Os Registros de Representação de Triângulos em Livros Didáticos de Matemática dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Amanda Barbosa da Silva1 GD1 – Educação Matemática nos anos Iniciais do Ensino Fundamental Resumo: O presente artigo é resultado de um estudo de mestrado, o texto apresenta, em síntese, a análise de 22 coleções de livros didáticos de matemática destinados aos anos iniciais do ensino fundamental. Os livros analisados fazem parte do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) de 2013. Para subsidiar a análise das representações de triângulo foram estabelecidos os seguintes critérios: comprimento dos lados, medida dos ângulos e a posição dos lados na página. Além disso, foram identificadas as atividades de conversão de registros envolvendo triângulos representados em registro figural e no registro em língua natural. Para o estudo das representações e da conversão de registros recorremos a Teoria das Representações Semióticas de Raymond Duval. Os resultados indicam que há poucas atividades de conversão de registros com triângulos e com base nos critérios estabelecidos, há pouca variedade de representações de triângulos, tendo o livro didático como um elemento condicionante à prática de ensino do professor, a falta de variabilidade de representações de triângulo, pode levar a uma compreensão monoregistro, ou seja, a dificuldade de reconhecer o objeto matemático quando em diferentes registros de representação. Palavras-chave: Triângulo. Livro didático. Anos iniciais. Raymond Duval. As representações de triângulo e o livro didático O triângulo é uma das figuras geométricas planas mais importantes na matemática e está presente no ensino escolar desde os anos iniciais. Sua aparente simplicidade esconde uma surpreendente riqueza de propriedades geométricas e de aplicações práticas, estabelecidas ao longo da evolução desse saber. E mais, as questões epistemológicas e cognitivas relativas 1 Professora Substituta da Universidade Federal de Pernambuco, e-mail: [email protected], orientador: Drº Paulo Figueiredo Lima. ao conhecimento das figuras geométricas se fazem inteiramente presentes quando se trata do triângulo. Convém notar, ainda, que muitas das dificuldades de ensino e aprendizagem no campo da geometria já surgem no caso dessa figura geométrica tão básica. O triângulo é tema de todos os livros para o ensino fundamental, além disso, o livro didático ainda é o principal recurso nas escolas, sendo também um forte condicionante da prática do professor. Com o estudo exploratório realizado em uma coleção de livro didático dos anos iniciais e aprovada no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) de 2013, revelou-nos que os triângulos são representados, muito frequentemente, por desenhos (ou por outras imagens gráficas) de triângulos equiláteros ou de triângulos isósceles2 e, com muito menor frequência, por desenhos de triângulos escalenos. Quanto à disposição da representação gráfica de triângulos, predominam os casos em que um dos lados do triângulo é paralelo à margem inferior da página do livro (indicada por um retângulo na Figura 1, abaixo) e o terceiro vértice situa-se acima desse lado, no texto, a posição abaixo é chamada de posição horizontal. Esta coleção está inserida na pesquisa sendo denominada de Coleção de Livro Didático um (CLD1). Figura 1- Triângulo paralelo à margem inferior da página Fonte: Elaborado pela autora Apesar de todos os avanços em recursos tecnológicos, podemos afirmar que o livro didático não perdeu espaço na escola. O livro didático é um recurso disponível nas escolas e ainda é utilizado como referência de conteúdos para o professor. Por isso, disponibilizar um texto de qualidade que ajude no desafio de ensino e aprendizagem da Matemática tem sido o objetivo 2 Usualmente, no ensino fundamental, escolhe-se chamar de triângulos isósceles os que são isósceles, mas não equiláteros. Embora essa não seja a opção que prevalece na matemática mais avançada, adotamos, neste trabalho, a denominação usual. principal do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). As coleções do PNLD de 2013 são voltadas para os anos iniciais do ensino fundamental e estão organizadas em dois grupos: as coleções para a alfabetização matemática, que são para os 1º, 2º e 3º anos e, em seguida, as coleções para os 4º e 5º anos. Diante da necessidade de trabalhar conceitos no decorrer