Identificando Lacunas e Perspectivas para a Pesquisa em Marketing de Relacionamento No Brasil Autoria: Rita de Cássia de Faria Pereira, Fernando Bins Luce RESUMO Conceitos e processos de marketing de relacionamento evoluem de forma significativa a partir da incorporação de conceitos das mais variadas áreas de conhecimento, da exploração de novos temas e uso de novas abordagens para analisar relacionamento empiricamente. No Brasil, o desenvolvimento de estudos ligados ao marketing de relacionamento não é recente, como se pode ver a partir da quantidade de artigos, livros e dissertações publicadas no país. Neste sentido, o artigo proposto busca discutir a pesquisa em marketing de relacionamento no contexto empresarial e identificar temas e abordagens relevantes para a análise dos relacionamentos no Brasil, a partir do cenário de pesquisa internacional. Temas como valor e pesquisa a partir da perspectiva da díade e de redes estão sob escrutínio. Pretende-se motivar pesquisadores da área a considerarem a necessidade de avanços teóricos e metodológicos no contexto nacional. INTRODUÇÃO O Marketing de Relacionamento evolui quantitativa e qualitativamente, como se verifica na incorporação de novos constructos, validação de novos modelos, utilização de novas tecnologias, aplicação variada em diferentes contextos e na interação com outros temas de Marketing e de Administração como um todo. Neste contexto, a importância de serem formados e mantidos relacionamentos com o cliente tem recebido crescente atenção na última década, evidenciada pela inserção do tema em periódicos acadêmicos de marketing e conferências da área, como constatam Ambler e Styles (1999). Seguindo esta tendência, os conceitos e processos de marketing de relacionamento evoluem de forma significativa a partir da incorporação de conceitos das mais variadas áreas de conhecimento. Devido a isto, variáveis utilizadas para se caracterizar um relacionamento têm sido definidas a partir de uma ampla variedade de domínios teóricos, quais sejam: (1) Teoria dos Custos de Transação, (2) Teoria de Troca Relacional, (3) Teoria da Dependência de Recursos, (4) Teoria de Redes, (5) Paradigma Político-econômico, e (6) administração transcultural (no caso de relacionamentos internacionais), conforme Ambler e Styles (1999). Ebers (1999, p. 5), analisando a rica literatura que tem sido desenvolvida sobre quando, onde, por que e como as organizações se engajam em redes interorganizacionais, sustenta que, como um campo de estudos da organização, pesquisa pertinente tem empregado um número de diferentes abordagens e teorias, as quais incluem economia industrial e organizacional, marketing e compras, sociologia organizacional, teoria dos jogos, teoria da dependência de recursos, ecologia populacional, teoria institucional e abordagens de redes sociais. Na esteira desse desenvolvimento e considerando-se os relacionamentos como fontes de vantagem competitiva (Ganesan, 1994; Dwyer, Schurr e Oh, 1987), atenta-se, cada vez mais, para a relevância de se analisarem os impactos dos relacionamentos em empresas e clientes. É válido notar que, embora efetivamente pesquisados, tais efeitos são vistos de forma limitada e, na maioria das vezes, sob um foco exclusivamente objetivo. Tal fato aponta uma importante lacuna teórica relativa à ênfase sobre aspectos de desempenho estritamente econômicos em detrimento de fatores que agregam valor à empresa tanto no curto quanto no longo prazo. 1 Neste sentido, este artigo busca discutir a pesquisa em marketing de relacionamento no contexto empresarial e identificar alguns temas e abordagens relevantes para a pesquisa na área. Objetiva, ainda, identificar e sugerir temas e abordagens relevantes para a análise dos relacionamentos no Brasil, a partir do cenário de pesquisa internacional. 