A COMUNICAÇÃO INTERNA COMO FOCO PARA O DESENVOLVIMENTO DO COMPROMETIMENTO ORGANIZACIONAL: O CASO SOBRE UMA ESCOLA DE IDIOMAS DE JUIZ DE FORA Débora Vargas Ferreira Costa1 Elisângela Das Graças Souza2 Irene Raguenet Troccoli3 Joyce Gonçalves Altaf4 Mariana Salgado De Miranda5 RESUMO A alta competitividade entre as organizações tem mostrado que a eficácia da comunicação interna pode ser diferencial poderoso, conforme se consiga, por meio dela, alavancar o comprometimento individual de seus funcionários, criando ambiente de interação destes com o negócio da empresa. De abordagem qualitativa, este artigo utiliza referencial teórico voltado para o processo de comunicação corporativa e traz os resultados de pesquisa que avaliou a percepção dos colaboradores internos de um curso de idiomas quanto a diversos aspectos desta comunicação, buscando-se associá-la ao seu comprometimento com a organização. Os resultados evidenciaram que, além de ser de elevada importância o papel do líder no processo de comunicação, os professores apresentaram os maiores índices, fato de extrema importância porque a atuação deles é o que geralmente motiva os alunos a continuarem ou iniciarem os cursos. Palavras-chave: Comprometimento; Comunicação interna; Líder ABSTRACT The high competitiveness among organizations has shown that the effectiveness of internal communication can be powerful, since through it the individual commitment of its employees 1 Mestre em Administração de Empresas e Professora nos cursos de Graduação da Faculdade Machado Sobrinho, das Faculdades Integradas Vianna Júnior e Estácio de Sá. Email: [email protected] 2 Pós-graduanda em Recursos Humanos pela UFJF. Email: [email protected] 3 Doutora em Administração de Empresas e professora do curso de Mestrado da Universidade Estácio de Sá (MADE). Email: [email protected] 4 Mestre em Administração de Empresas e Professora nos cursos de Graduação da Faculdade Machado Sobrinho, das Faculdades Integradas Vianna Júnior. Email: [email protected] 5 Graduada em Administração de Empresas pelas Faculdades Integradas Vianna Júnior. Email: [email protected] 1 may be increased, stimulating their interaction with the company's business. Using the qualitative approach, this article presents the results of a research that evaluated the perception of the employees of a language course as for various aspects of this communication, linking it to their commitment to the organization. The results showed that, besides the leader's role in the communication process being of high importance, teachers showed the highest results rates. This is of utmost importance because their performance is generally what motivates students to continue or to begin their courses. Key words: Commitment; Internal communication; Leader INTRODUÇÃO Considerando o atual mercado, que conta com o surgimento de novas tecnologias a cada dia, e a alta competitividade entre as organizações, as empresas necessitam trabalhar cada vez mais focadas e informadas sobre as mudanças, tais como, concorrência e economia, pois esses fatores são capazes de alterar o fluxo dos negócios. É a partir daí que vem a necessidade de se obter uma comunicação interna eficaz que seja capaz de alterar o comprometimento individual de seus funcionários e que consiga criar um ambiente de interação dos mesmos com o negócio da empresa. Com isso, objetivou-se neste trabalho, verificar como é, na percepção dos liderados, a comunicação interna da escola de inglês pesquisada e como tem sido o papel dos líderes nesse processo. Dessa forma, foi possível fazer uma associação entre a comunicação desta empresa e o comprometimento de seus funcionários. Para isso, foi realizada uma pesquisa de campo. 1 REFERENCIAL TEÓRICO 1.1 A Comunicação Corporativa Entre os diversos processos que encontramos nas organizações existe um que merece atenção especial, por envolver ações, pessoas e atividades: a comunicação. A empresa que possui uma boa estratégia de comunicação está realmente preocupada com o futuro de seus negócios, pois ela pode ser encontrada em todas as fases dos negócios. 