i FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA NÚCLEO DE SAÚDE DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA ANÁLISE DA CORRELAÇÃO DOS ÍNDICES DE ADIPOSIDADE CORPORAL, MASSA CORPORAL E DO PERCENTUAL DE GORDURA CORPORAL EM ESCOLARES DO MUNICIPIO DE PORTO VELHO EDCLEIDE OLIVEIRA JUCÁ PORTO VELHO – RO 2013 ii ANÁLISE DA CORRELAÇÃO DOS ÍNDICES DE ADIPOSIDADE CORPORAL, MASSA CORPORAL E DO PERCENTUAL DE GORDURA CORPORAL EM ESCOLARES DO MUNICIPIO DE PORTO VELHO Orientanda: Edcleide Oliveira Jucá Orientadora: Mestre Silvia Teixeira de Pinho Co-orientador: Mestre Olakson Pinto Pedrosa Monografia de Graduação apresentada ao curso de Educação Física do Núcleo de Saúde da Universidade Federal de Rondônia – UNIR, para obtenção do título de Licenciatura Plena em Educação Física. PORTO VELHO - RO 2013 iii EDCLEIDE OLIVEIRA JUCÁ DATA DA DEFESA: ____/____/____ BANCA EXAMINADORA Profª. Ms. Silvia Teixeira de Pinho Julgamento: ______________ Assinatura:_________________________________ Prof. Ms. Olakson Pedrosa Pinto Julgamento: ______________ Assinatura:_________________________________ Prof. Dr. Edson dos Santos Farias Julgamento: ______________ Assinatura:_________________________________ iv DEDICATÓRIA Aos meus familiares queridos pela educação e apoio durante a vida. Aos professores do Departamento de Educação Física da Unir. À meu namorado Thiarle Tezolim Silva, pelo incentivo e amor. v AGRADECIMENTOS Agradeço à Deus por ser grandioso e fiel, sem Ele nada disso seria possível. A minha avó Rosa de Oliveira Néry por me educar e dar todo o amor e apoio. A minha maravilhosa mãe Mariza Oliveira Néry, por nunca medir esforços para dar o que eu necessito. A minha irmã Edcléia de Oliveira Jucá, por seu apoio, colaboração e amor. A minha Tia Marnilce Oliveira pela ajuda oferecida. Ao meu namorado Thiarle Tezolim Silva, pela companhia, motivação, compreensão, amizade, paciência e incentivo, oferecidos em todas as fases do meu trabalho. A diretora e a coordenadora da instituição de ensino, pela autorização e colaboração. Aos professores de Educação Física, Fabrício Brasileiro e Leila Aparecida Evangelista, por terem gentilmente contribuído com esse estudo. A Profª Ms. Silvia Teixeira de Pinho, por sua orientação e paciência. Ao Profº Ms. Olakson Pedrosa Pinto pelo apoio e co-orientação. Ao Profº Dr. Edson dos Santos Farias, pela grande ajuda na análise estatística desde estudo. Ao meu amigo Ezequias Paiva Alves, por ter me auxiliado e colaborado com esse estudo. Aos acadêmicos: André Vieira (vulgo Pajé), Gabriel da Costa Silva e Alex de França Oliveira por terem cooperado com esse estudo. Aos meus professores e colegas de classe por terem me acompanhado esses quatro anos em busca do conhecimento, pelo qual, cada um da sua maneira contribuiu para minha formação acadêmica. Por último, porém não com menor importância, as pessoas que colaboraram direta ou indiretamente na minha formação acadêmica. vi “Não confunda derrotas com fracasso nem vitórias com sucesso. Na vida de um campeão sempre haverá algumas derrotas, assim como na vida de um perdedor sempre haverá vitórias. A diferença é que, enquanto os campeões crescem nas derrotas, os perdedores se acomodam nas vitórias.” Roberto Shinyashiki vii SUMÁRIO ABSTRACT ...................................................................................................................... ix KEYWORDS ..................................................................................................................... ix LISTA DE TABELAS .......................................................................................................... x LISTA DE QUADROS ..................................................................................................... xi LISTAS DE SIGLAS, ABREVIATURAS E SÍMBOLOS....................................................... ii 1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................13 1.1 JUSTIFICATIVA .....................................................................................................17 1.2 OBJETIVOS ...........................................................................................................17 2. REVISÃO DE LITERATURA ........................................................................................19 2.1 ATIVIDADE FÍSICA VERSUS SEDENTARISMO ...................................................19 2.2 NUTRIÇÃO E HÁBITOS ALIMENTARES ...............................................................20 2.3 OBESIDADE ..........................................................................................................23 2.3.1 EXERCÍCIO FÍSICO E OBESIDADE ...................................................................29 2.4 OBESIDADE INFANTIL..........................................................................................34 2.5 COMPOSIÇÃO CORPORAL ..................................................................................36 2.6 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL ..............................37 2.7 ÍNDICE DE ADIPOSIDADE CORPORAL (IAC) ......................................................42 2.8 ÍNDICE DE MASSA CORPORAL (IMC) .................................................................44 2.9 DOBRAS CUTÂNEAS (DC) ...................................................................................46 3. METODOLOGIA ..........................................................................................................49 3.4 Instrumentos de coleta de dados ............................................................................50 3.5 Procedimentos para coletas de dados ....................................................................51 3.8 ANÁLISE ESTATÍSTICA ........................................................................................56 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES .................................................................................56 5. CONCLUSÃO ..............................................................................................................65 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..........................................................................66 ANEXOS..........................................................................................................................71 Anexo I – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO..........................72 Anexo II- FICHA DE COLETA DE DADOS INDIVIDUAL ..............................................73 Anexo III – CLASSIFICAÇÃO DO COEFICIENTE DE RELAÇÃO DE PEARSON ........74 viii RESUMO O excesso de peso e a obesidade se alastram com o passar dos anos. Atualmente a obesidade é caracterizada como uma epidemia, tornando-se um grande problema de saúde pública. Existem diversas técnicas e métodos para avaliar a gordura corporal, entretanto alguns necessitam de aparelhos específicos, no qual, muitas vezes são caros e impróprios para qualquer ambiente. Recentemente Bergman et al (2011), apresentaram o Índice de Adiposidade Corporal com a finalidade de estimar de forma prática o percentual de gordura corporal, utilizando-se apenas as medidas da circunferência do quadril e estatura. Este índice apresenta-se, ainda, como um método alternativo ao Índice de Massa Corporal na identificação da obesidade. Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo investigar a correlação entre o Índice de Adiposidade Corporal, o Índice de Massa Corporal e o percentual de gordura estimado pelas dobras cutâneas em crianças de 9 a 10 anos de idade, de uma escola particular da cidade de Porto Velho, Rondônia. Participaram da amostra 70 escolares, sendo 39 meninos com massa corporal (Média= 37,27kg e DP= ± 8,91) e estatura (Média= 1,38m e DP= ± 0,07) e 31 meninas com massa corporal (Média= 33,90kg e DP= ± 7,90) e estatura (Média= 1,36m e DP= ± 0,07) com idade entre 9 e 10 anos. Foram avaliadas as medidas antropométricas: peso, estatura, perímetro do quadril e as dobras cutâneas tricipital e subescapular. Para análise estatística dos resultados encontrados, utilizou-se a estatística descritiva e o teste “t” de Student para amostras independentes, adotando um nível de significância de (p<0,05), o teste do Qui-quadrado (X²) e a correlação de Pearson para análise da associação entre os métodos do estudo. Como resultado, o Índice de Adiposidade Corporal apresentou uma associação significativa entre a estimativa de percentual de gordura através das dobras cutâneas (r=0,77; p<0,01 para os meninos e r=0,72; p<0,01 para as meninas). Diante dos resultados concluímos que o Índice de Adiposidade Corporal teve uma boa aplicabilidade em relação à avaliação da gordura corporal em crianças de 9 a 10 anos de idade. UNITERMOS: Índice de Adiposidade Corporal; IMC; Percentual de Gordura; Crianças. ix ABSTRACT Overweight and obesity rage on over the years. Currently obesity is characterized as an epidemic, becoming a major public health problem. There are various techniques and methods to assess body fat, though some require specific devices, which are often expensive and unsuitable for any environment. Recently Bergman et al (2011), showed the Body Adiposity Index in order to estimate in a practical way the body fat percentage, using only the measurements of hip circumference and height. This index presents itself also as an alternative to the Body Mass Index in the identification of obesity. Thus, this study aims to investigate the efficiency of the Body Adiposity Index in relation to body mass index and percentage fat estimated by skinfold thickness in children 9-10 years. A sample of 70 students, including 39 boys with body mass (Mean = 37.27 kg, SD = ± 8.91) and height (Mean = 1.38 m, SD = ± 0.07) and 31 girls with body mass (Average = 33.90 kg, SD = ± 7.90) and height (Mean = 1.36 m, SD = ± 0.07) aged between 9 and 10 years. We evaluated anthropometric measurements: weight, height, hip circumference, and triceps and subscapular skinfolds. Statistical analysis of the results, we used descriptive statistics and the "t" test for independent samples, adopting a level of significance (p <0.05), the chi-square (X ²) and the correlation Pearson correlation analysis between the methods of the study. As a result, the Body Adiposity Index showed a significant correlation between the estimated fat percentage by skinfold (r = 0.77, p <0.01 for boys and r = 0.72, p <0.01 for girls). Given the results we conclude that the Body Adiposity Index had a good applicability in relation to the assessment of body fat in children 9-10 years of age. KEYWORDS: Body Adiposity Index; BMI; percentage fat; Children. x LISTA DE TABELAS TABELA 1 – Análise descritiva da característica física da amostra...........................44 TABELA 2 – Distribuição de Frequência do Índice de Massa Corporal em relação ao sexo...................................................................................................................................46 TABELA 3 – Distribuição de Frequência do percentual de Dobras Cutâneas em relação ao sexo................................................................................................................46 TABELA 4 – Distribuição de Frequência do Índice de Adiposidade Corporal em relação ao sexo................................................................................................................47 TABELA 5 – Matriz de Correlação entre as variáveis do estudo.................................47 TABELA 6 – Correlação dos 3 métodos do estudo (IMC, IAC e DC)...........................48 TABELA 7 – Correlação do IAC e o %G DC entre os sexos.........................................48 xi LISTA DE QUADROS QUADRO 1 – Quadro de interpretação dos resultados do IMC em crianças.............40 QUADRO 2 – Equações específicas para crianças e adolescentes propostas por Slaugther e colaboradores (1988, adaptada).................................................................41 QUADRO 3 – Classificação proposta por Lohman (1987) para crianças e adolescentes....................................................................................................................41 QUADRO 4 – Classificação do IAC (pontos).................................................................41 QUADRO 5 – Classificação do Coeficiente de correlação R de Pearson (r).............57 xii LISTAS DE SIGLAS, ABREVIATURAS E SÍMBOLOS ACSM American College of Sports Medicine AF Atividade Física DC Dobra Cutânea DCTR Dobra Cutânea Tricipital DCSE Dobra Cutânea Subescapular DEXA Absortometria de raio X de Dupla Energia %G Percentual de gordura % G DC Percentual de gordura estimado pela Dobra Cutânea IAC Índice de Adiposidade Corporal IMC Índice de Massa Corporal MG Massa de Gordura MCM Massa Corporal Magra MCLG Massa Corporal Livre de Gordura OMS Organização Mundial de Saúde TF Treinamento Físico tMA Ativador Plasminógeno de Tecido 13 1. INTRODUÇÃO A ingestão alimentar inadequada ou em excesso, aliada ao sedentarismo ou a baixos níveis de Atividade Física, são os principais responsáveis pelo aumento da gordura corporal Os processos de mudanças no estilo de vida dos indivíduos estão diretamente relacionados à saúde e a qualidade de vida. Visto que, ao longo dos anos, essas mudanças têm afetado os hábitos diários, e estes na maioria das vezes, resultam, na diminuição dos níveis de Atividade Física e o aumento do consumo de alimentos hipercalóricos e dessa forma, proporcionam alterações significativas, principalmente morfológicas, funcionais e psíquicas (MACHADO, 2009). Alguns especialistas atribuem o excesso da adiposidade corporal à ocidentalização dos hábitos. Conforme a observação de Mayer e Thomas, (1967) apud Astrand (1980), esse excesso de gordura corporal, é em maiores proporções decorrente de uma Atividade Física muito pequena e não do consumo exagerado de comida. O excesso de gordura corporal é um fator de risco complicador na saúde humana, devido sua forte relação com as doenças cardiovasculares, a diabetes, a hipertensão arterial, as doenças coronárias, e os distúrbios psicossociais (NAHAS, 2001; PITANGA, 2005). Em termos conceituais, segundo Fisberg (1995), a obesidade pode ser considerada como um acúmulo de tecido gorduroso regionalizado ou em todo corpo [...]. Costa (2001) define sobrepeso como sendo aqueles valores de massa corporal que se encontram a massa corporal ideal e a obesidade [...]. Em termos percentuais Damâso et al (1995) dizem que os fatores endógenos (genéticos, neuropsicológicos, endócrinos, metabólicos) representam 5%, dos casos de sobrepeso e obesidade. Já os fatores exógenos (origem comportamental, dietética e/ou ambiental) representam cerca de 95% dos casos. De acordo com Barbanti (1990), fatores de risco são apresentados em dois grupos: a) aqueles que não são manipuláveis, como a hereditariedade, a idade, o sexo; e b) os que podem sofrer alterações, como a hipertensão arterial, as dislipidemias, o tabagismo, o tipo de personalidade, o diabetes, o sedentarismo e a obesidade, sendo que maiores níveis de prática de Atividades Físicas podem modificar praticamente todos os fatores de risco possíveis de alterações. Essas mudanças inseridas no estilo de vida moderno, também, têm contribuído para a tendência mundial de aumento nos índices de excesso de peso, caracterizados pelo sobrepeso e obesidade na infância e na adolescência. As crianças e adolescentes 14 ficam mais tempo em frente à televisão, vídeo-game ou computador gerando um déficit de esforços físicos diários, além disso, há uma maior ingestão alimentar de alimentos de baixo valor nutritivo, favorecendo o acúmulo de gordura corporal (MELLO, 2004; GUEDES & GUEDES, 2003; PIMENTA, 2001). Farias (2002), procurou estabelecer associação entre o tempo gasto assistindo televisão e o estado nutricional em escolares da rede Municipal de Ensino de Porto Velho, e verificou que o grupo de obesos têm tendência á permanecer mais tempo em frente à televisão (Estatura/Idade: 19,5% e Peso/Estatura: 21,3%). Isto pode indicar obesidade, ocasionada pelo baixo gasto calórico e, conseqüentemente, pela ingestão calórica. Em pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em parceria com o Ministério da Saúde, Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009, revelou que uma em cada três crianças de 5 a 9 anos de idade estava acima do peso recomendado pela Organização Mundial de Saúde, 33,5% delas, sendo que 16,6% dos meninos também eram obesos; entre as meninas, a obesidade apareceu em 11,8%. É consenso na literatura que os altos níveis de gordura corporal estão fortemente ligados aos fatores de riscos, isto, torna o excesso de gordura corporal e/ou a obesidade um problema de saúde pública, podendo provocar ao organismo danos consideráveis e irreversíveis. E esse fato, não é somente imputado aos adultos, mas, também em crianças e adolescentes (PITANGA, 2004; GUEDES & GUEDES, 2003; KATCH & McARDLE, 1996). Referente a isto, Heyward & Stolarczyk (2000), ressaltam a importância, da avaliação dos níveis saudáveis de gordura corporal, devendo ser, incorporado no currículo de Educação Física e saúde e Petroski (2003), corrobora destacando que a obesidade deveria ser uma prioridade para a saúde pública e educação. Ao se analisar a literatura especializada (HEYWARD & STOLARCZYK, 2000); (PITANGA, 2005); (KATCH e MCARDLE, 1996), (PETROSKI, 2003) (GUEDES & GUEDES, 2006), (COSTA, 2001); (MATHEWS, 1980) entre outros, constatasse a existência dos métodos de avaliação as técnicas de determinação: Direta (Dessecação de cadáveres), alta precisão; Indireta (Físico-Químicos, Imagem, Densitometria), estes métodos são validados a partir do método direto, de boa precisão; e Duplamente Indireta (Bio-impedância, Antropometria), são métodos validados a partir de um método indireto, e são de custo baixo e geralmente utilizados em estudos populacionais. Os níveis de gordura corporal em termos morfológicos têm sido diagnosticados por uma variedade de métodos, os quais nem sempre são aplicáveis ao âmbito escolar. E devido a essa variedade, se faz necessário a aplicação de métodos viáveis, e paralelo a 15 isso a garantia de uma autêntica avaliação da população estuda. Dentre os diversos procedimentos a antropometria é considerada o método mais apropriado, quando se trata de pesquisa populacional. De acordo com Pitanga (2005) com exceção das medidas de dobras