1 A PESQUISA SOBRE MARKETING DE RELACIONAMENTO O marketing de relacionamento representa uma nova ordem de relações nos mercados consumidor e organizacional, emergindo como um novo paradigma (Sheth e Parvatiyar, 2000) ou uma nova orientação de marketing (Palmer, 2001), cuja ênfase central são os aspectos predominantemente relacionais e de longo prazo das trocas de mercado, em detrimento da orientação transacional e de curto prazo tradicionalmente difundida pelos tradicionais 4 Ps. No ambiente acadêmico das últimas décadas, diversos pesquisadores têm analisado as trocas relacionais, buscando desenvolver o constructo “relacionamento”; consideram, para isto, seus benefícios (Ganesan, 1994), características e fases de seu processo de desenvolvimento (Sheth e Parvatiyar, 2000; Dwyer, Schurr e Oh, 1987), motivações (Madhavan, Shah e Grover, 1994) e fatores de sucesso (Mohr e Spekman, 1994). Ademais, pesquisadores buscam associá-lo a antecedentes e conseqüentes (Ganesan, 1994) e validar constructos como confiança (Morgan e Hunt, 1994), comunicação (Duncan e Moriarty, 1998), dependência (Mohr e Spekman, 1994) e comprometimento (Morgan e Hunt, 1994), e, por fim, estabelecer relações desses constructos com outros temas de marketing, tais como satisfação (Garbarino e Johnson, 1999). Notadamente, observa-se que os teóricos e pesquisadores desta área do marketing buscam, com base em esforços metodológicos e acadêmicos, um fortalecimento do marketing de relacionamento, objetivando criarem uma disciplina distinta – similarmente ao que aconteceu com o comportamento do consumidor, o marketing de serviços e o marketing estratégico (Sheth e Parvatiyar, 2000). No ambiente de negócios, a concorrência internacional, a variedade de produtos, a grande quantidade de mensagens comerciais, o aumento de expectativas dos clientes e a existência de necessidades e desejos cada vez mais diferenciados levam as organizações a repensarem suas estratégias de marketing e mudarem de uma perspectiva focada em transações para uma focada no relacionamento com os clientes (Hoekstra e Huizingh, 1999). Tal busca de envolvimento com os clientes é motivada, também, pelo processo de “desintermediação” das organizações, pelo crescimento da economia de serviços, pelas práticas de qualidade total, pelo advento da tecnologia digital e pela difusão crescente de produtos complexos na sociedade (Sheth e Parvatiyar, 2000). Como destaca Berry (2002) relativamente às empresas de serviços, pensar em manter clientes, ao invés de meramente tentar atraí-los, é crucial. Observa-se que, apesar do desenvolvimento teórico e prático deste constructo e das mudanças de contexto, a noção de relacionamentos mais cooperativos ainda não é uma prática universal, sendo comum observarem-se exemplos de empresas que ainda se apóiam em relações mais transacionais e competitivas (Cannon e Perreault, 1999). Nesta linha evolutiva, o seu surgimento por volta dos anos 1980, esta filosofia e prática de negócios já apresentou muitas faces e objetivos, tendo várias escolas de pensamento em marketing tratado o tema “relacionamento”. Especificamente voltado para os relacionamentos interorganizacionais, o IMP Group (Industrial Marketing and Purchasing Group) dedica-se à compreensão do relacionamento e de outros temas relacionados, como as interações e as networks ou redes (e. g., Cunningham, 1996). Por outro lado, a Escola Nórdica de serviços opta por focar, especificamente, os aspectos de serviços, sobretudo, nas interações, episódios, 2 seqüências e relacionamentos, os quais formam um continuum que varia do transacional ao relacional (e. g., Grönroos, 2000). Observa-se que, além da presença em várias universidades e centros de pesquisa, o marketing de relacionamento avança sobre várias áreas e subdisciplinas de marketing, as quais têm sido o foco da pesquisa neste campo nos últimos anos (Sheth e Parvatiyar, 2000). Estas pesquisas visam a responder questionamentos referentes aos relacionamentos de canais (Ganesan, 1994), em business-to-business (IMP Group), em serviços (Berry, 2002), no âmbito internacional, no varejo e em mercados de consumo (Garbarino e Johnson, 1999). Similarmente ao que ocorre em marketing como um todo, as contribuições de outras áreas do conhecimento – como a economia, o direito e a psicologia social – enriquecem