Diagonal mais longa Relativamente à incomensurabilidade entre a diagonal mais longa de um polígono regular de n lados, com n > 4 e o seu lado, vamos considerar dois casos separadamente: - Se n é par, então a diagonal mais longa é o diâmetro da circunferência que circunscreve o polígono, logo a razão entre esta diagonal e o lado do polígono é: 2R 1 = 2R sin n sin n Supondo que esta razão é um número racional , temos: 1 sin n = 2 n () 1 cos () t2 + 1 + = 4 2 2 1 =) sin2 = 1 () 1 )= 2 t = 0 () f (t) = 0 2 () sin n = 1 2 (t + t 2 n 1 2 2 () 1 cos 2 2 n 1 () t + t 1 = + 2 4 2 () 2 = 0 () 2 i onde t = e n e f (x) = x2 + 42 2 x + 1 é um polinómio de grau 2 coe…cientes racionais do qual t é raiz. Mas, já vimos que o menor grau possível para um polinómio nessas condições era (n). Logo, temos necessariamente que (n) 6 2, ou seja, n 6 6. Como n é par, os únicos casos possíveis são o quadrado (n = 4) e o hexágono regular (n = 6). No primeiro caso, a diagonal mais longa é também a mais curta, uma vez que é a única, sendo incomensurável com o lado; no segundo caso, a diagonal mais longa é a segunda mais curta, sendo comensurável com o lado (é o dobro do lado). - Se n é ímpar, com n = 2m+1, então a diagonal mais longa é a (m 1)-ésima diagonal mais curta, logo a sua medida é: 2R sin m (n 1) = 2R sin n 2n = 2R sin 2 2n = 2R cos 2n e a razão entre esta diagonal e o lado do polígono é: 2R cos 2n cos 2n cos 2n 1 = = = 2R sin n 2 sin 2n cos 2n 2 sin 2n sin 2 2n Supondo que esta razão é um número racional , temos: 1 2 sin = 2n () 2 sin 2n = 1 =) 4 sin2 1 1 2n () 2 2 cos n = 2 () 2 (t + t ) = () t2 + 1 + 12 2 t = 0 () g(t) = 0 i = 1 2 1 2 () 4 () t + t 1 cos n 2 1 1 + 2 = 1 2 () 2 = 0 () onde t = e n e g(x) = x2 + 12 2 x + 1 é um polinómio mónico de coe…cientes racionais do qual t é raiz e de grau 2. Mas, já vimos que o menor grau 1 possível para um polinómio nessas condições era (2n). Logo, temos necessariamente que (2n) 6 2, ou seja, n 2 f1; 2; 3g, o que é impossível uma vez que estamos a considerar n > 4. Assim, excepto no caso do hexágono regular, a diagonal mais longa de um polígono regular é sempre incomensurável com o lado. Em que casos poderemos demonstrar esta incomensurabilidade por um processo geométrico análogo ao utilizado no caso da diagonal mais curta? Supondo n > 6, vamos novamente considerar os dois casos separadamente: - Se n é par: Neste caso, a razão = 1 sin n terá de ser raiz de um polinómio de grau 2 de coe…cientes inteiros. Supondo que tal acontece, temos que t = e polinómio de grau 4, logo vem (n) 6 4. - Se n é ímpar: Neste caso, a razão = 1 2 sin 2 i n é raiz de um terá de ser raiz de um polinómio de grau 2 2n i de coe…cientes inteiros. Supondo que tal acontece, temos que t = e n é raiz de um polinómio de grau 4, logo vem (2n) 6 4. Mas, como, n é ímpar, temos (2n) = (2) (n) = (n). Em ambos os casos vem (n) 6 4, ou seja, n 2 f8; 10; 12g. Analisemos as três situações separadamente: - Se n = 8, 1 1 =q 1 cos sin 8 =q 1 =q 1 2 =p p = 2 2 2 4 2 p p p p p p 2 2+ 2 2 2+ 2 2 2+ 2 p q p = p = = = p p p 2 2 2 2+ 2 4 ( 2)2 q q p p p = 2 2+ 2= 4+2 2 = 4 p 2 2 1 p 2 2 é raiz do polinómio x4 8x2 +8, sendo este um polinómio mónico de coe…cientes inteiros, irredutível e de grau 4. Logo, este polinómio divide todos os outros polinómios de coe…cientes inteiros dos quais é raiz, pelo que nenhum deles poderá ter grau 2. - Se n = 10, = 1 1 =q 1 cos sin 10 2 = p 4 6 5 =q 1 1 p 1+ 5 4 =q 1 3 p 8 5 =p p 8 3 p2 p ( 5 1)( 5 + 1) p 4 p = 5+1 = p =p 5 1 5 1 2 5 2 p = 5 é raiz do polinómio x2 2x 4, sendo este um polinómio mónico de coe…cientes inteiros, irredutível e de grau 2. - Se n = 12, = 1 1 =q 1 cos sin 12 2 = 6 =q 1 1 p 3 2 2 =q 1 2 p 4 3 2 =p 2 p = 3 p p q q p p p p 2 2+ 3 q = 2 2 + 3 = 8+4 3= 6+ 2 p 4 ( 3)2 é raiz do polinómio x4 16x2 + 16, sendo este um polinómio mónico de coe…cientes inteiros, irredutível e de grau 4. Logo, este polinómio divide todos os outros polinómios de coe…cientes inteiros dos quais é raiz, pelo que nenhum deles poderá ter grau 2. Portanto, apenas para o decágono regular (n = 10) é possível demonstrar esta incomensurabilidade por um processo geométrico análogo ao utilizado no caso da primeira e da segunda diagonal mais curta. 3