PROFESSOR, VOCÊ VAI CONTAR HISTÓRIA HOJE? UMA AÇÃO INTERATIVA NA FORMAÇÃO DA CRIANÇA ENQUANTO SER CRÍTICO NAS AULAS DE HISTÓRIA DO SEXTO ANO Nilton Maurício Martins Torquato1 Grupo de Trabalho – Didática: Teorias, Metodologias e Práticas Agência Financiadora: não contou com financiamento Resumo Os educadores, dos anos finais do fundamental, têm um grande desafio em ensinar história, pois os alunos, conectados na internet, estão desinteressados nos conteúdos abordados em sala. O conteúdo parece algo muito distante e destituído de senso prático. Nesse sentido, este relato de experiência, busca socializar soluções que tenho usado como educador. Meu relato inicia-se a partir de ações corriqueiras de docente em história, passei a pesquisar processos educacionais capazes de cativar o aluno sem relegar o conteúdo para o segundo plano. A ação, por mim escolhida, envolve uma docência mais dinâmica e prazerosa, na qual os alunos são desafiados a experimentar a história como se fossem atores. O aluno é colocado na posição de protagonista dos feitos históricos e percebe o ambiente social em que esses fatos ocorreram. Através da contação de história e da narração de fatos históricos, os alunos vivem a história contada e atribuem um sentido ao narrado. Os discentes também compreendem as rupturas e permanências presentes na história e as comparam com a realidade. Neste caso o antigo questionário dá lugar ao guia de estudos. Sem a necessidade de mudanças no material didático ou nas estruturas escolares já existentes, esta experiência, relata o dia a dia de um contador de história que proporciona ao aluno uma contação apaixonada de fatos com os conteúdos contextualizados aos anos finais do fundamental II. Palavras-chave: Ensino Fundamental. História. Prática Docente. Narrativa. Introdução A frase que compõe a primeira parte do título deste relato de experiência tem se tornado uma constante nos meus últimos anos de docência no Colégio Bagozzi. Contar um fato histórico de forma contextualizada, com uma ação na qual os alunos se sentem protagonistas da história contada, tem trazido uma grande paixão dos alunos em relação a esta 1 Licenciado em História pela UFPR; Bacharel em Teologia; pós graduado em Gestão e Educação ambiental; Professor na educação básica – Colégio Bagozzi, Curitiba/PR ISSN 2176-1396 42246 área do conhecimento. Esta ação também tem garantido um aprendizado crítico do conteúdo a ser ensinado. Quando comecei o trabalho como professor de história no ensino fundamental, percebi o quanto algumas práticas pedagógicas conservadoras comuns encontravam-se cristalizadas em mim, mesmo sem fazer o menor sentido nos dias de hoje. Ações como lista de exercícios, leituras com resumos e esboço de quadro eram lugar comum nas minhas (e quem sabe de outros) aulas. A prática demonstrou que estas ações estavam muito próximas da ineficiência, pois não faziam os alunos desejarem estudar a matéria, apenas decoravam para as provas. Creio que o ensino de história se preze a mais do que isso. É imperativo que seja uma ciência da reflexão. Após alguns dias os conteúdos das provas eram completamente esquecidos, pois não faziam sentido nas suas vidas. Era uma matéria distante, Idade Antiga, cuja compreensão parecia impossível. Percebi também que as análises eram exclusivamente aquelas escritas no material didático, sem um sentido pessoal ou prático para a vida do aprendente. Mesmo buscando novos materiais didáticos não percebia mudanças, apenas a continuidade do que já havia sido feito até então. Ao conversar com colegas, muitas vezes, escutava que isso ocorria por conta da maturidade do estudante e que com o tempo haveria uma melhora. Minha atitude foi a de buscar uma nova abordagem didática que respondesse à realidade que se apresentava à minha frente. Não apenas reforçar o senso comum aprendido pela internet, mas a construção de uma história crítica e interativa. Este relato de experiência tem por objetivo, portanto, socializar o percurso pedagógico vivenciado em minha prática docente. Um refletir sobre