Secretaria de Saúde do Distrito Federal – SES/DF Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde - Fepecs Escola de Aperfeiçoamento do Sistema Único de Saúde – EAPSUS Projeto Político-Pedagógico Brasília – DF, 2014 Escola de Aperfeiçoamento do Sistema Único de Saúde EAPSUS “ Todo projeto supõe rupturas com o presente e promessas para o futuro. Projeto significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se, atravessar um período de instabilidade e buscar uma nova estabilidade em função da promessa que cada projeto contém de estado melhor do que o presente. Um projeto educativo pode ser tomado como promessa frente a determinadas rupturas. As promessas tornam visíveis os campos de ação possíveis, comprometendo seus atores e autores (Gadotti, 1994, p. 579). Projeto Político Pedagógico 2 Escola de Aperfeiçoamento do Sistema Único de Saúde EAPSUS Diretor Berardo Augusto Nunan Assessora Wania Maria do Espírito Santo Carvalho Equipe Aline Luli Romero Ribeiro Fátima Regina Amaral Pinheiro Marly Aparecida Simões e Silva Gerência de Estágio - GE Alyne Coelho Moreira Milhomem Elaine Cristina Takenaka Fabiana Tiemi Otsuka Karla Maria Carmona Queiroz Renata Santos Cunha Freire Rosa Gerência de Projetos – GDP Amanda Chelski da Motta Lucia da C. Barreiras Manso Maria Inês Castelli Teles Nélcia M. F. Torquato de Almeida Petruza Damaceno de Brito Renata Rodrigues Rezende de Alencar Renato Rodrigues Camarão Projeto Político Pedagógico 3 Sumário APRESENTAÇÃO ..................................................................................................................................................... 5 1. EAPSUS: história, estrutura e perspectiva .............................................................................. 6 1.1 Estrutura e equipe .............................................................................................................................................. 8 1.2 Perspectivas ........................................................................................................................................ 9 2. Princípios Orientadores ............................................................................................................ 10 3. Educação Permanente e Educação Continuada: proposta pedagógica da EAPSUS .................................................................................................................................................. 12 3.1 Construções de material didático pedagógico ................................................................... 14 3.2 Avaliação ....................................................................................................................................16 3.3 Educação à Distância ............................................................................................................................. 17 4. Projetos em Desenvolvimento .............................................................................................. 18 4.1. Núcleo Técnico-Científico do Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes (NTC) ............................................................................................................................................................. 18 4.2 Observatório Transdisciplinar Água, Saúde e Educação (OASE) .................................. 19 4.3 Capacitação em Vigilância em Saúde: temas prioritários para o Distrito Federal .................................................................................................................................................................................21 4.4 I Oficina de Integração Ensino e Serviço – Planejamento e Plano de Estágio ..21 4.5 Capacitação dos Integrantes das Comissões de Segurança no Trabalho (CST) .................................................................................................................................................................................22 5. Conclusão ............................................................................................................................................... 23 6. Referências Bibliográgicas ........................................................................................................... 24 ANEXOS......................................................................................................................................................... 25 Anexo 1: Organograma da Escola de Aperfeiçoamento do Sistema único de Saúde ..26 Anexo 2: Quadro do Perfil da Equipe ...................................................................................................... 27 Anexo 3 Cursos Propostos no Projeto Capacitação em Vigilância em Saúde: temas prioritários para o Distrito Federal ........................................................................................................ 30 Projeto Político Pedagógico 4 APRESENTAÇÃO A construção do Projeto Político-Pedagógico (PPP) é a forma objetiva da EAPSUS dar sentido ao seu saber fazer na condição de instituição que tem como missão: “...contribuir para a formação de estudantes das instituições de ensino conveniadas, propor e desenvolver processos de educação permanente dos profissionais de saúde e demais atores envolvidos com educação em saúde, participação e controle social, com vistas ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde do Distrito Federal - SUS/DF” ( RI-EAPSUS, DODF n. 260, seção 1, p. 9, dez. 2014). Traduz a possibilidade de realização concreta de seus sonhos, em que ações são construídas e reconstruídas de forma dinâmica e histórica; é a revelação de seus compromissos e, principalmente, de sua identidade e a de seus membros. É, portanto, resultado de intencionalidade e trabalho coletivo. Seu objetivo é buscar metas e traçar caminhos para intervir na realidade, concretizar possibilidades, trabalhar utopias, avaliando o processo de fazer e aprender, sempre para projetar mudanças. Sua construção e execução alinham princípios e diretrizes para nortear as práticas educativas e contribuir para a qualidade dos serviços oferecidos na EAPSUS. Para que se torne realidade precisa ser compreendido como um instrumento de transformação, conectado com a realidade e que responda as necessidades e expectativas dos atores envolvidos. O desafio posto implica a capacidade de incorporar e processar interesses e demandas amplamente diversificadas, compartilhando poder e responsabilidade, tanto nos momentos de escolha das prioridades e estratégias, quanto no acompanhamento e na avaliação das ações. A sustentabilidade do conjunto de ações educativas propostas exige percorrer um caminho complexo expresso na tarefa de imbricar, nos processos e arenas decisórias, coerência e integração entre a proposta pedagógica, o desenho das ações e a implementação de respostas qualificadas que atendam às demandas expressas da SES/DF. Em síntese, realizar um trabalho com qualidade pautado na consciência crítica e na capacidade de ação. Nesse processo, deve-se ter certeza de que o Projeto precisa ser mutável, dinâmico, intencional, claro e funcional. Projeto Político Pedagógico 5 Para que isso aconteça, são necessários a clareza de conceitos e o domínio de metodologias e técnicas que viabilizem a tradução dos objetivos e estratégias da Escola em ações, mediante uma conduta pautada pelos princípios da ética e da responsabilidade. Assim, elaborar um PPP é um passo importante para que as ações e programas propostos pela EAPSUS contribuam efetivamente para o fortalecimento do SUS/DF de modo democrático, participativo, responsável e transparente. 