2 1.1.1 A Evolução da Comunicação no ambiente corporativo O ambiente corporativo vive em constante processo de transformação, devido aos diversos fatores externos, como: economia, globalização, potencialidade de mercado e inovações tecnológicas. E alguns fatores internos que também podem alterar o ritmo ou a direção dos negócios como: participação de mercado, mudança no perfil do trabalhador, comunicação, lealdade dos clientes, entre outros. Segundo Bueno (2009), o universo da comunicação foi o que mais mudou diante de tantas transformações. Tais transformações são provenientes dos fatores de mercado, que são gerados pelos fatores externos e fatores comunicacionais, que giram em torno da própria indústria da comunicação. Rebechi (2009) afirma que foi em meados de 1950 que a comunicação no âmbito empresarial começou a ganhar destaque, pois as atividades de relações públicas e jornalismo empresarial começaram a despontar. Foi nessa década que algumas empresas começaram a perceber que a comunicação contribuiria para levar a informações de suas empresas a quem os interessava. Ainda segundo Rebechi (2009), foi na década 1960 que a comunicação organizacional começou a ser vista como prática profissional, que ajudaria as empresas a estabelecer canais de informação entre seus funcionários, clientes, fornecedores e os demais stakeholders6. Foi também nessa época que os primeiros departamentos de relações públicas foram criados e os famosos jornais internos tinham grande representatividade no campo da comunicação. E a partir daí todos os esforços foram voltados no aprimoramento dessas publicações. Ainda na década de 1960, foi criado a ABERJE (Associação Brasileira de Editores de Revistas e Jornais de Empresas), que reforçou ainda mais o jornalismo empresarial. Para Rebechi (2009), a ABERJE, que foi denominada em 1989, como Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, foi propulsora no desenvolvimento da comunicação organizacional no Brasil. A autora ainda afirma que os grandes estudiosos da área dão muito destaque a um estudo sobre comunicação organizacional defendida por Gaudêncio Torquato na escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo defendida em 1972. O destaque que foi dado a essa tese surge após observar que antes disso, as práticas de 6 Stakeholders: Compreende todos os envolvidos de um processo. 3 comunicação organizacional eram mera e simplesmente voltadas ao jornalismo e relações públicas. Com a evolução da tecnologia e da própria humanidade, a forma de se comunicar passou e ainda passa por processos de transformações constantes, facilitando cada vez mais a transmissão de alguma informação. De acordo com Bowditch (2006), antes a comunicação era vista apenas como um processo mecânico que visava transmitir uma mensagem há algum destino com sucesso e sem distorções, e hoje se comunicar vai muito além de ser somente um processo mecânico. Através da figura 1, que pode ser observada logo abaixo, pode-se analisar com mais clareza como é o processo básico da comunicação. Figura 1 - O modelo de Shannon-Weaver de Comunicação. Fonte: BOWDITCH, 2006, p. 06 Tomasi e Medeiros (2010) nos levam a compreender a evolução da comunicação empresarial, quando relatam que em 1970 a preocupação girava em torno da forma de se comunicar, ou seja, a clareza, objetividade do interlocutor e as qualidades das mensagens. Já em 1980, esse cenário muda, a preocupação passa a ser em obter uma comunicação mais estratégica, que permita fazer uma análise crítica sobre o discurso e calcular seus impactos internos e externos das organizações. 4 Comunicar já não é mais apenas transmitir informações, mas imprimir significados. Numa organização, as informações não devem circular desarticuladas e de modo caótico, mas sujeitas a uma hierarquia de cargos e funções. Elas recebidas ou produzidas, devem caminhar por todo um sistema de redes e fluxos internos e externos. (TOMASI; MEDEIROS, 2010, p.34) Segundo Lopes (2007), nos últimos 40 anos, a comunicação empresarial evoluiu tanto ao ponto de se tornar estratégica para as organizações. O comunicador passou de um simples assessor, que fazia a ligação entre a empresa e a mídia, para ser o personagem principal que pode ser capaz de avaliar os riscos, tendências e caminhos diversos no campo do diálogo. A comunicação está presente em todas as ações do homem, seja ela através da escrita, sinais, fala e gestos. Com as tecnologias criadas pelo homem, a forma de se comunicar está se tornando cada vez mais rápida e fácil, mas isso não quer dizer mais clara, pois o entendimento de cada mensagem depende muito do meio que se utiliza e de como o receptor receberá a mensagem e irá interpretá-la. 1.1.2 Barreiras da Comunicação Eficaz Toda comunicação eficaz tem por finalidade o bom entendimento por parte dos receptores. Porém é necessário considerar que antes de tantas formas de se comunicar e as múltiplas culturas existentes no mundo, nem sempre a comunicação será entendida conforme o desejado, por existir barreiras que podem impedir ou até mesmo modificar a informação. São diversos os tipos de barreiras que podem interferir ou distorcer