ISSN 2236-8671
v. 2, n. 3, agos./dez. 2012
Revista das Faculdades Integradas Coração de Jesus
1
INTER FAINC
v. 2, n. 3, jul/dez. 2012
EQUIPE EDITORIAL
Editores Chefes
Prof. Dr. Wellington de Oliveira, FAINC
Profª Ms. Missila Loures Cardozo, FAINC
Editoração Gráfica
Agência Experimental, FAINC, Santo André, SP
Joyce Francisca da Silva
Revisores de Texto
Ir. Ivone Braga de Rezende
Bibliotecária Esp. Tânia Aparecida da Silva
Contato Principal
Sandra Rodrigues Lima
E-mail: [email protected]
COMITÊ CIENTÍFICO
Dr. Alcides José Scaglia, UNICAMP (Campinas, SP)
Dr. Arquimedes Pessoni, USCS (São Caetano do Sul, SP) e FMABC (Santo André, SP)
Dra. Daniele Pimenta, FAINC (Santo André, SP)
Dra. Fernanda Coelho Liberali, PUC- SP (São Paulo, SP)
Dra. Ivana Maria Lopes de Melo Ibiapina, UFPI (Teresina, PI)
Dra. Maria Cecília Camargo Magalhães, PUC-SP (São Paulo, SP)
Dra. Maria Otilia Guimarães Ninin, UNIP (São Paulo, SP)
Dra. Maria Dora Ruiz Temoche, UEPB (Campina Grande, PB)
Dra. Mônica Pegurer Caprino, USCS (São Caetano do Sul, SP)
Dra. Tânia Regina de Souza Romero, UFLA (Lavras, MG)
Dr. Wellington de Oliveira, FAINC (Santo André, SP) e PUC-SP (São Paulo, SP)
SANTO ANDRÉ, SP
PERIODICIDADE SEMESTRAL
ISSN: 2236-8671
Inter Fainc, Santo André, SP, v. 2, n. 3, p. 1-26, jul./dez. 2012
2
FACULDADES INTEGRADAS CORAÇÃO DE JESUS - FAINC
Diretor
Prof. Dr. Wellington de Oliveira
Vice-Diretora
Ir. Ivone Braga de Rezende
Diretora Financeira
Ir. Célia Regina Querido
Secretária Acadêmica
Ivone Nagy Martinasso
Inter Fainc
Rua Siqueira Campos, 483
CEP 09020-240 - Centro - Santo André - SP
Fone: (11) 4433-7477 / Fax: (11) 4433-7474
e-mail: [email protected]
site: www.fainc.com.br
FICHA CATALOGRÁFICA
Elaborada pela Biblioteca Ir. Iracema Farina – FAINC
Tânia Aparecida da Silva, CRB-8/5516
Inter FAINC [recurso eletrônico] / Faculdades Integradas Coração de Jesus.
Rede Salesianas de Ensino – Vol. 2, n. 3 (jul/dez. 2012) – Santo André,
SP: FAINC, 2012Semestral
Resumo em Português e Inglês.
Modo de acesso: World Wide Web: <www.fainc.com.br/revista>
ISSN:2236-8671
1. Comunicação - Periódicos 2. Educação - Periódicos 3. Artes Periódicos 4. Nutrição - Periódicos 5. Biblioteconomia - Periódicos
7. Administração 8. Comunicação científica - Periódicos 9. Ciência da
informação I. Faculdades Integradas Coração de Jesus. Rede Salesianas de
Ensino
CDD 001.25
3
EDITORIAL
A edição de Saúde da revista INTERFAINC encerra o ano, com a certeza de que nosso
trabalho esta rendendo frutos.
A ideia de uma edição especial, dedicada à área da saúde, vem de uma iniciativa que tivemos
em lançar uma série de números temáticos. Nosso objetivo é contemplar as múltiplas
especificidades das vertentes de pesquisa no campo da ciência. Esta decisão, não obstante,
visa unicamente dar palco ao que vem sendo produzido na ciência, em consonância ao que
é pesquisado dentro da própria FAINC. No futuro, voltaremos a ter edições multitemáticas,
onde a diversidade pode revelar a riqueza do trabalho transdisciplinar.
Os artigos publicados neste número marcam essa abordagem através de ensaios teóricos,
investigações históricas, reflexões filosóficas e pesquisas empíricas com o objetivo de produzir
uma ciência, que está focada na diversidade e no pluralismo, alinhando-se definitivamente à
missão da revista, ou seja, fazer com que a sua produção seja também alicerçada numa vasta
rede de colaboradores.
Apresentamos este terceiro número da revista INTERFAINC para a comunidade acadêmica.
Temos certeza que ao dividir este conhecimento, estamos contribuindo para enriquecer o
fazer cientifico sem fronteiras. Agradecemos o esforço dos colaboradores em realizar este
novo número e desejamos continuar contando com os futuros nas próximas etapas que
constituirão nossos desafios.
Prof. Dr. Wellington de Oliveira
Editor-Chefe
Profa. Ms. Missila Loures Cardozo
Coeditora
4
SUMÁRIO
O CUIDADOR FAMILIAR: Reflexos da Relação com ---------a Pessoa Portadora da Síndrome de Rett
06
Índice de Qualidade da Dieta de idosas ----------
13
5
O CUIDADOR FAMILIAR: Reflexos da Relação com a Pessoa
Portadora da Síndrome de Retta
FAMILY CAREGIVER: Reflections of Relationship to Person
Carrier of Rett Syndrome
Allana Cristina Araujo Ribeirob
Auenes Gonçalves Pereira
c
Danielle Souza Diasd
Ellen Celoto de Souzae
Luis Aparecido Bianchif
g
Késsya Nayara de Freitas Omena
Profª Ms. Aurilucia Alves Leitão Leiteh
i
Profª Vanessa Franquine Nogueira
Prof. Dr. Cleber Aparecido Leitej
a
Os autores contaram com apoio da Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular – FUNADESP.
bCentro Universitário Anhanguera de Santo André - São Paulo. E-mail: [email protected] – Tel: 7554-5981
c Centro Universitário Anhanguera de Santo André - São Paulo. E-mail: [email protected] - Tel: 6513-1725
dCentro Universitário Anhanguera de Santo André - São Paulo. E-mail: [email protected] – Tel: 7139-5425
e
Centro Universitário Anhanguera de Santo André - São Paulo. E-mail: [email protected] – Tel: 7004-3220
f Centro Universitário Anhanguera de Santo André - São Paulo. E-mail: [email protected] - Tel: 9207-6972
g Centro Universitário Anhanguera de Santo André - São Paulo. E-mail: [email protected] – Tel: 6706-9560
hCentro Universitário Anhanguera de Santo André - São Paulo. E-mail: [email protected]
i Centro Universitário Anhanguera de Santo André- São Paulo. E-mail: [email protected]
j
Graduado em Biomedicina pela Universidade de Mogi das Cruzes. Tem experiência na área de Fisiopatologia e células-tronco,
em Ciências Nefrológicas, com ênfase em Medicina. Mestre, Doutor e Pós Doutorando na linha de pesquisa em célula-tronco pela
Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Docente do Centro Universitário Anhanguera de Santo André, São Paulo e das
Faculdades Integradas Coração de Jesus, em Santo André-SP. E-mail: [email protected]
6
RESUMO
Este trabalho traz um relato de caso por meio de uma abordagem qualitativa que, empregou a subjetividade e a
observação do cuidador, bem como da portadora da Síndrome de Rett. Tem como objetivo entender o quanto
o cuidar sobrepõe a uma sobrecarga física e
emocional e a importância do cuidador familiar. Foi realizada uma entrevista partindo de uma questão
norteadora, que gerou outras questões, previamente, planejadas em que a cuidadora descrevia seus relatos de
forma vivida em sua própria residência. Esta abordagem possibilitou
observações da cuidadora, da pessoa acometida pela Síndrome de Rett e de outros familiares, contando de
forma narrativa como é estressante a tarefa de cuidar e possibilitando conhecer a função de toda a família frente
a portadora da Síndrome. A importância dos dados levou os autores a considerarem a atuação da cuidadora
frente a diversas dificuldades de ordem social, física, emocional, financeira, de educação, entre outras, que a
levou junto com sua família a enfrentar uma realidade no contexto familiar cheio de ansiedade e incertezas. A
capacidade do autocuidado da cuidadora derivou da orientação de vários profissionais da saúde e possibilitou a
ela e sua família, alcançar novos objetivos o que levou a uma qualidade de vida melhor.
Palavras-chave: Cuidadora. Autocuidado. Síndrome de Rett.
