Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Ano 11 Nº 64 R$ 13,90 E di tori al Analytica A revista da instrumentação e controle de qualidade industrial www.revistaanalytica.com.br Nossa matéria de capa desta edição aborda um assunto de alta complexidade que é a estruturação de salas limpas. Ela não apenas mostra como a definição desse modelo de controle de contaminação é feita já no projeto arquitetônico, mas conta a história de como surgiu o conceito, quando o pai da antissepsia, Joseph Lister, formalizou seus achados por meio da US Federal Standard 209. A coluna Metrologia em Pauta expande nossos conhecimentos mostrando como podemos vislumbrar os benefícios trazidos por medições mais exatas, buscando sua maximização. Intitulada “Impactos da metrologia na sociedade e economia”, foi escrita por Taynah Lopes de Souza, Assessora da Diretoria de Metrologia Científica e Industrial do Inmetro. Já nossa habitual coluna Microbiologia em Foco faz um comparativo de metodologia entre teste de gel clot e testes fotométricos cinéticos para análise de endotoxinas bacterianas. Também nesta edição você vai saber tudo sobre a inauguração do Laboratório Central de Tecnologias de Alto Desempenho (LaCTAD), da Unicamp, uma unidade multiusuário que reúne equipamentos de última geração destinados a análises nas áreas de Genômica, Bioinformática, Proteômica e Biologia Celular. Vai acompanhar ainda uma novidade importante da Embrapa Meio Ambiente, que implantou uma coleção de microrganismos contendo quase 20 mil isolados de fungos, bactérias, leveduras, arqueias e actinobactérias. Também vai saber sobre a parceria firmada entre Agilent, GEAtom e ITAL para estudar a presença de contaminantes inorgânicos em alimentos e desenvolver metodologias para garantir a segurança alimentar. Da mesma forma, você poderá neste número 64 da sua revista Analytica ampliar seus conhecimentos com os trabalhos dos pesquisadores nos artigos, com os últimos lançamentos em equipamentos na coluna Em Foco e ficar por dentro de eventos e cursos que acontecerão no decorrer de 2013 com a nossa Agenda. Boa leitura! ANO XI - Nº 64 (Abr/Mai 2013) Redação e administração: Av. Paulista, 2.073 Ed. Horsa I - cj. 2.315 CEP: 01311-940. São Paulo. SP Fone: (11) 3171-2190 CNPJ.: 74.310.962/0001-83 Insc. Est.: 113.931.870.114 ISSN 1677-3055 A Revista Analytica é uma publicação bimestral da ESKALAB, com distribuição dirigida a laboratórios analíticos e de controle de qualidade dos setores farmacêutico, alimentício, químico, ambiental, mineração, médico, cosmético, petroquímico e tintas. Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da revista. Diretor Executivo: Sylvain Kernbaum (11) 9.8357-9857 ([email protected]) skype: sylvain.r.a.kernbaum Editora: Andrea Manograsso (Mtb 18.120) (11) 9.8357-9850 ([email protected]) Contato Publicitário: Amanda Issler (11) 9.8140-8900 ([email protected]) skype: acissler Contato Publicitário: Marcela Musardo (11) 9.8357-9852 ([email protected]) skype: marcela musardo Secretaria Publicidade/Redação: Luiza Salomão ([email protected]) skype: luizasalomao Departamento de Assinaturas: Daniela Faria ([email protected]) skype: daniela_eskalab Conselho Editorial: Carla Utescher, Pesquisadora Científica e Chefe da Seção de Controle Microbiológico do Serviço de Controle de Qualidade do I.Butantan - Cheila Gonçalvez Mothé, Profª. Titular da Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro - Elisabeth de Oliveira, Profª. Titular IQUSP - Fernando Mauro Lanças, Prof. Titular da Universidade de São Paulo e Fundador do Grupo de Cromatografia (CROMA) do Instituto de Química de São Carlos - Helena Godoy, FEA/Unicamp - Marcos Eberlin, Prof. de Química da Unicamp, Vice-Presidente das Sociedade Brasileira de Espectrometria de Massas e Sociedade Internacional de Espectrometria de Massas - Margarete Okazaki, Pesquisadora Científica do Centro de Ciências e Qualidade de Alimentos do Ital - Margareth Marques, U.S.Pharmacopeia - Maria Aparecida Carvalho de Medeiros, Profª. Depto. de Saneamento Ambiental-CESET/UNICAMP - Marina Tavares, Profª. do Instituto de Química da Universidade de São Paulo - Shirley Abrantes, Pesquisadora Titular em Saúde Pública do INCQS da Fundação Oswaldo Cruz - Ubaldino Dantas, Diretor Presidente da OSCIP Biotema, Ciência e Tecnologia, e Secretário Executivo da Associação Brasileira de Agribusiness Colaboraram nesta edição: Luzia F. Pereira, Taynah Lopes de Souza, Consuelo Ribeiro do Vale, Mara Lucia Lemke-de-Castro, José Luiz Neves de Aguiar, Katia Christina Leandro, Shirley de Mello Pereira Abrantes, André Luis Mazzei Albert, Luana dos Reis Araujo, Lorena Michele Oliveira Vaz, Moilton Ribeiro Franco Júnior, Lucia Helena Pinto Bastos, Adherlene Vieira Gouvêa, Maria Helena Wohlers Morelli Cardoso, Michele Reis da Silva, Armi Wanderley Nóbrega, Silvana do Couto Jacob, Maurício da Silva Mattar, Helber Barcellos da Costa, Marciela Belisário Impressão: IBEP Gráfica Editoração: Omar Salomão – (11) 9.9501-1145 Filiada à Anatec Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 3 S umári o 03 Editorial/Expediente Fale com a gente 06 Sumário Se você quer fazer comentários, sugestões, críticas ou tiver dúvidas, entre em contato com a gente. 08 Microbiologia Em Foco: Comparativo de metodologia entre teste de gel clot e testes fotométricos cinéticos para análise de endotoxinas bacterianas, por Luzia F. Pereira 10 Fone/Fax: (11) 3171-2190, de 2ª a 6ª feira, das 9h às 12h e das 14 às 18h. Cartas: Av. Paulista, 2.073 Edifício Horsa I – 23ºA – cj. 2.315 CEP 01311-940. São Paulo. SP. E-mail: [email protected] Metrologia em Pauta: Impactos da metrologia na sociedade e economia, por Taynah Lopes de Souza 14 Notícias 28 Matéria de Capa: De Lister à Biossegurança, Salas cada vez mais limpas 36 Panorama: Unicamp inaugura laboratório multiuso com equipamentos de última geração Novas Assinaturas, Renovação, Alteração de Endereço e Dúvidas sobre sua Assinatura Fone: (11) 3171-2190, com Daniela Faria, de 2ª a 6ª feira, das 10h às 12h e das 14h às 18h. E-mail: [email protected] 38 Em Foco ARTIGOS 60 Comparação entre Métodos de Detecção de Resíduos de Antimicrobianos no Leite Bovino, Consuelo Ribeiro do Vale, Mara Lucia Lemke-de-Castro 66 Validação intralaboratorial de um novo método analítico por cromatografia líquida em fase reversa do ácido acetilsalicílico e do ácido salicílico em comprimidos, José Luiz Neves de Aguiar, Katia Christina Leandro, Shirley de Mello Pereira Abrantes, André Luis Mazzei Albert 74 Simulação de um acidente ambiental em laboratório, Luana dos Reis Araujo, Lorena Michele Oliveira Vaz, Moilton Ribeiro Franco Júnior 79 Uso da espectrometria de massa sequencial para avaliar resíduos de agrotóxicos em amostras de alimentação animal, Lucia Helena Pinto Bastos, Adherlene Vieira Gouvêa, Maria Helena Wohlers Morelli Cardoso, Michele Reis da Silva, Armi Wanderley Nóbrega, Silvana do Couto Jacob 89 Normas para publicação de Artigos 90 Edições Anteriores Solicite ao Departamento de Assinatura. O valor cobrado será o mesmo da última edição em vigor. Fone: (11) 3171-2190, com Daniela Faria, ou e-mail [email protected] Para Anunciar Fone: (11) 3171-2190, fale com Amanda Issler, [email protected] ou Marcela Musardo, [email protected] Emprego de bioadsorventes na remoção de corantes de efluentes provenientes de indústrias têxteis, Maurício da Silva Mattar, Helber Barcellos da Costa, Marciela Belisário 96 Agenda Analytica www.revistaanalytica.com.br 97 Livraria Analytica @RevAnalytica 98 RevistaAnalytica Anunciantes 6 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 7 microbiologia em foco Comparativo de Metodologia entre Teste de Gel Clot e Testes Fotométricos Cinéticos para Análise de Endotoxinas Bacterianas Desde a introdução do teste de pirogênio in vivo como método oficial na Farmacopeia Americana (USP) em 1941, sabemos da importância que este teste tem na indústria farmacêutica para avaliar a pirogenicidade em drogas parenterais e dispositivos médicos. Desde então novas técnicas surgiram como alternativas para o teste de pirogênio in vivo (coelhos). Em 1987 a USP, em seu guideline, já referenciava o método do Gel Clot (método de coagulação) utilizando o lisado do sangue do Horseshoe Crabs, Limulus Poliphemus (LAL-Limulus Amebocyte Lysate). Este método, semiquantitativo, tem como base a formação de um gel através de enzimas envolvidas na coagulação do sangue do Limulus, na presença de endotoxina bacteriana Gram negativa. Somente em 1991 é reportado o método fotométrico para análise quantitativa de endotoxina, especificamente o método cinético turbidimétrico e, em 1994, o cinético colorimétrico. Estes métodos são baseados no fato de que qualquer aumento na concentração de endotoxinas causa um aumento proporcional na turbidez (para o teste cinético turbidimétrico) e aumento no desenvolvimento de uma cor através de um agente cromóforo ( para o teste cinético colorimétrico). Fazendo-se um estudo comparativo entre estes dois métodos – método LAL Gel Clot e o fotométrico cinético turbidimétrico e/ou colorimétrico –, constatamos o que segue. O método Gel Clot possui as seguintes características: • Método semiquantitativo, apresenta ser um método pouco sensível, pois detecta endotoxina somente através de faixas de sensibilidades rotuladas do reagente LAL. Apesar de ser uma técnica simples, este método exige um maior tempo de preparo e reação longa (1 hora). É um teste sujeito a muitas variáveis e subjetividade, muito dependente de interpretação do analista, necessitando de analistas muito bem treinados e qualificados para a realização do mesmo. Quanto aos métodos fotométricos, cinéticos, estes possuem as seguintes características: • Métodos quantitativos, de maior sensibilidade, podendo testar até 0,001 EU/ML, sensibilidade esta selecionada pelo usuário do LAL. Os resultados são interpolados de uma curva padrão, pré-estabelecida. Toda a análise é gerenciada através de um software que emite um relatório. A linearidade da curva é verificada, assim como verifica-se melhor uma potencialização/inibição da reação. Este método permite avaliar a tendência dos dados. O leitor de microplaca realiza o teste em 40 minutos. Com o passar do tempo e avanço das tecnologias, hoje já possuímos no mercado um leitor fotométrico de analise rápida de endotoxina que realiza o teste em 15 minutos (PTS da Charles River Endosafe). 8 Metodo Gel Clot Testes Cineticos Fotométricos Teste Cinetico Fotometrico Rápido Por Luzia F. Pereira Endosafe Esta seção é de responsabilidade da BCQ Consultoria e Qualidade. Mais informações: (11) 5539-6710. www.bcq.com.br Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 9 Metrologia em pauta Impactos da metrologia na sociedade e economia Taynah Lopes de Souza* No ano de 1999, a NASA enviou ao espaço o denominado ‘Orbitador Climático de Marte’, que havia sido fruto de pesquisa e desenvolvimento (P&D) em um montante avaliado em cerca de US$ 125 milhões. A sonda espacial, contudo, foi destruída ao adentrar na órbita de Marte, o que depois se descobriu ter sido devido a um erro de cálculo: enquanto parte da equipe que o realizou utilizou medidas do sistema inglês, outra parte realizou o mesmo cálculo com base no sistema métrico. O prejuízo econômico e científico advindo dessa equivocada aplicação da ciência das medições concedeu ampla visibilidade para os impactos da metrologia. Como podem ser avaliados, então, esses impactos, indo além da observação de prejuízos ocorridos devido a não-aplicação da metrologia em sua totalidade? Como vislumbrar os benefícios trazidos por medições mais exatas, buscando maximizá-los? Tais desafios são notórios diante da observação de que a metrologia se constitui como parte integrante de uma infraestrutura basilar para a sociedade como um todo, de natureza abrangente e difusa, cujos impactos, portanto, são de difícil distinção de outros impactos resultantes de atividades exercidas por demais agentes que compõem a mesma infraestrutura. Nesse contexto, para melhor compreender a gama de impactos exercidos pela metrologia, faz-se necessário um melhor entendimento sobre a natureza intrínseca de suas atividades e aspectos fundamentais. De acordo com Temple e Williams (2002, p. 436), “economias e sociedades como um todo dependem de medições exatas a cada estágio do processo de produção, desde P&D até design, produção e comercialização e até após a ‘morte’ de um produto, quando, por exemplo, as consequências ambientais de descartes precisam ser avaliadas. A eficiência da atividade comercial requer que quantidades e qualidades sejam propriamente medidas para que consumidores e fornecedores tenham confiança sobre as trocas. Ademais, a viabilidade da produção em massa requer medição precisa dos componentes, de modo a assegurar a compatibilidade e a permitir a exploração de economias de escala. De fato, a introdução e desenvolvimento de novas técnicas requer a disponibilidade de técnicas e instrumentos de medição exatos em primeiro lugar”. Para atender às demandas por medições exatas inerentes a todos os estágios do processo de produção, faz-se necessária a utilização cada vez maior de níveis mínimos para a incerteza nas medições, obtidos por meio de expressivos investimentos em P&D, o que demonstra o íntimo relacionamento entre metrologia e ciência e tecnologia (C&T). Nesse sentido, vale introduzir contribuição de Peter Swann (1999), de que a importância da metrologia e de avaliar seus impactos econômicos, sociais e ambientais, pode ser entendida por meio da observação de que as diferentes atividades incluídas em seu escopo exercem impactos sobre todos os estágios posteriores que irão compor a infraestrutura tecnológica, com influências sobre as mais diversas atividades econômicas. Dentre os impactos que a metrologia pode exercer na economia e na sociedade, encontram-se: o maior acesso a mercados, aumento da produtividade industrial, contribuição para a penetração de novas tecnologias em seus respectivos mercados, maior qualidade de produtos, aumento da confiança de sistemas e produtos, redução de custos de transação, promovendo maior equilíbrio nas relações de comércio. Institutos nacionais de metrologia em todo o mundo têm procurado avançar em metodologias que auxiliem na avaliação dos impactos exercidos pelas atividades relacionadas à metrologia. Uma das maiores razões para essa busca advém do fato de, por apresentarem característica de 10 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 bem público, os recursos destinados ao investimento na área metrológica serem majoritariamente fornecidos pelo Estado. E, como os recursos são limitados, a disputa orçamentária dentre os diversos órgãos de governo torna ainda mais premente a estratégia de demonstrar que os impactos positivos da metrologia justificam a alocação de recursos para atividades relacionadas. No National Institute of Standards and Technology (NIST), dos EUA, é onde os estudos se encontram em estágio mais avançado. Desde 1997, mais de 15 estudos já foram realizados, a maioria buscando estimar os benefícios gerados pela atividade metrológica em questão, frente ao custo de P&D envolvido naquela atividade (Link e Scott, 2012). A título de ilustração, no estudo denominado ‘Desenvolvimento de materiais de referência certificados (MRC) para realização de análises clínicas em colesterol’ estimou-se que as atividades de P&D desenvolvidas pelo NIST com o intuito de apresentar medições mais exatas para a identificação de níveis de colesterol em pacientes geraram, desde 1967, uma economia de cerca de US$ 100 milhões/ano nos custos com tratamento de falsos positivos e falsos negativos (Leech, D., 2000). No Brasil, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) tem buscado avançar na realização de estudos dessa natureza, procurando evidenciar os impactos que suas atividades podem exercer sobre a economia e a sociedade brasileiras. Recentemente, por exemplo, o Instituto elaborou estudo no qual foram avaliados alguns impactos exercidos pela metrologia na contribuição à aplicação da ‘Lei Seca’, por meio das atividades realizadas para conceder maior confiança aos etilômetros, utilizados para verificar o nível de acoolemia de condutores veiculares. O estudo demonstrou que o projeto de pesquisa iniciado em 2002 – que culminou com o desenvolvimento de materiais de referência certificados para etanol em água, voltados à calibração dos etilômetros –, além de resultar em impactos positivos para a capacitação e reconhecimento internacional da metrologia brasileira, contribuiu para a bem-sucedida execução da ‘Lei Seca’, e, por consequência, para os impactos positivos advindos dessa política, como a redução de acidentes com vítimas no país. Essa iniciativa pretende reforçar a prática de avaliação de impactos, permitindo ressaltar o caráter estratégico da metrologia e aprimorar o processo de planejamento estratégico para novas áreas de pesquisa. Dessa forma, espera-se que sejam evidenciados os resultados positivos do esforço de robustecimento da ciência das medições, bem como sejam minorados possíveis gargalos, atendendo às demandas da sociedade como um todo. *Taynah Lopes de Souza é D.Sc. em Economia (UFRJ), Assessora da Diretoria de Metrologia Científica e Industrial do Inmetro Correspondência: [email protected] Referências Temple, P. and Williams, G. (2002). Infra-technology and economic performance: evidence from the United Kingdom measurement infrastructure. Information Economics and Policy 14, 435–452. Swann, P. (1999). The Economics of Measurement. Report for NMS Review. UK, 65p. Disponível em: < http://www.berr.gov.uk/files/file9676.pdf >. Link, A. N. e Scott, J. T. (2012). The Theory and Practice of Public-Sector R&D Economic Impact Analysis. Planning Report 11.1, NIST, 94p. Disponível em: < http://www.nist.gov/director/planning/upload/report11-1.pdf> Leech, D. (2000). The Economic Impacts of NIST Cholesterol Standards Program. Planning Report 00–4, NIST, 54. Disponível em: http://www.nist.gov/director/ planning/upload/report00-4.pdf. Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 11 notícias Anvisa encaminha para consulta pública proposta que cria o Sistema Nacional de Controle de Medicamentos A diretoria da Anvisa encaminhou para consulta pública proposta que cria o Sistema Nacional de Controle de Medicamentos. A proposta de resolução foi publicada no dia 3 de abril do Diário Oficial da União. O Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM) institui os mecanismos e procedimentos que vão garantir o rastreamento dos medicamentos. O sistema propõe que o controle comece na produção e acompanhe o medicamento até a prescrição destes produtos. A Diretoria Colegiada da Anvisa definiu que a tecnologia a ser adotada para o SNCM é o código de barras bidimensional, a Datamatrix. Trata-se do mecanismo de captura, armazenamento e transmissão eletrônica de dados necessários ao rastreamento de medicamentos no Brasil. A proposta encaminhada para consulta pública por 30 dias determina que a responsabilidade de zelar pela qualidade, pela segurança e pela eficácia dos medicamentos deve ser compartilhada entre todos os agentes que atuam na cadeia de produção, distribuição e consumo desses produtos. O diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, explica que “as empresas detentoras de registro junto à Anvisa serão responsáveis por gerar e dispor em cada embalagem de medicamento um número chamado de Identificador Único de Medicamento (IUM), que é formado pelo número do registro do medicamento junto à Anvisa, contendo 13 dígitos, além do número serial, a data de validade e o número do lote”. O número serial é uma espécie de “RG” dos medicamentos, correspondente a cada unidade do medicamento a ser comercializada no território brasileiro. O serial é representado em um código de barras bidimensional e inscrito de forma legível na embalagem de comercialização. As embalagens secundárias de todos os medicamentos – como, por exemplo, as cartelas de pílulas - e as embalagens hospitalares devem conter os mecanismos de identificação estabelecidos nesta norma da Anvisa. Para a indústria, o prazo sugerido de adaptação às novas regras é de 180 dias e para o comércio varejista, de 360 dias. Basf e Bend Research unem forças para resolver desafios de biodisponibilidade Empresas assinaram acordo para avaliar e desenvolver novos excipientes para melhorar a solubilidade e biodisponibilidade de fármacos pouco solúveis Basf SE e Bend Research Inc. planejam combinar suas competências líderes mundiais no desenvolvimento de novos excipientes e formulações farmacêuticas para oferecer aos clientes o acesso antecipado às mais recentes inovações de polímeros da indústria farmacêutica. O objetivo desta colaboração é atender aos desafios crescentes de ingredientes farmacêuticos ativos pouco solúveis (compostos BCS Classe II e IV); o foco inicial será a otimização da nova vinilpirrolidona baseada em copolímeros em desenvolvimento para a solubilização ingredientes farmacêuticos ativos de pouco solúveis. Rod Ray, CEO da Bend Research, comenta: “Essa parceria oferece acesso antecipado a um conjunto diferente de químicas e nos permite desenvolver e testar formulações de clientes com base em novos polímeros. Este acordo complementa a nossa parceria anunciada recentemente em celulósicos, porque nos dá acesso a produtos químicos completamente diferentes.” “Juntamente com as forças da Bend Research no desenvolvimento de formulações, incluindo secagem por pulverização e extrusão hot-melt, estamos em uma posição única para enfrentar os desafios urgentes de solubilidade. Com esta parceria, nós ajudamos nossos clientes com o desenvolvimento de fármacos com baixa biodisponibilidade”, disse Ralf Fink, Vice Presidente Global de Marketing da Basf. 14 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 15 notícias Agilent, Ital e Grupo GEAtom firmam parceria para pesquisa de contaminantes inorgânicos em alimentos e embalagens Nova tecnologia permitirá a identificação de elementos minerais e contaminantes inorgânicos em diferentes tipos de alimentos A Agilent Technologies, o Grupo GEAtom, do Instituto de Química da Unicamp; e o ITAL (Instituto de Tecnologia de Alimentos) firmaram parceria para estudo da presença de contaminantes inorgânicos em diferentes alimentos e para o desenvolvimento de metodologias que visam garantir a segurança alimentar, autenticidade e controle de qualidade de alimentos. O projeto será desenvolvido em três etapas, que incluem também o estudo da migração de metais de embalagens plásticas para alimentos (principalmente contaminantes como arsênio, cádmio, crômio, chumbo e mercúrio presentes em embalagens plásticas coloridas comumente utilizadas no acondicionamento de alimentos) e estudo de bioacessibilidade e biodisponibilidade de nutrientes e elementos tóxicos em alimentos, com a finalidade de determinar a fração do nutriente ou contaminante que pode ser absorvida pelo organismo. O acordo com ITAL faz parte do Programa de Segurança Alimentar da Agilent no Brasil e “esta pesquisa irá resultar em novas aplicações e métodos de análise de metais totais e por espécie química, que poderão ser utilizados por outros laboratórios de análise de alimentos ou indústrias, melhorando a qualidade dos alimentos que consumimos”, explica o químico André Santos, da Agilent no Brasil. Pela parceria, a Agilent fornece o sistema completo de análise, que inclui os equipamentos ICP MS Agilent 7700 x e o LC Agilent 1260. O sistema empregado na parceria com o ITAL conta também com o item opcional para introdução de oxigênio no plasma para análise direta de amostras com caráter orgânico, recurso especialmente importante no estudo de óleos de oliva e outros ácidos graxos. Além da parceria com ITAL, o Programa de Segurança Alimentar da Agilent, tem um acordo de colaboração com Laboratório de Pesquisas da Universidade de Santa Maria para identificação e quantificação de contaminação por pesticidas em alimentos. Sabesp cria projeto para acabar com mau cheiro nas estações de tratamento de esgoto Utilizando restos de casca de coco, companhia implanta em São Miguel Paulista protótipo para eliminação de odores A Sabesp quer acabar com o mau cheiro nas suas ETEs (Estações de Tratamento de Esgoto). A companhia desenvolve testes para isso na Estação de Tratamento de São Miguel Paulista (região leste de São Paulo). E a solução está na casca do coco. A companhia inventou um tipo de aerador. Ele recebe o ar com mau cheiro gerado dentro das estações e, com a ajuda de bactérias, o gás sulfídrico (responsável pelo odor ruim) é oxigenado e perde sua característica agressiva às narinas. A invenção é simples. Dentro de um contêiner é colocada turfa (uma mistura vegetal), composta principalmente por restos de casca de coco. Essa mistura é umidificada por pequenos chuveiros instalados dentro do contêiner. A umidificação dessa mistura gera bactérias que funcionam como filtros biológicos, oxidando o gás sulfídrico gerado nas estações de tratamento. O transporte do ar com mau cheiro até o contêiner é feito por dutos. Caso seja aprovado o projeto, a Sabesp prevê que no decorrer de 2013 os contêineres estejam em funcionamento nas cinco grandes estações de tratamento da Região Metropolitana, além das 490 unidades existentes no Estado de São Paulo. 16 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 17 notícias Embrapa implanta coleção com quase 20 mil microrganismos Eles podem ser úteis para gerar novos produtos bioativos A Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) implantou uma Coleção de Microrganismos de Importância Agrícola e Ambiental contendo quase 20 mil isolados de fungos, bactérias, leveduras, arqueias e actinobactérias. Dentre eles há microrganismos endofíticos; microrganismos de vários biomas, como Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e manguezais; actinobactérias associadas a insetos; fungos celulolíticos como o Trichoderma; bactérias associadas a líquens e algas marinhas da Antártida; fungos e bactérias agentes de controle biológico; fungos pigmentados produtores de corantes; e bactérias associadas aos crustáceos que são produtoras de antibióticos. De acordo com o pesquisador Itamar Soares de Melo, curador da coleção, os microrganismos podem ser úteis para gerar novos produtos bioativos de importância na agricultura, como os herbicidas, descobrir novos genes com resistência à seca e resistência à salinidade, novos antibióticos, substâncias anticancerígenas, enzimas hidrolíticas, etc. A coleção é composta de duas subcoleções: uma de trabalho com 15 mil microrganismos e uma de referência com 1.196 isolados. Na coleção de trabalho os microrganismos foram coletados em campo nos mais variados ambientes como plantas, além de lavouras como a do eucalipto, e também em biomas como o solo da Caatinga, a Mata Atlântica, o Cerrado e até a Antártida, e preservados para estudos e testes futuros. Segundo Melo, a preservação é feita por meio de dois processos: ultracongelamento e liofilização e os microrganismos podem ser usados para controle biológico, detecção de estresse hídrico, corantes e descobertas de novas moléculas para fins diversos. “É a única opção para manutenção, a longo prazo, da diversidade genética e como fonte de materiais para estudos científicos e para triagem de produtos com propriedades biotecnológicas”, salienta o pesquisador. Para a implantação da coleção, a Embrapa Meio Ambiente contou com o apoio da Fapesp (Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo). Vencedor do Prêmio Nobel em Química ministra seminário na UFSCar Dudley Robert Herschbach apresentou aos jovens graduandos a beleza dessa matéria Em fevereiro passado, o professor Dudley Robert Herschbach, da Universidade de Havard e vencedor do Prêmio Nobel de Química de 1986, esteve na UFSCar ministrando o seminário Glimpses of Chemical Wizardry (Vislumbre da Magia da Química). Durante a atividade, Dudley apresentou a utilização da Química e sua importância, com o objetivo de mostrar aos jovens graduandos a beleza dessa matéria. Para Ernesto Chaves Pereira de Souza, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Química (PPGQ), receber um cientista dessa magnitude permitiu ouvir em primeira mão como ele pensa a ciência e a Química. “Eu costumo dizer que boa ciência se faz de boa conversa. Então, é uma grande oportunidade de se ter uma boa conversa que pode ser capaz de incentivar jovens estudantes a fazer boa ciência”, afirma o professor. 