Educação de Jovens e Adultos nos países de língua portuguesa: novos diálogos para a cooperação sul-sul Brasília, setembro de 2007 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 2 © 2007. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) ESSA INICIATIVA FOI COORDENADA PELAS SEGUINTES INSTITUIÇÕES E SUAS RESPECTIVAS EQUIPES: Ministério da Educação (MEC) Ricardo Henriques Secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) Timothy Ireland Diretor do Departamento de Educação de Jovens e Adultos (DEJA/SECAD) Adriana Pinto Rodrigues Gestora Pública no Departamento de Educação de Jovens e Adultos (DEJA/SECAD) Magda Coelho Assessoria Internacional do Gabinete do Ministro Agência Brasileira de Cooperação (ABC), Ministério das Relações Exteriores Leonardo Perez Lima Divisão de África, Coordenação-Geral de Cooperação Técnica entre Países em Desenvolvimento Representação da UNESCO no Brasil Marilza Machado Gomes Regattieri Coordenadora de Educação a.i. Michelle Morais de Sá e Silva Assessora de Programas, Responsável por esta iniciativa de Cooperação Sul-Sul. Alexsandra Andrade Assessora de Programas Os autores são responsáveis pela escolha e apresentação dos fatos contidos neste livro, bem como pelas opiniões nele expressas, que não são necessariamente as da UNESCO, nem comprometem a Organização. Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 3 Educação de Jovens e Adultos nos países de língua portuguesa: novos diálogos para a cooperação sul-sul Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 4 edições UNESCO Conselho Editorial no Brasil Vincent Defourny Bernardo Kliksberg Juan Carlos Tedesco Adama Ouane Célio da Cunha Comitê para a Área de Educação Célio da Cunha Jane Margareth de Castro Marilza Machado Gomes Regattieri Coordenador Editorial: Célio da Cunha Relatoras: Maria Clara Di Pierrô e Eliane Ribeiro Andrade Revisão Técnica: Jeanne Sawaya Revisão: Eduardo Perácio Diagramação: Paulo Selveira Capa e Projeto Gráfico: Edson Fogaça © UNESCO 2007 Educação de jovens e adultos nos países de língua portuguesa: novos diálogos para a cooperação Sul-Sul. – Brasília : UNESCO, MEC, ABC, 2007. 44 p. BR/2007/PI/H/9 1. Educação de Adultos—Países de Língua Portuguesa 3. Programas Educacionais de Adultos—Países de Língua Portuguesa 2. Cooperação Técnica—Países de Língua Portuguesa I. UNESCO CDD 374 Representação no Brasil SAS, Quadra 5, Bloco H, Lote 6, Ed. CNPq/IBICT/UNESCO, 9º andar 70070-914 – Brasília/DF – Brasil Tel.: (55 61) 2106-3500 Fax: (55 61) 3322-4261 [email protected] www.unesco.org.br Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 5 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA: NOVOS DIÁLOGOS PARA A COOPERAÇÃO SUL-SUL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 Construindo uma cooperação solidária . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 Sistematização dos debates . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 1. Síntese dos relatos de experiências dos países . . . . . . . . . . . . . . 17 2. Questões recorrentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 3. Questões emergentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 4. Singularidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 5. Diretrizes da cooperação Sul-Sul no campo da educação de jovens e adultos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 Plano estratégico de cooperação Sul-Sul entre os países de língua portuguesa no campo da Educação de Jovens e Adultos . . . 28 1. Preâmbulo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 2. Prioridades e propostas de ação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 Bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 ANEXO I: Educação de Jovens e Adultos nos países de língua portuguesa – oficina para cooperação Sul-Sul . . . . . . . . 33 ANEXO II: Plano de ação para a rede de cooperação Sul-Sul entre os países de língua portuguesa no campo da alfabetização e da Educação de Jovens e Adultos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 ANEXO III: Lista de participantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 7 APRESENTAÇÃO No marco da Década das Nações Unidas para a Alfabetização (2003-2012) e tendo em mente que a alfabetização é a pedra basilar para o alcance dos objetivos de Educação para Todos até 2015*, considera-se que os países em desenvolvimento de língua portuguesa, ou países de língua portuguesa do Sul, têm largas possibilidades de mútua cooperação e intercâmbio de experiências no processo de fortalecimento de suas políticas nacionais de Educação para Todos e, especificamente, de educação de jovens e adultos. Em seu processo de desenvolvimento humano sustentável, esse conjunto de países tem enfrentado barreiras para universalizar uma educação de qualidade em todos os níveis e modalidades, mas tem também alcançado inúmeras conquistas que devem ser disseminadas e compartilhadas por meio de iniciativas de cooperação Sul-Sul. As experiências recentes de cooperação entre países em desenvolvimento têm provado ser de grande relevância para um processo de construção conjunta das políticas educacionais dos diferentes países. No caso dos países de língua portuguesa do Sul – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste –, os laços de cooperação são fortalecidos pelo idioma oficial comum e pelos diversos momentos em que suas histórias se entrecruzaram, seja no passado longínquo, seja em anos recentes. A afinidade já existente, há anos, enseja a cooperação entre seus povos, * Conforme afirma o Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos 2006 (UNESCO, 2007). 7 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 8 instituições e governos, para que possam construir, conjuntamente, estratégias de enfrentamento dos grandes desafios educacionais a que hoje se defrontam. Assim, o Ministério da Educação do Brasil, por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD), e a Representação da UNESCO no Brasil consideram que a união de esforços entre os países em questão tem o potencial de fortalecer suas políticas educacionais, em especial no campo da educação da população jovem e adulta. Adota-se a perspectiva de que todos os países têm muito a compartilhar com os demais e de que todos estão igualmente dispostos a colher as lições resultantes das demais experiências. Acredita-se também que os países de língua portuguesa do Sul tenham grande potencial de concepção de idéias e práticas inovadoras e que, juntos, possam melhor realizar esse potencial, construindo estratégias que sejam genuinamente do Sul. Neste marco, o Ministério da Educação, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e a Representação da UNESCO no Brasil reuniram esforços para promover essas idéias por meio do evento intitulado Educação de Jovens e Adultos nos Países de Língua Portuguesa: Oficina para Cooperação Sul-Sul. A Oficina, realizada em Brasília entre os dias 14 e 17 de agosto de 2006, reuniu representantes dos ministérios de Educação de todos os países de língua portuguesa do Sul, os quais reafirmaram sua disposição e compromisso com a cooperação Sul-Sul no campo da educação de jovens e adultos. A rica experiência daqueles