cutâneas, os métodos antropométricos, são relativamente simples, baratos e não requerem um alto grau de treinamento e habilidade do avaliador. Portanto, essas medidas são perfeitas para estudos de larga escala, com propósitos clínicos e epidemiológicos. Nesse contexto, Costa (2001) diz que, através de medidas antropométricas é possível fazer acompanhamento de crescimento morfológico, bem como de alterações de medidas corporais decorrentes da prática de exercícios físicos e dietas, proporcionado dados de grande valia para os profissionais que atuam nas áreas de saúde, especificamente os nutricionistas e os profissionais de Educação Física. A antropometria consiste na avaliação das dimensões físicas e da composição global do corpo humano, é um método não invasivo e de fácil e rápida execução (SIGULEM et al, 2000). Dentro do método antropométrico, os mais conhecidos e indicados são: Índice de Massa Corporal (IMC), Medidas de perímetros e Pregas/Dobras cutâneas. (PITANGA, 2005); (GUEDES & GUEDES, 2006); (HEYWARD & STOLARCZYK, 2000); (COSTA, 2001); (FERNANDES FILHO,1999 ). E recentemente, Bergman et al (2011), apresentaram um novo método indicador de adiposidade corporal, o Índice de Adiposidade Corporal. O Índice de Quetelet ou Índice de Massa Corporal como é comumente conhecido, já é utilizado a mais de 200 anos. É considerado o procedimento antropométrico mais usado para levantamentos epidemiológicos. Seu calculo é baseado através do peso corporal e estatura do indivíduo (peso/estatura²). O critério empregado em crianças e adolescentes é além do peso e da altura, utilizar a idade e o sexo. Constituídas nas tabelas essas variáveis, identifica-se o percentil. Pela classificação, considera-se sobrepeso o percentil >85 e obesidade o percentil >95. A curva mais utilizada é a americana (Centers for Desease Control and Prevention). No geral, utilizase a tabela proposta pela Organização Mundial de Saúde para classificação de sobrepeso e obesidade (LEITE, 2004). O Índice de Massa Corporal é avaliado como um bom indicador, mas que tem limitação referente à correlação com a gordura corporal. Sobre isto, Heyward & Stolarczyk (2000), destacam que o Índice de Massa Corporal é apenas um índice rudimentar de obesidade e não deve ser usado para estimar a gordura corporal. Enfatizam-se como as principais limitações do Índice de Massa Corporal: Não levar em 16 conta fatores como sexo, a massa muscular, a etnia; e não diferenciar o conteúdo de massa magra e massa gorda. Entende-se por Dobras Cutâneas, a porção constituída de duas camadas de tecido celular cutâneo e uma de tecido subcutâneo, usada com o objetivo de estimar proporcionalmente a quantidade de gordura em relação ao peso corporal total do sujeito. De acordo com Costa (2001) as dobras cutâneas baseiam-se no fato de que a metade da gordura corporal total proporcionalmente está localizada subcutaneamente, ou seja, debaixo da pele. E complementa dizendo que essa gordura está diretamente relacionada com a gordura total. No aspecto de normas e padronizações na mensuração das dobras, varia de autor para autor, por exemplo, para Pinho & Petroski (1999), as medidas sempre devem ser realizadas no lado direito do corpo do avaliando. Devem-se realizar duas medidas e caso a diferença entre estas medidas para uma mesma dobra for superior a 5%, deve-se repetir a medida uma terceira vez. Esses procedimentos são bastante utilizados em estudos antropométricos, mas existem outros. Há também aquelas que são válidas para qualquer estudo, são elas: Demarcar previamente os pontos anatômicos de referência para a realização das dobras específicas, com estes completamente desnudos; Evitar que o avaliando altere a postura correta, quando da medição; A dobra cutânea deve ser pinçada com as falanges distais dos dedos indicadores e polegar da mão esquerda, sem envolver qualquer outro tecido que não seja pele e músculo (PINHO & PETROSKI, 1999). Para a medida das Dobras Cutâneas em crianças e adolescentes, especialistas têm recomendado a utilização da estimativa de massa gorda através de equações que utilizam as dobras cutâneas tricipital e subescapular, ou as dobras cutâneas tricipital e panturrilha tendo em vista a aplicabilidade no ambiente escolar. Para Petroski (1999) e Lopes & Neto (1996) o protocolo de Lohman (1986), %G = 1,35 (TR+SE)-0,012 (TR+SE) – C é o mais indicado. Nesse aspecto Katch & McArdle, (1996) dizem que as dobras cutâneas localizadas nas regiões tricipital e subescapular geralmente são indicadores úteis para o rastreamento das alterações da gordura subcutânea no tronco e nas extremidades. Referente ao Índice de Adiposidade Corporal em pesquisa publicada na Revista Obesity apresenta Índice de Adiposidade Corporal como uma alternativa, aparentemente, mais fidedigna para quantificar a gordura corporal, utilizando a medida do quadril e a altura. A nova medida apresenta maior correlação com a gordura corporal medida por densitometria que o clássico Índice de Massa Corporal. Por isso, o Índice de Adiposidade Corporal surge como alternativa mais fidedigna para a avaliação da adiposidade. Apesar 17 disso, os autores salientam que é importante repetir o estudo em outras populações, como os indivíduos de origem Européia. Neste contexto, a questão norteadora do estudo foi: o novo índice de adiposidade corporal pode ser um método útil para estimar o percentual de gordura em crianças? 1.1 JUSTIFICATIVA Esse estudo tem relevância, devido legitimar a idéia de que é importante fazer um diagnóstico para verificar, quantificar e acompanhar o quadro de crianças que ainda se encontram em fase escolar, visto que isso tem influência direta e indireta em sua qualidade de vida e saúde. Sabe-se que nem sempre há condições e meios para se fazer avaliação dos componentes corporais dessas crianças. É nesse sentido que o estudo visa verificar se o novo método indicador de adiposidade corporal, feito por Bergman et al (2011), pode contribuir para uma estimativa do percentual de gordura em escolares. Sendo que essa pesquisa trata-se de uma amostra diferente dos estudos até o momento pesquisados. 1.2 OBJETIVOS Objetivo Geral; Investigar a correlação entre o Índice de Adiposidade Corporal, o Índice de Massa Corporal e o percentual de gordura estimado pelas dobras cutâneas em crianças de 9 a 10 anos de idade, de uma escola particular da cidade de Porto Velho, Rondônia. Objetivos Específicos; Comparar as variáveis de estudo Índice de Adiposidade Corporal, Índice de Massa Corporal e o percentual de gordura, estimados pelas dobras cutâneas, entre os gêneros; 18 Descrever e comparar a prevalência nutricional através da classificação do Índice de Massa Corporal, percentual de gordura, estimados pelas dobras cutâneas e Índice de Adiposidade Corporal, por sexo dos escolares avaliados. Analisar a correlação entre o Índice de Adiposidade Corporal, o Índice de Massa Corporal e o percentual de gordura, estimados pelas dobras cutâneas; 19 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1 ATIVIDADE FÍSICA VERSUS SEDENTARISMO Para Caspersen et al (1985), a atividade física é definida como qualquer movimento corporal, produzido pelos músculos esqueléticos, que resulta em gasto energético maior do que os níveis de repouso. O American College of Sports Medicine (ACSM) (2003) relata que “a atividade física é definida como o movimento corporal produzido pela contração do músculo esquelético que eleva substancialmente o dispêndio de energia”. De acordo com essas definições verificamos que a atividade física é inerente ao movimento humano. Podendo ser enquadrada como exemplo de atividades físicas: lavar louça, limpar a casa, jogar bola, andar, bater palma, etc. Em se tratando de saúde humana, a atividade física deve adquirir especificações que são necessárias para se obter as melhorias pretendidas. Há exemplos dessas especificações têm-se uma atividade física regular e orientada. A atividade física regular e orientada traz ao praticante uma série de benefícios, tais como: a) melhor estabilidade articular; b) aumento do colesterol HDL; c) aumento da taxa de hormônio do crescimento; d) diminuição da frequência cardíaca de repouso; e) diminuição da pressão arterial; f) melhor utilização da insulina; g) controle da obesidade; h) diminuição do risco de aterosclerose; e i) diminuição do risco de arteriosclerose (RAMOS, 2002). McArdle et al (2008), dizem que a atividade física regular, tanto através da recreação quanto da ocupação profissional, ajudam a inibir excessivamente o aumento de peso e as alterações adversas na composição corporal e vai contra a tendência de recuperar o peso perdido. Estudos têm mostrado que o mundo atual está vivendo de forma inversa ao estado adequado de saúde, no qual, a falta de atividade física satisfatória e superalimentação são principais autores desse mal (LOPES et al, 2010; RADOMINSKI, 2012; ROMAGNA, et al 2010; FISBERG & POSSA, 2012). Segundo McArdle et al (2008), esses males existem a séculos, e estudiosos da bíblia pregaram contra os malefícios da ingestão excessiva de alimentos e da vida sedentária. 20 De acordo com McArdle et al (2008), um estilo de vida sedentário contribui efetivamente para o aumento de peso em crianças, adolescentes e adultos. E esse aumento segundo Ramos (2002), está intimamente relacionado à obesidade. De acordo com Nahas (2001) uma pessoa é considerada sedentária quando adota um mínimo de atividade física sendo considerado como mínimo 500 kcal por semana. O conceito é associado ao indivíduo que gasta poucas calorias por semana com atividades ocupacionais. Exercício, uma subclasse de atividade física, é definido como o movimento corporal planejado, estruturado e repetitivo executado com a finalidade de aprimorar ou manter um ou mais componentes da aptidão física. Aptidão física é definida como um conjunto de atributos que as pessoas possuem ou adquirem e que se relaciona com a capacidade de realizar uma atividade física (ACSM, 2003). Dessa forma a aptidão física pode ser considerada como o estado adequado da condição física, caracterizado pela capacidade de executar movimentos, que propicia saúde (assintomatologia) e melhor desempenho, seja nas tarefas diárias ou nas atividades esportivas. Alguns dos benefícios da atividade física regular e/ou do exercício segundo o American College of Sports Medicine; São: a) aprimoramento na função cardiovascular e respiratória; b) redução nos fatores de risco para doença arterial coronariana; c) mortalidade e morbidez reduzidas; d) prevenção secundária (para prevenir outro evento); e) menor ansiedade e depressão. É importante um estilo de vida fisicamente ativo. Visto que as pessoas que são mais ativas fisicamente têm maior equilíbrio energético, e a falta de atividade física pode favorecer as doenças hipocinéticas que são aliadas ao sedentarismo (p. ex. doenças cardiovasculares). Devido a isso a atividade física vem se firmando como o principal método de combate contra os malefícios advindos do sedentarismo. 2.2 NUTRIÇÃO E HÁBITOS ALIMENTARES O organismo humano é adaptável. Segundo Katch & McArdle et al (1996), as pessoas podem modificar seus padrões de comportamento alimentar e da prática de exercícios existentes, com intuitiva percepção a necessidade de mudanças numa visão positiva de sucesso. 21 Barbanti (1990), considera o alto consumo de gorduras saturadas de animais na dieta um fator ambiental de risco. Corroborando McArdle et al (2008), dizem que do ponto de vista da saúde, os indivíduos deveriam consumir no máximo 10% da ingestão energética diária total na forma de ácidos graxos saturados. Segundo Astrand & Rodahl (1980), “o mais importante material de construção é a proteína, é essencial para construir novas células e tecidos para o crescimento e o desenvolvimento, assim como para repor partes das velhas células que estão sendo constantemente destruídas”. E complementa dizendo que são também necessários elementos minerais para a manutenção das estruturas corporais e há também há necessidade de uma ingestão com várias vitaminas para uma série de processos catabólicos em nossa maquinaria biológica. Barbanti (1990), ressalta dizendo que os alimentos devem ser consumidos em quantidades suficientes para satisfazer as necessidades metabólicas do corpo. McArdle et al (2008), complementam dizendo que uma dieta ideal requer nutrientes em quantidades suficientes para a manutenção, o reparo e o crescimento dos tecidos sem uma ingesta energética excessiva. E acordo com Astrand & Rodahl (1980), dos vários nutrientes existentes nos alimentos que comemos, são resumidos em carboidratos, gorduras e proteínas os que podem produzir energia para o trabalho muscular. “Os carboidratos são a principal fonte de energia para o corpo. A proteína é um nutriente que é essencial a todas as criaturas vivas, e depois da água é a substância mais abundante no corpo, cerca de 20 % de nosso peso corporal” (BARBANTI, 1990). As gorduras são as formas mais concentradas de energia encontrada nos alimentos. Cada grama de gordura tem 9 calorias. Além da função energética, as gorduras são importantes por vários fatores: mantêm a temperatura do corpo, pois funcionam como isolante térmico; entram na formação da membrana celular; e participam da produção dos hormônios sexuais. Além disso, carregam as vitaminas A, D, E e K pelo corpo (KATCH & McARDLE, 1996). A gordura corporal total existe em dois locais de armazenamento ou depósitos – gordura essencial e gordura de reserva. A gordura essencial consiste na gordura existente no coração, nos pulmões, no fígado, no baço, nos rins, nos intestinos, nos músculos e nos tecidos ricos em lipídeos do sistema nervoso central e da medula óssea. O funcionamento fisiológico normal necessita dessa gordura. A gordura de reserva inclui principalmente a gordura existente no tecido adiposo (McARDLE, 2008). Uma dieta desbalanceada pode ocorrer por excesso ou por falta de nutrientes, e pode levar a dois extremos: à obesidade ou à desnutrição. Ambas as condições trazem 22 riscos à saúde. A desnutrição é uma síndrome resultante do desequilíbrio na qualidade ou na quantidade de nutrientes ingeridos e atinge principalmente crianças e mulheres grávidas. A fome, ou deficiência energética crônica, é um dos fatores que levam a esse quadro. Dietas pouco diversificadas também produzem a desnutrição. Assim, mesmo acima do peso, uma pessoa pode estar desnutrida pela carência de certas vitaminas ou minerais. A falta de energia e de proteínas conhecida como desnutrição energéticoprotéica, é letal para as crianças. Atualmente está ocorrendo o declínio da desnutrição em crianças e adultos num ritmo bem acelerado, enquanto aumenta a prevalência de sobrepeso e obesidade nos brasileiros (IBGE, 2008). É notável que o excesso de gordura corporal apresente relação direta com uma série de fatores de risco para o aparecimento ou agravamento de condições adversas para a saúde. A demanda energética constitui essencialmente um problema de balanço energético ou de ingestão energética versus dispêndio (gasto) energético. Se a ingestão energética ultrapassa o gasto energético, ocorrerá um armazenamento energético em forma de gordura. Se a atividade diária é muito intensa e prolongada, a ingestão energética espontânea costuma ser menor do que o débito (produção), resultando em redução do peso corporal. Um gasto energético diário inferior a um nível limítrofe costuma resultar num excedente energético e conseqüente obesidade. (ASTRAND & RODAHL, 1980). Alguns pesquisadores especularam que os indivíduos com resistência à insulina correm um maior risco de aumento de peso se ingerem sistematicamente carboidratos que são absorvidos rapidamente. Isso ocorre por que a insulina excessiva facilita a oxidação da glicose a expensas da oxidação dos ácidos graxos; isso estimula também a síntese do colesterol lipoprotéico de densidade muito baixa (VLDL) pelo fígado e o armazenamento de gordura no tecido adiposo (McARDLE et al, 2008). Segundo McArdle et al (2008), para reduzir os riscos de diabetes tipo II e de obesidade, uma estratégia é consumir carboidratos complexos não-refinados e de absorção mais lenta e com um baixo índice glicêmico. Esses alimentos proporcionam carboidratos de “liberação lenta” sem induzir flutuações rápidas no açúcar sanguíneo. O processo de modificar os comportamentos alimentares é complexo e inclui determinar a motivação do indivíduo e a disposição para realizar a mudança, analisar os padrões alimentares utilizando um diário alimentar, estabelecer objetivos realistas, proporcionar instruções sobre a maneira de preparar e comer os alimentos e alterar o ambiente alimentar (ACSM, 2003). 23 Referente ao aumento de peso McArdle et al (2008), dizem que parte dessa elevação do peso corporal está relacionada ao aumento de quase 300% entre 1977 e 1996 nos alimentos que as crianças consomem em restaurantes e estabelecimentos para fast-food. Além disso, o consumo de refrigerantes pelos jovens é responsável por outras 188 kcal por cima das ingestas energéticas de crianças que não consomem essas bebidas. 2.3 OBESIDADE O termo obesidade refere-se à condição com gordura excessiva que acompanha uma variedade de co-morbidades que incluem apenas um ou todos os seguintes componentes da “síndrome dos obesos”: intolerância à glicose, resistência à insulina, dislipidemia, diabetes tipo 2, hipertensão, concentrações plasmáticas elevadas de leptina, tecido adiposo visceral aumentado e maior risco de doença cardíaca coronariana e de câncer (McARDLE, 2008). A palavra obesidade é derivada de ab (super) e edere (comer). No entanto, para definirmos obesidade, torna-se necessário que saibamos distinguir a obesidade do sobrepeso. Entende-se por obesidade um acúmulo de gordura corporal total, que representa uma porcentagem a mais de gordura armazenada em vários depósitos, ou seja, uma condição de excesso de gordura em relação à massa corporal magra. Enquanto que sobrepeso é definido como excesso de peso previsto para o sexo, altura e idade de acordo com padrões populacionais de crescimento (DÂMASO et al, 1995). Conceitualmente, a obesidade pode ser considerada como um acúmulo de tecido gorduroso, regionalizado ou em todo o corpo, causado por doenças genéticas ou endócrino-metabólicas ou por alterações nutricionais (FISBERG, 1995). Guedes & Guedes (1997), caracterizam o sobrepeso como um aumento do peso corporal total, ou em apenas um de seus constituintes: ossos, gordura e músculos; enquanto que a obesidade caracteriza-se essencialmente por um aumento generalizado ou localizado da gordura. Costa (2001) define como sobrepeso aqueles valores de massa corporal que se encontram entre a massa tida como normal e a obesidade, podendo ocorrer em função de excesso de gordura corporal ou de valores elevados de massa magra. 