Rev Bras Cardiol. 2012;25(3):200-209
maio/junho
Artigo
Original
5
Mendes et al.
Antropometria e Doenças Crônicas
Artigo Original
Relação de Variáveis Antropométricas com os Perfis Pressórico e Lipídico
em Adultos Portadores de Doenças Crônicas Não Transmissíveis
Relationship Between Anthropometric Variables and Pressure/Lipid Profiles
in Adults with Chronic Non-Communicable Diseases
Wanderson André Alves Mendes, Sérgio Eduardo Moura Carmin, Priscila Matos de Pinho,
Ana Carla Moreira da Silva, Liliane Maria Messias Machado, Marília de Souza Araújo
Resumo
Abstract
Fundamentos: As doenças crônicas não transmissíveis
(DCNT) constituem grave problema de saúde pública,
sendo essencial a identificação de fatores que elevam sua
ocorrência.
Objetivo: Verificar relação de variáveis antropométricas
com perfis pressórico e lipídico em adultos com DCNT,
atendidos no ambulatório de nutrição de hospital
universitário.
Métodos: Estudo clínico-transversal de pacientes (n=50)
com DCNT, de ambos os sexos e idades entre 20-59 anos.
Foram aferidos: peso, estatura, circunferências da cintura
(CC) e braquial (CB), índice de massa corporal (IMC),
índice de conicidade (índice C), percentual de gordura
por dois métodos: Deurenberg et al., 1991 (%GCD) e Lean
et al., 1991 (%GCL), glicemia, colesterol total, LDL-c,
HDL-c, triglicérides e pressão arterial.
Resultados: IMC foi o que mais se correlacionou com
outras variáveis: CC (p<0,0001, r=0,89), CB (p<0,0001,
r=0,91), %GCD (p<0,0001, r=0,77); %GCL (p<0,0001,
r=0,65); e índice C (p=0,009, r=0,36). A CC também
apresentou correlações significativas, apesar de não tão
fortes quanto às do IMC, com exceção para o índice C
(p<0,0001, r=0,66). Verificou-se que as chances de
elevação dos triglicérides foram significativamente
maiores em situações de IMC (OR=3,02, p=0,020), CC
(OR=3,88, p=0,005) e %GC elevados (p<0,0001,
OR=6,24 –%GCD; p<0,005, OR=3,88 –%GCL). Também
houve mais chances de diminuição do HDL-c quando
CC (OR=3,57, p=0,009), %GCD (p<0,0001, OR=5,76),
%GCL (p<0,009, OR=3,57) e índice C (OR=4,82, p=0,002),
aumentaram.
Conclusão: IMC e CC foram os que mais se
correlacionaram com outras variáveis antropométricas.
As chances de ocorrência de dislipidemias aumentam
Background: Chronic non-communicable diseases
(CNCDs) are a serious public health problem, whereby
it is essential to identify factors that increase their
occurrence.
Objective: To assess the relationship between
anthropometric variables and pressure / lipid profiles
in adults with CNCDs, treated at a nutrition out-patient
clinic in a university hospital.
Methods: Cross-sectional clinical study of male and
female patients (n=50) with CNCDs, aged 20-59
years. Weight, height, waist (WC) and brachial (BC)
circumferences, body mass index (BMI), conicity index
(C index) and body fat percentage were measured by two
methods: Deurenberg et al., 1991 (BFD%) and Lean et al.,
1991 (BFL%), glucose, total cholesterol, LDL-c, HDL-C,
triglycerides and blood pressure.
Results: the BMI was the most closely correlated with
other variables: WC (p<0.0001, r=0.89), BC (p<0.0001,
r=0.91), BFD% (p<0.0001, r=0.77), BFL% (p<0.0001,
r=0.65), and C index (p=0.009, r=0.36). The WC also
showed significant correlations, although not as strong
as those of the BMI, except for the C index (p<0.0001,
r=0.66). The odds of elevated triglyceride levels were
found to be significantly higher with increased BMI
(OR=3.02, p=0.020), WC (OR=3.88, p=0.005) and BF%
(p<0.0001, OR=6.24 – BFD%, p<0.005, OR=3.88 – BFL%).
There were also more likely to decrease for HDL-C when
WC (OR=3.57, p=0.009), BFD% (p<0.0001, OR=5.76),
BFL% (p<0.009, OR=3.57) and C index (OR=4.82, p=0.002)
increased.
Conclusion: The BMI and WC were the most closely
correlated with other variables. The chances of
dyslipidemia rise with an increase in the anthropometric
variables studied.
Faculdade de Nutrição, Instituto de Ciências da Saúde - Universidade Federal do Pará (UFPA) - Belém, PA - Brasil
Correspondência: Wanderson André Alves Mendes
E-mail: [email protected]
Av. Celso Malcher, Pass. São Pedro, 11 - Canudos - 66070-740 - Belém, PA - Brasil
Recebido em: 28/02/2012 | Aceito em: 18/05/2012
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Mendes et al.
