PESQUISA DE VITIMIZAÇÃO
NA CIDADE DE CANOAS/RS
RELATÓRIO FINAL
Marcos Rolim1
Dezembro de 2009
1
Professor da Cátedra de Direitos Humanos do Centro Universitário Metodista (IPA) em Porto
Alegre/RS e consultor em segurança pública e direitos humanos. Doutorando em Sociologia
pela UFRGS e especialista em políticas de segurança pela Universidade de Oxford (UK). Autor,
entre outras obras, de “A Síndrome da Rainha Vermelha: policiamento e segurança pública no
século XXI” (Zahar, 2006).
2
Quão frágil e inerme é a razão. No entanto, é
nosso único instrumento.
Bertrand Russel
3
Agradecimentos
A todos os que se empenharam na realização deste trabalho,
fornecendo o apoio sem o qual ele seria impossível, minha mais sincera
gratidão.
Particularmente, gostaria de agradecer ao Prefeito Jairo Jorge e ao
Secretário de Segurança Pública Alberto Kopittke, pela confiança e pelo
estímulo à realização do trabalho.
De igual sorte, agradeço à equipe da Secretaria de Segurança –
destacadamente ao Eduardo e ao Roberto pelo esforço extraordinário de
mobilização e montagem da infra-estrutura de apoio aos pesquisadores no
campo.
Um agradecimento especial é devido às dezenas de servidores da
prefeitura que, de forma voluntária, se somaram à pesquisa, viabilizando a
coleta dos dados.
Por fim, agradeço ao Instituto Methodus, responsável pela digitalização
dos dados e pelo aconselhamento metodológico.
4
I - Introdução
O tema da gestão em segurança pública tem sido tradicionalmente
menosprezado no Brasil. Reduzida à moldura punitiva proposta pelo direito
penal, a abordagem mais comum na área tem sido aquela vocacionada à
maximização das possibilidades repressivas. Não por acaso, os investimentos
mais importantes em segurança pública no Brasil têm sido, invariavelmente,
aqueles realizados no aumento dos efetivos policiais, na compra de armas e
viaturas e na ampliação das vagas no sistema prisional.
O paradigma resultante afirma, em todos os lugares, efeitos muito
similares que não apenas têm sido incapazes de reverter as dinâmicas
violentas e criminosas como, ao que tudo indica, têm se revelado funcionais à
reprodução ampliada destes fenômenos.
As dezenas de milhares de indivíduos que sentenciamos às prisões a
cada ano alcançarão, mais cedo ou mais tarde, a liberdade, retornando ao
convívio social. Neste percurso, entretanto, dois novos fenômenos se farão
sentir: uma parte significativa dos egressos terá precipitado seus vínculos
delituosos por compromissos firmados dentro do cárcere. Muito comumente,
condenados que atuavam isoladamente em liberdade, “se organizam” dentro
dos presídios onde, mesmo por imposição de sobrevivência, precisam da
proteção de uma ou outra facção. Este novo “pertencimento” oferece aos
presos uma nova identidade social e, por óbvio, mais chances de retomada das
atividades ilegais quando novamente em liberdade. Agora, entretanto, todas as
possibilidades estarão abertas para que tais atividades sejam desenvolvidas
em uma escala de maior ofensividade e segundo regras e exigências que já
não são aquelas ditadas pela estrita necessidade dos indivíduos, mas das
próprias organizações criminosas. Por outro lado, aqueles entre os egressos,
que não tenham sido “capturados” por esta dinâmica e que estejam
sinceramente dispostos a não mais delinqüir, carregarão para sempre o fardo
de terem cumprido pena de prisão. A “diferença vergonhosa” (GOFFMAN,
5
1988) cumprirá aqui o papel de empurrar os estigmatizados para as atividades
ilícitas, vez que todas as oportunidades de integração social lhes são
subtraídas.
Estes processos, por demais conhecidos em todo o mundo, são
exatamente aqueles pelos quais as dinâmicas de encarceramento massivo
tendem a reforçar a produção do crime e da violência, ao invés de inibi-los. As
medidas repressivas e as novas prisões, exigidas e saudadas pela opinião
pública, logo se demonstram inócuas, mas o ciclo da demanda punitiva – ao
invés de se fechar – retoma o caminho já trilhado, identificando as novas
medidas como insuficientes ou “pouco rigorosas”. Como em um sintoma
neurótico de repetição (“Wiederholen” para Freud, ou: "pedir novamente"), se
insiste na mesma receita de fracasso e se exige mais do mesmo. Mas, como
na psicanálise, o repetido nunca é exatamente o mesmo. No caso da elevação
das taxas de encarceramento e da deterioração das condições de vida nas
prisões, o que fizemos foi contribuir para o aumento das séries causais e das
dinâmicas tipicamente criminógenas. Em outras palavras: com a crescente
demanda punitiva e a generalização da receita “prender mais” e “endurecer o
jogo com os bandidos”, o que se alcançou foi a produção de mais crimes e de
mais violência.
Ainda há quem pense que, no Brasil, as leis penais sejam lenientes ou
frágeis para o necessário enfrentamento às dinâmicas delituosas. O que
ocorre, na verdade, é um processo bem mais complexo. Um olhar sobre nossa
legislação penal e processual penal é suficiente para que se perceba uma
característica especialmente perversa que acompanha todo o aparato
persecutório brasileiro: o rigor penal no Brasil está tanto mais presente quanto
mais o perfil dos delitos praticados envolver pessoas marginalizadas
socialmente. Se há fragilidade ou leniência na legislação penal, estas poderão
ser identificadas muito mais propriamente quando examinarmos os delitos
tradicionalmente praticados pelas elites econômicas. Quanto aos crimes
comumente praticados pelos pobres, nossas leis são, como regra, mais que
rigorosas e prescrevem penas que, no contexto das prisões brasileiras,
implicam em sofrimentos sem base legal, muitos deles equivalentes à tortura.
6
Eventuais dúvidas a respeito destas características podem ser
imediatamente superadas com a simples providência de visitação a qualquer
presídio brasileiro. O que ser verá, em qualquer destas instituições, é o
resultado de um processo penal de extraordinária seletividade. Cumprem pena
de prisão no Brasil, basicamente, os condenados por crimes patrimoniais –
furtos e roubos -, os condenados por tráfico de drogas e os condenados por
crimes sexuais. Os demais tipos penais respondem por percentual muito
pequeno de condenações quando contrastados com estes três grandes
agregados.
O contingente de pessoas presas no Brasil, embora imenso, já
expressaria, de qualquer modo, uma seleção, vez que apenas uma pequena
parcela dos autores de ilícitos penais, em qualquer lugar do mundo, são
identificados, processados e condenados. A criminologia moderna denomina
“taxa de atrito” esta diferença entre os crimes efetivamente praticados e as
condenações.
Na Inglaterra, sabe-se que de cada 100 crimes cometidos (estimados
por pesquisas anuais de vitimização), apenas 3 acabam se transformando em
condenações judiciais. Evidentemente, se separarmos do conjunto de crimes
os mais graves – como, por exemplo, os homicídios - encontraremos taxas de
atrito muito menores em todos os países mais desenvolvidos e democráticos,
porque, quanto a estes, os procedimentos investigatórios têm, normalmente,
boa margem de êxito.
Ainda assim, tendo presente o fato de que há
investimentos muito consideráveis e persistentes no sistema de justiça criminal
em todo o Reino Unido; que as polícias britânicas estão, seguramente, entre as
melhores do mundo e que os infratores ingleses não são particularmente mais
hábeis ou inteligentes do que os demais em qualquer outro lugar, deve-se
admitir que esses dados são, simplesmente, chocantes.
Em outro trabalho2, assinalei, a este respeito, que:
2
Rolim (2006)
7
Poderemos encontrar uma realidade muito semelhante em
vários outros países desenvolvidos, com a possível exceção
do Japão. Nos Estados Unidos, por exemplo, apenas 3% dos
crimes violentos se traduzem em sentenças de prisão, o que
não deixa de ser surpreendente tendo em vista as altíssimas
taxas de encarceramento lá praticadas. 3 Não sabemos, ao
certo, qual é a “taxa de atrito” no Brasil, mas podemos
imaginar que as circunstâncias sejam muito mais sérias.
Pesquisa realizada por Soares (1996), no estado do Rio de
Janeiro, demonstrou que apenas 8% dos homicídios
praticados resultavam em processos encaminhados ao
Judiciário. Dados apresentados por Khan (2001:36), sobre o
desempenho do sistema de justiça criminal do estado de São
Paulo no segundo trimestre de 1999, apontam para um total
de crimes estimados por pesquisa de vitimização de
1.330.434. No mesmo período, o índice oficial de
criminalidade foi de 33% desse total (443.478 crimes). Em
resposta a eles, foram instalados 86.203 inquéritos policiais
(6,4% do total) e foram efetuadas 29.807 prisões o que perfaz
2,2% do total de crimes estimado para o período.
As taxas de atrito verificadas nas nações modernas são, na verdade,
indicadores muito incômodos para todos os que seguem compartilhando as
ilusões fundantes do direito penal. Obviamente, seria inconcebível se imaginar
uma realidade social onde todos os crimes praticados, independentemente de
sua gravidade, redundassem em condenações à prisão. Uma pretensão do tipo
seria, no mais, consagração de injustiça pela desproporcionalidade da pena.
Seja como for, quando falamos em direito penal – independente do país ou das
tradições culturais pressupostas – estamos também falando de práticas
seletivas de punição.
Há, entretanto, uma outra seletividade penal operante para além da
relação apontada entre os crimes mais e menos graves e que se faz mais
sensível em países como o Brasil: aquela produzida pela opção preferencial
3
Em 1994, dados do Bureau of Justice Statistics, do Uniform Crime Reports e das pesquisas
de vitimização, permitiram a projeção de um total de 3,9 milhões de crimes violentos no país.
Nesse mesmo ano, 117 mil penas de prisão para este tipo de crime foram prolatadas pelos
tribunais americanos, o que perfaz 3% do total. Para o ano de 1992, Barkan calculou que nos
EUA apenas 1% dos infratores em geral foram presos. Em se tratando de crimes com
violência, o percentual de aprisionamento foi de apenas 4,2% dos casos. Apud: Kahn (2001:36)
8
pelos acusados pobres. O perfil social dos presos brasileiros o confirma de
forma incontrastável: pesquisas sobre o sistema prisional indicam que mais da
metade dos presos tem menos de trinta anos; 95% são pobres, 95% são do
sexo masculino e dois terços não completaram o primeiro grau (cerca de 12%
são analfabetos).
O problema, por óbvio, não se limita às prisões. Conforme já assinalado,
a legislação penal brasileira já insinua tratamento mais gravoso aos delitos
típicos da marginalização social, além de manter disposições que criminalizam
a própria exclusão social. Assim, por exemplo, se mantém em vigor o art. 60 da
Lei das Contravenções Penais que prevê a prisão simples – de 15 dias a 3
meses – aos mendigos e o art. 59 que prescreve as mesmas penas aos que
se entregarem à “ociosidade”. O mesmo documento legal, aliás, através de seu
art. 14, presume como “perigosos” os condenados por “vadiagem ou
mendicância”. Depois disso, temos que o acesso à justiça – direito civilizatório
por excelência – é, muitas vezes, inefetivo aos pobres e aos marginalizados
socialmente, porque o Estado brasileiro é, até hoje, incapaz de assegurar-lhes
o patrocínio de defensores. Em que pese o trabalho de excepcional importância
realizado pelas Defensorias Públicas nos estados da federação onde elas
foram legalmente constituídas e estruturadas, temos que o acesso à justiça
segue sendo um privilégio no Brasil. Também por conta disto, o Estado
brasileiro produziu um sistema de encarceramento massivo cuja lógica elege
os despossuídos naturalmente.
Sobre esta herança política e cultural, os caminhos tradicionais na área
da segurança pública seguem colhendo fracassos com a mesma naturalidade
com que seus proponentes repetem noções preconceituosas, orientações
estapafúrdias e frases de efeito sobre segurança pública. Uma matéria prima
da qual pode-se retirar qualquer coisa, menos políticas públicas eficazes.
Como regra, quando as autoridades encarregadas da gestão do sistema de
segurança se dirigem à opinião pública, oferecendo tão-somente chavões,
promessas de “rigor exemplar” ou frases legitimadoras da própria violência do
Estado, estão – muito concretamente – oferecendo provas de sua incapacidade
de apresentar diagnósticos precisos, planos racionais e resultados criteriosos.
9
O espetáculo burlesco encenado na mídia é conhecido e, inacreditavelmente,
ainda mantém audiências.
A situação vivida pelo Brasil na área da segurança pública – como de
resto em qualquer país - envolve um conjunto muito amplo e complexo de
desafios. Nenhum deles será equacionado se a) os governantes e gestores em
segurança pública não tiverem uma clara definição a respeito do caráter
essencial a ser cumprido por diagnósticos específicos das dinâmicas criminais
e violentas e b) se as opções de políticas se segurança decorrentes destes
diagnósticos não forem dotadas de uma racionalidade preventiva.
