Sucessões Definição: Sucessão de números reais é qualquer aplicação do conjunto dos naturais, N, no conjunto dos reais, R. Notações: u n nN , u n n ou u n . u n v termo geral da sucessão Exemplos importantes: 1. Progressão aritmética de razão r e primeiro termo a : - os termos são a, a r, a 2r, T - o termo geral é u n a n " 1 r 2. Progressão geométrica de razão r e primeiro termo a : - os termos são termos são a, ar, ar 2 , T - o termo geral é Ana Matos - AMII 0607 u n ar n"1 (versão de 20 de Março) Suc. 1 Limite de uma Sucessão Definição: O número real a é limite da sucessão u n se para qualquer - 0 existe p N tal que, para qualquer n p, |u n " a| -, isto é -0 pN nN : n p ´ |u n " a| - . O que significa que S para qualquer - 0, existe uma ordem p a partir da qual todos os termos da sucessão pertencem ao intervalo a " -, a - . Diz-se também que u n converge para a ou que u n tende para a. Notações: S lim u n a, lim u n a ou u n v a nv. u n diz-se convergente se existe um número real a tal que u n v a; diz-se divergente caso contrário. Proposição: O limite de uma sucessão quando existe é único. S Uma sucessão diz-se um infinitésimo se converge para zero. Nota: u n converge para a sse u n " a é um infinitésimo. Ana Matos - AMII 0607 (versão de 20 de Março) Suc. 2 Sucessões Limitadas Recorde-se que, sendo A subconjunto de R: S S S S S S um real b é um majorante de A se qualquer elemento de A for menor ou igual a b; um real a é um minorante de A se qualquer elemento de A for maior ou igual a a; A é majorado (ou limitado superiormente) se tiver majorantes; A é minorado (ou limitado inferiormente) se tiver minorantes; A é limitado se for majorado e minorado; se A não é limitado diz-se ilimitado. Definição: Uma sucessão u n diz-se limitada se o conjunto dos seus termos é limitado, ou seja se L,MR nN : L t u n t M . O que é equivalente a M R n N, |u n | t M . Proposição: Toda a sucessão convergente é limitada. Atenção: O recíproco desta proposição não se verifica. Proposição: Se u n é um infinitésimo e v n é uma sucessão limitada então u n . v n é um infinitésimo. Ana Matos - AMII 0607 (versão de 20 de Março) Suc. 3 Propriedades dos Limites Proposição: Não se altera o limite de uma sucessão convergente modificando um número finito de termos. Proposição: Se os termos de uma sucessão são todos iguais a uma certa constante, a sucessão tem por limite essa constante. nt7 1 n Questão: Qual o limite de v n n7 2 ? Proposição: Se u n e v n são sucessões convergentes tais que, a partir de certa ordem, u n t v n , então lim u n t lim v n . Observação: O resultado anterior não se verifica para desigualdades estritas. Proposição (propriedades operatórias) Sejam u n e v n sucessões tais que u n v a e v n v b, com a, b R. Então: 1. u n v n v a b; 2. cu n v ca, sendo c R; 3. u n . v n v ab; 4. se b p 0 e v n p 0, nN então un vn v ; a b 5. se p N, u n v a p ; p 6. |u n | v |a|; 7. se p N e u n u 0, nN então p u n v 8. se p N e p é ímpar então p u n v Ana Matos - AMII 0607 (versão de 20 de Março) p p a; a. Suc. 4 Nota: A sucessão |u n | pode ser convergente sem que u n seja convergente. S No entanto, verifica-se que u n v 0 sse |u n | v 0. Teorema das Sucessões Enquadradas: Sejam u n , v n e w n sucessões tais que, a partir de certa ordem, u n t v n t w n . Se u n v a e w n v a, então v n v a. Limites Infinitos Definição: Diz-se que uma sucessão u n tem limite mais infinito (ou que tende para mais infinito) se, para todo o número real L 0, existe uma ordem p tal que, para n p, u n é maior do que L, isto é L0 pN nN : n p ´ u n L. Notações: lim u n ., nv. lim u n . ou u n v .. Então Qualquer que seja o real positivo, existe uma ordem tal que u n v . « Ana Matos - AMII 0607 qualquer termo da sucessão L 0 pN n N : a partir dessa ordem np é maior do que esse real. un L (versão de 20 de Março) ¶ Suc. 5 Definição: Diz-se que u n tem limite menos infinito (ou que tende para menos infinito) se, para todo o número real L 0, existe uma ordem p tal que, para n p, u n é menor do que L, isto é L0 pN nN : n p ´ u n L. Notações: lim u n "., nv. lim u n ". ou u n v ".. Então qualquer que seja o real negativo, existe uma ordem tal que u n v ". « S É claro que qualquer termo da sucessão L 0 p N nN : a partir dessa ordem np é menor do que esse real. un L u n v ". sse ¶ "u n v . Definição: Diz-se que u n tem limite infinito ou tende para infinito se |u n | v . isto é L0 pN nN : n p ´ |u n | L. Notações: lim u n . lim