24 “A obesidade pode ser definida como um corpo pesado que excede mais de 20% de um valor desejável para determinada idade, sexo e constituição esquelética ou um excesso de gordura corporal que pode provocar riscos à saúde” (SIMÃO, 2006). A obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo excessivo de energia, sob a forma de triglicérides, no tecido adiposo distribuído pelo corpo, enquanto o sobrepeso corresponde ao excesso de peso previsto para o sexo, altura e idade, de acordo com os padrões populacionais de crescimento, podendo representar ou não excesso de gordura corporal. A obesidade pode ser classificada como um índice de massa corporal de 30,0 kg/ m² ou mais, sendo definida funcionalmente como percentual de gordura corporal no qual aumenta o risco de doenças (ACSM, 2003). A gordura corporal aumenta de duas maneiras antes de ser alcançada a vida adulta: 1) aumento de volume dos adipócitos individuais (hipertrofia das células adiposas) e 2) aumento no número total de células (hiperplasia das células adiposas) (McARDLE et al, 2008). Segundo Katch e McArdle apud Ramos (2002), o desenvolvimento dos estoques gordurosos pode se dar de três maneiras diferentes: 1) hipertrofia adipocitária: adipócito é uma célula que funciona como armazém de gordura, portanto, é o local onde ficam estocado os lipídios. Nesse caso específico ocorre aumento no conteúdo adipocitário, não ocorrendo nenhuma mudança no número total de adipócitos; 2) hiperplasia adipocitária: manifesta-se com o aumento na quantidade de adipócitos. Nesse contexto, parecem existir momentos da vida mais propensos para que ocorra esse fenômeno. São eles: 2.a) fase fetal; 2.b) no primeiro ano de vida; 2.c) durante a puberdade. Na fase adulta parece não ocorrer hiperplasia, mas especula-se que a partir do momento em que todos os adipócitos tenham atingido a sua capacidade máxima de armazenamento, possa haver o envolvimento de pré-adipócitos ativação funcional de adipócitos vazios já existentes; 3) associação de hipertrofia com hiperplasia: aumento simultâneo da quantidade e tamanho dos adipócitos. Obesidade hiperplásica corresponde ao aumento de células adiposas; obesidade hipertrófica aumento no tamanho dessas células (BARBANTI, 1990). Os aumentos no número de adipócitos envolvem três períodos gerais de tempo: último trimestre da gravidez, primeiro ano de vida e explosão de crescimento da adolescência antes da vida adulta. O padrão de distribuição da gordura pelo corpo parece ser importante no fator de risco da obesidade para a saúde. Quanto à distribuição de gordura, quanto maior a 25 concentração de gordura na região abdominal e no tronco, maior será a probabilidade de mortes por doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão (DÂMASO et al, 1995). A gordura corporal é basicamente distribuída de duas formas: andróide e ginóide. A andróide é normalmente encontrada nos homens, é acumulada do abdômen para cima e de distribui nessa região devido à ação da testosterona. Essa população sofre mais frequentemente, de diabetes e doenças cardiovasculares. A ginóide é acumulada basicamente no quadril e coxas e se distribui nessa região sob efeito dos estrogênios e da progesterona, devido a isso esse tipo de distribuição de gordura é encontrada normalmente nas mulheres (RAMOS, 2002; ACSM, 2003; CAMPOS, 2001). Estes padrões podem ser aferidos, usando a proporção cintura-quadril (C/Q), e dividindo-se a circunferência da cintura pela do quadril (CAMPOS, 2001). A determinação da quantidade e ou da distribuição de gordura é um importante instrumento de trabalho para profissionais de educação física e de outras áreas da saúde, tendo em vista a relação existente entre estes fatores e a aptidão física relacionada à saúde, bem como a associação entre valores excessivos de gordura corporal com fatores deletérios para saúde (COSTA, 2001). Segundo Mcardle et al (2008), as estimativas mundiais indicam que 300 milhões de pessoas são obesas e 750 milhões possuem sobrepeso. A obesidade é agora a segunda principal causa de mortes preveníveis nos Estados Unidos (300.000 mortes por ano; o fumo é a primeira), com um limite superior de custo anual total estimado de 140 bilhões de dólares ou aproximadamente 10% dos gastos norte-americanos com assistência de saúde. “Os pesquisadores admitem que, se a progressão da obesidade continuar com o ritmo atual, toda a população terá sobrepeso dentro de poucas gerações. Por volta de 2025, 75% da população norte-americana será classificada como tendo sobrepeso, com cerca de um terço sendo classificada como obesa” (McARDLE et al, 2008). Segundo a Organização Mundial da Saúde (2012), em 2010, mais de 40 milhões de crianças menores de cinco anos estavam acima do peso. Uma vez considerado um país de alta renda problema de sobrepeso e obesidade já estão em ascensão em países de baixa e média renda, principalmente em áreas urbanas. Perto de 35 milhões de crianças com excesso de peso estão vivendo em países em desenvolvimento e 8 milhões em países desenvolvidos. No Brasil, dados da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade - ABESO mostram que aproximadamente 40% da população brasileira apresentam excesso de peso. 26 A adiposidade excessiva resulta de uma interação complexa de influências genéticas, ambientais, metabólicas, fisiológicas, comportamentais, sociais e, talvez, raciais (McARDLE et al, 2008). Indivíduos com sobrepeso e obesidade apresentam um risco para o desenvolvimento de diversas complicações, de ordem – médica, social e psicológica. Segundo Fisberg (1995), a origem do acúmulo excessivo de tecido adiposo no corpo é multifatorial, fatores ambientais interagem com vários genes na determinação da suscetibilidade à obesidade. São muitas as variáveis que contribuem, porém o determinante fundamental do peso corporal e da composição corporal é o equilíbrio (balanço) calórico, que se refere à diferença entre a ingesta calórica (o equivalente energético do alimento ingerido) e o dispêndio calórico (o equivalente energético da taxa metabólica de repouso, da atividade, do efeito térmico do alimento) (ACSM, 2003). A obesidade exógena ou nutricional reflete um excesso de gordura decorrente de um balanço positivo de energia entre a ingestão e o gasto calórico (FISBERG, 1995). A obesidade exógena segundo Fisberg (1995) é responsável por provavelmente 95% dos casos de obesidade. Os restantes 5% seriam os chamados obesos endógenos, com causas hormonais (alteração do metabolismo tireoidiano, gonadal, hipotálamo-hipofisário e as síndromes genéticas (FISBERG, 1995; ACSM, 2003) “Os fatores genéticos são responsáveis por 25 a 30% do acúmulo excessivo de gordura corporal. A predisposição genética não causa necessariamente obesidade, porém no meio ambiente apropriado, o indivíduo geneticamente suscetível ganhará gordura corporal” (RAMOS, 2002). A obesidade é um sério problema de saúde, que reduz a expectativa de vida, pelo aumento do risco de desenvolvimento de doença arterial coronariana, hipertensão arterial, diabetes tipo II, doença pulmonar obstrutiva, osteoartrite e certos tipos de câncer. Alguns fatores consideram a obesidade com um fator de risco independente para a doença cardiovascular. Outros, porém, acreditam que a obesidade mantém correlação com a doença cardiovascular por contribuir para o agravo de fatores de risco, como hipertensão e dislipidemia. O fato é que muitos estudos prospectivos têm demonstrado que o excesso de peso tende a diminuir a expectativa de vida e predispõe à morbidade (BARBOSA et al, 1995). Excesso de peso corporal ameaça a saúde na qualidade de vida. Indivíduos obesos têm pouca expectativa de vida e alto risco de doença coronariana cardíaca (BARBOSA et al, 1995). Um percentual excessivo de gordura corporal está associado com um maior risco para o surgimento de hipertensão, diabetes tipo II, distúrbios lipídicos, coronariopatia, 27 acidente cardiovascular cerebral, doença vesicular, osteoartrite, apnéia do sono e a outros problemas crônicos e respiratórios, assim como certos tipos de câncer (ACSM, 2003). Segundo a Organização Mundial de Saúde, a obesidade pode ter um impacto sobre a saúde tão grave quanto o tabagismo, sendo a mesma uma epidemia causada pelo sedentarismo do mundo atual. Existem algumas patologias que se associam à obesidade. São: diabetes; ateroesclerose; hipertensão; complicações articulares e distúrbios psicológicos (RAMOS, 2002). A ateroesclerose pode ocorrer devido à formação de placas de ateroma (placas de gordura) que, por sua vez, agem com uma verdadeira “barreira”, que acarreta o entupimento da artéria. Essa condição obstrui a passagem do sangue, podendo ocasionar a morte do tecido irrigado por esse vaso. Sabe-se hoje, que a placa de ateroma é formada a partir das partículas de lipoproteínas de baixa densidade (LDL) circulantes no sangue. Um fato importante é que as lipoproteínas de alta densidade (HDL) parecem remover o LDL da parede da artéria, diminuindo o risco de formação de placas de ateroma. Dessa forma o HDL age como um fator de proteção contra a formação das placas de gordura. Uma vez formada, a placa de ateroma, pode obstruir a passagem de sangue levando ao infarto do miocárdio (RAMOS, 2002). Lamb apud Ramos (2002), sugere que a atividade física aumenta significativamente a produção de uma enzima, chamada ativador plasminógeno de tecido (tMA). O nível de tMA é aumentado durante os 90 minutos subseqüentes a pelo menos 5 minutos de exercícios vigorosos. Essa enzima tem ação de ajudar a diminuir o amontoado de plaquetas, que dão partida ao processo de obstrução. Em todos os estudos levantados, sem exceção, elevados níveis de gordura corporal avaliados por Índice de Massa Corporal, espessura de dobras cutâneas, circunferências corporais ou quaisquer outros métodos preditivos de sobrepeso e obesidade apresentaram elevadas correlações com altos níveis de pressão arterial, dislipidemias e doenças coronarianas, entre outros problemas, contribuindo para o aumento da morbidade e mortalidade destas populações (COSTA, 2001). Fisberg apud Giugliano & Carneiro (2004) relata que a obesidade pode iniciar em qualquer idade, desencadeada por fatores como o desmame precoce, a introdução inadequada de alimentos, distúrbios de comportamento alimentar e de relação familiar, especialmente nos períodos de aceleração do crescimento. Dado o que foi dito anteriormente, verifica-se a importância da identificação precoce de excesso de peso em crianças para diminuir o risco de se tornarem adultos obesos. 28 Nolasco (1995), diz que o diagnóstico da obesidade, em crianças e adolescentes faz-se por meio da avaliação da sua composição corporal. A maioria dos estudos epidemiológicos tem utilizado como critério diagnóstico da obesidade a relação peso/ altura ou Índice de Massa Corporal. Alguns métodos indiretos são utilizados para se medir a quantidade de gordura corporal. Vale lembrar que cada um deles possui vantagens e desvantagens na sua utilização. São exemplos: pesagem hidrostática; medidas de dobras cutâneas, através do compasso; e bioimpedância (RAMOS, 2002). De conformidade com as diretrizes, a análise da obesidade envolve a avaliação de duas medidas simples, altura e peso, para calcular o Índice de Massa Corporal, definido como peso em quilogramas dividido pela altura em metros quadrados (kg/m²). Como o IMC descreve o peso corporal relativo à altura, apresenta uma íntima correlação com o conteúdo total de gordura corporal nos adultos. Um Índice de Massa Corporal entre 25 e 29,9 é considerado como indicando excesso de peso; a obesidade é apontada por um Índice de Massa Corporal de 30 ou mais (ACSM, 2003). A Organização Mundial de Saúde considera a antropometria como um importante método diagnóstico, utilizado em estudos populacionais e na prática clínica, fornecendo estimativa da prevalência e gravidade das alterações nutricionais. E destaca, que a avaliação antropométrica, mesmo quando restrita ao peso e estatura assumem grande importância no diagnóstico nutricional da criança. Isto se deve à sua facilidade de realização, objetividade da medida e possibilidade de comparação com um padrão de referencia de manuseio relativamente simples, principalmente em estudos populacionais (MORROW et al 2003; PANTALEÃO, 2012 ). Desta forma, a antropometria avalia tamanho, proporções e composição do corpo humano, sendo uma das ferramentas utilizadas para se analisar o estado nutricional. “Quando se trata de avaliar o percentual de gordura em crianças, percebe-se uma carência de técnicas disponíveis. Parece assim oportuno rever criticamente o uso do Índice de Massa Corporal, especialmente em crianças e adolescentes, se possível propondo alternativas que aliem simplicidade a uma maior coerência matemática e teórica” (GUEDES & GUEDES, 1998). A escola é um local propício e estratégico para medir, testar, avaliar, classificar e monitorar o estado nutricional de crianças e adolescentes. Visto que, há necessidade de uma identificação precoce de excesso de peso, de gordura corporal e sua distribuição, para um planejamento estruturado de ações em combate ao risco das doenças associadas, além da prevenção de se tornarem adultos obesos. 29 O tratamento da obesidade é complexo. Nieman (1999), diz que o tratamento da obesidade deve envolver três elementos indispensáveis: 1) dieta (para que haja um déficit negativo de calorias no corpo e a ingestão possa ser reduzida); 2) exercícios aeróbicos (para que o gasto energético seja aumentado no mínimo 200 a 400 calorias, ainda que aumente todas as formas de atividades físicas); e 3) modificação comportamental (obedecer às regras e os planos traçados pelas dietas e exercícios). Em relação ao tratamento dietético da criança obesa Vítolo & Valverde (1995) dizem que alguns erros alimentares podem estar presentes na gênese da obesidade, e para a reversão desse quadro é requerido que a intervenção dietética faça parte de um tratamento que envolva equipe multiprofissional, mesmo porque o erro alimentar é muitas vezes reflexo de desequilíbrio emocional ou de dinâmica familiar comprometida. Em geral, orientam-se crianças e adolescentes a diminuírem a quantidade de alimentos ricos em lipídios. Vítolo & Valverde (1995) ressaltam que a criança ou adolescente obeso come como forma de satisfação emocional. Portanto, impor regras rígidas é o mesmo que ignorar o importante papel do cérebro na regulação da ingestão alimentar e que este vai continuar enviando mensagens enquanto não estiver satisfeito. Em relação ao tratamento de indivíduos com um aumento no número de células adiposas Astrand & Rodahl (1980) dizem que o tratamento da obesidade é particularmente difícil nesses indivíduos. O tratamento da obesidade deve incluir alterações gerais na postura familiar e da criança, em relação a hábitos alimentares, tipo de vida, atividade física e correção alimentar de longa duração. Isto deve levar em conta a potencialidade da criança, sua idade, a participação da família e de uma equipe multidisciplinar integrada, que modifique todo seu comportamento (FISBERG, 2006). McArdle et al (2008), dizem que os indivíduos com sobrepeso não costumam comer mais, em média, que as pessoas de peso normal. Portanto não é prudente enfatizar a diminuição da ingestão alimentar como fator único no tratamento da obesidade. 