a minha ação didática que conduziu a novos posicionamentos didático-pedagógicos no fazer do ensino de história. Reflexão a partir da prática para uma nova ação pedagógica Jerome Bruner afirma que “começamos pela hipótese que qualquer matéria pode ser ensinada efetivamente, em alguma forma intelectualmente honesta, para qualquer criança em qualquer fase de desenvolvimento” (BRUNER, 2002, p.33). Se é possível ensinar qualquer matéria era necessária uma ação que atingisse o objetivo proposto. Barca e Gago (2001) indicam que a ação de rotular a faixa etária como se houvesse um crescimento meramente linear acaba sendo um grande erro. Cada pessoa possui sua própria cadência de aprendizado. Embora as crianças possuam uma tendência ao pensamento concreto, várias são as áreas que demonstram o quanto já conseguem desenvolver um 42247 pensamento abstrato. Os jogos de computadores são o maior exemplo, trata-se de uma realidade virtual, mas as imagens e o enredo do jogo tornam-se plausivelmente reais para o aluno. Este tipo de pensamento tem ocupado minha pesquisa e ação. Neste caso, uma ação que induza o aluno a aprender aquilo que, inicialmente, não lhe parecia interessante. As pesquisas “têm sugerido fortemente que a criança ou o jovem aprenderá melhor quando as tarefas que lhe são propostas fazem sentido em termos de vivência humana.” (BARCA; GAGO, 2001, p.240) Este sentido pode ser conseguido quando se leva o aluno a comparar a história que ele estuda com a sua própria história de vida. Mesmo compreendendo que esta ação gera um momentâneo anacronismo, o aluno consegue comparar a sua realidade com a do conteúdo. Isso garante aos discentes reflexões que permitem uma postura crítica quanto ao conteúdo aprendido. Burns indica que “Em algum lugar entre a apatia e emoção selvagem, há um ótimo nível de atenção despertada, que é ideal para a atividade de sala de aula.” (BRUNER, 1999, p.72)2. Neste caso cabe ao professor descobrir este ponto. Buscar o que desperta no aluno estas emoções motivadoras e implementar ações pedagógicas capazes de fazer diferença no aluno. Não é importante apenas buscar as matérias que o aluno gosta, até porque mesmo historiadores possuem áreas da matéria para as quais não sentem qualquer motivação de ler ou aprender. Portanto não estou aqui propondo o abandono do que já é feito, mas a busca de novas formas para potencializar o conhecimento a ser passado para os nossos alunos. Volto a Bruner “Parece ser implícito, pela busca da excelência, que é relevante não só para o que nós ensinamos , mas a forma como ensinamos e como nós despertamos o interesse de nossos alunos.” (BRUNER, 1999, p.70) Desta forma o aluno estimulado, motivado e interessado pelo que lhe foi apresentado redescobre o mundo do conhecimento. Não mais como algo monótono e chato, mas como um mundo deslumbrante. Este autor ainda indica que o interesse e a excitação pelo conhecimento não podem ser de curto prazo, ou seja, apenas como um indício temporário, não contínuo. Uma ação pontual pode levantar o interesse dos alunos apenas no curto prazo. “Filmes, meios audiovisuais e outros tais dispositivos podem ter o efeito no curto prazo de prender a atenção. Em longo prazo, eles podem produzir uma pessoa passiva, esperando por algum tipo de cortina que irá despertá-lo.” (BRUNER, 1999, p. 72) Curto prazo da excitação de interesse não é o mesmo que o estabelecimento de longo prazo de 2 Tradução do autor. 42248 interesse no mais amplo sentido. O filme pode ser usado, mas como processo na construção do conhecimento e não a finalidade ou uma desculpa. Foi a partir da relação destas reflexões teóricas com a prática desenvolvida em sala que propus um novo percurso pedagógico nas aulas de história. Selma Pimenta (1997) afirma que a prática docente é o ponto de partida para a releitura da relação teoria-prática no fazer do professor. Para fins de melhor compreensão deste percurso, será descrito o local onde desenvolvo estas práticas; passos da abordagem do conteúdo; detalhamento. Descrição do local de aplicação da