o campo com conceitos e técnicas de pesquisa diferenciadas (Sheth e Parvatiyar, 2000). Atualmente, esta filosofia se vincula a uma abordagem integrada que considera conceitos de qualidade, logística, serviços ao cliente, comunicação integrada, formação de parcerias e alianças, entre outros (Sheth e Parvatiyar, 2002). Neste contexto, cabe conceituar o marketing de relacionamento como o processo contínuo de engajamento em atividades e programas colaborativos com os consumidores, para criação de valor econômico mútuo e redução de custos (Dwyer, Schurr e Oh, 1987). Visão similar, difundida por Grönroos (2000), considera-o como um processo de identificarem-se clientes potenciais para se estabelecer e manter um relacionamento, gerando um aumento dos negócios realizados e da propaganda boca-a-boca. Por fim, a definição de Berry (2002), voltada especificamente para o setor de serviços, destaca que a perspectiva do marketing de relacionamento visa a atrair, manter e intensificar relacionamentos com os clientes. O autor destaca, ainda, nesta linha de pensamento, que esta filosofia ou prática de negócios é crítica para aquelas empresas vulneráveis à perda de clientes devido à intensificação da competição, sendo aplicável quando há um desejo contínuo ou periódico de serviço e quando o cliente controla a seleção da empresa de serviço e tem alternativas para escolher. Além da vontade do cliente, é necessário considerar, em contrapartida, quais as motivações de uma organização para desenvolver uma associação mais próxima com ele. Ou seja, quais os motivos para uma organização investir em relacionamentos com seus clientes. Madhavan, Shah e Grover (1994) propuseram cinco categorias de motivações para a formação de relacionamentos, quais sejam: (1) controle (o relacionamento como uma forma de se controlar a evolução do setor a que pertencem), (2) eficiência organizacional (redução de custos de transação, incrementando-se índices de entradas e saídas), (3) estabilidade (segurança de previsibilidade e estabilidade em relação as suas fontes de recursos), (4) legitimidade (aumento da própria legitimidade por associar-se com compradores ou vendedores-chave, de elite) e (5) aprendizado (desenvolvimento de conhecimento e aprendizado sobre novos produtos, mercados, tecnologias e processos organizacionais através do relacionamento com seus parceiros). Nesta seção, buscou-se introduzir, o tema “marketing de relacionamento” para demonstrar a relevância deste campo dentro dos estudos de marketing e enfatizar que, embora inúmeros estudos tenham sido realizados, há, ainda, muitas lacunas a serem preenchidas, bem como inquietantes questões de pesquisa a serem respondidas. 2 TEMAS E INTERNACIONAL ABORDAGENS PARA PESQUISA NACIONAL E Muitos temas e abordagens integram a área de marketing de relacionamento, havendo uma forte inter-relação com temas de áreas como estratégia e economia industrial. Os temas e 3 abordagens discutidos a seguir, entretanto, são de recente desenvolvimento e não têm sido enfatizados na realização de estudos teóricos ou empíricos. Pretende-se, com a presente discussão, despertar o interesse de pesquisadores para a necessidade de avanços teóricos e metodológicos nos contextos nacional e internacional. 2.1 Valor em Relacionamentos de Negócios O conceito de valor difundido por autores da área (e. g., Möller e Törrönen, 2003; Hogan, 2001) tem trazido luz aos problemas de avaliação do relacionamento, tendo-se em vista que a criação de valor é considerada como objetivo essencial para as empresas envolvidas em um relacionamento (Walter, Ritter e Gemünden, 2001) e, portanto, deve ser ponto de partida de avaliações tanto por empresa quanto por clientes. Paralelamente à ênfase no desenvolvimento de relacionamentos com os clientes e outros parceiros, o conceito de valor tem assumido grande relevância no campo de marketing. Prova disto são os diversos estudos que focam sobre o que se constitui valor e sobre as formas e condicionantes da criação de valor (Ulaga, 2003; Walter, Muller e Helfert, 2002; Ulaga e Eggert, 