de toda a escolarização, o livro didático é um recurso muito importante para o ensino e a aprendizagem desses conceitos, por isso destacamos em Carvalho e Lima (2010, p. 19) que “[...] no processo de aprendizagem, e no livro didático em particular, é preciso enfrentar a difícil tarefa de garantir, ao mesmo tempo, que os conceitos focalizados estejam corretos e sejam trabalhados com uma didática adequada”. Segundo Duval (2011, p. 18), “diferentemente do objeto, suas representações mudam ao mesmo tempo segundo os pontos de vista considerados e os sistemas utilizados para produzir uma representação.” Ainda segundo o autor, O objeto aparece como o invariante do conjunto de variações possíveis de suas representações. Assim, em geometria, o triângulo não é nenhuma das figuras particulares por meio das quais o representamos [...]. (DUVAL, 2011, p. 18). Percebemos então que a própria definição de triângulo em língua natural, constitui uma de suas possíveis representações em um registro, a língua natural. A apreensão do conceito de triângulo (a apreensão conceitual do objeto triângulo), com base na Teoria das Representações Semióticas, é inseparável de sua representação, pois de acordo com Duval, apreensão conceitual de um objeto matemático é inseparável da apreensão ou a produção de uma representação semiótica. Mesmo com esta relação estreita entre representação e conceitualização, é essencial para aprendizagem que o indivíduo seja capaz de separar o objeto, que é invariante, de suas possíveis representações. Como temos acesso ao objeto triângulo, as suas representações é que nos auxiliam no processo de apreensão conceitual. A Teoria das Representações Semióticas A evolução do conhecimento matemático, historicamente, acompanha o desenvolvimento das representações, símbolos e linguagem matemática. Portanto, não podemos limitar as representações a simples função de comunicação. As representações, sejam elas discursivas (textos) ou não discursivas (gráficos, tabelas, símbolos), participam também da atividade cognitiva. Segundo Duval (2012a, p.270, grifo do autor) “se é chamada “semiose” a apreensão ou a produção de uma representação semiótica, e “noesis” a apreensão conceitual de um objeto, é preciso afirmar que a noesis é inseparável da semiose.” Com base na Teoria dos Registros de Representação Semiótica, há dois tipos de transformações de registros de representação: o tratamento e a conversão. O tratamento é quando a transformação permanece no mesmo sistema, já a conversão ocorre quando há mudança de sistema, porém conserva-se a referência aos mesmos objetos. A conversão é a transformação de um registro em outro. Por exemplo, quando, no discurso, usamos a palavra ‘triângulo’ e a associamos a um determinado desenho (de triângulo) estabelecemos uma conversão do registro da linguagem natural para o registro figural. No sentido oposto, quando temos um desenho e atribuímos a ele o termo ‘triângulo’ estamos convertendo o registro figural no registro da língua natural. O pesquisador francês adverte que, no caso citado anteriormente, não se trata de uma operação simples e localizada, redutível a uma mera associação ou codificação entre dois registros (Ver Duval, 2003, p. 16 e 17). Como se trata de conversões entre registros, toda a complexidade dessa operação poderia ser explorada, o que, segundo Duval, não tem sido feito no ensino usual. No presente trabalho, limitamo-nos a constatar situações em que se verifica a existência dos dois registros – língua natural e registro figural – atribuindo-lhe o estatuto de conversão. Nos anos iniciais os alunos estão vivenciando uma fase crucial para o desenvolvimento cognitivo e para aprendizagem em matemática que é a alfabetização matemática, nessa fase o acesso à diversidade de registros e a mobilização deles é condição indispensável para a aprendizagem em matemática, é com as atividades de conversão que os alunos podem transitar entre os diferentes registros identificando o mesmo objeto matemático em diferentes representações. A análise das representações Nos livros didáticos, a predominância ou quase totalidade de representações como a figura 1 acima, pode influenciar negativamente o reconhecimento das representações de triângulos nos anos iniciais, pois com base na teoria das representações semióticas podemos afirmar que a diversidade de representações é essencial para a aprendizagem matemática. Além