O ENSINO DA MATEMÁTICA, ATRAVÉS DE JOGOS NAS SÉRIES
INICIAIS.
LUCIDALVA APARECIDA LEITE LOPES, Claudineia Helena Recco
Faculdade Ernesto Riscali – FAER
Rua Bruno Riscali, 569; Vila Hípica,
15400 - 000, Olímpia, SP.
E-mail: [email protected]; [email protected]om.br
RESUMO
Neste trabalho, procurou-se mostrar a aplicação de jogos no auxílio à aprendizagem
e fixação de conceitos matemáticos por educando do ensino fundamental, na fase inicial.
Os resultados obtidos foram satisfatórios e mostraram que este auxílio trouxe ao
educando um contato diferente com a matemática, transformando-a em uma forma
prazerosa de aprendizagem.
INTRODUÇÃO
A matemática moderna nasceu como um movimento educacional e foi colocada
como linha de frente por se considerar que, junto com a área de ciências naturais, se
constituíram privilegiada para o pensamento científico e tecnológico. E nessa matemática
moderna o caminho está todo voltado para a verdadeira aprendizagem da matemática,
isto é, à apreensão do significado e também precisa estar ao alcance de todos e o seu
ensino deve ser meta primordial do trabalho docente. O conhecimento matemático deve
ser apresentado aos alunos como historicamente construído e em permanente evolução.
Os recursos didáticos como jogos, livros, calculadoras, computadores e outros materiais
têm um papel importante no processo de aprendizagem. Contudo esses recursos
precisam ser integrados a situações do ensino. E este trabalho tem por objetivo fazer
com que o educando aprenda e construa os conceitos matemáticos através dos jogos.
O jogo e a brincadeira fazem parte da vida de qualquer indivíduo. O encantamento,
fascínio e fantasia dos brinquedos e jogos acompanham o desenvolvimento da
humanidade.
Apesar de a matemática ter todos esses recursos, podemos constatar que ela ainda
é apresentada ao educando de forma tradicional, ou seja, o professor passa o conteúdo
pronto e o aluno copia sem saber o que está copiando. E talvez por ser cômodo o aluno
não questione e diz que a matemática é uma das disciplina mais difíceis de entender. E
diante dessa constatação o que fica visível é a dificuldade de aprendizagem matemática
que a maioria dos nossos alunos apresenta.
ESTUDO E PLANEJAMENTO DO TRABALHO DIDÁTICO
Os métodos de ensino devem ser trabalhados facilitando a assimilação e valor da
matemática no seu cotidiano. O processo de ensino-aprendizagem, a cada dia nos
propõe desafios, na busca de compreender o mundo e sua realidade, onde o professor
deve estar em continuo desenvolvimento, como é abordado nos Parâmetros
Curriculares Nacionais, “(...) O professor deve ser um avaliador, observar se seus
objetivos estão sendo atingidos ou se é necessário reorganizar a atividade pedagógica
para que isso aconteça”. (PCN, pág. 49)
O jogo é um recurso que ensina, desenvolve e educa de forma prazerosa. O uso de
jogos para o ensino, provoca uma mudança na postura do professor em relação ao que
é ensinar matemática. Ele passa de comunicador de conhecimento para observador,
organizador, consultor, mediador, interventor, controlador e incentivador da
aprendizagem. O educador precisa analisar muito bem o jogo antes de apresentar ao
seu educando, para que ele possa interferir quando necessário, com questionamentos,
levando-o a reflexão e mudança de hipóteses se esse achar necessário. É importante
que o professor questione e de tempo para o educando pensar e resolver o que fazer.
Cabe ao professor instigar o aprendiz de tal maneira, levando-o a pensar até este
conseguir resolver o problema, mas nunca dando a resposta correta. O desafio de
ganhar um jogo pode fazer com que os conceitos envolvidos passem despercebidos.
Neste caso o professor precisa estar atento para criar condições que levem o aluno a
refletir sobre o desenrolar do jogo, de modo que ele possa ultrapassar o ensino e erro e
tornar consciência das hipóteses levantadas e testadas, bem como dos conceitos
implícitos, uma vez que é a combinação de ações conscientes que produz a
aprendizagem. As atividades lúdicas enriquecem a identidade da criança, e esta
experimenta uma outra forma de ser e pensar. O aprender fica divertido.
A APLICAÇÃO DOS “JOGOS” NA SALA DE AULA.
