UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE CURSO DE PSICOLOGIA ISABEL CRISTINA NUNES A EDUCAÇÃO INCLUSIVA E O BRINCAR: O QUE PENSAM OS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO INFANTIL DA REDE MUNICIPAL DE ITAJAÍ. Itajaí, (SC) 2007. 2 ISABEL CRISTINA NUNES A EDUCAÇÃO INCLUSIVA E O BRINCAR: O QUE PENSAM OS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO INFANTIL DA REDE MUNICIPAL DE ITAJAÍ. Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel – Curso de Psicologia da Universidade do Vale do Itajaí. Orientadora: Maria Isabel do Nascimento André. Itajaí, (SC) 2007. 3 Dedicatória Dedico este trabalho aos meus Pais, Ivo Carlos Nunes e Márcia Mª Augusto Nunes (in memória), por terem me dado a vida e ensinado a ser forte corajosa e perseverante. 4 AGRADECIMENTO Agradeço a Deus por ter me iluminado nos momentos mais difíceis da minha vida e ter me dado inteligência e capacidade para poder desenvolver meu Trabalho de Conclusão de Curso. Agradeço ao meu Pai, pelo investimento, pelo amor, compreensão e por estar sempre ao meu lado. Agradeço a minha mãe que por onde quer que ela esteja, estará sempre comigo me guiando dando muita força, luz. Agradeço as minhas irmãs pelo carinho, incentivo e paciência. Agradeço a minha Orientadora Maria Isabel do Nascimento-Andre por ter me recebido sempre de braços abertos, ter compartilhado comigo todo o seu conhecimento, depositando em mim sua confiança. Agradeço a Aline, Tuane, Juliana, Marisa, Jane, Silvia, Jana, Amélia e outros por terem me dado força para a conclusão do mesmo e pelos momentos de descontração. Ao pessoal da Secretaria Municipal de Educação, meu muito obrigado. Professor Renato, obrigada pelo direcionamento estatístico. Aos professores Pedro Geraldi e Rosária da Silva por fazerem parte integrante da minha banca. Agradeço a todos que, de maneira direta ou indiretamente, me ajudaram na realização desta pesquisa. 5 SUMÁRIO RESUMO ............................................................................................................ 06 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................ 07 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ...................................................................... 10 2.1Educação Infantil ......................................................................................... 10 2.2.1 Educação infantil no município de Itajaí ............................................... 12 2.2 Educação Inclusiva .................................................................................... 14 2.2.1 Educação de Crianças com Deficiência ................................................ 17 2.3 Brincar ......................................................................................................... 18 2.3.1 Uso do Brincar como Processo Educativo............................................ 21 3. ASPECTOS METODOLÓGICOS ................................................................... 23 4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS .............................. 27 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................ 45 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................... 47 7. APÊNDICE ..................................................................................................... 49 6 A EDUCAÇÃO INCLUSIVA E O BRINCAR: O QUE PENSAM OS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO INFANTIL DA REDE MUNICIPAL DE ITAJAÍ. Acadêmica: Isabel Cristina Nunes Orientadora: Maria Isabel do Nascimento André, MSc Defesa: 22 de junho de 2007. Resumo: O presente trabalho relata os resultados de uma pesquisa cientifica com professores de Educação Infantil da Rede Municipal de ensino de Itajaí. Tal pesquisa objetivou o conhecimento acerca da concepção de professores de educação infantil sobre a brincadeira, a criatividade, inclusão e a educação infantil. Utilizou-se como instrumento investigativo um questionário elaborado por Maria Isabel do Nascimento-André juntamente com a acadêmica Isabel Cristina Nunes. Participaram desse trabalho 87 professoras da rede Municipal de Ensino, que representam 30,6% da população total (284 professoras), sendo essa uma amostra de conveniência, tendo em vista que trabalhamos com o total de questionários devolvidos. Constatou-se que a maioria da população investigada possui formação em educação infantil e cursos de pós-graduação buscando aprimorar seus conhecimentos, pode-se constatar neste trabalho que os professores investigados quando solicitados para o preenchimento do questionário ficaram em dúvidas quanto suas concepções e suas práticas de ensino, e que os mesmos não possuem uma única perspectiva, ou seja, oscilam entre a perspectiva tradicional e a perspectiva integradora. Palavras-chaves: educação infantil, educação inclusiva, brincar. Área de conhecimento: 7.07.08.05-3 – Ensino e Aprendizagem em Sala de Aula. Composição da Banca de Avaliação: Prof. Dr. Pedro Antônio Geraldi Profª. Rosária Mª Fernandes da Silva, MSc Profª Maria Isabel do Nascimento André,MSc 7 1. INTRODUÇÃO A sociedade brasileira, bem como as demais sociedades, é constituída de adultos, jovens, crianças, idosos, homens e mulheres, que vivem conforme suas crenças, valores e ideologia social. Existe dentro dessa sociedade um pequeno grupo de pessoas que por razão de alguma deficiência, inata ou adquirida, passa a ser excluído, vivendo à margem da sociedade. Estudar esse grupo de pessoas, ou seja, a pessoa com deficiência, saber como está sendo a sua participação na sociedade tem sido objetivo de muitos pesquisadores. Pode-se afirmar que a inclusão é uma das formas de podermos humanizar a sociedade. Neste sentido, esclarece a visão estereotipada de que a pessoa somente será capaz se possuir característica mental e física adequada a um padrão estabelecido pela sociedade, sendo assim consideradas pessoas “normais”. Perante tanta violência, corrupção e demais absurdos o que pode ser considerado uma pessoa “normal” para a sociedade? Cabe dizer que é possível à pessoa com deficiência estar inserida na sociedade como um membro ativo deste grupo. Atualmente os movimentos que lutam por uma sociedade mais justa mostram como poderia ser uma sociedade inclusiva, ressaltando que todas as pessoas podem e devem estar incluídas neste padrão social. Esses movimentos buscam exemplos dentro e fora do país, pois a inclusão já ocorre em diversos países e inclusive no Brasil. Esses exemplos afirmam que é possível estabelecer a inclusão de pessoa com deficiência em qualquer espaço social. A educação é considerada como o ponto de partida ao desenvolvimento das pessoas, tanto às consideradas “normais”, como às com necessidade educacional especial. A caminhada para a construção da identidade pessoal 8 inicia com a educação, respeitando as diversidades culturais, éticas, hábitos, costumes, suas competências e particularidades. A educação especial proporciona ao educador formas mais aprofundadas e didáticas de trabalhar, levando em consideração a necessidade educacional de cada pessoa. Esses trabalhos podem ser desenvolvidos com brinquedos, jogos e materiais pedagógicos. A proposta da utilização do brinquedo está sendo cada vez mais focada na educação, principalmente quando nos referimos à Educação Infantil. Muitos professores já estão utilizando o brincar em seus planejamentos, como técnicas de ensino. Apesar disso, infelizmente o valor da brincadeira tornou-se um pouco esquecido no cotidiano das crianças. Com o avanço da tecnologia e o corre-corre do dia a dia, cada vez mais as crianças encontram refúgios na televisão, videogame, computador, sem falar nas várias atividades extracurriculares que os pais procuram ocupar a criança durante o período em que a mesma não está na escola. Atualmente podemos perceber que há uma grande perspectiva de mudança no âmbito educativo, principalmente quando nos referimos à Educação Infantil. Antigamente os centros educativos focavam suas propostas principalmente no adulto – professor, onde a formação das crianças acontecia a partir do direcionamento dado por ele no decorrer das atividades. Hoje em dia podemos perceber que muitos profissionais se apropriam de outros recursos proporcionando uma nova proposta pedagógica, possibilitando que as crianças possam trazer suas práticas cotidianas, culturas, para dentro das salas de aula. O trabalhar diretamente com crianças pequenas exige que o professor lide com conteúdos de naturezas diversas, que possam abranger desde os cuidados básicos até os caminhos específicos provenientes das diversas áreas do conhecimento. Para isto o professor deve ter uma formação ampla, sendo essencial e constante o aperfeiçoamento e reflexão sobre sua prática. Hoje em dia é possível observar, através da mídia, que os professores que lidam com crianças estão buscando obter novos conhecimentos e estratégias. O brincar já 9 está sendo utilizado nesses novos conhecimentos, “novos fazeres”, isto é, através do brincar as crianças conseguem adquirir limites, construir normas, valores individuais, favorecendo assim a construção dos processos que engloba todo aspecto biopsicossocial do ser humano. Esse trabalho, portanto, visa traçar o perfil do professor da Rede Municipal de Educação Infantil do município de Itajaí (SC) considerando suas idéias quanto aos conceitos atuais sobre inclusão, brincar, criatividade e educação infantil através da percepção desses professores sobre o possível uso do brincar como procedimento educativo bem como da possibilidade de utilização desse brincar como forma de propiciar a interação entre crianças, promovendo assim o processo inclusivo de crianças com deficiências no ensino regular. Outro ponto que buscamos identificar foi o conhecimento dos professores sobre a adaptação curricular para promoção do processo de inclusão. Esperamos que os resultados desta pesquisa, que apontam a fragilidade de algumas práticas nos centros de educação infantil do município, contribuam para proporcionar aos gestores e aos professores um ponto de reflexão sobre a necessidade de se implantar propostas que facilitem o processo de inclusão de crianças com deficiência nesta etapa educativa. Promover a inclusão a partir do brincar é propiciar à sociedade o respeito à individualidade e à diversidade. 