UNICAMP-IE-NEIT
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Universidade Estadual de Campinas
Instituto de Economia
Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia (UNICAMP-IE-NEIT)
Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio Exterior (MDIC)
Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT)
Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP)
ESTUDO DA COMPETITIVIDADE
DE CADEIAS INTEGRADAS NO BRASIL:
impactos das zonas de livre comércio
Cadeia: Citros
Versão para Discussão em Seminário
Nota Técnica Final
Campinas, 15 de Julho de 2002
Documento elaborado pelos consultores Marcos Fava Neves e Matheus Kfouri Marino, com apoio, na área de
acesso a mercados, do consultor André Meloni Nassar. Este documento é resultado do contrato entre a
FECAMP (Fundação de Economia de Campinas) e a FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).
Coordenação Geral do Projeto: Luciano G. Coutinho (NEIT-IE-UNICAMP), Mariano F. Laplane (NEIT-IEUNICAMP), David Kupfer (IE-UFRJ) e Elizabeth Farina (FEA-USP)
Os autores agradecem as inestimáveis contribuições do Prof. Dr. Evaristo Marzabal Neves. Também agradecem
o apoio de Ricardo Rossi e Carla Gomes
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SUMÁRIO
1 - Introdução e Objetivos ....................................................................................................... 4
2 - Metodologia Aplicada na Análise de Acesso a Mercados................................................ 4
3 - Mudanças nas tendências mundiais da Cadeia Citrícola com foco na segunda metade
dos anos 90................................................................................................................................. 5
3.1- Principais tendências da demanda por produtos citrícolas, da organização da cadeia
produtiva e das inovações tecnológicas.......................................................................... 5
3.2 - Identificação dos principais players mundiais na Cadeia Citrícola e suas estratégias de
internacionalização ......................................................................................................... 9
3.3 - Papel do Estado na Cadeia Citrícola: evolução e relevância de políticas públicas...... 15
3.4 - Conjuntura recente: foco nos impactos da desaceleração global .................................22
3.5 - Síntese das normas competitivas mundiais (benchmarking)........................................22
4 - Mudanças Recentes na Cadeia Citrícola Mundial e Brasileira .................................... 22
4.1 - Mercado: tamanho e dinamismo; características das linhas e ciclo dos principais
produtos; principais estratégias das empresas nacionais e transnacionais. .................. 22
4.2 - Análise abrangente da cadeia de valor ......................................................................... 25
4.3 - Papel do Estado: evolução e relevância de políticas públicas...................................... 58
4.4 - Reestruturação na segunda metade dos anos 90: foco nas estratégias de adaptação das
empresas nacionais e estrangeiras à política econômica brasileira .............................. 58
4.5 - Impacto da conjuntura recente (desaceleração e depreciação cambial) sobre a balança
comercial setorial.......................................................................................................... 59
5 - Síntese Comparativa ......................................................................................................... 60
6 - Conclusões e Propostas .....................................................................................................61
6.1 - Avaliação de desempenho, oportunidades e riscos ante o acirramento da concorrência
mundial ......................................................................................................................... 61
6.2 - Propostas de políticas industriais de fomento à competitividade e implicações sobre as
negociações comerciais (devem ser considerados três cenários: a continuidade da
conjuntura atual, integração com a UE e integração com a ALCA). ...........................64
6.3. Propostas de políticas de C&T ...................................................................................... 66
7- Simulação e Construção de Cenários ............................................................................... 66
7.1. Cenário 1: Igualdade de tarifa NAFTA para o SLCC brasileiro ...................................68
7.2. Cenário 2: Queda de 50% da tarifa EU para o SLCC brasileiro ................................... 68
7.3. Cenário 3: Igualdade de tarifa NAFTA para o SLCC brasileiro e queda de 50% da
tarifa EU para o SLCC ................................................................................................. 69
7.4. Comparação entre a situação atual e os três cenários.................................................... 70
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8 – Quadros Síntese ................................................................................................................ 71
9 – Bibliografia Levantada .................................................................................................... 74
Anexo 1 – Modelo da matriz de recomendações.................................................................. 76
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1 - Introdução e Objetivos
Importantes mudanças na economia mundial na última década resultaram em ajustes dos
agentes de sistemas produtivos, buscando competitividade perante os novos desafios. A
cadeia citrícola brasileira é uma das líderes do processo, dentre vários fatores, em função da
natureza de um sistema basicamente voltado para o mercado externo. Para o Brasil, a cadeia
citrícola trás anualmente mais de US$ 1 bilhão em divisas, sendo um dos principais produtos
na pauta das exportações.
Sua liderança mundial na produção do suco de laranja concentrado congelado (SLCC), é
notável, representado mais de 80% das exportações mundiais do referido mercado. Como a
cadeia citrícola não se limita apenas a industrialização de sucos, o trabalho também explorará
a comercialização de frutas in natura e alguns subprodutos. O foco do estudo será o sistema
da laranja, não se excluindo na análise, pontos relevantes das cadeias das limas (Limão Taiti e
outras limas), do limão (Limão Siciliano) e das tangerinas, desde que tenham relevância para
o Brasil.
Com competitividade reconhecida no âmbito internacional, a cadeia citrícola brasileira
depara-se com inúmeras restrições comerciais que afetam o desempenho dos agentes e fazem
com que seu tamanho e potencial de crescimento sofram restrições. Nos principais mercados,
praticamente todos os produtos oriundos da cadeia citrícola são taxados, com destaque para o
suco de laranja, que é penalizado, em alguns casos, com barreiras tarifárias superiores a 70%
de seu valor.
Em função das restrições, o produto brasileiro perde competitividade no mercado
internacional, reduzindo a entrada de recursos externos para o país. No momento atual, é
importante para o Brasil ampliar exportações, com a base atual e com novos produtos, para
isso, inúmeras estratégias estão sendo desenhadas. No caso dos cítricos, a negociação para a
redução das barreiras tarifárias junto aos órgãos internacionais responsáveis é crucial para a
sobrevivência e ampliação do segmento no Brasil. Além disto a cadeia citrícola deve servir
de benchmark para outras frutas brasileiras, afinal também existem condições.
O objetivo deste estudo é discutir a competitividade atual e futura da cadeia citrícola com foco
nos riscos e oportunidades gerados a partir do processo de liberalização comercial, em
especial, os acordos de livre-comércio com a UE e com a ALCA.
2 - Metodologia Aplicada na Análise de Acesso a Mercados
Esta nota técnica possui uma detalhada análise tarifária dos diversos produtos que compõem o
setor de cítricos. Esta seção tem como objetivo apresentar o padrão definido para execução da
análise tarifária apresentada no decorrer deste trabalho.
Em primeiro lugar, observou-se que na cadeia citrícola a principal forma de proteção utilizada
pelos EUA e pela UE eram as barreiras tarifárias. Por este motivo, optou-se por aprofundar a
discussão das barreiras ao comércio dirigida para as estruturas tarifárias dos principais
mercados em cada setor. Adotou-se como meta, no mínimo, analisar as tarifas aplicadas pelos
EUA e UE para a nação mais favorecida, que em todos os produtos inclui o Brasil, e para os
principais acordos de preferência. No caso dos EUA, os principais acordos são o NAFTA
(EUA-Canadá e EUA-México ), o Acordo Anti-Drogas (Bolívia, Colômbia, Equador e Peru)
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e o CBI (países do Caribe). No caso da UE, foram selecionados os seguintes acordos: SGP
(sistema geral de preferências), SGP específico para países sub-desenvolvidos e ACP (países
africanos ex-colônias da Europa).
A primeira etapa consistiu na definição das linhas tarifárias a 8 dígitos do Sistema
Harmonizado Internacional (SH) que definem os produtos transacionados na cadeia citrícola.
Nesta etapa, foi fundamental um contato com o setor privado para entendimento das
descrições das linhas tarifárias e os produtos operados pelo mercado. A nota técnica apresenta
a listagem das linhas que integram o setor de cítros. Para cada linha tarifária foram coletadas
os dados de tarifas, incluindo a TEC do Mercosul, e os dados de fluxo de comércio
(importações e exportações) para Brasil, EUA e UE, mantendo em separado os dados intra e
extra-UE.
O SH encontra-se harmonizado entre os países somente até o 6o dígito. Isto significa que o
cruzamento dos dados de tarifas de um país com os fluxos de outro país deve ser feito apenas
a 6 dígitos. Dessa forma, os dados de fluxo a 8 dígitos devem ser somados para compor o total
a 6 e os dados de tarifas devem ser retornados à média simples entre todas as linhas a 8 dígitos
que são iguais a 6 dígitos. Esse procedimento só não foi necessário quando o fluxo foi
analisado pelos dados de importação do país de destino porque, nesse caso, as informações
estão harmonizadas a 8 dígitos.
Os dados referentes à TEC e às exportações brasileiras foram coletados nas bases de dados do
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Para as demais informações, foram
utilizadas as seguintes bases de dados: Hemisferic Data Base-FTAA versão 1.0a de 2002,
Eurostat Comext Data Base versão 4.10.1998, DataIntal versão 3.1, TRAINS versão 8.0 de
2001 (Trade Analysis and Information System) e bases de dados da United States
International Trade Comission.
Os dados de tarifas expressas em ad valorem não apresentaram problemas para análise. Já
para os dados de suco de laranja concentrado, as tarifas específicas foram transformadas em
equivalente ad valorem. Para a conversão, além da necessidade de definição de coeficientes
industriais, já que o suco é exportado concentrado mas a tarifa é expressa em suco
reconstituído, foram utilizados preços de importação dos EUA e da UE.
Deve-se considerar ainda o problema das tarifas sazonais que foram identificadas nas frutas
cítricas frescas. A UE utiliza esse tipo de mecanismo para fixar, em diferentes períodos do
ano, preços de entrada (entry prices) para os produtos importados. Esse tipo de mecanismo
está autorizado no AARU para frutas e vegetais hortícolas. As tarifas sazonais apresentadas
nos cítricos, portanto, não tem como objetivo impedir importações mas regular o preço
internalizado do produto importado.
3 - Mudanças nas tendências mundiais da Cadeia Citrícola com
foco na segunda metade dos anos 90
3.1- Principais tendências da demanda por produtos citrícolas, da organização da cadeia
produtiva e das inovações tecnológicas.
Nesta primeira parte, procura-se fazer uma descrição do sistema agroindustrial (SAG) da
citricultura, cadeia citrícola. Como principais produtos para o consumo final, tem-se os sucos
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cítricos e as frutas in natura e para o consumidor industrial, os óleos essenciais e os pellets de
polpa seca.
No momento da compra de sucos cítricos, os consumidores deparam-se com diversos
produtos: (i) concentrados, onde existe a necessidade de adição de água; (ii) reconstituídos, a
etapa de adição de água é realizado em processo industrial, e o produto é disposto pronto para
o consumo; (iii) pasteurizado (NFC – Not from Concentrated), na industrialização, o suco
apenas é submetido a tratamento térmico, e apresenta-se pronto para o consumo; e (iv) suco
fresco, nenhum tratamento é dado o produto final. Já as frutas são adquiridas in natura,
frescas, e o preparo para consumo é feito artesanalmente, seja para confecção de sucos, ou o
consumo direto da fruta. A Figura 3.1 representa esquematicamente o fluxo da produção
agrícola até o consumo final, ultrapassando as barreiras territoriais dos países.
Figura 3.1: O Sistema Agroindustrial (SAG) da Citricultura, Cadeia Citrícola.
Pesquisa
Insumos
Agrícolas
Produção
de Frutas
Industrialização
Equipamentos
da Indústria
Venda in
natura
Mercado
Interno
Packing
House
Tradings
(exportação)
Suco
Pasteurizado
Embalagem
Óleo
Essencial
Ind. de
Bebida e
Outras
Suco
Concentrado
Congelado
Bagaço
Frutas Frescas
Suco Fresco
Distribuição
Distribuição
Consumo
Final
Distribuição
Tradings
Diluidora
Engarrafadora
Distr.
Polpa
Seca
Indústria
Alimentação
e Outras
Distr.
Outros
Subprodutos
Fonte: Autores
As propriedades organolépticas (coloração, sabor, cheiro, etc.) do suco fresco não são tão
presentes na industrialização, entretanto, o produto fresco apresenta elevada perecibilidade. A
evolução tecnológica no processamento de sucos busca garantir a manutenção dos atributos
desejados pelos consumidores no produto industrializado, mas ainda apresenta limitações. O
suco concentrado possui um ciclo de vida maior, mas pode perder atributos de qualidade,
mesmo com a perfeita reconstituição (adição de água).
No transporte de longa distância, entre continentes, o suco concentrado congelado possui
vantagens devidas, principalmente, ao ciclo de vida mais longo, permitindo a manutenção de
estoques. Próximo ao consumidor, país destino, adiciona-se água ao produto. Com o aumento
das exigências dos consumidores, os atributos encontrados nos sucos frescos passaram a ser
valorizados, induzindo o direcionamento das estratégias dos agentes para o desenvolvimento
de um produto mais próximo do natural. Como uma das soluções, aprimorou-se o suco
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pasteurizado, sendo este um produto altamente valorizado pelo consumidor em detrimento do
suco reconstituído, elaborado a partir do concentrado. O transporte à longa distância do suco
pasteurizado é extremamente complexo, dificultando a produção em locais distantes do
consumidor final, como o transporte entre continentes. Porém, experiências recentes no Brasil
mostram que é possível atender este mercado também.
O suco de laranja concentrado e congelado (SLCC) é um dos principais produtos da cadeia
citrícola para o Brasil. A Tabela 3.1.1 apresenta a produção mundial de laranja e de suco
concentrado.
Tabela 3.1.1: Principais Países Produtores de Laranja e de Suco de Laranja Concentrado
Congelado – 1999/00
Países
Produção Mundial de Laranja
Produção Mundial SLCC (65o
Brix) 2
(1.000) 1
(t.)
(%)
(t.)
(%)
Brasil
15.953
34
1.106.000
47
EUA
11.980
25
1.064.102
44
México
3.100
7
44.000
2
Espanha
2.828
6
45.500
2
Outros
13.156
28
116.529
5
Total
47.017
100
2.376.131
100
Fonte: 1- USDA –United States Department of Agriculture - World Horticultural Trade & U. S. Export Opportunities - February
2001. 2 - National Agricultural Statistics Service and U. S. Department of Commerce, Bureau of Census. Florida Department of
Citrus. Reports from U. S. Agricultural Counselors and Attaches and/or USDA/FAS Estimates.
Observa-se a concentração da produção de laranjas e da industrialização do SLCC em quatro
países, Brasil e EUA na liderança, seguidos pelo México e pela Espanha. Já, quanto as
exportações, o Brasil possui liderança absoluta, uma vez que a produção americana é
consumida internamente. A Espanha destaca-se na comercialização de frutas in natura,
produto com alto valor agregado, e o México concorre diretamente com o Brasil nas
exportações de SLCC para os EUA, beneficiado pelo NAFTA (Tabela 3.1.2).
Tabela 3.1.2: Principais países exportadores de suco de laranja concentrado e congelado
(FCOJ), anos safra de 1998 a 2001 (em 1000 toneladas métricas, a 65º Brix).
País
1997/98
1999/00
2000/01
1.295
1.240
1.185
Brasil
106
100
95
EUA
56
73
21
Espanha
45
37
33
México
28
31
30
Itália
24
30
25
Outros
1.554
1.511
1.389
TOTAL
Fonte: Agrianual, 2002.
Pode-se observar que algumas alterações nas exportações brasileiras dos produtos citrícolas
aconteceram nos últimos anos. No caso do suco, após 6 anos na casa das 1,1 a 1,2 milhão de
toneladas, observa-se em 2001 este valor chegando próximo a 1,35 milhão. A laranja fresca,
apesar de pequeno, dobrou de volume de 2000 para 2001 e o farelo parece reconquistar
mercado após a grande redução em 1998 e 1999 (tabela 3.1.3).
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Tabela 3.1.3: Brasil: Volume das Exportações Cítricas, 1996 a 2001 (em mil t)
Produto
1996
1997
1998
1999
2000
Suco Concentrado
8
2001
1.189,1
1.186,4
1.236,2
1.176,8
1.276,8
1.348,2
99,2
91,6
65,6
103,3
75,3
139,6
Farelo de Polpa Cítrica
1.226,4
1.403,1
233,3
838,5
557,7
1.020,4
Óleo Essencial de
Laranja
Total da Citricultura
17,2
25,7
24,1
26,1
17,7
26,6
2.531,9
2.734,0
1.559,2
2.144,7
1.927,5
2.534,8
Laranja Fresca
Fonte: Elaborado a partir de diversos boletins indicadores da Agropecuária (CONAB), 1996 a 2001.
Porém, em termos de valor, observa-se a queda deste de 2000 para 2001, principalmente
devido aos baixos preços internacionais do suco concentrado. (tabela 3.1.4)
Tabela 3.1.4: Exportações Brasileiras de Laranja e seus Derivados (volume em 1000 t e valor
em 1000 US$ F.O.B.).
Produto
2000/2001
2001/2002
Valor
Volume
Valor
Volume
55.085.600
58.222.642
Exportações Totais
1.033.646
1.276,8
845.094
1.348,2
Suco Concentrado
15.248
75,3
27.538
139,6
Laranja Fresca
38.308
557,7
61.925
1.020,4
Farelo de Polpa Cítrica
17.469
17,7
23.392
26,6
Óleo Essencial de Laranja
1.104.671
1.927,5
957.949
2.534,7
Total da citricultura
Fonte: CONAB, Fev/2002.
Os principais destinos do principal produto podem ser vistos na tabela 3.1.5. Percebe-se por
esta como a União Européia é o principal cliente do produto brasileiro. Outro fator
interessante é observar o declínio e posterior recuperação no Nafta.
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Tabela 3.1.5 - SP – Exportações de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ)
Ano safra (Jul – Jun) – em toneladas
ANO
UNIÃO
NAFTA
ÁSIA
OUTROS TOTAL
SAFRA
EUROPÉIA
1990/1991
402.000
303.000
68.000
12.000
785.000
1991/1992
500.000
341.000
90.000
21.000
952.000
1992/1993
608.000
325.000
84.000
29.000
1.046.000
544.000
364.000
102.000
25.000
1.035.000
1994/1995
631.000
216.000
146.000
31.000
1.024.000
1995/1996
709.000
190.000
98.000
33.000
1.030.000
1996/1997
789.000
193.000
125.000
30.000
1.137.000
1997/1998
867.000
204.000
108.000
38.000
1.217.000
1998/1999
756.000
210.000
93.000
37.000
1.096.000
1999/2000
725.438
252.938
113.303
39.913
1.131.592
2000/2001
845.781
264.674
99.176
24.643
1.234.274
1993/1994
Fonte: Abecitrus
3.2 - Identificação dos principais players mundiais na Cadeia Citrícola e suas estratégias
de internacionalização
Antes de mais nada, é importante destacar o papel cada vez mais forte do grande varejo
também nesta cadeia produtiva. Devido à concentração forte do varejo europeu, principal
destino do suco brasileiro, com suas estratégias de lançamento de marcas-próprias (marcas
das redes varejistas) este passa a ter cada vez maior influência na cadeia produtiva. A Figura
3.2.1 é um resumo do mercado internacional de suco. Basicamente tem-se um grande
produtor e um grande comprador.
Figura 3.2.1: Descrição Simplificada da Cadeia Citrícola
Fornecimento
insumos
Fazenda
de
Laranja
Indústria
de
Suco
Indústria
de
bebidas
Varejo,
Serviços de
alimentação
CONSUMIDOR
PRODUÇÃO: BRASIL
CANAIS: EUROPA
Exporta 80% do total do suco exportado
Importa 70% do total mundial de suco exportado
O varejo na Europa Ocidental vendeu mais de US$ 900 bilhões em alimentação e bebidas em
1998. No entanto, este setor, (tal como o consumo de sucos), está crescendo mais na Europa
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Oriental, enquanto permanece estável ou com pequeno crescimento na Europa Ocidental.
Além disto, é bastante heterogêneo, com diversos tipos de lojas operando juntas, de superlojas
a hipermercados, supermercados, lojas de descontos, lojas de conveniência, lojas de
especialidades e mercados de rua. Os maiores varejistas são principalmente de origem
francesa e alemã. Outro aspecto interessante é que redes de varejo costumam se juntar e
comprar por meio de grupos de compras, aumentando o poder de negociação e eficiência.
Concentração, expansões e operações globais, marcas próprias, tecnologia e logística, entre
outros, são os principais assuntos hoje discutidos.
Os varejistas oferecem vários serviços para os consumidores, como conveniência espacial,
disponibilidade de produtos, tamanhos menores do lote, amplitude de sortimento, e menor
tempo de entrega. Dependendo ainda do posicionamento, mais serviços são oferecidos,
tornando a variação ainda maior. Até o suco fresco, preparado na hora, é vendido por
varejistas. Dependendo do seu tipo, os varejistas executam todas as funções de distribuição:
posse do produto, estoques, negociação, promoção ao consumidor final, fluxo de informação
para trás (dados e pesquisa), finanças, e riscos. Porém, algumas funções estão gradualmente
sendo transferidas, tais como a exigência de promotores/repositores de gôndolas nas lojas, a
participação nas atividades de promoção, reposição contínua de estoques e outros.
Tabela 3.2.1: Os 20 Maiores Varejistas de Alimentos Europeus: vendas na Europa, em 1996.
Empresa
Intermarche
Rewe
Aldi
Metro/Makro
Promodes
Edeka/Ava
Auchan
Tesco
Sainsbury
Carrefour
Tengelmann
Leclerc
Lidl
Casino
Asda
Safeway
Systeme U
Cora
Coop
Marks & Spencer
Origem
França
Alemanha
Alemanha
Alemanha
França
Alemanha
França
Reino Unido
Reino Unido
França
Alemanha
França
Alemanha
França
Reino Unido
Reino Unido
França
França
Suíça
Reino Unido
Venda de
Alimentos
US$ bilhões
26,3
25,0
22,8
22,4
21,1
20,7
20,3
16,9
14,7
14,4
13,1
12,4
11,5
9,1
8,2
8,2
7,2
6,7
5,9
3,9
Total de
Vendas
US$ bilhões
32,4
30,8
26,5
49,2
27,5
24,5
28,0
22,5
17,3
22,7
17,6
23,4
13,2
12,1
10,3
9,6
8,1
8,8
8,3
9,7
Fonte: M+M Eurodata, Rabobank, 1998.
As tabelas 3.2.2 e 3.2.3 mostram esta concentração no varejo europeu.
Participação de
Marcas
Próprias (%)
99%
42%
57%
25%
30%
41%
100%
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Tabela 3.2.2: Distribuição de Sucos de Frutas no Varejo, em 1995.
Canais de Distribuição
Volume de vendas
Mercearias/ Supermercados
Armazéns, Clubes Atacadistas
Merchandisers de massa
Lojas de Conveniência
Outras
82 %
7%
5%
1%
5%
Fonte: Euromonitor, 1997.
Tabela 3.2.3: Canais de Distribuição de Suco de Frutas em alguns países, em %, para 1997.
Países
EUA
Alemanha
Japão
Reino Unido
Brasil
França
Austrália
México
Colômbia
Espanha
China
Canadá
Rússia
Arábia
Saudita
Varejo de
Alimentação
71,8
38,6
44,0
82,0
90,5
89,4
46,0
26,0
24,0
64,2
82,9
67,1
56,0
48,0
Super
Lojas
5,1
51,3
8,8
3,0
1,3
26,0
20,0
3,0
5,0
8,2
4,1
3,0
6,5
Outros
5,8
2,5
8,0
3,0
2,3
16,0
18,0
47,0
0,8
13,4
10,0
6,0
Mercados
de Rua
1,5
0,3
4,0
1,3
2,0
7,0
2,4
3,4
4,5
12,0
4,0
Serviços e
Catering
14,4
5,9
14,0
6,0
3,9
9,9
10,0
36,0
19,0
25,8
5,5
7,0
19,0
35,0
Máquinas
de vendas
3,0
0,2
24,9
2,0
0,7
0,7
1,8
3,9
0,5
Fonte: Euromonitor, 1998.