2001; Walter, Ritter e Gemünden, 2001; Menon, Homburg e Beutin, 2000; Zeithaml, 1988). Tal relevância é demonstrada pelo volume de artigos publicados na área com este tema, bem como pela publicação de edições especiais do Journal of the Academy of Marketing Science (v. 25, 1997) e, especificamente voltado para o mercado empresarial, do Industrial Marketing Management (v. 30, 2001). As citações dispostas a seguir dão conta da visível importância que o conceito de valor tem assumido em marketing, sobretudo nos estudos sobre relacionamentos. Reforçam, ainda, a importância de se estimularem pesquisas e de se validarem, empiricamente, constructos formadores ou influenciadores deste conceito. Adicionalmente, algumas proposições enfatizam a fragilidade das medidas de desempenho de relacionamento utilizadas. Assim, tem-se que: (1) a criação de valor é considerada como objetivo essencial para as empresas envolvidas em um relacionamento (Walter, Ritter e Gemünden, 2001); (2) tanto na prática quanto na pesquisa acadêmica, a questão de valor do cliente tem emergido como critica para o sucesso da metas organizacionais e esforços de gestão do relacionamento (Menon, Homburg e Beutin, 2000); (3) a criação de valor em relacionamentos de negócios é um campo emergente da literatura (Hogan, 2001); (4) a mensuração da criação de valor em relacionamentos de negócios ainda está em sua infância e um entendimento de como as empresas criam e entregam valor em relacionamentos de negócios é necessário (Ulaga, 2003); (5) a ausência de investigação científica torna difícil avaliar-se a criação de valor em relacionamentos de negócios (Walter, Ritter e Gemünden, 2001); (6) o valor do cliente é considerado como um elemento fundamental do marketing de relacionamento (...) de fato, entregar valor superior para os clientes é a chave para se criarem e se sustentarem relacionamentos industriais de longo prazo (Ulaga e Eggert, 2001); (7) como o conceito de valor torna-se central para pesquisa acadêmica em relacionamento, é essencial que os pesquisadores desenvolvam uma teoria de relacionamentos empresariais orientada para valor (Hogan, 2001); (9) apesar da tendência crescente para se considerar e se utilizar relacionamento como um meio para criação de valor, a teoria de marketing ainda é deficiente neste campo (Walter, Ritter e Gemünden, 2001); (10) existe uma alta concentração sobre o lucro como um valor às expensas de outras possíveis contribuições que o relacionamento pode gerar (Walter, Ritter e Gemünden, 2001); (11) a idéia central é que através de investimentos mútuos e adaptações, um fornecedor e um cliente podem criar novas soluções de produto e processo e que são mais eficazes do que as que existem no campo, ou melhorar a eficiência do relacionamento cliente4 fornecedor (...) este desenvolvimento especifico da relação cria novos valores “agregados” em termos de soluções disponíveis (Möller e Törrönen, 2003); (12) enquanto os relacionamentos de negócios per se são um interessante e digno tema de estudo, seu papel na criação de valor, seja para clientes, acionistas, gerentes ou outros públicos de interesse, deveria ser central para uma disciplina gerencial como o marketing (Ambler e Styles, 1999); e (13) têm havido poucos esforços para se vincularem as dimensões relacionais à criação de valor, tanto no curto quanto no longo prazo (Ambler e Styles, 1999). 2.2 Perspectiva da díade na Avaliação dos Relacionamentos Um relacionamento constitui uma entidade distinta relacionada a outras entidades (Flood e Carson, 1998). Para Jones (apud Flood e Carson, 1998), um relacionamento existe entre A e B se o comportamento de um é influenciado ou controlado pelo outro. Relacionamento – ou comunicação entre elementos – pode ser analisado, desta forma, como fluxos de materiais, informação ou energia. Argumenta-se, com base em Smith (1999), que a unidade de análise é o relacionamento entre duas partes e devido à interdependência mútua, a pesquisa da díade deve consistentemente refletir padrões, relações, ou interações entre os parceiros. Segundo