PATRÍCIA CAMARGO DE OLIVEIRA VIEIRA AS MUDANÇAS ORGANIZACIONAIS CONTEMPORÂNEAS E O ESTRESSE OCUPACIONAL PREOCUPAM OS ADMINISTRADORES E ACADÊMICOS? TAUBATÉ – SP 2004 PATRÍCIA CAMARGO DE OLIVEIRA VIEIRA AS MUDANÇAS ORGANIZACIONAIS CONTEMPORÂNEAS E O ESTRESSE OCUPACIONAL PREOCUPAM OS ADMINISTRADORES E ACADÊMICOS? Monografia apresentada para obtenção do Certificado de Especialização pelo Curso de MBA Gerência Empresarial Economia, do Departamento de Contabilidade, Administração e Secretariado da Universidade de Taubaté. Orientador:Profª Drª Marilsa S. R. Tadeucci Taubaté - SP 2004 PATRÍCIA CAMARGO DE OLIVEIRA VIEIRA AS MUDANÇAS ORGANIZACIONAIS CONTEMPORÂNEAS E O ESTRESSE OCUPACIONAL PREOCUPAM OS ADMINISTRADORES E ACADÊMICOS? UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ, TAUBATÉ, SP Data: 12 de Novembro de 2004. Resultado: _______________________________________ COMISSÃO JULGADORA Prof. Dra. Marilsa S. R. Tadeucci Assinatura _____________________________________ Prof. Paulo Henrique da Costa Sodré Assinatura _____________________________________ Prof. Dr. José Luis Gomes da Silva Assinatura _____________________________________ Dedico este trabalho com muito amor ao meu esposo Rogério Roque Vieira, que me incentivou do início ao fim deste curso, com muito carinho. E assim concluímos mais uma etapa de nossas vidas, vitoriosos e unidos como sempre. AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus por tudo, principalmente por ter me dado condições de concluir mais uma etapa da minha vida. Aos meus pais, Wagna e Vandir pelo apoio, carinho e dedicação que sempre me deram, e a quem devo toda a minha formação, pois sempre estiveram presentes desde os primeiros ensinamentos. Á Professora Dr. Marilsa S. R. Tadeucci, que orientou este trabalho com muito carinho e sabedoria. Aos Mestres, que durante o curso dividiram conosco toda a experiência que adquiriram ao longo de suas vidas, agregando valores para todos que participaram deste MBA em Gerência Empresarial. Á minha amiga Cristina Ohara, que do início ao fim esteve ao meu lado, incentivando-me nos momentos mais difíceis. Nossa amizade começou com o curso, mas não se encerrará com o mesmo, estaremos unidas para darmos continuidade aos nossos estudos. Ao meu marido Rogério, pela participação e apoio que recebi desde o início. Vieira,C.O.Patrícia. As Mudanças Organizacionais Contemporâneas e o Estresse Ocupacional preocupam os administradores e os acadêmicos?. 2004. 47 f. Monografia Especialização, em MBA Gerência Empresarial – Departamento de Economia, Contabilidade, Administração e Secretariado da Universidade de Taubaté, Taubaté. RESUMO As mudanças ocorridas nas organizações de trabalho podem gerar em seus empregados o estresse ocupacional. Este, por sua vez, acarreta prejuízos para a empresa com o aumento do absenteísmo, afastamento por doenças e falta de comprometimento, conseqüências que afetam a saúde física e mental dos empregados. Este trabalho se propõe a verificar o quanto as empresas e os acadêmicos consideram relevante este tema. Para obtenção dos resultados foram consultados os anais dos Encontros Nacionais de Programas de Pós Graduação em Administração (ENANPAD), de 1997 até 2004. O levantamento registrou um aumento significativo nos trabalhos apresentados, e a amostra estudada totalizou quarenta temas direcionados para várias organizações e instituições. Palavras-chave: Mudança, Satisfação, Estresse Ocupacional Vieira,C.O.Patrícia. Do the Contemporanious Organizational Changes and the occupatinal stress worry the administators and the academics?. 2004. 47 f. Especializing Monograph, Empresarial Management MBA – Economy, Contability, Business Adminstration and Secretariat Department of Taubaté University (UNITAU), Taubaté. ABSTRACT The changes occurried in the job organization can generate to its employees the occupational stress. This, on the other hand, causes damages for the company with the missing incrising, distancing for sickness and lack of committal, this consequences affect the mental and physical health of the employee. This work proposes itself to verify how much the companies and academics consider it relevant. For having the results, the annals of National Meetings of Post-Graduation in Business Administration (ENANPAD) were consulted, from 1997 to 2004. The research registered a considering increasing in the presented works, and the studied sample added to forty topics directed to various organizations and institutions. Keywords: Changings, Satisfaction, Occupational Stress. SUMÁRIO Resumo ............................................................................................................... 05 Abstract .............................................................................................................. 06 Lista de Figuras .................................................................................................. 08 1 Introdução ....................................................................................................... 09 2 Revisão da Literatura ....................................................................................... 11 2.1 Mudança nas Organizações......................................................................... 11 2.1.1 Mudança planejada e não planejada................................................... 12 2.1.2 Forças organizacionais e metas de mudanças.................................... 13 2.1.3 Mudando a estrutura........................................................................... 14 2.1.4 Mudando a tecnologia........................................................................ 14 2.1.5 Mudando as instalações físicas........................................................... 15 2.1.6 Mudando as pessoas........................................................................... 15 2.1.7 Resistência à mudança...................................................................... 15 2.1.7.1 Resistência individual............................................................... 16 2.1.7.2 Resistência organizacional........................................................ 17 2.1.7.3 Superando a resistência à mudança........................................... 18 2.1.8 Abordagens para administrar a mudança organizacional.................. 20 2.2 Satisfação no Trabalho................................................................................ 23 2.3 Estresse........................................................................................................ 25 2.3.1 As fases do estresse............................................................................ 28 2.3.2 Fontes potenciais de estresse.............................................................. 29 2.3.3 Diferenças individuais........................................................................ 30 2.3.4 Conseqüências do estresse................................................................. 31 2.3.5 Administrando o estresse................................................................... 33 3 Metodologia...................................................................................................... 35 4 Apresentação de Resultados.............................................................................. 36 5 Conclusão.......................................................................................................... 45 6 Bibliografia........................................................................................................ 47 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Temas de trabalhos publicados pelo Enanpad.................................... 37 1 INTRODUÇÃO As pessoas estão atuando em novos e exigentes ambientes de trabalho, lidando com desafios de produtividade, qualidade, diversidade e vantagens competitivas. As organizações, por sua vez, estão procurando melhorar seu desempenho ao máximo, prestando serviços aos clientes, satisfazendo seus funcionários e simplificando sistemas e processos. Mas, todos sabem que o sucesso na carreira, no século XXI, requer a habilidade de lidar bem com as mudanças rápidas, e com o possível estresse resultante. As empresas têm procurado formas de diminuir o impacto das mudanças, por meio de treinamentos e práticas de Recursos Humanos. Todas essas mudanças, que estão ocorrendo nas organizações, são vistas como positivas para quem busca a melhoria contínua. Mas, geram uma resistência que deveria ser esperada e não temida; as pessoas geralmente resistem porque estão defendendo algo que valorizam, e o segredo para lidar com esta resistência é a comunicação, participação e envolvimento de todos. Acreditava-se, no início do século passado, que com os avanços tecnológicos diminuiria o ritmo de trabalho e haveria mais tempo para o lazer e a família. Ocorreu exatamente o contrário, as facilidades da vida moderna tornaram-na mais rápida e acrescentaram doses de estresse a todos. O estresse não é doença, mas uma reação instintiva ao perigo real ou imaginário, ou seja, um alerta, pois quando em demasia está ligado a maioria dos problemas de saúde. ( ZAKABI, 2004, p.67) As pesquisas na área de estresse estão despontando principalmente no Brasil, onde existe atualmente um grande interesse por parte dos grandes empresários, em termos de investigações científicas, que desejam uma compreensão maior deste fenômeno, com a finalidade de desenvolver estratégias eficazes. Esse trabalho se propõe a responder a seguinte questão: As mudanças organizacionais contemporâneas e o estresse ocupacional preocupam os administradores e os acadêmicos? Um levantamento realizado no Enanpad, maior evento do cenário brasileiro da administração, demonstrou a importância de tal estudo, haja vista a amostra de publicações citadas, pesquisadas por vários departamentos de organizações e instituições. 