O ESTRESSE DO PROFESSOR DO ENSINO FUNDAMENTAL
Maria das Graças S. Q. Bittencourt1
Ediana Maria Noatto Beladelli2
Cristiane Maccari Somacal3
Introdução
A atual vida moderna submete fortemente as pessoas a todo tipo de desgaste
causado pela constante necessidade de adaptação às exigências de segurança,
aprendizagem e manutenção familiar criadas pela sociedade. Estes novos desafios
superam os limites de adaptação dos indivíduos às pressões do meio, levando-os a
desencadear os sintomas do estresse.
Apesar do estresse sempre ter existido, somente na década de noventa foi
compreendido como um novo “mal do século” e considerado pela Organização Mundial
da Saúde como epidemia mundial. Desde então, passou a ser amplamente estudado na
freqüente relação com o desenvolvimento de doenças físicas e emocionais nos seres
humanos.
No universo laboral, o estresse é comprovadamente um dos principais motivos
de licenças médicas e da queda da produção. O desgaste físico e emocional dos
trabalhadores tem sido tema de inúmeras pesquisas nacionais e internacionais. A relação
entre trabalho e estresse é um fato claramente constatado por estudos. As organizações
têm ocupado muito tempo dos indivíduos e, obstante, favorecido a convivência com
diversos estímulos estressores típicos do ambiente de trabalho. Os profissionais têm
vivido sob continua tensão causada por fatores como o medo do desemprego, ritmos de
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Maria das Graças S. Q. Bittencourt - Psicóloga, Mestre em Psicologia do Trabalho e das
Relações Socias, Psicopedagoga, Especialista em Administração Estratégica de Pessoas, docente da
UNIMEO/CTESOP, Assis Chateubriand-PR. E-mail: [email protected].
Ediana Maria Noatto Beladelli - Pedagoga, Especialista em Administração Estrátegica de
Pessoas,
docente
da
UNIMEO/CTESOP,
Assis
Chateubriand-PR.
E-mail:
[email protected].
Cristiane Maccari Somacal - Pedagoga, Mestranda do Programa de Pós-graduação em Educação
da Universidade Federal de Santa Catarina, docente da UNIMEO/CTESOP, Assis Chateubriand-PR. Email: [email protected].
trabalhos acelerados em busca de maior produtividade, exigências excessivas, conflitos
de papéis, sobrecarga de trabalho entre outros.
Entre os trabalhadores mais vulneráveis ao estresse encontra-se o professor.
Percebe-se que a função do professor acarreta um alto nível de desgaste físico e mental,
o que pode prejudicar a qualidade de vida desses. A doação sacerdotal com baixa
remuneração, a falta de controle sobre a produção e o resultado do seu trabalho, aliadas
a perda do status profissional, tornam-se os principais estressores do professor.
No ensino fundamental, as pesquisas apontam para esses e outros fatores do
estresse específicos desta fase de ensino. Entre as causas do estresse mais relatadas por
estes professores aparecem a falta de apoio dos pais e a dificuldade em se adaptar as
novas exigências o ensino.
O objetivo deste artigo é apresentar uma discussão sobre o estresse do professor
do ensino fundamental, buscando refletir sobre o conceito de estresse nos professores e
apresentar algumas das estratégias que podem auxiliar no enfretamento do mesmo.
Desenvolvimento Histórico da Função de Professor
A função docente se origina no século XVIII na Europa, com a necessidade do
clero em contar com parceiros para atender a expansão educacional que sozinhos já não
conseguiam. Os colaboradores leigos convocados para exercerem a função de ensinar
deveriam jurar fidelidade aos princípios da Igreja. Etimologicamente o termo professor
significa “[...] o que professa a fé e fidelidade aos princípios da instituição e se doa
sacerdotalmente aos alunos, com parca remuneração aqui, mas farta na eternidade [...]”
(KREUTZ, 1986, p. 13). Até o início do século XIX, ainda não havia uma organização
escolar específica; o ensino era exercido em diferentes locais e os professores, na
maioria das vezes, eram contratados particularmente pelos pais. O planejamento das
aulas era elaborado livremente pelo professor o qual possuía total controle sobre a
produção e o resultado do seu trabalho.