O segundo setor de destaque na distribuição do suco, com cerca de 15% do total utilizado na
Europa é o setor de serviços de alimentação. Existem mais de 1,5 milhões de lojas de
serviços de alimentação na Europa. De acordo com a Euromonitor (para Alemanha, França,
Reino Unido, Itália e Espanha), o mercado total de serviços de alimentação em cada um
destes países gira em torno de US$ 40 a 60 bilhões/ano. É importante notar a concentração
que vem ocorrendo, com grandes redes de fast-food e de refeições industriais, que faturam
mais de US$ 4 bilhões por ano.
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Tabela 3.2.4: Principais contratos de Caterers na Europe em 1998 e vendas em US$ milhões
Nome
Países Operantes (primeiro=origem)
Vendas
Européias
Compass
Reino Unido e outros
3.784
Sodexho
França e outros
3.699
Granada
Reino Unido
1.127
Avenance
França, Reino Unido, Holanda, Espanha
976
Aramark
EUA, Bélgica, Alemanha, Espanha, RUnido, Hungria
750
SV – Service
Suíça, Alemanha
294
Pedus Service
Alemanha, Bélgica, Luxemburgo, Itália
270
Grouppe Apetito Alemanha, França, Reino Unido, Holanda
243
Gruppo Onama
Itália
241
Sogeres
França
235
Fonte: Rabobank, 1998.
Este é um segmento de mercado que cresce devido aos gastos fora de casa, demanda por
conveniência, aumento das pressões de tempo e desejo por diversão, ambiente e serviços. O
produto pode alcançar os maiores preços finais neste segmento, pois um consumidor pode
pagar mais de US$ 2 por um copo de 200 ml. de suco de laranja (o preço de dois litros no
supermercado).
As necessidades das grandes cadeias de fast-food são diferentes dos pequenos restaurantes,
que podem até mesmo comprar o suco no supermercado mais próximo, e estas são ainda
diferentes dos restaurantes com alto valor percebido. Caterers também possuem diferentes
necessidades quanto a embalagens, qualidade, sabor, marcas, sortimento, entrega e outros
serviços, dependendo de onde as refeições serão oferecidas (por exemplo, para aviões ou
refeições de trabalhadores). Caterers e cadeias de fast-food possuem uma crescente orientação
internacional e buscam fornecedores globais.
Desse modo, deve-se procurar entender o mercado distribuidor de sucos na Europa, o
principal consumidor, e verificar as oportunidades existentes, dentro do conceito do
marketing, de satisfação das necessidades dos consumidores, sejam industriais (varejo e setor
de serviços) ou finais. O processo de segmentação de mercados é fundamental. Vale observar
ainda o interesse do varejo em aumentar vendas através de sua marca-própria (oportunidade
para fornecimento), praticar o ECR, ter um fornecedor de sucos para toda a categoria de
bebidas, gestão por categoria de produtos, e, mais do que nunca, a garantia total de qualidade,
face aos recentes problemas de contaminação em alimentos e bebidas na Europa. Já o setor de
serviços é um crescente e interessante canal de distribuição para relação direta de
fornecimento de suco, no formato que desejarem, pois também estão adotando conceitos de
EFR (efficent foodservice response - resposta eficiente ao setor de serviços de alimentação,
envolvendo todo o sistema).
Próximos da ponta do mercado consumidor de sucos encontram-se os engarrafadores e
distribuidores, grandes empresas de bebidas que dominam os canais de distribuição e
desenvolvem políticas de comunicação, lançamentos de produtos para segmentos específicos
do mercado, ou seja, tem trabalho de marketing bastante agressivo. Os engarrafadores
executam todas as funções básicas de distribuição do suco brasileiro, comprando o produto,
re-processando o suco concentrado (transformando-o em vários tipos de produtos e misturas),
fazendo estoques, transporte, adicionando marcas (dando informação aos consumidores),
fornecendo força de vendas, realizando pesquisas de marketing, embalagens, negociações,
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financiamentos, tomando riscos, ordenando e realizando pagamentos. Barreiras à entrada
neste segmento, no que se refere às tecnológicas e de capital, não são tão altas devido aos
relativamente baixos investimentos em linhas de embalagens (estimativas indicam custos de
US$ 1 milhão por uma linha com capacidade de cerca de 10 a 15 mil litros/hora) e
conhecimento da tecnologia.
No entanto, existem algumas especificidades quanto à localização das fábricas (custos de
transporte dos sucos e necessidade de proximidade dos locais de fornecimento de água).
Existem ainda especificidades de tempo, devido à freqüência de entrega desejada pelos
supermercados e cadeias de fast-food, além da duração dos produtos nas gôndolas. As
necessidades com relação ao fornecimento do suco concentrado dependem do posicionamento
de mercado (em termos de qualidade, preços e marca), sendo que as empresas mais
diferenciadas exercem forte monitoramento do processo de produção e extração do suco, pois
tem marca reconhecida e um nome a zelar. Devido ao tempo de entrega (os produtos vão à
Europa em navios), custos de estocagem (refrigeração) e sazonalidade, este processo logístico
é muito importante.
Mais de 1000 empresas operam neste mercado na Europa, sendo cerca de 400 na Alemanha e
600 no resto da Europa. Trata-se de uma das mais fragmentadas indústrias de bebidas, com
baixas participações de mercado (estima-se que nenhuma empresa possua mais que 5% do
mercado europeu) e excesso de capacidade instalada (estimada em mais de 30%).
As empresas de sucos estão se ligando às maiores empresas multinacionais de bebidas
(empresas de alimentos não são tão ativas no mercado europeu de bebidas), com várias fusões
e aquisições. Os 10 principais engarrafadores possuíam, em 1992, cerca de 28% da
participação de mercado, e em 1997, 36%. Esta concentração com certeza varrerá do mapa
uma parte das 1000 empresas, muitas ainda familiares, fragmentadas, de pouca inovação e
limitada variedade de produtos. Vale dizer que nos EUA, onde empresas multinacionais de
bebidas dominam o mercado de sucos, a concentração é ainda maior (3 maiores empresas com
quase 47%). Adicionando esta participação à das marcas próprias dos supermercados, as 4
maiores marcas atuantes no mercado possuem quase 80% da participação total.
Tabela 3.2.5: Participação de mercado das marcas e marcas-próprias em 1997
Participação
EUA
ALEMANHA
REINO
FRANÇA
de Mercado
UNIDO
% 3 Maiores
46.7%
31.5%
27%
27.6%
% Marca
33.5%
31.5%
31%
33.8%
Própria
Outras Marcas
19.8%
37.0%
42%
38.6%
Fonte: Euromonitor, em Heijbroek et al, 1998.
Empresas como a Coca-Cola, Pepsi-Cola, Nestlé, Dole e Procte & Gamble atuam neste
segmento. A tabela 3.2.6 mostra a participação de mercado das 10 maiores empresas na
Europa. Observa-se um processo de concentração.
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Tabela 3.2.6: Participação de mercado das 10 maiores empresas de suco na Europa, em 1992,
1994, 1995 e 1997
Ano
Participação de Mercado dos 10 Maiores
Engarrafadores
1992
27,8 %
1994
29,1 %
1995
31,2 %
1997
36,2 %
Fonte: M + M Eurodata in Eckes, 1998.
A Tabela 3.2.7 mostra as principais empresas e suas marcas para o ano de 1998 no mercado
Europeu, o principal destino das exportações brasileiras. Pode-se observar o grande número
de grandes empresas e grandes marcas, o que mostra a dificuldade de inserção de marca
brasileira.
Tabela 3.2.7: Principais Produtores e Marcas de Sucos de Frutas na Europa, em 1998
País
Alemanha
França
Reino Unido
Holanda
Itália
Produtor
Eckes
Stute
Dittmeyer (P & G)
Riha
Emig
Seagram
VJF Joker
Marie Brizard
Hero
JFA Pampryl (Pernod Ricard)
Pepsi
Del Monte Foods
Nestlé
Coca-Cola
Gerber Foods
Mitsubishi
Riedel
Vrumona
Hero
Massalombrada/Conserve
Zuegg
Parmalat
Confruit
Del Monte
Principais Marcas
Granini, Hohes-C, Dr. Koch’s, La Bamba
Stute
Valensina, Punica
Riha Richard Hartung
Emig
Maxime Delarue & Looza
Joker, Florida, Poupie, Super Poker
Cidou
Les Verges D’Alsace, Rea
Pampryl, Bamba, Agruma
Tropicana
Del Monte, Fruit Burst, Outspan
Libby’s C, Um Bongo, Moonshine
Five Alive
Southern Delight, Sun Pride, Sunny
Delight
Prince’s
Appelsentje, Cool Best, Gondappeltje,
Dubbel Drank
Rivella, Sisi
Hero
Valfrutta, Yoga, Jolly
Apply, Skipper, Frutta Viva, Soft
Santal
Confruit
Del Monte, Batik
Fonte: produzida pelos autores utilizando dados da Euromonitor/trade interviews Notes: * refere-se somente ao suco puro - “Outros” inclui
marca própria.
Já no processamento industrial do suco, verifica-se a presença de empresas especializadas,
como as brasileiras Cutrale e Citrosuco, que tem alianças estratégicas com a Coca-Cola e a
Pepsi-Cola nos EUA, ou exportam o suco do Brasil, para finalização no país destino. Mais
três empresas dominam a cadeia citrícola, que são a Citrovita, Cargill e Coimbra/Dreyfus.
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Estas serão descritas com mais detalhes no próximo capítulo, bem como a produção rural no
Brasil.
A tendência é que as gigantes do setor de bebidas direcionem as estratégias para a
comercialização do produto acabado, transferindo as atividades de produção para empresas
especializadas na atividade, importando o SLCC ou produzindo localmente com matériaprima regional. Neste segmento, as principais empresas estão sediadas no Brasil, sendo
altamente competitivas e eficientes, com atuação internacional.
Todas as etapas produtivas adicionam valor. A maior agregação de valor se dá na
comercialização do produto final, entretanto, inúmeros fatores e barreiras, que serão
discutidos posteriormente, estão retardando o avanço da produção brasileira (produção feita
no Brasil) na cadeia produtiva. As tarifas incidem na importação do produto, especialmente na
commodity SLCC, de baixo valor agregado.
O mercado internacional de frutas in natura é altamente diferenciado, dominado pela
Espanha, que possui condições climáticas e técnicas para produção, pós-colheita e
comercialização de frutas frescas de alto padrão. É um mercado de alto valor agregado, com
grande potencial de crescimento e presença de barreiras tarifárias e proteção sanitária.
3.3 - Papel do Estado na Cadeia Citrícola: evolução e relevância de políticas públicas
É inegável a importância do suco concentrado congelado na pauta de exportações do Brasil.
Pela Tabela 3.3.1 pode-se perceber que ocupava a 8a posição em 1999.
Tabela 3.3.1: Exportação Brasileira por Fator Agregado – Produtos que Superaram
US$1 bilhão, 1998-1999
Produto
1998
1999
US$ bilhão FOB
Posição
US$ bilhão FOB
48,011
TOTAL EXPORTAÇÕES 51,140
12,977
11,828
BÁSICOS
o
3,253
1
2,746
1. Minérios ferro
o
2,332
2
2,230
2. Café em grão
o
2,178
3
1,593
3. Soja em grão
o
1,750
4
1,504
4. Farelo de soja
7,982
SEMIMANUFATURADO 8,120
S
1,049
13o
1,243
1. Celulose
o
1,096
12
1,162
2. Açúcar em bruto
o
1,255
9
1,096
3. Seminuf. Ferro/aço
29,387
27,329
MANUFATURADOS
o
1,159
10
1,772
1. Aviões
1,387
7o
1,342
2. Calçados
o
1,262
8
1,235
3. Suco de laranja
1,429
6o
1,229
4. Autopeças
o
1,619
5
1,139
5. Automóveis passag.
o
1,119
11
1,043
6. Motores p/veículos
Fonte: Balança Comercial Brasileira – p. 21 – Secex/MDIC – janeiro/2000.
Posição
1o
2o
4o
5o
7o
10o
12o
3o
6o
8o
9o
11o
13o
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Sua importância fica mais evidente ainda quando se isolam os dados referentes ao Estado de
São Paulo. O suco de laranja é o segundo produto em importância econômica para o Estado.
(Tabela 3.3.2)
Tabela 3.3.2: Estado de São Paulo - Principais Produtos Exportados em
US$ milhão FOB, 1997 a 1999
1997
1998
1999
US$
US$
US$
Produto
milhão
%
milhão
%
milhão
%
FOB
FOB
FOB
510,9
2,82
957,0
5,25
1.343,5
7,66
Aviões a turbo jato
997,3
5,40
1.234,0
6,77
1.198,2
6,83
Suco de laranja
466,1
2,58
566,9
3,11
748,0
4,26
Açúcar de cana (bruto)
535,7
2,96
646,6
3,55
582,9
3,32
Outros açúcares de cana, sacarose
447,2
2,47
422,7
2,32
365,9
2,09
Automóveis
505,6
2,80
304,2
1,67
361,9
2,06
Café não torrado (grão)
14.625,0
80,97
14.094,7
77,33
12.941,4
73,78
Outros
18.087,8
100,00 18.226,1
100,00 17.541,8
100,00
TOTAL
Fonte: Secex/MDIC – março/1998 e março/2000.
Mesmo dentro do agronegócio, que já o setor mais exportador do Brasil, o suco apresenta
posição de destaque (Tabela 3.3.3)
3.3.3 :Balança Comercial - Valor das Exportações Totais, dos Agronegócios e da Citricultura
US$ milhões FOB, 1997 a 1999
Ítem
1997
1998
1999
Exportações totais
52.990,1
51.120,0
48.011,0
Exportações agronegócios
15.267,0
13.896,4
13.444,0
Exportações citrícolas
1.165,1
1.313,0
1.324,3
Suco concentrado
1.005,8
1.262,3
1.235,1
Laranja fresca
22,6
14,3
21,1
Farelo de polpa
110,6
18,9
51,1
Óleo essencial
26,1
17,5
17,0
Fonte: SECEX/DECEX – Indicadores da Agropecuária – março/99 e Balança Comercial Brasileira, janeiro/2000.
No mercado mundial, a principal intervenção do estado se dá no âmbito das negociações das
restrições do comércio internacional. No momento atual, tanto os EUA, quanto a UE,
restringem a entrada de produtos oriundos da cadeia citrícola, impondo barreias tarifárias às
importações.
As Tabelas 3.3.4, 3.3.5, 3.3.6 e 3.3.7 apresentam as principais barreiras impostas às
importações dos produtos da cadeia citrícola.
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Tabela 3.3.4: Código do Sistema Harmonizado dos EUA, Tarifárias Específicas e Equivalente
Ad Valorem das Importações Americanas Incidentes nos Principais Produtos da Cadeia
Citrícola para o Ano de 2000
Produto
Sistema
Tarifa Específica
Equivalente
Harmonizado
Ad Valorem (1)
EUA
Suco de Laranja Concentrado
2009.11.00
$0,0785/litro do
56,7%
Congelado
reconstituído
Suco de Laranja Pasteurizado
2009.19.25
$0,045/litro do
13,7%
(Não concentrado, não
reconstituído
reconstituído e não congelado)
Laranja In natura
805.10.00
$0,019/kg
1,8%
Óleo Laranja
3301.12.00
2,7% Ad Valorem
2,7%
Suco de Limão Concentrado
2009.30.60
$0,079/litro do
37,2%
reconstituído
Suco de Limão não Concentrado 2009.30.40
$0,034/litro do
2,5%
reconstituído
Limão In natura
805.30.20
$0,022/kg
3,3%
Óleo Limão
3301.13.00
3,8% Ad Valorem
3,8%
Suco de Lima (bebidas)
2009.30.20
$0,017/litro do
1%
reconstituído
Lima In natura
805.30.40
$0,018/kg
4,2%
Óleo Lima
3301.14.00
0
0%
Suco de Tangerina Concentrado 2009.30.60
$0,079/litro do
37,2%
reconstituído
Suco de Tangerina não
2009.30.40
$0,034/litro do
2,5%
Concentrado
reconstituído
Tangerina In natura
805.20.00
$0,019/kg
1,6%
Óleo Tangerina
3301.19.50
0
0%
1 - Calculada a partir do preço médio pela fonte dos dados
Fonte: Hemisferic Database/FTAA V.1.0.
Ao analisar as tarifas incidentes nas importações americanas, verifica-se que as maiores
restrições estão no suco concentrado, chegando a 56% de tarifa Ad Valorem equivalente no
SLCC, sendo este o principal produto no fluxo das exportações brasileiras. Além da tarifa
mencionada, para entrar na Flórida, o SLCC brasileiro recolhe 2,7 centavos de dólar por galão
(US$ 40/t) como taxa de equalização, sendo contestada na justiça americana pelas empresas
importadoras. No dia 19 de agosto de 2002, o Brasil solicitou a abertura de um “panel”
(comitê de arbitragem), junto a OMC, para julgar a referida taxa imposta pela Flórida. Outro
fator que reduz a competitividade do suco brasileiro é o NAFTA, em que o México,
competidor nas exportações de SLCC, se beneficia de tarifas especiais para entrada no
mercado americano, conforme é apresentado na Tabela 3.3.5
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Tabela 3.3.5: Tarifas Incidentes na Importação Americana de Alguns Produtos Mexicanos em
Função do NAFTA - 2002
Produto
NAFTA
Equivalente
Ad Valorem
(1)
Suco de Laranja Concentrado Congelado
$0.04625/litro do reconstituído
30,7%
dentro da cota (cota - 151416000
litros) Acima NMF (2)
Suco de Laranja Pasteurizado (Não
$0,0212/litro do reconstituído
6,45%
concentrado, não reconstituído e não
congelado)
Laranja In natura
Isento
0%
Óleo Laranja
Isento
0%
Suco de Limão Concentrado
$0,009/litro do reconstituído
4,2%
Suco de Limão não Concentrado
$0,009/litro do reconstituído
0,7%
Limão In natura
$0,002/kg
0,3%
Óleo Limão
Isento
0%
Suco de Lima (bebidas)
Isento
0%
Lima In natura
Isento
0%
Óleo Lima
Isento
0%
Suco de Tangerina Concentrado
$0,009/litro do reconstituído
4,2%
Suco de Tangerina não Concentrado
$0,009/litro do reconstituído
0,7%
Tangerina In natura
Isento de 1 de Maio a 30 de setembro 2% no período
- $0,002/kg
Óleo Tangerina
Isento
0%
1 - Elaborado pelos autores a partir dos dados da fonte – 2 – NFN – Nação Mais Favorecida
Fonte: Harmonized Tariff Schedule of the United States (2002) Ver.1.
Enquanto o Brasil paga aproximadamente 56% de tarifa para exportar o SLCC para o EUA, o
México recolhe cerca de 30%, aumentando assim, sua competitividade. Como conseqüência,
houve redução do volume importado do Brasil pelos EUA e aumento nas importações
provenientes do México.
Os EUA também possuem dois Acordos de Preferência, um anti-drogas (Bolívia, Equador,
Colômbia e Peru) e outro com o Caribe (CBI). Apenas a Costa Rica, preferência em função
do CBI, exporta volume significativo para os EUA, podendo impactar as exportações
brasileiras. Nestes acordos, as exportações são isentas de tarifas.
Assim como as tarifas impostas pelos EUA nas importações dos produtos da cadeia citrícola,
a UE também penaliza a entrada do produto brasileiro, especialmente no caso do suco de
laranja, podendo variar de 12% a mais de 70%. A UE é o principal importador de SLCC. A
importação de frutas frescas também é penalizada, variando de acordo com a época do ano e
com o produto. Existem cotas para entrada de produtos, mas os valores são irrelevantes.
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Tabela 3.3.6: Código do Sistema Harmonizado dos UE, Tarifárias Específicas e Equivalente
Ad Valorem das Importações da União Européia Incidentes nos Principais Produtos da Cadeia
Citrícola - 2000
Produto
Sistema
Tarifa
Equivalente
Harmonizado
Específica
Ad Valorem
EU
(1)
Suco de Laranja
I) Congelado
a) Concentrado (densidade superior a 1,33 g/cm3 – 20ºC):
Valor não excedendo 30 ECU por 100 kg
20091111
33,6% + 206
39,68
ECU/T
Outros
20091119
33,6%
33,60
º
b) Não Concentrado (densidade inferior 1,33 g/cm3 – 20 C):
Valor não excedendo 30 ECU por 100 kg e and
20091191
15,2% + 206
41,10
com adição de açúcar excedendo 30 % do peso
ECU/T
Outros
20091199
15,2%
15,20
II) Outros Não Congelados
a) Concentrado (densidade superior a 1,33 g/cm3 - 20ºC):
Valor não excedendo 30 ECU por 100 kg
20091911
33,6% + 206
71,75
ECU/T
Outros
20091919
33,6%
33,60
º
b) Não Concentrado (densidade inferior 1,33 g/cm3 - 20 C):
Valor não excedendo 30 ECU por 100 kg e com
20091991
15,2% + 206
61,07
adição de açúcar excedendo 30 % do peso
ECU/T
Outros
20091999
12,2%
12,20
Laranja In natura
1 a 30 de Abril
08051016
10,4% + 71
27,28
ECU/T
1 a 15 de Maio
08051026
4,8% + 71
20,98
ECU/T
16 a 31 de Maio
08051036
3,2% + 71
22,36
ECU/T
1 de Junho a 15 de Outubro
08051040
3,2%
3,20
16 de Outubro a 30 de Novembro
08051050
16,0%
16,00
1 de Dezembro a 31 de Março
08051066
16,0% + 71
29,44
ECU/T
Óleo Laranja
33011210
7,0%
7,0%
“Not deterpenated”
33011290
4,4%
4,4%
“Deterpenated”
Suco de Limão
Com adição de açúcar excedendo 30 % do peso
20093051
14,4% + 206
17,66
ECU/T
Com adição de açúcar não excedendo 30 % do
20093055
14,4%
14,40
peso
Não contendo adição de açúcar
20093059
15,2%
15,20
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
Produto (continuação)
Sistema
Harmonizado
EU
Limão In natura
08053010
Limão (Citrus limon, Citrus limonum)
“Not deterpenated”
“Deterpenated”
Lima (Citrus aurantifolia)
“Not deterpenated”
“Deterpenated”
1 de Março a 31 de Outubro
“Not deterpenated”
“Deterpenated”
Óleo Limão
33011310
33011390
Lima In natura
08053090
Óleo Lima
33011410
33011490
Tangerina In natura
08052020
Óleo Tangerina
33011110
33011190
20
Tarifa
Específica
Equivalente
Ad Valorem
(1)
6,4% + 256
ECU/T
46,70
7,0%
4,4%
7,0%
4,4%
12,8%
12,8%
7,0%
4,4%
7,0%
4,4%
16,0%
16,0%
7,0%
4,4%
7,0%
4,4%
(1) Calculado pela fonte a partir do preço médio dos produtos
Fonte: Schedule WTO _ Geneva List, TRAINS.
