UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE CURSO DE FISIOTERAPIA JAQUELINE BENTES DE ARAÚJO WELLINA OLIVEIRA CUNHA EFEITOS DE ATIVIDADES TERAPÊUTICAS NO NÍVEL DE ESTRESSE DE UMA POPULAÇÃO URBANA EM PROCESSO DE ENVELHECIMENTO BELÉM - PA 2009 JAQUELINE BENTES DE ARAÚJO WELLINA OLIVEIRA CUNHA EFEITOS DE ATIVIDADES TERAPÊUTICAS NO NÍVEL DE ESTRESSE DE UMA POPULAÇÃO URBANA EM PROCESSO DE ENVELHECIMENTO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade da Amazônia, para a obtenção do grau de bacharel em Fisioterapia. Orientadora: Profa. Ms. Daniela Teixeira Costa. BELÉM – PA 2009 A663e Araújo, Jaqueline Bentes de Efeitos de atividades terapêuticas no nível de estresse de uma população urbana em processo de envelhecimento / Jaqueline Bentes de Araújo, Wellina Oliveira Cunha -Belém, 2009. 60 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Universidade da Amazônia, Centro de Ciências Biológicas e da Saúde. Curso de Fisioterapia, 2009. Orientadora: Profa. Ms. Daniela Teixeira Costa. 1. Atividade terapêutica. 2. Atividade física. 3. Envelhecimento. I. Cunha, Wellina Oliveira. II. Costa, Daniela Teixeira. III. Título. CDD 615.82 JAQUELINE BENTES DE ARAÚJO WELLINA OLIVEIRA CUNHA EFEITOS DE ATIVIDADES TERAPÊUTICAS NO NÍVEL DE ESTRESSE DE UMA POPULAÇÃO URBANA EM PROCESSO DE ENVELHECIMENTO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Fisioterapia da Universidade da Amazônia como requisito para obtenção do grau de Bacharel em Fisioterapia. Orientadora: Profa. Ms. Daniela Teixeira Costa. Banca Examinadora ___________________________________________________________________ Profa. Ms. Daniela Teixeira Costa ___________________________________________________________________ Avaliador 1 ___________________________________________________________________ Avaliador 2 Apresentado em: _____/_____/_____ Conceito: _______________________ BELÉM – PA 2009 A minha mãe. Jaqueline Bentes de Araújo Aos meus pais, irmão e namorado. A minha dupla, Jaque. A minha orientadora, Daniela. Wellina Oliveira Cunha AGRADECIMENTOS Ao meu bom Deus, por me dar sabedoria e fôlego de vida a cada amanhecer. Aos meus pais, Jair e Marivone, pela força e incentivo que me deram durante a minha jornada. Mas, em especial, agradeço a minha querida mãe, que tem sido minha grande amiga, e juntamente comigo chorou e riu muitas vezes durante todo este percurso da minha vida, com muito amor e paciência. Aos meus familiares, principalmente aos tios, tias e minha avó, por me ajudarem e me apoiarem durante este percurso. Agradeço as minhas grandes amigas Luciana, Sara e Yliane, que por muitas vezes oraram por mim, me deram bons conselhos e me ensinaram o valor de uma grande amizade. Agradeço as minhas duas amigas do grupo de estágio, Caroline e Roselyane, que fizeram muito produtivos os dois semestres que passamos juntas, por tudo o que me ensinaram e motivaram. Ao meu grande amigo Luis Henrique, que por muitas vezes perdeu horas de sono estudando comigo, por participar de mais este sonho que se realiza em minha vida. À profa. Daniela Teixeira Costa, orientadora, por nos ajudar com seus ensinamentos, paciência e por sempre nos mostrar que conseguiríamos vencer esta etapa de nossas vidas. A minha dupla do TCC, Wellina, por sua amizade e paciência durante esses quatro anos de muitas vitórias e dedicação. Às pacientes que contribuíram para a realização deste trabalho, por sua colaboração e carinho. Jaqueline Bentes de Araújo A Deus, por permitir a realização de mais um sonho, me dando sabedoria e força nos momentos de dificuldade ao longo de minha vida. Aos meus pais, Maria Iris e Antonio Cunha, pelo amor e carinho nos momentos em que precisei, sempre me incentivando a lutar pelos meus ideais, para que eu conseguisse realizar os meus sonhos. Ao meu irmão, Wellington, pelo amor, paciência e generosidade, que, ao seu modo, me fez ver que a vida é única e que devemos sempre aproveitar as oportunidades com humildade. A Diego, pessoa mais do que especial em minha vida, que eu amo e que se fez presente mesmo estando longe, sempre compreensivo e carinhoso. À família Lira, por sempre acreditar em minha capacidade e à família Picanço, em especial a Sra. Leuda e Sr. Pedro, por me acolherem em sua casa. A Clícia, pelas traduções e por toda a amizade. À amiga Biatriz, pela amizade no momento certo e por tudo o que fez por mim. Aos amigos conquistados durante o curso, pelos momentos de descontração, especialmente na casa da Carol, Roselyane e Priscila. A minha dupla, Jaqueline, pela amizade e perseverança e por acreditar que no final tudo acabaria bem. Em especial, agradeço o sucesso desta pesquisa a minha orientadora Daniela, que sempre acreditou no meu potencial e não me permitiu desistir nos momentos de dificuldade. Aos participantes da pesquisa que, com dedicação e carinho, contribuíram para o sucesso deste estudo. Aos funcionários do CESEP e da Fisioclínica que, direta ou indiretamente, nos ajudaram. Wellina Oliveira Cunha “Lâmpada para meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho.” SL 19: 105 RESUMO O processo de envelhecimento vem crescendo bastante nos últimos tempos e com isso é considerado um fenômeno de grande importância. Por ser um processo degenerativo, ocasiona várias mudanças no estilo de vida do indivíduo, e isso faz com que o idoso se torne mais dependente. Este fato pode vir a ser um fator positivo para gerar o estresse. É considerada a “doença do século”, conseqüência do somatório de fatores intrínsecos e extrínsecos ao indivíduo. Nos dias atuais, o que deve ser feito é estimular um estilo de vida ativo para os idosos, incluindo um programa de atividade física no seu cotidiano, pois assim eles se tornarão mais independentes e a tensão provocada pelo estresse pode ser minimizada. Esta pesquisa teve como objetivo analisar a influência de um programa de atividade terapêutica no nível de estresse de uma população urbana. A pesquisa foi iniciada após as devidas aprovações. O tipo de estudo foi longitudinal prospectivo, em que os indivíduos tinham idade a partir dos 40 anos, eram do sexo feminino, e participavam de um projeto de iniciação científica, da Universidade da Amazônia. Os indivíduos foram distribuídos em dois grupos: o grupo dos participantes da atividade terapêutica e o grupo controle, com 33 participantes cada. A atividade terapêutica consistiu em exercícios físicos como caminhada, alongamentos e exercícios ativos-livres e resistidos. O programa foi realizado duas vezes por semana e os participantes foram submetidos na 56ª e 74ª semana de atividade ao questionário de estresse que possui 18 perguntas objetivas relacionadas à saúde física, mental e emocional. Cada reposta tem as pontuações que ao final são somadas e verifica-se o nível de estresse. Como resultado observou-se que a média de idade dos participantes da atividade foi de 53,51 e do grupo controle foi de 54,42. Houve melhora em relação ao nível de estresse dos participantes, sendo encontrados valores estatisticamente significantes com p< 0,03. Na relação referente ao nível de estresse houve melhora do grupo de atividade física ao término da pesquisa, em que foi encontrado o p<0, 02, sendo estatisticamente significante a diferença entre os grupos. Ao final da pesquisa os indivíduos de ambos os grupos permanecem na mesma categoria, a de positivo bem-estar. Portanto, conclui-se que os indivíduos que praticam atividades terapêuticas regularmente apresentam melhores níveis de estresse em relação aos indivíduos sedentários. Palavras-Chaves: envelhecimento, estresse e atividade física. ABSTRACT The aging process is growing actually, and it is faced as an important happening. In order of being a degenerative process, it brings many changes on person’s lifestyle, what makes the person more dependent, causing on that way some stress, what is considered the “century’s disease”. Actually is indicated to stimulate an active lifestyle to the aged, with a fitness activity program in order to they become less dependent and the stress tension become lower. This research has as goal to analyze the therapeutics’ activity program influence in the urban population’s stress levels. The research began after the due approbations. For this study were used women aged since 40. They were separated in two groups: the fitness activity group and the control, with people that didn’t make fitness activities, each group has 33 people. The therapeutic activity was formed by fitness activities like walk, stretching and active exercises free and resisted. This program was realized two times for week. The participants were submitted to a stress questionnaire with 18 objective questions related to the body, mental and emotional health in the 56th and 74th week. Each answer has a punctuation that at the and were add giving on that way the stress level. There was improvement related to the participant’s stress level, finding numbers statistically significant as p<0,03. In relation to the fitness activity’s group stress level in the end of research was found p<0,02, finding statistically significant the difference between the groups. At the research’s end the both groups stayed at the same category of positive well-been. Therefore, we conclude that the people that had the therapeutic activity program had better levels of stress related to the sedentary. Key-Words: aging, stress and fitness activity. LISTA DE ILUSTRAÇÕES FIGURA 1 – Um grupo de indivíduos praticando caminhada no ginásio coberto do CESEP 30 FIGURA 2 – Um grupo de indivíduos realizando alongamento de membros superiores 30 FIGURA 3 – Um grupo de indivíduos realizando alongamento de quadríceps 30 FIGURA 4 – Um grupo de indivíduos realizando exercício ativo livre de flexão de cotovelo 30 FIGURA 5 – Um grupo de indivíduos realizando exercício ativo livre de abdução do ombro 31 FIGURA 6 – Um grupo de indivíduos realizando exercício ativo livre para flexão de quadril 31 FIGURA 7 – Um grupo de indivíduos realizando exercício ativo livre para flexão do joelho 31 FIGURA 8 – Um grupo de indivíduos praticando caminhada no ginásio coberto do CESEP 32 FIGURA 9 – Um grupo de indivíduos realizando alongamento de membros superiores 32 FIGURA 10 – Um grupo de indivíduos realizando exercício com bastão de flexão do ombro 32 FIGURA 11 – Um grupo de indivíduos realizando exercício com bastão de flexão-extensão de ombro e cotovelo 32 FIGURA 12 – Um grupo de indivíduos realizando exercício com bastão de flexão-extensão do ombro 32 FIGURA 13 – Um indivíduo realizando dissociação de cintura com bastão 32 FIGURA 14 – Um grupo de indivíduos realizando caminhada no ginásio coberto do CESEP 33 FIGURA 15 – Um grupo de indivíduos realizando alongamento de membros superiores 33 FIGURA 16 – Um grupo de indivíduos realizando alongamento de tronco 33 FIGURA 17 – Um grupo de indivíduos realizando alongamento de