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SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL-PDE
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ
Maria da Graça Bastos Lemes
O DIRETOR NA DIMENSÃO PEDAGÓGICA DA ESCOLA PÚBLICA:
NOVOS
DESAFIOS
Trabalho orientado pela Profª Drª Leila de
Almeida de Locco -UFPR
CURITIBA
DEZ / 2008
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O DIRETOR NA DIMENSÃO PEDAGÓGICA DA ESCOLA PÚBLICA:
NOVOS
DESAFIOS
Maria da Graça Bastos Lemes 1
Trabalho de Conclusão apresentado ao Governo
do Estado do Paraná, através do Programa de
Desenvolvimento Educacional - PDE, como parte
das exigências para a obtenção de Certificação, na
área de Gestão Escolar, orientado pela Professora,
Drª Leila de Almeida de Locco – Coordenadora do
Programa na UFPR.
CURITIBA
2008
RESUMO
1
Maria da Graça Bastos Lemes, graduação em Letras Português (PUC/PR), Pós-graduada em Metodologia de
Ensino, para 1º e 2º Graus (IPBEX) e Pós-graduada em Formação de Docentes para a Modalidade de Educação a
Distância (UFPR/PR), funcionária pública da SUDE/DAE/SEED/PR, Professora PDE, área Gestão Escolar, Artigo
sobre o Gestor na Dimensão Pedagógica, sob a orientação da Professora drª Leila de Almeida de Locco – UFPR.
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Este trabalho demonstra aos Diretores, na dimensão pedagógica, a articulação e dinamização de todos
os envolvidos no ambiente escolar e demais segmentos da sociedade, para o planejamento, para
execução, para incorporação, para a realização de propostas e ações pedagógicas de qualidade e busca
fundamentar o trabalho de sua Gestão, quanto à problemática escolar, levando em consideração seu
desempenho, sua influência, dinamismo e liderança em todo o processo educacional.
ABSTRACT
This work demonstrates the Directors, the educational dimension, articulation and promotion of all those
involved in the school environment and other segments of society, for planning, implementing, for
incorporation into the conduct of proposals and actions of teaching quality and search base the work of its
management, about the school issue, taking into consideration their performance, their influence,
dynamism and leadership throughout the educational process.
Palavras-chave: Gestão Escolar – Diretor e Dimensão Pedagógica – Escola Pública.
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Afinal o espaço pedagógico é um texto para
ser
“lido”,
interpretado,
“escrito”
e
“reescrito”.
Paulo Freire
...
consideram-se
objeto
da
ação
administrativa
as
práticas
escolares
realizadas com o propósito de buscar
racionalmente
o
objetivo
pedagógico
da escola.
Vitor Henrique Paro
11
Dedico este trabalho
A minha mãe, Therezinha, meu filho, João Marcelo – (pai) e meu neto,
João Marcelo (filho) meus maiores objetivos de vida.
1. INTRODUÇÃO
12
O Diretor do Estabelecimento de Ensino é o articulador, a peça-chave para a
conexão da participação de todos os envolvidos no processo educacional, numa
Gestão
Democrática, que acompanha
e coordena o
trabalho
dos
técnicos
administrativos e pedagógicos, bem como dos docentes, com o objetivo de incentivar
mudanças metodológicas e pedagógicas, para a qualidade de ensino, em benefício da
efetiva aprendizagem dos educandos.
Este trabalho está voltado para o perfil do Diretor da Rede Pública de Ensino,
em sua dimensão pedagógica, considerando-se que em sua prática profissional existe
toda uma problemática para o desenvolvimento efetivo de suas ações, tendo em vista
que os Diretores, atualmente, estão voltados mais para a Gestão Administrativa do que
para a Gestão Pedagógica, e têm, atualmente, o compromisso com a efetivação da
Proposta Pedagógica de seu Estabelecimento de Ensino, como um novo desafio.
Em conformidade com o Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE,
desenvolvido nos anos de 2007 e 2008, o presente Artigo, na Área de Gestão Escolar,
constitui-se num referencial para abordar o tema escolhido e ao Diretor de Escola
Pública Estadual, em sua função e atuação na dimensão pedagógica, contribuindo para
o desenvolvimento deste objeto de estudo, que abrange as ações de investigação,
intervenção, orientação para a melhoria da realidade escolar e da qualidade de ensino.
Partiu-se do diagnóstico da realidade escolar, do diagnóstico dos resultados
da Gestão desenvolvida no Estabelecimento de Ensino, da implementação e aplicação
da Proposta de Intervenção. O estudo teve por objetivo buscar, refletir, desvelar e
contribuir para a melhoria da qualidade do desempenho dos Diretores da Rede Pública
de Ensino, em sua perspectiva pedagógica, levando-se em consideração que cada
Unidade Escolar está inserida numa realidade; o que torna necessário considerar suas
diferenças e suas especificidades refletidas na atuação de cada Diretor.
Visou, também, colaborar e estimular o Diretor para que possa articular e
dinamizar todos os envolvidos no ambiente escolar e demais segmentos da sociedade,
para o planejamento, para execução, para incorporação, e para a realização de
propostas e ações pedagógicas de qualidade e fundamentar o trabalho de sua Gestão,
13
quanto à problemática escolar, levando em consideração seu desempenho, sua
influência, dinamismo e liderança em todo o processo educacional.
A implementação da Proposta de Intervenção foi realizada com Técnicos
Pedagógicos da SEED/PR e Gestores da Rede Pública de Ensino do Estado do
Paraná, investigando-se a atuação do Diretor e envolvidos no processo educacional, as
formas de participação e o potencial comunicativo entre eles, a influência, a articulação
e a tomada de decisão do Diretor, visando à obtenção de melhores resultados em sua
Gestão.
14
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Estamos vivendo um momento de aperfeiçoamento das ações educativas. O
Diretor de Ensino exerce forte influência na comunidade escolar, entre pais e alunos,
sociedade, professores, funcionários e alunos; portanto, muitas propostas positivas,
poderão partir dele, para a melhoria dos padrões de qualidade de ensino e
desempenho dos alunos. É possível ao Diretor interferir no processo educacional com
novas idéias, atividades que envolvem a participação de toda a comunidade escolar,
produzir inovações, transformar as ações pedagógicas para obtenção de resultados
qualitativos, numa postura ética e autêntica. Poderá ele tornar o seu discurso em ações
que trazem resultados eficientes e correspondem às perspectivas atuais da Educação.
O Diretor, como articulador nas ações pedagógicas, necessita de liderança,
de visão global do processo educacional para avaliar a realidade em que se encontra o
ensino-aprendizagem e compreendê-la, considerando que a qualidade na educação
redefine os objetivos de seu Estabelecimento de Ensino.
É possível ao Diretor construir o conhecimento com todos os envolvidos na
comunidade escolar de modo a transformar a realidade, em suas relações poderá
encontrar novas verdades e soluções para um ensino de qualidade. O Diretor também é
um protagonista da aprendizagem; um aprendiz. Portanto, enfatizam-se as novas
descobertas, a participação coletiva, a autonomia e a iniciativa. É preciso que ele tome
a iniciativa de perguntar, consultar, experimentar, avaliar de modo crítico com todos os
envolvidos no processo.
Viabilizar o uso das novas tecnologias da Educação, abrir frente para que os
professores e alunos, na prática, obtenham melhoria da qualidade de ensino, e
construam
o
conhecimento,
através
desses
recursos
que
oferecem
grande
possibilidade de equacionar suas expectativas e buscar novos caminhos para o ensinoaprendizagem, são novos desafios para o Diretor.
Para que a incorporação efetiva das novas tecnologias tenha resultados
positivos são necessários um planejamento prévio e a capacitação dos professores,
para que possam integrar as novas tecnologias no currículo e em suas práticas
15
pedagógicas. Para isto, o Diretor pode compartilhar, conduzir e estar ativamente
engajado neste processo.
Portanto, cabe ao Diretor articular e dar início ao desenvolvimento de ações
pedagógicas através das novas tecnologias em seu Estabelecimento de Ensino. Como
podemos educar a opinião dos Diretores e conscientizá-los dentro das perspectivas das
necessidades reais de alunos e professores na sala de aula?
O Gestor é componente fundamental para que um Estabelecimento de
Ensino seja bem sucedido e, para isto, é preciso investir, concentrar esforços e
acompanhamento de sua capacidade de gestão, para fins de evitar conflitos e
problemas administrativos mais sérios e inadequados ao exercício de sua função.