Observando as tabelas anteriores, 3.3.4, 3.3.5 e 3.3.6, nota-se a incidência de tarifas inferiores
para importação de sucos não concentrados, inferior a 15%, produto com grande potencial de
crescimento nas exportações brasileiras. Hoje, a manutenção ou redução desta alíquota não
proporciona retornos expressivos, entretanto, no futuro próximo, com o incremento das
exportações do suco não concentrado, pode se tornar o principal fator de vantagens
competitivas para o Brasil.
Assim como os EUA e a EU, o Brasil também possui tarifas para importação de alguns
produtos da cadeia da laranja, apresentando-se como TEC (Tarifa Externa Comum do
Mercosul). A Tabela 3.3.7 apresenta a TEC para os principais produtos gerados no sistema da
laranja.
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Tabela 3.3.7: Tarifa Externa Comum (TEC) aplicada no Brasil
08.05
CÍTRICOS, FRESCOS OU SECOS
0805.10.00 -Laranjas
0805.20.00 -Tangerinas, mandarinas e satsumas; clementinas, "wilkings" e
outros cítricos híbridos e semelhantes
0805.40.00 -Pomelos ("Grapefruit")
0805.50.00 -Limões (Citrus limon, Citrus limonum) e limas (Citrus
aurantifolia, Citrus latifolia)
0805.90.00 -Outros
20.09
2009.1
2009.11.00
2009.12.00
2009.19.00
2009.2
2009.21.00
2009.29.00
2009.3
2009.31.00
2009.39.00
33.01
3301.1
3301.11.00
3301.12
3301.12.10
3301.12.90
3301.13.00
3301.14.00
3301.19.00
SUCOS DE FRUTAS (INCLUÍDOS OS MOSTOS DE
UVAS) OU DE PRODUTOS HORTICOLAS, NÃO
FERMENTADOS, SEM ADIÇÃO DE ÁLCOOL, COM OU
SEM ADIÇÃO DE AÇÚCAR OU DE OUTROS
EDULCORANTES
-Sucos de laranja
--Congelados
--Não congelados, com valor Brix inferior ou igual a 20
--Outros
-Suco de pomelo ("grapefruit")
--Com valor Brix inferior ou igual a 20
--Outros
-Suco de qualquer outro cítrico
--Com valor Brix inferior ou igual a 20
--Outros
ÓLEOS ESSENCIAIS (DESTERPENADOS OU NÃO),
INCLUÍDOS OS CHAMADOS “CONCRETOS” OU
“ABSOLUTOS”; RESINÓIDES; OLEORRESINAS DE
EXTRAÇÃO; SOLUÇÕES CONCENTRADAS DE ÓLEOS
ESSENCIAIS EM GORDURAS, EM ÓLEOS FIXOS, EM
CERAS OU EM MATÉRIAS ANÁLOGAS, OBTIDAS POR
TRATAMENTO
DE
FLORES
ATRAVÉS
DE
SUBSTÂNCIAS GORDAS OU POR MACERAÇÃO;
SUBPRODUTOS
TERPÊNICOS
RESIDUAIS
DA
DESTERPENAÇÃO DOS ÓLEOS ESSENCIAIS; ÁGUAS
DESTILADAS AROMÁTICAS E SOLUÇÕES AQUOSAS
DE ÓLEOS ESSENCIAIS
-Óleos essenciais de cítricos
--De bergamota
--De laranja
De “petit grain”
Outros
--De limão
--De lima
--Outros
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21
11,5
11,5
11,5
11,5
11,5
15,5
15,5
15,5
15,5
15,5
15,5
15,5
15,5
15,5
15,5
15,5
15,5
15,5
A TEC oscila entre 11,5 e 15%, entretanto, a produção brasileira é altamente competitiva,
inviabilizando a importação. A proteção por meio de barreiras tarifárias não se faz necessária,
sendo uma importante moeda de troca para negociações internacionais que visam facilitar o
acesso aos mercados.
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22
3.4 - Conjuntura recente: foco nos impactos da desaceleração global
A conjuntura recente é marcada por cotações baixas no mercado internacional do SLCC,
estoques elevados, excesso de oferta de suco. Todo sistema passa por ajustes chegando a um
novo ponto de equilíbrio entre a oferta e a demanda mundial. Já em julho de 2002, os estoques
de SLCC apresentavam-se baixos, a produção de laranja em patamares aceitáveis e como
conseqüência, incremento nas cotações internacionais do SLCC. Outro ponto de destaque é a
crescente demanda do suco pasteurizado em detrimento do concentrado.
3.5 - Síntese das normas competitivas mundiais (benchmarking)
O Brasil tem importante papel na influência do mercado, uma vez que detém mais de 30% da
produção mundial de laranja e mais de 80% do mercado internacional de SLCC. Quanto aos
sucos pasteurizados, as gigantes do segmento de bebidas carbonatadas dominam o mercado,
aproximando-se das especialistas na produção de sucos cítricos na busca de parcerias e
focalização no negócio. Já no mercado de frutas frescas, a Espanha domina na produção de
laranja para mesa e o México na produção de lima. A Argentina é muito competitiva na
produção e processamento de limão.
4 - Mudanças Recentes na Cadeia Citrícola Mundial e Brasileira
4.1 - Mercado: tamanho e dinamismo; características das linhas e ciclo dos principais
produtos; principais estratégias das empresas nacionais e transnacionais.
É indiscutível a importância do sistema agroalimentar citrícola para a economia
brasileira, gerando divisas em torno de US$ 1,5 bilhão por ano, respondendo por cerca
de 53% do suco de laranja produzido no mundo e 80% do suco concentrado que
transita pelo mercado internacional. Pode-se considerar ainda o impacto na criação de
empregos e no mercado de trabalho; na ocupação da área agrícola e na valorização da
terra; na sustentação, preservação e manejo ambiental; na captação de divisas e
substituição competitiva de importação; na formação de capital, de renda e na
agregação de valor; na ativação de elos da cadeia produtiva; nos tributos, taxas e
impostos recolhidos; e na dinâmica e desenvolvimento regional de outros setores da
economia.
A cadeia citrícola brasileira caracteriza-se como dinâmica, respondendo rapidamente às
alterações do ambiente internacional. É a mais competitiva do mundo, apresentado custo de
produção agrícola e industrial imbatíveis. Fora isto, a logística montada para o transporte a
granel do suco é a mais moderna existente. A indústria processadora de SLCC coordena todo
o sistema a montante, sendo a principal responsável pelo desenvolvimento tecnológico. Atua
também na atividade agrícola, produção de citrus, no processamento de sucos, na distribuição
internacional até os embaladores, na comercialização de frutas in natura para o mercado
interno, e participação no mercado internacional de frutas frescas. A importância e a dimensão
do SAG da laranja é representada na Figura 4.1
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Figura 4.1: O Sistema Agroindustrial da Laranja e Respectivos Valores para o Ano de 1999.
A NTE S DA F A ZE ND A
F A ZE ND A
P Ó S FA ZE ND A
E m pr es a s
F rut a Fr e sc a
M er ca do In ter n o
U S$ 66 5 m ilh õe s
D e fe ns ivo s
U S$ 16 0 m ilh õe s
U S$
F e r til iza nt e s
U S$ 70 m ilh õe s
E m pr es a s
F rut a Fr e sc a
E xp orta çã o
U S$ 21 m ilh õe s
Tr a to r e s
U S$ 20 m ilh õe s
Pr odu çã o
A gr íc ola
Im p le m e nto s
U S$ 10 0 m ilh õe s
I nd ústr ia
Su co C o nce nt ra d o
C onge l a do
U S$ 1,33 bilh õe s
US $ 9 0 0 milh õe s
M u da s
U S$ 28 m ilh õe s
A ta ca d o
A ta ca d o
E m pr es a s
Ò le os e sse nc.
Va r e jo / S. Al im .
Va r e jo / S. Al im .
C ons um ido r
A ta ca d o
Va r e jo / S. A l im .
A ta ca d o
Va r e jo / S. Al im .
E m pr es a s
Pe ll et s
C ons um ido r
Co ns.
Co ns.
E xp orta çã o
E xp orta çã o
A ta ca d o
Co rre t iv o s
U S$ 9,3 m ilh õ e s
I nd ústr ia
Su co Pa s te ur iza d o
U S$ 42 m ilh õe s
F e rti liz a nte s L íq uido s
( U S$ 4 m ilh õe s)
E m p re sa s Suc o
Pr onto / Fr e sc o
U S$ 84 m ilh õe s
I r rig aç ã o
U S$ 20 m ilh õe s
A ta ca d o
A ta ca d o
Va r e jo / S. Al im .
C ons um ido r
Va r e jo / S. Al im .
C ons um id o r
Va r e jo / S. Al im .
C ons um id o r
A G E NT E S F A C IL IT A D O R E S D A C A D E IA (N Ã O C O M P R A M E V E N D E M , AP E N A S PR E S T A M S E R V IÇ O S ), V A L O R D O S S E R V I Ç OS
Tr a nsp ort a dor a s S uco P or to: n d
T ra ns po r tad or a s d e fru ta s: U S$ 106 m i lhõ e s
40 0 m il
E m p re g o s
Si st em a F ina nc e ir o (m ei o r u ral) : n d
M ão - de -ob r a C olh eit a : U S$ 1 06 m i lhõ e s
Tr a nsp ort e Su co C onc e ntr a do: U S $ 16,5 m ilh õe s
Tr a npo r ta do ra s Pa c kin g H ous e (M . Int e rn o): U S $ 40 mi lhõ es
Em pr e sa s A r m a ze n a ge m S uco (C onf io, C onc itr us) : n d
C on c es sio nár ias Ro dov i as : U S $ 17 m i lhõ e s
Em pr e sa s T ra ns po rte Int e rn ac ion al ( F rut a F re s ca) : n d
E m p r es as S er viç o s Por t uár i os : U S $ 20 m ilhõ e s
E m pr e sa s T ra n spor te I nt er na cion a l ( SL CC ) : n d
E mp res a s C am in hõe s: ze r o
E mp r es a s C ar r e ta s: ze r o
C om bus tíve is : U S $ 48,6 m ilh õe s
G e ra çã o d e
Im p o sto s
S iste m a Fi na n ce ir o (i ndu str ia l) : n d
Em pr e sa s E m ba la g e ns Suc o Pa st e u r iza do : U S $ 10 m ilhõ e s
E m pre s a s Em b a la ge ns S uco Fr e sc o: nd
Em pr e sa s E nz im a s: U S$ 1,1 m il hã o
Em p re sa s de Em bala g e ns de Fr uta : U S $ 44 m i lhõ e s
Em p re sa s E x tra t or as : U S $ 30 m il hõe s
Se g ur a dor a s: n d
Fonte: Neves; Val & Marino et al (2001)
E m pr e sa s O ut ro s Equ ipa me nt os I nd u st r ia is: n d
Em p re sa s E mb a la gen s T ra nsp or te T a m bor : n d
( incl ui sa c os)
F or ne c e dor e s Eq ui p am e nto s ( P a cki n g H ous es ) :
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25
Atualmente as empresas processadoras de SLCC estão distantes do consumidor final,
comercializando o suco com os engarrafadores que agregam mais valor ao produto. Buscando
esta aproximação, as empresas nacionais migraram para outros países por meio de parcerias
com as empresas de bebidas, e algumas iniciativas para exportação direta para a marca dos
varejistas estão sendo tentadas.
Outro movimento observado, trata-se do desenvolvimento tecnológico na busca de soluções
para o transporte a granel do suco de laranja pasteurizado, o que daria ainda mais
competitividade ao produto brasileiro. Experiências do passado evidenciam a capacidade de
desenvolvimento tecnológico do setor, como a evolução do transporte em tambores de 200
litros de SLCC para o sistema a granel, gerando ganhos próximos a 10% com a redução de
custos. A eficiência industrial é reconhecida, fazendo com que empresas como a Coca-Cola
transfira a administração de suas unidades nos EUA para uma processadora nacional. O
mesmo poder ser observado na produção agrícola, que apesar da produtividade ser inferior à
americana, o retorno é superior.
Com a descapitalização dos citricultores brasileiros nos últimos anos, em virtude,
principalmente, das baixas cotações internacionais do SLCC e dos conflitos distributivos
internos ao sistema produtivo, observou-se uma redução da produção de laranja nos últimos
anos, tornando a laranja escassa, e com cotações elevadas recentes.
Em parte, justifica-se a redução da produção em virtude do agravamento dos problemas
fitossanitários, dos baixos investimentos na reposição de plantios, na concorrência por áreas
com a cultura da cana-de-açúcar, e da redução dos tratos culturais. A seguir será feita ampla
análise da cadeia de valor da citricultura, trazendo pontos importantes para a discussão da
competitividade.
4.2 - Análise abrangente da cadeia de valor
4.2.1 – A Visão Internacional: O Consumo e Oportunidades/Ameaças para o
Envasamento na Europa e de Distribuição/Foodservice (Canais de Distribuição para o
Suco Brasileiro no Exterior)
Uma pessoa bebe ao redor de 700 litros/ano de líquidos, e as bebidas engarrafadas vêm
conquistando o espaço da água há muito tempo. Em 1997, estima-se que deste consumo de
700 litros, cerca de 550, em média, já vieram das bebidas engarrafadas, e 150 da água (Tabela
01). O total do mercado mundial para sucos de frutas foi mais de US$ 31 bilhões em 1998,
com média de crescimento ao redor de 5% ao ano nos últimos anos.
Tabela 4.2.2.1: Consumo de Bebidas, e Nível de Saturação (quantidade máxima possível de
bebida por pessoa/ano), em 1950, 1975 e 1997 (litros/pessoa/ano)
Ano
Bebidas
Água
Nível de demanda
1950
250
450
700
1975
460
240
700
1997
550
150
700
Fonte: Roads, 1998. (aproximação).
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Tabela 4.2.2.2: O Mercado Mundial para o Suco de Frutas: volume e valor, 1992- 1996
volume/valor
1992
1993
1994
1995
1996
23.635,5 24.681,3
26,170.1
27.361,1 28.772,4
• Volume (milhões de
litros)
4,4
6,0
4,6
5,2
• % crescimento anual
25.318,8 26.033,4
27.390,8
29.134,0 30.910,8
• Valor (US$ milhões)
2,8
5,0
6,4
6,1
• % crescimento anual
Fonte: Euromonitor.
Os principais mercados para o produto brasileiro são os EUA, Japão, Alemanha, Reino
Unido, França e Rússia. Só a Europa Ocidental representa cerca de 30% do consumo de sucos
de frutas. Estima-se que, em média, o consumidor europeu ocidental toma cerca de 24
litros/habitante/ano, e o consumidor da Europa Oriental cerca de 5 litros/habitante/ano. Porém
este mercado do leste cresceu 80% nos últimos 5 anos da década de 90. Vale ressaltar que
aproximadamente 50% do consumo de sucos é do suco de laranja, sem dúvida o mais popular.
O Brasil tem mais de 80% de participação de mercado nas exportações de suco de laranja.
Países da Europa Ocidental ainda apresentam diferenças no consumo per capita, e analistas,
mesmo neste mercado considerado maduro, esperam crescimento. Hoje os países da Europa
Ocidental apresentam uma média de consumo de 24 litros/habitante/ano e 5 litros na Europa
Oriental. Previsões para 2020 mostram que estes números podem ser 35 litros e 12 litros, para
a Europa Ocidental e Oriental. Mercados onde frutas frescas e vegetais são mais consumidos
tendem a ter menores consumos de sucos. Grécia, Espanha, Itália e Portugal apresentam os
menores números de consumo per capita de sucos, porém crescentes. Mercados mais
maduros, como os EUA, Austrália e alguns países da Europa Ocidental apresentam taxas de
crescimento mais lentas no consumo, e são considerados mercados estáveis. Apesar disto,
estes cresceram em torno de 15% de 1992 a 1996.
A Ásia é também considerada um mercado promissor, com índices per capita ainda muito
baixos, mas com grandes populações. O consumo na Ásia cresceu 50% no período 1992/96.
A América do Sul também traz bons resultados. O consumo na região cresceu 40% de 92 a
96. No Brasil, vários contratos de produção/distribuição entre indústrias de suco de laranja
concentrado congelado e empresas de laticínios como a Nestlé, Danone, e Parmalat, ou com
varejistas (Carrefour, Great Value da Wal Mart, entre outros) para produzir suco não
concentrado (pasteurizado) ao mercado interno, estão sendo realizados e o mercado está
mostrando uma das maiores taxas de crescimento no mundo, mesmo com o hábito de se beber
sucos através da produção em casa.
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Tabela 4.2.2.3: Consumo de Suco de Frutas Per Capita (em litros/pessoa/ano), 1972 e 1992 a
1998
País
EU
Alemanha
Áustria
Suécia
Holanda
Finlândia
Dinamarca
Bélgica/Luxemburgo
Grécia
França
Irlanda
Espanha
Reino Unido
Itália
Portugal
NON EU
Austrália
EUA
Suíça
Eslovênia
Israel
Noruega
Canadá
Hungria
Colômbia
Japão
Rússia
Nova Zelândia
Argentina
Chile
Polônia
República Eslovaca
Turquia
Rússia
México
Venezuela
Taiwan
Tailândia
China
Republica Checa
Brasil
Egito
Arábia Saudita
África do Sul
Indonésia
Paquistão
Índia
1972
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
12
5
10
3
2
10
4
2
1
3
2
2
2
-
38,3
29,4
25,1
25,5
20,2
19,2
18
12,2
11,7
8,5
12,0
13,2
8,7
3,3
39,4
32,7
25,7
23,5
22,9
20,1
17,7
12,7
12,4
9,1
11,7
13,5
8,9
3,4
40,4
33,9
25,7
25,2
24,1
19,5
18,7
12,8
15
10,8
11,6
14,4
9,3
3,7
40,6
34
25,7
25,9
24,6
17,1
20,2
15,6
16,5
11,4
11,7
15,0
9,4
4,1
41,1
32,4
25,8
26,3
25,1
16,9
20,4
14,7
17,1
11,7
11,7
15,2
9,2
4,3
40,2
32,9
26,7
23,1
17,0
20,7
15,2
17,9
12,3
9,6
-
41,4
33,3
26,7
22,9
21,0
15,3
18,4
-
21
15
2
-
38,5
36,8
31,0
20,1
14,6
14,2
8,0
8,1
14,7
3,7
9,6
11,4
8,8
1,8
3,4
2,5
0
8,0
7,9
4,4
0,5
0,4
3,9
0,4
2,1
1,6
0,3
0,9
0,1
0,1
39,4
37,7
30,6
20,5
16,8
15,2
9,3
8,6
14,3
4,9
9,7
11,8
8,8
2,4
4,1
2,6
0,3
8,0
8,0
4,9
0,5
0,5
4,2
0,5
2,2
1,6
0,3
0,9
0,1
0,1
41,5
38,0
29,0
15,7
21,0
18,1
16,8
15,2
13,3
15,0
5,5
10,1
11,9
9,2
2,9
5,6
2,6
0,4
8,3
7,5
6,2
0,6
0,5
4,4
0,6
2,2
1,7
0,3
1,0
0,1
0,1
40,2
39,0
29,0
18,7
21,3
18,6
18,4
19,4
11,9
15,4
6,1
10,3
12,1
9,4
2,3
7,7
2,7
0,8
8,0
7,3
6,6
0,6
0,6
4,6
1,1
2,2
1,9
0,3
1,0
0,1
0,1
41,3
40,1
29,7
19,7
21,5
20,5
20,5
20,4
10,9
16,0
6,9
10,3
12,0
9,3
8,3
10,0
2,8
1,8
8,0
7,1
7,0
0,7
0,7
5,0
1,4
2,2
2,1
0,3
1,0
0,1
0,1
30,1
19,5
21,1
21,8
10,3
2,1
4,9
-
-
29,3
20,5
21,2
23,9
12,8
4,2
6,9
-
Fonte: Wild Heidelberger Seminars, in Fruit Processing 3 / ’98 * Previsão; Roads, 1998; Thompson, 1998 e Euromonitor (baseado
em estatísticas nacionais).
Este consumo de sucos está sendo estimulado por vários fatores:
A indústria de bebidas americana e européia, principalmente, está lançando uma série de
novos produtos, como bebidas funcionais com sabor de frutas, chás gelados com sucos,
bebidas esportivas feitas de sucos, energéticos, água flavorizada, bebidas alcoólicas com suco,
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28
bebidas lácteas com sabor de frutas, néctar de frutas, sucos carbonatados, produtos biológicos,
sucos com sabores exóticos, misturas frescas, sucos com pedaços de frutas, com iogurte, com
vitaminas e outros.
Os principais atributos sendo usados no desenvolvimento e comunicação de novos produtos
são frescor, benefícios nutricionais, funcionais (com cálcio, vitaminas), naturais, baixo teor
calórico, poucos aditivos, fibras, país/região de origem, entre outros. Há ainda um segmento
que deseja produtos orgânicos, criando uma oportunidade de se organizar e coordenar
“cadeias orgânicas” para ofertar sucos, com um alto valor percebido.
Estes novos sucos e mesmo as bebidas baseadas em sucos são posicionados para segmentosalvo de grupos e atividades específicas, como crianças, solteiros, exercícios físicos, saúde,
aventura, diversão, autenticidade, bebidas diferentes para ocasiões diferentes, entre outros.
Novas idéias para estimular os consumo em outras ocasiões, além do café da manhã, estão
sendo tomadas e são, na prática, uma tentativa de conquistar espaço de outras bebidas.
A tecnologia de embalagens também está contribuindo para aumentar o consumo, através de
modelos convenientes, práticos, em tamanhos e formatos individuais (caixas com latas),
prontos para beber, máquinas de vendas, embalagens adaptáveis à temperatura, embalagem
família, e outras também ajudando a atrair consumidores.
As Figuras 4.2.1 e 4.2.2. consolidam os pontos relevantes dos canais de distribuição do
SLCC, apresentando os pontos forte e fracos, e as ameaças e oportunidades.
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29
Figura 4.2.1: Canais de Distribuição Internacionais: Possíveis Pontos Fortes e Fracos
INDÚSTRIA
DE SUCO DE
LARANJA
INDÚSTRIA
DE BEBIDAS
VAREJISTAS
SERVIÇOS
DE
ALIMENTAÇÃO
CONSUMIDOR
FONTES POSSÍVEIS DE PONTOS FORTES:
INDÚSTRIA DE
SUCO DE LARANJA
•
•
•
•
•
•
•
A qualidade e
tradição do
suprimento no
Brasil.
Consolidação: 5
empresas
possuem mais
de 70% da
participação de
mercado.
Escala global,
operando em
São Paulo e na
Flórida.
Logística:
navios
especializados e
facilidades no
porto.
Baixos custos.
Controle sobre o
fornecimento de
frutas através de
integração
vertical para
trás.
Outras práticas
administrativas.
INDÚSTRIA
DE BEBIDAS
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Posicionamento:
marcas fortes
tradicionais e
desejadas ou
fornecedores de
baixo custo.
Tradição.
Ampla gama de
produtos de bebidas
oferecendo
“soluções” aos
varejistas:
fornecedores por
categoria.
Propaganda criativa
e promoções.
Rede de distribuição
física.
Poder de negociação
P&D forte e bem
sucedida: inovação
dos produtos.
ECR e EDI ligados.
Bons
relacionamento com
a indústria de suco
de laranja.
Uso correto da
informação ao
consumidor.
Outras práticas
SERVIÇOS DE
ALIMENTAÇÃO
VAREJISTAS
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Tamanho e escala:
poder de compra.
Conveniência.
Sortimento.
Cobertura global e
geográfica.
ECR/EDI: cadeias
de suprimentos
eficientes e bem
desenhadas.
Marcas Próprias
desejadas pelos
consumidores:
nome de empresas
e marcas bem
conhecidas.
