UIVERSIDADE DOS AÇORES Joviano Hério Medina Silva DESEMPEHO E ITELIGÊCIA EMOCIOAL EM COTEXTO POLICIAL Construção e Validação da Escala de Conceção de Desempenho Profissional para Polícias Dissertação de Mestrado em Psicologia da Educação Ramo de especialidade em Contextos Educativos Realizada sob orientação científica da Professora Doutora Célia Barreto Carvalho Ponta Delgada, 2013 UNIVERSIDADE DOS AÇORES DEPARTAMENTO CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO Joviano Hério Medina Silva DESEMPEHO E ITELIGÊCIA EMOCIOAL EM COTEXTO POLICIAL Construção e Validação da Escala de Conceção de Desempenho Profissional para Polícias Dissertação apresentada na Universidade dos Açores, para a obtenção de grau de Mestre em Psicologia da Educação, ramo de especialidade em contextos educativos, realizada sob orientação científica da Professora Doutora Célia Barreto Carvalho. Ponta Delgada, 2013 Resumo A inteligência emocional é uma temática que tem vindo a ser pesquisada desde 1990, embora a investigação científica ainda apresente muitas críticas quanto a sua existência, visto levantar-se a questão de saber se a inteligência emocional é realmente um novo construto ou será um novo nome para traços já estudados nas teorias da personalidade. Diversos investigadores referem que a inteligência emocional influencia o desempenho profissional, no entanto, são escassas as pesquisas que suportem essa afirmação. Serão assim, necessárias pesquisas de validade para uma melhor compreensão desse construto. Partindo dessa questão, os objetivos deste estudo foram investigar os níveis de inteligência emocional dos polícias, compreender se a inteligência emocional influi no desempenho profissional e perceber se a inteligência emocional nos polícias apresenta características semelhantes à população em geral. Este estudo procura também ser um quadro inicial de referência para subsequentes investigações sobre a Inteligência Emocional e Desempenho Profissional na Polícia de Segurança Pública. Para a caracterização do presente estudo foi necessário proceder-se à validação da Escala de Conceção de Desempenho Profissional dos Polícias (ECDP-P). Os resultados apontam para que exista uma correlação significativa entre a inteligência emocional e o desempenho profissional. Indicam também que os polícias têm níveis elevados de inteligência emocional, os quais quando comparados com indivíduos da população em geral revelam estar ao mesmo nível. Palavras-chave: policias; inteligência emocional; conceção de desempenho profissional 1 Abstract Emotional intelligence is a theme that has been researched since 1990, although scientific research still presents many criticism regarding its existence, which raises the question, if emotional intelligence really is a new construct or is it a new name for traces already studied in personality theories. Many researchers refer that emotional intelligence has influence professional performance, however, the amount of research that support that statement are scarce. There will then be, vigorous necessary research to validate a better understanding of this construct. Parting from this question, the objetives of this study were to investigate the levels of emotional intelligence of policemen, comprehend if emotional intelligence has an impact on professional performance and understand if emotional intelligence of policemen show characteristics similar to the general population. This study also looks to be an initiative reference to following investigations on emotional intelligence and professional performance in the Polícia de Segurança Pública. For the characterization of this current study, it was necessary to proceed to the validation of The Scale of Conception of Professional Policemen Performance (ECDPP). The results point that there is a significant correlation between emotional intelligence and professional performance. They also point, that policemen have high levels of emotional intelligence, which when compared with individuals of the general population, show the same level. Keywords: police; emotional intelligence; design professional performance 2 Agradecimentos A realização deste trabalho foi possível graças ao contributo de um vasto conjunto de pessoas que, direta ou indiretamente, colaboraram para a sua materialização e ajudaram a ultrapassar as dificuldades surgidas. Desta forma, quero manifestar a minha consideração: Em primeiro lugar à Professora Doutora Célia Barreto Carvalho, pela sua disponibilidade para orientar este trabalho. Os seus ensinamentos foram imprescindíveis para a concretização desta Dissertação e um contributo enriquecedor para a minha formação pessoal e profissional. A todos os profissionais que aceitaram colaborar neste trabalho respondendo aos questionários que serviram como base para a nossa investigação. À Polícia de Segurança Pública e ao Comando Regional dos Açores, principalmente às pessoas que contribuíram diretamente, as quais proporcionaram a concretização de mais um objetivo pessoal e profissional. A todos os meus colegas de mestrado, queria deixar uma palavra de apreço, não só pelos conselhos dados mas também pelas alegrias, dificuldades e amizade transmitida durante o percurso. Por último, a todos os meus amigos e família que me ajudaram a cumprir mais esta etapa, sendo uma fonte de inspiração para encontrar um aperfeiçoamento constante e desenvolver as mais diversas habilidades para o sucesso em qualquer que seja o segmento da minha vida. 3 Aos amores da minha vida… 4 Lista de Abreviaturas BFM – Bateria de Funções Mentais para Motorista ECDP – P – Escala de Conceção de Desempenho Profissional dos Polícias EIE – Escala de Inteligência Emocional EJI – Inventário de Julgamento Emocional EQ-i- Inventário de Quociente Emocional IE – Inteligência Emocional JSS – Questionário de Satisfação no Trabalho MSCEIT – Teste de Inteligência Emocional de Mayer, Salovey e Caruso PF – Fatores de Personalidade PMK – Teste Psicodiagnóstico Miocinético PSP – Polícia de Segurança Pública QE – Quociente Emocional QI – Quociente de Inteligência SF – Satisfação Profissional 5 Índice Geral Resumo 1 Abstract 2 Agradecimentos 3 Lista de Abreviaturas 5 Índice Geral 6 Índice de Quadros 9 Introdução 10 Capítulo I – Enquadramento Teórico 13 1.1 – Satisfação Profissional 14 1.1.1 – Agentes influenciadores na Satisfação Profissional 15 1.1.2 – Efeitos da Satisfação Profissional 18 1.2 – Desempenho 19 1.2.1 – Avaliação do Desempenho na Polícia de Segurança Pública 25 1.2.2 – Relação da Inteligência Emocional com o Desempenho 28 1.3 – Inteligência 32 1.4 – Emoção 37 1.5 – Inteligência Emocional 44 1.5.1 – Modelos de Inteligência Emocional 50 1.5.1.1 – Modelo de Inteligência Emocional de Mayer, Salovey e Caruso 50 1.5.1.2 – Modelo de Inteligência Emocional de Goleman 54 1.5.1.3 – Modelo de Inteligência Emocional de Bar-on 56 1.6 – Polícia de Segurança Pública 58 1.6.1 – História 58 1.6.2 – Estrutura, Missão e Objetivos 61 1.6.2 – Policiamento 64 1.6.2 – Atribuições exclusivas da PSP 67 1.6.3 – Recursos Humanos 68 Capítulo II – Construção e Validação da Escala de Conceção de Desempenho 69 Profissional para Polícias 2.1 – Construção do Instrumento de Medida 70 2.2 – Pré-teste 71 6 2.3 – Características Metrológicas dos Resultados 72 2.4 – Metodologia 73 2.4.1 – Caracterização da Amostra 73 2.4.2 – Procedimentos de Investigação 75 2.4.3 – Procedimentos Estatísticos 76 2.5 – Validação da Escala de Conceção de Desempenho Profissional para Polícias 77 (ECDP – P) 2.5.1 – Estudo da Sensibilidade da Escala e respetivos Itens 77 2.5.1.1 – Validade dos Itens 77 2.5.2 – Fidelidade da Escala e Itens 78 2.5.3 – Validade do Construto 78 Capítulo III – Conceção de Desempenho Profissional e Inteligência Emocional em 85 Contexto Policial 3.1 – Introdução 86 3.2 – Objetivos do Estudo 86 3.2.1 – Questão de Investigação 86 3.2.2 – Hipóteses de Estudo 87 3.3 – Enquadramento Metodológico 87 3.3.1 – Tipo de Estudo 87 3.3.2 – Caracterização da Amostra 88 3.4 – Instrumentos de Pesquisa 90 3.5 – Procedimento de Investigação 92 3.6 – Procedimentos Estatísticos 93 3.7 – Resultados 94 3.7.1 – Caracterização das Conceções de Desempenho Profissional na População 94 Estudada 3.7.2 – Caracterização das Conceções de Desempenho Profissional em função das 94 variáveis sociodemográficas 3.7.2.1 - Idade 95 3.7.2.2 - Habilitações 96 3.7.2.3 – Anos de Serviço 98 3.7.3 – Caracterização da Inteligência Emocional em função das variáveis 100 sociodemográficas 7 3.7.3.1 - Idade 100 3.7.3.2 – Habilitações literárias 101 3.7.3.3 – Anos de Serviço 102 3.7.4 – Correlação entre a Satisfação Profissional e a Conceção de Desempenho 103 Profissional 3.7.5 – Correlação entre a Inteligência Emocional e a Conceção de Desempenho 104 Profissional 3.7.6 – Comparação entre a Inteligência Emocional dos Agentes da PSP e a 105 observada na População em Geral 3.8 Discussão dos Resultados 106 Conclusão 114 Considerações Finais 116 Referências Bibliográficas 118 Anexos 124 Anexo 1 – Autorização para a realização do estudo 125 Anexo 2 – Versão inicial da Escala de Conceção de Desempenho Profissional nos 126 Polícias Anexo 3 – Estatística Descritiva para os vários itens 129 Anexo 4 – Correlações entre o total da escala e os itens 131 Anexo 5 – Análise da consistência interna da escala – Alpha de Cronbach 133 Anexo 6 – Matriz de componentes extraídas a partir da análise de componentes 135 principais seguidas de rotação varimax Anexo 7 – Análise de componentes principais (Rotação varimax, solução forçada a 137 11 componentes Anexo 8 – Versão final da Escala de Conceção de Desempenho Profissional nos 139 Polícias (ECDP-P) Anexo 9 – Pedido de autorização para a concretização de Tese de Mestrado 143 Anexo 10 – Escala de Inteligência Emocional 145 Anexo 11 – Escala de Satisfação no Trabalho 148 Anexo 12 – Consentimento Informado 150 Anexo 13 – Médias e desvio padrão da frequência dos itens da ECDP - P 151 8 Índice de Quadros Quadro 1: Definição dos itens de avaliação de todo o pessoal da PSP 26 Quadro 2: Inteligências Múltiplas de Gardner 35 Quadro 3: Áreas e subáreas do Modelo de Inteligência Emocional de Mayer, Salovey e 52 Caruso Quadro 4: Áreas e subáreas do Modelo de Inteligência Emocional de Bar-on 57 Quadro 5: Modelo Integrado de Prevenção e Intervenção Policial em áreas problemáticas 66 Quadro 6: Caracterização da Amostra 74 Quadro 7: Teste de KMO e Bartlett 79 Quadro 8: Fator 1 – Capacidade de Chefia, Liderança e Organização 81 Quadro 9: Fator 2 – Capacidade de Adaptação e Integração 81 Quadro 10: Fator 3 – Autodomínio e Relacionamento 82 Quadro 11: Fator 4 – Disponibilidade e Capacidade de Julgamento 82 Quadro 12: Fator 5 – Conhecimentos Profissionais Aplicados 83 Quadro 13: Fator 6 – Eficácia 83 Quadro 14: Fator 7 – Satisfação Profissional 83 Quadro 15: Fator 8 – Capacidade de Organização e Comunicação 84 Quadro 16: Caracterização da Amostra 89 Quadro 17: Média da Conceção do Desempenho Profissional em relação à idade 96 Quadro 18: Média da Conceção do Desempenho Profissional em relação às habilitações 98 Quadro 19: Média da Conceção do Desempenho Profissional aos anos de serviço 99 Quadro 20: Média da Inteligência Emocional em relação à idade 101 Quadro 21: Média da Inteligência Emocional em relação às habilitações 102 Quadro 22: Média da Inteligência Emocional em relação aos anos de serviço 103 Quadro 23: Correlação da Satisfação Profissional com a Conceção do Desempenho 104 Profissional Quadro 24: Correlação da Inteligência Emocional com a Conceção do Desempenho 105 Profissional Quadro 25 - Média da Inteligência Emocional em relação aos Agentes da PSP e à 106 População em geral 9 Introdução O tempo e o interesse que desejávamos dedicar a esta investigação implicava que o tema nos suscitasse particular interesse, tal como é reconhecido por quem compreende a exigência, o empenho e rigor pessoal que uma investigação deste tipo confere. A temática da inteligência emocional relacionada com o desempenho motivounos desde logo pela sua estreita ligação com a eficiência organizacional, empiricamente comprovada em vários contextos organizacionais. Para além da motivação inicial surgiu também a vontade de efetuar um estudo sobre a inteligência emocional (IE) e o desempenho num contexto policial, por constituir para nós um verdadeiro desafio, até porque o estudo do conceito de IE por si só e muito mais pela ligação que terá com o desempenho na Polícia de Segurança Pública (PSP), apresenta uma forte necessidade de investigação. Outro motivo que nos levou a seguir por esta temática foi o facto de ser um elemento pertencente à instituição e possuir um desejo enorme de poder contribuir para um amplo conhecimento e desenvolvimento da PSP com aquilo que os resultados deste estudo podem trazer. A acalentar ainda esta nossa pretensão veio o facto de nada ter sido desenvolvido nesta temática no seio da instituição, motivo este que não nos desencorajou, mas sim, nos estimulou por um espírito de curiosidade, que nunca se sustentou em simplismos e certezas pré-determinadas. Nos últimos anos as sociedades sofreram enormes mudanças, assim como o tipo de criminalidade que lhes está associada, o que vem exigir às Forças de Segurança novas competências. A atividade profissional dos elementos da PSP leva a um contato constante com novas realidades culturais e morais. As mais diversas situações de conflito e até de complexidade e violência que certos crimes exigem hoje, levam que estes profissionais possuam um elevado controlo emocional. Deste modo, consideramos ser de extrema importância que o elemento policial possua grandes competências emocionais e sociais, que o auxiliem a atuar com assertividade nos diversos contextos sociais, que definem a sua profissão, percebendo e respeitando as diferenças sociais, morais e culturais (ainda que envolvido em grandes pressões ambientais), não permitindo que existam influências internas ou externas na tomada de decisão, que desta forma, deverá ser justa e consciente. 10 A atividade policial desenvolve-se hoje num plano de muitas vivências, onde os agentes interagem com diferentes pessoas, de distintas origens, das mais variadas raças e crenças, numa realidade pluricultural. Reconhecemos que nos dias de hoje seja natural e desejável que as pessoas exijam maior eficácia e eficiência às Forças de Segurança. A qualidade deve ser um aspeto indissociável e um objetivo para qualquer organização que deseje ser credível e socialmente útil. Os serviços prestados por todos os organismos públicos onde se enquadra a PSP só são explicados se estiverem ligados à satisfação das necessidades coletivas. Pensamos que em grande parte das situações com as quais as forças de segurança se deparam, há uma enorme carga emocional. Qualquer situação onde os elementos policiais sejam intervenientes, seja ela uma situação de crime ou de manutenção da ordem pública em geral, vão percecionar um vasto leque de emoções. No que respeita ao desempenho, alguns dos estudos até hoje desenvolvidos sobre esta temática, a nível internacional, não estabelecem de forma concludente e quantificada qual a importância do desempenho na atividade policial, mas à semelhança dos estudos desenvolvidos noutras organizações tudo se inclina para que exista uma relação significativa. Não estão também definitivamente aceites quais as competências mais relevantes para o desempenho policial, aos vários níveis da organização (Nascimento, 2006). No entanto existe a convicção fruto da experiência da comunidade policial, que alguns comportamentos e atributos favorecem na realização das atividades diárias do serviço policial. Pensamos assim, que a inteligência emocional poderá influenciar no desempenho e eficácia policial. Propomo-nos deste modo desenvolver um trabalho que visa explorar os índices de inteligência emocional dos elementos policiais, assim como compreender os níveis de conceção que os elementos policiais têm no que diz respeito ao seu desempenho em termos organizacionais e assim aferir a relação (caso se verifique) entre os mesmos. Este trabalho é composto por duas partes distintas. Numa primeira foi realizado o enquadramento teórico que resultou da pesquisa bibliográfica efetuada sobre a inteligência emocional e o desempenho. A segunda parte visa o enquadramento metodológico da investigação e encontra-se separada em dois capítulos distintos. Num primeiro capítulo foi efetuada a validação da Escala de Conceção de Desempenho Profissional dos Polícias (ECDP-P). No segundo capítulo, procedeu-se ao estudo 11 propriamente dito, com a definição da questão de investigação, objetivos gerais do estudo, hipóteses de estudo, tipo de estudo (abordagem metodológica e modelo de análise), caracterização da amostra/população, instrumentos de recolha de dados, procedimentos de investigação e estatísticos, resultados e discussão. Pretende-se caracterizar a conceção de desempenho profissional dos polícias, assim como a inteligência emocional que os mesmos possuem. Ambiciona-se também comparar os níveis de inteligência emocional dos polícias com aqueles que existem na população em geral. Aspiramos assim, retirar resultados fidedignos sobre as temáticas a tratar até porque este estudo é inovador no que diz respeito à instituição PSP. 12 Capitulo I Enquadramento Teórico 13 1.1 - Satisfação Profissional A satisfação profissional (SP) é considerada como uma resposta afetuosa de cada pessoa a vários níveis laborais (Gazzawi, 2008). Ainda hoje é um conceito que não tem um conceção absoluta, uma vez que um individuo poderá estar relativamente feliz com determinados aspetos do seu trabalho e infeliz com outros. O tema da satisfação e insatisfação no trabalho tem vindo a ter de cada vez mais importância no seio das organizações, angariando, assim, um número progressivo de investigadores na área. Segundo Kinicki e Kreitner (2006), desde do início dos anos 90, surgiram mais de 12000 estudos no âmbito deste tema, sendo que, atualmente, os líderes das organizações e investigadores desta temática têm defendido que o efeito gerado pela satisfação profissional é de grande relevo na obtenção de condutas positivas no seio das organizações, contribuindo para estados de alegria dos trabalhadores. Para muitos, a SP está intimamente ligada com o desempenho, considerando-se mesmo que os funcionários mais felizes são aqueles que obtêm um melhor desempenho (George & Jones, 2004). Numa sociedade, as pessoas trabalham por diversos motivos, à cabeça destas razões estará, certamente, a necessidade económica, no entanto, para muitas dessas pessoas, esse não será o único motivo para ter que trabalhar diariamente (George & Jones, 2004). Assim, compreender o motivo pelo qual uns gostam do seu trabalho e outros não, será um tema complexo, pelo que será necessário perceber, de facto, o conceito de satisfação profissional. A noção de satisfação profissional e os elementos que a compõem são aspetos que não têm a mesma aceitação por parte de alguns dos seus estudiosos. Na verdade, existem diferentes formas de encarar o conceito de satisfação profissional. Para Spector (1997) a satisfação laboral é um estado afetivo positivo proveniente da análise do trabalho ou das experiencias a ele ligadas. O autor refere que essa análise encara os seguintes elementos: a) aquilo que o empregado experiencia a nível laboral; e b) a aspiração que o funcionário tem por compensações que provêm do seu emprego. Para este autor, é na correlação positiva entre estes dois elementos que se denota uma satisfação profissional em elevado grau. Spector (1997) menciona que a SP pode também ser entendida como a diferença entre a recompensa realmente auferida e aquela que o funcionário crê que deveria 14 receber. Assim a SP deverá ser compreendida como um atitude e não como um comportamento, pois uma pessoa com um elevado número de atitudes positivas face ao emprego terá certamente um elevado nível de satisfação profissional, contudo, quem se dirigir por atitudes negativas face ao trabalho terá um caminho inverso em relação à satisfação profissional. Em muitas ocasiões, essas atitudes poderão ser avaliadas para que possamos antever determinados comportamentos, como é o caso, por exemplo, do absentismo ou do desempenho (Spector, 1997). A satisfação no trabalho diz respeito à análise frequente que cada pessoa faz no que diz respeito ao nível de realização das suas necessidades, preferências e expetativas profissionais. É, assim, a perceção que cada individuo tem em relação a aspetos do que recebe (desenvolvimento de uma carreira, reconhecimento profissional, autonomia no trabalho, tarefas estimulantes, segurança, sucesso, dinheiro e relações interpessoais) e que considera como justo e de acordo com aquilo que acreditava alcançar (por comparação com outras pessoas na mesma situação e em função dos investimentos realizados na organização a qual pertence) (Spector, 1997). Assim, a satisfação profissional não é nem mais nem menos do que a função da diferença entre as expetativas e os resultados, visto que uma pessoa somente estará satisfeita profissionalmente quando os seus resultados igualam ou superam as suas expetativas. Porém, este conceito de satisfação profissional acaba por ser pouco para aquilo que precisamos de perceber acerca da temática. É essencial ressalvar que o trabalho, para além das tarefas laborais, exige interação com colegas e supervisores, adesão a políticas e procedimentos organizacionais e aceitação das condições de trabalho, indo de encontro ao desempenho exigido nas organizações (Ghazzawi, 2008). Por este facto, avaliar a satisfação profissional não se mostra uma tarefa fácil. No entanto, estudar as diversas componentes da satisfação profissional (ambiente no trabalho, relacionamento com colegas e chefias, aspetos organizacionais, etc) pode ajudar a determinar quais os elementos do trabalho que produzem a satisfação/insatisfação laboral do indivíduo (Shahu & Gole, 2008). 1.1.1 - Agentes Influenciadores na Satisfação Profissional Spector (1997) refere que aspetos como o salário, desenvolvimento da carreira, oportunidades de promoção, benefícios, reconhecimento, condições de trabalho, 15 comunicação, relacionamento com colegas e supervisores e as políticas e procedimentos dentro da organização, são os elementos fundamentais para a análise da satisfação profissional. Já Kinicki e Kreitner (2006) reconhecem como motivos para a satisfação profissional, o reconhecimento, a igualdade com os demais elementos da organização e os elementos genéticos. Da consideração destes motivos, e segundo vários autores (e.g.: Ghazzawi, 2008; Sarmento, et al., 1999; Morrison, 2008; Seixo, 2007; Shahu & Gole, 2008; Farias, 2005; Frances, 1984; Franek & Vecera, 2008) emergem alguns condicionantes conectados à satisfação/insatisfação profissional: 1. Ambiente de trabalho – é um dos aspetos mais importantes quando se fala na satisfação profissional. O incentivo e a atenção com que o indivíduo executa as suas funções, a relação com os colegas, supervisores ou outros elementos externos, a forma como a organização se preocupa com os seus ativos, as políticas de gestão onde se inclui a formação, o aperfeiçoamento e criação de meios adequados para um desempenho eficaz, são agentes influenciadores sobre a satisfação profissional (Ghazzawi, 2008). 2. Valores intrínsecos e extrínsecos – Uma forte convicção laboral, de um trabalhador que através da sua atividade profissional adquire prazer, autonomamente ao nível da remuneração, é mais crível que leve a que este esteja mais satisfeito profissionalmente do que aquele outro trabalhador com fracos valores intrínsecos (os que dependem das características individuais da pessoa, tais como as atitudes). Por outro lado, um funcionário detentor de elevadas convicções extrínsecas (convicções situacionais que dependem do ambiente, como o clima de trabalho) terá certamente maior contentamento laboral, com uma tarefa bem retribuída, do que uma pessoa com diminuta convicção extrínseca (Ghazzawi, 2008). 3. Autonomia – A independência e liberdade consentida ou imposta nas tarefas diárias laborais, por parte da organização e das hierarquias aos seus profissionais, é uma forte condicionante na satisfação dos trabalhadores (Sarmento; Carvalho & Alves, 1999). 16 4. Relacionamento interpessoal com os colegas – Segundo Morrison (2008) os indivíduos que mantenham relações interpessoais de conflito com os colegas, mostram ter um grande descontentamento profissional, denotando também menor responsabilidade com as tarefas da organização. 5. Relacionamento com a chefia – Seixo (2007) refere que uma boa relação entre as hierarquias, onde exista uma estreita ligação entre os subordinados e as chefias, origina um grande nível de satisfação profissional. Já uma organização com uma relação deficiente aumentará o nível da insatisfação por parte dos funcionários. 6. Stresse e desempenho - No que diz respeito à relação existente entre o stresse, desempenho e satisfação profissional, um estudo de Shahu e Gole (2008), que envolvia 100 gestores de empresas, confirmou que elevados estados de stresse tem uma forte ligação com um fraco desempenho, enquanto uma grande satisfação profissional é sinónimo de um elevado nível de desempenho. 7. Progressão na carreira – Os agentes intrínsecos, como é o caso da melhoria profissional, e um local de trabalho ajustado às convicções singulares do funcionário, são elementos que influenciam mais a satisfação profissional do que os fatores extrínsecos (ordenado, formação permanente, etc.). Assim, aspetos como a evolução profissional e valorização do trabalho prestado, são elementos de elevado grau de importância quando se fala em satisfação profissional (Farias, 2005). 8. Vínculo contratual – A segurança laboral, cedida através de um contrato individual de trabalho por tempo incerto, revela, nos trabalhadores com este tipo de contrato, um maior nível de satisfação profissional (Frances, 1984). 9. Experiencia profissional – A consciência individual de eficiência por parte dos funcionários, estabelecida com base no desempenho, participação no grupo profissional e de outros valores intrínsecos, mais do que através do avanço na carreira, resulta numa maior satisfação. Os empregados com mais experiência demonstram possuir maior satisfação profissional (Farias, 2005). 17 10. Habilitações académicas – Franek e Vecera (2008) dizem que os indivíduos com maiores habilitações literárias possuem um menor nível de satisfação profissional, devendo-se este a elevadas expetativas em relação a valores extrínsecos (remuneração, prestigio, etc.) que, ao não serem alcançadas, provocam um elevado grau de frustração e, consequentemente, insatisfação profissional. 1.1.2 -Efeitos da Satisfação Profissional A satisfação profissional é vista como algo que pode originar determinados comportamentos por parte dos funcionários, influenciando, assim, o exercício da organização. Mas esta satisfação profissional também é entendida como um aspeto importante na relação existente entre o individuo e os valores intrínsecos, como a estima e equidade, geradores do equilíbrio emocional (Spector, 1997). Para Seixo (2007) os empregados felizes são, por norma, indivíduos que demonstram ter um maior nível de desempenho, empenho e uma maior identificação com a organização. A satisfação profissional traz consequências, não só ao próprio trabalhador, mas também aos respetivos colegas, supervisores e à organização no seu todo. George e Jones (2004) indicam como consequências da satisfação profissional o desempenho, absentismo, despedimento, comportamentos de cidadania organizacional e o bem-estar do funcionário. No que se refere ao desempenho, Seixo (2007) advoga que este está intimamente ligado com a satisfação profissional, pois indivíduos felizes com o seu trabalho demonstram ter níveis de desempenho superiores àqueles funcionários menos satisfeitos. Segundo o mesmo autor, também o desempenho profissional poderá contribuir para uma maior satisfação dos trabalhadores, caso estes sejam justamente recompensados pelo seu desempenho. Quanto ao absentismo, e à relação deste com a satisfação profissional, percebese que os funcionários satisfeitos são, por norma, menos propícios a faltarem ao emprego (Lawler & Porter, 2000). Assim, as organizações que pretendem diminuir o absentismo deverão ter em conta a satisfação profissional. 18 No que concerne ao despedimento, George e Jones (2004) referem que os funcionários que estejam com altos índices de satisfação profissional, dificilmente se sentirão atraídos a abdicar do seu emprego, enquanto a insatisfação poderá ser um motivo potenciador da demissão com origem no trabalhador. No que diz respeito aos comportamentos de cidadania organizacional (comportamento não exigido ao trabalhador por parte da organização), de que são exemplo o amparar os colegas de trabalho, defender a organização de adversidades (roubos ou vandalismos), aperfeiçoamento de competências e enaltecimento da organização para o exterior da mesma, estes poderão fazer com que o funcionário se sinta a um nível mais elevado de satisfação profissional, pois poderá sentir-se como um elemento integrante e valorizado dentro da organização (George & Jones, 2004). Por fim, segundo George e Jones (2004) o bem-estar do trabalhador equivale à felicidade, saúde e conforto dos funcionários. Esta situação está baseada no trabalhador ao inverso da organização. O mesmo autor refere que o funcionário, ao sentir-se insatisfeito na maior parte do tempo com o trabalho, verá afetada a sua felicidade geral e o seu bem-estar. No seguimento desta última afirmação, muitos investigadores sugerem que a satisfação laboral contribui para o bem-estar geral na vida do empregado (George & Jones (2004). Shahu e Gole (2008) afirmam, também, que os trabalhadores satisfeitos mostram estar mais integrados na organização e obtêm maior rendimento profissional. Deste modo, compreendemos que a satisfação profissional revela ser um elemento essencial no bem-estar do funcionário, influenciando-o no exercício das suas funções laborais, evidenciando a sua importância no aspeto do desempenho profissional. 1.2 - Desempenho Mauthner (2006) refere que a temática do desempenho das pessoas no seio das organizações vem sendo estudada, em larga escala, por diversos autores (Schmidt & Hunter, 1992; Schmidt & Hunter, 1996, Welbourne et al., 1998). A mensuração do desempenho tem vindo, progressivamente, a ter uma maior relevância nas decisões organizacionais relacionadas com a gestão dos recursos humanos, no entanto, a dificuldade de medir este conceito tem se mostrado de grande dificuldade para os investigadores (Mauthner, 2006). 