ação pedagógica Esta ação educacional está sendo aplicada no Colégio Bagozzi, localizado no bairro do Portão, em Curitiba. Existem seis turmas de sexto ano neste ano de 2015, sendo três pela manhã e três no período da tarde. A média é de 31 de alunos por turma, na faixa etária entre 10 e 11 anos. O índice de desperiodizados, que repetiram um a dois anos em sua caminhada escolar, é de 2% (dois porcentos). Portanto o número de alunos atendido pela presente ação pedagógica é de cerca de cento e trinta. (COLÉGIO BAGOZZI, 2015) É um colégio católico pertencente à Congregação dos Oblatos de São José. O carisma reinante na escola é o de São José Marello, que se baseia na prática da fé cristã e no ensino que busca indicar ao aluno uma fé dinâmica capaz de afastá-lo de uma vida vazia. Os valores advogados pela escola são a abertura a Deus, respeito pela vida, atenção à família, amor aos jovens, respeito mútuo, solidariedade, vontade, autodomínio, gratidão, disciplina e interioridade. Desta forma busca-se uma educação em que a fé católica josefino-mareliana oriente as ações intencionais da equipe pedagógica. (CONGREGAÇÃO OBLATOS DE SÃO JOSÉ, 2015) O material didático adotado vem em forma de apostilas bimestrais, divididas em módulos. Esta disposição facilita a administração do tempo conforme o conteúdo, garantindo uma correta abordagem deste material. O material é publicado por um importante sistema educacional brasileiro com sede na cidade de Curitiba. O sexto ano aborda a história antiga e a introdução à história medieval. O conteúdo do primeiro bimestre versa sobre a introdução ao ensino de história, os primeiros seres humanos, Mesopotâmia e Egito. O segundo semestre versa sobre os fenícios, hebreus, persas e gregos. O terceiro semestre estuda exclusivamente Roma. O quarto semestre trabalha a queda de Roma e as consequentes invasões bárbaras. 42249 Passos da abordagem de conteúdo A cada novo conteúdo uma sequência se torna um padrão. Este padrão pode, ou não, sofrer alterações conforme a realidade de cada turma ou o tempo disponível para o conteúdo em questão. Passo a descrever inicialmente de forma sucinta para posteriormente me ater detalhadamente a cada passo. Todo o conteúdo começa a ser apresentado ao aluno pelo que chamo de “sobrevoo”. Neste sobrevoo busco curiosidades que o aluno dificilmente descobriria na internet sobre o assunto. Após esta ação, que pode durar de uma a duas aulas segue-se a marcação do conteúdo junto ao livro didático. Nesta fase as explicações sempre incluem fatos históricos contados em forma de narrativa romanceada que facilitem a aproximação do aluno com o conteúdo estudado. Cada história é contada usando os próprios alunos como protagonistas. Outra parte importante é a experiência com o conteúdo estudado. Nele o aluno vivencia o estudado e fixa o conteúdo mediante o lúdico. Além das lições de casa os alunos recebem um guia de estudos, fundamental para o estudo para a avaliação sobre o tema. Detalhamento A primeira parte da ação pedagógica, conforme já descrito, pode ser chamada de sobrevoo. Neste primeiro momento busco pesquisar bastante sobre as culturas a serem estudadas. Cada povo possui suas características que precisam ser cuidadosamente descritas neste primeiro momento. A dinâmica desta explicação envolve a descentralização da sala de aula, conforme estudado por Barca e Gago (2001). A movimentação pela sala é pensada de forma pedagógica e intencional. É a oportunidade de parar junto a alunos com maior dificuldade ou que apresentam maior grau de perda de atenção. Neste caso a sala pode, inclusive, ser temporariamente invertida. Isso ocorre com bastante frequência. Descentralizando a sala tenho percebido que os alunos passam a dar maior importância ao conteúdo, pois, não o percebem apenas como uma continuação, mas como uma ruptura em relação às demais aulas do dia. A mudança de centro da sala, que pode ocorrer em qualquer parte desta, auxilia com a questão da disciplina porque não existem lugares distantes do professor. Qualquer aluno pode estar