XXIII Encontro Nac. de Eng. de Produção - Ouro Preto, MG, Brasil, 21 a 24 de out de 2003
A acumulação de competência tecnológica e os processos de
aprendziagem na indústria metal-mecânica: O caso de AGCO –
Indústria de Colheitadeiras.
Pedro Luís Büttenbender (UNIJUI-FGV/EBAPE) [email protected]
Luciano Zamberlan (UNIJUI-FGV/EBAPE) [email protected]
Ariosto Sparenberger (UNIJUI-UFSC) [email protected]
Resumo
Este artigo estuda os processos de aprendizagem e suas implicações para a acumulação de
competências tecnológicas na indústria metal-mecânica. Este estudo realizado na AGCO –
Indústria de colheitadeiras, localizada em Santa Rosa/RS, enfocando o período de 1970 e
2000. A empresa estudada fabrica colheitadeiras automotrizes na região que concentra a
fabricação de 70% de colheitadeiras da América do Sul. Para descrever o modo e a
velocidade de acumulação de competências tecnológicas foram utilizadas estruturas
analíticas existentes na literatura, adaptadas para o tipo de empresa estudada. A acumulação
de competências tecnológicas foi analisada para três funções tecnológicas: ‘processos e
organização da produção’, ‘produtos’ e ‘equipamentos’. Os processos de aprendizagem
foram estudados a luz de quatro características-chave: variedade, intensidade,
funcionamento e interação. Este trabalho resulta de pesquisa direta realizada na empresa no
ano de 2001. Assim como em estudos anteriores, em outros tipos de indústria, este artigo
conclui sugerindo que o modo e a velocidade com que a firma acumulou competências
tecnológicas podem ser explicados pelos processos de aprendizagem e as características de
como estes foram utilizados a longo do tempo na estratégia corporativa, com o intuito de
adquirir vantagem competitiva em seu mercado.
Palavras chave: Competência Tecnológica, Aprendizagem e Estratégia.
1. Introdução
Esta pesquisa estuda os processos de aprendizagem e suas implicações para a acumulação de
competências tecnológicas na indústria metal-mecânica. A pequisa foi realizada na AGCO –
Indústria de colheitadeiras, localizada em Santa Rosa/RS, enfocando o período de 1970 e
2000. Esta empresa, objeto do estudo de caso, fabrica colheitadeiras automotrizes na região
que concentra atualmente a fabricação de 70% de colheitadeiras da América do Sul.
Para descrever o modo e a velocidade de acumulação de competências tecnológicas foram
utilizadas estruturas analíticas existentes na literatura, adaptadas para o tipo de empresa
estudada. A acumulação de competências tecnológicas foi analisada para três funções
tecnológicas: ‘processos e organização da produção’, ‘produtos’ e ‘equipamentos’. Os
processos de aprendizagem foram estudados a luz de quatro características-chave: variedade,
intensidade, funcionamento e interação.
Este trabalho resulta de pesquisa direta realizada na empresa no ano de 2001. Este estudo,
assim como em estudos anteriores e em outros tipos de indústria, sugere que o modo e a
velocidade com que a firma acumulou competências tecnológicas podem ser explicados pelos
processos de aprendizagem e as características de como estes foram utilizados a longo do
tempo na estratégia corporativa, com o intuito de adquirir vantagem competitiva em seu
mercado. Este estudo aponta também para a importânica do estudo comparativo com outras
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firmas inseridas nesta indústria, bem como, as implicações da acumulação das competências
tecnológicas para a performance.