Antropometria e Doenças Crônicas
Artigo Original
Rev Bras Cardiol. 2012;25(3):200-209
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com a elevação das variáveis antropométricas estudadas.
Palavras-chave: Antropometria; Hipertensão;
Dislipidemias; Perfil de saúde; Índice de massa corporal
Keywords: Anthropometry; Hypertension,
Dyslipidemias; Health profile; Body mass index
Introdução
lipídico em adultos portadores de doenças crônicas
não transmissíveis atendidos no ambulatório de
nutrição de um hospital universitário.
As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT)
constituem um grave problema de saúde pública, e
são consideradas a principal causa de morte em nível
mundial. A doença isquêmica do coração foi
responsável por 16% de todas as mortes em 2008, de
acordo com a Organização Mundial da Saúde1. No
Brasil, as doenças do aparelho circulatório foram
responsáveis por cerca de 10% das internações e de
31,25% dos óbitos, em 20092.
A partir do estudo de Framingham3, foram identificados
os principais fatores de risco para as doenças
cardiovasculares: hipertensão arterial, níveis elevados
de colesterol e/ou reduzidos de HDL-c, tabagismo,
diabetes mellitus e idade avançada. Essa mesma
pesquisa demonstrou que a adição progressiva desses
fatores de risco determina um aumento crescente de
morbimortalidade cardiovascular de duas até sete
vezes para ambos os sexos.
Além disso, destacam-se outros fatores que podem
aumentar o risco para esta doença: dieta aterogênica,
inatividade física, sobrepeso e obesidade4. De sorte
que o excesso de peso associado ao acúmulo de
gordura na região mesentérica está relacionado ao
maior risco de doença aterosclerótica5.
Nesse sentido, os indicadores antropométricos são
frequentemente empregados na avaliação da
adiposidade corporal devido à sua praticidade e baixo
custo. O índice de massa corporal é a medida mais
utilizada, e estudos epidemiológicos mostram sua
associação com a elevação da mortalidade6,7.
No entanto, vários estudos têm demonstrado que as
medidas que avaliam o acúmulo de gordura em
regiões específicas, como a circunferência da cintura
e o índice de conicidade, são capazes de estimar
indiretamente a gordura intra-abdominal que reflete
a massa de tecido adiposo visceral. Esta, por sua vez,
está associada a sérios distúrbios metabólicos, como:
resistência à insulina, aumento da pressão arterial e
alterações desfavoráveis no perfil das lipoproteínas
plasmáticas. O conjunto dessas desordens caracteriza
o quadro de síndrome metabólica, sendo esta
responsável pelo aumento considerável no risco de
desfecho cardiovascular6-9.
O objetivo deste estudo foi verificar a relação de
variáveis antropométricas com os perfis pressórico e
Metodologia
Estudo de caráter clínico-transversal e analítico,
realizado entre maio 2010 e outubro 2011, com
pacientes adultos, de ambos os sexos, portadores de
doenças crônicas não transmissíveis, atendidos no
ambulatório de nutrição do Hospital Universitário
João de Barros Barreto (HUJBB).
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em
Pesquisa da instituição sob o nº 418/2010. Todos os
participantes do estudo assinaram o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido.
Do total de 70 indivíduos atendidos pelo projeto
“Avaliação e conduta nutricional para portadores de
doenças crônicas não transmissíveis”, 50 fizeram
parte da amostra, pois estavam com os dados
antropométricos, bioquímicos e clínicos completos.
Os critérios de inclusão dos participantes na pesquisa
foram: idade entre 20-59 anos, diagnóstico de
diabetes mellitus, obesidade e/ou hipertensão
arterial sistêmica e concordância em participar da
pesquisa. Foram excluídos os indivíduos que não
estavam com os exames bioquímicos atualizados e
os que não estavam aptos física e mentalmente para
serem avaliados.
Antropometria e composição corporal
Os dados antropométricos (peso, estatura e
circunferências corporais) foram coletados no
Laboratório de Estudos em Patologia Nutricional
(LEPAN). O peso foi obtido com uma balança
mecânica tipo plataforma com escala de 100g, modelo
104A (Welmy, Indústria e Comércio Ltda, Santa Bárbara
do Oeste, SP). O paciente foi posicionado de pé, no
centro da base da balança, descalço e com roupas
leves. Já a estatura foi mensurada com estadiômetro
acoplado à própria balança mecânica, com precisão
de 0,5cm e alcance máximo de 2m. A aferição da
estatura foi realizada com o individuo descalço em
posição ortostática, corpo erguido em extensão
máxima, cabeça ereta, costas e a parte posterior dos
joelhos encostados ao antropômetro e calcanhares
juntos10.
201
Rev Bras Cardiol. 2012;25(3):200-209
maio/junho
O índice de massa corporal (IMC, em kg/m2) foi
calculado pela fórmula: IMC=peso(kg)/estatura2(m2),
e categorizado em <25kg/m² (normal) e ≥25kg/m²
(elevado), sendo esta variável independente do sexo11.
