AU TO RA L UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE DE DI R EI TO PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU LE I EDUCAÇÃO INCLUSIVA E INTEGRADORA: A INCLUSÃO DO ALUNO EG ID O PE LA PNEE NA EDUCAÇÃO INFANTIL DO CU M EN TO PR OT Por: Maria Valdívia Araujo Macieira de Andrade Mentor: Profº Vilson Sérgio de Carvalho Orientador: Profº Narcisa Castilho Melo Rio de Janeiro 2013 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU EDUCAÇÃO INCLUSIVA E INTEGRADORA: A INCLUSÃO DO ALUNO PNEE NA EDUCAÇÃO INFANTIL Por: Maria Valdívia Araujo Macieira de Andrade Monografia apresentada ao Instituto A Vez do Mestre – Universidade Candido Mendes – como requisito parcial para obtenção do título de especialista em Educação Infantil e Desenvolvimento. Orientador: Profª Narcisa Castilho Melo Rio de Janeiro 2013 2 3 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus por me dar mais essa oportunidade de concluir mais uma etapa de minha vida. Agradeço em especial ao meu filho Marcus Paulo pelo grande incentivo e auxílio que me fez perseverar. 3 4 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a todos aqueles que são incansáveis em sua busca pela verdadeira inclusão da pessoa portadora de necessidades especiais. 4 5 RESUMO Este trabalho tem como foco primordial realizar uma revisão bibliográfica referente à temática do processo de inclusão do aluno Portador de Necessidades Educacionais Especiais – PNEE – na Educação Infantil, sem levar em conta as diversas condições clínicas e particularidades destes alunos (física, intelectiva, visual, auditiva e/ou múltiplas). Sabendo-se que num universo cada vez mais competitivo, que privilegia e exaltam os resultados, a discussão sobre como se dará o processo inclusivo a partir de tão tenra idade é de extrema urgência e relevância. Nesse ponto insere-se a Educação Infantil, a etapa da Educação Básica aonde as crianças chegam abertas a novas descobertas, experiências e propostas, e onde estas iniciam a construção de valores éticos, morais e sociais, que a acompanharão por toda a vida, além da construção do conhecimento e interações interpessoais. É justamente nessa etapa que este ensaio pretende analisar as possibilidades de inclusão e integração do aluno portador de necessidades educacionais especiais, através da investigação de propostas curriculares e avaliativas, bem como a legislação que ampara este aluno. Palavras-chave: Educação Infantil – PNEE – inclusão – integração 5 6 METODOLOGIA A metodologia utilizada para elaboração deste trabalho está pautada na pesquisa e análise bibliográfica e documental. Foram utilizados: livros, revistas, periódicos acadêmicos, artigos científicos referentes à temática, as leis que regem a educação nacional, além de sites pertinentes às áreas educacionais aqui estudadas. Utilizamos preferencialmente produções mais recentes, não abrindo mão daqueles que embasam os estudos da educação, buscamos dessa forma abranger a literatura que descrevesse os desafios e evolução das políticas educacionais em vista ao aluno portador de necessidades educacionais especiais desde tenra idade. Para melhor embasar o estudo bibliográfico os principais pilares foram as análises das pesquisas dos estudiosos Howard Gardner, através da teoria das múltiplas inteligências e Lev Vygotsky através do seu importante estudo teórico, com um olhar especial para o foco destinado à Zona de Desenvolvimento Proximal. Entendendo-se que as teorias apresentadas por estes dois estudiosos podem indicar caminhos para melhorar o atendimento e a busca pelo momento mais propício para iniciar o processo inclusivo e integrador do aluno PNEE na escola já a partir da Educação Infantil. Na sequência da pesquisa serão apontadas e analisadas as principais e mais recentes políticas públicas educacionais voltadas à inclusão do aluno portador de necessidades educacionais especiais, os desafios e as conseqüentes conquistas alcançadas. 6 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ________________________________________________ 08 CAPÍTULO I: BREVE HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO INFANTIL E INCLUSÃO NO BRASIL ___________________________________________________ 11 1.1. A trajetória da Educação Infantil no Brasil – Principais Pontos dos Anos 1920 aos dias atuais ______________________________________ 11 1.2. Da Educação Infantil à Educação Inclusiva – Desafios e Conquistas ___________________________________ ____________________14 CAPÍTULO II: O PROCESSO INCLUSIVO E INTEGRADOR _____________18 2.1. Reflexões sobre aprendizagem ________________________________ 18 2.2. Currículo Integrador e suas possibilidades _______________________ 21 2.3. Avaliação inclusiva é possível _________________________________ 25 CAPÍTULO III: O DIREITO A EDUCAÇÃO – POLÍTICAS PÚBLICAS EDUCACIONAIS PARA O ALUNO PORTADOR DE NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS _____________________________________ 28 3.1. Políticas Públicas de Educacionais – A Educação Inclusiva em ação __ 28 CONCLUSÃO_________________________________________________ 36 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ________________________________ 38 WEBGRAFIA _________________________________________________ 43 7 8 INTRODUÇÃO A Educação Infantil, primeira etapa da educação básica brasileira, tem em seu cenário cotidiano especificidades que somente a ela pertence. São necessidades que dizem respeito a um ambiente destinado a uma faixa etária que está saindo do seio da família e entrando no universo escolar, dessa forma o ambiente físico bem como os sujeitos nele envolvidos devem estar devidamente preparados para lidar com esses pequenos estudantes observando e percebendo suas singularidades no que diz respeito também ao ato de cuidar e educar sem perder o foco na construção de um aprendizado significativo e de qualidade. Se a este cenário acrescentarmos a inclusão da criança portadora de necessidades educacionais especiais, teremos então que ter um olhar ainda mais aguçado necessitando de infra-estrutura ainda mais específica e direcionada? Historicamente a sociedade desde seus primórdios vem vivenciando diversas experiências quanto à inserção, socialização, aceitação e legítima inclusão da pessoa portadora de deficiência. Diferentes culturas e grupos sociais de diferentes esferas econômicas, ao longo da história da humanidade vêm trazendo a tona discussões acerca do lugar e do papel social da pessoa deficiente seja esta deficiência de qualquer natureza. Acreditamos então, que a escola, nesse processo inclusivo é de suma importância, sendo esse espaço local de trocas de experiências, direcionamento social, político e ético. A escola traz para cada cidadão o reconhecimento das diferenças e a valorização do ser humano. Desta forma o presente estudo tenciona discutir as possibilidades do processo inclusivo e integrador do aluno portador de necessidades educacionais especiais (PNEE) a partir da Educação Infantil. A questão principal que move essa pesquisa levanta a Educação Infantil, primeira etapa da Educação Básica no Brasil, como sendo o momento propício para dar início ao processo inclusivo deste aluno. O foco central dessa pesquisa é levantar a discussão e a reflexão através de análises das possibilidades de inclusão e integração do aluno PNEE na Educação Infantil, investigando