na primeira fileira sem necessidade de mudar a disposição das carteiras. Nesta caminhada pela sala é possível também coibir materiais estranhos à aula que dificultam a ação educacional. Na primeira parte do conteúdo o aluno 42250 sempre é convidado a dar opinião referente aos fatos apresentados sobre povos estudados. A opinião deles sempre é reforçada para demonstrar a ruptura histórica apresentada no conteúdo estudado e a realidade própria do aluno. Busco aproveitar esta opinião inicial para indicar outras formas de pensar a vida. Demonstro que o ser humano sempre teve mudanças ao redor da história e que a maneira de pensar a vida que eles aprenderam não é a única existente. “O passado deve ser interrogado a partir de questões que nos inquietam no presente (caso contrário, estudá-lo fica sem sentido).” (PINSKY e PINSKY, 2005, p.17) Desta forma não se constrói uma história pelo conteúdo, mas pelo nexo e pela reflexão do passado. Uma história que possui o duplo compromisso de revisitar o passado e modificar a percepção do presente. Nesta fase, busco fascinar o aluno com a civilização que será estudada. As curiosidades e as histórias permitem ao aluno imaginar-se no mundo estudado. Os alunos são escolhidos aleatoriamente para os papéis da história contada. A viagem imaginária dos alunos torna-se uma constante. O aluno começa a se sentir então como agente de uma história que já passou, mas que pode ser relida, reinterpretada e questionada. É muito comum na aula seguinte os alunos trazerem novas descobertas que fizeram em suas pesquisas pessoais. É importante ressaltar que estas pesquisas pessoais, nesta fase, não recebem qualquer nota como fator “motivador”. Torna-se motivação a própria vontade do aluno contar para os outros aquilo que descobriu. A próxima fase envolve a marcação do material didático adotado. Não creio que, apenas o que foi falado dê conta das necessidades educacionais do aluno. Neste momento uso leitura pelos próprios alunos com explicações a cada temática terminada. É o momento em que os alunos questionam o que foi visto, indicam suas próprias leituras do tema tratado no texto, marcam os pontos mais importantes da apostila e ainda fazem as perguntas presentes na apostila. Neste momento cada tema estudado e lido é transferido na forma de contação de histórias. (SOUZA e BERNARDINO, 2011) Os alunos são colocados na função de reis do passado e nos generais com seus exércitos. Não existe movimentação da turma, pois cada um vai sendo indicado nas suas carteiras. Não é raro os alunos expressarem seus sentimentos na situação narrada, interagindo com o conteúdo. “Desta forma, a fala serve para criar uma ponte entre o mundo interno e o mundo externo da criança e mais, por meio da fala ela organiza cria representações do mundo e consegue manipular diversos conceitos por meio da fala.” (CONTIER e NETTO, 2007, p.2). Conforme também defende Bruner (2002), as narrativas ajudam o aluno a perceber as 42251 semelhanças com a sua vida. Isto também o ajuda a estabelecer as diferenças de forma que haja nexo no conteúdo apresentado. Se a história for apaixonada o aluno se integrará ao conhecimento fazendo-se parte dele. (SOUZA e BERNARDINO, 2011) “Porém, o papel da narrativa como estruturadora da forma de pensar não se deve apenas ao fato de que contamos e/ou ouvimos histórias, mas ao fato de que nos constituímos seres pensantes devido ao desenvolvimento da fala interior que, por sua vez, é decorrente da fala exterior” (CONTIER e NETTO, 2007, p.7). O ser pensante consegue interagir em sala construindo o conhecimento e apropriando-se das informações ali passadas. É o momento de indicar as mentalidades, os aspectos políticos e valorativos das sociedades antigas. É comum observar que cada um deseja ser o escolhido para a história. Alguns acontecimentos históricos recebem aqui um aspecto romanceado sem perder de foco os fatos históricos. Para reforçar este aprendizado segue-se um momento de construção de algo que os ajude a imergir no conhecimento e, principalmente na cultura estudada. Neste