ABSTRACT
This paper presents a case report through a qualitative approach that employed subjectivity and observation
of the caregiver as well as the carrier of Rett syndrome. Aims to understand how caring overlays a physical
overload and
emotional and the importance of family caregivers. An interview was conducted starting with a guiding question, which generated other issues previously planned for the caregiver described their stories so vivid in his
own residence. This approach has
observations of the caregiver, the person affected by Rett syndrome and other family members, telling of
narrative form how stressful the task of providing care and know the function of every family facing carrier
Syndrome. The importance of data led the authors to consider the role of caregiver facing various difficulties
in social, physical, emotional, financial, education, among others, who took with his family to face a reality
in the home environment filled with anxiety and uncertainties. The ability of caregiver self-care orientation
derived from various health professionals and allowed her and her family, achieve new goals which led to a
better quality of life.
Keywords: Caregiver. Self Care. Rett Syndrome.
7
INTRODUÇÃO
A Síndrome de Rett é uma anomalia genética que
causa desordens neurológicas, acometendo na sua
maioria crianças do sexo feminino. Compromete,
progressivamente, as funções motoras e intelectuais,
assim como, os distúrbios de comportamento e
dependência.
No caso típico, a pessoa se desenvolve de forma
aparentemente normal até 8 a 12 meses de
idade, depois começa a mudar o padrão de seu
desenvolvimento. No estagio seguinte ocorre uma
parada nos ganhos psicomotores, a criança torna-se
isolada e deixa de responder e brincar.
O crescimento craniano, até então normal,
demonstra clara tendência para o desenvolvimento
mais lento, ocorrendo uma microcefalia adquirida,
comprometendo a função motora e aos poucos
a criança deixa de manipular objetos, surgem
movimentos estereotipados das mãos (contorções,
aperto, bater de palmas, levar as mãos à boca, lavar
as mãos e esfregá-las) surgindo após, a perda das
habilidades manuais, o que está de acordo com o
estudo relatado por Andreas Rett que identificou, em
1966, uma condição caracterizada por deterioração
neuromotora em crianças do sexo feminino,
quadro clínico bastante singular, acompanhado por
hiperamonemia, tendo-o descrito como uma “Atrofia
Cerebral Associada à Hiperamonemia”.
A condição descrita acima passou a ser mais bem
conhecida após a publicação do trabalho de Hagberg
e Witt-Engerstrom,1 no qual, foram descritas 35
meninas e, a partir do qual, foi sugerido o epônimo de
síndrome de Rett (SR). A presença da hiperamonemia
não foi confirmada como um sinal habitual da
síndrome, entretanto estes estudos possibilitam um
melhor entendimento sobre a doença nos dias atuais.
Admite-se, na atualidade, uma prevalência da doença
estimada entre 1:10.000 e 1:15.000 meninas, sendo
uma das causas mais frequentes de deficiência mental
severa que afeta o sexo feminino.
O objetivo deste trabalho é observar a problemática do
cuidador familiar frente às dificuldades apresentadas
pela portadora da Síndrome de Rett no ambiente
residencial, bem como, seu relacionamento junto aos
outros familiares.
8
Torna-se importante também avaliar as mudanças
na qualidade de vida do cuidador familiar e outros
familiares frente à portadora da Síndrome de
Rett; traduzir os sentimentos do cuidador frente
às dificuldades no cuidado de uma portadora;
demonstrar que tipo de apoio ou ensinamento foi
transmitido por profissionais da área da saúde ao
cuidador familiar para minimizar as dificuldades
encontradas diante desta síndrome; e descrever como
a Enfermagem pode orientar a cuidadora para uma
melhora na sua qualidade de vida, bem como, da
pessoa cuidada.
A SÍNDROME DE RETT
Genética
A maioria das crianças portadoras de Síndrome de
Rett é composta de casos isolados dentro de uma
família, exceção feita à ocorrência em irmãs gêmeas;
porém, casos familiares têm sido observados.
Costumava-se considerar esta síndrome como uma
desordem dominante ligada ao cromossomo X, em
que cada caso representaria uma mutação fresca,
com letalidade no sexo masculino. Foram observados
casos nos quais meninos, irmãos de meninas com
a Síndrome de Rett, nasciam com uma doença
encefalopática com óbito precoce.2
Estudos recentes indicam que cerca de 75% a 80%
dos pacientes com a forma clássica da síndrome
apresentam mutações no gene MECP2, a partir deste
ocorre a formação da proteína anormal MECP2,
produzida pelo gene, que funciona como repressor
global de transcrição. Como essa proteína possui
alguns diferentes sítios de ação, acredita-se que as
diferentes mutações encontradas no gene seriam
responsáveis pelos diferentes fenótipos observados
nos portadores de Síndrome de Rett. Sabidamente,
hoje, que alguns meninos portadores das mesmas
mutações podem sobreviver, apresentando um
quadro encefalopático totalmente distinto do quadro
clínico clássico no sexo feminino.2
Patologia
Os distúrbios neurológicos ocorrem em parte
pela desaceleração do crescimento craniano que
ocorre a partir do terceiro mês. Várias partes do
encéfalo como o lobo frontal, o núcleo caudado e o
mesencéfalo são regiões encefálicas, nas quais, foram
observadas as maiores reduções. Surgindo evidências
de que a Síndrome de Rett poderia estar relacionada
a uma deficiência pós-natal no desenvolvimento das
sinapses, porém mais estudos na área da neurologia
poderiam desvendar mais esta doença1.
Um grupo de pesquisadores do Texas produziu
um cepo de camundongo transgênico com uma
mutação truncada no gene MECP2. Os animais não
aparentam anormalidades até, aproximadamente, à
sexta semana, quando surge um tremor ao erguer-se
o animal pela cauda. Após oito meses, alterações na
pelagem, presença de convulsões e mioclonias foram
observadas. Interessante que, após essa idade, o animal
produz uma série de movimentos estereotipados das
patas dianteiras quando suspenso pela cauda.2
O mecanismo pelo qual a alteração desse gene parece
determinar o fenótipo do quadro, entretanto este
estudo ainda não está completamente compreendido.
Diagnóstico Diferencial
A Síndrome de Rett pode apresentar várias condições
que devem ser levadas em consideração entre os
diagnósticos diferenciais como: patologias fixas,
paralisia cerebral, bem como, outras encefalopatias
fixas; síndrome de Angelman; autismo infantil; e
várias doenças metabólicas como o Lipofuccionoses.2
Seu diagnóstico, até pouco tempo, era exclusivamente
clínico, existindo ainda critérios para o diagnóstico
de quadros atípicos da síndrome, que somente devem
ser firmados após os 10 anos de idade, entretanto,
atualmente, a descrição de uma alteração genética
identificável em aproximadamente 80% dos casos
sugere que esse recurso deve ser utilizado na
elaboração final do diagnóstico.2
A Síndrome de Rett no Brasil foi inicialmente
identificada por Rosemberg 3 e, desde então, vários
trabalhos foram publicados, divulgando o quadro
clínico e tornando possível a identificação dos
sintomas de algumas centenas de meninas afetadas.
Para o diagnóstico clínico podem ser utilizados os
critérios definidos pelo Rett Syndrome Diagnostic
Criteria Work Group.2
METODOLOGIA
A Escolha da Abordagem da Pesquisa
O presente estudo é uma pesquisa qualitativa, tendo
por base a narrativa de um cuidador. Este tipo
de pesquisa qualitativa supõe o contato direto do
pesquisador com o ambiente e a situação que está
sendo investigada, onde o material obtido é rico em
descrição de pessoas, situações e acontecimentos.
4
A abordagem para coleta de dados foi do tipo autorelato não estruturado, na qual obtivemos informações
sobre o fenômeno estudado, através de uma pergunta
norteadora que direcionou a elaboração de outras
questões, que definiram dimensões importantes sobre
o quanto a tarefa de cuidar implica na vida cotidiana
do cuidador e de sua família.
RELATO DE CASO
Análise do Discurso 1: Descobrindo a Doença
Segundo Schwartzman,2“a menina se desenvolve de
forma aparentemente normal entre 08 e 18 meses
de idade, depois começa a mudar seu padrão de
desenvolvimento”.
“Quando ela nasceu saiu do hospital; era
como um nenê normal.” “Comecei a descobrir
a doença quando ela tinha mais ou menos
uns nove meses, só que nenhum médico
confirmava realmente se a T. era portadora da
síndrome de Rett, pois os exames dela sempre
deram normais, mas a minha desconfiança de
mãe não negava que havia algo errado com
minha filha”.
Análise do discurso 2: Conhecendo a Doença
Ocorre uma regressão dos ganhos psicomotores,
a criança torna-se isolada e deixa de responder e
brincar. O crescimento craniano, até então normal,
demonstra clara tendência para o desenvolvimento
mais lento, ocorrendo microcefalia adquirida.