A circunferência da cintura (CC, em cm) foi aferida
com o paciente em posição ortostática, utilizando uma
fita métrica não extensível (Sanny, American Medical
do Brasil Ltda., São Bernado do Campo, SP). A fita foi
posicionada em torno do ponto médio entre a última
costela e a crista ilíaca, e a leitura feita no momento
da expiração. A CC foi categorizada de acordo com a
Federação Internacional de Diabetes12.
A circunferência braquial (CB) foi obtida com a fita
métrica circundando o ponto médio do braço, que é
localizado entre o acrômio e o olecrânio. Os valores
obtidos foram comparados aos valores de referência
de adequação de Blackburn e Thornton13, sendo
adotados os pontos de corte <110% (normal) e ≥110%
(elevado).
O percentual de gordura corporal (%GC) foi estimado
a partir de duas equações: uma proposta por
Deurenberg et al. 14 , em que a variável sexo é
representada por 0 para mulheres e 1 para homens; e
a outra proposta por Lean et al.15 também específica
para cada sexo.
Deurenberg et al.14:
% GC = (1,2 x IMC) – (10,8 x sexo) + (0,23 x idade) – 5,4
Lean et al.15:
% GC = (0,567 x CC) + (0,101 x idade) – 31,8 (homem)
Lean et al.15:
% GC = (0,439 x CC) + (0,221 x idade) – 9,4 (mulher)
Considerou-se como risco o %GC ≥25% para homens
e ≥32% para mulheres de acordo com Lohman et al.16
O índice de conicidade (índice C) foi determinado a
partir das medidas de peso, estatura e circunferência
da cintura, utilizando-se a seguinte equação
matemática:
O índice C masculino foi considerado normal se <1,25
e elevado ≥1,25; para mulheres até 49 anos de idade,
o índice C foi normal quando <1,18 e elevado se ≥1,18.
Já para mulheres com idade ≥50 anos, foi considerado
normal quando <1,22 e elevado se ≥1,2217.
202
Mendes et al.
Antropometria e Doenças Crônicas
Artigo Original
Avaliação clínica
A pressão arterial foi aferida utilizando o aparelho
G.TECH Monitor Digital Pressão Arterial (Onbo
Eletronics Co., China), com o indivíduo em repouso
mínimo de cinco minutos, sentado, com os pés
apoiados no chão, braço elevado ao nível do coração
e livre de roupas, apoiado com a palma da mão voltada
para cima e o cotovelo ligeiramente fletido18.
Avaliação bioquímica
Para a coleta de sangue os pacientes deveriam estar
em jejum por 12 horas. Os parâmetros bioquímicos
analisados foram glicemia, colesterol total, LDL-c,
HDL-c e triglicérides. As análises bioquímicas foram
realizadas no laboratório de patologia clínica do
HUJBB.
A glicemia foi classificada normal quando <100mg/dl
e elevada se ≥100mg/dl19. Em relação ao colesterol
total, LDL-c e triglicerídeos, foram considerados como
pontos de corte os valores ≥200mg/dl, ≥160mg/dl e
≥150mg/dl, respectivamente. No que se refere ao
HDL-c, considerou-se reduzido <40mg/dl para o sexo
masculino e <50mg/dl para o feminino5.
Uso de medicamentos e histórico de doença
cardiovascular
Todos os pacientes faziam uso de medicação
hipoglicemiante, hipotensora ou hipolipemiante, de
acordo com o tratamento de suas respectivas doenças
de base. Nenhum dos participantes relatou história de
doença cardiovascular pregressa.
Análise estatística
Foi aplicada estatística descritiva nos dados coletados
referentes à população total e por sexo, por meio do
software MINITAB, versão 14, sendo os resultados
expressos em frequências, média, desvio-padrão e/
ou mediana. Apesar de haver assimetria nas variáveis,
e a mediana representar melhor os resultados, achouse por bem utilizar outra medida de tendência central,
a média, em conjunto com uma de dispersão, o desviopadrão, pois permitem a visualização da variabilidade
dos resultados em torno da média.
Utilizou-se o teste de Mann-Whitney para verificação
da existência de diferença estatística significativa entre:
a) o sexo e as variáveis antropométricas, clínicas e
bioquímicas estudadas; b) as classificações dos pontos
de corte utilizados em cada variável e o sexo.
Utilizou-se também o odds ratio (OR), com seus
respectivos intervalos de confiança de 95%, com o
objetivo de avaliar a influência direta ou inversa de
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Antropometria e Doenças Crônicas
Artigo Original
Rev Bras Cardiol. 2012;25(3):200-209
maio/junho
uma variável sobre outra. Primeiramente, analisouse a interferência das variáveis antropométricas
entre si. Posteriormente, avaliou-se a contribuição
das variáveis antropométricas sobre as possíveis
alterações bioquímicas e, em seguida verificou-se
apenas a influência das variáveis bioquímicas entre
si. Devido à grande quantidade de variáveis
analisadas foram apresentados apenas os resultados
mais relevantes.