2. Os processos de aprendizagem e a acumulação de competências
A partir do início dos anos 90 os estudos de estratégia corporativa reafirmaram o papel dos
recursos internos à empresa ou competências tecnológicas como fonte de inovação e
vantagem competitiva (BÜTTENBENDER, 2001). Esses estudos diferenciam-se das
perspectivas convencionais que buscavam explicar a vantagem competitiva de empresa pela
sua capacidade de posicionar-se frente a certas forças do ambiente externo. Muitos estudos na
década de 90 enfatizaram a importância do ‘conhecimento’ para que as empresas criem e
mantenham suas competências tecnológicas para competir no mercado mundial (NONAKA E
TAKEUCHI, 1997) e (LEONARD-BARTON, 1998). No entanto, ainda há escassez de
estruturas analíticas e estudos empíricos que explorem as implicações práticas dos processos
de aprendizado das aptidões tecnológicas das empresas, sobretudo no contexto das empresas
em industrialização. Por centrar-se em empresas em industrialização, o foco de análise deste
trabalho difere da maioria dos estudos recentes sobre ‘conhecimento’ e ‘competências
tecnológicas’ em empresas industrializadas. Nestas, as competências tecnológicas inovadoras
já existem. Empresas em industrialização, no entanto, entram num ramo de negócios com
base na tecnologia que adquiriram de outras empresas em outros países. Portanto, em seu
estágio inicial, faltam-lhes até as competências tecnológicas básicas. Para tornarem-se
competitivas e alcançarem as empresas de tecnologia de ponta, elas têm primeiro de adquirir
conhecimento para criar e acumular sua própria capacitação tecnológica engajando-se num
processo de ‘aprendizagem’ tecnológica.
Para examinar ‘se’ e ‘como’ ocorreu o desenvolvimento de competências tecnológicas na
AGCO, utilizou-se o método de estudo de caso individual. O estudo foi estruturado em duas
questões: desenvolvimento da acumulação de competências tecnológicas na AGCO relativas
às atividades de desenvolvimento, execução e implantação de projetos industriais para a
indústria metal mecânica (1970 a 2000) ; e o papel dos processos de aprendizagem no modo e
velocidade de acumulação de competências tecnológicas na empresa ao longo do tempo.
Foram coletadas evidências sobre as atividades tecnológicas e os vários processos e
mecanismos de aprendizagem usados na empresa (1970-2000). Estas foram obtidas através de
fontes múltiplas: entrevistas formais com técnicos, engenheiros, gerentes e diretores da
empresa (inclusive ex-funcionários) ; reuniões; análise de documentação (procedimentos,
arquivo técnico, dados históricos, etc) e observação direta.
Os primeiros estudos sobre acumulação de competências tecnológicas, que apareceram nos
anos 70 (KATZ, 1986) e (LALL, 1987), mostraram não apenas a incidência de atividades
inovadoras em empresas em industrialização, mas também a importância de certos
mecanismos de aprendizagem para o desenvolvimento de competências tecnológicas. Porém,
muitos desses estudos limitaram-se a descrever a trajetória de acumulação de competências
tecnológicas na empresa sem um exame sistemático do papel dos vários processos de
aprendizagem na trajetória de acumulação. A partir de meados da década de 90 emergiram
novos estudos sobre a acumulação de competências e os processos de aprendizagem (KIM,
1995) e (DUTRÈNIT, 2000). Um passo a frente (FIGUEIREDO, 2001) são analisadas as
implicações dos processos subjacentes de aprendizagem pcara as diferenças entre duas das
maiores empresas de aço do Brasil em termos da maneira e velocidade de acumulação de
competências tecnológicas. Tais estudos fornecem novas explicações sobre o papel das
competências tecnológicas e dos processos de aprendizagem na estratégia de empresas,
particularmente naquelas que operam em economias emergentes, como o Brasil. Por isso, é
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importante o estudo do relacionamento entre questões em tipos de empresa ainda não
examinadas na literatura, como é o caso da AGCO – Indústria de Colheitadeiras.