10 O trabalho está estruturado em quatro capítulos; o primeiro traz a introdução, seguida pela revisão da literatura, no segundo capítulo, que se propõe a estudar quais as estratégias de mudanças usadas nas organizações, como elas estão inovando e como o estresse afeta as pessoas no trabalho. O capítulo terceiro apresenta a metodologia, com o critério adotado para o levantamento dos dados, e o quarto traz a apresentação dos resultados e as considerações finais. 2 REVISÃO DA LITERATURA A mudança organizacional é importante para o desenvolvimento e sucesso das empresas, assim, são necessárias estratégias para lidar com a resistência causada por ela. As empresas devem valorizar o capital humano e estar sempre atentas ao grau de satisfação e estresse dos seus colaboradores. 2.1 MUDANÇA NAS ORGANIZAÇÕES Atualmente, há uma necessidade de as empresas se adequarem às novas condições exigidas pelo mercado para enfrentarem um ambiente cada vez mais dinâmico e mutante. A natureza mutante da força de trabalho, isto é, a maior diversidade cultural e aumento de profissionais, fizeram as políticas e práticas de recursos humanos mudarem. As empresas estão investindo em treinamentos para melhorar leitura, cálculo, computação e outras habilidades de seus funcionários. (ROBBINS, 2002, p.526) Ainda para o autor, outra força importante de mudança nas organizações é a tecnologia. A substituição da supervisão direta por sistemas informatizados aumentou o controle dos administradores e tornou-as mais ágeis. A tendência é replanejar muitos trabalhos. Indivíduos que executam tarefas especializadas, limitadas e rotineiras vêm sendo substituídos por equipes de trabalho, com a finalidade de desempenhar múltiplas funções e ter uma maior participação na empresa. (ROBBINS, 2002 p.526) A competitividade ocasiona muitas transformações organizacionais, como aproximar-se dos clientes, soluções inovadoras, mais rapidez de resposta e maior produtividade. Mas, existe algum motivo pelo qual esses objetivos não possam ser alcançados sem o ajuste da estrutura organizacional? Por exemplo, a Leighton Contractors, uma empreiteira australiana, buscava a melhor forma de se reestruturar para tornar-se mais produtiva. Mais de um mil e duzentos empregados responderam a um questionário revelando suas opiniões sobre assuntos como equipes de trabalho, qualidade, treinamento, gerenciamento e multi-habilidades. As respostas forneceram à empresa uma orientação 12 sobre como proceder. Foi descoberto que a única coisa a ser feita era melhorar o relacionamento com os empregados. Eles queriam mais treinamento, durante o serviço, para aumentar sua habilidade e realizar um trabalho melhor, mais informações sobre o canteiro de obras ou projeto para o qual estavam designados, para entender melhor onde sua atuação se encaixava e se haveria como melhorar o desempenho, uma apreciação mais positiva no caso de realizarem um trabalho bem-feito e que seus gerentes de projeto os ouvissem quando levantassem um assunto ou sugerissem uma mudança. Todos os empregados, independentemente de sua posição, disseram querer assumir maiores responsabilidades por seus atos e sentir-se parte de um pequeno e seleto grupo de elite. Nada de técnicas revolucionárias e provavelmente muito onerosas. (MILKOVICH; BOUDREAU, 2000, p.78) Schermerhon, Hunt, Osborn (1999) citam formas de mudança organizacional, como aquelas cujo resultado é uma revolução importante na organização, chamadas de mudanças radicais ou mudanças que quebram a estrutura. Um exemplo é a chegada de um novo dono ou presidente , devido à fusão ou incorporação da empresa, havendo assim um envolvimento de todos. Outra forma citada pelos autores é a mudança incremental, ou mudança de dimensionamento da estrutura, menos traumática, que inclue a introdução de novos produtos, novas tecnologias e novos sistemas e processos. Para haver sucesso em ambos os tipos de mudanças, é necessária a colaboração por parte dos agentes de mudança, isto é, as pessoas que conduzem e apóiam os processos de mudança. ( SCHERMERHORN, et al., 1999, p.282) Os autores ainda afirmam que são as pessoas e grupos que assumem a responsabilidade de mudar os padrões existentes de comportamento de outras pessoas ou sistemas sociais. 2.1.1 Mudança Planejada e Não Planejada Segundo Robbins (2002, p.528), mudança implica em fazer as coisas de maneira diferente, e muitas vezes ela apenas acontece, chegando a ser tratada como ocorrência acidental. 13 As mudanças não-planejadas ocorrem espontaneamente ou aleatoriamente e podem desestabilizar uma empresa, como no caso de uma greve geral. É necessário agir rapidamente quando as forças de uma mudança não planejada começam a aparecer, reduzindo, assim, ao mínimo as conseqüências negativas para a empresa e transformandoas numa boa vantagem. Há alguns anos a alta administração do McDonald’s descobriu que sua empresa era o alvo de grupos ambientalistas que protestavam contra as suas embalagens de poliestireno. Foi tomada a decisão de mudar para embalagens de papel. Esta mudança, apesar de não planejada, ajudou a empresa a criar novas iniciativas ambientais e a melhorar sua imagem pública. (SCHERMERHORN et al., 1999, p.283) Por outro lado, o objetivo da mudança planejada é melhorar a capacidade da organização em se adaptar às mudanças em seu ambiente, e mudar o comportamento dos funcionários. (ROBBINS, 2002, p.528) Ainda para o autor, as organizações têm que estar sempre prontas para responder às mudanças em seu ambiente. O lançamento pela concorrência de novos produtos ou serviços, ou até mesmo o aparecimento de novas leis, exige uma adaptação rápida. Para isso, são necessários esforços para estimular a inovação, programas de autonomia para os funcionários e adoção do trabalho em equipe, todos exemplos de mudança planejada. 2.1.2 Forças Organizacionais e Metas de Mudança Como citado por Schermerhorn et al., (1999, p.283), as forças da mudança estão sempre presentes dentro e ao redor das organizações, podendo ser encontradas nas fusões, alianças estratégicas e vendas. Mudanças na cultura e na estrutura são exemplos das tentativas organizacionais de se adaptarem aos padrões de crescimento. Sistemas de benefícios e recompensas são exemplos de tentativas organizacionais para lidar com políticas em desenvolvimento. Segundo Robbins, (2002, p.528), como os funcionários são os responsáveis pelo sucesso ou fracasso de uma empresa, a mudança planejada volta-se à mudança do comportamento das pessoas e dos grupos de trabalho. Essas mudanças, quando ocorrem, vão interferir em outras como, por exemplo, no que as pessoas fazem, que sempre vem 14 em companhia de uma mudança tecnológica, isto é, na forma como as tarefas são realizadas. (SCHERMERHORN et al., 1999, p.283) Os agentes de mudanças são os responsáveis pela administração das atividades de mudança dentro da organização, podem ser administradores ou não, funcionários da organização ou consultores externos. Os executivos são naturalmente vistos como agentes de mudança, mas os dirigentes de empresa têm recorrido aos serviços temporários dos consultores externos, com conhecimento especializado em teorias e métodos de mudança.(ROBBINS, 2002, p.528-529) 2.1.3 Mudando a Estrutura Segundo Robbins, (2002, p.529), a estrutura de uma organização se define pela forma como as tarefas são divididas, agrupadas e coordenadas. Os agentes de mudanças podem alterar um ou mais elementos do modelo da organização e introduzir modificações no modelo estrutural vigente. Os agentes podem, também, replanejar o trabalho ou cronograma, estabelecer um plano de horários flexíveis, além de mudança do sistema de remuneração da empresa. É possível aumentar a motivação com a distribuição de bônus ou participação nos lucros e resultados. 2.1.4 Mudando a Tecnologia Atualmente as principais mudanças tecnológicas envolvem a introdução de novos equipamentos, ferramentas ou métodos, além da automação e da informatização. Como exemplo, cita-se as siderúrgicas que estão construindo pequenas mini-usinas, projetadas para a produção de produtos específicos , que as torna mais eficientes. Outra mudança tecnológica é a automação, que substitui as pessoas por máquinas. Para exemplificar cita-se as máquinas de separar correspondência utilizadas no correio 15 norte-americano, e os robôs empregados nas linhas de montagem da indústria automobilística. Mas, a mudança tecnológica mais marcante nos últimos anos foi a expansão da informatização, quando uma grande parte das empresas passou a ter sofisticados sistemas de administração que ligam todos os seus funcionários, independente de onde eles estejam. (ROBBINS, 2002, p.530) 2.1.5 Mudando as Instalações Físicas Segundo Robbins (2002, p.530), ao eliminarem paredes e divisórias, por exemplo, os administradores conseguem um ambiente mais aberto, no qual os funcionários podem se comunicar com mais facilidade. Pode-se mudar a quantidade e o tipo de iluminação, a temperatura ambiente, os níveis de ruído, a limpeza do ambiente e detalhes de decoração como móveis, enfeites e utilização de cores. 