a comunicação no meio corporativo, como: “sobrecarga de informações, ruído, a pressão de prazos, colapso na rede de comunicação, distorção da informação e barreiras interculturais” (HITT; MILLER; COLELLA, 2007, p. 267). Para Robbins (2005), existem outros fatores que também podem ser barreiras num processo de comunicação, são eles: a emoção; medo de comunicação; percepção seletiva; a sobrecarga de informação; fontes de informação. Dessa forma, fica claro como é importante adotar métodos e formas adequadas para se transmitir uma mensagem a um indivíduo ou grupo de pessoas, assim como o momento certo e o local apropriado, tudo isso pode facilitar o processo comunicacional extinguindo as barreiras que podem distorcer o objetivo ou entendimento da mensagem original. 5 1.1.3 A comunicação como estratégia corporativa No mundo dos negócios, um dos pontos mais importantes que são capazes de fazer com que a empresa obtenha sucesso e continue lucrativa em meio à tanta concorrência, é possuir uma estratégia que seja voltada para alcançar os objetivos da organização. E em meio a tantos fatores que devem ser pensados de forma estratégica, a comunicação, como já visto, vem ganhando grande destaque no mundo dos negócios por estar em constante processo de evolução. Segundo Tomasi e Medeiros (2010), a comunicação hoje é vista como função estratégica da empresa, tendo por objetivo mudar positivamente ou negativamente a imagem da organização junto a seus consumidores e colaboradores, pois é essa a ferramenta principal de relacionamento estabelecida entre a empresa e os diversos públicos da organização. Ainda segundo os autores, a comunicação é vista como ferramenta para obtenção de vantagem competitiva, voltado tanto para o público externo quanto para o público interno: Os sistemas de comunicação nas organizações afetam inúmeros resultados que são cruciais para o funcionamento de uma organização e para a obtenção de vantagens competitivas. Essas vantagens incluem produtividade, serviços e produtos de qualidade, custos reduzidos, criatividade, satisfação no emprego, menores taxas de absenteísmo e de rotatividade. Em outras palavras, a comunicação organizacional está inter-relacionada com a eficácia na organização (TOMASI; MEDEIROS, 2010, p. 258). 1.2.1 A importância da comunicação interna nas organizações Partindo do pressuposto de que as organizações saibam da importância que a comunicação tem nos dias atuais para o sucesso dos negócios, é possível analisar mais afundo a importância da comunicação interna nas organizações. Obter métodos eficazes de comunicação interna e facilidade nos relacionamento interpessoais faz bem não só para os negócios, mas também para os funcionários que ali colaboram para o sucesso ou o fracasso da empresa. Segundo o autor Chiavenato (2010), em uma organização, as pessoas podem ser vistas de duas maneiras: como simples recursos ou como parceiros. Quando as enxerga como 6 recursos, as pessoas passam a ser tratadas como sujeito passivo, precisam ser padronizadas, controladas para se obter o máximo de rendimento possível e direcionadas a ir a algum lugar ou fazer determinada atividade. Resumindo, são recursos humanos da organização. Já quando as pessoas são vistas como parceiros, elas passam a fazer parte do capital intelectual, que atuam ativamente nas decisões das organizações e fornecem suas habilidades e conhecimentos em prol do sucesso e produtividade. Quadro 1 – As pessoas são recursos ou parceiros da organização? Pessoas como recursos Pessoas como parceiras Empregados isolados nos cargos Colaboradores grupados em equipes Horário rigidamente estabelecido Metas negociadas e compartilhadas Preocupação com normas e regras Preocupação com resultados Subordinação ao chefe Atendimento e satisfação do cliente Fidelidade à organização Vinculação à missão e à visão Dependência da chefia Interdependência com colegas e Alienação a organização Ênfase na especialização Participação e comprometimento Executoras de tarefas Ênfase Ênfase nas destrezas manuais Mão-de-obra equipes na ética e na responsabilidade Fornecedoras de atividades Ênfase no conhecimento Inteligência e talento Fonte: CHIAVENATO, 2010, p.09 E é com base nessa valorização do profissional que os autores Hitt, Miller e Colella (2007) enfatizam como é importante obter uma comunicação interna eficaz, pois são os colaboradores que colocam em prática as estratégias que os altos executivos desenvolvem. Dessa forma, é de extrema importância que os executivos comuniquem seus reais objetivos aos seus funcionários e o que eles esperam de resultados de cada colaborador. Do mesmo jeito que os gerentes devem repassar as informações corretamente a seus subordinados para que trabalhem orientados nos objetivos organizacionais e não somente nos objetivos individuais. 