para tanto a história da educação infantil no 8 9 Brasil e da educação especial até os dias atuais, suas propostas e práticas, assim como as propostas curriculares da educação infantil no que se refere à inclusão destes alunos. Além disso, pretende englobar as propostas de avaliação que a norteiam e consequentemente a legislação, através das políticas públicas educacionais que embasam, amparam e asseguram a entrada e permanência do aluno PNEE na Educação Básica. O presente estudo está dividido em três capítulos onde acompanharemos inicialmente a trajetória histórica da Educação Infantil partindo dos anos de 1920 até chegarmos aos dias atuais, destacando as principais propostas, dificuldades e conquistas. Lançaremos um olhar para a história da Educação Especial até esta se tornar educação inclusiva, destacando os impactos causados com a proposta inclusiva nas escolas de ensino regular, a busca pela do aluno portador de necessidades educacionais especiais, iniciativas para essa inclusão e o panorama atual. Achamos necessário analisar a história tanto da educação infantil como da educação especial para destacar os percalços e conquistas e o muito que ainda temos que aprimorar no processo inclusivo de nossos alunos. No capítulo seguinte propomos direcionar o estudo a analise do currículo e do processo avaliativo na Educação Infantil, para tanto destacamos alguns aspectos das pesquisas realizadas por Lev Vygotsky e Howard Gardner que no corpo de seus distintos trabalhos apontam caminhos que podem nortear a proposta de inclusão do aluno portador de necessidades educacionais especiais desde a Educação Infantil, estimulando a família a buscar a inclusão de seus filhos desde a primeira etapa da educação básica, uma vez que esse processo tem inicio quase sempre pelo Ensino Fundamental com essa criança já com pelo menos seis anos de idade. Ainda na seqüência deste capítulo, como já dito anteriormente, os estudos levam em conta as constantes reflexões sobre o currículo diferenciado que torne cada vez mais possível a inclusão do aluno PNEE nas turmas da Educação Infantil. Propomos também a análise e estudo do processo avaliativo, e que este seja mais abrangente e humanizado, não buscando apenas o acerto, mas potencializando as diferenças e tudo aquilo que nossas crianças podem nos oferecer. 9 10 Finalizando nosso estudo trataremos das políticas públicas educacionais para educação inclusiva e como estas vêem atingindo diretamente nossas crianças da Educação Infantil, os profissionais envolvidos nesse processo bem como as instituições que nelas são matriculadas. Dessa forma esse estudo tem como finalidade apontar a Educação Infantil como o momento mais propício para a inclusão da criança portadora de necessidades educacionais especiais. 10 11 CAPÍTULO I BREVE HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO INFANTIL E DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NO BRASIL Para facilitar o entendimento das perspectivas e considerações deste estudo, e tornar mais efetiva essa pesquisa, faz-se necessário que conheçamos um pouco da história, da evolução e dos caminhos já percorridos além de considerações acerca dos futuros direcionamentos da Educação Infantil e da Educação Especial no Brasil. Além das mudanças, importantes e marcantes conquistadas por movimentos sociais através do acesso ao conhecimento, novas tecnologias e a crescente necessidade de dar a todas as crianças oportunidade de uma educação de qualidade. 1.1- A trajetória da Educação Infantil no Brasil – principais pontos dos anos 20 até os dias atuais “A escola é o ambiente social mais apropriado para a convivência da criança portadora de algum tipo de deficiência, seja ela de que ordem for. Apropriado não apenas para integração social, mas apropriado para que as demais crianças aprendam desde cedo a conviver e a compreender as necessidades dos outros em relação às suas possibilidades.” (NEGRINE e NEGRINE, 2010, p.56) A Educação Infantil compreende a faixa etária entre 0 a 6 anos de idade, e tem em seu histórico nacional uma trajetória de conquistas, mas também de grandes desafios e dificuldades que ainda são sentidas na atualidade. O caráter assistencialista mesmo hoje em dia ainda persegue e por vezes caracteriza a Educação Infantil no Brasil. 11 12 Tomando como início dos nossos estudos essa etapa da educação a partir dos anos 1920 vemos esta instituição como exclusivamente filantrópica, uma vez que a educação ainda tinha um caráter de ascensão social, portanto para poucos: “Na década de 1920, passava-se à defesa da democratização do ensino, educação significava possibilidade de ascensão social e era defendida como direito de todas as crianças, consideradas como iguais.” (KRAMER,1995, P.55) Nos anos de 1930 o estado assume o papel de buscar iniciativa de órgãos privados. A preocupação era com a saúde física e higiene. A diminuição da mortalidade infantil era objetivo primordial. Dá-se, pois, o início da criação de creches, jardins de infância e pré-escolas. Nos dez anos seguintes surge o Departamento Nacional da Criança, que objetivava ordenar atividades direcionadas à infância. Em 1942 a Legião Brasileira de Assistência (LBA) é criada, inicialmente para amparar as famílias de soldados que lutaram na segunda guerra e depois já em 1946 a instituição passa a assistir as mães e crianças carentes, através de convênios com as secretarias de assistência social e associações comunitárias, prevalecendo o olhar assistencialista. (NUNES, Maria F. Rezende, 2011, pag.24) A partir dos 1960, o Departamento Nacional da Criança é enfraquecido e transfere para outros órgãos a responsabilidade pelo direcionamento da criança na faixa etária de 0 a 6 anos. Prevalece dessa forma ainda o caráter médico-assistencialista, com foco na redução da mortalidade infantil e materna. Na década de 1970 a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira – Lei 5692/71 – faz referencia a educação infantil, e que esta seja de preferência ministrada em escolas maternais, jardins de infância e instituições equivalentes. Empresas particulares com mulheres que tenham filhos menores de 7 anos de idade passam a oferecer atendimento educacional, podendo também ser auxiliada pelo poder público. Na década seguinte o governo federal implementa o Programa de Educação Pré-escolar (PROEPRE) que 12 13 prioriza o atendimento de crianças na faixa etária de 4 a 6 anos de idade. Em 1988 a Educação passa a ser direito de todos no escopo da Constituição Federal. O RCNEI traz o binômio “cuidar e educar”. Já nos anos de 1990, período onde as mudanças políticas fervilham no país, é criado o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei 8.069 de julho de 1990) que tem como foco a proteção dos direitos das crianças e adolescentes. Em 1993 é estabelecida a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), que segunda a mesma nos diz que: “[...] a assistência social realiza-se de forma integrada às políticas setoriais, visando ao enfrentamento da pobreza, à garantia dos mínimos sociais, ao provimento de condições para atender contingências sociais e à universalização dos direitos sociais.” (BRASIL, 1993c, art.2º §1º.) Contudo a Educação Infantil ainda não tinha caráter obrigatório. O grande ganho chega através da nova Lei de Diretrizes e Bases da educação brasileira, LDB 9.394/96, que