quatro dias de Oficina encontra-se registrada nesta publicação bilíngüe, graças ao trabalho de relatoria feito por Eliane Ribeiro Andrade ** e Maria Clara Di Pierro ***. ** Professora, Doutora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) *** Professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) 8 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 9 A Oficina representou o primeiro passo na caminhada de constituição de uma Rede de Cooperação Sul-Sul entre os países participantes. Permitiu a identificação de problemáticas recorrentes, a definição de áreas prioritárias, e até mesmo a elaboração de um plano estratégico, no qual se delineiam prioridades e propostas de ação. Grandes expectativas foram criadas, sendo necessário ainda que mais esforços sejam despendidos para tornar realidade o desenvolvimento e pleno funcionamento da Rede. Nesse processo, os ministérios de Educação, embaixadas e escritórios da UNESCO nos diferentes países terão papel fundamental a desempenhar no fortalecimento de canais de comunicação, os quais servirão, acima de tudo, como canais de intercâmbio, cooperação e solidariedade. Vincent Defourny Representante da UNESCO no Brasil André Luiz de Figueiredo Lázaro Secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade Ministério da Educação 9 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 11 EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA: NOVOS DIÁLOGOS PARA A COOPERAÇÃO SUL-SUL A cooperação e a solidariedade internacionais devem consolidar uma nova concepção de educação de adultos, a qual é, a um tempo, holística, para cobrir todos os aspectos da vida, e multissetorial, para englobar todos os domínios da atividade cultural, social e econômica. A ação com o objetivo de promover a cooperação e a solidariedade internacionais, bem como a cultura de paz, deve inspirar-se, essencialmente, na Declaração Universal dos Direitos Humanos. O diálogo, a partilha, a consulta e a vontade de instruir-se por uma escuta mútua são as bases da cooperação que deve passar pelo respeito à diversidade. Agenda para o futuro da Educação de Adultos Declaração de Hamburgo, V Confintea, 1997. De acordo com o Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos 2006 (UNESCO, 2007), ainda existem no mundo cerca de 781 milhões de jovens e adultos considerados oficialmente analfabetos, dos quais 2/3 são mulheres. Se levarmos em conta os dados de baixíssima escolaridade, teremos um em cada três habitantes do planeta sem condições concretas de ler e escrever. Ao levantarmos o perfil dos sujeitos que vivem dessa maneira, encontraremos uma triste e perversa associação direta com as condições de pobreza dos povos e países. O Relatório chama a atenção, ainda, para a importância da aquisição da leitura e escrita como instrumento essencial para o enfrentamento 11 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 12 da pobreza, da opressão, do autoritarismo, da exploração, ou seja, o acesso à leitura e à escrita como instrumento significativo na luta pela diminuição das desigualdades e pelo aumento da justiça social. Como exemplo, existem dados inequívocos que mostram a relação da escolaridade das mães com a diminuição da mortalidade infantil e com a melhoria da saúde das crianças; os filhos de pais escolarizados permanecem mais tempo na escola, com melhores índices de aproveitamento; a relação entre o nível de escolarização de um país e o desenvolvimento sustentável; a escolarização e o enfrentamento de doenças endêmicas. É fato que os processos de alfabetização têm ajudado a diminuir as desigualdades entre os sexos e contribuído para aumentar o respeito às diferenças e a valorização da diversidade. Nessa perspectiva, a cooperação Sul-Sul entre países de língua portuguesa deve ser pensada para além do aspecto econômico, que limita a cooperação ao esforço de integração de mercados. De fato, sua concepção deve assumir o significado educativo e cultural de tornar mais próximos os países e as culturas, em um processo marcado pelo diálogo permanente, que permita o despertar de novas possibilidades na consolidação de uma integração mais ampla entre os países de língua portuguesa. Já não é admissível, nesse contexto, a reprodução de modelos de cooperação verticais, impositivos ou paternalistas, que devem ser substituídos por processos e instrumentos de intercâmbio, apoio e cooperação que concretizem os princípios da soberania, da solidariedade e do respeito à diversidade. Incluir a educação de jovens e adultos (EJA) entre as prioridades de desenvolvimento de uma cooperação Sul-Sul, no âmbito dos países de língua portuguesa, é, portanto, fundamental para a ampliação e o fomento de comunidades de aprendizagem e de alargamento cultural, em um grupo de nações que une 230 milhões de pessoas que têm como idioma oficial o português. O grande desafio na construção dessa rede de cooperação é incluir a pauta de EJA nas agendas políticas de educação. É reafirmar a 12 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 13 educação como direito de todos, em todos os níveis e modalidades e em qualquer momento da vida e, assim, compreender a educação de jovens e adultos como uma política pública de estado. É, ainda, compreender as práticas educativas para dentro e para fora da escola, reconhecendo outros espaços de aprendizagem. Por fim, é preciso instigar a idéia de que a EJA deve contemplar a dimensão da diversidade lingüística e cultural, por meio de uma pedagogia que possa considerar essa interculturalidade, recuperando o que Paulo Freire chamava de dimensão ética da educação, pautada em práticas políticopedagógicas que resgatem os valores básicos da educação popular. CONSTRUINDO UMA COOPERAÇÃO SOLIDÁRIA O Ministério da Educação do Brasil, por intermédio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, em conjunto com a Representação da UNESCO no país e com o Ministério das Relações Exteriores, por meio da Agência Brasileira de Cooperação, organizou, entre os dias 14 e 17 de agosto de 2006, em Brasília, capital do Brasil, a primeira oficina de trabalho com o objetivo de debater a cooperação Sul-Sul no campo específico da alfabetização e da educação de jovens e adultos nos países de língua portuguesa. A iniciativa faz parte do conjunto de ações decorrentes da organização da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que busca aproximar oito países, situados em quatro continentes, reunindo cerca de 230 milhões de pessoas, na perspectiva de consolidar laços de identidade e solidariedade que possam fortalecer a capacidade de essas nações defenderem interesses comuns e combater discriminações e exclusões de toda natureza. No caso dos países em desenvolvimento de língua portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste), aos vínculos decorrentes do idioma oficial comum se somam outros traços de identidade construídos ao longo da história. Superados os processos de opressão colonial que 13 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 14 impediram a expressão da pluralidade de sistemas, línguas e culturas, esse conjunto de nações independentes pode, no presente, celebrar o potencial criativo de sua pujante