11 INTRODUÇÃO Na segunda metade do século XX, com o surgimento das escolas especiais e mais tarde a classe especial dentro das escolas comuns suscitavase no meio educacional a visão de uma educação tal qual uma aberração pedagógica, bem como uma prática separatista à medida que discriminava as crianças com deficiências das ditas normais. Com o aparecimento da integração, descaracterizou-se a idéia de escola segregacionista. As escolas comuns aceitavam alguns alunos, antes rejeitados ou marginalizados que poderiam freqüentar classes comuns desde que conseguissem adaptar-se. Mais tarde, nos anos 90, a integração foi substituída pela inclusão, que lançava a proposta de viabilizar que estas crianças diferentes estudassem em classes comuns, com o objetivo de não mais rotular ou discriminar as crianças com necessidades educacionais especiais. Foi realizada uma revisão bibliográfica onde se identificou que a inclusão pressupõe uma escola com uma política participativa, onde todos os membros da comunidade escolar sejam colaboradores entre si, e aprendam uns com os outros a partir da reflexão sobre as práticas docentes. Desta forma, a escola tem encontrado barreiras para cumprir seu papel, pois este modelo assenta-se complexo se comparado aos moldes da escola da atualidade. O trabalho de pesquisa em questão teve por objetivo verificar se atualmente a inclusão escolar, é uma realidade ou uma utopia no cotidiano de crianças com necessidades educacionais especiais. A pesquisa descreve o trabalho frente ao processo de inclusão escolar e a capacitação profissional, como também a opinião dos profissionais que atuam nesta área. A hipótese que direciona a pesquisa versa sobre o processo de inclusão escolar implantado, suas diversidades, dificuldades e deficiências enfatizando a real situação no cotidiano escolar. 12 O trabalho está assim dividido: Capítulo I: Conceito de inclusão e educação inclusiva, legislação, Declaração de Salamanca, diretrizes na educação especial. Capítulo II: Capacitação profissional e a inclusão escolar, concepções de professores sobre a inclusão, na educação regular e especial. Finalizando é apresentada a conclusão. 13 CAPÍTULO I INCLUSÃO E EDUCAÇÃO INCLUSIVA 1 O CONCEITO DE INCLUSÃO E EDUCAÇÃO INCLUSIVA A inclusão implica em celebrar a diversidade humana e as diferenças individuais. Ambas demandam uma série de recursos para a aprendizagem na sala de aula, na escola e na vida. Sabe-se que inclusão, necessariamente, requer a capacitação contínua de professores para que utilizem estratégias de ensino mais diversificadas e mais dinâmicas, garantindo que as necessidades e carências do aluno não sejam ignoradas ou negligenciadas pelo professor ou pela escola, mas seja parte integrante da vida escolar. Inclusão pressupõe uma escola que adote uma política participativa e uma cultura inclusiva, na qual todos os membros da comunidade escolar sejam colaboradores entre si e aprendam uns com os outros a partir da reflexão sobre as práticas docentes, ou seja, um maior envolvimento entre a família e a escola e entre a escola e a comunidade, onde ambos buscam uma educação de qualidade para todos. O Centro de Estudos sobre Educação Inclusiva define a inclusão como sendo uma: Filosofia que valoriza diversidade de força, habilidades e necessidades como natural e desejável, trazendo para cada comunidade a oportunidade de responder de forma que conduza à aprendizagem e do crescimento da comunidade como um todo, e dando a cada membro desta comunidade um papel de valor. (CSEI, 2000:, p. 1) A educação inclusiva tem sido objeto de inquietações e constitui um sistema paralelo de instituições e serviços especializados no qual a inclusão escolar desponta como um ideal utópico. A saúde limita-se à medicalização e patologização da deficiência ou à reabilitação compreendida basicamente 14 como confecção de órteses e próteses. Ordem e desordem fazem parte de uma mesma totalidade movente, ou seja, o equilíbrio contém e é criado pelo desequilíbrio. Isto pode ser importante para a compreensão dos processos de aprendizagem: ricos em evoluções imprevistas, traçados por relações não lineares de causa e efeito, fractados em múltiplas e diferentes magnitudes, tornando-se precária a universalização. (BEAUCLAIR,J 2001.) Sabe se que estamos apenas no início de uma longa caminhada pela busca da excelência da educação no Brasil. A educação especial representa um novo rumo para a sociedade, trazendo um novo paradigma de educação, derrubando barreiras do preconceito e ascendendo uma cultura democrática de valorização humana. Segundo Carvalho (2003), a proposta da educação inclusiva não representa um fim em si mesma, como se, estabelecidas certas diretrizes organizacionais, a escola melhorasse, num passe de mágica. Muito mais do que isso, pretende-se, a partir da análise de como tem funcionado os nossos sistemas educacionais, identificar as barreiras existentes para a aprendizagem dos alunos, com vista às providências políticas, técnicas e administrativas que permitam enfrentá-las e removê-las. Pretende-se identificar processos que aumentem a participação de todos os alunos, reduzindo-lhes a exclusão na escola e garantindo-lhes sucesso em sua aprendizagem, além do desenvolvimento da auto-estima. Para a educação, o sujeito com deficiência é um aluno especial, cujas necessidades específicas demandam recursos, equipamentos e níveis de especialização definidos de acordo com a condição física, sensorial ou mental. Na saúde o é tratado como paciente, sujeito a intervenções tardias e de cunho curativo, enquanto no campo da assistência social é beneficiário desprovido de recursos essenciais à sua sobrevivência e sujeito a formas de concessão de benefícios temporários ou permanentes de caráter restritivo. Nestes setores, são ações isoladas e simbólicas ao lado de um conjunto de leis, projetos e iniciativas inexperientes e desarticuladas entre as diversas instancias do poder público. Que sujeito é esse? Quais as nossas visões quanto às dificuldades e necessidades? Um sujeito diferente, diferenciado, ou deficiente? Quem são 15 esses sujeitos quando pensamos em inclusão? ...com dificuldade de interação; de estabelecer uma relação de troca; de transitar pela diferença; aquele que sente ameaçador estar dentro de um grupo; ...com dificuldades de articular o eu e o outro ; ...sem autonomia de aprendizado; São incluídos ...que se sentem ameaçados quando se expõem na aqueles... relação de aprendizagem; ...que apresentam discrepâncias entre o corpo, organismo, pensamento e emoção; ...que não conseguem lidar com o escondido; ...que tem uma auto imagem rebaixada; ...que causam estranhamento àqueles que se aproximam; ...de um olhar integral e não somente voltado para sua dificuldade. ...de uma relação que vá além da objetividade pedagógica. ...de um ego auxiliar para poder constituir-se. Necessita esse sujeito... ...de ser visto segundo suas possibilidades e não impossibilidades. ...de uma escola estruturada para recebê-lo; ...de uma equipe estruturada para ajudá-lo a se desenvolver não somente nas questões cognitivas, mas também sócio-afetivas; ...sentir-se seguro e assegurado; ...ter a garantia de um compromisso com os encaminhamentos de suas necessidades. Fonte: adaptado de Parolin, 2006 Quadro 1: Quem deve ser incluído? 16 O arquivo aberto sobre a Educação Inclusiva (UNESCO, 2001, p.15), uma publicação da UNESCO contendo materiais de apoio para legisladores, administradores e gestores escolares, assume que a educação inclusiva diz respeito aos seguintes assuntos-chave: a) á crença de que o direito à educação é um direito humano e o fundamento de uma sociedade mais justa; b) á realização deste direito, por meio do movimento da educação para todos e (EPT 1990) trabalho no sentido de tornar a educação básica de qualidade acessível; c) ao avanço do movimento da educação para todos com a finalidade de encontrar formas de tornar as escolas capazes de servirem a todas as crianças nas suas comunidades, como parte de um sistema educacional inclusivo; d) ao fato de que a inclusão diz respeito a todos os aprendizes, com um foco àqueles que, tradicionalmente, têm sido excluídos das oportunidades educacionais. Publicação relevante na área de educação inclusiva é o index para a Inclusão (CSEI, 2000), estabelece que: Inclusão ou educação inclusiva não é um outro nome para a educação dos alunos com necessidades especiais. Inclusão envolve uma abordagem diferente para identificar e resolver dificuldades que emergem na escola (.) [a inclusão educacional] implica em um processo que aumente a participação de estudantes e reduza sua exclusão da cultura, do currículo e das comunidades das escolas locais. De forma mais simples, podemos dizer que incluir significa fazer com que o indivíduo se torne parte da comunidade escolar, sendo reconhecido como um de seus membros com as mesmas oportunidades que os outros. Ainscow , Tweddle (2005), expressaram a considerável confusão sobre o significado da inclusão para as comunidades educacionais que fazem parte de sua pesquisa na Inglaterra. Porém, estes autores identificaram quatro elementos- chave na sua definição, conforme segue: a) Inclusão é um processo, o quer dizer, nunca termina porque sempre haverá um aluno que encontrará barreira para aprender; 17 b) Inclusão diz respeito à identificação e remoção de barreiras, e isto implica coleta contínua de informações que são valiosas para entender a performance dos alunos a fim de planejar e estabelecer metas; c) Inclusão diz respeito à presença, participação e aquisição de todos os alunos. Presença diz respeito à freqüência e pontualidade dos alunos na sua escolarização. Participação trata-se do modo como os alunos percebem a sua própria aprendizagem e se a mesma possui qualidade acadêmica; d) Aquisição se refere aos resultados da aprendizagem em termos de todo conteúdo curricular dentro e fora de escola; Inclusão envolve uma ênfase nos grupos de estudantes que podem estar com risco de marginalização, exclusão e baixo desempenho educacional. Envolve o monitoramento cuidadoso pelas autoridades educacionais locais aos alunos, assim como o apoio oferecido às escolas para assegurar que as mesmas estejam lidando com as barreiras, a fim de prevenir que esses alunos não sejam excluídos. Segundo Pereira (2009), todas estas definições oferecem os subsídios para a qualificação de um novo professor e uma nova metodologia de ensino. Um professor comprometido com