Inovações
tecnológicas.
Recursos
Humanos.
Outras estratégias
de diferenciação.
Outras práticas
administrativas.
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Tamanho e escala.
Conveniência.
Sortimento.
Cobertura
geográfica.
ECR/EDI: cadeias
de suprimentos
eficientes e bem
desenhadas.
Poder de compra.
Preços razoáveis.
Ambiente.
Boa localização.
Sistemas de entrega.
Marca.
Habilidades e
competências
humanas.
Contratos bem
feitos (caterers e
cadeias de fastfood).
Outras estratégias
de diferenciação.
Outras práticas
administrativas.
CONSUMIDOR
•
Vide
oportunidades.
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
30
FONTES POSSÍVEIS DE PONTOS FRACOS PARA:
INDÚSTRIA DE SUCO
DE LARANJA
•
•
•
•
Lidar com
barreiras
comerciais e
outras.
Volatilidade do
preço das frutas.
Pouco controle
sobre o
fornecimento das
frutas.
Todo o oposto dos
pontos fortes.
INDÚSTRIA
DE BEBIDAS
•
•
•
•
•
•
•
•
Baixa participação
de mercado.
Base regional.
Indústria
fragmentada.
Propriedade
familiar.
Não existência de
muitos produtos
novos lançados pela
empresa.
Sobrecapacidade.
Poucas barreiras de
entrada.
Todo o oposto dos
pontos fortes.
SERVIÇOS DE
ALIMENTAÇÃO
VAREJISTAS
•
Todo o oposto dos
pontos fortes.
•
Todo o oposto dos
pontos fortes.
CONSUMIDOR
•
Vide ameaças.
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
31
Figura 4.2.2: Canais de Distribuição Internacionais: Ameaças e Oportunidades
POSSÍVEIS OPORTUNIDADES
INDÚSTRIA DE SUCO
DE LARANJA
INDÚSTRIA
DE BEBIDAS
VAREJISTAS
SERVIÇOS DE
ALIMENTAÇÃO
CONSUMIDOR
• Avanço na cadeia,
incorporando o
engarrafamento.
• Fornecimento direto
ao varejo e serviço
de alimentação.
• Alianças com outros
forne-cedores
mundiais de sucos.
• Melhoria nos
serviços e logística.
• Construção de
relações fortes e
confiáveis
(contratos).
• Operações globais:
inves-tindo na
Flórida e outros
países produtores.
• Fornecimento às
marcas próprias do
varejo.
• Desenvolver canais
alternativos e
diversificados.
• Alianças com outros
fornecedores de
bebidas.
• Melhor logística.
• Engarrafamento,
somente adicionando
a marca e
coordenando a cadeia.
• Desenvolver nichos de
mercado, inovação.
• Marcas européias.
• Produtos mais frescos.
• Tarifas de importação
menores para o suco
de laranja.
• Harmonização do
ambiente institucional.
• Aumento da
participação de marca
própria.
• ECR - Administração
da cadeia.
• Harmonização do
ambiente institucional.
• Comércio eletrônico.
• Administração por
categoria.
• Fast-food no varejo.
• Euro (moeda européia
em curso nos países
da EU) - maior
comparação de custos
e preços.
• Grupos de compra no
varejo.
• Internacionalização.
• Abertura de novos
formatos.
• Rastreabilidade.
• Crescimento mundial.
• EFR – Resposta
eficiente ao setor de
serviço de
alimentação Administração da
cadeia
(principalmente fastfood e caterers).
• Harmonização do
ambiente institucional.
• O Euro e as
comparações de
custos.
• Novos formatos:
diversão,
conveniência.
• Novas empresas de
serviços de
alimentação.
• Urbanização da
população.
• Maior taxa de uso:
freqüência/dia (ou
horas).
• Rastreabilidade.
• Grupos de compra.
• Maior comparação
de preços devido
ao Euro.
• Suco de laranja
mais barato.
• Bebidas
misturadas de
laranja.
• Bem – informado.
• Preocupação
ambiental:
produtos
orgânicos.
• Sucos diet,
saudáveis.
• Maiores rendas.
• Conveniência.
• Garantia de
qualidade.
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
32
POSSÍVEIS AMEAÇAS
INDÚSTRIA DE SUCO DE
LARANJA
INDÚSTRIA
DE BEBIDAS
VAREJISTAS
SERVIÇOS DE
ALIMENTAÇÃO
• Outras fontes: México,
Israel, Espanha,
Flórida, Polônia,
Hungria.
• Novos produtos e
sucos que contém
menos laranja.
• Organizações dos
produtores de frutas,
aumentando o poder
de barganha no
sistema.
• Protecionismo.
• Falta de conhecimento
dos consumidores
finais sobre a origem
do suco de laranja no
Brasil.
• Problemas
fitossanitários em
geral
•
• Crescimento das
marcas próprias.
• Concentração: ser
espremido no sistema.
• Crescimento do
mercado interno
brasileiro e outros,
competindo por
fornecimento.
• Doenças da laranja.
• Entrada de marcas
multinacionais.
• Pacote de leis do
ambiente institucional.
• Poucas barreiras à
entrada.
•
•
• Novos entrantes no
mercado local.
• O Euro e as
comparações de preços
pelos consumidores.
• Crescimento dos
serviços de
alimentação.
• Comércio eletrônico.
• Ambiente institucional
(legislação e
restrições),
relacionados a
embalagens, tamanho,
competição e outros.
• Outros formatos
ganhando participação
de mercado.
• “Substituição da
alimentação no lar”
vendas pelo varejo.
• Globalização e
consolidação: novos
entrantes.
• Altamente dependente
de fatores econômicos.
• O Euro (moeda
comum) e as
comparações de preços
pelos consumidores.
•
•
CONSUMIDOR
• Elevação de
preços e pouca
disponibilidade.
•
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
33
4.2.2 - Setor Varejista de Suco para o Mercado Interno e Relações Indústria de Bebidas
x Varejistas no Brasil.
Na análise da cadeia produtiva, é interessante verificar como os varejistas compram o suco de
laranja, quais são as características desejadas e como se dá a transação entre a empresa
produtora do suco e o varejo.
Figura 4.2.2.1: Descrição do SAG do Suco de Laranja Simplificado, destacando a
transação a ser analisada.
RELAÇÃO INDÚSTRIA VAREJO
VAREJO
FORNEC.
INSUMOS
FAZENDA DE
LARANJA
INDÚSTRIA
DE SUCO
INDÚSTRIA DE
BEBIDAS
ATACADO
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
SERVIÇO DE
ALIMENTAÇÃO
Fonte: autores
As características do processo de compras que são contempladas nos contratos de
fornecimento são: escolha de fornecedores; negociação de preços; condições e prazos de
pagamento; negociação de quantidades; responsabilidades por devoluções; definição de
responsabilidades de entrega; armazenamento; critérios de exposição em gôndola; tempo de
negociação; mix de produtos; negociação de novas marcas; estabelecimento de bonificações
sobre vendas; promoções; inclusão dos produtos em “folhetos” e jornais próprios dos
varejistas.
A divisão mais usada é a de produtos refrigerados e perecíveis, onde se encontra a categoria
dos sucos prontos para beber, produtos de mercearia (latas e cereais), hortifrutis (legumes,
verduras e frutas), açougue, bazar (produtos não alimentares) e padaria. A seguir será descrito
o processo de negociação entre indústria produtora de sucos e varejo com base em diversos
aspectos de marketing.
•
Novos produtos: o processo de compra se inicia sempre na matriz, tanto dos
hipermercados como dos supermercados. Nos hipermercados, os produtos fabricados
por fornecedores regionais devem ser cadastrados no cadastro geral na matriz da rede.
Esse processo de cadastramento já se inicia com uma negociação, que é diferenciada
de acordo com o fornecedor e os tipos de produtos. Se o fornecedor já possui produtos
comercializados pela rede, leva vantagem em relação aos novos fornecedores,
principalmente se estes produtos forem líderes de mercado. Produtos nacionais
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
34
também tem vantagens em relação aos regionais, a não ser que o preço e a margem de
lucro sejam atrativos.
•
Os hipermercados geralmente trabalham com uma quantidade reduzida de produtos
regionais. Um dos fatores que justifica essa política é a falta de lugar para exposição
dos produtos nas prateleiras e a pressão dos grandes fornecedores para aumentar o mix
de produtos. Para se cadastrar os produtos na matriz e assim gerar a possibilidade de
compra, os fornecedores têm que pagar uma taxa, que também é variável seguindo os
critérios descritos acima. Isso demonstra uma das dificuldades encontradas para os
pequenos fornecedores regionais de sucos, que além de competir com as grandes
indústrias pelo gosto do consumidor, também encontram barreiras de entrada nos
varejistas.
•
Nos supermercados regionais, o processo de compra de novos produtos não é
diferente. Mesmo os grandes fornecedores com alto poder de barganha também devem
pagar para terem seus produtos comercializados, mas geralmente não no cadastro de
produtos, mas em outras etapas do processo de comercialização, como nas
bonificações sobre o faturamento.
•
Recompra de produtos: a negociação de produtos já comercializados também tem a
iniciativa do fornecedor que procura o varejista. O contrato de fornecimento
geralmente tem prazo de três meses a um ano para os hipermercados e supermercados,
com as duas partes se reunindo para discutir um novo contrato ou o prolongamento do
atual. Essa negociação é feita geralmente na matriz, tanto dos hipermercados como
dos supermercados.
•
A renegociação recebe algumas influências, como o desempenho de vendas durante o
período anterior, preços praticados pela concorrência, características de entrega,
prazos e outras condições não cumpridas. Mesmo durante o período de vigência do
contrato, o varejista pode suspender a compra de produtos ou da linha de produtos de
um determinado fornecedor que não cumprir o especificado, ou que ofereceu
condições muito diferenciadas possibilitando vantagens nas vendas dos concorrentes
para os consumidores. Para os hipermercados e supermercados, pode-se separar o
processo de compras em duas etapas:
•
A primeira etapa ocorre na matriz dos varejistas, onde são negociados os preços,
prazos de pagamento, condições e locais de entrega, responsabilidades por troca,
exposições e reposições de gôndola, promoções, bonificações, participações em
folhetos e mix de produtos;
•
A segunda fase é realizada nas lojas, onde se tem a negociação das quantidades,
promoções, folhetos, bonificações e possíveis reduções de preços.
•
Preços: Com relação aos preços, a negociação de preços é realizada com base em
alguns critérios que aumentam ou diminuem o poder de barganha dos compradores
varejistas, alguns deles bastante subjetivos e que demonstram a importância da
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
35
habilidade de negociação dos compradores. Geralmente os preços são negociados para
um conjunto de produtos, uma família ou a linha, já que a negociação de produto por
produto, individualmente é inviável pela quantidade de itens em um estabelecimento
varejista.
•
Para o fechamento de um preço é necessário que os compradores considerem:
previsões de demanda futura baseada em vendas passadas; quantidade de propaganda
na mídia; participação de mercado do produto; conhecimento da marca do fornecedor;
mix de produtos do fornecedor. Além dos preços serem estabelecidos na matriz, para
os hipermercados pode haver uma negociação de promoções para que seja pedida uma
quantidade maior de produtos, ou maior quantidade de produtos de uma linha. O
período de vigência da tabela de preços para os supermercados é aproximadamente
quinzenal, e dentro desse período ocorre outra negociação de preços.
•
Condições de Pagamento: O prazo é de aproximadamente um mês começando a ser
contado a partir da entrega do produto ou da geração do pedido. Esse prazo para todos
supermercados e hipermercados pesquisados é a variável mais inflexível.
•
Quantidades e Entregas: As quantidades pedidas são feitas loja a loja. Os
funcionários das lojas têm o conhecimento dos hábitos de seus consumidores e
também dados históricos de venda que são mais facilmente controlados pelos gerentes
ou responsável pelo setor na loja. Esses responsáveis sabem as quantidades
consumidas e que devem ser pedidas todos os dias, devido a programas de entrada e
saída do estoque ligados ao caixa registrador na hora da venda. Como se tratam de
sucos prontos para beber, que são produtos refrigerados e perecíveis, eles necessitam
ser entregues diretamente nas lojas, e com estoques bastante reduzidos pela
capacidade das gôndolas ou das câmaras frigoríficas. As entregas nos supermercados
são feitas com hora marcada, mas na prática isso constantemente não é cumprido.
Ocorrem muitos atrasos pela falta de tempos padrão de operações e também são
usados critérios como a ordem de chegada de caminhões.
•
Gestão dos produtos na gôndola e devoluções: A negociação da gestão da gôndola
também envolve vários critérios. Primeiramente, a gestão corresponde ao espaço
ocupado pelo fornecedor, a apresentação dos produtos e a reposição necessária quase
que diariamente, além da verificação dos prazos de validade, o que pode demandar um
esforço concentrado de venda ou a devolução e posterior troca dos produtos, e por fim
o trabalho de promoção no ponto de venda. A reposição, devolução e promoção de
produtos ficam a cargo dos fornecedores, sem exceção. Essa é uma preocupação dos
varejistas e também dos fornecedores, pois a falta de produtos ocasiona a perda da
venda e suas conseqüências. Especificamente para os fornecedores, essas
características geram a necessidade de manter pessoas disponíveis para todas as lojas
pelo menos duas vezes por semana para a realização desse trabalho.
•
Em relação ao aluguel cobrado pelo espaço, onde mesmo os pequenos fornecedores
podem obter mais espaço que os líderes mediante pagamentos mais altos, geralmente
em dinheiro. Os critérios mais utilizados são: participação de mercado segundo
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
36
classificação da ACNielsen (empresa de pesquisa de mercado); relação custo do
produto e margem de lucro; promoções; bonificações sobre o faturamento; linha de
produtos; validade de produtos; embalagens e potencial de venda do produto. Mesmo
com o contrato e critérios acima descritos, quando um concorrente obtém condições
mais vantajosas de venda ao cliente, ocorre caso dos varejistas sentirem-se lesados,
retirando os produtos desse fornecedor da gôndola até que o seu preço seja
equiparado, ou mesmo a interrupção da compra por um determinado período como já
foi descrito.
•
Marcas e Embalagens: Os supermercados trabalham com um menor número de
marcas. Procura-se balancear o mix com duas marcas líderes, duas intermediárias e
duas pequenas marcas que podem ser regionais. Outro critério é se o fornecedor possui
outros tipos de suco, não só os de laranja para satisfazer a preferência de um número
maior de consumidores. Além disso, devem ser considerados preços finais praticados
ao consumidor e a margem de lucro. Nesse ponto as marcas regionais ganham
preferência nos varejistas, pois possuem preços mais baixos em relação às marcas
líderes, o que faz o giro da mercadoria ser maior. É também maior a margem de lucro
aplicada sobre elas, em relação às marcas dos grandes fornecedores como Danone,
Nestlé e Parmalat.
•
Aspecto importante no varejo, que causa enorme impacto nas indústrias de alimentos e
bebidas, são as vendas por impulso (vendas não-planejadas). Isto demonstra para
empresas de alimentos e bebidas e para o varejo, o papel fundamental da promoção no
ponto de venda, dentro do “mix” de comunicações. Também é crescente importância
das embalagens como fator estimulador de venda dos produtos. Com relação a
embalagens a preferência do consumidor, e conseqüentemente a do comprador
varejista, é pela praticidade que as embalagens Tetra Pak com tampa oferecem. A
única restrição de consumo ainda é a diferença de preços com relação às embalagens
de garrafa plástica.
•
Bonificações: Bonificações ocorrem tanto em hipermercados como em
supermercados. Podem ser em dinheiro ou em produtos, que são pagos sobre o
montante das vendas. A bonificação sobre produtos ocorre quando uma quantidade é
dada de graça dentro de um pedido. Isso faz com que o preço unitário saia mais barato
do que o apresentado na nota. Isso dificulta que os varejistas concorrentes saibam o
verdadeiro preço de custo dos produtos. Já a bonificação em dinheiro é paga
geralmente pelos representantes regionais dos grandes fornecedores diretamente nas
lojas, e gira em torno de 2,5% do faturamento sobre os produtos. Os fornecedores, em
troca dessas bonificações, recebem alguns benefícios resultantes da negociação, como
a isenção da taxa de cadastramento de novos produtos nos supermercados e também se
pagarem um pouco a mais de bônus, podem transferir as responsabilidades por trocas
para os varejistas, por exemplo.
UNICAMP-IE-NEIT
•
ECCIB
37
Promoção e Folhetos: Esses são os únicos itens da negociação onde o varejo procura
o fornecedor para a realização. Geralmente consta nos contratos de fornecimento com
grandes empresas de sucos, mas a colocação do produto nos folhetos envolve aumento
de quantidades de fornecimento e diminuição de preços para aumento do giro.
Os sucos de laranja prontos para beber estão passando da fase de introdução para a fase de
crescimento no seu ciclo de vida, e os hábitos de compra e consumo estão sendo identificados
com mais clareza pelos varejistas e produtores. Prova disso são as modificações
principalmente nas embalagens, adaptando o produto às novas exigências dos consumidores,
entre elas a comodidade e conveniência de uso.
A maior preocupação na negociação hoje é com relação aos preços, pois é o principal critério
que diferencia um varejista de outro. Na busca pelo melhor preço e melhor margem de lucro,
os compradores estão deixando de lado conceitos importantes e chegando, no caso de alguns
hipermercados e grandes redes de supermercados a cobrar taxas absurdas da indústria de
sucos. Ao invés das indústrias passarem informações de pesquisas sobre os hábitos de
consumo para os varejistas, e esses passarem informações para as indústrias sobre os hábitos
de compra do consumidor para chegarem a uma promoção mais eficiente, ou características
de embalagens mais chamativas, essas informações servem como arma para barganha nas
negociações.
O relacionamento, num sentido amplo, como o proposto no conceito do ECR (efficient
consumer response – que na verdade é a eficiente coordenação da cadeia produtiva),
envolvendo custos, padrões, produtos, divisão de responsabilidades e ampla troca de
informações é algo que falta. O acirramento da concorrência, globalização dos negócios com
a entrada de redes estrangeiras comprando redes nacionais e produtos com estratégia mundial
são fatores que estão contribuindo para a política do ganha perde e a inflexibilidade nas
relações comerciais entre varejo e indústria. Este fator prejudica o desenvolvimento deste
produto, trazendo reflexos para toda a cadeia.
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
38
4.2.3 - Setor de Envasamento de Suco para o Mercado Interno
Existe uma tendência de aumento no consumo doméstico de suco pasteurizado embalado, que
não existia no Brasil em 1993, alcançou a marca de 160 milhões de litros em 1999, o que
representa um crescimento de 33% sobre o ano anterior, segundo dados levantados pela
ABECITRUS (Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos). Enquanto os norteamericanos consomem 40 litros per capita por ano, no Brasil, o consumo per capita de suco de
laranja é de 20 litros e, destes, apenas um litro é pasteurizado (o restante é feito a partir da
fruta in natura).
Figura 4.2.3.1: Descrição do SAG do Suco de Laranja Simplificado, destacando a
transação a ser analisada.
VAREJO
FORNEC.
INSUMOS
FAZENDA DE
LARANJA
INDÚSTRIA
DE SUCO
INDÚSTRIA DE
BEBIDAS
ATACADO
C
O
N
S
U
M
I
D
O
R
SERVIÇO DE
ALIMENTAÇÃO
Fonte: autores.
Os principais canais de distribuição das indústrias de processamento para a venda do
suco de laranja pronto para beber refrigerado no mercado interno são os seguintes:
• As indústrias de bebidas, que compram o suco das indústrias de processamento e
envase (Cargill, Citrovita) já embalado com a sua marca, responsabilizando-se pela
distribuição (transporte) e comercialização do mesmo. Segmento caracterizado pelas grandes
indústrias de laticínios como Nestlé, Danone, Leco, Batavo, e demais empresas especializadas
na venda de sucos e bebidas, como é o caso da Salute.
• O varejo, que também compra o suco das indústrias de processamento e envase já
embalado com a sua marca própria e comercializa-o na sua rede de lojas. Composto pelas
grandes redes varejistas atuantes no país, como Carrefour, Wal Mart, Grupo Pão de Açúcar
(Extra), Grupo Sonae (Big, Nacional, Mercadorama), Sendas e Barateiro.
• As próprias indústrias de envase do suco, que realizam integração vertical para
frente, também distribuindo o produto que leva a sua marca no varejo, como é o caso da Sun
Home, ou estabelecendo contratos com outras empresas para realizar a distribuição do seu
produto no mercado, como a relação Cargill (marca Yes)/Paulista (presta apenas serviços
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
39
logísticos). Algumas indústrias também realizam vendas diretas através da internet ou central
de atendimento 0800, podendo em alguns casos vender diretamente ao consumidor final.
Análise das Marcas no Mercado e Descrição dos tipos de relacionamentos
A Tabela 4.2.3.2 mostra algumas marcas de suco de laranja, refrigerado e não
refrigerado envasados em embalagens cartonadas, presentes no mercado durante a
realização da pesquisa. Algumas dessas marcas são vendidas com cobertura nacional,
em grandes redes de varejo, no entanto, outras se caracterizam por serem marcas
regionais. Mostra também como são as transações entre a empresa que o distribui
(comercializa), produz (processa) e envasa. A grande maioria das transações se dá via
contratos ou integração vertical.
Tabela 4.2.3.2 – Principais marcas, distribuidores, envasadores e processadores de suco
de laranja pasteurizado, refrigerado, embalagem cartonada, 1 litro
Marca
(1)
Nestlé
TR*
(1) x (2)
I. Vert.
Yes
Contrato
Distribuidor (2)
Nestlé
TR*
(2) x (3)
Contrato
Envasador
(3)
Cargill Citrus
TR*
(3) x (4)
I. Vert.
Processador
(4)
Cargill Citrus
Paulista
Contrato
Cargill Citrus
I. Vert.
Cargill Citrus
Carrefour
I. Vert.
Carrefour
Contrato
Cargill Citrus
I. Vert.
Cargill Citrus
Jussy
I. Vert.
Sun-Home
I. Vert.
Sun-Home
I. Vert.
Sun-Home
Great Value
I. Vert.
Wal-Mart
Contrato
Sun-Home
I. Vert.
Sun-Home
Dan'Fresh
I. Vert.
Danone
Contrato
Citrovita
I. Vert.
Citrovita
Faz. Bela Vista
I. Vert.
Faz. Bela Vista
Contrato
Citrovita
I. Vert.
Citrovita
Leco
I. Vert.
Leco
Contrato
Citrovita
I. Vert.
Citrovita
Salute
I. Vert.
Salute
Contrato
Citrovita
I. Vert.
Citrovita
Parmalat
I. Vert.
Parmalat
I. Vert.
Parmalat
I. Vert.
Parmalat
Batavo
I. Vert.
Batávia
I. Vert.
Parmalat
I. Vert.
Parmalat
Top Fruit
I. Vert.
Nova América
I. Vert.
Nova América
I. Vert.
Nova América
Fast Juice
Licen.
Nova América
I. Vert.
Nova América
I. Vert.
Nova América
Extra
I. Vert.
Extra
Contrato
Nova América
I. Vert.
Nova América
Barateiro
I. Vert.
Barateiro
Contrato
Nova América
I. Vert.
Nova América
Sendas
I. Vert.
Sendas
Contrato
Nova América
I. Vert.
Nova América
Big
I. Vert.
Big
Contrato
Nova América
I. Vert.
Nova América
Nacional
I. Vert.
Nacional
Contrato
Nova América
I. Vert.
Nova América
Mercadorama
I. Vert.
Mercadorama
Contrato
Nova América
I. Vert.
Nova América
Fonte: Val & Neves, 2001 elaborado através de entrevistas com empresas e pesquisas em supermercados.
