ALTERNATIVAS PARA TRABALHAR AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM BASEADAS NO LÚDICO Cristiane Ungaretti Zago Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul Esta pesquisa trata da utilização do lúdico para trabalhar com dificuldades de aprendizagem no Laboratório de Aprendizagem do I ciclo. Foi realizado com docentes que atuam no Laboratório de Aprendizagem das escolas públicas municipais de Porto Alegre. Essas escolas atendem crianças oriundas de classes populares. As informações coletadas através de entrevistas semi-estruturadas foram estudadas qualitativamente por meio de análise textual. Emergiram três categorias: dificuldade de aprendizagem: definição, amplitude e ambigüidade; a docência no Laboratório de Aprendizagem: o conhecimento e o compromisso; e o lúdico na escola. Para tanto foi investigado o que os professores compreendem por dificuldade de aprendizagem e como descrevem o seu papel nesse espaço. A importância do lúdico é referida, trazendo as suas contribuições quando é valorizado o brincar no espaço escolar. Com a análise das informações coletadas, verifica-se: a necessidade de o professor exercer sua prática baseada na reflexão e no estudo constantes e a utilização do lúdico como um recurso que auxilia no trabalho com alunos com dificuldades de aprendizagem. Palavras-chave: Aprendizagem; dificuldades; lúdico; educação e laboratório. A pesquisa foi realizada com dez professoras que trabalham no Laboratório de Aprendizagem em escolas de Ensino Fundamental da rede municipal pública de Porto Alegre. As informações obtidas foram submetidas a análise textual (MORAES, 2002), sem pré-definição de categorias, visando aprofundar e compreender a realidade por meio da descrição e interpretação do significado das entrevistas. Da impregnação no material coletado, através da transcrição das entrevistas, leitura exaustiva e análise das respostas das entrevistadas às questões norteadoras, emergiram três categorias: dificuldade de aprendizagem: definição, amplitude e ambigüidade; a docência no laboratório: o conhecimento e o compromisso; e o lúdico na escola (anexo I - quadro relacionando objetivos, questões norteadoras e categorias). Na categoria dificuldade de aprendizagem: definição, amplitude e ambigüidade, a falta de clareza a respeito da definição de dificuldade de aprendizagem pode alimentar questionamentos e dúvidas, comprometendo o reconhecimento de tais dificuldades entre alunos no espaço escolar e o encaminhamento ao Laboratório de Aprendizagem, 2 bem como a adoção pelos professores responsáveis das providências necessárias para sanar tais dificuldades. Talvez isso se deva também à ambigüidade diante do conteúdo teórico e da complexidade, na prática, pelo cruzamento de várias questões. Isso significa que existem produções teóricas que explicam, conceituam dificuldade de aprendizagem e que o confronto com a situação prática provoca uma reflexão, relacionando a teoria com o cotidiano, momento no qual os conceitos são repensados e questionados, levando ao surgimento de dúvidas, de perguntas, nem sempre contempladas nos espaços de formação das escolas. Não podemos definir dificuldade de aprendizagem considerando-se apenas um fator, é preciso analisar um conjunto de fatores, desde as relações no nível social até as que se processam dentro de cada sala de aula entre professor, aluno e conhecimento. O que faz concordar com Scoz (1994), ao assumir posição semelhante, utilizando o conceito problemas de aprendizagem, afirmando que eles não podem ser restritos a causas físicas, psicológicas ou sociais. É necessário compreender os problemas e o contexto no qual estão inseridos através de um enfoque multidimensional, pensando em fatores orgânicos, cognitivos, afetivos, sociais e pedagógicos que estão sendo percebidos ou investigados. É preciso ainda verificar quais são as diferentes estratégias utilizadas na escola e na sala de aula para ensinar o aluno, se foram oferecidas diversas oportunidades de estar em contato com o