Quadros de qualificações na Europa: desenvolver as ligações certas. infoCNIS Fevereiro 2014 O QEQ—Quadro Europeu de Qualificações como catalisador para os desenvolvimentos nacionais. Segundo dados da Unesco e da Fundação Europeia para a Formação, a introdução de quadros de qualificações baseados em resultados de aprendizagem é actualmente um fenómeno global, estando a ser implementado em cerca de 142 países. A constituição do Quadro Europeu de Qualificações (QEQ) baseado em oito níveis, tornou possível a comparação de todos os tipos e níveis de qualificações existentes nos diferentes países da União. Actualmente, 36 países estão a trabalhar em conjunto para implementar o QEQ: os 28 Estados-Membros da UE, a antiga República jugoslava da Macedónia, a Islândia, o Listenstaine, o Montenegro, a Noruega, a Sérvia, a Suíça e a Turquia. No final de 2013, 22 países da EU entre os quais Portugal, terão associado formalmente os seus níveis de qualificações nacionais ao QEQ. Desta forma, os certificados nacionais, diplomas e documentos Europass passarão eventualmente a incluir o nível do QEQ relevante. O mesmo já acontece na Dinamarca, na Estónia, na Irlanda, em França e na Lituânia. No entanto, a chave para o sucesso reside na continuidade sendo necessário rever regularmente as ligações entre os níveis europeus e nacionais, o qual será conseguido através da promoção de um intercâmbio sistemático entre os diferentes países. As experiências iniciais realizadas por países como a França e o Reino Unido sugerem que o desenvolvimento do Quadro Nacional de Qualificações (QNQ) deve ser visto como um círculo contínuo de melhoria e não como um processo de progressão linear, baseando-se assim em quatro fases: Concepção e desenvolvimento: nesta fase decidem-se os fundamentos, os objectivos políticos e a arquitectura do QNQ. No início de 2014, a maioria dos 36 países terão acordado a estrutura global dos seus quadros. Adopção formal: esta fase envolve a formalização do quadro através da elaboração de uma lei, um decreto ou outra forma de adopção formal, relativa ao mesmo; Fase operacional inicial: as instituições devem estar em conformidade com as estruturas e os métodos do QNQ. Após a adopção formal, os países devem trabalhar aspectos práticos como por exemplo, os papéis e as responsabilidades das partes interessadas e desenvolver critérios e procedimentos com vista a atribuição de qualificações aos níveis do QNQ. Portugal é um dos países que se encontra nesta fase; Rua Júlio Dinis n.º 931.—3.º Esq. 4050-327 Porto Tel.: 22 60066814 Fax: 22 6001774 E-mail: [email protected] Quadros de qualificações na Europa: desenvolver as ligações certas. infoCNIS Fevereiro 2014 Fase operacional avançada: o QNQ constitui uma parte integrante do sistema nacional de qualificações e é utilizado como ponto de referência pela administração pública, pelo sector privado e pelos cidadãos. A Dinamarca, Irlanda, França, Malta e Reino Unido encontram-se já nesta categoria. Espera-se assim que através do QNQ, se obtenha uma melhoria do acesso à educação e formação, na renovação de currículos e métodos de avaliação, bem como na eliminação de barreiras entre subsistemas. Desta forma, 28 países adoptaram já quadros com 8 níveis, tal como o QEQ; os restantes operam com 5,7,9,10 e 12 níveis. Seis introduziram QNQ parciais que cobrem um âmbito limitado de qualificações e 30 estão a trabalhar em QNQ abrangentes que cobrem todos os tipos e níveis de qualificações. Aqui importa ter em conta as qualificações desenvolvidas e atribuídas por entidades externas ao sistema educativo. Dar este passo significa obter uma visão mais concreta das qualificações existentes, podendo fortalecer as ligações entre o ensino e formação inicial, fornecidos geralmente pelo sector público e a formação contínua fornecida pelo mercado de trabalho. Os QNQ são vistos assim como uma oportunidade para integrar a validação da aprendizagem não formal e informal nos sistemas de qualificação dos países, sendo necessário contudo estabelecer uma ligação mais definida entre os QNQ e as medidas de validação a desenvolver. A implementação dos QNQ ainda se encontra numa fase inicial sendo ainda um tema por muitos desconhecido. No entanto, alguns países da União tem vindo a desenvolver iniciativas com vista a sua divulgação: Presença dos níveis de QNQ e QEQ dos certificados, diplomas, documentos Europass ou em bases de dados de qualificações; Integração das políticas inerentes ao QNQ com outras medidas, tais como políticas de validação, orientação e reforma curricular; Abrir os quadros às qualificações externas, incluindo o sector privado, de forma a encorajar o diálogo entre emprego e formação; Promover o envolvimento dos parceiros sociais em todas as fases do processo. Contudo, o maior desafio será reunir de forma integrada e num único documento, o conjunto de políticas e instrumentos existentes, tendo em conta o pressuposto que a obtenção das qualificações nunca se poderá cingir apenas e só, à esfera da educação. Rua Júlio Dinis n.º 931.—3.º Esq. 4050-327 Porto Tel.: 22 60066814 Fax: 22 6001774 E-mail: [email protected]