Ainda hoje, são raras as experiências no Brasil de políticas de
segurança gestadas a partir de diagnósticos com base científica. Quase
sempre, as iniciativas na área possuem um caráter meramente reativo e
expressam pouco mais do que improvisações; não raro, gestos avulsos que
atendem às aspirações corporativas das instituições policiais ou que
respondem às demandas punitivas disseminadas socialmente e reforçadas
pelo tratamento sensacionalista de setores da mídia que têm transformado a
violência em um espetáculo.
Também em decorrência desta limitação, as respostas do Poder Público
no Brasil na área da segurança seguem centradas na aposta no poder
dissuasório do direito penal – o que tem implicado em taxas sempre crescentes
de encarceramento, sem, em regra, qualquer resultado considerável para além
das
novas
oportunidades
criminogênicas
agenciadas
pelo
próprio
encarceramento e agravadas pela superlotação prisional.
As bases de dados com as quais trabalham praticamente todos os
gestores em segurança pública no Brasil são formadas pelos dados constantes
nos registros policiais (basicamente Boletins de Ocorrência -BOS e Termos
Circunstanciados - TCs). Tal base de dados pode oferecer informações muito
importantes – especialmente quando se quer conhecer melhor como as
polícias trabalham -, mas são incapazes de medir a incidência, a natureza e as
tendências das práticas criminosas e violentas.
10
A razões são universalmente conhecidas: ocorre que as vítimas, em sua
grande maioria, não registram as ocorrências criminais. O fenômeno –
reconhecido na literatura especializada como dark rate (cifra obscura) – abarca,
inclusive, a maioria dos crimes violentos.
Muitos dos crimes atualmente
praticados no Brasil possuem taxas baixas de subnotificação. Tal é o caso, por
exemplo, dos furtos e roubos de veículo. Como regra, as vítimas destes tipos
criminais registram as ocorrências. Isto ocorre porque o valor do bem subtraído
é expressivo e porque as companhias seguradoras exigem cópia do B.O.,
como condição de elegibilidade ao seguro. Na outra ponta, entretanto, temos
muitos crimes e práticas violentas que não são, como regra, reportados ao
Estado. Em todo o mundo, este é caso, por exemplo, das práticas de violência
doméstica que vitimam comumente mulheres, crianças e adolescentes. Neste
rol de crimes não relatados, encontraremos, ainda, os chamados “crimes sem
vítima” (onde a vítima é a sociedade como um todo) como, por exemplo, o
tráfico de drogas, o jogo ilegal, a sonegação de impostos, a poluição ambiental
e muitos outros.
Apenas para que se tenha uma idéia: pesquisa de vitimização na
Inglaterra e País de Gales demonstrou que no ano fiscal de 2002/2003
ocorreram, aproximadamente, 12,3 milhões de crimes contra residentes
adultos4 , sendo que, desse total, cerca de 2,8 milhões foram crimes violentos.
No mesmo período, as polícias britânicas registraram um total de 5 milhões de
ocorrências criminais. Isso implica em reconhecer que mais da metade dos
crimes realmente praticados jamais chegaram ao conhecimento da Polícia (na
verdade, a disparidade é necessariamente maior podendo chegar a várias
vezes o número de crimes registrados, porque há uma série de delitos que não
são levantados nas pesquisas de vitimização). Estima-se que, na Espanha, a
taxa de comunicações à Polícia para roubos seja de 47%; no mesmo país, os
incidentes de natureza sexual seriam relatados apenas em 4% das vezes.
4
O British Crime Survey realiza entrevistas domiciliares, como se tornou padrão em pesquisa
de vitimização. Isso significa que ela só pode medir crimes contra residentes. Estão fora deste
levantamento, os crimes cometidos contra pessoas jurídicas, os crimes de colarinho branco, os
crimes cometidos contra moradores de rua, turistas etc. A amostra atual para Inglaterra e País
de Gales é de 40 mil residências.
11
Pesquisa de vitimização realizada em 1999 no estado de São Paulo levantou
para um único trimestre a estimativa de 1,33 milhão de crimes o que
representava 3 vezes o número de crimes registrados pela Polícia paulista no
mesmo período 5.
As razões para esse fenômeno que se repete em todo o mundo são as
mais variadas. Em primeiro lugar, muitas vítimas têm medo. Medo daqueles
que as agrediram, medo de sofrerem represálias. Em segundo, muitas vítimas
imaginam que a Polícia não irá produzir qualquer resultado; por alguma razão
não confiam na Polícia e imaginam que irão apenas perder seu tempo com ela;
em terceiro, muitas vítimas não desejam o envolvimento da polícia em
determinados casos; podem estar mais seguras em tratar pessoalmente do
problema, podem manter vínculos com os infratores ou podem sentir vergonha
em ter que expor a situação que as vitimou e; por fim, ocorre de muitas vítimas
não saberem como proceder para registrar uma ocorrência, não terem recursos
para se deslocar até uma delegacia ou, mesmo, não terem noção de que foram
lesadas em algum direito.
Pesquisa de vitimização realizada em Belo Horizonte, no ano de 2002,
pelo CRISP (Centro de Estudos da Criminalidade e da Segurança PúblicaUFMG), sob a coordenação de Cláudio Beato, encontrou que, dentre as
pessoas que foram vítimas de agressão sexual no ano anterior, apenas 14.5%
acionaram a polícia. As principais razões para não acionar a polícia entre as
vítimas de agressão sexual foram: a) não adiantaria chamar, pois a polícia não
poderia ajudar (37,6%) b) as pessoas não queriam a polícia envolvida (24,7%)
c) para não haver vingança (9,3%). Das perguntas sobre vitimização incluídas
na pesquisa nacional do IBGE de 1998, sabemos que, entre os entrevistados
que foram vítimas de furto, 67,5% não registraram as ocorrências; das vítimas
5
Infelizmente, a prática de realização de pesquisas de vitimização ainda não se firmou no
Brasil e a maior parte dos estados brasileiros jamais teve uma delas sequer. Em 1988, o IBGE
realizou uma Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios que incluiu algumas questões
relacionadas à vitimização. Esta foi, até hoje, a única experiência nacional de coleta de dados
na área. Para o ano de 2009, a SENASP planeja a realização da primeira pesquisa nacional de
vitimização em nosso país.
12
de agressão física, 60,8% não procuraram a polícia. As taxas de notificação em
ofensas de natureza sexual, no mesmo levantamento, foram de apenas 9,8%.
Entre todas as razões que podem explicar a subnotificação, entretanto,
sabe-se que a mais forte está relacionada às taxas de confiança da população
em suas polícias. Quanto mais a cidadania confiar nas instituições policiais, em
sua seriedade e poder resolutivo, mais tenderá a efetuar os registros. Por isso,
é comum que quando as polícias melhoram seu desempenho e criam laços de
maior proximidade com a população os registros aumentem. O contrário
também é verdadeiro. Assim, quando as polícias trabalham mal ou quando
permitem que sua imagem se deteriore aos olhos da população (pelo
envolvimento em práticas desrespeitosas ou violentas, pelo comprometimento
com a corrupção ou pela simples ineficiência), o normal é que os registros de
ocorrência diminuam.
O gestor desavisado, que estiver acompanhando os registros policiais
para balizar suas iniciativas na área é, por isso mesmo, quase sempre induzido
ao erro.
Aquilo que, aparentemente, está a indicar um agravamento dos
problemas de segurança (o aumento nos registros policiais, na hipótese citada)
pode indicar, na verdade, uma melhoria do trabalho policial. Pelo contrário, o
que normalmente é saudado pelos governos e pela mídia como um “avanço”
(no caso, a redução no número de registros policiais) pode ser apenas um
sintoma de problemas muito sérios nas relações dos próprios policiais com a
população.
Por estas e outras razões, ao decidir-se pela realização da primeira
pesquisa de vitimização (victimization survey) na cidade de Canoas, a
Prefeitura Municipal, através da sua Secretaria de Segurança Pública, deu um
passo decisivo para a elaboração de um correto diagnóstico a respeito das
dinâmicas criminais e violentas, da sensação de insegurança ou “medo do
crime” (fear of crime) existentes no município, da avaliação da população a
respeito das polícias estaduais e da própria dimensão de envolvimento de
parcelas dos residentes com valores violentos e/ou preconceituosos.
O relatório que segue sistematiza as informações mais relevantes
apuradas pela pesquisa, interpretados a partir das evidências acumuladas
13
pelas ciências sociais, destacadamente pelos conhecimentos oferecidos pela
moderna criminologia.
A intenção do consultor é a de oferecer ao município, agora com base
em evidências empíricas, sugestões de políticas públicas e iniciativas
concretas a serem examinadas pelas autoridades na área e pelo governo como
um todo. Este relatório, assim, poderá se desdobrar em uma pauta específica
capaz de auxiliar o trabalho que já vem sendo realizado para a redução dos
indicadores de violência e criminalidade na cidade de Canoas.
O trabalho que realizamos na coordenação desta pesquisa é
complementado por mais um estudo. Refiro-me ao “Estudo de perfil de
homicídios” (homicide studies). Igualmente raro na tradição brasileira, este tipo
de estudo permite – a partir da análise minuciosa de todos os inquéritos
policiais e processos judiciais sobre crimes dolosos com resultado morte6, a
identificação das regularidades que acompanham aquelas graves ocorrências.
Estudos do tipo são fundamentais para que o Poder Público possa delinear
políticas preventivas eficazes, rompendo com as improvisações e o imobilismo
que costumam ser característicos na área.
Os dados colhidos com a pesquisa aqui relatada permitem conclusões
importantes que deverão ser bastante úteis para o trabalho da Secretaria de
Segurança e para o aperfeiçoamento do trabalho do governo municipal como
um todo, mesmo porque entendo que a pesquisa tornará mais claras as razões
pelas quais uma política de segurança pública deve ser concebida e aplicada
como um conceito estruturante das ações de governo, devendo envolver,
necessariamente, iniciativas situadas em outras áreas como a educação, a
saúde, os esportes, o lazer, a infra-estrutura urbana, a cultura, a administração
prisional, entre outras.
6
Na mais representativa tradição criminológica, designa-se como “homicídio” todos os crimes
dolosos com resultado morte, o que agrega também os latrocínios e as lesões corporais
seguidas de morte.
14
II - Breves observações metodológicas
A pesquisa de vitimização de que trata este relatório foi realizada na
cidade de Canoas entre os meses de junho e novembro de 2009. Em vários
finais de semana distribuídos neste período, dezenas de pesquisadores
(servidores municipais), especialmente capacitados para a função pela
consultoria, percorreram as diferentes regiões da cidade, aplicando dois
questionários à população residente: um com perguntas para a população
adulta (18 anos ou mais) e outro com perguntas para a população adolescente
(12 até 18 anos incompletos).
A opção de trabalhar com dois questionários não tem sido uma regra
nas poucas pesquisas de vitimização já realizadas em cidades brasileiras. A
proposta, entretanto, agrega muitas vantagens. Primeiro: sabemos que as
populações adolescentes concentram desproporcionalmente vítimas e autores
de atos violentos. Conhecer as suas expectativas e opiniões e saber mais
concretamente a respeito das ocorrências que os vitimam são desafios, por
isso mesmo, decisivos para o desenvolvimento de políticas públicas de caráter
preventivo. Segundo: questionários específicos para adolescentes permitem
dimensionar problemas diversos como, por exemplo, as ocorrências de
“bullying” nas escolas, um tipo de violência repetitiva, praticada entre pares e
normalmente invisível, entre outras informações relevantes. Também por isso,
o British Crime Survey (BCS), o serviço de pesquisas de vitimização da
Inglaterra e País de Gales, decidiu, em 2009, que suas próximas pesquisas
serão aplicadas sobre a população residente maior de 10 anos de idade7.
Neste relatório, de qualquer forma, apresentamos os dados sobre vitimização
de adultos e adolescentes de forma separada.
Os pesquisadores, recrutados pela Secretaria de Segurança Pública,
realizaram pré-teste com os questionários o que tornou possível aperfeiçoar
7
Ver: http://www.homeoffice.gov.uk/rds/pdfs08/bcs-consultation-0508.pdf
15
algumas perguntas ou alterar, em uma ou outra passagem, alguns dos termos
empregados cujo sentido se mostrou inadequado.
Para que tivéssemos uma amostragem representativa do universo
pesquisado, a cidade de Canoas foi dividida em 50 micro-regiões com
populações equivalentes.
Os pesquisadores foram aglutinados em duplas,
com alternância entre os sexos. Com este cuidado, os residentes deveriam ser
entrevistados sempre por um pesquisador do mesmo sexo8. Este cuidado se
justifica especialmente para que eventuais constrangimentos dos respondentes
sejam minimizados, o que parece cumprir um papel ainda mais importante
quando os questionários envolvem perguntas específicas sobre violência
doméstica e/ou casos de violência sexual, como foi o caso.