Em relação à média de triglicerídeo, apenas os
homens apresentaram níveis elevados.
Apenas hipertensão
Além disso, realizou-se o teste de correlação de
Spearman para verificar o tipo de relação existente
entre as variáveis antropométricas, bioquímicas e
clínicas estudadas. Esse teste foi empregado por ser
não paramétrico.
Os testes de Mann-Whitney, correlação de Spearman
e odds ratio foram realizados por meio do programa
BIOESTAT versão 5.0, adotando-se como valor de
significância p≤0,0520.
Total
Resultados
Foram avaliados 50 indivíduos, sendo 54,0% do sexo
feminino. A média de idade foi 46±8 anos (28-58 anos).
O maior percentual dos indivíduos apresenta apenas
diabetes (24%), seguido de 22% de pacientes com
diabetes e hipertensão conjuntamente, e 16% que estão
obesos apenas (Tabela 1).
Os valores de glicemia encontrados, em média, se
apresentaram acima do ponto de corte adotado
neste estudo (Tabela 2). Observou-se que a média
de HDL-c masculina estava menor que a feminina.
Tabela 1
Distribuição dos pacientes estudados por doenças
apresentadas
Doenças
n
%
Apenas diabetes mellitus 12
24
1
2
Apenas obesidade
8
16
Diabetes e obesidade
6
12
11
22
6
12
Diabetes e hipertensão
Hipertensão e obesidade
Diabetes, hipertensão e obesidade
6
12
50
100
No que se refere ao IMC, CC, adequação de CB,
%GC segundo os dois métodos e ao índice C, os
indivíduos apresentaram, em média, valores
superiores ao ponto de corte limítrofe. A média
feminina foi maior que a masculina, exceto em
relação ao índice C. Houve diferença estatística
significativa entre os sexos, apenas em relação aos
valores médios de adequação de CB e %GC, em
ambas as metodologias (equações) utilizadas.
Quanto à classificação dos parâmetros bioquímicos,
antropométricos e clínicos, observou-se que 74,0%
da amostra apresentaram valores glicêmicos
≥100mg/dl. Em relação ao HDL-c, as mulheres
apresentaram maior percentual de níveis reduzidos,
estando, portanto, diferentes estatisticamente dos
homens (p=0,039) (Tabela 3).
Tabela 2
Variáveis bioquímicas, antropométricas e clínicas dos pacientes estudados (média, desvio-padrão e mediana), por sexo
Variáveis
Feminino (n = 27)
Masculino (n = 23)
Total (n = 50)
Média
DPMedianaMédia
DP Medianap valorMédia
DPMediana
Glicemia (mg/dL)
153,78 79,75
124,00
155,91 82,35
130,00
0,861
154,76 80,13
127,00
Colesterol total (mg/dL)
202,26 47,03
204,00
205,26 46,33
201,00
0,697
203,64 46,25
202,50
HDL-c (mg/dL)
44,67 10,07
44,50
43,52 11,52
42,00
0,448
44,14 10,67
44,50
LDL-c (mg/dL)
129,11 37,32
121,00
126,35 39,15
119,00
0,891
127,84 37,80
119,00
Triglicerídeo (mg/dL)
142,56 60,34
104,00
176,91 79,04
163,00
0,149
158,36 70,97
157,50
PAS (mmHg)
135,56 20,63
135,00
131,30 19,65
133,00
0,592
133,60 20,09
134,00
PAD (mmHg)
84,96 10,56
83,00
81,39 10,40
80,00
0,198
83,32 10,53
80,50
IMC (kg/m²)
32,17 6,53
32,68
28,74 5,88
27,01
0,136
30,59 6,42
30,79
CC (cm)
97,67 13,62
101,25
97,43 11,58
96,00
0,945
97,56 12,59
96,25
Adequação de CB (%)
123,39 16,22
125,44
112,67 15,39
112,63
0,024
118,46 16,59
119,30
% GC método Deurenberg et al.14 43,52 8,03
42,73
29,06 6,58
27,58
<0,001
36,87 10,33
37,23
% GC método Lean et al.15
43,39 6,64
43,36
28,18 6,38
27,99
<0,001
36,39 10,02
35,77
Índice C
1,28 0,09
1,29
1,30 0,05
1,28
0,477
1,29 0,07
1,28
DP=desvio-padrão; PAS=pressão arterial sistólica; PAD=pressão arterial diastólica; IMC=índice de massa corporal; CC=circunferência da
cintura; CB=circunferência braquial; %GC=percentual de gordura corporal; Índice C=índice de conicidade
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Mendes et al.