18 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 19 notícias Etanol como alternativa de solvente para biodiesel A pesquisa teve como objetivo comprovar as vantagens de utilizar o etanol na cadeia produtiva de soja Devido ao benefício ambiental, a produção de biodiesel é algo que desperta muito interesse. No entanto, muitas pesquisas são realizadas para garantir sempre melhores resultados em todas as fases de produção. O processo mais utilizado para obter o biodiesel é a transesterificação, em que ocorre uma reação química entre álcool (metanol ou etanol) e óleo vegetal, sendo este normalmente refinado ou em fase de reuso depois de fritura. Para tanto, o grupo formado por Naiane Sangaletti, doutoranda, e Samuel Schievano Groppo, graduando no curso de Engenharia Agronômica, orientados por Marisa Aparecida Bismara Regitano-d’Arce do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição (LAN) e Thais Maria Ferreira de Souza Vieira (LAN), desenvolveu pesquisa sobre transesterificação direta de miscela de óleo de soja para produção de biodiesel. A pesquisa objetivou comprovar as vantagens de utilizar o etanol na cadeia produtiva de soja, como substituto do hexano na extração de óleo e aceptor de acila na produção de biodiesel. Diferentemente do hexano e do metanol, que trazem a desvantagem de serem tóxicos, não serem renováveis e com os custos dependentes do petróleo, a miscela rica, resultante da extração do óleo com etanol, é diretamente transesterificada, sem passar por etapas de refino, que torna a produção do biodiesel ambientalmente mais vantajosa no Brasil. As condições de transesterificação da miscela rica em óleo foram estudadas por meio de planejamento experimental fatorial completo e análise de regressão, com ajustes de modelo matemático. As superfícies de resposta indicaram que a variável da temperatura apresentou baixa influência quando comparada às interações entre a razão molar (óleo:etanol) e concentração de catalisador. Foi observado que, com menos gasto de energia e usando etanol como aceptor de acila, é possível obter maior rendimento em ésteres etílicos. A melhor condição para a transesterificação foi em temperatura de 30º por 60 minutos, que promoveu conversão de óleo em ésteres etílicos de ácidos graxos (biodiesel) de 97,2%. Premiação inédita busca estimular Pesquisa Clínica no Brasil Promovido pela Abracro, o prêmio busca revelar novos métodos e valorizar pesquisadores locais Segundo estudo realizado pela Abracro (Associação Brasileira de Organizações Representativas de Pesquisa Clínica), em 2012 o volume de estudos clínicos que aguardava aprovação da Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) no Brasil gerou impacto direto no tratamento de mais de 2,5 mil pacientes com doenças graves. Com o compromisso de mudar esse cenário e contribuir para o desenvolvimento e a otimização da Pesquisa Clínica no Brasil, a Abracro lança a primeira edição do Prêmio Abracro Excelente Profissional de Pesquisa Clínica. A iniciativa busca estimular o desenvolvimento de novos estudos e métodos, assim como reconhecer pesquisadores locais. Inédita, a premiação tem como tema principal “A importância da documentação na pesquisa clínica”. “Não foi por acaso que definimos esse tema. Buscamos estudos que proponham soluções inovadoras e viáveis para a execução da pesquisa clínica no Brasil”, ressalta o presidente da Abracro, Daniel Lang. O presidente aponta para a morosidade no sistema de aprovação das pesquisas como o principal entrave para o crescimento do setor no País. “Quando comparamos nossa realidade com a de outros centros, percebemos nossa enorme desvantagem. Para se ter uma ideia, na Europa o processo de aprovação de uma pesquisa leva, em média, 80 dias. Nos EUA, são gastos apenas 60 dias. Aqui no Brasil, o trâmite demora cerca de um ano. Esse déficit coloca o País num patamar muito baixo de inovação da indústria nacional, o que requer uma mudança urgente”, contextualiza o presidente. O prêmio será entregue aos três trabalhos que atingirem as melhores pontuações. Serão R$ 5 mil para o primeiro colocado, R$ 3 mil para o segundo e R$ 2 mil para o terceiro. Definida dentro dos parâmetros de um júri composto por sete especialistas, a classificação dos artigos inscritos seguirá os critérios determinados no regulamento. Os participantes poderão efetuar a inscrição até dia 30 de junho, no formulário eletrônico disponível no site da organização: www.abracro.com.br. 20 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 21 notícias Engenheiro detecta chumbo em tampa de três marcas de iogurte Testes feitos no Ital mostram que é alta a concentração do metal em frascos Em análises feitas em embalagens plásticas de 900 ml de iogurte de três marcas diferentes comercializadas em supermercados de Campinas foi detectada alta concentração de chumbo nas tampas dos frascos. Os testes foram realizados pelo engenheiro de alimentos Paulo Henrique Massaharu Kiyataka, no Centro de Tecnologia de Embalagem do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital). Os resultados constam de sua dissertação de mestrado apresentada na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA). Na avaliação do engenheiro, essas tampas não poderiam ser utilizadas. “Apesar de o contato entre a tampa e o alimento ser mínimo, não há como negar o risco de ocorrer a migração do chumbo para o iogurte, principalmente no manuseio. Um exemplo é o transporte deitado do produto ou estocado de ponta cabeça”, alerta. Kiyataka, que realiza este tipo de análise há 13 anos, fez os testes em potes de sorvete de dois litros, e em embalagens de bebidas lácteas de 200 ml e 900 ml para verificar a presença de chumbo, cádmio, mercúrio e arsênio. Uma segunda etapa do trabalho foi verificar a migração dos elementos para os alimentos armazenados nas embalagens estudadas, de iogurte e sorvete, e a migração utilizando um simulante, solução de ácido acético 3%, conforme estabelecido pela da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nos testes com alimentos e com o simulante, não se observou a migração, exceto nas tampas de frascos de 900 ml de iogurte, que apresentaram uma migração de chumbo para o simulante que representa aproximadamente 0,01% do teor total de chumbo presente nas tampas avaliadas, índice superior ao limite estabelecido pela legislação Anvisa. O resultado desperta outra preocupação do engenheiro: a questão ambiental, pois os elementos estudados podem contaminar o meio ambiente por serem tóxicos. Para ele, não existe uma conscientização do consumidor em relação ao descarte deste tipo de material e, se disposto de forma inadequada, pode contaminar solo e água. As embalagens estudadas são feitas de polímero, que é degradado no meio ambiente, mas as substâncias inorgânicas demoram mais para se deteriorar e, com isso, aumenta o risco de contaminação. “Ou seja, o material de embalagem para alimentos deve ser bem especificado, além de ser compatível com o produto acondicionado. Não deve ser uma fonte de contaminação para o alimento e para o meio ambiente, caso seja descartada”, esclarece. Ele lembra que o uso de embalagens de polímero para contato com alimentos tem crescido muito nos últimos anos. O consumo de produtos industrializados é o motivo deste aumento e os contaminantes inorgânicos – tais como os elementos analisados –, cujas maiores fontes são aditivos, podem fazer parte da embalagem e migrar para o alimento. Para o autor do estudo, que teve a orientação da professora Juliana Azevedo Lima Pallone, a presença de tampas com alto teor de chumbo é uma falha verificada na indústria de embalagens, na indústria de alimentos e no órgão fiscalizador, demonstrando que o processo de fabricação precisa ser mais bem controlado. Segundo o engenheiro, a indústria de alimentos precisa estar sempre atenta à qualidade do material adquirido, uma vez que se trata de acondicionamento de alimentos que serão ingeridos pelo consumidor. Kiyataka alerta também para a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa por parte da Vigilância Sanitária. “Pelos resultados, notou-se que há o uso de aditivos e substâncias com arsênio, cádmio e, principalmente, chumbo ou matérias-primas contaminadas com esses elementos na produção de embalagem, indicando a necessidade de uma melhor conscientização por parte do fabricante de embalagem e do usuário, fiscalização e uma legislação ambiental”, defende. Em sua opinião, é preciso estabelecer limites máximos de contaminantes inorgânicos totais em embalagens, semelhantes aos existentes nos Estados Unidos e na Europa. Saiba mais www.ital.sp.gov.br 22 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 23 notícias Engenheiro José Tadeu Jorge substitui o hematologista Fernando Costa O engenheiro de alimentos José Tadeu Jorge foi confirmado pelo governador Geraldo Alckmin para assumir a Reitoria da Unicamp para o período 2013-2017. Tadeu Jorge teve como companheiro de chapa o geólogo Alvaro Crósta, que assumirá o cargo de coordenador geral da Universidade. O novo reitor destacou o trabalho desenvolvido por seu antecessor, o hematologista Fernando Ferreira Costa, salientando que todos os gestores da Universidade procuraram preservar o projeto original que definiu as diretrizes da Unicamp. “A gestão que se encerra manteve essa linha de conduta e deu a sua parcela de contribuição para elevar a Universidade a patamares ainda maiores”, disse Tadeu Jorge. “De nossa parte, nos esforçaremos para dar continuidade ao projeto que faz da Unicamp uma instituição de expressão nacional”, completou. O novo reitor também destacou que sua gestão se manterá fiel ao programa de gestão apresentado à comunidade acadêmica. Em suas palavras de despedida, Fernando Costa disse que foi um privilégio e uma honra atuar como reitor da Unicamp nos últimos quatro anos. “Tive a honra de participar da administração do professor Tadeu como coordenador-geral e tenho certeza de que a Unicamp estará em ótimas mãos nos próximos anos. Desejo ao professor Tadeu e sua equipe toda felicidade em sua gestão”, disse. Fernando Costa agradeceu à sua equipe de gestão e fez questão de citar nominalmente os professores e funcionários que atuaram mais diretamente ao seu lado. “É importante ressaltar que eles, os melhores e mais brilhantes companheiros que poderia encontrar, foram os responsáveis por todos os sucessos e objetivos alcançados”, disse. Obra é referência em pesquisas sobre o controle da água Objetivo é levar aos leitores a compreensão sobre o conceito do tratamento e todos seus processos Selo da Editora Interciência, a obra Processos Biológicos Avançados para Tratamento de Efluente e Técnicas de Biologia Molecular para o Estudo da Diversidade Microbiana é parte do trabalho de três décadas do Laboratório de Controle de Poluição da Água do Coppe/UFRJ (Labpol) acerca dos processos biológicos de tratamento de águas residuárias. Classificada pelo Prêmio Jabuti 2012 entre os 10 melhores na categoria Ciências Exatas, hoje, é considerado referência em pesquisas para instituições públicas e privadas sobre o controle da água. Os pesquisadores mantêm diálogo constante com outros setores da UFRJ e têm parcerias com indústrias que estão compromissadas com a preservação da qualidade da água. O livro é fruto das inúmeras discussões que versam sobre diversos aspectos, como o volume de lodo gerado, a eficiência do processo, os aglomerados microbianos, a formação e a eficiência dos biofilmes, como utilizaras informações obtidas pelas técnicas moleculares, entre outros, mas especialmente sobre os fundamentos dos processos. A busca constante por unidades compactas e eficientes para o tratamento dos mais variados tipos de efluentes tem levado o desenvolvimento dos processos biológicos. De acordo com os autores, o livro contribui para a formação de profissionais, sejam da área acadêmica ou do setor produtivo e que tenham seus trabalhos voltados para o meio ambiente. O objetivo é levar aos leitores a compreensão sobre o conceito do tratamento e todos seus processos. Geraldo Lippel Sant´Anna Jr, João Paulo Bassin e Márcia Dezotti são os autores. Geraldo é engenheiro químico, Mestre em Engenharia Química, Doutor em Engenharia de Processos, membro da Academia Brasileira de Ciências e, atualmente é consultor técnico da empresa Archeon, além de ter sido professor do programa de Engenharia Química da COPPE/UFRJ por mais de 30 anos. João Paulo é graduado, Mestre e Doutor em Engenharia Química e também em Biotecnologia Ambiental. E Márcia Dezotti é graduada, Mestre e Doutora em Química, além de ser coordenadora do LabPol, o qual possui diversos convênios internacionais e projetos com indústrias, e professora associada no programa de Engenharia Química da COPPE/UFRJ. 24 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Antonio Scarpinetti – Ascom/Unicamp Unicamp tem novo reitor Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 25 notícias 18ª FCE Pharma tem apoio das principais entidades do setor farmacêutico Abifina, Abiquifi, Agência USP, Alanac, Anfarlog e Sindusfarma, são algumas das parcerias para a edição deste ano, reforçando a feira como eixo de negócios do setor A FCE Pharma é a principal vitrine do mercado farmacêutico e são as parcerias de sucesso que consagram, mais uma vez, o evento. Para a 18ª edição, que acontece de 14 a 16 de maio no Transamerica Expo Center, em São Paulo, a NürnbergMesse Brasil – empresa que organiza a feira - repetiu parcerias de sucesso e trouxe novos aliados para agregar ainda mais qualidade ao evento. A edição 2013 contará com o apoio de entidades como: Agência USP de Inovação, Associação Brasileira de Embalagens (Abre), Associação Brasileira da Indústria Farmoquímica (Abiquifi), Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (Pró-Genéricos), Associação Brasileira da Indústria de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (Abifina), Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac), Grupo dos Profissionais Executivos do Mercado Farmacêutico (Grupemef), Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Sociedade Brasileira de Controle de Contaminação (SBCC). E pela primeira vez terá a Associação Brasileira da Indústria de Medicamentos Isentos de Prescrição (Abimip) e a Associação Nacional de Farmacêuticos atuantes em Logísticas (Anfarlog). Na edição anterior 600 expositores participaram Pela sexta vez consecutiva, a aliança com a SBCC foi reforçada e tem o objetivo divulgando seus produtos e serviços de levar informações técnicas sobre as mais atuais práticas no controle de contaminação de áreas fechadas. “Em nosso espaço teremos uma área específica para demonstrações, com isso o público poderá acompanhar diversos procedimentos e entender o que deve e o que não deve ser feito em um local classificado”, explica Luciana Kimi, responsável pelo Pavilhão SBCC. De acordo com o presidente da Anfarlog, Saulo de Carvalho Junior, “a FCE Pharma é uma das mais importantes feiras do segmento, pois reúne em um único evento, todos os principais e mais importantes fornecedores da indústria farmacêutica”. Para a analista da Agência USP de Inovação, Daniela Maia, participar de um evento como a FCE Pharma dá visibilidade aos projetos e tecnologias que a USP desenvolve, a feira se torna uma vitrine para os produtos da instituição de ensino. “Por termos universidades que atuam em áreas relacionadas ao interesse do público que a feira recebe, as quais produzem um número expressivo de inovações, acreditamos que a importância de nossa exposição não se restringe à comunidade USP, mas aos outros expositores e visitantes. Além de certificarem-se dos progressos para o mercado realizados através dos estudos acadêmicos, nossa inserção no evento abre portas para novas oportunidades oferecidas às empresas que desejam realizar desenvolvimentos em parceria e buscar soluções de demandas”, finalizou. A revista Analytica estará presente no evento. Venham nos visitar: estande número D21. Mais de 20.000 profissionais visitaram a última edição do evento 26 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 27 c a pa Salas Limpas De Lister à Biossegurança Salas cada vez mais limpas Ao longo de um século e meio, normas internacionais e tecnologia transformaram salas limpas em “cofres” contra a contaminação 28 E nquanto o inglês Joseph Lister lia a respeito dos experimentos de Louis Pasteur sobre a ocorrência de micro-organismos e sugestões de como eliminá-los, na década de 60 do século 19, não tinha como imaginar o quanto a assepsia – cujas primeiras práticas ele lançaria nessa mesma época – adquiriria de importância ao longo dos 140 anos seguintes. Quando o pai da antissepsia moderna começou a utilizar fenóis primitivos para controlar a formação de gangrenas nas feridas dos pacientes, convencendo seus auxiliares a lavarem as mãos e borrifarem as salas onde ocorriam os procedimentos cirúrgicos com soluções desses mesmos ácidos carbólicos, também não havia como imaginar que as condições de controle de contaminação em ambientes como esse seriam levadas tão a sério – a ponto de se criar um conceito próprio para isso, o de “salas limpas”, formalizado apenas um século depois das descobertas de Lorde Lister, por meio da US Federal Standard 209. Impedir a proliferação de agentes prejudiciais a processos de manipulação farmacêutica ou procedimentos médicos deixou de ser apenas uma preocupação de estudiosos do campo da medicina e se transformou numa questão mais abrangente. Hoje, a definição desse modelo de controle de contaminação é feita já no projeto arquitetônico, na preo- Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Obra Dânica – Omni Manufacturing (México) Joseph Lister, o pai da antissepsia cupação com os materiais utilizados na montagem dos ambientes, na engenharia e tecnologia agregadas ao design de cada divisória, cada componente de uma sala limpa. Seu uso também transcendeu os campos de conhecimento ligados à Saúde: o processo produtivo de quase tudo que nos cerca passou, em algum momento, por uma sala limpa, instalada em ambientes da indústria de alimentos, bebidas, pesquisa automotiva, microeletrônica, aeroespacial, cosmética ou muitas outras. Com a ISO 14644, em 2001, foi possível balizar os padrões adequados para a instalação de uma sala limpa. Aliados a isso, organismos de vigilância sanitária e produtiva, como Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 a norte-americana Food and Drugs Administration (FDA) e a brasileira Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passaram a contar com orientações mais específicas. “Hoje, é necessário que todos os produtos e processos de arquitetura pré-fabricada para a construção de salas limpas cumpram os procedimentos de Boas Práticas de Fabricação (em inglês, as GMPs – Good Manufacturing Practices) por exigência desses órgãos oficiais”, explica o engenheiro Alessandro Gazzi, coordenador de projetos da Divisão Salas Limpas da Dânica, líder brasileira em projeto, produção e montagem de salas limpas. As GMPs geram orientações diretas em relação às características dos produtos (lisos, sem arestas) e dos materiais usados (que devem ser escolhidos de acordo com sua resistência ao desgaste, a ausência de liberação de partículas para ambiente interior, a possibilidade de serem lavados, sua resistência a agentes sanitizantes e sua neutralidade em relação a líquidos, sólidos e gases agressivos). Além disso, há diretrizes ligadas à sustentabilidade do processo produtivo completo: métodos de engenharia aplicados durante a implantação do projeto, com o objetivo de obter soluções apropriadas e com custo adequado; segurança e saúde ambiental; gerenciamento dos profissionais de engenharia de projeto, instalação e comissionamento; itens de documentação como conceito de projeto, resultados de testes e desenhos esquemáticos; e balanços apropriados sobre tempo de execução, custos, engenharia de qualidade, riscos etc. Para completar as necessidades, é preciso contar durante todo o processo de produção e montagem de uma sala limpa com profissionais qualificados e treinados, instalações apro29 c a pa Acima e ao lado: obra Dânica - Neoquímica Hypermarcas (Brasil) priadas, equipamentos adequados, instruções precisas, transporte e armazenamento sem riscos e rígidas ferramentas de controle. Experiência e tecnologia contra a contaminação Como visto, não é fácil fazer uma sala limpa. Trata-se de um desafio que exige experiência aliada à tecnologia para a criação de métodos produtivos e de montagem. Além disso, é desejável que a empresa responsável pelo projeto, produção, logística e montagem tenha extenso know-how, abundante conhecimento técnico (afinal, nada pode ser adaptado, sob o risco de infringir as GMPs) e muito esmero no processo de transporte, montagem e acabamento, para gerar um resultado dentro dos padrões exigidos pelo mercado e pelos órgãos reguladores. Contar com uma grande estrutura produtiva e uma extensa rede de atendimento também ajuda. No caso das salas limpas da Dânica, há rígido controle atmosférico, 30 definido pelo índice de contaminação por partículas microbianas. São estruturas que podem ser lavadas, sanitizadas e não liberam partículas em seu interior. Todas as estruturas são adequadas à necessidade de trabalho dos profissionais, para qualquer fluxo de pessoas e materiais e todas as classificações de ambiente (com características específicas às necessidades de higienização em diferentes graus). A ventilação, por exemplo, segue fluxo unidirecional para Classe 100 (ISO 5) ou menor, e fluxo não-unidirecional para classe 1000 (ISO 6) ou maior. Na opinião do Diretor Comercial – América Latina da Dânica, Tadeu Gonsalez, o Brasil está bem posicionado em relação às tendências internacionais da arquitetura de salas limpas: “Apesar de bem difundida na indústria farmacêutica e no setor hospitalar, a tecnologia de salas limpas deve ser uma constante busca pela qualidade e segurança. O foco deve estar na melhoria contínua do processo de produção e da qualidade dos produtos”. “Dessa forma”, ele complementa, “pode-se dizer que o Brasil tem tecnologia compatível com o que se apresenta no mundo e a Dânica é a comprovação disso, com seus projetos de ponta na pesquisa de inovações para salas limpas”. Os processos e sistemáticas desenvolvidos no Brasil já ultrapassaram nossas fronteiras e a Dânica já montou salas limpas em países como Peru, Venezuela, Cuba, Colômbia e Bolívia. Tudo isso sem contar os Estados Unidos, a Europa e o México, onde a empresa também conta com uma planta quase 100% voltada para esse segmento. Especificações precisas, do piso ao forro Existem algumas recomendações usuais para projetos de salas limpas. Normalmente, a forma das salas é retangular ou quadrada. É essencial que pisos, paredes, forros, portas e visores tenham superfícies lisas, sem ranhuras e espaços mortos, o chamado padrão flush. No caso das paredes e do forro, Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Obra Dânica - Novo Nordisk (Brasil) a preferência deve ser por tintas e materiais claros, que refletem e distribuem melhor a luz artificial. Nas superfícies internas, a escolha deve ser por tons pastéis, que proporcionam efeito calmante sobre o sistema nervoso e prevenção contra a fadiga ocular. As superfícies devem ser impermeáveis, laváveis, fáceis de limpar e resistentes a ataques químicos. A altura média das salas deve ficar em torno de 3m. Desde o projeto, devem ser evitadas salas com área maior que 70m² e com colunas internas. As uniões parede-teto, parede-piso e parede-parede devem ser arredondadas. Em salas pequenas, a presença de visores ou painéis de vidro é vital, para combater a claustrofobia. Para completar, sistemas de ar comprimido, dutos de exaustão, retornos de ar condicionado etc. devem ser embutidos (modo shaft) e as superfícies de instrumentos como boxes de lavagem e cabines de pesagem devem ser em aço inox. Obra Dânica - Nucitec (México) Os painéis de aço contam com uma série de vantagens: não geram fissuras, pois a vedação é feita com silicone, que absorve os movimentos; não há necessidade de manutenção; são autoportantes (têm função estrutural) e antissísmicos (têm elasticidade e baixo peso); contam com elevado isolamento térmico e Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 acústico e barreira de vapor total; a gama de acabamentos é de alta qualidade; há a possibilidade de reaproveitamento; seu revestimento não é corrosivo (as lâminas são zincadas e pré-pintadas); há disponibilidade de painéis complementares de serviço; e são fáceis de limpar. 