Segundo Hypólito (1997) a forma de organização do trabalho escolar do século
XIX, proporcionava ao professor uma estreita relação entre família, alunos e a
sociedade em geral, garantindo aos educadores status social e legitimidade profissional.
Entretanto, esta maneira sacerdotal de ensino, desagradava os professores que a
entendiam como uma postura não-profissional, levando-os a mobilizarem-se pela
profissionalização, buscando posturas técnico-profissionais e restringindo as atividades
próximas do ensino vocacional como o desprendimento material, a freqüente
disponibilidade de horário e até mesmo a ausência de um local específico para o
exercício da função.
Na medida em que a nova situação de trabalho vai se configurando, vai
distanciando o controle das comunidades sobre a conduta do professor. Essas
transformações ocorrem paralelamente a Revolução Industrial, no momento em que o
Estado passa então a consolidar a elaboração de um sistema educacional, comparado a
uma organização fabril onde ao adquirir o controle sobre o trabalho do professor,
transforma-o em funcionário público assalariado, implantando o grupo escolar e as
primeiras funções burocráticas.
No Brasil o ensino público teve início no século XIX por motivos semelhantes
aos europeus, ou seja, a necessidade de “[...] uma profissão docente capaz de atender as
demandas surgidas no final do século [...]” (HYPÓLITO, 1997, p. 27). Segundo o
referido autor, outros aspectos europeus também fizeram parte da história educacional
brasileira, como o surgimento das escolas controladas pelo Estado em oposição ao
processo artesanal do ensino. Com o trabalho pedagógico dividido e parcelado da escola
burguesa profissional, o professor não consegue evitar o processo de alienação na qual,
separado do produto do seu trabalho, de seus colegas e de si mesmo perde sua
identidade. Segundo Esteve (1989 apud OLIVEIRA, 2003) a transformação do papel do
professor e a deteriorização da imagem do professor são uns dos principais
desencadeantes do estresse no professorado.
Stress e Estresse Ocupacional e Burnout: Definições Básicas
Antes de Selye em 1936 introduzir a palavra stress na área da saúde, ela era um
termo técnico utilizado pela engenharia referindo-se a quantidade de carga suportada
por um material até seu ponto de ruptura. Foi também Selye o responsável pela
utilização do stress nas ciências biológicas, ao conceituar um conjunto de reações
desenvolvidas pelo organismo quando submetido a uma situação que exige esforço para
adaptação. Na década de 1950, os estudos do “stress” atraem os pesquisadores cada vez
mais. As pesquisas, embora restritas ao campo fisiológico e laboratorial, verificaram
que o stress pode ser oriundo de diversas situações reais ou imaginárias. A partir da
década de 1970, começa a ser enfatizado os efeitos dos aspectos psicológicos e a sua
interação com fenômenos biológicos na gênese de distúrbios psicossomáticos.
Atualmente o stress está amplamente popularizado e por isso é frequentemente,
utilizado como sinônimo de cansaço, ansiedade, tensão nervosa entre outros. A falta de
conhecimentos científicos, além do uso inadequado do vocábulo, favorece aos
indivíduos o desenvolvimento de algumas crenças a respeito do assunto como, por
exemplo, considerar o stress um problema exclusivamente emocional e por isso não
necessita de tratamento, ou ainda que se trata de uma doença típica de adultos. Os
estudos têm demonstrado que o stress acarreta sérias conseqüências físicas e biológicas
independente de raça, idade ou classe social e, se não for tratado adequadamente, pode
levar à morte.
Lipp (2003) compreende o stress como um estado de tensão que causa ruptura
no equilíbrio interno do organismo originando-se de causas externas e internas. A autora
classifica como estressores externos os fatos que independem do universo interno do
indivíduo, ou seja, as mudanças de emprego ou residência, acidentes ou mortes. Os
estressores internos se constituem naqueles determinados pelas crenças pessoais dos
sujeitos aliados as suas neuroses e temperamentos. Pesquisas recentes têm revelado que
fatores ligados à ergometria e ao ambiente de trabalho constituem-se fortes agentes
desencadeadores de stress, cujas conseqüências vão além dos sintomas físicos e
mentais, influenciando diretamente na qualidade de vida do homem.
