Claudio José Marcondes O Poder do Gerenciamento das Relações Interpessoais Digitais Internas como Estratégia Corporativa Universidade de São Paulo Escola de Comunicação e Artes Curso de Pós-Graduação – “Lato Sensu” - Comunicação Digital DIGICORP São Paulo 2011 1 Claudio José Marcondes O Poder do Gerenciamento das Relações Interpessoais Digitais Internas como Estratégia Corporativa Monografia apresentada ao Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, em cumprimento às exigências do Curso de Especialização Latu Sensu em Gestão Integrada da Comunicação Digital. Orientador: Prof. Ruy Carneiro São Paulo 2011 2 "Tudo o que você pode imaginar é real” Pablo Picasso 3 Resumo MARCONDES, C. J. O poder do gerenciamento das relações interpessoais digitais internas como estratégia corporativa. 2011. 51 f. Monografia – Escola de Comunicação e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011. O quadro de funcionários de grandes empresas nacionais e multinacionais chega facilmente a números como 5 mil pessoas. Esse grupo de profissionais com interesses em comum cria uma importante rede de relações e conhecimento que, se bem gerenciada, pode ser uma eficaz ferramenta estratégica para as empresas. Essa monografia visa justamente a analisar, por meio de estudos de casos, quais os sistemas digitais internos utilizados hoje por essas empresas e o quanto a potencialidade do gerenciamento das informações geradas a partir dessas relações interpessoais, muitas vezes de forma informal, está sendo utilizada para fomentar sucesso e inovação; bem como pretende propor um modelo ideal de uma nova comunicação interativa e colaborativa que permita criar diferenciais competitivos que garantam o crescimento, a perenidade e a renovação dessas organizações. 4 Abstract MARCONDES, C. J. The management power of the internal digital interpersonal relations as a corporative strategy. 2011. 51 f. Monograph – School of Communication and Arts, University of São Paulo, São Paulo, 2011. The employee board of large national and multinational companies can easily reach 5 thousand people. This group of professionals with common interests creates an important relationship and knowledge network that, if well managed, can be an effective strategic tool for the companies. This monograph aims precisely to analyze, through case studies, which internal digital systems have been used nowadays by these companies and how much the capability of the management of information generated from these interpersonal relations, often on an informal basis, is being used to promote success and innovation, proposing an ideal model of a new interactive and collaborative communication that allows to create competitive differentiators that ensure the growth, the continuity and the renewal of these organizations. 5 Sumário 1-Apresentação.................................................................................................................. 7 1.1 – Conceituando o título da monografia ............................................................ 7 1.2 – Delimitando o Objeto de Estudo.................................................................. 7 2- Introdução................................................................................................................... .. 17 2.1 - Objeto de Estudo............................................................................................. 19 2.2 - Problemas e Hipóteses.....................................................................................21 2.3 – Objetivos......................................................................................................... 23 2.4 – Justificativas................................................................................................... 24 2.5 - Quadro Teórico de Referência........................................................................ 26 2.6 - Procedimentos Metodológicos........................................................................ 29 3 – Desenvolvimento 3.1 – Entrevistas...................................................................................................... 30 3.2 – Resumo das entrevistas................................................................................... 40 3.3 – Análise das entrevistas.................................................................................. 41 3.4 – Tabela Comparativa - Entrevistas x Pesquisa Aberje ................................... 43 3.5 - Quem está comandando sua empresa?............................................................ 44 3.6 - Cultural organizacional tradicional e a nova cultura da inovação...................47 3.7 - Alguns Cases que podem indicar novos caminhos......................................... 49 3.8 - Conteúdo. Mais que informação, a base para uma comunicação mais estratégica......................................................................................................... 51 3.9 - Informações não estruturadas.......................................................................... 53 3.10 - Redes, relações de confiança e reputação. O que muda nas estruturas organizacionais pós-industriais.........................................................................54 4 – Conclusões.................................................................................................................... 56 5 – Considerações Finais................................................................................................... 65 6 – Referências Bibliográficas.......................................................................................... 66 7 - Anexos........................................................................................................................... 68 6 Apresentação Conceituando o Título: O Poder do Gerenciamento das Relações Interpessoais Digitais Internas como Estratégia Corporativa Três decisões foram tomadas para a elaboração desse título. A primeira delas foi a utilização da palavra “Poder”. O conceito sugerido nesse caso não é o de controle, posse e autoridade, mas sim o “poder” com significado da força e da potencialidade embutidas e adormecidas nas relações e interações entre as pessoas. A outra decisão foi a não escolha da denominação “Comunicação Interna”. Em seu lugar optamos pela utilização de “Relações Interpessoais”, entendendo que o emprego da primeira expressão diminuiria a nossa abordagem já que o conceito que queremos dar à comunicação aqui analisada é de algo muito mais amplo e poderoso como explica Profa Margarida Kunsch. “A comunicação organizacional vai muito além de um setor ou departamento que produz e transmite informações. Temos que ver a comunicação como um fenômeno inerente à natureza das organizações e que acontece em diferentes dimensões, como a humana, a instrumental e a estratégica e sob fortes influências conjunturais e dos contextos econômicos, sociais, políticos, culturais e tecnológicos.” (Kunsch 2009: 112) A terceira decisão foi a de incluir a expressão “Estratégia Corporativa” para que o leitor entenda que o trabalho visa tirar o estigma de área coadjuvante que a comunicação interna carrega e propor sua transformação em uma protagonista que seja o cerne de uma nova e eficiente comunicação que não só acompanhe como funcione de forma entrelaçada com essa nova era da informação. Delimitando o Objeto de Estudo Reconhecendo os atores, o cenário, as interações e as possibilidades. Para que possamos delimitar de forma mais clara e objetiva o nosso objeto de estudo e entender todos os personagens, as áreas e os departamentos organizacionais, os cenários e os possíveis caminhos para uma nova comunicação interna que se abrem nessa monografia, desenhamos um mapa que servirá tanto para ilustrar uma significativa parte do universo aqui pesquisado como também será de fundamental importância para auxiliar o leitor a entender por qual prisma observaremos e analisaremos as proposições aqui debatidas. 7 A nossa sugestão é para que o leitor percorra o mapa abaixo se orientando pela numeração e simultaneamente leia o descritivo de cada um dos itens enumerados nas páginas seguintes. 8 1. Organizações Globais com mais de 1.000 colaboradores Qualquer empresa tem como força motriz principal seus colaboradores e a comunicação que ocorre com eles e entres eles. Essa equipe de profissionais é responsável pelo movimento e pelo ritmo diário que mantém as organizações em seu pleno funcionamento. Por isso, estudar a comunicação que acontece dentro das organizações significa dar atenção a algo vivo, mutacional e ininterrupto que tem como potencial intrínseco a melhoria e o aprimoramento do ambiente organizacional, o alinhamento dos objetivos e estratégias entre equipe e organização e a busca por resultados melhores. Para as entrevistas registradas nessa pesquisa optamos por trabalhar com empresas que possuem entre 1.000 e 5.000 funcionários. No entanto, vale ressaltar que as proposições aqui levantadas, ideias e modelos podem e devem ser ampliados para qualquer empresa, independentemente do seu tamanho. 2. Alta Gestão Esse trabalho é orientado pelo prisma da organização, ou seja, queremos entender o potencial existente na comunicação pelo olhar da alta gestão, procurando achar novos caminhos e possibilidades de aprimoramento da comunicação com objetivos de alavancar os resultados, alinhar objetivos entre funcionários e empresa e fomentar a inovação. Por esse motivo os executivos, diretores, acionistas, CEO’s e toda a alta direção que está no comando das empresas são os principais atores desse cenário. Diferente de decisões como fusões, mudanças geográficas de plantas, criação de novos produtos ou implantação de novos processos fabris (ações de ordem pragmáticas baseadas em retornos e estudos de viabilidade), a decisão em transformar (ou aceitar) a comunicação em fator estratégico de uma organização vai muito além dos números e retornos sobre investimentos. É preciso que a alta gestão das organizações tenha um olhar mais amplo para o seu negócio e principalmente para o horizonte que se desenha. Veremos mais adiante que os caminhos trilhados no último século (alicerçados na alta produtividade e em baixos custos) se tornaram receitas de sucesso e lucro garantido, porém é inegável que entramos a passos largos em uma nova economia onde essa receita já não basta para garantir o sucesso do negócio. Por isso, a alta gestão é um dos nossos primeiros 9 (e principais) tópicos desse fluxo, pois caso ela não queria entender (ou aceitar) a importância estratégica da comunicação que ocorre dentro da sua organização, o ciclo aqui desenhado se rompe e toda a proposta que se segue não terá a força (e os recursos financeiros) necessária para ser implementada. 3. Comunicação Interna A denominação “Comunicação Interna” já carrega por si só uma série de conotações e associações negativas que precocemente inviabiliza sua defesa e ofusca sua real importância. A comunicação interna é moldada hoje pelas organizações como uma área tática e operacional que, através de canais unilaterais, envia (de forma descendente) mensagens, informações e comunicados de interesse da organização para seus colaboradores (esses denominados normalmente como “Público Interno”). Por isso, nossa intenção é de que o leitor entenda a Comunicação Interna proposta nesse fluxo não como canais simplistas e prosaicos, como o conhecido jornal mural ou as newsletters, desenvolvidos sob a orientação da área de Recursos Humanos. Queremos aqui propor que ampliemos nosso olhar e entendamos a comunicação como algo muito maior e mais complexo do que simples canais ultrapassados de envio de mensagens. Devemos voltar nossas atenções sobre todas as interações e relações que ocorrem dentro das organizações a cada instante, entendendo que essas conexões (envolvendo conhecimento, informação, aprendizado e compartilhamento de experiências) serão capazes de criar no ambiente interno das corporações fontes de inovação, que possam transformar a comunicação organizacional em poderosos diferenciais competitivos e ainda resgatar a importância e o lugar de destaque que a comunicação interna merece ter. No item 12 abordaremos mais sobre essa nova forma de entender a comunicação interna. 4. Líderes/Gestores Os líderes/gestores sempre tiveram um papel fundamental na comunicação interna organizacional. Eles são o elo que serve como uma espécie de ponte entre a alta gestão e os funcionários. São um importante canal de disseminação das informações e muitas vezes agem como verdadeiros tradutores, comunicando de forma mais próxima e com linguagem acessível quais os desejos, objetivos e 10 expectativas da empresa em relação à atuação de cada um dos colaboradores. Por isso, para que o fluxo de uma comunicação eficiente possa ser exercido em sua plena capacidade e a interação e o diálogo entre as pessoas sejam potencializados, os líderes precisam estar engajados e comprometidos com esse novo objetivo. Eles precisam entender o verdadeiro significado e importância da comunicação e estimular em sua equipe essa mesma consciência. Esses gestores precisam ser treinados para se tornarem, além de líderes inspiradores, profissionais com habilidade de se comunicar, de estimular o compartilhamento das informações, do conhecimento e das tarefas. 5. Colaboradores Os colaboradores são profissionais contratados por suas experiências e capacidades para exercerem funções específicas dentro da cadeia de processos, sendo os responsáveis pelo movimento e funcionamento constante das empresas. Mas, muito além de suas atribuições funcionais e pragmáticas, é necessário entender que são eles os detentores de todo o conhecimento, informação, habilidades e competências que envolvem o négocio tornando-os, desta forma, valiosos ativos da empresa. Por isso, devemos compreender que cada colaborador deve ser entendido pela organização como um potencial acervo vivo de informações. Assim sendo, se o colaborador não encontrar canais adequados para se comunicar e compartilhar informações ou mesmo se não for estimulado para isso, a organização estará limitando seu potencial e minando a possibilidade de que ele, junto com seus parceiros, crie uma importante rede de conhecimento. 6. Colaboradores Digitalmente Excluídos Em todas as grandes empresas (mesmo que em segmentos de tecnologia) ainda encontramos uma significativa parcela de colaboradores que não possuem acesso a sistemas digitais. Esse é um problema que vai além da estrutura organizacional ou das intenções da alta gestão. São obstáculos que ainda passam por problemas estruturais, burocráticos (como leis trabalhistas) e até de má distribuição de renda do nosso país. Por isso, não temos a intenção de abordar (ou mesmo indicar uma solução) nesse trabalho para essa parcela de colaboradores, pois entendemos que esse público será incluído, mais cedo ou mais tarde, pela organização em um 11 momento mais propício, com o barateamento das tecnologias e maior democratização digital. 7. Departamento de Tecnologia da Informação Seja qual for o segmento da organização, o Departamento de TI se tornou, nas últimas décadas, um dos mais importantes nas estratégias das companhias. Por consequência, também foi uma das áreas que mais sofreram impacto no que se refere a distribuição de tarefas e atribuições. Porém, como veremos mais adiante, esse departamento tem como orientação e prioridade (definidas pela alta gestão) o aprimoramento e o desenvolvimento de soluções voltadas para o público externo. Precisamos, portanto, que o olhar, a atenção e os investimentos desse departamento e desses profissionais se voltem para o ambiente interno. Enquanto a comunicação não for entendida como prioridade para esse departamento e para a estratégia da organização, as inovações e soluções tecnológicas disponíveis continuarão sendo apenas direcionadas para o ambiente externo. 8. Comunicação Externa, Comunicação Corporativa e Marketing Da mesma forma que os departamentos de TI estão voltados apenas para o mercado (esquecendo o potencial do ambiente interno), o Marketing e seus departamentos irmãos (branding, vendas, trade) são as áreas que recebem os maiores investimentos e o sinal verde para aprimorar de forma constante seus sistemas de relacionamento e desta forma ampliar e aproximar sua atuação junto a seus públicos de interesse. Não que isso seja uma estratégia equivocada, pelo contrário. Somente conhecendo seus públicos e vendendo seus produtos e serviços é que as empresas serão capazes de sobreviverem. Entretanto, o alerta que surge aqui é que talvez se faça necessário um maior equilíbrio entre o desenvolvimento da comunicação feita para o ambiente externo e a comunicação feita para o ambiente interno. 9. Clientes /Stakeholders Já é de conhecimento que esse é o grupo que recebe por parte das organizações todo o foco, a maior atenção e as parcelas mais significativas de valores de investimentos para aprimorar o relacionamento e a proximidade. Porém, nesse 12 trabalho, abordaremos esse grupo apenas como laboratório de observação para entender e analisar as soluções tecnológicas que estão sendo desenvolvidas nesse ambiente e tentar importá-las (como veremos no item a seguir) para o ambiente interno da organização. 