Antropometria e Doenças Crônicas
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Quanto aos parâmetros antropométricos referentes
ao IMC, CC, adequação de CB, %GC proposto por
Deurenberg et al. 14 e índice C, verificou-se que
78,0%, 82,0%, 70,0%, 88,0% e 86,0% apresentaram
valores acima dos recomendados, respectivamente
(Tabela 3).
Observou-se ainda que 100% das mulheres
estavam com o %GC elevado e que apresentaram
maior percentual de %GC de risco em relação aos
homens, com diferença estatística significativa
entre os sexos (p<0,0001, para ambas as
metodologias) (Tabela 3).
Tabela 3
Distribuição e percentual das variáveis bioquímicas, antropométricas e clínicas dos pacientes estudados, por sexo
Parâmetros
Mulheres
n%
Glicemia
< 100mg/dl
5
19
≥ 100mg/dl
22
81
Colesterol Total
< 200mg/dl
13 48
≥ 200mg/dl
14 52
HDL-c
≥ 50mg/dl*; ≥ 40mg/dl †
9
33
< 50mg/dl*; < 40mg/dl †
18 67
LDL-c
< 160mg/dl
20 74
≥ 160mg/dl
7
26
Triglicerídeo
< 150mg/dl
14 52
≥ 150mg/dl
13
48
PAS
< 140mmHg
17 63
≥ 140mmHg
10 37
PAD
< 90mmHg
19 70
≥ 90mmHg
8
30
IMC
< 25,00kg/m²
4
15
≥ 25,00kg/m²
23 85
CC
< 80*; < 90†
2
7
≥ 80*; ≥ 90†
25 93
Adequação de CB
< 110%
5
19
≥ 110%
22 81
% GC método Deurenberg et al.14
< 32*; < 25†
0
0
≥ 32*; ≥ 25†
27
100
% GC método Lean et al.15
< 32*; < 25†
0
0
≥ 32*; ≥ 25†
27
100
Índice C
< 1,22*; < 1,25**; <1,18†
3
11
≥ 1,22*; ≥1,25**; ≥ 1,18†
24 89
Homens
n %
p-valorTotal
n %
8
15
35
65
0,420
0,265
13
37 26
74
10 13 43
57
0,852
0,903
23 27 46
54
13 10 57
43
0,116
0,039
22 28 44
56
19 4
83
17
0,683
0,344
39 11 78
22
9
14 39
61
0,256
0,423
23 27 46
54
14 9
61
39
0,183
0,967
31 19 62
38
18 5
78
22
0,274
0,420
37 13 74
26
7
16 30
70
0,570
0,475
11 39 22
78
7
16 30
70
–
0,190
9
41 18
82
10 13 43
57
0,624
0,151
15 35 30
70
6
17 26
74
–
<0,001
6
44 12
88
9
14
39
61
–
< 0,001
9
41 18
82
4
19
17
83
–
0,419
7
43 14
86
* Feminino; † Masculino; PAS=pressão arterial sistólica; PAD=pressão arterial diastólica; IMC=índice de massa corporal; CC=circunferência
da cintura; CB=circunferência braquial; %GC=percentual de gordura corporal; Índice C=índice de conicidade
Índice C: <1,22* normal para mulheres até 49 anos de idade; Índice C: <1,25** normal para mulheres com idade ≥ 50 anos;
Índice C: ≥ 1,22* alterado para mulheres até 49 anos de idade; Índice C: ≥ 1,25** alterado para mulheres com idade ≥ 50 anos.
Valores estatisticamente significativos para p≤0,05.
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Antropometria e Doenças Crônicas
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Na Tabela 4, pode-se observar a correlação entre as
variáveis antropométricas e bioquímicas. O IMC
apresentou correlação positiva com a CC (p<0,001),
CB (p<0,001), %CG (p<0,001) e com o índice C
(p=0,009). Verifica-se o mesmo comportamento da
CC com as variáveis citadas. As demais correlações
foram fracas.
de HDL-c; 4,82 vezes mais chances (1,82-12,79
IC95%; p=0,002) de voluntários que possuem o
índice C aumentado estarem com baixos níveis de
HDL-c. Pode-se notar que as maiores significâncias
ocorreram entre as variáveis antropométricas que
estimavam quantidade de gordura corporal e
dosagens lipídicas séricas.
Na Tabela 5, verifica-se que quase todas as razões
de chance tiveram valores de p significativos.
