estilo NA PRÁTICA Uma solução inteligente para quem tem pouco dinheiro para abrir um escritório Um dos mais importantes ativos intangíveis de uma empresa, a marca cria valor econômico Coworking Gerenciamento de marcas Julho/2011 Ano 34 - nº 301 Gestão Ambiental Aumentar a competitividade sem agredir o meio ambiente. Uma relação que favorece o administrador, graças à sua formação multidisciplinar Carta ao Leitor Ambientalmente correta humanas e produtivas. É ela, também, que diz ser o administrador o profissional talhado para formular políticas que engajem as empresas na temática ambiental, dentro de um contexto que alia novas oportunidades e redução de custos. Essa bagagem também nos credencia a atestar que o administrador tem as habilidades necessárias para desenvolver o espírito necessário para que as organizações evoluam socioeconomicamente dentro de princípios éticos que acatem definitivamente as demandas da sustentabilidade. É preciso deixar claro que a preocupação com preservação ambiental não é um modismo, com prazo de validade. As empresas que não alinharem suas metas de produtividade à essa realidade, tendem a ficar cada vez mais sozinhas. É necessário administrar as responsabilidades sociais das empresas, e os aspectos qualitativos de vida devem fazer parte das preocupações fundamentais das organizações. Boa leitura! “Em países mais avançados, a conscientização de que o mundo dos negócios só é viável se interagir com a natureza é bastante forte. No Brasil, esse pensamento ainda é incipiente” Zanone Fraissat Até meados da década de 1990, o consumidor praticamente era “obrigado” a aceitar os produtos impostos pela indústria. Era uma época de poucas opções. Com a abertura da economia nacional, esse cenário sofreu uma mudança brusca. A chamada globalização de mercados contribuiu para que as prateleiras dos diversos segmentos do comércio brasileiro fossem “inundadas” por produtos do exterior. Para fazer frente à concorrência, as empresas passaram a investir maciçamente em programas de qualidade. O objetivo era buscar a excelência naquilo que produziam, não apenas para poderem combater o que vinha de fora e se inserir no mercado externo, mas para satisfazer os anseios dos clientes internos. A ordem era, a todo custo, encantá-los. É claro que se torna desnecessário afirmar que produzir com qualidade e ter um bom atendimento são itens que conferem às organizações o selo de “empresas sérias”, que respeitam seus clientes. Porém, elas não podem ignorar que um dos legados deixados pela globalização é o de que os consumidores estão cada vez mais exigentes. E nesse rol de “querer sempre mais” está o de que produto bom é o que respeita o meio ambiente. Em países mais avançados, a conscientização de que o mundo dos negócios só é viável se interagir com a natureza é bastante forte. No Brasil, esse pensamento ainda é incipiente, mas se fortalece à medida que a opinião pública pressiona o meio empresarial a buscar opções de desenvolvimento de suas atividades, de maneira sustentável. O novo cenário descortina um vasto campo de atuação para o gestor ambiental, profissional que começa a ser formado pelas escolas para, entre outras ações administrativas, estabelecer programas de gerenciamento, controle de qualidade e preservação ambiental e, desde já, abre um terreno amplamente favorável ao administrador, em função de sua formação interdisciplinar. Essa ecleticidade é que determina a capacidade de realização desse profissional. É ela que fornece as ferramentas necessárias para que possa gerenciar formas de utilização dos recursos naturais e seus impactos ambientais nas atividades Adm. Walter Sigollo Presidente do Conselho Regional de Administração de São Paulo - CRA-SP 3 Sumário Editor Conselho Regional de Administração de São Paulo Presidente Administrador Walter Sigollo Diretores Adm. José Alfredo Machado de Assis Vice-presidente Administrativo Adm. Milton Luiz Milioni Vice-presidente de Relações Externas Adm. Alberto Emmanuel de Carvalho Whitaker Vice-presidente de Planejamento Adm. Hamilton Luiz Corrêa Vice-presidente para Assuntos Acadêmicos Adm. Teresinha Covas Lisboa 1º Secretário Adm. Roberta de Carvalho Cardoso 2º Secretário Adm. Antonio Geraldo Wolff 1º Tesoureiro Adm. Homero Luís Santos 2º Tesoureiro Conselheiros Alexandre Uriel Ortega Duarte, Álvaro Augusto Araújo Mello, Arlindo Vicente Junior, Carlos Antônio Monteiro, Edgar Kanemoto, Luiz Carlos Vendramini, Marcio Gonçalves Moreira e Nelson Reinaldo Pratti Conselho Editorial para RAP 20011/2012 Coordenador: José Alfredo Machado de Assis. Alberto Emmanuel C. Whitaker, Hamilton Luiz Corrêa, Luiz Carlos Vendramini, Marcio Gonçalves Moreira, Milton Luiz Milioni, Roberta de Carvalho Cardoso, Teresinha Covas Lisboa e Maria Cecilia Stroka. Produção Conselho Regional de Administração de São Paulo Departamento de Desenvolvimento Institucional Coordenação Editorial e Gráfica Entrelinhas Comunicação Ltda. Editor-responsável Luiz Gallo (MTb 14.576) Publicidade Publicidade Nominal Representações Impressão Plural Editora e Gráfica Ltda. Tiragem 50.000 exemplares Rua Estados Unidos, 889 - Jardim América - São Paulo - SP CEP 01427-001 - Telefone: (11) 3087-3200 [email protected] - www.crasp.gov.br Delegacias Para servir de apoio aos profissionais no interior e, em muitos casos, ser a extensão da própria entidade, o CRA-SP está presente, por meio de delegacias, em sete regiões do Estado: • Região de Bauru Delegado: Adm. Helson José B. Fagundes Rua Joaquim da Silva Martha, 23 Complemento 11 – 17012.225 - Bauru - SP Tel: (14) 3226-5004 E-mail: [email protected] Atendimento: das 9h30 às 17h 3 . Carta ao Leitor 6 . Panorama Eventos promovidos pelo CRA-SP e informações de interesse do administrador A força de uma marca em Na Prática 12 . MIT Sloan Semelhanças e diferenças Entendê-las bem significa deixar de perder grandes oportunidades • Região de Campinas Delegado: Adm. João B. Pereira Júnior Rua Barão de Paranapanema, nº146 conj. 44 A – 13026-010 - Campinas - SP Tel: (19) 3251-9688/3251-9660 E-mail: [email protected] Atendimento: 8h30 às 17h30 • Região de Jundiaí Delegado: Adm. Eric Jacques L. Winandy Avenida Dr. Sebastião Mendes Silva, 901 13208-090 - Jundiaí - SP Tel: (11) 4586-7299 E-mail: [email protected] Atendimento: 9h às 17h • Região de Piracicaba Delegado: Adm. Roberto Tayar Rua Alferes José Caetano, 720 - Sala 25 13400-120 - Piracicaba - SP Tel: (19) 3402-4841 E-mail: [email protected] Atendimento: 9h às 17h • Região de Ribeirão Preto Delegado: Adm. Marcos Silveira Aguiar Coord. Regional: Adm. Marcelo Torres Avenida Braz Oláia Acosta, 727 – conj. 109 14026-040 - Ribeirão Preto – SP Tel: (16) 3621-1061 – Fax (16) 3621-3827 E-mail: [email protected] Atendimento: 8h30 às 17h30 • Região de Santos Delegado: Adm. Itamar Revoredo Kunert Rua Leonardo Roitman, 27 – conj. 43 11015-550 – Santos - SP Tel: (13) 3223-2629 E-mail: [email protected] Atendimento: 13h às 19h • Região de São José do Rio Preto Delegado: Adm. José Carlos Simões Rua Luiz Antônio da Silveira, 89 15025-020 - São José do Rio Preto - SP Tel: (17) 3234-1676 E-mail: [email protected] Atendimento: 8h às 18h A RAP é uma publicação mensal do Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP), sob a responsabilidade de seu Conselho Editorial. As reportagens não refletem necessariamente a opinião do CRA-SP. 14 . Na Prática Um novo espaço de trabalho em Estilo Ativo intangível Maior patrimônio de uma empresa, a marca precisa ser gerenciada sempre 18 . Capa Gestão Ambiental A preocupação com o meio ambiente é uma realidade cada vez mais alinhada às metas de eficiência e produtividade 24 . Perfil Gestão Ambiental: um novo campo para o administrador em Capa Adminstrador Sérgio Comolatti “O administrador brasileiro é bem visto no exterior por ter sobrevivido a momentos cruciais da economia” 28 . Estilo Coworking Uma opção para quem tem pouco dinheiro para abrir um escritório 32 . Canal Aberto Desoneração tributária Administradores ouvidos pelo CRA-SP querem redução de impostos sobre folha de pagamento 34 . Opinião Adm. Alexey Carvalho Panorama por Luiz Gallo “A Administração se expande em todas as direções” O administrador Idalberto Chiavenato (centro) recebe os cumprimentos dos administradores Sebastião Luiz de Mello, presidente do CFA, e Walter Sigollo, presidente do CRA-SP, durante a cerimônia de posse Fazer previsões sempre foi uma arte que mereceu desconfiança. Nos dias atuais, em que a velocidade das informações caminha a passos largos, qualquer profecia sobre o dia de amanhã é uma temeridade. Que dirá, então, projetar como será a Administração daqui a alguns anos, já que se trata de uma área dinâmica e em constante mutação. “O risco de errar não é uma probabilidade, mas uma certeza”, afirma o administra- 6 Marly Pereira A afirmação é do administrador Idalberto Chiavenato, que representará São Paulo no Conselho Federal de Administração dor Idalberto Chiavenato, autor de 39 livros sobre Administração, em particular na área de Recursos Humanos, dos quais 19 traduzidos para a língua espanhola e adotados por universidades latino-americanas, espanholas e portuguesas. “A única constante do mundo real, como já dizia o filósofo grego Heráclito de Éfeso (540 a.C – 470 a.C.), é a mudança. Só que depois de 24 séculos, a mudança, que era gradativa, aumentou exponencialmente sua velocidade, profundidade e abrangência, o que complica enormemente as coisas. A Administração parece seguir o mesmo caminho”, enfatiza. E ressalta: “o mundo dos negócios está seguindo para um futuro dinâmico e imprevisível”. Para ele, nos pouco mais de 100 anos de existência da profissão, a Administração vem mostrando uma expansão em todas as direções. “Há muito tempo, deixou de ser um simples processo cíclico de planejar, organizar, liderar e controlar no âmbito operacional, tático ou estratégico das organizações, em geral, e das empresas, em particular. Hoje, ela envolve a definição de objetivos globais ou departamentais, a tomada de decisões e a liderança sobre a estratégia necessária para alcançá-los. Isso requer, necessariamente, a articulação e utilização de vários conjuntos de recursos e competências organizacionais para ganhar vantagem competitiva. No seu entendimento, a Administração está, cada vez mais, envolvendo novos elementos. Cita como exemplos o capital intelectual, os stakeholders (público com o qual a empresa se relaciona), a governança corporativa e preocupações como a excelência e a sustentabilidade em termos financeiros, sociais e