10. Soluções inovadoras baseadas na maximização do relacionamento com os stakeholders. As organizações entendem que só conhecendo intimamente as necessidades, desejos e hábitos de consumo de seus clientes serão capazes de desenvolver produtos e serviços cada vez mais adequados às vontades de seus consumidores e desta forma atingirão suas metas e objetivos de vendas. Antes do avanço das tecnologias, pesquisas e grupos focais tinham como objetivo justamente encontrar o perfil do “consumidor médio” e criar “personas” para se aproximar dele por meio de argumentos que fossem por ele facilmente reconhecidos. Nas últimas décadas, essa lógica ainda funciona, mas foi justamente nesse área (de conhecer e se aproximar dos clientes) que as tecnologias chegaram para agregar melhores soluções e aumentar a acuidade dessa observação dos consumidores e seus hábitos. Abordaremos mais sobre essas soluções no item 14 e 15 e no decorrer do trabalho. 11. Soluções digitais para “público interno”. Intranet Como explicar o novo se não o conhecemos? Quando perguntamos para um profissional de comunicação sobre soluções digitais destinadas aos colaboradores das empresas a primeira resposta que temos é: Intranet. Infelizmente essa palavra (ou solução) surge com um estigma de uma ferramenta simples, limitada, engessada e que pouco oferece para elevar a comunicação para um novo patamar de interação. Por isso, o termo “intranet” estará presente em nossa pesquisa como um ambiente digital que está disponível hoje nas organizações, sendo necessário nos distanciarmos de sua essência e fórmula, pois seu histórico de baixa eficácia e recursos limitados tendem a diminuir e empobrecer as possibilidades aqui levantadas. Veremos mais adiante, principalmente nas entrevistas, que as intranets sofrem do mesmo “superficialismo” e baixa aderência e audiência que qualquer outro veículo 13 analógico de comunicação interna desenvolvido e replicado dentro das organizações. 12. Relações e interações. A verdadeira Comunicação Interna. Como citado no item 3 desse descritivo, o objetivo dessa pesquisa é colocar uma lente de aumento sobre as relações, interações e trocas de informação que ocorrem a cada instante entre as pessoas dentro das organizações. A nossa intenção é descobrir o potencial de comunicação que está incutido (e adormecido) nessa poderosa rede de conexão entre as pessoas. Abordaremos essas possibilidades mais adiante, mas imaginamos que - como figura de linguagem - essa rede de conexões possa funcionar como um cérebro onde os colaboradores são os neurônios. O que estamos propondo em nossa pesquisa é estimular esses colaboradores para que entre eles surjam “sinapses” e delas nasçam inovações, ideias e por meio de sistemas digitais possamos gerenciar, analisar e mensurar essas interações e desta forma criar uma nova comunicação. Portanto, se conseguirmos fazer com que todos os pontos dessa rede estejam conectados e interagindo (baseado em plataformas e sistemas digitais), poderemos criar uma verdadeira “rede neural de conexões”. 13. Descobrindo “Quem são os públicos e seu comportamento” No item 9 e 10 abordamos os clientes e a necessidade de conhecê-los de forma próxima e íntima para maximizar as vendas, otimizar o desenvolvimento dos produtos e serviço e nos aprimorar do relacionamento, visando à fidelização dos consumidores. Mas essa nunca foi uma tarefa fácil e 100% eficaz. Ferramentas como CRM (Customer Relationship Management) e soluções em tratamento e enriquecimento de dados serviram como um primeiro passo de um trabalho árduo para responder a questão: Quem são nossos clientes? No entanto, com o surgimento das empresas de e-commerce e as vendas on-line crescendo de forma vertiginosa, uma grande e eficaz solução surge no horizonte. Pela primeira vez na história do capitalismo o consumidor entra em uma loja (virtual) e todos os seus passos e movimentos podem ser mensurados e analisados e, o que é melhor, sua compra passa a estar vinculada a um cadastro atualizado com números de cartão, endereços (físicos e eletrônicos) e informações de comportamento de 14 compra que servirão como base para as próximas compras. As empresa começaram a chegar muito próximo da resposta: Quem são nossos clientes? 14. Mensuração e Métricas Seguindo a linha de raciocínio do item anterior, a possibilidade de mensuração e métricas altamente eficientes nos ambientes digitais permitiu às empresas (pelo menos àquelas mais avançadas nessa área) encontrarem a matéria-prima fundamental para a criação de uma nova fórmula de comunicação e conexão com seus públicos. Com esses recursos de mensuração, análises e métricas, as organizações conseguem rastrear todos os momentos (e movimentos) envolvidos no instante da compra. A busca do produto ou serviço, a pesquisa por preço, a pesquisa pelo modelo, a forma de pagamento, ou seja, todas as etapas (mesmo aquelas de ordem mais intangíveis com atenção, interesse e desejo) estão sendo observadas e registradas por cliques e janelas abertas em nossos computadores, oferecendo, desta forma, dados, informações e subsídios para que as organização (que entenderam esse potencial) possam usar para aprimorar toda a estrutura da empresa, desde o desenvolvimento dos produtos e serviços até a estratégia ideal de logística da entrega do pedido. Desta forma, o consumo on-line permite que a organização conheça melhor seu cliente e a forma como ele interage com seus produtos e serviços. Portanto, a questão “Quem são nossos clientes?” começa a ser respondida de forma muito eficaz pela interação dos clientes via web e a análise acurada dessas interações. 15. Ambiente Interno. Sabemos exatamente quem são nossos públicos. Se as organizações investem significativos recursos para conhecer e se aproximar dos clientes e desta forma ampliam a comunicação e a interação com eles, por que não existe uma preocupação das mesmas organizações em se relacionar com mais eficiência com seus colaboradores, haja vista que elas possuem o total conhecimento de quem eles são exatamente (nome, idade, histórico profissional, estado civil, valores salariais, formação escolar, competências...)? Ao não despender para o público interno a mesma atenção dada ao público externo, as empresas perdem uma importante chance de se relacionar de forma mais verdadeira e próxima com seus funcionários e de viabilizar uma conexão entre 15 eles que poderia ser monitorada, analisada e mensurada (como no ambiente externo) e ser usada para potencializar a comunicação e o relacionamento com esse público. A pergunta que cabe neste momento e que analisaremos mais adiante é: Se sabemos e conhecemos exatamente quem são nossos colaboradores, por que as organizações continuam insistindo em fazer sua “comunicação interna” de forma distante, fria, ineficiente e genérica? 16. Benchmarking no ambiente externo de soluções em TI Não se trata de propor a criação de novas ferramentas para aprimorar a comunicação interna. O que vislumbramos como grande oportunidade nesse início de pesquisa é identificar soluções e ferramentas já disponíveis e usadas em larga escala em grandes corporações para o mercado externo (clientes finais) e importá-las e aplicá-las nos ambientes internos. Mesmo que algumas modificações e adaptações se façam necessárias, fica evidente que se essas soluções funcionam para o público externo (que não conhecemos com tanta precisão assim, como citado no item anterior) serão muito eficientes em um ambiente controlado onde sabemos com exatidão quem são nossos públicos e quais os seus desejos. 17. Nível de Investimento. Ambiente Interno x Ambiente Externo A comunicação externa, a corporativa, o marketing e todas as iniciativas direcionadas para o cliente final (mercado externo) historicamente sempre são as que mais receberam investimentos e estiveram no cerne estratégico das organizações. O glamour que essas áreas proporcionam para os profissionais que nela trabalham também é outro fator que diminui e esvazia a importância da comunicação interna. Esse item serve apenas para ressaltar (assim como o item que abordamos a alta gestão) que se não houver uma vontade genuína de potencializar a comunicação interna e prover uma distribuição mais equilibrada entre os investimentos voltado à comunicação externa e à interna, poucas transformações poderão ocorrer nessa última área. 16 Introdução Manuel Castells disserta no seu livro Sociedade em Rede que deixamos a era do industrialismo – onde o crescimento da economia era entendido e desenvolvido com a maximização dos processos de produção – para entrar na era do informacionalismo, um momento em que o desenvolvimento tecnológico, a acumulação de conhecimento e a utilização de maiores níveis de complexidade do processamento da informação serão os grandes impulsionadores de uma nova economia mundial baseada no conhecimento. “No novo modo informacional de desenvolvimento, a fonte de produtividade acha-se na tecnologia de geração de conhecimento, de processamento da informação e de comunicação de símbolos. Na verdade, conhecimento e informação são elementos cruciais em todos os modos de desenvolvimento, visto que o processo produtivo sempre se baseia em algum grau de conhecimento e no processamento da informação. Contudo, o que é específico ao modo informacional de desenvolvimento é a ação de conhecimento sobre os próprios conhecimentos como principal fonte de produtividade. O processamento da informação é focalizado na melhoria da tecnologia do processamento da informação como fonte de produtividade, em um círculo virtuoso de interação entre as fontes de conhecimentos tecnológicos e a aplicação da tecnologia para melhorar a geração de conhecimento e o processamento da informação”. (Castells 2000 : 54) Ele ainda reforça esse pensamento dizendo que “o informacionalismo está ligado à expansão e ao rejuvenescimento do capitalismo, como o industrialismo estava ligado a sua constituição como modo de produção” e que, de tal forma, “devemos esperar o surgimento de novas formas históricas de interação, controle e transformação social”. Essa “espera”, citada acima pelo autor, parece ter sido antecipada e, por que não dizer, concretizada na última década com o surgimento de muitas soluções tecnológicas, sistemas de informação e processamento complexo de dados e interações que, hoje, já estão disponíveis em larga escala a todas as organizações e aos indivíduos que nela trabalham. No entanto, surgem dentro deste novo e complexo cenário, os antigos questionamentos entre a relação do homem com a máquina ou vice-versa. Podemos recorrer, inclusive, à mitologia grega lembrando a saga de Dédalo e de seu filho Ícaro que foi traído e morto por suas asas que se derreteram próximo ao sol (tecnologia), ou poderíamos afirmar que a tecnologia nada teve a ver com sua morte, culpando apenas o ego, a sedução e o poder que a tecnologia proporcionou a Ícaro e o qual ele não soube usar. Outro exemplo que podemos retirar da literatura são os romance-ficção-tecnológicos do escritor russo Isaac Asimov, nos quais é recorrente o domínio da máquina sobre o homem. Esse debate entre a inteligência do homem e a solução racional e binária da máquina sempre aparece como um fantasma assombrando o 17 poder, a autoridade e a supremacia do homem. Pierre Levy propõe o fim dessa oposição entre o homem e a máquina e ainda questiona a influência da técnica e seus diferentes impactos na nossa sociedade. "Novas maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas no mundo das telecomunicações e da informática. As relações entre os homens, o trabalho, a própria inteligência dependem, na verdade, da metamorfose incessante de dispositivos informacionais de todos os tipos. Escrita, leitura, visão, audição, criação, aprendizagem são capturados por uma informática cada vez mais avançada. Não se pode mais conceber a pesquisa científica sem uma aparelhagem complexa que redistribui as antigas divisões entre experiência e teoria. Emerge, neste final do século XX, um conhecimento por simulação que os epistemologistas ainda não inventaram". (Lévy 1993) Recorremos às margens desse debate, pois é justamente dentro desse universo de dúvidas e incertezas, que as grandes corporações precisam lançar mão desses recursos e entregar ao grupo de pessoas – que compõem todo seu capital intelectual e conhecimento – toda a sorte de soluções tecnológicas para comunicação e compartilhamento de informação, disponíveis no mercado. Porém, ao decidirem fazer isso, sabem que estão abrindo mão do controle e da ordem das informações, pelo menos em um primeiro momento, e perdendo, dessa forma, a proteção que, até então, defendia (ou escondia) a reputação e a essência de suas marcas. Veremos mais adiante que, na verdade, nunca antes na história das organizações, as informações estiveram tão acessíveis e em quantidade suficiente para serem usadas a favor do crescimento da empresa. O único senão neste momento é os gestores olharem para a história de Ícaro pelo prisma da oportunidade do salto na direção da inovação (mesmo sabendo dos riscos embutidos nesse caminho) e não vendo a tecnologia e suas infinitas possibilidades como um vôo com asas de cera próximo ao sol. 18 Objeto de Estudo Todas as grandes empresas, sem exceção, usam algum tipo de sistema digital para facilitar e agilizar a comunicação, a troca e o compartilhamento das informações entre seus funcionários. Entre esses sistemas estão as intranets, os wikis corporativos, os blogs, os emails, as redes sociais internas, os e-learnings, os e-books, os hotsites, mensagens instantâneas, entre outros. Em todos esses ambientes digitais internos é trocada e compartilhada, diariamente, uma gama infinita de informações relativas à empresa, sejam elas relacionadas aos seus produtos, serviços, liderança, gestão, estratégias e até mesmo sobre a satisfação do clima presente na empresa. Esse cenário caótico de troca simultânea, não linear e não estruturada de informações que circulam nessas redes internas gera desconforto, falta de controle e orientação nas áreas de comunicação, RH, TI e em toda a alta gestão. Isso acontece justamente por conta da transformação significativa que ocorreu nas últimas duas décadas nos meios de comunicação. Antes, os colaboradores eram chamados de “público interno”. Termo esse já rejeitado por Nassar (2000). “Muitos gestores ainda pensam a comunicação dirigida para os funcionários como se ela fosse um conjunto de recomendações didáticas. Para quem está querendo se comunicar eficazmente com os colaboradores, é importante compreender que as denominações "comunicação interna" e "público interno" são atualmente muito perigosas. Elas conduzem a um pensamento administrativo absolutamente geográfico, cartesiano, pelo qual os funcionários "estão presos dentro da arquitetura física e mental das empresas". Logo, controlados e administrados em suas percepções, em seus comportamentos e em suas expectativas enquanto seres humanos.” (Nassar 2000) Precisamos concordar com o autor que, ao chamarmos hoje em dia, um grupo de pessoas de “público”, estamos reduzindo sua importância e poder de ação, imaginando-o apenas como um público “convencional”, cujo papel se restringia somente a de receptor da mensagem na cadeia da comunicação formal. Esse público passivo e submisso já não existe mais ou, pelo menos aos poucos, está desaparecendo. Em seu lugar surge um grupo de pessoas organizadas e de posse de uma quantidade de informações e ferramentas suficientes que, se quiserem, podem se tornar um poderoso canal de distribuição e disseminação de mensagens e de ideias (próprias). Daí, surgem os medos e as desorientações dos padrões formais das empresas em como lidar com esse novo paradigma. Pessoas que não apenas ouvem, mas falam, compartilham, criticam e disseminam suas ideias. Mas o grande insight que parece faltar nas lideranças dessas organizações é justamente entender essa nova forma de comunicação como algo extremamente útil e saudável para o desenvolvimento e crescimento da empresa. Em 19 grandes corporações, principalmente naquelas mais tradicionais, muito se fala em inovação, em se “pensar fora da caixinha”, mas na realidade se esquecem que, desde o início do industrialismo, ou seja, no último século, as regras foram justamente contrárias a esse modelo. O pensamento deveria ser repetitivo, fragmentado e altamente eficiente (sem erros), o que realmente não combina com um novo modelo onde tudo pode ser “beta” e permite-se errar para encontrar novos desafios e inovadores caminhos. Temos, portanto, nessa encruzilhada, uma mudança de pensamento e quebra de paradigmas que, se não acontecer na alta gestão dessas organizações, poderá reduzir as novas tecnologias a apenas ferramentas (como no início do século, lembrando Tempos Modernos, do Chaplin) funcionando de forma mecânica e sem inteligência. Assim descreve Castells: “As novas tecnologias da informação não são simplesmente ferramentas a serem aplicadas, mas processos a serem desenvolvidos. Usuários e criadores podem tornar-se a mesma coisa. Dessa forma, os usuários podem assumir o controle da tecnologia como no caso da internet. Pela primeira vez na história, a mente humana é uma força direta de produção, não apenas um elemento decisivo no sistema produtivo” (Castells 2000 : 69) Para tanto, o objeto de estudo a que se propõe essa monografia, é imaginar o modelo ideal para utilização de todas essas trocas de informações e relações interpessoais que ocorrem internamente nas corporações por meio de sistemas digitais e processar esses dados de forma inteligente e pró-ativa para que eles possam ser usados por todas as áreas e instâncias das empresas para conquista de evolução e crescimento. Assim sendo, é sabido que a totalidade das empresas globais já utilizam sistemas inovadores de comunicação e informação entre seus funcionários. O que desejamos entender e saber é se essas informações, dados e trocas de conhecimento, estão sendo gerenciados e administrados de forma