XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004 Critérios Tecnológicos e Pedagógicos para avaliação e adoção de E-Learning Avanilde Kemczinski (UDESC) [email protected] João E. E. Castro (UFSC) [email protected] Osvaldo Cassaniga Junior (UDESC) [email protected] Resumo O artigo investiga os ambientes e-learning disponíveis no meio comercial e científico com o objetivo de conceituar esses sistemas, classificá-los segundo uma tipologia/taxonomia e apresentar critérios pedagógicos e tecnológicos de avaliação para facilitar o processo de adoção, para área de Engenharia e de Computação. A pesquisa foi realizada com base em bibliografias, uso da técnica de benchmarking para levantar os ambientes (sistemas), especificar a tipologia e identificar os critérios tecnológicos e pedagógicos de avaliação que sirvam como ferramenta para ajudar os profissionais de diferentes áreas na adoção destes sistemas. Palavras chave: Processo de avaliação, e-learning, critérios pedagógicos, critérios tecnológicos. 1. Introdução Existem inúmeras denominações e definições sobre o que é um Ambiente de Aprendizagem – AA. A partir das conceituações investigadas sobre Ambientes de Aprendizagem e suas derivações, pode-se denominar ambientes de e-learning, como sistemas computacionais disponíveis na internet, que auxiliam o processo de aprendizagem por meio de atividades mediadas pelas tecnologias de informação e comunicação. Permitem construir e organizar conteúdos de curso ou aula, desenvolver interações entre pessoas através da integração de múltiplas mídias e recursos (conjunto de ferramentas). Esses sistemas podem ser caracterizados em duas dimensões: A dimensão Pedagógica que considera o tipo de Interação que o ambiente proporciona e a dimensão Tecnológica que considera o aspecto computacional da comunicação entre alunos, professores e o ambiente de aprendizagem. A partir dessas dimensões pode-se especificar ferramentas/recursos que possibilitam a comunicação e a interação dos usuários no sistema. Na próxima seção será apresentada uma classificação para os Ambientes de e-learning, considerando as dimensões supracitas. 2. Classificação para Ambientes e-learning Kemczinski et. al. (2004), propõem uma classificação relacionada ao tipo de interação existente entre os participantes do processo educacional, integrada com o conceito de ferramentas e funções, sendo possível classificar os ambientes e-learning em classes: Ambiente E-Learning Individual - EI, Ambiente E-Learning Individual Mediado - EIM, Ambiente E-Learning Participativo – EP, Ambiente E-Learning Participativo Mediado – EPM, Ambiente E-Learning Colaborativo – EC, Ambiente E-Learning Colaborativo Mediado – ECM. O autor ressalta que ao aumentar os níveis (tipos) de interação no sistema, aumentase também a necessidade de controlar as interações/comunicação existente no ambiente. Conseqüentemente faz-se necessário utilizar mais ferramentas/funcionalidades que satisfaçam essa necessidade. Nesse sentido, considerando somente a dimensão pedagógica, Kemczinski et al (2004), pode-se organizar as classes (tipos) de Ambientes e-learning conforme apresentado na figura 1. ENEGEP 2004 ABEPRO 5629 XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004 FIGURA 1 – Classes de Ambientes e-learning A partir desta classificação objetiva-se investigar e elaborar critérios de seleção e adoção para o e-learning nas 2 dimensões: Tecnológica e Pedagógica. 3. Seleção e Adoção de e-learning A seleção, avaliação e adoção de e-learning, sem dúvida, é uma problemática enfrentada pelos profissionais e pesquisadores que trabalham com desenvolvimento e utilização desses sistemas, pois os métodos, critérios e métricas de avaliação e adoção existentes são genéricos, pouco práticos e não são instrumentalizados, ou seja não há ferramentas específicas para esse processo que atendam o usuário final (professor). Além disso, no cenário de aplicação e uso educacional da diversidade de softwares (classificações/tipologias) que utilizam recursos computacionais para estabelecer a relação usuário-sistema, destaca-se a necessidade de desenvolver e utilizar métodos de avaliação específicos para estes tipos de sistemas ou ambientes; objetivando verificar a capacidade do programa em permitir ao usuário