ambientais. “Além disso, a Administração está ganhando contornos de universalidade, sendo entendida como o meio ou passaporte para que as descobertas e invenções das várias ciências, como tecnologia, biologia, engenharia, medicina, física, química, farmácia etc., possam ser transformadas em produtos ou serviços disponíveis no mercado e na sociedade, por meio das organizações e empresas”. Sobre a área de Recursos Humanos, Chiavenato diz que ela passa por uma verdadeira revolução, o que faz com que sua tradicional denominação seja contestada. “É que o nome RH ainda traz a lembrança da Era Industrial e do velho conceito de tratar as pessoas como recursos empresariais, ou seja, como ativos que devem ser administrados pela organização. Contudo, pessoas devem ser tratadas como pessoas e não como meros recursos inertes e padronizados. E é isso o que está acontecendo”, explica. Ele entende que a gestão dessa área não deve começar com recursos humanos, mas com o negócio da empresa, por ser o ponto de partida para definir o perfil, características, conhecimentos e competências que as pessoas deverão oferecer. Chiavenato diz que o caminho para o sucesso empresarial passa pelos talentos, “pessoas dotadas de competências fundamentais para que se possa falar em capital humano e capital intelectual”. E com isso, prossegue, a área de RH deixou para trás a atividade operacional, descentralizando e delegando aos gestores a administração das pessoas de suas equipes, transformandose em consultoria interna para lhes dar apoio e suporte. Para ele, todo executivo que tem uma equipe de pessoas como plataforma de seu trabalho é o responsável direto pela gestão do talento na empresa e pelo aumento do seu capital humano. “Todos envolvidos em uma tarefa grandiosa: desenvolver e conduzir seus talentos no sentido de contribuir e agregar valor ao negócio e participar dos resultados alcançados. No futuro, conclui Chiavenato, provavelmente a gestão do capital humano passará por mudanças, mas sempre “no sentido de aumentar sua importância e tratar cada um como um verdadeiro parceiro estratégico no negócio da empresa” Conselheiro federal Em cerimônia realizada no CRA-SP e presidida pelo Conselho Federal de Administração (CFA), dia 4 de julho, Chiavenato foi empossado como conselheiro federal efetivo, representando a jurisdição do Estado de São Paulo. Seu mandato vai até 31 de dezembro de 2014. Reconhecido pela excelência de seus trabalhos em Administração, Chiavenato tem influenciado estudantes e profissionais por meio da aplicação de modernos e inovadores conceitos administrativos. Entre as diversas honrarias por sua atuação, incluem-se dois títulos “Doutor Honoris Causa” em universidades da América Latina. Também é fundador e presidente do Instituto Chiavenato, entidade voltada para o desenvolvimento educacional e empresarial. Ao tomar posse, disse ter abraçado uma missão que irá ampliar a divulgação da Administração. “Sinto-me feliz por representar a classe dos administradores e poder lutar pela defesa de seus interesses. Tentarei contribuir da melhor maneira possível para que a categoria seja cada vez mais valorizada, dentro de um mercado tão dinâmico e competitivo.” A solenidade foi presidida pelo administrador Sebastião Luiz de Mello, presidente do CFA, que destacou Chiavenato como uma “figura de ilustríssimo saber, que representará condignamente o CRA-SP e todos os administradores do Estado”. Em seu pronunciamento, o administrador Walter Sigollo, presidente do CRA-SP, ressaltou a satisfação do Conselho com sua posse. “Certamente, nos representará muito bem. Além do conhecimento que possui, seu nome e imagem dignificam a nossa profissão”, finalizou. 7 Panorama Indicações de leitura Gerenciamento de projetos em 7 passos Uma abordagem prática Armando Terribili Filho M. Books do Brasil Editora 1ª edição Páginas: 288 Preço: R$ 65,00 De forma objetiva, prática e didática, aborda temas relevantes no gerenciamento de projetos, nem sempre encontrados nos tradicionais livros técnicos, como: conflitos decorrentes das diferentes gerações de profissionais, tipos de locais de trabalho (home office, home based e coworking), gerência de equipes remotas, assédio moral e sexual. Gestão Empreendedora e Intraempreendedora Estudos de casos brasileiros Silvia Helena Carvalho Ramos Valladão de Camargo e Osvaldo Elias Farah Editora Villimpress 1ª edição Preço: R$ 25,00 Aborda diversas modalidades do empreendedorismo, como o feminino, e a influência da fé no comportamento empreendedor. Mostra como a liderança desempenha papel fundamental na gestão intraempreendedora, assim como exemplifica formas e tipos de atuação em diferentes categorias de associativismo. O objetivo do livro também é o de despertar no leitor o interesse pela pesquisa, sobretudo entre micro e pequenos empresários. 8 Cursos Dtcom para agosto O Conselho Regional de Administração de São Paulo, por meio de parceria com a Dtcom Educação e Comunicação Corporativa, disponibiliza a transmissão dos seguintes cursos gratuitos para os administradores registrados: AD Autodesenvolvimento Auxilia em competências, conhecimentos e atitudes que agregam valor e geram resultados O Comportamento no Século XXI O Desenvolvimento do Cubo de Competências Série Profissional Ética e etiqueta profissional – Aulas 1, 2 e 3 PowerPoint I - Básico PowerPoint II - Básico PowerPoint I - Intermediário PowerPoint II – Intermediário PowerPoint – Tópicos sobre a versão 2007 GC Gestão Corporativa Dedicado às técnicas gerenciais e organizacionais, fornecendo recursos em temas como gestão, finanças, marketing, etc Introdução ao módulo Gestão com pessoas, projetos e processos Série Profissional: Gestão estratégica de processos – Aulas 1, 2, 3, 4 e 5 Série Profissional: Gestão estratégica de pessoas – Aulas 1, 2, 3, 4 e 5 GP Gestão Pública Voltado ao segmento de órgãos e instituições de Administração Pública Série Profissional: Licitações e contratos – Aulas 1, 2, 3 e 4 Entrevista: Crimes contra a Administração Pública NR10 – Riscos em instalações e serviços com eletricidade 11/14 NR10 – Prestando os primeiros socorros 12/14 NR10 – Incêndios – Proteção e Combate 13/14 NR10 – Técnicas de Combate a Incêndio 14/14 Os cursos são transmitidos, por meio de uma TV Corporativa, na sede do Conselho, de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h. Inscrições pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (11) 3087.3200 – Departamento de Relações Externas. As reservas devem ser feitas com antecedência. A programação completa está em www.crasp.gov.br/dtcom Em louvor de dissimilaridade Na verdade, a Intel e a McAfee são muito semelhantes tematicamente. De acordo com a Intel, a aquisição da McAfee aumentaria sua estratégia móvel, pela qual está começando a produzir chips para smartphones. A segurança está se tornando um requisito fundamental, não apenas para smartphones, mas tablets, televisores e geladeiras, conectados à Internet. A aquisição, portanto, objetivou transformar a Intel, maior fabricante mundial de chips, em um líder em segurança, estendendo seu alcance em dispositivos conectados à Internet. Produtos e mercados com nada em comum “taxonomicamente” podem ter “semelhança temática”, que pode abrir novas oportunidades de negócios importantes. ‘Tipo’(s) de Semelhante por Michael Gibbert e Hoegl Martin 1 O que a Intel e a McAfee têm em comum? Ebay e Skype? Reconhecimento de voz e GPS? Louis Vuitton e Projeto Climático deAl Gore? Ou, mais amplamente, quando são duas coisas (como empresas, produtos, recursos) similares, e quando não são? Mais importante ainda, como é que essas semelhanças e diferenças importam? Os executivos devem entender completamente essas questões, ou podem perder grandes oportunidades e se deparar com graves ameaças. Explícita ou implicitamente, o entendimento tradicional da “semelhança” dos gestores tem sido taxonômico. Simplificando, o grau de semelhança, como tradicionalmente medido, depende do grau em que dois objetos possuem as mesmas características. Computadores de mesa, por exemplo, têm todos: discos rígidos, processadores e um monitor de vídeo. Esses tipos de semelhança nas estruturas-chave de gestão, tais como relacionamento estratégico, como por exemplo Padrões de Classificação Industrial (SIC em inglês), a definição de fronteiras da indústria, incluindo as forças e elementos dentro dessa indústria, a Classificação Internacional de Patentes (IPC) também serve a este propósito. Por exemplo, categoria F02 (motores de combustão) contém motores de combustão interna de pistão, de turbina a gás, de propulsão a jato, e assim por diante. Então, o que a Intel e McAfee têm em comum? Bem, não muito, de acordo com comentários de “especialistas da indústria” ouvidos quando a Intel (fabricante de chips de computadores) adquiriu 10 2 a McAfee (desenvolvedora de software de segurança), no final de agosto de 2010. A Intel produz hardware –na sua maioria chips– enquanto a McAfee produz software antivírus. Eles estão aparentemente em duas categorias completamente diferentes. A aquisição, que custou à Intel US$ 7,7 bilhões, foi a maior da história da Intel. De acordo com o Financial Times, a aquisição pela Intel de um negócio tão diferente intrigou muitos executivos do setor de segurança. Enquanto os especialistas pesquisam formas de melhorar os chips a fim de torná-los capazes de resistir a ataques maliciosos, essa perspectiva é vista como bem distante. Mas enquanto a Intel e a McAfee parecem não relacionadas em um sentido taxonômico tradicional, pesquisadores em psicologia cognitiva têm sugerido recentemente que há um segundo tipo de semelhança, chamado semelhança temática, e, nesse contexto, a relação entre a Intel e McAfee pode ser vista por outro ângulo. Importante para nós na gestão, conceitos tematicamente semelhantes tendem a ser taxonomicamente diferentes. Ao trabalhar com a semelhança temática, podemos estender o raciocínio gerencial em áreas que são taxonomicamente diferentes e, portanto, geralmente vistas como irrelevantes ou completamente contraproducentes. Pode haver casos em que as empresas de similaridade taxonômica mínima poderiam se combinar para abrir oportunidades muito atraentes –apesar de não parecerem colaboradores estrategicamente atraentes, já que podem possuir redes de suprimento e distribuição bem distintas. O caso Intel/McAfee mostra que a semelhança não é apenas uma questão de grau (o quão semelhantes são duas coisas), mas também do tipo (como duas coisas são semelhantes). Duas coisas são tematicamente