TERCEIRIZAÇÃO: UM ESTUDO DE CASO DO SERPRO Daniely Gouvêa Monteiro Rocha 1 Resumo A contratação de terceiros é vista pelas organizações, públicas e privadas, como sinal de modernidade, flexibilidade, eficiência e lucratividade. Porém, recentes estudos demonstram como as novas relações de trabalho do capitalismo global afetaram de forma subjetiva e objetiva toda a gama de trabalhadores. Atualmente, a maioria dos órgãos públicos contrata diferentes funcionários através de empresas privadas de terceirização, o que em muitos casos, está associado a irregularidades licitatórias e degradação das condições da mão de obra. Assim, este projeto de pesquisa fará um estudo de caso da empresa pública SERPRO (Serviço Federal de Processamento de Dados), vinculada ao Ministério da Fazenda, cujo negócio é a prestação de serviços em Tecnologia da Informação e comunicação para o setor público, buscando avaliar sua experiência na terceirização de mão-de-obra para organismos federais. Para delimitar o estudo, será avaliada a terceirização de funcionários do SERPRO para a Receita Federal. É digno de nota que este projeto de pesquisa não pretende propor soluções para a terceirização no setor privado. A questão central consiste em avaliar, na administração pública, a utilização da terceirização como estratégia de redução de custos, as conseqüências na relação. Palavras-chave: terceirização; relações de trabalho; administração pública. 1. Introdução A partir dos anos 80, a maior abertura do mercado brasileiro à concorrência externa fez com que uma parcela significativa das empresas brasileiras passasse a adotar novos padrões organizacionais importados dos países desenvolvidos. Os principais objetivos residiam na redução dos custos, focalização da empresa em sua atividade fim e busca desenfreada de aumento da eficiência e da produtividade. O outsourcing ou terceirização foi um dos procedimentos mais adotados. A grave crise fiscal dos anos 80 e a conseqüente redefinição do papel do Estado, fez com que a terceirização passasse a ser mais freqüente na Administração Pública. Convém ressaltar que o setor público não tem o mesmo objetivo de lucratividade e competitividade que o setor privado. Neste contexto, diversas atividades foram sendo progressivamente terceirizadas, principalmente as que envolvem trabalho simples e repetitivo, como os de limpeza, segurança, 1 Aluna do Mestrado Acadêmico em Administração da Universidade Federal Fluminense Rua Mário Santos Braga, 30- 7º andar – Sala 701 – Centro – Niterói- RJ Tel: (21) 2629-9867 E-mail: [email protected] ; [email protected] 2 serviços de informática, virando, de tal modo, sinônimo de modernização, eficiência, competitividade, lucratividade e flexibilidade. O tema da terceirização (outsorcing) tem motivado pesquisas de administradores, economistas, advogados, cientistas políticos, sociólogos, psicólogos, tecnólogos da informação, profissionais do Serviço Social, dentre outros campos de atuação profissional, demonstrando um caráter nitidamente transdiciplinar. Em uma breve revisão da literatura, diversos pesquisadores defendem que o trabalhador está em desvantagem dentro desse processo, sendo alvo de diversas situações que fragilizam e afrontam a sua saúde e a sua condição de força de trabalho. Enquanto esta corrente coloca a condição do trabalhador no cerne da análise do processo de terceirização, outros pesquisadores defendem uma corrente mais ortodoxa e utilitarista, centrada na lógica de redução de custos e maximização dos retornos para as firmas contratantes. A precarização do trabalho terceirizado está associada ao fato dos contratos de terceirização, na maioria das vezes, não serem estruturados levando-se em conta a qualidade nas relações de trabalho. A decisão pela terceirização pauta-se, sobretudo, pela ênfase na redução dos custos financeiros para as empresas. Esta “redução”, diretamente reversível aos acionistas, se dá às custas da pauperização das condições de trabalho. Na Administração Pública Brasileira, as conseqüências negativas da terceirização são ainda maiores. Podemos perceber que sua utilização pode gerar diversas distorções, tais como: nepotismo (participações cruzadas dos governantes e familiares em firmas prestadoras de serviços contratadas por suas administrações), desrespeito as leis relativas ao Concurso Público, fraudes e corrupção nos processos licitatórios (o que pode ser demonstrado pelos levantamentos feitos pelo TCU e CGU), corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, dentre outras. Devido aos males ocasionados, há uma necessidade imediata de se estudar e repensar essa prática de gestão flexível adotada pelas modernas organizações com o intuito de ajudar a diminuir os danos causados na vida do trabalhador e da sociedade. 