*TR= Tipo de Relacionamento; I. Vert. = Integração Vertical; Licen. = Licenciamento
Um fato interessante é o de todas as indústrias que processam o suco também serem as
envasadoras (existe economia de escopo na atividade), não sendo identificada nenhuma
empresa que somente compra o suco concentrado congelado e realiza o envase de maneira
independente. Desta forma, a integração vertical é o relacionamento predominante. No outro
extremo, relacionamento entre marca e distribuidor (comercializador), tem-se também a
presença majoritária da integração vertical, existindo somente um caso de contrato de
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
40
distribuição (Yes - Cargill/ Paulista) e outro de licenciamento de marca (Fast Juice/ Usina
Nova América).
Já no relacionamento entre a empresa de envase do suco e a empresa que realiza a
distribuição, verifica-se a existência de integração vertical e de contratos de fornecimento.
A forma de coordenação via contratos pode agregar valor através das seguintes características
dos parceiros:
• Conhecimento do mercado.
• Marca forte.
• Mix de produtos, podendo amortizar gastos de transporte.
• Rapidez na atuação.
• Diversificação de clientes.
• Acesso privilegiado à informação.
• Grande penetração de mercado.
• Possuem fidelidade dos clientes (carteira de clientes fiéis).
• Eliminam a necessidade da indústria ter uma equipe interna de vendas.
• Controlam a necessidade de fornecimento, estoque e transportes.
Desta forma, a tendência aponta para a continuidade do uso da indústria de laticínios no
canal de distribuição para o suco de laranja. Em geral, os contratos de fornecimento do
suco pelas indústrias contemplam as seguintes características:
−
−
−
−
−
−
−
−
−
−
−
−
Escolha do comprador;
Exclusividade de fornecimento;
Critérios de industrialização (matéria-prima própria e/ ou de terceiros);
Critérios de envase (tipo e tamanho da embalagem);
Especificações da marca;
Negociação de quantidades;
Negociação do fluxo de pedidos;
Estabelecimento do local de entrega do suco pela fornecedora;
Negociação de preços (e reajustes);
Condições e prazos de pagamento;
Especificações de qualidade (garantias);
Critérios referentes ao não cumprimento de alguma das cláusulas especificadas no
contrato;
− Responsabilidade pela validade de comercialização;
− Prazo de validade e renovação do contrato.
•
Escolha do comprador: a negociação, em geral, surge a partir das indústrias de
processamento e envase, que procuram as indústrias de bebidas e/ou varejo para
distribuição de seus produtos. Normalmente, o departamento jurídico da empresa
compradora se encarrega de redigi-lo. Não se trata de um contrato padrão, podendo
variar de acordo com a empresa, é um contrato flexível, devido às condições de
incerteza do mercado (clima, variações no preço da matéria-prima). O contrato formal
de fornecimento, geralmente, tem prazo de 1 (um) ano, sendo automaticamente
renovado caso nenhuma das partes manifeste o contrário.
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
41
•
Marcas e Embalagens: a compra de embalagens é realizada pela indústria de
bebidas, que entrega à indústria processadora as embalagens necessárias ao envase. No
entanto, alguns contratos de marca própria com o varejo estabelecem que a própria
indústria de envase negocie e compre as embalagens. Com relação à embalagem existe
a preferência do consumidor pela praticidade que as cartonadas oferecem. A
propriedade da marca, na grande maioria dos casos analisados, é da indústria de
bebidas, responsável por toda a comercialização do suco ao varejo (ou serviços de
alimentação).
•
Quantidade e Entregas: em todos os casos analisados, a indústria de processamento
(fornecedora) industrializa o suco de laranja com matéria-prima própria ou adquirida
de terceiros e envasa em embalagens de papel cartonado. O comprador, partindo de
uma estimativa anual de vendas, realiza a programação mensal ou semanal de pedidos.
Geralmente, a fornecedora entrega o suco de laranja pronto e embalado, em sua
unidade industrial, a bordo do transporte refrigerado que estiver a serviço da indústria
de bebidas (venda FOB – a bordo do transporte refrigerado). Mas algumas indústrias
de envase possuem caminhões refrigerados ou terceirizam o transporte, levando o
produto até o depósito ou loja da empresa compradora.
•
Preços: Com relação ao preço, é fixado um determinado valor inicialmente. No
entanto, o contrato permite o reajuste sempre que necessário e de comum acordo entre
as partes. Alterações nos custos de matéria-prima (laranja), mão de obra, insumos de
fabricação (óleo combustível, energia elétrica), são fatos relevantes para as
negociações nos preços de industrialização. Vale ressaltar que os preços vendidos para
marcas próprias são aproximadamente 15% menores do que os vendidos às demais
marcas. No caso das marcas próprias, as correções de preços são mais difíceis de
serem negociadas, pois o critério de correção de preços do varejo é baseado no
mercado (por categoria, como por exemplo, a indústria de bebidas) e não pelo custo do
fornecedor, o que dificulta o processo de negociação. Assim, o varejo se dispõe a
discutir reajustes nos preços somente quando há alguma alteração por parte da
indústria de bebidas. Ou seja, o varejo se mostra muito inflexível para tais
renegociações. O prazo de pagamento é de aproximadamente 30 (trinta) a 45 (quarenta
e cinco) dias, contados a partir da data de emissão da nota fiscal.
•
Especificações de qualidade: A qualidade é um fator que deve ser muito bem
monitorado, já que pode comprometer a reputação da empresa detentora da marca em
questão e, conseqüentemente, de toda a sua linha de produtos. A qualidade e o sabor
do suco de laranja dependem de vários fatores, entre eles o tipo de laranja utilizado
pela indústria e a regulação das extratoras. A doçura é um critério importante na
escolha do suco, o que torna a época da entressafra um grande desafio para as
indústrias, pois o sabor do suco pode se alterar. Para evitar maiores transtornos com os
consumidores, já que nessa época as reclamações referentes a tais mudanças no sabor
são freqüentes, as próprias embalagens do suco contêm um aviso explicando sobre a
possível alteração de sabor.
•
Quanto às especificações de qualidade, existem várias alternativas para que as
empresas adquirentes do suco se certifiquem do padrão de qualidade. Em algumas
indústrias todo o lote produzido é testado, sendo enviadas amostras para a empresa
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42
adquirente fazer degustações. Na maior parte dos casos as empresas vão até a indústria
para conhecer as instalações e procedimentos de produção, mas existem exceções, em
que o critério de qualidade é mensurado somente através do envio de amostras. A
indústria também envia uma análise microbiológica atestando a qualidade do produto,
juntamente com suas características física e química no que diz respeito a brix (a
concentração do suco de laranja é medida em graus brix – medida do total de sólidos
solúveis presentes no suco) e rátio (brix/ácido cítrico – o balanceamento entre
açúcares e ácidos é uma importante medida da qualidade de sabor do suco), como
garantia de que esteja dentro das especificações.
•
Responsabilidade pela validade de comercialização: Quanto à responsabilidade
pelas trocas dos produtos colocados nos pontos de vendas, causados pela expiração do
prazo de validade de comercialização, quando se trata de marca própria o próprio
detentor da marca, ou seja, o varejista, é o responsável. Mas quando se trata de outras
marcas, o agente que realiza a distribuição do suco se torna o responsável pela
verificação das datas de vencimento do produto. Em média, o índice de troca de
produtos realizado pelo agente distribuidor varia entre 0,5 e 1,5% do total de unidades
vendidas ao varejo.
Em linhas gerais, nesta transação ainda não são vislumbradas muitas possibilidades de
melhorias. No entanto, conceitos de serviços oferecidos, visando diferenciar uma oferta da
oferta dos concorrentes deveriam ser estudados. Relacionamentos contínuos também seriam
grandes redutores de custos de transação, principalmente através dos seguintes fatores:
•
Diminuição de necessidade de testes de qualidade no produto, que passam a ter qualidade
assegurada;
•
Alongamento dos prazos dos contratos;
•
Melhor programação da produção do fornecedor de acordo com programação de produção do
cliente (otimização do processo).
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43
4.2.4 – Setor de Processamento de Frutas: a Indústria Citrícola
O setor possui capacidade para esmagar aproximadamente 361 milhões de caixas por ano,
com dezesseis empresas atuantes. Em 2000, as duas maiores, Cutrale e Citrosuco, detinham
55,4% do valor das exportações de suco de laranja concentrado congelado, e as quatro
maiores representavam 73,6% do total. A Tabela 4.2.4.1 mostra a participação das principais
empresas do setor, para as safras de 1997 a 2001.
Tabela 4.2.4.1: Empresas exportadoras de suco de laranja - colocação entre as 250 maiores
empresas exportadoras do Brasil e participação percentual no valor total das exportações de
suco de laranja concentrado (1997 a 2001).
Empresa
Colocação
Participação %
1997
21o
49o
64o
191o
196o
171o
236o
-
1998
21o
32o
67o
92o
109o
222o
192o
125o
-
1999
14o
23o
79o
115o
100o
122o
220o
-
2000
23o
34o
101o
126o
114o
241o
-
2001
20º
41º
103º
144º
149º
-
1997
1998
1999
2000
2001
Sucocitro Cutrale Ltda.
32,3
29,2
29,2
31,6
42,9
Citrosuco Paulista S/A
17,8
19,9
23,2
23,8
27,3
Coinbra-Frutesp S/A
14,0
9,5
9,1
9,7
11,6
Citrovita Agroindustrial Ltda.
5,2
7,5
5,9
7,3
8,4
Montecitrus Trading S/A
5,1
6,4
7,0
8,5
8,2
Cambuhy Citrus S/A
3,2
Cargill Citrus Ltda.
6,0
3,8
5,6
3,7
CTM Citrus S/A
3,9
5,4
3,1
Outras
15,7
15,1
16,9
15,4
TOTAL (bilhão US$ FOB)
1,003 1,262
1,235 1,019 0,812
Fonte: Elaborado a partir de diversos boletins da Secex/MDIC (Prof. E Neves).
Como pode ser observado na tabela 4.2.4.2, trata-se de um setor que vem sofrendo
concentração ao longo dos anos, se consolidando em praticamente 5 empresas no que se
refere à exportação de suco concentrado congelado.
Tabela 4.2.4.2: Índices CR4 e CR8 das empresas exportadoras de suco de laranja
concentrado, 97 – 01.
1997
1998
1999
2000
69,3
66,1
67,4
72,4
CR4
84,3
84,9
CR8
2001
90,2
-
Fonte: Elaborado a partir de diversos boletins da Secex/MDIC..
Vale ressaltar que existem outras empresas, como o Grupo Nova América, que vem tentando
interessantes maneiras de diferenciação com produtos embalados, produtos pasteurizados e
outras linhas, o que pode ser um modelo interessante para o setor citrícola brasileiro.
Em termos de importações dos produtos produzidos do processamento da laranja, os
dados são irrelevantes, porém são apresentados na Tabela 4.2.4.3.
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44
Tabela 4.2.4.3: Importações Brasileiras de Laranja e Seus Derivados (volume em t e valor em
1000 US$ F.O.B.)
Produto
2001
Valor
Volume
Suco Concentrado
33
51
Laranja Fresca
317
976
Farelo de Polpa Cítrica
154
43
Óleo Essencial de Laranja
936
84
Total da citricultura
1.440
1.154
Fonte: CONAB, Fev/2002.
4.2.5 – Setor de Produção de Frutas
A Produção de Frutas no Mundo e o Papel do Brasil
A inegável a importância das frutas cítricas no mundo. Pela Tabela 4.2.5.1 pode-se perceber
que a laranja é fruta mais produzida, seguida pela banana e pela maçã. 22.5% da produção
mundial de frutas é de citros.
Tabela 4.2.5.1: Fruticultura Mundial: produção total e principais grupos, 1996 – 2001
Grupos
1996
Prod.
Mi t
Citrus
Banana
Maçã
Uva
Outros
Total
1997
%
Prod
Milhão t
1998
%
Prod
Milhão t
1999
%
Prod
2000
%
Milhão t
Prod
2001
%
Milhão t
Prod
%
Milhão t
95,509
22,3
104,34
23,4
99,451
22
101,466
22
106,948
22,5
106,611
22,5
55,254
56,292
59,076
162,614
12,9
13,1
13,8
37,9
58,87
57,71
58,69
165,74
13,2
13,0
13,2
37,2
57,188
56,913
57,075
168,459
13,6
12,7
13,1
38,6
62,692
58,432
60,672
178,265
13,6
12,7
13,1
38,6
64,627
60,831
62,383
180,351
13,6
12,8
13,1
38,0
67,103
62,897
64,289
173,133
14,2
13,3
13,6
36,5
428,745
100
445,40
100
439,08
100
461,527
100
475,14
100
474,033
100
Fonte: FAO, janeiro 2002. * excluindo melões.
A laranja é a principal das frutas cítricas, e é produzida num grande número de países. Destacam-se o
Brasil e EUA com quase 50% da produção mundial (tabela 4.2.5.2)
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45
Tabela 4.2.5.2: Laranja no mundo: produção total (em mil t) e principais países produtores, 1998 – 2001
País
Brasil
EUA
México
Espanha
China
Itália
Outros
Total
1998
Produção
%
20,850
32,9
12,401
3,331
2,455
2,253
1,293
20,740
63,323
1999
Produção
%
22,768
35,4
19,6
5,3
3,9
3,6
2,0
32,8
100,0
8,912
3,520
2,828
3,197
1,732
21,273
64,230
13,9
5,5
4,4
5,0
2,7
33,1
100,0
2000
Produção
%
21,212
31,7
11,793
4,059
2,667
3,497
2,268
21,392
2001
Produção
%
21,513
32,2
17,6
6,1
4,0
5,2
3,4
32,0
66,888
100,0
11,163
4,250
2,682
3,640
2,268
21,247
66,763
16,7
6,4
4,0
5,5
3,4
31,8
100,0
Fonte: FAO, janeiro 2002.
A Produção de Frutas no Brasil, os Valores de Produção e a Área Utilizada
O Brasil é um importante produtor mundial de frutas, apesar do pequeno volume exportador
em relação a outros países de menores produções. Pode-se perceber que a laranja ocupa uma
área de 821 mil ha, o que corresponde a quase 2% da área agricultada no Brasil (Tabelas
4.2.5.3 e 4.2.5.4).
Tabela 4.2.5.3: Brasil: área plantada com as principais culturas, 1995-2001 (mil ha).
Cultura
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
11.686
14.182
4.623
5.447
4.427
2.008
1.970
1.036
1.130
738
140
292
76
178
94
10.748
13.904
4.901
5.151
3.960
1.993
2.021
1.846
835
690
191
306
131
190
80
13.274
11.154
5.000
4.575
3.159
2.055
1.994
1.533
869
729
266
346
152
182
98
13.015
11.901
4.960
4.948
3.881
2.086
1.621
1.426
677
710
352
360
133
176
96
13.665
12.425
4.844
4.498
3.702
2.217
1.607
1.255
818
681
423
341
111
174
102
13.812
13.751
4.924
4.151
3.361
2.276
1.722
1.527
987
730
529
321
198
152
105
15.773
11.737
5.055
4.176
3.172
2.660
1.737
1.728
803
673
499
325
144
159
90
856
517
61
44
3.628
53.133
985
519
60
50
3.622
52.183
982
585
57
54
3.675
50.739
1.023
533
58
52
3.605
51.613
1.031
527
56
52
3.597
52.126
862
537
60
56
3.659
53.720
821
520
62
61
3.644
53.839
Grãos, cereais,
Fibras e outras
Soja
Milho
Cana
Feijão
Arroz
Café
Mandioca
Trigo
Algodão
Cacau
Sorgo
Fumo
Mamona
Batata
Amendoim
Frutas
Laranja
Banana
Uva
Abacaxi
Demais culturas
Total
Fonte: Neves, E.M. - Elaborada a partir de dados do LSPA/IBGE e Anuários da ANDA (1998 a 2001).
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Tabela 4.2.5.4: Brasil: participação das principais culturas na área total plantada, 1995-2001
(%).
Cultura
Grãos, cereais, fibras e outras
Soja
Milho
Cana
Feijão
Arroz
Café
Mandioca
Trigo
Algodão
Cacau
Sorgo
Fumo
Mamona
Batata
Amendoim
Frutas
Laranja
Banana
Uva
Abacaxi
Demais culturas
Total
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
22,0
26,7
8,7
10,3
8,3
3,8
3,7
1,9
2,1
1,4
0,3
0,5
0,1
0,3
0,2
20,6
26,6
9,4
9,9
7,6
3,8
3,9
3,5
1,6
1,3
0,4
0,6
0,3
0,4
0,2
26,2
22,0
9,9
9,0
6,2
4,1
3,9
3,0
1,7
1,4
0,5
0,7
0,3
0,4
0,2
25,2
23,1
9,6
9,6
7,5
4,0
3,1
2,8
1,3
1,4
0,7
0,7
0,3
0,3
0,2
26,2
23,8
9,3
8,6
7,1
4,3
3,1
2,4
1,6
1,3
0,8
0,7
0,2
0,3
0,2
25,7
25,6
9,2
7,7
6,3
4,2
3,2
2,8
1,8
1,4
1,0
0,6
0,4
0,3
0,2
29,3
21,8
9,4
7,8
5,9
4,9
3,2
3,2
1,5
1,3
0,9
0,6
0,3
0,3
0,2
1,6
1,0
0,1
0,1
6,8
100,0
1,9
1,0
0,1
0,1
6,9
100,0
1,9
1,2
0,1
0,1
7,2
100,0
2,0
1,0
0,1
0,1
7,0
100,0
2,0
1,0
0,1
0,1
6,9
100,0
1,6
1,0
0,1
0,1
6,8
100,0
1,5
1,0
0,1
0,1
6,8
100,0
Fonte: Neves, E.M. - Elaborada a partir de dados do LSPA/IBGE e Anuários da ANDA (1998 a 2001).
O valor da produção do agronegócio brasileiro é algo de cuja importância não precisa se
dizer. Porém, vale destacar a importância da laranja, que representou, em 1998/1999, 7,6% da
produção agrícola brasileira e quase que 20% do valor da produção paulista (tabelas 4.2.5.5 e
4.2.5.6). A laranja é uma cultura fortemente exportadora, o que tem feito com que a renda em
reais por hectare apresente valores médios positivos para regiões do estado de São Paulo.
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47
Tabela 4.2.5.5: Brasil: Estimativa de Renda de Lavouras no Ano 1998/99, em Milhões de
Reais (preços de julho de 1999)
1998/1999
Renda
Produtos
Participação
Área
Renda/Área
(Milhões de
(%)
(1.000 ha)
(Reais/ha)
Reais)
7.668,67
17,99
12.740,50
601,91
Soja
Cana-de-açúcar
5.318,10
12,47
5.946,80
894,28
Milho
5.305,01
12,44
11.205,20
473,44
Café
4.217,06
9,89
2.155,90
1.956,06
Arroz
3.574,64
8,38
3.618,70
987,82
Laranja
3.265,71
7,66
1.007,10
3.242,69
Feijão
2.454,74
5,76
3.919,90
626,23
Mandioca
1.719,29
4,03
1.577,00
1.090,23
Trigo
486,93
1,14
1.421,00
342,67
Outros
8.625,19
20,23
4.608,80
1.871,46
TOTAL
42.635,34
100,00
48.200,90
884,53
Fonte: IBGE – Informações de produção agrícola safras 97/98 e 98/99, e FGV – dados de preços recebidos pelos produtores,
deflacionados pelo IGP-DI da FGV, a preços de julho/99. (Neves, 2000)
Fundação Seade: Dados relativos à área.
Tabela 4.2.5.6 - Valor da Produção e Porcentagem de Participação dos 10 Principais
Produtos da Agropecuária do Estado de São Paulo, Safra 1997/98
Produto
Cana-de-açúcar
Citros
Carne bovina
Aves
Café
Leite
Milho
Ovos
Hortaliças, cebola, alho
Soja
Outros1
TOTAL DO ESTADO
TOTAL DE PROD. VEGETAIS
TOTAL DE PROD. ANIMAIS
Valor da Produção
(milhão R$)
3.291,5
2.106,8
912,2
801,6
609,9
563,2
539,7
473,3
454,4
237,6
1.338,4
11.328,6
8.403,6
2.925,0
Fonte: Instituto de Economia Agrícola, julho/99. O valor da Produção em R$ de 98.
1
Outros: Frutas, carne suína, batata, algodão, feijão, amendoim, arroz, mandioca e trigo.
%
29,1
18,6
8,1
7,1
5,4
5,0
4,8
4,1
4,0
2,1
11,7
100,0
74,2
25,8
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48
Produção de Laranjas no Brasil
A atividade agrícola de produção de laranja caracteriza-se como pulverizada, contabilizando
mais de 27 mil unidades produtivas. A distribuição é desigual, sendo que 1% dos citricultores
paulistas possui mais de 100 mil árvores, representando 28% da produção. A tabela 4.2.5.7
apresenta a distribuição da produção e dos pomares paulistas em relação ao tamanho da
propriedade.
Tabela 4.2.5.7 - Distribuição da Safra Paulista de Laranja (1997/1998)
Fazendas
(mil pés)
Até 20
20 a 100
Maior que 100
Participação (%)
Produção
41
31
28
Pomares
92
07
01
Fonte: Instituto de Economia Agrícola/98 apud Zylbersztajn et alii (2000).
Destaca-se o Sudeste como a principal região produtora do Brasil (tabela 4.2.5.8).
Tabela 4.2.5.8 - Laranja no Brasil: área colhida e produção por região, 1998 – 2001.
1998
1999
2000
2001
SE
NE
S
N
CO
Total
Área
(mil ha)
825,1
114,5
50,9
19,6
8,4
1.018,5
Prod
(mil t)
14.498,9
1.415,2
767,5
256,5
112,7
17.050,8
Área
(mil ha)
834,0
110,0
51,1
17,7
9,0
1.021,8
Prod
(mil t)
16.412,6
1.120,4
696,4
248,9
129,6
18.607,9
Área
(mil ha)
663,9
110,5
50,6
16,7
9,1
850,8
Prod
(mil t)
15.094,6
1.156,2
717,7
231,9
142,4
17.342,7
Área
(mil ha)
668,6
109,8
51,0
17,0
8,7
855,1
Prod
(mil t)
15.138,6
1.353,8
728,0
235,1
121,2
17.576,8
Fonte: Agrianual, 2002.
Em relação ao número de plantas existentes no Brasil, a tabela 4.2.3.9 permite mostrar
que a produtividade, tanto em caixas por planta como em caixas por hectare teve ganhos
expressivos no período analisado, mas que o número de novas plantas é inferior ao
observado na década de 90. Isto mostra um preocupante envelhecimento dos laranjais
brasileiros.