semelhantes se elas interagem funcionalmente no mesmo cenário ou evento. Por exemplo, um tênis e um MP3 player estão relacionados por meio da interação em um tema de academia; café e um computador interagem em um tema de escritório; e um sistema de navegação por GPS e um motor através de um tema automóvel. Em cada um desses casos, as duas coisas desempenham diferentes papéis. Em contraste, os parâmetros do produto pertencem a uma categoria taxonômica, e, portanto, são taxonomicamente semelhantes a todos os outros membros da categoria, em virtude de propriedades compartilhadas. Assim, a semelhança taxonômica é baseada nas propriedades dos próprios objetos e categorias taxonômicas coerentes em torno dessas propriedades internas compartilhadas. Como consequência, os produtos relacionados taxonomicamente tendem a assemelhar-se um ao outro. Não há nada de errado com similaridade taxonômica. Tem sido e continua a ser a base das economias de escala e escopo, e tem sido o princípio organizador fundamental para a divisão do trabalho. Mas, o ponto é que os gestores podem, ao basear-se apenas nessa classificação, ignorar importantes oportunidades e ameaças decorrentes de um tipo diferente de similaridade. Como os gerentes podem ir além de similaridade taxonômica para utilizar semelhança temática? Importante, a semelhança temática afeta a percepção não só de propriedades que interagem e, portanto, estão associadas (como acidentes de carro e de seguros), mas também de conceitos que pudessem interagir, mas não diretamente associados (por exemplo, seguros e refrigerantes, pois os últimos são um das principais causas da obesidade, afetando o seguro de saúde). A distinção fundamental entre a associação e integração temática torna-se evidente ao olhar para semelhanças temáticas escondidas entre os parâmetros que já estão associados, mas não tematicamente integrados. Para ilustrar essa distinção, considere um caso extremo de dois produtos/funções que são tão fortemente associados, que eles são combinados em um único produto, mas não tematicamente integrados. Muitos celulares possuem uma função de câmera e uma função de GPS. No entanto, o GPS e as funções da câmera não foram integrados na maioria dos telefones, apesar de compartilharem uma semelhança temática: muitas fotos são sobre locais, assim como GPS é sobre lugares. Uma ligação temática dessas duas funções permitiria aos usuários a geolocalização de onde uma foto é tirada. O primeiro telefone com câmera foi lançado em 2001 (o Sharp J-SH04). No entanto, os fabricantes de smartphones levaram seis anos (até o lançamento do iPhone pela Apple de 2007) para integrar a temática GPS e funções de câmera digital. O que isso significa para a Busca de Oportunidades Quando os gerentes ignoram a semelhança temática escondida atrás de dissimilaridade taxonômica, correm o risco de perder de vista uma oportunidade (bem como não diagnosticar corretamente uma ameaça). Similaridade temática abre uma nova área do espaço de dissimilaridade. Enquanto o Google Maps e Páginas Amarelas são serviços taxonomicamente semelhantes, outro serviço do Google, o Google VoiceSearch, e GPS estão claramente em categorias taxonômicas diferentes. E ainda há uma semelhança temática entre as duas no contexto do uso de telefones celulares. Se um consumidor, em Nova Iorque, buscar no Google por “horários de filmes”, por exemplo, os horários de exibição dos filmes, especificamente nas imediações do consumidor,são exibidos. Assim, enquanto à primeira vista GPS tem pouco em comum com o Google VoiceSearch, sua semelhança temática fornece links potenciais que estão escondidos por trás de sua dissemelhança taxonômica. Essa semelhança levou à criação do Google Maps para celular, lançado em 2008. 11 A nova área de similaridade temática traz uma promessa para a inovação e busca de oportunidade. Com foco nas áreas de dissimilaridade taxonômica, os gestores podem identificar novos produtos ou serviços que resultam da combinação de ativos estratégicos que são taxonomicamente diferentes, mas tematicamente relacionados. Essa busca distante (em termos taxonômicos), mas ainda próxima de oportunidades criadas pela semelhança temática, fornece um guia de como (e onde) estrategistas podem encontrar um novo potencial para vantagem competitiva. A teoria comportamental da empresa há muito reconhece a tendência dos gestores de buscar oportunidades em domínios taxonômicos familiares. As pesquisas acadêmicas sugerem aos gestores para pesquisar em categorias que estão distantes, ao invés de taxonomicamente próximas à sua. Métodos como o brainstorming, que visam a identificar tais domínios distantes, são frequentemente referidos na literatura administrativa. Por exemplo, em uma tentativa de ir além da mera extensão do produto, as empresas costumam incentivar seus colaboradores a pensar “fora da caixa” (ou seja, em domínios taxonomicamente diferentes) e deixam livre sua imaginação para visualizar os produtos que trarão novas e radicais formas de atender as necessidades do cliente. No entanto, quando se inicia o “distante”, e onde está a fronteira? Similaridade temática coloca um limite significativo em torno do “distante”, melhor definindo o espaço que será verificado para identificar oportunidades de inovação. Um exemplo é o apoio da Louis Vuitton doando 15% de suas vendas on-line para o Projeto Climático de Al Gore. Com tantas organizações para escolher como parceiro, por que uma marca de luxo e um grupo de defesa ambiental? Sugerimos que a aplicação semelhança temática para procurar oportunidades deixa claro que “distância” é também uma questão de tipo e que um processo de busca em termos taxonômicos distantes pode estar perto em termos temáticos. A similaridade temática seria “viajar”, ou até mesmo “viagens aéreas frequentes” (grande emissor de CO²) e, portanto, uma preocupação para promover a conscientização das mudanças climáticas e o que pode ser feito para enfrentá-lo. 12 O que isso significa para Definição de Concorrentes Dois critérios são tradicionalmente utilizados para distinguir concorrentes de não-concorrentes: critérios tecnológicos (as empresas são concorrentes quando compartilham atributos tecnológicos similares) e critérios de mercado (as empresas são concorrentes quando os produtos que eles fazem poderiam ser substituídos um pelo outro). Independentemente de qual critério é utilizado, no entanto, o problema fundamental reside na interpretação de sinais do ambiente sobre a semelhança de tecnologias e produtos. Não importa o nível de sofisticação das ferramentas analíticas utilizadas para determinar quais empresas devem aparecer no radar de concorrentes, todas essas decisões, em última análise, repousam sobre categorização de empresas com base em suas semelhanças e diferenças –ou seja, quão semelhantes são essas empresas. Utilizando a similaridade temática junto com similaridade taxonômica, os gerentes estão habilitados a considerar semelhança como uma questão não só de grau (o quão semelhantes são duas empresas?), mas também como uma questão de natureza (como são duas empresas semelhantes?). Essa opção tem implicações diretas para distinguir concorrentes de não-concorrentes. Nossa análise sugere uma estrutura alternativa e complementar para a compreensão da questão da definição de concorrente. Um exemplo recente é a questão de saber se Facebook em seus primeiros quatro anos de existência (fevereiro de 2004 a 2008) representava uma ameaça competitiva para o Google. Um modelo taxonômico atribuiria baixa similaridade para as duas empresas. Tecnologicamente, as duas usam plataformas de formas e aplicações completamente diferentes, assim como algoritmos e modelos de negócios. De uma perspectiva baseada no mercado, o Google estava no negócio de fornecer informações de endereços e serviços on-line e um serviço de e-mail , não no negócio de redes sociais. A participação, ou audiência, do Facebook, no entanto, aumentou de forma constante durante este tempo. Já em 2007, 18% dos usuários de Internet nos EUA visitaram o Facebook pelo menos uma vez por mês, e o usuário médio passou três horas e meia por mês no site. Em meados de março de 2010, mais pessoas em todo o mundo estavam usando Facebook do que Google semanalmente. O Google só reconheceu abertamente a ameaça representada pelo Facebook em 1º de novembro de 2007, quando lançou o Open Social, a plataforma do Google de relacionamento social. Em outras palavras, o Facebook ficou classificado como não-concorrente para o Google por mais de três anos e seis meses. Na verdade, os gestores do Google ativamente relegavam o Facebook precisamente porque não se encaixava na taxonomia de atividades do Google. Seu CEO, Eric Schmidt, disse: “Temos agendas de contatos, e a soma de nossas agendas de contatos são nossa rede social”. Apenas em 9 de fevereiro de 2010, o Google reconheceu a semelhança temática entre as redes sociais e e-mail, fazendo uma incursão para explorar a integração de redes sociais e e-mail por meio do lançamento do Buzz, um serviço de rede que estava intimamente integrado com seu serviço de e-mail , o Gmail. Em essência, em vez de puramente basear-se em critérios taxonômicos para determinar semelhança, determinar a fronteira entre os concorrentes e nãoconcorrentes também requer apreender semelhanças temáticas. Pensar temáticas, portanto, fornece um pente fino para encontrar potenciais concorrentes, mesmo entre as empresas taxonomicamente diferentes, que normalmente passariam despercebidas. Da mesma forma, pensar de forma temática pode ajudar a descobrir oportunidades de negócio que o pensamento convencional com base nas categorias taxonômicas consideraria independentes e, portanto, indesejáveis. E é por isso que a Intel e a McAfee não são tão diferentes no final das contas. Copyright © Massachusetts Institute of Technology, 2011. Todos os direitos reservados 1 Professor na Faculdade de Ciências da Comunicação na Uni- versit della Svizzera, Universidade de Lugano (USI) e professor de Marketing da Instituto di Marketing e di Comunicazion e Aziendale. 