disso, investigações sobre o ensino e a aprendizagem da Matemática, Bueno (2009), Brito e Pirola (2005), Pirola (1995), tem indicado que os alunos revelam dificuldade de identificar um triângulo quando sua imagem gráfica não se inclui em nenhum dos padrões dominantes aqui referidos. Esses fatos nos motivaram a investigar se tais padrões dominantes ocorrem nos livros utilizados no ensino fundamental. Todas as representações com foco em triângulos foram analisadas, com exceção apenas dos seguintes casos: as representações de triângulos em obras de artes, pois são situações que nem sempre o desenho apresentado é um triângulo de fato. Pelo mesmo motivo, também não serão consideradas as representações referentes a objetos físicos, como símbolos de trânsito e símbolos de reciclagem. As representações que relacionam triângulos com imagens que evolvem perspectiva ou figuras espaciais não serão analisadas porque exigem uma ampla discussão sobre perspectiva e figuras tridimensionais, o que não é o foco da presente pesquisa, também não foram analisadas as malhas triangulares pela imprecisão de contagem de triângulos que a malha permite. Foram analisadas separadamente, as representações de triângulos nomeadas com o intuito de verificar a variedade de representações de triângulo, quando são nomeadas, geralmente, as representações de triângulos estão nos capítulos destinados ao estudo da Geometria, nos quais se estudam as formas geométricas. Para o estudo das representações de triângulos foram estabelecidos critérios. A escolha dos critérios foi motivada pela caracterização da representação de triângulo presente em pesquisas anteriores, elas indicaram que os alunos têm dificuldade em identificar determinadas representações de triângulos, por isso à análise dos triângulos é voltada para analisar se tais representações são as que mais aparecem nas coleções. Já o levantamento das atividades de conversão pode indicar como são propostas as conversões relacionadas ao registro figural dos triângulos e ao registro em língua natural nos anos inicias. Para referenciar as coleções foi usada a legenda CLD (Coleção de Livro didático) seguida de um número, as 22 coleções analisadas foram aprovadas no PNLD de 2013 para os cinco anos iniciais do ensino fundamental. Os critérios foram os seguintes: • Comprimento dos lados: triângulos equiláteros, isósceles, escalenos. • Medida dos ângulos: triângulos acutângulos, retângulos, obtusângulos. • Posição das representações gráficas dos triângulos na página. • Mapeamento exploratório de atividades em que se propõem aos alunos conversões entre os registros da língua natural e o registro figural Para medição dos lados e ângulos foram utilizados régua e transferidor, considerando a margem de erro de milímetro. É importante destacar que em várias representações no próprio livro didático encontramos as classificações referentes a lados e ângulos no livro do professor, portanto, nestes casos foi dispensado o uso dos instrumentos de medição. Com base na Teoria dos Registros de Representação Semiótica, a conversão de registros não deve ser feita apenas em um dos sentidos, sendo necessário apresentá-la nos dois sentidos da conversão. Sabemos que ao mudar o sentido da conversão, ou seja, o registro de partida e o registro de chegada, trata-se de outra atividade de conversão. As figuras 2 e 3 abaixo exemplificam a conversão de registros nos dois sentidos investigados na pesquisa. Figura 2 - Atividade de conversão do registro figural para o registro em língua materna Fonte: CLD1, vol. 4, p. 185 Figura 3 - Conversão de língua natural para registro figural Fonte: CLD1, vol. 2, p. 179 Manual do professor Ao analisar os manuais dos livros didáticos selecionados, nosso objetivo foi de verificar em que medida a questão da variabilidade da representação de triângulos estava presente nas orientações dirigidas ao professor. O resultado dessa investigação exploratória mostrou-nos que a mencionada questão está muito pouco presente nos manuais e, quando surge, é tratada muito superficialmente, apenas o manual das coleções CLD3, CLD9, CLD16 apresentam alguma referência a variabilidade das representações de triângulos. É importante salientar que essas orientações não estão presentes em todos os cinco volumes das coleções CLD3, CLD4, CLD9 e CLD16, portanto são comentários que estão isolados em alguns manuais da coleção. Esse fato nos mostra