diversidade sociocultural e lingüística, ao mesmo tempo em que valoriza suas afinidades e enfrenta solidariamente o desafio comum do desenvolvimento sustentável com justiça social e respeito aos direitos humanos. Nesse sentido, a iniciativa adota a perspectiva de que todos os países têm algo a trocar e de que todos estão igualmente dispostos a colher as lições resultantes das inúmeras experiências em alfabetização e educação de jovens e adultos acumuladas, principalmente nessas últimas três décadas, muitas das quais envolveram a cooperação bilateral e multilateral. Uma das lições que foi possível aprender nas numerosas ações de alfabetização voltadas para jovens e adultos nos países de língua portuguesa do Sul é o reduzido impacto de iniciativas que procuram mobilizar a sociedade e os alfabetizandos sem, contudo, respeitar a diversidade cultural e lingüística e garantir-lhes as devidas condições de aprendizagem. É fundamental acolher a jovens e adultos em ambientes interculturais de alfabetização e educação básica que proporcionem, também, oportunidades de superação da pobreza mediante o acesso à profissionalização e a novas redes de sociabilidade. Para tanto, é preciso avançar na implementação de um conjunto de políticas (de saúde, trabalho e renda, educação, meio ambiente, cultura, desenvolvimento e participação) que reconhecem nesse sujeito – jovem, adulto – um cidadão pleno de direitos. A Oficina pretendeu, por meio de um processo de troca, estruturar os limites e possibilidades da cooperação e traçar os passos a serem tomados adiante, considerando as diferentes realidades socioculturais, como, por exemplo, a pluralidade de línguas nacionais, as diversidades étnica, histórica, econômica, política e educacional. Para a preparação da oficina, os países adotaram as seguintes referências: 14 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 15 1. Declaração Mundial sobre Educação para Todos: a satisfação das necessidades básicas de aprendizagem – Jomtien, 1990; Declaração de Hamburgo sobre Educação de Adultos – V Confintea, 1997; a Década das Nações Unidas para Alfabetização, Nova York, 2003. 2. Identificação de boas práticas ou experiências bem-sucedidas que foram ou têm sido desenvolvidas nos países no campo da alfabetização e da educação de jovens e adultos e que poderiam ser adaptadas ou proporcionar aprendizagens aos demais países participantes da Oficina. 3. Identificação das necessidades ou dificuldades específicas que cada país tem enfrentado no desenvolvimento e/ou implementação de sua política para o alcance de uma alfabetização e educação básica para todos os jovens e adultos. A partir dessas referências, cada país abordou tópicos específicos no campo da educação de jovens e adultos, os quais foram discutidos pelo conjunto de participantes da Oficina em sessões de grupos de trabalho. Os tópicos indicados para aprofundamento foram: 1. financiamento da alfabetização e da educação de jovens e adultos; 2. formação e valorização dos educadores, materiais de ensino e política de incentivo à leitura; 3. monitoramento, avaliação e estatísticas sobre alfabetização e educação de jovens e adultos; 4. educação de jovens e adultos e formação profissional. A solenidade de abertura da Oficina contou com pronunciamentos do Secretário Executivo Adjunto do Ministério da Educação do Brasil, André Luiz de Figueiredo Lázaro, representando o Ministro Fernando Haddad; do Embaixador Luiz Henrique Fonseca, Diretor-Geral da Agência Brasileira de Cooperação; e do Dr. Célio da Cunha, Assessor Especial da Representação da UNESCO no Brasil para a Educação. 15 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 16 O painel sobre a cooperação Sul-Sul no campo da educação contou com as contribuições de: Conselheiro Alessandro Candeas, chefe da Assessoria Internacional do Gabinete do Ministro da Educação; Nelci Peres Caixeta, gerente de África da Agência Brasileira de Cooperação; Luciane Stallivieri, presidente do Fórum das Assessorias das Universidades Brasileiras para Assuntos Internacionais; Professora Cristina Yumie, do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília; Pedro de Carvalho Pontual, presidente do Conselho de Educação de Adultos da América Latina (CEAAL). No encerramento da Oficina, as delegações presentes atribuíram ao Brasil e a Cabo Verde a coordenação do grupo responsável pela articulação dos países de língua portuguesa para cooperação no âmbito da educação de jovens e adultos. Por fim, com a presença do secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação do Brasil, Ricardo Henriques, da presidente da União dos Dirigentes Municipais da Educação, Maria do Pilar Lacerda Almeida e Silva, e do presidente do Conselho de Secretários de Educação dos Estados, Mozart Neves, do assessor especial da Representação da UNESCO no Brasil para Educação, Célio da Cunha, lançou a edição em português do Relatório Conciso de Monitoramento Global de Educação para Todos 2006, que enfatiza o tema Alfabetização para a Vida. 16 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 17 SISTEMATIZAÇÃO DOS DEBATES 1. SÍNTESE DOS RELATOS DE EXPERIÊNCIAS DOS PAÍSES 1 Em Angola, o português é a língua oficial, mas o país tem inúmeros dialetos e 20 línguas nacionais, para uma população estimada em cerca de 16 milhões de habitantes. A guerra civil interpôs obstáculos aos esforços em prol da alfabetização realizados após a independência: 58,3% da população são analfabetos e 40% da população economicamente ativa não têm escolarização. Hoje, os principais beneficiários dos programas de educação de adultos são os jovens desmobilizados da guerra. Em 2005, estimam-se que 5,6 milhões de angolanos tiveram acesso a oportunidades de alfabetização mediante a política baseada em parcerias entre organizações sociais, que realizam as atividades de aprendizagem, e o governo, que proporciona materiais escolares, cartilhas e ajuda de custo aos alfabetizadores. Os principais desafios são financiamento insuficiente, escassez de recursos humanos qualificados, precariedade da infra-estrutura e do sistema de monitoramento e avaliação. Com uma população de 187.749.663 habitantes, sendo mais de 132 milhões de pessoas com 15 anos ou mais, o Brasil é um país que tem cerca de 68 milhões de jovens e adultos com baixa escolaridade, sendo 14 milhões analfabetos absolutos e 31 milhões analfabetos funcionais (Pnad/IBGE, 2004). Embora se observe paridade entre homens e mulheres, a taxa média de analfabetismo de 11,2% encobre grandes disparidades entre brancos e negros, zonas rurais e zonas urbanas e entre as diferentes regiões do país. Sendo uma federação 1. O relato foi elaborado com apoio das apresentações realizadas em PowerPoint e dos seguintes documentos: (1) REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE. Ministério da Educação e da Cultura. Direcção de Educação Não-Formal. Educação não-formal: plano mestre, 2006-2008: Projeto de desenvolvimento de recursos sistemáticos e construção de capacidades em educação não-formal em Timor-Leste. Timor-Leste: Ministério da Educação e da Cultura, jan. 2006. 