isquiostibiais 33 FIGURA 18 – Um grupo de indivíduos realizando exercício de abdução de ombro com uso de caneleira 34 FIGURA 19 – Um grupo de indivíduos realizando exercício de extensão de ombro com uso de caneleira 34 FIGURA 20 – Um grupo de indivíduos realizando exercício de flexão de quadril com uso de caneleira 34 FIGURA 21 – Um grupo de indivíduos realizando exercício de extensão de quadril com uso de caneleira 34 FIGURA 22 – Valores da média do nível de estresse dos participantes do grupo de atividade física no início e ao término da pesquisa 37 FIGURA 23 – Valores das médias do nível de estresse das participantes do grupo de atividade física ao término da pesquisa e do grupo controle 39 LISTA DE TABELAS TABELA 1 – Valores referentes à média de idade e desvio padrão do grupo de atividade física e do grupo controle 35 TABELA 2 – Valores da porcentagem das faixas etárias das participantes do grupo de atividade física e do grupo controle 36 TABELA 3 – Valores do nível de estresse em número de participantes do grupo de atividade física, no início e ao término a pesquisa e do grupo controle em relação ao estado de estresse 40 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................14 2 REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................................................17 2.1 ENVELHECIMENTO: UMA PERSPECTIVA DE UM FUTURO SAUDÁVEL .........17 2.2 ESTRESSE: O DESAFIO DO SÉCULO XXI .................................................................21 2.3 ATIVIDADE TERAPÊUTICA: UMA FORMA DE PREVENIR O ESTRESSE ...........25 3 METODOLOGIA ............................................................................................................. 29 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO .......................................................................................35 5 CONCLUSÃO ...................................................................................................................41 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................42 APÊNDICE 1: Aceite do orientador .....................................................................................48 APÊNDICE 2: Aceite da instituição..................................................................................... 49 APÊNDICE 3: Aceite do posto médico ................................................................................50 APÊNDICE 4: Termo de consentimento livre e esclarecido................................................ .51 ANEXO 1: Questionário de estresse ......................................................................................54 ANEXO 2: Certificado de aprovação do Comitê de Ética em pesquisa ................................59 1 INTRODUÇÃO O processo de envelhecimento vem crescendo bastante nos últimos tempos e por isso é considerado um fenômeno de grande importância. Por ser um processo degenerativo, ocasiona várias mudanças no estilo de vida do indivíduo e isso faz com que o idoso se torne mais dependente. Pode ser definido como um fenômeno biopsicossocial que afeta o ser humano nos seus aspectos biológicos, psicológicos e sociais bem como a sua existência na sociedade, manifestando-se em todos os domínios da vida (CHEIK, 2003). O Brasil apresenta um dos mais agudos processos de envelhecimento populacional entre os países mais populosos. A proporção de pessoas idosas, ou seja, com sessenta anos ou mais, aumentou de 6,1% (7.204.517 habitantes), em 1980, para 8,6% (14.536.029 habitantes), em 2000, correspondendo a um aumento absoluto de 7,3 milhões de indivíduos (IBGE, 2001). Estima-se que os avanços científicos e técnicos permitirão ao ser humano alcançar de 110 a 120 anos, uma expectativa de vida que corresponderia aos limites biológicos, ainda no presente século (VERAS, 2004). Com tais avanços, seria possível o ser humano alcançar esses limites de forma independente, não fragilizado, livre de diversas doenças e com uma expectativa de vida que se aproxime do limite biológico máximo (VERAS, 2003). Cinco fatores são importantes para o idoso ter saúde: vida independente, casa, ocupação, afeição e comunicação. Baixos níveis de saúde associam-se a altos níveis de depressão, angústia e a baixos níveis de satisfação com a vida e bem-estar. As dificuldades do idoso em realizar as atividades da vida diária devido a problemas físicos ocasionam dificuldades nas relações sociais e na manutenção da autonomia trazendo prejuízos a sua saúde emocional (NERI, 2001 apud FRANCHI E JÚNIOR, 2005). Esses prejuízos se devem à dependência, fazendo com que os indivíduos se sintam incapacitados, inúteis e caracterizando uma mudança no seu estilo de vida, o que é considerado um dos fatores de risco para gerar uma condição denominada estresse. O estresse tem sido considerado a “doença do século”; é uma consequência do somatório de fatores intrínsecos e extrínsecos ao indivíduo e, caso esses fatores não sejam controlados desde seu início, poderão causar uma série de complicações à saúde (NUNOMURA et al ., 2004). Há diversas estratégias que auxiliam no controle e na diminuição do estresse. Dentre elas se destaca a atividade física, que proporciona o alívio da tensão devido ao aumento da taxa de um conjunto de hormônios denominados endorfinas 1, que agem no sistema nervoso (VALIN, 2002). Uma medida que ajuda o idoso a ser valorizado no contexto em que vive é a realização de atividade física em grupo porque faz com que os idosos encontrem satisfação pessoal e apoio para a prevenção e a cura do estresse (NERI, 1993). Cientistas enfatizam que é fundamental para a promoção da saúde um estilo de vida ativo ou o envolvimento do indivíduo em programas de atividade física, que atuam na prevenção e minimizam os efeitos deletérios do envelhecimento. Não se pode pensar hoje em dia em garantir um envelhecimento bem sucedido sem que, além das medidas gerais de saúde, se inclua a prática de atividade física (MATSUDO, 2006). Tendo em vista a preocupação com a prevenção, foi desenvolvido, entre os anos de 2006 e 2007, um trabalho de iniciação científica 2 em que se realizou trabalho terapêutico com pacientes na faixa etária de 40 a 75 anos. Com essa pesquisa, foram obtidas melhoras consideráveis principalmente quanto à qualidade de vida dos indivíduos. Com a conclusão do referido projeto, surgiu a necessidade de dar continuidade às atividades desenvolvidas, para que os dados obtidos durante a pesquisa não fossem perdidos. O presente trabalho justifica-se, portanto, pelo fato de que é importante dar continuidade aos ganhos já alcançados na pesquisa supramencionada, bem como, responder a outros problemas observados na comunidade em estudo. É uma forma de proporcionar uma melhor interação destas pessoas com a sociedade, aumentando, assim, a importância da sociedade no bem-estar social. Acreditando-se que um programa de atividade tem influência no nível de estresse de uma população urbana, tem-se como problema deste trabalho verificar até que ponto um programa de atividade terapêutica influencia no nível de estresse de uma população urbana. 1 Endorfina: é um neurotransmissor, uma substância química utilizada pelos neurônios na comunicação do sistema nervoso, sendo também um hormônio que, quando transportado pelo sangue, se comunica com outras células. Sua denominação se origina das palavras endo (interno) e morfina (analgésico). Fonte: Dicionário Wikipédia: A enciclopédia livre. 2 Trabalho de iniciação científica desenvolvido no período de agosto de 2006 a agosto de 2007 por Biatriz Araújo Cardoso, então aluna do Curso de Fisioterapia da Universidade da Amazônia – Unama, intitulado “A influência de um programa fisioterapêutico na qualidade de vida de indivíduos residentes no entorno da Unama Campus Alcindo Cacela”, sob a orientação da profa. Daniela Teixeira Costa. Esta pesquisa teve como objetivo geral analisar a influência de um programa de atividade terapêutica no nível de estresse de uma população urbana. E, especificamente, identificar os níveis de estresse da população em estudo, comparar com os de indivíduos sedentários e proporcionar-lhes um programa de atividade terapêutica. 2 REFERENCIAL TEÓRICO: 2.1 ENVELHECIMENTO: UMA PERSPECTIVA DE UM FUTURO SAUDÁVEL “Tudo aquilo que fizermos com cuidado significa uma força contra a entropia, contra o desgaste, pois prolongamos a vida e melhoramos as relações com a realidade.” Leonardo Boff Envelhecer é um dos maiores obstáculos para a saúde pública. É um fenômeno biopsicossocial que afeta o ser humano nos seus aspectos biológicos, psicológicos e sociais bem como a sua existência na sociedade, manifestando-se em todos os domínios da vida (CHEIK, 2003). Considerado um processo natural, se tornou um grande desafio para a humanidade, pois se caracteriza como um processo múltiplo e desigual de comprometimento e decadência das funções que diferenciam o organismo vivo em função do seu tempo de vida (TIMO-IARIA, 2003). O envelhecimento é compreendido como uma série de alterações fisiológicas nas funções orgânicas e mentais ocasionadas pelos efeitos da idade avançada sobre o organismo, e, com isso, o corpo humano tem dificuldade em manter a homeostase e, assim, todas as funções fisiológicas tendem a, gradativamente, entrar em declínio (STRAUB, 2001 apud PEREIRA et al., 2004). Ocorre desde o período embrionário até a morte e é acompanhado pela perda das funções biológicas de diversos órgãos como, por exemplo, rins, coração, pulmão, a tolerância à glicose, o que pode gerar a diabetes, a diminuição da massa corpórea e da imunidade celular, além do declínio de atividades intelectuais e motoras (PONTE, 1996 apud FERREIRA, 2008). Alterações moleculares e celulares no organismo originam o processo de envelhecimento, ocasionando perdas funcionais progressivas no indivíduo como um todo. E isso se torna perceptível ao final da fase reprodutiva bem como na terceira década de vida, em que ocorre o declínio das funções do organismo (HOFFMANN, 2002). O processo de envelhecimento traz diversas alterações, tais como atrofia muscular, fraqueza, descalcificação óssea, aumento da espessura das paredes dos vasos, aumento dos níveis de gordura, diminuição da coordenação, dentre outras. Contudo, essas alterações podem ser minimizadas se o indivíduo tiver um estilo de vida ativo (KUHNEN, 2002). As causas do envelhecimento são multifatoriais e diferentes em países desenvolvidos e em desenvolvimento, mas as suas consequências são igualmente importantes do ponto de vista social, médico e de políticas públicas. É um fato recente, universal e inexorável (PAIXÃO JÚNIOR, 2005). A definição do envelhecimento saudável preconiza o baixo índice de doenças e de incapacidades funcionais relacionadas às doenças, um bom funcionamento mental, físico e o envolvimento ativo com a vida (ROWE & KAHN, 1998 apud CUPERTINO et al., 2006). Ocorreu