inteligente e em prol da organização. Isso significa que, como afirma Castells, a transformação da sociedade não está necessariamente na informação e sim na sua devida e inteligente aplicação. “O que caracteriza a atual revolução tecnológica não é a centralidade de conhecimentos e informação, mas a aplicação desses conhecimentos e dessa informação para a geração de conhecimentos e de dispositivos de processamento/comunicação da informação, em um ciclo de realimentação cumulativo entre a inovação e seu uso” (Castells 2000 : 69) 20 Problemas e Hipóteses É de conhecimento comum que a comunicação interna de uma organização é constituída a partir das somas das relações interpessoais, da troca de informações, da construção de conhecimentos compartilhados e do fluxo constante de dados, que acontecem a todo instante entre toda a equipe de profissionais que nela operam. Portanto, a pergunta que surge é: Se a comunicação surge a partir de uma grande soma das interações entre pessoas (por telefone, email, SMS, MSN, reuniões, documentos impressos e digitais, encontros, eventos, conversas de corredores, etc), o quanto sua efetividade está sendo mensurada, administrada ou gerenciada? Outra pergunta que podemos fazer e correlacionar com a anterior é: A alta gestão das empresas entende o papel fundamental e estratégico que a comunicação interna exerce (ou pode exercer) no resultado dos seus negócios? Pois, se a resposta for não, nenhum tipo de gerenciamento, administração ou mensuração se farão necessários, pois serão apenas entendidos como desperdício de verba e não como investimentos. Mesmo porque, os valores investidos no gerenciamento dessas informações serviriam apenas como alicerce fundamental para o desenvolvimento de um grande plano de ações. Plano esse que, se bem executado e focado nas necessidades das pessoas, poderia - a médio e longo prazo - apresentar resultados muito mais eficientes e impactantes para os negócios da organização. A primeira hipótese que podemos levantar é de que as organizações NÃO administram, controlam, gerenciam ou mensuram essas informações e dados porque não possuem as ferramentas adequadas para essa tarefa – ou porque não conhecem a existência dessas ferramentas ou porque não acreditam em sua efetividade, ou ainda, porque não querem investir valores significativos em um plano de ação difícil de ser mensurado. Ainda hoje, em 2011, algumas empresas dividem suas áreas da seguinte maneira: Todos os setores relacionados à LINHA DE PRODUÇÃO são denominados: RECURSOS PRODUTIVOS, e todos os outros não relacionados diretamente com a fabricação dos produtos são chamados de: RECURSOS NÃO PRODUTIVOS. Essa simples diferenciação na nomenclatura dos setores guarda, na verdade, um (pré) conceito antigo (podemos retornar ao início da era do industrialismo) no qual eram reconhecidas como as principais áreas das empresas (e também entendidas como as mais lucrativas) aquelas diretamente ligadas ao produto. Portanto, em uma empresa automobilística nos meados do século XX, todas as atenções estavam voltadas para a linha de produção, para a produtividade e para o “fazer mais com menos”. Esse cenário se modificou e hoje essas linhas de produção, que muitas vezes já nem mais existem (como é 21 o caso da NIKE, que terceiriza toda sua linha produtiva e administra apenas sua marca), perdem sua suprema importância e abrem espaço para o desenvolvimento de pilares como informação, pessoas, conhecimento e inovação que se apresentam tão importantes quanto a produção efetiva de um produto. Pensando justamente nesse novo ciclo de evolução das empresas, surge a segunda hipótese: parece não existir por parte da alta gestão das organizações uma preocupação genuína em incluir a comunicação interna como um pilar estratégico da corporação. Essa hipótese ganha força quando percebemos que em muitas organizações esses departamentos são alocados, nos organogramas empresariais tradicionais, abaixo de áreas como o Rh, por exemplo, que possuem um DNA histórico de apenas gerenciar e administrar profissionais e não conhecem ou não entendem a importância de gerenciar a comunicação e a relação entre esses profissionais e o verdadeiro valor incutido nessa rede de relacionamento. A terceira e última hipótese é de que, as empresas têm as ferramentas adequadas e necessárias para administrar, gerenciar e processar uma grande quantidade de informação, mas falta uma inteligência (ou algoritmos adequados) para que essa grande quantidade de informação seja apurada, analisada e transformada em soluções inovadoras e eficientes que ajudem as empresas a alavancar os resultados, a alcançar suas metas e a utilizar esse gerenciamento de informações como estratégia de marketing e diferencial competitivo. Abordaremos essas correlações mais adiante, mas podemos apenas lembrar neste momento que grandes empresas de e-commerce ou mesmo provedoras de informações e organizadoras/agregadoras de conteúdos, como Google e Facebook, tem como seu maior ativo, informações e interações dos seus usuários e o inteligente uso que é feito delas. Desta forma, tornam-se empresas não somente admiradas como altamente lucrativas e Top Of Mind, quando falamos em inovação e uso da informação/conhecimento como produto final. 22 Objetivos Gerais Qual a representatividade da comunicação dentro de uma empresa? Tentaremos, por meio de estudo de casos, descobrir qual a percepção/entendimento, por parte da alta gestão das organizações (e também dos profissionais de comunicação), da importância da comunicação interna e seu verdadeiro impacto no negócio da empresa. Buscaremos também identificar um padrão ou modelo presente, hoje em dia, nessas empresas que possam ser (ou estejam sendo) utilizados como soluções inovadoras que tenham o poder de aprimorar a eficiência e a eficácia da comunicação interna. Objetivos Específicos Como podemos potencializar o processo de comunicação dentro de uma empresa utilizando as novas ferramentas de comunicação e gestão? Analisaremos alguns modelos utilizados e tentaremos identificar possíveis “gaps” que, se identificados e solucionados, possam potencializar os usos das tecnologias, as interações e interatividades que elas proporcionam entre os profissionais das empresas. Outro objetivo de interesse dessa monografia é entender onde e por que surgem os “nós” que brecam ou diminuem o fluxo constante das informações que circulam dentro de uma organização. Recorremos a uma figura de linguagem para explicar um pouco mais esse objetivo específico. Imagine uma boa comunicação interna de uma empresa como um grande rio caudaloso que atravessa várias regiões (áreas). A eficiência dessa comunicação decorre da velocidade, da potência e do ritmo dessa correnteza. Caso muitos braços comecem a surgir ao longo desse percurso, novos e pequenos rios vão surgindo e, por consequência, diminuindo a força e a intensidade da correnteza principal. Portanto, tentaremos descobrir se essas muitas soluções tecnológicas, interações e novos hábitos da comunicação interpessoal “online” e “ontime” não acabam por criar um assoreamento “não natural” na correnteza principal no fluxo da mensagem comunicacional. Quais obstáculos encontrados pelas áreas para aplicar, utilizar e extrair soluções adequadas e inovadoras para aprimorar a comunicação interna nas empresas? Outro importante ponto a ser destacado é como identificar/criar processos que possam instrumentalizar as áreas gestoras da comunicação para que elas sejam capazes, de forma sistêmica e inteligente, de extrair do fluxo diário de informações criadas e compartilhadas, métricas que possam, de alguma forma, orientar/direcionar essas áreas a criarem uma comunicação mais personalizada, mais eficiente e menos reativa. 23 Justificativas No livro Endomarketing de A a Z, a publicitária Analisa de Medeiros Brum reafirma a importância que temos que dar na mensuração dos resultados das campanhas de comunicação interna. “Mas a informação não basta por si só. Ela precisa estar ordenada, sistematizada e canalizada. O grande desafio, hoje, é mensurar o retorno de ações de endomarketing, especialmente no que se refere às campanhas internas” (Brum 2010 : 210) A autora acerta quando dedica um capítulo em especial à mensuração e aos resultados da comunicação dentro das empresas, dando o devido valor e importância que esse assunto merece. Mas, ao seguir seu raciocínio, verificaremos que sua proposta para conhecer o envolvimento, a percepção e a penetração da comunicação no público-alvo, é a realização de uma pesquisa de comunicação (nos moldes tradicionais com a aplicação de questionários) com o intuito de verificar a audiência dos canais, para descobrir o nível de satisfação dos colaboradores, o entendimento das mensagens ou o alinhamento dos pensamentos dos profissionais com as diretrizes da empresa. Não que essas ferramentas não tenham sua relevância, mas o que podemos entender com esse discurso é que, em primeira análise, os profissionais de comunicação interna ainda não entenderam (ou perceberam) o potencial de mensuração que temos em mãos com os novos sistemas eletrônicos de comunicação. Caso houvesse, de forma integrada, sistemática e “on-time” um gerenciamento/administração das interações desses profissionais com essas ferramentas eletrônicas, essa mensuração (seja ela de entendimento, envolvimento, alinhamento) estaria em funcionamento a todo o momento, sendo monitorada e analisada em tempo real, gerando aos especialistas da área orientações fundamentais para a manutenção dos acertos, para os ajustes e readequações de campanhas malsucedidas e, acima de tudo, as respostas para uma comunicação muito mais interativa, personalizada, pró-ativa e eficiente. Essa forma inteligente de mensuração já não é nenhuma novidade nos “negócios eletrônicos”. Hoje em dia, basta um simples cadastro em um site de vendas de automóveis para que eles analisem suas intenções de compra e venda, ofereçam produtos de seu interesse, entendam suas expectativas e coloquem você em contato com pessoas que possam oferecer produtos e serviços que vão ao encontro daquilo que você deseja. O gerenciamento e a administração de ferramentas eletrônicas como esse exemplo, provam que são extremamente eficientes, 24 inteligentes e já utilizadas em larga escala, com várias aplicações e em diferentes segmentos como bancos, escolas, sites de relacionamentos, compras coletivas e muitos outros. Por isso, essa monografia visa não somente analisar e conhecer soluções tecnológicas que são utilizadas para a comunicação interna nas empresas, mas também, encontrar/identificar modelos e soluções eficientes existentes em mercados de massa, e-commerce, b2b e b2c que possam ser adaptados e incorporados aos ambientes digitais internos nas grandes corporações. 25 Quadro Teórico de Referência Quando abordamos o tema Comunicação Corporativa, Interna ou Endomarketing, muitas definições, caminhos e discussões surgem. Como já levantado anteriormente nesse documento e já analisado por grandes estudiosos e acadêmicos da área, como a Profa Margarida M. Krohling Kusch, a comunicação que ocorre internamente e diariamente em uma organização, muito mais que ferramentas, sistemas ou veículos, nasce, fundamentalmente, por meio do conhecimento das pessoas e da interação, inevitável, que ocorre entre os profissionais. Por isso, se amarrássemos esse tema apenas a um conjunto de soluções possíveis para uma comunicação mais eficaz ou mesmo tentássemos, reduzir nossa abordagem, focando somente a gestão da comunicação entre pessoas, não só estaríamos deixando de lado importantes contribuições de outras áreas (como por exemplo a análise da globalização e seus impactos nos novos tipos de empregos e profissões que são criados a cada instante, os deslocamentos e os desagrupamentos de grandes equipes, criando grupos menores de trabalhos - fisicamente distantes e virtualmente próximos -, linhas de produção sendo desmembradas e espalhadas em vários continentes, entre outros) como chegaríamos, inevitavelmente, a resultados simplistas e não originais já conhecidos e debatidos (e aplicados de forma “não” prática) pelo mercado de trabalho. “A ineficácia da comunicação, verificada na pesquisa, comprova que não basta a criatividade e a multiplicação dos instrumentos, com layouts atraentes e edições coloridas, para que seja eficaz. É preciso haver algo mais, por exemplo o contato direto com as pessoas como a área de Recursos Humanos sempre praticou...pode-se conjecturar que os atuais setores de comunicação não estariam atingindo seus objetivos pelo desconhecimento mais profundo do público interno, de seus desejos, expectativas e objetivos e por trabalharem levando mais em conta o seu feelling e a preocupação em defender os interesses da empresa do que atender à necessidade imediata que os empregados têm de informação. (França 2007: 22) “Ao contrário da comunicação unilateral, pouco eficaz, veiculada pela mídia interna (jornais, boletins, folhetos), a comunicação desenvolvida por RH é de natureza bilateral, isto é, interativa, mantendo contato direto com os empregados por meio de entrevistas, treinamentos, palestras, reuniões de estudo, encontros e outras formas de acompanhamento e avaliação dos empregados...cabe uma verificação crítica dos erros e acertos do setor de RH na prática da comunicação com os empregados. É importante ressaltar que se deve a esse setor o padrão básico de Jornal de Empresa, que continua sendo reproduzido por comunicadores que procuram as empresas como nova opção de trabalho. Todos conhecem o jornalzinho com a pauta dos hobbies de empregados, de aniversários da companhia, nascimentos, casamentos, cruzadinhas, colunas como “Perfil- quem é você?” “Você sabia” “O que faz o nosso departamento...” (França 2007: 22) 26 A proposta aqui é justamente apresentar um cenário mais amplo, tirando, em um primeiro momento, o foco dos problemas já conhecidos (e que há muito fazem parte do dia a dia das organizações) e colocar nossa atenção nas inovações que estão surgindo e nos novos hábitos e atitudes dos profissionais que, querendo ou não, estão sendo levados (ou inseridos) em um novo ambiente profissional, muito mais participativo, colaborativo e por que não dizer, desconhecido. “No mundo interligado pela tecnologia da informação, as pessoas estão cada vez mais colaborando para atingir um objetivo. A globalização faz as transformações culturais ocorrerem de maneira rápida e frequente. Finalmente, as pessoas estão ascendendo na pirâmide de Maslow e se tornando mais criativas. Portanto, os bons valores são aqueles que estimulam e nutrem os lados colaborativo, cultural e criativo dos empregados. Uma empresa com valores colaborativos encoraja os empregados a trabalharem uns com os outros e com redes externas à empresa para gerar impacto” (Kotler 2010: 84) Assim sendo, estamos presenciando um momento de transformação que não foi planejado nem desejado de forma consciente e objetiva pela maior parte das organizações nem pelos profissionais que nelas trabalham. Essas mudanças estão ocorrendo, de forma forçada, empurrada por uma avalanche de tecnologias que surgem a cada instante, que ocupam seus espaços de forma definitiva nos ambientes de trabalho, sem serem chamadas ou mesmo permitidas pelas organizações. A pergunta que surge neste instante é: Como as empresas (pelo menos em sua grande maioria), que sempre tiveram uma postura controladora relacionada à comunicação dos seus negócios, podem se preparar para esse novo cenário e ainda por cima extraírem melhores resultados dessas novas oportunidades (ou ameaças) que se apresentam? “As empresas precisam estar preparadas para esta nova realidade, já que, independentemente de sua atuação ou vontade, ela está posta, tende à consolidação e promete ser cada vez mais avassaladora. As novas tecnologias, colocadas à disposição deste processo amplo de globalização, estabelecem, efetivamente, uma sociedade em rede, criando um tecido bastante sensível que costura os mercados e os torna vulneráveis a qualquer trepidação por mais leve que seja. (Bueno, 2003: 20) Quando Domenico De Masi escreveu, há uma década, sobre o “Futuro do Trabalho” e defendeu o “Ócio Criativo”, ele já demonstrava um interesse e levantava uma suspeita sobre a tendência e os novos caminhos que se desenhavam para um estilo de emprego em uma era pós- industrial. 27 “De minha parte, consigo caracterizar a semente da felicidade apenas no trabalho criativo e no tempo livre; por isso cultivo a hipótese de que o ócio, na sociedade pósindustrial, torne-se tão importante quanto o trabalho, e que, aos poucos, acabe sendo a mesma coisa que ele, ambos assumindo as conotações do jogo.” (De Masi 2000: 322) Dez anos depois podemos até discutir os verdadeiros contornos dos conceitos “ócio” e “felicidade” indicados pelo autor, pois precisamos lembrar que a rapidez, a busca e a quantidade de informação trouxeram na verdade uma sensação de falta de tempo (ou seja, algo bem ao contrário do ócio proposto por ele) e um estresse relacionado justamente a um mar de informações e dados que inundam, 24 horas por dia, nossas mesas, desktops e caixas de e-mails. De qualquer maneira, não podemos negar que o autor acerta quando diz que o tempo e a relação do homem com seu trabalho será bem diferente daquele emprego formal e linear que vigorou no industrialismo e previu que entraríamos numa nova era onde o tempo para o trabalho não seria linear, seria menos formal e a criatividade e a inovação assumiriam um importante papel na sociedade. Portanto, nossa intenção nessa monografia, é aproximar esses pensamentos e conceitos já trabalhados por autores e especialistas da área da comunicação empresarial e alinhá-los com uma realidade que se mostra cada vez mais presente nos ambientes organizacionais, tentando encontrar possíveis modelos ideais de gerenciamento/administração das informações que auxiliem de forma positiva e efetiva numa comunicação mais completa e eficiente e que essa, por sua vez, possa ser fator estratégico para alavancar os resultados e transformar essa rede de relacionamentos interpessoal em algo produtivo, lucrativo e em diferencial competitivo. 