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
49
Tabela 4.2.5.9: Número de Plantas de Laranja, São Paulo, 1985 a 2002
Ano
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
19963
1997
19984
19994
20004
20015
20026
Número
total de
árvores
(1.000)
129.020
135.585
144.740
156.470
172.360
180.860
196.470
202.135
195.893
200.150
196.260
211.199
224.380
227.404
228.461
214.790
205.843
205.009
Plantas novas1
Plantas em produção2
(1.000)
(%)
(ha)
(1.000)
(%)
(ha)
20.570
24.995
25.860
28.400
34.480
36.560
40.870
48.335
43.893
39.450
34.860
35.128
31.960
28.078
27.365
19.770
20.866
21.440
15,9
18,4
17,9
18,1
20,0
20,2
20,8
23,9
22,4
19,7
17,8
16,6
14,2
12,3
12,0
9,2
10,1
10,5
86.793
105.464
109.114
119.831
145.485
144.506
161.541
179.018
162.567
146.111
129.111
130.194
107.609
94.539
92.138
65.900
59.616
61.257
108.450
110.590
118.880
128.070
137.880
144.300
155.600
153.800
152.000
160.700
161.400
176.071
192.420
199.326
201.096
195.020
184.977
183.569
84,1
81,6
82,1
81,9
80,0
79,8
79,2
76,1
77,6
80,3
82,2
83,4
85,8
87,7
88,0
90,8
89,9
89,5
482.000
491.511
528.356
569.200
612.800
641.333
691.555
591.538
584.615
618.077
620.769
677.196
740.076
766.638
773.446
650.067
616.590
611.895
Produtividade
Produção
(1000cx) (cx. planta) (cx. ha)
218.000
190.070
234.350
248.780
296.560
268.710
285.500
300.000
307.000
285.000
322.300
375.670
383.058
340.667
400.062
355.925
328.057
366.648
2,0
1,7
2,0
1,9
2,2
1,9
1,8
1,9
2,0
1,8
2,0
2,1
2,0
1,7
2,0
1,8
1,8
2,0
452
387
444
437
484
419
413
507
525
461
519
551
518
444
517
547
532
599
1
Área estimada considerando as seguintes densidades de plantio por hectare: Plantas novas: 1985 = 237 pl/ha; 1990 = 253; 1995 e 1996 =
270; 1997 a 1999 = 297; 2000 = 300 pl./ha; 2001 e 2002 = 350pl./ha.
2
Plantas em produção: 1990 = 225 pl/ha; 1995 a 1999 = 260 pl/ha; 2000 = 300 plantas por hectare.
3
Dado retificado.
4
Provisório, sujeito à revisão.
5
Levantamento final novembro de 2001.
6
2° Levantamento, novembro de 2001.
Fonte: Dr. Amaro
Outro aspecto interessante de se observar na citricultura paulista e brasileira, é a quantidade
de caixas que é destinada ao processamento industrial, variando de 70 a 90% no período
1990-1999. Observa-se também o pouco volume destinado para exportação in natura (Tabela
4.2.5.10).
UNICAMP-IE-NEIT
Tabela 4.2.5.10 - Citricultura em São
(milhões de caixas de 40,8 kg)
Processamento
Safra
Volume
%
1990
210,0
78,1
1991
225,0
78,8
1992
265,0
88,3
1993
240,0
78,2
1994
245,0
86,0
1995
247,0
76,6
1996
260,0
73,2
1997
278,0
72,6
1998
268,0
78,7
1999
275,0
71,0
2000
265,0
74,6
2001
235,0
84,0
ECCIB
50
Paulo: Destino da Produção - Anos 1990 a 1999
Mercado
Interno
Volume
%
56,8
21,1
57,8
20,2
33,0
11,0
65,2
21,2
37,0
13,0
72,5
22,5
92,6
26,1
102,8
26,8
71,1
20,9
110,3
28,4
90
25,4
45
16,0
Exportação
In natura
Volume
%
1,9
0,8
2,7
0,9
2,0
0,7
1,8
0,6
3,0
1,1
2,8
0,9
2,4
0,7
2,2
0,6
1,6
0,4
2,4
0,6
-
Total
268,7
285,5
300,0
307,0
285,0
322,3
355,0
383,0
340,7
387,7
355,0
280,0
Obs: Os dados para 2001 são estimativas, sujeitos à revisão.
Os dados referentes a exportação de frutas em 2000 e 2001 encontram-se dentro dos dados de mercado interno
Fonte: IEA/SAAESP, IBGE e Secex/MDIC. (Neves, 2000; Amaro, 2000)
As Projeções para a Produção de Frutas1
Estima-se que o parque citrícola permanecerá estável em termos do número de plantas na
nesta década variando ao redor de 205 milhões de árvores (4.2.5.11). A produção de laranja
ficaria entre 350 a 400 milhões de caixas nos próximos anos. Este cenário, elaborado pelo Dr.
Amaro e equipe, do Instituto de Economia Agrícola, não prevê grandes surpresas no parque
paulista (4.2.5.12 e 4.2.5.13).
Tabela 4.2.5.11 - Laranja – Projeção do Número de Plantas Novas, em Produção e Total, São
Paulo, 2000 a 2009 (em milhões)
Ano
Plantas Novas
Plantas em Produção
Total de Plantas
(até 3 anos)
2000
23,2
191,6
214,8
2001
21,7
182,8
204,5
2002
23,0
183,1
206,1
2003
27,1
173,9
201,0
2004
30,0
171,1
201,1
2005
28,0
174,7
207,7
2006
28,0
175,2
203,2
2007
28,0
175,4
203,4
2008
28,1
175,7
203,8
2009
28,1
175,9
204,0
Fonte: Dr. Amaro - Obs.: Média de 5 cenários, composta de número estimado de plantio anual, taxas de
erradicação e em proporções variáveis por faixa etária de plantio.
1
Baseado em estudo do pesquisador Dr. Antonio Ambrosio Amaro, do Instituto de Economia Agrícola de São
Paulo.
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
51
Tabela 4.2.5.12 Estimativa e Projeção da Produção de Laranja no Estado de São Paulo, 2000
a 2009 (milhões de caixas)
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
0
até 3
1,5
4a7
71,8
64,0
2,0
8 a 10
85,6
82,2
2,2
Mais de 10 222,0 217,8
Total
379,4 364,0
Fonte: Dr. Amaro - Dados da pesquisa
57,9
79,4
230,6
367,9
46,8
77,4
228,8
353,0
42,2
69,8
237,8
349,8
47,1
62,0
247,1
356,2
47,7
54,4
255,6
357,7
53,7
46,0
256,5
356,2
58,3
55,4
252,1
365,8
44,4
46,0
255,2
345,6
Caixa/
Planta
Faixa
Etária
(anos)
2000
Tabela 4.2.5.13: Estimativa e Projeção da Produção de Laranja no Estado de São Paulo, 2000
a 2009 (milhões de caixas)
2000
2001
2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009
Produtividade
caixa/planta em
produção
383,2
365,6
366,2 347,8 342,2 349,4 350,4 350,8 351,4 351,8
2,0
384,5 365,2 359,3 366,9 367,9 368,3 369,0 369,4
2,1
402,8 382,6 376,4 384,3 385,4 385,9 386,5 387,0
2,2
Fonte: Dr. Amaro
Custos de Produção de Laranja
A laranja fresca é um produto de elevado valor agregado, mas representa muito pouco nas
exportações brasileiras, apesar do potencial. Diferentemente da indústria processadora de
SLCC, altamente competitiva, a produção e o processamento de frutas para mesa ainda carece
de ganhos de eficiência. Além das barreiras tarifárias, exportações de produtos in natura são
mais susceptíveis a barreiras sanitárias (Tabela 4.2.5.15).
Tabela 4.2.5.15: Ranking dos Exportadores de Laranja - Classificação pelo Valor das
Exportações em 1995 - (US$ milhões)
Empresa
Sucocitrico Cutrale Ltda.
Faz Sete Lagoas Agrícola S/A
Ragazzo S/A Comercial Agrícola
Fisher S/A Agropecuária
Citrovita Agroindustrial Ltda.
Outras
Total
Fonte: SECEX
1993
1994
1995
1996* Part. (%)
8.294,60 12.945,10 13.922,60 2.494,80 47,86
3.210,70 4.215,40 7.029,40 601,50
24,16
3.318,20 3.242,60
11,15
2.978,20 2.053,90 656,70
7,06
1.591,00 1.387,70 314,10
4,77
8.663,00
506,60
1.456,00 486,60
5,00
20.168,30 25.554,70 29.092,30 4.553,60 100,00
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
52
4.2.6 – Setor de Produção de Insumos (Defensivos, Fertilizantes e Outros)
Fertilizantes: Importância Econômica e o Uso na Citricultura
A Tabela 4.2.6.1 mostra que o Brasil é um dos 5 maiores mercados de fertilizantes do
mundo e, nas estatísticas disponíveis, vem se posicionando em 4º lugar, precedido pela
China, EUA e Índia.
Tabela 4.2.6.1: Consumo mundial de nitrogênio, fósforo e potássio: principais países,
safras 95/96 a 99/00 (em milhões t).
País
China
Estados Unidos
Índia
Brasil
França
Alemanha
Paquistão
Indonésia
Canadá
Austrália
Outros
Total
95/96
33,500
20,113
13,876
4,309
4,914
2,818
2,513
2,458
2,497
1,867
40,500
96/97
35,976
20,201
14,338
5,017
5,064
2,814
2,412
2,483
2,648
2,016
41,439
97/98
33,709
20,203
16,195
5,492
4,989
2,857
2,659
2,258
2,718
2,184
41,760
98/99
35,288
19,774
16,798
5,851
4,837
2,938
2,578
2,728
2,649
2,250
42,724
99/00
35,934
19,564
18,070
5,875
4,753
3,054
2,834
2,736
2,689
2,353
42,761
129,365
134,408
135,024
138,415
140,623
Fonte: Anuário Estatístico da Associação Nacional para Difusão de Adubos/ANDA, 1996-2001.
O consumo vem crescendo nos últimos 7 anos (tabela 4.2.6.2), corroborando o
crescimento na produtividade das principais culturas brasileiras. Isto reflete nos valores
vendidos (Tabela 4.2.6.3) pelas principais empresas do setor (Tabela 4.2.6.4)
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
53
Tabela 4.2.6.2: Brasil: consumo médio anual de fertilizantes (kg/ha), 1995-2001.
Anos
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
Área*
Consumo Fertilizante
Demanda Relativa Média
(milhões ha)
(milhões t)
(kg/ha)
143,133
142,108
140,739
141,613
142,126
143,720
143,839
10,839
12,508
13,604
14,569
13,869
16,322
16,737
75,73
88,02
96,66
102,88
97,58
113,57
116,36
Fonte: Neves, E. et al - Elaborada a partir de dados de Anuários Estatísticos da Associação Nacional para Difusão de Adubos/ANDA,
1999-2001. *Foram incluídas as áreas com pastagens e reflorestamento.
Tabela 4.2.6.3: Brasil: volume e valor das vendas de fertilizantes no mercado interno,
1998-2001.
Ano
1998
1999
2000
2001*
Volume
(milhões t)
14,669
13,689
16,322
16,737
Valor
(bilhões US$)
2,90
2,47
3,00
3,03
Valor Médio
(US$/t)
197,69
180,44
183,02
181,03
Fonte: Neves, E. et al a partir de: Anuários Estatísticos da Associação Nacional para Difusão de Adubos/ANDA, 19992000.*Estimativa projetada pela ANDA em março/2002.
Tabela 4.2.6.4: Vendas de fertilizantes no Brasil em 1999: participação das empresas do setor
(%).
Empresa
Participação
(%)
Serrana
16
Manah
12
Cargill/Solorrico
10
Heringer
9
Fertipar
5
Fertiza
4
Fertibrás
4
Outras
40
Fonte: ANDA, 2000.
As importações de fertilizantes são um importante componente das importações do
agronegócio brasileiro. Os valores importados nos últimos 3 anos podem ser
encontrados na Tabela 4.2.6.5.
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
54
Tabela 4.2.6.5: Brasil: importações de matéria-prima e produtos intermediários para
adubo, 1999-2001.
Ano
1999
2000
2001*
Volume
(milhões t)
9,5
13,3
12,4
Valor
(bilhão US$)
1,038
1,522
1,418
Valor Médio
(US$/t)
109,26
114,44
114,35
Fonte: Neves, E. et al - Anuários Estatísticos da Associação Nacional para Difusão de Adubos/ANDA, 1999-2000. *Estimativa
projetada pela ANDA em janeiro/2002.
Quando se analisam as principais culturas brasileiras, percebe-se a presença da laranja, com
praticamente 334 toneladas consumidas em 2001 (Tabela 4.2.6.6), representando 2% do
consumo nacional de fertilizantes (Tabela 4.2.6.7).
Tabela 4.2.6.6: Brasil: consumo de fertilizantes pelas principais culturas, 1995-2001 (mil t)
Cultura
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
Grãos, cereais, fibras e outras
Soja
2.486 2.797 4.069 4.138 4.054 4.613 5.457
Milho
2.027 2.528 2.312 2.761 2.535 3.392 2.897
Cana
1.914 2.139 2.010 1.891 1.419 1.992 2.103
Café
619
827 1.021 1.117 1.325 1.428 1.133
Algodão
258
187
368
332
417
612
616
Arroz
632
621
438
613
546
537
540
Feijão
671
585
451
538
531
475
514
Trigo
207
311
351
346
286
400
461
Batata
405
369
315
316
317
293
447
Fumo
228
282
232
256
238
224
234
Sorgo
19
27
68
92
114
144
135
Cacau
58
57
59
58
59
66
64
Mandioca
66
84
25
26
28
35
36
Amendoim
11
12
22
22
24
25
21
Mamona
7
7
14
14
12
24
17
Frutas
Laranja
349
382
402
406
400
336
334
Banana
122
126
158
150
158
168
177
Uva
14
15
34
37
37
42
44
Abacaxi
17
19
20
21
23
24
69
10.110 11.375 12.369 13.134 12.523 14.830 15.299
Subtotal
729 1.133 1.235 1.435 1.346 1.492 1.438
Demais culturas
10.839 12.508 13.604 14.569 13.869 16.322 16.737
Total
Fonte: Elaborada a partir de dados de Anuários Estatísticos da ANDA, 1998-2001.
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ECCIB
55
Tabela 4.2.6.7: Brasil: consumo de fertilizantes pelas principais culturas, 1995-2001 (%).
Cultura
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
Grãos, cereais, fibras e outras
Soja
22,9
22,4
29,9
28,4
29,2
28,3
32,6
Milho
18,7
20,2
17,0
19,0
18,3
20,8
17,3
Cana
17,7
17,1
14,8
13,0
10,2
12,2
12,6
Café
5,7
6,6
7,5
7,7
9,6
8,7
6,8
Algodão
2,4
1,5
2,7
2,3
3,0
3,7
3,7
Arroz
5,8
5,0
3,2
4,2
3,9
3,3
3,2
Feijão
6,2
4,7
3,3
3,7
3,8
2,9
3,1
Trigo
1,9
2,5
2,6
2,4
2,1
2,5
2,8
Batata
3,7
3,0
2,3
2,2
2,3
1,8
2,7
Fumo
2,1
2,3
1,7
1,8
1,7
1,4
1,4
Sorgo
0,2
0,2
0,5
0,6
0,8
0,9
0,8
Cacau
0,5
0,5
0,4
0,4
0,4
0,4
0,4
Mandioca
0,6
0,7
0,2
0,2
0,2
0,2
0,2
Amendoim
0,1
0,1
0,2
0,2
0,2
0,2
0,1
Mamona
0,1
0,1
0,1
0,1
0,1
0,1
0,1
Frutas
Laranja
3,2
3,1
3,0
2,8
2,9
2,1
2,0
Banana
1,1
1,0
1,2
1,0
1,1
1,0
1,1
Uva
0,1
0,1
0,2
0,3
0,3
0,3
0,3
Abacaxi
0,2
0,2
0,1
0,1
0,2
0,1
0,4
93,3
90,9
90,9
90,2
90,3
90,9
91,4
Subtotal
6,7
9,1
9,1
9,8
9,7
9,1
8,6
Demais culturas
100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0
Total
Fonte: Elaborada a partir de dados de Anuários Estatísticos da ANDA, 1998-2001.
Defensivos: Importância Econômica e o Uso na Citricultura
Segundo Neves (2002) o Brasil é o 3º maior mercado mundial, precedido pelos EUA e Japão,
porém, em termos de volume consumido de principio ativo vem se posicionando abaixo de
diversos países europeus. (tabela ).
Tabela 4.2.6.8: Defensivos agrícolas no mundo: volume consumido de ingrediente ativo por
país (kg/ha), 2000
País
Consumo
País
Consumo
Holanda
17,5
Brasil
3,2
Bélgica
10,7
Luxemburgo
3,1
Itália
7,6
Espanha
2,6
Grécia
6,0
Dinamarca
2,2
Alemanha
4,4
Irlanda
2,2
França
4,4
Portugal
1,9
Reino Unido
3,6
Fonte: Sindag , 2001.
Em termos de participação de mercado das principais empresas, os dados estimados para 2002
mostram a liderança da Bayer, seguida pela Syngenta.
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ECCIB
56
Tabela 4.2.6.9: Estimativa da participação das empresas no mercado brasileiro de defensivos
agrícolas em 2002.
%
Empresa
%
Empresa
Monsanto
Bayer Cropscience
22,7
8,0
Milenia
Syngenta
20,0
7,9
Dupont
Basf
13,5
6,8
Outras
Dow Química
8,8
12,3
Fonte: ANDEF e Mercado, 2002.
Finalmente, as tabelas mostram a importância da citricultura para as empresas de insumos.
Um consumo de 14,5 mil toneladas de ingredientes ativos, representando um consumo de
US$ 101,5 milhões em 2000.
Tabela 4.2.6.10: Defensivos agrícolas no Brasil: total consumido de ingrediente ativo pelas
principais culturas, 1997-2000 (em mil toneladas).
Cultura
1997
1998
1999
2000
Mil t
%
mil t
%
Mil t
%
mil t
%
Grãos, cereais,
Fibras e outras
Soja
32,32
28,4 42,02
32,6 41,34
32,4 46,27
33,0
Milho
12,81
11,2 15,25
11,8 16,14
12,7 21,20
15,1
Cana
12,71
11,2
9,82
7,6
8,06
6,3 11,34
8,1
Café
6,26
5,5
8,78
6,8
9,39
7,4
9,08
6,5
Algodão
3,56
3,1
4,85
3,8
6,72
5,3
8,17
5,8
Arroz
4,94
4,3
5,05
3,9
5,12
4,0
4,30
3,1
Batata
4,39
3,9
5,12
4,0
4,17
3,3
3,89
2,8
Feijão
2,67
2,3
4,20
3,3
3,68
2,9
2,78
2,0
Tomate
2,47
2,2
3,36
2,6
2,91
2,3
2,49
1,8
Trigo
2,00
1,8
1,96
1,5
1,64
1,3
1,91
1,4
Fumo
0,47
0,4
0,91
0,7
0,53
0,4
0,39
0,3
Frutas
Citros
15,50
13,6 12,67
9,8 14,83
11,6 14,49
10,3
Maçã
1,12
1,0
1,85
1,4
1,47
1,2
1,47
1,0
Uva
0,56
0,5
0,69
0,5
0,84
0,7
0,63
0,4
12,15
10,7 12,18
9,5 10,74
8,4 12,01
8,6
Demais culturas
Total
113,93 100,0 128,71 100,0 127,58 100,0 140,42 100,0
Fonte: Fonte: Neves, E.M. et al. Elaborada pelos autores a partir de dados do SINDAG, 2001.
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57
Tabela 4.2.6.11: Defensivos agrícolas no Brasil: gasto total pelas principais culturas, 19972000
Cultura
1997
1998
1999
2000
US$
milhão
%
Grãos, cereais, Fibras e outras
Soja
726,6
33,3
Algodão
90,4
4,1
Milho
166,2
7,6
Cana
241,4
11,1
Café
156,1
7,2
Arroz
85,5
3,9
Feijão
65,1
3,0
Batata
76,1
3,5
Trigo
63,6
2,9
Tomate
51,5
2,4
Fumo
37,4
1,7
Frutas
Citros
137,3
6,3
Maça
14,7
0,7
Uva
8,1
0,4
260,7
12,0
Demais culturas
Total
2.180,7 100,0
Fonte: Neves, E.M. et al a partir de dados do SINDAG, 2001.
US$
milhão
885,8
136,1
185,0
210,1
188,7
96,2
105,1
92,9
65,5
65,6
44,2
%
US$
milhão
%
US$
milhão
%
34,6
5,3
7,2
8,2
7,4
3,8
4,1
3,6
2,6
2,6
1,7
803,9
191,1
185,1
142,1
185,7
94,8
94,7
71,7
56,2
58,9
32,7
34,5
8,2
7,9
6,1
8,0
4,1
4,1
3,1
2,4
2,5
1,4
879,5
278,1
250,2
185,5
161,5
88,1
63,4
61,7
53,8
49,7
28,9
35,2
11,1
10,0
7,4
6,5
3,5
2,5
2,5
2,2
2,0
1,2
163,1
6,4
128,6
5,5
101,5
4,1
17,6
0,7
16,6
0,7
14,8
0,6
9,5
0,4
9,6
0,4
9,1
0,4
292,4 11,4
257,4 11,1
274,1 11,0
2.557,8 100,0 2.329,1 100,0 2.499,9 100,0
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
58
Tabela 4.2.6.12: Brasil: valores gastos pelas 4 principais culturas por classe de defensivos,
1997-2000 (em milhão US$).
1997
Classe
1998
US$ %
milhão
Classe
Herbicidas
Herbicidas
Soja
602,0 49,5 Soja
Cana
207,3 17,1 Cana
Milho
138,6 11,4 Milho
Arroz
76,6 6,2 Arroz
Fungicidas
Fungicidas
Café
76,1 21,4 Café
Batata
48,1 13,5 Batata
Trigo
36,4 10,2 Trigo
Tomate
29,3 8,2 Feijão
Inseticidas
Inseticidas
Soja
97,1 20,9 Soja
Algodão
60,1 12,9 Algodão
Café
47,6 10,9 Café
Milho
25,7 5,5 Milho
Acaricidas
Acaricidas
81,0
93,4
Citros
Citros
Maçã
1,6 1,8 Tomate
Algodão
0,7 0,8 Maçã
Tomate
0,5 0,6 Algodão
1999
US$ %
milhão
Classe
Herbicidas
727,8 53,1 Soja
173,3 12,7 Cana
145,1 10,6 Milho
79,7 5,8 Arroz
Fungicidas
90,4 20,7 Café
55,9 12,8 Soja
41,7 9,6 Batata
37,3 8,5 Trigo
Inseticidas
105,8 18,2 Algodão
97,3 16,7 Soja
54,3 9,3 Café
36,7 6,3 Milho
Acaricidas
95,0 90,0 Citros
1,9 1,8 Maçã
1,6 1,5 Tomate
1,3 1,3 Algodão
2000
US$ %
milhão
Classe
Herbicidas
632,0 53,7 Soja
145,0 12,3 Cana
116,8 9,9 Milho
75,2 6,4 Arroz
Fungicidas
83,7 19,8 Café
50,3 11,9 Soja
42,1 10,0 Trigo
39,6 9,4 Batata
Inseticidas
131,7 22,1 Algodão
104,0 17,4 Soja
56,2 9,4 Café
37,7 6,3 Milho
Acaricidas
69,3 88,1 Citros
2,1 2,7 Tomate
1,4 1,7 Algodão
1,1 1,4 Maçã
US$
milhão
%
676,6 52,0
188,8 14,5
142,4 10,9
72,6 5,6
65,7 17,3
64,1 16,8
36,1 9,5
35,0 9,2
184,3 26,7
122,6 17,8
58,7 8,5
57,1 8,3
58,3 88,9
1,4 2,2
1,2 1,8
0,9 1,4
Fonte: Neves, E.M. et al a partir de dados do SINDAG, 2001.
4.3 - Papel do Estado: evolução e relevância de políticas públicas
A principal intervenção do Estado no setor caracteriza-se pela arbitragem na relação entre o
produtor de laranja e a indústria processadora, desenvolvendo em 1995, um Compromisso de
Cessação de práticas anti-competitivas. Neste ponto políticas de auxílio a uma melhor
coordenação dos produtores de frutas devem ser implementadas.