19 p.; (2) COMUNICAÇÃO DA DELEGAÇÃO DE GUINÉ-BISSAU. Atelier sobre cooperação Sul-Sul no domínio de alfabetização e educação de adultos. Brasília: Comunicação da Delegação de Guiné-Bissau, 2006. 17 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 18 em que a educação básica é descentralizada aos estados e municípios, a política de educação de jovens e adultos do governo federal reside em programas de transferência de recursos financeiros e assistência técnica aos governos subnacionais e organizações sociais, destinados à formação dos educadores, provisão de materiais didáticos e de leitura e atenção prioritária a subgrupos sociais desfavorecidos no acesso a educação e renda (jovens, populações do campo, negros, indígenas, quilombolas, pessoas com necessidades especiais, população prisional). O país tem experiência de monitoramento e avaliação que pode ser partilhada. Com 150 mil habitantes, o arquipélago de Cabo Verde tem o português como língua oficial e o crioulo como língua de comunicação. Os esforços de alfabetização realizados desde a independência reduziram o índice de analfabetismo a 25%. A política de educação de jovens e adultos adquiriu institucionalidade, assegura o reconhecimento profissional e a formação inicial e contínua aos educadores mediante a combinação de recursos orçamentários nacionais e aqueles provenientes da cooperação internacional. Entre as experiências em curso, destacam-se a articulação entre a alfabetização e a formação socioprofissional por meio de microprojetos produtivos, a rede de leitura pública e a alfabetização pelo rádio (em cooperação com a comunidade espanhola das Canárias). Moçambique tem uma população de 19 milhões de habitantes, dos quais 70% vivem no campo. Desde a independência, em 1975, o país reduziu os índices de analfabetismo de 93% para 52%. Sendo um país plurilíngüe (com 33 línguas locais e cerca de 100 dialetos), adota estratégias em que combina a alfabetização em português e nas línguas nacionais normatizadas (maconde, macua, ndau, sena, changana, nhanja). Os desafios atuais são: articular os programas de alfabetização e educação de jovens e adultos a oportunidades de geração de trabalho e renda, prover materiais de leitura adequados aos contextos e línguas locais, aperfeiçoando a qualificação dos gestores e formadores, com recursos financeiros insuficientes face às necessidades. 18 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 19 A República da Guiné-Bissau é um pequeno país, com cerca de 1.300.000 habitantes, apresentando um analfabetismo de 63,4%, sendo 20% masculino e 80% feminino, com os índices mais elevados nas áreas rurais. No Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) está posicionado em 167º lugar, evidenciando, assim, a sua condição de um dos países mais pobres do mundo. O português é falado por apenas 12% da população e a diversidade lingüística confere complexidade à tarefa de alfabetização dos adultos, que, atualmente, é implementada também nas línguas nacionais (crioulo, fula, maninta e balanta, entre outras). Embora tenha conquistado certa institucionalização, a alfabetização de jovens e adultos ainda não figura entre as prioridades da política educacional. Os principais desafios são, portanto, obter recursos financeiros e mobilizar a vontade política dos governantes para fazer frente às demandas de formação de recursos humanos (especialmente na área de lingüística), aperfeiçoamento do sistema estatístico e produção de materiais didáticos. As ilhas de São Tomé e Príncipe têm uma população de 137 mil pessoas, das quais 60% são jovens, 41% são pobres e 8% vivem em extrema pobreza. O analfabetismo, que por ocasião da independência alcançava 80% da população, é a condição atual de 33% dos santomenses, mas eleva-se a 65% entre as mulheres. Os progressos deveram-se à campanha de alfabetização que, entretanto, perdeu força nos anos 1990. Desde 2001, o país recebe a cooperação do programa brasileiro Alfabetização Solidária, cabendo ao governo assegurar as atividades de pós-alfabetização. Entre os desafios colocados para o país, destacam-se a criação de estruturas que assegurem um mínimo de institucionalidade à política de educação de adultos, a formação de recursos humanos locais e a superação da dependência da cooperação internacional. Localizado no Sudeste Asiático, o Timor-Leste foi colônia portuguesa, sofreu ocupação da Indonésia e conquistou a independência recentemente. Estima-se que sua população atual é de cerca de 950.000 pessoas. É um país plurilíngüe, em que a língua de comunicação é o tetum; adotou o português como idioma oficial, mas 19 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 20 apenas uma parcela da população adulta conhece a língua, uma vez que os jovens que tiveram acesso à escola foram alfabetizados na língua indonésia. O país não dispõe de infra-estrutura, capacidade administrativa, recursos financeiros, humanos e tecnológicos suficientes para fazer frente aos desafios educacionais, e a política nacional confere prioridade à educação formal compulsória; assim, a alfabetização e a educação não-formal dependem, em grande medida, da cooperação bilateral de Austrália, Cuba e Brasil. 2. QUESTÕES RECORRENTES Os países participantes da Oficina apresentam contextos comuns, em que grandes contingentes da população vivem na pobreza, os índices de analfabetismo são elevados e os níveis de escolarização são baixos, atingindo principalmente as mulheres. Boa parte dos países enfrentou, até recentemente, situações de guerra civil que, entre outras graves conseqüências, envolveram grande parte da juventude, provocaram deslocamentos populacionais e destruíram parte da infra-estrutura escolar, restringindo a oferta de oportunidades de estudo e a fruição do direito à educação. Nesse contexto, muitos dos países enfrentam dificuldades para avançar na direção das Metas do Milênio e de Educação para Todos. Nos países africanos de língua portuguesa, grandes esforços em prol da educação de jovens e adultos foram empreendidos a partir da segunda metade da década de 1970. No período imediatamente posterior à independência de Portugal, em que o estudo foi encarado como uma tarefa de construção nacional e afirmação de identidades, foram implementadas campanhas de alfabetização em massa na língua portuguesa, que mobilizaram voluntários e se inspiraram nas orientações metodológicas e nos princípios pedagógicos enunciados por Paulo Freire. A realidade da época proporcionava grande estímulo às iniciativas de alfabetização, podendo também contar com o engajamento e militância de grande parte da população que celebrava e se identificava com a construção de um novo país. Os resul- 20 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 21 tados dessas campanhas não foram os esperados, seja porque a diversidade lingüística não foi nelas adequadamente considerada, seja porque o desuso das habilidades adquiridas levou à regressão ao analfabetismo ou, ainda, seja pela não-consolidação, ampliação e aprofundamento dos conhecimentos e capacidades considerados essenciais ao processo de alfabetização. Os erros e acertos desse período proporcionaram aprendizagens para os dias atuais. Os participantes ressaltaram as profundas mudanças pelas quais esses