RESUMO Síndrome do Edifício Doente? Sucinda Passas1 , Maria Fátima Lopes2, Maria-Helena Almeida2 Introdução: Foi solicitado ao serviço de saúde ocupacional pelos Recursos Humanos duma empresa do sector bancário português o apoio na investigação de queixas inespecíficas mas persistentes dos seus colaboradores, num departamento, localizado num 10º piso de um edifício em Lisboa sem ventilação natural. Após a realização de alguns exames médicos e de uma revisão bibliográfica sobre o síndrome do edifício doente (SED) decidiu-se adoptar pela aplicação voluntária e anónima de um questionário a todos os colaboradores desse departamento (n=120). Objetivos: Identificar e descrever as principais queixas e sintomas percepcionados pelos trabalhadores. Identificar fatores de desencadeamento, agravamento e desaparecimento das queixas. Métodos: Estudo observacional, descritivo e transversal com uma amostra de conveniência de 80 participantes. Foi aplicado um questionário, disponível no portal da saúde, adaptado de uma versão de Fernando Costa Silva (2005). Foram incluídas variáveis sócio-demográficas (género e idade) e ocupacionais (antiguidade) e de saúde (tipo de queixas e duração). Procedeu-se à análise descritiva dos dados, usando medidas de localização e dispersão para variáveis quantitativas e medidas de frequência absoluta e relativas para variáveis qualitativas. Usou-se o teste Χ2 na avaliação da independência das variáveis em estudo. Resultados Preliminares: Participaram neste estudo 79 indivíduos, representando uma taxa de resposta de 65,8%. Participaram 46 homens (58,2%) e 33 (41,8%) mulheres, com uma estrutura semelhante ao universo em estudo. Sessenta e oito por cento dos colaboradores tinham uma idade igual ou inferior a 39 anos (n=54) e 55,2% trabalhavam há mais de 5 anos nesse local. Quarenta e oito trabalhadores dos 54 respondentes (89%) apresentavam queixas inespecíficas. Metade destas queixas tiveram início entre 1 e 5 anos. As 3 principais queixas apresentadas foram cefaleias (76%), obstrução nasal (66%) e irritação ocular (67%). Em 97% (n=65) dos casos o afastamento do local de trabalho faz desaparecer as queixas. Cinquenta e quatro trabalhadores relacionam as queixas com o local de trabalho. Conclusões: As queixas apresentadas são consistentes com o SED uma vez que englobam-se nos sintomas gerais inespecíficos (cefaleias) e irritação da mucosa (obstrução nasal e irritação ocular) descritos na investigação. As causas são multifatoriais, sendo difícil com um estudo apenas exploratório evidenciar fatores causais. Contudo apercebemo-nos da existência de fatores associados ao edifício (open space, ar condicionado com inadequado funcionamento, instalações envelhecidas, deficiente limpeza) que podem ter importância nas queixas apontadas. Também não foram recolhidos dados de morbilidade que são mais um fator de agravamento das queixas em estudo. 1 Médica a frequentar o Plano Transitório de Formação da Especialidade de Medicina do Trabalho. 2 Médica do Trabalho