Cada dupla de pesquisadores deveria cumprir uma quota de entrevistas,
o que nos permitiria recolher algo próximo a 2.000 questionários respondidos,
número propositalmente fixado bem acima do que seria necessário para uma
amostragem representativa por conta das inevitáveis “quebras”. Tivemos, com
efeito, uma pequena diminuição no total de questionários respondidos de forma
válida, observada de forma mais ou menos equânime entre as regiões, pois
alguns questionários foram respondidos em desacordo com as regras
estabelecidas. Feitas estas correções, a amostra ficou composta por um total
de 1.568 respondentes, o que resultou bastante expressivo tendo-se em conta
o universo populacional de Canoas. Deste total, 1.315 questionários foram
respondidos por adultos e 253, por adolescentes.
Cada dupla recebeu a listagem das ruas sorteadas para a sua região e
um critério aleatório referente à numeração das residências a serem visitadas.
As duplas foram designadas para as diferentes regiões também se observando
o critério de não se permitir que os pesquisadores atuassem nas proximidades
de seus locais de moradia, ou onde tivessem maiores chances de encontrar
pessoas
amigas
ou
conhecidas.
Os
pesquisadores
receberam
uma
identificação para sua apresentação nas residências e montou-se um esquema
8
Não foi possível formar todas as duplas este critério em função do número muito maior de
voluntárias mulheres. Em compensação, nenhuma dupla foi formada com dois homens, o que
preservou o cuidado fundamental referente ao possível constrangimento com entrevistadas
mulheres
16
de segurança e de apoio para o deslocamento e a alimentação dos voluntários.
Nenhum incidente foi registrado e a receptividade da população aos
questionários situou-se acima das melhores expectativas.
Pesquisas de vitimização estimam, entre outras informações, o volume
total de crimes praticados contra os residentes, mas partem do número de
vítimas, não de fatos delituosos. No Brasil, não há um critério padronizado para
a contagem de crimes. Via de regra, os critérios operantes vinculam-se ao
indiciamento e, portanto, às regras do direito penal. Assim, por exemplo, um
assalto praticado dentro de um ônibus que vitime 20 passageiros será, muito
provavelmente, contado como um crime de furto continuado com 20 vítimas. A
mesma ocorrência, entretanto, poderia ser registrada como 20 crimes de furto,
cada um deles com uma vítima. Por este critério – adotado, por exemplo, pelas
polícias britânicas – teríamos dados estatísticos muito diversos e o número de
crimes seria necessariamente maior.
III – Percentuais gerais de vitimização entre adultos residentes em Canoas
A pesquisa de vitimização apresenta dados separados a respeito de
ocorrências relatadas pelos entrevistados nos 12 meses anteriores, prazo
padrão em estudos do tipo. Para que as tendências criminais sejam
corretamente identificadas, é necessário que as pesquisas sejam repetidas,
com os mesmos questionários e metodologia, a cada ano. Muitas pessoas
entrevistadas,
entretanto,
relatam
terem
sofrido
mais
de
um
crime.
Comumente, temos situações de pessoas que relatam, inclusive, muitas
vitimizações por delitos diferentes. Deve-se, portanto, inicialmente, apresentar
o panorama geral de vitimização por delito. Como em todos os outros
procedimentos, os percentuais encontrados podem ser projetados para o
conjunto pesquisado, o que permite estimar com muito mais correção o volume
de crimes cometidos no período.
17
Sempre que processamos as diferenças no perfil das vítimas quanto à
etnia, tratamos apenas de brancos, negros e pardos. A alternativa “índio” foi
excluída dos cálculos por ter sido identificada apenas uma vez entre os
respondentes, tanto quanto a alternativa “oriental” que não foi identificada na
amostra.
Passemos, então, às taxas de vitimização apuradas entre os adultos da
amostra para as questões que abordaram a) furtos de veículos; b) roubos de
veículos; c) furtos de acessórios ou bens em veículos; d) furtos de rua; e)
roubos de rua; f) furto simples em residência; g) furtos qualificados pelo
arrombamento em residência; h) roubos em residência; i) vandalismos, j) casos
de importunação do sossego; k) crimes praticados ou tentados pelo telefone; l)
lesões aos direitos do consumidor; m) ofensa grave; n) ameaça grave; o)
agressão física, p) agressão sexual e q) discriminação.
O questionário
procurou, ainda, medir a disseminação do tráfico de drogas na cidade com uma
pergunta específica sobre ter testemunhado o delito no mesmo período das
demais questões (os 12 meses anteriores à entrevista).
A pesquisa encontrou 53 respostas positivas entre 1219 respostas
válidas para a questão de número 11 que abordou furtos de veículos9. Isto
implica em um percentual de vitimização para este delito específico de 4,3% da
amostra válida. Um percentual muito expressivo se considerarmos a parcela da
população residente proprietária de veículos automotores. Tomando o último
dado oficial sobre o número de eleitores registrados em Canoas (210.646
eleitores), teremos um número bastante aproximado do universo da população
adulta10.
Nesta
base,
temos
que
4,3%
de
vitimização
significa,
aproximadamente, 9 mil pessoas.
9
“Nos últimos 12 meses, o senhor (sra.) teve um carro, caminhonete, motocicleta ou caminhão
FURTADO? Ou seja, alguém levou veículo de sua propriedade sem emprego da violência ou
grave ameaça?”
10
O número de residentes não corresponde exatamente ao número de eleitores registrados no
município, como se sabe. Mas o número de residentes adultos que não votam na cidade e o
número de eleitores registrados em Canoas que não residem tendem a se compensar.
18
As diferenças encontradas quanto ao perfil de vitimização para este
delito não são estatisticamente significativas, como se percebe no quadro nº 1.
11
Quadro nº 1
Veículos furtados ( N = número de ocorrências relatadas).
X 11
VEÍCULO FURTADO
SEXO
Não%
Sim%
N
Total
Feminino
96.4
3.6
23
100.0
Masculino
94.8
5.2
30
100.0
Total
95.7
4.3
53
100.0
Os cruzamentos demonstraram uma diferença significativa entre as
vítimas quanto à escolaridade (P=0,007), conforme seria de se esperar. Os
maiores percentuais de vitimização por furto de veículo em Canoas estão entre
as pessoas com pós graduação, formação superior ou que estão freqüentando
cursos superiores (11,1; 8,2 e 10,2% respectivamente), conforme disposto no
quadro 2:
11
Para todos os quadros, “N” é o número de ocorrências relatadas.
19
Quadro nº 2
Veículos furtados e escolaridade das vítimas
X11
VEÍCULO FURTADO
ESCOLARIDADE
Não %
Sim %
Total
Fundam comp
95.9
4.1
100.0
Fundam incompl
98.2
1.8
100.0
Média completa
94.8
5.2
100.0
Média incompleta
95.9
4.1
100.0
Pós-graduação
88.9
11.1
100.0
Universitária completa
91.8
8.2
100.0
Universitária incompleta
89.4
10.6
100.0
Total
95.4
4.6
100.0
Quanto ao delito de roubo de veículo (questão 1212), encontramos 38
respostas positivas para 1.115 respostas válidas, o que perfaz 3,3% da
amostra, quase 7 mil pessoas, conforme disposto no quadro 3:
12
Nos últimos 12 meses, o senhor (sra.) teve um carro, caminhonete, motocicleta ou caminhão
ROUBADO, ou que se tentou roubar? Ou seja, alguém levou veículo de sua propriedade – ou
tentou levar - com emprego da violência ou grave ameaça?
20
Quadro 3
Veículos roubados e sexo das vítimas
X 12
VEÍCULO ROUBADO
SEXO
Não%
Feminino
Sim%
N
Total
97.7
2.3
14
100.0
Masculino
95.6
4.4
24
100.0
Total
96.7
3.3
38
100.0
As características gerais entre as vítimas são as mesmas identificadas
quanto aos casos de furto, mantendo-se a maior incidência de crimes entre
vítimas com formação universitária completa e incompleta (P= 0.00003),
conforme se vê no quadro 4:
Quadro 4:
Veículos roubados e escolaridade
X12
VEÍCULO ROUBADO
ESCOLARIDADE
Não%
Sim%
Total
Fund compl
98.0
2.0
100.0
Fund incompl
99.4
0.6
100.0
Média completa
95.7
4.3
100.0
Média incomp.
97.5
2.5
100.0
Pós-graduação
100.0
0.0
100.0
Universitária
93.3
6.7
100.0
Universit. Incomp.
88.9
11.1
100.0
Total
96.7
3.3
100.0
21
O percentual para furtos de acessórios ou de bens no interior dos
veículos foi de 6,2%, aproximadamente 13 mil pessoas (68 respostas positivas
para a questão 1313). Também neste caso as diferenças entre o sexo das
vítimas não foram estatisticamente significativas, conforme disposto no quadro
5. Estes números, somados à incidência de furtos e roubos de veículos,
evidenciam a presença de problema específico de segurança pública na cidade
e, possivelmente, a ação de “especialistas” nestes tipos de crime de
oportunidade.
Quadro 5:
Furtos no interior de veículos e sexo das vítimas
X 13
FURTO OBJETOS INTERIOR DO CARRO
SEXO
Não%
Sim%
N
Total
Feminino
96.0
4.0
23
100.0
Masculino
91.4
8.6
45
100.0
Total
93.8
6.2
68
100.0
No que diz respeito à questão 1414 que tratou da vitimização por furtos
praticados na rua, encontramos um percentual de 11,3% de vitimização (cerca
de 23 mil pessoas). Para este delito, a variável sexo aparece como uma
diferença estatística significativa (P=0007), conforme disposto no quadro 6.
13
Nos últimos 12 meses o senhor (sra.) foi vítima de furto de algum acessório ou bem que
estava no seu carro, como, por exemplo, CD player, rádio, estepe, ou algum bem que estava
guardado no veículo?
14
Nos últimos 12 meses, o senhor (sra.) foi vítima de algum outro FURTO fora da sua
residência? Ou seja, alguém lhe tirou algo que o sr. (sra.) portava sem empregar violência ou
sem grave ameaça?
22
Quadro 6:
Furtos de rua e sexo das vítimas
X14
FURTOS DE RUA
SEXO
Não%
Sim%
N
Total
Feminino
85.8
14.2
92
100.0
Masculino
92.0
8.0
46
100.0
Total
88.7
11.3
138
100.0
A questão nº 15 do questionário para adultos15 abordou o delito de
roubo de rua, encontrando, para 1.200 respostas válidas, 69 respostas
positivas para este crime nos últimos 12 meses, o que perfaz o preocupante
percentual de 5,8% de vitimização (aproximadamente 12 mil pessoas). Aqui,
embora ainda com maior número de mulheres vitimadas, as diferenças não são
estatisticamente significativas.
15
Nos últimos 12 meses, o senhor (Sra.) foi vítima de algum outro ROUBO fora da sua
residência? Ou seja, alguém lhe tirou algo que o Sr. (a) portava – ou tentou tirar - com emprego
violência ou com greve ameaça?
23
Quadro 7:
Roubos de rua e sexo das vítimas
X15
ROUBO DE RUA
SEXO
Não%
Sim%
N
Total
Feminino
94.0
6.0
38
100.0
Masculino
94.5
5.5
31
100.0
Total
94.3
5.8
69
100.0
Roubos de rua aparecem fortemente correlacionados à maior
escolaridade das vítimas (P= 0,007), conforme disposto no quadro 8:
Quadro 8:
Roubos de rua e escolaridade das vítimas
X15
ROUBO NA RUA
ESCOLARIDADE
Não%
Sim%
Total
Fundam comp.
97.2
2.8
100.0
Fundame incomp.
93.9
6.1
100.0
Média completa
94.2
5.8
100.0
Média incomp.
87.8
12.2
100.0
Pós-graduação
87.5
12.5
100.0
Univers. Comp.
95.1
4.9
100.0
Univers. Incomp.
97.0
3.0
100.0
Total
94.0
6.0
100.0
24
Já os casos de furtos simples em residência, medidos pela questão
1616, encontrou, em 1.233 respostas válidas, o percentual expressivo de 15,3%
de vitimização (ou 32 mil casos), sem diferenças significativas de perfil entre os
atingidos, conforme disposto pelo quadro 9:
Quadro 9:
Furto simples residencial e sexo das vítimas
X16
FURTO SIMPLES NAS RESIDÊNCIAS
SEXO
Não%
Sim%
N
Total
Feminino
84.8
15.2
99
100.0
Masculino
84.5
15.5
90
100.0
Total
84.7
15.3
189
100.0
Ainda com relação aos furtos em residência, a questão 1717 permitiu
desagregar as ocorrências para o furto qualificado pelo arrombamento. Neste
ponto, encontramos, para 1.233 respostas válidas, 79 ocorrências, o que perfaz
6,5% de vitimização (aproximadamente 13 mil casos), sem diferenças
estatísticas significativas entre os atingidos, conforme disposto no quadro 10:
16
Nos últimos 12 meses, o senhor (sra.) foi vítima de FURTO SIMPLES em sua residência? Ou
seja, alguém lhe tirou algo de dentro de sua casa sem arrombamento, sem empregar violência
contra pessoa e sem grave ameaça?
