restrições sobre A determinação legal também indica formas produção, comercialização e uso adequadas de produzir, comercializar e de produtos e processos utilizar determinados produtos. Licenciamento ambiental Qualquer empreendimento de vulto que vá gerar qualquer tipo de poluição, necessitará de aprovação e de um licenciamento ambiental especifico que restringirá geograficamente e condicionará alguns item para aprovação. Zoneamento ambiental Determinados processos fabris não podem ser realizados em alguns pontos considerados mais sensíveis. São banidos para outros pontos mais acessíveis. Estudo prévio de Impacto Estudo Ambiental realizado por consultorias especializadas, necessários para aprovação de determinados projetos. Tributação sobre poluição São os itens onde o governo joga todo o seu Tributação sobre uso de poder de barganha com a legislação, ou com seu poder econômico, para influenciar recursos naturais Incentivos fiscais para reduzir formas com que as organizações cumpram emissões e conservar recursos seus padrões de exigências e contemple os Remuneração pela conservação instrumentos regulatórios existentes. Valendo os princípios de poluidor pagador o de serviços ambientais Financiamentos em condições governo pode criar inúmeros tributos sobre as emissões de poluentes. especiais Criação e mercados sustentação de de produtos ambientalmente saudáveis Permissões negociáveis Sistemas de depósito-retorno Poder de compra do Estado Apoio ao desenvolvimento São os instrumentos utilizados pelo governo científico e tecnológico para melhorar a qualidade ambiental, Educação ambiental educar e divulgar ações da importância de Unidades de conservação gestão ambiental para empresas e públicos Informações ao público em geral. Fonte: Maioli 2008 Política Ambiental Brasileira1 A política brasileira voltada para o meio ambiente salvo em raras ocasiões onde algumas leis e iniciativas podem ser interpretadas como de interesse ambiental, começou com a publicação de alguns documentos relativos ao meio ambiente como é o Código de Caça2, Código Florestal3, Código de Minas4 e Código de Águas5, feitos pelo governo Vargas além da 1 Baseado no capitulo Política Pública Ambiental Brasileira do livro de Gestão Ambiental Empresarial de José Carlos Barbieri, Saraiva, 2007. 2 Decreto 23.793 de 2 de janeiro de 1934. 3 Decreto 24.642 de 10 de julho de 1934. 4 Decreto 24.643 de 10 de julho de 1934. criação do Parque Nacional de Itatiaia o primeiro do Brasil em 1937 e da legislação sobre tombamento do Patrimônio Cultural.6 Até a década de 1960 quando o processo de industrialização no país já era sentido, somente alguns problemas eram relacionados, recordando que a poluição industrial era sentida como progresso e muito bem vista por políticos e cidadãos, conforme podemos recordar sobre os pontos defendidos pelo Brasil na Conferencia de Estocolmo de 1972, visto na primeira aula. mesmo assim foram instituídos as legislações referentes ao Código Florestal7 e da Proteção da Fauna Silvestre8 Logo após a Conferencia de Estocolmo de 1972 o Brasil cria já 1973 a Secretaria Especial do Meio Ambiente para assessorar a Presidência da República sobre temas ligados ao meio ambiente a e alguns estados criam suas agências ambientais como São Paulo que cria a Cetesb em 1973 e a Feema em 1975 no Rio de Janeiro em 1979 é sancionada a lei sobre a utilização do parcelamento do solo urbano.9 Tratando de forma pontuais alguns dos problemas de poluição, atuavam de forma desordenada atendendo a problemas específicos, auxiliaram na criação de legislação especificas como é o caso da Prevenção da Poluição Industrial10, Responsabilidade Civil e Criminal relacionados com atividades nucleares11, formas de exploração e aproveitamento de Substâncias Minerais12, formulação de diretrizes básicas para o zoneamento industrial13, legislação sobre o parcelamento do solo urbano14, legislação versando sobre a criação de estações ecológicas e áreas de proteção ambiental15. 5 Decreto-Lei 1.713 de 14 de julho de 1937. 6 Decreto-Lei 25 de 30 de novembro de 1937 Decreto Lei 4.771/65 de 15 de setembro de 1965 8 Lei 5.197 de 03 de janeiro de 1967 7 9 Decreto Lei 6.766 de 19 de dezembro de 1979 Decreto-Lei 1.413 de 14 de agosto de 1975. 10 11 Lei 6.453 de 17 de outubro de 1977. 12 Lei 6.567 de 24 de setembro de 1978. 