a inclusão deve ter em mente que: a) a educação é um direito humano; b) as crianças estão na escola para aprender; c) ha crianças que são mais vulneráveis à exclusão educacional do que outras; d) é responsabilidade da escola e dos professores criar formas alternativas de ensino e aprendizagem mais efetivas para todos. Uma metodologia inclusiva de ensino deve ser capaz de garantir que o aluno se sinta motivado para freqüentar a escola e participar das atividades na sala de aula. O educador deve possuir qualidade curricular e metodológica, a fim de identificar barreiras à aprendizagem e planejar formas de removê-las para que cada aluno seja contemplado e respeitado em seu processo de aprendizagem. Neste contexto Limaverde (2009) referente à diversidade humana, a prática escolar deve estar fundamentada na crença de que: a) em qualquer período de sua escolarização, qualquer criança pode 18 enfrentar dificuldades para aprender ou fazer parte da comunidade escolar; b) as dificuldades de aprendizagem que emergem no dia-a-dia da escola/sala de aula constituem um recurso para melhorar o ensino; c) todas as mudanças geradas como resultado da tentativa de responder às necessidades de aprendizagem de uma dada criança oferecem melhores condições para todas as crianças aprenderem. Tais fundamentos revelam que a inclusão não depende de diagnóstico ou categorias de deficiências baseadas em níveis de habilidades ou capacidades do aluno e não segrega ou discrimina nenhuma criança com base nas suas características individuais. Ao invés disso, a inclusão cria oportunidades para todos os alunos aprenderem por meio do uso de estratégias diversificadas de ensino ao mesmo tempo em que cria bases firmes para a melhoria da escola e para a capacitação contínua dos professores. Ferreira; Glat (2004), enfatiza que a inclusão é um termo que tem sido usado predominantemente como sinônimo para integração de alunos com deficiência no ensino regular, denotando desta forma a perpetuação da vinculação deste conceito com a educação especial. Para Fonseca (2004), a inclusão parece não oferecer dúvidas; literalmente significa ação ou resultado de incluir, de envolver, de abranger, de fechar, de encerrar, de introduzir, de inserir, dentro de alguma coisa. A educação inclusiva significa assegurar a todos os estudantes, sem exceção, independentemente da sua origem sociocultural e da sua evolução psicobiológica, a igualdade de oportunidades educativas, para que, desse modo, possam usufruir de serviços de qualidade, conjuntamente com outros apoios complementares, e possam beneficiar-se igualmente da sua integração em classes etariamente adequadas perto da sua residência, com objetivo de serem preparados para uma vida futura, a mais independente e produtiva possível, como membros de pleno direito da sociedade, segundo Bos e Vaughn (1994), Clark, Dyson e Millward (1998) (apud FONSECA 2004). Para Pereira (2009), a inclusão é um movimento mundial de luta das pessoas com deficiências e seus familiares na busca dos seus direitos e lugar na sociedade. 19 Existe um consenso entre os estudiosos de que inclusão não se refere somente às crianças com deficiência e sim a todas as crianças, jovens e adultos que sofrem qualquer tipo de exclusão educacional, seja dentro das escolas e salas de aula quando não encontram oportunidades para participar de todas as atividades escolares, quando são expulsos e suspensos, por razões muitas vezes obscuras, quando não têm acesso à escolarização e permanecem fora das escolas, como é o caso de muitos brasileiros e de muitas crianças africanas. Celedón (2009) acredita que a inclusão é ato ou efeito de incluir, isto é, de compreender (entender alguém, aceita-lo como é), abranger (conter em si, mas também, apreender, perceber, entender, alcançar, atingir); em estudos da linguagem, inclusive se diz da primeira pessoa do plural, que inclui o falante e o ouvinte. (no caso, professores e alunos). 1.1 Histórico de Inclusão O marco histórico da inclusão foi em junho de 1994, com a Declaração de Salamanca, Espanha, realizada pela UNESCO na Conferência Mundial sobre necessidades educativas especiais: acesso e qualidade, assinado por 92 países, cujo princípio fundamental é: "todos os alunos devem aprender juntos, sempre que possível, independente das dificuldades e diferenças que apresentem". (PEREIRA, 2009, p.1) Para Celedón (2009), antes do século XX, não existia a idéia de inclusão, a maioria das pessoas, principalmente mulheres, deficientes físicos e mentais, de outras raças que não a branca e pobre, não tinha o direito ou as condições mínimas para frequentar a escola. No século XX, começa a chamada segregação, mais pessoas tinham acesso à escola, porém dificilmente misturavam-se com os alunos representantes da classe dominante. Na segunda metade do século surgiam as escolas especiais e mais tarde as classes especiais dentro das escolas comuns. Surgia assim uma aberração pedagógica, a separação de dois sistemas educacionais, por um lado a educação comum e do outro a educação especial. 20 Já na década de 70, aparecia a integração. As escolas comuns aceitavam alguns alunos, antes rejeitados ou marginalizados que poderiam frequentar classes comuns desde que conseguissem adaptar-se. Os primeiros movimentos que apontavam para o surgimento da inclusão escolar datam do final da década de 80. Assim, só há um tipo de educação, e ela é para todos sem restrição, sem separação. (CELEDÓN, 2009) A inclusão começou como um movimento de pessoas com deficiência e seus familiares na luta pelos seus direitos de igualdade na sociedade, visualiza-se as diversas noções, dificuldades, concepções e sentimentos, vinculados a realidade inclusiva. * Medidas bem planejadas *conscientização governamental e social Exige *aceitação da diferenças *socialização *políticas de integração *Um desafio Inclusão Constitui *uma troca constante entre alunos e professores * um processo gradativo Enfrenta *segurança problemas de *formação *condições atitudinais e arquitetônicas Fonte : adaptado de Parolin,2006 Quadro 2: Inclusão 1.2 O papel da família no processo de inclusão A família é a primeira unidade à qual a criança com necessidades especiais virá a fazer parte, entretanto, muitas vezes, os familiares não estão preparados para recebê-la, ainda que constitua um importante suporte para esta criança. 21 Segundo Kaloustian (2002) a família é o lugar indispensável para a garantia da sobrevivência e da proteção integral dos filhos e demais membros, independentemente do arranjo familiar ou da forma como vem se estruturando. É a família que propicia os aportes afetivos e, sobretudo materiais necessários ao desenvolvimento e bem estar dos seus componentes. Ela desempenha um papel decisivo na educação formal e informal, é em seu espaço que são absorvidos os valores éticos e humanísticos, e onde se aprofundam os laços de solidariedade. É também em seu interior que se constroem as marcas entre as gerações e são observados valores culturais. Para Aranha (2004), é imprescindível promover cuidados de apoio à família e à comunidade, para que as crianças e adolescentes com dificuldades especiais tenham condições favoráveis para um desenvolvimento saudável. A família tem se encontrado numa posição de dependência de profissionais em diferentes áreas do conhecimento, no sentido de receberem orientações de como proceder em relação às necessidades especiais de seus filhos. De acordo com Ribeiro (2004, p.20) A família vem se mantendo ao longo da história da humanidade como instituição social permanente, o que pode ser explicado por sua capacidade de mudança/adaptação, resistência e por receber valorização positiva da sociedade e daqueles que a integram. Faz-se necessário que a família construa conhecimentos sobre as necessidades especiais de seus filhos, assim, os profissionais ligados diretamente ao caso, deverão orientar e preparar a família para tal desafio, bem como ajudá-la a aceitar as dificuldades de modo a facilitar o dia-a-dia da criança no contexto familiar. Segundo Gokhale (1980), acrescenta ainda, que a família não é somente o berço da cultura e a base da sociedade futura, mas é também o centro da vida social. A educação bem sucedida da criança na família é que vai servir de apoio à sua criatividade e ao seu comportamento produtivo quando for adulto. A família tem sido, é e será, a influência mais poderosa para o desenvolvimento da personalidade e do caráter das pessoas. A família precisa construir padrões cooperativos e coletivos de enfrentamento dos sentimentos, de análise das necessidades primordiais de 22 cada membro e do grupo como um todo, da tomada de decisões, de busca dos recursos e serviços especializados que serão necessários para o bem estar e adequada qualidade de vida, do indivíduo especial como também de toda sua família. (ARANHA, 2004) É essencial que se invista na orientação e no apoio à família, para que esta possa cumprir da melhor maneira possível seu papel educativo junto aos seus dependentes. À família cabe o maior tempo de convivência e adaptação da criança com necessidades especiais. Por isso, o domicílio e as pessoas que nele moram, devem ser preparados para enfrentar este desafio, que não é fácil, porém com todo cuidado e ajuda específica, se tornará muito mais fácil e prazeroso. 1.3 As condições da inclusão escolar no Brasil As instituições escolares no Brasil, ao reproduzirem constantemente o modelo tradicional, não tem demonstrado condições de responder aos desafios da inclusão escolar e do acolhimento às diferenças nem de promover aprendizagens necessárias à vida em sociedade. A escola não tem conseguido cumprir o papel de configurar-se como espaço educativo adequado ao processo inclusivo. O tradicionalismo assentase em pressuposto irrealizável ao fazer com que os alunos enquadrem às suas exigências. No plano ético e político, a defesa de igualdade de direitos, com destaque para o direito à educação, parece constituir-se em consenso. As discordâncias são enunciadas no plano da definição das propostas para sua concretização. Oliveira( 2001, p. 2 ), analisa que: A própria declaração desse direito à educação, pelo menos no que diz respeito à gratuidade, constava já na Constituição Imperial. O que se aperfeiçoou, para além de uma maior precisão jurídica evidenciada pela redação -, foram os mecanismos capazes de garantir, em termos práticos, os direitos anteriormente enunciados, estes, sim, verdadeiramente inovadores. 