2. Objetivos 2.1 Objetivo Geral Atualmente, a maioria dos órgãos públicos contrata diversos funcionários através de empresas terceirizadas, o que em muitos casos, está associado a irregularidades licitatórias e 3 degradação das condições da mão de obra (sobretudo em decorrência das condutas predatórias dos leilões reversos). O presente trabalho fará uma análise detalhada da empresa pública SERPRO (Serviço Federal de Processamento de Dados), vinculada ao Ministério da Fazenda, cujo negócio é a prestação de serviços em Tecnologia da Informação e comunicação para o setor público, buscando avaliar sua larga experiência na terceirização de mão-de-obra para organismos federais. O presente projeto de pesquisa pretende analisar a utilização da terceirização na administração pública, buscando identificar suas conseqüências como estratégia de redução de custos e suas implicações sobre as relações de trabalho e a vida dos trabalhadores. Cabe frisar que o modelo utilizado pelo SERPRO parece ser substancialmente diferente dos processos usuais de terceirização contratados pelo setor público, o que corrobora a pertinência deste estudo de caso. 2.2 Objetivos Específicos A empresa pública SERPRO foi criada em dezembro de 1964, pela Lei nº4.516, com o objetivo de modernizar e dar agilidade a setores estratégicos da administração pública brasileira. Seu negócio é a prestação de serviços de tecnologia da informação e comunicação, onde desenvolve programas e serviços que permitem dar maior controle e transparência sobre a receita e os gastos públicos. O SERPRO atende os órgãos da Administração Pública Federal, Estadual e Municipal. Alguns dos seus principais serviços desenvolvidos são: declaração do Imposto de Renda, os sistemas que controlam o comércio exterior brasileiro (Siscomex), Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), Portal de Compras do Governo Federal (ComprasNet) e Cadastro de Pessoa Física (CPF). A empresa está sediada em Brasília e possuí Escritórios Regionais em 11 capitais. Nos demais estados a empresa mantém Escritórios de Serviços. O SERPRO conta com mais de 11 mil empregados e o acesso aos quadros da empresa acontece via concurso público, conforme prevê a Constituição Federal de 1988. Assim, o presente trabalho buscará atingir aos seguintes objetivos específicos: • Apresentar um panorama teórico e prático (estudo de caso) da condição do trabalhador frente à flexibilização do capitalismo moderno e seus impactos sobre as relações de trabalho na administração pública; 4 • Analisar a construção do discurso econômico que dá embasamento a prática da terceirização, assim como as correntes críticas em relação a esta questão; • Comparar o peso atribuído a lógica econômica e aos aspectos subjetivos da relação de trabalho nos contratos de terceirização que a Administração Pública tem celebrado com a iniciativa privada; • Examinar mais profundamente a estrutura e como se dão as relações de trabalho no SERPRO; • Verificar as vantagens e desvantagens do modo de condução da prestação de serviços do SERPRO em relação aos padrões usuais dos contratos de terceirização (via licitação); • Examinar uma amostra de contratos de prestação de serviços do SERPRO. 3. Delimitação do Tema A contratação de terceiros é vista pelas organizações, públicas e privadas, como sinal de modernidade, flexibilidade, eficiência e lucratividade. Porém, diversos estudos mostram como as novas relações de trabalho do capitalismo global afetaram de forma subjetiva e objetiva toda a gama de trabalhadores. De forma objetiva, podemos constatar que a terceirização precarizou as condições de trabalho, diminuiu os salários, aumentou a carga de trabalho e responsabilidade sobre o trabalhador, diminuiu benefícios, garantias trabalhistas e aumentou a rotatividade no emprego. De forma subjetiva, podemos perceber que o trabalhador ficou mais inseguro com o seu futuro, aumentou o número de doenças físicas e psíquicas como estresse, depressão, ansiedade, além do aumento do sofrimento subjetivo. Há uma ampla produção acadêmica que analisa estes efeitos. Assim, o presente trabalho analisará as atuais formas de precarização do trabalho e a utilização da terceirização como estratégia de redução de custos na administração pública e buscará responder ao seguinte problema: Quais são as vantagens e desvantagens do modo de operação de uma empresa pública de prestação de serviços? Para delimitar o estudo, será avaliada a terceirização de funcionários do SERPRO para a Receita Federal. É digno de nota que este projeto não pretende propor soluções para a terceirização praticada no setor privado. A questão central consiste em fazer um diagnóstico da 5 terceirização que ocorre na Administração Pública Federal. O SERPRO pode ser utilizado como “microcosmo” para se avaliar a pertinência deste tipo de terceirização praticado na Administração Pública e as possibilidades de uso em outras esferas, tais como empresas de economia mista (controladas pela União), instituições sem fins lucrativos que recebem uma grande quantia de transferências governamentais (como por exemplo, o Sistema S – Sebrae, SESI, SENAC) e outros órgãos da administração direta. 