O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO DURANTE O ESTÁGIO: DESAFIOS E
POSSIBILIDADES
Adriana da Trindade Ferreira Souza 1
Maria de Fátima Souza Lima 2
Jany Rodrigues Prado 3
RESUMO
O presente trabalho discute os desafios e possibilidades vivenciados no processo de
alfabetização, a partir das discussões de autores e da experiência pesquisa/estágio realizado
no 3º ano do Ensino Fundamental I em uma escola da rede municipal de ensino em
Guanambi – BA. Este texto tem como objetivos apontar as principais dificuldades
encontradas no processo de alfabetização, identificar as estratégias metodológicas utilizadas
no processo de alfabetização e refletir sobre os desafios e as possibilidades desse processo.
A metodologia utilizada baseou-se na pesquisa de campo com abordagem qualitativa, sendo
que os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram: a observação participante, o
diário de campo e o aporte teórico dos autores Morais e Araújo (2005), Ferreiro (1994),
Moço (2011), Soares (2009) e outros. A experiência do estágio possibilitou conhecer a
dinâmica em sala de aula, as práticas educativas exercidas em sala de aula que são
importantes para a nossa formação, bem como compreender a interação professor/aluno,
que é indispensável para o processo de ensino/aprendizagem. Nessa perspectiva, essa
pesquisa traz discussões acerca dos principais problemas enfrentados pelos alunos na
aquisição da base alfabética e apresenta reflexões sobre como a utilização de estratégias
adequadas podem potencializar o processo de ensino aprendizagem e contribuir para a
construção de saberes fundamentais que possibilitem ao educando a inserção no mundo
letrado. Tais apontamentos são extremamente importantes para o pedagogo em seu
percurso formativo inicial e/ou continuado, a fim de que este no exercício da profissão
possa ressignificar sua prática educativa e promover uma educação de qualidade.
Palavras-chaves: Desafios. Alfabetização. Estágio.
1
Graduanda do 7º Semestre do Curso de Pedagogia – Noturno – Universidade do Estado da Bahia – UNEB –
Campus XII.
2
Graduanda do 7º Semestre do Curso de Pedagogia – Noturno – Universidade do Estado da Bahia – UNEB –
Campus XII.
3
Docente do 7º Semestre do Curso de Pedagogia – Noturno – Universidade do Estado da Bahia – UNEB –
Campus XII.
2
INTRODUÇÃO
O presente artigo pretende abordar os desafios e as possibilidades da alfabetização
vivenciados no estágio supervisionado. Para isso, é relatada a experiência de estágio
realizada na turma do 3º ano “C” do ensino fundamental I da Escola Municipal Rômulo
Almeida, situada na Rua Vilobaldo Freitas, 288, Bairro São Francisco, Guanambi-Ba.
O período de observação/intervenção possibilitou perceber como alfabetizar não é
nada fácil. Nesse sentido, o presente trabalho tem como questão norteadora: Quais os
desafios encontrados no 3º ano do Ensino Fundamental I para alfabetizar? Tendo como
objetivos:
apontar
as
principais
dificuldades
em
alfabetizar
e
identificar
as
estratégias/metodologias utilizadas na alfabetização.
Deste modo, o presente texto, inicialmente, apresenta as discussões sobre os
desafios e estratégias no processo de alfabetização, sabendo da importância deste para o
ingresso das crianças, jovens e adultos no mundo letrado. Nesse sentido, a alfabetização é
um processo imprescindível para o universo infantil, pois são os primeiros passos para a
inserção da criança no mundo da leitura e da escrita, oferecendo condições de se expressar
e assimilar informações. Isto se torna relevante, principalmente para os estudantes do curso
de Licenciatura de Pedagogia, pois possibilitará conhecer a dinâmica da prática docente e
permitindo relacionar teoria e prática.
Para a concretização do presente trabalho, foi necessário desenvolver a pesquisa de
campo com abordagem qualitativa, sendo que os instrumentos utilizados para a coleta de
dados foram: a observação participante, o diário de campo e as discussões de autores como:
Ferreiro (1994), Morais e Araújo (2005) e Soares (2009).
OS DESAFIOS E POSSILIBLIDADES DA ALFABETIZAÇÃO
O processo de alfabetização codificar e decodificar, juntamente com o letramento
que é o domínio da leitura e da escrita, envolve a compreensão, interpretação e produção do
conhecimento pelo indivíduo. Sabemos que a escola pública no Brasil tem a alfabetização
de crianças das classes populares como um dos principais desafios a enfrentar.