23 No discurso decorrente de muitos profissionais da educação, a inclusão escolar tem sido uma expressão empregada com sentido restrito como se significasse apenas matricular alunos com deficiência e necessidades especiais em classe comum. Mas a construção conceitual dessa expressão ultrapassa em muito esse entendimento. Sua implantação pode implicar em resguardar a classe comum como espaço de escolarização de todos ou como uma das opções para aqueles com necessidades educacionais especiais, ainda que deva ser a preferencial, como preconizado pela Constituição Federal de 1988. De acordo com Gonzalez (2002): A educação especial é marcada pela idéia de uma educação diferente e dirigida a um grupo de sujeitos específicos ; a compreensão anterior é marcada pela idéia de uma ação ou conjunto de ações e serviços dirigidos a todos os sujeitos que deles necessitam, em contextos normalizados. A expressão, alunos com necessidades educacionais especiais, é usada para designar pessoas com deficiência mental, auditiva, visual, física e múltipla, superdotação e altas habilidades e condutas típicas, que requerem, em seu processo de educação escolar, atendimento educacional especializado, que pode se concretizar em intenções para lhes garantir acessibilidade arquitetônica, de comunicação e de sinalização, adequações didático metodológicas, curriculares e administrativas, bem como materiais e equipamentos específicos ou adaptados. Xavier (2002) salienta que: A construção da competência do professor para responder com qualidade às necessidades educacionais especiais de seus alunos em uma escola inclusiva, pela mediação da ética, responde á necessidade social e histórica de superação das praticas pedagógicas que discriminam, segregam e excluem, e, ao mesmo tempo, configura, na ação educativa, o vetor de transformação social para a equidade, a solidariedade, a cidadania. 24 conhecer o sujeito não; é preciso orientar as atividades e refletir cada ação. Trabalhar com a o inclusão requer sucesso das conhecimento mudanças de intervenções humano e depende do desenvolvimento psicossocial dos interventores. paradigmas: nessa prática há uma identificação subjetiva com esse sujeito. como essa prática foi se constituindo? Trabalhar com qual era o objetivo da construção dessa prática? inclusão requer A que se propõe? reflexão sobre a quem são os sujeitos que dão corpo a essa prática? prática: por que esta opção e não outra? compromisso com aprendizagem; Trabalhar com compromisso com formação; inclusão requer compromisso técnico postura ética: humano científico; compromisso com a qualidade na aprendizagem; Fonte: adaptado Parolin, 2006 Quadro 3: Pré requisitos para o trabalho inclusivo Atualmente, coexistem pelo menos duas propostas para a educação especial: uma, em que conhecimentos acumulados sobre educação especial, teóricos e práticos, devem estar a serviço dos sistemas de ensino e, portanto, das escolas, e disponíveis a todos os professores, alunos e demais membros da comunidade escolar, que a qualquer momento podem requerê-los; outra, em que se deve configurar um conjunto de recursos e serviços educacionais especializados, dirigidos apenas à população escolar que apresente solicitações que o ensino comum não tem conseguido contemplar. De acordo com Glat; Nogueira (2002 ) As políticas para a inclusão devem ser concretizadas na forma de programas de capacitação e acompanhamento contínuo, que orientem o trabalho docente na perspectiva da diminuição gradativa 25 da exclusão escolar, o que visa a beneficiar não apenas os alunos com necessidades especiais, mas, de uma forma geral, a educação escolar como um todo. Mantoan; Prieto ; Arantes; (2006), salientam que o planejamento e a implantação de políticas para atender a alunos com necessidades educacionais especiais requerem domínio conceitual sobre inclusão escolar e sobre as solicitações decorrentes de sua adoção enquanto princípio ético-político, bem como a clara definição dos princípios e diretrizes nos planos e programas elaborados, permitindo a redefinição dos papeis da educação especial e do atendimento desse alunado. A política educacional brasileira tem deslocado progressivamente para os municípios parte da responsabilidade administrativa, financeira e pedagógica pelo acesso e permanência de alunos com necessidades educacionais especiais nas escolas, em decorrência do processo de municipalização do ensino fundamental. Essa diretriz tem provocado alguns impactos no atendimento a esse público alvo. Algumas prefeituras criaram formas de atendimento educacional especializado, outras ampliaram ou mantiveram seus auxílios e serviços de ensino, algumas estão apenas matriculando esses alunos em suas redes de ensino, e há ainda as que desativaram alguns serviços prestados, como, por exemplo, a oferta de programas de transporte adaptado. No Brasil, o atendimento educacional especializado era, em 2004, desenvolvido na proporção de 1/3 para 2/3, referindo-se a escolas comuns públicas e a escolas exclusivamente especializadas ou em classes especiais, respectivamente. A base de dados divulgada não registra informações sobre matrículas no ensino superior, mas revela que o atendimento está centrado na educação infantil (109.596 matrículas, que correspondem a 19, 3 % do total) e no ensino fundamental (365.359, ou 64,4%). Há na EJA (Educação de Jovens e Adultos) e na educação profissional pouco mais de 41.500 matrículas em cada uma dessas modalidades; no ensino médio, as matrículas equivaliam a 1,6 % com apenas 8.281 alunos nesse nível de ensino. A matrícula inicial na classe comum evoluiu de 1998 a 2002 em 151%. Passamos de um total 43.9233 matrículas, em 1998, para 110.536, em 2002. 26 Em 2003, em dados aproximados, havia 144.100 alunos com necessidades educacionais especiais nas referidas classes; e em 2004, 184.800, evidenciando crescimento anual de 28,1 % entre esses dois últimos anos. Deixa-se em aberto a possibilidade de sabermos que patamar de atendimento foi atingido, pois para isso precisaríamos ter dados sobre os que estão fora da escola, portanto sem nenhum tipo de atendimento escolar. É um dever não cumprido averiguar se, aos alunos com necessidades educacionais especiais, está sendo garantido, além do acesso à escola, o acesso à educação, aqui compreendida como processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual, e moral da criança e do ser humano em geral, visando sua melhor integração individual e social . Uma ação que deve marcar as políticas públicas de educação é a formação dos profissionais da educação. Sem deixar de considerar que em educação atuam profissionais no âmbito técnico-administrativo e em outras funções, com importante papel no desenvolvimento de ações educacionais. 1.4 Legislação: direitos e deveres na inclusão 1.4.1 Leis e declarações internacionais a) Declaração de Cuenca - UNESCO - Equador, 1981. b) Declaração de Sunderberg - Torremolinos, Espanha, 1981. c) Resoluções da XXIII Conferência Sanitária Panamericana - OPS/Organização Mundial de Saúde - Washington, DC, USA 1990. - Seminário Unesco - Caracas - Venezuela - 1992 - Informe Final. d) Declaração de Santiago - Chile - 1993. e) Assembléia Geral das Nações Unidas - New York, USA - 1993 Normas - Uniformes sobre a igualdade de oportunidade para pessoas com incapacidades. f) Declaração Mundial de Educação para Todos - UNICEF - Jon Tien, Tailândia - 1990. 27 g) Declaração de Salamanca - Salamanca, Espanha: princípios, políticas e prática em Educação Especial - 1994 - criação e manutenção de sistemas educacionais inclusivos. 1.4.2 Leis nacionais a) Constituição Federal de 1988 - Título VI - "Da Ordem Social" - Art. 208 e Art. 227. b) Lei nº 7.853/89 - Dispõe sobre o apoio às pessoas com deficiências, sua integração social e pleno exercício de direitos sociais e individuais. c) Decreto nº 2.208/97 - Educação profissional de alunos com necessidades educacionais especiais. d) Parecer CNE/CEB nº 16/99 - Educação profissional de alunos com necessidades educacionais especiais. e) Resolução CNE/CEB nº 4/99 - Educação profissional de alunos com necessidades educacionais especiais. f) Decreto nº 3.298/99 - Regulamenta a Lei 7.853/89, dá-lhe condições operacionais, consolida as normas de proteção ao portador de deficiências. g) LDB nº 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) Capítulo V - Educação Especial - Art. 58, Art. 59 e Art. 60. Portaria MEC nº 1.679/99 - requisitos de acessibilidade a cursos, instrução de processos de autorização de cursos e credenciamento de instituições voltadas à educação especial. h) Parecer CNE/CEB nº 14/99 - Diretrizes nacionais da educação escolar indígena. i) Resolução CNE/CEB nº 03/99 - Fixa diretrizes nacionais para o funcionamento de escolas indígenas. j) Lei nº 10.098/00 - Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção de acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e dá outras providências. Resolução CNE/CEB nº 2/2001 - Institui diretrizes e normas para a educação especial na Educação Básica. k) Parecer CNE/CEB nº 17/2001 - Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. 28 l) Lei nº 10.172/2001 - Aprova o Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras providências (o PNE estabelece 27 objetivos e metas para a educação de pessoas com necessidades educacionais especiais). 1.4.3 Direitos e Deveres ... o papel da educação consiste em favorecer que cada um, de forma livre e autônoma, reconheça aos demais a mesma esfera de direito que exige para si. (VIEIRA, 1999, p. 16) 1.4.3.1 Direito à acessibilidade Para que as pessoas com deficiência possam ter liberdade de ir e vir e se sentir parte da comunidade, elas necessitam de um meio físico adequado e que garanta segurança e acesso. O direito a acessibilidade está descrito nas Leis 10.098/00 - regulamentada através do Decreto 5.296/04 - e 10.048/00, que prevêem a adequação das vias e de espaços públicos, no mobiliário urbano, na construção e reforma de edifícios, nos meios de transporte e de comunicação e do acesso a informação. É possível promover a inclusão social no meio físico construindo rampas de acesso, banheiros adaptados, pisos táteis, guias rebaixadas, sinais sonoros, entre outros. A acessibilidade na comunicação e informação pode ser alcançada através de sites acessíveis, que atendam às pessoas com deficiência visual e, por exemplo, aparelhos de televisão com legenda oculta. As emissoras de TV devem incluir em suas programações intérprete de Libras, para que as pessoas com deficiência auditiva possam acompanhar os programas. 