Vieira, Guimarães e Martins (1999) consideram tarefa complexa avaliar o
estresse no ambiente de trabalho, por se tratar de um fenômeno intricando exigindo
maior conhecimento da sua relação com o universo laboral. Buscando um maior
entendimento da complexidade do assunto, parte-se da gênese mais antiga do trabalho,
onde era relacionado ao sofrimento e a dor. Biblicamente, trabalhar é considerado um
castigo instituído por Deus ao pecado de Adão e Eva. A própria origem medieval do
termo tripalium vem do latim referindo-se a um instrumento utilizado pelos romanos
para punição dos indivíduos condenados ao trabalho forçado.
Na atual sociedade capitalista, o trabalho adquiriu outros significados, tornandose importante meio do indivíduo obter identidade pessoal e auto-afirmação. As
organizações tornaram-se o local onde as pessoas passam a maior parte do seu tempo e,
geralmente convivendo com inúmeras situações estressantes que vão desde baixa
remuneração e a desqualificação profissional, até exigências exageradas e o acúmulo de
funções.
Limongi-França e Rodrigues (1999) revelam que o stress representa uma das
principais origens de incapacitação para o trabalho uma vez que o estresse ocupacional
tem acometido física e emocionalmente o trabalhador quando, a interação de suas
características pessoais com as condições de trabalho, somadas as exigências que lhe
são projetadas, vão além de sua capacidade em lidar com elas. Tal situação pode levar a
uma cronificação do stress conhecida na literatura mundial como Burnout.
De acordo com os autores, o conceito de Burnout desenvolvido por Maslach e
Freudenberger nos anos 1970, constitui-se numa importante evolução do stress
profissional. O burnout atinge principalmente profissionais cujas ocupações exigem
uma intensa relação interpessoal. Ou ainda, “[...] profissionais que apresentam grandes
expectativas em relação a seus desenvolvimentos profissionais e dedicação à profissão;
no entanto, em função de diferentes obstáculos, não alcançaram o retorno esperado [...]”
(LIMONGI-FRANÇA; RODRIGUES, 1999, p. 48).
Reinhold (1996), ao realizar uma pesquisa sobre o stress ocupacional do
professor, concluiu, em uma amostra de 72 professores da rede estadual de ensino, que
somente 4% não consideram sua profissão estressante. Neste sentindo a autora
compreende a profissão de professor como uma das mais sensíveis ao estresse e ao
Burnout.
O estresse do professor
O estresse é um estado de tensão causador de uma quebra no equilíbrio interno
do organismo. Segundo Kyriacou e Sutcliffe (1978) e Moracco e McFaden (1982), o
estresse do professor não ocorre de repente; é um processo gradativo que inicia com
alguns sinais de alerta e, por não ser imediatamente percebidos, conduzem os
professores a estágios mais elevados dos sintomas, transformando-se em uma síndrome
de sentimentos negativos tais como cólera, ansiedade ou depressão, que vem
acompanhados de mudanças fisiológicas e bioquímicas bem como à percepção
distorcida frente as exigências emocionais tornando-as uma ameaça à sua auto-estima
ou sensação de bem-estar. O estresse do professor é classificado entre fatores primários
e fatores secundários. O primeiro se refere aos fatores que recaem de maneira direta
sobre a ação do professor em sala de aula. O segundo grupo de fatores, de ação mais
indireta, está relacionado às condições ambientais em que a docência é exercida.
Reinhold (1996) elaborou junto à avaliação do estresse ocupacional do
professor, um levantamento das 20 fontes de sintomas mais freqüentes para estes
profissionais. Entre os itens pesquisados, o número excessivo de alunos em classe,
aparece como a principal fonte de estresse. Nesta relação com alunos, a indisciplina e o
desinteresse dos educandos são citados pelos professores como uma segunda fonte
relevante de estresse. A autora supõe uma relação deste fato com a falta de habilidade
técnica do professor em lidar e manter a disciplina em sala de aula.