19 O desempenho “significa ação, atuação, comportamento”, sendo entendido através da eficiência e da eficácia empregues. Um desempenho eficiente é “produto do grau de adequação e qualidade com que uma pessoa realiza determinada atividade ou tarefa”. A eficácia do desempenho relaciona-se “ao fato de as pessoas fazerem o que tem que ser feito, apresentando, consequentemente, o resultado esperado” (Bergamini & Beraldo, 1988, p. 36 in Rosa, 2006). Pritchard (1991) o desempenho é a medida na qual podemos perceber a forma como o indivíduo cumpre bem a sua função, normalmente avaliada pela forma como o indivíduo correspondeu às expectativas da organização (Mauthner, 2006). Já para Murphy e Cleveland (1995) indicam que o desempenho está relacionado com algo observável que as pessoas fazem concretamente, na realidade, sendo que essas ações ocorrem no decorrer de uma determinada função (Mauthner, 2006). Motowidlo e colaboradores (1997) sustentam que o desempenho é a forma como o indivíduo contribui para que a organização em que está inserido atinja os seus objetivos (Mauthner, 2006). Rosa (2006) refere que o desempenho profissional é consequência da capacidade para executar determinada tarefa laboral, a qual, para a sua realização, terá de ser envolvido um determinado esforço na procura de um resultado desejado, sendo que esse esforço, para ser considerado produtivo e eficaz, tem de ser canalizado para aquilo que é esperado. Segundo Mauthner (2006) o que dificulta a definição do desempenho é este ser constituído por um grande número de comportamentos diversificados. A temática da avaliação do desempenho já não é recente na sociedade. Já no séc. IV, Santo Agostinho fazia uso de diversos relatórios para perceber o potencial dos seus jesuítas. Mas foi depois da Segunda Guerra Mundial que os métodos de avaliação do desempenho conheceram uma maior evolução, sendo que, por esta altura, começou a ser dada grande importância a aspetos como: o que ocasiona uma pessoa ser mais produtiva que outra, qual seria o ambiente mais adequado para obter um melhor desempenho e como conhecer e avaliar o potencial do indivíduo (Chiavenato, 2001). A questão do desempenho e a sua integração no seio das organizações tem sido, no atual quadro socioeconómico, cada vez mais tido em conta, sendo este usado para melhorar a eficácia das organizações, colaborando num aumento do crescimento sustentado e com resultados elevados, de forma a gerar emprego e qualidade de vida, 20 beneficiando toda a população do país e não apenas os empregados das respetivas organizações (Caeiro, 1994). Neste âmbito, os métodos de avaliação do desempenho têm ocupado um papel de relevo na gestão de recursos humanos. Se, por um lado, estes métodos auxiliam no processo de seleção e recrutamento das organizações, por outro, possibilitam calcular o contributo individual e/ou de uma equipa no intuito de serem alcançados os objetivos da organização (Caeiro, 1994). Servirão, também, para reconhecer as necessidades de formação por parte dos funcionários, assim como para identificar o potencial dos empregados (Peretti, 2001). A avaliação do desempenho é um juízo constante do desempenho e do potencial desempenho de um indivíduo que ocupa uma determinada função dentro de uma organização (Almeida, 1996). É um sistema dinâmico, que analisa toda a ação de um determinado indivíduo no desempenho do seu cargo, o qual alberga o avaliado e o seu superior tendo, como meta principal, aperfeiçoar a qualidade do trabalho e da atividade da organização e detetar e resolver determinadas dificuldade de desempenho (Chiavenato, 2001). Segundo Tachizawa e Scaico (1997) a avaliação do desempenho tem como objetivos principais: estimular o desenvolvimento pessoal de cada indivíduo, melhorar os relacionamentos interpessoais entre colegas e entre subordinados e superiores, promover uma maior adaptação ao cargo por parte do funcionário, analisar o potencial da pessoa, ampliar a produtividade e solucionar problemas inerentes às relações no seio da empresa ou até mesmo relacionados com a atividade da organização (Nascimento (2006). Autores como Cunha (1992), Almeida (1996) e Caetano (1996) referem que, num processo de avaliação de desempenho nas organizações, poderão ser diversos os intervenientes nesse mesmo processo, a saber: as chefias diretas, os órgãos de avaliação, avaliação a 360º e os trabalhadores. Almeida (1996) refere que o método de avaliação pelas chefias diretas é o mais utilizado, sendo efetivado pelo superior hierárquico. Nesta avaliação de desempenho é feita uma apreciação individual ao desempenho do funcionário, tendo em conta a contribuição por ele dada para os resultados anteriormente estipulados. É um tipo de avaliação que, feita de forma isolada, trará certamente alguma subjetividade, visto ser 21 uma avaliação que está sujeita apenas à opinião de uma única pessoa, o superior hierárquico. A avaliação de desempenho pelos órgãos de avaliação é um método avaliativo onde esta função está a cargo de um grupo de membros da organização que, para além da chefia direta, também é constituído pela chefia imediatamente a seguir, membros do departamento de recursos humanos e por outras chefias ou pares. É um tipo de avaliação de desempenho utilizado, por norma, em meio de recurso, ou seja, quando os avaliados não estão satisfeitos com a avaliação que lhes foi atribuída e recorrem dessa mesma avaliação (Cunha, 1992). No que diz respeito à avaliação a 360º, todos os membros assumem um papel de avaliadores e avaliados, de forma anónima e sem interação entre eles. Cada funcionário é avaliado por todos os indivíduos que têm uma relação profissional com o mesmo, sejam eles chefes, colegas ou clientes. A avaliação final é tratada e analisado por um grupo de especialistas que executam um relatório final numa fase subsequente. Este relatório, por vezes, é feito por consultores externos à organização, de forma a obter um maior grau de objetividade na avaliação de desempenho efetuada. É uma avaliação que permite aos subordinados avaliarem as suas chefias e fornece uma maior credibilidade ao método de avaliação (Caetano, 1996). Refere Caetano (1996) que a avaliação efetuada pelos trabalhadores (autoavaliação) é um método onde o funcionário faz parte integrante do seu processo de avaliação, sendo-lhe permitido dar o seu parecer sobre o próprio desempenho. A autoavaliação torna os avaliados elementos ativos no seu processo, transmitindo uma perceção deles mesmos de modo a contribuir para o processo de avaliação final. Pelo facto do avaliado conhecer melhor que ninguém a sua própria energia, debilidades, aptidões, necessidades e objetivos, colocando nele próprio o comprometimento para designar objetivos de desempenho e estimar os seus aperfeiçoamentos, este tipo de avaliação estimula o crescimento dos subordinados, envolvendo o avaliado na prossecução dos planos e objectivos acordados entre este e o avaliador e proporcionando uma maior satisfação aos seus intervenientes. Esta abordagem pode colmatar deficiências e o descontentamento dos avaliados resultantes dos sistemas de avaliação que incluem uma única fonte, mostrando-se ser de grande importância nas organizações, pois permite uma reflexão auto crítica. A não adesão por certas 22 organizações à autoavaliação prende-se com o fato de esta colocar em causa as normas tradicionais da relação chefe/subordinado, encontradas em organizações rígidas. Nesta abordagem de avaliação do desempenho (autoavaliação) é possibilitado aos avaliados dar a conhecer a sua conceção sobre a forma como acreditam que as suas ações influem na obtenção dos objetivos da organização. Importa assim clarificar o que se entende por conceções. Verifica-se que têm sido numerosos e distintos os termos que se referem ao universo do pensamento dos indivíduos e à forma como esses concebem o seu mundo profissional. Existem imensos termos na literatura (Abreu, 1996; Agostinho, 1993; Calderhead, 1988; Canavarro, 1997; Clark & Peterson, 1986, 1990; Clandinin & Connelly, 1988; Januário, 1996; Jiménez, 1988; García, 1987; Marland, 1995; Marrero, 1993; Munby, 1988; Pajares, 1992; Praia & Cachapuz, 1994, 1998; Santiago, 1996; Teixeira, 2001; Villar Angulo, 1988, 1988a; Young, 1985; Zabalza, 1994, etc.) que se referem à forma como os indivíduos percecionam a sua dinâmica laboral, os quais: esquemas, cenários, imagens, perspetivas, juízos, opiniões, ideias, sistemas conceptuais, teorias de ação, crenças, conceções, representações, perceções, proposições, formas de pensar, epistemologias, ideologias, valores, interpretações, conceitos, modelos, crenças epistemológicas, metacognições, referências cognitivas, significados, pensamentos, paradigmas pessoais, conhecimento prático, conhecimento profissional, hipóteses, construtos pessoais (…) (Figueira, 2001). De acordo com Ethell e McMeniman (2000) essa diversidade de termos pode, em muitas ocasiões, ser identificada dentro de um mesmo texto. Para além disso, os termos são utilizados como sinónimos em determinados trabalhos, o que acaba por dificultar a comparação e compreensão de pesquisas das áreas educacional e psicológica. No entanto, a terminologia utilizada nas pesquisas sobre as conceções da avaliação acabam por chegar a um mesmo resultado: informar a forma como os indivíduos percebem, avaliam e agem, existindo consenso entre um grande número de autores que realizam investigação acerca das conceções de que as diferenças terminológicas supra referenciadas são mais semânticas do que substanciais (Matos et al., 2012) “As conceções constituem um conjunto de opiniões ou de pontos de vista sobre uma realidade, situam-se na interface entre o pensamento e a ação e resultam de uma construção pessoal com base em representações, ideologias e teorias” (Alves, 2004, p. 23 44 in Clérigo, 2008). As conceções são, assim, “um certo número de ideias, e de formas de racionalizar ou de se comportar” (…) que estabelecem “ uma estrutura de compreensão da realidade bem determinada, tendo um modo de funcionamento e uma coerência próprias” (Alves, 2004, p. 44 in Clérigo, 2008). Praia e Cachapuz (1994) conferem às conceções um papel de mediador, referindo que essas atuam como filtros dos quais a informação é analisada e processada, sendo importantes na forma como se planifica e se controla a ação. Pelo que foi exposto, podemos afirmar que a conceção poderá ser compreendida como a forma com que o indivíduo organiza e avalia a informação que recebe através dos sentidos. Cada pessoa compreende uma determinada situação de acordo com a sua história e modo de ver as coisas. Indivíduos diferentes podem interpretar a mesma situação de forma diferente, daí, reagirem de modo desigual também. Assim, as conceções que uma pessoa tem acerca de um determinado assunto, irão influenciar a sua atitude face a esse mesmo assunto (Santos, 2008). Refere Filho (2010) que para cada tipo de interação existe um tipo correspondente de conceção. As conceções surgem através de dois processos: individual – como resultado da elaboração sobre a própria experiencia; e social – resultado da comparação das nossas elaborações com as dos outros indivíduos. Assim, as conceções são vistas como uma forma de conhecimento que é constituída através das relações interindividuais e das relações sociais (Clérigo, 2008). Segundo Ponte (1992), inserir elementos sociais no processo de construção do conhecimento vem salientar a ideia de que existe uma relação interativa entre as conceções e as práticas. As conceções influem as práticas, no sentido em que levam a determinados caminhos e apoiam decisões. Por seu turno, as práticas, reguladas por uma abundância de fatores, acarretam facilmente à criação de conceções que com elas sejam conciliáveis e que possam servir para as delimitar conceitualmente. Assim, as conceções são entendidas como as estruturas de base das interpretações das pessoas, que influem no seu pensamento e nas suas ações. Alves (2004) menciona que as conceções individuais demonstram ter uma grande capacidade de influência no desempenho das atividades, permitindo, assim, em certa medida compreender e explicar essas mesmas atividades. Logo, torna-se exequível avaliar a conceção que cada elemento policial tem acerca dos seus conhecimentos, capacidades, competências, comportamentos e técnicas 24 que sustentam o desempenho profissional dos polícias. Como se sabe, as pessoas mobilizam os seus recursos em função da representação que têm sobre si mesmas e do modo como se autoavaliam. Essa conceção de si, tem sido tomada em conta no que diz respeito ao desempenho profissional, onde as conceções representam avaliações das pessoas quer seja do seu “mundo” interior, quer do “mundo” exterior, em que, “essas avaliações são feitas em função de pontos de referência que lhes foram ensinados ou apreendidos e que, por acreditarem serem verdadeiros, são interiorizados, transformando-os em convicções” (Graveto, 2005, p. 206 in Oliveira, 2010). O profissional de polícia deverá questionar-se sobre a representação que tem de si, sobre os seus receios, crenças, hábitos, comportamentos, etc., visto que, ser um funcionário digno envolve a articulação conjunta de um conhecimento de si, dos outros e do mundo que o rodeia. É esse conhecimento que permitirá um adequado nível de confiança e um agir com qualidade, o qual exige a capacidade de análise (e possível correção) do comportamento profissional do próprio agente, por forma a obter um melhor e apropriado desempenho profissional. Em suma, a avaliação do desempenho é considerada um dos métodos mais objetivos e sólidos para perceber a validade do processo seletivo de funcionários. Na seleção dos recursos humanos poderá estimar-se o desempenho futuro daquele funcionário naquela organização. O processo de avaliação de desempenho poderá indicar-nos a validade dos procedimentos seletivos, ou seja, se a estimativa de desempenho para um determinado individuo, no processo de seleção, se coaduna com os resultados do desempenho que realmente obteve (Chiavenato, 2001). Segundo Bergamini e Beraldo (1988) o desempenho dos indivíduos está intimamente ligado à diversidade própria de cada um, tendo em conta as diferenças ao nível da personalidade, das características físicas inatas e adquiridas, dos fatores socioculturais e dos fatores psicológicos como é o caso dos aspetos cognitivos, emocionais e motivacionais (Nascimento, 2006). 1.2.1 - Avaliação do Desempenho na Polícia de Segurança Pública O sistema de avaliação de serviço do pessoal com funções policiais encontra-se regulamentado na Portaria n.º 939/2003 (2ª Série), de 22 de julho de 2003. Este sistema 25 de avaliação abrange todos os elementos policiais que estejam em efetividade de serviço. Tem como princípios gerais a garantia de um “efetivo reconhecimento pessoal e individual, nomeadamente da continuidade e obrigatoriedade da avaliação, da subordinação a juízos de valor precisos e objetivos, da periodicidade e da obrigatoriedade de comunicação ao avaliado” (Artigo 2º do Regulamento de Avaliação da PSP). A avaliação é efetivada pelos superiores hierárquicos imediatos e de segundo nível, denominados por primeiro e segundo avaliadores, que no desenvolvimento do período a que alude a classificação, que é anual, reúnam no mínimo seis meses de contacto funcional com o avaliado. Os fatores de avaliação considerados para avaliar o desempenho do pessoal policial são os que constam do Quadro 1. Quadro 1 – Definição dos itens de avaliação de todo o pessoal da PSP. Descrição dos itens Sentido de responsabilidade e disciplina Apresentação pessoal e preocupação com a imagem da PSP Iniciativa e eficácia Determinação Autodomínio Dedicação e empenhamento na função Capacidade de adaptação Conhecimentos profissionais aplicados Cooperação e relacionamento humano Capacidade de julgamento Capacidade de comunicação Qualidade do trabalho desenvolvido Capacidade de organização * Capacidade de chefia e liderança * * Estas aptidões são apenas aplicáveis ao pessoal que desempenhe funções de comando ou chefia. Fonte: Adaptado da ficha de avaliação da PSP (2003). 26 O sistema de avaliação da PSP visa, principalmente, os seguintes objetivos (Artigo 3º do Regulamento de Avaliação da PSP): a) avaliação profissional do avaliado, tendo em atenção os conhecimentos e qualidades de que fez prova no exercício das suas funções; b) incentivar o aperfeiçoamento e desenvolvimento do avaliado, de forma a aumentar os seus níveis de eficácia e qualidade; c) promover uma correta gestão do pessoal, baseada em critérios de justiça e oportunidade; d) contribuir para o diagnóstico das disponibilidades dos recursos humanos; e) contribuir para o levantamento das necessidades de formação profissional e sua atualização; f) contribuir para o aperfeiçoamento dos critérios a observar nos processos de recrutamento e seleção de pessoal; g) potenciar a importância do desempenho individual no desenvolvimento da carreira. Para efeitos de classificação, cada fator é suscetível de ser graduado em cinco níveis pontuados em 2, 4, 6, 8 e 10, sem detrimento do uso dos respetivos valores intermédios. A pontuação final resulta da média aritmética dos valores com que foi graduado cada um dos fatores. A classificação obtida traduz-se nas seguintes menções qualitativas (Artigo 11º do Regulamento de Avaliação da PSP): a) 2 e 3: Insuficiente; b) 4 e 5: Suficiente; c) 6, 7 e 8: Bom; d) 9 e 10: Muito bom. Sempre que a pontuação obtida se traduzir num número decimal, procedesse ao seu arredondamento para número inteiro, por excesso ou defeito, consoante o valor decimal seja igual ou superior a 0,5 ou inferior a este, respetivamente. Como já foi referido anteriormente, na PSP, a avaliação de desempenho é feita pelo superior hierárquico, não sendo dada a hipótese do avaliado se autoavaliar. Por este facto e, julgando nós, por não existir uma autoavaliação por partes dos elementos policiais, perdem-se todas as potencialidades deste tipo de avaliação, tais como: envolver o avaliado nos objetivos e planos de ação da organização; o aumento da dignidade e respeito pelo avaliado e a colocação do chefe não apenas como “juiz”. Assim, e parecendo-nos ser esta falta de autoavaliação uma lacuna na avaliação do desempenho dos elementos policiais, construímos uma escala de conceções sobre o desempenho dos agentes na organização policial. A construção e validação desta escala será objeto de estudo no capítulo II do presente trabalho. Outro aspeto a considerar no que diz respeito ao desempenho profissional, referido por alguma literatura científica, será a influência da Inteligência emocional no desempenho laboral. 27 1.2.2 - Relação da Inteligência Emocional com o Desempenho Refere Fernandes (2005) que no estudo da relação entre a inteligência emocional e o desempenho profissional dos indivíduos, baseada em várias investigações (e.g.: Cherniss, 2000; Day & Leitch, 2001; Damásio, 1994; Dulewicz & Higgs, 2000; Farnham, 1996; Fried, 1995; Goleman, 1995; Goleman et al., 2001, 2002; Salovey & Mayer, 1990; Rego & Fernandes, 2004a,b,c,d; Steiner, 1997; Wong & Law, 2002) várias conclusões parecem evidentes: a) a IE está estreitamente relacionada com as boas práticas profissionais; b) a saúde emocional é imprescindível para bons desempenhos profissionais; c) a saúde emocional e cognitiva é prejudicada pela história de vida pessoal, contexto social (pessoal e profissional) bem como por fatores externos; d) as aprendizagens de sucesso e um desempenho elevado emergem da união sinérgica das capacidades racionais e emocionais; e) a combinação da IE com o QI explica uma maior participação no desempenho do que apenas o QI; f) para que a IE tenha efeitos positivos sobre o desempenho das pessoas é essencial que estas disponham de um limiar mínimo de QI; g) o QI e a IE mostram ser dissociáveis para a obtenção de elevados desempenhos. Segundo Weisinger (2001) a inteligência é preditora do desempenho profissional, concluindo este autor que a inteligência é uma peça fundamental no que diz respeito ao desempenho no trabalho. Murphy e Shiarella (1997) no âmbito da sua investigação acerca da capacidade preditiva dos traços de personalidade e das capacidades cognitivas do desempenho, concluíram que estas duas medidas têm uma relação entre si, sendo que, quando ligadas, aumentam a validade de baterias de seleção de recursos humanos. Os autores simularam a validade de testes de aptidão cognitiva geral e dos traços de personalidade na forma como estes teriam influência sobre o desempenho profissional. A validade dos testes oscilou de r = 0,20 a r = 0,78, sendo que as medidas de capacidades cognitivas foram a principal preditora (Nascimento, 2006). Filizatti (2004) no seu estudo averiguou a validade preditiva do desempenho profissional, em diferentes ramos da indústria, na sua relação com as medidas de capacidades cognitivas avaliadas pela Bateria de Provas de Raciocínio 5 (BPR-5) e com os traços de personalidade calculada através do 16PF. Através deste estudo, o autor percebeu que existe uma correlação positiva entre os subtestes da BPR-5 e a avaliação 28 do desempenho profissional (Raciocínio mecânico r = 0,17; Raciocínio verbal r = 0,20; Raciocínio numérico r = 0,26; Raciocínio abstrato r = 0,28; Raciocínio Geral r = 0,32; e Raciocínio espacial r = 0,33). Já no que diz respeito ao teste de personalidade, a avaliação do desempenho associou-se unicamente com o fator B (inteligência) do 16PF (r = 0,39). Perante esses resultados, e de acordo com a investigação, a variável inteligência é uma variável influente na previsão do bom desempenho (Nascimento, 2006). Baumgartl (2004) também investigou as medidas de inteligência e personalidade e sua relação com a previsão de desempenho profissional. A autora apurou a validade da Bateria de Funções Mentais para Motorista – BFM 1 e do Teste Psicodiagnóstico Miocinético – PMK para predizer o desempenho e produtividade de um grupo de trabalhadores. Os resultados indicaram uma correlação entre o teste de atenção concentrada do BFM-1 e avaliação do desempenho (r = 0,28). Já no que se refere aos resultados com a produtividade existiu apenas uma associação com número de omissões no teste de atenção discriminativa do BFM-1 (r = -0,52) e impulsividade do PMK (r = 0,69) (Nascimento, 2006). Através dessas investigações conseguimos compreender que o desempenho está normalmente associado aos construtos da personalidade e das capacidades cognitivas. No entanto, também se verifica que as correlações existentes entre ambos os fatores mostram ser baixas ou moderadas explicando apenas alguns aspetos do desempenho. Foi a partir da década de 90 que a IE começou a ser entendida como uma variável de relevo para o bom desempenho profissional no seio das organizações (Soto, 2002). Foi Goleman (1995) quem veio impulsionar a importância da inteligência emocional no mercado de trabalho, referindo que não basta possuir inteligência, como tradicionalmente definida, e formação académica, mas, também, outras competências ao nível do relacionamento pessoal. No âmbito profissional, a IE é cada vez mais reconhecida pela sua importância no dia a dia, sendo que já começam a surgir diversas formações no âmbito laboral que ensinam como expandir essa competência e como, partindo dela, conseguir obter um futuro de sucesso (Cunha et al., 2007). Segundo Cooper e Sawaf (1997) os indivíduos que conseguem gerir de forma adequada as suas emoções são normalmente melhor sucedidos no mercado de trabalho. 29 Bedwell (s.d) investigou a possibilidade de uma medida de inteligência emocional de auto-relato prever o desempenho profissional e o quanto ela poderia variar no que diz respeito a medidas referentes aos traços de personalidade. Neste estudo utilizou o Questionário de 16 Fatores de Personalidade – 16PF, a Avaliação de Desempenho dos funcionários preenchida pelos superiores e o Inventário de Julgamento Emocional – EJI. Os resultados revelaram associações positivas e significativas entre a Avaliação de desempenho geral e as escalas do EJI: o uso da emoção para resolução de problemas (r = 0,24); o conhecimento emocional (r = 0,25); a identificação das emoções nos outros (r = 0,26) e a forma de expressar as emoções (r = 0,30). Já no 16 PF, o fator Ansiedade foi o que mostrou correlações mais expressivas com o fator controle emocional (r = 0,24) da Avaliação de Desempenho. Os autores afirmaram que a IE é, de facto, relevante nos aspetos relativos ao trabalho (Nascimento, 2006). Já Cobêro, Primi e Muniz (2006), no seu estudo, mencionam que a inteligência geral está correlacionada claramente com o desempenho no trabalho, tal como é referido em diversa literatura mundial (Barrett & Depinet, 1991; Kuncel, Hezlett & Ones, 2004; Wilhelm & Engle, 2005). Os mesmos autores atestaram a validade de critério da BPR-5 no contexto organizacional, confirmando a sua capacidade em prever o desempenho. Também demonstraram que a inteligência emocional é um preditor ímpar do desempenho profissional, embora seja entendida como um fator adicional aos demais fatores. Segundo os autores, existe uma franca probabilidade de uma pessoa que seja mais inteligente emocionalmente ter melhor desempenho no trabalho do que uma pessoa que tenha níveis de IE mais baixa. Caruso e Wolf (2001), no seu estudo, vieram referir igualmente a utilidade da IE no mercado de trabalho, baseando-se nas suas experiencias pessoais como consultores organizacionais. Através dos resultados dos testes de inteligência emocional que usaram, e que compreendem toda a dinâmica da IE, observaram correlações positivas e significativas da IE com a satisfação e o desempenho profissional. Acrescentam, ainda, que a IE é um aspeto proeminente, nos tempos modernos, para o desenvolvimento de carreiras, seleção de recursos humanos e progresso dos líderes (Blanchard et al., 2003). Mayer e Salovey (2000) relatam que a inteligência emocional pode revelar-se um aspeto de extrema importância em áreas como sejam a liderança, o desenvolvimento de carreiras e o desenvolvimento da produtividade. Referem, também, que algumas profissões exigem um maior nível de IE que outras, embora também salientem que, 30 apesar da IE poder auxiliar num melhor desempenho profissional, a ausência dela não levará necessariamente a insucessos. No que diz respeito à profissão de Polícia, população aqui estudada, esta parece requerer um maior grau de inteligência emocional, sobretudo no que diz respeito à forma como os agentes gerem as emoções, visto que um polícia deverá controlar as emoções e saber administra-las eficazmente em ambientes por vezes adversos, perigosos e com algum risco de vida. Os elementos policiais são frequentemente confrontados com conjunturas (detenção de suspeitos perigosos que coloquem em perigo a sua integridade e/ou das vitimas) em que têm que fazer uso de juízos de valor em prol da sua segurança e da dos outros. Perante estas situações, e através da IE, os polícias desenvolvem competências de apoio à decisão que diminuem os perigos inerentes à ocorrência, auxiliando-os no seu dia a dia profissional e na sua vida familiar (Manzella & West, 2003). Para Saville (2006), os polícias com uma adequada inteligência emocional estarão melhor preparados para encarar com maior sucesso os desafios das suas tarefas diárias, respondendo às necessidades individuais de cada sujeito em cada ocorrência policial, levando, assim, a que surjam menos situações conflituosas e a um maior nível de segurança. Segundo Drodge e Murphy (2002) as instituições policiais poderão não ser a melhor atmosfera laboral para que ocorra um adequado desenvolvimento da IE, pelo facto de ser uma organização rígida e com alguma desconfiança mútua. Os mesmos autores referem que existem objetivos e planos institucionais que dificultam o progresso da carreira e a avaliação do desempenho, comprometendo a confiança e o comprometimento necessário entre os agentes para que aconteça um verdadeiro desenvolvimento da inteligência emocional ao serviço da instituição, exemplo disso são as relações hierárquicas que demonstram ser barreiras ao desenvolvimento e utilização da inteligência emocional no âmbito laboral. Os profissionais de Polícia necessitam de possuir uma série de características ligadas à disciplina, zelo, bom relacionamento interpessoal, entre outras, de modo a alcançarem uma avaliação de desempenho positiva. Embora a literatura internacional refira que a inteligência emocional contribui para um desempenho profissional de sucesso, será necessário investigar se essas afirmações podem ser generalizadas para esse grupo específico de indivíduos, visto que não foram encontrados, em toda a revisão 31 bibliográfica, estudos nessa população que tentassem relacionar a inteligência emocional com o desempenho profissional. Assim, tendo em conta a possível relação entre o desempenho profissional e a inteligência emocional é de todo relevante clarificar os aspetos os quais integram a inteligência emocional. 1.3 - Inteligência De forma a compreendermos a conceção de inteligência emocional importa perceber a evolução do conceito de inteligência. Refere Antunes (2002) que o termo inteligência provém das palavras em latim inter = entre e eligere = escolher. Assim, a inteligência é vista como uma habilidade que nos permite compreender as situações, formar opiniões, raciocinar e poder fazer as nossas escolhas (Constantino, 2010). A definição de inteligência tem sofrido, ao longo dos tempos, várias alterações, evoluindo o seu conceito de forma paralela à evolução do estudo. Segundo Piéron a inteligência é entendida de quatro formas diferentes: 1) a sensibilidade; 2) as faculdades; 3) a inteligência e 4) vontade correspondida (Sprea, 2009). Desta forma, existe, neste autor, a preocupação em tentar abranger os mais variados aspetos da vida mental. Muitas das vezes a inteligência é vista como o nível de desenvolvimento mental do indivíduo, sendo considerada, nestas situações, como uma inteligência “global” (Sprea, 2009). Nesta forma de conceção, a inteligência é designada por “inteligência geral”, sendo vista como um fator global que integra todas as operações mentais, muito conhecido como o fator “g” de Spearman (1923). Para Spearman (1923) o fator “g” media uma força com aspetos neurológicos associada à competência de efetuar operações cerebrais. Assim, a inteligência era vista como um fator geral de extrema importância na realização de todos os tipos de tarefas (Bonmann, 2001, p.10 in Sprea, 2009). David e Richard referem que as distintas competências do homem, quando se exprimem na família ou no trabalho demonstram, de certo modo, a inteligência de cada um, revelando ser uma capacidade geral e unitária do indivíduo (Sprea, 2009). Em contraste com Spearman, Thurstone desenvolveu uma teoria de inteligência pluralista, defendendo a ausência de um fator geral e identificando nove fatores 32 autónomos: espacial, precetivo, numérico, compreensão verbal, fluência, memória, indução, raciocínio aritmético e dedução (Almeida, 1988). Guilford contrariou também a presença de qualquer fator geral da inteligência, criando um modelo tridimensional, alicerçado num elevado número de aptidões intelectuais consequentes da combinação de três aspetos: a operação mental no processamento da informação recebida (cognição, memória, produção divergente, produção convergente e avaliação), o conteúdo onde se realizam as operações (visual, auditivo, simbólico, semântico e comportamental) e o produto consequente da utilização de cada operação mental a um conteúdo também específico (unidades, classes, relações, sistemas, transformações e implicações) (Almeida, 1988). No ramo da psicologia diferencial, a inteligência não é vista como uma capacidade instintiva mas sim como uma aptidão para resolver os problemas, ou seja, como a capacidade de encontrar as melhores soluções para qualquer situação que surja. Assim, a inteligência deverá ser vista como uma faculdade em conhecer, perceber, discernir e resolver os problemas que possam surgir em qualquer que seja o ambiente cultural, abandonando, deste modo, o antigo paradigma que mencionava a inteligência como algo geral e único (Almeida, 1988). Foi devido ao surgimento de novas visões sobre aquilo que é a inteligência que apareceu, na última década do século XX, o conceito das múltiplas inteligências de Gardner (1994), conceito que veio revolucionar a forma de estudar a inteligência (Constantino, 2010). Gardner defende que são muitos os indivíduos considerados com um Quociente de Inteligência (QI) baixo, que desempenham variadas tarefas, quer seja a nível de administração de empresas, quer na gestão de grupos, de uma forma eficaz e bemsucedida, tendo carreiras de sucesso (Constantino, 2010). Segundo Gardner, a inteligência é “ a capacidade de resolver problemas ou de criar produtos que sejam valorizados dentro de um ou mais cenários culturais” (Nogueira, 1998, p.5 in Sprea, 2009). Compreendemos, assim, que Gardner (1994) entende a inteligência como um conjunto de competências, numa visão pluralista, e não apenas como algo único e apenas determinado pelo QI dos indivíduos. A teoria das múltiplas inteligências explicaria, assim, as diversas capacidades intelectuais humanas, colocando de parte a ideia de que existiria apenas uma capacidade mental subjacente. 