Trabalho de Conclusão de Curso PósPós-Graduação “Lato Sensu” Sensu” Especialização em Modelos de Gestão Estratégica de Pessoas Turma 10 Desafio da Formação de Liderança nas organizações em uma era de mudanças. Thaís Teixeira Cardenuto Orientador: Professor Ademar Orsi São Paulo – Junho/2012 AGRADECIMENTOS Primeiramente agradeço imensamente pelo apoio contínuo dos meus pais, Sergio e Silvia. Agradeço a equipe das Melhores Empresas para se Trabalhar pelo apoio no envio dos dados que serviram como base para a metodologia utilizada nesse estudo. 2 RESUMO Esse estudo buscou analisar indicadores e resultados da formação das lideranças nas empresas da construção civil. Para análise desses fatores foi utilizada como metodologia a Pesquisa das Melhores Empresas para Você Trabalhar – Guia Exame. Foi possível identificar as práticas de Recursos Humanos das empresas envolvidas e também coletar dados da percepção dos líderes e profissionais dessas empresas. Com base nos dados foi possível analisar indicadores e resultados dos programas de formação da liderança nas empresas da construção civil e identificar resultados favoráveis em relação aos programas de formação. 3 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO __________________________________________________ 05 1.1. Contextualização _______________________________________________ 05 1.2. Objetivo ______________________________________________________ 05 1.3. Justificativa ____________________________________________________ 06 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ______________________________________ 07 2.1. Indústria da Construção Civil ______________________________________ 07 2.2. Conceito de Liderança ___________________________________________ 10 2.3. Educação Corporativa ___________________________________________ 13 3. METODOLOGIA _________________________________________________ 19 3.1. Pesquisa de Campo _____________________________________________ 19 3.2. População e Definição da Amostra _________________________________ 20 3.3. Coleta de Dados ________________________________________________ 21 4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS _____________________ 22 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ________________________________________ 30 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS __________________________________ 31 APÊNDICE 1 ______________________________________________________ 33 4 1. INTRODUÇÃO 1.1. Contextualização Atualmente o tema Formação de Líderes é amplamente discutido nas organizações. Seja pela questão do mercado aquecido e consequentemente alta demanda para ocupar posições de liderança, ou pelas discussões do tema uma vez que se trata de posições críticas dentro das empresas. O mercado de trabalho encontra-se extremamente dinâmico com mudanças que ocorrem a uma velocidade e profundidade surpreendentes. Em sintonia com as mudanças está o líder capaz de se adequar e preparar seu grupo para um novo estágio. No contexto atual, marcado pela intensa concorrência e mudanças constantes, o papel da liderança assume grande importância dentro das organizações. Desta maneira, torna-se um grande desafio gerir um bom modelo de formação de liderança que gere resultado, seja objetivo e esteja relacionado diretamente à estratégia da organização. 1.2. Objetivo Diante das dificuldades atuais encontradas nas organizações para formação de liderança apresentado no contexto acima o objetivo geral desse estudo foi analisar indicadores e resultados relacionados a formação de liderança no setor de indústrias de construção civil no Brasil através da percepção dos líderes e de seus liderados. 5 1.3. Justificativa Entre os desafios apresentados pelo ambiente mutável, as organizações estão valorizando cada vez mais os líderes que possuem habilidades consolidadas de liderança. Qualquer indivíduo que aspire a ser um líder eficaz deve também se conscientizar de praticar e desenvolver suas habilidades de liderança. Por esses motivos deve-se investir cada vez mais em modelos eficazes de formação das lideranças, seja para consolidação na posição de líderes que já ocupam, ou para transição de cargos e formação de novos líderes diante das mudanças e transformações vividas atualmente pelas organizações, que encontram desafios como alta rotatividade de pessoas, otimização de custos e a busca pela excelência dos processos. 