Estudo do macrofitobentos da baí
baía de Buarcos
Buarcos::
2 – Padr
Padrõ
ões de Zona
Zonaçã
ção
o
Leonel Pereira, Rui Gaspar & José Mesquita
Departamento de Botânica, Universidade de Coimbra, Arcos do Jardim, 3000 Coimbra, Portugal
Introdução
1 . Resultados e discussão
Figura 5 – Perfil topográfico do local de
estudo
Patamar Médiolitoral
Horizonte Superior
Horizonte Médio
Areal
Horizonte Inferior
Zona C
Zona B
Espécies/Cobertura
Tabela I – Lista de espécies e parâmetros
analíticos
Calliblepharis
Bornetia
secundiflora
jubata (R)
(R)
Callithamnion tetragonum
(R)
Callithamnion
tetricum (R)
Ceramium sps. (R)
Chondria coerulescens (R)
Chondria dasyphylla (R)
Chondrus crispus (R)
Cladophora sps. (C)
Cladostephus spongiosus
(P)
Codium
sps. (C)
Figura 2 – Amostragem de biomassa
pelo método dos quadrados
Zona A
Zona B
+
+
1
+
1
1
+
+
+
1
+
2
1
1
1
+
1
2
+
+
1
+
2
1
2
Materiais e métodos
1.1 Perfil topográfico
Para definir o perfil da zona a estudar, perpendicular à linha de costa, foram
utilizadas duas escalas de 1,5 m, graduadas em centímetros, colocadas na vertical a
uma distância sucessiva de um metro. Para medir o desnível do solo, usou-se um
tubo transparente cheio de água (fig. 1).
A determinação dos diferentes patamares e horizontes do local de estudo foi
feita com base numa tabela de mar és fornecida pelo Instituto Hidrográfico da
Marinha.
1.2 Método dos quadrados
Foi ensaiada uma amostragem pelo m étodo dos quadrados, na qual se
pretendia determinar a “área mínima” representativa da população em estudo.
Biomassa
Para a determinação d a “área m ínima” a ser usado na amostragem da
população testaram-se tr ês quadrados diferentes (10x10 cm, 20x20 cm, 30x30 cm)
(fig.2), tendo sido lan ç ados, de forma aleatória, dez vezes cada um deles. Foram
colhidas todas as algas presentes no interior de cada quadrado e determinada a sua
biomassa (peso seco expresso em g/m2) .
A determinação do n úmero de quadrados baseou-se em Goldsmith & Harrison
(1976), segundo o qual o n úmero mínimo de quadrados corresponde ao ponto em
que a média acumulada de biomassa , em função do número de quadrados, passa a
ter oscila çõ es menores.
Cobertura
Determinou-se, então, o tamanho de 10x10 cm (0,01 m 2) como mínimo para a
amostragem ser significativa em rela ção a esta população (fig.3).
Para a determinação d a área m ínima de amostragem para a cobertura foram
ensaiados sete quadrados diferentes (0,01 m 2; 0,04 m 2 ; 0,09 m 2; 0,25 m 2; 0,5625 m 2;
1 m 2 e 2,25 m 2) ( Cosson & Thouin , 1981). Os diferentes quadrados foram lan ç ados,
de forma aleatória, cinco vezes cada e contadas as espécies aí presentes. Da an álise da
curva “área-espé cie” e “ área-coeficiente de semelhan ç a” (fig.4), concluiu -se que n ão
era possível caracterizar fielmente a população algal atrav és deste m étodo. Para a
amostragem abranger todas as espécies presentes, incluindo as mais raras, era
necessário usar o método de amostragem em contín u o .
