A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa — coleção olhares — UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO Guido de Oliveira Carvalho A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa — coleção olhares — Anápolis, GO Universidade Estadual de Goiás 2010 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO Endereço: BR-153 – Quadra Área 75.132-903 – Anápolis – GO GERÊNCIA DE PESQUISA Coordenação de Projetos e Publicações Coordenação editorial: Carla Conti de Freitas Corpo Editorial: Carla Conti de Freitas Christhyan Martins Castro Milazzo Ivano Alessandro Devilla Liliane da Silva Coelho Pedro Sérgio dos Santos Plínio Lázaro Saleiro Naves Revisão: Projeto gráfico: Thalita Gabriele Lacerda Ribeiro Adriana da Costa Almeida Catalogação na Fonte Biblioteca UnUCET-Universidade Estadual de Goiás Bibliotecária Betânia Fernandes Dourado – CRB 2.261 C331i Carvalho, Guido de Oliveira. A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa / Guido de Oliveira Carvalho. - 1. ed. - Anápolis : Universidade Estadual de Goiás, 2010. 160 p. - (Coleção olhares; 5) ISBN 978-85-63192-09-7 1. Produção de texto – Língua inglesa. 2. Linguística do texto – Língua inglesa. I. Carvalho, Guido de Oliveira. II. Título. CDU 81’42 É proibida a reprodução total ou parcial da obra, de qualquer forma ou por qualquer meio, sem a autorização prévia. A violação dos Direitos Autorais (Lei n. 9610/98) é crime estabelecido pelo artigo 184 do Código Penal. Impresso no Brasil Printed in Brazil 2010 Esta obra foi financiada pela Universidade Estadual de Goiás e originada da Dissertação de Mestrado do autor. GOVERNO DO ESTADO DE GOIÀS Marconi Ferreira Perillo Júnior Governador Mauro Netto Faiad Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOÍAS Luiz Antônio Arantes Reitor Eliana Maria França Carneiro Vice-Reitora Maria Elizete de Azevedo Fayad Pró-Reitora de Graduação Harlen Inácio dos Santos Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação Danusia Arantes F. Batista Oliveira Pró-Reitora de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis Gerson Sant’Ana Pró-Reitor de Planejamento, Gestão e Finanças Eliana Machado Pereira Nogueira Diretora do Núcleo de Seleção Hamilton Barbosa Napolitano Gerente de Pesquisa Carla Conti de Freitas Coordenadora de Projetos e Publicações Prefácio Profa. Dra. Deise Nanci de Castro Mesquita1 Este livro de Guido de Oliveira Carvalho insere-se nos quadros das interessantes obras teórico-metodológicas realizadas por professores pesquisadores brasileiros, que se preocupam em contribuir efetivamente para a Linguística Aplicada, apresentando uma abordagem concreta de ensino e aprendizagem de língua estrangeira referendada em uma abordagem sociocultural da linguagem. Nas páginas que se seguem, a partir da observação de elucidativos dados acompanhados de análise reflexiva, o leitor poderá identificar alguns dos aspectos positivos na aquisição comunicativa da língua inglesa devidos ao desenvolvimento de atividades de escrita individual e de reescrita colaborativa, experimentadas com uma turma de alunos iniciantes do curso de Letras, sob a orientação do autor. Para chegar à elaboração dessas propostas, Guido faz um criterioso estudo sobre a concepção de erro vigente em pesquisas sobre a produção textual em língua inglesa, demonstrando que a própria nomenclatura não é consensual 1 Doutora em Letras e Linguística pela UFG. e que são criados termos, como “desconhecimento da forma correta”, “lapso ocasional”, “escorregões”, “tentativas”, “falha por falta de atenção, fadiga, descuido...”, principalmente, por causa da imprecisão de um sentido único do que se deva considerar “o padrão”, “a norma”, “o uso correto” desse idioma global. E, sem a pretensão de solucionar o impasse, simplesmente classifica como erros as situações de escrita de seus alunos em que a estrutura fere o gênero discursivo, compromete o diálogo, inviabiliza a interlocução, em situações reais de convivência cotidiana. Afinal, quando adota a correção como metodologia de ensino e aprendizagem, seu objetivo não é garantir a acuidade mecânica da língua, mas corroborar a promoção da fluência comunicativa, a partir da percepção conjunta, ou ao menos em pares, do que pode ou não provocar efeito de sentido no outro. De fato, em entrevistas com o grupo, durante e após o processo de revisão colaborativa, Guido identifica que embora alguns alunos se queixem de enfrentar dificuldades decorrentes dos esparsos conhecimentos do idioma, o que acaba provocando insegurança e dúvida no momento da correção e refactura do texto, o resultado desse esforço demonstra ser muito produtivo e ir ao encontro de seu objetivo, já que possibilita a todos observar o próprio desenvolvimento e esclarecimento de dúvidas; conhecer a opinião do colega e de aprender com ele; perceber erros que, de outra forma, passariam despercebidos; aprimorar a qualidade dos textos e, assim, se tornarem mais críticos; adquirir novos conhecimentos e aperfeiçoar os que já tinham; perder o medo e a inibição com relação à língua inglesa; aceitar os próprios erros e superá-los; melhorar o relacionamento com os colegas; se expressarem de forma igualitária; reconhecer a necessidade de mais conhecimento para atuar nesse tipo de atividade; entre outros. Sem advogar a ausência da correção do professor, mas sua revisão posterior ao trabalho colaborativo, Guido reitera a importância de se abrir mais espaço para a relação aluno/aluno, oportunizando sua atitude mais ativa e reflexiva, seu maior engajamento, responsabilidade e autonomia com o próprio processo educativo. Desse modo, entende que o professor pode realmente atuar como uma referência a mais, além dos recursos promovidos pela consulta aos colegas, às anotações, aos livros didáticos, às gramáticas, aos dicionários e outros; orientar e estimular a solução de dúvidas; desafiar e enriquecer o conhecimento pelo raciocínio lógico; e chamar a atenção para o uso do idioma, a fluência, o que o colega intenciona dizer, e não para a forma, a acuidade do como ele diz. Enfim, comprova que, pela adoção de uma abordagem sócio-interacionista, em sala, o educador pode priorizar a correção daqueles erros que inviabilizam a organização e o controle das funções mentais superiores, promovidas pela aquisição de linguagem, e que, consequentemente, impossibilitam a interação verbal, nesse idioma estrangeiro. Também, no exame feito das estratégias de revisão desenvolvidas pelo grupo, Guido verifica alguns comportamentos que aparecem como novos hábitos de aprendizagem adotados em todos os momentos da sala de aula: uma atitude de leitura e releitura mais atenta de suas produções; uma participação e discussão mais efetiva durante a correção e reescrita dos textos; e uma maior observação e solicitação de esclarecimentos de dúvidas próprias e das suscitadas pelos pares. Segundo conclui, as estratégias de revisão revelam que os alunos passam a elaborar mais hipóteses sobre a língua que estão aprendendo; não se esquivam de usar os recursos a sua disposição; e engajam-se em uma verdadeira interação social, em idioma estrangeiro, quando discutem suas ideias em duplas ou recorrem à ajuda dos colegas e do professor. Obviamente, a superficialidade desta apresentação não contribui para a real percepção do leitor sobre a complexa discussão que Guido propõe da influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa. Por isto, a sugestão é a de que cada capítulo do livro seja analisado com o mesmo olhar criterioso e teoricamente refinado de seu autor. Feito o estudo, o desejo é de que esse aprendizado reflita substancialmente na prática desenvolvida tanto pelo aluno quanto pelo professor, em instituições educacionais que primem sempre pelo respeito às diversidades culturais e às convivências sociais em constante interação. Sumário Introdução. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 Capítulo 1 Os meandros da produção textual em língua Inglesa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 1.1 O ensino da escrita em L2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 1.2 As pesquisas sobre a escrita em L2: foco na correção. . 23 1.3 Considerações sobre o erro. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 1.4Definição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 1.5 Visão de erro. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .30 1.6 Classificação de erros. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 1.7 Correção dos erros. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 1.8 Correção com os pares. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 Capítulo 2 A aprendizagem colaborativa e a revisão em pares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 2.1 A teoria sociocultural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 2.2 Aplicações da teoria sociocultural à aprendizagem de L2. . 44 2.3 Aprendizagem colaborativa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 Capítulo 3 A produção textual de alunos iniciantes . . 3.1 3.2 3.3 3.4 . . . 55 A escolha de um método: o estudo de caso . . . . . . . . . . . 55 O contexto da pesquisa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 Análise dos dados: erros encontrados nos textos. . . . . . . . 66 Comentários sobre os erros. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78 Capítulo 4 As estratégias de revisão e seus resultados nos textos finais. . . . . . . . . . 83 4.1 Estratégias de revisão usadas pelos alunos. . . . . . . . . . . . 84 4.2 Modificações efetuadas na segunda versão dos textos dos participantes. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 4.3 Análise das modificações e revisões. . . . . . . . . . . . . . . . . 96 4.4 Modificações parcialmente bem-sucedidas. . . . . . . . . . . . 100 4.5 Modificações malsucedidas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103 4.6 Modificações desnecessárias. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105 Capítulo 5 A percepção dos alunos sobre a aprendizagem colaborativa e a revisão em pares . . . . . . . . . . . 5.1 5.2 5.3 5.4 5.5 5.6 5.7 5.8 109 Análise das entrevistas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109 Visão de erro. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .110 Utilização ou não dos comentários do colega . . . . . . . . . . 111 Aspectos positivos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112 Aspectos negativos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119 Sentimentos expressos pelos participantes. . . . . . . . . . . . 123 Análise do questionário final. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132 Avaliação geral das atividades de revisão colaborativa. . . . 137 À Guisa de Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141 Referências. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 151 Introdução Uma palavra desprovida de pensamento é uma coisa morta, e um pensamento não expresso por palavras permanece uma sombra. Vygotsky (2000b) Hendrickson (1978, p. 395), ao responder à pergunta “quem deve corrigir os erros do aluno?”, sugere que o professor não deve dominar os procedimentos de correção. Para ele, uma abordagem alternativa para corrigir o trabalho escrito é pedir aos estudantes para corrigir os textos uns dos outros, ou seja, realizando um tipo de correção conhecido por correção com os pares1. A correção com os pares, ou revisão colaborativa, é definida como uma atividade na fase de revisão da escrita na qual os estudantes recebem feedback sobre sua redação de outros estudantes, seus pares (Richards, Platt e Platt, 1992). Esse tipo de correção favorece o 1 Alguns autores utilizam o termo correção com os pares, como, por exemplo, Hendrickson (1978) e Bartram e Walton (1994); outros utilizam o termo revisão com os pares, como, por exemplo, Mangerlsdorf (1992) e Villamil e Guerrero (1996). Neste estudo, utilizaremos esses termos intercambiavelmente. Faremos uso também do termo revisão colaborativa. 14 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa diálogo, a interação e a colaboração, que são elementos importantes para a aprendizagem (Kessler, 1992; Vygotsky, 2000a). A interação em sala de aula de língua inglesa foi objeto de estudo de Silva (1999). A autora constatou que, na interação, a ausência de um participante mais experiente não é obstáculo para a realização da zona de desenvolvimento proximal2. A ação dialógica dos participantes promoveu a co-construção do conhecimento da língua e ajudou-os a executar a tarefa proposta. De acordo com a autora (1999, p. 48), “os resultados confirmam um dos princípios mais importantes da teoria vygotskiana, a de que o aprendizado ocorre na interação dialógica.” Partindo do princípio de que a interação e a colaboração favorecem a aprendizagem, resolvemos realizar um estudo para melhor compreender o processo de correção com os pares e para verificar os possíveis benefícios da atividade de revisão colaborativa por alunos iniciantes do curso de Letras da Universidade Estadual de Goiás, Unidade Universitária de Itapuranga, onde atuei como professor de Língua Inglesa de 1995 a 2006. A maioria dos diversos textos sobre correção com os pares são pesquisas realizadas em países com realidades distintas da realidade do Brasil. Há muitas dúvidas sobre o feedback proporcionado pelo professor aos alunos. Segundo Leki (1990), por exemplo, os alunos demonstraram falta de interesse na reação do professor ao conteúdo de seus textos. Dessa forma, Figueiredo (2001) realizou um estudo sobre uma forma de correção que não foi realizada pelo professor, mas sim pelos próprios alunos do 5o ano de Letras/ Inglês da Universidade Federal de Goiás e os alunos se mostraram altamente receptivos à correção com os pares. Caulk (1994) sugere que o trabalho com os pares elimina a figura autoritária do professor, possibilitando uma liberdade para aceitar ou não os comentários e efetuar as mudanças em seus textos. Dheram (1995) afirma que a correção com os pares encoraja os estudantes a escrever os textos tendo um leitor em vista – o colega. Mangelsdorf (1992) conclui 2 Zona de desenvolvimento proximal é a distância entre aquilo que a pessoa é capaz de fazer de forma autônoma e aquilo que ela pode realizar em colaboração com outras pessoas (Rego, 2000). Esse conceito será mais bem explorado no Capítulo 1. Introdução • 15 que há mais aspectos positivos do que negativos nessa forma de correção. Entre os positivos: audiência, ideias novas e diferentes e background cultural variado. Entre os negativos: falta de confiança no colega, limitações do colega, apatia de alguns, pressa em terminar e maior confiança no feedback do professor. Sengupta (1998) mostra outra face da moeda, ao relatar uma atividade de revisão com os pares em um país asiático. O feedback do colega não foi bem visto pelos alunos e um dos fatores que possivelmente contribuiu para isso é que, naquele país, a figura do professor é central no sistema de ensino. A par desses pontos de vista, acreditamos serem necessárias mais pesquisas sobre o assunto no contexto educacional brasileiro, vez que o trabalho de Figueiredo (2001) refere-se a alunos no último ano de graduação, ou seja, alunos com relativo grau de domínio da língua inglesa. Decidimos, então, pesquisar os efeitos da revisão colaborativa no primeiro ano da graduação de Letras, e, dentro desse contexto, verificar se as conclusões a que Figueiredo (2001) chegou aplicam-se a alunos de nível básico. A pesquisa que originou este livro teve por objetivos: Identificar e categorizar as revisões efetuadas nos textos escritos após as atividades de revisão colaborativa, bem como as estratégias utilizadas para tais revisões; v Analisar as percepções que os alunos têm sobre erros, correção de erros e revisão colaborativa; v Fornecer subsídios para uma reflexão de professores e alunos sobre a atividade de revisão colaborativa e seus efeitos na revisão de textos escritos; e v Verificar se as conclusões de Figueiredo (2001) com relação à correção com os pares aplicam-se a alunos de nível básico. v As perguntas que orientaram a pesquisa foram: a) Quais as modificações efetuadas nos textos durante as atividades de revisão colaborativa? 16 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa b) Quais as percepções dos alunos a respeito do processo de revisão colaborativa? Este livro está organizado em cinco capítulos. No primeiro capítulo, discorremos sobre a produção textual em língua inglesa e o tratamento que os erros têm recebido nessa disciplina. No segundo capítulo discorremos sobre a aprendizagem colaborativa e a revisão em pares. O terceiro capítulo trará a metodologia de pesquisa e a análise dos dados referente aos erros encontrados e revisados pelos alunos. No quarto capítulo analisaremos as estratégias de revisão utilizadas pelos alunos, bem como seus resultados. O capítulo seguinte trata das percepções dos alunos sobre o processo de revisão em pares. Encerramos o livro com as conclusões, retomando as perguntas que guiaram a pesquisa, apresentando as limitações desta pesquisa, bem como as suas implicações para o processo de ensinoaprendizagem de língua inglesa. Tendo em vista que boa parte da bibliografia por nós consultada encontra-se em inglês no original, optamos por traduzir todas as citações, para que a leitura se tornasse mais fluida capítulo 1 Os meandros da produção textual em língua inglesa Você nunca sabe o que aprenderá até começar a escrever. Então você descobre verdades que nunca soube que existiam. Brookner (2002) Neste capítulo, apresentaremos alguns estudos sobre a escrita em segunda língua (doravante L2)1, bem como algumas pesquisas relacionadas ao tema, em especial com foco na correção; apresentaremos, ainda, considerações sobre a classificação e a análise de erros. 1.1 O ensino da escrita em L2 A escrita em L2 ocupa hoje uma posição de destaque no ensino de línguas, considerando o número de livros que auxiliam o interessado em adquirir proficiência escrita, livros e revistas que discutem o tema, o aumento considerável da quantidade de 1 Neste trabalho, utilizaremos o termo L2 para referir-se à língua que não seja a língua materna (L1) do indivíduo, como o fizeram Richards et al. (1992) e Figueiredo (1995, 1997). 18 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa pesquisas sobre o assunto, e o destaque que a escrita detém em provas de proficiência linguística. Contudo, este panorama nem sempre se aplicou à escrita (Reid, 2001). Até a década de 60, o propósito da escrita era o de praticar estruturas gramaticais. O aluno copiava sentenças, alterando um ou outro componente das mesmas (Silva, 1990; Reid, 2001). A filosofia de ensino era a mesma do método audiolingual: exercícios repetitivos, prevenção aos erros e a ideia de que a precisão surgiria com a prática. A escrita como reforço de estruturas gramaticais ainda está presente, atualmente, em muitas salas de aulas, como observam alguns autores (Zamel, 1982, 1987; Porto, 1997; Bohn, 1998). A década seguinte presenciou uma mudança do ensino da escrita, do nível sintático para o retórico, ou seja, a prática de sentenças gramaticais cedeu lugar a modelos prescritos de textos. Aprender a escrever envolvia identificar, internalizar e executar esses modelos. Segundo Silva (1990, p. 13), esse tipo de ensino foi chamado de “retórica tradicional”. Até essa época, o interesse era no produto da escrita: a história, o relatório, o ensaio e “o que o produto deveria ‘parecer’” (Brown, 1994, p. 320). Conforme afirma Raimes (1991), o foco se restringia à forma. Na abordagem que focalizava o produto –as composições – três critérios deveriam ser seguidos: obediência a modelos prescritos de retórica em inglês, apresentação de gramática acurada e organização de acordo com o que a audiência considerava convencional (Brown, 1994). Entretanto, as pesquisas sobre escrita2 mudaram o seu foco de estudo. Segundo Silva (1990) e Raimes (1991), professores e pesquisadores reagiram contra a abordagem voltada para a forma e “desenvolveram interesse no que os escritores em L2 realmente faziam quando escreviam” (Raimes, 1991, p. 409), o que levou à abordagem do processo. Ao invés de fornecer um modelo pronto a 2 Essas pesquisas serão mais detalhadas na próxima seção. Os meandros da produção textual em língua inglesa • 19 ser copiado, sugeria-se que os alunos fossem orientados enquanto estivessem escrevendo (Silva, 1990). De acordo com Shih (1986) e Brown (1994), a abordagem no processo: a) enfatiza o processo de escrita que leva ao produto escrito final; b) ajuda os alunos-escritores a entender seu próprio processo de composição; c) ajuda a construir um elenco de estratégias de pré-escrita, rascunho e escrita; d) proporciona aos estudantes oportunidade para escrever e reescrever; e) enfatiza a importância do processo de revisão; f) permite aos estudantes descobrir o que eles querem dizer enquanto escrevem; g) faz com que o feedback aconteça durante o processo, e não somente em reação ao texto final; h) encoraja o feedback tanto do professor quanto o dos colegas; i) possibilita conferências3 individuais entre professor e aluno durante o processo de redação. Os anos 80 viram o surgimento do inglês para fins específicos (Silva, 1990), no qual o ensino da escrita era voltado para textos que se adaptassem às exigências acadêmicas. Aprender a escrever era, pois, “um passo para se tornar parte da comunidade acadêmica” (Silva, 1990, p. 17). Contudo, a sucessão dessas diversas abordagens em relação à escrita não implica que a anterior deixou de existir em virtude da subsequente. Hedge (1988) nos adverte que, apesar das mudanças drásticas do ensino da escrita, é difícil avaliar sua 3 Conferências são diálogos entre o professor e o aluno sobre o texto produzido por esse (Grabe e Kaplan, 1996). 20 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa aplicação em sala de aula, em virtude das pressões que os professores sofrem, entre as quais podemos citar, o excesso de carga horária e a falta de tempo para planejamento e correção de textos. Raimes (1991) aponta outras questões sobre o ensino da escrita que merecem destaque. A primeira delas é sobre o que os estudantes devem escrever. Na abordagem processual, frequentemente é o aluno quem escolhe os tópicos. Segundo Perl (1980, p. 30-31, citada por Zamel, 1982, p. 197), “os estudantes escrevem mais e com mais fluência e satisfação quando sua escrita envolve-os pessoalmente”. Zamel (1987) relata avanços na aquisição da escrita, quando a temática é voltada para o universo do aluno. O segundo ponto levantado por Raimes (1991) refere-se à escrita real, que remete a questões reais. A autora (idem) sugere que em questões reais, quem pergunta quer saber a resposta; o outro lado da moeda seriam as questões de testes, em que o professor quer saber se a pessoa a quem é dirigida a pergunta sabe como respondê-la. Brown (1994) acrescenta que surgem daí surgem dois tipos de escrita: a real e a de amostragem4. A real tem propósitos comunicativos, ao passo que a de amostragem tem por intuito verificar o que o aluno sabe em termos linguísticos. Raimes (1991, p. 415) acredita que o uso da escrita real em sala de aula é um assunto delicado, pois “os estudantes necessitam ser ensinados a usar o processo para seu ganho pessoal como aprendizes e escritores, e também a produzir textos aceitáveis em testes.” O próximo tópico debatido por Raimes (1991) é a natureza do discurso acadêmico. Ela questiona se tal discurso deve ser aceito ou se deve ser mudado para garantir a valorização das comunidades dos alunos. A preocupação principal aqui é se o discurso acadêmico permite a entrada de alunos na universidade ou fornece maneiras de exclui-los, uma vez que nem todos os alunos têm a possibilidade de estudar a linguagem acadêmica. 4 Os termos originais são real e display. Os meandros da produção textual em língua inglesa • 21 O quarto ponto discutido pela autora é a retórica contrastiva. Segundo Grabe e Kaplan (1989, p. 271), “a intenção da retórica contrastiva não é fornecer um método pedagógico, mas sim prover professores e estudantes com conhecimento sobre como as conexões entre cultura e escrita se refletem em textos escritos.” A retórica contrastiva surgiu com um artigo de Kaplan, em 1967, e seu ponto central é que diferentes línguas possuem diferentes modelos de escrita. A retórica contrastiva sugere que aprendizes de inglês trazem consigo predisposições de sua língua nativa que facilitam ou dificultam a aprendizagem do discurso escrito em língua inglesa. Reid (2001) acredita que o uso da língua materna (L1) durante a etapa de planejamento ou de brainstorming5 pode levar o indivíduo a ter uma maior confiança no processo de escrita. Tal posição encontra respaldo em Friedlander (1990), que acrescenta que o planejamento em L1 é mais eficaz para temáticas familiares ao aluno, enquanto o planejamento em L2 é mais eficaz quando se refere à cultura dos países falantes da L2. Evangelista e Silva (2000, p. 161), discorrendo sobre a habilidade de escrita em L1 e L2, concluem que redigir em L1 não é uma tarefa fácil, mesmo considerando o domínio que o escritor tem da língua: “escrever bem depende do desenvolvimento de uma série de habilidades que ultrapassam o domínio das estruturas gramaticais da língua e da adequação do vocabulário.” Por sua vez, Reis (1996) afirma que aprender a escrever em uma língua estrangeira também envolve o domínio de habilidades que vão além da gramática. O aluno necessita desenvolver, também, algumas estratégias que o ajudarão em sua composição: planejar, fazer esquemas, revisar e reescrever. O último ponto discutido por Raimes (1991) refere-se à resposta à escrita dos estudantes. Há uma variedade de possibilidades: correção de erros, demarcação, codificação, comentários etc. A resposta (feedback) ao texto será discutida mais amplamente na próxima seção. 5 Entende-se por brainstorming, no ensino da escrita, o momento em que os estudantes escrevem seus pensamentos, sem atenção à organização, à estrutura ou à ortografia. É um momento para ajudar o escritor a produzir ideias (Richards, Platt e Platt, 1992). 22 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa A complexidade do ato de escrever, reconhecida por Raimes (1991) e Bohn (1998), leva o professor a ter em mente os quatro elementos do processo: a forma, o escritor, o conteúdo e o leitor. Reid (2001) acredita que os professores agora estão mais bem preparados para ensinar a escrita. Consequentemente, a situação delineada por Zamel (1987), em que os professores respondiam à escrita apenas como produto, a falta de preparo dos professores frustrando as expectativas dos alunos, a escrita como punição, e por Bastos (1987, p. 42), em que o professor é visto como “aquele que sabe” e o aluno como “aquele que não sabe”, seriam parte do passado da pedagogia da escrita. Kato (1993, p. 131), por exemplo, acredita que o papel do professor no tocante ao ensino da escrita seria “o de fornecer materiais cognitivamente acessíveis e efetivamente adequados para o educando e também provê-lo com situações-problema que o levassem a ativar sua potencialidade metacognitiva.” Como vimos no início desta seção, a situação do ensino da escrita ainda não atingiu esse ponto ideal. Entretanto, em situação escolar, há variáveis que interferem no ensino da escrita: a sala de aula, o professor, os materiais, os outros alunos, as atividades de aprendizagem e o sistema de feedback (Gass e Magnan, 1995). Brown (1994) afirma que a escrita na escola não é despropositada, pois, segundo o autor, escrever para demonstrar conhecimento é um ato da vida escolar. Desse modo, propiciar aos alunos oportunidade para realizar bem os exercícios da escrita pode levá-los a desenvolver habilidades que os ajudarão a ser bem-sucedidos nos futuros objetivos universitários. Segundo Cagliari (1999), os instrumentos de escrita se modificaram ao longo da história: pincel, cinzel, estilete, lápis, caneta, máquina de escrever e, por fim, o computador. A par dos avanços tecnológicos, cabe o questionamento do futuro da escrita. Reid (2001) acredita que o uso da tecnologia nos cursos de escrita em L2 será a mudança mais impressionante: composição através de processadores de textos, aulas por meio de videoconferência e contato através de e-mail, que permitirão comentários entre alunos-alunos, alunos-professores, professores-professores, sem limites de espaço geográfico. Paiva (2001), por exemplo, relata a Os meandros da produção textual em língua inglesa • 23 experiência de uma disciplina de língua inglesa, na UFMG, cujo objetivo é desenvolver habilidades de leitura e escrita em inglês. Essa disciplina utiliza recursos da Internet, tais como o e-mail e o chat. Segundo a autora (idem), metaforicamente derrubam-se paredes e barreiras, pois não há horário ou espaço previamente fixados. A respeito da Internet e o ensino de línguas, há ainda os textos de Corrêa (2002), Leffa (2002) e Parreiras (2002), por exemplo. No tocante à estrutura do processo da escrita, White e Arndt (1991) elaboraram um esquema que envolve geração de ideias, delimitação do tópico, estruturação das ideias, rascunho, avaliação e revisão. No entanto, como sugerem Bastos (1987) e White e Arndt (1991), estas fases não são lineares, ou seja, elas não acontecem necessariamente nesta ordem. Ao contrário, há a presença da recursividade no processo da escrita, em que o escritor lê o que escreveu ou planejou a fim de desencadear novas revisões e mudanças no texto original. Essas revisões implicam: a adição, o apagamento e a substituição de palavras; reestruturações de palavras em uma sentença ou reestruturações de ideias; a divisão de sentenças em parágrafos; a junção de sentenças ou parágrafos (Faigley e Witte, 1981). 1.2 As pesquisas sobre a escrita em L2: foco na correção As pesquisas sobre os processos de escrita em L2 não apenas lançam luz sobre as práticas em sala de aula, como também propiciam modelos alternativos de ensino (Zamel, 1987). Uma leitura acerca das pesquisas permite-nos agrupá-las sob as seguintes temáticas: a relação entre os processos de escrita em L1 e L2 (retórica contrastiva); o erro na produção textual; o feedback e o efeito da instrução na qualidade da escrita; e o processo de composição. Discorreremos sobre essas pesquisas a seguir. 