28 Procedimentos Metodológicos A metodologia escolhida para o desenvolvimento dessa monografia terá como principal ferramenta o estudo de caso. Como explica Marcia Yukiko Matsuuchi Duarte, “O estudo de caso deve ter preferência quando se pretende examinar eventos contemporâneos, em situações onde não se podem manipular comportamentos relevantes e é possível empregar duas fontes de evidências, em geral não utilizadas pelo historiador, que são a observação direta e série sistemática de entrevistas” (2005, p.19). Serão escolhidas para uma pesquisa qualitativa cinco empresas multinacionais (com mais de 3000 funcionários) e entrevistaremos profissionais de áreas diferentes. A intenção de escolher profissionais de áreas distintas é justamente identificar as diferentes visões e tarefas relacionadas à comunicação interna. Tentaremos com esta pesquisa conhecer um pouco mais do dia a dia da comunicação nessas organizações e avaliar o tamanho do impacto das novas tecnologias na interação entre os profissionais e também a percepção deles com relação à efetividade da comunicação e o entendimento das mensagens disseminadas pela empresa e também entre as áreas/regionais. Para auxiliar a pesquisa também faremos um levantamento bibliográfico constituído por livros relacionados, artigos acadêmicos e textos publicados por profissionais e especialistas da área em veículos de referência do setor. 29 Entrevistas As entrevistas colhidas por esse estudo apontam que as empresas, ainda que grandes, com tecnologias de ponta, multinacionais, organizações líderes em seu segmento, naufragam quando o assunto é desenvolver, manter e gerenciar uma comunicação interna 2.0 onde colaboração, inovação e gerenciamento das relações entre os colaboradores sejam a base de uma comunicação realmente mais eficiente e ágil. Ao que sugere essa conversa com 5 profissionais de grandes organizações de setores distintos é que, apesar de muitas reuniões, de alguns investimentos em novas ferramentas, softwares sistemas, diversas iniciativas voltadas para esses áreas e a preocupação da alta gestão (em 1 dos casos, pelo menos) a comunicação interna ainda não consegue viver seus dias de glória e seu espaço ao sol ao lado de outros departamentos que comandam e participam efetivamente das estratégicas e decisões importantes da empresa (como engenharia de produção, marketing, vendas, TI, entre outros). Ela continua sofrendo com a falta de recursos financeiros expressivos, da dificuldade que os profissionais dessa área tem em defender seus budgets e justificar o ROI dos investimentos para a alta gestão, sofrendo também com a síndrome do eterno “Braço do RH” sendo reduzida apenas a um mero veículo de disseminação das informações desse departamento; e sofre ainda pela falta do entendimento (e por conseqüência a pouca disposição em investir valores significativos) do verdadeiro significado e importância de se gerenciar adequadamente as relações e as interações que ocorrem no seu ambiente de trabalho. Intrinsecamente ligadas a essa última questão, a área também não consegue, de forma enfática, mostrar que a força motriz de uma organização vem justamente da comunicação, interação, colaboração e da inteligência em gerenciar milhares de relações informais internas de forma eficiente, se alinhando com os objetivos das empresas e colocando definitivamente as pessoas que compõem o capital intelectual e conhecimento no centro estratégico da empresa. 30 Coordenadora de Marketing - 5 Anos no Cargo Empresa Setor Metalúrgico Nr. Total de funcionários no Brasil 4.500 Nr. de funcionários que tem acesso a intranet e email corporativo 2.000 A coordenadora de Maketing, MB, 40, trabalha há 5 anos em uma multinacional com Matriz na Suiça e escritórios espalhados em mais de 100 países. A primeira pergunta feita à profissional, foi sobre sua percepção e opinião referentes a comunicação interna digital da sua empresa. A coordenadora disse que como usuária (pois sua área cuida apenas da comunicação externa) enxergava a comunicação interna, na empresa que trabalhava, como algo ainda em desenvolvimento, em um estágio muito inicial, que oferecia aos usuários (colaboradores) apenas o “básico”. Ela disse também que acreditava que a própria colocação da comunicação interna, abaixo do departamento de RH, tornava essa área apenas uma retransmissora de informações de Recursos Humanos para toda a empresa. Segundo ela, fazendo benchmarking com outras grandes empresas ela percebeu um discurso 31 recorrente: “Quando o departamento de Comunicação Interna está abaixo de Markerting esta área se torna muito vendedora, muito voltada para a venda de produtos e serviços, porém, quando a Comunicação Interna está abaixo de RH, fica um departamento muito limitado que comunica apenas os benefícios que a empresa oferece aos colaboradores, ou seja, o discurso fica reduzido apenas àquelas “coisinhas cotidianas” do RH”. De acordo com a entrevistada, uma boa solução para tornar a área de comunicação interna mais estratégica deveria ser tirá-la da responsabilidade de RH e deixá-la abaixo da presidência ou vice-presidência, deixando dessa forma, a área mais estratégica e inserindo-a no cerne das questões, decisões e objetivos mais importantes da empresa. Quando perguntado se ela conhecia o nome da ferramenta /sistema que era utilizada na intranet da companhia, ela respondeu que não tinha conhecimento de qual era a ferramenta /software /sistema que era usado. O que ela sabia era que o Portal Corporativo voltado para funcionários era uma plataforma global, desenvolvido na Suiça. Justamente por isso, na opinião dela, a intranet era muito “quadradinha”, pois lembrava muito uma reprodução do site institucional da empresa (que na opinião dela é muito 1.0). Segundo ela, esse ambiente digital corporativo não era interativo, não tinha atrativos visuais (apenas bloquinhos de textos, nas suas próprias palavras), oferecendo informações desatualizadas, deficitárias, frias e de caráter apenas informativo. Ela enfatizou que caso o colaborador quisesse tirar alguma dúvida, aquele ambiente não seria o local mais adequado e rápido. O usuário teria que lançar mão de soluções convencionais como pegar o telefone e tentar encontrar a solução por meio de seus contatos ou mesmo se dirigir aos departamentos de interesse pessoalmente. Quando perguntado com qual freqüência ela utilizava tais canais digitais, a resposta refletiu exatamente o descaso e a ineficiência da ferramenta. A resposta categórica foi: “Uma vez a cada três meses”, ou seja, simplesmente esse ambiente digital não fazia parte do dia a dia dessa profissional. Ela ainda acrescentou o seguinte comentário: “Eu não tenho tempo para ficar lendo as notícias irrelevantes que estão lá! Se fosse uma ferramenta que auxiliasse meu trabalho ou sanasse minhas dúvidas eu entraria todos os dias. Quer um exemplo? Estou com uma dúvida nas minhas férias. Hoje eu pego o telefone e ligo. Se o Rh tivesse um chat eu entraria para tirar minha dúvida.” Essa última frase em especial revela um outro aspecto interessante da entrevista: em nenhum momento as perguntas realizadas nessa pesquisa foram direcionadas para ferramentas de comunicação específicas de RH, ou seja, mesmo uma profissional de comunicação experiente imaginou uma comunicação interna apenas como uma “balcão do departamento pessoal”. 32 Nessa mesma entrevista a profissional citou outras ferramentas de comunicação que eles utilizavam na companhia. Entre elas estavam o e-mail - muito usado por toda a companhia- e uma solução similar ao MSN com o nome de “Sometime” que ela considera uma ótima ferramenta desde que o usuário saiba quem são os profissionais capacitados que procura para ajudá-lo em seus projetos. Segundo ela, faltava nessa ferramenta uma solução adequada para auxiliar na busca de profissionais por competências. Para a profissional, seria fundamental, para agilizar os processos diários, saber quem são os profissionais que cuidam de assuntos específicos. Ou seja, se você não sabe quem são as pessoas que procura (especialistas nesse ou naquele projeto), fica difícil saber a quem recorrer. Nesse caso a solução é procurar aqueles funcionários “mais antigos de casa” que, por trabalharem há muito tempo na empresa, conhecem muitas pessoas e assuntos e acabam fazendo o trabalho de “buscadores por profissionais”. Solução esta, que segundo a profissional, poderia ser feito pelo “Sometime” caso ele fosse um pouco mais inteligente. Apesar desse “fail” a ferramenta permite fazer reuniões com várias pessoas simultaneamente, porém a profissional não sabia da possibilidade de gravar essas reuniões e, para solucionar esse problema disse que já tinha feito o “famoso” copy/past. Outra pergunta feita à profissional foi o quanto ela achava que a alta gestão da empresa estava preocupada com a comunicação interna e se entendia a importância estratégica dessa área. A resposta foi que, para a atual gestão, o que realmente despertava interesse era a apresentação de números que possam garantir o retorno sobre os investimentos (ROI). Pois, segundo a coordenadora, só é possível conseguir um budget para a área de comunicação (nesse caso como um todo – interna e externa) apresentando por meio de números, estatísticas e estudos, o retorno monetário que aquele investimento irá gerar. Outra ferramenta lembrada pela profissional de comunicação foi um ambiente digital que serve como um depósito de arquivos e materiais. Uma biblioteca onde disponibilizam arquivos de todas as extensões e outros colaboradores/departamentos podem acessá-los e utilizá-los caso necessitem, porém frisou novamente que a busca é feita por departamentos – se você não souber que departamento realizou aquela tarefa, jamais encontrará o arquivo. DOMINO.DOC e o nome de outra solução presente na empresa. É um espaço destinado à publicação de procedimentos que segundo ela são complexos, extensos e com uma linguagem muito técnica e nada amigável. Ela também chamou a atenção sobre a quantidade de e-mails enviados pelo departamento de comunicação interna. Segundo ela, e-mails que chegam via caixas postais dos funcionários, com o endereço “Comunicação”, são deletados sumariamente sem serem lidos, ou seja, a relevância e prestígio deste canal é interpretado pela profissional 33 como “zero”. Ela justifica e reforça que esse é um problema, no entendimento dela, de reputação, pois conta que o e-mail do presidente por exemplo, é algo que todo mundo lê e tem interesse, porém ela se lembra de apenas 2 e-mails enviados a partir do endereço do presidente em cinco anos de trabalho. Ou seja, existe aí uma relação direta entre quantidade de e-mails enviados e importância. Ela lembra que todos leram e comentaram esse e-mail (a respeito de prêmios conquistados no mercado), a única coisa que ela questiona é a parcela de funcionários que não tem acesso a e-mails. Quando questionado qual era sua percepção sobre o que os colaboradores da empresa achavam da comunicação interna, ela respondeu que acreditava que não apenas nesse assunto, como em muitos outros os empregados não conseguem formar uma massa crítica, ter uma opinião muito clara a respeito dos procedimentos e gestão da empresa pois nessa companhia existia uma característica peculiar de ser uma empresa protetora e que continha um baixo turn over, ou seja, pessoas que estão há décadas trabalhando na mesma empresa, que na percepção dela perdiam, desta forma, a referência do que está acontecendo no mercado fora do ambiente que eles já conheciam. Segundo ela: “sem referência não tem como dizer se gostam ou não, se pode melhorar ou não”. Outra pergunta feita à entrevistada foi qual era sua opinião sobre a TI e o papel e importância dessa área na comunicação interna. Na opinião dela, como a TI da companhia é global (toda gestão e desenvolvimento é feita a partir da Suiça) a TI no Brasil funciona apenas como uma área de apoio, solucionando problemas locais de infraestrutura e focando 100% do trabalho na criação de ferramentas para o aperfeiçoamento dos produtos e serviços oferecidos pela empresa especificamente. Segundo ela, nada relativo a comunicação é feito pela TI aqui no Brasil, as poucas soluções relacionadas à comunicação interna foram “importadas” da Suiça. Ela ainda reforçou que a intranet sequer possuía um simples organograma da empresa. Nas palavras dela: “Simplesmente não sabemos o básico, quem trabalha aonde e quem faz o quê?” A última pergunta feita nessa pesquisa foi como essa profissional imaginava uma ferramenta de comunicação digital eficiente e moderna. Sua resposta foi curta e objetiva: “Tudo integrado! Coisa que não é hoje Um ambiente onde as pessoas possam conhecer umas às outras, se encontrarem, registrarem dúvidas, postarem opiniões, terem acesso a respostas que já foram publicadas anteriormente, compartilharem informações, terem uma navegação amigável e um conteúdo agradável de ser lido (ninguém tem tempo de ler um procedimento de 5 páginas para achar uma pequena mudança de informação). 34 Coordenadora de Comunicação - 13 Anos no Cargo Empresa Setor Papeleiro Nr. Total de funcionários no Brasil 5.700 Nr. de funcionários que tem acesso a intranet e email corporativo 40% do total A Coordenadora AG, 35 anos trabalha numa grande empresa nacional (com filiais em pelo menos 5 países) há 13 anos. A empresa não possui uma área específica para a comunicação interna, essa demanda é realizada pela mesma equipe denominada Comunicação Corporativa. Essa área atende o RH para realização do endomarketing e utiliza como principais ferramentas digitais para comunicação interna um ambiente chamado RH OnLine e a Intranet. As duas soluções encontram-se alojadas em um sistema chamado LUMIS que está em transição para um novo sistema baseado na plataforma SharePoint da Microsoft. Segundo ela o sistema antigo é muito parecido com o sistema que entrará no ar, com pequenas vantagens como, por exemplo, a facilidade de criação de sub-intranets por áreas (desde que cada área possua um profissional que domine aspectos básicos dessa ferramenta). Apesar de ser um ambiente, ao qual, o colaborador não poderá ter acesso de fora da empresa, ela entende que uma das grandes vantagens dessa ferramenta é que esse espaço permite concentrar todas as ações da empresa em um mesmo local. Então, por meio de links, os colaboradores podem achar, de forma fácil, as informações que procuram (pelo menos, segundo ela, é a forma como utiliza a ferramenta). Ela disse que vê a intranet da companhia como um meio de comunicação de mão única, ou seja, muito parecido com os antigos “jornal-mural” presentes nas fábricas e linhas de produção. Aliás, segundo ela, a intranet é um “Mural Digital”. Apenas um canal informativo, sem interação e colaboração como algumas soluções que ela já conhece na internet. Quando perguntado sua percepção sobre o nível de preocupação da gestão atual com a comunicação interna e a importância dessa área na estratégia de empresa, a profissional respondeu que existe sim, uma grande preocupação da gestão atual com essa questão, porém eles acreditam que o investimento não deva ser em ações digitais haja vista o grande número de colaboradores que não tem acessos a essas tecnologias. Ela acredita que, um dos principais canais de disseminação das informações da empresa para o maior número de colaboradores, ainda são os gestores. 35 Coordenadora de Comunicação Interna - 3 Anos no Cargo Empresa Setor Cosméticos Nr. Total de funcionários no Brasil 5000 Nr. de funcionários que tem acesso a intranet e email corporativo 2200 Segundo a pesquisada, a versão atual da intranet e envios de e-mails não permite um controle preciso de acessos, para a profissional SF, 27 a intranet é um dos veículos mais acessados segundo a última pesquisa de comunicação. (92,5% dos entrevistados disseram que “conhece e pratica”.) Ela explica que os funcionários de um modo geral têm acesso às informações, a diferença é que boa parte dos colaboradores são da operação (linha de produção), ou seja, não tem acesso a computadores, logo, o nível de uso da intranet cai. Para minimizar esse problema, foi criada uma ferramenta chamada EPM, um e-mail enviado para os gestores das fábricas que fazem o papel de “multiplicadores” da mensagem. Eles compartilham as informações do EPM com suas equipes de forma sistemática e sabem da importância dessa atitude. A profissional entrevistada acredita que um sistema eficiente e moderno de comunicação interna deva ser totalmente colaborativo. Ela diz que, no seu entender, o conceito de web 2.0 invadiu também os portais corporativos, pois as empresas perceberam que há potencial para estabelecer diálogo, ouvir, trocar e não dá mais para manter uma intranet engessada, “1.0” segundo ela. Porém quando perguntado se a intranet de sua empresa funcionava dessa forma a resposta foi negativa. “Infelizmente ainda não! Há um projeto de evolução neste sentido, nossa intranet ainda opera na versão 1.0, mas sabemos que é impossível permanecer assim por mais tempo. Existe um projeto para criar internamente um ambiente 2.0, com troca, colaboração e interatividade dando mais autonomia e espaço para as áreas internamente”. Quando perguntado quanto tempo será necessário para que essa atualização aconteça, a resposta foi: “o projeto já começou, mas a expectativa é que a parte de desenvolvimento seja iniciada no próximo ano (2012) e será um projeto beta, ou seja, terá dois anos para ser concluído. 