+
1
1
+
+
+
1
+
1
3
+
+
+
+
1
2
+
+
+
+
+
2
2
+
1
+
+
+
1
2
+
+
3
2
+
+
+
+
+
2
+
Gymnogongrus crenulatus (R)
1
1
+
1
+
+
2
33
+
3
38
+
2
38
Nº de espé
espé cies mé
mé dio por levantamento
elementar
11,3
10,2
8,1
Cobertura total (%)
154
107
58
1.2 Biomassa
CMG (%)
DP
0,02
0,49
0,13
1,86
0,26
3,45
1,41
0,03
0,24
0,17
1,60
0,34
4,05
0,68
1,43
0,11
3,75
0,001
0,04
3,57
0,003
7,67
2,40
0,02
0,18
1,40
0,002
0,15
0,03
0,001
2,36
1,02
0,06
0,001
0,46
0,002
0,93
0,59
7,38
21,89
0,23
0,88
0,24
1,08
0,19
3,69
0,001
0,06
4,27
0,003
2,52
2,71
0,03
0,16
1,08
0,001
0,21
0,04
0,001
0,80
1,15
0,05
0,001
0,47
0,004
1,15
0,40
3,38
15,59
0,32
1,16
0,32
0,06
0,04
1,89
5,57
0,002
0,11
10,59
2,37
0,09
0,002
21,04
47
0,05
0,03
1,47
2,65
0,001
0,14
15,19
4,06
0,16
0,001
9,29
A biomassa m édia da população estudada é de 157,222 g/m2 (fig.3). A
biomassa média das espécies com maior expressão, no que respeita à cobertura,
encontra-se expressa na tabela II.
As espécies com maior representatividade são : Corallina officinalis ,
Laurencia pinnatifida, Mastocarpus sttellatus e Chondrus crispus.
1.3 Amostragem em contínuo
Foram identificadas neste estudo 47 taxa : 34 Rhodophyceae, 8 Phaeophyceae
e 5 Chlorophyceae(a lista completa de espé cies encontra-se na tabela I).
1.3.1 Parâmetros analíticos
O par âmetros analí ticos estudados encontram-se representados na tabela I.
Pela an álise da referida tabela podemos tirar as seguintes conclusões:
•
nenhuma das zonas estudadas contém o total das espécies identificadas;
•
as zonas B e C apresentam o maior n úmero de espécies (38);
•
a zona A é aquela que mostra maior homogeneidade na distribuiç ão dos taxa , em
oposição à zona C com maior heterogeneidade;
•
a cobertura m édia total (CMT) é superior a 100%, o que significa que nalgumas
áreas as macroalgas se encontram sobrepostas;
•
a zona mais próxima do limite inferior do patamar médiolitoral (zona A) apresenta
a maior cobertura total, diminuindo progressivamente com o aumen to da altura do perfil.
1.3.2
•
as algas com maior cobertura média global (tabela I) são : Lithophylum
incrustans, Ulva lactuca, Pterosiphonia complanata , Corallina officinalis ,
Laurencia pinnatifida;
•
no que respeita à domin ância qualitativa (fig. 6), a classe das algas vermelhas
(Rhodophyceae) apresenta-se dominante em todo o perfil; as algas castanhas
(Phaeophyceae) apresentam uma diminuiç ão progressiva da zona A para a zona C. As
algas verdes constituem a classe menos representada e com a distr i b u ição mais
Tabela II – Dominância
homogénea.
quantitativa
•
No referente à domin ância quantitativa
(tabela II) as espécies dominantes são :
CMG
Biomassa
Dominância
Corallina officinalis
Espécies
, Laurencia pinnatifida (%)
, Pterosiphonia
complanata
(g/m2 )
quantitativa , Ulva
lactuca, Chondrus crispus.
(CMG x
2)
Biomassa)
•
Apesar daUlva lactuca e d a Pterosiphonia complanata
serem(g/m
dominantes
em
Corallina
officinalis
7,67
553
42,42 pois
termos de cobertura n ão o são no que respeita à domin ância quantitativa,
apresentam uma reduzida biomassa quando comparada, por exemplo, com a de
Corallina officinalis e Laurencia pinnatifida (nota: dada a natureza aderente e
calc área do Lithophylum
possível 453
determinar a33,48
suabiomassa) .
Laurencia incrustans
pinnatifida não foi7,39
CMT=106%
Lithophylum incrustans
(21,89%)
Parâmetros fitossociológicos usados
Ulva lactuca
(21,04%)
Pterosiphonia complanata
(10,59%)
Chondracanthus
teedii var. lusitanicus
(1,41%)
155,382
150
30x30cm
151,444
145
140
Figura 3 – Biomassamédia para três áreas
de amostragem diferentes
20
18
16
14
12
10
8
6
4
2
0
0,6
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
Coeficientede
semelhança médio
157,222
(g/m2)
Número médio
espécies
B i o m a s s a 155
Zon
Dominância qualitativa
dos
diferentes grupos de
algas
23,78
Chondrus crispus
3,75
318
11,93
Codium sps.
3,57
163
5,82
Polysiphonia sps .