24 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa A retórica contrastiva A retórica contrastiva, como vimos anteriormente, surgiu nos anos 60 com o texto de Kaplan, em que ele afirma que diferentes línguas possuem diferentes modelos de escrita, o que levaria o aluno escritor a trazer para seu aprendizado da escrita em L2 certas concepções que influenciam seu processo de escrita. Algumas pesquisas apontam para a possibilidade de haver transferência de habilidade de escrita de uma língua para outra, isto é, o escritor hábil em escrever na L1 também o é na L2 (Zamel, 1982; Jones, 1982, citado por Krapels, 1990; Gass e Magnan, 1995). Oliveira (1996) afirma, ainda, que é difícil fazer o aluno “desligar-se” de seu próprio ambiente cultural quando este redige, resultando, assim, em textos que espelham esse ambiente. A influência positiva da L1, principalmente na fase de geração de ideias, é sugerida, por exemplo, por Friedlander (1990), Raimes (1991) e Brown (1994). Estudo dos erros A próxima vertente da pesquisa sobre escrita em L2 concentrase no estudo de erros nos textos dos alunos. Figueiredo (1995, 1997) analisou textos de alunos iniciantes e classificou-os de acordo com seu efeito na comunicação, dividindo-os em três categorias: erros que pouco afetam a comunicação, erros que causam uma certa irritação e erros que impedem a comunicação. O autor constatou que o maior número de erros é o do primeiro tipo, ou seja, os que pouco afetam a comunicação. Lima (1997) e Figueiredo (1995, 1997) acrescentam que os erros são resultados de algumas hipóteses que os alunos elaboram acerca da língua que estão aprendendo. Os erros, portanto, podem fornecer pistas sobre o desenvolvimento linguístico do aluno (Porto, 1997; Barbosa, 2000). De acordo com Hendrickson (1978), os erros foram vistos como algo a ser totalmente evitado durante o período em que vigorava o método audiolingual. Com o advento da abordagem comunicativa, passaram a ser vistos como parte importante para a aprendizagem e guias para o ensino (Dulay, Os meandros da produção textual em língua inglesa • 25 Burt e Krashen, 1982), visto que refletiam as estratégias usadas pelos alunos para aprender. Feedback Um outro grupo de pesquisas diz respeito ao feedback que os alunos escritores recebem dos professores e de seus pares. Richards et al. (1992, p. 137) definem feedback como “comentários ou informações que os alunos recebem sobre o sucesso de uma tarefa realizada por eles, vinda ou do professor ou de outros alunos”. Quanto às respostas dadas aos textos dos alunos, os resultados das pesquisas têm sido um tanto controversos. Leki (1990, p. 39), ao analisar a resposta do professor aos textos dos alunos, afirma que “dado o poder desigual inerente aos papéis de professor e aluno, é irreal fingir que os professores podem ler os textos dos alunos da mesma maneira como lemos textos escolhidos por nós”, ou seja, quando o professor lê o texto de um aluno não o faz como um leitor comum, mas com olhos de professor, verificando acertos e erros. Zamel (1987) acredita que os professores ainda respondem aos textos como produtos prontos. Hemais (2000) conclui que os alunos necessitam da avaliação do professor para interpretar o sucesso ou insucesso do texto produzido. Dellagnelo (2000a) investigou o que os professores de um curso de língua corrigem nos textos dos alunos e concluiu que eles examinam a forma em detrimento do conteúdo, inclusive de forma precária, haja vista que muitos erros passaram despercebidos. Bastos (1996) afirma que além do feedback sobre os aspectos gramaticais de um texto, o feedback sobre o conteúdo é fundamental para o desenvolvimento cognitivo, comunicativo e afetivo do aprendiz. Dellagnelo (2000b), por sua vez, analisou as modificações efetuadas por alunos em textos escritos após revisão individual, revisão com os pares e feedback do professor. Ela concluiu que o feedback do professor mostrou-se mais produtivo ao aluno. Porto (1997, p. 260) acrescenta que o papel do professor inclui “responder aos alunos como pessoas, mostrando interesse, encorajando-os a explorar, mostrando respeito e confiança, permitindo tempo para pensar, acentuando o lado positivo do 26 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa escritor, valorizando o conteúdo etc.” Essa posição é compartilhada por Lima (1997, p. 227), quando afirma que “um professor pode motivar os estudantes a aprender e a participar ativamente da aula ao mostrar o valor de sua contribuição.” Ao invés de feedback após a escrita do texto, há autores que sugerem uma intervenção durante o processo. Leki (1990) defende a ideia de que os alunos discutam com o professor sobre seus textos desde a elaboração do rascunho, afirmando que a qualidade do produto final será invariavelmente superior. Porto (1997, p. 254) acentua o valor da escrita interativa, em que o professor faz perguntas para direcionar a atenção do aluno para determinados aspectos do processo de escrita, propiciando aos alunos oportunidades para compreender o “propósito da escrita, a audiência, a relação leitor e escritor e a discussão social da escrita”. Outra forma de feedback é a dos colegas de sala, que discutiremos no item 1.3. A visão dos alunos sobre o feedback é importante para se perceber o seu papel no desenvolvimento do processo de escrita daqueles (Sola e Bennett, 1985, citados por Zamel, 1987; Gass e Magnan, 1995). Entre as reações dos alunos à correção do professor detectadas por Cohen (1987), encontram-se: anotação mental (em que o aluno pensa na forma correta para, posteriormente, realizá-la), decifrar as correções, fazer anotações, refazer o trabalho, consultar outros trabalhos, olhar as correções e não fazer nada. Hemais (2000) constatou que os alunos pesquisados por ela revisavam seus textos apenas se o fosse requerido pelo professor. Aliás, este detinha, na visão desses alunos, a palavra final sobre o sucesso ou insucesso do texto escrito. A autoridade do professor foi também discutida por Caulk (1994), quando afirma que os estudantes preferiram os comentários dos colegas, justamente por estes não estarem revestidos dessa autoridade. A pesquisa de Bohn (1994) mostra os alunos divididos em dois grupos: os ativos, alunos participantes e questionadores, e os passivos, que, apesar de demonstrarem preocupação com os erros, não agem para sua correção. Segundo Bohn (idem, p. 191) o “grupo ativo também tem uma tendência para comentar as sugestões feitas pelo professor com colegas e encontrar o professor para discutir e Os meandros da produção textual em língua inglesa • 27 comentar o feedback recebido”. Na pesquisa de Bohn, esse grupo ativo contava com mais alunos. Processo de composição Com relação ao processo de escrita, usualmente são feitas pesquisas comparativas entre alunos que demonstram mais habilidade para escrever e os que demonstram menos habilidade e a maneira como cada um lida com o processo de composição (Gass e Magnan, 1995). Zamel (1983) investigou seis estudantes de L2 de nível avançado enquanto escreviam, além de entrevistá-los após a atividade. Ela concluiu que escritores hábeis revisam mais e gastam mais tempo em suas composições. Os escritores com menos habilidade, além de fazerem o contrário, concentram atenção em pequenas partes isoladas do texto. Por sua vez, Perl (1980, citada por Zamel, 1982) concluiu que os escritores menos habilidosos preocupam-se com a forma e não conseguiram prosseguir para o nível do conteúdo. Barbosa (2000) chegou a uma conclusão similar: alunos mais proficientes concentram a atenção no conteúdo, enquanto alunos menos proficientes concentram-se na forma. O primeiro problema com esses e outros estudos similares refere-se ao pequeno número de alunos em cada pesquisa, o que não permite maiores generalizações. O segundo problema é quanto à classificação de alunos em hábeis e inábeis; geralmente os pesquisadores utilizam testes para essa delimitação ou simplesmente diz-se que alunos iniciantes pertencem ao segundo grupo e alunos de nível avançado pertencem ao primeiro grupo. Nem sempre isso corresponde à verdade dos fatos. Raimes (1985), por exemplo, verificou que a competência linguística de seus sujeitos não correspondia à sua competência para redigir. O terceiro problema refere-se ao envolvimento dos alunos com a tarefa que lhes é pedida para ser feita. Como vimos anteriormente, os estudantes escrevem mais, com maior fluência e satisfação, quando a escrita envolve assuntos que lhes são familiares ou que eles escolheram (Edelsky, 1982; Zamel, 1987). 28 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa A solução para tais problemas é sugerida por Krapels (1990). Ela acredita que os estudos publicados sejam replicados, com o fito de validar suas conclusões para um maior número de alunos e, assim, fornecer bases mais seguras para uma pedagogia da escrita em sala de aula. Frente às inovações tecnológicas, em que se destacam o processador de texto e a Internet, há de se pensar também em como isso irá afetar o ato da escrita, mesmo que à primeira vista pareçam óbvias – necessidade de uma escrita mais rápida, correção automática de palavras em processadores de textos etc. 1.3 Considerações sobre o erro Nesta seção, traçaremos um breve comentário sobre a definição de erro, como a visão sobre ele muda ao sabor das correntes linguísticas em voga, algumas taxonomias de classificação e sugestões de correção de erros, em textos escritos, feitas por alguns autores. 1.4Definição Definir o erro com relação ao ensino/aprendizagem de línguas não é uma tarefa fácil, pois a concepção de erro varia de acordo com a teoria linguística em vigor (Hendrickson, 1978) e sua definição é um tanto quanto complexa (Figueiredo, 1997). Ellis (1997) distingue error de mistake.6 O primeiro reflete uma falta de conhecimento do aluno, ocorrendo quando este não sabe a forma correta. O segundo tipo reflete um lapso ocasional na produção do aluno, ocasião em que este deixa de utilizar uma estrutura ou regra estudada anteriormente. Essa falha pode ser causada por falta de atenção, fadiga, descuido ou algum outro aspecto da produção do aluno (Richards et 6 Em português, os dois termos recebem a tradução de erro. Os meandros da produção textual em língua inglesa • 29 al., 1992). Essa diferenciação entre error e mistake encontra respaldo em Dulay, Burt e Krashen (1982), Larsen-Freeman e Long (1991) e Porte (1993). Edge (1989) utiliza mistake como termo geral e sugere outras categorias para classificação específica: slips (escorregões), errors (erros) e attempts (tentativas). Ele define o primeiro tipo de erro como aquele que pode ser corrigido pelo próprio aluno; o segundo seria aquele que o aluno não consegue corrigir, mas o professor considera que a sala está familiarizada com a forma correta; o terceiro tipo ocorre quando o aluno ainda não domina suficientemente a línguaalvo para expressar o que quer dizer. Porém, a distinção entre error e mistake nem sempre é possível. Brown (1994), por exemplo, afirma que se um aprendiz diz “John cans sing” em uma ocasião, mas em outras ocasiões diz “John can sing”, é difícil determinar se cans é um error ou mistake. A caracterização como error seria clara, segundo o autor, se o aprendiz produzisse também sentenças como “John wills go”, “John mays come”, indicando que ele não distingue os modais de outros verbos. No decorrer desta dissertação, utilizaremos apenas o termo erro para todas as situações. Se a nomenclatura apresenta matizes vários, a definição não fica atrás. Lengo (1995) lembra que se o erro é um desvio da norma, não há um consenso sobre o que seja a norma. Segundo Lengo (1995, p. 1), “certas formas que são aceitáveis em algumas situações não o são em outras.” Klassen (1991, p. 10) apresenta sua definição pessoal de erro: “uma forma ou estrutura que um falante nativo considera inaceitável por causa do uso impróprio”. Richards et al. (1992, p. 127) utilizam “aprendizagem falha ou incompleta” ao invés de “uso impróprio”. As duas definições apresentam problemas com relação ao referencial – o falante nativo. A esse respeito, Ellis (1997, p. 16) dá o exemplo de uma frase dita por um aprendiz de inglês: “The two thieves escape (sic) (...) and went in the traffic.” Segundo o autor, um 30 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa nativo falante de inglês diria: “... and went into the traffic”,7 contudo “in the traffic” não é agramatical, portanto, não é considerado erro. Ellis (1997, p.17) conclui que “está claro que identificar erros exatos que os aprendizes cometem é frequentemente difícil.” Hendrickson (1978) sugere uma definição mais abrangente de erro. Para o autor (1978, p. 387), o erro é “um enunciado, forma, ou estrutura que o professor de uma língua em particular considera inaceitável por causa de seu uso inapropriado ou sua ausência no discurso da vida real.” 1.5 Visão de erro Durante os anos 40 e 50, o método audiolingual encontravase em pleno vigor. Nessa ocasião, o erro era visto como pecado a ser evitado, como afirmam, por exemplo, Hendrickson (1978) e Klassen (1991), sendo que esse objetivo – a evitação dos erros – supostamente seria alcançado através de muita repetição da forma correta, os famosos drills. Fruto desse período, a Análise Contrastiva postulava que a maior barreira à aquisição de uma L2 era a interferência da L1 do aprendiz. De acordo com essa teoria, pode-se predizer quais seriam as áreas de dificuldades para o aluno comparando o sistema da L1 com o sistema da L2 (Hahn, 1987; Brown, 1994; Larsen-Freeman e Long, 1991). Larsen-Freeman e Long (1991) relatam que a Análise Contrastiva começou a contar com pouco apoio empírico quando vieram à tona pesquisas que mostravam que alguns erros previstos não aconteciam e surgiram outros não previstos, comprovando que “comparar duas línguas é impraticável” (Silveira, 1988, p. 39). A partir dos anos 60, novos ventos trouxeram outros rumos para o ensino de línguas, como, por exemplo, a teoria cognitiva 7 Os exemplos em inglês não serão traduzidos, a fim de preservar seus aspectos originais. Os meandros da produção textual em língua inglesa • 31 e a abordagem comunicativa. Segundo Souza (1988), a aprendizagem de línguas passou a ser vista como um processo criativo e ativo que almeja a comunicação. O erro passou a ser encarado como parte do processo de aprendizagem (Dean, 1996), que ocorria antes que as regras gramaticais corretas fossem internalizadas (Klassen, 1991). Selinker (1972) cunhou o termo interlíngua para se referir à língua produzida pelos aprendizes e para explicar o erro como parte da aprendizagem. A interlíngua seria um estágio do processo de aprendizagem no qual o aprendiz desenvolve seu próprio sistema da L2. Para tanto, ele recorre tanto à L1 quanto à L2 num contínuo esforço para ser entendido (Souza, 1988). Nesse contexto, a aprendizagem é um processo criativo de construção de um sistema no qual o indivíduo testa hipóteses sobre a L2, baseado em alguns fatores: conhecimento limitado da própria L2; apoio na L1; conhecimento sobre a função comunicativa da linguagem etc. (Brown, 1994). Os erros seriam, então, “falsas hipóteses (...) baseados na pouca exposição à língua-alvo” (Schachter e Celce-Murcia, 1977, p. 443). A Análise de Erros surgiu para se contrapor à Análise Contrastiva, pois esta, como vimos no segundo parágrafo desta seção, apresentou algumas falhas. A Análise de Erros apropria-se do conceito de aprendizagem como processo, em especial no que diz respeito à tentativa e ao erro do aluno. O erro, dessa forma, passa a ser visto como parte essencial da aprendizagem, pois revela um sistema em funcionamento (Brown, 1994). A análise dos erros nesse contexto seria importante por três motivos: eles dizem ao professor o que o aluno aprendeu e o que falta aprender; fornecem evidência de como a língua é aprendida; e são uma maneira que o aluno usa para testar hipóteses sobre a L2 (Schachter e Celce-Murcia, 1977; LarsenFreeman e Long, 1991). De acordo com Larsen-Freeman e Long (1991), a Análise de Erros não ficou imune às criticas, como podemos ver nos textos 32 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa de Schachter e Celce-Murcia (1977) e Dulay, Burt e Krashen (1982). Entre as críticas mencionadas, podem-se encontrar as seguintes: ao focalizar apenas o erro, os pesquisadores deixam de enxergar o quadro todo da aquisição da língua; é difícil isolar e classificar um erro; a Análise de Erros falha em analisar todos os erros porque alguns aprendizes evitam produzir estruturas mais complexas e, portanto, não produzem erro. A visão de erro depende também de quem o analisa (Edge, 1989). Davies (1983), por exemplo, conclui que professores não-nativos são menos tolerantes aos erros dos alunos do que os professores nativos. De acordo com ele, a tolerância dos professores nativos se deve ao fato de estes conhecerem mais variedades da língua e apresentarem uma atitude mais complacente com relação às tentativas dos alunos. 1.6 Classificação de erros Dulay, Burt e Krashen (1982) mostram que a classificação do erro também possui várias facetas. Dessa forma, mais de uma taxonomia pode ser usada para classificar os erros. A seguir, discutiremos brevemente as taxonomias reunidas por eles. Taxonomia linguística Nesta taxonomia, os erros são classificados de acordo com o componente da língua (fonologia, sintaxe, morfologia, semântica, léxico e discurso) ou um dado constituinte linguístico que é afetado pelo erro. Em uma pesquisa sobre correções de textos, Dellagnelo (2000b) estabeleceu um conjunto de 45 regras para análise dos textos escritos. Elas foram divididas em três grupos: conteúdo e ideias, organização e forma e convenções de escrita. Uma vez que utilizaremos a taxonomia da autora para a análise de meus dados, suas categorizações serão mais detalhadas no Capítulo 3. Os meandros da produção textual em língua inglesa • 33 Taxonomia de estratégias de superfície Esta taxonomia visa as estruturas de superfície alteradas: o aprendiz produz um erro por omitir itens necessários ou por adicionar itens desnecessários, por exemplo. Taxonomia comparativa Na taxonomia comparativa, os erros são classificados como interlinguais (refletem a interferência da L1 na produção da L2), intralinguais (resultantes da aprendizagem de uma L2, que não refletem a influência da L1 do indivíduo), ambíguos (podem ser considerados tanto como interlinguais como intralinguais) e induzidos (oriundos do modo como a L2 é apresentada ou praticada). Taxonomia do efeito na comunicação Aqui os erros recebem a classificação de locais (limitamse a certos itens de uma sentença, e geralmente não afetam significativamente a comunicação) ou globais (afetam a organização geral de uma sentença, dificultando a comunicação). 1.7 Correção dos erros De um modo geral, há uma tendência de se ver (e trabalhar) a correção de um ângulo positivo (veja, por exemplo, Edge, 1989; Bartram e Walton, 1994), onde se procura “incentivar a fluência comunicativa ao invés da mera acuidade mecânica” (Edge, 1989, p. vii). Uma maneira de se implementar essa tendência em sala de aula, de acordo com Brown (1994), é através do feedback ao aluno. Porém, o autor ressalta que o feedback em excesso pode inibir o aprendiz. 34 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa Hendrickson (1980) e Figueiredo (2001), referindo-se a erros escritos, indicam a existência da correção indireta e direta. Na primeira, os erros são apontados através de marcação e o próprio aluno faz as correções. Na segunda, o professor aponta não apenas os erros, mas também possíveis soluções, uma vez que se percebe, nessa situação, que o aluno não procederá à correção sozinho. A correção direta é a mais utilizada pelos professores (Hendrickson, 1980; Lalande, 1982). Porém, se quisermos tornar os nossos alunos mais responsáveis por sua aprendizagem, devemos lhes fornecer uma correção indireta. Dentre os meios de correção indireta, Figueiredo (2001) cita: v autocorreção - o professor apenas indica que houve o erro, o aluno procura reconhecê-lo e corrigi-lo; v correção com os pares8 – quando o aluno não é capaz de corrigir o erro, pode trabalhar com o colega. Essa técnica permite a co-construção do conhecimento. Também chamada de revisão com os pares ou revisão colaborativa; v correção no quadro-negro – nesta modalidade, o professor relaciona alguns erros extraídos dos textos de todos os alunos e os corrige no quadro, juntamente com os alunos; v conferências – um tipo de correção colaborativa, onde ocorre um diálogo entre o professor e o aluno, sendo que o primeiro funciona como um leitor “ao vivo”, pedindo esclarecimentos e ajudando a solucionar problemas. A pesquisa de Lima (1997) comprova que os alunos veem o tratamento do erro como punitivo e não como algo que irá ajudá-los a aprender a língua. Eles esperam ser corrigidos, mas não em todos os erros ou de forma ameaçadora. 8 A correção com os pares será mais detalhadamente discutida no item 1.3. Os meandros da produção textual em língua inglesa • 35 A respeito da correção, Edge (1989, p. 50) sugere que os erros não sejam corrigidos em demasia, porque “é muito deprimente para o aluno receber de volta qualquer exercício escrito com muitas correções do professor”. Brown (1994, p. 220) nos sugere ainda “que devemos evitar a todo custo a administração do reforço punitivo, ou correção que é vista pelos aprendizes como uma luz vermelha afetiva – desvalorizadora, desumanizadora, ou que insulta sua pessoa.” (grifo no original). Segundo Ellis (1997), não há necessidade de se corrigirem todos os erros. Os professores podem, por exemplo, concentrar uma maior atenção nos erros globais, ou seja, aqueles que afetam a estrutura geral da sentença e comprometem seu entendimento, e uma menor atenção nos erros locais, aqueles que afetam uma parte da sentença e não comprometem sua compreensão (Lengo, 1995). Na próxima seção, apresentaremos algumas pesquisas sobre a correção com os pares. 1.8 Correção com os pares A correção com os pares9 é definida por Richards et al. (1992, p. 268) como uma atividade na fase de revisão da escrita na qual os estudantes recebem feedback sobre sua redação de outros estudantes – seus pares. Tipicamente os estudantes trabalham em pares ou pequenos grupos, leem os textos uns dos outros e fazem questões ou dão comentários ou sugestões. Spear (1988) reconhece que o processo de correção com os pares é, por vezes, trabalhoso e pode desapontar alguns professores, 9 Em inglês, são usados ainda os termos peer editing, peer evaluation e peer review (Mangelsdorf, 1992). 36 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa pois muitos erros não são corrigidos. Contudo, ela afirma que esse tipo de correção pode ajudar no sucesso dos alunos, pois reforça a noção de que a escrita é tanto o processo quanto o produto, ou seja, não apenas o produto final, mas também as atividades em que o aprendiz realiza para a consecução da escrita. Mendonça e Johnson (1994) ressaltam esse caráter ativo do aluno quando relatam o resultado de sua pesquisa com alunos avançados. Os alunos usam os comentários de seus pares, mas os incorporam seletivamente, ou seja, decidem por eles mesmos o que revisar em seus próprios textos. Em uma pesquisa comparando os comentários dos professores e dos alunos, Caulk (1994) constatou que das sugestões dadas pelos estudantes a seus pares para melhoria dos textos escritos, a maioria consistia em sugestões válidas e desses comentários poucos apresentaram paralelo com os comentários da professora, ou seja, o que os estudantes observaram nos textos diferia do que a professora observou. De acordo com Dheram (1995), a correção com os pares encoraja os estudantes a escrever pensando no leitor. A atividade é útil também para desenvolver o conteúdo, reduzir a dependência do professor, e encorajar os alunos a aceitar outras pessoas, além do professor, como leitores de seus textos. Apesar dos aspectos positivos da correção com os pares, alguns autores citam alguns problemas com esse tipo de correção. Uma pesquisa realizada por Sengupta (1998) em um país asiático comprovou a total preferência dos alunos pela correção do professor. Além disso, eles acharam a atividade inútil e a visão que tinham de um leitor era apenas a figura do professor. Sengupta (1998, p. 22), referindo-se à estrutura de ensino daquele país centrado na figura do professor, argumenta que “no mundo desses estudantes, o leitor real é o professor ou o examinador ‘que sabe o inglês correto’, não um colega com um domínio questionável do inglês”. Mangelsdorf (1992) aponta aspectos de ambos os lados, ou seja, positivos e negativos. Entre as vantagens da correção com os pares, há a possibilidade de os alunos considerarem Os meandros da produção textual em língua inglesa • 37 ideias diferentes sobre o mesmo tópico, a resposta imediata de um leitor real e a atividade torna os alunos responsáveis por sua própria aprendizagem. Entre os problemas com a correção com os pares, ela cita as limitações dos estudantes como críticos, a falta de confiança nas respostas dos colegas, e a apatia de alguns estudantes ávidos por terminar uma tarefa que eles consideravam como uma obrigação. Todavia, a autora ressalta que os alunos que expressaram pontos de vista completamente negativos a respeito da atividade de correção com os pares provinham de países asiáticos onde as aulas são centradas na figura do professor, o que coaduna com as constatações de Sengupta (1998). Dellagnelo e Tomitch (1999) analisaram três tipos de feedback: a revisão individual, a revisão colaborativa e comentários escritos da professora. A pesquisa, realizada em um curso de graduação em Letras em Santa Catarina, constatou, naquele ambiente, que a maioria dos alunos se identificava com o feedback da professora. A pesquisa de Figueiredo (2001), realizada com alunos do último ano da graduação em Letras (Português/Inglês) da Universidade Federal de Goiás, aponta para aspectos positivos e negativos. Entre os aspectos positivos, ele cita a possibilidade de: melhoria dos textos escritos; uma relação igualitária no processo de correção; uma percepção mais aguçada para a autocorreção; troca de informações e discussão sobre os textos; aprendizagem com os erros; prática oral do inglês; uma maior conscientização do papel do leitor; aumento da autoconfiança e da auto-estima; uma maior atenção por parte do aluno; uma maior reflexão sobre o processo da escrita; esclarecimento e formulação de perguntas sobre as dúvidas; v maior grau de manutenção da autoria dos textos; v v v v v v v v v v v 38 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa v melhoria do relacionamento com o colega. Os aspectos negativos apontados são: v v v v v v falta de confiança na correção do colega; dificuldade em encontrar os erros; dificuldade em entender o que o colega escreveu; dúvidas ao corrigir o texto do colega; erro induzido pelo colega; dificuldade em explicar o que está errado. Em resumo, Figueiredo (2001) encontrou mais pontos positivos do que problemáticos nas atividades de correção com os pares em alunos do último ano da graduação. No capítulo a seguir, apresentaremos os princípios da teoria sociocultural e da aprendizagem colaborativa, que favorecem uma maior compreensão do processo de revisão colaborativa – foco deste estudo. capítulo 2 A aprendizagem colaborativa e a revisão em pares A aprendizagem colaborativa parece fornecer um ambiente de aula no qual tais necessidades podem ser encontradas de uma maneira benéfica tanto para a realização acadêmica quanto para o desenvolvimento das habilidades de aprendizagem social dos aprendizes. Kohonen (1992) 2.1 A teoria sociocultural Para Vygotsky (2000a, p. 68), o homem e o meio exercem influência recíproca, ou seja, “a característica básica do comportamento humano em geral é que os próprios homens influenciam sua relação com o meio ambiente e, através desse ambiente, pessoalmente modificam seu comportamento, colocando-o sob seu controle”. Por essa razão, sua teoria recebe o nome de sociocultural ou sócio-interacionista. As ideias de Vygotsky (2000a, 2000b) voltam-se para a educação de um modo geral. Porém, os últimos anos têm mostrado um número cada vez maior de pesquisas sobre aquisição de línguas que utilizam a teoria sociocultural como arcabouço teórico. Nos itens a seguir, apresentaremos os pressupostos básicos dessa teoria. 40 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa Mediação Na concepção vygotskiana, a relação do homem com o mundo não é direta, mas mediada por instrumentos ou signos (Oliveira, 1998). O homem utiliza instrumentos mecânicos, como, por exemplo, o machado e o martelo, para organizar e afetar o mundo físico. Os signos, chamados por Vygotsky (2000a) de instrumentos psicológicos, servem para o controle das ações psicológicas do indivíduo ou de outros. Conforme afirma Vygotsky (2000b, p. 70), “todas as funções psíquicas superiores são processos mediados, e os signos constituem o meio básico para dominá-las e dirigi-las”. Os instrumentos mecânicos são elementos externos, ao passo que os signos são voltados para o interior da pessoa (Vygotsky, 2000a). Dessa forma, o principal mediador do homem, tanto na relação com o outro quanto consigo mesmo, é a linguagem, que permite a ele organizar e controlar as funções mentais superiores1. De acordo com Vygotsky (2000b, p. 104), “o desenvolvimento dos conceitos, ou dos significados das palavras, pressupõe o desenvolvimento de muitas funções intelectuais: atenção deliberada, memória lógica, abstração, capacidade para comparar e diferenciar”. A linguagem desempenha um papel importante no desenvolvimento do ser humano, pois ao começar a falar, a criança interage com as pessoas ao seu redor, e seus processos mentais começam a se desenvolver. Em resumo, todo desenvolvimento cognitivo e emocional é resultado da interação social. Braggio (1992, p. 92) afirma que: [...] O homem, através da palavra, muda a si mesmo, dando uma outra dimensão à sua consciência, justamente porque é homem, porque é capaz de discernir, de reconhecer que não existe num mundo pronto e acabado, mas que por ele é continuamente criado e recriado. 