33 Gardner menciona que os indivíduos possuem diversas capacidades mentais as quais ele designava de “Inteligências humanas”. Até aos nossos dias, ainda não foi possível estabelecer quais as competências mentais individuais, nem foi ainda possível conseguir determinar um número de inteligências que seja aceite por todos os estudiosos da área (Constantino, 2010). Gardner defende que existem diversas inteligências, afastando-se de quem defende que a inteligência é única. Para o mesmo autor, as diversas inteligências são autónomas umas das outras, podendo ser combinadas de diversas formas adaptativas pelos seres humanos nas mais variadas culturas (Sprea, 2009). Tendo como base diversos estudos envolvendo indivíduos com as mais variadas características (quer indivíduos fora de serie, quer indivíduos com algum dano cerebral) e de diferentes culturas, Gardner (1994) percebeu que a inteligência é também alicerçada em aspetos culturais, característicos dos ambientes sociais em que os indivíduos estão inseridos, e não apenas em aspetos hereditários ou de elementos neurológicos isolados. Nos nossos dias, através da evolução da área da neurobiologia, percebe-se que o cérebro humano é constituído por diversas áreas, sendo que cada uma delas representa o local onde é desenvolvida determinada capacidade do indivíduo e onde é efetuado o processamento da informação (Antunes, 2002). Para Antunes (2002) não subsistem dúvidas quanto à existência de diferentes áreas que manifestam a inteligência de diferentes formas, sendo cada uma delas responsável pela resolução de determinados problemas, em certos momentos e em diferentes ambientes. Gardner (1994) defende a existência de oito áreas no cérebro humano, as quais integram as diversas inteligências: Inteligência linguística-verbal, lógico-matemática, musical, cinestésica-corporal, espacial, naturalista e as pessoais – intrapessoal e interpessoal, sendo que ao conjunto dessas mesmas inteligências Gardner apelidou de inteligências múltiplas. O conceito de inteligências múltiplas formulado por Howard Gardner em 1982, fez com que o mesmo se tornasse um pilar científico dessa área a nível mundial, sendo ainda hoje reconhecido por esse trabalho (Antunes, 2002). Para Antunes (2002, p. 24) “a grande investigação que marca o final do século XX é aquela que o homem faz sobre si mesmo e sobre o incrível potencial de diferenças 34 existentes entre as pessoas. A descoberta de si mesmo e a lenta perceção da complexidade do outro constituem um desfio sedutor para todos nós”. Tendo em conta a importância da definição de inteligência referida por Gardner, parece-me adequado que se descrevam, ainda que de uma forma breve, as inteligências múltiplas, ou seja, cada um dos tipos de inteligência referidos por esse autor (Quadro 2) Quadro 2 - Inteligências múltiplas de Gardner Comporta o raciocínio indutivo e dedutivo, número e relacionamento. Lógico- Auxilia na forma como organizamos e sistematizamos as coisas, Matematica criando assim uma ordem. Ajuda também a criar soluções em determinados problemas, resolver cálculos e transformações. Consiste em conseguir representar o mundo a nível de espaço na sua mente. Ajuda na interpretação de imagens, estar atento a pequenos Espacial detalhes, no reconhecimento de rostos e objetos e de encontrar os melhores trajetos. É uma capacidade relevante para as pessoas ligadas à arte e às ciências. Insere-se no campo das palavras, quer seja através da escrita ou da fala. A utilização desta inteligência permite falar, escrever, ler e interpretar a linguagem nas palavras. Tem principal interesse para Linguística- pessoas que têm como profissões que façam uso de forma criativa das Verbal palavras para que possam convencer os outros. Dentro destas profissões podemos ter os políticos, advogados, escritores e professores. Também serve para prestar explicações e dar informações. Consiste na capacidade para identificar tons, ritmos, melodias e padrões sonoros. Pessoas com esta competência evoluída têm grande Musical aptidão para reconhecer e utilizar instrumentos musicais, assim como para compreender os sons ambientais e a voz humana. Os indivíduos com esta capacidade têm facilidade em tocar instrumentos, estudar música, tendo o ouvido como uma peça importante. 35 Normalmente são os biólogos e principalmente os ecologistas que têm esta inteligência mais apurada, pois são pessoas que se preocupam Naturalista com o bem-estar da natureza. Neste tipo de inteligência os indivíduos têm uma maior competência para perceber os aspetos fundamentais da natureza e a forma como esta deverá ser preservada. É a capacidade para através de movimentos corporais conseguir Corporal- expressar as suas emoções ou para fazer determinada tarefa ou realizar Cinestésica alguma produção. Indivíduos como os bailarinos são aqueles que mais fazem uso deste tipo de inteligência. É a capacidade para conseguir se relacionar com os outros. Auxilia na comunicação com os outros, compreendendo os seus sentimentos, Interpessoal motivações, intenções, estado de humor e as suas convicções. Ajuda na forma como pode atingir os seus objetivos na relação com os outros, sendo uma faculdade importante para os terapeutas e para os professores. É uma inteligência que tem a ver com o “eu” de cada pessoa. Consiste em compreender-se a si mesmo. Conhecer o seu “eu” ajuda a perceber o que pode fazer, como irá reagir a determinados estímulos e como Intrapessoal pode enfrentar ou evitar determinadas situações. Este tipo de inteligência auxilia o indivíduo a agir de uma forma correta pois já conhece os seus pontos fortes e fracos. Esta inteligência eleva assim a um autoconhecimento, isto é uma viagem ao seu interior de forma a compreender-se a si mesmo. Assim, perante a evolução do conceito de inteligência e a aceitação das Inteligências múltiplas, atualmente, de cada vez mais, se reconhece a importância das emoções na concetualização da inteligência, isto é, a inter-relação/colaboração entre o racional e o emocional, sendo por isso importante compreender o que se entende por emoção. 36 1.4 - Emoção A palavra emoção surgiu do latim movere (mover), antecedida do sufixo ex (para fora) que significava afastar-se, pois ligada à emoção existe uma disposição para determinada ação. Num sentido literal o Oxford English Dictionary define a emoção como “ uma agitação ou perturbação do espírito, sentimento, paixão; qualquer estado mental excitado ou veemente”. Segundo a literatura, foi no ano de 1884 que o filósofo e psicólogo americano William James, através do artigo “O que é a emoção”, iniciou o estudo científico das emoções (Le Doux, 1998 citado por Santos, 2009). James, nesse seu artigo, referia que a emoção era uma série de acontecimentos, iniciados através de um estímulo excitador e que terminavam num sentimento. Este sentimento, que o autor designa como uma experiencia emocional consciente, define a natureza da emoção como a resposta a um determinado estímulo desencadeador, isto é, o processo emocional iniciava-se num determinado estímulo e concluía-se na resposta respetiva (Santos, 2009). Para James existia um mecanismo inflexível e preestabelecido à nascença que fazia com que certos estímulos do meio ambiente provocassem uma determinada reação no corpo do indivíduo (Damásio, 2011). James referia que “ Cada objecto que excita um instinto excita também uma emoção” (Damásio, 2011:179). Foram diversos os críticos à perspetiva de James, entre os quais: Magda Arnold e Robert Zajonc (Damásio, 2011). Para estes autores o maior problema de James deveuse ao facto de ele ter atribuído pouca ou nenhuma importância ao processo de avaliação mental da condição que desperta a emoção. Segundo os mesmos, a teoria de James só funcionava bem para as primeiras emoções que sentimos na vida, no entanto, já se revelava incapaz no que diz respeito às emoções secundárias (Damásio, 2011). Para Arnold, a emoção resultava de uma tendência para a ação, que surgia devido a uma avaliação cognitiva inconsciente da situação, ou seja, quando um indivíduo está exposto a uma experiencia emocional, o seu cérebro irá efetuar uma avaliação que permitirá perceber se existe um fator agradável ou desagradável (Le Doux, 1998 citado por Santos, 2009). Já Zajonc, que dedicou o seu estudo ao inconsciente emocional, referia que a experiencia emocional pode acontecer sem que tenha existido uma exposição consciente 37 aos estímulos pois, segundo o autor, a emoção é independente da cognição (Le Doux, 1998 citado por Santos, 2009). Como bem sabemos, em muitas ocasiões do nosso quotidiano, as emoções só surgem após um processo mental de avaliação consciente e não automático. Segundo Damásio (2011), no decorrer das nossas vidas, e devido às experiencias vividas, existem numerosos estímulos que se vêm juntar aos estímulos que, de forma inata, se encontravam selecionados de forma a causar as emoções. Refere o autor, que as reações a esse grande número de estímulos podem ser feitas através de um sistema de avaliação ponderado e refletido, possibilitando uma variação na proporção e intensidade das emoções preestabelecidas e provocando, assim, “uma modulação na maquinaria básica das emoções intuída por James” (Damásio, 2011: 179). Importa, no decorrer desta abordagem sobre as emoções, definir o conceito de emoção e clarificar o conceito de sentimento, os quais, sendo distintos, se interligam. Apesar disso, alguma da investigação científica na área das emoções refere-se a emoção e sentimento como se do mesmo constructo se tratasse (Pinto, 2001) Conforme Damásio (2011), a emoção é uma alteração psíquica e física, ocorrida devido a um estímulo, isto é, as emoções são uma forma de o nosso organismo reagir aos estímulos de um modo adaptativo. Já, Goleman (2010: 310) fala-nos de emoção: “…como referindo-se a um sentimento e aos raciocínios aí derivados, estados psicológicos e biológicos, e o leque de propensões para a acção. Há centenas de emoções, incluindo respectivas combinações, variações, mutações e tonalidades”. Segundo Pinto (2001: 243) a emoção é: “ (…) uma experiência subjectiva que envolve a pessoa toda, a mente e o corpo. É uma reacção complexa desencadeada por um estímulo ou pensamento e envolve reacções orgânicas e sensações pessoais. É uma resposta que envolve diferentes componentes, nomeadamente uma reacção observável, uma excitação fisiológica, uma interpretação cognitiva e uma experiência subjectiva”. No que diz respeito ao conceito de sentimento e tendo em conta aquilo que Damásio (2000) refere, o sentimento é a ocasião em que tomamos a consciência de alguma modificação do corpo, a qual identificamos como um sentimento específico referente a determinada situação. 38 Segundo Damásio (2000: 159): “um sentimento depende da justaposição de uma imagem do corpo propriamente dito com uma imagem de alguma outra coisa, tal como a imagem visual de um rosto ou a imagem auditiva de uma melodia”. Já Pinto (2001: 246) refere que o sentimento é “(…) um sentir consciente, uma impressão, uma experiência, às vezes com uma dimensão mais sensorial como dor ou bem-estar, outras vezes com uma dimensão mais afectiva como tristeza, melancolia, agrado. O sentimento é um estado similar à emoção, menos intenso e mais prolongado”. Depois da citação de diversas perspetivas sobre as emoções e os sentimentos, entende-se, assim, que as emoções fazem parte da vida diária das pessoas, onde desempenham um papel fulcral. Embora se perceba que, no seu dia a dia, o individuo não necessite de compreender a fundo o conceito de emoção para que possa comunicar eficazmente, já no que diz respeito à comunidade científica, deverá ser encontrado um ponto de convergência entre os diversos estudos que possa possibilitar uma clarificação do conceito, integrando-se num conjunto coerente de definições sobre o que é a emoção (Santos, 2009). Deste modo, procuraremos mencionar diversas definições sobre as linhas mestras utilizadas no campo de investigação das emoções, disponibilizadas por alguns autores de renome na investigação dessa área. Segundo Damásio (2011) e tendo em conta o modelo neurobiológico, a emoção é uma reação química e neuronal complexa, que atua como um mecanismo regulador do corpo e tem objetivo de manter a sobrevivência do individuo. As emoções emergem de processos biológicos complexos, que se mostram dependentes de estruturas cerebrais, situadas na zona central do cérebro humano e que se estendem para as zonas superiores desse mesmo cérebro. Num sentido neurológico, Damásio (2000: 148) refere, em relação às emoções, que: “ (…) sentir os estados emocionais, o que equivale a afirmar que se tem consciências das emoções, oferece-nos flexibilidade de resposta com base na história específica das nossas interacções com o meio ambiente. Embora sejam precisos mecanismos inatos para pôr a bola do conhecimento em marcha, os sentimentos oferecem-nos algo extra.” António Damásio (2000: 153) acrescenta que a emoção “ (…) é a combinação de um processo avaliatório mental, simples ou complexo, com respostas disposicionais a 39 esse processo, na sua maioria dirigidas ao corpo propriamente dito, resultando de um estado emocional deste, mas também dirigidas ao próprio cérebro (núcleos neurotransmissores no tronco cerebral), resultando em alterações mentais adicionais.” As investigações de António Damásio constituem uma grande evolução no que diz respeito ao conhecimento neurológico do papel da emoção, uma vez que aumentaram o conhecimento acerca das zonas cerebrais responsáveis por este processo e ajudaram a perceber que existe uma correlação entre a emoção e a razão. Através da obra “Erro de Descartes”, Damásio mostra que é impossível separar a emoção da razão, referindo que quem o tenta fazer não percebe a forma como os comportamentos, atitudes e aprendizagens são constituídos. Como refere Damásio (2000) a principal diferença entre o sentimento e a emoção é que o sentimento é virado para o interior e a emoção para o exterior, isto é, o sentimento é originado pelas emoções e sentir emoções é ter sentimentos. No entanto, segundo o mesmo autor, nem todos os sentimentos estão relacionados com as emoções, isto é, nem todos os sentimentos surgem das emoções, embora todas as emoções causem sentimentos. As emoções, ao surgirem no dia a dia das pessoas, têm como função prepará-las para que obtenham um bem-estar condigno, sendo que levam ao surgimento de alterações no corpo e/ou das estruturas cerebrais. Percebe-se que existem variantes das emoções facilmente identificáveis, como é o caso da variante expressiva, embora também se reconheça que algumas das manifestações psicofisiológicas tendem a ser mais difíceis de encontrar. Os autores, (Argyle, 1975; Ekman & Davidson, 1994; Freitas-Magalhães, 2007) referem que a face será certamente o canal de expressão não-verbal das emoções com mais importância, mostrando-se particularmente relevante na expressão das emoções e das atitudes que exteriorizamos em relação aos outros (Vasconcelos, 2009). Foi com Charles Darwin, em 1872, na sua investigação The Expression on Emotions in Man and Animals, que começou a ser estudada a expressão facial da emoção. O autor refere que “os movimentos envolvidos nas expressões revelam os pensamentos e as intenções dos outros de forma mais genuína do que as palavras, que podem ser falsificadas” (Darwin, 1978, p. 359, citado em Vasconcelos, 2009). Paul Ekman é encarado como um dos cientistas mais prestigiados do século XX devido aos seus estudos sobre as emoções faciais. Nestes estudos o autor evidencia as 40 alterações fisiológicas faciais resultantes de uma determinada emoção (Vasconcelos, 2009). Ekman refere que um reduzido número de emoções revelam estar associadas a expressões não-verbais faciais distintas, acrescentando que tais emoções seriam universais e inatas (Vasconcelos, 2009). Pinto (2001: 247), quando se refere à expressão facial da emoção, reporta-se à teoria de Ekman, mencionando que a expressão facial é um elemento relevante da experiência emocional, pois “ (…) uma pessoa recebe informação corporal, não apenas ao nível da excitação fisiológica, mas também ao nível da expressão facial, resultando daqui uma experiência emocional mais intensa”. Assim, as expressões faciais revelam-se como sendo experiencias emocionais, mostrando ter um impacto causal nas pessoas a que são dirigidas ou nas que as observam. Nas relações interpessoais, os indivíduos utilizam as expressões faciais e/ou corporais de forma a transmitir determinados significados e a omitir outros, sendo estes significados resultantes da sua interação emocional (Vasconcelos, 2009). Na maior parte literatura científica é referida a possibilidade de classificar as emoções em primárias e secundárias, embora alguns autores não concordem com essa divisão, sendo William James um desses exemplos. Tendo em conta a importância dos estudos de António Damásio no que diz respeito ao assunto das emoções, achamos por bem falar nos dois tipos de emoções (primárias/básicas; secundárias/sociais) por ele defendidas. No que diz respeito às emoções primárias, Damásio (2011: 183) refere que essas são: “ inatas, pré-organizadas, jamesiasas e dependem da rede de circuitos do sistema límbico, sendo a amígdala e o cíngulo personagens principais.” Paul Ekman defende a existência de seis emoções básicas: raiva, medo, alegria, tristeza, surpresa e nojo (ou repugnância) sendo, estas, emoções que não dependem da cultura em que estão inseridas, da língua que é falada e dos comportamentos aprendidos (Vasconcelos, 2009). Já, as emoções secundárias surgem logo que começamos a ter sentimentos e a formar “ (…) ligações sistemáticas entre categorias de objectos e situações…” (Damásio, 2011:184). Essas emoções secundárias, sendo mais complexas, não se estruturam apenas no sistema límbico, mas em estruturas como os córtices pré-frontal e somatossensorial. 41 São referidas como emoções secundárias aquelas que provêm das relações sociais ao longo da vida, como é o caso da admiração, desprezo, gratidão, inveja, orgulho, culpa, embaraço, simpatia e vergonha (Damásio, 2000). Estas emoções, não sendo inatas como as emoções primárias, surgem através de representações adquiridas ao longo da história de vida do indivíduo, construindo, assim, a individualidade de cada ser humano. De acordo com Damásio (2000) as emoções e os sentimentos, ambos ligados à razão, servem para auxiliar em tarefas como comunicar e planear tarefas futuras, tendo em conta as funções cognitivas. Já Goleman (2010: 75) refere que a emoção também é inconsciente: “Uma emoção pode ser – frequentemente é – inconsciente. O início fisiológico de uma emoção ocorre tipicamente antes de uma pessoa se aperceber conscientemente do próprio sentimento. Por exemplo, quando se mostram fotografias de cobras a uma pessoa que tem medo desses animais, os sensores colocados na pele detectam a produção de suor, sinal de ansiedade, embora a pessoa afirme não sentir qualquer espécie de medo.” Goleman (2010) baseando-se em António Damásio, refere que as emoções também têm importância no que concerne à racionalidade pois, segundo estes autores a inteligência é constituída pela razão e pela emoção. Outra das funções das emoções é visível ao nível biológico, uma vez que as mesmas interferem, quer na forma como regulamos o estado interno do corpo humano, quer nas reações básicas do ser humano perante determinados estímulos externos (Damásio, 2000). As emoções têm um papel fulcral na regulação interna do organismo, aumentando a probabilidade de sobrevivência e o bem-estar do individuo: para que um organismo sobreviva, é essencial que tenha as condições mínimas necessárias, como é o caso da temperatura corporal, que sendo um aspeto fisiológico, é influenciado pelas emoções (Santos, 2009). Da análise à evolução histórica da conceção de emoção percebe-se que esta sofreu variadas modificações ao longo dos tempos, levando a que existam diversas teorias acerca das emoções e que não exista um verdadeiro consenso, entre os cientistas da área, sobre a forma como a emoção é construída. Deste modo, conhecer algumas destas teorias mostra-se importante para formularmos uma ideia geral sobre as emoções. Como previamente referido, a primeira teoria no estudo das emoções surgiu através de Darwin, por volta do ano de 1872, ficando esta conhecida como a teoria 42 evolutiva. Essa teoria no estudo das emoções, quer do homem, quer dos animais, mencionava que as emoções eram inatas e universais. Darwin referia que, para além das emoções serem humanamente universais, indicavam semelhanças entre a expressão emocional no homem e aquelas que aconteciam nos animais. O mesmo autor veio também acrescentar a utilidade que as emoções têm na forma como se mostram essenciais na sobrevivência dos indivíduos (Oatley & Jenkins, 2002). No que diz respeito à teoria fisiológica, foi William James, psicólogo e filósofo americano o seu percursor. Este relata que as emoções são a consequência dos estados fisiológicos desencadeados por determinados estímulos ou situações ambientais. Segundo esta teoria, o indivíduo só sente medo porque o seu corpo responde com determinadas reações fisiológicas, ou seja, numa determinada situação de emergência, primeiramente o corpo reage e o indivíduo foge e é por fugir que a pessoa se apercebe que teve medo (Oatley & Jenkins, 2002). Sintetizando, quando uma pessoa é afetada por um estímulo irá sofrer alterações fisiológicas e é o reconhecimento desses sintomas que vai gerar no indivíduo a emoção. A perspetiva cognitivista, impulsionada por diversos filósofos, em especial os estoicos da antiguidade (como é o caso de Epicteto), refere que as aprendizagens, recordações e perceções são fulcrais na compreensão das emoções. Nesta teoria, é referido que, perante um estímulo, ocorre uma reação fisiológica, posteriormente procuramos compreender a razão dessa alteração fisiológica de forma a nomear a emoção que lhe corresponde (Oatley & Jenkins, 2002). Resumindo, as emoções produzem alterações fisiológicas e os indivíduos procuram identificar a razão para que tais alterações tenham ocorrido. Já em relação à teoria culturalista, impulsionada por Margaret Mead, é defendido que as emoções são comportamentos apreendidos durante o processo de socialização sendo que cada cultura possui diversas formas de expressar as diferentes emoções. Segundo essa teoria, as emoções são objeto de uma construção social, a qual necessita de aprendizagem, por essa razão as emoções dependem da cultura em que os indivíduos estão inseridos. As emoções e a forma como são manifestadas em cada situação são reconhecidas por todos os indivíduos da mesma cultura de igual modo (Oatley & Jenkins, 2002). Assim, segundo esta perspetiva os outros indivíduos que são culturalmente diferentes, sentem e expressam as emoções de modo distinto. 43 Apesar de variadas formas de perceber as emoções, facilmente se percebe a importância dessas no decorrer da vida humana, pelo que o estudo nessa área só poderá enriquecer a forma como os indivíduos encaram a sua vida pessoal e profissional. Atualmente, com a evolução da concetualização sobre a inteligência e a emoção, estas encontram-se de cada vez mais associadas, surgindo na literatura moderna, ligadas entre si, sobre o nome de Inteligência emocional. 1.5 - Inteligência Emocional O conceito de inteligência emocional (IE) é recente na literatura internacional e ambiciona demonstrar que os indivíduos são orientados por aspetos cognitivos e pelas competências emocionais. Alguns dos nomes mais conceituados no desenvolvimento do conceito de Inteligência emocional são os de autores como: Reuven Bar-On (1997); Salovey, Mayer e Caruso (2000); e Goleman (2003). O Conceito de IE tem sido muito utilizado nas mais variadas vertentes da psicologia organizacional, como é o caso dos estudos sobre liderança, na seleção dos recursos humanos, entre outras (Rocha, 2005). O termo IE determinou a ocorrência de um grande número de referências literárias, as quais vieram demonstrar que as emoções transmitem informação relevante e influenciam a forma como pensamos, as nossas escolhas, auxiliando nas tomadas de decisão do dia a dia (Rocha, 2005). Charles Darwin, no seu reconhecido tratado, The expressions of the emotions in man and animals (1872), foi dos primeiros autores a reconhecer a importância das emoções. O autor referia que os impulsos emocionais básicos, como o caso do medo provocado por certos sons ou o prazer ocasionado por determinados cheiros e paladares, eram extremamente importantes para a evolução e continuidade da espécie humana, pois seria este sistema emocional que manteria ativos os comportamentos essenciais à sobrevivência (Sobral, 2006). A visão de Darwin sobre as emoções já apontava para uma forma de inteligência, a que mais tarde, Salovey (2000), também um dos principais precursores do conceito de IE, chamou de Inteligência adaptativa e funcional. Segundo este autor, são as emoções que nos indicam para fugir quando temos medo e para lutar quando estamos irritados (Sobral, 2006). 44 Por volta de 1920, já Thorndike apresentava um conceito semelhante ao conceito de inteligência emocional, a inteligência social. Conceptualizava a inteligência social como a competência que as pessoas possuem para compreender, controlar e agir de uma forma sensata nas relações humanas (Soeiro, 2003). Thorndike organizava a inteligência em três grandes dimensões: a abstrata que significava a capacidade de gerir e compreender as ideias e os símbolos; a mecânica, como a competência para perceber e lidar com os objetos e os mecanismos; e por último a capacidade para compreender e lidar com as pessoas nas relações interpessoais (Soeiro, 2003). Em 1983, com Howard Gardner, surgiu a teoria das inteligências múltiplas que vinha propor uma visão pluralista da mente, aspeto este, já abordado no ponto da Inteligência. Segundo este autor, a inteligência centrava-se na capacidade de resolver interesses e de elaborar interesses num ambiente cultural ou comunitário. Para o autor, todas as pessoas nascem com potencial para desenvolver as diversas inteligências e seria das interações que têm com o meio ambiente e com a cultura que a inteligência de cada individuo seria mais desenvolvida que outras. Desta forma, Gardner ultrapassa a ideia de que a inteligência era uma capacidade inata, geral e única, que permitia aos indivíduos um desempenho maior ou menor em qualquer área de atuação, concluindo que o indivíduo tem ao seu alcance diversos graus em cada uma das inteligências e diferentes formas de as combinar e organizar podendo, assim, utilizar estas aptidões mentais para a resolução de problemas e criação de interesses (Newsome et al., 2000). O conceito de inteligência estudado prendia-se com a inteligência racional que era medida através dos chamados testes de inteligência, normalmente, a Wechsler Adult Intelligence Scale – III (WAIS-III) para os adultos e a Wechsler Intelligence Scale for Children – III (WISC III) para as crianças. Os resultados destes testes baseavam-se apenas nos quocientes verbal, de realização e total, demonstrando serem importantes principalmente a nível de diversas profissões, especialmente quando exigem funções em que seja necessário utilizar complexas associações intelectuais. No entanto, e relativamente a estes testes, deverá ser tido em consideração aquilo que Fox e Prilleltensky (1997) considerando estes autores que os testes de inteligência clássica poderiam ocasionar diversos danos aos indivíduos e aos grupos que eram estigmatizados como intelectualmente inferiores (Fineman, 2000). Posteriormente 45 começaram a surgir novos estudos que apontavam para a hipótese de que as emoções talvez fossem a verdadeira medida da inteligência humana (Granacher, 1998). Segundo Fineman (2000) a inteligência clássica, alicerçada nas aptidões linguísticas e matemáticas, confiava que o sucesso estaria no aproveitamento do raciocínio lógico, menosprezando os fatores interpessoais e a competência individual em lidar com as emoções. Já para Granacher (1998) a inteligência emocional não seria a única razão para se atingir o sucesso, haveria que ter em atenção aspetos como a inteligência prática, as capacidades sociais e estabilidade emocional, isto é, todos os elementos do pensamento construtivo, que podem ter um peso muito mais importante. Foi em 1989 que surgiu a teoria de Carton e Kihlstrom, que indicaram que a inteligência social configura os aspetos cognitivos da personalidade e se baseia num conhecimento processual que é proeminente para a vida social (Newsome et al., 2000). Para Schneider, Ackerman e Kanfer (1996), a inteligência social é uma das diversas dimensões que estabelecem o conceito mais global da competência social (Newsome et al., 2000). Com o surgimento de estudos mais recentes na área da neuropsicologia, foi possível o mapeamento do cérebro humano em funcionamento, o qual demonstra como são norteados os mecanismos das emoções (como é o caso do amor, da tristeza, da raiva, entre outras), conduzindo ao surgimento de uma nova ótica de inteligência, mais ampla que a inteligência tradicional, entendida como um mero legado intelectual recebido de forma inata e genética (Goleman, 1995). Segundo Goleman (1995) num largo período de tempo, falava-se de forma vaga sobre as capacidades a que chamavam de temperamento e personalidade ou capacidades interpessoais. Refere o mesmo autor que nos tempos mais recentes fala-se da inteligência emocional englobando todas estas competências. Tal como já referido no ponto referente às emoções, as emoções que sentimos no quotidiano revelam ter uma grande importância nas mais diversas áreas da vida dos seres humanos, assim como na sua própria sobrevivência, visto servirem: como um processo interno de orientação, despertando quando as necessidades humanas não são encontradas; nas tomadas de decisão pois, como facilmente compreendemos, uma pessoa que tenha as conexões danificadas no cérebro já não consegue decidir em situações básicas; na comunicação, pois através das emoções o individuo consegue comunicar com outro ou outros; no ajuste de limites, pois confiando nas emoções essas 46 irão ajudar a adaptar os limites que, consequentemente, auxiliam na salvaguarda da saúde mental e física; na união, as emoções serão provavelmente a maior causa de conseguir unir os indivíduos (Goleman, 1995). Esta noção de inteligência emocional foi pela primeira vez utilizada num artigo com o mesmo nome, sendo encarada como uma subclasse da inteligência social, cujas habilidades estariam relacionadas com a capacidade dos indivíduos gerirem os seus próprios sentimentos e emoções e os dos outros e, consequentemente, utilizarem essa informação para nortear o seu pensamento e as suas ações (Bueno & Primi, 2003). Foi por volta dos anos 80 que surgiu um modelo pioneiro de inteligência emocional, proposto por um psicólogo israelita, Reuven Bar-On (Rocha, 2005). A teoria da IE deste autor apareceu pela primeira vez na sua dissertação de doutoramento, sendo posteriormente alterada em consonância com os dados de diversas investigações posteriores. Esta mesma teoria foi resumida em 1992, num manuscrito inédito, denominado, The Development of a Concept and Test of Psychological Well Being (Rocha, 2005). Como refere Rocha (2005), o modelo descrevia a inteligência emocional como um vasto número de qualidades pessoais, sociais e emocionais, que influenciavam as pessoas na forma como estas reagiam às exigências do meio envolvente e obtinham sucesso. Foi assim, Bar-On quem desenvolveu o termo quociente emocional (Rocha, 2005). Bar-On (1997) refere que os indivíduos emocionalmente inteligentes são capazes de reconhecer e expressar as suas emoções, gozam de uma autoestima positiva e estão habilitados para atualizar as suas potenciais aptidões. Reconhece, nesse tipo de pessoas, a capacidade para compreender a forma como as outras pessoas sentem, sendo estas capazes de desenvolver e manter relações interpessoais positivas e responsáveis, sem que se tornem dependentes dos outros. São indivíduos por norma otimistas, realistas, flexíveis e bem-sucedidos na forma eficaz como gerem o stress e atuam durante o processo de resolução de problemas (Bar-On & Parker, 2000). Para Bar-On (1997) faz todo o sentido utilizar o conceito de inteligência emocional devido ao facto de que o conceito de inteligência geral, se baseia em diversas capacidades e competências, que auxiliam as pessoas a lidar eficazmente com os aspetos da vida. O acessório emocional só vem demonstrar que este tipo de inteligência é diferente da conhecida inteligência cognitiva (Bar-On & Parker, 2000). 