1 EAPSUS – história, estrutura e perspectivas A Escola de Aperfeiçoamento do SUS compõe juntamente com a Escola Superior em Ciências da Saúde – ESCS e a Escola Técnica de Saúde de Brasília – ETESB, o complexo educacional da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde – Fepecs. A constituição desse complexo educacional no âmbito da Secretaria de Saúde do Distrito Federal – SES/DF remonta em 10 de novembro de 1960, quando foi criada a Escola de Auxiliares de Enfermagem de Brasília-EAEB. Sua missão foi prover a cidade de auxiliares de enfermagem e durante quatro décadas a EAEB formou profissionais em nível técnico, respondendo às necessidades do sistema de saúde, de acordo com a legislação de ensino vigente no país. Em 1986, a Fundação Hospitalar do Distrito Federal – FHDF, por meio da Resolução nº 01/86, implantou o Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos para a Saúde – CEDRHUS, subordinado à Diretoria de Recursos Humanos – DRH e com o objetivo de atuar na capacitação de servidores da FHDF. Um ano após, em 1987, a Resolução nº 07/87 operou uma recomposição na estrutura administrativa dos órgãos de ensino da FHDF, transformando o Centro Interescolar de Saúde de Brasília-CISB, (ex Escola de Enfermagem de Brasília) em Escola Técnica de Saúde de Brasília-ETESB e vinculando o CEDRHUS à Diretoria Executiva da FHDF. É importante mencionar que embora a ETESB possuísse organograma e regimento próprios, manteve-se subordinada ao CEDRHUS. Desde a sua criação, e de acordo com seus objetivos, o CEDRHUS promoveu cursos para atender as necessidades da FHDF. Além da ETESB, o CEDRHUS contava ainda com a Divisão de Pesquisa, Divisão de Treinamento e Aperfeiçoamento-DTA, Projeto Político Pedagógico 6 Divisão de Recursos Audiovisuais e Documentação Científica-DRAvDC e Serviço de Administração. Possuia ainda, um sistema próprio de registro, que realizava o cadastramento de todos os profissionais da Instituição liberados para cursos de especialização, mestrado e de doutorado e oferecia estágio curricular para alunos de nível médio e superior das áreas de saúde. Em 1996 foram criados, em todas as unidades orgânicas da SES/DF, os Núcleos de Educação para o Trabalho – NETS, que possibilitaram a descentralização da responsabilidade pelo planejamento e implementação de ações voltadas ao desenvolvimento de recursos humanos na área da saúde. A atuação do CEDRHUS era de apoio e coordenação técnica das ações desenvolvidas pelos NETS. A partir de 1999, os NETS passaram a atuar também como Polo de Capacitação do Programa Saúde da Família e, por meio do Decreto n.º 28.011, de 30 de maio de 2007, seus nomes foram alterados para Núcleos de Educação Permanente em Saúde NEPS. A FHDF e o CEDRHUS foram extintos na reforma administrativa de 2000 e as atividades do CEDRHUS foram assumidas pela então recém-criada Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde - FEPECS. A Fepecs, criada em 15 de janeiro de 2001, pela Lei N° 2.676, de 12 de janeiro de 2001, é uma Fundação com personalidade jurídica de direito público, de caráter científico-tecnológico, educacional, sem fins lucrativos, vinculada diretamente à Secretaria de Saúde do Distrito Federal, obedecido os princípios da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Constituiu-se como mantenedora da Escola Superior de Ciências da Saúde - ESCS, da Escola Técnica de Saúde de Brasília - ETESB, e tinha em sua estrutura a Coordenação de Desenvolvimento de Recursos Humanos - CODERH, que se tornou responsável pela educação permanente dos profissionais da SES. A ESCS foi criada em 18 de julho de 2001 Portaria SEE/DF 314 de 17 de julho de 2001. O curso de medicina teve início em 10 de agosto de 2001 e seu reconhecimento se deu em 27 de dezembro de 2006, por meio da portaria Portaria CEE/DF 446. Em setembro de 2008, a ESCS, recebeu a autorização da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, mediante a portaria nº 195, de 08 de setembro de 2008, para o funcionamento do Curso de Graduação em Enfermagem. O parecer Nº 283/2012-CEDF, reconhece o curso de graduação em enfermagem, que foi homologado em 29 de janeiro de 2013, DODF nº 24, de 30 de janeiro de 2013, p. 15. Projeto Político Pedagógico 7 Em 19 de agosto de 2005, por meio do Decreto nº 26.128, a estrutura organizacional da FEPECS foi alterada com a transformação da CODERH em Coordenação de Desenvolvimento de Pessoas – CODEP. De acordo com o artigo 27 do Decreto 26.128, as competências e atribuições das Coordenações, Gerências e Núcleos da Fepecs estão definidas no seu Regimento Interno, publicado anteriormente ao Decreto de criação da CODEP. Deste modo, como suas competências e atribuições não estão explicitadas no Regimento Interno da FEPECS a CODEP assumiu informalmente aquelas que cabiam à CODERH, além de outras. Em 2013, por meio do Decreto n.º 34.593, a CODEP se tornou a Escola de Aperfeiçoamento do Sistema Único de Saúde - EAPSUS. Como Escola, passou a funcionar com a mesma estrutura física e orgânica da extinta CODEP, mas com uma proposta de construção de um novo papel, pedagogicamente referenciado, em relação à Secretaria de Saúde. 