países passaram nos últimos anos, com destaque para as conseqüências socioeconômicas e políticas das guerras civis e acordos de paz; adoção de regimes pluripartidários; ajuste das economias nacionais às regras da globalização; avanço da pandemia da Aids; configurando uma nova fase, que cobra estratégias renovadas para avançar no campo da educação. Constatou-se o refluxo das campanhas de alfabetização e de certas práticas que elas estabeleceram, como, por exemplo, o trabalho voluntário. A tendência anunciada é que a alfabetização e a educação básica de jovens e adultos passem a compor os sistemas nacionais de ensino, adquirindo maior institucionalidade, com o objetivo de garantir a sustentabilidade, a continuidade e a consolidação dos processos de aprendizagem, mantendo, contudo, os princípios e fundamentos enunciados por uma pedagogia mais próxima da educação não-formal. Os marcos da Educação para Todos (1990) e da Declaração de Hamburgo sobre Educação de Adultos (1997) estão presentes, de forma bastante explícita, na base conceitual e nas ações apresentadas por todos os países, mediante a incorporação da educação continuada ao longo de toda a vida. Embora a Educação para Todos se configure como referência para a construção de políticas educativas, que coloquem a Educação de Adultos no campo das prioridades, os recursos financeiros alocados pelos países para suprir as imensas demandas no âmbito da alfabetização e da formação dos adultos ainda expressam os profundos 21 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 22 limites existentes para que tais políticas possam ser transformadas em prática educativa. Apesar dessas restrições, há numerosos programas de alfabetização e formação de jovens e adultos em andamento nos diferentes países, que se esforçam por qualificar os educadores e procuram assegurar oportunidades de continuidade de estudos na educação básica e profissional, evitando a regressão ao analfabetismo mediante o incentivo às práticas de leitura e ao emprego das aprendizagens adquiridas na vida comunitária. Observou-se que, no Brasil, em Cabo Verde e em Moçambique, a gestão da política pública de alfabetização e educação de jovens e adultos (em alguns países denominada educação não-formal) adquiriu uma posição equivalente a outros subsistemas e modalidades da educação básica formal na estrutura dos ministérios, contando com estruturas e equipes de gestão e coordenação. Angola, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste também possuem instâncias de gestão e equipes nos ministérios da educação, porém se defrontam com grandes dificuldades decorrentes da posição secundária da alfabetização de jovens e adultos na agenda política, da falta de recursos financeiros, materiais e humanos. Em quase todos os países, são reduzidos os percentuais do orçamento do Estado dedicado à alfabetização e à educação de jovens e adultos, o que limita quantitativa e qualitativamente o atendimento às necessidades educativas da população, ao mesmo tempo em que gera certa dependência da cooperação internacional. Freqüentemente financiados com recursos da cooperação bilateral ou multilateral, os programas de educação de jovens e adultos desenvolvidos nos países de língua portuguesa e em Timor são executados, predominantemente, por organizações da sociedade civil subvencionadas pelos governos nacionais. Tais programas se defrontam com as restrições decorrentes da escassez de recursos humanos qualificados, o que limita as oportunidades de formação inicial e continuada dos educadores, a capacidade de produção de materiais didáticos e o acompanhamento pedagógico. Os programas 22 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 23 também se ressentem da fragilidade ou ausência de sistemas adequados de coleta e processamento de estatísticas, monitoramento e avaliação. Um breve levantamento de parceiros governamentais e nãogovernamentais permite identificar a presença de alguns projetos oriundos da cooperação internacional. Entre eles, os mais recorrentes são: Yo Sí Puedo (Cuba); Alfabetização Solidária (Brasil); Educación a Distancia (Espanha), Método Dom Bosco (Salesianos), Alfalit e Reflect (ActionAid). A necessidade de articulação entre as políticas de educação, desenvolvimento, alívio à pobreza, saúde preventiva, geração de trabalho e renda, formação profissional, promoção da juventude e da mulher desafia os países a coordenar as políticas setoriais mediante o diálogo interministerial, de modo a evitar dispersão e fragmentação das ações, inclusive no âmbito da cooperação internacional. 3. QUESTÕES EMERGENTES Entre os temas emergentes em quase todos os países destacam-se os esforços por dar sentido e funcionalidade à educação de jovens e adultos, articulando a alfabetização e educação geral com projetos de formação profissional, geração de trabalho e renda ou desenvolvimento comunitário. Observam-se sinais de redução da distância que separa a educação formal da não formal, bem como a tendência de conceber a alfabetização como etapa inicial de um processo mais amplo de educação de base, assegurando-se que os jovens e adultos possam prosseguir estudos após a alfabetização. Além disso, percebeu-se um esforço dos países presentes no sentido de trazer a educação de jovens e adultos para o âmbito de seus respectivos sistemas de educação, a fim de romper com concepções que, historicamente, entendem tal prática como uma educação de segunda categoria. Também é crescente o emprego dos meios de comunicação de massa (em especial o rádio e a TV) para promover a alfabetização e 23 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 24 a qualificação profissional de jovens e adultos, bem como a demanda por oportunidades de qualificação de professores e gestores com a utilização dos recursos da educação a distância (mediante o emprego da rede mundial de computadores). 3.1. Formação de gestores, formadores e educadores Há consenso em torno da necessidade de formação inicial e continuada dos educadores e gestores da educação de jovens e adultos, e de sua profissionalização, mediante investimentos públicos que garantam remuneração, condições adequadas de trabalho e evolução na carreira. São empregadas múltiplas estratégias de formação de alfabetizadores e educadores, compreendendo formação inicial e continuada, presencial e a distância, em regime de alternância etc. A maior parte dos países realiza a formação dos alfabetizadores, educadores profissionais ou voluntários em serviço, uma vez que nem sempre tais educadores têm escolaridade completa ou, mesmo quando são habilitados, não recebem adequada formação para atuar com jovens e adultos. O desafio prioritário atual é, portanto, a formação dos formadores. Em boa parte dos países da África e em Timor, ou não há universidades ou elas são muito recentes. Assim, os formadores dos educadores são formados em institutos nacionais ou universidades estrangeiras, cujos currículos raramente abordam temáticas a propósito da alfabetização, educação básica, educação não-formal ou educação profissional de jovens e adultos. A formação dos formadores precisa ser feita em nível de especialização ou pós-graduação. As condições que os países têm para promover essa especialização são muito heterogêneas, ensejando a cooperação Sul-Sul. No caso do Brasil, ainda que o número de universidades seja significativamente maior do que nos demais países, observa-se que a pesquisa, o ensino e a extensão em temáticas relativas à educação de jovens e adultos são ainda insuficientes. 