1 Dentre as funções mentais superiores, encontram-se a lembrança voluntária, o raciocínio dedutivo etc. (Vygotsky, 2000a). A aprendizagem colaborativa e a revisão em pares • 41 Portanto, toda função cognitiva aparece duas vezes: primeiro no nível interpessoal (no social), e depois no nível intrapessoal (internalizado pelo indivíduo). Vygotsky (2000b) descreve três estágios do desenvolvimento: 1) discurso socializado – a criança utiliza a fala como meio de comunicação com as outras pessoas; 2) fala egocêntrica – nesta fase, a criança geralmente conversa consigo mesma, esteja outra pessoa ouvindo ou não. Ela pensa em voz alta numa tentativa de conduzir seu comportamento; 3) fala interior – é o estágio final do desenvolvimento da fala e encontra-se presente em crianças mais velhas e adultas. O indivíduo estabelece um diálogo consigo mesmo, sem vocalização. Neste estágio, a pessoa engajase nas funções mentais superiores. Vygotsky (2000b, p. 24) chama a atenção para a diferença entre sua teoria e a teoria behaviorista e a de Piaget: Desse modo, o nosso esquema de desenvolvimento – primeiro fala social, depois egocêntrica, e então interior – diverge tanto do esquema behaviorista – fala oral, sussurro, fala interior – quanto da sequência de Piaget – que parte do pensamento autístico não-verbal à fala socializada e ao pensamento lógico, através do pensamento e da fala egocêntricos. Segundo a nossa concepção, o verdadeiro curso do desenvolvimento do pensamento não vai do individual para o socializado, mas do social para o individual. Na teoria sociocultural, há três tipos de regulação na relação do indivíduo para com outros e com o ambiente: a regulação pelo objeto, a regulação pelo outro e a auto-regulação. Na primeira, a criança recebe influência do ambiente; na segunda, o indivíduo precisa de ajuda para solucionar um problema; e na terceira, o 42 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa indivíduo é autônomo e não necessita de ajuda para realizar certas atividades. Como vimos, a regulação é mediada pela linguagem e influencia a zona de desenvolvimento proximal, que abordaremos a seguir. Zona de desenvolvimento proximal Segundo Vygotsky (2000a), o nível real de desenvolvimento de uma criança indica o nível de desenvolvimento mental da criança em um determinado período. A zona de desenvolvimento proximal da mesma criança indica aquelas funções ainda não desenvolvidas por ela, mas que se encontram em processo de maturação ou desenvolvimento. Na zona de desenvolvimento proximal, a criança pode solucionar um dado problema com o auxílio de outra pessoa, o qual ela não poderia fazer sozinha. Portanto, Vygotsky (2000a, p. 112) define esse construto como: [...] a distância entre o nível de desenvolvimento real, que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes. Uma vez que o aprendiz apropria-se do conhecimento necessário para solucionar o problema, seu nível de desenvolvimento aumenta para incorporar esse conhecimento, e o nível de desenvolvimento potencial avança, mudando também sua zona de desenvolvimento proximal. Contudo, a presença de um indivíduo com maior abrangência de conhecimento não é extremamente necessária. É o que postula Wells (1997), quando diz que a interação com outras pessoas desperta vários processos internos no indivíduo. Tudge (1990) complementa essa concepção afirmando que, durante a realização de uma tarefa, o estudante que possui mais conhecimento e está apto a oferecer assistência aos pares, pode precisar de assistência em outras tarefas. Donato (1994) conclui que os aprendizes podem fornecer A aprendizagem colaborativa e a revisão em pares • 43 o mesmo tipo de suporte um para o outro que o adulto fornece à criança. Segundo Wells (1997), isso é possível porque a participação na zona de desenvolvimento proximal é uma forma de negociação e renegociação de significado, “uma atividade dialógica que se desdobra entre os indivíduos mais e menos capazes” (Aljaafreh e Lantolf, 1994, p. 468, grifo no original). Durante a interação, a transição do estágio de regulação pelo outro para o estágio da auto-regulação é favorecida por um tipo de apoio conhecido por scaffolding, que abordaremos a seguir. Scaffolding O termo scaffolding foi cunhado por Wood, Bruner e Ross (1976), para especificar os tipos de assistência que possibilitam aos aprendizes funcionar em níveis mais altos de suas zonas de desenvolvimento proximal. Esse termo é atualmente usado para descrever como uma pessoa mais experiente pode facilitar a transição do aprendiz da atuação assistida para a atuação independente. De acordo com Wood, Bruner e Ross (1976), o scaffolding apresenta as seguintes funções: 1) 2) 3) 4) chamar a atenção para a tarefa; simplificar a tarefa; manter o objetivo em vista; marcar as discrepâncias entre o que foi produzido e a solução ideal; 5) controlar a frustração durante a atividade; 6) demonstrar uma versão idealizada do ato a ser realizado. Donato (1994) conclui que o scaffolding é um mecanismo interpsicológico que promove a internalização do aprendiz do conhecimento co-construído em atividade partilhada. Tendo apresentado os principais conceitos da teoria sociocultural, apresentaremos, a seguir, algumas considerações sobre sua aplicação na aprendizagem de L2. 44 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa 2.2 Aplicações da teoria sociocultural à aprendizagem de L2 Os teóricos que pesquisam a aprendizagem de L2 com base na teoria sociocultural veem a linguagem em termos essencialmente sociais (Mitchell e Myles, 1998). Paiva e Freitas (1994) e Schinke-Llano (1993) apresentam uma correlação entre as teorias de aquisição de L2 e a teoria de Vygotsky. Nos parágrafos seguintes, veremos algumas pesquisas cujo enfoque tem sido influenciado pelas ideias sócio-interacionistas. Donato (2000) trata de quatro temas ligados a Vygotsky: o discurso privado,2 a mediação, a zona de desenvolvimento proximal e a teoria da atividade.3 Como parte de um curso de graduação em teoria sociocultural, Donato (2000) introduziu a teoria a seus alunos, pedindo-lhes que realizassem uma série de projetos de pesquisa em sala de aula. O primeiro deles trata da presença do discurso privado durante instrução de gramática em uma sala de L2. De acordo com os resultados desse estudo, Donato (2000) conclui que é importante para os professores reconhecerem que os estudantes frequentemente precisam de oportunidade para mediar sua própria aprendizagem, sem a intervenção direta do professor. O segundo estudo examina os processos mediadores entre professores e alunos em uma faculdade, em uma aula de francês e em uma aula de espanhol, ambas de nível elementar, nos Estados Unidos. Este estudo revelou importantes diferenças entre conversas puramente instrucionais do professor – aquelas dominadas na maior parte do tempo pelo 2 3 O discurso privado é definido, em contraste com o discurso socializado, como aquele que é direcionado ao próprio falante e não aos outros, com o propósito de auto-regulação em vez de comunicação (McCafferty, 1994). Formulada pelo colaborador de Vygotsky, Leontiev, a teoria da atividade “envolve a noção de que o homem orienta-se por objetivos, agindo de forma intencional, por meio de ações planejadas” (Oliveira, 1999, p. 96). A aprendizagem colaborativa e a revisão em pares • 45 professor e vinculadas aos objetivos da aula – e conversas colaborativas entre professores e alunos, em que o professor mantém os objetivos da aula, mas a administra de modo a ativar o conhecimento prévio dos alunos e promove o uso da língua usando questões para ajudar os alunos a expandir, elaborar ou reafirmar o que foi discutido. Donato (2000) conclui que, no segundo tipo, os alunos têm oportunidade de regular a conversação de maneira que não seria possível quando há apenas conversas puramente instrucionais. Para o autor, “a aprendizagem se tornou visível através da crescente participação e comunicação dos aprendizes com seus professores e uns com os outros” (Donato, 2000, p. 41). O estudo sobre scaffolding analisou videoteipes feitos em uma aula de japonês elementar. Observou-se que os estudantes respondiam ao professor com apenas uma palavra, ao passo que usavam estruturas mais complexas quando conversavam entre si, o que lhes permitiu ter um maior desenvolvimento linguístico. O estudo final examinado por Donato (2000) envolve uma aplicação da teoria da atividade na aprendizagem de línguas em sala de aula. O foco é em um trabalho de pequenos grupos realizado em um ambiente de L2 no qual o pesquisador mostra como a mesma tarefa é interpretada diferentemente por diferentes grupos e, portanto, torna-se, em cada caso, uma atividade singular, com diferentes objetivos e estratégias mediadoras. Donato (2000) argumenta que é importante para os professores preocuparem-se mais com a orientação aos alunos para as tarefas do que com os resultados e que, consequentemente, as tarefas precisam ser vistas como “interações emergentes” ao invés de receitas para garantir tipos específicos de performance linguística. Vollmer (2002) relaciona a teoria sociocultural com a questão cultural, ou seja, a identidade que o escritor-aprendiz traz consigo quando escreve. Segundo a autora (2002, p. 3), “a identidade do aprendiz dentro de uma cultura não é estática ou fixa. Um aprendiz pode ser, entre outras coisas, um estudante, uma mãe, um advogado, uma mulher, um latino, um professor, um ativista 46 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa social preocupado”. Ela sugere que a aula de escrita se torne um meio para explorar a identidade social e que os “aprendizes podem usar a escrita para questionar as representações da cultura ou para questionar seu papel como narrador/autor em um novo contexto cultural” (p. 2). Kramsch (2000) discute a maneira como aprendizes de L2 exploram novas identidades através da mediação de uma nova língua. Situada num contexto ocidental, a pesquisa teve como objetivo trazer à tona o modo como os aprendizes, até certo ponto, experimentam novas identidades como autores, narradores, intérpretes, e críticos através de sua L2. Kramsh (2000) propõe que “aprender uma segunda língua não é simplesmente aprender novas formas linguísticas, mas é aprender sobre como construir, trocar, e interpretar signos que foram criados por outra pessoa” (p. 22). Ohta (2000) apresenta uma análise detalhada de dois estudantes de japonês de nível universitário que co-constroem uma zona de desenvolvimento proximal que lhes permite se ajudarem mutuamente enquanto realizam uma tarefa de tradução. Ao analisar a interação, Ohta (2000) mostra como cada estudante pede ou oferece assistência. Os pedidos podem ser manifestos por pedidos de ajuda explícitos ou sutilmente através da entonação de voz. Ela também documenta a aprendizagem gramatical que os alunos alcançam como consequência de suas interações, o que é evidenciado, entre outras coisas, pelas mudanças de correção de erro através da regulação pelo outro para a auto-regulação. Os alunos desenvolvem independência no uso de estruturas de sentença por meio de atividades que vão do foco na forma para o foco no sentido. Como veremos nos parágrafos seguintes, a correção com os pares também já foi investigada sob a ótica da teoria vygotskiana. McLane (1990) analisa a aplicação das ideias de Vygotsky em um curso de escrita para crianças, onde elas A aprendizagem colaborativa e a revisão em pares • 47 conversavam umas com as outras, com os trabalhadores (do curso) e os pesquisadores sobre o que elas estavam escrevendo; elas pediam ajuda aos adultos e colegas para soletrar, ofereciam ajuda umas as outras sobre soletração e correção, e pediam resposta ao que elas tinham escrito. Às vezes, os escritores mais competentes agiam como escribas para os menos competentes. (...) Elas reagiam aos textos com interesse, entusiasmo, divertimento e, às vezes, ultraje (p. 314-5). A autora (1990) conclui que as atividades de escrita indicam que a criança utilizará a escrita como um meio de explorar e conduzir relações sociais. A concepção da escrita como um processo social, baseada na teoria de Vygotsky, também é relatada por Bodrova e Leong (1998). Elas comentam os resultados do programa Scaffold Writing, cujo objetivo é aplicar a teoria de aprendizagem e desenvolvimento de Vygotsky ao processo da escrita de alunos iniciantes. O programa atende a crianças no jardim de infância, que passam por dois estágios: a escrita assistida pela professora (scaffolded writing) e a escrita independente. De acordo com as autoras, houve sensíveis melhorias na escrita das crianças, pois, no segundo estágio, elas estavam escrevendo sentenças longas e suas histórias consistiam em várias sentenças. As mesmas autoras (1998, p. 2-3) relacionam a zona de desenvolvimento proximal com a escrita: O que uma criança pode fazer um dia apenas com assistência, logo torna-se seu nível de atuação independente, Por exemplo, se hoje a criança pode escrever seu nome apenas quando um professor mostra a ela como formar cada letra, amanhã a mesma criança pode precisar de apenas um empurrão inicial para terminar o resto da escrita por si mesma. Ao analisar, na interação, o feedback corretivo baseado na premissa da regulação, Aljaafreh e Lantolf (1994) concluíram 48 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa que a efetiva correção de erro e aprendizagem de língua depende essencialmente da mediação propiciada pelos outros indivíduos. Os autores afirmam que na co-construção da zona de desenvolvimento proximal, o feedback se torna relevante e o aprendiz pode se apropriar dele e modificar sua interlíngua. Porém, os autores advertem que muita assistência por parte do outro pode inibir o aprendiz que recebe essa assistência, por isso, ela tem que ser contingente, isto é, oferecida quando for necessário ou quando for solicitada pelo aprendiz. Figueredo (2002, p. 115), em sua pesquisa sobre estratégias de comunicação durante a interação de aprendizes da língua inglesa, conclui que as estratégias de comunicação contribuem para a construção do processo interacional de duas maneiras: atuando como instrumentos mediadores na formação do discurso em L2 dos aprendizes e estimulando entre eles atitudes de cooperação frente às barreiras linguísticas ocorridas na produção dessa L2. Especificamente com relação à correção com os pares numa perspectiva vygotskiana, Guerrero e Villamil (2000) observaram dois falantes nativos de espanhol, aprendizes de inglês como L2, com nível intermediário, durante uma atividade de correção do texto de um deles. O propósito era verificar o uso de scaffolding por esses aprendizes. As autoras observaram que o scaffolding foi utilizado para: manter a atenção na tarefa; observar aspectos críticos ou discrepantes no texto do escritor; explicar tópicos gramaticais; e fornecer prováveis soluções para as dúvidas. Esses falantes nativos de espanhol realizaram a atividade de correção em sua L1, o que segundo Guerrero e Villamil (2000, p. 64) foi “considerado valioso na medida em que não inibiu, mas promoveu a realização do objetivo e estimulou reflexão, reconsideração e reestruturação da L2.” A conclusão a que as autoras chegaram é a de que a dinâmica de scaffolding ocorre na correção com os pares em L2, e que a A aprendizagem colaborativa e a revisão em pares • 49 interação pode facilitar ou inibir o crescimento dentro da zona de desenvolvimento proximal, dependendo da aplicação dos princípios básicos da instrução do scaffolding. Swain (2000) comenta a mediação, analisando textos recentes que versam sobre o diálogo colaborativo. Ela argumenta que o diálogo colaborativo é uma forma chave de uma aprendizagem mediada. O estudo realizado em um curso de imersão de francês demonstra como jovens aprendizes, através do diálogo, são capazes de organizar e mediar sua própria aprendizagem sem a intervenção do professor. Portanto, ela diz que através da interação dialógica, os alunos não negociam apenas significado, eles negociam, também, aprendizagem. A aprendizagem colaborativa é o foco da próxima seção. 2.3 Aprendizagem colaborativa Sem dúvida, a teoria vygotskiana exerce uma forte influência na aprendizagem colaborativa,4 que passou a ser objeto de pesquisas a partir dos anos 80, quando aumentou o interesse na relação alunoaluno e no conhecimento desenvolvido através da participação dos alunos (Crandall, 1999). Olsen e Kagan (1992) definem a aprendizagem colaborativa como uma atividade em grupo organizada para que a aprendizagem dependa da troca de informações entre os aprendizes, sendo que cada indivíduo é responsável pelo próprio aprendizado e também pelo dos outros. Segundo Johnson e Johnson (2002), há cinco elementos que compõem a aprendizagem colaborativa: a) interdependência positiva – condição em que o indivíduo percebe que está ligado ao grupo de tal modo que ele não pode ser bem-sucedido na tarefa a ser realizada, a não ser que os outros membros do grupo também o sejam; 4 Na literatura, é possível encontrar ainda outro termo: aprendizagem cooperativa. Utilizaremos os dois termos intercambiavelmente. 50 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa b) interação face a face – é caracterizada pela ajuda e pelo encorajamento que os membros do grupo fornecem uns aos outros; c) responsabilidade – cada membro do grupo é responsável pelo trabalho do grupo. Assim, os resultados de seu trabalho são revertidos para o indivíduo e para todo o grupo; d) habilidades sociais – o quarto elemento da aprendizagem colaborativa consiste no uso apropriado das habilidades interpessoais e de grupo, ou seja, a fim de coordenar os esforços para alcançar os objetivos mútuos, os alunos devem: conhecer e confiar uns nos outros; comunicar-se claramente uns com os outros; aceitar e apoiar uns aos outros; e resolver conflitos conjuntamente; e) processo de grupo – consiste numa reflexão que o grupo faz sobre a eficácia das ações desempenhadas, no intuito de continuar com elas ou encontrar formas alternativas. Os benefícios da aprendizagem colaborativa são apresentados por Crandall (1999). Ele afirma que o principal mérito da aprendizagem colaborativa é a criação de um ambiente positivo para a aprendizagem. De acordo com o autor (1999), alguns de seus benefícios são: redução da ansiedade; interação; input e output5 compreensíveis; aumento da autoconfiança e da auto-estima; e aumento de motivação. Vejamos cada um desses benefícios: a) redução da ansiedade – o medo dos alunos de falhar ou parecer tolos pode ser reduzido no ambiente da aprendizagem colaborativa, pois eles têm a oportunidade de testar suas contribuições uns com os outros antes de apresentá-las à sala toda; 5 De acordo com Richards et al. (1992), input é a linguagem que o aprendiz ouve ou a qual é exposto e através da qual ele aprende. A linguagem que o aprendiz produz é, por analogia, chamada de output. A aprendizagem colaborativa e a revisão em pares • 51 b) interação – parte essencial da aprendizagem colaborativa. Como vimos anteriormente, a interação propicia aos alunos a oportunidade de confiar uns nos outros e de superar frustrações causadas por possíveis desconhecimentos do assunto abordado; c) input e output compreensíveis – na aprendizagem colaborativa, os alunos participam de atividades que os leva a produzir output tangível: relatórios orais e resumos escritos, por exemplo. Por outro lado eles são compelidos a modificar o input mutuamente para serem compreendidos, por exemplo, quando há pedidos de esclarecimento, explicação de palavras-chaves etc.; d) aumento da autoconfiança e da auto-estima – ao criar um ambiente positivo, a aprendizagem colaborativa encoraja os alunos a assumir riscos e a esclarecer seus pontos de vista, o que aumentará seu nível de autoconfiança e de auto-estima; e) aumento da motivação – o apoio dos colegas na interação durante a aprendizagem colaborativa pode ser motivador para alunos tímidos, inseguros ou desinteressados, pois os indivíduos sabem que podem receber feedback e assistência para tornar suas contribuições claras, relevantes e apropriadas. Lago (2000) afirma que a atenção aos fatores emocionais dos alunos não é a resposta para todos os problemas, mas a atenção a eles pode ser benéfica para o ensino de uma L2. A autora (2000) afirma que as pessoas recebem mais observações críticas que encorajadoras, o que diminui a autoconfiança delas e faz com que se sintam inseguras para tentar novas aventuras na aprendizagem. Mastrella (2000) acrescenta que o objetivo do aluno, ao estudar uma L2, é aprender a dominá-la de forma efetiva. Em virtude disse, ele recebe correções com frequência, o que gera um ambiente de constante avaliação. O resultado é uma certa ansiedade que se traduz em um clima de apreensão, desconforto, frustração, tensão e incapacidade. 52 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa Borges (2002, p. 146) acredita que esses fatores afetivos negativos são superados pelos alunos quando “o professor estabelece um ambiente na sala de aula em que a integridade, a opinião, o sentimento e as atitudes emotivas dos alunos são respeitados”, fazendo com que os meios para a aprendizagem se tornem acessíveis para os alunos. Como pudemos perceber, o termo chave da aprendizagem colaborativa é a interação em sala de aula, tanto entre professor e alunos quanto entre os alunos. Segundo Tsui (2001), estudos recentes têm focalizado a fala dos alunos, examinando não apenas sua linguagem ao responder ao professor, mas também as suas estratégias de comunicação e a relação entre os tipos de tarefa, a interação dos alunos e as oportunidades de negociação de significado. Em uma perspectiva interacionista, Jacob et al. (1996) pesquisaram a interação entre falantes nativos e não-nativos, em ambiente de aprendizagem cooperativa. A pesquisa reportou momentos de ajuda mútua e momentos negativos, concluindo que os momentos em que há menos ajuda mútua são aqueles em que os membros do grupo consideraram a tarefa difícil de ser realizada. De acordo com Dalacorte (2000), a decisão de participar em sala de aula é dos aprendizes. A autora diz ainda que as estratégias que os aprendizes utilizam para a interação revelam sua motivação para participar das atividades desenvolvidas em sala de aula. Tal motivação está conectada a fatores internos e externos. Os fatores internos estão relacionados ao interesse pela aula, à atitude positiva com relação ao inglês e à noção de autoconceito (a imagem que têm de si mesmos). Os fatores externos relacionam-se com a interação com os outros e ao método de ensino utilizado pelo professor. O papel do professor em um ambiente de aprendizagem colaborativa é o de facilitador, monitorando a atividade e esclarecendo pontos, ao invés de ser a principal fonte de informação (Olsen e Kagan, 1992; Harel, 1992). O papel dos alunos também muda. Eles deixam de ser um mero receptáculo de informações fornecidas pelo professor para participar ativamente da construção do conhecimento (Casagrande, 2002). A aprendizagem colaborativa e a revisão em pares • 53 Nunan (1992a, p. 3) complementa dizendo que, em termos práticos, os alunos trabalham juntos para a realização dos objetivos comuns de aprendizagem. O autor acrescenta que, apesar dos problemas e dificuldades envolvendo a aprendizagem colaborativa, ela encoraja os alunos a: aprender sobre a aprendizagem; aprender melhor; ampliar a noção de língua, de si mesmo, e, portanto, de aprendizagem; v desenvolver, como resultado, metacomunicação, bem como habilidades comunicativas; v confrontar e resolver os conflitos entre as necessidades individuais e do grupo, tanto em termos sociais quanto linguísticos; e v reconhecer as tarefas de tomadas de decisão como genuínas atividades comunicativas. v v v Podemos, pois, concluir, que a aprendizagem colaborativa promove uma maior interação entre os aprendizes, possibilitandolhes oportunidades para maximizar tanto input quanto output, bem como para refletir sobre a sua própria aprendizagem. Neste capítulo, apresentamos a teoria sociocultural e a aprendizagem colaborativa. Prosseguiremos, no capítulo 3, explicitando a metodologia utilizada para esta pesquisa, bem como os resultados das revisões efetuadas pelos alunos. capítulo 3 A produção textual de alunos iniciantes O escritor é um trabalhador. (...) [faz] todo o esforço que supõe a generosidade de lidar com as palavras, de esculpir um texto, de desenhar uma história, de arquitetar palavras, de pintar uma paisagem verbal. Perissé (2003) 3.1 A escolha de um método: o estudo de caso Quando se realiza um estudo de caso, o pesquisador investiga uma única unidade, que pode ser um professor, um aluno, um grupo de alunos, uma escola, uma comunidade etc. (Johnson, 1992; Richards et al., 1992). O objeto da investigação é sempre um número reduzido porque a essência do estudo de caso é a investigação cuidadosa de casos particulares, frequentemente em um espaço de tempo reduzido (Allwright e Bailey, 1991; Johnson 1992). O estudo de caso pode ser naturalístico, se a unidade de análise for estudada em seu estado natural, ou seja, em salas de aulas que já se encontram em funcionamento (Johnson, 1992). Esta pesquisa é, portanto, naturalística, pois a sala de aula estudada já se encontrava em funcionamento e não foi formada para os propósitos deste estudo. 56 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa Esta pesquisa inclui-se no âmbito do paradigma qualitativo. É interesse da pesquisa qualitativa apresentar os dados a partir da perspectiva dos sujeitos observados (Seliger e Shohamy, 1989). Larsen-Freeman e Long (1991) apresentam um quadro comparativo dos paradigmas qualitativo e quantitativo: Quadro 1 – Quadro comparativo dos paradigmas qualitativo e quantitativo Paradigma Qualitativo Paradigma Quantitativo Advoga o uso de métodos qualitativos; Advoga o uso de métodos quantitativos; Preocupa-se em entender o comportamento humano do ponto de vista dos participantes; Procura os fatos ou causas do fenômeno social, sem atentar para os indivíduos; Observação naturalística e nãocontrolada; Medição intrusiva e controlada; Subjetivo; Objetivo; Ligado aos dados; perspectiva do insider (quem está dentro); Desligado dos dados; perspectiva do outsider (quem está fora); Orientado para a descoberta, exploratório, expansionista, descritivo e indutivo; Orientado para a verificação, confirmatório, reducionista, inferencial e hipotético-dedutivo; Orientado pelo processo; Orientado pelos resultados; Dados válidos, “reais”, “ricos” e “profundos”; Dados confiáveis, “concretos” e replicáveis; Não generalizável, estudos de casos únicos; Generalização, estudos de casos múltiplos; Presume uma realidade dinâmica. Presume uma realidade estável. Segundo Seliger e Shohamy (1989), há uma série de razões pelas quais a pesquisa qualitativa tem sido incorporada à pesquisa sobre L2 nos últimos anos: v muitas pesquisas sobre aquisição de L2 preocupam-se com a aprendizagem em sala de aula, onde o controle exercido pela pesquisa quantitativa tornar-se-ia problemático, pois poderia não retratar a realidade; A produção textual de alunos iniciantes • 57 v v apesar de a pesquisa qualitativa geralmente não controlar as variáveis, o desenvolvimento de métodos rigorosos para a coleta e a análise de dados produziu resultados que não seriam possíveis através de métodos experimentais; ambientes experimentais, sendo controlados e artificiais, podem levar a dados diferentes daqueles produzidos em ambiente naturais. A pesquisa qualitativa poderá também utilizar dados quantitativos (Johnson, 1992; Nunan, 1992b), quando uma análise numérica puder contribuir para a compreensão dos resultados. De acordo com Seliger e Shohamy (1989), a pesquisa qualitativa é de natureza geradora de hipóteses, ou seja, as hipóteses surgem após a coleta de dados. Esta pesquisa inicia-se com duas perguntas para orientar sua condução (conforme visto na introdução), mas não há hipóteses prévias (Johnson, 1992). O próximo ponto de nossa discussão metodológica versa sobre o fato de este estudo ter acontecido em uma turma para a qual ministrei aulas, o que caracteriza uma observação participativa (Seliger e Shohamy, 1989; Cavalcanti e Moita Lopes, 1991; LarsenFreeman e Long, 1991; Nunan, 1992b;). Em Richards et al. (1992, p. 265), encontramos a seguinte definição de observação participativa: Um procedimento usado em diversos tipos de pesquisa, incluindo aquelas sobre linguagem, na qual o pesquisador ou observador toma parte da interação em que ele ou ela está estudando como uma maneira de coletar dados para futuros estudos. 3.2 O contexto da pesquisa A Universidade Estadual de Goiás, Unidade Universitária de Itapuranga, foi escolhida para sediar a pesquisa por ser o local em que sou professor de língua inglesa. A unidade conta com cinco 58 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa cursos de graduação: Letras, História, Geografia, Pedagogia e Matemática. Como a pesquisa é direcionada para a aprendizagem da língua inglesa, a escolha natural recaiu sobre o curso de Letras, mais precisamente o 1o. ano, justamente porque o objetivo desta pesquisa era verificar os efeitos da revisão colaborativa realizada por alunos iniciantes. Também sou professor da turma, o que está em consonância com a figura do professor-pesquisador, citado em Zamel (1987), Raimes (1991), Nunan (1992b) e Moita Lopes (1996). O currículo e o material didático O plano de curso do 1o. ano de Letras compõe-se de uma carga horária anual de 120 horas/aulas, divididas em quatro aulas semanais de 50 minutos cada uma. No ano de 2001, as aulas foram ministradas em aulas duplas, isto é, dois encontros semanais de cem minutos. A ementa do 1o. ano prevê estruturas gramaticais básicas, fruto de períodos e professores anteriores cujo objetivo primordial era o estudo gramatical. Contudo, os demais itens do plano anual são flexíveis para permitir mudanças. Os objetivos do programa são assim expressos: 1. Prática básica das quatro habilidades: ouvir, falar, ler e escrever. 