As observações de Lima (1998, p. 35) em entrevista com quatro mil professores
do Estado do Paraná verificaram uma relação do estresse com “a sensação de que seu
trabalho não é recompensador”; “à falta de alternativa de trabalho no interior”; “à
frustação quanto ao rendimento da turma”; “à indisciplina”; “ao desrespeito”; e
“desvalorização do trabalho do professor pela sociedade”.
Na pesquisa realizada por Oliveira (2003) sobre o estresse ocupacional do
professor em uma amostra da rede particular de educação, foi encontrado 71,4% dos
professores apresentando algum nível de stress. Ao verificar as principais fontes de
estresse, houve uma semelhança com os estudos de Reinhold (1996) em relação às
questões ligadas aos alunos como maior fator estressante da profissão; entre os demais
motivos assinalados pelos professores encontram-se as classes cheias, a indisciplina e o
desinteresse dos educandos pelas matérias. Entretanto, a mesma pesquisa apontou para
as causas pelas quais os professores gostam da atividade de ensino. As razões
apresentadas se referem à docência como oportunidade de exercer a criatividade, de
enfrentar novos desafios e adquirir experiências preciosas, tornando-os “[...] menos
vulnerável ao stress e isto repercutirá em todos os aspectos da vida desse ser humano
[...]” (OLIVEIRA, 2003, p. 64).
Esteve (1999) relata que na atual conjuntura, os professores vêm enfrentando
uma nova fonte de tensão, que seria a tentativa de uma definição de seus papéis e de
seus valores. O autor atribui a gravidade da situação ao fato de que o educador encontra,
constantemente, com uma cobrança intensa da sociedade para que a escola cumpra
funções que, até pouco tempo, eram de competência de outras instituições sociais como
as familiares. Tais exigências recaem sobre o professor que, com muita freqüência se
encontram exercendo papéis para os quais não foram devidamente preparados, ou ainda,
contraditórios. Um exemplo clássico citado por Esteve (1999) ocorre quando se exige
do professor uma atitude amiga compreensiva e companheira de seus educandos e, ao
mesmo tempo, frente a uma necessidade de avaliação, solicita-lhe que abandone estes
papéis e assuma uma postura de imparcialidade. Ou então, pede-se que o professor
trabalhe sobre o desenvolvimento individual de cada aluno, mas simultaneamente exigese que ele proporcione a integração social, adequando cada sujeito às normas grupais.
As pesquisas realizadas sobre o estresse do professor no Brasil por Lipp (2003),
Malagris (2003), Reinhold (1996), Sobrinho (2002) e Meira (2003) apontam fontes
estressantes gerais e também específicas para cada série de atividade de ensino. De
maneira global, encontram-se como fatores estressantes os relacionados com as
exigências excessivas, sobrecarga de trabalho, sobrecarga de papéis, falta de
reconhecimento, falta de interação social no trabalho, elevadas expectativas superiores,
excesso de burocracia e tédio decorrente de tarefas repetitivas. Segundo Meira (2003) o
estresse dos professores nas séries iniciais é caracterizado, principalmente, pelas
dificuldades enfrentadas com a falta de apoio dos pais. Diante deste quadro, pretende-se
com este artigo, examinar mais detalhadamente o presente tema.
O estresse do professor e a relação com o ensino fundamental
Tricoli (2002) refere-se ao crescente aumento do estresse do professor do ensino
fundamental como decorrente das mudanças sociais, pessoais e econômicas em sua
situação. Um exemplo deste fato é a perda do status social experimentado nos últimos
tempos pelos professores da referida fase de ensino. Como forma de conseguir manter
um padrão de vida pessoal e profissional, o professor tem ampliado sua carga horária
cada vez mais e, conseqüentemente, ficando mais vulnerável ao estresse. A condição
adversa de trabalho também é um dos principais estressantes do ensino fundamental.
Ao relacionar o estresse do professor do ensino fundamental com a ergonomia,
Sobrinho (2002) cita o desing imobiliário, a iluminação e a temperatura das salas de
aula, o isolamento e o nível de ruído como prejudiciais à saúde e a qualidade de vida no
trabalho do professor. Neste sentido Leather, Beale e Sullivan (2003) realizaram uma
pesquisa enfatizando a relação do ruído com o estresse psicossocial no local de trabalho.