Um Estabelecimento de Ensino, em sua totalidade, tendo os mesmos
objetivos, sua estrutura e funcionamento terão um desempenho adequado, porém,
depende primeiramente, de seu Diretor, da tomada de decisões, abrindo espaço a
todos os envolvidos, numa gestão democrática.
A ênfase dada ao Diretor em sua atuação na dimensão pedagógica reside da
necessidade de fortalecer, criar condições necessárias e fundamentais para melhoria
de seu desempenho, planejamento, aperfeiçoamento em sua função, pela qualidade de
ensino e desempenho dos alunos, pela autonomia pedagógica e pela atuação efetiva
do Conselho Escolar.
“ Partindo de um conceito amplo de política – que transcende a mera
luta pelo poder e se identifica com prática humano-social com propósito de tornar possível a
convivência entre grupos e pessoas – o artigo elabora um conceito também amplo de democracia
que, não se restringindo à sua conotação apenas parlamentar ou eleitoral, é entendida como
prática social pela qual se constrói a convivência pacífica e livre entre indivíduos e grupos que se
afirmam como sujeitos históricos. A seguir, tomada como atualização histórico-cultural, pela qual
se processa a construção do homem histórico pela apropriação da cultura, a educação tem
destacada sua dimensão política precisamente por essa capacidade de propiciar ao ser humano
sua condição histórica e plural, pela qual ele necessariamente deve conviver com outros sujeitos
individuais e coletivos. Ao analisar a forma dialógica e reforçadora da subjetividade do educando
pela qual a autêntica educação precisa desenvolver-se para ser coerente com sua função de
construtora do homem histórico, o trabalho procura evidenciar o caráter do processo educativo
não apenas como prática política mas também como prática intrinsecamente democrática. A partir
16
desse quadro, o artigo considera as implicações dessa condição política e democrática para a
qualidade do ensino, para a prática administrativa escolar e para os estudos de administração
escolar.”
(Paro: Artigo Implicações do caráter político da educação para a administração da escola pública v.28, n. 2, S.P.,
2002).
Quanto às considerações de Paro, podem ser direcionadas ao Diretor que,
em sua prática, pode tornar possível a convivência e o bom relacionamento com o seu
grupo, oportunizando a união entre todos os envolvidos no processo educacional, no
sentido de estabelecer a unidade de trabalho em todas as questões, sejam de caráter
administrativo, pedagógico ou financeiro. O diálogo proporciona o envolvimento e
participação, e fortalece as relações humanas, a interação e a formação de um
ambiente de trabalho favorável à realização dos objetivos educacionais. Desse modo,
haverá a possibilidade de um trabalho voltado para uma gestão verdadeiramente
democrática.
Será preciso que o Diretor administre tendo como horizonte a dimensão
pedagógica, bem como, coloque a dimensão administrativa a serviço da dimensão
pedagógica, para que ambas sejam mais democráticas, para fins de potencializar a
qualidade de ensino.
O Diretor, em sua prática, pode tornar possível a convivência e o bom
relacionamento com o seu grupo, oportunizando a união entre todos os envolvidos no
processo educacional, no sentido de estabelecer a unidade de trabalho. O diálogo
proporciona o envolvimento e participação, fortalece as relações humanas, a interação
e a formação de um ambiente de trabalho favorável à realização dos objetivos
educacionais.
“A gerência é a arte de pensar, de definir e de agir; é a arte de fazer
acontecer, de obter resultados. Resultados que podem ser definidos, previstos,
analisados e avaliados, mas que têm de ser alcançados através das pessoas e
numa interação humana constante”. (Motta, 1971).
O Diretor pode fazer acontecer e obter resultados. Ele pode buscar soluções,
alternativas, para as dificuldades encontradas, no cotidiano e que precisam do refletir,
decidir e agir de modo adequado para a consecução de bons resultados.
17
A Lei nº 14.231/03 que define a seleção de Diretores e Diretores Auxiliares da
Rede Estadual de Educação Básica do Paraná através de consulta realizada à
Comunidade Escolar, em seu Art. 1º dispõe que
“A designação de Diretores e Diretores Auxiliares da Rede Estadual de
Educação Básica do Paraná é competência do Poder Executivo, a qual fica delegada nos termos desta
lei, à Comunidade Escolar, mediante consulta a ser realizada simultaneamente em todos os
Estabelecimentos de Ensino”.
Algumas vezes ocorrem situações conflituosas no período de eleições de
Diretores e Diretores Auxiliares quanto a esta questão. A Comunidade Escolar, pais,
alunos, professores e demais envolvidos reelegem o Diretor por várias vezes, porém,
sem oportunizar aos outros a possibilidade de eleição e a oportunidade de mudanças
efetivas na Gestão, principalmente na questão pedagógica.
Existem Diretores que são reeleitos há anos, pelo fato de exercerem forte
influência na Comunidade Escolar, com desempenho satisfatório na questão do
relacionamento, porém, não exercem, efetivamente, a sua prática na função de Diretor,
com qualidade nos aspectos pedagógicos e relacionados às perspectivas de alunos e
professores.
A Constituição Federal, artigo nº 206, II e III, determina que “O ensino será
ministrado com base nos princípios da liberdade – de aprender, ensinar,
pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber – e do pluralismo de idéias e
de concepções pedagógicas”.
É o Diretor que faz cumprir e faz aplicar a legislação em vigor. É ele que
busca a atualização, o conhecimento das necessidades dos alunos e faz realizar a ação
educacional de modo a conciliar eticamente e, com coerência, às necessidades de
todos. É ele que exerce a liderança pedagógica. É o Diretor que acompanha o trabalho
dos Especialistas em Educação, docentes e alunos. É ele que incentiva cada um a
mudanças para melhoria do ensino. É o Diretor que faz acontecer mudanças e
inovações pedagógicas. É o Diretor que viabiliza a formação e participação dos
docentes em cursos de capacitação. É o Diretor que atua na comunidade e na família
de seus alunos.
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A própria Legislação Educacional, tanto Nacional como Estadual, vêm
apontando novas incumbências de ordem pedagógica que se constituem verdadeiros
desafios aos Diretores e que estão aqui elencadas:
A Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei nº 9394/96, dispõe
em seu Art. 12 que
“Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do
seu sistema de ensino, terão a incumbência de:
I – elaborar e executar sua proposta pedagógica;
II – administrar seu pessoal e seus recursos materiais e
financeiros;
III – assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula
estabelecidas;
IV – velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada
docente;
V – prover meios para a recuperação dos alunos de menor
rendimento;
VI – articular-se com as famílias e a comunidade, criando
processos de integração da sociedade com a escola;
VII – informar os pais e responsáveis sobre a freqüência e o
rendimento dos alunos, bem como sobre a execução de sua proposta
pedagógica.
A Resolução nº 208/2004 – SEED/PR, com base ao disposto na LDBEN nº
9394/96, Parecer nº 04/98 – CNE/CEB, e Deliberação nº 007/99 – CEE/PR, considera:
“.... a necessidade de dar continuidade ao processo de
democratização e universalização do ensino e garantir o acesso, a permanência e a aprendizagem
efetiva dos alunos;
- o princípio da flexibilização, disposto na LDBEN nº 9394/96,
segundo o qual cabe ao sistema de ensino criar condições possíveis para que o direito à aprendizagem
seja garantido ao aluno;
- o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como
meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo.
- a necessidade de prover meios aos estabelecimentos de
ensino para enfrentar as dificuldades de aprendizagem na leitura, na escrita e no cálculo.
- a avaliação na sua forma diagnóstica, contínua e cumulativa,
como um processo indicativo dos avanços e das necessidades diferenciadas de aprendizagem dos
alunos ”.
A Deliberação nº 16/99 – CEE/PR, no Capítulo I, Dos Princípios e da
Constituição, Art. 2º, dispõe que
“A estrutura e o funcionamento do ensino, cuja expressão é o regimento
escolar, fundamentar-se-ão nos princípios constitucionais que regem o ensino, observando ainda os
seguintes:
I – a especificidade da natureza pedagógica da instituição escolar e do seu
interesse público;
II – a autonomia da escola como unidade coletiva de trabalho;
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III – a unidade pedagógica e administrativa da escola como instituição
orgânica;
IV – a representatividade como critério para a gestão da escola.”
O Capítulo II, da Organização da Comunidade Escolar, Art. 6º, § 4º,
preconiza que “O órgão colegiado de direção será presidido pelo diretor do
estabelecimento, na qualidade de dirigente do projeto político-pedagógico.”