7 Uma boa estratégia de comunicação interna pode definir o ritmo da organização, trazendo os resultados esperados e transformando seus funcionários em pessoas mais satisfeitas e respeitadas dentro de uma organização. Dessa forma, a comunicação interna pode ser considerada como uma forma de comunicação entre a instituição e seu público interno. Pimenta (1999, p. 75) diz que “a comunicação deve produzir integração e um verdadeiro espírito de trabalho em equipe”. De acordo com Brum (1994, p. 79), a comunicação interna desenvolve-se no longo prazo e por meio de inúmeras ações, pois “é um processo vivo que se utiliza de um certo número de elementos em ação. Todos esses elementos, por estarem associados e integrados, são essenciais no desenvolvimento do processo”. Assim, a comunicação interna serve para humanizar as relações na empresa, tornar os funcionários mais conscientes de seu papel, distinguir o nível de conhecimento deles sobre determinado assunto de interesse, integrá-los melhor ao ambiente de trabalho e ajudá-los a alcançar os objetivos da empresa, ou seja, pode ser usada como uma ferramenta para a melhoria do ambiente de trabalho em si. 1.2.2 O papel da Gestão de Pessoas para a eficácia da comunicação interna Diante das grandes mudanças ocorridas nas organizações nos últimos anos, o setor do “antigo” Recursos Humanos, atualmente mais conhecido como Gestão de Pessoas vem sendo tratado como prioridade, justamente pela descoberta da importância dos colaboradores para o sucesso das organizações. O Gestor de Pessoas possui a importante tarefa de informar, recrutar, motivar e entender quais as reais motivações e desejos das pessoas nas organizações. Para Araújo e Garcia (2009), o setor de Gestão de Pessoas, através do seu novo perfil delineado ao longo dos anos, auxilia no processo de crescimento da organização trazendo soluções para alcançar a excelência organizacional. Ainda de acordo com os autores, dos diversos papéis de um Gestor de Pessoas dentro da empresa, existe um de extrema importância e essencial para os negócios, a tarefa de estar atento aos diversos processos de comunicação existentes na organização, pois os canais de comunicação cresceram muito nos últimos anos e todos eles devem ser trabalhados de forma individual para cada situação. 8 Apesar de que a comunicação deve ser vista como um esporte coletivo e não como função de um só departamento, o departamento de Gestão de Pessoas é co-responsável por descobrir as melhores formas de se comunicar com os diversos públicos da organização. É necessário envolver as pessoas para que elas percebam que a organização se preocupa com elas e quer mudar, é preciso enfatizar que a comunicação é essencial nesse processo de mudança, e que a o setor de Gestão de Pessoas está ali pronto para atender aos anseios e expectativas de seus colaboradores. O Gestor de Pessoas é um elemento muito importante nesse processo, pois além de fazer a ponte de comunicação entre o colaborador e a empresa, ele auxilia nas diferentes direções, facilitando a comunicação. 1.3.1 Obtendo comprometimento através da comunicação interna eficaz A comunicação é uma variável que interfere diretamente no comprometimento dos colaboradores na organização. Ela é imprescindível para qualquer negócio e é diferencial para qualquer negócio de sucesso. A comunicação está presente no cotidiano das pessoas e é responsável pela interação com o meio e com os outros parceiros da organização. Segundo Tomasi e Medeiros (2010), os funcionários se sentem estimulados quando: são ouvidos, para que haja uma integração, quando são retribuídos pelo empenho, quando suas necessidades físicas e psicológicas são atendidas, quando são respeitados e quando possuem segurança no trabalho. Nesses itens que os autores citam é possível visualizar a presença da comunicação em todos os itens. A comunicação é um dos agentes responsáveis pela motivação e comprometimento do funcionário com a organização. Segundo Tavares (2005), afirmam que as empresas que possuem grande comprometimento de seus colaboradores, conseguiram tal feito na base da confiança, e que a confiança deve partir de ambas as partes. E é nessa afirmação que ele se embasa para acreditar que a comunicação é um dos principais fatores do comprometimento. Obter comprometimento dos funcionários não é uma tarefa fácil e muito menos existe uma fórmula que se possa seguir. As pessoas possuem anseios e expectativas diferentes umas das outras, desejos e necessidades que se distinguem de acordo com a sua forma de viver e ver a vida. E através dessas experiências de vida que as pessoas se comprometem em fazer algo ou não se comprometem. Comunicar bem com os funcionários é o mínimo que qualquer 9 empresa deveria fazer para obter funcionários comprometidos e empenhados com suas atividades. 