condições de atender a seus objetivos. Assim esta pesquisa objetiva buscar respostas e soluções conceituais e operacionais a fim de atingir os objetivos de desenvolver critérios de avaliação que sirva como ferramenta para ajudar os profissionais de diferentes áreas na avaliação e adoção de e-learning. Outro objetivo é selecionar um sistema visando a flexibilização e reutilização de recursos para a construção de um ambiente que atenda as necessidades didático-pedagógicas das áreas de Engenharia e Computação. Os e-learnings desenvolvidos para a formação presencial e a distância são, freqüentemente, mais resultantes de aplicações computacionais e digitalização de material que de conteúdos e ferramentas com tratamento didático e eficácia pedagógica. Consideram-se os impactos potenciais do uso da informática na educação (vantagens e desvantagens) que dependem de muitos fatores não controlados e difíceis de detectar, razão por que se torna difícil realizar plenamente uma avaliação. Entretanto, o estabelecimento de critérios que observem esses impactos a partir de regras e recomendações proporciona margem de segurança e diminui o caráter subjetivo de uma análise sobre a qualidade do produto. 3.1. Critérios Tecnológicos A Norma NBR ISO/IEC 9126-1 descreve um modelo de qualidade, composto por duas partes: qualidade interna e externa e, qualidade em uso. A primeira parte do modelo especifica seis características (critérios) para qualidade interna e externa, as quais são por sua vez subdivididas em sub-características. Essas sub-características são manifestadas externamente, ENEGEP 2004 ABEPRO 5630 XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004 quando o software é utilizado como parte de um sistema computacional, e são resultantes de atributos internos de software. Cabe aqui lembrar que o modelo de qualidade em uso não será abordado neste artigo, pois este modelo é similar a característica de usabilidade. Modelo de qualidade externa e interna: categoriza os atributos de qualidade de software em seis características (funcionalidade, confiabilidade, eficiência, manutenibilidade e portabilidade) as quais são, por sua vez, subdivididas em sub-características. Faz-se necessário dizer que existem outras subcaracterísticas que poderiam ser analisadas, mas seria preciso fazer uma analise mais detalhada realizando testes e utilizando o sistema por algum tempo, para obter mais informações necessárias. Levando em consideração o objetivo de propor um método para auxiliar os professores de diversas áreas na adoção de ambientes elearning, abaixo estão descritos critérios tecnológicos que devem ser observados: 1. Funcionalidade: Capacidade do ambiente e-learning satisfazer as necessidades especificadas. 1.1. Interoperabilidade: Capacidade do ambiente e-learning de interagir com um ou mais sistemas especificados. (Ex: Editores de Textos, Planilhas, editor de apresentações). 1.2. Segurança de acesso: Proteger informações e dados, de forma que as pessoas não autorizadas não possam lê-los nem modificá-los e que não seja negado o acesso às pessoas autorizadas. 2. Confiabilidade: Capacidade do ambiente e-learning de manter um nível de desempenho desejado, quando usado em condições especificadas. 2.1. Tolerância a falhas: Capacidade do ambiente e-learning de manter um nível de desempenho especificado em casos de defeitos ou falhas. (Ex: salvar os dados caso a conexão seja interrompida). 2.2. Recuperabilidade: Capacidade do ambiente e-learning de restabelecer seu nível de desempenho especificado e recuperar os dados diretamente afetados no caso de uma falha. (Ex: Possibilidade do usuário poder parar sua atividade em um determinado ponto, e recomeçar quando desejar do mesmo ponto onde parou. O Sistema faz backup periodicamente das informações?) 3. Usabilidade: Capacidade do ambiente e-learning de ser compreendido, aprendido, operado e atraente ao usuário. 3.1. Inteligibilidade: Capacidade do ambiente e-learning de gerenciar a navegação do usuário pelo ambiente e oferecer sugestões que o auxiliem 3.2. Operacionalidade: Capacidade do ambiente e-learning de possibilitar ao usuário operá-lo e controlá-lo. (Ex: Disponibilizar ferramentas de controle) 4. Eficiência: Capacidade do ambiente e-learning de apresentar desempenho apropriado, relativo a quantidade de recursos usados, sob condições especificadas. 