6 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O mercado brasileiro da construção civil encontra-se em um momento de alto crescimento. Dessa forma as organizações nem sempre conseguem atender a demanda de formação de líderes com a qualidade esperada e muitas vezes acabam partindo para o recrutamento de profissionais de fora da organização. O problema é que existe uma alta dificuldade para encontrar o perfil esperado nesse pequeno grupo disponível no mercado. Os líderes possuem papel fundamental no sucesso das organizações, principalmente os líderes de primeiro nível, que são responsáveis pela gestão de boa parte dos profissionais das companhias. A partir desse diagnóstico torna-se essencial a formação de líderes nas organizações. Segundo Ram Charan (2009, p. 3), “boa parte do problema é histórica”. Em meados da década de 70 grande parte dos investimentos com desenvolvimento de talentos foram reduzidos drasticamente devido necessidade das empresas tornarem-se mais competitivas à medida que o custo do petróleo aumentava. Portanto, programas de desenvolvimento de liderança não eram considerados como prioridade e foram reduzidos das práticas organizacionais. Para fundamentar a análise da eficácia da capacitação dos líderes no mercado da construção civil brasileiro é importante estudar conceitos fundamentais nesse processo como o Mercado da Construção Civil, Conceito de Liderança, e Capacitação. 2.1. Indústria da Construção Civil De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC, 2011), no ano de 2011 o mercado da construção civil atentou-se para o aumento dos riscos em relação à estabilidade financeira. Os principais causadores relacionados ao 7 mercado externo foram fatos como alta da inflação no cenário mundial, instabilidade na África e Oriente Médio, recuperação da economia global que ainda é incerta e crise na Europa. Em relação ao mercado interno o ano de 2011 foi marcado pelo aumento da taxa de juros principalmente para desacelerar a economia e controlar a inflação internamente e pela desaceleração da economia principalmente no 3º trimestre em função das restrições do crédito. No final de 2011 medidas de incentivo à economia foram tomadas a fim de estimular a economia em 2012. Apesar da crise financeira, internamente possuímos um sistema financeiro e um mercado de crédito sólidos (CBIC, 2011). O mercado da construção civil encontra-se consistente em suas atividades desde 2004. No ano de 2010 apresentou resultados nunca antes atingidos, e desde então apresenta-se como um mercado sustentável e com crescimento de atividades principalmente devido maior oferta de crédito imobiliário (redução da taxa de juros e prazos maiores para pagamento), aumento do emprego formal, crescimento da renda familiar, estabilidade da economia do país, além das obras de crescimento de infraestrutura do país como o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e Programa Minha Casa Minha Vida. Para demonstrar a importância e representatividade no mercado, em 2010 o PIB da Construção Civil foi de R$ 160 bilhões (correspondente a 5,3% do PIB total do Brasil). Abaixo alguns dados referentes ao setor de construção civil. 8 Entre os anos de 2004 e 2010, segundo dados da RAIS, a geração de emprego na construção civil foi de 1,461 milhão de empregos formais no setor no país. Além disso, a projeção de crescimento do mercado da construção civil para 2012 é de aproximadamente 6% conforme projeção da FGV em estudo 9 encomendado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP). Dessa forma, as organizações necessitam de efetivos programas de capacitação e formação de liderança para suportar o crescimento projetado para os próximos anos. 2.2. Conceito de Liderança Em um mercado competitivo e dinâmico como o que as organizações estão enfrentando neste início do século XXI, é necessário implementar estratégias que as tornem mais competitivas e prontas para aproveitar as oportunidades proporcionadas pelas mudanças, procurando obter os melhores resultados através de suas equipes. As organizações devem conhecer as características, funções e qualidades inerentes aos líderes para que assim possam investir na formação de equipes. Os líderes apresentam uma série de qualidades e características específicas, sendo que precisam desempenhar várias funções e atribuições enquanto líderes, para formar e gerenciar equipes de alto desempenho nas organizações. Para chegarmos a um conceito de liderança, trouxe a definição do tema por alguns autores, conforme segue. De acordo com Ram Charam (2009, p. 14) as competências essenciais para gestores de primeiro nível são “planejamento do trabalho, definição de tarefas, atribuição de tarefas, motivação, orientação e mensuração do trabalho dos outros”. Dessa forma, é importante para esses gestores que passem a controlar não só as suas tarefas, mas também as de sua equipe, contribuindo para que seu time obtenha um bom desempenho. Com isso, atividades como coaching para as equipes e planejamento tornam-se essenciais. Habilidades como comunicação sobre necessidades e expectativas, planejamento, organização, seleção de pessoal e forma de delegar são críticas para esses líderes. Orientar seus subordinados diretos de forma a realizarem seu trabalho com monitoramento necessário, proporcionar 10 recursos essenciais e feedback, solucionar problemas e comunicarem-se são competências primordiais para uma posição de liderança. Com isso o líder deve estabelecer relacionamentos com todos (subordinados diretos, chefes, grupos de apoio) reforçando e facilitando a confiança e diálogo aberto. Segundo