4. Hipóteses e Suposições O pressuposto é de que os processos de terceirização na administração pública brasileira estão sendo pautados demasiadamente pela lógica econômica, deixando de lado, diversos aspectos subjetivos referentes a dimensão humana do trabalhador. Dessa forma, a terceirização no setor público vem gerando um aumento do número de postos de trabalho precários, ausência de direitos trabalhistas e superexploração da força de trabalho. Outra suposição é que o modelo de prestação de serviços adotado no SERPRO é mais benéfico para a sociedade e para o trabalhador quando comparadas com empresas privadas que prestam serviços para a administração pública. Entre os benefícios, estão: maior estabilidade, maior dignidade para o trabalhador, menor fragmentação da classe trabalhadora e garantia de todos os direitos trabalhistas. 5. Metodologia Tendo em vista o caráter multidisciplinar do tema, a contemporaneidade e a vasta gama de informações sobre o assunto, a pesquisa qualitativa se tornou a mais apropriada. Dessa forma, será realizado um estudo de caso sobre a empresa pública SERPRO, cujo negócio é a prestação de serviços na área de TI. O presente estudo de caso servirá para descrever as peculiaridades, o modelo de gestão, a estrutura organizacional e o perfil de uma empresa pública de prestação de serviços que existe de fato. Serão feitas, também, entrevistas com alguns funcionários do SERPRO para esclarecer a forma como a terceirização é vista pela empresa. A escolha da empresa pública SERPRO levou em consideração o fato de sua atividade ser a prestação de serviços para o setor público, o seu porte e sua abrangência nacional. 6 Segundo Yin (2010, p.39), a utilização de estudo de caso se dá quando desejamos entender um fenômeno da vida real em profundidade, mas esse entendimento engloba importantes condições contextuais. A escolha do estudo de caso se justifica, pois servirá para esclarecer e evidenciar como a terceirização de mão-de-obra está sendo empregada e administrada por uma empresa pública de prestação de serviços. A pesquisa fará levantamento bibliográfico de reflexões teóricas sobre os efeitos da terceirização em relação à condição física e psíquica da classe trabalhadora para compreender melhor os custos sociais decorrentes desta prática administrativa, além de contextualizar a terceirização dentro da lógica do capitalismo global. Para avaliar a importância dos fatores econômicos nas decisões de terceirização, será feito uma pesquisa exploratória em alguns contratos de terceirização do SERPRO, assim como entrevistas com uma amostra de funcionários e gestores do SERPRO. 6. Referencial Teórico Os estudos sobre terceirização estão presentes em diversas áreas do conhecimento. Os estudos realizados por consultores de empresas e adeptos de uma linha mais liberal adotam um enfoque técnico e centrado na delimitação dos procedimentos e critérios necessários para que a opção pela terceirização seja bem sucedida e sem problemas judiciais para as empresas. (DRUCK, 2008). Chama atenção que estudos que privilegiam uma abordagem empírica, sobretudo nos campos da sociologia, administração e psicologia, têm demonstrado que a prática da terceirização, como política de gestão flexível do trabalho, é a responsável pela precarização das condições de trabalho, do emprego e da saúde. (DRUCK, 2008). Dentro dessa linha crítica de pensamento se encontra Antunes (2010). O autor enaltece que a crise estrutural do capital, ocorrida em fins dos anos 60 e início dos anos 70, fez com que o mundo produtivo se reestruturasse e reorganizasse, através da eliminação, transferência, terceirização e enxugamento das unidades produtivas, com vistas a retomada do seu patamar de acumulação e ao seu projeto global de dominação. De acordo com o autor, essa nova estrutura produtiva mais flexível, passou a requerer um trabalhador polivalente, multifuncional, qualificado e com "envolvimento participativo". Em verdade, este discurso de “participação” está concatenado com os anseios de dominação 7 