2 Professor de Liderança e Gestão de Recursos Humanos em WHU - Otto Beisheim School of Management, em Vallendar, na Alemanha. Na Prática por Isabella Holanda Mais do que um simples NOME Aspirina Produzido pela Bayer, virou sinônimo para analgésicos Formica Definição para laminado plástico para revestimentos Modess Maior patrimônio de uma empresa, a marca precisa ser constantemente gerenciada Q ual a primeira coisa que um consumidor pensa na hora de adquirir um produto? Na marca impressa no rótulo, certo? Sim! Isso explica o porquê, na guerra para conquistar o público, marcas líderes necessitam investir continuamente em inovação, qualidade, marketing e na extensão de suas linhas de produtos. Quanto mais criar conexões fortes com o consumidor, maior será o poder de influenciá-lo na escolha de uma compra. Isso significa, em outras palavras, conquistar um espaço no seu coração. Influentes ferramentas de marketing, as estratégias de branding, ou de gestão da marca, viraram armas poderosas e refletem-se no posicionamento de uma empresa em um mercado cada vez mais competitivo e segmentado. Também ajudam a criar identidade, garantir sua persistência e construir reputação ao longo do tempo. Que digam os valores inestimáveis de marcas como CocaCola e Microsoft, que valem bem mais do que todas as fábricas e equipamentos dessas empresas. Por trás delas está uma agregação de valores culturais que extrapolam a natureza econômica. 14 Absorvente feminino, uma das marcas da Johnson & Johnson Cotonetes Marca da Johnson & Johnson para haste flexível Gillete Marcas poderosas Fundamental para diferenciar produtos, muitas marcas, por conta da qualidade, tempo de mercado, unicidade e forte campanha publicitária, acabam definindo o próprio produto. Eis algumas: Lâmina de barbear lançada em 1901, nos Estados Unidos jeep Marca para veículos “off-road” Bombril Sinônimo para esponja de aço Isopor É o nome dado pela Basf para poliestireno expandido Tênis Tipo de calçado da São Paulo Alpargatas xerox Nome da fabricante de fotocópias E ser líder de mercado, num mundo segmentado, virou uma tarefa cada vez mais complexa, que requer estudos e investimentos permanentes. “Sabemos que os consumidores, para todas as categorias de produtos com as quais se relacionam no dia a dia, decidem por uma das marcas que já fazem parte do seleto grupo de preferidas”, explica Jaime Troiano, um dos mais respeitados profis- sionais de branding no Brasil e pioneiro nessa atividade no País. “A marca é um dos mais importantes ativos intangíveis de uma empresa. Em tempos de concorrência cada vez mais acirrada, o papel a ela associado cresce muito. Uma grande marca blinda um produto na guerra de preços. É o caso do sabão em pó Omo. É o mais caro, porém líder de vendas”, exemplifica. O administrador Mauro Calixta Tavares, autor do livro “Gestão Estratégica” (Editora Atlas), acrescenta que a marca tem o poder de reduzir a incerteza e estabelecer um vínculo entre bens e serviços que abrange. “Essas informações facilitam o processo de compra, representam um preço superior do produto vinculado à sua identificação e criam preferência pelo consumidor. Em síntese, ao comprar uma marca, o consumidor já detém uma série de informações sobre os aspectos funcionais ou utilitários do produto, além de sua relação com a experiência e com os símbolos que ela lhe transfere”, aponta. A primeira questão, diz ele, tem a ver com a função do produto; a segunda, com a experiência e o contexto de seu uso; a terceira, com o que ele representa. Foco de atuação No mundo atual, algumas marcas precisam ampliar seu foco de atuação para outros produtos. Exemplo disso é a “Prestígio”, que hoje pode servir para chocolates, sorvetes e biscoitos, entre outros. Podem também ser vinculadas a pessoas, regiões e até mesmo países. “Você não paga o mesmo preço por uma marca vinda do Paraguai em relação à mesma, se a origem for Taiwan, por exemplo. Ou seja, os componentes responsáveis pela construção da identidade e do posicionamento terão reflexo na imagem; se persistirem ao longo do tempo, na reputação”, enfatiza Calixta. Gerar valor econômico para a sua consolidação também requer trabalho consistente e criação de valor, dia após dia, para os consumidores. “Naturalmente é importante para qualquer empresa ter em seu portfólio marcas que valham bastante. O cenário de fusões e aquisições sempre foi presente no mundo corporativo. Para ter valor econômico relevante, uma marca precisa ser forte. Só que elas não nascem da noite para o dia”, afirma Troiano. Para os investidores, representa as possibilidades de retorno sobre o patrimônio que sintetiza. Agrega valor àquilo “A marca é um dos mais importantes ativos intangíveis de uma empresa. Mas, para ter valor econômico relevante, precisa ser forte” Jaime Troiano, presidente do Grupo Troiano de Branding 15 DO VALOR DE MERCADO DAS COMPANHIAS CORRESPONDEM AOS ATIVOS INTANGÍVEIS Fonte: Gad’Branding seja incorporado no balanço das empresas. “Apenas em alguns casos específicos. Mas a verdade é que a contribuição do valor dos intangíveis no total dos negócios de uma organização passou a ser substancial. As relações entre valor patrimonial e de mercado, quando esse cálculo é feito para empresas de capital aberto, não deixa qualquer dúvida a respeito”. assinala. 16 “As marcas não nascem de um dia para o outro”, afirma Jaime Troiano Regionalização Em um país de dimensões geográficas imensas e uma rica diversidade cultural, como o Brasil, a regionalização da identificação dos produtos também desempenha um papel importante na mente dos consumidores. “Sempre se alimentou uma expectativa de que, pouco a pouco, as marcas regionais, aquelas concentradas em alguns estados, seriam engolidas pelas de distribuição nacional. Fossem elas globais ou brasileiras. A realidade mostrou justamente o contrário. As regionais não foram tragadas pelo tsunami das grandes marcas. Mais que isso: continuam tendo um peso muito grande no varejo brasileiro. Algo em torno de um terço do volume vendido em higiene, limpeza, alimentação e bazar está nas mãos delas”, explica Troiano. Em levantamento recente com 60 empresas listadas na Bovespa, o Grupo Troiano aferiu uma razão média igual a, aproximadamente, três entre o valor de mercado e o patrimonial. “Ou seja, a precificação do que elas valem, de fato, aos olhos de investidores, confirma a existência de um conjunto de ativos não incorporados ao balanço que cria esse múltiplo do seu valor contábil. As marcas pertencem a esse precioso pacote de intangíveis. E é bem provável que, em muitos casos, seu valor, auditado devidamente, constitua-se no maior de todos eles”, aponta Troiano. Enquanto atividade, o gerenciamento de uma marca compete ao marketing ou mais recentemente, como adotado por algumas das grandes empresas, aos gestores ou gerentes de marca. “Como filosofia, o seu gerenciamento é uma atribuição de todas as áreas e de todas as pessoas. Ao marketing cabe a criação e gestão de sua identidade e posicionamento, que vão gerar sua imagem e reputação. Essa gestão envolve os parceiros fornecedores e distribuidores. Determinados pontos de venda também agregam maior valor à marca”, diz Calixta. Na sua visão, os funcionários também são grandes difusores da identidade e do posicionamento da marca. A opinião é compartilhada por Troiano, para quem, embora o gerenciamento direto e cotidiano ainda esteja nas mãos do departamento de marketing, é evidente que todos os profissionais da empresa desempenham o papel de “porta-vozes”: “Isso se reflete na maneira como atendem ao telefone, no modo como falam e descrevem a marca, e por aí vai. O envolvimento de outras áreas torna-se maior à medida que as pessoas compreendam o valor dos símbolos que identificam os produtos, os significados que eles emanam para os consumidores”, conclui. “Ao marketing compete a criação, a gestão da identidade e o posicionamento da marca” Administrador Mauro Calixta Tavares, autor do livro “Gestão Estratégica” (foto) Arquivo Pessoal que, sem ela, seria uma simples commodity . “Basta dizer que o nome da modelo Gisele Bündchen quando associado a outra marca, ou produto, aumenta a receita do produto exposto em aproximadamente 20%”, ressalta Calixta. Nesse caso, manter em seus quadros administradores profissionais, que atuem na manutenção e difusão da marca, torna-se, cada vez mais, fator de fundamental importância e enriquecimento para a cultura de uma empresa. “Fizemos um estudo com 50 CEOs de grandes empresas no Brasil e os resultados foram claros. Quanto mais esses profissionais se envolvem com suas marcas e se tornam defensores e apóstolos das mesmas, mais fácil esse espírito ser disseminado por toda a corporação”, diz Troiano. Por outro lado, a legislação brasileira ainda não permite que o valor econômico de um símbolo Divulgação Na Prática Capa por Daniela Cabral O gestor ambiental contribui para que as empresas encontrem fórmulas que aumentam a competitividade sem agredir a natureza O comprometimento com a qualidade e com o bom atendimento confere às empresas o status de organizações que respeitam as necessidades dos consumidores. No entanto, apesar de continuarem sendo referências, esses requisitos já estão deixando de ser suficientes para agradar os clientes mais exigentes, que entendem que o mundo dos negócios deve caminhar paralelamente às atividades que respeitam o meio ambiente. Preocupadas com essa realidade, empresas socialmente responsáveis passaram a gerir processos que as fazem interagir com o meio ambiente. Essa postura não tem apenas a finalidade de buscar o reconhecimento e apoio de seus consumidores, fornecedores e colaboradores, mas o de encontrar fórmulas que permitam aumentar a competitividade, causando o menor impacto possível na natureza. Esse novo tipo de relacionamento entre empresas e ambiente de recursos naturais remete à necessidade de um gestor ambiental. O novo campo mostra-se amplamente favorável ao administrador, em virtude de sua formação interdisciplinar. Essa bagagem é fundamental, por exemplo, no estabelecimento de políticas ambientais, planejamento e programas de gerenciamento, controle de qualidade e preservação ambiental. Como a atividade é recente, os cursos de graduação na área também são. O primeiro passou 18 a ser ministrado pela Universidade de São Paulo, em 2002, por meio da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), sediada em Piracicaba, e de sua unidade instalada na Zona Leste de São Paulo. Ao definir o curso, a Esalq diz que o gestor ambiental terá uma formação em Administração voltada para as áreas socioeconômica, biológica e de manejo dos recursos naturais. Não é para menos. Sua participação vem sendo exigida em todos os setores empresariais, seja na definição de ações que não agridam a fauna e a flora, na orientação de como se obter uma melhor qualidade de vida em torno da infraestrutura ambiental, ou no acompanhamento dos impactos do crescimento social ao meio