5,57
103
5,74
Gelidium pusillum
2,36
194
4,58
Chondracanthus acicularis
3,45
99
3,42
Mastocarpus sttellatus
0,88
380
3,34
Chondracanthus teedii var.
lusitanicus
1,41
186
2,62
Devido ao facto do local estudado se encontrar num único horizonte
(horizonte inferior, patamar médiolitoral) a população algal não apresenta uma
zonação vertical nítida, pelo que houve necessidade de recorrer a uma
amostragem em contínuo.
Bibliografia
Leonel Pereira, Rui Gaspar & José Mesquita. 2000. Estudo do
Macrofitobentos da Ba ía d e Buarcos: 1 – Ensaio de Amostragem pelo M étodo
dos Quadrados. 2 º Encontro Nacional d Ficologia. Departamento de Botânica.
Universidade de Coimbra.
aB
Pereira, L. & Mesquita, J. 1998/99. Contribuição p a r a o
conhecimento das macroalgas marinhas da costa portuguesa. Boletim da
Sociedade Broteriana. 2 ª Série, Vol. 69.
Zon
0
0,01 0,04 0,09 0,25 0,563 1
30,71
113
S.B. (ed.). Methods in Plant Biology. Oxford, Blackwell Scientif ic Publ.: 85155
Amostragem de Biomassa
10x10cm
20x20cm
290
21,4
Goldsmith, F.B. & Harrison, C. M.1976. Description and Analysis
of Vegetation. Chapman,
Zon
aC
2.2 sintéticos
Cobertura média global por espé cie (CMG)
Cobertura média total (CMT)
Fig. 4 - Variações em função da área de amostragem
Domin ância qualitativa
do número médio de espécies (1) e do
coeficiente de semelhança médio (2)
Domin ância quantitativa
165
10,9
Ulva lactuca
Cosson, J. & Thouin , F. 1981. Étude du Macrophytobenthos en Baie
de Seine: Problèmes M éthodologiques. Vie et Milieu. 31 (2): 113-118.
2.1 analíticos
número de espécies por zona
número de espécies médio por levantamento elementar
cobertura (escala de Braun-Blanquet)
biomassa (g/m2)
170
Pterosiphonia complanata
4. Conclusão
Corallina officinalis
(7,67%)
Figura 6 – Representação
esquemática
da dominância qualitativa
Laurenci pinnatifida
(7,38%)
Amostragem em contínuo
M é d i a d a 160
Parâmetros sintéticos
O par âmetros sinté ticos estudados encontram-se representados na tabela I
(cobertura média global), na figura 6 (domin ância qualitativa) e na tabela II (domin ância
quantitativa). Pela an á lise das referidas tabelas e figura podemos tirar as seguintes
conclusões:
Legenda: R = Rhodophyceae; P = Phaeophyceae ; C = Chlorophyceae; CMG = Cobertura média global; DP = Desvio
padrão; CMT = Cobertura média total;
Escala de Braun-Blanquet: + < 1% , 1 = 1 a 5%, 2 = 6 a 25%, 3 = 26 a 50%, 4 = 51 a 75 %, 5 = 76 a 100%
Ao longo do perfil estabelecido foram realizados, de modo contínuo, um
grande n úmero de levantamentos, recorrendo para tal a um quadrado de um metro de
lado. Este m étodo permite caracterizar os diferentes par âmetros bionómicos da
população (cobertura - escala deBraun-Blanquet, domin ância qualitativa e
quantitativa), de uma forma mais precisa do que o mé todo da “área m ínima ”. Assim,
o local de estudo foi dividido em bandas paralelas à linha de costa, nas quais os
levantamentos foram efectuados, de forma a que a superfície estudada (levantamento
elementar) fosse claramente superior à “área m ínima ”, permitindo-nos registar todas
as espécies, incluindo as mais raras.
O perfil estudado foi dividido em tr ês zonas e, para cada uma delas, foi
calculado o valor médio dos diferentes par âmetros a partir dum total de 46
levantamentos elementares (conjuntos de 3 quadrados de 1 m de lad o ) .
2.3
+
1
+
Codium sps.