3
Segundo Morais e Araújo (2005), embora os dados do MEC indiquem a quase
universalização da educação básica, o Brasil ainda apresenta elevados índices de fracasso
escolar, principalmente na alfabetização. Os autores ainda afirmam que há fatores externos
e internos à escola que influenciam na apropriação da leitura e da escrita das classes
populares, como a falta de uma política educacional que garanta uma escola de qualidade, a
falta de bibliotecas, dificuldades por parte da população de aquisição de livros, revistas e
dentre outros aspectos. Apesar disso, muitos atribuem o fracasso aos métodos utilizados
pelos professores.
É bom salientar que o ambiente alfabetizador é de suma importância para o
desenvolvimento da criança. Conforme Moço (2011), dezenas de pesquisas científicas
apontam que é essencial aprofundar no funcionamento do sistema de escrita alfabético em
meio às práticas sociais de linguagem em que ele se expressa. Ou seja, conhecer os
diferentes tipos de textos, suas funções comunicativas e as formas como devem ser
produzidos é fundamental para que os alunos saibam como interpretá-los e concebê-los.
A interação com o meio é imprescindível para o desenvolvimento da criança e a
família desempenha um papel importante nessa questão, por isso é necessário que os pais
estimulem seus filhos a terem contatos com livros, revistas, jornais e textos do universo
infantil. Sendo assim, o educador deve partir do conhecimento que o educando já possui
para intervir de acordo com a necessidade de cada um, pois a orientação do educador é
importante para desenvolver gradualmente o sistema de escrita da criança. Bem como
afirma Soares,
[...] Não basta que a criança esteja convivendo com muito material escrito,
é preciso orientá-la sistemática e progressivamente para que possa se
apropriar do sistema de escrita. Isso é feito junto com o letramento. Mas,
em primeiro lugar, isso não é feito com os textos 'acartilhados' – "a vaca
voa, Ivo viu a uva" –, mas com textos reais, com livros etc. Assim é que
se vai, a partir desse material e sobre ele, desenvolver um processo
sistemático de aprendizagem da leitura e da escrita. (SOARES, 2009, p.
04)
Nessa direção, Morais e Araújo (2005) afirmam que as cartilhas eram bastante
utilizadas para se alfabetizar, mas seu conteúdo era muito mecânico e não levava o aluno a
pensar e simplesmente induzia a fazer cópia. Além disso, o trabalho com o texto pobre com
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os que tinham na cartilha ensinava as crianças a reproduzirem a ideia do outro. Não levando
em consideração o que as crianças encontram no cotidiano, variados objetos de leitura,
múltiplos em conteúdos e formas.
Para Ferreiro (1994), no processo de alfabetização em relação ao sistema da escrita,
o desenvolvimento da criança não é feito de sucessivas vitórias porque existem conflitos no
decorrer do processo. Salientando que tanto as crianças de níveis culturais semelhantes e
diferentes podem diferenciar na aquisição de conhecimento no seu processo de evolução.
Os estudos de Emília Ferreiro e Ana Teberosk revolucionaram a maneira do
professor agir e pensar em sala de aula. As contribuições da Psicogênese da Língua Escrita
constituem um legado para a educação, pois possibilitou rever teorias tradicionalistas e
passou a considerar o aluno como ser pensante e construtor do seu conhecimento.
De acordo com (PIAGET apud COCCO; HAILER, 1996, p.08), “o conhecimento é
construído na interação do sujeito com o objeto de aprendizagem. A criança se apodera de
um conhecimento se “agir” sobre ele, pois aprender é descobrir, inventar, modificar”.
Emília Ferreiro, seguidora de Piaget, vem desenvolvendo teses sobre as hipóteses de
pensamento que a criança pode apresentar a respeito da linguagem escrita.
Ela não propõe uma “nova pedagogia” ou um “novo método”, mas suas
pesquisas deixam claro que o que leva o aprendiz à reconstrução do
código lingüístico não é o cumprimento de uma série de tarefas de
conhecimento das letras e das sílabas, mas uma compreensão do
funcionamento do código. Embora não proponha uma prática pedagógica,
a contribuição de suas pesquisas é essencial para que o educador repense
todo o processo de ensino-aprendizagem da língua e o funcionamento do
código (FERREIRO apud COCCO; HAILER, p. 10).
Segundo Morais e Araújo (2005, p.8) “o desafio que hoje temos na escola é ver a
leitura como algo mais que apenas que soletrar a escrita, e vermos na escrita algo mais que
a transcrição da fala”. Ou seja, não é apenas codificar e decodificar palavras, mas ser capaz
de ler, interpretar e compreender os mais diversos tipos de textos. É preciso buscar práticas
de alfabetização mais potencializadoras que considere o aluno como um ser pensante, capaz
de produzir novos saberes.