ambiente. “Considero que esse profissional possui uma atuação permeável na organização, uma vez que suas atividades, hoje balizadas pelos princípios do desenvolvimento sustentável, buscam cada vez mais estreitar as interfaces entre aspectos econômicos, ambientais e sociais”, afirma Mariana Sigrist, da área de gestão ambiental da Basf. O novo cenário de responsabilidade social assumido pelas empresas em relação ao meio ambiente nem se compara com práticas isoladas adotadas por algumas corporações até há pouco tempo. Hoje, as ações não devem apenas contemplar os interesses das empresas, mas também de seus funcionários, fornecedores, clientes e a comunidade onde estão instaladas. Seguir o caminho contrário significa enfrentar pressões da sociedade e até mesmo do governo, que cobrarão, cada vez mais, posturas para fazer frente a um mundo mais limpo. A inobservância dos requisitos ambientais clamados por entidades reguladoras e governamentais –e principalmente pelos consumidores– poderá trazer consequências desagradáveis à imagem das organizações. A bem da verdade, a preocupação com o meio ambiente é uma realidade cada vez mais alinhada às metas de eficiência e produtividade das corporações. Não se trata somente de ‘ser verde’, mas de ter inquietações tangíveis com os impactos da natureza sobre o meio, especialmente se o negócio da companhia tiver nos recursos naturais sua principal fonte de matériaprima. É o caso da Basf, líder mundial do segmento químico, que só no ano de 2010, investiu R$ 65 milhões em seu sistema de gerenciamento ambiental. A empresa adota o Responsible Care (Atuação Responsável), um sistema de gestão dos aspectos de qualidade, segurança, saúde, meio ambiente e responsabilidade social. “Diante desse panorama variado, o gestor ambiental não é somente o responsável pelo tratamento e descarte dos resíduos, mas aquele que busca técnicas mais avançadas de controle ambiental, desenvolve projetos de melhoria que têm como consequência a redução de custos e desperdícios para as empresas, agregando valor aos negócios”, destaca Mariana. Descarte Por conta do alto risco de contaminação ambiental, a área da saúde tem uma das legislações mais rigorosas. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o resíduo gerado requer manejo especial e pode exigir tratamento prévio antes de seu descarte. Na capital paulista, esse serviço é feito pela Unidade de Tratamento de Resíduos (UTR). “Uma empresa que trabalha diretamente na operação de sistemas de tratamento de resíduos gerados pelas diversas atividades da sociedade tem grande importância, pois minimiza os riscos inerentes relacionados ao manejo e à disposição desses materiais, preservando o meio ambiente. A empresa tem vários deveres para com a população”, diz Celso Luiz Guido Braga, diretor superintendente da UTR. “Nossa conduta deve refletir os mais altos padrões de ética e respeito ao meio ambiente”, complementa. A administradora hospitalar Márcia Mariani, responsável pelo setor ambiental na Pró-Saúde, entidade especializada em gestão em saúde, afirma que o resíduo é um dos temas mais importantes da agenda ambiental. “O lixo é uma invenção antrópica (relativa à ação do homem) e extremamente danosa ao meio ambiente”, enfatiza. Nesse sentido, ela diz, cabe ao administrador desempenhar o papel de facilitador do processo de transição para uma sociedade de baixo carbono, menos impactante para a biosfera. Os hospitais, esclarece, têm desenvolvido inúmeras ações que demonstram o interesse por um modelo de gestão mais sustentável. É o caso, por exemplo, do hospital paulistano Sírio Libanês, que faz a compostagem de seus resíduos orgânicos. Alguns segmentos, como o de pneus, já estão comprometidos com a destinação correta do descarte de seus produtos inservíveis. Somente nos primeiros quatro meses deste ano, de acordo com números da Reciclanip, foram coletados e destinados corretamente mais de 107 mil toneladas de pneus inservíveis em todo o País, o equivalente a 21,4 milhões de unidades de pneus de carros de passeio. 19 Capa Gestão sustentável Na cartilha “Guia de Sustentabilidade para as Empresas”, do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), coordenada por Carlos Eduardo Lessa Brandão e Homero Luís Santos (conselheiro do CRA-SP), fica clara a responsabilidade que as corporações têm no sentido de informar a comunidade sobre o impacto ambiental que suas operações causam ao meio. Desenvolver-se de maneira sustentável significa atender às necessidades do presente sem sacrificar o futuro, garantindo que os recursos naturais não sofrerão comprometimento ou ameaça de escassez. Esse é o grande desafio. Com vários programas de sustentabilidade, o Walmart, rede norte-americana de varejo, reuniu, há dois anos, fornecedores, autoridades e ONGs (organizações não-governamentais) para anunciar o “Pacto Walmart Brasil pela Sustentabilidade”. Nele, presidentes das 20 maiores indústrias fornecedoras da rede firmaram compromissos em prol do meio ambiente, como apoio à preservação da Floresta Amazônica, boicotando a compra de produtos provenientes de desmatamento florestal, principalmente das cadeias da carne, madeira e soja. Clima e energia, resíduos e produtos são os pilares de sustentabilidade da empresa. Marcelo Marques “Nossa conduta deve refletir os mais altos padrões de ética e respeito ao meio ambiente” 20 O professor de Economia Ambiental da USP, Sabetai Calderoni, autor do livro “Os bilhões perdidos no lixo”, reforça a ideia de que a gestão sustentável é barata. “A insustentável, sim, é caríssima.” Sua afirmação baseia-se em projetos de “cidades sustentáveis” por ele implantados em 16 municípios brasileiros e que contemplam, entre outros itens, plano de gestão de resíduos, espaços multifuncionais e manejo hídrico. “A cidade sustentável é aquela que gera renda e emprego para as pessoas. É a integração holística dos aspectos da sustentabilidade. Não dá para pensar nisso como uma coisa isolada”, conclui. Sacolas plásticas Um dos principais desafios para o gestor ambiental foi lançado recentemente. Sabe-se que o plástico é um dos maiores poluentes da natureza, pois demora de 50 a 200 anos para se decompor. A Prefeitura de São Paulo, na esteira de muitas outras cidades brasileiras, sancionou, em maio, uma lei que proíbe a venda ou distribuição gratuita de sacolas plásticas, a partir de 2012. “Cada vez mais, os países mudam seu estilo de vida em “O gestor ambiental desenvolve projetos de melhoria que têm como consequência a redução de custos e desperdícios” Celso Luiz Guido Braga, diretor superintendente da Unidade de Tratamento de Resíduos – UTR (foto) Mariana Sigrist, da área de gestão ambiental da Basf (foto) Na administração pública, os dados do Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Domiciliares, coletados pela Cetesb, mostram os reflexos de uma boa gestão ambiental. No ano passado, o Estado de São Paulo produziu diariamente 26.340 toneladas de lixo, dos quais 88,7% foram tratados de maneira adequada. Em 1997, quando a companhia iniciou esse trabalho, a porcentagem era de apenas 10,9%. O Índice de Qualidade de Aterros de Resíduos (IQR) atesta a condição dos locais de disposição –de 0 a 10. Nos nove municípios que possuem mais de 500 mil habitantes, responsáveis por 58% dos resíduos gerados no Estado, o IQR é de 9,2 e representa o enquadramento nas condições adequadas. prol de produtos ecologicamente corretos. No Brasil, não foi diferente, e São Paulo, com seu perfil pioneiro em questões ambientais, colocou o assunto em pauta”, diz Bruno Covas, Secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SMA). A secretaria firmou um acordo com a Associação Paulista de Supermercados (Apas) para mobilizar a população, por meio de campanhas de conscientização, a utilizar materiais biodegradáveis. “A SMA fará campanhas de esclarecimentos nas escolas públicas, por meio de sua rede de Educação Ambiental, para conscientizar principalmente os jovens nas escolas. Também haverá parcerias com municípios que queiram levar o exemplo para sua rede de ensino. A Divulgaçãoi A Reciclanip foi criada em pelos fabricantes de pneus, em 2007, e suas ações são oriundas do Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis, colocado em prática desde 1999. Os pneus descartados são reaproveitados de diversas formas, como combustível alternativo para as indústrias de cimento, na fabricação de solados de sapato, em borrachas de vedação, dutos pluviais, pisos para quadras poliesportivas, pisos industriais, asfalto-borracha e tapetes para automóveis. Medidas assim ajudam a reduzir o número de solos contaminados, que, segundo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), era de 2.514, em 2008. A contaminação também é uma das preocupações do governo paulista. Tanto que, por meio da Lei 13.577/2009, estabeleceu procedimentos para o gerenciamento dessas áreas. Entre os avanços, a instituição de um cadastro público dessas localidades e a criação de um fundo (Feprac), vinculado a Secretaria do Meio Ambiente, para remediação dos espaços, principalmente daqueles em que não seja possível identificar os responsáveis. ideia é mostrar a importância de deixar de usar um derivado de petróleo e seu impacto no ambiente. A orientação é sempre a melhor estratégia para que a iniciativa tenha sucesso”, explica o secretário. O maior desafio desse acordo é a mudança dos hábitos de consumo atuais. Fazer com que as pessoas repensem e mudem suas rotinas e escolhas e, cada vez mais, que optem por produtos sustentáveis. As ações individuais são igualmente importantes. “Se cada pessoa fizer sua parte, der sua contribuição, com certeza teremos um meio ambiente mais saudável”, afirma Covas. No fim de junho, ao divulgar um balanço da secretaria na Assembleia Legislativa de São Paulo, o secretário corroborou o caráter multidisciplinar da pasta, que, entre outras missões, é responsável por analisar e acompanhar as políticas públicas setoriais que tenham impacto ao meio ambiente, bem como executar atividades relacionadas ao licenciamento e à fiscalização ambiental. Na busca por uma produção mais limpa, destacou Covas, a secretaria está criando o “Empresa Verde”, programa que pretende auxiliar as empresas na transição para a economia verde e, dessa maneira, fomentar cadeias de produção sustentáveis. 