2. Prática escrita através de produção textual. 3. Noções de redação e leitura em inglês. 4. Elementos de gramática básica. Por indicação nossa, o curso adotou um livro didático, o New Headway Elementary, de Liz e John Soars, da Editora Oxford, publicado em 2000. No decorrer do ano, outros materiais foram trabalhados, tais como apostilas e vídeos. Os alunos também participaram de atividades desenvolvidas no laboratório de informática. A produção textual de alunos iniciantes • 59 Os participantes O período de coleta de dados iniciou-se, como foi dito anteriormente, com um questionário e uma conversa informal com os quinze voluntários que se apresentaram. A nossa intenção inicial era trabalhar com três duplas (seis alunos), mas temendo a possibilidade de que, no decorrer da pesquisa, alguém ficasse impedido por um motivo ou outro, optamos por trabalhar com quatro duplas (oito alunos). Decisão esta que se revelou acertada, pois, por ocasião da última entrevista, uma aluna não pôde comparecer. Porém, as demais atividades foram realizadas por ela. Logo, decidimos utilizar os dados fornecidos por ela e seu par nas atividades anteriores por considerá-los relevantes para esta pesquisa. Não podemos dizer que dos quinze voluntários a escolha dos oito participantes tenha sido aleatória. Assim, como havia apenas dois alunos do sexo masculino, estes foram escolhidos para promover um certo equilíbrio em relação ao gênero dos participantes; uma aluna foi escolhida por não acreditar em trabalho em grupo; outra foi escolhida por achar que o único feedback eficiente era o do professor (nossa intenção era verificar se a opinião das duas mudaria até o fim da pesquisa); os demais voluntários por causa da idade, pois procuramos ter uma variação maior nesse quesito. A identidade dos sujeitos foi preservada com a utilização de pseudônimos escolhidos pelos próprios alunos. Além dos pseudônimos, escolheram também os pares com quem trabalhariam até o final da pesquisa. Os pares ficaram assim definidos: Isabelly e Lana, Judy e Ketlin Stefania, Drummond e Tieta, e Letícia e Rodrigo. As atividades de escrita e revisão colaborativa A coleta de dados aconteceu de 16 de abril a 19 de setembro de 2001, compreendendo, nesse período, a aplicação de questionário inicial aos participantes, a realização de atividades de escrita e revisão dos textos produzidos, as entrevistas gravadas em fitas de áudio e o questionário final aplicado a toda a turma. É necessário enfatizar que as atividades fizeram parte do currículo, ou seja, 60 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa mesmo que não houvesse uma pesquisa em andamento, ainda assim as atividades de escrita seriam realizadas. De fevereiro a novembro de 2001, foram realizadas cinco atividades de escrita pelos alunos. Das cinco atividades, três foram recolhidas para análise. As demais atividades constituíram-se em atividades rotineiras de aula. O procedimento era simples: em um dia de aula (correspondente a duas aulas de 50 minutos), os alunos escreviam individualmente os textos sobre a temática solicitada. Como não se tratava de prova, os alunos tinham a liberdade para sair da sala, conversar com os colegas e com o professor para sanar dúvidas, consultar seu material de apoio (livros, apostilas, dicionários etc.). Na aula seguinte (correspondente a duas aulas de 50 minutos), os alunos formavam pares para proceder à correção dos textos uns dos outros. De modo geral, o procedimento utilizado por eles foi o de a dupla corrigir um texto e depois o outro. As duplas eram flexíveis, exceto as dos participantes desta pesquisa, que deveriam permanecer com as mesmas pessoas, pois receávamos que a troca dos parceiros pudesse influenciar os resultados. Solicitamos aos alunos que também entregassem a primeira versão após a revisão e consequente elaboração da segunda versão. Essa primeira versão recebeu anotações típicas de revisão – palavras riscadas, acréscimos, apagamentos, anotações nas margens etc. – e constitui-se em material interessante para analisar o processo de revisão dos alunos. Os “rascunhos” totalizam 46 textos, pois, como afirmamos anteriormente, em uma atividade, duas alunas não perceberam erros nos textos e, portanto, não os modificaram. Após as atividades de correção com os colegas, os textos dos alunos foram por nós corrigidos. As entrevistas com os alunos Após cada atividade de revisão, os alunos foram entrevistados individualmente em uma sala reservada para esse propósito, para que expusessem suas impressões sobre a atividade de revisão colaborativa. A entrevista é um procedimento de pesquisa usado com frequência, cujo propósito é obter informação por meio do diálogo A produção textual de alunos iniciantes • 61 (Seliger e Shohamy, 1989). Ela pode ser de três tipos: estruturada, semi-estruturada e não-estruturada. No primeiro caso, as perguntas são fixas e o entrevistador segue o roteiro fielmente. O segundo tipo é aquele em que o entrevistador elabora as perguntas de antemão, mas pode acrescentar outras, se for necessário. O terceiro tipo remete à entrevista em que o entrevistador é guiado mais pelas respostas do entrevistado do que por uma agenda (Nunan, 1992b; Johnson, 1992; Seliger e Shohamy, 1989). Nesta pesquisa, utilizamos a entrevista semi-estruturada. As perguntas serviram de roteiro, mas no decorrer da entrevista algumas foram modificadas e outras foram acrescentadas. As perguntas básicas foram as seguintes: 1. Você fez uma revisão do que tinha escrito antes da atividade de revisão com o colega? Caso positivo, de que forma? 2. Como foi feita a revisão com o colega? (estratégias, recursos). 3. Como você vê o fato de revisar o texto do seu colega? 4. Como você vê o fato de o seu texto ser revisado por ele? 5. Teve dificuldades em trabalhar com o colega? Caso positivo, quais? 6. Quando fizeram a revisão, vocês enfocaram mais a forma (gramática, pontuação, grafia etc.) ou o conteúdo (o que queriam dizer)? 7. Qual o caminho adotado quando vocês se deparavam com uma dúvida que nenhum dos dois conseguia solucionar? 8. Como você vê o seu texto, comparando a primeira versão com a segunda que foi revista com o auxílio do colega? 9. Os comentários do colega lhe foram úteis? Você utilizou todos os comentários? Por quê (não)? 10. O que você achou da atividade de revisão com um colega? Destaque os pontos positivos e os pontos negativos de quando você e o colega revisaram o texto um do outro. 11. Algum outro comentário? 62 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa As entrevistas foram transcritas para facilitar sua análise e a seguir encontram-se os símbolos usados na transcrição, adaptados de Allwright e Bailey (1991), Marcuschi (1991) e Castilho (2000): (?) – indica ruído/falha na gravação ou algo ininteligível. ( ) – indica comentários do entrevistador quando da transcrição. ... – indica pausa com qualquer duração. (( )) – indica dúvida com relação à fala. Pe-palavra – autocorreção de quem está falando. Pa-palavra – hesitação ou repetição da palavra falada. Palavra- – indica interrupção em que o entrevistado/r começa a dizer uma palavra e muda para outra. Itálico – indica uma palavra em inglês. Negrito – indica uma palavra enfatizada pelo entrevistado/r. [ – indica fala sobreposta, ligando uma linha a outra. “ ” – o entrevistado/r está reproduzindo fala de outra pessoa. O questionário final Concluídas a coleta dos textos e a realização das entrevistas, aplicamos um questionário final a todos os alunos da sala para captar suas impressões sobre escrita, erro, revisão e trabalho com os pares. Utilizamos questionários abertos (Nunan, 1992b), que permitiram respostas pessoais dos alunos. Também preservamos suas identidades, informando-os que não era necessário assinar o nome. Apenas os sujeitos da pesquisa foram identificados com seus pseudônimos. Os questionários respondidos foram nomeados e numerados de NP-1 a NP-30 sendo que NP = não participante (da pesquisa). Quando da aplicação do questionário, apenas quatro alunos estavam ausentes da aula. As perguntas do questionário encontram-se a seguir: 1. Como você vê o erro hoje? Houve alguma mudança em relação à visão que você tinha no início do ano? A produção textual de alunos iniciantes • 63 2. Como é seu processo de escrita em língua inglesa? 3. Você faz algum tipo de revisão quando escreve o texto? Comente. 4. Quando você e seu/sua colega revisavam os textos, quais eram os procedimentos? E quando havia dúvida em um determinado ponto, o que faziam? 5. O que vocês analisavam mais: a forma ou o conteúdo? 6. Nas três atividades de revisão com os pares, você revisou o texto escrito antes da revisão com o colega? 7. Como foi o relacionamento durante os trabalhos de revisão? Positivo ou negativo? Comente. 8. Revisar os textos escritos é importante? Houve alguma mudança em relação à opinião que você tinha sobre revisão no início do ano? 9. Em termos gerais, como você avalia as atividades de revisão das quais participou com o/a colega? 10. As atividades de revisão com os pares lhe proporcionaram uma atitude mais positiva ou negativa em relação à escrita em língua inglesa? Comente. 11. Como a atividade de revisão com os pares afetou seu processo de aprendizagem de língua inglesa? Positivamente, negativamente, não afetou? Comente sua resposta. 12. Algum outro comentário? Johnson (1992) sugere que o rigor no estudo de caso pode ser conseguido se forem utilizados pelos menos três fontes de dados, o que ela chama de triangulação. De acordo com Goetz e LeCompte (1984), citados por Johnson (1992), a triangulação favorece a validação dos resultados. Estas são razões mais do que suficientes para que tenhamos adotado os procedimentos de coleta de dados explicitados anteriormente – questionários, textos escritos pelos alunos e entrevistas. 64 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa Procedimentos para a análise dos dados Um dos objetivos deste estudo era verificar o que os alunos modificavam em seus textos, sob três aspectos: correção ou não de erros, modificações efetuadas, e estratégias de revisão dos textos escritos. O segundo objetivo era coletar as percepções dos alunos sobre a revisão colaborativa. Para a verificação dos erros, coletei a primeira e a segunda versão dos textos escritos pelos alunos. Seguindo a sugestão de Figueiredo (2001), as duas versões dos textos foram digitadas. Em seguida, marcamos os erros, por meio de negrito, nas duas versões. Posteriormente, as comparamos no intuito de saber quais erros foram ou não corrigidos e se erros foram criados na segunda versão. A categorização dos erros baseou-se na taxonomia sugerida por Dellagnelo (2000b). Contudo, foram feitas algumas adaptações para as necessidades desta pesquisa, pois alguns tipos de erros que se encontravam presentes em sua categorização não foram encontrados nos textos dos alunos pesquisados, o que levou à supressão de algumas categorias. Além disso, alguns tipos de erros dos textos dos alunos pesquisados não se encontravam na categorização de Dellagnelo (2000b), o que levou ao seu acréscimo na categorização utilizada na análise dos textos. Para a verificação das modificações nos textos, negritamos as partes que sofreram alterações e as categorizamos de acordo com a taxonomia de Faigley e Witte (1981), que envolvem adições, apagamentos, substituições, reestruturação de palavras ou ideias, distribuições e consolidações. Com base na categorização de Figueiredo (2001), as modificações foram categorizadas como totalmente bem-sucedidas (aquelas que corrigiram totalmente o erro), parcialmente bem-sucedidas (não corrigiram totalmente o erro, mas apresentaram alguma tentativa em direção à forma correta), malsucedidas (não corrigiram o erro ou criaram outros erros) e desnecessárias (aquelas que não afetaram o texto nem positiva nem negativamente). Apesar de esta pesquisa situar-se no âmbito da pesquisa qualitativa, consideramos que a contagem dos erros e modificações A produção textual de alunos iniciantes • 65 poderia contribuir para uma melhor compreensão dos dados por nós analisados, pois poderíamos verificar, por exemplo, quais tipos de erros foram mais ou menos facilmente corrigidos pelos alunos, bem como quais tipos de modificações prevaleceram nas revisões dos textos. Para verificar quais tipos de erros foram mais e menos facilmente corrigidos, usamos como parâmetro o percentual de 20%, ou seja, se 20% ou mais de um tipo de erro foi corrigido, ele foi considerado como mais facilmente corrigido. Caso contrário, foi considerado como menos facilmente corrigido. Para verificar quais estratégias os alunos utilizavam no processo de revisão, devolvemos a primeira versão dos textos (depois de fotocopiá-la) para os alunos, dizendo-lhes que poderiam fazer anotações neles à vontade. Ao término da atividade, a recolhemos para categorizar essas anotações e classificá-las como estratégias de revisão. A taxonomia para essa classificação baseou-se principalmente em Sinderman e Horsella (1989). Todavia, uma adaptação tornouse necessária, visto que algumas categorias presentes nesta pesquisa não se encontravam presentes em Sinderman e Horsella (1989). Como dissemos anteriormente, para verificar as percepções dos participantes da pesquisa, os entrevistamos com o apoio de um gravador, e suas respostas, posteriormente, foram transcritas verbatim. As respostas foram resumidas em palavras-chaves e distribuídas nas seguintes categorias: aspectos positivos, aspectos negativos, sentimentos sobre a atividade, sobre os colegas, sobre corrigir os textos dos colegas e ter o seu texto corrigido. Para que os temas se configurassem numa categorização, utilizamos o critério de que eles deveriam ocorrer pelo menos duas vezes nos dados. Como as atividades de revisão colaborativa foram realizadas por todos os alunos da sala, decidimos aplicar, ao final do período de coleta de dados, um questionário, que teve por objetivo ratificar as respostas dadas pelos participantes durante as entrevistas, bem como obter também as percepções dos alunos não-participantes, visto que não foram entrevistados. 66 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa 3.3 Análise dos dados: erros1 encontrados nos textos Nesta seção apresentaremos os resultados da análise dos dados obtidos na pesquisa realizada concernentes aos erros encontrados na primeira versão, bem como aqueles corrigidos, não-corrigidos e os erros criados na segunda versão. Além disso, comentaremos sobre os erros mais e menos corrigidos. Algumas vezes, alguns trechos das entrevistas e dos questionários serão apresentados nas análises dos textos, quando puderem contribuir para uma melhor compreensão, ou validação, das análises feitas. Como foi explicado no capítulo referente à metodologia, coletamos a primeira e a segunda versão de todos os textos dos participantes para posterior comparação. A primeira análise consistia em detectar quais erros havia na primeira versão dos textos e, por meio da comparação com a segunda versão, verificar quais erros foram corrigidos, não-corrigidos e quais erros foram criados. A taxonomia para tais categorizações foi baseada em Dellagnelo (2000b), como informado anteriormente. A seguir, apresentaremos uma descrição dos diversos tipos de erros encontrados nos textos dos alunos, no que concerne a conteúdo e ideias, organização e forma, e convenções de escrita. Em alguns exemplos, aparecem mais do que um tipo de erro. Por razões didáticas, os erros serão focalizados por categorias e, para melhor visualização, estarão em itálico. Quando tratarmos dos erros de omissão, usaremos o símbolo Ø. 1 Apesar de estarmos cientes de outras variedades linguísticas que não somente a padrão, utilizaremos como parâmetro, a variedade padrão do inglês, por ser aquela a que os alunos estão mais expostos em sala de aula e por ser a que geralmente encontramos nos livros didáticos (Figueiredo, 1995). A produção textual de alunos iniciantes • 67 Conteúdo e ideias Neste segmento, classificam-se os tópicos referentes ao título do texto, às ideias apresentadas pelo escritor e como ele as apresenta (coerência, relevância, clareza etc.) a) Problemas com o título – O aluno introduzia um título inadequado ao texto ou o omitia. Podemos observar essa situação na 1a. versão do texto de Letícia, 3a. atividade (anexo C), onde ela escreve o título “Eraser Foot” (ao invés de “Rubber Foot”), referindo-se ao acidente de Castro Alves que o obrigara a usar um pé de borracha. b) Ideia não desenvolvida – uma ideia é introduzida e não mais comentada. No exemplo 1, podemos perceber que a aluna faz menção a um sonho, porém não desenvolve a sua ideia, ou seja, não diz qual sonho deseja realizar: [1] I have dream to fulfill, and I wait to get. (Judy - 1a. e 2a. versões – 1a. atividade) c) Informação irrelevante – o autor introduz uma informação que nada acrescenta ao texto ou foge de seu teor. No exemplo 2, a aluna informa que há um bar em frente à sua casa, quando a está descrevendo, mudando o teor da descrição da casa para sua localização. E no exemplo 3, a informação de que os amigos trabalham na cidade não é relevante ao texto, que trata da descrição de uma casa: [2] I live in a house near the sea. It’s a new house and it’s very small. There are ten rooms. There is a bar in front of the house. There is not a garden. (Ketlin 1a. e 2a. versões – 2a. atividade) 68 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa [3] I live with my mother, Helena, but we have a lot of visitors, my friends work in the city. (Letícia 1a. versão – 2a. atividade) d) Informação incorreta – o autor informa algo que não corresponde à verdade dos fatos. No exemplo a seguir, pode-se deduzir que a informação está incorreta porque o Estado de Goiás não é banhado pelo mar e, consequentemente, a cidade em que a aluna vive – Itapuranga – está longe do mar: [4] I live in a house near the sea. (Ketlin 1a. e 2a. versões – 2a. atividade) e) Sentença incompleta – o aluno deixa a sentença sem elementos que conduzam a seu entendimento, como pode ser visto no exemplo a seguir, em que a aluna, provavelmente, tinha em mente completar a sentença com friends who visit me: [5] I live with my mother, Helena, but we have lot of friends who Ø me. (Letícia 2a. versão – 2a. atividade) f) Sentença com significado confuso – quando a informação pode ser entendida gramaticalmente, mas não a intenção do autor. No exemplo 6, não sabemos se o aluno está feliz porque está perto de se separar da esposa, ou se está feliz apesar disso: [6] I am nearly me separating, but I’m happy. (Drummond - 1a. versão – 2a. atividade) g) Repetição de ideias ou redundância – o autor escreve a mesma informação mais de uma vez, como no exemplo 7, em que o autor repete por duas vezes que é um universitário: A produção textual de alunos iniciantes • 69 [7] I am academic at a Universidade Estadual de Goiás in Itapuranga and I’m twenty-six, my birthday is today. I’m academic of “Letras”. (Drummond - 1a. versão – 1a. atividade) Organização e forma Neste segmento, encontram-se os tópicos referentes à estrutura do texto: introdução, desenvolvimento, conclusão, coesão e distribuição entre os parágrafos. a) Conectivo inadequado ou ausente entre as sentenças – a junção de duas sentenças é feita com um conectivo inadequado ou este se encontra ausente. No exemplo 8, entre where to live e the peoples, ao invés de vírgula poderia se usar because: [8] I like the neighborhood where to live, the peoples are friends, funny and supportive. (Tieta – 1a. versão – 2a. atividade) b) Problemas com o parágrafo conclusivo – o aluno redige a conclusão de forma inadequada, incompleta ou simplesmente deixa de redigi-la. Podemos observar, no exemplo 9, que Letícia termina o texto citando a principal obra de Castro Alves, mas não completa a ideia. Ela poderia, por exemplo, explicar por que a obra é considerada a mais importante: [9] He wasn’t attending the “Academia Brasileira de Letras”. His main work was “Os escravos” (1883). (Letícia – 2a. versão – 3a. atividade) c) Falta de parágrafo introdutório – em um texto, o autor eliminou o parágrafo introdutório quando escreveu a sua segunda versão, possivelmente no intuito de reduzi-lo, mas acabou prejudicando a organização. Tal fato pode ser 70 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa observado no texto de Rodrigo, 2a. versão, 3a. atividade (exemplo 10), em que ele omite as razões pelas quais se tornou fã de Sandy e Júnior – tópico de seu texto: [10] I began to interest by then when my friend Luzeni Santos studied with me. She collected everything about the pair. I started too with this hobby and I never stoped. Sandy Leah Lima, Ø name extracted of the film Grease, she was born in Campinas SP. in January 28, 1983. She started to sing at 6 years old. (Rodrigo – 1a. versão – 3a. atividade) Ø Sandy Leah Lima, her name extracted of film Grease, she was born in “Campinas SP”. in January 28, 1983. She began to sing at 6 years old. (Rodrigo – 2a. versão – 3a. atividade) d) Ideias diferentes em um único parágrafo – a junção de muitas ideias em um mesmo parágrafo torna-o confuso. No exemplo 11, o início da carreira literária de Machado de Assis, seu casamento, o período em que passou em Friburgo e sua eleição para a Academia Brasileira de Letras acabaram por sobrecarregar o parágrafo com muitas informações. [11] In 1864 Machado de Assis published his first book “Crisálidas [poesias]”. After in 1869 married with Carolina Augusta xavier de novais, that the stipulate in the route. He passed in the period on Friburgo, by motive of disease. He was elect the first president of Academia Brasileira de Letras. (Isabelly – 1a. versão – 3a. atividade) e) Ideias iguais em parágrafos diferentes – quando ideias referentes ao mesmo tópico são dispersas em mais de um parágrafo. No exemplo seguinte, as informações sobre a carreira musical de Sandy e Júnior poderiam ser agrupadas em apenas um parágrafo: A produção textual de alunos iniciantes • 71 [12] Recentment, they were in Los Angeles recording the last cd in portuguese and first in English, completing your 14 cd in wonderfull career. Remembering when the cd “As quarto Estações” ao vivo, it selled nearly 7.000.000 of copies. Last year, they were awarded as: “the best pair teen of the world”. They wined prize as the best clip, the best music. Currentment, they do the more success with program at Sunday. (Rodrigo – 1a. versão – 3a. atividade) Convenções de escrita Neste segmento, encontramos as questões referentes à gramática (tempos verbais, pronomes, advérbios, concordância etc.), vocabulário e mecânica (ortografia e pontuação). a) Acréscimo de palavras – o autor adiciona à sentença palavras (artigos, preposições, numeral etc.) desnecessárias a uma sentença bem estruturada. No exemplo 13, podemos perceber a adição da partícula to entre o sujeito e o verbo. Já no exemplo 14, a preposição of não foi retirada, quando foi feita a revisão, possivelmente pelo fato de ela ser indispensável numa sentença em português, influenciando, dessa forma, a escrita em inglês: [13] Some to say that is love test. (Tieta – 1a. e 2a. versões – 1ª. atividade) [14] Near of my house there is a vegtable garden. (Isabelly – 1a. e 2a. versões – 2a. atividade) b) Adjetivo – o adjetivo em inglês é pluralizado ou um substantivo é usado com função de adjetivo, como podemos ver nos exemplos a seguir. No exemplo 15, o erro possivelmente decorreu do fato de, em português, os adjetivos poderem ser pluralizados. Já no exemplo 16, o substantivo friends (amigos/as) foi usado como um adjetivo. A forma esperada seria friendly: 72 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa [15] After wrote several importants arts. (Lana – 1a. versão – 3a. atividade) [16] …The people are friends, funny and supportive. (Tieta – 1a. e 2a. versões – 2ª. atividade) c) Artigo – o artigo definido é usado em lugar do indefinido e vice-versa. No exemplo 17, como Lana está se referindo ao que costuma geralmente fazer, a forma esperada seria o artigo definido the e não o indefinido a: [17] We go to a church and sometimes we go to fish. (Lana – 1a. versão – 1a. atividade) d) Concordância verbal – quando a flexão do verbo não concorda com o sujeito. No exemplo 18, observa-se a não concordância entre o sujeito his books e a forma verbal was. Como o sujeito é plural, o esperado seria a forma were. Já no exemplo 19, podemos observar a omissão do –s de 3a. pessoa do singular: [18] His books was sold in Brazil… (Lana – 1a. e 2a. versões – 3a. atividade) [19] He live in Itapuranga. (Tieta – 2a. versão – 3ª. atividade) e) Estrutura inadequada – algumas sentenças nos textos dos alunos apresentam estruturas que, apesar de inteligíveis, não existem na língua inglesa, e outras de difícil compreensão quanto ao que o aluno queria dizer. A produção textual de alunos iniciantes • 73 No exemplo 20, supõe-se que a aluna quis dizer “não quer dizer que não gosto de meu curso” - This does not mean that I don’t like my course: [20] That not want espeak what I not like of my course... (Ketlin – 1a. versão – 1a. atividade) f) Expressões quantitativas – em vez de usar palavras quantitativas como a lot of, many, much etc., que significam “muito”, o aluno usou “very”, que também significa “muito”. [21] I don’t have very friends. (Letícia – 1a. e 2a. versões – 1a. atividade) g) Forma verbal – o aluno utiliza o infinitivo quando deveria utilizar gerúndio e vice-versa, ou o verbo no passado quando deveria utilizar o gerúndio. No exemplo seguinte, o aluno escreve o particípio passado do verbo make, made, ao invés do particípio presente, making, utilizado após preposições: [22] He was the responsible in made the first goal…. (Drummond – 1a. versão – 3a. atividade) h) Inglesamento de palavras –uma palavra que apesar de parecer pertencer à língua inglesa, não consta de seu vocabulário. No exemplo 23, o aluno provavelmente procurava a palavra score (partituras), como não a encontrou, inglesou a palavra “partituras”, resultando na palavra *partitures: 74 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa [23] I playing piano and I collecting cards and music partitures. (Rodrigo – 2a. versão – 1a. atividade) i) Omissão de palavras – uma ou mais palavras (artigo, preposição, sujeito etc.) ou alguma pontuação necessárias a uma sentença bem formada ou inteligível são omitidas. No exemplo 24, a aluna omite o sujeito da oração, it, que é exigindo na língua inglesa: [24] My favourite course not is letters but, Ø is the best what my town offer. (Ketlin – 1a. versão – 1a. atividade) j) Ordem das palavras – a ordem das palavras não corresponde à ordem preconizada pela gramática inglesa. No primeiro exemplo a seguir, a aluna coloca o adjetivo após o substantivo ao invés de antecedê-lo, possivelmente por influência da estrutura da língua portuguesa, enquanto no segundo exemplo, não se justifica a inversão do verbo be e o sujeito da sentença, pois não se trata de uma frase interrogativa: [25] He began his work artistic with sculpture… (Tieta – 1a.. e 2a. versões – 3a. atividade) [26] I love my house, is it my refuge and is home sweet home. (Judy – 1a. e 2a. versões – 2a. atividade) k) Ortografia – uma palavra é grafada de forma errônea, como podemos perceber nas sentenças seguintes, em que as alunas escreveram wisches e vegtable ao invés de wishes e vegetable, ou o aluno utiliza letra minúscula quando a língua inglesa exige letra maiúscula (como no caso dos adjetivos pátrios), ou vice-versa: A produção textual de alunos iniciantes • 75 [27] Best wisches, (Judy – 1a. e 2a. versões – 1a. atividade) [28] Near of my house there is a vegtable garden. (Isabelly – 1a. versão – 2a. atividade) [29] I speak portuguese. (Tieta – 1a. e 2a. versões – 1a. atividade) [30] What I like more in my house; is the my bed room because It has computer, tv set… (Rodrigo – 1a. e 2a. versões – 2a. atividade) l) Pontuação – os sinais de pontuação são empregados de forma inadequada. No exemplo 31, a vírgula deveria anteceder a conjunção but: [31] My favourite course not is letters but, is the best what my town offer. (Ketlin – 1a. versão – 1a. atividade) m) Preposição – quando a preposição escolhida pelo aluno é inadequada ao contexto. No exemplo 32, o aluno opta por in, quando deveria ter escolhido on: [32] In holidays I like to stay in my house because It has a variety of options who I can do. (Rodrigo – 1a. versão – 2a. atividade) n) Pronome – o pronome encontra-se em uma forma inadequada. No exemplo 33, o pronome pessoal do caso reto (he) é usado no lugar do pronome pessoal do caso oblíquo (him). Já no exemplo 34, o pronome interrogativo what é usado em lugar do pronome relativo that. Esses exemplos demonstram mais uma vez a influência da língua portuguesa na produção escrita desses alunos, visto que, nesses contextos, os pronomes he e him seriam traduzidos por “ele”, e what e that por “que”. Trata-se, pois, de erros interlinguais: 76 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa [33] With he, the Brazil won three world cup, in 1958, 1962 and 1970. (Drummond – 1a. e 2a. versões – 3a. atividade) [34] I live with my mother, my dog, and all nature what there is near. (Isabelly – 1a. versão – 2a. atividade) o) Referencial – a referência [he, she, it, they] não concorda com o que se encontra na oração anterior à qual está conectada, ou o adjetivo possessivo é usado de forma discordante do possuidor. No exemplo 35, o aluno está discorrendo sobre sua casa. Portanto, o referencial adequado seria it. Já no exemplo 36, o pronome possessivo correto seria their, por se referir ao pronome they: [35] I live in a house small in Itapuranga in Kênia Park. It is new and he unfinish. (Drummond – 1a. e 2a. versões – 2a. atividade) [36] Sons of stars (Xororó), they conquested your space in TV and Radio… (Rodrigo – 1a. versão – 3a. atividade) p) Singular x plural – o aluno utiliza uma palavra no singular quando deveria estar no plural, ou vice-versa. Nos exemplos 37 e 38, podemos observar a omissão do morfema –s, formador de plural, nas palavras room e weekend: [37] There are two room, one living room… (Drummond – 1a. versão – 2a. atividade) [38] I like to go in the club only on weekend. (Judy – 1a. versão – 1a. atividade) q) Tempo verbal – o tempo verbal escolhido pelo aluno não corresponde ao teor do texto, como nos exemplos seguintes, em que os verbos são usados no presente, quando, pelo contexto, percebe-se que deveriam ser usados no passado: A produção textual de alunos iniciantes • 77 [39] …And in 1995 begin the to paint… (Tieta – 1a. versão – 3a. atividade) [40] Dumont won the premium Archideacon and become the pioneer the aviation (Judy – 2a. versão – 3a. atividade) r) Uso de palavras em português – o aluno utiliza uma palavra em português dentro do texto em inglês, mesmo quando esta palavra tem corresponde na língua inglesa. No exemplo 41, o uso da palavra “na” pode ter ocorrido devido ao fato de, em inglês, várias preposições significarem “em” em português, como, por exemplo, into, at, on, o que, de certa forma, pode causar confusão aos alunos. No exemplo 42, a aluna usa a palavra “possível”, em vez de possible, talvez por não saber a palavra correspondente em inglês. Dessa forma, no intuito de expressar a sua ideia, ela faz uso da mudança de código (code-switching):2 [41] My house stay na street twenty four, number seven hundred twenty nine Redenção. (Isabelly – 1a. versão – 2a. atividade) [42] I love my Letras course, and I go to use the maximum possível. (Isabelly – 1a. versão – 1a. atividade) s) Vocabulário – a escolha de palavras do aluno é inadequada ao sentido do texto. No exemplo 43, a palavra que melhor cabe na situação seria became, enquanto que, no exemplo 44, no lugar de last, a palavra mais apropriada seria later. 