u n . ou u n v .. nv. Ana Matos - AMII 0607 (versão de 20 de Março) Suc. 6 S S S S S Uma sucessão com limite infinito diz-se um infinitamente grande; Uma sucessão com limite . diz-se um infinitamente grande positivo; Uma sucessão com limite . ". infinitamente grande negativo Uma sucessão diz-se propriamente divergente se tende para mais infinto ou para menos infinto Uma sucessão diz-se oscilante se não for convergente nem propriamente divergente. Em resumo, as sucessões podem ser: convergentes (limite finito) infinitamente grande propriamente divergentes v positivo ou infinitamente grande negativo divergentesv ou limite infinito oscilantes (nos restantes casos) v sem sinal determinado ou sem limite (finito ou infinito) Ana Matos - AMII 0607 (versão de 20 de Março) Suc. 7 Propriedades dos Limites Infinitos Proposição: Sendou n e v n duas sucessões tem-se que: 1. se u n v . e, a partir de certa ordem, u n t v n , então v n v .; 2. se u n v ". e, a partir de certa ordem, v n t u n , então v n v ".. Proposição (Propriedades operatórias): Sendo u n e v n duas sucessões tem-se que: 1. se u n v . e v n v . então u n v n v .; 2. se u n v ". e v n v ". então u n v n v ".; 3. se u n v . (resp. ". e v n v a, com a R, então u n v n v . resp. ". ; 4. se u n v . e v n v a, com a R, então u n v n v .; 5. se u n v . (resp. ". e v n v b, com b R , então u n . v n v . resp. ". ; 6. se u n v . (resp. ". e v n v c, com c R " , então u n . v n v ". resp. . ; 7. se u n v . e v n v . então u n . v n v .. Notação abreviada (exemplos): . . . Ana Matos - AMII 0607 (versão de 20 de Março) ". ". ". Suc. 8 Símbolos de Indeterminação Os símbolos .. .". 0. . . " . . ". 0. . 0. ". são designados por símbolos de indeterminação. Isto quer apenas dizer que, nas situações correspondentes, o facto de existir ou não limite, bem como o seu valor, depende das sucessões envolvidas; não resulta imediatamente de uma propriedade das operações. Ana Matos - AMII 0607 (versão de 20 de Março) Suc. 9 Proposição: Seja u n uma sucessão de termos diferentes de zero: 1. se u n v . então 1 un v 0; 2. Se u n v 0 então 1 un v .. Isto é S S o inverso de um infinitamente grande é um infinitésimo; o inverso de um infinitésimo é um infinitamente grande Seja uma u n sucessão que tende para a R: - se, a partir de certa ordem, u n a, diz-se que S u n tende para a por valores superiores e escreve-se un v a. - se, a partir de certa ordem, u n a, diz-se que S u n tende para a por valores inferiores e escreve-se un v a". Observação: se u n v 0 resp. 0 " então u1n v . resp. " . . Ana Matos - AMII 0607 (versão de 20 de Março) Suc. 10 Proposição: Sejam u n e v n sucessões, v n com os termos diferentes de zero. Então: 1. se v n v . e u n tem limite finito, v 0; un vn 2. se v n v 0 e u n tem limite infinito ou finito e diferente de zero, uv nn v .; Notação abreviada: a . 0 . 0 . a 0 ., se a p 0 São também símbolos de indeterminação 0 0 . . o. o. pois o facto de existir ou não limite, bem como o seu valor, depende das sucessões envolvidas; não resulta imediatamente de uma propriedade das operações. Ana Matos - AMII 0607 (versão de 20 de Março) Suc. 11 Observação: Sejam Pn e Qn polinómios de graus p e q , respectivamente, isto é: Pn a 0 a 1 n C a p n p , com a p p 0, Qn b 0 b 1 n C b q n q , com b q p 0 Então lim Pn . , se a p 0 ". , se a p 0; . lim Pn Qn 0 ap bq , se p q , se p q , se p q. Mais, se p q, lim Ana Matos - AMII 0607 Pn Qn . , se a p e b q têm o mesmo sinal ". , se a p e b q têm sinais contrários (versão de 20 de Março) Suc. 12 Sucessões Monótonas Definição: Uma sucessão u n diz-se: S S S S S S crescente (em sentido lato) se u n1 u u n , nN ; decrescente (em sentido lato) se u n1 t u n , nN ; monótona (em sentido lato) se for crescente ou decrescente (em sentido lato); estritamente crescente se u n1 u n , nN ; estritamente decrescente se u n1 u n , nN ; estritamente monótona se for estritamente crescente ou estritamente decrescente. Observação: S S frequentemente estuda-se o sinal de u n1 " u n ; por vezes é mais fácil estudar a n1 an (a n 0, nN ). Teorema: Toda a sucessão monótona e limitada é convergente. Mais precisamente: - toda a sucessão crescente e majorada tem limite (igual ao supremo do conjunto dos seus termos); - toda a sucessão decrescente e minorada tem limite (igual ao ínfimo do conjunto dos seus termos). Nota: o supremo de um conjunto é o menor dos seus majorantes e o ínfimo é o maior dos seus minorantes. Ana Matos - AMII 0607 (versão de 20 de Março) Suc. 13 Proposição: Toda a sucessão monótona tem limite finito ou infinito. Dada uma sucessão monótona, tem-se um de dois casos: S a sucessão é limitada v tem limite finito, visto que é convergente; S a sucessão não é limitada v tem limite . ou "., conforme é crescente ou decrescente. Número de Neper: Prova-se que a sucessão de termo geral n 1 1n é (estritamente) crescente e tem os termos entre 2 e 3. Portanto, é monótona e limitada, pelo que é convergente em R. O limite desta sucessão representa-se por “e”. Assim, lim 1 1n n e. Prova-se que e é um número irracional. Proposição: Se u n é um infinitamente grande e a R, então lim 1 uan Ana Matos - AMII 0607 (versão de 20 de Março) un ea . Suc. 14 Subsucessões Definição: Sendo u n uma sucessão e n k uma sucessão estritamente crescente de elementos de N, sucessão v k u n k diz-se uma subsucessão de u n . Uma subsucessão de u n é uma sucessão extraída de u n . escolhendo certos índices, em número infinito, por ordem crescente. Escolhendo n 1 , n 2 , n 3 , T , com n 1 n 2 n 3 T , a sucessão u n 1 , u n 2 , u n 3 , T , é subsucessão de u n . Duma sucessão u n podem extrair-se, por exemplo: S S S S u 2 , u 4 , T , u 2k , T (dos termos de ordem par); u 1 , u 3 , T , u 2k"1 , T (dos termos de ordem ímpar); u 3 , u 6 , u 9 , T , u 3k , T (dos termos de ordem múltipla de 3); u 2 , u 3 , u 5 , u 7 , T (dos termos cuja ordem é um número primo). Proposição: Toda a subsucessão duma sucessão com limite (finito ou infinito) tem o mesmo limite. Corolário: Se uma sucessão tem duas subsucessões com limites diferentes, a sucessão não tem limite. Proposição: Se as subsucessões dos termos de ordem par e dos termos de ordem ímpar de u n n são ambas convergentes e têm o mesmo limite, então u n n converge para esse limite. Ana Matos - AMII 0607 (versão de 20 de Março) Suc. 15 Proposição: Toda a sucessão de reais tem uma subsucessão com limite (finito ou infinito). S Chama-se limite superior de u n ao maior dos limites (finitos, . ou ".) das subsucessões de u n ; representa-se por limu n ou lim sup u n , S Chama-se limite inferior de u n ao menor dos limites (finitos, . ou ".) das subsucessões de u n ; representa-se por limu n ou lim inf u n . Ana Matos - AMII 0607 (versão de 20 de Março) Suc. 16 Resultados úteis no cálculo de limites Proposição (Limite da potência): Sendo a um escalar real . lim a n 0 1 , se a 1 , se |a| 1 , se a 1 não existe , se a "1 . , se a "1. Proposição (Limite da média aritmética): Se u n é uma sucessão tal que u n v a, com a R, a . ou a "., então u1 u2 C un v a . n Corolário Sendo u n uma sucessão, se u n1 " u n v a então u n v a. n Exemplo importante: lim lnnn 0. Ana Matos - AMII 0607 (versão de 20 de Março) Suc. 17 Proposição (Limite da média geométrica): Se u n é uma sucessão de reais não negativos e u n v a, com a R ou a ., então n u 1 u 2 T u n v a. Corolário: Sendo u n uma sucessão de reais positivos, se uunn1 v a então n u n v a. Exemplo: lim n a 1 Proposição: Se u n é um infinitamente grande e a R, então un lim 1 uan ea . Ana Matos - AMII 0607 (versão de 20 de Março) Suc. 18 Sucessões definidas por recorrência Uma sucessão está definida por recorrência quando: - é indicado o valor do primeiro termo (ou dos primeiros termos), - o valor de um certo termo é definido a partir do anterior (ou de mais do que um termo anterior). Exemplos: 1. u1 1 u n1 n 2 u n , nN , 2. v1 1 , v2 2 v n2 2v n1 " 3v n , nN , 3. progressão aritmética de razão r e primeiro termo a u1 a u n1 u n r , nN ; 4. progressão geométrica de razão r e primeiro termo a u1 a u n1 u n . r , nN . Ana Matos - AMII 0607 (versão de 20 de Março) Suc. 19 O Método de Indução Finita O Método de Indução Finita, é fundamental para provar muitas propriedades dos naturais e também outras propriedades em que intervêm naturais. É especialmente indicado para provar propriedades de sucessões definidas por recorrência. Teorema: (Princípio de Indução Finita) Seja Pn uma condição na variável (natural) n tal que: - P1 é verdadeira, - para qualquer n N, Pn ´ Pn 1 . Então Pn é verdadeira, para qualquer n N. Método de Indução Finita: S S prova-se que P1 é verdadeira; Passo de Indução: Para n N (arbitrário), assume-se que Pn é verdadeira (Hipótese de Indução) e prova-se que Pn 1 é verdadeira (Tese de Indução) S conclui-se, pelo Princípio de Indução Finita, que Pn é verdadeira para qualquer n N. Ana Matos - AMII 0607 (versão de 20 de Março) Suc. 20