29 Pessoas com deficiência física, idosos, gestantes, lactantes e pessoas com crianças de colo, devem ter atendimento prioritário, por meio de serviços individualizados que assegurem tratamento diferenciado. 1.4.3.2 Direito ao trabalho Foram diversas as conquistas em defesa das pessoas com deficiência nos últimos anos. Hoje, elas são amparadas por lei no seu direito de acesso ao trabalho. Graças a estas conquistas, fazer parte do quadro de funcionários de uma empresa já não é um obstáculo, mas a permanência destes profissionais no local de trabalho ainda exige cuidados. Cabe aos empregadores garantir bem estar e acessibilidade aos seus colaboradores, para que eles tenham oportunidade de exercer suas funções de maneira adequada e mostrar todo o seu potencial. Este sistema está carregado da antiga visão de assistencialismo, capacidade laborativa reduzida e falta de noção sobre cidadania. Na sociedade brasileira ele ainda é necessário para que as pessoas apostem nestes profissionais e, desta forma, descubram que eles têm um enorme potencial. Em vários países, como EUA, Canadá, Grã-Bretanha, Nova Zelândia, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Austrália e Portugal este princípio foi extinto e a antiga visão foi superada. Em nações como o Brasil, ela está em vias de superação e a conscientização é a melhor forma de acabar com o preconceito. Durante anos a sociedade excluiu as pessoas com deficiência do convívio social. Esta exclusão se reflete até hoje em diversos setores sociais. Várias leis foram criadas visando à inclusão dos cidadãos com deficiência, mas algumas delas foram concebidas quando ainda se tinha pouco conhecimento sobre este público e suas limitações. O sistema de cotas é uma delas. a) 1980 - estabelecida como a década internacional da pessoa com deficiência. b) 1992 - estabelecida a data de 3 de dezembro como dia internacional das pessoas portadoras de deficiência da ONU. 30 c) 1994 - declaração de Salamanca (Espanha): tratando da educação especial. d) 1995 - a Inglaterra aprova legislação semelhante para empresas com mais de vinte empregados. e) 1999 - promulgada na Guatemala a convenção interamericana para a eliminação de todas as formas de discriminação contra as pessoas portadoras de deficiência. f) 2002 - realizado em março o congresso europeu sobre deficiência, em Madri, que estabeleceu 2003 como o ano europeu das pessoas com deficiência. g) 1981 - adotado pela ONU como o ano internacional das pessoas com deficiência. h) 1983 elaboração da convenção 159 pela OIT. i) 1990 - aprovada a ADA (Lei dos Deficientes dos Estados Unidos), aplicável a toda empresa com mais de quinze funcionários. j) 1997 - tratado de Amsterdã, em que a União Européia se compromete a facilitar a inserção e a permanência das pessoas com deficiência nos mercados de trabalho. 1.4.3.3 Direito à educação Para se tornar parte da sociedade é necessário compreende-la. A base para o sucesso de qualquer cidadão está na educação e isto não é diferente para as pessoas com deficiência. Participar do sistema educacional é garantir a inclusão social e a igualdade de oportunidades. A Lei 9.394/96, art.4º que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional (LDB), reconhece que a educação é um instrumento fundamental para a integração e participação de qualquer pessoa com deficiência no contexto em que vive. Está disposto nesta lei que haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial e que o atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das 31 condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular . A legislação brasileira também prevê o acesso a livros em Braille de uso exclusivo das pessoas com deficiência visual. 1.4.3.4 Direito à saúde A assistência à saúde e à reabilitação clínica são condições decisivas para a inclusão da pessoa com deficiência na sociedade. Para promover a melhoria da qualidade de vida e com intuito de estimular a independência do indivíduo com deficiência nas suas atividades diárias foi criado o sistema das redes estaduais de assistência à pessoa com deficiência. Este projeto oferece ajuda técnica, além de órteses e próteses para que a pessoa tenha maior autonomia. Outro sistema criado para a manutenção da saúde física e mental do cidadão com deficiência é a Política Nacional para a integração da pessoa com deficiência, implantada em 1989. Regulamentada pelo Decreto nº 3.298, prevê auxílio na prevenção de doenças, atendimento psicológico, reabilitação, fornecimento de medicamentos e assistência através de planos de saúde. 1.4.3.5 Direito a isenções fiscais e financiamento Pessoas com deficiência, empresas, bancos e demais instituições ligadas a este público possuem alguns benefícios previstos em lei. Para as empresas dispostas a contribuir com a inclusão social de portadores de necessidades especiais a legislação brasileira prevê a concessão fiscal. Podem ser firmados convênios que garantem a isenção de ICMS, seja para doação de equipamentos adaptados, seja para aquisições de aparelhos e acessórios destinados às instituições que atendam este segmento da população. Automóveis adquiridos em alguns estados brasileiros por pessoas com 32 deficiência física, visual, mental e autistas ou seus representantes legais são isentos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), de acordo com a Lei 10.754/03. Os financiamentos de automóveis de fabricação nacional também são liberados do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Tais benefícios ainda não são tributados pelo Imposto de Renda e tanto a aquisição de aparelhos e materiais, como a realização de outras despesas, podem ser deduzidas do imposto. 1.4.3.6 Direito ao passe livre Os cidadãos com deficiência também possuem benefícios relacionados aos meios de transporte. A Lei 8.899/94, conhecida como Lei do Passe Livre, prevê que toda pessoa com deficiência tem direito ao transporte coletivo interestadual gratuito e que cabe a cada estado ou município implantar programas similares ao passe livre para os transportes municipais e estaduais. Além do transporte gratuito, o município deve garantir que os meios de transporte sejam acessíveis a estes cidadãos. 1.5 Declaração de Salamanca: princípios, política e prática na educação especial Notando com satisfação um incremento no envolvimento de governos, grupos de advocacia, comunidades e pais, e em particular de organizações de pessoas com deficiências, na busca pela melhoria do acesso à educação para a maioria daqueles cujas necessidades especiais ainda se encontram desprovidas; e reconhecendo como evidência para tal envolvimento a participação ativa do alto nível de representantes e de vários governos, agências especializadas, e organizações intergovernamentais naquela Conferência Mundial. a) Os delegados da Conferência Mundial de Educação Especial, 33 representando 88 governos e 25 organizações internacionais em assembleia em Salamanca, Espanha, entre 7 e 10 de junho de 1994, reafirma o compromisso para com a educação para todos, reconhecendo a necessidade e urgência do providenciamento de educação para as crianças, jovens e adultos com necessidades educacionais especiais dentro do sistema regular de ensino e reendossa a estrutura de ação em educação especial, em que, pelo espírito de cujas provisões e recomendações governo e organizações sejam guiados. b) Acreditam e proclamam que: toda criança tem direito fundamental à educação, e deve ser dada a oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem; toda criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem que são únicas; sistemas educacionais deveriam ser designados e programas educacionais deveriam ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversidade de tais características e necessidades; aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola regular, que deveria acomodá-los dentro de uma pedagogia centrada na criança, capaz de satisfazer a tais necessidades; escolas regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para todos; além disso, tais escolas proveem uma educação efetiva à maioria das crianças e aprimoram a eficiência e, em última instância, o custo da eficácia de todo o sistema educacional. c) Congregam todos os governos e demandam que: atribuam a mais alta prioridade política e financeira ao aprimoramento de seus sistemas educacionais no sentido de se tornarem aptos a incluírem todas as crianças, independentemente de suas diferenças ou dificuldades individuais; adotem o princípio de educação inclusiva em forma de lei ou de política, matriculando todas as crianças em escolas regulares, a menos que existam fortes razões para agir de outra forma; desenvolvam projetos de demonstração e encorajem 34 intercâmbios em países que possuam experiências de escolarização inclusiva; estabeleçam mecanismos participatórios e descentralizados para planejamento, revisão e avaliação de provisão educacional para crianças e adultos com necessidades educacionais especiais; encorajem e facilitem a participação de pais, comunidades e organizações de pessoas portadoras de deficiências nos processos de planejamento e tomada de decisão concernentes à provisão de serviços para necessidades educacionais especiais; invistam maiores esforços em estratégias de identificação e intervenção precoces, bem como nos aspectos vocacionais da educação inclusiva; garantam que, no contexto de uma mudança sistêmica, programas de treinamento de professores, tanto em serviço como durante a formação, incluam a provisão de educação especial dentro das escolas inclusivas. d) Também congregam a comunidade internacional; em particular, governos com programas de cooperação internacional, agências financiadoras internacionais, especialmente as responsáveis pela Conferência Mundial em Educação para Todos, UNESCO, UNICEF, UNDP e o Banco Mundial: a endossar a perspectiva de escolarização inclusiva e apoiar o desenvolvimento da educação especial como parte integrante de todos os programas educacionais; as Nações Unidas e suas agências especializadas, em particular a ILO, WHO, UNESCO e UNICEF; a reforçar seus estímulos de cooperação técnica, bem como reforçar suas cooperações e redes de trabalho para um apoio mais eficaz à já expandida e integrada provisão em educação especial; organizações não-governamentais envolvidas na programação e entrega de serviço nos países; a reforçar sua colaboração com as entidades oficiais nacionais e intensificar o envolvimento crescente delas no planejamento, implementação e avaliação de provisão em educação especial que seja inclusiva; UNESCO, enquanto a agência educacional das Nações Unidas; a assegurar que educação especial faça parte de toda discussão que lide com educação para todos em vários foros; a mobilizar o apoio de organizações dos profissionais de ensino em questões relativas ao 35 aprimoramento do treinamento de professores no que diz respeito a necessidade educacionais especiais; a estimular a comunidade acadêmica no sentido de fortalecer pesquisa, redes de trabalho e o estabelecimento de centros regionais de informação e documentação e da mesma forma, a servir de exemplo em tais atividades e na disseminação dos resultados específicos e dos progressos alcançados em cada país no sentido de realizar o que almeja a presente declaração; a mobilizar fundos através da criação (dentro de seu próximo planejamento a médio prazo. 