primeiramente em países desenvolvidos, onde a população idosa se tornou numerosa, e, mais recentemente, nos países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil (VERAS & COSTA, 2003). Segundo VERAS & COSTA (2003), “no Brasil, o número de idosos ≥ 60 ( anos de idade) passou de 3 milhões em 1960, para 7 milhões em 1975 e 14 milhões em 2002 (um aumento de 500% em quarenta anos) e estima-se que alcançará 32 milhões em 2020. Em países como a Bélgica, por exemplo, foram necessários cem anos para que a população idosa dobrasse de tamanho”. Pode-se, então, observar que o número da população idosa nos países ditos em desenvolvimento vem crescendo em uma grande proporção e, com isso, a preocupação com o bem-estar desses indivíduos tem aumentado e esse crescimento da população de idosos tem se caracterizado como um fenômeno mundial. O processo de envelhecimento não pode ser considerado um problema, pois se trata de um processo demográfico resultante do crescimento da população, que tem possibilitado um aumento da esperança ao nascimento. Entretanto, torna-se essencial levar em consideração essa transição como um processo complexo que exige mudanças sociais, culturais e econômicas (GUIMARÃES, 1989). No século XXI, o envelhecimento tem causado um aumento das demandas sociais e econômicas em todo o mundo (BRUNDTLAND, 2005). Segundo a Organização Mundial da Saúde, no ano de 2025 o Brasil será o sexto país do mundo em número de idosos. A falta de informação sobre a saúde do idoso e o envelhecimento ainda é muito grande e isso gera um sério problema de saúde pública, pois esses idosos precisam ser acompanhados para que possam melhorar ou manter a sua saúde e qualidade de vida (SILVA JÚNIOR, 2005). Envelhecer, sob o ponto de vista fisiológico, depende do estilo de vida que o indivíduo assume desde a infância ou adolescência, como o hábito de fumar, ingerir bebidas alcoólicas ou praticar atividade física, ou algum tipo de atividade ocupacional, ingerir alimentos saudáveis, ou seja, se uma pessoa tem bons hábitos o seu organismo responderá normalmente às alterações fisiológicas (LEITE, 1990 apud PEREIRA et al., 2004). As perdas que ocorrem no envelhecimento podem ser compensadas por meio de níveis de reserva e da capacidade de resiliência e os ganhos podem ser obtidos com a seleção e otimização das competências geradas pelo envelhecimento (STAUDINGERS, MARSISKE e BALTES,1995 apud CUPERTINO et al., 2007). Há indivíduos que encaram o processo de envelhecimento como algo inevitável, aceitando-o como uma consequência normal da passagem do tempo. Já outros indivíduos passam a maior parte de suas vidas destinada a deter ou anular os efeitos indesejados do envelhecimento em si próprios e naquilo que os cerca (HAYFLICK, 1997). Caracteriza-se por não ser um processo homogêneo. Cada pessoa vivencia essa fase da vida de uma forma, considerando sua história particular e todos os aspectos estruturais (classe, gênero e etnia) a eles relacionados, como saúde, educação e condições econômicas (MINAYO, 2002). O envelhecimento existe, mas não é uma doença, nem é limitante. Essa é uma etapa da vida que pode ser tão sã quantas as outras. O que se pode fazer é incentivar um envelhecimento saudável e obter um enfoque preventivo antes que esse processo se associe a alguma patologia (MORAGAS, 1997). Nos dias atuais, há uma atenção voltada para o envelhecimento saudável, em virtude de este processo estar associado a estados patológicos. Então, se faz necessário pensar em aspectos preventivos para esse fenômeno que é crônico, degenerativo, depende do tempo e que tem determinantes genéticos, ou seja, é um processo que todos os seres humanos um dia irão passar (ARKING, 1998 apud FERREIRA, 2008). É de grande importância manter o corpo em atividade para conservar o bom funcionamento do organismo como um todo. Estimular o corpo é manter um bom desempenho nas atividades diárias, é poder realizar suas atividades com disposição, vitalidade e, principalmente, com saúde (KUHNEN, 2008). Um estilo de vida ativo ajuda a melhorar a saúde mental, promove um melhor convívio social e ainda permite que as pessoas idosas tornem-se o mais independentes possível. Na década de 60, a atividade física era vista como um agente na prevenção, tratamento e reabilitação das doenças cardíacas; nas décadas de 70 e 80, a busca pelo condicionamento físico se intensificou, e a partir dos anos 90, ela passou a ser vista como objetivo de qualidade de vida. Apesar de seus efeitos benéficos, a maioria da população idosa não participa regularmente de atividades físicas, devido a influências culturais e sociais que podem vir a limitar essa participação fazendo com que não ocorram as mudanças necessárias no estilo de vida para que o indivíduo possa vir a ter uma melhor qualidade de vida (DUARTE et al ., 2002). Existem indícios de que os exercícios podem adiar ou reduzir a ocorrência de ataques cardíacos, angina, diabetes do tipo II, osteoporose e hipertensão, além de reduzir os níveis de colesterol. Ela também pode produzir uma sensação geral de bem-estar, reduzindo a ansiedade, depressão, tensão e os outros efeitos sobre o estresse (HAYFLICK, 1997). Portanto, o envelhecimento trata-se de um conjunto de alterações físicas e psíquicas do organismo da pessoa e da sua maneira de interagir com o meio social. Causa estranheza, porém, constatar que esse processo não se passa de forma idêntica em todos. Há pessoas que, apesar das características físicas da velhice, comportam-se como se não estivessem realmente nesta fase, com expectativas de vida, energia para prosseguir seus objetivos e ainda apresentam uma leitura atualizada do mundo; enquanto a maioria dos idosos é desestimulada para o novo, considera-se no final de uma jornada sem volta, recolhendo-se no passado (BACELAR, 2002). 2.2 ESTRESSE: O DESAFIO DO SÉCULO XXI “A saúde não é tudo na vida, mas sem saúde tudo é nada. “Tudo” na velhice envolve: amizades, passeios, viagens, encontros, enfim atividades que envolvem uma forma de se relacionarem com outras pessoas.” MEIRELLES, 1997. Nos dias atuais, o estresse é considerado a “doença do século”, como consequência da ligação dos fatores intrínsecos e extrínsecos ao indivíduo. Se estes fatores não forem percebidos e controlados desde o princípio, isso poderá causar sérias complicações à saúde do indivíduo (NUNOMURA, 2004). Até o século XVII, o termo estresse era utilizado na literatura inglesa esporadicamente, com o significado de aflição e adversidade. A partir daí, aparece pela primeira vez o uso da palavra estresse para denotar o complexo fenômeno composto de tensão - angústia - desconforto tão característico da sociedade atual. No século seguinte, houve uma mudança de enfoque e passou a ser utilizada para expressar ação de força, pressão ou influência muito forte sobre uma pessoa. Assim, esta palavra, que se origina do latim, passou a ser utilizada no sentido psicológico a partir deste século (LAZARUS & LAZARUS, 1994 apud LIPP, 2003). No século XIX, especulações passaram a ser feitas sobre uma possível relação entre eventos emocionalmente relevantes e doenças físicas e mentais, porém, não receberam maior atenção científica. Já no século XX, o médico Hans Selye introduziu esse termo, em 1926, na área da saúde e observou que várias pessoas sofriam de doenças físicas e que se queixavam de fadiga, hipertensão, desânimo e falta de apetite, então designou este conjunto de reações de síndrome geral de adaptação ou síndrome do estresse biológico (LIPP, 2003). Após 10 anos de estudos, o endocrinologista Selye identificou que o estresse é causado por uma síndrome produzida por vários agentes nocivos que levam o organismo a ter respostas inespecíficas a situações que o debilitam e o enfraquecem, fazendo com que o organismo adoeça (LIPP, 2003). Segundo a Organização Mundial da Saúde, o estresse é considerado nos dias atuais uma epidemia global. De acordo com o Instituto Americano de Estresse, de 75% a 90% de todas as consultas realizadas com clínicos gerais nos Estados Unidos estão relacionadas aos distúrbios vinculados ao estresse (CHILDRE & MARTIN, 1999 apud MENDES, 2008). Sendo o Brasil um país em desenvolvimento, onde ocorrem mudanças sociais, morais, econômicas e tecnológicas em um ritmo muito acelerado, é de se prever que o nível de estresse do brasileiro seja significativo. Segundo Lipp et al (1996), foi observado que, em São Paulo, o nível de estresse, em uma amostra de 1818 indivíduos que circulavam em um aeroporto da cidade, chegou a 32%. “O estresse pode ser definido como um desgaste geral do organismo, causado pelas alterações psicofisiológicas que ocorrem quando o indivíduo é forçado a enfrentar situações que o irritem, excitem, amedrontem, ou mesmo que o façam imensamente feliz” (ASSIS, 2004). Com isso, o organismo começa a ter respostas anormais ao seu funcionamento como cansaço, fadiga, irritação, entre outros e isso afeta o seu convívio social. O termo estresse vem sendo utilizado de forma leiga, como sinônimo de cansaço, preocupação, e é sempre colocado no sentido negativo sendo assim utilizada como algo do dia-a-dia, normal. Quando, na verdade, esse termo é utilizado para explicar as respostas do organismo aos agentes que ameaçam a homeostase. Deste modo, o organismo tende a reagir independentemente da natureza do estímulo (FRANÇA & RODRIGUES, 1997 apud VALIM, 2002). Assim, o estresse é uma resposta não específica do corpo a qualquer demanda, com o objetivo de manter o equilíbrio do corpo. Desta forma, todos os seres vivos estariam em constante estado de estresse, porém, alguns indivíduos mais outros menos (CORBIN E LINDSEY, 1994 apud NUNOMURA et al, 2004). O estímulo que desencadeia as reações do estresse é chamado de agente estressor que se origina a partir da interpretação que o indivíduo possa atribuir. Ou seja, às vezes o que é estressante para algumas pessoas não é tão significante para outras. Atualmente, estar estressado significa estar sob pressão ou sob ação de um determinado estressor, e é considerado um dos problemas mais frequentes que atingem o ser humano, interferindo no equilíbrio do organismo devido a grandes tensões que enfrenta diariamente (ASSIS, 2004). Os agentes estressores são ocasionais, ou seja, dependem de uma situação, da importância dada a um certo evento e de fontes pessoais. Sendo assim, cada indivíduo responde a sua maneira ao estímulo ocasionado pelo estressor (WEINBERG & GOUL, 1995 apud VALIM, 2002). Para indivíduos idosos, os agentes estressores podem ser os mais variados, como a aposentadoria, a morte de entes queridos, mudanças de papéis sociais. No entanto, a forma como o idoso percebe e interpreta esses estressores é o principal fator de como ele será afetado pelo estresse (COHEN et al., 1988 apud LUFT, 2007). Podem ser referidas quatro categorias principais de estressores relacionados