Dentre elas, pode-se destacar que houve: 6,24 mais
chances (2,25-17,29 IC95%; p=0,0001) de indivíduos
com elevado %GC, segundo Deurenberg et al. 14,
apresentarem níveis elevados de triglicerídeos; 5,76
vezes mais chances (2,07-15,97 IC95%; p=0,0001) de
participantes com maior %GC, também segundo
Deurenberg et al.14, apresentarem menores níveis
Tabela 4
Correlação entre variáveis antropométricas, bioquímicas e clínicas encontradas em portadores de doenças crônicas
IMC
CC
CB
% GC*
% GC † Índice C
Glicemia
CT
HDL-c
LDL-c
TG
IMC
CC
(0,89)
p-valor
<0,001
CB
(0,91)
(0,79)
p-valor<0,001<0,001
% GC *
(0,77)
(0,58)
(0,71)
p-valor<0,001<0,001 <0,001
% GC †
(0,65)
(0,55)
(0,60)
p-valor<0,001<0,001 <0,001
Índice C
p-valor
(0,36)
(0,66)
(0,25)
(0,22)
0,009<0,001
0,07
0,11
(0,34)
0,014
Glicemia
(-0,28)
(-0,13)
(-0,22)
(-0,09)
(0,02)
p-valor
0,052
0,38
0,12
0,54
0,90
(-0,15)
(0,21)
(-0,16)
(-0,19)
(-0,16)
(-0,22)
0,30
0,15
0,26
0,20
0,28
0,12
(-0,23)
(-0,30)
(-0,23)
(-0,12)
(-0,11)
(-0,32)
0,10
0,035
0,09
0,40
0,44
0,025
(-0,11)
(-0,16)
(-0,10)
(-0,13)
(-0,07)
(-0,18)
0,47
0,26
0,45
0,36
0,62
0,22
(0,01)
(0,01)
(0,01)
(-0,05)
(-0,14)
(-0,08)
(0,11)
(0,30)
(-0,23)
(0,10)
0,96
0,97
0,92
0,72
0,35
0,57
0,41
0,03
0,11
0,50
(0,22)
(0,19)
(0,19)
(0,14)
(0,17)
(0,05)
(-0,30)
(0,22)
(-0,11)
(0,27)
(0,13)
0,13
0,20
0,17
0,33
0,23
0,70
0,030
0,12
0,44
0,06
0,37
(0,07)
(0,02)
(-0,02)
(0,12)
(0,15)
(-0,00)
(-0,02)
(0,20)
(0,29)
(0,16)
(-0,03)
0,63
0,89
0,84
0,40
0,29
0,96
0,88
0,16
0,04
0,28
0,81
CT
p-valor
HDL-c
p-valor
LDL-c
p-valor
TG
p-valor
PAS
p-valor
PAD
p-valor
(0,13)
0,38
(-0,04)
0,76
(-0,03)
0,82
(-0,07)
0,59
IMC=índice de Massa Corporal; CC=circunferência da cintura; CB=circunferência braquial; %GC*=percentual de gordura corporal proposto
por Deurenberg et al. (1991); %GC†=percentual de gordura corporal proposto por Lean et al. (1991); Índice C=índice de conicidade;
CT=colesterol total; TG=triglicerídeos; PAS=pressão arterial sistólica; PAD=pressão arterial diastólica.
Valores em negritos são estatisticamente significativos (p ≤0,05) provenientes do teste de correlação de Spearman.
* A única variável que apresentou associação inversa com as demais foi o HDL-c.
205
Rev Bras Cardiol. 2012;25(3):200-209
maio/junho
Mendes et al.
Antropometria e Doenças Crônicas
Artigo Original
Tabela 5
Odds ratio das variáveis relacionadas ao risco cardiovascular
Variáveis
IMC ≥ 25kg/m² vs Triglicerídeo
OR (IC)
3,02 (2,26 – 7,20) p-valor
0,020
Circunferência da cintura elevada vs HDL-c
3,57 (1,43 - 8,91) 0,009
Circunferência da cintura elevada vs Triglicerídeo
3,88 (1,56 - 9,65) 0,005
% GC Deurenberg et al.14 vs HDL-c
5,76 (2,07- 15,97) <0,001
% GC Deurenberg et al.14 vs Triglicerídeo
6,24 (2,25 - 17,29) <0,001
% GC Lean et al.15 vs HDL-c
3,57 (1,43 - 8,91) 0,009
% GC Lean et al.15 vs Triglicerídeo
3,88 (1,56 - 9,65) 0,005
IMC vs Índice C
0,57 (0,20 - 1,63) 0,434
Circunferência da cintura elevada vs Índice C
0,74 (0,25 - 2,17) 0,785
% GC Deurenberg et al.14 vs Índice C
1,19 (0,37- 3,84) 1,000
% GC Lean et al.15 vs Índice C
0,74 (0,25 - 2,17) 0,785
Índice C vs HDL-c
4,82 (1,82 - 12,79) 0,002
OR=odds ratio; IC=intervalo de confiança; IMC=índice de massa corporal; %GC=percentual de gordura corporal; Índice C=índice de
conicidade.
Valores em negritos apresentam p-valor ≤ 0,05 (estatisticamente significativos).
Discussão
A obesidade e mais recentemente o sobrepeso são
problemas crescentes em muitos países, incluindo o
Brasil, contribuindo para a ocorrência de eventos
cardiovasculares e de óbitos4,21.
Neste estudo, verificou-se que, em média, os valores
glicêmicos encontrados são superiores aos
recomendados pela Sociedade Brasileira de Diabetes19.