A Lei nº 14436, de 22/06/2004, DOE n º 6756, de 23/06/2004, da Assembléia
Legislativa do Estado do Paraná, em seu Art. 1º, dispõe que
“Aos estudantes de estabelecimentos de Ensino Fundamental e Ensino
Médio, da rede estadual e particular de ensino, fica assegurada a organização de grêmios estudantis,
como entidades autônomas representativas dos interesses dos estudantes secundaristas, com
finalidades educacionais, culturais, cívicas, desportivas e sociais.”
A Instrução nº 02/2004 – SUED, de acordo com a Resolução nº 305/2004 –
SEED e a Lei Estadual nº 13.807, de 30/09/2002, instrui, no item 2, com referência à
hora-atividade dos professores que
“ a correção de atividades discentes, estudos e reflexões a respeito de
atividades que envolvam a elaboração e implementação de projetos e ações que visem a melhoria da
qualidade de ensino, propostos por professores, direção, equipe pedagógica e/ou NRE / SEED, bem
como o atendimento de alunos, pais e (outros assuntos de interesse) da comunidade escolar.”
A Instrução nº 13/04 – DIE / SEED que orienta os Estabelecimentos de
Ensino quanto ao preenchimento do Livro Registro de Classe, refere-se à
responsabilidade do Gestor “conscientizar os professores sobre a importância de
registrar, com fidedignidade, todas as informações no Livro Registro de Classe,
com o propósito de não gerar dúvidas ou alterações nos registros escolares,
contribuindo para a perfeita escrituração da vida escolar do aluno.”
A Lei Complementar nº 103, DOE de 15/03/2004, que dispõe sobre o Plano
de Carreira do Professor da rede Estadual de Educação Básica do Paraná, no Capítulo
II, Dos Princípios e Garantias, art. 3º, institui nos incisos:
“V – liberdade de ensinar, aprender, pesquisar e divulgar o pensamento, a
arte e o saber, dentro dos ideais da democracia;
VI – gestão democrática do ensino público estadual;
VII – valorização do desempenho, da qualificação e do conhecimento.”
20
É preciso que o Diretor de ensino potencialize e incentive professores e
alunos para a promoção da construção do conhecimento e valorize o potencial de cada
um para a obtenção de resultados satisfatórios no ensino-aprendizagem.
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3. METODOLOGIA
Tendo em vista que o Diretor é o articulador, a peça-chave para a conexão da
participação de todos os envolvidos no processo educacional, numa gestão
democrática, que acompanha e coordena o trabalho dos técnicos administrativos e
pedagógicos, bem como dos docentes, com o objetivo de incentivar mudanças
metodológicas e pedagógicas, para a qualidade de ensino, em benefício da efetiva
aprendizagem dos educandos, o tema de estudo desenvolvido na Proposta de
Intervenção foi o Diretor, em sua dimensão pedagógica, como o articulador do
desenvolvimento de práticas pedagógicas que favoreçam a melhoria da qualidade de
ensino.
Foram realizados estudos voltados para o perfil do Diretor da Rede Pública
de Ensino, em sua dimensão pedagógica, considerando que em sua prática
profissional, existe toda uma problemática para o desenvolvimento efetivo de suas
ações.
O objeto de estudo ficou definido como a dimensão pedagógica da Gestão
expressa na capacidade de influência, de iniciativa, dinamismo e participação do
Diretor, na tomada de decisões, frente aos técnicos pedagógicos e professores para
fins de implementar ações pedagógicas inovadoras, num trabalho coletivo, que mobilize
todos os envolvidos no processo ensino-aprendizagem, pais alunos, comunidade
escolar e demais segmentos da sociedade, para a obtenção de resultados positivos e
exemplares de um Estabelecimento de Ensino referência da Escola Pública deste
Estado.
A implementação da Proposta de Intervenção ocorreu no ano de 2008, com
base nos estudos realizados, em 2007, de caráter proposital, mas de forma qualitativa,
levar o Diretor à compreensão da sua prática, na dimensão pedagógica e administrativa
frente às diversidades e necessidades ocorridas no ambiente escolar a uma mudança
de paradigma e de efetiva prática em prol da qualidade e melhoria de ensino. Com este
intuito, a elaboração dos Cadernos de Apoio, como parte das atividades a serem
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cumpridas pelo o programa, foi voltada para fins de implementação e validação da
Proposta de Intervenção escolar, na área de Gestão.
A elaboração dos cadernos teve por objetivo cumprir uma exigência do
Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE, de caráter individual, porém, para
fins de intervenção, visando superação das dificuldades encontradas nas dimensões
administrativa e pedagógica da Gestão Escolar, considerou-se a necessidade de
desvincular as dimensões supracitadas, para efeitos meramente didáticos, em
cumprimento ao quesito do programa, resultando em dois Cadernos de Apoio sobre os
temas, e produzidos em colaboração, respeitando-se o enfoque específico dos
respectivos objetos de estudo.
Foram construídos dois Cadernos de Apoio complementares, sendo que um
enfatiza a dimensão administrativa do Gestor Escolar, com a utilização das ferramentas
de Gestão para tomada de decisões, elaborado pela professora PDE, Fátima Viúdes
Claro, e o outro elaborado pela professora PDE, Maria da Graça Bastos Lemes e
professora Drª. Leila de Almeida de Locco, Coordenadora do PDE – UFPR, que
enfatiza a dimensão pedagógica do Gestor Escolar.
O trabalho coletivo dos temas resultou numa proposta de atuação do Gestor
Escolar, como um todo, tanto como uma prática de gerenciamento nas instituições de
ensino, abrangendo as dimensões administrativa e pedagógica, como para fins de
capacitação de Gestores Educacionais, Equipes Técnico-Pedagógicas, Docentes,
Grupos de Trabalho em Rede – GTR’s, funcionários dos Núcleos Regionais de
Educação – NRE’s e funcionários da Secretaria de Estado da Educação do Paraná –
SEED/PR, podendo ser utilizado em cursos para Gestores Escolares, encontros
Pedagógicos e demais atividades dos Estabelecimentos de Ensino.
Os Cadernos de Apoio produzidos, individualmente, sendo um direcionado aos
Gestores na Dimensão Pedagógica e o outro direcionado aos Gestores na Dimensão
Administrativa, são compostos, cada um, em Unidades de Estudos, com apresentação
de textos, atividades, avaliação, auto-avaliação, reflexões e dicas. Foram utilizados
materiais impressos, na modalidade de Educação a Distância.
23
No decorrer do desenvolvimento da Proposta de Intervenção puderam ser
acrescidas ações que por ventura atendessem melhor às necessidades da pesquisa
e/ou dos Diretores considerando as políticas implementadas pela SEED/PR.
A Proposta de Intervenção teve por objetivo cumprir uma exigência do
Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE, visando superação das dificuldades
encontradas nas dimensões pedagógica e administrativa da Gestão Escolar.
Foram abordados temas que conduzem ao repensar da prática do Gestor
Escolar, procurando avançar na construção de conhecimentos acerca de seu
desempenho nas dimensões pedagógica e administrativa e contribuir para o
fortalecimento da atuação do Gestor Escolar, tendo em vista a melhoria da qualidade
de Ensino das Escolas Públicas do Sistema de Ensino do Estado do Paraná, numa
visão democrática.
Para isto elaborou-se um Material Didático de cunho formativo, informativo e
instrucional, no formato de “Cadernos de Apoio”. Foram desenvolvidos a partir de
experiências das autoras, dos recentes estudos de legislação, de Gestão Educacional e
reflexões sobre os desafios e necessidades que se evidenciam na atuação do Gestor.
Apresentam-se estruturados em unidades, aulas, textos de apoio, com respaldo
teórico-metodológico e legal, atividades, avaliação e auto-avaliação, para subsidiarem a
atuação do Gestor Escolar nos aspectos pedagógicos e administrativos.
É um dos objetivos efetivarem-se os reajustes que forem aconselhados pelo
Programa de Desenvolvimento Educacional - PDE para que assim se possa estar
sempre em busca de aperfeiçoamento, porque, a visão geral é trabalhar com qualidade
humano-social, propiciando aos Gestores Escolares condições para transformarem-se
e, conseqüentemente, interferirem na sociedade, entendendo suas contradições e
contribuírem para a melhoria e qualidade de ensino, tendo em mente, que ao
interferirem, efetivamente, nas dimensões pedagógica e administrativa estarão no
caminho certo de sua Gestão, pois o trabalho de Gestão necessita ser desenvolvido e
concebido com sucesso.