17
Nos últimos 12 meses, o senhor (sra.) foi vítima de FURTO COM ARROMBAMENTO em
sua residência? Ou seja, alguém lhe tirou algo de dentro de sua casa sem violência ou grave
ameaça, mediante remoção de obstáculo?
25
Quadro 10:
Furto com arrombamento e sexo das vítimas
X17
SEXO
FURTO RESIDENCIAL C/ ARROMBAMENTO
Não%
Sim%
N
Total
Feminino
93.9
6.1
39
100.0
Masculino
93.0
7.0
40
100.0
Total
93.5
6.5
79
100.0
A questão 1818 apurou a prevalência de casos de roubos em
residências, encontrando, para 1.208 respostas válidas, o percentual de 2,3%
de vitimização (aproximadamente 4,8 mil casos), também sem diferenças
estatísticas significativas quanto ao perfil das vítimas, conforme demonstrado
no quadro 11:
Quadro 11:
Roubo residencial e sexo das vítimas
X18
SEXO
18
ROUBO RESIDENCIAL
Não%
Sim%
N
Total
Feminino
97.5
2.5
16
100.0
Masculino
97.9
2.1
12
100.0
Total
97.7
2.3
28
100.0
Nos últimos 12 meses, o senhor (sra.) foi vítima de ROUBO em sua residência? Ou seja,
alguém lhe tirou algo de dentro de sua casa mediante grave ameaça ou emprego de violência?
26
A questão 1919 mediu a prevalência do vandalismo entre os residentes,
oferecendo exemplos de atos de incivilidade urbana que trazem prejuízos
muitas vezes significativos para as vítimas. Para um total de 1.227 respostas
válidas, encontramos 225 respostas positivas para ocorrências do tipo nos 12
meses anteriores à pesquisa, o que perfaz o alto percentual de 18,3% de
vitimização (aproximadamente 38 mil casos), sem diferenças estatísticas
significativas para o perfil das vítimas, conforme disposto no quadro 12:
Quadro 12:
Vandalismo e sexo das vítimas
X19
SEXO
VANDALISMO
Não%
Sim%
N
Total
Feminino
81.3
18.7
122
100.0
Masculino
82.1
17.9
103
100.0
Total
81.7
18.3
225
100.0
A questão 2020 procurou identificar a prevalência para casos de
importunação do sossego público. O tema, que tem sido tradicionalmente
menosprezado em suas repercussões sobre os indicadores de violência no
Brasil, está correlacionado a muitas das dinâmicas conflituosas entre vizinhos
que, não raras vezes, evoluem para atos de violência. No mais, expressam
19
Nos últimos 12 meses, o sr. (sra.) foi vítima de algum caso de VANDALISMO em sua
residência? (destruição ou danos impostos à casa como, por exemplo, pichação do muro,
vidraça quebrada propositalmente, caixa de lixo quebrada propositalmente, portão danificado,
telha quebrada propositalmente, etc...)
20
Nos últimos 12 meses, o Sr. (Sra.) foi IMPORTUNADO em sua residência por alguém que
ouvia música com o som muito alto, ou que fazia arruaça na rua?
27
problemas que degradam a qualidade de vida nos centros urbanos e que
demandam políticas públicas específicas de caráter civilizatório. A pesquisa
confirmou a importância do tema, encontrando um percentual de 26,5% dos
residentes atingidos, ou, aproximadamente 55 mil casos (320 respostas
positivas em um universo de 1.227), sem diferenças estatísticas significativas
entre eles, como dispõe o quadro 13:
Quadro 13:
Importunação do sossego e sexo dos atingidos
X20
IMPORTUNAÇÃO DO SOSSEGO
SEXO
Não%
Sim%
N
Total
Feminino
71.9
28.1
181
100.0
Masculino
75.4
24.6
139
100.0
Total
73.5
26.5
320
100.0
A questão 2121 procurou medir a prevalência de um tipo de delito que
tem sido muito comum e sobre o qual ainda não dispomos de estudos
específicos: os chamados delitos praticados pelo telefone e que, quase
sempre, envolvem a simulação de seqüestro de um familiar da vítima. Para
1232 respostas válidas, encontramos 191 respostas positivas, o que assinala o
surpreendente percentual de 15,5% de vitimização (aproximadamente 32,6 mil
pessoas), sem distinção estatisticamente significativa para sexo das vítimas
(conforme se observa nos quadros 14), nem para idade das vítimas.
21
Nos últimos 12 meses o Sr. (Sra.) foi alvo de algum crime (ou tentativa) praticado PELO
TELEFONE?
28
Quadro 14:.
Crimes pelo telefone e sexo das vítimas
X21
DELITOS PELO TELEFONE
SEXO
Não%
Sim%
N
Total
Feminino
86.1
13.9
91
100.0
Masculino
82.6
17.4
100
100.0
Total
84.5
15.5
191
100.0
Para este tipo de crime, entretanto, há duas diferenças estatísticas
significativas no perfil das vítimas quanto à etnia e quanto à escolaridade,
conforme se observa, respectivamente, nos quadros 15 e 16. Brancos e
pardos são muito mais vitimados neste delito (P= 0.007) quando comparados
com os respondentes negros. Por outro lado, o mesmo tipo de crime varia em
correlação direta com o aumento da escolaridade (P= 0.005).
Quadro 15:
Crimes pelo telefone e etnia das vítimas
X21
DELITOS PELO TELEFONE
ETNIA
Não%
Sim%
N
Total
Branco(a)
83.3
16.7
169
100.0
Negro(a)
92.8
7.2
10
100.0
Pardo(a)
84.3
15.7
11
100.0
Total
84.4
15.6
190
100.0
29
Quadro 16:
Crimes pelo telefone e escolaridade das vítimas
X21
DELITOS PELO TELEFONE
ESCOLARIDADE Não%
Sim%
Total
Fundam compl
81.6
18.4
100.0
Fundame incomple
90.5
9.5
100.0
19.9
100.0
80.1
Média completa
Média incompleta
87.7
12.3
100.0
Pós-graduação
75.0
25.0
100.0
Universitária completa
82.3
17.7
100.0
Universitária incompleta
84.2
15.8
100.0
Total
84.7
15.3
100.0
A questão nº 2222 procurou medir a prevalência das violações aos
direitos do consumidor na cidade de Canoas. Para um total de 1.246 respostas
válidas, encontramos 229 respostas positivas, o que perfaz o expressivo
percentual
de
18,37%
(ou
38,6
mil
pessoas).
Não
há
diferenças
estatisticamente significativas para o sexo das vítimas (quadro 17), nem para
etnia. A escolaridade das vítimas, entretanto, volta a ser uma diferença muito
expressiva (quadro 18), variando em relação direta com a vitimização (P=
0.0000001).
22
Nos últimos 12 meses, o Sr. (Sra.) julga que foi enganado ou lesado nos seus DIREITOS
DE CONSUMIDOR?
30
Quadro 17:
Violação dos direitos do consumidor e sexo das vítimas
X22
DIREITOS DO CONSUMIDOR
N
Total
19.9
132
100.0
83.3
16.7
97
100.0
81.6
18.4
229
100.0
SEXO
Não%
Sim%
Feminino
80.1
Masculino
Total
Quadro 18:
Violação dos direitos do consumidor e escolaridade
X22
DIREITOS DO CONSUMIDOR
ESCOLARIDADE
Não%
Sim%
Total
Fundam comp
87.3
12.7
100.0
Fundam incompl
90.1
9.9
100.0
Média completa
73.6
26.4
100.0
Média incompleta
86.4
13.6
100.0
Pós-graduação
77.8
22.2
100.0
Univ. completa
74.6
25.4
100.0
Univ. incompleta
68.3
31.7
100.0
Total
82.0
18.0
100.0
A questão 2323 destacou o tema da ofensa grave, encontrando em
1230 respostas válidas, 123 respostas positivas, o que perfaz exatos 10% de
23
Nos últimos 12 meses, o Sr. (Sra.) julga que foi OFENDIDO (A) GRAVEMENTE por
alguém?
31
vitimização (aproximadamente 21 mil pessoas) entre os residentes, sem
diferenças estatísticas significativas entre as vítimas (quadro 19).
Quadro 19:
Ofensa e sexo das vítimas
X23
OFENSA
SEXO
Não
Sim
N
Total
Feminino
88.6
11.4
75
100.0
Masculino
91.6
8.4
48
100.0
Total
90.0
10.0
123
100.0
A questão 2424 separou o tema da vitimização por ameaça grave,
encontrando, em 1.174 respostas válidas, um total de 5,6% de vitimização
(ou 11,7 mil pessoas), sem diferença significativa entre os sexos (quadro 20)
e entre etnia, escolaridade ou renda.
Observou-se, entretanto, grande
diferença estatística (P= 0.000201) para a variável idade, como se
demonstra no quadro 21.
24
Nos últimos 12 meses, o Sr. (Sra.) julga que foi AMEAÇADO (A) GRAVEMENTE por
alguém?
32
Quadro 20:
Grave ameaça e sexo das vítimas
X24
GRAVE
Sexo
Feminino%
AMEAÇA
Masculino%
N
Total
Não
94.8
93.9
1.108
94.4
Sim
5.2
6.1
66
5.6
Total
100.0
100.0
1.174
100.0
Quadro 21:
Grave ameaça e idade das vítimas
X24
GRAVE AMEAÇA
IDADE
Não%
Sim%
Total%
De 18 a 21 anos
7.9
7.2
7.9
De 22 a 26 anos
9.6
4.3
9.3
De 27 a 35 anos
12.9
29.0
13.8
De 35 a 45 anos
19.9
31.9
20.6
De 45 a 55 anos
20.7
7.2
20.0
De 55 a 65 anos
16.8
15.9
16.7
De 65 a 75 anos
6.0
1.4
5.8
Mais de 70 anos
6.2
2.9
6.0
100.0
100.0
Total
100.0
Já a questão 2525 tratou das o ocorrências que envolveram agressão
25
Nos últimos 12 meses, o Sr. (Sra.) foi foi vítima de AGRESSÃO FÍSICA?
33
física. Para um total de 1.232 respostas válidas, tivemos 53 respostas
positivas, o que perfaz percentual de 4,3% de vitimização (aproximadamente 9
mil pessoas), sem diferenças significativas quanto ao sexo, conforme disposto
no quadro 22.
Quadro 22:
Agressão física e sexo das vítimas
X25
AGRESSÃO
SEXO
Não%
Feminino
FÍSICA
Sim%
N
Total
96.2
3.8
25
100.0
Masculino
95.2
4.8
28
100.0
Total
95.7
4.3
53
100.0
A idade aparece, não obstante, como fator diferencial muito relevante
entre as vítimas (P= 0.0001). Os adultos jovens, como se observa no quadro
23, são muito mais frequentemente agredidos.
34
Quadro 23:
Agressão física e idade das vítimas
X25
AGRESSÃO FÍSICA
IDADE
Não%
Sim%
N
Total
De 18 a 21 anos
89.4
10.6
10
100.0
De 22 a 26 anos
93.6
6.4
7
100.0
De 27 a 35 anos
91.4
8.6
15
100.0
De 35 a 45 anos
95.8
4.2
11
100.0
De 45 a 55 anos
98.0
2.0
5
De 55 a 65 anos
98.6
1.4
3
100.0
De 65 a 75 anos
98.7
1.3
1
100.0
Mais de 70 anos
98.7
1.3
1
100.0
Total
95.8
4.2
53
100.0
100.0
Outro forte fator correlacionado à vitimização por agressão física é a
etnia das vítimas. Conforme se observa no quadro 24, os pardos são muito
mais frequentemente agredidos quando comparados com brancos e negros
(P= 0.001).
Quadro 24:
Agressão física e etnia das vítimas
X25
AGRESSÃO FÍSICA
ETNIA
Não%
Sim%
Total
Branco(a)
96.3
3.7
100.0
Negro(a)
95.8
4.2
100.0
Pardo(a)
87.3
12.7
100.0
Total
95.7
4.3
100.0
35
A questão 2626 tratou dos delitos de agressão sexual. Para 1.241
respostas, encontramos apenas 8 relatos positivos, o que assinala
percentual de 0,64% (quadro 25), aproximadamente 1,3 mil pessoas. Estes
números situam-se bem abaixo dos percentuais normalmente encontrados
em perguntas do tipo já realizadas em pesquisas de vitimização no Brasil e
no exterior, o que assinala a possibilidade de encobrimento da circunstância
de vitimização pelos respondentes. Não há como identificar as razões da
baixa prevalência para este tipo de crime, mas é provável que os
respondentes não tenham se sentido à vontade para o relato por ausência
de confiança no compromisso de anonimato assegurado pelos (as)
pesquisadores (as). Neste caso, a providência adotada de não permitir que
pesquisadores homens perguntassem às residentes mulheres se revelou
insuficiente. De qualquer forma, tudo indica que a vitimização por agressão
sexual se concentra entre jovens adultas. Das 7 mulheres que responderem
positivamente à questão, 5 tinham entre 18 e 21 anos.