Competência tecnológica é definida como os recursos necessários para gerar e gerenciar a
mudança tecnológica. Estes recursos estão incorporados em indivíduos e sistemas
organizacionais (BELL e PAVITT, 1995). A mudança tecnológica no nível da firma é
definida como processo contínuo para absorver ou criar conhecimento tecnológico,
determinado por fatores externos à firma e pela acumulação de habilidades e conhecimento
intrafirma (BELL e PAVITT, 1995). Competências tecnológicas foram conceituadas por Bell
(1984) e Katz (1986), e discutidas em profundidade nos trabalhos de Dutrénit (2000) e
Figueiredo (2001). As competências são examinadas à luz da estrutura desenvolvida e
adaptada para a indústria metal-mecânica, fabricante de máquinas agrícolas, para as funções
tecnológicas de: ‘processos e organização da produção’, ‘produtos’ e ‘equipamentos’,
apresentada no anexo I e detalhada em Büttenbender (2001).
A aprendizagem é definida como os vários processos pelos quais as habilidades e
conhecimentos são adquiridos pelos indivíduos e convertidos, por meio deles, para o nível
organizacional. A aprendizagem também é entendida como um conjunto de processos que
permite a empresa acumular competências tecnológicas ao longo do tempo (FIGUEIREDO,
2001), alcançando patamares de competitividade das empresas em países de tecnologia de
fronteira (DOSI, 2000).
A AGCO- Indústria de Colheitadeiras, no período de 1970 à 2000, atingiu níveis
diferenciados de competência tecnológica (taxas, velocidades e períodos) para desenvolver
atividades nas funções estudadas: nível 06 na função processos e organização da produção,
nível 06 na função de produtos e nível 05 na função equipamentos, à luz da estrutura analítica.
A velocidade de acumulação de competências tecnológicas foi avaliada pelo número de anos
(n) que a empresa necessitou para conseguir realizar atividades deste nível de competência
(BÜTTENBENDER, 2001), conforem demonstrado na Tabela1 e na Figura 1.
Funções tecnológicas e atividades relacionadas
Níveis de Competência
Processos e OrganiProdutos
Equipamentos
Tecnológica
zação da produção
n=4
n=7
n=3
(1) Básico
n=3
n=3
n=5
(2) Renovado
n=7
n = 10
n = 12
(3) Extra-básico
n=6
n=4
n=6
(4) Pré-intermediário
n=6
n=7
n=4
(5) Intermediário
n=4
n=3
Nível não alcançado
(6) Intermediário Superior
Nível não alcançado
Nível não alcançado Nível não alcançado
(7) Avançado
Fonte: Büttenbender (2001)
Tabela 1 - Número de anos (n) de permanência nos níveis de competência tecnológica.
AGCO/Santa Rosa. Período:1970 a 2000.
A empresa iniciou suas atividades, no final da década de 1960, com baixos níveis de
competências (‘infância industrial’), mas foi evoluindo até gerar as condições para realizar
atividades mais complexas, e crescentes níveis de competitividade nos mercados nacional e
internacional. A acumulação de competência tecnológica, desde o princípio, seguiu o padrão
‘produção-investimentos-inovação’ (FIGUEIREDO, 2001 e BELL e PAVITT, 1995),
combinada entre esforços tecnológicos internos e um conjunto de alianças externas. As
evidências sugerem que a empresa acumulou competência tecnológica para desenvolver, de
forma isolada, algumas atividades dos níveis mais complexos, nas funções de processos e
organização da produção e produtos, resultantes da significativa interação com o centro
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mundial de desenvolvimento de colheitadeiras da empresa, localizado na Dinamarca. Estes
processos geraram uma aceleração na velocidade de acumulação de competências, para
realizar atividades mais complexas nas três funções tecnológicas estudadas. As evidências
estudadas sugerem que a empresa (FIGUEIREDO, 2001), está atingindo um estágio de
‘maturidade industrial’.
A acumulação de competência tecnológica na função tecnológica de processos e organização
da produção foi marcada por vários processos e mecanismos de aquisição e conversão de
conhecimento, influenciada e relacionada com a capacitação tecnológica de máquinas e
equipamentos, sistemas organizacionais e processos. As competências tecnológicas foram
incorporadas pelos engenheiros, técnicos, operadores e gerentes, e pelos sistemas e estruturas
organizacionais, e procedimentos de produção (TREMBLAY, 1998).