2 ASPECTOS METODOLÓGICOS Como o objetivo deste trabalho é verificar como é, na percepção dos liderados, a comunicação interna da escola de inglês e como tem sido o papel dos líderes nesse processo, torna-se fundamental a realização de uma pesquisa para ilustrar e enriquecer o referencial teórico. Com base nisso, realizou-se uma pesquisa na qual sua abordagem foi predominantemente do tipo qualitativa, que é a forma de buscar as opiniões e sentimentos dos funcionários em relação a determinado assunto. Com isso, foi possível captar as percepções dos colaboradores em relação à comunicação interna da empresa e sua interferência no comprometimento organizacional. Alguns procedimentos quantitativos também foram adotados para melhor apresentar e explicitar os dados colhidos na pesquisa, na qual foi utilizada a escala de Likert. Para obter as respostas do questionário aplicado, optou-se por utilizar o método de abordagem indutivo, que é o método que parte de acontecimentos particulares para acontecimentos universais. A pesquisa aplicada foi do tipo descritivo, pois com esse tipo, foi possível expor as características que envolvem a comunicação interna de cada grupo da organização, captando as características de cada grupo e possibilitando ainda fazer correlações e comparações entre os resultados. O procedimento técnico utilizado foi o estudo de campo, ou seja, o questionário foi aplicado na empresa que é objeto de pesquisa, no local onde o fenômeno estudado ocorre. Para o levantamento dos dados, foi aplicado um questionário com 19 questões fechadas, que se encontram na tabela abaixo, objetivando, dessa forma, colher as percepções de cada participante em relação ao tema proposto. O questionário por completo foi estruturado conforme a escala de Likert, onde cada questão era composta de quatro graus de concordância, sendo grau 1 representando forte concordância, grau 4 representando forte discordância e 2 e 3 representando graus intermediários. Os resultados serão expostos em um gráfico com um índice de concordância, ou seja, o grau de concordância médio dos funcionários para cada questão avaliada. A proposta era que os funcionários dos setores de divulgação, administrativo, equipe de professores e líderes respondessem o questionário analisando o processo de comunicação interno no geral e como isso alterava seu comprometimento. A pesquisa foi aplicada individualmente e manualmente. Foram 10 entrevistados 17 funcionários e 100% deles responderam a pesquisa, sendo 01 líder e 16 subordinados. Tabela 1 – Questões utilizadas na pesquisa Questões da pesquisa: 1- A organização possui um programa de comunicação interna. 2- A comunicação interna nesta organização é voltada para todos os funcionários. 3- Eu tenho tido frequentemente, oportunidades de participar de reuniões e/ou encontros especiais, onde exponho a minha opinião. 4- Eu recebo informações de outros setores da organização. 5- Eu tenho clareza sobre quais as minhas responsabilidades no trabalho. 6- Os padrões de desempenho no trabalho estão bem definidos. 7- Sempre tenho tido a oportunidade de participar de decisões que afetam o meu trabalho. 8- O supervisor (a) certifica-se de que a mensagem transmitida foi compreendida por todos. 9- Nesta organização, as chefias são altamente comprometidas com a missão da organização e passam esse comprometimento aos subordinados. 10- Eu me sinto orgulhoso em poder conversar diretamente com meus superiores hierárquicos, quando necessário. 11- Eu me sinto orgulhoso por pertencer a essa organização porque aqui existe uma boa comunicação entre os funcionários. 12- Eu tenho orgulho de pertencer a esta organização porque sou escutado e sempre recebo feedback. 13- Eu julgo que os meus valores são muito similares aos valores da organização. 14- Eu sou muito envolvido pessoalmente com meu trabalho atual porque a organização me comunica tudo a respeito do seu negócio. 15- Eu estou disposto a exercer um esforço considerável em benefício da organização 16- Frequentemente sou informada sobre o que se passa dentro da organização. 17- Para mim, esta organização é a melhor de todas as outras para se trabalhar. 18- Tenho orgulho de pertencer a essa organização porque todas as minhas reivindicações são consideradas. 