conhecimento, para depois afirmar que o aluno não está conseguindo aprender. Assmann (1998, p. 22) aponta a necessidade de ambientes que propiciem experiências do conhecimento, pois seres vivos “... são seres que conseguem manter, de forma flexível e adaptativa, a dinâmica de continuar aprendendo.” Importa abrir novas perspectivas diante da questão da dificuldade de aprendizagem, até para conseguir pensar de forma divergente: repensar questões já discutidas de outra maneira, verificando se a atual organização do trabalho pedagógico não está contribuindo de alguma maneira para o fracasso escolar. A escola não pode permanecer indiferente às diferenças. 3 O estudo até aqui realizado está mostrando a abrangência da definição de dificuldade de aprendizagem e sua ambigüidade. Além disso, a interlocução teórica revela que problema de aprendizagem, muitas vezes, é tratado como dificuldade de aprendizagem, o que me leva a usar, para fins deste estudo, as duas noções como dificuldade de aprendizagem, aceita, neste trabalho, como um conjunto de fatores de natureza intrínseca (relacionados à disfunção do sistema nervoso central) ao aluno e extrínseca a ele (fatores contextuais, didático-pedagógicos, socioculturais, entre outros). Esses fatores podem levar a desordens na leitura, escrita, fala e raciocínio matemático. A categoria: A docência no laboratório de aprendizagem: o conhecimento e o compromisso, discorre sobre o fazer docente no Laboratório de Aprendizagem, destacando o conhecimento e o compromisso necessários à professora para trabalhar com os alunos encaminhados, o que caracteriza as atribuições e o perfil do profissional que opta por desenvolver este trabalho. A docência no Laboratório (PORTO ALEGRE, 1999) tem especificidades, pois a professora está diante de pequenos grupos de cinco ou seis crianças originárias de diferentes turmas de um Ciclo, com dificuldade de aprendizagem. Os alunos freqüentam aulas no turno contrário, uma ou duas vezes por semana, com exceção de uma entrevistada cujos alunos são atendidos no mesmo turno. As docentes reconhecem que uma de suas principais atribuições é resgatar na criança o desejo e o prazer de aprender, entendendo que a escola deve ser um espaço de alegria, o qual os estudantes gostem de freqüentar, conforme exemplificado nas falas: “Que eles se sintam bem na escola, queiram e gostem de aprender. Não vejam a escola como um bicho papão.” e “Tentar ajudar as crianças a gostar de aprender, perder o medo de errar, através de coisas diferentes, de uma maneira diferente de trabalhar em sala de aula. Através do jogo, de uma brincadeira, tentar buscar esse conhecimento que ela não tá conseguindo encontrar em sala de aula.” Snyders (1996) afirma que não somente os alunos que fracassam, mas também os bem sucedidos consideram que a escola é triste e a alegria começa quando saem da mesma. Defende que, se o aluno sentir alegria na escola será capaz de reprimir a distração e a preguiça, e ainda, que, para crescer harmoniosamente, necessita munirse de alegria no momento presente. 4 Para Codo (1996), toda atividade profissional envolve algum tipo de investimento afetivo por parte de quem se relaciona com os outros. Na atividade docente, o afeto é indispensável, a relação afetiva é um pré-requisito para que o trabalho seja efetivo e atinja seus objetivos. A afetividade é um dos fatores que auxiliam na aprendizagem dos alunos. As entrevistadas apontam que a relação de confiança e o incentivo se refletem positivamente no desempenho dessas crianças, não só no Laboratório, mas também na sala de aula regular, demonstrando outra atitude em relação à aprendizagem quando são estimuladas, incentivadas e percebem a confiança da professora. Com isso, temos de pensar na qualificação também das relações interpessoais nas escolas. A necessidade de se investir na aprendizagem da sensibilidade e da ternura (RESTREPO, 2001). O vínculo estabelecido entre professor e aluno muito auxilia no processo desencadeado no Laboratório e na sala de aula