que não há uma continuidade na proposta de apresentar diferentes representações de triângulos ao longo dos cinco anos, desse modo, o professor recebe orientações fragmentadas e que não acompanham o processo de formação do aluno ao longo dos cinco anos. Resultados da análise A análise dos resultados confirma nossas hipóteses e que os critérios estabelecidos foram adequados. De fato, nas coleções, quase todas as representações são de triângulos equiláteros ou isósceles, sendo reduzido o número das imagens gráficas dos triângulos escalenos. Apenas em três coleções CLD3, CLD13 e CLD15, esse padrão não é seguido, em especial na primeira delas. Observamos que, em dezenove coleções (86, 4%), a maioria das representações foi de triângulos isósceles e três coleções (13,6%) apresentaram como maioria as representações de triângulos equiláteros. Quando investigamos as representações nomeadas de triângulo (quando o registro em língua materna e o registro figural estão associados), a quantidade de representações de triângulos escalenos aumenta em relação às demais; no entanto, ainda representa apenas oito coleções das vinte e duas. Constatamos, ainda, que em catorze coleções (63,6%) predominam representações de triângulos acutângulos, enquanto em oito coleções (36,4%) a maioria recai em representações de triângulos retângulos. As ocorrências de representações de triângulos obtusângulos, em face das representações dos acutângulos e dos retângulos, é ainda menor quando consideramos as representações nomeadas. Podemos concluir, em resumo, que 63% das coleções analisadas, mais de metade das representações gráficas de triângulos estão na “posição horizontal” ( ver figura 1); em 27% das obras, o percentual correspondente a essa disposição na página é acima de 40%; em duas coleções, este último percentual cai para cerca de 37%. A posição horizontal das representações na página, também predomina nas representações de triângulos nomeados. Em relação à conversão de registros, verificamos que em oito coleções (36,4%) a maioria das conversões foram do registro figural para o registro em língua natural, enquanto doze coleções (54,5%) tiveram como maioria as conversões no sentido: registro em língua natural para o registro figural e, em duas coleções (9,1%) o número de conversões nos dois sentidos foi igual. É importante salientar que uma única coleção apresentou conversões apenas em um sentido, da língua materna para o registro figural. Com base na Teoria dos Registros de Representação Semiótica, a conversão de registros não deve ser feita apenas em um dos sentidos, sendo necessário apresentá-la nos dois sentidos da conversão. Sabemos que ao mudar o sentido da conversão, ou seja, o registro de partida e o registro de chegada, tratase de outra atividade de conversão. Considerações Finais Podemos afirmar que a presente pesquisa deixa uma contribuição aos estudos anteriores, pois Bueno (2009), Brito e Pirola (2005) e Pirola (1995) investigaram o reconhecimento de representações de figuras geométricas com alunos, enquanto o presente estudo analisou as representações de triângulos nos livros didáticos. Além disso, o baixo número de atividades de conversões de registros nos livros didáticos é um dado relevante quando dialogamos com a teoria das representações semióticas, pois a mesma enfatiza a conversão como uma atividade muito importante na aprendizagem. O reconhecimento das diferentes representações do triângulo é essencial à aprendizagem, com base em nossa fundamentação teórica, a conceitualização e a representação estão intimamente ligadas. Segundo Duval (2003, p. 21) “a compreensão em matemática implica a capacidade de mudar de registro. Isso porque não se deve jamais confundir um objeto e sua representação”. Ainda segundo o autor, Duval (2003, p.29) ressalta que “nos indivíduos em formação e desenvolvimento inicial o progresso dos conhecimentos matemáticos depende da coordenação de registros de representação semiótica”. Logo, percebemos que a variedade de representações de registros e as atividades de conversão são muito importantes para a aprendizagem e devem estar presentes no ensino de matemática desde os anos iniciais. Referências ALMOULOUD, Saddo Ag. Registros de Representação Semiótica e Compreensão de Conceitos Geométricos. In: MACHADO, Silvia Dias Alcântara (Org). Aprendizagem em Matemática. 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