10 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1. Educação Infantil A educação infantil, é a primeira etapa da educação básica, sendo oferecida em creches ou entidades equivalentes para crianças de até 3 anos de idade, e pré-escolas para crianças de 4 a 6 anos, tendo como finalidade a garantia do desenvolvimento integral das crianças em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social (SILVA e SOUZA, 1997). No Brasil a educação infantil é baseada no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (BRASIL, 1998), o qual pretende apontar metas de qualidades que contribuam para o desenvolvimento integral da criança. É considerado como um guia de reflexão de cunho educacional objetivando conteúdos e orientações didáticas para os profissionais que atuam diretamente com crianças de zero a seis anos. A trajetória da Educação Infantil no Brasil e no Mundo tem ocorrido de forma crescente nas últimas décadas, acompanhando a intensidade da urbanização, a participação da mulher do mercado de trabalho, e as mudanças nas organizações e nas estruturas familiares. Por outro lado a sociedade está mais consciente da importância das experiências na primeira infância (BRASIL, 1998). Segundo Figueiredo (s/d) a Educação Infantil no Brasil é dividida em duas classes: “A Educação Infantil dos Ricos” e a “Educação Infantil dos Pobres”. A classe mais favorecida, considerada como a dos ricos, utiliza a Educação Infantil para garantir a melhor educação possível a seus filhos preparando-os para o futuro, desenvolvendo as habilidades motoras, as habilidades cognitivas, treinando a coordenação motora, ensinando hábitos e boas maneiras. Os pais pagam caro para que seus filhos possam freqüentar as instituições, que por sua vez se esforçam o máximo para atender as vontades e expectativas da família. Por outro lado vemos uma Educação Infantil com classes superlotadas, poucos adultos para atender a um grande número de crianças, 11 espaço físico inadequado e improvisado, impossibilitando muitas vezes a movimentação livre das crianças. Essa é considerada a “Educação Infantil dos Pobres”. À função da escola maternal não é ser um substituto para uma mãe ausente, mas suplementar e ampliar o papel que, nos primeiros anos da criança, só a mãe desempenha. Uma escola maternal, ou jardim de infância será possivelmente considera, de modo mais correto, uma ampliação da família para cima, em vez de uma extensão para baixo da escola primária (WINNICOTT, 1982 apud FIGUEIREDO, s/d). Winnicott (1982, apud FIGUEIREDO, s/d), coloca que a Educação Infantil seria melhor compreendida como uma “ampliação para cima da família”, pretendendo apontar para o fato de que, ao entrar na escola, a criança amplie sua vida afetiva, relacionando-se com os educadores e com outras crianças, de diversas idades, com valores culturais e familiares diferentes dos seus. A Educação Infantil não se restringe ao aspecto social e afetivo, embora eles sejam de fundamental importância para a garantia as demais aprendizagens. A educação é uma temática que tem sido tratada pelos mais diferentes objetivos e sob vários ângulos e critérios. Os profissionais da Educação Infantil são considerados um elo da corrente educativa, um facilitador e mediador da aprendizagem principalmente na educação infantil. O profissional de Educação Infantil - o professor, passa por uma grande desvalorização profissional, considerando-se que, durante muito tempo estes educadores não precisavam de uma sólida formação teórico-prática, bastava que soubessem cuidar adequadamente do bem estar físico das crianças, evitando sujeiras, doenças ou bagunças (FIGUEIREDO, s/d). Como forma de buscar a valorização do professor de educação infantil se busca promover cursos de formação quer sejam os de formação inicial quer sejam os de formação continuada. De acordo com o Referencial para Formação de Professores (BRASIL, 1999 p, 7), o objetivo principal desses cursos é a sua profissionalização por meio do desenvolvimento de suas competências, de modo a permitir que no cumprimento de suas funções estejam computados as dimensões técnicas, sociais, políticas, que são igualmente importantes e imprescindíveis ao desenvolvimento do nosso país. 12 Com a reformulação da Lei de Diretrizes e Bases Nacionais para a Educação – Lei nº. 9,394/96 coloca-se que o aprendizado infantil passou a ser considerado como a primeira etapa da educação básica, tendo como finalidade o desenvolvimento integral da criança em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social completando a ação da família e da comunidade (artigo 29). No artigo 30 a lei enfatiza que a educação infantil será oferecida em creches ou entidades equivalentes para crianças até três anos de idade e em pré-escolas para crianças de quatro a seis anos de idade (SILVA e SOUZA, 1997). Portanto, faz-se necessária uma prática educativa que propicie à criança o desenvolvimento de capacidades sendo elas física, afetiva, cognitiva, ética, de relacionamento interpessoal e inserção social, considerando diferentes habilidades, interesses e maneiras de aprender. Assim, os objetivos deverão explicitar as intenções educativas, bem como as capacidades que as crianças poderão desenvolver. De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (BRASIL, 1998) esta etapa educativa tem como principais objetivos, desenvolver uma imagem positiva da criança, fazendo com que a criança atue de forma cada vez mais independente, descobrindo e conhecendo progressivamente seu próprio corpo; desenvolver suas potencialidades bem como os seus limites, valorizar hábitos de cuidado com a própria saúde e seu bem-estar, estabelecer vínculos afetivos, favorecendo a auto-estima da criança e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e interação social, brincar, expressando emoções, sentimentos, pensamentos, desejos e necessidades. 2.1.1 Educação Infantil no Município de Itajaí. De acordo com as Diretrizes Curriculares para a Rede Municipal de Educação Infantil de Itajaí (ITAJAÍ, 1994), a educação infantil adota uma concepção integrada na criança, preocupando-se com seu desenvolvimento social, psicológico e histórico, defendendo a formação de cidadãos críticos, através de uma educação democrática e transformadora. 13 A educação infantil do município de Itajaí está baseada no construtivismo, preocupando-se com a construção do conhecimento das crianças, com sua interação com as pessoas e com o meio. Segundo o Referencial Curricular “educar” significa, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada para que possam contribuir para o desenvolvimento e capacidade das crianças. A educação infantil tem como objetivo desenvolver uma imagem positiva da criança, fazendo com que a criança atue de forma cada vez mais independente, descobrindo e conhecendo progressivamente seu próprio corpo; desenvolver suas potencialidades bem como os seus limites, valorizar hábitos de cuidado com a própria saúde e seu bem-estar, estabelecer vínculos afetivos, favorecendo a auto-estima da criança e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e interação social, brincar, expressando emoções, sentimentos, pensamentos, desejos e necessidades. Ao educador que trabalha com crianças nessa faixa etária cabe então se perceber como um “facilitador” do desenvolvimento dessas capacidades e habilidades, de tal modo que estes objetivos orientem não somente o seu planejamento, mas, sobretudo a postura cotidiana na interação com as crianças. De acordo com o MEC, o trabalho educativo com crianças deve ser organizado de forma a englobar sistematicamente os cuidados, as brincadeiras e as situações de aprendizagem orientada: ORGANIZAÇÃO DO TEMPO DE TRABALHO EDUCATIVO COM CRIANÇA CUIDAR BRINCAR SITUAÇÕES ORIENTADAS Cuidar – O cuidar e ensinar forma um conjunto inseparável na prática da educação infantil, pois nas creches e pré-escolas cuidar da preservação da vida e propiciar o desenvolvimento da capacidade humana são objetivos que não se separam, sendo ambos necessários para o pleno desenvolvimento biológico, emocional e intelectual da criança. 14 O tempo dedicado ao cuidar é distribuído em atividades como: educação do corpo (hora do banho, higiene oral, repouso, brincadeiras ao ar livre), troca de fraldas e cuidados com as eliminações, construção de hábitos de alimentação saudável. Brincar – O brincar é a principal atividade da criança pequena, a educação infantil reconhece e valoriza importância do tempo em as crianças brincam, através do brincar a criança interage com outras pessoas, expressa e comunica-se com seu mundo interno, elabora e realiza construções mentais. Por meio da brincadeira que a criança amadurece a vida coletiva, desenvolvendo competências para a interação, utilizando e experimentando as regras e papeis sociais. Segundo o Referencial Curricular (BRASIL, 1998), durante o tempo dedicado à brincadeira é importante que as crianças tenham uma certa independência, competindo ao educador principalmente observar, reservando suas intervenções apenas quando solicitado ou em situações onde se faz necessário. Situações Orientadas e Aprendizagem – O trabalho do professor da educação infantil leva-o a organizar situações orientadas de aprendizagem que dependem diretamente de sua intervenção, de forma a possibilitar às crianças novas experiências e contatos com conhecimentos diversos. 