A acumulação de competência tecnológica na função tecnológica de produtos foi marcada
pela estrutura ‘aquisição-assimilação-aprimoramento’ de tecnologia, influenciada pela
perspectiva do ‘ciclo reverso do produto’ (HOBDAY, 1995). Estas competências foram
acumuladas e incorporadas pelos indivíduos (habilidades, conhecimentos explícitos e tácitos)
e nos sistemas organizacionais (BELL e PAVITT, 1995). A empresa estabeleceu diferentes
“links” entre as subsidiarias e a matriz, o que contribuiu para aprimorar e fabricar novos
modelos de colheitadeiras a partir de 1997/1998.
A acumulação de competência tecnológica na função tecnológica de equipamentos foi em
velocidade menor, comparada com as demais. A empresa necessitou, desde o seu princípio, de
aproximadamente vinte anos para conseguir realizar atividades inovadoras (nível extrabásico), apesar adaptar e aprimorar seus equipamentos, desenhar e fabricar seu ferramental e
matrizes. As evidências estudadas sugerem que conhecimento e as competências estavam
mais concentrados nos indivíduos e, de forma limitada, nos sistemas organizacionais
(TREMBLAY, 1998).
N ív e is d e
C o m p e tê n c ia
T e c n o ló g ic a
C o m p le x id a d e
d a s T e c n o lo g ia s
F r o n te ir a T e c n o ló g ic a
(7 ) A v a n ç a d o
(6 ) In te r m e d iá r io
S u p e r io r
(5 ) In te r m e d iá r io
(4 ) P r é -In te r m e d iá r io
(3 ) E x tr a -b á sic o
E q u ip a m e n to s
1970
1975
1 ª F a se - Id e a l
1980
P r o c e s so s e O r g . d a P r o d u ç ã o
1985
1990
2 ª F a se – Io c h p e -M a x in
(2 ) R e n o v a d o
(1 ) B á sic o
P r o d u to s
1995
2 0 0T0 e m p o (a n o s)
3 ª F a se - A G C O
Fonte: Büttenbender (2001).
Figura 1: Comparativo das trajetórias das funções tecnológicas de processos e organização
da produção, produtos e equipamentos da AGCO, de 1970 a 2000.
A acumulação de competência tecnológica ao longo do tempo também resultou da capacidade
de estimular conflitos e construir consensos, e da incorporação dos recursos para gerar e
gerenciar mudanças tecnológicas. As evidências sugerem que a empresa, no período estudado
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(1970 a 2000), vivenciou as três dimensões/perspectivas apontadas pela literatura de empresas
em industrialização (FIGUEIREDO, 2001). As competências tecnológicas se acumularam em
indivíduos e em sistemas organizacionais, para criar, mudar e aprimorar tecnologia. A
acumulação destas competências tecnológicas sugere associação aos esforços sistemáticos de
aquisição individual de conhecimento e a sua conversão para o nível organizacional.
Os processos de aprendizagem (aquisição interna e externa, socialização e codificação de
conhecimento), descritos no Anexo II, foram estudados e analisados com base em quatro
características chaves: variedade, intensidade, funcionamento e interação. Os mecanismos de
aquisição e de conversão de conhecimento foram importantes para a acumulação de
competências na empresa. Isto sugere a importância da interação acumulativa entre os
processos de aprendizagem para a construção de competências. As influências (inter e intra)
dos processos de aprendizagem, na 3ª fase, traduziram-se em interação forte para os processos
de codificação de conhecimentos, o que sugere um ‘sistema orgânico’ (LEONARDBARTON, 1998) para os processos de aprendizagem, e a sua influência na acumulação de
competência tecnológica (NONAKA e TAKEUCHI, 1997 e BELL e PAVITT, 1995).