2.3.1 EXERCÍCIO FÍSICO E OBESIDADE Existe uma relação íntima entre calorias (energia ingerida) peso corporal e gasto energético (quantidade de calorias utilizada pelo organismo). Ramos (2002), complementa dizendo que ao se ingerir mais energia (caloria) do que o necessário 30 utilizado pelo organismo, o peso corporal aumenta, ao passo que se gasta a mesma quantidade de energia em relação à que foi ingerida, o peso corporal se mantém constante. O exercício regular exerce uma poderosa influencia no sentido de aumentar a sensibilidade à insulina, independentemente dos níveis de gordura corporal, reduzindo assim a necessidade de insulina para uma determinada captação de glicose. As duas formas principais em que o organismo gasta energia são: metabolismo basal e atividade física. (RAMOS, 2002; ACSM, 2003). “A quantidade de gordura utilizada durante o exercício depende do tipo de exercício. Exercícios prolongados com baixa intensidade aumentam a dependência de gordura, que pode contribuir com 80% ou mais das necessidades de energia no músculo. Se a intensidade do exercício aumenta, a dependência de gordura diminui” (Barbanti, 1990). A realização do exercício aumenta o consumo de oxigênio, que é utilizado na oxidação das gorduras. O treino também aumenta os níveis das enzimas que utilizam gordura. Particularmente as enzimas envolvidas na beta oxidação. Uma dessas enzimas é a carnitina aciltransferase, que atua em conjunto com a carnitina no transporte de gordura. O resultado final é um aumento da capacidade geral do músculo em queimar gorduras para energia. Por isso o treinamento aumenta a utilização da gordura pelos músculos e por outros tecidos. (BARBANTI, 1990) A gordura intracelular e extracelular supre entre 30 e 80% da energia para atividade física dependendo do estado nutricional e de aptidão e da intensidade e duração do exercício. (McARDLE et al, 2008). A quantidade de gordura utilizada para obtenção de energia no exercício leve e moderado é três vezes maior que aquela utilizada em condições de repouso. Recomenda-se que tanto um aumento no dispêndio (gasto) calórico através do exercício quanto uma redução na ingesta calórica devem ser usados para alcançar essa meta. O exercício faz aumentar o dispêndio calórico e torna mais lento o ritmo de perda de tecido isento de gordura que ocorre quando alguém perde peso por acentuada restrição calórica. O exercício ajuda também a manter a taxa metabólica de repouso (basal), o que contribui muito para o dispêndio calórico diário (ACSM, 2003). “A restrição de alimentos sem exercício resulta na diminuição do metabolismo, provavelmente devido à perda substancial de massa corporal magra. Calcula-se que cerca de 40% do peso perdido só com dieta é de massa magra” (BARBANTI, 1990). Antes de iniciar qualquer tipo de treinamento com obesos é de fundamental importância que o mesmo passe por uma avaliação médico-funcional, para que se tenha, 31 além de uma garantia de saúde e de um padrão de comparação futuro, um ponto de partida para a elaboração do treinamento (RAMOS, 2002). O ACSM (2003) afirma a importância de se fazer uma entrevista prévia com o participante obeso para determinar a história pregressa em relação ao exercício, as possíveis dificuldades de programação e os locais onde o exercício poderia ser realizado (p.ex., clube desportivo, casa, rua, ginásio da escola ou pista). Isso pode aumentar a adesão e a concordância para o programa de exercícios. Um fato bastante interessante é o de que com adaptação ao treinamento aeróbio, parece acontecer uma hipertrofia da glândula tireóide, bem como o aumento nas taxas dos hormônios T3 e T4. Esses hormônios agem no sentido de aumentar o metabolismo basal, o que é bastante interessante para quem quer emagrecer e também para aquele que tem o objetivo de se manter magro. Esses hormônios “tireoideanos” exercem grande influência no metabolismo das gorduras, pois com sua ação lipolítica aumentam a quantidade de ácidos graxos livres, colocando assim a gordura disponível para ser consumida pelo organismo (RAMOS, 2002). O ACSM (2003) ressalta dois elementos de suma importância antes de iniciar a prática física. São eles: a triagem inicial e os testes de aptidão. Na triagem têm-se como exemplos de finalidades: a identificação de indivíduos com contra-indicações médicas para o exercício e a identificação dos níveis de riscos que o indivíduo possui. Nos testes de aptidão incluem as seguintes finalidades: educação dos participantes de seu atual estado de aptidão em relação aos padrões relacionados à saúde e às normas correspondentes para a idade e sexo; e fornecimento de dados úteis na elaboração das prescrições dos exercícios de forma a abordar todos os componentes da aptidão. Recomendações do ACSM (2003) baseando-se nas diretrizes acerca do teste de esforço e de sua prescrição para indivíduos obesos: métodos dos testes de esforço: métodos e protocolos padronizados, o uso de cicloergometria ou ergometria para membros superiores pode aprimorar a capacidade de realizar exercícios. Prescrição do exercício: freqüência: 5 dias na semana, ou diariamente, duração: 40/50-70% do VO²máx. Inicialmente enfatizar o aumento de duração e não da intensidade com o objetivo de otimizar o dispêndio calórico; uso de modalidades de atividades de baixo impacto; o treinamento de força pode funcionar como um coadjuvante valioso para o treinamento aeróbico. Precauções para com o exercício: maior risco de lesão ortopédica, de doença cardiovascular e de hipertermia; adotar as precauções apropriadas; poderá ser necessária a modificação do equipamento, por exemplo: assentos largos nas bicicletas ergométricas e nas máquinas de rema-rema. 32 A prescrição inicial do exercício deve basear-se em uma baixa intensidade e em durações da atividade progressivamente mais longas. Com a base na resposta de cada pessoa ao programa inicial de exercícios, o profissional dessa área terá que trabalhar eventualmente no sentido de aumentar a intensidade de forma a conduzir a pessoa a uma variação da freqüência cardíaca alvo apropriada para condicionamento cardiorrespiratório. A intensidade mais alta tornará possível uma menor duração das sessões, ou um menor número de sessões por semana para obter o mesmo dispêndio energético semanal, e proporcionar um maior número de oportunidades para incorporar as atividades vigorosas na vida diária (ACSM, 2003). Para que se tenha efeito de treinabilidade, em qualquer capacidade física é necessário que o indivíduo treine pelo menos três vezes semanais, sendo considerada como ideal para o emagrecimento, uma freqüência de cinco vezes por semana, devido à necessidade de se elevar o gasto calórico (RAMOS, 2002). As necessidades e os objetivos do indivíduo obeso devem ser adequados individualmente com o programa apropriado de exercícios para conseguir o controle ponderal a longo prazo (ACSM, 2003). As atividades neuromusculares devem ser realizadas para que se criem condições de suportar o stress criado pela obesidade nas articulações e também para que a performance, guardadas as devidas proporções, na atividade aeróbia não fique dificultada por fatores como a dor lombar (lombalgia), por exemplo. Além disso, é claro, essas atividades também promovem gasto calórico. Outro ponto que demonstra a grande importância desse tipo de atividade para o emagrecimento é o fato de essas atividades, principalmente a musculação, aumentarem a massa muscular. Essa adaptação fisiológica leva ao aumento do metabolismo basal. Com isso o organismo torna-se menos econômico, gastando, então mais caloria em repouso (RAMOS, 2002). A maioria das orientações com relação à introdução da atividade física num programa de emagrecimento se limitava somente aos exercícios aeróbios. O motivo principal desta escolha era que somente durante este tipo de exercício a gordura é utilizada como fonte de energia. Apesar desta afirmação com relação ao substrato utilizado ser verdadeira, vários fatores não eram considerados na escolha, como por exemplo, a massa corporal magra e o metabolismo basal pós-exercício (CAMPOS, 2001). “A quantidade e o tipo de exercício a serem recomendados às crianças pequenas e aos adolescentes ainda não foram definidos com exatidão, mas devem ser individualizados com base no nível de habilidade e nas experiências prévias com os exercícios” (ACSM, 2003). 33 Vários departamentos de saúde encorajam todas as pessoas com mais de 6 anos de idade a acumular pelo menos 30 minutos de atividade física de intensidade moderada na maioria e, preferencialmente, em todos os dias da semana. Nas crianças muito pequenas, a ênfase deve ser dirigida ao jogo ativo (e não ao exercício), ao divertimento e às atividades criativas que envolvam períodos contínuos de atividade. Nas crianças maiores, 20 a 30 minutos de exercício vigoroso pelo menos 3 vezes na semana são encorajados para obter maiores benefícios. As crianças devem ser encorajadas a participar de uma ampla variedade de atividades musculares que exercitem os principais grandes grupos musculares e que incluam atividades com sustentação do peso do corporal capazes de aprimorar o desenvolvimento das habilidades básicas, o controle do peso, a aptidão aeróbica e o conteúdo mineral dos ossos (ACSM, 2003). O ACSM (2003) descreve as finalidades do programa para crianças: redução do peso corporal e da gordura; condicionamento; socialização e melhor auto-estima. Atividades recomendadas: com alto dispêndio calórico, porém exeqüível para criança; caminhada, jogos recreativos, natação. “Da antiguidade até o presente, a atividade física regular desempenhou um papel importante, juntamente com a restrição dietética, no sentido de preservar uma composição corporal saudável e um alto nível de função fisiológica” (McARDLE et al, 2008). O treinamento de força pode ser considerado um componente indispensável em um programa que objetive a prevenção de um estado saudável, ou mesmo a reversão ou otimização dos fatores de risco já instalados. O treinamento físico age na perda de peso corporal pelo fato de aumentar o gasto energético total e o consumo de oxigênio pós-exercício, aumenta a termogênese induzida pelo alimento e a atividade da leptina, contribui para o ganho de massa corporal magra e diminui o tecido adiposo visceral (o maior determinante da síndrome). O treinamento físico também pode contribuir para a melhoria da homeostase da glicose sangüínea, aumentando a sensibilidade dos receptores celulares à insulina podendo dessa forma exercer um papel fundamental no controle do diabetes mellitus (CAMPOS, 2001). Nieman (1999), diz que se as crianças e os jovens são auxiliados a se manter ativos e magros, o risco de obesidade num período posterior da vida pode ser reduzido [...] se a criança evitar a obesidade, outros fatores de risco podem ser controlados mais facilmente. Um benefício adicional do exercício regular inclui uma redução no ritmo de perda relacionada à idade na massa muscular, possível prevenção da obesidade com início na vida adulta, uma melhora nas co-morbidades relacionadas com obesidade, mortalidade 34 reduzida e efeitos benéficos sobre as doenças crônicas existentes (ACSM 2003; McARDLE et al 2008; NIEMAN 1999). Em relação à efetividade do programa de exercício McArdle et al ( 2008), afirmam a necessidade da prescrição adequada baseada em três elementos: a) duração: a duração do exercício afeta a perda de gordura. b) freqüência: exercitar-se por um mínimo de 3 dias por semana a fim de alterar favoravelmente a composição corporal; o dispêndio calórico adicional imposto pelo exercício mais frequente produz resultados ainda maiores; e c) intensidade: o estágio inicial de um programa com exercícios para redução ponderal de uma pessoa excessivamente obesa, mas sedentária deve ser progressivo e com demandas energéticas moderadas. Sabe-se que os exercícios físicos desempenham um papel importante e mostramse cada vez mais essências no tratamento contra o excesso de gordura corporal. Um dos exemplos já citados nesse contexto é que o exercício físico mantém a massa corporal magra, ativa mecanismos de oxidação da gordura, e mantém o organismo em um estado adequado de funcionalidade, consequentemente sem prejuízos a saúde. 2.4 OBESIDADE INFANTIL A organização Mundial de Saúde sinaliza que a prevalência de sobrepeso e obesidade aumenta em ritmo alarmante em todo o mundo, não só nos países desenvolvidos como também nos países em desenvolvimento. Em países em desenvolvimento como o Brasil, a curva de sobrepeso e obesidade nas diferentes regiões e níveis socioeconômicos está subindo ao contrário dos níveis de desnutrição, que vêm caindo. Na cidade de Santos, no mesmo estado, um estudo populacional realizado pela secretaria da saúde do município, universidade São Marcos e o centro de Adolescentes da UNIFESP, mostra que mais de 30% dos escolares de 7 a 10 anos da cidade apresentavam excesso de peso. Em escolas privadas, a taxa de excesso de peso, chegava a 50%, determinando a adoção imediata de medidas de prevenção e intervencionismo (FISBERG, 2006). O aumento na obesidade em crianças e adolescentes durante a última década é atribuído, em grande parte a inatividade física. À medida que as crianças entram nos anos de adolescência e de adultos jovens, os níveis de atividade física sofrem um grande declínio. Inatividade e obesidade, quando persistem até a vida adulta, estão associadas a 35 um maior risco de surgimento de doença cardiovascular, diabetes e outros problemas de saúde (ACSM, 2003). “Já está bem estabelecida na literatura, que em quase todos os países industrializados do mundo, e também nos países em desenvolvimento, tem ocorrido um aumento alarmante da prevalência de obesidade entre crianças e adolescentes nas últimas quatro décadas” (PETROSKI, 2011). Durante a infância e um pouco da adolescência as células adiposas aumentam em número e tamanho. Nos adultos, os números de células se tornam fixam e elam aumentam somente no tamanho. A perda de peso resulta apenas na diminuição do tamanho das células adiposas, não em número. Por isso, o ideal seria prevenir o desenvolvimento inicial das células adiposas durante o período de crescimento (BARBANTI, 1990). A obesidade na infância pode fazer aumentar o número de células adiposas, gerando uma predisposição para um subseqüente excesso de peso e de gordura. “A alta prevalência da obesidade infantil e suas conseqüências no desenvolvimento psicossocial contribuem para que os riscos inerentes persistam na vida adulta” (DÂMASO et al, 1995). Esta tendência é preocupante, particularmente em razão de uma substancial proporção de crianças obesas se tornarem também adultos obesos. Segundo o Conselho Latino Americano em Obesidade as crianças possuem um maior risco de se tornarem adultos obesos, e 40% das crianças obesas se tornam adolescentes obesos, e dos adolescentes obesos, 80% se tornam adultos obesos. Crianças e adolescentes com sobrepeso, independentemente do peso corporal final na condição de adultos, comportam um risco mais alto de uma ampla gama de enfermidades como adultos que os adolescentes com um peso normal (McARDLE et al, 2008; FISBERG, 1995). Para enfrentar os problemas associados à obesidade, devemos monitorar as alterações da gordura corporal (durante as fases da vida), com o intuito de avaliar a efetividade da dieta e do exercício no combate a incidência da obesidade infantil (POWERS & HOWLEY, 2000). A genética influencia o acúmulo de gordura corporal. Segundo McArdle et al (2008) se uma criança com menos de 10 anos, independentemente do peso atual, possui um ou ambos os progenitores obesos, essa criança comportará um risco mais de duas vezes maior de tornar um adulto obeso. Os fatores que influenciam ou predispõem o desenvolvimento da obesidade, as implicações associadas, e a educação para um peso corporal saudável, deveriam ser 36 tematizados nas aulas de Educação Física e assim como nas demais disciplinas escolares. Outros temas, correlatos, igualmente importantes poderiam ser agregados ao ensino da Educação Física, que são os fatores que afetam a participação em atividades físicas. A compreensão das barreiras para a prática de atividades físicas, forma a base sobre a qual pode-se aconselhar os escolares a adotar um estilo de vida saudável com vistas à aquisição de uma composição corporal saudável (PETROSKI, 2011). Destaca-se que na escola os professores de Educação Física têm a oportunidade ímpar de realizar mensurações de massa corporal, estatura, perímetros e dobras cutâneas. (PETROSKI, 2011). Essas medidas possibilitam uma fonte rica de informações que poderiam ser exploradas pelos professores na Escola. Segundo Heyward e Stolacyk (2000), os estudantes deveriam ser ensinados e motivados sobre como conseguir e manter níveis de gordura corporal saudáveis. 2.5 COMPOSIÇÃO CORPORAL A composição corporal é a quantificação dos principais componentes estruturais do corpo humano. Tradicionalmente, o termo composição corporal refere-se à estimativa da gordura corporal no simples fracionamento do corpo em dois componentes, massa de gordura e massa corporal magra (PETROSKI, 2011). Composição corporal refere-se ao percentual de peso corporal representado por gordura e tecido isento de gordura. A composição corporal pode ser estimada com as técnicas tanto de laboratório quanto de campo que variam em termos de complexidade, custo e exatidão (ACSM, 2003). A composição corporal é utilizada nas áreas de Educação Física, Ciências dos Esportes, Medicina Esportiva e outros (FERNANDES FILHO, 2003; PERES 2012). “Embora o corpo seja constituído de numerosos elementos, os cientistas, para fins didáticos, sugeriram um modelo para o fracionamento do corpo em dois componentes: a massa de gordura e a massa corporal magra ou massa corporal livre de gordura” (Petroski, 2011). A quantidade de gordura corporal é determinada avaliando-se a massa gorda e a massa livre de gordura do indivíduo. Heyward & Storlarczyk (2000), dizem que a massa gorda inclui todos os lipídios que podem ser extraídos do tecido adiposo e outros tecidos. A massa livre de gordura consiste em todos os tecidos e substâncias residuais, incluindo água, músculos, ossos, tecidos conjuntivos e órgãos internos. 37 Na aptidão física relacionada à saúde, a medida da composição corporal consiste em estimar o percentual de gordura corporal da pessoa, o que requer que a densidade do seu corpo seja determinada (MORROW et al, 2003). Durante o crescimento e o desenvolvimento, a composição corporal sofre alterações, consideradas fisiológicas, na composição da massa gorda e da massa isenta de gordura (NOLASCO, 1995). De acordo com McArdle et al (2008) cinco razões principais justificam uma avaliação precisa da composição corporal em um programa abrangente de aptidão física total: 1. Proporciona um ponto de partida no qual poderão basear-se as decisões atuais e futuras acerca da perda de peso e do aumento de peso; 2. Proporciona objetivos realistas acerca da melhor maneira de conseguir um equilíbrio “ideal” entre a gordura corporal e os compartimentos isentos de gordura; 3. Relaciona-se com o estado de saúde geral e desempenha um papel importante nos objetivos relacionados com a saúde e com a aptidão para todos os indivíduos; 4. Monitora as mudanças nos componentes adiposos e magros durante os esquemas de exercícios com diferentes durações e intensidades; 5. Permite aos profissionais da área da saúde (nutricionista do esporte, dietista, treinador pessoal, técnico, treinador atlético, fisioterapeuta, médico, líder do exercício) interagirem com os indivíduos com os quais lidam a fim de proporcionarem informação de qualidade relacionada com nutrição, controle de peso e exercício. Determinar a composição corporal de crianças é importante por ser um indicador fundamental para o monitoramento das alterações do crescimento, do desenvolvimento e do nível de gordura corporal. (HEYWARD & STOLARCZYK, 2000). No entanto, o mais relevante segundo Petroski (2011) é o monitoramento da gordura corporal, pois agora, a obesidade é considerada como uma das maiores causas de doenças nos países desenvolvidos. 2.6 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Existem inúmeros métodos para medir a densidade e a porcentagem de gordura corporal, incluindo os seguintes: análise química de cadáveres; pesagem hidrostática; ultra-som; antropometria (dobras cutâneas e circunferências); e impedância bioelétrica (MORROW et al, 2003). 