13 Lei 6.803 de 2 de julho de 1980. 14 Lei 6.788 de 19 de dezembro de 1981 15 Lei 6.902 de 27 de abril de 1981 Somente após a criação de uma Política Nacional do Meio Ambiente16 e do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) em 1981 é que deixa claro que o meio ambiente tem como característica ser um patrimônio público comum a todos e tem que ser protegido tendo em vista o seu uso coletivo. O Sistema Nacional do Meio Ambiente é Composto por Órgão Superi Órgão Consultivo e Deliberativo Órgão Central Ministério do Meio Ambiente Órgão Executor Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais - IBAMA Órgãos Seccionais Órgãos ou entidades estaduais Órgãos Locais Órgãos ou entidades locais Figura Maioli 2008, baseado na Lei 6.938. Em seqüência temos a criação de uma série de lei que auxiliaram na proteção ambiental, como é o caso da Ação Civil Pública em 198517, resolução do CONAMA sobre EIA - Estudos de Impactos Ambientais e RIMA – Relatórios 16 17 Lei 6.938 de 31 de agosto de 1981 Decreto Lei 7.347 de 24 de Julho de 1985 de Impactos Ambientais em 19861819, do Gerenciamento Costeiro de 198820, da Criação do IBAMA21 e legislações sobre utilização de Agrotóxicos22 e da Exploração Mineral em 198923. Constituição Federal de 1988 Em 1988 foi promulgada a atual Constituição que representou um avanço relevante no quesito ambiental, tanto que dedicou um capítulo inteiro ao meio ambiente é o Capitulo VI, onde consta: Capítulo VI - Do Meio Ambiente Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. § 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público: I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas; II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção; IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente; 18 Resolução CONAMA nº01 de 23 de Janeiro de 1986 19 Saiba mais sobre RIMA e EIA no link: http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/anais/pdf/2000/Todos/Posteres/EIARIMAs%20e%20Zoneamentos%20Ecol%C3%B3gico-Econ%C3%B4micos%20%20Avan%C3%A7os%20e%20refl.pdf 20 Decreto Lei 7.661 de 16 de maio de 1988 21 Decreto Lei 7.735 de 22 de fevereiro de 1989 Decreto Lei 7.802 de 11 de Julho de 1989 22 23 Decreto Lei 7.805 de 18 de Julho de 1989 VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. § 2º - Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei. § 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. § 4º - A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal MatoGrossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais. § 5º - São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais. § 6º - As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas. Fonte: www.lei.adv.br/225-88.htm A Lei 6.938 de 1982 em seu Artigo 9º indica que a Política Nacional do Meio Ambiente tem como instrumentos: I - o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental; II - o zoneamento ambiental; III - a avaliação de impactos ambientais; IV - o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras; V - os incentivos à produção e instalação de equipamento e a criação ou absorção de tecnologia, voltados para a melhoria da qualidade ambiental; VI - a criação de reservas e estações ecológicas, áreas de proteção ambiental e as de relevante interesse ecológico, pelo Poder Público Federal, Estadual e Municipal; VII - O sistema nacional de informações sobre o meio ambiente; VIII - o Cadastro Técnico Federal de Atividades e instrumentos de defesa ambiental; IX - as penalidades disciplinares ou compensatórias ao nãocumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção de degradação ambiental. Iniciamos a década de 1990 com a aprovação da legislação sobre Política Agrícola em 199124, tratando da Engenharia Genética em 199525, 24 25 Lei 8.171 de 17/01/1991 Lei 8.974 de 05/01/1995 utilização dos Recursos Hídricos em 199726, a nova resolução do CONAMA sobre Licenciamento Ambiental entrou em vigor em 199727, sobre Crimes Ambientais em 199828, em 1999 tivemos a resolução da Política Nacional de Educação Ambiental29. O século termina com a aprovação da Lei sobre Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza30 e da criação da Taxa de Contribuição de Fiscalização Ambiental31. Em 2001 temos a aprovação do Estatuto da Cidade32. Todo este ordenamento jurídico ambiental está centrado em um conjunto de regras obrigatórias estabelecidas da seguinte forma: • Constituição Federal e suas emendas • Constituição Estadual e suas emendas • Lei Orgânica e Plano Diretor do Município • Leis Complementares • Leis Ordinárias • Medidas Provisórias • Decretos • Resoluções • Portarias • Instruções Que buscam cumprir de uma forma adequada a Política Nacional do Meio Ambiente no Brasil, é claro que existem controvérsias múltiplas sobre a aplicabilidade de determinadas leis e sobre as dificuldades enfrentadas em alguns caso para a obrigatoriedade do cumprimento pelo Estado a seus cidadãos. 