Características-chaves dos processos de aprendizagem
Variedade
Intensidade
Funcionamento
Interação
Processos de
Ausente
–
Presente
Aprendizagem
Baixa-IntermitenteLimitada-ModeradaRuim-Moderado-Bom
Fraca-Moderada-Forte
Contínuo
Diversa
Processos e mecanismos de aquisição de conhecimento
Presença/ausência de
Modo como a empresa usa Modo como o processo Modo como um
Aquisição
processos para adquirir
este processo ao longo do foi criado e modo como processo influencia ouExterna de
conhecimento
tempo, pode ser contínuo, ele opera ao longo do
tro processo de aquisiConhecimento localmente ou no
intermitente ou ocorrer
tempo.
ção externa ou interna de
exterior
uma única vez.
conhecimento.
Presença / ausência de
Modo como a empresa usa Modo como o processo Processo de
processos para adquirir
diferentes processos para foi criado, e modo como conhecimento interno
Aquisição
conhecimento fazendo
aquisição interna de
ele opera ao longo do
pode ser influenciado
Interna de
atividades internas.
conhecimento.
tempo tem implicações
por processo de
Conhecimento Essas atividades podem
práticas para variedade e aquisição externa.
ser de rotina ou
intensidade.
inovadoras.
Processos e mecanismos de conversão de conhecimento
Presença/ausência de
Modo como processos
Modo como a codifica- Modo como a
diferentes processos e
como padronização de
ção do conhecimento foi codificação de conhecimecanismos para
operações são
criada e opera ao longo mento foi influenciada
Codificação de codificar o
repetidamente feitos.
do tempo. Tem
por processos de aquiConhecimento conhecimento tácito.
Codificação ausente e/ou implicações para o
sição do conhecimento
intermitente pode limitar a funcionamento de todo o ou por processos de
aprendizagem
processo de conver- são socialização de
organizacional.
de conhecimento.
conhecimento.
Presença/ausência de
Modo como processos
Modo como mecanisCondução de diferentes
diferentes processos
prosseguem ao longo dos mos de socialização do
conhecimentos tácitos
através dos quais
anos. Intensidade contínua conhecimento são criapara um sistema efetivo.
indivíduos compartilham do processo de
dos e operam ao longo
Socialização pode ser
Socialização de
seu conhecimento tácito. socialização de
do tempo. Tem
influenciada por
Conhecimento
conhecimento pode
implicações para a
processos de aquisição
influenciar codificação de variedade e intensidade externa e interna de
conhecimento.
do processo de converconhecimento.
são de conhecimento.
Fonte: Figueiredo (2001)
Tabela 2: Processos de aprendizagem em empresas em industrialização
As evidências analisadas, à luz dos critérios metodológicos e das contribuições da literatura,
sugerem que os processos de aprendizagem, principalmente a partir da década de 1990,
influenciaram positivamente a acumulação de competências tecnológicas nas três funções
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tecnológicas estudadas, convertendo-se em aptidões estratégicas e em vantagem competitiva
(LEONARD-BARTON, 1998).
3 - Considerações Finais
Esse tipo de estudo não só alinha-se a estudos que visam explorar o papel cada vez mais
significativo da ‘aprendizagem’ e do desenvolvimento de competências tecnológicas na
estratégia corporativa, mas também contribui para o entendimento de como empresas que
operam no Brasil incorporam essas questões em sua estratégia com o intuito de adquirir
vantagem competitiva em seu mercado. Futuras pesquisas poderão contribuir para usar as
estruturas aqui usadas, para estudos comparativos inter empresas e inter indústrias, a fim de
aprofundar conhecimentos sobre processos de inovação em empresas brasileiras. Outros
estudos poderão focar as implicações da acumulação de competências tencológicas para a
performance competitiva da empresa. Sugere-se o aprimoramento das políticas
governamentais de incentivo aos processos de pesquisa e desenvolviemnto, investimentos na
capacitação de recursos humanos, visando desenvolver e acumular novas competênicas ao
nível da firma, como também, ao nível da indústria.