2.2. Educação Inclusiva A inclusão no sistema educacional exige uma transformação na escola, pois defende a inserção no ensino de alunos com qualquer déficit e necessidade. A nova proposta de educação, que passa a ser inclusiva, surgiu com a Conferência Mundial sobre Educação para Todos (em 1990), realizada em Jomtiem, na Tailândia. Sua meta é de garantir a democratização da educação independente das particularidades dos alunos. Isso foi reforçado, posteriormente, pela Declaração de Salamanca (em 1994), que ressaltou a necessidade de se 15 dar às crianças e aos adolescentes, sobretudo aos que têm necessidades educativas especiais, as condições para que sejam matriculadas na escola comum, rompendo a prática da segregação social e da distinção entre os desiguais. É um novo movimento pedagógico, com característica democrática e pluralista, que pretende garantir não somente o acesso, mas também a permanência de cada aluno nos níveis estruturais dos sistemas educacionais e o respeito por sua identidade social (OSÓRIO, 1999). A Declaração de Salamanca (1994, apud CARDOSO, 2003) dentre seus vários princípios e artigos coloca que o princípio fundamental da escola inclusiva é o de que todas as crianças devem aprender juntas, sempre que possível, independentemente de quaisquer dificuldades por diferenças que elas possam ter. Afirma ainda que a Escola inclusiva deva reconhecer e responder“ às necessidades diversas de seus alunos, acomodando ambos os estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade a todos através de um currículo apropriado, arranjos organizacionais, estratégias de ensino e parceria com as comunidades. Conforme Barbosa (s/d), a partir deste princípio não podemos mais conceber uma educação escolar que privilegie apenas as pessoas que seguem os padrões de aprendizagem estipulados pela sociedade como “normais”. A partir daí devem ocorrer algumas modificações ou adaptações, mudanças nos níveis administrativos, incluindo a estrutura do setor central de educação, a organização de cada escola e didática da sala de aula. O reconhecimento da necessidade para efetuar tais mudanças é colocado pelo trabalho do Council of Administratos of Special Education (CASE), (apud RIBEIRO, 2001), segundo este trabalho é importante que haja uma preparação a todos os educadores, uma estrutura de currículo unificada como meio de dirigir o diálogo sobre o planejamento e a organização do ensino, que ocorra uma mudança na visão e missão da instituição visando unificar e incluir todos, obter uma tecnologia apropriada à pessoa bem como oferecer suporte aos mesmos em fim realizar subsídios para que ocorra o aprendizado e desenvolvimento. 16 Para que algumas dessas sugestões sejam implantadas em uma escola um programa específico deve dar suporte possibilitando que elas ocorram. Podese dizer que lentamente uma conscientização vem sendo criada gerando com isso mudanças que visam maior qualidade dentro do ensino brasileiro. Paralelo a essas mudanças no ensino, busca-se também incluir a pessoa com deficiência. Com a qualidade no ensino e ao mesmo tempo a inclusão da pessoa com deficiência, a escola torna-se um ambiente desafiador, pois o ensino não se estende apenas aos alunos com deficiência, ele ocorre em um ambiente comum para todos. A partir das relações que ocorrem no ambiente escolar, inicia-se o processo de preparar alunos, professores e demais funcionários para tornaremse aptos a incluir. Portanto, a escola deve ensinar e dar exemplo de que, apesar das diferenças, todos têm direitos iguais, principalmente o direito de ensino e participação na escola. A partir disto poder-se-ia dizer que o valor de uma escola para todos é sem dúvida incalculável. A partir do momento que todos são aceitos como iguais dentro de um mesmo contexto, cada um garante seu direito de cidadão e passa a contribuir para uma consciência coletiva, que não somente privilegia o diferente, mas o respeita como ser humano, valoriza suas idéias, torna-se o responsável pelos seus atos e lhe possibilita condições de desenvolvimento. Um desenvolvimento que lhe garante possibilidades de alcançar objetivos como uma carreira profissional, um emprego condizente com sua capacidade e possível independência financeira. Segundo Werneck (2000) educar é um processo interativo e dinâmico tanto a criança sem deficiência quanto a criança com deficiência participarão deste processo segundo suas capacidades e potencialidades, as quais deverão ser estimuladas na mesma medida, proporcionando à criança os desenvolvimentos adequados em qualquer ambiente, o qual não será mais de educação “especial” ou educação “regular”, será um ambiente que venha a atender todas as necessidades da criança. Cabe à escola, portanto, o papel de estimular, de possibilitar a apreensão dos conteúdos de uma forma criativa ao mesmo tempo em que explora todos os aspectos do desenvolvimento infantil. 17 Portanto, muitas propostas são lançadas, porém, o caminho para torná-las reais é difícil. Tornar um ambiente inclusivo é um processo que deve ser construído, avaliado e reavaliado a cada instante. Porque ele não acontece de um dia para o outro, é fruto de uma grande reflexão, de questionamentos e do compromisso individual de cada cidadão. 2.2.1 Educação de Crianças com deficiência A educação de crianças com deficiência vem obtendo um grande reconhecimento nos últimos anos. O número de pessoas com deficiência é significativo na população brasileira e por isso requer atenção especial por parte daqueles que estruturam os parâmetros para educação sendo ela infantil ou adulta. No campo da educação muito se comenta sobre a diversidade existente no país. Esta diversidade refere-se às diversidades culturais, os hábitos, os costumes e também abre espaço para referir-se sobre as competências e particularidades de cada um, juntamente com os valores éticos, o respeito ao outro, a igualdade e solidariedade. A educação para “todos” deve ser um ato solidário, um caminho para a construção de uma nova cidadania, exercendo seus direitos e deveres, deixando para trás a marginalização e a discriminação para com as pessoas com diferenças individuais. A Educação Infantil é considerada como ponto de partida da educação formal, tendo início a inclusão de crianças com deficiência, que têm o seu direito assegurado no Estatuto da Criança e do Adolescente, artigo 54, que afirma: “É dever do estado assegurar à criança e ao adolescente (...) atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência” (BRASIL, 1990), tendo como iniciativa incluir todos em um mesmo ambiente, favorecendo a formação de vínculos, a possibilidade de tratar suas dificuldades em um novo ambiente, e por outro lado proporcionando à criança sem deficiência uma formação de valores mais esclarecidos quanto às diferenças existentes na sociedade. 18 “A educação e os cuidados recebidos durante a infância possuem efeitos duradouros no desenvolvimento físico, motor, cognitivo, moral e social da criança, sendo natural, portanto que esta etapa afete a capacidade intelectual, personalidade e o comportamento social na vida adulta” (BHERING, OUDENHOVEN, WAZIR, 2000, p. 11). Portanto nada melhor que no período de desenvolvimento da criança, ela venha a ter contatos com os mais diferentes grupos sociais, incorporando à sua personalidade valores e comportamentos sociais não havendo discriminação, mas, respeito e valorização a todos. Pode-se afirmar então que a inclusão humaniza a sociedade, a educação especial, proporciona ao educador formas mais aprofundadas e didáticas de trabalhar, levando em consideração a necessidade educacional de cada pessoa. O profissional que lida diretamente com crianças vem obtendo novos fazeres, sendo o brincar um deles, através do brincar as crianças conseguem adquirir limites, construir normas, valores individuais, favorecendo assim a construção dos processos que engloba todo o aspecto biopsicossocial do ser humano. 2.3. Brincar A relevância do brincar vem de longa data. Filósofos como Platão, Aristóteles, Rosseau destacam o papel do brincar na educação. Frobel, o criador do jardim de infância, adaptou o currículo da educação infantil; o brincar passou a ser utilizado nas escolas manipulando conceitos e desenvolvendo habilidades. Jogos, músicas, arte e atividades externas passaram a integrar os programas diários das crianças. Atualmente, têm-se dado grande atenção ao papel da brincadeira na constituição das representações mentais e seus efeitos no desenvolvimento da criança, especialmente na faixa etária de 0 a 6 anos de idade (WASJSKOP, 2001). 19 Segundo Vigotsky (apud WAJSKOP, 2001), através do brincar a criança começa a perceber o objeto não da maneira como ele é, mas como desejaria que fosse. Na aprendizagem formal isso não é possível, mas a partir do brincar a criança atribui novos significados aos objetos. Dessa forma, o brincar tem grande importância no desenvolvimento, pois cria novas relações entre as situações do pensamento e as situações reais. O brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia da criança. Através das brincadeiras as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes para o seu desenvolver, como a atenção, a imitação, a memória, a imaginação, assim como favorecer as capacidades de socialização por meio da interação e da utilização e experimentação de regras e papéis sociais. De acordo com Brasil (2001), para que ocorra o brincar é preciso apropriar-se de elementos da realidade imediata de tal forma a atribuir-lhes novos significados. Essa peculariedade da brincadeira ocorre por meio da articulação entre a imaginação e imitação da realidade. Toda brincadeira é uma imitação transformada, no plano das emoções e das idéias, de uma realidade anteriormente vivenciada. A partir desta colocação pode-se afirmar que a brincadeira proporciona à criança a possibilidade de criar e recriar situações por ela conhecida e de se apropriar da realidade através da imaginação e da fantasia. O brincar proporciona a observação das experiências prévias das crianças e aquilo que os objetos manipulados sugerem ou provocam no momento presente, pela repetição daquilo que já conhecem, utilizando a memória, atualizando os conhecimentos prévios, ampliando-os e transformando-os por meio da criação de uma situação imaginária nova, ou seja, a criança repete situações já vivenciadas ou conhecidas. De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (BRASIL, 2001), através das brincadeiras as crianças vivenciam concretamente a elaboração e negociação de regras de convivência, assim como a elaboração de um sistema de representação dos diversos sentimentos, das emoções e das 20 construções humanas. Isso ocorre porque a motivação é sempre individual e depende dos recursos emocionais de cada criança. Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (BRASIL, 2001), no ato de brincar os objetos, sinais, gestos e espaços assumem outros significados, até mesmo a criança assume o papel daquilo que deseja fazer favorecendo assim sua auto-estima, estimulando a interiorização de determinados modelos do adulto, incorporando-as à sua personalidade. Nas brincadeiras as crianças transformam os conhecimentos que já possuem anteriormente em conceitos gerais com os quais brincam. Para assumir um determinado papel numa brincadeira, a criança deve conhecer algumas de suas características. Seus conhecimentos provêm da imitação de alguém ou algo conhecido, de uma experiência vivida na família ou em outros ambientes, etc. (BRASIL, 2001). Para a criança a brincadeira tem como função estimular seus pensamentos para a resolução de problemas que lhe são importantes e significativos, também lhe oferece condições de adquirir limites, de socializar-se, de construir normas, regras e constituir valores individuais. Para explorar ainda mais o potencial da criança e propiciar seu desenvolvimento Abramowicz e Wajskop (1995) colocam que no espaço institucional as crianças podem brincar por meio da modificação e entonação das palavras, timbre de voz, proporcionando a mudança e uso convencional de objetos, brinquedos, na modificação de personagens, alterações de identidade, fazendo uso de fantasia, objetos simbólicos e do próprio espaço. Para a criança a brincadeira ocorre de maneira natural, ela não tem consciência de que naquele momento, seu desenvolvimento está sendo desencadeado, “vivenciando concretamente a elaboração e negociação de regras e convivências, assim como a elaboração de um sistema de representação dos diversos sentimentos, das emoções e das construções humanas” (BRASIL, 2001). A brincadeira mesmo que natural, não deve acontecer somente para preencher um espaço na rotina diária da criança, deve conter objetivos que levam 21 a criança a elaborar de forma independente suas emoções, sentimentos, conhecimentos, regras sociais. 2.3.1 Uso do Brincar como Processo Educativo O ambiente na dimensão escolar é como um todo indissociável de objetos, formas, cores, sons e pessoas, que habitam e se relacionam dentro de uma estrutura física determinada que contém tudo e que ao mesmo tempo, é contido por elementos que passam a ter “vidas”. O ambiente no âmbito educacional é tido como algo que “fala”, transmite sensações, evoca recordações, passa segurança e inquietação, deixando sempre uma estrutura diferente (FORNEIRO, 1998 apud HORN, 2004). Hoje em dia fala-se de uma prática pedagógica que aposta na capacidade das crianças de realizarem atividades diversificadas dentro de uma perspectiva que descentra da figura dos educadores. A maior parte das ações desempenhadas pelas crianças redimensiona o papel dos professores. À medida que os profissionais são subsidiados por uma coordenação pedagógica que propõe estudos diversificados em leitura de textos, assistência e discussão de vídeos, análise de situações cotidianamente vivenciadas por educadores(as) e seus alunos(as), diálogos e socialização de diferentes práticas, o olhar para seus alunos vai sendo “permeado” por um referencial teórico que lhe permite observarem, prestarem atenção nas brincadeiras das crianças e ao mesmo tempo, refletirem sobre suas práticas (HORN, 2004, p.29). A partir das modificações que ocorrem no ambiente, dar-se-á uma maior flexibilidade na rotina diária, na ampliação do uso do espaço que extrapolam os limites da sala de aula. É importante ressaltar que não basta que os professores modifiquem o ambiente, com cantos temáticos, jogos, brincadeiras, materiais a disposição, mas, que o professor tenha consciência do desafio que é imposto às crianças. Muitos educadores da rede infantil passam a estruturar suas salas de aulas a partir dos ambientes, atribuindo diferentes temáticas, porém permanecem a desempenhar uma didática altamente centrada no educador. 22 É preciso que o educador adote cuidados de optar por diferentes estratégias de ensino, quando são propostas aos alunos atividades que utilizem objetos. É importante que antes de direcionar a atividade, as crianças entrem em contato com o material, pois podem ter sentido duplo à criança, um símbolo social e um individual; as crianças atribuem aos símbolos origens da família, a partir do momento de familiaridade com o objeto a criança passa por um processo de construção dos símbolos por si própria, muitas vezes atribuindo os símbolos aos conceitos familiares. O brincar embasa o processo ensino/aprendizagem favorecendo a construção da reflexão, da autonomia e da criatividade. Para a criança, a brincadeira tem uma importância fundamental na construção da sua inteligência e de seu equilíbrio emocional, contribuindo para a sua afirmação pessoal e integração social (WASJSKOP, 2001). O brincar proporciona desenvolver a capacidade lúdica, a interligação entre o real e o imaginário, a construção e interligação dos conceitos na aquisição do conhecimento, facilitando a ação e reflexão após o brincar. A criança, nas brincadeiras, utiliza muitas vezes o seu corpo como recurso para aprender, proporcionando assim, a vivência e elaboração de diferentes papéis. A brincadeira é uma situação privilegiada na aprendizagem infantil onde o desenvolvimento pode alcançar níveis mais complexos, exatamente pela possibilidade de interação entre os pares em situação imaginária e pela negociação de regras de convivência e de conteúdos temáticos (WASJSKOP, 2001). 23 5. ASPECTOS METODOLÓGICOS 5.1 Participantes da Pesquisa A pesquisa tem como finalidade traçar o perfil do professor de Educação Infantil da Rede Municipal de Ensino de Itajaí (SC), considerando suas idéias quanto aos conceitos atuais sobre inclusão, brincar, educação e criatividade. A amostra desta pesquisa foi composta 87 professores de educação infantil da Rede Municipal de Ensino de Itajaí, que corresponde a 30,6% da população total, tendo em vista que a Rede Municipal de Ensino é composta por 284 professoras. Considerando-se que foram enviados questionários a todas as professoras e que elas tiveram liberdade de devolução, nossa amostra tornou-se uma “amostra de conveniência”. Com isso pretendeu-se coletar dados suficientes para traçar o perfil dos professores sobre os temas acima citados. Decidiu-se por trabalhar com os professores de educação infantil para analisar como os mesmos concebem a inclusão, a brincadeira e a criatividade em suas aulas e a forma como consideram suas concepções no momento em que as planejam. 5.2 Instrumento Os dados desta pesquisa foram levantados por meio de um questionário específico (ANEXO 1), cujo objetivo foi conhecer, através de opiniões pessoais, as idéias do professorado de educação infantil sobre essa etapa educativa, envolvendo os temas: inclusão, brincar, criatividade e educação infantil. O referido questionário foi elaborado pela acadêmica juntamente com sua orientadora Maria Isabel do Nascimento-André. O questionário (ANEXO 1) estruturou-se em duas perspectivas distintas, um enfocando concepções tradicionais e a outra, concepções integradoras, sendo que cada perspectiva abordava as categorias de inclusão, educação, brincar e criatividade. O instrumento tem por finalidade explorar o que pensam os 24 professores sobre distintos conteúdos, relacionados com educação infantil e inclusão, envolvendo suas concepções acerca do processo educativo bem como o brincar e a criatividade. Inicialmente o questionário consta de dados pessoais, não sendo obrigatório o seu preenchimento, cabe ao professor a decisão de informar nome, data de nascimento, sexo, ano de conclusão da última titulação, experiência como profissional na Educação Infantil, o nível que ministra as aulas e a Instituição que trabalha, bem como a localidade da mesma. Este instrumento, tendo como base em Nascimento-André (2001), conta com 33 perguntas, enfocando as perspectivas tradicionais e a integradora, onde aborda as categorias de educação, inclusão, brincar e desenvolvimento. Perspectiva tradicional - Segundo Nascimento-André (2001) serão considerados os conceitos sobre a ênfase que está relacionada à transmissão de conhecimentos, ou seja: o fundamental é a aquisição de novos comportamentos por parte dos alunos através do que transmite o professor e, também as características inatas do indivíduo. Categoria Inclusão - está representada por afirmações relacionadas à transmissão de conteúdos, atividades determinadas, leis e concepções sobre a deficiência. Categoria Educação Infantil - está representada por afirmações relacionadas à transmissão de conteúdos, utilização de tarefas programadas, o controle absoluto por parte dos professores e a utilização de reforços ou recompensas como forma de obter os comportamentos desejados. O professor é considerado como único agente transmissor do conhecimento e o que detém o saber. Categoria Brincar - está representada por afirmações que consideram o jogo como reforço – positivo ou negativo – e como instrumento dos professores para a transmissão de novos conhecimentos, sempre e quando este tenha o domínio total da situação. 