regular, pois, sem esse laço de afeto, a comunicação é dificultada e também a interação com o objeto estudado e sua apropriação. Compreendendo os seus alunos e conhecendo o nível da aprendizagem em que se encontram, o professor pode elaborar melhores estratégias de ação. A vontade do professor de intervir junto aos alunos tem força na aprendizagem discente, conforme afirma Coll (1994, p. 102): “o ato educacional não consiste unicamente num processo de aprendizagem. [...] não só há uma aprendizagem desejável do aluno como também uma vontade manifesta do professor de incidir sobre tal aprendizagem.” As informações sobre o aluno precisam ser socializadas com os demais professores para compreenderem o que ocorre com ele, o que pode ou não estar influenciando sua aprendizagem, não com o objetivo de rotular, mas com a intenção de se encontrarem alternativas para uma ação docente mais solidária. Importante também é socializar as ações do Laboratório na busca da melhoria da aprendizagem. O que temos, ainda, de um modo geral, nas escolas, é uma escassa partilha entre poucos professores. Como pano de fundo para as ações já mencionadas, as entrevistadas destacam como importante o estudo e a experiência em sala de aula, principalmente em turmas de alfabetização. Entretanto, para ser professor não basta somente a experiência. Para 5 Gauthier (1998), qualquer profissão requer a formalização dos saberes necessários para à realização de suas tarefas. O ensino mobiliza vários saberes nos quais o professor busca subsídios para responder a exigências específicas no seu cotidiano de ensino. A vivência anterior de sala de aula, para essas professoras, reúne um repertório de saberes que contribuem na organização e realização de sua prática no Laboratório. Atentas aos alunos com dificuldade de aprendizagem, as mesmas referem que é necessário também gostar de estudar, estar em constante atualização, diante das dúvidas e questionamentos surgidos no dia-a-dia. Para Grillo (2001), a busca pela atualização revela que os docentes são sensíveis às mudanças contextuais, que interferem na sua prática pedagógica, nos conteúdos, nos significados e nos objetivos, levando os professores a uma renovação contínua. Na categoria: o lúdico na escola, os alunos encaminhados para o Laboratório geralmente apresentam algumas características em comum, tais como pouco interesse, comprometimento e participação em sala de aula, dificuldade em realizar atividades e leituras propostas e baixa auto confiança. Além disso, às vezes são resistentes a uma maior aproximação dos professores. O docente, então, necessita buscar estratégias que envolvam os alunos com essas características. Nesse sentido, o lúdico pode ser entendido como uma das maneiras de aproximação com o aluno, motivando-o para superação das dificuldades de aprendizagem. Neste estudo, ao falar de jogo, de brinquedo, de brincadeira e de atividade lúdica, vou estar fazendo referência à ação da criança junto a objetos e a outras pessoas fundamentada na experiência do faz-de-conta, na expressão da imaginação e da criatividade. Esta ação precisa ser marcada pela motivação, pela presença de regras explícitas ou implícitas, bem como pela possibilidade de buscar alternativas e elaborar hipóteses para agir sobre o objeto, sem ter receio de errar. As ações e pensamentos desencadeados no lúdico interferem no auto conceito dos alunos, uma vez que nessas atividades eles demonstram envolvimento, vontade de participar e aceitam as regras e os “erros” com naturalidade. As regras estabelecidas “a priori” ou surgidas no transcorrer da atividade permitem ao grupo desenvolver a ação lúdica. Os próprios participantes sentem a necessidade da regulamentação e seu 6 cumprimento para continuidade da brincadeira. O erro ou uma ação não acordada pelas regras são vistos como algo que a criança necessita aprimorar para a próxima vez em que estiver em uma situação semelhante. As entrevistadas percebem que eles ao brincarem se envolvem, mostram-se ativos e integrados com a tarefa