Os resultados, apontaram que níveis mais baixos de barulho no ambiente diminuem o
impacto negativo do estresse psicossocial do trabalho.
Meira (2003) entrevistou dez professores alfabetizadores sobre qual a maior
dificuldade enfrentada por eles. As respostas foram as seguintes: falta de apoio dos pais;
o próprio processo de alfabetização, ou seja, dificuldade de se apropriar da metodologia
de alfabetização; crianças altamente desinteressadas para aprender (desmotivadas); falta
de apoio técnico específico diante de crianças com dificuldades de aprendizagem;
classes numerosas; regime de progressão continuada.
A autora aplicou ainda o Inventário de Sintomas de Stress para adultos em 23
professores de 1 a 4 séries, verificando que apenas sete deles não apresentavam
sintomas de estresse. Nove estavam na fase resistência, seis na fase de quase exaustão e
um na fase de exaustão. Estes dados levam a supor que os sintomas de estresse
apresentados pelos professores do ensino fundamental podem estar interferindo no
equilíbrio do processo de alfabetização.
Meleiro (2003) considera o ensino fundamental como a etapa de maiores
dificuldades para os professores. Entre as queixas mais freqüentes, a autora relaciona
algumas que, claramente, se constituem fonte estresse, como: a temperatura elevada das
salas de aulas durante o verão, barulho intenso por causa das aulas de educação física,
ensaios de quadrilhas e demais atividades extraclasse e também a necessidade de
observar os alunos durante o intervalo. A dificuldade de disponibilidade de horários faz
com que o intervalo torne-se um momento utilizado para conversar com os pais, tirar
dúvidas sobre as matérias com os alunos e gerenciar os conflitos pessoais dos
educandos. Um dado importante é apontado pela autora como um novo fator estressante
nas escolas: as drogas. Além da dependência química dos alunos que, chegam à sala de
aula sob efeito da droga, o professor tem que conviver com as freqüentes ameaças dos
traficantes por segundo eles atrapalham seus “trabalhos”.
Fazer o papel materno ou de conselheira é situação estressante para as
professoras que geralmente são procuradas pelas adolescentes para confidenciar sobre
seus conflitos familiares, amorosos e sexuais. Além disso, há algum tempo os
professores do ensino fundamental passaram a ter que dar aulas de orientação sobre
assuntos polêmicos e, para os quais não foram devidamente preparados, como
sexualidade, HIV e as drogas.
O sacrifício dos horários de descanso e lazer para corrigir provas e trabalhos tem
se tornado comum entre os professores do ensino fundamental. Uma das causas desse
problema é o empenho do Ministério da Educação e Cultura na redução do
analfabetismo, exigindo cumprimento de metas e, principalmente, não reprovação dos
alunos levando os professores a elaborarem estratégias extras demandando maior
esforço e empenho. O resultado – ensino fraco – recai sobre os professores e é mais um
fator estressante.
Estratégias do enfrentamento do estresse
Uma importante maneira de prevenir ou evitar o agravamento do estresse é,
primeiramente, tomar conhecimento dos sinais iniciais desta patologia.
Segundo Lipp (2003) o estresse é uma reação global do organismo que pode
desencadear o aparecimento de sintomas físicos, psicológicos, mentais e hormonais.
Entre os principais sintomas físicos relacionados pela a autora, encontra-se o ranger de
dentes ou bruxismo, tensão muscular, gastrite e úlcera, constipação, gases e
hemorróidas. Os efeitos do estresse no funcionamento mental são evidenciados pelo
cansaço, a dificuldade de concentração, ansiedade, depressão, perda da memória,
tontura e desinteresse sexual. As mudanças hormonais são caracterizadas por um mau
humor quase espontâneo seguido de pensamentos negativos e irritabilidade.
Após conhecer os sintomas do estresse, Lipp (2003) afirma ser necessário saber
como ele pode ser gerado para somente então ser combatido. A autora cita fatores
externos e internos como razões para o aparecimento do estresse. Os fatores que
ocorrem fora do indivíduo – fatores externos – são os acidentes, os problemas
financeiros, doenças, perdas, tipo de atividade ocupacional e a sobrecarga de trabalho.