Limongi-França e Arellano (2002) liderar é um processo social em que se estabelecem relações de influência entre as pessoas, que é composto por líder ou líderes, liderados, um fato e um momento social. Qualquer pessoa pode ser capaz de liderar, já que é um processo que ocorre em todos os meios sociais (pessoais e profissionais). Para Robbins (2002), qualidades como integridade, coerência, entusiasmo, calma, firmeza e senso de justiça são essenciais para um líder eficaz. Além disso, para que o líder possua uma boa atuação com visão de longo prazo são necessárias certas características, como ter a capacidade de consolidar uma visão sistêmica, observar problemas, fazer uma correta leitura de cenário, considerar opiniões, ouvir sua equipe, e principalmente respeitar as dificuldades dos integrantes de seu time em lidar com as mudanças. Belluzzo (2002) define que a liderança divide-se em autocrática, democrática e liberal. Na Liderança Autocrática o líder é focado apenas nas tarefas. Este tipo de liderança também é chamada de liderança autoritária ou diretiva. O líder toma decisões individuais, desconsiderando a opinião dos integrantes da sua equipe. Já na Liderança Democrática, chamada também de liderança participativa ou consultiva, o líder é voltado às pessoas e há participação dos liderados no processo decisório, envolvendo dessa forma seu time nas decisões que precisam ser tomadas. E por último, a Liderança Liberal ou laissez faire é a teoria que significa literalmente “deixai fazer, deixai ir, deixai passar”. Neste tipo de liderança entende-se que o grupo atingiu a maturidade e não mais precisa de supervisão extrema de seu líder. Dessa forma, os liderados ficam livres para pôr seus projetos em prática sendo delegados pelo líder liberal. Segue um breve resumo dos três tipos de liderança segundo Belluzo (2002) conforme demonstra o quadro 2. 11 Pode-se então conceituar liderança como sendo a realização de metas por meio da direção de profissionais da equipe. A pessoa que comanda com sucesso seus colaboradores para alcançar finalidades específicas é líder. Um grande líder tem essa capacidade dia após dia, ano após ano, numa grande variedade de situações. Além disso, é possível entender a liderança como a influência interpessoal numa certa situação, por intermédio do processo de comunicação, para que seja atingido um objetivo em comum previamente estabelecido. Assim, a liderança sempre envolve influência por parte do líder para afetar o comportamento de um seguidor ou seguidores numa situação. Trabalhar com pessoas e com grupos é lidar diretamente com a resistência. Liderar é saber lidar com a resistência e processo de mudança, além de saber conduzir processos decisórios que nem sempre agradam o time. É também administrar conflitos de interesses, é imprimir novas realidades dentro de um processo de mudança. Assim, pode-se dizer que uma pessoa está liderando quando ela está direcionando um grupo para alcançar uma meta em comum previamente estabelecida. 12 2.3. Educação Corporativa Conforme demonstrado anteriormente, as empresas precisam investir na educação corporativa pelo fato de necessitarem de líderes muito bem preparados para enfrentar quaisquer tipos de desafios que possam surgir no contexto da sua atividade profissional, e principalmente para acompanhar o crescimento e processo de mudança esperado para os próximos anos no mercado da construção civil. De acordo com Chiavenato (1989, p.24) “a educação profissional é a educação institucionalizada ou não, que visa o preparo do homem para a vida profissional, onde a educação, propriamente dita, compreende três etapas: formação profissional, desenvolvimento e treinamento”. Dessa forma, o processo de capacitação profissional compreende a educação corporativa voltada para consolidar a performance dos profissionais dentro da empresa em que atuam. A seguir serão apresentados os desafios para a formação educacional corporativa e a proposta de um modelo de educação corporativa. 2.3.1. Desafios para a Educação Corporativa na nova era Um dos desafios para o sucesso do processo de educação nas organizações é o fato de estarmos vivenciando uma revolução científica e tecnológica, de acordo com Souza (2010). A cada cinco a dez anos o conhecimento se torna obsoleto, algo que praticamente não acontecia no passado. Além disso, ao tratarmos de educação corporativa dentro do Brasil, há o desafio da pulverização das organizações, sendo que o país possui mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, o que nos torna um país continente (EBOLI, 2010). Outro desafio é o fato de que atualmente os profissionais lidam com um grau maior de autonomia e liberdade o que, segundo Dutra e Comini (2010), muda a forma de relação entre as pessoas e as empresas, além de priorizarem o seu desenvolvimento além de remuneração, por exemplo, fato que vem ocorrendo desde o início dos anos 2000. 