2 A mudança de código é definida como a alternância de línguas em uma mesma enunciação ou conversação (Grosjean, 1982). Para uma visão detalhada desse assunto, ver Mello (1999). 78 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa [43] Dumont won the premium Archideacon and returned on pioneer of aviation. (Judy – 1a. versão – 3a. atividade) [44] Four years last Machado de Assis died in Rio de Janeiro. (Isabelly – 1a. versão – 3a. atividade) 3.4 Comentários sobre os erros Do total de erros presentes na primeira versão, 26% deles foram detectados e corrigidos pelos próprios alunos em sessões de trabalhos de revisão colaborativa. Tendo em vista que o surgimento de novos erros atinge um patamar pequeno, 31 erros, conclui-se que os alunos corrigiram mais do que produziram novos erros. Se o interesse do professor recair única e exclusivamente sobre o produto, isto é, o texto final escrito, com certeza o resultado apresentado em relação à correção dos erros não é significativo. Entretanto, se o objetivo do professor for o processo, a aprendizagem em si, a atividade de revisão colaborativa mostrase, então, extremamente eficaz porque propicia um ambiente gerador de diálogo e, consequentemente, de input e output às atividades de escrita. A discussão durante as atividades cria um ambiente confortável para que os alunos desenvolvam suas habilidades e sua aprendizagem, como eles próprios afirmam nas entrevistas e no questionário final, a serem comentados nas seções subsequentes. Em termos de erros mais corrigidos, constatamos que aqueles que tiveram uma porcentagem de correção igual ou superior a 20% são: acréscimo de palavras, omissão de palavras, ortografia, uso de palavras em português, vocabulário, problemas com o título, ordem das palavras e forma verbal. A análise dos textos, do questionário final e das entrevistas permite-nos concluir que os erros aqui apresentados têm uma frequência maior de correção devido a uma conjunção de fatores. Erros como omissão de palavras, acréscimo de palavras A produção textual de alunos iniciantes • 79 e problemas com o título afetam o entendimento do texto, tornando-se, por conseguinte, alvos das correções dos alunos quando estes revisaram os textos. Os próprios alunos perceberam a dificuldade que geravam quando fizeram a leitura dos textos durante as atividades de revisão colaborativa, conforme relataram nas entrevistas. A correção dos demais erros, ortografia, uso de palavras em português, vocabulário, ordem das palavras e forma verbal, pode ser atribuída ao fator aludido no parágrafo anterior e também aos recursos utilizados pelos alunos durante as revisões: uso do dicionário, consulta aos colegas e ao professor, leitura da gramática e das anotações de aulas. Acreditamos que esta última seja de importância crucial. Muitos dos erros detectados haviam sido comentados em aulas anteriores e os alunos anotaram esses comentários, e a consulta dessas anotações mostra que eles estão fazendo uso do que lhes é oferecido em termos de input. Os tipos de erro mais corrigidos pelos participantes podem ser visualizados na tabela a seguir: Tabela 1 – Tipos de erro mais corrigidos Tipos de erros Erros encontrados na 1a. versão 2ª versão Erros solucionados Erros não solucionados Erros criados Acréscimo de palavras 57 24 33 3 Ortografia 47 16 31 7 Omissão de palavras 58 12 46 8 Uso de palavras em português 15 8 7 - Vocabulário 48 10 38 2 Problemas com o título 3 2 1 - 80 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa Ordem das palavras 18 5 13 2 Forma verbal 20 6 14 - Os erros menos corrigidos, ou seja, com um percentual de correção inferior a 20% são: singular x plural, estrutura inadequada, problemas de coesão entre as sentenças, concordância verbal, pontuação, ideia não desenvolvida, ideias diferentes em um único parágrafo, repetição ou redundância, informação errada e sentença com significado confuso. Há diversas razões possíveis para o fato de os erros da tabela 1 terem uma frequência menor de correção. A primeira delas diz respeito à tendência dos alunos de revisarem mais a forma do que o conteúdo, o que confirma as pesquisas realizadas por Spear (1988), Dheram (1995), Bohn (1994) e Hemais (2000). Consequentemente, problemas como ideia não desenvolvida, informação errada, sentenças com significado confuso, ideias diferentes em um único parágrafo, e problemas de coesão entre as sentenças não foram visados pelos alunos. Um outro fator que impediu que o conteúdo fosse tocado é a questão da autoria. Alguns alunos, durante as entrevistas, manifestaram um receio em sugerir alterações no conteúdo do texto do colega, como é ilustrado no exemplo 45: [45] Guido: O.k., e que pontos positivos e negativos você destacaria nessa segunda revisão? Drummond: Pontos negativos eu destacaria que, como foi uma-uma redação de uma- muito pessoal, porque cada pessoa tem uma casa diferente, né, como ela falou uma coisa muito pessoal, eh... é até difícil em grupo a gente poder dar muito, dar muita opinião. O que nós fizemos foi simplesmente olhar o texto, a construção do-do texto e principalmente a parte de gramática, as pequenas dúvidas que tiveram. (Entrevista sobre a 2a. atividade) Outros alunos mostraram-se fortemente ligados ao seu texto, não acatando as sugestões dadas pelo parceiro, principalmente A produção textual de alunos iniciantes • 81 quando tais sugestões mudavam a ideia expressa no texto, como pode ser verificado no exemplo 46: [46] Guido: O.k. Os comentários do seu colega foram úteis? Você utilizou todos os seus- os comentários do colega ou teve alguns que você não utilizou? Letícia: Não, teve alguns que não. Guido: E por que não utilizou? Nesses casos que você não utilizou? Letícia: Porque geralmente- falando assim, tipo assim, con-conselho que ele daria? Guido: Con... exatamente, o conselho que o seu colega lhe deu pra corrigir seu texto, teve algum que você não utilizou? Letícia: Ah, não, pra- pra corrigir eu-eu confiei nele (?) Guido: Então não teve nenhum comentário dele, na revisão... Letícia: Não, na revisão não, na hora de escrever alguma coisa assim que ele “ah põe isso assim”, que eu não utilizei, que muitas vezes não era aquilo que eu queria, sabe? Quando na matéria, assim, por exemplo, falava que eu gosto, do quê... entendeu? Guido: Ah... não era-não era, o que você queria expressar? Letícia: Isso, aí eu... Guido: Aí você não concordava? Letícia: Não. (Entrevista sobre a 1a. atividade) Os demais erros podem ter explicações mais simples. Percebese, por exemplo, a influência da língua materna em trechos em que os alunos liam e entendiam, mesmo que, em inglês, a estrutura não existisse. Nas entrevistas, alguns alunos relataram, também, que tiveram dificuldades em corrigir certos tipos de erro. Em diversos casos, a compreensão da sentença não foi afetada e o erro passava despercebido. Além disso, algumas tentativas de produção escrita dos alunos entravam em áreas ainda não estudadas por eles, como, por exemplo, coesão entre sentenças, forma verbal, pontuação etc., algo como um passo dado em terreno ainda não explorado. 82 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa Os tipos de erro menos corrigidos pelos participantes deste estudo encontram-se agrupados na tabela 2: Tabela 2 – Tipos de erro menos corrigidos 2ª versão Erros encontrados na 1a. versão Erros solucionados Erros não solucionados Erros criados Singular x plural 17 2 15 1 Estrutura inadequada 17 3 14 - Problemas de coesão entre as sentenças 13 3 10 - Concordância verbal 11 2 9 1 Pontuação 11 2 9 4 Ideia não desenvolvida 7 - 7 - Ideias diferentes em um único parágrafo 4 - 4 1 Repetição ou redundância 4 - 4 - Informação errada 4 1 3 - Sentença com significado confuso 4 1 3 - Tipos de erros Tendo discorrido sobre os tipos de erro existentes nos textos dos participantes, apresentaremos, a seguir, os resultados da análise feita sobre as estratégias de revisão utilizadas durante as atividades de revisão colaborativa, e as modificações efetuadas nos textos revisados. capítulo 4 As estratégias de revisão e seus resultados nos textos finais A aprendizagem colaborativa parece fornecer um ambiente de aula no qual tais necessidades podem ser encontradas de uma maneira benéfica tanto para a realização acadêmica quanto para o desenvolvimento das habilidades de aprendizagem social dos aprendizes.Kohonen (1992) A taxonomia para categorização das estratégias de revisão baseou-se, primordialmente em Sinderman e Horsella (1989). As autoras traçam um paralelo entre as estratégias do discurso oral e o discurso escrito e concluem que, também na escrita, há estratégias que mostram o comportamento do escritor, tais como riscamento, inserção de palavras, de símbolos etc. Utilizamos parte dessa taxonomia na análise do processo de revisão. Entretanto, como dissemos anteriormente, foi necessário criar algumas categorizações que não existiam em Sinderman e Horsella (1989), mas estavam presentes nos textos dos participantes desta pesquisa. 84 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa 4.1 Estratégias de revisão usadas pelos alunos a) Inserção de letras, palavras ou grupos de palavras Esta estratégia, bastante usada pelos alunos, consistia em inserir, entre um vocábulo e outro, uma palavra ou grupos de palavras, além de se acrescentarem letras a uma determinada palavra, em diversas direções: acima, abaixo, do lado direito e do lado esquerdo. Este tipo de estratégia pode ser observado no seguinte exemplo: [47] 1a. versão: My house well conserve... Revisão: My house is well conserve... 2a. versão: My house is well conserve... (Isabelly – 2a. atividade) A análise das estratégias de revisão revela que os alunos tendem a inserir mais palavras e informações do que propriamente apagá-las. A estratégia de revisão mais utilizada pelos alunos é justamente a inserção de letras, palavras ou grupos de palavras, totalizando 24,7%. b) Letras, palavras ou grupos de palavras riscadas Esta se constitui na segunda estratégia mais usada. Para riscar a palavra, os alunos utilizavam-se de traços, X sobre a palavra ou cobriam-nas com um emaranhado de traços. Contudo, com relação ao uso desta estratégia, os alunos apresentaram dois comportamentos: o fornecimento de uma alternativa de substituição à palavra riscada, ou o não-fornecimento de alternativa. Supõe-se que, no primeiro caso, eles consideraram a palavra riscada como errônea ou como não apropriada ao contexto e chegaram à conclusão de que havia a necessidade de uma substituição. No segundo caso, quando nenhuma alternativa era oferecida, os alunos, possivelmente, chegaram à conclusão de que a palavra era desnecessária. A diferença de uso As estratégias de revisão e seus resultados nos textos finais • 85 entre as duas vertentes, com alternativas de substituição (19,3%) e sem alternativas de substituição (17,2%), é mínima. Um exemplo desta estratégia é ilustrado a seguir: [48] 1a. versão: He was responsible in made the first goal did in Suécia. Revisão: He was responsible in made Suécia. 2 a. versão: He was responsible in making the first goal in Suece. making the first goal did in (Drummond – 3 a. atividade) c) Letras, palavras ou grupos de palavras circulados ou sublinhados Esta estratégia, que constituiu 6,1% do total das estratégias, é similar ao procedimento descrito anteriormente. Uma letra, palavra ou grupos de palavras eram circulados ou sublinhados e os alunos escreviam próximo a elas uma alternativa para substituição ou não o faziam. O fato de as marcações não indicarem supressão das palavras, como fica patente no riscamento de palavras, pode ser atribuído a uma dúvida inicial dos alunos. Quando faziam a leitura inicial do texto, levantavam a dúvida, mas não atinavam para o que poderia estar errado e, portanto, a palavra não era riscada e tampouco uma alternativa de substituição era oferecida. Porém, antes que a atividade se encerrasse, algumas dúvidas encontraram solução na discussão dos pares e uma alternativa foi oferecida para ser incorporada ao texto final. Os exemplos 49 e 50 ilustram este tipo de estratégia: [49] 1a. versão: I have two daughters and at weekends I go out with they: to talk to play… Revisão: I have two daughters and at weekends I go out with they: to talk to play… 86 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa 2 a. versão: I have two daughters and at weekends I go out with they: to talk to play… (Tieta – 1 a. atividade) No exemplo anterior, apesar de o pronome ter sido circulado, não houve alternativa para correção, e tampouco o texto foi alterado na segunda versão. Já no exemplo seguinte, as palavras marcadas foram substituídas pelas sugestões apresentadas: [50] 1 a. versão: Muse in the esport. Revisão: Muse in the of the esport. 2 a. versão: Muse of the sport. (Ketlin Stefania – 3 a. atividade) d) Uso de caneta (ou lápis) de cor diferente da primeira escrita A estratégia de utilizar uma caneta de cor diferente ou lápis (5,7%), sem dúvida, tinha a principal finalidade de facilitar a visualização das revisões quando estas fossem incorporadas à segunda versão. Esta estratégia era usada concomitantemente com outras estratégias: [51] 1a. versão: I’m a student at a college in Itapuranga… Revisão: I’m a student at a in the college in Itapuranga.. (as palavras in the foram escritas com caneta vermelha, o texto com caneta azul) 2a. versão: I’m a student in the college in Itapuranga… (Rodrigo – 1 a. atividade) As estratégias de revisão e seus resultados nos textos finais • 87 e) Anotações nas margens da folha ou próximo à palavra Os alunos escreviam em cima de uma determinada palavra ou nas margens da folha. Apesar de não ter tido uma larga utilização (apenas 4%), tinha o objetivo de fixar um determinado aspecto relevante à palavra ou ao texto: [52] 1a. versão: After in 1869 married with Carolina Augusta xavier de novais, that the stipulate in the route. Revisão: After in 1869 married with Carolina Augusta xavier de novais, that the stipulate in the route. career (a palavra career estava escrito na parte de baixo da folha e foi incorporada ao texto final, no lugar de route.) 2 a. versão: After in 1869 married with Carolina Augusta Xavier de Novais, that the stipulate his career. (Isabelly – 3 a. atividade) f) Inserção e riscamento ou apagamento de nova palavra Retornando ao item “inserção de novas palavras”, alguns alunos utilizaram um procedimento interessante: inseriam uma nova palavra e a riscavam (3,8%). Presume-se que, quando havia a dúvida, chegavam a uma solução que posteriormente era descartada, talvez por não agradar ou por ser considerada errada. Estes tipos de estratégia podem ser observados nos exemplos a seguir: [53] 1a. versão: Recentment, they were in Los Angeles Revisão: Recentment, they were in to Los Angeles 2 a. versão: Recentment, they were in Los Angeles (Rodrigo – 3 a. atividade) 88 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa [54] 1a. versão: Bibliography Revisão: Bibliography biography 2 a. versão: Ø (O símbolo Ø indica que a aluna apagou a palavra na 2a. versão) (Lana – 3 a. atividade) g) Sobrescrita de letras ou palavras A estratégia de sobrescrita de palavras, isto é, escrever a alternativa de substituição diretamente sobre a palavra, teve pouco uso (3%). Isto ocorreu, possivelmente, porque uma palavra sobreposta a outra pode gerar dificuldades para a leitura da revisão efetuada, como pode ser observado no exemplo 55: [55] Fig. 3.1 – Sobrescrita de letras ou palavras (Letícia – 1a. atividade) h) Miniaula A miniaula consistia em uma anotação, geralmente na margem da folha, relembrando algum aspecto gramatical da língua inglesa. No exemplo 56, por exemplo, os alunos relembram a regra que diz que os verbos modais não necessitam da preposição to antes ou depois deles. Também foi pouco usada (2,8%) e acreditamos que a razão para tal é que boa parte das revisões foi conduzida oralmente, através de discussões entre os pares, sem necessidade de As estratégias de revisão e seus resultados nos textos finais • 89 anotar muitas regras gramaticais. Ademais, o tempo não permitiria anotações gramaticais muito extensas. [56] to can to (Isabelly – 1a. atividade) i) Tradução de trechos do português para o inglês e vice-versa A tradução de trechos do inglês para português constitui apenas 2,8% do total de estratégias, possivelmente em virtude do fato de que os alunos foram instruídos a escrever os textos diretamente em inglês. Nas vezes em que foi utilizada, servia para que os alunos verificassem a exatidão do que pretendiam dizer no texto, como pode ser observado no exemplo a seguir: [57] 1a. versão: I to live with mother because my father died. Revisão: I to live with com 2 . versão: I live with my mother because my father died. a my mother because my father died. (Isabelly – 1a. atividade) j) Símbolos indicando mudança de posição da letra, palavra ou grupo de palavras Quando as palavras não precisavam ser suprimidas ou substituídas, mas apenas mudarem de lugar dentro da sentença, os alunos utilizavam setas para indicar essa mudança de posição (2%): 90 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa [58] Fig. 3.2 – Utilização de símbolos indicando mudança de posição de letras ou palavras (Drummond – 1a. atividade) k) Uso de aspas para indicar palavra não traduzida Para destacar que uma palavra seria mantida em português, os alunos lhe acrescentavam aspas (1,8%), como é ilustrado no exemplo 59: [59] 1a. versão: I’m attened the first year of letters. Revisão: I’m atteneding the first year of letters “Letras”. 2 a. versão: I’m atteneding the first year of “Letras”. (Ketlin Stefania – 1a. atividade) l) Mudanças na ortografia (maiúscula/minúscula) Durante a revisão, alguns alunos optaram por escrever as observações em letra maiúscula (1%), talvez com a mesma finalidade do uso da caneta de cor diferente, ou seja, tornar as correções mais visíveis: [60] 1a. versão: I live with my spouse and my son […] Revisão: I live with my spouse 2 a. versão: I live with my wife and my son […] WIFE and my son […] (Drummond – 2a. atividade) As estratégias de revisão e seus resultados nos textos finais • 91 m) Sinal de dúvida (?) A última estratégia observada foi o sinal de dúvida (?), utilizada apenas duas vezes (0,8%). Indicava que nenhum dos alunos tinha a solução para a dúvida e teriam de recorrer a outras pessoas (professor e colegas). Não é de se estranhar o pouco uso desse sinal, uma vez que os alunos recorriam imediatamente aos colegas e ao professor quando surgiam as dúvidas. [61] 1a. versão: In 1958, the world knew an adolescent of seventeen years old, called, Edson Arantes do Nascimento. Revisão: (?) In 1958, the world knew an adolescent of seventeen years old, called, Edson Arantes do Nascimento. (A dúvida aqui consistia no fato de ser ou não possível iniciar uma frase com preposição. Como houve discordância entre os alunos durante a revisão, marcaram a dúvida e a solucionaram mais tarde com o professor). 2 a. versão: In 1958, the world knew an adolescent of seventeen years old, called, Edson Arantes do Nascimento. (Drummond – 3a. atividade) As estratégias de revisão utilizadas pelos alunos durante as atividades de revisão colaborativa apontam para um comportamento extremamente ativo, isto é, eles leem, releem, discutem, acrescentam, corrigem, reescrevem, observam, relembram, apagam, perguntam, têm dúvidas, erram em algumas alternativas, acertam em outras etc. Eles não revisam o texto linearmente, ao contrário, utilizam um procedimento recursivo, similar ao que é descrito por White e Arndt (1991). Sobre esse assunto, Bastos (1987, p. 45) acrescenta que: Estamos conscientes de que as fases de planejamento, escrita e revisão do texto não acontecem necessariamente nesta ordem. A construção textual é um processo de descoberta, com voltas ao planejamento, leitura do que já foi escrito para encadear novas colocações e revisão de forma e conteúdo. O aluno precisa estar consciente da presença da recursividade no processo da escrita para 92 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa poder utilizar, de forma que lhe for mais conveniente, as estratégias que lhe propomos. Um plano de texto, por exemplo, não deve significar uma prisão de texto. As estratégias de revisão revelam também que os alunos estão elaborando hipóteses sobre a língua que estão aprendendo (Brown, 1994). Algumas são corretas (erro corrigido), outras não (erro não corrigido ou erro criado) e outras mostram que estão no caminho certo (não corrigem o erro, mas apresentam uma melhoria da primeira versão para a segunda versão em direção ao acerto). A tabela 3 mostra as estratégias de revisão utilizadas pelos alunos em termos percentuais: Tabela 3 – Estratégias de revisão Estratégia Total Frequência 1. Inserção de letras, palavras ou grupos de palavras (entre uma e outra, acima, abaixo, do lado direito, do lado esquerdo) 73 24,7% 2. Letras, palavras ou grupos de palavras riscadas (Com alternativa para substituição próxima) 57 19,3% 3. Letras, palavras ou grupos de palavras riscadas (Sem alternativa para substituição próxima) 51 17,2% 4. Letras, palavras ou grupos de palavras circulados ou sublinhados (Com alternativa para substituição próxima) 18 6,1% 5. Uso de caneta (ou lápis) de cor diferente da primeira escrita 17 5,7% 6. Letras, palavras ou grupos de palavras circulados ou sublinhados (Sem alternativa para substituição próxima) 15 5% 7. Anotações nas margens ou próximo à palavra 12 4% 8. Inserção e riscamento ou apagamento de nova palavra. 11 3,8% 9. Sobrescrita de letras ou palavras. 9 3% 10. Miniaula 8 2,8% 11. Tradução de trechos português-inglês e vice-versa 8 2,8% As estratégias de revisão e seus resultados nos textos finais • 93 12. Símbolos indicando mudança de posição da letra, palavra ou grupo de palavras. 6 2% 13. Uso de aspas para indicar palavra não traduzida 5 1,8% 14. Mudanças na ortografia (maiúscula/minúscula) 3 1% 15. Sinal de dúvida (?) 2 0,8% 295 100% Total geral Na próxima seção, discorreremos sobre as modificações efetuadas pelos alunos em seus textos ao reescrevê-los. 4.2 Modificações efetuadas na segunda versão dos textos dos participantes As modificações efetuadas pelos alunos em seus textos, ao reescrevê-los, não objetivaram apenas corrigir erros ou imprecisões. Há exemplos de revisões que comprovam uma efetiva busca pela melhoria do texto, mesmo que não houvesse erros na primeira versão. Devido a esse fato, ao observar as modificações efetuadas pelos alunos, constatamos que estas poderiam ser categorizadas em quatro tipos: 1. 2. 3. 4. Modificações totalmente bem-sucedidas. Modificações parcialmente bem-sucedidas. Modificações malsucedidas. Modificações desnecessárias. A taxonomia do parágrafo anterior encontra-se, como afirmarmos anteriormente, presente em Figueiredo (2001), exceto que, naquela pesquisa, apenas três padrões de modificações foram observados: bem-sucedidas, malsucedidas e desnecessárias. Devido principalmente ao fato de os participantes desta pesquisa serem alunos iniciantes, dividimos a categoria de modificações bem-sucedidas em totalmente bem-sucedidas e parcialmente bem- 94 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa sucedidas, sendo que este segundo tipo apresenta um avanço dos alunos, do erro inicial em direção à forma correta. Essas modificações compreendiam alguns tipos de revisão que foram categorizados com base na taxonomia de revisões de Faigley e Witte (1981). Como aquela taxonomia foi elaborada para analisar as modificações existentes nos textos escritos por falantes nativos, tivemos de fazer algumas adaptações para aplicá-la às revisões efetuadas pelos participantes desta pesquisa, como também o fez Figueiredo (2001) em seu estudo. A seguir, apresentamos a taxonomia e as adaptações: a) Adições: são revisões em que uma palavra ou grupos de palavras são acrescidos ao texto, ou letras são adicionadas a uma palavra dentro do texto. Neste grupo de modificações, consideramos, também, o acréscimo de pontuação ou sinais gráficos ao texto. No exemplo 62, podemos observar a adição do título ao texto: [62] Ø I live on the xixazão near of Jym. My house stay na street… (Isabelly - 1a.versão - 2a. atividade) My nice house I live on the xixazão near of Jym. My house stay na street… (Isabelly - 2a.versão – 2a. atividade) b) Apagamentos: são revisões em que letras ou palavras são retiradas do texto. Foi considerado também o apagamento de sinais de pontuação ou sinais gráficos. No exemplo 63, observa-se a supressão do morfema -ed, que estava repetido na primeira versão do texto: [63] His wife dieded, on octubre 20 of 1904. (Isabelly - 1a.versão – 3a.. atividade) His wife diedØ, on ocutuber 20 of 1904. (Isabelly – 2a.versão – 3a. atividade) As estratégias de revisão e seus resultados nos textos finais • 95 c) Substituições: são revisões em que os alunos substituem uma palavra ou grupos de palavras por outras, com significado similar ou não. No exemplo a seguir, observase a substituição de my parents por my family: [64] […] I go to the farm to stay with my parents. (Lana - 1a. versão – 1a. atividade) […] I go to the farm to stay with my family. (Lana - 2a. versão – 1a. atividade) d) Reestruturações: as sentenças ou a estrutura do texto são reorganizadas, o que resulta em alteração ou não do sentido do texto: [65] At weekends I go to church after like of to go with my friends stroll. I like of travel. (Isabelly - 1a. versão- 1a. atividade) At weekends I go to the church after like of to go out with my friends to walk and I also like travel very much. (Isabelly – 2a. versão – 1a. atividade) e) Distribuições: são revisões em que uma parte do texto é dividida em dois ou mais segmentos. No exemplo 66, podemos observar que uma sentença foi dividida em três: [66] His full name is Luzeni Maria dos Santos. She lived in Itapuranga where she became the bond in the girl watermelon, worked in radio Primavera of Itapuranga – Go. (Ketlin Stefania – 1a. versão – 1a. atividade) His full name is Luzeni Maria dos Santos. She lived in Itapuranga. She established queen of the watermelon in 1998. She worked in the radio Primavera presenting the “Point musical”. (Ketlin Stefania – 2a. versão – 1a. atividade) 96 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa f) Consolidações: são revisões que combinam trechos do texto em um único segmento. No exemplo 67, podemos verificar a junção de algumas sentenças que se encontravam separadas em parágrafos (consolidação), bem como a troca de ordem de outras sentenças (reestruturação): [67] I live in a apartment near the highway. It’s very nice and it’s biggest. There are two bathroom and three bedrooms. There is also a kitchen and there is a living room, dining room and a service room. My house is new. There is not a garden in my house. (Lana – 1a. versão – 2a. atividade) I live in a apartment near the highway. It’s very nice and it’s not very big. There are three bedrooms and two bathrooms. There is also a kitchen and there is a living room, a dining room and a service room. There is not garden in my house. My house is new. (Lana – 2a. versão – 2a. atividade) 4.3 Análise das modificações e revisões A tabela 4 mostra os tipos de revisões por ordem de frequência. Esta sugere que os alunos realizam mais revisões em nível da sentença (adição de preposição, de nova informação, de pontuação, de artigo definido, apagamento de preposição, substituição de ortografia etc.) do que revisões em nível do parágrafo ou entre sentenças (reestruturações, distribuições, consolidações etc.), o que corrobora as pesquisas realizadas por Dellagnelo (2000b) e Figueiredo (2001). Tabela 4 – Tipos de revisões Revisões Substituições Número Frequência 77 40,6% As estratégias de revisão e seus resultados nos textos finais • 97 Adições 44 23,1% Apagamentos 37 19,5% Reestruturações 26 13,7% Distribuições 4 2,1% Consolidações 2 1% 190 100% TOTAL Após a categorização das revisões, passamos à contagem dos tipos de modificações para observar a frequência dos quatro tipos mencionados na seção anterior. Como podemos observar na tabela 5, das 190 modificações realizadas, a maioria levou ao acerto: Tabela 5 – Modificações efetuadas Tipos de modificações efetuadas Número Frequência Modificações totalmente bem-sucedidas 111 58,4% Modificações parcialmente bem-sucedidas 24 12,6% Modificações malsucedidas 33 17,4% Modificações desnecessárias 22 11,6% Total 190 100% Na seção a seguir, apresentaremos exemplos de modificações efetuadas pelos alunos após as atividades de revisão. As modificações estão evidenciadas em itálico, excetuando-se os casos de apagamento, em que utilizamos o símbolo Ø. Modificações totalmente bem-sucedidas As revisões que levaram a correção de erro existente na primeira versão ou acrescentaram informação relevante ao texto foram consideradas modificações totalmente bem-sucedidas. Elas foram feitas a partir de adições, apagamentos, substituições e reestruturações. 