24 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 25 Nesse contexto, a necessidade do desenvolvimento da pesquisa e da formação de educadores e gestores para a educação de jovens e adultos projeta importante papel a ser exercido pelas universidades, que tendem a ocupar um lugar de destaque no âmbito da cooperação Sul-Sul. 3.2. Promoção da leitura Todos os países têm alguma produção de materiais didáticos e literatura relevantes para os jovens e adultos em processo de alfabetização, em língua portuguesa e em outras línguas nacionais, bem como projetos de criação de bibliotecas fixas ou circulantes e outras modalidades de difusão da leitura. Entretanto, ressaltou-se também a escassez de material específico para os neoleitores, quais sejam, os recém-alfabetizados nesse processo. Observou-se, contudo, grande diversidade de condições de produção editorial: países que sequer têm uma indústria gráfica desenvolvida, outros com larga produção editorial e outros que, dispondo de recursos financeiros, abrem licitações internacionais para a edição de manuais ou materiais de leitura. Avaliou-se ser este um campo que permite o início imediato da cooperação, pois não requer recursos de grande monta, há possibilidades de captar recursos internacionais e existem instituições especializadas que podem prover assistência (por exemplo, o Instituto Camões). 4. SINGULARIDADES Se a diversidade étnico-cultural das populações e o plurilingüismo são realidades comuns aos países participantes, as estratégias adotadas para alfabetizar nesses contextos variam bastante. Foram relatadas iniciativas recentes de alfabetização bilíngüe, em português e na língua veicular ou materna, configurando-se um dos campos de conhecimento que ensejam intercâmbio de experiências e cooperação. 25 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 26 Enquanto no Brasil se observa certa paridade de gênero no acesso à educação, nos países africanos e em Timor as desvantagens da população feminina precisam ser consideradas nos programas de alfabetização e educação de adultos, por uma questão de justiça e também porque elas desempenham importante papel na organização comunitária, no cuidado com a saúde e na formação das novas gerações. Frente às restritas oportunidades de inserção no mercado de trabalho, diversos países expressaram preocupação com a educação e formação profissional da juventude e dos demais grupos populacionais que têm emigrado para as nações do Norte (Europa e América do Norte). É importante atentar para a preocupação crescente desses países em oferecer alternativas de educação de jovens e adultos para parcela da população que se encontra em situação de intensa mobilidade espacial, incluindo para além-fronteiras. 5. DIRETRIZES DA COOPERAÇÃO SUL-SUL NO CAMPO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS Com objetivo de produzir impactos positivos sobre populações, alterar e elevar níveis de vida, modificar realidades, promover o crescimento sustentável e contribuir para o desenvolvimento social, os representantes dos ministérios da educação dos países participantes da oficina sobre educação de jovens e adultos nos países de língua portuguesa estabelecem as seguintes diretrizes para efetivar a cooperação Sul-Sul: • Superação da visão tradicional de cooperação, baseada em políticas de assistência, em que o doador “mostra compaixão e apresenta soluções”, geralmente por meio do estabelecimento de relações verticalizadas, que reproduzem mecanismos e práticas desiguais e assimétricas no curso dos processos de desenvolvimento econômico e social entre as diferentes nações. Além disso, tais percursos também podem, em muitos casos, prejudicar a apropriação, pelos diversos grupos sociais, dos resultados e benefícios de muitos desses processos. 26 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 27 • Estímulo ao desenvolvimento de interesses solidários, respeitando as distintas trajetórias dos países, as informações oriundas das realidades locais, o acúmulo de experiências e o reconhecimento de expertises. • Promoção da troca de experiências de modo horizontal, formando uma rede de cooperação que, a partir da língua portuguesa, construa identidades e proximidades, reconhecendo e contemplando a diversidade lingüística e cultural. A cooperação deve, portanto, ter por princípio orientador a diversidade e seu potencial criativo. • Consolidação de um modelo de cooperação em rede, a partir de necessidades, interesses, demandas e desejos dos países envolvidos, que possa ser traduzido em um avanço na integração dos povos e nações, buscando soluções conjuntas para problemas compartilhados. • Ruptura com modelos de cooperação pontuais, que passam pelos países sem fortalecer seus próprios sistemas e instituições educativas. • Buscar transcender o horizonte econômico. Na sociedade do conhecimento, a cooperação tem que focalizar desde a educação básica até o ensino superior, passando pelas novas tecnologias da informação, a educação profissional, o intercâmbio entre as universidades, a educação não-formal e a educação continuada e ao longo de toda a vida. • Contribuir para o adensamento das relações entre os países, para a ampliação dos seus intercâmbios, geração, disseminação e utilização de conhecimentos técnicos, capacitação de seus recursos humanos e para o fortalecimento de suas instituições no âmbito da educação de jovens e adultos. 27 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 28 PLANO ESTRATÉGICO DE COOPERAÇAO SUL-SUL ENTRE OS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA NO CAMPO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 1. PREÂMBULO A rede de cooperação Sul-Sul entre os países de língua portuguesa no campo da alfabetização e da educação de jovens e adultos não configura uma nova iniciativa, programa ou projeto, mas sim uma articulação que tem por objetivo apoiar as capacidades nacionais para atender às metas já estabelecidas perante as sociedades nacionais e os compromissos internacionais consubstanciados nas Metas do Milênio, nos objetivos da iniciativa de Educação para Todos, na Declaração de Hamburgo da V Confintea e na Década das Nações Unidas para a Alfabetização. 2. PRIORIDADES E PROPOSTAS DE AÇÃO 1. Construir as bases de uma rede de cooperação Sul-Sul entre os países de língua portuguesa, mediante as seguintes ações: a. Dar ciência da criação da rede de cooperação, solicitando apoio dos governantes ao seu desenvolvimento, mediante envio pelo ministro da Educação do Brasil das resoluções do encontro aos ministros dos demais países, de modo a propiciar ação conjunta com vistas à inclusão da temática da alfabetização e da educação de jovens e adultos na agenda da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. b. Instituir uma coordenação colegiada da rede formada por dois países, com mandato anual, em sistema de rodízio. Para o primeiro mandato, foram indicados Brasil e Cabo Verde. c. Designar em cada país, no prazo máximo de um mês, dois pontos focais de referência, preferencialmente um dirigente e um técnico que já participem da iniciativa. 