Referências
BELL, Martin & PAVITT, Keith. The development of technological capabilities. Technology
and International Competitiveness. Washington: The World Bank, 1995.
BÜTTENBENDER, Pedro L. Acumulação de competências tecnológicas e os processos
subjacentes de aprendizagem na indústria metal-mecânica: O caso da AGCO Comercio e
Industria Ltda, Santa Rosa -RS. Dissertação de Mestrado. FGV-EBAPE, 2001.
DOSI, Giovanni. Technical Change and Economic Theory. (Texto de Aula – Mestrado
Executivo FGV/EBAP – Disciplina Gestão Estratégica-2000).
DUTRÉNIT, Gabriela. Learning and Knowledge Management in the Firm. From Knowledge
Acumulation to Strategic Capabilities. News Horizons in the Economics of Innovation.
Edward Elgar Publishing, 2000.
FIGUEIREDO, Paulo N. Technological Learning and Competitive Performance, Cheltenham,
UK and Northhampton, MA, USA: Edward Elgar, 2001
HOBDAY, M. Innovation in East Asia: the challenge to Japan. Aldershot, Edward Elgar,
1995.
KATZ, J. Desarrollo Y crisis de la capacidad tecnológica latinoamericana. El caso de la
Industria Metalmecánica. CEPAL. Buenos Aires, 1986.
KIM, L. Crisis Construction and Organizational Learning: Capability Building in Catching-up
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LALL, Sanjaya. Learning to industrialise: the acquisition of technological capability by India.
London, Macmillan, 1987.
LEONARD-BARTON, Dorothy. Nascentes do Saber. Criando e sustentando as fontes de
inovação. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 1998.
NONAKA, Ikujiro, TAKEUCHI, Hirotaka. Criação de conhecimento na empresa: como as
empresas japonesas geram a dinâmica da inovação. Rio de Janeiro: Campus, 1997.
TREMBLAY, P.J. Technological capability and productivity growth: an industrialized/
industrializing country comparison. Scientific Series, Montreal, 1998.
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Rotina
Produção de classe mundial. Desenhos e desenvolvimento de
novos processos baseados na integração entre Engenharia e P&D.
Obtenção de Certificação ISSO-14001.
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Fonte: Büttenbender (2001), adaptada de Figueiredo (2001)
(7)
Avançado
(6)
Intermediário
Superior
7
Interação com Centro de P&D para desenho e desenvolvimento de
produtos complexos, de alto valor agregado, e com interligação com
outras máquinas (ex: Produto integrante de um sistema com
interligação, via satélite, com outras etapas da cadeia agro-produtiva,
como: plantio, manejo e gerenciamento de lavouras). Adoção de
componentes com tecnologia computadorizada. Adição de valor a
produtos desenvolvidos internamente. Engajamento de usuários na
definição de atributos específicos de cada máquina (‘customização’).
Desenho e desenvolvimento de produtos em classe mundial. Desenho
original via Engenharia e P&D.
Aprimoramento contínuo em especificações próprias, com uso de
contribuições/informações dos clientes. Desenho, desenvolvimento,
manufatura e comercialização de produtos complexos (ex: Uso de
estações CAM). Certificação para desenvolvimento de produto (ex: ISO
9001).
(4)
Préintermediário
(5)
Intermediário
Aprimoramentos sistemáticos em especificações dadas. ‘Engenharia
reversa’. Desenho e desenvolvimento de Modelos de Máquinas
tecnicamente assistidos. Desenvolvimento de especificações próprias
para máquinas agrícolas.
Alongamentos sistemáticos de capacidade produtiva. Introdução
de novas técnicas organizacionais ( 5 S´s, Controle Estatístico de
Produção-CEP, Círculos de Controle de Qualidade-CCQ,
Kanban, Aprimoramento via Kaisen, JIT, TQC/M). Utilização de
Células de Produção. Implantação de Centros de Usinagem
seriada e de precisão.