19- Sinto-me valorizado como funcionário. Fonte: Pesquisa desenvolvida pelos autores É preciso destacar que os resultados obtidos com a pesquisa refletem tão somente a opinião e visão dos colaboradores que responderam a pesquisa, e que as opiniões podem 11 divergir, como acontece em toda pesquisa desse tipo, cabendo a todos respeitar a individualidade, opinião e subjetividade de cada profissional. Não é por esse motivo que a legitimidade da pesquisa fica comprometida, pois a intenção é obter a qualidade percebida das pessoas envolvidas no processo, que tendem a se posicionar com comprometimento ou não. 3 A EMPRESA A empresa CNA Juiz de Fora, que é objeto de pesquisa deste trabalho, é uma empresa franqueada de ensino da língua inglesa e espanhola. Ela faz parte de uma rede de escolas espalhadas por todo o Brasil. A marca CNA foi criada em meados da década de 70, por seu criador e presidente Luiz Nogueira da gama Neto. Sua primeira unidade franqueada do CNA foi criada no ano de 1980 e logo vieram outros franqueados em São Paulo e em outros estados. Até 1998, a administração do CNA ainda era pulverizada entre as várias unidades próprias da Rede, o que diminuía a agilidade dos processos. Neste ano, a empresa comprou um prédio no bairro do Paraíso, na cidade de São Paulo, e transformou-o na Administração Nacional CNA, onde passou a operar todos os departamentos da empresa, além de ser a sede dos treinamentos para franqueados e suas equipes. A equipe CNA Juiz de Fora conta hoje com a colaboração de 18 funcionários, sendo: 01 supervisora, 01 coordenadora pedagógica, 09 professores, 04 do setor administrativo e 03 da equipe de divulgação. 4 DESCRIÇÃO DOS RESULTADOS A pesquisa que serviu como enriquecimento prático do trabalho em questão analisou como está o ambiente interno da empresa pesquisada, no que tange à comunicação interna e sua importância para o comprometimento organizacional. Para isso, foram indagadas aos funcionários participantes, no total de 17, quais eram suas opiniões em relação às questões abaixo apresentadas. As opções de resposta, para cada fator apresentado, foram: 1 = “Concordo Totalmente”, 2 = Concordo, 3 = Discordo e 4 = “Discordo Totalmente”. Os dados receberam um tratamento estatístico atribuindo-se maior peso às marcações na opção 1, que seria a mais positiva. O quantitativo de respostas em grau 4 foi considerado como satisfação zero, sendo, portanto, desconsiderado para efeitos de pontuação. As marcações em grau 3 receberam 1 ponto; em grau 2, 2 pontos e em grau 1, 3 pontos. 12 Logo após, foram transferidos os números absolutos para uma escala de 0 a 100%. Considerou-se que 100% ou total satisfação seria o caso em que todos os respondentes assinalassem grau 1 em uma determinada questão, resultando assim, na multiplicação do total de respondentes de cada questão por 3 pontos. Agora segue abaixo os gráficos que contemplam o resultado de cada pergunta separado por setor, para se possa fazer um paralelo e fazer uma conclusão geral. Ressaltando que, as perguntas utilizadas no presente estudo, encontram-se no capítulo anterior, referente à Metodologia, ilustrada na tabela 1. Gráfico 1 - Índice de concordância da equipe de professores. 2A 1A org an iz com aç ão po un 3ss . ic a Eu . çã te n o int 4ho ... Eu t id of rec r eq eb 5... oi Eu n f te n or m ho 6a ... Os c la rez pa dr õ as 7... es Se mp de re de 8ten ... O ho su tido pe 9r vis ... Ne or sta (a) org 10 c er. -E an .. iz a um çã es 11 o. -E int . oo um rg u es 12 ... int -E oo ut rg u en 13 ho ... -E o rg uj ulh ulg 14 o o -E .. qu us eo ou s. 15 .. mu -E ito ue en s to 16 v o.. ud -F . r eq isp os üe 17 t nte o.. -P m ar a mim ente 18 -T s.. est en ao ho 19 r ... or g -S ulh int od o-m e. ev .. alo riz a.. 93% 93% 93% 89% 89% 100% 85% 85% 81% 90% 78% 78% 74% 70% 70% 80% 67% 63% 70% 56% 60% 48% 48% 50% 40% 26% 30% 20% 10% 0% Fonte: Dados da Pesquisa 13 org an 2iza Ac çã om op un os 3ic a s .. Eu ç ão te n int ho 4... Eu t id of rec r eq 5eb ... oi Eu nfo te n rm ho 6a Os ... c la rez pa dr õ as 7... es Se de mp de re 8. ten .. O ho su tido pe 9r vis ... Ne or sta (a) org 10 c er. an -E .. iz a um çã es 11 o .. -E int oo um rg u es 12 ... -E int oo ut e rg u 13 nh ... oo -E uj rgu ulg lho 14 o -E .. qu us eo ou s. 15 .. mu -E ito ue en s to 16 v o.. ud -F . r eq isp os üe 17 t n o.. -P tem ar a en te mim 18 s.. -T est en ao ho 19 r ... or g -S ulh int od o-m e. ev .. alo riz a.. 1A org an iz com aç ão po un 3ss . ic a Eu . çã te n o int 4ho ... Eu t id of rec r eq eb 5... oi Eu n f te n or m ho 6a ... Os c la rez pa dr õ as 7... es Se mp de re de 8ten ... O ho su tido pe 9r vis ... Ne or sta (a) org 10 ce -E r... an iz a um çã es 11 o. -E i . u m nto o rg u es 12 ... int -E oo ut rg u en 13 ho ... -E o rg uj ulh ulg 14 o o -E .. qu us eo ou s. 15 .. mu -E ito ue en s to 16 v o.. ud -F . r eq isp os üe 17 t nte o.. -P m ar a mim ente 18 -T s.. est en ao ho 19 r ... or g -S ulh int od o-m e. ev .. alo riz a.. 2A 1A Gráfico 2 - Índice de concordância da equipe de divulgação. 