26 Lei 9.433 de 08/01/1997 27 Resol. CONAMA nº237, de 19/12/ 1997 28 Lei 9.605, de 12/02/1998) 29 Lei nº9.795, de 27/04/1999 30 Lei nº9.985, de 18/07/2000 31 Lei nº10.165, de 27/12/ 00 32 Lei 10.257, de 10/07/2001 Índices IDH – Índice de Desenvolvimento Humano Existem muitas formas de quantificar a eficácia de aplicabilidade de leis, nos países podemos utilizar o IDH como índice de referência, o Índice de Felicidade que pode ser usado tanto por povos quanto por empresas e nas organizações o índice Balanced Scorecard. Uma das formas de verificar se as leis estão sendo seguidas é aplicando comparativos entre diferentes realidades, para demonstrar as diferenças existentes e tentar minimizar estas diferenças, foi elaborado do um conjunto de dados comparativos para os diferentes países membros das Nações Unidas, a dificuldade ficou em adequar a forma com os dados fornecidos pelos países chegassem a um denominador comum. O PNUD em 1990 apresentou um índice chamado IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, que trata principalmente de três índices que quando são cruzados apresentam um indicador mais adequado a todos os países, pois apresenta a realidade sem impor modelos de desenvolvimentos como por exemplos que países com mais renda podem ser considerados melhores, assim é usado como base do Relatório de Desenvolvimento Humano divulgado anualmente. Oferecendo um contraponto ao Índice de PIB - Produto Interno Bruto já que utiliza de outros indicadores e não somente o indicador econômico. O relatório foi idealizado pelo economista paquistanês Mahbud ul Hag (1934-1998) e colaboração do indiano Amartya Sem que ganhou o Premio Nobel de Economia em 1998, onde reúne tabelas estatísticas com informações relevantes sobre o tema e atualmente é publicado em mais de 100 países todos os anos. Os índices analisados para apontar um IDH de um país são: esperança de vida em anos ao nascer, taxas de escolarização com a porcentagem bruta de matriculas no ensino primário, médio e superior e a renda per capita com relação ao custo de vida do país (PPC – Paridade de Poder de Compra). O máximo possível do IDH de um país é 1 (um), o PNUD considera como baixo desenvolvimento índices abaixo de 0,500 como médio desenvolvimento entre 0,500 e 0,799, e acima de 0,800 como alto. Podemos consultar os IDH de todos os municípios brasileiros no site do PNUD www.pnud.org.br onde constam dados com informações socioeconômicos dos Brasil. Índice de Felicidade Um outro índice que tem mostrado relevando é o Índice de Felicidade que pode ser utilizado tanto por empresas quanto por povos, a criação deste índice que podemos chamar de FNB – Felicidade Nacional Bruta foi feita pelo Rei do Butão Jigme Singve em 1974 e leva em consideração como desenvolvimento socioeconômico, preservação do meio ambiente, promoção da cultura e boa gerencia, tem sido sistematicamente estudado por pesquisadores de todo o mundo que tentam repetir os parâmetros nas empresas levando em consideração não apenas rentabilidade, produtividade, crescimento, etc. mas também a felicidade dos colaboradores. Índice de Felicidade: um indicador para avaliar o bem-estar de uma população Odair Prescivalle 1.4.2005 Prêmio Nobel de Economia em 2002, o psicólogo Daniel Kahneman comanda um grupo de economistas e outros profissionais no trabalho de criação de mais um índice para medir a evolução das condições de vida das pessoas. Outra referência para rivalizar com a tradição de medir essa evolução e classificar a situação da população de países ou regiões com base apenas em dimensões econômicas. O IDH, criado no início da década de 90 para o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) foi