consagra a Educação Infantil como sendo a primeira etapa da Educação Básica Nacional: Art. 29 “A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade.” Em 1999, a Resolução CNE/CEB nº 01/99 de 7 de abril de 1999, institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Entrando no novo século a Educação Infantil, através do Parecer CNE/CEB – 04/2000 enfatiza a vinculação das instituições de educação infantil aos sistemas de ensino, uma proposta pedagógica e regimento escolar, formação de professores para trabalhar na Educação Infantil além de espaços físicos e recursos materiais destinados a esta etapa da educação. Em 2008 no 13 14 corpo da Lei Federal nº 11.700 de 13 de junho, assegura vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino fundamental mais próxima da residência a toda criança a partir de quatro anos de idade. Em abril de 2013, portanto no corrente ano a Lei nº 12.796 vem alterar a LDB 9394/96, no que diz respeito à educação básica, tornando: “[...] obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade organizada da seguinte forma: a) pré-escola b) ensino fundamental c) ensino médio” 1.2- Da Educação Especial à Educação Inclusiva – desafios e conquistas “A própria religião com toda sua força cultural, ao colocar o homem como imagem e semelhança de Deus, ser perfeito, inculcava a ideia da condição humana como incluindo perfeição física e mental. E não sendo parecido com Deus, os portadores de deficiências (ou imperfeições) eram postos à margem da condição humana .” (MAZZOTTA, 1996,p.16) A trajetória da Educação Especial no Brasil tem como marco inicial o ano de 1854, com a fundação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos, situado na cidade do Rio de Janeiro, atual Instituto Benjamin Constant (IBC). Nesse período a prioridade para atendimento da pessoa deficiente era meramente clinica especializada, o olhar educacional estava em segundo plano e de caráter assistencialista. No ano de 1857, também no Rio de Janeiro, é fundado o Instituto dos Surdos Mudos, atual Instituto Nacional de Educação dos Surdos (INES). (CUNHA 2012, p.137) Em 1948, é assinada a Declaração dos Direitos Humanos que chega para garantir o direito de todas as pessoas ao acesso à educação. Cabe aqui também destacar a criação do Instituto Pestalozzi, no ano de 1926, 14 15 especializado no atendimento ao deficiente mental e mais tarde à pessoa superdotada. (CUNHA 2012, p.138). Em 1954 é fundada a primeira Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), no Rio de Janeiro, atendendo principalmente do deficiente mental, esse movimento justificou-se “diante da ineficiência do Estado em promover políticas públicas sociais que garantisse a inclusão dessas pessoas” (FENAPAES) Com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação brasileira em 1961, (LDB 4024/61) a pessoa portadora de deficiência tinha sua permanência na escola comum assegurada como nos indica o Artigo 88 desta Lei: “Art.88 – A educação de excepcionais deve no que for possível, enquadrar-se no sistema geral de educação, a fim de integrá-los na comunidade.” (LDB 4024/61) Contudo na década seguinte sofremos um retrocesso separando novamente os alunos deficientes dos ditos normais. A nova LDB do ano de 1971 promoveria então o atendimento especializado em escolas especiais. Em 1973 o MEC cria o Centro Nacional de Educação Especial (CENESP) que seria responsável pela educação especial e conseqüente triagem dos alunos que acompanhariam a escola regular e aqueles que deveriam ser destinados à escolas especiais, o cunho segregação do deficiente fica evidente. Em 1988 no dia 5 de outubro é promulgada a nova Constituição Federal com principal objetivo de promover o bem estar de todos “sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor idade e quaisquer outras formas de discriminação.” (CUNHA 2010, p.138). Estabelecendo igual acesso à escola para todos, preferencialmente na rede regular de ensino. A Lei nº8069/90, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em seu artigo 53 determina que a criança e o adolescente tenham direito a educação. No artigo 55 complementa: “Os pais e responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos e pupilos na rede regular de ensino”. 15 16 Em 1994, como resultado da Conferencia Mundial sobre Necessidades Educacionais Especiais, a Declaração de Salamanca define em seu escopo princípios, políticas e práticas da Educação Especial: “Pode-se dizer que o conjunto de recomendações e propostas da Declaração de Salamanca, é guiado pelos seguintes princípios: • Independente das diferenças individuais, a educação é direito de todos; • Toda criança que possui dificuldade de aprendizagem pode ser considerada com necessidades educativas especiais; • A escola deve adaptar-se às especificidades dos alunos, e não os alunos as especificidades da escola • O ensino deve ser diversificado e realizado num especo comum a todas as crianças. (www.infoescola.com 2013) No ano de 1999 é criada a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, através do decreto nº 3.298 que define a Educação Especial como “modalidade transversal a todos os níveis e modalidades de ensino” (CUNHA, 2010, p.139). Em 2001, a Resolução CNE/CEB nº2 determina crime recusar matrícula de qualquer criança com deficiência. Em seguida no ano de 2002, a Resolução CNE/CP1 define que as universidades promovam a formação de professores para atendimento dos alunos com necessidades educacionais especiais. Em 2003 o Ministério da Educação e Cultura (MEC) cria o programa “Educação Inclusiva: direito à diversidade”, que tem como meta principal a formação de professores e gestores para difundir a Educação Inclusiva. Seguindo a crescente caminhada para inclusão do aluno NEE na escola regular no ano de 2007 é publicado o Decreto nº6.094 que estabelece diretrizes do Compromisso de Todos pela Educação, que garante acesso a todos os alunos na rede regular de ensino e atendimento especializado àqueles que dele necessitarem. Em 2008 a Política Nacional de Educação na Perspectiva da Educação Inclusiva define: 16 17 “A educação inclusiva tem como objetivo assegurar a inclusão de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, orientando os sistemas de ensino para garantir: acesso ao ensino regular, com participação, aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados do ensino; transversalidade da modalidade de educação especial desde a educação infantil até a educação superior; (...)” (BRASIL, 2008, p.14) Buscamos pontuar neste capítulo alguns dos acontecimentos que marcaram a educação infantil e a educação especial, hoje educação inclusiva, acontecimentos esses que também marcaram a evolução da educação nacional. Todavia é de nosso conhecimento, que a educação nacional ainda tem pela frente muitos desafios, muitas barreiras que já foram vencidas, porém o caminho da luta pela igualdade é talvez um dos maiores obstáculos a serem vencidos. Repensar o papel do aluno NEE na escola regular garantindo de fato sua permanência no âmbito escolar é a meta a ser conquistada desde a primeira infância no âmbito escolar. 