1996-2000) de um programa extensivo de escolas inclusivas e programas de apoio comunitário, que permitiriam o lançamento de projetos-piloto que demonstrassem novas formas de disseminação e o desenvolvimento de indicadores de necessidade e de provisão de educação especial. e) Por último, expressam o caloroso reconhecimento ao governo da Espanha e à UNESCO pela organização da Conferência e demandam-lhes realizarem todos os esforços no sentido de trazer esta declaração e sua relativa estrutura de ação da comunidade mundial, especialmente em eventos importantes tais como o Tratado Mundial de Desenvolvimento Social (em Kopenhagen, em 1995) e a Conferência Mundial sobre a Mulher (em Beijing, em 1995). Adotada por aclamação na cidade de Salamanca, Espanha, neste décimo dia de junho de 1994. Durante os últimos 15 ou 20 anos, tem se tornado claro que o conceito de necessidades educacionais especiais teve que ser ampliado para incluir todas as crianças que não estejam conseguindo se beneficiar com a escola, seja por que motivo for. (UNESCO/ 1994, p.15) 1.6 Diretrizes na educação especial na perspectiva da inclusão A consciência do direito de construir uma identidade própria e do reconhecimento da identidade do outro se traduz no direito de igualdade e no respeito às diferenças, assegurando oportunidades diferentes (equidade), tantas quanto forem necessárias, com vistas à busca da igualdade. (BRASIL, 2001.) 36 A educação especial é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas e modalidades, realiza o atendimento educacional especializado, disponibiliza os serviços e recursos próprios desse atendimento e orienta os alunos e seus professores quanto a sua utilização nas turmas comuns do ensino regular. O atendimento educacional especializado identifica, elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação específicas. As dos alunos, atividades considerando desenvolvidas no as suas atendimento necessidades educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutivas à escolarização. Esse atendimento completa e suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela. Tal modalidade de ensino disponibiliza programas de enriquecimento curricular, o ensino de linguagem e códigos específicos de comunicação e sinalização, ajudas técnicas e tecnológicas assistidas, dentre outros. Ao longo de todo processo de escolarização, esse atendimento deve estar articulado com a proposta pedagógica de ensino comum. A inclusão escolar tem inicio na educação infantil, onde se desenvolvem as bases necessárias para a construção do conhecimento e seu desenvolvimento global. Nessa etapa, o lúdico, o acesso às formas diferenciadas de comunicação, a riqueza de estímulos nos aspectos físicos, emocionais, cognitivos, psicomotores e sociais e a convivência com as diferenças favorecem as relações interpessoais, o respeito e a valorização da criança. Do nascimento aos três anos, o atendimento educacional especializado se expressa por meio de serviços que objetivam aperfeiçoar o processo de desenvolvimento e aprendizagem em interface com os serviços de saúde e assistência social. Em todas as etapas e modalidades da educação básica, o atendimento especializado é organizado para apoiar o desenvolvimento dos alunos, constituindo oferta obrigatória dos sistemas de ensino e deve ser realizado no turno inverso ao da classe comum, na própria escola ou centro especializado que realize esse serviço educacional. Este atendimento é realizado mediante a 37 atuação de profissionais com conhecimento específicos no ensino da Língua Brasileira de Sinais, da Língua Portuguesa e na modalidade escrita como segunda língua, do Sistema Braille, do Soroban, da orientação e mobilidade, das atividades de vida autônoma, da comunicação alternativa, do desenvolvimento dos processos mentais superiores, dos programas de enriquecimento curricular, da adequação e produção de materiais didáticos e pedagógicos, da utilização de recursos ópticos e não ópticos, da tecnologia assistida e outros. Cabe aos sistemas de ensino, ao organizar a educação especial na perspectiva da educação inclusiva, disponibilizar as funções do instrutor de Libras e guia interprete, bem como de monitor dos alunos com necessidades de apoio nas atividades de higiene, alimentação, locomoção, entre outras que exijam auxilio constante no cotidiano escolar. Para atuar na educação especial, o professor deve ter como base de sua formação, inicial e continuada, conhecimentos gerais para o exercício da docência e conhecimentos específicos da área. Essa formação possibilita a sua atuação no atendimento educacional especializado e deve aprofundar o caráter interativo e interdisciplinar da atuação nas salas comuns do ensino regular, nas salas de recursos, nos centros de atendimento educacional especializado, nos núcleos de acessibilidade das instituições de educação superior, nas classes hospitalares e nos ambientes domiciliares, para a oferta dos serviços e recursos de educação especial. 38 CAPÍTULO II CAPACITAÇÃO E CONCEPÇÃO DE PROFESSORES NO PROCESSO DE INCLUSÃO ESCOLAR 2 CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL E A INCLUSÃO ESCOLAR A formação de professores que atuam diretamente na inclusão escolar, sempre se constituiu numa grande problemática com relação ao atendimento do aluno com necessidades especiais. Tudo é muito novo e desafiador. E isto, infelizmente ainda é uma barreira para que a inclusão se efetive, com alicerce suficiente para se sustentar. Nos finais do Império, o atendimento a essa clientela era vinculada à saúde. Nos anos 20 do século passado, iniciou-se uma crescente preocupação com a questão propriamente pedagógica, porem influenciada pela abordagem psicológica, não abandonando o campo da saúde. Para atender às demandas, cada professor deveria estar apto a elaborar, incrementar e implementar situações de ensino que favorecessem a construção dos conceitos mais primários aos mais complexos. É importante que o professor organize seu planejamento de maneira que não passem despercebidos, pelas situações de ensino, conceitos que podem parecer simples, mas que na verdade são pré-requisitos para o que se pensa ser o mais importante. Contudo, não são poucos os casos em que as situações acabam sendo apresentadas de forma restrita, sem pertinência aos alunos que participam da ação inclusiva. O cotidiano de sala de aula requer, na atualidade, a efetivação de ações didáticas flexíveis, porém contextualizadas; a adequação de recursos, sem depreciar a capacidade e a imagem do aluno com o qual interagimos; uma reformulação das dinâmicas em sala de aula que possibilite a participação 39 efetiva de todos. Muitos recursos, muitas vezes, são pouco explorados ou até mesmo desconsiderados pelo professor, com o passar dos níveis propostos pelo sistema de educação. No entanto, quando o professor é o agente mediador de um contexto educacional, no qual a diversidade está mais complexa devido às demandas que um tipo de necessidade educativa especial pode gerar, é essencial que ele não perca de vista a validade de determinados recursos diante da construção de conceitos mais elaborados ou abstratos. (FERREIRA, 2004) Valorizar a singularidade de cada ser humano é um compromisso ético de contribuir com as transformações necessárias à construção de uma sociedade mais justa . (SOUZA; SILVA, 2005 p 239) Um sistema escolar inclusivo precisa investir na capacitação contínua dos professores e funcionários das escolas realizando o chamamento dos que ainda não se consideram envolvidos para um processo de sensibilização e atualização constante de toda escola e comunidade. Nesse aspecto a assessoria ao professor é fundamental para orientação e análise na busca de soluções para os problemas surgidos na sala de aula, no aprofundamento das questões teóricas, na construção de intervenções pedagógicas, na seleção de recursos materiais e tecnológicos para a aprendizagem dos alunos, no processo de avaliação, na inter-relação com as famílias, bem como na mediação entre escola e serviços especializados para atendimento ao aluno com necessidades educacionais, na área da saúde, da assistência social, do trabalho, entre outros. (BEYER, 2005) Para Marques (2006), inclusão escolar implica numa reorganização estrutural da escola, de todos os elementos da prática pedagógica, considerando o dado do múltiplo, da diversidade e não mais o padrão universal. O atual momento histórico exige uma participação efetiva da escola como instituição lócus do conhecimento e da formação de cidadãos capazes de intervir nos rumos da sociedade. Neste sentido, faz-se necessária uma escola criativa onde todos os seus componentes sejam co-sujeitos na produção de um saber-instrumento para o convívio escolar e social. Cabe, portanto, a alunos, professores e sujeitos desse processo planejar e construir as diferentes etapas de nossa caminhada: etapas que, se num primeiro momento são idealizadas, 40 logo transformam-se em realidade, pela reflexão crítica de nossas próprias possibilidades na construção dessa nova escola. Assim, é preciso redimensionar o modo de pensar e fazer a educação, tarefa, por natureza complexa, que envolve elementos políticos, sócio-econômicos, técnicos e culturais. Essa postura, por sua vez, implica na superação da dicotomia e fragmentação das atribuições dos agentes educativos, dos rituais, dos conteúdos metodológicos, dos recursos pedagógicos, do processo de avaliação, bem como das concepções