Quadro 25:
Agressão sexual e sexo das vítimas
X26
26
AGRESSÃO SEXUAL
SEXO
Não
Sim
N
Total
Feminino
99.0
1.0
7
100.0
Masculino
99.8
0.2
1
100.0
Total
99.4
0.6
8
100.0
Nos últimos 12 meses, o Sr (Sra.) foi vítima de AGRESSÃO SEXUAL? (estupro ou
tentativa, atentado violento ao pudor ou tentativa, carícia forçada e não autorizada ou tentativa
mediante emprego da força ou grave ameaça)
36
A questão 2727 procurou medir a dimensão do tráfico de drogas em
Canoas. 40,3% dos residentes (aproximadamente 85 mil pessoas) relataram
ter testemunhado a prática do delito nos 12 meses anteriores. Como seria de
se esperar, a diferença estatística significativa entre as testemunhas é o fator
idade (P< 0.0000001), conforme se percebe no quadro 26.
Quadro 26:
Testemunhas do tráfico e idade
X27
IDADE
TESTEMUNHAR VENDA DE DROGAS
Não%
Sim%
N
Total
De 18 a 21 anos
50.0
50.0
47
100.0
De 22 a 26 anos
40.7
59.3
70
100.0
De 27 a 35 anos
50.3
49.7
88
100.0
De 35 a 45 anos
56.9
43.1
115
100.0
De 45 a 55 anos
64.8
35.2
90
100.0
De 55 a 65 anos
62.6
37.4
80
100.0
De 65 a 75 anos
84.6
15.4
12
100.0
Mais de 70 anos
81.3
18.7
14
100.0
40.3
516
100.0
Total
59.7
Há, ainda, uma diferença estatística significativa entre as testemunhas
relativa à escolarização (P= 0.00002). Os residentes que estão cursando o
nível médio e o ensino superior testemunham muito mais frequentemente o
tráfico (quadro 27), como seria de se esperar pela correlação indireta para
idade.
27
Nos últimos 12 meses, o Sr. (Sra.) viu alguém VENDENDO algum tipo de DROGA ILEGAL
em Canoas?
37
Quadro 27:
Testemunhas do tráfico e escolarização
X27
TESTEMUNHAR VENDA DE DROGAS
ESCOLARIDADE
Não%
Sim%
Total
Fundam compl
59.5
40.5
100.0
Fundam incompl
66.9
33.1
100.0
Média completa
55.9
44.1
100.0
Média incompleta
50.6
49.4
100.0
Pós-graduação
87.5
12.5
100.0
Univ. completa
78.3
21.7
100.0
Univ. incompleta
49.0
51.0
100.0
Total
59.7
40.3
100.0
Outra diferença significativa (P=0.0034) quanto à experiência de
testemunhar a venda de drogas diz respeito à renda dos respondentes. Os
mais pobres testemunham muito mais vezes este tipo de delito. Para 488
respostas válidas (pessoas que relataram terem testemunhado a venda,
algumas das quais duas, três ou mais vezes), encontramos que os residentes
situados nas faixas situadas entre 0 e 5 salários possuem a experiência
cotidiana de testemunhar venda de drogas ilegais conforme se vê no quadro
28.
38
Quadro 28:
Testemunhas venda de drogas - local e renda
X27c
TESTEMUNHAR VENDA DE DROGAS
SEM
<1
1-2
2-5
5- 10 10-20 20-40 + 40
Bar
0
2
10
9
0
0
0
0
21
Danc.
0
0
0
0
2
0
0
0
2
Escola
1
1
0
1
0
0
0
0
3
Praça
6
3
15
10
2
0
0
0
36
Resid.
11
6
20
71
3
1
0
0
48
Na rua
45
66
174
675
15
1
371
Outro
1
2
4
0
0
0
0
0
7
Total
64
80
223
944
22
3
1
1
488
2
1
Total
Quanto aos locais onde os residentes testemunharam a venda de
drogas, 75,5% dos casos relatados dizem respeito às ruas de Canoas, 9,6%
das respostas positivas testemunharam o tráfico em residências, 8% em
praças, 4,2% em bares, 0,6% nas escolas e 0,4% em danceterias, conforme
disposto no quadro 29.
39
Quadro 29:
Testemunhas venda de drogas - local e escolaridade
X27c
LOCAL DA VENDA DROGAS
ESCOLARIDADE
bar%
dance% escola% praça%
Fund comp
1.1
0.0
Fund incomp
4.3
0.0
0.9
Média comp
7.5
0.0
0.0
Média incomp
1.2
0.0
0.0
6.0
10.8
81.9
100.0
Pós-graduação
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
100.0
100.0
Univ. completa
0.0
0.0
0.0
0.0
0.0
100.0
100.0
Univ. incompleta
6.0
4.0
2.0
20.0
4.0
64.0
Total
4.2
0.4
1.1
0.6
rua%
Total%
7.8
75.6
100.0
5.2
12.2
77.4
100.0
6.8
10.9
72.1
100.0
10.0
8.0
resid%
9.6
75.5
100.0
100.0
A questão 2828 tratou do tema da discriminação, encontrando, para um
total de 1.237 respondentes, o percentual de 7,7% de vitimização entre os
residentes (aproximadamente 16 mil pessoas), entre os mais variados motivos,
como de pode ver no quadro 30. Mulheres são mais discriminadas que
homens, sendo a diferença estatisticamente significativa (P=0,043).
28
Nos últimos 12 meses, o Sr. (Sra.) sentiu-se, em algum momento, vítima de
DISCRIMINAÇÃO em Canoas?
40
Quadro 30:
Discriminação e sexo das vítimas
X28
SEXO
DISCRIMINAÇÃO
Feminino% Masculino% Total%
Não
90.9
94.0
92.3
Sim
9.1
6.0
7.7
Total
100.0
100.0
100.0
Entre as pessoas que foram vítimas de discriminação, se evidenciou o
fenômeno da múltipla vitimização, com maior incidência entre os homens
(diferença significativa de P= 0,003), conforme se vê no quadro 31.
Quadro 31:
Discriminação múltipla e sexo das vítimas
28 a
Sexo
DISCRIMINAÇÃO REPETIDA
Feminino%
Masculino%
Total%
Duas vezes
20.0
20.0
20.0
Mais de três vezes
36.7
71.4
49.5
Três vezes
3.3
0.0
2.1
40.0
8.6
28.4
100.0
100.0
100.0
Uma vez
Total
41
Ainda sobre a múltipla vitimização, um apanhado sobre os motivos da
discriminação evidencia as circunstâncias mais comuns e suas repetições,
conforme se observa no quadro 32.
Quadro 32:
Motivos da discriminação e múltipla vitimizaçâo
DISCRIMINAÇÃO
Cumulative
X 28 e
Cumulative
Graph of
Count
Count
Percent
Percent
Percent
12
12
10.81
10.81
||||
Homofobia
2
14
1.80
12.61
|
Machismo
3
17
2.70
15.32
|
Outro motivo
21
38
18.92
34.23
|||||||
Política
5
43
4.50
38.74
|
Doença, def. fís.
6
49
5.41
44.14
||
Racismo
18
67
16.22
60.36
||||||
Religião
10
77
9.01
69.37
|||
Sit. econômica
34
111
Escolaridade
30.63
100.00
||||||||||||
IV- Estimativa de subnotificação de crimes contra adultos em Canoas
Com este conjunto de dados desagregados por tipos de vitimização, é
possível se estimar as taxas de subnotificação. Há duas maneiras de se chegar
a esta estimativa: a) comparando-se os percentuais de vitimização relatados
42
com os registros policiais para cada crime no mesmo período de tempo e b)
com o processamento das próprias respostas das vítimas para os itens do
questionário que trataram do tema. O ideal seria mesmo se percorrer os dois
caminhos. Em nosso caso, entretanto, apenas o segundo será trilhado por
razões de ordem metodológica. Ocorre que a aplicação dos questionários em
um período relativamente longo de tempo impede a identificação exata dos
períodos equivalentes de comparação com os registros policiais. Em segundo
lugar, os delitos que foram objeto de questionamento nem sempre coincidem
com as formas de registro criminal observadas pelas polícias.
Para os casos de furto de veículo, encontramos o elevado percentual de
18,9% de subnotificação. Em que pese a diferença nos percentuais entre os
sexos mostradas no quadro 33, não há significância estatística para esta
variável.
Quadro 33:
Registros de furtos de veículo e sexo das vítimas
REGISTROS DE FURTOS DE VEÍCULOS
11 a
Feminino%
Masculino%
Total%
Não
30.4
10.0
18.9
Sim
69.6
90.0
81.1
Total
100.0
100.0
100.0
A subnotificação para roubo de veículos alcançou o surpreendente
percentual de 27%, também sem diferenças estatísticas significativas entre os
sexos, como se vê no quadro 34. Assinale-se que furto e roubo de veículos
estão, tradicionalmente, entre os crimes mais registrados nas polícias.
43
Quadro 34:
Registros de roubos de veículo e sexo das vítimas
X 12 a
SEXO
REGISTRO DE ROUBOS DE VEÍCULOS
Feminino% Masculino%
Total%
Não
30.8
25.0
27.0
Sim
69.2
75.0
73.0
Total
100.0
100.0
100.0
Como seria de se esperar, a subnotificação para furtos em veículos
(acessórios e bens) chega a 61,8%, sem diferenças estatisticamente
significativas para os sexos, como disposto no quadro 35.
Quadro 35:
Registros de furtos em veículos e sexo das vítimas
X 13ª
REGISTRO FURTOS EM VEÍCULOS
Feminino%
Masculino%
Total%
Não
55.0
64.6
61.8
Sim
45.0
35.4
38.2
Total
100.0
100.0
100.0
Quanto aos furtos de rua, encontramos um percentual de subnotificação
de 62,3%, sem diferença estatisticamente significativa para os sexos, como se
vê no quadro 36.
44
Quadro 36:
Registro de furtos de rua e sexo das vítimas
X 14b
SEXO
REGISTRO DE FURTOS DE RUA
Feminino%
Masculino%
Total%
Não
58.7
69.6
62.3
Sim
41.3
30.4
37.7
100.0
100.0
Total
100.0
A pesquisa encontrou o percentual de 43,5% de subnotificação para
roubos de rua, também sem diferenças estatisticamente significativas para os
sexos, como se vê no quadro 37.
Quadro 37:
Registro de roubos de rua e sexo das vítimas
X 15b
SEXO
REGISTROS DE ROUBO DE RUA
Feminino%
Masculino%
Total%
Não
44.7
41.9
43.5
Sim
55.3
58.1
56.5
Total
100.0
100.0
100.0
Para furtos simples ocorridos nas residências, a pesquisa encontrou o
percentual de subnotificação de 79,3%. Apesar das diferenças entre os sexos
mostradas no quadro 38, elas não foram estatisticamente significativas.
45
Quadro 38:
Registro de furtos simples em residências e sexo das vítimas
X 16b
REGISTRO DE FURTOS SIMPLES EM RESIDÊNCIA
SEXO
Feminino%
Masculino%
Total%
Não
79.6
79.1
79.3
Sim
20.4
20.9
20.7
Total
100.0
100.0
100.0
Para furtos qualificados pelo arrombamento, encontramos 56,4% de
subnotificação, também sem diferenças significativas estatisticamente para os
sexos como se vê no quadro 39.
Quadro 39:
Registro de furtos com arrombamento e sexo das vítimas
REGISTRO DE FURTOS COM ARROMBAMENTO
SEXO
Feminino%
Masculino%
Total%
Não
55.3
57.5
56.4
Sim
44.7
42.5
43.6
Total
100.0
100.0
100.0
X 17b
46
Quase o mesmo percentual, 56%, de subnotificação foi encontrado
para casos de roubos, também sem diferenças estatísticas consideráveis para
sexo, tal como mostra o quadro 40:
Quadro 40:
Registro de roubos em residência e sexo das vítimas
X 18b
REGISTRO DE ROUBOS EM RESIDÊNCIA
SEXO
Feminino%
Masculino%
Total%
Não
57.1
54.5
56.0
Sim
42.9
45.5
44.0
Total
100.0
100.0
100.0
Para os delitos de vandalismo ocorridos em residências, encontramos o
percentual de subnotificação de 91,8%, também sem diferenças estatísticas
significativas, como se vê no quadro 41.
Quadro 41:
Registro de vandalismo em residências e sexo das vítimas
REGISTRO DE VANDALISMOS EM RESIDÊNCIA
SEXO
Feminino%
Masculino%
Total%
Não
91.7
92.0
91.8
Sim
8.3
8.0
8.2
Total
100.0
100.0
100.0
47
Para as situações de perturbação do sossego, a pesquisa encontrou o
percentual de 92,2% de sunotificação, sem diferenças estatísticas importantes,
como disposto no quadro 42.