98 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa a) Adição de informações, vocábulos e pontuações Ao reescrever os textos, os alunos adicionavam informações, preposições, artigos definidos, pontos, vírgulas etc., como pode ser observado no seguinte exemplo: [68] I like listening to music, student end weekendes I go out with my friends. I don’t like in the personas false. (Ketlin - 1a.versão – 1a. atividade) I like listening to music and study. I don’t like in the personas false. I am a great persona and I have many friends. I have tree jobs. I job in a baker, a shop and a school. (Ketlin - 2a.versão – 1a. atividade) Apesar da escolha inadequada de alguns vocábulos (persona ao invés de person, job ao invés de work, e do uso de tree por three), Ketlin consegue o intento de informar sua opinião sobre si mesma e de apresentar a inusitada informação de que ela trabalha em três locais diferentes. b) Apagamento de informações, vocábulos e pontuações Ao redigirem a segunda versão de seus textos, os alunos apagavam informações, preposições, artigos, morfema formador do passado, verbos, pontos, vírgulas etc. No exemplo 69, podemos perceber a supressão de the two, que estava redundante devido à palavra both. Já no exemplo 70, podemos perceber a supressão do auxiliar was, que estava inserido indevidamente na sentença: [69] I have two brother. The two Both are married. (Isabelly – 1a. versão – 1a. atividade) I have two brothers. Ø Both are married. (Isabelly – 2a. versão – 1a. atividade) As estratégias de revisão e seus resultados nos textos finais • 99 [70] In next year he was began your literary career. (Lana – 1a. versão – 3a. atividade) In the next year he Ø began his literary career. (Lana – 2a. versão – 3a. atividade) c) Substituição de informações, vocábulos e pontuações Ao reescreverem os textos, os alunos substituíam determinadas informações, palavras ou pontuações. No exemplo 71, podemos observar que a substituição de who por where causou uma melhoria do ponto de vista gramatical, visto que o aluno referia-se a um lugar. Já no exemplo 72, a substituição de your por his causou uma correção em relação ao termo referido, ou seja, o pronome he: [71] I live near of the UEG who I study. (Rodrigo – 1a. versão – 2a. atividade) I live near of the UEG where I study. (Rodrigo – 2a. versão – 2a. atividade) [72] In next year he was began your literary career. (Lana – 1a. versão – 3a. atividade) In the next year he began his literary career. (Lana – 2a. versão – 3a. atividade) d) Reestruturação A sentença do exemplo 73 é escrita inicialmente como no are, o que deixa margens à dúvida se seria there is not ou are not. A segunda versão apresenta com clareza a ideia de não haver jardim na casa (I don’t have...), mesmo que o aluno não tenha acrescido a antes de garden: 100 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa [73] There are three bedrooms, two toilet, one big room with two backgrounds, but no are garden. (Tieta – 1a. versão – 2a. atividade) There are three bedrooms, two toilet, one big room with two backgrounds, but I don’t have garden. (Tieta – 2a. versão – 2ª. Atividade) 4.4 Modificações parcialmente bem-sucedidas As revisões que, apesar de não corrigirem o erro existente na primeira versão, apresentaram uma melhora em relação a esta e em direção à forma correta, foram consideradas modificações parcialmente bem-sucedidas. Elas compreendiam adições, apagamentos, substituições, reestruturações e distribuições. a) Adição de informações, vocábulos e pontuações O acréscimo da partícula -ing no exemplo 74 coloca o verbo na forma adequada, mas a ortografia permanece com um e a mais: [74] I’m attened the first year of letters (Ketlin - 1a.versão – 1a. atividade) I’m atteneding the first year of ”Letras”. (Ketlin - 2a.versão – 1a. atividade) O acréscimo do artigo definido the antes de next year está correto de acordo com Swan (1995), mas o uso indevido da preposição in antes de the next year permaneceu na segunda versão: In Ø next year he was began your literary career (Lana– 1a. versão – 3a. atividade) [75] In the next year he Ø began his literary career. (Lana – 2a. versão – 3a. atividade) As estratégias de revisão e seus resultados nos textos finais • 101 b) Apagamento de informações, vocábulos e pontuações No exemplo 76, Judy apaga a preposição desnecessária, mas a omissão do sujeito continua: [76] In 1906, to taked your plane 14 bis in Paris… (Judy - 1a.versão – 3a. atividade) In 1906 Ø taked your plane 14 bis in Paris… (Judy – 2a.versão – 3a. atividade) O apagamento do verbo excedente is no exemplo a seguir traz uma melhoria à sentença que, no entanto, necessita do s junto ao verbo live. Todavia, a compreensão da sentença não fica comprometida em virtude desse erro gramatical: [77] He is live in Itapuranga (Tieta - 1a.versão – 3a. atividade) He Ø live in Itapuranga (Tieta - 2a. versão – 3a. atividade) c) Substituição de palavras em português por outras em inglês e vice-versa Se, na primeira versão, a aluna utiliza um code-switching, ou seja, uma palavra em português dentro de um texto em inglês, na versão, após a revisão, apresenta essa palavra em inglês. A modificação foi considerada parcialmente bem-sucedida porque melhora a versão inicial, mas a repetição de my house em uma mesma frase resulta em repetição de termos: [78] I like my house because la I alive happy and well. (Letícia - 1a.versão – 2a. atividade I like my house because in my house I alive happy and well. (Letícia - 2a.versão – 2a. atividade) 102 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa No exemplo 79, a substituição do substantivo student pelo verbo study dá continuidade ao enunciado que expressa o que a aluna gosta de fazer. Entretanto, ela o coloca no presente, o que compromete a sequência de particípio presente iniciada com o verbo anterior: [79] I like listening to music, student end weekendes I go out with my friends. (Ketlin – 1a. versão – 1a. atividade) I like listening to music and study. (Ketlin – 2a. versão – 1a. atividade) d) Reestruturação de palavras No exemplo 80, podemos perceber que o texto se torna mais claro com a reestruturação de palavras. Contudo, ainda há necessidade de conjugação do verbo work (para he worked...), bem como o acréscimo de artigo definido antes da palavra typography: [80] On 1858 begin the to work how reviewer in the typography and bookshop Paula Brito. He maked friendship how various intellectuais and passed the to write at now papers and magazines native of Rio de Janeiro maintaining that active, nearly until the end of live. (Isabelly – 1a. versão – 3a. atividade) He to work in 1858 as reviewer of typography and bookshop Paula Brito. He maked friendship as various intellectuais and wrote to newspapers and magazines native of Rio de Janeiro maintaining that active, nearly all his life. (Isabelly – 2a. versão – 3a. atividade) e) Distribuição No exemplo 81, havia muitas informações juntas na primeira versão. A aluna optou por separá-las em frases curtas, o que tornou o texto mais compreensível. Porém, persistem alguns problemas de vocabulário: As estratégias de revisão e seus resultados nos textos finais • 103 [81] His full name is Luzeni Maria dos Santos. She lived in Itapuranga where she became the bond in the girl watermelon, worked in radio Primavera of Itapuranga – Go. Ketlin – 1a. versão – 3a. atividade His full name is Luzeni Maria dos Santos. She lived in Itapuranga. She established queen of the watermelon in 1998. She worked in the radio Primavera presenting the “Point musical”. (Ketlin – 2a. versão – 3a. atividade) 4.5 Modificações malsucedidas Estas modificações são as que não corrigiram ou criaram erros quando os alunos reescreveram seus textos. Elas compreenderam adições, apagamentos, substituições e reestruturações. a) Adição de informações, vocábulos e pontuações No exemplo 82, o aluno acrescenta uma vírgula após a palavra but, em vez de colocá-la antes dela: [82] I am married and have one son, I am nearly me separating but I’m happy. (Drummond - 1a.versão – 1a. atividade) I am married and have one son, I am nearly me separating but, I’m happy. (Drummond - 2a.versão – 1a. atividade) b) Apagamento de informações, vocábulos e pontuações No exemplo 83, o aluno prejudica o texto ao apagar o arágrafo introdutório, visto que ele apresentava nele a razão pela qual resolveu escrever sobre Sandy e Júnior: 104 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa [83] Sandy e Júnior Forever I began to interest by then when my friend Luzeni Santos studied with me. She collected everything about the pair. I started too with this hobby and I never stoped. Sandy Leah Lima, Ø name extracted of the film Grease, she was born in Campinas SP. in January 28, 1983. She started to sing at 6 years old. (Rodrigo - 1a.versão – 3a. atividade) Sandy e Júnior Sandy Leah Lima, her name extracted of film Grease, she was born in “Campinas SP”. in January 28, 1983. She began to sing at 6 years old. (Rodrigo - 2a.versão – 3a. atividade) c) Substituição de um vocábulo por outro No exemplo 84, Judy substitui weekend por week, o que é inadequado ao contexto, que versava sobre o que ela gosta de fazer nos fins de semana, enquanto que, no exemplo 85, Drummond substitui um vocábulo com ortografia correta, living room, pelo vocábulo com ortografia inadequada, livingroom: [84] I like to go in the club only on weekend. (Judy – 1a. versão – 1a. atividade) I like to go in the club only on weeks. (Judy – 2a. versão – 1a. atividade) [85] There are two room, one living room, kitchen, bathroom, office and library. (Drummond – 1a. versão – 2a. atividade) There are two room, one livingroom, kitchen, bathroom, office and library. (Drummond – 2a. versão – 2a. atividade) d) Reestruturação de ideias e palavras Letícia, no exemplo 86, discorre sobre Castro Alves, sendo que, na primeira versão, entende-se que o poeta, mencionado anteriormente por ela, sofrera um acidente durante uma caçada. A modificação não traz melhoria ao texto, uma vez que elimina a causa do acidente: As estratégias de revisão e seus resultados nos textos finais • 105 [86] He studied in Ginásio Baiano de Abílio Cesar Borges, and moved to São Paulo where studied “Direito” victim accidental of the hunting. (Letícia – 1a. versão – 3 a. atividade) He studied in “Ginásio Baiano de Abílio Cesar Borges”, and he moved to São Paulo where he studied “Direito” he was accidented. (Letícia – 2 a. versão – 3 a. atividade) 4.6 Modificações desnecessárias Modificações desnecessárias são aquelas que não trouxeram informação nova, corrigiram erros ou afetaram o texto de forma a lhe trazer melhoria. Elas foram realizadas por meio de adições e substituições. a) Adição de indicador de numeral ordinal [87] Maria Machado de Assis was born on June 21, 1839 in Rio de Janeiro. (Isabelly - 1a.versão – 3a. atividade) Maria Machado de Assis was born on June 21st, 1839 in Rio de Janeiro. (Isabelly - 2a.versão – 3a. atividade) b) Adição de aspas [88] I’m academic of Letras. (Drummond – 1 a. versão – 1 a. atividade) I’m academic of “Letras”. (Drummond – 2 a. versão – 1 a. atividade) c) Substituição de um vocábulo por outro Uma vez que start e begin têm sentido similar, a modificação torna-se desnecessária no exemplo 89: 106 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa [89] She started to sing at 6 years old. (Drummond – 1a. versão – 3a. atividade) She began to sing at 6 years old. (Drummond – 2 a. versão – 3a. atividade) d) Substituição de uma preposição por outra Swan (1995) mostra que, na Grã-Bretanha, antes da palavra college, é comum o uso da preposição at, enquanto nos Estados Unidos, usa-se a preposição in, o que nos leva a concluir que a modificação no exemplo 90 não altera o teor ou a forma do texto: [90] My favourite subjects at college are português, filosofia and english. (Letícia – 1a. versão – 1 a. atividade) My favourite subjects in the college are portuguese, philosophy and english. (Letícia – 2 a. versão – 1 a. atividade) As seções anteriores apresentam um quadro bastante positivo das atividades de revisão colaborativa. Como pudemos ver na tabela 5, houve mais modificações totalmente bem-sucedidas do que modificações malsucedidas e/ou desnecessárias. O número se torna mais positivo se acrescentarmos as modificações parcialmente bemsucedidas às totalmente bem-sucedidas. Pudemos observar que as revisões efetuadas pelos alunos não se restringiram apenas à forma do texto, apesar de a maioria das revisões ter tido esse intuito. Os alunos efetuaram, também, algumas revisões sobre o conteúdo. Percebe-se, também, que na primeira versão de alguns textos, há quase uma tradução palavra por palavra do português para o inglês, e, frequentemente, a segunda versão modifica essa situação para a estrutura da língua inglesa, como demonstramos no exemplo 91, retirado do texto de Isabelly, 3a. atividade: As estratégias de revisão e seus resultados nos textos finais • 107 [91] Primeira versão On 1858 begin the to work how reviewer in the typography and bookshop Paula Brito. He […] passed the to write at now papers and magazines […] (Subentende-se o texto em português: Em 1858 começa a trabalhar como revisor na tipografia e livraria Paula Brito Ele [...] passou a escrever em jornais e revistas [...]) Segunda versão He to work in 1858 as reviewer of typography and bookshop Paula Brito. He […] wrote to newspapers and magazines […] A estrutura do inglês encontra-se mais presente na segunda versão, como, por exemplo, o apagamento do artigo the, usado como tradução da preposição a. Na segunda versão, o passou a, muito comum em português, também foi eliminado. As melhorias apresentadas são frutos da revisão colaborativa, uma vez que vieram à luz após as atividades propriamente ditas. Segundo Donato (1994), essa atividade é caracterizada por estruturas de apoio, também conhecidas por scaffolding (item 1.4.3), por meio das quais os aprendizes se ajudam mutuamente na execução de uma tarefa. Em consequência, percebe-se que há benefícios para a turma de iniciantes, e que estes caminham para uma maior aprendizagem da língua inglesa. capítulo A percepção dos alunos 5 sobre a aprendizagem colaborativa e a revisão em pares A revisão dialógica não se restringe unicamente à possibilidade de melhoria dos textos escritos, mas também ao fato de se configurar como uma oportunidade que os alunos têm de negociar seus pontos de vistas, de refletir sobre os erros que cometem, de observar a estrutura da língua, de poder aprender com os erros, de mudar sua concepção sobre erro e correção. Figueiredo (2005) 5.1 Análise das entrevistas Neste capítulo, analisaremos as entrevistas gravadas com os alunos participantes da pesquisa em cinco tópicos: visão de erro; utilização ou não dos comentários do colega; aspectos positivos; aspectos negativos; e sentimentos com relação à atividade, ao revisar o texto do colega e ao ter o texto revisado. Além disso, será analisado questionário aplicado aos demais alunos da sala em que foi realizada a pesquisa. 110 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa 5.2 Visão de erro Os participantes, após a realização das atividades de revisão colaborativa, começaram a ter uma visão mais positiva em relação aos erros que cometem. Dessa forma, os erros não eram mais vistos como um obstáculo, mas como um passo necessário no processo de aprendizagem, como podemos observar pelas falas de Judy e Drummond: Guido: A questão do erro, como você vê o erro hoje? Judy: Bom, eu acho que o erro é bom ser cometido, porque é através do erro que eu vou me aperfeiçoar mais pra não errar mais, né? Então eu preciso, eu acho que a gente precisa errar pra saber consertar, fazer direito. Guido: Então vo-você não acha que o erro seja uma coisa assim...terrível? Judy: Não, assim, errar e querer consertar é uma coisa, agora, errar e-e só querer errar, aí também- mas eu acho que o erro é bom pra crescer, faz com que a gente cresça mais pra... o aprendizado ser melhor. (Entrevista sobre a 3a. atividade) Guido: [...] Drummond, como é que você vê ah... o erro hoje? Drummond: Diferente do que eu via no começo... eu- no começo tinha medo de errar. Eu achava que seria vergonhoso, que poderia ter... brincadeiras dos colegas e tudo. Às vezes, eu me inibia quando você pedia um voluntário, tudo eu ficava com medo... de me candidatar, justamente pelo fato de eu ter medo de errar e sofrer alguma represália dos colegas, como a gente- acontecia no 2o. grau. Hoje eu já vejo uma forma diferente, eu já-já... me entrego com mais coerência... sem medo de errar, porque eu acredito que com o erro, muitas vezes a gente aprende muito mais que com o acerto. Quando a gente pronuncia uma palavra errada e você nos corrige, nos mostra qual a palavra certa, aquela palavra a gente grava e não esquece mais, de jeito nenhum. Hoje, eu considero o erro uma parte fundamental de nossa aprendizagem. (Entrevista sobre a 3a. atividade) Lana reconhece a importância da correção. Apesar de considerar os erros como algo necessário à aprendizagem, ela os vê A percepção dos alunos sobre a aprendizagem colaborativa • 111 como um “desvio” da norma e, portanto, devem ser corrigidos, como é ilustrado a seguir: Guido: Lana, como é que você vê o erro hoje? Lana: O erro....? Guido: É, como você vê a questão de errar hoje? Lana: Eu vejo ele, assim, um ato comum entre os seres humanos, mas por ser um ato comum, não devemos deixá-lo de lado, devemos sempre tá corrigindo... Guido: Hmm... Então você acha que o erro deve ser corrigido sempre? Lana: Sempre... sempre que pudermos, que conseguirmos vê-lo, eu acho que temos a obrigação de corrigi-lo para que não venhamos a cometê-lo novamente. Guido: E você acha que o erro é uma coisa danosa? Lana: Eh... não deixa de ser, né, Guido? Acaba prejudicando de alguma forma, né? É bom fugir dele sempre que pode. (Entrevista sobre a 3a. atividade) Percebemos, nas entrevistas, que alguns alunos efetivamente veem os erros como um “desvio” da norma e, portanto, devem ser corrigidos para evitar um aprendizado inadequado. Porém, as atividades de revisão colaborativa foram-lhe úteis no sentido de lhes mostrar que os erros são um passo para a aprendizagem e não um obstáculo intransponível. 5.3 Utilização ou não dos comentários do colega Os entrevistados confirmaram que nem todos os comentários foram utilizados, sendo que os motivos que levaram a isso foram: v o comentário do colega não era considerado correto; v havia discordância com relação ao comentário do colega; v o foco era no conteúdo (o que o autor queria dizer); 112 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa v a aceitação do comentário implicaria em aumento de texto; v nenhum dos dois conseguia solucionar a dúvida; v o comentário do colega deixava claro que este não entendera o texto. Em alguns casos, as sugestões dadas eram discutidas pelos participantes e decidiam pela sua não-utilização, o que, segundo os alunos, é um aproveitamento das sugestões de qualquer forma, pois a não-aceitação das sugestões resultava de discussões e reflexões: Guido: Todos os comentários que sua colega fez foram usados? Judy: Foram... mesmo quando ela dava um comentário que eu não aprovava, a gente, junto, discutia, aí a gente chegava a um só acordo, acho que é bom isso, discutir... (Entrevista sobre a 3a. atividade) Na fala de Judy, evidencia-se o fato de que o diálogo, uma das premissas da teoria sociocultural, esteve presente durante as atividades de revisão colaborativa, visto que a utilização ou não de uma sugestão foi decidida em conjunto. 5.4 Aspectos positivos No decorrer das entrevistas, os participantes revelaram quais, para eles, foram os pontos positivos das atividades de revisão colaborativa. Expomos, a seguir, comentários e trechos das falas dos alunos sobre suas percepções. Oportunidade para troca de conhecimentos Os alunos perceberam que a atividade propicia uma troca de conhecimentos, que é um momento em que um ajuda o outro, A percepção dos alunos sobre a aprendizagem colaborativa • 113 oferecendo conhecimento ou sugerindo mudanças nos textos, como é ilustrado a seguir: Guido: [...] E agora, Drummond, o que que você achou da atividade de revisão com o colega? Destaque os pontos positivos e os pontos negativos. Drummond: Os pontos positivos eh... porque a gente pode trocar um conhecimento, porque como eu já lhe falei, às vezes a gente sabe uma coisa, às vezes você-você tem um conhecimento e você próprio não tem coragem de ficar espalhando pra todo mundo. Você tem ele e fica mais-mais quietinho lá no seu canto. O colega, às vezes, é a mesma coisa, ele sabe, ele conseguiu pegar, captar muito bem as mensagens que o professor passou lá na frente, e, no entanto, ele não gosta de ficar comentando com ninguém, deixa (?) pra ele e é nesse trabalho que a gente faz com o colega desse jeito..., querendo ou não querendo, mesmo voluntariamente, mas ainda acaba colocando essa parte que ele aprendeu lá fora. E, muitas vezes, o que ele aprendeu eu não tinha aprendido e a gente acaba aprendendo alguma coisa, e o que eu aprendi, às vezes, eu não tava entendo muito bem, a gente acaba trocando esse conhecimento. Eu acho fundamental pra isso... fundamental mesmo. (Entrevista sobre a 1a. atividade) Guido: O.k., e que pontos positivos e negativos você destacaria nessa segunda atividade de correção, Judy? Judy: Os negativos e positivos. Ah... eu acho que só tem pontos positivos. Guido: Cite, por exemplo. Judy: Positivos é que nós atingimos, é-é bom a gente estar perto de uma pessoa pra colocar os dois conhecimentos juntos, ela me dar, assim, um apoio, quando eu tenho eu dou pra ela. Ela, às vezes, eu não, eu não tô segura de uma coisa, ela vai e me dá a explicação dela... Eu acho que só tem pontos positivos. Quando eu tive uma ideia que ela não concordava, ela falava, achava- explicava porque ela não concordava, pegava a minha ideia e aí junto a gente chegava numa conclusão só que as duas concordassem, só tem pontos positivos. (Entrevista sobre a 2a. atividade) Como vimos em Wells (1997), a zona de desenvolvimento proximal efetiva-se, mesmo sem a presença de um indivíduo com maior conhecimento. E as falas anteriores comprovam que houve 114 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa troca de conhecimento entre alunos com níveis de conhecimento similares. Oportunidade para o aluno interagir mais Os entrevistados percebem, na atividade de revisão colaborativa, um bom momento para interagir, ter mais coragem de fazer perguntas, de ajudar, de ser ajudado e de dialogar, como podemos observar nas falas de Judy e Letícia: Guido: [...] E o que você achou da atividade de revisão com o colega? Destaque os pontos positivos e os pontos negativos de quando você e seu colega revisaram os textos um do outro. Judy: Bom... os positivos, eu acho, é igual... eu já tive... eu havia... Eu acho que você se sente mais solta pra perguntar, acho que um ajuda muito o outro, assim, tem mais intimidade... qualquer... qualquer erro eu não tinha vergonha de perguntar, acho que são os positivos. [...] (Entrevista sobre a 1a. atividade) Guido: [...] E nessa segunda atividade, que pontos positivos e pontos negativos você destacaria, Letícia? Letícia: Pontos posi... nessa atividade? Guido: Hmm, hmm, nessa segunda. Letícia: Pontos positivos que é aprender... aprender mais, porque quanto mais faz, mais aprende, quanto mais erra, mais aprende. Então, pontos positivos é isso, aprendi mais, discuti mais, assim, minha parte, conheci palavras, frases que não conhecia. [...] (Entrevista sobre a 2a. atividade) A interação mencionada nos exemplos 98 e 99 é uma das características da aprendizagem colaborativa, como afirmam Johnson e Johnson (2002). É na interação que os alunos podem fornecer ajuda e apoio uns aos outros. A percepção dos alunos sobre a aprendizagem colaborativa • 115 Maior precisão na revisão colaborativa do que na individual No exemplo 100, Rodrigo faz uma comparação entre a revisão individual e a colaborativa, concluindo que a revisão colaborativa é mais produtiva que a individual: Guido: Tá, o.k. E agora me diz aqui, o... o que você achou dessa atividade de revisão com o colega? Destaque os pontos positivos e os negativos. Rodrigo: Pontos positivos é o que você aprende, né, de uma certa forma ou de outra, você aprende, eh.. que até eu mesmo revisando, mesmo que seja com o colega, eu coloquei mais coisas no meu texto, eu- ah... eu revisei com mais precisão do que se eu tivesse revisado sozinho. [...] (Entrevista sobre a 1a. atividade) A maior precisão, aludida por Rodrigo, deve-se ao fato de que o conhecimento é construído com o colega, e, dessa forma, ele tem a chance de resolver as suas dúvidas. Oportunidade de se perguntar o porquê do erro No exemplo a seguir, Letícia faz uma comparação entre a revisão colaborativa e a correção do professor, e, segundo ela, a atitude do aluno quando recebe a correção do professor é simplesmente olhar as correções, mas não refletir sobre o que estava errado, o que é propiciado pela revisão com os pares: Guido: O.k. Ah... Letícia, e o que você achou da atividade de revisão com o colega? Fala pra mim os pontos positivos e os pontos negativos... de ter revisado o seu texto com o colega e o texto dele também com ele. Me fala os pontos positivos e os pontos negativos dessa atividade. Letícia: Os pontos positivos é que... o que ele sabe ele me passa e os pontos negativos é que eu, às vezes, não posso ajudar ele tanto quanto ele me ajuda. Guido: Entendo. Mais algum ponto positivo ou ponto negativo? 116 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa Letícia: Não... positivo assim... eu acho bem interessante igual eu te falei aquela primeira vez que você perguntou... Eu acho bem interessante essa atividade, Guido. A gente esforça muito mais... a procurar entender... a saber do que se você pegasse e corrigisse... se você pegasse e entregasse corrigido, por exemplo, eu ia olhar, mas eu não ia procurar saber o porquê (?) entendeu? Agora, eu corrigindo, eu já logo pergunto: “mas por que eu não posso?” (Entrevista sobre a 1a. atividade) A afirmação de Letícia é extremamente pertinente a este trabalho. Hemais (2000) afirma que os alunos pesquisados por ela revisavam o texto apenas se solicitado pelo professor. Na revisão colaborativa, os comentários do colega propiciaram um momento de reflexão que, geralmente, não acontece quando a correção é feita pelo professor. A discussão chama a atenção para o que não é aprendido com o professor No exemplo 102, Isabelly revela que nem sempre o aluno consegue compreender totalmente a explicação do professor. Entretanto, a atividade de revisão colaborativa faz com que um aluno ajude o outro a suprir essa lacuna, o que é ratificado na fala de Tieta, reproduzida no exemplo 103: Guido: Entendo. E o que você achou da atividade de revisão com o colega? Fala pra nós dos pontos positivos e os pontos negativos. Isabelly: Eh... positivo que, às vezes, o aluno tem a mesma linguagem que o outro companheiro e-e que ela pode me ensinar aquilo que eu não sei e eu posso ensinar também pra ela aquilo que eu não sei... E negativo é porque às vezes-às vezes, a gente se sente constrangido, porque um... poderia dizer que, talvez ele não saiba, eu também não sei, aí a gente fica naquela dúvida, fica com medo, às vezes, de perguntar pro professor. (Entrevista sobre a 1a. atividade) Guido: O.k. E o que que você achou dessa atividade de revisão com o colega, Tieta? Destaque os pontos positivos e os pontos negativos, por favor. A percepção dos alunos sobre a aprendizagem colaborativa • 117 Tieta: Positivo, eh... essa discussão, eh... é legal porque, às vezes, o professor lá na frente passa alguma coisa pra gente que acaba ficando despercebido, mas fazendo as tarefas e discutindo com o colega, ele a- ele acaba chamando a atenção pra aquilo que o professor, muitas vezes, não conseguiu fazer com que a gente aprendesse, tá? Eh... a negativa, sinceramente eu não encontrei. (Entrevista sobre a 1a. atividade) Os alunos sugerem que a troca de ideias só é possível porque os alunos dividem a mesma linguagem, como afirma Tieta: Guido: E como é que você vê o fato de revisar o texto do seu colega? Tieta: Eu acho super interessante e muito válido, eh... reforçando o que já disse várias vezes... Eu acho que... acho não... nós estudantes temos uma visão diferente do professor e usamos nossos próprios códigos. (Entrevista sobre a 1a. atividade) Discorrendo sobre os benefícios da aprendizagem colaborativa, Crandall (1999) afirma que é um momento em que o input e o output se tornam compreensíveis. Os alunos modificam sua fala para serem entendidos uns pelos outros. No caso específico dos exemplos 102 a 104, entende-se que se o input do professor não for inteiramente compreendido pelo aluno, este pode ser mais trabalhado pelo colega e, assim, tornar-se mais claro ao aluno. Corrigir o próprio erro leva à aprendizagem É interessante observar que os alunos percebem que a correção do erro faz parte do processo de aprendizagem de uma língua. Lana, por exemplo, considera que a revisão de seu próprio erro lhe ajudará na aprendizagem: 118 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa Guido: [...] E o que que você achou dessa atividade de revisão com a colega? Destaque os pontos positivos e os pontos negativos. Lana: ...Pontos positivos... foram revisar seu próprio erro. Às vezes, é errando que se aprende (risos), né? [...] (Entrevista sobre a 1a. atividade) Oportunidade de melhorar os laços de companheirismo Os participantes concordam que a atividade ajuda a desenvolver e manter os laços de companheirismo dos alunos, criando uma intimidade que pode até se estender para fora da sala de aula, como podemos verificar nos relatos de Rodrigo e Isabelly: Rodrigo: [...] Foi mais, assim, um trabalho indivi-em grupo, eu acho que ele-ele... ele tem um certo valor por isso, porque ele faz você pensar mais sobre... aí, quando você está sozinho, normalmente, igual inclusive, a gente, mudando um pouquinho fora de su- de sua matéria, eh... quando a gente tava estudando sobre sociologia, eu não sabia nada. Aí, a Isabelly foi lá pra minha casa, a gente estudou, e a gente vê que vale a pena o trabalho estudado em conjunto. Eu acho, eu valorizo. (Entrevista sobre a 1a. atividade) Guido: [...] E que pontos positivos e pontos negativos você destacaria dessa segunda atividade? Isabelly: ...Positivos que... tenho, como diria, tenho melhorado eh... a minha forma de diálogo com ela, a gente tem se relacionado melhor nas aulas de inglês, tanto dentro da sala como fora. Sempre quando ela tem algumaalgum questionamento pra fazer, ela sempre fala “oh, Isabelly, eu aprendi uma coisa, uma coisa nova”. (Entrevista sobre a 2a. atividade) Oportunidade de aprimorar o trabalho em grupo No exemplo 108, Drummond relata a mudança de atitude da colega que não gostava de trabalhar em grupo, o que, de início, atrapalhou o trabalho dele com ela. Contudo, com o desenrolar A percepção dos alunos sobre a aprendizagem colaborativa • 119 das atividades, ele percebeu que ela mudou de opinião sobre as atividades colaborativas e o trabalho fluiu naturalmente: Guido: O.k., e que pontos positivos e negativos você destacaria nessa segunda revisão? Drummond: [...] Agora, como ponto positivo, eu-eu diria que é o relacionamento, que a primeira vez há o medo, por saber que a colega não gosta de trabalhar em grupo e ela deixou isso bem claro, que não gosta de trabalhar em grupo. Então, o primeiro, a primeira vez que a gente fez uma revisão, a gente sentia inibido e eu muitas vezes, às vezes, eu achava que tinha alguma coisa no texto, primeiro texto ((que)) poderia ser mudado e eu ficava sem-sem jeito de falar, pelo fato de ela própria, ter dito- afirmado que não gostava de trabalhar em grupo. Já nesse segundo, a gente tava mais-mais-mais à vontade, já tava mais eh... entretido no-nosso relacionamento já tá-já tá bem mais adiantado, né, como colega de classe e tudo, como-como pessoas e-e isso levou- fez com que a gente também trocasse mais ideias, que a gente conversasse mais sobre o texto. Enfim, esse convívio de-desses trabalhos em grupo, tá sendo de-de suma importância. Eu destaco isso como principal ponto positivo, porque a colega não gostava de fazer trabalho em grupo e pelo que eu-eu percebo hoje, eu não diria que ela tá gostando, mas eu diria que ela tá conseguindo aceitar a hipótese que trabalhar em grupo é realmente uma coisa útil. (Entrevista sobre a 2a. atividade) Como vimos no item 2.2.3, Tieta não tinha o hábito de trabalhar em grupo. Pode-se considerar essa nova postura como a superação de bloqueios, resultante de um aumento da autoconfiança causado pelas atividades de revisão colaborativa (Crandall, 1999). 