38 De acordo com Costa (2001), existem várias técnicas para determinar a composição corporal (gordura corporal), podendo-se classificar estes procedimentos de determinação em métodos direto, indiretos e duplamente indiretos. a) O método direto é aquele em que há a separação e a pesagem de cada um dos componentes corporais isoladamente, o que só é possível por dissecação de cadáveres. b) Os métodos indiretos são aqueles nos quais não há a manipulação dos componentes separadamente, mas a partir de princípios químicos e físicos que visam à extrapolação das quantidades de gordura e de massa magra. c) Os métodos duplamente indiretos são aqueles validados a partir de um método indireto. Os procedimentos de dissecção química e anatômica proporcionam dois métodos diretos para estudar a composição do corpo humano. Método químico quantifica a água corporal, os lipídios, as proteínas e vários elementos minerais nos diferente tecidos e no corpo com um todo. A dissecção anatômica reparte o corpo em componentes que incluem pele, músculo, tecido adiposo, ossos e órgãos inteiros (McARDLE et al, 2008). Duas abordagens avaliam diretamente a composição corporal. Uma técnica dissolve o corpo em uma solução química para determinar sua mistura de componentes de gordura e isentos de gordura. A outra disseca fisicamente a gordura, o tecido adiposo isento de gordura, o músculo e o osso (McARDLE et al, 2008). A dissecação de cadáveres é a única metodologia considerada direta. Neste método ocorre a separação dos diversos componentes estruturais do corpo humano, a fim de verificar sua massa isoladamente e estabelecer relações entre eles e a massa corporal total. Desta forma, podemos perceber a dificuldade de estudos envolvendo este procedimento, o que justifica a pequena quantidade de pesquisas com cadáveres e a utilização de metodologias mais acessíveis (COSTA, 2001; NOLASCO, 1995). Os métodos indiretos como citado anteriormente, são aqueles em que não há a manipulação dos componentes separadamente, pois realizam suas estimativas a partir de princípios químicos e físicos que visam à extrapolação das quantidades de gordura e de massa magra. Entre os métodos indiretos podemos citar os métodos químicos com contagem de potássio radioativo (k⁴° K ⁴²), a diluição de óxido de deutério, a excreção de creatinina urinária etc. Com relação aos métodos físicos, os mais conhecidos são o ultrasom, o raio X, a absortometria de raio X de dupla energia, a ressonância nuclear magnética e a densitometria. Entre os métodos indiretos, a pesagem hidrostática (também conhecida como pesagem subaquática ou densitometria) tem sido considerada como referência para 39 avaliação de métodos duplamente indiretos, esta técnica para medir a composição corporal baseia-se no princípio de Arquimedes, o qual estabelece que, quando o corpo é imerso em água, é repelido por uma força contrária igual ao peso da água deslocada. Essa perda de peso na água, corrigida pela densidade da água, permite calcular o volume corporal. Os tecidos ósseos e musculares são mais densos que a água, enquanto o tecido adiposo é menos denso. Portanto, uma pessoa com mais massa livre de gordura para a mesma massa corporal total pesa mais na água e possui uma densidade corporal mais alta e um percentual mais baixo de gordura corporal (ACSM, 2003). O volume corporal é igual à perda de peso na água com a correção apropriada da temperatura para a densidade da água (McARDLE, 2008). A bioimpedância elétrica é um método de custo moderado, cujo aparelho é portátil. Apresenta boa aceitação para avaliar a composição corporal em crianças devido à rapidez dos resultados e por ser um método não invasivo. Em sua metodologia utiliza a resistência corporal total e a reatância, medidas por meio de corrente elétrica aplicada ao organismo, e fornece estimativa de massa livre de gordura e, conseqüentemente, massa gorda. Baseia-se no teor de eletrólito e uma maior condutividade de massa livre de gordura (COSTA, 2001; NOLASCO, 1995). Em geral, a previsão do percentual de gordura a partir das mensurações de AIB é semelhante às das dobras cutâneas, desde que seja adotado o protocolo recomendado (ACSM, 2003). É um método de avaliação da composição corporal altamente aceito pela comunidade científica e muito utilizado em clínicas médicas, de estética e em academias. (PETROSKI, 2011). Existem duas modalidades de análise por impedância bioelétrica. Na impedância bioelétrica com uma única freqüência baixa, uma pequena corrente alternante que flui entre dois eletródios passam mais rapidamente através dos tecidos corporais isentos de gordura hidratados e da água extracelular que através da gordura ou dos tecidos ósseos, por causa do maior conteúdo eletrolítico (resistência elétrica mais baixa) do componente isento de gordura. A impedância bioelétrica de freqüência múltipla envia uma corrente elétrica com múltiplas freqüências para detectar minúsculas mudanças nos compartimentos hídricos do corpo (McARDLE et al, 2008). Através da densitometria a composição corporal pode ser estimada a partir de uma mensuração da densidade corporal total, utilizando a relação entre o peso corporal e volume corporal. Nesta técnica, que foi utilizada como padrão de referência ou normativo para determinar a composição corporal, o corpo é dividido em dois compartimentos: a massa de gordura e massa isenta de gordura o fato limitante na mensuração da densidade corporal é a exatidão da mensuração da densidade corporal, pois a massa corporal é medida simplesmente como peso corporal. O volume corporal pode ser 40 medido por pesagem hidrostática (subaquática) ou por plestismografia (ACSM, 2003). Densitometria consiste na medição da densidade da área gorda (que se modifica pouco com a idade) a da MIG. Necessita de equipamento altamente especializado e, segundo alguns autores, é um método duvidoso quando aplicado em crianças, idosos, gestantes ou indivíduos edematosos. (NOLASCO, 1995). A composição corporal também pode ser avaliada pela Dual Energy X - Ray Absorptiometry é uma técnica não invasiva, consiste na emissão de raios X, com dois níveis de energia diferentes (40 e 80 KV). Ambos os raios são atenuados na sua passagem pelo corpo, mas a extensão e a relação de atenuação dependem da massa e do tipo de tecido a penetrar (massa livre de gordura ou mineral-ósseo). Este método apresenta vantagens teóricas e práticas sobre qualquer outro, podendo nos dar informações sobre a distribuição da gordura entre o tronco e os membros, o que consiste num preditor importante da morbidade / mortalidade [...] fornece-nos também dados importantes sobre a massa muscular dos membros, que corresponde a 75% da musculatura corporal, e que é difícil de se obter por outras técnicas. Este método possibilita, ainda, a detecção de pequenas alterações na gordura (<2 a 3%) e na massa livre de gordura. (NOLASCO, 1995). É uma nova tecnologia que pode ser usada para determinar o mineral ósseo total assim como para fazer as estimativas regionais dos tecidos ósseos, adiposos e magros. Utiliza o modelo de três componentes para predizer a adiposidade corporal e comporta certas vantagens sobre a técnica da densitometria. A Dual Energy X - Ray Absorptiometry é encontrada tipicamente em um ambiente clinico e pode ser usada para medir a composição corporal durante a vida inteira (ACSM, 2003; PETROSKI, 2011). A técnica através da tomografia computadorizada sua precisão é de 2 a 4%, no entanto a sua acurácia é prejudicada pela variação do teor de gordura no corpo vertebral, subestimado a densidade trabeculado adulto, em 10 a 15%. Em crianças pequenas, o teor de gordura nesta área é muito pequeno, o que lhe confere uma maior exatidão; a sua maior desvantagem consiste na elevada dose de radiação (>200mRem), o que contraindica o seu uso em estudos longitudinais, principalmente em crianças (NOLASCO, 1995). “A principal limitação a estas técnicas é seu alto custo. A literatura é escassa em trabalhos sobre composição corporal com este método em crianças e adolescentes” (NOLASCO, 1995). A antropometria trata do estudo do homem, isto é, o estudo do corpo e da mente e sua inter-relações. É a ciência que estuda e avalia as medidas de tamanho, massa e proporções do corpo humano (FERNANDES FILHO, 2003; MATHEWS, 1980; PETROSKI 41 & AÑEZ, 2011). Refere-se à medida do tamanho e da proporção do corpo humano (HEYWARD & STOLARCZYK, 2000). Para Michels apud Martins & Waltortt (2011), antropometria pode ser definida como parte da Antropologia que estuda as proporções e medidas do corpo humano. As medidas antropométricas permitem o monitoramento de mudanças relacionadas à forma, a proporção e a composição do corpo, e isto, se aplica em programas de prevenção, intervenção e controle. A utilização dessas medidas é valida para todas as faixas etárias, sendo assim importante em todas as fases da vida. E mesmo com característica individual, as medidas podem refletir as condições de saúde e socioeconômicas de grupos populacionais. Fazem parte dos métodos antropométricos as mensurações de altura, peso, circunferências e dobras cutâneas que são usadas para estimar a composição corporal. Embora o método das dobras cutâneas possa ser o mais difícil, ele proporciona melhores estimativas da adiposidade corporal que aqueles baseados apenas na altura, no peso e nas circunferências (ACSM, 2003). Na infância, a avaliação antropométrica justifica-se pela vulnerabilidade deste grupo etário a distúrbios no crescimento que precedem outras manifestações da desnutrição energético-protéica, caracterizando assim a antropometria, como um método diagnóstico precoce deste distúrbio (MONTEIRO et al, 1984). O Índice de Massa Corporal é um dos métodos antropométricos mais utilizados para avaliar a “normalidade” do peso corporal. As medidas das dobras cutâneas são consideradas como padrão ouro dentre as medidas antropométricas existentes, para avaliar a composição corporal e o risco de doença. As circunferências revelaram-se extremamente úteis para classificar os indivíduos dentro de determinado grupo de acordo com a adiposidade relativa (McARDLE et al, 2008). A circunferência da cintura é dividida pela circunferência do quadril. Relações maiores que 1,0 para pessoas do sexo masculino e 0,80 para as do sexo feminino, estão associados a um risco significativamente maior de doença cardíaca coronariana (MORROW et al, 2003). “Para crianças e adolescentes, a distribuição central de gordura corporal está associada a níveis sanguíneos mais altos de colesterol, tricilgliceróis e insulina e a um colesterol HDL mais baixa, além de uma pressão arterial elevada e uma maior espessura da parede do ventrículo esquerdo” (McARDLE et al, 2008). De acordo com Pires-Neto et al (2011) pode-se chegar mais próximo possível da exatidão, desde que sejam tomadas algumas precauções: a) Efetuar duas ou três medições para cada medida antropométrica; b) Empregar a mesma padronização na 42 mensuração de todos os avaliados; c) Utilizar o mesmo instrumento de mensuração em todos os avaliados; d) Utilizar instrumentos calibrados para evitar erros não aleatórios, entre outros. 2.7 ÍNDICE DE ADIPOSIDADE CORPORAL (IAC) Pesquisadores do Departamento de Fisiologia e Biofísica, da Escola Keck de Medicina da Universidade do Sul da Califórnia, Los Angeles, EUA. Estão propondo um novo método como alternativa mais fidedigna para quantificar a gordura corporal, este método é o Índice de Adiposidade Corporal, que segudo Bergman et al (2011), pode ser usado para verificar o percentual de gordura corporal em homens e mulheres adultos de diferentes etnias, sem correção numérica. De acordo com Bergman et al (2011) “a obesidade é um problema que cresce nos Estados Unidos e em todo o mundo”. Acrescentam dizendo que a obesidade é um fator de risco para muitas doenças crônicas. O Índice de Massa Corporal tem sido utilizado para avaliar a gordura corporal por quase 200 anos. Esse índice é conhecido por ser de uma precisão limitada (BERGMAN et al 2011; SILVA et al 2011). Referente a isso Bergman et al (2011) dizem que o Índice de Massa Corporal difere o resultado de homem e mulher com percentual de adiposidade similares. E o Índice de Adiposidade Corporal é definido como um parâmetro alternativo. Em pesquisa publicada na Revista Obesity em 2011, foi apresentado o novo índice de adiposidade corporal. O Índice de Adiposidade Corporal utiliza a medida do quadril e a altura. É através dessas duas medidas que Bergman et al (2011), propõem quantificar a gordura corporal. Para desenvolver o novo índice de adiposidade corporal, utilizou-se um estudo de população, o “BetaGene” estudo. Fizeram parte deste estudo americanos de origem mexicana e africana. A avaliação da gordura corporal, foi medida pela Absorciometria por dupla emissão de raios-X (é uma técnica de avaliação da composição corporal não invasiva, consiste na emissão de raios X, com dois níveis de energia diferentes), foi utilizado como "padrão ouro" para validação. Nesse estudo os pesquisadores supracitados verificaram que a circunferência do quadril (R=0,60) e a altura (R=-0,52), estão fortemente correlacionadas com o percentual de gordura corporal e, portanto, escolhido como principais medidas antropométricas sobre a qual basearam o Índice de Adiposidade Corporal. Bergman et al (2011) testaram 43 várias equações para checar qual corresponderia melhor à realidade. Eles tinham a porcentagem de gordura no corpo de duas populações estudadas antes, uma de 1.733 americanos descendentes de mexicanos, e outra de 223 afro-americanos. O Índice de Adiposidade Corporal considera as diferenças do quadril do homem e da mulher. Dessa forma, segundo Bergman et al (2011), esse novo método difere as características de adiposidade corporal, entre homens e mulheres. Neste sentido, a utilização da circunferência do quadril poderia supor uma importante vantagem conceitual do Índice de Adiposidade Corporal sobre o Índice de Massa Corporal. Pois, o Índice de Massa Corporal não considera as diferenças corporais entre homens e mulheres. A medida do Índice de Adiposidade Corporal feita em Africanos-americanos foi validada nos “triglicerídeos e risco cardiovascular. (BERGMAN et al 2011) Segundo Bergman et al (2011), a correlação entre o percentual de gordura estimado pela Absorciometria por dupla emissão de raios-X e o Índice de Adiposidade Corporal foi de R=0,85 para TARA com uma concordância de C_b =0,95. “O Índice de Adiposidade Corporal pode ser medido sem peso, o que pode torná-lo útil em situações onde medições de peso corporal precisa são problemáticas” (BERGMAN et al 2011). A fórmula do Índice de Adiposidade Corporal é um pouco mais complexa quando comparada com a fórmula do cálculo do Índice de Massa Corporal. A formula do Índice de Adiposidade Corporal é: [Quadril/(altura x √altura)] – 18. A fórmula conseguiu prever com precisão a gordura corporal nos casos acima de 20%; nos casos de gordura de 25% a 30%, a precisão foi total, erro de 0% na estimativa. Apenas nos casos de adiposidade abaixo de 10% a equação não foi tão precisa, indicando um erro de 17,4% a mais de gordura. Como forma conclusiva da pesquisa Bergman et al (2011) dizem que “[...] temos definido um novo parâmetro, o Índice de Adiposidade Corporal, que pode ser calculado a partir da circunferência do quadril e altura apenas. Ele pode ser usado na prática clínica, mesmo em locais remotos e com acesso muito limitado, a escalas de confiança. O Índice de Adiposidade Corporal estima o percentual de adiposidade diretamente”. Alguns estudos vêm corroborando com a aplicabilidade do Índice de Adiposidade Corporal. Assim como os dois estudos feitos por SULINO et al (2011) em homens e mulheres (brasileiros) com a faixa etária que correspondem de 18 a 65 anos, confirmam a viabilidade do Índice de Adiposidade Corporal como uma boa opção para a estimativa do percentual de gordura corporal. Em um estudo feito por Godoy-Matos et al (2012) que teve como objetivo avaliar o Índice de Adiposidade Corporal como um meio de avaliar a adiposidade em um grupo de mulheres com lipodistrofia parcial familiar (FPLD) e compará-lo com o Índice de Massa 44 Corporal. Teve como resultado que o Índice de Adiposidade Corporal pode tornar-se um indicador mais fiável do conteúdo de gordura corporal do que as medições atualmente disponíveis. Em estudo feito por Cerqueira (2011) que teve como objetivo verificar a validade do para predição da gordura corporal em mulheres brasileiras, o Índice de Adiposidade Corporal mostrou-se inadequado para a predição da gordura corporal para mulheres brasileiras. Em pesquisa feita por Lopéz et al, (2012) nas populações caucasianas os resultados do estudo sugerem que o Índice de Adiposidade Corporal é um bom instrumento para medir a adiposidade, tanto em pesquisa e na prática clínica devido, pelo menos em parte, com as vantagens sobre outros sistemas mais complexos mecânicos ou elétricos. Os autores complementam dizendo que de um modo geral, que o Índice de Adiposidade Corporal aparentemente não superara as limitações do Índice de Massa Corporal. Os resultados do estudo de Johson et al (2012) mostram que o Índice de Adiposidade Corporal fornece um melhor indicador da adiposidade no Europeu- americanos adultos que a de Índice de Massa Corporal, mas não fornece estimativas válidas da porcentagem de gordura, principalmente nos níveis mais baixos de gordura corporal . Em um estudo feito por Sun et al (2013) detectou que o método Índice de Adiposidade Corporal é uma melhor estimativa de adiposidade do que o Índice de Massa Corporal não-obesos em uma população caucasiana. "O número de pessoas estudadas ainda é pequeno para generalizar para a população mundial", diz Radominski, presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) em relação ao Índice de Adiposidade Corporal (NETO, 2011). 