36 Analista de RH - 1 Ano no Cargo Empresa Setor Construção Civil Nr. Total de funcionários no Brasil 4800 Nr. de funcionários que tem acesso a intranet e email corporativo 1500 A Analista de RH, KD 30, explicou em entrevista que a intranet da sua organização ainda é subutilizada na empresa por não ser atrativa e também um tanto complicada no acesso, ela mesma revelou que raramente a utilizava. Ela entende e acredita que, é fundamental o entrelaçamento das áreas de TI, RH e Comunicação, como caminho para o desenvolvimento e inovação dos meios de comunicação da empresa. Acredita que principalmente o RH tem um papel fundamental, pois todas as áreas da empresa são seus clientes e uma boa ferramenta de comunicação facilitaria os processos dessa comunicação bem como a prestação de serviços. Quando perguntado à profissional como ela entendia o futuro da comunicação interna nas empresas sua resposta foi que, a grande maioria das empresas restringe o acesso dos colaboradores às redes sociais como facebook, twitter, etc. e ela sabe que isso irá mudar muito brevemente, pois o e-mail (que até pouco tempo era, na opinião dela, a melhor e mais usada ferramenta de comunicação) está perdendo espaço para essas novas “mídias”. Segundo a analista, as pessoas hoje estão se comunicando cada vez mais por meio de redes de relacionamento e acredita que essa também seja uma tendência que irá dominar as empresas com a criação de alguns tipos de redes sociais corporativas. Sobre sua percepção quanto à importância que a atual gestão de sua organização dá a comunicação interna, ela explicou que na empresa a comunicação em geral não era valorizada pela alta gestão e que, no momento, esses executivos não enxergavam (ou entendiam) a comunicação como uma área estratégica. Segundo a profissional, ainda existe um longo caminho a percorrer nesse sentido, pois ela acredita que até pelo segmento da empresa (construção civil), essas estratégias não são vistas com a devida importância e cabe ao pessoal responsável pela comunicação, demonstrar essa importância cada vez mais, através de dados e fatos. Ela citou como pontos que considerava positivos na comunicação interna de sua organização: Equalização na divulgação das informações (igual em todas as filiais do grupo); diferentes mídias (on e offline) para disseminação das informações (atingindo, desta forma, colaboradores que não tem acessos a e-mail), como materiais impressos; mensagens de fácil entendimento. Ela citou como pontos 37 negativos a comunicação como algo engessada por causa de determinações da matriz (sede no exterior), pouca inovação no modelo atual de comunicação e pouco atrativa visualmente. Assistente de Marketing - 2 Anos no Cargo Empresa Setor Servicos – Meios de Pagamentos Eletrônicos Nr. Total de funcionários no Brasil 1700 Nr. de funcionários que têm acesso a intranet e e-mail corporativo 1200 Essa última entrevista em particular trouxe à pesquisa alguns fatos relevantes. Primeiramente é importante salientar que, entre as empresas escolhidas, essa foi a única com perfil exclusivo de prestadora de serviços (todas as outras eram fabricante de produtos) e seu core business concentra-se na “prestação de serviços na área de tecnologia”. Isso, em um primeiro momento, sugeriu ao pesquisador que no ambiente interno dessa companhia encontraríamos modernas e inovadoras soluções tecnológicas que dessem a base e o suporte necessário para o desenvolvimento de uma comunicação interna eficiente entre os colaboradores. Mas essa não foi a realidade que surgiu nas respostas. A Assistente de Marketing, C.D. 29, disse que a organização da qual faz parte cresceu muito nos últimos cinco anos. Esse crescimento (segundo ela 500% em número de funcionários) aconteceu de forma desordenada e caótica. Segundo a profissional, por conta desse rápido e desestruturado crescimento muitas áreas da organização ainda não conseguiram se adaptar a esse novo cenário (de uma grande corporação) e continuam trabalhando com processos e métodos simples, rudimentares e ultrapassados. Como explica a profissional, esse é justamente o caso da Comunicação Interna. “Como há poucos anos atrás toda a equipe trabalhava junto em um único e pequeno espaço (o escritório que não tinha filiais – hoje são 12 – e a empresa concentrava em um único prédio toda a sua equipe), a comunicação fluía relativamente bem e as informações eram rapidamente disseminadas e distribuídas por meio de conversas e encontros. Hoje, a distância entre as equipes e o grande número de funcionários dificultam a comunicação e a interação entre as pessoas. Perdemos a proximidade! Quando perguntamos à Assistente de Marketing sobre quais recursos digitais usados pela empresa para a comunicação entre os colaboradores ela disse que o canal mais ativo e funcional ainda era o e-mail. Foram criados pela área de comunicação dois canais (um voltado 38 para os gestores e outro para todos os colaboradores – menos um grupo de 500 profissionais que não possuem endereço de e-mail corporativo) via e-mail que, de forma sistemática, são disparados para envio de comunicados, informações e notícias sobre a organização. Quando perguntamos por que uma empresa de tecnologia ainda tinha uma significativa parcela de pessoas que não possuíam endereços de e-mail corporativo, a resposta foi: “Não tenho muita certeza, mas desconfio que esbarra em algum problema jurídico. São pessoas que não têm estação de trabalho fixa. A empresa não disponibilizou computadores para eles. Portanto, não podemos exigir que eles leiam e-mails em computadores pessoais”. Também foi perguntado à profissional qual era a expectativa dela quanto ao futuro da comunicação interna e o quanto as inovações poderiam impactar o dia a dia do seu trabalho. A resposta foi que ela realmente espera que algo seja feito, pois sabe o quanto seu departamento perde em não poder se comunicar de forma efetiva com toda equipe. Ela sabe também que muita informação, comunicação e conhecimento que são produzidos diariamente na organização se perdem por falta de ferramenta e de uma estratégia bem definida para a comunicação interna. Quando perguntado como a alta gestão da organização enxergava a comunicação interna, ela disse: “Eles sabem que é importante e sempre colocam isso como uma coisa a ser debatida, mas em função do rápido crescimento que citei, as prioridades ainda são outras. A lista de coisas a serem feitas é grande e eu sei que a vez da Comunicação Interna ainda vai demorar um pouco. Enquanto isso, o que nos resta é continuar apagado os incêndios do dia a dia”. 39 Resumo dos pontos mais relevantes levantados nas entrevistas Os profissionais entrevistados concordam e entendem que: A Intranet é 1.0. Ainda está em um estágio básico e funciona como um canal de comunicação de mão única; A comunicação interna é um “veículo” de RH; A comunicação digital interativa e colaborativa ainda é apenas projeto. Está em fase de desenvolvimento; As informações oferecidas pela área de comunicação interna são desatualizadas, deficitárias, frias e de caráter apenas informativo; A falta de tempo das pessoas inviabiliza o acesso frequente aos ambientes digitais corporativas. (Frases como “Não tenho tempo para ler notícias irrelevantes” surgiram nas entrevistas); Esses ambientes digitais são locais para depósito de informação sem muita organização, dificultando sua localização e busca posterior; Esses ambientes digitais funcionam como biblioteca de normas e processos da organização; O departamento de TI e suas soluções estão voltadas apenas para o ambiente externo; O ideal seria ter um ambiente onde “tudo fosse integrado”. “Mais pessoas, menos processos”; As organizações não permitem acesso fora da empresa e têm medo de vazamento de informações. 40 Análise das entrevistas Como nesse trabalho optamos por uma abordagem qualitativa utilizando-se de uma amostragem reduzida (5 profissionais de grandes corporações de setores distintos) cruzaremos as percepções e opiniões desses profissionais com as conclusões de uma ampla pesquisa realizada em 2008 pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) em conjunto com o Instituto Aberje de Pesquisa (Databerje). O estudo adotou a metodologia quantitativa, com amostra probabilística aleatória simples de 282 profissionais responsáveis pela área de Comunicação nas empresas, que estão entre as “1000 Maiores de Valor”. Essa pesquisa realizada em agosto de 2008, coordenada pelo Prof. Dr. Paulo Nassar, diretorgeral da ABERJE, e pela Profª Suzel Figueiredo, diretora do DataBERJE, chegou às seguintes conclusões: A pesquisa sinaliza que a Comunicação Corporativa está se configurando como área estratégica no Brasil. Empresas brasileiras, listadas entre as 100 maiores de Valor, estão investindo mais e trabalhando seus públicos e mensagens de forma integrada. Por ser uma atividade que envolve múltiplas competências, a Comunicação Corporativa agrega profissionais com diferentes formações e olhares, promovendo uma análise interdisciplinar do relacionamento das empresas com seus públicos. Comunicação e Marketing convivem e dividem a responsabilidade pelos relacionamentos externos e compartilham orçamentos para a construção da marca corporativa. A comunicação não é uma atribuição definida na estrutura do organograma. É tarefa de todos, do estagiário ao presidente, numa atitude transversal das empresas que entendem que comunicação e relacionamento são pressupostos para competir nos negócios. No mercado onde tudo se transforma em commodity, saber se comunicar é, cada vez mais, um grande diferencial. A gestão da Comunicação Corporativa no Brasil está alinhada ao que existe de mais atual, tanto que o talento e a criatividade dos profissionais brasileiros vem se transformando em benchmarking para várias empresas globais. Embora desenvolvam atividades junto a diferentes stakeholders, entre eles acionistas, comunidade, governo, imprensa, sociedade organizada, as empresas estão mais voltadas aos clientes e funcionários, buscando a construção de boa reputação com o alinhamento da identidade e imagem corporativas. Outro aspecto que aponta para uma atividade estratégica é que as empresas buscam, a cada dia, medir seus resultados, para avaliar a eficácia de seus processos de comunicação. Ouvir os públicos envolvidos com a empresa é uma prática que se consolida para a promoção do diálogo desejável nas relações humanas e empresariais. 41 Ao comparar as conclusões acima com as respostas captadas por esse trabalho, podemos até dizer, em um primeiro momento, que há um desvio ou uma distorção entre as duas análises. Mas é importante lembrar que as considerações da pesquisa surgem ao final do estudo como um resultado que esses profissionais esperam da Comunicação Corporativa no futuro e que, apesar de no momento atual os passos ainda serem pequenos e tímidos, existe uma tendência e uma nova direção a se observar e seguir. Podemos por exemplo, pegar alguns números da pesquisa que avalizam algumas das idéias aqui recolhidas na pesquisa qualitativa. 59,2% dos profissionais entrevistados eram mulheres, os 5 depoimentos colhidos por esse trabalho também eram do sexo feminino. Na pesquisa Aberje quando perguntado: Na sua empresa, a área de Comunicação é vista como? 59,6% responderam que era vista como “Estratégica” contra 40% que responderam que a área era vista como “Apoio” ou “Técnica”. Em nossa amostragem qualitativa pudemos observar que essa pergunta de alguma forma mascara ou cria uma tendência para que o profissional responda positivamente. Ou seja, ele acredita na importância da área, porém quando perguntado qual a importância da área para a gestão, a resposta era mais clara apontando um viés de uma área menos importante e estratégica. Nesse sentido os números sobre investimentos nas áreas provam justamente esse viés. A pesquisa da Aberje perguntou: Comparando os investimentos que a empresa faz em Marketing e Comunicação Corporativa, qual é a proporção que melhor retrata a realidade de sua empresa? 41,6 dos profissionais disseram que o investimento era maior em Marketing, o dobro (19,3%) dos profissionais que achavam o contrário e uma parcela igual (19,5%) que não souberam responder essa informação. Aqui fica claro o quanto a área de comunicação almeja um Status de área estratégica, mais ainda, precisa receber os recursos orçamentários pelo menos iguais as outras áreas estratégicas da companhia como Marketing por exemplo. Fica claro, portanto, que não basta intenção e disposição. Deverá haver uma ruptura com os modelos tradicionais onde a comunicação ocupa um espaço muito menor do que deveria, visão defendida também por Marchiori. A visão da comunicação parece estar centrada na postura mecanicista. Olha-se para a comunicação como processo de transmissão, diferentemente de olhar para a comunicação como um processo de criação de conhecimento, como estimuladora de diálogo, como uma comunicação que ajuda a construir a realidade organizacional. (MARCHIORI 2006:77-94). 42 Tabela comparativa de opiniões – Entrevista x Pesquisa Aberje Segundo os profissionais pesquisados, a Comunicação Interna... Entrevistas • Não é entendida pela alta gestão como Pesquisa Aberje 2008 • uma área estratégica; • Está subordinada ao RH, tornando-se estratégica no Brasil; • um mero distribuidor de mensagens relativas à empresa, seus benefícios e • • • • Não é uma atribuição definida na estrutura do organograma. É tarefa de todos, do estagiário ao presidente; Necessita mais interação e atratividade; Agrega profissionais de diferentes formações; negócios; • Está se configurando como área • Compartilha orçamentos e Necessita exercitar o diálogo criando investimentos com Marketing e um canal de mão dupla; Comunicação da Marca; Depende muito da matriz que, por • No mercado brasileiro, tem se vezes, se encontra distante e transformado em benchmarking para indiferente; empresas globais; Dificuldade de aprovação de planos de • Busca medir seus resultados, para ação, pois não conseguem “defender o avaliar a eficácia do processo. Ouvir ROI”. os públicos é uma prática que se consolida a cada dia. 43 Quem está comandando sua empresa? Com esta frase, o autor Gary Hamel lança uma reflexão no início do seu livro “O Futuro da Administração” para estimular a reflexão do leitor sobre a possibilidade de que nossas organizações, agora no século XXI, possam estar sendo administradas por um grupo de teóricos que já faleceram há décadas. Teóricos e profissionais esses, que criaram, nos primeiros anos do século XX, as regras e convenções da chamada gestão “moderna”. São crenças, processos, pensamentos, métodos e modelos que moldam, de forma invisível, toda a cultura vigente nas empresas. Segundo ele sugere nesse trecho em entrevista concedida para Revista Management HSM: “Esse modelo do século passado foi criado para funcionar em ambientes de relativa estabilidade e sujeito a poucas mudanças, e não para os tempos atuais com grande quantidade de variáveis complexas, mudanças abruptas, janelas de oportunidade reduzidas, avanço da tecnologia, aumento do poder do consumidor e com o dinheiro circulando sem fronteiras pelo mundo.”(HAMEL : 2011) Esse argumento corrobora com os depoimentos relatados nas entrevistas presentes nesse documento e sugere que realmente as grandes corporações (ou pelo menos parte delas) passaram todos os últimos 100 anos criando seus métodos e sistemas de trabalho e agora relutam em modificar esse “modus operandi” ou se adaptarem (mesmo que em pequenas iniciativas e ações) a um novo modelo que surge onde a forma tradicional de interagir com a força de trabalho se modificou radicalmente. Othon Villefort Maia, Coordenador de Comunicação Interna da Fiat, escreve que a comunicação interna como a conhecemos está com os dias contados: “O nome comunicação “interna”ainda vai acabar. Está cada vez mais claro que esta é uma designação ultrapassada. As noções de interno e externo remetem a local, a aspectos quase geográficos. É uma herança de um tempo em que as empresas acreditavam que poderiam erguer muros, portarias ou grades e, assim, blindar e separar o ambiente interno do externo”(MAIA: 2011) Maia faz um paralelo entre a comunicação tradicional e a comunicação interna mostrando que diferente da primeira, a comunicação interna nunca se preocupou seriamente sobre o interesse e a audiência do seu público. Ele faz uma interessante analogia dizendo que a comunicação interna sempre trabalhou como uma empresa que tem o monopólio sobre determinado produto e desta forma acabou criando um ambiente parecido com ambientes onde o monopólio exerce seu poder (seja para o bem ou para o mal). 