2.1.6 Mudando as Pessoas Robbins (2002, p.530) afirma que a última área abordada pelos agentes de mudança é a de ajuda a pessoas e grupos dentro da organização, para que trabalhem em conjunto. São necessárias mudanças nas atitudes e comportamentos dos membros da empresa, por meio da comunicação, tomadas de decisões e soluções de problemas. 2.1.7 Resistência à Mudança Para Schermerhorn, et al. (1999, p.286), resistência à mudança é qualquer atitude ou comportamento que reflete a falta de vontade da pessoa de fazer ou apoiar uma mudança desejada. Uma das descobertas mais bem-documentadas nas pesquisas sobre comportamento organizacional e de pessoas, é que as organizações e seus membros resistem à mudança. Há 16 um lado positivo: quando as pessoas resistem à mudança, estão defendendo algo importante para elas, o que aparentemente é ameaçado pela tentativa de mudança. Se não houvesse alguma resistência, o comportamento organizacional teria uma aleatoriedade caótica. (ROBBINS, 2002, p.531) Segundo Robbins (2002, p.531), a resistência nem sempre aparece de maneira uniformizada, podendo ser aberta, implícita, imediata ou protelada. Quando a resistência é aberta ou imediata torna-se mais fácil, para os administradores, enfrentá-las; ao contrário de quando ela é implícita ou protelada, pois são mais sutis, como, por exemplo, a perda de lealdade à organização e perda de motivação para o trabalho, mais difíceis de serem identificadas. Em um estudo realizado por Robbins (2002, p.531), as fontes de resistência foram divididas em duas categorias: individuais e organizacionais. 2.1.7.1 Resistência Individual Segundo Robbins (2002, p.531), existem muitas razões que justificam por que as pessoas resistem à mudança; há o medo do desconhecido, a segurança, há fatores econômicos , hábito e o processamento seletivo de informações. O medo do desconhecido é exemplificado por Schermerhorn, et al., (1999, p.287), e Robbins (2002, p.532), quando os membros de uma equipe recebem computadores avançados, em seus locais de trabalho, podem resistir à introdução das máquinas, pois não estão familiarizados com o sistema operacional e têm medo de não aprender a usá-las; também podem pensar que os novos computadores vão ser uma desculpa para a empresa demiti-los eventualmente. As pessoas com elevada necessidade de segurança costumam resistir à mudança por se sentirem ameaçadas. Os fatores econômicos também são fonte de resistência, pois há a preocupação de uma mudança significar uma redução dos rendimentos e quando um trabalhador acha que não será capaz de continuar apresentando o mesmo desempenho de antes, principalmente se a remuneração está vinculada à produtividade. (ROBBINS, 2002, p.532) 17 Ainda para o autor, ao defrontar-se com a mudança , outra fonte de resistência é a mudança de hábitos ou respostas programadas. Quando um departamento é transferido para outro prédio, do outro lado da cidade, por exemplo, as pessoas têm que mudar diversos hábitos, como acordar dez minutos mais cedo, fazer um novo caminho, encontrar outro estacionamento, acostumar-se com o novo espaço físico, e assim por diante. O processamento seletivo de informações faz com que as pessoas ignorem informações que possam desafiar o mundo que construíram. Elas ouvem somente o que querem ouvir, e acabam resistindo às mudanças.( ROBBINS, 2002, p.532) 2.1.7.2 Resistência Organizacional Segundo Robbins (2002, p.533), as organizações são conservadoras e resistem ativamente a mudanças. É possível exemplificar esse fenômeno com os órgãos públicos que continuam fazendo o que fazem há anos, tendo ou não a necessidade de mudanças.As religiões organizadas estão profundamente presas em sua história, e para modificar qualquer doutrina religiosa, é necessário grande paciência e persistência. Da mesma forma, a maioria das empresas resiste às mudanças. Foram identificadas seis principais fontes para demonstrar a resistência organizacional: • Inércia Estrutural – As organizações possuem mecanismos internos que produzem a estabilidade. Quando contratadas, as pessoas são escolhidas por se ajustarem à empresa, depois são moldadas e orientadas a se comportar de determinada maneira. Ao se confrontar com a mudança, essa inércia estrutural age como um contrapeso para sustentar a estabilidade. • Foco Limitado de Mudança – Não se pode mudar subsistemas isoladamente dentro da empresa, pois estes são interdependentes e tendem a ser anulados pelo sistema mais amplo. Robbins cita, como exemplo, uma empresa que realiza mudanças nos processos tecnológicos sem alterar simultaneamente sua estrutura para se adaptar a isso, a mudança na tecnologia provavelmente não será aceita. 18 • Inércia de Grupo – As normas de grupo agem como limitadoras em relação ao comportamento individual das pessoas. Um funcionário sindicalizado pode aceitar algumas modificações propostas para suas atividades, mas, se a norma de seu sindicato recomenda resistência a qualquer proposta unilateral da empresa, ele provavelmente vai resistir à mudança. • Ameaça à Especialização – As mudanças dentro da organização podem ameaçar a exclusividade de alguns grupos especializados, como os que trabalham com sistema de informação. O acesso aos dados, diretamente no computador central da empresa, é um exemplo de mudança que gerou forte resistência nos departamentos de sistemas de informação, no início dos anos 80, pois criava uma ameaça para os especialistas dessa área. • Ameaça às Relações de Poder Estabelecidas – A redistribuição de autoridade para tomada de decisões poder gerar conflitos com as relações de poder já existentes dentro da organização. • Ameaça às Alocações de Recursos Estabelecidas – Nas organizações os grupos que controlam algum tipo de recurso vêem a mudança como uma ameaça, o que poderia significar uma redução em seu orçamento ou um corte de pessoal. 2.1.7.3 Superando a Resistência à Mudança Nas publicações de Robbins (2002, p.535) e Schermerhorn et al., (1999, p.288), existem seis táticas que costumam ser sugeridas aos agentes de mudança para enfrentar a resistência. Uma das formas de lidar com a resistência é por meio da educação e comunicação. A resistência pode ser minimizada com discussões face a face, memorandos, apresentações de grupos ou relatórios. O objetivo é instruir as pessoas a respeito da mudança antes que seja implementada, e ajudá-las a entender a sua lógica . Terá sucesso se a fonte da resistência for mesmo uma falha de comunicação e se as relações entre administração e funcionários forem caracterizadas pela confiança mútua e pela credibilidade. 19 Um segundo método é o uso de participação e envolvimento. É difícil que uma pessoa resista a uma mudança de cuja decisão tenha participado, contribuído com idéias e conselho. Antes que a mudança seja feita, os que se opõem a ela devem ser inseridos no processo decisório. A facilitação e apoio envolvem fornecer assistência aos funcionários que demonstram muito medo e ansiedade ao sofrerem uma mudança. O gerente que usa esta abordagem escuta ativamente os problemas e reclamações, propicia treinamento no programa novo e ajuda a superar pressões de desempenho. A desvantagem, aqui ressaltada por Robbins, é o consumo de tempo, além de ser oneroso e sua implementação não garante o sucesso. A abordagem da negociação e do acordo oferece incentivos aos reais ou potencias resistentes à mudança. Por exemplo, se a resistência estiver centralizada em alguns indivíduos poderosos, pode ser negociado um pacote específico de recompensas que atenda ás suas necessidades individuais. Ainda para o autor, não se deve ignorar o potencial alto custo. Existe, ainda , o risco de negociando com uma parte, para evitar a resistência, o agente de mudança ficar vulnerável a chantagens de outros indivíduos em posição de poder. A manipulação e cooptação procuram influenciar outros, em prol da mudança desejada. São comuns quando algumas táticas não funcionam ou são muito caras. A distorção de fatos para torná-los mais atraentes, a sonegação de informações indesejáveis e a criação de falsos rumores para induzir os funcionários a aceitar as mudanças, são alguns exemplos de manipulação. Se uma empresa ameaça falsamente fechar uma de suas unidades, caso seus funcionários não aceitem um corte geral na remuneração, os dirigentes estão lançando mão da manipulação. A cooptação é uma mistura de manipulação com participação. É uma tentativa de conquistar os líderes dos grupos de resistência, oferecendo-lhes papéis-chave nas decisões sobre as mudanças. Apenas deve-se tomar cuidado para que as pessoas envolvidas não percebam que estão sendo usadas, pois isso poderá se voltar contra o agente de mudança. Finalmente, a coerção é o uso de ameaças diretas ou de força sobre os resistentes. Em geral, os resistentes são ameaçados com uma série de conseqüências indesejáveis, se eles não progridem conforme o planejado. Exemplos de coerção são as ameaças de 20 transferências, as perdas de promoções, as avaliações negativas de desempenho e as cartas de recomendação desabonadoras. 