4.1. Comportamento em relação ao tempo: Capacidade do ambiente e-learning de executar várias tarefas on line em uma taxa de transferência de no Maximo 56 kb (conexão via linha telefônica). 4.2. Utilização de recursos: Capacidade do ambiente e-learning de usar tipos e quantidades apropriados de recurso: possibilita utilizar recursos, como por exemplo, multimídia, transferência de arquivos em um nível de conexão via linha telefônica? 5. Manutenibilidade: Capacidade do ambiente e-learning de ser modificado. As modificações podem incluir correções melhorias ou adaptações do software devido a ENEGEP 2004 ABEPRO 5631 XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004 mudanças no ambiente e nos seus requisitos ou especificações funcionais. 5.1. Modificabilidade: Capacidade do ambiente e-learning de permitir que uma modificação especificada seja implementada. (Ex: fazer correções em funcionalidades/ferramentas defeituosas, acrescentar alguma funcionalidade/ferramenta no sistema). 6. Portabilidade: Capacidade do ambiente e-learning de ser transferido de um ambiente para outro. 6.1. Adaptabilidade: Capacidade do ambiente e-learning de ser adaptado para diferentes ambientes especificados (Ex: mudança de Sistema Operacional), sem necessidade de aplicação de outras ações ou meios. 6.2. Capacidade para ser Instalado: Capacidade do ambiente e-learning de ser instalado em um ambiente especificado (Sistema operacional e hardware disponíveis na instituição). 6.3. Coexistência: Capacidade do ambiente e-learning de coexistir com outros softwares independentes, em um ambiente comum, compartilhando recursos comuns. (Ex: permitir que outras aplicações sejam executadas juntamente com o Ambiente ELearning). Para iniciar o processo de adoção, deve-se primeiramente especificar que tipo de ambiente elearning objetiva-se adotar, seguindo a classificação proposta acima, pois assim limita-se em analisar apenas os critérios tecnológicos relevantes para aquele ambiente. A tabela 1 apresenta uma relação dos critérios tecnológicos que devem ser observados em cada classe de e-learning proposto na classificação. Observações: 1-Não se Aplica, 2-Usualmente Aplicado, 3-Freqüentemente Aplicado, 4- Sempre Aplicado As células com a cor de fundo branca representa o item marcado. CLASSES DE AMBIENTES E-LEARNING Critérios 1 2 3 4 5 6 1.1 1.2 2.1 2.2 3.1 3.2 4.1 4.2 5.1 6.1 6.2 6.3 Individual Individual Mediado Participativo 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 Colaborativo Participativo Colaborativo Mediado Mediado 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 Tabela 1 – Critérios Tecnológicos 3.2. Critérios Pedagógicos Silva (2002), considera que os critérios pedagógicos que devem ser avaliados em um software são os objetivos, os conteúdos, a didática, a capacidade interativa e a apresentação dos conteúdos. O autor destaca um estudo realizado por Bitter & Wighton (1987) sobre os principais critérios utilizados para analisar softwares educacionais feito com 28 membros do Educational Software Evaluation Consortium. A metodologia consistia na listagem, por cada membro, dos 20 critérios mais importantes. Foram levantados 320 critérios de 16 ENEGEP 2004 ABEPRO 5632 XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004 respondentes. Da triagem, 22 critérios foram mais freqüentemente citados. Silva (2002), ressalta que qualquer que seja o modelo pedagógico implícito ou explicitado no ambiente a ser avaliado, deve-se levar em consideração os macroelementos de um dispositivo com função educativa. O autor propõe quatro grandes grupos de critérios e sua decomposição em subcritérios, e completa observando que o status do avaliador e sua experiência é relevante porque irá condicionar, em uma certa medida de importância, o número de aspectos ligados às condições e aos métodos de avaliação. Assim, os atores da avaliação, seja equipe de projeto, editor, usuário ou comprador, especialista ou aprendiz terão interesses e objetivos convergentes e divergentes. Cabe aqui ressaltar que para avaliar um software educacional de forma completa, necessita-se de uma equipe especializada. Levando em consideração o objetivo de propor um método para auxiliar os professores de diversas áreas na adoção de ambientes e-learning, serão abordados alguns critérios investigados por Silva (2002), que devem ser observados a fim de obter um melhor resultado na escolha desses sistemas. Abaixo estão descritos os critérios pedagógicos e algumas questões associadas a cada critério. Faz-se necessário dizer que existem outras questões que poderiam ser analisadas em cada critério, mas seria preciso fazer uma analise mais detalhada realizando testes e utilizando o sistema por algum tempo, para obter mais informações necessárias. 