Teixeira et al. 22 confirmaram estes achados ao
estudarem pacientes atendidos em ambulatório de
nutrição de uma universidade pública de São Paulo:
frequência alta de indivíduos com glicemia de jejum
≥100mg/dl. No entanto, Ramos et al.23 ao investigarem
o perfil bioquímico de pacientes atendidos no
programa “Controle de peso”, obtiveram apenas
21,3% de sua amostra com alteração do perfil
glicídico, adotando um ponto de corte de 110mg/dl.
A diferença expressiva entre os achados pode ser
justificada pelo fato de que no presente estudo
utilizou-se menor ponto de corte, em função da
atualização das diretrizes da Sociedade Brasileira de
Diabetes, além de adotar como critério de inclusão
pacientes com diagnóstico de diabetes mellitus19.
Teixeira et al.22 verificaram ainda que o sexo feminino
apresentou média de HDL-c superior à masculina. No
entanto, os homens estavam com nível adequado,
enquanto as mulheres apresentaram valores aquém
do recomendado, resultado semelhante ao encontrado
na pesquisa em questão. Já no estudo efetuado por
Pitanga e Lessa²4, ambos os sexos apresentaram níveis
adequados. A frequência de indivíduos com alteração
de níveis séricos de HDL-c foi alto, principalmente no
sexo feminino, com menor quantidade sérica dessa
206
lipoproteína, sugerindo menor proteção contra
aterosclerose nesse grupo25.
Em relação à concentração sérica de triglicerídeos,
apenas os homens apresentaram média superior ao
recomendado, o que demonstra maior risco para
eventos cardiovasculares. O nível elevado de
triglicerídeo é um dos critérios para o diagnóstico da
síndrome metabólica que, por sua vez, está associado
à doença cardiovascular, aumentando a mortalidade
geral em cerca de 1,5 vezes e a cardiovascular em cerca
de 2,5 vezes26.
A maior parte dos indivíduos avaliados está com
padrões antropométricos alterados: índice de massa
corporal, circunferência da cintura e alteração de
composição corporal. O excesso de peso, considerandose não apenas o IMC, como também a circunferência
da cintura e o %GC, destacam-se como fator de risco
para doenças crônicas não transmissíveis27.
Em relação ao IMC, em média, os indivíduos
pesquisados apresentaram obesidade grau I, valor
superior ao encontrado por Oliveira et al. 4 que
obtiveram média de IMC de 25,61kg/m² ao analisarem
a relação de indicadores antropométricos com fatores
de risco para doença cardiovascular. A inserção de
pacientes obesos como critério de inclusão na
presente pesquisa pode justificar a diferença entre os
achados.
No que se refere à frequência de indivíduos com
sobrepeso ou obesidade, os resultados são
semelhantes aos da pesquisa de Cabral et al.28, na
qual 73,1% dos pacientes apresentavam IMC
≥25kg/m².
Mendes et al.
Antropometria e Doenças Crônicas
Artigo Original
Em relação à circunferência da cintura, pôde-se
observar que os valores médios encontrados para
mulheres e homens no presente estudo foram
semelhantes aos encontrados por Girotto et al.29, que
obtiveram média de 99,5±12,9cm e 98,4±11,3cm para
mulheres e homens, respectivamente. Nesta pesquisa
a quase totalidade das mulheres e a maioria dos
homens estão com risco aumentado para
complicações metabólicas pelo indicador
circunferência da cintura. Estes achados corroboram
com os de Rezende et al.30 que observaram 74,0% e
56,1% entre mulheres e homens, com tal risco,
respectivamente.
Ao se avaliar o %GC, segundo Deurenberg et al.14 e
Lean et al. 15, as mulheres apresentaram valores
maiores que os dos homens, resultado semelhante
ao encontrado por Oar e Rosado25. Ressalta-se que
no estudo de Corrêa et al.31, o %GC foi a variável que
mais influenciou a ocorrência de fatores de risco
clínicos e laboratoriais para a doença macro e
microvascular do diabetes mellitus, como elevados
níveis tensionais, triglicerídeos e hemoglobina
glicosilada.
Em relação ao índice C, estudo realizado por Pitanga
e Lessa32, ao investigar os indicadores antropométricos
de obesidade em adultos na cidade de Salvador,
encontrou média de índice C de 1,23±0,07 para o
sexo masculino e de 1,18±0,09 para o feminino, o que
demonstrou baixo risco coronariano. Na presente
pesquisa, entretanto, tanto os homens quantos as
mulheres apresentaram maior risco de desfecho
coronariano.
Está bem estabelecido na literatura que o sobrepeso e
as flutuações de ganho de peso na vida adulta estão
relacionados ao aumento do risco de mortalidade, uma
vez que a obesidade é fator de risco para doenças
cardiovasculares. No entanto, a adiposidade abdominal
tem sido considerada um dos melhores preditores de
risco cardiovascular4,33,34.