a indivíduos idosos, são elas: problemas de saúde, questões sociais com ênfase em política, problemas enfrentados por outros familiares como, por exemplo, a saúde do cônjuge, casamento, carreira, saúde dos filhos e realizações, e a preocupação com problemas de amigos, vizinhos e a necessidade de ajudá-los (ALDWIM, 1990 apud NERI, 1993). Tudo o que desencadeia no organismo uma reação, seja ela de euforia ou tristeza, é ocasionado por algum estímulo, que pode ser positivo, ocasionando reações adaptativas no sistema nervoso interpretadas pelo organismo sem distinção como, por exemplo, ganhar na loteria, o nascimento de um filho, a morte de alguém querido, ou discussões com o patrão ou familiares. Todos esses são fatores que funcionam como um agente estressor e o modo como cada indivíduo o sente e percebe faz com que o estresse seja desencadeado (VALIM, 2002). O estresse geralmente é visto como o vilão, que faz mal a saúde e leva a várias doenças. Todavia, o que faz mal é o seu excesso. Ele funciona como um motivador, um combustível do indivíduo que busca a sua realização seja no trabalho ou na vida pessoal. Com isso, a sua falta também é prejudicial e pode levar à formação de um indivíduo acomodado, despreparado para os desafios da vida, que geralmente se torna uma pessoa de baixa autoestima (PEREIRA et al., 2004). Esse estado é caracterizado por fases de acordo com a intensidade e frequência com que os sinais e sintomas se manifestam. Fase de alerta: em que o estresse começa a se instalar; Fase de resistência: o organismo começa a reagir contra o agente estressor tentando manter a homeostase e tem-se como consequência a queda da produtividade; Fase de exaustão: é o estágio no qual os agentes estressores permanecem agindo sobre o organismo e assim quebrando a sua resistência e o indivíduo adoece, entra em depressão e perde a concentração. Porém, nem todos os indivíduos estressados passam por essas fases e nem sempre os episódios de estresse ocorrem necessariamente nesta ordem (LIPP E ROCHA, 1996). O estresse muda de acordo com o tempo e ao longo de situações. Por isso, é importante que o estudo clínico de estratégias para o enfrentamento do estresse deva considerar o comportamento dos indivíduos em diferentes momentos, como por exemplo, como era há um ou cinco anos, e em diversos contextos (BURGOS & NERI, 2008). Há algumas estratégias que auxiliam o controle e a redução do estresse. Especialistas de diversas áreas têm procurado desenvolver técnicas para ajudar no controle dos níveis de estresse. Dentre elas destacam-se a psicoterapia, o relaxamento, a utilização de medicamentos e a prática regular de atividade física, que nos dias atuais é o método mais utilizado no combate ao estresse (NUNOMURA, 2004). SAMULSKI (2002, apud LIPP, 2003) destaca em seus estudos a atividade física na redução do estresse como fator tão efetivo quanto às técnicas utilizadas tradicionalmente, com o benefício de melhorar, além do estresse, o bem-estar do indivíduo e, consequentemente, a sua saúde. Realizar atividades físicas regularmente é um dos meios de lidar com o estresse, sendo assim, o indivíduo estressado pode restabelecer suas condições normais do organismo que estavam desequilibradas por fatores psicológicos ou fisiológicos (BERGER, 1994 apud PEREIRA ET AL., 2004). Atualmente, tem-se presenciado um crescente interesse pelas questões referentes à saúde, atividade física e bem-estar, incluindo a preocupação com os momentos de lazer, tempo livre e qualidade de vida, e é possível observar o crescente número de estudos que comprovam que a atividade física aumenta o bem-estar, em particular devido à redução da ansiedade e das tensões (LIPP, 2003). Portanto, é de grande importância incentivar a prática de atividade física. O ato de se exercitar precisa ser incorporado não só ao cotidiano dos indivíduos bem como à cultura popular e aos tratamentos médicos. Desse modo, o indivíduo muda o seu estilo de vida e torna-se mais ativo o que, consequentemente, fará com que ele realize a promoção da sua saúde (ARAÚJO & ARAÚJO, 2000). 2.3 ATIVIDADE TERAPÊUTICA: UMA FORMA DE PREVENIR O ESTRESSE “A terceira idade é uma fase da vida em que a pessoa passa a viver um dos momentos mais felizes, em que o único dever é continuar a ser feliz. Nada mais digno que um pai e um avô, que uma mãe e uma avó cheios de idade”. GOMES, 2008. Atividade física pode ser definida como qualquer movimento corporal realizado pelos músculos esqueléticos, resultando assim em um gasto de energia, não se preocupando com a magnitude deste gasto energético (ARAÚJO &ARAÚJO, 2000). A realização de atividade física é um excelente instrumento de prevenção e conservação da saúde em qualquer faixa etária, e especialmente em indivíduos que se encontram em processo de envelhecimento, levando assim a uma melhora da qualidade de vida, além de várias adaptações fisiológicas como a melhora da independência funcional, das funções cognitivas, da composição corporal, da função pulmonar, além de prevenir ou diminuir a inabilidade (NÓBREGA et al., 1999; FRANCHI & MONTENEGRO JÚNIOR, 2005). A partir dos 25 anos de idade, o corpo humano já entra em processo de degeneração e, com isso, ocorrem perdas graduais na capacidade funcional, ocasionando certa limitação na realização das atividades diárias, e as perdas no domínio motor e as disfunções físicas também contribuem para a redução da independência do idoso (OKUMA, 1997). A diminuição da capacidade funcional é decorrente em grande parte de doenças hipocinéticas, ou seja, doenças decorrentes da inatividade física. A atividade física pode ser destacada como elemento de prevenção. Então, quanto mais ativo for um indivíduo, menos limitações funcionais ele apresenta. Dos diversos efeitos que a atividade física propõe, o principal é a proteção da capacidade funcional em todas as idades, principalmente nos idosos (FRANCHI & MONTENEGRO JUNIOR, 2005). Com a existência do processo de degeneração, há um risco maior no surgimento de enfermidades, cuja prevenção pode ser realizada pela prática regular de atividade física, que atua na prevenção e promoção da saúde bem como nas alterações fisiológicas (AMARAL et al., 2007). Um dos benefícios da atividade física é o aumento tanto da massa óssea quanto da massa muscular, favorecendo uma melhor mobilidade articular e sendo de grande importância para a manutenção de um idoso saudável, que pode realizar suas atividades do cotidiano normalmente, sem dificuldades. Esses benefícios mostram que a atividade física pode atuar na prevenção de doenças, tornando-se indispensável a sua inserção na vida das pessoas, principalmente daquelas que se encontram em processo de envelhecimento (AMARAL et al., 2007). A relação entre atividade física, saúde, qualidade de vida e envelhecimento está sendo discutida e analisada cada vez mais no meio científico. Nos dias atuais, há um consenso entre os profissionais da área da saúde de que atividade física é de grande importância e funciona como um fator determinante para o envelhecimento bem sucedido (MATSUDO et al., 2001). Em uma população em processo de envelhecimento, um dos grandes benefícios da atividade física é a melhora da qualidade de vida e isso faz com que esses indivíduos tenham um melhor convívio social e com isso evitar o seu isolamento possibilitando, assim, mudanças positivas em seus aspectos psicológicos e sociais (MOTA, 2001 apud FALSARELLA & SALVE, 2006). De acordo com MEIRELLES (1997), a atividade física direcionada para idosos é o exemplo que irá contribuir para o prolongamento do tempo de vida, fazendo com que o idoso que estava em repouso não permaneça sedentário, inerte, mais sim uma pessoa ativa, em progresso. E, com isso, ele se torne um indivíduo ativo, independente e saudável. O envolvimento de indivíduos idosos em programas de atividade física é fundamental para a promoção da saúde. Com isso, hoje em dia não se pode pensar em garantir um envelhecimento bem sucedido sem a realização da prática de atividade física (MATSDUDO, 2006). Ela pode ser realizada no intuito de retardar e, até mesmo, minimizar os efeitos do envelhecimento, pois promove melhoras na capacidade respiratória, na reserva cardíaca, na força muscular, na memória recente, na cognição, no tempo de reação e nas habilidades sociais (CHEIK, 2003). Vale ressaltar que deve ser realizada de forma preventiva, antes de a doença manifestar as suas reações clínicas. Dessa forma, a atividade física dever ser realizada ao longo de toda a vida para que o indivíduo possa usufruir dos benefícios que a atividade proporciona (CHEIK, 2003). Realizar atividades físicas significa contribuir nas terapias psicológicas tradicionais, levando a um aumento da autoestima, humor, nos níveis de histamina, a uma redução da ansiedade, do neuroticismo e estresse (MACIEL &2005). Essas atividades interferem na saúde principalmente se acompanhadas de maiores possibilidades de satisfação pessoal e interação social (VICENTE, 2003), favorecendo o alívio da depressão, o aumento da autoconfiança, melhora da autoestima e dos níveis de estresse (FRANCHI & MONTENEGRO JUNIOR, 2005). Devem se praticadas com intensidade moderada e com longa duração de, no mínimo, 30 minutos, para propiciarem alívio da tensão e do estresse, devido a um aumento da concentração de hormônios como a endorfina, que age sobre o sistema nervoso, reduzindo o impacto estressor do ambiente (COOPER, 1982 apud STELLA et al ., 2002). É um dos meios para a cura do estresse, fazendo com que a pessoa estressada possa vir a ter as condições normais do seu organismo de volta, já que estavam desequilibrados devido a fatores psicológicos, emocionais ou fisiológicos (BERGER, 1994 apud LIPP & ROCHA, 1996). Uma medida que ajuda o idoso a ser valorizado no contexto em que se vive é a realização de atividade física em grupo porque faz com que os idosos encontrem satisfação pessoal e apoio para a prevenção e a cura do estresse. Porém, as atividades em grupo não são a única alternativa para a redução do estresse, mas tem, contudo, impacto maior do que as atividades solitárias, em decorrência da oferta de suporte social, o que pode também influir na habilidade de solução de problemas (NERI, 1993). Com isso, o indivíduo pode vir a ter uma maior interação social resultando assim em um bem-estar biopsicofísico, o que contribui para a redução dos níveis de estresse (CHEIK, 2003). Um programa regular pode vir a promover mais mudanças qualitativas do que quantitativas no indivíduo, como por exemplo, alterações quanto à execução do movimento, quanto à velocidade na execução da tarefa e na adoção de medidas de segurança para se realizar as tarefas. Porém, um estilo de vida sedentário pode ser a causa primária da incapacidade para realizar as atividades diárias (FRANCHI & MONTENEGRO JUNIOR, 2005). Sendo assim, a atividade física é de grande importância para a saúde física e psicológica do indivíduo, e incentivar essa prática significa reduzir os altos índices de sedentarismo, doenças cardiovasculares e estresse, sendo estes motivos suficientes para afirmar que a atividade física produz melhora na qualidade de vida do indivíduo (SOUZA & JÓIA, 2006). É de grande importância incentivar os indivíduos em processo de envelhecimento a serem ativos. Os meios de comunicação têm divulgado bastante os benefícios da atividade física, todavia, poucos indivíduos se dedicam. Com isso, os riscos atribuídos à inatividade são elevados e têm sido um sério problema de saúde pública (MEIRELLES, 1997). Por meio da atividade física, os indivíduos podem alcançar um patamar superior de qualidade de vida, aprendem a conhecer melhor o seu corpo, a respeitá-lo, a conhecer os seus potenciais, para viver com mais satisfação. Com isso, as atividades físicas proporcionam uma melhora como um todo na saúde do indivíduo em processo de envelhecimento (ALMEIDA & VIANA, 2002). 