25 Categoria Criatividade - aparece através de afirmações que consideram a criatividade como uma característica inata, apresentada somente por algumas pessoas em situações especificas, independendo da interação com o ambiente. Perspectiva integradora - Segundo Nascimento-André (2001) são considerados os conceitos onde estão enfatizadas as interações do indivíduo com o meio, o que propícia o desenvolvimento e a construção do conhecimento. Categoria Inclusão - está representada por afirmações relacionadas à princípios inclusivos, recursos que proporcionam a interação da criança com deficiência ao ambiente, favorecendo dentro de suas potencialidades e limite o seu desenvolvimento global. Categoria Educação Infantil - está representada por afirmações relacionadas com a interação indivíduo-ambiente bem como as que consideram a importância do desenvolvimento global – cognitivo, afetivo, social – no processo de educação infantil. A função dos professores é propiciar novas possibilidades e desafios participando, junto com os alunos, na construção do conhecimento. Categoria Brincar - está representada por afirmações que consideram o jogo como uma das formas do indivíduo construir o conhecimento através da interação com o ambiente considerando suas característica emocionais e afetivas. Categoria Criatividade - está relacionada por afirmações que consideram a criatividade como uma atitude que pode e deve ser desenvolvida através da interação com o meio. Importante ressaltar que para todas as afirmações apresentadas no questionário o professor deveria pontuar inicialmente seu grau de concordância com a mesma para, em seguida, pontuar o quanto a considera no momento em que está planejando suas aulas. Ou seja, buscou-se assim além de conhecer o pensamento do professor, também saber como utiliza esse conhecimento no momento de planejar. 26 5.3 Procedimento para Coleta de Dados A distribuição dos questionários foi através da Secretaria Municipal de Educação sendo estipulado um tempo limite para a devolução dos mesmos. Os questionários foram enviados dentro de envelopes já postados com o prazo para a devolutiva dos mesmos. Esta forma de distribuição (via Secretaria Municipal de Educação) foi a mais conveniente para que se preservasse a identidade das escolas bem como dos professores pesquisados. Os questionários foram avaliados conforme o perfil e modo de pensar dos professores. 5.4 Procedimento para Análise dos dados Os dados foram analisados quantitativamente através do programa Excel do Windows. Este programa executa funções especificas para a análise sistemática dos dados. Trabalhou-se com essa metodologia, pois responde positivamente aos objetivos desta pesquisa, que é de traçar o perfil do professor e a forma como utilizam suas concepções no instante da elaboração do planejamento de aula. A pesquisa quantitativa possibilita à oportunidade de se pensar a problemática pesquisada de forma abrangente e quantificada. Além da utilização do programa Excel, analisou-se os dados em agrupamento, ou seja, foram selecionadas questões referentes a cada tema em quatro categorias distintas (inclusão, educação, brincar e criatividade) dentro de duas perspectivas diferentes: tradicional e integradora. 27 4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Buscando compreender o perfil do pensar do professor frente à sua prática educativa considera-se importante iniciar a análise através dos dados dos profissionais de acordo com a idade, titulação, a situação profissional, seu tempo de experiência como docente na educação infantil e o nível em que ministra suas aulas. Os resultados descritos abaixo foram gerados a partir das informações prestadas pela população alvo quando solicitados seus dados pessoais. Abaixo, pode-se analisar a descrição do intervalo de idade da população pesquisada. Tabela 01 –Idade Intervalo de Idade De 21 a 25 anos De 26 a 30 anos De 31 a 35 anos De 36 a 40 anos De 41 a 45 anos Mais de 46 anos Não Informado Total Freqüência 3 21 5 18 6 6 28 87 % 3% 24% 6% 21% 7% 7% 32% 100% Quanto aos dados referentes à idade (tabela 1) podemos afirmar que quadro de professores pesquisados encontra-se com um intervalo de idade bastante variado, obtendo maior ênfase entre 26 a 30 anos, 24%. É importante salientar que 32% não informaram a idade. Tabela 02 – Titulação Titulação Ensino Superior Ensino Médio Não informado Total Freqüência 70 15 2 87 % 81% 17% 2% 100% 28 Quanto à titulação (tabela 2), os dados demonstram que o grande número dos professores pesquisado possui curso superior completo. É importante ressaltar que 81% dos professores pesquisados fazem ou já fizeram algum tipo de especialização, apenas 17% professores não possuem ensino superior. Este é um fator relevante, pois apresentam dados que remetem a pensar que os professores buscam formas para estarem renovando seus conhecimentos. Tabela 03 – Situação Profissional Situação Profissional Efetivo Contratado Não informado Total Freqüência 56 30 1 87 % 65% 34% 1% 100% No que se refere à situação profissional dos sujeitos pesquisados, pode-se perceber que a maioria dos professores 65% é efetiva, ou seja, trabalham regularmente em Centros de Educação Infantil do Município de Itajaí. Tabela 04 – Tempo de Atuação na Educação Infantil Tempo de Atuação Menos de 1 anos De 1 a 5 anos De 6 a 10 anos De 11 a 15 anos De 16 a 20 anos Mais de 20 anos Não Informado Total Freqüência 2 21 34 13 11 5 1 87 % 2% 24% 39% 15% 13% 6% 1% 100% A tabela 4 demonstra que 73% dos professores pesquisados possuem entre 6 a 20 anos de atuação na educação infantil, podendo ser relevante o uso de práticas mais tradicionais. 29 Tabela 05 – Nível em que ministra suas aulas Nível em que ministra as aulas Berçário I Maternal I Maternal II Jardim I Jardim II Pré-escola Não informado Total Nesta tabela percebe-se que Freqüência % 21 6 14 15 15 13 3 87 25% 7% 16% 17% 17% 15% 3% 100% 49% dos professores pesquisados ministrando suas aulas no nível de jardim e pré-escolas, ou seja, trabalhando com crianças de 3 a 6 anos e 48% trabalham em nível de Berçário e Maternal com crianças de 0 a 3 anos. Estas tabelas foram utilizadas para traçar um perfil dos professores pesquisados quanto aos seus dados profissionais. Então, obtivemos um quadro de professores que em sua maioria possui idades entre 26 a 30 anos, com curso superior e possuem especialização na área, são professores efetivos na secretaria Municipal de Educação, possui considerável experiência profissional e ministram suas aulas no nível de jardim e pré-escola. A partir disto passa-se a discorrer sobre os resultados obtidos através levantamento das idéias dos professores sobre educação infantil, brincar, criatividade e inclusão de pessoas com deficiência, bem como a forma como consideram suas crenças no momento em que planejam suas aulas. Esta etapa da pesquisa envolve diferentes concepções sobre a perspectiva tradicional e perspectiva integradora de educação, como foi colocado anteriormente. Brincar Tradicional Na perspectiva tradicional a categoria brincar está delimitada a um padrão de pensamento onde a brincadeira é utilizada como uma hora de relaxamento de e satisfação para a criança, é tida como recompensa pelo trabalho desenvolvido. 30 Para Kishimoto (1998) esta perspectiva engloba os jogos infantis e as brincadeiras de forma a considerá-los como um simples ato que a criança faz e que não é sério. Este é um fator importante para esta análise, pois demonstra que o professor utiliza as brincadeiras em suas aulas com uma visão tradicional de educação, e não como uma visão integradora. Segundo o padrão de análise adotado para essa pesquisa, descrito nos procedimentos metodológicos, foram consideradas na categoria Brincar na perspectiva tradicional as afirmativas 2, 7, 13, 16 e 26, que correspondem a considerações quanto à brincadeira como um fato que deve ser determinado pelo professor em momentos específicos; de recompensa a ser usado pelo professor; podendo ser usado como reforço positivo ou negativo; como fator de desenvolvimento psicomotor ou como um momento de descarga de energia. Quando solicitadas a marcarem o grau de acordo com tais afirmativas, a somatória das respostas dadas é apresentada no gráfico abaixo: Gráfico 1. Perspectiva Tradicional Brincar – Idéias Perspectiva Tradicional Brincar - Idéias 3% 32% Sem Res pos ta Pouco 45% 20% Regular Frequentemente De acordo com as respostas encontradas, quando as afirmativas sobre o brincar são apresentadas em uma perspectiva tradicional 32% das respostas apontam escolhas vinculadas a essa perspectiva e 45% apontam discordar dessas afirmativas. 31 Quanto ao grau de consideração das mesmas afirmativas na hora de fazer seus planejamentos, a somatória das respostas das professoras nos apresenta o seguinte gráfico: Gráfico 2. Perspectiva Tradicional Brincar – Planejamento Perspectiva Tradicional Brincar - Planejamento 11% Sem Resposta 46% Pouco 29% Regular Frequentemente 14% Estes percentuais nos apontam que 46% das respostas encontram-se em considerarem freqüentemente esses fatores quando planejam suas aulas e apenas 29% apontam não considerá-los em seus planejamentos. É importante observarmos a diferença entre o momento de planejar suas aulas e suas concepções sobre as afirmativas, quando questionados sobre suas idéias 45% das respostas não concordam com as afirmativas e quando questionadas sobre o seu planejamento obtivemos como repostas apenas 29% que não utilizam essas concepções. Brincar Integradora Na perspectiva integradora o brincar é caracterizado pelo fato de possibilitar à criança oportunidades de viver novas situações de aprendizagem e mais importante, de reestruturar o conhecimento existente para novas situações e problemas, a fim de encontrar soluções. Segundo Moyles (2002) o brincar é necessário e vital para o desenvolvimento do organismo em si e para o amadurecimento como um ser social. Cabe ao professor o papel de garantir que, no contexto escolar, a 32 aprendizagem seja contínua, e que inclua fatores além dos puramente intelectuais incluindo os fatores como o emocional, o social, o físico, o estético, o ético e o moral da criança. A contribuição do jogo à educação infantil permite ao aluno estar relaxado e ser mais eficiente em seus exercícios e em sua atenção. Coloca ainda que é possível dar o aspecto de jogo a exercícios escolares, é o jogo como artifício pedagógico (BROUGÉRE,1998). Quando questionados os professores sobre a perspectiva integradora, onde consideramos o brincar como uma forma lúdica de