1.1 Estrutura e equipe A EAPSUS localiza-se na FEPECS, onde funcionam também o campi Asa Norte da Escola Superior em Ciências da Saúde – ESCS, com o Curso de Medicina, e a ETESB. A estrutura da Fepecs dispõe de 15 salas de aula com capacidade para 35 pessoas, sendo apenas uma delas gerenciada pela EAPSUS, 9 salas para tutorial com capacidade para 12 pessoas, 2 auditórios (um com capacidade para 238 pessoas e outro para 80 pessoas), biblioteca universitária especializada em saúde com 102 mesas de estudo individual, 25 mesas de estudo coletivo, 14 micro computadores de acesso livre a internet, 4 micro computadores com acesso a rede de bibliotecas, 4 salas de estudo em grupo/reuniões . A biblioteca possui um acervo com cerca de 11.317 títulos, 30.891 exemplares e as bases de dados de periódicos científicos – Proquest e Ebsco. O complexo conta ainda com serviço de reprografia, setor de recursos áudio visuais, laboratório de informática (com 19 micro computadores) e uma sala multiuso. Além de compartilhar essa estrutura, a EAPSUS está instalada em uma sala onde trabalham 18 profissionais de diferentes categorias profissionais da área de saúde, cedidos pela SES/DF para a FEPECS. Os profissionais atuam vinculados à diretoria (5 servidores) e a duas gerências: Gerência de Desenvolvimento de Projetos – GDP (8 servidores ) com os Núcleos de Controle e Execução de Projetos, Treinamento e Projeto Político Pedagógico 8 Avaliação e a Gerência de Estágios – GE (5 servidores), e os Núcleos de Seleção para Estágios e Acompanhamento de Estágios. (anexo 1) Durante o ano de 2014, no processo de constituição da Escola, a diretoria da EAPSUS realizou reuniões sistemáticas, grupos de trabalho e de estudos, com o objetivo de discutir os princípios e as diretrizes que devem orientar sua atuação, além de iniciar a capacitação pedagógica da equipe. A elaboração do Regimento Interno (RI) e deste Projeto Político Pedagógico (PPP) são resultados destas reflexões. Para além, buscando agregar competência a sua equipe, a Escola estimulou a participação dos profissionais em cursos de especialização e extensão: 1) Curso de Especialização “Educação da Saúde para Preceptores do SUS” ministrado pelo Hospital Sírio Libanês e MS, realizado por 03 profissionais; 2) Curso de Especialização “Educação Permanente em Saúde em Movimento”, ministrado pela UFRGS/MS e UFRJ, em andamento e sendo realizado por 02 profissionais; 3) “Curso Livre de Educação Popular em Saúde – EdpopSUS , promovido pela Subsecretaria de Atenção Primária em Saúde- SAPS/SES e MS, realizado por 06 profissionais, e, 4) Cursos de Gestão – Planejamento e Avaliação, Gestão por Resultados, Parcerias Público Privada, Elaboração de Indicadores, entre outros ofertados pelo Instituto Publix, realizado por 08 profissionais. A equipe da EAPSUS possui um perfil multiprofissional e qualificação em diferentes áreas da saúde. (anexo 2). 1.2 Perspectivas A Secretaria de Saúde do Distrito Federal, em seu Regimento Interno, define que a Subsecretaria de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde - SUGETES é responsável direta pela gestão da educação, no que tange à formulação de políticas, mapeamento de necessidades, e a consequente elaboração do Plano de Educação Permanente (PEP). A EAPSUS se apresenta como principal parceira da SES/DF para efetivação da Política de Educação Permanente em Saúde e para apoiar o fortalecimento das estruturas da SES na gestão da educação, tanto na administração central, como nas regionais de saúde. Propõe atuar na qualificação das ações de educação permanente em saúde (EPS), sendo propositiva no levantamento de necessidades e parceira na elaboração do PEP, bem como atender às demandas educacionais identificadas pela Projeto Político Pedagógico 9 SES, que possam ser respondidas diretamente pela Escola ou por meio de sua articulação com outras instituições formadoras qualificadas. Adicionalmente, destaca-se o forte potencial da EAPSUS para integrar ensinoserviço nos seus processos educativos. Isto se deve ao vínculo institucional com a SES/DF e a sua aproximação com os serviços, tendo em vista que é responsável pelo gerenciamento do Estágio Curricular, Atividade Prática Supervisionada e atividades de Treinameno em Serviço, desenvolvidas nos cenários da SES. Nesta perspectiva, a EAPSUS elaborou uma proposta de Regimento Interno que buscou compatibilizar as atribuições assumidas pela CODEP com aquelas estabelecidas para a SUGETS/SES, associadas às expectativas de estruturação da Escola, que pretende constituir-se em excelência no campo da educação profissional em saúde e consolidar-se como referência nacional na educação voltada para trabalhadores do SUS, tendo como horizonte objetivo incrementar a qualidade do SUS no DF. Cabe a EAPSUS aprofundar o diálogo crítico entre a SES, a EAPSUS e a FEPECS para discutir, identificar, pactuar e responder, na medida das suas potencialidades, as demandas de educação da SES. Com o fortalecimento de sua proposta pedagógica a Escola deverá buscar: 1) enfrentar de modo singular a inadequação curricular à realidade dos serviços; 2) a articulação das diferentes práticas de trabalho com a produção de conhecimento; 3) a formação para o trabalho com reconhecimento do trabalho como o lócus do processo de produção de conhecimentos; 4) a ênfase na aprendizagem de estratégias cotidianas (e/ou sua ressignificação) que possibilitem operacionalizar os conhecimentos; 5) a superação de currículos que se prendem em demasia e acriticamente a um determinado repertório de conhecimento científico. 2 PRINCÍPIOS ORIENTADORES A Constituição brasileira, promulgada em 1988, define, no artigo 200, inciso III, que cabe ao Sistema Único de Saúde (SUS) “ordenar a formação de recursos humanos” (BRASIL, 1988). Esse é o princípio que alicerça a concepção da EAPSUS: escola de educação profissional do SUS para o SUS. Projeto Político Pedagógico 10 A educação profissional na área da saúde precisa considerar que as competências profissionais são construídas ao longo da trajetória da vida profissional do trabalhador, que partilha experiências e práticas coletivas condicionadas pelo contexto econômico, social e político. No âmbito da SES/DF, a educação profissional configura um campo complexo de atuação, pois precisa combinar o tratamento de temas e conteúdos atualizados e de qualidade com abordagens metodológicas inovadoras, que considerem o perfil desse público: heterogeneamente qualificado nos vários campos da saúde, com grande diversidade de origens culturais, geográficas, de formação acadêmica e com pouquíssima disponibilidade de tempo para dedicação aos processos educacionais. Para além, precisa atuar em um contexto de pluralismo institucional e social, marca das sociedades contemporâneas, cujas transformações estruturais trouxeram para o setor saúde, especialmente nos últimos anos, inúmeros desafios. Tais desafios se expressam na incorporação de novas ferramentas tecnológicas e organizacionais, que exigem a implementação de novos métodos de trabalho e a emergência de novas tarefas, superando velhas abordagens, remodelando outras e transformando de modo acelerado a realidade e os serviços de saúde. Trabalhar nesse cenário de contínuas mudanças exige esforço cognitivo e aquisição de competências diversificadas, entre elas: responsabilidade, autonomia, adaptabilidade, cooperação e comunicação. Nesta ótica, a capacidade de planejamento, coordenação, monitoramento e avaliação, negociação e liderança tornam-se competências-chave a serem desenvolvidas, tanto nos processos educacionais voltados para servidores, como no interior da própria Escola. Deste modo, o primeiro desafio que vem sendo enfrentado pela EAPSUS é implementar iniciativas que envolvam os seus próprios dirigentes e técnicos nos processos de ensino-aprendizagem e de intercâmbio de conhecimentos/experiências sobre a implementação de programas educacionais, além de outras iniciativas voltadas para a reflexão pedagógica e atualização de potenciais instrutores, docentes e colaboradores da Escola. No âmbito da EAPSUS, cumpre estimular a equipe a refletir e agir no sentido de aproveitar as potencialidades existentes e desenvolver novas competências para Projeto Político Pedagógico 11 construir, coletivamente, soluções coerentes para dificuldades encontradas, tornando possível efetivar um processo de ensino-aprendizagem de qualidade, em que todos estejam dispostos a cooperar e se emancipar para um mundo cada vez mais exigente. 