44 “A tendência de algumas áreas de comunicação interna é valer-se de certo monopólio das publicações dentro da empresa, como se, no ambiente interno, não houvesse concorrência. Somente a empresa “fala” por meio dos jornais, revistas, informativos e os demais meios impressos e eletrônicos. Sem entrar em qualquer discussão acerca de como isso contraria, por princípio, a comunicação face a face ou a natureza orgânica do processo comunicacional e mantendo o foco nos próprios veículos internos, essa percepção traz uma grande deturpação de estratégia. Isso porque, ao acreditar na inexistência de concorrência, essas comunicações internas não se preocupam em criar uma gestão de informação voltada para os interesses do público, em ser melhor, mais atraente e mais eficiente. Ou seja, este é o típico vício de qualquer produto em um ambiente de monopólio.” (MAIA – NASSAR 2011: 77) Como o objeto principal do estudo aqui apresentado não está relacionado diretamente ao amplo conceito e aos sistemáticos vícios da comunicação interna tradicional (o recorte dessa monografia visa entender qual o poder que o gerenciamento das relações interpessoais digitais pode ter sobre as estratégias corporativas da empresa) vale ressaltar que tanto os argumentos de Hamel quanto os de Maia ou mesmo, os próprios depoimentos dos entrevistados, nos levam a uma questão anteriormente já levantada nesse estudo. A questão se refere sobre qual é a verdadeira importância dada pela alta gestão dessas organizações para a comunicação interna ou como os presidentes e vice-presidentes dessas tradicionais empresas entendem a comunicação e a gestão do conhecimento presente na relação entre seus funcionários (seja ela formal ou informal, estruturada ou não estruturada) como potenciais geradoras de diferenciais e vantagens competitivas. O que indica os argumentos e informações aqui levantadas é que ainda existe certa miopia dos gestores em relação a esse potencial – não desenvolvido – presente no capital social e na gestão do conhecimento na empresa. Ainda se perpetua um forte paradigma de que os principais ativos da empresa são apenas seus produtos, serviços ou a valorização da sua marca (como vimos nos últimos anos a onda de Branding que se tornaram os livros de cabeceiras de CEO’s em todo o mundo). Vamos nos focar em um caso real de uma instituição financeira brasileira com seus 45 mil funcionários distribuídos por todo o Brasil, onde o Budget anual da área de TI beira a casa do bilhão. Todo esse investimento em tecnologia será distribuído na geração de negócios, produtos e serviços para clientes externos como o aprimoramento de infra-estruturas de caixas eletrônicos e agências, soluções digitais para sites e aparelhos móveis, aplicativos e sistemas de segurança da informação, entre outros. Pouca ou quase nenhuma solução de TI chegará até a área de comunicação interna. As interações entre os funcionários continuarão ocorrendo como 20 anos atrás (em rodas de cafezinho ou pelos murais espalhados pelas agências e atualizados semanalmente pelos RH’s) e os profissionais com a função de caixas (que são 45 uma grande parcela desse público) vão continuar pelos próximos anos sequer sem possuir uma conta de e-mail corporativo por meio do qual possam receber informações importantes e essenciais para a criação de um vínculo profissional/empresa. Esse cenário real de uma grande instituição bancária que vende tecnologia e inovação nos comerciais de televisão representa bem qual é a distância real que a Comunicação Interna está das estratégias da empresa provando que, em muitas organizações, ainda não chegou a vez do TI, olhar e oferecer recursos, para a integração e interação entre os funcionários. Algumas boas iniciativas que surgem voltadas aos colaboradores ainda visam primordialmente o aprimoramento das equipes de vendas de produtos da instituição como treinamentos, ambientes de troca de experiência entre gerentes, subgerentes e funcionários comissionados e programas e softwares voltados para controles de performance. Não nos cabe aqui questionar se essa priorização dos produtos e serviços em relação às pessoas que compõem uma organização é uma estratégia inteligente, sustentável ou não. O que podemos analisar é que, enquanto uma parcela significativa dos investimentos feitos em TI não forem direcionados para a potencialização das relações entre os colaboradores, muito pouco irá mudar no cenário atual da comunicação interna e do poder nela adormecido. 46 Cultural organizacional tradicional e a nova cultura da inovação Um discurso certo e óbvio nas empresas nos dias de hoje é o estímulo e a busca por um ambiente e uma cultura organizacional de inovação. Não raro essa palavra, presente normalmente nos “Valores” das organizações, sugerem que aquela empresa preza e acredita que inovação não só é um caminho importante para se trilhar como é a solução para o momento atual onde, a cada dia, o consumidor exige dos produtos e serviços, sempre mais, a um custo sempre menor. Mas como estimular a inovação, o novo, o original, se as estruturas estão a décadas enraizadas em sistemas que foram desenhados para fazer o igual, o mesmo, o repetitivo, com a mínima margem de erro, onde o importante nunca foi esperar o novo e sim o igual. Basta, por exemplo, citarmos a criação das certificações ISO nas décadas de 80 e 90 que vieram (inclusive por conta da globalização e das aberturas de mercados de diversos países) com o objetivo de criar uma padronização para a qualidade dos produtos. Padronização essa que, em um primeiro momento, visava manter uma qualidade adequada para a oferta de produtos, porém que incutiu um lado negativo - com a padronização e unificação de processos e métodos de trabalho - tirando definitivamente dos centros de engenharias e laboratórios o foco no novo e dirigindo todos os esforços e recursos na elaboração, desenvolvimento e criação de soluções que pudessem ao fim do processo entregar produtos similares, que atendessem as exigências de seus consumidores, desaparecendo portanto as oportunidades para a criação de novos produtos e serviços e a inovação na forma de fazê-los. A competitividade até pouco tempo atrás era fazer mais com menos, errando o mínimo e vendendo o máximo, esse era o lema da produtividade em larga escala. Essa regra valia e ainda vale, mas fica claro que apenas esse modelo já não é suficiente para ingressarmos nessa tão desejada cultura da inovação onde o errar se faz necessário, onde o novo só é capaz de surgir quando, fazemos de forma diferente o que vínhamos fazendo, até então, sempre da mesma forma. Ou seja, vivemos um momento paradoxal onde queremos o novo, o inovador, mas a cultura, processos, sistemas, hierarquia, estão presos a um passado (muito presente) onde errar é desperdício, é impraticável, não é competitivo! Em reportagem para a revista Management, o professor e consultor Gary Hamel, enfoca esse tema de forma simples e objetiva: “A gestão era a tecnologia social mais importante do século 20; aprendemos a unir as pessoas, produzir em escala e de modo perfeitamente replicável, com eficiência crescente, disciplina e foco. Tudo isso ainda é importante. Agora, porém, vivemos em um mundo em que as empresas precisam ter capacidade de adaptação bem maior, ser 47 inovadora na nova economia criativa, e os princípios e processos centrais que herdamos da era industrial não são suficientes”. (Hamel 2010) Ele reforça a ideia que devemos nos espelhar nas possibilidades que a internet nos oferece para conseguir, dentro das organizações, as mesmas qualidades que surgem de forma espontânea nos ambientes digitais em rede. “O que é estimulante quando se observa a internet é descobrir um modo de unir as pessoas, aproveitar sua inteligência e sua criatividade, para fazer coisas incrivelmente complexas. Isso com base em fatores como transparência, flexibilidade, abertura, colaboração, meritocracia e assim por diante. Acredito que há mais do que uma oportunidade de desenvolvermos organizações baseadas nesses novos princípios, que sejam bem mais capazes do que as dos últimos cem anos” (Hamel 2010) No trecho abaixo Hamel indica um bom caminho, mesmo para empresas com estruturas tradicionais, como ao se apoderar de algumas características da web – como inovação, compartilhamento, cocriação e insights de um determinado grupo de pessoas – a organização, de forma simples e objetiva, pode criar soluções colaborativas digitais eficientes e até mesmo lucrativas. “Com a web, temos maneiras de explorar esse tipo de inovação e inteligência de cada funcionário. Se a pessoa deixar sua sugestão online, a avaliação da idéia não dependerá do chefe; os próprios pares poderão ver a sugestão e perceber como é simples. A web não vai mudar tudo no modo como trabalhamos, mas dará a cada funcionário da organização, independentemente de sua posição, a oportunidade de contribuir e influenciar de uma forma que não era possível antes”(Hamel 2010) Nessa mesma linha de pensamento o Diretor Corporativo de Relações Institucionais da Holding do Grupo Votorantim, Samuel de Almeida Lima, também reconhece a importância de se criar uma comunicação realmente bidirecional dentro das organizações que estimule a interação entre os colaboradores e deles para com a companhia. “Os avanços da tecnologia continuam, dia após dia, em uma velocidade cada vez mais surpreendente. Um impacto direto na troca de informações de forma praticamente instantânea é uma extraordinária revolução em torno da gestão do conhecimento. Nesse cenário, as empresas que souberem explorar adequadamente as potencialidades desse ambiente conseguirão benefícios imensos para os seus negócios”... “Considerando que todo funcionário, independentemente do cargo que ocupa, é uma usina de boas idéias, sugestões de melhorias nos mais diferentes processos internos podem ser aproveitadas de forma muito mais eficaz em um ambiente que promove a troca de informações e compartilhamento de experiências em todos os níveis hierárquicos” (LIMA – NASSAR 2011: 108) 48 Alguns Cases que podem indicar novos caminhos Novas idéias que integram comunicação corporativa, interfaces digitais e colaboração, estão sendo colocadas em prática em grandes corporações e acabam se tornando referências de boas iniciativas e soluções inovadoras. Muitos desses cases surgem em artigos de revistas especializadas, apresentações, seminários, palestras e apresentam empresas que tiveram a coragem e a iniciativa de trilhar diferentes caminhos na comunicação empresa-funcionários, criando dessa forma uma nova maneira de interagir com seus colaboradores, potencializar o capital social presente nos ambientes da organização e fazer uma efetiva gestão do conhecimento. Case Jam da IBM Imagine o mar de insights que uma grande empresa pode ter quando estimula e engaja um universo de 400 mil colaboradores para oferecer idéias, sugestões e opiniões sobre seus produtos, serviços e ambiente de trabalho. Pois esse é o resultado do IBM Jam Session1 (nome inspirado nos encontros improvisados de músicos de Jazz) que a IBM vem promovendo desde que descobriu o verdadeiro potencial da sua intranet lançada em 1996. Em 2001 esse portal corporativo era utilizado diariamente por cerca de 280 mil dos 335 mil colaboradores. Pensando justamente nesse valor de conhecimento disponível na interação entre toda sua equipe por meio dessa ferramenta, o vice-presidente de comunicação estratégica Mike Wing, transformou a intranet da IBM numa verdadeira fábrica de idéias. As Jam Sessions IBM estimulam a participação e o debate sobre temas relevantes, como por exemplo, em 2003 quando, com a colaboração de 50 mil pessoas, foram gerados 10 mil comentários em 72 horas de sessão, resultando ao final do processo os novos valores da empresa: 1-Dedicação ao êxito de cada cliente, 2-Inovação, para nossa companhia e para o mundo e 3-Confiança e responsabilidade pessoal em todas as relações), buscando ainda em seu quadro de funcionários idéias e opiniões que possam ser colocadas em prática para o aperfeiçoamento da empresa como um todo. A última sessão, em 2006, teve como tema central, justamente a “Inovação”, e permitiu a participação de clientes e parceiros de negócios além de se comprometer em investir US$ 100 milhões no desenvolvimento das melhores idéias. A prova da força, qualidade e oportunidade de soluções como essa é que a IBM já recebeu mais de 80 pedidos para assessorar empresas de todo o mundo, que estão interessadas em organizar suas próprias “Jam Sessions”. 49 Case Novartis2 Em 2008, a Novartis lançou uma campanha motivacional para os times da força de vendas, onde tinha como principal ferramenta uma rede social com o nome de “Liga Novartis”. Inspirada em plataformas sociais como Orkut e Facebook. A ideia inicial era que a rede durasse apenas seis meses (o tempo de duração da campanha), mas ela acabou se tornando a principal ferramenta de comunicação com a força de vendas. A Liga mescla características de um portal tradicional de notícias – com conteúdo sobre resultados, estratégias e temas de recursos humanos – com ferramentas de redes sociais, como comunidades, fóruns e enquetes. Atualmente, cerca de 800 colaboradores, entre matriz e força de vendas, acessam a ferramenta. O sucesso já gerou o desenvolvimento de uma segunda versão, que deve ir ao ar no início do próximo ano, com mais recursos colaborativos, como a possibilidade de comentar, dar notas e sugestão de temas para os conteúdos (como o Yahoo Respostas, por exemplo). Outra inovação será disponibilizar a ferramenta também para SmartPhones, o que seugundo Henrique Vailati – Executivo da Novartis responsável pela ação - acredita que deva aumentar substancialmente os acessos do portal. 1 IBM Jam Session – Case baseado na matéria da Revista HSM Management – março/abril 2011 – Dossiê Inovação em gestão - Três Casos exemplares. 2 Case Novartis – texto baseado no Portal Você RH – http://revistavocerh.abril.com.br/ 50 Conteúdo. Mais que informação, a base para uma comunicação mais estratégica Pelo que podemos perceber, falta nas direções das empresas uma pré-disposição para entender a importância que a correta gestão do conhecimento e o gerenciamento das relações entre os colaboradores poderiam oferecer como solução estratégica para as organizações. Talvez um dos caminhos que possamos trilhar para que os gestores entendam a importância da administração desses relacionamentos é tirar, em um primeiro momento, o foco das pessoas e apresentar o conteúdo/informação como sendo um valioso capital da empresa que “vai para o ralo” todos os dias por falta de estrutura e tecnologia adequada para armazenamento, distribuição, organização e gerenciamento desses conteúdos. Independentemente se estamos considerando conteúdo como informação textual, imagem, sons, vídeos, arquivos nas suas mais diversas extensões, relatórios, etc...,devemos considerar que tudo que é produzido pelo público interno (em suas tarefas, funções, procedimentos, reuniões) são considerados conteúdos (e se não forem previamente analisados, a priori não devemos descartá-los – ou não considerá-los importante). Os consultores da Terra Forum, Alex Sanghikian e Paulo Floriano, explicam que precisamos sempre levar em conta o grau de relevância, interesse e importância de qualquer conteúdo sem esquecer o alinhamento e equilíbrio com os objetivos e estratégia da organização. Outro fator que devemos levar em consideração é que mesmo em um ambiente de interação fácil e com relações informais acontecendo a todo instante, alguns conteúdos ainda terão que ser gerados a partir de algumas áreas-chave. Nesse momento, alertam os especialistas, esses conteúdos devem ser desenvolvidos levando em conta esse novo cenário “não linear” e “hiperlinkado” que estamos vivendo. Para eles, o conteúdo de uma gestão 2.0 deve ser além de conciso e objetivo, deve ter uma linguagem adequada a seu público e ter um foco claro voltado para os objetivos do negócio da empresa. Eles chamam essa preocupação e atenção com a geração dessas informações de “gestão de conteúdo” e listam 6 resultados que poderiam ser alcançados caso essa “gestão de conteúdo” fosse levada em conta pelos gestores de comunicação interna. O conteúdo poderia segundo eles: 1. Melhorar a comunicação estratégica entre diferentes áreas, ou mesmo entre cargos (líderes e liderados); 2. Aumentar o interesse dos colaboradores sobre temas centrais da estratégia organizacional; 51 3. Melhorar e apoiar a tomada de decisão (de grupos específicos como líderes, gestores, gerentes e equipes multidisciplinares); 4. Munir as áreas operacionais de informações para suportar a execução de seus processos – aumentando sua produtividade e reduzindo o trabalho; 5. Apoiar de maneira efetiva a gestão do conhecimento organizacional, conectando informações, histórias e pessoas ao longo do desenvolvimento da empresa; 6. Colaborar para uma maior satisfação no ambiente de trabalho, por meio de um esforço editorial permanente, voltado a conteúdos pensados estrategicamente para cada área; Os consultores da Terra Forum reforçam que o conteúdo não significa apenas informações criadas pelo departamento de marketing, vendas, RH, entre outras áreas e disponibilizada para toda empresa via comunicação interna. Eles acreditam que, conteúdo é toda e qualquer informação que possa ser útil para aprimorar o trabalho, talento e competência de cada colaborador e, por conseqüência, catapultar a performance dos processos e gestão no dia a dia auxiliando na busca dos objetivos e metas da companhia. Eles alertam também que um fator crucial (basta lembrar os muitos “blogs do Presidente que padeceram desse mal) para o interesse e manutenção do público é importante a atualização constante (e sistemática) dessas informações. Segundo pesquisa realizada pela Universidade de Stanford nos Estados Unidos, entre uma amostra de 1,6 mil usuários, em 2002, de acordo com os internautas entrevistados, a falta de atualização diminui sensivelmente a confiança do usuário em todo o conteúdo do portal. Porém, ressaltam os consultores, a atualização não deve ser entendida como espaço para despejar conteúdos frios, sem relevância, sem nenhum tipo de priorização ou alinhamento com as estratégias da companhia. A sugestão desses profissionais é justamente criar um ambiente colaborativo onde os próprios colaboradores possam sugerir conteúdos e pautas e, a criação de uma comissão multidisciplinar e rotativa que, em conjunto com a área de comunicação e alta gestão da organização possa priorizar temas e desta forma estimular para que todos se engajem e mantenham sempre vivo e ativo um conteúdo que seja interessante, relevante, atualizado e tenha por objetivo final maximizar e potencializar a comunicação da organização e mantê-la alinhada com a gestão estratégica da companhia. 