ensino, ou seja, utilizado como fonte de aprendizado e como um instrumento educativo, obtivemos como resposta os seguintes dados: Gráfico 3. Perspectiva Integradora Brincar – Idéias Perspectiva Integradora Brincar- Idéias 5% 11% Sem Resposta 17% Pouco Regular 67% Frequentemente A partir deste gráfico pode-se perceber que 67% das respostas obtidas consideram o brincar como uma forma de expressar os sentimentos reprimidos pelo sujeito conforme questionados na questão 29. Em relação à utilização do brincar como procedimento educativo tivemos como resultado os seguintes dados: 33 Gráfico 4. Perspectiva Integradora Brincar – Planejamento Perspectiva Integradora Brincar - Planejamento 16% 6% Sem Resposta Pouco 60% Regular 18% Frequentemente Dentre as respostas obtidas 60% das respostas utilizam no seu planejamento o brincar como procedimento educativo, 6% das respostas não utilizam o brincar nessa perspectiva. Através desses gráficos podemos perceber que as respostas obtidas entre o planejamento e as idéias do professores sobre o brincar na perspectiva integradora são mais coerentes do que quando abordado o tema pela perspectiva tradicional, ou seja: aproximadamente 60% das respostas concordam com essa afirmativa e utilizam o brincar freqüentemente como processo educativo. Educação Tradicional De acordo com a perspectiva tradicional a educação infantil é considerada como uma preparação à transmissão de conteúdos, controle absoluto por parte do professor e utilização de tarefas programadas. Nesta perspectiva o professor é considerado como único agente transmissor de conhecimento e que detém o saber. Segundo Mizukami (1986), a educação é considerada como um processo amplo, mas caracterizado como transmissão de conhecimentos e restrito à escola, o processo de educação segundo esta perspectiva se dá ao período em que o aluno freqüenta a escola. Foram consideradas para a educação infantil na perspectiva tradicional as afirmativas: 03, 04, 11, 30 que correspondem a questões que consideram a 34 repetição de conteúdos por parte do professor como um gerador de aprendizagem; que os reforços e recompensas proporcionam melhor aquisição de aprendizagens e que na educação infantil deve se evitar respostas errôneas de alunos durante suas atividades. A somatória das respostas solicitadas quanto ao grau de acordo dos professores está no gráfico abaixo: Gráfico 5. Perspectiva Tradicional Educação – Idéias Perspectiva Tradicional Educação - Idéias 3% 26% Sem Resposta Pouco 54% 17% Regular Frequentemente De acordo com as respostas encontradas, quando as afirmativas sobre a educação infantil são apresentadas em uma perspectiva tradicional 54% das respostas discordam das afirmativas e 26% das respostas concordam com a afirmativa. Em relação ao planejamento do professor frente a essas afirmativas dentro da perspectiva tradicional obtivemos os seguintes dados: Gráfico 6. Perspectiva Tradicional Educação - Planejamento Perspectiva Tradicional Educação - Planejamento 11% Sem Resposta 36% Pouco 37% 16% Regular Frequentemente 35 A análise deste gráfico demonstra que 37% das respostas não adotam em seu planejamento essa perspectiva de educação e que 36% adotam, ou seja, essas professoras ao planejarem suas atividades consideram que é a repetição de conteúdos que ocasiona aprendizagem, e que na educação infantil deve-se evitar respostas errôneas de alunos durante suas atividades. Educação Integradora A educação infantil dentro da perspectiva integradora é considerada de forma que o conhecimento é construído a partir da ação das crianças sobre os objetos, portanto define que a educação infantil para ser efetiva tem que ser intelectual e emocional. Nesta perspectiva a educação infantil trata de forma integradora os aspectos relacionados a esta etapa educativa. A criança é vista como um ser biopsicossocial, que necessita de uma integração entre as fases de desenvolvimento, relacionamento, escolaridade para construir passo a passo sua subjetividade. Para que a criança aprenda, é necessário que haja um lugar propício para o desenvolvimento das atividades, que haja uma relação harmoniosa por parte do professor e que este desperte o interesse e estimule a criança. Para Mizukami (1986), a educação não se consiste na transmissão de verdades, informações, demonstrações e modelos e sim em que o aluno aprenda, por si só próprio, a conquistar essas verdades mesmo que tenha de realizar todos os pressupostos por qualquer atividade real. Portanto a educação pode ser considerada igualmente como um processo de socialização, ou seja, um processo de democratização das relações. Dentro dessa perspectiva foram consideradas as questões 18, 27, 31 o gráfico abaixo corresponde ao grau de acordo referente às idéias dos professores frente às afirmativas. 36 Gráfico 7. Perspectiva Integradora Educação – Idéias Perspectiva Integradora Educação - Idéias 3% 10% 21% Sem Resposta Pouco Regular Frequentemente 66% Pode ser analisado no gráfico 7, que refere-se a idéias dos professores sobre a educação na perspectiva integradora, que 66% das respostas concordam com essas afirmativas e que 10% das respostas discordam das mesmas. Em relação ao grau de concordância no momento do planejamento as porcentagens estão no gráfico abaixo. Gráfico 8. Perspectiva Integradora Educação – Planejamento Perspectiva Integradora Educação Planejamento 13% 9% Sem Resposta Pouco 67% 11% Regular Frequentemente Quando questionados sobre o grau de concordância no planejamento, 67% das respostas obtidas apontam para o fato de que utilizam freqüentemente essas concepções em suas práticas educativas e apenas 9% utilizam pouco essas concepções. Quando comparado o grau de acordo com o grau de consideração no momento de planejamento pode-se perceber que quando o tema educação é 37 abordado pela perspectiva integradora as professoras apresentam maior coerência entre o pensar e o agir, ou seja, 66% das respostas concordam com a afirmativa e 67% das respostas consideram relevantes essas concepções no momento de planejar suas aulas, portanto podemos analisar que nessa categoria a um grau de concordância entre as respostas. Criatividade Tradicional A categoria criatividade dentro da perspectiva tradicional é entendida como algo inato, presente em apelas algumas pessoas, em situações específicas e independendo da interação com o ambiente. Cabe ressaltar o que coloca Wechesler (1998), que quando se refere à falta de estímulo criativo por parte do professor e da sociedade, onde acabamos por reprimir e bloquear a potencialidade criativa pela forma como aprendemos. O que demonstra nessa perspectiva é a repetição de valores educativos aprendidos na educação tradicional e que são até hoje reproduzidos em nossas escolas. A categoria criatividade é entendida dentro da perspectiva tradicional como algo inato, presente em apenas algumas pessoas ou em situações independentes às interações com o ambiente. Para essa categoria foram consideradas as afirmativas 06, 10, 19,24 e 25. O gráfico abaixo representa o grau de concordância dos professores frente às afirmativas. Gráfico 9. Perspectiva Tradicional Criatividade – Idéias Perspectiva Tradicional Criatividade - Idéias 11% 8% 2% Sem Resposta Pouco Regular Frequentemente 79% 38 Pode-se analisar através deste gráfico que 79% respostas obtidas discordam das afirmativas e que apenas 8% das respostas concordam com esta afirmativa. No gráfico abaixo foram consideradas as concepções dos professores frente ao seu planejamento. Gráfico 10. Perspectiva Tradicional Criatividade – Planejamento Perspectiva Tradicional Criatividade Planejamento 29% 13% Sem Resposta Pouco Regular 9% 49% Frequentemente Este gráfico representa as porcentagens de respostas onde os professores se referem à criatividade dentro da perspectiva tradicional. Quanto à freqüência da utilização dessas afirmativas obtivemos 29% das respostas indicando que as utilizam frequentemente e 49% utilizam pouco, essas afirmativas sobre criatividade. Um fator importante que devemos observar é a oscilação que há entre as idéias e as práticas ou planejamentos dos professores frente às afirmativas. É visível que os professores possuem dúvidas quanto às questões mencionadas. Quando questionados sobre suas idéias 79% das respostas não concordam com as afirmativas e quanto solicitados sobre o grau em que utilizam as mesmas afirmativas em seus planejamentos apenas 49% das respostas não utilizam essas afirmativas em seu planejar, ou seja, há indicativos de uma discordância em 30% das respostas que dizem não utilizar, porém concordam com as afirmativas. 39 Outro fator relevante dentro da perspectiva tradicional na categoria da criatividade é o aumento da freqüência quanto à idéia e o planejamento, quando questionados sobre a concordância com as afirmativas apenas 8% das respostas concordaram e quando questionados sobre o planejamento ocorreu um acréscimo de 21% ou seja, 29% das respostas determinaram que utilizam a criatividade em seu planejar de acordo com essas afirmativas. Inclusão Tradicional Na perspectiva tradicional, a inclusão é entendida como transmissão de conteúdos, atividades pré-determinas, leis e concepções sobre a deficiência. De acordo com Mizukami (1986), a educação é caracterizada pela concepção de educação como um produto, já que os modelos a serem alcançados estão pré-estabelecidos, trata-se da transmissão de idéias selecionadas e organizadas logicamente, e é considerando esta forma de educação que se dá à inclusão. Foram consideradas para esta categoria as afirmativas 01, 08, 09, 20, 23, 32, 33 que se referem aos tipos de deficiência, diz respeito à diferenciação das atividades, a dependência das crianças que apresentam algum tipo de deficiência e a afirmativa que considera que a escola inclusiva é apenas aquela que possue criança com deficiência entre seus alunos. Quando solicitadas a marcarem o grau de acordo com as afirmativas referentes à inclusão, obtivemos as somatórias representadas no gráfico abaixo: 40 Gráfico 11. Perspectiva Tradicional Inclusão – Idéias Perspectiva Tradicional Inclusão - Idéias 14% 4% Sem Resposta 15% Pouco Regular 67% Frequentemente Neste gráfico é possível analisar que grande parte das respostas obtidas não concorda com essas afirmativas ou seja: 67% das respostas discordam das afirmativas e 14% das respostas concordam com a afirmativa. Quando questionados sobre a forma com que os professores planejam suas aulas sobre essa perspectiva e afirmativa, obtivemos o seguinte gráfico: Gráfico 12. Perspectiva Tradicional Inclusão – Planejamento Perspectiva Tradicional Inclusão - Planejamento 14% 31% Sem Resposta Pouco Regular 12% 43% Frequentemente Este gráfico possibilita a compreensão sobre o planejamento dos professores sobre inclusão dentro da perspectiva tradicional, ou seja: 43% das respostas obtidas utilizam pouco em seu planejamento e 31% utilizam freqüentemente essas afirmativas em seus planejamentos. 