3 METODOLOGIA A pesquisa foi iniciada após aprovação da Orientadora (APÊNDICE 1), da Instituição Centro de Estudos Superiores do Pará - CESEP (APÊNDICE 2), do Posto Médico da Universidade da Amazônia (APÊNDICE 3), do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), com o protocolo N°183787/08 (ANEXO 2) e dos indivíduos pesquisados por meio do termo de consentimento livre e esclarecido (APÊNDICE 4). Foi um estudo de longitudinal prospectivo, na cidade de Belém, no período de maio de 2008 a fevereiro de 2009. A amostra foi calculada a partir de um universo de 70 indivíduos com faixa etária de 40 a 75 anos de idade que participavam do Projeto de Iniciação Científica da Universidade da Amazônia intitulado “A Influência de um programa fisioterapêutico na qualidade de vida de indivíduos residentes no entorno da Unama Campus Alcindo Cacela”, residentes nos bairros de Fátima e Telégrafo. Os indivíduos foram distribuídos em dois grupos: o grupo dos participantes do programa de atividade terapêutica e o grupo controle, com os que não participavam da atividade. Foram utilizados como critério de inclusão no programa os indivíduos tanto de sexo feminino quanto masculino, com idade a partir de 40 anos e que já iniciaram a atividade física há um ano e novos indivíduos que aceitaram realizar as atividades e que tinham um documento de encaminhamento do médico declarando-os aptos a realizar atividades físicas. Como critério de exclusão, os indivíduos que apresentavam sintomas clínicos ou indicativos de doença cardiovascular ou neurológica, que tinham intervenção cirúrgica recente e que não tinham o documento de encaminhamento do médico provando que estavam aptos a realizar atividades físicas. Após cadastro, estes indivíduos foram submetidos à avaliação por meio de uma ficha em que constavam informações de identificação e se os mesmos possuíam plano de saúde. Quando a pesquisa teve início, os participantes do programa fisioterapêutico estavam na 56ª semana de atividade, sendo os mesmos submetidos ao teste de estresse elaborado por Oliveira (2002) (ANEXO 1), que contém 18 perguntas objetivas relacionadas à saúde física, mental e emocional, em que para cada pergunta obtém-se uma resposta referente a um número, somam-se , então, os pontos do indivíduo e verifica-se qual é o nível de estresse. Se os pontos forem de 81 a 110 indicam positivo bem-estar; de 76 a 80, baixa positividade; de 71 a 75, marginal (no limite); de 56 a 70 indicam problemas de estresse; de 41 a 55 indicam sofrimento; de 26 a 40 indicam sofrimento sério e de 0 a 25, sofrimento severo. Ao final das atividades, os indivíduos estavam na 74ª semana de atividade e foram avaliados novamente, assim como o grupo de indivíduos sedentários. O Programa Terapêutico proposto foi distribuído em três momentos: O primeiro foi composto por aquecimento para o início das atividades, por meio de caminhada no ginásio coberto do CESEP, no tempo de 20 minutos (o tempo do aquecimento foi cronometrado, com auxílio do cronômetro do modelo velocímetro sem fio à prova d’água), com alongamentos de membros superiores e inferiores, antes e depois, e exercícios ativoslivres com três séries de 10 repetições, realizados duas vezes por semana, com intervalos nos fins de semana e feriados, tendo sido os indivíduos orientados a trajar vestimenta adequada. Observem-se as figuras abaixo. Figura 1: Grupo caminhando. Fonte: Dados do Autor, 2009. Figura 3: Alongamento de quadríceps. Fonte: Dados do Autor, 2009. Figura 2: Alongamento de membros superiores. Fonte: Dados do Autor, 2009. Figura 4: Exercício ativo livre de flexão do cotovelo. Fonte: Dados do Autor, 2009. Figura 5: Exercício ativo livre de abdução do ombro. Fonte: Dados do Autor, 2009. Figura 6: Exercício ativo livre para flexão do quadril. Fonte: Dados do Autor, 2009. Figura 7: Exercício ativo livre para flexão do joelho. Fonte: Dados do Autor; 2009. O segundo estágio foi composto por caminhada de 20 minutos, alongamentos de membros superiores e inferiores, antes e depois, exercícios ativos-livres e com bastões da marca ISP (1,50m) e colchonetes para exercícios da marca ISP (1,83m x 0,66 m). Cada exercício tinha três séries de 10 repetições, como demonstrado nas fotos a seguir. Figura 8: Grupo caminhando. Fonte: Dados do Autor, 2009. Figura 10: Exercício com bastão de flexão de ombro. Fonte: Dados do Autor, 2009. Figura 12: Exercício com bastão de flexãoextensão de ombro. Fonte: Dados do Autor, 2009. Figura 9: Alongamento de membros superiores. Fonte: Dados do Autor, 2009. Figura 11: Exercício com bastão de flexãoextensão de ombro e cotovelo. Fonte: Dados do Autor, 2009. Figura 13: Dissociação de cintura com bastão. Fonte: Dados do Autor, 2009. No terceiro momento foi realizada caminhada, também de 20 minutos, exercícios de fortalecimento para membros superiores e inferiores, com auxílio de caneleiras de confecção caseira de 0,5Kg; 1,0Kg; 1,5Kg; 2,0Kg; 2,5Kg e 3,0Kg, em que a evolução de peso para os indivíduos foi realizada de 2 em 2 semanas. Com as caneleiras de 0,5Kg foram realizadas duas séries de 15 repetições; com as de 1,0Kg, duas séries de 12 repetições; com as de 1,5Kg e de 2,0Kg, duas séries de 10 repetições; com as de 2,5Kg, duas séries de 8 e com as de 3,0Kg, duas séries de 6 repetições. As atividades foram realizadas no mesmo ginásio. Este programa foi composto por 8 sessões ao mês, conforme demonstrado nas fotos a seguir. Figura 14: Grupo caminhando. Fonte: Dados do Autor, 2009. Figura 16: Alongamento de tronco. Fonte: Dados do Autor, 2009. Figura 15. Alongamento de membros superiores. Fonte: Dados do Autor, 2009. Figura 17: Alongamento de isquiostibiais. Fonte: Dados do Autor, 2009. Figura 18: Abdução do ombro com uso de caneleira. Fonte: Dados do Autor, 2009. Figura 20: Flexão de quadril com uso de caneleira. Fonte: Dados do Autor, 2009. Figura 19: Extensão de ombro com uso de caneleira. Fonte: Dados do Autor, 2009. Figura. 21: Extensão de quadril com uso de caneleira. Fonte: Dados do Autor, 2009. A análise estatística dos dados foi realizada por meio do pacote estatístico Biostat 4.0 Ayres (2005), t de Student para as amostra pareadas, sendo considerado o nível alfa de 0,05 para rejeição da hipótese de nulidade. Para a formatação desse trabalho foram utilizadas as regras contidas no Manual de Normalização de Trabalhos Científicos da Biblioteca da Universidade da Amazônia (2007). 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO O processo de envelhecimento é natural, progressivo, unilateral e irreversível, e afeta todos os aspectos da vida do indivíduo podendo ocorrer lentamente ou rapidamente (NAHAS, 2000). Existem diversos fatores que influenciam o processo de envelhecimento, sendo eles: o tempo, a hereditariedade e o meio ambiente em que o indivíduo vive, bem como fatores que agem beneficamente neste processo e aumentam a qualidade de vida e o bem-estar, como a dieta, o estilo de vida e a atividade física (FALSARELLA & SALVE, 2006). A velhice 3 é considerada a partir dos 60 anos de idade e é caracterizada como um prolongamento e fim de um processo representado por um conjunto de alterações fisiológicas, morfológicas e psicológicas, ininterruptas à ação do tempo (OMS, 1980 apud NAHAS, 2000). Nos estudos realizados por MATSUDO (2006) observou-se que os indivíduos que se encontram com 50 anos de idade já estão em processo de envelhecimento e devem ser estimulados a praticar regularmente atividade física, mesmo que o indivíduo seja sedentário, já que essas atividades têm grande importância na saúde e na longevidade do indivíduo. Percebe-se na tabela 1 que a média de idade dos participantes do grupo de atividade física é de 53,51 anos. E, de acordo com VILELA (2006), indivíduos com idade a partir de 40 anos estão iniciando o processo de envelhecimento e precisam se preparar para velhice. Observe-se a tabela abaixo. Tabela 1 – Valores referentes à média de idade e do desvio padrão do grupo de atividade física e do grupo controle. Grupo Atividade física Grupo Controle Média ± DP Média ± DP 53,51 ± 7,62 54,42 ± 9,07 Idade Fonte: Pesquisa de Campo, 2009. No término desse estudo havia 33 indivíduos, dos 70 iniciantes, que descontinuaram a atividade por motivo de desistência, problemas pessoais e de saúde. Sendo que estes últimos participantes foram exclusivamente do sexo feminino 3 Velhice: É definida como o estado ou condição de velho. Fonte: Dicionário: Aurélio. . Além da questão cultural, pela qual os homens trabalham fora e as mulheres ficam em casa, estudos divulgados por ZAGHETTO (2008) no Jornal Diário do Pará relatam que os homens morrem mais cedo e a feminilização da população paraense se acentua na terceira idade, o que é reafirmado nesta pesquisa em que todos os participantes da atividade física são do sexo feminino. Existem diversas classificações de faixas etárias, porém, uma das mais utilizadas na educação física é a classificação segundo o rendimento motor, proposta por MEINEK (1984) apud MOSMANN (2006), que considera os indivíduos com idade entre 45-50 anos a 60-70 anos como sendo da Terceira Idade Adulta. A tabela 2 apresenta os resultados desta pesquisa em relação à faixa etária. Tem importantes valores e estão de acordo com a literatura (MATSUDO; MOSMANN, 2006), já que 55% dos indivíduos do grupo de atividade física têm idade entre 50 e 59 anos e o grupo controle com 40% entre 40 e 49 anos, faixas etárias nas quais os indivíduos estão passando pelo processo de envelhecimento e devem começar a realizar atividades físicas. Tabela 2 – Valores da porcentagem das faixas etárias das participantes do grupo de atividade física e do grupo controle. p<0,00 40-49 anos 50-59 anos 60-69 anos 70-79 anos Grupo de Atividade Física 24% 55% 15% 6% Grupos Controle 40% 36% 18% 6% Fonte: Pesquisa de Campo, 2009. A implantação de estratégias de prevenção, como a