de educação e de sociedade. Enfatiza também, que implica para o professor, em uma série de mudanças com relação a sua postura, pressuposto básico de sua atuação a compreensão das diferentes necessidades educacionais de seus alunos, sendo necessária á flexibilização do professor, no exercício do compromisso ético para se adequar às novas situações que surgirão em decorrência das diversidades presentes em seu cotidiano, atentando para a supressão de uma possível postura discriminatória. Zimmermann (2008) destaca que, a instituição escolar precisa redefinir sua base de estrutura organizacional destituindo-se de burocracias, reorganizando grades curriculares, proporcionando maior ênfase à formação humana dos professores, e afinando a relação família escola, propondo uma prática pedagógica coletiva, dinâmica e flexível, para atender esta nova realidade educacional. A educação inclusiva tem força transformadora, e aponta para uma nova era não somente educacional, mas para uma sociedade inclusiva Segundo Mittler, (2008), as escolas a volta poderiam tentar encontrar novos modos de pedir aos pais as suas opiniões sobre como poderiam ser fortalecidos os vínculos entre lar e a escola. Os vínculos mais íntimos entre pais e professor não podem ser prescritos de cima para baixo, mas sim fundamentados nos desejos e nas prioridades daquele que estão nessa área. A última palavra vai para um grupo de pais de crianças com necessidades especiais e deficiência ( RUSSEL, 1997 apud MITTEL ,2008,p.227) a) Por favor, aceite e valorize nossas crianças (e nós mesmos como família) como nós somos valorizados; 41 b) Por favor, celebre a diferença; c) Por favor, aceite nossas crianças primeiramente como crianças. Não coloque rótulos nelas, a menos que você pretenda fazer algo; d) Por favor, reconheça seu poder sobre nossas vidas. Vivemos com as conseqüências de suas opiniões e decisões; e) Por favor, entenda a tensão sob qual, muitas famílias estão vivendo. Os encontros cancelados, a lista de espera que ninguém consegue chegar ao inicio, todas as discussões sobre recursos é sobre nossa vida que você esta falando f) Por favor, não use modas passageiras e tratamentos conosco, a menos que você vai estar conosco. E não esqueça que as famílias têm muitos membros, muitas responsabilidades. Às vezes não podemos agradar a todo mundo; g) Por favor, reconheça que ás vezes nós é que temos razão! Por favor, acredite em nós e escute o que sabemos sobre o que nós e nossas crianças necessitamos. h) Às vezes, estamos tristes, cansados e deprimidos. Por favor, valorize nos como famílias preocupadas e comprometidas e tente continuar a trabalhar conosco. Limaverde (2009), acredita que a maioria dos professores vem de cursos onde a discussão da teoria e da prática ainda é dividida. Discute-se teoria e prática de maneira isolada. Ainda se estuda uma teoria idealizada. Poucos cursos de formação de professores oferecem de modo obrigatório em seus currículos as disciplinas relacionadas à diferença, às deficiências. Além da formação do núcleo comum, eles também precisam se atentar para essas especificidades. Há uma obrigatoriedade de se ofertar nos cursos de pedagogia, a disciplina de Libras. Mas isso não deve ocorrer apenas na formação inicial, mas também na formação continuada, que é aquela em serviço, mas que muitas vezes não contemplam essas especificidades. O problema de formação é muito grave porque repercute nessa insegurança do professor, no preconceito, no medo. Além do entrave da formação, no aspecto pedagógico, as escolas elaboram seu projeto político pedagógico sem levar em conta a presença do aluno com deficiência. As práticas, a organização da sala de aula não leva em conta a presença desse 42 aluno. Onde não há uma interlocução mais refinada entre o ensino comum e a Educação Especial, com esse saber mais específico, não há inclusão. A inclusão não é feita pela Educação Especial, é feita pelo sistema de ensino. Assim, na formação do professor teria dois espaços: um da sala de aula, que é a formação comum para todos os professores, contemplando desenvolvimento, aprendizagem e, uma na formação continuada. Uma formação que atenda às diferenças da sala de aula, o atendimento à educação especializada, além da formação básica, cursos de extensão, de libras, de soroban, de braile, de tecnologia assistida, para que esse professor possa atender a especificidade desses alunos. O aluno com deficiência é um ser humano que se desenvolve como qualquer outro. As teorias e técnicas que foram estudadas são suporte para esse trabalho. Agora, o que vai modificar na sua atuação, é a maneira como ele organiza suas práticas pedagógicas. Na maioria das vezes eles organizam práticas homogêneas, do aluno idealizado. É importante um planejamento para pensar essas diferenças na sala de aula. É um trabalho do projeto político pedagógico da escola. 2.1 Concepções de professores sobre a inclusão, na educação regular e especial. Inclusão não é feita pela Educação Especial; é feita pelo sistema de ensino." (LIMAVERDE, 2009) Apenas a partir do século XX, verificou-se uma melhor aceitação das pessoas com necessidades especiais, momento em que se iniciou a sua desinstitucionalização e educação escolar. Até este período eram segregados e praticamente privados de convívio social. Entretanto, verifica-se que as conquistas ainda foram poucas, pois o preconceito, a ignorância e a discriminação ainda são muito fortes em relação ao deficiente e a deficiência. Para Carmo (2000), a inclusão é um assunto que deve ser refletido e investigado com muita precisão, já que a sociedade pode estar criando uma nova modalidade: a de excluídos dentro da inclusão, podemos assim concluir nessa reflexão para que haja o processo de ensino-aprendizagem nos alunos portadores de necessidades educacionais especiais, o professor terá que se 43 capacitar para atender a proposta desta nova face da educação brasileira, ele terá que tentar conciliar as teorias sobre o assunto com sua pratica e a realidade da sala de aula. Pois, só assim, a inclusão do aluno portador de necessidades educacionais especiais será bem sucedida e gerando bons resultados no futuro. Assim, a inclusão deste tipo de aluno requer novas posturas tanto aos professores quanto ao sistema educacional brasileiro levando em consideração que todos nós estaremos ganhando. Lembrando também, que este processo de aprendizagem requer a reciprocidade das experiências entre o aluno com necessidades educacionais especiais, o professor e os demais alunos. Um processo de aprendizagem onde todos participam, a aquisição do conhecimento ocorrerá com mais facilidade. Mantoan; Pietro; Arantes (2006), acredita que recriar um novo modelo educativo com ensino de qualidade, que diga não á exclusão social, implica em condições de trabalho pedagógico e uma rede de saberes que se entrelaçam e caminham no sentido contrário do paradigma tradicional de educação segregadora. É uma reviravolta complexa, mas possível, basta que lutemos por ela, que nos aperfeiçoemos e estejamos abertos a colaborar na busca dos caminhos pedagógicos da inclusão. Pois nem todas as diferenças necessariamente inferiorizam as pessoas. Elas tem diferenças e igualdades, mas entre elas nem tudo deve ser igual, assim como nem tudo deve ser diferente. De acordo com Santos (apud MANTOAN,2003 p.34 ), "é preciso que tenhamos o direito de sermos diferentes quando a igualdade nos descaracteriza e o direito de sermos iguais quando a diferença nos inferioriza." Assim a luta pela escola inclusiva, embora seja contestada e tenha até mesmo assustado a comunidade escolar, exige mudança de hábitos e atitudes, pela sua lógica e ética nos remete a refletir e reconhecer, que trata-se de um posicionamento social, que garante a vida com igualdade, pautada pelo respeito às diferenças. Apesar das iniciativas acanhadas da comunidade escolar e da sociedade geral, é possível adequar a escola para um novo tempo. Precisa estar imbuídos de boa vontade e compromisso, enfrentar com segurança e otimismo este desafio, enxergar a clareza e obviedade ética da proposta inclusiva, e contribuir para o desmantelamento dessa máquina escolar 44 enferrujada. Para Lisita e Souza (2003), das utopias concretas da modernidade, temse hoje apenas a certeza da transitoriedade. O sentido da revolução antes propagado dá lugar a um leque de possibilidades, as quais se abrem num horizonte virtual em constantes mudanças. Que se trata de uma nova realidade mundial não se discute. Indaga-se, no entanto, o que se tem a fazer diante de tal realidade. Nesse sentido, a ciência e a tecnologia têm se constituído nos principais agentes de proposição e de determinação dessas mudanças. A sensação que se tem é a de que amanheceremos a cada dia num novo mundo repleto de novidades e onde o ontem está cada vez e mais rapidamente distante. O cenário do mundo atual evidencia um movimento em direção a um sentido de inclusão social: o sujeito com deficiência passa a dividir a cena com os sujeitos sem deficiência, coabitando os diversos espaços sociais. Nota-se, pois, um grande dinamismo experimentado pelos sujeitos e, em particular, pelos sujeitos com deficiência num mundo onde conceitos e práticas assumem cada vez mais um caráter efêmero e de possibilidades múltiplas. Segundo Ferreira e Glat (2004), são frequentes relatos de professores, principalmente em conselhos de classe, sobre a dificuldade de determinados alunos quanto à efetivação de algumas propostas educacionais. Na maioria das situações o que de fato acontece, não é uma dificuldade do aluno em realizar ou compreender a atividade solicitada, e sim uma inadequação do procedimento, dos objetivos e/ou da avaliação realizada pelo professor. Nesse sentido, é importante o professor analisar algumas questões como: a) de que maneira todos os alunos poderão participar da aula proposta; b) se há necessidade de apoio, adaptações e como fazê-las para sua plena participação; c) que expectativas devem ser esperadas e/ou modificadas para a efetivação da atividade (como os alunos demonstram o que sabem, a quantidade e qualidade das atividades propostas); d) quais são os objetivos prioritários para a aprendizagem. Enfim, é do conhecimento de todos que não há formas sem precedentes, que se bastem ou que se perpetuem diante das realidades, necessidades e demandas dos alunos que compõem as salas de aula que hoje 45 cada professor assume. É importante a busca constante de práticas