17 18 CAPÍTULO II O PROCESSO INCLUSIVO E INTEGRADOR “E como se faz inclusão? Primeiro sem rótulos, e depois. Com ações de qualidade. Nos rótulos, encontram-se as limitações. Devemos olhar para ele e transpormos as impressões externas das barreiras do ceticismo. São elas que mais impedem a inclusão do educando em nossos esforços e sonhos.” (CUNHA, 2011. p.101) 2.1. Reflexões sobre aprendizagem “A certeza de que a mente humana abriga diferentes inteligências pode ser confirmada quando se observa casos de lesão cerebral, adquirida ou não, e essa pessoa perde elementos específicos de uma ou mais inteligências, conservando intactos os demais. Nessas circunstâncias descobre-se, por exemplo, que o dano cerebral levou a linguagem, mas não a sensibilidade musical: a capacidade matemática, mas não o sentimento de empatia e solidariedade.” (ANTUNES, 2006, p.7) Como visto no capitulo anterior, a trajetória da Educação é permeada por desafios e conquistas. Nada está definido ou concluído, e quando tratamos do aluno PNEE essa máxima é igualmente constatada. É de domínio social o direito a entrada ao rol dos alunos da Educação Básica a entrada do aluno NEE. A sua permanência, no entanto, é que deve ser estimulada e garantida. A presença e conseqüente permanência do aluno NEE na escola de educação básica vem a cada dia se tornando uma realidade e a certeza de que estes estão conquistando seu espaço na sociedade já é uma realidade. Sabemos que quando mencionamos e destacamos a teoria das múltiplas inteligências postulada por Howard Gardner, (1995) tem-se como intuito mostrar uma 18 19 possibilidade de traçar um caminho sólido e verdadeiro para a inclusão do aluno PNEE na educação básica, especificamente na Educação Infantil. Gardner não direcionou especificamente suas pesquisas para as demandas escolares, tão pouco para resolver quaisquer que sejam essas demandas e problemas, no entanto sinaliza a possibilidade de entendermos o funcionamento dos caminhos que geram esses problemas, ou seja, ele nos faz pensar e perceber que inicialmente, que cada criança pode e deve ser vista de formas diferentes, além de propor um olhar personalizado, potencializando suas habilidades. Ele então nos mostra que qualquer aluno pode fazer parte do ambiente escolar de forma ampla e legitima. Em sua pesquisa, Gardner abre caminhos para o estudo das diferentes habilidades, tanto com crianças ditas normais, de altas habilidades, como também com pessoas com alguma lesão cerebral. Dessa forma, o desafio geral da escola não seria apenas abrir as portas para o aluno NEE, esse desafio passa por fazer este e todos os outros alunos permanecerem nela, aproveitando tudo àquilo que essa instituição pode e deve oferecer sistematizando o amplo exercício da cidadania, não apenas para um seguimento da sociedade, mas sim para todos que dela fazem parte. O presente estudo não tem a pretensão de aprofundar-se na teoria das múltiplas inteligências de Howard Gardner, mas tenciona salientar e sinalizar através de seus achados um caminho possível de ser trafegado pela escola. Entendendo que é possível e coerente exercer uma educação personalizada com um olhar não só para o aluno que transita com êxito, mas também para aquele que acaba ficando para trás devido a inúmeras problemáticas, indo de acordo com a proposta magna que norteia o ensino de forma geral. Levando em consideração que as pessoas são diferentes e dessa forma aprendem em tempos diferentes. Quando falamos sobre educação cabe então de citar a obra de Lev Vygotsky, que entra nessa pesquisa como um dos grandes norteadores para contribuir na operacionalização do processo inclusivo do aluno NEE. 19 20 “O que a criança pode fazer hoje com ajuda dos adultos ou iguais, certamente fará amanhã sozinha. Isso significa que se pode examinar, não somente o que foi produzido por seu desenvolvimento, mas também o que se produzirá durante o processo de maturação.” (NEGRINE e NEGRINE, 2010, p.24) Os postulados deste teórico soviético são de grande valor no que tange a educação, desenvolvida em grande parte de nossas escolas de Educação Infantil, permanecendo atual e viva em nossas salas de aula, dialogando junto aos professores e alunos. Dessa forma, Vygotsky nos mostra que o homem não nasce pronto, nem é uma cópia do ambiente em que interage, ele é um ser histórico, ativo e pleno. A criança é assim, um ser que necessita da comunidade para desenvolver-se: “Como as tarefas de compreender e comunicar-se são essencialmente as mesmas para o adulto e para a criança, esta desenvolve equivalentes funcionais de conceitos numa idade extremamente precoce, mas as formas de pensamento que ela utiliza ao lidar com essas tarefas diferem profundamente das do adulto, em sua composição, estrutura e modo de operação”. (VYGOTSKY, 1989, p. 48 – apud DE LA TAILLE, OLIVEIRA e DANTAS,1992, p. 28) Sendo assim o aprendizado é essencial para seu autêntico desenvolvimento, acontecendo através da interação e mediação entre pessoas, ambiente e sua cultura. Quando abordamos o atendimento pedagógico nas escolas de Educação Infantil essa visão torna-se ainda mais pertinente e real, pois o sujeito com necessidades educacionais especiais necessita ainda mais desde tenra idade, dessa mediação e interação com outras pessoas, com o ambiente em que vive e com sua cultura, como já mencionada anteriormente: “Nos primeiros anos de vida, a memória é uma das funções psíquicas centrais, em torno da qual se organizam todas as outras funções. A análise mostra que o pensamento da criança de pouca idade é fortemente determinado por sua memória.” (VYGOTSKY, 1998 p.44) 20 21 Possibilitar a entrada e conseqüente permanência do aluno NEE na escola é facultar a sua aprendizagem de forma legítima como qualquer outro aluno, respeitando seu tempo de desenvolvimento e a forma como esta se dá. “A tarefa da escola (...) consiste em não adaptar-se à deficiência, mas sim vencê-la. A criança com retardo mental necessita mais do que a normal que a escola desenvolva nela os processos mentais, pois, entregue à sua própria sorte, ela não chega a dominá-los.” (Vygotsky, 1989b, p. 119 In: Freitas, Maria Tereza) Não há exagero algum ao afirmar que outro olhar deste teórico contribui e legitima a necessidade do aluno NEE de estar incluído e integrado ao seu grupo de trabalho dentro da sociedade, especificamente a escola. Relacionar suas pesquisas ao processo inclusivo do NEE é pertinente uma vez que esta foi também direcionada à pessoa deficiente: “A partir de 1924, em Moscou, Vygotsky aprofundou sua investigação junto à Psicologia, ocupando-se também da educação dos portadores de deficiências sensoriais e mentais, sendo esse campo de interesse um espaço importante em seus estudos, chegando ele a coordenar o Instituto Experimental de Defectologia (termo usado para se referir ao trabalho desenvolvido com pessoas portadoras de deficiência)” (MONTEIRO, p.73 In: FREITAS, 1995) Vygotsky valoriza as experiências e vivências trazidas pela criança, mesmo antes desta dar inicio a sua vida dentro do ambiente escolar. Aponta que a criança se desenvolverá ainda mais a partir do momento em que percebe o sentido verdadeiro daquilo que aprende, dessa maneira ampliará seu conhecimento. Chama-nos a atenção para a definição do conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal, que assim é descrito no livro: A Formação Social da Mente: “O nível de desenvolvimento real caracteriza o desenvolvimento mental retrospectivamente, enquanto a zona de desenvolvimento proximal caracteriza o desenvolvimento mental prospectivamente.” (VYGOTSKY, 1991). 