realização regular de atividade física, pode levar a uma melhora funcional do idoso, fazendo com que este não envelheça com deficiências e não se torne dependente, pois a atividade é uma estratégia eficaz, econômica e capaz de promover melhoras no bem-estar (LUFT, 2007). SCHWARTZ et al. (1993) apud NADAIL (1995) relatam que os idosos consideram a prática de atividade física indispensável, devido aos benefícios proporcionados. O bem-estar durante o envelhecimento pode ser adquirido com sua prática regular associada à alimentação adequada e ao equilíbrio afetivo-social (MATSUDO, 1999). A prática regular de atividade reduz o risco de diversas condições crônicas entre indivíduos em processo de envelhecimento, incluindo doença coronariana, hipertensão, diabetes, desordens metabólicas, assim como diversos estados emocionais como a depressão e o estresse (BLAIR & CONNELLY, 1996 apud MOTA, 2006). É evidenciado, ainda, que melhora a independência e segurança para a realização das tarefas do dia-a-dia, a composição corporal, a força, flexibilidade e a auto-estima; aumenta a capacidade aeróbia, a autoconfiança, a qualidade de vida e os laços sociais, além do alívio da depressão e redução do nível de estresse com a atividade (VICENTE, 2003). Age diretamente na saúde física, no humor e, indiretamente, na vida social. Além desses benefícios, outros estudos indicam que a participação dos fatores psicológicos é importante para que a atividade tenha indicação preventiva e terapêutica (NUNOMURA, 2004). Observa-se na figura 1 que os indivíduos apresentaram no início da pesquisa o nível de estresse mais elevado e no término da atividade ocorreu uma redução deste nível, comprovando que os efeitos da atividade física são benefícios importantes para a redução do estresse, ratificando os dados de NUNOMURA, 2006. 89 88,18 88 87 86 Grupo Atividade Física 85 84 84,39 83 82 Início Término Figura 1 - Valores das médias do nível de estresse das participantes do grupo de atividade física, no início e ao término da pesquisa. p<0,03. Fonte: Pesquisa de Campo, 2009 O idoso brasileiro experimenta muitas dificuldades, desde questões como suporte social inadequado até o deficiente atendimento de saúde. A burocracia da aposentadoria, as dificuldades financeiras, os problemas com o atendimento de saúde, morte de amigos e familiares e a discriminação social tornam o idoso cada vez mais susceptível ao estresse, pois esses fatores agem como agentes estressores e ainda podem levá-los a depressão (LUFT et al., 2007). Segundo MARGIS (2003) apud SEGATO et al., (2009), qualquer situação a qual possa provocar uma perturbação no equilíbrio do organismo pode ser considerada como estresse, que pode levar a alterações orgânicas como a liberação de grandes quantidades de hormônios na corrente sanguínea, preparando o indivíduo para alguma reação. ALVES (2004) afirma que o envelhecimento pode ser considerado um fator de risco para a ocorrência do estresse, devido ao idoso, que antes era um indivíduo ativo, independente, agora se tornar um ser humano dependente em razão das limitações provocadas por esta condição. O fato de não poder realizar tarefas simples, como pentear o cabelo, escovar os dentes ou calçar um sapato, será motivo para gerar o estresse. Dessa forma, a pesquisa mostra que a atividade física é um ótimo tratamento para o combate ao estresse e para tornar este indivíduo o mais independente possível. TRAUSTADÓTTIR et al. (2005) apud LUFT (2007) demonstram que, no envelhecimento, diferentes estilos de vida podem estar relacionados a diferentes respostas ao estresse. Os resultados desse estudo sugerem que nas mulheres idosas que não praticam atividade física, o envelhecimento está relacionado à maior reatividade ao estresse, liberando mais cortisol frente aos mesmos agentes estressantes. Relatam OSEI-TUTU e CAMPAGNA (2003) apud LUFT (2007) em seus estudos que, para que a atividade física tenha benefícios psicológicos, ela deve ser realizada por períodos estendidos e não de forma acumulada. O significado e a prática regular de atividade física realizada de forma intencional estão associados aos efeitos mais fortes na saúde e no bem-estar mental (HARRIS et al., 2003 apud LUFT, 2007). MALMBERG (2003) apud LUFT (2007) mostra que a saúde percebida estava relacionada apenas com a prática regular de atividade física de lazer e não com o gasto energético total. Segundo SENA et al. (2003), quando o indivíduo idoso não realiza atividade física, sua autoestima fica reduzida, os seus interesses pelas coisas simples da vida diminuem. Todavia, quando passa a realizar a atividade física, começa a se sentir mais ativo e com grande entusiasmo para a vida. Esse fato se confirma pelos relatos colhidos das pacientes durante a pesquisa, segundo as quais, antes da prática da atividade elas se sentiam desmotivadas para realizar as suas tarefas diárias, não tinham um bom relacionamento com as pessoas, destacando-se o fato de que muitas delas eram vizinhas e só se conheceram após o início da atividade; e, iniciada a prática da atividade, todos esses fatores melhoraram. O tempo de realização da atividade física neste estudo foi de um ano e seis meses, caracterizado como um período de longa duração, e o foco era proporcionar momentos de interação entre os participantes do grupo, independentemente da preocupação com o bemestar físico. Em um estudo realizado por LAUKKANEN et al (1998) apud MATSUDO et al (2001), avaliando o nível de atividade física de idosos entre 75 e 80 anos de idade por um período de 5 anos, observaram claramente que os indivíduos fisicamente ativos apresentaram melhores condições de saúde e capacidade funcional do que os sedentários, podendo refletir, dessa forma, em melhor qualidade de vida. Com base na teoria, os resultados da comparação dos níveis de estresse dos participantes do grupo de atividade física com os indivíduos sedentários mostram que pessoas ativas possuem níveis de estresse baixos quando comparados aos indivíduos sedentários, como pode ser observado na figura abaixo. 90 88,18 88 86 84 81,63 82 80 78 Grupo Atividade Física - Término Grupo Controle Figura 2 - Valores das médias do nível de estresse das participantes do grupo de atividade física ao término da pesquisa e do grupo controle. Fonte: Pesquisa de Campo, 2009 Para se discutir os resultados das categorias de estresse, é importante lembrar, como foi mencionado na metodologia, que cada categoria tem uma pontuação. Por exemplo, para a categoria de positivo bem-estar a pontuação deve ser de 81 a 110 pontos. Ao término do programa de atividade física, 24 dos 33 participantes permaneceram na categoria de positivo bem-estar, o que significa que estes indivíduos possuem uma boa autoestima e estão conduzindo suas vidas da melhor maneira possível. Os 18 indivíduos do grupo controle permaneceram na categoria de positivo bem-estar, porém, obtiveram uma pontuação menor no escore do questionário em relação ao grupo ativo, o que mostra que o sedentarismo é uma predisposição para desencadear o estresse, de acordo com o que pode ser identificado na tabela abaixo. Tabela 3 - Valores do número de participantes do grupo de atividade física, no início e ao término da pesquisa e do grupo controle, em relação ao estado de estresse. Estado de Estresse Indica positivo bem-estar Baixa positividade Marginal (no limite) Indica problemas de estresse Indica sofrimento Indica sofrimento sério Indica sofrimento severo Grupo de atividade física - início 22 02 04 05 00 00 00 Grupo de atividade física término 24 03 03 03 00 00 00 Grupo Controle 18 03 04 06 02 00 00 Fonte: Pesquisa de Campo, 2009. Estudos realizados por diversos autores, tais como CAPODIECI (2000), DE VITTA (2000) e MATSUDO (2001) apud RIGO & TEIXEIRA (2005), afirmam que a participação regular em atividades físicas e sociais tem efeitos que previnem, evitam e diminuem o estresse, aumentam a resistência às doenças e dão ao idoso uma percepção positiva de bemestar físico e mental. Com base no referencial teórico e nos resultados encontrados durante a pesquisa, verifica-se que um programa de atividade terapêutica interfere no nível de estresse de uma população urbana. Com isso, surge a necessidade de incentivar um estilo de vida ativo aos indivíduos que estão em processo de envelhecimento. Então, cabe aos profissionais da área da saúde, educadores, gestores públicos, agir de maneira efetiva na busca de recursos para a viabilização de projetos que atinjam a meta de uma população em processo de envelhecimento cada vez mais ativa (FRANCHI & MONTENEGRO JÚNIOR, 2005). 5 CONCLUSÃO O processo de envelhecimento é um fenômeno recente, principalmente nos países em desenvolvimento. Atualmente, o Brasil tem um grande número de idosos e o estado do Pará tem o maior número de idosos da região norte. Assim, é de grande importância voltar a atenção para esta parcela da população, procurando estratégias para minimizar os efeitos deletérios do envelhecimento e as doenças que possam adquirir durante esse processo, como o estresse, que é considerado o mau do século e atinge um grande número de idosos. Com isso, estes indivíduos podem vir a ter um envelhecimento bem sucedido. Como se pode verificar neste estudo, a inclusão de programas de atividades físicas na vida de indivíduos idosos proporciona melhoras no organismo como um todo, liberando substâncias químicas na corrente sanguínea que melhoram o humor, a autoestima e, desta forma, os efeitos e níveis do estresse no organismo são minimizados. Portanto, conclui-se que os indivíduos que participam de um programa terapêutico, ou seja, praticam atividade física regularmente, apresentam níveis de estresse melhores do que os indivíduos sedentários. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, Admilson Gonçalves; VIANA, Helena Brandão. A atividade física e a corporeidade do idoso: Uma perspectiva para a qualidade de vida. ACTA Cientifica – Ciências Humanas, v.2, n.3, p.21-26, 2002. AMARAL, Pámela Nunes; POMATTI, Dalva Maria; FORTES, Vera Lúcia Fortunato. Atividades físicas no envelhecimento humano: uma leitura sensível criativa. RBCHE, Passo Fundo, v.4, n.1, p.18-27, jan-jun. 2007. ARAÚJO, Denise Sardinha Mendes Soares de; ARAÚJO Cláudio Gil Soares de. Aptidão física, saúde e qualidade de vida relacionada à saúde em adultos. Revista brasileira medicina esporte, v.6, n.5, set-out. 2000. ASSIS, Mônica. Promoção da Saúde e envelhecimento: Avaliação de uma experiência no ambulatório do núcleo de atenção ao idoso na UNATI /UERJ. 2004. 236f. Tese (Doutorado em Saúde Pública) – FIOCRUZ, Rio de Janeiro, 2004. ALVES, Márcia Guimarães de Melo; CHOR, Dora, FAERSTEIN, Eduardo, WERNECK, Guilherme, LÓPIS, Cláudia. Versão resumida da “Job estress scale”, adaptação para o português. Revista de saúde pública, v.2, n.38, p.164-171, 2004. AYRES, Manuel; JUNIOR, Manuel Ayres; AYRES, Daniel Lima; SANTOS, Alex Santos dos. BioEstat Versão 4.0: Aplicações estatísticas nas áreas das Ciências Biológicas e Médicas (2005). Sociedade Civil Mamirauá, MCT – CNPq, Belém, Pará, Brasil. BACELAR, Rute. Envelhecimento e produtividade: Processos de subjetivações. 