e também com os outros, o que não faziam antes. A capacidade de brincar das crianças é, pois, uma abertura para resgatar o gosto e o desejo de aprender, apesar das limitações que cada um possa apresentar. Para Célia (2000, p. 63 e 64), a atividade lúdica da criança é importante no seu desenvolvimento, pois o brincar, pela condição do “faz-de-conta”, permite vivenciar e enfrentar uma situação que na realidade pode ser julgada intransponível. A criança faz comparações e previsões para investigar o mundo na medida em que pelo “faz-deconta” transfere um fato real para uma idéia sem compromissos e sem riscos. Tal atividade amplia o conhecimento da criança: as hipóteses são testadas no brincar, no imaginário e comprovadas na realidade. A experiência é a condição fundamental: a criança tem de fazer, experimentar, errar, pois só assim é que a ela vai adquirir conhecimento das coisas. “O brincar, portanto, está na base do aprender, do conhecerse, do sentir-se e, efetivamente, ser alguém no mundo.” O vínculo afetivo professor-aluno representa um pilar a ser construído que sustenta as ações desencadeadas para superação das dificuldades. O lúdico, então, pode ser considerado um dos materiais utilizados na construção e manutenção desse pilar, pois a ação lúdica contribui para o conhecimento mútuo professor-aluno e do mundo, levando à reflexão e construção de conhecimento. Outra contribuição da atividade lúdica é a troca entre os alunos. A interação estabelecida possibilita às crianças a aprendizagem do respeito às idéias dos outros, a defesa de seus pensamentos, da cooperação, contribuindo para uma melhora da convivência em grupo. Podemos dizer que por meio dessa atividade desenvolvem o aprender a viver juntos (Delors, 2002). É unanimidade entre as entrevistadas o reconhecimento da importância do lúdico na escola, mesmo diante dos argumentos apresentados por alguns colegas contra o uso do lúdico ou a indiferença de outros. Porém utilizam o lúdico com certa cautela, 7 revelando preocupação com o que a escola exige dos alunos e do Laboratório: “Na sala de aula, o que é cobrado? A questão da leitura e da escrita, os professores cobram.” A maioria dos professores do Laboratório faz uso do lúdico seguido de uma “sistematização”, compreendida como o momento no qual o aluno vai realizar uma produção gráfica (escrita, desenhada ou esquematizada), sintetizando o que fez ou descrevendo quais são as regras do jogo ou brincadeira, enfim uma produção relacionada à atividade desenvolvida. Segundo essas professoras, tal sistematização precisa ter significado para o aluno. Além disso tal produção serve para referendar as informações das docentes sobre cada aluno, que são levadas para os Conselhos de Classe. É uma forma de a professora mostrar o estágio em que se encontra o aluno e quais as ações utilizadas para impulsionar o desenvolvimento. O aluno é parâmetro para ele mesmo, as produções armazenadas ao longo do período em que está no Laboratório demonstram a preocupação com a avaliação contínua, mostrando como o aluno estava e como está no momento atual. Lamentam a distância existente entre algumas salas de aula e o Laboratório sentidas pelos alunos, decorrentes de práticas pedagógicas diferentes. Cabe ao professor, enquanto mediador, viabilizar oportunidades para que o brincar aconteça no Laboratório e também na sala de aula, auxiliando aprendizagem dos alunos. Vygotsky (2002, p. 134) contribui para essa reflexão, afirmando que o brinquedo cria uma zona de desenvolvimento proximal. “[...] No brinquedo, a criança sempre se comporta além do comportamento habitual de sua idade, além do seu comportamento diário; no brinquedo é como se ela fosse maior do que é na realidade.” Para Chateau (1987, p. 14), pelo jogo a criança “...concretiza as potencialidades virtuais que afloram sucessivamente à superfície de seu ser, assimila-as e as desenvolve, uneas e as combina, coordena seu ser e lhe dá vigor.” Com essa informação, o brinquedo pode ser considerado um recurso significativo para