Aos poucos, deixa de manipular objetos, surgem
movimentos estereotipados das mãos (contorções,
aperto, bater de palmas, levar as mãos à boca, lavar
as mãos e esfregá-las), culminando na perda do
desenvolvimento neuropsicomotor. 2
“Quando ela era pequena e eu levava no médico,
inclusive levava tudo no particular, achando que
era melhor mais não foi, os médicos falavam que ela
perdeu os movimentos porque ela era preguiçosa,
um nenê preguiçoso, que ela era gordinha, mas
9
que com nove meses por ai ela já ia andar já ia
fazer tudo normal, só que ela não fez né, foi andar
com 2 anos, só ficava sentada, precisava de uma
almofada por que ela não tinha equilíbrio do
pescoço para baixo, ela não tinha equilíbrio de
nada, não pegava nada na mão, hoje ela pega mas
pouca coisa também, mas coordenação ela não
tem nenhuma.”
Análise do discurso 3: Dificuldades Encontradas
Segundo Hagberg e Witt-Engerstrom,1 “pessoas
portadoras da Síndrome de Rett progridem
rapidamente para um estágio destrutivo da doença
que se inicia entre 01 e 03 anos de idade e tem a
duração de semanas ou meses”. Uma rápida regressão
psicomotora domina o quadro, com a presença de
choro imotivado e períodos de extrema irritabilidade.
“Ela nasceu pra gente normalzinha, o único
problema é que ela chorava dia e noite, chorava
muito, chorava de você não ter o que fazer, só no
colo, chacoalhando, andando pelo quintal, pela
casa revezando e ela chorando”.
Análise do discurso 4: Problemas Relacionados a
Síndrome de Rett
5
Segundo Trevathan e Moser HW “alguns sintomas
da Síndrome de Rett como a diminuição da
expansibilidade motora podem levar a uma
hiperventilação ou paradas respiratórias e
complicações como pneumonias severas”.
“De 04 a 10 anos de idade a regressão é severa neste
estágio e os problemas motores, rigidez muscular,
crises convulsivas e escoliose são sintomas marcantes”.1
“Então eu desço com ela embrulho ela lá (em uma
cadeira de balanço) e ela dorme na cadeira e eu no
sofá, e o marido na cama, ela ama essa cadeira, eu
acho assim que por causa que nem agora ela está
com corpo parte motora física ela está entortando
tudo, parte do rosto, até uns 3 anos atrás ela não
tinha nada no corpo, agora está entortando ela
tem escoliose lombar, eu acho que ela tem muita
dor de ficar deitada”.
Análise do discurso 7: Alterações na Vida Social da
Cuidadora
“Ocorrem alterações na vida do cuidador relacionada
na maioria das vezes com a limitação do tempo para
o auto-cuidado7 ”.
“Ela já ficou internada por três vezes em coma,
sem respirar por que o pulmão dela é muito
frágil”.
“Não tenho vida social, mas de vez em quando,
quando saio para ir a algum restaurante, ela fica
sentadinha 1 horinha 1 horinha e meia, ai ela já
começa a querer levantar, querer gesticular, fica
gritando, daí agente já sabe que é o tempo dela,
daí tenho que ir embora”.
Análise do Discurso 5: Comunicação com a Pessoa
Cuidada
Análise do Discurso 8: Aspectos Emocionais do
Cuidado
Segundo Hagberg e Witt-Engerstrom,1 “a fala está
sempre muito comprometida e, muitas vezes,
totalmente ausente. Algumas crianças chegam a falar,
deixando de fazê-lo à medida que a deterioração
avança. Algumas poucas adquirem alguns vocábulos
isolados”.
Após a fase de negação, o cuidador começa a entender
e aceitar seus sentimentos de tal forma que passa a
desenvolver e fortalecer suas emoções.8
“Em relação ao preconceito hoje já não ligo mais, mas
quando era mais nova já passei muita raiva, hoje não
ligo mais”.
“Ela nunca conversou, não fala frase inteira
mais ela fala, ela não é muda”.
Análise do Discurso 6: Qualidade do Sono da
Cuidadora
6
Para Fernandes e Garcia, “é comum ocorrer alteração
na qualidade do sono em cuidadores domiciliares,
podendo acarretar prejuízos na saúde do cuidador”.
10
“Na hora de dormir eu subo com ela para o quarto
umas 22h mais ou menos, mas tem que por ela
no banheiro, esperar ela fazer xixi, ai eu ponho
a fralda ponho na cama, e ela fica lá com o meu
marido daí eu vou tomar um banho fazer tudo
que eu tenho para fazer, daí uma meia horinha
ela dorme, ai tenho que dormir rápido senão
fico perdida também, dali 4 horas no máximo
ela acorda, daí ela quer descer não fica mais na
cama”.
Análise do Discurso 9: Relacionamento Familiar
“Ocorrem mudanças significativas na vida social
provenientes da doença, tanto para o paciente quanto
7
para a família”.
“Inclusive tenho um relacionamento bom com
a minha família, comemoramos tudo, estamos
sempre juntos, mas tem gente na família do
meu marido que nem cumprimenta ela, eu
não ligo, falsidade também não quero, na
família as crianças não chegam perto dela
tem medo, é por que a mãe não ensina.”
de mãe nunca enganou, embora os diagnósticos
médicos serem de uma criança normal, entretanto,
é sábio que esta patologia ocorre por uma mutação
genética no gene MECP2, responsável pelos diferentes
fenótipos observados nos portadores de Síndrome de
Rett.
“Devido à condição de dependência, a família passa
a se reorganizar, modificando suas rotinas, o que a
princípio passa a ser considerado um momento de
tensão9 ”.
“Sempre quando ela fica internada eu fico
Conforme relatado na literatura, o crescimento
craniano, até então normal, demonstra clara tendência
para o desenvolvimento mais lento, ocorrendo uma
microcefalia adquirida, comprometendo varias
áreas do encéfalo, visto que o aumento da pressão
intracraniana fica estabelecido o que leva a regressão
dos ganhos psicomotores, tornando a criança isolada
e deixando de responder as brincadeiras.
com ela o tempo todo, e em casa fico com ela
24 horas por dia, eu que dou comida, banho,
fico com ela quando ela acorda cedo e até a
hora que ela vai dormir comigo. Minha filha
depende de tudo para mim, até para dormir
ela depende de mim, pois ela não dorme bem,
ela dorme no máximo se ela estiver bem, 6
horas/dia, mais em geral ela dorme 4 horas/
dia.”.
Análise do discurso 11: Relacionamento Conjugal
“O processo da doença pode ocasionar uma mudança
positiva nos relacionamentos, onde os indivíduos
passam a repensar seus valores, surgindo assim novos
sentimentos e fortalecendo os vínculos9 ”.
“Depois que descobrimos a síndrome da
T. tivemos que ser fortes, eu e meu esposo,
para que isso não atrapalhasse no nosso
relacionamento como marido e mulher, e
ainda bem, que não afetou em nada”.
Análise do discurso 12: Necessidade do Cuidado
Às vezes, a pessoa que cuida não desejou sê-la.
Principalmente quando se trata de um familiar, então
é uma tarefa nobre, porém complexa8).
“Minha rotina antes da T. era normal, casei
com 16 anos e parei de estudar, era dona de
casa, vivia uma vida de jovem normal, nunca
trabalhei fora. Hoje tenho 42 anos e sou dona
de casa, o sentimento que tenho frente a esta
situação é a incapacidade de não ter e não
poder fazer nada para curar minha filha
totalmente.”
CONCLUSÃO
Este estudo de caso nos mostra o desenvolvimento da
doença ao longo da infância e as dificuldades de se
obter um diagnóstico fidedigno. Também é possível
perceber sua semelhança com a bibliografia adotada.
Conforme relatado pela cuidadora, o seu sentimento
Com relação à vida social da cuidadora, ocorre uma
limitação de suas atividades em prol da filha todo o
tempo, conforme relato da cuidadora: “Não tenho
vida social, mas de vez em quando, quando saio para
ir a algum restaurante, ela fica sentadinha 1 horinha
1 horinha e meia, ai ela já começa a querer levantar,
querer gesticular, fica gritando, daí agente já sabe que é
o tempo dela, daí tenho que ir embora”.
Com este aspecto do cuidar de forma rotineira o
emocional da cuidadora foi adaptando-se às varias
fases, passando pela negação e criando uma forma de
superação sentimental para fortalecer suas emoções
conforme descrito por.
Entretanto, vários aspectos como a própria família
pode gerar preconceito, porém a própria cuidadora,
após anos de sofrimento aprendeu a lidar com tal
situação.
Ocorrem mudanças significativas na vida social
provenientes da doença, tanto para o paciente quanto
para a família.
Desta forma, este trabalho sugere que a educação
seja uma ferramenta que capacita o cuidador,
beneficiando o paciente, auxiliando a ambos no alivio
das ansiedades, aumentando a compreensão sobre a
doença e favorecendo o enfrentamento positivo da
mesma.
Este trabalho propõe para a equipe de saúde um
desafio: preparar o cuidador e sua família para
reorganizar sua vida e de seus membros, se possível,
11
antes da alta hospitalar, de modo que, estejam aptos a
assumir os cuidados do paciente dependente que vai
para casa, onde o cuidador terá que desenvolver várias
estratégias que demandam controle das situações
atuais e das que surgirão no decorrer dos dias.