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ACHADOS DA PESQUISA/ESTÁGIO
O estágio realizado na turma do 3º ano “C”, da Escola Municipal Rômulo Almeida,
situada no Bairro São Francisco – Guanambi – BA, constituiu-se de vinte horas de
observação e vinte horas de intervenção. Por meio deste, no período de observação foi
possível identificar alunos com muita dificuldade de aprendizagem. A turma é composta
por 20 alunos, com idade de 8 a 14 anos, que em sua maioria são comportados e
demonstram interesse em aprender. Além disso, apresenta diferentes níveis de
desenvolvimento em relação à leitura e escrita: pré-silábico, silábico e silábico-alfabético.
A professora relatou que a turma possui muitos alunos repetentes. Em fase da préadolescência, alguns estão repetindo pela segunda, terceira e quarta vez o 3º ano, inclusive
M e G, os mais velhos da turma com 14 anos e 12 anos respectivamente, para poder
participar de algumas atividades a professora escolhe algo que contemple também os dois,
para que não haja exclusão. Alguns colegas gozam deles por serem grandes e os mais
velhos da turma.
M já teve atendimento no CREIO por dois anos. Apesar disso, ainda sente muita
dificuldade, não consegue avançar. Já B. tem 08 anos, não tem um diagnóstico definido e se
concentra muito pouco nas atividades, identifica as letras do seu nome, mas ainda está
aprendendo as outras. Alguns alunos desta turma já freqüentaram a sala de recursos
multifuncional da escola, na qual tiveram acompanhamento.
Conforme Ferreiro (1994), apesar da alfabetização se desenvolver em um meio
social, as informações ou práticas sociais transmitidas às crianças não são captadas e
processadas imediatamente, pois no processo de compreensão dessas informações, o
conteúdo recebido sofre transformações, perdendo o seu sentido original e ganhando novos
significados.
A professora M é muito dedicada e tem sede em fazer que seus alunos aprendam a
ler e escrever. Ela declarou “Não quero ser mais uma professora”. Ela se sente angustiada
pela situação dos alunos e considera que os fatores familiares e psicológicos influenciam no
desenvolvimento deles, têm alunos que a mãe abandonou, outro que a mãe faleceu há
pouco tempo e mora com a avó, o pai não dá assistência, outros que freqüentam raramente
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à escola e dentre outros motivos que comprometem a progressão deles. A professora é
psicopedagoga e possui ampla experiência em alfabetização na rede municipal.
É importante destacar que a experiência vivida é fator relevante na formação do
educador, como afirma Hernández e Sancho (2006/2007, p.09),
Hoje sabemos que, na formação, o educador aprende quando se sente
“tocado”, quando encontra espaço para que sua experiência se converta
em fonte de saber, _ um saber que lhe permita reconhecer-se, descobrir o
outro e ser reconhecido; um saber que vá além da ação imediata e que se
projete em uma atividade que o ajude a aprender consigo mesmo e,
sobretudo, que o comprometa.
A professora tem uma rotina bem programada. Inicia seu trabalho com a exploração
do calendário e a leitura/conto de uma história, em seguida passa uma atividade. Os textos
trabalhados como trava-língua, poema e parlenda são apresentados no quadro ou em cartaz,
ela enfatiza muito a leitura individual e coletiva dos alunos. Nos momentos das correções
das atividades, ela deixa os alunos responderem no quadro, dando oportunidade a todos e
quando precisa faz a intervenção na correção e auxilia os alunos nas dúvidas, deixando-os
refletir.
O professor não é só apenas um transmissor de conhecimentos, mas também age e
interage produzindo novos saberes. É isto que coloca Freire (1996, p.12), [...] “ensinar não
é transferir conhecimentos, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua
construção”.
Observamos também que ela é criativa, trabalha com jogos e brincadeiras que
desenvolvem o aprendizado dos alunos. Vimos que especialmente na aula de matemática
utiliza bastante o jogo como o da trilha que trabalha a leitura e matemática ao mesmo
tempo. Presenciamos um momento em que ela trouxe a brincadeira da “baratinha voou” e
da “fruta” com o objetivo dos alunos falarem, pois, alguns são muito tímidos e calados.
Segundo Cagliari (1998), as propostas de alfabetização que valorizem a criança
criam um clima harmonioso em sala de aula e uma melhor interação entre o professor e
aluno, dessa forma contribui para que o processo de alfabetização seja realizado.