o docente organizar sua prática buscando interferir na zona de desenvolvimento possível de seu aluno. O lúdico favorece a criatividade não apenas do aluno, mas também do professor, que necessita buscar alternativas mais eficazes para desenvolver o seu trabalho. As alternativas não estão “prontas”, faz-se necessária uma pesquisa nas suas próprias 8 vivências e experiências, além de muito estudo para levantamento de hipóteses, elaboração de estratégias e construção de modos de trabalho no Laboratório de Aprendizagem. Acreditando no jogo como um aliado a sua prática docente, as entrevistadas apontam o que conseguem no cotidiano, a partir do uso desse recurso: observar e conhecer o aluno enquanto está junto com os colegas na atividade lúdica; propor atividades baseadas no interesse dos alunos; desenvolver conteúdos escolares; envolver os alunos e a professora na atividade, propiciando na experiência em grupo a importância da cooperação, da troca, do respeito e da integração de todos; valorizar e estimular a ação do aluno, buscando novas soluções para os problemas apresentados pelos jogos, sem medo de errar; utilizar diferentes recursos; e resgatar o desejo e a vontade de aprender a partir da vivência de que é capaz de produzir apesar das suas dificuldades, interferindo no autoconceito dessas crianças. Diante das possibilidades e das conquistas dessas docentes junto aos seus alunos com dificuldade de aprendizagem a partir do uso de atividades lúdicas, precisamos socializar e divulgar essas ações produtivas para além do espaço do Laboratório. Não se trata de uma receita que vai ser copiada, mas de uma prática que está tendo resultados e que pode ser objeto de estudo e reflexão para outros professores repensarem e reconstruírem o seu fazer docente. O lúdico propicia aprendizagens significativas para as crianças, portanto necessita estar inserido no planejamento. Através do jogo podemos desenvolver conteúdos escolares e também a vivência grupal, trabalhando a liderança, a integração, a cooperação, a afetividade, o companheirismo, a confiança e o respeito às diferenças. Com o sentimento de pertencimento a um grupo, a criança vai sentir-se acolhida e encontrar um ambiente estruturado no qual vai mostrar-se com suas capacidades e dificuldades, abrindo caminho para a intervenção docente. Para efetuar o seu uso na escola, podemos pensar também na possibilidade de formação continuada para atender a todos os professores, inclusive os que durante a sua formação acadêmica não conseguiram estudar o lúdico e sua relação com a sala de aula. Nesse processo contínuo de estudo, os docentes podem buscar explicação 9 teórica e refletir junto com a sua prática para construir referenciais que sustentem uma ação coerente voltada às necessidades de seus alunos. Ao optar pela construção de suas próprias trajetórias, os professores que utilizam o lúdico necessitam ter seus objetivos e mapas bem traçados e ao longo do caminho vão tentando agregar companheiros para a viagem. Alguns escutam, visualizam os mapas, mas permanecem onde estão, alegando que a rota é meio desorganizada ou trabalhosa e gera insegurança. Outros, ao contrário, trazem seus mapas, bússola e, na interação, a trajetória vai recebendo novos contornos. Assim é o trabalho do professor do Laboratório. Ele precisa assumir-se autor de suas idéias e de sua atividade, defendendo suas convicções com subsídios teóricos e práticos, principalmente frente aos colegas mais resistentes que consideram o lúdico uma perda de tempo. Esse entendimento equivocado pode privar os alunos de uma aprendizagem mais produtiva e participativa, pois o lúdico tem uma dimensão pedagógica. A docência no Laboratório de Aprendizagem exige a construção diária de uma ação pedagógica que contemple a diversidade das situações face à diversidade dos alunos encaminhados. É inviável uma prescrição segura para toda circunstância e para todo aluno. Qualquer alternativa que se pretenda adotar é sempre provisória, passível de constante transformação. Embora