1. Estruturação do Conteúdo: Existem esquemas, índices, sumários, links, mapas de navegação que facilitam a interação do aprendiz com o conteúdo? 2. Sistemas de Ajuda: O programa disponibiliza o recurso de ajuda (help) em todas as telas? Existem assistentes (animados ou estáticos) que colocam questões ao usuário visando acompanhá-lo e dirigi-lo na realização de uma ação? Existem corretores ortográficos e gramaticais para programas e atividades de edição de texto? Existem ferramentas de busca, pesquisa e glossário no programa? 3. Objetivos de Aprendizagem: Os objetivos são claramente anunciados nos documentos de acompanhamento e no programa? 4. Clareza dos conteúdos: Os conceitos são introduzidos com clareza? Os conceitos disponibilizam exemplos? As seqüências de apresentação dos conteúdos são variadas? 5. Validade do Conteúdo: O conteúdo do programa corresponde bem ao que foi proposto nos objetivos? O conteúdo é representativo do domínio a ensinar? Títulos, índices e sumários são claros e representam o nível de detalhamento do conteúdo? Existem palavras-chave que indicam na forma de link ou hiperlink o acesso a detalhes pertinentes ao conteúdo? 6. Estratégias didáticas: O tipo de estratégia é pertinente às competências esperadas? O tipo de estratégia é pertinente aos hábitos e características do público-alvo? Existem estratégias de individualização da aprendizagem como feedback diferenciado, orientação ao aprendiz usando diferentes abordagens pedagógicas? 7. Métodos Pedagógicos: O cenário pedagógico e os conteúdos do programa favorecem um processo ativo interno do aprendiz como agente de sua própria aprendizagem? As opções pedagógicas implementadas e o processo de ensino e de aprendizagem consideram diferentes maneiras de aprender? Os métodos e procedimentos pedagógicos permitem a acomodação de diferenças e ritmos individuais do aprendiz? Os métodos e procedimentos pedagógicos valorizam o erro do aprendiz? 8. Motivação: O programa estimula o aprendiz a procurar recursos externos, tais como livros, pesquisa na internet, links internos/externos e outros materiais instrucionais? O programa permite ao aprendiz selecionar o nível de dificuldade desejado? ENEGEP 2004 ABEPRO 5633 XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004 9. Maturação / Experiência: O cenário pedagógico, a apresentação do conteúdo e as atividades propostas no programa adaptam-se às estratégias naturais de aprendizagem do público-alvo? 10. Experiência do Aprendiz: O programa prevê estratégias didáticas diferenciadas para aprendizes iniciantes, intermediários e experimentados? O programa prevê estratégias contendo microssituações significativas de experiências concretas para aprendizes iniciantes? O programa apresenta estágios hierarquizados de níveis de dificuldades variados? 11. Estilos de Aprendizagem: O programa disponibiliza recursos multissensoriais como imagens animadas e fixas, textos, ilustrações, gráficos, vídeos e áudio, favorecedores dos diferentes estilos de aprendizagem? O programa promove no aprendiz a lembrança de idéias, materiais ou fenômenos memorizados através de verificações? O programa favorece a evocação de conhecimentos prévios específicos para a compreensão do conteúdo? O programa oferece a possibilidade de trabalhar com elementos ou partes e combiná-los entre si para favorecer a percepção de sua configuração e estrutura? 12. Compatibilidade: Os diferentes parâmetros didáticos do programa e do processo de formação são adaptados, de forma compatível com as características do contexto de aprendizagem? Os horários correspondem bem às disponibilidades do aprendiz? Em caso de programa com acompanhamento de professores, tutores e/ou facilitadores, de forma presencial ou a distância, os profissionais conhecem as características culturais do público-aprendiz? 