2.8 ÍNDICE DE MASSA CORPORAL (IMC) O pesquisador Quetelet observou que o peso corporal de adultos é proporcional à estatura. Encontrou-se a relação peso/estatura² de Índice de Massa Corporal, a partir de então, essa relação tornou-se bastante utilizada na avaliação morfológica de adultos, sendo preferível aos outros métodos, em virtude dos resultados do estudo apresentado, 45 bem como pela simplicidade para realização de suas medidas e cálculos Keys e col. apud Pitanga (2005). Os valores de índice de massa corporal podem ser utilizados tanto para diagnosticar sobrepeso e obesidade, quanto para diagnosticar desnutrição energética crônica. No entanto, existe certo impasse com relação a quais seriam os valores de corte para esses diagnósticos (ANJOS, 1992). Com o Índice de Quatelet ou Índice de Massa Corporal é possível de ser determinado a partir da razão entre o peso e a estatura ao quadrado. Por causa da simplicidade das medições e cálculos, o Índice de Quatelet ou Índice de Massa Corporal e as tabelas padronizadas são apropriados para a população em geral. No entanto, os atletas, principalmente aqueles que carregam uma massa adicional de músculos, são classificados como obesos ou com excesso de peso, quando são avaliados com estes métodos (CAMPOS, 2001). “O Índice de Massa Corporal é considerado o método antropométrico mais simples e preciso” [...] (NOLASCO, 1995). O Índice de Massa Corporal ou Índice de Quetelet é usado para determinar o peso em relação à altura, sendo calculado ao dividir o peso corporal em quilogramas pela altura em metros quadrados (kg/m²). Os problemas de saúde relacionados à obesidade aumentam com um Índice de Massa Corporal superior a 25 para a maioria das pessoas, sendo que o painel de peritos sobre a identificação, avaliação e o tratamento do excesso de peso e da obesidade em adultos listam um Índice de Massa Corporal de 25,0 a 29,9kg/m² para excesso de peso e um Índice de Massa Corporal acima ou igual a 30,0 Kg/m² para obesidade (ACSM, 2003; McARDLE, 2008). O índice de massa corporal é uma medida simples dos componentes do peso magro e do peso gordo utilizada na pesquisa epidemiológica que possui uma correlação moderadamente alta (r= 0,69) com a densidade corporal. No campo, o Índice de Massa Corporal pode servir como um substituto aceitável para as medidas de dobra cutânea em pessoas muito obesas; contudo, não o utilize em pessoas magras ou normais, para as quais as medidas de dobra cutânea são mais precisas (MORROW et al, 2003). Índice de Massa Corporal -para-idade a fim de identificar o número crescente de crianças e adolescentes na extremidade d=superior da distribuição que possuem sobrepeso (≤95º percentil) ou que correm risco de virem a ter um peso excessivo (≥85º percentil e ≤ 95º percentil). Limitações do Índice de Massa Corporal: A classificação atual para sobrepeso e obesidade pressupõe que a relação entre o IMC e percentual de gordura corporal e risco de doença continua sendo independente de idade, sexo, etnia e raça, porém isso não ocorre (McARDLE, 2008). 46 Um Índice de Massa Corporal alto poderia dar origem a uma interpretação incorreta de gordura excessiva em indivíduos magros com massa muscular excessiva, em virtude da constituição genética ou do treinamento com exercícios. Considerando as limitações da reprodutibilidade das medidas de dobras cutâneas, não é recomendável a mensuração de dobras cutâneas em indivíduos com Índice de Massa Corporal maior do que 30 (PETROSKI, 2011). “Não existe na literatura nacional uma definição clara de qual o padrão de referencia é o mais apropriado para avaliar baixo peso, o sobrepeso e a obesidade na população brasileira” (Pantaleão, 2012). De acordo com Heyward & Stolarczyk (2000), o uso do Índice de Massa Corporal para estimar a gordura não é recomendado, devido ao grande número de erros de predição associados a esse método. 2.9 DOBRAS CUTÂNEAS (DC) O uso das dobras cutâneas ou pregas cutâneas, como também são conhecidas, é um método duplamente indireto para mensuração da adiposidade corporal. As medidas de dobras cutâneas são utilizadas para estimar a composição corporal (BENEDETTI et al, 2011). Na avaliação da gordura corporal, destacam-se as medidas de dobras cutâneas, que medem a espessura dos tecidos subcutâneos, sendo largamente usadas para avaliação da obesidade entre adultos. As mensurações das dobras cutâneas proporcionam informação significativa acerca da gordura corporal e de sua distribuição (McARDLE, 2008). O tecido adiposo subcutâneo constitui aproximadamente 50 por cento do estoque adiposo; consequentemente, a medição das dobras cutâneas pode servir como propósito proveitoso para julgar a gordura total do corpo (MATHEWS, 1980). A pele humana tem 0,5 a 2 mm de espessura e, portanto a mensuração das dobras representa a gordura subcutânea (NOLASCO, 1995). A espessura de dobras cutâneas estabelece uma relação linear entre os pontos anatômicos pinçados e a adiposidade corporal, ou seja, pela determinação absoluta da espessura do tecido subcutâneo, expressos em milímetros (BENEDETTI et al, 2011). A medida das dobras cutâneas pode ser feita nas seguintes regiões: coxa, perna, tórax, abdome, braço, costas e pescoço. O lado direito do corpo é comumente usado; o 47 examinador aperta duas camadas de pele e gordura subcutânea entre seu polegar e seu dedo indicador (MATHEWS, 1980). Em crianças e adolescentes há outros fatores limitantes, pois a relação entre a espessura das dobras e a densidade corporal modifica-se em função da idade e do sexo, podendo adultos e adolescentes ter a mesma densidade corporal, porém espessuras diferentes. A relação entre as pregas cutâneas é também usada em vários estudos com crianças e adolescentes, principalmente a relação das pregas subescapular e tricipital (NOLASCO, 1995). O aumento do índice das dobras subescapular / tricipital está associado a altas concentrações de triglicerídios e baixas de HDL colesterol (OLIVEIRA et al, 1995). Existem diferentes equações para estimar esta composição, mas o mais importante é salientar que as equações foram criadas para populações específicas, generalizadas e podem produzir resultados distorcidos quando não são bem utilizadas. Portanto, é de primordial importância que ao mensurar as dobras cutâneas seja verificado qual o objetivo e qual a população que será mensurada (BENEDETTI et al, 2011). Conforme afirma Guedes (1994), no que se refere à mensuração do percentual de gordura corporal de crianças a partir das medidas de espessura das dobras cutâneas, o protocolo de Slaughter et al (1988) pode ser o mais recomendado, pois os autores se preocuparam em minimizar possíveis discrepâncias entre a estimativa e os valores reais de gordura corporal de crianças. Estes pesquisadores estabeleceram uma equação para crianças e adolescentes na faixa etária de 7 a 18 anos, utilizando as espessuras das dobras cutâneas, subescapular e tricipital (colhidas em milímetros, a fim de se obter valores mais precisos). Caso o somatório dessas dobras ultrapasse 35 mm, deve-se utilizar uma equação diferenciada, mantendo a confiabilidade dos resultados encontrados. A composição corporal determinada a partir das mensurações das dobras cutâneas correlaciona-se muito bem (r=0,70-0,90) com a composição corporal determinada por pesagem hidrostática. O principio básico para a técnica estabelece que a quantidade de gordura subcutânea é proporcional à quantidade total de gordura corporal. Entretanto, a proporção de gordura subcutânea-para-total varia com o sexo, idade e etnia. Portanto, as equações de regressão usadas para transformar a soma das dobras cutâneas em percentual de gordura deverão levar em conta essas variáveis para conseguir uma maior exatidão. A exatidão da previsão do percentual de gordura corporal a partir das dobras cutâneas é de ± 3,5%, admitindo-se que foram utilizadas as técnicas e equações apropriadas (ACSM, 2003). 48 Para medir a espessura das pregas cutâneas torna-se necessário pinçar firmemente uma prega de pele e de gordura subcutânea com o polegar e o indicador, afastando-a do tecido muscular subjacente, seguindo o contorno natural da prega cutânea. Quando calibrados, os ramos da pinça exercem uma tensão relativamente constate de 10g/mm² no ponto de contato com a dupla camada de pele mais tecido adiposo subcutâneo. O mostrador do compasso indica a espessura das pregas cutâneas em mm, registrada dentro de 2 segundos após aplicar toda a força do compasso. Essa limitação temporal evita a compressão da prega cutânea ao realizar a mensuração (McARDLE, 2008). Segundo Benedetti et al, (2011) Pode-se estimar a densidade e a quantidade de gordura corporal para: Identificar os riscos de saúde associados com o excesso ou déficit de gordura corporal; Controlar as mudanças na composição corporal associadas ao efeito da nutrição e do exercício; Estimar a massa corporal ideal; Acompanhar o crescimento, desenvolvimento, maturação e idade relacionados com as mudanças na composição corporal; Identificar nos pacientes os riscos de saúde associados com o acúmulo de gordura, principalmente a intra-abdominal; Formular recomendações dietéticas e prescrição de exercícios. Para medir as dobras cutâneas, é necessário a utilização de um equipamento específico conhecido como “compasso de dobras”, “espessímetro”, “adipômetro”, ou ainda, “plicômetro”. Este equipamento tem como objetivo medir a espessura do tecido adiposo em determinados pontos da superfície corporal. Vários modelos são apresentados pela literatura, porém os mais comuns no Brasil são: Lange, que permite a leitura com resolução de 1 mm, o Harpenden com resolução de 0,2 mm, e o CESCORF que apresenta as mesmas características do Harpenden. Todos os instrumentos apresentam pressão idêntica em todas as aberturas, de 10g/mm² (BENEDETTI et al, 2011). Geralmente, peritos concordam que o método de dobras cutâneas não deve ser utilizado para estimar a composição corporal de indivíduos obesos (HEYWARD & STOLARCZYK, 2000; PITANGA, 2005). A enorme dificuldade de mensuração das dobras cutâneas em indivíduos obesos (NOLASCO, 1995). 49 Segundo Benedetti et al (2011), é importante seguir algumas técnicas no momento de se fazer a mensuração das dobras cutâneas. Ao medir, é imprescindível a determinação exata do ponto anatômico minimizando as diferenças inter e intraavaliadores: Separar o tecido adiposo ou subcutâneo do tecido muscular, por meio dos dedos polegar e indicador da mão esquerda (para avaliador destro); Ajustar as extremidades do equipamento sobre o ponto anatômico; Fazer a pegada da dobra cutânea a um centímetro acima do ponto anatômico; Aguardar dois segundos para fazer a leitura; Realizar três medidas, não consecutivas, e se houver diferenças nos resultados entre 5 a 10%, realizar uma quarta ou reiniciar; Medir sempre no hemicorpo direito, estando o avaliado numa posição cômoda e com a musculatura relaxada. Indica-se a posição ortostática para a maioria das medidas; As hastes do compasso devem estar perpendiculares à superfície da pela no local da medida. “Observa-se na literatura que as equações dirigidas para estimar valores de densidade corporal e o percentual de gordura de crianças e jovens são poucas em relação à população adulta. Não é recomendado o uso de equações desenvolvidas para adultos em crianças e jovens, devido a sua maturidade química” (LOHMAN apud PETROSKI, 2011). No Brasil, parece que as equações de Boileau et al (1985) e as de Lohman (1988) para diferentes idades e suas constantes, bem como as de Slaughter et al (1986) para sexo, idade e nível maturacional, têm encontrado boa aceitação[...](PETROSKI, 2011). Dentre as poucas equações especificas para jovens apresentadas na literatura, as sugeridas por Slaughter são as que têm recebido maior aceitação (GUEDES & GUEDES, 2006). 3. METODOLOGIA 3.1 Tipo de Pesquisa Esse estudo corresponde à pesquisa de campo do tipo descritiva de abordagem quantitativa. Pesquisa de campo são aquelas em que as condições de controle das variáveis modificam com o ambiente e interferem na resposta [...] (MATTOS, 2004). Mattos (2004) diz que o método de pesquisa descritivo tem como características: observar, registrar, analisar, descrever e correlacionar fatos ou fenômenos sem manipulá- 50 los, procurando descobrir com precisão a freqüência em que um fenômeno ocorre e sua relação com outros fatores. De acordo com Richardson (2011), a pesquisa quantitativa significa transformar opiniões e informações em números para possibilitar a classificação e análise. 3.2 População O total de alunos matriculados na instituição de ensino pesquisada (escola particular) localizada na cidade de Porto Velho, com idade entre 9 e 10 anos (4º e 5º ano) era de 114 alunos. Foi encaminhado o termo de consentimento livre e esclarecido a todos os alunos que correspondiam a essa faixa etária, desses 74 foram devidamente assinados pelo responsável legal. No qual, foram avaliados 70 escolares. 3.3 Amostra Fez parte deste estudo uma amostra constituída por 70 indivíduos, sendo 56% (n=39) alunos do gênero masculino e 44% (n=31) do gênero feminino, devidamente matriculados em uma escola particular, da cidade de Porto Velho, RO. 3.4 Instrumentos de coleta de dados A avaliação antropométrica dos escolares foi realizada em ambientes fechados (salas, laboratórios), onde foram medidos o peso, a estatura, perímetro do quadril e as dobras cutâneas tricipital e subescapular e anotados em uma ficha de coleta individual (ANEXO 2). Para verificar o Índice de Adiposidade Corporal dos escolares, Índice de Massa Corporal e o percentual de gordura estimado pelas dobras cutâneas, o estudo utilizou como instrumento para a coleta dos dados: Uma balança eletrônica portátil modelo EB 1003-70 marca Caumaq LTDA, especificações: sensor de calibre de tensão; capacidade 150kg; capacidade mínima 2 kg; divisão 100g; classe de exatidão III; Um Estadiômetro da marca WISO, portátil, com dois metros (2m), resolução em milímetros (1mm); Uma trena antropométrica marca Cescorf, com precisão de 2 m/0,1 cm para a medida do perímetro do quadril; e 51 Um adipômetro científico marca Cescorf com escala de 0,1mm e pressão constante de 10g/mmm em qualquer ângulo de abertura, para as medidas das dobras cutâneas. Durante a medida teve-se 2 avaliadores e 1 pessoa responsável pela turma (professor de Educação Física). Cada um tinha uma função de total importância, sendo o avaliador (a) para manusear o equipamento e proceder à leitura; o avaliador (b) para anotar os resultados; e o (a) professor (a) de Educação Física para ordenar e orientar a turma de alunos. 3.5 Procedimentos para coletas de dados Para realização da coleta de dados realizou-se as seguintes etapas: Primeiramente, foi estabelecido um contato prévio com a escola explicando a finalidade do estudo; Depois de esclarecido os pontos convenientes da pesquisa, tivemos o aval e autorização da direção da escola; Após a autorização da direção da escola, o trabalho foi encaminhado para o Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Rondônia – CEP/UNIR. O total de alunos matriculados na escola com idade entre 9 e 10 anos (4º e 5º ano) era de 114 alunos. Foi encaminhado o termo de consentimento livre e esclarecido a todos os alunos que correspondiam a essa faixa etária, desses 74 foram devidamente assinados pelo responsável legal. Os escolares foram avaliados no espaço das aulas de Educação Física, em uma sala, onde poderiam ficar com as vestimentas adequadas para mensuração. Foram feitos pequenos grupos (por gênero) para entrarem na sala. Para coleta de dados o pesquisador recebeu auxílio dos professores de Educação Física com intuito de facilitar o andamento dos testes. Todos os resultados das avaliações foram encaminhados aos responsáveis das crianças que assinaram o termo de compromisso. Entregues individualmente em envelopes fechados com o nome do aluno. Além dos resultados foram encaminhados pequenos textos referentes à importância da atividade física complementada com uma alimentação adequada. 52 3.6 Critérios de inclusão Como critério de inclusão o estudo adotou: a) o aluno estar devidamente matriculado na instituição de ensino; b) ter entre 9 e 10 anos de idade; c) estar com o termo de consentimento livre e esclarecido devidamente assinado pelo responsável legal. 3.7 Protocolos de medição O protocolo utilizado para as medidas antropométricas foi o proposto por Petroski (1999). 3.7.1 Peso Propósito: medir a massa corporal total A medida do peso foi realizada com o equipamento posicionado em solo nivelado, estando o avaliando em pé, postura ereta com a cabeça horizontalizada, posicionado de costas para a escala e no centro da plataforma da balança, com os braços relaxados ao longo do corpo e em ligeiro afastamento lateral de pernas estando o peso corporal dividido entre estas. 3.7.2 Estatura Referência Anatômica: Vértex e região plantar. Para verificar da estatura a medida foi realizada com o avaliando descalço, estando os calcanhares, os glúteos, a cintura escapular e a região occipital do mesmo em contato com a superfície (parede), e a cabeça orientada no plano de Frankfurt. Para proceder com a leitura da medição o avaliando realizou uma inspiração profunda, com o avaliador deslocando o cursor transverso pela escala até o apoio no vértex. 53 3.7.3 Índice de Massa Corporal Para definir o IMC em crianças de 9 a 10 anos além do resultado advindo do peso corporal (kg) / estatura (m)², foram utilizados os percentis (5=baixo peso; 85= sobrepeso; 95= obesidade) como preconiza a OMS para classificação nutricional. Quadro 1. Quadro de interpretação dos resultados do IMC em crianças. Interpretação dos resultados IMC Percentil do IMC Interpretação < 18.5 < 5 percentil Baixo peso 18.5 a 24.9 5 a 85 percentil Normal 25 a 29.9 85 a < 95 percentil > 30 > 95 percentil Excesso de peso Obesidade Fonte: Centers for Diesease Control and Precention (CDC) 3.7.4 Perímetro do quadril Referência anatômica: maior porção glútea (nádegas), sobre os trocânteres. Para medir o perímetro do quadril o avaliando ficou de pé atitude ereta, com os braços relaxados e caídos ao longo do corpo estando às mãos voltadas para as coxas, e as pernas unidas com os pés horizontalizados e o avaliador posicionado lateralmente em relação ao avaliando, posiciona o instrumento de medida e procede a leitura da medição. Para determinar e classificar o percentual de gordura através do Índice de Adiposidade Corporal foi utilizada a equação [Quadril/(altura x √altura)] – 18 proposta por Bergman et al (2011). 