13 E educação corporativa no País iniciou sua consolidação na década de 90, que segundo Dutra e Comini (2010, pg 101): “(...) quando foi possível verificar o surgimento de um novo contrato psicológico entre as pessoas e as organizações, um contrato estabelecido em torno do mútuo desenvolvimento.” Ainda segundo Dutra e Comini (2010), foi a partir desse momento em que as empresas começam a perceber que para se consolidarem como uma organização sustentável seria necessário o desenvolvimento dos profissionais que nela atuam. Além disso, as pessoas também já notavam que para obterem mobilidade internamente e no mercado de trabalho seria necessário se desenvolverem profissionalmente. Como consequência desse cenário de percepções mútuas iniciase a estruturação das universidades corporativas no país em meados dos anos 2000. Portanto, atualmente as organizações se encontram em uma era em que o desenvolvimento é dever das empresas e dos seus funcionários, de forma recíproca. As ações de capacitação passam a ser valorizadas a partir do momento em que os profissionais conseguem visualizar suas carreiras em detrimento das ações de desenvolvimento e aprendizado. Para a estruturação das universidades corporativas o que se sugere é que tenham como base as competências do líder, segundo Dutra (2010). A formação de sucessores para posições de liderança apresenta algumas falhas nas empresas, muitas vezes pelo fato de não possuírem estruturas compatíveis para isso. Por exemplo, analistas que se reportam diretamente a gerentes seniores. Nesse caso existe uma lacuna de complexidade, em que as funções dos analistas que demandam mais tempo e dedicação estão bem abaixo do menor nível de complexidade do gerente. A questão apresentada torna-se uma das maiores dificuldades das organizações em formatarem esse tipo de programa (EBOLI, 2010). Dessa forma, a área de educação corporativa deve se posicionar como altamente estratégica, de forma a envolver todos os atores da organização (líderes, executivos, alta direção, profissionais de RH, entre outro). Consequentemente se 14 consolidará como uma área essencial para a gestão de pessoas e transformação cultural (EBOLI, 2010). 2.3.2. Modelo de Universidade Corporativa Segundo Eboli (2010), a implementação de uma universidade corporativa (UC) deve partir de alguns pressupostos. Primeiramente ter objetivos claros, de forma a identificar competências e conhecimentos críticos para o negócio, e não competências individuais. Além disso, ter o foco no aprendizado, de forma a valorizar a aprendizagem contínua e coletiva, e não individual. Outra questão essencial é o fato de ter um escopo estratégico, focando nas necessidades dos negócios. Sempre balizar-se na estratégia do negócio é fator de sucesso para uma UC, além de definir público-alvo. Importante sempre diversificar a forma de aprendizagem e avaliar a educação à distância. Por último, para que a universidade corporativa se consolide efetivamente como estratégica para a organização é necessário aumentar a competitividade empresarial através da melhoria dos indicadores da empresa. Para que se possa implantar um bom modelo de educação corporativa em uma organização não se pode deixar de analisar os aspectos organizacionais para a criação da estratégia de capacitação. Segundo Nery ( 2010) a integração dessa cultura deve partir da avaliação de elementos fundamentais da cultura de uma empresa, fatos e fatores externos e internos, missão e visão claras e difundidas, experiências acumuladas da organização e competências acumuladas das lideranças, conforme mostra o Quadro 3 abaixo. 15 Para a concepção de um projeto de educação corporativa algumas fases são essenciais. Abaixo apresentarei as etapas de acordo com Moares e Eboli (2010). • Primeira fase: alinhamento estratégico A definição das diretrizes estratégicas para nortear todo o projeto é o primeiro passo para a estruturação da educação corporativa em uma organização. Dessa forma, define-se para onde serão direcionados os esforços e investimentos de capacitação. Para essa fase a direção e executivos devem ser envolvidos. Nessa etapa devem estar claros para todos da organização a definição de missão, visão e valores da companhia. Além disso, estabelecer objetivos estratégicos é um dos alicerces do projeto. Eles serão um desdobramento da missão, visão e valores definidos anteriormente. • Segunda fase: mapeamento das competências As competências serão um desdobramento da fase anterior. A partir da estratégia conseguimos identificar as competências essenciais para o negócio. É importante a condução de workshops para alinhamento dessas competências. 