52 Informações não estruturadas Ainda dentro do tema conteúdo e intimamente relacionado com o gerenciamento da comunicação, outro desafio que as grandes organizações deverão enfrentar nas próximas décadas será o de encontrar uma forma adequada e eficiente de ordenar, categorizar, compartilhar, armazenar e distribuir (de acordo com a necessidade) o mar de informações não estruturadas que circulam nas organizações diariamente. Muitas ferramentas presentes atualmente nas organizações estão preparadas (e de algum modo até estruturadas de modo muito eficiente) para administrar os maiores fluxos de informações formais por meio de sistemas globais, que permeiam toda a cadeia de valor das empresas por sistemas complexos e de altos investimentos (como o SAP, por exemplo). Por se tratarem de soluções de macro alcance e abrangência, essas ferramentas se tornam muito engessadas e pesadas, deixando os sistemas de transação das informações pouco personalizáveis, com baixa adaptabilidade às demandas dos usuários e com pouca (ou quase nenhuma) flexibilidade para desenvolvimento de novas soluções que facilitem e agilizem a troca, a organização e a distribuição dessas informações. Desta forma, as necessidades individuais de cada colaborador acabam não sendo atendidas por essas tecnologias e cada um, por conta própria, acaba solucionando seus problemas por meio de soluções caseiras – em softwares que estão à sua disposição em seus computadores pessoais – e de forma não estruturada e desorganizada, vão criando um depositório desconexo de informações que vão se perdendo ao longo da vida da empresa. São milhares de documentos de textos, planilhas de cálculo, apresentações, e-mails, blogs, fotos, vídeos espalhados por toda organização, que se fossem ordenadas e armazenadas como uma grande biblioteca, poderiam se tornar um valioso conteúdo de dados, informações e memórias. Em primeira análise isso mais parece um problema de organização e arquivamento que gera descentralização e descontrole das informações, mas analisando pelo prisma da comunicação, esse ralo que joga milhares e milhares de informações por segundo nesse “lago de informações” significa uma perda importante e uma parcela significativa do histórico da empresa e informações de toda a sorte que seriam muito úteis e serviriam de bases para agilizar e alavancar muitos projetos e iniciativas que muitas vezes por falta dessas informações perdidas pela companhia demoram, ou mesmo acabam sendo abolidas, sem contar os gastos gerados para produzir informações, estatísticas, estudos, números, que já foram feitos por outros profissionais mas, por carecerem de uma forma eficiente de busca dessas informações não estruturadas, acabam tendo que serem feitas várias vezes. 53 Redes, relações de confiança e reputação. O que muda nas estruturas organizacionais pós-industriais. Robert Metcalfe(1) defende sua teoria, quando contestada, dizendo que "A questão principal não é a matemática, e sim a idéia de que o valor de uma rede seguirá crescendo muito rápido e para sempre". É inegável o poder que as redes, relações e conexões trazem nesse novo cenário. A potencialização e efeito de uma mensagem pode ser exponencial e impactar, em minutos, milhares e milhares de pessoas em qualquer parte do mundo. Para isso é necessário que as pessoas entendam e administrem suas redes de relações. Como sugere a professora Lynda Gratton da London Business School “...a inovação aparece quando você se relaciona com pessoas diferentes de você. A chave para a diferenciação está em criar redes com pessoas diversas. Eu chamo isso de “a multidão das grandes idéias”. Mas não basta a criação dessa rede para que as pessoas entrem num novo nível de comunicação mais eficiente, é necessário que as organizações que tenham interesse em ingressar nesse novo cenário, rompendo com os padrões e conceitos estabelecidos, deem um passo adiante e deixem para trás, fórmulas de sucesso ultrapassadas e métodos que já deram certo mas que agora agonizam pedindo que novas portas se abram. Na página seguinte apresentamos uma lista que elucida quais seriam esses importantes passos, que as organizações e as pessoas que fazem parte dela, deveriam dar, para se alinhar a um novo modelo de sociedade em rede. 1 Lei de Metcalfe - Robert Metcalfe é um engenheiro elétrico formado em administração e engenharia pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Com mestrado em matemática aplicada e doutorado em ciência da computação, criou em 1973 a Ethernet - o método de conexão mais usado para a formação de redes locais de computadores. Também fundador da empresa 3Com, Metcalfe é autor de uma lei que segundo ele, o valor de uma rede cresce na proporção do quadrado do número de seus usuários. 54 Comunicação atual dentro de um contexto organizacional tradicional (Baseado no industrialismo) Nova comunicação em um novo contexto organizacional de inovação (Baseado no informacionalismo) Líderança por cargo Liderança por Reputação Disciplina Talento Pontualidade Resultado Economia (por acerto) Inovação (Risco pelo erro - beta) Racionalidade Criatividade Ordem Caos Repetição Originalidade Realizar Tarefa Iniciativa e busca por novas tarefas Cumprir a Função Empreender com Paixão Controle (acessos restritos) Transparência (autocontrole) Gestão de carreira Auto Gestão Descrença / Descrédito Confiança Comunicação Descendente Comunicação Multidirecional Competência por experiência Competência por habilidade Poder pela informação Poder pela troca de informação 55 Conclusão Proposta de modelo ideal para um Gerenciamento das Relações Interpessoais Digitais Internas como Estratégia Corporativa nas grandes organizações Baseando-se nos cases e nos profissionais aqui entrevistados e nas bibliografias que apoiaram os argumentos apresentados nesse projeto de pesquisa, sugerimos uma proposta para um possível modelo ideal para o desenvolvimento de GRIDI’s (Gerenciamento das Relações Interpessoais Digitais Internas) nas grandes organizações. Sugerimos que esse modelo ideal seja dividido em 3 pilares. São eles: Pessoas, Tecnologia e Mensuração. Para o pilar “pessoas” serão sugeridas 7 competências (skills) que as empresas que desejam aplicar esse modelo precisam desenvolver e estimular em todo seu quadro de colaboradores. São eles: 1-Confiança; 2-Curiosidade; 3-Iniciativa; 4-Auto-Gestão; 5Relacionamento (definição da rede pessoal); 6-Capacidade de se Comunicar e 7-Capacidade de Cooperar. Para o pilar tecnologia, o estudo aqui levantado indica que o caminho mais eficiente é que a criação e desenvolvimentos das soluções tecnológicas (como aplicativos, processos, sistemas, softwares...) façam o papel de “facilitador” desses “skills” entre os colaboradores promovendo a adequada interação, colaboração e compartilhamento entre esse grupo. E por último, e mais importante, sugerimos a transformação da convencional área de Comunicação Interna em um departamento de Mensuração e Gerenciamento da Comunicação, explicado com mais detalhes a seguir. Porém para que esse modelo ideal seja aplicado na integra e de forma eficaz, precisamos retomar uma questão, aqui já discutida, que indica a fundamental importância quanto ao engajamento da alta gestão da companhia em quebrar o paradigma de uma comunicação interna passiva, descendente e unidirecional e partir para um novo patamar onde a comunicação perpasse e conecte todos os colaboradores e faça parte da essência e do DNA de toda organização. Vale lembrar também que somente o engajamento e o comprometimento da alta gestão e líderes não são suficientes. Essa nova área deverá ser alocada no cerne das questões estratégicas e nos objetivos da empresa e deverá obviamente receber recursos financeiros significativos (budget específico para aplicação em TI e treinamento e capacitação dos colaboradores) que patrocinem essa solução de maneira contínua e que possa ser sistematicamente modificada, atualizada e moldada pela própria necessidade e demanda dos usuários. Como podemos muito bem observar, nos muitos casos de sucesso na web, onde há 56 ferramentas que se moldam a partir das demandas dos seus usuários. Srinivas Koushik, executivo chefe de Informação da Nationwide Property and Casualty Company, reforça essa ideia “O que percebi foi que muito do que está na internet pode se traduzir em práticas gerenciais cotidianas e até transformá-las, se descobrirmos a maneira certa de fazê-lo”. Não nos deteremos aqui, nos meandros dessas ferramentas tecnológicas, haja vista que soluções de toda sorte já existem e estão disponíveis na própria web para servirem de inspiração (ou mesmo adaptação) para a criação desses ambientes, por isso queremos apenas nos deter nos fatores que realmente acreditamos que fará toda a diferença. São eles: Pessoas (com suas 7 competências / skills) e o novo perfil (e habilidades necessárias) desse profissional de comunicação que estará gerenciando esse novo departamento de Mensuração e Gerenciamento dos Relacionamentos Internos Digitais. Reforçamos aqui que, as empresas que desejam ter uma comunicação interna colaborativa, pós-moderna, interativa e em sintonia com o ritmo das mais inovadoras empresas do mercado, precisam criar um ambiente adequado que estimule os funcionários a saírem de suas zonas de conforto, deixarem para trás a velha forma mecanicista de realizarem suas tarefas e se transformem em um profissional, pós-moderno, proativo, colaborativo e, acima de tudo, consciente da sua importância em relação ao desenvolvimento da organização e de sua própria carreira. Ele deve entender e reconhecer que a organização é feito por ele, com ele e por meio da interação de seus conhecimentos, capacidades e habilidades junto aos seus colegas. As 7 competências necessárias (e desejadas) para esse novo profissional são: Confiança – A confiança é a base para a criação de um ambiente de transparência e gera o terreno fértil para o crescimento de uma rede social (com interesses pessoais e profissionais) entre o quadro de funcionários. Sem confiança, a rede perde credibilidade, força e se rompe. Essa confiança deve se fazer presente não somente nessa rede, mas deve estar na essência da empresa onde a confiança possa ser exercida em sua plenitude, seja de colaborador para colaborador, de colaborador para gestor (e vice versa), de colaborador para a alta gestão da empresa (e vice versa) e também entre colaborador e toda a gama dos stakeholders da organização. Porém, vale lembra que em momentos de fusões, compra, venda, crise ou desconfiança onde a comunicação da empresa – seja ela digital ou não – está ocorrendo de forma incompleta ou confusa, o ideal é esperar passar o momento de turbulência e implantar o modelo numa ocasião mais oportuno e propícia onde a comunicação possa ocorrer sem obstáculos, restrições e com total transparência. 57 Curiosidade – A curiosidade é uma habilidade nata das crianças. Elas estão – por conta das poucas experiências vividas e regras sociais estabelecidas – ávidas a consumir conhecimento. Para elas o aprendizado não é uma tarefa dolorida. A busca pelo novo, pelo ousado e pelo desafio é encarada pela criança como algo lúdico, como uma grande brincadeira. Ao nos tornarmos adultos, profissionais competentes, líderes responsáveis, operários atarefados, administradores esbaforidos e workholics afins, perdemos a capacidade de nos interessar por outros assuntos que não estão diretamente associados ou diretamente ligados a uma tarefa, problema ou trabalho que estamos desenvolvendo. Deixando, portanto, nossa curiosidade numa gaveta trancada, proibida de ser aberta, pois não temos tempo para nos dedicar a nenhum tipo de descoberta que não esteja “de forma linear” ligada às nossas tarefas que precisamos realizar no próximo segundo. A web, com seus hiperlinks, hipertextos, páginas, pop-ups, estímulos visuais de toda ordem trouxe (de modo consciente ou não) uma motivação para a busca por um conhecimento que não estava necessariamente sendo procurado. Quantas vezes buscamos uma informação e quando nos damos conta, estamos há horas, “navegando” por mares completamente distantes e diferentes daqueles que planejamos? Para o bem ou para o mal, essa forma de dispersão – onde os objetivos iniciais e a linearidade das ideias escapam - devolveu a nova sociedade pós moderna e líquida - um pouco daquele descompromisso infantil onde as brincadeiras e as relações infantis sem regras determinadas eram as melhores e mais interessantes partes das interações e onde, a imaginação, inventividade e a inovação, ganhavam o espaço adequado para, de forma espontânea, exercer todo seu potencial criativo sem tempo para começar ou acabar. Por isso o ambiente a ser criando deve estimular essa curiosidade nata que está adormecida dentro das pessoas. Os conteúdos e informações devem estimular e instigar a curiosidade dos colaboradores fazendo com que o aprendizado seja espontâneo e agradável e eles, por sua vez, deverão também exercer essa qualidade compartilhando suas informações e conteúdos com toda sua rede estimulando a curiosidade de seus colegas e parceiros. Iniciativa – A curiosidade gera, de forma espontânea, uma outra e importante qualidade, a vontade de inovar, criar, inventar. A ferramenta também deve permitir e estimular a iniciativa, a inventividade e a busca constante pela inovação. O colaborador deverá sentir a liberdade presente no ambiente (tanto digital como no ambiente físico da empresa) para interagir de forma multidirecional com quem ele tiver vontade. Ele deverá ter autonomia para propor, indicar, reconhecer, reclamar, dar sugestões, falar, postar idéias e opiniões a respeito de tudo o 58 que achar relevante para a empresa, produtos, serviços e sobre seus colegas e parceiros. Cabe aqui lembrar, de novo, que o medo da alta gestão pela falta de controle das informações, o cerceamento, a proibição e todo o tipo de limitação na troca das informações será um freio e um obstáculo para a completude do processo de comunicação. Por isso, antes de iniciar a implantação do modelo se faz necessário um estudo para a aplicação correta de um código de conduta (que entenda e represente esse novo momento que vivemos) e um esforço por parte da organização em capacitar e disseminar entre os colaboradores a importância de conhecerem as regras adequadas do jogo e deixar claro para todos, com transparência, que a distribuição, o compartilhamento das informações circulando de forma solta e livre é sim uma característica de uma comunicação pós-moderna, porém mais importante que essa liberdade, é que todos primem pela perenidade da companhia, entendendo que a capacidade de inovação é um importante elemento no novo contexto, mas também se faz necessário em determinados momentos e situações a proteção de informações que garantam que essa inovação seja refletida na competitividade perante seus concorrentes. Ou seja, informações estratégicas devem sim ser controladas e preservadas, mas esse controle deve estar sob a responsabilidade de todos e não somente pela alta gestão que hoje se julgam guardiãs e procuradoras de todas as informações circulantes no ambiente de trabalho. Auto-Gestão – Justamente neste novo cenário onde a responsabilidade pelo crescimento da organização, a definição de suas estratégias e suas mudanças de rota, deixa de ser exclusividade da alta gestão e passa a ser dividida com todos que nela trabalham, fica implícito que um novo comportamento e atitude serão exigidos. Todos os colaboradores, independente de seus cargos, deverão ser responsáveis pela gestão das suas próprias carreiras. Cada um deverá ter em mente que o novo momento exige que ele atue como um profissional competente e atualizado e busque seu autodesenvolvimento, autoconhecimento e desta forma potencialize ao máximo sua performance. O velho paradigma do colaborador passivo que tinha sua carreira gerenciada por líderes e profissionais de RH deverá ceder espaço para um novo perfil de colaborador proativo que deverá ser responsável integralmente pela sua carreira e crescimento profissional. Por isso, esse modelo deverá estimular o colaborador a gerir sua carreira de uma nova forma, mais ativa e engajada. Ele terá autonomia com relação a seu cargo, tarefas, propósitos e por que não dizer, sobre seus ganhos. Poderá buscar seu auto crescimento e autodesenvolvimento sem depender de um superior. Ele terá como planejar o futuro da sua carreira e dessa forma tornar-se um profissional mais participativo nas decisões 59 estratégicas da empresa, pois ele entenderá que o crescimento da organização dependerá de seu crescimento e vice-versa. Relacionamento (rede) – Mesmo em organizações hierárquicas tradicionais todo colaborador possui uma rede de interação. O que ocorre é que, por trabalhar, no último século, em funções fragmentadas, esses colaboradores deixaram de enxergar o significado e a importância da interdependência entre os processos e entre os profissionais. Falta no colaborador tradicional à visão do todo, pois a “linha de produção” da era industrial sempre foi linear. Estanque. Reduzida