5.5 Aspectos negativos Foram levantados, também, os aspectos negativos das atividades de revisão colaborativa, que serão comentados a seguir. Não-solução para as dúvidas Durante as conversas, surgiu a problemática da situação em que um dos colegas que tem menos conhecimentos de inglês acaba 120 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa não ajudando o parceiro tanto quanto gostaria ou não pode ajudar a solucionar a dúvida sobre o texto, como podemos observar nas falas de Rodrigo e Ketlin: Guido: Você prefere revisar sozinho? Rodrigo Não, lógico que eu não sei, assim. Eu-eu... eu reviso o do colega, mas eu já-eu já penso que pra ele revisar o meu- ele já-ela já deve ter mais dificuldade. Guido Por que que você acha que ela teria mais dificuldade de revisar o seu? Rodrigo: Não é... não é questão, assim... mas eu acho, tipo assim, no caso da Letícia, no caso dela foi eh... assim, porque pelo que a gente conversou e até mesmo ela me falou que não... ela não sabe nada, praticamente nada de inglês. Então pra ela foi difícil sabe, assim, e até mesmo de eu achar que tá certo o que que ela está falando Guido: Hmm, hmm. E você teve dificuldade de trabalhar com a sua parceira? Rodrigo: Não... nem um pouco. (Entrevista sobre a 1a. atividade) Guido: Entendo. E o que você achou da atividade de revisão com a colega? Destaque os pontos positivos e os pontos negativos. Ketlin: Os positivos é que... como eu disse, com o colega a gente se abre mais... a gente pergunta uma dúvida.... mas um ponto negativo que eu acho é que aquele colega não sabe te responder o que você queria saber. Então, nesse caso, tenho que recorrer ao professor porque, mesmo que eu trabalho de grupo com o meu colega, eu não consigo, às vezes, tirar a dúvida dele e nem ele tirar as minhas, como... na gramática, a gramática assim- eh... preposições que eu tenho muita dificuldade, artigo, onde coloca, se não coloca, se vem o advérbio primeiro, se vem o substantivo... nesse sentido. (Entrevista sobre a 1a. atividade) Excesso de barulho causado pelas interações Dos oito participantes da pesquisa, Drummond foi o único a se queixar, por duas vezes, que havia muitos alunos na sala (40 alunos ao todo) e a formação de duplas para discussão acabava gerando muito barulho, o que, segundo ele, perturbava a concentração: A percepção dos alunos sobre a aprendizagem colaborativa • 121 Drummond: Mais... eu vejo um ponto negativo é-é a forma de trabalhar esse texto na sala de aula, porque eu acho que o texto é super importante... ele é fundamental mas a proximidade de uma dupla com outra dupla acaba tirando um pouco a-a... tirando um pouco a liberdade Guido: O-o número de pessoas dentro da sala? Drummond: É... o número de pessoas dentro da sala. Com relação à revisão, ao trabalho em si, eu não tenho nada contra. O que eu acho que atrapalha um pouco é a proximidade, que às vezes tem uma dupla conversando e menos de 50 centímetros da gente tem outra dupla e você tá-tá seguindo um raciocínio, tá firme no raciocínio, de repente a dupla da frente tá fazendo outro comentário, tudo, e você acaba confundindo uma coisa com a outra... eu acho que ponto negativo não é o texto nem a forma de trabalhar, que a forma de trabalhar é diferente. (Entrevista sobre a 1a. atividade) Dificuldade em opinar sobre um conteúdo pessoal Um aspecto relevante é a questão do conteúdo pessoal, ou seja, aquele em que o aluno escreve coisas que dizem única e exclusivamente a seu respeito. Alguns participantes relataram o fato de que o parceiro tende a considerar que emitir opinião sobre aquele tipo de conteúdo não é de bom tom. Eis o que diz Drummond: Guido: O.k., e que pontos positivos e negativos você destacaria nessa segunda revisão? Drummond: Pontos negativo eu destacaria que, como foi uma-uma redação de uma- muito pessoal, porque cada pessoa tem uma casa diferente, né, como ela falou uma coisa muito pessoal, eh... é até difícil em grupo a gente poder dar muito, dar muita opinião. O que nós fizemos foi simplesmente olhar o texto, a construção do-do texto e principalmente a parte de gramática, as pequenas dúvidas que tiveram. [...] (Entrevista sobre a 2a. atividade) Tieta, por sua vez, mostra-se um pouco irritada quando o parceiro exagera na colocação de coisas pessoais nos textos: 122 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa Guido: E que pontos positivos e pontos negativos vocês destacaria dessa segunda atividade de revisão? Tieta: Nessa segunda atividade? Eh... só- acho, assim, que- o meu colega, ele- eu não sei se ele confundiu um pouco eh... com relação à atividade, que eu acho, assim, que ele usou- como era pra gente falar da nossa casa, eu acho que ele usou mui-muito o lado pessoal, ele entrou mais no lado pessoal, esqueceu de falar mesmo do que pedia a tarefa. Guido: E você vê... Tieta: Fala. Guido: Você vê que ele fugiu um pouco aqui do que era pedido? Tieta: É, do que era pedido, sabe? Mas pontos negativos eu não-eu não e não consegui encontrar nenhum pelo fato de que eu acho, assim, muito válida e gratificante esse tipo de trabalho. (Entrevista sobre a 2a. atividade) Dificuldade de detectar os erros No decorrer das três atividades, dois textos deixaram de sofrer revisões porque as autoras/leitoras não encontraram erros, o que se tornou motivo de frustração para elas, como explica Ketlin: Guido: Que pontos positivos e os negativos você destacaria nessa segunda atividade? Ketlin: Positivos e negativos? Nossa, difícil. Positivo acho que porque obteve mais conhecimento e negativo foi que a gente não encontrou nenhum erro, sabe lá se a gente tava certa ou errada mesmo. Acho que foi esses só, os negativos- que eu acho- foi isso assim- a gente não conseguiu ver nada de errado, a não ser se fosse, assim, colocações mesmo, na parte gramatical, que é uma parte que a gente tem bastante dificuldade, então só se for isso, nesse ponto. Guido: Espera, por que você considera negativo não ter achado nenhum erro? Ketlin: Porque eu tenho quase certeza que... deve ter algum (risos). (Entrevista sobre a 2a. atividade) A percepção dos alunos sobre a aprendizagem colaborativa • 123 Como percebemos nos parágrafos anteriores, os participantes apontaram mais aspectos positivos que negativos quando se referiram à revisão colaborativa. A dificuldade de detectar erros e a não-solução de algumas dúvidas não são aspectos surpreendentes, uma vez que a turma pesquisada era composta por alunos iniciantes no curso de Letras e, portanto, com pouco conhecimento da língua inglesa. Ademais, essas dificuldades também podem estar presentes em alunos de nível mais avançado, como observou Figueiredo (2001). A questão do excesso de barulho, levantada por Drummond em duas ocasiões, pode ser sanada ao se permitir aos alunos que utilizem outros espaços que não a sala de aula, o que efetivamente foi feito durante esta pesquisa, visto que os alunos podiam sair da sala para realizar as atividades em outros locais da universidade, como, por exemplo, a biblioteca. Como exposto no item 3.4.4.3, durante as atividades de revisão colaborativa, os alunos tinham de mostrar seus textos, às vezes com conteúdo pessoal, ao colega. Percebemos pelo exemplo 112, que os alunos não se sentiram totalmente à vontade para opinar sobre um tema que ainda não lhes era totalmente conhecido: a vida do colega. 5.6 Sentimentos expressos pelos participantes Durante as entrevistas, perguntamos aos alunos como eles se sentiam em relação ao colega, à atividade, ao revisar o texto do colega e ao ter o texto revisado pelo colega. Nas seções seguintes, comentaremos suas respostas. Em relação ao colega Os entrevistados expressaram sua relação com os parceiros de forma mais positiva do que negativa, o que pode ser comprovado através das falas de Ketlin, Judy e Lana: 124 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa Guido: [...] Você teve dificuldade de trabalhar com a colega? Ketlin: Não, eu sempre gosto de trabalhar em grupo. (Entrevista sobre a 1a. atividade) Guido: E essa- e essa atividade de corrigir com-com a colega influenciou de algum modo isso? Essa segurança que você disse que tá tendo? Judy: Eu acho que sim, acho que sim, porque e-essa parceria, assim, de duas pessoas, eu acho legal, eu gosto, eu gosto de sempre tá fazendo, assim, um trabalho junto com a pessoa pra tá pegando opinião, pra tá perguntando, eu acho que é bom. Guido: Então você não tem receio de dividir o seu conhecimento e receber também sugestões? Judy: Não, eu gosto de receber e de dar. Guido: Entendo. E como é que você- como é que foi o relacionamento de vocês duas durante a atividade de revisão? Judy: Eu gosto de fazer trabalhos em grupos. (Entrevista sobre a 2a. atividade) Guido: [...] E como é que você- como é que foi o relacionamento de vocês duas durante a atividade de revisão? Lana: Foi bom, eu- desde o começo, comecei a trabalhar juntas, eu gostei, ela é uma pessoa muito legal, muito... dez. (Entrevista sobre a 3a. atividade) Lana e Letícia acrescentam o fato de que, com o passar do tempo, o relacionamento melhora mais; e os parceiros se entendem melhor: Guido: Você acha- você-você entrosou mais ou entrosou menos dessa vez com a colega, uma vez que você já trabalhou com ela, né? Lana: É, não, mais, cada dia tá ficando melhor, né, porque a gente vai eh... conhecendo mais os pontos e a gente acaba até- acho que tá saindo melhor, cada vez que passa vou melhorando mais, né? (Entrevista sobre a 2a. atividade) A percepção dos alunos sobre a aprendizagem colaborativa • 125 Guido: É, como foi o trabalho, com relação a trabalhar com ele novamente? Letícia: Normal, assim, foi praticamente a mesma coisa. Eu já tinha, assim, um convívio com ele. Ele sabe mais, em matéria de saber, assim, ele sabe mais, mas eu tô esforçando, ele está me ajudando bastante. Agora eu já pude ajudar ele mais do que eu pude na segunda- da primeira vez, assim, da primeira vez ele corrigia mais, assim, ele entendia mais. Agora eu já entendi mais um pouquinho pra ajudar ele a corrigir. Guido: Então-então eu posso concluir, concluir pessoalmente é claro, que dessa vez você tomou uma parte bem mais ativa do que da primeira vez? Letícia: Isso... foi isso. (Entrevista sobre a 2a. atividade) Tieta revela-se individualista, mas não credita à atividade um constrangimento em trabalhar em duplas: Guido: [...] Você teve dificuldade de trabalhar com o colega? Tieta: Tenho, porque eu sou muito individualista. Guido: Nessa atividade, a primeira atividade em particular, você teve dificuldade? Tieta: Eh... deixa eu explicar direito eh... nessa questão de fazer pro colega corrigir, eu não tenho dificuldade. Eu tenho dificuldade quando é pra nos dois trabalharmos juntos, construirmos um texto juntos, assim eu tenho dificuldades. (Entrevista sobre a 1a. atividade) E ela revela que seu parceiro, nas atividades, mostrou-se expressivo e receptivo às suas opiniões: Guido: [...] E como é que foi o trabalho com o colega dessa vez, dessa segunda? Lembrando que é a segunda vez que você trabalha com o mesmo parceiro! Tieta: Eu achei ótimo, foi muito bom, é um colega, assim, muito, assim, expressivo eh... aceita, acata as-as ideias. Ele respeita o meu-o meu modo de pensar, de falar, de agir. E tá havendo um bom entrosamento entre nós, [...] (Entrevista sobre a 2a. atividade) 126 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa Drummond confirma que se sentiu constrangido de início, mas, no decorrer das atividades, passou a se entrosar de forma harmoniosa com a parceira, o que contribuiu para a criação de um clima positivo para a realização da atividade: Guido: [...] Drummond, você teve alguma dificuldade de trabalhar com a colega? Drummond: Não, com a Tieta, não... (?) eu tive u-um-um pe-pra-pra falar que não, eu taria mentindo, porque no dia da nossa primeira-da nossa primeira conversa sobre o- pré- quando você foi escolher os voluntários, elaela deixou bem claro que tinha dificuldade muito grande de trabalhar (?) em grupo, ela disse que preferia trabalhar sozinha. Então quando eu fui-fui sorteado1 pra fazer o trabalho junto com ela, a primeira coisa que veio na minha cabeça foi que ela não gosta de trabalhar com ninguém. Mas aí antes do- a gente conversando, tudo, ela-ela se abriu, ela conversou, brincou, e quando a gente começou o trabalho, aí eu já tava super à vontade, ela também já tava super à vontade, já-já não tinha mais aquela coisa que ela disse que não gostava. Elaela-ela se- eu acho que ela se sentiu super bem de trabalhar comigo também que ela ficou super à vontade. Aí eu não fiquei constrangido não, eu achei bom trabalhar com ela mesmo, de verdade. (Entrevista sobre a 1a. atividade) Segundo Johnson e Johnson (2002), as habilidades sociais fazem parte da aprendizagem colaborativa. E nela se inclui o relacionamento entre os alunos, ou seja, conhecimento, confiança, apoio e solução de conflitos em conjunto (Liu e Hansen, 2002). Como mostramos nesta seção, os alunos foram receptivos às opiniões dos colegas, apoiaram-se mutuamente, solucionaram constrangimentos iniciais e aprimoraram seu relacionamento. Em relação à atividade Os sentimentos em relação à atividade também foram positivos, como veremos nesta seção. Rodrigo, por exemplo, estabelece um paralelo desse tipo de atividade com o que era usual na sua formação de ensino fundamental e conclui que, com a revisão colaborativa, o aluno envolve-se de forma produtiva: A percepção dos alunos sobre a aprendizagem colaborativa • 127 Guido: [...] E... tem algum último comentário, Rodrigo? Rodrigo: Ah... eu gostei muito da-da revisão assim. Eu tô gostando demais das aulas de inglês, que eu não aprendi-que eu não aprendi quando eu estudava no primário. É igual eu te expliquei mesmo, os professores só chegavam, passavam matéria, mas não tinha aquele aproveitamento, aquela dinâmica que você tem feito... E agora eu tô aprendendo isso com muito envolvimento. Inclusive eu procuro fazer os exercícios em casa, pensar, questionar, ampliar sobre aquilo, assim, sabe, deu mais vontade de aprender. (Entrevista sobre a 1a. atividade) A atividade de revisão colaborativa proporciona ao aluno um senso de segurança maior, como atesta Judy: Guido: Entendo. E do primeiro texto, que era aquela carta, para esse segundo texto, que é você descrever a sua casa, você acha que houve alguma diferença nos dois textos? Judy: Houve diferença, assim, que daquele pra esse eu já tava mais segura. Eu acho que eu já tava, assim, mais experiência, já tava mais assim- já tava sabendo mais... já-já fui pegando o papel e escrevendo com mais facilidade. Foi bom assim... tinha mais facilidade. (Entrevista sobre a 2a. atividade) E isso se traduz em um senso de realização dos alunos: Guido: E como você avalia seu desempenho nessa atividade? Judy: Eu-eu acho que já passei, assim... subi um grande degrau já, porque eueu nunca tinha imaginado, assim, que eu conseguiria formar um texto em inglês. Guido: Agora você já tem uma... Judy E não foi um texto que eu peguei ele pronto e só passei para o inglês, foi um texto que eu criei assim, eu fui criando da minha forma, eu não imaginava que eu conseguiria, sério mesmo. Guido: Agora você viu que é possível? Judy: Vi que é possível. Guido: Dá uma sensação de realização? 128 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa Judy: Dá. Foi bom quando eu terminei, quando peguei, li, aí falei “nossa... eu consegui fazer um texto em inglês”. (Entrevista sobre a 3a. atividade) E a confiança em si leva o aluno a sentir que melhora a cada atividade: Guido: É essas atividades de revisão, que nós fizemos... foram três, influenciaram de alguma maneira a-o seu processo de escrita? Ketlin: Sim... eu quase não escrevia em inglês. Geralmente eu escrevia em português, depois passava pro inglês, poder caçar no dicionário, geralmente do jeito que tava lá eu escrevia. Agora não, agora já sei que posso levar direto pro inglês, se eu não souber aquela palavra, deixo ela, mas eu continuo escrevendo as demais que eu souber, que é um processo bem mais rápido, acho que tem mais possibilidades de acerto do que eu colocando em português e passando pro inglês. (Entrevista sobre a 3a. atividade) Ao revisar o texto do colega Ao revisar os textos dos colegas, os participantes experimentaram diferentes reações, todavia com um alto teor positivo. Drummond, por exemplo, considera emocionante aprender novas palavras enquanto revisa o texto da colega: Guido: O.k. Como é que você vê o fato de revisar o texto de sua colega? Drummond: [...] E essa revisão da gente foi super importante por isso, porque... além de eu- algumas partes do conhecimento dela que eu não-nem imaginava que-que um dia eu pudesse saber, e graças a essa-essaesse texto que ela fez eu pude descobrir essas palavras. E o texto dela também foi... foi bem emocionante, né? Eu achei fundamental o texto dela. (Entrevista sobre a 1a. atividade) A percepção dos alunos sobre a aprendizagem colaborativa • 129 Os participantes consideram a atividade de revisão colaborativa como uma ótima experiência. Entretanto, alguns consideram que a revisão do professor é necessária para uma segurança maior sobre o que está escrito, o que pode ser observado na fala de Isabelly: Guido: [...] Isabelly, como é que você vê o fato de revisar o texto de seu colega? Isabelly: É uma ótima experiência, porque a gente aprende com os nossos erros. Posso fazer mais comentário? Guido: Siga. Isabelly: É, mas acho necessário também que com os erros a gente aprende, mas às vezes, a gente não sabe se erra... Então, eu acho necessário que o professor eh... esteja, assim, dando uma olhada depois que nós fizemos a revisão, pra ter... uma melhor segurança daquilo que escrevemos. (Entrevista sobre a 1a. atividade) Alguns participantes, como, por exemplo, Rodrigo, dizem ter sentido uma melhoria em seu modo de revisar: Guido: Hmm... Como é que você se sentiu ao revisar o texto do colegada colega? Rodrigo: O dela ou o meu? Guido: O dela. Rodrigo: O dela.. Ah, assim, foi mais fácil, assim, eu já fui vendo o que achava que tava errado e já ia consertando, assim, mais fácil quea primeira vez usei eh... dicionário, esses trens, e agora, não. Guido: Deixou de usar? Rodrigo: Assim, usei só nos casos mais, assim, que precisava. (Entrevista sobre a 3a. atividade) Nota-se, pelas falas dos alunos, que a atividade de revisão colaborativa proporcionou um ambiente de relações positivas, em que os próprios alunos veem sua evolução no processo de aprendizagem da língua inglesa. 130 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa Ao ter o texto revisado pelo colega Quando se trata de ter o texto revisado, os alunos sentem-se um pouco mais desconfortáveis do que quando revisam. Contudo, poucos participantes revelam essa sensação de desconforto, como é o caso de Drummond, no exemplo 130, que diz ter se sentido um pouco constrangido quando a colega teve acesso ao conteúdo pessoal de seu texto: Guido: E como é que você vê a-o fato de ter o seu texto revisado pela colega também? Drummond: Pra ser sincero, eu-eu fico-fiquei um pouco constrangido, porque no meu texto eu falei o que tava sentindo no dia. Primeiramente, era o dia do meu aniversário e eu não tava nada feliz, tive uma discussão muito feia com a minha esposa, a gente até... foi citado falar em divórcio, em separação e eu tava, nesse dia, muito amargurado e eu coloquei no texto... eu acho que tenho uma mania de escrever tudo que eu tô sentindo na-na hora, no dia e eu coloquei no texto que a gente tava até quase se separando. Quando a colega pegou o texto, eu fiquei, assim, um pouco constrangido de ela ver o que a gente acha que nunca... a-a gente procura esconder a- os nossos problemas pra não passar pras pessoas, né? E na hora que ela leu, aí ela... primeira coisa (??) ela me perguntou como é que tava e tudo e é difícil a gente comentar sobre isso. A primeira reação minha foi essa, ficar um pouco constrangido sobre ela ficar sabendo dos problemas familiares. (Entrevista sobre a 1a. atividade) Por outro lado, os sentimentos positivos são imediatamente apontados pelos alunos. Letícia, por exemplo, afirma ter confiança na opinião do colega: Guido: Então complementa aí dizendo como é que você vê o fato de seu texto ser revisado pelo colega. Completa aí, que você já começou a falar do colega, como é que você vê o texto sendo revisado pelo colega? Letícia: Ser revisado por ele? Guido: É. A percepção dos alunos sobre a aprendizagem colaborativa • 131 Letícia: ...Ué, eu acho assim... eu acredito na capacidade dele... eu acho que ele pode ver bastante-bastante coisa na conta, assim, claro que ele não é igual a você, né? Não tem nem como, mas eu confio nele sim, no que ele fala que tá errado, muitas vezes eu confio nele. (Entrevista sobre a 1a. atividade) Ketlin, na terceira atividade, revela um senso companheirismo quando seu texto é revisado pela colega: de Guido: O.k., não, mas a-a questão é a seguinte: como é que- qual suas emoções ao ter seu texto revisado pelo colega-pela colega? Ketlin: Qual foi minha emoção? Guido: É, qual sensação que você teve? Ketlin: (pausa) Guido: Achou ruim, achou bom? Ketlin: Não... uma sensação de companheirismo, porque eu pude not- pude ver nela a-o empenho dela tentar passar o que eu... ainda não tinha notado, que eu tinha errado no meu texto porque, às vezes, eu mesmo olhando para o meu texto, não consigo achar erros, e... a pessoa olhando, ele já me acompanha, me ajuda a ver onde eu errei pra que eu possa não errar mais. (Entrevista sobre a 3a. atividade) Expor-se ou exibir trabalhos seus a outros frequentemente faz com que as pessoas sintam-se desconfortáveis. Entretanto, como vimos nos exemplos anteriores, os alunos superaram as dificuldades iniciais e engajaram-se em ações de ajuda recíproca, ampliando o companheirismo, com o fito de identificar o erro e melhorar seus textos. Tendo apresentado os resultados das entrevistas, apresentaremos, na próxima seção, os resultados referentes à análise do questionário final. 132 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa 5.7 Análise do questionário final Como foi explicitado no Capítulo 2, todos os alunos da turma em que a pesquisa foi realizada responderam a um questionário final. A aplicação desse questionário teve como objetivo obter as percepções dos alunos não-participantes, visto que eles não foram entrevistados, e contrastá-las com as dos participantes. Discutiremos os resultados nos itens a seguir. Os trechos das respostas dos alunos serão reproduzidos literalmente. Portanto, erros de português não serão corrigidos. Como as respostas dadas serão apresentadas sem as perguntas, incluiremos, em alguns trechos, algumas palavras entre parênteses para completar o sentido. Procedimentos para revisão dos textos Os alunos não-participantes informaram que, durante as atividades de revisão com os pares, procediam de várias formas: v primeiro revisavam juntos um texto, depois o outro; v discutiam sobre o que estava errado; v rabiscavam os erros, escreviam a forma correta e comentavam; v procuravam as palavras erradas; v organizavam o texto; v pediam ajuda a outras pessoas; v liam o texto e faziam comentários, procurando entender o que o colega queria dizer; v verificavam a concordância dos verbos, as frases, as pontuações; v observavam a colocação das palavras, se os adjetivos, os verbos e os auxiliares estavam da maneira correta; v conversavam até chegar a um entendimento final; v cada um relia seu texto, depois analisavam juntos cada produção; A percepção dos alunos sobre a aprendizagem colaborativa • 133 v analisavam os erros, pesquisavam, procuravam o professor e os colegas; v consultavam o professor ou o dicionário quando havia dúvidas. Os participantes da pesquisa apresentaram procedimentos com diferenças mínimas dos não-participantes: utilizavam os seus conhecimentos; usavam o dicionário; se permanecesse a dúvida, procuravam o professor; primeiro revisavam juntos um texto, depois o outro; procuravam saber primeiro do que o texto tratava, depois o revisavam; v primeiro observavam a gramática, depois se estava escrito de maneira que o assunto ficasse agradável, e finalmente se a escrita estava correta; v liam e, quando percebiam algo errado, paravam para resolver. v v v v v Quando havia dúvidas, os participantes e os não-participantes relataram as mesmas atitudes quando não conseguiam solucioná-las: v v v v v v recorriam ao professor; discutiam o problema; consultavam o dicionário; recorriam aos colegas; deixavam o professor corrigir após a entrega; recorriam às anotações. Percebe-se que o processo de revisão é dinâmico, com idas e vindas dentro e fora do texto. Os alunos liam, reliam, questionavam, comentavam, escreviam, procuravam ajuda, voltavam ao texto, liam para entender, reliam para corrigir etc. Além disso, utilizaram todos os recursos disponíveis à sua aprendizagem, o que comprova seu comportamento ativo. 