sobre o trabalhador, reforçando a sua condição de trabalho alienado e estranhado. Este processo intensifica as condições de exploração do trabalhador. As mudanças no processos produtivos tem reflexo imediato no mundo do trabalho, tais como: enorme desregulamentação dos direitos do trabalho, aumento da fragmentação no interior da classe trabalhadora (competição predatória), precarização e terceirização da força humana que trabalha, destruição do sindicalismo de classe e sua conversão num sindicalismo dócil, de parceria, ou mesmo em um "sindicalismo de empresa". (ANTUNES, 2009). Sennett (2005) argumenta que o novo capitalismo, ao atacar a burocracia rígida e enfatizar o risco, diz que a flexibilidade dá às pessoas mais liberdade para moldar suas vidas. Porém, na verdade, essa nova ordem impõe novos controles difíceis de entender, em vez de simplesmente abolir as regras do passado. Assim, é exigido do trabalhador maior flexibilidade e adaptação as mudanças; resultados ágeis e de curto prazo e maior comprometimento e dedicação, tornando a instabilidade como algo normal de suas vidas. Essa nova configuração do trabalho com grande flexibilização e ênfase nos trabalhos e projetos de curto prazo, tem impactado negativamente a formação do caráter pessoal. Para Sennett (2005), caráter são os nossos traços pessoais positivos que desejamos que os outros valorizem em nós. Ele é construído no longo prazo através de nossa experiência emocional e é expresso pela lealdade e o compromisso mútuo, pela busca de metas de longa duração, ou adiamento da satisfação em troca de um objetivo futuro. Assim, numa sociedade impaciente, movida no curto prazo, sem compromisso mútuo e lealdade, fica difícil decidir o que tem valor duradouro em nós, ocasionando uma corrosão do nosso caráter. O trabalhador moderno incorporou diversas forma de comportamento flexível, como o autocontrole, aceitação da incerteza e do risco, capacidade de negociação e fragilização dos laços de solidariedade entre os colegas de trabalho. Porém, as qualidades positivas do bom funcionário não são as mesmas qualidades atribuídas ao bom caráter, gerando assim seres humanos mais individualistas, egoístas, sem capacidade de se solidarizar com outros seres humanos e com constante medo de perder o controle sobre suas vidas (Sennet, 2005). Dejours (2003) aponta que o mundo flexível do trabalho condiciona os indivíduos a uma maior aceitação da injustiça social, pois alguns trabalhadores passam por cima de diversos princípios para continuar empregado. Os conflitos do dia-a-dia laboral fazem com que o trabalhador ao longo do tempo acabe perdendo a esperança de obter a satisfação no seu trabalho e, dessa forma, o sofrimento advindo do trabalho acabam repercutindo tanto na saúde física quanto psiquica do 8 trabalhador, gerando assim uma deteriorização na sua produtividade e nos relacionamentos interpessoais no trabalho e na família (Dejours, 2003). Alves (2009) observa que a nova estrutura legal dos contratos de trabalho flexível que o jovem operário encontra, perfaz um “menu” de opções para a exploração da sua força de trabalho. A compreensão de todo esse arcabouço teórico, é importante, para a sociedade e o trabalhador, pois ele explica, em parte, a aceitação da terceirização e dos contratos temporários e flexíveis como algo natural e irreversível dentro das organizações. A constatação empírica de que a gestão flexível gerou uma precarização do trabalho e aumento dos problemas psicossociais e de saúde do trabalhador, não é suficiente para romper com o projeto global de dominação do capital. Druck (2008) chama a atenção que existe um grande esforço de diversos atores sociais e políticos na denúncia, apuração, fiscalização e na punição dos responsáveis pelo grau de precarização do trabalho, da vida e da saúde dos trabalhadores, mostrando que não há um consenso sobre a inevitabilidade da terceirização. No Brasil, a partir da reforma do estado ocorrida na década de 90, a terceirização passou a ser amplamente utilizada dentro dos órgãos públicos. Segundo o Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado (1995), somente mudando de uma cultura e gestão burocrática e passando para uma cultural gerencial com suas práticas flexíveis de gestão é que seríamos capazes de permitir as diversas formas de parceria e cooperação com a sociedade e outros diferentes atores. Oliveira (1994) nos diz, que o termo "terceirização" não pode ser confundido com o termo "parceria", pois a parceria não é uma prerrogativa dos contratos com terceiros, ou seja, a idéia de parceria pode ou não estar presentes nos acordos que uma empresa faz com prestadores de serviços que