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Pretende-se realimentar e atualizar os conteúdos dos Cadernos de Apoio para
que não haja fragmentação ou venham ter uma visão unilateral, e que isto dificulte as
ações metodológicas da Gestão Escolar.
O Professor PDE estará sempre atento, avaliando, reorganizando os
procedimentos de avaliação, a metodologia, diagnosticando por meio de diálogo,
questionários, com os Gestores Escolares e Técnicos Pedagógicos, para fins de
cumprir com sucesso e efetivamente a Intervenção, um dos quesitos do Programa.
A eficácia da intervenção dependerá de como os Gestores vão colocar em sua
prática os conhecimentos pedagógicos e administrativos adquiridos, a fim de
contextualizar, polemizar e extrair o melhor de tudo, no decorrer de sua caminhada e
por toda sua vida profissional. Os Técnicos Pedagógicos da SEED/SUDE/PR avaliam a
eficácia do trabalho. Quanto às possibilidades de desenvolvimento das atividades
propostas nos Cadernos de Apoio contribuem para a capacitação do Gestor e sua
prática no interior das Unidades Escolares como estudo e fundamentação teórica prática obtida através dos Cadernos de Apoio.
Com a Proposta de Intervenção abriu-se um ponto de partida para o Professor
PDE, para reflexões constantes, evolução e construção de seu conhecimento,
desenvolvimento de estudos e pesquisas, com o objetivo de que possa colher
resultados no que se refere ao Gestor Escolar e que todo esse esforço se reflita como
mais uma contribuição para a melhoria da qualidade de ensino das Escolas Públicas
deste Estado. Abrem-se, também, um ponto de partida para a implementação dos
Cadernos de Apoio, análise e parecer dos Técnicos Pedagógicos da SEED/PR e
Diretores da Rede Pública de Ensino do Estado do Paraná.
Foram realizados muitos estudos e pesquisas, buscando-se referenciais para
respostas a muitos questionamentos, durante todo o desenvolvimento do Programa.
Questionou-se por que o Diretor não tem assumido a dimensão pedagógica
sendo ela parte inerente de sua atuação?
O Diretor, além de administrador de uma Instituição de Ensino, tem a função
de educador, numa perspectiva coletiva. É ele que exerce a liderança em todo o
processo educativo, tomando frente diante de todas as ações a serem desenvolvidas,
exerce a tomada de decisões em todas as questões administrativas e pedagógicas.
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Diante de sua responsabilidade política, é necessário que possua experiência
na área educacional e competência para o exercício de sua gestão escolar. Sem
dúvida, o Diretor tem o compromisso com tudo o que está relacionado ao processo
educativo.
Questionou-se como ele direciona o desenvolvimento da organização e
funcionamento de um Estabelecimento da rede pública? Existe interatividade entre o
Diretor e envolvidos no processo pedagógico e administrativo da Instituição e entre
todas as Instituições da rede pública? Quais são as iniciativas que o Diretor deverá
tomar para melhorar a qualidade de ensino no Estabelecimento? A prática de sua
gestão viabiliza as ações pedagógicas, trazendo resultados satisfatórios aos
educandos?
Será que todos os Diretores da Rede Pública têm a mesma visão e o mesmo
discurso, referente ao processo educacional, e desempenham sua verdadeira função,
estabelecendo relações voltadas para o pleno exercício da educação, com liderança e
iniciativa, e avaliam, com autenticidade e ponderação, transformando o seu discurso em
ações competentes e eficazes?
O Diretor está presente em todos os setores do Estabelecimento de Ensino?
Será que na prática revela-se o modelo de Gestão Participativa? De que forma se
realiza o envolvimento do Diretor nas ações pedagógicas e metodológicas no
Estabelecimento de Ensino? Qual é a gestão utilizada nos Laboratórios de Informática e
Bibliotecas? Quanto à questão das tecnologias, como o Diretor atua para viabilizar aos
professores o trabalho pedagógico?
Atualmente, um dos aspectos fundamentais para o desenvolvimento de sua
função, na dimensão pedagógica, é a necessidade de aprimorar sua competência
técnica, para fins de promover e implementar a incorporação das novas Tecnologias da
Comunicação
e
Informação
–
TIC,
no
Projeto
Político-Pedagógico
de
seu
Estabelecimento de Ensino, com o objetivo de atender as reais necessidades de alunos
e professores.
Sugere-se ao Diretor buscar o fortalecimento do desenvolvimento e
cumprimento do plano de trabalho de cada docente. É fundamental a sua colaboração
efetiva para que os docentes encontrem novas alternativas para a melhoria de seu
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plano de trabalho. Em face da realidade atual, o Diretor poderá articular e acompanhar
a inserção das novas Tecnologias no plano de trabalho dos docentes.
Qual é a sua influência para a utilização das novas tecnologias de
comunicação e informação no Estabelecimento de Ensino? De que forma e para que
finalidades o Diretor disponibiliza as novas tecnologias de comunicação e informação
para professores e alunos? Como é a sua participação na questão da avaliação da
aprendizagem dos alunos?
Como o Diretor dá suporte à Equipe Pedagógica? Quais as ações do Diretor
frente às novas metodologias de ensino ou práticas pedagógicas? Como se apresenta
a gestão voltada para o desenvolvimento do processo de construção do conhecimento?
Como o Diretor direciona o desenvolvimento de novas práticas de ensino? De
que forma o Diretor administra os recursos financeiros destinados às novas práticas
pedagógicas? Qual é a função do Diretor diante da organização e registro correto da
documentação escolar dos alunos? Qual a atuação do Diretor no que se refere às
mudanças na metodologia de ensino?
Como o Diretor articula e dá suporte ao trabalho da Equipe Pedagógica e
Professores? Como o Diretor articula o Trabalho da Equipe Administrativa com a
Equipe Pedagógica e Professores? Quais são as suas iniciativas de gestão no espaço
educacional? O Diretor investe num trabalho pedagógico, contextualizado e
interdisciplinar com os professores? De que forma o Diretor se relaciona com a
comunidade escolar?
A ênfase dada ao Diretor em sua dimensão pedagógica reside na
necessidade de fortalecer, criar condições necessárias e fundamentais para melhoria
de seu desempenho, planejamento e aperfeiçoamento em sua função, pela melhoria na
qualidade de ensino e desempenho dos alunos, pela autonomia pedagógica e pela
atuação efetiva do Conselho Escolar.
O Diretor é componente fundamental para que um Estabelecimento de
Ensino seja bem sucedido e, para isto, é preciso investir, concentrar esforços e
acompanhamento de sua capacidade de gestão, para fins de evitar conflitos e
problemas gerenciais mais sérios e inadequados ao exercício de sua função.
27
Alguns aspectos da Gestão Pedagógica ainda exigem aperfeiçoamento, tais
como índice de reprovação dos alunos, abandono escolar, pais distantes do
Estabelecimento de Ensino, práticas pedagógicas fora do contexto dos alunos, diálogo
entre os envolvidos, ausência de vínculo com a comunidade escolar e segmentos da
sociedade,
resistência
a
inovações
metodológicas,
ações
pedagógicas
descontextualizadas, auto-estima dos envolvidos, falta de dinamismo e motivação aos
alunos, desequilíbrio na estrutura e funcionamento do Estabelecimento de Ensino, falta
de compromisso com o processo educacional, aplicação inadequada do Projeto
Político-Pedagógico e Regimento Escolar, falta de objetivos educacionais e ausência de
identidade do Estabelecimento de Ensino.
Um dos trabalhos do Diretor é o de dar suporte à Comunidade Escolar. Em
sua prática, ainda não tem potencializado o desenvolvimento efetivo de interação com
todos os envolvidos. Torna-se um desafio organizar, direcionar e efetivar um
relacionamento eficiente, na área educacional, direcionado para uma postura de Gestão
crítica, ética e política, bem como tomar iniciativas adequadas e oferecer novas
possibilidades de mudanças que possam gerar resultados concretos e que possam
constituir ações resultantes de um trabalho coletivo eficiente e necessário para o
alcance dos objetivos no processo educacional, em sua totalidade.
O Diretor é considerado o elemento fundamental de todo o processo
educacional
de
um
Estabelecimento
de
Ensino.
Equipes
Pedagógicas
e
Administrativas, Especialistas em Educação, Docentes, demais funcionários, pais e
alunos, enfim, toda a comunidade escolar depende das decisões finais de seu Diretor e,
principalmente, o alvo de todas as ações desenvolvidas na Instituição: o educando.