Smith (1999), estudos sobre relacionamento têm, tradicionalmente, enfatizado a perspectiva de um ator na díade em detrimento de uma avaliação mútua pelos parceiros (Quadro 1). Contrariamente, argumenta-se, que os relacionamentos de negócios devem ser analisados de forma bilateral por empresa e clientes. Nota-se, segundo Smith (1999), que essa opção de se analisar exclusivamente um ator revela uma contradição dentro do campo, que, enquanto recentes apelos têm sido feitos para se expandir o foco da pesquisa de negócios além da díade – incluindo-se as redes relacionais e o ambiente do relacionamento –, há, ainda, considerável trabalho para ser feito relativo ao desenvolvimento de métodos de pesquisa básicos. Nesse sentido, e para se superarem tais limitações, as perspectivas individuais e o desempenho estão se tornando menos relevantes do que perspectivas conjuntas e o desempenho da díade (Smith, 1999). AUTORES PERSPECTIVA Anderson e Narus (1984) Empresa Buvik e John (2000) Cliente Cannon (1992) Cliente Cannon e Perreault (1999) Cliente Cannon, Achrol e Gundlach (2000). Cliente Doney e Cannon (1997) Cliente Ganesan (1994) Empresa Gundalch, Achrol e Mentzer (1995) Cliente Hewet, Money e Sharma (2002) Empresa Joshi e Campbell (2003) Cliente Kalwani e Narayandas (1995) Empresa Mohr and Spekman (1994) Cliente Morgan e Hunt (1994) Cliente Ulaga (2003) Cliente Ulaga e Eggert (2001) Empresa Walter et al. (2003) Cliente Walter, Hölzle e Ritter (2002) Cliente Walter, Ritter e Gemünden (2001) Empresa Wathne, Biong e Heide (2001). Cliente 5 Quadro 1 – Exemplos de estudos e suas perspectivas de análise na área de marketing de relacionamento. Para Håkansson e Snehota (1995, p. 51), dentre as funções de um relacionamento podem ser destacadas: (1) função para a díade – originada na conjunção das duas empresas; suas atividades, recursos e atores. Relações a partir de atividades, recursos e atores em um relacionamento integram vários elementos e, assim, resultados e efeitos únicos são produzidos; e a (2) função para a empresa individual – o relacionamento tem efeitos sobre cada uma das empresas, sobre o que ela pode fazer internamente e em outros relacionamentos. Estes dependem de como o que é produzido pela díade pode ser conectado a outros elementos internos da empresa e seus outros relacionamentos. Assim, o foco sobre a díade e a interação entre as partes possibilita um entendimento mais rico dos relacionamentos de troca do que aquele que foca somente em uma das partes individuais e o seu ambiente (Smith, 1999). Tais constatações têm levado os pesquisadores de marketing a se conscientizarem da necessidade de adotar a perspectiva da díade para se entender a natureza e a dinâmica dos relacionamentos (Smith, 1999). Adicionalmente, vale destacar que dentro da literatura de compra organizacional, defende-se a importância da díade para explorar a concordância de ambos os atores sobre os constructos teóricos (Weitz apud Deshpande, Farley e Webster, 1993). Postura semelhante é encontrada em estudos sobre canais (John e Reve, 1982) e relacionamentos dentro de redes (Anderson, Håkansson e Johanson, 1994). A consideração da díade em pesquisas objetiva evitar o problema particular de pesquisas baseadas sobre uma única visão (Smith, 1999), permitindo, assim, uma análise mais exata do fenômeno. Desta forma, como destacado anteriormente, visa-se, também, à superação de contradição no campo – a de se expandir o foco da pesquisa em relacionamento de negócios além da díade, sem se desenvolver métodos básicos para análise de múltiplas visões dentro de um mesmo relacionamento. Segundo Smith (1999), as perspectivas e desempenhos individuais estão se tornando menos relevantes do que perspectivas e desempenho conjuntos (Smith, 1999). Além das funções destacadas, Håkansson e Snehota (1995) destacam que um relacionamento, sendo um elemento em construção em uma estrutura de rede mais ampla, o que é produzido no relacionamento pode afetar e ser afetado por outros relacionamento que envolvem outras partes. Os efeitos sobre terceiras partes e