O cuidador deve reconhecer e estimular a pessoa
cuidada a realizar as atividades da qual é capaz de fazer
e tomar decisões da qual é capaz de tomar e envolver
algumas pessoas da família no cuidado, sem que isto
prejudique a qualidade deste. Usar de negociação
facilita a relação entre o cuidador e a pessoa cuidada
e torna a tarefa de cuidar mais eficiente e menos
estressante.
Com todos estes relatos científicos observamos neste
estudo o trabalho árduo da cuidadora, que teve de
alterar o seu modo de vida para se dedicar a sua filha
portadora da Síndrome de Rett; a cuidadora teve de
suportar o preconceito da sociedade, que hoje para
ela, já não faz sentido em sua vida.
Embora seja difícil ela conta com um bom
relacionamento familiar, possibilitando completa
dedicação à sua filha.
REFERÊNCIAS
1.
HAGBERG, B. and WITT-ENGERSTROM , J. Rett syndrome: a suggested staging system for describing
impairment profile with increasing age towards adolescence. Am J Med Genet, 1986, vol. 24, p. 47-59.
2.
SCHWARTZMAN, J.S. Síndrome de Rett. Temas sobre Desenvolvimento, 1990, vol. 1, p. 8-11.
3.
ROSEMBERG, G.S. et al. Síndrome de Rett: análise dos primeiros cinco casos diagnosticados no Brasil.
Arq Neuropsiquiat, 1987, vol. 45, p. 143-158.
4.
LUDKE, M. e ANDRÉ, MEDA. Abordagens qualitativas de pesquisas: a pesquisa etnográfica e o estudo
de caso. In ______. Pesquisa em educação : abordagens qualitativas. São Paulo : EPU, 1986.
5.
TREVATHAN E. e MOSER HW. Diagnostic criteria for Rett syndrome. Ann Neurol, 1988, vol. 23,
p. 425-428.
6.
FERNANDES, MGM. e GARCIA TR. Atributos da tensão do cuidador familiar: de idosos dependentes.
Revista da Escola de Enfermagem da USP, dezembro 2009, v. 43, nº 4, p. 818-824.
7.
FONSECA, NR., PENNA, AFG. e SOARES, MPG. Ser um cuidador familiar: um estudo sobre as
consequências de assumir este papel. Physis: revista de Saúde Coletiva, janeiro 2008, vol. 18, nº 4, p. 727-743.
8.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção a Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da
Educação na Saúde. Guia prático do cuidador. Brasília : Ministério da Saúde, 2008.
9.
VENTURINI, DA., DECÉSARIO, MN. e MARCON, SS. Alterações e expectativas vivenciadas pelos
indivíduos com lesão raquimedular e suas famílias. Revista da Escola de Enfermagem da USP, dezembro 2007,
vol. 41, nº 4, p. 589-596.
12
QUALIDADE DA DIETA DE IDOSAS PARTICIPANTES E NÃO PARTICIPANTES
DO PROGRAMA ALIMENTE-SE BEM DO SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA –
SESI-SP UTILIZANDO O ÍNDICE DE
QUALIDADE DA DIETA (IQD)
DIETARY QUALITY AMONG OLDER FEMALE ADULTS PARTICIPANTS AND NOT
PARTICIPANTS OF ALIMENTE-SE BEM OF SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA –
SESI, SÃO PAULO CITY, BRAZIL, USING THE HEALTHY EATING INDEX (HEI)
Short title: Índice de Qualidade da Dieta de idosas
Healthy Eating Index of older female adults
Vera Lúcia Sampar de Souza Novaesa
Maria Lucia Perrella de Carvalhob
Paula Mayara da Silva
Tamires Missae Nosse
Carla Leite de Araujo
a
Possui Graduação em Nutrição pela Universidade de São Paulo (1980), Mestrado em Nutrição Humana Aplicada pela Universidade
de São Paulo (1997) e Doutorado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (2003). Professora nível A classe III do Centro
Universitário Padre Anchieta, Professora licenciada auxiliar da Faculdade de Medicina do ABC e Professora Assistente I da
Universidade Cruzeiro do Sul.
b Possui Graduação em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1980) e Mestrado em Ciências Aplicadas à Pediatria
pela Universidade Federal de São Paulo (2002). Professora das Faculdades Integradas Coração de Jesus; Professora supervisora de
estágios da Universidade Cruzeiro do Sul; Professora assistente I da Universidade Cruzeiro do Sul. E-mail: [email protected].
13
RESUMO
Objetivo - Comparar a qualidade da dieta de idosas participantes e não participantes do programa Alimente-se
Bem do Serviço Social da Indústria – SESI-SP.
Metodologia - Estudo transversal, realizado com 30 idosas (15 participantes e 15 não participantes do
programa Alimente-se Bem). As idosas não participantes do programa eram frequentadoras da instituição,
porém, participantes de outros cursos ou programas ministrados. Foram coletadas informações demográficas,
socioeconômicas, de estilo de vida, antropométricas (peso e estatura) e do estado nutricional (IMC). Para
avaliar a qualidade da dieta utilizou-se o IQD. Foi realizada a distribuição da frequência absoluta, frequência
relativa, medidas de tendência central e dispersão. As comparações foram realizadas pelo teste t de Student,
considerando 5% para significância e as correlações pelo método de Pearson.
Resultados - A maioria das participantes encontrou-se em obesidade (66,67%), já a maioria das não participantes
estava em eutrofia (60,00%). As dietas saudáveis foram apresentadas por 40,00% das participantes e 26,67% das
não participantes. Não houve diferença significativa nos escores do IQD dos grupos. Apesar das participantes
apresentarem maiores pontuações na maioria dos componentes do IQD, apenas no componente 6 houve
diferença significativa, sendo as maiores pontuações das não participantes. Não houve correlação entre estado
nutricional e qualidade da dieta.
Conclusões - A inserção em programas, não necessariamente de educação nutricional, contribuiu para melhor
estilo de vida, incluindo práticas alimentares saudáveis.
Palavras-chave: Índice de qualidade da dieta. Idosas. Educação nutricional. Estado nutricional.
ABSTRACT
Objective - Compare the dietary quality among older female adults participants and not participants of Alimentese Bem of Social da Indústria – SESI-SP.
Methods - Cross-sectional study, with 30 older female adults (15 participants and 15 not participants of Alimente-se
Bem). The not participants participated of others curses or programs of the institution. Demographic, socioeconomic,
lifestyle, antropometric (weight and stature) and nutritional status (BMI) informations were collected. The dietary
quality was measured by HEI. The absolute and relative frequencies and measures of central trend and dispersion
were performed. Comparisons were realized by Student’s t test, considerating 5% for the significance and correlations
by Pearson’s test.
Results - Most of the participants were obese (66,67%) and the not participants were eutrophic (60,00%). Healthy
diets were presented by 40,00% of the participants and 26,67% of the not participants. No significant difference was
found in HEI scores of both groups. Although the participants presented highest scores in most components of HEI,
only the component 6 showed significant difference, the highest score were of the not participants. No correlation
was found between nutritional status and dietary quality.
Conclusions - The participation in programs, wether is a nutricional education program or not, improved the
lifestyle, including healthier feeding practices.
Keywords: Health eating index. Older female adults. Nutritional education. Nutritional status.
14
INTRODUÇÃO
Atualmente tem se observado o envelhecimento
da população devido ao aumento de pessoas com
idade avançada em relação a outras faixas etárias1,2.
Oliveira et al.3 apontam que este número crescente
deve-se a alguns fatores determinantes, como a
redução da mortalidade geral, sobretudo a infantil,
diminuição das taxas de fecundidade e aumento das
taxas de sobrevida.
No Brasil, a Lei nº 8.842, de 4 de janeiro de 1994,
considera idosa toda pessoa maior de 60 anos de
idade4. A Organização Mundial da Saúde (OMS)
prevê que em 2025 existirão 1,2 bilhões de pessoas
com mais de 60 anos, sendo que no Brasil a estimativa
é de 34 milhões de idosos, o que levará o país à 6ª
posição entre os países mais envelhecidos do mundo1.
A má nutrição é um dos principais problemas que
podem afetar a saúde dos idosos5,6,7. A nutrição
adequada, além de melhorar o bem estar geral do
idoso, também é indispensável para a manutenção do
sistema imune e prevenção de doenças crônicas não
transmissíveis (DCNT) altamente prevalentes em
idosos, como obesidade, HAS, DCV, dislipidemias,
diabetes melito (DM), osteoporose e câncer5,6,8.
Atualmente, evidências científicas têm mostrado que
a qualidade da dieta é um importante determinante
do estado de saúde dos indivíduos, principalmente
em relação à prevenção das DCNT9. Os índices
dietéticos têm sido apontados como uma forma
de realizar a avaliação qualitativa da dieta. Esses
índices utilizam parâmetros de ingestão adequada de
nutrientes, número de porções consumidas de cada
grupo de alimentos e variedade da dieta com o intuito
de atender as recomendações para uma alimentação
saudável10,11.
