ISSN 2236-8671 v. 2, n. 3, agos./dez. 2012 Revista das Faculdades Integradas Coração de Jesus 1 INTER FAINC v. 2, n. 3, jul/dez. 2012 EQUIPE EDITORIAL Editores Chefes Prof. Dr. Wellington de Oliveira, FAINC Profª Ms. Missila Loures Cardozo, FAINC Editoração Gráfica Agência Experimental, FAINC, Santo André, SP Joyce Francisca da Silva Revisores de Texto Ir. Ivone Braga de Rezende Bibliotecária Esp. Tânia Aparecida da Silva Contato Principal Sandra Rodrigues Lima E-mail: [email protected] COMITÊ CIENTÍFICO Dr. Alcides José Scaglia, UNICAMP (Campinas, SP) Dr. Arquimedes Pessoni, USCS (São Caetano do Sul, SP) e FMABC (Santo André, SP) Dra. Daniele Pimenta, FAINC (Santo André, SP) Dra. Fernanda Coelho Liberali, PUC- SP (São Paulo, SP) Dra. Ivana Maria Lopes de Melo Ibiapina, UFPI (Teresina, PI) Dra. Maria Cecília Camargo Magalhães, PUC-SP (São Paulo, SP) Dra. Maria Otilia Guimarães Ninin, UNIP (São Paulo, SP) Dra. Maria Dora Ruiz Temoche, UEPB (Campina Grande, PB) Dra. Mônica Pegurer Caprino, USCS (São Caetano do Sul, SP) Dra. Tânia Regina de Souza Romero, UFLA (Lavras, MG) Dr. Wellington de Oliveira, FAINC (Santo André, SP) e PUC-SP (São Paulo, SP) SANTO ANDRÉ, SP PERIODICIDADE SEMESTRAL ISSN: 2236-8671 Inter Fainc, Santo André, SP, v. 2, n. 3, p. 1-26, jul./dez. 2012 2 FACULDADES INTEGRADAS CORAÇÃO DE JESUS - FAINC Diretor Prof. Dr. Wellington de Oliveira Vice-Diretora Ir. Ivone Braga de Rezende Diretora Financeira Ir. Célia Regina Querido Secretária Acadêmica Ivone Nagy Martinasso Inter Fainc Rua Siqueira Campos, 483 CEP 09020-240 - Centro - Santo André - SP Fone: (11) 4433-7477 / Fax: (11) 4433-7474 e-mail: [email protected] site: www.fainc.com.br FICHA CATALOGRÁFICA Elaborada pela Biblioteca Ir. Iracema Farina – FAINC Tânia Aparecida da Silva, CRB-8/5516 Inter FAINC [recurso eletrônico] / Faculdades Integradas Coração de Jesus. Rede Salesianas de Ensino – Vol. 2, n. 3 (jul/dez. 2012) – Santo André, SP: FAINC, 2012Semestral Resumo em Português e Inglês. Modo de acesso: World Wide Web: <www.fainc.com.br/revista> ISSN:2236-8671 1. Comunicação - Periódicos 2. Educação - Periódicos 3. Artes Periódicos 4. Nutrição - Periódicos 5. Biblioteconomia - Periódicos 7. Administração 8. Comunicação científica - Periódicos 9. Ciência da informação I. Faculdades Integradas Coração de Jesus. Rede Salesianas de Ensino CDD 001.25 3 EDITORIAL A edição de Saúde da revista INTERFAINC encerra o ano, com a certeza de que nosso trabalho esta rendendo frutos. A ideia de uma edição especial, dedicada à área da saúde, vem de uma iniciativa que tivemos em lançar uma série de números temáticos. Nosso objetivo é contemplar as múltiplas especificidades das vertentes de pesquisa no campo da ciência. Esta decisão, não obstante, visa unicamente dar palco ao que vem sendo produzido na ciência, em consonância ao que é pesquisado dentro da própria FAINC. No futuro, voltaremos a ter edições multitemáticas, onde a diversidade pode revelar a riqueza do trabalho transdisciplinar. Os artigos publicados neste número marcam essa abordagem através de ensaios teóricos, investigações históricas, reflexões filosóficas e pesquisas empíricas com o objetivo de produzir uma ciência, que está focada na diversidade e no pluralismo, alinhando-se definitivamente à missão da revista, ou seja, fazer com que a sua produção seja também alicerçada numa vasta rede de colaboradores. Apresentamos este terceiro número da revista INTERFAINC para a comunidade acadêmica. Temos certeza que ao dividir este conhecimento, estamos contribuindo para enriquecer o fazer cientifico sem fronteiras. Agradecemos o esforço dos colaboradores em realizar este novo número e desejamos continuar contando com os futuros nas próximas etapas que constituirão nossos desafios. Prof. Dr. Wellington de Oliveira Editor-Chefe Profa. Ms. Missila Loures Cardozo Coeditora 4 SUMÁRIO O CUIDADOR FAMILIAR: Reflexos da Relação com ---------a Pessoa Portadora da Síndrome de Rett 06 Índice de Qualidade da Dieta de idosas ---------- 13 5 O CUIDADOR FAMILIAR: Reflexos da Relação com a Pessoa Portadora da Síndrome de Retta FAMILY CAREGIVER: Reflections of Relationship to Person Carrier of Rett Syndrome Allana Cristina Araujo Ribeirob Auenes Gonçalves Pereira c Danielle Souza Diasd Ellen Celoto de Souzae Luis Aparecido Bianchif g Késsya Nayara de Freitas Omena Profª Ms. Aurilucia Alves Leitão Leiteh i Profª Vanessa Franquine Nogueira Prof. Dr. Cleber Aparecido Leitej a Os autores contaram com apoio da Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular – FUNADESP. bCentro Universitário Anhanguera de Santo André - São Paulo. E-mail: [email protected] – Tel: 7554-5981 c Centro Universitário Anhanguera de Santo André - São Paulo. E-mail: [email protected] - Tel: 6513-1725 dCentro Universitário Anhanguera de Santo André - São Paulo. E-mail: [email protected] – Tel: 7139-5425 e Centro Universitário Anhanguera de Santo André - São Paulo. E-mail: [email protected] – Tel: 7004-3220 f Centro Universitário Anhanguera de Santo André - São Paulo. E-mail: [email protected] - Tel: 9207-6972 g Centro Universitário Anhanguera de Santo André - São Paulo. E-mail: [email protected] – Tel: 6706-9560 hCentro Universitário Anhanguera de Santo André - São Paulo. E-mail: [email protected] i Centro Universitário Anhanguera de Santo André- São Paulo. E-mail: [email protected] j Graduado em Biomedicina pela Universidade de Mogi das Cruzes. Tem experiência na área de Fisiopatologia e células-tronco, em Ciências Nefrológicas, com ênfase em Medicina. Mestre, Doutor e Pós Doutorando na linha de pesquisa em célula-tronco pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Docente do Centro Universitário Anhanguera de Santo André, São Paulo e das Faculdades Integradas Coração de Jesus, em Santo André-SP. E-mail: [email protected] 6 RESUMO Este trabalho traz um relato de caso por meio de uma abordagem qualitativa que, empregou a subjetividade e a observação do cuidador, bem como da portadora da Síndrome de Rett. Tem como objetivo entender o quanto o cuidar sobrepõe a uma sobrecarga física e emocional e a importância do cuidador familiar. Foi realizada uma entrevista partindo de uma questão norteadora, que gerou outras questões, previamente, planejadas em que a cuidadora descrevia seus relatos de forma vivida em sua própria residência. Esta abordagem possibilitou observações da cuidadora, da pessoa acometida pela Síndrome de Rett e de outros familiares, contando de forma narrativa como é estressante a tarefa de cuidar e possibilitando conhecer a função de toda a família frente a portadora da Síndrome. A importância dos dados levou os autores a considerarem a atuação da cuidadora frente a diversas dificuldades de ordem social, física, emocional, financeira, de educação, entre outras, que a levou junto com sua família a enfrentar uma realidade no contexto familiar cheio de ansiedade e incertezas. A capacidade do autocuidado da cuidadora derivou da orientação de vários profissionais da saúde e possibilitou a ela e sua família, alcançar novos objetivos o que levou a uma qualidade de vida melhor. Palavras-chave: Cuidadora. Autocuidado. Síndrome de Rett. ABSTRACT This paper presents a case report through a qualitative approach that employed subjectivity and observation of the caregiver as well as the carrier of Rett syndrome. Aims to understand how caring overlays a physical overload and emotional and the importance of family caregivers. An interview was conducted starting with a guiding question, which generated other issues previously planned for the caregiver described their stories so vivid in his own residence. This approach has observations of the caregiver, the person affected by Rett syndrome and other family members, telling of narrative form how stressful the task of providing care and know the function of every family facing carrier Syndrome. The importance of data led the authors to consider the role of caregiver facing various difficulties in social, physical, emotional, financial, education, among others, who took with his family to face a reality in the home environment filled with anxiety and uncertainties. The ability of caregiver self-care orientation derived from various health professionals and allowed her and her family, achieve new goals which led to a better quality of life. Keywords: Caregiver. Self Care. Rett Syndrome. 