2.1.8 Abordagens para administrar a Mudança Organizacional É possível examinar diversas abordagens populares para a administração da mudança. Robbins cita três formas, o modelo clássico de três etapas de Lewin, a pesquisa ação e o desenvolvimento organizacional. Kurt Lewin (apud ROBBINS, 2002, p.537) argumentava que o sucesso das mudanças nas organizações seguiam três etapas: descongelamento do status quo, movimento para uma nova condição e recongelamento da mudança para torná-la permanente. O status quo pode ser considerado como um estado de equilíbrio e para superá-lo é necessário o descongelamento, a superação das pressões, tanto das resistências individuais como da conformidade grupal. Robbins afirma que os administradores podem recorrer à redução da resistência e ao aumento da atratividade, para que o descongelamento tenha sucesso. Depois de implementada a mudança a nova situação precisa ser recongelada, para que possa se manter no tempo, pois caso contrário os funcionários tentarão revertê-la à situação de equilíbrio anterior . A pesquisa-ação se refere a um processo de mudança baseado na coleta de dados, seguida de uma ação de mudança com base no que indicam os dados analisados. (ROBBINS, 2002, p.538) Para o autor, sua importância está no oferecimento de uma metodologia científica para a administração da mudança planejada. Consiste em cinco etapas: diagnóstico, análise, feedback, ação e avaliação. Inicia-se com a identificação do problema, quando alguém em uma organização percebe problemas que poderiam ser resolvidos com a ajuda de um agente de mudança em desenvolvimento organizacional, quase sempre um consultor externo. Após identificar o problema, faz-se a consulta. O gerente e um agente de mudança esclarecem os problemas percebidos e consideram maneiras de lidar com eles, avaliando o 21 grau de ajuste entre as necessidades da organização e a experiência do agente de mudança. Caso se confirme que o agente escolhido é adequado à situação, a pesquisa ação passa para a próxima fase ou , caso contrário, um novo agente de mudança será chamado. Na terceira fase, a da coleta de dados e diagnóstico provisório, inicia-se a coleta de dados sobre a organização e os problemas detectados, por meio de entrevistas feitas com os funcionários. O agente de mudança conclui essa fase com o exame dos dados e a execução de uma análise e um diagnóstico provisório da situação. Na fase de feedback, determina-se o compartilhamento com a alta administração da organização da etapa anterior, desenvolvendo, assim, planos de ação para a realização de qualquer mudança necessária. A pesquisa-ação oferece dois benefícios evidentes: foco no problema, isto é, o problema é que vai determinar o curso da ação de mudança, e a resistência à mudança fica reduzida, pois os funcionários participam do processo.(ROBBINS, 2001, p.538) O Desenvolvimento Organizacional é um termo utilizado para englobar uma série de intervenções de mudança planejada, com base em valores humanísticos e democráticos, que buscam melhorar a eficácia organizacional e o bem-estar dos funcionários. Há uma valorização do crescimento humano e organizacional, dos processos colaborativos e do espírito investigativo, existindo, assim, uma forte ênfase na colaboração. Conceitos como poder, autoridade, controle, conflito e coerção são pouco praticados entre os agentes de mudança do desenvolvimento organizacional. (ROBBINS, 2002, p.539). Acompanhando o raciocínio de Robbins, os valores que embasam esse conceito podem ser assim identificados: 1. Respeito pelas pessoas: estas são vistas como responsáveis, conscientes e dedicadas e devem ser tratadas com dignidade e respeito; 2. Confiança e apoio: pois são importantíssimos um clima de confiança, autenticidade, abertura e apoio para que uma organização seja eficaz e saudável; 3. Equalização do poder: a organização eficaz não enfatiza a autoridade e o controle hierárquico; 4. Confrontação: os problemas não devem ser varridos para baixo do tapete, devem ser abertamente confrontados; e 22 5. Participação: o comprometimento com a implementação das mudanças depende do número de pessoas que participam, e quanto maior este número melhor o resultado. Robbins, (2002, p.539), apresenta algumas técnicas ou intervenções do desenvolvimento organizacional para a realização de mudanças: treinamento de sensibilidade, levantamento de feedback, consultoria de processo e construção de equipes. O treinamento de sensibilidade, também chamado treinamento de laboratório; grupos de encontro ou grupos T (grupos de treinamento), refere-se a um método de mudança de comportamento por meio da interação não estruturada de grupo. Os membros são reunidos em um ambiente, livre e aberto, onde discutem seus processos interativos e a si mesmos, com o acompanhamento de um cientista do comportamento. As pessoas aprendem por meio da observação e da participação e não por meio de instruções recebidas, e não há lugar para o papel de liderança. Os resultados esperados incluem a capacidade de empatia com os outros, a melhoria da capacidade de ouvir as pessoas , maior abertura, o aumento da tolerância em relação às diferenças individuais e aperfeiçoamento das habilidades de solução de conflitos, levando, assim, a uma melhor integração entre indivíduos e a organização. O treinamento de sensibilidade é uma intervenção profunda que pode iniciar uma mudança psicológica , assim se faz necessário que o agente de mudança que supervisiona o treinamento seja um profissional treinado, que possa ajudar os participantes a lidar com a crítica de uma maneira construtiva, evitando sérios traumas psicológicos.(WAGNER III;HOLLENBECK, 1999, p.383-384) O levantamento de feedback, citado por Robbins (2002, p.540) é uma ferramenta para avaliar atitudes assumidas pelos membros da organização, identificar discrepâncias entre as percepções das pessoas e solucionar essas diferenças Tudo começa com um questionário que é respondido por todos na organização, desde o nível mais alto até o mais baixo da hierarquia, levando-se em consideração questões sugeridas pelos participantes e sugestões sobre assuntos que deverão ser abordados. Wagner III e Hollenbeck, (1999, p.389), acentua a importância decisiva da participação como meio de incentivar o compromisso com as metas da organização e de estimular o crescimento e desenvolvimento pessoais, que refletem os valores básicos do desenvolvimento organizacional. Finalmente, há uma discussão e soluções são propostas. 23 Consultoria de processo: muitas vezes os administradores não conseguem enxergar certas deficiências no desempenho de suas unidades; o propósito da consultoria de processo é um consultor externo ajudar um gerente, a perceber, compreender e agir em relação aos eventos dos processos com os quais precisa lidar. Os consultores de processo têm a função de dar ao cliente uma compreensão do que está acontecendo ao redor dele, dentro dele e entre ele e as outras pessoas. Eles não solucionam os problemas da organização, agem como instrutores que aconselham sobre o processo, ajudando o cliente a resolver seus próprios problemas, mediante o aumento da capacidade dos membros de identificar e corrigir processos grupais defeituosos. (ROBBINS, 2002, p.541) Construção de Equipes: Robbins afirma que as organizações estão utilizando cada vez mais as equipes para a realização do trabalho. Segundo Milkovich e Boudreau, (2000, p.78), as equipes têm sido chamadas de elemento fundamental da construção da organização de hoje. As equipes aparecem em uma grande variedade de tipos podem ser temporárias, semi-autônomas ou autogeridas, além de interfuncionais e contar com executivos. Podem ser organizadas para determinado propósito e depois desfeitas quando o projeto é aprovado pelos níveis mais altos de decisão. O trabalho em equipe tem o potencial de aumentar a comunicação e a autonomia e liberar a criatividade dos empregados. 2.2 SATISFAÇÃO NO TRABALHO A satisfação no trabalho é segundo Wagner III e Hollenbeck (1999, p.121): ”um sentimento agradável que resulta da percepção de que o nosso trabalho realiza ou permite a realização de valores importantes relativos ao próprio trabalho.” Spector (2002, p.222) define satisfação de uma maneira muito simples, “Satisfação no trabalho é o quanto as pessoas gostam de seu trabalho.” O trabalho de uma pessoa é muito mais do que as atividades simples entre as quais se pode citar o atendimento a clientes ou organização de papéis. Requer também a convivência com colegas e superiores, a obediência a regras e políticas organizacionais, 24 aceitação de condições de trabalho muitas vezes abaixo do ideal, além de outras. Robbins, (2002, p.74), com essa afirmação, define satisfação ou insatisfação com o trabalho como o resultado de um complexo somatório de diferentes elementos. Segundo Spector (2002, p.225), a satisfação no trabalho é quase sempre avaliada por meio de questionários ou entrevistas. Baseado no estudo de Wagner III e Hollenbeck ,(1999, p.121), pode-se medir a satisfação com o trabalho por meio de relatos pessoais, e uma das formas, o índice descritivo de cargo, (IDC), enfatiza cinco facetas: o trabalho, o pagamento, oportunidades de promoção, a supervisão e os colegas. O índice descritivo do trabalho é freqüentemente utilizado por pesquisadores organizacionais, e de todas as escalas disponíveis tem sido a mais popular e mais completa. Spector relata que apesar de a escala ter sido validada, os esforços para aprimorá-la continuam, pois sua maior limitação é que inclui apenas cinco facetas, e o desenvolvimento de novos itens melhorariam a confiabilidade e a validade da escala. Outras formas utilizadas de medir a satisfação são o questionário de satisfação de Minnesota (QSM) e a escala de trabalho em geral. (SPECTOR, 2002, p.226-229) Muitas organizações ainda não estão preocupadas com a satisfação no trabalho, fazendo com que os gerentes não percebam a importância de compreender as atitudes e os sentimentos dos seus funcionários para com o trabalho. A insatisfação e o stress do empregado podem causar a empresa importantes efeitos, entre os quais a elevação dos custos de assistência médica, rotatividade, absenteísmo e violência no local de trabalho. (WAGNER III; HOLLENBECK , 1999, p.120) Ainda para o autor, a insatisfação também acelera a rotatividade organizacional que é um encargo dispendioso. Além dos custos com a substituição, as pessoas que deixam uma organização apresentam melhor desempenho do que as que ficam, a rotatividade reduz a produtividade da mão-de-obra remanescente. As empresas perdem o investimento que fizeram no desenvolvimento do funcionário e, ao mesmo tempo, gera uma gratificação para uma empresa concorrente, que ganha acesso a um conhecimento muito grande sobre as operações da empresa original. 