21 Capa ▪ Contribuir para a formulação, execução, acompanhamento, análise e avaliação de planos, programas, projetos e atividades na área de gestão ambiental ▪ Conceber, desenvolver, implementar e documentar estudos de impacto ambiental e relatórios de impacto ambiental ▪ Conceber, desenvolver, implementar, documentar, cer- tificar e auditar sistemas de qualidade ▪ Conhecer e monitorar, na organização à qual esteja vinculado, a aplicação das leis e regulamentos que regem as relações da sociedade com o ambiente ▪ Promover processos de educação ambiental formal, informal e não-formal em organizações e comunidades ▪ Dominar instrumentos capazes de internalizar nas estruturas institucionais os valores de responsabilidade ambiental e social, da justiça social e da ética ▪ Desenvolver iniciativa, determinação, espírito empreendedor, vontade política e administrativa que produzam as mudanças necessárias nas organizações que pretendam evoluir e atender às novas demandas da sustentabilidade Perfil do Gestor Ambiental Deve refletir as seguintes habilidades: ▪ Administrativa, para que possa avaliar o desempenho organizacional em termos de planejamento, direção e controle, pois é sua a responsabilidade executar a política ambiental da organização à qual está vinculado. ▪ Técnica, para poder avaliar diferentes meios alternativos de uso de insumos, processos e produtos, considerando-os sob o aspecto ambiental, de custos e de tempo. ▪ Política, para sensibilizar os indivíduos internos e externos à organização, visando ao necessário respaldo para engajar a organização na temática ambiental, propagando e consolidando a ideia de que essas atividades geram novas oportunidades de redução de custos e de melhoria de resultados, tanto para a empresa quanto para a comunidade. ▪ Relacionamento humano, para conseguir a colaboração e o engajamento de todos os potenciais envolvidos, pois o sucesso de um processo de transformação organizacional e social está intimamente ligado à participação coletiva e à incorporação da variável cultural. Fonte: Esalq/USP 22 Formando gestores O administrador Hélio César Oliveira Silva coordena o curso de Bacharelado em Administração – Linha de Formação Específica em Gestão para Sustentabilidade, do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Lançado em 2004 , o projeto pedagógico foi revisto em 2010. “O administrador também precisa ter conhecimento na área de sustentabilidade, tanto que de 30% a 40% do currículo é composto de matérias específicas”, esclarece. O primeiro curso sobre meio ambiente surgiu em 1972, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e oferecia pós-graduação em Ecologia. Quase 30 anos depois, ainda são poucos os de nível superior em gestão ambiental. De um total de 278 registrados no Ministério da Educação, apenas 11 oferecem bacharelado. Nos outros, o profissional sai como tecnólogo. Na USP, o curso sobre gestão ambiental dura oito semestres, com carga total de 2.715 horas. Ao todo, são oferecidas 160 vagas nos dois campi: Piracicaba e São Paulo. A unidade paulistana da Fundação Getulio Vargas apresenta um currículo mais voltado à área empresarial. O curso é uma extensão da graduação (faz parte do Programa de Educação Continuada – GVPEC) , com duração semestral e carga horária de 60 horas. Na outra ponta, a das especializações, muitas instituições oferecem pós-graduação e até MBA. Na FGV, o interessado pode cursar o MBA Executivo Internacional em Gestão do Ambiente e Sustentabilidade. O módulo nacional, de 432 horas, é compartilhado com os de três países: China, EUA e Portugal. O Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo, região do ABC, também tem MBA em Gestão Ambiental e Práticas de Sustentabilidade, com duração de um ano e meio. Já a Faculdade Oswaldo Cruz mantém em sua grade de pós-graduação o curso de Perícia, Auditoria e Gestão Ambiental, voltado para profissionais de todas as áreas de conhecimento. De forma geral, a realidade já chegou às mais tradicionais escolas de Administração do País, que adequam seus currículos à necessidade do mercado por um profissional capaz de exercer o cargo de gestor ambiental, aliando o conhecimento das técnicas administrativas em sua função. O mercado de trabalho é amplo nas iniciativas privada e pública, além do terceiro setor. Afinal, como dizem os ecologistas, ser sustentável e preocupar-se com o meio ambiente é mais do que moda. É uma questão de sobrevivência. “A orientação é sempre a melhor estratégia. Se cada pessoa fizer sua parte, der sua contribuição, com certeza teremos um meio ambiente mais saudável” Bruno Covas, Secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo – SMA-SP (foto). Divulgaçãoi Competências e Habilidades Específicas Segundo o secretário, a economia verde é o caminho para que o Estado consiga manter o crescimento econômico sem destruir o meio ambiente para as futuras gerações. Mais do que isso: trata-se de uma proposta com soluções para a melhoria da qualidade ambiental. Ou seja, de fator limitador, os recursos naturais passam a ser vistos como oportunidade para grandes negócios. Perfil por Luiz Gallo | fotos Marcelo Marques Uma prova ← O administrador Sérgio Comolatti, em primeiro plano na foto, registrado no CRA-SP pelo nº 14.553, foi homenageado na Reunião Plenária nº 3.872 de fogo Sérgio Comolatti assumiu a empresa em uma época em que o País passava por uma transformação econômica. Foi o suficiente para que adotasse um estilo de administrar que busca a melhoria constante “S er homenageado pelo Conselho que representa a profissão que temos é uma grande honra. É uma marca que vai para o currículo.” Com essas palavras, o administrador Sérgio Comolatti, presidente do Grupo Comolatti (reúne as empresas Leste Participações, Distribuidora Automotiva, Tietê Veículos, Cofipe Veículos, Terraço Itália Restaurante, Bermina Imobiliária e Administradora e INC Imobiliária e Construtora), demonstrou sua gratidão ao ser laureado com o título de “Administrador Destaque” pelo Conselho Regional de Administração de São Paulo, em reconhecimento às ações no desenvolvimento da profissão. Formado pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (Eaesp/FGV), com especialização em Finanças e pós-graduado na mesma instituição na área de Marketing, Comolatti ressaltou que a escolha pela carreira de Administrador tinha como objetivo trabalhar com seu pai, Evaristo Comolatti, fundador do grupo. “Ele se destacava como empresário e eu entendia que poderia ajudá-lo se tivesse uma formação em Administração de Empresas. O curso permitia uma visão mais abrangente e estratégica dos negócios”, justificou. 24 Comolatti está na empresa há mais de 35 anos. Começou, como ele define, em áreas que ninguém dava importância na época, mas vitais aos dias de hoje. “Passei pelos departamentos de Logística, naquele tempo denominada de Depósito, Tecnologia da Informação, antigo Centro de Processamento de Dados, e atuei em Marketing. Essas três áreas me trouxeram embasamento e me permitiram formar uma nova geração para dar sequência à administração da empresa”, enfatizou, ao dizer que está na presidência do grupo desde 1993. “Assumi numa época de prova de fogo. Vivíamos em plena abertura do mercado instituída pelo governo Fernando Collor. Éramos uma empresa com 2.400 empregados e, para continuarmos competitivos, tivemos de reduzir a equipe, sem fechar nenhum ponto de venda”, lembrou. E completou: “São situações como essa que fazem com que o administrador brasileiro seja bem visto no exterior. Seu prestígio é por ter sobrevivido a momentos tão difíceis e cruciais para o País”. Antes de ser homenageado, concedeu entrevista à Revista Administrador Profissional. Confira os principais trechos: Revista Administrador Profissional: Como o senhor define o seu estilo de administrar? Adm. Sérgio Comolatti: Meu estilo é o da busca de melhorias constantes, junto com meus diretores e suas equipes, pois entendo que a velocidade no mundo globalizado exige cada vez mais atualizações, conhecimento e qualidade. RAP: O grupo controla algumas das mais modernas e inovadoras empresas do País. Qual o segredo para alcançar o sucesso e a que se deve a consolidação do grupo? Adm. Sérgio Comolatti: Primeiro ao “Princípio da Ética” perante os nossos colaboradores, clientes, fornecedores e acionistas. E, depois, às equipes competentes, treinadas e, principalmente, comprometidas com suas funções e às empresas a que pertencem e, também, ao foco em desenvolver um nível de serviço diferenciado aos clientes. Seguramente, pode-se dizer ainda aos investimentos em tecnologia e ao reinvestimento contínuo nas empresas. RAP: Qual é a composição do grupo? Em quantos Estados está presente, quantos funcionários tem e qual o seu faturamento? Adm. Sérgio Comolatti: Atuamos nos segmentos de distribuição nacional de autopeças, pneus e acessórios, concessionárias de veículos pesados e utilitários, representando as marcas Volkswagen e Iveco, imobiliário e turismo e lazer, com o Terraço Itália. Estamos presente na maioria dos Estados e contamos com mais de 4 mil colaboradores. O faturamento anual do grupo ultrapassa R$ 2,5 bilhões. RAP: Por que o grupo, que sempre esteve voltado para o setor de autopeças, partiu para outros segmentos, como reflorestamento, imobiliário e restaurante? Adm. Sérgio Comolatti: Foram oportunidades que aconteceram na trajetória do grupo e que sob o olhar empreendedor de meu pai, Evaristo Comolatti, eram importantes, por representarem uma diversificação dos negócios e geração de empregos. O segmento de reflorestamento começou como incentivo fiscal, mas teve muito a ver com as origens da família, que veio dos Alpes italianos e viveu em regiões de montanhas e bosques; o imobiliário foi importante como sinergia, já que tínhamos uma estrutura voltada para a localização de pontos de vendas, contratos, projetos e reformas. O restaurante (Terraço Itália) foi por acaso e, talvez, tenha sido a experiência mais interessante. Em visita ao edifício, em 1965, meu pai se impressionou com as suas dimensões (165 metros de altura distribuídos entre os 46 andares). Ao chegar ao topo, deparouse com uma vista deslumbrante da cidade que o acolhera. Como gratidão e com o intuito de possibilitar aos visitantes a visão do desenvolvimento e da pujança do povo paulistano, decidiu presentear a cidade instalando ali um luxuoso restaurante. O espaço, que se constituiu na mais bela vista panorâmica da capital paulista, foi inaugurado em setembro de 1967, pelo então prefeito Faria Lima. 25 Perfil nais que conseguiram reverter situações muito difíceis. Isso tem a ver com o perfil dos nossos colaboradores. Além de todas as atribuições, que normalmente são requeridas para os cargos, procuramos profissionais que tenham postura e comprometimento com a sua função e com a empresa. Tanto que nas avaliações de desempenho, destacamos dois itens: postura e resultado, exatamente nesta ordem. RAP: A Comolatti é a única rede associativista do País para lojas de autopeças e oficinas. Como pode ser definido esse conceito e qual a vantagem de ser um associado? Adm. Sérgio Comolatti: O modelo de Free Franchise, que seguimos, vem de uma parceria com um grupo francês, o Group Auto Union International, que atua em cerca de 30 países da Europa. Fizemos algumas mudanças, “uma tropicalização” para adaptá-lo ao sistema de distribuição brasileiro. Não somos a primeira rede franqueada, porém, somos a única que tem como pilar o desenvolvimento do lojista e do aplicador, além de outros pilares, entre eles o tecnológico, o financeiro e o de marketing, provendo soluções ao associado. RAP: Passados mais de 50 anos de sua fundação, o que representa comandar um grupo que leva o seu sobrenome? Adm. Sérgio Comolatti: É um grande orgulho e, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade continuar o sonho que começou com o meu pai. Hoje, eu e mais de 4 mil colaboradores continuamos a escrever as páginas desse livro. 