Já quanto à atuação internacional, a associação de representação de classe da indústria,
ABECITRUS, desempenha papel fundamental no pleito das reivindicações do setor junto aos
órgãos competentes do governo.
4.4 - Reestruturação na segunda metade dos anos 90: foco nas estratégias de adaptação
das empresas nacionais e estrangeiras à política econômica brasileira
Sendo um setor balizado pelas cotações internacionais do SLCC, que se apresenta em queda
há mais de um década, os agentes reestruturam-se na busca por competitividade. Destaca-se a
estratégia de internacionalização das empresas nacionais no mercado americano, partindo para
o processamento de suco na Flórida, fugindo assim, dentre outros fatores, da barreiras
comerciais impostas aos produtos brasileiros.
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
59
Como conseqüência, as empresas nacionais aproximam-se do consumidor e das empresas de
bebidas, possibilitando no futuro, agregar mais valor ao produto, avançando na cadeia
produtiva. Neste sentido, é um risco a redução da dependência de matéria-prima proveniente
do Brasil.
4.5 - Impacto da conjuntura recente (desaceleração e depreciação cambial) sobre a
balança comercial setorial
A depreciação do real perante o dólar proporcionou maior competitividade ao produto
nacional, mas, o faturamento total da cadeia caiu, justificado pelo baixo preço do SLCC no
mercado internacional. O faturamento com as exportações de SLCC que já atingiu US$ 1,3
bilhões, fechou o ano de 2001 próximo a US$ 800 milhões.
Alguns fatores justificam o fato:
i)
excesso de produção de laranja, gerando estoques de suco;
ii)
disputa das empresas pelo mercado
iii)
exigências por descontos por parte dos compradores de SLCC;
iv)
tendência de consumo
Na safra de 2001 o preço da laranja pago ao produtor apresentou-se em patamares elevados
em virtude da baixa produção, no mesmo momento em que as cotações internacionais do
SLCC estavam em queda, o que afetou a rentabilidade das indústrias do setor.
É importante destacar que toda a cadeia produtiva perde com a redução do faturamento
verificada nos últimos anos, sinalizando a necessidade da união de todo o setor com o Estado,
para a formulação de estratégias que proporcionem maior competitividade para todos, como a
redução de barreiras tarifárias.
Por praticamente não ter competidores diretos na exportação de suco concentrado congelado,
a questão cambial acabou trazendo poucas chances de aumentar os volumes exportados,
porém possibilita melhor remuneração interna. Do lado dos custos, estes tem impacto pelo
aumento dos preços de fertilizantes, defensivos, combustíveis e pedágios, principalmente.
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
60
5 - Síntese Comparativa
Tabela 5.1: Quadro Comparativo da Competitividade Brasileira no Mercado Americano
e Europeu
Característica do
Mercado Americano
Produção americana de laranja em
Mercado
crescimento
Excesso de oferta de laranja na
década de 90
Equivalente Ad Valorem para
importações de SLCC brasileiro de
56%
Incremento das importações de suco
de laranja do México
Equivalente Ad Valorem para
importações de SLCC mexicano de
30%
Tendência de consumo valoriza o
suco pasteurizado que é de difícil
importação a longa distância
Redução das exportações para os
Posicionamento
EUA
do Brasil
Mercado americano deixou de ser o
principal comprador, representando
menos de 20% do total exportado de
SLCC
Brasil é altamente competitivo. Perde
para o México em função do acordo
do NAFTA
Empresas
brasileiras
adquirem
unidades industriais e pomares na
Florida.
Fonte: Autores
Mercado Europeu
Importações
de
SLCC
em
crescimento
Pequena produção de SLCC
Brasil é o principal supridor de
SLCC
Espanha é forte concorrente no
mercado de frutas frescas
Tendência de consumo valoriza o
suco pasteurizado que é de difícil
importação a longa distância
Importação de limas do México
Suco de laranja brasileiro é
fortemente taxado ( Ad Valorem- 12
a 70%)
Frutas frescas são fortemente
taxadas
Possibilidade de barreiras sanitárias
na importação de frutas frescas
Principal mercado importador dos
produtos brasileiros da cadeia
citrícola
Brasil é altamente competitivo.
Já possui grande participação no
mercado
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
61
6 - Conclusões e Propostas
6.1 - Avaliação de desempenho, oportunidades e riscos ante o acirramento da
concorrência mundial
Substituição de Importações:
O setor apresenta baixa necessidade de importação de insumos (exceto por fertilizantes), não
tendo impacto no desempenho em função de uma possível política que viesse dificultar a
entrada destes insumos no Brasil. A Tabela 5.1 apresenta a participação percentual de
insumos importados nos principais produtos da pauta das exportações brasileiras.
Tabela 6.1: Participação Percentual nas Exportações Brasileiras e Exigências em Importações
de Insumos para a Produção dos Principais Produtos Exportáveis do Brasil, 1999
Participação (%)
Produtos
Insumos Importados
Nas
Necessários à Produção
Exportações
Derivados de Petróleo
94,7
2,3
Eletroeletrônicos
41,8
3,8
Produtos Químicos
27,6
7,2
Materiais de Transporte
24,7
14,8
Máquinas
19,5
6,0
Produtos Têxteis
12,6
2,1
Minérios Metalúrgicos
12,4
6,1
Produtos Metalúrgicos
11,1
10,5
Fumos e Cigarros
7,9
2,0
Calçados e Couro
5,5
4,2
Papel e celulose
5,5
4,5
Carnes
4,3
4,0
Café (Grão e Solúvel)
2,7
5,1
Madeiras e Manufaturas
2,6
2,9
Complexo de Soja
1,2
7,8
Açúcar (Bruto e
Refinado)
0,2
4,0
Suco de Laranja
0,0
2,6
Outros
10,2
TOTAL
15,9
100,0
Fonte: Neves, E (2001).
Expansão das Exportações:
O Brasil já apresenta elevada participação no mercado internacional na cadeia citrícola,
especialmente no caso do SLCC, possuindo participação acima de 80% das exportações
mundiais. Com a manutenção das condições atuais, dificilmente o país conseguirá melhorar
seu desempenho neste mercado em função dos fatores discutidos anteriormente. Quanto ao
suco pasteurizado, alguns fatores ainda dificultam a exportação, e incrementos em pesquisa e
desenvolvimento poderão proporcionar avanços significativos, mesmo mantendo as regras
atuais do mercado internacional. Trata-se de uma boa oportunidade.
UNICAMP-IE-NEIT
ECCIB
62
Já no mercado de frutas frescas, o Brasil ainda possui pequena participação, permitindo a
partir da incorporação de novas tecnologias, ampliar sua atuação. Mudanças radicais seriam
necessárias, desde a implantação de novos cultivares específicos para a produção de frutas de
mesa, até equipamentos de pós-colheita. As barreiras sanitárias podem ser um importante
instrumento para proteção deste mercado por não serem produtos industrializados. Exportação
de frutas é sempre uma oportunidade ao Brasil.
Ampliação do Mercado Doméstico
O consumo per capita de sucos cítricos no Brasil é baixo, no entanto, a demanda pela fruta
fresca é elevada. O brasileiro, em cidades menores, e em extratos de menor renda, ainda
possui o hábito de elaborar o suco no local de consumo, artesanal, ou consumir o próprio
fruto.
Políticas que incentivem o consumo de suco podem apenas deslocar a demanda da fruta in
natura para o produto processado, não proporcionando uma ampliação efetiva do consumo de
laranja. Por outro lado, outros sucos estão ganhando espaço perante os sucos cítricos, como o
de maçã, goiaba e de pêssego, carecendo de estratégias de marketing conjuntas para disputar o
consumidor com a concorrência.
Neste sentido, a entrada da empresa Del Vale no mercado brasileiro, com um eficiente
sistema de distribuição, um produto de preço acessível e de conveniência (latas) acabou por
desenvolver este mercado de sucos de outras frutas. Se antigamente, no serviço das empresas
aéreas e nos bares, padarias e restaurantes o suco de laranja reinava absoluto, hoje compete
com pêssego e outras frutas.
Com a melhor distribuição de renda, uma parcela da população, até então excluída do
consumo da fruta, poderá impulsionar um aumento na demanda.
A exportação de polpa seca se reduziu drasticamente nos últimos anos em função do
desenvolvimento de um mercado doméstico para alimentação animal. O estímulo inicial foi a
proibição das exportações da polpa devido a observação da contaminação de dioxina, por um
período limitado de tempo, estimulando assim, o desenvolvimento de uma finalidade interna
para o produto que passou substituir as exportações. Porém custos de pedágio num produto de
alto volume acabaram também por inibir o setor privado.
Desafios competitivos em um ambiente de intensificação da liberalização comercial
O grande desafio com o processo de liberalização comercial é a possibilidade no aumento de
participação e exclusão de rivais no mercado de SLCC. Brasil, EUA e México são os
principais produtores mundiais, e com a abertura dos principais mercados consumidores, o
Brasil, sendo o mais competitivo, poderá ganhar fatias de mercado. O domínio de grande
parcela do fluxo internacional de SLCC pode dificultar o processo, no entanto, permite a
influência do mercado, reduzindo preços e com isto parte da produção americana e mexicana,
o que pode gerar retaliações por parte destes países.
Já para frutas frescas e sucos pasteurizados, a atual barreira é tecnológica e mercadológica,
pois têm-se falta de pesquisas de oportunidades e produtos inadequados aos mercados
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consumidores no primeiro caso, e logística de transporte complexa no segundo. A resposta
dos americanos e europeus no caso da abertura de mercado para o produto in natura poderá
ser a retaliação via barreiras sanitárias, conforme exposto.
Conseqüências de possíveis desgravações tarifárias e acordos de livre comércio
UE
Para o SLCC, o livre comércio com a UE poderá proporcionar uma redução de preço do
produto no mundo, e como conseqüência, tornando mais difícil a produção dos rivais. As
importações de SLCC brasileiro são taxadas em aproximadamente 34%. Os principais
concorrentes localizam-se na América, EUA e México, e caso ocorra o isolamento deste
bloco, o impacto não atingiria o principal parque produtor, mantendo a oferta de laranja.
Resta saber se a redução no preço do SLCC alavancará o consumo do suco reconstituído
roubando espaço dos demais sucos. Uma vez que as empresas que oferecem sucos no
mercado europeu apresentam quase todas as linhas, poderão fazer compensações internas,
dificultando este crescimento. Deve-se considerar que a parcela que a commodity, SLCC,
representa no valor final do produto acabado, pode não ser suficiente para impactar o preço
para o consumidor.
No mercado de frutas frescas, com grande potencial, o Brasil teria espaço para avançar com a
ressalva da necessidade de adequação da qualidade do produto, e maior conhecimento do
mercado por parte dos agentes. Trata-se de um produto de alto valor agregado, reduzindo o
impacto da redução de preço via queda das barreiras tarifárias. A Espanha, no caso da laranja,
e o México, no caso das limas, poderiam perder mercado.
ALCA
Na década de 90, enquanto o Brasil reduziu as exportações de SLCC para o mercado
americano, o México ampliou sua participação nas exportações, resultado dos benefícios que
o NAFTA lhe concede. Para entrar nos EUA, o SLCC é taxado em aproximadamente 56%,
equivalente ad valorem, e o mexicano em torno de 30%. Uma possível abertura comercial na
ALCA poderia também proporcionar queda no preço do SLCC, e como conseqüência,
redução de produção americana e mexicana do produto em função da menor competitividade
em custos. O mercado europeu ainda continuará relevante, e a queda nas cotações do SLCC
em função da ALCA poderia influenciar a receita das exportações brasileiras para o
continente europeu, caso as barreiras fossem mantidas. Vale destacar que a UE é o principal
cliente do Brasil, representando mais de 70% das exportações de SLCC. Porém, também nesta
analise deve ser considerado o impacto das reduções de preço nos EUA no consumo do
produto, que concorre fortemente com outras frutas.
UE e ALCA
O Brasil seria amplamente beneficiado, e no caso do SLCC, evitaria a redução de receita em
função da queda de preços e manutenção de barreiras tarifárias em blocos específicos. Os
EUA e o México reduziriam a produção devido a viabilidade econômica da atividade, que
passaria a ter preços mais baixos sem a devida redução de custo, que o Brasil se beneficiaria
com a queda das tarifas.
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Para frutas frescas, o cenário se repetiria, mesmo minimizando o efeito preço na exclusão de
rivais em função da característica do produto. A maior viabilidade do SLCC forçaria as
empresas ao direcionamento para o produto em detrimento das exportações de frutas frescas.
6.2 - Propostas de políticas industriais de fomento à competitividade e implicações sobre
as negociações comerciais (devem ser considerados três cenários: a continuidade da
conjuntura atual, integração com a UE e integração com a ALCA).
As propostas de políticas industriais para a cadeia citrícola são apresentadas abaixo e o
detalhamento é desenvolvido no Anexo 1
Propostas de políticas industriais:
1 - Redução das barreiras tarifárias dos sucos de laranja - SLCC (56%), e sucos de limão e
tangerina (37%) para as importações americanas (Tabela 2) – Igualdade NAFTA (Tabela 3)
2 - Redução das barreiras tarifárias dos sucos de laranja – SLCC (34%) e frutas frescas limão in natura (46,7%) nas importações européias (Tabela 4)
3 - Programa de conhecimento do mercado internacional de frutas citrícolas frescas
4 - Programa de incorporação de novas tecnologias de pós-colheita para frutas in natura
5 – Programa de aproximação das indústrias brasileiras de sucos do consumidor final (avançar
na cadeia produtiva)
6 – Programa de estímulo a diversificação de sucos
7 – Programa de estímulo a investimentos em logística internacional
Avaliação do desempenho possível e trajetórias para a melhoria do saldo setorial
A redução das barreiras tarifárias, que são picos tarifários no caso do SLCC, proporcionaria
incremento no saldo comercial da cadeia. Uma hipótese a ser levantada, trata-se do risco da
redução apenas da barreira na ALCA, região produtora e formadora de preço. Com a redução
da tarifa, o preço da commodity poderá cair, impactando no preço mundial. O Brasil exporta
apenas um pequeno volume para os EUA (inferior a 20%), que seria beneficiado com a
redução tarifária, mas a grande parcela é destinada para o mercado europeu, que passaria a
operar com a nova cotação (inferior), reduzindo assim, a receita da cadeia. No longo prazo, as
produções americanas e mexicanas tenderiam a reduzir-se, e o Brasil ganharia mercado
restabelecendo-se o equilíbrio. Já uma redução apenas na UE poderia não proporcionar este
efeito, já que os americanos e mexicanos não teriam fôlego para exportar ao mesmo preço que
o Brasil.
Efeitos no consumo do produto face a uma redução de preços não foram considerados,
fazendo com que este raciocínio se complique um pouco. Entretanto, dada a baixa
elasticidade-preço dos sucos de frutas em geral, não são esperados ganhos significativos em
consumo caso os preços dos produtos finais caiam em função da retirada das tarifas. Para as
exportações brasileiras, a liberalização comercial nos EUA e UE resultará, no curto prazo,
aumento das exportações em volume porém com queda nos preços internacionais. Ainda
assim haveria ganhos de margem para os exportadores e algum repasse desta aos produtores
nacionais. O ganho de margem seria diminuídos, mas não eliminado, com a diminuição dos
preços internacionais. No longo prazo, dada a maior competitividade brasileira, é esperado
que os concorrentes (EUA e México) reduzam parte de sua produção, especialmente nas
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regiões de custo mais alto. Nesta etapa, o Brasil passaria a ganhar novas fatias de mercado
levando a uma estabilização dos preços mundiais.
No mercado dos EUA, portanto, o Brasil ganhará fatias de mercado conforme a produção
interna e do México se ajustem ao novo patamar de preços internacionais. Já na UE, a retirada
das tarifas não deverá se converter em maiores volumes exportados porque o Brasil já detém
elevada parcela de mercado. Se os efeitos sobre a demanda forem pouco significativos, como
esperado, os ganhos ocorrerão apenas no curto prazo com elevação das margens dos
exportadores. No longo prazo esse efeito seria absorvido pelo mercado.
O melhor conhecimento do mercado internacional de frutas citrícolas frescas traria inúmeros
benefícios. O Brasil ainda é um pequeno player neste mercado, com grande potencial de
expansão, entretanto, carece de ajustes. Tratando-se de um produto de alto valor agregado, o
aumento nas exportações de frutas in natura poderia ampliar significativamente a entrada de
recursos para o Brasil. Deve-se precaver com possíveis barreiras sanitárias como defesa dos
produtores já atuantes.
O segundo passo para atingir este mercado de alto valor agregado é a adequação da estrutura
física e de coordenação da cadeia. Após identificadas as necessidades dos consumidores e os
caminhos para atingi-los, um programa de gestão da qualidade visando a incorporação de
novas tecnologias de pós-colheita seria implementado, assim como, ferramentas que facilitam
a coordenação, como a padronização, certificação e rastreabilidade. Os resultados na balança
de recursos poderiam ser colhidos no curto prazo. Cooperativas de produtores poderiam
emplacar neste mercado, abrindo mais uma frente para a comercialização das frutas.
O amplo estudo dos canais de distribuição dos sucos brasileiros e da construção de estratégias
privadas permitirão a aproximação das indústrias nacionais do consumidor final, agregando
valor ao produto. Sabe-se que esta não é tarefa fácil, mas talvez o principal desafio do setor.
Com a abertura comercial, o suco brasileiro ganharia mais competitividade, abrindo uma
oportunidade para aproximação das empresas de bebidas.
As proposta estão mais elaboradas no Anexo 1.
Recomendação metas para o saldo setorial
As metas também estão descritas no Anexo 1, mas devido ao caráter intangível de várias
proposições, em alguns caso são subjetivas.
Avaliação prospectiva de novos mercados e produtos para exportação
Como já relatado, hoje o principal produto brasileiro é o SLCC, commodity no mercado
internacional, e liderança absoluta do Brasil, mais de 80% do mercado mundial. Crescer neste
mercado será um desafio. A cadeia apresenta inúmeras outras alternativas, como os sucos
pasteurizados, que apresentam tendência de consumo favorável e ainda pequena participação
do Brasil, mas com limitantes tecnológicos que serão sanados em breve. Vale destacar que o
suco não concentrado poderá ser o principal item na pauta de exportações da cadeia citrícola
brasileira, portanto, a manutenção ou redução das barreiras tarifárias passar a ser fundamental
na agenda de negociações.
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Outros produtos com grandes potenciais são as frutas frescas e as polpas citrícolas
desidratadas, mercado que carece de estudos e adaptações que promovam maior
competitividade aos produtos. Apenas 1% da laranja produzida é exportada, representando,
em valor, mais de US$ 21 milhões de receitas para a cadeia.
6.3. Propostas de políticas de C&T
Avaliação de potenciais inovações tecnológicas e organizacionais incrementais e Identificação
de possíveis saltos tecnológicos
No campo ciência e tecnologia, propõe-se (Anexo 1):
6 – P&D na produção agrícola de citros (fitossanitários)
7 - P&D na distribuição internacional a granel do suco pasteurizado
8 - P&D em variedades específicas para o mercado de frutas frescas
Buscando garantir a competitividade das commodities da cadeia, o setor necessita de soluções
para os principais problemas fitossanitários, o Amarelinho e o Cancro Cítrico, que aumentam
o custo da produção agrícola. O problema já está sendo abordado com a interação do setor
público com o privado.
O grande salto no mercado internacional poderia ser dado pelo desenvolvimento da logística
de distribuição do suco pasteurizado a granel. Algumas empresas já exportam este produto,
mas com elevado custo e risco. Os incrementos tecnológicos são individuais, apesar do
sucesso passado, a ação conjunta poderia potencializar a inovação. É uma atividade
estratégica para as empresas atuantes.
A produção agrícola de frutas para mesa carece de aprimoramentos, especialmente nos
cultivares específicos para o consumo in natura. Como o produto adequado, o potencial de
exportação aumenta, mas os resultados só serão colhidos no longo prazo. A fruta de mesa
atual é resultado da adaptação dos cultivares para indústria, possuindo dupla aptidão. O
mercado é residual do processamento de suco.
Quanto as estruturas organizacionais da cadeia, o setor industrial é muito bem representado
pela Abecitrus, e o segmento de produção agrícola não apresenta a mesma articulação. Como
a relação envolve recursos e como existe imprevisibilidade de mercado, de produção e de
comportamento, acaba sendo conflituosa, dificultando a definição de estratégias conjuntas.
Como resultado, todo o setor perde. É um ponto onde soluções privadas poderiam ser
estimuladas e o sistema legal seria agilizado para a solução de conflitos.
7- Simulação e Construção de Cenários
O mercado internacional de SLCC é um caso clássico de livros-textos de microeconomia
sobre impactos de tarifas de importação no fluxo de produtos e na formação de preços
internacionais. A retirada das tarifas de importação, como proposto neste trabalho, deverá
trazer, no curto prazo, ajustes nos preços internacionais e na oferta brasileira e, no longo
prazo, na oferta dos concorrentes brasileiros, permitindo ampliação da participação do Brasil
nas exportações mundiais. O ajuste da retirada das tarifas, portanto, se dará de forma mais
pronunciada na oferta e não na demanda pelo SLCC.
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No curto prazo, a retirada das tarifas, seja nos EUA ou na UE, fará com que a oferta brasileira
aumente, levando a queda nos preços do produto brasileiro internalizado (preço c.i.f. mais
tarifa de importação). Esse efeito é esperado em uma indústria que é um oligopólio
competitivo.
É esperado, também, pelas características da indústria, que a queda nos preços de exportação
seja inferior ao valor do corte tarifário porque, não sendo uma indústria em concorrência
perfeita, o mercado vai se ajustar para manter uma pequena elevação nas margens, mesmo
diante da queda nos preços. Assim, no curto prazo, os maiores efeitos da retirada das tarifas
serão aumento da oferta brasileira, queda nos preços de exportação e pequeno aumento nas
margens dos exportadores. É possível que parte dessa margem seja repassada aos produtores
brasileiros, especialmente se a abertura ocorrer nas duas frentes: EUA e UE. Os novos preços
de exportação do Brasil provocarão um ajuste nos preços internos do SLCC nos dois
mercados. É provável, também, que os preços internos caiam em menor proporção do que a
queda dos preços do produto brasileiro internalizado nos EUA. Já na UE, dada a importância
do Brasil como fornecedor, o preço interno de equilíbrio se aproxima ao preço do produto
brasileiro internalizado.
No longo prazo, admitindo que as curvas de oferta agregada na UE e nos EUA não sofrerão
mudanças significativas, porque as curvas de demanda também não serão alteradas, o novo
patamar de preços internos do SLCC excluirá fornecedores não competitivos. Assim, sem
alteração estrutural na curva de oferta agregada, ocorrerá uma recomposição do mix de
fornecedores. O Brasil ganharia fatias nesse mix deslocando concorrentes. Esse efeito, no
entanto, deverá ocorrer apenas nos EUA, onde a participação de mercado do Brasil é
minoritária. Nesse mercado, o ajuste será feito na produção norte-americana e mexicana. Já na
UE esse processo não deverá ocorrer porque o Brasil já é soberano no mercado. Entende-se,
desta forma, que ganhos substanciais em volume exportado só ocorrerão com a abertura do
mercado dos EUA. Na UE, os ganhos em volume exportado serão menores em termos
proporcionais do que nos EUA. No longo prazo, portanto, as margens de exportação já
estarão em patamares normais mas o Brasil estará exportando mais em volume.