47 Em 1990, John Mayer e Peter Salovey adotaram uma visão mais ampla da inteligência, tentando reinventá-la em termos daquilo que é necessário para ter sucesso na vida (Soeiro, 2003). Esta linha de investigação trouxe a oportunidade de medir a inteligência emocional através de um modelo de aferição designado por QE, à semelhança do QI utilizado para avaliação da inteligência analítica (Soeiro, 2003). Para Mayer e Salovey (1990) a inteligência emocional consiste na capacidade de reconhecer o significado das emoções e as suas relações, raciocinar e resolver os problemas (Mayer et al., 2000). Estes autores vêm acrescentar ao conceito de inteligência emocional a capacidade de compreender as emoções, perceber as emoções relativas aos sentimentos, entender a informação dessas emoções e trabalhar com elas. A emoção é algo interno que organiza e coordena subsistemas psicológicos, tais como as respostas psicológicas, as cognições e a própria consciência (Mayer et al., 2000). Em 1997, estes dois autores expõem uma revisão ampliada, clarificada e mais organizada do modelo anteriormente referido, que enfatizava a perceção e controlo da emoção mas esquecia o pensamento sobre o sentimento, considerando, assim, a inteligência emocional como um conceito mais global, abarca um grupo de capacidades que são diferentes das dimensões tradicionais da inteligência (Soeiro, 2003). Não obstante Mayer e Salovey terem sido os primeiros autores a estudarem o conceito de inteligência emocional no seu todo, foi Daniel Goleman quem mais o popularizou, com o seu livro Emotional Intelligence: Why it can matter more than IQ, publicado em 1995 (Constantino, 2010). Para Goleman só existe uma inteligência, visto que o cérebro humano opera como um todo, abarcando tanto os aspetos cognitivos como os aspetos emocionais. Menciona, ainda, que os processos emocionais de inteligência foram, durante um longo período de tempo, desprezados, sendo os sentimentos e as emoções encarados como algo que tinha de ser reprimido e controlado para que, desta forma, não abalassem o raciocínio lógico (Constantino, 2010). Goleman (1995) refere que a experiência e a expressão das emoções é um domínio da inteligência emocional. O autor aponta, ainda, que o sucesso obtido ao longo da vida de uma pessoa é mais da responsabilidade da inteligência emocional do que da inteligência cognitiva (Constantino, 2010). Segundo Goleman (1995), a IE é constituída por um conjunto de competências dos seres humanos, tais como: a capacidade para nos motivarmos a nós próprios; a aptidão para controlar os impulsos e lidar com as recompensas; a capacidade para 48 regular os humores e manter a angústia distante do pensamento; e possuir empatia e zelo (Soeiro, 2003). Para Goleman (1995) a inteligência emocional descreve capacidades diferentes e complementares da inteligência tradicional, que é constituída por capacidades puramente cognitivas, medidas pelo quociente de inteligência. Goleman, refere que a inteligência emocional traz um melhoramento na performance de cada individuo e consequentemente de toda a equipa (Goleman, 1995). Também para Cooper e Sawaf (1997) a inteligência emocional é a capacidade de sentir, perceber e aplicar eficazmente o poder e a eficácia das emoções como uma fonte de energia humana, informação, conexão e influência (Fineman, 2000). Johnston (2000) menciona que a teoria da inteligência emocional parece explicar o porquê de algumas pessoas com níveis de inteligência média serem bem-sucedidas na vida, enquanto outras com os mesmos níveis de inteligência o não são. Assim, desta forma, a autora avalia que a inteligência cognitiva apenas contribui para cerca de 20% do sucesso de uma pessoa, sendo que o restante resulta do seu conhecimento para lidar com as próprias emoções e com as emoções dos outros (Soeiro, 2003). Para Johnston (2000), a inteligência emocional é o balanço entre o racional (o pensamento) e o emocional, salientando que diversas pesquisas neurológicas comprovam que os seres humanos têm o equivalente a duas mentes, o mesmo será dizer, têm dois tipos de inteligência, que funcionam de uma forma independente, em que uma pensa e a outra sente (Soeiro, 2003). Foi também nos anos 90 que Damásio desenvolveu trabalhos que sustentam cientificamente a IE. No seu livro, O Erro de Descartes, demonstrou, através da investigação que levou a cabo, a importância das emoções no processo de tomada de decisões e no comportamento social. Já os livros “Ao encontro de Espinosa” e “Consciência de si” trouxeram a consistência e credibilidade deste modelo (Sobral, 2006). Até há relativamente pouco tempo, o sucesso dos indivíduos era avaliado pelo seu quociente de inteligência (raciocínio lógico, capacidades matemáticas e espaciais) (Sobral, 2006). No entanto, com a evolução dos conceitos de inteligência, percebeu-se que os testes de quociente de inteligência serviriam somente para avaliar as capacidades de um indivíduo em resolver testes de quociente de inteligência (Soeiro, 2003). Foi perante este facto que surgiram diversos estudos, como é o caso de Goleman (1995), que vem provar que o controlo das emoções é um aspeto basilar no desenvolvimento da 49 inteligência do indivíduo, e que esse controlo pode ser trabalhado (Constantino, 2010). É a partir deste princípio que é dada à inteligência emocional uma maior responsabilidade no sucesso e no insucesso das pessoas, quer seja a nível das situações laborais, quer nos demais aspetos da vida diária das pessoas (Constantino, 2010). Será de todo relevante mencionar que a inteligência emocional e o quociente de inteligência não são capacidades que se opõem, mas certamente capacidades distintas (Goleman, 1995). 1.5.1 - Modelos de Inteligência Emocional 1.5.1.1 - Modelo de Inteligência Emocional de Mayer, Salovey e Caruso A teoria destes autores, no que diz respeito ao conceito da inteligência emocional, está alicerçada nas ideias chave das áreas da inteligência e das emoções, motivo pelo qual o presente trabalho procurou analisar previamente estes dois conceitos. Como anteriormente referido, e em jeito de síntese, das teorias relativas ao conceito de inteligência emerge a ideia de que a inteligência abarca a capacidade para desenvolver o pensamento abstrato. Já no que se refere às teorias respeitantes ao conceito de emoção, surge a noção de que as emoções são sinais significativas nos relacionamentos e de que existem emoções básicas que são universais (Mayer et. al., 2001). Segundo Mayer, Salovey e Caruso (2000) existem cinco domínios de inteligência emocional, encontrando-se estes divididos em duas grandes áreas relacionais: a) a interpessoal, que engloba o relacionamento com os outros e a empatia (a forma como as pessoas são sensíveis aos sentimentos e às preocupações dos outros); b) e a intrapessoal, que reúne o autoconhecimento (quando existe uma monitorização das reações emocionais de si mesmo, de forma a identificar os sentimentos à medida que eles emergem), a gestão de emoções (surge a partir da compreensão das origens motivacionais do autoconhecimento, de forma a gerir os sentimentos adequadamente, à medida que eles aparecem) e a motivação (impõe que os indivíduos orientem as emoções de forma segura) (Mayer et. al., 2001). Para Mayer e Salovey (2000), as pessoas empregam os processos que estão relacionados com a IE quando uma informação completa de afeto entra no seu sistema percetivo, sendo que este processo é constituído por três fases (Mayer et. al., 2001): 50 I. Avaliação e expressão das emoções em si mesmo e nos outros – constituída pela componente da avaliação e expressão das emoções de si mesmo e a avaliação das emoções dos outros. Nesta fase, quando se fala da própria pessoa, existe uma divisão desta componente nas subcomponentes verbal e não-verbal, quando aplicada aos outros, esta componente é dividida em perceção verbal e empatia. Este aspeto da IE envolve a consciência das pessoas para os seus humores e pensamentos de acordo com o humor; II. Regulação da emoção em si próprio e nos outros – a segunda componente da inteligência emocional reporta-se à regulação das emoções, quer seja em nós próprios, quer seja das emoções das outras pessoas; III. Utilização da emoção para adaptação – nesta categoria são utilizadas as componentes de pensamento flexível e de pensamento criativo, e a redirecção da atenção e da motivação. No ano de 1997, Mayer e Salovey reformularam o modelo dando maior importância aos aspetos cognitivos da IE e conceptualizando esta em termos do potencial para o desenvolvimento intelectual e emocional, o novo modelo de IE, derivado desta reformulação, passa a ser constituído por uma hierarquia de quatro níveis (Mayer et. al., 2000): i. A perceção, avaliação e expressão da emoção, que inclui: a aptidão para identificar as emoções, quer em si, quer nos outros; a competência de expressar essas emoções e as necessidades que estão com elas relacionadas; e a capacidade de avaliar a autenticidade de uma expressão emocional, isto é, perceber se a expressão emocional é verdadeira, falsa ou há tentativa de manipulação. ii. O uso das emoções para facilitar o pensamento, que não é nem mais nem menos do que servir-se das emoções como um processo de alerta que conduz a atenção e o pensamento para as informações (internas e externas) mais relevantes. O poder e a capacidade de gerar sentimentos em si mesmo pode ajudar as pessoas a decidir, operando como um ensaio no qual as emoções podem ser geradas, sentidas, manipuladas e examinadas antes da tomada de decisão. iii . A compreensão e a análise de emoções, que diz respeito à capacidade de conseguir qualificar as emoções, reconhecendo as diferenças e as semelhanças entre elas e à capacidade de perceber a possibilidade de existência de sentimentos complexos, como é o caso de gostar e odiar a mesma pessoa. 51 iv. O controlo refletivo das emoções, que visa promover o desenvolvimento emocional e intelectual, o qual se refere à competência de controlar, tolerar e perceber as reações emocionais, quer elas sejam agradáveis ou não, dando-lhes a devida importância e sabendo reagir no momento adequado (Soeiro, 2003). Mayer e Salovey (2000) mudam o conceito por variadas vezes, adicionando sempre algo novo ao modelo (Constantino, 2010). Em 1999, Mayer et al. apontaram para o facto de o conceito de inteligência emocional albergar dois conjuntos: Experiências Emocionais (capacidade para compreender, responder e manipular informação emocional sem que obrigatoriamente a entenda) e Racionalização das Emoções (competência para compreender e gerir emoções). Cada um destes conjuntos está dividido em duas áreas, que alternam entre processos psicológicos básicos e processos mais complexos, os quais são constituídos pela emoção e pela cognição (Soeiro, 2003) (Quadro 3) Quadro 3 – Áreas e subáreas do modelo de IE de Mayer, Salovey e Caruso Experiencias emocionais Áreas Racionalização das emoções Perceção das Utilização das Compreensão Gestão das Emoções Emoções das Emoções Emoções A inteligência emocional apresenta, deste modo, um acréscimo àquilo que se entendia, até então, sobre a inteligência social. A IE vem acrescentar, para além do raciocínio sobre as emoções nas relações sociais, o raciocínio sobre as emoções internas que são relevantes para o crescimento pessoal (Soeiro, 2003). Segundo Schutte e colaboradores (1998) a perceção, a avaliação e a expressão de emoções são vistas como um processo mais básico, no entanto, a regulação refletida das emoções pede um processamento mais complexo (Soeiro, 2003). Mayer et al. (2000) concluem que o fator geral da IE pode ser decomposto em três subescalas: a perceção, a compreensão e a gestão das emoções. Para além disso, através das suas investigações, perceberam que a inteligência emocional não está dissociada de outras inteligências, no entanto, esta é vista como um tipo de inteligência diferente. Assim, a IE mostra capacidade para prever outras qualidades, como é caso da 52 empatia e do estilo parental, isto é, a IE pode prever aspetos comportamentais como a calorosidade emocional dos pais, a competência para ouvir os filhos, o comportamento não abusivo, a flexibilidade e as atividades do dia a dia nos aspetos culturais e crescimento pessoal. A capacidade para compreender as emoções das pessoas está relacionada com a empatia, a experiência e a inteligência geral. Os indivíduos capazes de reconhecer as emoções dos outros patenteiam ser mais empáticos e intelectualmente mais inteligentes. As pessoas defensivas estão menos aptas para identificar nitidamente as emoções (Soeiro, 2003). Para Soeiro (2003) a inteligência emocional é vista como um aspeto que pode ser aprendido e não como uma coisa que é inata ou hereditária. Para o mesmo autor, a IE, contrariamente ao QI, que se mantém estável ao longo de toda vida, é algo que se pode aprender e desenvolver. No seguimento desta ideia, investigadores como Mayer e Geher (1996) apontam três causas possíveis para explicar o facto de determinadas pessoas serem melhores a reconhecer adequadamente as emoções dos outros. A primeira razão diz respeito à competência, ao nível do processamento cognitivo, ou seja, existem pessoas melhores no processamento da informação que outras. Já a segunda é atribuída à maior abertura para as suas próprias reações emocionais, assim como para as reações dos outros. Por fim, reporta-se ao maior conhecimento acerca dessas mesmas conexões (Soeiro, 2003). Mayer, Salovey e Caruso (2000) criaram o Mayer-Salovey-Caruso Emotional Intelligence Test (MSCEIT) para avaliar a IE. O MSCEIT é um teste constituído com base nas quatro grandes áreas de avaliação da IE: perceção das emoções, utilização das emoções, compreensão das emoções e gestão das emoções. É um teste de aptidões ou competências emocionais, que avalia a capacidade de agir e resolver problemas emocionais calculando a IE através de um resultado global total, sendo este resultado final considerado o desempenho global do sujeito (Mayer et. al., 2001). Esse teste foi elaborado para ser aplicado a pessoas com idade superior a 17 anos, sendo considerado um teste, na sua aplicação individual ou em grupo, muito profícuo em contextos educacionais, clínicos ou de investigação. Os itens deste teste permitem-nos obter informação acerca das quatro componentes principais do modelo de IE, propostas pelos autores: a capacidade de identificação das emoções; a aptidão de as utilizar para auxiliar no pensamento, resolução de problemas e criatividade; a 53 competência para compreender as suas próprias emoções; e a capacidade para gerir as suas emoções de forma a obter um crescimento pessoal (Mayer et. al., 2001). As subescalas para a área perceção das emoções avaliam a capacidade de reconhecer as próprias emoções e as emoções dos outros. As subescalas para a área utilização das emoções calculam a competência para ter em consideração os sentimentos, de modo a empregar um significado ajustado às situações. Esta competência auxilia a pessoa a solucionar os problemas de forma apropriada e criativa (Mayer et. al., 2001). As subescalas para a área compreensão das emoções estimam a noção acerca da forma como as emoções se ajustam e evoluem (negativamente ou positivamente) através do tempo e nas interações com as outras pessoas Finalmente, as subescalas para a área gestão das emoções avaliam a capacidade para lidar com sentimentos de forma criteriosa e refletida, ao invés de agir meramente sem pensar. Esta capacidade para gerir as emoções eficazmente está estreitamente ligada à consciência, aceitação e utilização das emoções na resolução de problemas (Mayer et. al., 2001). 1.5.1.2 - Modelo de Inteligência Emocional de Goleman Daniel Goleman (1995) tendo como base as investigações de Mayer e Salovey (1990) decidiu iniciar a sua própria investigação na área da inteligência emocional. Goleman, no seu modelo, identifica cinco capacidade na IE: Autoconsciência, Gestão de Emoções e Automotivação – competências pessoais (intrapessoais) que determinam a forma como nos gerimos a nós próprios” (Goleman, 2005: 34); Empatia e Gestão de Relacionamentos em Grupos – competências sociais (interpessoais) que “determinam a forma como lidamos com as relações” (Goleman, 2005: 35). No que diz respeito à autoconsciência, esta é vista como a capacidade para perceber as suas próprias emoções e identificar a sua importância no processo de tomada de decisão. É considerada a competência basilar da IE, visto que a maioria das restantes capacidades emocionais se alicerçam na autoconsciência. Só depois dos indivíduos reconhecerem as suas próprias emoções, poderão moderá-las e controlá-las (Goleman, 2003). No que se refere à gestão de emoções, esta é caracterizada pelo processo de gestão das próprias emoções e impulsos, adaptando-se à mudança. Emoções básicas 54 como o medo, tristeza ou ira são consideradas como mecanismos necessários à sobrevivência do ser humano, sendo que as pessoas que não saibam gerir as suas emoções estão constantemente com sentimentos de angústia, enquanto as que o sabemno fazer obtêm um melhor sucesso no seu dia a dia (Goleman, 2003). Já no que concerne à automotivação, Goleman (2005: 324) define-a como o usar das “nossas preferências mais profundas para avançar e nos guiar para os nossos objetivos, para nos ajudar a tomar a iniciativa e ser altamente eficientes e para perseverar face a contrariedades e frustrações”. A automotivação liga-se à IE, visto que as emoções por si mesmo são um fator de motivação com caracter de sobrevivência, ativado por um estado interno (Goleman, 2003). Em relação à empatia, esta é considerada de grande importância em relação às capacidades pessoais e diz respeito à compreensão dos sentimentos e emoções dos outros. Os indivíduos mais empáticos estão mais sensíveis aos sinais sociais, compreendendo com maior facilidade o que os outros desejam. A empatia trará a tendência para estar atento às emoções dos outros, quer estas sejam transmitidas por canais verbais ou não verbais (Goleman, 2003). Por último, a gestão de relacionamentos em grupo, que consiste na competência emocional de reconhecimento dos sentimentos de outra pessoa e de atuar de modo a influenciar esses mesmos sentimentos. Esta competência permite ter bons relacionamentos íntimos e uma grande eficácia nos relacionamentos interpessoais, sendo que a falta dela poderá levar ao fracasso das relações sociais (Goleman, 2003). Goleman (1995) reúne um conjunto de competências emocionais no conceito de IE, referindo que estas são inatas, mas que podem ser aprendidas e que devem ser trabalhadas e desenvolvidas para se poderem atingir desempenhos elevados. O autor acrescenta, ainda, a ideia de que as pessoas nascem com uma inteligência emocional geral, sendo que esta estabelece o seu potencial para aprender competências emocionais. Segundo ele, a disposição destas competências não é simplesmente causal, despontam de uma sinergia conjunta que sustenta e facilita cada uma dessas competências (Soeiro, 2003). Refere Soeiro (2003) que a principal diferença entre este modelo e o modelo de inteligência emocional de Mayer, Salovey e Caruso (2000) é que este se apresenta circunscrevendo cinco constructos de IE (autoconsciência, gestão de emoções, automotivação, empatia e gestão de relacionamentos em grupos), enquanto o anterior 55 apresenta a IE como um fator geral que pode ser dividido em três subescalas (a perceção, a compreensão e a gestão das emoções), reconhecendo, particularmente, que a aptidão para identificar as emoções dos indivíduos se relaciona de forma especial, com a empatia, a experiência e a inteligência geral. 1.5.1.3 - Modelo de Inteligência Emocional de Bar-on Reuven Bar-On, por volta de 1997, foi quem desenvolveu a primeira medida de inteligência emocional, a qual denominou de quociente emocional (QE) (Rocha, 2005). O modelo de inteligência emocional de Bar-On realça as competências emocionais e sociais, entre as quais: competência para compreender e expressar as próprias emoções; perceber e relacionar-se com os outros; capacidade para estar atento; competência para aguentar emoções fortes, adaptação à mudança e resolução de problemas de natureza pessoal ou social (Bar-On, 2000). No modelo de inteligência emocional de Bar-On, a IE é vista como um grande número de capacidades não cognitivas, competências emocionais, pessoais e sociais, que influem na capacidade do indivíduo para se relacionar de forma segura e eficaz com as exigências e pressões do ambiente (Bar-On, 2000). Segundo Bar-On (2000) a IE é constituída por quinze (15) componentes emocionais (semelhantes a traços de personalidade, mas suscetíveis de mudança e adaptativas ao longo da vida) e cinco fatores principais. Assim, no que diz respeito aos fatores principais, este modelo de inteligência não cognitiva, inclui fatores de distinta importância, como é a competência intrapessoal, a competência interpessoal, a adaptabilidade, as estratégias de gestão de stresse e os fatores de humor motivacionais e gerais. Por competência intrapessoal entenda-se a capacidade que o individuo tem para estar seguro das suas emoções, para se compreender a si próprio e para expressar os seus sentimentos e os seus pensamentos. A competência interpessoal diz respeito à aptidão para ser consciente, perceber e apreciar os sentimentos dos outros e estabelecer e manter relações satisfatórias e responsáveis com os outros. A adaptabilidade é a capacidade que as pessoas têm para serem flexíveis e alterarem os sentimentos e os pensamentos com a mudança de situações e para solucionar os problemas. As estratégias de gestão de stresse são a competência para suportar situações de stresse e o controlo de emoções fortes. Os fatores de humor motivacionais e gerais são a 56 competência para as pessoas serem otimistas, possuírem autoestima e estimarem os outros, sentindo e expressando sentimentos positivos. Este modelo de inteligência emocional de Bar-On afigura-se com uma concetualização diferente de todos os outros, sendo a IE nele defendida passível de ser medida numa escala de cinco áreas principais e quinze subáreas (Soeiro, 2003) (Quadro 4). Quadro 4 – Áreas e subáreas do Modelo de IE de Bar-On Áreas Capacidade Capacidade Intrapessoal Interpessoal Autoconsciência Emocional; Subáreas Assertividade; Auto estima; Auto atualização; Independência. Adaptabilidade Empatia; Estratégias Gestão do Stresse Humor Tolerância Relacionamento Resolução de ao Interpessoal; Problemas; Stresse; Felicidade; Responsabilidad Realismo; Controlo Otimismo. e Flexibilidade. de Social. Impulsos. Embora constatemos a existência de três modelos distintos de inteligência emocional, existem semelhanças teóricas e estatísticas entre os modelos atrás mencionados. Globalmente, todos os modelos desejam avaliar, compreender ou medir os elementos que abrangem o reconhecimento e a regulação das próprias emoções e as dos outros (Soeiro, 2003). Para Soeiro (2003) os três modelos acreditam na existência de componentes chave da IE, existindo mesmo uma concordância quanto ao conceito desses componentes. Para o mesmo autor, verifica-se que os três modelos assentam nos conceitos de perceção e/ou auto conhecimento das emoções e gestão das mesmas, como elementos chave. Os diferentes testes de medida da IE encontram-se relacionados e avaliam globalmente aspetos similares. Brackett e Mayer (2003) encontram semelhanças significativas entre a utilização das emoções avaliada pelo MSCEIT de Mayer e Salovey (2000) e a subescala interpessoal avaliada pelo EQ-I de Bar-On (1997) (Soeiro, 2003). 57 O EQ-I é um instrumento de medida da IE criado por Bar-On encontrando-se disposto por cinco áreas de avaliação: capacidade intrapessoal, capacidade interpessoal, adaptabilidade, tolerância ao stresse e gestão do humor, que por sua vez se subdividem por quinze subáreas (Soeiro, 2003). Já o MSCEIT é um teste que está organizado segundo quatro áreas de avaliação (perceção das emoções, utilização das emoções, compreensão das emoções e gestão das emoções), calculando a IE através de um resultado global total, sendo este o desempenho global do sujeito (Soeiro, 2003). A importância, a nível científico, destes dois testes de medida da IE (EQ-I e MSCEIT) serviu de suporte ao instrumento criado por Fernandes (2005), o qual foi utilizado no presente estudo. Deste modo foram abordados neste ponto, o conceito de IE, os diferentes modelos de IE dos autores que pensamos serem os mais importantes no contributo do seu estudo e, ainda, a metodologia de avaliação da inteligência emocional. Revela-se assim a importância de assimilar estes conceitos tratados anteriormente e integrá-los na dinâmica da Polícia de Segurança Pública (PSP) no sentido de que possamos compreender a nossa investigação. 1.6 - Polícia de Segurança Pública 1.6.1 - História O termo Polícia teve a sua origem no latim politia e no grego politeia e significava um conjunto de leis que asseguravam a ordem e a segurança pública (Oliveira, 2008). A Polícia é vista como uma “ uma força de segurança, uniformizada e armada, com natureza de serviço público e dotada de autonomia administrativa tendo como missão assegurar a legalidade democrática, garantir a segurança interna e os direitos dos cidadãos, nos termos da constituição e da lei” (www.psp.pt, 2011). Na Wikipédia (2011) Policia é designada pela “ atividade de assegurar a segurança das pessoas e bens, sobretudo através da aplicação da lei” (www.wikipedia.org). 58 A instituição Policia é indissociável da história de desenvolvimento social e económico da sociedade, revelando a sua grande importância nos seus valores e conflitos associados a cada sociedade em que está inserida. Se recuarmos um pouco conseguimos perceber que já no tempo de povos como os gregos, romanos e incas, povos que marcaram a história mundial, existia um regime policial rígido. Seabra (2008) refere que foi durante o domínio do Império Romano que foi criado pela primeira vez uma polícia militar (guarda pretoriana) que tinha como principais funções proteger o imperador e patrulhar a cidade de Roma, e uma polícia civil (os vigile) que deveriam assegurar a ordem pública. Nos antepassados até ao século XVIII, os sistemas policiais na Europa eram extremamente ligados aos serviços militares, preocupando-se principalmente com o controlo social e com a proteção urbana. As alterações ocorridas durante o século XIX com as mudanças sociais e demográficas, principalmente influenciadas pela revolução industrial, levaram a que as forças policiais começassem a ser profissionalizadas, seno que o primeiro sistema conhecido ocorreu em Londres em 1829 com a Metropolitan Police (Seabra, 2008). No que diz respeito à realidade portuguesa, até à segunda metade do século XV pouco é conhecido a nível de polícia. Foi apenas no reinado de D. Afonso V que começaram a aparecer documentos, conhecidos como “ordenações afonsinas”, que revelavam matéria penal, no entanto foi apenas com D. Afonso II, influenciado pelo “Código Visigótico” e pelo “ Direito Romano” que surgiram as primeiras leis gerais (Seabra, 2008). Foi através de D. Fernando I que nasceu o primeiro grupo de agentes de policia que eram designados de “Quadrilheiros”. Estes eram recrutados mesmo contra a sua vontade, ficando ligados por juramento durante três anos consecutivos e tendo como obrigação colocar a sua arma (vara) junto à sua porta como sinal de autoridade. Só a partir de 1460 com D. Afonso V é que esses elementos policiais começaram a ter algumas regalias sociais e económicas, pois até então não possuíam qualquer tipo de regalia (Seabra, 2008). O terramoto de Lisboa ocorrido em 1755 acarretou na sociedade portuguesa uma desordem pública levando o Marquês de Pombal a criar um organismo que envolvesse todas as leis já publicadas, sendo que por volta de 1760 surgiu a Intendência da Polícia 59 da Corte e do Reino, altura esta que em o termo Policia se tornou vulgar no vocabulário português (Seabra, 2008). Já a Polícia de Segurança Pública foi inicialmente criada em Lisboa e Porto, na altura do reinado de D. Luís em 1867, estando ligada ao Ministério da Justiça e do Reino (Alves e Valente, 2006 cit. in Seabra, 2008). Mas foi por volta de 1896 que os Corpos de Policia passaram a efetuar funções específicas ao nível da segurança pública, de inspeção administrativa e de investigação, demonstrando assim alguns traços semelhantes ao que a Policia desempenha hoje. Com o surgimento da República em 1910 e devido ao surgimento de modificações a nível económico e social na sociedade portuguesa, foi criada em 1918 a Direção Geral de Segurança Pública, na dependência do Ministério do Interior a que se inseria a Policia de Segurança Pública (Seabra, 2008). Com a chegada do Estado Novo que a Policia de Segurança Publica tornou-se mais organizada devido à publicação do quadro de pessoal da PSP, onde se fez um grande aumento no efetivo da Policia, e onde foram criadas diversas valências, tais como a Polícia política (P.I.D.E.), a Polícia de viação e trânsito, a Polícia de choque e o treino de cães (Seabra, 2008). Nos anos 40 a Policia começa a efetuar policiamento no Aeroporto de Lisboa e em recintos fechados, sendo também criado o regulamento disciplinar e o plano de uniformes da PSP. (Seabra, 2008). Foi na década de 60 devido a um grande aumento demográfico nos grandes centros urbanos e ao surgimento de diversos conflitos que foi criado o número de emergência, inicialmente definido por 111 e que depois passou para o 115 e atualmente o 112 (Seabra, 2008). No início dos anos 70 a Policia começa a admitir em maior número elementos do sexo feminino na corporação (Seabra, 2008). Com a revolução de abril de 1974, foi criado um clima de anarquia na P.S.P., onde os elementos policiais atuavam pelo mínimo, de forma a não serem associados ao regime político anterior, deixando para segundo plano a vertente repressiva e passando para uma atuação preventiva. Desde dessa altura até 1985 a segurança interna do país tinha como principais objetivos restabelecer a autoridade democrática do estado e na recuperação do prestígio da Policia (Seabra, 2008). Durante este período que foi criado o Grupo de Operações Especiais e a Escola Superior de Polícia. 