16 • Terceira fase: validação estratégica do sistema de educação corporativa Essa fase consiste na definição de objetivos, diretrizes e recursos. Os objetivos podem ser gerais ou específicos. Já as diretrizes irão nortear a forma que as ações serão colocadas em prática. Os recursos irão direcionar os custos necessários para a implantação. • Quarta fase: escolas do sistema de educação corporativa Sugere-se que um sistema de educação corporativa seja dividido em escolas, ou seja, em pilares ou centros. Essa divisão baseia-se nas competências anteriormente definidas e nos públicos a serem contemplados para que seja possível estruturar um programa com o máximo de qualidade e excelência possíveis, com formato e programas de formação adequados para cada público. Exemplos de escolas são: escola de líderes, escola de valores, escola de cidadania etc. Para atingir o sucesso, as empresas devem seguir o fluxo apresentado anteriormente de acordo com cada etapa. A não realização desse ciclo fará com que o sistema de treinamento continue sendo de forma reativa, não planejada e sem alinhamento com os objetivos estratégicos da organização. Para medir os resultados da implantação da universidade corporativa Sabbag (2010) define algumas categorias de indicadores como concepção (reconhecimentos externos, consistência do modelo educacional, diagnósticos de necessidade); apoio (integração entre áreas, qualidade, parceiros); realização (novos programas, público atendido, ampliação de cursos à distância, bibliotecas etc.); efetividade (evolução das competências por indivíduo, multiplicadores internos, mentores e coaches); satisfação (clientes internos, educadores, executivos, principalmente os de RH). Além disso, Kirkpatrick (KIRKPATRICK, 1998; EBOLI, 2004; EBOLI, 2010, pág 315) sugere o modelo de avaliação abaixo, de acordo com o quadro 4. 17 18 3. METODOLOGIA O estudo se propõe a verificar indicadores e resultados da formação de liderança no mercado brasileiro da construção civil. Para tanto, são especificados a seguir, os instrumentos de pesquisa utilizados, os procedimentos adotados para a definição da população-objeto e a definição de sua amostra. Analisa-se também o processo utilizado para a coleta de dados, suas virtudes e limitações. Para atender ao objetivo do trabalho, a pesquisa de campo foi realizada junto ÀS organizações no Brasil do setor de construção civil. 3.1. Pesquisa de Campo Segundo Marconi & Lakatos (MARCONI & LAKATOS, 1996), as pesquisas de campo podem ser classificadas dentro dos três seguintes tipos: a) Quantitativas–Descritivas: verifica e quantifica hipóteses, delineamento de um problema, análise de um fato, avaliação de programa e isolamento de variáveis principais (MARCONI & LAKATOS, 1996). Trata-se de uma pesquisa quantitativa, que usa técnicas de coleta de dados, que podem ser: entrevistas, questionários, formulários, etc. b) Exploratórias ou Qualitativas: tem como finalidade aprofundar o conhecimento do pesquisador sobre o assunto estudado através de grupo focal, entrevistas, pesquisa documental entre outros. Pode ser usada, para facilitar a elaboração de um questionário ou para servir de base a uma futura pesquisa, ajudando a formular hipóteses (MATTAR, 1996). Também visa esclarecer conceitos, ajudar no delineamento do projeto final da pesquisa e estudar pesquisas semelhantes, verificando os seus métodos e resultados. Como método de coleta de dados, utiliza questionários, entrevistas, observação participante, etc. 19 c) Experimentais: o objetivo dessa pesquisa é testar uma hipótese tipo causa-efeito. Esse tipo de estudo utiliza projetos experimentais que incluem alguns fatores como: grupo de controle, seleção da amostra probabilística e manipulação de variáveis independentes com o objetivo de controlar ao máximo os fatores pertinentes (MARCONI & LAKATOS, 1996). Pode ser utilizada no campo ou no laboratório. No estudo de campo, visa a compreensão de aspectos da sociedade. A pesquisa de laboratório é o estudo de pessoas, em ambientes controlados, sendo o tipo de pesquisa mais difícil de ser conduzida, porém mais exata. No caso dessa pesquisa foi escolhida a metodologia de pesquisa Quantitativa através da coleta de dados das Melhores Empresas para Você Trabalhar do Guia Exame – setor de construção. 3.2. População e definição da amostra A pesquisa foi realizada no ano de 2011 referente dados de 2010 através do Guia Exame – Melhores Empresas para Você Trabalhar, abrangendo 2.870 respondentes das sete empresas do setor de construção não identificadas. Dos 15.451 do total de empregados com vínculo empregatício das sete empresas representantes do setor de construção do Guia Exame – Melhores Empresas para Você Trabalhar, 2.870 empregados foram selecionados para 20 responderem à pesquisa. Segue caracterização dos respondentes conforme Quadro 6. 3.3. Coleta de dados Essa pesquisa utilizou dados quantitativos através da pesquisa das Melhores Empresas para Você Trabalhar do Guia Exame, setor de construção referentes ao ano de 2010. Dessa forma, os dados dessa pesquisa classificam-se como dados secundários. 