pautadas no contexto que o aluno vivencia, inovadoras, pois o trabalho é dinâmico, sendo fundamental que cada profissional pense na sua disponibilidade para a construção de práticas efetivas que conduzam a uma educação de qualidade para todos, como descrevem Ferreira e Glat, 2004. Poso (2004), acredita que por um lado os professores julgam-se incapazes de dar conta dessa demanda, despreparados e impotentes frente a essa realidade que é agravada pela falta de material adequado, de apoio administrativo e recursos financeiros. Mantoan (2003), enfatiza que a radicalidade da inclusão vem do fato de esta exigir uma mudança de paradigma educacional, onde na perspectiva inclusiva, suprime-se a sub-divisão dos sistemas escolares em modalidades de ensino especial e regular. As escolas atendem as diferenças, sem discriminar, sem estabelecer prioridades e necessidades, sem estabelecer regras diferenciadas para cada caso no planejamento, avaliação e aprendizado. Assim, pode-se imaginar, o impacto da inclusão nos sistemas de ensino ao supor a abolição completa dos serviços segregados da educação especial, os programas de reforço escolar, salas de aceleração e turmas especiais. Desta forma, a inclusão é uma provocação, cuja intenção é melhorar a qualidade do ensino, atingindo todos os alunos de uma forma globalizada. Incluir é necessário, primordialmente, para melhorar as condições da escola, de modo que nela se possam formar gerações mais preparadas para viver a vida na sua plenitude, livremente, sem preconceitos, sem barreiras. Confirmase assim, mais uma vez, a necessidade de a educação se atualizar e os professores aperfeiçoarem as suas práticas, para que as escolas se obriguem a um esforço de modernização e reestruturação de suas condições atuais. Pretende-se que a escola seja inclusiva, é primordial que seus planos se redefinam para uma educação voltada à cidadania global, plena, livre de preconceitos e disposta a reconhecer e entende as diferenças entre as pessoas, principalmente quanto aos seus aspectos físico, mental e intelectual Não basta uma educação para a cidadania, é preciso educar para a liberdade e, nesse sentido, nenhuma forma de subordinação intelectual pode ser admitida. Os desafios para a concretização dos ideais inclusivos na educação 46 brasileira são inúmeros. Há ainda de se vencer os desafios que impõe o conservadorismo das instituições especializadas e enfrentar as pressões políticas e das pessoas com deficiência, ainda muito habituadas a seus rótulos e a benefícios que acentuam a incapacidade, as limitações, o paternalismo e o protecionismo social. Smeha; Ferreira (2005) descrevem que vários professores afirmam apresentar sentimentos de despreparo para trabalharem junto às crianças com necessidades especiais. Que não tiveram, em sua formação acadêmica, o preparo adequado que os capacite a lidar com a diversidade e isso gera intenso sofrimento, pois ensinar crianças com limitações exige conhecimento, competência e habilidade para que o processo inclusivo seja efetivado. Os professores foram preparados para trabalharem com as crianças que aprendem; assim, quando eles se deparam com as limitações na aprendizagem, sentem frustração, angústia, impotência e medo. Portanto, fazse necessário, uma significativa reformulação nos cursos de graduação que estão formando professores, os quais, certamente, terão alunos com necessidades educativas especiais, em sua trajetória profissional. Aliás, essa reformulação deve abarcar não somente conhecimentos sobre educação de pessoas com deficiência, mas também oportunizar autoconhecimento, para que os professores possam atuar de forma mais confiante, atendendo às demandas educacionais especiais com mais prazer e menos sofrimento. Além da reestruturação nas áreas que envolvem a formação de professores, para que o trabalho docente possa acontecer com menor prejuízo à saúde mental, parece primordial que o investimento transcenda a capacitação relacionada aos conhecimentos técnicos e, permeie o campo da saúde mental no trabalho. O suporte aos aspectos psicológicos dos professores precisam ser contemplados, com grupos de reflexão ou de apoio, um espaço que possa oportunizar-lhes aos mesmos falar sobre seus sentimentos, dificuldades, medos ou fantasias. Seria um momento para problematizar e encontrar ressignificação no exercício docente que, cada vez mais, precisa ser alicerçado no respeito à diversidade humana. É importante também salientar que não é apenas o processo de inclusão o responsável pelo sofrimento docente; muitos são propensos ao stress devido às suas próprias vivências pessoais e às exigências da contemporaneidade, 47 De acordo com Souza; Silva (2009), No tocante ao trabalho docente, novas propostas se fazem necessárias devido às transformações educacionais que estão ocorrendo de forma acelerada, exigindo, assim, novas aprendizagens que possam contribuir para a formação de profissionais capazes de responder aos novos desafios colocados à nossa realidade. Para Bartalotti (2006), nos dias atuais, frente ao processo de inclusão como uma possibilidade, embora ainda não como uma realidade; há um grande caminho a ser percorrido. Pois, se olhar em volta, para cada ser humano que nos rodeia, ver-se-ia o quanto ainda se tem que caminhar, para a construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva. Exclui-se apenas com o olhar, com palavras, quantas vezes, menospreza-se o outro por ele ter um gosto, uma crença religiosa, situação financeira, cor de pele, estatura e peso corporal, diferente por nos aceitos. E sem a menor preocupação decidi-se que esta ou aquela pessoa não serve para estar junto de nós, de nossos filhos, frequentar nosso clube, casa ou templo religioso. Já sentem-se excluídos e rejeitados, em diferentes situações, sentem-se olhados como diferentes, indesejáveis, estranhos, certamente essa não é uma sensação agradável, quem já passou por ela não deseja repetir a experiência. Para que a inclusão ocorra, é necessário que a sociedade passe pelo aprimoramento das relações sociais, pela compreensão de que o verdadeiro pensamento inclusivo é aquele que não categoriza ou rotula as pessoas por ordem de valor, valor esse atribuído muitas vezes através de estereótipos, estigmas, conhecimentos instituídos; pensar inclusivamente é aprender a olhar cada pessoa e buscar nela seu real valor, construído nas relações cotidianas, nos seus sonhos e expectativas e nas suas ações concretas no mundo. Acredita-se, também, que muitas vezes, fala-se que a inclusão é uma utopia; muitos não acreditam que a sociedade seja capaz desse movimento. Inclusão é sim possibilidade, assim como é possibilidade a construção de uma sociedade mais digna para todos, com ou sem deficiência. Para Tessaro (2009), existe todo um discurso pró à inclusão em vários segmentos da sociedade, dentre os quais no ambiente escolar. A inclusão é algo que vem se efetivando, mesmo que a duras penas, buscando superar toda uma história de isolamento, discriminação e preconceito. Tem provocado 48 muitos questionamentos, principalmente no meio acadêmico, tais como: O que é inclusão escolar? Por que incluir? Qual é a opinião dos alunos com deficiência e dos professores sobre inclusão? A escola possui infra-estrutura adequada para participar da inclusão escolar? Os alunos deficientes se sentem bem com a inclusão escolar? Os professores estão capacitados para educação inclusiva? Dutra (2007), destaca que as principais dificuldades no processo de inclusão escolar do aluno especial, é a ausência de preparo e de uma formação mais técnica que visa suprir as necessidades destes alunos mediadas pelo professor e também à falta de boas condições físicas nas escolas pra receber estes alunos. Jesus (2007), enfatiza, que a inclusão dos portadores de necessidades educacionais especiais na escola é algo essencial à educação, mas é preciso ser feita de maneira correta, porque nem todos podem estar na escola, ou estão preparados para nela estar, por não terem capacidade fisiológica. Esse é um assunto muito discutido por alguns especialistas da educação especial, que buscam uma maneira eficiente de incluir todos, as crianças e jovens que possuem alguma necessidade educacional especial. Nesse sentido Mantoan (2006) afirma que a condição primeira para inclusão deixe de ser uma ameaça ao que hoje a escola defende e adota como pratica pedagógica e abandonar tudo que leva a tolerar as pessoas com deficiência na sala de aula. Não pode se ter um ambiente mais propício para tal processo de conscientização, do que a escola. Pois será por meio dessa interação entre crianças, que se construirá uma nação mais justa e igualitária, onde todos juntos aprenderão a conviver e a se respeitarem. Respeito que é sonhado por todos, que se espera construir um novo amanhã, mais digno. O assunto é fundamental, para ser discutido por todas as pessoas envolvidas com a educação, e que busquem uma nação com menos desigualdade social, oportunidades para todos, uma educação que priorize o ser e não ter e uma realidade igualitária. A inclusão é acima de tudo a transformação da pratica pedagógica de todos os profissionais de educação. Os registros de textos, artigos e livros, enfatizam que sobre a aplicabilidade atual de inclusão escolar, são insatisfatórios e que não houve 49 diferenças entre os alunos e entre os professores quanto a essa dimensão. Os professores e os alunos expressaram várias dificuldades envolvidas nesse processo, destacando se a falta de infra-estrutura das escolas, a falta de preparo/capacitação profissional, discriminação social e a falta de aceitação da inclusão. Os professores de educação especial demonstraram dar mais crédito à educação inclusiva do que os do ensino regular. Os alunos deficientes demonstraram dar menos crédito à inclusão do que os não deficientes. Os sentimentos decorrentes da inclusão que predominaram entre professores e os alunos com deficiência foram negativos, enquanto entre os alunos não deficientes prevaleceram os positivos. (TESSARO, 2009). Para Fonseca (2004), promover a educação inclusiva é uma tarefa de uma equipe multidisciplinar, que deve adotar uma estratégia do tipo, pensar em grupo é pensar melhor, pois, só dessa forma, se podem explorar todas as opções potenciais de inclusão e não só as mais coerentes, acessíveis ou tradicionais. Sem uma dinâmica de grupo, não se podem discutir e implementar planos educacionais individualizados na educação inclusiva, transpondo para sala de aula regular programas inovadores, desde a modificação de comportamento, ao enriquecimento lingüístico ou cognitivo. Ensino em equipe, com vários professores que agem e pensam em conjunto, criação de acomodações, inovações na instrução, na avaliação, aprendizagem cooperativa e interativa, criação de projetos de suporte múltiplo, serviços de encaminhamentos, diagnósticos dinâmicos e prescritivos em termos de prática de intervenção na sala de aula regular, aprofundamento ético e legal dos pressupostos morais da inclusão social, construção de instrumentos de investigação-ação, entre outros, são desafios que se colocam hoje, mais do lado do ensino do que da aprendizagem. Para Almeida; Anjos (2007), vários professores destacam tensões que sempre se preservaram em suas percepções e atitudes, sejam referentes às pessoas com necessidades educacionais especiais, sejam relativas a dificuldades em relação a si próprios e aos seus saberes profissionais. No entanto, os profissionais apontam, em suas falas, as possibilidades de transpor tais dificuldades vividas no trabalho com alunos especiais, na rotina de seu dia a dia de trabalho. 