Os fatores internos, denominados de “fábrica interna de stress” são os seguintes: valores
antigos que não se adaptam a realidade atual; expectativas impossíveis de serem
preenchidas; negativismo, pessimismo, mau humor; não saber dizer “não” às demandas
dos outros; ansiedade; depressão; competição constante; pressa como um modo de
viver; inabilidade de perdoar e esquecer o passado; perfeccionismo; pensamentos
obsessivos; insegurança; raiva; egoísmo; pensamentos rígidos e estereotipados.
Com o conhecimento do que é estresse e os principais fatores estressantes, devese partir para a eliminação dos mesmos. Lipp (2003) sugere paciência, tolerância e
menos perfeccionismo como principais estratégias do processo de eliminação do
estresse.
Como o estresse normalmente é causado por diversos fatores de efeito
cumulativo, torna-se difícil eliminar a fonte principal. Entretanto, quando se consegue
eliminar outras fontes menos importantes, já ocasiona um alívio para o indivíduo.
Para os professores, Lipp (2003) organizou algumas estratégias de enfretamento
ou coping. Além de tudo que já foi tratado até o momento, a autora acrescenta mais
alguns passos do manejo do estresse:
a) Estratégias de enfrentamento duradouro: aprender a reconhecer seus limites;
aprender a respeitar seus limites; tomar uma atitude ativa diante da vida; usar
estratégias de enfrentamento de stress, concentrando-se nas buscas de
soluções e não nas emoções geradas pelos estressores; usar técnicas de
resolução de problemas; assumir a responsabilidade pela sua vida; aprender a
dizer “não”; utilizar o apoio de colegas no ambiente de trabalho; lembrar que
nada ruim dura para sempre;
b) Estratégias de enfrentamento para atenuar os sintomas: rir, brincar, fantasiar,
usar o senso de humor; tirar férias mentais; usar técnicas de relaxamento;
utilizar alimentos anti-stress (verduras, legumes, frutas); praticar alguma
atividade física.
Considerações Finais
Percebe-se, pelo número anual de publicações, que os estudos referentes ao
estresse e especialmente, o estresse ocupacional, vêm adquirindo significativas
proporções nas últimas décadas. No entanto, as pesquisas na área da educação sempre
estiveram focadas nas condições de aprendizagem dos alunos e pouco se investe em
estudos no profissional responsável por ela.
O estresse possui uma estreita relação com a maneira pela qual a sociedade se
organiza. Diversos são os fatores externos e internos que contribuem para que o
presente século torne-se conhecido como a era do estresse. A violência, os avanço
tecnológicos, as mudanças de valores, insegurança, desorganização familiar e o alto
índice de competitividade, contribuem para o elevado nível de stress populacional.
A revisão bibliográfica aponta para o estresse ocupacional como uma reação
inerente da atual sociedade capitalista. Os trabalhadores estão entre os indivíduos mais
acometidos pelo estresse. Entre as diversas profissões vulneráveis ao estresse, destacase o profissional docente que comprovadamente está entre as mais atingidas pelo
estresse devido a importância do papel social que exerce.
A pesquisa apontou que ser professor hoje em dia tem significado desempenhar
inúmeras funções simultaneamente. É preciso ser educador, conselheiro, pai e mãe dos
alunos. Um esforço cada vez maior é exigido para cumprir com todas as solicitações do
processo educacional. Tais exigências, com muita freqüência, excedem a capacidade de
adaptação destes profissionais, levando-os a níveis cada vez maiores de estresse
podendo até mesmo chegar a cronificação dos sintomas ou Burnout.
Conclui-se com esta pesquisa que existe a necessidade de haver um número
maior de trabalhos que este tema, aprofundando em aspectos que dizem respeito à
prevenção e/ou tratamento bem como o enfrentamento do estresse nos professores. As
universidades em geral, devem procurar inserir em seus currículos uma disciplina que
discuta o assunto e ensine todos os futuros profissionais a lidarem com o estresse já que
este é uma realidade na profissão docente.
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