3 EDUCAÇÃO PERMANENTE E EDUCAÇÃO CONTINUADA: proposta pedagógica da EAPSUS No campo da saúde, os debates acerca da educação e desenvolvimento dos recursos humanos têm confrontado os paradigmas das denominadas “Educação Continuada” e “Educação Permanente”. A Educação Continuada (EC), tradicional recurso no setor de Saúde, se caracteriza por representar uma continuidade do modelo escolar ou acadêmico, centralizado na atualização de conhecimentos, geralmente com enfoque disciplinar, em ambiente didático e baseado em técnicas de transmissão, com fins de atualização. Em sua ação, a EC produz uma distância entre a prática e o conhecimento, na medida em que compreende a prática enquanto campo de aplicação de conhecimentos especializados, criando, deste modo, uma desconexão do saber como solução dos problemas da prática. Atua por meio de uma estratégia descontínua de capacitação, centrada em cada categoria profissional, desconsiderando a perspectiva das equipes e dos diversos grupos de trabalhadores. O enfoque da Educação Permanente (EP), ao contrário, representa uma importante mudança na concepção e nas práticas de capacitação dos trabalhadores dos serviços. Supõe inverter a lógica do processo ensino-aprendizagem, incorporando ensino e aprendizado à vida cotidiana, modificando as estratégias educativas e reconhecendo a prática profissional como fonte de conhecimento e de problemas a serem enfrentados. Nesta perspectiva, os profissionais tornam-se atores reflexivos da prática e construtores do conhecimento e de alternativas de ação, ao invés de receptores de conteúdos previamente identificados. Aproximar a educação da vida cotidiana é fruto do reconhecimento do potencial educativo da situação de trabalho (DAVINI, 1998). A Política Nacional de Educação Permanente (PNEP) tem como princípio que a transformação das práticas profissionais deve basear-se na reflexão crítica sobre práticas reais de profissionais reais em ação na rede de serviços. A EAPSUS, pautada nas diretrizes da EP, compreende que seus processos educativos podem e devem incluir, em uma ou mais etapas de seu desenvolvimento, Projeto Político Pedagógico 12 atividades desenhadas para produzir aprendizado em sala de aula, como parte do processo e integradas à uma visão de educação ampla e permanente. Os momentos de trabalho em sala de aula são momentos de retroalimentação para análise da prática e para a proposição e desenvolvimento de novas ações. Adicionalmente, esses momentos são cruciais para o planejamento de tarefas de mediação institucional que possibilitem a criação ou extinção de contextos organizativos que favorecem ou inibem certas práticas. Nesta direção, a Escola apresenta como diretriz pedagógica a educação problematizadora que, alinhada com os princípios de universalidade, integralidade e equidade, propõe que os processos de capacitação sejam estruturados na Metodologia da Problematização. Inspirado nos referenciais teóricos e ideológicos de Paulo Freire, esse caminho pedagógico se apresenta como instrumento capaz de desenvolver atitudes de reflexão crítica e de compromisso com a prática profissional, pois compreende a educação como construção social e política, compartilhada e orientada para solução de problemas importantes no campo da saúde, com vistas à qualificação dos serviços. (FREIRE, 1985) Em síntese, a Metodologia da Problematização caminha por etapas distintas e encadeadas, a partir de um problema detectado na realidade, utilizando um conjunto de métodos, técnicas, procedimentos ou atividades, intencionalmente selecionados e organizados, de acordo com a natureza do problema e do contexto em que ele se expressa. Amplia os espaços educativos para além da sala de aula na direção de organizações sociais e na comunidade. Busca preparar os profissionais para tomarem consciência da realidade, assim como de sua própria capacidade para atuar intencionalmente e transformá-la. À medida que compreende a ação pedagógica inserida na totalidade da prática social, a EAPSUS espera contribuir para que os trabalhadores da saúde transformem sua vida profissional em algo mais rico, vivo e inovador apropriando-se de recursos e conhecimentos voltados para uma prática pautada no trabalho em equipe e na responsabilidade compartilhada, contribuindo para construção de uma sociedade justa, democrática e participativa. A educação “problematizadora", aqui proposta, fundamenta-se em bases epistemológicas (como o homem conhece o mundo), psicológicas (como se comporta o homem no mundo), ideológicas (que percepções, valores e relações sociais são Projeto Político Pedagógico 13 considerados “verdadeiros” e bons” em um determinado momento histórico) e pedagógicas (como devem ser educadas as pessoas) e adscreve-se a uma epistemologia identificada com o construtivismo sequencial, em que sujeito e meio interagem transformando-se reciprocamente. A organização das atividades de aprendizagem deve incluir etapas encadeadas em uma sequência flexível: observação da realidade, identificação dos pontos chaves (causas e efeitos relacionados a realidade observada), teorização, hipóteses de solução e aplicação à realidade. Na discussão das “hipóteses de solução”, após ter observado o problema na realidade e entendido sua natureza, os profissionais podem propor soluções que consideram adequadas( BORDENAVE, 1983). A problematização permite o uso de qualquer técnica didática: exposição oral e a aprendizagem de rotinas operativas, discussão de casos, leitura de texto, filmes, aulas, discussão de protocolos, entendidas como parte do processo de construção de um conhecimento crítico e transformador. São diferentes arranjos pedagógicos possíveis, capazes de responder a estratégias específicas para o alcance de objetivos específicos. A EAPSUS compreende a importância de trabalhar na lógica da descentralização de ações, da construção de redes e parcerias, estimulando a criação de conselhos de gestão e diferentes formas de contratualizar resultados, pois são mecanismos que podem, na maioria das vezes, viabilizar os objetivos pretendidos e que merecem atenção especial no espaço de ensino-aprendizagem. Entende ainda, como frente de atuação as ações educativas voltadas ao fortalecimento da capacidade local de resposta às necessidades específicas de processos formativos, tendo como público alvo, especialmente, os profissionais dos NEPS e aqueles que desenvolvem atividades de instrutoria, supervisão /preceptoria. 