Rotinização das inovações organizacionais ( 5 S´s, Controle
Estatístico de Produção-CEP, Círculos de Controle de QualidadeCCQ, Kanban, Aprimoramento via Kaisen, JIT,
TQC/M).Aprimoramento contínuo de processos. Integração de
sistemas automatizados de processo e PCP (ex: utilização de
robôs e máquinas automáticas). Certificação ISO 9002. Uso de
estação CAM. Aprimoramento de atividades nos centros de
usinagem. Programação de máquinas CNC ao nível operacional.
Uso de estruturas de P&D, da corporação, para aprimoramento
em processos. Unidades de P&D e Engenharia em locais
geograficamente diferentes aos da unidade fabril. Integração entre
sistemas operacionais e sistemas corporativos (Ex: Sistemas em
rede e o Sistema Supply Chain). Engajamento em processos de
Gestão Ambiental. Preparação para a Certificação (ex: ISO
14001).
(3)
Extra-básico
Inovadoras
Fabricação de modelos de máquinas, seguindo especificações
amplamente aceitas (ex: máquinas de operação manual e mecânica).
Controle de Qualidade de rotina. Fornecimento a mercados nacionais.
Replicação aprimorada de modelos de máquinas, com adaptações.
Inspeção e controle de qualidade de rotina. Obtenção de inserção
internacional para os seus produtos.
Replicação e promoção de pequenas adaptações em modelos de
máquinas a serem produzidas. Ajustes as condições dos mercados (ex:
Adaptação de modelos de máquinas da Europa para o Brasil,
‘tropicalização’).
Coordenação de rotina na planta. Absorção da capacidade da
planta. Planejamento e controle da produção e Controle da
qualidade básico.
Coordenação aprimorada de fluxo de produção. Descrição e
padronização de processos. Área de Inspeção e Controle de
Qualidade
.
Pequenas e intermitentes adaptações em processos, eliminação de
gargalos no fluxo e alongamento de capacidade produtiva.
Introdução de máquinas semi-automáticas e automáticas, com
domínio básico de sua programação.
(1)
Básico
(2)
Renovado
Desenho e manufatura de equipamentos de classe mundial.
P&D para novos equipamentos e componentes.
Manutenção preditiva da planta inteira (ex: desenho e
desenvolvimento dos equipamentos mais adequados à
planta). Desenvolvimento de equipamentos conjuntamente
entre o fabricante/fornecedor e o usuário/cliente.
Manufatura e reposição de equipamentos semi-automáticos
(ex: estâmpadeiras e cortadeiras mecânicas, tornos CNC,
etc.).Pequenas adaptações em equipamentos para ajustá-los
as condições locais. Manutenção corretiva (‘break-down’)
de equipamentos convencionais, semi-automáticos (ex:
centros de usinagem, máquinas CNC).
Manufatura, reposição e reforma de equipamentos
automáticos (ex: centros de usinagem, cortadeiras a laser).
Engenharia reversa de componentes e equipamentos e
produção própria do ferramental. Criação de uma estrutura
própria de manutenção. Obtenção da Certificação
Internacional.
Fabricação própria de ferramentas para produção.
Manutenção preventiva de equipamentos convencionais,
semi-automáticas e/ou automáticas (ex: centros de
usinagem, máquinas CNC, etc). Assistência técnica para
fornecedores e outras empresas. Parceria com fornecedores
de equipamentos e prestadores de serviços para manutenção
preventiva.
Reposição de rotina de componentes e equipamentos.
Envolvimento em instalações e testes de performance de
equipamentos
Reposição de equipamentos semi-automáticos (ex:
furadeiras múltiplas, equipamentos de estamparia, tornos
semi-automáticos, cabines de pintura, esteiras de
transporte) sob inspeção e controle de qualidade.