41 As relações entre as idéias dos professores e suas práticas são pouco compatíveis, ou seja: os professores não concordam com estas considerações, mas as utilizam em maior freqüência no momento de planejar suas aulas. Inclusão Integradora Para a perspectiva integradora a inclusão é considerada de forma a integrar as questões biopsicossociais da criança e seus princípios inclusivos, recursos que proporcionam a interação da criança com deficiência ao ambiente, favorecendo dentro de suas potencialidades e limites o seu desenvolvimento global. Segundo Werneck (2000) a inclusão consiste em transformar a educação em um processo interativo e dinâmico tanto a criança sem deficiência quanto à criança com deficiência participando deste processo segundo suas capacidades e potencialidades, as quais deverão ser estimuladas na mesma medida, proporcionando à criança um desenvolvimento adequado em qualquer ambiente. Dentre essas considerações foram consideradas as questões 05, 12, 14, 15, 17, 21, 22, 28. O percentual das afirmativas quanto às idéias dos professores sobre essas afirmativas estão representados no gráfico abaixo: Gráfico 13. Perspectiva Integradora Inclusão – Idéias Perspectiva Integradora Inclusão - Idéias 3% 16% 8% Sem Resposta Pouco Regular 73% Frequentemente 42 De acordo com o gráfico 13 sobre as idéias dos professores sobre inclusão na perspectiva integradora é possível analisar que 73% das respostas obtidas concordam com as afirmativas e 16% das respostas não concordam com as mesmas. Frente ao grau de concordância quanto ao momento de planejamento os dados estão representados no seguinte gráfico: Gráfico 14. Perspectiva Integradora Inclusão – Planejamento Perspectiva Integradora Inclusão - Planejamento 14% 15% Sem Resposta Pouco Regular 63% 8% Frequentemente Portanto pode-se perceber neste gráfico que 63% das respostas consideram pertinente às afirmativas no momento do planejamento de suas aulas, 15% das respostas não consideram relevantes as afirmativas quando planejam as aulas. Podemos observar que quanto ao grau de acordo entre a idéia e o planejamento houve uma pequena discordância, ou seja, 73% das respostas consideram relevantes as afirmativas, porém quando planejam apenas 63% das respostas consideram essa perspectiva. Considerando o objetivo geral de nossa pesquisa, que é traçar o perfil dos professores de educação infantil do município de Itajaí, quando analisados frente aos temas inclusão, educação, brincar e criatividade, apresentamos abaixo algumas considerações. Pode-se perceber, através da pesquisa realizada, que o perfil dos professores constitui um quadro que em sua maioria possui titulação 43 relativamente recente, com cursos superiores completos; sendo que muitos possuem cursos de pós-graduação. Grande parte dos professores é efetiva na Secretaria Municipal de Educação e possuem considerável experiência profissional, sendo que há maior concentração deles que ministram suas aulas no nível de jardim e pré-escola. Observou-se que quando os professores são questionados a partir de uma perspectiva tradicional de educação, mesclam os conceitos de ambas as abordagens. Isto pode ser interpretado de várias maneiras, o que exige confirmação de estudos posteriores. Pode-se dizer que os professores apresentam dúvidas, ou então, que possuem uma forma incoerente e fragmentada de conceber os postulados sua prática pedagógica, ou ainda que não saiba ao certo se devem ou não concordar com as afirmativas. Já quando os mesmo são questionados a partir de uma perspectiva integradora de educação, os conceitos são mais elaborados, isto é, sabem delinear um perfil que seja coerente entre a teoria e a prática que utilizam em sala de aula. Isto pode ser analisado possivelmente como a demonstração de uma maior segurança por parte dos professores em relação aos conhecimentos desta perspectiva teórica ou pelos professores possuírem formação acadêmica mais recente e cursos de pós-graduação. Para Alencar (1990), o que se percebe no Brasil é que muitos conhecem o potencial presente no ser humano é imenso e que tenha sido utilizado de forma muito limitada, permanecendo algumas capacidades inibidas ou bloqueadas por falta de estímulo, de encorajamento e de um ambiente favorável ao seu desenvolvimento. É possível analisar que os professores não mantêm uma mesma linha de raciocínio, desta forma é interessante que ocorram cursos de formação continuada para esta parcela da população, esclarecendo quais são os novos paradigmas educacionais na área da educação infantil, já que os professores demonstram dificuldades em distinguir a perspectiva tradicional da perspectiva integradora. 44 Segundo Almeida (apud Feix 2003), é preciso que os professores repensem suas aulas, que extraiam do aluno o que ele tem de melhor proporcionem ao mesmo o interesse de buscar novos conhecimentos. Principalmente na educação infantil os professores precisam demonstrar grande potencial criativo para obterem a atenção de todos durante as aulas. Utilizando a brincadeira como instrumento de ação pedagógica, irão conseguir atingir os objetivos educacionais a que se propõe. 45 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Essa pesquisa teve como objetivo principal traçar o perfil do professor da Rede Municipal de Educação Infantil do município de Itajaí (SC), considerando suas idéias quanto aos conceitos sobre inclusão, brincar, criatividade e educação infantil através da identificação da percepção desses professores sobre o possível uso do brincar como procedimento educativo, bem como da possibilidade de utilização de propiciar a interação entre as crianças, promovendo assim o processo inclusivo de crianças com deficiência no ensino regular. Pode-se perceber que os professores pesquisados possuem dúvidas quanto aos conceitos sobre inclusão, educação, brincar e criatividade, e não demonstrando segurança ao considerá-los dentro deste contexto educativo. Portanto pode-se considerar que os dados que obtivemos não correspondem com o Referencial Curricular do Município de Itajaí, pois o mesmo coloca que os professores da rede municipal devem trabalhar na perspectiva integradora, propiciando à criança desenvolvimento social e psicológico, defendendo a formação de cidadãos críticos, através de uma educação democrática e transformadora, preocupando-se com a construção do conhecimento da criança e sua interação com pessoas e com o meio. As divergências encontradas nas análises de dados deste trabalho nos reportam a pensar numa intervenção junto a Secretaria Municipal de Ensino, para que pudesse ser propiciada – por meio de oficinas, formações continuadas e palestras – uma nova consciência referente à educação infantil, bem como os fazeres educacionais do professor, descritos acima, a fim de esclarecer as diferenças entre as perspectivas, bem como demonstrar os conceitos atuais que fazem parte do Referencial Curricular do Município de Itajaí. Apesar dos contratempos foi de grande valia a realização desta pesquisa, bem como o conhecimento adquirido para minha vida profissional. Ao entrar em contato com a instituição pode-se perceber que para que ocorra uma mudança significativa no processo educativo não se pode depender apenas de boa vontade, mais sim de uma colaboração de todos os envolvidos neste processo. 46 Ou seja, é preciso que haja disponibilidade e competência, bem como uma rede de apoio onde o trabalho seja feito em parceria com os respectivos envolvidos e interessados na melhoria da Educação Infantil de Itajaí. Esta pesquisa, além de propiciar melhor conhecimento no âmbito profissional, também foi relevante quanto aos processos educativos até então conhecidos apenas teoricamente, que demonstrou a importância e ressaltou ainda mais a vontade em atuar nesta área, de educação infantil, acreditando ser possível a realização de uma educação de acordo com o esperado: que propicie à criança um desenvolvimento social e psicológico, onde ela possa se tornar um cidadão crítico, construindo suas capacidades e conhecimentos frente à interação com o meio e com outras pessoas. Uma idealização teoricamente possível, e possivelmente real. 47 6. Referencias Bibliográficas ABRAMOWICZ A; WAJSKOP, G. Educação Infantil: Creches – atividades para crianças de zero a seis anos. São Paulo: Vozes, 1995. ALENCAR, E.M.L.S. Como desenvolver o potencial criador: um guia para liberação da criatividade em sala de aula. Petrópolis (RJ) Vozes, 1990. BARBOSA, H. Porque inclusão? (s/d) Disponível em http://www.defnet.org.br Acesso em 27 de Novembro de 2005. BHERING, E.M.R.; OUDENHOVEN, N. V.; WAZIR, R. Acesso à educação infantil: uma estratégia para promover a integração social. Revista Alcance. Itajaí, nº2. jul.2000. p.1117. BRASIL, Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília,1990. BRASIL, Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. V.1.Brasília, MEC/SEF,1998. BRASIL, Referencial para formação de Professores, Brasília, MEC/SEF, 1999. BRASIL, Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. V.3.Brasília, MEC/SEF, 2001. BROUGÉRE, G. Jogo e Educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. CARDOSO, M. da S. Aspectos históricos da Educação Especial: da exclusão á inclusão – uma longa caminhada. In: MOSQUEIRA, J. J. M.; STOBÜS, C. D. Educação Especial: em direção á Educação Inclusiva. Porto Alegre: EdiPUCRS, 2003. p.15-26. FEIX, C. S. A concepção de professores de Educação Infantil sobre a criatividade e a brincadeira em sala de aula. Trabalho de Conclusão de Curso. Psicologia. UNIVALI. Itajaí, 2002. FIGUEIREDO, T. A. Educação Infantil para quem? (s/d). www.psicopedagogia.com.br , Acesso em 27 de Novembro de 2005. Disponível em: HORN, M.G.S. O papel do espaço na formação e na transformação do educador infantil. Revista Criança – do professor de educação infantil Brasília, nº38, MEC. 2004 ITAJAÍ. Diretrizes Curriculares para a Rede Municipal de Educação Infantil de Itajaí. SME. Itajaí, 1994.KISHIMOTO, T. M. O jogo e a educação infantil. São Paulo: Pioneira. 