(3,57%)
2.2.2
+
+
+
+
+
+
+
+
2
1
Palmaria palmata (R)
Pterosiphonia pennata (R)
Plocamium cartilagineum
(R)
Polysiphonia
sps. (R)
Porphyra umbilicalis (R)
Pterosiphonia thuyoides (R)
Pterosiphonia complanata
(R)
Saccorhiza
polyschides (P)
Sargassum muticum (P)
Scinaia furcellata (R)
Ulva lactuca (C)
Número de espé cies
+
+
1
Corallina officinalis (R)
Cryptopleura ramosa (R)
Cystoseira tamariscifolia
(P)
Dictyopteris
menbranacea
(P)
Dictyota
dichotoma (P)
Ectocarpales epífitas (P)
Enteromorpha compressa
(C)
Enteromorpha
intestinalis
(C)
Gastroclonium
ovatum(R)
Gelidium pusillum (R)
Gigartina pistillata (R)
Gracilaria multipartita (R)
Grauteloupia filicina (R)
Halopteris scoparia (P)
Halurus equisetifolius (R)
Hypoglossum woodwardii
(R)
Laurencia
pinnatifida (R)
Lithophylum incrustans (R)
Lomentaria articulata (R)
Mastocarpus sttellatus (R)
Petrocelis cruenta (R)
Área m ínima
Zona C
+
+
1
+
+
+
1
+
+
+
+
1
+
+
+
+
Compsothamnion thuyoides (R)
1.2.1
Zona A
Distância (m)
Chondracanthus acicularis (R)
Chondracanthus teedii var.
lusitanicus (R)
1.
O perfil do local de estudo encontra-se representado na figura 5. Pela an álise da
referida figura conclui-se que o substracto rochoso (local de implantação das
macroalgas) apresenta um declive pouco acentuado, enquanto que o areal adjacente surge
com uma inclinação relativamente acentuada.
O perfil foi decomposto em dois patamares (patamar supralitoral e
médiolitoral), tendo o patamar m édiolitoral sido subdividido em 3 horizontes em função
do n ível médio das mar és .
Em consequência da pouca inclinação do substrato rochoso a zona estudada
encontra-se inserida num único horizonte (horizonte inferior do patamar médiolitoral).
No entanto, para facilitar a an álise dos resultados, o referido horizonte foi dividido em
três zonas (A, B e C).
Altura (cm)
Um levantamento florístico completo foi feito na referida estaç ão. Foram
também determinados alguns par âmetros bionómicos com vista à avaliaç ão
qualitativa do macrofitobentos (algas visíveis a olho nu) das classes Chlorophyceae,
Phaeophyceaee Rhodophyceae. Nesse âmbito foi ensaiada uma amostragem pelo
método dos quadrados ( Golgsmith & Harrison, 1976), na qual se pretendia
determinar a “ área mínima” representativa da população em estudo. Foram ensaiados
quadrados de diferentes dimensões e chegou-se à conclusão de que para a
amostragem abranger todas as espécies presentes, incluindo as mais raras e descrever,
o mais fielmente possível, a populaç ão algal, era necessário empregar o m étodo de
amostragem em contínuo. Por este mé todo, aplicado ao longo de um perfil
perpendicular à linha de costa, previamente estabelecido pela té cnica das “ escalas
móveis”, foram determinados os par âmetros bionómicos da população (cobertura escala de Braun-Blanquet; domin ância qualitativa e quantitativa), para um total de 47
taxa a í presentes. Foi também calculada a biomassa média a partir de uma
amostragem feita com um quadrado de 10x10 cm (método da área mínima).
Figura 1 – Determinação do perfil
topográfico pela técnica das escalas
móveis
1.1 Perfil topográfico
Patamar Supralitoral
No âmbito de um estudo da din âmica das populaçõ es algais em esta çõ es da zona
norte da costa portuguesa (Pereira & Mesquita, 1998/99) foi feito no Inverno do ano
2000 um primeiro ensaio de an álise qualitativa e quantitativa da macroflora algal
intertidal na Baí a de Buarcos (Pereira, Gaspar & Mesquita, 2000).
Chondrus crispus
(3,75%)
1.
2,25
Zona A
Área(m2)
Zona B
Zona C
aA
.
Total do perfil
Agradecimentos:
Agradecemos a colaboração d e Nuno Dias, Célia Cabral, RicardoTomé
e Z élia Velez , no levantamento do perfil topográfico e na amostragem de
biomassa.
Corallina
officinalis
Codium s p.
Gelidium
pusillum
Chondrus
crispus
Lithophylum
incrustans
Download

Poster - GEOCITIES.ws