Quadro 42:
Registros para importunação e sexo dos atingidos
X 20b
SEXO
REGISTRO DE PERTURBAÇÃO DO SOSSEGO
Feminino%
Masculino%
Total%
Não
92.4
91.9
92.2
Sim
7.6
8.1
7.8
100.0
100.0
100.0
Total
Percentual semelhante de subnotificação, 93,7% foi encontrado para os
casos de crimes tentados ou consumados através do telefone, como se
observa no quadro 43. As diferenças estatísticas entre os sexos das vítimas
não são significativas.
Quadro 43:
Registro crimes ao telefone
REG. CRIMES TENTADOS OU CONSUMADOS PELO TELEFONE
SEXO
Feminino%
Masculino%
Total%
Não
95.6
91.9
93.7
Sim
4.4
8.1
6.3
100.0
100.0
100.0
Total
48
Estes dados sobre subnotificação revelam o fenômeno que, desde há
muito, é conhecido: a maioria das vítimas não registra as ocorrências. A
chamada “Cifra Obscura” (dark rate) em Canoas, de qualquer modo, é muito
alta e merece a devida atenção. A pesquisa identificou, claramente, entre os
motivos da subnotificação, a descrença das vítimas quanto à eficácia do
procedimento de efetuar o registro.
Entre as alternativas oferecidas aos
entrevistados que responderam não ter efetuado o registro do delito que os
atingiu, a opção “não ia dar em nada mesmo” foi, de longe, a mais escolhida.
Com exceção dos casos de roubo de veículo, vitimização por agressão sexual,
grave ameaça e agressão física nos quais a opção “teve medo de represálias”
aparece com maior ou igual importância à descrença na efetividade do registro,
os demais casos de vitimização deixam de ser registrados no município,
porque as vítimas consideram que estarão apenas perdendo seu tempo se
forem à Delegacia.
A diferença sensível para os casos de agressão sexual, grave ameaça e
agressão física se explica pelo fato das vítimas conhecerem os autores. No
caso de roubo de veículo, embora a vítima não conheça, como regra, o autor,
teve com ele um contato direto que permite, com freqüência, sua identificação.
Esta circunstância faz com que 37,5% das pessoas que não registraram roubo
de veículo; 30,4% das que não registraram grave ameaça, 33,3% das que não
registraram agressão física e 60% das que não registraram vitimização sexual
tenham escolhido a alternativa “teve medo de represálias”. Mas mesmo para
os casos de grave ameaça e agressão física, a alternativa “não ia dar em nada
mesmo” alcançou, respectivamente, 39,1 e 36,1% das respostas.
Entre as vítimas que não efetuaram o registro, a alternativa “não ia dar
em nada mesmo” foi escolhida por 70% dos que tiveram seu carro furtado; por
12,5% dos que tiveram seu carro roubado; por 65,7% das que tiveram bem
furtado de dentro do carro; por 62,4% das que foram furtadas na rua; por
78,8% das que foram roubadas na rua; por 66,4% das que foram vítimas de
furto simples na residência; por 62,8% das que foram vítimas de furtos
mediante arrombamento de suas casas; por 66,7% das que foram roubadas
em casa; por 71,7% das que tiveram suas casas atingidas por atos de
vandalismo; por 51% das que foram discriminadas; por 59,7% das que foram
49
vítimas por crimes ao telefone; por 55,6% das que foram atingidas em seus
direitos de consumidor e por 55,1% dos que foram importunados em seu
sossego.
Alguém poderia interpretar este resultado como sinal de uma descrença
geral
nos
mecanismos
persecutórios,
o
que
incluiria
uma
visão
necessariamente negativa a respeito das leis penais e da atuação do Poder
Judiciário e do Ministério Público.
É possível que exista um determinado
“desencanto” com o papel desempenhado mais amplamente pelo Estado no
que se refere ao crime e à violência e que isto se reflita na decisão das vítimas
de não efetuar o registro policial.
Um exame mais atento das alternativas
selecionadas pelas vítimas e os próprios dados colhidos pela pesquisa a
respeito da avaliação dos residentes sobre as polícias estaduais, entretanto,
sugere outra conclusão.
As evidências colhidas autorizam plenamente a hipótese de que o
motivo fundamental pelo qual as vítimas não procuram as polícias para relatar
o que lhes ocorreu é o de que elas partem do princípio de que as polícias serão
incapazes de resolver o problema. Os dados que reforçam esta conclusão
serão apresentados mais adiante.
V – Opiniões, preconceitos e valores de adesão à violência entre os
adultos residentes em Canoas
A terceira parte do questionário para adultos propôs questões
específicas para colher a opinião dos residentes, incluindo perguntas polêmicas
que permitem identificar preconceitos e valores que sugerem adesão à
violência. A primeira destas perguntas foi a 2929, seguida pelas questões 3030 e
29
Diante da seguinte frase: “Muitas vezes, é preciso que os pais batam nos seus filhos para
que eles aprendam o caminho correto e não percam o respeito”, o Sr. (Sra):
50
3131, todas com alternativas do tipo “concorda plenamente, concorda em parte,
discorda em parte e discorda totalmente” que medem o grau de adesão a um
determinado valor.
Os resultados encontrados não deixam de ser surpreendentes: a
maioria dos respondentes (53,5%) concorda (integralmente ou em parte) com a
ideia de que é preciso bater nos filhos para assegurar seu respeito. Apenas
35,9% dos entrevistados discordam totalmente desta assertiva que legitima a
violência de adultos contra crianças. 33,8% dos respondentes concordam no
todo ou em parte com a ideia homofóbica de que os homossexuais são
“doentes” ou “pessoas sem vergonha na cara” e 17,3% concorda, total ou
parcialmente, com a afirmação de que “há mais criminosos negros no Brasil do
que brancos”. Os percentuais gerais para estas perguntas estão nos quadros
44,45 e 46.
Quadro 44:
Bater nos filhos e sexo dos respondentes
X 29
SEXO
BATER NOS FILHOS
Feminino%
Masculino%
Total%
Concorda em parte
42.5
36.2
39.6
Concorda plenamente
13.5
14.3
13.9
9.2
12.3
10.7
Discorda totalmente
34.8
37.2
35.9
Total
100.0
100.0
100.0
Discorda em parte
30
Diante da seguinte frase: “ Os homossexuais são doentes que precisariam se tratar ou,
então, são pessoas que não têm vergonha na cara”, o Sr. (Sra.):
31
Diante da seguinte frase: “Há mais criminosos entre os negros que entre os brancos”, o Sr. a
(Sra.):
51
Quadro 45:
Opinião sobre homossexuais e sexo dos respondentes
X 30
HOMOSSEXUAIS SÃO “DOENTES”
SEXO
Feminino%
Masculino%
Total%
19.0
26.7
22.6
9.1
13.5
11.2
Discorda em parte
10.5
15.7
13.0
Discorda totalmente
61.5
44.1
53.2
Total
100.0
100.0
100.0
Concorda em parte
Concorda plenamente
Quadro 46:
Opinião sobre preponderância de negros entre criminosos
X 31
SEXO
NEGROS COMETEM MAIS CRIMES
Feminino%
Masculino%
Total%
11.1
13.7
12.3
4.0
6.0
5.0
8.4
9.3
8.8
Discorda totalmente
76.5
71.0
74.0
Total
100.0
100.0
100.0
Concorda em parte
Concorda plenamente
Discorda em parte
Há uma importante diferença estatística (P= 0,009) para escolaridade
dos respondentes quanto à pergunta 29 (bater nos filhos). Quanto menor a
52
escolarização, maior a concordância com a prática das punições físicas contra
as crianças, como se observa no quadro 47.
Quadro 47:
Opinião sobre bater nos filhos e escolaridade
X 29
ESCOLARIDADE
BATER NOS FILHOS
Conc.parte
Conc.plena
Disc.parte Disc.total
Total
Fund. incomp
38.2
20.3
7.9
33.6
100.0
Fundamental
41.8
13.4
10.8
34.1
100.0
Média incomp.
44.1
12.9
10.0
32.9
100.0
Média comp.
38.3
10.6
11.1
40.0
100.0
Univers. Incomp.
39.0
9.5
18.1
33.3
100.0
Univers. Comp.
38.7
8.1
11.3
41.9
100.0
Pós-graduação
33.3
0.0
0.0
66.7
100.0
Total
39.7
13.9
10.5
35.9
100.0
Com relação à questão 30 (homossexuais), o que se percebe é uma
diferença estatística muito expressiva entre os sexos (P<0,000001). Os
homens são muito mais preconceituosos contra os homossexuais que as
mulheres. A diferença para escolarização também aparece neste ponto e é
significativa (P<0,000001): menos anos de estudo significa, em regra, mais
homofobia, como se vê no quadro 48.
53
Quadro 48:
Opinião sobre homossexuais e escolaridade
X 30
ESCOLARIDADE
HOMOSSEXUAIS SÃO “DOENTES”
Conc.parte Conc.plena
Disc.parte Disc.total Total
Fund. incomp
26.2
18.4
9.8
45.5
100.0
Fundamental
23.7
13.4
15.1
47.8
100.0
Média incomp.
19.4
6.3
13.1
61.3
100,0
Média comp.
24.5
6.7
11.7
57.1
100.0
Univers. Incomp.
16.2
7.6
13.3
62.9
100,0
Univers. Comp.
8.3
6.7
21.7
63.3
100.0
Pós-graduação
11.1
0.0
44.4
44.4
100,0
Total
22.6
11.1
12.8
53.4
100.0
O preconceito de natureza homofóbica se concentra mais entre as
pessoas de mais idade. A diferença é significativa (P= 0.000001), como se vê
no quadro 49:
54
Quadro 49:
Opinião sobre homossexuais e idade
X30
IDADE
HOMOSSEXUAIS SÃO “DOENTES”
Conc.parte Conc.plena
Disc.parte
Disc.total
Total
18 a 21 anos
14.7
10.5
9.5
65.3
100.0
22 a 26 anos
16.5
7.0
11.3
65.2
100.0
27 a 35 anos
21.4
5.8
9.2
63.6
100.0
35 a 45 anos
22.3
12.0
13.5
52.2
100.0
45 a 55 anos
20.4
10.2
17.1
52.2
100.0
55 a 65 anos
30.2
10.4
13.2
46.2
100.0
65 a 75 anos
28.9
14.5
11.8
44.7
100.0
+ de 70 anos
25.7
30.0
11.4
32.9
100.0
Total
22.6
11.1
12.9
53.4
100.0
Por fim, sobre a questão 31 (negros e criminalidade), a única diferença
estatisticamente significativa encontrada foi, como seria de se esperar, a etnia
(P= 0.011). Os negros respondentes concordam muito menos com a ideia
preconceituosa de que a maior parte dos criminosos é composta por negros.
Não deixa de chamar a atenção, de qualquer maneira, os percentuais de 7,9 %
de negros e de 20,5% de pardos que manifestaram concordância (total ou
parcial) com a ideia, conforme se observa no quadro 50:
55
Quadro 50:
Opinião sobre preponderância de negros entre criminosos
X 31
NEGROS COMETEM MAIS CRIMES
ETNIA
Brancos%
Negros%
Pardos%
Total%
12.2
7.2
13.7
11.8
Concorda plenamente
5.5
0.7
6.8
5.1
Discorda em parte
9.1
4.3
11.0
8.7
73.1
87.7
68.5
74.4
100.0
100.0
100.0
100.0
Concorda em parte
Discorda totalmente
Total
A pesquisa procurou conhecer as opiniões dos residentes sobre as
polícias civil e militar. A questão 32 ofereceu três alternativas de percepção da
população sobre a eficiência da Polícia Civil, encontrando, em 1.224
respondentes, um percentual de 64,5% que a consideram “pouco eficiente”,
sem diferenças significativas para sexo ou etnia. A soma deste resultado com o
percentual dos que consideram a Polícia Civil “nada eficiente” revela uma
desaprovação de 81%, conforme se observa no quadro 51.
Quadro 51:
Percepção da eficiência da Polícia Civil e sexo dos respondentes
X 32
SEXO
EFICIÊNCIA DA POLÍCIA CIVIL
Feminino%
Masculino%
Total%
Bastante eficiente
20.3
17.7
19.0
Nada eficiente
16.9
16.0
16.5
Pouco eficiente
62.8
66.3
64.5
100.0
100.0
100.0
Total
56
Os cruzamentos desta questão com o fator renda não apresentaram
novidades estatísticas, como se vê no quadro 52.
Quadro 52:
Percepção da eficiência da Polícia Civil e renda dos respondentes*
X 32
RENDA PESSOAL
EFICIÊNCIA DA POLÍCIA CIVIL
Bast.efic.% Nada efic.% Pouco efic.% Total%
Sem renda
14.6
19.4
66.0
100.0
Um sal. ou menos
25.6
14.0
60.3
100.0
1 e 2 sal.mín.