O Healthy Eating Index (HEI) ou Índice de Qualidade
da Dieta (IQD), traduzido para o português, atende
aos princípios da proporcionalidade, moderação e
variedade da dieta. Esse índice foi considerado pela
American Dietetic Association um instrumento
apropriado para avaliar a qualidade global da
alimentação na população11,12.
Levando-se em consideração as informações
apresentadas, verifica-se a importância da nutrição
adequada entre os idosos. Os programas de educação
nutricional visam os hábitos alimentares saudáveis e
a melhor qualidade de vida dos seus participantes.
Assim, como os participantes desses programas
têm acesso às informações sobre alimentação
saudável, esses obtêm conhecimentos necessários
para apresentar uma dieta com melhor qualidade.
Dessa forma, esse estudo foi proposto com o intuito
de comparar a qualidade da dieta, utilizando o IQD
de participantes e não participantes do Programa
Alimente-se Bem do SESI-SP.
METODOLOGIA
Estudo do tipo transversal, realizado no SESI-SP,
unidade Catumbi, entre os meses de maio a julho de
2009.
O estudo foi conduzido em 30 indivíduos, do gênero
feminino, com idade superior a 60 anos. A amostra foi
composta por dois grupos: participantes do programa
Alimente-se Bem (15 idosas) e não participantes (15
idosas). As idosas não participantes do programa eram
frequentadoras da instituição, porém, participantes
de outros cursos ou programas ministrados.
Foram coletadas informações demográficas,
socioeconômicas, de estilo de vida, medidas
antropométricas e informações sobre o consumo
alimentar.
As medidas antropométricas aferidas foram o peso
corporal e a estatura. O peso corporal foi aferido por
meio de uma balança digital da marca Plenna, modelo
Everest TIN-00110, com capacidade de 150 kg. A
estatura foi aferida com o auxílio de um estadiômetro
portátil da marca Seca, com escala de 0 a 220 cm.
A partir do peso corporal e estatura foi calculado o
IMC, sendo utilizado para avaliar o estado nutricional
das idosas. A classificação do estado nutricional,
segundo os valores do IMC, foi realizada de acordo
com os pontos de corte adotados para a população
idosa propostos por Lipschitz13.
Para a avaliação do consumo alimentar foi utilizado
o relato dos alimentos habitualmente consumidos
e suas respectivas quantidades, sendo enfatizadas
as quantidades de sal e de gordura adicionadas às
preparações. Posteriormente, o IQD foi aplicado para
avaliar a qualidade da dieta habitual.
O IQD empregado foi proposto por Morimoto,
15
et al. , Andrade12 e Godoy14, no qual o componente
6 passou a corresponder ao grupo das leguminosas ao
invés da gordura saturada, que foi utilizada em outros
estudos16,17,18,19,20,21,22. Essa modificação foi
realizada devido ao hábito da população brasileira de
consumir feijão, sendo que a sua inclusão no grupo
das carnes e ovos poderia superestimar a ingestão
desse grupo11,12,14.
11
Assim, no presente estudo, os componentes de 1 a 6
referem-se aos grupos de alimentos, correspondendo,
respectivamente, ao grupo dos cereais, pães,
tubérculos e raízes; grupo das verduras e legumes;
grupo das frutas; grupo do leite e produtos lácteos;
grupo das carnes e ovos e grupo das leguminosas. Os
componentes 7, 8, 9 correspondem, respectivamente,
aos nutrientes gordura total, colesterol e sódio e o
componente 10 refere-se à variedade da dieta.
Os componentes de 1 a 6 medem o grau de adequação
do consumo de seu grupo alimentar correspondente.
Sendo assim, inicialmente, os alimentos relatados
pela dieta habitual foram agrupados em seus
respectivos grupos alimentares. Os alimentos foram
então convertidos e quantificados em número de
porções. Para isso, foram consideradas as porções de
cada grupo da pirâmide alimentar adaptada para a
população brasileira proposta por Philippi et al.22.
No caso de preparações compostas por alimentos de
diferentes grupos, essas foram desmembradas, sendo
utilizadas as padronizações de receitas sugeridas por
Pinheiro et al.23 e seus ingredientes classificados em
cada grupo correspondente.
Os componentes 7, 8 e 9 medem o grau de consumo
de gordura total, colesterol e sódio, respectivamente.
Assim, para obter a quantidade desses nutrientes da
dieta habitual, essa foi calculada utilizando o software
Diet Pro® 5.1i Profissional.
O componente 10 corresponde à variedade da dieta.
Esse componente é medido considerando-se os
diferentes tipos de alimentos consumidos. No entanto,
não foram considerados para este componente os
açúcares e doces, os óleos e gorduras, as bebidas
alcoólicas, o café e os refrescos artificiais presentes na
dieta habitual.
Os critérios para a pontuação de cada componente do
IQD estão expostos no Quadro 1.
16
QUADRO 1 – Critérios para a pontuação mínima e máxima de
cada componente do IQD
O critério para a pontuação dos componentes de 1 a
6 segue o número mínimo de porções recomendado
pela pirâmide dos alimentos proposta por Philippi, et
al.22.
Para o componente 7, a distribuição percentual da
gordura total da dieta utilizada é recomendada pelo
Dietary Guidelines for Americans e foi adotada como
parâmetro, tanto em estudos americanos como em
estudos brasileiros, sendo assim, também foi utilizada
nesse estudo11,12,14,16,17,18,19,20,21,22.
Os parâmetros utilizados nos componentes 8 e 9,
seguem as recomendações propostas pelo Committee
on Diet and Health, que apesar de não serem usualmente
adotadas no Brasil, por terem sido empregadas
em estudos anteriores com o IQD, também foram
utilizadas nesse estudo11,12,14,16,17,18,19,20,21,22.
Em relação ao componente 10, para que o alimento
contribuísse para a variedade da dieta, esse deveria
corresponder com, no mínimo, metade da porção do
grupo ao qual pertence11.
A pontuação de cada um dos componentes foi somada
para a obtenção de um escore, que foi classificado
de acordo com três categorias, conforme pode ser
observado no Quadro 2.
Para a análise dos dados foi realizado a distribuição
da frequência absoluta e frequência relativa e as
medidas de tendência central e de dispersão. A
comparação entre os dados obtidos pelo IQD do
grupo das idosas participantes do programa com o
grupo das não participantes foi realizada por meio
do teste t de Student, no qual foi adotado o nível de
5% para a significância do teste (α). As correlações
entre os dados foram realizadas utilizando o método
de correlação de Pearson.
Todos os dados foram calculados utilizando o
programa Microsoft® Office Excel versão 2007, sendo
expostos nas formas de tabelas e figuras.
Os indivíduos participantes do estudo receberam
a carta de informação, na qual foram esclarecidos
os procedimentos realizados, assim como a opção
de participar ou não do estudo e/ou desistir do
mesmo a qualquer momento e assinaram a carta de
consentimento. O estudo foi aprovado pelo comitê de
ética da Universidade Cruzeiro do Sul.
Ao avaliar os valores de IMC apresentados pela
população estudada, foi observado que as idosas
participantes do programa apresentaram maior
prevalência de obesidade (66,67%), em relação às não
participantes (33,33%), apresentando uma diferença
estatisticamente significativa (p = 0,03), como pode
ser observado na Tabela 2.
TABELA 2 – Média e desvio-padrão dos valores de
IMC e distribuição das frequências absoluta e relativa,
segundo a classificação do estado nutricional das
idosas participantes e não participantes do programa
Alimente-se Bem do SESI-SP, unidade Catumbi, maio
a julho de 2009
RESULTADOS
A população estudada apresentou idade média de
73,40 anos (+ 8,15), sendo de 73,20 anos (+ 7,99)
entre as idosas participantes do programa e 73,60
anos (+ 8,58) entre as não participantes. A maioria
das idosas de ambos os grupos era viúva, apresentou
ensino fundamental incompleto e renda per capita
menor que 3 salários mínimos. Em relação à prática
de atividade física, todas as idosas não participantes
do programa eram praticantes (Tabela 1).
TABELA 1 – Distribuição das frequências absoluta e
relativa, segundo a faixa etária, estado civil, grau de
escolaridade e renda per capita das idosas participantes
e não participantes do programa Alimente-se Bem do
SESI-SP, unidade Catumbi, maio a julho de 2009
Ao comparar o IQD dos grupos estudados foi possível
observar que as idosas participantes do programa
apresentaram qualidade da dieta superior ao das
não participantes. Entre as idosas participantes, foi
constatado que 40,00% apresentaram dieta saudável,
já entre as não participantes, as dietas saudáveis foram
apresentadas por 26,67%. No entanto, a comparação
entre o escore do IQD dos dois grupos, verificou que a
diferença não foi estatisticamente significativa
(p = 0,74) (Tabela 3).