Anexo 1: Competências tecnológicas em empresas em industrialização: Ind. metal mecânica, fabricante de maquinas agrícolas
Funções tecnológicas e atividades relacionadas
Competências
PROCESSOS E ORGANIZAÇÃO
PRODUTOS
EQUIPAMENTOS
Tecnológicas
DA PRODUÇÃO
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• Codificação dos projetos de engenharia e manuais de sistemas
de qualidade;
• Manipulação de conhecimento codificado próprio;
• Descrição dos padrões dos sistemas de automação;
• Descrição dos conteúdos e conhecimento de treinamento
externo;
• Registro e manipulação de
conhecimento próprio;
• Impressão de manuais de fabricação e
operação de colheitadeiras;
• Descrição dos procedimentos
detalhados de produção;
Processos de
Codificação
Fonte:Büttenbender (2001)
•
•
•
•
• Treinamentos por indivíduos da casa;
• Treinamentos internos ministrados
por indivíduos da casa; e
• Links para compartilhar
conhecimento
Processos de Aprendizagem - Três fases da Empresa
2ª fase - 1978 à 1996
Canalização de conhecimento codificado externo:
Cursos externos para gerentes, engenheiros e técnicos:
Cursos externos para pessoas do nível operacional:
Contratação de “expertise” para liderar treinamentos internos:
Transferência de engenheiros e gerentes experientes:
Importação de “expertise” para liderar programa de qualidade:
Interação com projeto “parceiros fornecedores”:
Assessorias externas para gestão de pessoas:
Cursos e eventos externos para todos os níveis:
Treinamentos no exterior para nível gerencial
Esforços de alongamento da capacidade e manipulação de
parâmetros de processo de produção;
Aprimoramento contínuo nas unidades da planta e
envolvimento em desenho de projeto;
Aquisição de conhecimento antes de engajar em novas
atividades;
Operação de rotina da planta e esforços de alongamento da
capacidade; e
Cursos internos e aquisição de conhecimento antes de engajar
em novas atividades técnicas.
Formação de grupos e times para solução de problemas;
Treinamentos internos por indivíduos da própria empresa;
Solução compartilhada de problemas; e
Disseminação de operadores líderes e treinamentos no
trabalho.
Processos de
Socialização
•
•
•
Processos de
•
Aquisição Interna
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Envolvimento em desenho de projeto, •
projetos de instalação e operação da
rotina da planta;
•
Experiências e esforços de
alongamento da capacidade;
•
Aquisição de conhecimento no
processo de ‘aprender-fazendo’; e
•
Aprimoramento contínuo nas
unidades da planta.
•
Processos
de
Aprendizagem
1ª fase - 1970 à 1978
Processos de
• Contratação de engenheiros e
Aquisição
técnicos:
Externa
• Viagens ao exterior:
• Contratação de “expertise”:
• Contratação de assessorias externas:
• Presença de técnicos e fiscais do
governo
• Treinamento interno baseado em
programas da qualidade;
• Treinamentos no trabalho e
treinamento de indivíduos de empresas
fornecedoras;
• ‘Links’ para disseminar
conhecimento.
• Registro e publicação dos referenciais
estratégicos da empresa;
• Seminários, eventos internos e
intranet; e
• Registro e acompanhamento
individual
• Aquisição de conhecimento antes de
engajar em novas atividades técnicas; e
• Projetos inovadores em parceria com
centros de pesquisa:
3ª fase - 1996 à 2000
• Importação de “expertise” para liderar
o sistema de gestão ambiental;
• Canalização de conhecimento
codificado da Argentina (Deutz-optima);
• Canalização de conhecimento
codificado da Dinamarca;
• Treinamentos no exterior e
importação de especialistas da indústria;
• Cursos externos; e
• Provisão de bolsas de estudo;
Anexo II - Processos de aprendizagem da AGCO – Unidade de Colheitadeiras, Santa Rosa/RS, de 1970 à 2000
XXIII Encontro Nac. de Eng. de Produção - Ouro Preto, MG, Brasil, 21 a 24 de out de 2003
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ENEGEP2003_TR0801_0369 A acumulação de