A partir das considerações acima, optou-se por avaliar qualitativamente em três cenários os
possíveis impactos das reduções tarifárias propostas neste trabalho. Esta análise tem como
objetivo validar os argumentos acima mas não pretende mensurar os resultados. Os números
apresentados foram estimados de forma qualitativa e as premissas definidas a partir do
conhecimento de mercados dos autores . Dessa forma, os cenários são apenas indicativos da
ordem de grandeza das alterações esperadas. As premissas foram definidas em conjunto pelos
autores e não são resultado de modelos econométricos.
Buscando validar as proposições do estudo, três cenários são criados. Assume-se como
premissas básicas, que as exportações brasileiras totalizam-se em 1.055.266 toneladas, a um
preço c.i.f. médio de US$ 1350/t, resultando em uma exportação da ordem de US$
1.424.609.100. Este mesmo preço foi considerado o preço de equilíbrio nos EUA e na UE. A
situação atual será contrastada com os outros três cenários, na última parte do item.
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7.1. Cenário 1: Igualdade de tarifa NAFTA para o SLCC brasileiro (de 56,7% para
30,7% - Redução de 26 pontos percentuais)
Pressupostos:
i) Recuo de 50% das exportações do México e da Costa Rica
-
Exportações do México para os EUA – 171.723,07 t
-
Exportações da Costa Rica para os EUA – 48.116,24 t
-
Total – 219.839,31
-
Recuo de 50% - 109.919,65 t
ii) Redução da produção americana de SLCC de 20%
-
Produção americana de SLCC – 1.064.102 t
-
Recuo de 20% - 212.820,40 t
iii) Queda do preço de 13% nos EUA (50% da redução)
-
Exportações do Brasil para os EUA – 131.096 t
-
Avanço NAFTA (i+ii) – 322.740,05 t
-
Total a ser exportado NAFTA – 453.836,05 t
-
Total exportado em valor sem a redução de preço (US$1.350/t) – US$ 612.678.667,5
-
Total exportado em valor com a redução de preço (13%) – US$ 533.030.440,7
iv) Queda de preço de 5,2% no mundo (20% da redução)
-
Total exportado pelo Brasil para o resto do mundo em quantidade– 924.170 t
-
Total exportado pelo Brasil para o resto do mundo em valor sem a redução de preço
(US$1350/t) – US$1.247.629.500
-
Total exportado pelo Brasil para o resto do mundo em valor com a redução de preço
(5,2%) – US$1.182.752.766
Exportações brasileiras de SLCC no cenário 1 – US$ 1.715.783.207
7.2. Cenário 2: Queda de 50% da tarifa EU para o SLCC (de 33,6% para 16,8% Redução de 16,8 pontos percentuais)
Pressupostos:
i) Queda de preço de 8,4% na UE (50% da redução)
-
Total exportado pelo Brasil para EU (em quantidade) – 748.471 t
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-
Total exportado pelo Brasil para UE (em valor) sem a redução de preço (US$1350/t) –
US$1.010.435.850
-
Total exportado pelo Brasil para EU (em valor) com a redução de preço (8,4%) –
US$925.559.238,6
ii) Queda de preço de 3,36% no mundo (20% da redução)
-
Total exportado pelo Brasil para o resto do mundo (em quantidade)– 306.795 t
-
Total exportado pelo Brasil para o resto do mundo (em valor) sem a redução de preço
(US$1350/t) – US$414.173.250
-
Total exportado pelo Brasil para o resto do mundo (em valor) com a redução de preço
(3,36%) – US$400.257.028,8
iii) Redução da produção americana de SLCC de 3% e expansão do Brasil
-
Produção americana de SLCC – 1.064.102 t
-
Recuo de 3% - 31.923,06 t
-
Expansão Brasil (US$1350 – 8,4% X 31.923,06) – US$ 39.476.018,9
iv) Aumento das exportações brasileiras de 10% EU
-
Total exportado pelo Brasil para EU (em quantidade) – 748.471 t
-
Total exportado pelo Brasil para EU (em valor) com a redução de preço (8,4%) –
US$925.559.238,6
-
Incremento de 10% nas exportações brasileiras – US$ 92.555.924
Exportações brasileiras de SLCC no cenário 2 – US$ 1.457.848.210
7.3. Cenário 3: Igualdade de tarifa NAFTA para o SLCC brasileiro (de 56,7% para
30,7% - Redução de 26 pontos percentuais) e queda de 50% da tarifa EU para o SLCC
(de 33,6% para 16,8% - Redução de 16,8 pontos percentuais)
Pressupostos:
i) Recuo de 50% das exportações do México e da Costa Rica
-
Exportações do México para os EUA – 171.723,07 t
-
Exportações da Costa Rica para os EUA – 48.116,24 t
-
Total – 219.839,31
-
Recuo de 50% - 109.919,65 t
ii) Redução da produção americana de SLCC de 20%
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-
Produção americana de SLCC – 1.064.102 t
-
Recuo de 20% - 212.820,40 t
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iii) Queda do preço de 13% nos EUA (50% da redução)
-
Exportações do Brasil para os EUA – 131.096 t
-
Avanço NAFTA (i+ii) – 322.740,05 t
-
Total a ser exportado NAFTA – 453.836,05 t
-
Total exportado em valor sem a redução de preço (US$1.350/t) – US$ 612.678.667,5
-
Total exportado em valor com a redução de preço (13%) – US$ 533.030.440,7
iv) Queda de preço de 8,4% no mundo
-
Total exportado pelo Brasil para o resto do mundo em quantidade– 924.170 t
-
Total exportado pelo Brasil para o resto do mundo em valor sem a redução de preço
(US$1350/t) – US$1.247.629.500
-
Total exportado pelo Brasil para o resto do mundo em valor com a redução de preço
(8,4%) – US$1.142.828.622
v) Aumento das exportações brasileiras de 10% EU
-
Total exportado pelo Brasil para EU (em quantidade) – 748.471 t
-
Total exportado pelo Brasil para EU (em valor) com a redução de preço (8,4%) –
US$925.559.238,6
-
Incremento de 10% nas exportações brasileiras – US$ 92.555.924
Exportações brasileiras de SLCC no cenário 3 – US$ 1.768.414.987
7.4. Comparação entre a situação atual e os três cenários
A situação atual, premissa do estudo, é comparada com os três cenários na Tabela 7.1.
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Tabela 7.1: Situação Atual e Possíveis Cenários de Redução das Barreiras Tarifárias Impostas
nas Exportações de SLCC do Brasil
Cenários
Cenário 1 (Igualdade NAFTA)
Exportação Total de
SLCC
US$ 1.715.783.207
Cenário 2 (Redução 50% tarifa US$ 1.457.848.21
EU)
Cenário 3 (1 + 2)
US$ 1.768.414.987
Situação Atual
Saldo
US$ 1.424.609.100
US$ 291.174.106,7
US$ 1.424.609.100
US$ 33.239.110,3
US$ 1.424.609.100
US$ 343.805.886,7
Analisando-se os diversos cenários, verifica-se o maior incremento nas exportações
brasileiras, US$ 344 milhões, na redução de tarifas nas dois blocos, UE e ALCA. A paridade
de condições negociais do Brasil com o NAFTA, de acordo com as premissas do cenário 1,
proporcionaria uma ampliação de aproximadamente US$ 291 milhões nas exportações
brasileiras de SLCC, especialmente em função do impacto direto na produção americana e
mexicana. Em contra partida, uma redução tarifária apenas na UE, seguindo a simulação do
cenário 2, não apresentaria resultados expressivos, uma vez que, a redução no preço
internacional do SLCC seria pequena, não induzindo a uma redução significativa da produção
na América, principal região produtora de citrus.
Estes cenários não consideraram abertura de novos mercados e crescimento em países do leste
Europeu, Rússia, Ásia e outros.
8 – Quadros Síntese
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Cadeia: Citrícola
1- Margem de Negociação
Barreiras impostas
pelo Brasil
Observações
•
UE
•
•
•
ALCA •
TEC
(Tarifa
Externa Comum
–
Mercosul)
Sucos – 15,5%
Barreiras impostas às exportações brasileiras
BT
Suco de Laranja Concentrado
Congelado (SLCC) (2009.11.19)
33,6%
Suco de Laranja Não-Concentrado
(NFC) (2009.19.99) 12,2%
TEC Citrus in
natura – 11,5%
Citrus (laranja, limão, lima e
tangerinas) in natura - Equivalente
Importações não Ad Valorem variando de 3,2% a
46,7%, época do ano e produto
representativas
Cadeia citrícola
brasileira
é
muito
competitiva
BNT
N
Suco de Laranja Concentrado
Congelado (2009.11.00) 56,7% Equivalente Ad Valorem
Suco de Laranja Não-Concentrado
(NFC) (2009.19.25) 13,7%
Importação de
Equivalente Ad Valorem
um
pequeno
montante
de
Citrus (laranja, limão, lima e
frutas
frescas
tangerinas)
in natura - Equivalente
especiais
Ad
Valorem
variando de 1,6% a
(Limão
4,2%
Siciliano)
N
Observações
1. Tarifa específica ad valorem (% do valor) – acompanha as oscilações
das cotações’
2. Principal comprador do suco brasileiro (mais de 70%)
3. Brasil é o principal fornecedor, já possui elevada participação
4. Pequena produção européia de sucos cítricos
5. Espanha produz frutas de mesa
6. Tarifas sazonais para frutas in natura para proteção da produção local
(safra e entressafra)
7. Exportações brasileiras de frutas in natura podem estar sujeitas a
barreiras sanitárias, dependendo da oferta interna
8. Incremento nas exportações do NFC – Tarifa inferior ao concentrado.
Esforços devem ser dirigidos para manutenção ou redução
1. Tarifa Específica (valor fixo) calculada a partir do suco reconstituído –
Diferentes impactos em função das cotações
2. O México, principal concorrente na ALCA, beneficia-se pelo acordo do
NAFTA, 30,7% de equivalente ad valorem para o suco concentrado e
6,65% para o não-concentrado, com previsão de redução
3. México ganha share no mercado americano e Brasil perde
4. EUA é o segundo produtor mundial de laranja e suco de laranja. Possui
baixa competitividade
5. Pequena taxação para frutas frescas
6. Inexistência de subsídios diretos para a produção local de laranja e
exportação de sucos cítricos
7. EUA alega que o Brasil pode manipular o mercado internacional em
função da elevada participação e concentração do setor
8. Incremento nas exportações do NFC – Tarifa inferior ao concentrado.
Esforços devem ser dirigidos para manutenção ou redução
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Cadeia Citrícola
2 – Impactos sobre a cadeia no Brasil
Importações
Exportações Brasileiras
Brasileiras
Curto prazo - Aumento pouco
significativo em volume (jogo de soma
Aumento
zero), mas com possibilidades de
incremento de preço para os agentes no significativos dos
investimentos na
Brasil
produção agrícola
de citrus
Longo prazo – Queda de preço
internacional e conseqüente exclusão
Processamento
de competidores na produção (EUA e
trabalha com
México), permitindo um aumento do
capacidade ociosa
volume exportado pelo Brasil
EU
Mesmo com uma
possível redução
da TEC, as
importações não
seriam
significativas
ALCA
Configuração
Curto prazo - Aumento pouco
Aumento
significativo em volume (jogo de soma
significativos dos
zero), mas com possibilidades de
incremento de preço para os agentes no investimentos na
Brasil
produção agrícola
de citrus
Longo prazo – Queda de preço
Processamento
internacional e conseqüente exclusão
trabalha com
de competidores na produção (EUA e
México), permitindo um aumento do capacidade ociosa
volume exportado pelo Brasil
Observações
1. Brasil já possui eleva participação de mercado
2. Suco de laranja commodity é pouco elástico a preço
3. A redução do preço e a manutenção da margem dos
produtores brasileiros pode levar a exclusão de
competidores no longo prazo
4. Brasil pode ganhar share no futuro
5. EUA, especialmente o estado da Flórida, deverá reduzir
produção, onde a reconversão é possível (44% da
produção mundial de SLCC)
6. Empresas brasileiras possuem interesses na citricultura
americana, são produtores locais
7. Incremento nas exportações do NFC (tarifas interiores)
pode reduzir o impacto das barreias comerciais na
competitividade brasileira
1. Competidores estão localizados na ALCA
2. Brasil possui baixa participação no mercado americano
3. Redução do preço pode proporcionar uma rápida
exclusão destes rivais
4. Risco de queda do preço internacional, impactando as
exportações brasileiras para Europa, o grande mercado
nacional
5. Com a manutenção das tarifas, o México deve ganhar
participação no mercado americano
6. Negociações conjuntas nos dois blocos favoreceriam o
Brasil em função da inviabilidade de produção dos
competidores que estão localizados na região da ALCA
e estímulo para incremento das exportações brasileiras
para EU
7. Incremento nas exportações do NFC (tarifas interiores)
pode reduzir o impacto das barreiras comerciais na
competitividade brasileira
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74
9 – Bibliografia Levantada
BERMAN, B. Marketing Channels, John Wiley and Sons, USA, 1996, 663 p.
ECKES, P., The European Fruit Juice Industry - – Proceedings of the Third International Fruit
Juice Conference – Foodnews/Agra, Amsterdam, Netherlands, 1998, 22 p.
Euromonitor – inúmeras publicações e entrevistas..
Fruit Processing/Flussiges Obst Journals – inúmeras publicações
GIBSON, P.; WAINIO, J.; WHITLEY, D.; BOHMAN, M. (2001). Profiles of Tariffs in
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Economic Report No. 796. 52 p. January.
HEIJBROEK, A., Driving Forces for the Fruit Juice Industry - – Proceedings of the Third
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IHDEN, J., Germany – Proceedings of the Third International Fruit Juice Conference –
Foodnews/Agra, Amsterdam, Netherlands, 1998, 16 p.
JANK, M. S.; NASSAR, A. M.; ARASHIRO, Z.; JALES, M. Q. M.; SANTOS, A. P. (2001).
A Política Agrícola dos Estados Unidos e seu Impacto nas Negociações Internacionais.
Relatório Técnico Final, Projeto Banco Interamericano de Desenvolvimento e Ministério das
Relações Exteriores.
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Hall Europe, 4th ed., 1997, 873 p.
MARINO, M.K. Avaliação da Intervenção do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência
no Sistema Agroindustrial da Laranja. São Carlos: UFSCar, 2001. Dissertação (Mestrado em
Engenharia de Produção) Departamento de Engenharia de Produção.
MISSÃO DO BRASIL JUNTO ÀS COMUNIDADES EUROPÉIAS (2000). Obstáculos ao
Acesso das Exportações do Brasil ao Mercado Comunitário. Ministério das Relações
Exteriores.
MISSÃO DO BRASIL JUNTO ÀS COMUNIDADES EUROPÉIAS. A Política Comercial da
União Européia e as Barreiras às Exportações Brasileiras. Ministério das Relações Exteriores.
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August 1999.
NEVES, M.F., The Relationship of Orange Growers and Fruit Juice Industry: An Overview
of Brazil - Journal for the Fruit Processing and Juice Producing European and Overseas
Industry (Fruit Processing/Flussiges Obst), Schonborn, Germany, Volume 09, Number 04,
April 1999, p. 121-125.
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Rabobank, The Retail Food Market. - prepared by H.J.A. Bass et al. - Food and Agribusiness
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International Fruit Juice Conference – Foodnews/Agra, Amsterdam, Netherlands, 1998, 48 p.
ROSEMBLOON, B. Marketing Channels – 6th. Edition, The Dryden Press, 1999, 688 p.
STERN, L. & EL ANSARI, A.I. Marketing Channels – 5th. Edition, Prentice Hall, 1995, 576
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Third International Fruit Juice Conference – Foodnews/Agra, Amsterdam, Netherlands, 1998,
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VEENEMAN, M. W., The European Non Alcoholic Beverage Market – Proceedings of the
39th. Fruit Juice Week – Flussiges Obst – Karlsruhe, Germany, April, 1999. 6p.
ZYLBRERSZTAJN, D. & FARINA, E. M. M. Q. Agri-System Management: Recent
Developments and Applicability of the Concept”. Proceedings of the Third International
Conference on Chain Management in Agribusiness and the Food Industry, Wageningen
University, may 1998, p. 19-30.
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76
Anexo 1 – Modelo da matriz de recomendações
Recomendações
Objetivos
Instrumentos
1 - Redução das
barreiras tarifárias dos
sucos de laranja SLCC (56%), e sucos
de limão e tangerina
(37%)
para
as
importações
americanas (Tabela 2)
– Igualdade NAFTA
(Tabela
3).
Na
realidade, redução para
todos
os
sucos.
Prevenir-se
nas
negociações dos sucos
não concentrados onde
as
alíquotas
são
menores
2 - Redução das
barreiras tarifárias dos
sucos de laranja –
SLCC (34%) e frutas
frescas limão in
natura (46,7%) nas
importações européias
(Tabela
4).
Idem,
redução para todos os
tipos de sucos cítricos.
Prevenir-se
nas
negociações dos sucos
não concentrados onde
as
alíquotas
são
menores
Recuperar participação no Negociações
mercado americano de internacionais
sucos e reduzir a produção
mexicana e americana de
citrus
ResponsaResponsaResponsabilidades
bilidades do bilidades do do setor privado
Executivo
Legislativo
Prover
os
Prover informações
negociadores
para subsidiar os
negociadores e
participar das
negociações
Metas para o setor privado
Recuperar o volume exportado
para os EUA – SLCC: 341.000
t na safra 91/92 e 252.938 t na
safra 99/00
Conciliar estratégia com a
abertura do mercado europeu –
risco de influenciar uma queda
no
preço
parâmetro
internacional, impactando a
receita proveniente do grande
volume exportado para Europa
Ganhar mercado europeu Negociações
apesar
da
elevada internacionais
participação, no caso de
sucos, e redução do
parâmetro de preço no
mercado
mundial,
excluindo concorrentes da
atividade
Prover
os
negociadores
Prover informações
para subsidiar os
negociadores e
participar das
negociações
Apesar da elevada participação,
buscar incrementar o volume
exportado para o mercado
europeu de SLCC - 725.438 t
na safra 99/00
Por
conseqüências,
gerara
aumento de participação do
Brasil em outros mercados pela
exclusão de concorrentes em
função da queda de preço.
Aumentar do pequeno volume
exportado de frutas frescas para
UE
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3 – Programa de
conhecimento
do
mercado internacional
de frutas citrícolas
frescas. Entender as
barreiras sazonais e
variedades. Verificar
oportunidades.
Oferecer informações para
o
setor
privado das
oportunidades do mercado
internacional de frutas
frescas e exigências do
consumidor
4 - Programa de
incorporação de novas
tecnologias de póscolheita para frutas in
natura
Adaptar as tecnologias
existentes, para a melhor
qualificação do produtos
nacionais, expandindo o
conceito de cadeia de
suprimento
5 – Programa de
aproximação
das
indústrias brasileiras de
sucos do consumidor
final (avançar na cadeia
produtiva)
Promover a aproximação
das empresas nacionais do
consumidor final (produto
de alto valor agregado) –
Algumas idéias:
Fornecer diretamente para
marca-própria do atacado
ou varejo, a partir da
Europa ou de produção do
Brasil.
Fornecer
produto
já
embalado no Brasil, com a
marca do comprador.
Caracterização da produção
brasileira como de alto
valor adicionado, usando
parte dos programas da
Florida. Embalagens e
outros.
Criar estrutura de
inteligência
de
mercado
para
identificar
e
qualificar
demandas
potencias
no
mercado
internacional
Programa
de
gestão
da
qualidade
(equipamentos,
transporte,
padronização,
certificação
e
rastreabilidade)
Câmara privada
para estudos dos
atuais canais de
distribuição
77
Participar
da
estrutura ofertando
informações
da
oferta
brasileira,
ligando as exigências
internacionais
Participar
da
divulgação
internacional
Identificar e adequar
mecanismos
necessários
para
coordenação
do
sistema de acordo
com as exigências
Buscar equipamentos
adequados
Estruturar a câmara
com o apoio do
governo
Buscar especialistas
na área
Estrutura criada no cunho do
Estado com participantes do
setor privado
Instauração do programa de
gestão da qualidade no âmbito
do governo com a participação
da iniciativa privada
Instalação da câmara de estudos
Implementação das estratégias
propostas
Resultados de curto prazo
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6 – P&D na produção
agrícola
de
citros
(fitossanitários)
Legislação sanitária do
Brasil precisa ganhar
agilidade.
Defesa
sanitária precisa ser
fortalecida.
7 - P&D na distribuição
internacional a granel
do suco pasteurizado
Solucionar
problemas
fitossanitários da atividade
agrícola, reduzindo o custo
de produção
Projeto em andamento,
Genoma, mas pode ser
potencializado
Pesquisa
integrando o setor
privado
(FUNDECITRUS
) com o público
(FAPESP, etc.)
Disponibilizar
o
suco
brasileiro pasteurizado nos
mercados compradores com
baixo custo – produto
altamente demandado
Pesquisa conjunta
do setor privado e
profissionais
especializados
8 - P&D em variedades
específicas para o
mercado de frutas
frescas
Desenvolver variedades de
citrus específicas para a
comercialização da fruta
fresca, não adaptação de
variedades industriais
9 – Estimular maior
estabilidade
das
relações contratuais no
setor, seja entre o
produtor de laranja e
indústria processadora,
ou entre esta e a
indústria envasadora e
entre a envasadora e o
varejo.
Produtor precisa ganhar
representatividade.
Melhorar a relação do
produtor de laranja e da
indústria,
forçando
o
desenvolvimento conjunto
de estratégia que favoreça
todo o setor.
Criar
um
programa
de
desenvolvimento
genético
de
variedades
específicas para
produção
de
frutas de mesa,
identificando as
necessidades do
consumidor
Fortalecer
as
associações
de
representação de
classes
já
existentes.
Melhoria
no
sistema legal para
agilidade
nas
decisões quando
contratos não são
honrados.
78
Coordenar a pesquisa
Identificar
inteligência no setor
público
Busca de recursos
em
fontes
alternativas
de
fomento
Coordenação
do
segmento industrial
para articulação da
pesquisa.
Buscar a inteligência
especializada
no
assunto
Subsidiar o programa
de informações.
Coordenar a pesquisa
Encontrar alternativa para os
dois
principais
problemas
fitossanitários, o Amarelinho e
o Cancro Cítrico.
Aumentar a exportação de
sucos pasteurizados para o
mundo volume ainda
inexpressivo
com
grande
potencial de increnmento
Instaurar órgão responsável
pelo instalação e continuidade
do processo.
Resultado de longo prazo
Uso da biotecnologia
A participação se Instalação do fórum.
dará por meio das Resultados no curto prazo
associações
de
representação
de
classes em um fórum
de
discussões
conjunto de comum
acordo
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Verificar se o Brasil não Mapeamento da
consegue ser fornecedor cadeia produtiva
mundial de sucos de frutas,
pelo volume de matériaprima produzidas (fruas) e
aproveitando a abertura e
contatos da laranja
11 - Desoneração do A cadeia cresceria e teria
suco de laranja no novos integrantes com
Brasil.
dimensões
maiores,
podendo se tornar grandes
exportadores (modelo Nova
América)
12 - Programa de
Erradicação
e
Renovação de Pomares
13 - Estimular a
presença de fundos de
investimentos no setor,
com
pools
de
produtores
e
profissionais liberais
14 – Desenvolvimento Alguns mercados tais como Tradicionais de
de Mercados para os China, Korea, Thailandia, abertura
de
sucos cítricos
Indonésia, Índia e outros mercados
(Concentrado
e podem apresentar potencial
pasteurizado)
de desenvolvimento.
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10 - Exportação de
outros sucos usando o
modelo
e
infraestrutura citrícola
Recursos do
BNDES para
Investimentos
em
infraestrutura que
viabilizem
importação
nos
paises
alvo
A serem fixadas nos projetos de
investimento.
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