21 4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS Nesse capítulo serão apresentadas as análises dos dados das empresas do setor de construção contempladas no Guia Exame em relação ao perfil dos respondentes, perfil da liderança e capacitação dos líderes. De acordo com o Guia Exame – Melhores Empresas para Você trabalhar – Setembro 2011 a pesquisa teve sua primeira edição em 1997 com o objetivo de valorizar empresas que possuem foco em seus profissionais. A metodologia atual possui como primeira fase a inscrição gratuita por parte da empresa entre os meses de fevereiro e março através do site. A segunda etapa abrange a participação de uma parte dos empregados da empresa, sorteados aleatoriamente. A orientação é que a participação dos profissionais deve ser voluntária, ou seja, os sorteados não podem de forma alguma serem coagidos ou obrigados a responderem aos questionários, que possuem 64 questões agrupadas como identidade, satisfação e motivação, liderança e aprendizado e desenvolvimento, conforme demonstra o Quadro 7. As respostas dos funcionários em relação a empresa representa 70% da nota final da organização. Outra etapa utilizada na metodologia é um relatório no qual as empresas devem preencher com informações referentes às políticas e práticas de gestão de pessoas. Os dados contemplados nessa etapa são: perfil da empresa e das equipes (segmento de atuação, total de funcionários, faixa etária dos profissionais que integram o quadro de colaboradores, missão e valores), iniciativas (estratégia e 22 gestão, liderança, cidadania empresarial, políticas e práticas – remuneração e benefícios, carreira, saúde e desenvolvimento). Além disso a empresa deve montar um book com as evidências, descrição e detalhes das práticas de gestão de pessoas. O relatório preenchido e as informações do book de evidências possuem um peso total de 20% na nota final atribuída à empresa. Por fim, as organizações que obtém as maiores notas nos questionários respondidos pelos funcionários recebem uma visita do jornalista. Essa última etapa é composta por reuniões com os funcionários do nível operacional, além de gestores e executivos da empresa. Essa terceira etapa compõe 10% da nota final da empresa. Essa pesquisa utiliza os dados da primeira etapa do processo do Guia Exame – Você SA, contemplando os questionários respondidos por 2.870 funcionários das empresas classificadas no setor de construção. Os dados dessa pesquisa foram coletados no ano de 2011 e as análises pretendem levar ao objetivo geral desse estudo: O modelo de educação corporativa é institucionalizado em todas as empresas pesquisadas e de acordo com o Quadro 9, foram investidos mais de R$ 20 milhões com projetos de educação corporativa no ano de 2010. 23 Foram realizados mais de 700 cursos ou programas de capacitação voltados para a liderança da empresa (diretores, gerentes e supervisores), totalizando mais de 21 mil horas de treinamento para esse público, conforme Gráficos 3 e 4. 24 É possível analisar o valor investido na capacitação para os líderes das organizações estudadas. De acordo com a Pesquisa Melhores Empresas para se Trabalhar – Guia Exame 2011, foram investidos quase R$ 19 milhões em treinamentos para Diretores, Gerentes e Supervisores nas sete empresas do setor da construção, conforme demonstra o Gráfico 5. 25 Em 100% das empresas pesquisadas existe um processo estruturado de formação de liderança bem como subsídios para realização de cursos voltados para o desenvolvimento dos líderes relacionados às competências dos mesmos. Em 5 das 7 empresas estudadas esse processo é adotado há mais de 5 anos. Nas outras 2 o processo foi adotado de 2 a 3 anos atrás. Também em todas as empresas foram identificados programas de seleção e desenvolvimento para futuros líderes, como pode-se verificar no Quadro 10. 26 Ainda como objetivo de desenvolvimento de lideranças 6 das 7 empresas estudadas na pesquisa possuem programa de coaching e mentoring voltado para os Diretores, Gerentes e Supervisores. Ainda assim, não é contemplado 100% do público conforme demonstra o Quadro 11. 27 Além de possuírem processos estruturados de formação de liderança as empresas pesquisadas oferecem meios tecnológicos aplicados à educação para seus líderes. Notamos que apenas 14% dos líderes das empresas utiliza intensivamente esses meios, conforme Gráfico 6. Das 7 empresas pesquisadas é possível notar que em todas elas parte dos resultados dos investimentos em educação são analisados na formação da liderança (Diretores, Gerentes e Supervisores). Porém, através das perguntas abaixo se torna nítido que existe um alto nível de satisfação por parte dos empregados em relação à liderança da empresa. Pode-se utilizar o quadro abaixo para concluir que os esforços em relação à formação dos líderes (Diretores, Gerentes e Supervisores) estão sendo bem investidos e direcionados e obtém resultados efetivos. 