1998. MIZUKAMI, M.G.N. Ensino: As abordagens do professor. São Paulo: EPU, 1986. MOYLES, J.R. Só brincar? O papel do professor na educação infantil. Porto Alegre: Artmed, 2002. 48 NASCIMENTO-ANDRÉ, M. I. do. Ideas de Maestros de Educación Infantil acerca de juegos y criatividad. Projeto de tese de Doutorado. Universidade de Sevilla, 2001. OSORIO, A. C.N. Educação. Revista Integração. São Paulo, n21. p. 12-18, Jan.1999. RIBEIRO, M.L.O. Um estudo exploratório sobre criança portadora de necessidades especiais na educação infantil. Trabalho de Conclusão de Curso. Psicologia. Itajaí. 2001. SILVA, E.B; SOUZA, P. Como entender e explicar a Nova LDB (Lei nº9394/96) São Paulo: Pioneira, 1997. WASKOP, G. Brincar na pré-escola. 4 ed. São Paulo. Cortez, 2001. WECHSLER, C.M. Criatividade. Descobrindo e Encorajando. Campinas. Psy,1998. WERNECK, C. Ninguém mais vai ser bonzinho na sociedade inclusiva. 2.ed. Rio de Janeiro: WVA.2000 49 APÊNDICE 1 QUESTIONÁRIO: IDÉIAS DE PROFESSORES SOBRE EDUCAÇÃO INFANTIL, BRINCAR, CRIATIVIDADE E INCLUSÃO. AUTORAS: Professora Maria Isabel do Nascimento André Acadêmica Isabel Cristina Nunes. INSTITUIÇÃO: Curso de Psicologia – Centro de Ciências da Saúde Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI. ANO DE ELABORAÇÃO: 2007. (3) SEXO: Masc.: ...... Fem.: ....... Efetivo: (....) Maria Isabel do Nascimento André e Isabel Cristina Nunes QUESTIONÁRIO – IDÉIAS DE PROFESSORES SOBRE EDUCAÇÃO INFANTIL, BRINCAR, CRIATIVIDADE E INCLUSÃO. Colunas: 1. Grau de acordo com a afirmativa. 2. Freqüência com que considera tal afirmativa no momento de planejar suas aulas. Valor para as colunas: 5. muito / 4. bastante / 3. regular / 2. pouco / 1. nada 50 Nas seguintes páginas, depois de cada afirmativa, cuja ordem, para ser mais flexível, foi estabelecida aleatoriamente, aparecem colunas, para que anote o valor atribuído em cada espaço correspondente. (9) Centro de Educação Infantil........................................................ Pré (....) (8) NÍVEL EM QUE MINISTRA AULAS: Berçário (....) Maternal I (....) Maternal II (....) Jardim I (....) Jardim II (....) (7) EXPERIÊNCIA DOCENTE COMO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO INFANTIL: ..........anos. (6) SITUAÇÃO PROFISSIONAL: Contratado: (....) (5) Ano de conclusão da última titulação:................ (4) TITULAÇÃO: Ensino Médio: (....) Ensino Superior: (....) Curso:................................ Especialização: ................. (2) Data de nascimento:.../.../... (1) Nome:.................................................................................................................................................................. DADOS PESSOAIS: Este questionário pretende coletar, de forma sistematizada, as idéias de professores de educação infantil, na rede pública de educação, sobre alguns aspectos desta etapa educativa. Nas seguintes páginas encontrará uma série de afirmativas sobre educação, brincar e criatividade e inclusão, todas relacionadas com a educação infantil. Pedimos que após a leitura atribua valores a cada uma delas, considerando sempre suas idéias sobre cada um dos temas apresentados. Não existem aqui acertos ou erros, simplesmente se refletem diversas concepções sobre aspectos educativos, destacando em sua opinião o valor relativo a cada afirmativa. A finalidade deste questionário é exclusivamente para a pesquisa científica, o que garante sua confidencialidade. Temos interesse de, em futuro próximo, dar seqüência a este estudo, e para tanto estamos elaborando um roteiro de entrevista para ser aplicado com alguns dos professores participantes, portanto é de grande importância conhecer seus dados pessoais. Caso desde já você tenha interesse em não divulgar seu nome, você é livre para tal e deverá preencher apenas os itens 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9. Mas caso concorde em dar seqüência ao estudo, preencha todos os dados abaixo. QUESTIONÁRIO – IDÉIAS DE PROFESSORES SOBRE EDUCAÇÃO INFANTIL, BRINCAR, CRIATIVIDADE E INCLUSÃO. 50 O conhecimento infantil é construído a partir da ação exercida pelas crianças sobre os objetos. No processo de ensino o brincar pode ser utilizado sempre que o professorado tenha total controle sobre as atividades de alunos e alunas. O brincar deve ser utilizado como reforço positivo ou negativo. A excessiva curiosidade e criatividade infantil costumam ser prejudicial para a assimilação de fatos já conhecidos e conteúdos escolares. A importância fundamental do brincar é propiciar o exercício psicomotor e o movimento do corpo. As várias repetições de uma informação e a determinação de tarefas específicas por parte do professorado são muito importantes para que alunos e alunas memorizem o conteúdo. A transmissão do conhecimento é o mais fundamental para que alunos e alunas aprendam. Convém evitar, na medida do possível, respostas errôneas de alunos e alunas durante suas atividades escolares. 2) 3) 4) 5) 6) 7) 8) 9) Maria Isabel do Nascimento André e Isabel Cristina Nunes QUESTIONÁRIO – IDÉIAS DE PROFESSORES SOBRE EDUCAÇÃO INFANTIL, BRINCAR, CRIATIVIDADE E INCLUSÃO. O professorado deveria dirigir as respostas corretas de alunos e alunas, evitando assim buscas improdutivas de novas soluções. 1) Grau de acordo com a afirmativa 51 Freqüência de consideração no momento de planejar 51 Maria Isabel do Nascimento André e Isabel Cristina Nunes QUESTIONÁRIO – IDÉIAS DE PROFESSORES SOBRE EDUCAÇÃO INFANTIL, BRINCAR, CRIATIVIDADE E INCLUSÃO. 18) Brincar é importante, principalmente para que as crianças possam descarregar sua energia e depois continuar trabalhando. 17) A criatividade é inata e, portanto não pode ser ensinada e nem aprendida. 16) O brincar cumpre um papel de expressar os sentimentos reprimidos pelo sujeito no processo educativo. 15) A criatividade depende de fatores intrapessoais, portanto não é relevante o papel da escola e da sociedade para o estímulo da capacidade criativa. 14) A educação, para ser efetiva, deve ser emocional e intelectual. 13) O brincar para ser educativo tem que ser determinado pelo professorado e servir como instrumento para uma aprendizagem determinada. 12) Os reforços e recompensas dados aos comportamentos apresentados proporcionam melhor aquisição de novas aprendizagens. 11) No âmbito educativo a criatividade ocorre exclusivamente em disciplinas relacionadas com artes e música. 10) O papel das relações interpessoais em sala de aula (professor(a)-aluno(a), aluno(a)-aluno(a)) é o mais importante no processo de aprendizagem. Grau de acordo com a afirmativa 52 Freqüência de consideração no momento de planejar 52 Maria Isabel do Nascimento André e Isabel Cristina Nunes QUESTIONÁRIO – IDÉIAS DE PROFESSORES SOBRE EDUCAÇÃO INFANTIL, BRINCAR, CRIATIVIDADE E INCLUSÃO. 27) A criança que apresenta deficiência auditiva tem condições de desenvolver a habilidade da escrita como as demais crianças. 26) A pessoa que apresenta deficiência mental já tem seu potencial determinado pela própria deficiência. 25) A deficiência mental possibilita a criança a desenvolver habilidades como leitura, escrita, realizações de contas e ser independente. 24) As crianças que apresentam algum tipo de deficiência devem freqüentar a escola, porém sem opinar sobre as medidas que a escola irá adotar para a sua inclusão. 23) A deficiência múltipla é considera quando a criança apresenta comprometimento nos movimentos dos braços e também das pernas. 22) A escola é considerada inclusiva somente quando tem crianças com deficiência. 21) Recusar a matrícula de crianças que apresentam algum tipo de deficiência é crime. 20) O único meio de comunicação da criança surda é através da linguagem dos sinais. fáceis do que as atividades desenvolvidas com as outras crianças. 19) As atividades desenvolvidas com crianças que apresentam algum tipo de deficiência têm que ser mais Grau de acordo com a afirmativa 53 Freqüência de consideração no momento de planejar 53 Freqüência de consideração no momento de planejar Maria Isabel do Nascimento André e Isabel Cristina Nunes 54 MUITO OBRIGADO POR SUA COLABORAÇÃO. QUESTIONÁRIO – IDÉIAS DE PROFESSORES SOBRE EDUCAÇÃO INFANTIL, BRINCAR, CRIATIVIDADE E INCLUSÃO. Caso queira fazer comentários, pode utilizar o verso desta página. 33) A escola inclusiva tem como princípio fundamental que todas as crianças devem aprender juntas, sempre que possível, independentemente de quaisquer dificuldades por diferenças que elas possam ter. 32) A criança que apresenta alguma deficiência física poderá participar de todas as aulas com exceção a aula de educação física. 31) Através da brincadeira é possível realizar integração da criança que apresenta algum tipo de deficiência, podendo assim incluí-la no grande grupo. 30) Do profissional que desenvolve atividade com criança com deficiência exige –se um aperfeiçoamento continuo, assim como da família e da sociedade. 29) O brincar pode ser considerado como uma ferramenta para o professor no processo de inclusão. 28) A criança que apresenta deficiência visual sempre dependerá de alguém para ajudá-la a realizar as atividades, ir ao banheiro ou lanchar. Grau de acordo com a afirmativa 54