50 Laraia (1992 apud ALMEIDA; ANJOS, 2007) acredita que nenhuma ordem social é baseada em verdades inatas, que as mudanças nas práticas pedagógicas com a diversidade dos alunos passam por uma mudança de nossas concepções e valores. Que é preciso uma formação que coloque o profissional da educação em conflito com seus conhecimentos e concepções, a partir da relação entre a teoria e a prática, para então podermos começar a pensar em inclusão. Assim, a partir dos pressupostos da ciência social crítica, sustentada pelo interesse colaborativo, procuramos programar, com os profissionais, encontros de estudo/reflexão das tensões e possibilidades que envolvem o trabalho com alunos com necessidades educacionais especiais, enfatizar ainda, como o lazer e recreação podem ser facilitadores do processo de inclusão escolar. Zimmermann (2008), acredita que para conseguir reformar a instituição escolar, primeiramente se tem que reformar as mentes, entretanto, não conseguirá reformar mentes, sem que se realize uma prévia reforma de instituições. Vive-se uma crise de paradigmas, e toda a crise gera medos, insegurança e incertezas, mas propõe-se que seja este o momento de ousadia e de busca de alternativas que sustente e norteie para realizar-se as mudanças que o momento propõe. Que a escola seja um espaço vivo de formação para todos e um ambiente verdadeiramente inclusivo é preciso que as políticas públicas de educação sejam direcionadas á inclusão, que os educadores desacomodem-se, combatendo a descrença e o pessimismo, mostrando que a inclusão é um momento oportuno para professores e a comunidade escolar demonstrarem sua competência e principalmente suas responsabilidades educacionais. Esta mudança de perspectiva educacional, propõe que os educadores façam a diferença buscando conhecimento, e contribuindo com uma prática ressignificada desenvolvendo uma educação baseada na afetividade e na superação de limites, que as crianças aprendam a respeitar as diferenças em sala de aula, preparando-as assim para o futuro, a vida e o mercado de trabalho, pois vivendo a experiência inclusiva serão adultos bem diferentes de nós , e por certo não farão discriminações sociais. Araújo (2008), relata a opinião dos professores sobre a inclusão escolar, enfatizando com veemência de que a inclusão escolar do aluno portador de 51 necessidades educacionais especiais é um assunto muito interessante e delicado, e levantaram a conscientização desse aluno sobre o direito deste frequentar o ensino regular, no entanto, essa inclusão na visão deles está acontecendo de forma errônea. Pois os professores da rede regular de ensino em sua quase totalidade, não estão preparados para lidar com esta nova fase da educação brasileira. Tem que se pensar que para que a inclusão se concretize, não basta estar garantido na legislação, mas demanda modificações profundas e importantes no sistema de ensino. Essas mudanças deverão levar em conta o contexto sócio econômico, além de serem gradativas, planejadas e contínuas para garantir uma educação de ótima qualidade. (BUENO, 1998 apud PEREIRA, 2009). Pereira (2009), acredita que a inclusão depende de mudança de valores da sociedade e a vivencia de um novo paradigma que não se faz com simples recomendações técnicas, como se fossem receitas de bolo, mas com reflexões dos professores, direções, pais, alunos, equipe multidisciplinar e a comunidade. Essa questão não é tão simples assim, pois, devemos levar em conta as diferenças. Como colocar no mesmo espaço demandas tão diferentes e específicas se muitas vezes nem a escola especial consegue dar conta desse atendimento de forma adequada. Deparar-se com frequência com as resistências dos professores e direções, manifestadas através de questionamentos e queixas ou até mesmo com expectativas de que possa apresentar soluções mágicas, de aplicação imediata causando certa decepção e frustração, pois ela não existe. O problema se agrava quando, se vê o professor totalmente dependente do apoio ou assessoria de profissionais da área da saúde, pois neste caso a questão clínica é fundamental e se sobressai e novamente o pedagógico fica esquecido. Com isso o professor se sente desvalorizado, incapaz e fora do processo por considerar esse aluno como doente concluindo que não pode fazer nada por ele, pois ele precisa de tratamento especializado de profissionais qualificados da área da saúde, desistindo assim de assumir tal tarefa. Desta forma, parece que o professor esquece seu papel, porém não se considera, o momento do professor, sua formação, as condições da própria 52 escola em receber esses alunos, que entram nas escolas e continuam excluídos de todo o processo de ensino-aprendizagem e social, causando frustração e fracassos, dificultando assim a proposta de inclusão. Por um lado os professores julgam-se incapazes de dar conta dessa demanda, despreparados e impotentes frente a essa realidade que é agravada dia-a-dia pela falta de material adequado, de apoio administrativo e recursos financeiros. Limaverde (2009), salienta que, no Brasil está acontecendo um grande movimento pró-inclusão que tem sido fortalecido a partir da sistematização do que se trata o atendimento educacional especializado. Existem realidades muito próximas em relação ao atendimento desses alunos, mas ainda tem muitas compreensões equivocadas sobre a inclusão de alunos com deficiência. Alguns municípios brasileiros pensam que fazem inclusão, mas, na verdade, eles têm feito integração. Percebe-se que alunos que frequentam escolas comuns, salas comuns de ensino, não participam efetivamente das aulas ou das atividades realizadas, e essas escolas alegam que esses alunos não têm condições de fazer as atividades e que, por isso, eles fazem outras atividades diferenciadas. Desta forma, não ocorre a inclusão. Isso é uma integração, porque o aluno está integrado na sala de aula comum, mas ele não participa das atividades realizadas pelos demais colegas. Muitos municípios brasileiros que estão em processo de transição, ou seja, eles estão implantando o atendimento educacional especializado de caráter complementar e, ao mesmo tempo, estão ainda com problemas relacionados à inclusão desses alunos como, por exemplo, a manutenção de classes especiais. A partir da formação de 2007 para cá, os municípios têm se reorganizado para atendimento educacional especializado, mas ainda é uma realidade muito diferenciada. A inclusão só é possível, onde houver respeito à diferença e, consequentemente, a adoção de práticas pedagógicas que permitam às pessoas com deficiência aprender e ser reconhecidos e valorizados os conhecimentos que são capazes de produzir, segundo seu ritmo e na medida de suas possibilidades. (SILVA, 2009) 53 A menos que a atual oportunidade favorável seja aproveitada para melhorar as qualificações profissionais de professores em educação especial e, consequentemente, a qualidade da educação especial, tememos que os próximos 20 anos ainda possam ser um período de esperanças frustradas. (RELATORIO WARNOCK, 1978, parágrafo 19.32) 54 CONCLUSÃO Diante do levantamento bibliográfico, conclui-se que a inclusão nos moldes em que se encontra atualmente, está longe de atender a um ideal. Tal processo necessita de muitas transformações. Os órgãos a ele ligados diretamente ou indiretamente, deverão rever suas propostas, metas, e métodos de implantação. Profissionais da saúde também têm papéis importantes em todo o processo inclusivo, pois em ação conjunta com os educadores podem fazer um trabalho mais completo e eficaz. A inclusão escolar é uma prática que abrange não apenas os profissionais específicos das áreas médica e educacional, mas também envolve um fator preponderante na vida do indivíduo atendido por ela: a família. Esta constitui a base da criança com necessidades educacionais especiais e, assumindo a postura devida, pode oferecer a esta criança o subsídio para seu desenvolvimento escolar, bem como uma fonte de apoio aos profissionais envolvidos. Além de uma nobre causa de cunho educacional, a inclusão constitui ainda uma mudança no comportamento da sociedade como um todo, que passa a ter que zelar por interesses coletivos, outrora ignorados pela maioria. Devido ao período decorrido desde as primeiras iniciativas ligadas ao processo inclusivo, verifica-se que o tempo é um fator indispensável para sua concretização. Esta, provavelmente dar-se-á a partir do momento em que todos os envolvidos assumirem suas devidas responsabilidades e se unirem, por uma educação de qualidade, embasada em um planejamento organizado, bem dirigido, íntegro e, sobretudo, pautado no respeito ao ser humano e à diversidade. 55 REFERÊNCIAS ALMEIDA, M. A.; ANJOS, A. R. Da aversão à diversão formação de professores e concepções sobre a deficiência: implicações de um projeto lazer e recreação. Revista eletrônica olharcritico.com.br. [s.l.], nº 54, jun.2009. Disponível em: < http://www.coopemult.com.br/olharcritico/ver_artigo.asp? > Acesso em 30 maio. 2009. ARAÚJO, O. N. Inclusão escolar do portador de necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino de Goiânia: um levantamento das facilidades e dificuldades do processo de interação na díade professor/aluno na visão do professor. Web Artigos, [s.l.] 23out.2008. 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