89% 89% 100% 90% 78% 78% 78% 78% 78% 80% 67% 67% 67% 67% 70% 55% 55% 55% 55% 60% 44% 44% 44% 50% 40% 22% 30% 20% 10% 0% Fonte: Dados da Pesquisa Gráfico 3 - Índice de concordância da equipe do setor Administrativo. 83% 83% 83% 83% 83% 83% 90% 75% 80% 67% 67% 70% 58% 58% 58% 60% 42% 42% 42% 42% 42% 50% 33% 33% 40% 30% 20% 10% 0% Fonte: Dados da Pesquisa Pode-se analisar a importância dos setores no sucesso da organização analisando cada setor da empresa pesquisada. O setor de divulgação, por exemplo, é a porta de entrada da empresa, é o primeiro contato com o aluno. Geralmente, já a partir da divulgação, o aluno começa a fazer um pré-julgamento com relação à escola. Se o atendimento for bom e de 14 qualidade, esse julgamento é positivo; já se for ruim, o aluno começa a ter más impressões em relação à escola. Na pesquisa, existem diversos fatores que merecem ser trabalhados com mais critério para que se aprimore a comunicação e obtenha funcionários mais satisfeitos, comprometidos e integrados com seu trabalho. A equipe do administrativo, que engloba a secretaria e zeladora, também tem papel fundamental, tanto por fazer trato direto com público, quanto por mexer com a parte burocrática da empresa, que faz com que os processos sejam ágeis e de forma eficaz. No caso da zeladora, pode-se analisar o seguinte: quando uma escola está organizada e limpa, pode não chamar atenção dos alunos, por eles acharem que isso é uma obrigação básica do curso, mas quando um ambiente está desorganizado e sujo, pode sim chamar a atenção e gerar certa insatisfação com o lugar. No setor administrativo também é preciso rever alguns assunto para que haja hegemonia com o todo. Já a equipe de professores, foi a que apresentou maiores índices, isso também é de extrema importância porque a atuação deles é o que geralmente motiva os alunos a continuarem ou iniciarem os cursos. É com eles que os alunos passam maior tempo e é através deles que o curso cumpre sua missão. Tudo isso forma um ciclo virtuoso, ou seja, empresa com comunicação interna eficaz é empresa preocupada com seus colaboradores e com o sucesso da organização, funcionários integrados com o todo e satisfeitos, são funcionários mais comprometidos e funcionários comprometidos geram melhores resultados para a organização. O contrário disso causa mal estar entre os colaboradores e resultados negativos para a organização. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante de um contexto econômico cada vez mais acelerado e do processo de mudança cotidiano do mercado, as empresas precisam adotar medidas e criar novas estratégias constantemente para atender as novas exigências. E, para isso, precisam obter uma equipe de colaboradores cada vez mais motivada a trabalhar em prol da organização. Dentre as diversas estratégias que existem nas organizações, uma vem ganhando cada vez mais espaço e se tornando essencial: a estratégia de comunicação interna. Foi baseado nessa importância que o presente estudo procurou pesquisar o assunto, objetivando verificar como é, na percepção dos 15 liderados, a comunicação interna da escola de inglês pesquisada e como tem sido o papel dos líderes nesse processo. Tendo como embasamento o referencial teórico e a pesquisa de campo, é possível concluir que um passo muito importante para se conseguir colaboradores comprometidos é obter uma comunicação interna que seja eficaz e que alcance todos os colaboradores da organização. Os funcionários precisam se sentir parte do processo e precisam ter seus objetivos alinhados com os objetivos da empresa, para que todos possam caminhar juntos. O que faz a empresa obter reconhecimento no mercado não é somente sua marca ou seu produto, mas também o capital humano que ela possui na organização. A equipe de trabalho é de grande importância para as organizações, pois ela, ao mesmo tempo em que pode levar a empresa ao fracasso, quando bem orientada e administrada pode trazer sucesso e muitas conquistas para a organização. A comunicação dentro das organizações precisa ser um processo no qual todas as lideranças e chefias se envolvam, não pode ser apenas uma tarefa deixada para o setor de RH, pois as linhas de frente