31 c a pa Os modelos disponíveis também contam com a vantagem da função modular. A Dânica, por exemplo, disponibiliza painéis com dois sistemas de fixação. Os modelos Click têm grande aplicabilidade para projetos que necessitem de facilidade de acesso a áreas específicas e necessidade de remoção de equipamentos para manutenção. Essa modalidade também oferece flexibilidade de layout para intervenções pontuais e rápidas, por ser de fácil desmontagem e remontagem. Há também os modelos MF, com encaixe estilo macho-fêmea, que têm montagem rápida e preço competitivo. Lã de rocha, gaxeta ativa e aço inox: tendências para o presente e futuro próximo O desenvolvimento de inovação de tecnologia e materiais no segmento de salas limpas exige grande pesquisa e cuidado, pois cada ponto do projeto precisa se enquadrar nas normas vigentes. Assim, a modelo construtivo costuma se manter estável e as inovações dizem respeito ao aperfeiçoamento de estruturas já existentes. O que mais se discute na atualidade é a migração dos núcleos isolantes dos painéis. “Há uma tendência muito forte na utilização de divisórias, forros e portas com isolamento em lã de rocha (LDR)”, re- lata o engenheiro Alessandro Gazzi, da Dânica. Ele detalha os motivos da transição: “Essa tendência é relacionada à segurança predial, pois a LDR é totalmente incombustível, o que permite que algumas seguradoras ofereçam valores diferenciados de seguro para ambientes construídos usando esse material”. Outra importante tendência atual tem relação com a área de Biossegurança, desenvolvimento genético e proteção aos profissionais dessas áreas. “As portas e pass-through para a área de Biossegurança passaram a contar com a utilização de gaxeta ativa em todo o perímetro, por meio de ar comprimido quando a porta está fechada. Isso a torna Saiba mais sobre os componentes básicos de uma sala limpa Painéis SL: bases do sistema construtivo para salas limpas, contam com revestimento metálico com acabamento flush e núcleo isolante, para aplicação como paredes e divisórias autoportantes. Suas opções de sistema de junção permitem remoção de painéis e fácil e rápida reconfiguração de layout. Como são peças modulares, contam com largura útil padrão de aproximadamente 1.150 mm e comprimento de acordo com o projeto de cada sala, evitando juntas horizontais. A vedação dos encaixes, quando necessária, é feita com silicone neutro desenvolvido especialmente para uso em salas limpas. Portas SL: produzidas em uma única chapa de aço também com núcleo isolante e revestimento metálico, contam com perfis e batentes em alumínio e acabamento com cantos arredondados (sem arestas e junções com perfis), minimizando o risco de contaminação, e dobradiças e maçanetas em aço inoxidável. Elementos de automação como eletroímãs, sinaleiras e botoeiras – necessários para o intertravamento das portas – devem ser desenvolvidos de modo que fiquem flush (embutidos no batente), evitando ao máximo cantos sobressalentes. Forros: produzidos com o mesmo material das divisórias, em placas modulares com comprimentos confeccionados de acordo com o projeto. Devem ser utilizados elementos pontuais para garantir a sustentação do forro, permitindo que se caminhe acima dos painéis em caso de necessidade de limpeza e manutenção de luminárias ou difusores (é necessário verificar essa possibilidade caso a caso). Pass-Through: considerado como sistema de passagem ou troca, é constituído através de uma caixa em aço inoxidável escovado 304, 32 com portas padrão SL em abas nas extremidades, interligando uma sala à outra. Conta com sistema de intertravamento, que bloqueia uma das portas quando a outra estiver aberta (para evitar contaminação cruzada entre as salas). Pode ser confeccionado todo em aço inoxidável ou com corpo em aço inoxidável e portas na cor branca. Visores: confeccionados com vidros duplos montados em uma estrutura de alumínio extrudado, anodizado ou pintado. Contam com sílica gel na parte inferior, para eliminar a formação de condensação interna. A retirada do ar úmido entre as duas lâminas de vidro se faz por meio da injeção de ar argônio. O visor deve possuir a mesma espessura da parede em que será instalado (planificado em ambos os lados), seja em divisórias, drywall ou alvenaria. Os visores são ideais para evitar os efeitos da claustrofobia em salas pequenas e fechadas. Acabamentos: os principais elementos de acabamento de uma sala limpa são os cantos arredondados, peças em alumínio anodizado ou pintado utilizadas para dar acabamento em cantos de parede/piso, parede/parede e parede/teto. Com raio de 50 mm, sua principal função é evitar o acúmulo de sujeira, poeira e, principalmente, umidade, garantindo a integridade e qualidade dos ambientes. Os demais perfis também devem ser em alumínio extrudado com design arredondado desenvolvidos para atender à função técnica – como o perfil T, que une e sustenta uma placa de forro e a outra adjacente. Acessórios: há ainda os complementos disponíveis projeto a projeto, como luminárias, biombos, divisórias de vidro e protetores mecânicos. Fonte: Divisão Salas Limpas – Dânica Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Obra Dânica - PiSa (México) 100% estanque”, resume Gazzi. Além disso, o conforto dos profissionais também tem gerado melhorias nos projetos de salas limpas. “Existe também uma tendência de utilização de grande número de visores”, conta Gazzi, “para dar mais conforto ao usuário e possibilitar a visitação de áreas sem necessidade de entrada na sala limpa, evitando o risco de contaminação e custos adicionais com roupas especiais”. Para as áreas de injetáveis, hormônios e líquidos, em que há um grau maior de classificação nas salas, o aço inox tem se tornado comum no acabamento externo. Há novidades relacionadas também às divisórias de vidro temperado. Gazzi descreve: “Esse modelo de divisória é muito indicado para área de embalagem primária e secundária. Sua vantagem está na facilidade de limpeza, no visual para o usuário e, principalmente, no controle produtivo pelo supervisor de fábrica. A desvantagem é que, se não forem bem aplicadas, podem conter pontos com falhas na vedação, gerando perda térmica, problemas no sistema de HVAC e pontos de contaminação cruzada”. Núcleo isolante: prioridade para a segurança O sistema construtivo modular pré-fabricado é o mais comum do mercado de salas limpas. A maior parte dos painéis sanduíche tem revestimento externo em aço e núcleo com isolamento térmico. E aí reside uma das grandes dúvidas dos compradores da área: qual o “recheio” ideal para esse sanduíche? Durante muito tempo, o uso do poliestireno expandido (EPS, conhecido como isopor) predominou nos mercados que utilizam isolamento térmico (além das salas limpas, segmentos como câmaras frigoríficas e construção civil). Porém, quesitos como reação ao fogo e potencial de isolamento fizeram o mercado repensar essa opção. “Os núcleos mais usados hoje no mercado de salas limpas são os isolamentos em poliuretano (PUR) e poli-isocianurato (PIR). Há um aumento significativo da utilização do isolamento em lã de rocha (LDR), mas ainda bem menor se comparado com o PUR e o PIR”, comenta Alessandro Gazzi. Aí surge outro importante fator de escolha, que beneficia o PIR Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 nesse duelo. O uso de linhas contínuas de produção de painéis em PUR e PIR – como as que a Dânica tem instaladas nas plantas de Aparecida do Taboado, MS, e Recife, PE – ampliou muito a capacidade produtiva (aproximadamente 2 mil m² em um único turno). Isso também tornou o custo do metro quadrado do painel em PUR e PIR mais próximo ao do painel em EPS. Mas é no quesito resistência à propagação de fogo que o PIR se consagra. “Por ser um produto com aglomerantes químicos em sua composição, apresenta elemento retardante a fogo muito superior se comparado ao EPS. O núcleo em PIR apresenta resistência acima até do núcleo em PUR”, detalha Gazzi. No caso da Dânica, o PIR foi testado nos laboratórios da FM Approvals – órgão de padronização e certificação mantido pelo FM Global Group (Factory Mutual, que reúne empresas de seguros e gestão de riscos), conforme norma FM 4880. O PIR foi classificado como Class 1 Insulated Wall & Roof/Ceiling Panels (parede e forros isolados). 33 Reserve já seu espaço no Guia 2012/2013 Guia Analytica AS MELHORES OPORTUNIDADES PARA O SEU NEGÓCIO • 2012/2013 • 8ª Edição Fornecedores, produtos e serviços para instrumentação e controle de qualidade industrial aa z De Uma publicação da Editora Eskalab Guia Analytica 2013/2014 Sua Empresa Não Pode Ficar De Fora! O Guia Analytica é o mais completo guia de empresas, produtos e serviços para laboratórios de controle de qualidade. Se a sua empresa é prestadora de serviços, fabricante ou fornecedora de produtos e equipamentos para laboratórios de controle de qualidade, não fique de fora. Saiba mais sobre este produto. 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Não faz sentido ter uma máquina em cada unidade ou órgão. É preciso aumentar a eficiência do uso dessas tecnologias. Nesse sentido, o modelo adotado pela Unicamp é exemplar”, afirmou. Foto: Antoninho Perri (Ascom – Unicamp) A Unicamp inaugurou o Laboratório Central de Tecnologias de Alto Desempenho (LaCTAD), unidade multiusuário que reúne equipamentos de última geração destinados a análises nas áreas de Genômica, Bioinformática, Proteômica e Biologia Celular. Durante a inauguração, o pró-reitor de Pesquisa da Unicamp, Ronaldo Pilli, lembrou que antes mesmo da conclusão do prédio do laboratório os equipamentos já estavam em operação, descentralizados nas unidades de ensino e pesquisa. “Agora, vamos reuni-los aqui, onde ficarão à disposição dos pesquisadores da Universidade e de outras instituições do país”. O objetivo do LaCTAD, destacou Pilli, é apoiar as pesquisas em áreas estratégicas das ciências da vida, tendo por princípios a LaCTAD: Modelo já existe nas boas universidades de todo o mundo. No Brasil, porém, ainda é pouco difundido 36 Fernando Costa, reitor da Universidade, considera que todo investimento em laboratório é importante. “Nós não estamos inventando nada com a criação do LaCTAD. Esse modelo existe no mundo todo, nas boas universidades. No Brasil, porém, ele ainda é pouco difundido”, lembrou. Apesar disso, continuou o reitor, a tendência é que esse modelo seja multiplicado pelo país, em razão das vantagens que ele proporciona. “Além de atender às necessidades dos pesquisadores, o laboratório multiusuário reduz custos com insumos, manutenção e pessoal especializado para operá-lo. É assim que se faz ciência de qualidade no mundo todo”. Ainda segundo o reitor, antes mesmo de ser inaugurado oficialmente, o LaCTAD já começa a trazer consequências positivas para a Unicamp. “A Universidade assinou dois convênios importantes por causa da existência do laboratório. Uma das parcerias foi firmada com a Embrapa e outra, com o Instituto Politécnico de Madrid. Tenho certeza de que esta unidade será muito útil para as pesquisas nas áreas contempladas e dará um importante impulso à ciência do país”, analisou. Os equipamentos têm capacidade para realizar inúmeros procedimentos, tais como análise de sequenciamento de DNA e RNA, montagem de genomas, análise de microscopia confocal e purificação de proteínas, entre outros. A unidade dispõe de um Conselho Científico de Administração formado por especialistas da Unicamp, que respondem pela supervisão geral das atividades do laboratório. São eles que estabelecem diretrizes e metas, por exemplo. Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Fotos: Antoninho Perri (Ascom – Unicamp) Membros da equipe de pesquisadores de Gênomica: Marcus Vinícius Costa Pedroni, Susely Ferraz de Siqueira Tada e Leonardo Minete Cardozo Serviços oferecidos pelo LaCTAD Biologia Celular O LaCTAD na área de Biologia Celular tem como objetivo disponibilizar e impulsionar pesquisas, disponibilizando aos seus usuários uma infraestrutura de prestação de serviços para monitoramento e manipulação de células e tecidos, através de técnicas de Citometria de Fluxo, Microscopia Confocal e Imunoensaios Multiplex. Genômica Na área de Genômica o LaCTAD tem como objetivo disponibilizar e impulsionar pesquisas, disponibilizando infraestrutura de prestação de serviços para sequenciamento de ácidos nucleicos, dispondo de duas plataformas de sequenciamento: Sequenciamento de nova geração “Next-gen” e Sequenciamento “Sanger” (eletroforese capilar). Proteômica O LaCTAD na área de Proteômica tem como objetivo disponibilizar e impulsionar pesquisas, disponibilizando aos seus usuários uma infraestrutura de prestação de serviços para análise, identificação, purificação de proteínas e estudo de in- terações calorimétricas de proteínas-proteínas e proteínas-ligantes, através das técnicas de Espectrometria de massas (Xevo ESI-QTOF) e Calorimetria de Titulação Isotérmica (Auto-iTC200). Bioinformática Na área de Bioinformática o LaCTAD disponibiliza uma infraestrutura de prestação de serviços nas seguintes técnicas: • Montagem de genomas e transcriptomas (Sanger/Illumina/Solid/454) • Anotação funcional • Análise de Gene Ontology • Agrupamento de famílias gênicas • Redes metabólicas • Redes de interação proteína-proteína • Biologia de Sistemas • Quantificação de expressão gênica por MicroArray ou RNA-SEQ • Resequenciamento e busca de variantes • Análises de SNPs e marcadores moleculares • Integração de informações biológicas • Desenvolvimento de bancos de dados relacionais e interfaces web para consulta e mineração de informações Saiba mais: http://www.lactad.unicamp.br/ Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 O analisador de genomas modelo HISEQ2000 da Illumina é um dos equipamentos de última geração que compõem o laboratório 37 em foco Coleta e análise de grande quantidade de dados Raman em alta resolução Com o novo software WiRE 4 da Renishaw, os usuários do inVia podem produzir imagens químicas de alta definição a partir de grandes conjuntos de dados Raman. Imagem de qualidade superior. A tecnologia por trás do WIRE 4 permite a produção de imagens nítidas e claras – na tela e impressas – sem processamento, interpolação ou pixelação. Aumento da exatidão e confiança. O WIRE 4 permite que usuários coletem e trabalhem com máxima eficiência uma quantidade maior de dados, observem mais detalhes e gerem imagens mais ricas para seus relatórios e trabalhos científicos. A informação adquirida com o WIRE 4 proporciona uma compreensão completa das amostras porque permite que os domínios sejam quantificados e descritos em detalhe simultaneamente. O usuário obterá informações mais exatas e representativas sobre sua amostra, permitindo resultados com um novo nível de confiança. A Renishaw é uma empresa líder mundial em metrologia e espectroscopia, com uma comsolidação histórica sólida de inovações em desenvolvimento e fabricação de produtos. Desde sua fundação em 1973, a empresa fornece globalmente produtos inovadores, que aumentam a produtividade dos processos, aprimoram a qualidade dos produtos e fornecem soluções de automação com a melhor relação custo-benefício. Um alto nível de investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) resultou em desenvolvimentos em outras áreas tecnológicas, incluindo os microscópios Raman para a análise espectral de materiais. Historicamente, os investimentos totais em P&D, incluindo os custos de engenharia associados, alcançam 17% do faturamento. Saiba mais (11) 4195-2866 [email protected] Veolia traz sistema de água ultrapura de pouco volume A Veolia Water Brasil disponibiliza o Purelab flex 3 & 4, da linha Elga LabWater, indicado para sistemas de água ultrapura de pouco volume, adaptado para atender às diversas necessidades e exigências de água ultrapura para aplicações analíticas e nas ciências da vida. Com visor de ponto de uso, o equipamento garante confiança absoluta na pureza da água enquanto esta é liberada. As informações são exibidas de maneira clara e fácil a todo o momento, bem como o status do sistema, temperatura, alarmes, horário e Carbono Orgânico Total (TOC). Com a utilização do biofiltro da saída de água do equipamento é possível alcançar valores de pureza para bactérias abaixo de 0,1CFU/ml; endotoxinas menor que 0,001EU/ml; RNAse menor que 0,002ng/ml e DNase menor 20pg/ml. Com as portas de acesso fácil, rotinas de higienização são realizadas em minutos, poupando tempo dos pesquisadores. O Purelab flex 3 fornece água ultrapura a partir de água potável, enquanto o Purelab flex 4 requer um sistema de pré-tratamento. O Purelab flex atende às normas internacionais da água, como CLSI, CLRW, ISO 3696, ASTM, US, EP e JP. Ambos os sistemas liberam água em uma vazão de até 2 litros por minuto e fornecem diversas opções de distribuição, desde volumes controlados, como gota a gota, até volume automático que bloqueia a dispensa de água para enchimento rápido de grandes recipientes. Saiba Mais Os sistemas de purificação de água flexíveis Purelab flex 3 & 4 podem ser adaptados [email protected] para responder tanto às mudanças dos laboratórios quanto à necessidade de água ultrapura. 38 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 39 em foco Linha de cromatógrafos a gás A Wasson-ECE é uma empresa norte-americana especializada há mais de 25 anos em desenvolver equipamentos e metodologias para as mais diversas aplicações, usando os cromatógrafos a gás, novos ou usados, da marca Agilent Technologies. Os produtos são sistemas chave para soluções analíticas onde a cromatografia gasosa convencional não consegue atuar. Dentre os serviços prestados, destacam-se: desenvolvimento de equipamentos, processos analíticos automatizados, equipamentos para monitoramento do ar em ambientes abertos, métodos para gás liquefeito de petróleo, gás de refinaria, destilação simulada, DHA, monômeros, gás natural, dentre outros. Os equipamentos possuem a garantia de todos serviços prestados e disponibilidade de assistência técnica no Brasil com técnicos altamente especializados. Hoje a LAS do Brasil é o único distribuidor autorizado da Wasson-ECE. Saiba mais (62) 3085-1928 [email protected] www.lasdobrasil.com.br Chega ao mercado a terceira geração da consagrada tecnologia de dissolução sem banho da Distek O Symphony 7100 vem para consolidar esta tecnologia como a melhor opção para quem procura associar alta tecnologia com rapidez, praticidade e confiança. O sistema não utiliza banho hidrostático, atingindo em 15 minutos a temperatura programada por meio de jaquetas térmicas, economizando água e energia elétrica. É o único do mercado capaz de operar em um mesmo teste, com rotação, temperatura e aparatos diferentes em cada cuba, tornando-se uma importante ferramenta para desenvolvimento analítico. 40 Sensor de temperatura embutido na haste, registra durante todo teste a temperatura dentro de cada cuba onde está ocorrendo a dissolução, trazendo mais confiabilidade ao seu ensaio. Todos os recursos do equipamento são operados a partir de um único display colorido, sensível ao toque, com uma interface intuitiva e de fácil operação, onde é possível acessar o manual do equipamento, armazenar e editar até 100 métodos, guardar dados de qualificação, imprimir resultados e muito mais, tudo isso com níveis diferenciados de acesso e protegidos por senhas. Desde os primeiros modelos, a tecnologia bathless da Distek mostrou que a dissolução de comprimidos pode ser mais rápida, prática, limpa e econômica. A Chemetric é a responsável pela Distek no Brasil. Saiba mais www.chemetric.com.br Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 41 em foco Duas placas inovadoras para cultivo de células A Greiner Bio-One, associada à tecnologia de ponta para a indústria diagnóstica e farmacêutica, apresenta duas placas inovadoras para o cultivo de células com um e quatro compartimentos. A OneWell Plate™ é adequada para utilização em cultura de células e na automação bacteriológica, enquanto que a FourWell Plate™ é ideal para cultivar células em slides. Ambos os produtos estão em conformidade com as normas do Instituto Nacional Padrão Americano (ANSI) para microplacas. A OneWell Plate™ é uma placa de cultura de células com um compartimento adequado para o cultivo e análise de bactérias. Seu formato permite a replicação automática de colônias de bactérias. A forma retangular da OneWell Plate™ e o fato de poder ser empilhada, permite uma utilização altamente eficiente do espaço na incubadora. Para a cultura de células aderentes, a Greiner Bio-One desenvolveu um modelo cuja superfície é hidrofilisada usando tratamento físico. Com suas quatro câmaras individuais, a FourWell Plate™ oferece espaço para quatro slides, permitindo assim, ensaios paralelos. Amostras de células e tecidos cultivadas nestes slides podem ser suplementadas por meios de cultura de forma prática e rápida. As amostras podem ser examinadas diretamente sob um microscópio. Cavidades semicirculares na base de cada poço facilitam a remoção dos slides pelo uso de pinças. Espaçadores previnem que os slides deslizem para a extremidade do poço, evitando a cobertura destas cavidades. Ambas as placas são de poliestireno transparente, estéreis e isentas de pirogênios detectáveis, DNA humano, DNases e RNases. Suas dimensões externas estão em conformidade com os padrões do Instituto Nacional Padrão Americano (ANSI). As placas podem ser usadas em uma variedade de sistemas automatizados. A borda biselada na tampa e na placa garante a aplicação da tampa apenas numa direção. As placas também podem ser usadas como recipientes multiusos para lavagem de membranas em ensaios de Southern, Northern e Western Blots, por exemplo. A OneWell Plate™ e FourWell Plate™ fazem parte da linha de produtos Cellstar® da Greiner Bio-One. Saiba mais www.gbo.com (19) 3468-9613 Novo Amostrador Automático de Headspace TriPlus 300 A Thermo Fisher Scientific, líder mundial a serviço da ciência, acaba de lançar o TriPlus 300, um sistema headspace de extração/injeção à base de válvula e loop, com bandeja para 120 vials e forno de incubação para 18 vials, que proporciona alta produtividade na determinação de compostos orgânicos voláteis. Sua ampla faixa de temperaturas de operação, de 30° a 300°C, torna-o compatível com amostras biológicas sensíveis, analitos termolábeis e aplicações de headspace em altas temperaturas. A integridade da amostra e a ausência de carryover são garantidas por seus materiais quimicamente inertes. A flexibilidade do Headspace TriPlus 300 é otimizada pela sua combinação com o TRACE 1300 Series GC da Thermo Scientific, cuja modularidade permite ao usuário transferir em poucos minutos o headspace de um GC para outro, sem modificar a instalação pneumática do GC. Amostras prioritárias podem ser colocadas na bandeja de vials, em qualquer posição e a qualquer momento, para TriPlus 300 HS alta produtividade rapidamente gerar resultados. e flexibilidade na análise As especificações técnicas do TriPlus 300 atende orgânicos voláteis dem integralmente às exigências dos métodos por Saiba Mais GC e GC-MS dos laboratórios farmacêuticos, forenses e ambientais, tornando (11) 2162-8080 esse sistema de headspace o instrumento preferido para as determinações [email protected] automáticas e confiáveis de compostos orgânicos voláteis. 42 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 43 em foco Novo Espectrômetro Elementar iCAP 7000 Series ICP-OES A Thermo Fisher Scientific, líder mundial a serviço da ciência, lançou a série de espectrômetros de emissão por plasma iCAP 7000 que otimizam o fluxo de trabalho e minimizam o custo da análise. Essa nova plataforma de ICP-OES facilita a análise de elementos presentes na ordem de traços em amostras farmacêuticas, ambientais, industriais e de alimentos e bebidas. O software Qtegra, integrado ao iCAP 7000, permite personalizar as operações em três etapas simples: introdução da amostra, criação de relatórios e iCAP 7000 Series ICP-OES: aumenta interpretação de dados. Métodos pré-otimizados simplificam o desenvolvimento a produtividade e reduz o custo das análises de novos métodos e ferramentas avançadas guiam o usuário e facilitam as tarefas mais complexas. A combinação do iCAP 7000, de tecnologia inovadora, com o software inteligente Qtegra foi desenvolvida para auxiliar os novos usuários a alcançarem os resultados desejados com confiabilidade. A ótica recém-projetada do iCAP 7000 Series proporciona alta sensibilidade e o gerador de frequência RF garante grande robustez. A plataforma Qtegra permite integrar uma variedade de periféricos e foi definida originalmente para ICP-MS com pleno atendimento às exigências da diretiva 21 CFR Parte 11. Saiba Mais A série iCAP 7000 ICP-OES é disponibilizada em três modelos: 7200 iCAP, indicado para um (11) 2162-8080 número de amostras relativamente baixo, iCAP 7400 para laboratórios de médio porte e iCAP 7600 [email protected] que oferece a mais alta produtividade da série e acessórios avançados como ablação a laser. Acelererando a análise e visualização de dados com TIBCO Spotfire® Cientistas, analistas e gerentes de laboratório precisam lidar com quantidades cada vez maiores de dados que são gerados dentro e fora das suas organizações. Dar sentido a este grande volume de informação, mesclá-lo e tomar decisões rapidamente, pode ter um impacto significativo para o sucesso. Os sistemas de Business Intelligence (BI) tradicionais não dão a liberdade necessária ao usuário final e alguns recorrem a planilhas eletrônicas, mas à medida que a quantidade de dados cresce, novos desafios são revelados como a transcrição de dados e a junção manual de conjuntos de dados isolados (experimentos diferentes). A Plataforma TIBCO Spotfire® atende às necessidades dos diferentes usuários – de cientistas a usuários de negócio – na análise de grandes volumes de dados ou na predição estatística de resultados com uma única arquitetura, integrando-se a diferentes fontes de dados, sejam elas bancos de dados, planilhas Excel ou arquivos texto. A plataforma TIBCO Spotfire facilita a análise de dados em inúmeras aplicações como genômica e proteômica, para identificar os genes mais promissores e compreender a sua relevância biológica, em química para combinar os resultados de ensaios com as propriedades e estruturas químicas de compostos em estudos SAR (Structure Activity Relationship), monitorar processos de fabricação, ou analisar informações de produtividade de laboratórios. Tibco Spotfire® ajuda cientistas, técnicos e usuários de negócio a focar na investigação e tomada de decisões, fornecendo um meio de fazer perguntas envolvendo todos os dados disponíveis, em um único ambiente. Entenda melhor em http://www.cambridgesoft. com/ensemble/spotfire/. Saiba mais www.perkinelmer.com 44 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 45 em foco Soluções para filtração, separação e purificação: linha de produtos PALL A Analítica está assumindo a distribuição no Brasil dos produtos Pall para área de laboratórios. A Pall desenvolve soluções para filtração, separação e purificação de fluidos. A Pall é uma empresa americana que está há mais de 65 anos no mercado, oferecendo uma gama completa de produtos com tecnologia avançada e inovadora para as mais diversas aplicações como purificação de DNA e proteínas, detecção e screening, bioprocessamento, HPLC e cromatografia, microbiologia, tratamento de água e ar. Entre os produtos que a Pall produz estão filtros diversos, membranas, colunas, placas, funis, suportes, adsorventes, sistemas de filtração, cassetes e cápsulas. Destacam-se as cápsulas Envirocheck HV para monitoramento dos cistos de Giardia e oocistos de Cryptosporidium em águas pré-tratada e tratada, os MicroFunnels para análises microbiológicas compatíveis com manifolds e filtros Acrodisc PSF, linha premium, para dissolutores automáticos. A Pall mantém rigoroso controle da qualidade de seus produtos em todos os estágios da fabricação, além de desenvolver tecnologias ambientalmente responsáveis. Isto a diferencia, agregando segurança e confiabilidade aos seus produtos. Saiba mais (11) 2162-8080 [email protected] www.analiticaweb.com.br YMC-Triat C18: uma coluna C18 ainda mais versátil Colunas convencionais C18 quando utilizadas com fase 100% aquosa geralmente não mostram um bom desempenho (retenção e formato de pico), devido à hidratação causada pela repulsão entre a fase aquosa e a hidrofobicidade da fase ligada. Existem várias colunas no mercado que são compatíveis com fase 100% aquosa. Estas colunas exibem excelente reprodutibilidade e Coluna YMC-Triart C18: excelente durabilidade capacidade de retenção de compostos polamesmo com a utilização de fase 100% aquosa res, resultado da suficiente hidratação da superfície. Por outro lado, a sílica clássica é facilmente degradada sob condição altamente aquosa. Estas colunas tendem a ter tempo de vida útil curta. A coluna YMC-Triart C18 é uma coluna que possui excelente durabilidade e é baseada em sílica híbrida, ou seja, possui faixa de pH Saiba mais entre 1 e 12. A coluna YMC-Triart C18 é projetada tanto para reter Distribuidor YMC: Tedia Brazil compostos com hidrofobicidade moderada quanto para análise de 0800 70 200 20 ou (21) 2196-9000 compostos polares. Sua versatilidade é ideal tanto como sua primeira www.ymcamerica.com opção de coluna ODS como para análise de compostos polares utiliOu Marina Lelo: (16) 3624-1484 zando fase 100% aquosa. 46 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 47 em foco Papéis de Filtro HNM, exclusividade Química Moderna Os Papéis de Filtro HNM são importados da Hahnemühle FineArt, antiga Schleicher & Schuell GMBH (S&S), empresa alemã de papel especializada na produção de papéis de filtro de alta qualidade há mais de 120 anos. Seus produtos são adotados em vários padrões e metodologias oficiais da Alemanha e Comunidade Europeia. O pioneirismo e a capacidade técnica sempre nortearam a Hahnemühle FineArt. Ela, por exemplo, foi a idealizadora da classificação de Faixa Colorida para definir a velocidade de filtração e retenção de partícula de seus filtros quantitativos das séries 589/1, 589/2 e 589/3. Isto em 1883. Com teores de cinzas mais reduzidos que muitos de seus con- correntes mundiais, os papéis de filtro quantitativos HNM são isentos de interferentes analíticos. A Química Moderna Indústria e Comércio Ltda. importa, corta, embala e comercializa, com exclusividade, os papéis HNM no Brasil. Papéis de filtro com diâmetros de 7, 9, 11, 12.5, 15 e 18.5 cm estão em estoques regulares, existindo a possibilidade de fabricação em outros diâmetros e formatos, disponíveis sob encomenda. Saiba mais www.quimicamoderna.net.br Elma - líder de mercado global em banhos ultrassônicos A Elma, com mais de 60 anos de experiência em unidades ultrassônicas para diversas aplicações, desenvolve e produz todos os seus produtos na Alemanha e conta com distribuidores em mais de 80 países. Possui certificações ISO 9001/ISO 13485 e foi registrada em 2011 como líder de mercado global segundo a Deutsche Standards. Com seus produtos presentes em laboratórios analíticos e de pesquisa, área médica e odontológica, e empresas de diferentes ramos, a Elma chega ao Brasil representada pela Nova Analítica com três linhas de banhos ultrassônicos (capacidades variam de 0,8 a 90 L): Elmasonic E para limpeza; Elmasonic S para limpeza, preparo de amostras e desgaseificação de líquidos, além de modelos para limpeza de peneiras de até 200 mm; Elmasonic P - unidades multifrequência para limpeza, preparo de amostras, desgaseificação e limpeza sensível, com ajuste de potência do ultrassom, modo pulse para potência adicional, e display digital. Benefícios dos banhos ultrassônicos Elma: • Gerador digital de ultrassom - através da oscilação controlada da frequência distribui melhor o efeito de cavitação pelo tanque, proporcionando uma limpeza mais eficiente e homogênea além de possibilitar a função de desgaseificação e adequar automaticamente a potência ultrassônica ao volume de preenchimento do tanque, impossível com os geradores analógicos utilizados por outros fabricantes • Frequência ultrassônica - Elmasonic E/S 37 kHz, frequência intermediária ideal para limpeza/preparo de amostras/ desgaseificação; Elmasonic P 37/80 kHz, frequência adicional de 80 kHz ideal para limpeza sensível ou com menor nível de ruído • Timer programável com início automático do ultrassom ao atingir a temperatura definida e desligamento automático • Tanque de aço inox resistente à cavitação e elemento cerâmico de aquecimento totalmente a prova de funcionamento a seco • Alças ergonômicas para transporte (todas as unidades acima de 2,75 L) e dreno para escoamento (Elmasonic S e P acima de 2,75 L, Elmasonic E acima de 5,75 L) - facilitam o uso das unidades e evitam esforços Saiba mais desnecessários dos operadores (11) 2162-8080 A Elma disponibiliza uma linha completa de acessórios como cestos, tanques e tampas [email protected] de diferentes materiais para aplicações distintas, suportes para diversas aplicações, além de www.analiticaweb.com.br caixas de proteção acústica e serpentinas para uso com chillers. 