25 A insatisfação também causa uma perda do compromisso organizacional, isto é, as pessoas perdem a vontade de investir uma grande dose de esforço em favor da organização, e intenção de ficar muito tempo na empresa. (WAGNER III; HOLLENBECK ,1999, p.125) O autor destaca que muitas vezes os trabalhadores têm medo de admitir que não podem superar algum problema relacionado com o trabalho, muitos acreditam ser uma perda de tempo informar sua insatisfação. Por essa razão, é fundamental que os gerentes monitorem os tipos fisiológicos, cognitivos e comportamentais de respostas obtidas nas pesquisas, em busca de pistas de insatisfação e estresse. Segundo Robbins (2002, p.77), a insatisfação dos funcionários pode ser expressa de diversas maneiras, por meio de reclamações, insubordinação, furtos e outras. Funcionários satisfeitos estão mais propensos a falar bem da organização, ajudar os demais e ultrapassar as expectativas em relação ao seu trabalho. Para o autor, os administradores devem estar atentos durante as seleções de candidatos, pois precisam encontrar indivíduos que apresentem não apenas habilidades, experiências e motivação requeridas pelo cargo, mas que tenham, também, um sistema de valores compatível com o da organização, uma vez que o desempenho e a satisfação com o trabalho de um funcionário tendem a ser maiores quando seus próprios valores coincidem com os da organização. Organizações que valorizam a relação empregado-manutenção de um cliente ainda são a minoria, mas atualmente as empresas estão se empenhando na reconstrução da lealdade com seus colaboradores, e eliminando a imagem de funcionários descartáveis. É importante ressaltar que as conseqüências são desastrosas para aquelas empresas que valorizam seus equipamentos e recursos físicos e dão pouca importância aos seus recursos humanos. (WAGNER III; HOLLENBECK, 1999, p.120) 2.3 ESTRESSE Atualmente são muitos os estudos na área do estresse devido seu aumento nas últimas duas décadas. Ele pode atingir a todos, não escolhe idade ou sexo e para os adultos a maior fonte é a profissão O estresse psicossocial prevalece em outros grupos demográficos, como as crianças, as donas de casa e os idosos. 26 As primeiras referências à palavra estresse, segundo Lazurus e Lazurus (apud LIPP,2001, p.17), significava aflição e adversidade, isto por volta do século XIV. No século XVII, segundo Spielberger (apud LIPP, 2001, p.17) a palavra, que tem origem no Latim, passou a ser utilizada em inglês para designar opressão, desconforto e adversidade. A autora explica que em 1936 o médico endocrinologista Hans Selye definiu o termo estresse como uma síndrome, produzida por vários agentes nocivos, que enfraquecem o organismo podendo fazê-lo adoecer. Deu-se o nome de síndrome geral de adaptação ou síndrome do estress biológico. Foram então publicados vários artigos, por Selye, e em 1952 foi apresentada, de modo mais completo, sua teoria sobre estresse. Os trabalhos de Selye foram muito influenciados pelas descobertas de dois fisiologistas: Bernard, que em 1879 sugeriu que o ambiente interno dos organismos deve permanecer constante apesar das mudanças no ambiente externo, e Cannon, que em 1939 sugeriu o nome homeostase para designar o esforço dos processos fisiológicos para manter um estado de equilíbrio interno no organismo. Selye, com ajuda destes conceitos, definiu, então, o estresse como uma quebra neste equilíbrio. (LIPP, 2001, p.17-18) A autora define estresse como uma reação do organismo, com componentes físicos e psicológicos, causada pelas alterações psicofisiológicas que ocorrem quando a pessoa se confronta com uma situação que a irrite, amedronte, que a excite, ou mesmo que a faça feliz. Wagner III e Hollenbeck, (1999, p.121), definem o estresse como “ um estado emocional desagradável que ocorre quando as pessoas estão inseguras de sua capacidade para enfrentar um desafio percebido em relação a um valor importante.” Segundo Lipp (2001, p.18), até a Segunda Guerra Mundial o termo estresse era praticamente restrito ao uso de pesquisadores em laboratórios. O estresse envolvido na situação de guerra deu origem a inúmeras pesquisas que revelaram não ser ele somente característico de situações tão graves, mas pode, também, ser oriundo de muitas situações diárias, reais ou imaginárias. Robbins (2002, p.549) afirma que o estresse tem seu lado positivo, e deve ser visto como uma oportunidade quando oferece um potencial de ganho, quando se está motivado e envolvido no desenvolvimento de uma atividade que dá prazer. Um exemplo, citado pelo 27 autor, é quando um atleta demonstra um desempenho superior, ele utiliza o estresse para dar o máximo de si. Para os autores Schermerhorn,Hunt e Osborn, (1999, p.290), há necessidade de descobrir o ponto ideal entre os dois lados, o positivo e o negativo, permitindo que as vantagens do estresse sejam conseguidas sem que as desvantagens venham junto. Os autores ressaltam que o estresse construtivo, também chamado de eustresse, quando apresentado em níveis moderados podem ajudar, incentivando o esforço no trabalho, estimulando a criatividade e encorajando maior desempenho. O estresse destrutivo, também chamado de distresse, é disfuncional para a pessoa e a organização, sobrecarregando as condições físicas e mentais de uma pessoa. Os principais sinais de estresse extremo incluem o absenteísmo, rotatividade, erros, acidentes, insatisfação, desempenho reduzido e até comportamento anti-ético. Para Marilda Lipp (2001, p.195-226) é válido mencionar um tipo específico de estresse, o burnout. “Burnout é a expressão inglesa para designar aquilo que deixou de funcionar por exaustão de energia.” A autora explica que é uma síndrome caracterizada por sintomas e sinais de exaustão física, psíquica e emocional, em decorrência da má adaptação do indivíduo a um trabalho prolongado, que seja altamente estressante. O termo burnout surgiu nos últimos 20 anos e tornou-se popular nos Estados Unidos, para descrever uma reação de estresse crônico de profissionais cujas atividades exigem um alto grau de contato com pessoas. (PERLAN; HARTMAN, apud LIPP, 2001, p.195-196) O burnout pode ocorrer em qualquer profissão que exija contatos interpessoais muito intensos, ou quando a pessoa persiste na tentativa de alcançar uma meta ou preencher uma expectativa, que é realisticamente impossível de conseguir naquele momento. Existem circunstâncias tais como pressão para se conseguir fazer um projeto, doença de um membro da família ou mudança de casa, em que ocorre um burnout de curta duração. O burnout freqüentemente não é notado nos seus estados iniciais, porque a maior parte daqueles que sofrem é composta de homens ou mulheres competentes, auto- suficientes, que escondem bem suas fraquezas. 28 2.3.1 As Fases do Estresse De acordo com Selye (apud LIPP, 2001, p.22) o processo de estresse desencadeiase em três fases: alerta, resistência e exaustão. A reação de alerta inicia-se quando a pessoa se confronta inicialmente com um estressor. A principal ação do estresse é justamente a quebra do equilíbrio interno que ocorre em decorrência da ação exacerbada do sistema nervoso simpático e da desaceleração do sistema nervoso parassimpático em momentos de tensão. A aceleração do organismo é muitas vezes de grande valia para a preservação da vida, pois leva a um estado de prontidão, caso o organismo tenha que lidar com situações em que precise atuar com urgência; na verdade é uma defesa automática do corpo. O problema ocorre quando a prontidão fisiológica não é necessária ou quando é excessiva, como, por exemplo, quando a tensão muscular ocorre em momentos em que não haveria necessidade de tal preparo. A adrenalina é eliminada quando o estressor tem uma duração curta, a pessoa sai da fase do alerta sem complicações para o seu bem-estar. Quando o estressor é de longa duração, o organismo tenta restabelecer a homeostase de um modo reparador e entra na fase de resistência ao estresse. A energia adaptativa de reserva é utilizada na tentativa de reequilíbrio. Se essa reserva é suficiente, a pessoa recupera-se e sai do processo do estresse, por outro lado, o estressor exige mais esforço de adaptação do que é possível para aquele indivíduo, então o organismo se enfraquece e torna-se vulnerável a doenças. Nessa fase, se o estressor é eliminado ou se técnicas de controle do estresse são utilizadas, o organismo se restabelece e o processo do estresse termina. Caso a resistência da pessoa não seja suficiente para lidar com a fonte de estresse,ou se outros estressores ocorrerem concomitantemente, o processo do estresse evoluirá até a fase de exaustão. Haverá um aumento das estruturas linfáticas, a exaustão psicológica em forma de depressão, e a exaustão física manifestar-se-á com o conseqüente aparecimento de doenças. 