o primeiro marco significativo na afirmação de que a condição humana tem dimensões fundamentais que não se restringem aos aspectos da riqueza material e do consumo. Assim, a construção desse índice acrescentou à dimensão renda, baseada no PIB per capita, a dimensão da longevidade, medida pela esperança de vida ao nascer, e a dimensão educação, medida por uma combinação da taxa de alfabetização de adultos e da taxa combinada de matrícula nos diferentes níveis de ensino. Dando um passo além, Daniel Kahneman e seu grupo trabalham no desenvolvimento de uma metodologia para medir a satisfação das pessoas com suas próprias vidas."Medidas de riqueza ou saúde não contam toda a história sobre como uma sociedade como um todo está vivendo. Uma medida que mostre como as pessoas gastam seu tempo livre e como elas avaliam suas experiências pode ser um indicador muito útil de bem-estar", diz Kahneman. A ligação entre riqueza e felicidade é a questão de fundo para qual o novo indicador pretende trazer novos e inéditos esclarecimentos. O grupo acredita que o Índice de Felicidade pode contribuir para que os Estados desenhem políticas públicas e avaliem suas gestões, além de jogar alguma luz sobre uma questão crucial: afinal, dinheiro traz ou não felicidade? Fonte: www.prattein.com.br Balanced Scorecard Balanced Scorecard surge para responder a uma pergunta que tem permeado inúmeras reuniões e questionamentos: Afinal quanto vale a empresa? Podíamos primeiramente responder isto apenas olhando o balanço da empresa, depois utilizando como parâmetro o valor da empresa por suas ações na bolsa de valores, embora este parâmetro possa ser enganador, pois dependendo do valor da ação uma empresa pode valor muito mais do que a realidade ou muito menos, mas sempre ficavam alguns itens a mais a chamar a atenção, os chamados ativos intangíveis do tipo: qual o valor da imagem da empresa? E a qualificação e habilidade dos colaboradores? A qualidade dos produtos fabricados? E a competências dos gestores da empresa? E as tecnologias empregadas pela empresa? Atendendo as estas interrogativas Kaplan e Norton em 2000 criaram um conceito onde as informações das organizações são traduzidas em perspectivas financeiras, operacionais, de mercado e de infra-estrutura chamado Balanced Scorecard. Este instrumento permite aos gestores de organizações uma visualização do passado: atingido pela visão financeira, do presente: conseguido pela visão operacional, e visão futura: utilizando uma visão de mercado. As estratégicas de uma empresa são atingidas quando os gestores podem proporcionar uma visão estruturada e coligir ações para atingir as metas propostas, o surgimento do Balanced Scorecard para criação de valor para itens intangíveis Este documento permite a visualização de sob diferentes perspectivas como a Financeira, Cliente, Processo Interno e Perspectiva de Aprendizado e Crescimento, trazendo inúmeros benefícios como é o caso do fornecimento de indicadores consistentes aos aspectos ambientais da empresas, maior empenho com o desenvolvimento sustentável, aumento de ganho financeiro com a melhoria da qualidade ambiental, dentre outros. Instrumentos e Técnicas Estratégicas utilizadas pelas organizacoes Para fazer frente a uma série de questões ambientais as empresas passaram a adotar estratégias para resolução dos problemas, um dos casos mais conhecidos é o da empresa americana 3M que implantou em 1975 uma política ambiental conhecida como 3P – Pollution Prevention Pays, como forma de prevenção da poluição gerada pela sua forma de produção, o conceito não era nova, mas a idéia foi original devido à companhia aplicá-lo em todas as unidades de negócios da empresa. Esta política ambiental buscou de forma concreta diminuir a poluição gerada pela indústria através da reformulação de seus produtos, modificação de seus processos produtivos, utilização de novos equipamentos, reciclagem e reuso dos resíduos utilizados pela empresa. O programa foi tão bem sucedido que as Nações Unidas convidaram em 1976 a 3M para divulgar a metodologia para empresários do mundo todo. A 3M calcula que em 30 anos foram deixados e emitir 1.1 milhões de toneladas de poluentes na natureza e que este programa gerou uma economia de mais de US$ 1 bilhão para a empresa. 