54 Quadro 4. Classificação do IAC (pontos). IAC Normal Sobre peso Obesidade Homem 8 a 20 21 a 25 >25 Mulher 21 a 32 33 a 38 >38 Fonte: Souza et al (2011) 3.7.5 Dobras Cutâneas O instrumento que foi utilizado para medir as dobras cutâneas foi o adipômetro. Foram medidas as espessuras das dobras cutâneas tricipital (TR) e subescapular (SE). Tricipital (TR) Referência anatômica: face posterior do braço no ponto médio entre o processo acromial da escápula e o processo do olecrano da ulna. Para medir a dobra cutânea tricipital, verificou-se primeiramente o ponto anatômico de medição, no qual se localiza na face posterior do braço, no ponto médio entre os processos acromial da escápula e o processo do olecrano da ulna, longitudinalmente ao eixo do segmento, logo após a demarcação do ponto, foi feita a medição, sendo que o avaliando se posiciona de pé e adota uma atitude ereta, cabeça orientada no plano de Frankfurt, com os braços relaxados e caídos ao longo do corpo com as mãos voltadas para a frente e o avaliador posicionado posteriormente em relação ao avaliando, confecciona a dobra cutânea, posiciona o instrumento de medida e procede a leitura da medição. Subescapular (SE) Referência anatômica: dois centímetros do ângulo inferior da escápula, em ângulo de 45º em relação ao eixo longitudinal do corpo. Na medida da dobra cutânea subescapular, primeiramente localizou-se o ponto anatômico de medição, onde se localiza a dois centímetros abaixo do ângulo inferior da escápula, obliquamente ao eixo do tronco. E logo após a demarcação partiu-se para a execução da medida, no qual o avaliando se posiciona de pé e adota uma atitude ereta, 55 cabeça orientada no plano de Frankfurt, com os braços relaxados e caídos ao longo do corpo com as mãos voltadas para frente e o avaliador se posiciona posteriormente em relação ao avaliando, confecciona a dobra cutânea, posiciona o instrumento de medida e procede a leitura da medição. As equações para predição da gordura corporal através das dobras cutâneas em crianças foi a de Slaughter et al (1988) e a classificação adaptada por Lohman (1992). Quadro 2. Equações específicas para crianças e adolescentes propostas por Slaugther e colaboradores (1988, adaptada). MENINOS de 9 a 10 anos (TR + SB) <35mm %GORD.= 1,21 (TR + SE) – 0,008 (TR + SB)² - 2,5 (TR + SB) >35mm (7 a 17 anos) %GORD.= 0,783 (TR + SB) + 1,6 MENINAS (TR + SB) <35mm (7 a 17 anos) % GORD.= 1,33 (TR + SB) – 0,013 (TR + SB)² - 2,5 (TR + SB) >35mm (7 a 17 anos) % GORD.=0, 546 (TR + SB) + 9,7, onde TR= Dobra cutânea de tríceps. SB= Dobra cutânea subescapular. Fonte: Pitanga (2005) Quadro 3. Classificação proposta por Lohman (1987) para crianças e adolescentes. Classificação Sexo Muito Baixo Normal Baixo Moderadamen Alto te Alto Muito Alto Masculino Até 6% 7 a 12% 13 a 18% 19 a 25% 26 a 32% >32% Feminino Até 11% 12 a 15% 16 a 25% 26 a 30% 31 a 35% >35% Fonte: Pitanga (2005) 56 3.8 ANÁLISE ESTATÍSTICA Nesse estudo os dados foram inicialmente analisados em separado por meio de estatística descritiva, sendo posteriormente, aplicado o teste “t” de Student, para analisar possíveis diferenças entre os grupos de estudo. As variáveis independentes do estudo foram: a) o Índice de Adiposidade Corporal; b) o Índice de Massa Corporal; c) Dobras Cutâneas. Na comparação entre os gêneros foi realizado um teste “t” de Student, valores de média e desvio padrão. Foi utilizado valor de p < 0,05 para apreciação de significância. Para comparar as proporções foram utilizados o teste Qui-quadrado (X²) entre a classificação do estado nutricional, do IMC, percentual de gordura através das Dobras Cutâneas e o Índice de Adiposidade Corporal através da relação estatura e quadril. Para a análise estatística inferencial dos dados fez-se uso do teste de Correlação de Pearson obtido através do pacote estatístico Statistical Package for Social Sciences (SPSS) versão 17. Em resumo utilizou-se o teste “t” de Student para comparar os resultados das variáveis analisadas [cálculo das médias (x) e desvio padrão (DP)]. O teste do Quiquadrado (X2) para a comparação nutricional (distribuição de freqüência). Bem como, a análise inferencial através do coeficiente de correlação linear de Pearson (r) utilizado para avaliar o nível de associação entre as variáveis testadas. 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES No presente estudo, foi avaliada uma amostra de 70 escolares entre 9 e 10 anos de idade. Para a análise dos dados do estudo, adotamos como referência a estimativa de adiposidade corporal através de dobras cutâneas, sendo este um método bastante utilizado e aceito cientificamente. Mediante tal referência, foi feita a correlação entre IAC e IMC e dobras cutâneas, tanto para indivíduos do gênero masculino quanto feminino. Na tabela 1, são apresentas as características descritivas da amostra em termos de média e desvio padrão, comparando-se todas as variáveis do estudo. 57 Tabela 1*. Analise descritiva da característica física da amostra. Idade, Peso, Estatura, Índice de Massa Corporal (IMC),Dobras Cutâneas Tricipital (DCTR), Dobras Cutâneas Subescapular (DCSE), ∑Dobras Cutâneas, Percentual de gordura das dobras cutâneas (% G DC), Perímetro do Quadril (PQ),Índice de Adiposidade Corporal (IAC). Gênero Masc Idade Peso Estatura IMC DCTR DCSE ∑DC %G DC PQ IAC Média 9,30 37,27 138,3 19,3 16,2 11,7 28,0 24,3 73,61 27,2 Fem DP** 0,46 8,91 0,07 3,60 6,85 7,20 13,6 10,4 8,41 4,58 Média 9,35 33,90 136,6 17,9 15,4 10,5 26,0 22,5 71,70 26,8 DP** 0,48 7,90 0,07 3,18 5,35 5,48 10,2 6,7 7,74 4,10 *Teste “t” Student para amostras independentes ** Desvio Padrão A média da idade tanto no gênero masculino quanto no gênero feminino a média e o desvio padrão não houve diferença significativa (9,30±0,46; 9,35±0,48), devido o estudo compor somente duas faixas etárias. Em relação ao peso a média encontrada no sexo masculino foi de 37,27kg (DP= 8,91), e no gênero feminino a média foi de 33,90kg (DP= 7,90). No estudo feito por Farias & Santos (2005) em Santa Maria – RS, com crianças de 9 a 10 anos, os resultados apresentaram uma situação inversa, no qual o gênero que apresentou a média 38,00 (DP=8,5) foi no gênero feminino, já no gênero masculino a média foi de 30,9kg (DP=3,8). O estudo feito por Ronque et al (2007) com escolares de alto nível sócio-econômico, corrobora com o estudo mostrando que os resultados tem uma proximidade devido as possíveis características da amostra. Por exemplo, na média do peso Ronque et al (2007), apresenta nessa mesma faixa etária no gênero masculino 36,2kg e no gênero feminino 33,65kg não havendo portanto muita diferença nos valores de média desse estudo para mesma faixa etária. Referente à estatura encontrou-se a média de 1,38m metros (DP =0,07), no gênero masculino, e 1,36m metros (DP= 0,07) no gênero feminino. Estes resultados assemelham-se com o estudo realizado por Ronque et al (2007), apresentam a média de estatura no gênero masculino de 1,37m e no gênero feminino 1,36m. Por outro lado num estudo feito por Farias & Souza (2005) que analisaram a estatura na mesma faixa etária, apresentaram como resultado a média de estatura no gênero masculino de 1,37m 58 (DP=6,4) e no gênero feminino a média de 1,41m (DP=7,1) no qual, as meninas têm a média de estatura maior que a dos meninos. Segundo Lima (2000) “o crescimento humano é um processo que envolve uma série de mudanças estruturais e físicas nas dimensões do corpo de forma quantitativa”. E complementa dizendo que fatores intrínsecos e extrínsecos envolvem o desenvolvimento da estatura. Tratando-se disso, como o autor citado anteriormente complementa que, percebese que a estatura, assim como outros componentes da estrutura física, podem ser modificáveis pelos fatores internos e externos. Corroborando com a idéia de que nem sempre haverá uma homogeneidade nos resultados para mesma faixa etária. No que diz respeito ao IMC, a média encontrada no gênero masculino foi de 19,3 (DP 3,60), e no gênero feminino a média correspondeu a 17,9 (DP 3,18). O IMC encontrado no estudo feito por Farias & Souza (2005) é relativamente próximo ao encontrado nesse estudo, mas como apresentado anteriormente os valores de médias femininas e masculinas estão opostos, quando comparado com nossa pesquisa, sexo masculino apresentou a média de 16,4 (DP=1,5) e o gênero feminino 18,7 (DP=2,5), sendo assim, no estudo feito por Farias & Souza (2005) confirma exemplificando que, fatores genéticos e/ou ambientais podem promover diferenças nos resultados. E o estudo do Ronque et al (2007) confirma os achados dessa pesquisa, no qual, apresenta a média do IMC no gênero masculino de 18,85 e no gênero feminino 17,8. Analisando os dados em termos estatísticos os valores são relativamente próximos. Sobre isso, Gallahue & Ozmun (2001), colocam que entre o período de 6 a 10 anos, há relativamente pouca diferença no físico ou no peso de meninos e de meninas, até o aparecimento do período pré-adolescente. O percentual de gordura estimado pelas dobras cutâneas apresentou uma média de 24,3% (DP=10,4) no gênero masculino, e a média de 22,5% (DP=6,7) para o gênero feminino. Através desses valores verificamos que há uma proximidade nas médias entre os sexos. De acordo com Ronque et al (2007B), esses resultados são bastante preocupantes, uma vez que valores de gordura corporal relativa superiores a 25% e 30%, em meninos e meninas, respectivamente, estão associados a um alto risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, hipertensão e hiperlipidemia Segundo Bergmann et al (2007), esses valores começam a alterar a partir dos doze anos de idade com a chegada da puberdade, os autores explicam que além do rápido aumento em estatura e massa corporal, uma série de outras mudanças físicas e motoras ocorre em meninos e meninas na puberdade, a exemplo de mudanças que 59 envolvem as características físicas é a quantidade de gordura subcutânea que nas meninas aumentaram e os meninos diminuem. A respeito da média obtida através do IAC no gênero masculino correspondeu a 27,2 (DP=4,58) e no gênero feminino 26,8 (DP=4,10). Devido até o momento não constar na literatura nenhum trabalho feito com crianças para verificar o Índice de Adiposidade Corporal proposto por Bergman et al (2011), esses resultados são inéditos. Em estudo feito por Sulino et al (2011) em adultos (18-65 anos) a média do IAC no gênero masculino foi de 25,87 (DP=4,25) e no gênero feminino média de 32,11 (DP=4,58). Constando uma média um pouco mais alta nas mulheres quando comparadas com os valores da média dos homens. Como forma de comparar a prevalência nutricional entre os métodos. Foi feito um teste do Qui-quadrado (X²) para estabelecer a distribuição de frequência para cada um desses métodos. Conforme consta nas tabelas 2, 3 e 4. Tabela 2. Distribuição de Frequência do Índice de Massa Corporal em relação ao gênero. Baixo peso Peso normal Sobrepeso Obesidade Total Masc 0 22 8 9 39 Gênero % Fem 0 2 56,4 20 20,5 5 23,1 4 100 31 % 6,5 64,5 16,1 12,9 100 X²= 3,84 ; P>0,05 Na tabela 2 de acordo com o método Índice de Massa Corporal, analisa-se que no gênero masculino 0% (n=0) foram classificados como abaixo do peso, que 56,4% (n=22) foram classificados com o peso normal, que 20,5% (n=8) apresentaram sobrepeso e que 23,1% (n=9) eram classificados como obesos. No gênero feminino de acordo com a distribuição X² teve uma distribuição normal, ou seja, os resultados não apresentaram diferença significativa entre os gêneros. Assim verificamos que no gênero feminino 6,5% (n=2) estavam abaixo do peso, 64,5% (n=20) estavam com o peso normal, 16,1% (n=5) das meninas estavam com sobrepeso e 12,9% (n=4) foram classificadas como obesas. 60 Tabela 3. Distribuição de Frequência do percentual de Dobras Cutâneas em relação ao gênero. Baixo Normal Moderadamente Alto Alto Total Masc 5 11 7 16 39 Gênero % Fem 12,8 5 28,2 17 18 5 41 4 100 31 % 16,1 54,8 16,1 13 100 X²=8,00 ; P<0,05 Conforme a tabela 3 o método antropométrico dobras cutâneas, que foi utilizado nesse estudo como método padrão para avaliar o percentual de gordura, teve como resultados no gênero masculino 12,8% (n=5) estavam a abaixo do peso, 28,2% (n=11) com o percentual de gordura normal, 17,9% (n=7) moderadamente alto e 41% (n=16) com o percentual de gordura considerado alto. No gênero feminino foram encontradas igualmente os 16,1% (n=5) com baixo peso, 54,8% (n=17) com o percentual normal, 16,1% (n=5) moderadamente alto e apenas 12,9 % (n=4) com o percentual alto, comparados com os meninos que foram de 41 % (n=16). Tabela 4. Distribuição de Frequência do Índice de Adiposidade Corporal em relação ao gênero. Baixo Ideal Acima da Média Muito Elevado Total Masc 0 4 17 18 39 Gênero % Fem 0 7 10,3 22 43,6 1 46,2 1 100 31 % 26,6 71,0 3,2 3,2 100 X²=48,61 ; P<0,01 Na tabela 4 com o Índice de Adiposidade Corporal, observamos que houve diferença bastante significativa entre os gêneros. Sendo no gênero masculino nenhum com o percentual baixo, no gênero feminino tiveram 26,6% (n=7); com o percentual de gordura ideal no gênero masculino foram detectados 10,3% (n=4), já no gênero feminino foram 71,0% (n=22); acima da média masculino 43,6 % (n=17) no feminino somente 3,2% (n=1); com o percentual muito elevado no gênero masculino 46,2% (n=18) indivíduos e no feminino apenas 3,2% (n=1). De acordo com os resultados obtidos na pesquisa através dos três métodos analisados (Tabelas 2, 3 e 4) foram identificados sobrepeso e/ou obesidade em todos os métodos. Com destaque ao método do IAC que apresentou uma diferença muito significativa entre os gêneros, apresentando 89,7% (43,6-M; 46,2-F) de indivíduos do 61 gênero masculino com níveis acima da média e muito elevado respectivamente, sendo que no gênero feminino esse valor se resumiu em 6,4%, sendo considerado o menor valor encontrado comparado com outros métodos da pesquisa. No percentual de gordura corporal estimado pelas dobras cutâneas também houve diferenças respectivas aos gêneros, no qual 59% (18; 41) corresponderam a moderadamente alto e alto e no gênero feminino esse valor foi de 29,1% (16; 13) respectivamente. Apenas no método IMC que a maioria das crianças de ambos os gêneros encontrava-se na faixa de normalidade (n=22 masc.; n=20 fem.). Visto que no método das dobras cutâneas o maior número de crianças no gênero masculino correspondeu a alto percentual de gordura corporal (n=18), mas no gênero feminino o maior número favoreceu ao percentual de gordura ideal (n=17). E no IAC maior número de crianças se aproximou no gênero masculino na classificação de moderadamente alto (n=17) e alto (n=18), e no gênero feminino a classificação com maior número encontrava-se na faixa de normalidade (n=22). Assim, podemos observar que apenas no gênero feminino, nos três métodos (antropométricos) apresentados mais da metade (maioria) das meninas encontrava-se na faixa de normalidade. Nesse sentido, a pesquisa detectou que a maioria dos escolares do gênero masculino encontrava-se com sobrepeso e obesidade. O que corresponde aos valores apresentados pelo percentual de gordura estimado pelas dobras cutâneas: sobrepeso (18%) e obesidade (41%) no total 59% dos meninos avaliados; referente ao IAC esses valores são maiores: sobrepeso (43,6%) e obesidade (46,2%) total de 89,7% dos meninos avaliados. Embora o resultado do IMC apresente a maioria dos escolares na faixa de normalidade, não podemos desconsiderar que 20,5% dos meninos encontravase com sobrepeso e 23,1% com obesidade, totalizando 43,6%. Apesar desses resultados atribuírem índices maiores de obesidade ao gênero masculino, no gênero feminino de acordo com o resultado do método IMC 16,1% também estavam na faixa de sobrepeso e 13% com obesidade, totalizando 29% das meninas. Esses mesmos valores se repetem nos métodos das dobras cutâneas, sendo também 29% (sobrepeso=16,1; obesidade=13%). O IAC foi o único método que apresentou o menor valor no gênero feminino, correspondendo a 3,2% sobrepeso e 3,2% obesidade, total de 6,4%. De acordo com os resultados obtidos houve valores percentuais consideráveis nos casos de sobrepeso e obesidade nos escolares de 9 a 10 anos. Em um estudo feito por Leão et al (2003), encontraram a incidência de obesidade infantil em crianças de 05 a 10 anos na rede privada de ensino, valor que correspondeu a 30% dos escolares 62 avaliados, comparado com os resultados da escola pública que se apresentou em apenas 8% dos escolares. Em pesquisa realizada por Júnior & Meneses (2008), ao observar a relação Índice de Massa Corporal (IMC) e o percentual de gordura (%G) encontrados nas crianças da escola particular e pública, observou-se que os resultados se confirmam no sentido de apontar maior incidência de crianças obesas ou com sobrepeso na escola particular. Nesse sentido, corroborando com o estudo, pesquisas têm demonstrado que este aumento na prevalência de sobrepeso e obesidade entre crianças parece estar relacionado a questões vinculadas a modificação do estilo de vida, como por exemplo, o consumo de alimentos com baixo teor nutritivo e alto teor de gordura, assim como os baixos níveis de prática de exercícios físicos, no qual as crianças estão preferindo atividades sedentárias como jogar vídeo-game. Diante do exposto, programas de educação para a saúde devem ser realizados nas escolas, visto que é um espaço estratégico para a formação de hábitos de alimentação saudáveis e para o incentivo as práticas de atividades físicas, para que possam se manter fisicamente ativas na adolescência e na fase adulta. Verificamos todas as variáveis do estudo e suas correlações. A fim de apresentar os resultados para serem comparados com estudos seguintes, os mesmos podem ser observados na Tabela 5. Tabela 5. Matriz de Correlação entre as variáveis do estudo. Idade, Peso, Estatura, Índice de Massa Corporal (IMC),Dobras Cutâneas Tricipital (DCTR), Dobras Cutâneas Subescapular (DCSE), ∑Dobras Cutâneas, Percentual de gordura das dobras cutâneas (% G DC), Perímetro do Quadril (PQ),Índice de Adiposidade Corporal (IAC). Idade Peso Estatura IMC DCTR DCSE ∑DC %G DC PQ IAC Idade Peso Estatura IMC 1 0,13 0,10 0,12 0,14 -0,02 0,05 0,05 0,15 0,10 1 0,64** 0,89** 0,81** 0,78** 0,83** 0,82** 0,95** 0,53** 1 0,24* 0,24* 0,24* 0,25* 0,25* 0,53** -0,26* 1 0,89** 0,83** 0,90** 0,89** 0,90** 0,82** **p< 0,01 *p< 0,05 DCTR DCSE ∑DC 1 0,84** 0,95** 0,96** 0,85** 0,76** 1 0,99** 0,85** 0,75** 1 0,96** 0,95** 0,78** 0,67** %G DC PQ 1 0,85** 1 ** 0,74 0,68** IAC 1 63 Para melhor visualização verificamos na tabela 6 somente os 3 métodos avaliados neste estudo de forma reduzida. Tabela 6. Correlação dos 3 métodos do estudo (IMC, IAC e DC) IMC %G DC IAC IMC 1 0,89 0,82 Correlações %G DC 0,89 1 0,74 IAC 0,82 0,74 1 Fonte: JUCÁ (2013) O estudo identificou uma relação alta entre o IMC, o percentual de gordura obtido através das dobras cutâneas e o Índice de Adiposidade Corporal proposto por Bergman et al (2011). Portanto, esses três métodos se mostraram eficazes para avaliação da gordura corporal em crianças. Conforme os dados apresentados (Tabela 5 e 6) o Índice de Massa Corporal, apresentou alta correlação de acordo com a classificação apresentada no quadro 4 (ANEXO III) (r= 0,89; p< 0,01) como percentual de gordura estimado pelas dobras cutâneas (% G DC). Analisando o Índice de Adiposidade Corporal podemos observar que o mesmo apresentou uma alta correlação com o Índice de Massa Corporal (r=0,82; p <0,01), tanto com o IMC quanto com o percentual de gordura estimado pelas dobras cutâneas (r= 0,74; p< 0,01). Corroborando com o estudo feito por Sulino et al (2011) a respeito da correlação do IMC, no qual, o mesmo apresentou igualmente nesse estudo que tem uma boa correlação com o IAC e o percentual de gordura estimado pelas dobras cutâneas. Resultado esse que reafirma que mesmo com todas as limitações do IMC em relação a sua utilização como indicador de adiposidade corporal, pode ser um indicador útil. Conforme podemos observar na Tabela 6 quando comparamos o IAC com o IMC em relação a dobras cutâneas, o IMC apresentou uma correlação maior com dobras cutâneas, quando comparado ao IAC. Esses resultados podem estar relacionados à característica da amostra, no qual não apresentam uma quantidade de massa corporal magra elevada, além disso, apesar do IAC estabelecer uma boa correlação com o percentual de gordura estimado pelas dobras cutâneas, é conveniente citar que o IAC até o momento não apresenta equações destinadas à população abaixo de 18 anos. A tabela 7 assim como a tabela 6 foi composta nesse estudo com a finalidade de apresentar os dados de forma resumida, para uma melhor visualização e compreensão. 