O Diretor tem a responsabilidade de incentivar e articular o desenvolvimento
das idéias, do conhecimento, dos professores, com a finalidade de implementar novas
práticas pedagógicas que visam à melhoria e a qualidade de ensino, dentro dos ideais
democráticos.
O papel do Diretor é importante na dimensão pedagógica do Estabelecimento
de Ensino. Exige procedimentos e atitudes dinâmicas nos aspectos administrativos,
pedagógicos, políticos e sociais. É o Diretor que articula e viabiliza a promoção da
formação de seus alunos. É o Diretor que enfrenta os maiores desafios no
28
Estabelecimento de Ensino. É o Diretor que conduz as atividades de planejamento,
organização, coordenação e controle. É o Diretor que dá início às práticas pedagógicas
interativas, participativas e democráticas, estabelecendo a unidade escolar e a
organização do Estabelecimento de Ensino.
É a partir do Diretor que todos os partícipes do processo educacional
desenvolvem a construção do conhecimento, bem como a consolidação de
mecanismos que contribuem para a autonomia do Estabelecimento de Ensino. É a
partir do Diretor que todos buscam os caminhos da qualidade de ensino. Ele é o
articulador para a elaboração do conhecimento e formação de valores. O Diretor é o
animador da comunidade escolar. Conduz a Gestão Escolar em todos os aspectos. É o
Diretor quem decide, apoiado por todos, sobre a questão da indisciplina dos alunos. É
ele que envolve todos para formar e unificar a Comunidade Escolar. É o Diretor que
interfere nos diversos setores do Estabelecimento de Ensino.
É ele que faz cumprir e faz aplicar a legislação em vigor. É ele que busca a
atualização, o conhecimento das necessidades dos alunos e faz realizar a ação
educacional de modo a buscar e conciliar, com ética e coerência, as necessidades de
todos. É ele quem exerce a liderança pedagógica. É o Diretor que acompanha o
trabalho dos técnicos pedagógicos, especialistas, docentes e alunos. É ele que
incentiva cada um a mudanças para melhoria do ensino. É o Diretor que faz acontecer
mudanças e inovações pedagógicas. O Diretor viabiliza a formação e participação dos
docentes em cursos de capacitação. É o Diretor que atua na comunidade e na família
de seus alunos.
É o Diretor que diz sim às inovações e práticas pedagógicas que trazem
resultados positivos. É o Diretor que faz acontecer a Gestão democrática. É o Diretor
que dá início ao processo pedagógico coletivo. A palavra final, também, é sempre dele:
concorda com todos, ou discorda. Depois de ter discutido e refletido as questões, de
modo coerente, busca a certeza do verdadeiro caminho, constrói a educação, numa
gestão democrática e compartilhada, onde todos os envolvidos colaboram e participam
do processo educacional.
Todo o trabalho desenvolvido durante o Programa, teve por objetivo
investigar o Diretor em sua dimensão pedagógica, numa perspectiva crítica, buscando-
29
se mecanismos para viabilizar, encontrar alternativas e organizar os procedimentos
necessários para o efetivo desempenho de um Diretor, com características de um perfil
democrático e comunicativo e que oferece tomada de decisões criativas e conscientes,
fundamentando-se em ações da organização escolar, na perspectiva da concretização
de um modelo participativo e emancipador, refletindo diretamente para a autonomia do
Estabelecimento de Ensino. Verificou-se que o desempenho do Diretor direciona-se
mais para a perspectiva da administração do que para a perspectiva pedagógica; esta
última, fator fundamental para a efetiva aprendizagem dos alunos.
Desse modo, justificou-se o desenvolvimento de um trabalho que vise à
melhoria do desempenho e da atuação do Diretor, assumindo efetivamente a dimensão
pedagógica, referenciada ao Projeto Político-Pedagógico. Buscou-se também orientar
ao Diretor sobre a viabilização, implementação, acompanhamento e avaliação de
práticas pedagógicas com a utilização de recursos tecnológicos que contribuem para a
melhoria do ensino-aprendizagem como novos desafios ao Diretor.
Foram considerados os seguintes objetivos para o desenvolvimento do
trabalho voltado para o Diretor na Dimensão Pedagógica:
Objetivo Geral:
● Fortalecer a dimensão pedagógica na atuação do Diretor, tendo em vista a
melhoria da qualidade de Ensino das Escolas Públicas do Sistema de Ensino
do Estado do Paraná.
Objetivos Específicos:
● Diagnosticar se as atividades pedagógicas são as que norteiam as práticas
educativas na gestão das Escolas Públicas do Sistema de Ensino do Estado
do Paraná.
● Repensar os espaços pedagógicos presentes no cotidiano da Gestão
Escolar, priorizando Laboratórios e Biblioteca.
30
● Dinamizar os espaços pedagógicos coletivos, Conselho de Classe,
Conselho Escolar, Reuniões Pedagógicas / Administrativas, Horas-Atividade
dos docentes e Encontros com a Comunidade.
● Valorizar os órgãos de apoio, Grêmios Estudantis e APMF’s, ressaltando
sua dimensão pedagógica.
● Destacar da Legislação Educacional sua dimensão pedagógica.
● Discutir o desempenho e responsabilidade do Diretor em face da inserção
das novas Tecnologias de Informação e Comunicação – TIC’s no processo
ensino-aprendizagem dos alunos de seu Estabelecimento de Ensino.
● Conscientizar o Diretor sobre a criação de ambientes favoráveis aos alunos
e professores para o desenvolvimento e implementação de novas práticas de
ensino, incorporando o uso das novas Tecnologias de Informação e
Comunicação – TIC’s.
● Incentivar
o
Diretor
para
a
viabilização
de
ações
pedagógicas
desenvolvidas entre professores, alunos, comunidade escolar e demais
segmentos da sociedade.
● Articular as equipes técnico-administrativa e pedagógica, numa ação
conjunta de trabalho, visando ao desenvolvimento efetivo da Gestão
Democrática.
● Apoiar o corpo discente disponibilizando os recursos tecnológicos para a
construção e elaboração de trabalhos didático-pedagógicos
para a construção de uma aprendizagem significativa.
de qualidade
31
● Possibilitar aos docentes a aplicação de novas técnicas que permitam o
desenvolvimento de metodologias de ensino de qualidade e interdisciplinares.
● Favorecer a troca de informações e experiências entre docentes e alunos,
equipes pedagógica e administrativa, visando estabelecer um intercâmbio
entre os envolvidos no processo educacional, para fins de registro e acervo
de produções de alunos e professores.
Uma das incumbências do Diretor é articular, acompanhar e intervir na
elaboração, execução e avaliação do Projeto Político-Pedagógico, visando o
desempenho de qualidade de seu Estabelecimento de Ensino.
Levou-se em consideração, também, a forma como o Diretor tem avaliado o
Projeto Político-Pedagógico, no sentido de atender às expectativas dos pais e alunos e
sua iniciativa para fins de melhoria de atendimento e como tem articulado a participação
de todos os envolvidos na construção e execução do Projeto Político-Pedagógico.
É importante que o Diretor possa desenvolver coerentemente sua política de
administração de pessoal e procedimentos de administração de recursos materiais e
financeiros para fins de assegurar a qualidade do processo educacional.
Um dos aspectos relevantes é a responsabilidade que o Diretor tem em
acompanhar e assegurar o efetivo cumprimento dos dias letivos e horas-aula
estabelecidas. Há um distanciamento do Diretor, muitas vezes, no que se refere a esta
questão.
O Diretor, em sua dimensão pedagógica, poderá avaliar juntamente com os
técnicos pedagógicos e docentes os resultados de seus planos de trabalho. A ausência
deste procedimento, na prática, é um dos fatores que podem favorecem a má qualidade
de ensino. O Diretor poderá incentivar a busca de novas alternativas com o objetivo de
encontrar soluções adequadas ao problema.
Quanto às formas e meios utilizados para a recuperação dos alunos, o Diretor
tem acompanhado efetivamente os resultados obtidos pelos alunos? A participação do
Diretor é fundamental para prover os meios necessários e o aperfeiçoamento dos
trabalhos de recuperação dos alunos.
32
A participação do Diretor e os meios utilizados para a articulação com as
famílias
e
a
comunidade
estabelecem
a
integração
da
sociedade
com
o
Estabelecimento de Ensino. O Diretor tem possibilidade de criar condições para o
desenvolvimento eficaz das relações entre sociedade e escola.