13. Componente Prática: O programa proporciona exercícios e atividades de fixação dos conteúdos? 14. Avaliação: O programa armazena informações relativas a erros e acertos dos aprendizes? O programa apresenta o resultado final do desempenho do aprendiz? As atividades de avaliação são coerentes com os objetivos propostos pelo programa? O programa possui um analisador das respostas do aprendiz? 15. Tutoria: Na condição do programa possuir ferramentas de tutoria, este oferece um feedback rápido às solicitações do aprendiz? O sistema de tutoria disponibiliza um “agente perturbador” que se adapta à interação do aprendiz para manter a sua motivação em seu nível ótimo e encorajá-lo a prosseguir na aprendizagem do conteúdo? O sistema de tutoria realiza o controle e orientação da aprendizagem? O sistema de tutoria organiza e explica para o aprendiz as diferentes funcionalidades do programa de maneira que este encontre facilmente o percurso a seguir, as ferramentas de ajuda e os links hipertextos? O sistema de tutoria utiliza ferramentas que permitem aos tutores inserir comentários ou abrir um espaço de discussão? O sistema de tutoria prevê a inclusão de atividades de autoavaliação propostas em forma de questões múltiplas, abertas, respostas típicas adaptadas ao tipo de exercício e questões freqüentes (FAQ)? 16. Coerência: Os objetivos do programa são coerentes com as propostas pedagógicas do formador e/ou instituição de ensino? A forma de apresentação das idéias está coerente com a fundamentação psicopedagógica adotada pelo professor e/ou instituição? 17. Filosofia Pedagógica: O programa possui uma filosofia pedagógica explícita ou implícita no seu conteúdo (tipo construtivista/instrucional)? O programa é coerente com a metodologia utilizada pelo professor? ENEGEP 2004 ABEPRO 5634 XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004 Observações: 1-Não se Aplica, 2-Usualmente Aplicado, 3-Freqüentemente Aplicado, 4- Sempre Aplicado. As células com a cor de fundo branca representa o item marcado. CLASSES DE AMBIENTES E-LEARNING Critérios 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º 13º 14º 15º 16º 17º Individual 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 Individual Mediado 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 Participativo Colaborativo Participativo Colaborativo Mediado Mediado 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 Tabela 2 – Critérios Pedagógicos A utilização de critérios que medem a usabilidade de uma interface pedagógica implica uma definição clara do objeto de avaliação e a utilização de medidas que traduzam os resultados de forma qualitativa e quantitativa. Essa associação de critérios e medidas é ainda um problema difícil de resolver porque dados quantitativos servem bem para obter informações gerais e úteis sobre a qualidade do produto, mas ainda limitam a explicação, a contextualização e os problemas encontrados pelo aprendiz quando interage só com o produto. A avaliação pedagógica de e-learning consiste essencialmente em fazer julgamentos sobre o valor pedagógico do sistema, previamente determinado por seus objetivos de formação e aprendizagem, o conteúdo apresentado e as estratégias empregadas. No domínio da informática educativa, são poucos os estudos de avaliação pedagógica e grande parte deles resume-se a estudos de caso de um ou mais sistemas específicos. Instrumentos e metodologias de avaliação qualitativa, como análise de necessidades, questionários, instrumentos psicológicos, técnicas de observação e de entrevista estruturada, assim como métodos quantitativos de estatísticas de sistemas e testes de performance de usuários têm sido a tônica metodológica das avaliações. Ainda que algumas pesquisas já venham sendo feitas desde a década de setenta, uma das maiores dificuldades de aplicação dessas metodologias continua sendo a dificuldade de comparar os fenômenos de aprendizagem tradicional com aquelas efetuadas por meio do uso de um dispositivo informatizado pela essencial razão de que o sujeito é apresentado ao programa de maneira diferenciada do tradicional. Diferente da análise técnica de um software, cujos fatores de qualidade