7 INTRODUÇÃO A Síndrome de Rett é uma anomalia genética que causa desordens neurológicas, acometendo na sua maioria crianças do sexo feminino. Compromete, progressivamente, as funções motoras e intelectuais, assim como, os distúrbios de comportamento e dependência. No caso típico, a pessoa se desenvolve de forma aparentemente normal até 8 a 12 meses de idade, depois começa a mudar o padrão de seu desenvolvimento. No estagio seguinte ocorre uma parada nos ganhos psicomotores, a criança torna-se isolada e deixa de responder e brincar. O crescimento craniano, até então normal, demonstra clara tendência para o desenvolvimento mais lento, ocorrendo uma microcefalia adquirida, comprometendo a função motora e aos poucos a criança deixa de manipular objetos, surgem movimentos estereotipados das mãos (contorções, aperto, bater de palmas, levar as mãos à boca, lavar as mãos e esfregá-las) surgindo após, a perda das habilidades manuais, o que está de acordo com o estudo relatado por Andreas Rett que identificou, em 1966, uma condição caracterizada por deterioração neuromotora em crianças do sexo feminino, quadro clínico bastante singular, acompanhado por hiperamonemia, tendo-o descrito como uma “Atrofia Cerebral Associada à Hiperamonemia”. A condição descrita acima passou a ser mais bem conhecida após a publicação do trabalho de Hagberg e Witt-Engerstrom,1 no qual, foram descritas 35 meninas e, a partir do qual, foi sugerido o epônimo de síndrome de Rett (SR). A presença da hiperamonemia não foi confirmada como um sinal habitual da síndrome, entretanto estes estudos possibilitam um melhor entendimento sobre a doença nos dias atuais. Admite-se, na atualidade, uma prevalência da doença estimada entre 1:10.000 e 1:15.000 meninas, sendo uma das causas mais frequentes de deficiência mental severa que afeta o sexo feminino. O objetivo deste trabalho é observar a problemática do cuidador familiar frente às dificuldades apresentadas pela portadora da Síndrome de Rett no ambiente residencial, bem como, seu relacionamento junto aos outros familiares. 8 Torna-se importante também avaliar as mudanças na qualidade de vida do cuidador familiar e outros familiares frente à portadora da Síndrome de Rett; traduzir os sentimentos do cuidador frente às dificuldades no cuidado de uma portadora; demonstrar que tipo de apoio ou ensinamento foi transmitido por profissionais da área da saúde ao cuidador familiar para minimizar as dificuldades encontradas diante desta síndrome; e descrever como a Enfermagem pode orientar a cuidadora para uma melhora na sua qualidade de vida, bem como, da pessoa cuidada. A SÍNDROME DE RETT Genética A maioria das crianças portadoras de Síndrome de Rett é composta de casos isolados dentro de uma família, exceção feita à ocorrência em irmãs gêmeas; porém, casos familiares têm sido observados. Costumava-se considerar esta síndrome como uma desordem dominante ligada ao cromossomo X, em que cada caso representaria uma mutação fresca, com letalidade no sexo masculino. Foram observados casos nos quais meninos, irmãos de meninas com a Síndrome de Rett, nasciam com uma doença encefalopática com óbito precoce.2 Estudos recentes indicam que cerca de 75% a 80% dos pacientes com a forma clássica da síndrome apresentam mutações no gene MECP2, a partir deste ocorre a formação da proteína anormal MECP2, produzida pelo gene, que funciona como repressor global de transcrição. Como essa proteína possui alguns diferentes sítios de ação, acredita-se que as diferentes mutações encontradas no gene seriam responsáveis pelos diferentes fenótipos observados nos portadores de Síndrome de Rett. Sabidamente, hoje, que alguns meninos portadores das mesmas mutações podem sobreviver, apresentando um quadro encefalopático totalmente distinto do quadro clínico clássico no sexo feminino.2 Patologia Os distúrbios neurológicos ocorrem em parte pela desaceleração do crescimento craniano que ocorre a partir do terceiro mês. Várias partes do encéfalo como o lobo frontal, o núcleo caudado e o mesencéfalo são regiões encefálicas, nas quais, foram observadas as maiores reduções. Surgindo evidências de que a Síndrome de Rett poderia estar relacionada a uma deficiência pós-natal no desenvolvimento das sinapses, porém mais estudos na área da neurologia poderiam desvendar mais esta doença1. Um grupo de pesquisadores do Texas produziu um cepo de camundongo transgênico com uma mutação truncada no gene MECP2. Os animais não aparentam anormalidades até, aproximadamente, à sexta semana, quando surge um tremor ao erguer-se o animal pela cauda. Após oito meses, alterações na pelagem, presença de convulsões e mioclonias foram observadas. Interessante que, após essa idade, o animal produz uma série de movimentos estereotipados das patas dianteiras quando suspenso pela cauda.2 O mecanismo pelo qual a alteração desse gene parece determinar o fenótipo do quadro, entretanto este estudo ainda não está completamente compreendido. Diagnóstico Diferencial A Síndrome de Rett pode apresentar várias condições que devem ser levadas em consideração entre os diagnósticos diferenciais como: patologias fixas, paralisia cerebral, bem como, outras encefalopatias fixas; síndrome de Angelman; autismo infantil; e várias doenças metabólicas como o Lipofuccionoses.2 Seu diagnóstico, até pouco tempo, era exclusivamente clínico, existindo ainda critérios para o diagnóstico de quadros atípicos da síndrome, que somente devem ser firmados após os 10 anos de idade, entretanto, atualmente, a descrição de uma alteração genética identificável em aproximadamente 80% dos casos sugere que esse recurso deve ser utilizado na elaboração final do diagnóstico.2 A Síndrome de Rett no Brasil foi inicialmente identificada por Rosemberg 3 e, desde então, vários trabalhos foram publicados, divulgando o quadro clínico e tornando possível a identificação dos sintomas de algumas centenas de meninas afetadas. Para o diagnóstico clínico podem ser utilizados os critérios definidos pelo Rett Syndrome Diagnostic Criteria Work Group.2 METODOLOGIA A Escolha da Abordagem da Pesquisa O presente estudo é uma pesquisa qualitativa, tendo por base a narrativa de um cuidador. Este tipo de pesquisa qualitativa supõe o contato direto do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendo investigada, onde o material obtido é rico em descrição de pessoas, situações e acontecimentos. 