Foi importante investigar os recursos e as ações desenvolvidas pelo Diretor
para manter os alunos na escola e para a melhoria do rendimento escolar dos alunos, a
execução da Proposta Pedagógica, a forma como os pais ou responsáveis são
informados, como o Diretor articula com o pais ou responsáveis a questão da
freqüência escolar, qual o índice de desistência de alunos, quais os motivos de
desistência de alunos, quais as providências tomadas pelo Diretor nesta questão, como
são realizadas as Reuniões Pedagógicas e como o Diretor articula essas reuniões e os
Conselhos de Classe.
Outro aspecto investigado é o fato de que alunos vão ao Estabelecimento de
Ensino para assistirem às aulas, mas faltam professores.Quais são as razões da falta
de professores?
A LDBEN, nos incisos III e IV, indica que os planos de trabalho dos
professores
não
competem
apenas
aos
docentes,
mas
necessitam
de
acompanhamento de um responsável, no caso, é função do Diretor participar dos
planos de trabalho dos professores, mas de modo a colaborar e incentivar para a
melhoria do ensino-aprendizagem.
O Regimento Escolar estabelece a organização do Estabelecimento no que
se refere aos aspectos administrativos, didáticos e disciplinares. Orientou-se ao Diretor
para que esteja atento ao cumprimento do Regimento Escolar, observando os
princípios constitucionais, a legislação em vigor e as normas específicas.
É importante que o Diretor acompanhe e zele pela estrutura e funcionamento
do ensino, observando os Princípios e a Constituição.
O Diretor, na qualidade de dirigente do Projeto-Político Pedagógico e
presidente do órgão colegiado, coordena e viabiliza ações para o desenvolvimento e
melhoria da qualidade de ensino e estabelece, juntamente com o órgão colegiado, as
diretrizes para atender às reais necessidades e finalidades do Estabelecimento de
33
Ensino, em conformidade com o seu Projeto Político-Pedagógico, bem como dinamiza
o órgão colegiado para o efetivo cumprimento de seus objetivos.
O Conselho Escolar tem por objetivo realizar a Gestão Escolar, na forma de
colegiado, promovendo e articulando a Comunidade Escolar, na condição de órgão
auxiliar da direção do Estabelecimento de Ensino.
O Diretor é o elemento articulador para a movimentação e realização de
ações com objetivos educacionais, culturais, cívicas, desportivas e sociais com o
grêmio estudantil de seu Estabelecimento de Ensino. O desenvolvimento de ações
fortalece a qualidade de ensino e motiva alunos e professores.
O
Diretor
poderá
propor,
nas
horas-atividade
dos
professores,
o
planejamento e o desenvolvimento de ações pedagógicas inovadoras, visando à
melhoria da qualidade de ensino.
Recomenda-se ao Diretor que acompanhe os registros dos professores, no
Livro Registro de Classe, pois ainda ocorrem registros incorretos, principalmente, no
que se refere aos registros dos conteúdos, comprometendo a garantia dos direitos dos
docentes e alunos, sendo este um aspecto pedagógico. É importante que o mesmo
conscientize a Equipe Pedagógica e os professores para que os registros sejam mais
detalhados, para fins de evitar dúvidas quanto aos aspectos pedagógicos.
É de relevante importância a ação do Diretor no aspecto pedagógico. Orientase que ele crie um clima de acompanhamento e controle dos problemas que interferem
no processo educacional. É interessante que ele pense, reflita e desenvolva com os
envolvidos neste processo ações adequadas para o cumprimento efetivo da
aprendizagem dos alunos.
Algumas vezes ocorrem situações conflituosas no período de eleições de
Diretores e Diretores auxiliares quanto a esta questão. A Comunidade Escolar, pais,
alunos, professores e demais envolvidos reelegem o Diretor, por várias vezes, porém,
sem oportunizar aos outros a possibilidades de eleição e a oportunidade de mudanças
efetivas na Gestão, principalmente na questão pedagógica, que permanece por muito
tempo com as mesmas práticas pedagógicas, sem resultados satisfatórios.
Ainda, na Escola Pública, existem Diretores que são reeleitos há anos, pelo
fato de exercerem forte influência na Comunidade Escolar, com ótimo desempenho, na
34
questão do relacionamento, porém, não exercem efetivamente, a sua prática na função
de Diretor, com qualidade nos aspectos pedagógicos e relacionados às perspectivas de
alunos e professores.
O Diretor poderá incentivar e articular o desenvolvimento das idéias, do
conhecimento, dos professores, com a finalidade de implementar novas práticas
pedagógicas que visam à melhoria e a qualidade de ensino, dentro dos ideais
democráticos.
O papel do Diretor é fundamentalmente importante na Dimensão Pedagógica
do Estabelecimento de Ensino. Exige procedimentos e atitudes dinâmicas nos aspectos
administrativos, pedagógicos, políticos e sociais. É o Diretor que enfrenta os maiores
desafios no Estabelecimento de Ensino. É o Diretor que conduz as atividades de
planejamento, organização, coordenação e controle. É o Diretor que dá início às
práticas pedagógicas interativas, participativas e democráticas, estabelecendo a
unidade escolar e a organização do Estabelecimento de Ensino.
Ouve-se dizer que o Diretor não necessita interferir e ter o controle nos
aspectos pedagógicos, pois basta exercer e controlar a dimensão administrativa e ter,
em seu Estabelecimento de Ensino, bons especialistas em Educação, não cabendo a
ele, portanto, acompanhar e participar, efetivamente do processo educacional. Mas,
mesmo tendo bons especialistas em Educação, se não interferir, não agir, não
participar, não dinamizar, não conhecer, não educar e permanecer na neutralidade,
neste aspecto estará ele isento do compromisso maior, como Diretor: a Educação.
Assim, poderá fragmentar sua gestão. Será ele sempre administrador na qualidade de
dirigente. Questiona-se não será esta uma das razões da falta de melhoria da qualidade
do ensino e aprendizagem, se ao longo do tempo, ouve-se a mesma voz – “É preciso
melhorar a qualidade do ensino e aprendizagem”. Por que razão não há melhoria se
existem fundamentos, metodologia, concepções de ensino, enfim, tudo que é
necessário
para
o
desenvolvimento
de
um
bom
trabalho
pedagógico
nos
estabelecimentos de ensino da rede pública? Mesmo sem recursos suficientes do
Sistema de Ensino, em épocas anteriores, houve sempre a possibilidade de criar,
motivar, entusiasmar, pois isto não depende de aguardar verbas do Estado.
Atualmente, o Estado vem investindo e oportunizando aos estabelecimentos de ensino
35
da rede pública melhoria na qualidade de ensino e aprendizagem. É um momento
bastante oportuno para que os Diretores possam exercer efetivamente sua função e
voltarem o olhar para a dimensão pedagógica de sua instituição de ensino.
A partir do momento em que o Diretor de Ensino assumir a Dimensão
Pedagógica, efetivamente, será ele não mais Diretor, e sim, Gestor, pois o que lhe falta,
realmente, é exercer a função pedagógica em sua gestão.
Um aspecto que se deve considerar é a questão de que o Diretor necessita
assumir a responsabilidade ética no exercício de sua função, para que possa
estabelecer em sua prática, um relacionamento com base na verdade, na lealdade, na
coerência, com todos, desempenhando, decisivamente, uma postura de que está
presente em todas as situações e que reflete, que intervém, que dialoga, que age, que
pesquisa e que reconhece a necessidade do trabalho coletivo voltado para a ética e
para a valorização e formação humana, num ponto de vista democrático e que atua
com capacidade crítica e experiência, ciente de sua função de gestor e que realmente a
sua função é uma oportunidade para enfrentar grandes desafios.
“A vigilância do meu bom senso tem uma importância enorme na
avaliação que, a todo instante, devo fazer de minha prática” (FREIRE, 2006, p. 61),
cabe ao Diretor que necessita avaliar constantemente a sua prática, com bom senso,
para que possa obter resultados satisfatórios em seu trabalho. Paulo Freire, (ibidem,
p.66) refere-se ao professor autoritário, ao licencioso, ao competente, ao incompetente,
ao irresponsável, ao professor amoroso da vida e das gentes, aquele professor malamado, que tem raiva do mundo e das pessoas, o professor frio, o professor
burocrático, racionalista, esses, deixam sua marca nos alunos. O mesmo acontece com
o Diretor que deixará sua marca positiva ou negativa em sua gestão de ensino.