Na presente pesquisa, verificou-se que dentre as
variáveis antropométricas estudadas, o índice de
massa corporal foi o que mais se correlacionou com
as outras variáveis antropométricas: circunferências
da cintura e braquial, percentuais de gordura (ambas
as metodologias) e índice de conicidade. A
circunferência da cintura também teve fortes e
significativas correlações, mas não tão expressivas
quanto às do IMC, com exceção para o índice C.
Constatou-se ainda que as chances de elevação dos
níveis de triglicérides foram maiores e fortemente
significantes em situações de IMC, CC e %GC
elevados. Da mesma forma, houve mais chances de
Rev Bras Cardiol. 2012;25(3):200-209
maio/junho
diminuição dos níveis de HDL-c quando CC, %GC e
índice C aumentaram. Sabe-se que o excesso de peso,
associado ao acúmulo de gordura na região mesentérica
(obesidade denominada do tipo central ou
androgênica), está associado ao maior risco de doença
aterosclerótica7,33.
O excesso de peso corporal, assim como a adiposidade
visceral em indivíduos diabéticos do tipo II, tem sido
associado a um pior perfil lipídico, a elevados níveis
pressóricos e à presença de síndrome metabólica. Em
geral, esses indivíduos apresentam dislipidemia,
resistência à insulina e hipertensão arterial sistêmica,
condições que em conjunto caracterizam a síndrome
metabólica5,7,33.
Corrêa et al.31, ao avaliarem a influência da gordura
corporal em pacientes com diabetes mellitus tipo II,
encontraram correlação positiva entre o aumento do
%GC e elevação sérica de triglicerídeos.
Estudos recentes têm utilizado o índice C para
avaliação da obesidade, principalmente relacionado
com a distribuição da gordura corporal central, pois
apresenta melhores valores de sensibilidade e
especificidade para discriminar risco coronariano
elevado32,35.
No estudo de Rezende et al.30, constatou-se que
indivíduos com excesso de peso, principalmente com
obesidade abdominal, estão mais expostos a fatores
de risco cardiovascular envolvidos na síndrome
metabólica, independente da idade e do sexo, e
consequentemente, a maior risco de morbidade e
mortalidade.
Segundo ainda os autores, níveis reduzidos de HDL-c
estiveram correlacionados inversamente com a
obesidade abdominal. Vasques et al.7 encontraram
associação entre redução de HDL-c e maior
concentração de gordura na região abdominal em
mulheres. A pesquisa de Almeida et al.8 verificou a
associação entre a obesidade abdominal e risco
cardiovascular em mulheres, e constatou que o índice
C foi o indicador que apresentou melhor desempenho
para discriminar o risco coronariano quando
comparado com os demais.
Portanto, apesar de existirem limitações com relação
ao uso do IMC, pois somente ele não é capaz de
fornecer informações a cerca da distribuição da
gordura no corpo e da composição corporal, o
presente estudo reforça a utilização do IMC em
associação com outras medidas antropométricas,
como a circunferência da cintura e o índice C. O uso
de indicadores antropométricos na avaliação do
estado nutricional de populações, em estudos
207
Rev Bras Cardiol. 2012;25(3):200-209
maio/junho
epidemiológicos, assim como em portadores de
doenças crônicas não transmissíveis, tem a finalidade
de potencializar a capacidade preditiva de
complicações cardiovasculares e o agravo clínico em
várias doenças como diabetes mellitus, dislipidemias
e hipertensão arterial27,36-38.
Conclusão
Em conclusão, o IMC e a CC foram as medidas que
mais se correlacionaram com outras variáveis
antropométricas; as chances de ocorrência de
dislipidemias aumentam com a elevação das variáveis
antropométricas estudadas.
Além disso, pôde-se constatar que os indicadores
antropométricos de obesidade como IMC, %GC,
acúmulo de gordura visceral identificado pelo
índice C e circunferência da cintura estão
extremamente associados a diversas alterações
metabólicas, principalmente do perfil lipídico;
sendo assim, tais resultados sustentam a hipótese
de que a presença de inadequações de indicadores
antropométricos eleva a ocorrência de fatores de
risco relacionados a eventos cardiovasculares.
Portanto, iniciativas que proporcionem intervenção
nos hábitos alimentares e de atividade física, visando
à manutenção do peso corporal saudável podem
previr a ocorrência de complicações e agravos clínicos
indesejáveis.
Potencial Conflito de Interesses
Declaro não haver conflitos de interesses pertinentes.
Fontes de Financiamento
O presente estudo foi parcialmente financiado pela PróReitoria de Extensão da Universidade Federal do Pará –
PROEX/UFPA, na forma de bolsa auxílio NAVEGASABERES.
Vinculação Acadêmica
Este artigo representa o Trabalho de Conclusão de Curso
(TCC) em Nutrição do acadêmico Wanderson André Alves
Mendes, pela Faculdade de Nutrição da Universidade
Federal do Pará.
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