Montou-se um projeto chamado “Brincar e aprender”, e através dele, vários alunos
começaram a ter contato com jogos matemáticos em sala de aula. Foram montados jogos
variados para serem trabalhados com a classe, cada um deles direcionado para o conteúdo
previamente apresentado pelo professor efetivo da sala, mostrando assim o conceito das
operações de maneira diferente, tornando a aprendizagem mais prazerosa. A aplicação foi
realizada duas vezes por semana na própria sala de aula, que foi dividida em grupos com os
respectivos jogos, confeccionados por eles mesmos. Cada grupo jogava separadamente e o
resultado de cada grupo era anotado por eles. O ganhador recebia prêmios:lápis, lapiseiras,
caneta, e até mesmo ponto de participação para ajudar na nota final. Assim todos queriam
participar, e ganhar.
Os jogos foram realizados sempre em grupo de quatro a seis alunos no máximo,e para
cada grupo ficava sempre um responsável para certificar que as regras estavam sendo
cumpridas, sem que houvesse nenhum tipo de “trapaça”. Para cada grupo tinha um ganhador
e este recebia o prêmio. Foram aplicados jogos interativos como: Dominó de frações, Matix
Avançando com o resto, gincana relativa, Alvo I, Alvo II, Zé do centro, Soma Zero e outros,
estimulando-os assim a pensar e a refletir, desenvolvendo um raciocínio lógico, uma
autoconfiança, uma organização, um senso cooperativo e uma melhor concentração e com
isso, melhorando também as interações entre eles.
“Os jogos são atividades tão prazerosas e interessantes, por que não os trazer para a sala de aula e, assim,
substituir as antigas atividades em folhas intermináveis que tornavam a aprendizagem um tédio? Trazendo o jogo
para dentro da sala de aula, estaremos tornando a educação mais compatível com o desenvolvimento natural das
crianças, ou seja, contribuiremos, para que a aprendizagem escolar seja relevante para o desenvolvimento.”
Constance Kamii.
“Os jogos em grupo podem motivar e despertar o interesse do aluno, tornando a aprendizagem mais atraente. A
partir de erros e acertos e da necessidade da análise sobre a eficiência de cada estratégia, construída para
alcançar a vitória no jogo, estimula-se o desenvolvimento do raciocínio reflexivo daqueles que jogam.”
Júlia Borin.
CONCLUSÃO
Ao desenvolver este trabalho com as crianças constatou-se que o aluno, ao jogar, deixa de
ser apenas ouvinte passivo das explicações do professor para ser um elemento ativo,
construindo sua própria aprendizagem. No jogo o aluno se solta, faz jogadas erradas, mas
logo descobre que errou e se preocupa em não cometer os mesmo erros. Tudo isso sem
medo, pois o erro agora serve de alerta para chegar ao resultado correto. Os alunos
mostraram-se interessados e participativos. Para a surpresa de todos, o discente que
apresentava maiores dificuldades foi o mais colaborativo, auxiliando com respostas corretas e
imediatas. Após três semanas percebeu-se que os jogos estavam os ajudando a vencer
bloqueios apresentados em relação à matemática, a ponto de se sentirem capazes de
aprendê-la. Descobriu-se também, que na maioria das vezes eles não sabem que a
matemática está relacionada com o cotidiano .Trabalhar com jogos é muito interessante e
gratificante, pois o aluno aprende está “brincando” dentro da sala.
Mas é preciso que o educador tenha consciência que trabalhar assim não é fácil; exige
uma atenção maior sobre os alunos para identificar o que precisa ser trabalhado e escolher o
jogo certo para cada conceito matemático. Não pode-se esquecer, que para tal trabalho, deve
ser questionado: por que, quando, para que, o que se pretende, para que aulas não fiquem
apenas no jogar por jogar.
O professor educador tem que estar bem preparado, dominar o conteúdo, ser inovador,
dinâmico e bastante flexível para conseguir atingir o seu aluno e fazer com que este obtenha
um aprendizado satisfatório.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] BORIN, Júlia. Jogos e Resolução de Problemas: Uma estratégia para as aulas de Matemática. 4ª edição. São
Paulo: IME-USP, 2002.
[2] BRASIL. MEC/SEF. Parâmetros Curriculares Nacionais. Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília. 1997.
[3] GIOVANNI, José Ruy. A Conquista da Matemática, teoria e aplicação. Edição Renovada. São Paulo: FTD, 1994.
[4] KAMII, Constance. A Criança e o número: Implicações educacionais da teoria de Piaget. 23ª edição. Campinas,
SP: Papirus, 1997.
[5] SPINELLI, Walter. Matemática. 1ª edição. São Paulo: Ática, 2001.
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