64 Tabela 7. Correlação do IAC e o %G DC entre os gêneros Correlações IAC x %G DC Masculino 0,77 Feminino 0,72 p< 0,01 Conforme podemos observar na Tabela 7 o Índice de Adiposidade Corporal apresentou uma forte correlação com a estimativa do percentual de gordura corporal através de medidas de dobras cutâneas, tanto para os indivíduos do gênero masculino (r=0,77; p< 0,01) quanto para os indivíduos do gênero feminino (0,72; p< 0,01). Em uma pesquisa feita por Cocetti et al (2009), que teve como objetivo verificar a composição corporal de 1.286 escolares (703 meninas e 538 meninos) entre 7 e 9 anos, através das dobras tricipital e subescapular e pela bioimpedância elétrica perna-perna (TANITA TBF-300ª). E observou que os métodos obtiveram uma correlação (r) alta e significante, nas meninas (r=0,77) e nos meninos (r=0,89), para o percentual de gordura corporal. Segundo Pitanga (2005), as dobras cutâneas são aparentemente mais adequadas para estudos da composição corporal, em pesquisas de campo, por considerar o baixo custo, por não ser invasiva, pela rapidez na medida e facilidade para interpretar os resultados, bem como pela boa correlação entre as medidas antropométricas e a densidade corporal. Isso mostra que o método antropométrico de dobras cutâneas tem confiabilidade, validade e fidedignidade, em relação à avaliação da gordura corporal. E devido a esse fato, verifica-se que o método IAC através dos resultados apresentados, no qual tem uma boa correlação com o percentual estimado pelas dobras cutâneas, e nesse estudo não apresenta um valor correlacional desproporcional em relação aos gêneros, nesse caso o IAC pode ser considerado um índice útil para avaliar a gordura corporal em crianças de 9 a 10 anos. 65 5. CONCLUSÃO Nesse estudo foram encontrados sobrepeso e obesidade, tanto nos meninos quanto em meninas de 9 a 10 anos de idade. Isso é um dado preocupante, visto que nossos jovens que estão acima do peso e com excesso de gordura, podem adquirir doenças como as do tipo crônico-degenerativas, por exemplo, a diabetes tipo II. Daí a importância da intervenção profissional, no qual, o professor de Educação Física tem um papel de suma importância nessa intervenção, pois lhe é conferido tal competência ao que diz respeito às avaliações, diagnósticos, estratégias e planejamentos, para a efetivação das ações que promovam a melhoria da qualidade de vida e saúde dessas crianças. Portanto, cabe a este professor possibilitar aos escolares desta faixa etária obter conhecimento sobre os benefícios de uma prática regular de atividades físicas para evitar o sobrepeso e a obesidade. Com base nos resultados obtidos, o Índice de Adiposidade Corporal mostra-se aparentemente um método adequado para avaliação da gordura corporal em crianças de 9 a 10 anos de idade. E pode ser uma boa opção devido à praticidade e pelo baixo custo. Além de não ser necessário a utilização do peso corporal, tendo em vista que nem sempre há uma estrutura adequada para utilização da balança. Deve ser ressaltado que quanto mais opções se têm, mais se amplia as possibilidades de diagnóstico do sobrepeso e obesidade, através da estimativa do percentual de gordura corporal. E devido a isso, embora sejam necessários mais estudos e validações, o Índice de Adiposidade Corporal é uma alternativa para avaliar a gordura corporal em crianças de 9 a 10 anos de idade. Sendo assim, sugere-se a realização de outros estudos com crianças e adolescentes, com o intuído de verificar a aplicabilidade do IAC em amostras com características diferentes. 66 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASTRAND, P. O. & RODAHL, K. Tratado de Fisiologia do exercício. 2. ed. Rio de Janeiro: Interamericano. 1980, p.133-139. BARBANTI, V. J. Aptidão Física: um convite à saúde. São Paulo: Manole,1990. BENEDETTI et al. Dobras Cutâneas. In: Antropometria: técnicas e padronizações. 5ª ed. Várzea Paulista, São Paulo: Fontura, 2011. pg. 49 a 60. COSTA, R F. Composição Corporal: Teoria e Prática da Avaliação. Manole, 2001. DÂMASO, A.; TEIXEIRA, L. & CURI, M. Atividades Motoras na Obesidade. In: FISBERG, M. Obesidade na Infância e Adolescência. pg 91-99. São Paulo. Fundação BYK, SP, 1995. FARIAS, E. S. & SOUZA, O. F. Crescimento e atividade física em crianças de duas regiões brasileiras. Santa Maria/RS: Gráfica Universitária (UFSM), 2005. FERNANDES FILHO, José. A Prática da Avaliação Física. 2. ed. Rio de Janeiro: Shape, 2003. FISBERG, M. Obesidade infância e adolescência. São Paulo: Fundo editorial BYK, 1995. FISBERG, M. Atualização em obesidade na infância e adolescência. São Paulo: Atheneu,2004. HEYWARD V.H & STOLARCZYK L.M. Avaliação da composição corporal. São Paulo: Manole, 2000. GALLAHUE, D.L. & OZMUN, J. C. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. São Paulo: Phorte, 2003. GUEDES, Dartagnan Pinto. GUEDES, Joana Elisabete Ribeiro Pinto. Composição corporal, atividade física e nutrição. 2 ed. Rio de Janeiro: Shape, 2001. GUEDES. D. P. e GUEDES. J. E. R. P., Manual Prático para Avaliação em Educação Física. 1ª ed. Barueri, São Paulo: Manole, 2006. KATCH, F. I.; McARDLE, W.D. Nutrição, exercício e saúde. 4. ed. Rio de Janeiro: Medsi, 1996. McARDLE, W.D.; KATCH, F.I.; KATCH, V.L. Fisiologia do Exercício: Energia, Nutrição e Desempenho humano. Rio de janeiro: Guanabara Koogan, 2008. MATHEWS, D. K. Medidas de avaliação em educação física. 5 ed. Rio de Janeiro: Interamericana, , 1980. MORROW Jr et al. Medida e avaliação do desempenho humano. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2003. 67 MATTOS, M. G.; ROSSETO JÚNIOR, A. J.; BLECHER, S. Teoria e Prática da Metodologia da Pesquisa em Educação física: construindo sua monografia, artigo científico e projeto de ação. São Paulo: Phorte, 2004. NAHAS, M. V. Atividade física, saúde e qualidade de vida. Londrina: Midiograf, 2001. PANTALEÃO, D. Avaliação da Aptidão Física em Jovens. In: MACHADO, A. F. & ABAD, C.C. C. Manual de Avaliação Física. 2ª ed. São Paulo: Ícone, 2012. pg.163-196. PERES, F. P. Avaliação da Composição Corporal. In: MACHADO, A. F. & ABAD, C.C. C. Manual de Avaliação Física. 2ª ed. São Paulo: Ícone, 2012. pg.25-58. PETROSKI, E. L. Antropometria técnicas e padronizações. Porto Alegre: Pallotti, 1999 PETROSKI, E. L. Antropometria: técnicas e padronizações. 5ª ed. Várzea Paulista, SP: Fontura, 2011. 208 p. PETROSKI, E. L. & AÑEZ, C.R.R. Antropometria para postos de trabalho. In: _____. Antropometria: técnicas e padronizações. 5ª ed. Várzea Paulista, São Paulo: Fontura, 2011. Pg 89 – 108. PESTANA, M.H. & GAGEIRO, J.N. Análise de dados para ciências sociais: a complementaridade do SPSS. 2ª ed. São Paulo: Silaleu Ltda, 2000. PITANGA, F. J. G. Epidemiologia da atividade física, exercício físico e saúde. 2 ed. São Paulo: Phorte, 2004. POWERS, S.K. & HOWLEY, E.T. Fisiologia do Exercício: Teoria e Aplicação ao Condicionamento e ao Desempenho. 1ªed. Barueri, São Paulo: Manole, 2000. SILVA, D.A.S. et al. Como melhorar a qualidade das mensurações antropométricas?. In: Antropometria: técnicas e padronizações. 5ª ed. Várzea Paulista, São Paulo: Fontura, 2011. Pg 165 – 186. SIMÃO, R. Fisiologia e prescrição de exercícios para grupos especiais. 2ª ed. São Paulo: Phorte, 2006. 6.1 REFERÊNCIAS ELETRÔNICAS ANJOS, L. A. Índice de massa corporal como indicador do estado nutricional de adultos: revisão de literatura. Revista de Saúde Pública, v 26, n.06, p.431-436, 1992. Disponível em: <http://www.scielosp.org/pdf/rsp/v26n6/09.pdf> Acesso em: 19 de jan de 2013. BERGMAN, et al. O Melhor Índice de Adiposidade Corporal. Obesity. March, 2011. Disponível em: < http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21372804> Acesso em: Dez de 2012. BERGMANN, G. G. et al .Pico de velocidade em estatura, massa corporal e gordura subcutânea de meninos e meninas. Revista Brasileira de Cineantropometria & 68 Desempenho Humano 2007; nº 9 Volume (4): 333-338. Disponível em: <http://www.proesp.ufrgs.br/proesp/images/stories/pdf/publicacoes/outros%20periodicos/ picovelocidade.pdf> Acesso em: 19 de abr de 2013. BRACCO, M.M et al. Gasto energético entre crianças de escola pública obesas e não obesas. Rev. Bras. Ciên. e Mov. Brasília v.10 n. 3 p. 2 9 - 3 5 julho 2002 Disponível em: <http://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/viewFile/460/485> Acesso em: 01 de fev.2013 CERQUEIRA M. S. Análise de métodos antropométricos na determinação da obesidade e fatores de risco cardiovascular em mulheres. Viçosa Minas Gerais – Brasil. 2011 Disponível em: <http://www.tede.ufv.br/tedesimplificado/tde_arquivos/50/TDE-2012-01-02T082417Z3443/Publico/texto%20completo.pdf> Acesso em: 04 de fev de 2013. COCETTI, M.; CASTILHO, S D. ; BARROS FILHO, A. A. Dobras cutâneas e bioimpedância elétrica perna-perna na avaliação da composição corporal de crianças. Rev. Nutr., Campinas, vol.22, n.4 , jul./ago, 2009. pp. 527-536. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/rn/v22n4/v22n4a08.pdf> Acesso em: 22 de abr de 2013. FARIAS E, S. Estado nutricional, crescimento físico e atividade física de escolares de sete a dez anos de Idade da rede municipal de ensino de Porto Velho, RO. Florianópolis − SC 2002. Disponível em: <http://nucidh.ufsc.br/files/2011/09/dissertacao_edson.pdf> Acesso em: 01 de fev.2013 FISBERG, M & POSSA, G.Por que estamos engordando tão cedo?. rev. ABESO 59outubro 2012. Disponível em: <http://www.abeso.org.br/pdf/revista59/porque.pdf> Acesso em: 18 de fev.2013 FISBERG, M. Obesidade na Infância e adolescência. In:XI Congresso Ciências do Desporto e Educação Física dos países de língua portuguesa, Suplemento n.5, set. 2006, São Paulo. Rev. bras. Educ. Fís. Esp v.20, p.163-64. Disponível em: <http://citrus.uspnet.usp.br/eef/uploads/arquivo/45_Anais_p163.pdf> Acesso em: 18 de fev.2013. GIUGLIANO, R.; CARNEIRO, E.C. Fatores associados à obesidade em escolares. Jornal de Pediatria - Vol. 80, Nº1, 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/jped/v80n1/v80n1a05.pdf> Acesso em: 18 de fev.2013 IBGE,2010. POF 2008-2009: desnutrição cai e peso das crianças brasileiras ultrapassa padrão internacional. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1699 &id_pagina=1> Acesso em: 12 de jan.2013 69 JOHSON W. et al. Concordância do índice de adiposidade corporal recentemente publicado com medido por cento de gordura corporal em adultos EuropeuAmericanos. Obesity (Silver Spring). 2012 Apr; 20(4): 900-3. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22095112> Acesso em: 04 de fev de 2013. JÚNIOR E. F. D. & MENESES, Y. P. S. F. Composição corporal de crianças com idade entre 06 e 10 anos de escola pública e particular da cidade de Teresina-PI. ANAIS do III Encontro de Educação Física e Áreas Afins Núcleo de Estudo e Pesquisa em Educação Física (NEPEF) / Departamento de Educação Física / UFPI 23, 24 e 25 de Outubro de 2008. Disponível em:< http://www.ufpi.br/subsiteFiles/def/arquivos/files/COMPOSIO%20CORPORAL%20DE%20 CRIANAS%20COM%20IDADE%20ENTRE%2006%20E%2010%20ANOS%20DE%20ES COLA%20PBLICA%20E%20PARTICULAR%20DA%20CIDADE%20DE%20TERESINAPI.pdf> Acesso em 20 de abr de 2013. LEÃO, L.S.C.S.; ARAUJO, L.M.B.; MORAES, L.T.L.P. Prevalência de obesidade em escolares de Salvador, Bahia. Arq Bras Endocrinol Metab. 47(2), p.151-7, 2003. Disponível em:< http://www.scielo.br/pdf/abem/v47n2/a07v47n2.pdf> Acesso em: 06 de abr de 2013. LIMA, C. Caracterização das variáveis da massa corporal, estatura e percentual de gordura de crianças de 3 a 11 anos do Lar Recanto do Carinho. Maio 2000. Disponível em<http://www.cds.ufsc.br/~osni/Caracterizacao%20das%20variaveis%20massa%20corp oral%20estatura%20e%20percentual%20de%20gordura%20em%20criancas%20de%203 %20a%2011%20anos%20do%20lar%20recanto%20do%20carinho.pdf> Acesso em: 23 de abr de 2013. LOPES, A. S. & NETO, C. S. P. Composição Corporal e Equações Preditivas da gordura em crianças e jovens. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde V. I, N. 4, 1996. LOPÈZ. A. A. et al. Utilização de adiposidade corporal índice em uma população espanhola do Mediterrâneo: comparação com o índice de massa corporal. PLoS One. 2012; 7 (4): e 35281. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22496915> Acesso em: 04 de fev de 2013. MACHADO, D.R.L. Análise multivariada da composição corporal em jovens esportistas e não esportistas. São Paulo, 2009. Disponível <http://www.teses.usp.br/index.php?option=com_jumi&fileid=12&Itemid=77&lang=ptbr&filtro=Machado,%20Dalmo%20Roberto%20Lopes> Acesso em 05de jan.2013 em: 70 NETO R.B. Pesquisadores criam índice para calcular obesidade. Folha de São Paulo. São Paulo: 2011. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/884296pesquisadores-criam-indice-para-calcular-obesidade.shtml Acesso em: 23 de jan de 2013. PIMENTA & PALMA. Perfil epidemiológico da obesidade em crianças: relação entre televisão, atividade física e obesidade. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v. 9, n. 4, p. 19-24, Brasília, out., 2001. Disponível em: <http://xa.yimg.com/kq/groups/19895358/585322694/name/obesidade%20infantil%20perfi l%20epidemiol%C3%B3gico.pdf> Acesso em: 04 de fev de 2013. PINHO, R. A.; & PETROSKI, E. L. Adiposidade corporal e nível de Atividade Física em adolescentes. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano; Volume 1 – Número 1 p. 60-68 – 1999. Disponível em <https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=2&ved=0CDUQ FjAB&url=http%3A%2F%2Fwww.rbcdh.ufsc.br%2FDownloadArtigo.do%3Fartigo%3D142 &ei=B5Z8UYDpJuPA4APRpYCABQ&usg=AFQjCNHWcknlrx_oCwPFghFHceP-0Tor3Q> Acesso em 05 de abr de 2013. RONQUE, E. R. V et al. Composição corporal em crianças de sete a 10 anos de idade, de alto nível socioeconômico. Rev Bras Med Esporte _ Vol. 13, Nº 6 – Nov/Dez, 2007. Disponível em <http://www.scielo.br/pdf/rbme/v13n6/02.pdf> Acesso em: 23 de abr de 2013. RONQUE, E.R.V. et al. Diagnóstico da aptidão física em escolares de alto nível sócio-econômico: avaliação referenciada por critérios de saúde. Revista Brasileira de Medicina do Esporte – Vol. 13, nº2 – mar/abr, 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbme/v13n2/01.pdf > Acesso em: 02 de abr de 2013. SIGULEM D.M. Diagnóstico do estado nutricional da criança e do adolescente. Jornal de Pediatria - Vol. 76, Supl.3, 2000 Disponível em: <http://www.jped.com.br/conteudo/00-76-S275/port.pdf> Acesso em: 03 de jan.2013 SULINO, R. M. et al. Comparação entre o Índice de Adiposidade Corporal e a avaliação da composição corporal através de medidas de dobras cutâneas. Coleção Pesquisa em Educação Física, volume 10, número 1. Junho, 2011. Disponível em:<http://www.fontouraeditora.com.br/periodico/vol-10/Vol10n1-2011/Vol10n1-2011-pag63a68/Vol10n1-2011-pag-63a68.pdf > Acesso em: 20 de jan de 2013. SUN. G, et al. Concordância do BAI e IMC com DXA na população de Terra Nova. Obesity (Silver Spring) 21 (3): 499-503. PubMed - indexado para o MEDLINE. Mar 2013. Disponível em:<http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23404962> Acesso em: 20 de jan. de 2013. 71 ANEXOS 72 Anexo I – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Eu_______________________________________________RG_____________, sexo ______________, nascido(a) em.______/______/______, responsável pelo(a)(s) aluno(s) __________________________________________________, de _____ de idade, o qual foi CONVIDADO(A) pela Graduanda EDCLEIDE OLIVEIRA JUCÁ, do curso de Educação Física da Universidade Federal de Rondônia, a participar do projeto de pesquisa “ Análise do Índice de Adiposidade Corporal, do Índice de Massa Corporal e do percentual de gordura corporal em crianças”, sob a orientação da Profª. Ms. Sílvia Teixeira de Pinho e a Co-orientação do Profº Ms. Olakson Pinto Pedrosa compreendo que o aluno pode contribuir com o estudo e que o mesmo não irá oferecer risco de qualquer natureza. Estou ciente que a pesquisadora irá avaliar, com o objetivo de verificar a eficiência do Índice de Adiposidade Corporal (IAC) quando comparado com os métodos Índice de Massa Corporal (IMC) e Dobras Cutâneas para avaliar a composição corporal em crianças de 9 a 10 anos. Depois de esclarecido (a) pela referida pesquisadora, ACEITO QUE O ALUNO PARTICIPE DESTE ESTUDO, PODENDO INTERROMPER SUA PARTICIPAÇÃO A QUALQUER MOMENTO SE ASSIM DESEJADO. Porto Velho, RO,_____/_____ / 2013. _____________________________________________ Assinatura do RESPONSÁVEL _____________________________________________ Assinatura da PESQUISADORA RESPONSÁVEL Edcleide Oliveira Jucá 73 Anexo II- FICHA DE COLETA DE DADOS INDIVIDUAL FICHA DE COLETA DE DADOS DADOS PESSOAIS Nome: Idade: Sexo: Série: Data da avaliação: Raça: Data Nasc.: Período da avaliação: Observações: DADOS ANTROPOMÉTRICOS Altura 1° Medida 2° Medida Peso Corporal Total 3° Medida Média Perímetro Quadril 1° Medida 2° Medida Observações Média Aritmética Dobras Cutâneas Tricipital 1° Medida 2° Medida 3° Medida Observações Resultado/Média Subescapular 1° Medida 2° Medida 3° Medida Observações Resultado/Média 74 Anexo III – CLASSIFICAÇÃO DO COEFICIENTE DE RELAÇÃO DE PEARSON Quadro 5 – Classificação do Coeficiente de correlação R de Pearson (r) r<0,2 Classificação = associação muito baixa r= 0,2 – 0,3 = associação baixa r= 0,4 – 0,69 = moderada r=0,7 – 0,89 = alta r= 0,9 – 1,0 = muito alta Fonte: Pestana & Gageiro (2000).