3.1 Construção de material pedagógico O trabalho em saúde apresenta algumas especificidades, pois se trata de um trabalho reflexivo, em que a tomada de decisões implica a articulação de diferentes saberes que provêm de bases científicas, instrumentais e tecnológicas, que são sempre mediados pela dimensão ético-política. Espera-se dos trabalhadores da saúde a dose certa de proatividade, para tomar decisões adequadas na hora certa; a capacidade de gestão de suas atividades, de seu tempo pessoal e de suas competências, para que sejam eficientes na resolução de Projeto Político Pedagógico 14 problemas e imprevistos; a flexibilidade e disposição necessárias para assumir mudanças e ritmos variados de trabalho, bem como criatividade para solucionar problemas (MACHADO, 1998). Como em outros campos de trabalho, a complexidade, a heterogeneidade e a fragmentação – conceitual, técnica e social - são características do processo de trabalho em saúde. A diversidade de profissões e de profissionais, os diferentes perfis de usuários, as mais variadas tecnologias utilizadas, somadas aos domínios mais subjetivos das relações interpessoais e sociais, que são balizadas pelas formas de organização do processo de trabalho, dos espaços e dos ambientes, determinam o alto grau de complexidade do trabalho em saúde. Complexos e contraditórios os processos de trabalho em saúde, por um lado, exigem dos trabalhadores uma intervenção reflexiva, criativa e autônoma, que resolva os problemas. Por outro, apresenta ainda um forte componente gerencial referenciado no modelo taylorista/fordista, baseado em postos de trabalho separados, encadeados e hierarquizados; em tarefas simples, rotineiras e geralmente prescritas e na intensa divisão técnica do trabalho com a separação entre concepção e execução. Na compreensão mais geral, cabe à educação profissional resolver as questões advindas deste quadro. Este é o desafio que se apresenta para a Escola: construir processos educacionais que deem conta de atualizar conhecimentos e realizar essas reflexões. Mais do que aprender a fazer, é preciso aprender a aprender e neste aprendizado desenvolver uma consciência crítica capaz de operar mudanças. O aprendizado precisa realizar-se de maneira coletiva e incorporar uma visão ampla e não fragmentada dos processos organizacionais. Cooperação, participação, responsabilidade, capacidade decisória e de intervenção são atributos a serem desenvolvidos, assimilados e praticados por um profissional que possua boa formação geral e tenha capacidade para perceber os fenômenos em processo, formular análises e propor soluções, com maior autonomia e senso de responsabilidade pessoal organizacional. Nesta perspectiva, a EAPSUS compreende o currículo pedagógico como campo de reprodução e ao mesmo tempo de resistência ideológica, em que o entendimento Projeto Político Pedagógico 15 sobre “o que ensinar” está intimamente atrelado à luta por um determinado modelo de sistema de saúde e de sociedade. A proposta da Escola é desenvolver, para cada uma de suas ações educacionais, currículos específicos estruturados por competências. Uma característica do chamado “Currículo por Competência” é centrar-se nos processos de trabalho, no sujeito da aprendizagem e na integração de atividades, articulando conhecimentos, habilidades e atitudes, por meio de conteúdos integrados, superando a lógica dos currículos por disciplinas ou assuntos, que não favorecem a integração, e contrariamente, acentuam a fragmentação do conhecimento a ser transmitido. (DELUIZ, 2001) Adicionalmente, deve-se tomar o cuidado necessário para não incorrer no fazer pragmatista e inconsequente de adequar componentes curriculares as competências ditas “necessárias” e promover uma pedagogia reducionista e de “facilitações” alicerçada no “imediatismo” de conteúdos funcionais. Neste caminho, define-se como princípios pedagógicos para construção dos curriculos dos cursos da EAPSUS: 1) a interdisciplinaridade, como um processo de interação e articulação para busca do exercício de pensamento e de ação; 2) a contextualização fundamental para que os componentes curriculares possam ser apreendidos e integrados a “culturas vividas” associando a teoria à realidade; 3) a historicidade, na medida em que as sociedades são resultantes de ações e produções humanas referidas a cada momento histórico; 4) o caráter social das produções humanas e, 5) o entendimento do sujeito como indivíduo singular e ao mesmo tempo como consciência geral, visto que o processo de individuação acontece em sociedade. 3.2 Avaliação As iniciativas de avaliação das atividades educacionais da EAPSUS deverão ser estrutradas a partir de modelos teoricamente referenciados e, entre eles, o proposto por Kirkpatrick (1994). Este modelo referencia propostas de avaliação em escolas de educação profissional, segundo a compreensão de que a mesma deva ocorrer em quatro níveis: 1) nível de reação refere-se aos sentimentos e às opiniões dos participantes a respeito da atividade ou curso. Para avaliar esse nível, é necessário definir quais reações são esperadas e construir instrumentos nos quais os participantes possam expressar seus juízos sobre a atividade vivenciada, no que se Projeto Político Pedagógico 16 refere à qualidade e à carga de conteúdos, aos métodos e recursos didáticos utilizados, ao desempenho dos instrutores e docentes e à impressão sobre aplicabilidade do conteúdo ministrado, aprendizagem, mudança de comportamento e resultados para a organização; 2) nível de aprendizagem, determina os conhecimentos que foram adquiridos pelos participantes e, neste caso, devem ser elaborados questionários de autoavaliação; 3) nível que objetiva averiguar se o conhecimento adquirido nos cursos foi ou está sendo aplicado e para alcançar esse nível de avaliação a EAPSUS pretende associar ao processo pedagógico, como produto esperado, a elaboração de projetos de intervenção; 4) nível de avaliação que se refere aos efeitos da atividade ou curso na instituição. Esse nível constitui uma avaliação bastante complexa e ainda muito pouco utilizada pelas organizações de ensino profissional. No âmbito da EAPSUS devem ser objetos de pesquisas e experiências-piloto, que possam indicar caminhos precisos e viáveis para sua realização. A partir da articulação entre os diferentes níveis de avaliação e do uso de vários instrumentos de coleta de informações, pretende-se consolidar uma avaliação geral sobre cada atividade ou curso realizado, o que possibilitará o planejamento de melhorias e inovações. Ainda que cada um dos instrumentos possua limitações próprias, a utilização de modo articulado deverá fornecer subsídios estratégicos para as equipes e áreas técnicas. A tarefa de construir instrumentos e consolidar estratégias de avaliação exige um amadurecimento teórico e pedagógico da equipe da EAPSUS. Isto deverá ocorrer gradualmente, na medida em que for associado às atividades desenvolvidas um processo interno de desenvolvimento de competências neste campo de conhecimento. 