A professora distribui para os alunos fichas de leitura para eles lerem em casa e nos
momentos em que já terminaram a atividade. Ela organiza as fichas de acordo com o nível
de desenvolvimento com relação à escrita. Alunos pré-silábico – fichas com letras e até
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números quando não conhecem; silábico – ficha com palavras; silábico alfabético – com
pequenos textos. É relevante destacar que alguns alunos avançaram de um nível de
desenvolvimento da escrita para outro, no período de observação até a intervenção.
Uma experiência significativa realizada no estágio na proposta de intervenção foi
trabalhar com o texto memorizado, após a leitura dividimos os alunos em pequenos grupos
para completar o texto em lacunas. À medida que eles liam e lembravam-se da música,
escreviam as palavras que faltavam.
Segundo Lima (1998), a alfabetização deve ser entendida como um processo que se
inicia com a criança pegando, ouvindo, combinando e experimentando objetos. Na
sequência passa a substituir esse código auditivo/oral para um visual escrito, fazendo a
leitura e a escrita das palavras.
Outra experiência que cabe aqui destacar foi a reunião de pais de mestre da turma.
A professora nos deixou livre para trazermos algo para reunião, caso quiséssemos e
optamos em desenvolver a dinâmica da bolinha de papel de revista. Nesta dinâmica, cada
pai ou mãe amassou uma folha de revista que foram entregues por nós, logo após, cada um
falou sobre a expectativa que tinha do filho na escola, conforme solicitado, à medida que
falavam a professora anotava no quadro e depois passou para o próximo pai/mãe a folha
amassada que juntou com a sua, e assim sucessivamente, formando uma única bola até ser
repassada para professora que foi a última a pega-la. A partir disso, a professora refletiu
com os pais as grandes responsabilidades que ela tem, bem como eles também, pois é
preciso o seu apoio para realizar um bom trabalho. Foi um momento de grande emoção e
angústia, os pais almejam que seus aprendem a ler e a escrever para passarem de série, já
que muitos repetem o 3º ano pela segunda, terceira e até mesmo pela quarta vez. Eles
também confirmaram que os filhos possuem dificuldade de aprendizagem e alguns já
levaram os filhos para o apoio de um profissional como o psicólogo e fonoaudiólogo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A experiência da pesquisa/estágio foi muito significativa para nós, poi possibilitou
ampliar nossos conhecimentos, especialmente no que diz respeito à alfabetização.Vimos
como o trabalho do professor é árduo, compensador e os desafios que enfrenta em sala de
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aula e com seu determinismo ele vai buscando alternativas para melhorar o aprendizado
dos educandos.Além disso, recorremos aos teóricos que discutem sobre tema para melhor
compreender e auxiliar a nossa prática docente.
Nós como futuros pedagogos temos grandes desafios a enfrentar na nossa prática
docente, sobretudo de superar o fracasso escolar, especialmente na alfabetização. Apesar
disso, acreditamos que com a dedicação e o conhecimento conseguiremos alcançar bons
resultados, pois nosso papel é educar para que as crianças sejam cidadãos plenos.
Portanto, foi possível perceber que os desafios e as possibilidades da alfabetização
são relevantes e que possuem caminhos para uma boa prática docente, é necessário
trabalhar atividades significativas para a construção do conhecimento das crianças, desde
que estas possam atuar como sujeitos ativos, capazes de raciocinar, comparar e recriar para
se chegar a determinado saber.
REFERÊNCIAS
CAGLIARI, Luiz Carlos; Alfabetizando sem o bá-bé-bi-bó-bu: Pensamento e Ação no
Magistério 1ª. Ed. São Paulo: Spicione, 1998.
CÓCCO, Maria Fernandes; HAILER, Marco Antônio. Didática de alfabetização: decifrar
o mundo: alfabetização e socioconstrutivismo. São Paulo: FTD, 1996.
FERREIRO, Emília. Alfabetização em processo. 10. ed. São Paulo: Cortez, 1994.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários á prática educativa. Ed.25.
São Paulo: Paz e Terra, 1996.
HERNÁNDEZ, Fernando; SANCHO, Juana Maria. A formação a partir da experiência
vivida. Pátio. Ano X Nº 40, p.9-11, nov. 2006/jan.2007.
MOÇO, Anderson. Alfabetização: seis práticas essenciais na alfabetização. Revista Nova
Escola. São Paulo, v. 26, nº 239, p. 50-57, jan./fev. 2011.
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MORAIS, Jacqueline de Fátima dos Santos; ARAÚJO Mairce da Silva. Alfabetização:
desafios da prática alfabetizadora. Revista Eletrônica Acolhendo a alfabetização nos
países da língua portuguesa, 2005.
SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 2. ed. Belo Horizonte:Autêntica,
2006.128p.
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