são grandes responsáveis pela disseminação de informações entre seus subordinados, assim como são responsáveis pelo feedback dado aos colaboradores. Diante da certeza de que a comunicação interna interfere diretamente no desempenho do comprometimento dos colaboradores, é preciso que as empresas façam maiores investimentos e montem estratégias voltadas para fazê-la de forma eficiente e eficaz. Não há como obter uma equipe motivada e empenhada quando não se a incluiu no todo, quando não se passa as informações necessárias inerentes ao cargo e a função, quando não os orienta com relação às últimas decisões tomadas na organização, e a empresa não fornece espaço para opinar sobre determinados temas, quando não se tem liberdade para uma conversa direta com seu superior hierárquico e, principalmente, quando não existe um espírito de equipe vencedora, pois não existe um líder vencedor. Atrás dele sempre existe uma equipe vencedora que precisa e merece ser reconhecida e motivada a sempre continuar a busca pelo sucesso. E isso é comunicação, que pode ser considerada eficiente quando estimula o comprometimento de seus colaboradores. Analisando todos os gráficos e informações relativos à pesquisa, foi possível perceber que a empresa estudada possui algumas dificuldades em sua estratégia de comunicação. Em algumas questões e/ou setores os índices foram altos e bons, porém para que uma 16 comunicação interna seja eficaz e cumpra seu papel bem, a ponto de motivar o melhor desempenho do comprometimento das pessoas, é preciso que toda a organização esteja em sintonia. Na percepção dos colaboradores, a comunicação interna existe, porém não para todos os setores. Alguns setores se mostraram mais frágeis quando o assunto é comunicação interna. Mais precisamente os setores de divulgação e administrativo demonstraram uma carência quanto à falta de informação de outros setores e quanto à ausência de oportunidade de expor opiniões e/ou compartilhar ideias. Essa deficiência pode afetar diretamente o comprometimento dos colaboradores. Isso pode ser concluído quando se verifica que a equipe de professores é a que possui menos problemas com relação à comunicação e, consequentemente, demonstraram maior comprometimento e desprendimento de esforços em prol da organização. Todos esses resultados são em parte reflexos das posições de liderança, pois os melhores resultados foram encontrados onde as opiniões dos colaboradores também aprovavam a postura de seus líderes. Portanto, importante é ressaltar aqui que os líderes não devem preocupar-se somente com sua equipe de subordinados, é necessário que pensem no todo da organização e que colaborem para que todas as equipes consigam atingir o nível de excelência. É preciso que todos os funcionários estejam trabalhando em busca de um resultado coletivo. O que se vê na pesquisa não é essa hegemonia. O sucesso de uma organização depende de todos os setores, desde os menores cargos aos maiores. BIBLIOGRAFIA ARAÚJO, Luis C.G.; GARCIA, Adriana A. Gestão de Pessoas: Estratégias e Integração Organizacional. 2ªed. São Paulo: Atlas, 2009. BOWDITCH, James L.; BUONO, Anthony F. Fundamentos do Comportamento Organizacional. 6ªed. Rio de Janeiro: LTC, 2006. BUENO, Wilson C. Comunicação Empresarial: políticas e estratégias. São Paulo: Saraiva, 2009. 17 BRUM, Analisa de Medeiros. Endomarketing: estratégias de comunicação interna para empresas que buscam a qualidade e a competência. Porto Alegre: Ortiz, 1994. 138 p. CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. HITT, M. A.; MILLER, C. C.; COLELLA, A. Comportamento organizacional – uma abordagem estratégica. Rio de Janeiro: LTC, 2007. LOPES, Beonerges B. Gestão em Comunicação Empresarial: teoria e técnica. Juiz de Fora: Produtora Multimeios, 2007. PIMENTA, Maria Alzira. Comunicação empresarial. Campinas, SP: Alínea. 1999. 125 p. REBECHI, Claudia N. Comunicação nas relações de trabalho: análise crítica de vozes da comunicação organizacional no Brasil. 2009.145 p. Dissertação (Mestrado em Ciências da Comunicação) – Faculdade de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo. ROBBINS, Stephen P. Comportamento Organizacional. 11ªed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. TOMASI, Carolina.; MEDEIROS, João B. Comunicação Empresarial. 3ªed. São Paulo: Atlas, 2010. TAVARES, Rosalina Semedo de Andrade. A importância da comunicação interna para o desenvolvimento do comprometimento organizacional: um estudo de caso em empresa brasileira. 2005. 193 p. Dissertação (Mestrado em Administração) – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de São Paulo, São Paulo. 18