17
Em relação aos componentes do IQD constatouse que, em ambos os grupos, a menor pontuação
foi obtida no componente 2 (grupo das verduras
e legumes). Apesar das participantes do programa
terem apresentado as maiores pontuações na maioria
dos componentes, apenas o componente 6 (grupo das
leguminosas) apresentou diferença estatisticamente
significativa entre os grupos (p = 0,03), sendo que
o grupo das participantes foi o que obteve a menor
pontuação (Tabela 4).
Não foi observada correlação entre o estado
nutricional e a qualidade da dieta tanto no grupo das
idosas participantes do programa (r = 0,01) como
no grupo das não participantes (r = 0,08) (Figura 1).
DISCUSSÃO
Foi possível verificar uma diferença estatisticamente
significativa entre os valores de IMC apresentados
pelas idosas participantes e não participantes
do programa (p = 0,03). No presente estudo, a
prevalência de obesidade encontrada no grupo
das não participantes foi inferior às observadas em
estudos que avaliaram o estado nutricional de idosos.
Entretanto, o grupo das participantes apresentou uma
prevalência de obesidade superior a esses estudos.
Em 2007, Amado, Arruda e Ferreira25 analisando
106 idosas atendidas no Núcleo de Atenção ao Idoso,
em Recife observaram que 47,2% da população
estudada estavam em obesidade e Machado, et al.26,
encontraram a prevalência de obesidade em 58%
entre as 35 idosas estudadas.
O menor número de obesidade encontrado entre
as idosas não participantes também pode ter sido
influenciado pela prática regular de atividade física por
todas as idosas desse grupo. Segundo Silva, Telarolli
Jr e César et al.27, a inatividade física decorrente do
processo de envelhecimento é apontada como um
importante fator responsável pelo aumento do ganho
de peso e, consequentemente, a elevação do IMC
nos idosos, pois associada à diminuição da TMB e
manutenção da ingestão de energia gera um balanço
energético positivo.
Em relação à qualidade da dieta, foi possível observar
que as idosas participantes do programa apresentaram
qualidade da dieta superior ao das não participantes.
Entre as idosas participantes, foi constatado que
40,00% apresentaram dieta saudável, já entre as não
participantes, as dietas saudáveis foram apresentadas
por 26,67%. No entanto, a comparação entre o escore
do IQD dos dois grupos, verificou que a diferença não
foi estatisticamente significativa (p = 0,74).
Constatou-se que, tanto as idosas participantes como
as não participantes do programa apresentaram
qualidade da dieta superior à encontrada na
literatura, sendo que nenhuma idosa apresentou
dieta inadequada. Em 2004, Guo, et al.18 observaram
que 66,7% dos idosos estudados apresentaram dieta
que necessitava de modificação, seguido por 21,2%
e 12,1% que apresentaram dieta saudável e dieta
inadequada, respectivamente. Ervin20 observou que
68% de sua população de estudo apresentaram dieta
18
que necessitava de modificação, seguido por 17% que
apresentaram dieta saudável e 14% que apresentaram
dieta inadequada.
Morimoto, et al.11 em um estudo realizado na região
metropolitana de São Paulo, observaram que 75%
de sua população estudada apresentaram dieta com
necessidade de modificação, 21% dieta inadequada
e 4% apresentaram dieta saudável. No entanto, é
importante ressaltar, que as comparações com esse
estudo, apesar de mostrarem uma realidade da
alimentação brasileira, são influenciadas por não se
tratar de uma amostra composta apenas por idosos.
Nesse estudo, foi avaliada a qualidade da dieta de 1.840
indivíduos, sendo que desses, 1.027 eram idosos.
O fato de não haver diferença significativa na qualidade
da dieta das idosas participantes do programa, pode
ter sido decorrente da comparação realizada com um
grupo que, isoladamente, mostrou qualidade da dieta
superior ao encontrado na literatura. As idosas que
não participam do programa, por estarem inseridas
em cursos ou programas que visam à qualidade
de vida da comunidade, podem ser orientadas a
adquirir um melhor estilo de vida incluindo hábitos
alimentares saudáveis.
Em relação aos componentes do IQD, pode-se observar
que o grupo das verduras e legumes apresentou maior
inadequação de consumo. Segundo Campos, Monteiro
e Ornelas.28, o consumo desses alimentos pelos
idosos pode ser influenciado pela maior preferência
por alimentos macios e facilmente mastigáveis. No
presente estudo, a maioria da população estudada em
ambos os grupos, 93,33% entre as participantes do
programa e 80,00% entre as não participantes, tem o
hábito de consumir verduras e legumes diariamente,
sendo que dessas, 28,57% das participantes e 16,67%
das não participantes, consomem pelo menos a
quantidade mínima recomendada pela pirâmide dos
alimentos (4 porções).
O componente 6 (grupo das leguminosas) apresentou
uma diferença estatisticamente significativa entre
os grupos estudados (p = 0,03). Assim, foi possível
verificar que o programa não influenciou de forma
positiva as suas participantes quanto ao consumo
desse grupo, uma vez que a diferença na pontuação
média pode ser atribuída à maior frequência de idosas
que não tinham o hábito de consumir leguminosas
diariamente no grupo das participantes (33,33%) em
relação às não participantes (6,67%). Entretanto, esse
percentual apresentado pelas idosas participantes
ainda foi inferior ao encontrado na literatura, sendo
que Amado, Arruda e Ferreira25 verificaram que
47% de sua população de estudo não consumiam
leguminosas diariamente.
A pontuação média obtida pelas idosas não
participantes foi superior ao encontrado por
Morimoto, et al.11 (6,38), porém as idosas participantes
do programa apresentaram pontuação inferior
ao encontrado nesse estudo. Como nos estudos
americanos não há componente do IQD referente ao
grupo das leguminosas, a comparação com esses não
pôde ser realizada.
É importante enfatizar, que a pontuação para o
componente 7 (grupo das gorduras) foi atribuída
conforme a recomendação da Dietary Guidelines
for Americans, na qual a gordura total da dieta deve
corresponder entre 30 - 45% do VCT. Assim, se fosse
considerada a recomendação de gordura total da dieta
proposta pela World Health Organization e Food and
Agriculture Organization (WHO/FAO)29 (15 - 30% do
VCT), a pontuação apresentada pelas idosas poderia
ter sido inferior para esse componente.
A pontuação do componente 8 foi atribuída conforme
a recomendação proposta pelo Committee on Diet
and Health, com uma ingestão máxima de 450mg de
colesterol/dia. Apesar dessa recomendação não ser
normalmente adotada para a população brasileira,
a utilização dessa recomendação não influenciou na
pontuação apresentada, pois o consumo médio de
colesterol encontrado entre as idosas participantes
do programa foi de 135,67mg (+ 41,26) e das não
participantes foi de 135,96mg (+ 107,84), atendendo
a recomendação da WHO/FAO29 que preconiza que a
ingestão de colesterol deve ser < 300mg/dia.
O parâmetro utilizado para a pontuação do
componente 9 foi a recomendação proposta pelo
Committee on Diet and Health (2.400 - 4.800mg/
dia), entretanto, essa não é usualmente adotada
para a população brasileira. Caso a pontuação
desse componente fosse atribuída de acordo com a
recomendação proposta pela Sociedade Brasileira
de Cardiologia30, nas V Diretrizes Brasileiras de
Hipertensão Arterial (2.400mg/dia), a pontuação
obtida pelas idosas estudadas poderia ter sido inferior.
Não foi observada correlação entre o estado
19
nutricional e a qualidade da dieta tanto no grupo das
idosas participantes do programa (r = 0,01) como no
grupo das não participantes (r = 0,08). No presente
estudo, verificou-se que a maior proporção de eutrofia
foi observada entre as idosas não participantes do
programa, enquanto que, a maior proporção de dieta
saudável foi constatada entre as participantes. Em
2004, Guo, et al.18 verificaram em seu estudo que os
menores escores de IQD foram apresentados pelos
indivíduos com sobrepeso ou obesidade em relação
aos eutróficos. Entretanto, Morimoto, et al.11, assim
como no presente estudo, também não observaram
correlação entre o estado nutricional e o escore do
IQD na sua população estudada.
Além da prática de atividade física ser mais frequente
entre as idosas não participantes, o que pode ter
influenciado na maior proporção de eutrofia nesse
grupo, sugere-se que a não existência de correlação,
entre o estado nutricional e a qualidade da dieta,
pode ter sido decorrente do IQD não considerar a
moderação como um fator para a pontuação dos
componentes 1 a 6. Nesses componentes, a pontuação
máxima é atribuída mesmo que a ingestão dos grupos
correspondentes ultrapasse o máximo recomendado
pela pirâmide dos alimentos. Essa ingestão superior
ao recomendado, apesar de não interferir no escore
do IQD, pode acarretar maior ingestão energética e
consequentemente, elevar os valores de IMC.