assumem atividades que antes eram executadas pela própria empresa. Assim, a administração pública ao assumir contratos com terceiros não pode se pautar somente pela lógica econômica, pois acabaria dessa forma assumindo a mesma lógica do capital, ou seja, aumentando seu patamar de acumulação através da intensificação das condições de exploração da força de trabalho. Segundo Silva (1997), para se terceirizar de forma responsável é necessário ter tratamento digno e respeito ao ser humano. Porém, o que vemos em muitos contratos de terceirização são a busca exclusiva de baixos custos. Os diversos contratos da administração pública efetuados através de licitações ou os chamados leilões reversos são exemplos de como 9 os custos e o prazo de entrega são mais importantes do que a maneira de como o serviço foi executado ou em que condições de trabalho foi realizado. Atualmente, existem empresas que já estão pensando em abolir a terceirização de algumas de suas atividades, porém o que as motivam nessa atitude não é o bem estar do trabalhador e sim os menores custos decorrentes dessa reintegração. Segundo, Lima Neto (2008), a Caraíba Metais, adotou no final da década de 80 a terceirização em diversas atividades e teve como grande motivador a redução de seus custos imediatos. Com o passar do tempo, foram surgindo problemas de precarização do trabalho, aumento de acidentes, baixa qualificação e menor comprometimento do trabalhador , além de outros fatores. Dessa forma, a empresa passou a ser mais exigente nos seus contratos de terceirização, o que acabou acarretando no aumento dos custos do serviço terceirizado. Nesse momento, a reintegração dos funcionários ao quadro efetivo da empresa tornou-se mais vantajosa financeiramente e por isso foi colocada em prática. Segundo Lima Neto, ficou comprovado que a "primeirização" na Caraíba Metais reduziria os custos em 38,6% e que um dos fatores que contribuiu com essa diminuição foi a redução do números de funcionários próprios que seriam contratados em relação a equipe terceirizada. Assim, ao analisar os contratos de terceirização da administração pública com a iniciativa privada será possível identificar os principais fatores que são considerados importantes ao se optar pela terceirização. 7. Conclusão Devido a multiplicidade de temas que envolvem os processos de terceirização, o presente projeto de pesquisa focará na experiência do SERPRO na terceirização de mão-deobra para o setor público, buscando descrever os pontos positivos e negativos de uma empresa pública de prestação de serviços. O estudo permitirá comparar o caso do SERPRO com os padrões usuais de contratação de serviços de terceirização firmados entre entes públicos e empresas privadas. Além disso, avaliará, na administração pública, a utilização da terceirização como estratégia de redução de custos e as conseqüências na relação de trabalho. 10 REFERÊNCIAS ALVES, Giovanni. Trabalho, subjetividade e capitalismo manipulatório – O novo metabolismo social do trabalho e a precarização do homem que trabalha. Londrina: Práxis, 2009. ANTUNES, Ricardo. Os sentidos do trabalho. Boitempo editorial. São Paulo, 2010. ANTUNES, Ricardo. As formas diferenciadas da reestruturação produtiva e o mundo do trabalho no Brasil. Revista Latinoamericana de Estudios del Trabajo. Nº 21. Ano 2009. 35-49. BRASIL. Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado. Ministério da Administração e da Reforma do Estado. Brasília, 1995. DEJOURS, Christophe. A banalização da injustiça social. 5.ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2003. DRUCK. Graça. Flexibilização e Precarização: formas contemporâneas de dominação do trabalho. Cadernos CRH, Salvador, n. 37, p. 11-22, jul/dez. 2002. DRUCK. Graça; FRANCO, Tânia. A precarização do trabalho no Brasil: um estudo da evolução da terceirização no Brasil e na indústria da Bahia na última década. Revista Latinoamericana de Estudios del Trabajo. Nº 19. Ano 2008. 97-119. SENNETT, Richard. A corrosão do caráter: conseqüências pessoais do trabalho no novo capitalismo. 10º Ed. – Rio de Janeiro: Record, 2005. LIMA NETO, Walmir Maia Rocha. Quando a terceirização não funciona: A “primeirização” das atividades de manutenção industrial na Caraíba Metais. Dissertação de Mestrado profissional – Escola de Administração, 2008. Universidade Federal da Bahia, Salvador. OLIVEIRA, Marco A (org). Terceirização: estruturas e processos em xeque nas empresas. São Paulo: Nobel, 1994. – (Gerência no Brasil). SILVA, Ciro Pereira. A Terceirização Responsável: modernidade e modismo. São Paulo. LTr, 1997. YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. Porto Alegre: Bookman, 2010.