60 Em 1996 foi criado o organismo que fiscaliza a Polícia nível interno, a InspeçãoGeral da Administração Interna (I.G.A.I.) tendo como missões apreciar queixas e reclamações por deficiente funcionamento, efetuar inspeções a ilegalidades pelos serviços e instaurando inquéritos e processos disciplinares (Seabra, 2008). As alterações ocorridas durante o século XX na sociedade portuguesa fizeram com que a instituição Polícia de Segurança Pública se solidificasse como uma força de natureza civil e não militarizada, sendo dirigida nos seus objetivos para o serviço público que é prestado à comunidade (Seabra, 2008). 1.6.2 - Estrutura, Missão e Objetivos A Organização Polícia de Segurança Pública, mais conhecida pela sigla PSP, é uma força de segurança de serviço público, dependente do membro do Governo responsável pela Administração Interna. A sua organização é única para todo o território nacional, sendo a sua função principal defender a legalidade democrática, garantir a segurança interna, bem como os direitos dos cidadãos, nos termos do disposto na Constituição e na Lei. É uma organização hierarquizada em todos os níveis da sua estrutura com respeito pela diferenciação entre funções policiais e funções gerais de gestão e administração públicas, obedecendo as primeiras à hierarquia de comando e quanto as segundas às regras gerais de hierarquia da função pública. Tudo o que interessa à ordem pública, à liberdade, à segurança e à tranquilidade dos cidadãos, diz respeito à atividade de polícia e esse modo de viver coletivo que às forças de segurança cumpre assegurar não é senão a própria civilização (Art.º 3, n.º 2 e 3 da Lei n.º 53/2007). Assim, a PSP, tem como missão e objetivos fundamentais, as seguintes competências (www.psp.pt, 2011): a) Promover as condições de segurança que assegurem o normal funcionamento das instituições democráticas, bem como o exercício dos direitos e liberdades e o respeito pelas garantias fundamentais dos cidadãos; b) Garantir a manutenção da ordem, segurança e tranquilidade públicas; c) Prevenir a criminalidade e a prática dos demais atos contrários à lei e aos regulamentos; 61 d) Prevenir a criminalidade organizada e o terrorismo, em coordenação com as demais forças e serviços de segurança; e) Garantir a execução dos atos administrativos emanados da autoridade competente que visem impedir o incumprimento da lei ou a sua violação continuada f) Garantir a segurança das pessoas e dos seus bens; g) Prosseguir as atribuições que lhe forem cometidas por lei em matéria de processo penal; h) Garantir a segurança rodoviária, nomeadamente através do ordenamento, fiscalização e regularização do trânsito; i) Garantir a segurança nos espetáculos desportivos e equiparados; j) Prosseguir as atribuições que lhe forem cometidas por lei em matéria de licenciamento administrativo; k) Participar na segurança portuária e da orla fluvial e marítima, nos termos definidos por lei; l) Garantir a segurança das áreas ferroviárias; m) Prestar ajuda às populações e socorro aos sinistrados e apoiar em especial os grupos de risco; n) Participar em missões internacionais, nos termos definidos pelo Governo; o) Cooperar com outras identidades que prossigam idênticos fins; p) Colher as notícias dos crimes, descobrir os seus agentes, impedir as consequências dos crimes e praticar os demais atos conexos; q) Contribuir para a formação e informação em matéria de segurança dos cidadãos; r) Prosseguir as demais atribuições fixadas na lei. É exclusivamente da responsabilidade da PSP, em todo o país; a) controlar o fabrico, armazenamento, comercialização, uso e transporte de armas, munições e substâncias explosivas e equiparadas que não pertençam às Forças Armadas e demais forças e serviços de segurança; b) Defender a segurança pessoal dos membros dos órgãos de soberania e de altas entidades nacionais ou estrangeiras, bem como de outros cidadãos quando sujeitos a situação de ameaça relevante; c) adotar as medidas de prevenção e repressão dos atos ilícitos contra a aviação civil, no âmbito da segurança aeroportuária (www.psp.pt, 2011). 62 A organização geral da PSP está definida na Lei n.º 53/2007 de 31 de agosto, sendo que esta se encontra organizada da seguinte forma: Na Polícia de Segurança Pública, os Comandos são unidades territoriais que procedem com as funções da instituição, na sua área territorial correspondente. Esses comandos territoriais classificam-se nos Comandos Regionais (Regiões Autónomas dos Açores e a Madeira); Comandos Metropolitanos (Lisboa e Porto) e de Polícia (localizados nas sedes de distrito: Aveiro, Beja, Braga, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Leiria, Portalegre, Santarém, Setúbal, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu). Cada um desses Comandos compreende, o Comando, os serviços e as subunidades, dependendo diretamente da Direção Nacional. As subunidades dos Comandos são: 1) a divisão policial que compreende a área operacional e administrativa; 2) a esquadra que compreende a área operacional. Conforme o estatuto da PSP os elementos com funções policiais agrupam-se, por ordem decrescente de hierarquia, nas carreiras de oficial de polícia, de chefe de polícia e de agente de polícia (Decreto-Lei n.º 299/2009 de 14 de outubro). A presente investigação, decorreu no Comando Regional dos Açores que é constituído pelas Divisões de Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta, embora o grande enfoque da mesma tenha decorrido na sede do referido Comando que é sediada 63 em Ponta Delgada e na totalidade da Divisão Policial de Ponta Delgada que consagra as ilhas de São Miguel e de Santa Maria. 1.6.3 - Policiamento O termo Policiamento deriva da atividade de policiar, sendo esta definida pelas políticas públicas de segurança como dizendo respeito a “um conjunto mais ou menos coerente de medidas tomadas pelas instâncias políticas legítimas, cujo objetivo, expressamente definido, é o de fornecer através da mobilização das instituições de segurança de regulação social e de outros parceiros públicos e privados (coletividades, associações e empresas), em resposta efetiva às diversas formas de insegurança, induzidas pelo fenómeno da insegurança” (Oliveira, 2006, cit in Oliveira 2008). As referidas políticas, são dirigidas aos polícias, à opinião pública, aos autores dos crimes e às vítimas. O policiamento de proximidade e comunitário surgiu na década de 90. Este tipo de policiamento com origem anglo-saxónica, compreende a articulação entre a polícia e a comunidade, tendo como objetivo a identificação e resolução dos problemas da comunidade, envolvendo a comunidade como elemento ativo para o melhoramento da segurança e qualidade de vida das pessoas. Neste tipo de policiamento são tido em conta dois aspetos que se complementam entre si, a saber a parceria comunitária e o processo de resolução de problemas. Em relação à parceria comunitária esta concentra-se na forma como a comunidade é envolvida na prevenção e controlo da criminalidade. Já em relação ao segundo aspeto, este é um processo onde as preocupações da comunidade são identificadas e resolvidas através de estratégias concertadas. Neste sentido, a presença da polícia desenvolve na comunidade uma maior confiança nos cidadãos na força policial, aumentando o sentimento de segurança e uma consequente diminuição da criminalidade. A polícia é uma instituição que se relaciona com diversos tipos de públicos e instituições. Estas relações poderão ser divididas em internas e externas. Quanto às internas trata-se das interações existentes entre os diversos departamentos dentro da organização. Em relação às externas, consistem na interação com os diferentes elementos da comunidade, isto é, com outros públicos externos à organização. Neste sentido a polícia criou programas comunitários dirigidos para as populações vulneráveis 64 à insegurança e inseridos nesta dinâmica do policiamento de proximidade. São exemplos desses programas a “Escola Segura”, dos “Idosos em Segurança”, do “Comércio Seguro” e da “Violência Doméstica”, sendo que para este ultimo aspeto até foram criados espaços físicos de apoio às vítimas desse tipo de crime. Para a execução do policiamento a Polícia estrutura os seus elementos em três formas diferentes de policiar. A primeira é aquela que é mais genérica e conhecida pela população. Trata-se do policiamento efetuado por elementos fardados, exercendo a sua atividade apeados ou através de meio auto principalmente focados na prevenção e na intervenção em conflitos que não exijam um grande grau de violência. A segunda forma de policiamento é feita através da investigação criminal, efetuada por elementos policiais “à civil” e com formação específica, focando a sua atividade na investigação dos crimes, embora também trate de aspetos como a prevenção da criminalidade. No que diz respeito à terceira forma, esta é efetuada pelas unidades especiais da instituição, como é o caso do Grupo de Operações Especiais, o Corpo de Intervenção, o Corpo de Segurança Pessoal, o Grupo Operacional Cinotécnico e o Centro de Inativação de Explosivos e Segurança em Subsolo. Respeitando estes três níveis de intervenção a PSP foca a sua atuação no Modelo Integrado de Prevenção e Intervenção Policial em áreas problemáticas (Quadro 5), adequando a resposta da sua intervenção conforme as situações e ativando os meios consoante aquilo que seja necessário numa intervenção policial. Este modelo recorre a diferentes níveis de atuação (5 níveis), permitindo assim uma atuação em três cenários distintos, isto é, a prevenção, a reação a incidentes e a realização de operações planeadas. Este modelo tem como objetivo gerir os recursos policiais de uma forma eficaz, garantindo assim uma economia de esforços, um menor risco para os elementos polícias e maior eficiência nos resultados obtidos na resolução das situações. 65 Quadro 5 - Modelo Integrado de Prevenção e Intervenção Policial em áreas problemáticas Como facilmente se percebe os elementos policiais no decorrer da sua atividade desenvolvem um vasto leque de funções e de atuações. Seabra (2008) refere as competências básicas que os polícias devem possuir para desempenhar adequadamente as funções que lhe são confiadas. Segundo este autor, um polícia: a) Apesar dos perigos de rotina que por vezes tem enfrentar devido ao patrulhamento, tem de ser capaz de reagir de imediato perante situações adversas; b) Boa capacidade de memória em relação às áreas de patrulha, às características físicas da zona a patrulhar e aos padrões de comportamento dos indivíduos conhecidos; c) Hábil no julgamento efetivo, de iniciativa e de resolução das situações; d) Boa capacidade no processo de tomada de decisão; e) Bom senso e maturidade na resolução de situações adversas, devendo estar preparados para a utilização da força se tal for necessário; f) Ter consciência crítica no que diz respeito a sinais que possam demonstrar a prática de crimes; 66 g) Diversas aptidões psicomotoras (conduzir automóvel em situação de perigo, disparar com precisão a arma de fogo, apresentar boa robustez física e agilidade); h) Manutenção de uma boa postura profissional nas relações com o público e outras organizações; i) Capacidade para manter ou restaurar o equilíbrio entre os grupos da sociedade (famílias, vizinhos, gangs); j) Boa capacidade de comunicação com os mais diversos sujeitos (colegas de profissão, outros elementos de outras forças de segurança, vitimas e suspeitos de crimes); Em suma os polícias devem ter abertura para responder às diversas eventualidades, nos mais diversos contextos e com diferentes públicos. 1.6.4 - Atribuições Exclusivas da PSP Como é referido no balanço social da PSP de 2010, são atribuições exclusivas da PSP: a) Licenciar, controlar e fiscalizar o fabrico, armazenamento, comercialização, uso e transporte de armas, munições e substâncias explosivas e equiparadas que não pertençam ou se destinem às Forças Armadas e demais forças e serviços de segurança, sem prejuízo das competências de fiscalização legalmente cometidas a outras entidades; b) Licenciar, controlar e fiscalizar as atividades de segurança privada e respetiva formação, em cooperação com as demais forças e serviços de segurança e com a Inspeção-geral da Administração Interna; c) Garantir a segurança pessoal dos membros dos órgãos de soberania e de altas entidades nacionais ou estrangeiras, bem como de outros cidadãos, quando sujeitos a situação de ameaça relevante; d) Assegurar o ponto de contacto permanente para intercâmbio internacional de informações relativas aos fenómenos de violência associada ao desporto. 67 1.6.5 - Recursos Humanos Segundo o balanço social da PSP em 2010, no dia 31 de dezembro a instituição integrando o “pessoal com funções policiais” e o “pessoal com funções não policiais”, tinha um efetivo de 22994 elementos, sendo que 21751 se enquadram em funções policiais e 1243 são elementos não policiais. Da totalidade do efetivo os elementos com funções policiais preenchem 96,6% dos recursos humanos da instituição, sendo que destes 92,7% são do género masculino e 7,3% do feminino. No entanto, pelo o facto da Polícia de Segurança Pública ter um grande número de missões, leva a que, por consequência diversos elementos com funções policiais estejam a desempenhar funções em diversos órgãos de soberania ou em algumas entidades públicas. Outros encontram-se empenhados em funções de organismos internacionais ou integrados em missões de cooperação no estrangeiro. Tendo em conta os dados estatísticos do Comando Regional da PSP Açores à data de janeiro de 2013 sobre os recursos humanos, este é composto por 914 elementos, onde 112 são do sexo feminino e 802 do género masculino, sendo que 33 são pessoal com funções não policiais e 881 com funções policiais. No que diz respeito à categoria profissional, estes agentes estão divididos pelas seguintes categorias: Superintendente (1); Intendente (1); Subintendente (1); Comissário (6); Subcomissário (27); Chefe (88); Chefe Principal (1); Agente Principal (435) e Agente (321). Já em relação ao intervalo da faixa etária em que se encontra o efetivo de pessoal do Comando Regional dos Açores os dados são os seguintes: 18-24 anos (7); 25-29 anos (85); 30-34 anos (174); 35-39 anos (271); 40-44 anos (151); 45-49 anos (109); 5054 anos (86); 55-59 anos (29) e 65-69 anos (2). Referente às habilitações literárias temos: 1º ciclo (29); 2º ciclo (43); 3º ciclo (475); Secundário (344) e Superior (22). 68 Capítulo II Construção e Validação da Escala de Conceção de Desempenho Profissional para Polícias (ECDP-P) 69 2.1 - Construção do Instrumento de Medida No capítulo II será abordada a forma como foi construída a Escala sobre a Conceção de Desempenho Profissional - Polícias (ECDP-P). No âmbito da revisão bibliográfica, não foi encontrado nenhum instrumento que fornecesse a totalidade da informação pretendida, nem qualquer escala que fosse utilizada para uma autoavaliação por parte dos Polícias. Por este motivo, procedeu-se à elaboração de um instrumento de raiz, que avaliasse as componentes/dimensões do fenómeno em estudo. A construção da escala aqui apresentada foi baseada e inspirada no instrumento utilizado pela Policia de Segurança Pública para avaliação dos agentes por parte dos seus superiores hierárquicos. Visto a PSP ser uma instituição com características muito específicas, respeitaram-se as dimensões preconizadas no instrumento já existente, por se considerar que as mesmas se mostravam adequadas à população alvo do estudo, abrangendo todas as funções descritas para a profissão de polícia e que se encontram enumeradas no capítulo I da presente dissertação. Assim, pretendeu-se construir um instrumento que investigasse a conceção dos elementos policiais sobre o seu desempenho profissional, sendo o desempenho operacionalizado nos fatores de avaliação do pessoal da PSP, que se encontra regulamentado na Portaria n.º 939/2003 (2ªSérie), de 22 de julho de 2003. Na elaboração desta escala foram salvaguardadas regras de apresentação, assim como a elaboração de perguntas de resposta fácil e clara, cujo conteúdo procurou respeitar os aspetos avaliados no instrumento acima referido. Esta nova escala ficou composta por 59 afirmações, sendo que 8 delas se destinam apenas aos polícias que têm funções de comando e chefia. Foram consideradas as catorze dimensões avaliadas no sistema de avaliação em vigor na PSP: sentido de responsabilidade e disciplina; apresentação pessoal e preocupação com a imagem da PSP; iniciativa e eficácia; determinação; autodomínio; dedicação e empenhamento na função; capacidade de adaptação; conhecimentos profissionais aplicados; cooperação e relacionamento humano; capacidade de julgamento; capacidade de comunicação; qualidade do trabalho desenvolvido; capacidade de organização e capacidade de chefia e liderança. Estas duas últimas dimensões dizem respeito apenas aos elementos policiais que possuam as já referidas funções de chefia e comando. 70 Na escala foram criados itens afirmativos e negativos, sendo estes distribuídos aleatoriamente numa escala Likert de cinco pontos. Este formato possibilita a resposta neutra, assim como respostas intermédias entre os polos, sendo percetível por pessoas com reduzidas ou elevadas habilitações literárias (Hill & Hill, 2005). Dos 59 itens da escala, 41 correspondiam a afirmações com sentido positivo, aos quais foi atribuída uma pontuação: nunca (1 ponto), raramente (2 pontos), algumas vezes (3 pontos), muitas vezes (4 pontos) e sempre (5 pontos). As 18 afirmações com sentido negativo tiveram a sua pontuação invertida, o que permitiu atribuir um mesmo sentido para todos os itens. A este propósito, referem Freire e Almeida (2001, p. 119) “A resposta sempre no mesmo sentido promove no sujeito a perceção de que já não precisa de ler as questões pois a sua posição e pontuação já se definiram”. Também a ter em conta, é a minimização do efeito da desejabilidade social, caracterizada por Freire e Almeida (2001, p.124) como a “tendência a responder de forma socialmente aceite”. O autor refere que essa situação se assume por vezes, como uma fonte de erro inferencial na construção de diversas escalas. A conceção que o indivíduo tem acerca do que os outros vão pensar da sua resposta ou posição face a uma determinada temática condiciona, tanto a sua resposta, como a intensidade da mesma. O efeito da desejabilidade social pode ser, de algum modo, minorado, considerando aspetos linguísticos e de construção dos itens e acautelando o anonimato e a confidencialidade dos dados (Freire & Almeida, 2001). Assim, considerando a soma de pontos dos sujeitos nos 59 itens do instrumento, foi possível inferir sobre a conceção do policia sobre o seu desempenho, sendo que quanto maior a soma de pontos, maior o nível de conceção de desempenho profissional. 2.2 - Pré-teste Depois da elaboração do questionário, realizou-se a administração do mesmo a um pequeno grupo de dez sujeitos com as características semelhantes às do público-alvo deste estudo (Polícias), num processo de pré-teste que envolveu um método misto de aplicação, isto é, para além da resposta ao questionário existiu uma “reflexão falada” (Freire & Almeida, 2001) onde foi dada aos participantes a oportunidade de darem a sua opinião sobre a escala no seu conjunto e sobre a formulação de cada um dos itens em particular. Este processo permitiu o melhoramento dos itens através da partilha de 71 comentários, da verificação da compreensão dos itens e das instruções de preenchimento. Segundo Fortin (1999, p. 373) o pré-teste é o “ensaio de um instrumento de medida (…) antes da sua utilização em maior escala (…) efetuada nos sujeitos antes que seja aplicado o tratamento experimental”. Tem como objetivo estimar a eficácia de um questionário, conferindo se a linguagem utilizada é percetível, se os itens demonstram as informações desejadas e se o questionário é demasiado extenso, despertando desinteresse nos participantes, ou se as questões não são confusas (Fortin, 1999). Este processo misto (resposta e opinião) permitiu verificar que não existiram resistências nem dificuldades no preenchimento da escala. 2.3 - Características Metrológicas dos Resultados Sendo um dos objetivos desta investigação a validação da Escala de Conceção de Desempenho Profissional por parte dos Polícias (ECDP-P) importa, para a aferição dos resultados do instrumento, ter em atenção aspetos essenciais para a sua correta validação. Almeida e Freire (2008) referem a validade, fidelidade e sensibilidade dos resultados como características metrológicas dos resultados e como aspetos essenciais a ter em conta na validação de uma escala. No que diz respeito à validade, esta refere-se ao facto de os resultados obtidos através da escala construída medirem o que é pretendido, isto é, à existência de congruência entre aquilo que queremos medir e aquilo que os resultados nos dão. Para validar a presente escala foi efetuada uma análise fatorial, sendo que esta é realizada analisando a carga fatorial de cada item (saturação) em cada um dos fatores, apontando a covariância entre o item e o fator, ou seja, o grau de relação entre ambos os aspetos (Bryman & Cramer, 1993). A realização desta análise fatorial mostra-se muito importante, visto que a escala utilizada nunca foi validada anteriormente. Para essa análise foi utilizado o teste Kaiser-Meyer-Olkin (KMO). A fidelidade é o grau de confiança ou de exatidão que alcançamos através do instrumento. A fidelidade pode reportar-se à estabilidade ou constância dos resultados, podendo ser calculada através do método do teste-reteste, ou recorrendo ao estudo da à consistência interna (Almeida & Freire, 2008). A consistência interna alude à variabilidade nas respostas dos participantes ao instrumento, como resultado das 72 desigualdades individuais e de conceções diferenciadas sobre determinada temática (Pestana & Gageiro, 2005). Esta fidelidade é proporcionada através do alfa de Cronbach, quando se trata de variáveis ordinais (Almeida & Freire, 2008). Já a sensibilidade dos resultados diz respeito ao grau com que os resultados obtidos numa determinada escala se distribuem, de modo a distinguir os diferentes participantes. Para perceber a sensibilidade do instrumento, deverá ser tido em conta o valor mínimo e máximo das respostas aos itens, analisar a média e a sua aproximação com a mediana e moda e a variância dos resultados. No entanto, existem fatores que podem influenciar a sensibilidade dos resultados, tais como: dimensão da amostra, o nível de perceção dos itens do instrumento, o tempo para a realização do questionário e as condições ambientais e pessoais (Almeida & Freire, 2008). 2.4 - Metodologia 2.4.1 - Caraterização da Amostra Numa amostra de 411 Polícias foi aplicada a Escala sobre a Conceção de Desempenho Profissional na população de Policias (ECDP-P). Esta amostra foi recolhida em diversos departamentos policiais, em diferentes ilhas do arquipélago dos Açores. Tal como podemos observar no Quadro 6, dos 411 indivíduos que compõem a amostra do presente estudo, 371 (90,3%) são do sexo masculino e 40 (9,7%) do sexo feminino. Esta diferença, apesar de elevada, deve-se ao facto da PSP ser uma organização que, na sua estrutura, é predominantemente preenchida por indivíduos do sexo masculino, conforme se pode observar nos dados do balanço social da PSP (Balanço social, 2011). Segundo estes dados, da totalidade dos elementos que prestam serviço na instituição PSP, 90,5% são do género masculino e 9,5 % do género feminino, o que revela que a nossa amostra é, para esta variável, bastante representativa, a nível da população total dos polícias. 73 Quadro 6 - Caracterização da Amostra (n=411) Variável Sexo Idade Estado civil Habilitações Categoria Profissional Tempo de serviço N % Masculino 371 90,3 Feminino 40 9,7 20 a 39 anos 227 55,2 40 a 59 anos 184 44,8 Solteiro 78 19 Casado 269 65,5 União de facto 32 7,8 Divorciado 32 7,8 Até 3º Ciclo 90 21,9 Secundário ou Superior 321 78,1 Agente 158 38,4 Agente Principal 187 45,5 Chefe 45 10,9 Subcomissário 17 4,1 Comissário 2 0,5 Subintendente 2 0,5 0 a 19 anos 230 55,7 20 a 39 anos 181 44,3 No que se refere ao estado civil dos participantes, o nível mais representativo é o de casado, com 269 polícias (65,5%), seguido pelo solteiro, com 78 participantes (19%) e por último, com a mesma representatividade encontra-se os respondentes divorciados e aqueles que vivem em união de facto, com 32 indivíduos (7,8%) respetivamente (Quadro 6). Relativamente à idade dos participantes desta amostra, verifica-se que, 227 dos participantes encontram-se na faixa etária entre os 20 a 39 anos (55,2%) e 184 têm entre 40 a 59 anos (44,8%) (Quadro 6). Salienta-se que a PSP, por ser uma instituição onde a idade de reforma acontece, no máximo, até aos 60 anos, não possui elementos no ativo 74 com idades superiores, logo, também a amostra estudada não tem elementos respondentes com idade superior a 59 anos. No que diz respeito às habilitações literárias, a amostra encontra-se representada do seguinte modo: ao nível do secundário ou superior (321 indivíduos – 78,1%) e até ao nível do 3º ciclo (90 indivíduos – 21,9%) (Quadro 6). Referem os dados do balanço social da PSP (2011) que da totalidade dos elementos que prestam serviço na instituição PSP, 64,6% possui o ensino secundário ou superior e 35,4% até o 3º ciclo, o que permite considerar a nossa amostra como representativa da população em estudo no referente às habilitações literárias. Em relação à categoria profissional, e tal como se pode observar no Quadro 6, 187 sujeitos são Agente Principal (45,5%); seguido de Agente, com 158 (38,4%); Chefe com 45 (10,9%); Subcomissário com 17 (4,1%) e por fim com a mesma frequência as categorias profissionais (Comissário e Subintendente) com 2 sujeitos cada, o que corresponde a 0,5 % da amostra total. Tendo em conta a totalidade dos dados da organização PSP, verificamos que 84,8 % dos agentes se encontram na categoria de Agente e Agente principal, 11,7% na categoria de Chefe e 3,5% na de Oficial (Balanço Social PSP, 2011), o que nos mostra serem dados bastante coincidentes com os da nossa amostra. Ao nível do tempo de serviço dos elementos policiais a maior representatividade encontra-se no intervalo 00 a 19 anos de serviço, representados nesta amostra por 230 indivíduos (55,7%). O intervalo menos representativo foi o dos 20 aos 39 anos de serviço, com (44,3%). O balanço social da PSP (2011) refere que os dois intervalos de tempo de serviço mais representativos dos agentes no ativo, são o intervalo de 00 a 19 anos com 60,7% e o intervalo de 20 a 39 anos com 39,3%. 2.4.2 - Procedimentos de Investigação O método de seleção da amostra foi aleatório, ou seja, após autorização para a realização do estudo, por parte da Direção Nacional da PSP (Anexo 1), foi solicitada a colaboração de todos os agentes das esquadras da Região Autónoma dos Açores. Numa 1ª fase, os questionários foram enviados de forma eletrónica, através da plataforma de internet para o e-mail profissional individual. Numa 2ª fase, e pela fraca adesão inicial 75 de resposta pelo meio acima descrito, decidimos distribuir o consentimento informado e respetivas escalas em formato de papel por todos os departamentos policiais, nas diferentes ilhas dos Açores, enviados e recolhidos via Correios de Portugal, sendo que, na Ilha de São Miguel, essa aplicação foi feita presencialmente. Em relação aos critérios de exclusão, tivemos em consideração os questionários não preenchidos e incompletos, num número total de três. A participação no estudo foi voluntária e anónima sendo explicado aos sujeitos, os objetivos da investigação e o modo como poderiam contribuir. Tal como supra referido, previamente à recolha dos dados constituintes desta investigação, foi aplicado um pré-teste da escala a aferir, num grupo de 5 polícias. Após a aplicação, foi realizada, com os elementos policiais, uma reflexão falada para a recolha das dificuldades sentidas em termo de interpretação dos itens, de forma a perceber se existia a necessidade de alterar alguns dos itens do questionário (Almeida & Freire, 2008). Por não ter existido qualquer dificuldade na interpretação e resposta por parte dos polícias, procedeu-se à aplicação aos demais participantes policiais. 2.4.3 - Procedimentos Estatísticos Para análise estatística dos dados recorreu-se ao programa (Statistical Package for the Social Sciences), versão 15.0, tendo-se procedido à estatística descritiva (medidas de tendência central, frequências e percentagens) para a caracterização geral da amostra e respetiva variáveis sociodemográficas. No estudo da validação da escala ECDP - P foram também utilizadas as análises de componentes principais, seguidas de rotação varimax. Foi feita a análise do alfa de cronbach para as diferentes escala e subescalas utilizadas. 