2.2. Currículo integrador e suas possibilidades 21 22 “Uma proposta é um caminho, não é um lugar. Ela tem uma direção, um sentido, um para quê, tem objetivos. Toda proposta tem uma aposta, se volta para um determinado tipo de sociedade, de conceito de homem, de infância e de adolescência. Toda proposta é situada, traz consigo o lugar de onde fala e a gama de valores que constitui, traz também as dificuldades que enfrenta, os problemas que precisam ser superados e a direção que a orienta. Mas tanto para conceber uma proposta quanto para implementá-la, questioná-la e/ou transformá-la é preciso resgatar o que foi feito: o projeto que delineia o que fazer amanhã precisa considerar o que existe e foi realizado. Toda proposta pedagógica tem uma história que precisa ser contada e escrita.” (KRAMER, 1997) O termo inclusão ainda ecoa nos ouvidos de muitos educadores e gestores como um grande desafio a ser vencido e não ignorado. Hoje, essa expressão já faz parte da nossa realidade educacional e ouvimos e vemos uma divulgação constante deste termo quer seja na mídia quer seja nas discussões acadêmicas ou mesmo por qualquer cidadão que tenha um mínimo olhar solidário e/ou de inquietação às necessidades do cotidiano de seu semelhante. Anteriormente mostramos através de um breve olhar sobre duas teorias que fazem parte do universo escolar, e que são largamente utilizadas no dia a dia das escolas espalhadas por todo o mundo, que é possível ousar e pensar a inclusão como sendo um movimento necessário e impossível de ser ignorado. Já tornada clara para nós educadores que em todas as turmas encontramos um ou mais alunos que necessita de algum apoio especializado, o processo inclusivo do sujeito com necessidades educacionais especiais deve ser pensado cada vez mais cedo, e isso não é uma realidade apenas do Ensino Fundamental, mas também atinge e torna-se aparente na Educação Infantil, mesmo na faixa etária inicia desta etapa da educação. A cada dia recebemos o aluno com necessidades educacionais especiais com idade mais e mais tenra, uma vez que a procura maior dos pais inicia a partir do Ensino Fundamental. Se hoje falamos abertamente sobre inclusão é porque o tema está fortalecido por especialistas, pela troca de experiências e pela informação que 22 23 chega cada vez mais rápida e precisa a todos nós e que certamente são responsáveis diretos pela mudança de paradigmas. E é justamente na escola que temos a oportunidade de iniciar o processo inclusivo autentico e antes mesmo do que as leis nacionais de educação preconizam. “Nossa experiência refere que crianças saudáveis na tenra idade, quando mescladas com crianças portadoras de alguma deficiência , logo percebem que o outro necessita de ajuda e tomam, sem que um adulto mande, iniciativa de ajudá-la a realizar seus intentos.” (NEGRINE e NEGRINE, 2010, p. 57) É na escola, e conseqüentemente através dela, que se estabelece a melhor oportunidade para se iniciar o processo inclusivo do aluno com necessidades educacionais especiais: “O Estado tem o dever de garantir a Educação Infantil às crianças de até 5 anos em creches e pré-escolas (Art. 208, IV) esse dever também se estende ao aluno portador de necessidades educacionais especiais. A LDB 9394/96 atribui à Educação Infantil “o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e a comunidade.” (Art. 29). A escola oferece bases sólidas de um exercício social e organização comunitária, particularmente importante para cada indivíduo nela inserido. Através desse núcleo social o pequeno aprendiz iniciará seus grandes desafios, tomadas de decisões, superação de e conquistas de mecanismos sensório-motor, além da autonomia e respeito pelos seus pares. Então se torna mais transparente que a Educação Infantil pode ser a melhor etapa da educação básica, onde todos estão em franco processo de desenvolvimento, mesmo sendo essa criança portadora de necessidades educacionais especiais. Todos eles estão em busca de desafios, descobertas, e conquistas, ainda que cada um esteja em patamares diferentes. A proposta de elaboração de um currículo pleno que pode e deve contemplar e abarcar todos nele envolvidos, aplicando-se também àqueles que 23 24 necessitam de um olhar mais atento e aguçado, não deve ser visto como uma meta impossível de ser atingida. Segundo Coll (1996): “O currículo é um elo entre a declaração de princípios gerais e sua tradução operacional, entre a teoria educacional e a prática pedagógica, entre o planejamento e a ação, entre o prescrito e o que realmente sucede nas salas de aula (...) currículo é o projeto que preside as atividades educativas escolares, define suas intenções e proporciona guias de ação adequadas e úteis para os professores que são diretamente responsáveis por sua execução. Para isso o currículo proporciona informações concretas sobre o que ensinar, quando ensinar, como ensinar e como e quando avaliar. (COOL, 1996, PAG.33-45) O currículo escolar, então deve ser flexível, vivo, passível de modificações. Muitas vezes o educador se depara com o sentimento de angústia e apreensão ao constatar que na turma onde leciona foi matriculado um aluno com necessidades educacionais especiais. O que fazer? Como fazer? Para que fazer? São questionamentos que fazem parte de sua prática cotidiana, e essas se tornam ainda mais contundentes com a chegada de um ou mais alunos especiais, muitas vezes nem tão bem identificados em suas necessidades educacionais. Esse profissional que já enfrenta em nossas escolas dificuldades de diversas espécies como a falta de condições adequadas de trabalho, baixa remuneração, turmas cheias, falta de material e espaços adequados para desenvolver sua prática entre outros, ainda terá que lidar com especificidades no que diz respeito às necessidades provocadas pelo seu envolvimento educacional com o aluno especial. Nessa perspectiva, o professor da escola pública, principalmente, pode encarar o aluno com necessidades educacionais especiais como sendo mais um transtorno para colaborar com todo esse cenário já descrito aqui. Sendo, pois, o currículo aberto, pleno, flexível e passível de modificações, são enormes as possibilidades de sucesso, tanto para o aluno como para o professor que enfrenta em seu cotidiano muitas dessas mazelas aqui apontadas. Quando encontramos um cenário em que adaptações podem ser parte importante no percurso formativo do currículo escolar, podemos pensar em 24 25 variações, esquemas e diversidade que permitirão ao aluno com necessidades educacionais especiais e também para aquele dito normal, gerar boas possibilidades de desenvolvimento real, oportunidades de construção do conhecimento e aprendizagem em verdadeiras condições de igualdade mesmo estando dentro do grupo um ou mais alunos portador de quaisquer deficiência. Separar ou classificar essa ou aquela criança nesse momento abriria outra discussão, o que não é nossa meta, uma vez que entendo que cada uma delas responde pelo seu tempo de aprender e pela forma como essa aprendizagem acontece. Faz-se então necessária a valorização da postura a presença e intervenção do professor-facilitador que norteará como um todo esse processo de aprendizagem e do desenvolvimento estimulando através de estratégias aplicadas no momento oportuno, as diferentes formas de linguagem e comunicação, a sensibilidade corporal , bem como a relação de interação interpessoal e afetiva, as vivências sociais e simbólicas, a solidariedade e a auto-estima. Assim se apresenta um pouco do currículo que norteia a Educação Infantil. Tão necessário para qualquer criança na faixa etária de 0 a 6 anos de idade, que seja classificada como normal, ou seja, dentro dos padrões aceitos pela sociedade, ou por aquela que ainda é excluída desse processo importante, a criança com alguma necessidade educacional especial. É muito importante não esquecer que os professores e todos os envolvidos com processo educacional, devem estar devidamente capacitados para direcionar esse trabalho, não porque encontrará em seu convívio o aluno especial, mas sim porque devem estar aptos ao trabalho com a faixa etária exclusiva da Educação Infantil e os imperiosos desafios que nela surgem. A especialização e valorização desses profissionais bem como as condições de trabalho e espaços destinados a essa etapa da educação, é uma realidade cada vez mais flagrante, principalmente pelo atual cenário, que já se arrasta a décadas no Brasil. 