4 A abordagem para coleta de dados foi do tipo autorelato não estruturado, na qual obtivemos informações sobre o fenômeno estudado, através de uma pergunta norteadora que direcionou a elaboração de outras questões, que definiram dimensões importantes sobre o quanto a tarefa de cuidar implica na vida cotidiana do cuidador e de sua família. RELATO DE CASO Análise do Discurso 1: Descobrindo a Doença Segundo Schwartzman,2“a menina se desenvolve de forma aparentemente normal entre 08 e 18 meses de idade, depois começa a mudar seu padrão de desenvolvimento”. “Quando ela nasceu saiu do hospital; era como um nenê normal.” “Comecei a descobrir a doença quando ela tinha mais ou menos uns nove meses, só que nenhum médico confirmava realmente se a T. era portadora da síndrome de Rett, pois os exames dela sempre deram normais, mas a minha desconfiança de mãe não negava que havia algo errado com minha filha”. Análise do discurso 2: Conhecendo a Doença Ocorre uma regressão dos ganhos psicomotores, a criança torna-se isolada e deixa de responder e brincar. O crescimento craniano, até então normal, demonstra clara tendência para o desenvolvimento mais lento, ocorrendo microcefalia adquirida. Aos poucos, deixa de manipular objetos, surgem movimentos estereotipados das mãos (contorções, aperto, bater de palmas, levar as mãos à boca, lavar as mãos e esfregá-las), culminando na perda do desenvolvimento neuropsicomotor. 2 “Quando ela era pequena e eu levava no médico, inclusive levava tudo no particular, achando que era melhor mais não foi, os médicos falavam que ela perdeu os movimentos porque ela era preguiçosa, um nenê preguiçoso, que ela era gordinha, mas 9 que com nove meses por ai ela já ia andar já ia fazer tudo normal, só que ela não fez né, foi andar com 2 anos, só ficava sentada, precisava de uma almofada por que ela não tinha equilíbrio do pescoço para baixo, ela não tinha equilíbrio de nada, não pegava nada na mão, hoje ela pega mas pouca coisa também, mas coordenação ela não tem nenhuma.” Análise do discurso 3: Dificuldades Encontradas Segundo Hagberg e Witt-Engerstrom,1 “pessoas portadoras da Síndrome de Rett progridem rapidamente para um estágio destrutivo da doença que se inicia entre 01 e 03 anos de idade e tem a duração de semanas ou meses”. Uma rápida regressão psicomotora domina o quadro, com a presença de choro imotivado e períodos de extrema irritabilidade. “Ela nasceu pra gente normalzinha, o único problema é que ela chorava dia e noite, chorava muito, chorava de você não ter o que fazer, só no colo, chacoalhando, andando pelo quintal, pela casa revezando e ela chorando”. Análise do discurso 4: Problemas Relacionados a Síndrome de Rett 5 Segundo Trevathan e Moser HW “alguns sintomas da Síndrome de Rett como a diminuição da expansibilidade motora podem levar a uma hiperventilação ou paradas respiratórias e complicações como pneumonias severas”. “De 04 a 10 anos de idade a regressão é severa neste estágio e os problemas motores, rigidez muscular, crises convulsivas e escoliose são sintomas marcantes”.1 “Então eu desço com ela embrulho ela lá (em uma cadeira de balanço) e ela dorme na cadeira e eu no sofá, e o marido na cama, ela ama essa cadeira, eu acho assim que por causa que nem agora ela está com corpo parte motora física ela está entortando tudo, parte do rosto, até uns 3 anos atrás ela não tinha nada no corpo, agora está entortando ela tem escoliose lombar, eu acho que ela tem muita dor de ficar deitada”. Análise do discurso 7: Alterações na Vida Social da Cuidadora “Ocorrem alterações na vida do cuidador relacionada na maioria das vezes com a limitação do tempo para o auto-cuidado7 ”. “Ela já ficou internada por três vezes em coma, sem respirar por que o pulmão dela é muito frágil”. “Não tenho vida social, mas de vez em quando, quando saio para ir a algum restaurante, ela fica sentadinha 1 horinha 1 horinha e meia, ai ela já começa a querer levantar, querer gesticular, fica gritando, daí agente já sabe que é o tempo dela, daí tenho que ir embora”. Análise do Discurso 5: Comunicação com a Pessoa Cuidada Análise do Discurso 8: Aspectos Emocionais do Cuidado Segundo Hagberg e Witt-Engerstrom,1 “a fala está sempre muito comprometida e, muitas vezes, totalmente ausente. Algumas crianças chegam a falar, deixando de fazê-lo à medida que a deterioração avança. Algumas poucas adquirem alguns vocábulos isolados”. Após a fase de negação, o cuidador começa a entender e aceitar seus sentimentos de tal forma que passa a desenvolver e fortalecer suas emoções.8 “Em relação ao preconceito hoje já não ligo mais, mas quando era mais nova já passei muita raiva, hoje não ligo mais”. “Ela nunca conversou, não fala frase inteira mais ela fala, ela não é muda”. Análise do Discurso 6: Qualidade do Sono da Cuidadora 6 Para Fernandes e Garcia, “é comum ocorrer alteração na qualidade do sono em cuidadores domiciliares, podendo acarretar prejuízos na saúde do cuidador”. 10 “Na hora de dormir eu subo com ela para o quarto umas 22h mais ou menos, mas tem que por ela no banheiro, esperar ela fazer xixi, ai eu ponho a fralda ponho na cama, e ela fica lá com o meu marido daí eu vou tomar um banho fazer tudo que eu tenho para fazer, daí uma meia horinha ela dorme, ai tenho que dormir rápido senão fico perdida também, dali 4 horas no máximo ela acorda, daí ela quer descer não fica mais na cama”. Análise do Discurso 9: Relacionamento Familiar “Ocorrem mudanças significativas na vida social provenientes da doença, tanto para o paciente quanto 7 para a família”. “Inclusive tenho um relacionamento bom com a minha família, comemoramos tudo, estamos sempre juntos, mas tem gente na família do meu marido que nem cumprimenta ela, eu não ligo, falsidade também não quero, na família as crianças não chegam perto dela tem medo, é por que a mãe não ensina.” de mãe nunca enganou, embora os diagnósticos médicos serem de uma criança normal, entretanto, é sábio que esta patologia ocorre por uma mutação genética no gene MECP2, responsável pelos diferentes fenótipos observados nos portadores de Síndrome de Rett. “Devido à condição de dependência, a família passa a se reorganizar, modificando suas rotinas, o que a princípio passa a ser considerado um momento de tensão9 ”. “Sempre quando ela fica internada eu fico Conforme relatado na literatura, o crescimento craniano, até então normal, demonstra clara tendência para o desenvolvimento mais lento, ocorrendo uma microcefalia adquirida, comprometendo varias áreas do encéfalo, visto que o aumento da pressão intracraniana fica estabelecido o que leva a regressão dos ganhos psicomotores, tornando a criança isolada e deixando de responder as brincadeiras. com ela o tempo todo, e em casa fico com ela 24 horas por dia, eu que dou comida, banho, fico com ela quando ela acorda cedo e até a hora que ela vai dormir comigo. Minha filha depende de tudo para mim, até para dormir ela depende de mim, pois ela não dorme bem, ela dorme no máximo se ela estiver bem, 6 horas/dia, mais em geral ela dorme 4 horas/ dia.”. Análise do discurso 11: Relacionamento Conjugal “O processo da doença pode ocasionar uma mudança positiva nos relacionamentos, onde os indivíduos passam a repensar seus valores, surgindo assim novos sentimentos e fortalecendo os vínculos9 ”. “Depois que descobrimos a síndrome da T. tivemos que ser fortes, eu e meu esposo, para que isso não atrapalhasse no nosso relacionamento como marido e mulher, e ainda bem, que não afetou em nada”. Análise do discurso 12: Necessidade do Cuidado Às vezes, a pessoa que cuida não desejou sê-la. Principalmente quando se trata de um familiar, então é uma tarefa nobre, porém complexa8). “Minha rotina antes da T. era normal, casei com 16 anos e parei de estudar, era dona de casa, vivia uma vida de jovem normal, nunca trabalhei fora. Hoje tenho 42 anos e sou dona de casa, o sentimento que tenho frente a esta situação é a incapacidade de não ter e não poder fazer nada para curar minha filha totalmente.” CONCLUSÃO Este estudo de caso nos mostra o desenvolvimento da doença ao longo da infância e as dificuldades de se obter um diagnóstico fidedigno. Também é possível perceber sua semelhança com a bibliografia adotada. Conforme relatado pela cuidadora, o seu sentimento Com relação à vida social da cuidadora, ocorre uma limitação de suas atividades em prol da filha todo o tempo, conforme relato da cuidadora: “Não tenho vida social, mas de vez em quando, quando saio para ir a algum restaurante, ela fica sentadinha 1 horinha 1 horinha e meia, ai ela já começa a querer levantar, querer gesticular, fica gritando, daí agente já sabe que é o tempo dela, daí tenho que ir embora”. Com este aspecto do cuidar de forma rotineira o emocional da cuidadora foi adaptando-se às varias fases, passando pela negação e criando uma forma de superação sentimental para fortalecer suas emoções conforme descrito por. Entretanto, vários aspectos como a própria família pode gerar preconceito, porém a própria cuidadora, após anos de sofrimento aprendeu a lidar com tal situação. Ocorrem mudanças significativas na vida social provenientes da doença, tanto para o paciente quanto para a família. Desta forma, este trabalho sugere que a educação seja uma ferramenta que capacita o cuidador, beneficiando o paciente, auxiliando a ambos no alivio das ansiedades, aumentando a compreensão sobre a doença e favorecendo o enfrentamento positivo da mesma. Este trabalho propõe para a equipe de saúde um desafio: preparar o cuidador e sua família para reorganizar sua vida e de seus membros, se possível, 11 antes da alta hospitalar, de modo que, estejam aptos a assumir os cuidados do paciente dependente que vai para casa, onde o cuidador terá que desenvolver várias estratégias que demandam controle das situações atuais e das que surgirão no decorrer dos dias. O cuidador deve reconhecer e estimular a pessoa cuidada a realizar as atividades da qual é capaz de fazer e tomar decisões da qual é capaz de tomar e envolver algumas pessoas da família no cuidado, sem que isto prejudique a qualidade deste. Usar de negociação facilita a relação entre o cuidador e a pessoa cuidada e torna a tarefa de cuidar mais eficiente e menos estressante. Com todos estes relatos científicos observamos neste estudo o trabalho árduo da cuidadora, que teve de alterar o seu modo de vida para se dedicar a sua filha portadora da Síndrome de Rett; a cuidadora teve de suportar o preconceito da sociedade, que hoje para ela, já não faz sentido em sua vida. Embora seja difícil ela conta com um bom relacionamento familiar, possibilitando completa dedicação à sua filha. REFERÊNCIAS 1. HAGBERG, B. and WITT-ENGERSTROM , J. Rett syndrome: a suggested staging system for describing impairment profile with increasing age towards adolescence. Am J Med Genet, 1986, vol. 24, p. 47-59. 2. SCHWARTZMAN, J.S. Síndrome de Rett. Temas sobre Desenvolvimento, 1990, vol. 1, p. 8-11. 3. ROSEMBERG, G.S. et al. Síndrome de Rett: análise dos primeiros cinco casos diagnosticados no Brasil. Arq Neuropsiquiat, 1987, vol. 45, p. 143-158. 4. LUDKE, M. e ANDRÉ, MEDA. Abordagens qualitativas de pesquisas: a pesquisa etnográfica e o estudo de caso. In ______. Pesquisa em educação : abordagens qualitativas. São Paulo : EPU, 1986. 5. TREVATHAN E. e MOSER HW. Diagnostic criteria for Rett syndrome. Ann Neurol, 1988, vol. 23, p. 425-428. 6. FERNANDES, MGM. e GARCIA TR. Atributos da tensão do cuidador familiar: de idosos dependentes. Revista da Escola de Enfermagem da USP, dezembro 2009, v. 43, nº 4, p. 818-824. 7. FONSECA, NR., PENNA, AFG. e SOARES, MPG. Ser um cuidador familiar: um estudo sobre as consequências de assumir este papel. Physis: revista de Saúde Coletiva, janeiro 2008, vol. 18, nº 4, p. 727-743. 8. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção a Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Guia prático do cuidador. Brasília : Ministério da Saúde, 2008. 9. VENTURINI, DA., DECÉSARIO, MN. e MARCON, SS. Alterações e expectativas vivenciadas pelos indivíduos com lesão raquimedular e suas famílias. Revista da Escola de Enfermagem da USP, dezembro 2007, vol. 41, nº 4, p. 589-596. 12 QUALIDADE DA DIETA DE IDOSAS PARTICIPANTES E NÃO PARTICIPANTES DO PROGRAMA ALIMENTE-SE BEM DO SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA – SESI-SP UTILIZANDO O ÍNDICE DE QUALIDADE DA DIETA (IQD) DIETARY QUALITY AMONG OLDER FEMALE ADULTS PARTICIPANTS AND NOT PARTICIPANTS OF ALIMENTE-SE BEM OF SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA – SESI, SÃO PAULO CITY, BRAZIL, USING THE HEALTHY EATING INDEX (HEI) Short title: Índice de Qualidade da Dieta de idosas Healthy Eating Index of older female adults Vera Lúcia Sampar de Souza Novaesa Maria Lucia Perrella de Carvalhob Paula Mayara da Silva Tamires Missae Nosse Carla Leite de Araujo a Possui Graduação em Nutrição pela Universidade de São Paulo (1980), Mestrado em Nutrição Humana Aplicada pela Universidade de São Paulo (1997) e Doutorado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (2003). Professora nível A classe III do Centro Universitário Padre Anchieta, Professora licenciada auxiliar da Faculdade de Medicina do ABC e Professora Assistente I da Universidade Cruzeiro do Sul. b Possui Graduação em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1980) e Mestrado em Ciências Aplicadas à Pediatria pela Universidade Federal de São Paulo (2002). Professora das Faculdades Integradas Coração de Jesus; Professora supervisora de estágios da Universidade Cruzeiro do Sul; Professora assistente I da Universidade Cruzeiro do Sul. E-mail: [email protected]. 13 RESUMO Objetivo - Comparar a qualidade da dieta de idosas participantes e não participantes do programa Alimente-se Bem do Serviço Social da Indústria – SESI-SP. Metodologia - Estudo transversal, realizado com 30 idosas (15 participantes e 15 não participantes do programa Alimente-se Bem). As idosas não participantes do programa eram frequentadoras da instituição, porém, participantes de outros cursos ou programas ministrados. Foram coletadas informações demográficas, socioeconômicas, de estilo de vida, antropométricas (peso e estatura) e do estado nutricional (IMC). Para avaliar a qualidade da dieta utilizou-se o IQD. Foi realizada a distribuição da frequência absoluta, frequência relativa, medidas de tendência central e dispersão. As comparações foram realizadas pelo teste t de Student, considerando 5% para significância e as correlações pelo método de Pearson. Resultados - A maioria das participantes encontrou-se em obesidade (66,67%), já a maioria das não participantes estava em eutrofia (60,00%). As dietas saudáveis foram apresentadas por 40,00% das participantes e 26,67% das não participantes. Não houve diferença significativa nos escores do IQD dos grupos. Apesar das participantes apresentarem maiores pontuações na maioria dos componentes do IQD, apenas no componente 6 houve diferença significativa, sendo as maiores pontuações das não participantes. Não houve correlação entre estado nutricional e qualidade da dieta. Conclusões - A inserção em programas, não necessariamente de educação nutricional, contribuiu para melhor estilo de vida, incluindo práticas alimentares saudáveis. Palavras-chave: Índice de qualidade da dieta. Idosas. Educação nutricional. Estado nutricional. ABSTRACT Objective - Compare the dietary quality among older female adults participants and not participants of Alimentese Bem of Social da Indústria – SESI-SP. Methods - Cross-sectional study, with 30 older female adults (15 participants and 15 not participants of Alimente-se Bem). The not participants participated of others curses or programs of the institution. Demographic, socioeconomic, lifestyle, antropometric (weight and stature) and nutritional status (BMI) informations were collected. The dietary quality was measured by HEI. The absolute and relative frequencies and measures of central trend and dispersion were performed. Comparisons were realized by Student’s t test, considerating 5% for the significance and correlations by Pearson’s test. Results - Most of the participants were obese (66,67%) and the not participants were eutrophic (60,00%). Healthy diets were presented by 40,00% of the participants and 26,67% of the not participants. No significant difference was found in HEI scores of both groups. Although the participants presented highest scores in most components of HEI, only the component 6 showed significant difference, the highest score were of the not participants. No correlation was found between nutritional status and dietary quality. Conclusions - The participation in programs, wether is a nutricional education program or not, improved the lifestyle, including healthier feeding practices. Keywords: Health eating index. Older female adults. Nutritional education. Nutritional status. 