76 2.5 - Validação da Escala de Conceção de Desempenho Profissional na População de Policias – ECDP - P (Anexo 2) 2.5.1 - Estudo da Sensibilidade da Escala e respetivos itens Pela análise à estatística descritiva dos resultados da ECDP-P, é-nos possível verificar (Anexo 3), que a maioria dos itens da escala ronda os 4 pontos (Escala de 1 a 5). A escala tem como média total dos itens 213,07, um desvio padrão de 46,82 e uma mediana e moda total nos 208 pontos. Estes valores, divididos pelos 59 itens, traduzemse num resultado médio de 3,61, um desvio padrão de 0,79 e uma mediana e moda de 3,53. Os valores próximos da média, mediana e moda mostram-nos estarmos perante, uma variável simétrica. Os resultados mínimos e máximos da escala situam-se entre 59295 pontos, sendo que, no nosso estudo o máximo obtido foi de 227 e o mínimo de 130. O resultado médio dos itens de 4 valores (Muitas vezes), permite verificar que a maior parte dos polícias percecionam o seu desempenho profissional de forma elevada. No entanto, esse valor baixa nas questões que foram propositadamente invertidas, o que nos dá a entender que as respostas poderão ter sido enviesadas pela desejabilidade social, até porque a PSP é uma organização bastante hierarquizada o que poderá ter levado a que os participantes tivessem sentido algum receio em revelar de forma sincera a conceção que tinham acerca do seu desempenho profissional, não obstante as garantias de confidencialidade e anonimato dadas pelo presente estudo. Estes resultados dificultam uma correta avaliação da sensibilidade da ECDP-P. 2.5.1.1 - Validade dos itens Através da análise da matriz de correlações entre os itens e o total da escala (rPearson), verifica-se que a grande maioria dos índices são altamente significativos (p<0,001), apresentando correlações significativas entre si e com o total da escala. No entanto, os itens (1, 14, 23, 34, 47, 49) mostram uma significância baixa (p>0,001), mostrando não se correlacionarem com o total da escala, pelo que serão eliminados da versão final da escala ECDP - P (Anexo 4). 77 Embora a escala avalie um grande número de dimensões, tornando uma maior abrangência dos resultados, revela na sua generalidade, correlações que, embora não muito altas, são positivas e significativas. 2.5.2 - Fidelidade da escala e itens Após a eliminação dos itens que não apresentavam correlações significativas ou e se mostravam com uma significância baixa, realizámos a análise da precisão da ECDP-P procedendo ao estudo da sua consistência interna, com recurso ao coeficiente Alpha de Cronbach. Os resultados encontrados para a ECDP-P, na presente investigação, foram de 0,90 para os 53 itens o que revela uma consistência interna muito boa. É de salientar que o valor do alfa, no caso de eliminação de cada um dos itens constituintes da escala mostra valores elevados mas não superiores ao valor total obtido, tal como se pode observar no anexo 5, fazendo com que não seja necessário eliminar nenhum deles. Os resultados obtidos confirmam a fidelidade da escala construída. 2.5.3 - Validade do construto No que diz respeito à análise da validade de construto, realizamos uma análise fatorial (análise de componentes principais das correlações entre variáveis), por ser uma das técnicas mais utilizadas na identificação dos construtos subjacentes aos resultados. Este tipo de validade permite-nos compreender, com base nos resultados do instrumento, se é possível encontrarmos um ou mais construtos teóricos das variáveis que a escala pretende avaliar (Anastasi, 1988). Este tipo de técnica revela que as intercorrelações entre os itens podem ser explicadas por um conjunto menor de fatores ou componentes, as quais demonstram as relações entre os conjuntos de variáveis interrelacionadas. É através da análise fatorial que se procura analisar a validade interna do instrumento, procurando uma explicação para a variância dos resultados, valendo-se esta da análise às componentes independentes. Um dos critérios de adequação para a realização da análise das componentes principais é nos dada pelo teste de esfericidade de Bartlett, onde nos é possível 78 compreender se o conjunto de correlações na matriz é diferente de zero (Pestana & Gageiro, 2005). Deste modo, submetemos os 53 itens da escala a uma análise de componentes principais, seguida de rotação varimax (Anexo 6). A adequabilidade da amostra, através do teste KMO (índice de Kaiser-Meyer-Olkin of Sampling Adequacy) apresenta um resultado de 0,920, indiciando a possibilidade da aplicação da análise fatorial, isto é, a análise em componentes principais pode ser realizada (Pestana & Gageiro, 2005). O KMO perto do valor de 1 mostra coeficientes parciais pequenos, enquanto valores próximos de zero indicaria que a análise fatorial não se mostrava adequada, visto que a correlação entre variáveis era baixa (Pestana & Gageiro, 2005). O valor apresentado pela matriz, teste de esfericidade de Bartlett é de df=1378=16650,031, p<0,01 (Quadro 7), mostrando uma boa adequação da amostra, o que no permite continuar com os cálculos. O teste de Bartlett tem associado um nível de significância de p<0,05, mostrando que existe correlações entre as variáveis. Quadro 7 – Teste de KMO e Bartlett KMO Teste de Esfericidade de Bartlett 0,920 x² 16650,031 df 1378 Sig. 0,000 Após essa análise, procedeu-se à rotação varimax, com os valores próprios (Eigenvalues) superiores a 1 (critério de Kaiser), onde pudemos verificar a adequabilidade de todos os itens da escala. A análise fatorial, tendo em conta ao critério de decisão de Guttman-Kaiser (valores próprios> 1.0), mostrou a existência de 11 componentes. A análise em componentes principais foi seguida de rotação varimax (Anexo 7), a qual nos mostra uma estrutura simples, pelo facto de ser uma técnica que maximiza as saturações mais elevadas e reduz a saturações mais baixas. Deste modo, ao minimizar as variáveis que apresentam saturações num fator, ajuda na sua interpretação. 79 No que importa à decisão dos componentes a reter, note-se pelo anexo 7, a dispersão dos diversos itens por 11 componentes, encontrados após a tentativa de maximização das saturações através da rotação varimax. Verificamos através do agrupamento do itens pelos fatores identificados através da análise de componentes principais (rotação varimax), que o primeiro fator explica cerca de 22,8 % da variância, o segundo 14,8%, o terceiro 4,6%, o quarto 3,7%, o quinto 3,7%, o sexto 3%, o sétimo 2,7%, o oitavo 2,5%, o nono 2,4%, o décimo 2,3% e por fim o décimo primeiro com 2% da variância. Todavia, verificamos que a opção por oito componentes era estatística e teoricamente mais satisfatória que a decisão por 11 componentes, uma vez que, após a análise dos itens pudemos verificar que 5 deles saturavam em mais que um fator, pelo que foram eliminados da escala final (ECDP - P). Também da análise do conteúdo dos itens, decidimos eliminar os fatores (6,9,11), enquadrando os itens neles pertencentes noutros fatores que fossem satisfatórios, tanto semanticamente como estatísticamente. Embora exista um agrupar fatorial consistentes dos itens, este não garante que exista uma relação conceptual suficiente com o critério externo. Embora os fatores não estejam agrupados àqueles que inicialmente forma definidos, os itens foram reunidos de um modo semântico coerente, podendo ser facilmente justificados em termos teóricos. Prosseguiu-se com a apresentação dos fatores que surgiram através dessa análise, onde foi efetuada uma relação entre estes e os aspetos teóricos do construto que o instrumento ambiciona medir. O 1º fator (Quadro 8) contempla 8 itens, explicando 22,74% da variância e engloba itens relacioandos com a capacidade de chefia, liderança e organização. Visa avaliar a capacidade de dirigir, coordenar, motivar os seus subordinados, planear e coordenar as atividades. Como facilmente se entende, este fator destina-se unicamente a elementos da PSP com funções de chefia. 80 Quadro 8 – Fator 1: Capacidade de Chefia, liderança e organização Item 41 42 Conteúdo do item Sinto dificuldade em organizar as minhas tarefas profissionais Estou atento à forma como os meus subordinados executam as suas funções para os conseguir orientar 43 Sei utilizar os recursos e instrumentos de trabalho de forma eficaz e eficiente 44 Motivo os meus subordinados 45 Consigo executar as minhas tarefas dentro do tempo exigido 46 47 48 Debato com o grupo ou individualmente as diretrizes a seguir na execução das tarefas Quando tenho várias coisas para fazer, consigo decidir qual a mais importante Procuro que os outros me vejam como mais um elemento e não apenas como chefe O 2º fator (Quadro 9) engloba, 9 itens relacionados com a capacidade de adaptação e integração. Visa avaliar a capacidade de ajustar o desempenho perante novas situações e a forma como os agentes se sentem integrados na PSP. Quadro 9 – Fator 2: Capacidade de adaptação e integração Item Conteúdo do item 2 Sinto-me bem adaptado às funções que desempenho profissionalmente 3 Considero a minha apresentação pessoal adequada ao serviço que desempenho 4 10 Quando surgem dúvidas ou problemas no serviço tento resolvê-los prontamente Penso que a forma como realizo as minhas funções mostram a qualidade do meu serviço 11 Todas as minhas funções me despertam interesse 14 Sinto que estou bem integrado na instituição profissional a que pertenço 16 Sou competente a avaliar os elementos mais importantes de uma situação 17 A imagem da PSP é importante para mim 18 Perco a paciência com frequência por questões de serviço 81 O 3º fator (Quadro 10) enquadra 5 itens e está relacionado com o autodominio e relacionamento. Pretende compreender capacidade do polícia dominar o seu comportamento e sua capacidade de relacionamento humano com o público e com os diferentes elementos da hierarquia, bem como a sua atitude em relação ao grupo. Quadro 10– Fator 3: Autodominio e relacionamento Item Conteúdo do item 8 Tenho dificuldade em relacionar-me com os meus colegas 15 Os outros compreendem facilmente o que lhes quero transmitir 19 Penso que sou competente na realização do meu trabalho 24 Tomo as minhas decisões profissionais de forma firme 40 Tenho de desempenhar funções que não se adaptam à minha personalidade O 4º fator (Quadro 11) engloba 6 itens, avaliando a disponibilidade e capacidade de julgamento, isto é, a forma como os agentes estão disponíveis para as funções que desempenham e o seu juízo crítico, o sentido das proporções e o sentido da realidade sobre situações ou factos. Quadro 11 – Fator 4: Disponibilidade e capacidade de julgamento Item Conteúdo do item 23 Tenho dúvidas sobre qual a posição a tomar perante as situações 25 Tenho dificuldade em analisar os elementos mais relevantes de uma situação 26 Estou disponível para situações de trabalho, que não as que estou obrigado a fazer 28 Possuo os conhecimentos suficientes para a execução das minhas funções 33 Auxilio os colegas na execução das tarefas 35 Estou satisfeito com o meu volume de trabalho O 5º fator (Quadro 12) integra 4 itens, avaliando os conhecimentos profissionais aplicados. Visa avaliar a utilização dos conhecimentos técnico-profissionais adquiridos no momento próprio, quando as circunstâncias o requerem. 82 Quadro 12 – Fator 5: Conhecimentos profissionais aplicados Item 5 Conteúdo do item Penso que aplico de forma adequada os conhecimentos teóricos na minha prática profissional 36 Perante um problema consigo saber de que lado está a razão 37 Antes de tomar decisões asseguro-me que tenho uma visão global da situação 39 Tenho pouco interesse na execução das minhas tarefas O 6º fator (Quadro 13) abrange 6 itens, relacionados com a eficácia, avaliando a capacidade de ser eficaz nas ações realizadas. Quadro 13 – Fator 6: Eficácia Item 12 Conteúdo do item Sinto dificuldades em aplicar os meus conhecimentos em tarefas mais complexas 22 O trabalho que desenvolvo mostra pouco rendimento 27 Por vezes penso que tenho discussões desnecessárias 32 Tento atuar rapidamente nas situações surgidas no meu turno 34 Preocupo-me em aprimorar os meus conhecimentos 38 Quando quero transmitir alguma informação consigo ser claro e objetivo O 7º fator (Quadro 14) engloba 4 itens, dizendo respeito à satisfação profissional. Avalia o bem estar no que diz respeito à profissão. Quadro 14 – Fator 7: Satisfação profissional Item Conteúdo do item 7 Penso que a PSP é um bom local para trabalhar 9 As minhas soluções para os problemas de trabalho mostram ser as adequadas 21 Respeito a minha chefia 30 Sou tratado com igualdade pelos cidadãos que me reconhecem como polícia 83 O 8º fator (Quadro 15) contempla 4 itens, avaliando a capacidade de organização e comunicação. Visa avaliar a capacidade do agente em planear as suas tarefas e avaliar o uso claro e eficiente da capacidade comunicativa. Quadro 15 – Fator 8: Capacidade de organização e comunicação Item Conteúdo do item 20 Tenho dificuldade em transmitir os meus pensamentos 29 Por vezes as informações que transmito não são compreendidas 43 Sei utilizar os recursos e instrumentos de trabalho de forma eficaz e eficiente 45 Consigo executar as minhas tarefas dentro do tempo exigido Tendo em conta todos os aspetos de análise de conteúdo dos itens e dos fatores, a escala de conceção de desempenho profissional para os polícias (ECDP-P) mostrou ser adequada por ter bons indicadores psicométricos. 84 Capítulo III Conceção de Desempenho Profissional e Inteligência Emocional em Contexto Policial 85 3.1 - Introdução Quem se empenha no desafio de desenvolver um projeto de investigação, arrogando-se o título de investigador, tem obrigatoriamente de estar consciente do grau de exigência e dificuldade que esse papel lhe impõe. Há autores que consideram que a própria expressão “investigação científica é, de alguma forma, tautológica, pois a investigação ou é científica ou não é investigação” (Almeida & Freire, 2003 p.24). Esta parte do nosso trabalho tem como objetivo descrever de uma forma clara e precisa os objetivos, as hipóteses, a metodologia utilizada, no âmbito da nossa investigação e apresentar de forma sucinta os aspetos que caracterizam o método e os resultados obtidos relativamente às temáticas em estudo. 3.2 - Objetivos do estudo Os objetivos de uma investigação servem, aos seus investigadores, como linhas orientadoras de todo o processo experimental. O nosso estudo teve como objetivos: - Estudar a conceção dos agentes da Policia de Segurança Pública acerca do seu desempenho profissional, assim como a variação desta conceção em função das variáveis sociodemográficas; - Compreender se a inteligência emocional influi no nível de desempenho profissional dos elementos policiais; - Verificar o nível de inteligência emocional nos Polícias; - Perceber se existem diferenças entre o nível de inteligência emocional da carreira policial e de outras profissões da sociedade em geral; - Apurar se satisfação profissional influencia o seu desempenho dos polícias; 3.2.1 - Questão de investigação Quais as conceções dos Agentes da Policia de Segurança Pública acerca do seu desempenho profissional e qual a relação entre estas conceções e a Inteligência emocional dos agentes estudados? 86 3.2.2 - Hipóteses de estudo Na nossa investigação foram, avançadas as seguintes hipóteses de estudo: H1: A conceção do desempenho dos agentes da PSP varia em função dos anos de serviço, idade, habilitações literárias; H2: Existe uma relação causal entre satisfação no trabalho e conceção do desempenho profissional na amostra em estudo; H3: A inteligência emocional influencia o desempenho profissional nos Polícias; H4: A inteligência emocional nos Polícias apresenta características semelhantes à população em geral; H5: A idade, anos de serviço e habilitações tem um efeito causal na inteligência emocional. 3.3 - Enquadramento Metodológico 3.3.1 - Tipo de estudo Na presente investigação, tendo em conta a temática em análise e os objetivos propostos, decidimos utilizar a investigação quantitativa. Esta abordagem permitirá tratar os dados recolhidos, analisando as diferentes variáveis em estudo. É uma investigação descritiva correlacional que consegue ir para além dos estudos de caracter qualitativo (descrição dos fenómenos em estudo), pois permite quantificar as relações existentes entre as variáveis em análise, facto que não poderá ser tido em conta numa análise qualitativa (Almeida & Freire, 2008). A investigação quantitativa tem como grandes vantagens: a análise direta dos dados; a facilidade na demonstração dos dados, o facto de permitir a generalização dos dados pela sua representatividade e o tornar exequível a inferência desses para outros contextos; o preocupar-se em medir (quantidade, frequência e intensidade) e analisar as correlações entre as variáveis. No entanto, também tem algumas desvantagens: o quantificar apenas, uma vez que isto significa reduzir demasiado o material perdendo assim o seu contexto; o eliminar a interpretação e determinados detalhes (Sampieri, Collado & Lucio, 2006). 87 Os instrumentos utilizados no estudo foram todos de autorrelato, sendo que estes, como todos os instrumentos de recolha de dados, apresentam virtudes e defeitos. Como grande virtude, esse tipo de instrumento permite quantificar um grande número de dados facultando uma maior relação causal entre as variáveis. Já no que diz respeito à grande desvantagem, essa centra-se na dificuldade em analisar determinados pormenores, pela superficialidade encontrada nas respostas (Sampieri, Collado & Lucio, 2006). 3.3.2 - Caracterização da amostra Após termos solicitado a autorização para a aplicação dos questionários (Anexo 9), e na prossecução dos nossos objetivos, adotaram-se, como campo de análise empírica, dois grandes contextos organizacionais. Um deles refere-se a indivíduos pertencentes ao Comando Regional dos Açores da Policia de Segurança Pública e, o outro, a pessoas da população em geral. De forma a garantir a validade dos resultados, foi nossa preocupação considerar a diversidade em termos de amostra, sobretudo na sua localização geográfica, faixa etária, categoria profissional/profissão, antiguidade no serviço, idade, sexo e estado civil. No entanto, denota-se uma maior frequência de indivíduos respondentes da ilha de São Miguel devido, em parte, à localização geográfica do investigador durante esta fase de recolha de dados. Esta limitação surge, em grande parte, devido à dificuldade em conseguir um número de respostas relevante, existindo a necessidade de ter de “andar de porta em porta”, presencialmente, para conseguir a adesão dos agentes policiais ao estudo. Numa amostra total de (n=859), cabe-nos fazer referência aos dados sociodemográficos da amostra da população em geral (n=448), visto que os dados referente à amostra policial (n=411) já foram referidos no capítulo anterior. Na amostra da população em geral, e tal como podemos observar no quadro 16, 52,9 % dos respondentes são do género masculino e 47,1% do sexo feminino. 88 Quadro 16 - Caracterização da amostra (n=448) Variável Sexo Estado civil Idade Habilitações Nível socioeconómico Tempo de serviço N % Masculino 237 52,9 Feminino 211 47,1 Solteiro 164 36,6 Casado 236 52,7 União de facto 28 6,3 Divorciado 18 4,0 Viúvo 2 0,4 20 a 39 anos 287 64,1 40 a 59 anos 161 35,9 Até o 3º Ciclo 136 30,4 Secundário ou Superior 312 69,6 Baixo 112 25,0 Médio 225 50,2 Elevado 111 24,8 0 a 19 anos 291 65,0 20 a 39 anos 157 35,0 No que diz respeito ao estado civil dos sujeitos, estes encontram-se dispersos pela amostra do seguinte modo: Casado 236 indivíduos (52,7%); Solteiro 164 sujeitos (36,6%); em União de facto 28 participantes (6,3%); Divorciado 18 indivíduos (4%) e por último, com o estado de civil de viúvo apenas 2 sujeitos (0,4%) (Quadro 16). Em relação à idade dos participantes verifica-se junto da amostra estudada que 287 dos participantes se encontram na faixa etária de 20 a 39 anos (64,1%) e 161 dos sujeitos têm entre 40 a 59 anos (35,9%) (Quadro 16). Em relação às habilitações literárias, a amostra encontra-se dividida da seguinte forma: ensino secundário ou superior (312 indivíduos – 69,6%) e até ao 3º ciclo (136 indivíduos – 30,4%) (Quadro 16). Tendo em conta os níveis socioeconómico (baixo, médio, elevado), verificado através da profissão que os participantes desempenham (Almeida, 1988), observa-se que o nível médio (vendedores, assistentes técnicos, pessoal das forças de segurança, 89 bombeiros, etc.) é o mais representativo da amostra estudada, com 50,2% (n=225). Em seguida, temos o nível baixo (e.g. pessoal doméstico, desempregados, estudantes, serventes de construção civil, camponeses, empregadas de limpeza, etc.), com 25% (n=112). O nível elevado, composto por técnicos superiores de diferentes áreas (Medicina, Direito, Engenharia, etc.) é o menos representativo embora com a diferença de apenas um sujeito do nível baixo. Da amostra, 24,8% dos sujeitos eram do nível elevado (n=111). Ao nível do tempo de serviço dos sujeitos da população em geral, a maior representatividade encontra-se no intervalo [00-19] anos de serviço com 291 indivíduos (65%), seguido do intervalo [20-39] anos de serviço com 157 participantes (35%). 3.4 - Instrumentos de pesquisa Como tínhamos o objetivo de abordar elementos policiais distribuídos pelos mais diversos departamentos, assim como participantes da população em geral de diversos ramos, decidimo-nos pelo questionário como instrumento de recolha de dados. Uma vez que a população alvo do nosso estudo se encontra dispersa, pensámos que a seleção de um instrumento acessível, de resposta rápida, constituiria um incentivo para que os nossos respondentes (Amostra) se disponibilizassem a colaborar. Assim, o nosso método de recolha de informação baseou-se na Técnica de Inquérito por Questionário, sendo que cada um dos questionários aplicados era constituído por três partes: na sua parte inicial constava uma apresentação e finalidade do estudo, o seu carácter voluntário e confidencial, de seguida os elementos de caracterização sociodemográfica dos participantes e, numa última parte, os instrumentos a tratar no estudo. Em suma, para a realização do presente estudo foi aplicada uma bateria de escalas aos participantes, no intuito de compreender os conteúdos tratados na investigação. Os questionários aplicados foram: Escala de Conceção de Desempenho Profissional para Polícias (ECDP-P; Barreto Carvalho, C. & Silva, J., 2012) (Anexo 8). Foi uma escala criada no âmbito deste estudo, com o intuito de compreender a conceção que a população policial tem sobre o seu próprio desempenho. É composta por 48 itens, sendo que 8 deles apenas estavam destinados aos polícias que têm funções de comando e chefia. Foram consideradas as oito dimensões retiradas da validação do instrumento (ECDP-P): 90 capacidade de chefia, liderança e organização; adaptação e integração; autodomínio e relacionamento; disponibilidade e capacidade de julgamento; conhecimentos profissionais aplicados; eficácia; satisfação profissional, organização e comunicação. A primeira dimensão diz respeito apenas aos elementos policiais que possuam as já referidas funções de chefia e comando. Trata-se de uma escala de resposta formato likert de 5 pontos, onde as respostas são enquadradas entre o 1 (Punca) e 5 (Sempre), cujos resultados variam entre 48 e os 240 pontos, e onde pontuações mais elevadas revelam que os polícias concessionam o seu desempenho profissional como sendo alto. No nosso estudo o alfa de cronbach para o fator capacidade de chefia, liderança e organização é de 0.92; adaptação e integração 0.84; autodomínio e relacionamento 0.89; disponibilidade e capacidade de julgamento 0.83; conhecimentos profissionais aplicados 0.89; eficácia 0.89; satisfação profissional 0.83, organização e comunicação 0.86. Efetuamos a inversão de diversos itens de forma a tentar controlar a desejabilidade social. Escala de Inteligência Emocional (EIE- Rego, A. & Fernandes, C., 2005) (Anexo 10).Esta é uma escala de autorresposta, criada especificamente para medir o nível de inteligência emocional. A escala é composta por um conjunto de 41 itens, com resposta numa escala tipo likert de sete pontos, onde as hipóteses de resposta variavam entre 1 (A afirmação não se aplica rigorosamente nada a mim) e 7 (A afirmação aplicase completamente a mim). Os resultados alcançados variam entre 41 e 287, onde pontuações mais elevadas indicam maior nível de inteligência emocional. É uma escala agrupada em seis fatores: (1) Sensibilidade emocional; (2) Empatia; (3) Compreensão das emoções próprias; (4) Auto encorajamento (uso das emoções); (5) Compreensão das emoções dos outros e (6) Auto-controlo emocional (regulação das emoções). Na presente investigação o alfa de cronbach para o fator Sensibilidade emocional é de 0.90; Empatia 0.82; Compreensão das emoções próprias 0.74; Auto encorajamento (uso das emoções) 0.70; Compreensão das emoções dos outros 0.74 e Auto-controlo emocional (regulação das emoções) 0.82. No estudo original o alfa de cronbach para o fator Sensibilidade emocional é de 0.95; Empatia 0.74; Compreensão das emoções próprias 0.76; Auto encorajamento (uso das emoções) 0.72; Compreensão das emoções dos outros 0.77 e Auto-controlo emocional (regulação das emoções) 0.84. Exame de Satisfação no Trabalho (Job Satisfaction Survey, de Spector, P. E., 1994, traduzida e adaptada à população portuguesa por Malheiro, J., 2009) (Anexo 11). 91 É um instrumento que visa perceber o nível de satisfação laboral dos respondentes. O questionário é composto por 36 itens, de resposta é do tipo Likert, contendo 6 pontos de resposta, sendo 1 (Discordo muito) e 6 (Concordo muito). Os resultados encontram-se situados entre 36 e 216 pontos, sendo que resultados mais elevados demonstram que os funcionários se encontram mais satisfeitos profissionalmente. A consistência interna deste instrumento é muito semelhante entre a versão original (Alpha de Cronbach = 0.91) (Spector, 1994) e a versão portuguesa (Alpha de Cronbach = 0.90) (Malheiro, 2009). Neste estudo o alpha de cronbach foi de 0.78. 3.5 - Procedimento de investigação Esta investigação teve diversas fases de concretização, que possibilitaram a sua execução. Ao início deu-se o planeamento, tendo em conta os objetivos do estudo e a possibilidade de aplicabilidade na população a estudar. Para isso, foi realizada a devida recolha e pesquisa bibliográfica. Após a construção do modelo empírico a investigar e selecionados os instrumentos de avaliação dos diversos questionários encontrados, selecionámos aqueles que nos pareceram mais indicados para o estudo, tendo em conta os construtos teóricos que pretendíamos avaliar, as características dos próprios instrumentos e a população a avaliar. Para além das escalas selecionadas, foi criada uma de raiz, no intuito de avaliar a conceção dos polícias sobre o seu próprio desempenho profissional, visto que na literatura não foi encontrado qualquer instrumento validado para esta população. Após a construção desse instrumento, este foi devidamente validado e estudadas as suas características psicométricas. Inicialmente, o método de seleção da amostra foi aleatório, após nos ter sido dada a autorização para aplicação dos referidos questionários pelos diferentes Departamentos Policiais do Comando Regional dos Açores da PSP e pela Direção Nacional da PSP (Anexo 1), no que se refere a esta população da PSP procedimentos de recolhe de dados encontram-se descritos no estudo 1. Em relação à amostra da população em geral, esta foi uma amostra de conveniência, uma vez que, a fim de conseguirmos efetuar o nosso estudo, nos interessava que a mesma tivesse as mesmas características sociodemográficas da amostra de agentes da PSP. Aos participantes da amostra respeitante à população em geral foi também fornecido o consentimento 92 informado (Anexo 12), ao qual estes responderam de forma voluntária. Ainda em relação à seleção de amostragem, e devido ao facto da recolha inicial demonstrar algumas diferenças a nível sociodemográfico entre as amostras (Polícias versus População em geral), foi efetuada uma seleção de amostra por conveniência, onde foram aplicados novos questionários, presencialmente, a diversos participantes da população em geral com características sociodemográficas semelhantes à amostra Policial. No que diz respeito aos critérios de exclusão, foram tidos em conta os questionários não preenchidos e incompletos, num número total de nove, pelo facto de uns terem apenas os dados sociodemográficos preenchidos e outros terem endossados apenas alguns itens dos questionários e não apresentarem qualquer dado sociodemográfico. A participação na investigação foi voluntária e anónima tendo sido explicados aos participantes os objetivos da investigação e a forma como poderiam colaborar. Previamente à aplicação definitiva dos dados constituintes deste estudo, foi aplicado um pré-teste de todas as escalas já anteriormente referidas, num grupo de dez sujeitos pertencentes, quer à amostra policial, quer à amostra da população em geral. Após a aplicação deste pré-teste e da conversa mantida com os respondentes sobre as dificuldades sentidas, onde não foram reveladas quaisquer contrariedades nas respostas, procedeu-se à continuidade da aplicação aos demais participantes. Por fim, os dados foram recolhidos, tratados e analisados, passando-se à etapa final de concretização da redação do trabalho conducente à tese que aqui se apresenta. 3.6 - Procedimentos estatísticos Para análise estatística dos dados recorreu-se ao programa (Statistical Package for the Social Sciences), versão 15.0. Para a caracterização e distribuição geral da amostra e respetivas variáveis sociodemográficas, procedeu-se à estatística descritiva, através das medidas de tendência central, frequências e percentagens. Foi feita a análise do alfa de cronbach para as diferentes escalas e sub escalas utilizadas. Nos estudos de correlação entre as diferentes variáveis recorreu-se ao teste de Spearman (estatística inferencial paramétrica), não sendo possível o teste de Pearson, 93 por não se tratarem de variáveis com distribuição normal. Para a comparação de grupos, utilizou-se o teste t de student. 3.7 - Resultados 3.7.1 - Caracterização das conceções de desempenho profissional na população estudada A conceção de desempenho, medido através da ECDP-P, é uma das variáveis que se pretendem analisar no presente estudo. Neste sentido, iremos de seguida proceder à caracterização das conceções de desempenho na amostra policial, relacionando-as depois com as variáveis sociodemográficas como a idade, habilitações literárias e anos de serviço. A média geral da conceção de desempenho apresentado nos polícias, medida através da ECDP-P total, é de 213,07, apresentando um desvio padrão de 20,17. Quando se procede à análise da medida da ECDP-P item por item, verifica-se que o item que apresenta uma média com resultado mais altos é o item 21, “Respeito a minha chefia”, com uma média 4,70 e um desvio padrão de 0,61. De seguida, encontrase o item 17, “ A imagem da PSP é importante para mim”, com uma média de 4,61 e desvio padrão de 0,65 (Anexo 13). No caso dos itens com médias mais baixas, destaca-se o item 40 “Tenho de desempenhar funções que não se adaptam à minha personalidade” (média=3,73; DP=0,65), de seguida do item 35 “Estou satisfeito com o meu volume de trabalho” (média=3,76; DP=0,86) (Anexo 13). 