de terceiras partes e seus relacionamentos no relacionamento dependem de quão conectados estão os relacionamentos em toda a rede. 2.3 Perspectiva de Redes e IMP Group O crescimento das abordagens de interação e redes para a gestão de relacionamentos de negócios, segundo Grönroos (2000), vem da Suécia através do IMP Group, uma escola de pensamento de marketing que enfatiza a importância dos relacionamentos em redes de negócios. Segundo o autor, conforme esta abordagem, as “redes de empresas” são o conceito dominante, enquanto o “relacionamento” representa um sub-conceito que explica o desenvolvimento e a gestão de redes de organizações. Nesta abordagem de redes para marketing industrial, a interação desenvolve-se como um conceito-chave em relacionamentos de negócios, a troca de produtos é o centro do marketing de transação e a gestão do processo de interação é o foco do marketing de relacionamento (Grönroos, 2000). Assim, o ponto de 6 partida para a abordagem de redes industriais é que empresas que operam em um contexto de relacionamentos de negócios interconectados formam redes (Håkansson e Snehota, 1995, p. 357). Dentro do escopo do marketing de relacionamento, a Escola Sueca sugere um modelo de rede cujos elementos-chave são atores, atividades e recursos (Ebers, 1999). A necessária inclusão de atores sociais é destacada nesta perspectiva de redes, cujos objetivos de controle de recursos conduzem à formação das mesmas que pressupõem atividades. Enfatizando o aspecto relacional do modelo, Håkansson e Snehota (1995) consideram que mudanças objetivando estabilizarem ou mudarem as redes são sempre uma questão de dois ou mais atores atuando juntos com ou contra outros. Interações levam a ações conjuntas entre os atores que alteram a estrutura da rede, originando-se, então, relacionamentos. Entende-se, deste modo, que nenhum ator é capaz de manter ou modificar a estrutura da rede sozinho. A conectividade é, assim, um conceito central para a abordagem de redes industriais do IMP, considerando, adicionalmente à análise das díades, o impacto indireto de outros relacionamentos e o efeito do sistema nos relacionamentos individuais. Relativamente ao modelo do IMP Group, Kalafatis (2000) destaca alguns pressupostos sobre os quais o IMP desenvolve seus estudos: (1) o IMP Group, baseando-se na teoria de redes, vê as interações entre empresas e clientes como representando uma série de interações sociais de curto prazo que, influenciadas por processos de negócios de longo prazo, refletem aspectos de desenvolvimento de relacionamentos; (2) o modelo é baseado na premissa de que as transações business-to-business refletem um processo que incorpora ações e reações; (3) o modelo representa o desenvolvimento de relacionamento como um processo mais do que como um resultado de elementos chaves ou focais; e (4) o modelo incorpora constructos tais como adaptação, cooperação, os quais são comumente utilizados como conectores do relacionamento. Há que se considerar, fundamentalmente, que o conceito central das redes é que os relacionamentos são formados entre várias unidades corporativas, organizações independentes e empreendedores. Necessitam, deste modo, de relacionamentos de alto nível de qualidade com parceiros e clientes, caracterizados por confiança, comprometimento, interdependência e satisfação. Estes relacionamentos dentro da rede visam a concretizar os objetivos da rede, sem levar os parceiros a agirem sozinhos nem focarem nos aspectos puramente econômicos. Para Holm, Eriksson e Johanson (1996), um conjunto conectado de relacionamentos de negócios na cadeia de valor pode ser concebido como uma rede de negócios que possibilita a seus integrantes, aprendizagem, processos de troca social, cooperação e coordenação de atividades, criando valor adicional da cadeia e sendo, portanto, uma estratégia coletivamente construída. A abordagem de redes, neste contexto, não se refere, exclusivamente, a um modelo de atuação organizacional ou diretriz para a formação de relacionamentos, mas, também, a uma abordagem metodológica