48 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 49 em foco Coluna LUX para Análise Quiral A Allcrom é representante exclusiva da Phenomenex no Brasil, que desenvolveu a Coluna LUX para análises Quiral. As colunas LUX oferecem ótima resolução, resolvendo 92% de todos os seus enantiômeros. Com cinco fases diferentes de polissacarídeos à escolha, o desenvolvimento de método Quiral fica mais fácil. Há mais fases disponíveis para escolher, com maior chance de alcançar uma resolução quiral ideal. O kit de seleção pode ser escolhido com três, quatro ou cinco fases para o deSaiba mais senvolvimento de método. (11) 3464-8900 Basta ligar para a Allcrom para solicitar o kit personalizado de Colunas Quiral www.allcrom.com.br para HPLC e SFC ou visitar o site da empresa para obter mais informações. Quando a forma e o tamanho da partícula forem realmente importantes A Alem Mar, representante da empresa alemã Fritsch, lança a linha de analisadores de tamanho e formato de partículas, trazendo inovação e tecnologia para a maior eficiência no processamento e análise de amostras. O Analysette 12 DynaSizer é ideal para determinação de tamanho de partículas na faixa de nanômetros (1ƞm a 6.000ƞm), oferecendo resultados exatos e reprodutíveis nas áreas de pesquisa, desenvolvimento e controle de qualidade. Ideal para pigmentos, alimentos, fármacos, cosméticos, amostras das áreas de meio ambiente e petroquímica. Utiliza como princípio de determinação de tamanho o movimento térmico das partículas em suspensão (movimento Browniano). A suspensão de amostra é irradiada por um laser e a luz dispersada em uma determinada direção e é detectada com alta resolução de tempo. A partir da variação da intensidade da luz dispersada o equipamento calcula a mobilidade das partículas e utiliza a fórmula de Stokes-Einstein para o cálculo do tamanho das mesmas. O design do sistema de medição com o prisma a 90° do Analysette 12 DynaSizer permite que o equipamento trabalhe com quantidades reduzidas de amostras. Além disso, é de fácil limpeza e dispensa o uso de cubetas de medição e outros consumíveis. O design ótico é reduzido ao mínimo e mantém uma pequena distância entre a célula de medição e o detector. Vantagem: uma alta razão sinal-ruído, um fator determinante na precisão da medição e na detecção de baixas concentrações de amostra. Analysette 28 (ImageSizer e ImageTec): rápido, fácil e adaptável a qualquer tarefa específica. Isto é assegurado pela câmara de alto desempenho integrado ao conjunto com 5 megapixels. Possui quatro lentes telecêntricas intercambiáveis aumentando a gama de medições através da seleção adequada das lentes. Acompanha uma biblioteca que possui parâmetros com um número vasto de formas conhecidas e cadastradas. Os modelos foram desenvolvidos para análises rápidas, indicando a forma das partículas e seu tamanho através da análise de imagem dinâmica; equipamentos de ampla faixa de medição de 20 μm - 20 mm, com ferramentas práticas para o monitoramento confiável da qualidade. A taxa de alimentação da amostra no tubo de transporte é automaticaSaiba mais mente ajustada por AutoCheck. Deste modo a amostra é guiada com precisão (11) 3229-8344 dentro da célula de medição com a profundidade de campo perfeita, mesmo [email protected] sob condições rápidas de transporte. 50 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 51 em foco Alpax em nova sede A Alpax está sempre crescendo, não apenas em número de funcionários, mas em soluções que oferece para seus clientes em todo o Brasil. Nos últimos quatro anos a empresa se tornou distribuidora de marcas extremamente consolidadas no Mercado Mundial (Vacuubrand, Ohaus, Binder e Thermo Orion). Além de estar crescendo também com as antigas representadas, como Merck, Nasco, Pyrex, entre outras. A Alpax não é apenas uma revenda. É uma das maiores distribuidoras de acessórios, equipamentos e reagentes para laboratórios do Brasil. E certamente os clientes sentirão essa mudança, pois são inúmeros os benefícios. A empresa agora tem uma estrutura maior e mais moderna, um estoque melhor estruturado e, como consequência, um atendimento bem melhor. A Alpax tem por filosofia trabalhar com produtos de maior rotatividade em estoque, para atender seus clientes de uma forma rápida e prática. Ela é a maior distribuidora Merck do Brasil, com o maior estoque a pronta entrega. Manter um estoque de produtos químicos não é nada fácil, e é esta característica que a diferencia no mercado. Saiba mais Novo endereço Rua Serra da Borborema, 40. Diadema, SP (11) 4057-9200 [email protected] Guia de seleção de tubos para aplicações em Bio-farma Um processo pode utilizar quilômetros de tubos para transferência de fluidos, resultando em contato significativo de suas paredes com o fluido e gerando riscos substanciais de perda de tempo, produto e dinheiro no caso de vazamento, ruptura ou contaminação. A seleção do tubo com as propriedades adequadas para a aplicação é, portanto, fundamental. As condições de operação do processo irão determinar quais tubos são viáveis para sua aplicação: temperatura, pressão, fluido, esterilização, bombeamento e monitoramento são fatores críticos na seleção. A seleção do material do tubo deve considerar: 1) extraíveis e lixiviáveis, uma vez que estes compostos, introduzidos no fluxo através do contato do fluido com as paredes do tubo, podem afetar sua segurança e/ ou eficácia; 2) adsorção, absorção e permeabilidade, afetam diretamente a tendência das partículas do fluido a ad/absorver ao tubo. Tubos de baixa permeabilidade, não só minimizam vazamentos e condensação, como protegem contra luz UV e trocas gasosas; 3) fluidos biológicos exigem biocompatibilidade em todos os materiais de contato devendo estes serem não-citotóxico e não-pirogênicos. Além disso, é vital garantir que o fornecedor fabrica e testa seus produtos em conformidade com as normas reguladoras vigentes e seja capaz de fornecer a documentação de validação necessária. A Lobov Científica oferece uma variedade de tubos Saint-Gobain para atender a Saiba mais: essas necessidades. Dentre as opções estão tubos em silicone curados a platina Sani® ® ® (11) 3829-8040 -Tech e Tygon , tubos seláveis e fusionáveis C-Flex e elastômeros termoplásticos ® www.lobov.com.br Pharmed , ideais para bombas peristálticas. 52 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 53 em foco Novas gerações de sistemas para HPLC da Hitachi A Hitachi, parceira da Merck Millipore do Brasil na área de cromatografia líquida desde 1986, possui os sistemas HPLC Primaide®, de baixo custo com configurações tradicionais em um sistema comprovadamente robusto, e Chromaster®, ideal para a intensa rotina analítica dos laboratórios mais exigentes, dada sua sensibilidade e precisão ímpares. Tratam-se da quinta e sexta gerações de sistemas para HPLC da Hitachi: Lichrograph®, Lachrom®, Lachrom® Elite, Lachrom® Ultra, Primaide® e Chromaster®. Em relação aos seus antecessores Lachrom® Elite e Lachrom® Ultra, a linha Chromaster® conta com os seguintes avanços tecnológicos: •Bomba com sistema gradiente de alta frequência (HFM®) e baixo volume, para misturas mais precisas. •Sistema Realtime Feedback” para eliminação de pulsação sem a necessidade de uso de amortecedores de pulso. Purga automatizada, degaseificador on-line de baixo volume e sistema de lavagem de pistões independente. •Injetor automático: inovador design da válvula de injeção que elimina volume morto do sistema, baixíssimo carryover graças ao sistema de lavagem com dois solventes. Opcionalmente termostatizado. •Forno de colunas: para até três colunas de até 30 cm. Opcionalmente podem-se incluir válvulas seletoras de colunas. Novo sistema de gerenciamento de colunas por chip RF-ID. Permite a criação de um log-book individualizado para cada coluna, com todas as informações de seu uso. •Detectores: projetados para possuírem grande sensibilidade ótica e baixo ruído, proporcionando assim ótima detecção dos compostos. Opção para células termostatizadas. •Interface gráfica: tipo touch-screen possuindo controle para todas as principais funções do equipamento de maneira rápida e fácil. Saiba mais Atualmente, a linha Chromaster® possui sistemas de 400 bar e www.merckmillipore.com.br/chemicals 600 bar de pressão, para atender a todas as demandas analíticas de www.millipore.com.br um laboratório. Espectrometria RNM ao alcance de suas mãos O novo espectrômetro picoSpin 45 da Thermo Scientific literalmente põe nas mãos do profissional o poder da técnica RNM. Algumas características exclusivas propiciam sua utilização em qualquer tipo de laboratório: • Instrumento portátil • Frequência Larmor de 45 ± 1MHz Próton • Utiliza-se de amostrador capilar - apenas 30 microlitros de amostra são suficientes para uma análise • Magnetos que trabalham sob temperatura controlada dispen sando assim a utilização de fluídos criogênicos Permite controle pleno sobre reações de síntese, esterificação ou fermentação, apenas para citar algumas aplicações. Se o laboratório for experimental, trata-se de um instrumento superdidático para exemplificar uma técnica importante, que não pode faltar na formação dos alunos. A Charis Technologies é responsável pela distribuição da linha FT-NMR da Thermo Scientific. Saiba mais (19) 3836-3110 [email protected] 54 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 55 em foco Teste de Qualidade do Vapor Para garantir que o vapor seja um agente eficaz no processo de esterilização, as normas Europeias EN 285 e HTM 2010 e a Brasileira RDC 17, recomendam que testes de qualidade das características físicas do vapor sejam realizados, no mínimo, uma vez a cada ano ou por ocasião de reparos que possam afetar o desempenho do processo. As normas preveem que os testes deverão ser aplicados somente em processos de esterilização de equipamentos ou cargas porosas. Não há nenhuma exigência quanto a cargas líquidas. Os testes de qualidade do vapor vêm sendo implementados em grande escala pelas mais importantes indústrias farmacêuticas do mundo, incluindo as principais multinacionais brasileiras. Na área hospitalar, a norma NBR 11134 recomenda que os testes de qualidade do vapor sejam aplicados em todos os processos de esterilização. Para a realização destes testes, a STEQ, em parceria com a empresa inglesa KSA, traz ao Brasil o KIT SQ1 para testes de qualidade do vapor. Desenvolvido de acordo com a metodologia da norma europeia EN 285, o KIT SQ1 possui componentes específicos para análise de cada uma das características do vapor - título, gases não condensáveis e vapor superaquecido - simplificando o processo e garantindo a repetibilidade de resultados. Saiba mais (11) 5181-5570 [email protected] www.steq.com.br Cral apresenta os equipamentos de alta precisão Socorex Instrumentos da marca suíça Socorex, considerada uma das maiores do mundo na área de dosagem de alta precisão, são disponibilizadas no Brasil pela representante Cral. Entre as características das micropipetas Socorex estão: •Design moderno e ergonômico para um perfeito encaixe dos dedos proporcionando uma pipetagem cômoda e segura, ativação ultrassuave e superleve •Totalmente autoclaváveis •Ajuste de volume contínuo com visor digital •Sistema swift calibration (fácil e preciso, este sistema possibilita que uma rápida calibração seja feita pelo próprio usuário) •Certificado individual de calibração •Sistema just tip (sistema de regulagem manual que possibilita adequar a maioria das ponteiras do mercado) •Possibilidade de personalização das micropipetas: tampas superiores smarties, com 14 cores diferentes que possibilitam identificar cada uma das micropipetas. (tampas são vendidas separadamente). A Socorex é uma empresa certificada ISO 9001/13485 - IVD98/79EEC - CE – TUV. Saiba mais (11) 3454-7000 / (11) 2712-7000 www.cralplast.com. 56 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 57 em foco Identificação de aditivos usados nas indústrias farmacêutica e alimentar Atualmente, a Instrumentação Raman está mais rápida, robusta e mais acessível do que alguns anos atrás. Agora, com o avanço da miniaturização dos componentes, alta performance e portabilidade, equipamentos portáteis têm introduzido a esta tecnologia uma maior variedade de aplicações, que anteriormente não era possível. Aplicações para identificação de matéria-prima, produto acabado e produtos falsificados têm se tornado cada vez mais comuns. Esta tecnologia pode ser aplicada em diversos segmentos como indústria farmacêutica, alimentos, nutracêutica, veterinária, cosmética e química. Atualmente um estudo lançado na última edição da revista científica “American Pharmaceutical Review” pelos Drs. Dawn Yang e Robert Thomas, respectivamente da BWTEK e Scientific Solutions, demonstrou a capacidade de diferenciar dentre diversas amostras celulose, HPMC, maltrodextrina, lactose, entre outras, com extrema rapidez e seletividade comprovada. Saiba mais Mondragon Equipamentos Farmacêuticos (11) 2086-2174 Skype: epmondragon [email protected] Agilent Technologies lança novas tecnologias para indústria farmacêutica A Agilent Technologies lança novo Sistema de Cromatografia Gasosa (CG), Série 7890B, e também o Detector Seletivo de Massa (DSM), Série 5977A – que proporcionam aos usuários novos níveis de produtividade, sensibilidade e confiabilidade da indústria. Com estes novos instrumentos, a Agilent passa a oferecer o mais amplo portfólio de sistemas e de softwares de CG e CG/MSD da indústria. Os instru- 58 mentos são pré-testados e pré-configurados, recursos que facilitam a instalação e a operação. CG Agilent 7890B: construído a partir da plataforma Agilent de Cromatografia Gasosa, o 7890 GC é mais rápido, mais fácil de instalar e de melhor relação custo-benefício. O Agilent 7890B CG é executado com o software do Sistema de Dados de Cromatografia OpenLab da Agilent, cuja nova versão é 40 vezes mais rápida que a versão anterior. Agilent CG/DSM Série 5977A: o sistema CG/MS Série 5977A tem todos os benefícios do 7890B e as características de um novo sistema de fonte de íon por EM (Espectrometria de Massa) inerte, que melhora o desempenho com alta eficiência na coleta de íon. O CG/ MS Série 5977A oferece alta sensibilidade, com uma nova métrica de especificações, o Instrumento de Limite de Detecção, garantindo desempenho total. Usando a bomba turbomolecular TwissTorr 304 FS da Agilent, otimizada para uma operação com gases leves, o novo sistema 5977A CG/MS é eficiente e robusto e foi analisado e certificado para atender os mais altos padrões de qualidade. Soluções Agilent de Processo de Fluxo de Inércia (Inert Flow Path): para usuários de CG/MS dos setores forense, segurança alimentar e meio ambiente, que precisam de análises nível traço de compostos ativos, as soluções Agilent de Processos de Fluxo de Inércia garantem maior sensibilidade, precisão e reprodutibilidade. Saiba mais www.agilent.com Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 59 Artigo COMPARAÇÃO ENTRE MÉTODOS DE DETECÇÃO DE RESÍDUOS DE ANTIMICROBIANOS NO LEITE BOVINO COMPARISON OF METHODS FOR DETECTION OF ANTIMICROBIAL RESIDUES IN VEAL MILK RESUMO Algumas infecções, como a mastite, podem atacar o gado leiteiro e ao medicar o animal, alguns resíduos de antibióticos podem ser transferidos para o leite. Resíduos de antibióticos podem ser encontrados no leite por fraude por parte do produtor, que coloca medicamentos para prolongar a durabilidade do leite, ou pela utilização desse leite antes do término do período de carência de vacas em tratamento. Os resíduos de antibióticos em leite podem causar efeitos indesejáveis, tais como resistências bacterianas, choque anafilático, reações alérgicas e até mesmo efeitos teratogênicos. Os métodos de detecção de antibióticos no leite podem ser físico-químicos, microbiológicos e imunoquímicos ou imunoenzimáticos. Existem poucos trabalhos no Brasil comparando os diferentes métodos existentes no mercado. O objetivo desta pesquisa foi comparar os resultados do teste Charm e teste de redutase em azul de metileno (TRAM), verificando se são compatíveis, possibilitando verificar se o kit Charm poderá substituir com segurança o TRAM. Das 210 amostras avaliadas obteve-se o mesmo resultado nos dois métodos, ou seja, 100% de compatibilidade entre estes, configurando um resultado seguro, com custo relativamente baixo. Esta metodologia é acessível a laticínios de pequeno e médio porte sem grande estrutura laboratorial, ou mesmo para utilização em testes de campo. Consuelo Ribeiro do Vale1 Mara Lucia Lemke-de-Castro2 Graduada em Ciências Biológicas na UEG UnU Morrinhos; PVIC/Universidade Estadual de Goiás 2 Doutora em Agronomia - EA/ Universidade Federal de Goiás, bolsista do CNPq 1 Correspondências: Mara Lucia Lemke-de-Castro [email protected] Palavras-chave: Kits de testes, cuidados sanitários, doenças infecciosas, drogas veterinárias ABSTRACT Some infections such as mastitis can attack dairy cattle, to medicate the animal some antibiotics may be transferred to milk. Antibiotic residues in milk can be found by fraud by the producer, who puts drugs to prolong the shelf-life milk, or the use of milk before the expiration of the grace period for cows in treatment. Antibiotic residues in milk may cause undesirable effects such as bacterial resistance, anaphylactic shock, allergic reactions and even teratogenic. The methods for detection of antibiotics in milk can be physical, chemical, microbiological and immunochemical or immunoassays. There are few studies in Brazil comparing the different methods on the market. The objective of this research was to compare the results between the Charm test with the test in methylene blue reductase (TMBR), verifying if they match enabling to verify if the Charm kit can safely replace the TMBR. Of the 210 samples tested it was obtained the same result for both methods, 100% compatibility between them, setting up a safe outcome, with relatively low cost. This methodology is available to dairy products in small and medium sized laboratory without much structure, or even for use in field tests. Keywords: Testing kits, health care, infectious diseases, veterinary drugs 60 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 INTRODUÇÃO O leite é um produto oriundo da ordenha de vacas sadias, bem alimentadas e descansadas (LANGE, 2005; ALMEIDA et al., 2003). O leite é usado como alimento inicial dos mamíferos, sendo um alimento completo devido ao seu alto valor nutritivo e energético. O homem vem utilizando o leite de vaca, cabra e búfala como fonte de alimento há muitos anos e a qualidade desse leite vai ser determinada por suas características físico-químicas, que também são importantes para os processos industriais e também como fonte de renda para o produtor (REIS et al., 2007; ALMEIDA, 2004). Entre os principais consumidores estão os jovens e as crianças. Por esse motivo deve ser isento de qualquer forma de contaminação e substâncias estranhas (SANTOS; FONSECA, 2004; ALMEIDA et al., 2003). O preço do leite no mercado, leis ambientais favoráveis, impostos baixos e a alta qualidade de vida do gado, incentivam a produção de leite. Cuidados sanitários, pastagens de qualidade, nutrição adequada e água abundante são essenciais para a manutenção da qualidade do leite e uma vez não observados, podem atrair doenças infecciosas aos animais (REIS et al., 2007). O leite é rico em proteínas, vitaminas, gorduras e sais minerais, principalmente cálcio, que são essenciais para o homem. É produzido pelas glândulas mamárias dos animais, a partir de elementos que passam do sangue para as células especializadas da glândula. Dessa forma podem passar para o leite medicamentos e drogas veterinárias utilizadas para o controle de algumas doenças, podendo assim ficar resíduos de antibiótico no leite (SOUZA; AIRES, 2006). Infecções no úbere influenciam na concentração de gordura, lactose e caseína, e aumentam a concentração de proteínas, cloretos e soro. Entre as infecções do gado, a mais comum é a mastite bovina (SOUZA; AIRES, 2006; NASCIMENTO et al., 2001). O antibiótico pode ser encontrado no leite de duas formas: uma direta, quando o produtor adiciona antibiótico no leite visando uma maior durabilidade do produto, ou de forma indireta, proveniente do tratamento terapêutico, onde o produtor não respeita o tempo de carência após a aplicação de um produto (ALMEIDA, 2004; ALMEIDA et al., 2003; FOLLY; MACHADO, 2001). O uso indiscriminado de antibióticos acarreta no aparecimento de resíduos no leite. Sabe-se que medicamentos têm sido utilizados para combater doenças, no controle de mortalidade e mobilidade animal e adicionadas a rações para ganho de peso (BARROS et al., 2001). A principal fonte de resíduos de antibiótico no leite é proveniente do combate à mastite, contudo, o antibiótico é eliminado naturalmente durante o período de carência, devendo assim o produtor ter a consciência de não utilizar tal produto para o consumo humano neste período (NERO et al., 2005). Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 O período de carência é o tempo necessário para a eliminação do antibiótico no leite, após a última aplicação do medicamento. Esse período varia de acordo com cada medicamento e o descumprimento desse período é que gera resíduos de antibiótico no leite (BRITO; LANGE, 2005; ALMEIDA, 2004; SANTOS; FONSECA, 2004). A presença de antibióticos no leite pode trazer sérios problemas, já que auxilia na seleção de cepas mais resistentes tanto no ambiente como no consumidor, hipersensibilidade e possível choque anafilático em pessoas alérgicas ao medicamento presente no leite. Aproximadamente 5% a 10% das pessoas são alérgicas à penicilina, medicamento presente em vários antibióticos (NERO et al., 2005). O antibiótico pode inibir algumas bactérias utilizadas na produção de produtos lácteos tais como iogurtes, manteigas e queijos, inviabilizando um futuro processamento, e a pasteurização geralmente não elimina o antibiótico (DIETRICH, 2008; FOLLY; MACHADO, 2001; DENOBILE; NASCIMENTO, 2004; SANTOS; FONSECA, 2004; VIEIRA; SANTOS, 2003; BRITO; BRITO, 2002; BRANCHER; FAGUNDES, 1998; SEYMOUR et al., 1987). Outras consequências de resíduos de antibiótico são a seleção de cepas bacterianas resistentes, induzir uma falsa ideia de qualidade do leite e efeitos teratogênicos (SOUZA; AIRES, 2006). As indústrias são as principais responsáveis na detecção de antibiótico no leite e elas usam esse fator para penalizar produtores que enviam leite com resíduos de antibióticos (SANTOS, 2003). No Brasil o Ministério da Agricultura, Ministério da Saúde e o Ministério do Meio Ambiente são os órgãos responsáveis pela segurança alimentar (SOUZA; AIRES, 2006), através da instrução normativa n° 51 vigente desde 2002 (MENDES et al., 2008; ROSA; QUEIROZ, 2007). Contudo, sabe-se que o monitoramento no Brasil é falho, mas leis, cooperativas, fundações e produtores estão se conscientizando e se esforçando para controlar o uso indiscriminado de antibiótico (TETZNER et al., 2005). Os métodos de detecção de antibióticos no leite podem ser físico-químicos, microbiológicos e imunoquímicos ou imunoenzimáticos (TENÓRIO, 2007; GOMES, 2005; BRANCHER; FAGUNDES, 1998). Alguns métodos, como o Teste Charm, fazem a identificação de antibiótico presente de forma direta. Baseia-se em um receptor específico, por meio de técnica de radioisótopos (GOMES, 2005). O resultado é muito preciso e rápido, porém é um teste não certificado. De acordo com Brancher e Fagundes (1998), o método da redutase, utilizando o azul de metileno (TRAM), pode ser aplicado com segurança para avaliar a presença de antibióticos no leite, com a vantagem de ser um teste de baixo custo, mas seu tempo de avaliação é relativamente longo se comparado aos kits e demandam equipamentos e vidrarias de laboratório. De acordo com Tenório (2007), existem poucos trabalhos no Brasil comparando os diferentes métodos existentes no mercado. Pouco se conhece sobre os kits de 61 Artigo avaliação em relação a sua especificidade e sensibilidade. O assunto demanda mais pesquisas a respeito, a fim de validar tecnicamente a utilização dos kits no Brasil. O objetivo desta pesquisa foi comparar os resultados do teste Charm e TRAM, verificando se são compatíveis, possibilitando verificar se o kit Charm poderá substituir com segurança o TRAM. mento prevê o tempo mínimo de 300 minutos para o leite tipo A; 210 minutos para leite tipo B e 90 minutos para leite tipo C (Brasil, 2002). Antes do início dos testes, as amostras foram submetidas a aquecimento a 80°C por cinco minutos e posteior resfriamento, a fim de reduzir a ação de possíveis antimicrobianos naturais, conforme descrito por Tenório (2007) e Nascimento et al. (2001). MATERIAL E MÉTODOS RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram realizadas visitas de reconhecimento a cinco fazendas no município de Morrinhos e foi escolhida a Fazenda Vera Cruz para implantação do projeto em função do volume de leite produzido (4.700 litros . dia-1) ser bastante representativo em relação as demais. O volume desta fazenda representa 1,4% do volume total recebido pela cooperativa de leite local (330.000 litros . dia-1). Foram coletadas amostras de 50ml de leite em frasco limpo e esterilizado, quantidade suficiente para realizar as análises e as repetições. Após a coleta, as amostras permaneceram em uma caixa térmica sob refrigeração até a realização das análises. As análises foram realizadas em laboratório num período máximo de 12 horas após a coleta. Foram realizadas coletas aleatórias, pelo período de três meses em diferentes vacas que estavam em tratamento com antibiótico e vacas saudáveis. Foi levado em consideração o prazo de carência indicado na bula, a dosagem e a forma de aplicação do medicamento, coletando as amostras somente após o período de carência. Foram realizadas três repetições em diferentes indivíduos aleatórios totalizando 210 amostras. Foram escolhidos dois métodos de testes utilizados pelos laticínios, o Teste Charm (imunoquímico) por sua rapidez e praticidade e o TRAM (microbiológico) por ser o método descrito na normativa n° 51. O Teste Charm é um kit de análise, sendo que uma pequena amostra é colocada em contato com o reagente e o resultado é observado imediatamente, indicando presença ou ausência de antimicrobianos. O TRAM é um método simples para estimar a quantidade de bactérias presente no leite fresco. A amostra de leite é misturada com azul de metileno, que é uma substância indicadora do potencial de óxido-redução, e é incubada a temperatura de 37oC. O azul de metileno perde a coloração como resultado de redução devido ao crescimento bacteriano. Em geral, o tempo de redução é inversamente proporcional ao número de bactérias presentes na amostra de leite no início da incubação, isto é, quanto mais bactérias estiverem presentes na amostra, mais rapidamente se dará a redução da substância indicadora, tornando-a incolor. O resultado do teste de redutase é dado em horas e não pelo número de bactérias (BRITO et al., 2011). Este teste tem por objetivo avaliar a carga bacteriana do leite, podendo classificar vários tipos de leite de acordo com o grau de higiene. O TRAM, de acordo com a Instrução Normativa nº 51/2002 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abasteci- Das 210 amostras avaliadas pelos dois métodos (Charm e TRAM) obteve-se o mesmo resultado nos dois métodos, ou seja, 100% de compatibilidade entre estes. Sendo que 1,05% das amostras indicaram a presença de antimicrobianos no leite. Na pesquisa de Nascimento et al. (2001), avaliando 96 amostras de leite de seis marcas comerciais, em Piracicaba, SP, 50% apresentaram contaminação com antimicrobianos. De acordo com Gomes (2005) o Teste Charm pode apresentar falso-positivo para antibióticos caso a amostra esteja com acidez fora dos padrões. Conforme Tenório (2007), a sensibilidade e seletividade dos testes microbiológicos podem interferir no desempenho. Dentre os fatores interferentes temos a elevada contagem de células somáticas (CCS); elevada contagem bacteriana total (CBT); fatores antibacterianos presentes no leite de vacas com mastite e presença de outras drogas. Estes fatores podem apresentar falso-positivo para antimicrobianos por interferirem no crescimento do microrganismo do teste. Este interferente foi controlado nesta pesquisa com o aquecimento a 80°C e posterior resfriamento das amostras antes das análises. Os fluidos excretados pelo corpo, tais como lágrimas, saliva e leite, possuem inibidores naturais de microrganismos, justamente para proteger o organismo. No leite, estes inibidores são geralmente proteínas como a lactoferrina, lisolizima e o sistema lactoperoxidase. É preciso que estas substâncias sejam controladas para verificar se estão em níveis normais e, assim, não serem confundidas com resíduos de antimicrobianos (TENÓRIO, 2007). 