3.7.2 - Caracterização da conceção de desempenho em função das variáveis sociodemográficas Considerando a ECDP-P total e os seus fatores, observa-se através do teste de Levene, que estes apresentam homogeneidade das variâncias (p>0,05). 94 3.7.2.1 - Idade A média total da ECDP-P obtida nos dois grupos (20 a 39 anos; 40 a 59 anos) e estudada a partir do teste t de student mostra que não existem diferenças significativas [t (0,249); p=0,626] da conceção de desempenho profissional em função das idades do grupo estudado (Quadro 17). Tal como podemos observar no quadro 17, o mesmo também é visível em relação aos fatores: adaptação e integração; autodomínio e relacionamento, disponibilidade e capacidade de julgamento; conhecimentos profissionais aplicados; e eficácia, verificando que estes não apresentam estatísticas em função da idade para a conceção de desempenho (p>0,05). Em relação aos fatores: Organização e comunicação, Satisfação profissional e capacidade de chefia e liderança pudemos verificar que existem diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos em análise, ou seja, as pessoas com idades compreendidas entre 20 e 39 anos mostram um resultado inferior aos indivíduos da faixa etária dos 40 aos 59 anos [t (-2,939); p=0,004]; [t (-2,825); p=0,04] e [t (3,231); p=0,001, respetivamente]. 95 Quadro 17 - Média da conceção de desempenho profissional (ECDP-P total e fatores) em relação à idade (n=411) Média ECDP-P Total Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Adaptação e integração Intervalo de Confiança 95% p 20 a 39 40 a 59 anos anos 169,47 174,78 0, 249 0, 626 38,60 -1,535 0,126 20,48 20,41 0,351 0,730 24,83 25,05 -0,768 0,443 16,76 17,01 -1,631 0,104 24,39 24,37 0,074 0,941 16,00 16,51 -2,825 0,005 5,85 7,44 -2,939 0.004 5,45 10,07 -3,231 0,001 38,09 Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Autodomínio e relacionamento t ECDP-P Disponibilidade e capacidade de julgamento Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Conhecimentos profissionais aplicados Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Eficácia Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Satisfação Profissional Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Organização e comunicação Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Capacidade de chefia, liderança e organização Intervalo de Confiança 95% 3.7.2.2 - Habilitações A média total da ECDP-P obtida nos dois grupos (até 3º Ciclo; Secundário ou Superior) e estudada a partir do teste t de student mostra diferenças estatisticamente significativas [t=-2,476; p=0,014] nas conceções de desempenho profissional em função das habilitações literárias, isto é, os indivíduos com habilitações ao nível do Secundário 96 ou Superior revelam ter melhores resultados perante o grupo até o 3º Ciclo. Também foram encontradas diferenças estatisticamente significativas nos fatores: Capacidade de Chefia, liderança e organização [t=-2,162; p=0,032]; Disponibilidade e capacidade de julgamento [t=-2,946; p=0,004]; Organização e comunicação [t=-2,467; p=0,014], o qual nos mostra que os sujeitos com habilitações ao nível do Secundário ou Superior mostram ter melhores resultados perante o grupo até o 3º Ciclo. Nos restantes fatores não existem diferenças estatisticamente significativas (p>0,05) (Quadro 18). 97 Quadro 18 - Média da conceção de desempenho profissional (ECDP-P total e fatores) em relação às habilitações (n=411) Média Até 3º Ciclo ECDP-P Total Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Adaptação e integração Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Autodomínio e relacionamento Intervalo de Confiança 95% t p Secundário ou Superior 167,18 172,83 -2,476 0.014 38,09 38,35 -0,624 0,534 20,02 20,57 -2,148 0,051 24,14 25,13 -2,946 0,004 17,08 16,80 1,375 0,172 23,93 24,51 -1,941 0,055 16,09 16,23 -0,645 0,520 5,30 6,81 -2,467 0,014 4,80 7,99 -2,162 0,032 ECDP-P Disponibilidade e capacidade de julgamento Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Conhecimentos profissionais aplicados Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Eficácia Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Satisfação Profissional Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Organização e comunicação Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Capacidade de chefia, liderança e organização Intervalo de Confiança 95% 3.7.2.3 - Anos de serviço A média total da ECDP-P obtida nos dois grupos (00 a 19 anos; 20 a 39 anos) e estudada a partir do teste t de student mostra diferenças estatisticamente significativas [t=-3,276; p=0,001] nas conceções de desempenho profissional em função dos anos de 98 serviço. Também foram encontradas diferenças estatisticamente significativas nos fatores: Capacidade de Chefia, liderança e organização [t=-3,300; p=0,001]; satisfação profissional [t=-2,943; p=0,003]; Organização e comunicação [t=-3,452; p=0,001]. Essa diferença mostra que o grupo com 20 a 39 anos de serviço tem melhores índices de resultados em relação ao outro grupo estudado. Nos restantes fatores não existem diferenças estatisticamente significativas (p>0,05) tal como se pode observar no quadro 19. Quadro 19 - Média da conceção de desempenho profissional (ECDP-P total e fatores) em relação aos anos de serviço (n=411) Média ECDP-P Total Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Adaptação e integração 20 a 39 anos anos 169,43 176,20 -3,236 0.001 38,63 -1,394 0,165 20,46 20,42 0,205 0,838 24,79 25,19 -1,264 0,207 16,77 17,05 -1,746 0,082 24,39 24,37 0,050 0,960 16,02 16,59 -2,943 0,003 5,83 7,89 -3,452 0,001 5,39 11,35 -3,300 0,001 Intervalo de Confiança 95% Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Disponibilidade e capacidade p 0 a 19 38,14 ECDP-P Autodomínio e relacionamento t de julgamento Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Conhecimentos profissionais aplicados Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Eficácia Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Satisfação Profissional Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Organização e comunicação Intervalo de Confiança 95% ECDP-P Capacidade de chefia, liderança e organização Intervalo de Confiança 95% 99 3.7.3 - Caracterização da Inteligência Emocional em função das variáveis sociodemográficas Considerando a inteligência emocional total e os seus fatores (Sensibilidade emocional, empatia, compreensão das próprias emoções, compreensão das emoções dos outros, autoencorajamento, autocontrolo emocional) observa-se através do teste de Levene, que estes apresentam homogeneidade das variâncias (p>0,05). 3.7.3.1 - Idade A média total da IE obtida nos dois grupos (20 a 39 anos; 40 a 59 anos) e estudada a partir do teste t de student evidencia que não existem diferenças estatisticamente significativas [t (-0,599); p=0,550] na inteligência emocional em função da idade do grupo estudado. Analisando os fatores constituintes da IE constatase que os resultados médios destes também não apresentam diferenças estatisticamente significativas (P>0,05), o que pode ser observado no quadro 20. 100 Quadro 20 - Média da inteligência emocional (IE total e fatores) em relação à idade (n=411) Média IE Total Intervalo de Confiança 95% IE Sensibilidade emocional Intervalo de Confiança 95% IE Empatia Intervalo de Confiança 95% IE Compreensão das próprias emoções Intervalo de Confiança 95% IE Auto encorajamento Intervalo de Confiança 95% IE Autocontrolo emocional Intervalo de Confiança 95% p 20 a 39 40 a 59 anos anos 179,51 180,56 -0,599 0,550 39,35 39,78 -0,759 0,448 10,20 10,71 -1,289 0,199 7,41 7,67 -1,030 0,304 13,15 13,08 0,296 0,767 11,94 11,79 0,672 0,502 14,45 14,74 -1,239 0,216 Intervalo de Confiança 95% IE Compreensão das emoções dos outros t 3.7.3.2 - Habilitações literárias A média total da IE obtida nos dois grupos (Até o 3º Ciclo; Secundário ou Superior) e estudada a partir do teste t de student revela que não existem diferenças estatisticamente significativas [t (-0,906); p=0,367] na inteligência emocional em função do grupo estudado. Os mesmos resultados foram encontrados na maior parte dos fatores constituintes da IE (p>0,05). No entanto o fator auto controlo emocional revelou diferenças estatisticamente significativas [t (-3,053); p=0,003] entre os dois níveis de habilitações literárias. Estes resultados estão plasmados no quadro 21 e mostram que o grupo Secundário ou Superior tem uma média mais alta em relação ao outro grupo estudado. 101 Quadro 21 - Média da inteligência emocional (IE total e fatores) em relação às habilitações (n=411) Média IE Total Intervalo de Confiança 95% IE Sensibilidade emocional Intervalo de Confiança 95% IE Empatia Intervalo de Confiança 95% IE Compreensão das próprias emoções Intervalo de Confiança 95% IE Compreensão das emoções dos outros Intervalo de Confiança 95% IE Auto encorajamento Intervalo de Confiança 95% IE Autocontrolo emocional Intervalo de Confiança 95% t p Até 3º Secundário Ciclo ou superior 178,42 180,35 -0,906 0,367 38,58 39,79 -1,735 0,085 11,07 10,22 1,298 0,197 7,91 7,40 1,661 0,099 12,73 13,23 -1,634 0,105 11,81 11,89 -0,320 0,750 13,91 14,75 -3,053 0,003 3.7.3.3 - Anos de serviço A média total da IE obtida nos dois grupos (00 a 19 anos de serviço; 20 a 39 anos de serviço) e estudada a partir do teste t de student revelam que não existem diferenças estatisticamente significativas [t (-0,462); p=0,645] na inteligência emocional em função do nível dos anos de serviço dos grupos estudados. 102 Quadro 22 - Média da inteligência emocional (IE total e fatores) em relação aos anos de serviço (n=411) Média IE Total Intervalo de Confiança 95% IE Sensibilidade emocional Intervalo de Confiança 95% IE Compreensão das próprias emoções Intervalo de Confiança 95% IE Compreensão das emoções dos outros Intervalo de Confiança 95% IE Auto encorajamento Intervalo de Confiança 95% IE Autocontrolo emocional Intervalo de Confiança 95% p 0 a 19 20 a 39 anos anos 179,65 180,53 -0,462 0,645 39,85 -0,800 0,424 10,24 10,76 -1,118 0,265 7,51 7,53 -0,061 0,951 13,16 13,03 0,534 0,594 11,91 11,80 0,457 0,648 14,60 14,49 0,465 0,642 39,36 Intervalo de Confiança 95% IE Empatia t 3.7.4 - Correlação entre a satisfação profissional e as conceções de desempenho profissional total e respetivos fatores De forma a analisar a possibilidade de associação entre as diferentes variáveis estudadas, recorremos ao teste de Pearson. É possível observar que a satisfação profissional, medida através da JSS total, não apresenta uma correlação estatisticamente significativa com a conceção de desempenho profissional total. O mesmo também é verificado em termos dos fatores da escala ECDP-P, visto todos apresentarem níveis de significância (p>0,05). 103 Quadro 23 - Correlação da satisfação profissional (JSS) com a conceção de desempenho profissional (ECDP-P e fatores) (n=411) JSS Correlação Pearson p ECDP-P Total 0,034 0,495 ECDP-P Adaptação e integração 0,044 0,372 ECDP-P Autodomínio e relacionamento -0,012 0,803 ECDP-P Disponibilidade e capacidade de julgamento 0,010 0,843 ECDP-P Conhecimentos profissionais aplicados 0,023 0,645 ECDP-P Eficácia 0,032 0,511 ECDP-P Satisfação Profissional -0,039 0,433 ECDP-P Organização e comunicação -0,006 0,901 ECDP-P Capacidade de chefia, liderança e organização 0,044 0,374 ** Correlação significativa ao nível de 0.01 3.7.5 - Correlação entre a inteligência emocional e a conceção de desempenho profissional total e respetivos fatores De forma a analisar a possibilidade de associação entre as diferentes variáveis estudadas, recorremos ao teste de Spearman (estatística inferencial paramétrica), não sendo possível o teste de Pearson, por não se tratarem de variáveis com distribuição normal. É possível observar que a inteligência emocional, medida através da IE total, revela uma correlação estatisticamente significativa com a conceção de desempenho profissional total, demonstrando ter uma associação positiva elevada. O mesmo também acontece em termos da maioria dos fatores da escala ECDP-P, visto apresentarem níveis de significância inferiores a 0.05. No entanto os fatores: Organização e comunicação; Capacidade de chefia, liderança e organização demonstram não estar correlacionados com o nível de inteligência emocional (Quadro 24). 104 Quadro 24 - Correlação da inteligência emocional (IE) com a conceção de desempenho profissional (ECDP-P e fatores) (n=411) IE Correlação p Pearson ECDP-P Total 0,205(**) 0,000 ECDP-P Adaptação e integração 0,277(**) 0,000 ECDP-P Autodomínio e relacionamento 0,241(**) 0,000 ECDP-P Disponibilidade e capacidade de julgamento 0,200(**) 0,000 ECDP-P Conhecimentos profissionais aplicados 0,302(**) 0,000 ECDP-P Eficácia 0,288(**) 0,000 ECDP-P Satisfação Profissional 0,177(**) 0,000 ECDP-P Organização e comunicação -0,005 0,912 ECDP-P Capacidade de chefia, liderança e organização -0,012 0,806 ** Correlação significativa ao nível de 0.01 3.7.6 – Comparação entre a inteligência emocional dos agentes da PSP e a observada na população em geral Considerando a IE total e os seus fatores, observa-se através do teste de Levene, que estes apresentam homogeneidade das variâncias (p>0,05). A média total da IE obtida nos dois grupos (Polícias versus População em geral) estudada a partir do teste t de student revelam que não existe diferenças estatisticamente significativas [t (-1,168); p=0,243] na inteligência emocional em função do grupo estudado. Os mesmos resultados foram encontrados na maior parte dos fatores constituintes da IE (p>0,05). No entanto os fatores empatia e compreensão das emoções próprias revelaram diferenças estatisticamente significativas na inteligência emocional entre os dois grupos estudados, ou seja, entre os agentes da PSP e a população em geral. Quer no fator empatia [t (2,553); p=0,011] quer no fator compreensão das emoções 105 próprias [t (4,818); p=0,000] o grupo dos agentes da PSP apresenta uma média superior à da população em geral (Quadro 25). Quadro 25 - Média da inteligência emocional (IE total e fatores) em relação aos agentes da PSP e à população em geral (n=411) Média Policias IE Total Intervalo de Confiança 95% IE Sensibilidade emocional Intervalo de Confiança 95% IE Empatia Intervalo de Confiança 95% IE Compreensão das próprias emoções Intervalo de Confiança 95% IE Compreensão das emoções dos outros Intervalo de Confiança 95% IE Auto encorajamento Intervalo de Confiança 95% IE Autocontrolo emocional Intervalo de Confiança 95% t p População em geral 179,93 181,26 -1,168 0,243 39,52 39,52 -0,004 0,996 10,40 9,89 2,553 0,011 7,52 6,68 4,818 0,000 11,88 12,11 -1,524 0,128 13,12 13,05 0,450 14,57 14,72 -0,978 0,328 0,653 3.8 - Discussão dos resultados Os resultados apresentados no presente estudo permitem confirmar que a inteligência emocional, tal como é sustentado por diversos autores, destacando-se entre eles Caruso e Wolf (2001); Manzella & West (2003); Saville (2006); Cobêro, Primi e Muniz (2006), é um aspeto influente no desempenho profissional, verificando-se que os polícias com uma ajustada inteligência emocional estarão mais aptos para enfrentar com maior sucesso os desafios das suas tarefas diárias, respondendo às necessidades 106 individuais de cada individuo em cada ocorrência policial, levando, assim, a que surjam menos situações conflituosas e a um maior nível de segurança. Outro aspeto a considerar nesta investigação são os resultados apresentados ao nível da conceção de desempenho por parte dos polícias, visto ter sido um estudo inovador na área e na instituição a que se respeita. Verificamos neste estudo que a média geral da conceção de desempenho apresentado nos polícias, medida através da ECDP-P foi de 213,07, quando o limite máximo situa-se nos 240 pontos. Por este motivo ficamos em crer que um valor tão elevado de média final se pode ficar a dever ao facto dos respondentes terem respondido de acordo com a desejabilidade social, até porque a PSP é, ainda hoje, uma instituição hierarquizada e rígida. No presente estudo aquando da análise da medida da ECDP-P item por item, constatamos que o item que apresenta uma média com resultado mais alto é o item 21, “Respeito a minha chefia”, com uma média 4,70 e de seguida, o item 17, “ A imagem da PSP é importante para mim”, com uma média de 4,61, o que nos indica realmente que a resposta poderá ter sido conforme o que é aceite socialmente. Tomando em consideração o previamente referido, e relativamente às hipóteses inicialmente formuladas, é-nos possível concluir: H1- A conceção do desempenho dos agentes da PSP varia em função dos anos de serviço, idade, habilitações literárias Através da realização do presente estudo, realizado junto dos polícias de todas as ilhas do arquipélago dos açores, pudemos concluir que a conceção do desempenho profissional varia em função de algumas das variáveis sociodemográficas da amostra. No respeitante à variável anos de serviço pudemos verificar que existe uma relação desta variável com a conceção de desempenho profissional dos polícias, particularmente em função de alguns dos fatores avaliados pela Escala de Conceção de Desempenho Profissional para Polícias. Os polícias entre os 20 e 39 anos de serviço revelam ter um conceção total sobre o seu desempenho profissional mais elevada do que os que estão entre os 0 e 19 anos de serviço. Esta situação também acontece nos fatores; Capacidade de Chefia, liderança e organização; satisfação profissional; e Organização e comunicação. Compreende-se assim que os elementos policiais com um maior número de anos de serviço têm um maior nível de organização e planeamento no 107 trabalho e sentem-se mais satisfeitos profissionalmente com as funções que desempenham. Estes dados parecem mostrar que o tempo de contato com a profissão, de exercício profissional, é importante para que os agentes dominem as suas funções e se adaptem a estas, aumentando, assim a sua conceção de desempenho profissional. No fundo, estes dados parecem ser coincidentes com o facto de a prática e repetição de determinados comportamentos ou funções ser um fator crucial na nossa aprendizagem, aumentando, por esta via, a conceção que temo acerca do nosso desempenho. No que diz respeito aos demais fatores avaliados percebemos que a diferença de média entre os dois grupos estudados é reduzida. Este facto mostra-nos que quando avaliamos aspetos que têm mais a ver com os conhecimentos aplicados e com a eficácia demonstrada nas ocorrências diárias, os policias com menos anos de serviço conseguem estar ao mesmo nível que os policias com mais anos de serviço. Tal pode ficar a deverse à variabilidade de situações práticas do dia a dia da atividade policial, no entanto, eta conclusão carece de estudos futuros que a confirmem. Já no que diz respeito à idade dos elementos policiais, os resultados da conceção do desempenho profissional em função desta variável mostram resultados semelhantes aos observados para os anos de serviço. Salienta-se que a grande diferença entre a faixa etária dos 20 a 39 anos e a 40 a 59 anos se situa também no nível de desempenho total e nos mesmos fatores supra referidos (Capacidade de Chefia, liderança e organização; satisfação profissional; e Organização e comunicação), ou seja, na variável idade os polícias mais velhos têm valor de média de conceção de desempenho profissional superior aos elementos mais novos. Estes resultados vêm ao encontro das conclusões previamente avançadas, uma vez que sendo os 21 anos a idade normal de ingresso na PSP, quanto mais velho for o agente mais anos de serviço deverá ter. Em relação à variável habilitações literárias, constatamos que os polícias com maior nível de habilitações revelam uma conceção do seu desempenho total mais elevada do que os restantes. Esta situação também acontece nos fatores Capacidade de Chefia, liderança e organização; disponibilidade e capacidade de julgamento; e Organização e comunicação. Este facto poderá ocorrer devido ao facto dos polícias com mais habilitações desempenharem na sua grande maioria cargos de chefia ou comando, revelando-se mais eficazes em aspetos como a organização, liderança, comunicação e julgamento. Estando estes, mais habituados a este tipo de tarefas, é de supor que se concessionem de forma superior quanto ao seu desempenho 108 comparativamente àqueles com habilitações mais baixas, os quais normalmente, apenas exercem funções de execução. As variáveis sociodemográficas podem, assim, ser vistas como influenciadoras na forma como os elementos da PSP concessionam o seu desempenho profissional. H2: Existe uma relação causal entre satisfação no trabalho e conceção do desempenho profissional na amostra em estudo Os resultados encontrados, no presente estudo, revelam que a satisfação no trabalho não influi na conceção do desempenho profissional. Pela análise efetuada verificamos que quer seja a nível da conceção do desempenho profissional total, quer seja nos diversos fatores deste desempenho, nenhum deles se mostra correlacionado com a satisfação no trabalho. No entanto diversa literatura científica, como é o caso de George e Jones (2004); Seixo (2007) e Shahu e Gole (2008) revelam que os funcionários satisfeitos profissionalmente demonstram, por norma, ser indivíduos com um maior nível de desempenho, empenho e uma maior identificação com a organização. Esses autores referem que os indivíduos felizes com o seu trabalho demonstram ter níveis de desempenho superiores àqueles funcionários menos satisfeitos, acrescentando mesmo que a satisfação laboral contribui para o bem-estar geral na vida do individuo. Esta divergência de resultados poderá, mais uma vez, ficar a dever-se à desejabilidade social nas respostas dadas, pois o facto de os policias perceberem que estão a avaliar a sua satisfação profissional, parece levá-los a responder no mesmo sentido que respondem na sua conceção de desempenho, evidenciando resultados elevados no que diz respeito à sua satisfação profissional. Outro aspeto a considerar será o facto de a PSP ser uma instituição com alguma desconfiança mútua, tal como referem, Drodge e Murphy (2002), o que poderá levar a que as respostas não respondam o que verdadeiramente sentem. Estes resultados mostram da necessidade de se realizarem estudos futuros nesta área, nomeadamente estudos que utilizem formas de avaliação diferentes e que permitam responder a estas questões. 109 H3: A inteligência emocional influencia o desempenho profissional nos Polícias O presente estudo confirma que a inteligência emocional, influencia o desempenho profissional, tal como é referido pela maioria das investigações nesta área (e.g.: Cherniss, 2000; Day & Leitch, 2001; Damásio, 1994; Dulewicz & Higgs, 2000; Farnham, 1996; Fried, 1995; Goleman, 1995; Goleman et al., 2001, 2002; Salovey & Mayer, 1990; Rego & Fernandes, 2004a,b,c,d; Steiner, 1997; Wong & Law, 2002), as quais mencionam que um desempenho profissional elevado acontecem através da relação das capacidades racionais e emocionais. A investigação aqui apresentada revela uma correlação positiva entre a inteligência emocional total e a conceção do desempenho total, demonstrando que a IE influi na forma como os polícias percecionam a forma de execução das suas tarefas. Quando analisamos os fatores pertencentes à conceção de desempenho e fazemos a sua relação com a inteligência total também verificamos que existe uma correlação significativa na maioria dos fatores, à exceção dos fatores organização e comunicação e capacidade de chefia, liderança e organização. Estes dados revelam-se ser semelhantes àqueles encontrados ao estudo realizado por Filizatti (2004), o qual referia que existe uma correlação positiva entre os subtestes da BPR-5 e a avaliação do desempenho profissional. Bedwell (s.d) no seu estudo tentou compreender a relação que existia entre a inteligência emocional e o desempenho profissional. Nesse estudo os resultados revelaram associações positivas e significativas entre a avaliação de desempenho geral e os fatores da inteligência emocional, sendo que os autores afirmaram que a IE é, de facto, relevante nos aspetos relativos ao trabalho. Estes resultados são apenas mais uma prova daquilo que os resultados de outros estudos identificaram, isto é, que a inteligência emocional influencia em grande escala o desempenho dos polícias, ou seja, também na PSP a inteligência emocional parece afetar o desempenho. Neste sentido, há um padrão que emerge: valores elevados de inteligência emocional correspondem em regra a valores elevados de desempenho, o que mostra da importância de se desenvolverem programas de inteligência emocional nesta instituição que contribuam para aumentar o desempenho de todos os agentes policiais. De facto, e tal como refere Almeida (1996), o modo como os polícias conseguem gerir as suas 110 capacidades e emoções e as suas relações interpessoais, revela ser de extrema importância na forma equilibrada de como manifestam o seu desempenho profissional. H4: A inteligência emocional nos Polícias apresenta características semelhantes à população em geral Relativamente à comparação entre a inteligência emocional nos polícias e a observada na população em geral podemos concluir que amostra estudada possui em ambos os casos (PSP/População em geral), valores médios muito razoáveis. A média global de IE na amostra é elevada, o que significa um índice de inteligência emocional de referência em ambos os grupos. Os resultados aqui encontrados mostram que a um nível geral não existe diferenças significativas entre o nível de inteligência emocional dos polícias e aquele que é verificado nos indivíduos da população em geral, embora se verifique uma média total de inteligência emocional superior da população em geral em relação à amostra policial. No entanto há a considerar que os fatores empatia e compreensão das próprias emoções demonstram resultados com diferenças estatisticamente significativas entre os grupos estudados. A empatia diz respeito à compreensão das emoções dos outros, sendo que os indivíduos mais empáticos estão mais sensíveis aos sinais sociais, compreendendo com maior facilidade o que os outros desejam. Neste fator a amostra policial demonstra obter melhores resultados aquando da comparação com os indivíduos da população em geral. Já a compreensão das próprias emoções é a capacidade de conseguir avaliar as emoções, identificando as diferenças e as semelhanças entre elas e a capacidade de compreender a possibilidade de existência de sentimentos complexos, como é o caso de gostar e odiar a mesma pessoa. Em relação a este fator a população policial também revela possuir valores médios mais elevados do que aqueles que são verificados nos indivíduos da população em geral. Deste modo, podemos afirmar que os polícias apresentam valores a nível da inteligência emocional semelhantes aos indivíduos da população em geral, destacandose em dois dos fatores desta mesma inteligência, os quais obtêm resultados médios totais positivos e significativamente superiores àqueles que os participantes da população em geral indicam possuir. Estes resultados podem ficar a dever-se ao facto de 111 a profissão de polícia requerer, a quem a exerce, que se confronte com inúmeras situações complexas e sensíveis, muitas vezes de conflito grave, ativadoras de grande emocionalidade, onde os agentes têm de servir de mediadores e de apaziguadores, obrigando-os a colocar-se no lugar dos outros (empatia) e a entender as suas próprias emoções a fim de conseguirem exercer a sua atividade de forma eficaz. H5: A idade, anos de serviço e habilitações tem um efeito causal na inteligência emocional dos polícias Verificamos que a maioria dos fatores da inteligência emocional não mostra diferenças estatisticamente significativas quando avaliado em função das variáveis sociodemográficas (idade, anos de serviço e habilitações). Podemos referir desta forma e tendo em conta os resultados obtidos neste estudo que nas variáveis idade e anos de serviço o nível de inteligência emocional dos polícias se mostra equivalente nos diferentes grupos estudados, demonstrando assim, que estes aspetos não influem no nível de inteligência emocional dos elementos policiais, nem no total da IE nem nos seus fatores. No entanto podemos verificar que os indivíduos mais velhos e com mais tempo de serviço apresentam valores mais elevados nesta variável, apesar de estas diferenças não serem significativas. No seguimento do que foi referido acima a variável habilitações literárias também revela que não existem diferenças significativas entre os dois grupos estudados, para a maioria dos fatores da IE. Contudo, no fator autocontrolo emocional os elementos policiais com nível de ensino do secundário ou superior revelam possuir uma média total superior e estatisticamente significativa relativamente àqueles que pertencem ao outro grupo da amostra (até o 3º ciclo). Este fator diz respeito à capacidade de cada indivíduo gerir as suas próprias emoções, o seu estado de espírito e o seu bom humor. Assim, podemos aferir que os polícias com mais habilitações literárias conseguem autocontrolar as suas emoções de forma mais segura. Estes dados parecem indicar que a formação académica formal dos agentes da PSP contribui para aspetos particulares da IE, como é o caso do autocontrolo emocional, no entanto, estes resultados necessitam de ser confirmados em estudos posteriores. Para além disso, o facto de os anos de serviço e a idade parecerem não contribuir para uma aumento da inteligência emocional reforça, ainda mais, a importância de se facultarem a estes 112 agentes oportunidades de aprendizagem formal acerca das emoções e da sua gestão, a fim de se conseguir um aumento da sua inteligência emocional e, consequentemente, do seu desempenho profissional. 113 Conclusão No âmbito da dissertação de mestrado em Psicologia da Educação da Universidade dos Açores, foi desenvolvida uma investigação na vertente do desempenho profissional e a respetiva ligação deste com a temática da inteligência emocional. Este estudo teve como principal objetivo compreender a forma como os polícias concessionam o seu desempenho profissional e a forma como a inteligência emocional se liga a esse mesmo desempenho. O objetivo desta investigação não foi voltada para a inteligência como entidade, mas sim para o contributo que as experiencias emocionais bem geridas podem oferecer ao indivíduo a nível do seu desempenho profissional, quer intra quer inter relacional. Com a elaboração do enquadramento teórico, realizado através da pesquisa bibliográfica, foi-nos possível verificar a relevância que as emoções e, particularmente, a inteligência emocional tem no desenrolar do desempenho profissional. Deste modo, de forma geral, importa salientar a ideia referida por Goleman (1998), de que os aspetos da avaliação do desempenho profissional devem ter em conta, a forma como os indivíduos lidam consigo e com os outros para além da inteligência e da formação académica. No entanto, não estamos a querer dizer que a inteligência, tal como é tradicionalmente definida e medida não tenha a sua importância, mas que a conjugação das duas variáveis, inteligência geral e emocional são realmente importantes na previsão e avaliação do desempenho (Goleman, 1998). A capacidade de resolver problemas complexos, utilizando a competência de gerir as suas próprias emoções e dos outros demonstra ser um aspeto importante no desempenho no trabalho (Bueno & Primi, 2003). Os mesmos autores referem que o construto da inteligência emocional demonstra ser um tipo específico de inteligência, mostrando ser um elemento importante no desempenho profissional. Almeida (1996, p.131) refere que “a Inteligência Emocional de um grupo (...) pode contribuir para reforçar os sentimentos de confiança e respeito mútuo, a identidade grupal e o sentido de auto-eficácia grupal”, demostrando trazer maiores níveis de participação e envolvimento dos funcionários, com consequentes resultados de maior desempenho. 