14 INTRODUÇÃO Atualmente tem se observado o envelhecimento da população devido ao aumento de pessoas com idade avançada em relação a outras faixas etárias1,2. Oliveira et al.3 apontam que este número crescente deve-se a alguns fatores determinantes, como a redução da mortalidade geral, sobretudo a infantil, diminuição das taxas de fecundidade e aumento das taxas de sobrevida. No Brasil, a Lei nº 8.842, de 4 de janeiro de 1994, considera idosa toda pessoa maior de 60 anos de idade4. A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que em 2025 existirão 1,2 bilhões de pessoas com mais de 60 anos, sendo que no Brasil a estimativa é de 34 milhões de idosos, o que levará o país à 6ª posição entre os países mais envelhecidos do mundo1. A má nutrição é um dos principais problemas que podem afetar a saúde dos idosos5,6,7. A nutrição adequada, além de melhorar o bem estar geral do idoso, também é indispensável para a manutenção do sistema imune e prevenção de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) altamente prevalentes em idosos, como obesidade, HAS, DCV, dislipidemias, diabetes melito (DM), osteoporose e câncer5,6,8. Atualmente, evidências científicas têm mostrado que a qualidade da dieta é um importante determinante do estado de saúde dos indivíduos, principalmente em relação à prevenção das DCNT9. Os índices dietéticos têm sido apontados como uma forma de realizar a avaliação qualitativa da dieta. Esses índices utilizam parâmetros de ingestão adequada de nutrientes, número de porções consumidas de cada grupo de alimentos e variedade da dieta com o intuito de atender as recomendações para uma alimentação saudável10,11. O Healthy Eating Index (HEI) ou Índice de Qualidade da Dieta (IQD), traduzido para o português, atende aos princípios da proporcionalidade, moderação e variedade da dieta. Esse índice foi considerado pela American Dietetic Association um instrumento apropriado para avaliar a qualidade global da alimentação na população11,12. Levando-se em consideração as informações apresentadas, verifica-se a importância da nutrição adequada entre os idosos. Os programas de educação nutricional visam os hábitos alimentares saudáveis e a melhor qualidade de vida dos seus participantes. Assim, como os participantes desses programas têm acesso às informações sobre alimentação saudável, esses obtêm conhecimentos necessários para apresentar uma dieta com melhor qualidade. Dessa forma, esse estudo foi proposto com o intuito de comparar a qualidade da dieta, utilizando o IQD de participantes e não participantes do Programa Alimente-se Bem do SESI-SP. METODOLOGIA Estudo do tipo transversal, realizado no SESI-SP, unidade Catumbi, entre os meses de maio a julho de 2009. O estudo foi conduzido em 30 indivíduos, do gênero feminino, com idade superior a 60 anos. A amostra foi composta por dois grupos: participantes do programa Alimente-se Bem (15 idosas) e não participantes (15 idosas). As idosas não participantes do programa eram frequentadoras da instituição, porém, participantes de outros cursos ou programas ministrados. Foram coletadas informações demográficas, socioeconômicas, de estilo de vida, medidas antropométricas e informações sobre o consumo alimentar. As medidas antropométricas aferidas foram o peso corporal e a estatura. O peso corporal foi aferido por meio de uma balança digital da marca Plenna, modelo Everest TIN-00110, com capacidade de 150 kg. A estatura foi aferida com o auxílio de um estadiômetro portátil da marca Seca, com escala de 0 a 220 cm. A partir do peso corporal e estatura foi calculado o IMC, sendo utilizado para avaliar o estado nutricional das idosas. A classificação do estado nutricional, segundo os valores do IMC, foi realizada de acordo com os pontos de corte adotados para a população idosa propostos por Lipschitz13. Para a avaliação do consumo alimentar foi utilizado o relato dos alimentos habitualmente consumidos e suas respectivas quantidades, sendo enfatizadas as quantidades de sal e de gordura adicionadas às preparações. Posteriormente, o IQD foi aplicado para avaliar a qualidade da dieta habitual. O IQD empregado foi proposto por Morimoto, 15 et al. , Andrade12 e Godoy14, no qual o componente 6 passou a corresponder ao grupo das leguminosas ao invés da gordura saturada, que foi utilizada em outros estudos16,17,18,19,20,21,22. Essa modificação foi realizada devido ao hábito da população brasileira de consumir feijão, sendo que a sua inclusão no grupo das carnes e ovos poderia superestimar a ingestão desse grupo11,12,14. 11 Assim, no presente estudo, os componentes de 1 a 6 referem-se aos grupos de alimentos, correspondendo, respectivamente, ao grupo dos cereais, pães, tubérculos e raízes; grupo das verduras e legumes; grupo das frutas; grupo do leite e produtos lácteos; grupo das carnes e ovos e grupo das leguminosas. Os componentes 7, 8, 9 correspondem, respectivamente, aos nutrientes gordura total, colesterol e sódio e o componente 10 refere-se à variedade da dieta. Os componentes de 1 a 6 medem o grau de adequação do consumo de seu grupo alimentar correspondente. Sendo assim, inicialmente, os alimentos relatados pela dieta habitual foram agrupados em seus respectivos grupos alimentares. Os alimentos foram então convertidos e quantificados em número de porções. Para isso, foram consideradas as porções de cada grupo da pirâmide alimentar adaptada para a população brasileira proposta por Philippi et al.22. No caso de preparações compostas por alimentos de diferentes grupos, essas foram desmembradas, sendo utilizadas as padronizações de receitas sugeridas por Pinheiro et al.23 e seus ingredientes classificados em cada grupo correspondente. Os componentes 7, 8 e 9 medem o grau de consumo de gordura total, colesterol e sódio, respectivamente. Assim, para obter a quantidade desses nutrientes da dieta habitual, essa foi calculada utilizando o software Diet Pro® 5.1i Profissional. O componente 10 corresponde à variedade da dieta. Esse componente é medido considerando-se os diferentes tipos de alimentos consumidos. No entanto, não foram considerados para este componente os açúcares e doces, os óleos e gorduras, as bebidas alcoólicas, o café e os refrescos artificiais presentes na dieta habitual. Os critérios para a pontuação de cada componente do IQD estão expostos no Quadro 1. 