2.3. Avaliação inclusiva é possível 25 26 “Incluir significa “convidar a vir para dentro...” em variadas circunstâncias da vida. (...) No contexto da aprendizagem escolar, incluímos alguém quando lhe ensinamos o que ainda não aprendeu; ele é convidado a adentrar a roda “dos que sabem” ou saberão. (LUCKESI, 2011.p.199) A avaliação na Educação Infantil como nos mostra variados relatos, experiências na prática cotidiana da escola como também na literatura especializada, deve ser contínua, processual, sem objetivar qualquer tipo de seleção, ou classificação, além de não promover a retenção do aluno ao ensino fundamental, sendo importante que o educador esteja atento a detalhes acerca da sua prática pedagógica, não deixando de lado o registro diário, utilizando-se para tal de diversos recursos, como vídeo, fotografias, escrita, desenho de seus alunos, entre outros. “As instituições de Educação Infantil devem criar procedimentos para acompanhamento do trabalho pedagógico e para avaliação do desenvolvimento das crianças, sem objetivo de seleção, promoção ou classificação.” (Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, 2010 p.29) Se entendermos a avaliação como sendo parte integrante e construtiva do projeto pedagógico e não como um mero instrumento de medição do saber, do desenvolvimento e desempenho do aluno, podemos tomar este poderoso instrumento educacional como um aliado do processo ensino-aprendizagem abrangendo o aluno PNEE assim como qualquer outro. Segundo TEIXEIRA e NUNES, a avaliação se destina a uma busca incessante de diagnósticos que subsidie a melhoria da aprendizagem, sendo deste modo, inclusiva e dialógica. Nessa linha de pensamento tornamos prioridade o saber da criança, avaliando aquilo que ela conseguiu aprender e não o que ainda não entende ou que não aprendeu. E ao tratarmos de avaliação, especificamente na Educação Infantil não podemos deixar de citar o RCNEI em seu artigo 31 que trata deste assunto: 26 27 “Art. 31 Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental.” A avaliação na Educação Infantil não tem qualquer caráter de promoção, medição ou classificação ela tem por principal característica diagnosticar as dificuldades apresentadas por esses alunos utilizando-se de mecanismos facilitadores e de mediação no processo de construção do conhecimento, onde, segundo Hoffmann (1996, p.31) o caráter de mediação “significa um estado de alerta permanente do professor que acompanha e estuda a história da criança em seu processo de desenvolvimento.” O processo avaliativo requer a interferência não somente do educador que o acompanha diretamente, mas também de todo o grupo que está envolvido com este aluno, ou seja, seus pares, familiares, amigos e adultos que o cercam e para ser inclusiva deve oferecer ao aluno recursos diversificados respeitando as diferenças de cada criança e não somente daquele que apresente qualquer deficiência. E como bem pontuam TEIXEIRA e NUNES (2010): “Uma avaliação inclusiva tem caráter essencialmente formativo e possui uma visão holística do processo de aprendizagem e do educando, produzindo em cada um de seus instrumentos avaliativos questionamentos e produção de sentido, otimizando e orientando as aprendizagens em curso.” (TEIXEIRA e NUNES, 2010 p.95) O ato de aprender está relacionado a todo ser humano, e bem sabemos que a maneira como o sujeito aprende e o momento de como se dá essa aprendizagem é proporcional a cada pessoa. O fato deste ou aquele aluno não conseguir “acompanhar” o que está sendo oferecido em sala de aula, não quer dizer que este não possa vir a aprender em circunstâncias diferentes e num momento ate inesperado para o educador e, portanto caberá a este mediador estar atento, sensível e afetivamente ligado à seu grupo de trabalho, ou seja seus alunos. 27 28 CAPÍTULO III O DIREITO A EDUCAÇÃO – POLÍTICAS PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO PARA O ALUNO COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS 3.1. Políticas Públicas de Educação – A Educação Inclusiva em Ação “As políticas de educação, como políticas sociais, devem ser entendidas como modalidade de política pública, ou seja, como conjunto de ações de governo com objetivos específicos.” (CARVALHO, 2008, p.41) Embora a discussão sobre os destinos da educação inclusiva pareça ter tomado rumos de acerto e aceitação, ainda constatamos e presenciamos discussões muitas vezes calorosas de profissionais da educação, que não vêem a possibilidade de incluir o aluno portador de necessidades educacionais especiais na escola regular. A educação inclusiva ainda será por algum tempo um tema polêmico e para algumas pessoas mais radicais ou retrogradas, quer seja por medo ou por ignorância, ainda difícil de ser realizada nas escolas da rede regular de ensino. Contudo sabemos que essa questão vem sendo cada vez mais largamente debatida e aceita pela sociedade em diferentes e diversos setores desta além de ser direito garantido pela Constituição Federal de 1988, no artigo 205: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo e exercício da cidadania, e sua preparação para o trabalho.” 28 29 Sendo assim é de domínio público que a educação inclusiva é responsabilidade de todos, e não tem como todos não estarem envolvidos nessa discussão. No que diz respeito à implementação de políticas públicas educacionais inclusivas tomamos por base inicial de análise a LDB 9394/96, que em seu artigo 58, aponta a educação inclusiva como modalidade de educação escolar a ser oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, sendo oferecida na faixa etária de zero a seis anos de idade, além de mencionar currículo, metodologias e técnicas empregadas além de recursos diferenciados e específicos para dinamizar o atendimento destes alunos. Ainda no artigo 59 desta mesma Lei a formação do professor também ganha destaque e torna-se preocupação para atendimento de todo e qualquer aluno. “Art. 58. Entende-se por educação especial para efeitos dessa Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. §3º A oferta da educação especial, dever constitucional do Estado, tem início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil. Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades; III – professores com especialização adequada em nível médio ou superior para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns; (LDB9394/96) Contudo, se no artigo 59 da LDB 9394/96, nos aponta então, que ao aluno NEE estará assegurado um currículo diferenciado, além de metodologias e técnicas além de recursos para tudo isso possa ser transformado na realidade sabemos, pois, que muito pouco foi colocado em prática e que mesmo na atualidade a carência das escolas para resolução de outros problemas tão pontuais que nosso sistema educacional ainda enfrentam ainda é uma marca constante em nosso sistema de ensino, e mais adiante no terceiro tópico cita a formação adequada e qualificada do nosso corpo docente que ainda se depara com desafios para uma formação educacional de 29 30 qualidade e que abranja a especialização para o trabalho com os alunos portadores de necessidades educacionais especiais ou não. Com um rápido olhar na resolução CNE/CEB nº2/2001 em seu artigo 2, as Diretrizes Nacionais para Educação Especial na Educação Básica aponta que: “Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizarem-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos” (BRASIL, 2001) Na análise das políticas públicas educacionais para educação infantil, no ano de 2010, o Ministério da Educação, através das Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil, no corpo desse documento a educação inclusiva é citada de forma breve e bem discreta no capítulo destinado a organização de espaços, tempo e materiais. Percebemos que apesar deste documento destinar propostas pedagógicas para lidar com crianças indígenas, crianças do campo e da diversidade cultural, que também necessitam de um olhar ainda mais direcionado para suas questões, o mesmo não ocorre com o aluno NEE, o documento não direciona ou destaca qualquer tópico para tratar de propostas pedagógicas para crianças NEE, apenas citando dessa forma: “A acessibilidade de espaços. Materiais, objetos, brinquedos e instruções para crianças com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação. (DCNEI, 2010, p.20) Observamos até então que o tema, inclusão, toma cada vez mais espaço nas discussões no que diz respeito às políticas publicas nacionais de educação, mas ainda necessitando de um olhar cada vez mais direcionado para por em prática tudo aquilo que a lei vem direcionando ao aluno portador de necessidades educacionais especiais dando a estes e as instituições que venham a freqüentar reais condições de desempenhar seus devidos papéis. 30 31 Entendemos então, que a educação inclusiva é um direito de todos, mas ainda consiste num grande desafio, não só no que diz respeito a inserção dos alunos NEE nas escolas regulares a partir do ensino fundamental, mas buscando a grande proposta de iniciar o processo de inclusão das crianças desde a primeira infância, com esse aluno entrando ainda na Educação Infantil, logicamente aparando não só o educando e suas famílias mas também as instituições que nelas forem matriculados. A realidade da educação inclusiva será como dissemos no inicio deste capítulo, alimento de muitas discussões, contudo entre tantas pesquisas e debates constatamos que pouco ainda está sendo destinado à inclusão do aluno NEE desde a educação infantil. As políticas públicas nacionais de educação tratam em sua literatura a inclusão do aluno NEE quase sempre a partir do ensino fundamental talvez se esquecendo de que quanto mais cedo a inclusão da pessoa portadora de necessidades especiais na sociedade, mas cedo também serão as respostas positivas tanto deles quanto de todos que o cercam. Outro fator de grande importância no direcionamento das políticas públicas educacionais diz respeito à formação inicial e continuada de todo corpo docente. A formação do professor deve receber por parte do governo uma atenção maior uma vez que este profissional está intimamente envolvido com o desenvolvimento e trajetória dos alunos que por ele passa: “A formação inicial, bem como a formação continuada de professores visando a inclusão de todos os alunos e o acesso deles ao ensino superior, precisa levar em conta princípios de base que os instrumentalizem para organização do ensino e a gestão da classe, bem como princípios éticos, políticos e filosóficos que permitam a esses profissionais compreenderem o papel deles e da escola frente ao desafio de formar uma nova geração capaz de responder às demandas do nosso século.” (FIGUEIREDO, 2008, p.140) 31 32 A formação do profissional de educação, bem como os desafios e embates da inclusão do aluno NEE, ainda dependem de iniciativas educacionais que saiam do plano da literatura, e passe para o plano da ação imediata nas nossas escolas. Como análise final desde capítulo destacou o documento apresentado no ano de 2005 pelo Ministério da Educação através da sua Secretaria de Educação Especial intitulado “Educação Inclusiva – Atendimento Educacional Especializado para Deficiente Mental” que tem como foco primordial a orientação e informação de como lidar com os alunos especiais. A não tão recente iniciativa tomada pelos órgãos responsáveis pela educação nacional diz respeito à formação dos chamados AEE (Atendimento Educacional Especializado). Este trata em seu corpo do compromisso da escola comum e especial, do atendimento educacional especializado e sua função junto ao atendimento clinico e também da parceria com a APAE de Contagem (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) dos anos de 1994 a 2003 através de métodos e técnicas específicos para o trabalho nas escolas comuns dos alunos portadores de transtornos mentais. Na publicação subseqüente no ano de 2007 o Atendimento Educacional Especializado (AEE) chega no formato de projeto de formação continuada a distancia com o intuito de qualificar professores das salas multifuncionais. O Projeto é assim descrito pela sua Coordenação Geral em seu primeiro volume que trata de aspectos legais e orientação pedagógica: “O Projeto de formação continuada a distancia de professores das salas multifuncionais dos municípios-pólos do PROGRAMA EDUCAÇÃO INCLUSIVA: DIREITO À DIVERSIDADE foi concebido para habilitar professores de todos os Estados brasileiros, que atuam nas escolas públicas de ensino básico, em Atendimento Educacional Especializado – AEE.” (FÁVERO, PANTOJA, MONTOAN, 2007). Sendo um curso à distância o Ministério da Educação tenta desenvolver uma política educacional que “pressupõe a transformação do Ensino Regular e da Educação Especial... ações que reorganizam os serviços de Atendimento 32 33 Educacional Especializado oferecidos aos alunos com deficiência visando a complementação da sua formação e não mais a substituição do ensino regular.” (Secretaria de Educação Especial, 2007). Essas medidas fazem parte ta tentativa de habilitar cada vez mais o professor do ensino regular a lidar com os desafios de ter em suas salas de aula alunos NEE com diversas e diferentes patologias. Esses volumes que servem de suporte na formação destes professores tratam desta vez não só do aluno portador de transtornos mentais como no documento especificado anteriormente do ano de 2005, mas também daqueles com deficiência auditiva, visual e física bem como destaca as condições para o atendimento educacional especializado ainda na Educação Infantil. Destacamos, pois o que diz respeito aos aspectos legais quanto ao