114 Deste modo, podemos referir que a inteligência emocional influencia em grande medida o comportamento profissional na atividade policial. O trabalho policial demonstra ser extraordinariamente exigente e desafiante, obrigando a uma multiplicidade de competências para que seja realizado com êxito. O modo como os polícias conseguem gerir as suas capacidades e emoções e as suas relações interpessoais, revela ser de extrema importância na forma equilibrada de como manifestam o seu desempenho profissional (Almeida 1996). No presente estudo pudemos verificar que os elementos policiais demonstram possuir competências de inteligência emocional elevadas, comparando-se mesmo àquelas que se verifica na restante população e geral, facto que poderá justificar os altos índices da conceção do desempenho profissional, também estudados nesta investigação. Conclui-se, assim, que as variáveis analisadas na presente investigação (conceção de desempenho, inteligência emocional) confirmam a ideia de que a inteligência emocional tem um papel importante no desempenho profissional, particularmente no que concerne à conceção de desempenho dos agentes da PSP. 115 Considerações Finais Sendo esta uma investigação de caracter exploratório, estamos cientes que os resultados obtidos, apresentados e discutidos demonstram ser representativos da amostra obtida e analisada, mas que a generalização dos mesmos para a instituição PSP, que se revela um universo bem mas vasto do que o ora estudado, deve ser realizada de forma cuidadosa. Este estudo, à imagem de qualquer outro sofre de limitações. É uma investigação que não é tão abrangente e caracterizadora de todo o universo da PSP como desejaríamos que fosse, limitando-se a uma pequena amostra da população policial. A bibliografia referente à inteligência emocional também se revelou algo limitativa, visto que as investigações sobre este tema em contextos policiais são muito escassas, sendo a maioria deles em língua estrangeira, reportando-se a países estrangeiros, os quais evidenciam outras realidades. No que diz respeito a bibliografia sobre o desempenho em contexto policial, esta mostrou ser igualmente escassa, sendo que a nível da realidade portuguesa nada foi encontrado sobre a temática. Estas evidências limitativas são também elas reveladoras do interesse e inovação do presente estudo. Considerando investigações futuras semelhantes, num universo como o da PSP, deverá ser associada uma amostra mais alargada, quer no número de participantes, quer nas variáveis sociodemográficas, levando deste modo à possibilidade de surgir outros resultados, mais sólidos e caraterizadores daquilo que realmente acontece a nível organizacional. Deste modo, temos consciência que a partir dos resultados obtidos com este estudo, não é possível estabelecer convicções absolutas, no entanto, acreditamos que esta investigação tenha contribuído, para uma melhor compreensão das temáticas abordadas e sobretudo da possível influência da inteligência emocional no desempenho na PSP, que tantas vezes estabelece os bons ou os maus resultados da ação dos agentes policiais. Esta investigação poderá também contribuir como um auxiliar de sensibilização no que diz respeito à formação que poderá ser administrada na PSP e que deverá ter em conta a formação dos agentes ao nível da inteligência emocional. Possivelmente esta investigação auxiliará, ainda, na redução de erros no recrutamento, seleção e integração de novos efetivos na PSP, tendo em conta os objetivos e interesses 116 da organização, uma vez que permitiu o desenvolvimento de um novo instrumento de medida que se poderá mostrar útil a esta seleção profissional. Admitimos que a inteligência emocional não é, nem será, a única explicação para um desempenho de referência, mas terá a sua importância no contexto organizacional, particularmente em realidades como a da PSP, em que os polícias atuam em contextos de trabalho muito complexos, de grande imprevisibilidade e de vastas peculiaridades em termos morais e racionais. Essencial será compreender que o desenvolvimento de capacidades como a IE, acarretará com certeza enormes vantagens à PSP, no entanto, este conceito não será denotado de uma receita única e milagrosa que transforma um qualquer ser humano num polícia excecional, trata-se isso sim, de orientar e desenvolver competências necessárias para a obtenção dos melhores resultados numa sociedade contemporânea cada vez mais exigente. Por força do que acabamos de referir, seria benéfico em tempos futuros, a realização de investigações mais aprofundadas sobre a temática, com uma amostra mais alargada, dispersa e caracterizadora do universo da PSP, onde poderão ser usados outros instrumentos de medida da IE e do desempenho. Outro aspeto a considerar em estudos futuros seria o de recorrer a outros indicadores de desempenho global, que não apenas à conceção do desempenho policial do próprio agente, como por exemplo, cruzar alguns dados institucionais de execução/avaliação (avaliação da chefia) com os dados da sua autoavaliação. Deste modo poderão surgir resultados confirmatórios e esclarecedores da realidade na organização, levando assim a uma maior tomada de consciência das necessidades organizacionais a nível emocional no sentido de melhorar o desempenho pessoal e profissional e consequentemente gerar uma maior satisfação a todos os níveis. Por fim e de forma a concluirmos o nosso trabalho reconhecemos que a PSP é hoje mais eficaz e mais humanizada, não só pelas exigências da sociedade como também pelas exigências pessoais dos agentes no sentido de uma maior flexibilização nos relacionamentos e procedimentos organizacionais. Deste modo, interessa referir que tudo o que for feito em prol da organização para melhorar os seus resultados, por pouco que seja, irá revelar-se fundamental no crescimento da instituição. 117 Referências Bibliográficas Agostinho, L. M. C. F. (2008). Competência Emocional em enfermeiros: Um estudo em hospitais públicos. Dissertação de Mestrado. Universidade de Aveiro, Secção Autónoma de Ciências Sociais, Jurídicas e Políticas. Almeida, F. (1996). O Gestor - A Arte de Liderar. Editorial Presença. Almeida, F. N. (1996). Avaliação de Desempenho para Gestores. Lisboa: McGrawHill. Almeida, L. (1988). Teorias da Inteligência (2ª ed.). Porto: Jornal de Psicologia. Almeida, L.S., & Freire, T. (2008). Metodologia da Investigação em Psicologia e Educação (4.ª ed.). Braga: Psiquilíbrios Edições. Alves, F. S. & Valente; A. C. (2006). Polícia de Segurança Pública. Origem, Evolução e actual Missão. Gabinete de Estudos e Planeamento. Lisboa: Direção Nacional da P.S.P. Alves, M.P.C. (2004). 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Padrão 0,936 0,626 0,611 0,562 0,544 0,577 0,673 0,662 0,851 0,599 0,539 0,581 0,712 0,657 0,574 0,574 0,696 0,679 0,618 0,585 0,527 0,652 0,634 0,541 0,591 0,572 0,613 0,625 0,569 0,658 0,502 0,812 0,635 0,597 0,585 0,503 0,833 0,603 0,672 0,609 0,659 0,862 0,528 0,574 0,613 129 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 TOTAL 4,06 3,40 3,95 3,09 4,30 3,73 0,87 0,92 0,93 0,93 0,90 0,89 0,96 0,89 213,07 4 4 4 3 4 4 0 0 0 0 0 0 0 0 208 4 4 4 3 4 4 0 0 0 0 0 0 0 0 208 0,583 1,080 0,663 0,859 0,594 0,653 1,654 1,777 1,763 1,798 1,704 1,698 1,814 1,756 46,819 130 Anexo 4 – Correlações entre o total da escala e os itens Item 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 ECDP – P total Correlação p Pearson -0,010 0,324(**) 0,463(**) 0,348(**) 0,423(**) 0,457(**) 0,329(**) 0,169(**) 0,364(**) 0,257(**) 0,375(**) 0,451(**) 0,447(**) 0,099(*) 0,429(**) 0,448(**) 0,380(**) 0,474(**) 0,446(**) 0,401(**) 0,421(**) 0,348(**) 0,012 0,293(**) 0,471(**) 0,439(**) 0,259(**) 0,407(**) 0,385(**) 0,363(**) 0,397(**) 0,382(**) 0,217(**) -0,030 0,374(**) 0,290(**) 0,247(**) 0,400(**) 0,321(**) 0,385(**) 0,500(**) 0,353(**) 0,294(**) 0,387(**) 0,390(**) 0,842 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,044 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,810 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,546 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 N 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 131 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 0,378(**) -0,006 0,371(**) -0,089 0,385(**) 0,303(**) 0,708(**) 0,696(**) 0,710(**) 0,723(**) 0,701(**) 0,688(**) 0,694(**) 0,688(**) 0,000 0,907 0,000 0,070 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 132 Anexo 5 – Análise da consistência interna da escala – Alpha de Cronbach Item Alpha de Cronbach 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 0,901 0,900 0,901 0,900 0,900 0,901 0,902 0,900 0,901 0,900 0,900 0,900 0,900 0,900 0,900 0,899 0,900 0,900 0,900 0,900 0,901 0,900 0,900 0,901 0,900 0,900 0,900 0,900 0,900 0,901 0,900 0,901 0,901 0,900 0,901 0,900 0,899 0,900 0,901 0,900 0,900 0,900 0,900 0,900 133 45 0,901 46 47 48 49 50 51 52 53 0,895 0,896 0,895 0,895 0,896 0,896 0,896 0,896 134 Anexo 6 – Matriz de componentes extraídos a partir da análise de componentes principais seguidas de rotação varimax Item 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 1 2 3 4 Componentes 5 6 7 8 9 10 11 0,040 0,528 -0,188 0,024 0,159 -0,055 0,087 0,190 -0,001 0,358 0,037 0,039 0,588 0,199 0,099 0,127 0,289 0,092 -0,054 0,006 0,168 0,081 0,002 0,443 0,317 0,208 0,312 -0,078 -0,017 0,133 -0,124 -0,008 -0,083 0,049 0,335 0,280 0,021 0,564 0,243 0,057 -0,025 0,003 0,032 -0,154 0,051 0,394 0,246 0,014 0,354 0,427 0,053 0,059 0,166 -0,140 0,033 0,063 0,434 0,433 0,034 -0,006 0,693 0,138 0,134 -0,005 -0,019 -0,070 -0,003 0,056 0,019 -0,007 0,011 0,189 0,005 0,809 -0,045 -0,049 0,006 0,019 0,247 0,633 0,118 -0,170 -0,018 0,000 -0,009 0,207 0,265 0,106 -0,125 0,221 0,335 0,177 0,055 -0,035 0,099 0,482 0,134 0,096 -0,154 -0,002 0,560 0,101 0,171 0,107 0,086 -0,032 0,140 0,114 0,047 0,217 -0,012 0,573 0,217 0,134 0,085 0,226 0,272 0,035 0,095 0,051 0,083 0,083 0,251 0,360 -0,001 -0,044 0,187 0,324 0,066 0,430 0,180 -0,037 0,053 0,409 -0,130 0,201 0,119 0,507 0,160 0,126 0,123 0,217 0,155 -0,043 0,638 0,202 0,112 0,171 0,144 0,322 0,010 0,079 0,092 0,030 0,077 0,247 0,200 0,091 0,084 0,102 -0,052 0,052 0,506 -0,045 0,713 0,048 0,378 0,568 0,119 0,025 0,100 -0,005 -0,005 0,143 -0,004 0,226 0,046 0,624 0,010 0,170 0,057 0,163 0,101 0,133 0,083 0,216 0,028 -0,013 0,504 0,169 0,357 0,007 -0,063 0,206 0,194 0,090 -0,122 0,059 0,094 0,410 -0,011 0,279 0,289 0,155 -0,016 0,044 0,309 -0,005 -0,090 0,059 0,168 0,613 0,024 0,250 0,011 0,094 0,048 -0,046 -0,031 -0,074 -0,081 0,200 0,186 0,237 0,058 0,084 -0,113 0,464 0,328 0,082 0,144 0,016 0,316 0,195 0,016 0,204 0,350 0,431 0,076 0,084 -0,008 0,132 0,077 0,141 0,131 0,690 0,054 0,261 0,052 0,191 0,168 -0,069 0,044 -0,039 -0,071 0,580 -0,011 0,238 0,073 0,097 0,113 -0,047 0,183 0,133 0,013 0,198 0,138 0,255 0,064 0,472 0,094 0,045 0,230 0,238 0,045 0,040 0,229 -0,008 0,548 0,078 0,359 -0,114 -0,102 0,032 0,332 -0,015 0,003 0,330 -0,012 0,306 0,191 -0,020 0,533 0,034 -0,111 0,229 -0,031 -0,017 0,288 -0,051 0,536 0,356 0,220 -0,014 0,120 0,080 0,086 0,104 0,088 0,240 0,275 -0,019 0,061 0,133 0,159 -0,056 -0,097 0,462 0,289 -0,075 0,059 0,030 0,300 0,040 -0,010 0,074 0,583 0,080 0,212 0,087 135 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 -0,057 0,261 0,078 0,103 0,202 0,188 0,651 0,044 0,142 0,045 0,132 0,028 0,128 0,011 0,685 -0,023 -0,022 0,150 0,196 -0,091 0,081 0,033 -0,041 0,070 0,190 0,058 0,066 -0,109 0,321 0,062 -0,024 0,069 0,671 -0,024 0,139 0,117 0,362 0,200 0,194 0,186 0,361 0,144 0,196 0,146 0,027 0,160 0,043 -0,031 0,698 -0,094 0,126 0,133 0,079 0,052 0,172 0,013 0,037 0,219 0,235 0,618 0,171 0,093 -0,054 -0,003 0,169 0,090 0,049 0,105 0,401 0,255 0,434 0,217 0,441 -0,020 0,141 0,109 0,214 0,057 0,012 0,384 0,081 -0,058 0,166 0,322 0,113 0,432 -0,086 0,066 0,037 0,098 -0,081 0,074 0,458 0,081 0,011 0,083 0,718 0,111 0,135 -0,004 0,281 0,100 0,183 0,506 -0,010 0,258 0,043 0,282 -0,037 -0,041 0,043 0,087 0,752 0,028 0,132 0,145 0,023 0,091 -0,012 0,015 0,211 -0,016 0,214 0,172 0,473 0,242 -0,103 0,190 -0,070 0,284 0,097 -0,016 0,012 0,114 0,248 0,176 0,063 0,113 0,108 0,188 0,188 0,592 -0,110 -0,077 0,156 0,383 0,175 0,235 0,101 0,246 0,128 0,313 0,487 -0,149 0,033 0,155 0,163 0,060 0,041 0,320 -0,178 0,193 0,211 0,426 0,058 0,990 0,009 0,010 0,020 0,006 0,026 -0,009 -0,010 0,019 0,030 0,008 0,985 0,023 0,014 0,005 0,006 0,020 -0,009 -0,006 0,003 0,001 -0,003 0,993 0,016 0,007 0,012 0,023 0,030 -0,002 -0,020 0,013 0,014 0,013 0,987 0,023 0,037 0,011 0,021 0,043 0,009 -0,020 0,014 0,017 0,008 0,990 0,016 0,001 0,008 0,013 0,021 0,005 -0,026 0,014 0,010 0,017 0,986 0,003 0,009 0,020 0,006 0,005 0,000 -0,033 0,008 -0,005 0,010 0,990 0,007 0,008 0,008 0,014 0,014 -0,017 -0,031 0,008 0,006 0,021 0,965 0,012 0,034 0,003 0,003 0,018 0,007 -0,025 0,019 -0,002 -0,009 Método de extração: Análise Componente Principal. Método de Rotação: Varimax com Normalização de Kaiser a. Rotação convergeu em 16 interações. 136 Anexo 7 – Análise de Componentes Principais (Rotação Varimax, solução forçada a 11 factores) Componentes Item 48 52 50 46 49 51 47 53 14 17 2 11 10 1 18 3 19 41 8 20 24 16 23 32 26 28 42 34 35 36 4 40 6 13 25 5 31 27 37 20 7 30 9 21 39 38 12 1 0,993 0,990 0,990 0,990 0,987 0,986 0,985 0,965 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 0,638 0,624 0,588 0,573 0,560 0,528 0,504 0,443 0,410 0,752 0,633 0,613 0,580 0,568 0,690 0,685 0,548 0,536 0,473 0,462 0,698 0,618 0,564 0,506 0,434 0,409 0,433 0,401 0,693 0,507 0,472 0,427 0,434 0,651 0,533 0,441 0,431 0,809 0,583 0,482 0,464 0,458 0,718 0,432 0,430 137 43 29 44 45 15 33 Total Eingenvalues % Variância 0,592 0,487 0,462 0,426 0,506 0,713 0,671 12,051 7,856 2,448 1,967 1,952 1,567 1,44 1,341 1,247 1,202 1,086 22,739 14,822 4,618 3,711 3,684 2,956 2,717 2,53 2,354 2,267 2,048 Método de extração: Análise Componente Principal. Método de Rotação: Varimax com Normalização de Kaiser. a. Rotação convergeu em 16 interações. 138 Anexo 8 – Versão Final da Escala de Conceção de Desempenho Profissional – Polícias (ECDP – P) (Barreto Carvalho, C.; Silva, J. 2012) INSTRUÇÕES: Vai encontrar de seguida diversas afirmações em relação à forma como concessiona a sua qualidade no trabalho. Pede-se que leia atentamente essas frases e expresse a sua opinião em relação a cada uma delas. Não existem respostas certas ou erradas. A sua opinião é o mais importante. Por favor, responda conforme pensa e sente e não como acha que deveria ser. Avalie cada afirmação, colocando um (x) na opção que melhor se enquadre no seu modo de pensar. Assegure-se de que respondeu a todas as questões, devendo apenas optar apenas por uma das hipóteses apresentadas. As respostas a este questionário são totalmente confidenciais e anónimas. DADOS PESSOAIS: Idade:_________ Sexo: M F Habilitações:______________________________ Nunca Raramente Algumas vezes Muitas vezes Sempre Profissão:_____________________________ Anos de Serviço:________________________________ 1 2 3 4 5 Demonstro segurança quando me questionam acerca das minhas decisões Sinto-me bem adaptado às funções que desempenho profissionalmente Considero a minha apresentação pessoal adequada ao serviço que desempenho 139 Quando surgem dúvidas ou problemas no serviço tento resolvê-los prontamente Penso que aplico de forma adequada os conhecimentos teóricos na minha prática profissional Necessito de ser profissionalmente incentivado para me conseguir aperfeiçoar Penso que a PSP é um bom local para trabalhar Tenho dificuldade em relacionar-me com os meus colegas As minhas soluções para os problemas de trabalho mostram ser as adequadas Penso que a forma como realizo as minhas funções mostram a qualidade do meu serviço Todas as minhas funções me despertam interesse Sinto dificuldades em aplicar os meus conhecimentos em tarefas mais complexas Sinto-me seguro nas minhas atitudes profissionais Sinto que estou bem integrado na instituição profissional a que pertenço Os outros compreendem facilmente o que lhes quero transmitir É competente a avaliar os elementos mais importantes de uma situação A imagem da PSP é importante para mim Perco a paciência com frequência por questões de serviço Penso que sou competente na realização do meu trabalho Tenho dificuldade em transmitir os meus pensamentos Respeito a minha chefia 140 O trabalho que desenvolvo mostra pouco rendimento Tenho dúvidas sobre qual a posição a tomar perante as situações Tomo as minhas decisões profissionais de forma firme Tenho dificuldade em analisar os elementos mais relevantes de uma situação Estou disponível para situações de trabalho, que não as que estou obrigado a fazer Por vezes penso que tenho discussões desnecessárias Possuo os conhecimentos suficientes para a execução das minhas funções Por vezes as informações que transmito não são compreendidas Sou tratado com igualdade pelos cidadãos que me reconhecem como polícia Penso que prejudico o meu desempenho por não lidar com os outros da melhor forma Tento atuar rapidamente nas situações surgidas no meu turno Auxilio os colegas na execução das tarefas Preocupo-me em aprimorar os meus conhecimentos Estou satisfeito com o meu volume de trabalho Perante um problema consigo saber de que lado está a razão Antes de tomar decisões asseguro-me que tenho uma visão global da situação Quando quero transmitir alguma informação consigo ser claro e objetivo Tenho pouco interesse na execução das minhas tarefas Tenho de desempenhar funções que não se adaptam à minha personalidade 141 Se não tem funções de comando e chefia o seu questionário termina aqui. Nunca Raramente Algumas vezes Muitas vezes Sempre Caso desempenhe essas funções responda às seguintes afirmações 1 2 3 4 5 Sinto dificuldade em organizar as minhas tarefas profissionais Estou atento à forma como os meus subordinados executam as suas funções para os conseguir orientar Sei utilizar os recursos e instrumentos de trabalho de forma eficaz e eficiente Motivo os meus subordinados Consigo executar as minhas tarefas dentro do tempo exigido Debato com o grupo ou individualmente as diretrizes a seguir na execução das tarefas Quando tenho várias coisas para fazer, consigo decidir qual a mais importante Procuro que os outros me vejam como mais um elemento e não apenas como chefe 142 Anexo 9 - Pedido de autorização para a concretização de Tese de Mestrado Célia Barreto Carvalho Professora Auxiliar Departamento de Ciências da Educação Universidade dos Açores Rua Mãe de Deus, São Pedro – Ponta Delgada 9500-321 Ponta Delgada - Açores Exmo. Senhor Diretor Nacional da Polícia de Segurança Pública Assunto: Pedido de autorização para a concretização de Tese de Mestrado Joviano Hério Medina Silva, mestrando na Universidade dos Açores, na área de Psicologia, mestrado de especialização em contextos educativos, pretende levar a cabo a tese de Dissertação, sob o tema “ Desempenho e Inteligência Emocional em Contexto Policial”. O objetivo geral desta tese de mestrado é o estudo de variáveis relacionadas com a inteligência emocional, nomeadamente, os comportamentos e perceções associados a essa mesma inteligência na carreira profissional da Policia de segurança pública, avaliando de que forma esta Inteligência influencia o desempenho profissional destes agentes. No que diz respeito aos objetivos específicos da tese, estes visam o entendimento das variáveis que influam a Inteligência Emocional nos Polícias; a determinação da frequência com que os polícias experienciam estados emocionais elevados em cada um dos domínios da inteligência emocional; a compressão da relação existente entre os vários domínios da Inteligência Emocional; e o estudo da relação entre a Inteligência Emocional e o desempenho profissional dos polícias. Como se pode depreender do supra explanado, esta investigação será virada para a Inteligência Emocional dos Policias, pretendendo-se observar em que medida experiencias emocionais bem geridas podem influenciar positivamente o seu desempenho profissional, quer a seja nível inter relacional, quer intra individual. Assim, 143 o objeto de estudo da presente investigação serão os domínios da Inteligência emocional dos polícias, operacionalizados sob a forma de comportamentos e atitudes observáveis em contextos laborais e relacionais. Venho por este meio solicitar a V. Ex.ª que se digne autorizar a recolha de dados para a realização de questionários, os quais serão confidenciais e anónimos, e a sua aplicação dependente da anuência do Senhor Comandante do Comando Regional dos Açores. Rogo, por último, a V. Ex.ª, que me seja concedida autorização para contactar o Gabinete de Psicologia. Estes contactos visam, não só a troca de conhecimentos científicos, mas, e acima de tudo, a disponibilização a V. Ex.ª de todo o conteúdo do presente trabalho que, crê-se, possa ser do interesse futuro da P.S.P. Ao dispor para qualquer esclarecimento, Pede deferimento. Ponta Delgada, 13 de Março de 2012 144 Anexo 10 – Escala de Inteligência Emocional (Rego, A. & Fernandes, C. 2005) INSTRUÇÕES: Abaixo encontram-se algumas afirmações que descrevem o modo como as pessoas se sentem perante a vida e se relacionam com os outros. Para cada afirmação recorra por favor à escala situada acima das frases, colocando à frente de cada afirmação o número correspondente à sua resposta. Não há respostas certas ou erradas. Todas são correctas, desde que correspondam ao que pensa e sente. Não coloque o seu nome em lado algum pois as suas respostas são anónimas e confidenciais. DADOS PESSOAIS: Idade:_________ Sexo: M F Habilitações:____________________________ Categoria Profissional______________________ Profissão:_______________________________ Estado Civil: _____________________________ Tempo de serviço (anos): ___________________ Localidade de Residência: ___________________________________________________________ A afirmação não se aplica rigorosamente nada a mim Não se aplica Aplica-se muito pouco Aplica-se alguma coisa Aplica-se bastante Aplica-se muito A afirmação aplica-se completamente a mim 1 2 3 4 5 6 7 Quando as pessoas falam comigo, tenho tendência para pensar noutras coisas Raramente penso acerca do que estou a sentir Compreendo os meus sentimentos e emoções 145 Não lido bem com as críticas que me fazem Quando algum amigo meu ganha um prémio, sinto-me feliz por ele Reajo com calma quando estou sob tensão Posso identificar as emoções dos outros olhando-os “olhos-nos-olhos” Não reparo nas minhas reacções emocionais Sou indiferente à felicidade dos outros Consigo permanecer calmo mesmo quando os outros ficam zangados Sinto-me bem quando um amigo meu recebe um elogio Nunca tomo em conta os meus sentimentos para orientar a minha vida Concluo a maior parte das coisas que começo Quando sou derrotado num jogo, perco o controlo O sofrimento alheio não me afecta Vivo os problemas dos meus amigos como se fossem os meus problemas Consigo acalmar-me sempre que estou furioso Não gosto de festas de aniversário de crianças Compreendo as causas das minhas emoções Empenho-me em compreender os pontos de vista das outras pessoas A maior parte das pessoas sentem-se à vontade para falarem comigo acerca dos seus sentimentos Quando necessito de me concentrar, afasto as emoções que podem prejudicar-me Sou realmente capaz de controlar as minhas próprias emoções Sou indiferente aos ferimentos num animal Tenho aprendido muito sobre mim mesmo prestando atenção aos meus sentimentos Fico alegre quando vejo as pessoas em meu redor felizes 146 Tenho dificuldade em conversar com pessoas que não partilham os pontos de vista idênticos aos meus Normalmente encorajo-me a mim próprio para dar o meu melhor Fico irritado quando me criticam – mesmo sabendo que as outras pessoas têm razão Sou uma pessoa auto-motivada Percebo bem os sentimentos das pessoas com quem me relaciono Raramente fico furioso De uma forma geral tenho consciência dos meus sentimentos Procuro compreender os sentimentos da pessoa que estou a ouvir Consigo compreender as emoções e sentimentos dos meus amigos vendo os seus comportamentos Dou o meu melhor de mim para alcançar os objectivos a que me propus Quando estou triste, sei quais são os motivos É difícil para mim aceitar uma crítica Preocupo-me com um amigo que está doente De uma forma geral costumo estabelecer objectivos para mim próprio Sei bem o que sinto 147 Anexo 11 – Escala de Satisfação no Trabalho JOB SATISFACTION SURVEY Exame de Satisfação no Trabalho Paul E. Spector Department of Psychology University of South Florida Discordo muito Discordo moderadamente Discordo ligeiramente Concordo ligeiramente Concordo moderadamente Concordo muito Copyright Paul E. Spector 1994, All rights reserved. 1 Sinto que estou a ser pago por um montante razoável para o trabalho que faço. 1 2 3 4 5 6 2 Há realmente muito poucas hipóteses de promoção no meu trabalho. 1 2 3 4 5 6 3 O meu supervisor é bastante competente no trabalho que faz. 1 2 3 4 5 6 4 Não estou satisfeito com as recompensas que recebo. 1 2 3 4 5 6 5 Quando faço um bom trabalho, recebo o reconhecimento que devo receber por isso. 1 2 3 4 5 6 6 Muitas das nossas regras e procedimentos tornam difícil fazer um bom trabalho. 1 2 3 4 5 6 7 Gosto das pessoas com quem trabalho. 1 2 3 4 5 6 8 às vezes sinto que o meu trabalho não tem sentido. 1 2 3 4 5 6 9 A comunicação nesta organização parece ser boa. 1 2 3 4 5 6 10 Os aumentos salariais são demasiado poucos e distantes entre si. 1 2 3 4 5 6 11 Os que se saem bem no seu trabalho têm uma boa hipótese de serem promovidos. 1 2 3 4 5 6 12 O meu supervisor é injusto comigo. 1 2 3 4 5 6 13 As recompensas que recebemos são tão boas quanto as oferecidas pela maioria das outras organizações. 1 2 3 4 5 6 14 Não sinto que o trabalho que faço seja apreciado. 1 2 3 4 5 6 15 Os meus esforços para fazer um bom trabalho são muitas vezes bloqueados pela rotina burocrática. 1 2 3 4 5 6 16 Acho que tenho de trabalhar muito mais devido à incompetência das pessoas com quem trabalho. 1 2 3 4 5 6 17 Gosto de fazer as coisas que faço no meu trabalho. 1 2 3 4 5 6 POR FAVOR FAÇA UM CÍRCULO À VOLTA DO NÚMERO PARA CADA QUESTÃO QUE ESTEJA MAIS PRÓXIMO DE REFLECTIR A SUA OPINIÃO ACERCA DELA. 148 18 Os objectivos desta organização não são claros para mim. POR FAVOR FAÇA UM CÍRCULO À VOLTA DO NÚMERO PARA CADA QUESTÃO QUE ESTEJA MAIS PRÓXIMO DE REFLECTIR A SUA OPINIÃO ACERCA DELA. 1 2 3 4 5 Discordo muito Discordo moderadamente Discordo ligeiramente Concordo ligeiramente Copyright Paul E. Spector 1994, All rights reserved. Concordo moderadamente Concordo muito 19 Sinto-me pouco reconhecido pela organização quando penso naquilo que me pagam. 1 2 3 4 5 6 20 As pessoas vão tão longe aqui como em outros empregos. 1 2 3 4 5 6 21 O meu supervisor mostra muito pouco interesse pelos sentimentos dos seus subordinados. 1 2 3 4 22 O quadro de recompensas que nós temos é equitativo. 1 2 3 23 Há poucas recompensas para aqueles que trabalham aqui. 1 2 3 4 5 6 24 Tenho demasiadas tarefas para fazer no trabalho. 1 2 3 4 5 6 25 Eu aprecio os meus colegas de trabalho. 1 2 3 4 5 6 26 Muitas vezes sinto que eu não sei o que se está a passar na organização. 1 2 3 4 27 Sinto uma sensação de orgulho ao fazer o meu trabalho. 1 2 28 Sinto-me satisfeito com as minhas possibilidades de aumento salarial. 1 29 Há recompensas que nós não temos e que deveríamos ter. 30 5 6 4 5 6 5 6 3 4 5 6 2 3 4 5 6 1 2 3 4 Gosto do meu supervisor. 1 2 3 31 Tenho demasiado trabalho burocrático. 1 2 3 4 5 6 32 Não sinto que os meus esforços sejam recompensados da maneira que deveriam. 1 2 3 4 5 6 33 Estou satisfeito com as minhas possibilidades de promoção. 1 2 3 4 5 6 34 Existem demasiados conflitos e lutas no trabalho. 1 2 3 4 35 O meu trabalho é agradável. 1 2 3 36 As tarefas de trabalho não estão totalmente explicadas. 1 2 3 4 5 6 4 5 6 5 6 4 5 6 5 6 149 6 Anexo 12 - Termo de Consentimento Informado Eu, ______________________________________________________ declaro estar esclarecido dos procedimentos de pesquisa sobre a Inteligência emocional e desempenho profissional. O estudo tem como objetivo geral: Compreender o nível de inteligência emocional e a sua conceção de desempenho profissional. Concordo em participar no estudo e também com a publicação e/ou apresentação dos dados alcançados, desde que sejam respeitados os princípios éticos abaixo mencionados: - O participante responderá à Escala de Conceção de Desempenho ProfissionalPolícias; Escala de Avaliação da Inteligência Emocional e à Escala de avaliação da Satisfação Profissional; - O participante tem livre arbítrio para aderir ou desistir, a qualquer momento, do processo de pesquisa; - Não serão publicados dados que possam identificar o participante; - O participante não será exposto a riscos de nenhuma natureza que possa ferir a sua integridade física, mental e emocional; - O participante não receberá nenhum benefício material por participar na pesquisa; - O estudo será apresentado de forma fidedigna, sem distorções de dados; - O participante poderá ter acesso aos resultados da pesquisa; - Os dados obtidos poderão ser utilizados para outros fins, embora não serão divulgados dados pessoais do participante; - A assinatura desse consentimento não inviabiliza nenhum dos direitos legais. Após ter lido e discutido com o aplicador os termos contidos neste consentimento esclarecido, concordo em participar como informante, colaborando, desta forma, com a pesquisa. Data: ____/____/20____ Participante - assinatura: __________________________________________________ 150 Anexo 13 – Médias e desvio padrão da frequência dos itens da ECDP-P Item 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 M 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 411 Média 4,09 4,35 4,56 4,56 4,33 3,89 3,79 4,32 3,87 4,20 3,89 3,79 4,24 4,20 3,92 3,99 4,61 3,93 4,28 3,89 4,70 3,99 3,90 4,20 3,96 3,96 3,88 4,09 3,77 3,84 4,19 4,38 4,37 4,29 3,76 3,90 4,33 4,06 4,30 3,73 0,87 0,92 0,93 0,93 0,90 Desvio padrão 0,626 0,611 0,562 0,544 0,577 0,673 0,851 0,599 0,539 0,581 0,712 0,574 0,574 0,679 0,585 0,527 0,652 0,541 0,591 0,572 0,613 0,625 0,569 0,658 0,502 0,812 0,635 0,585 0,503 0,833 0,603 0,672 0,609 0,659 0,862 0,528 0,574 0,583 0,594 0,653 1,654 1,777 1,763 1,798 1,704 151 46 47 48 411 411 411 0,89 0,96 0,89 1,698 1,814 1,756 152