29 2.3.2 Fontes Potenciais de Estresse Robbins, (2002, p.550-552), identifica três conjuntos de fatores que agem como fontes potenciais de estresse: os ambientais, organizacionais e individuais. A concretização dependerá de diferenças individuais, como experiência no trabalho e personalidade. • Fatores Ambientais: a incerteza econômica, política e tecnológica influenciam tanto a estrutura organizacional como os níveis de estresse dos funcionários da organização. As inovações podem tornar as habilidades dos trabalhadores obsoletas em um período muito curto de tempo, os computadores, os robôs, a automação, além de outras que podem significar uma ameaça para muitas pessoas e conseqüentemente causar o estresse. • Fatores Organizacionais: no local de trabalho o estresse tem origem em muitas fontes, pode resultar de exigências altas ou baixas demais, de conflitos, um chefe demandante e insensível e colegas desagradáveis. Os autores Schermerhorn, Hunt e Osborn, (1999, p.290), citam os mais comuns estressores no local de trabalho: Exigências da tarefa – quando pedem para fazer demais ou de menos. Ambigüidade do papel – não saber as expectativas de desempenho ou os padrões do trabalho. Conflitos do papel – sentir possíveis e múltiplas expectativas conflitantes de desempenho. Dilemas éticos – quando lhe pedem para fazer coisas que violam valores pessoais. Problemas interpessoais – sentir má relação; trabalhar com outros com quem não se dá bem. Desenvolvimento de carreira – movimentação rápida demais, sentindo-se sobrecarregado;movimentação lenta demais, sentindo-se estagnado. Ambiente físico – estar incomodado com condições de trabalho insalubres ou desagradáveis. • Fatores Individuais: os fatores da vida pessoal dos funcionários podem ter efeitos sobre o trabalho, isto é, problemas familiares, econômicos e características de personalidade. Pesquisas revelam que algumas pessoas parecem ter uma tendência inerente em acentuar os aspectos negativos da vida. Se isso for verdadeiro, um fator individual significativo que influencia o estresse seria uma disposição básica natural 30 da pessoa, ou seja, os sintomas de estresse expressados no trabalho teriam origem na própria personalidade do indivíduo. Os fatores de estresse são cumulativos: o estresse se intensifica, os fatores de estresse são um fenômeno acumulativo, pois cada fator novo faz crescer o nível de estresse do individuo. Muitas vezes um fator com pouca importância, se visto isoladamente, pode ser a gota d’água se somado a um nível de estresse já alto. Em geral, fica muito difícil separar a vida no trabalho da particular, este estresse pessoal, provocado por acontecimentos familiares, dificuldades econômicas e problemas particulares, pode afetar as emoções e o comportamento, tanto dentro como fora do trabalho. (ROBBINS, 2002, p.552) Marilda Lipp, (2001, p.21), ressalta a importância de se distinguir entre os estressores externos e internos, como visto por outros autores. Os externos independem muitas vezes do mundo interno da pessoa, enquanto os estressores internos são determinados completamente pelo próprio indivíduo, constituem-se do modo de ser da pessoa, se ela é ansiosa, se é tímida ou depressiva, ou se tem alguma neurose. 2.3.3 Diferenças Individuais Segundo Robbins, (2002, p.552), “algumas pessoas são capazes de reagir às situações estressantes, enquanto outras parecem ser abatidas por elas.” Para Lipp, (2001, p.22), algumas características pessoais, desenvolvidas na infância, podem servir como fontes em potencial de estresse em termos de crenças e valores inadequados, mas, quando adequadas, podem auxiliar o ser humano a adquirir estratégias de vida que facilitem no manejo do estresse. A criança vulnerável provavelmente será também um adulto vulnerável ao estresse São as propriedades da pessoa que influenciam a capacidade de lidar com o estresse gerado no trabalho e fora dele. O estresse pode atingir um nível prejudicial, com mais rapidez, quando sentido por pessoas altamente emocionais ou com baixa auto-estima. (ROBBINS, 2002, p.552) Para Robbins, (2002, p.552), as variáveis de diferenças individuais que moderam a relação entre o estresse potencial e o realmente experimentado são pelo menos cinco, 31 percepção, experiência de trabalho, apoio social, convicção no centro de controle interno e hostilidade. A percepção vai moderar a relação entre uma condição potencial de estresse e a reação do funcionário a ela. Um exemplo, citado por Robbins, é o medo que algumas pessoas sentem quando há demissões em massa na empresa que trabalham, e outras vêem como uma oportunidade de receber uma boa indenização e iniciar seu próprio negócio. Assim, o potencial de estresse não está na condição objetiva, ele está na interpretação que o funcionário faz dessa condição. As evidências indicam que a experiência no trabalho tende a estar negativamente relacionada com o estresse. Isto ocorre porque a rotatividade voluntária é mais provável entre as pessoas que sofrem mais com o estresse, pois aquelas que permanecem um tempo maior na empresa são as que têm mais traços de resistência ao estresse ou que resistem melhor às características estressantes da organização. Outra explicação é que as pessoas depois de algum tempo, acabam desenvolvendo mecanismos para enfrentar o estresse. O apoio social, como por exemplo uma relação amigável com os colegas e chefes, pode melhorar o impacto do estresse. Quem tem o centro de controle como um atributo de personalidade interno acredita que pode controlar o próprio destino e percebe seu trabalho como menos estressante. Os que têm um centro de controle externo acham que suas vidas são controladas por forças de fora, e tendem a ser mais passivos e a se sentirem desamparados. A hostilidade e a raiva estão inclusas na personalidade de algumas pessoas aumentando significativamente o estresse enfrentado e o risco de uma doença cardíaca. 2.3.4 Conseqüências do Estresse O estresse causa impacto sobre a saúde das pessoas, pois é uma fonte de ansiedade e frustração que prejudica o bem-estar fisiológico e psicológico no decorrer do tempo. Problemas de saúde relacionados com o estresse incluem ataques cardíacos, infartos, hipertensão, enxaquecas constantes, úlceras, abuso de medicamentos, abuso de alimentos, depressão e dores musculares, dentre outros. Pode-se resumir em três categorias 32 gerais: sintomas físicos, psicológicos e comportamentais. (ROBBINS, 2002, p.553; SCHERMERHORN, et al., 1999, p.291) Para Robbins, (2002, p.553), os sintomas físicos despertaram a maioria dos cuidados com o estresse, pois as pesquisas realizadas por profissionais de saúde levaram a conclusão de que ele pode ser a causa de mudanças no metabolismo, aumento dos ritmos cardíaco e respiratório, aumento da pressão sanguínea, dores de cabeça e até ataques do coração. O autor Wagner III e Hollenbeck, (1999, p.123) explica que o corpo, quando percebe uma ameaça, produz substâncias químicas que elevam a pressão sanguínea e que desviam o sangue da pele e do aparelho digestivo para os músculos. Gorduras do sangue são então liberadas para fornecer um impulso de energia e aumentar a coagulação do sangue em caso de dano. Quando a ameaça é prolongada, tem início outras mudanças que preparam o corpo para uma batalha, e ele passa a conservar recursos como a retenção de água e sais. Inicia-se, também, a produção de ácido gástrico extra para aumentar a eficiência da digestão na ausência do sangue desviado para longe dos órgãos internos. Quanto aos sintomas psicológicos, Robbins relata que o estresse pode causar insatisfação, inclusive no trabalho, tensão, ansiedade, irritabilidade, tédio e procrastinação. Os gerentes precisam ficar atentos aos sinais de estresse excessivo em si e em seus colegas de trabalho, pois os sintomas são múltiplos e variados. As evidências indicam que quando as pessoas estão trabalhando em empresas que apresentam demandas múltiplas e conflitantes, ou quando não há clareza sobre os deveres , a autoridade e a responsabilidade de cada um, tanto o estresse como a insatisfação podem aumentar. (ROBBINS, 2002, p.555) Os sintomas comportamentais do estresse incluem mudanças na produtividade, absenteísmo e rotatividade, além de mudanças nos hábitos de alimentação, aumento do consumo de álcool ou tabaco, fala mais rápida, inquietação e distúrbios do sono. Muitas pesquisas estão sendo feitas para estudar a relação entre desempenho e estresse, e demonstram que níveis baixos e moderados estimulam o corpo e aumentam a sua capacidade de reagir, mas o excesso impõe demandas ou limitações resultando na piora do desempenho. O autor ressalta, que mesmo os níveis de estresse moderados podem ter uma influência negativa sobre o desempenho em longo prazo, quando a intensidade contínua 33 consome o indivíduo e reduz suas fontes de energia. Robbins utiliza, para exemplificar, o pronto- socorro, onde o nível de estresse é vivenciado continuamente e pode resultar em fraco atendimento, colocando os profissionais sob risco de um esgotamento. Para Lipp, (2001, p.302), há séculos o homem tinha como fonte principal de estresse, não a burocracia de hoje, mas outras situações que ameaçavam sua vida. O agente estressor da vida de nossos antepassados, o tigre selvagem, deu lugar à competição, às reuniões e à burocracia que o executivo de hoje experimenta. 