33 Esta é uma estratégia ambiental que aporta resultados financeiros e competitivos para a empresa demonstrando seu comprometimento com o respeito ao meio ambiente. Esta política veio em confluência com o mercado consumidor exigindo cada vez mais comprometimento das empresas com o meio ambiente e a forma de utilização deste, influenciando o surgimento de uma série de rótulos ambientais voluntários como forma estratégica das empresas demonstrarem diferenciação no mercado. As empresas buscando diferenciar-se no mercado começaram a buscar uma rotulagem ambiental ou utilização de selos verdes, para certificarem seus produtos e se adequarem a exigência cada vez maior do mercado sobre a procedência e formas de descartes dos produtos. 33 Saiba mais sobre a 3M Brasil http://solutions.3m.com.br/wps/portal/3M/pt_BR/WW2/Country/ E na apresentação http://www.asec.com.br/v3/docs/Doc_Encontro09_ErOliveira.pdf Em 1977 surge na Alemanha à certificação Blaue Angel34 feito pelo governo alemão através do Ministério do Meio Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear, é o mais antigo selo verde em atuação no mercado, atualmente está ligado a 3600 produtos certificados como é o caso de tintas, produtos elaborados a partir de material reciclado, pilhas e baterias, produtos sem CFC35 e produtos químicos de uso doméstico. Em 1990 surge o a ONG Green Seal (selo verde) nos EUA, instituição sem fins lucrativos, que cria padrões ambientais para testar produtos verificando itens relacionados com a obtenção da matéria prima, forma de produção, impacto sobre o meio ambiente e formas de descarte36. Atua junto às empresas buscando que o ambiente fique cada vez mais limpo e saudável, auxilia os consumidores na identificação de produtos e serviços que geram menos poluição e geração de resíduos tóxicos. Em 1992 o Parlamento Europeu criou o Ecolabel selo válido para toda a União Européia, sendo sua utilização voluntária pelas empresas européias, mas exigido para todos os produtos importados. No Brasil a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas criou o selo de Qualidade Ambiental, é certifica os produtos disponíveis no mercado, considerando seu ciclo de vida. No mundo inteiro houve uma adequação do mercado junto ao consumidor com os paises buscando a criação de rotulo verdes para seus produtos e serviços como é caso dos países nórdicos que lançaram em 1988 o Nordic Swan, o Canadá com o Environmental Choice em 1988, o Japão com o Eco Mark em 1989, a Índia com o Eco Mark em 1991, dentre outros. Existem muitas reclamações das empresas que possuem uma atuação global sobre a necessidade da tantos selos verdes necessários para que seus produtos sejam aceitos em muitos lugares do mundo. 34 Para conhecer os estágios de certificação do Blaue Angel http://www.blauer- engel.de/en/index.php 35 36 Clorofluorcarbonetos http://www.greenseal.org/ A realização de uma série de conferências internacionais sobre a participação das empresas na defesa do meio ambiente como a Conferência Mundial da Indústria sobre a Administração Ambiental em 1984 e a Reunião do G737 em 1987 onde o Princípio da Precaução foi adotado como base empresarial que pode ser entendido como a busca de soluções adequada aos problemas ambientais atuais com a racionalização do uso de matérias primas, economia de energia, redução da poluição e incentivo a pesquisas científicas que auxiliem no encontro de meios de produção mais eficientes e adequados para enfrentar a mudança que o planeta sofre. Em 1986 Câmara Internacional do Comércio estabelecia uma série de diretrizes ambientais para serem seguidas pela indústria mundial. Outro reflexo que o meio empresarial não está isento com referências as práticas de um desenvolvimento sustentável é que em 1991 foi criado o Business Council for Sustainable Develpment (Conselho empresarial para o Desenvolvimento Sustentável) buscando engajar ao empresariado mundial na busca de uma gestão sustentável adequada, contribuindo para a elaboração de políticas públicas e o cumprimento de metas de curto, médio e longo prazo. A Câmara de Comércio Internacional propôs e um grande número de corporações assinou em 1991 em Roterdã na Holanda durante e a realização da Segunda Conferência Mundial da Industria sobre Gestão do Meio Ambiente a Carta Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, onde estão estabelecidos 16 princípios que deverão ser assumidos pelas empresas quando desenvolverem ações de gestão ambiental.38 O compromisso assumido pelas corporações acabam por gerarem uma série de conceitos de sustentabilidade que estão sendo aplicados nas 37 O Grupo dos Sete representam os sete países mais desenvolvidos do mundo: Estados Unidos, Canadá, Japão, Franca, Alemanha, Itália e Reino Unido, com a entrada da Rússia é conhecido agora como G8. 