CONCLUSÃO
Ao avaliar o estado nutricional da população estudada,
verificou-se que a maioria das idosas participantes do
programa encontrou-se em obesidade, já a maioria
das idosas não participantes estava em eutrofia,
sendo que houve uma diferença estatisticamente
significativa entre os valores de IMC apresentados
pelos dois grupos.
Quanto à avaliação da qualidade da dieta, foi
observado que a maioria das idosas de ambos os grupos
apresentou dieta que necessitava de modificação. As
dietas consideradas saudáveis foram apresentadas
em maior proporção pelas idosas participantes
do programa, no entanto, não foi observada uma
diferença estatisticamente significativa entre os
valores de IQD apresentado pelos dois grupos.
Não foi observada correlação entre o estado
20
nutricional e a qualidade da dieta, tanto no grupo das
idosas participantes do programa, como no grupo das
não participantes.
Apesar do presente estudo não ter constatado uma
significância estatística na qualidade da dieta de
idosas participantes do programa em relação às não
participantes, pode-se perceber que a participação
dessas em cursos ou programas, contribuiu para
a aquisição de um estilo de vida mais saudável,
incluindo-se as práticas alimentares mais adequadas.
Considerando o atual crescimento da população
idosa, verifica-se a importância da realização de
estudos que possam fornecer subsídios para promover
hábitos alimentares saudáveis e melhor qualidade de
vida dessa população.
A inserção em cursos ou programas contribui para
a integração dos idosos na comunidade, estando
associada à adoção de um estilo de vida mais saudável.
Vale ressaltar, que no presente estudo a população
foi composta por um n reduzido, evidenciando a
necessidade da realização de estudos que sejam
compostos por uma amostra maior para fornecer
resultados mais concretos e fidedignos.
REFERENCIAS
1.
DAVIM, RMB., et al. Estudo com idosos de instituições asilares no município de Natal/RN : características
socioeconômicas e de saúde. Rev Lat Am Enfermagem, 2004, vol. 12, nº 3, p. 518-524.
2.
FONSECA FB. e RIZZOTTO MLF. Construção de instrumento para avaliação sócio-funcional em idosos.
Texto Contexto Enferm, 2008, vol. 17, nº 2, p. 365-373.
3.
OLIVEIRA, SMJV. de, et al. Hipertensão arterial referida em mulheres idosas : prevalência e fatores associados.
Texto Contexto Enferm, 2008, vol. 17, nº 2, p. 241-249.
4.
Brasil. Lei nº 8.842 de 4 janeiro de 1994. Dispõe sobre a política nacional do idoso, cria o Conselho Nacional
do Idoso e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 janeiro 1994. Seção 1.
5.
MENEZES, TN. de. Avaliação antropométrica e do consumo alimentar de idosos residentes em instituições
geriátricas da cidade de Fortaleza/ Ceará. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, 2000.
95 p. Dissertação de Mestrado em Saúde Pública.
6.
GOMES, RB. Avaliação da alimentação de adultos e idosos matriculados em ambulatório da capital de São
Paulo. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, 2001. 95 p. Dissertação de Mestrado em
Saúde Pública.
7.
MASTROENI, MF. Estado nutricional e consumo de macronutrientes de idosos da cidade de Joinville, SC,
2002. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública , Universidade de São Paulo, 2004. 95 p. Tese de Doutorado em Saúde
Pública.
8.
DE LORENZI, DRS., et al. Prevalência de sobrepeso e obesidade no climatério. Rev Bras Ginecol Obstet.,
2005, vol. 27, nº 8, p. 479-484.
9.
MONTEIRO, CA., MONDINI, L. e COSTA, RBL. Mudanças na composição e adequação nutricional da
dieta familiar nas áreas metropolitanas do Brasil (1988-1996). Rev Saúde Pública, 2000, vol. 34, nº 3, p. 251-258.
10.
CERVATO, AM. e VIEIRA, VL. Índices dietéticos na avaliação da qualidade global da dieta. Rev Nutr., 2003,
vol. 16, nº 3, 347-355.
11.
MORIMOTO, JM., et al. Fatores associados à qualidade da dieta de adultos residentes na Região Metropolitana
de São Paulo, Brasil, 2002. Cad Saúde Pública, 2008, vol. 24, nº 1, p. 169-178.
12.
ANDRADE, SC de. Índice de qualidade da dieta e seus fatores associados em adolescentes do estado de São
Paulo. São Paulo: Universidade de São Paulo, Faculdade de Saúde Pública, 2007. 95 p. Dissertação de Mestrado em
Saúde Pública.
13.
LIPSCHITZ, DA. Screening for nutritional status in the elderly. Prim Care., 1994, vol. 21, nº 1, p. 55-67.
14.
GODOY, FC., et al. Índice de qualidade da dieta de adolescentes residentes no distrito do Butantã, município
de São Paulo, Brasil. Rev Nutr., 2006, vol. 19, nº 6, p. 663-671.
15.
HANN, CS., et al. Validation of the Healthy Eating Index with use of plasma biomarkers in a clinical sample of
women. Am J Clin Nutr., 2001, vol. 74, nº 4, p. 479-486.
c
De acordo com a International Organization for Standardization (ISO).
21
16.
TANGNEY, CC., et al. Healthy Eating Index of black and white older adults. Nutr Res., 2001, vol. 21, nº 11,
p. 1411-1423.
17.
FISBERG, RM., et al. Índice de Qualidade da Dieta : avaliação da adaptação e aplicabilidade. Rev Nutr., 2004,
vol. 17, nº 3, p. 301-308.
18.
GUO, X., et al. Healthy Eating Index and obesity. Eur J Clin Nutr., 2004, vol. 58, nº 12, p. 1580-15866.
19.
WEINSTEIN, SJ., VOGT, TM. e GERRIOR, SA. Healthy eating index scores are associated with blood nutrient
concentrations in the third National Health and Nutrition Examination Survey. J Am Diet Assoc., 2004, vol. 104, nº
4, p. 576-584.
20.
ERVIN, RB. Healthy Eating Index scores among adults, 60 years of age and over, by sociodemographic and
health characteristics : United States, 1999–2002. Adv Data., 2008, vol. 20, nº 395, p. 1-20.
21.
GAO, SK., et al. Modifications to the Healthy Eating Index and its ability to predict obesity : the Multi-Ethnic
Study of Atherosclerosis. Am J Clin Nutr., 2008, vol. 88, nº 1, p. 64-69.
22.
PHILIPPI, ST., et al. Pirâmide alimentar adaptada : guia para escolha dos alimentos. Rev Nutr., 1999, vol. 12,
nº 1, p. 65-80.
23. PINHEIRO, ABV., et al. Tabela para avaliação de consumo alimentar em medidas caseiras. 5a ed. São
Paulo: Atheneu, 2005.
24.
BOWMAN, AS. The Healthy Eating Index : 1994-96 [online]. United States : Department of Agriculture,
Center for Nutrition Policy and Promotion, 1998. [cited 15 March 2009]. Available from: <http://www.cnpp.usda.
gov/Publications/HEI/HEI94-96report.pdf>.
25. AMADO, TCF., ARRUDA, IKG. de e FERREIRA, RAR. Aspectos alimentares, nutricionais e de saúde de
idosas atendidas no Núcleo de Atenção ao Idoso – NAI, Recife/ 2005. Arch Latinoam Nutr., 2007, vol. 57, nº 4, p.
366-372.
26. MACHADO, JS., et al. Atenção primária à saúde: perfil nutricional e funcional de idosos. Mundo Saúde
(1995), 2007, vol. 31, nº 3, p. 403-410.
27. SILVA, RCP., TELAROLLI JR, R. e CÉSAR, TB. Prevalência de sobrepeso em um grupo de idosos de
Araraquara - SP. Alim Nutr., 2003, vol. 14, nº 2, p. 157-163.
28. CAMPOS, MTFS., MONTEIRO, JBR. e ORNELAS, APRC. Fatores que afetam o consumo alimentar e a
nutrição do idoso. Rev Nutr., 2000, vol. 13, nº 3, p. 157-165.
29. World Health Organization. Food and Agriculture Organization. Diet, nutrition and the prevetion of
chronic diseases. Report, Geneva : World Health Organization, 2003. WHO - Technical Report Series nº 916.
30. Sociedade Brasileira de Cardiologia. V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. Arq Bras Cardiol.,
2007, vol. 89, nº 3, p. e24-e79.
22
NORMAS PARA PUBLICAÇÃO NA REVISTA INTER FAINC
InterFainc é um periódico multidisciplinar semestral das Faculdades Integradas Coração de Jesus FAINC, Rede Salesianas de Ensino da cidade de Santo André, SP, dirigida a pesquisadores, professores,
estudantes e profissionais da área de Administração, Artes, Biblioteconomia, Comunicação, Educação e
Nutrição. Instrumento de divulgação oficial da FAINC tem por objetivo publicar textos inéditos acadêmico-científicos de cursos de Graduação e Pós-Graduação, de Pesquisa e Extensão.