26 RAP: Qual o papel dos colaboradores no sucesso da empresa? Adm. Sérgio Comolatti: Nem precisaria responder essa pergunta, pois todos sabemos que eles são um fator fundamental para qualquer negócio. Porém, gostaria de reforçar a importância que representam para todo o grupo, ao dizer que já tivemos diversos exemplos de profissio- RAP: Qual a importância de ter uma administração preocupada com a responsabilidade social? O que o grupo faz nesse sentido? Adm. Sérgio Comolatti: A geração de empregos é o grande propósito da responsabilidade social. É ela que altera a vida nas comunidades. No grupo, porém, ela não está restrita apenas a essa finalidade. Entre as ações estão os chás beneficentes semanais, que fazemos há mais de 40 anos no Terraço Itália. Os custos são absorvidos pelo Grupo Comolatti e a renda total é direcionada para mais de 400 ONGs (organizações não-governamentais) devidamente cadastradas. Outra, são as Campanhas de Voluntariados incentivadas por nós e coordenadas pelos nossos funcionários. Toda verba arrecadada é destinada às igrejas ou instituições instaladas nas comunidades próximas dos nossos pontos de vendas espalhados pelo Brasil. Além disso, elegemos algumas instituições com apoio financeiro, entre elas o Pequeno Cotolengo de Dom Orione (atende crianças portadoras de necessidades especiais) e o Patronato Assistencial Imigrantes Italianos. RAP: Qual a importância de investir em projetos culturais? Adm. Sérgio Comolatti: Temos um compromisso com a comunidade e o País. Apoiamos obras importantes como “Tributo ao Marechal Rondon”, “Monteiro Lobato”, “O Vale Amazônico”, entre os 16 livros que patrocinamos. Além disso, por meio de patrocínios, estamos presente em espaços como a Casa das Rosas, na Avenida Paulista, o Instituto de Arte Contemporânea, na ant ig a FAU/USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Univer- sidade de São Paulo), e a Sala Comolatti, na Fundação Getulio Vargas. Com ações desse porte, o objetivo é ter a marca do Grupo Comolatti em obras que tenham o mesmo ideal. “Além de todas as atribuições, que normalmente são requeridas para os cargos, procuramos profissionais que tenham postura e comprometimento com a função e a empresa” RAP: Qual a contribuição do grupo para a preservação do meio ambiente? Adm. Sérgio Comolatti: Seguimos regras claras de preservação do meio ambiente, com a devida coleta de resíduos nos locais onde trabalhamos com oficinas e lojas de pneus, bem como a separação do lixo reciclável gerado por nossos escritórios. Esse material é vendido e a renda é revertida para a aquisição de materiais escolares para os filhos de nossos colaboradores de baixo poder aquisitivo. RAP : Onde o senhor imagina que o grupo estará nos próximos anos? Adm. Sérgio Comolatti: O nosso empenho é o de continuar crescendo e reinvestindo no nosso setor e em segmentos sinergéticos e complementares, buscando a eficiência para continuarmos na liderança, além de estar preparado para futuras aquisições ou parcerias. RAP: O que falta para o Brasil ser considerado país justo socialmente? Adm. Sérgio Comolatti: Entendo que a base seja educação e emprego. O setor público deve fazer o seu papel, mas as empresas, que geram empregos, além de orientar seus colaboradores sobre a importância de suas organizações para a sociedade, devem contribuir para que as comunidades tenham acesso ao ensino complementar e profissionalizante. Entendo também que o País seria melhor se todos os administradores fossem pessoas preocupadas com os interesses da nação, com uma visão mais estratégica. Temos tudo para continuar crescendo e conquistar um lugar de destaque. O Brasil tem um povo maravilhoso, recursos naturais, condições climáticas favoráveis. Se todos colaborarem, nossos filhos herdarão essa riqueza. Estilo por Nathalia Melati Vamos trabalhar juntos? O coworking estimula a interação e o compartilhamento de ideias entre profissionais de diferentes áreas O cenário é comum: mesas, computadores, telefones, papéis, canetas, xícaras de café, impressoras, celulares e pessoas concentradas. Em cada sala vários profissionais se ocupam com seus afazeres. Não trabalham na mesma empresa, mas todos possuem uma característica em comum: compartilham o mesmo escritório. 28 São administradores, designers, arquitetos, pequenos empreendedores que têm à disposição boa infraestrutura de trabalho e a oportunidade de multiplicar ideias por meio da ampliação do relacionamento com profissionais de diversas áreas, interessados em expandir negócios. Esse é o conceito do coworking , escritório coletivo cujo propósito é proporcionar a redução de custos de seus associados. A modalidade, que começou a ser disseminada nos Estados Unidos, em 2005, e que logo chegou ao País, é classificada como uma solução inteligente para quem sonha em abrir um negócio próprio, mas tem pouco dinheiro para investir na instalação de um escritório. Não é para menos. Os coworkers, como são chamados os usuários desses espaços, dispõem de um local já montado. Além de estação de trabalho individual, contam com internet banda larga, telefone, impressora, armários, endereço para correspondência, salas de reunião e de palestras e até mesmo recepcionista para atender aos telefonemas. Os serviços são contratados por meio de planos, que custam, em média, entre R$ 60 (mínimo de 5 horas por mês) e R$ 800 (uso ilimitado da infraestrutura básica disponível).“Cada plano atende a uma necessidade”, explica Laís Granemann, relações externas do escritório de coworking The Hub. De origem inglesa, a empresa está no Brasil desde 2008 e reúne cerca de 200 associados, a maioria em fase inicial de seus negócios. Apesar disso, não seria melhor trabalhar no conforto de casa? Para quem usa os espaços compartilhados, caso da administradora Luana Grandino, da área comercial da Negócios Urbanos, site de compras coletivas, a resposta é “não”. “Em casa, há problemas como falta de disciplina”, ressalta. Há também o fato da convivência. Poucos sabem separar os problemas domésticos dos profissionais. Sem contar, quando não se sentem incomodados com o barulho natural de suas famílias ou, até mesmo, atrapalhados ou desmotivados pelo silêncio absoluto. Prova disso é uma pesquisa da Deskmag, revista alemã online sobre coworking, feita com 661 autônomos de 24 países, que constatou que, ao partirem para os escritórios compartilhados, 60% conseguiram organizar melhor o tempo de suas atividades profissionais e o descanso em casa. “Além disso, a empresa está começando e não sabemos qual será o tamanho do escritório daqui a alguns meses. O contrato não é de longo prazo, o que faz com que deixemos de nos preocupar com a burocracia do aluguel e a infraestrutura de um escritório”, complementa Luana. “Aluguel e mobiliário são muito caros em qualquer lugar. No coworking, os empreendedores não têm de se preocupar com isso”, afirma Fernanda Trugilho, fundadora do Pto de Contato, que tem duas unidades compartilhadas em São Paulo, com cerca de 70 clientes. “Problemas como queda da internet, reposição de material e limpeza são de responsabilidades do espaço. Assim, o coworker pode dedicar 100% do seu tempo ao trabalho”, enfatiza. Rede de relacionamentos Outra vantagem oferecida pela modalidade é o networking (rede de relacionamentos), vital para o crescimento de um empreendimento novo ou para um profissional que está em início de carreira. O administrador Rafael Mambretti, fundador da Carbono Zero, que faz entregas por meio de bicicletas, calcula que, sem as conexões proporcionadas pelo coworking, levaria até 18 meses para ter o mesmo lucro que au- fere em poucos meses. “As indicações são tão importantes que não precisamos gastar R$ 1 em comunicação”, esclarece. E isso se dá porque nessa modalidade é comum os usuários tornarem-se clientes uns dos outros. “As pessoas que procuram esse tipo de espaço realmente querem se encontrar”, justifica Luciana Annunziata, diretora da Dobra Aprendizagem, que atua em projetos de aprendizagem, inovação e transformação organizacional, e da Junto SP Coworking. Com capacidade para até 20 pessoas, explica, o escritório nasceu da ideia de compartilhar o espaço da Dobra. Para abri-lo, visitou outros locais e consultou diversas pessoas envolvidas. Face ao silêncio e tranquilidade de onde está localizado, entende que o espaço é ideal para quem atua na área tecnológica. Assim como a maioria, o Pto de Contato também não trabalha com nichos, pois acredita que o networking só traz bons resultados quando existe a diversidade. O raciocínio é lógico: é mais fácil encontrar alguém que complemente os serviços. Se o objetivo é elaborar uma estratégia ou definir uma ação de marketing , por exemplo, basta consultar o administrador que está trabalhando na mesa ao lado. Dos que partiram para o coworking: 85% 87% 55% estão mais têm mais têm mais motivados interação com trabalho que antes outras pessoas em equipe 40% ganham mais Fonte: Revista Deskmag 29 Estilo ▪profissionalização dos serviços O surgimento do escritório, de acordo com Fernanda, deu-se pela necessidade. “Trabalhava em casa para uma agência. No começo, pensei que seria excelente, mas depois percebi que, na realidade, não estava trabalhando onde morava, mas morando no emprego”, justifica, ao revelar que um dos projetos em desenvolvimento é a expansão de sua