19.4
16.1
64.5
100.0
+ de 2 sal. até 5
18.2
14.2
67.6
100.0
+ de 5 sal. até 10
6.7
25.0
68.3
100.0
*excluídas as faixas superiores de remuneração com N muito baixo
Quanto à percepção sobre a honestidade da Polícia Civil, encontramos
um percentual de 67,1% para “pouco honesta”, o que somado com a alternativa
“nada honesta” perfaz 80,5% de desaprovação, conforme se vê no quadro 53.
Quadro 53:
Percepção da honestidade da Polícia Civil e sexo dos respondentes
X 33
SEXO
HONESTIDADE DA POLÍCIA CIVIL
Bast hon.%
Nada hon.%
Pouco hon.% Total%
Feminino
20.4
12.7
66.9
100.0
Masculino
18.6
14.1
67.2
100.0
Total
19.6
13.4
67.1
100.0
57
No quesito que tratou da percepção sobre a violência policial,
encontramos que 61% dos respondentes avaliam que a Polícia Civil é “pouco
violenta”, o que assinala 76,6% de aprovação, conforme se observa no quadro
54.
Quadro 54:
Percepção sobre violência da Polícia Civil e sexo dos respondentes
X 34
SEXO
VIOLÊNCIA DA POLÍCIA CIVIL
Bast viol.%
Nada viol.% Pouco viol.%
Total%
Feminino
25.7
14.8
59.5
100.0
Masculino
20.8
15.2
64.0
100.0
Total
23.4
15.0
61.6
100.0
Para a Polícia Militar, encontramos um percentual de 60% de
respostas para “pouco eficiente”, o que somado às respostas para “nada
eficiente”, perfaz uma desaprovação de 77,8%. Há uma diferença estatística
significativa com relação ao sexo, sendo as mulheres mais críticas quanto à
PM, conforme se observa no quadro 55.
58
Quadro 55:
Percepção sobre eficiência da Polícia Militar e sexo dos respondentes
X35
EFICIÊNCIA DA POLÍCIA MILITAR
SEXO
Bast efic.%
Nada efic.%
Pouco efic.%
Total%
Feminino
19.4
20.4
60.2
100.0
Masculino
25.4
14.9
59.7
100.0
Total
22.2
17.8
60.0
100.0
Não se observou diferenças significativa para etnia, mas a renda dos
respondentes influi na avaliação (P= 0.0002), com a maior taxa de
desaprovação entre os respondentes sem renda pessoal, conforme se observa
no quadro 56.
Quadro 56:
Percepção de eficiência da Polícia Militar e renda dos respondentes*
X 35
EFICIÊNCIA DA POLÍCIA MILITAR
RENDA PESSOAL
Bast efic.% Nada efic.% Pouco efic.%
Total%
Sem renda
11.4
26.4
62.1
100.0
1 sal. ou menos
30.2
14.9
55.0
100.0
Entre 1 e 2 sal.mín.
19.3
20.9
59.8
100.0
+de 2 sal. até
27.1
11.2
61.6
100.0
+ de 5 sal. até 10
21.7
16.7
61.7
100.0
Total
22.4
17.9
59.7
100.0
*excluídas as faixas superiores de remuneração com N muito baixo.
59
No que tange à percepção sobre a honestidade da Polícia Militar,
encontramos percentual de 62,7% para “pouco honesta”, o que somado às
respostas para “nada honesta” alcança o percentual de desaprovação de
79,7%., conforme se observa no quadro 57.
Quadro 57:
Percepção da honestidade da Polícia militar e sexo dos respondentes
X 36
SEXO
HONESTIDADE DA POLÍCIA MILITAR
Bast hon.%
Nada hon.%
Pouco hon.%
Total%
Feminino
17.0
19.1
63.9
100.0
Masculino
24.0
14.6
61.3
100.0
Total
20.3
17.0
62.7
100.0
Foram observadas diferenças estatísticas significativas para sexo (P=
0,003)
e renda (P= 0.0008).
As mulheres possuem uma percepção mais
crítica quanto a este quesito e as maiores taxas de desaprovação se situam
entre os respondentes sem renda pessoal mensal (quadro 58).
60
Quadro 58:
Percepção de honestidade da Polícia Militar e renda dos respondentes*
X 36
EFICIÊNCIA DA POLÍCIA MILITAR
RENDA PESSOAL
Bast hon.%
Nada hon.%
Pouco hon.%
Total
Sem renda
12.6
21.7
65.7
100.0
1 sal. ou menos
25.5
19.2
55.2
100.0
1 e 2 salários mín.
16.8
20.0
63.3
100.0
+ de 2 sal. até 5
25.5
9.4
65.1
100.0
+ de 5 sal. até 10
19.6
12.5
67.9
100.0
Total
20.1
17.4
62.5
100.0
*excluídas as faixas superiores de remuneração com N muito baixo.
Não foram observadas diferenças estatísticas significativas quanto à a
percepção dos residentes para a violência da Polícia Militar quanto à etnia,
religião e escolaridade. Mas idade é importante (P>0,000001) como se vê no
quadro 59. As piores avaliações se situam entre os mais jovens. Os idosos
percebem a PM como menos violenta. Houve diferença estatística significativa,
também, para o sexo dos respondentes (P>0,015). As mulheres são mais
críticas quanto a este quesito como se percebe no quadro 60. No cômputo
geral, somadas as respostas “pouco violenta” e “nada violenta”, a PM alcançou
neste quesito taxa de aprovação de 63,2%.
61
Quadro 59:
Percepção quanto à violência e idade dos respondentes
X 37
VIOLÊNCIA DA POLÍCIA MILITAR
IDADE
Bast viol.%
Nada viol.%
De 18 a 21 anos
45.2
9.7
45.2
100.0
De 22 a 26 anos
52.1
8.4
39.5
100.0
De 27 a 35 anos
43.2
8.5
48.3
100.0
De 35 a 45 anos
41.7
50.4
100.0
De 45 a 55 anos
30.7
13.1
56.1
100.0
De 55 a 65 anos
33.8
12.1
54.1
100.0
De 65 a 75 anos
25.3
45.3
100.0
Mais de 70 anos
12.3
69.9
100.0
Total
37.0
7.9
29.3
17.8
11.7
Pouco viol.%
Total
51.2
100.0
Quadro 60:
Percepção quanto à violência e sexo dos respondentes
X 37
SEXO
VIOLÊNCIA DA POLÍCIA MILITAR
Bast viol.%
Nada viol.% Pouco viol.%
Total%
Feminino
40.5
11.3
48.2
100.0
Masculino
32.6
12.4
55.1
100.0
Total
36.8
11.8
51.4
100.0
62
A questão 3832 procurou saber se há um perfil preferencial de
abordagem de rua pelos policiais militares. A primeira diferença estatística
importante (P< 0.0000001) encontrada foi para o sexo dos abordados. Os
homens, como seria de se esperar, são muito mais abordados do que as
mulheres (Quadro 61).
Quadro 61:
Abordagens pela PM e sexo dos respondentes
X 38
ABORDAGENS DA POLÍCIA MILITAR
SEXO
Não%
Sim%
Total%
Feminino
92.5
7.5
100.0
Masculino
69.1
30.9
100.0
Total
81.6
18.4
100.0
A renda dos respondentes também foi uma variável importante (P<
0.0000001), mas não como se poderia esperar. Esta foi, entre todas, a variável
mais assimétrica. Os números sugerem que os PMs abordam mais
frequentemente pessoas situadas nas faixas entre 2 e 10 salários mínimos,
como se vê no quadro 62.
32
Nos últimos 12 meses, o Sr. (Sra.) foi abordado na rua e/ou revistado por policiais militares?
63
Quadro 62:
Abordagens pela PM e renda dos respondentes
X 38
ABORDAGENS DA POLÍCIA MILITAR*
RENDA PESSOAL
Não%
Sim%
Total%
Sem renda pessoal
91.7
8.3
100.0
1 salário ou menos
90.6
9.4
100.0
Entre 1 e 2 sal. mínimos
82.0
18.0
100.0
+ de 2 sal. até 5
71.3
28.7
100.0
+ de 5 sal. até 10
69.4
30.6
100.0
Total
81.8
18.2
100.0
*excluídas as faixas superiores de remuneração com N muito baixo.
A assimetria verificada na variável renda para abordagens pelos
PMs foi, entretanto, melhor definida quando examinamos as respostas para
o número de vezes que os respondentes foram abordados nos 12 meses
anteriores.
Nestas
respostas,
também
se
encontrou
um
efeito
estatisticamente significativo para renda (P=0,03), demontrando que as
pessoas situadas nas faixas entre 1 e 5 salários mínimos são abordadas
repetidas vezes, mais do que as situadas nas demais faixas, como disposto
no quadro 63.
64
Quadro 63:
Abordagens repetidas pela PM e renda dos respondentes
X 38 a
Nº DE ABORDAGENS DA POLÍCIA MILITAR*
X8
Uma vez%
2 vezes%
3vezes% + de 3 vezes%
Total%
Sem renda pessoal
58,3
16.7
8,3
16.7
100.0
1 sal. ou menos
62,5
8.3
12,5
16.7
100.0
Entre 1 e 2 sal. Mín.
30,0
25.6
10,0
34.4
100.0
+ de 2 até 5 sal.
30,3
36.8
14,5
18.4
100.0
+ de 5 sal. até 10
36,8
21.1
21,1
21.1
100.0
Total
35,6
26.7
13,3
24.4
100.0
*excluídas as faixas superiores de remuneração com N muito baixo.
Os mais pobres são, também, os que mais se queixam de abordagens
violentas (questão 39), sendo a diferença para renda muito significativa (P=
0.000002), conforme se vê no quadro 64. Sexo, idade e etnia não foram
relevantes.
65
Quadro 64:
Percepção da atitude policial na abordagem e renda
X 39
NATUREZA DA ABORDAGEM DA POLÍCIA MILITAR*
RENDA_PESSOAL
corretos % agressivos% desrespeit%
Total%
Sem renda pessoal
41.7
16.7
41.7
100.0
1 sal. ou menos
62.5
16.7
20.8
100.0
Entre 1 e 2 sal. mín.
62.6
3.3
34.1
100.0
+ de 2 até 5 sal.
88.3
1.3
10.4
100.0
+de 5 sal. até 10
95.0
0.0
5.0
100.0
Total
71.6
4.8
23.6
100.0
*excluídas as faixas superiores de remuneração com N muito baixo.
A questão 4033 propôs o mesmo levantamento para perfil de
abordagens realizadas por policiais civis. Ao contrário da polícia militar não
há efeito da idade, escolaridade, mas negros e pardos são mais abordados
(p= 0.00005), conforme disposto no quadro 65:
33
Nos últimos 12 meses, o Sr. (Sra.) foi abordado na rua e/ou revistado por policiais civis?
66
Quadro 65:
Abordagens por PCs e etnia dos respondentes
X 40
ABORDAGENS DA POLÍCIA CIVIL
ETNIA
Não%
Sim%
Total%
Branco(a)
98.6
1.4
100.0
Negro(a)
93.2
6.8
100.0
Pardo(a)
92.3
7.7
100.0
Índio(a)
100.0
0.0
100.0
Total
97.6
2.4
100.0
Além disso há um óbvio efeito do sexo (P=0,03) dos abordados,
como disposto no quadro 66.
Quadro 66:
Abordagens por PCs e etnia dos respondentes
X 40
ABORDAGENS DA POLÍCIACIVIL
SEXO
Não%
Sim%
Feminino
98,4
1,6
100,0
Masculino
96,5
3,5
100,0
2,6
100,0
Total
97,4
Total%
67
Sobre múltiplas abordagens e queixas sobre violência não se verificou
qualquer diferença estatisticamente significativa para sexo, idade, renda e
etnia; o que, possivelmente, seja explicado para o N pequeno (abordagens de
policiais civis são muito menos freqüentes)
VI – Percentuais gerais de vitimização entre adolescentes residentes em
Canoas
No que diz respeito aos dados coletados sobre vitimização de
adolescentes em Canoas, encontramos o seguinte:
Para agressão sexual, somando-se as respostas às questões 13 e 18
(agressão sexual fora e dentro da escola) verificou-se, em 238 respostas
válidas, 6 respostas positivas, o que perfaz o percentual de 2,5% de
vitimização (quadro 67), ainda bastante abaixo dos indicadores conhecidos em
todo o mundo. Embora com menor incidência, repetiu-se aqui, provavelmente,
o mesmo fenômeno verificado quando das respostas a este tipo de questão
entre adultos.