28 29 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Essa pesquisa teve como objetivo analisar indicadores e resultados relacionados a formação de lideranças nas empresas da construção. Buscou-se alcançar a proposta do estudo por meio da Pesquisa do Guia Exame – Melhores Empresas para Você Trabalhar. O estudo constatou que o modelo de formação de líderes está alinhado com as diretrizes estratégicas da empresa. Também apresentou claro alinhamento entre o mapeamento das competências e a capacitação para o público de líderes. Possivelmente, como ponto de melhoria para essas empresas, a sugestão é que o processo de avaliação e efetividade das universidades corporativas dessas organizações seja revisto ou até implementado como processo da capacitação. Pude notar que apesar de aplicarem programas efetivos e direcionados não notouse o processo de avaliação de efetividade dos programas. De qualquer maneira, essa pesquisa possibilitou analisar os indicadores e resultados da formação de líderes nas organizações representantes do setor de construção, que demonstrou possuírem robusto processo de capacitação para a liderança. 30 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CHIAVENATO, Idalberto. Administração nos novos tempos. 2. ed. São Paulo : Campus, 1999. _____________________. Recursos Humanos na Empresa. São Paulo: Atlas, 1989. ______________________. Introdução à teoria geral da administração. Rio de Janeiro : Campus, 2000. ROBBINS, Stephen P. Administração: mudanças e perspectivas. São Paulo : Saraiva, 2002. BELLUZZO, R. C. B. Da capacitação de recursos humanos à gestão da qualidade em bibliotecas universitárias: paradigmas teórico-prático para ambiente de serviço de referência e informação. 1995. 259 f. Tese (Doutorado em Ciências da Comunicação) – Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1995. CHIAVENATO, I. Treinamento e desenvolvimento de recursos humanos: como incrementar talentos na empresa. São Paulo: Atlas, 1999. 161 p. CHIAVENATO, I. Gerenciando pessoas: como transformar gerentes em gestores de pessoas. 4. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002. 271 p. DIAS, M. M. K.; BELLUZZO, R. C. B. Gestão da informação em ciência e tecnologia sob a ótica do cliente. Bauru: EDUSC, 2002. 184 p. CHARAN, Ram. Pipeline de Liderança: como criar e gerir uma empresa líder \ Ram Charan, Stephen Drotter, James Noel; tradução Cristina Yamagami. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. Educação Corporativa: fundamentos, evolução e implantação de projetos / Organizadores Maria Eboli ... [et al.]. São Paulo: Atlas, 2010. 31 As pessoas na Organização. São Paulo: Editora Gente, 2002. MARCONI, M. D. A.; LAKATOS, E. M. Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisas, elaboração, análise e interpretação de dados. 3.ed. São Paulo: Atlas, 1996. MATTAR, F. N. Pesquisa de marketing: edição compacta. São Paulo: Atlas, 1996. BANCO DE DADOS BRASÍLIA DF – Dezembro/2011 – CBIC – Informativo Econômico Guia Exame – As Melhores Empresas para Você Trabalhar – Editora Abril, 2011. 32 APÊNDICE 1 Dados recebidos da Equipe FIA – Pesquisa das Melhores Empresas para Você Trabalhar 2011 IQAT Solicitação dos Dados Label Variáveis Q2 Q3 Q8 Q9 Q10 Q12 Q13 Q14 Q15 Q16 Q18 Q19 Q20 Q21 Q24 Q26 Q28 Q29 Q30 Q34 Q35 Q37 Q40 Q41 Q42 Q47 Q50 V3 V4 V9 V10 V11 V13 V14 V15 V16 V17 V19 V20 V21 V22 V25 V27 V29 V30 V31 V35 V36 V38 V41 V42 V43 V48 V51 Nº empregados concordantes 2187 2215 2313 2298 2202 2231 2313 2334 2053 2607 2226 2321 2291 2440 2312 2055 2019 2068 2243 2116 1777 1934 2473 2330 2203 2308 2124 % empregados concordantes 76% 77% 81% 80% 77% 78% 81% 81% 72% 91% 78% 81% 80% 85% 81% 72% 70% 72% 78% 74% 62% 67% 86% 81% 77% 80% 74% 33 Q58 Q60 Q61 Q62 Q64 V59 V61 V62 V63 V65 Total respondentes 2230 2346 2422 2250 2035 78% 82% 84% 78% 71% 2870 100% Caracterização dos empregados respondentes Nº % empregados empregados Label Superior completo Superior incompleto Nível Ensino fundamental ou Instrução menos V69 Ensino médio Pós-graduação Aministrativo Diretor Gerente Cargo Operacional V74 Supervisor Técnico Vendedor Total respondentes 484 437 17% 15% 152 1357 384 397 20 121 1427 224 403 99 2870 5% 47% 13% 14% 1% 4% 50% 8% 14% 3% 100% IQGP Label TotEmp TotLoc OrcRH DirEstN DERHS1 DERHS2 DERHS3 Shsup Solicitação dos Dados Nº % Variáveis empresas empresas V5 15451 V6 147 V7 46271638 V8 0 V9 dissertativa V10 dissertativa V11 dissertativa V64 668 34 Msup Tsup DirEdD GSEeD DEEdD DirEstN Smissao Svisao Svalor LidCON LidCOS1 LidCOS2 LidCOS3 LidCOS4 2V244 3V244 5V244 PerCon PerCoS1 PerCoS4 PerCoS2 PerCoS5 PerCoS6 PerCoS7 PerCoS3 PerCoS8 PerCoS9 PerCoS10 2V262 3V262 5V262 InFLidN InFLidS1 InFLdS2 InFLdS3 InFLdS4 InFLdS5 2V276 3V276 5V276 FEdDiN FEdDiT FEdDiP FEdGSN V65 V66 V177 V178 V179 V180 V181 V182 V183 V244 V245 V246 V247 V248 V249 V250 V251 V262 V263 V264 V265 V266 V267 V268 V269 V270 V271 V272 V273 V274 V275 V276 V277 V278 V279 V280 V281 V282 V283 V284 V426 V427 V428 V429 142 810 400 400 262 0 dissertativa dissertativa dissertativa 0 7 6 7 4 0 2 5 0 7 5 7 5 6 5 5 5 7 6 0 2 5 0 7 7 7 6 7 0 2 5 3 3 1 2 0% 100% 86% 100% 57% 0% 29% 71% 0% 100% 71% 100% 71% 86% 71% 71% 71% 100% 86% 0% 29% 71% 0% 100% 100% 100% 86% 100% 0% 29% 71% 43% 43% 14% 29% 35 FEdGST FEdGSP FEdDEN FEdDET FEdDEP 2V426 3V426 5V426 EspPDiN EspPDiT EspPDiP EspPGSN EspPGST EspPGSP EspPDEN EspPDET EspPDEP 2V438 3V438 5V438 EldDiN EldDiT EldDiP EldGSN EldGST EldGSP EldDEN EldDET EldDEP 2V450 3V450 5V450 ADesPN 1VAnoDiN 