62 CONCLUSÕES O Teste Charm mostrou-se compatível com o TRAM, configurando um resultado seguro, com custo relativamente baixo. Esta metodologia é acessível a laticínios de pequeno e médio porte sem grande estrutura laboratorial, ou mesmo para utilização em testes de campo. AGRADECIMENTOS Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela bolsa da segunda autora. E à Complem pela realização das análises. Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 63 Artigo R e f er ê ncias ALMEIDA, L. P. Epidemiologia do uso de antibióticos entre produtores de leite da região de Uberlândia-MG. Revista Horizonte Científico, Brasil, v. 3, n. 1, p. 1-13, 2004. BARROS, G. M. S., JESUS, N. M.; SILVA, M. H. Pesquisa de resíduos de antibióticos em leite pasteurizado tipo c, comercializado na cidade de Salvador. Revista Brasileira Saúde e Produção Animal. Salvador, v.2, n.3, p. 69-73, 2001. BRANCHER, C. C.; FAGUNDES, C. M. Adaptação do método da redutase para detectar antibióticos no leite. Revista Brasileira de Agrociência. v. 2, n. 2, p. 80-84, 1998. BRASIL, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa n°51 de 18 de setembro de 2002. Aprova os Regulamentos Técnicos de Produção, Identidade e Qualidade do Leite tipo A, do Leite tipo B, do Leite tipo C, do Leite Pasteurizado e do Leite Cru Refrigerado e o Regulamento Técnico da Coleta de Leite Cru Refrigerado e seu Transporte a Granel. Diário Oficial da União. Brasília, 20 de setembro de 2002, seção 1, p. 13. BRITO,M. A. V. P.; BRITO, J. R. F. Qualidade do leite. Embrapa. Juiz de Fora, v.35, n.2, p 61-74, 2002. BRITO, M. A. V. P.; LANGE,C. C. Resíduos de antibióticos no leite. Embrapa. Juiz de Fora, v.44, n. 1, p. 65-67. 2005. BRITO, M. A.; BRITO, J. R.; ARCURI, E.; LANGE, C.; SILVA, M.; SOUZA, G. Redutase. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa. Disponível em: http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Agencia8/AG01/arvore/AG01_192_21720039246.html . Acesso em 20 de fevereiro de 2011. DENOBILE, M.; NASCIMENTO, E.S. Validação de métodos para determinação de resíduos dos antibióticos oxitetraciclina, tetraciclina, e dociclina, em leite, por cromatografia líquida de alta eficiência. Revista Brasileira de Ciências farmacêuticas, São Paulo, v.40, n.2, p. 209-218, 2004. DIETRICH, J.M. Controle de resíduo de antibiótico no leite. Leite & Derivados, p. 156-162, 2008. FOLLY, M.M.; MACHADO, S.C.A. Determinação de resíduos de antibióticos, utilizando-se métodos de inibição microbiana, enzimático, e imunoinsaios no leite pasteurizado comercializado na região norte do estado do Rio de Janeiro, Brasil. Ciência Rural, Santa Maria, v.31, n.1, p.95-98, 2001. GOMES M. F. Avaliação da eficiência de “kits” destinados à detecção de resíduos de antimicrobianos em leite de vacas tratadas com ivermectina e abamectina. 2005, 39 f. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária) - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2005. MENDES, C.G.; SAKAMOTO, S.M.; SILVA, J.B.A.; LEITE, A.Í. Pesquisa de resíduos de beta-lactâmicos no leite cru comercializado clandestinamente no município de Mossoró, RN, utilizando o Devoltest SP. Arq. Ist. Biol.N. São Paulo, v.75, n.1, p. 95-98, 2008. NASCIMENTO, G. G. F., MAESTRO, V.; CAMPOS, M. S. P. Ocorrência de resíduos de antibióticos no leite comercializado em Piracicaba, SP. Revista de Nutrição. Campinas, v.14, n. 2, p. 119-124, mai-ago. 2001. NERO, L. A.; MATTOS, M. R.; BELOTI, V.; BARROS, M. A. F.; PINTO, J. P. A. N.; ANDRADE, N. J.; SILVA, W. P.; FRANCO, B. D. G. M. Leite cru de quatro regiões leiteiras brasileiras: perspectivas de alimento dos requisitos microbiológicos estabelecidos pela instrução normativa 51. Ciênc. Tecnol. Aliment. Campinas, v.25, n.1, p.191-195, jan-mar. 2005. REIS,G.L.; ALVES, A. A.; LANA, A. M. Q.; COELHO, S. G.; SOUZA, M. R.; CERQUEIRA, M. M. O. P.; PENNA, C. F. A. M.; MENDES, E. D. M. Procedimentos de coleta de leite cru individual e sua relação com a composição físico-química e a contagem de células somáticas. Ciência Rural. Santa Maria, v.37, n.4, p. 1134-1138, jul-ago, 2007. ROSA, L.S.; QUEIROZ, M.I. Avaliação da qualidade do leite cru e resfriado mediante a aplicação dos princípios do APPCC. Ciência Tecnologia dos Alimentos, Campinas, v 27, n.2, p. 422-430, 2007. SANTOS, M.V. Antibióticos: como não deixar resíduos no leite. Balde Branco. São Paulo. V.460, n.03, p.54-57, fevereiro, 2003. SANTOS, M. V.; FONSECA, L.F.L.: Curso online sobre Composição e Qualidade do Leite - novos enfoques. Módulo 3 - Identificação e controle de resíduos de antibióticos no leite.; 2004; Extensão; Docente; 01; Agripoint Ltda; Piracicaba - SP; BR; Hipertexto; Dia 05 de outubro de 2004. SEYMOUR, E.H.; JONES, G.M.; McGILLIARD, M.L. Comparisons of on-farm screening test for detection of antibiótic residues. Journal Dairy Science, Virginia, v. 71, p. 539-544, 1987. 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São Paulo. v. 19, n.130, p. 69-72, abril, 2005. 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 65 Artigo Validação intralaboratorial de um novo método analítico por cromatografia líquida em fase reversa do ácido acetilsalicílico e do ácido salicílico em comprimidos Development of a new analytical method for the determination of acetylsalicylic acid and salicylic acid into tablets by a reversed phase chromatography RESUMO O ácido acetilsalicílico (AAS) é um fármaco utilizado como analgésico, anti-inflamatório, antipirético, sendo amplamente comercializado e consumido no Brasil e no mundo. Como precursor de sua síntese utiliza-se o ácido salicílico (AS) que também é produzido através de sua degradação. O objetivo deste trabalho foi a validação de um novo método por cromatografia em fase líquida para determinar os teores tanto do ácido acetilsalicílico quanto do salicílico em comprimidos. Os parâmetros da adequação do sistema cromatográfico para o AAS (fator de alargamento = 1,20; fator de retenção = 1,61; número de pratos = 2485 e desvio padrão relativo = 0,3%) e para o AS (fator de alargamento = 1,26; fator de retenção = 2,72; número de pratos = 4177 e desvio padrão relativo = 0,2%) foram satisfatórios e a resolução foi de 5,06. A seletividade foi verificada por comparações dos espectros de absorção no ultravioleta (UV) antes, durante e depois do tempo de retenção das substâncias com os espectros obtidos a partir das substâncias puras (padrões). A faixa linear de trabalho para o AAS foi de 0,21 a 0,39 mg/mL e a do AS foi de 6,3 a 11,7 µg/mL. Foi verificado para o AAS e para o AS que a regressão obtida nas curvas analíticas foi significativa e não apresentou desvio da linearidade, que os resíduos seguem a normal, são independentes e seguem comportamento homoscedástico, os coeficientes de correlação (r) das curvas analíticas do AAS e do AS foram de 0,9995 e 0,9988, respectivamente. A sensibilidade foi de 1,88 mAbs/(µg/mL) para o AAS e de 1,84 mAbs/(µg/mL) para o AS. Os limites de detecção e quantificação para o AS foram 0,23 e 0,69 μg/mL respectivamente. Não foi verificada a presença do efeito matriz pelas comparações das inclinações e interseções das três curvas de adição padrão com a curva analítica para o AAS e para o AS. A recuperação média em cada uma das três curvas de adição padrão foi de 99,9%, 96,4% e 100,1% para o AAS e de 100,3%, 100,1% e 101,2% para o AS. A repetitividade expressa pelo desvio padrão relativo de repetitividade (DPRr) na analise do AAS do produto A executada pelos analistas 1, 2 e 3 foram de 2,5%, 1,2% e 1,2%, respectivamente, e na análise do AS foi de 2,9%, 2,2% e 2,0% respectivamente. A precisão intermediária expressa pelo desvio padrão de reprodutibilidade (DPRR) entre três analistas em dias e equipamentos diferentes para o AAS foi de 1,7%, 1,4% e 1,6% nas análises dos produtos A, B e C, respectivamente, e para o AS foi de 2,4%, 7,5% e 8,0% nas análises dos produtos A, B e C, respectivamente. O método mostrou-se ser robusto, em relação a pequenas alterações no pH da fase móvel (2,3 e 2,6), composição da fase móvel (30 e 20% de orgânico), temperatura da coluna (30 e 25ºC), vazão da fase móvel (1,0 e 1,2 mL/minuto), 66 José Luiz Neves de Aguiar Katia Christina Leandro Shirley de Mello Pereira Abrantes André Luis Mazzei Albert Departamento de Química, Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde, Fundação Oswaldo Cruz Correspondências: José Luiz Neves de Aguiar [email protected] Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 diferente fabricante de coluna (Waters e Merck) e tempo de extração no ultrassom (5 e 10 minutos). O método foi aplicado na determinação do teor de AAS e de AS em dez lotes de um medicamento industrial. Palavras-chave: Validação, cromatografia líquida de alta eficiência, ácido acetilsalicílico, ácido salicílico abstract The acetylsalicylic acid (AAS) is a drug used as an analgesic, anti-inflammatory, antipyretic. It is widely marketed and consumed in Brazil and the world. As precursor of its synthesis, is used in the salicylic acid (AS), which is also produced by its degradation. The methodology of official American Pharmacopoeia (USP) requires the determination of these drugs by high performance liquid chromatography (HPLC) with detection by ultraviolet, but this method does not have good sensitivity and resolution. The objective of this work, seeking a better match of the chromatographic system in relation to the methodology official, was the development and optimization of a new method of liquid phase chromatography to determine the levels of both the AAS as of salicylic in tablets. The parameters of the adequacy of the chromatographic system for the AAS and the AS were satisfactory. The selectivity was verified by a comparison of the absorption spectra of the ultraviolet (UV) before, during and after the time of retention of the substance. The linear range of work for the AAS was 0.21 to 0.39 mg/mL and for AS was 6.3 to 11.7 μg/ml. The correlation coefficients (r) analytical curves of the AAS and AS were 0.9995 and 0.9988 respectively and the limits of detection and quantification for the AS were 0.23 and 0.69 μg/ml. Keywords: High performance liquid chromatography, acetylsalicylic acid, salicylic acid INTRODUÇÃO O ácido acetilsalicílico (AAS), também conhecido como aspirina, tem como precursor e também como produto de degradação o ácido salicílico (AS). O ácido acetilsalicílico é um fármaco utilizado como analgésico, anti-inflamatório, antipirético, sendo amplamente comercializado e consumido no Brasil e no mundo (AKRE et al., 2001). A avaliação experimental do método preconizado pela Farmacopeia Americana (USP 31, 2008) para dosar simultaneamente o AAS e o AS, mostrou que os parâmetros referentes à adequação do sistema (principalmente resolução e fator de cauda) não produziam os efeitos desejados à realização de uma análise confiável. Este sistema cromatográfico apresentou uma sensibilidade muito baixa, o que não é desejável em qualquer método analítico quantitativo, havendo a necessidade de desenvolver um novo método por cromatografia líquida de alta eficiência para dosagem do AAS e do AS em comprimidos, que apresentasse dados referentes à adequação do sistema (principalmente resolução e fator de cauda) e uma maior sensibilidade do que o método preconizado (AGUIAR at al, 2009). O método desenvolvido foi então validado segundo as diretrizes da ANVISA (ANVISA, 2003); da AOAC (AOAC, 2002); do EURACHEM (EURACHEM, 1998); do ICH (ICH, 1996); do Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 INMETRO (INMETRO, 2007) e da US-FDA (US-FDA, 2000). Para assegurar a confiabilidade dos resultados analíticos foram avaliados os seguintes parâmetros de mérito: estabilidade, seletividade, faixa linear de trabalho, linearidade, sensibilidade, efeito matrix, limite de quantificação, limite de detecção, exatidão, precisão e robustez. MATERIAIS E MÉTODOS Reagentes Todas as soluções foram feitas utilizando água ultrapura do sistema Milli-Q (Milipore). Todos os reagentes utilizados foram da Merck (Alemanha), acetonitrila grau CLAE e ácido trifluoracético grau analítico. Os padrões utilizados foram ácido acetilsalicílico (Substância Química de Referência da Farmacopeia Brasileira) com pureza de 100,0% e ácido salicílico (Padrão da Farmacopeia Americana) com pureza de 99,4%. Medicamentos de ácido acetilsalicílico de quatro fabricantes diferentes foram analisados. Um lote de comprimidos de ácido acetilsalicílico 100 mg (Fabricante A), um lote de comprimidos de ácido acetilsalicílico 100 mg (Fabricante B) e um lote de comprimidos de ácido acetilsalicílico 100 mg (Fabricante C) e dez lotes de comprimidos de ácido acetilsalicílico 100 mg (Fabricante D). 67 Artigo Equipamentos Para o desenvolvimento deste trabalho foram utilizados o cromatógrafo de fase líquida da Shimadzu, modelo SPD-M10A com detector fotométrico na região do ultravioleta-visível do tipo de arranjo de diodos, e dois cromatógrafos de fase líquida (modelo 2487) da Waters com detector fotométrico na região do ultravioleta-visível. As colunas usadas foram a Novapack de fase reversa de sílica recoberta com octadecilsilano (C18, 4 µm, 150 x 3,9 mm d.i.) da Waters e a Lichrospher de fase reversa de sílica recoberta com octadecilsilano (C18, 5 µm, 125 x 4 mm d.i.) da Merck. Condições analíticas O desenvolvimento, a otimização, a seletividade, a determinação dos parâmetros de adequação do sistema e a cinética de degradação do ácido acetilsalicílico foram estudados conforme trabalho anterior (AGUIAR et al., 2009). As condições analíticas foram: coluna C18 (4µm, 150 x 3,9 mm d.i.) (Novapack, Waters); fase móvel e diluente composta por acetonitrila e solução aquosa de ácido trifluoracético, 0,05% (30:70); vazão de 1,0 mL/min; detecção em 230 nm; temperatura de 30ºC; volume de injeção de 5 µL e concentração dos padrões de 505 µg/mL de ácido acetilsalicílico e 511 µg/mL de ácido salicílico. Avaliação dos parâmetros de mérito Adequação do Sistema Para avaliar a qualidade da separação foram feitas injeções de 5 µL, em separado, da solução padrão de ácido acetilsalicílico e da solução padrão de ácido salicílico, após determinar o tempo de retenção referente a cada substância, uma solução contendo os dois analitos foi injetada. Seletividade A seletividade foi avaliada pela comparação dos espectros de absorção molecular no ultravioleta dos picos do AAS e do AS obtidos em sete níveis de concentração da curva de adição padrão, antes, durante e depois do tempo de retenção característico da substância com os espectros dos picos das respectivas substâncias puras (padrão) (AGUIAR et al., 2009). Faixa linear de trabalho A faixa linear de trabalho foi definida conforme o estabelecido no Guia de Validação de Métodos Analíticos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA, 2003). Linearidade A avaliação da linearidade da resposta analítica para os analitos foi feita a partir da determinação da faixa de concentração de interesse, considerando a aplicação do método. As amostras foram preparadas para que as concentrações esperadas estivessem próximas do centro da faixa linear de trabalho. Em seguida, preparou-se uma curva analítica com soluções-padrão em sete níveis de concentração, com tripli68 catas independentemente para cada nível e as soluções foram analisadas aleatoriamente. O método utilizado para análise de dados foi o método dos mínimos quadrados ordinários (MMQO). O ajuste da equação de calibração pelo MMQO se baseou em várias premissas relativas aos resíduos da regressão e ao modelo proposto. Verificou-se se os resíduos foram variáveis aleatórias com média zero e variância constante e desconhecida, se os resíduos foram variáveis normalmente distribuídas (teste de Ryan-Joiner), se os resíduos apresentavam comportamento homoscedásticos, com distribuição constante ao longo dos valores de X (teste de Brown-Forsythe) e se o resíduo de uma observação não foi correlacionado com o resíduo em outra observação, se foram independentes (teste de Durbin-Watson) e se a relação entre Xi e Yi era linear (teste lack-of-fit) (SOUZA & JUNQUEIRA, 2005). Limites de detecção e quantificação Os limites de detecção (LD) e quantificação (LQ) para o ácido salicílico foram avaliados pela relação sinal/ruído que é aplicável aos métodos instrumentais que apresentam ruído de linha de base (ANVISA, 2003). Efeito matriz A avaliação do efeito da matriz para os analitos AAS e AS foi estuda através da comparação de uma curva analítica com três curvas de adição do analito em três matrizes diferentes (THOMPSON, ELLISON & WOOD, 2002). A segunda etapa da avaliação do efeito da matriz incluiu a análise de dados e os testes de premissas conforme delineamento experimental da linearidade. Após a análise da linearidade, o efeito da matriz foi avaliado pelas comparações das inclinações e interseções determinadas para as três curvas de adição do analito nas três matrizes diferentes com a da curva analítica. O teste preconizado para comparação das inclinações e interseções das curvas foi o teste de t (ARMITAGE & BERRY, 1994). Exatidão A exatidão foi avaliada em três curvas analíticas (sete níveis) com adição-padrão em soluções originadas de três fabricantes diferentes cujos teores de AAS e do AS foram previamente determinados. A exatidão foi comprovada pelo o cálculo da recuperação do analito em cada nível da curva de adição padrão (ICH, 1996; ANVISA, 2003; INMETRO, 2007). Precisão A repetitividade foi determinada pela análise do AAS e AS em dez alíquotas do mesmo “pool’’ de três diferentes fabricantes. O desvio padrão (s) e o desvio padrão relativo percentual de repetitividade (DPRr) dos teores encontrados foram calculados e comparados com os limites estabelecidos em função da concentração de analito (ICH, 1996; ANVISA, 2003; INMETRO, 2007). A reprodutibilidade interna foi avaliada através de determinações analíticas dos teores de AAS e AS em dez alíquotas do mesmo “pool” de cada um dos três fabricantes, no mesmo laboratório, utilizando o mesmo método e os mesmos procedi- Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 69 Artigo mentos, porém em dias, equipamentos e três analistas diferentes. Para cada lote analisado determinou-se o desvio padrão da reprodutibilidade interna (Si) e o desvio padrão relativo percentual da reprodutibilidade (DPRR) e estes foram comparados com os limites estabelecidos em função da concentração de analito (ICH, 1996; ANVISA, 2003; INMETRO, 2007). TABELA 1. Avaliação da linearidade: ANOVA da regressão, teste de desvio da linearidade (falta de ajuste) e avaliação dos resíduos das curvas analíticas do AAS e do AS Testes estatísticos Ácido acetilsalicílico Análise da Regressão (Modelo: Y = bx + a) área = 1227.104 (mg/ mL) – 48512 área = 12663 (μg/mL) + 1035 Ácido salicílico Robustez Coeficiente de determinação (r) 0,9995 0,9988 Para avaliar a robustez foram feitas injeções em quadruplicatas da solução de adequação do sistema de AAS com o AS, no cromatógrafo líquido com detector ultravioleta-visível com arranjo de diodos, sob oito combinações de ensaios diferentes (ANVISA, 2003; INMETRO, 2007). Para determinar a robustez do método de ensaio, aplicou-se o teste de Youden, que permitiu não só avaliar a robustez do método, como também ordenar a influência de cada uma das variações, as quais o método foi submetido, nos resultados finais, indicando qual o tipo de influência de cada uma dessas variações (INMETRO, 2007). Significância da regressão (ANOVA, p < 0,001) p = 1,16.10-25 p = 3,85.10-21 Desvio da linearidade (Falta de Ajuste, p > 0,05) p = 1,14.10-1 p = 2,02.10-1 Req = 0,99 Req = 0,97 d (calculado) = 2,10 d (calculado) = 2,08 p = 4,72.10-1 p = 8,48.10-1 Aplicação do método validado em amostras industrializadas Dez lotes de um mesmo medicamento (Fabricante D), que continham 100 mg de ácido acetilsalicílico por comprimido, foram analisadas pelo método validado. RESULTADOS E DISCUSSÃO No estudo da linearidade foram escolhidas as faixas de 70% (0,21 mg/mL) a 130% (0,39 mg/mL) da concentração teórica do teste (0,30 mg/mL) para o AAS e de 70% (6,3 μg/mL) a 130% (11,7 μg/mL) do limite máximo de AS especificado, que é de 3% em relação a massa de ácido acetilsalicílico (9,0 μg/ mL). As linearidades das curvas analíticas do ácido acetilsalicílico na faixa de concentração estudada foram confirmadas conforme mostrado na Tabela 1, as regressões obtidas foram significativas e não apresentaram desvio da linearidade, os resíduos seguiram a normal, eram independentes e apresentaram comportamento homoscedástico. A sensibilidade para o AAS foi de 1,88 mAbs/(µg/mL) e de 1,84 mAbs/(µg/mL) para o AS. Os limites de detecção e quantificação determinados a partir da curva analítica do ácido salicílico foram, respectivamente, 0,23 μg/mL e 0,69 μg/mL O efeito matriz foi avaliado pelas comparações das inclinações e interseções calculadas entre as três curvas de adição padrão e as curvas analíticas de AAS e AS respectivamente, conforme as Tabelas 2 e 3, onde os dados apresentados indicaram que não ocorreu efeito da matriz, pois o t calculado foi menor que o t tabelado, quando se comparou, a cada par, a curva analítica com a curva de adição padrão 1, a curva analítica com a curva de adição padrão 2 e a curva analítica com a curva de adição padrão 3. 70 Normalidade dos resíduos Rcrit = 0,95 (AAS) Rcrit = 0,94 (AS) (Ryan-Joiner, Req > Rcrit) Autocorrelação dos resíduos dL = 1,16 dU = 1,39 (AAS) dL = 1,13 dU = 1,38 (AS) (Durbin-Watson, dcal > dU) Homogeneidade dos resíduos (Brown-Forsythe, p > 0,05) TABELA 2. Teste t para comparação das curvas de adição padrão de ácido acetilsalicílico com a curva analítica de AAS Equação da curva analítica (Ca) y = 1,42.105 + 1,11.107x Equação da curva de adição padrão 1 (Cap 1) y = 9,43.104 + 1,10.107x Equação da curva de adição padrão 2 (Cap 2) y = 1,97.105 + 1,08.107x Equação da curva de adição padrão 3 (Cap 3) y = 7,68.104 + 1,13.107x t calculado entre Ca e Cap 1 0,593 t calculado entre Ca e Cap 2 0,494 t calculado entre Ca e Cap 3 0,391 t tabelado 10; 0,05 2,228 TABELA 3. Teste t para comparação das curvas de adição padrão de ácido salicílico com a curva analítica de AS Equação da curva analítica (Ca) y = 1,03.103 + 1,27.104x Equação da curva de adição padrão 1 (Cap 1) y = -8,51.103 + 1,25.104x Equação da curva de adição padrão 2 (Cap 2) y = 8,48.102 + 1,24.104x Equação da curva de adição padrão 3 (Cap 3) y = 5,09.103 + 1,38.104x t calculado entre Ca e Cap 1 0,182 t calculado entre Ca e Cap 2 0,296 t calculado entre Ca e Cap 3 0,661 t tabelado 10; 0,05 2,228 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 1,7% na análise do produto do Fabricante A, 1,4% na análise do produto do Fabricante B e de 1,6% na análise do produto do Fabricante C. Para a análise do AS os valores encontrados pelos três analistas foram de 2,4% na análise do produto do Fabricante A, 7,5% na análise do produto do Fabricante B e de 8,0% na análise do produto do Fabricante C. Todos os resultados encontrados ficaram abaixo dos limites estabelecidos de DPRR em função da concentração do analito, que não podem ultrapassar 8,0% para o ácido acetilsalicílico e 16,0% para o ácido salicílico (HORWITZ, 1982). A robustez do método foi avaliada de acordo com os parâmetros de adequação do sistema (repetitividade das áreas [DPR], pratos teóricos [PT], fator de cauda [FC], retenção [Ret] e resolução [Res]). Os efeitos foram calculados (E1 a E7) e avaliados com a finalidade de revelar aqueles efeitos mais significantes nos resultados dos parâmetros da adequação do sistema para as duas substâncias. As Tabelas 4 e 5 mostram, respectivamente, os efeitos determinados para cada variação de fator na determinação do ácido acetilsalicílico e na determinação do ácido salicílico. Foi observado que na resolução dos picos, o efeito da variação da composição da fase móvel foi o mais significativo, sugerindo-se trabalhar com a composição de 30% de orgânico (acetonitrila). No desvio padrão relativo das áreas, o efeito da estabilidade das soluções A recuperação média do analito em cada nível em três curvas de adição padrão para o AAS foi de 99,9%, 96,4% e 100,1% e para o AS foi de 100,3%, 100,1% e 101,2% ficando entre os limites estabelecidos de 90% a 107%, para o nível de concentração de analito do estudo (AOAC, 2002). A repetitividade do método foi confirmada pelos valores determinados de desvios padrão relativos de repetitividade (DPRr) encontrados pelos três diferentes analistas. Os resultados encontrados pelos analistas 1, 2 e 3 na análise do AAS do produto do Fabricante A foram de 2,5%, 1,2% e 1,2%, respectivamente, do produto do Fabricante B foram de 1,0%, 2,1% e 0,7%, respectivamente, e do produto do Fabricante C foram de 0,8%, 1,4% e 0,9%, respectivamente. Os resultados encontrados pelos analistas 1, 2 e 3 na análise do AS do produto do Fabricante A foram de 2,9%, 2,2% e 2,0%, respectivamente, do produto do Fabricante B foram de 8,4%, 7,1% e 5,6%, respectivamente, e do produto do Fabricante C foram de 6,2%, 7,3% e 9,9%, respectivamente. Todos os resultados encontrados ficaram abaixo dos limites estabelecidos de DPRr em função da concentração do analito, que não podem ultrapassar 5,3% para o ácido acetilsalicílico e 10,7% para o ácido salicílico (HORWITZ, 1982). A precisão intermediaria foi confirmada pelos valores dos desvios padrão relativos de reprodutibilidade (DPRR). Para a análise do AAS os valores encontrados pelos três analistas foram de TABELA 4. Resultados dos efeitos da robustez na análise do ácido acetilsalicílico Fatores Resolução Fator de cauda Retenção Pratos teóricos Repetitividade das áreas 1. Variação do pH da fase móvel (2,3 e 2,6) 1,14 -0,02 -0,30 -111 0,24 2. Variação da composição da fase móvel (30 e 20)% acetonitrila -3,25 0,05 -2,59 -2491 0,17 3. Variação da temperatura da coluna (30 e 25)ºC -0,72 0,06 -0,11 -545 0,06 4. Variação do fluxo da fase móvel (1,0 e 1,2) mL/minuto 0,26 0,01 0,81 639 0,07 5. Diferente fabricante de coluna (Waters e Merck) -0,83 0,07 -0,89 -490 0,01 6. Estabilidade das soluções (1 e 2) dias de preparo 0,22 0,03 -0,03 333 0,30 7. Tempo de extração no ultrassom (5 e 10) minutos de extração -0,45 0,02 0,37 -49 0,26 TABELA 5. Resultados dos efeitos da robustez na análise do ácido salicílico Fatores Resolução Fator de cauda Retenção Pratos teóricos Repetitividade das áreas 1. Variação do pH da fase móvel (2,3 e 2,6) 1,14 -0,05 -0,01 206 0,24 2. Variação da composição da fase móvel (30 e 20)% acetonitrila -3,25 0,01 -4,14 -3357 0,08 3. Variação da temperatura da coluna (30 e 25)ºC -0,72 0,07 -0,36 -386 0,19 4. Variação do fluxo da fase móvel (1,0 e 1,2) mL/minuto 0,26 -0,01 0,97 877 0,09 5. Diferente fabricante de coluna (Waters e Merck) -0,83 -0,09 -1,58 277 0,01 6. Estabilidade das soluções (1 e 2) dias de preparo 0,22 0,02 0,05 130 0,31 7. Tempo de extração no ultrassom (5 e 10) minutos de extração -0,45 0,01 0,61 -995 0,19 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 71 Artigo foi o que provocou maiores variações, donde conclui-se que é importante que se trabalhe com soluções preparadas no dia da injeção. No fator de cauda dos picos, não houve efeito capaz de causar variações significativas, todos os valores ficaram próximos do zero. Nos fatores de retenção e número de pratos teóricos, o efeito da variação da composição da fase móvel foi o mais significativo, sugerindo-se trabalhar com a composição de 30% de orgânico (acetonitrila). A aplicação do método validado a 10 amostras (10 lotes) do Fabricante D foi avaliada após terem sido determinados, em triplicatas, os teores de ácido acetilsalicílico e salicílico. Os resultados encontrados para o AAS conforme os lotes de 1 a 10 foram, respectivamente de: (95 ± 3)%, (93 ± 2)%, (94 ± 1)%, (95 ± 1)%, (99 ± 2)%, (93 ± 2)%, (94 ± 3)%, (98 ± 2)%, (98 ± 1)% e (103 ± 1)% do valor declarado pelo fabricante (100 mg/comprimido). Os resultados encontrados para o AS (ensaio limite) conforme os lotes de 1 a 10 foram, respectivamente de: 0,69%, 0,61%, 0,91%, 0,81%, 0,87%, 0,78%, 0,74%, 0,72%, 0,70% e 0,65%, não excedendo o limite de restrição de 3,0%. CONCLUSÕES O estudo da cinética de degradação do ácido acetilsalicílico demonstrou ser uma boa ferramenta para assegurar uma previsão do aumento do teor de ácido salicílico em função do tempo, previsão necessária principalmente em amostras que apresentam teor de AS próximo ao limite de restrição (3,0%). A seletividade foi verificada por comparações dos espectros de absorção no UV do pico no tempo de retenção característico da substância com as respectivas substâncias puras. A linearidade das curvas analíticas do AAS e do AS na faixa de concentração estudada foi confirmada. Os limites de detecção e quantificação determinados a partir da curva analítica do AS foram, respectivamente, 0,23 μg/mL e 0,69 μg/mL. A repetitividade e a precisão intermediária do método foram confirmadas pelos valores dos desvios padrão relativos de repetitividade (DPRr) e pelos valores dos desvios padrão relativos de reprodutibilidade (DPRR), respectivamente. Através do estudo da robustez foi possível constatar que este método pode ser utilizado para determinar o teor de AAS e de AS sob as oito combinações testadas, dentro dos limites estabelecidos para os parâmetros de adequação do sistema. Também foi possível verificar os efeitos mais significativos, principalmente com respeito aos resultados de resolução. O método estudado produziu resultados adequados para garantir a confiabilidade analítica de ácido acetilsalicílico e ácido salicílico em comprimidos, mostrando-se rápido, simples, seletivo e sensível. R efer ê n c ias AGUIAR, J.L.N.; LEANDRO, K.C.; ABRANTES, S.M.P; ALBERT, A.L.M. Development of a new analytical method for determination of acetylsalicylic and salicylic acids in tablets by reversed phase liquid chromatography. Brazilian Journal of Pharmaceutical Science, 2009, in press. Akre, K.; Ekström, A.M.; Signorello, L.B.; Hansson, L-E; Nyrén, O. Aspirin and risk for gastric cancer: a population-based case–control study in Sweden. British Journal of Cancer, v.84, p.965–968, 2001. ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Resolução - RE nº 899, de 29 de maio de 2003 Guia para Validação de Métodos Analíticos e Bioanalíticos, D.O.U. 02/06/2003. AOAC (Association of Official Analytical Chemists). AOAC Official methods of analysis. 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Ao orientador professor Dr. Marcio Labastie (in memorium) pela orientação, ideias e incentivo. 72 UNITED STATES FOOD AND DRUG ADMINISTRATION. USFDA; Guidance for Industry, Analytical Procedures and Method Validation, 2000. Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 73 Artigo Simulação de um acidente ambiental em laboratório SIMULATION OF AN ENVIRONMENTAL ACCIDENT IN LABORATORY Resumo Um produto químico, seja ele de natureza orgânica ou inorgânica, pode ser alimentado, involuntariamente, em um curso d’água. Este trabalho experimental visa apresentar, de forma simples, os resultados de uma simulação de um acidente ocorrendo num lago, em laboratório. Os resultados de monitoramento do sistema simulado, em laboratório, são apresentados através de medidas de pH e condutividade da corrente a jusante. Finalmente, será feita uma avaliação, através de quantificação de concentração do poluente, o potencial de um sistema portátil de medidas como uma metodologia analítica alternativa para determinação da concentração de produtos químicos totais em água, comparando-se as grandezas, pH e condutividade, mensuradas. Luana dos Reis Araujo Lorena Michele Oliveira Vaz Moilton Ribeiro Franco Júnior Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Núcleo de Gestão Ambiental e Energias Sustentáveis (NUGAES) Correspondências: Moilton Ribeiro Franco Júnior [email protected] Palavras-chave: Acidente ambiental, simulação, laboratório Abstract A chemical, be it organic or inorganic nature, can be fed involuntarily into a watercourse. This experimental work aims to present, in a simply way, the results of a simulation of an accident occurring in a lake, in the laboratory. The results of the monitoring system simulated in the laboratory are presented through measurements of pH and conductivity of the current downstream. Finally, an assessment is made by quantification of the concentration of the pollutant, the potential of a portable measures as an analytical methodology alternative to determine the total concentration of chemicals in water, comparing the magnitudes, pH and conductivity measured. Keywords: Environment accident, simulation, laboratory Introdução A demanda e a oferta dos recursos hídricos são cada vez mais comprometidas na medida em que, em muitos lugares do mundo, as águas superficiais e as subterrâneas estão contaminadas com esgotos industriais, agrícolas e municipais (Castro, 2007). De acordo com a Comissão Mundial da água para o século 21, mais de 50% dos principais rios do mundo estão contaminados, pondo em risco a saúde humana e dos ecossistemas (IPS, 1999). Uma avaliação do problema de água de uma dada região já não pode restringir-se a um simples balanço entre ofertas e potenciais, mas deve abranger suas 74 inter-relações geoambientais e socioculturais, em especial as condições de conservação dos recursos naturais em geral, e da água, em particular, de uso e ocupação do território, tanto urbano como rural, tentando alcançar e garantir a qualidade do desenvolvimento sustentado (Rebouças et. al., 2006). O autor ainda adverte que o problema é mais grave nos países em desenvolvimento, pela falta de sistemas adequados de monitoramento e controle, atingindo muitos rios e lagos próximos aos grandes centros urbanos, regiões costeiras e também os aquíferos subterrâneos. Isso significa que, se no futuro Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 padrões de qualidade mais rígidos não forem adotados, algumas fontes de água, em uso hoje, não poderão mais ser utilizadas. A literatura tem mostrado que são necessárias técnicas analíticas altamente sensíveis para medir pequenas concentrações de elementos essenciais e tóxicos. Algumas contaminações surgem principalmente da descarga de resíduos de atividades humanas e naturais, que resultam em uma interferência indesejável no uso da água (Melquiades e Appoloni, 2004). A determinação, com precisão, da concentração total de traços de metais em matrizes ambientais, como material particulado do ar residencial e urbano, poeira, solos, água e sedimentos, representa um desafio significativo. Isso tem conduzido ao desenvolvimento e ao aperfeiçoamento contínuo de vários métodos analíticos de digestão e pré-concentração de amostras, e ao desenvolvimento de técnicas instrumentais para obter diversas informações químicas em um período de tempo relativamente curto (Hassan et al., 2007). A determinação de elementos pesados e tóxicos permite o estudo de sua distribuição, o nível de poluição, bem como o risco oferecido pelo ecossistema estudado. Sem dúvida, as metodologias mais utilizadas para estes propósitos atualmente são a espectrometria de absorção atômica (AAS), a espectrometria de emissão atômica com uso de plasma (ICP-AES) e a análise por ativação neutrônica (NAA). A necessidade de um reator nuclear para NAA, a da preparação exaustiva de amostra para AAS e ICP-AES, quando comparada à fluorescência de raios x por dispersão em energia (EDXRF), estimula o interesse em direção à EDXRF em pesquisas ambientais (Hou, Jones, 2000). O objetivo deste trabalho experimental é apresentar uma forma simples e de baixo custo que pode ser usada para detectar níveis de contaminação de um sistema. Dessa forma, foi montado um equipamento de maneira que se pudesse realizar a simulação de um sistema aberto, em laboratório. Propositadamente, este sistema foi contaminado com um volume de solução ácida com concentração conhecida. Amostras de fluido foram coletadas na saída do sistema, para análise. As variáveis monitoradas servirão para dirimir o caminho a ser seguido quando um acidente ambiental realmente ocorre na prática da vida diária. cilitar os estudos iniciais. Tentativas visando simular um derramamento foram fracassadas quando se usou o etanol e o ciclohexano. O primeiro não foi detectado pelos sensores dos analisadores usados e o segundo formou duas fases líquidas, além de ser praticamente imiscível em água. Procedimento Experimental A Figura 1 apresenta uma foto do sistema que foi utilizado no trabalho experimental. Para simular um pequeno lago, empregou-se um vasilhame de plástico com diâmetro de 30 cm e profundidade de 18 cm. Este recipiente era alimentado por água através do bombeamento com bomba peristáltica. A saída do fluido do sistema era feita de forma natural através de uma torneira totalmente aberta. As vazões de entrada e saída eram determinadas através de medidas de massa coletada num intervalo de tempo. Uma vez que o sistema estava operando em regime permanente, um volume (50 mL) de solução de ácido clorídrico foi alimentado no centro do vasilhame e o cronômetro era acionado. Um termômetro de vidro foi fixado no interior do recipiente para se obter a temperatura do sistema. As amostras de fluido, na saída do sistema, eram coletadas a cada cinco minutos e levadas para análise, ou seja, determinação do pH e da condutividade. As vazões de entrada e saída de fluido devem ser mantidas em valores idênticos caracterizando o regime permanente. condutivimetro pHmetro tanque de alimentação bomba peristáltica balança analítica sistema ou lago coletor de resíduo Materiais Os materiais utilizados neste estudo foram: um tanque de 100 L; um termômetro de vidro (± 0,1ºC), um condutivímetro; um pHmetro; uma régua; uma bomba peristáltica; água da rede pública e bécheres. Dentre os vários contaminantes que poderiam ser empregados optou-se por preparar uma solução 4,0 molar de HCl visando fa- Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Figura 1. Foto do equipamento experimental utilizado Uma porção de contaminante - no caso deste trabalho usou-se solução concentrada de HCl num volume proporcional ao volume total do tanque - foi introduzida no centro do tanque e, ao mesmo tempo, um cronômetro foi acionado. 75 Artigo A cada cinco minutos, uma amostra de 10 a 20 mL foi coletada utilizando becher e seu pH, condutividade (λ) e densidade (ρ) devem ser medidos através dos equipamentos apropriados. O monitoramento deve ser cessado quando o valor da propriedade na entrada for muito próximo (adotar critério) ao da saída do tanque. Obtenção das curvas de calibração Realizar o preparo de dez amostras de solução aquosa de HCl em concentrações conhecidas. Medir os valores de pH, (λ e ρ) de cada amostra. Construir uma curva de concentração em função da propriedade medida. O ajuste dos dados foi feito usando modelos de equação que descreviam o comportamento dos dados com resíduos mais baixos. Resultados e Discussão A Tabela 1 apresenta os resultados experimentais para as duas vazões de fluido que foram testadas. O volume de contaminante adicionado ao sistema foi mantido o mesmo (50 mL) para cada vazão. O equipamento experimental não permitiu que a temperatura fosse controlada. Nota-se pela Tabela 1 que houve uma pequena oscilação da temperatura do sistema, em torno de 0,4oC, no intervalo de realização das medidas. Os dados transientes da Tabela 1 permitem observar que o espalhamento do HCl pelo tanque foi mais lento para a vazão de 3,30 cm3/s. Nesta vazão, de 0 a 15 minutos, o HCl está se espalhando pelo tanque, a partir do quinto ponto (20 minutos) inicia-se a depuração, o pH cresce e a condutividade cai. No caso da vazão mais alta (5,83 cm3/s) a depuração do sistema (descontaminação) iniciou-se imediatamente nos primeiros 5 minutos. Percebe-se que o sistema irá retornar ás suas propriedades iniciais mais rapidamente, obviamente, quando se tem uma vazão de fluido mais alta. Os resultados da Tabela 1 foram convertidos em concentração de ácido de acordo com uma curva de calibração previamente elaborada através da preparação de pequenas quantidades de amostras com concentrações de ácido conhecidas. A seguir, apresentam-se as equações das curvas de calibração para obtenção dos valores de concentração (C/mol/L) quando se realizam medidas de pH e condutividade, na saída do sistema: C (pH) = 0,385*exp(-2,1214*pH) C (λ ) = - 0,0002+0,0018*λ+3,3803E-5* λ 2 Aplicando-se as curvas de calibração aos dados da Tabela 1, obtém-se a Tabela 2 para cada uma das vazões. Os dados experimentais indicam que tipo de variável deve ser monitorada para cada caso estudado, bem como apontam o tempo que este contaminante (poluente) 76 Tabela 1. Temperatura, condutividade (λ) e pH na saída do sistema líquido, em função do tempo, para vazões de água (Q) de 3,30 e 5,83 cm3/s (adição de 50 mL de solução 4 M de HCl) 3,30 cm3/s 5,83 cm3/s t (min) T (oC) pH Λ t (min) T (oC) pH λ 5 25,8 4,69 0,0993 5 26,0 1,34 8,39 10 25,8 1,41 7,39 10 25,8 1,43 7,02 15 25,7 1,38 8,04 15 25,8 1,51 5,76 20 25,7 1,44 7,55 20 25,7 1,63 4,70 25 25,5 1,49 6,34 25 25,5 1,71 3,78 30 25,4 1,56 5,99 30 25,5 1,82 3,06 35 25,7 1,59 5,38 35 25,3 1,93 2,46 40 25,5 1,63 4,82 40 25,5 2,03 1,94 45 25,7 1,68 4,30 45 25,6 2,16 1,52 50 25,5 1,75 3,79 50 25,5 2,25 1,22 55 25,6 1,83 3,31 55 25,6 2,38 0,962 60 25,6 1,86 2,96 60 25,6 2,50 0,751 65 25,4 1,94 2,58 65 25,6 2,65 0,577 70 25,7 2,00 2,26 70 25,6 2,81 0,440 75 25,6 2,07 1,96 75 25,6 3,02 0,314 80 25,8 2,14 1,71 80 25,5 3,25 0,232 85 25,7 2,21 1,48 85 25,8 3,61 0,157 90 25,7 2,24 1,29 90 25,7 4,60 0,101 Tabela 2. Resultados experimentais aplicando-se as curvas de calibração para vazão de 3,30 e 5,84 cm3/s 3,30 cm3/s t (min) o T ( C) C(pH) (mol/L) 5,84 cm3/s C(λ) (mol/L) o T ( C) C(pH) (mol/L) C(λ) (mol/L) 5 25,8 1,84E-05 -2,09E-05 26,0 0,0224 0,0173 10 25,8 0,0193 0,0149 25,8 0,0185 0,0141 15 25,7 0,0206 0,0165 25,8 0,0156 0,0113 20 25,7 0,0181 0,0153 25,7 0,0121 0,009001 25 25,5 0,0163 0,0126 25,5 0,0102 0,00709 30 25,4 0,0141 0,0118 25,5 0,00810 0,00562 35 25,7 0,0132 0,0105 25,3 0,00642 0,00443 40 25,5 0,0121 0,00926 25,5 0,00519 0,00342 45 25,7 0,0109 0,00817 25,6 0,00394 0,00261 50 25,5 0,00940 0,00711 25,5 0,00325 0,00205 55 25,6 0,00793 0,00613 25,6 0,00247 0,00156 60 25,6 0,00744 0,00542 25,6 0,00192 0,00117 65 25,4 0,00628 0,00467 25,6 0,00139 0,000850 70 25,7 0,00553 0,00404 25,6 0,000992 0,000599 75 25,6 0,00477 0,00346 25,6 0,000635 0,000369 80 25,8 0,00411 0,00298 25,5 0,000390 0,000219 85 25,7 0,00354 0,00254 25,8 0,000182 8,34E-05 90 25,7 0,00332 0,00218 25,7 2,23E-05 -1,79E-05 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 levaria para ser eliminado ou não da corrente ou do sistema. As Figuras 1 e 2 ilustram o comportamento de cada variável em função do tempo, para cada vazão. Nota-se que existe uma relativa diferença no valor da concentração do ácido quando se utiliza condutividade ou o pH como medidas indiretas da concentração. No entanto, observa-se que a medida que o sistema se depura, a diferença entre concentração determinada por quaisquer uma das grandezas vai se reduzindo. Nesse caso, para a maior vazão ela tende a se tornar nula, quando o período de depuração é superior a 70 minutos. Através de um equipamento simples e empregando-se uma aparelhagem básica para análise, foi possível simular um acidente ambiental em laboratório. Os resultados experimentais mostraram que após a contaminação do sistema existe um tempo para que o contaminante se espalhe pelo corpo d’água. Finalmente, é observado que a vazão de fluido pelo sistema influencia no tempo de depuração do mesmo. Este será tanto maior quanto menor for o fluxo de água através do sistema. Figura 2. Concentração de HCl na saída do sistema para vazão de 3,30 cm3/s Figura 3. Concentração de HCl na saída do sistema para vazão de 5,83 cm3/s Conclusão R e f e r ê n c ia s Castro, L. M. A. Proposição de metodologia para a avaliação dos efeitos da urbanização nos corpos d’água. Tese de doutorado. UFMG – Escola de Engenharia de Belo Horizonte, 2007. Rebouças, A. C. “Água Doce no Mundo e no Brasil”, In: REBOUÇAS, A. C., BRAGA, B., TUNDISI, J. G. (Org.), Águas Doces no Brasil: Capital Ecológico, Uso e Conservação, 3ª ed., São Paulo – SP, Editora Escrituras.2006. INTER-PRESS SERVICE (IPS). Most rivers in the world are polluted. (Washington, D.C.). Inter-Press Service wire service. 1999. Melquiades, F. L.; Appoloni, C. R. Application of XRF and field portable XRF for environmental analysis. Journal of Radioanalytical and Nuclear Chemistry,Lousanne, v. 262, n. 2, p. 533–541, 2004. Curie, L. A. Limits for quantitative detection and quantitative determination. Analytical Chemistry, Washington, v. 40, n. 3, p. 586-593, 1968. Hassan, N. M.; Rasmussen, P. E.; Dabekzlotrzynska, E.; Celo, V.; Chen, H. Analysis of environmental samples using microwave assisted acid digestion and Inductively Coupled Plasma Mass Spectrometry – Maximizing total element recoveries. Water Air Soil Pollution, Dordrecht, v. 178, n. 1/4, p. 323-334, 2007. Hou, X.; Jones, B. T. Field instrumentation in atomic spectroscopy. Microchemical Journal, New York, v. 66, n. 1/3, p. 115-145, 2000. Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 77 Artigo USO DA ESPECTROMETRIA DE MASSA SEQUENCIAL PARA AVALIAR RESÍDUOS DE AGROTÓXICOS EM AMOSTRAS DE ALIMENTAÇÃO ANIMAL USE OF SEQUENTIAL MASS SPECTROMETRY TO EVALUATE WASTE PESTICIDES IN SAMPLES OF ANIMAL FEED RESUMO A alimentação animal (AA) pode ser uma das fontes de contaminação do leite e carnes e por essa razão vários países estabelecem limites máximos residuais (LMR) em agrotóxicos e os monitoram nessas matrizes. O Codex Alimentarius especifica LMR para diferentes AA. No Brasil, a legislação vigente prevê o uso de 26 ingredientes ativos de diferentes classes agronômicas e químicas em pastos, forragem e cereais sem especificar a utilização se para consumo humano ou animal. Este trabalho foi realizado com o objetivo de estudar o método QuEChERS para a determinação analítica de resíduos de agrotóxicos no milho e soja, principais matérias-primas utilizadas na produção de AA. Foram estudados 173 agrotóxicos de multiclasses químicas e agronômicas, sendo sua determinação efetuada em cromatógrafo líquido de alta eficiência acoplado ao espectrômetro de massas. Foram avaliados os parâmetros: seletividade, efeito matriz, recuperação, repetibilidade e limites de detecção e quantificação. Os testes realizados demonstraram que o método proposto é viável para determinar e quantificar 140 das 173 substâncias estudadas em amostras de milho e soja. Lucia Helena Pinto Bastos Adherlene Vieira Gouvêa Maria Helena Wohlers Morelli Cardoso Michele Reis da Silva Armi Wanderley Nóbrega Silvana do Couto Jacob Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) / Instituto Nacional de controle de qualidade em Saúde (INCQS). Laboratório de resíduos de agrotóxicos em alimentos. Departamento de Química Correspondências: Lucia Helena Pinto Bastos [email protected] Palavras-chave: Alimentação animal, QuEChERS, resíduos de agrotóxicos ABSTRACT Animal feed (AF) has been identified as one of the sources of pesticide contamination in milk and meat and, thus, many countries have established maximum residual limits (MRL) for these matrices based on the Codex Alimentarius recomendations. Brazilian legislation concerns 23 different chemical and agronomical classes in feed and cereals, without discriminating if they are to be consumed by humans or animals. This study aims at evaluating the suitability of the QuEChERS method for the analytical determination of pesticide residues in corn and soy. These cereals are the main raw materials of AF used to feed bovine. 172 pesticides belonging to different chemical and agronomical classes were studied using high performance liquid chromatography with mass spectrometry. The following parameters were studied: selectivity, matrix effect, recovery, repetitivity and limits of detection and quantification. The tests performed demonstrated that the QuEChERS method is suitable for the determination of 140 of the total pesticides studied. Keywords: Pesticides, QuEChERS, LC-MS/MS, animal feed, LC-ESI-MS/MS INTRODUÇÃO A alimentação animal (AA) pode ser uma das fontes de contaminação do leite e carnes - surge como um ponto crítico de Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 controle em processos de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle – APPCC nas indústrias alimentícias e, por essa 79 Artigo razão, vários países já possuem limites estabelecidos e controlam os resíduos de agrotóxicos em AA (KAN; MEIJER, 2007). O Codex Alimentarius especifica LMR em diferentes produtos usados em AA considerando separadamente os de forragem, os provenientes de resíduos agroindustriais de frutas e cereais, entre outros (CODEX, 2008). No Brasil, a legislação vigente permite o uso de 26 diferentes ingredientes ativos em pastos e forragem, de diferentes classes agronômicas e químicas (ANVISA, 2012; BASTOS, 2011). Este trabalho foi realizado com o objetivo de estudar o método QuEChERS para a determinação analítica de resíduos de agrotóxicos no milho e soja, principais matérias-primas utilizadas na produção de AA. Foi estudado um grupo representativo de agrotóxicos de multiclasses químicas e agronômicas, sendo sua determinação efetuada em cromatógrafo líquido de alta eficiência acoplado ao espectrômetro de massas (HPLC-MS/MS) utilizando a cromatografia líquida com fonte de ionização por eletronebulização acoplada à espectrometria de massa sequencial (LC-ESI-MS/MS). Em determinações analíticas de multirresíduos é necessário escolher uma matriz para representar uma categoria de produtos alimentícios de modo a minimizar o número de experimentos necessários para estabelecer os parâmetros de validação do método analítico. O Codex Alimentarius (CODEX, 2003) estabelece critérios para esta representação, sendo o milho representante do grupo cereal. Assim, neste trabalho o milho triturado foi usado representando os cereais com baixo teor de gordura e a soja aqueles com alto teor de gordura. O método de extração QuEChERS (ANASTASSIADES et al, 2003) e parâmetros de validação foram estudados para as matrizes milho e soja Neste trabalho foram avaliados parâmetros de validação e critérios de aceitação comumente presentes em trabalhos nacionais e internacionais: seletividade, efeito matriz, recuperação, repetibilidade, limites de detecção e quantificação (QUEIROZ et al., 2012; SANCO, 2012; ANVISA, 2007). Agrotóxicos avaliados e materiais de referência (MR) utilizados A escolha dos agrotóxicos utilizados neste trabalho foi feita através dos seguintes critérios: (a)Possuírem limites máximos residuais permitidos - LMR, em produtos vegetais potencialmente importantes para a produção de AA como: milho, soja, cevada, sorgo, café (cascas), semente de algodão, arroz, cana, feijão, cevada, trigo, citros, girassol. Para essa gama de produtos os LMRs variam de 0,01 a 10 mg.kg-1. (b)De uso permitido em culturas de hortifrutigranjeiros, dentre os quais os cítricos que são comuns pelo uso de seus resíduos na produção de rações. (c)Serem avaliados por método multirresíduos e por LC-ESI-MS/MS e estarem disponíveis no laboratório. (d) De uso proibido de modo a avaliar a aplicação de boas práticas agrícolas no campo. Soluções estoque de MR Soluções estoque foram individualmente preparadas pela dissolução do MR, considerando o grau de pureza, na concentração nominal de 100 µg.mL-1 em solvente acetato de etila. As soluções foram armazenadas em frascos âmbar sob refrigeração. Soluções intermediárias de MR MATERIAIS E MÉTODOS A partir das soluções estoque de 100 µg.mL-1 foram preparadas misturas de soluções intermediárias de trabalho em concentrações que variaram de 1 a 0,001 µg.mL-1 em solvente metanol grau cromatográfico. O estudo do método foi feito com quantificação pontual do MR, dentro de uma variação de medição não superior a 30% conforme referenciado em documento SANCO (2012). Para preparação do ponto de calibração na matriz, 1 mL do extrato orgânico do branco de milho e soja separadamente foram evaporados sob atmosfera de N2 em bloco de aquecimento a temperatura de 40°C e, após a secura, dissolvido em 1 mL da solução intermediária do agrotóxico com concentração correspondente ao ponto da curva analítica. Reagentes Solução intermediária para controle do equipamento Foram utilizados: a)acetonitrila, álcool metílico e acetato de etila - solventes orgânicos de alta pureza e grau cromatográfico (Merck e Tedia); b)MgSO4 PA (Merck); c) sorvente BONDESIL-PSA 40 mm (Varian); d)C18 35-75m (Alltech); e)Al2O3, 90, neutro 70-230 # ASTM (Merck), previamente muflado a 550°C por 3 horas antes do uso; f)Na(C2H3O2) anidro (Spectrum), seco a 220°C por 3 horas antes do uso. Foi utilizada uma solução da substância quinalfós na concentração de 0,04 µg.mL-1 preparada em solvente metanol. 80 Soluções intermediárias para estudo do método Para este estudo foi utilizada uma mistura dos 173 MR de agrotóxicos (S173) de diferentes classes químicas na concentração nominal de 1 µg.mL-1 preparada em solvente metanol. Essa mistura foi fornecida pelo laboratório de resíduos de agrotóxicos do ITEP-PE. Os agrotóxicos avaliados encontram-se listados na Tabela 1. Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Tabela 1. Agrotóxicos estudados nas matrizes milho e soja pertencentes a mistura S173 Agrotóxicos avaliados Acefato Acetamiprido Aldicarbe Aldicarbe sufona Aldicarbe sulfóxido Ametrina Azaconazol Azametifós Azinfós-etílico Azinfós- metílico Azoxistrobina Benalaxil Bitertanol Boscalida Bromuconazol Bupirimato Buprofenzina Butocarboxim Butocarboxim sulfoxido Carbaril Carbendazim Carbofurano Carbosulfano Carpropamida Ciazofamida Cimoxanil Ciproconazol Ciprodinil Ciromazina Clofentezina Clorbromuron Clorfenvinfos Clorpirifos Clotianidina Cresoxim-metílico Demetom-S-metílico Desmedifam Diazinona Diclofluanida Dicrotofós Dietofencarbe Difenoconazol Dimetoato dimetomorfe diclorvós dimoxistrobina diniconazol dissulfotom diurom dodemorfe epoxiconazol espinosade A espiroxamina etiofencarbe-sulfona etiofencarbe-sulfóxido etiona etiprole etirimol etofenproxi etoprofós etrinfós famoxadona fenamidona fenamifós fenarimol fenazaquina fenbuconazol fenhexamida fostiazato fenoxicarbe fenpiroximato fenpropimorfe fentiona fentiona sulfóxido fentoato fluazifope-p-butílico flufenacete fluquinconazol flusilazol flutriafol fosalona fosmete fostiazato furatiocarbe halofenosideo hexaconazol hexitiazoxi imazalil imidacloprido indoxacarbe iprovalicarbe isoprotiolona isoxaflutol isoxationa linurom malationa mefenacete mefosfolan mepanipirim mepronil metalaxil metamidofós metconazol metidationa metiocarbe metiocarbe sulfona metiocarbe sulfóxido metobromuron metomil metoxifenosida metoxurom mevinfós miclobutanil monocrotofós monolinuron muarimol nitempiram ometoato oxadixil oxamil oxamil oxima oxicarboxina paclobutrazol pencicurom penconazol picoxistrobina pimetrozina piperonil butóxido piraclostrobina e *metabólito pirazofós piridabem piridafentiona piridato pirifenox pirimetanil pirimicarbe pirimicarbe desmetil pirimifós-etílico pirimifós-metílico piriproxifem procloraz profenofós propargito propiconazol propizamida propoxur quinalfós tebuconazol tebufenosida tebufenpirade terbufós tetraconazol tiabendazol tiacloprido tiametoxam tiobencarbe tiodicarbe tiofanox sulfona tiofanox sulfóxido tolclofós metílico tolifluanida triadimefom triadimenol triazofós triciclozol triclorfon trifloxistrobina triflumizol triticonazol vamidotiona zoxamida 3-OH-carbofurano *Metabolito da piraclostrobina : N[1-(4-clorofenil)pirazol-3-il]oxil-o-tolil]carbamato Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 81 Artigo No desenvolvimento do trabalho, outras quatro misturas de agrotóxicos (S141, S148 e S150) foram utilizadas com inserções e retiradas de analitos em relação à mistura S173. As misturas foram identificadas ao longo do trabalho para cada teste realizado. A S141 não continha os seguintes MR: butocarboxim, carpropamida, diclofluanida, dicrotofós, dietofencarbe, dimoxistrobina, diuron, etofenproxi, fentoato, halofenosídeo, hexaconazol, mepamirim, metoxurom, monolinurom, nuarimol, nitempiram, oxamil, oxicarboxina, penconazol, pirifenox, pirimicarbe desmetil, pirimifós-etílico, tebuconazol, tebufenosídeo, tiobencarbe, tiofanós-sulfóxido, tolclofós-metílico, tolifluanida, triadimefom, triadimenol, triciclozol e vamidotiona. A S148 não continha os seguintes MR: bitertanol, butocarboxim, carpropamida, diclofluanida, dicrotofós, dietofencarbe, dimoxistrobina, diuron, espiroxamina, fentoato, halofenosídeo, hexaconazol, mepanipirim, metoxurom, monolinurom, nitempiram, nuarimol, oxamil, oxicarboxina, penconazol, pirifenox, pirimicarbe desmetil, tiobencarbe, tiodicarbe, tiofanox sulfóxido, tolclofós metílico, tolifluanida, triadimenol, triadimefon, triciclozol. Foram incluídos nesta mistura os agrotóxicos: abamectina, cadusafós, carbosulfano, coumafós e fentiona. A S150 não possui os seguintes MR: bitertanol, butocarboxim, carpropamida, diclofluanida, dicrotofós, dietofencarbe, dimoxistrobina, espiroxamina, etofenproxi, fentoato, halofenosídeo, hexaconazol, imazalil, mepanipirim, metoxurom, monolinurom, nitempiram, nuarimol, oxamil, oxicarboxina, penconazol, pirifenox, pirimicarbe desmetil, tiobencarbe, tiofanox sulfóxido, tolclofós metílico, tolifluanida, triadimefom, triadimenol, triciclozol. Foram incluídos nesta mistura os agrotóxicos: abamectina, cadusafós, carbosulfano, coumafós, fentiona. A maioria dos MR presentes nas misturas foram preparados com padrões da marca Dr. Ehrenstorfer-Augsburg (Alemanha), exceto os MR - difenoconazol, cresoxim-metílico, metomil e flutriafol da Sigma Aldrich, aldicarbe, procloraz e tiodicarbe da ChemService e o metabólito da piraclostrobina fornecido pela Bayer. A pureza dos MR utilizados nas misturas foi superior a 97% para a maioria das substâncias utilizadas. Equipamentos utilizados Foram utilizados o moinho de faca marca Brabender® Duisburg e o liquidificador industrial, a centrífuga Hitachi-himac CF7D2 e o Agitador rotatório marca IKA® modelo Ms3 digital, balança analítica, com resolução de 10-5 g e o evaporador de N2, cromatógrafo de ultraeficiência acoplado ao espectrômetro de massas tipo triplo quadrupolo por eletronebulização (HPLC-ESI-MS/MS) modelo Quattro Premier XE, Waters. Otimização das condições do espectrômetro de massas e HPLC As condições de operação do espectrômetro de massas, voltagens de cone e colisão foram otimizadas no modo MRM, através da indicação dos íons precursores e íons fragmento obtidos em diferentes trabalhos analíticos (AGUILERA-LUIZ 82 et al, 2011; HIEMSTRA & KOK, 2007; LEDOUX, 2011; PAREJA et al, 2011, PIZZUTTI et al, 2007) e ajustados com a mistura para diferentes programas de gradiente. Os íons foram separados em 15 janelas de tempo contendo no máximo 32 transições por janela, por MRM e o íon de maior e menor abundância selecionados para a quantificação e confirmação, respectivamente. Na Figura 1 está descrita a distribuição MRM em janelas de tempo baseada no tempo de retenção dos agrotóxicos avaliados. Tempo em min 0 1 MRM of 24 mass pairs, Time 2.00 to 8,00, ES+ 2 MRM of 20 mass pairs, Time 4.50 to 9,50, ES+ 3 MRM of 22 mass pairs, Time 6.00 to 11,50, ES+ 4 MRM of 32 mass pairs, Time 8.00 to 14,50, ES+ 5 MRM of 24 mass pairs, Time 10.50 to 16,00, ES+ 6 MRM of 28 mass pairs, Time 12.00 to 16,50, ES+ 7 MRM of 30 mass pairs, Time 13.00 to 17,50, ES+ 8 MRM of 24 mass pairs, Time 13.50 to 17,50, ES+ 9 MRM of 20 mass pairs, Time 13.50 to 18,50, ES+ 10 MRM of 26 mass pairs, Time 14.50 to 19,00, ES+ 11 MRM of 26 mass pairs, Time 14.50 to 19,00, ES+ 12 MRM of 20 mass pairs, Time 15.00 to 19,50, ES+ 13 MRM of 26 mass pairs, Time 15.50 to 20,50, ES+ 14 MRM of 28 mass pairs, Time 16.50 to 24,00, ES+ 15 MRM of 8 mass pairs, Time 20.00 to 31,00, ES+ 39.0 Figura 1. Representação das 15 diferentes janelas de tempo programado para aquisição de dados no método LC-ESI-MS/MS Os íons precursores, os íons de quantificação, o valor do cone e colisão para os analitos estudados foram ajustados no HPLC-MS/MS e encontram-se descritos na Tabela S1 (apresentada no material suplementar na versão digital disponível no site www.revistaanalytica.com.br). O equipamento foi operado em MRM com ionização por eletrospray no modo íon positivo. A Tabela 2 mostra as condições utilizadas para o estudo das matrizes milho e soja em resíduos de agrotóxicos em (ES+). Tabela 2. Condições utilizadas para o estudo das matrizes milho e soja em resíduos de agrotóxicos em (ES+) Cromatógrafo líquido Coluna analítica Alltima C18, 5 µm, 150 x 3,2 mm Temperatura da coluna 40 °C Fluxo da fase móvel 0,3 mL/min Volume de injeção 5 µL Fase móvel A 5mmol/L formato de amônio em água (10% metanol) Fase móvel B Metanol MS/MS Fonte (ES +) Voltagem capilar 0,98 kV Temperatura da fonte 100°C Interface eletctrospray (Z-Spray)TM Fluxo do gás do cone 50 L/h de nitrogênio Temperatura de dessolvatação 400°C Gás de dessolvatação Nitrogênio ultra puro Gás de colisão e pressão Argônio (3,5 x10-3) mbar Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 O gradiente de eluição utilizado foi: Fase móvel A (5mmol/L formato de amônio em água (10% metanol) inicialmente com 82,5%(v/v) com rampa linear até atingir 5,5% da mesma fase em curva linear. O tempo total de análise foi trinta nove minutos. Método de Extração Quechers 0,001 mg.kg-1 do agrotóxico estudado na matriz, nas condições analíticas estabelecidas. Além do limite da concentração foram utilizados outros critérios de confirmação dos analitos estipulados no documento SANCO (2012). As amostras branco de milho e soja foram avaliadas em relação aos agrotóxicos contidos na mistura S173. As etapas envolvidas neste método são: extração com acetonitrila seguida de partição, promovida pela adição de sais (sulfato de magnésio-MgSO4), cloreto de sódio (NaCl) e ou acetato de sódio (Na(C2H3O2)) e limpeza da amostra com sorventes como C18, alumina, PSA (primary secondary amine) e carbono grafitado (para uso em amostras com clorofila) (ANASTASSIADES et al, 2003). A utilização do solvente acetonitrila permite a extração de uma ampla faixa de agrotóxicos com diferentes polaridades e quando acidificada favorece a extração de substâncias que apresentam problemas de estabilidade em meio básico. A utilização do método surgiu com amostras de frutas e hortifrutigranjeiros, amostras com alto teor de água, necessária para permitir a etapa de partição. Para a utilização deste método em amostras secas, como cereais, foi efetuada a introdução de água ao meio com a formação de uma lama (slurry) na amostra de milho e soja. A quantidade de água utilizada foi de 2,5 e 2,0 mL para o milho e a soja, respectivamente. Para ambas as matrizes foram pesadas cerca de um grama do produto moído, adicionou-se água mantendo contato por 30 minutos, suficiente para permitir a hidratação da amostra. Após o período de descanso, iniciou-se o processo de extração que consistiu em duas etapas dispersivas. Na primeira etapa foi adicionado 6,0g de MgSO4 + 1,5g Na(C2H3O2) homogeneizado por cerca de 30s em agitador de tubo vortex e posteriormente centrifugado durante 7 minutos a temperatura ambiente. Para a segunda etapa foi retirado 2 mL do sobrenadante e adicionado 300mg MgSO4 + 100mg de alumina sendo novamente homogeneizado em agitador vortex, 1 mL do extrato orgânico foi retirado seco sob atmosfera de nitrogênio e ressuspenso na fase móvel A. Critérios para a confirmação dos agrotóxicos avaliados nas amostras Estudos premilinares realizados no método QuEChERS O efeito da resposta cromatográfica acentuada e induzida (efeito matriz - EM) observado pode causar aumento (EM-AR) ou diminuição da resposta (EM-DR) do detector de um analito presente no extrato da amostra, quando comparado ao mesmo analito presente em solvente orgânico gerando erros na determinação analítica (CARDOSO, 2010). Especificamente na técnica de LC-ESI-MS/MS, o EM é observado provavelmente devido à quantidade de interferentes presentes na amostra, ocasionando influência na ionização dos analitos (RODRIGUES et al, 2011). Para a avaliação do efeito matriz do milho e soja foi realizada uma comparação entre as áreas obtidas dos agrotóxicos contidos na mistura preparados em metanol e em extrato branco, de milho e soja respectivamente, anteriormente testado. O estudo foi realizado com o extrato em matriz pós-extração com ressuspenção da mistura do MR. Para a determinação do método multirresíduos de agrotóxicos em milho e soja foram avaliados: branco de amostra para a avaliação da seletividade, efeito matriz, recuperação, repetitividade e limites de quantificação e detecção. Branco de amostra na avaliação da seletividade Produtos orgânicos de milho e soja foram adquiridos no comércio do RJ para serem usados como branco nos estudos do método. O critério de aceitação utilizado para considerar as amostras branco foi conter uma concentração igual ou inferior a Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Os critérios de identidade para a técnica LC-ESI-MS/MS discutidos no documento SANCO (2012) e avaliados foram: 1. O tempo de retenção obtido nas amostras em relação ao tempo de retenção dos (MR) em matriz. O critério de tolerância entre o tempo de retenção (tr) do MR e amostra ser de ± 2,5%. 2. A intensidade relativa dos íons detectados na amostra avaliada e no material de referência, expresso como percentagem de intensidade do íon mais abundante com o íon correspondente do MR, medido na mesma concentração e condições analíticas foi a tolerância máxima permitida para a intensidade íons detectados na amostra e no MR e estão descritos na Tabela 3. 3. Razão S/N maior que 3:1 adotados para brancos e amostras analisadas. Tabela 3. Padrão de tolerâncias máximas permitidas para a intensidade de íons em CLAE-MS/MS Intensidade Relativa (% do pico base) Variação aceitável (%) > 50% ± 20% > 20 a 50 % ± 25 % > 10 a 20% ± 30% ≤ 10% ± 50% Fonte: SANCO, 2012 Estudo do efeito da resposta cromatográfica acentuada e induzida pela matriz 83 Artigo Para os cálculos das recuperações obtidas utilizou-se a equação 1: Efeito matriz (%) = (X1 ̶ X2) x 100 X2 referente aos LQM calculados. Os analitos cujos valores S/R não foram iguais ou superiores a 3:1, tiveram suas concentrações individuais aumentadas, o que permitiu valores mais fidedignos para o LDM e LQM. Equação 1 Onde: X1 = Média das áreas da solução analítica dos agrotóxicos em extrato orgânico na matriz milho ou soja. X2 = Média das soluções analíticas dos agrotóxicos em metanol. Através dessa avaliação na concentração estudada é possível verificar se a matriz exerce algum efeito no nível analítico positivo (aumento de sinal) ou negativo (perda de sinal). Resultados de efeito matriz superior ou inferior a 20% foram considerados (KRUVE et al, 2008; PIZZUTTI et al, 2007). A avaliação do EM foi realizada com a mistura S150 na concentração nominal de 0,06 mg.kg -1. A solução utilizada continha 51 diferentes classes químicas, a distribuição do número de agrotóxicos, pelas principais classes químicas, representada entre parênteses são: organofosforados (40), carbamatos e metil carbamatos (25), triazol (17), estrobilurina (5), neonicotinóide (5), uréia (4), estrobilurina (4); imidazol (3), anilinopirimidina (2); benzamida (2); benzimidazol (2); espinosinas (2); fosforotioato (2), morfolina (2), piretróide (2), pirimidina (2), oxiacetamida (2) e oxazolidinone (2). Os analitos restantes pertencem a 33 diferentes classes químicas. Determinação da recuperação e da repetibilidade dos analitos presentes nas matrizes milho e soja O estudo buscou verificar, dentro de uma faixa de concentrações compatíveis com os LMRs de cereais (Tabela S4), a recuperação e repetibilidade dos agrotóxicos em diferentes misturas citadas em cada estudo realizado. Matriz milho As concentrações consideradas para a avaliação do método foram: • Para a matriz milho, com a mistura S173, foram estudados dois níveis de fortificação 0,25 e 0,50 mg.kg-1 em 4 replicatas e 2 injeções de cada amostra. • Com a mistura S141 o estudo foi realizado com nível de fortificação e duas repetições de injeções na concentração 0,1 mg.kg-1. • Utilizando a S162 foi feita a fortificação na concentração de 0,01 mg.kg-1. • Durante o processo de avaliação de amostras (on-going), foram feitas seis replicatas em diferentes dias na concentração de 0,05 mg.kg-1 Estas recuperações com concentrações mais baixas visam a confirmação do LQM obtido pelo critério sinal ruído. Matriz soja Estimativa do limite de detecção e de quantificação para as matrizes Os limites de detecção e quantificação do instrumento (LDI e LQI) e do método (LDM e LQM) foram estabelecidos com base na relação sinal/ruído (S/R), no qual se aceita a estimativa de 3:1 para o LD e de 10:1 para o LQ. Esta relação (S/R) foi calculada pelo software MassLynx, versão 4.0 Waters do equipamento ultraeficiência acoplado ao espectrômetro de massas tipo triplo quadrupolo por eletronebulização (HPLC-ESI-MS/MS) modelo Quattro Premier XE, Waters (Milford, MA.USA). Para estabelecer essa relação para os valores dos LDI e LQI utilizou-se uma concentração conhecida com aproximadamente 0,02 mg.mL-1 dos agrotóxicos pertencentes à mistura S150 em matriz (extrato branco de milho e soja em metanol), analisados em seis replicatas (n = 6). Os resultados obtidos foram utilizados para estabelecer a relação (S/R). Em seguida, foram calculadas as médias, os desvios-padrão dos resultados e os valores dos limites LDI, LQI, LDM e LQM. Para confirmação dos LQM calculados utilizou-se um branco da amostra contendo concentração de cada analito 84 Foram feitas duas replicatas de fortificação com a mistura S148 na concentração nominal de 0,05 mg.kg-1. Como critério de aceitação utilizou-se o documento SANCO (2012), o qual indica recuperações de 70 a 120% e reprodutibilidade avaliada como CV(%) < 18%. Garantia da qualidade dos resultados analíticos Como garantia da qualidade dos resultados analíticos obtidos foi utilizado um controlador do equipamento LC-ESI-MS/MS - o agrotóxico quinalfós. Este foi adicionado à amostra a ser analisada na concentração de 0,02 µg.mL-1 quantificado pontualmente. Foi avaliada a razão de íons obtida entre o quinalfós adicionado e a razão obtida no MR em cada amostra analisada. O critério de aceitação da razão de íons obtida para o quinalfós é de <15% e caso esta condição não seja obtida dentro do procedimento analítico, o sistema deverá ser avaliado e a amostra reavaliada. Outro controle dos dados analisados (QC) foi feito usando as matrizes fortificadas com os agrotóxicos avaliados. Estas amostras analisadas no mesmo intervalo de tempo do QC são consideradas adequadas quando recuperações na faixa Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 de 60 a 130% e repetibilidade inferior a 20% foram obtidas (SANCO, 2012). RESULTADOS E DISCUSSÕES Determinações multirresíduos representam um meio efetivo de avaliar um grande número de agrotóxicos em um período de tempo relativamente pequeno. Entretanto, devido às grandes diferenças das propriedades físico-químicas dos analitos avaliados torna-se praticamente impossível obter recuperações adequadas para todos os componentes da mistura avaliada (HASJSLOVÀ et al, 1998) sendo necessária sempre a avaliação de fortificada nas matrizes em estudo. Resultados do estudo do branco na matriz milho e soja O branco de milho e soja mostraram-se eficientes na avaliação do método para todos os agrotóxicos pertencentes à mistura, exceção aos agrotóxicos propargito, confirmado nas amostras branco de milho e soja e tebuconazol para a soja. Os analitos identificados foram confirmados dentro dos critérios de qualidade SANCO (2012) conforme demonstrado na Tabela 4. Como consequência, a presença do propargito nas amostras branco de milho e de soja e do tebuconazol na soja, os resultados das AA para estes agrotóxicos deverão ser avaliados com restrições e considerando concentrações em níveis superiores aos obtidos no branco de matriz. O agrotóxico propargito tem o seu uso permitido no Brasil não sendo permitido para cultura do milho e soja pela ANVISA - órgão responsável pelo estabelecimento do LMR. Entretanto, o MAPA, para fins de monitoramento, estabelece um LMR de 0,1 mg.kg-1 para cultura do milho. O tebuconazol tem o seu uso permitido para cultura da soja (LMR = 0,1 mg.kg-1). Com as amostras branco avaliadas foi possível dar prosseguimento aos testes de: avaliação de EM, recuperação, repetibilidade e estimativa dos LDM e LQM. Resultados obtidos na avaliação do EM Considerando o critério de aumento ou diminuição de resposta de 20%, foi observado EM, na mistura S150 (0,02 µg.mL-1) em 15 e 7% dos agrotóxicos avaliados nas matrizes milho e soja, respectivamente. Na matriz milho (15% EM) foram observados, deste percentual, 34% EM-AR e 65% com EM-DR. Para a soja (7% EM), foram observados 81% com EM-AR e 19% EM-DR. O agrotóxico imazalil apresentou o maior EM-AR (74%) e o clorpirifós metil apresentou o maior EM-DR na matriz milho (-240%). Na matriz soja, o maior EM-AR (25%) foi observado para o agrotóxico ciproconazol e o maior EM-DR (-60%) para o clorpirifós etil. Uma maneira de atenuar os problemas de EM-AR nas determinações analíticas é a utilização de matriz branco na curva de calibração com o MR. Entretanto, esta estratégia não resolve a situação de EM-DR comumente observada em análises de LC-ESI-MS/MS. Outra estratégia é o aumento da limpeza da amostra (clean-up). Nesta situação sugere-se que o método seja avaliado com cautela quanto à perda de sensibilidade para agrotóxicos que apresentem EM-DR. Essa avaliação deve ser efetuada durante a etapa de estudo da recuperação do método podendo também ser realizado concomitantemente à determinação analítica das amostras com a utilização de QC. Devido à presença do EM observado para um grande número de agrotóxicos comprovando a interferência na ionização dos analitos, a quantificação de todos os agrotóxicos foi realizada através de superposição da matriz. Estudos da recuperação do método Quechers em milho Milho 0,25 mg.kg-1 A média dos resultados das quatro replicatas da fortificação obtidas para a mistura mostrou-se adequada dentro dos critérios adotados, recuperação 70 a 120% e repetibilidade avaliada como CV(%) <18%, para 153 substâncias entre os 173 estudados. Os agrotóxicos que não atenderam a esses critérios de qualidade, com os valores de recuperação e CV representados entre parênteses, expressos em percentagem, foram: demeton-S-metílico (50, 32), diclofluanida (87, 24), diclorvós (55, 21), dimetomorfe (120, 21), dissulfotom (70, 36), etiofen- Tabela 4. Avaliação da identidade dos agrotóxicos propargito e tebuconazol nas amostras branco de milho e soja Agrotóxico Matriz RT (%) S/N Abundância Amostra Faixa de Abundância ng.mL-1 Conclusão propargito milho 0,05 16 74 51,86 a 77,8 5 Atende critérios propargito soja 0 31 61 49,85 a 74,77 1,6 Atende critérios tebuconazol soja 0,25 7 8 2,86 a 8,58 1,8 Atende critérios S/N: sinal ruído Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 85 Artigo carbe sulfóxido (210, 21), fosmete (207, 10), nitenpiram (49, 22), tiodicarbe (86 19). Não foi observada resposta para os agrotóxicos: fenarimol, fentiona, imazalil, metiocarbe sulfona, pirifenox, procloraz, isoxaflutol e tiobencarbe. Resultados obtidos nas recuperações para a confirmação dos LDM e LQM Milho 0,5 mg.kg-1 Para confirmar os valores de LQM obtidos no teste de avaliação dos limites obtidos no S/N foi feito um estudo de recuperação utilizando a mistura S162 em milho na concentração de 0,01 mg.kg-1. Os valores de recuperação foram adequados em 126 dos 162 agrotóxicos avaliados. As substâncias que não atenderam ao critério de qualidade para valores de recuperação, representados em percentagem entre parênteses, foram: aldicarbe (55), bromoconazol (42), carpropamida (58), ciromazina (33), clorpirifós (128), cresoxim-metílico (39), diclofluanida (28), epoxiconazol (689), etiprole (181), etoprofós (49), etrinfós (146), fenamifós (52), fenarimol (136), fenhexamida (58), fenoxicarbe (43), fluquinconazol (51), flusilazol (46), fosmete (206), isoxationa (39), mepanipirim (60), nitenpiram (59), penconazol (50), picoxistrobina (58), pirifenox (1354), pirimetanil (58), tebuconazol (48), tolifluanida (33) e zoxamida (58). Na concentração de 0,01 mg.kg-1 nas condições analíticas estudadas um grande número de analitos não se mostrou adequado. Por essa razão, optou-se por realizar novos testes de recuperação em um maior nível de concentração. Foram feitas fortificações na matriz milho na concentração de 0,05 mg.kg-1. A média dos resultados das quatro replicatas da fortificação obtidas para a mistura S173 mostrou-se adequada dentro dos critérios adotados, para 158 substâncias de um total de 173 estudados. Os agrotóxicos que não atenderam aos critérios de qualidade, com os valores de recuperação e CV representados entre parênteses expressos em percentagem foram: clofentezina (64, 71), diclorvós (46, 45), dimetomorfe (132, 23), etiofencarbe sulfóxido (164, 18), fosmete (81, 43), isoxaflutol (60, 46), nitenpiram (74, 42), piridato degradação (72, 29), tiodicarbe (67, 37). Não foi observada resposta para os agrotóxicos: fentiona, imazalil, metiocarbe sulfona, procloraz, e tiobencarbe. Milho 0,1 mg.kg-1 O valor médio das replicatas da fortificação obtidas para a mistura S141 foi adequado quanto aos critérios de recuperação e reprodutibilidade para 137 agrotóxicos dentre os 141 avaliados. Os ingredientes ativos que não atenderam aos critérios, com os seus valores de recuperação e CV representados entre parênteses, expressos em percentagem foram: aldicarbe (62, 20), ciromazina (43, 5), demetom-S-metílico (36, 47), diclorvós (24, 18), dissulfotom (30, 22), fentiona (61, 10), imazalil (54, 0,5), mevinfós (60, 12) tebuconazol (93, 20), terbufós (62, 14) tiodicarbe (41,10). Não foi observada resposta para o agrotóxico carbosulfano. Matriz milho Resultados obtidos para matriz milho 0,05 mg.kg-1 Os valores de LDM e LQM para os agrotóxicos presentes na mistura S150 foram avaliados na matriz milho e obteve-se os menores valores para o agrotóxico acetamiprido (0,0004 e 0,001 mg.kg-1) e os maiores valores para a vamidotiona (0,16 e 0,53 mg.kg-1). De uma forma geral, o maior número de agrotóxicos (115 em 150) exibiu valores de LD e LQ próximos ou inferiores a concentração de 0,05 mg.kg-1. Os resultados obtidos com a mistura S148 para as sete replicatas genuínas realizadas em quatro diferentes dias mostraram valores de recuperação (%) e de CV (%) adequados para 137 entre os 148 analitos avaliados. Agrotóxicos que apresentaram limites diferenciados a esses valores, expressos entre parênteses, foram: abamectina (103, 19), aldicarbe (61, 23), ciromazina (35, 19), demetom-S-metil (30, 26), diclorvós (26, 13), fluquinconazol (82, 22), metomil (148, 21), profenofós (102, 19), quinalfós (92, 21), tiodicarbe (29, 29), zoxamida (90, 21). Todos os resultados das recuperações efetuadas estão descritos na tabela S2 (apresentada no material suplementar na versão digital disponível no site www.revistaanalytica.com. br). Com este estudo de recuperação e repetitividade obtida foi possível confirmar os valores de LQM para 137 agrotóxicos avaliados dentro da mistura S148. Matriz soja Resultados obtidos na matriz soja 0,05 mg.kg-1 Utilizando a mistura S150 foram obtidos menores valores de LDM e LQM para o agrotóxico acetamiprido (0,001 e 0,002 mg.kg-1) e maiores valores para o tebuconazol (0,11 e 0,35 mg.kg-1). De uma forma geral, o maior número de agrotóxicos, 113 agrotóxicos em 150 avaliados, obteve valores de LDM e ou LQM próximos ou inferiores à concentração de 0,05 mg.kg-1. Os resultados da fortificação obtidos foram adequados em relação à recuperação e ao CV para 141 analitos dentre os 148 avaliados. Os agrotóxicos que apresentaram limites diferenciados a esses valores, expressos entre parênteses, foram: abamectina (89 e 28), aldicarbe (76, 26), ciromazina (44, 3), diclorvós (25, 31), famoxadona (88, 32) e metomil (176, 2). O agrotóxico tiodicarbe não apresentou resposta nas con- Valores obtidos na avaliação para o LDM e LQM Matriz milho 86 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 dições avaliadas. Na Tabela S3 encontram-se todos os resultados das recuperações na matriz soja para S148. DISCUSSÕES GERAIS É conhecida pelos laboratórios da área de resíduos de agrotóxicos a dificuldade na obtenção de MR. Por essa razão, os autores acharam importante a divulgação dos resultados em diferentes misturas nos diferentes testes. O estudo do método realizado mostrou ser viável a avaliação de um grande grupo de agrotóxicos pelo Método QuEChERS em cereais utilizando LC-ESI-MS/MS. Os agrotóxicos diclorvós e ciromazina apresentaram problemas em todas as etapas de recuperação realizadas. Isto se deve a possíveis perdas do diclorvós no processo de evaporação sob atmosfera de N2 e problemas na solubilização do MR da ciromazina após estocagem. Estes analitos deverão ser avaliados em outras condições de trabalho. Para os agrotóxicos de uso não permitido no país, a legislação do MAPA indica que os LQM devem ser de 0,01 mg.kg-1 e esse limite não foi confirmado para 13 agrotóxicos. Os agrotóxicos que não cumpriram esses requisitos, bem como os valores das recuperações obtidas ou ausência de resposta, estão descritas na Tabela S4. Para os agrotóxicos que possuem LMR estabelecidos foram observadas baixas recuperações (<70%) para os agrotóxicos: clofentezina e alta concentração (>120%) para o metomil. Para a matriz milho baixas recuperações foram obtidas para aldicarbe, demetom-S-metil, dissulfotom e tiodicarbe. Nas mesmas condições analíticas estudadas, para a matriz soja, os agrotóxicos isoxaflutol e piridato também apresentaram um baixo desempenho. Um quadro geral dos LQM e das recuperações encontradas para níveis na faixa de 0,01 e 0,05 mg.kg-1 comparados aos LMRs permitidos encontram-se na Tabela S4 (apresentada no material suplementar na versão digital disponível no site www.revistaanalytica.com.br). CONCLUSÃO Os testes realizados mostraram que a técnica de extração QuEChERS é viável para analisar matrizes de milho e soja e avaliar diferentes subprodutos da AA. A validação completa com todos os agrotóxicos em todos os requisitos de qualidade é desejável pois não foi feita neste trabalho por limitações de MR. Fica clara a necessidade da realização de estudos mais aprimorados com a matriz soja, dada a sua importância econômica nacional e ao grande uso na AA e humana. R e f er ê ncias AGUILERA-LUIZ, M., M.; BOLANOS-PLAZA, P., GONZÁLEZ-ROMERO, R.; VIDAL, M., J., L.; FRENICH,G.,A. comparison of efficiency of different extraciona methods for the simultaneous de termination of mycotoxins and esticides in milk samples by ultra-high-performance liquid chromatography-tandem mass spectrometry. Analytical and Bioanalytical Chemistry, v399, p2863-2875, 2011. ANASTASSIADES, M., LEHOTAY, S.J.; STAJNBAER, D.; SCHENCK, F.J. 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Journal of Chromatography A, v. 1218, p. 1477-1485, 2011. 