2.ed. Recife: Fasa, 2002. BRUNDTLAND, Gro Harlem. Envelhecimento ativo: Uma Política Pública de Saúde. In: Envelhecimento Global: Triunfo e desafio. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, p.60, 2005. BURGOS, Andréa Cristina Garofe Fortes; NERI, Anita Liberalesso. Estresse no desenvolvimento adulto e na velhice: Uma revisão. RBCHE, Passo Fundo, v.5, n.1, p.103114, jan-jun. 2008 CARDOSO, Biatriz Araújo; SEGTOWICK, Ana Cristina Isackson. Avaliação da qualidade de vida de indivíduos em processo de envelhecimento que participam de um programa fisioterapêutico. 2007. 57f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Fisioterapia) – Universidade da Amazônia, 2007. CHEIK, Nadia Carla; REIS, Ismair Teodoro; HEREDIA, Rímmel Amador Guzman; VENTURA, Maria de Lourdes; TUFIK, Sérgio; ANTUNES, Hanna Karen; MELO Marco Túlio. Efeitos do Exercício Físico e da Atividade Física na Depressão e Ansiedade em Indivíduos Idosos. Revista Ci e Mov, Brasília, v.11, n.3, p. 45-52, jul-set. 2003. CUPERTINO, Ana Paulo Fabrino Bretãs; ROSA, Fernanda Heringer Moreira; RIBEIRO, Pricila Cristina Correia. Definição de Envelhecimento Saudável na Perspectiva de Indivíduos Idosos. Psicologia: Reflexão e Crítica, Campinas, v.20, n.1, p.81-86, fev. 2006. DUARTE, Cátia Pereira; SANTOS, Cristiane Leite dos; GONÇALVES, Andréia Kruger. A concepção de pessoas de meia- idade sobre saúde, envelhecimento e atividade física como motivação para comportamentos ativos. Revista Brasileira Ciência Esporte, Campinas, v.23, n.3, p.35-48, mai. 2002. FALSARELLA, Glória Regina; SALVE, Mariângela Gagliardi Caro Salve. Envelhecimento e atividade física: Análise das relações pedagógicas professor/aluno. Revista Integração, v.12, n.47, p. 345-350, nov-dez. 2006. FERNANDES, Camila do Carmo; FARIA, Flávia de Souza. A influência de atividades terapêuticas nos laços sociais de uma comunidade em processo de envelhecimento como determinante de qualidade de vida. 2008. 66f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Fisioterapia) – Universidade da Amazônia, Belém, 2008. FERNANDES, Kamilla Conceição Souza; VASCONCELOS, Lorena Silva. Efeitos de um programa terapêutico na qualidade de vida de idosos institucionalizados na cidade de Belém do Pará. 2006. 104f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Fisioterapia) – Universidade da Amazônia, Belém, 2008. FERREIRA, Tales Alexandre Aversi; RODRIGUES, Humberto Gabriel; PAIVA, Luice Rezende. Efeitos do Envelhecimento sobre o encéfalo. RBCEH, Passo Fundo, v.5, n.2, p.4664, jul-dez. 2008. FRANCHI, Kristiane Mesquita Barros; MONTENEGRO JÚNIOR, Renan Magalhães. Atividade Física: Uma necessidade para a boa saúde na terceira idade. RBPS, Fortaleza, v.18, n.3, p. 152-156, jun-ago. 2005. GIATTI, Luana; BARRETO, Sandhi.Saúde trabalho e envelhecimento no Brasil. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.19, n.3, jan-jun. 2003. GUIMARÃES, Renato Maia. Proteção e saúde do Idoso. Revista de Saúde Pública, Brasília, v.21, p.274-275, 1989. HAYFLICK, Leonerd. Como e por que envelhecemos. Rio de Janeiro: Campus, 1997. HOFFMANN, Maria Edwiges. Bases Biológicas do Envelhecimento, 2002. Disponível em: <http://www.comciencia.br>. Acesso em: 20 mar. 2008. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Rio de Janeiro: Anuário estatístico do Brasil, 2001. KUNEN, Ana Paula; OLIVEIRA, Anne Lima; FERNEDA, Fabiana; LOPES, Marize Amorim. Programa de Atividade Física para a Terceira Idade do CDS/UFSC: O Efeito do Exercício Físico na resistência muscular. Revista Eletrônica de Extensão, v.1, 2008. LIPP, Marilda Emmanuel Novaes. Diferenças em nível de estress entre homens e mulheres na cidade de São Paulo. In: Simpósio sobre Stress e suas Implicações, 1996, Campinas. Anais...Campinas: Pontifícia Universidade Católica de Campinas, p.22, 1996. LIPP, Marilda Emmanuel Novaes. Mecanismos neuropsicológicos do estress: Teoria e aplicações clínicas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003. LIPP, Marilda Emmanuel Novaes; ROCHA, João Carlos. Stress, hipertensão arterial e qualidade de vida. 2.ed. São Paulo: Papirus, 1996. LUFT, Carolini Di Bernardi. Aspectos neuropsicológicos do envelhecimento e prática de atividade física: Possíveis relações em mulheres idosas. 2007. 186f. Dissertação (Mestrado em Ciências do Movimento Humano) – Subárea de atividade física e Saúde do programa de Pós – graduação em Ciências do Movimento Humano, Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis, 2007. LUFT, Carolini Di Bernardi; SANCHES, Sabrina de Oliveira; MAZO, Giovana Zarpellon; ANDRADE, Alexandro. Versão brasileira da escala de estresse percebido: tradução e validação para idosos. Revista de saúde pública, Santa Catarina, v.41, n.4, p.606-615, mar. 2007. MACIEL, Regina Heloísa; ALBUQUERQUE, Ana Maria Costa; MELZER, Adriana; LEÔNIDAS, Suzete, Rodrigues. Quem se beneficia dos programas de ginástica laboral?. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, v.8, p.71-86, 2005. MATSUDO, Sandra Mahecha. Envelhecimento & Atividade física. Londrina: Midiograf, 2001. MATSUDO, S. M.; ANDRADE, A.L.; MATSUDO, V.K.R.; ARAÚJO, T.L.; ANDRADE, D.R.; FIGUIRA, A.J.; OLIVEIRA, L.C. Nível de atividade física em relação ao grau de conhecimento do novo paradigma da atividade física em indivíduos maiores de 50 anos. In: C Congresso brasileiro de atividade física e saúde, 26, 1999, Florianópolis. Anais... Florianópolis: NUPAF, 1999, p. 85. MATSUDO, Sandra Mahecha; MATSUDO, Victor Keihan Rodrigues; BARROS NETO, Turíbio Leite. Atividade Física e Envelhecimento: Aspectos epidemiológicos. Revista brasileira de medicina esporte, São Paulo, v.7, n.1, jan-fev. 2001. MATSUDO, Sandra Mahecha. Atividade física na promoção da saúde e qualidade de vida no envelhecimento. Revista brasileira de educação física, São Paulo, v.20, n.5, p.135-137, set. 2006. MEIRELLES, Morgana. Atividade física na terceira idade. Rio de Janeiro: Sprint, 1997. MENDES, Mariza Ferreira. Movimentos Anti- estresse: A vida na terceira idade. In: Encontro Paranaense, Congresso Brasileiro, Convenção Brasil/ Latino Americana, XIII, VII, II, 2008, Curitiba. Anais... Curitiba: Centro Reichiano, 2008. CD-ROM. MINAYO, Maria Cecília de Souza. Antropologia, saúde e envelhecimento. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2002. MORAGAS, Ricardo Moragas. Gerontologia Social: envelhecimento e qualidade de vida. São Paulo: Paulinas, 1997. MOSMANN, Alice; ANTUNES, Carla; OLIVEIRA, Danesa de; NEVES, Caren Lara Martins. Atuação fisioterapêutica na qualidade de vida do paciente fibromiálgico. Scientia Medica, Porto Alegre, v.16, n.4, out-dez. 2006. MOTA, Jorge; RIBEIRO José Luis; CARVALHO Joana, MATOS Margarida Gaspar de; Atividade física e qualidade de vida associada à saúde em idoso participantes e não participantes em programas regulares de atividade física. Revista brasileira de educação física, v.20, n.3, p.219-225, jul-set. 2006. NADAIL, Andréia. Programa de atividades físicas e terceira idade. Revista motriz, v.1, n.2, p.120-123, Dez, 1995. NAHAS, Marcus Vinívius. Qualidade de vida. In: Apostila de curso, IV Simpósio Mineiro de Ciências do Esporte, Viçosa, Minas Gerais, p.1-15, 2000. NERI, Anita Liberalesso. Qualidade de vida e idade madura. São Paulo: Papirus, p.1-47, 1993. NUNOMURA, Myrian; TEIXEIRA, Luis Antonio Céspedes; CARUSO, Mara Regina Fernandes. Nível de estresse em adultos após 12 meses de prática regular de atividade física. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, São Paulo, v.3, n.3, p.125-134, ago-out. 2004. OKUMA, Silne Sumire. Atividade física, qualidade de vida e velhice: uma perspectiva existencial. In: Guedes, O.C. Atividade Física: uma abordagem multidimensional. João Pessoa: Idéia, 1997. PAIXÃO JÚNIOR, Carlos Montes; Reichenheim, Michael. Uma revisão sobre instrumentos de avaliação do estado funcional do idoso. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.21, n.1, p. 7-19, jan-fev. 2005. PEREIRA, Aline; FREITAS, Carla; MENDONÇA, Cristiane; MARÇAL, Fernanda; SHOLLFRANCO, Alfred. Envelhecimento, estresse e sociedade: Uma visão psiconeuroendocrinológica. Ciências & Saúde, Rio de Janeiro, v.1, p.34-53, mar. 2004. RIGO, Maria de Lourdes Neto Ravedutti; TEIXEIRA, Denílson de Castro. Efeitos da atividade física na percepção de bem-e star de idosas que residem sozinhas e acompanhadas. UNOPAR ciências biológicas e da saúde, Londrina, v.7, n.1. p. 13-20, out. 2005. SILVA JÚNIOR, Jarbas Barbosa. Envelhecimento ativo: Uma Política Pública de Saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, p.60, 2005. SEGATO, Lucina; ANDRADE, Alexandro; VASCONCELOS, Diego Itibere Cunha; MATHIAS, Tiago Sousa; ROLIM, Martina Kieling Sebold Barros. Ocorrência e controle do estresse em gestantes sedentárias e fisicamente ativas. Revista da educação física, Maringá v.20, n1, p.121-129, mar. 2009. SENA, E.L.S.; MEIRA; E.C.; CARVALHO, K.R.; GONÇALVEZ, L.H.T. A influência da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia no processo de viver e envelhecer dos idosos estudantes/integrantes. Textos envelhecimentos, v.6, n.1, 2003. STELLA, Florindo; GOBBI, Sebastião; CORAZZA, Danilla Icassatti; COSTA, José Luiz Riani. Depressão no idoso: Diagnóstico, tratamento e Benefícios da atividade Física. Motriz, São Paulo, v.8, n.3, p.91-98, set- dez. 2002. SOUZA, Bianca Cristina Conceição de; JÓIA, Luciane Cristina. Relação entre ginástica laboral e prevenção de doenças ocupacionais: Um estudo teórico. Bahia, 2006. Disponível em: http://www.fisioweb.com.br. Acesso em: 20 out. 2008. TIMO, Iaria. O Envelhecimento. Acta Fisiátrica, São Paulo, v.8, n.3, p.114-120, dez. 2003. VALIM, Priscila Carneiro; BERGAMASCHI, Elaine Cristina; VOLP, Catia Mary; DEUTSCH. Redução de estresse pelo alongamento: A preferência musical pode influenciar? Revista Motriz de Educação Física, Rio Claro, jul-nov. 2002. VERAS, Renato; COSTA, Maria Fernanda Lima. Saúde Pública e Envelhecimento. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.19, n.3, p.700-701, mai-jun. 2003. VERAS, Renato. Em busca de uma assistência adequada à saúde do idoso: Revisão da literatura e aplicação de um instrumento de detecção precoce e de previsibilidade de agravos. Caderno de saúde pública, Rio de Janeiro, v.19, n.3, jan-jun. 2003. VERAS, Renato; CALDAS, Célia Pereira. Promovendo a saúde e a cidadania do idoso: o movimento das universidades da terceira idade. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v.9, n.2, p.423-432, fev-abr. 2004. VICENTE, Laís Pelissoni. Evidências da importância do exercício físico na manutenção das funções cognitivas e psicológicas no processo de envelhecimento. Fisio&Terapia, 2003. VILELA, Alba Beremérita Alves. Envelhecimento bem- sucedido: representação de idosos. Revista Saúde. Com, v.2, n.2, p.101-114, 2006. ZAGHETTO, Sônia. Pará tem metade dos idosos da região norte. O Diário do Pará, Belém, 27 set. 2008. Caderno Cidade, p. A8. APÊNDICE 1 APÊNDICE 4 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO Título: “Efeitos de atividades terapêuticas no nível de estresse de uma população urbana” APÊNDICE 4 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO Título: “Efeitos de atividades terapêuticas no nível de estresse de uma população urbana” Você está sendo convidado a participar do projeto de pesquisa acima citado, que tem como objetivo estudar a influência de um programa fisioterapêutico no nível de estresse de uma população. O documento abaixo contém todas as informações necessárias sobre a pesquisa que estamos fazendo. Para a avaliação do estresse, será aplicado um questionário elaborado por Oliveira (2002), que contém 18 perguntas relacionadas à saúde física, mental e emocional. Sendo 14 perguntas com seis opções de resposta, cada resposta com pontos que variam de 5 a 0. E as outras 04 questões o indivíduo terá que dar uma nota de 10 a 0 para determinadas situações, como o quanto está preocupado ou interessado com a sua saúde, o quanto se sente tenso ou relaxado, qual a quantidade energia, animação e vitalidade que o indivíduos acha que tem e quão deprimido ou alegre tem estado. Então, somam-se os pontos do indivíduo e verifica-se qual é o nível de estresse. Se os pontos forem de 81 a 110 indica positivo bem-estar; de 76 a 80, baixa positividade; 71 a 75, marginal (no limite); 56 a 70 indicam problemas de estresse; 41 a 55 indicam sofrimento; 26 a 40 indicam sofrimento sério e de 0 a 25 pontos indicam sofrimento severo. O programa terapêutico será dividido em três momentos: o aquecimento para o início das atividades, por meio de caminhadas no ginásio coberto do CESEP, no tempo de 20 minutos, alongamentos de membros superiores e inferiores, antes e depois, e exercícios ativos-livres com 3 séries de 10 repetições, realizados durante duas vezes na semana. Os indivíduos são orientados a trajarem vestimenta adequada. O segundo estágio é composto de caminhada de 20 minutos, alongamentos de membros superiores e inferiores por um tempo mais prolongado e exercícios ativos-livres e com bastões. No terceiro momento será realizada a caminhada, também de 20 minutos, o fortalecimento de membros superiores e inferiores com auxílio de caneleiras de confecção caseira de 0,5Kg; 1,0Kg; 1,5Kg; 2,0Kg; 2,5Kg e 3,0Kg, em que a evolução de peso para os indivíduos será realizada de 2 em 2 semanas. Com as caneleiras de 0,5Kg serão realizadas 2 series de 15 repetições; com as de 1,0Kg, 2 series de 12 repetições; com as de 1,5Kg e 2,0Kg, 2 series de 10 repetições; com as de 2,5Kg, 2 series de 8 e com as de 3,0Kg, 2 series de 6 repetições. As atividades acontecerão no mesmo ginásio. Este programa será composto, em média, por 08 sessões ao mês. Após a finalização do período do programa terapêutico, será realizada uma reavaliação semelhante à avaliação inicial. Em qualquer momento da pesquisa, os entrevistados terão acesso aos pesquisadores da pesquisa, para esclarecimento de dúvidas. A principal responsável é a profa. Daniela Teixeira Costa, que pode ser encontrada na Rua Diogo Moia, n. 770, apto 502, telefone 32220021, ou na Universidade da Amazônia, no período diurno, ou pelo celular 81991799. Caso não seja localizada a profa. Daniela Teixeira Costa, poderá ainda ser contactada a pesquisadora Wellina Oliveira Cunha, pelos telefones 32594496 ou 81814863. É garantida às pacientes a liberdade de deixar de participar do estudo a qualquer tempo e também a desnecessidade de justificar a desistência de colaboração com a pesquisa sem lhe causar qualquer prejuízo e sem perda do benefício já obtido (art.IV.1,f). As informações obtidas serão analisadas em conjunto com as de outros pacientes, não sendo divulgada qualquer informação que possa levar a sua identificação. O paciente tem direito a se manter informado a respeito dos resultados parciais da pesquisa. Na avaliação será questionado ao pesquisado se o mesmo possui plano de saúde e, em caso de alguma intercorrência durante a realização das atividades no ginásio do CESEP, diretamente provocada pelos procedimentos propostos pelos pesquisadores, o indivíduo será encaminhado ao Posto de Saúde da Universidade da Amazônia, já autorizado pela médica responsável Dra. Érica Franco (APÊNDICE 4), para a prestação dos primeiros socorros; em seguida, os que possuírem plano de saúde serão transportados pela própria autora ao hospital referente ao seu plano e os indivíduos que não possuírem plano de saúde serão transportados pela própria autora ao Pronto Socorro Municipal, sem custos para o paciente. Não há despesas pessoais para o participante em qualquer fase do estudo. Esta pesquisa será realizada com recursos do próprio autor. Também não haverá nenhum pagamento por sua participação. Os pesquisadores utilizarão os dados e o material coletado somente para esta pesquisa, devendo os participantes dar autorização para publicação em periódicos, revistas médicas e congressos. Ao final da pesquisa, as fichas de avaliação serão arquivadas em meio digital e será mantida a completa integridade dos participantes. Declaro que compreendi as informações que li ou que me foram explicadas sobre a pesquisa em questão. Discuti com as pesquisadoras sobre minha decisão de participar nessa pesquisa, ficando claros para mim quais são os propósitos da pesquisa, os procedimentos a serem realizados, os possíveis desconfortos e riscos, as garantias de confidencialidade e de esclarecimentos permanentes. Ficou claro também que minha participação não tem despesas, inclusive se optar por desistir de participar da pesquisa. Concordo, voluntariamente, em participar deste estudo, podendo retirar meu consentimento a qualquer momento, antes ou durante o mesmo, sem penalidades, prejuízo ou perda de qualquer benefício que possa ter adquirido. Belém - PA, ____, de ___________________de 2008. ____________________________________________ Assinatura do entrevistado Declaro que obtive de forma apropriada e voluntária o consentimento livre e esclarecido desta entrevistada para participação no presente estudo. ____________________________________________ Daniela Teixeira Costa Pesquisador responsável ANEXO 1 TESTE O SEU NÍVEL DE ESTRESSE Nome: _____________________________________________________ Idade: _____ Sexo: ( ) Feminino ( ) Masculino Instruções: As questões seguintes se referem a como você se sente e como as coisas têm andando no último mês. Para cada questão, marque com um X a resposta mais aplicada a você. Uma vez que não há respostas corretas ou incorretas, é bom responder rapidamente as questões, sem largas pausas. 1- Em geral, como você se sente? ( ) Com excelente disposição ( ) Às vezes de bom e outras de mau-humor ( ) Com boa disposição ( ) Desanimado, muitas vezes ( ) Bem, na maioria das vezes ( ) Sempre desanimado 2- Você tem sido incomodado por seus nervos? ( ) Nem um pouco ( ) Mais ou menos ( ) Um pouco ( ) Muito ( ) Algumas vezes ( ) Constantemente, ao ponto de ficar desligado das coisas e até de não poder trabalhar 3- Você tem tido controle sobre seu comportamento, pensamentos, emoções ou sentimentos? ( ) Sim, absolutamente ( ) Não muito ( ) Sim, na maioria das vezes ( ) Não, e ainda fico às vezes perturbado ( ) Geralmente, sim ( ) Não, e sempre fico muito perturbado 4- Você tem se sentido triste, desencorajado, desesperançado, ou tem tido muitos problemas? ( ) Nada, nada ( ) Realmente, um pouco ( ) Um pouco ( ) Bastante ( ) Às vezes, o suficiente para aborrecer-me ( ) Bastante, ao ponto de muitas vezes ter vontade de desistir de tudo 5- Você tem sentido estar sob estresse, pressão ou tensão? ( ) Absolutamente não ( ) Sim, um pouco mais do que o comum ( ) Sim, um pouquinho ( ) Sim, sob um pouco de pressão ( ) Sim, um pouco, mas dá para encarar ( ) Sim, quase mais do que posso suportar 6- Quão feliz, satisfeito ou alegre você tem se sentido com relação a sua vida? ( ) Muito feliz, acha que não poderia sê-la mais do que sou ( ) Satisfeito ( ) Muito feliz ( ) Um pouco satisfeito ( ) Moderadamente feliz ( ) Muito insatisfeito 7- Você tem tido razão para temer a perda do controle de sua mente, de seus atos, palavras, pensamentos, sentimentos ou memória? ( ) Nem pensar! ( ) Pouco, mas tenho me preocupado ( ) Só um pouquinho ( ) Pouco, mas tenho me preocupado bastante ( ) pouco, mas não o suficiente para ( ) Muito, ao ponto de colocar-me preocupações em constante estado de preocupação 8- Você tem estado ansioso, preocupado ou abatido? ( ) De jeito nenhum ( ) Regularmente ( ) Pouquinho ( ) Bastante ( ) Um pouco, o suficiente para importunar-se ( ) Em excesso até, ao ponto de sentir-me doente 9- Você se levanta, pela manhã, revigorado e descansado? ( ) Todos os dias ( ) Menos que a metade dos dias ( ) Quase todos os dias ( ) Raramente ( ) Com frequência ( ) Nunca 10- Você tem sido incomodado por alguma doença, desordem orgânica, dores ou temores sobre sua saúde? ( ) Nunca ( ) Durante algum tempo ( ) Um pouquinho ( ) Na maioria das vezes ( ) Às vezes ( ) Sempre 11- Sua vida tem sido plena de coisas interessantes? ( ) Sempre ( ) Algum tempo ( ) Na maioria das vezes ( ) Um pouco ( ) Durante um bom tempo ( ) Nunca 12- Você se sente desanimado e tristonho? ( ) Nunca ( ) Durante um bom tempo ( ) Um pouco ( ) Na maioria das vezes ( ) Algum tempo ( ) Sempre 13- Você se sente emocionalmente estável e seguro de si? ( ) Sempre ( ) Algum tempo ( ) Na maioria das vezes ( ) Um pouco ( ) Durante um bom tempo ( ) Nunca 14- Você se sente cansado, exausto, quebrado, esgotado? ( ) Nunca ( ) Durante um bom tempo ( ) Um pouco ( ) Na maioria das vezes ( ) Algum tempo ( ) Sempre * Para cada uma das quatro perguntas a seguir, as palavras em cada final descrevem sentimentos opostos. Assinale com um círculo (O) o número que mais se relaciona ao que você sentiu no último mês. 15- Quão preocupado ou interessado acerca de sua saúde você tem estado? 10 8 6 4 Nada, nada 16- Quão relaxado ou tenso você tem se sentido? 2 0 Muito preocupado 10 8 6 4 2 Bastante relaxado 0 Bastante tenso 17- Quanta energia, animação e vitalidade você tem tido? 10 8 6 4 2 Muito 0 Nenhuma 18- Quão deprimido ou alegre você tem estado? 10 8 6 4 Muito alegre 2 0 Muito deprimido * Contagem dos pontos: Some todos os pontos assinalados em cada questão e compare os resultados com a tabela a seguir. Estado de Estresse Indica positivo bem-estar Baixa positividade Marginal (no limite) Indica problemas de estresse Indica sofrimento Indica sofrimento sério Indica sofrimento severo FONTE: Oliveira, 2002. Pontos Qual o seu nível? 81 a 110 76 a 80 71 a 75 56 a 70 41 a 55 26 a 40 0 a 25 ANEXO 2