28 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 29 d. Desenvolver um sistema de intercomunicação, com base nas tecnologias de informação e comunicação, mediante o uso de e-mail, criação de um fórum de compartilhamento de documentos pela internet, explorando a possibilidade de videoconferências, recorrendo à infra-estrutura disponível nos países pelas agências multilaterais de cooperação (Banco Mundial, UNESCO, Unicef e Pnud). 2. Reforçar as políticas e programas nacionais de alfabetização e educação de jovens e adultos mediante a cooperação técnica e financeira bi e multilateral. a. Mapear os parceiros da cooperação bi e multilateral nos países e os recursos já disponíveis, bem como as necessidades diagnosticadas e as metas estabelecidas em cada país. b. Atuar conjuntamente com vistas à ampliação dos recursos da cooperação internacional para políticas e programas de alfabetização e educação de jovens e adultos. c. Implementar estratégias de triangulação, mediante as quais sejam captados recursos Norte-Sul para implementação de programas de cooperação Sul-Sul. d. Adotar estratégia em dois tempos: de imediato, captar recursos modestos para projetos de cooperação pontuais; no médio prazo, captar recursos de maior monta, visando ao financiamento dos programas comuns aos países. e. Explorar possibilidade de acesso ao fundo LIFE (Literacy for Empowerment) em sua primeira etapa, ou nas etapas subseqüentes. f. Reforçar os argumentos em prol da inclusão de financiamentos de programas de alfabetização e educação de jovens e adultos no âmbito da FTI (Fast Track Initiative). g. Explorar possibilidades de troca da dívida externa por investimentos no setor educacional. 29 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 30 3. Reconhecer as potencialidades e necessidades de cada país, de modo a estabelecer bases de informação que subsidiem uma cooperação horizontal, que respeite a diversidade socioeconômica, cultural e lingüística dos países. a. Complementar o perfil da alfabetização e da educação de jovens e adultos em cada um dos países de língua portuguesa, caracterizando brevemente os países em determinados parâmetros, priorizando o mapeamento das oportunidades de formação de formadores, materiais didático-pedagógicos e de leitura, e dos parceiros da cooperação internacional bi e multilateral. 4. Promover a formação de formadores, potencializando os recursos técnicos disponíveis no interior da própria rede. a. Mapear as principais ações de formação de educadores e formadores em curso em cada um dos países. b. Assegurar a capacitação, em cada um dos países, de pelo menos um grupo de formadores apto a desenvolver atividades de multiplicação, promovendo o intercâmbio de aprendizagens e a mobilidade entre as equipes nacionais. c. Elaborar matriz curricular da formação de formadores, especificando os conhecimentos, competências e habilidades mínimas que um formador de educadores de adultos precisa preencher. d. Identificar e constituir banco de informações sobre universidades e centros de formação (presencial e a distância) e especialistas com acúmulo de conhecimento e experiência no campo da formação de formadores de educação de jovens e adultos. e. Estabelecer, no médio prazo, um Centro Internacional de Formação de Formadores, o que se pode realizar mediante o aproveitamento de estruturas já instaladas em instituições já existentes (por exemplo, o Instituto Nacional de Educação de Adultos de Moçambique). 5. Promover o intercâmbio de obras literárias de qualidade produzidas nos diferentes países e línguas, e adequadas a jovens e adultos 30 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 31 novos leitores, a começar por uma iniciativa coletiva de publicação em português de uma coletânea ou uma coleção. a. Promover o inventário de literatura que atenda aos quesitos, fazer seleção de duas obras por país e, após negociação de recursos, publicar e difundir a coleção ou coletânea. 6. Aprofundar análises e propostas relativas à articulação da alfabetização e educação de jovens e adultos com a formação profissional, programas de crédito e geração de trabalho e renda. a. Mapear as iniciativas já existentes nos países que articulam as ações de alfabetização e educação de jovens e adultos à formação profissional. b. Promover discussões e intercâmbios dos currículos da educação de jovens e adultos que associam a educação básica à qualificação profissional. c. Identificar as iniciativas de alfabetização e educação de jovens e adultos que estão diretamente vinculadas a programas de crédito e geração de trabalho e renda, avaliando a viabilidade de replicação das mesmas em outros países. 7. Desenvolver o intercâmbio de estratégias, metodologias e formação de gestores para a produção de estatísticas e estabelecimento de sistemas de monitoramento e avaliação de programas. a. Promover intercâmbio de capacitação de gestores entre os países, visando à formalização dos sistemas públicos de oferta da educação de jovens e adultos. b. Constituir uma rede de comunicação virtual com gestores dos diversos países para possibilitar os intercâmbios e as trocas de experiências. c. Identificar e constituir banco de informações sobre os sistemas de avaliação e monitoramento das ações de alfabetização e educação de jovens e adultos realizadas nos diversos países. d. Disponibilizar os instrumentos já existentes de produção de estatísticas e sistemas de avaliação e monitoramento, contribuindo na adequação dos mesmos aos países interessados. 31 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 32 BIBLIOGRAFIA INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, 2004. Brasília: IBGE/PNAD, 2004. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/ estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2004/>. Acesso em: ago. 2007. UNESCO. Alfabetização: um desafio inadiável; relatório de monitoramento global de Educação para Todos, 2006. Brasília: UNESCO; São Paulo: Ed. Moderna, 2007. Disponível na versão inglesa em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0014/001416/ 141639e.pdf>. 