para análise dos efeitos da conectividade de vários parceiros, tanto nestes parceiros quanto em atores externos à rede. Para Håkansson e Snehota (1995), no âmbito empresarial, esta visão implica que as empresas devem evitar uma perspectiva auto-centrada, a qual, desnecessariamente limita seu campo de visão. Empresas devem analisar sua situação em termos de seus relacionamentos e suas conexões. É crucial que a empresa vincule suas atividades às de outras empresas para melhorar sua performance, pois é através de continuas combinações e recombinações nos relacionamentos de negócios que novas dimensões de recursos são identificadas e melhor desenvolvidas. Para os autores, relacionamentos são partes de uma estrutura mais ampla que 7 relaciona seus elementos – os atores (empresas). Este tipo de estrutura (Figura 1) representa a forma de uma organização que tem um pouco das suas propriedades distintivas originadas na natureza dos relacionamentos entre seus componentes. Não é uma estrutura imposta sobre as empresas e os relacionamentos não são determinados a priori, mas resultam da relação, assim, eles mudam e evoluem durante o tempo. É uma forma de organização peculiar porque não tem um centro, nem tem fronteiras claramente definidas (Håkansson e Snehota, 1995, p. 32). Figura 1 – Relacionamentos de negócios como elementos de uma estrutura de rede. Fonte: Håkansson e Snehota (1995, p. 31) 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONTRIBUIÇÕES PARA A PESQUISA NO CONTEXTO BRASILEIRO Relativamente ao contexto brasileiro, ainda que o presente estudo não tenha o objetivo de quantificar ou qualificar a produção científica de marketing de relacionamento, é possível destacar algumas lacunas a partir da leitura de artigos, consulta a bancos de teses e dissertações e participação direta dos autores deste artigo na área em questão. Tal análise visa a, sobretudo, identificar e sugerir temas e abordagens relevantes de pesquisa, com base no cenário de pesquisa internacional. O desenvolvimento de estudos relacionados ao marketing de relacionamento no contexto empresarial não é recente no Brasil. Diversos estudos, entre artigos em congressos e periódicos (e.g., Ribeiro, Grisi e Saliby, 1999; De Toni, 2003; Brasil et al., 2004; Almeida, Coelho e Coelho, 2004; Claro e Claro, 2004), dissertações de mestrado (e.g., Goron, 1994; Guimarães, 1994; Costa, 1996; Costa, 1997; Pipkin, 1998; Viana, 1999; Carvalho, 2000; Müssnich, 2002; Santos, 2003; Costa, 2004; Larentis, 2005), teses de doutorado (e.g., Bretzke, 1999; Crescitelli, 2003) e livros (e.g., Slongo e Liberali, 2004) abordam as trocas relacionais entre empresas e clientes organizacionais no cenário brasileiro. Paralelamente, vale destacar que autores da área de marketing de relacionamento parecem preterir o mercado organizacional pelo mercado consumidor para desenvolver estudos em marketing de relacionamento (e.g., Demo, 1999; Álvares Júnior, 1997; Gosling, 2001; Santos, 2001; Oliveira e Dutra, 2002; Gosling e Gonçalves, 2002; Brei e Rossi, 2002; Rosa e Kamakura, 2002; Santos e Rossi, 2002; Prado e Santos, 2003; Brei, 2003; Cortimiglia et al., 2003; Liberali Neto e Neujahr, 2003). Analisando a produção científica do campo, merece consideração o fato de que esta parece caminhar em direção à evolução do marketing no Brasil no que se refere ao foco 8 extremado em ferramentas quantitativas, como surveys e equações estruturais. Concorda-se com Faria (2004) quanto à orientação americana da produção acadêmica em marketing, também revelada na produção na área em avaliação. Três dos principais problemas enfrentados pela disciplina são também observados nos estudos sobre relacionamento: “o isolamento em relação a outras disciplinas, a hegemonia do positivismo estatístico, e a aversão à pluralidade e à crítica” (FARIA, 2004, p. 5). Assim, falta, também, à pesquisa acadêmica de marketing de relacionamento, maior pluralismo de métodos e abordagens que permita aos pesquisadores entenderem fenômenos complexos à luz de métodos qualitativos e quantitativos. Os temas discutidos