16 QUADRO 1 – Critérios para a pontuação mínima e máxima de cada componente do IQD O critério para a pontuação dos componentes de 1 a 6 segue o número mínimo de porções recomendado pela pirâmide dos alimentos proposta por Philippi, et al.22. Para o componente 7, a distribuição percentual da gordura total da dieta utilizada é recomendada pelo Dietary Guidelines for Americans e foi adotada como parâmetro, tanto em estudos americanos como em estudos brasileiros, sendo assim, também foi utilizada nesse estudo11,12,14,16,17,18,19,20,21,22. Os parâmetros utilizados nos componentes 8 e 9, seguem as recomendações propostas pelo Committee on Diet and Health, que apesar de não serem usualmente adotadas no Brasil, por terem sido empregadas em estudos anteriores com o IQD, também foram utilizadas nesse estudo11,12,14,16,17,18,19,20,21,22. Em relação ao componente 10, para que o alimento contribuísse para a variedade da dieta, esse deveria corresponder com, no mínimo, metade da porção do grupo ao qual pertence11. A pontuação de cada um dos componentes foi somada para a obtenção de um escore, que foi classificado de acordo com três categorias, conforme pode ser observado no Quadro 2. Para a análise dos dados foi realizado a distribuição da frequência absoluta e frequência relativa e as medidas de tendência central e de dispersão. A comparação entre os dados obtidos pelo IQD do grupo das idosas participantes do programa com o grupo das não participantes foi realizada por meio do teste t de Student, no qual foi adotado o nível de 5% para a significância do teste (α). As correlações entre os dados foram realizadas utilizando o método de correlação de Pearson. Todos os dados foram calculados utilizando o programa Microsoft® Office Excel versão 2007, sendo expostos nas formas de tabelas e figuras. Os indivíduos participantes do estudo receberam a carta de informação, na qual foram esclarecidos os procedimentos realizados, assim como a opção de participar ou não do estudo e/ou desistir do mesmo a qualquer momento e assinaram a carta de consentimento. O estudo foi aprovado pelo comitê de ética da Universidade Cruzeiro do Sul. Ao avaliar os valores de IMC apresentados pela população estudada, foi observado que as idosas participantes do programa apresentaram maior prevalência de obesidade (66,67%), em relação às não participantes (33,33%), apresentando uma diferença estatisticamente significativa (p = 0,03), como pode ser observado na Tabela 2. TABELA 2 – Média e desvio-padrão dos valores de IMC e distribuição das frequências absoluta e relativa, segundo a classificação do estado nutricional das idosas participantes e não participantes do programa Alimente-se Bem do SESI-SP, unidade Catumbi, maio a julho de 2009 RESULTADOS A população estudada apresentou idade média de 73,40 anos (+ 8,15), sendo de 73,20 anos (+ 7,99) entre as idosas participantes do programa e 73,60 anos (+ 8,58) entre as não participantes. A maioria das idosas de ambos os grupos era viúva, apresentou ensino fundamental incompleto e renda per capita menor que 3 salários mínimos. Em relação à prática de atividade física, todas as idosas não participantes do programa eram praticantes (Tabela 1). TABELA 1 – Distribuição das frequências absoluta e relativa, segundo a faixa etária, estado civil, grau de escolaridade e renda per capita das idosas participantes e não participantes do programa Alimente-se Bem do SESI-SP, unidade Catumbi, maio a julho de 2009 Ao comparar o IQD dos grupos estudados foi possível observar que as idosas participantes do programa apresentaram qualidade da dieta superior ao das não participantes. Entre as idosas participantes, foi constatado que 40,00% apresentaram dieta saudável, já entre as não participantes, as dietas saudáveis foram apresentadas por 26,67%. No entanto, a comparação entre o escore do IQD dos dois grupos, verificou que a diferença não foi estatisticamente significativa (p = 0,74) (Tabela 3). 17 Em relação aos componentes do IQD constatouse que, em ambos os grupos, a menor pontuação foi obtida no componente 2 (grupo das verduras e legumes). Apesar das participantes do programa terem apresentado as maiores pontuações na maioria dos componentes, apenas o componente 6 (grupo das leguminosas) apresentou diferença estatisticamente significativa entre os grupos (p = 0,03), sendo que o grupo das participantes foi o que obteve a menor pontuação (Tabela 4). Não foi observada correlação entre o estado nutricional e a qualidade da dieta tanto no grupo das idosas participantes do programa (r = 0,01) como no grupo das não participantes (r = 0,08) (Figura 1). DISCUSSÃO Foi possível verificar uma diferença estatisticamente significativa entre os valores de IMC apresentados pelas idosas participantes e não participantes do programa (p = 0,03). No presente estudo, a prevalência de obesidade encontrada no grupo das não participantes foi inferior às observadas em estudos que avaliaram o estado nutricional de idosos. Entretanto, o grupo das participantes apresentou uma prevalência de obesidade superior a esses estudos. Em 2007, Amado, Arruda e Ferreira25 analisando 106 idosas atendidas no Núcleo de Atenção ao Idoso, em Recife observaram que 47,2% da população estudada estavam em obesidade e Machado, et al.26, encontraram a prevalência de obesidade em 58% entre as 35 idosas estudadas. O menor número de obesidade encontrado entre as idosas não participantes também pode ter sido influenciado pela prática regular de atividade física por todas as idosas desse grupo. Segundo Silva, Telarolli Jr e César et al.27, a inatividade física decorrente do processo de envelhecimento é apontada como um importante fator responsável pelo aumento do ganho de peso e, consequentemente, a elevação do IMC nos idosos, pois associada à diminuição da TMB e manutenção da ingestão de energia gera um balanço energético positivo. Em relação à qualidade da dieta, foi possível observar que as idosas participantes do programa apresentaram qualidade da dieta superior ao das não participantes. Entre as idosas participantes, foi constatado que 40,00% apresentaram dieta saudável, já entre as não participantes, as dietas saudáveis foram apresentadas por 26,67%. No entanto, a comparação entre o escore do IQD dos dois grupos, verificou que a diferença não foi estatisticamente significativa (p = 0,74). Constatou-se que, tanto as idosas participantes como as não participantes do programa apresentaram qualidade da dieta superior à encontrada na literatura, sendo que nenhuma idosa apresentou dieta inadequada. Em 2004, Guo, et al.18 observaram que 66,7% dos idosos estudados apresentaram dieta que necessitava de modificação, seguido por 21,2% e 12,1% que apresentaram dieta saudável e dieta inadequada, respectivamente. Ervin20 observou que 68% de sua população de estudo apresentaram dieta 18 que necessitava de modificação, seguido por 17% que apresentaram dieta saudável e 14% que apresentaram dieta inadequada. Morimoto, et al.11 em um estudo realizado na região metropolitana de São Paulo, observaram que 75% de sua população estudada apresentaram dieta com necessidade de modificação, 21% dieta inadequada e 4% apresentaram dieta saudável. No entanto, é importante ressaltar, que as comparações com esse estudo, apesar de mostrarem uma realidade da alimentação brasileira, são influenciadas por não se tratar de uma amostra composta apenas por idosos. Nesse estudo, foi avaliada a qualidade da dieta de 1.840 indivíduos, sendo que desses, 1.027 eram idosos. O fato de não haver diferença significativa na qualidade da dieta das idosas participantes do programa, pode ter sido decorrente da comparação realizada com um grupo que, isoladamente, mostrou qualidade da dieta superior ao encontrado na literatura. As idosas que não participam do programa, por estarem inseridas em cursos ou programas que visam à qualidade de vida da comunidade, podem ser orientadas a adquirir um melhor estilo de vida incluindo hábitos alimentares saudáveis. Em relação aos componentes do IQD, pode-se observar que o grupo das verduras e legumes apresentou maior inadequação de consumo. Segundo Campos, Monteiro e Ornelas.28, o consumo desses alimentos pelos idosos pode ser influenciado pela maior preferência por alimentos macios e facilmente mastigáveis. No presente estudo, a maioria da população estudada em ambos os