3.3 Educação à Distância O desenvolvimento da Educação à Distância é uma meta da EAPSUS e significa buscar estratégias que possibilitem a construção de projetos que multipliquem e ampliem os espaços compartilhados de educação e possam atender a diversidade de situações, desde atividades e cursos de atualização profissional, como ofertas educacionais com maior amplitude e alcance, “educar à distância é, portanto, utilizar todos os recursos necessários de comunicação, metodológicos e didáticos para que o processo ensino-aprendizagem se realize sem a integração Projeto Político Pedagógico 17 espacial e temporal síncrona entre aluno e professor (Amarilla, 2011) O objetivo é utilizar diferentes ferramentas e procedimentos, dos mais tradicionais aos mais inovadores, e articular diversas possibilidades didáticas, que vão desde propostas semipresenciais àquelas realizadas totalmente à distância, por meio de uso de ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Educar com tecnologias pode tornar o processo de ensino-aprendizagem mais dinâmico, flexível, contextualizado, empreendedor e inovador. Para a EAPSUS, mesmo à distância, educar permanece sendo um ato intencional que se concretiza numa relação entre pessoas e a proposta de implantação destas atividades mantem o rigor acerca de uma pedagogia de autoria, ancorada em ambiente educacional tecnológico e pedagogicamente rico em atitudes autônomas, criativas e colaborativas.). 4. PROJETOS EM DESENVOLVIMENTO Em seu primeiro ano de atividades, a EAPSUS priorizou a construção de sua missão, visão e valores e a consolidação das diretrizes pedagógicas que devem orientar sua atuação. Para além, buscou estruturar uma proposta operacional de funcionamento, por meio da elaboração coletiva de seu Regimento Interno, da revisão de portarias e do encaminhamento de projetos estruturantes para a Escola. Paralelamente manteve os compromissos assumidos pela CODEP e promoveu a revisão de processos de trabalho, tendo em vista as mudanças necessárias para se constituir uma Escola de Aperfeiçoamento para os trabalhadores do SUS/DF. 4.1 Núcleo Técnico-Científico do Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes (NTC) A Fepecs, por intermédio da EAPSUS e sob sua responsabilidade e coordenação, celebrou convênio com a União, em novembro de 2013, com o objetivo de obter apoio técnico e financeiro para “Implantação do Núcleo Técnico Científico do Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes” no DF, visando o fortalecimento do Sistema Único de Saúde no Distrito Federal. Projeto Político Pedagógico 18 O Programa consiste no desenvolvimento de atividades de teleconsultoria e de tele-educação para profissionais que atuam na Atenção Primária à Saúde (APS). Para tanto, promoveu: 1) integração com a Coordenação Nacional do Telessaúde e acompanhamento das agendas estratégicas do Programa Telessaúde Brasil Redes com realização de reuniões sistemáticas para definir as bases de funcionamento do NTC-DF; 2) integração com a Coordenação Estadual e o Comitê Gestor do DF, por meio de participação em reuniões e contato permanente com as instâncias envolvidas; 3) provimento de profissionais para compor o Núcleo Técnico Científico de Telessaúde do Distrito Federal, que exigiu a integração e a mobilização de diferentes instâncias, no sentido de viabilizar o provimento e o pagamento de bolsas para os colaboradores do Projeto; 4) elaboração do Plano de Trabalho do NTC-DF e definição das competências e atribuições dos profissionais do NTC-DF. O Plano proposto compreende o Telessaúde como um ponto da Rede de Atenção à Saúde do DF, integrando as ações de com ações de apoio assistencial e de organização dos serviços. Desta forma, os profissionais do NTC deverão ser capazes de integrar ensino-serviço por intermédio de tecnologias de comunicação; 5) criação da identidade visual do NTC e desenvolvimento do site “Telessaúde Distrito Federal”, em fase de construção e, 6) integração entre o Programa Telessaúde e o Programa Mais Médicos. O Telessaúde deverá contribuir com os eixos 3, 4 e 5 do Programa Mais Médicos, atuando no fortalecimento e qualificação da APS, bem como auxiliando, naquilo que lhe compete, nas mudanças pretendidas nos cursos de graduação em Medicina. Além destas ações, parte da equipe da EAPSUS foi capacitada para o manejo da Plataforma Nacional do Telessaúde. A EAPSUS espera que em 2015 o NTC funcione ofertando teleconsultorias assíncronas, assim como ações de tele-educação. 4.2 Observatório Transdisciplinar Água, Saúde e Educação – OASE ; A Fepecs, sob coordenação da EAPSUS, assinou um Protocolo de Intenções com o Instituto de Saúde Integral (ISI), o Instituto de Homeopatia na Agricultura e Ambiente (IHMA), a Organização Mundial de Termalismo (OMTh), o Centro de Ecologia Médica Florescer da Mata, o Instituto Calliandra de Educação Integral e Ambiental e a Ararazul – Organização para a Paz Mundial, que tem por objetivo estabelecer condições de cooperação entre os partícipes, visando a implantação do Observatório Transdisciplinar em Água, Saúde e Educação(OASE). Projeto Político Pedagógico 19 O referido Protocolo também objetivou conjugar esforços para inserção da Fepecs como instituição participante do ciclo do Acordo de Cooperação Técnica do Centro de Estudo Transdisciplinar da Água (CET-Água), cuja assinatura ocorreu em 07 de novembro na Universidade de Brasília e com vigência para o período de 2014 a 2019. A EAPSUS compõe o grupo de trabalho que elaborou o protocolo de intenções , a minuta do acordo de cooperação entre as instituições parceiras e proposta de constituição do Observatório. O OASE deverá articular as seguintes linhas de pesquisa: 1) Termalismo, crenoterapia e saúde pelas águas naturais; 2) Água e soluções ultradiluídas; 3) Tratamento magnético da água e água estruturada; 4) Água, produção de alimentos