na seção anterior dão conta da necessidade de se ampliar o foco dos estudos sobre relacionamentos empresariais. A adoção de metodologias qualitativas, a consideração da díade e das redes e a superação do positivismo quantitativo (FARIA, 2004) e do excesso de modelagem decorrente deste são imperativos para o desenvolvimento da área. Não se observa no contexto brasileiro, estudos que considerem os três temas discutidos na seção II deste artigo. Quanto à análise dos relacionamentos a partir da perspectiva da díade ou das redes, não existem estudos brasileiros que utilizem tal abordagem. Ademais, seguindo a tradição da pesquisa americana e européia, a pesquisa neste campo tem enfatizado fortemente a visão do cliente em detrimento da empresa (e.g., Brasil et al., 2004; Viana, 1999; Müssnich, 2002; Santos, 2003; Costa, 2004). A limitação dos estudos à percepção exclusiva de um ator indica um forte viés da área, ora, orientada fortemente pela visão do cliente – necessidades, demandas, produtos, etc. – ora dedicando-se sobremaneira à compreensão do relacionamento como fonte de lucratividade e rentabilidade. Percebe-se, neste sentido, vieses metodológicos atinentes à definição da unidade de análise dos estudos em questão. Será que o relacionamento observado na perspectiva da empresa ou do cliente, exclusivamente, pode ser considerado unidade de análise de um estudo, ou se está apenas observando expectativas e (in) satisfações relativas a um elemento da relação? Como discutido anteriormente, os efeitos do relacionamento ultrapassam a visão da empresa ou do cliente, incluindo também outros elementos da rede. No que se refere ao tema “valor em relacionamento”, em que pese a discussão existente sobre valor em relacionamento, não se identifica na produção nacional, estudos que abordem tal perspectiva para a análise do relacionamento. Estudos que analisam características do relacionamento e seus efeitos, conjuntamente, utilizam medidas de desempenho econômico (e.g., Larentis, 2005) ou satisfação para análise destes. Paralelamente, a avaliação dos relacionamentos a partir de medidas de desempenho e satisfação, também traduz a visão de um único ator. É a análise da satisfação e retenção do cliente um indicador de sucesso do relacionamento ou, simplesmente, uma avaliação do atendimento das suas expectativas e demandas? Ou ainda, a manutenção do cliente na empresa realmente representa sucesso no relacionamento ou a imposição de condições externas que impossibilitam sua saída? Assim, entende-se que o conceito de valor criado no relacionamento pode contribuir para a superação da visão estritamente vinculada a aspectos financeiros e de desempenho da empresa ou do cliente. Vale ressaltar que tais avaliações dizem mais respeito à organização em si do que ao relacionamento. Evita-se, assim, a visão estreita na definição da unidade de análise como “relacionamento” – na perspectiva da díade – e não como “efeitos do relacionamento” ou “características do relacionamento” – na perspectiva da empresa ou do cliente. Se os estudos da área carecem de análises ampliadas a 9 partir da díade, o novo enfoque de redes e consideração dos mais variados atores no relacionamento é ausente no contexto brasileiro, não havendo estudos que observem os efeitos de um relacionamento sobre os demais na rede. A partir de tais constatações, espera-se que pesquisadores da área de relacionamentos de negócios explorem novas perspectivas e metodologias, ampliando o escopo e a abrangência das análises. Os temas aqui discutidos são prova de que a área de marketing de relacionamento é rica em temas e abordagens e de que a pesquisa nacional e internacional pode dispor de uma miríade de construtos, métodos e técnicas para o desenvolvimento da área. Além destas, outras questões metodológicas relativas a efeitos de indústria e estudos longitudinais que ficaram de fora desta discussão, também merecem interesse dos pesquisadores da área. REFERÊNCIAS 1.ALMEIDA, Nuno Miguel C.; COELHO, Arnaldo, COELHO, Filipe. 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