grupos, 93,33% entre as participantes do programa e 80,00% entre as não participantes, tem o hábito de consumir verduras e legumes diariamente, sendo que dessas, 28,57% das participantes e 16,67% das não participantes, consomem pelo menos a quantidade mínima recomendada pela pirâmide dos alimentos (4 porções). O componente 6 (grupo das leguminosas) apresentou uma diferença estatisticamente significativa entre os grupos estudados (p = 0,03). Assim, foi possível verificar que o programa não influenciou de forma positiva as suas participantes quanto ao consumo desse grupo, uma vez que a diferença na pontuação média pode ser atribuída à maior frequência de idosas que não tinham o hábito de consumir leguminosas diariamente no grupo das participantes (33,33%) em relação às não participantes (6,67%). Entretanto, esse percentual apresentado pelas idosas participantes ainda foi inferior ao encontrado na literatura, sendo que Amado, Arruda e Ferreira25 verificaram que 47% de sua população de estudo não consumiam leguminosas diariamente. A pontuação média obtida pelas idosas não participantes foi superior ao encontrado por Morimoto, et al.11 (6,38), porém as idosas participantes do programa apresentaram pontuação inferior ao encontrado nesse estudo. Como nos estudos americanos não há componente do IQD referente ao grupo das leguminosas, a comparação com esses não pôde ser realizada. É importante enfatizar, que a pontuação para o componente 7 (grupo das gorduras) foi atribuída conforme a recomendação da Dietary Guidelines for Americans, na qual a gordura total da dieta deve corresponder entre 30 - 45% do VCT. Assim, se fosse considerada a recomendação de gordura total da dieta proposta pela World Health Organization e Food and Agriculture Organization (WHO/FAO)29 (15 - 30% do VCT), a pontuação apresentada pelas idosas poderia ter sido inferior para esse componente. A pontuação do componente 8 foi atribuída conforme a recomendação proposta pelo Committee on Diet and Health, com uma ingestão máxima de 450mg de colesterol/dia. Apesar dessa recomendação não ser normalmente adotada para a população brasileira, a utilização dessa recomendação não influenciou na pontuação apresentada, pois o consumo médio de colesterol encontrado entre as idosas participantes do programa foi de 135,67mg (+ 41,26) e das não participantes foi de 135,96mg (+ 107,84), atendendo a recomendação da WHO/FAO29 que preconiza que a ingestão de colesterol deve ser < 300mg/dia. O parâmetro utilizado para a pontuação do componente 9 foi a recomendação proposta pelo Committee on Diet and Health (2.400 - 4.800mg/ dia), entretanto, essa não é usualmente adotada para a população brasileira. Caso a pontuação desse componente fosse atribuída de acordo com a recomendação proposta pela Sociedade Brasileira de Cardiologia30, nas V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial (2.400mg/dia), a pontuação obtida pelas idosas estudadas poderia ter sido inferior. Não foi observada correlação entre o estado 19 nutricional e a qualidade da dieta tanto no grupo das idosas participantes do programa (r = 0,01) como no grupo das não participantes (r = 0,08). No presente estudo, verificou-se que a maior proporção de eutrofia foi observada entre as idosas não participantes do programa, enquanto que, a maior proporção de dieta saudável foi constatada entre as participantes. Em 2004, Guo, et al.18 verificaram em seu estudo que os menores escores de IQD foram apresentados pelos indivíduos com sobrepeso ou obesidade em relação aos eutróficos. Entretanto, Morimoto, et al.11, assim como no presente estudo, também não observaram correlação entre o estado nutricional e o escore do IQD na sua população estudada. Além da prática de atividade física ser mais frequente entre as idosas não participantes, o que pode ter influenciado na maior proporção de eutrofia nesse grupo, sugere-se que a não existência de correlação, entre o estado nutricional e a qualidade da dieta, pode ter sido decorrente do IQD não considerar a moderação como um fator para a pontuação dos componentes 1 a 6. Nesses componentes, a pontuação máxima é atribuída mesmo que a ingestão dos grupos correspondentes ultrapasse o máximo recomendado pela pirâmide dos alimentos. Essa ingestão superior ao recomendado, apesar de não interferir no escore do IQD, pode acarretar maior ingestão energética e consequentemente, elevar os valores de IMC. CONCLUSÃO Ao avaliar o estado nutricional da população estudada, verificou-se que a maioria das idosas participantes do programa encontrou-se em obesidade, já a maioria das idosas não participantes estava em eutrofia, sendo que houve uma diferença estatisticamente significativa entre os valores de IMC apresentados pelos dois grupos. Quanto à avaliação da qualidade da dieta, foi observado que a maioria das idosas de ambos os grupos apresentou dieta que necessitava de modificação. As dietas consideradas saudáveis foram apresentadas em maior proporção pelas idosas participantes do programa, no entanto, não foi observada uma diferença estatisticamente significativa entre os valores de IQD apresentado pelos dois grupos. Não foi observada correlação entre o estado 20 nutricional e a qualidade da dieta, tanto no grupo das idosas participantes do programa, como no grupo das não participantes. Apesar do presente estudo não ter constatado uma significância estatística na qualidade da dieta de idosas participantes do programa em relação às não participantes, pode-se perceber que a participação dessas em cursos ou programas, contribuiu para a aquisição de um estilo de vida mais saudável, incluindo-se as práticas alimentares mais adequadas. Considerando o atual crescimento da população idosa, verifica-se a importância da realização de estudos que possam fornecer subsídios para promover hábitos alimentares saudáveis e melhor qualidade de vida dessa população. A inserção em cursos ou programas contribui para a integração dos idosos na comunidade, estando associada à adoção de um estilo de vida mais saudável. Vale ressaltar, que no presente estudo a população foi composta por um n reduzido, evidenciando a necessidade da realização de estudos que sejam compostos por uma amostra maior para fornecer resultados mais concretos e fidedignos. REFERENCIAS 1. DAVIM, RMB., et al. 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Instrumento de divulgação oficial da FAINC tem por objetivo publicar textos inéditos acadêmico-científicos de cursos de Graduação e Pós-Graduação, de Pesquisa e Extensão. 1 OBJETIVO E POLÍTICA EDITORIAL Tem por objetivo publicar textos inéditos acadêmico-científicos dos cursos de Graduação e Pós-Graduação, de Pesquisa e Extensão, tais como: a) artigos originais: compreende textos que contenham relatos completos de estudos ou pesquisas concluídas, matérias de caráter opinativo, revisões da literatura e colaborações assemelhadas; b) resenhas: compreende análises críticas de livros, de periódicos recentemente publicados, dissertações e teses. Os originais recebidos serão direcionados a um grupo de especialistas para avaliação e aprovação. Após esse processo serão encaminhados ao Comitê Editorial para seleção dos artigos a serem publicados. Cabe ao Comitê científico solucionar dúvidas, dificuldades e a decisão final para publicação. Todo o conteúdo é de acesso público, seguindo as normas do Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER), distribuído pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), que distribui o SEER a editores brasileiros interessados em publicar revistas científicas de acesso livre na Web e a promover a capacitação técnica no uso dessa ferramenta, em treinamentos sistemáticos realizados a partir de