1 OBJETIVO E POLÍTICA EDITORIAL
Tem por objetivo publicar textos inéditos acadêmico-científicos dos cursos de Graduação e Pós-Graduação,
de Pesquisa e Extensão, tais como:
a) artigos originais: compreende textos que contenham relatos completos de estudos ou pesquisas concluídas, matérias de caráter opinativo, revisões da literatura e colaborações assemelhadas;
b) resenhas: compreende análises críticas de livros, de periódicos recentemente publicados, dissertações
e teses.
Os originais recebidos serão direcionados a um grupo de especialistas para avaliação e aprovação. Após
esse processo serão encaminhados ao Comitê Editorial para seleção dos artigos a serem publicados. Cabe
ao Comitê científico solucionar dúvidas, dificuldades e a decisão final para publicação.
Todo o conteúdo é de acesso público, seguindo as normas do Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas
(SEER), distribuído pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), que distribui
o SEER a editores brasileiros interessados em publicar revistas científicas de acesso livre na Web e a promover a capacitação técnica no uso dessa ferramenta, em treinamentos sistemáticos realizados a partir de
novembro de 2004 em várias regiões do País.
1.1 Normas Editoriais
1º. Os originais recebidos serão direcionados a um grupo de especialistas para avaliação e aprovação, pois
serão registrados nos metadados do sistema eletrônico SEER;
2º. Os trabalhos serão encaminhados ao Comitê Editorial para seleção dos artigos a serem publicados. Para
composição do sumário, os títulos dos artigos serão inseridos de acordo com os sobrenomes dos autores
em ordem alfabética;
3º. Também serão aceitos trabalhos publicados em periódicos internacionais. No entanto, seguirão as mesmas normas de trabalhos inéditos. É imprescindível, que o autor apresente autorização por escrito do editor
da revista em que seu texto tenha sido originalmente publicado, acompanhado de cópia do artigo;
4º. O autor é a pessoa física responsável pela criação do conteúdo intelectual ou artístico de um documento.
Se houver mais de um, torna-se importante informar a ordem de apresentação dos autores e declaração de
cada um autorizando a publicação;
5º. Os originais serão publicados em língua portuguesa, ou em língua espanhola, ou em língua inglesa;
6º. A revista se reserva o direito de efetuar nos originais alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical com vistas a manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores. As provas
finais não serão enviadas aos autores;
7º. Os trabalhos publicados passam a ser propriedade da revista Inter Fainc, ficando sua reimpressão total
ou parcial sujeita à autorização expressa da Direção da FAINC. Deve ser consignada a fonte de publicação
original;
8º. As opiniões emitidas pelos autores dos artigos são de sua exclusiva responsabilidade;
23
9º. A revista classificará os trabalhos de acordo com as seguintes seções:
a) artigos: a seção engloba textos que contenham relatos completos de estudos ou pesquisas concluídas, matérias de caráter opinativo, revisões da literatura e colaborações assemelhadas;
b) resenhas: compreende análises críticas de livros, de periódicos recentemente publicados, de dissertações
e de teses;
10º. Apresentação dos trabalhos:
a) formatos: todas as colaborações devem ser enviadas para [email protected]
O texto deve estar gravado em formato Microsoft Word, desde que não ultrapasse 2MB. Os metadados
deverão ser preenchidos com o título do trabalho, nome(s) do(s) autor(es), último grau acadêmico, instituição em que trabalha (m), endereço postal, telefone, fax e e-mail;
b) tamanho: a extensão máxima do material enviado será a seguinte: artigos, 20 laudas; resenhas, 5 laudas.
Uma lauda é uma página com 1.400 caracteres. O título do trabalho deve ser breve e suficientemente específico e descritivo, acompanhado de sua tradução para o inglês;
c) resumo e abstract: deve ser elaborado um resumo informativo com cerca de 250 palavras, incluindo objetivo, método, resultado, conclusão, acompanhado de sua tradução para o inglês;
d) agradecimentos: deverão ser mencionados no final do artigo;
e) notas: devem ser indicadas com um asterisco imediatamente depois da frase a que dizem respeito e inserida no rodapé da página correspondente. Também poderão ser adotados números para as notas junto
com asteriscos em uma mesma página, e nesse caso as notas com asteriscos antecedem as notas com número, não importando a ordem dessas notas no texto;
f) apêndices: podem ser empregados no caso de listagens extensivas, estatísticas e outros elementos de
suporte;
g) figuras e tabelas: serão aceitos fotografias nítidas, gráficos e tabelas, assinalando-os no texto de acordo
com seu número de ordem, lembrando de mencionar a fonte;
h) referências: segundo as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) - NBR 6023/2002.
O autor torna responsável pelas referências consultadas e mencionadas no texto;
i) orientações: recomenda-se que outras normas da ABNT sejam observadas,
• NBR 6022/2003: apresentação de artigo em publicação periódica impressa;
• NBR 10.520/2002: apresentação de citações em documentos;
• NBR 5892/1989: norma para datar;
• NBR 6028/2003: resumo;
• NBR 6024/2003: numeração progressiva das seções de um documento;
• norma de apresentação tabular do IBGE.
1.2 Diretrizes para Autores
1º. Os textos submetidos deverão ser inéditos e não poderão estar sob avaliação em outro periódico.
2º. A submissão será feita online. O texto não deverá conter informação sobre a autoria. A identificação e a
filiação institucional serão feitas no momento da submissão do artigo ou resenha.
3º. O texto deverá ser editado no MS-Word e formatado em A4, obedecendo às seguintes regras:
a) digitação em Arial 12 para o corpo do texto e 10 para citações em parágrafo próprio (citações com mais
de 3 linhas *);
b) espaçamento entrelinhas de 1,5 cm para o corpo do texto e 10 para citações em parágrafo próprio (citações
com mais de 3 linhas*);
c) sem entrada de parágrafo e recuo de 4 cm nas citações em parágrafo próprio (citações com mais de 3 linhas*);
d) margens esquerda e superior de 3 cm, inferior e direita de 2 cm;
e) as páginas deverão ser numeradas no canto superior à direita.
*A revista é editada em duas colunas, portanto, vamos considerar as citações com mais de 5 linhas.
24
4º. Todos os textos deverão estar acompanhados de um resumo (máximo de 250 palavras) e palavras-chave,
abstract e keywords (precedendo o texto) e referências;
5º. O título deverá estar em fonte Arial 14, centralizado, seguido do nome do autor em fonte Arial 12 e da afiliação institucional, com espaço duplo entre o título e o nome do autor. Não iniciar uma nova página a cada
subcapítulo. Os títulos são diferenciados graficamente entre seções de hierarquia diferentes e iguais quando de
mesma hierarquia, seguindo uma numeração seqüencial;
6º. Utilizar aspas duplas para ênfase ou destaque e itálico para títulos de obras, palavras ou expressões em outros
idiomas citadas no texto;
7º. As citações bibliográficas serão indicadas no corpo do texto, no sistema de chamada autor-data, entre parênteses, com as seguintes informações: sobrenome do autor em caixa alta; vírgula; data da publicação; vírgula;
abreviatura de página (p.) e o número desta. Exemplo: SILVA, 1992, p. 3-23;
8º. As notas de rodapé deverão ser restritas ao mínimo indispensável;
9º. As referências deverão ser apresentadas ao final do texto, obedecendo as normas da ABNT (NBR-6023);
10º. As ilustrações deverão ter a qualidade necessária para uma boa reprodução gráfica. O formato do arquivo
de imagem deverá ser jpg. As imagens deverão ser identificadas com título ou legenda e designadas, no texto,
de forma abreviada, como figura (Fig. 1, Fig. 2 etc).
2 POLÍTICA DE PRIVACIDADE
Os nomes e endereços informados nesta revista serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta
publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.
3 DECLARAÇÃO DE DIREITO AUTORAL
A revista se reserva o direito de efetuar, nos originais, alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical,
com vistas a manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores. As provas finais não
serão enviadas aos autores.
Os trabalhos publicados passam a ser propriedade da revista Inter Fainc, ficando sua reimpressão total ou parcial, sujeita à autorização expressa da direção da FAINC. Deve ser consignada a fonte de publicação original. Os
originais não serão devolvidos aos autores.
As opiniões emitidas pelos autores dos artigos são de sua exclusiva responsabilidade.
4 SOBRE O SISTEMA DE PUBLICAÇÃO ELETRÔNICA DE REVISTAS
A revista utiliza o Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas - SEER (OJS 2.2.3.0), sistema de código aberto
para administração e publicação de revistas, desenvolvido com suporte e distribuído, gratuitamente, pelo Public
Knowledge Project sob a licença General Public License - GNU
25
www.fainc.com.br/revista
26
Download

Revista 03