a baias e seções. O colaborador pós moderno, da nova era da informação e inovação precisa entender que ele não é mais um funcionário que exerce sua função sozinho, responsável por determinado assunto, produto ou serviço. Ele precisa entender que faz parte de uma grande rede com conexões onde seu trabalho faz a “ligação” entre muitas dessas conexões. Ao entender a importância que ele representa no final do processo e que, suas tarefas são partes essenciais no mecanismo que compõem a estrutura organizacional, passará a entender também que ele é um importante elo na grande cadeia de ações e que, sem interação, colaboração e interdependência, seu sucesso profissional e a excelência de suas tarefas estarão comprometidos. Ele precisa ter claro em sua mente qual é sua rede (in e out – onde denominados in para a rede que cria o input das informações e serviços para a realização de suas tarefas e out para a rede de colaboradores que recebem suas tarefas) de contatos, cultivála, gerenciá-la e ampliá-la (em função de suas ambições profissionais). Só dessa forma ele poderá crescer, se desenvolver e ajudar seus parceiros a crescerem e a se desenvolverem também. Capacidade de se comunicar – Vivemos um momento na sociedade pós-moderna onde todos têm a possibilidade de se transformar em “mídia”. Nesse novo contexto todos têm à sua disposição o potencial de serem emissores de suas próprias mensagens. Porém não custa lembrar que uma mensagem só é eficaz e tem o seu valor se conseguir atingir e for entendida pelo seu público-alvo. Por isso não basta às pessoas terem à disposição ferramentas que permitam emitir suas mensagens pessoais, particulares, é preciso que as pessoas tenham (ou sejam capacitadas) competência e capacidade de se comunicar, de se fazerem entender. Estamos falando desde a forma correta de se escrever e expressar, como orientar todos os colaboradores (e principalmente os gestores), da importância em se aprimorar na “arte de se comunicar”. Uma mensagem só pode ser enviada com sucesso e entendida em sua plenitude 60 pelo receptor se o emissor tiver os recursos necessários para fazer uma comunicação efetiva. Novamente aqui, compreendemos que mais importante que ter a ferramenta, o canal, é necessário ter o conteúdo correto, oportuno, relevante e transmitido com o menor ruído possível. Capacidade de Cooperar – A capacidade e a competência em cooperar estão ligadas diretamente ao mesmo conceito de redes de conexões, porém essa competência em particular extrapola o perímetro das conexões primárias (as redes in e out citadas acima). A capacidade de cooperar é a habilidade de colocar em prática a interação e o compartilhamento de informações e ações independentemente de limites geográficos (quando falamos de limites geográficos, não nos referimos a limites determinados pelo espaço, pois com as interações digitais, podemos facilmente quebrar barreiras de distâncias e nos conectarmos em instantes com pessoas de qualquer parte do mundo. O que denominamos aqui como limites geográficos são as relações primárias que acabam existindo em nosso dia a dia devido a frequência com que interagimos com um número reduzido de pessoas e que de alguma forma também reduz nossa área de atuação). Para o colaborador exercer sua capacidade de cooperar, deve ter em mente que suas funções e tarefas estabelecidas são seus compromissos básicos, porém nesse novo modelo a cooperação é a liga que alicerça novas e diferentes conexões. É a interação, ligação e criação de novos nós na rede. Ou seja, significa a ampliação do seu network e a amplificação de suas competências e habilidades além das fronteiras delimitadas por suas tarefas diárias. Uma boa metáfora para essa habilidade que deve estar presente nesse colaborador é a sua percepção que o “barco” é o mesmo para todos que estão naquela organização e que, remar na direção correta (daí, inclusive, surge novamente a importância de se conhecer a fundo as estratégias e as metas corporativas) junto com todos os outros colaboradores, será o impulso primordial para se chegar ao porto de destino de forma mais rápida. Em outras palavras a cooperação deve extrapolar os limites de sua área de atuação, ele precisa entender que tudo que puder fazer para agilizar “essa viagem” será um ganho não só para ele, mas para todos e para a organização em geral. Ou seja, é necessário que ele se envolva em outros projetos, iniciativas e ações que hoje não estão em seu raio de alcance. Deve-se, portanto aqui, quebrar mais um paradigma. O colaborador deve começar a entender que sua real importância está na sua capacidade de interagir em diversas áreas, funções, tarefas e projetos. Que quanto maior e mais diversificada for sua atuação, maior será sua rede de conexões e por conseqüência maior será sua competência profissional. 61 Mensuração e Gerenciamento da Comunicação O Comunicador tornou-se um mediador, um gestor de equipes, um zelador do grande ritual moderno que são os relacionamentos. Hoje a empresa é um nó de uma grande rede e deve construir sua imagem através do diálogo, porque a identidade já não é um a projeção da sala de comunicação corporativa. Tudo isso transformou o comunicador em articulador e educador e, nesse contexto, ele tem de abraçar a bandeira da cultura: precisa ser um intelectual, capaz de lidar com o processo que leva da identidade à alteridade - ao outro, ao diferente. (NASSAR 2008). As transformações das atitudes dos colaboradores visando uma comunicação mais eficiente e a aplicação de novas tecnologias que facilitem a interação e relacionamento desses profissionais serão apenas o início desse modelo ideal aqui proposto. A grande mudança e quebra de paradigma que deverá surgir nas organizações, deverá ocorrer justamente na área, denominada hoje, de “Comunicação Interna” que desde seu surgimento não decolou como departamento estratégico, sempre sofreu com a baixa credibilidade perante a alta gestão das organizações e criou pouca relevância e aderência junto aos colaboradores. Por isso, para que acompanhemos a proposição que será discorrida nas próximas linhas será importante entender, de forma rápida para não fugir do objeto de estudo, os modelos de mensuração e métricas já existentes e consolidados na web 2.0 e usadas com excelência por grandes empresas – principalmente de e-commerce que servirão como inspiração para serem levadas e adaptadas aos ambientes internos corporativos para criar um novo patamar na excelência da comunicação entres os colaboradores e deles com a empresa. Em um passado recente, nem mesmo os pesquisadores e analistas mais otimistas poderiam imaginar que surgiriam tantas ferramentas (e oportunidades) com o incrível potencial e capacidade de rastrear os usuários de forma tão intensa, próxima e com uma acuidade próxima aos 100%. As métricas e mensurações presentes hoje na web permitem seguir todos os passos, impulsos, intenções de compra, preferências por marcas, hábitos e comportamentos de consumo, histórico de compras, perfil de usuário entre muitas outras possibilidades. Os grandes portais, buscadores, agregadores de conteúdo, lojas virtuais, e-magazines, sites de compras coletivas têm em mãos um valioso e poderoso recurso de marketing que são todas essas informações armazenadas para serem constantemente (e em muitos casos automaticamente por robôs e algoritmos inteligentes) analisadas, gerenciadas, mensuradas e reutilizadas para gerarem mais vendas. Ou seja, todas as informações de seus usuários, à disposição para organizar a estratégia da empresa, modificar estoque, estimular o consumo de produtos similares, gerenciar o ciclo de necessidade do consumidor, priorizar e modificar 62 planos de ações, enfim, criar um ciclo de retro alimentação constante e inesgotável (perfeito para um momento complexo do capitalismo que precisava urgentemente se reinventar para não entrar em colapso). Ou seja, a mensuração e métricas surgiram para esses mercados como ferramentas essenciais e a pergunta que reforçamos novamente nesse estudo é: Se não estamos falando de algo fictício, nem de ferramentas assim tão sofisticadas por que ainda não usamos essas soluções (e se usamos, por que não extraímos dela toda potencialidade possível) para gerenciar, monitorar e mensurar a comunicação, as relações entre os colaboradores e as informações trocadas e circulantes nas organizações (já que temos todos os dados necessários – inclusive até mais que os gigantes do e-commerce que não possuem a exatidão das informações dos seus prospects/suspects como as organizações tem de seus funcionários)? Partes dessa resposta já foram apresentadas e discutidas nessa dissertação; a parte que cabe nesse capítulo se refere justamente à oportunidade que temos de criar (ou pelos menos sugerir) um novo perfil para o profissional de comunicação que pretende inovar nessa área criando um novo modelo de departamento e enterrando de vez a antiga e prosaica área de Comunicação Interna responsável pelo “jornalzinho interno” que estava abaixo das “asas” do departamento de Recursos Humanos. Uma nova área de comunicação precisa de um novo perfil de profissional Antes de explorar as possibilidades dessa nova área e enumerar as habilidades necessárias que esse novo perfil de profissional de comunicação exigirá, queremos fazer uma analogia para facilitar o entendimento do funcionamento das áreas de comunicação – da atual e a do modelo proposto. A proposição aqui, sugere que esse novo departamento de comunicação, funcione como uma torre de controle de aeronaves de um grande aeroporto onde a equipe de controladores representa esses novos profissionais de comunicação. Esses controladores têm, por meio de métricas e mensurações das ferramentas de tecnologia digitais, todas as informações relacionadas às interações, relacionamentos, trocas de dados, colaboração, inovações que estão ocorrendo no ambiente digital da companhia. O papel desses “controladores de voo é o de, gerenciar essas interações, controlando essas relações “on-time” como se fossem aviões em pleno voo. A tarefa desses especialistas é olhar esses radares, os números, métricas, estatísticas e ir orientando os pilotos de forma que eles possam ir 63 conduzindo as aeronaves de forma tranqüila e suave até seus destinos (nessa metáfora, podemos dizer que esses pilotos são os gestores, líderes de projetos ou colaboradores em cargos convencionais, porém que geram grandes conexões nas redes). Podemos dizer, portanto, que essa nova visão dos profissionais de comunicação como “controladores de voo” muda de forma significativa como hoje estão organizados os departamentos de comunicação e os outros departamentos da empresa. Continuando a utilizar a mesma figura de linguagem, hoje nas organizações tradicionais não existe a torre de comando e nem a figura do controlador de voo, existe sim um avião chamado Comunicação Interna que joga lá de cima notícias empacotadas (normalmente a pedido do departamento de recursos humanos) para seu público que está lá embaixo concentrado em suas tarefas e que, por vezes, nem percebe o “pacote de informações” que caiu ao seu lado. Para deixar mais caótica ainda essa visão, outros aviões entram no ar sem autorização (outras demandas de departamentos como segurança, sustentabilidade, marketing, e por aí a fora) e quando não colidem um com outro acabam jogando mais pacotes em cima de seus públicos sem nenhuma interação, efetividade e com a sobreposição de informações. Para mudar esse cenário, portanto, é preciso deslocar os profissionais da comunicação da cabine da aeronave e colocá-lo no centro nervoso, no “QG” das informações. Esses profissionais - que deixariam de ter o perfil de “comunicólogos” para ganhar um perfil mais de “analistas” - fariam parte de uma equipe responsável por mensurar, analisar, gerenciar todas as ações, interações, gerações de conteúdos e relacionamentos entre os colaboradores. Essa importante área seria responsável por “startar” todo e qualquer tipo de iniciativa, inovação e modificações que surgissem como necessidade pelos usuários. Inspirado na eficiência e excelência das métricas e mensurações dos grandes sites de e-commerce seria a possibilidade que temos de se romper definitivamente com o paradigma da comunicação interna que opera na faixa exclusiva das ações táticas (oferecendo uma comunicação passiva, frágil, ineficiente, de mão única, sem interação e sem credibilidade) para se criar um novo paradigma de um departamento de comunicação, muito mais estratégico e ciente de suas responsabilidades e importância na evolução da organização, que poderíamos nomear de “Área de Mensuração e Gerenciamento Estratégico da Comunicação Corporativa”. 64 Considerações finais O estudo aqui apresentado sugere que um novo momento se desenha para a Comunicação Corporativa e uma grande oportunidade surge para que as grandes instituições, empresas e companhias possam colocar em prática uma nova forma e um modelo ideal de fazer comunicação. Uma comunicação mais verdadeira, transparente e consciente. No momento em que essa nova comunicação, eficiente e ágil, estiver internalizada nas empresas, incutidas no ambiente de trabalho e nas atitudes diárias de todos os colaboradores, ela se tornará algo fluído como a correnteza de um grande, forte e caudaloso rio, onde muitos benefícios surgirão de forma natural, ocorrendo (ou correndo) no interior de toda organização. Esses resultados serão refletidos – como em um espelho d’água - na forma de essência, valores e identidade da corporação. A interação e relação entre os colaboradores se mostrarão como a forma mais completa e genuína de comunicação. Os esforços para a criação de uma percepção de marca, pelos meios tradicionais através das mídias de massa, para todos os stakeholders serão minimizados, haja vista que a organização contará com seu exército de guardiões e defensores da marca e do ambiente que trabalham. O novo comportamento dos colaboradores que essa nova comunicação exige permitirá que eles entendam a importância de conhecer os rumos, caminhos e estratégias da organização e, desta forma, mostrará que o seu crescimento e seu sucesso profissional dependerão do crescimento e da sustentabilidade da organização. A escolha de priorizar pessoas ao invés de produtos, máquinas e tecnologia estará estimulando a voz e a atitude de cada um de seus colaboradores em prol do sucesso da empresa e despertará neles um sentido de pertencimento – elemento básico em comunidades de rede – que criará uma nova realidade e um ambiente adequado para o exercício do diálogo e da interação interpessoal. Com essa nova filosofia de comunicação corporativa, importantes resultados poderão surgir como o fortalecimento e perenidade da organização; a ampliação de redes de relacionamento e consequentemente, “nascentes” de inovação; retenção dos melhores talentos; criação de um ambiente de trabalho amigável, humanizado, colaborativo e participativo; laços de confiança fortalecidos entre todos os níveis da organização; surgimento de diferentes e novas lideranças; espaço para uma gestão mais flexível que estimule a criatividade e a inovação e; por último, que a organização possa resgatar a credibilidade e legitimidade da sua comunicação e que, com seu novo paradigma, crie um ciclo virtuoso para promover o respeito, a interação e a colaboração, além de transformar seu capital social e intelectual em uma poderosa ferramenta de aprimoramento dos seus negócios, criando importantes diferenciais competitivos com base no conhecimento e inteligência de seus colaboradores. 65 Referências Bibliográficas BEKIN, Saul Faingaus – Endomarketing: Como praticá-lo com sucesso – São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2004 BRUM, Analisa de Medeiros – Endomarketing de A a Z: Como alinhar o pensamento das pessoas à estratégia da empresa – São Paulo, Integrare Editora, 2010 BUENO, Wilson da Costa. 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São Caetano do Sul – SP – Difusão Editora, 2009 LÉVY, Pierre – As Tecnologias da Inteligência – O futuro do pensamento na era da informática. 13ª Edição.– São Paulo: Editora 34, 2004, LIMA, Samuel de Almeida – Conhecimento para todos – Transformar o conhecimento individual em coletivo - Comunicação Interna: A força das empresas – Volume 5 – Editorial ABERJE- São Paulo – 2011 MAIA, Othon Villefort – Veículos Internos: Gestão voltada para o público Comunicação Interna: A força das empresas – Volume 5 – Editorial ABERJE- São Paulo – 2011 MARCHIORI, M. Cultura e comunicação organizacional: uma perspectiva abrangente e inovadora na proposta de inter-relacionamento organizacional. In: MARCHIORI, M. (Org.) Faces da cultura e da comunicação organizacional. 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Quais as ferramentas/sistemas/soluções digitais utilizados pela companhia? Qual a percepção e opinião dos profissionais relativas a essas ferramentas? Qual freqüência de utilização destes canais digitais pelos profissionais e pelos colaboradores da organização? Qual a percepção do entrevistado quanto o grau de preocupação/envolvimento/ investimento da alta gestão da empresa com relação a comunicação interna? Ou seja, se esses profissionais acreditam que a alta gestão entende a importância estratégica da área de Comunicação Interna. Qual a percepção do profissional sobre o que os colaboradores da empresa acham/esperam da Comunicação Interna? Qual a opinião do profissional sobre a área de TI da sua organização, o papel e a importância dessa área na comunicação interna? Como esse profissional imagina uma ferramenta de comunicação digital eficiente e moderna? 69