se reconheça a inexistência de regras com garantia absoluta para a docência com sucesso no Laboratório, algumas recomendações podem ser apontadas com possibilidade de êxito, desde que se leve em consideração: o compromisso docente com a formação do aluno em suas dimensões cognitiva, psicológica, cultural, social e espiritual, visto como ser integral, em permanente desenvolvimento; a necessidade de um envolvimento afetivo com as crianças, o que possibilita entender determinadas situações de um modo mais compreensivo; a utilização do lúdico como um recurso valioso para desenvolver os conteúdos ou conceitos desejados com o aluno; que além de auxiliar no desenvolvimento cognitivo, envolve outras áreas: social, afetiva e cultural; e o caráter provisório da formação profissional e a conseqüente necessidade de formação continuada, estando o docente aberto a novas informações para vitalizar sua prática, aproveitando o que já faz, partindo do que já conhece e acrescentando novos elementos ao que vem se descobrindo. 10 Não é um empreendimento fácil que ocorra de imediato. Exige um tempo de amadurecimento dos docentes, crença no potencial do aluno e, principalmente, no valor da educação para a realização do homem. 11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSMANN, Hugo. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. Petrópolis: Vozes, 1998. 251p. CELIA, Rafael. Brincar, descobrir, aprender, criar. In: SUKIENNIK, Paulo Berél (org.) O aluno problema: transtornos emocionais de crianças e adolescentes. Porto Alegre: Mercado Aberto, 2000, p.59-78. CHATEAU, Jean. O jogo e a criança. São Paulo: Summus, 1987. 139p. CODO, Wanderley. (coord.) Educação: carinho e trabalho: Burnout, a síndrome da desistência do educador que pode levar à falência da educação. Petrópolis: Vozes/ Brasília: Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação: Universidade de Brasília, 1999. 432p. COLL, César. Aprendizagem escolar e construção do conhecimento. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994. 159p. DELORS, Jacques (org.). Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez. Brasília: MEC: UNESCO, 2002. 288p. GAUTHIER, Clermont. Por uma teoria da pedagogia: pesquisas contemporâneas sobre o saber docente. Ijuí: Unijuí, 1998. 457p. GRILLO, Marlene. Prática docente: referência para formação do educador. In: Cury, Helena (org.). Formação de professores de matemática uma nova visão multifacetada. Porto Alegre: PUCRS, 2001. p.29 - 47. MORAES, Roque. Tempestade de Luz. Porto Alegre: 2002. 41p. (mimeografado). RESTREPO, Luis Carlos. O direito à ternura. Petrópolis: Vozes, 2001. 110p. SCOZ, Beatriz. Psicopedagogia e realidade escolar, o problema escolar e de aprendizagem. Petrópolis: Vozes, 1994. 176p. PORTO ALEGRE. Secretaria Municipal de Educação. Cadernos Pedagógicos n.º 9: Ciclos de formação - Proposta político-pedagógica da escola cidadã. Porto Alegre, 1999. 111p. SNYDERS, Georges. Alunos felizes: reflexão sobre a alegria na escola a partir de textos literários. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. 204p. 12 VYGOTSKY, Lev Semenovich. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. São Paulo: Martins Fontes, 2002, 191p. 13 Anexo I Quadro relacionando objetivos, questões norteadoras e categorias. Objetivos Questões norteadoras Categorias Examinar o significado de Em que consistem para o Dificuldade dificuldade aprendizagem de professor dificuldades de aprendizagem: aprendizagem? Analisar a docência no Como laboratório se de definição, amplitude e ambigüidade caracteriza a A docência no laboratório: prática do professor no o Laboratório conhecimento de compromisso Aprendizagem? Reconhecer o lúdico como Qual o alternativa para trabalhar utilização com alunos sentido do lúdico da O lúdico na escola no que cotidiano do laboratório de apresentam dificuldade de aprendizagem? aprendizagem Como pode o professor utilizar o lúdico para tornar o conhecimento mais bem apropriado pelo aluno e assim superar dificuldades mais específicas? e o