134 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa O uso da língua materna foi uma constante durante as interações. Contudo, esta não se constitui em um problema, como afirmam Villamil e Guerrero (1996), Silva (1999) e Figueiredo (2001). Ao contrário, é um recurso valioso utilizado para a concretização de seus objetivos, ou seja, a revisão dos textos. Análise da forma e/ou do conteúdo Quinze alunos não-participantes e três participantes relataram que, quando revisaram os textos, preocupavam-se tanto com a forma quanto com o conteúdo. Outros alunos mencionaram uma preocupação maior com a forma (12 não-participantes e 2 participantes) ou com o conteúdo (3 não-participantes e 3 participantes). São as seguintes as razões apresentadas para uma atenção maior à forma: preocupação com coerência e coesão; preocupação se havia colocado os pronomes, artigos etc. na ordem certa; v preocupação com a forma, porque o conteúdo é mais fácil; v sem regras não se pode fazer um bom conteúdo; v aprender melhor o inglês escrito; v não adianta ter um conteúdo maravilhoso se ele não é escrito da forma correta. quem vai entender? v aprendíamos as devidas colocações gramaticais para sucessivamente não voltarmos a cometê-las; v porque não acha que tem o direito de interferir no conteúdo do outro. v v As razões apresentadas para uma atenção maior ao conteúdo foram as seguintes: v v implica no entendimento ou não do texto; é impossível produzir um texto sem conteúdo; A percepção dos alunos sobre a aprendizagem colaborativa • 135 v v é importante passar um bom conteúdo para o professor; importância de uma boa mensagem. E as razões para focalizarem conteúdo e formas juntos foram assim colocadas: v v v v v v para dar mais harmonia ao texto; não existe forma sem conteúdo; curiosidade em saber o que estava escrito e como estava escrito; não se tem um bom texto se ele não apresentar uma estrutura adequada; forma e conteúdo andam juntos para uma boa qualidade de um texto; é necessário um bom conteúdo, mas também é necessário que possamos saber estruturar um texto, deixando-o conciso, coerente e agradável de ler. Entretanto, a análise dos textos revela que, de fato, os alunos participantes revisaram mais a forma do que o conteúdo, e as possíveis razões para isso são: v v v experiência anterior (ensino fundamental e médio) voltada para a gramática; preocupação em não interferir no conteúdo do colega; os textos pedidos aos alunos não continham temáticas que ultrapassassem o nível elementar, o que fez com que entendessem o texto do colega e se concentrassem na gramática. Ao considerarmos os textos analisados e as respostas dadas pelos participantes e não-participantes, percebemos que eles afirmam que examinam tanto o conteúdo quanto a forma. Entretanto, a maioria das revisões observadas concentra-se na forma. A nosso ver, essa discrepância entre o que foi afirmado nos questionários e o que mostra a análise dos textos é explicado pelo último item mencionado 136 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa no parágrafo anterior, ou seja, os alunos liam o texto e verificavam o entendimento do mesmo. Como o sentido do texto ficava claro, passavam à revisão da forma, onde detectaram problemas para o entendimento. Relacionamento durante as atividades Os alunos não-participantes relataram principalmente um relacionamento positivo. Além de alguns terem escrito que encontraram o colega certo e que um ajudava o outro, usaram os seguintes adjetivos para descrever o relacionamento durante as atividades: bom, agradável, harmonioso, favorável à ajuda mútua, ótimo, muito bom, normal, interessante e amigável. As respostas dadas no questionário final ratificam as respostas que vimos nas entrevistas, isto é, as atividades com os colegas transcorreram num clima agradável. Os dois únicos pontos negativos mencionados foram a falta de confiança em si mesmos e nos colegas: Senti uma falta de confiança, pois nenhuma de nós duas somos expert no inglês. (NP 15) Percebi que às vezes houve individualidade, uma não confiava muito na outra, não aceitava a sugestão da outra. (NP 19) Os participantes também utilizaram palavras positivas para descrever o relacionamento com os pares: o melhor possível, muito bom, normal, ótimo e bom. Os exemplos 135 a 138 ratificam tais afirmativas: Foi ótimo, meu colega é simplesmente uma gracinha, atencioso, educado e muito observador. Gosto de trabalhar com ele. (Tieta) Ótimo, nós duas sempre nos relacionamos bem, o que influenciou o trabalho em grupo. (Isabelly) A percepção dos alunos sobre a aprendizagem colaborativa • 137 Muito bom, às vezes não tínhamos as mesmas opiniões, mas sempre chegávamos a resposta, respeitando a opinião do colega sempre. (NP 11) Muito bom! Saber que você pode ajudar e também ser ajudado é muito importante para se relacionar bem e aprender melhor. (NP 21) 5.8 Avaliação geral das atividades de revisão colaborativa Os alunos não-participantes, bem como os participantes, apontaram mais aspectos positivos do que negativos, quando realizaram uma avaliação geral da atividade com os pares. Na quadro 2, apresento uma síntese de suas avaliações: Quadro 2 – Avaliação geral das atividades de revisão colaborativa Aspectos positivos Aspectos negativos – Possibilidade de observar o próprio desenvolvimento e de esclarecer dúvidas; – Possibilidade de conhecer a opinião do colega e de aprender com ele; – Possibilidade de perceber erros que, de outra forma, passariam despercebidos; – Possibilidade de aprimorar a qualidade dos textos e de se tornarem mais críticos; – Possibilidade de adquirir novos conhecimentos e aperfeiçoar os que já tinham; – Possibilidade de perder o medo e a inibição com relação à língua inglesa; – Possibilidade de aceitar os próprios erros e de superá-los; – Possibilidade de melhor relacionamento com os colegas; – Possibilidade de se expressarem de forma igualitária; – Há a necessidade de mais conhecimento dos alunos para atuar nesse tipo de atividade; – Há sempre dúvidas entre os colegas. As citações 139 a 144 apontam razões para tal avaliação: 138 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa Acho muito aproveitáveis (as atividades de revisão colaborativa), pois um ajuda o outro e se pode ter uma intimidade maior em expor ideias e dúvidas. (Judy) Foi de muita valia pois me ajudou a aceitar os meus erros e a superá-los. (Isabelly) São muito boas pois aprendemos a organizar um texto em inglês, a conhecer novas palavras, e a não ter vergonha de tirar nossas dúvidas ou com o colega ou com o professor. (NP 3) Não muito compreendida, pois a dúvida sempre pairava no meio de nós de ambas as partes. (NP 15) Sinto que falta um pouco mais de aprendizado para uma atividade dessa natureza. (NP 19) Ótimo, assim temos a opinião dos nossos colegas e aprendemos juntos. Aproveitamos a aula e não fica, assim, aquela aula monótona. (NP 27) Podemos observar, por meio desses exemplos, que os alunos salientaram especialmente os aspectos positivos, comprovando a criação de um ambiente favorável à aprendizagem de língua inglesa através da revisão colaborativa. Em relação aos aspectos negativos, acreditamos ser natural o fato de que nem todas as dúvidas foram sanadas, uma vez que os participantes são alunos iniciantes de língua inglesa. Atitudes propiciadas pelas atividades com relação à aprendizagem de língua inglesa Em relação à aprendizagem de língua inglesa, 25 alunos nãoparticipantes relataram que as atividades de revisão colaborativa os afetaram positivamente, 3 afirmaram que tais atividades não tiveram influência alguma em sua aprendizagem e 2 disseram que as atividades os afetaram de uma forma não definida. Todos os 8 participantes afirmaram que as atividades afetaram o processo de aprendizagem positivamente. Uma síntese das razões alegadas para tal influência encontrase na quadro 3. Logo a seguir, encontram-se algumas citações retiradas dos questionários: A percepção dos alunos sobre a aprendizagem colaborativa • 139 Quadro 3 – Comentários para o fato de a atividade ter afetado o processo de aprendizagem positivamente Não-Participantes Participantes As atividades proporcionaram: As atividades proporcionaram: Oportunidade para relembrar regras e aprender novas estruturas; Oportunidade de desenvolver o senso crítico; Oportunidade para solucionar dúvidas; Oportunidade de melhorar o texto através da observação do colega; Oportunidade para os alunos se conhecerem melhor; Oportunidade de aprender palavras e expressões desconhecidas; Oportunidade para superar bloqueios (inibição, receio etc.); Estímulo para aprender a língua inglesa. Oportunidade para praticar tópicos estudados; Oportunidade de aprender com o erro através da interação com o colega; Estímulo para aprender a língua inglesa. Os exemplos a seguir ilustram essas atitudes: (Afetou) positivamente. Desenvolve mais o nosso senso crítico, aumentando o nosso aprendizado. (Lana) (Afetou) positivamente, pois muitas vezes a colega via erros que eu não percebia, assim contribuía na melhoria do texto. (Judy) Foi positiva despertando cada vez mais em mim a vontade de escrever e falar em inglês, despertando o desejo de aprender cada vez mais. (Isabelly) (Afetou) positivamente, porque solucionei várias dúvidas e estou conseguindo assimilar melhor a matéria. (NP 3) (Afetou) positivamente. Pois ambos tiveram oportunidade de se conhecerem melhor e com isto muitos bloqueios e temores foram deixados para trás. (NP 4) (Afetou de forma) positiva. Através das correções, notas, senti que tenho melhorado com isso, estou escrevendo cada vez melhor (na minha opinião). (NP 21) Essas atividades me afetaram positivamente pois a cada trabalho eu me sinto mais segura tanto na fala quanto na escrita. (NP 22) 140 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em língua inglesa Consideramos, portanto, que os alunos foram afetados positivamente pela revisão colaborativa, pois os motivou a aprender mais e a superar seus receios. Segundo Crandall (1999), essa motivação e a superação de bloqueios são benefícios da aprendizagem colaborativa. Neste terceiro capítulo, tecemos considerações sobre o que (seções 3.1 e 3.3) e como (seção 3.2) os alunos revisam seus textos nas atividades de revisão colaborativa. Em seguida, analisamos as entrevistas gravadas, mostrando a visão dos alunos participantes sobre erro, utilização ou não dos comentários do colega, aspectos positivos e negativos, bem como seus sentimentos com relação à atividade, aos colegas e ao fato de ter seu texto revisado e revisar o texto do colega (seção 3.4). Na seção 3.5, apresentamos as respostas dos alunos não-participantes e dos participantes ao questionário final, com considerações sobre procedimentos de revisão, análise da forma e do conteúdo, relacionamento durante as atividades, avaliação geral das atividades de revisão colaborativa, e atitudes propiciadas pela revisão colaborativa com relação ao aprendizado de língua inglesa. No capítulo seguinte, como base nos resultados das análises aqui apresentados, procuraremos responder às perguntas que motivaram este estudo, bem como tecer algumas reflexões a respeito da revisão colaborativa e suas implicações para o ensino de língua inglesa. 1 Os participantes escolheram os pares com quem iriam trabalhar. Entretanto, no dia da escolha, Drummond atrasou-se e, portanto, fez par com a única participante que sobrara. Por essa razão, ele utiliza o termo “sorteado”. capítulo 6 À guisa de conclusão Eu nunca tinha imaginado, assim, que eu conseguiria formar um texto em inglês e não foi um texto que eu peguei ele pronto e só passei para o inglês, foi um texto que eu criei assim, eu fui criando da minha forma, eu não imaginava que eu conseguiria, sério mesmo. Judy (participante da pesquisa) Neste capítulo retomamos as perguntas de pesquisa que motivaram este estudo com base nas análises feitas no capítulo anterior. Em seguida, discorreremos sobre as suas implicações pedagógicas para a sala de aula de língua inglesa, bem como suas limitações. Finalmente, apresentaremos sugestões para futuras pesquisas e traçaremos algumas considerações finais deste estudo. A primeira pergunta da pesquisa dizia respeito às modificações efetuadas nos textos durante as atividades de revisão colaborativa. Ao compararmos as duas versões dos textos dos alunos, analisamos três aspectos: a correção ou não de erros, estratégias de revisão e modificações efetuadas. No que tange aos erros, observamos os existentes na primeira versão e, em seguida, quais foram corrigidos e quais deixaram de 142 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em Língua Inglesa ser corrigidos na segunda versão. Além disso, verificamos se erros foram criados na segunda versão. Utilizando a taxonomia sugerida por Dellagnelo (2000b), agrupamos os erros em três categorias: conteúdo e ideias; organização e forma; e convenções de escrita. Percebemos, então, que a maioria dos erros dos alunos relaciona-se a convenções de escrita, ou seja, à estrutura gramatical. Ao analisarmos as correções, constatamos que 26% dos erros foram detectados e corrigidos, restando 74% sem correção. Em contrapartida, apenas 31 erros foram criados nas segundas versões dos textos dos participantes. Percebemos, em razão disso, que na atividade de revisão colaborativa, os alunos corrigem pouco, mas a quantidade de erros criados é inferior aos erros corrigidos. Em outras palavras, os alunos corrigem mais do que criam erros. Sem dúvida, isto é um fator positivo. Os tipos de erro mais corrigidos foram: acréscimo de palavras, omissão de palavras, ortografia, uso de palavras em português, vocabulário, problemas com o título, ordem das palavras e forma verbal. Há vários fatores que explicam por que esses erros foram os mais corrigidos: alguns afetavam o entendimento do texto; os alunos utilizaram o dicionário, consultaram os colegas, o professor, gramáticas e anotações de aulas. Em contrapartida, os erros menos corrigidos foram: pluralização ou não de substantivos, estrutura inadequada em inglês, problemas de coesão entre sentenças, concordância verbal, pontuação, ideia não desenvolvida, ideias diferentes em um único parágrafo, repetição ou redundância, informação errada, sentença errada e sentença com significado confuso. Novamente, há diversas explicações para a menor frequência da correção desses erros: a tendência dos alunos de verificar mais a forma do que o conteúdo; a influência da língua materna; a dificuldade para detectar os erros; e, a falta de determinados conhecimentos da língua para efetuar a correção. Utilizando a categorização para revisões de Faigley e Witte (1981), que envolve adições, apagamentos, substituições, reestruturações de palavras ou ideias, distribuições e consolidações, analisamos as modificações efetuadas nos textos dos alunos e, posteriormente, as agrupamos em quatro categorias: modificações À guisa de conclusão • 143 totalmente bem-sucedidas, modificações parcialmente bemsucedidas, modificações malsucedidas e modificações desnecessárias. Essas categorias estão presentes em Figueiredo (2001), exceto que, naquele estudo, como afirmamos anteriormente, há apenas modificações bem-sucedidas, enquanto que nesta pesquisa, elas foram divididas em totalmente bem-sucedidas (apresentaram uma estrutura correta ou melhoraram o texto) e parcialmente bemsucedidas (não apresentaram uma estrutura correta, mas mostraram um avanço em direção à estrutura correta). A análise das modificações revela que os alunos realizaram mais revisões em nível de sentença, tais como adição de preposição, de nova informação, de pontuação, de artigo definido, apagamento de preposição, substituição de ortografia, reestruturações etc. Em menor escala, realizaram revisões em nível do parágrafo, tais como distribuições e consolidações. Das 190 modificações efetuadas nos textos finais, 59% referemse a modificações totalmente bem-sucedidas, 12,1% a modificações parcialmente bem-sucedidas, 17,3% a modificações malsucedidas e 11,6% a modificações desnecessárias. Os números são bastante encorajadores. Percebe-se, ainda, que, apesar de focalizarem mais a forma, os alunos também efetuaram modificações de conteúdo. Pode-se verificar o comportamento ativo dos alunos, mais claramente quando examinamos suas estratégias de revisão. Elas envolvem ações tais como leitura, releitura, discussão, correção, reescritura, observação, discussão de dúvida etc. Este é um comportamento significativo, presente também nos alunos que fizeram parte da pesquisa de Villamil e Guerrero (1996). As estratégias de revisão utilizadas pelos alunos, pela ordem de frequência, foram: inserção de letras, palavras em grupos de palavras; letras, palavras ou grupos de palavras riscadas, com alternativas de substituição; letras, palavras ou grupos de palavras riscadas, sem alternativas de substituição; letras, palavras ou grupos de palavras circulados ou sublinhados, com alternativas de substituição; uso de caneta (ou lápis) de cor diferente da primeira escrita; letras, palavras ou grupos de palavras circulados ou sublinhados, sem alternativas de substituição; anotações nas margens do texto ou próximo à palavra; 144 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em Língua Inglesa inserção e riscamento ou apagamento de nova palavra; miniaula; tradução de trechos português-inglês e vice-versa; símbolos indicando mudança de posição de palavras; uso de aspas para indicar palavra não traduzida; mudança de ortografia (maiúscula/ minúscula); e sinal de dúvida. As estratégias de revisão revelam também que os alunos estão elaborando hipóteses sobre a língua que estão aprendendo. Algumas se mostraram acertadas, quando o erro foi corrigido; outras não, quando o erro deixou de ser corrigido ou quando a modificação levou à criação de um novo erro; e outras apontam para o acerto, quando o erro não foi corrigido, mas apresentou uma melhoria da primeira para a segunda versão. Além disso, os alunos não se esquivaram de usar os recursos à sua disposição, ou seja, dicionários, gramáticas e anotações. Em acréscimo a isso, eles engajaram-se numa interação social quando discutiam suas ideias em duplas e quando recorriam à ajuda dos colegas e do professor. A interação entre os alunos será abordada no próximo item. A segunda pergunta relacionava-se às percepções dos alunos a respeito do processo de revisão colaborativa. A resposta a essa pergunta leva-nos a considerar a revisão colaborativa uma atividade essencial em sala de aula. O primeiro tópico por nós abordado foi a noção de erro. Tanto os participantes quanto os não-participantes demonstraram uma visão menos severa em relação aos erros em seus textos escritos. Eles passaram a vê-los não mais como um obstáculo, mas como algo por meio do qual se aprende. No quadro a seguir, podemos notar essa mudança de ponto de vista – antes e após a realização das atividades de revisão colaborativa – por meio das respostas dos alunos no questionário: À guisa de conclusão • 145 Quadro 4 - Mudança de visão dos alunos sobre os erros Antes das atividades Depois das atividades Apreensão e medo de errar; Pânico a erros; Trauma de ginásio, medo de falar alguma pronúncia errada; Significam pontos a menos no boletim; Algo vergonhoso e catastrófico; Errando se aprende; Caminho para se chegar ao certo; Crítica desaparece, erro como forma de aprender; Erro como aprendizado; O que se erra hoje, usa-se corretamente amanhã; Mais à vontade para dizer as coisas; Algo novo que foi aprendido; Se se erra é porque está se produzindo e almejando o acerto; Mais segurança. Medo de falar, de se expressar; Um obstáculo na participação nas aulas; Vergonha de errar e de ser zombado pelos colegas; Medo de não conseguir. Como vimos no item 2.2.3, a maioria dos alunos teve contato com o inglês apenas no Ensino Fundamental e Médio e não guardam boas recordações sobre o fato, como foi exposto nos exemplos 93 e 123. Todavia, a visão de erro deles mudou em virtude das atividades de revisão colaborativa, como pode ser atestado no exemplo 93. Na seção 3.4.3, relatamos os aspectos positivos apontados pelos participantes deste estudo. Seus relatos comprovam que, mesmo pertencendo a níveis de conhecimento similares (alunos iniciantes, que tinham pouco conhecimento da língua inglesa), houve a ativação da zona de desenvolvimento proximal, com a coconstrução do conhecimento. E essa co-construção ocorreu devido ao diálogo presente nas interações, momentos em que forneceram ajuda e apoio mútuo. Esse diálogo possibilitou aos alunos refletir sobre a língua que estão aprendendo. Os laços de companheirismo foram ampliados, e bloqueios foram rompidos. Indivíduos que antes não acreditavam em trabalhos de grupo passaram a vê-los com outros olhos. Comparando os aspectos positivos com os negativos apontados pelos alunos durante as entrevistas, observamos que os participantes apontaram mais aspectos positivos que negativos quando se referiram à revisão colaborativa. Com relação aos 146 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em Língua Inglesa aspectos negativos, acreditamos que seja natural que uma turma de iniciantes tenha uma certa dificuldade de detectar erros e de solucionar algumas dúvidas. O excesso de barulho decorrente das interações, como dissemos anteriormente, pode ser sanado com a utilização de outros espaços que não a sala de aula. Consideramos natural, também, o fato de os alunos não se sentirem totalmente à vontade para opinar sobre a vida pessoal do colega – um tema que lhes era desconhecido. Durante as entrevistas, os alunos comentaram como se sentiram com relação à atividade, ao colega, ao revisar o texto do colega e ao ter o texto revisado. Os alunos foram receptivos às sugestões feitas por seus pares, apoiaram-se mutuamente, solucionaram constrangimentos iniciais e aprimoraram seu relacionamento. A atividade de revisão colaborativa proporcionou um ambiente de relações positivas, em que os próprios alunos puderam perceber sua evolução na aprendizagem de língua inglesa. Os alunos superaram as dificuldades iniciais e se engajaram em ações de ajuda recíproca, com o fito de identificar o erro e melhorar seus textos e sua aprendizagem de língua inglesa. O questionário final apresentou também um quadro promissor da revisão colaborativa. As respostas dos alunos não-participantes ratificaram o que foi exposto pelos participantes da pesquisa. Sobre o fato de revisarem os textos dos colegas, eles relataram percepções positivas, tais como a sensação de ser capaz de corrigir, a honra em ajudar, a facilidade para encontrar os erros do colega etc., bem como sentimentos negativos, como insegurança, inibição, despreparo etc. Ao terem seus textos revisados, os alunos relataram sentimentos similares. Porém, pudemos perceber mais sentimentos negativos. Acreditamos que isso se deve ao fato de o indivíduo sentir-se exposto por ter o seu texto revisado, o que pode lhe causar uma certa inibição. O questionário final revelou também que os alunos nãoparticipantes consideram que a revisão colaborativa afetou positivamente sua atitude em relação à aprendizagem de língua inglesa. A razão relatada foi o fato de a revisão criar um ambiente favorável para esse fim, na medida em que puderam negociar o À guisa de conclusão • 147 significado de sua produção textual, o que corrobora as pesquisas realizadas por Zamel (1982) e Figueiredo (2001), por exemplo. A par do que foi exposto nos parágrafos anteriores, percebe-se que a revisão colaborativa é fundamental na criação de um ambiente favorável ao diálogo em sala de aula e, consequentemente, à aprendizagem, visto que, por meio da interação, os alunos puderam co-construir conhecimento (Donato, 2000). É interessante notar que, ao interagir com seus pares, os alunos podem solucionar dúvidas que não seriam sanadas com o professor, pois, segundo Tieta, participante da pesquisa, os alunos possuem um “código próprio”. Sullivan (2000) também comprova que o trabalho em grupo reduz a hierarquia existente na relação professor-aluno. Em termos de correção de erros, evidencia-se que os alunos corrigiram pouco. Porém, é essencial lembrarmos que são alunos iniciantes no curso de Letras, e a maioria, como foi mostrado no Capítulo 2, é oriunda de um Ensino Fundamental e Médio que não lhes proporcionou um conhecimento básico necessário para as lides universitárias. As causas para esses fatos são várias. Almeida Filho (1998), por exemplo, afirma que os professores brasileiros sobrecarregam-se com muitas aulas a fim de garantir seu sustento e, consequentemente, não têm tempo para o aperfeiçoamento adequado ao complexo ato de ensinar línguas. O autor (1998, p. 44) acrescenta, ainda, que “na escola de 1o. grau, por exemplo, com menos de 30 horas aulas por semestre, não se pode ter a ilusão de levar o aluno ao domínio da língua-alvo nem em dois e nem em quatro anos.” Como vimos no exemplo 123, Rodrigo manifesta essa realidade quanto à sua aprendizagem. Acreditamos que as atividades de revisão colaborativa podem contribuir para reverter esse quadro, visto que, ao tentarem corrigir os erros nos textos dos colegas, e ao terem um papel mais ativo no seu processo de aprendizagem, os alunos podem perceber o que sabem e o que não sabem e, dessa forma, tentar encontrar respostas para as suas possíveis dúvidas. Em um ambiente positivo, o aluno, com certeza, aventurarse-á mais. Nesse contexto, ele descobre seus limites, derruba-os 148 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em Língua Inglesa e segue adiante para outros limites. Os textos dos alunos servem de base para essa afirmação. Do primeiro para o último texto, fica visível não apenas o aumento do número de linhas escritas, mas também o uso de estruturas mais complexas da língua inglesa, apesar da manutenção de alguns erros. Porém, como observa Tudge (1990), nas interações decorrentes das atividades colaborativas, o que importa não é a total execução de uma tarefa – no nosso caso, a correção dos erros – mas as atividades cognitivas que delas advêm, visto que os alunos podem, por meio da interação, refletir sobre a língua que estão aprendendo, ajudar-se mutuamente e aprender uns com os outros. A respeito da pouca correção de erros, acreditamos que é um fato que poderia ocorrer em outras situações de correção. Dellagnelo (2000a), por exemplo, relata uma situação de correção feita por professores, em que estes deixaram de corrigir muitos erros. É necessário esclarecer que não estamos advogando a ausência da correção do professor. Ao contrário, a revisão colaborativa prevê uma correção posterior do professor e esta poderá ser a confirmação ou não das hipóteses levantadas pelos alunos durante as atividades em pares. Entretanto, é o caso de se pensar no que Edge (1989) levanta sobre a questão de se focalizar a atenção na fluência ou na acuidade. A consequência dessa escolha é que, se decidirmos pela fluência, estaremos observando o que o aluno tem a dizer e não apenas como ele o diz. Desse modo, nós, professores, devemos priorizar a correção de erros que dificultam o entendimento da sentença. Isso evitaria inibir o aluno, o que fatalmente acontece quando recebe o texto com muitas marcações de correções feitas pelo professor (Edge, 1989). É fundamental percebermos que se abrirmos mais espaço para a relação aluno/aluno, estaremos estimulando uma relação igualitária, visto que não há a hierarquia existente na relação professor/aluno. Dessa forma, os alunos terão um papel mais ativo no processo de aprendizagem, pois eles poderão refletir sobre a língua que estão aprendendo, além de colocar em prática suas hipóteses acerca da mesma. Consequentemente, estaremos promovendo a autonomia dos aprendizes, na medida em que, gra- À guisa de conclusão • 149 dativamente, se tornam responsáveis por sua própria aprendizagem (Breen e Mann, 1997). A figura do professor, desse modo, passa a ser a de um orientador e estimulador (Porto, 1997), um recurso final para a solução de dúvidas que porventura persistam, o que, em suma, é muito mais desafiador e enriquecedor do que o papel centralizador que, em alguns contextos, sempre coube ao professor. Esta pesquisa não é exceção à regra e, portanto, apresenta algumas limitações. Uma primeira limitação diz respeito ao número reduzido de participantes (oito no total), o que impede que façamos maiores generalizações a partir dos resultados, uma vez que as características dos participantes desta pesquisa, com certeza, são peculiaridades inerentes a eles e talvez não possam ser estendidas a outros grupos de alunos. A segunda limitação refere-se à não-gravação das interações dos alunos durante as atividades de revisão colaborativa. A análise da interação propriamente dita não fazia parte do escopo desta pesquisa. Contudo, essa análise, como pôde ser vista em Figueiredo (2001), é enriquecedora. No intuito de se compreender o processo de revisão em outras situações e contextos, apresentamos as seguintes sugestões para futuras pesquisas: v revisão colaborativa realizada com crianças e adolescentes; v estudos longitudinais para avaliar o efeito das revisões colaborativas na proficiência do aluno; v pesquisas que comparem a correção feita por alunos com a feita pelo professor. Este estudo, embora inicial, pretende contribuir para a Linguística Aplicada por ter demonstrado os efeitos positivos da revisão colaborativa, realizada por alunos iniciantes do curso de Letras, e, também, por ter dado voz aos participantes para que, assim, pudessem expressar suas percepções acerca desse tipo de revisão. 150 • A influência da revisão colaborativa na produção textual em Língua Inglesa Como foi visto na introdução, um dos objetivos desta pesquisa era verificar se as conclusões de Figueiredo (2001) referentes a alunos concluintes do curso de Letras, que tinham um grau maior de domínio da língua inglesa, aplicavam-se a alunos iniciantes. Ao término da pesquisa, podemos concluir que a resposta é afirmativa. Os alunos iniciantes do curso de Letras também podem beneficiarse da revisão colaborativa para aprendizagem da língua inglesa. Além disso, assumir o papel de pesquisador em minhas próprias aulas foi extremamente proveitoso. Primeiramente, porque senti a mudança do paradigma de professor-consumidor de pesquisas de outrem para professor-pesquisador. Em segundo lugar, porque com esta pesquisa pude compreender melhor o que é deixar o aluno elaborar hipóteses e servir apenas como consultor. Pessoalmente, acredito que as atividades foram frutíferas. Isso é comprovado pelos dados apresentados nesta dissertação e também pelo fato de que, neste ano de 2002, tive oportunidade de continuar com a mesma turma. No início do ano letivo, perguntei a eles se desejavam continuar com as atividades. Não houve aluno que dissesse não a essa proposta. Como pudemos ver na epígrafe que abre este capítulo, Judy expressa bem seu entusiasmo ao sentir que é capaz de produzir um texto em inglês por si mesma, o que, sem dúvida, aumentou sua autoconfiança. O rompimento de bloqueios e o aumento da motivação são, portanto, benefícios da aprendizagem colaborativa. Desse modo, procurar alternativas que levem o aluno a refletir sobre a língua que está estudando e a interagir com os colegas de modo a co-construir a aprendizagem, para que esta seja não apenas individual, mas também social, é um caminho a ser percorrido. Referências ADELMAN, C.; JENKINS, D.; KEMMIS, S. Rethinking case study: notes from the second Cambridge conference. Cambridge Journal of Education, v. 65, n. 3, p. 139-150, 1976. ALJAAFREH, A.; LANTOLF, J. P. Negative Feedback as Regulation and Second Language Learning in the Zone of Proximal Development. The Modern Language Journal, v. 78, n. 4, p. 465-483, 1994. ALLWRIGHT, D.; BAILEY, K. M. Focus on the Language Classroom. Cambridge: Cambridge University Press, 1991. ALMEIDA FILHO, J. C. P. Dimensões Comunicativas no Ensino de Línguas. 2a. ed. Campinas: Pontes, 1998. BARBOSA, J. R. A. Perspectivas para o ensino/aprendizagem da escrita: percurso teórico. In: LEFFA, V.J. (Org.). TELA: Textos em Linguística Aplicada [CD-ROM]. 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