32 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 33 ANEXO 1 EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA – OFICINA PARA COOPERAÇÃO SUL-SUL AGENDA Brasília, 14 a 17 de agosto de 2006 14/08 Manhã 9h Credenciamento dos representantes 10h Abertura oficial • Palavra do Secretário Executivo Adjunto do Ministério da Educação do Brasil – Dr. André Luiz de Figueiredo Lázaro • Palavra do Diretor-Geral da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (ABC/MRE) – Embaixador Luís Henrique Fonseca. • Palavra do Assessor Especial da Representação da UNESCO no Brasil para Educação – Dr. Célio da Cunha 10h30 Intervalo 10h45 Painel sobre cooperação Sul-Sul no campo da educação Moderador Prof. Timothy Ireland Debatedores: • Conselheiro Alessandro Candeas – Chefe da Assessoria 33 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 34 Internacional do Gabinete do Ministro da Educação do Brasil • Dr. Célio da Cunha – Assessor Especial da Representação da UNESCO no Brasil para Educação • Especialista Nelci Peres Caixeta – Gerente de África da Cooperação Técnica em Países em Desenvolvimento (CTPD/ABC/ MRE) • Professora Luciane Stallivieri – Presidente do Fórum das Assessorias das Universidades Brasileiras para Assuntos Internacionais (FAUBAI) • Professora Cristina Yumie – Professora Adjunta da Universidade de Brasília (UnB) • Dr. Pedro Pontual – Conselho de Educação de Adultos da América Latina (CEAAL) 13h Almoço livre 14/08 Tarde 15h Apresentação do relato de Angola 15h30 Apresentação do relato de Cabo Verde 16h Apresentação do relato de Guiné-Bissau 16h30 Intervalo 16h45 Debate 34 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 35 17h30 Apresentação de Portugal: EJA e formação profissional 18h Programação cultural 19h15 Encerramento das atividades 15/08 Manhã 9h Apresentação do relato de Moçambique 9h30 Apresentação do relato de São Tomé e Príncipe 10h Apresentação do relato de Timor-Leste 10h30 Debate 10h30 Intervalo 11h Apresentação do relato do Brasil 12h Almoço livre 15/08 Tarde 14h Grupos de Trabalho • Grupo 1: Moderador: Timothy Ireland – Diretor Deja/Secad • Grupo 2: Moderadora: Michelle Morais de Sá e Silva – UNESCO 35 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 36 Temas a serem debatidos pelos grupos: • Tema 1 – Financiamento • Tema 2 – Formação e condições de trabalho do alfabetizador, material de ensino e incentivo à leitura • Tema 3 – Estatísticas/monitoramento/avaliação • Tema 4 – EJA e formação profissional 16h Intervalo 16h30 Continuação dos trabalhos dos grupos 18h30 Encerramento dos trabalhos 16/08 Manhã 9h Grupos de Trabalho – Sistematização das principais contribuições das experiências para o desenho da cooperação 10h30 Intervalo 10h45 Apresentação dos relatos dos Grupos de Trabalho 12h30 Almoço livre 16/08 Tarde 14h Discussão – Diretrizes para a cooperação internacional Sul-Sul 15h30 Intervalo 36 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 37 15h45 Discussão – Plano estratégico de cooperação entre os países da CPLP no campo de alfabetização e EJA 17h15 Lançamento do Relatório Conciso de Monitoramento Global de Educação para Todos 18h30 Encerramento da Oficina 20h30 Jantar 17/08 8h30 Encontro dos representantes dos países convidados com grupo de alfabetizadores e alfabetizandos do Centro de Educação Paulo Freire de Ceilândia (CEPAFRE), cidade satélite de Brasília. 13h Encerramento da atividade 37 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 39 ANEXO II PLANO DE AÇÃO PARA A REDE DE COOPERAÇÃO SUL-SUL ENTRE OS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA NO CAMPO DA ALFABETIZAÇÃO E DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS Primeiro esboço Resultados esperados Responsáveis 1.1. Divulgar as resoluções do encontro 1.2. Estabelecer a coordenação do grupo 1.3. Designar pontos focais nos países Ministério da Educação do Brasil Cabo Verde e Brasil Equipes nacionais 1.4. Garantir meios de intercomunicação UNESCO 1.4.1. Criar fórum eletrônico UNESCO Coordenação e equipes nacionais 1.5. Realizar videoconferências 1.5.1. Avançar no Plano para articulação de alfabetização e educação de jovens e adultos com a formação profissional, programas de crédito e geração de trabalho e renda 39 Coordenação e equipes nacionais Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Resultados esperados Page 40 Responsáveis 1.5.2. Desenvolver o intercâmbio de estratégias, metodologias e formação de gestores para a produção de estatísticas e estabelecimento de sistemas de monitoramento e avaliação de programas Coordenação e equipes nacionais 2. Completar perfil da educação de jovens e adultos nos países Equipes nacionais e consultor 3. Promover a formação de formadores na rede Coordenação e equipes nacionais 3.1. Mapear as oportunidades de formação de formadores Coordenação e equipes nacionais e consultor 3.2. Capacitar as equipes nacionais de formação Coordenação e equipes nacionais 3.3. Elaborar a matriz curricular de formação de educadores 4. Promover o intercâmbio de obras literárias 4.1. Inventariar obras literárias 4.2. Selecionar obras literárias 4.3. Elaborar e negociar o projeto 4.4. Publicar e divulgar obras literárias 40 Coordenação e equipes nacionais e consultor Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 41 ANEXO III LISTA DE PARTICIPANTES País Nome Instituição Angola Alberto da Conceição Baltazar Sobrinho Ministério da Educação, Direção Nacional de Ensino Geral (DNE/MED) Angola Luísa Maria Alves Grillo Ministério da Educação, Direção Nacional de Ensino Geral (DNE/MED) Cabo Verde Florenço Mendes Varela Ministério da Educação e Ensino Superior (MEES/DGAEA) José Teixeira Ministério da Educação e Ensino Superior (MEES/DGAEA) Alfredo Gomes Ministério da Educação Nacional e Ensino Superior (MENES/GIPASE) Armando Nobá Ministério da Educação Nacional e Ensino Superior (MENES/GIPASE) Cabo Verde Guiné-Bissau Guiné-Bissau 41 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 País Moçambique Moçambique São Tomé e Príncipe São Tomé e Príncipe Timor-Leste Timor-Leste Brasil 14:21 Page 42 Nome Instituição Ernesto Muianga Ministério da Educação, Direção Nacional de Alfabetização e Educação de Adultos (DINAEA/MEC) Fernando Tembé Ministério da Educação, Direção Nacional de Alfabetização e Educação de Adultos (DINAEA/MEC) Helena Bonfim Ministério da Educação, Cultura, Juventude e Desporto Maria de Lurdes Rodrigues Ministério da Educação, Cultura, Juventude e Desporto, Instituto da Juventude Filomena Soares Ministério da Educação, Departamento de Educação Não-formal Jerônimo Feliz Ministério da Educação, Departamento de Educação Não-formal Timothy Ireland Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (SECAD/MEC) 42 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 43 País Nome Instituição Brasil Maria Margarida Machado SECAD/MEC Brasil Tancredo Maia Filho SECAD/MEC Brasil Cláudia Veloso T. Guimarães SECAD/MEC Brasil Adriana Pinto Rodrigues SECAD/MEC Brasil Henrique C. Pereira ABC/MRE Brasil Leonardo Perez Lima ABC/MRE Brasil Marilza M. Gomes Regattieri Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) Brasil Michelle Morais de Sá e Silva UNESCO Brasil Jane Margareth de Castro UNESCO Brasil Marisa Timm Sari UNESCO Brasil Paulo Vinícius Silva Alves UNESCO Brasil Eduardo de São Paulo UNESCO Brasil Tatiana F. Nunes de Oliveira UNESCO Brasil Alexsandra França Andrade UNESCO Brasil Tânia Anselmo UNESCO 43 Cooperacao_Sul_Sul_PORT 25.09.07 14:21 Page 44 País Nome Instituição Brasil Betina Silvestre Miranda UNESCO Brasil Denise de Freitas Carvalho Brasil Maria Clara Di Pierro Brasil Eliane Ribeiro Andrade Brasil Daniel Furst Gonçalves Brasil Brasil Brasil Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) Universidade de São Paulo (USP) Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) Alfabetização Solidária Alfabetização Solidária Serviço Nacional de Maria Eliane Franco Aprendizagem Monteiro Azevedo Industrial (SENAI) Serviço Social da Jesulinda Siqueira Indústria (SESI) Edneia Gonçalves 44