novembro de 2004 em várias regiões do País. 1.1 Normas Editoriais 1º. Os originais recebidos serão direcionados a um grupo de especialistas para avaliação e aprovação, pois serão registrados nos metadados do sistema eletrônico SEER; 2º. Os trabalhos serão encaminhados ao Comitê Editorial para seleção dos artigos a serem publicados. Para composição do sumário, os títulos dos artigos serão inseridos de acordo com os sobrenomes dos autores em ordem alfabética; 3º. Também serão aceitos trabalhos publicados em periódicos internacionais. No entanto, seguirão as mesmas normas de trabalhos inéditos. É imprescindível, que o autor apresente autorização por escrito do editor da revista em que seu texto tenha sido originalmente publicado, acompanhado de cópia do artigo; 4º. O autor é a pessoa física responsável pela criação do conteúdo intelectual ou artístico de um documento. Se houver mais de um, torna-se importante informar a ordem de apresentação dos autores e declaração de cada um autorizando a publicação; 5º. Os originais serão publicados em língua portuguesa, ou em língua espanhola, ou em língua inglesa; 6º. A revista se reserva o direito de efetuar nos originais alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical com vistas a manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores. As provas finais não serão enviadas aos autores; 7º. Os trabalhos publicados passam a ser propriedade da revista Inter Fainc, ficando sua reimpressão total ou parcial sujeita à autorização expressa da Direção da FAINC. Deve ser consignada a fonte de publicação original; 8º. As opiniões emitidas pelos autores dos artigos são de sua exclusiva responsabilidade; 23 9º. A revista classificará os trabalhos de acordo com as seguintes seções: a) artigos: a seção engloba textos que contenham relatos completos de estudos ou pesquisas concluídas, matérias de caráter opinativo, revisões da literatura e colaborações assemelhadas; b) resenhas: compreende análises críticas de livros, de periódicos recentemente publicados, de dissertações e de teses; 10º. Apresentação dos trabalhos: a) formatos: todas as colaborações devem ser enviadas para [email protected] O texto deve estar gravado em formato Microsoft Word, desde que não ultrapasse 2MB. Os metadados deverão ser preenchidos com o título do trabalho, nome(s) do(s) autor(es), último grau acadêmico, instituição em que trabalha (m), endereço postal, telefone, fax e e-mail; b) tamanho: a extensão máxima do material enviado será a seguinte: artigos, 20 laudas; resenhas, 5 laudas. Uma lauda é uma página com 1.400 caracteres. O título do trabalho deve ser breve e suficientemente específico e descritivo, acompanhado de sua tradução para o inglês; c) resumo e abstract: deve ser elaborado um resumo informativo com cerca de 250 palavras, incluindo objetivo, método, resultado, conclusão, acompanhado de sua tradução para o inglês; d) agradecimentos: deverão ser mencionados no final do artigo; e) notas: devem ser indicadas com um asterisco imediatamente depois da frase a que dizem respeito e inserida no rodapé da página correspondente. Também poderão ser adotados números para as notas junto com asteriscos em uma mesma página, e nesse caso as notas com asteriscos antecedem as notas com número, não importando a ordem dessas notas no texto; f) apêndices: podem ser empregados no caso de listagens extensivas, estatísticas e outros elementos de suporte; g) figuras e tabelas: serão aceitos fotografias nítidas, gráficos e tabelas, assinalando-os no texto de acordo com seu número de ordem, lembrando de mencionar a fonte; h) referências: segundo as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) - NBR 6023/2002. O autor torna responsável pelas referências consultadas e mencionadas no texto; i) orientações: recomenda-se que outras normas da ABNT sejam observadas, • NBR 6022/2003: apresentação de artigo em publicação periódica impressa; • NBR 10.520/2002: apresentação de citações em documentos; • NBR 5892/1989: norma para datar; • NBR 6028/2003: resumo; • NBR 6024/2003: numeração progressiva das seções de um documento; • norma de apresentação tabular do IBGE. 1.2 Diretrizes para Autores 1º. Os textos submetidos deverão ser inéditos e não poderão estar sob avaliação em outro periódico. 2º. A submissão será feita online. O texto não deverá conter informação sobre a autoria. A identificação e a filiação institucional serão feitas no momento da submissão do artigo ou resenha. 3º. O texto deverá ser editado no MS-Word e formatado em A4, obedecendo às seguintes regras: a) digitação em Arial 12 para o corpo do texto e 10 para citações em parágrafo próprio (citações com mais de 3 linhas *); b) espaçamento entrelinhas de 1,5 cm para o corpo do texto e 10 para citações em parágrafo próprio (citações com mais de 3 linhas*); c) sem entrada de parágrafo e recuo de 4 cm nas citações em parágrafo próprio (citações com mais de 3 linhas*); d) margens esquerda e superior de 3 cm, inferior e direita de 2 cm; e) as páginas deverão ser numeradas no canto superior à direita. *A revista é editada em duas colunas, portanto, vamos considerar as citações com mais de 5 linhas. 24 4º. Todos os textos deverão estar acompanhados de um resumo (máximo de 250 palavras) e palavras-chave, abstract e keywords (precedendo o texto) e referências; 5º. O título deverá estar em fonte Arial 14, centralizado, seguido do nome do autor em fonte Arial 12 e da afiliação institucional, com espaço duplo entre o título e o nome do autor. Não iniciar uma nova página a cada subcapítulo. Os títulos são diferenciados graficamente entre seções de hierarquia diferentes e iguais quando de mesma hierarquia, seguindo uma numeração seqüencial; 6º. Utilizar aspas duplas para ênfase ou destaque e itálico para títulos de obras, palavras ou expressões em outros idiomas citadas no texto; 7º. As citações bibliográficas serão indicadas no corpo do texto, no sistema de chamada autor-data, entre parênteses, com as seguintes informações: sobrenome do autor em caixa alta; vírgula; data da publicação; vírgula; abreviatura de página (p.) e o número desta. Exemplo: SILVA, 1992, p. 3-23; 8º. As notas de rodapé deverão ser restritas ao mínimo indispensável; 9º. As referências deverão ser apresentadas ao final do texto, obedecendo as normas da ABNT (NBR-6023); 10º. As ilustrações deverão ter a qualidade necessária para uma boa reprodução gráfica. O formato do arquivo de imagem deverá ser jpg. As imagens deverão ser identificadas com título ou legenda e designadas, no texto, de forma abreviada, como figura (Fig. 1, Fig. 2 etc). 2 POLÍTICA DE PRIVACIDADE Os nomes e endereços informados nesta revista serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros. 3 DECLARAÇÃO DE DIREITO AUTORAL A revista se reserva o direito de efetuar, nos originais, alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com vistas a manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores. As provas finais não serão enviadas aos autores. Os trabalhos publicados passam a ser propriedade da revista Inter Fainc, ficando sua reimpressão total ou parcial, sujeita à autorização expressa da direção da FAINC. Deve ser consignada a fonte de publicação original. Os originais não serão devolvidos aos autores. As opiniões emitidas pelos autores dos artigos são de sua exclusiva responsabilidade. 4 SOBRE O SISTEMA DE PUBLICAÇÃO ELETRÔNICA DE REVISTAS A revista utiliza o Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas - SEER (OJS 2.2.3.0), sistema de código aberto para administração e publicação de revistas, desenvolvido com suporte e distribuído, gratuitamente, pelo Public Knowledge Project sob a licença General Public License - GNU 25 www.fainc.com.br/revista 26