atendimento nessa etapa da educação básica nacional: “Um estabelecimento de Educação Infantil, que se destina a crianças desde 0 ano, deve dispor de profissionais orientados para lidar com bebês com deficiências e/ou problemas de desenvolvimento de todos os níveis e tipos. Se o estabelecimento educacional não dispuser de profissionais devidamente orientados, não pode justificar com esse fato o não-atendimento da criança, pois ainda assim é obrigado a atender esses alunos, devendo providenciar pessoal para este fim. Recomenda-se convênios com as Secretarias de Saúde ou entidades privadas para o atendimento clínico a essas crianças possa ser feito no mesmo espaço da escola ou em espaço distinto. Um estabelecimento de Educação Infantil para crianças de 0 a 6 anos, que se empenhe em ser um espaço adequado para todas as crianças, rico em estímulos visuais, auditivos e outros, com profissionais devidamente capacitados, será um local de maior qualidade para TODAS as crianças. (FÁVERO, PANTOJA, MONTOAN, 2007, pag.38) Nestes quatro breves parágrafos o documento do Ministério da Educação destina os aspectos legais que garantirão à família do aluno que esteja na faixa de zero a seis anos de idade matriculá-lo ainda na Educação Infantil. Muito pouco foi destinado mais uma vez a esta etapa do ensino. 33 34 No volume destinado às discussões acerca da inclusão da criança deficiente física, no capítulo I intitulado: “Conhecendo o aluno com deficiência física” no tópico destinado a apontar a importância da estimulação precoce os autores destacam nessas palavras a seguinte afirmativa: “A Educação Infantil, proposta nos espaços da creche e préescola, possibilitará que a criança com deficiência experimente aquilo que outros bebês e crianças da mesma idade estão vivenciando: brincadeiras corporais, sensoriais, músicas, estórias, cores, formas, tempo e espaço e afeto.” (SCHIRMER et al, 2007) Mesmo não sendo uma questão distante de ser reconhecida e realizada nas nossas salas de aula da educação infantil, muitas vezes até os próprios pais desconhece a necessidade de seus filhos compartilharem momentos de crescimento e desenvolvimento de seus filhos portador de necessidades especiais, ou talvez até mesmo a falta de direcionamento dessas mesmas famílias em procurar a escola regular dessa faixa etária específica para matricular suas crianças. Mais adiante no mesmo tópico os autores destacam um trecho do livro “Saberes e Práticas da Inclusão: Dificuldades Acentuadas de Aprendizagem: Deficiência Múltipla” do ano de 2003 que completa essa analise deste volume destinado ao atendimento educacional especializado. “Hoje é indiscutível o benefício que traz, para qualquer criança, independentemente de sua condição física, intelectual ou emocional, um bom programa de educação infantil do nascimento aos seis anos de idade.” (in BRASIL, 2003) Constatamos, pois que, basicamente nada impede que esta criança esteja matriculada numa escola de ensino infantil, o que então nos leva a acreditar que o que realmente falta é o conhecimento e estímulo destas famílias a tomar essa iniciativa. Sabemos também que não só as instituições de educação infantil, mas também as de ensino fundamental e médio necessitam do mesmo apoio operacional da Secretaria de Saúde e de apoio clinico especializado de instituições e profissionais dentro e fora das escolas, e que o corpo docente e toda a escola devem estar preparados para receber o aluno NEE independente de estar ou não em tal nível educacional. No volume 34 35 destinado a orientar pais e responsáveis por questões relacionas à inclusão que leva o título de “A hora e a vez da família em uma sociedade inclusiva”, destaca o momento oportuno de ingressar com a criança numa instituição de ensino ainda na Educação Infantil nessas seguintes palavras: “Não espere seu filho completar sete anos de idade. A procura por escola deve ter início na educação infantil, como para toda e qualquer criança.” (PAULA, Ana Rita de, COSTA, Carmen Martini, 2007 pag.8) e completam incentivando às famílias a buscarem creche comum para matricularem seus filhos. Diante de tudo o que foi comentado até mesmo nos capítulos anteriores, é importante que possamos refletir sobre tais limites e desafios. Talvez não caiba somente às leis tratar desses assuntos através de intermináveis paginas de documentos que não acrescentem muito à prática educacional dos alunos. Talvez inúmeras políticas públicas educacionais não passem de mera iniciativa para não deixar passar em branco o atual modelo de educação nacional. Contudo o que precisamos é tornar prática as necessidades educacionais de todos os nossos alunos e pensar que quanto mais cedo o processo inclusivo é iniciado mais oportunidade e direito todos terão de ter uma educação de qualidade para potencializar seu desenvolvimento geral garantindo para si o respeito por suas possíveis limitações. 35 36 CONCLUSÃO Durante a construção e a pesquisa do presente estudo, muitas foram às questões levantadas para apontar o impacto positivo que pode causar a inclusão na escola da criança portadora de necessidades educacionais especiais já na Educação Infantil. Vencer dogmas e a resistência vinda da sociedade ainda pouco esclarecida e/ou envolvida no debate desse tema, da família que desconhece seus direitos e também de alguns profissionais que ainda apresentam resistência ou até certa incredulidade na inclusão e integração do aluno PNEE na escola de educação infantil ainda se revela um desafio a ser vencido. Sabemos, contudo que os caminhos a serem trilhados para que essa inclusão aconteça ainda carece de maior investimento e atenção do governo, da criação de políticas públicas mais específicas e eficazes para esse segmento da educação e conseqüente preparo dos profissionais envolvidos no processo ensino-aprendizagem. Não podemos esquecer que se faz importante a melhoria das instituições que atendem o público da educação infantil. O presente estudo buscou apontar e instigar a reflexão e discussão dos limites e desafios enfrentados pela Educação Infantil no que diz respeito ao incentivo à inclusão do aluno PNEE nas salas de aula que recebem alunos de 0 a 6 anos de idade, na valorização desta etapa da educação brasileira e da descaracterização do estigma assistencialista que ainda carrega. Outro fator apontado foi a potencialização das parcerias especializadas através de órgãos ligados a educação e a saúde, tornando sempre necessário manter abertos os canais e relações que facultem o crescimento social, histórico e cultural, através de uma prática pedagógica includente, integradora e significativa visando sempre o bem estar do ser humano envolvido no desenrolar desse processo. 36 37 É verdade que muito ainda tem que ser feito e debatido pela sociedade e órgãos competentes envolvidos direta e indiretamente no processo inclusivo e integrador da pessoa portadora de necessidades educacionais especiais, mas também sabemos que quanto mais o tema for debatido e as ações tornassem mais reais saindo do plano das suposições para o plano prático maiores e melhores resultados serão colhidos. Iniciar a inclusão desde a Educação Infantil não é impossível, o que precisamos é torná-lo viável. 37 38 BIBLIOGRAFIA ANTUNES, Celso. Coleção Inteligência múltiplas e seus jogos. 2ª ed. Ed. 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