empresa por meio de franquias. O objetivo, agora, é expandir a rede de contatos para todo o País. “Quanto mais rico for o networking, maior é o potencial de negócios entre clientes e parceiros”, acredita Fernanda. Desvantagens Alinhamento Vantagens ▪maior liberdade profissional ▪redução de custos (aluguéis, telefones e infraestrutura básica) ▪definição do próprio horário de serviço ▪rendimentos acima dos níveis de mercado ▪autogerenciamento profissional ▪economia com empregados e encargos sociais ▪vantagens fiscais para microempresas ▪facilidades de mudança do ramo de atividade ▪Possibilidade de excesso de carga de trabalho ▪Dificuldade de sucessão 30 O Brasil conta com 25 espaços de coworking registrados em sites especializados, como o Movebla “Quanto mais rico for o networking, maior é o potencial de negócios entre clientes e parceiros” Fernanda Trugilho, fundadora do Pto de Contato (foto) Mambretti é testemunha dessa realidade. “Aqui, todos querem mudar o mundo, cada um à sua maneira”, ao lembrar que o escritório não só alugou uma mesa, mas o ajudou com o espaço para as bikes e na conquista dos primeiros clientes, ao inseri-lo em uma rede de relacionamento internacional (a The Hub está em 24 países). O administrador Leonardo Cardozo, da Factor 4, empresa que cria modelos de negócios para auxiliar novos empreendedores, reforça a importância do networking: “possibilita muitos negócios e expansões”. Por isso, acrescenta Laís, participar de um espaço compartilhado não depende apenas da compra de um plano de serviços. “É preciso que a filosofia do negócio se encaixe com a nossa missão”, ressalta, ao lembrar que o escritório, por meio da Hub Escola, promove três semanas de workshops sobre vários temas e, por intermédio de um laboratório, o Start-up Lab, a oportunidade para que o empreendedor apresente o seu negócio. Os eventos são criados pelos associados e abertos ao público. Sua observação faz sentido. Se, em uma empresa, o ambiente de trabalho é importante para o sucesso da carreira, a escolha do coworking deve ser pautada por um local agradável, que inclui desde uma decoração adequada, identificação com os demais profissionais, até o barulho provocado pelos outros usuários. Afinal, sempre é bom (re)começar com o pé direito. “Nossa missão é criar um mundo melhor. Cada integrante é visto como um inovador social” Laís Granemann, gerente de Relações Externas do The Hub (foto) Marcelo Marques Rubens Vieira (www.movebla.com). No entanto, estima-se que esse número seja, pelo menos, o triplo, se forem considerados os espaços que ainda atuam de maneira informal. Localização, serviços, ambiente e preço são itens importantes para quem quer se associar a um deles. Mas também é recomendável fazer uma análise da infraestrutura do local pretendido. O The Hub, por exemplo, embora seja classificado como um coworking, tem uma proposta diferente. Mais do que compartilhar um local de trabalho, reúne profissionais com objetivos em comum. “A nossa missão é criar um mundo radicalmente melhor, no qual cada integrante é visto como um inovador social, que busca criar soluções para os atuais desafios da sociedade”, explica Laís. “Com isso, geramos parcerias e conexões que, por sua vez, proporcionam ganhos para os dois lados”, acrescenta. Canal Aberto por Luiz Gallo Desonerar para se tornar mais competitivo INSS patronal deveria ser retirado ou reduzido da folha de pagamento, mostra enquete do CRA-SP dores afirmou que o excesso de impostos onera a folha de pagamento, o que dificulta a contratação de mão de obra, restringe a formalização do emprego e tira a competitividade das empresas brasileiras. Além disso, as retenções não são percebidas como retorno à sociedade. Segundo o CRA-SP, o levantamento indica que a redução na carga tributária brasileira, uma das maiores do mundo, ainda é um enorme desafio a ser enfrentado pelo governo e a classe política brasileira. Na China, um funcionário custa quase a metade do que no Brasil N ão é de hoje que governo e centrais sindicais vêm debatendo formas de mudar a cobrança de tributos que incidem diretamente sobre a folha de pagamento. Uma das fórmulas em estudo seria livrar as empresas dos 20% que incidem sobre os rendimentos de cada funcionário a título de contribuição patronal ao INSS. A receita seria compensada por uma taxação sobre o faturamento. A medida beneficiaria setores intensivos em mão de obra e “penalizaria” grupos que obtêm altos lucros, mesmo com quadro enxuto de trabalhadores. A fim de saber quais tributos deveriam ser reduzidos ou retirados da folha de pagamento, o Conse- 32 lho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP) realizou um levantamento com profissionais registrados. Participaram da enquete 1.305 administradores. Para a maioria dos participantes (63,9%), o INSS Patronal (contribuição previdenciária devida pelas empresas) deveria ser retirado da folha de pagamento ou, pelo menos, reduzido, de acordo com os comentários emitidos pelos administradores. Hoje de 0,2%, o imposto destinado ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) recebeu 19,2% dos votos. O salário-educação (contribuição social reservada ao financiamento de programas, projetos e ações voltados para a educação básica pública), de 2,5%, foi o terceiro mais votado, com 8,7%. O imposto destinado ao Sesi (Serviço Social da Indústria) ou Sesc (Serviço Social do Comércio), atualmente de 1,5%, recebeu 3,4% das indicações. Já 3% dos administradores optaram pela retirada da alíquota reservada ao Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), de 0,6%. Apenas 1,8% votaram no fim da contribuição para o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) ou Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), hoje de 1,5%. Na área destinada aos comentários, a maioria dos administra- Garantia concreta O Ministério da Previdência Social já sinaliza que quer garantias concretas de que uma possível desoneração de tributos não aumentaria ainda mais o já combalido déficit do setor, que só nos primeiros cinco meses deste ano atingiu R$ 17,836 bilhões. Outro temor é o de que a mudança de tributação possa gerar volatilidade para a arrecadação tributária. Na comparação de Leonardo Rolim, secretário de Políticas de Previdência Social, em momentos de crise, as demissões nem sempre acontecem de imediato, como ocorre com o faturamento. De qualquer forma, a queda de arrecadação não faz parte dos planos da Previdência. Pelo menos, neste ano. A contribuição patronal sobre a folha de pagamento, que em 2010 chegou a R$ 93 bilhões, deverá fechar 2011 com pouco mais de R$ 100 bilhões. Os tributos representam aproximadamente 36% dos rendimentos nominais do emprego. Se forem considerados o 13º salário, aviso prévio e outros direitos trabalhistas, o custo do trabalhador para o empregador ultrapassa 100% da remuneração bruta. Para a competitividade brasileira é uma relação dramática, que interfere diretamente no custo da mão de obra na economia nacional frente a outros países emergentes. Na China, por exemplo, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), um funcionário custa para a empresa quase a metade do que no Brasil. Em parte, isso explica por que alguns de nossos produtos são pouco competitivos. Opinião Tecnologia e administração pública A utilização da tecnologia tem crescido de forma exponencial em todos os setores da economia. Cada vez mais, a adoção de recursos e tecnologias de comunicação e informação tem se tornado indispensável em nosso cotidiano e influenciado diretamente a vida das pessoas. Entretanto, apesar de reconhecer essa importância, a administração pública, de forma geral e em todas as suas esferas, não tem acompanhado essa evolução. No âmbito da administração pública, o grande objetivo da tecnologia deve ser o de melhorar a qualidade de vida do cidadão, além de contribuir sobremaneira para a eficiência e agilidade dos processos, reduzindo a burocracia e aumentando a qualidade da gestão, que inclui planejamento, organização, coordenação e controle. Assim como ocorre nas várias áreas de atuação da administração pública, a aplicação de recursos tecnológicos também é extremamente heterogênea, ou seja, enquanto alguns municípios e unidades da federação estão em estágio relativamente avançado, e já apresentam uma substancial obtenção de vantagens por meio da tecnologia, em outros, há quase uma completa ausência desses recursos. Além da discrepância existente da utilização da tecnologia nas diferentes regiões do País, grande parte dos recursos disponíveis nessa área é empregada em sis34 temas e ferramentas de controle, mais especificamente de arrecadação. Como exemplo disso, podemos colocar, de um lado, à montante, os sistemas utilizados hoje pela Receita Federal do Brasil, que estão dentre os mais avançados do mundo, enquanto, de outro, à jusante, que as Secretarias Municipais de Saúde, em sua grande maioria, além da falta de integração e comunicação entre os diversos sistemas utilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), nem sequer têm um sistema para agendamento de consultas e recursos básicos para gestão de suas unidades. A comparação apresentada não tem o intuito de valorizar uma ou outra atividade do Estado, pois o zelo pela arrecadação é tão importante quanto o provimento dos serviços de saúde. Porém, há uma necessidade iminente de melhoria tanto no atendimento, como na qualidade dos serviços prestados ao cidadão, não somente na área da saúde, mas também em educação, transportes, infraestrutura, segurança pública, dentre outras. Considerando o papel da tecnologia, para que isso aconteça, deve haver uma mudança na forma como os recursos tecnológicos são aplicados hoje pelo poder público. O foco deve ser alterado da aplicação atual e, estritamente voltada aos processos e ao controle, para o planejamento, inteligência e gestão integrada, visando benefícios ao cidadão. “No âmbito da administração pública, o grande objetivo da tecnologia deve ser o de melhorar a qualidade de vida do cidadão, além de contribuir sobremaneira para a eficiência e agilidade dos processos” Adm. Alexey Carvalho CRA-SP - 73.219 Mestre em Tecnologia e professor universitário Colaborações para esta seção podem ser enviadas para o e-mail [email protected] Os textos devem conter no máximo 3.000 caracteres (com espaço), nome completo do autor, foto em alta resolução e o registro no CRA-SP. → Este artigo reflete, exclusivamente, a opinião de seu autor. O CRA-SP não se responsabiliza pelas ideias nele contidas.