38 Leia a aplicação destes princípios visitando a página da Eletrolux: http://www.electrolux.com.br/institucional/meio_ambiente/imagens/especificacao_amb iental-produtos.pdf organizações como é o caso da Atuação Responsável (Responsible Care®) onde a indústria química mundial desde 1987 promove o cuidado e segurança no manuseio de materiais químicos.39 O nascimento da ONG BSR – Business for Social Responsability40 que busca através da promoção de valores éticos, responsáveis e sustentáveis teve ampla aceitação no mundo inteiro e auxiliou no Brasil na criação do Instituto Ethos. O BSR auxilia as empresas a agregarem tópicos sociais e ambientais em suas estratégias e operações. 41 O surgimento da ONG TNS – The Natural Steps42 em 1989 na Suécia visando atuar de forma cientifica e sistemática no planejamento organizacional para a sustentabilidade, auxiliando na criação de critérios de planejamento, orientação e integração, fugindo um pouco das estratégias organizacionais tradicionais, busca através de uma metodologia conhecida como backasting buscando atingir os objetivos finais com o direcionamento das estratégias organizacionais necessárias para consegui-los. 43 A preocupação das empresas com o surgimento de novas tecnológicas, novas leis que restringem alguns negócios, um concorrente que oferece produtos e serviços mais competitivos ou a mudança de hábitos de consumo fez com que as empresas nos anos 1990 a buscassem o aprimoramento pela qualidade total (TQM – Total Quality Managment). Em 1992 a Global Environmental Management Iniciative – GEMI44 foi formado por grandes corporações para desenvolver estratégias e definir padrões que norteassem o desempenho ambiental corporativa. Para tanto foi criado o TQEM - Total Quality Environmental Management que é uma forma ampliado do conceito de TQM que busca de uma forma planejada identificar o 39 Leia reportagem sobre a aplicação da Atuação Responsável no site da Odebrech: http://www.odebrechtonline.com.br/materias/00401-00500/500/ 40 www.bsr.org/ 41 Veja nota sobre BSR http://www.revistafator.com.br/ver_noticia.php?not=29153 42 Site oficial da TNS http://www.naturalstep.org/ 43 Conheça o representante da TNS no Brasil http://www.willisharmanhouse.com.br/ 44 http://www.gemi.org/gemihome.aspx usuários e suas preferências e separar estes stakeholders em públicos internos e externos, buscando de forma continuada uma diminuição dos impactos ambientais e uma melhoria em sua forma de produzir, prevendo e evitando a ocorrência de potencias causas de problemas ambientais e utilizando uma abordagem sistêmica para atingir os resultados desejados. Outra abordagem da aplicação dos conceitos de sustentabilidade nas organizações está relacionado com o SMS – Gestão Integrada de Saúde, Meio Ambiente e Segurança que implica na adoção de políticas e praticas ambientais juntamente com a necessidade de conscientizar o trabalhador sobre os riscos e o estabelecimento de índices a serem cumpridos como diminuição de acidentes de trabalho e diminuição da poluição na geração do produto/serviço fim da organização. O utilização de outras metodologias como o PP- Pollutin Prevention pelas empresas seguindo o programa da 3M, os programas de P2 buscam restringir desde a origem a poluição, buscando a minimização da geração de resíduos, utilizando a reciclagem dos materiais e se possível chegar a emissão zero. A utilização do DFE - Design for Environment (Projetar para o Ambiente) também conhecido como Gree Design atua em uma definição clara no design dos produtos levando em conta as necessidades ambientais e que auxilie na eliminação dos desperdícios e que os materiais a serem utilizados na confecção do produto sejam adequados. Utilizando o design para projetar produtos que possuam características relacionadas com economia de materiais, maximização da utilização e uma avaliação do ciclo de vida do produto. 