são relativamente fáceis de mensurar, a análise pedagógica conduz a conclusões bastante diferentes. Por exemplo, para um determinado avaliador, um dado programa provoca muitas repetições em um mesmo nível de dificuldade e, por conseqüência, provoca monotonia no aprendiz. Curiosamente, para outro, ao contrário, estas repetições são benéficas, sobretudo para aqueles que têm necessidade de se exercitar mais longamente a fim de compreender melhor os conceitos. ENEGEP 2004 ABEPRO 5635 XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004 Em razão da subjetividade da análise pedagógica, da diversidade de abordagens de avaliação e da particularidade dos critérios referidos, visando à elaboração de um ambiente virtual interativo de avaliação devem ser adicionadas informações tais como as levantadas por Bitter & Wighton (1987), Depover (1998), Cronje (1998), Silva (1998) e Marton & Harvey (2001), quanto das recomendações ergonômicas para a concepção e avaliação de interfaces humanocomputador (Silva, 2002). 5. Considerações Finais A seleção, avaliação e adoção de e-learning, sem dúvida, é uma problemática enfrentada pelos profissionais e pesquisadores que trabalham com desenvolvimento e utilização desses sistemas. Além disso, no cenário de aplicação e uso educacional da diversidade de softwares (classificações/tipologias) que utilizam recursos computacionais para estabelecer a relação usuário-sistema, destaca-se a necessidade de desenvolver e utilizar métodos de avaliação específicos para estes tipos de sistemas ou ambientes; objetivando verificar a capacidade do programa em permitir ao usuário condições de atender a seus objetivos. Nesse sentido o artigo visou buscar respostas e soluções conceituais e operacionais a fim de atingir os objetivos de desenvolver um ambiente virtual interativo de avaliação que sirva como ferramenta para ajudar os profissionais de diferentes áreas na adoção de elearning. O artigo também apresentou uma classificação para o e-learning, que considera o tipo de interação e, as ferramentas e funções abordados (Kemczinski et. al, 2004). A partir da classificação e dos critérios tecnológicos e pedagógicos tornou-se possível facilitar o processo de adoção de um e-learning. Referências Bitter, Gary G., Wighton, David. “The most important Criteria used by the educational software evaluation consortium”. The computer Teacher Magazine, March, 1987. Class, Barbara. “De l´education présentielle à l´education distancielle: quelques conceptes et études de cãs”. Université de Genève. TECFA, Mémo, avril 2001. Luciano, Naura Andrade; Vieira, Martha Barcellos. “Construção e Reconstrução de um Ambiente de Aprendizagem para Educação à Distância”. Associação Brasileira de Educação a Distância, 2003. Disponivel em: <http://www.abed.org.br>, Acesso: 11/11/2003. NBR ISO/IEC 9126-1: 2003, “Engenharia de Software – Qualidade de produto Partes 1: Modelo de Qualidade”. Neto, Francisco Milton Mendes, Brasileiro, Francisco Vilar. “Uma Taxonomia para Ambientes de Aprendizagem Suportados pela Web”. Anais do XXII Congresso da sociedade brasileira de Computação. Florianopolis, SC, 2002. Silva, Cassandra Ribeiro de Oliveira e. “Maep: um Método Ergopedagógico Interativo de Avaliação para Produtos Educacionais informatizados”. Florianopolis, 2002. Bitter, Gary G., Wighton, David. “The most important Criteria used by the educational software evaluation consortium”. The computer Teacher Magazine, March,1987. Depover, Christian; Giardina, Max; Marton, Philippe. “Les environnements d’apprentissage multimédia: analyse et conception”. Paris, L’ Harmattan, 1998. Cronje, Joannes. “The process of Evaluating Software and its Effect on Learning”. University of Pretoria. Department of Didactics. Disponível on-line em http://hagar.up.ac.za/catts/learner/eel/Conc/conceot.htm (acessado em 18/04/98). Silva, Cassandra Ribeiro de O. “Bases pedagógicas e ergonômicas para a concepção e avaliação de produtos educacionais informatizados”. Florianópolis, 1998. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – PPGEP/UFSC. Marton, Philippe, Harvey, Denis. “L’Évaluation des Systèmes d’Apprentissage Multimédia Interactive”. Groupe de Recherche GRAIN7. Faculté des Sciences de l’Education. Université LAVAL, 2001. ENEGEP 2004 ABEPRO 5636