1VAno DiT 1VAno DiP 1VAnoGSN 1VAnoGST 1VAnoGSP 1VAnoDEN 1VAnoDET 1VAnoDEP AvEChDiN AvEChDiT V430 V431 V432 V433 V434 V435 V436 V437 V438 V439 V440 V441 V442 V443 V444 V445 V446 V447 V448 V449 V450 V451 V452 V453 V454 V455 V456 V457 V458 V459 V460 V461 V543 V544 V545 V546 V547 V548 V549 V550 V551 V552 V553 V554 3 2 1 3 3 0 0 6 1 6 0 0 6 1 0 3 4 0 0 7 1 6 0 1 5 1 2 1 4 0 0 6 0 1 6 0 0 7 0 0 5 2 1 4 43% 29% 14% 43% 43% 0% 0% 86% 14% 86% 0% 0% 86% 14% 0% 43% 57% 0% 0% 100% 14% 86% 0% 14% 71% 14% 29% 14% 57% 0% 0% 86% 0% 14% 86% 0% 0% 100% 0% 0% 71% 29% 14% 57% 36 AvEChDiP AvEChGSN AvEChGST AvEChGSP AvEChDEN AvEChDET AvEChDEP AvEChEDiN AvEChEDiT AvEChEDiP AvEChEGSN AvEChEGST AvEChEGSP AvEChEDEN AvEChEDET AvEChEDEP AAvDiN AAvDiT AAvDiP AAvGSN AAvGST AAvGSP AAvDEN AAvDET AAvDEP AvMFDiN AvMFDiT AvMFDiP AvMFGSN AvMFGST AvMFGSP AvMFDEN AvMFDET AvMFDEP ResAvDiN ResAvDiT ResAvDiP ResAvGSN ResAvGST ResAvGSP ResAvDEN ResAvDET ResAvDEP AcObjDiN V555 V556 V557 V558 V559 V560 V561 V562 V563 V564 V565 V566 V567 V568 V569 V570 V571 V572 V573 V574 V575 V576 V577 V578 V579 V580 V581 V582 V583 V584 V585 V586 V587 V588 V589 V590 V591 V592 V593 V594 V595 V596 V597 V598 0 1 5 0 1 5 1 4 1 0 4 1 1 5 2 0 1 4 0 1 5 0 2 3 2 5 0 2 6 0 1 7 0 0 1 6 0 0 7 0 0 5 2 1 0% 14% 71% 0% 14% 71% 14% 57% 14% 0% 57% 14% 14% 71% 29% 0% 14% 57% 0% 14% 71% 0% 29% 43% 29% 71% 0% 29% 86% 0% 14% 100% 0% 0% 14% 86% 0% 0% 100% 0% 0% 71% 29% 14% 37 AcObjDiT AcObjDiP AcObjGSN AcObjGST AcObjGSP AcObjDEN AcObjDET AcObjDEP AvComDiN AvComDiT AvComDiP AvComGSN AvComGST AvComGSP AvComDEN AvComDET AvComDEP 2V497 3V497 5V497 CoachDiN CoachDiT CoachDiP CoachGSN CoachGST CoachGSP CoachDEN CoachDET CoachDEP MentDiN MentDiT MentDiP MentGSN MentGST MentGSP MentDEN MentDET MentDEP 2V573 3V573 5V573 PICarDiN PICarDiT PICarDiP V599 V600 V601 V602 V603 V604 V605 V606 V607 V608 V609 V610 V611 V612 V613 V614 V615 V616 V617 V618 V665 V666 V667 V668 V669 V670 V671 V672 V673 V674 V675 V676 V677 V678 V679 V680 V681 V682 V683 V684 V685 V761 V762 V763 6 0 1 6 0 1 4 2 1 6 0 0 7 0 0 5 2 0 3 4 2 4 0 1 4 1 1 2 3 4 1 1 3 2 1 3 1 2 1 4 1 0 6 0 86% 0% 14% 86% 0% 14% 57% 29% 14% 86% 0% 0% 100% 0% 0% 71% 29% 0% 43% 57% 29% 57% 0% 14% 57% 14% 14% 29% 43% 57% 14% 14% 43% 29% 14% 43% 14% 29% 14% 57% 14% 0% 86% 0% 38 PICarGSN PICarGST PICarGSP PICarDEN PICarDET PICarDEP PICarMDiN PICarMDiT PICarMDiP PICarMGSN PICarMGST PICarMGSP PICarMDEN PICarMDET PICarMDEP ProcSuc01 ProcSuc02 ProcSuc03 ProcSuc04 ProcSuc05 ProcSuc06 ProcSuc07 ProcSuc08 ProcSuc09 2V886 3V866 3V866 MapSuc01 MapSuc02 MapSuc03 MapSuc04 MapSuc05 MapSuc06 MapSuc07 MapSuc08 MapSuc09 MapSuc10 MapSuc11 MapSuc12 MapSuc13 MapSuc14 MapSuc15 MEdCorPN EdCo1DiN V764 V765 V766 V767 V768 V769 V770 V771 V772 V773 V774 V775 V776 V777 V778 V886 V887 V888 V889 V890 V891 V892 V893 V894 V895 V896 V897 V898 V899 V900 V901 V902 V903 V904 V905 V906 V907 V908 V909 V910 V911 V912 V935 V936 0 6 0 0 5 1 0 6 0 0 5 1 0 3 3 1 5 6 2 2 1 6 5 6 3 1 2 0 5 0 0 0 2 0 4 1 5 5 5 5 4 5 0 0 0% 86% 0% 0% 71% 14% 0% 86% 0% 0% 71% 14% 0% 43% 43% 14% 71% 86% 29% 29% 14% 86% 71% 86% 43% 14% 29% 0% 71% 0% 0% 0% 29% 0% 57% 14% 71% 71% 71% 71% 57% 71% 0% 0% 39 EdCo1DiT EdCo1DiP EdCo1GSN EdCo1GST EdCo1GSP EdCo1DEN EdCo1DET EdCo1DEP EdCo2DiN EdCo2DiT EdCo2DiP EdCo2GSN EdCo2GST EdCo2GSP EdCo2DEN EdCo2DET EdCo2DEP EdCo3DiN EdCo3DiT EdCo3DiP EdCo3GSN EdCo3GST EdCo3GSP EdCo3DEN EdCo3DET EdCo3DEP EdCo4DiN EdCo4DiT EdCo4DiP EdCo4GSN EdCo4GST EdCo4GSP EdCo4DEN EdCo4DET EdCo4DEP EdCo5DiN EdCo5DiT EdCo5DiP EdCo5GSN EdCo5GST EdCo5GSP EdCo5DEN EdCo5DET EdCo5DEP V937 V938 V939 V940 V941 V942 V943 V944 V945 V946 V947 V948 V949 V950 V951 V952 V953 V954 V955 V956 V957 V958 V959 V960 V961 V962 V963 V964 V965 V966 V967 V968 V969 V970 V971 V972 V973 V974 V975 V976 V977 V978 V979 V980 7 0 0 7 0 0 7 0 1 6 0 1 6 0 1 5 1 1 6 0 1 6 0 1 5 1 1 6 0 1 6 0 1 6 0 0 7 0 0 7 0 0 7 0 100% 0% 0% 100% 0% 0% 100% 0% 14% 86% 0% 14% 86% 0% 14% 71% 14% 14% 86% 0% 14% 86% 0% 14% 71% 14% 14% 86% 0% 14% 86% 0% 14% 86% 0% 0% 100% 0% 0% 100% 0% 0% 100% 0% 40 EdCo6DiN EdCo6DiT EdCo6DiP EdCo6GSN EdCo6GST EdCo6GSP EdCo6DEN EdCo6DET EdCo6DEP EdCo7DiN EdCo7DiT EdCo7DiP EdCo7GSN EdCo7GST EdCo7GSP EdCo7DEN EdCo7DET EdCo7DEP EdCo8DiN EdCo8DiT EdCo8DiP EdCo8GSN EdCo8GST EdCo8GSP EdCo8DEN EdCo8DET EdCo8DEP 2V935 3V935 5V935 ModInst ToRHEdCo OrcEdCo ProgDir ProgGS ProgDE ProgTot HoMeTDir HoMeTGS HoMeTDE HHoMeTTot AtCapTDir AtCapTGS AtCapTDE V981 V982 V983 V984 V985 V986 V987 V988 V989 V990 V991 V992 V993 V994 V995 V996 V997 V998 V999 V1000 V1001 V1002 V1003 V1004 V1005 V1006 V1007 V1008 V1009 V1010 V1011 V1012 V1013 V1014 V1015 V1016 V1017 V1018 V1019 V1020 V1021 V1022 V1023 V1024 1 6 0 1 6 0 1 5 1 0 7 0 0 7 0 0 6 1 0 7 0 0 7 0 0 7 0 0 0 7 0 34 20599081 105 662 2220 2987 1232 20382 46146 67760 13234809 5736414 100237841 14% 86% 0% 14% 86% 0% 14% 71% 14% 0% 100% 0% 0% 100% 0% 0% 86% 14% 0% 100% 0% 0% 100% 0% 0% 100% 0% 0% 0% 100% 0% 41 AtCapTTot HTreFDir HTreFGS HTreFDE HTreFTot V1025 V1026 V1027 V1028 V1029 119209064 352 534 615 1501 - 42