45 As organizações começaram a utilizar na década de 1990 uma nova maneira de gerenciar seus resíduos a conhecida técnica dos QUATRO R's Redução, Reutilização, Reciclagem e Recuperação buscando a geração de menos resíduo possível, e se for inevitável a geração de resíduos que o mesmo seja reutilizado ou reciclado, e dentro das possibilidades a recuperação dos materiais e energia que não possa ser reutilizado ou reciclado. 45 Para saber mais leia dissertação: http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/3175 Estas abordagens e outras existentes por organizações de todos o mundo demonstram um preocupação com os problemas ambientais ocasionadas pela utilização dos recursos disponíveis no mercado, além de gerarem uma economia monetária com a utilização destas técnicas. Estudo de Caso Leve em consideração esta situação que reflete a forma com que as decisões podem ser tomadas pelos diversos públicos existentes: Será construída uma grande represa em uma cidade brasileira qualquer, a empresa construtora que pretende realizar a obra informa que a represa servirá para inúmeros fins além da geração de energia elétrica, servirá também como reservatório de água, como área de lazer e recreação, como local para prática de esportes aquáticos, pesca e criação de fazendas de peixes, auxiliar no controle de enchentes, geração de royalties para o município, geração de emprego e renda para moradores, dentre outros benefícios apregoados. O governo informa da necessidade sempre crescente de geração de energia elétrica, que a energia gerada por represas é mais em barato que outras formas como a nuclear ou as termoelétricas e que a represa é uma das formas de desenvolver a região. Os moradores, ecologistas e outros grupos de interesse por outro lado queixam-se que perderão grandes extensões de terra produtiva, que a represa interromperá a piracema, causar impacto ambiental desnecessário, ocasionará o êxodo rural no município, deixará embaixo da água a historia do povo que ali reside, que depois que o projeto estiver pronto os maiores beneficiados serão pessoas de fora da localidade, que existem outros formas de gerar eletricidade além da hidráulica, etc. Como atender a estas diferentes reivindicações? Como justificar tal construção – coloque-se no lugar dos moradores e do governo e da empresa. Artigo e notícias para leitura e posterior discussão no fórum: http://www.colegioapoio.net/arquivos/informapoio/informapoio_42_web.pdf Desenvolvimento Local e Sustentabilidade: Uma proposta de Balanced Scorecard para a Administração Pública. http://www.pucmm.edu.do/iberoacademy/iberoacademycd/papers/docs/275.pdf Indicações Culturais Acesse o site http://www.museodelprado.es/ e conheça esta importante instituição. Atividades de Reflexão O aprofundamento da reflexão sobre este tema estudado nesta aula pode ser atingido com uma busca na Internet sobre os temas de: • Acordo voluntários privados • Acordos voluntários públicos • Padrões de emissões • Principio de poluidor-pagador • Responsabilidade penal das empresas Bibliografia Comentada Gestão Ambiental Empresarial: Conceitos, Modelos e Instrumentos. Livro de José Carlos Barbieri, Editado pela Saraiva em 2007 em São Paulo. É um dos livros referência sobre o tema de gestão ambiental nas empresas, completo e atualizadissimo, trás muitos exemplos de cases brasileiros, é de leitura fácil e compreensível para leigos no tema. KAPLAN, R. S. e NORTON, D. P. A Estratégia em Ação: Balanced Scorecard. Rio de Janeiro: Campus, 1997. KAPLAN, R. S. e NORTON, D. P. Utilizando o balanced scorecard como sistema gerencial estratégico. Rio de Janeiro: Campus, 2000. Os livros de servem de base para compreensão do Balanced Scorecard e sua aplicabilidade. PRINCIPAIS LIVROS REFERENCIADOS NESTA AULA BARBIERI, José Carlos. Gestão Ambiental Empresarial: Conceitos, Modelos e Instrumentos. São Paulo: Saraiva, 2007 KAPLAN, R. S. e NORTON, D. P. Utilizando o balanced scorecard como sistema gerencial estratégico. Rio de Janeiro: Campus, 2000. Sites interessantes sobre o tema www.administradores.com.br www.atsdr.cdc.gov/es/es_index.html - Agencia Americana para Substancias Tóxicas www.lei.adv.br/225-88.htm www.museu-goeldi.br www.planalto.gov.br www.pnud.org.br www.prattein.com.br