Quadro : 67
Agressão sexual e sexo das vítimas
X13 e 18
AGRESSÃO SEXUAL
SEXO
Não
Sim
Total
%
Feminino
123
5
128
3,9
Masculino
115
1
116
0,9
Total
238
6
244
2,5
68
Já no que diz respeito à vitimização dos adolescentes por agressão
física sofrida fora da escola – questão 1234 - encontramos percentual de
vitimização de 12.1%, com uma diferença estatística significativa no perfil das
vítimas: os rapazes estão muito mais expostos a este tipo de violência (17,5%)
em comparação com as adolescentes (7,1%). A diferença é estatisticamente
significativa (P= 0.01), como se observa no quadro 68:
Quadro 68:
Agressões físicas fora da escola e sexo das vítimas
X12
AGRESSÃO FÍSICA FORA DA ESCOLA
SEXO
Não%
Sim%
Total
Feminino
92.9
7.1
100.0
Masculino
82.5
17.5
100.0
Total
87.9
12.1
100.0
A questão 1435 tratou de medir a prevalência das agressões físicas
praticadas na escola, encontrando o percentual de 14,2% de vitimização.
Também aqui, meninos aparecem com mais freqüência entre as vítimas
(quadro 69 ). No quadro , vemos que não há diferenças significativas quanto à
atitude das vítimas quanto à comunicação da ocorrência ao professor ou à
direção da escola.
34
35
Nos últimos 12 meses, você foi vítima de algum tipo de agressão física fora da escola?
Nos últimos 12 meses, você já foi vítima de agressão física por um ou mais colegas na
escola? (inclua fatos eventualmente ocorridos na entrada e na saída como “na escola”).
69
Quadro 69:
Agressão física na escola e sexo
X14
AGRESSÃO FÍSICA NA ESCOLA
SEXO
Não%
uma vez%
2 a 5 vezes%
Total
Feminino
88.4
9,9
1.7
100.0
Masculino
82.9
12,6
4.5
100.0
Total
85.8
11,2
3.0
100.0
Quadro 70:
Atitudes das vítimas e sexo
X14
SEXO
QUEM COMUNICA A AGRESSÃO FÍSICA NA ESCOLA
Feminino%
Masculino%
Total%
Não
40.0
33.3
36.1
Sim
60.0
66.7
63.9
Total
100.0
100.0
100.0
A questão 1636 tratou da humilhação na escola, encontrando um
percentual médio de 21,4% de relatos positivos entre os adolescentes. O que
36
Nos últimos 12 meses você já se sentiu humilhado ou ridicularizado na escola?
70
significa que mais de 1 em cada 5 adolescentes é atingido pelo problema em
Canoas. Os rapazes sentem mais o problema (23,8% contra 19,3% entre as
adolescentes), mas a diferença só é importante para casos de múltiplas
humilhações (mais de 5 ocorrências em um ano), conforme se observa no
quadro 71.
Quadro 71:
Humilhações na escola e sexo das vítimas
X 16
HUMILHAÇÃO
SEXO
Não%
Uma vez%
2 a 5 vezes% + de 5 vezes% Total
Feminino
80.7
11.8
6.7
0,8
100.0
Masculino
76.1
11.0
5.5
7,3
100.0
Total
78.5
11.4
6.1
3,9
100.0
Com relação à atitude das vítimas, as meninas comunicam mais as
ocorrências de humilhação a alguém na escola, conforme de vê no quadro
72 . A diferença é estatisticamente significativa (P= 0,02).
Quadro 72 :
Humilhação na escola e atitude das vítimas
X16a
SEXO
COMUNICAM A HUMILHAÇÃO
Feminino%
Masculino%
Total%
Não
34.8
66.7
52.0
Sim
65.2
33.3
48.0
Total
52.0
48.0
100.0
71
A questão 1537 tratou da experiência de vitimização por furto ou roubo praticado
dentro da escola. A soma das respostas positivas para as três alternativas (uma vez,
entre duas e cinco vezes e mais de cinco vezes) alcança o elevado percentual de 15,9%
de vitimização. Não há diferença significativa para o sexo das vítimas, conforme disposto
no quadro 73, mas tudo indica que os meninos ofereçam os casos mais freqüentes de
múltipla vitimização, o que sugere prática de “bullying”38
Quadro 73:
Furto ou roubo na escola e sexo das vítimas
X15
FURTO OU ROUBO NA ESCOLA
SEXO
Não% uma vez% 2 a 5 vezes% + de 5%
Feminino
Masculino
Total
85,7
82,2
84,1
10,9
13,1
11,9
2,5
2,8
2,7
0,8
1,9
1,3
Total%
100
100
100
A atitude das vítimas de furto ou roubo na escola demonstrou que
mais de 1/3 das vítimas não comunicam a ocorrência sequer para um
professor ou para a direção da escola, conforme se vê no quadro 74 .
37
38
Nos últimos 12 meses , você já foi furtado ou roubado na escola?
A expressão, sem tradução em português, designa um tipo especial de violência entre pares,
caracterizada pela repetição e pelo desequilíbrio de poder entre autores e vítimas.
72
Quadro 74:
Furtos e roubos na escola e atitude das vítimas
X15a
COMUNICAM OS FURTOS OU ROUBOS
SEXO
Feminino
Masculino
Total
Não
53.3
23.8
36.1
Sim
46.7
76.2
63.9
Total
100.0
100.0
100.0
Para furtos fora da escola, encontramos na questão 939 um
percentual de 12,6% de vitimização entre os adolescentes, com uma maior
incidência entre os jovens do sexo masculino, mas sem diferenças
estatísticas significativas entre as variáveis, conforme se observa no quadro
75. As respostas positivas para roubo (ou tentativa) fora da escola, relativas
à questão 1040, por seu turno, apontaram percentual de 11,7% de
vitimização. Neste caso, a diferença é significativa em desfavor das vítimas
do sexo masculino, como se vê no quadro 76.
39
Nos últimos 12 meses, você foi vítima de furto fora da escola? Ou seja, alguém lhe tirou algo
que você portava sem empregar violência ou sem grave ameaça?
40
Nos últimos 12 meses, você foi vítima de roubo (ou tentativa) fora da escola? Ou seja,
alguém lhe tirou algo que você portava - ou tentou tirar -com emprego de violência ou com
greve ameaça?
73
Quadro 75:
Furto fora da escola e sexo das vítimas
SEXO
X9
SEXO
FURTO FORA DA ESCOLA
Feminino%
Masculino%
Total%
Não
89.0
83.6
8
Sim
11.0
16.4
13.6
Total
100.0
100.0
100.0
Quadro 76:
Roubo fora da escola e sexo das vítimas
X10
SEXO
ROUBO FORA DA ESCOLA
Feminino%
Masculino%
Total%
Não
94.4
81.6
88.3
Sim
5.6
18.4
11.7
Total
100.0
100.0
100.0
74
A questão 1141 tratou das ocorrências de grave ameaça sofridas pelos
adolescentes fora da escola, encontrando o percentual de 10,4% de
vitimização, sem diferenças para o sexo das vítimas como se vê no quadro 77.
Quadro 77:
Grave ameaça fora da escola e sexo das vítimas
X11
AMEAÇA FORA DA ESCOLA
Feminino%
Não
89.6
Masculino%
Total
89.6
89.6
Sim
10.4
10.4
10.4
Total
100.0
100.0
100.0
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VII- Estimativa de subnotificação de crimes contra adolescentes em
Canoas
A respeito da atitude das vítimas, o que a pesquisa demonstra
claramente é que a esmagadora maioria dos adolescentes atingidos por um
dos crimes objetos do estudo não registra ocorrência policial. As taxas de
subnotificação atingem 90% dos casos de furto fora da escola; 64,3% em
roubos fora da escola; 86,7% em casos de agressão física fora da escola;
94% em casos de agressão física dentro da escola e 85,3% em casos de
furtos e roubos na escola. Os motivos são vários, mas destaca-se a crença
de que a providência do registro seria de todo inútil (alternativa expressa
41
Nos últimos 12 meses, você foi ameaçado (a) gravemente por alguém de fora da escola?
75
pela opção “não ia dar em nada mesmo”), conforme se exemplifica nos
quadros a seguir (78 a 88).
Quadro 78:
Subnotificação para furtos fora da escola e sexo das vítimas
X9b
SEXO
REG. POLIC. FURTOS FORA ESCOLA
Feminino%
Masculino%
Total
Não
92,9
89,5
90,9
Sim
7,1
10,5
9,1
Total
100,0
100,0
100,0
Quadro 79:
Motivos da subnotif. furtos fora da escola e sexo das vítimas
X9c
FURTOS FORA ESCOLA SEM REG. MOTIVAÇÃO
SEXO
Feminino% Masculino% Total
Dificuld. desloc.
0.0
11.8
6.9
Não confia na polícia
0.0
11.8
6.9
Não ia dar em nada mesmo
75.0
58.8
65.5
Não quis fazer o registro
8.3
0.0
3.4
Teve medo de represálias
8.3
5.9
6.9
Outro motivo
8.3
11.8
10,3
100.0
100.0
Total
100.0
76
Quadro 80:
Subnotificação para roubos fora da escola e sexo das vítimas
X10b
REG. POLIC. ROUBOS FORA ESCOLA
SEXO
Feminino%
Masculino%
61,9
Total
Não
71,4
64,3
Sim
28,6
38,1
35,7
Total
100,0
100,0
100,0
Quadro 81:
Motivos subnotificação roubo fora da escola e sexo das vítimas
X10c
ROUBOS FORA ESCOLA SEM REGISTRO MOTIVAÇÃO
SEXO
Feminino% Masculino% Total
Não confia na polícia
25,0
8,3
12,5
Não ia dar em nada mesmo
25,0
58.3
50,0
Não quis fazer o registro
50,0
0.0
12,5
Teve medo de represálias
0,0
25,0
18,8
Outro motivo
0,0
25,0
18,8
Total
100.0
100.0
100.0
77
Quadro 82:
Motivos subnotif. grave ameaça fora da escola e sexo das vítimas
X11d
GRAVE AMEAÇA FORA ESCOLA SEM REG. MOTIVAÇÃO
SEXO
Feminino% Masculino% Total
18.2
Não confia na polícia
0,0
8,7
Não ia dar em nada mesmo
27.3
75.0
52.2
Não quis fazer o registro
27.3
8.3
17.4
27.3
16.7
21.7
100.0
100.0
100.0
Outro motivo
Total
Quadro 83:
Subnotif. agressão física fora da escola e sexo das vítimas
X12c
REG. POLIC. AGRESSÃO FÍS. FORA ESCOLA
SEXO
Feminino%
Masculino%
Total
Não
88.9
85.7
86.7
Sim
11.1
14.3
13.3
100,0
100,0
Total
100,0
78
Quadro 84:
Motivos subnotif. agressão física fora da escola e sexo das vítimas
X12d
GRAVE AMEAÇA FORA ESCOLA SEM REG. MOTIVAÇÃO
SEXO
Feminino% Masculino% Total
Não confia na polícia
0.0
5.9
4.0
Não ia dar em nada mesmo
50.0
35.3
40.0
Não quis fazer o registro
25.0
41.2
36.0
Teve medo de represálias
12.5
11.8
12.0
Outro motivo
12.5
5.9
8.0
100.0
100.0
100.0
Total
Quadro 85:
Subnotif. agressão física na escola e sexo das vítimas
X14b
REG. POLIC. AGRESSÃO FÍS. NA ESCOLA
SEXO
Feminino%
Masculino%
Total%
Não
92.9
95.0
94
Sim
7.1
5.0
5.9
Total
100,0
100,0
100,0
79
Quadro 86:
Motivos subnotif. agressão física na da escola e sexo das vítimas
X12d
AGRES. FÍS. FORA ESCOLA S/ REG. MOTIVAÇÃO
SEXO
Feminino% Masculino%
Dificuld. deslocam.
0.0
5.9
3.3
Não confia na polícia
15.4
11.8
13.3
Não ia dar em nada mesmo
38.5
41.2
40.0
Não quis fazer o registro
23.1
23.5
23.3
Teve medo de represálias
7.7
11.8
10.0
Outro motivo
15.4
5.9
10.0
Total
100.0
100.0
100.0
Quadro 87:
Subnotif. furto ou roubo na escola e sexo das vítimas
T
Total
X15b
REG. POLIC. FURTOS E ROUBOS ESCOLA
SEXO
Feminino%
Masculino%
Não
80.0
89.5
85.3
Sim
20.0
10.5
14.7
Total
100,0
100,0
100,0
Total
80
Quadro 88:
Motivos subnotif. furtos e roubos na da escola e sexo das vítimas
X15C
FURTOS E ROUBOS NA ESCOLA SEM REG. MOTIVAÇÃO
SEXO
Feminino% Masculino%
Total
Não confia na polícia
8.3
6.3
7.1
Não ia dar em nada mesmo
33.3
68.8
53.6
Não quis fazer o registro
33.3
6.3
17.9
Teve medo de represálias
25.0
12.5
17.9
Outro motivo
Total
0.0
6.3
3.6
100.0
100.0
100.0
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PESQUISA DE VITIMIZAÇÃO NA CIDADE DE CANOAS/RS