e saúde; 5) Água, meternergia e cura; 6) Água e saúde no contexto sócio ambiental; 7) Água, cultura, arte e educação. Com participação e apoio da EAPSUS, foram realizadas atividades de fomento ao debate e de sensibilização sobre o tema junto à comunidade acadêmica e científica da Fepecs, aos servidores da SES/DF, profissionais da rede de saúde do DF e membros da sociedade civil, a saber: 1) I Seminário Novos Saberes em Água e Saúde, em comemoração a semana mundial da água em 20/03/2014; 2) criação do Grupo de Pesquisa Transdisciplinar em Água, Saúde e Educação, registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq; 3) reuniões técnico-científicas sobre os temas relacionados as linhas de pesquisa com convidados nacionais e internacionais, e 4) realização de 35 reuniões de trabalho no ano de 2014 para pactuar e operacionalizar questões administrativas, institucionais e jurídicas e de fomento ao debate, relativas a implantação do OASE. Para 2015, apresenta-se como proposições: 1) a institucionalização do OASE; 2) o aprofundamento teórico das linhas de pesquisa, por meio da realização de Projeto de Pesquisa Bibliográfica, em construção pela EAPSUS e parceiros e, 3) a construção de uma proposta de educação dos profissionais da SES/DF, na área temática de água e saúde. Projeto Político Pedagógico 20 4.3 Capacitação em Vigilância em Saúde: temas prioritários para o Distrito Federal Foi aprovado no âmbito do Chamamento nº 5/2014 Propostas de Iniciativas Educacionais Aplicadas à Vigilância em Saúde - “Planejamento, Gestão e Vigilância em Saúde”, o “Projeto Capacitação em Vigilância em Saúde: temas prioritários para o Distrito Federal“ submetido à concorrência pela EAPSUS, para estabelecimento de convênio entre a Fepecs e Secretaria de Vigilância em Saúde SVS/MS . Trata-se de proposta para construção de material pedagógico e execução de, de oito cursos (Anexo 3) sobre temas prioritários para a Vigilância em Saúde, sob coordenação da EAPSUS, que devem ser ofertados preferencialmente de modo regionalizado e dirigido às equipes de saúde. Contemplam demandas identificadas pela EAPSUS e os conteúdos foram discutidos e definidos em parceria com a Subsecretaria de Vigilância em Saúde - SVS/SES/DF e com as áreas técnicas responsáveis. Assim, a oferta de temas específicos justifica-se a partir do perfil epidemiológico, prevalência de agravos e/ou demandas instiutucionais. O objetivo é desenvolver e aprimorar competencias dos profissionais em vigilância à saúde, planejamento, promoção, prevenção e atenção à saúde, prioritariamente das equipes da Atenção Primária em Saúde (APS). A construção do material didático pedagógico de cada um dos cursos propostos será realizada pela Equipe da EAPSUS em conjunto com as áreas técnicas. O material elaborado , deverá integrar ensino-serviço, por meio de atividades teóricas realizadas em concentração e atividades práticas - exercícios e projetos de intervenção - realizadas em dispersão. Considerando que os cursos abordam temas cuja demanda de capacitação é frequente na SES, a EAPSUS deverá, após realização das turmas previstas e avaliação dos Cursos, disponibilizar o material pedagógico finalizado como parte do seu conjunto de ofertas. 4.4 I Oficina de Integração Ensino e Serviço – Planejamento e Plano de Estágio A I Oficina de Integração Ensino e Serviço – Planejamento e Plano de Estágio, realizada pela Gerência de Estágios – GE/EAPSUS em parceria com a Gerência de Serviço Social – GSS/SAS/SES-DF e o Departamento de Serviço Social da Universidade Projeto Político Pedagógico 21 de Brasília- SER/UnB, é fruto das reflexões travadas no âmbito da EAPSUS no sentido de construir uma proposta de qualificação dos campos e supervisores de estágios das instituições de ensino conveniadas com a SES/DF. Atualmente 22 instituições de ensino, públicas e privadas, mantém convênio com a SES e utilizam os diferentes serviços, em todos os níveis de atenção, para formação de seus estudantes. A GE/EAPSUS é responsável pelo gerenciamento desses convênios e viabiliza a entrada de aproximadamente oito mil estudantes nos cenários da SES. A magnitude dos números e a diversidade de ações educativas envolvidas nesses processos justificam a iniciativa, cujo Piloto aconteceu em setembro de 2014 e envolveu supervisores dos campos de estágio curricular e atividade prática supervisionada, docentes das instituições de ensino e a equipe técnica da EAPSUS. A proposta metodológica articulou a Pedagogia da Problematização com os princípios do Planejamento Estratégico Democrático (PED). O processo vivenciado resultou na proposta de constituição de um Comitê Gestor do Estágio Supervisionado em Serviço Social, já instituído e em funcionamento, que deverá encaminhar as outras propostas debatidas no âmbito da Oficina. A Oficina, positivamente avaliada pelos participantes, após ajustes será ofertada para outras categorias profissionais que realizam atividades práticas curriculares na SES. 4.5 Capacitação dos Integrantes das Comissões de Segurança no Trabalho (CST) Construída pela Gerência de Projetos – GDP/EAPSUS em parceria com o Núcleo de Segurança do Trabalho – NST/DSOC e em fase de avaliação, a “Capacitação dos Integrantes das Comissões de Segurança no Trabalho” contemplou a necessidade expressa de discutir o papel das referidas Comissões no âmbito de 03 unidades da SES/DF: Hospital Regional da Asa Norte (HRAN); Laboratório Central (LACEN) e Fundação Hemocentro de Brasília. Participaram 21 profissionais, técnicos do NST e a equipe técnica da EAPSUS. Projeto Político Pedagógico 22 Após a avaliação e os ajustes necessários, o Curso deverá ser oferecido para os profissionais indicados de outras unidades da SES/DF e compor o leque de ofertas da EAPSUS. 5. CONCLUSÃO A construção do PPP traz a compreensão de uma nova atitude em relação à educação profissional e a certeza de que a EAPSUS vai sendo construída à medida que todos são envolvidos no processo de reflexão e decisão. Neste caminho, os profissionais passam a elaborar suas propostas específicas, considerando as diretrizes e características do projeto institucional e as possibilidades e os limites de cada uma das iniciativas . O objetivo, contudo, é um só: transformar a Escola de Aperfeiçoamento do Sistema Único de Saúde – EAPSUS/Fepecs em uma refência nacional de educação profissional voltada para os trabalhadores do SUS. A construção do Projeto Político-Pedagógico leva um longo tempo para ser “finalizada”, e é muito importante ter a compreensão e a consciência de que os resultados não aparecem de um dia para o outro. Para finalizar, é relevante dizer que um trabalho com essa perspectiva exige colaboração, solidariedade e corresponsabilidade. Assim, é preciso que toda a equipe compreenda e abrace o Projeto Político-Pedagógico como um desafio e um divisor de águas na construção da EAPSUS. Projeto Político Pedagógico 23 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARILLA FILHO, P. Educação à distância: uma abordagem metodológica e didática a partir dos ambientes virtuais. Educ. Rev. Belo Horizonte, v.27, n. 02, mai./ago. 2011. BERBEL, N.N. A problematização e a aprendizagem baseada em problemas: diferentes termos ou diferentes caminhos? Interface: comunicação, saúde e educação, v. 2, n. 2, 1998. BORDENAVE, J.E.D. La Transferencia de Tecnología Apropiada al Pequeño Agricultor. Revista Interamericana de Educação de Adultos. Brasília, v. 3, n. 1-2, PRDE-OEA. Trad. Maria Thereza Grandi, OPAS. 1983. BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é método Paulo Freire. São Paulo: Brasiliense, 2008. BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988. BRASÍLIA. Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal. Regimento Interno da Escola de Aperfeiçoamento do Sistema Único de Saúde/EAPSUS, aprovado pela Resolução/CD/FEPECS n. 01, de 08 de dezembro de 2014. DODF, n. 260, seção 1, 12 de dezembro de 2014, p. 9. DAVINI, M. C. Bases conceituais e metodológicas para a educação permanente na saúde. [S.l.]: OPS/PWR, n. 18, 1989. DELUIZ, N. O modelo das competências profissionais no mundo do trabalho e na educação: implicações para o currículo. Boletim Técnico do Senac, mar., 2001 (Número especial) ESCOLA POLITÉCNICA DE SAÚDE JOAQUIM VENÂNCIO (Org.). Projeto Político Pedagógico JoaquimVenâncio. RiodeJaneiro: FIOCRUZ, 2005. ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA. Referenciais Orientadores da Proposta Educacional da ENAP. Brasília, 2010. FREIRE, P. Por uma Pedagogia da Pergunta. Rio e Janeiro: Paz e Terra, 1985. (Coleção Educação e Comunicação: v. 15) KIRKPATRIC, D. Evaluating Training Programs. [s.l.]: Berrett-Koehler Publishers, 1994 www.businessballs.com/kirkpatricklearningevaluationmodel.htm acesso em 02/12/2014. LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar. 7.ed. São Paulo: Cortez, 1998. MACHADO, A. R. (1998) O diário de leituras: a introdução de um novo instrumento na escola. São Paulo: Martins Fontes, 263 p. SALLES, C. M. C. A aprendizagem significativa e as novas tecnologias na educação à distância. Belo Horizonte: UNIVERSIDADE FUMEC - FACE, 2012. Projeto Político Pedagógico 24 ANEXOS Projeto Político Pedagógico 25 ANEXO 1 Escola de Aperfeiçoamento do Sistema Único de Saúde Organograma Projeto Político Pedagógico 26 Anexo 2 Quadro do Perfil Profissional da Equipe Nome: Aline Luli Romero Ribeiro Graduação: Biblioteconomia UnB (2008) Nome: Alyne Coelho Moreira Milhomem Graduação: Enfermagem FEN/UFG (2006) Especializações: 1) Auditoria em Serviços da Saúde - FAC LIONS(2007); 2) Educação da Saúde para Preceptores do SUS - IEP Hospital Sírio Libanês(2014) Mestrado: Mestre em Enfermagem - FEN/UFG – 2010. Nome: Amanda Chelski da Motta Graduação: Psicologia - UFSC - (2006) Especializações: 1)Residência Multiprofissional em Saúde da Família - UFSC - (2009); 2) Psicologia Clínica - Instituto Muller-Granzotto de Clínica Gestáltica (2010); 3) Especialização em Apoio em Saúde - Unicamp - (2013); 4) Educação Permanente em Saúde - UFRGS (em andamento). Nome: Berardo Augusto Nunan Graduação: Medicina - UFMG (1995) Especializações: 1) Medicina de Família e Comunidade (2004); 2) Políticas Públicas e Gestão Estratégica - ENAP (2006) Nome: Elaine Cristina Takenaka Graduação: Economia - UNEB – (2002) Especializações: 1) Especialização em Gestão da Saúde - UnB – 2012; 2) Direito Administrativo e Gestão Pública - IMAG-DF (curso em andamento) Nome: Eliza Roberta Scian Meneghin Graduação: Enfermagem e Obstetricia UnB (2000) Nome: Fabiana Tiemi Otsuka Graduação: Enfermagem e Obstetrícia UnB (1999) Especializações: 1) Licenciatura em enfermagem – UnB(2003); Projeto Político Pedagógico 27 2) Educação na Saúde para Preceptores do SUS - MS/ Instituto Sírio Libanês (2014). Nome: Fatima Regina Amaral Pinheiro Graduação: Medicina - UnB (1984) Especializações: 1)Residência Ginecologia e Obstetrícia - HMIB/SES DF - 1985/1986; 2) Medicina do Trabalho - Faculdade de Medicina de Itajubá MG – 2002; 3) Gestão da Clínica em Redes Metropolitanas de Saúde - Fiocruz – 2012. Nome: Karla Maria Carmona Queiroz Graduação: Enfermagem - UFPA (2002) Especializações: 1)Saúde Coletiva Educação em Saúde - UnB (2005); 2)Auditoria em Serviços de Saúde São Camilo (2006). Nome: Lúcia da Conceição Barreiras Manso Graduação: Enfermagem e Obstetrícia- UCP (1988) Especializações: 1)Administração Escolar - Universidade São Camilo (2006); 2) Licenciatura em Enfermagem - UCP (1988) Nome: Maria Inês Castelli Teles Graduação: Medicina – UnB (1980) Especializações: 1) Residência em Oftalmologia – HFA (1981/1982); 2) Saúde Coletiva – UnB (1995); 3) Medicina do Trabalho – UnB (2001). Nome: Marly Aparecida Simões e Silva Graduação: Medicina - UFJF (1979) Especializações: 1) Pediatria - HBDF (1981); 2) Medicina Tradicional Chinesa / Acupuntura -Universidade de Brasília (2002). Nome: Petruza Damaceno de Brito Graduação: Enfermagem – UnB (1991) Especializações: 1)Saúde Coletiva –UnB (1995); 2)Educação a Distancia - UCB (2006); 3) Ensino na Saúde - UERJ/ MAASTRICHT (em andamento). Projeto Político Pedagógico 28 Nome: Renata Rodrigues Rezende de Alencar Graduação: Psicologia - UnB (2000) Nome: Renata Santos Cunha Freire Rosa Graduação: Tecnólogo em Gestão Pública - UDF -( em andamento) Nome: Renato Rodrigues Camarão Graduação: Enfermagem. UnB. (1999). Especializações: 1)Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e Pronto-Socorro (PS). PUC-GO, 2005; 2) Educação Para Preceptores do SUS. Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa. 2014. Nome: Wania Maria do Espírito Santo Carvalho Graduação: Serviço Social - SER/UnB (1988) Especializações: 1)Avaliação de Serviços e Processos Endêmicos - ENSP/FIOCRUZ (2004); 2) Educação Permanente em Saúde – UFRGS (em andamento) Mestrado: Políticas Sociais SER/UnB (2001) Doutorado: Ciências -FMUSP/USP (2013) Projeto Político Pedagógico 29 Anexo 3 Cursos Propostos no Projeto Capacitação em Vigilância em Saúde: temas prioritários para o Distrito Federal Nome Curso 1 Curso 2 Curso 3 Curso 4 Curso 5 Curso 6 Curso 7 Curso 8 Planejamento, Gestão e Vigilância em Saúde. Educação Popular em Saúde, Promoção e Comunicação em Saúde Nº Nº Vagas Turmas 90 3 90 3 Manejo de Grupo na Atenção à Saúde 60 2 Violência e Saúde: Atenção e Vigilância no Território 60 2 Atenção Integral à Tuberculose 60 2 60 2 60 2 60 2 540 18 Atenção Integral à Hanseníase no Distrito Federal HIV e Aids: Prevenção, Diagnóstico e Tratamento na Atenção Primária à Saúde Atenção Integral à Diabetes e à Hipertensão Total Projeto Político Pedagógico 30