É preciso que o Diretor não cruze os braços diante das situações que devem
ser resolvidas pontualmente, principalmente, em razão de que ele pode refletir e buscar
soluções para a melhoria do desempenho de seus professores, que muitas vezes,
apresentam características semelhantes às dele. Se ele for um Diretor amoroso da vida
e das gentes, e seus professores também, os resultados serão benéficos, em sua
gestão de ensino, mas, caso contrário, como resolver esta situação? É muito importante
refletir que o Diretor tem toda a responsabilidade de tudo que acontece em seu
36
Estabelecimento de Ensino, responsabilidade por todos os envolvidos no processo
educacional. Se estiver com raiva do mundo, quais seriam as perspectivas de bons
resultados? Os resultados serão negativos em todas as dimensões. Na dimensão
pedagógica, irá atingir, sem dúvida, professores, alunos e na qualidade do ensinoaprendizagem, pois faltará a peça chave que deverá motivar e decidir os caminhos a
serem trilhados.
“É importante salientar que o novo momento na compreensão da vida
social não é exclusivo de uma pessoa. A experiência que possibilita o discurso novo é social. Uma
pessoa ou outra, porém, se antecipa na explicitação de nova percepção da mesma realidade. Uma das
tarefas fundamentais do educador progressista é, sensível à leitura e à releitura do grupo, provocá-lo
bem como estimular a generalização da nova forma de compreensão do contexto.” (FREIRE, ibidem,
p. 82 a 83).
Assim também será o Diretor, com sua experiência, tem possibilidade de
mudar seu discurso e compreender o contexto em que está inserido, sob uma nova
forma, tendo ciência que seu discurso não é exclusivamente de sua pessoa e sim
social.
Ainda é preciso salientar, segundo Freire (ibidem, p.97) “... quanto mais
solidariedade exista entre o educador e educandos no “trato” deste espaço, tanto
mais possibilidades de aprendizagem democrática se abrem na escola.” Por que
não estender ao Diretor, também, que poderá ser solidário com todos no ambiente
escolar para que surjam possibilidades de aprendizagem democrática? Quando todos
os envolvidos no processo educacional têm a mesma postura e princípios, e,
efetivamente os mesmos objetivos, principalmente, Diretores educadores, Pedagogos,
Educadores, haverá esperança de fortalecimento do processo ensino-aprendizagem. O
Diretor, sendo educador, que sem dúvida é sua função, não apenas administrativa,
estará assumindo a dimensão pedagógica de seu Estabelecimento de Ensino.
“A professora democrática, coerente, competente, que testemunha seu
gosto de vida, sua esperança no mundo melhor, que atesta sua capacidade de luta, seu respeito às
diferenças, sabe cada vez mais o valor que tem para a modificação da realidade, a maneira consistente
com que vive sua presença no mundo, de que sua experiência na escola é apenas um momento, mas
um momento importante que precisará de ser autenticamente vivido.” ( Freire, ibidem, p.112 a 113).
Este é um exemplo ao Diretor que poderá lutar, respeitar as diferenças, estar
consciente de seu valor para modificar a realidade de sua escola e aproveitar o
momento, viver autenticamente este momento com todos.
37
“... a democracia é a sociedade verdadeiramente histórica, isto é, aberta
ao tempo, ao possível, às transformações e ao novo. ...a sociedade democrática não está fixada numa
forma para sempre determinada, ou seja, não cessa de trabalhar suas divisões e diferenças internas, de
orientar-se pela possibilidade objetiva (a liberdade) e de alterar-se pela própria práxis.” (CHAUÍ, 2006,
p. 406).
É muito importante que o Diretor realize uma gestão democrática, dê abertura
ao que é possível, às transformações e ao novo. Será preciso trabalhar, no que se
refere às divisões e diferenças internas, em seu Estabelecimento de Ensino, tendo
como referência a liberdade e perspectiva de alterar sua prática.
“Se conhecer é fixar o real em representações (fatos ou idéias), em
contrapartida, pensar é acolher o risco do trabalho do acontecimento sem pretender fixá-lo num racional
positivo completamente determinado. Se pensar é um momento da práxis social, se é aceitação da
diferença entre saber e fazer, se é compreensão dos limites entre a teoria e a prática, talvez, então,
nossas discussões não unifiquem nossos pontos de vista, nem nos ensinem simplesmente a conviver
com nossas diferenças, mas nos levem também a indagar se o desejo da unidade não seria o maior
engano que nos afasta da democracia, em lugar de nos aproximar dela. O olhar separado e a unidade
(aparentes atributos do Sujeito do Conhecimento), sabemos que são, nas sociedades modernas, os
atributos do Poder. A nós, a tarefa de questioná-los.” (CHAUÍ, p.144, 145, 20006.)
Pode-se aferir ao Diretor que no exercício de sua função,
conhecer é representar – fatos ou idéias e pensar é um momento da práxis social, é
aceitar a diferença entre saber e fazer, é compreender os limites entre a teoria e a
prática, e questionar sobre a democracia nas sociedades atuais sobre os atributos do
Poder.
“É preciso, (...), libertar o diretor de sua marca antieducativa, começando
por redefinir seu papel na unidade escolar. À escola não faz falta um chefe, ou um burocrata; à escola faz
falta um colaborador, alguém que, embora tenha atribuições, compromissos e responsabilidades diante
do Estado, não esteja apenas atrelado ao seu poder e colocado acima dos demais. Para que isso
aconteça, é preciso pensar na substituição do atual diretor por um Coordenador Geral de Escola que não
seja o único detentor da autoridade, que deve ser distribuída, junto com a responsabilidade que lhe é
inerente, entre todos os membros da equipe escolar”. (PARO, 2006. p. 112).
Será muito bom que o Diretor firme a esperança de que haverá a
compreensão da vida social e suas idéias e ações evidenciem e traduzam a postura de
Gestor Educador. E que seu discurso não seja um discurso solitário e sim abrangente
na dimensão humana.
38
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em todo o trabalho desenvolvido levou-se em conta a diversidade cultural e
tratando-se com atenção no que se refere a este aspecto, chegou-se à conclusão de
que o Gestor necessita participar da elaboração da Proposta Pedagógica de seu
Estabelecimento
de
Ensino.
Conhecendo
e
acompanhando
esse
processo,
constantemente, o desenvolvimento e sua aplicação serão coerentes com os objetivos
do Estabelecimento de Ensino e com os objetivos dos educandos.
É preciso refletir sobre a estrutura e organização do trabalho pedagógico da
Instituição de Ensino, no que se refere à especificidade pedagógica e administrativa,
sobre a autonomia da escola como unidade coletiva de trabalho, se existe unidade
pedagógica e administrativa e sobre a questão da representatividade para a gestão da
escola.
O Gestor é o elemento articulador para a movimentação e realização de
ações com objetivos educacionais, culturais, cívicos, desportivos e sociais com o
grêmio estudantil de seu Estabelecimento de Ensino. O desenvolvimento de ações
fortalece a qualidade de ensino e motiva alunos e professores
É preciso buscar mecanismos para viabilizar, encontrar alternativas e
organizar os procedimentos necessários para o efetivo desempenho de um Gestor
Escolar, com características de um perfil democrático, comunicativo e que oferece a
tomada de decisões criativas e conscientes, fundamentando-se em ações da
organização escolar, na perspectiva da concretização de um modelo participativo e
emancipatório, refletindo diretamente para a autonomia do Estabelecimento de Ensino;
sendo que o desempenho do Gestor direciona-se mais para a perspectiva da
administração do que para a perspectiva pedagógica; esta última, fator fundamental
para a efetiva aprendizagem dos alunos.
Será preciso trabalhar, no que se refere às divisões e diferenças internas, em
seu Estabelecimento de Ensino, tendo como referência a liberdade e perspectiva de
alterar sua prática.
Pode-se aferir ao Gestor que no exercício de sua função, conhecer é
representar – fatos ou idéias e pensar é um momento da práxis social, é aceitar a
39
diferença entre saber e fazer é compreender os limites entre a teoria e a prática, e
questionar sobre a Democracia nas sociedades atuais e sobre os atributos do Poder.
O papel do Gestor é fundamentalmente importante na Dimensão Pedagógica
do Estabelecimento de Ensino. Exige procedimentos e atitudes dinâmicas nos aspectos
administrativos, pedagógicos, políticos e sociais. É o Gestor que enfrenta os maiores
desafios no Estabelecimento de Ensino. É o Gestor que conduz as atividades de
planejamento, organização, coordenação e controle. É o Gestor que dá início às
práticas pedagógicas interativas, participativas e democráticas, estabelecendo a
unidade escolar e a organização do Estabelecimento de Ensino.