ponto agradeço ao imenso apoio que recebo da equipe pedagógica, sem o qual estas ações seriam impensáveis. Estas ações podem ir desde simples escrita do nome na língua estudada até a confecção de fantasias e maquetes. Cabe ressaltar que não se trata de uma ação desconectada das demais. Este ano pudemos escrever os nomes em todas as línguas de povos estudados até aqui. Claro que a escrita não tem como objetivo ensiná-los a escrever em outra língua, mas a compreensão de parte desta cultura e história à partir dos caracteres escritos destas culturas. Claro que se exige aqui o estudo constante do professor e a capacidade de engajá-los no processo. Num grande cartaz os alunos colocam seus nomes em ícones que não compreendem e os vêm sendo parte da história recém-estudada. Dificilmente eu escrevo meu próprio nome, pois tenho percebido que eles o fazem por mim. Acaba sendo um momento extremamente prazeroso no qual eles refletem como seria caso tivessem nascido naquela cultura e tivessem que escrever desta forma em seus cadernos. A comparação indica a especificidade da cultura estudada. O turismo virtual é outro método que tenho experimentado com grande êxito. Usando o Google mapas é possível visitar virtualmente todos os locais estudados. É o momento em que mostro monumentos arqueológicos e ruínas. Gosto muito de demonstrar a importância da preservação do patrimônio histórico, pois esta visita seria impossível se ele tivesse sido destruído. Mostram-se os acidentes geográficos e ressalta-se a mutação que ocorreu no lugar. 42252 As próprias fotografias de satélite são muito perfeitas para ensinar o crescente fértil, mesmo com as mudanças que a história trouxe a estes lugares. Tenho usado ainda festas ou exposições temáticas em que os alunos são motivados a construir e vestir fantasias dos grupos estudados. A escola já viu pessoas vestidas de deuses gregos, soldados romanos e cavaleiros medievais. Tudo é feito com muita alegria e tem sempre recebido muito apoio da equipe pedagógica e dos pais. Outro aspecto muito usado refere-se à fontes históricas. Textos, imagens, mapas, construções são usados como fontes históricas e identificados como tais para os alunos. As fontes históricas precisam ser apresentadas aos alunos como um elemento central na construção da história. É neste momento em que o aluno pode descrevê-las, interpretá-las dentro de suas limitações. É neste momento que se pode trabalhar a importância da preservação destas fontes e o valor para o futuro que estas fontes possuem. Eles aprendem que, mesmo um álbum antigo de família pode ser uma fonte, basta preservar. A última e, muito importante parte, trata da sistematização do conhecimento pelos alunos. Tenho utilizado com muito sucesso o “Guia de Estudos”. Longe de um mero questionário para estudar para a prova, o guia de estudos é parte integrante do processo didático. Os próprios alunos já estão tão acostumados a ele que perguntam quando ele será passado. O guia de estudos é constituído por cerca de vinte tópicos que são divididos entre questões para serem respondidas (com a página onde o aluno encontra a resposta e, não raramente, o contexto do fato), locais que devem ser revisados para a avaliação, indicação de exercícios feitos durante a segunda fase do trabalho com suas respectivas páginas na apostila. Neste guia de estudos posso usar um pequeno texto escrito na linguagem que possa ser útil na hora de avaliar o processo educacional. Não é rara a utilização destes textos porque eles complementam aquilo que a apostila não traz. Os guias de estudos são usados como parte da avaliação diversificada, assim como as ações lúdicas que visam fixar os conhecimentos essenciais para a formação do aluno. Enquanto o aluno responde e estuda os direcionamentos feitos no guia de estudos ele se prepara adequadamente para a etapa avaliativa formal do processo educacional. As provas sempre seguem o caminho temático traçado pelo guia de estudos sem, contudo, repetir as perguntas ou exercícios feitos. Isto ocorre porque não é finalidade