88 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Normas para publicação de Artigos a revista da instrumentação e controle de qualidade Uma publicação Eskalab A REVISTA ANALYTICA, EM BUSCA CONSTANTE DE NOVIDADES EM DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA, DISPONIBILIZA ABAIXO AS NORMAS PARA PUBLICAÇÃO DE ARTIGOS, AOS AUTORES INTERESSADOS. CASO PRECISE DE INFORMAÇÕES ADICIONAIS, ENTRE EM CONTATO COM A REDAÇÃO. Informações aos Autores Bimestralmente, a revista Analytica publica editoriais, artigos originais, revisões, casos educacionais, resumos de teses etc. Os editores levarão em consideração para publicação toda e qualquer contribuição que possua correlação com as análises industriais, instrumentação e o controle de qualidade. Todas as contribuições serão revisadas e analisadas pelos revisores. Os autores deverão informar todo e qualquer conflito de interesse existente, em particular àqueles de natureza financeira relativo a companhias interessadas ou envolvidas em produtos ou processos que estejam relacionados com a contribuição e o manuscrito apresentado. Acompanhando o artigo deve vir o termo de compromisso assinado por todos os autores, atestando a originalidade do artigo, bem como a participação de todos os envolvidos. Os trabalhos deverão ser enviados ao seguinte endereço: Revista Analytica A/C: Andrea Manograsso - redação Av. Paulista, 2073. Ed. Horsa I. / 23ªA – cjto. 2.315 CEP: 01311-940. São Paulo. SP Ou para o e-mail: [email protected] Os manuscritos deverão ser escritos em português, mas com Abstract detalhado em inglês. O Resumo e o Abstract deverão conter as palavras-chave e keywords, respectivamente. Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 As fotos e ilustrações devem preferencialmente ser enviadas na forma original, para uma perfeita reprodução. Se o autor preferir mandá-las por e-mail, pedimos que a resolução do escaneamento seja de 300 dpi’s, com extensão em TIF ou JPG. Os manuscritos deverão estar digitados e enviados por e-mail, ordenados em título, nome e sobrenomes completos dos autores e nome da instituição onde o estudo foi realizado. Além disso, o nome do autor correspondente, com endereço completo fone/fax e e-mail também deverão constar. Seguindo por resumo, palavras-chave, abstract, keywords, texto (Ex: Introdução, Materiais e Métodos, Parte Experimental, Resultados e Discussão, Conclusão) agradecimentos, referências bibliográficas, tabelas e legendas. As referências deverão constar no texto com o sobrenome do devido autor, seguido pelo ano da publicação, segundo norma ABNT 10520. As identificações completas de cada referência citadas no texto devem vir listadas ao fim, citando o sobrenome do autor em primeiro lugar seguido pela sigla do prenome. Evite utilizar abstracts como referências. Referências de contribuições ainda não publicadas deverão ser mencionadas como “no prelo” ou “in press”. Ex.: SOBRENOME, SIGLAS DO PRENOMES. Título: subtítulo do artigo. Título do livro/periódico, volume, fascículo. Pg inicial, ano. Qualquer dúvida entre em contato pelo telefone: (11) 3171-2190 89 Artigo EMPREGO DE BIOADSORVENTES NA REMOÇÃO DE CORANTES DE EFLUENTES PROVENIENTES DE INDúSTRIAS TÊXTEIS BIOADSORBENTS UTILIZATION IN DYES REMOVAL FROM TEXTILE INDUSTRY EFFLUENTS RESUMO O agravamento dos problemas ambientais em virtude do aumento da atividade industrial tem despertado na socidade a demanda de novas tecnologias para lidar com os resíduos gerados. Neste âmbito inclui-se a indústria têxtil, cujos rejeitos de corantes são potencialmente poluidores aos ecossistemas, conduzindo ao comprometimento da qualidade da água e do solo. Diversas técnicas vislumbram a remoção de corantes dos efluentes da indústria têxtil que em geral apresentam custos elevados, enquanto que os bioadsorventes caminham na proposta sustentável de aproveitamento de fibras vegetais e outros materias renováveis para a parcial ou completa eliminação dos materiais poluntes nestes rejeitos. Maurício da Silva Mattar1,2; Helber Barcellos da Costa1,2 e Marciela Belisário2 Faculdade Católica Salesiana do Espírito Santo, Vitória-ES 2 Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória-ES 1 *Correspondência Maurício da Silva Mattar [email protected] Palavras-chave: Resíduos, poluidores, sustentabilidade, renovável. ABSTRACT The increasing of industrial activities has been intensified environmental problems, requesting new technologies to handle with industrial residues. Textile industry is also responsible to produce residues, especially containing color pigments which are potential ecosystems pollutants, leading risks to water and soil quality. Dyes removal from industrial effluents is the main objective of several traditional and expensive techniques. In other hand, bioadsorbents correspond to a new trend in dyes removal, considering sustainable utilization of vegetables fibers and other renewable materials intending to partial or complete pollutants elimination from effluents. Keywords: Residues, pollutants, sustainable, renewable. INTRODUÇÃO A contaminação dos recursos hídricos com diversos poluentes químicos representa, atualmente, enormes riscos tanto para o meio ambiente quanto para a saúde pública. Isso ocorre por conta da urbanização e industrialização progressiva (SERENO, 2004). Os pesticidas (MOREIRA et al., 2002), os metais pesados (SERENO, 2004), os corantes (GUARATINI; ZANONI, 2000) e os fármacos (TAMTAM et al., 2008; SAMMARTINO et al., 2008; BESSE; GARRIC, 2008; GIBSON et al., 2007) estão entre os compostos químicos que provocam graves desequilíbrios no ecossistema. Estas substâncias chegam ao meio ambiente por diversas fontes, desde esgotos domésticos (REIF et al., 2008; NEBOT; GIBB; BOYD, 2007), a efluentes hospitalares (REIF et al., 2008; THOMAS et al., 2007) e industriais (RAYMUNDO et al., 2008; REIF et al., 2008). 90 A indústria têxtil representa um importante setor da economia brasileira e mundial, tendo experimentado considerável crescimento nos últimos anos. No entanto, como consequência desse aumento, efluentes industriais potencialmente tóxicos também são gerados de maneira elevada, sendo assim um potencial contribuinte à degradação do meio-ambiente (ZOLLINGER, 1987). Esses efluentes são responsáveis por graves acidentes ecológicos, por suas concentrações elevadas de produtos químicos potencialmente tóxicos (ALPENDURADA, 2002). Uma das principais características dos efluentes provenientes da indústria têxtil é a presença de cor, resultado principalmente dos corantes que são aplicados nas operações de tingimento (ZOLLINGER, 1987). A cor interfere na transmissão Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 da luz solar para dentro da corrente de água e, prejudica a atividade fotossintética das plantas presentes nesse ecossistema. Além disso, a oxidação biológica desse material consome o oxigênio dissolvido existente, prejudicando a atividade respiratória dos organismos vivos e, em conseqüência, causa o aumento da demanda bioquímica de oxigênio (D.B.O.) (SILVEIRA; SANTANNA, 1990). Estima-se que aproximadamente 90% das espécies químicas utilizadas no beneficiamento de fibras, incluindo os corantes, são eliminadas nos efluentes após cumprirem a sua função. Estes fatores levam à geração de grandes volumes de efluentes, os quais se caracterizam por apresentar elevada carga orgânica (CISNEROS; ESPINOZA; LITTER, 2002). Os parâmetros relativos aos corantes e seus efluentes relacionam-se ao conteúdo de metais pesados, coloração, biodegradabilidade e toxicidade para organismos aquáticos. Vários contaminantes são adicionados acidentalmente ou deliberadamente à água, ar e alimentos, e a exposição a estes contaminantes ocorre frequentemente e em altas concentrações (OLIVEIRA, 2006). Atualmente, os resíduos gerados de processos de coloração são de grande interesse ambiental, devido o seu potencial de risco à saúde humana (STRAUB et al., 1993). Por conta desse interesse, a busca por substâncias e técnicas capazes de eliminar parcialmente ou totalmente a toxicidade dos efluentes tem aumentado. Neste contexto, merece destaque a bioadsorção, processo de purificação em que materiais poluentes são removidos das soluções aquosas, através de adsorção por biomassas (bioadsorventes). racterizam pelo grupo -N=N- ligados a sistemas aromáticos (CATANHO et al., 2006). Corantes reativos com grupos azo são o preto remazol B, o alaranjado remazol 3R e o amarelo ouro remazol RNL (Figura 2) (CATANHO et al., 2006). Os corantes remazol possuem o grupo reativo sulfatoetilsulfonila, que são responsáveis por interagir com uma amina livre ou outro grupo substituinte na fibra (CATANHO et al., 2006; KUNZ et al., 2002). 2+ 562&+&+2621D562 &+ &+1D62 2+ 62 &+ &+ 2± FHOXORVH 5 62 &+ &+ 2 FHOXORVH5 Figura 1. Exemplo do processo de tintura de algodão com corante contendo o grupo sulfatoetilsufona como centro reativo da molécula (GUARATINI; ZANONI, 2000). 1D262&+&+26 1D262&+&+26 1 1 +1 1 1 +& & 1 621D 2 + 1D262&+&+26 D E 621D 1 1 CLASSIFICAÇÃO E ESTRUTURA DOS CORANTES TÊXTEIS +& & 1 2 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 621D +2 +2 1D262&+&+26 A molécula do corante utilizada para tingimento da fibra têxtil pode ser dividida em duas partes principais, o grupo cromóforo e a estrutura responsável pela fixação à fibra (KUNZ et al., 2002). A classificação dos corantes pode ser pelo tipo de fibra, tais como corantes para nylon, algodão, poliéster etc.; pelos métodos de aplicação no substrato, ou seja, pela maneira que eles são fixados à fibra, e de acordo com a sua estrutura química. Com relação à estrutura química, podem ser azo, antraquinona, indigoides etc. (CATANHO et al., 2006). Os principais grupos de corantes classificados pelo modo de fixação são os corantes reativos, diretos, azóicos, ácidos, corantes à cuba, de enxofre, dispersivos, pré-metalizados e branqueadores (GUARATINI; ZANONI, 2000). Dentre eles, destacam-se os corantes reativos. São os mais utilizados em nível mundial e assim chamados devido a sua capacidade de formarem ligações covalentes com a fibra (KUNZ et al., 2002). Os principais contêm a função azo e antraquinona como grupos cromóforos e os grupos clorotriazinila e sulfatoetilsulfonila como grupos reativos (Figura 1) (GUARATINI; ZANONI, 2000). Cerca de 60% dos corantes utilizados em indústrias têxteis são corantes azos, que se ca- 1 1 621D 1+ + F Figura 2. Estruturas dos corantes: (a) preto remazol B; (b) alaranjado remazol 3R e (c) amarelo ouro remazol RNL (CATANHO et al., 2006) TOXICIDADE DOS CORANTES Devido à sua própria natureza, os corantes são altamente detectáveis a olho nu, sendo visíveis em alguns casos mesmo em concentrações tão baixas quanto 1 ppm (1 mg/L) (GUARATINI; ZANONI, 2000). Quando lançados nos corpos aquáticos receptores, mesmo quantidades reduzidas podem alterar a coloração natural dos rios, resultando em graves problemas estéticos além de reduzir alguns processos fotossintéticos (SALLES; PELEGRINI; PELEGRINI, 2006; WEISBURGER, 2002) As indústrias têxteis geram grande quantidade de resíduos com baixos níveis de degradação, incluindo os corantes utilizados no processo, consequentemente, há dificuldade de tratamento e disposição final desses resíduos (DELLAMATRICE; MONTEIRO, 2006). Torna-se, portanto, um fator de preocupação quando esses resíduos são lançados em recursos 91 Artigo naturais “in natura”, sem qualquer tipo de tratamento, devido ao seu potencial de toxicidade (CAMARGO; CORSO, 2002). Com relação aos corantes “in natura”, cerca de 15% da produção mundial é perdida para o meio-ambiente durante a síntese, processamento ou suas aplicações. Por essa razão, são potenciais os riscos toxicológicos e ecológicos causados pela dispersão dos corantes no meio ambiente (GUARATINI; ZANONI, 2000). Os riscos toxicológicos de corantes sintéticos à saúde humana estão intrinsecamente relacionados ao modo e tempo de exposição, ingestão oral, sensibilização da pele, sensibilização das vias respiratórias (GUARATINI; ZANONI, 2000). Tais substâncias apresentam-se extremamente tóxicas para o homem, podendo provocar males, como: asma, sensibilização da pele, câncer de bexiga entre outros (ZANAROTTO; GODOI; SENA, 2007) Outro problema relacionado aos corantes é que alguns apresentam em sua composição metais pesados (cromo, cobalto, cobre, cádmio, níquel e outros) que são tóxicos à flora e a fauna aquática (MACHADO, 2007). Poucos são os corantes que causam efeitos tóxicos agudos (GUARATINI; ZANONI, 2000), contudo, os efeitos tóxicos crônicos, gerados especialmente por corantes insolúveis em água, apresentam significativa importância, uma vez que esses corantes e seus intermediários demonstram propriedades carcinogênicas e mutagênicas (FILHO et al., 2008; GUARATINI; ZANONI, 2000). O grupo de corantes reativos que mais tem atraído atenção são os azocorantes (SALLES; PELEGRINI; PELEGRINI, 2006). Os principais mecanismos de biotransformação envolvendo este tipo de corante são baseados principalmente em modificações devido a processos de oxidação, hidrólise, conjugação e redução (GUARATINI; ZANONI, 2000). A biotransformação de corantes contendo a função azo-aromático como cromóforo pode ser responsável pela formação de aminas, benzidinas, toluidinas e outros intermediários com potencialidade carcinogênica (FILHO et al., 2008; GUARATINI; ZANONI, 2000). Corantes azo bastante solúveis seguem um metabolismo centrado em processos de redução e a formação de amina aromática e a natureza carcinogênica desta amina esta relacionada à formação de produtos finais compostos como: benzidina, o-dianisidina, o-toluidina etc. (GUARATINI; ZANONI, 2000). Os corantes com estruturas químicas contendo grupos amino; aquilamino, ou acetilamino, porém, sem nenhum grupo sulfonado são propensos à ação de um metabolismo oxidativo. Esse processo pode originar espécies reativas capazes de interagir com estruturas do DNA, promovendo danos estruturais nesta molécula e, consequentemente, efeitos carcinogênicos (FILHO et al., 2008; GUARATINI; ZANONI, 2000). Já os corantes portadores de grupos sulfonados, ainda que sejam bastante solúveis e sua toxicidade seja minimizada em função da menor absorção, são capazes de se ligar a grupos amina e hidroxila presentes em proteínas (GUARATINI; ZANONI, 2000). 92 A maioria dos compostos orgânicos genotóxicos são ativados metabolicamente a espécies reativas com características eletrófilas. Admite-se, assim, que uma das primeiras etapas de iniciação de um processo cancerígeno esteja associada à reação de uma espécie eletrófila, direta ou formada por ativação metabólica, com o DNA/RNA (Figura 3A). Um dos erros provocados pela alteração de conformação das bases é a perda do emparelhamento de Watson-Crick (Figura 3B) entre as bases complementares na dupla hélice de do DNA (BELAND; POIRIER, 1989). As aminas aromáticas parecem estar associadas à etiologia do câncer em órgãos como o fígado, mama, pulmões, esôfago, rins e bexiga, variando o órgão afetado com o tipo de composto (BELAND; POIRIER, 1989). &2+ 2 $F 2+ 1 1+ 2+ + 2+ 2+ 2+ *O 1 1 1 $F + 2+ + 2 262+ + 1 2$F + + $F 2$F + '1$ 1 + 2*O $F 1 1 $F '1$ 1+ $F 262+ 1 1 1 1 1 + $F '1$ '1$ Adutos* não acetilados Ac = grupo acetil Adutos* acetilados *Aduto corresponde a uma entidade molecular resultante da formação de uma ligação covalente entre uma espécie eletrófila e um dos centros nucleófilos presentes em macromoléculas biológicas (DNA, RNA etc.) (BELAND; POIRIER, 1989). G5 1 + 1 2 1 1 1 1 + + + + 1+ 1 2 1 1 G5 G5 1 2 2 1 1 1 + + + &+ 1 2 1 G5 Figura 3. A: vias de ativação metabólica de aminas e amidas aromáticas. B: emparelhamento normal de Watson-Crick (G:C) e emparelhamento errado de bases causado pela formação de um aduto no átomo de oxigênio 6 da guanina (O6-aril-G:T) (BELAND; POIRIER, 1989). Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 FORMAS DE TRATAMENTOS PARA REMOÇÃO DOS CORANTES A maioria dos corantes apresenta uma cinética de degradação lenta para os processos biológicos convencionais, outros são recalcitrantes, permanecendo no ambiente de forma inalterada (KUNZ, 1999). Além do impacto ambiental, esses corantes são altamente tóxicos para o homem, muitos apresentam potencial mutagênico e carcinogênico (FILHO, 2006). Dessa forma, com a complexidade e diversidade dos corantes, há uma preocupação constante em desenvolver formas de tratamento adequadas para os efluentes de indústrias têxteis (GUARATINI; ZANONI, 2000). Os principais métodos de tratamento disponíveis na literatura para descoloração das águas de rejeito envolvem principalmente processos físico-químicos e biológicos (ALPENDURADA, 2002) dentre eles encontra-se a precipitação (GUARATINI; ZANONI, 2000), degradação química (CHOI; SONG; LEE, 2004; GUARATINI; ZANONI, 2000), fotoquímica (GALINDO; JACQUES; KALT, 2001), eletrofloculação (PASCHOAL; TREMILIOSI FILHO, 2005), biodegradação (FILHO, 2006; KUNZ, 1999; RODRIGUEZ; PICKARD; VAZQUEZ-DUHALT, 1999) e adsorção (MALL et al., 2005). Não existe um método universal adequado para eliminar os corantes dos efluentes (ALPENDURADA, 2002), a melhor escolha depende do tipo de corante a ser removido, composição, concentração e fluxo de produção do rejeito (GUARATINI; ZANONI, 2000). Além disso, o processo de tratamento utilizado deve obedecer aos padrões de natureza física, química e biológica, de forma a não acarretar alterações indesejáveis na qualidade da água (BRANDÃO, 2006). Um dos maiores custos associados com o tratamento de efluentes é a importação de substâncias químicas para o tratamento da água e outros materiais (NAMASIVAYAM et al., 2001). A adsorção tem se destacado como uma técnica de separação principalmente por ser um processo de alta seletividade em nível molecular, eficaz e econômico (BRANDÃO, 2006; RUTHVEN, 1996; RUTHVEN, 1984). A adsorção consiste na separação de componentes de uma mistura, em que ocorre transferência de massa, sendo um composto diluído em uma fase fluida e um sólido adsorvente (MARELLA; DA SILVA, 2005). É um processo com baixo consumo de energia, por isso a pesquisa de novos materiais que possam ser utilizados como adsorventes, tem despertado grande interesse, principalmente em relação à bioadsorção (BRANDÃO, 2006). BIOADSORVENTES A bioadsorção é um processo de purificação em que materiais poluentes são removidos das soluções aquosas, através de adsorção por biomassas (SILVA; TARANTO, Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 2000). Muitos adsorventes não convencionais de baixo custo têm sido experimentados por muitos pesquisadores, tais como resíduo de bioreator (biogás residual slurry), casca de banana, quitosana, bagaço de cana-de-açúcar, serragem de madeira, casca de semente de Moringa oleífera, fibra de coco e casca de laranja (NAMASIVAYAM et al., 2001). O emprego de resíduos industriais e agrícolas no tratamento de efluentes líquidos, principalmente como materiais adsorventes alternativos e de baixo custo, é muitas vezes vantajoso, pois além de remover contaminantes de efluentes, reduz o impacto ambiental causado pela disposição do próprio resíduo (FAGUNDES, 2007). Esses resíduos são ricos em carbono, estão prontamente disponíveis e passíveis de serem convertidos a carvão ativado (REIS; OLIVEIRA; ROCHA, 2005). Dentre as biomassas que são empregadas como bioadsorventes encontram-se as plantas aquáticas, as fibras de algodão, a serragem de madeira, o bagaço de cana-de-açúcar, o sabugo de milho, o coco babaçu e o coco da praia, entre outros. Esses materiais podem ser utilizados como suportes para novos adsorventes ou serem utilizados “in natura”, o que reduz ainda mais o custo (SANTOS; ALSINA; SILVA, 2003). O uso de argilas naturais, bagaço da cana, casca de arroz e espiga de milho como adsorventes mostraram-se economicamente atraentes para a remoção de cor de soluções aquosas. A maior parte dos adsorventes naturais usados com sucesso para a adsorção de corantes dos efluentes são compostos orgânicos com grupos polares reativos, responsáveis pela ligação com os corantes iônicos (SOARES, 1998). Os biosorventes de origem vegetal são constituídos basicamente de macromoléculas como lignina, celulose, hemicelulose e proteínas, as quais possuem sítios adsortivos, tais como grupos carbonilas, carboxilas, aminas, e hidroxilas, apresentam alta área superficial e grandes poros, capazes de adsorverem corantes por fenômenos de troca iônica ou complexação (TARLEY, 2003). Os processos de adsorção são analisados apresentando-se os dados do comportamento cinético em forma de curvas de ruptura e de isotermas de adsorção, que representam a relação de equilíbrio entre a concentração de adsorbato na fase fluida e nas partículas do adsorvente, sendo as formas mais usuais modelos como os de Langmuir e Freundlich (MARELLA; DA SILVA, 2005). Novas perspectivas têm sido abertas para o emprego de bioadsorventes na remoção de corantes têxteis, visto que permite o tratamento de grandes volumes, de modo rápido, econômico e satisfatório rejeito (GUARATINI; ZANONI, 2000). Pesquisas realizadas no Estado do Espírito Santo, utilizando bagaço de cana-de-açúcar, palha de café e casca de banana revelam o grande potencial desses bioadsorventes na remoção de corantes de efluentes de indústrias têxteis (RAYMUNDO et al., 2008). 93 Artigo CONCLUSÃO O impacto ambiental gerado pelos corantes presentes nos efluentes de indústria têxteis, aliado à rigidez da legislação ambiental, tem ocasionado o desenvolvimento de novas metodologias para a descontaminação desses efluentes industriais. Dentre essas metodologias, os bioa- dsorventes têm se destacado frente aos demais métodos físicos, químicos e biológicos utilizados para a despigmentação da água dos efluentes, uma vez que apresentam baixo custo, alta seletividade a nível molecular e capacidade de remoção dos corantes. Dessa forma, perspectivas futuras visam o uso de bioadsorventes para tratamento de efluentes frente às exigências ambientais. R eferências ALPENDURADA, M. F. 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Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 95 agenda Analytica XXI COLAMIQC - Congresso Latino Americano e Ibérico de Químicos Cosméticos Data: 14 a 16 de maio Local: Transamérica Expo Center. São Paulo. SP Informações: www.colamiqc2013.com.br 42ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular Data: 19 a 21 de maio Local: Foz do Iguaçu. PR Informações: www.sbbq.org.br/simposio-sbbq-conesul/ Curso: Espectroscopia no Infravermelho Data: 22 e 23 de maio Local: São Paulo. SP Fone: (11) 3721-3245 E-mail: [email protected] 1º Fórum Internacional de Regulamentação Tecnologia Biomédica Iniciativa da PUC-SP em parceria com a Northwestern University (EUA) Data: 23 e 24 de maio Local: Expo Center Norte. São Paulo. SP Informações: www.forumregulatorio.com.br 36ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química Data: 25 a 28 de maio Local: Águas de Lindóia. SP Informações: www.sbq.org.br/36ra/ V Congresso Ibero-Americano de Ciências Farmacêuticas VIII Conferência Nacional de Educação Farmacêutica Data: 5 a 7 de junho Local: Hotel Nacional. Brasília. DF Realização: Conselho Federal de Farmácia Informações: www.coiffa.org.br Conferência e Feira de Geomática e Soluções Geoespaciais Data: 18 a 20 de junho Local: Centro de Convenções Frei Caneca. São Paulo. SP Informações: http://mundogeoconnect.com/2013/ XIX Simpósio Nacional de Bioprocessos Data: 30 de julho a 2 de agosto Local: Hotel Bourbon Cataratas - Foz do Iguaçu. PR Informações: http://sinafermsheb.com.br/pt-br/node/14 CPhI South America Data: 6 a 8 de agosto Local: Expo Center Norte. São Paulo. SP Informações: www.cphi-sa.com.br/cphi/ 23º Congresso e Exposição Mundial de Mineração Mapeando o futuro: Avanços em Engenharia de Minas Data: 11 a 15 de agosto Local: Montreal, Canadá Informações: www.wmc-expo2013.org Abrafati 2013 – Congresso Internacional de Tintas Data: 16 a 18 de setembro Local: Transamérica Expo Center – São Paulo. SP Informações: www.abrafati2011.com.br/ Analitica Latin America Data: 24 a 26 de setembro Local: Transamérica Expo Center – São Paulo. SP Informações: www.analiticanet.com.br 7ª Exponorma Data: 30 e 31 de outubro Local: Centro de Convenções Frei Caneca. São Paulo. SP Informações: www.abnt.org.br/exponorma Confira também programação de cursos em diversas áreas de interesse em: www.cepcursos.com • www.expolabor.com.br • http://eventos.fundepag.br/ • www.isolalabcursos.com.br www.ispe.org.br • www.iicweb.org *Os cursos apresentados são de responsabilidade das entidades sugeridas 96 Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 Livraria Além dos títulos disponibilizados abaixo, muitos outros de interesse da área analítica e correlatos estão disponíveis no endereço www.revistaanalytica.com.br/livros Confira! Amostragem Fora e Dentro do Laboratório Autor: Flávio Leite 98 páginas R$ 30,00 Atlas de Microscopia Alimentar Autora: Márcia Regina Beux 79 páginas R$ 43,00 Bioetanol de Cana-deAçúcar Autor: Luís Augusto Barbosa Cortez 992 páginas R$ 180,00 Biossegurança em Biotecnologia Autor: Pedro C. Binsfeld (org.) 368 páginas R$ 64,00 Ciências Farmacêuticas Toxicologia Analítica Autora: Regina Lucia de Moraes Moreau 320 páginas R$ 95,00 Controle Biológico de Qualidade de Produtos Farmacêuticos, Correlatos e Cosméticos – 3ª Edição Autor: Kaneko 804 páginas / R$ 145,00 Cromatografia de Proteínas – Guia Teórico e Prático Autor: José Godinho Jr 128 páginas R$ 39,00 Cromatografia Líquida Moderna Autor: Fernando M. Lanças 382 páginas R$ 70,00 Curso Básico de Instrumentação para Analistas de Alimentos e Fármacos Autora: Lucia Valente Soares 352 páginas / R$: 90,00 Extração em Fase Sólida Autor: Fernando M. Lanças 96 páginas R$ 30,00 Fundamentos de Qualidade e Tratamento de Água Autor: Marcelo Libânio 496 páginas R$ 130,00 Fundamentos de Química Analítica Autor: Douglas Skoog 1124 páginas R$ 229,90 Gestão de Qualidade em Laboratórios Autor: Igor Renato Bertoni Olivares 148 páginas R$ 35,00 Introdução à Química Forense Autor: Robson Fernandes de Faria 102 páginas R$ 35,00 Manual de Métodos de Análise Microbiológica de Alimentos e Água – 4ªed. Autores: Neusely/Valéria/ Neliane Páginas: 624 / R$ 291,00 Microbiologia dos Alimentos Autores: Bernadette Dora Gombossy de Melo Franco e Mariza Landgraf 196 páginas / R$ 75,00 Práticas de Química Analítica Autor: Flávio Leite 150 páginas R$ 38,00 Química Analítica e Análise Quantitativa Autor: David S. Hage R$ 129,00 Segurança em Laboratórios Autor: Freddy Cienfuegos 270 páginas R$ 66,00 Tintas - Ciência e Tecnologia – 4ª edição Autor: Jorge Fazenda 1152 páginas R$ 280,00 Toxicologia de Alimentos Autores: Antonio Flavio Midio e Deolinda Izumida Martins 295 páginas R$ 86,00 Tratamento de Resíduos Químicos – Guia Prático para a Solução dos Resíduos Químicos em Instituições de Ensino Superior Autores: Leny B.A. Alberguini, Luis Carlos ds Silva e Maria O.O. Rezende 104 páginas / R$ 30,00 Validação em Análise Química Autor: Flávio Leite 357 páginas R$ 80,00 Validação de Métodos Cromatográficos de Análise (+ software Validate – standard version) Autor: Fernando M. Lanças 62 páginas R$ 30,00 # Desejo adquirir o(s) seguinte(s) livro(s) Título Preço Título Preço Valor total de minha compra: Desejo pagar da seguinte forma: ( ) Cheque anexo nº e nominal à Editora Eskalab Ltda. ( ) Por meio de boleto bancário que será enviado para o endereço abaixo. ( ) Por meio de depósito bancário, que será feito no Banco Itaú, Ag. 0262, conta corrente: 13061-0, em nome de Editora Eskalab Ltda. - CNPJ 74.310.962/0001-83. Razão Social / Nome: Endereço: Cidade: Estado:CEP.: Fone: ( )E-mail: Esses preços são válidos até a publicação da próxima edição (nº 65) ou final do estoque. Todos os preços estão sujeitos a alteração. Para encomendas feitas na cidade de São Paulo e Grande São Paulo, não cobramos frete. Para outras localidades, o frete é de R$ 12,00 por livro. OBS: Feito o depósito, favor enviar o comprovante de pagamento juntamente com essa ficha preenchida para o fax (11) 3171-2190. Editora Eskalab Ltda. Av. Paulista, 2073. Ed. Horsa 1. Cj. 2315. CEP: 01311-940. São Paulo. SP - Fone/Fax: (11) 3171-2190 / 3171-2191 - E-mail: [email protected] Revista Analytica • Abril/Maio 2013 • Nº 64 97 anunciantes Se você deseja saber mais sobre produtos, equipamentos e serviços oferecidos pelos anunciantes dessa edição, contate-os por telefone ou correio eletrônico. Abaixo, a lista completa dos nossos anunciantes Alem Mar Av. Senador Queiroz, 96 – 5ºA. 01026-000. São Paulo. SP Fone: (11) 3229-8344 [email protected] www.alemmar.com.br Página: 41 Expolabor Rod. Régis Bittencourt, 3.370 – km. 272,5 06793-000. Taboão da Serra. SP Fone: (11) 4787-8973 [email protected] www.expolabor.com.br Página: 78 Allcrom Rua Davis Bem Guri,701 05634-001.São Paulo,SP Fone: (11) 3464-8900 Fax: (11) 3464-8901 [email protected] www.allcrom.com.br Página: 12, 13 FI South America www.fi-events.com.br Página: 65 Alpax Rua Serra da Borborema, 40 09930-580. Diadema. SP Fone: (11) 4057-9200 [email protected] www.alpax.com.br Página: 21 BCQ Consultoria e Qualidade Ltda. Rua Cel. 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