2.3.5 Administrando o Estresse A prevenção é a melhor estratégia para lidar com o estresse, evitando que ele atinja níveis destrutivos e afete negativamente o trabalho. É importante considerar que os administradores e os funcionários tenham opiniões diferentes quanto ao nível de estresse aceitável no trabalho. Muitas vezes o que é visto como um estímulo positivo por parte dos gerentes, pode ser considerado como uma pressão excessiva pelos funcionários. A abordagem individual ajuda a reduzir o nível de estresse, isto é, as estratégias individuais que as pessoas podem desenvolver, como implementação de técnicas de administração do tempo, aumento de exercícios físicos, treinamento para o relaxamento e expansão da rede de apoio social. As pessoas poderiam, por exemplo, fazer uma lista das atividades a serem realizadas no dia, priorizá-las por importância e urgência, e agendar as mais demandantes para o período em que estivessem mais alertas e produtivas. Os exercícios físicos não competitivos aumentam a capacidade cardíaca, diminuem o ritmo cardíaco, oferecem uma distração dos problemas do trabalho e são uma forma de extravasar a pressão. Técnicas de relaxamento, como meditação e hipnose, ajudam a relaxar aliviando as tensões e dando uma intensa sensação de paz. Outra forma positiva é ter amigos, parentes ou colegas com quem conversar; são uma válvula de escape quando o estresse se torna excessivo. O importante é conseguir um bem-estar pessoal, um estilo de vida que reflete o comprometimento real e abrangente com a saúde. Uma pessoa que mantém diligentemente sua saúde está mais preparada para o estresse inevitável do trabalho nas atuais 34 organizações; é capaz de aproveitar os aspectos construtivos do estresse e, ao mesmo tempo, evitar seu potencial destrutivo. Uma vida pessoal saudável e uma alta qualidade de vida no ambiente de trabalho, podem ajudar a enfrentar com sucesso os estresses que acompanham a vida complexa e agitada, tanto em casa quanto no trabalho. (ROBBINS, 2002, p.555-556) Segundo Robbins, (2002, p.557), as organizações podem oferecer um programa de bem- estar focando as condições físicas e mentais dos funcionários, como a oferta de workshops para ajudá-los a deixar de fumar, controlar o consumo de álcool, perder peso, aprender uma alimentação mais saudável e desenvolver um programa regular de exercícios físicos. A principal meta desses programas é fazer com que os funcionários assumam a responsabilidade pela sua saúde física e mental. A organização é apenas um meio facilitador para esse fim. 3 METODOLOGIA Os trabalhos realizados na área de estresse estão crescendo significativamente. O que antes não tinha nenhuma credibilidade, hoje desperta o interesse em pesquisas, investigações científicas que comprovam a relação de muitas doenças com esse mal. Com o objetivo de demonstrar tal interesse realizou-se um levantamento de uma amostra de publicações cientificas, publicadas pela Anpad – Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Administração. Estes trabalhos foram apresentados na Enanpad que é o encontro da Anpad, o maior evento do cenário brasileiro da administração, com a finalidade de descrever o fenômeno. O levantamento ocorreu com a seleção, no site www.anpad.org.br, de temas de trabalhos publicados que tivessem como palavras-chaves estresse no trabalho. Para tal estudo seguiu-se a característica básica dos levantamentos: se procede à solicitação de informações acerca do problema estudado para, em seguida, mediante análise quantitativa, obter-se as conclusões correspondentes aos dados coletados. O levantamento caracteriza-se por uma visão estática do fenômeno estudado. Retrata a situação possibilitando o aprofundamento dos estudos. (GIL, 1991, p.56-58) Este estudo trabalhou com uma amostra de quarenta temas diferentes de trabalhos referentes ao comportamento humano e às mutações no mundo do trabalho, que acabam gerando estresse e interferindo no desempenho e satisfação dos colaboradores de uma organização. Há, neste levantamento, trabalhos realizados em diversos Estados do Brasil, o que comprova mais uma vez o interesse pela pesquisa sobre estresse. 4 APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS A pesquisa na área de estresse está despontando principalmente no Brasil, onde atualmente existe um grande interesse, por parte dos grandes empresários, em termos de investigações cientificas, desejando, assim, diminuir e administrar o estresse ocupacional. O estresse ocupacional é mais freqüente quando há a percepção de se ter muitas responsabilidades significativas, mas poucas possibilidades de tomada de decisões e de controle. (LIPP, 2001, p.14) Um levantamento realizado nos anais do Enanpad, o maior encontro de programas de pós-graduação e administração, levou à publicação de pesquisas que ilustram a importância de tal estudo. Durante esta pesquisa verificou-se a presença do estresse em diversos departamentos de organizações e instituições, e a preocupação de se investigar a relação entre mudanças organizacionais e o estresse. Uma amostra de quarenta temas de trabalhos, publicados de 1997 a 2004, todos focados na transformação que está cada vez mais rápida dentro das organizações, estudam o impacto direto causado nos trabalhadores, o que muitas vezes implica em renúncias, perdas e adaptações. Dentre os temas relacionados encontram-se estudos de casos que ressaltam a reestruturação produtiva, o estresse resultante de modos de gestão e cultura organizacional, além da satisfação no trabalho. Conforme citado por Robbins (2002, p.283-526) a tendência é replanejar muitos trabalhos e montar equipes com a finalidade de desempenhar múltiplas funções; e as mudanças na cultura e na estrutura são exemplos das tentativas organizacionais de se adaptarem aos padrões de crescimento. Algumas ocupações podem ser mais estressantes do que outras , mas observou-se trabalhos na área educacional onde se verifica um interesse por pesquisas que ajudam a compreender melhor as fontes e os sintomas de estresse entre os professores. Trabalhos focados em outros segmentos de empresas, como polícia militar, setor bancário, transportes urbanos rodoviários, instituições religiosas, setor automobilístico, 37 também fizeram parte desta amostra, o que caracteriza a ocorrência de estresse ocupacional em diversas atividades profissionais. ANO TITULO AUTORES O Contexto Organizacional e o Janice Janissek de Souza UNIVERSIDADE UFMGS Alcoolismo: Um estudo de Caso Reestrutura Produtiva, Organização Rosinha Machado Carrion URGS Marina K. Nakayama URGS e Gestão do Trabalho na Indústria 1997 Petroquímica: Estudo do Complexo Petroquímico do RGS Estresse Ocupacional Relacionamento com Modos de Gestão e Cultura Organizacional: Um Estudo Empírico Processos de Mudança e Estresse Ocupacional Marina K Nakayama Claudia Bitencourt UFRGS Controle e Cargas do Trabalho: 1998 Repercussões na Saúde Psíquica dos Trabalhadores Satisfação Programas no Trabalho Participativos Sônia Regina P.Fernandes UFB e Valmira C.Piccinini UFRGS 38 ANO TITULO O AUTORES Diagnóstico do UNIVERSIDADE Estresse Lúcio Flávio R.de Moraes Ocupacional em Gerentes do Setor Luciano Zille Pereira de Prestação de Serviços em Belo Henrique Maia Veloso Horizonte UFMG Avelino Alexandre R. da Silva Comprometimento Organizacional: Lúcio Flávio R.de Moraes Uma Contribuição ao Constructo UFMG Antônio Luiz Marques 1998 Laíse Ferraz Correia Validação de uma Medida Percepção de de Imagens Jairo Eduardo B. Andrade UnB Ronaldo Pilati Organizacionais Percepções de Incerteza em Um Sistema de Planejamento e Controle: Um Estudo Etnográfico Ana Carolina P.D. Fonseca UFRJ Brasil-Inglaterra Mudança e Organizações: Estratégia nas Clóvis L.Machado da Silva Perspectivas Cognitiva e Institucional Mudança Organizacional e Estresse Ocupacional 1999 UFPR Valéria Silva da Fonseca UFSC Bruno H. Rocha Fernandes UFPR Mauricio R. do Nascimento Sérgio Bulgacov UFPR 39 ANO TITULO AUTORES UNIVERSIDADE Qualidade de Vida no Trabalho Estresse Ocupacional e o Sistema Cléa Martha Q. Santos UFMG Just In Time: Um Estudo de Caso Lúcio Flávio R. de Moraes no Setor Automobilístico Mineiro Zélia Miranda Kilimnik Enxugamento de Pessoal no Brasil: Pesquisa de Campo Comparativa sobre Moderadores Organizacionais Miguel P.Caldas FGV dos Efeitos de Demissões Coletivas 1999 em Empresas e Indivíduo Comprometimento do Empregado e Contextos Organizacionais em Mudança: O Caso do Banco do Brasil Reação Cultural à Aquisição: Estudo de Caso no Setor Bancário Antônio Sérgio de C. Rocha Antônio Virgilio B. Bastos UFBA Agnaldo de Jesus Rossini João Marcelo Crubellate UEM - UNOESTE Ariston Azevedo Mendes Qualidade de vida e Estresse no 2000 Trabalho: o Caso Instituição Religiosa de uma Luiz Carlos Honório Juliana Oliveira Braga Antônio Luiz Marques UFMG 40 ANO TITULO Estresse