aqui decorar conteúdos. Na prova sempre existem textos em forma de conversa com o aluno. Neles 42253 busco relembrar o contexto em que o assunto foi estudado e ajudá-lo a relembrar os contextos e histórias contadas, além do próprio guia de estudos. Considerações Finais A complexidade na ação educacional nunca foi de fácil e simples abordagem. Isto pode ser percebido pelo número de teóricos que já se debruçaram sobre este desafio ao redor da história. A criança atual, conectada no mundo digital, com um número imenso de informações que nem sempre conduzem ao conhecimento. Esta criança multiconectada traduz-se em um desafio ainda maior para quem se propõe a aventurar-se na profissão de educador. Neste contexto muitos tendem a dar mais do mesmo, ou seja, fornecer à criança apenas aquilo que está acostumada sem retirá-la de sua posição de conforto para abrir-se ao novo. Outros por sua vez inundam as salas de professores de nossas escolas reclamando e, num ato desesperador, desistindo de fazer a diferença na vida destas crianças. Este trabalho demonstra que não são necessárias imensas quantidades de equipamentos tecnológicos de última geração, nem grandes estruturas físicas, basta o famoso giz tão familiar aos colegas docentes, entretanto, com uma postura reflexiva sobre a própria ação docente. Claro que é imprescindível uma equipe pedagógica que de apoio ao professor, ajudando-o na caminhada e relendo aquilo que precisa ser melhorado. Uma equipe que faça os alunos e pais compreenderem que não se trata de um modismo, nem de um simples programa isolado. Uma equipe que sempre esteja disposta a arriscar em busca da função máxima da docência, educar alunos com vistas à construção do conhecimento, desta forma tornando-os protagonistas em sua própria vida. Outra questão essencial é que o professor necessita estar sempre pesquisando para atender às mudanças que a sociedade lhe impõe. O que está apresentado neste trabalho atende à realidade atual, mas precisa sempre estar sendo revisado e aperfeiçoado. Desde o início destas ações pedagógicas várias foram as correções de rota necessárias. O professor precisa se compreender como um pesquisador (PIMENTA, 1997 e 2005; NÓVOA, 1992) lendo constantemente aquilo que está sendo pensado e incorporando aquilo que pode beneficiar sua ação enquanto educador. Outra questão essencial que experimentei e que aqui indico é a necessidade de aproximação com todos os setores da escola. Várias são as ações que necessitam de apoio dos mais variados setores, desde a multimídia até o setor de limpeza. Confesso que sem o setor de 42254 limpeza muitas destas ações seriam impensáveis. Mesmo ensinando os alunos a juntar o lixo após a execução de trabalhos, não há negar que sempre sobra algo para que estas heroínas terminem de fazer. Destaco aqui também a interdisciplinaridade acaba sendo também natural. Sei que muitos são os professores que mantêm uma grande resistência à ação interdisciplinar e que vencer esta inércia nem sempre é fácil. Como a execução desta maneira de dar aula seria impraticável sem a interdisciplinaridade, muitas vezes tive que dispor-me a estudar aquilo que outros colegas iriam ministrar em suas aulas para demonstrar como podíamos construir esta interdisciplinaridade. Realmente eu creio que, pela especificidade da matéria, a história possui uma vocação natural para a aproximação interdisciplinar (MORIN, 2001). Desta forma sempre procurei protagonizar as ações referentes à aproximação com outras matérias. A caminhada com outros professores sempre tem me ensinado com as suas ações. Tenho descoberto que sempre é possível fazer melhor. Por fim, considero que este relato de experiência indica a necessidade de que o aperfeiçoamento, fruto da constante reflexão-ação do professor, continue sem perder de foco algo essencial na educação, a certeza de a construção de uma nação melhor começa na simplicidade e no profissionalismo de nosso fazer numa sala de aula. REFERÊNCIAS BARCA, Isabel; GAGO, Barca. 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