É preciso que o Gestor não cruze os braços diante das situações que devem
ser resolvidas pontualmente, principalmente, em razão de que ele pode refletir e buscar
soluções para a melhoria do desempenho de seus professores, que muitas vezes,
apresentam características semelhantes às dele. Se ele for um Gestor amoroso da vida
e das gentes, e seus professores também, os resultados serão benéficos, em sua
gestão de ensino, mas, caso contrário, como resolver esta situação? É muito importante
refletir que o Gestor tem toda a responsabilidade de tudo que acontece em seu
Estabelecimento de Ensino, responsabilidade por todos os envolvidos no processo
educacional. Se estiver com raiva do mundo, quais seriam as perspectivas de bons
resultados? Os resultados serão negativos em todas as dimensões. Na Dimensão
Pedagógica, irá atingir, sem dúvida, professores, alunos e na qualidade do ensinoaprendizagem, pois faltará a peça chave que deverá motivar e decidir os caminhos a
serem trilhados.
O Gestor, em sua prática, poderá tornar possível a convivência e o bom
relacionamento com o seu grupo, oportunizando a união entre todos os envolvidos no
processo educacional, no sentido de estabelecer a unidade de trabalho. O diálogo
proporciona o envolvimento e participação, fortalece as relações humanas, a interação
e a formação de um ambiente de trabalho favorável à realização dos objetivos
educacionais.
O Gestor Escolar precisa investir em estratégias que garantam a apropriação
do conhecimento do educando, estar atento aos resultados obtidos, estar atendo ao
desenvolvimento da capacidade dos educandos, investir numa Educação de qualidade,
40
preocupar-se em oferecer oportunidade a todos os alunos de melhores oportunidades
de vida.
O acompanhamento e a interação entre Instituição e família, requerem um
tratamento especial, o que significa um processo de expressiva qualidade!
A família e a escola são espaços que possibilitam o
desenvolvimento e
aprendizagem das pessoas. É preciso ressaltar que o Gestor incentive aos docentes a
utilização das experiências que os alunos trazem de casa, pois isso contribui muito para
a formação dos educandos.
Espera-se ter contribuído para ressaltar a importância da Dimensão
Pedagógica do Gestor Escolar, através desses estudos sobre os fundamentos teóricos
necessários para situar e entender um pouco mais das novas condições sóciohistóricas, econômicas e culturais, em que os conhecimentos construídos são avaliados
à medida que avançam na articulação de mais conhecimentos.
Para o Gestor torna-se difícil administrar sozinho, mas com a força do grupo,
estará apto para organizar e desenvolver ações conscientes e democráticas. Isto
significa partilhar o poder e possibilitar a participação nos momentos de tomadas de
decisões. Não será apenas um discurso democrático e sim, a prática democrática, com
atitudes coerentes e sempre a existência do repensar crítico no que se refere às
atitudes de todos, buscando o relacionamento onde todos colaboram e são
democráticos.
Se o Gestor Escolar e Equipe Pedagógica, levarem em consideração a
importância da participação de todos os envolvidos na Comunidade Escolar, docentes,
alunos, funcionários e pais, para fins de participarem dos objetivos e decisões, haverá
condições de melhoria do funcionamento escolar e na Gestão Pedagógica. O Conselho
Escolar é um órgão decisivo e instrumento necessário para o desenvolvimento de uma
gestão colegiada e estará atuando coletivamente com os interesses da Instituição de
Ensino.
Ao administrar um Estabelecimento de Ensino da Rede Pública é saber
utilizar coerentemente os recursos disponíveis para a realização dos objetivos
educacionais. Para isto, é necessário cumprir o processo pedagógico, na perspectiva
do desenvolvimento da autonomia do educando.
41
Quanto à administração e acompanhamento do desenvolvimento do trabalho
pedagógico, dos docentes, considera-se um trabalho com aspectos essencialmente
humano-social, voltado para os valores, para a ética, para o contexto histórico dos
educandos, fazendo com que tantos os docentes, como os educandos, produzam e
transformem o meio em que vivem de modo que possam conquistar realmente seus
objetivos com potencial inteiramente favorável à realidade do processo histórico em
todas as dimensões.
“a complexidade do processo pedagógico e as dificuldades na aferição
dos resultados não devem justificar a omissão na tentativa de se estudar a
maneira de exigir padrões de qualidade compatíveis com os interesses dos
usuários”. (PARO, 2006, p.90).
Portanto, é importante ao Gestor estar presente e contribuir para o
desenvolvimento do trabalho pedagógico. Isto auxilia a superação de obstáculos nos
aspectos pedagógicos e valida a
qualidade, a força do trabalho dos docentes no
processo de ensino e aprendizagem.
Para a avaliação e registro dos resultados do trabalho foram considerados os
objetivos e critérios abaixo relacionados:
- Melhoria do processo ensino-aprendizagem;
- Desempenho do Diretor;
- Os resultados obtidos em todo o processo;
- Melhoria da Gestão Escolar;
- Desempenho da Comunidade Escolar;
- Melhoria da identidade escolar;
- Índices de desempenho e produção;
- Melhor desempenho para a autonomia do Estabelecimento de Ensino;
- Aquisição do conhecimento dos envolvidos no processo educacional;
- Melhoria na construção do conhecimento entre professores e alunos;
- Produções e desempenho de professores e alunos com o resultado da
atuação do Diretor;
- Fortalecimento da interatividade entre os envolvidos no processo
educacional;
42
- Melhoria da qualidade de ensino;
- A capacidade de planejamento pedagógico;
- Motivação do Diretor, Equipe Pedagógica, professores e alunos;
- Fortalecimento do vínculo do aluno com o Estabelecimento de Ensino;
- Aproximação de pais e segmentos da sociedade no Estabelecimento de
Ensino;
- Melhoria do trabalho coletivo;
- Utilização dos recursos tecnológicos nas atividades pedagógicas em
benefício do processo ensino-aprendizagem;
- Melhoria quanto à execução do Projeto Político-Pedagógico.
As ações do Gestor Escolar podem articular-se na co-responsabilidade do
colegiado e no desempenho dele, nas demais gestões que convergem para a Gestão
Pedagógica, onde a meta a ser atingida é o educando e docentes que estão inseridos
no desenvolvimento do processo pedagógico e, principalmente na efetiva formação e
aprendizagem do educando:
Gestão Ética
Gestão de
Qualidade
Social
Gestão
Administrativa
Gestão
Político-legal
Gestão
HumanoSocial
GESTÃO PEDAGÓGICA
Gestão
Financeira
Gestão de
Produção
Gestão
Estratégica
Gestão de
Recursos
Materiais
Gestão
Democrática
Pretende-se que este trabalho abra frente para novas discussões e novas
perspectivas voltadas para o Gestor na Dimensão Pedagógica.
43
AGRADECIMENTOS
- Governo do Estado do Paraná.
- Professora Drª Leila de Almeida de Locco – Coordenadora do PDE da
Universidade Federal do Paraná.
- Professora Simone Bergman – Coordenadora do Departamento do PDE –
SEED/PR.
- Dr. Luciano Pereira Menwes – Superintendente de Desenvolvimento
Educacional – SEED/PR
- Professora Ana Lúcia
SUDE/DAE/SEED-PR.
de
Albuquerque
Schullan
–
Diretora
da
- Professora Maria Teresinha – Coordenadora do PDE – NRE de Curitiba/PR.
- Técnicos Pedagógicos colaboradores da SEED/SUDE.
- Prof. Marcos Antonio Morosine – ASS./SUDE
- Profª. Antonia Aparecida Soria – SUDE/DAE
- Profª. Judith Czuczman – SUDE/DAE
- Profª. Rita de Cássia M. Barros e Couto – SUDE/DAE.
- Profª.Tânia Abul Iskandar – SUDE/DAE
- Profª. Rose Akemi Mori cunha – SUDE/DAE
- Prof. Sergio Lange Bueno – SUDE/DAE
- Prof. Luiz – SUDE/DAE
- Profª. Rosangela das Graças Borosch – SUDE/DAE
- Profª. Beatriz Kozichi – SUDE/DAE
-Diretores colaboradores da Rede Pública de Ensino do Estado do Paraná.
- Professora Maria de Fátima Bastos Querolin, minha irmã, pelo incentivo.
- Professora Fátima Viúdes Claro pelo companheirismo durante todo o
percurso do Programa.
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maria da graça bastos lemes - Secretaria de Estado da Educação