AUTORES e Problemas de UNIVERSIDADE Húdson de Araújo Couto UFMG Verônica Feder Mayer UFRJ Organização do Trabalho numa Unidade Industrial Recém- Implantada – Alta Incidência de Distúrbios de Membros Superiores como uma das conseqüências. A Influência da Estrutura da Mensagem em Comportamentos Marcos Gonçalves Avila Relacionados à Saúde: um teste 2000 experimental Lazer e Produtividade no Trabalho Qualidade de Vida no Trabalho: uma Análise em Unidades de Ensino Básico Maria de Fátima Aguiar UNIFOR Anderson de S. Sant’Anna Regina Célia M. M. Costa UFMG Lúcio Flávio R. de Moraes Estudo Ergonômico do Trabalho: o Caso do Atendimento Telefônico Rosana Alves Cícero Aparecido Bezerra Rita Camana UNIOESTE UNIPAR SANEPAR Eugenio Merino UFSC Empresas de Pequeno Porte sobre o Luiz Carlos de Sá PUCRJ Conhecimento, a Informação e a Mônica Esteves Percepções de Aprendizagem: educacional Executivos um de desafio Benito Diaz Paret UFRJ UCAM 41 ANO TITULO AUTORES Situação de Trabalho e Estresse Andréa Lúcia A Mendes Ocupacional: Um Estudo de Caso Lúcio Flávio R.deMoraes UNIVERSIDADE UFMG com os Motoristas de Transporte Urbano por Ônibus Lúcio F.Renault de Moraes Estresse e Qualidade de Vida no Luciano Zille Pereira Trabalho na Polícia Militar do Humberto Elias G.Lopes Estado de Minas Gerais UFMG Danielle Brás Rocha Soraia Aparecida A Ferreira 2001 Patrícia Cristina P.Portes Significado do Trabalho: Caminhos Percorridos e Sinalização de Organizacionais na Tendências Estratégias Promoção da Saúde Mental do Indivíduo podem ser eficazes? Luciana Mourão Jairo Eduardo B.Andrade Lívia de Oliveira Borges João Carlos T. Argolo O que esperar da redução da Paulo Sérgio Fracalanza UnB UFRN FACAMP jornada de trabalho? A Dimensão Humana Processos de Demissão nos Amyra Moyzes Sarsur Marcus Vinícius G. da Cruz FDC UFMG 42 ANO TITULO AUTORES UNIVERSIDADE Dos Corpos em Rede às Máquinas em Rede: Reestruturação do Trabalho Bancário e Constituição do Sujeito Carmem Lígia Ioschins UFRGS Fatores Ergonômicos das Condições de trabalho e a qualidade de vida no trabalho no setor de transportes urbanos rodoviários Maria da Guia Diniz UFPB Adriana Vieira UNA Fernando C. Garcia FPL Grisci 2001 Novos Requisitos de Seleção e Treinamento de Pessoal na Linha Automobilística da Fábrica de Motores Fire da Fiat Automóveis Situação de Trabalho, Qualidade de Kely César M. de Paiva Vida e Estresse no Ambiente Manoel Deusdedit Jr. Acadêmico: Milena A. L.da Silva Comparando Professores de Instituições Pública, 2002 FUNADESP Myrian C. de A. Valença Privada e Confessional Impacto do Clima Organizacional sobre o Estresse no Trabalho Álvaro Tamayo Dinice Lima UnB Abelardo V. da Silva Mudança Organizacional e as Múltiplas Relações que afetam a Reconstrução das Identidades dos Indivíduos José Roberto G.Silva Sylvia Constant Vargara PUC – RIO FGV - RIO 43 ANO TITULO AUTORES A Relação do Burnout com o Comprometimento Afetivo dos Ângela Maria M. da Silva UNIVERSIDADE UFRRJ Gustavo de O.Almeida Trabalhadores para com a Empresa 2004 Como os Climas Organizacionais Armênio Rego Autentizóticos Solange Souto Explicam o UERJ Estresse, a Saúde, o Bem-Estar Afetivo no Trabalho e a Produtividade Downsizing e Estresse: Um Estudo de Caso Luiz Antônio de Assis Ferreira PUC - RIO Patrícia Amélia Tomei O Indivíduo e a Organização: um Estudo sobre o Comprometimento dos Funcionários da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais Privatização e Reestruturação na Sigma: Turbilhão, Tempestade, Desmoronamento ou a Percepção dos Trabalhadores sobre o Processo Fátima Ferreira Roquete Luciana Grandi Von FBMG Sperling Tânia M. Correa E.Macedo Soraia Maria do Socorro C.Vidal 4.1 Figura 1- Temas de Trabalhos Publicados pelo ENANPAD UNISANTOS 44 Pode-se observar, na figura um, a incidência de dezoito trabalhos voltados para mudança e estresse; dezoito relacionados ao clima organizacional e satisfação no trabalho e quatro relacionados ao comprometimento. Estes números demonstram que existe também uma relação do estresse com temas que estudam o clima organizacional e a satisfação dos funcionários, havendo a necessidade de melhorar a qualidade de vida do trabalhador, para se ter, como conseqüência, um maior comprometimento organizacional . Constata-se que do início ao fim da amostra existe uma preocupação dos acadêmicos em associar o quanto as mudanças dentro do ambiente de trabalho e o impacto do clima organizacional podem gerar estresse. Independente do tipo de empresa e do serviço prestado, deve-se valorizar o capital humano e as investigações demonstram esta necessidade. Para Lipp (2001, p.195-226) é importante mencionar, dentro do estresse, o burnout. É uma síndrome caracterizada por sintomas e sinais de exaustão física, psíquica e emocional, em decorrência da má adaptação do indivíduo a um trabalho prolongado, que seja altamente estressante. Este assunto também é abordado em um dos temas apresentados em 2004 durante o Enanpad. Para Robbins e Schermerhorn et al., uma vida pessoal saudável e uma alta qualidade de vida no ambiente de trabalho podem ajudar a enfrentar com sucesso os estresses que acompanham as vidas agitadas, tanto em casa quanto no trabalho. 5 CONCLUSÃO Este estudo teve como finalidade aprofundar os conhecimentos sobre as mudanças nas organizações e sua relação com o estresse, muitas vezes gerado por ela, além das conseqüências para os colaboradores e para a empresa. Atualmente as organizações estão passando por um aperfeiçoamento em sua estruturação de trabalho, incrementadas pelo impacto da inovação tecnológica e acesso rápido à informação e à globalização. Os desafios colocados estão desencadeando uma série de mudanças na atuação dos profissionais, configurando um perfil profissional que enfatiza o novo, o fazer diferente para obter resultados inéditos. Em face dessas mudanças ocorre a resistência , pois há o medo do desconhecido, a insegurança, ou seja, as pessoas estão defendendo algo importante para elas , o que aparentemente é ameaçado pela tentativa de mudança. Para lidar com a resistência é preciso a conscientização por parte de todos e a educação e a comunicação são imprescindíveis para entender a lógica da mudança. Outras formas seriam o envolvimento e a participação, apoio aos funcionários que demonstram medo e ansiedade. Deve-se tentar minimizar reações defensivas, rejeições e medos, evitando, assim, o insucesso. Em sua essência, as organizações têm sua origem nas pessoas. As máquinas, por mais sofisticadas que sejam, não sonham, não planejam, não agregam valor, não fazem diferença. A preocupação com a satisfação do empregado deve ser crescente, evitando, assim, a rotatividade e redução da produtividade. É importante ressaltar que a insatisfação também causa uma perda do compromisso organizacional, isto é , um desinteresse em ficar muito tempo na empresa. Mas, todas essas mudanças, no seu conjunto de aspectos positivos e negativos, causam um certo nível de estresse, levando as pessoas a uma tensão excessiva. Estudos nesta área apontam um crescimento pelo interesse em se pesquisar as fontes de estresse em muitas situações. A seriedade de algumas doenças desencadeadas pelo 46 excesso de estresse tem colaborado para este despertar, haja vista sua interferência no sucesso de uma empresa. Foi constatada, por meio de um levantamento feito no Enanpad, que há realmente uma grande atração pelo tema. Estudantes de cursos de Pós Graduação - Mestrado e Doutorado - têm aprofundado seus conhecimentos utilizando seus ambientes de trabalho como fonte de estudo e os resultados são apreciados pelos departamentos de Recursos Humanos das empresas. As fontes de estresse são, sem dúvida, múltiplas e diversificadas, além de acumulativas, pois cada fator novo faz crescer o nível de estresse em uma pessoa. O que aparentemente é um fato sem importância poderá ser a gota d’água se somado a um nível já alto de estresse. A insatisfação e o estresse, além de gerarem custos diretos para as empresas em termos de assistência médica, também provocam custos indiretos, pois o absenteísmo, a rotatividade e a falta de comprometimento são problemas organizacionais muito dispendiosos. As empresas necessitam fazer uma parceria com seus funcionários no sentido de prevenir e evitar altos níveis de estresse que afetam negativamente o trabalho. O sucesso depende desta conscientização, e para isto são necessários mais conhecimentos. Os estudos deverão continuar e serem divulgados dentro das organizações na busca pela saúde, bem-estar dos funcionários e da produtividade, e, principalmente, sem estresse. 6 BIBLIOGRAFIA GIL, A.C. Como elaborar projetos de pesquisa, 3 ed. São Paulo: Atlas, 1991. LIPP, Marilda E.Novaes, Pesquisas sobre stress no Brasil: ocupações e grupos de risco,2 ed. Papirus, 2001. MILKOVICH, George T. e BOUDREAU John W., Administração de Recursos Humanos, São Paulo: Atlas, 2000. ROBBINS, Stehen P., Comportamento organizacional, 9 ed. São Paulo: Saraiva, 2002. SCHERMERHORN, John R. Jr., HUNT, James G. e OSBORN, Richard N., Fundamentos de Comportamento Organizacional., 2 ed. Porto Alegre, Bookman,1999. SPECTOR, Paul E., Psicologia nas organizações, 2 ed. Americana, 2002. WAGNER III, John A. e HOLLENBECK, John R., Comportamento Organizacional, São Paulo: Saraiva, 1999. ZAKABI, Rosana. Stress. Revista Veja, São Paulo, edição 1840, p. 67, fev.2004. http://www.anpad.org.br . Acesso em agosto de 2004.